www.governo.cv BOLETIM INFORMATIVO Dezembro 2015 Construindo o Futuro :: Building the Future :: Ta Konstrui Futuro Beneficiários – 4.246 Ligações – 5.772 Localidades –185 Concelhos – 9 Está Concluído o Projecto FAS ENTREVISTAS A Gestão da ANAS e o processo de transferência do Fundo de Agua e Saneamento P 8 a 11 Hercules Vieira, Presidente do Conselho de Administração da ANAS “Os resultados estão a ser bastante positivos” P2e3 Francisco Javier Pla Breto, Director-Geral da Cavibel, S.A. www.mca.cv www.governo.cv ENTREVISTA A parceria entre a The Coca-Cola Africa Foundation, o Governo de Cabo Verde e o Governo dos Estados Unidos da América “Os resultados estão a ser bastante positivos” A 21 de Novembro, o Millennium Challenge Account - Cabo Verde II (MCA-CV II) deu por encerrado o Projecto Fundo de Acesso Social – FAS, em cerimónia presidida pelos representantes do Governo de Cabo Verde e dos Estados Unidos da América. O FAS é parte integrante do Fundo de Água e Saneamento (FASA), financiado no âmbito do Segundo Compacto do MCA e enquadra-se no Projecto Água, Saneamento e Higiene – WASH. Francisco Javier Pla Breto, Director‑geral da Cavibel, S.A. considera “bastante positiva” a experiência que foi trabalhar com o MCA-CV II e o Millennium Challenge Corporation (MCC). para a mudança das condições de vida de mais de 4.000 famílias cabo‑verdianas” ficiado. Neste sentido, a visão comum entre todas as entidades que partilharam o projeto contribuiu para o seu sucesso e, como representante da TCCAF em Cabo verde, não podíamos deixar de reiterar a nossa satisfação. Francisco Javier Pla Breto, Director-Geral da Cavibel, S.A. Como avalia o trabalho realizado e a aplicação do financiamento concedido? Francisco Javier Pla Breto: O balanço que fazemos deste projeto é bastante positivo. Pela primeira vez, a Fundação Coca-Cola para África (TCCAF) financiou um projeto do Governo de Cabo Verde em parceria com o Governo dos Estados Unidos, através do Millennium Challenge Coorporation (MCC) e acreditamos, desde a fase embrionária do projecto, que os resultados estão a ser bastante positivos. Todas as metas pré-estabelecidas, em termos de número de beneficiados, desbloqueamento de verbas e prazo “ Muito se pôde fazer de execução por parte das ONG, estão a ser cumpridas, o que é bom, tanto para o país como para cada uma das entidades envolvidas. Enquanto representante da Fundação Coca-Cola em Cabo Verde, está satisfeito com a parceria desenvolvida entre os Governos dos Estados Unidos, através do MCC, e de Cabo Verde, através do MCA-CV II? Ao longo deste ano e meio de parceria e de trabalho em conjunto, muito se pôde fazer em prol da mudança das condições de vida de mais de 4.000 famílias cabo-verdianas. Para além da mudança das condições de vida, o |2| foco do projeto também esteve voltado para a sensibilização sobre o uso correto da água. Esta vertente, que sabiamente foi incorporada, permitiu que o projeto em si adotasse um caráter integral para o desenvolvimento das comunidades, o que demonstra que tanto o MCC, como o Governo de Cabo Verde partilham a mesma visão que a TCCAF, que, para além de fornecer meios úteis para o desenvolvimento, também se preocupa com a sustentabilidade deste desenvolvimento. E isto somente poderá ser conseguido através da educação e pela mudança das atitudes e dos comportamentos de cada beneBoletim Informativo |Dezembro 2015 Sendo uma entidade privada porque a Coca-Cola depositou confiança nestas duas entidades? Os três pilares prioritários para o desenvolvimento da África, segundo a estratégia da Fundação Coca-Cola para o continente são: água (water), mulher (women) e bem-estar (well being), sectores que foram identificados como prioritários pelos dois Governos e pelo projeto FAS, com o qual a Fundação comporta objetivos e estratégias comuns. Por isso, nada mais natural para a TCCAF do que juntar os esforços, já que o objetivo final também era comum: dar mais e melhor acesso à água potável e saneamento às famílias mais desfavorecidas e, particularmente, chefiadas por mulheres, contribuindo, assim, para um maior bem-estar nas comunidades. Na verdade, trabalhar com os governos e a sociedade civil faz parte da filosofia do triângulo dourado da TCCAF que se assenta no cooperativismo, pois quando os governos e as organizações da sociedade civil se encontram engajados para solucionar os problemas que inibem o desenvolvimento, há sempre um impacto coletivo muito maior do que pode conseguir sozinha qualquer organização ou mesDezembro 2015 | Boletim Informativo Acto oficial de enceramento do projecto FAS mo que o setor privado, caso executar o projeto por si só. Contudo, não basta partilhar visões e objetivos comuns. Nesta relação de triângulo dourado, é fundamental a confiança mútua entre os parceiros, porém, sem nunca descurar os mecanismos de controlo que são sempre implementados em cada fase do projeto para garantir uma execução eficaz e transparente. Como foi trabalhar com famílias cabo-verdianas de baixo rendimento e socialmente vulneráveis? A visão da responsabilidade social para a companhia Coca-Cola baseia-se no conceito da criação de valor compartilhado. Explicando melhor este conceito, para a nossa companhia, o sucesso e a sustentabilidade dos nossos negócios e o bem-estar social estão diretamente relacionados. Assim, não podemos almejar crescer se a comunidade envolvente vive na precariedade. A Coca-Cola como um sistema sempre busca oportunidades em toda parte onde opera, de modo a contribuir para o desenvolvimento das comunidades e, sobretudo, dessas famílias de baixo rendimento e socialmente vulneráveis e para fazer