Pró-Reitoria de Graduação
Curso de Engenharia Civil
Trabalho de Conclusão de Curso
VIABILIDADE DO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DE
CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO EM ÁGUAS CLARAS – DF.
Autor: Sirlane Gomes Ferreira
Orientador: Dr. Douglas José da Silva
Brasília - DF
2014
SIRLANE GOMES FERREIRA
VIABILIDADE DO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E
DEMOLIÇÃO EM ÁGUAS CLARAS – DF.
Artigo apresentado ao curso de
graduação
em
Engenharia
Civil
da
Universidade Católica de Brasília, como
requisito parcial para a obtenção de Título de
Bacharel em Engenharia Civil.
Orientador: Dr. Douglas José da Silva
Brasília
2014
Artigo de autoria de Sirlane Gomes Ferreira, intitulado “Viabilidade do
Gerenciamento de Resíduos de Construção e Demolição em Águas Claras – DF”, apresentado
como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Civil da
Universidade Católica de Brasília, em 10 de Junho de 2014, defendido e aprovado pela banca
examinadora abaixo assinada:
__________________________________________________
Prof. Dr. Douglas José da Silva
Orientador
Curso de Engenharia Ambiental – UCB
__________________________________________________
Profª. MSc. Renata Concini Nunes
Examinadora
Curso de Engenharia Civil – UCB
Brasília
2014
DEDICATÒRIA
Dedico este trabalho a Deus, por ter me
concedido a graça da vida. A minha mãe, que
me atrapalhou e me alimentou durante a
produção do mesmo. A minha chefa Maria
Lívia, que me inspirou para pesquisa deste
tema. Ao melhor e mais ocupado orientador
que eu poderia ter Douglas José.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, a Ele toda honra, toda glória e todo louvor. Sem Ti
Senhor, nada seria possível. E ainda que eu ande pelo vale da sobra da morte não temerei
mal algum, porque tu estás comigo. Sl 23:4.
Aos meus pais José Alcino e Arcanja Gomes por sempre fazerem o possível e o
impossível para eu estudar, por acreditar, apoiar e dizer que essa seria a única herança
deixada. Não sei se será a única, mas com certeza a mais proveitosa.
A minha melhor amiga, minha Best Friend Forever, por sempre dar-me força, por
estar comigo desde o começo, até o final dessa longa jornada. Obrigada por orgulhar-se de
mim e me fazer sentir mais inteligente. Eu te amo Ingrid Suzuki.
A minha chefe, minha conselheira, minha “mãe” Maria Lívia por todo amor, estímulo
e por sempre acreditar no meu potencial profissional, mesmo quando eu não acredito. Você é
uma fonte inspiradora.
Aos meus “colegas de classe” Gabriel, Ana, Matheus, Raíra, Thalles e Maria. Por me
ajudar, suportar, ensinar, corrigir e ouvir durante esses cinco longos e tão rápidos anos. Foram
tantas noites sem dormir e festas sem beber...
A minha irmã, minha princesa Ana Clara, por me fazer rir enquanto eu chorava e me
mostrar que eu preciso vencer. Pois existe uma pessoinha que me ama e precisa de mim.
A minha família por me amar e torcer pela vitória da nossa primeira engenheira.
Desculpem-me pelos momentos que não estive presente, mas foi por um bom motivo.
Aos meus professores por me repassarem o que aprenderam. Um agradecimento
especial para Beth, por ter me alfabetizado, Wanderson, por ter me ensinado a gostar de
matemática, Renato por ter acreditado no meu potencial desde nova e aos Mestres que fizeram
toda a diferença nos meus dias acadêmicos, Cláudio Manuel, Glauceny Medeiros, José
Nielsen, Marcelo, Mauro e Miguel de um jeito especial vocês marcaram presença.
Ao meu orientador, meu mestre e mais novo amigo Douglas José. Obrigada pela
atenção e dedicação. Mesmo tão azafamado e sem tempo conseguiu ser o melhor orientador.
Obrigada pelos conselhos e incentivos.
Aos meus amigos, primos e conhecidos, pelas palavras de incentivo, carinho, força,
foco e Fé.
Aos funcionários da UCB, pela disposição em ajudar e sobretudo aos responsáveis
pelas secretarias dos cursos de Engenheira Civil e Ambiental, Maria Goreth e Ailton Sales,
obrigada pela força e o auxílio, desculpa pelas insistências.
As construtoras Figueiredo e Ávila Engenharia - FAENGE e Villela & Carvalho, por
aceitarem a proposta. Aos seus engenheiros Pedro Graner e André Sampaio, pela colaboração.
E aos seus funcionários pelo empenho perante as ações e a prática dos ensinamentos
repassados.
A empresa Areal Bela Vista por ter me recebido de braços abertos, pela recepção e
disposição do Rodrigo, pela explicação dada pelo Carlos Andrade e as informações fornecidas
pelo Pedro Câmara, obrigada pela atenção.
A empresa Mapre Equipamentos Rodoviários Ltda S/A pelo fornecimento da proposta
e de dados particulares referentes à usina de reciclagem.
1
VIABILIDADE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E
DEMOLIÇÃO EM ÁGUAS CLARAS – DF.
SIRLANE GOMES FERREIRA
RESUMO
Os resíduos da construção civil correspondem a mais da metade dos resíduos urbanos
depositados de forma incorreta no Brasil. As construtoras do Distrito Federal precisam de
locais para destinação correta de seus resíduos. Baseando-se nesta afirmativa, este trabalho
visa demonstrar a viabilidade da instalação de uma usina de reciclagem de resíduos de
construção e demolição, provenientes de serviços executados nas obras, da Região
Administrativa de Águas Claras – DF. A RA já foi considerada o maior canteiro de obras da
América Latina, ocupando ainda o primeiro lugar no ranking de obras do Distrito Federal. A
pesquisa tem como fonte de estudo duas obras do Setor Águas Claras Vertical, que geram
cerca de 5m³/dia de entulho. Nestas obras foram implantados Planos de Gerenciamento de
Resíduos - PGR, conforme a exigências da Lei Nº 12.305 que institui a Política Nacional de
Resíduos Sólidos - PNRS. O processo de reciclagem dos resíduos é demonstrado. Sendo
possível a reutilização do antigo entulho, como agregado para futuros serviços das obras. É
viável a abertura de uma usina de reciclagem para processamento e reaproveitamento dos
RESÍDUOS CLASSE A, provenientes das obras da cidade de Águas Claras.
Palavras-chave:
Resíduos
Classe
A.
Construção
Civil.
Sustentabilidade.
Gerenciamento de RCD. Reciclagem.
