Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM VOLUME 08 - NÚMERO 03 - 2013 - MAGAZINE 1 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM É com grande satisfação que, no vigésimo sétimo ano de realização do Encontro Nacional de Atividade Física/ENAF, publicamos a Revista on-line ENAF SCIENCE. Tal publicação pode ser traduzida como uma forma de agradecimento e retribuição a todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para o desenvolvimento e aperfeiçoamento desse evento que integra o universo da atividade física e da saúde. No decorrer desses anos acreditamos ter participado da formação de milhares de acadêmicos e profissionais da área de educação física, fisioterapia, nutrição, enfermagem, turismo e pedagogia. A partir de 2004 passamos a realizar o Congresso Científico vinculado ao ENAF, dando mais um passo na construção dos saberes que unem formação e produção. É a partir desse contexto que a Revista on-line ENAF SCIENCE é novamente lançada. Esperamos que essa publicação enriqueça nossa área de ação. Nesta edição, estão presentes todos os trabalhos apresentados no Congresso Científico, seja sob forma de artigo completo ou como resumo na forma de pôster. Esperamos que este seja a continuação dos passos que pretendemos empreender na busca por um novo viés de conhecimento, fazendo com que o ENAF siga seu caminho mais essencial: participar da construção de uma ciência da atividade física. 2 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM ÍNDICE DOS TRABALHOS (Dica: clique no titulo abaixo para acessar a página do trabalho) ARTIGOS DESENVOLVIMENTO, CIDADANIA E INCLUSÃO ATRAVÉS DO ESPORTE NAS MODALIDADES DE GINÁSTICA RÍTMICA E GINÁSTICA ARTÍSTICA. ....................................................................................................... 4 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL ..................................................................... 8 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR RELACIONAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL ................................................................................................................................................ 15 EDUCAÇÃO LÚDICA INTERCULTURAL NA ESCOLA ............................................................................................. 20 O BULLYING E A VIOLÊNCIA NA ESCOLA: A ATUAÇÃO DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM PARINTINS ................................................................................................................................................................... 26 SOCIEDADE E VIOLÊNCIA ESCOLAR: O BULLYING NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM PARINTINS .... 33 OS ESTÍMULOS MUSICAIS E O MOVIMENTO CORPORAL DA CRIANÇA. ........................................................... 39 PSICOMOTRICIDADE FUNCIONAL NA EDUCAÇÃO FÍSICA COMO AUXILIADOR DA APRENDIZAGEM NA ESCOLA ....................................................................................................................................................................... 44 RESUMOS O CORPO DO IDOSO: UMA ANÁLISE SOBRE A CONCEPÇÃO DE CORPO DE IDOSOS PRATICANTES DA MODALIDADE DANÇA ................................................................................................................................................ 49 JOGOS GERONTOLÓGICOS DA AMIZADE - PROJETO VIDATIVA ....................................................................... 50 PROJETO VIDATIVA - PROMOVENDO O ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL .......................................................... 51 3 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM ARTIGOS DESENVOLVIMENTO, CIDADANIA E INCLUSÃO ATRAVÉS DO ESPORTE NAS MODALIDADES DE GINÁSTICA RÍTMICA E GINÁSTICA ARTÍSTICA. SOUZA, A. V. ¹; SILVA, R. C.²; SOUZA, M.M. V.³ ; SOARES, A.4 1. Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Manaus –Am – Brasil; 2. Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Manaus – Am – Brasil; 3. Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Manaus –Am – Brasil; 4. Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Manaus –Am – Brasil. RESUMO: O presente trabalho é um relato referente a uma prática pedagógica pouco desenvolvida nas escolas, especificamente nas aulas de Educação Física. Trata-se de dois esportes poucos difundidos que são as ginásticas rítmica e artística. Nosso projeto foi desenvolvido em dois polos, sendo um escola da rede estadual e outro no Centro de Treinamento dos supracitados esportes. As duas modalidades de ginástica tiveram boa aceitação por partes dos escolares, pois muitos não as conheciam pessoalmente, apenas através dos meios de comunicação. As atividades práticas foram realizadas durante o período de um ano. No decorrer do projeto percebemos a aceitabilidade e o interesse pela pratica tanto por parte dos meninos quanto pelas meninas. Um passo importante no referido projeto foi à participação dos alunos numa competição de nível escolar, onde conquistaram medalhas, o que os deixou empolgados ainda mais. Palavras-Chave: ginastica rítmica; ginastica artística; escola. DEVELOPMENT, CITIZENSHIP AND INCLUSION THROUGH SPORT IN TERMS OF RHYTHMIC GYMNASTICS AND ARTISTIC GYMNASTICS. ABSTRACT: This paper is a report concerning an undeveloped pedagogical practice in schools, specifically in physical education classes. These are two sports that are broadcast just rhythmic and artistic gymnastics. Our project was developed in two poles, one state school and another at the Training Center of the aforementioned sports. The two types of gymnastics had good acceptance by parts of the school, as many do not know them personally, only through the media. Practical activities were performed during the period of one year. During the project we realized the acceptability and interest in practice by both the boys and girls. An important step in this project was the involvement of students in a grade level competition, which won medals, which made them even more excited. Keywords: rhythmic gymnastics, artistic gymnastics; school. INTRODUÇÃO As ginásticas possibilitam nas aulas de educação física um excelente desenvolvimento do repertório motor. Capacidades motoras são bem desenvolvidas como a flexibilidade, a força, a coordenação e o equilíbrio. Dependendo dos exercícios ou do aparelho, algumas são mais exigidas que outras. Apesar da complexidade das ginásticas não as desenvolvemos com o fim de descobrir atletas, mas sim, para possibilitar uma nova vivência por meio de dois esportes pouco difundidos, talvez, por não haver tantos profissionais que os desenvolvam. Para Capinussú (1985, p.86) As escolinhas de iniciação esportiva não devem preparar os jovens diretamente para as competições oficiais. Uma das finalidades é a seleção de talentos visando integrá-los às 4 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM categorias inferiores. Isto ocorre por meio do empenho de cada um em demonstrar suas qualidades, o que vem a ser uma competição consigo mesmo. Os objetivos do referido projeto foram oportunizar aos escolares da rede estadual e municipal a prática de atividades rítmicas e desportivas como elemento de formação para o desenvolvimento harmônico de suas capacidades psicomotoras, o enriquecimento de seu acervo motor e principalmente exercitar a cidadania, a afetividade e a cooperação. E objetivou também desenvolver as habilidades motoras para a Ginástica Rítmica: propiciar o conhecimento sobre o corpo; oportunizar relações afetivo-social, mas de forma construtiva; estimular o comportamento solidário e não agressivo em situações competitivas. O projeto promoveu a inclusão dos escolares na prática de uma modalidade esportiva saudável, devidamente orientada, exercitando a sua cidadania. O projeto inicial previsto tinha como foco somente o ensino da Ginástica Rítmica para as meninas, mas, com a quantidade expressiva de meninos que ansiavam por realizar uma prática gímnica implantamos também nos pólos 01 e 02 a Ginástica Artística. As ginásticas Rítmica e Artística desenvolvem atividades lúdicas de caráter gímnico e o enriquecimento da cognição, do acervo motor, exercitando o cooperativismo e a solidariedade, a higiene social e os hábitos posturais corretos. METODOLOGIA O projeto teve sua realização em dois pólos distintos: uma escola pública e uma quadra de esporte comunitária que já possuíam infraestrutura adequada, sendo o CETI Gilberto Mestrinho – Escola de Tempo Integral Djalma Batista e a Quadra Luciano Soares do conj. Eldorado. Foram aceitas todas as meninas que se inscreveram no projeto não havendo seleção ou testes específicos. Trabalhamos com 10 monitores, 04 monitores para