INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
FUNORTE-SOEBRÁS
Tratamento de Pacientes Adultos com Doença Periodontal: Revisão
de Literatura
RODRIGO GOMES FERREIRA
Monografia apresentada ao programa de
pós-graduação do Instituto de Ciências da
Saúde - FUNORTE/SOEBRÁS Núcleo
Florianópolis, como requisito à obtenção
do título de Especialista em Ortodontia.
Florianópolis, 2011
INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
FUNORTE-SOEBRÁS
Tratamento de Pacientes Adultos com Doença Periodontal: Revisão
de Literatura
RODRIGO GOMES FERREIRA
Monografia apresentada ao programa de
pós-graduação do Instituto de Ciências da
Saúde - FUNORTE/SOEBRÁS Núcleo
Florianópolis, como requisito à obtenção do
título de Especialista em Ortodontia.
Orientador: Álvaro Furtado
Florianópolis, 2011
Dedico este trabalho aos meus filhos, às
pessoas
que
de
alguma
forma
ajudaram, e em especial a minha mãe.
me
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por ter me possibilitado a
oportunidade da vida, aos meus pais por terem me
amado, criado e educado, a minha esposa por estar
sempre ao meu lado, aos meus filhos por existirem, aos
meus
professores
pelos
orientador pela paciência.
ensinamentos
e
ao
meu
Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois
perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem
ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal
forma que acabam por não viverem nem o presente nem
o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer e morrem
como se nunca tivessem vivido
(Dalai Lama).
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1: Neste exemplo, uma força distal é aplicada ao canino superior. A
tendência de giro do canino (momento) no sentido horário é igual ao
produto da magnitude da força pela distância, perpendicular à linha
de ação da força, a partir desta linha, até o centro de resistência (A).
A mesma magnitude de força aplicada em pacientes com periodonto
saudável, quando aplicada a dentes que apresentam perda de
sustentação óssea, resulta num momento de magnitude
consideravelmente maior (B). Por outro lado, se o dente apresenta
uma raiz curta ou reabsorvida, o centro de resistência deste dente
migra coronalmente, diminuindo a magnitude do memento (C). ..........
19
SUMÁRIO
RESUMO
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................
1
2 PROPOSIÇÃO ..................................................................................................
3
3 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................
4
4 DISCUSSÃO .....................................................................................................
14
5 CONCLUSÃO ...................................................................................................
19
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................
20
RESUMO
O número de pacientes adultos que procuram o tratamento ortodôntico está cada
vez maior, mas boa parte destes pacientes apresenta doença periodontal que leva o
ortodontista a dúvida de tratar ou não. O tratamento destes pacientes deve ser
multidisciplinar e sempre com controle do periodontista e a ortodontia deve começar
somente após a eliminação da doença periodontal. O plano de tratamento
ortodôntico deve ter como objetivo solucionar o problema do paciente, ser rápido e
pouco ortodoxo, deve-se usar forças leves e ancoragens alternativas como
implantes. Para fase contenção devemos optar por contenções fixa e permanentes.
Palavras-chave: Tratamento
ortodôntico
Tratamento multidisciplinar.
em
adultos.
Doença
periodontal.
ABSTRACT
The number of adult patients seeking orthodontic treatment is increasing, but mosto f
these patients have periodontal disease that leads to doubt the orthodontist to treat
or not. The treatment of these patients should be multidisciplinary and alwaysin
control of the orthodontist and periodontist should begin only after the elimination of
periodontal disease. The orthodontic treatment plan should aim to solve the problem
of the patiente, be quick and unorthodox, must use light forces and alternative
anchors as implants. For phase containment, we choose fixed and permanent.
Keywords: Orthodontic treatment in adults. Periodontal disease. Multidisciplinary
treatment.