uma diferença pela positiva nas suas vidas. Portanto, trabalhar com essas famílias foi uma experiência gratificante, |3| pois, graças aos trabalhos que foram feitos nessas comunidades, podemos hoje afirmar que ajudamos a construir a comunidade que almejamos no futuro, falando em particular da questão de acesso à água e saneamento. Tendo a Fundação Coca-Cola já alguma experiência nesta matéria, que recomendações deixa ao MCC, ao Governo e a outros privados que queiram realizar este tipo de intervenções? Tendo em conta este sistema de cooperativismo tripartidário que se desenvolveu entre todos os parceiros envolvidos, para um melhor envolvimento, visibilidade e desempenho de cada um, há sempre necessidade de se estabelecer uma relação de confiança mútua onde haja um diálogo aberto e uma comunicação clara e transparente. Somente com base neste tipo de relacionamento é possível garantir a execução eficaz do projeto. Agradecemos todo o esforço do MCC e do Governo de Cabo Verde em envolver a TCCAF neste projeto e apelo para que se mantenha este espírito de trabalho com base na transparência, na boa comunicação e no envolvimento ativo de todos os parceiros. www.mca.cv www.governo.cv Projecto WASH O Fundo de Acesso Social Os fundos da “Replenish Africa Initiative, da Global Environment & Technology Foundation” e da “The Coca-Cola Africa Foundation” apoiaram, pela primeira vez e durante um ano, o Fundo de Acesso Social, através da implementação de projectos de ligações domiciliárias de água e saneamento, no quadro do Fundo de Acesso Social - FAS. Ao longo deste projecto, 4.246 agregados familiares (dos quais 2.458 chefiadas por mulheres e 1.788 por homens). Foram beneficiados com 5.772 ligações, sendo 3.469 ligações de água e 1.284 ligações à rede de esgoto e fossa séptica. Foram ainda instalados 1.019 kits sanitários nas ilhas de Santo Antão, São Vicente e Santiago. Mapa das intervenções do FAS por ilha Santiago Beneficiários – 476 Ligações – 755 Localidades – 53 Concelhos – 3 Beneficiários – 3.029 Assinatura do Acordo com a : 18 de Novembro de 2014 Entrada em vigor: 18 de Novembro 2014 Data de conclusão: Novembro 2015 Período: um ano O objectivo geral: O Fundo de Acesso Social (FAS) visa proporcionar às populações vulneráveis das comunidades urbanas, peri-urbanas e rurais o acesso à água e ao saneamento, financiando projetos que respondam de forma eficaz às necessidades dos agregados familiares nesse sector. Sendo parte integrante do Fundo de Água e Saneamento (FASA), o FAS foi financiado no âmbito do II Compacto do MCA-CV, tendo como co-financiadores o Millennium Challenge Corporation (MCC) e a Fundação “The Coca Cola África Foundation”, tendo a sua implementação estado a cargo das ONG Citi-Habitat e África 70, para Santiago, e Amigos da Natureza para Santo Antão e São Vicente. Ligações – 3.827 Localidades –106 Concelhos – 5 Santo Antão São Vicente Valor dos Financiamentos: • Governo de Cabo Verde e dos Estados Unidos da América: USD 1.9 milhões • The Coca-Cola Africa Foundation: USD 400 mil • Agregados familiares: Contribuem com 20% do financiamento para cada tipologia beneficiada Beneficiários – 741 Ligações – 1.190 Parceiros: • Governo de Cabo Verde, através do Millennium Challenge Account - Cabo Verde (MCA-CV II); • Governo dos Estados Unidos da América, através do Millennium Challenge Corporation (MCC); • Famílias beneficiárias; • The Coca-Cola Africa Foundation (TCCAF), através da Global Environment & Technology Foundation (GETF) e da Replenish Africa Initiative (RAIN); • Electra • Câmaras Municipais e Serviços Municipalizados de Água e Saneamento; Localidades –26 Concelhos – 1 |4| Boletim BoletimInformativo Informativo||Setembro Dezembro 2015 Setembro Dezembro2015 2015||Boletim BoletimInformativo Informativo |5| www.mca.cv www.governo.cv Projecto WASH Beneficiários satisfeitos com ligações de água e esgoto Pedro Fernandes Celestina Borges da Silva, Pedra Rolada, Cidade do Mindelo, Ilha de São Vicente Cumbém, Assomada, Ilha de Santiago “Trouxeram dignidade à minha vida, hoje tenho uma casa de banho. Esta obra tem grande valor, nunca imaginei ser um dos beneficiários. O que posso dizer é pouco para expressar a minha felicidade e o meu reconhecimento e apreço. Os Governos dos Estados Unidos e de Cabo Verde devem continuar a dar o seu máximo porque é um orgulho grande tê-los juntos a trabalhar para reduzir a pobreza no nosso país”. “A minha felicidade é enorme, com água a minha vida mudou, sinto-me tão bem. Tenho passado uns dias muito felizes desde que me ligaram água em casa e instalaram uma casa de banho. Andava de porta em porta a pedir água e isto dava-me um transtorno enorme nos meus afazeres. Não tinha casa de banho, fazia necessidades na rua, imaginem uma mulher da minha idade nessa situação. Hoje, estou feliz, nem sei como expressar o meu sentimento, hoje tenho até um chuveiro”. Idalina Moreira, Alzira Rosário da Luz, Pedra Rolada, Cidade do Mindelo, São Vicente Cumbém, Assomada, Santa Catarina, Ilha de Santiago “O maior problema da minha localidade era acesso à água. Hoje, graças a Deus, a falta de água é coisa do passado. A minha preocupação agora é com a poupança de um bem que me custou a ganhar”. Maria José Fortes, Pedra Rolada, Mindelo, São Vicente “Em média, gastava uma hora e fazia nove voltas para carregar água, isto quando tinha dinheiro, pois uma lata de 20 litros custa 30$00. Vocês não imaginam como fiquei feliz em ter tido a possibilidade de ser beneficiada com água e esgoto. Com a idade que tenho, com uma família de 16 pessoas, já não posso andar longas distâncias para carregar água, ficava sempre dependente de