GR (matutino e vespertino) e mais 04 monitores de GA (vespertino) no CETI Gilberto Mestrinho e 02 monitores na Quadra Luciano Soares, 01 para GR (vespertino) e 01 para GA (matutino). Atingindo um total de 05 turmas nos dois polos, mais de 120 crianças beneficiadas com a ação. Recursos didáticos utilizados: Utilizamos vários recursos didáticos que nos possibilitassem melhorar a qualidade do ensino. Alguns foram: aparelho de som; - cd´s; cordas; - bolas; arcos; maças; - fitas; - colchonetes; lenços; - mesa do refeitório da escola; vídeos. Conteúdos utilizados nas aulas: Atividades práticas individuais; Atividades práticas em dupla com aparelhos de GR; Atividades práticas em grupo; jogos recreativos; Mini-séries de ginástica com acompanhamento musical ; ginástica de solo. Horários e local da realização das atividades: CETI Gilberto Mestrinho- E. E. T.I. Djalma Batista. Nos dias de Segunda, terça, quarta e quinta-feira. No horário das 16h00 as 17h25. Horários e local das reuniões com os alunos instrutores para avaliação e possíveis complementações no projeto: Faculdade de Educação Física e Fisioterapia/FEFF. Sendo na Segunda- feira no horário de 13h00 as 14h00. RESULTADOS E DISCUSSÕES Um grande passo do projeto foi dar visibilidade de dois esportes ainda pouco praticados no contexto escolar. Como se trata de esporte escolar, não nos especificamos, damos relevância a um trabalho multilateral e com isto, fortalecendo as partes técnicas, físicas e o condicionamento físico. Desenvolvemos as atividades de forma dinâmica, pois se trata de esporte educacional que tem como um dos principais objetivos a formação do cidadão. Como afirma (TUBINO 1992, p. 32-33) “[...] esporte na escola pode ser um dos meios mais 5 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM efetivos de formação dos jovens, a prática esportiva como educação social será indispensável no desenvolvimento de suas personalidades e imponderáveis nos seus processos de emancipação”. As ginásticas artísticas e rítmicas nos possibilitam desenvolver nas aulas conteúdos responsáveis voltados por uma grande exploração de repertório motor dos escolares, pois as utilizamos como suporte de algumas tendências da educação física escolar como as teorias desenvolvimentista, construtivista e saúde renovada. Pudemos observar que a melhora sobre a qualidade de vida dos escolares se deu no âmbito biopsicossocial. Para os participantes dos dois pólos houve considerável melhora no quesito motricidade, implicando na coordenação motora fina e grossa. Para Nedialkova, Soares e Barros (2006, p. 11): Gestos e movimentos, adaptados aos processos de aprendizagem, estimulam o aprimoramento da qualidade de alta performance vivenciada pela criança, que desenvolve capacidades de percepção, atenção, organização espaço-temporal, estruturação do esquema corporal e da imagem do corpo. Figura 1-Aula de alongamento na Ginastica Rítmica. Fonte: dos autores Figura 2- Aula de Ginastica Artística Figura 3-Aula de Ginastica Rítmica. Apesar da ampla exploração do repertório motor por parte das ginásticas rítmica e artística , houve também o trabalho referente a socialização, pois o entrosamento por meio das aulas possibilitou o companheirismo, o respeito, adoção de hábitos posturais e higiênicos e a inclusão social, sendo reforçados a sua importância. Utilizamos como base os PCN’s onde afirmam que: 6 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM as danças , esportes, lutas, jogos e ginasticas compõem um vasto patrimônio cultural que deve ser valorizado, conhecido e desfrutado. Além disso, esse conhecimento contribui para a adoção de uma postura não-preconceituosa e discriminatória diante das manifestações e expressões dos diferentes grupos étnicos e sociais e às pessoas que dele fazem parte. (PCN´s, 2000 p. 29). CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao final do projeto tivemos a participação de alguns alunos nas competições de ginástica, o fato de que alguns alunos participaram de competição local conquistando medalhas, veio fortalecer a iniciativa da ação, ainda que a competição e o desempenho não fossem objetivos previstos, mostrando que a predisposição esportiva de alguns fizeram jus ao projeto. Os resultados obtidos foram muito positivos uma vez que houve aprimoramento no desenvolvimento das habilidades motoras propostas como objetivos no inicio do projeto. Os alunos envolvidos demonstraram em pouco tempo, coragem e determinação para realizar movimentos acrobáticos como saltos e rolamentos, movimentos de força como parada de mão, de flexibilidade como flexão de tronco e extensão e abdução das pernas, de coordenação e equilíbrio como pular, correr, andar, girar e saltar. Ressaltamos a importância de desenvolver essas habilidades em crianças, uma vez que o déficit nessas habilidades pode levar a criança a ter baixo desempenho em outras práticas esportivas, o que por sua vez, pode gerar baixa autoestima. Outro aspecto importante desse projeto foi à convivência afetiva e social em que as crianças puderam e interagir de modo respeitoso entre elas de forma a aprimorar seus relacionamentos interpessoais, o que tende a aumentar o comportamento solidário e não agressivo levando a feito a formação de um caráter mais propenso às práticas da cidadania. REFERENCIAS CAPINUSSÚ, J.M. A necessidade da presença do professor de educação física no trabalho das escolinhas. Sprint, Rio de Janeiro, 1985. FREIRE, João Batista; SCAGLIA, Alcides José. Educação como prática corporal. São Paulo: Scipione, 2003. SOARES, Artemis; BARROS, Daisy; NEDIALKOVA, Giurga;. Ginástica Rítmica: em busca de novos talentos. Petrópolis: Portal Literário, 2006. PARAMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Educação Física /Secretaria de Ensino Fundamental. 2.ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. TUBINO, Manoel José Gomes. Dimensões sociais do esporte. São Paulo : Cortez : Autores Associados, 1992. 7 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL NEGRÃO, F. C.¹; CASTRO, V.O.²; ROCHA, D. O.²; FARIAS, E.S.²; CEZÁRIO, M. S. O.³. ¹ Autor. Graduado em Pedagogia pela Universidade Nilton Lins – Manaus – AM ² Graduadas em Pedagogia pela Universidade Nilton Lins – Manaus – AM ³ Graduanda em Pedagogia da Faculdade Metropolitana de Manaus – Manaus – AM [email protected] RESUMO O presente artigo aborda a importância da educação física na educação infantil, e tem como objetivo compreender a contribuição da educação física na vida do educando da educação infantil. A metodologia utilizada na elaboração desta pesquisa é de caráter bibliográfico, onde recorremos a autores como Sayão (2002), Betti (1992) e a própria Lei de Diretrizes e Bases 9.394/98. Buscando responder ao problema levantando nesta pesquisa que é sobre como a educação infantil pode contribuir para o desenvolvimento do aluno da educação infantil, que nos propusemos a investigar na literatura conceitos e embasamento teórico para estas práticas e atividades tão importantes para o educando, desde os primeiros anos dentro da escola. Elucidamos que, o profissional da educação física e o pedagogo, devem e precisam unir-se em prol da educação de seus alunos, derrubando aquela barreira entre os dois profissionais, visto que por muitas vezes, o pedagogo que aplica as atividades de educação física na educação infantil, pois tal disciplina está inserida no currículo do curso de pedagogia, porém afirmamos que o educador apto para o pleno exercício desta função, é o licenciado em educação física. Palavras-Chave: Educação Física, Educação Infantil, Professor. ABSTRACT This article discusses the importance of physical education in early childhood education, and aims to understand the contribution of physical education in the life of the student's education. The methodology used in the preparation of this research is bibliographical, where we search at authors as Sayão (2002), Betti (1992) and educational legislation of Brazil (LDB 9.394/98). Aiming to an answer to the problem raised in this research that is how early childhood education can contribute to the student's development of early childhood education, we set out to investigate the literature and theoretical concepts to these practices and activities as important to the student, from earliest years within the school. Elucidated that the professional physical education teacher and, should and must unite in favor of education for its students, bringing down the barrier between the two professionals, since many times the teacher implementing the physical education activities in education child, as this discipline is embedded in curriculum pedagogy course, but stated that the educator fit for the full exercise of this function is the degree in physical education. Keywords: Physical Education, Early Childhood Education, Teacher. 