SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO DO VALE DO IPOJUCA FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA – FAVIP COORDENAÇÃO DE PSICOLOGIA CURSO DE PSICOLOGIA JAQUELYNE MARIA DE SENA E SILVA O IDOSO E A APOSENTADORIA: VIVÊNCIAS SUBJETIVAS DESSE PROCESSO CARUARU 2011 JAQUELYNE MARIA DE SENA E SILVA O IDOSO E A APOSENTADORIA: VIVÊNCIAS SUBJETIVAS DESSE PROCESSO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Coordenação de Psicologia da Faculdade Do Vale Do Ipojuca, como parte dos requisitos para obtenção do titulo de Formação em Psicologia, sob orientação do Prof. Msc. Gabriel Pereira de Souza. CARUARU 2011 S586i Silva, Jaquelyne Maria de Sena e. O idoso e a aposentadoria: vivências subjetivas desse processo. / Jaquelyne Maria de Sena e Silva. -- Caruaru : FAVIP, 2011. 42 f. : il. Orientador(a) : Gabriel Pereira de Souza. Trabalho de Conclusão de Curso (Psicologia) -- Faculdade do Vale do Ipojuca. Inclui apêndice. 1. Idoso. 2. Aposentadoria. 3. Vivências. I. Título. CDU 159.9[12.1] Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 JAQUELYNE MARIA DE SENA E SILVA O IDOSO E A APOSENTADORIA: VIVÊNCIAS SUBJETIVAS DESSE PROCESSO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Coordenação de Psicologia da Faculdade Do Vale Do Ipojuca, como parte dos requisitos para obtenção do titulo de Formação em Psicologia, sob orientação do Prof. Msc. Gabriel Pereira de Souza. Aprovado em: __/__/__ ________________________________________ Prof. Ms. Gabriel Pereira de Souza (Orientador) ________________________________________ Profª Ana Carvalheira Chaves (Avaliadora) ________________________________________ Profª Sheyla Suzanday Barreto Siebra (Avaliadora) CARUARU 2011 DEDICATÓRIA A minha família, dedico tudo o que conquistar em minha vida. AGRADECIMENTOS A Deus que é tudo na minha vida e nele me faço forte a cada dia........ A meu Pai, minha mãe, meu esposo e a toda minha família que sempre me apoiaram em todos os momentos da minha vida. Pessoas tão importantes e a quem devo tudo o que sou hoje. E principalmente pelo apoio que recebi nesse último e tão importante ano de faculdade. Ao Professor Gabriel que sempre esteve ao meu lado com muita paciência, me orientando e me ajudando sempre que necessário, muito obrigada! EPÍGRAFE “É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar; é melhor tentar, ainda que em vão, que sentar-se fazendo nada até o final. Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes em casa me esconder. Prefiro ser feliz, embora louco, que em conformidade viver ..." (Martin Luther King) RESUMO Trabalho de conclusão de curso, com o título: “O IDOSO E A APOSENTADORIA: VIVÊNCIAS SUBJETIVAS DESSE PROCESSO”, realizado através de uma pesquisa de campo que objetivou compreender as vivências subjetivas de idosos no processo da aposentadoria e como objetivos específicos identificar as principais vivências subjetivas de idosos na aposentadoria; verificar como o aspecto socioeconômico interfere nesses fatores. Os participantes da pesquisa foram idosos de um grupo de convivência do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) no município de Sairé, Pernambuco. Vale ressaltar que os resultados obtidos no estudo foram através de um questionário Bio-Demográfico que abordou algumas questões referentes aos entrevistados, como também, um roteiro de entrevista semiestruturada abordando questões relevantes enfatizando a temática da aposentadoria e os sentimentos dos participantes dentro desse contexto. Para tanto foi realizado um estudo descritivo, tendo sido os fatos observados, registrados, classificados, analisados e interpretados conforme Andrade (2009). Após a descrição das análises conferiu-se uma categorização e um levantamento que estruturou a quantidade de participantes, além da classificação das questões abordadas no roteiro de entrevista, recortando-se algumas falas às apreciações BARDIN (2007). Os dados apontados neste trabalho poderão subsidiar o desenvolvimento de novas pesquisas de âmbito social. Palavras chave: Idoso. Aposentadoria. Vivências ABSTRACT Completion of course work, entitled: “ THE OLD AND RETIREMENT: subjective experience of this process”, performed by a Field survey aimed to understand the subjective experiences of older adults in retirement and how to identify the main objectives specific subjective experiences the elderly in retirement; See how these interfere with the socioeconomic factors. Survey participants were a group of elderly living in the Reference Center for Social Assistance (CRAS) in the city leaving, Pernambuco. It is noteworthy that the results obtained in the study were using a Biodemographic questionnaire that addressed some issues related to the respondents, but also semi-structured interviews addressing relevant issues emphasizing the theme of retirement and the feelings of the participants in this context. For it was a descriptive study, the facts have been observed, recorded, classified, analyzed, and interpreted according to Andrade (2009). After the description of the analysis is given a categorization and a structured survey that the quantify of participants, and the classification of the issues addressed in the interview script, etched a few lines the assessments Bardin (2007). The data pointed to this work will support the development of new research into the social sphere. Key Words: Aged. Retirement. Experiences. LISTA DE FIGURAS Figura 1- Gráfico da Porcentagem por sexo de mulheres e homens. LISTA DE TABELAS Tabela 1- Tipo de aposentadoria. Tabela 2- Impressões sobre o processo da aposentadoria. Tabela 3- Pontos Positivos. Tabela 4- Pontos Negativos. Tabela 5- O papel da aposentadoria na renda familiar. Tabela 6- O valor da aposentadoria dá conta de suas necessidades. Tabela 7- Se realizam outra atividade para complemento de renda. Sumário 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 11 CAPÍTULO I: O IDOSO FRENTE AO MITO DO PRECONCEITO. ............................... 13 1.1 Conceituação ........................................................................................................................ 13 1.2 O Processo do Envelhecimento .......................................................................................... 16 1.3 O Estatuto do Idoso ............................................................................................................. 18 1.4 A aposentadoria ................................................................................................................... 19 CAPÍTULO II: ASPECTOS METODOLÓGICOS .............................................................. 22 2.1 Natureza da Pesquisa .......................................................................................................... 22 2.2 Tipo de pesquisa .................................................................................................................. 23 2.3 Participantes e local de realização ..................................................................................... 23 2.4 Instrumentos ........................................................................................................................ 23 2.5 Procedimentos ..................................................................................................................... 24 2.6 Procedimentos de Análise dos Dados................................................................................. 24 2.7 Considerações Éticas ........................................................................................................... 25 CAPÍTULO III: OS IDOSOS E SUAS VIVÊNCIAS SUBJETIVAS................................... 27 3.1 Perfil dos participantes ...................................................................................................... 27 3.1.1 Idade ............................................................................................................................... 27 3.1.2 Sexo ................................................................................................................................ 27 3.1.3 Situação Marital ............................................................................................................. 