terceiros e também muito constrangida de fazer as minhas necessidades na rua. Aprendi também a gerir melhor a água, ensinaram-me a poupar e a controlar os meus gastos”. Maria Zinha Lima, Pedra Rolada, Cidade do Mindelo, Ilha de São Vicente Vitória Vaz Furtado, Cumbém, Assomada, Santa Catarina, Ilha de Santiago “Gostava de saber cantar para poder expressar o que sinto por ter uma casa de banho e água em casa, dois grandes motivos da minha alegria. Pensava que ia morrer sem ter esses bens. Com a idade que tenho já não podia mais carregar água. Estou felicíssima. O que fizeram por mim só Deus no céu sabe”. “Ter água em casa é uma alegria. Andava muito para conseguir uma lata de água e, às vezes, ia pedir aos vizinhos que me ajudavam. Agora que tenho água em casa, tenho é que ter muita atenção para poupá-la. Os técnicos da ONG Amigos da Natureza ensinaram-me como fazer e estou a colocar todos os ensinamentos em prática. Hoje, posso ter tranquilidade para fazer o meu negócio (venda de doces)“. |6| Boletim BoletimInformativo Informativo||Setembro Dezembro 2015 “Por motivos de saúde, não posso mais carregar água. Para mim, esta ajuda é valiosa, porque já não dependo de terceiros. Agora, temos que ir com atenção na gestão da água, porque sabemos que custa caro e que a água é um bem escasso. Por isso, já sei como conservar e poupar a água e fazer a higiene da casa de banho. Só posso agradecer por esta ajuda e que Deus abençoe a todos que estão a trabalhar neste projeto, para que não se esqueçam que, como eu, ainda há muitos outros que precisam”. Susana Nascimento Mendes Pereira Mento, Pensamento, Cidade da Praia, Ilha de Santiago “Não tínhamos condições para ter uma casa de banho, era difícil porque tínhamos que sair à rua para fazer as nossas necessidades. Quando me ligaram à rede de esgoto e casa de banho, fiquei muito feliz, era muito difícil poder fazer uma coisa dessas sem ajuda. Hoje, estou sempre a insistir com os meus filhos para conservarem a casa de banho e pouparem água, pois foi assim que me ensinaram”. Setembro Dezembro2015 2015||Boletim BoletimInformativo Informativo |7| www.mca.cv www.governo.cv Projecto WASH A Gestão da ANAS e o processo de transferência do Fundo de Agua e Saneamento Hercules Vieira, Presidente do Conselho de Administração da ANAS E m Cabo Verde, a água é um recurso raro, por conseguinte, valioso e que precisa ser muito bem controlado e gerido em benefício tanto da população, como das atividades económicas e do ambiente. Quem o afirma é Hercules Vieira, presidente da Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS), que anunciou a criação de um fundo sectorial perene para o sector, com base nas boas práticas identificadas durante a fase de implementação do FASA. |8| Boletim BoletimInformativo Informativo||Setembro Dezembro 2015 Volvidos dois anos após a criação da ANAS, e no quadro do apoio concedido pelo segundo Compacto com a Assistência Técnica (AT) às instituições Nacionais de Agua e Saneamento, qual é a avaliação que faz dessa AT? Hercules Vieira - A ANAS – A Agência Nacional de Água e Saneamento surge da necessidade de uma coordenação efetiva e de uma liderança institucional consistente, capaz de congregar a gestão das águas com os resíduos em todo o território nacional. Ou seja, a ANAS assegura a gestão integrada dos recursos hídricos e do saneamento e regula o acesso universal a esses serviços, promovendo o uso adequado dos recursos e das infra-estruturas. Em 2014, foram criadas as condições de base para sua instalação e hoje, em finais de 2015, a estrutura orgânica da ANAS funciona e vem consolidando a sua posição enquanto autoridade no sector da água e saneamento. A assistência técnica da NITA (National Institutional Technical Assistance) desempenhou um papel importante durante este período, tendo assistido a ANAS na conclusão de diplomas relevantes para o sector, como o PLENAS - Plano Estratégico Nacional de Agua e Saneamento, o CAS - Código de Agua e Saneamento e na preparação dos principais instrumentos de gestão, como o novo PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários), o estatuto pessoal, o manual orgânico, o manual de avaliação e desempenho, entre outros. No que concerne às reformas projetadas no âmbito do Segundo Setembro Dezembro2015 2015||Boletim BoletimInformativo Informativo “ A condição do MCC para trabalhar com um país é que este tenha um ambiente politico favorável e um compromisso claro com os principios democráticos. “ Compacto, que balanço faz? Quais são as questões mais urgentes que ainda estão por resolver? Fundamentalmente consideramos três as dimensões da reforma em curso: a institucional, a jurídico-legal e a empresarial. Das três, a parte legislativa e regulamentar levará com certeza mais tempo. Basta ver que a própria lei que cria a ANAS (em 2013) precisa de regulamentação, o mesmo acontecendo em relação ao CAS (2015). Uma boa legislação, devidamente regulamentada, traz maior clareza na definição das fronteiras, no respeito pelas competências de diferentes instituições envolvidas e na implementação de medidas que visem a melhoria do sector. |9| Um tema da maior importância e que precisa ser trazido para o centro do debate é a problemática de financiamento do sector. A ANAS, no quadro das suas atribuições em matéria de gestão dos investimentos, tem agendado para de 2015/2016 uma ampla discussão sobre o assunto, tendo em vista a procura de uma solução duradoira. Como a ANAS está a preparar-se para assumir o Fundo de Água e Saneamento – FASA e o Fundo de Acesso Social - FAS, inicialmente gerido pelo MCA-CV II? Para quando é a assinatura e a transferência