SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO DO VALE DO IPOJUCA
FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA – FAVIP
COORDENAÇÃO DE PSICOLOGIA
CURSO DE PSICOLOGIA
JAQUELYNE MARIA DE SENA E SILVA
O IDOSO E A APOSENTADORIA: VIVÊNCIAS SUBJETIVAS
DESSE PROCESSO
CARUARU
2011
JAQUELYNE MARIA DE SENA E SILVA
O IDOSO E A APOSENTADORIA: VIVÊNCIAS SUBJETIVAS DESSE
PROCESSO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a
Coordenação de Psicologia da Faculdade Do
Vale Do Ipojuca, como parte dos requisitos para
obtenção do titulo de Formação em Psicologia,
sob orientação do Prof. Msc. Gabriel Pereira de
Souza.
CARUARU
2011
S586i
Silva, Jaquelyne Maria de Sena e.
O idoso e a aposentadoria: vivências subjetivas desse processo. /
Jaquelyne Maria de Sena e Silva. -- Caruaru : FAVIP, 2011.
42 f. : il.
Orientador(a) : Gabriel Pereira de Souza.
Trabalho de Conclusão de Curso (Psicologia) -- Faculdade do Vale
do Ipojuca.
Inclui apêndice.
1. Idoso. 2. Aposentadoria. 3. Vivências. I. Título.
CDU 159.9[12.1]
Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367
JAQUELYNE MARIA DE SENA E SILVA
O IDOSO E A APOSENTADORIA: VIVÊNCIAS SUBJETIVAS
DESSE PROCESSO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a
Coordenação de Psicologia da Faculdade Do
Vale Do Ipojuca, como parte dos requisitos para
obtenção do titulo de Formação em Psicologia,
sob orientação do Prof. Msc. Gabriel Pereira de
Souza.
Aprovado em: __/__/__
________________________________________
Prof. Ms. Gabriel Pereira de Souza (Orientador)
________________________________________
Profª Ana Carvalheira Chaves (Avaliadora)
________________________________________
Profª Sheyla Suzanday Barreto Siebra (Avaliadora)
CARUARU
2011
DEDICATÓRIA
A minha família, dedico tudo
o que conquistar em
minha vida.
AGRADECIMENTOS
A Deus que é tudo na minha vida e nele me faço forte a cada dia........
A meu Pai, minha mãe, meu esposo e a toda minha família que sempre me apoiaram em
todos os momentos da minha vida. Pessoas tão importantes e a quem devo tudo o que
sou hoje. E principalmente pelo apoio que recebi nesse último e tão importante ano de
faculdade.
Ao Professor Gabriel que sempre esteve ao meu lado com muita paciência, me
orientando e me ajudando sempre que necessário, muito obrigada!
EPÍGRAFE
“É melhor tentar e
falhar, que
preocupar-se e ver a
vida passar; é
melhor tentar, ainda
que em vão, que
sentar-se fazendo
nada até o final. Eu
prefiro na chuva
caminhar, que em
dias tristes em casa
me esconder.
Prefiro ser feliz,
embora louco, que
em conformidade
viver ..." (Martin
Luther King)
RESUMO
Trabalho de conclusão de curso, com o título: “O IDOSO E A APOSENTADORIA:
VIVÊNCIAS SUBJETIVAS DESSE PROCESSO”, realizado através de uma pesquisa
de campo que objetivou compreender as vivências subjetivas de idosos no processo da
aposentadoria e como objetivos específicos identificar as principais vivências subjetivas
de idosos na aposentadoria; verificar como o aspecto socioeconômico interfere nesses
fatores. Os participantes da pesquisa foram idosos de um grupo de convivência do
Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) no município de Sairé,
Pernambuco. Vale ressaltar que os resultados obtidos no estudo foram através de um
questionário Bio-Demográfico que abordou algumas questões referentes aos
entrevistados, como também, um roteiro de entrevista semiestruturada abordando
questões relevantes enfatizando a temática da aposentadoria e os sentimentos dos
participantes dentro desse contexto. Para tanto foi realizado um estudo descritivo, tendo
sido os fatos observados, registrados, classificados, analisados e interpretados conforme
Andrade (2009). Após a descrição das análises conferiu-se uma categorização e um
levantamento que estruturou a quantidade de participantes, além da classificação das
questões abordadas no roteiro de entrevista, recortando-se algumas falas às apreciações
BARDIN (2007). Os dados apontados neste trabalho poderão subsidiar o
desenvolvimento de novas pesquisas de âmbito social.
Palavras chave: Idoso. Aposentadoria. Vivências
ABSTRACT
Completion of course work, entitled: “ THE OLD AND RETIREMENT: subjective
experience of this process”, performed by a Field survey aimed to understand the
subjective experiences of older adults in retirement and how to identify the main
objectives specific subjective experiences the elderly in retirement; See how these
interfere with the socioeconomic factors. Survey participants were a group of elderly
living in the Reference Center for Social Assistance (CRAS) in the city leaving,
Pernambuco. It is noteworthy that the results obtained in the study were using a Biodemographic questionnaire that addressed some issues related to the respondents, but
also semi-structured interviews addressing relevant issues emphasizing the theme of
retirement and the feelings of the participants in this context. For it was a descriptive
study, the facts have been observed, recorded, classified, analyzed, and interpreted
according to Andrade (2009). After the description of the analysis is given a
categorization and a structured survey that the quantify of participants, and the
classification of the issues addressed in the interview script, etched a few lines the
assessments Bardin (2007). The data pointed to this work will support the development
of new research into the social sphere.
Key Words: Aged. Retirement. Experiences.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1- Gráfico da Porcentagem por sexo de mulheres e homens.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1- Tipo de aposentadoria.
Tabela 2- Impressões sobre o processo da aposentadoria.
Tabela 3- Pontos Positivos.
Tabela 4- Pontos Negativos.
Tabela 5- O papel da aposentadoria na renda familiar.
Tabela 6- O valor da aposentadoria dá conta de suas necessidades.
Tabela 7- Se realizam outra atividade para complemento de renda.
Sumário
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 11
CAPÍTULO I: O IDOSO FRENTE AO MITO DO PRECONCEITO. ............................... 13
1.1 Conceituação ........................................................................................................................ 13
1.2 O Processo do Envelhecimento .......................................................................................... 16
1.3 O Estatuto do Idoso ............................................................................................................. 18
1.4 A aposentadoria ................................................................................................................... 19
CAPÍTULO II: ASPECTOS METODOLÓGICOS .............................................................. 22
2.1 Natureza da Pesquisa .......................................................................................................... 22
2.2 Tipo de pesquisa .................................................................................................................. 23
2.3 Participantes e local de realização ..................................................................................... 23
2.4 Instrumentos ........................................................................................................................ 23
2.5 Procedimentos ..................................................................................................................... 24
2.6 Procedimentos de Análise dos Dados................................................................................. 24
2.7 Considerações Éticas ........................................................................................................... 25
CAPÍTULO III: OS IDOSOS E SUAS VIVÊNCIAS SUBJETIVAS................................... 27
3.1 Perfil dos participantes ...................................................................................................... 27
3.1.1 Idade ............................................................................................................................... 27
3.1.2 Sexo ................................................................................................................................ 27
3.1.3 Situação Marital ............................................................................................................. 28
3.1.4 Nível de Escolaridade.................................................................................................... 28
3.1.5 Cor da Pele ..................................................................................................................... 29
3.1.6 Tipo de Moradia ............................................................................................................. 29
3.1.7 Com quem moram .......................................................................................................... 29
3.1.8 Renda Familiar .............................................................................................................. 29
3.2 Tipo de Aposentadoria ........................................................................................................ 29
3.3 Impressões no processo da aposentadoria........................................................................ 30
3.4 Pontos Positivos .................................................................................................................. 31
3.5. Pontos Negativos................................................................................................................. 32
3.6 O papel da aposentadoria na renda familiar .................................................................... 33
3.7 Se o valor da aposentadoria dá conta das suas necessidades. ......................................... 33
3.8 Se realizam outra atividade para complemento de renda ............................................... 34
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 35
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 36
APÊNDICES .............................................................................................................................. 38
1 INTRODUÇÃO
A população idosa vem crescendo significativamente em nossa sociedade, que
ainda não se encontra apta para lidar com essa população, gerando estereótipos e
preconceitos. Mascaro (2004) sinaliza que para a sociedade essas pessoas são aquelas
que estão se retirando do mundo do trabalho e se preparando para um novo modo de
vida que seria o da aposentadoria. Seria também um momento associado a velhice que é
um processo natural que faz parte do ciclo vital da existência humana.
