JORNALISMO CULTURAL E CRÍTICA TEATRAL: UM ESTUDO SOBRE O CADERNO DE CULTURA DO JORNAL FOLHA DE S. PAULO DANILO BARROS GOBATTO Orientadora: Profa. Dra. Angela Schaun RESUMO Nos últimos anos, notamos a ausência das criticas teatrais nos cadernos de cultural, a crítica, perdeu espaço nos tradicionais meios de comunicação, como o jornal (objeto de pesquisa deste trabalho), sendo substituída por informes publicitários e indicações de peças e filmes. No mesmo momento em que o teatro vive sua melhor época no Brasil, com grandes produções e aceitação do público. Essa ausência, muito se deve a internet, onde todo momento, surgem blogs, sites e até mesmo as redes sociais, produzindo uma grande quantidade de opinião acerca do teatro e a cultura de um modo geral. Esta pesquisa tem como objetivo, verificar como é produzido o noticiário crítico no caderno de cultura do jornal Folha de S. Paulo. Palavras-chave: Jornalismo Cultural; Crítica Teatral, Jornal Folha de São Paulo/2012 INTRODUÇÃO Segundo Piza (2008), o termo jornalismo cultural engloba não somente as artes da literatura, música, pintura, cinema, teatro, arquitetura, como também deve incluir a gastronomia e moda, por exemplo. Visto que a cultura é o complexo de costumes e hábitos peculiares adquiridos pelo homem em uma determinada sociedade. Pois assim tem sido desde as primeiras publicações no inicio do século 18. O importante é não perder de vista o peso da opinião, da interpretação. 1 Para Garcia (2004) o jornalismo cultural envolve não apenas a produção jornalística de notícias relativas ao contexto da cultura nacional, internacional e local, em suas diversas formas – como música, teatro, artes plásticas, cinema, televisão, etc. Mas sua inspiração vem, sobretudo, do conceito de crítica, a saber: “A critica costuma ser considerada um gênero literário. Mas talvez seja mais adequado classifica-la como gênero literário-jornalístico, porque a critica, como a conhecemos desde o século XIX, quando as primeiras apareceram, em geral pelas mãos de romancistas, como José de Alencar e Machado de Assis, esteve vinculada de maneira estreita ao jornalismo. Criticas são escritas para serem publicadas em jornais, suplementos e revistas. Por isso, consideramos-las textos diferenciados no corpo do jornal; não são noticias ou reportagens, cujo objetivo imediato é informar o leitor sobre um acontecimento qualquer, mas um texto informativo-opinativo, que abusa da função expressiva da linguagem com o objetivo de atrair o leitor para a obra artística e refere-se a um acontecimento especifico.” (GARCIA, 2004 p. 71). Acredita-se que o teatro, nos moldes que conhecemos hoje, tenha surgido na Grécia, sua denominação vem do grego théatron (θέατρον). Se o hábito nos leva a crer que o teatro tem por base um palco, luz, cenário, música, poltronas......partimos do princípio errado. Para fazer filmes não podemos prescindir de uma câmera, do celulóide e dos meios para revelá-lo, mas para fazer teatro somente uma coisa é necessária: o elemento humano.Isto não significa que o resto não tem importância, mas não é principal. Peter Brook (apud. SANTOS PEREIRA, 2012) Estamos falando de uma forma de arte, onde sem dúvida o fundamental é a presença de pelo menos um ator, mas pode ser um conjunto deles, que em determinado espaço/lugar interpreta uma história. O recorte temático deste estudo para análise será a crítica teatral. Para Garcia (2004) a crítica teatral passou a ser uma atividade esporádica, a indústria cultural privilegia o cinema, a moda, a música, a televisão, que passaram a ter mais importância do que o teatro. “(...) buscar e propagar conhecimentos é uma das funções mais nobres do jornalismo. E isso não se faz sem a crítica. Mas a mercantilização da cultura, e tudo o que ela implica para o amortecimento do espírito crítico, vem 2 reinando soberano, sem que o