ABSTRACT
The construction waste corresponds for more than a half of urban waste deposited
incorrectly in Brazil. The builders of Federal District need places to dispose their waste
correctly. Based on this statement, this article aims to demonstrate the feasibility of a
recycling plant for construction waste and demolition from services performed in
constructions of Administrative Region of Águas Claras - DF. The AR was once considered
2
the largest construction area in Latin America, still occupying the first place of the ranking of
constructions of Federal District. The research has the source of study two constructions of
Vertical Sector of Águas Claras, which generate about 5 m ³/day of trash. In these
constructions Waste Management Plans were implemented - WMP, as the requirements of
Law No. 12.305 that establish the National Solid Waste Politics - NSWP. The process of
waste recycling is shown. Where is possible the reuse of the old rubble as aggregate for
constructions future services. Is it feasible to open a recycling plant for processing and reuse
of CLASS A WASTE, from the constructions of the city of Águas Claras.
Keywords: Class A waste. Civil construction. Sustentability. Management of DCW.
Recycling
3
Sumário
1.
INTRODUÇÄO .................................................................................................... 4
2.
MATERIAL E MÉTODOS .................................................................................. 6
2.1.
A LEGISLAÇÃO ................................................................................................. 6
2.2.
OS ESTUDOS DE CASO .................................................................................... 7
2.2.1.
A CIDADE DE ÁGUAS CLARAS .................................................................. 7
2.2.2.
AS EDIFICAÇÕES .......................................................................................... 8
2.2.3.
AS USINAS DE RECICLAGEM..................................................................... 8
2.3.
A APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO ................................................................ 13
2.3.1.
O PLANO DISTRITAL DE RESÍSUOS SÓLIDOS ..................................... 13
2.3.2.
O PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS - PGR ....................... 14
2.3.2.1.
A IMPLANTAÇÃO DO PGR .................................................................... 16
2.3.2.2.
OS TREINAMENTOS DO PGR ................................................................ 18
2.3.3.
O LICENCIAMENTO .................................................................................... 20
2.4.
OBTENÇÃO DE DADOS NAS EDIFICAÇÕES ............................................. 21
3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................................... 23
3.1.
O ATENDIMENTO DA PNRS ......................................................................... 23
3.1.1.
NA CIDADE DE ÁGUAS CLARAS - DF .................................................... 23
3.1.2.
NAS EDIFICAÇÕES DE ESTUDO .............................................................. 23
3.1.3.
NO AREAL BELA VISTA ............................................................................ 23
3.2.
ANÁLISE QUANTITATIVA ............................................................................ 24
3.2.1.
GERAÇÃO DE RESÍDUOS CLASSE A NAS EDIFICAÇÕES .................. 24
3.2.2.
GERAÇÃO DE RESÍDUOS CLASSE A EM ÁGUAS CLARAS ................ 24
3.2.3.
USINA COM CAPACIDADE DE PROCESSAMENTO .............................. 24
3.3.
OS CUSTOS PARA PROCESSAMENTO E REAPROVEITAMENTO ......... 26
3.4.
O RETORNO DO INVESTIMENTO ................................................................ 27
4.
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
27
4
1. INTRODUÇÄO
A indústria da construção civil está em alta, além de investir em empreendimentos e
serviços de qualidade, impulsiona as inovações no mercado da edificação. Com isso, entre
outros fatores positivos, torna-se bastante significativa ao desenvolvimento econômico e
social do país.
De acordo com o art. 225 da Constituição “Todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida
[...]” (1988, p. 139). O artigo seis, afirma que a moradia é um dos direitos sociais da
população (BRASIL, 1988). Com base nestes artigos é evidenciada a importância da moradia
e da conservação do meio ambiente no Brasil, devendo haver consonância entre as atividades
produção e o equilíbrio do ecossistema.
O aquecimento do mercado imobiliário contribui para o aumento da geração de
Resíduos de Construção e Demolição - RCD devido à alta quantidade de obras em execução.
A adoção de práticas sustentáveis nos canteiros de obra é uma das tendências para redução do
impacto ambiental da construção civil, particularmente com relação ao consumo de recursos
naturais.
Um canteiro sustentável é aquele que busca reduzir os desperdícios, a geração de
resíduos, a economia de água e energia e a redução dos impactos ambientais gerado pela obra.
Uma das premissas para um canteiro sustentável é o desenvolvimento do projeto, que deve
conter especificações de sistemas construtivos que minimizem a geração de entulhos.
Entretanto, mesmo com as melhorias implantadas em canteiros sustentáveis, sempre
haverá resíduos. Porém, estes resíduos devem ser eliminados de forma correta, visando à
diminuição dos impactos ambientais causados pelo setor.
Os estudos de Hendriks (2000) e Pinto (1999) demonstram que 40% a 70% dos
resíduos urbanos são gerados em canteiros de obras. Cerca de 50% dos resíduos são dispostos
irregularmente na maioria dos centros urbanos brasileiros de médio e grande porte.
O cenário da capital do país é pior que nas demais regiões, sendo o Resíduo Classe A
o maior problema dentre os resíduos caracterizados pelo Conselho Nacional do Meio
Ambiente - CONAMA 307.
CONAMA (2002, p.02) determina,
I - Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como:
a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras
de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;
b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes
cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto;
5
c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto
(blocos, tubos, meio-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras;
As atividades produtivas da construção civil possuem impactos diretos sobre o meio
ambiente, como no uso do solo e ocupação de mananciais de água. Consequentemente, tais
empreendimentos geram uma elevada quantia de resíduos. O setor é o maior consumidor
individual de recursos naturais, provocando desmatamento para exploração mineral e
execução de obras, poluição do ar e do lençol freático, além do assoreamento de rios.
Devido os altos índices de degradação ambiental relacionados à construção civil,
foram elaboradas legislações referentes ao processo de gerenciamento dos resíduos de
construção e demolição. Essas legislações devem ser seguidas, porém o custo-benefício e a
viabilidade da execução não são conhecidos, o que acaba desestimulando as construtoras na
implantação de políticas ambientais em seus canteiros.
Este artigo tem como objetivo analisar a viabilidade do processamento e
reaproveitamento de resíduos de construção e demolição, visando atender à LEI Nº 12.305 de
Agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS.
Os Objetivos Específicos estão voltados aos benefícios concedidos às construtoras
com processamento e reaproveitamento deste material, visando apresentar os custos para
instalação de uma usina que processe RESÍDUOS CLASSE A e determinar quais as
condições organizacionais, técnicas, gerenciais e tecnológicas necessárias para a implantação
de tal processo em uma cidade.
Resíduo é um termo originário do latim residuum, de residere, que significa ficar
assentado no fundo, resto, sedimento (Bueno, 1988). O Dicionário da Língua Portuguesa,
Ferreira (2009, p. 520) define lixo como “o que se varre da casa, do jardim, da rua, e se joga
fora: entulho; tudo que não presta e se joga fora; sujidade, sujeira, imundície; coisa ou coisas
inúteis, velhas, sem valor; ralé”.