Neri (2004) denota que a aposentadoria é um determinante da diferenciação dos
papéis adotados na velhice. Perante a essas transformações que surgem na vida do
idoso, ele tem a possibilidade de desenvolver novos papéis e ajustamento, se adaptando
com esse novo modo de vida social. Buscando, desenvolver outras atividades no âmbito
familiar e na própria sociedade, tendo a possibilidade de se inserir em novos contextos.
Em meio a essas transformações na vida do idoso, com esse novo cenário populacional,
compreendemos que, mesmo diante dessa nova condição social, o idoso busca pelo seu
reconhecimento social e procura assumir novos papéis de acordo com suas
necessidades.
No entanto, o interesse em trabalhar com Idosos nesta pesquisa surgiu do estágio
supervisionado básico II, realizado na Casa dos Pobres São Francisco de Assis, na
cidade de Caruaru, durante o qual foram realizadas cinco visitas. A instituição é
filantrópica, fundada em março 1948 por igrejas evangélicas, igreja católica e pela
maçonaria. É uma entidade que sobrevive de doações e acolhe cerca de 80 idosos de
ambos os sexos, em proporções semelhantes.
Uma das principais atividades desenvolvidas no estágio foi o plantão psicológico
(instrumento terapêutico que visa trabalhar demandas urgentes), realizado através do
processo de escuta, com o objetivo de acolher às pessoas que o procuram. De um modo
geral, os idosos foram receptivos ao trabalho desenvolvido no estágio, que possibilitou
o contato com seus diferentes históricos de vida (alguns eram moradores de rua, outros
foram deixados pela própria família) e também com as relações entre os mesmos (na
convivência entre os homens eram frequentes as brigas). A experiência foi maravilhosa
e levou-me a algumas indagações sobre o porquê do abandono naquela instituição.
12
Tornou-se necessário que eu enxergasse os dois lados: o da família e o da
pessoa, para assim compreender o abandono.
No decorrer de alguns meses, surgiu a oportunidade de estagiar em um Centro
de Referência de Assistência Social (CRAS) no município de Sairé, retomando o
contato com idosos através de um grupo de convivência que conta com cerca de 40
integrantes. A proposta interventiva adotada tem como objetivo a convivência, a
organização e a possibilidade de experienciarem relações do grupo, realizado
mensalmente com atividades técnica de dinâmica, palestras e vídeos. Nos encontros, é
notável o envolvimento de todos nas atividades, o entusiasmo e a alegria percorrendo
em suas faces quando fazem atividade física, danças e brincadeiras.
Sabe-se também que a aposentadoria é um direito almejado por muitos,
principalmente pelos idosos, trazendo muitos significados e repercussões na vida desses
sujeitos. Então, esse contexto me despertou o interesse e a curiosidade em saber como
esses idosos vivenciam esse momento marcante na vida deles. Reconhece-se que esse
contexto populacional vem despertando interesse por parte dos estudiosos, mostrandose relevante e sendo necessário que o mesmo gere debates sobre o assunto, já que o
aumento da população idosa é uma realidade. Esse trabalho tem como propósito levar
para a sociedade algumas contribuições para que os mesmos tenham uma reflexão sobre
a temática. Assim sendo, o objetivo geral desse trabalho é compreender as vivências
subjetivas de idosos no processo da aposentadoria. Os objetivos específicos são:
identificar as principais vivências subjetivas de idosos na aposentadoria; verificar como
o aspecto sócio-econômico interfere nesses fatores.
Os capítulos desenvolvidos apontam, inicialmente, sobre as diferentes
associações com trabalhos direcionados aos idosos, destacando-se a relevância da
socialização ou, seu engajamento na sociedade. Em seguida, enfatizaram-se as questões
metodológicas, em que, relacionou-se a natureza, o tipo da pesquisa, os participantes, os
instrumentos utilizados e todo procedimento que compõe uma pesquisa. Além disso,
abordaram-se dois instrumentos de pesquisa: um questionário Bio-Demográfico com o
objetivo de colher dados dos entrevistados apresentando o perfil de cada um. E, por fim,
um roteiro de entrevista semiestruturado com perguntas relacionadas aos participantes e
o processo da aposentadoria no Brasil.
13
CAPÍTULO I: O IDOSO FRENTE AO MITO DO PRECONCEITO.
Este presente capítulo aborda sobre o conceito do idoso tendo como
embasamento biológico, cronológico. Pontuando sobre as diferentes associações
referentes ao idoso, enfatizando sobre o rejuvenescimento do corpo jovem que é
celebrado cotidianamente. Destacando o homem como criador de suas ações, atos etc.
Ressaltando a importância da pessoa idosa socializa-se para não ser acometida pelo
isolamento. E a categoria do trabalho revelado como elemento fundamental e
estruturante para o sujeito. Dentre os participantes da pesquisa por serem agricultores
aposentados pelo FUNRURAL segundo a constituição federal de 1988 aponta sobre a
comercialização da produção está sendo cobrada de forma abusiva. Sendo assim, a
constituição ressalta que o médio e grande agricultor paga o FUNRURAL sem o
recebimento de nada em troca, de acordo com a constituição como sendo ilegal.
1.1 Conceituação
Encontrar uma definição para o sujeito idoso é ter embasamento da noção
biológica de velhice ou senilidade, momento que o indivíduo pode ser considerado
“velho”, significa muito idoso, antigo, veterano, pessoa que exerceu muito tempo uma
profissão ou constitui-se de certa qualidade (FERREIRA, 2000 apud SCHNEIDER e
IRIGARAY, 2008, p.588). Ferreira (2000, p. 588) sinaliza que “o idoso é aquele que
por apresentar muita idade, que significa um juízo de valor.” Esses valores são
referentes ao meio ou sociedade em que vive, constituída por crenças, opiniões, etc.
Sendo assim, a idade cronológica pontua essa definição, ressaltando que o tempo não é
fundamentalmente objetivo, pode ser relativo e subjetivo. Schroots e Birrem (1990)
compreendem que esta idade refere-se à quantidade de anos percorridos desde o
nascimento, e que a pessoa ou individuo precisa do outro para se constituir como ser,
não sendo um ser que caminha isoladamente (SCHNEIDER e IRIGARAY, 2008).
Em outros tempos, a vida já não era muito fácil, principalmente para os idosos,
que eram excluídos da sociedade. Onde os mais jovens predominavam sendo
considerados mais úteis e produtivos. Segundo Mascaro (2004, pg.30) “(...) a velhice do
corpo, a decadência física e a perda do vigor da juventude são vistos nessa época como
um naufrágio, segundo as palavras do poeta italiano Petrarca (1304-74)”. Fica claro que
as desigualdades sociais, os estereótipos e preconceitos existiam antigamente, o corpo
exuberante da plena juventude era admirado e valorizado. Os idosos eram vistos de
14
forma negativa e não tinham o direito de cuidar do corpo vivido. As mulheres idosas
eram consideradas como bruxas (MASCARO, 2004).
No entanto, essas associações negativas referentes aos idosos também ainda
atualmente. Para muitas pessoas é um período de algumas limitações e de algumas
perdas, muitas vezes subentendida como uma etapa detestável de se vivenciar, mas que
também pode ser uma etapa muito positiva (SCHNEIDER e IRIGARAY, 2008).