jornalismo mova uma palha para mudar o curso da história”. (GARCIA, 2004 p.13). O termo crítico vem do grego kritikos e do latim criticu (WELLEK, 1963), que, além de encerrar a ideia de julgamento, diz respeito também à ideia de crise. A palavra crítica, por sua vez, origina-se da palavra grega krinein. Quer dizer: quebrar. E era esta, então, a função da crítica: fragmentar (analiticamente) a obra de arte. Aristóteles, com sua Póetica, teria sido, segundo Jerôme Roger (2002), o primeiro a submeter as obras de ficção ao exame do espírito. O autor diz ainda que, neste aspecto, foi o filósofo grego quem fez o primeiro balanço crítico e a primeira definição do fenômeno literário (MELLO, 2010, p 24). Diante do contexto apresentado, o presente estudo propõe responder à seguinte questão:Como é feita a crítica teatral nos cadernos de cultura do jornal Folha de S. Paulo? Investigar o noticiário produzido pelo jornal Folha de S. Paulo no período de setembro a outubro, de 2012. O estudo tem como objetivos: a) Identificar os tipos de informações a partir de critérios jornalísticos; b) Caracterizar o material identificado a partir de critérios inspirados na teoria de Glatung e Rudge, sobre o conceito de valor-notícia e c)Avaliar o material com base nos princípios da crítica teatral, defendidos por Garcia. Para o desenvolvimento da pesquisa, definiu-se como objeto o jornal Folha de São Paulo, por ser o segundo em circulação no Estado de São Paulo, de acordo dom o IVC/2011. O corpus em análise: Cadernos de Cultura do Jornal Folha de S. Paulo, no período de setembro a outubro, de 2012. A importância deste estudo se justifica diante de alguns números que a cidade de São Paulo apresenta em termos do movimento teatral, conforme dados disponíveis no site da própria prefeitura: são 160 teatros e 280 salas de teatro e mais de 600 espetáculos por ano. Esses eventos teatrais contam com apoios governamentais diretos e mediante incentivos fiscais concedidos, além de investimentos privados e apoios diversos (1). 1 Fonte: (http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/br/sao-paulo-em-numeros, acesso em 20 de abril de 2012). 3 REFERENCIAL TEÓRICO O tema jornalismo cultural tem despertado interesse ao longo dos anos, mas alguns autores, como é o caso de Alzamora (2005) acreditam que para uma discussão mais aprofundada sobre o tema, é fundamental entender duas questões: “Quando se fala em jornalismo cultural, pelo menos duas questões demandam esclarecimento imediato: o que se entende por “cultura” e o que se entende por “jornalismo”. O desenvolvimento histórico do chamado jornalismo cultural sugere que as respostas a essas questões estão longe de ser simples e amplamente aceitas pelas comunidades acadêmica e profissional. Um primeiro e grande problema para se responder satisfatoriamente a essas questões é a ausência de um debate acadêmico amplo acerca do jornalismo cultural. A literatura sobre o assunto é escassa, mas pode-se dizer que um denominador comum entre os autores que trafegam pelo tema é a incerteza quanto a uma demarcação conceitual clara para o jornalismo cultural”. (ALZAMORA, 2005, p. 16) Ao problematizar o tema, é fundamental indicar um conceito para cada uma dessas questões, visando deixar claro na presente pesquisa, o entendimento que será levado em conta no processo de trabalho. Assim, o significado de cultura será entendido a partir de Barbero, conforme segue: A cultura escapa a toda compartimentalização, irrigando a vida social por inteiro. Hoje são sujeito/objeto de cultura tanto a arte quanto a saúde, o trabalho ou a violência, e há também cultura política, do narcotráfico, cultura organizacional, cultura juvenil, de gênero, cultura científica, audiovisual, tecnológica, etc. (BARBERO, 2001, p.14) Do lado do jornalismo, a definição passa por um processo conceitual semelhante, a partir de Marcondes Filho: O jornalismo reflete muito bem a aventura da modernidade. Ele é a melhor síntese do espírito moderno. Por esse mesmo motivo o processo de desintegração da atividade, seu enfraquecimento, sua substituição por processos menos engajados ( que já não buscam a “verdade”, que já não 4 apostam numa evolução para uma sociedade mais “humana”) é um sintoma de mudança dos tempos e dos espíritos.