1
1 INTRODUÇÃO
Com o avanço das técnicas ortodônticas e sua popularização, bem como a
exigência cada vez maior por parte da sociedade por uma estética agradável,
pessoas de idade cada vez mais avançada tem procurado os ortodontistas para a
melhora estética e funcional de seus dentes. Sabemos que pacientes adultos
costumam ser mais exigentes quanto às explicações e quanto aos resultados, então
precisamos ter certeza até onde podemos ir com o tratamento ortodôntico e se
poderemos tratar tais pacientes. Contudo não são todos os casos que poderemos
tratar e o ortodontista deverá saber quando e até onde estes pacientes poderão ser
tratados.
Cada época tem seu conceito de beleza, e atualmente este padrão tem
exigências cada vez maiores e a linha do sorriso é considerada uma das mais
importantes características de um sorriso agradável (PINI et al., 2010).
Gazit-Rappaport et al. (2010) relatam que os altos padrões de vida
juntamente com o aumento da longevidade, têm levado a uma crescente demanda
por tratamento ortodôntico em adultos e que a estética do sorriso tem recebido
atenção especial dos profissionais.
Para Pithon et al. (2005), o maior acesso a informação, a melhora da
estética dos aparelhos ortodônticos e a utilização de medidas preventivas que
possibilitam que o adulto tenha mais dentes na boca são motivos para o aumento do
número de pacientes adultos que procuram o tratamento ortodôntico, determinam
também que o paciente é considerado adulto quando o crescimento formativo está
completo e isto acontece a partir de 18 anos.
2
Segundo Maltagliati et al. (2007), a aparência facial exerce um importante
papel na atratividade pessoal e afeta a saúde mental e o comportamento social que,
consequentemente, repercute em áreas como vida afetiva e profissional.
Reis (2010) afirma que a principal motivação dos pacientes adultos é a
melhora da estética do sorriso e que a aparência antiestética e o tempo prolongado
tratamento são os principais fatores de desmotivação.
Cerca de 30% ou mais dos pacientes adultos apresentam moderada ou
severa enfermidade periodontal e isso faz com que o conhecimento desta doença e
a diferença dela para a gengivite torne-se parte fundamental do curriculum vitae do
ortodontista (HARFIN, 2004).
O objetivo deste trabalho é realizar uma revisão na literatura sobre a
ortodontia em pacientes adultos com doença periodontal e propor uma conduta de
tratamento desde o início até a fase pós-tratamento.
3
2 PROPOSIÇÃO
A proposta deste trabalho foi realizar uma revisão na literatura sobre
tratamento ortodôntico em adultos com doença periodontal, sua viabilidade, suas
limitações e as pré-condições exigidas para estes pacientes.
4
3 REVISÃO DA LITERATURA
Primeiramente teremos que definir qual a idade em que começamos a
chamar o paciente de adulto, para Pithon et al. (2004) e Capelozza Filho et al.
(2001) considera-se adulto o paciente acima de 18 anos ou quando não há mais
crescimento formativo o que impede a realização de qualquer terapia ortopédica,
mas
em
compensação
eles
são
muito
cooperativos
e
tem
uma
maior
responsabilidade durante o tratamento.
O adulto também possui outras diferenças em relação aos jovens na
dinâmica óssea promovida pela movimentação dental, a resposta do tecido às forças
ortodônticas, incluindo tanto a mobilização da célula e a conversão das fibras de
colágeno é muito mais lenta que em jovens (ONG; Wang, 2002).
Reis (2010) fala que a capacidade proliferativa dos fibroblastos, osteoblastos
e cementoblastos é reduzida nos adultos tendo como consequência a redução do
potencial reparador e biossintético do ligamento periodontal que alonga a fase de
latência do tratamento ortodôntico e também afeta a estabilidade pós tratamento.
Para complemenar, a atividade osteoclástica é a mesma tanto em jovens
quanto adulto, só que nos adultos a aposição óssea é reduzida e essa menor
atividade periodontal influencia tanto na movimentação dental quanto na estabilidade
pós tratamento (PITHON et al., 2004).