da sua tutela para a Agência? Como sabe, o actual FASA, tal como é, tem os seus dias contados com a conclusão do Segundo Compacto. O que se pretende de facto é adotar o FASA, apropriar-se das boas práticas identificadas durante a sua implementação e, nesta base, criar um fundo sectorial perene para o sector. O que significa, a breve prazo, a criação oficial deste fundo dotado de todos os mecanismos que asseguram o seu financiamento de forma permanente. Neste momento, foi preparado um “roteiro” para a adoção gradual e já existe uma equipa da ANAS a trabalhar com o staff do MCA-II neste processo e no acompanhamento de todos os contratos em execução e geridos pelo Millennium Challenge Account - Cabo Verde II. Que formato deverá ter o FASA/ FAS no futuro sob a coordenação da ANAS? Ainda não se conhece o formato final. Está-se na avaliação de diferentes modelos e na preparação de um www.mca.cv www.governo.cv Projecto WASH A questão da gestão para o consumo ficará resolvida com a criação da Empresa Águas de Santiago (AdS)? Qual é a solução para a água para a agricultura? Quem fará a gestão dessa água? Como será feita a gestão do mix das águas dessalinizada, subterrâneas e de superfície (leia-se água das barragens e diques e galerias subterrâneos)? Pretende-se com a instalação da AdS, incrementar uma gestão de natureza empresarial e introduzir economia de escala e ganhos de eficiência na operacionalização dos sistemas de distribuição em toda a ilha de Santiago. A AdS é uma operadora responsável, fundamentalmente, pela gestão da água para o consumo. Estamos perante um modelo de gestão intermunicipal que se pretende introduzir um pouco por todo o país com esse mesmo objecto. As unidades dessalinizadoras continuarão a ser operadas “em alta” (p. ex., pela Electra), produzindo água dessalinizada para as operadoras “ A AdS é uma operadora responsável, fundamentalmente, pela gestão da água para o consumo. Estamos perante um modelo de gestão intermunicipal que se pretende introduzir um pouco por todo o país com esse mesmo objecto. ” em baixa, como o caso da AdS. Hoje, constata-se que a água dessalinizada se destina quase que exclusivamente para o consumo. A agricultura é abastecida essencialmente por recursos subterrâneos e superficiais. Nada impede que, no futuro, a dessalinização venha a ser uma terceira fonte hídrica para o fomento da atividade agro-pecuária em Cabo Verde. Com relação à agricultura, falta definir, de facto, o modelo de gestão e o figurino exigido a uma entidade gestora das águas para a agricultura. De momento, a ANAS lida com uma diversidade de organizações que exercem essa atividade, desde um agricultor individual, passando por uma associação comunitária, até chegar às Delegações de Ministérios ou comissões de gestão. Prevê-se a conclusão de um estudo específico para a resolução desse constrangimento. De referir que todas as entidades e organizações que fazem a exploração dos recurso hídricos ou que operam as infra-estruturas de produção e distribuição de água estão sujeitos ao regime de licenciamento e concessão. A ANAS pretende, a breve trecho, regularizar toda a situação anómala que poderá existir neste momento. Isaura Gomes da Silva, uma das beneficiárias do projecto FAS, Achada Lém, Santa Catarina diploma que oficialize o futuro fundo. Pretende-se, contudo, que seja um fundo perene, suportado por receitas próprias e não só, cujas origens devem estar devidamente identificadas, validadas e asseguradas. Que iniciativas terá a ANAS para engajar de outros parceiros para alimentação do fundo? Paralelemente ao trabalho que a ANAS vem fazendo com o MCA, prevê-se, para breve, a montagem de um “plano de adesão” dos parceiros externos, plano esse que nos deverá dar pistas e orientações em como mobilizar os potenciais colaboradores para essa causa. Quando falamos de parceiros, referimo-nos aos parceiros tradicionais de apoio ao desenvolvimento, mas também do sector empresarial e do privado nacional e internacional. Para além disso, contamos com rendimentos próprios provenientes de mecanismos de cobrança existente no país. E, nesse particular, o próprio CAS já aponta como recurso disponível os valores arrecadados na aplicação das coimas pelas autoridades do sector. O mesmo poder-se-ia pensar em relação a uma parcela das taxas cobradas dentro do sector de água e saneamento, da componente ambiental (taxa ecológica) ou transferência de outros fundos (como fundo de turismo ou similar). A sustentabilidade do fundo dependerá em boa medida das decisões a serem tomadas. | 10 | Como a instituição vai adequarse para este desafio nomeadamente a nível do quadro legal e administrativo? Das unidades orgânicas da ANAS, fazem parte o Departamento de Planeamento Estratégico (DPE) e de Gestão de Investimentos (DGI), para além de outras estruturas como o Departamento Financeiro (DGAF) e o Departamento Técnico de Gestão dos Recursos Hídricos e Saneamento (DGRHS). É com essa estrutura, liderada pelas DGI e DGAF e sob a autoridade do conselho de administração da ANAS, que se pretende fazer a gestão do fundo, salvo melhor recomendação, após concluirmos todas as avaliações necessárias. Por agora, não cremos ser necessária qualquer adequação estatutária. Boletim BoletimInformativo Informativo||Setembro Dezembro 2015 Acto oficial do lançamento da primeira pedra das obras do FASA na ilha Brava Setembro Dezembro2015 2015||Boletim BoletimInformativo Informativo | 11 | www.mca.cv www.governo.cv Projecto LAND A Contribuição do MCA-CV II para Construção do Cadastro Predial em Cabo Verde Cerimónia oficial de lançamento da primeira consulta pública no âmbito