8 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM INTRODUÇÃO O presente artigo tem como propósito apresentar algumas considerações acerca da importância da educação física na educação infantil, tendo como objetivo geral compreender a contribuição da educação física na vida do educando da educação infantil. A Educação Física permite que o aluno vivencie diferentes práticas corporais, procedentes das mais diversas manifestações culturais. Sendo assim, esta disciplina torna-se uma das mais importantes para o pleno desenvolvimento do corpo e da mente de nossos alunos. É na educação infantil que as crianças perpassam pela fase de armazenamento de uma quantidade maior de informações acerca de seus sentimentos, criam concepções de certo e errado, e lidam com níveis de hierarquia, diante disso a educação física, através de suas inúmeras atividades, pode auxiliar no amadurecimento cognitivo e psicológico dos educandos. Sendo assim, como a educação infantil pode contribuir para o desenvolvimento do aluno da educação infantil? A temática desta pesquisa foi escolhida a partir do momento em que a disciplina Metodologias do Ensino da Educação Física foi inserida na grade curricular dos cursos de Pedagogia, e pôde-se notar o quanto ela é importante para o desenvolvimento do aluno, através das atividades práticas, percebemos que o trabalho requer esforços por parte do professor que está à frente da disciplina. Elucidamos que para que o sucesso seja obtido, é preferencial que um professor licenciado em educação física aplique esta disciplina nas escolas de educação infantil, haja vista que nos cursos de Pedagogia, não somos formados para atuarmos diretamente nesta área. O desenvolvimento desta pesquisa será dividido em três tópicos, sendo o primeiro referente aos conceitos de infância, educação infantil e educação física; o segundo centralizado na inserção da educação física no currículo escolar da educação infantil, e o último será a respeito da contribuição da educação física na vida do educando de educação infantil. METODOLOGIA A metodologia que foi empregada neste artigo é de caráter qualitativo. Para Merriam (1988), nas metodologias qualitativas os intervenientes da investigação não são reduzidos a variáveis isoladas, mas vistos como parte de um todo no seu contexto natural. Para coleta de dados, utilizou-se a pesquisa bibliográfica, que segundo Gil (2007, p.64) é aquela pesquisa “desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. 1 – INFÂNCIA, EDUCAÇÃO INFANTIL E EDUCAÇÃO FÍSICA Infância O conceito de infância foi se modificando durante toda história. Primeiramente, a criança era vista como um adulto em miniatura, sem direitos, consideradas como seres irracionais. A descoberta da infância começou sem dúvida no século XIII, e sua evolução pode ser acompanhada na história da arte e na iconografia dos séculos XV e XVI. Mas os sinais de seu desenvolvimento particularmente numerosos e significativos a partir do fim do século XVI e durante o século XVII. (ARIÉS, 1981 p. 65) Durante o século XVII, a criança passa a ser vista como objeto atrativo para bens, principalmente aquelas que não faziam parte de famílias ricas, pois eram utilizadas para o trabalho. Já na modernidade (KRAMER, 1995) temos um avanço na concepção de criança, a mesma passa a ser enxergada como um ser imperfeito e incompleto, carente de uma moralização, intermediada por um adulto. 9 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM Sendo assim, a educação infantil começa a trilhar seus primeiros passos, passos que foram alargados e definidos com a Revolução Industrial no século XVIII, ocasionando na criação de escolas especificas para educação infantil. De acordo com Kuhlmann Júnior (2001, p.31), a infância é uma premissa do ser criança, devendo ser percebida no âmbito das relações sociais: [...] considerar a infância como uma condição da criança. O conjunto de experiências vividas por elas em diferentes lugares históricos, geográficos e sociais é muito mais do que uma representação dos adultos sobre esta fase da vida. É preciso conhecer as representações da infância e considerar as crianças concretas, localizá-las nas relações sociais, etc., reconhecê-las como produtoras da história. Para Arroyo (1994), o conceito de infância, varia de criança para criança. Não podemos conceituá-la, sem respeitarmos as particularidades de cada indivíduo, classe social, cultura, etc. Educação Infantil Vários foram os fatores responsáveis pela criação da educação infantil, conforme citado anteriormente, a Revolução Industrial ao gerar empregos para as mulheres, ocasionou o surgimento de instituições destinadas ao ensino, no fim do século XIX. Estes tiveram caráter filantrópico até a década de 1920, onde iniciou-se um longo processo de democratização do ensino. Foi então, que o poder publicou assumiu a responsabilidade pelas escolas infantis. Saltando na história, chegamos ao Brasil de 1996, ano da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN), onde se definem educação básica infantil as crianças de zero a seis anos. Elucida-se que em 2005, com sansão da lei Federal nº. 11.114, que obriga as crianças com seis anos completos a estarem devidamente matriculadas no primeiro ano do ensino fundamental, sendo assim, a educação infantil passa a atender alunos de até cinco anos de idade. De acordo com o inciso V do artigo 11 da LDBN, é de competência do município oferecer a educação infantil e o ensino fundamental: Art. 11 – V – oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. (Brasil, 1996) Atualmente, vivemos em um mundo globalizado, onde existem as inúmeras configurações de família, tornando a educação infantil essencial na vida de todos, visto que as crianças nascem, e seus pais necessitam voltar ao trabalho. Educação Física A educação física na educação infantil é um desafio, em razão de, tal disciplina carecer de um profissional especializado para ministrá-la de maneira coerente e visando obter os êxitos exigidos pela prática de atividades físicas. Em algumas universidades, já pode ser visto a disciplina de educação física nos cursos de Pedagogia, porém é perceptível que não temos a competência que um licenciado em educação física tem para desenvolver conteúdos e práticas relacionadas à atividade física, ainda mais que enquanto pedagogos somos dotados de funções que por muitas vezes, extrapolam nossa carga horária. Sendo assim, faz se necessário a presença de um profissional da área. As pesquisas de Sayão (2002, p.59,60) elucidam que: 10 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM O professor de Educação Física deve ser mais um adulto com quem as crianças estabelecem interações na escola. No entanto, só se justifica a necessidade de um profissional dessa área na Educação Infantil se as propostas educativas que dizem respeito ao corpo e ao movimento estiverem plenamente integradas ao projeto da instituição, de forma que o trabalho dos adultos envolvidos se complete e se amplie visando possibilitar cada vez mais experiências inovadoras que desafiem as crianças. [...] Diferentes profissionais podem atuar num mesmo currículo com as crianças pequenas, desde que assumam a idéia de formação solidária. Ou seja, uns e outros compartilham experiências que têm como fim a qualidade do trabalho desenvolvido. A troca constante dos saberes deve prevalecer sobre as atitudes corporativas que colocam a disputa pelo campo de trabalho acima das necessidades e interesses das crianças. Dessa forma, cremos em um trabalho conjunto, onde os mais beneficiados com esta união, serão os alunos. Na educação infantil as atividades físicas são em nível básico, visto que o brincar é considerado prioridade. Sendo assim, o professor de educação física precisa impulsionar as crianças a brincar, e a melhor forma é brincar juntamente com elas. Segundo Kamii (1991, p. 291) "a melhor maneira de o professor ensinar jogos é ele próprio ser um jogador, que se submete às mesmas regras como qualquer outro jogador". 