28 3.1.4 Nível de Escolaridade.................................................................................................... 28 3.1.5 Cor da Pele ..................................................................................................................... 29 3.1.6 Tipo de Moradia ............................................................................................................. 29 3.1.7 Com quem moram .......................................................................................................... 29 3.1.8 Renda Familiar .............................................................................................................. 29 3.2 Tipo de Aposentadoria ........................................................................................................ 29 3.3 Impressões no processo da aposentadoria........................................................................ 30 3.4 Pontos Positivos .................................................................................................................. 31 3.5. Pontos Negativos................................................................................................................. 32 3.6 O papel da aposentadoria na renda familiar .................................................................... 33 3.7 Se o valor da aposentadoria dá conta das suas necessidades. ......................................... 33 3.8 Se realizam outra atividade para complemento de renda ............................................... 34 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 35 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 36 APÊNDICES .............................................................................................................................. 38 1 INTRODUÇÃO A população idosa vem crescendo significativamente em nossa sociedade, que ainda não se encontra apta para lidar com essa população, gerando estereótipos e preconceitos. Mascaro (2004) sinaliza que para a sociedade essas pessoas são aquelas que estão se retirando do mundo do trabalho e se preparando para um novo modo de vida que seria o da aposentadoria. Seria também um momento associado a velhice que é um processo natural que faz parte do ciclo vital da existência humana. Neri (2004) denota que a aposentadoria é um determinante da diferenciação dos papéis adotados na velhice. Perante a essas transformações que surgem na vida do idoso, ele tem a possibilidade de desenvolver novos papéis e ajustamento, se adaptando com esse novo modo de vida social. Buscando, desenvolver outras atividades no âmbito familiar e na própria sociedade, tendo a possibilidade de se inserir em novos contextos. Em meio a essas transformações na vida do idoso, com esse novo cenário populacional, compreendemos que, mesmo diante dessa nova condição social, o idoso busca pelo seu reconhecimento social e procura assumir novos papéis de acordo com suas necessidades. No entanto, o interesse em trabalhar com Idosos nesta pesquisa surgiu do estágio supervisionado básico II, realizado na Casa dos Pobres São Francisco de Assis, na cidade de Caruaru, durante o qual foram realizadas cinco visitas. A instituição é filantrópica, fundada em março 1948 por igrejas evangélicas, igreja católica e pela maçonaria. É uma entidade que sobrevive de doações e acolhe cerca de 80 idosos de ambos os sexos, em proporções semelhantes. Uma das principais atividades desenvolvidas no estágio foi o plantão psicológico (instrumento terapêutico que visa trabalhar demandas urgentes), realizado através do processo de escuta, com o objetivo de acolher às pessoas que o procuram. De um modo geral, os idosos foram receptivos ao trabalho desenvolvido no estágio, que possibilitou o contato com seus diferentes históricos de vida (alguns eram moradores de rua, outros foram deixados pela própria família) e também com as relações entre os mesmos (na convivência entre os homens eram frequentes as brigas). A experiência foi maravilhosa e levou-me a algumas indagações sobre o porquê do abandono naquela instituição. 12 Tornou-se necessário que eu enxergasse os dois lados: o da família e o da pessoa, para assim compreender o abandono. No decorrer de alguns meses, surgiu a oportunidade de estagiar em um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) no município de Sairé, retomando o contato com idosos através de um grupo de convivência que conta com cerca de 40 integrantes. A proposta interventiva adotada tem como objetivo a convivência, a organização e a possibilidade de experienciarem relações do grupo, realizado mensalmente com atividades técnica de dinâmica, palestras e vídeos. Nos encontros, é notável o envolvimento de todos nas atividades, o entusiasmo e a alegria percorrendo em suas faces quando fazem atividade física, danças e brincadeiras. Sabe-se também que a aposentadoria é um direito almejado por muitos, principalmente pelos idosos, trazendo muitos significados e repercussões na vida desses sujeitos. Então, esse contexto me despertou o interesse e a curiosidade em saber como esses idosos vivenciam esse momento marcante na vida deles. Reconhece-se que esse contexto populacional vem despertando interesse por parte dos estudiosos, mostrandose relevante e sendo necessário que o mesmo gere debates sobre o assunto, já que o aumento da população idosa é uma realidade. Esse trabalho tem como propósito levar para a sociedade algumas contribuições para que os mesmos tenham uma reflexão sobre a temática. Assim sendo, o objetivo geral desse trabalho é compreender as vivências subjetivas de idosos no processo da aposentadoria. Os objetivos específicos são: identificar as principais vivências subjetivas de idosos na aposentadoria; verificar como o aspecto sócio-econômico interfere nesses fatores. Os capítulos desenvolvidos apontam, inicialmente, sobre as diferentes associações com trabalhos direcionados aos idosos, destacando-se a relevância da socialização ou, seu engajamento na sociedade. Em seguida, enfatizaram-se as questões metodológicas, em que, relacionou-se a natureza, o tipo da pesquisa, os participantes, os instrumentos utilizados e todo procedimento que compõe uma pesquisa. Além disso, abordaram-se dois instrumentos de pesquisa: um questionário Bio-Demográfico com o objetivo de colher dados dos entrevistados apresentando o perfil de cada um. E, por fim, um roteiro de entrevista semiestruturado com perguntas relacionadas aos participantes e o processo da aposentadoria no Brasil. 13 CAPÍTULO I: O IDOSO FRENTE AO MITO DO PRECONCEITO. Este presente capítulo aborda sobre o conceito do idoso tendo como embasamento biológico, cronológico. Pontuando sobre as diferentes associações referentes ao idoso, enfatizando sobre o rejuvenescimento do corpo jovem que é celebrado cotidianamente. Destacando o homem como criador de suas ações, atos etc. Ressaltando a importância da pessoa idosa socializa-se para não ser acometida pelo isolamento. E a categoria do trabalho revelado como elemento fundamental e estruturante para o sujeito. Dentre os participantes da pesquisa por serem agricultores aposentados pelo FUNRURAL segundo a constituição federal de 1988 aponta sobre a comercialização da produção está sendo cobrada de forma abusiva. Sendo assim, a constituição ressalta que o médio e grande agricultor paga o FUNRURAL sem o recebimento de nada em troca, de acordo com a constituição como sendo ilegal. 