De modo geral as referências bibliográficas trazem pesos diferentes no significado de
lixo e resíduo. O lixo é tratado como algo que deve ser eliminado do convívio, matéria
prejudicial que não agrega valor ao detentor. O resíduo possui um significado mais suave e
simples, não demonstrando tal repugnação.
Existem vários tipos de resíduos, e diversas são suas classificações. O resíduo da
construção civil, tema desta pesquisa, é um dos tipos de resíduos sólidos. Para a determinação
de resíduos sólidos também são encontradas diversas definições. Porém será usada a definição
da PNRS.
BRASIL (2010, p.02)
6
Resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de
atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe
proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem
como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável
o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para
isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia
disponível;
Para a determinação do significado de resíduos sólidos da construção civil neste artigo
usa-se a definição da Lei Nº 12.305/2010 PNRS, a qual determinar esses resíduos quanto a
sua origem (2010, p.06) “[...] os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de
obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para
obras civis”.
Para processamento dos resíduos da construção civil é necessário uma usina de
reciclagem. A usina tem como objetivo transformar os resíduos da construção civil em
agregados reciclados. Essa alteração é realizada a partir do processo de britagem, onde os
equipamentos são adaptados para triturar o Resíduo Classe A. Os produtos provenientes deste
processo podem substituir a brita e a areia em elementos da construção civil que não tenham
função estrutural.
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1. A LEGISLAÇÃO
A Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS dispõe sobre os princípios, objetivos
e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento
de resíduos sólidos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos
econômicos aplicáveis. Estando sujeitas à observância desta Lei as pessoas físicas ou
jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de
resíduos sólidos e as que desenvolvam ações relacionadas à gestão integrada ou ao
gerenciamento de resíduos sólidos (BRASIL, 2010).
A PNRS determina a obrigatoriedade da criação de Plano Nacional e dos Planos
Estaduais e Municipais de Resíduos Sólidos. O artigo dezenove da PNRS, determina que
devam conter nos Planos Municipais as formas de tratamento e disposição dos resíduos, sendo
o Distrito Federal obrigado a criar tal plano (BRASIL, 2010).
O artigo vinte da PNRS define os gerados como (2010, p.12) “pessoas físicas ou
jurídicas, de direito público ou privado, que geram resíduos sólidos por meio de suas
atividades, nelas incluído o consumo” e institui que os mesmos estão sujeitos à elaboração de
Plano de Gerenciamento de Resíduos – PGR (BRASIL, 2010). Desta forma, é determinado
7
que as empresas de construção civil, nos termos do regulamento ou de normas estabelecidas
pelos órgãos do SISNAMA, devem elaborar tal documento para suas obras.
O artigo três da PNRS determina que a destinação final ambientalmente adequada de
resíduos é aquela que inclui a reutilização, a reciclagem, a recuperação e o aproveitamento
energético ou disposição final, observando normas operacionais específicas de modo a evitar
danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos.
Ainda no artigo dezenove da Lei, está determinada a obrigação de possuir a licença ambiental
para execução dos serviços (BRASIL, 2010). Desta forma, há limites e obrigações para a
abertura unidade de destinação.
Portanto, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos o Estado, as
construtoras, e as unidades de destinação possuem obrigações quanto à gestão, ao
gerenciamento e a disposição de resíduos. Em seus artigos estão descritos o conteúdo mínimo
dos planos, quais as providências devem ser tomadas e o prazo para que as exigências sejam
implantadas.
Com base em estudos e de acordo com a convivência do termo, definamos resíduo
como qualquer produto que não possui mais utilidade, para a atividade a qual teve o primeiro
propósito. Desta forma, não podemos utilizar lixo como sinônimo deste termo. Pois o lixo não
possui mais serventia para demais processos, sendo o resíduo passível de reaproveitamento e
reciclagem e o lixo não.
2.2. OS ESTUDOS DE CASO
2.2.1. A CIDADE DE ÁGUAS CLARAS
O Distrito Federal é dividido em regiões admistrativas. Águas Claras é a XX Região
Administrativa e está situada entre as RA’s de Taguatinga, Vicente Pires, Park Way, Guará,
Núcleo Bandeirante e Riacho Fundo. Com distância de cerca de vinte quilômetros da Região
Administrativa de Brasília. Seu nome foi dado devido ao córrego de Águas Claras que nasce
na região.
Classificada como o maior canteiro de obras da América Latina durante os últimos
anos, a Região Administrativa de Águas Claras – DF possui 31,5 km² de extensão.
A cidade é delimitada pela Companhia do Desenvolvimento do Planalto Central CODEPLAN em três setores, sendo eles Águas Claras Vertical, Setor Habitacional
Arniqueiras e Areal.
O setor Águas Claras Vertical, possui predominância de construções verticais,
compostas por cerca de 20 pavimentos. São em sua maioria prédios residenciais de padrão
8
médio e ampla área de lazer. Com 170 obras verticais com Alvará de Construção (GDF,
2013), hoje a cidade pode ser considerada a maior geradora de RESÍDUOS CLASSE A do
Distrito Federal.
Sua população é composta por 121.839 habitantes, sendo o setor Vertical detentor de
73.586 moradores com rendimento bruto mensal de R$ 4.504,51 (quatro mil quinhentos e
quatro reais e cinquenta e um centavos) (CODEPLAN, 2014).
O arquiteto Paulo Zimbres foi o projetista responsável pela concepção do setor. As
obras tiveram início em 1990, transformando o espaço em um imenso canteiro de obras.
Com onze anos de emancipação os limites que definem a RA – XX ainda não estão
publicados oficialmente, mas de acordo com o Mapa Geral - Ocupação dos Lotes de Águas
Claras a área vertical da região possui 170 lotes em construção, 581 edifícios já construídos e
354 lotes livres, num total de 1.115 lotes, constantes do projeto original da cidade (GDF,
2013).
O cunho ambiental e a dedicação ao meio ambiente prevalecem na cidade desde a
escolha de seu nome. Suas avenidas possuem nome de plantas e suas praças de pássaros. Hoje
a cidade conta com 41 praças e três parques, sendo o Parque Ecológico de Águas Claras um
ponto de referência para proteger o acervo genético da flora e da fauna nativas da região,
áreas de nascente e recargas de aquíferos, proporcionando a realização de atividades voltadas
para a educação ambiental, cultural e de lazer, visando o desenvolvimento de pesquisas
ecológicas em 95,4876 hectares de área com perímetro total de 5.589,87m (CODEPLAN,
2014).