2. A INSERÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Atualmente, muito tem se discutido sobre a inserção da educação física na educação infantil, visto que necessitamos de uma nova proposta de educação física que ampare todas as características peculiares as das crianças que frequentam escolas de ensino infantil, que são bem diferentes as dos ensino fundamental e médio. Sendo asim, Tani (2001, p.10) afirma que: Fundamentalmente, a educação física escolar foi colocada na ordem do dia das discussões como objeto de estudos e reflexões acadêmicas, o que resultou na proposição de uma variedade de abordagens para o seu desenvolvimento, particularmente em forma de livros. Isso representou algo inimaginável até aquele momento, pois as elaborações teóricas sobre a educação física escolar eram muito incipientes e as publicações limitavam-se, basicamente, às coletâneas de atividades e exercícios, de jogos infantis a fundamentos técnicos de modalidades esportivas tradicionais. A Educação Física está amparada pela LDB 9.394/96, no artigo 26, onde o documento estabelece que a mesma passe a ser integrada a proposta da escola. Além da LDB, o Parecer n.376/97, de 11/6/97, do Conselho Nacional de Educação (CNE), explicita a obrigatoriedade da disciplina reafirmando o artigo 26 da LDB. Acredita-se que ao incluirem a educação física como disciplina do cúrriculo da educação infantil, trouxe-se um avanço considerável para o ensino. (Ayoub, 2001; Souza, Vago, 1997) Entretanto, sabemos que o sucesso desta disciplina requer um trabalho conjunto, muito mais do que leis estabelicidas por um governo, é necesssaria medidas e ações governamentais que façam valer estas políticas públicas e que permitam condições favoráveis para sua concretização. A educação física na educação infantil precisa de um ingrediente bastante significativo para obter êxito, o lúdico. De acordo com Mattos (2005) quando o educador trabalha o lúdico com crianças, acaba despertando o interesse pelas aulas na mesma, visto que as crianças são cativas a novidades. A criança aprende quando brinca, sendo assim o aprender precisa ser visto por ela, como algo divertido, a fim de facilitar sua assimilação aos conteúdos estudados. 11 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM Garcia (1999); Marin (1995), Mercado (1999) e Pimenta (1999) são convergentes ao definirem que nenhum profissional finaliza um curso de graduação sendo o dono do saber, e dotados de conhecimentos aptos para o pleno desenvolvimento de seu trabalho, ou seja, daí a necessidade de se completar a formação com programas de formação continuada. Betti (2001, p.93) afirma que: Além do estabelecimento de novas relações entre universidades e escolas, o mais importante seja a geração de novos conhecimentos, para que este possa contribuir cada vez mais para a melhoria da qualidade do ensino e da formação profissional do professor de Educação Física. Diante dos relatos aqui contidos, percebemos a necessidade de uma revalidação na formação docente, de forma que os currículos sejam revistos, além de propor experiências mais significativas com o auxilio da formação continuada, e principalmente medidas governamentais que amparem de forma eficaz a educação física na educação infantil. 3. A CONTRIBUIÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA VIDA DO EDUCANDO DE EDUCAÇÃO INFANTIL É comum encontrarmos na maioria das escolas alunos dançando, fazendo exercícios, praticando artes marciais, e esportes em geral, e isso é muito bom, visto que em uma era de informatização, urbanização desenfreada, e a extinção de espaços públicos de lazer, estamos sujeitos ao sedentarismo, com uma alimentação inadequada, e ao estresse. As horas em frente de uma televisão acabam diminuindo as atividades motoras, levando as crianças a abandonarem aquela cultura de jogos. Neste novo modelo de sociedade, (Betti, 2012) a educação física e sua finalidade dentro da escola, deve ser repensando, visto que as práticas pedagógicas precisam ser exercidas com o objetivo de educar para o viver bem, assumindo uma posição critica diante de novas formas da cultura corporal de movimento. A Educação Física na educação infantil deve incentivar o educando ao jogo, as atividades rítmicas, danças, e as práticas de aptidão física, de modo que possa se construir uma cultura no aluno, em beneficio do seu próprio bem estar e qualidade de vida. De acordo com Betti (1992) a “integração que possibilitará o usufruto da cultura corporal de movimento há de ser plena – é afetiva, social, cognitiva e motora. Vale dizer, é a integração de sua personalidade”. Na educação infantil, as atividades físicas devem ser voltadas para a atividade corporal, visto que ela é um elemento essencial da vida infantil, a fim de estimular o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da criança. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em uma época de mudanças repentinas na sociedade, nas quais refletem visivelmente na realidade escolar, acreditamos que a educação física e os profissionais que atuam nesta área do ensino, necessitam fundamentar-se teoricamente a fim de comprovar pra comunidade escolar aquilo que já se ver na prática, visto que ao estreitarem as relações entre teoria e prática, veremos novas metodologias de ensino, contribuindo para a formação e o desenvolvimento dos educandos de educação infantil. A educação física é uma disciplina essencial para a formação integral do educando, assim como a matemática ou a língua portuguesa, sendo assim nossas escolas precisam receber o amparo destes profissionais, a fim de somarem forças para o pleno desenvolvimento de crianças que iniciam sua jornada educacional. Esta pesquisa é de grande valia, pois reúne os pensamentos de diversos teóricos que abraçam a temática da educação física na educação infantil, e que visam despertar aqueles 12 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM que fazem parte do âmbito escolar, para que dêem o devido valor a esta disciplina tão importante para o educando. REFERÊNCIAS ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro, LTC, 1981. ARROYO, Miguel González. A construção social da infância. In: Infância na ciranda da educação: uma política pedagógica para zero a seis anos. Belo Horizonte: CAPE, 1994, p. 11-7. AYOUB, E. Reflexões sobre a educação física na educação infantil. Revista Paulista Educação Física, São Paulo, supl. 4, p.53-60, 2001. BETTI, Mauro. Mídias: aliadas ou inimigas da educação física escolar. Motriz. São Paulo, v.7, n.2 p.125-129, Jul./Dez. 2001. ______. Ensino de 1º. e 2º. 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Partindo desses conceitos, o presente estudo buscou discutir mais profundamente o conceito da Psicomotricidade Relacional, ressaltando sua importância nas aulas de Educação Física na educação infantil. A fim de atingir tal objetivo, foi utilizada como metodologia de pesquisa uma revisão de literatura na qual foram buscadas palavraschaves. Concluiu-se, então, que quando trabalhada no auxílio da aprendizagem, a psicomotricidade relacional leva a criança a obter resultados positivos no que se diz respeito à cognição, afetividade, psicológico e interação social. PALAVRAS-CHAVES: psicomotricidade relacional; educação física; educação infantil. ABSTRAT Psychomotricity is an extremely important aspect in the field of Physical Education which covers how moving body is related to itself and to the environment. The psychomotor education is divided into two parts: Functional Psychomotricity and Relational Psychomotricity. Based on these concepts, the present study further discussed the concept of Relational Psychomotricity, stressing its importance in physical education classes in early childhood education. In order to achieve this goal, it was used as a research methodology a literature review in which were searched keywords. From this, we concluded that when worked in aid of learning, the relational psychomotricity prompts the child to achieve positive results as regards cognition, affectivity, psychological, and social interaction. KEYWORDS: relational psychomotricity; physical education; early childhood education. INTRODUÇÃO PSICOMOTRICIDADE O movimento do corpo é a primeira manifestação do ser humano e esse movimento já acontece na vida uterina e vai sendo aprimorado pelo resto dos anos, a psicomotricidade trabalha o corpo e seu aprimoramento, atuando na junção do movimento com o intelecto. A Psicomotricidade é a ciência que estuda o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Estuda as possibilidades do homem perceber, 15 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM atuar e agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. (RICARDO; VINÍCIUS, 2010, p.22) Partindo desse conceito, pode-se dizer que a psicomotricidade é de suma importância para a prática de atividades realizadas com crianças e a vertente que a aborda é a educação psicomotora. “A educação psicomotora abrange todas as aprendizagens da criança e se dirige a todas elas, seja individual ou coletivamente. É vertente da Psicomotricidade que auxilia os alunos em suas atividades escolares, com objetivo de dar base para que a criança se desenvolva intelectualmente a partir de experiências inicialmente motoras, mas que requerem uma descarga de suas funções cognitivas para sua realização.” (RICARDO; VINÍCIUS, 2010, p.27). PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL Após a afirmação desse conceito alguns influenciadores da psicomotricidade dizem que a educação psicomotora é dividida em duas partes: a Psicomotricidade Relacional e a Psicomotricidade Funcional. É importante ressaltar que o estudo prioriza a prática da psicomotricidade relacional, então para um melhor entendimento desse conceito, pode- se dizer que a psicomotricidade relacional tem como foco impulsionar a criança a brincar com o corpo, faz com que a mesma tenha uma interação com os colegas da brincadeira e consigo. Através do brincar a criança expressa suas dificuldades e tenta superá-las. “A brincadeira faz parte do cotidiano da criança. Com isso, esta atuação relacional utiliza-se do brincar como recurso motivador. Tal fato estimula a exteriorização corporal da criança, por perceber que a ação do brincar otimiza os processos de aprendizagem e de desenvolvimento. Uma vez que “brincar” para a criança se torna um processo educativo, pode-se, então, aplicar esta brincadeira através de jogos e exercícios físicos que se manifestam em um contexto de características lúdicas. ”(RICARDO e VINICÍUS, 2010, p.28 e 29). O desenvolvimento psicomotor relacional se da na interação com o grupo e consigo mesmo através de brincadeiras e jogos que vão estimular o individuo a aprender a se expressar de acordo com o que sente. A brincadeira é altamente recomendada principalmente na primeira fase do desenvolvimento motor, pois é com a brincadeira que a criança aprende a interagir com o outro. “A psicomotricidade relacional acontece em grupo e é no brincar dos participantes que aparecem situações de jogo simbólico, onde os indivíduos se encontram e passam a expressar de maneira autêntica seus sentimentos.” (ROSA, 2008, p.1). Sendo assim pode se definir psicomotricidade relacional como o brincar espontâneo da criança, esta ligada a transformação social ajudando a criança a expressar suas dificuldades e tentar superá-las. A psicomotricidade não investe em dificuldades e sintomas e sim em possibilidades de crescimento. “A Psicomotricidade Relacional visa desenvolver e aprimorar os conceitos relacionados ao enfoque da Globalidade Humana. Busca superar o dualismo cartesiano corpo/mente, enfatizando a importância da comunicação corporal, não apenas pela compreensão da organicidade de suas manifestações, mas essencialmente, pelas relações psicofísicas e 16 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM sócias emocionais do sujeito. Preza por uma abordagem preventiva, com uma perspectiva qualitativa e, portanto, com ênfase na saúde, não na doença.” (VIEIRA, 2009, p.64). A INFLUÊNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR Para o profissional da área de Educação Física a psicomotricidade permite um auxílio muito grande na realização de suas aulas, pois age de forma multidisciplinar na qual seu uso abrange a relação de desenvolvimento motor e intelectual da criança. “A relação entre Educação Física e Psicomotricidade e considerando os elementos da motricidade humana de forma geral, pensa-se num processo de aprendizagem que possibilite concretamente a relação entre os vários aspectos do desenvolvimento humano, englobando o motor, intelectual, afetivo e o social da criança e os estudos atuais demonstram o quanto à relação entre esses elementos é inevitável quando o ser humano encontra-se em atividade, em movimento e estabelecendo relações sociais. Nesse movimento estabelece relações consigo mesmo, com a sua totalidade corpo mente e com o mundo material e simbólico à sua volta e nesse processo desenvolvendo suas áreas psicomotoras: Coordenação Motora Fina e Global, Estruturação Espacial, Orientação Temporal, Lateralidade, Estruturação Corporal e outras possibilidades humanas.” (SERAFIM, p.01 e 02). A Educação Física, através de suas atividades possibilita desenvolver as dimensões psicomotoras, os domínios cognitivos e sociais que são de grande importância para a aprendizagem escolar. “A psicomotricidade existe nos menores gestos e em todas as atividades que desenvolve a motricidade da criança, visando ao conhecimento e ao domínio do seu próprio corpo. Por esta razão, dizemos que a mesma é um fator essencial e indispensável ao desenvolvimento global e uniforme da criança. A estrutura da educação psicomotora é a base fundamental para o processo intelectivo e de aprendizagem da criança.” (TAVARES, 2007, p.24). TRABALHANDO A PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL A educação Infantil a fase primordial na vida de uma criança, pois é através dela que se desenvolve na criança a socialização, as capacidades motoras, o desenvolvimento da fala e as trocas de experiências que acontecem dentro e fora da escola. “A psicomotricidade está completamente ligada com a aprendizagem. Este fato pode ser explicado usando como exemplo o próprio desenvolvimento da criança, aonde ela vai aprendendo gradativamente a se movimentar e a ter domínio sobre seu próprio corpo.” (OLIVEIRA, p.03). Quando não há um bom desenvolvimento motor a criança pode sofrer dificuldades na aprendizagem e no seu convívio social, pois aprender não é fato isolado, a aprendizagem carrega consigo um objetivo em comum entre todos os professores presentes na vida da criança para que a mesma possa criar e se expressar no ambiente escolar. “A criança em que apresenta o desenvolvimento psicomotor mal constituído poderá apresentar problemas na escrita, na leitura, na direção gráfica, na distinção de letras, na ordenação de sílabas, no pensamento abstrato e lógico, na análise gramatical, entre outras.” (ROSSI, 2012, p.2). 17 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM O desenvolvimento psicomotor na Educação Infantil é dividido em duas partes. A primeira fase do desenvolvimento psicomotor ocorre logo após o nascimento até os três anos de idade, nesse primeiro momento a criança ainda não tem consciência de si mesma e nem do espaço onde vive. É aos poucos que se dá seu amadurecimento e diferenciação dentro do seu ambiente. “Nesta etapa a criança descobre o mundo de objetos, evoluindo a preensão e começa a manipulá-los, adquirindo a posição de sentada, onde passa um objeto de uma mão para a outra. A evolução da locomoção também acontece multiplicando as possibilidades de exploração no ambiente, sobretudo em relação ao objeto novo.” (WOYTICHOSKI, 2012, p. 05) A segunda etapa se dá dos três aos sete anos de idade, é nesse momento que é iniciada a etapa da percepção e descoberta do corpo. A criança começa a obter uma melhor coordenação e inicia o reconhecimento do espaço e tempo. “[...] percebe as tomadas de posições e associa seu corpo aos objetos da vida quotidiana. Ela chega à representação mental dos elementos do espaço e isto é possível graças à primeira fase de descoberta e experiências vividas pela criança. Ela descobre sua dominância e com ela seu eixo corporal. Passa a ver seu corpo como um ponto de referência para se situar e situar os objetos em seu espaço e tempo. Este é o primeiro passo para que ela possa, mais tarde, chegar à estruturação espaciotemporal.” (WOYTICHOSKI, 2012, p.06 apud OLIVEIRA, 2008, p.59). Sendo assim, a Educação Física junto com a psicomotricidade desenvolvida na Educação Infantil possui um impacto positivo no pensamento, no conhecimento, na ação e nos domínios cognitivos na vida de uma criança o tornando depois um ser com uma vida ativa, saudável e produtiva. OBJETIVO O objetivo do presente estudo é pesquisar a importância da Educação Física para o desenvolvimento psicomotor relacional na Educação Infantil. Proporcionando também uma melhor familiarização com o tema proposto. METODOLOGIA A metodologia utilizada foi uma revisão de literatura baseado na leitura e análise dos conteúdos (Bardin, 2000) em livros e artigos científicos, onde pesquisamos as palavras chaves psicomotricidade relacional e educação física e sua importância para a Educação Infantil. CONSIDERAÇÕES Com base na pesquisa e leitura dos dados bibliográficos colhidos podemos considerar que a Educação Física e de suma importância no desenvolvimento psicomotor, principalmente quando trabalhado na Educação Infantil, o que poderá gerar experiências significativas e valiosas na formação corporal do futuro adulto. É observado também que a psicomotricidade trabalhada no auxílio da aprendizagem leva a criança a resultados positivos, pois a mesma tem a oportunidade de desenvolver melhor o seu lado cognitivo com capacitação e educação através do corpo, afetivo trazendo um melhor convive-o entre os pares e os 18 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM demais também, no aspecto psicológico com uma melhor aceitação de si mesmo e assim uma maior interação social. REFERENCIAS BARDIN, L. Análise do Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2000. MACHADO, J, R, M; VINÍCIUS, M. Recriando a Psicomotricidade. Rio de Janeiro, Editora Sprint LTDA, 2010, 1ºedição. OLIVEIRA, A, F, S; SOUZA, J,M. A importância da psicomotricidade no processo de aprendizagem infantil. Publicado em Faculdades Integradas de Ariquemes – FIAR. ROSSI, F, S,. Considerações sobre a Psicomotricidade na Educação Infantil. Minas Gerais, Revista Vozes do Vale, 2012. 