1.1 Conceituação Encontrar uma definição para o sujeito idoso é ter embasamento da noção biológica de velhice ou senilidade, momento que o indivíduo pode ser considerado “velho”, significa muito idoso, antigo, veterano, pessoa que exerceu muito tempo uma profissão ou constitui-se de certa qualidade (FERREIRA, 2000 apud SCHNEIDER e IRIGARAY, 2008, p.588). Ferreira (2000, p. 588) sinaliza que “o idoso é aquele que por apresentar muita idade, que significa um juízo de valor.” Esses valores são referentes ao meio ou sociedade em que vive, constituída por crenças, opiniões, etc. Sendo assim, a idade cronológica pontua essa definição, ressaltando que o tempo não é fundamentalmente objetivo, pode ser relativo e subjetivo. Schroots e Birrem (1990) compreendem que esta idade refere-se à quantidade de anos percorridos desde o nascimento, e que a pessoa ou individuo precisa do outro para se constituir como ser, não sendo um ser que caminha isoladamente (SCHNEIDER e IRIGARAY, 2008). Em outros tempos, a vida já não era muito fácil, principalmente para os idosos, que eram excluídos da sociedade. Onde os mais jovens predominavam sendo considerados mais úteis e produtivos. Segundo Mascaro (2004, pg.30) “(...) a velhice do corpo, a decadência física e a perda do vigor da juventude são vistos nessa época como um naufrágio, segundo as palavras do poeta italiano Petrarca (1304-74)”. Fica claro que as desigualdades sociais, os estereótipos e preconceitos existiam antigamente, o corpo exuberante da plena juventude era admirado e valorizado. Os idosos eram vistos de 14 forma negativa e não tinham o direito de cuidar do corpo vivido. As mulheres idosas eram consideradas como bruxas (MASCARO, 2004). No entanto, essas associações negativas referentes aos idosos também ainda atualmente. Para muitas pessoas é um período de algumas limitações e de algumas perdas, muitas vezes subentendida como uma etapa detestável de se vivenciar, mas que também pode ser uma etapa muito positiva (SCHNEIDER e IRIGARAY, 2008). Reconhece-se, que vivemos em uma sociedade em que a aparência, a estética são celebrados cotidianamente. O corpo bonito, esbelto vem ganhando destaque pela sua boa forma, rejuvenescimento e bem-estar. Para algumas pessoas que adotam essa estética é uma maneira de adiar a velhice cuidando da saúde (MASCARO, 2004). Segundo Vitola (2004, p.160) “a vida é um processo continuo de adaptação, que pode ser dividido em etapas, nas quais a pessoa alcança formas de ajustamento, realizando diferentes modalidades de aprendizagem, isto é, tarefas evolutivas”. A velhice por ser uma fase natural da vida que não há como escapar, pois nascemos, crescemos, amadurecemos, envelhecemos e por fim morremos. Uma etapa que remete ao idoso algumas transformações, passando a assumir uma nova condição social, sendo uma tarefa evolutiva de ajustamento e adaptação (VITOLA, 2004). No entanto, as pessoas no decorrer da vida se adaptam a essas mudanças consideradas insuportáveis de se vivenciar. Essas pessoas em alguns momentos da vida se deparam com o desânimo, sem força para superar os obstáculos e discriminações que surgem no decorrer dessa caminhada, devido a sua imagem. Desse modo, esses preconceitos dificultam o crescimento pessoal e auto-realização, fazendo com que o idoso afaste-se do meio em que vive, impedindo essas pessoas de terem uma vida mais digna e feliz. Compreende-se que a pessoa idosa ou velha é um ser de princípios, crenças, valores; ser de possibilidades que está sendo marginalizado e banalizado em conseqüência desse tratamento preconceituoso e hostil (VITOLA, 2004). Alguns autores humanistas como Rogers (1975) apud Vitola (2004.p161) sinalizam que “todo organismo é movido por uma tendência inerente para desenvolver todas as suas potencialidades e para desenvolvê-las de maneira a favorecer sua conservação e seu enriquecimento”. Desse modo, o homem é um ser de construção que se encontra numa tendência ao crescimento imerso por diversos sentimentos e motivações, essa tendência remete a potencialidades e capacidades, possibilitando o reconhecimento e aceitação de si próprio. De acordo com Tillich (1972) apud Vitola(2004,p.162) “O homem é visto como o mais vital dos seres, o único que pode transcender qualquer situação dada, em 15 qualquer direção e esta possibilidade o leva a criar além dele mesmo”. Sendo assim, o homem tem esse privilégio de ser criador de suas próprias ações, enfrentando qualquer situação, algumas vezes sem norte ou direcionamento. Então o homem enquanto tiver o poder da vitalidade ele pode ir além de si próprio e vencer os perigos ou dificuldades que surgem em seu caminho. É importante, portanto, compreender que a pessoa idosa em suas diversas formas de ser, precisa acreditar em si mesma, ter autoconfiança, mesmo com as surpresas que a idade lhe provoca. Procurar socializar-se e continuar integrada nesse meio social para poder manter-se confiante com objetivo de vida na velhice (FRANCO, 1991). O envelhecimento humano é um processo complexo no qual interagem vários fatores, logo não pode ser considerado de forma simplista como sendo anos de calma e serenidade. Ressaltando que para se chegar á terceira idade ou velhice, como sendo um processo único e bastante significativo, embora esse momento tenha sentido diferente para cada um de nós. Enfatizando que esse período é considerado positivamente e não se distingue só pelas perdas. Viorts (1988) pontua que é pela integralização das perdas que se define uma boa qualidade da velhice, reconhecendo que um bom vínculo de amizade, uma condição socioeconômica satisfatória favorecem a aceitação da velhice . (VITOLA, 2004,P.165) O processo do envelhecimento para Mosquera (1983) apud Vitola (2004,p.166) é compreendido como um momento vivenciado de um indivíduo para outro, destacando que o afastamento do trabalho pode ser relevante para muitas pessoas como um descanso, possibilitando-lhes desfrutar desses anos de compromisso. Permite que a pessoa idosa reconheça as mudanças que ocorrem cotidianamente. Ressaltando que a velhice está interligada a várias questões, essa etapa da vida é caracterizada pela sua heterogeneidade, destacando que os sujeitos envelhecem de forma diferente, com histórias de vida singulares. Então, é imprescindível que não se trabalhe esse contexto de forma homogeneizada. (LOPES,2000 apud BULLA,L.C. e KAEFER,C.O,2003) Reconhece-se que não é pelo fato dessas pessoas estarem passando pela mesma etapa da vida, que estejam então passando por experiências e necessidades iguais, compreendendo que o sujeito idoso deve ser tratado com respeito e não como um objeto. Sendo assim, o sujeito é um ser de relações, que se encontra em um contexto manipulador e influenciador, fazendo com que sua história se inicie desse movimento existencial. (KOSIK, 1995 apud BULLA, L.C. e KAEFER,C.O, 2003) O trabalho é considerado fundamental para o desenvolvimento e crescimento humano, principal meio de sobrevivência, produtor de relações sociais que possibilita ao 16 individuo vivenciar esse momento de maneira diferente. Entender o significado dessa categoria significa estarmos mais atentos a essas mudanças que vem surgindo e repercutindo na vida dos seres humanos (BULLA L.C e KAEFER, 2003). Vale ressaltar que vivemos em uma sociedade em que o preconceito está imerso na cultura existente e principalmente em países desenvolvidos como o nosso, havendo estereótipos que são construídos e concebidos por pensamentos empíricos de acordo com a experiência de vida de cada ser ( GUIMARÃES, 2002 p, 17 apud BULLA L.C.; KAEFER, 2003) De acordo com Lane (1981, p.57) o trabalho é um fator fundamental para o desenvolvimento da identidade do sujeito, pontua que “podemos ver como através do trabalho produtivo da sociedade se constituem classes sociais antagônicas, que por sua vez, determina as relações sociais entre os indivíduos”. É através do trabalho que surgem as relações sociais, em um espaço onde os indivíduos desempenham e desenvolvem algumas atividades. No entanto, para efeito deste trabalho, consideramos idosas aquelas pessoas com idade a partir de 60 anos, conforme o Estatuto do Idoso de 2003. 1.2 O Processo do Envelhecimento O envelhecer é um processo natural caracterizado como uma etapa da vida do ser humano. Decorrente de mudanças físicas, psicológicas e sociais é uma etapa que para o idoso é considerada pela conquista dos seus objetivos e realizações, mas também de algumas perdas. No entanto, vivemos em uma sociedade que está imersa nas grandes mudanças cotidianas, como a tecnologia que tem avançado significativamente. Os idosos estão interligados nesses meios de comunicação, conquistando seu espaço e se adaptando a essas modificações (MENDES, et. al. 2005). Reconhece-se que a sociedade apresenta grande dificuldade em lidar com essas mudanças e com esse perfil populacional, fazendo com que a velhice ocupe um lugar marginalizado. Sendo assim, é relevante que essa realidade populacional desfrute da sua experiência de vida com mais satisfação e com boa qualidade de vida (FERREIRA, 2000, p.588 apud SCHNEIDER; IRIGUARAY, 2008, p.588). Dados do IBGE apontam que os idosos apresentam mais problemas de saúde do que a população geral (MENDES et. al., 2005). 