da operação de cadastro predial, ilha do Sal Com o objectivo de resolver a problemática fundiária em Cabo Verde, que constitui um grande constrangimento ao desenvolvimento económico do país, foi incluído no Segundo Compacto do Millennium Challenge Account o Projecto de Gestão da Propriedade para a Promoção do Investimento, conhecido por Projecto Land, que conta com um financiamento de 17.2 milhões de dólares por parte do Governo norte-americano, através do MCC, e vem sendo implementado pelo MCA-CV II. O projecto pretende reduzir os obstáculos ao investimento, criando condições para maior transparência e eficiência no sector da gestão de propriedades, reduzir o tempo e o custo das transacções imobiliárias, que decorram de informações não fiáveis, sem a devida segurança jurídica, e de procedimentos morosos e ineficientes. Através da sua primeira componente, de cobertura nacional, o projecto vem estabelecendo as bases legais, institucionais e processuais que permitam adequadas soluções técnicas e operacionais para a clarificação e regularização dos direitos de propriedade em Cabo Verde. | 12 | No âmbito da primeira componente, já foram aprovados vários diplomas legais, criado o INGT (Instituto Nacional de Gestão do Território) e desenvolvido o Sistema de Informação, Gestão e Transacção de Propriedades (LMITS). Este sistema permite a recolha, tratamento e injecção dos dados clarificados no sistema único ou cadastro predial. A segunda componente do projecto consiste em operações sistemáticas de clarificação de direitos e limites de propriedade em ilhas de elevado potencial turístico, iniciando-se assim, a construção do CadasBoletim Informativo | Dezembro 2015 tro Predial em Cabo Verde, em curso, na ilha do Sal (ilha piloto), podendo ser alargada para as ilhas de São Vicente, Boa Vista e Maio. É objectivo do Governo de Cabo Verde, com outros financiamentos, implementar esta actividade em todo o território nacional. O cadastro predial consiste no registo administrativo dos limites físicos das propriedades e direitos a elas associados. Nesta Componente, serão analisados todos os registos, informações e dados existentes sobre a propriedade com a confirmação no terreno dos correspondentes limites físicos, na presença dos seus titulares cadastrais ou dos seus representantes legais, a fim de clarificar os direitos de propriedades e promover o processo de registo com vista a constituição de uma única base de dados nacional de informação gestão e transacção de propriedades. De modo geral, o Cadastro Predial, enquanto sistema único de informação sobre as propriedades, contribui para: • Salvaguardar os direitos de forma geral; • Garantir uma maior segurança jurídica nas transacções imobiliárias, permitirá a valorização dos bens; • Promover ganhos de eficiência em termos administrativos (menos tempo e menor custos para tratar de assuntos ligados a terrenos/casa); • Melhorar a gestão e planeamento por parte das entidades públicas. Na óptica dos cidadãos, a clarificação resultante da Operação Cadastro Predial vai permitir valorizar Dezembro 2015 | Boletim Informativo economicamente o bem/terreno/ casa com a necessária segurança jurídica. Por exemplo, uma propriedade com registo predial é considerada pelo banco como uma garantia para um empréstimo. Ter direitos clarificados e registados é uma garantia contra a acção de uma entidade externa, pública ou privada, em relação ao seu terreno/ casa. Em caso de uma acção de expropriação, permitirá ao proprietário ter os seus direitos melhor salvaguardados. | 13 | Destaca-se ainda, no âmbito do Projecto Land e das actividades de clarificação de direitos, a utilização de ferramentas de rastreio social, ambiental e de género, no sentido de identificar e rastrear potenciais riscos e dar uma atenção específica a grupos mais vulneráveis, garantindo assim a sua participação no processo e para que vejam eventuais direitos protegidos. Todo o processo é antecedido e acompanhado por uma forte e abrangente campanha de comunicação. www.mca.cv www.governo.cv Projecto LAND Bairro da Boavista na lha do Sal acolhe a primeira Consulta Publica no âmbito da Operação do Cadastro predial O acto oficial de lançamento da primeira exposição e consulta Pública, no âmbito do Projecto Gestão de Propriedades para a Promoção do Investimento – Land, mais especificamente na sua componente de Clarificação de Direitos e Limites de Propriedades-Operação de Cadastro Predial, aconteceu na ilha do Sal, a 02 de Dezembro de 2015. A exposição e consulta pública é uma etapa muito importante da operação de cadastro predial que visa verificar a conformidade do levantamento cadastral efectuado durante os trabalhos de campo e inicia-se no Bairro da Boa Vista, Espargos. Consiste na exposição da caracterização provisória para consulta pública e recebimento de reclamações de forma faseada, com inicio a 02 de Dezembro e término a 30 de Dezembro de 2015. Nesta fase, recomenda-se a todos os titulares cadastrais e/ou outros interessados que verifiquem a conformidade dos dados respeitantes aos seus prédios e se pronunciem em caso de irregularidade, até o próximo dia 14 de Janeiro de 2016. A ocasião permitiu recolher as seguintes declarações: Cristina Duarte Jorge Figueiredo Ministra das Finanças e Planeamento e Presidente do Conselho Coordenador do MCA-CV II Presidente da Camara Municipal do Sal “O Projecto Gestão de Propriedades para a Promoção do Investimento – Land, Componente de Clarificação de Direitos e Limites de Propriedades - Operação de Cadastro Predial vai permitir que a Republica de Cabo Verde tenha o seu Primeiro Cadastro de Propriedade. O país