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Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Manaus – Am – Brasil. [email protected] RESUMO: Trata-se de um relato de experiência acerca do projeto de extensão desenvolvido em uma Escola da Rede Estadual de Manaus –AM, intitulado Diversidade culturalimportância das brincadeiras tradicionais como conteúdo na escola. Os objetivos foram divulgar e oportunizar a vivência de brincadeiras indígenas, africanas e tradicionais nas aulas de educação física com base no tema transversal Pluralidade cultural. E teve a orientação de acadêmicos bolsistas do Programa PET conexões indígenas. Na execução das aulas utilizamos os jogos e as brincadeiras indígenas como: Cacuri, jogo da banana dentre outros. Já nos jogos de origem africana utilizamos o capitão do mato, jogo da capoeira e jogos de tabuleiros. O projeto possibilitou respeito, empolgação e fascinação dos escolares quanto à educação lúdica intercultural, levando à reflexão do quanto é importante a valorização destas culturas na formação social e cultural do ser humano. Palavras-chave: Jogos; escola; Diversidade Cultural. ABSTRACT : This is an experience report about the extension project developed into a School State Network Manaus-AM, titled Diversity-cultural importance of traditional games as content in school. The objectives were to promote and nurture the experience of playing Indian, African and traditional physical education classes based on the cross-cutting theme cultural plurality. And had the guidance of academic fellows program PET indigenous connections. In implementing the lessons use games and games as indigenous: Cacuri, play banana among others. Already in games of African origin used the captain of the woods, poultry and game board games. The project enabled respect, excitement and fascination of the school as playful intercultural education, leading to a reflection of how important the appreciation of these cultures in social and cultural formation of the human being. Keywords: Games, school, Cultural Diversity. INTRODUÇÃO A interculturalidade carrega as relações entre sujeitos de distintas culturas e os processos que, pelo encontro/ enfrentamento possibilitados pelo intercambio, não se separam, nem guetizam, mas colocam sujeitos em relação, estimulando, as trocas e os intercâmbios, possibilitando que outras formas culturais ganhem visibilidade desse processo, que não é recente, mas histórico [...] ( SILVA, 2004 apud FREIRE, 2006 pg. 41). Entendemos que a escola é um local onde as diferentes formas de culturas devem ser abordadas possibilitando ao aluno, um conhecimento intercultural e que ele possa compreender a importância das mesmas na sua formação e como conteúdo educacional. Foi a partir disto que vimos a necessidade de realizar um projeto que contemplasse a cultura indígena e africana na escola, especificamente nas aulas de educação física, através de um projeto intitulado: Diversidade cultural- importância das brincadeiras tradicionais como conteúdo na escola, o mesmo, possibilitou por meio de jogos e brincadeiras indígenas e de origens africanas a participação de alunos de uma escola da rede pública de Manaus, divulgando a cultura dos povos tradicionais. É possível notar que a cultura indígena e africana ainda sofrem com invisibilidade no contexto escolar, estas são repassadas aos alunos a partir dos conteúdos dos livros didáticos, que não abordam a contemporaneidade destas culturas de formas positivas, mas sim com conceitos de séculos passados. Em uma pesquisa realizada por (BERGAMASCHI 20 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM & GOMES, 2012, p.56) em duas escolas públicas de Porto Alegre referente a temática indígena relatam que “Nos desenhos das crianças os indígenas aparecem frequentemente nus, com os corpos pintados e, em geral, em contato com a natureza.” Os mesmos autores completam que muitos dos livros didáticos mostram os indígenas com cocares e com pouca ou sem nenhuma roupa. Em outra pesquisa realizada por (VIEIRA; NASCIMENTO; URQUIZA, 2010) em escolas de Campo Grande/MS, almejavam saber qual a imagem da cultura indígena que os escolares tinham, estes se manifestaram por meio de repostas manuscritas, os pesquisadores chegaram a conclusão de que os conceitos que as crianças detinham, o conhecimento que se aprende no ambiente escolar é a velha visão que os indígenas caçam com arco e flecha e moram na floresta. Os mesmos autores afirmam que “Todos esses escritos mostram que os alunos possuem um discurso que a identidades dos povos indígenas são fixas, estáticas e presas a processos históricos, iconográficos, literários e didáticos” (idem, p.96). Notamos que nas duas pesquisas há semelhanças nas respostas dos alunos, não sendo um problema local, mas nacional. A cultura africana sofre os mesmos preconceitos e visões estereotipadas que são em grande parte formados através dos livros didáticos e na mídia que ainda insistem na homogeneidade das histórias de escravização e apontando muitas da vezes como forma de reconhecimento, as datas comemorativas. Como exemplos de comemoração temos a história de Zumbi dos Palmares e a semana da consciência negra. Estas duas são a principais formas de manifestações da cultura afro-brasileira e africana nas salas de aulas. Claro que temos escolas que não se restringem apenas a estas datas, conseguem ultrapassar a barreira dos livros e datas comemorativas. E com base em nossas experiências como acadêmicos participantes de eventos e diversos projetos dessa natureza, pudemos perceber como a cultura indígena é abordada na escola. Verificamos que era necessário dar visibilidade as culturas indígenas e africanas no contexto escolar. Para isso utilizamos os jogos e brincadeiras que têm um papel fundamental na aprendizagem. Para Antunes (2003, p.9) os jogos “[...] visam estimular o crescimento e aprendizagens [...]”. É nessa totalidade que os jogos e brincadeiras vêm ganhando visibilidade e aplicabilidade na educação, pois: [...] o jogo por sua vez, inclui intenções lúdicas; muitas vezes é não-literal ( por exemplo, a boneca não é literalmente filha da criança , mas “é com se fosse”) estimula a alegria e flexibilidade do pensamento, mas mantém um controle entre jogadores e, portanto, uma relação interpessoal dentro de determinadas regras (idem, p.10). Tomamos como suporte teórico a Lei. 11.645/2008 que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena no ensino fundamental e médio das redes públicas e privadas de ensino. E também o tema transversal: pluralidade cultural dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN´s. Este documento possibilita que as culturas sejam trabalhadas nos estabelecimentos de ensino por meio de todas disciplinas (PCN´s, 1998). Um grande problema enfrentado no ambienta escolar é a disseminação da cultura indígena e africanas ficarem restritas apenas em datas comemorativas, períodos que acontecem apresentações e demonstrações de peças teatrais onde destacam algumas pinturas, o cocar e o arco e a flecha e a libertação dos negros, deixando de lado o mais importante, o destaque mais denso da diversidade cultural desses povos. Eles são ricos em valores e costumes simples que incluem as atividades rotineiras como o plantio e a pesca em suas manifestações culturais como as danças, ritos, jogos e brincadeiras. Esse tipo de abordagem pode enriquecer o repertório intercultural étnico dos escolares quanto à cultura indígena e afro - descendente por meio da vivência de jogos, brincadeiras, danças, costumes desses povos. Entre os jogos e brincadeiras indígenas que fizeram parte do conteúdo listamos: o Cacuri, o jogo do Pião, o jogo da banana e o pirarucu fugitivo. Foram aplicados por aula dois jogos 21 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM tradicionais indígenas e algumas brincadeiras de acordo com a disponibilidade de tempo. Já o conteúdo africano, se deu por meio de jogos de tabuleiros, brincadeiras tradicionais, capoeira dentre outros. Pudemos perceber a animação e empolgação dos escolares enquanto jogavam, sendo estes os motivos mais importantes para a criança participar dos jogos, ou seja, a liberdade de brincar exerce um fascínio nas crianças, conforme afirma Kishimoto (2012, p.13) “O jogo tradicional