Para Kokich (2003), 30 a 40% dos pacientes com mais de 25 anos
apresentam defeitos periodontais, abrasão e desgastes dentais, diastemas e
restaurações defeituosas exigindo um tratamento multidisciplinar para alcançar os
objetivos pré-determinados e a satisfação do paciente.
5
Harfin (2004) diz que é fundamental o ortodontista conhecer a diferença
entre gengivite e periodontite, a primeira é uma afecção inflamatória dos tecidos
moles que circundam o dente e é uma resposta direta de imunidade do organismo à
placa bacteriana, já a segunda é uma perda de tecidos ao redor da raiz do dente.
Fala também que não é possível determinar qual gengivite evolui para uma
periodontite.
Cabe também ao ortodontista saber da etiologia da doença periodontal,
como algumas causas podemos citar o biofilme bacteriano dentário, trauma
mecânico pela higienização dental, oclusão traumatogênica/trauma oclusal, inserção
do freio labial, altura da faixa de mucosa ceratinizada e espessura da margem
gengival livre, componente alveolar e posicionamento dentário (YARED et al., 2006).
Como a doença periodontal é relacionada ao acúmulo de placa bacteriana
faz parte do diagnóstico identificar fatores de retenção da placa como apinhamentos
que podem ser considerados um fator potencializador da doença devido a redução
da eficiência da higienização (ROCHA et al., 2005).
Ramos et al. (2005) sugerem que a melhora no desalinhamento é um fator
favorecedor da higiene bucal.
Para Gazit e Lieberman (1980), ao melhorar a posição dos dentes, criamos
um ambiente melhor para a saúde das gengivas, é possível também melhorar
defeitos ósseos com a atividade osteogênica promovida pela movimentação
ortodôntica.
Vale lembrar que o ortodontista também tem que fazer sua parte para
facilitar a higienização, para Capelozza Filho et al. (2001), o profissional deve
preferir a colagem de braquetes à cimentação de bandas, pois estes dispositivos
6
promovem uma perda significante de inserção periodontal, fala também que quanto
mais longe os braquetes ficam da margem gengival mais fácil é a higienização.
Mas para Gomes et al. (2007), o uso de braquetes ou das bandas não causa
necessariamente o agravamento das condições periodontais, também disse que a
suscetibilidade à doença periodontal independe da presença dessas peças.
Harfin (2004) demonstra que o aparelho ortodôntico não transforma
gengivite em periodontite mas enfatiza no exaustivo controle periodontal para não
agravar o problema.
Ramos et al. (2005) aconselham o uso de ligaduras metálicas, pois as
elastoméricas são mais propícias ao acúmulo de bactérias.
Pias e Ambrósio (2008) relatam que como consequências da doença
periodontal temos perdas ósseas horizontais, defeitos angulares intra-ósseos,
crateras interproximais, deiscências ósseas e lesões de furca, e que os defeitos
intra-ósseos são os que mais provocam dúvidas no ortodontista.
Para Cirelli et al. (2006), a destruição das estruturas de suporte é o fator
mais importante para que a migração patológica dos dentes ocorra.
Por causa da alteração do periodonto de sustentação há um desequilíbrio
entre forças da língua de dos lábios causando a movimentação dos dentes
envolvidos, sendo a presença de diastemas uma apresentação habitual nestes
casos e o paciente procura o ortodontista quando estes diastemas ocorrem na
região anterior prejudicando a estética (VALLE-COROTTI et al., 2005).
Já Rocha et al. (2005) falam que a migração dentária é devido às alterações
inflamatórias das fibras colágenas que unem os dentes adjacentes, pois têm um
importante papel na estabilização dos dentes.
7
Usualmente os pacientes com doença periodontal apresentam proclinação
nos dentes anteriores, espaços irregulares, rotações e sobre erupção dos dentes
(ONG; Wang, 2002).