nunca o teve enquanto Estado independente. Estamos a começar, e bem com a ilha do Sal. Pretendemos que os cerca 216 quilómetros de terra, nesta ilha, tenha uma estrutura de propriedade clara, é este o Objectivo da Operação da operação de Cadastro Predial. Nesse sentido, apelo à população do Sal e a todos os que tenham propriedades nesta ilha, que entendam os objectivos desta Operação e que participem activamente para que a transacção de propriedades no país seja feita com total segurança jurídica e a bem do cidadão”. “Todos os cidadãos, proprietários de um terreno ou um prédio no Bairro da Boavista na ilha do Sal devem vir verificar a sua situação. Isto vai permitir, clarificar qualquer dúvida durante os vinte dias de exposição pública. Apelo a todos os cidadãos do Sal que reconheçam o que é o Cadastro, recebam com educação os trabalhadores deste projecto porque o único objectivo é facilitar a vida de todos”. Kenneth J. Miller Pedro Manuel Silva Director Residente do Millennium Challenge Corporation. Beneficiário do projecto e Morador do Bairro da Boavista “A actividade de clarificação de direitos e limites, mais conhecida por operação cadastro predial não é possível sem a participação efectiva dos cidadãos nas várias etapas do processo. É importante que sejam fornecidas informações, que sejam verificados os resultados e clarificadas as situações. O objectivo do nosso financiamento em Cabo Verde é precisamente criar as condições para que o sector de Gestão de Propriedades seja mais seguro, fiável e transparente para os cidadãos, investidores e instituições, criando um ambiente mais propício ao desenvolvimento económico de Cabo Verde”. | 14 | Boletim Informativo | Dezembro 2015 “Participei em todo o processo de levantamento de informações no terreno e colaborei com a equipa. Cedi todas as informações que me foram solicitadas. Estou satisfeito por ver que o meu prédio foi para cadastro. Eu e a minha esposa estamos satisfeitos porque isto representa uma segurança para nós e em particular para os nossos filhos. Acho importante este trabalho e apelo a todos os cidadãos a participarem nesse processo de clarificação de direitos e limites de propriedades”. Dezembro 2015 | Boletim Informativo | 15 | www.mca.cv www.governo.cv Projecto LAND A Participação da Diáspora na Operação de Cadastro Predial U ma equipa do Millennium Challenge Account - Cabo Verde II (MCA-Cabo Verde II), chefiada pelo Diretor do Projeto Gestão de Propriedades para a Promoção do Investimento - LAND, Carlos Varela, visitou durante os meses de Outubro e Novembro as cidades de Bruxelas, Paris, Lisboa e Boston, nos Estados Unidos da América. A missão foi realizada no âmbito do Projeto Gestão de Propriedades para a Promoção do Investimento – Land, mais especificamente a sua componente de Clarificação de Direitos e Limites de Propriedades -Operação de Cadastro Predial, em curso em Cabo Verde, na ilha do Sal. Também foi objetivo desta equipa, realizar uma formação destinada a quadros das missões diplomaticas de Cabo Verde naquelas cidades sobre a utilização da aplicação e preenchimento de declaração de titularidade disponível no Portal da Casa do Cidadão. Durante a missão, alguns colaboradores prestaram declarações sobre a importância da operação de Cadastro Predial para Cabo Verde e em particular para a comunidade emigrada. Veja de seguida os depoimentos. Camilo Leitão da Graça Ministro Plenipotenciário, Embaixada de Cabo Verde em Bruxelas “As vantagens do Projecto Land são imensas e abrangentes, na medida em que, não apenas o Estado beneficia com a cobrança de impostos mas também os cidadãos que estão a residir dentro e fora das ilhas terão segurança jurídica das suas propriedades, dos seus bens e imóveis e haverá uma melhor organização urbana do espaço. O Projecto Land também traz imensas vantagens para a comunidade cabo-verdiana na diáspora, particularmente para a que está a residir na Europa, que terá a vida facilitada, podendo proceder ao processo de registo de suas propriedades sem terem que se deslocar a Cabo Verde. Desta forma, estarão todos os cabo-verdianos (dentro e fora do país) a colaborar para a modernização do país”. mos em condições de atender melhor os nossos utentes e disponibilizar-lhes mais informações sobre os seus direitos sobre propriedade. A nossa missão consular tem também a particularidade de atender belgas e ingleses com propriedades em Cabo Verde, que querem investir em Cabo Verde ou visitar para fazer turismo. Por essa razão, também é importante estar a par do Projecto Land para melhor poder informá-los. Acredito que o trabalho que o Governo de Cabo Verde está a fazer em cooperação com o Governo dos Estados Unidos da América dá confiança aos nossos emigrantes. Estou certa que alcançaremos todos os melhores resultados”. Responsável pela secção consular, Embaixada de Cabo Verde em Bruxelas | 16 | Amilcar Lima Agente consular, Embaixada de Cabo Verde em Luxemburgo “Particularmente para a Embaixada que represento, será uma vantagem enorme. Estou satisfeito por estar agoBoletim Informativo | Dezembro 2015 preencher a declaração online. Não é nada definitivo mas já é um começo e facilitará os nossos emigrantes. Como Cabo-verdiana considero que é uma vitória para o país estar a iniciar o processo de cadastro predial. Só posso congratular as autoridades cabo-verdianas e americanas que tiveram a iniciativa de apoiar este projecto”. Agente consular, Consulado Geral de Cabo Verde na Holanda Sandra Monteiro “Na nossa embaixada temos confrontado diariamente com varias situações de nossos conterrâneos que recorrem a procurações para tratar de assuntos relacionados