2.2.2. AS EDIFICAÇÕES
Os dados relacionados à geração e caracterização do resíduo foram retirados de duas
obras da cidade. A primeira obra é o Concept Boutique Residence constituído por uma torre e
embasamento, totalizando 14.102,87 m² de área construída, localizado na Avenida Jacarandá,
Lote 22 Águas Claras - DF, empreendimento realizado pela empresa Figueiredo e Ávila
Engenharia - FAENGE. A segunda obra é o Residencial Le Ciel constituído por uma torre e
embasamento, totalizando 21.342,32 m² de área construída, localizado a Rua 25 Sul – Lotes
13 e 15 Águas Claras - DF, empreendimento realizado pela Construtora Villela e Carvalho.
2.2.3. AS USINAS DE RECICLAGEM
A 33 km das obras em estudo, está implantada a única usina de reciclagem de
RESÍDUOS CLASSE A do Distrito Federal. A empresa Areal Bela Vista, localizada em
9
Sobradinho – DF trabalha com a exploração e produção de areia natural a cerca de vinte e
cinco anos e há quatro anos possui licenciamento ambiental para reciclagem de entulhos.
Apesar de a empresa ter sido a receptora dos RESÍDUOS CLASSE A da construção
do Estádio Nacional de Brasília, sua divulgação não é difundida e são poucas as informações
que obtemos por meio de fontes de pesquisa, sendo necessário realizar visita ao local para
conhecimento do trabalho.
Localizada na cidade de Sobradinho, a empresa possui uma área de 28 hectares
destinada à exploração de recursos naturais, produção de agregados e processamento de
RESÍDUOS CLASSE A. (Figura 1)
Figura 1 - Imagem aérea do Areal Bela Vista
Fonte: Google
Com base nas definições estabelecidas na PNRS, o Areal Bela Vista fornece o serviço
de destinação final ambientalmente adequada. Ele possui a capacidade para receber, reciclar e
dispor os resíduos de forma correta, observando normas operacionais específicas de modo a
evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais
adversos (BRASIL, 2010).
No Areal Bela Vista é executado o processo de reciclagem. De acordo com a PNRS
reciclagem é “o processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração de
suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em
insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos
competentes” (2010, p.02).
Desta forma, a processamento dos resíduos em estudo ocorre conforme o Figura 2. E
após esta transformação, o material pode ser reaproveitado como agregado miúdo e/ou
graúdo.
10
Recebimento do
RCD
Triagem do
Material
Resíduo Classe A
RESÍDUO CLASSE
B, C e D
Rompedor
Hidráulico
Alimentador
Vibratório
Britador de
Mandíbulas
Correia
Transportadora
Separador
Magnético
Peneira
Vibratória
Correia
Transportadora
Rebritador de
Material Grosso
Materia Fino
Moinho de
Impacto
Peneira
Desaguadora
Areia
Média/Grossa
Caixa de
Decantação
Areia Fina
Figura 2 - Fluxograma do Processo de Reciclagem
Na primeira etapa do processo de reciclagem a empresa recebe o resíduo e confere o
Controle de Transporte de Resíduos – CTR, emitido pela construtora. Assina, carimba e retém
uma via de acordo com as exigências da NBR 13.221:2010.
11
Quando o Resíduo de Construção e Demolição - RCD, chega ao Areal ele passa pelo
processo de triagem onde são separados em duas categorias Resíduos B, C e D e Resíduos A.
Apenas os Resíduos Classe A são utilizados nesta usina, sendo os demais despachados
para outras usinas de reciclagem. Quando os resíduos possuem dimensões maiores que 80 x
50 cm os mesmo passam pelo Rompedor Hidráulico (Figura 3), para que cheguem ao
tamanho que o Alimentador Vibratório (Figura 4) consiga captar.
Figura 3 - Rompedor Hidráulico
Fonte: Sirlane Ferreira
Figura 4 - Alimentador Vibratório
Fonte: Sirlane Ferreira
O Britador de Mandíbulas (Figura 5) faz a britagem primária destes materiais para sua
possível utilização como agregado. O material é carregado pela Correia Transportadora –
(Figura 6), que possui um Separador Magnético, o qual retira todos os fragmentos metálicos.
Após esta etapa, parte do material é separada. Esse produto é chamado de bica corrida
ou BGS, muito utilizado nas obras, para diversos tipos de serviço. Durante a passagem pela
Peneira Vibratória os grãos menores, que passaram do processo de britagem primária, são
depositados em uma nova esteira para serem lavados, estocados e comercializados com uma
classificação de areia média (Figura 8). Os demais são encaminhados para outro processo.
12
Figura 5 - Britador de Mandíbulas
Fonte: Sirlane Ferreira
Figura 7 - Peneira Vibratória
Fonte: Sirlane Ferreira
Figura 6 - Correia Transportadora
Fonte: Sirlane Ferreira
Figura 8 - Areia Média RCD
Fonte: Sirlane Ferreira
Os resíduos que não foram totalmente processados nesta etapa, passam por um
segundo processo. Este processo possui um Rebritador de material grosso, que rompe os
resíduos com dimensão que não passaram pelo peneiramento inicial. O resíduo novamente é
disposto na correia transportadora e a polia magnética retira os pequenos metais. Nesta etapa
são separados materiais grossos e finos.
Por fim o Moinho de Impacto (Figura 9), tritura o material restante deixando-o na
granulometria de areia fina (0,05 mm a 0,3 m).
Em outra máquina é feito o peneiramento desaguador. Este processo separa as areias
grossas e médias, deixando a areia fina passar junto com a água. Este último material fica em
repouso na Caixa de Decantação (Figura 10) para que ocorra a sedimentação.
Após ter passado por estes processos o material transformado é considerado um
agregado reciclado, definido pelo CONAMA 307 como material granular proveniente do
beneficiamento de resíduos de construção que apresentem características técnicas para a
13
aplicação em obras de edificação, de infra-estrutura, em aterros sanitários ou outras obras de
engenharia (CONAMA, 2002).
Figura 9 - Moinho de Impacto
Figura 10 - Peneira Desaguadora
Fonte: Sirlane Ferreira
Fonte: Sirlane Ferreira
2.3. A APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO
2.3.1. O PLANO DISTRITAL DE RESÍSUOS SÓLIDOS
A LEI Nº 3.232, que dispõem sobre a Política Distrital de Resíduos Sólidos, entrou em
vigor em 11 de Dezembro de 2013, determinado em seu décimo primeiro artigo que o poder
executivo deveria disponibilizar áreas e/ou reservar áreas futuras em todas as cidades do
Distrito Federal para efetivação da destinação final dos resíduos sólidos urbanos, mediante
prévia análise da SEMARH. Não há qualquer disposição nesta lei instruindo sobre a
destinação final dos resíduos de construção civil, exceto as obrigações das obras e receptores
de prévio licenciamento ambiental.