17 Estudos apontam que a velhice e o envelhecimento são considerados positivamente, ressaltando que a velhice está associada a deterioração e perda. O envelhecimento é um fenômeno vivenciado e cultivado por outros povos, assim sendo, um processo que é intensamente influenciado pela cultura ou sociedade em que vive. (UCHÔA, 2003 apud SCHNEIDER, IRIGARAY, 2008) A longevidade é uma realidade no mundo atual e reflete no aumento significativo da população de idosos tanto no âmbito nacional quanto no mundial, ressaltando que o número de pessoas com idade a partir de 60 anos vem crescendo mais rapidamente que qualquer outra faixa etária (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008). Segundo Neri e Freire (2000), apud SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008 , p.586). “(...) o envelhecimento ainda está ligado à deterioração do corpo, ao declínio e a incapacidade” (...). Compactuando com esse modo de pensar dos autores, na última etapa do ciclo vital, ocorrem mudanças significativas, onde o corpo sofre a perda da “beleza” de um corpo já vivido, fazendo com que o idoso não se reconheça. Assim sendo, em alguns momentos da vida o idoso pode ser considerado inútil, incapaz e sinônimo de doença. A velhice pode também ser caracterizada como uma etapa da vida na qual surgem à decadência física e a ausência de papéis sociais, assim, o idoso perde seu status social (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008). Conforme Mascaro (2004, p.61) “para atingir uma velhice saudável é preciso entender que tudo aquilo que realizamos na juventude terá repercussão na fase da velhice [...]”. Assim, para atingir uma velhice saudável é importante ter uma juventude sem extravagâncias (cuidar de si próprio), ser um adulto “na ativa” que se importe com sua saúde, procurando fazer exercícios físicos, mantendo uma alimentação correta para não trazer danos futuros fazendo com que o idoso não se torne sedentário ou obeso (MASCARO, 2004). A velhice traz inúmeras mudanças na vida social do sujeito. O “idoso” ou o “velho” tende a se projetar no passado, como se o presente e o futuro não existissem, o que para Goldfarb (2004) seria o desinvestimento da cultura, o idoso fica impossibilitado de se projetar, imerso num espaço vazio, em meio à desnarcisação. Diante dessas perdas e desse falecimento do seu reconhecimento seria como se o idoso retornasse à infância, perdendo sua autonomia e retornando a dependência. De acordo com Neri (2004, p.97), “envelhecer estaria vinculado a perdas de diferentes ordens, conseqüentemente fariam com que os idosos fossem mais vulneráveis aos quadros depressivos”. Desse modo, o sujeito idoso diante das perdas e por está em uma fase da vida cheia de limitações, dependendo do outro constantemente, perde seu 18 reconhecimento, é retirado do mundo do trabalho. Essas limitações podem causar algumas implicações fazendo com que o idoso “adoeça” diante desse não-lugar. Então, devido a essas implicações os idosos tornam-se mais vulneráveis e em algumas situações se isolam e desenvolvem uma baixa autoestima, perpassando também por outros sintomas depressivos (NERI, 2004). 1.3 O Estatuto do Idoso O Estatuto do Idoso promulgado em 1º de outubro de 2003, traz uma série de mudanças quanto aos direitos do idoso. Segundo o Estatuto do Idoso, o envelhecimento populacional vem crescendo de forma considerada, fazendo com que o Brasil torne-se até 2025 o sexto país do mundo com maior população de idosos. Então, significa dizer que a população brasileira está envelhecendo, colocando em foco esse contexto (SCHINEIDER e IRIGARAY, 2008). A partir do Estatuto, garantem-se direitos a pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, tais como: atendimento preferencial no sistema único de saúde (SUS), assim como remédios de uso continuado (hipertensão, diabetes etc.) distribuídos gratuitamente, como também os de próteses e órteses. Em caso de internação ou observação em qualquer unidade de saúde, tem direito a acompanhante, determinado pelo profissional que o atende. Os idosos maiores de 65 anos têm direito ao transporte coletivo grátis, desde que mostrem o comprovante exigido na carteira de identidade. Asseguram-se aos idosos nesses transportes a reserva de 10% dos assentos. Nos transportes interestaduais, o estatuto garante a reserva de duas vagas gratuitas em cada veículo para idosos com renda igual ou inferior a dois salários mínimos. Caso o número de idosos exceda essa quantidade eles têm 50% de desconto no valor da passagem, de acordo com sua renda. O estatuto assegura também que nenhum idoso poderá ser objeto de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão (ESTATUTO DO IDOSO, 2003). Prevê para aqueles que, por exemplo, dificultarem seu acesso a operações bancárias, aos meios de transportes ou a qualquer outro meio de exercer sua cidadania, podem ser condenados à pena, podendo variar de seis meses a um ano de reclusão, além de multa. Em caso de abandono em hospitais e casa de saúde, sem dá importância as suas necessidades básicas, no caso das famílias o abandonarem podem ser condenadas, a pena de seis meses a três anos de detenção e multa. Também nos casos que são 19 submetidos a condições desumanas, privados de alimentação e de cuidados indispensáveis, a pena para os responsáveis é de dois meses a um ano de prisão, além da multa. Se houver a morte do idoso, a punição será de 4 a 12 anos de reclusão. No caso de apropriação de bens, cartão magnético (de conta bancária ou cartão de crédito) pensão ou qualquer rendimento do idoso é passível de condenação, com pena que varia de um a quatro anos de prisão, além da multa (ESTATUTO DO IDOSO, 2003). O Estatuto afirma que as instituições de atendimento ao idoso podem responder civil e criminalmente pelos atos práticos contra o idoso. A fiscalização dessas instituições fica a cargo do conselho municipal do idoso de cada cidade, da vigilância sanitária e do ministério público. Em caso de mau atendimento aos idosos, pode ocorrer advertência e multa até a interdição da unidade e a proibição do atendimento aos idosos. O idoso tem direito a 50% de descontos em atividades de cultura, esporte e lazer. Também é proibida a discriminação por idade e afixação de limites máximos na contratação de empregados, sendo passível de punição quem o fizer. Em caso de o primeiro critério de desempate em concurso ser a idade, a preferência é para os concorrentes com idades mais avançada. É obrigatória a reserva de 3% das unidades residenciais para os idosos nos programas habitacionais públicos ou subsidiados por recursos públicos (ESTATUTO DO IDOSO, 2003). Quanto á aposentadoria, o Estatuto estabelece apenas alguns pontos referente á temática, o estatuto ressalta que o trabalhador se aposenta por tempo de serviço ou por idade contribuindo durante um tempo de serviço sendo o mesmo descontado. 