com propriedades em Cabo Verde. Por vezes, este, é um processo moroso e muito complicado porque a nossa Embaixada não tem qualquer sistema informático que permita atender os nossos utentes com celeridade. Nesta perspectiva, as embaixadas em Luxemburgo, Holanda e Bélgica terão imensas vantagens com a instalação do sistema que permitirá Dezembro 2015 | Boletim Informativo Mário de Carvalho Presidente da Associação Cabo-verdiana de Lisboa Gilberto Mendes Embaixada de Cabo Verde em Luxemburgo Dulce Fernandes “Estamos satisfeitos com a formação ministrada pelo MCA-CV II e pelo NOSi porque tivemos oportunidade de estar a par de assuntos importantes para a vida do país, como a questão das propriedades, algo que tem sido um pouco complexo para as autoridades cabo-verdianas e para nós enquanto secção consular. Penso que, a partir de agora, com apoio do MCA-CV II, estare- ra munido de informações para apoiar a nossa comunidade emigrada que enfrenta vários problemas quando quer resolver assuntos relacionados com propriedades. Por vezes, deslocam-se a Cabo Verde de férias para tratar destes assuntos e acabam por regressar sem resolvê-los devido à excessiva burocracia. O processo de clarificação de direitos e limites de propriedades é uma vantagem para todos os cabo-verdianos, dentro e fora do país. Este apoio do governo dos Estados Unidos da América é bem-vindo porque sozinho o país não conseguiria trabalhar para organizar o território”. “Todos os países devem ter o seu território bem organizado. Por isso, esta iniciativa é louvável, uma vez que o país carecia, de facto, de um trabalho de raiz, pois temos conhecimento no Consulado, que há muitos emigrantes com problemas relacionados, não só com compras efectuadas sem segurança jurídica e não lançadas nas Conservatórias, mas também com terrenos obtidos por via de herança. Por essa razão, apelo a todos os cabo-verdianos a apoiarem as iniciativas que os Governos de Cabo Verde e dos Estados Unidos da América estão a desenvolver. Como cidadãos cabo-verdianos temos todos, o dever de participar para o cumprimento cabal deste projecto. Estou muito satisfeito com os avanços que o país tem registado nesta matéria”. | 17 | “Tivemos uma sessão bastante esclarecedora e pertinente sobre o Projecto de Gestão de Propriedades para a Promoção dos Investimentos – Land. Penso que o MCA-CV II deve continuar este trabalho junto de nossa comunidade de forma abrangente. Esta questão extravasa a comunidade e nós, enquanto associação mais antiga de Cabo Verde na diáspora, estamos disponíveis para prestar toda a colaboração necessária a este projecto. Em Portugal, precisamos conhecer melhor o Segundo Compacto do MCA-Cabo Verde II, nomeadamente o Projecto Land e o trabalho que vem sendo realizado no âmbito da componente Clarificação de Direitos e Limites de Propriedade - Cadastro Predial. Por esta razão, a ACL tem todo o interesse em promover algo que é de interesse público e de grande prioridade para Cabo Verde. Esta parceria entre o Governo de Cabo Verde e o Governo dos Estados Unidos da América mostra o quanto o país está no bom caminho. Somos um país pequeno, mas estamos a fazer um trabalho de excelência. A parceria com o MCC completa mais uma etapa da nossa nação global e de diáspora”. www.mca.cv www.governo.cv Projecto LAND Etapas da operação de execução do Cadastro Predial 3 – Caracterização provisória Este trabalho consiste na elaboração de um parecer pela entidade executante, relativamente à situação de cada propriedade (prédio), resultante da informação recolhida e analisada. É feita com base nos elementos recolhidos no terreno junto dos titulares cadastrais. A caracterização provisória é aprovada pela Equipa de Apoio Técnico (EAT), que tem, de entre outras responsabilidades, a de validar as recomendações sobre a situação de cada propriedade, com base nas informações recolhidas e tratadas. 4 – Exposição e Consulta Pública A operação de execução do cadastro predial consiste na clarificação de direitos e limites de todos os prédios, incluindo terrenos e edificações. Desenvolvese em cinco etapas, designadamente: 1 – Publicitação 2 – Trabalhos de Campo A etapa da publicitação consiste na afixação e publicitação de editais que anunciam o início da Operação do Cadastro Predial e contêm informações quanto às suas etapas e prazos. Os editais são publicados em dois jornais, nos sítios de Internet das instituições do Estado, afixados em Consulados, Embaixadas, locais de estilo, sedes dos municípios abrangidos e contíguos, serviços descentralizados ou desconcentrados do Estado, entre outros locais de aglomeração de pessoas. Estes trabalhos consistem na realização de um inquérito junto dos titulares cadastrais residentes e não residentes. Permitem a aquisição de dados cadastrais, especificamente em relação aos limites físicos dos terrenos/propriedades e direitos associados. Os titulares cadastrais que não se encontram na ilha ou no país podem participar, passando uma procuração a seus representantes legais ou à distância, realizando os procedimentos necessários via Internet – através da aplicação da Casa de Cidadão já disponível nas Embaixadas. | 18 | Boletim Informativo | Dezembro 2015 Consiste na exposição da caracterização provisória para consulta pública e o tratamento das eventuais reclamações. As listas e mapas serão afixados nas zonas onde foram recolhidos os dados e serão utilizados vários meios de comunicação para divulgar onde e durante este tempo serão expostos os dados para consulta e como consultar os dados. No local, haverá pessoas disponíveis para apoiar os titulares cadastrais a consultar os dados e, se necessário, submeter uma reclamação. 