O decreto Nº 29.399, de 14 de agosto de 2008, em seu artigo primeiro aprova o Plano
Diretor de Resíduos Sólidos do Distrito Federal. Dentre seus objetivos gerais estão à proteção
da qualidade do meio ambiente, a redução da geração de resíduos sólidos e a garantia da
adequada disposição final mediante utilização de técnicas ambientalmente sustentáveis.
Um dos objetivos estratégicos deste plano é coletar e tratar e destinar de forma final
100% (cem por cento) dos resíduos gerados no Distrito Federal.
O Plano Diretor de Resíduos Sólidos do Distrito Federal de Julho de 2008, propôs uma
rede de infraestrutura para o tratamento de grandes volumes de resíduos de construção. Na
época da proposta a cidade de Águas Claras fazia parte da região administrativa de
Taguatinga e o cenário para indicado para o ano de 2015 era o da Tabela 1.
14
Tabela 1 Infraestrutura proposta pelo Plano Diretor para 2015.
INFRA-ESTRUTURA DE
INFRA-ESTRUTURA
VALORIZAÇÃO
COMPLEMENTAR DE ELIMINAÇÃO
Infra- estruturas: Usina fixa de reciclagem
de RCD
Tecnologia: Tritura a peneira básica (45 mm),
móvel ou fixa.
Local: Guará, anexa ao local ocupado pelo 1 aterro de resíduos inertes contíguo à usina
aterro do Jóckey (após encerramento).
fixa de reciclagem.
Área de Influência: Guará, Brasília,
Taguatinga,
Candangolândia,
Núcleo
Bandeirante, Riacho Fundo.
Capacidade de Tratamento: 300.000 t/a
2.3.2. O PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS - PGR
Para o atendimento das exigências da Lei N° 12.305 que institui a Política Nacional de
Resíduos Sólidos, foi formulado e implantado o Plano de Gerenciamento de Resíduos - PGR,
para cada uma das obras em estudo.
A partir do diálogo com a equipe técnica das obras, de tabelas, documentos e relatórios
disponibilizados e por meio da leitura do Plano de Qualidade da Obra - PQO foram obtidos os
dados para a criação do PGR.
O PQO é um documento exigido pelo Referencial Normativo Nível A do Sistema de
Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras - SiAC projeto propulsor do
Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat - PBQP-H que é um
instrumento do Governo Federal para cumprimento dos compromissos firmados pelo Brasil
quando da assinatura da Carta de Istambul (Conferência do Habitat II - 1996).
De acordo com as exigências do PNRS foram elaborados os PGR’s, os mesmos
possuem o conteúdo mínimo exigido pela lei e mais alguns itens, conforme a Figura 11, que
relaciona os assuntos abordados no PGR do Residencial Le Ciel.
15
CONTEÚDO DO PGR
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
RESPONSABILIDADES e AUTORIDADES
Empreendedor
Empresa De Coleta E Transporte
Destinatários
CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS
Classificação dos Resíduos
Resíduos Gerados Devido Os Sistemas Construtivos Da Obra
PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS
Educação Ambiental, Segurança e Política da Qualidade.
Planejamento
Coleta Seletiva
Identificação de Resíduos
Medidas para redução, reutilização e reciclagem de resíduos no
canteiro.
ARMAZENAMENTO
Dispositivos para coleta do LE CIEL
Identificação dos dispositivos de coleta
ACONDICIONAMENTO
TRANSPORTE
DESTINAÇÃO
DESCARTE DE EFLUENTES
Efluentes provenientes do processo de produção de argamassa
Efluentes provenientes da lavagem de Ferramentas de Pintura
Efluentes provenientes da lavagem de Rodas
Esgoto e Águas Servidas
METAS E INDICADORES
Figura 11- Assuntos abordados no PGR do Residencial Le Ciel
Os Planos de Gerenciamento de Resíduos foram elaborados com base nas legislações
descritas na Tabela 2.
16
Tabela 2 - Legislações aplicáveis para a elaboração do PGR.
IDENTIFICAÇÃO
CONAMA 275
CONAMA 307
DESCRIÇÃO
Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos;
Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos
Resíduos da Construção Civil;
CONAMA 378
Empreendimentos causadores de impacto ambiental;
CONAMA 401
Descarte de pilhas e baterias;
CONAMA 430
CONAMA 448
Lei 9795
Lei 12.305
Dispõe sobre as condições, padrões e diretrizes o lançamento de
efluentes;
Altera os arts. 2º, 4º, 5º, 6º, 8º, 9º, 10 e 11 da Resolução nº 307, de
5 de julho de 2002;
Dispõe sobre ações de Educação Ambiental;
Política Nacional de Resíduos Sólidos;
NBR 10.004
Resíduos Sólidos – Classificação;
NBR 13.221
Transporte de resíduos – Procedimento.
2.3.2.1.
A IMPLANTAÇÃO DO PGR
A implantação do PGR ocorreu durante o período de seis meses e foi realizada a partir
da introdução de conceitos planejamento gerencial, logística, organização, redução na geração
de resíduos, coleta seletiva, segregação, acondicionando de forma adequada, redução de
desperdícios e perdas na obra.
A indústria da construção civil conta hoje com a mão de obra menos qualificada do
país. O grau de escolaridade dos funcionários na maioria das vezes não passa do nível
alfabetizado. De acordo com os próprios gerentes das obras, esse seria o maior desafio
durante a implantação do PGR.
O artigo nove da PNRS diz que “na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve
ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem,
tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”
(2010, p.05). Desta forma para introdução dos princípios da norma e aplicação do PGR,
durante os treinamento era propagados os princípios do Programa 3R.
O Programa 3R’s é um conjunto de ações que ganhou visibilidade após a Conferência
da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Os 3R’s consistem nos atos de Reduzir,
Reutilizar e Reciclar o resíduo produzido. Reduzir - diminuir o consumo de produtos e o
desperdício de materiais, utilizando apenas o necessário. Reutilizar - reaproveitar os materiais
17
que estiverem em bom estado, antes de seu descarte. Reciclar - devolver o material usado ao
ciclo de produção, entregando-o à coleta seletiva. (Figura 12)
Figura 12 - Ciclo Do Programa 3R's
Estes princípios foram disseminados nos canteiros, com o intuito de conscientizar as
equipes quanto à responsabilidade de cada um no auxílio da implantação e incorporação do
PGR.
Para aplicação do PGR também foram utilizados outras legislações que facilitam a
compreensão da equipe, como o CONAMA 307, que estabelece diretrizes, critérios e
procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil e o CONAMA 275 que
estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na
identificação de coletores.
A resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, de 05 de
Julho de 2002, caracteriza os resíduos da construção civil em classes.
CONAMA, (2002, p 02).
I - Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como:
a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras
de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;
b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes
cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto;
c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto
(blocos, tubos, meio-fios etc.) produzidas nos canteiros de obras;
II - Classe B - são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como:
plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras e gesso; (redação dada pela
Resolução n° 431/11).