infantil é um tipo de jogo livre, espontâneo, no qual a criança brinca pelo prazer de o fazer”. METODOLOGIA O projeto foi desenvolvido no primeiro semestre de 2012 e o palco de realização foi a Escola Estadual Euclides da Cunha localizada no bairro Cachoeirinha em Manaus-AM, atendendo, aproximadamente 100 crianças. As literaturas utilizadas foram de Kischimoto (2012), Soares (1999), Rocha Ferreira (2005), Melo (1979) Câmara Cascudo (1998) e Calderaro (2007) e de estudiosos dos jogos e brincadeiras no processo de aprendizagem na educação e Educação Física como Antunes (2003), Freire (1997), Gallardo (1998), dentre outros. As atividades foram desenvolvidas com crianças com idades entre 6 a 13 anos, sendo três vezes na semana, nas segundas e terças feiras. A turma era conduzida da sala de aula por nós para o ginásio. Em seguida procedíamos às explicações da atividade a ser desenvolvida e a partir do entendimento da atividade pelas crianças passávamos a sua prática. Ao final reforçávamos os objetivos e benefícios do jogo ressaltando o povo tradicional que tínhamos explorado. Brincadeiras e jogos indígenas aplicados nas aulas As brincadeiras e jogos indígenas representam o modo de viver dos grupos indígenas, como podemos ver no trabalho de Soares (1999) na qual se registrou na Região do Alto Rio Solimões Estado do Amazonas entre as etnias brincadeiras típicas das crianças Tikuna o arco e flecha confeccionados com ripas e talas da palmeira do buriti, o mesmo e utilizado para a subsistência desses povos. Essas brincadeiras não representam apenas um simples brincar, mas um brincar “da vida real”. Cacuri: Típico da etnia Sateré Mawé, esta brincadeira representa a vida real dos adultos, pois o cacuri é uma armadilha utilizada para capturar peixes. Martins; Soares (2011). Descrição: forma-se um círculo, dentro do circulo fica uma criança, um menino. As crianças do circulo são somente meninas, e cantam a musica, jacau, jacau pirawawa. O circulo vai girando à medida que as crianças vão cantando e a criança que está dentro do circulo, tenta fugir, a criança que deixou a criança do centro fugir esta irá para o centro do círculo. Brincadeira da carapanã (viy) Esta brincadeira é típica do povo Yawanawá é praticado por todos, homens, mulheres e crianças. Os homens sentam no gramado onde estão acontecendo as brincadeiras e as mulheres formam fila atrás das outras com um espinho em suas mãos. Fazendo um pequeno barulho como se fossem carapanãs, saem furando nos homens (a furada com espinho é de brincadeira). Nessa brincadeira os homens não podem correr e sim considerar que está matando os carapanãs batendo nelas devagarzinho. Isso pode ser feito também pelos homens (VINNYA; OCHOA; TEIXEIRA, 2006). Obs.: não utilizamos nem um tipo de objeto perfurar, as furadas foram substituídas por cócegas. Jogo da Banana Esta brincadeira também é típica da etnia Tikuna. Descrição: Duas duplas se confrontam uma tentando derrubar uma pilha de rodelas de banana no centro de campo e a outra tentando queimar os demais participantes com a bola usada da disputa. O campo é um grande retângulo desenhado no chão. No centro é colocada uma pilha com nove rodelas de bananas que devem ser espalhadas com uma 22 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM pequena bola. Nas extremidades do campo ficam os dois atacantes, que atiram a bola tentando derrubar a pilha de banana. O jogo consiste em derrubar as fatias de bananas e então apanhar as que caíram para distribuí-las pelas oito bases existentes no campo (nos cantos e no meio da linha). Cabe aos dois oponentes, ou defensores, pegar a bola e queimar os atacantes, o que pode ocorrer em qualquer momento do jogo (CALDERARO, 2007). Observação: quando desenvolvemos esta brincadeira, as rodelas de bananas foram substituídas por tampinhas de garrafas plásticas. Brincadeiras e jogos de origem africana aplicados nas aulas 1. Capitão do mato Eleito o capitão - do- mato, os demais garotos, negros fugidos, vão-se esconder. Após todos estarem escondidos, o capitão-do-mato grita: negro fugido! Os demais, Alarmados, gritam, como para se avisarem mutuamente: capitão-do-mato! O capitão corre atrás dos negros fugidos, até pegar algum, o fugitivo que for pego passa ser o capitão (MELO, 1979). Observação: quando desenvolvemos esta brincadeira na escola, foi fácil sua aceitação, pois os escolares conheciam uma brincadeira semelhante, a manja pega, com isto ficou fácil a contextualização da origem da brincadeira e a importância da cultura africana em nossa formação. 2. O jogo da capoeira Em uma das aulas foi passado aos alunos um vídeo, sobre a origem da capoeira e sua importância para a cultura brasileira. O vídeo abordou a historia de como a capoeira era vista no seu inicio, a luta pela visibilidade como cultura e arte e os principais capoeiristas da época bem como suas lutas por um capoeira a ser praticada por todos. Observação: antes do vídeo contamos um pouco da historia da capoeira, percebemos que muitas coisas que havia no vídeo eram desconhecidas pelos alunos, por exemplo, nas décadas de 20 e 30 muitas pessoas da elite como advogados, médicos e universitários praticavam a capoeira e não somente era praticado por escravos como os alunos pensavam. RESULTADOS E DISCUSSÕES Durante o desenvolvimento e execução dos jogos e brincadeiras indígenas e africanas, muitos de forma adaptada, observamos o quanto essas atividades promoveram a cooperação, socialização e a descoberta de novos conceitos, demonstrando que esse é um papel importante que toda atividade educativa pode proporcionar. Nos preocupamos em trabalhar e desenvolver detalhadamente cada jogo e brincadeira, explorando desde sua origem ao local onde são mais praticados pelos seus respectivos povos tradicionais. Observamos a curiosidade dos alunos ao descobrirem o traçado histórico dos jogos e brincadeiras e o significado sociocultural deles em cada comunidade. O brinquedo é um suporte da brincadeira, este estimula a representação, a expressão de imagens e fundamenta a realidade (KISHIMOTO, 2009). A primeira atividade executada, a exibição de um documentário referente a jogos e brincadeiras, encantou as crianças que observaram que a cultura indígena não se limita ao que está nos livros didáticos, mas sim, mostra a convivência dos grupos com seus costumes e formas de lidar com a vida de forma simples e feliz. Vemos na educação física uma forte ferramenta na valorização da cultura das populações tradicionais bem como na realização de práticas socioculturais. Pois: A educação física permite que se vivenciem diferentes práticas corporais advindas das mais diversas manifestações culturais e se enxergue como essa variada combinação de influencias está presente na vida cotidiana. As danças, esportes, lutas, jogos e ginasticas compõem um vasto patrimônio cultural que deve ser valorizado, conhecido e desfrutado. Além disso, esse conhecimento contribui para a adoção de uma postura não-preconceituosa e discriminatória diante das manifestações e expressões dos diferentes grupos étnicos e sociais e às pessoas que dele fazem parte (PCN´s, 2000, p.28-29). 23 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM Muitos dos jogos foram adaptados, como é o caso do jogo da banana, pois em sua forma original é jogado no chão de terra batida e com rodelas de bananas. Por não termos terreno livre, em nossa atividade utilizamos bola de “leite” e tampas de garrafas plásticas. Tais jogos e brincadeiras oportunizaram não só o conhecimento sociocultural, mas também o desenvolvimento das habilidades e capacidades motoras como precisão, coordenação, velocidade de reação e também o aspecto socioafetivo tão importante ao desenvolvimento integral da criança. As atividades tiveram um papel fundamental na discussão da diversidade cultural, possibilitando o conhecimento e o despertar do interesse dos escolares quanto à cultura dos povos tradicionais, favorecendo um momento de interculturalidade étnica cujo um dos principais objetivos era o de demonstrar o outro lado da cultura indígena e africana, pois para o Centro Difusor de Cultura – CEDIC ( sd. p. 39), lança a seguinte proposta e junto, as metas a serem atingidas: A questão indígena e a questão negra podem ser trabalhadas tanto em conjunto ou como separadamente. Boas sugestões para se trabalhar com essas temáticas é o resgate das suas tradições orais, da oralidade, de seus contos e lendas, da valorização das diferenças, da valorização dos cultos e religiosidades negras e indígenas. Valorização não só no sentido de proselitismo, mas de valorização com um elemento cultural como a de qualquer outra religião.