(...) a transformação ou desacralização da atividade, ( que alguns chamam mesmo de “decadência”)tem a ver com a crise da cultura ocidental: o jornalismo é a expressão física do espírito moderno. (MARCONDES FILHO, 2000, p. 15). MÉTODOLOGIA DA PESQUISA Existem dois métodos para o desenvolvimento de um trabalho cientifico: o método qualitativo, que busca estudar e entender como a crítica teatral é pautada e se relaciona com os cadernos de cultural do jornal Folha de São Paulo. E o método quantitativo, que busca apenas “medir” a quantidade de críticas e de notícias e matérias sobre teatro que se pautam e se relacionam com os cadernos de cultura do mesmo jornal. Para atender os objetivos da pesquisa, será utilizada inicialmente a metodologia a quantitativa e a partir desta será feita uma análise qualitativa, buscando caracterizar os tipos de críticas e os critérios de noticiabilidade nos quais se inspiraram (TRAQUINA 2005). Nessa perspectiva, o estudo será desenvolvido em quatro etapas, conforme descrição a seguir: Primeira Fase: Pesquisa bibliográfica. Será utilizada a técnica de fichamento, fundamentalmente sobre o tema Jornalismo Cultural e Crítica Teatral na mídia, com base na bibliografia disponível e publicada nos últimos cinco anos. Será utilizado o sistema de busca de palavras-chave nas bases de dados dos seguintes congressos da área: ENECULT, Congresso Internacional de Jornalismo Cultural e ABRACE – Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas. Segunda Fase: Análise de mídia, utilizando os critérios jornalísticos, caracterização do material com os critérios de noticiabilidade de autores como Traquina e Pena. Entrega do primeiro relatório. Terceira Fase: Avaliação do material caracterizado, a partir do conceito de crítica de Garcia. Entrega do segundo relatório. Quarta Fase: Análise final e elaboração do artigo. 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALZAMORA, Geane Carvalho. Comunicação e Cultura na Internet: em busca de outros jornalismos culturais. Tese Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. SP. 2005. BARBERO. Jésus Martin. Dos Meios às Mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro. Ed. UFRJ. 2001. COELHO, Marcelo. Crítica cultural: teoria e prática. São Paulo: Publifolha, 2006. GARCIA, Maria Cecília. Reflexões sobre a critica teatral nos jornais: Decio de Almeida Prado e o problema da apreciação da obra artística no jornalismo cultural. São Paulo: Ed. Mackenzie, 2004. KOVACH, Bill. Elementos do jornalismo: o que os jornalistas devem saber e o público exigir. São Paulo: Geração Editorial, 2004. MARCONDES FILHO. Comunicação e Jornalismo: a saga dos cães perdidos. São Paulo. Hacker Editores. 2000. MELLO, Helena Maria. Aspectos da Critica Teatral Brasileira na Era Digital. Tese de Pós-Graduação em Artes Cênicas. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. RS. 2010. PENA, Felipe. Teoria do Jornalismo. 2. Ed. São Paulo: Contexto, 2008. PIZA, Daniel. Jornalismo cultural. São Paulo: Contexto, 2004. SZANTO, Andras; LINDOSO, Felipe J. INSTITUTO CULTURAL ITAU. Rumos [do] jornalismo cultural. São Paulo: Summus: Itaú Cultural, 2007. SANTOS PEREIRA, Abmaelson. Transgressões Estéticas e Pedagogia do Teatro: o Maranhão do Século XXI. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade. Universidade Federal do Maranhão. São Luiz. 2012. TRAQUINA, Nelson. Teorias do jornalismo. Florianópolis: Insular, 2 ed. 2005-2008. 6