Reconhece-se, que vivemos em uma sociedade em que a aparência, a estética
são celebrados cotidianamente. O corpo bonito, esbelto vem ganhando destaque pela
sua boa forma, rejuvenescimento e bem-estar. Para algumas pessoas que adotam essa
estética é uma maneira de adiar a velhice cuidando da saúde (MASCARO, 2004).
Segundo Vitola (2004, p.160) “a vida é um processo continuo de adaptação, que
pode ser dividido em etapas, nas quais a pessoa alcança formas de ajustamento,
realizando diferentes modalidades de aprendizagem, isto é, tarefas evolutivas”. A
velhice por ser uma fase natural da vida que não há como escapar, pois nascemos,
crescemos, amadurecemos, envelhecemos e por fim morremos. Uma etapa que remete
ao idoso algumas transformações, passando a assumir uma nova condição social, sendo
uma tarefa evolutiva de ajustamento e adaptação (VITOLA, 2004).
No entanto, as pessoas no decorrer da vida se adaptam a essas mudanças
consideradas insuportáveis de se vivenciar. Essas pessoas em alguns momentos da vida
se deparam com o desânimo, sem força para superar os obstáculos e discriminações que
surgem no decorrer dessa caminhada, devido a sua imagem. Desse modo, esses
preconceitos dificultam o crescimento pessoal e auto-realização, fazendo com que o
idoso afaste-se do meio em que vive, impedindo essas pessoas de terem uma vida mais
digna e feliz. Compreende-se que a pessoa idosa ou velha é um ser de princípios,
crenças, valores; ser de possibilidades que está sendo marginalizado e banalizado em
conseqüência desse tratamento preconceituoso e hostil (VITOLA, 2004).
Alguns autores humanistas como Rogers (1975) apud Vitola (2004.p161)
sinalizam que “todo organismo é movido por uma tendência inerente para desenvolver
todas as suas potencialidades e para desenvolvê-las de maneira a favorecer sua
conservação e seu enriquecimento”. Desse modo, o homem é um ser de construção que
se encontra numa tendência ao crescimento imerso por diversos sentimentos e
motivações, essa tendência remete a potencialidades e capacidades, possibilitando o
reconhecimento e aceitação de si próprio.
De acordo com Tillich (1972) apud Vitola(2004,p.162) “O homem é visto como
o mais vital dos seres, o único que pode transcender qualquer situação dada, em
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qualquer direção e esta possibilidade o leva a criar além dele mesmo”. Sendo assim, o
homem tem esse privilégio de ser criador de suas próprias ações, enfrentando qualquer
situação, algumas vezes sem norte ou direcionamento. Então o homem enquanto tiver o
poder da vitalidade ele pode ir além de si próprio e vencer os perigos ou dificuldades
que surgem em seu caminho.
É importante, portanto, compreender que a pessoa idosa em suas diversas formas
de ser, precisa acreditar em si mesma, ter autoconfiança, mesmo com as surpresas que a
idade lhe provoca. Procurar socializar-se e continuar integrada nesse meio social para
poder manter-se confiante com objetivo de vida na velhice (FRANCO, 1991).
O envelhecimento humano é um processo complexo no qual interagem vários
fatores, logo não pode ser considerado de forma simplista como sendo anos
de calma e serenidade. Ressaltando que para se chegar á terceira idade ou
velhice, como sendo um processo único e bastante significativo, embora esse
momento tenha sentido diferente para cada um de nós. Enfatizando que esse
período é considerado positivamente e não se distingue só pelas perdas.
Viorts (1988) pontua que é pela integralização das perdas que se define uma
boa qualidade da velhice, reconhecendo que um bom vínculo de amizade,
uma condição socioeconômica satisfatória favorecem a aceitação da velhice .
(VITOLA, 2004,P.165)
O processo do envelhecimento para Mosquera (1983) apud Vitola (2004,p.166)
é compreendido como um momento vivenciado de um indivíduo para outro, destacando
que o afastamento do trabalho pode ser relevante para muitas pessoas como um
descanso, possibilitando-lhes desfrutar desses anos de compromisso. Permite que a
pessoa idosa reconheça as mudanças que ocorrem cotidianamente.
Ressaltando que a velhice está interligada a várias questões, essa etapa da vida é
caracterizada pela sua heterogeneidade, destacando que os sujeitos envelhecem de
forma diferente, com histórias de vida singulares. Então, é imprescindível que não se
trabalhe esse contexto de forma homogeneizada. (LOPES,2000 apud BULLA,L.C. e
KAEFER,C.O,2003)
Reconhece-se que não é pelo fato dessas pessoas estarem passando pela mesma
etapa da vida, que estejam então passando por experiências e necessidades iguais,
compreendendo que o sujeito idoso deve ser tratado com respeito e não como um
objeto. Sendo assim, o sujeito é um ser de relações, que se encontra em um contexto
manipulador e influenciador, fazendo com que sua história se inicie desse movimento
existencial. (KOSIK, 1995 apud BULLA, L.C. e KAEFER,C.O, 2003)
O trabalho é considerado fundamental para o desenvolvimento e crescimento
humano, principal meio de sobrevivência, produtor de relações sociais que possibilita ao
16
individuo vivenciar esse momento de maneira diferente. Entender o significado dessa
categoria significa estarmos mais atentos a essas mudanças que vem surgindo e
repercutindo na vida dos seres humanos (BULLA L.C e KAEFER, 2003).
Vale ressaltar que vivemos em uma sociedade em que o preconceito está imerso
na cultura existente e principalmente em países desenvolvidos como o nosso, havendo
estereótipos que são construídos e concebidos por pensamentos empíricos de acordo
com a experiência de vida de cada ser ( GUIMARÃES, 2002 p, 17 apud BULLA L.C.;
KAEFER, 2003)
De acordo com Lane (1981, p.57) o trabalho é um fator fundamental para o
desenvolvimento da identidade do sujeito, pontua que “podemos ver como através do
trabalho produtivo da sociedade se constituem classes sociais antagônicas, que por sua
vez, determina as relações sociais entre os indivíduos”. É através do trabalho que
surgem as relações sociais, em um espaço onde os indivíduos desempenham e
desenvolvem algumas atividades.
No entanto, para efeito deste trabalho, consideramos idosas aquelas pessoas com
idade a partir de 60 anos, conforme o Estatuto do Idoso de 2003.
1.2 O Processo do Envelhecimento
O envelhecer é um processo natural caracterizado como uma etapa da vida do
ser humano. Decorrente de mudanças físicas, psicológicas e sociais é uma etapa que
para o idoso é considerada pela conquista dos seus objetivos e realizações, mas também
de algumas perdas. No entanto, vivemos em uma sociedade que está imersa nas grandes
mudanças cotidianas, como a tecnologia que tem avançado significativamente. Os
idosos estão interligados nesses meios de comunicação, conquistando seu espaço e se
adaptando a essas modificações (MENDES, et. al. 2005).
Reconhece-se que a sociedade apresenta grande dificuldade em lidar com essas
mudanças e com esse perfil populacional, fazendo com que a velhice ocupe um lugar
marginalizado. Sendo assim, é relevante que essa realidade populacional desfrute da sua
experiência de vida com mais satisfação e com boa qualidade de vida (FERREIRA,
2000, p.588 apud SCHNEIDER; IRIGUARAY, 2008, p.588). Dados do IBGE apontam
que os idosos apresentam mais problemas de saúde do que a população geral (MENDES
et. al., 2005).
17
Estudos apontam que a velhice e o envelhecimento são considerados
positivamente, ressaltando que a velhice está associada a deterioração e perda. O
envelhecimento é um fenômeno vivenciado e cultivado por outros povos, assim sendo,
um processo que é intensamente influenciado pela cultura ou sociedade em que vive.
(UCHÔA, 2003 apud SCHNEIDER, IRIGARAY, 2008)
A longevidade é uma realidade no mundo atual e reflete no aumento
significativo da população de idosos tanto no âmbito nacional quanto no mundial,
ressaltando que o número de pessoas com idade a partir de 60 anos vem crescendo mais
rapidamente que qualquer outra faixa etária (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008).