1.4 A aposentadoria No Brasil é possível se aposentar por idade ou por tempo de serviço conforme a lei nº 10.741, (Estatuto do Idoso) o trabalhador deve contribuir com a previdência social e este valor geralmente é descontado do seu salário. Para se aposentar por idade é preciso ter no mínimo 15 anos de contribuição. Desse modo, o estatuto destaca que os valores dos benefícios são reajustados, desde o reajuste do salário mínimo, seu início ao seu último reajustamento. Estes critérios são apontados pela Lei Nº 8.213, de julho de 1991 (BRASIL, 2003). Segundo Neri (2004, p.105), “a aposentadoria é um determinante da diferenciação dos papéis adotados na velhice”. Compreende-se que é uma nova condição social para o idoso, que para muitas pessoas a vivência da aposentadoria é constituída pela perda do 20 status social e dos papéis sociais. O trabalho é um importante elemento na construção da identidade pessoal do sujeito, e essa perda algumas vezes reflete no sujeito de forma negativa. No entanto, a aposentadoria assegura aos indivíduos renda permanente até a morte, proporcionando um meio de segurança individual, um fator predominante de crescente necessidade que percorre em nossa sociedade capitalista (MENDES, et. al., 2005). Numa sociedade capitalista e respectivamente moderna como a nossa um grande desafio social é a inclusão da pessoa idosa no mercado trabalhista. Num país desenvolvido como o Brasil esse processo encontra-se cada vez mais distante. Nas grandes empresas freqüentemente vem estabelecendo-se o aumento de substituições no quadro dos funcionários antigos ou mais velhos pelos mais novos, jovens. Atitudes como essa que ainda prevalecem em nossa sociedade e que contribuem para o prevalecimento do mito da improdutividade (BORGES, 2011). No entanto, é comum quando as famílias se queixam porque os idosos não saem de casa, não se divertem, acabam vivendo projetivamente seu passado, esquecendo-se de integrar-se no dia-a-dia da família. É notório que algumas vezes os idosos se isolem até mesmo da sua família, fazendo com que os mesmos percam sua liberdade de locomoção (BORGES, 2011). Borges (2011, p.33) destaca: O isolamento da pessoa idosa é a maior razão para a falta de engajamento; a falta de um referencial do tempo faz com que a pessoa não se situe no dia-adia, deixa todos os dias iguais e isso não é bom no envelhecimento, pois não permite que se construa a historia de vida. Diante disso, é fundamental que o sujeito idoso seja autor de sua própria história de vida, caso contrário leva-o ao não engajamento. Então é necessário um ambiente harmonioso, pois a pessoa idosa necessita de muita atenção e carinho. Se esse ambiente não proporcionar ao idoso o devido acolhimento, será surpreendido pelo isolamento (BORGES, 2011). De acordo com Borges (2011, p.38) “comunicar coisas boas as pessoas idosas além de produzir momentos de felicidade, é uma forma de combater o mito de desengajamento tributado as pessoas idosas” (...). É relevante que o idoso esteja integrado no convívio e cotidiano familiar, esta vivência possibilitará bem-estar ao próprio sujeito idoso. Que se mostra pronto para novas experiências e descobertas, 21 então, é imprescindível que a família acolha, não se comporte de forma hostil, não desprezando a presença da pessoa idosa no seu cotidiano. Conforme Mucida (2009, p.58): A aposentadoria pode representar uma perda considerável em vários níveis, provocando a formação de alguns sintomas, como estados depressivos e sentimento de menos valia, mas pode-se constituir um momento de abertura e novos investimentos na vida. A aposentadoria é um momento marcante e complexo na vida do sujeito, e acontece de forma singular e diferente para cada trabalhador. Sendo assim, constitui-se em uma mudança de localização social, que para alguns aposentados pode trazer algumas repercussões representadas por sintomas depressivos, ansiedade, irritabilidade e sentimento de menos valia citado acima, já para outros aposentados é considerada como um momento de satisfação, uma fase de descanso e preparação para um novo modo de vida, onde o idoso pode assumir novos papéis dentro da sociedade (MUCIDA, 2009). De acordo com Mucida (2009, p.57), “a aposentadoria é o destino inevitável daqueles que se inscrevem em determinada forma de trabalho social, mas seus destinos não se igualam [...]”. Que para algumas pessoas a aposentadoria é considerada como destino, aquilo que é inevitável e que surge no curso da história de cada ser humano, é notório que para uns ela é esperada, no sentido de se ter uma vida mais tranqüila e confortável, já para outros seria como a diminuição da condição sócio-econômica. Então, tem sentido diferente para cada ser humano. A aposentadoria é um momento que traz muita repercussão na vida do idoso, pois passa a assumir uma nova condição social se retirando do mundo do trabalho. Rodrigues (2005) apud SOARES, et. al. (2007, p.145) destaca que a aposentadoria está associada a perda da capacidade de ação do sujeito, fazendo com que o aposentado torne-se inativo e improdutivo. O autor considera essa perda como um luto ou morte social, desse modo, o aposentar-se remete a conflitos referentes ao processo de construção da própria identidade social. Então significa que o sujeito trabalhador foi condicionado por maior da sua vida de dedicação e utilidade e o está na ativa reflete positivamente para nossa sociedade capitalista. Diante disso, é notória a importância dada ao trabalho que é um elemento fundamental para o crescimento e desenvolvimento pessoal do sujeito. Para Zaneli e 22 Silva (1996) apud SOARES, et. al. (2007, p.145) é através do trabalho que o individuo reconfigura-se uma forma de reconhecimento pessoal e organização da vida. Dejours (1994) apud SOARES, et.al. (2007,p.145) sinaliza que o trabalho é considerado como fonte da satisfação e realização, também como uma sobrevivência e sofrimento. Para Bernhoeft (1994) apud SOARES, et. at.(2007, p.146)“o descanso ou o desfrute esta, culturalmente, vinculado a uma concepção de prêmio subseqüente a uma árdua dedicação de trabalho”. Desse modo, a aposentadoria é considerada um momento de grande satisfação, possibilitando ao sujeito ser livre para fazer o que se deseja, desfrutando de momentos de bem-estar social, é um descansar dessa longa jornada de responsabilidade e compromisso. CAPÍTULO II: ASPECTOS METODOLÓGICOS O capitulo em tela segundo Gondim e Lima (2002) ressalta sobre as questões norteadoras e metodológicas para um objeto de estudo, reconhecendo que esses aspectos metodológicos foram elaborados desde o projeto de pesquisa. Sendo assim, o presente capítulo destaca sobre a natureza da pesquisa se descritiva ou exploratório. Valendo ressaltar sobre o tipo de pesquisa realizado, se foi um estudo de campo ou bibliográfico, destacando também sobre os participantes e local de realização do mesmo, os instrumentos, procedimentos de analises dos dados. 2.1 Natureza da Pesquisa Andrade (2009) sinaliza que a pesquisa descritiva constitui-se em fatos observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador manipule variáveis. Isto significa que os fenômenos do mundo físico e humano são estudados, mas não manipulados pelo pesquisador. Lakatos e Marconi (2004) pontuam que os fenômenos são descritos de forma simples considerando seu funcionamento no presente ou realidade estudada. Então é relevante que a descrição desses fenômenos ou fatos sejam apresentados de forma clara para o bom desenvolvimento da pesquisa. A natureza da pesquisa é a abordagem qualitativa que segundo Minayo (2007) se constitui das representações, das crenças, da troca de opiniões, das presentes historias e relações que são construídas no decorrer da existência humana. 23 2.2 Tipo de pesquisa O tipo de pesquisa realizada foi o trabalho de campo. De acordo com Deslandes e Minayo (2008), ela permite ao pesquisador total aproximação com a realidade estudada, sendo claro e objetivo no levantamento das questões abordadas, então nesse tipo de pesquisa o pesquisador ou entrevistador para se obter bons resultados na pesquisa, é preciso ser determinado, dinâmico, saber questionar quando surgem as possíveis indagações e inquietações da realidade vivenciada. Segundo Minayo (2008) o trabalho de campo seria esse contato direto com os atores existentes de um meio social. Sendo assim, para que esse trabalho aconteça e que se torne relevante, dependerá da fase exploratória abordada, quando o pesquisador deve ser claro e objetivo nas respectivas questões enfatizadas pelo mesmo, partindo da realidade presente. 2.3 Participantes e local de realização Participaram deste estudo, idosos de um Grupo de Convivência de um Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), a escolha da instituição deu-se pela realização por parte desta pesquisadora de estágio curricular no mesmo local. Sendo assim, já havia sido construído um rapport entre esta pesquisadora e os idosos da instituição, possibilitando uma maior facilidade ao abordar o objeto de estudo com os participantes. Quanto ao local de realização do estudo, apesar do grupo de idosos ser acompanhado pelo CRAS, deu-se em outro espaço onde são feitas as atividades semanais. Trata-se de um local amplo, mas que precisa de alguns reparos, pois os idosos ainda não têm seu espaço próprio. Participou desse estudo idoso aposentados pela previdência Social. 