III - Classe C - são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias
ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem ou
recuperação; (redação dada pela Resolução n° 431/11).
IV - Classe D: são resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como
tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles contaminados ou prejudiciais à saúde
oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações
industriais e outros, bem como telhas e demais objetos e materiais que contenham
amianto ou outros produtos nocivos à saúde. (redação dada pela Resolução n°
348/04).
Desta forma, os funcionários foram orientados a fazer a separação dos resíduos de
acordo com as classes determinadas no CONAMA 307.
18
2.3.2.2.
OS TREINAMENTOS DO PGR
Foram ministrados treinamentos com todas as equipes, para disseminação dos
conceitos e cumprimento das exigências da Lei Nº 9.795 de 27 de abril de 1999 que institui
diretrizes sobre Educação Ambiental.
Os treinamentos eram realizados de forma teórica e prática, contando com apoio
audiovisual de retroprojetor. De forma didática, com exemplos reais e linguagem simples, os
exercícios contavam com a participação de todos os funcionários e estimulavam os
colaboradores na aplicação do programa. Os problemas e oportunidades de melhoria eram
expressos nestes momentos de diálogo e por meio de relatórios mensais apresentados a
gerência da obra.
Os treinamentos abordavam os seguintes assuntos (Coleta Seletiva; Desperdício na
Obra; Segregação e acondicionando dos Resíduos de forma adequada; Reduzir a geração de
entulho, os desperdícios e perdas na obra; Classificação dos Resíduos; Importância de não
gerar o resíduo; Danos que a Construção Civil provoca ao Meio Ambiente; Coleta seletiva do
entulho; O que minha equipe pode fazer pra ajudar no PGR).
As equipes responsáveis pelo almoxarifado e abastecimento e limpeza, receberam
treinamentos específicos, pois essas são as que mais possuem ligação com o processo. A
equipe de almoxarifado foi treinada em relação ao preenchimento dos Controles de
Transportes de Resíduos – CTR, Figura 13. Este documento é especificado pela NBR
13.221:2003. Transporte Terrestre de Resíduos.
19
Figura 13 - Controle de Transporte de Resíduos CTR
Além da importância de aplicação da legislação, o CTR serve como controle
quantitativo dos volumes de resíduos que são retirados da obra. Neste registro os resíduos são
qualificados e quantificados.
Os treinamentos possuíam carga horária de uma hora, não tendo frequência estipulada.
Todos receberam o treinamento de Introdução ao Plano de Gerenciamento de Resíduos e de
acordo com a necessidade vista a partir de visitas técnicas eram feitos treinamentos
específicos com as equipes.
Durante as atividades realizadas no Concept Boutique Residence, no período de 23 de
Julho de 2013 á 10 de Fevereiro de 2014, foram realizados dez treinamentos, contando com a
participação de cerca de 150 funcionários.
20
Figura 14 - Treinamento de Introdução do Plano de
Gerenciamento de Resíduos - Concept Boutique Residence
Fonte: Sirlane Ferreira
Durante as atividades realizadas no Residencial Le Ciel, no período de 28 de
Novembro de 2013 a 30 de Abril de 2014, foram realizados quatorze treinamentos, contando
com a participação de 183 funcionários, sendo cinco treinamentos realizados com os
funcionários do almoxarifado que são os responsáveis pelo preenchimento e guarda CTR.
Figura 15 - Treinamento de Introdução ao Plano de
Gerenciamento de Resíduos - Residencial Le Ciel.
Fonte: Sirlane Ferreira
2.3.3. O LICENCIAMENTO
O processo de licenciamento é longo, criterioso e burocrático. No caso do Areal Bela
Vista foram necessários três anos até a liberação da licença.
O licenciamento ambiental é uma obrigação legal, prévia à instalação de qualquer
empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente.
21
Ele possui como uma de suas mais expressivas características a participação social na tomada
de decisão, por meio da realização de Audiências Públicas como parte do processo. (IBAMA,
2014).
Figura 16 - Licença Ambiental do Areal Bela Vista.
Em 2003 o empreendedor Carlos Andrade de Oliveira teve a objetivo de iniciar os
serviços. Para isso percorreu várias cidades e países onde a prática de reciclagem já é
difundida. No ano 2005 entrou com o pedido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA. E em 2008 o pedido foi concedido, estando o
empreendimento licenciado para a atividade de reciclagem de entulho por meio da Licença de
Operação Nº 017 Processo nº 0.2008.000.667/2013-19, tendo a LO o prazo de validade
estabelecido considerando o Plano de Controle Ambiental sendo no mínimo, 4 (quatro) anos
e, no máximo, 10 (dez) anos.
2.4. OBTENÇÃO DE DADOS NAS EDIFICAÇÕES
Os funcionários foram treinados para segregar os resíduos de acordo com suas classes.
Desta forma os RESÍDUOS CLASSE A, são depositados em caçambas estacionárias, que
comportam 5m³. Os almoxarifes foram orientados a preencher o CTR com o volume diário
das caçambas estacionárias, gerando assim um valor do volume de resíduos por meio da
Equação 1.
(1)
Na Equação 1,
estacionárias e
é o volume de resíduos em m³,
é a quantidade de caçambas
equivale o volume das caçambas.
As edificações em estudo coletaram os dados qualitativos e quantitativos dos resíduos
gerados durante os quatro primeiros meses do ano de 2014. A esquematização dos dados
22
necessários para essa pesquisa foi feita a partir de uma planilha de acompanhamento mensal,
onde são inseridas informações com base no preenchimento dos CTR’S, sendo preenchida
com o volume semanal de resíduos gerados.
Tabela 3- Planilha de Acompanhamento Mensal
MÊS DE REFERÊNCIA
RESÍDUO
UND
CLASSE A
m³
MADEIRA
m³
METAL
1 SEM
2 SEM
3 SEM
4 SEM
TOTAL
T
PLÁSTICO
Kg
PAPEL E PAPELÃO
Kg
PERIGOSO
Kg
OUTROS
A partir da inserção correta dos dados, a planilha calcula a quantidade de resíduos
gerados, sendo o somatório realizado conforme a Equação 2. Desta forma, é possível chegar
ao valor de resíduos gerados ao longo do mês.
∑
(2)
Na Equação 2,
é o Total de RESÍDUOS CLASSE A,
é o volume de resíduos
gerados semanalmente em m³.
A planilha inteligente calcula o somatório dos meses dando o valor de resíduos
gerados ao longo do ano, conforme Tabela 4.