Diastemas
medianos
ou
espaços
generalizados,
principalmente
no
segmento anterior, inclinação vestibular exagerada e extrusão dos incisivos
superiores, rotação e inclinação de pré-molares e molares, colapso da oclusão
posterior reduzindo a dimensão vertical agravado por trauma ou hábitos são as
características mais comuns encontradas em pacientes com doença periodontal
(CALHEIROS et al., 2005).
Após, identificada a doença periodontal, os fatores que contribuem para sua
manutenção e seus efeitos é obrigação do ortodontista encaminhar o paciente
primeiramente para o periodontista para que este profissional possa eliminar a
inflamação ativa (BUGARELLI et al., 2002).
Segundo Lino et al. (2008), o tratamento ortodôntico de pacientes com
problema periodontal é interdisciplinar e primeiramente estes pacientes terão que
fazer tratamento periodontal para que fiquem na fase inativa da doença e só então
possam iniciar a parte ortodôntica do tratamento.
Amara et al. (1997) relatam que o tratamento ortodôntico em adultos se
limita ao movimento do dente dentro do osso alveolar, isto torna inadequado a
correção de discrepâncias esqueléticas graves e de sobremordida anterior profunda.
Câmara e Fonseca (2004) enfatizam a importância da perfeita integração de
diversas especialidades para o tratamento do paciente e ainda chama esta
integração de sinergismo, onde cooperação de duas ou mais especialidades tem um
efeito melhor que a soma dos efeitos individuais destas. Ainda criou um protocolo
para o tratamento dos pacientes com doença periodontal que consiste nas seguintes
8
fases: estabelecer objetivos ideais e reais de tratamento, criar perspectiva do
resultado final do tratamento, dividir etapas interdisciplinares, controlar doenças
ativas, reabilitar provisoriamente, reposicionar dentes, verificar aspectos oclusais e
estéticos e finalizar a reabilitação.
Para a reabilitação do sorriso o planejamento ortodôntico-restaurador deve
contar com ampla comunicação e entendimento entre os diferentes profissionais
(PINI et al., 2010).
Antes de começar o tratamento ortodôntico o periodonto tem que estar
saudável ao nível clínico e sub-clínico, sem a presença de cálculos ou de cemento
necrótico, o paciente tem que fazer a sua parte higienizando perfeitamente os
dentes durante e após o tratamento (CACCIAFESTA, 2006).
Calheiros et al. (2005) dizem que a eliminação da bolsa periodontal não é
mais um objetivo primordial do tratamento periodontal, mas sim a conversão da
periodontite ativa para seu estado inativo, sendo assim o paciente é considerado
apto ao tratamento ortodôntico quando os problemas periodontais estão controlados,
ausência de sangramento gengival a sondagem e boa higiene oral.
Para Harfin (2004) é necessário um período de espera entre o término do
tratamento periodontal e o início da movimentação dental de três a quatro meses
para reavaliar o progresso do caso, e os controles de manutenção periodontal são
imprescindíveis tanto antes, como durante (cada sessão de ativação ortodôntica) e
após o tratamento ortodôntico.
Quando a periodontite é tratada sem cirurgia, a redução da inflamação é
esperada após 2 a 4 semanas para bolsas menores que 4 milímetros, para bolsas
maiores que 6 milímetros a espera deve ser de 4 a 6 meses então é este período
9
que Rocha et al. (2005) recomendam esperar antes de iniciarmos o tratamento
ortodôntico.
Valle-Corotti et al. (2005) recomendam uma espera de 4 a 6 meses entre o
fim do tratamento periodontal e o início do tratamento ortodôntico para que os
tecidos estejam sadios e o paciente apresente hábitos de higienização adequados.
Pias e Ambrósio (2008) compararam os diferentes tipos de tratamentos
periodontais, o grupo que tratou pacientes sem cirurgia teve um período de espera
de 4 a 6 meses antes de iniciar o tratamento ortodôntico, o outro grupo que tratou os
pacientes com cirurgia iniciaram o tratamento ortodôntico de 7 a 10 dias após,
ambos os grupos tiveram resultados satisfatórios.