2.4 Instrumentos Para investigar como ocorrem essas vivências subjetivas pelo idoso na aposentadoria, foi utilizada uma técnica de entrevista semi-estruturada e um questionário bio-demográfico. A entrevista tem como critério a elaboração de perguntas abertas, onde o entrevistado pode discorrer sobre o tema. Ressaltando que na pesquisa qualitativa é fundamental o envolvimento do entrevistado com o entrevistador. Minayo 24 (2007) pontua que as entrevistas semiestruturadas, possibilitam ao entrevistador absorver várias opiniões e informações sobre a realidade pesquisada. A entrevista é considerada uma coleta de informações sobre determinado tema, sendo uma estratégia mais usada no trabalho de campo. Estabelecendo uma conversa a dois, com o objetivo de obter informações para um objeto de pesquisa. A entrevista possibilita uma forma de interação social, significa que para o desenvolvimento da pesquisa é imprescindível para a entrada do entrevistador em campo. É importante que a mediação entre entrevistado e entrevistador seja feita por uma pessoa de total confiança do entrevistado, o investigador deve mencionar a relevância da pesquisa ressaltando que através do seu depoimento a mesma pode contribuir direta ou indiretamente. Sendo necessário explicar com uma linguagem clara os motivos da pesquisa; justificando também a escolha do entrevistado; assegurando aos informantes a garantia do anonimato e do sigilo, e uma conversa inicial visando á quebra do gelo para tornar um clima descontraído de conversa (MINAYO, 2007). 2.5 Procedimentos Antes de dar seguimento à coleta de dados o contato com a instituição ocorreu com o pedido de autorização a coordenadora do Centro de Referência da Assistência Social, informando o objetivo da entrevista, mesmo o estagio está sendo realizado no local. Logo após o contato foi mencionado a cada participante a relevância e a proposta da pesquisa, sendo afirmado que seria prestado esclarecimento quanto aos objetivos da pesquisa, sua duração, a dinâmica da entrevista, o uso de gravador ou outros recursos se necessário, e assegurando aos participantes a preservação do sigilo. Desse modo, os próprios poderão aceitar ou não a participar, tendo sua decisão respeitada. A entrevista aconteceu nos dias de atividades no termino, as mesmas ocorrem 3 (três) dias por semana. De início pensei que dava para realizar as entrevistas em apenas um dia, mas ocorreu ao contrário, precisou de mais uns dias para realizar ás entrevistas devido a alguns imprevistos que surgiu no dia das entrevistas, pois tive que ir a suas residências uma das dificuldades encontradas, porque nem todos estavam presentes e moravam na zona rural. 2.6 Procedimentos de Análise dos Dados 25 Os dados obtidos através da entrevistas foram analisados buscando a interpretação dos significados (MINAYO, 2008). Por se tratar de pesquisa qualitativa que tem o objetivo de responder a questões particulares, a análise busca o sentido e a interpretação do material colhido, respeitando as singularidades existentes dos idosos envolvidos no estudo. As análises obtiveram como referencial teórico Bardin (2007) sinalizando “que a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análises das comunicações”. Desse modo, a análise de conteúdo utilizado foi a categorial, esse método pretende buscar a totalidade de um texto, fazendo uma categorização entre todos os entrevistados um levantamento de quantos participaram da pesquisa e uma classificação dos pontos levantados no roteiro de entrevista semi-estruturada para possivelmente interpretá-los. Desse modo, as entrevistas foram transcritas, depois foi feita uma tabulação para organizar as falas e possivelmente compreende-las. E para construção das analises recortou-se algumas falas. Conforme Bardin (2007) a autora destaca a categorização como um processo estruturalista. 2.7 Considerações Éticas A elaboração desse estudo me fez compreender sua relevância estando de acordo com a resolução 196/96 do conselho nacional de saúde/MS sobre as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Ressaltando que para realização desse trabalho será solicitada a autorização do conselho de ética e pesquisa com seres humanos da Faculdade do Vale do Ipojuca- FAVIP, respeitando também os princípios éticos do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), que tem como respaldo o consentimento do participante. Salientando que o mesmo encontra-se em anexo I, a carta de anuência II, que tem o objetivo apresentar a pesquisadora, o trabalho intitulado O Idoso e a Aposentadoria: vivências subjetivas desse processo, sob a orientação do Prof.º Gabriel Pereira de Souza. Sendo necessária à autorização da instituição e a autorização dos participantes, por ser uma pesquisa que envolve seres humanos tendo princípios éticos norteadores que são relevantes para o desenvolvimento do trabalho de campo que contribui para uma atuação profissional atendendo as demandas existentes de nossa sociedade. De acordo com a resolução acima a presente pesquisa se submeteu a aprovação do comitê de ética, pedindo a autorização para ir a campo. Com a liberação do comitê fez-se o contato com a Secretária de Ação Social e Cidadania solicitando a autorização, que foi concebida. Sendo assim dei inicio a 26 pesquisa com muita dedicação e compromisso utilizando todos os documentos precisos para realização da mesma. 27 CAPÍTULO III: OS IDOSOS E SUAS VIVÊNCIAS SUBJETIVAS Neste presente capitulo foi abordado um questionário bio-demográfico com algumas questões para se obter dados dos entrevistados apresentando o perfil dos participantes, o sexo, a situação marital em que se encontram, o nível de escolaridade, a cor da pele, o tipo de moradia, com quem moram e a renda familiar. E também um roteiro de entrevista semi-estruturada com perguntas referente aos entrevistados como o tipo de aposentadoria, as impressões nesse processo, os pontos positivos e negativos, a importância desse processo, se esse valor da conta das suas necessidades e se os entrevistados realizam outra atividade. 3.1 Perfil dos participantes 3.1.1 Idade Os participantes tiveram suas idades entre 50 e 85 anos, com média de 50 anos (66,57). A preponderância foi na faixa dos 60 anos. 3.1.2 Sexo Quanto ao sexo dos participantes, a maioria foi de mulheres com 80,95%. Tal freqüência pode ser compreendida pelo número de mulheres que participam das atividades, oficinas e cursos oferecidos pelo CRAS, que é sempre maior em relação aos homens. O CRAS, inclusive, aponta dificuldades na realização de atividades com os homens com 19,05% pois, sua freqüência é sempre mais baixa. Sendo os mesmos mais presentes em datas comemorativas e em algumas atividades como a física. 28 19,05% Feminino Masculino 80,95% Gráfico 1- Porcentagem por sexo. 3.1.3 Situação Marital Quanto a situação marital dos participantes é representado com cerca de 08 mulheres que cujo seu estado civil é casada, sendo as mesmas contando com 07 em estado situacional de viuvez, sendo assim, valendo ressaltar que 01 solteira, 01 separada, 02 que moram junto. 3.1.4 Nível de Escolaridade Muitos dos relatos dos participantes demonstram que houve dificuldades quanto á oportunidade de estudar, porque precisavam trabalhar para poder se alimentar e sustentar suas famílias. Alguns só aprenderam a fazer o próprio nome e nunca freqüentaram uma escola. Como diz M (80 anos): “Eu ia para Vitória de pé o que eu arrumava era para a gente comer, e a escola que é bom nunca”. 29 3.1.5 Cor da Pele Neste ponto os participantes ficavam indecisos sem saber responder este item do questionário, mas que (08) dos entrevistados se consideraram brancos e muitos (12) dos participantes se consideraram morenos. 3.1.6 Tipo de Moradia Dos entrevistados (17) responderam que suas casas são próprias e os restantes pagam aluguel. 