Tabela 4 - Planilha de Acompanhamento Anual - Residencial
Le Ciel
ACOMPANHAMENTO ANUAL
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
RESÍDUO
UND
CLASSE A
m³
MADEIRA
m³
METAL
T
PLÁSTICO
Kg
PAPEL E PAPELÃO Kg
PERIGOSO
Kg
OUTROS
-
TOTAL
m³
m³
Tn
Kg
Kg
Kg
A planilha fornece os dados em m³, porém para uniformização e facilidade na análise
dos dados, o valor obtido será transformado em toneladas, usando a Equação 3.
(3)
Onde, γ é o peso específico, W é o peso do material e V representa o volume, em
unidades do (SI), o peso é dado em kN, o peso específico em kN/m³ e o volume em m³. De
acordo com análises o peso específico do RCD pode ser definido como de 17.5 kN/m³
(JIMÉNEZ, 2012). A partir da Equação 3, o volume de resíduos será transformado kN. Para
converter a unidade de kN para toneladas usamos a Equação 04.
(4)
23
Onde,
equivale ao peso em toneladas,
é o peso em kN e
é a gravidade
9,81m/s².
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1. O ATENDIMENTO DA PNRS
3.1.1. NA CIDADE DE ÁGUAS CLARAS - DF
Após quase seis anos da data de publicação do Plano Diretor, não há vestígios da rede
de infraestrutura para tratamento de resíduos da construção civil. O local sugerido no Plano
Diretor, para a instalação da usina de RCD faz parte da área onde hoje funciona o Aterro do
Jóckey Club. Este “aterro” não possui condições para recebimento de resíduos urbanos, e não
tem a área apropriada para a usina de RCD proposta pelo Plano Diretor. De acordo com
informações fornecidas pela Administração de Águas Claras, não há informações oficiais
sobre tal proposta.
3.1.2. NAS EDIFICAÇÕES DE ESTUDO
O ponto considerado de maior dificuldade no início do programa foi realizado com a
colaboração e participação da equipe de produção. Os resíduos foram separados corretamente
pelos funcionários. As obras seguem seus PGR’s e realizam os procedimentos conforme
escrito no plano.
Infelizmente, os funcionários foram instruídos a depositar o Resíduo Classe A junto ao
Gesso (CLASSE B), e aos resíduos dos quais não foram desenvolvidas tecnologias de
reciclagem e reaproveitamento (CLASSE C). Esta atitude foi tomada devido à inviabilidade
de encaminhar os resíduos para o Areal Bela Vista, devido o custo para transporte do material.
3.1.3. NO AREAL BELA VISTA
A usina processa entre 300 e 400 toneladas por dia, mas possui equipamentos e
capacidade para processar 600 toneladas por dia. O material proveniente do processo de
reciclagem de RCD é misturado com material natural e vendido. O material é comercializado
de diversas formas. São produzidos agregados graúdos e miúdos de qualquer granulometria.
O antigo resíduo também pode ser empregado como pedra marruada (utilizada como base
para drenagem) e bica corrida (substitui a brita graduada natural, e é considerado um
excelente material drenante).
O Areal Bela Vista recebe os resíduos provenientes das construtoras, mas para isso
cobra o valor do transporte. Uma viagem para Águas Claras custa R$100,00, sendo que a cada
24
viagem só podem ser transportados 5m³ e a empresa não fornece caçamba estacionária para
armazenamento deste material na obra.
Hoje as construtoras mantém contrato com empresas de transporte de entulho, que
deixam a caçamba estacionária na obra até haver necessidade de reposição. Essas empresas
possuem autorização de transporte e descarga de resíduos da construção no Aterro do Jóckey
Club, emitida pelo Serviço de Limpeza Urbana – SLU e cobram em média R$150,00 por
viagem.
3.2. ANÁLISE QUANTITATIVA
3.2.1. GERAÇÃO DE RESÍDUOS CLASSE A NAS EDIFICAÇÕES
Nas obras de estudo, foram coletados os dados referentes à geração de resíduos no
período de 06 de Janeiro de 2014 á 30 de Abril de 2014. No canteiro de obras do Concept
Boutique Residence eram executados os serviços de alvenaria, contra piso, revestimentos
internos e externos (fachada) e assentamento cerâmico. Na obra do Residencial Le Ciel eram
realizados os serviços de concretagem, alvenaria, reboco e contra piso.
De acordo com a coleta dos dados as obras em estudo geram cerca de 5 m³ por dia de
RESÍDUOS CLASSE A. Utilizando as Equações 3 e 4 sabe-se que o volume de resíduos
gerado por dia equivale de
.
3.2.2. GERAÇÃO DE RESÍDUOS CLASSE A EM ÁGUAS CLARAS
Baseando-se nos dados fornecidos pela Administração Regional de Águas Claras – DF
determina-se que durante o período de coleta de dados havia 170 obras com alvará de
construção na cidade. Usando a média obtida nas obras em estudo e multiplicando-a pela
quantidade de obras legais de Águas Claras Vertical, obtém-se o valor de 845,17 m³/dia de
RESÍDUOS CLASSE A, que equivale a
3.2.3. USINA COM CAPACIDADE DE PROCESSAMENTO
Baseando-se na geração de resíduos de Águas Claras, foi solicitado a várias empresas
do ramo de equipamentos, o orçamento e as especificações de uma Linha de Britagem com
capacidade de processamento do volume médio de resíduos calculado.
De acordo com a proposta enviada pela Mapre Equipamentos Rodoviários Ltda,
empresa especializada na venda de equipamentos de britagem e mineração. A Linha de
Britagem NCM, composta pelos equipamentos expressos na Tabela 5, seria suficiente para
atender o volume de RESÍDUOS CLASSE A gerado nos canteiros de obras de Águas Claras.
25
Tabela 5 Equipamentos da Linha de Britagem NCM
QUANTIDADE
01
01
02
01
01
01
01
01
04
03
01
01
DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS
ALIMENTADOR VIBRATÓRIO 28080 NOVO – COM MOTOR
BRITADOR 8050 NOVO - COM MOTOR
REBRITADOR MODELO 9026 NOVO - COM MOTOR
PENEIRA VIBRATORIA 4000x1500x04 decks NOVA - COM MOTOR
TRANSPORTADOR DE CORREIAS DO PRIMARIO RADIAL
TRANSPORTADOR DE CORREIAS DE RETORNO AO REBRITADOR
TRANSPORTADOR PARA RETIRADA DO REFUGO DA GRELHA DO ALIMENTADOR
TRANSPORTADOR INTERMEDIÁRIO ALIMENTADOR X TRANSPORTADOR RADIAL
TRANSPORTADOR DE CORREIAS FINAIS
PLATAFORMA METÁLICA PARA FIXAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS
QUADRO DE COMANDO ELÉTRICO COMPLETO TOTAL
IMÃ PERMANETE PARA RETIRADA DE OBJETOS METÁLICOS
De acordo com a Mapre, além da linha de britagem são necessários outros
equipamentos o quais auxiliam nas atividades e transporte de materiais, conforme Tabela 06.