5 – A Caracterização Definitiva Findo o prazo para apresentação da consulta pública e das eventuais reclamações que apareçam ao logo do processo, será necessário proceder a uma nova revisão do parecer sobre cada propriedade (prédio) e voltar a submeter à Equipa de Apoio Técnico Dezembro 2015 | Boletim Informativo para a decisão final. Isto significa que cada propriedade, de acordo com a caracterização definitiva, estará pronta para ser introduzida no Cadastro Predial. Caso persistam questões por resolver, será integrada no cadastro predial como “cadastro diferido”. Estas situações acontecem quando não se consegue obter uma plena caracterização e | 19 | identificação dos limites físicos e/ou de direitos. Estando o prédio totalmente clarificado em matéria de limites e direitos, será introduzido no sistema de cadastro definitivo. O Titular Cadastral deve proceder ao Registo Predial, caso o prédio não se encontre registado em nome do Titular de Direito. Fica desta forma concluído o processo de Cadastro Predial. www.mca.cv www.governo.cv Projecto LAND Quem são os titulares cadastrais Como participar na Operação de Cadastro se não residir na ilha do Sal Equipa do consulado geral de Cabo Verde em Boston com Director do projecto LAND Formação sobre preenchimento da declaração de titularidade para associações cabo-verdianas em Portugal A Operação do Cadastro Predial é um processo de recolha e tratamento de dados que caracterizam e identificam todas as propriedades de uma determinada zona geográfica. Decorre até Julho de 2016 na ilha do Sal e vai permitir unificar os sistemas de registo predial, notaria- Colaboradores do MCA-CV II com beneficiários do projecto LAND Os Titulares Cadastrais são indivíduos e/ou organizações que detém algum direito sobre propriedade (terreno ou edifícios). Quem tem o direito de propriedade pode ser um privado – pessoa singular ou colectiva ou, ainda, uma entidade pública - Câmara Municipal e/ou Património do Estado. Para além do dono da propriedade, existem outros direitos que podem estar associados ao direito principal são os direitos reais secundários, estes incluem: • Direito de aforamento; • Direito de superfície; • Direito de usufruto; • Direito de servidão predial; • Posse com características legalmente relevantes para a aquisição do direito de propriedade; • Concessão administrativa. | 20 | Boletim Informativo | Dezembro 2015 do e a matriz predial. No âmbito do segundo compacto do MCA-Cabo Verde II a ilha do Sal foi seleccionada como ilha piloto, seguir-se-ão as ilhas da Boavista, São Vicente e Maio. Qualquer pessoa residente na ilha do Sal, ou fora da ilha, deve participar na Operação, desde que seja um titular cadastral. 1. Para fazer a demarcação da sua propriedade, pode recorrer a um representante legal que irá identificar, em conjunto com os seus vizinhos, os limites da sua parcela /lote. 2. Após a demarcação o titular cadastral e/ou seu representante deve preencher a declaração de titularidade. Este formulário está disponível na Casa do Cidadão nas Embaixadas, Consulados e Associações de Cabo Verde na diáspora. 3. Deve participar na consulta pública, verificando no website: http://cadastropredial.gov.cv as informações que foram recolhidas durante a operação para confirmar se estão correctas. 4. Caso verifique algum erro, deve submeter uma reclamação durante o período da consulta pública e até um máximo de 10 dias úteis após o seu término (verifique os prazos das consultas públicas de cada zona no website http://cadastropredial. gov.cv). Equipa da embaixada de Cabo Verde na Bélgica com Director do projecto LAND Para mais informações contacte: Formação sobre preenchimento da declaração de titularidade para colaboradores da embaixada de Cabo Verde em França Dezembro 2015 | Boletim Informativo Telefone: + 238 2411880, + 238 5882430, + 238 5224529 Linha Verde (grátis): 800 2008 E-mail: [email protected]; [email protected] ; Website: http://cadastropredial.gov.cv | 21 | www.mca.cv www.governo.cv Projecto LAND Principais diplomas legais que enquadram a Operação Cadastro Predial Incentivos para a participação na Operação de Cadastro Predial Decreto-Lei n.º 29/2009, de 17 de Agosto, que aprova o Regime Jurídico do Cadastro Predial, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 45/2014, de 20 de Agosto; Decreto-Regulamentar n.º 28/2014, de 22 de Outubro, que aprova o Regulamento do Regime Jurídico do Cadastro Predial; Decreto-Lei n.º 37/2014, de 22 de Julho, que aprova o Regime Jurídico Especial de Cadastro para as Ilhas do Sal, Boa Vista, São Vicente e Maio. | 22 | Boletim Informativo | Dezembro 2015 A documentação a obter para demonstrar a titularidade da propriedade ou outros direitos podem acarretar custos. Contudo, o Governo de Cabo Verde aprovou no quadro do Regime Jurídico Especial de Execução do Cadastro Predial nas Ilhas do Sal, Boa Vista, São Vicente e Maio vários incentivos para estimular a formalização massiva dos direitos que se revelarem informais. Neste quadro, foram aprovados incentivos fiscais de forma a permitir a participação massiva dos titulares cadastrais. São estes: 1. Isenção ou redução de emolumentos de actos de registo; 2. Isenção de emolumentos de actos notariais necessários para formalizar direitos; 3. Isenção de imposto de selo; 4. Possível isenção do IUP – Imposto Único sobre o Património; 5. Dispensa do princípio do Trato Sucessivo no registo a favor de terceiros. Dezembro 2015 | Boletim Informativo | 23 | www.mca.cv www.mca.cv Achada Santo António - Praia • Caixa Postal 330 A • Prédio Cartório - 1º Andar • Tel.: +238 262 14 25