Segundo Neri e Freire (2000), apud SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008 , p.586).
“(...) o envelhecimento ainda está ligado à deterioração do corpo, ao declínio e a
incapacidade” (...). Compactuando com esse modo de pensar dos autores, na última
etapa do ciclo vital, ocorrem mudanças significativas, onde o corpo sofre a perda da
“beleza” de um corpo já vivido, fazendo com que o idoso não se reconheça. Assim
sendo, em alguns momentos da vida o idoso pode ser considerado inútil, incapaz e
sinônimo de doença. A velhice pode também ser caracterizada como uma etapa da vida
na qual surgem à decadência física e a ausência de papéis sociais, assim, o idoso perde
seu status social (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008).
Conforme Mascaro (2004, p.61) “para atingir uma velhice saudável é preciso
entender que tudo aquilo que realizamos na juventude terá repercussão na fase da
velhice [...]”. Assim, para atingir uma velhice saudável é importante ter uma juventude
sem extravagâncias (cuidar de si próprio), ser um adulto “na ativa” que se importe com
sua saúde, procurando fazer exercícios físicos, mantendo uma alimentação correta para
não trazer danos futuros fazendo com que o idoso não se torne sedentário ou obeso
(MASCARO, 2004).
A velhice traz inúmeras mudanças na vida social do sujeito. O “idoso” ou o
“velho” tende a se projetar no passado, como se o presente e o futuro não existissem, o
que para Goldfarb (2004) seria o desinvestimento da cultura, o idoso fica
impossibilitado de se projetar, imerso num espaço vazio, em meio à desnarcisação.
Diante dessas perdas e desse falecimento do seu reconhecimento seria como se o idoso
retornasse à infância, perdendo sua autonomia e retornando a dependência.
De acordo com Neri (2004, p.97), “envelhecer estaria vinculado a perdas de
diferentes ordens, conseqüentemente fariam com que os idosos fossem mais vulneráveis
aos quadros depressivos”. Desse modo, o sujeito idoso diante das perdas e por está em
uma fase da vida cheia de limitações, dependendo do outro constantemente, perde seu
18
reconhecimento, é retirado do mundo do trabalho. Essas limitações podem causar
algumas implicações fazendo com que o idoso “adoeça” diante desse não-lugar. Então,
devido a essas implicações os idosos tornam-se mais vulneráveis e em algumas
situações se isolam e desenvolvem uma baixa autoestima, perpassando também por
outros sintomas depressivos (NERI, 2004).
1.3 O Estatuto do Idoso
O Estatuto do Idoso promulgado em 1º de outubro de 2003, traz uma série de
mudanças quanto aos direitos do idoso. Segundo o Estatuto do Idoso, o envelhecimento
populacional vem crescendo de forma considerada, fazendo com que o Brasil torne-se
até 2025 o sexto país do mundo com maior população de idosos. Então, significa dizer
que a população brasileira está envelhecendo, colocando em foco esse contexto
(SCHINEIDER e IRIGARAY, 2008).
A partir do Estatuto, garantem-se direitos a pessoas com idade igual ou superior
a 60 anos, tais como: atendimento preferencial no sistema único de saúde (SUS), assim
como remédios de uso continuado (hipertensão, diabetes etc.) distribuídos
gratuitamente, como também os de próteses e órteses. Em caso de internação ou
observação em qualquer unidade de saúde, tem direito a acompanhante, determinado
pelo profissional que o atende. Os idosos maiores de 65 anos têm direito ao transporte
coletivo grátis, desde que mostrem o comprovante exigido na carteira de identidade.
Asseguram-se aos idosos nesses transportes a reserva de 10% dos assentos. Nos
transportes interestaduais, o estatuto garante a reserva de duas vagas gratuitas em cada
veículo para idosos com renda igual ou inferior a dois salários mínimos. Caso o número
de idosos exceda essa quantidade eles têm 50% de desconto no valor da passagem, de
acordo com sua renda. O estatuto assegura também que nenhum idoso poderá ser objeto
de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão (ESTATUTO DO
IDOSO, 2003).
Prevê para aqueles que, por exemplo, dificultarem seu acesso a operações
bancárias, aos meios de transportes ou a qualquer outro meio de exercer sua cidadania,
podem ser condenados à pena, podendo variar de seis meses a um ano de reclusão, além
de multa. Em caso de abandono em hospitais e casa de saúde, sem dá importância as
suas necessidades básicas, no caso das famílias o abandonarem podem ser condenadas,
a pena de seis meses a três anos de detenção e multa. Também nos casos que são
19
submetidos a condições desumanas, privados de alimentação e de cuidados
indispensáveis, a pena para os responsáveis é de dois meses a um ano de prisão, além da
multa. Se houver a morte do idoso, a punição será de 4 a 12 anos de reclusão. No caso
de apropriação de bens, cartão magnético (de conta bancária ou cartão de crédito)
pensão ou qualquer rendimento do idoso é passível de condenação, com pena que varia
de um a quatro anos de prisão, além da multa (ESTATUTO DO IDOSO, 2003).
O Estatuto afirma que as instituições de atendimento ao idoso podem responder
civil e criminalmente pelos atos práticos contra o idoso. A fiscalização dessas
instituições fica a cargo do conselho municipal do idoso de cada cidade, da vigilância
sanitária e do ministério público. Em caso de mau atendimento aos idosos, pode ocorrer
advertência e multa até a interdição da unidade e a proibição do atendimento aos idosos.
O idoso tem direito a 50% de descontos em atividades de cultura, esporte e lazer.
Também é proibida a discriminação por idade e afixação de limites máximos na
contratação de empregados, sendo passível de punição quem o fizer. Em caso de o
primeiro critério de desempate em concurso ser a idade, a preferência é para os
concorrentes com idades mais avançada. É obrigatória a reserva de 3% das unidades
residenciais para os idosos nos programas habitacionais públicos ou subsidiados por
recursos públicos (ESTATUTO DO IDOSO, 2003).
Quanto á aposentadoria, o Estatuto estabelece apenas alguns pontos referente á
temática, o estatuto ressalta que o trabalhador se aposenta por tempo de serviço ou por
idade contribuindo durante um tempo de serviço sendo o mesmo descontado.
1.4 A aposentadoria
No Brasil é possível se aposentar por idade ou por tempo de serviço conforme a
lei nº 10.741, (Estatuto do Idoso) o trabalhador deve contribuir com a previdência social
e este valor geralmente é descontado do seu salário. Para se aposentar por idade é
preciso ter no mínimo 15 anos de contribuição. Desse modo, o estatuto destaca que os
valores dos benefícios são reajustados, desde o reajuste do salário mínimo, seu início ao
seu último reajustamento. Estes critérios são apontados pela Lei Nº 8.213, de julho de
1991 (BRASIL, 2003).
Segundo Neri (2004, p.105), “a aposentadoria é um determinante da diferenciação
dos papéis adotados na velhice”. Compreende-se que é uma nova condição social para o
idoso, que para muitas pessoas a vivência da aposentadoria é constituída pela perda do
20
status social e dos papéis sociais. O trabalho é um importante elemento na construção da
identidade pessoal do sujeito, e essa perda algumas vezes reflete no sujeito de forma
negativa. No entanto, a aposentadoria assegura aos indivíduos renda permanente até a
morte, proporcionando um meio de segurança individual, um fator predominante de
crescente necessidade que percorre em nossa sociedade capitalista
(MENDES, et. al.,
2005).
Numa sociedade capitalista e respectivamente moderna como a nossa um grande
desafio social é a inclusão da pessoa idosa no mercado trabalhista. Num país
desenvolvido como o Brasil esse processo encontra-se cada vez mais distante. Nas
grandes empresas freqüentemente vem estabelecendo-se o aumento de substituições no
quadro dos funcionários antigos ou mais velhos pelos mais novos, jovens. Atitudes
como essa que ainda prevalecem em nossa sociedade e que contribuem para o
prevalecimento do mito da improdutividade (BORGES, 2011).