Tabela 6 Equipamentos de Atividade e Transporte
DESCRIÇÃO
Rompedor Hidráulico
Retro Escavadeira JCB 3C Plus - 4x4 - ano: 2013
Balança para pesagem de caminhão
Caminhão Ford 815 - caçamba Baculante - Toco
APLICAÇÃO
Para desmonte de peças de concreto simples e
armado
Para movimentação de entulho no canteiro e
alimentação da usina
Para pesagem de material caso optesse valorar
o material por peso
Para transporte de material
A empresa recomenda as dimensões da área da usina de acordo com a capacidade de
processamento, conforme Tabela 7.
O ideal é ter um local amplo, pois além dos
equipamentos da usina de reciclagem a empresa necessita de portaria, escritório, oficina, área
para depósito de materiais reciclados e a reciclar, triagem e depósito de outros materiais
recicláveis tais como (plásticos, papeis, metais, madeiras entre outros).
Tabela 7Área necessária para implantação da Usina de acordo com a capacidade de
processamento
PROCESSAMENTO REALIZADO EM
TONELADAS POR HORA
ÁREA MÍNIMA NECESSÁRIA
Abaixo de 15
5000 m²
18 á 25
10.000 m²
30 á 60
20.000 m²
Acima de 60
50.000 m²
26
A quantidade de funcionários também é estipulada de acordo com a capacidade de
processamento da usina, conforme a Tabela 8.
Tabela 8Quantidade de funcionários necessária para funcionamento da Usina de acordo com a
capacidade de processamento
PROCESSAMENTO REALIZADO EM
TONELADAS POR HORA
QUANTIDADE DE FUNCIONÁRIOS
Abaixo de 15
Apenas 03
18 á 25
03 á 05
30 á 60
05 á 06
Acima de 80
05 á 08
Os itens descritos na Tabela 9 não estão inclusos na proposta. Porém são necessários
para que o equipamento chegue até o local e seja instalado.
Tabela 9 Itens não inclusos na proposta
DESCRIÇÃO
Transporte de Linha de Britagem de Nova Santa Rita - RS á Águas Claras - DF
Confecção de bases de concreto para a fixação dos equipamentos da Linha de Britagem.
Equipe para fixar os equipamentos nas bases e fazer a finalização das bicas da peneiras e das
transportadoras (um soldador, um eletricista e dois ajudantes)
Munck para auxiliar na montagem da Linha de Britagem
3.3. OS CUSTOS PARA PROCESSAMENTO E REAPROVEITAMENTO
O valor de investimento para a instalação de uma usina que comporte o volume de
RESÍDUOS CLASSE A gerado em Águas Claras esta descrito na Tabela 10.
Tabela 10 Valor de Instalação da usina em estudo
ITEM
1
2
3
4
5
6
7
8
DESCRIÇÃO
Linha de Britagem NCM
Itens não inclusos na proposta
Rompedor Hidráulico
Retro Escavadeira JCB 3C Plus - 4x4 - ano: 2013
Balança para pesagem de caminhão
Ford Caminhão 815 Caçamba Basculante - Toco
Aquisição do Terreno de 50.000m²
Estrutura de Escritório
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
VALOR
1.698.000,00
15.000,00
30.000,00
170.000,00
23.400,00
150.000,00
70.000,00
12.000,00
INVESTIMENTO TOTAL R$ 2.168.400,00
O sétimo item da Tabela 10, faz referência a um terreno situado no Núcleo Rural
Alexandre Gusmão – DF. Este terreno está localizado a aproximadamente 20 Km das obras de
estudo.
27
3.4. O RETORNO DO INVESTIMENTO
Na cidade de São Paulo, usinas de reciclagem comercializam o material proveniente
do processo de britagem por metade do valor de agregados normais. No Areal Bela Vista, a
areia proveniente da reciclagem do Resíduo Classe A é misturada aos agregados naturais e
vendido pelo valor de mercado.
O valor médio de venda da areia industrializada comercializada no Distrito Federal é
de R$59,00m³. O Residencial Le Ciel utiliza cerca de 6m³ de areia diariamente, para a
produção de argamassa de assentamento, contra piso e reboco.
Tomando como parâmetro o consumo de areia do Residencial Le Ciel, as 170 obras de
Águas Claras necessitariam de cerca de 950 m³ do agregado. Desta forma, a usina teria saída
do produto produzido diariamente.
A usina em estudo pode produzir cerca de 1600 t/dia de areia reciclada. Utilizando as
Equações 3 e 4 sabe-se que o a produção diária realizada na usina equivale á 91,42 m³. Com
base no valor de mercado do Distrito Federal, a venda deste material, seria de R$59,00 m³.
Tendo o faturamento diário de cerca de R$5393,78.
Desta forma, com a venda de 403 dias de produção bruta vendida, a usina pagaria o
custo de instalação.
4. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
De acordo com os resultados desta pesquisa é possível evidenciar a viabilidade do
processamento e reaproveitamento de RESÍDUOS CLASSE A. O valor do investimento para
instalação da usina apresentada é irrisório se comparado aos benefícios.
São inúmeros os benefícios proporcionados com a reciclagem e reaproveitamento
destes resíduos. As construtoras poderão destinar o resíduo de forma correta e segura,
eliminando a possibilidade de disposição clandestina. Será reduzida a energia gasta para
transporte de resíduos e agregados. O material proveniente do processo de reciclagem poderá
retornar a obra na forma de agregado, diminuindo os gastos das construtoras para a aquisição
deste tipo de material.
Com a implantação do Plano de Gerenciamento de Resíduos nas obras também foi
possível evidenciar benefícios indiretos tais como, organização e limpeza do canteiro, redução
de desperdícios e ganhos de produtividade. Estes benefícios não foram mensurados, mas
representam muito em um canteiro de obras.
28
Não são necessárias grandes mobilizações para a instalação de uma usina e o custos de
operação e manutenção da mesma são baixos. O retorno do investimento é rápido, se
comparado à produção e ao faturamento da empresa.
5. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Transporte Terrestre de Resíduos.
NBR 13221:2010. Rio de Janeiro, RJ: ABNT 2010.
BLUMENSCHEIN, R. N. A Sustentabilidade na Cadeia Produtiva da Indústria da
Construção, 2004. Tese (Doutorado em Política e Gestão Ambiental) 263 f., Universidade de
Brasília. Centro de Desenvolvimento Sustentável.
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Centro Gráfico, 1988. 292 p.
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Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências.
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Amostra de Domicílios Águas Claras – PDAD. Brasília, DF, 2014.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução 307 de 2002: Dispõe sobre
resíduos da construção civil. Brasília, DF: CONAMA, 2002.
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Sirlane Gomes Ferreira - Universidade Católica de Brasília