Pithon et al. (2004) fazem uma ressalva quanto aos objetivos do tratamento
ortodôntico, não se deve direcionar os objetivos para somente alcançar as 6 chaves
da oclusão, mas sim garantir uma oclusão saudável.
Tratamentos ortodônticos em que objetivamos as 6 chaves de oclusão
normal de Andrews, geralmente é indicado para jovens, nos adultos os objetivos
estão restritos à solução da queixa do paciente, à eliminação da oclusão patológica
e o estabelecimento de uma oclusão fisiológica, e para atingirmos tais objetivos
temos que optar por um tratamento ortodôntico parcial para causar menores danos
as estruturas de suporte e ao dente e isto também resulta em um menor tempo de
tratamento e maior estabilidade (CAPELOZZA FILHO et al., 2001).
Maltagliati et al. (2007) também relatam que no paciente adulto um simples
apinhamento pode incomodar mais do que anomalias mais graves como um
excesso vertical de maxila, prognatismo ou assimetrias.
10
Obviamente dentes com perdas ósseas devem ter as forças incidentes
diminuídas para que a ortodontia não agrave o problema existente (LINO et al.,
2008).
Valle-Corotti et al. (2005) dizem que devido à perda óssea, o centro de
resistência do dente move – se em direção apical e quanto maior a distância entre o
ponto de aplicação da força e o centro de resistência maior será o momento da força
e isto causa uma maior tendência à inclinação, por isso forças extremamente leves
devem ser usadas, caso contrário, forças em excesso torna o movimento muito
rápido aumentando o risco de reabsorção radicular. Não ocorre perda óssea num
periodonto sadio e respeitando os limites de força.
Em dentes com perda de osso alveolar, o centro de resistência move-se
apicalmente, então é recomendado usar forças leves e de forma interrupta, pois,
evidências indicam que tais dentes estão mais sujeitos a reabsorções de raiz do que
dentes com periodonto saudável. Para complementar, movimentos dentais em
direção a defeitos ósseos não compromete o periodonto do dente movimentado
desde que o paciente tenha um adequado controle da placa (ONG; Wang, 2002).
Para Gowri et al. (2009), por causa da perda óssea o deslocamento do
centro de resistência do dente no sentido apical afeta o momento da força aplicada
sobre ele, então aconselha a usar forças mais leves e por períodos mais longos
(Figura 1).
11
Figura 1: Neste exemplo, uma força distal é aplicada ao canino
superior. A tendência de giro do canino (momento) no sentido
horário é igual ao produto da magnitude da força pela distância,
perpendicular à linha de ação da força, a partir desta linha, até o
centro de resistência (A). A mesma magnitude de força aplicada
em pacientes com periodonto saudável, quando aplicada a
dentes que apresentam perda de sustentação óssea, resulta
num momento de magnitude consideravelmente maior (B). Por
outro lado, se o dente apresenta uma raiz curta ou reabsorvida,
o centro de resistência deste dente migra coronalmente,
diminuindo a magnitude do memento (C).
Fonte: (MEIRELES, URSI, 2007).
Para Harfin (2004), pode-se utilizar qualquer tipo de movimentação
ortodôntica sempre que tiver um periodonto sadio apesar de reduzido.
Segundo Reis (2010), para uma eficiente condução do tratamento
ortodôntico o ortodontista deve se familiarizar com mecânicas pouco ortodoxas
como nivelamentos parciais, colagens passivas, sobrefios, extrações atípicas,
recursos da mecânica segmentada e ancoragem esquelética, pois para grandes
tratamentos, longos e de alto custo biológico o paciente espera grandes mudanças
estéticas e funcionais, já quando poucos benefícios são esperados, os tratamentos
devem ser curtos e com pequeno custo biológico.