No entanto, é comum quando as famílias se queixam porque os idosos não saem
de casa, não se divertem, acabam vivendo projetivamente seu passado, esquecendo-se
de integrar-se no dia-a-dia da família. É notório que algumas vezes os idosos se isolem
até mesmo da sua família, fazendo com que os mesmos percam sua liberdade de
locomoção (BORGES, 2011).
Borges (2011, p.33) destaca:
O isolamento da pessoa idosa é a maior razão para a falta de engajamento; a
falta de um referencial do tempo faz com que a pessoa não se situe no dia-adia, deixa todos os dias iguais e isso não é bom no envelhecimento, pois não
permite que se construa a historia de vida.
Diante disso, é fundamental que o sujeito idoso seja autor de sua própria história
de vida, caso contrário leva-o ao não engajamento. Então é necessário um ambiente
harmonioso, pois a pessoa idosa necessita de muita atenção e carinho. Se esse ambiente
não proporcionar ao idoso o devido acolhimento, será surpreendido pelo isolamento
(BORGES, 2011).
De acordo com Borges (2011, p.38) “comunicar coisas boas as pessoas idosas além
de produzir momentos de felicidade, é uma forma de combater o mito de
desengajamento tributado as pessoas idosas” (...). É relevante que o idoso esteja
integrado no convívio e cotidiano familiar, esta vivência possibilitará bem-estar ao
próprio sujeito idoso. Que se mostra pronto para novas experiências e descobertas,
21
então, é imprescindível que a família acolha, não se comporte de forma hostil, não
desprezando a presença da pessoa idosa no seu cotidiano.
Conforme Mucida (2009, p.58):
A aposentadoria pode representar uma perda considerável em vários níveis,
provocando a formação de alguns sintomas, como estados depressivos e
sentimento de menos valia, mas pode-se constituir um momento de abertura e
novos investimentos na vida.
A aposentadoria é um momento marcante e complexo na vida do sujeito, e
acontece de forma singular e diferente para cada trabalhador. Sendo assim, constitui-se
em uma mudança de localização social, que para alguns aposentados pode trazer
algumas repercussões representadas por sintomas depressivos, ansiedade, irritabilidade
e sentimento de menos valia citado acima, já para outros aposentados é considerada
como um momento de satisfação, uma fase de descanso e preparação para um novo
modo de vida, onde o idoso pode assumir novos papéis dentro da sociedade (MUCIDA,
2009).
De acordo com Mucida (2009, p.57), “a aposentadoria é o destino inevitável
daqueles que se inscrevem em determinada forma de trabalho social, mas seus destinos
não se igualam [...]”. Que para algumas pessoas a aposentadoria é considerada como
destino, aquilo que é inevitável e que surge no curso da história de cada ser humano, é
notório que para uns ela é esperada, no sentido de se ter uma vida mais tranqüila e
confortável, já para outros seria como a diminuição da condição sócio-econômica.
Então, tem sentido diferente para cada ser humano.
A aposentadoria é um momento que traz muita repercussão na vida do idoso, pois
passa a assumir uma nova condição social se retirando do mundo do trabalho.
Rodrigues (2005) apud SOARES, et. al. (2007, p.145) destaca que a aposentadoria está
associada a perda da capacidade de ação do sujeito, fazendo com que o aposentado
torne-se inativo e improdutivo. O autor considera essa perda como um luto ou morte
social, desse modo, o aposentar-se remete a conflitos referentes ao processo de
construção da própria identidade social. Então significa que o sujeito trabalhador foi
condicionado por maior da sua vida de dedicação e utilidade e o está na ativa reflete
positivamente para nossa sociedade capitalista.
Diante disso, é notória a importância dada ao trabalho que é um elemento
fundamental para o crescimento e desenvolvimento pessoal do sujeito. Para Zaneli e
22
Silva (1996) apud SOARES, et. al. (2007, p.145) é através do trabalho que o individuo
reconfigura-se uma forma de reconhecimento pessoal e organização da vida. Dejours
(1994) apud SOARES, et.al. (2007,p.145) sinaliza que o trabalho é considerado como
fonte da satisfação e realização, também como uma sobrevivência e sofrimento.
Para Bernhoeft (1994) apud SOARES, et. at.(2007, p.146)“o descanso ou o
desfrute esta, culturalmente, vinculado a uma concepção de prêmio subseqüente a uma
árdua dedicação de trabalho”. Desse modo, a aposentadoria é considerada um momento
de grande satisfação, possibilitando ao sujeito ser livre para fazer o que se deseja,
desfrutando de momentos de bem-estar social, é um descansar dessa longa jornada de
responsabilidade e compromisso.
CAPÍTULO II: ASPECTOS METODOLÓGICOS
O capitulo em tela segundo Gondim e Lima (2002) ressalta sobre as questões
norteadoras e metodológicas para um objeto de estudo, reconhecendo que esses aspectos
metodológicos foram elaborados desde o projeto de pesquisa. Sendo assim, o presente
capítulo destaca sobre a natureza da pesquisa se descritiva ou exploratório. Valendo
ressaltar sobre o tipo de pesquisa realizado, se foi um estudo de campo ou bibliográfico,
destacando também sobre os participantes e local de realização do mesmo, os
instrumentos, procedimentos de analises dos dados.
2.1 Natureza da Pesquisa
Andrade (2009) sinaliza que a pesquisa descritiva constitui-se em fatos
observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador
manipule variáveis. Isto significa que os fenômenos do mundo físico e humano são
estudados, mas não manipulados pelo pesquisador. Lakatos e Marconi (2004) pontuam
que os fenômenos são descritos de forma simples considerando seu funcionamento no
presente ou realidade estudada. Então é relevante que a descrição desses fenômenos ou
fatos sejam apresentados de forma clara para o bom desenvolvimento da pesquisa. A
natureza da pesquisa é a abordagem qualitativa que segundo Minayo (2007) se constitui
das representações, das crenças, da troca de opiniões, das presentes historias e relações
que são construídas no decorrer da existência humana.
23
2.2 Tipo de pesquisa
O tipo de pesquisa realizada foi o trabalho de campo. De acordo com Deslandes
e Minayo (2008), ela permite ao pesquisador total aproximação com a realidade
estudada, sendo claro e objetivo no levantamento das questões abordadas, então nesse
tipo de pesquisa o pesquisador ou entrevistador para se obter bons resultados na
pesquisa, é preciso ser determinado, dinâmico, saber questionar quando surgem as
possíveis indagações e inquietações da realidade vivenciada.
Segundo Minayo (2008) o trabalho de campo seria esse contato direto com os
atores existentes de um meio social. Sendo assim, para que esse trabalho aconteça e que
se torne relevante, dependerá da fase exploratória abordada, quando o pesquisador deve
ser claro e objetivo nas respectivas questões enfatizadas pelo mesmo, partindo da
realidade presente.
2.3 Participantes e local de realização
Participaram deste estudo, idosos de um Grupo de Convivência de um Centro de
Referência da Assistência Social (CRAS), a escolha da instituição deu-se pela
realização por parte desta pesquisadora de estágio curricular no mesmo local. Sendo
assim, já havia sido construído um rapport entre esta pesquisadora e os idosos da
instituição, possibilitando uma maior facilidade ao abordar o objeto de estudo com os
participantes.
Quanto ao local de realização do estudo, apesar do grupo de idosos ser
acompanhado pelo CRAS, deu-se em outro espaço onde são feitas as atividades
semanais. Trata-se de um local amplo, mas que precisa de alguns reparos, pois os idosos
ainda não têm seu espaço próprio. Participou desse estudo idoso aposentados pela
previdência Social.