3.1.7 Com quem moram Quanto este item do questionário (15) respondeu que mora com esposo, filhos (as), neta. Observei que (2) moram sozinhos, (2) moram com filhos, neto e Irma e (1) mora com Irma. 3.1.8 Renda Familiar Este presente item (06) dos participantes responderam sobreviver com 1 salário mínimo e (12) responderam que recebem 2 salários mínimos. 3.2 Tipo de Aposentadoria Ao iniciarmos a nossa pesquisa, buscamos compreender de que forma os idosos se aposentaram. Desse modo, percebe-se que em geral se aposentaram através do FUNRURAL. Este fato pode ser entendido devido á realidade onde as pessoas vivem o município que tem 94 km² de área rural, sobrevive da agricultura assim, o que leva a muitas pessoas que cresceram na zona rural, procurarem um sindicato e tentarem efetivar a aposentadoria por este seguimento como foi abordado melhor no tópico sobre os tipos de aposentadorias existentes, no Capítulo I. 30 Tabela 01: Tipo de aposentadoria Tipo N FunRual 12 Por idade 5 Pela prefeitura 1 Deficiência 1 Beneficio 1 Total 20 Alguns dos participantes se mostraram satisfeitos por terem sido bem atendidos no sindicato, representado na fala de M (85 anos) “como foi que chegou o tempo deu me aposentar ai eu procurei o sindicato e me associei e depois me aposentei.” Os entrevistados aposentados pela prefeitura também não sentiram dificuldade ao se aposentar, ressaltado como um processo simples. E os que se apresentaram por deficiência relataram que nunca foi negado e nem cortado. Nas entrevistas observei que muitos participantes tiveram que procurar o sindicato por conta da documentação, por ser uma associação que dá suporte para os agricultores que precisa se aposentar. 3.3 Impressões no processo da aposentadoria Este item ressalta sobre as impressões dos participantes referentes a esse processo, enfatizando como foi esse momento de aposentar-se. Evidenciado nas falas como muito bom. Sendo assim, muitos dos participantes pontuaram sentir dificuldade nesse processo. Tabela 02: Impressões sobre o processo da aposentadoria Impressões N Muito bom / Descanso 13 Dificuldade / Ajuda familiar 7 Total 20 31 Através dessa temática, tivemos duas categorias, que descrevem as impressões dos aposentados ao tentar se aposentar como o trecho a seguir evidência na fala de L( 59 anos) “foi bom que eu já trabalhei muito na agricultura, já tava cansada” , também considerado um momento muito bom representada na fala L( 68 anos) “que foi muito bom para mim”. Alguns dos participantes remetem inclusive a necessidade de alguma testemunha para provar o vínculo com a atividade rural. Relatado pela senhora A. (60 anos) “aposentar precisou de testemunha que eu era agricultora e documento da terra, ai pronto consegui.” 3.4 Pontos Positivos Tabela 03: Pontos Positivos Positivos N Foi tudo na vida 15 Bem atendido (a) ao aposentar-se 5 Total 20 Diante da tabela acima pude observar que dentre as categorias apresentadas quinze dos entrevistados consideram esse momento muito bom, destacado por L.(68 anos) “foi, foi bom para mim, trouxe muita coisa...vivo com minha barriga cheia”. Ressaltando que eram trabalhadores do campo, que davam duro, para ter o que comer trabalhando no alugado mencionado na fala de J (71 anos): “por causo que agente vivia trabalhando de alugado, já é uma chance para quem não tem nada na vida. Ai já ajuda muito e achei muito bom e acho porque a minha vida foi muito sofrida, depois que me aposentei minha vida melhorou muito”. Observei também que na fala de uma aposentada (a) que “sofre”, tem desgosto por não trabalhar mais, não esta na ativa. J(71 anos) “Eu queria muito ta trabalhando, mas não tenho condições, eu tenho desgosto quem era eu cortava lenha, mandioca, fazia carvão, limpava mato. Alguns autores (a) como Neri (2004, p.97), sinalizam que “envelhecer estaria vinculado a perdas de diferentes ordens, conseqüentemente fariam com que os idosos fossem mais vulneráveis aos quadros depressivos”. Outros destacam sobre a questão da aposentadoria. 32 Borges (2011, p.33) destaca: “o isolamento da pessoa idosa é a maior razão para a falta de engajamento; a falta de um referencial do tempo faz com que a pessoa não se situe no dia-a-dia, deixa todos os dias iguais e isso não é bom no envelhecimento, pois não permite que se construa a historia de vida” De acordo com o modo de pensar do autor acima compreendo a importância do idoso está na ativa, assumindo novos papeis estando presente nas atividades do cotidiano Ocupando seu tempo. Os idosos entrevistados procuram se engajar cotidianamente participando das atividades físicas, natação e Grupos Sócio-educativos oferecidos pelo CRAS. É notória a inserção dos participantes na comunidade e sociedade. Sendo assim, os idosos participantes desta pesquisa demonstraram bons sentimentos em relação a esse processo da aposentadoria que possivelmente contribuem para melhores dias de vida. 3.5. Pontos Negativos Tabela 04: Pontos Negativos Negativos N Nada / não há 14 Entrevista / prova 2 Deixou de trabalhar 3 Tinha que trabalhar no alugado 1 Total 20 Na tabela acima alguns dos aposentados relataram que não teve nada de negativo e que deu tudo certo nesse processo. Evidenciado na fala de M(63 anos) quando diz “nada não, deu tudo certo não teve trabalho não graças a deus”. Percebemos que outros participantes disseram ter dificuldade na, documentação citada por M (65 anos) relatou que “o que teve de negativo nesse processo foi á ficha da maternidade, porque a minha ficha tava como negativa não era como agricultora e sim doméstica”. 33 Sendo trabalhadores rurais alguns encontraram empecilhos e saíram em desvantagem como a perda de alguns anos de trabalho revelado na fala de A ( 70 anos) “Foi negativo porque eu perdi uns 5 anos para me aposentar”. Também relatado por S (50 anos) “O problema foi no INSS de São Joaquim que disse que eu não tinha direito de me aposentar pelo sindicato.” 3.6 O papel da aposentadoria na renda familiar Tabela 05: O papel da aposentadoria na renda familiar Papel N Foi bom 8 Ter o que comer 1 Importante 7 Representa tudo na vida 4 Total 20 A aposentadoria, para os participantes, constitui-se em único meio de sobrevivência e renda. Expresso por L (59 anos) “foi bom porque é a única renda que eu tenho, eu não tenho outra renda.” Observei que em geral os participantes relataram que o aposento representa tudo em suas vidas. Representado na fala de J (71 anos) “Ave Maria tudo na vida, se nós não tivesse essa aposentadoria, nem podia trabalhar e fazer o que eu queria”. Já outros revelaram uma diminuição na renda revelada por L (68 anos) “diminuiu foi que eu ganho 515,00 reais”. Representando para outros como uma ajuda muito importante M (65 anos) “representa até hoje que me ajuda muito que quando eu vejo meus netos precisando de alguma coisa eu ajudo, muito não porque é minha a aposentadoria. 3.7 Se o valor da aposentadoria dá conta das suas necessidades. Tabela 06: O valor da aposentadoria dá conta de suas necessidades? Valor N 34 Dá 16 Não dá 4 Total 20 Os entrevistados sinalizaram que o valor da aposentadoria dá conta das suas necessidades, alguns deles destacaram que esse valor como ser uma ajuda muito boa. Sinalizado por M (65 anos) quando diz “dá meu fio pior eu já vivi, eu vivia trabalhando de alugado para comer e era pouquinho dava, e graças a deus agora da para viver direitinho”. Para outros entrevistados relataram que esse valor não da conta das suas necessidades e compromissos. Expresso por J (71 anos) “não da mai é uma ajuda boa, por causa da minha medicação ai agente tem que gastar mai né.” Esse ponto me fez refletir que alguns dos participantes sobrevivem dessa aposentadoria mostrando-se satisfeitos, e destacaram como muito importante esse valor pelo fato de não ter outra renda. Pontuaram que na compra de medicamentos citado anteriormente não dá para suprir as necessidades, mas que no momento dá. 3.8 Se realizam outra atividade para complemento de renda Neste ponto os participantes relataram não realizar nenhuma outra atividade só tem como renda a aposentadoria, compreendendo que o idoso se depara com algumas limitações decorrentes da idade. Expresso por M (85 anos) “não depois que eu me aposentei não trabalhei mai com nada, até que eu adoeci da coluna ainda que eu pudesse não podia não trabalhava, é a minha avalia que foi o aposento mesmo.” Valendo ressaltar que um dos entrevistados sinalizou que fazia crochê, mas não vendia, porque ninguém valorizava. Desse modo, o sujeito é um ser de possibilidades que esta sendo marginalizado e banalizado em conseqüência desse tratamento preconceituoso e hostil (VITOLA, 2004). Então diante dos relatos compreendi que os idosos em sua maioria disseram não poder mais trabalhar por esta numa idade muito avançada e por apresentar problemas saúde que não exerciam outra atividade só sobrevivem da aposentadoria. 