Mesmo com os tecidos periodontais reduzidos, porém saudáveis, as
conseqüências da movimentação ortodôntica são clinicamente insignificantes, desde
que exista um controle adequado da placa bacteriana e se respeite os limites
biológicos. Movimentos ortodônticos em direção à defeitos ósseos angulares
12
causam reparo na morfologia óssea mas não tem efeitos favoráveis sobre o nível de
inserção do tecido conjuntivo (ROCHA et al., 2005).
Mover dentes através de defeitos ósseos como extrações com perdas
ósseas é possível, pois o movimento dental forma osso. Quando existe perda óssea
horizontal pode-se usar intrusão para ganhar alguma inserção, a extrusão é
recomendada quando temos defeitos verticais que não podem ser tratados
(CACCIAFESTA, 2006).
Movimentos intrusivos podem modificar de maneira positiva tanto o osso
alveolar quanto os tecidos periodontais e também reduz a profundidade das bolsas
periodontais e as recessões gengivais, é eficaz inclusive para reconstruir o tecido
interdental. É valido ressaltar que as forças ortodônticas não induzem perda dos
tecidos periodontais se for mantida uma boa higiene (PIAS; AMBRÓSIO, 2008).
A redução do defeito ósseo parece seguir a movimentação ortodôntica e em
estudos com macacos observou-se a completa resolução de defeitos ósseos quando
dentes foram movimentados para estes lugares (CIRELLI et al., 2006).
A dificuldade de ancoragem devido à perda óssea bem como as perdas
dentais é um problema muito comum encontrado pelo ortodontista, obrigando-o a
lançar mão de um sistema de ancoragem diferenciado (CALHEIROS et al., 2005).
De acordo com Pias e Ambrósio (2008), a falta de uma boa ancoragem em
pacientes adultos, sempre foi uma limitação para o tratamento ortodôntico.
Para Miguel et al. (2002), a prática ortodôntica contemporânea pode
envolver o uso de implantes como ancoragem principalmente quando os dentes que
poderiam ser usados como elementos de resistência estão ausentes.
13
Feng et al. (2009) falam do uso de implantes como ancoragem quando os
dentes posteriores tem uma severa perda periodontal e, consequentemente, alta
mobilidade.
Ong e Wang (2002) concordam que o maior desafio do tratamento
ortodôntico em adultos é ter um adequado suporte para a movimentação dental,
especialmente em áreas edêntulas e dentes com comprometimento periodontal
severo. Uma opção é o uso de implantes como ancoragem ortodôntica, pois podem
ser usados em casos em não se deseja a perda de ancoragem ou para preservar
dentes. Também podem ser usados como ancoragem para alinhamento dental préprotético, retração e realinhamento de dentes mal posicionados, fechamento de
espaços edêntulos, correção da linha média e espaços de dentes anteriores,
intrusão ou extrusão dental e muitas outras aplicações.
Mesmo após o final do tratamento os defeitos ósseos permanecem, então
Valle-Corotti et al. (2005) indicam contenção fixa dos elementos dentários. A
estabilidade pós-tratamento ortodôntico depende também da manutenção da saúde
periodontal, e o paciente deve estar em contato periódico com o periodontista.
As
contenções
pós-tratamento
devem
ser
permanentes
ou
semi-
permanentes, pois as dentições com suporte periodontal reduzido mostram uma
tendência à recidiva (ROCHA et al., 2005).
Embora se possa tratar e restabelecer a saúde bucal dos pacientes, os
problemas estéticos como a recessão gengival permanecerão, por isso Feng et al.
(2005) enfatizam a necessidade de conscientizarmos os pacientes do tratamento
interdisciplinar e de que o tratamento deve continuar mesmo após o término do
tratamento ortodôntico.
14
4 DISCUSSÃO
A revisão da literatura nos mostra que é cada vez mais comum pacientes
adultos procurarem o tratamento ortodôntico. Para que se possa tratar com
qualidade estes pacientes precisa-se estar cientes que cerca de 40% tem doença
periodontal ou outros problemas como mutilações, dentística precária, desgastes
dentais, abrasões e etc. (KOKICK, 2003; HARFIN, 2004).