2.4 Instrumentos
Para investigar como ocorrem essas vivências subjetivas pelo idoso na
aposentadoria, foi utilizada uma técnica de entrevista semi-estruturada e um
questionário bio-demográfico. A entrevista tem como critério a elaboração de perguntas
abertas, onde o entrevistado pode discorrer sobre o tema. Ressaltando que na pesquisa
qualitativa é fundamental o envolvimento do entrevistado com o entrevistador. Minayo
24
(2007) pontua que as entrevistas semiestruturadas, possibilitam ao entrevistador
absorver várias opiniões e informações sobre a realidade pesquisada. A entrevista é
considerada uma coleta de informações sobre determinado tema, sendo uma estratégia
mais usada no trabalho de campo. Estabelecendo uma conversa a dois, com o objetivo
de obter informações para um objeto de pesquisa.
A entrevista possibilita uma forma de interação social, significa que para o
desenvolvimento da pesquisa é imprescindível para a entrada do entrevistador em
campo. É importante que a mediação entre entrevistado e entrevistador seja feita por
uma pessoa de total confiança do entrevistado, o investigador deve mencionar a
relevância da pesquisa ressaltando que através do seu depoimento a mesma pode
contribuir direta ou indiretamente. Sendo necessário explicar com uma linguagem clara
os motivos da pesquisa; justificando também a escolha do entrevistado; assegurando aos
informantes a garantia do anonimato e do sigilo, e uma conversa inicial visando á
quebra do gelo para tornar um clima descontraído de conversa (MINAYO, 2007).
2.5 Procedimentos
Antes de dar seguimento à coleta de dados o contato com a instituição ocorreu
com o pedido de autorização a coordenadora do Centro de Referência da Assistência
Social, informando o objetivo da entrevista, mesmo o estagio está sendo realizado no
local. Logo após o contato foi mencionado a cada participante a relevância e a proposta
da pesquisa, sendo afirmado que seria prestado esclarecimento quanto aos objetivos da
pesquisa, sua duração, a dinâmica da entrevista, o uso de gravador ou outros recursos se
necessário, e assegurando aos participantes a preservação do sigilo. Desse modo, os
próprios poderão aceitar ou não a participar, tendo sua decisão respeitada.
A entrevista aconteceu nos dias de atividades no termino, as mesmas ocorrem 3 (três)
dias por semana. De início pensei que dava para realizar as entrevistas em apenas um
dia, mas ocorreu ao contrário, precisou de mais uns dias para realizar ás entrevistas
devido a alguns imprevistos que surgiu no dia das entrevistas, pois tive que ir a suas
residências uma das dificuldades encontradas, porque nem todos estavam presentes e
moravam na zona rural.
2.6 Procedimentos de Análise dos Dados
25
Os dados obtidos através da entrevistas foram analisados buscando a
interpretação dos significados (MINAYO, 2008). Por se tratar de pesquisa qualitativa
que tem o objetivo de responder a questões particulares, a análise busca o sentido e a
interpretação do material colhido, respeitando as singularidades existentes dos idosos
envolvidos no estudo. As análises obtiveram como referencial teórico Bardin (2007)
sinalizando “que a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análises das
comunicações”. Desse modo, a análise de conteúdo utilizado foi a categorial, esse
método pretende buscar a totalidade de um texto, fazendo uma categorização entre
todos os entrevistados um levantamento de quantos participaram da pesquisa e uma
classificação dos pontos levantados no roteiro de entrevista semi-estruturada para
possivelmente interpretá-los. Desse modo, as entrevistas foram transcritas, depois foi
feita uma tabulação para organizar as falas e possivelmente compreende-las. E para
construção das analises recortou-se algumas falas. Conforme Bardin (2007) a autora
destaca a categorização como um processo estruturalista.
2.7 Considerações Éticas
A elaboração desse estudo me fez compreender sua relevância estando de
acordo com a resolução 196/96 do conselho nacional de saúde/MS sobre as diretrizes e
normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Ressaltando que para
realização desse trabalho será solicitada a autorização do conselho de ética e pesquisa
com seres humanos da Faculdade do Vale do Ipojuca- FAVIP, respeitando também os
princípios éticos do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), que tem como
respaldo o consentimento do participante. Salientando que o mesmo encontra-se em
anexo I, a carta de anuência II, que tem o objetivo apresentar a pesquisadora, o trabalho
intitulado O Idoso e a Aposentadoria: vivências subjetivas desse processo, sob a
orientação do Prof.º Gabriel Pereira de Souza. Sendo necessária à autorização da
instituição e a autorização dos participantes, por ser uma pesquisa que envolve seres
humanos tendo princípios éticos norteadores que são relevantes para o desenvolvimento
do trabalho de campo que contribui para uma atuação profissional atendendo as
demandas existentes de nossa sociedade. De acordo com a resolução acima a presente
pesquisa se submeteu a aprovação do comitê de ética, pedindo a autorização para ir a
campo. Com a liberação do comitê fez-se o contato com a Secretária de Ação Social e
Cidadania solicitando a autorização, que foi concebida. Sendo assim dei inicio a
26
pesquisa com muita dedicação e compromisso utilizando todos os documentos precisos
para realização da mesma.
27
CAPÍTULO III: OS IDOSOS E SUAS VIVÊNCIAS SUBJETIVAS
Neste presente capitulo foi abordado um questionário bio-demográfico com
algumas questões para se obter dados dos entrevistados apresentando o perfil dos
participantes, o sexo, a situação marital em que se encontram, o nível de escolaridade, a
cor da pele, o tipo de moradia, com quem moram e a renda familiar. E também um
roteiro de entrevista semi-estruturada com perguntas referente aos entrevistados como o
tipo de aposentadoria, as impressões nesse processo, os pontos positivos e negativos, a
importância desse processo, se esse valor da conta das suas necessidades e se os
entrevistados realizam outra atividade.
3.1 Perfil dos participantes
3.1.1 Idade
Os participantes tiveram suas idades entre 50 e 85 anos, com média de 50 anos
(66,57). A preponderância foi na faixa dos 60 anos.
3.1.2 Sexo
Quanto ao sexo dos participantes, a maioria foi de mulheres com 80,95%. Tal
freqüência pode ser compreendida pelo número de mulheres que participam das
atividades, oficinas e cursos oferecidos pelo CRAS, que é sempre maior em relação aos
homens. O CRAS, inclusive, aponta dificuldades na realização de atividades com os
homens com 19,05% pois, sua freqüência é sempre mais baixa. Sendo os mesmos mais
presentes em datas comemorativas e em algumas atividades como a física.
28
19,05%
Feminino
Masculino
80,95%
Gráfico 1- Porcentagem por sexo.
3.1.3 Situação Marital
Quanto a situação marital dos participantes é representado com cerca de 08
mulheres que cujo seu estado civil é casada, sendo as mesmas contando com 07 em
estado situacional de viuvez, sendo assim, valendo ressaltar que 01 solteira, 01
separada, 02 que moram junto.
3.1.4 Nível de Escolaridade
Muitos dos relatos dos participantes demonstram que houve dificuldades quanto
á oportunidade de estudar, porque precisavam trabalhar para poder se alimentar e
sustentar suas famílias. Alguns só aprenderam a fazer o próprio nome e nunca
freqüentaram uma escola. Como diz M (80 anos): “Eu ia para Vitória de pé o que eu
arrumava era para a gente comer, e a escola que é bom nunca”.
29
3.1.5 Cor da Pele
Neste ponto os participantes ficavam indecisos sem saber responder este item do
questionário, mas que (08) dos entrevistados se consideraram brancos e muitos (12) dos
participantes se consideraram morenos.
3.1.6 Tipo de Moradia
Dos entrevistados (17) responderam que suas casas são próprias e os restantes
pagam aluguel.
3.1.7 Com quem moram
Quanto este item do questionário (15) respondeu que mora com esposo, filhos
(as), neta. Observei que (2) moram sozinhos, (2) moram com filhos, neto e Irma e (1)
mora com Irma.
3.1.8 Renda Familiar
Este presente item (06) dos participantes responderam sobreviver com 1 salário
mínimo e (12) responderam que recebem 2 salários mínimos.