35 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo aponta sobre o processo da aposentadoria, direito almejado por muitos trabalhadores que contribuem por muito tempo para poder ter o direito alcançado. Sendo assim com base nos respectivos teóricos, inicialmente atribui a esse processo da aposentadoria como uma fase ruim, com tendência a depressão. Observei que diante das entrevistas os participantes apontam ao contrário. Desse modo, este trabalho teve como objetivo geral compreender as vivências subjetivas de idosos no processo da aposentadoria; e como objetivos específicos, identificar as principais vivências subjetivas de idosos na aposentadoria e; verificar como o aspecto socioeconômico interfere nesses fatores. Com base no presente estudo percebi que os entrevistados em geral são aposentados pelo FUNRURAL devido a realidade do município ter uma grande abrangência em área rural, possibilitando a esses idosos a sobrevivência da agricultura. Valendo ressaltar que a baixa renda e a aposentadoria como única fonte de renda e sobrevivência. Alguns idosos sinalizaram ter tido dificuldade ao se aposentar e outros destacaram como um processo simples. Também foi observado que um dos entrevistados revelou insatisfação frente a esse contexto devido á diminuição da renda. Antes de realizar a pesquisa tinha uma concepção totalmente diferente a respeito dos entrevistados, pensava que eram aposentados pela previdência e por idade, mas essa idéia se modificou diante das entrevistas, pude perceber que os mesmos eram aposentados pelo FUNRURAL como agricultores. Enfatizando que essa temática merece maior atenção para que os profissionais intervenham melhor dentro desse contexto, possibilitando o surgimento de novas pesquisas envolvendo essa temática. 36 REFERÊNCIAS ALVARENGA, Líria Núbia; KIYAN, Luciana; BITENCOURT, Bianca; WANDERLEY, Kátia da Silva. Repercussões da aposentadoria na qualidade de vida do idoso. Revista escola de enfermagem da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/ape/v18n4/a11v18n4.pdf>Acesso em: 06/06/11 ANDRADE, Maria Margarida de. 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A psicologia do Envelhecimento: uma introdução. Traduzido por Maria Adriana Veríssimo Veronese. 3ª Ed.. Porto Alegre: Artmed, 2002. VITOLA, Janice de O. O Sentido De Vida E Realização Pessoal Em Pessoas De Terceira Idade SARRIERA, Jorge Castellá Catilhos (Coord.). Psicologia Comunitária: estudos atuais. / 2ª ed. – Porto Alegre: Sulina, 2004, p.160-195 38 APÊNDICES 39 Sairé, 21 de Outubro de 2011 TERMO DE ANUÊNCIA Declaro ter conhecimento dos objetivos da Pesquisa denominada Aposentadoria: Vivências Subjetivas desse processo” “O Idoso e a a ser desenvolvida pela graduanda Jaquelyne Maria de Sena e Silva, matrícula 2007108459, concluinte do curso de Psicologia da Faculdade do Vale do Ipojuca - FAVIP, sob orientação do Profº Ms. Gabriel Pereira de Souza. A Secretária de Ação Social e Cidadania, localizada na Rua 1 Cohab, S/N, centro ,Sairé. CEP- 55690-000, autoriza à referida pesquisa e está de acordo com a realização da mesma. Atenciosamente, ____________________________________________________ Secretária de Ação Social e Cidadania 40 FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Prezado senhor (a), você está sendo convidado (a) a participar de uma pesquisa sobre “O Idoso e a Aposentadoria: Vivências Subjetivas desse processo”. A pesquisa acontecerá na cidade de Sairé e tem como objetivo geral: compreender as vivências subjetivas de idosos no processo de aposentadoria. E como objetivos específicos: Identificar as principais vivências subjetivas de idosos na aposentadoria; e verificar como o aspecto sócio-econômico interfere nesses fatores. Será utilizada uma entrevista semiestruturada, para idosos na faixa etária a partir de 60 anos de idade. Tempo de duração de cada entrevista será de, aproximadamente, 30 minutos. Por intermédio deste Termo de Consentimento são garantidos os seguintes direitos: 1. A participação é voluntária. Não havendo qualquer obrigatoriedade. 2. Ao sigilo, à confidencialidade e ao anonimato uma vez que o questionário não contém nenhuma identificação. 3. Ampla possibilidade de se negar a responder a quaisquer questões ou a fornecer informações que julgue desnecessárias. 4. Desistir a qualquer momento de participar da pesquisa, sem riscos de ser penalizados sob qualquer forma. 5. A segurança que não haverá nenhum tipo de despesa material ou financeira durante o desenvolvimento da pesquisa, bem como nenhum tipo de risco, dano físico ou mesmo constrangimento moral e ético ao entrevistado. 6. Solicitar, a qualquer tempo, maiores esclarecimentos sobre esta pesquisa, a pesquisadora responsável, Jaquelyne Maria de Sena e Silva, através do telefone (081) 9652-0147. Os dados da entrevista serão de inteira responsabilidade da responsável pela pesquisa, localizada no endereço (Setor de estudo): Faculdade do Vale do Ipojuca - Campus I - Av. Adjar da Silva Casé, 800 Indianópolis - Caruaru - PE - CEP 55024-740 Fone: (081) 3722-8080. Este Termo de Consentimento, em duas vias, de igual teor, ambas assinadas e datadas, destinam-se ao participante. Agradecemos a participação e registramos que as informações fornecidas ajudarão no melhor conhecimento do assunto a ser estudado AUTORIZAÇÃO DO IDOSO Eu _______________________________________________________________ aceito, por livre e espontânea vontade, participar da pesquisa intitulada “O IDOSO E A APOSENTADORIA: VIVÊNCIAS SUBJETIVAS DESSE PROCESSO”, desde que isso não implique em prejuízo de nenhuma forma. Declaro ainda que tenho conhecimento das informações acima. _____________________________________ Participante 41 _____________________________________ Jaquelyne Maria de Sena e Silva Pesquisadora Responsável _____________________________________ Assinatura da Testemunha Espaço para impressão dactiloscópica FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA QUESTIONÁRIO BIO-DEMOGRÁFICO 1. Idade_____ 2. Sexo: Masculino ( ) Feminino ( ) 3. Situação Marital: Solteiro ( ) Casado ( ) Divorciado ( Outros ( ) Qual? _______________ ) Viúvo ( ) Mora junto ( ) 4. Nível de Escolaridade: Analfabeto ( ) Fundamental incompleto ( Médio incompleto ( ) Superior incompleto ( ) ) Fundamental completo( ) Médio completo( ) Superior completo ( ) 5. Cor da pele: Branco ( ) Negro( ) Amarelo( ) Pardo( Outra ( ) Qual?____________ 6. Tipo de Moradia: Própria Quitada ( ) Própria em negociação( Cedida ( ) Alugada ( ) Outra ( ) Qual?_________________ ) ) Indígena( ) 42 7. Com quem você mora? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _______________ 8. Qual a renda da sua família? (Somando a renda de todos que moram na casa) ____________________ FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA ROTEIRO DE ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA 1. Qual o tipo de aposentadoria? (por tempo de serviço, por contribuição, etc) 2. (Se é aposentado) Poderia me contar como foi aposentar-se? 3. Quais os pontos positivos que surgiram para o senhor(a) nesse processo de aposentadoria? 4. Quais os pontos negativos que surgiram para o senhor(a) nesse processo de aposentadoria? 5. Qual o papel da sua aposentadoria na renda familiar? 6. O senhor/senhora acha que o valor da sua aposentadoria dá conta das suas necessidades? 7. O senhor/senhora faz alguma outra atividade para complementar o valor da aposentadoria? 8. Gostaria de falar sobre algo mais? Muito obrigada, pela participação.