Pacientes adulto também são mais exigentes quanto se trata das
informações e quanto aos resultados prometidos pelo profissional, não querem
tratamentos longos e preferem os aparelhos estéticos (REIS, 2010). Querem apenas
a resolução dos problemas por eles apontados que geralmente são apinhamentos
ou diastemas na região anterior (MALTAGLIATI et al., 2007). Mas apesar de mais
exigentes também são mais cooperativos (CAPELOZZA FILHO et al. 2001; PITHON
et al., 2005).
Os autores Capelozza Filho et al. (2001); Pithon et al. (2005) consideram o
paciente como adulto quando este não apresenta mais crescimento formativo que
cessa em torno dos 18 anos.
Ong e Wang (2002); Pithon et al. (2004); Reis (2010) concordam que a
atividade formativa do periodonto é reduzida nos adultos, mas a capacidade
osteclástica é igual tanto em jovens quanto em adultos e comentam que esta menor
capacidade formativa afeta negativamente tanto a movimentação quanto a
estabilidade pós-tratamento.
Para Yared et al. (2006) cabe ao ortodontista saber a etiologia da doença
periodontal e Harfin (2004) complementa quando afirma que o profissional deve
15
saber a diferença entre gengivite e periodontite e que não necessariamente a
primeira evolui para a segunda.
O acúmulo de placa está relacionado à doença periodontal, fatores como
apinhamento e desalinhamento dental podem tornar-se potencializadores da doença
então o simples fato de alinhar os dentes elimina tais fatores (GAZIT et al., 1980;
RAMOS et al., 2005; ROCHA et al., 2005).
Para que o profissional possa evitar regiões de acúmulo por causa da
instalação do aparelho Capellozza Filho et al. (2001) recomendam a preferência por
braquetes colados às bandas cimentadas, ainda recomenda a colagem dos
dispositivos mais afastados da margem gengival, e Ramos et al. (2005) aconselham
o uso de ligaduras metálicas, pois as elastoméricas acumulam mais placa. Gomes et
al. (2007) afirmam que o uso de braquetes ou bandas não causa a piora da condição
periodontal.
A perda óssea, tanto vertical quanto horizontal, devido à doença periodontal
causa as mais diversas migrações dental como extrusão, abertura de diastemas,
vestibularização dos dentes anteriores, rotações e perdas dentais. Estas
movimentações indesejadas ocorrem porque o equilíbrio de forças (da língua e
lábios) é rompido (ONG et al., 2002; CALHEIROS et al., 2005; ROCHA et al., 2005;
VALLE-COROTTI et al., 2005; CIRELLI et al., 2006).
Há unanimidade dos autores em afirmar que o tratamento destes pacientes
é interdisciplinar e que o planejamento ortodôntico é uma parte do plano de
tratamento. Todos os profissionais envolvidos têm que estar em ampla comunicação
e entendimento sintonia e entendimento (PIAS; AMBRÓSIO, 2008). Câmara et al.
(2004) definem esta perfeita integração entre as especialidades de sinergia onde os
16
benefícios da soma delas torna-se maior que o benefício trazido por cada uma
separada.
Os autores Calheiros et al. (2005); Cacciafesta (2006); Pini et al. (2010),
também são unânimes quando falam que a ortodontia só deve começar quando o
periodonto estiver sem doença e isto significa ausência de placa bacteriana,
ausência de sangramento à sondagem, ausência de cálculos e cemento necrótico e
que a simples presença de bolsa periodontal não impede o começo do tratamento
ortodôntico desde que as regras cima citadas sejam observadas.
Harfin (2004) recomenda um período de espera entre o final da terapia
periodontal e o começo do tratamento ortodôntico de 3 a 4 meses, Valle-Corotti et al.