3.2 Tipo de Aposentadoria
Ao iniciarmos a nossa pesquisa, buscamos compreender de que forma os idosos
se aposentaram. Desse modo, percebe-se que em geral se aposentaram através do
FUNRURAL. Este fato pode ser entendido devido á realidade onde as pessoas vivem o
município que tem 94 km² de área rural, sobrevive da agricultura assim, o que leva a
muitas pessoas que cresceram na zona rural, procurarem um sindicato e tentarem
efetivar a aposentadoria por este seguimento como foi abordado melhor no tópico sobre
os tipos de aposentadorias existentes, no Capítulo I.
30
Tabela 01: Tipo de aposentadoria
Tipo
N
FunRual
12
Por idade
5
Pela prefeitura
1
Deficiência
1
Beneficio
1
Total
20
Alguns dos participantes se mostraram satisfeitos por terem sido bem atendidos no
sindicato, representado na fala de M (85 anos) “como foi que chegou o tempo deu me
aposentar ai eu procurei o sindicato e me associei e depois me aposentei.” Os
entrevistados aposentados pela prefeitura também não sentiram dificuldade ao se
aposentar, ressaltado como um processo simples. E os que se apresentaram por
deficiência relataram que nunca foi negado e nem cortado. Nas entrevistas observei que
muitos participantes tiveram que procurar o sindicato por conta da documentação, por
ser uma associação que dá suporte para os agricultores que precisa se aposentar.
3.3 Impressões no processo da aposentadoria
Este item ressalta sobre as impressões dos participantes referentes a esse
processo, enfatizando como foi esse momento de aposentar-se. Evidenciado nas falas
como muito bom. Sendo assim, muitos dos participantes pontuaram sentir dificuldade
nesse processo.
Tabela 02: Impressões sobre o processo da aposentadoria
Impressões
N
Muito bom / Descanso
13
Dificuldade / Ajuda familiar
7
Total
20
31
Através dessa temática, tivemos duas categorias, que descrevem as impressões
dos aposentados ao tentar se aposentar como o trecho a seguir evidência na fala de L( 59
anos) “foi bom que eu já trabalhei muito na agricultura, já tava cansada” , também
considerado um momento muito bom representada na fala L( 68 anos) “que foi muito
bom para mim”.
Alguns dos participantes remetem inclusive a necessidade de alguma testemunha para
provar o vínculo com a atividade rural. Relatado pela senhora A. (60 anos) “aposentar
precisou de testemunha que eu era agricultora e documento da terra, ai pronto
consegui.”
3.4 Pontos Positivos
Tabela 03: Pontos Positivos
Positivos
N
Foi tudo na vida
15
Bem atendido (a) ao aposentar-se
5
Total
20
Diante da tabela acima pude observar que dentre as categorias apresentadas
quinze dos entrevistados consideram esse momento muito bom, destacado por L.(68
anos) “foi, foi bom para mim, trouxe muita coisa...vivo com minha barriga cheia”.
Ressaltando que eram trabalhadores do campo, que davam duro, para ter o que comer
trabalhando no alugado mencionado na fala de J (71 anos):
“por causo que agente vivia trabalhando de alugado, já é uma chance
para quem não tem nada na vida. Ai já ajuda muito e achei muito bom
e acho porque a minha vida foi muito sofrida, depois que me aposentei
minha vida melhorou muito”.
Observei também que na fala de uma aposentada (a) que “sofre”, tem desgosto
por não trabalhar mais, não esta na ativa. J(71 anos) “Eu queria muito ta trabalhando,
mas não tenho condições, eu tenho desgosto quem era eu cortava lenha, mandioca, fazia
carvão, limpava mato. Alguns autores (a) como Neri (2004, p.97), sinalizam que
“envelhecer estaria vinculado a perdas de diferentes ordens, conseqüentemente fariam
com que os idosos fossem mais vulneráveis aos quadros depressivos”. Outros destacam
sobre a questão da aposentadoria.
32
Borges (2011, p.33) destaca:
“o isolamento da pessoa idosa é a maior razão para a falta de
engajamento; a falta de um referencial do tempo faz com que a pessoa
não se situe no dia-a-dia, deixa todos os dias iguais e isso não é bom
no envelhecimento, pois não permite que se construa a historia de
vida”
De acordo com o modo de pensar do autor acima compreendo a importância do idoso
está na ativa, assumindo novos papeis estando presente nas atividades do cotidiano
Ocupando seu tempo. Os idosos entrevistados procuram se engajar cotidianamente
participando das atividades físicas, natação e Grupos Sócio-educativos oferecidos pelo
CRAS. É notória a inserção dos participantes na comunidade e sociedade. Sendo assim,
os idosos participantes desta pesquisa demonstraram bons sentimentos em relação a esse
processo da aposentadoria que possivelmente contribuem para melhores dias de vida.
3.5. Pontos Negativos
Tabela 04: Pontos Negativos
Negativos
N
Nada / não há
14
Entrevista / prova
2
Deixou de trabalhar
3
Tinha que trabalhar no alugado
1
Total
20
Na tabela acima alguns dos aposentados relataram que não teve nada de negativo e que
deu tudo certo nesse processo. Evidenciado na fala de M(63 anos) quando diz “nada
não, deu tudo certo não teve trabalho não graças a deus”. Percebemos que outros
participantes disseram ter dificuldade na, documentação citada por M (65 anos) relatou
que “o que teve de negativo nesse processo foi á ficha da maternidade, porque a minha
ficha tava como negativa não era como agricultora e sim doméstica”.
33
Sendo trabalhadores rurais alguns encontraram empecilhos e saíram em desvantagem
como a perda de alguns anos de trabalho revelado na fala de A ( 70 anos) “Foi negativo
porque eu perdi uns 5 anos para me aposentar”. Também relatado por S (50 anos) “O
problema foi no INSS de São Joaquim que disse que eu não tinha direito de me
aposentar pelo sindicato.”
3.6 O papel da aposentadoria na renda familiar
Tabela 05: O papel da aposentadoria na renda familiar
Papel
N
Foi bom
8
Ter o que comer
1
Importante
7
Representa tudo na vida
4
Total
20
A aposentadoria, para os participantes, constitui-se em único meio de
sobrevivência e renda. Expresso por L (59 anos) “foi bom porque é a única renda que eu
tenho, eu não tenho outra renda.” Observei que em geral os participantes relataram que
o aposento representa tudo em suas vidas. Representado na fala de J (71 anos) “Ave
Maria tudo na vida, se nós não tivesse essa aposentadoria, nem podia trabalhar e fazer o
que eu queria”. Já outros revelaram uma diminuição na renda revelada por L (68 anos)
“diminuiu foi que eu ganho 515,00 reais”. Representando para outros como uma ajuda
muito importante M (65 anos) “representa até hoje que me ajuda muito que quando eu
vejo meus netos precisando de alguma coisa eu ajudo, muito não porque é minha a
aposentadoria.
3.7 Se o valor da aposentadoria dá conta das suas necessidades.
Tabela 06: O valor da aposentadoria dá conta de suas necessidades?
Valor
N
34
Dá
16
Não dá
4
Total
20
Os entrevistados sinalizaram que o valor da aposentadoria dá conta das suas
necessidades, alguns deles destacaram que esse valor como ser uma ajuda muito boa.
Sinalizado por M (65 anos) quando diz “dá meu fio pior eu já vivi, eu vivia trabalhando
de alugado para comer e era pouquinho dava, e graças a deus agora da para viver
direitinho”. Para outros entrevistados relataram que esse valor não da conta das suas
necessidades e compromissos. Expresso por J (71 anos) “não da mai é uma ajuda boa,
por causa da minha medicação ai agente tem que gastar mai né.”
Esse ponto me fez refletir que alguns dos participantes sobrevivem dessa
aposentadoria mostrando-se satisfeitos, e destacaram como muito importante esse valor
pelo fato de não ter outra renda. Pontuaram que na compra de medicamentos citado
anteriormente não dá para suprir as necessidades, mas que no momento dá.
3.8 Se realizam outra atividade para complemento de renda
Neste ponto os participantes relataram não realizar nenhuma outra atividade só
tem como renda a aposentadoria, compreendendo que o idoso se depara com algumas
limitações decorrentes da idade. Expresso por M (85 anos) “não depois que eu me
aposentei não trabalhei mai com nada, até que eu adoeci da coluna ainda que eu pudesse
não podia não trabalhava, é a minha avalia que foi o aposento mesmo.” Valendo
ressaltar que um dos entrevistados sinalizou que fazia crochê, mas não vendia, porque
ninguém valorizava. Desse modo, o sujeito é um ser de possibilidades que esta sendo
marginalizado e banalizado em conseqüência desse tratamento preconceituoso e hostil
(VITOLA, 2004). Então diante dos relatos compreendi que os idosos em sua maioria
disseram não poder mais trabalhar por esta numa idade muito avançada e por apresentar
problemas saúde que não exerciam outra atividade só sobrevivem da aposentadoria.
35
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo aponta sobre o processo da aposentadoria, direito almejado por
muitos trabalhadores que contribuem por muito tempo para poder ter o direito
alcançado. Sendo assim com base nos respectivos teóricos, inicialmente atribui a esse
processo da aposentadoria como uma fase ruim, com tendência a depressão. Observei
que diante das entrevistas os participantes apontam ao contrário. Desse modo, este
trabalho teve como objetivo geral compreender as vivências subjetivas de idosos no
processo da aposentadoria; e como objetivos específicos, identificar as principais
vivências subjetivas de idosos na aposentadoria e; verificar como o aspecto
socioeconômico interfere nesses fatores. Com base no presente estudo percebi que os
entrevistados em geral são aposentados pelo FUNRURAL devido a realidade do
município ter uma grande abrangência em área rural, possibilitando a esses idosos a
sobrevivência da agricultura. Valendo ressaltar que a baixa renda e a aposentadoria
como única fonte de renda e sobrevivência. Alguns idosos sinalizaram ter tido
dificuldade ao se aposentar e outros destacaram como um processo simples. Também
foi observado que um dos entrevistados revelou insatisfação frente a esse contexto
devido á diminuição da renda.
Antes de realizar a pesquisa tinha uma concepção totalmente diferente a respeito
dos entrevistados, pensava que eram aposentados pela previdência e por idade, mas essa
idéia se modificou diante das entrevistas, pude perceber que os mesmos eram
aposentados pelo FUNRURAL como agricultores. Enfatizando que essa temática
merece maior atenção para que os profissionais intervenham melhor dentro desse
contexto, possibilitando o surgimento de novas pesquisas envolvendo essa temática.
36
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38
APÊNDICES
39
Sairé, 21 de Outubro de 2011
TERMO DE ANUÊNCIA
Declaro ter conhecimento dos objetivos da Pesquisa denominada
Aposentadoria: Vivências Subjetivas desse processo”
“O Idoso e a
a ser desenvolvida pela
graduanda Jaquelyne Maria de Sena e Silva, matrícula 2007108459, concluinte do curso de
Psicologia da Faculdade do Vale do Ipojuca - FAVIP, sob orientação do Profº Ms. Gabriel
Pereira de Souza. A Secretária de Ação Social e Cidadania, localizada na Rua 1 Cohab, S/N,
centro ,Sairé. CEP- 55690-000, autoriza à referida pesquisa e está de acordo com a realização
da mesma.
Atenciosamente,
____________________________________________________
Secretária de Ação Social e Cidadania
40
FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Prezado senhor (a), você está sendo convidado (a) a participar de uma pesquisa sobre “O Idoso e a
Aposentadoria: Vivências Subjetivas desse processo”. A pesquisa acontecerá na cidade de Sairé e tem
como objetivo geral: compreender as vivências subjetivas de idosos no processo de aposentadoria. E
como objetivos específicos: Identificar as principais vivências subjetivas de idosos na aposentadoria; e
verificar como o aspecto sócio-econômico interfere nesses fatores. Será utilizada uma entrevista semiestruturada, para idosos na faixa etária a partir de 60 anos de idade. Tempo de duração de cada entrevista
será de, aproximadamente, 30 minutos.
Por intermédio deste Termo de Consentimento são garantidos os seguintes direitos:
1. A participação é voluntária. Não havendo qualquer obrigatoriedade.
2. Ao sigilo, à confidencialidade e ao anonimato uma vez que o questionário não contém nenhuma
identificação.
3. Ampla possibilidade de se negar a responder a quaisquer questões ou a fornecer informações que
julgue desnecessárias.
4. Desistir a qualquer momento de participar da pesquisa, sem riscos de ser penalizados sob qualquer
forma.
5. A segurança que não haverá nenhum tipo de despesa material ou financeira durante o desenvolvimento
da pesquisa, bem como nenhum tipo de risco, dano físico ou mesmo constrangimento moral e ético ao
entrevistado.
6. Solicitar, a qualquer tempo, maiores esclarecimentos sobre esta pesquisa, a pesquisadora responsável,
Jaquelyne Maria de Sena e Silva, através do telefone (081) 9652-0147. Os dados da entrevista serão de
inteira responsabilidade da responsável pela pesquisa, localizada no endereço (Setor de estudo):
Faculdade do Vale do Ipojuca - Campus I - Av. Adjar da Silva Casé, 800 Indianópolis - Caruaru - PE
- CEP 55024-740 Fone: (081) 3722-8080. Este Termo de Consentimento, em duas vias, de igual teor,
ambas assinadas e datadas, destinam-se ao participante. Agradecemos a participação e registramos
que as informações fornecidas ajudarão no melhor conhecimento do assunto a ser estudado
AUTORIZAÇÃO DO IDOSO
Eu _______________________________________________________________ aceito, por livre e
espontânea vontade, participar da pesquisa intitulada “O IDOSO E A APOSENTADORIA:
VIVÊNCIAS SUBJETIVAS DESSE PROCESSO”, desde que isso não implique em prejuízo de
nenhuma forma. Declaro ainda que tenho conhecimento das informações acima.
_____________________________________
Participante
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_____________________________________
Jaquelyne Maria de Sena e Silva
Pesquisadora Responsável
_____________________________________
Assinatura da Testemunha
Espaço para impressão dactiloscópica
FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA
QUESTIONÁRIO BIO-DEMOGRÁFICO
1. Idade_____
2. Sexo: Masculino ( )
Feminino ( )
3. Situação Marital:
Solteiro ( ) Casado ( ) Divorciado (
Outros ( ) Qual? _______________
) Viúvo ( ) Mora junto ( )
4. Nível de Escolaridade:
Analfabeto ( )
Fundamental incompleto (
Médio incompleto ( )
Superior incompleto ( )
)
Fundamental completo( )
Médio completo( )
Superior completo ( )
5. Cor da pele:
Branco (
)
Negro(
)
Amarelo(
)
Pardo(
Outra ( ) Qual?____________
6. Tipo de Moradia:
Própria Quitada ( )
Própria em negociação(
Cedida ( )
Alugada ( )
Outra ( ) Qual?_________________
)
)
Indígena( )
42
7. Com quem você mora?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_______________
8. Qual a renda da sua família? (Somando a renda de todos que moram na casa)
____________________
FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA
ROTEIRO DE ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA
1. Qual o tipo de aposentadoria? (por tempo de serviço, por contribuição, etc)
2. (Se é aposentado) Poderia me contar como foi aposentar-se?
3. Quais os pontos positivos que surgiram para o senhor(a) nesse processo de
aposentadoria?
4. Quais os pontos negativos que surgiram para o senhor(a) nesse processo de
aposentadoria?
5. Qual o papel da sua aposentadoria na renda familiar?
6. O senhor/senhora acha que o valor da sua aposentadoria dá conta das suas
necessidades?
7. O senhor/senhora faz alguma outra atividade para complementar o valor da
aposentadoria?
8. Gostaria de falar sobre algo mais?
Muito obrigada, pela participação.
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