(2005) dizem que o tempo de espera deve ser de 3 a 6 meses, já Rocha et al. (2005)
falam que o período de espera pode variar de 2 a 4 semanas para bolsas de até 4
milímetros e de 4 a 6 meses para bolsas maiores que 6 milímetros. Pias et al. (2008)
compararam 2 grupos com diferentes terapias periodontais e tempos de espera, o
grupo que se submeteu a cirurgia periodontal esperou de 7 a 10 dias para o início da
ortodontia o grupo não cirúrgico esperou de 4 a 6 meses e o resultado dos dois
grupos foi satisfatório, isto pode indicar que não importa o tamanho da bolsa ou
defeito periodontal nem o tempo de espera após a conclusão do tratamento
periodontal, o que o ortodontista tem que ter certeza antes de iniciar a ortodontia é
que a doença periodontal está na fase inativa.
Quanto ao plano de tratamento, Capelozza filho (2001); Pithon et al. (2004)
são enfáticos ao afirmar que no tratamento de adultos com doença periodontal não
deve ter como objetivo as 6 chaves da oclusão e sim resolver a reclamação do
paciente e ter uma oclusão estável.
17
Ong e Wang (2002); Valle-Corotti et al. (2005); Lino et al. (2008); Gowri et al.
(2009) indicam o uso de forças leves, pois o centro de resistência dos dentes que
sofrerem perda de periodonto migra apicalmente e isto influencia no momento da
força, isto é, quanto maior a distância da aplicação da força do centro de resistência
maior o momento. Apesar do tipo de movimento a ser feito não causar maior ou
menor perda óssea (HARFIN, 2004; ROCHA et al., 2005), o ortodontista tem que
estar pronto para usar mecânicas não convencionais ou pouco ortodoxas para
chegar aos objetivos propostos (REIS, 2010).
A movimentação dental para áreas de defeitos ósseos não só não causa
perda de periodonto como pode até melhorar o nível de inserção do dele, desde que
a doença periodontal esteja na fase inativa (CACCIAFESTA, 2006; CIRELLI et al.,
2006; PIAS; AMBRÓSIO, 2008).
Ong et al. (2002), Calheiros et al. (2005), Pias e Ambrósio (2008) e Feng et
al. (2009) relatam a dificuldade de conseguir uma boa ancoragem quando se deseja,
pois pacientes com doença periodontal possuem os dentes com perda óssea,
ausência de dentes e extensas regiões edêntulas, por isso o ortodontista tem que
usar ancoragens diferenciadas, Miguel et al. (2002) e Ong et al. (2002) sugerem o
uso de implantes como ancoragem para fazer os mais diversos tipos de
movimentação.
Ao final do tratamento Valle-Corotti et al. (2005) sugerem que se coloquem
contenção fixa e recomendar o controle periódico no periodontista. Rocha et al.
(2005) acrescentam que as contenções sejam permanentes ou semipermanentes,
estes dois autores concordam que os dentes com suporte ósseo reduzido têm
tendência a recidiva muito alta. Feng et al. (2005) recomendam também que o
18
paciente deva fazer o acompanhamento com o periodontista mesmo após o término
do tratamento.
19
5 CONCLUSÃO
Pode-se concluir com este estudo que:
1 – O tratamento de pacientes adultos com problemas periodontais é
perfeitamente possível;
2 – Antes do começo da ortodontia o periodonto tem que estar saudável;
3 – O tratamento obrigatoriamente tem que ser multidisciplinar para que o
problema não se agrave e o paciente deve sempre ser acompanhado por um
periodontista;
4 – Deve-se esperar 4 meses após o término do tratamento periodontal para
começar a ortodontia;
5 – O tratamento deve ser rápido e restringir-se às reclamações do paciente;
6 – A mecânica usada deve ser pouco ortodoxa e as forças usadas devem
ser menores que as habituais;
7 – É possível alcançar uma melhora na inserção periodontal com a
movimentação dental;
8 – Deve-se usar forças leves para a movimentação e a contenção póstratamento deve ser fixa e permanente.
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RODRIGO GOMES FERREIRA,2011