[...] É fundamental fazermos uma discussão sobre a realidade de negros e indígenas hoje, fazermos uma reconstrução histórica desses elementos, como eles aparecem na arte, na literatura, na mídia. Desconstruir estereótipos que estão, a todo momento, sendo bombardeado pela indústria midiática, vendo como eles são abordados nos livros didáticos, valorizando-se a legislação 11.645 de 2008[...] Como foi possível observar, não se trata de um simples problema e sim de vários, por isso é necessário que desenvolvamos práticas pedagógicas culturais com intuito de amenizar conceitos negativos criados e com isto valorizar a cultura das populações tradicionais. Foi partindo deste princípio que o projeto angariou novas formas de pensar e agir por meio de uma pratica pedagógica plural no que diz respeito a diversidade cultural. CONCLUSÃO Os jogos e brincadeiras são importantes, pois se caracterizam por terem regras que devem ser respeitadas e seguidas, onde valores são incutidos na criança, principalmente no contexto escolar, proporcionando atitudes das quais precisarão no cotidiano atual e mais tarde enquanto adultos. Traz também uma abordagem histórica onde é possível trabalhar o processo cultural dos povos tradicionais. O projeto cumpriu seus objetivos, despertando na criança o interesse, o reconhecimento e o respeito pelas culturas africana e indígena. Foi aproveitando a riqueza da diversidade cultural que percebemos que atividades como estas devem merecer mais possibilidades de divulgação e prática e assim ganhar visibilidade tanto no ambiente escolar quanto na academia. Desta forma pensamos estar viabilizando a prática da diversidade cultural, facilitando o reconhecimento das nossas origens socioculturais de forma lúdica e prazerosa. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES, Celso. 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Comissão Pró-Índio do Acre / Organização dos Professores Indígenas do Acre. – Rio Branco, 2006. 25 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM O BULLYING E A VIOLÊNCIA NA ESCOLA: A ATUAÇÃO DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM PARINTINS Adelson da Costa Fernando Sociólogo - Universidade Federal do Amazonas (E-mail: [email protected]) Rayza Batista Gadelha Bacharel em Educação Física – Universidade Federal do Amazonas/ICSEZ Mônica de Castro Rodrigues Bacharel em Educação Física – Universidade Federal do Amazonas/ICSEZ Resumo: Este artigo objetiva a compreensão das manifestações de bullying no cotidiano das escolas estaduais na cidade de Parintins e tornar inteligível a atuação e o diálogo que os professores de educação física estão exercendo em relação a esse fenômeno. Primando por uma abordagem qualitativa, esta pesquisa privilegiou uma incursão na literatiura acerca do referido tema, observação participante, entrevista. Os professores pesquisados conseguem identificar a ocorrencia do problema, mas ainda não consegue intervir de maneira signiciativa no problema. Palavras chave: Violência na Escola; Bullying; Professores de Educação Física. 1. Introdução A sociedade a cada dia enfrenta as mais diversas manifestações de violência, estas estão ligadas a inúmeros fatores, dentre os quais podemos citar o medo, que faz parte do cotidiano dos cidadãos, que vivem aterrorizados, desconfiando de qualquer atitude, que associadas ao medo inerente na sociedade, transforma todas as atitudes, em suspeitas. Morais (1985, p. 12) afirma que “onde há medo, há ameaças, e onde estão as ameaças está a violência”. Há violências diversas que envolvem sujeitos diversos e acontecem de forma diferentes como a física, psicológica, emocional e simbólica que nesse caso exigem respostas diferentes, mas que se relacionam entre si de maneiras peculiares. 2. Procedimentos Metodológicos Este artigo consistiu numa pesquisa qualitativa, descritiva e analítica; ela privilegiou as falas dos entrevistados, as quais foram coletadas em formulários de questionários e entrevistas gravadas. A transcrição foi feita seguida de uma análise crítica articulando-a com todo o arcabouço teórico produzido no diálogo com as teorias selecionadas. 3. Resultados e discussões Bullying e suas expressões no cotidiano escolar Uma das manifestações de violência nas escolas e que vem ganhando destaque em meio aos estudos acadêmicos é o bullying. O fenômeno bullying nas escolas tem sido uma temática investigada nos últimos anos, no exterior e no Brasil (Marriel, 2006). Mas é um termo ainda pouco conhecido, é “de origem inglesa e sem tradução ainda no Brasil”(Silva 26 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM (2010, p. 21). Também Fante (2005, p. 27) ressalta que bullying é uma palavra de origem inglesa, “adotada em muitos países para definir o desejo consciente e deliberado de maltratar uma outra pessoa”. A palavra bullying1 ainda é desconhecida de uma maioria, como afirma Costa et. al. (2012), que usa esse termo, sem tradução específica, para denominar a agressão de meninos e meninas no ambiente escolar. A incidência do fenômeno bullying possui dimensões consideráveis nas escolas investigadas em Parintins: segundo os alunos entrevistados, a violência faz parte do cotidiano escolar, muitos deles presenciaram brigas na escola: “nunca briguei na escola, mas já vi outros alunos brigando” (Aluna, 14 anos, 7º ano, Escola B, entrevista concedida no dia 10/05/2012); “eu já briguei na escola, porque meus colegas ficam mexendo comigo” (Aluna, 13 anos, 8º ano, Escola B, entrevista concedida no dia 09/05/2012). Em relação a isso, Fante (2005) acredita que é comum entre alunos de uma classe ou escola a ocorrência de diversos tipos de conflitos e tensões, ressaltando que existem inúmeras interações agressivas, às vezes como diversão ou como tentativa de autoafirmação dentro da escola e para se comprovarem as relações de força que os alunos estabelecem entre si. A frequência com que o fenômeno acontece é alarmante nas escolas de Parintins: 14 (quatorze) alunos confirmaram serem vítimas de bullying, admitindo que sofrem ataques todos os dias, ou três vezes por semana; dentre estes alunos, apenas 6 (seis) contaram o ocorrido para os pais ou responsáveis; “é comum que a vítima não conte para os professores e para os pais o que lhe acontece na escola” (FANTE, 2005, p. 49). Ainda a respeito dos protagonistas do fenômeno na escola, para Silva (2010) eles são: as vítimas, os agressores e os espectadores. Para a autora, as vítimas estão divididas em três tipos: a vítima típica, que “são os alunos que apresentam pouca habilidade de socialização” (p.37), na maioria das vezes, são tímidas e reservadas e não conseguem reagir quando atacados pelos agressores; a vítima provocadora, que “são aquelas capazes de insuflar em seus colegas reações agressivas contra si mesmas” (p. 40), porém, não conseguem responder aos ataques sofridos de maneira satisfatória; comumente, brigam e discutem quando são atacadas; a vítima agressora, que “reproduz os maus-tratos sofridos como forma de compensação” (p. 42), procurando outra vítima, mais frágil e vulnerável que ela, fazendo com que ela sofra todas as agressões e maus-tratos que ela sofreu. A autora diz que os agressores podem ser de ambos os sexos, possuem peculiaridades como maldade e desrespeito, e na maioria das vezes, essas características estão ligadas a um poder de liderança, que para a autora é visto como algo perigoso, pois em geral, é obtido através do uso da força física. Os espectadores são os alunos que presenciam e assistem as ações de agressão contra as vítimas, todavia, não tomam qualquer atitude em relação a isso, não apóiam os agressores e nem os agredidos. Ela divide os espectadores em três grupos distintos: os espectadores passivos, os ativos e os neutros; os passivos têm medo de se tornarem vítimas, recebem ameaças do tipo: “fique na sua, caso contrário a gente vai atrás de você” (p.45), ficando evidente o medo que se instala quando presenciam atos de violência, “sinto um pouco de pena, mas não ajudo porque tenho medo” (Aluna, 14 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 10/05/2012); os ativos, são aqueles que mesmo não participando de forma ativa dos ataques, demonstram apoio aos agressores, com risadas e palavras de incentivo, “não faço nada, fico apenas assistindo, rindo” (Aluno, 13 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 1 De acordo com Silva, algumas atitudes podem ser consideradas como formas diretas e indiretas de praticar o bullying; elas podem se expressar das mais diversas formas, como por exemplo, as listadas a seguir: verbal, físico e material, psicológico e moral, sexual e virtual (2010, p. 23-24); ela argumenta que o bullying passou a ser objeto de estudo a partir dos anos 70, porém ele é um fenômeno antigo, tão quanto à escola. Inicialmente, foi investigado na Suécia, após um período, o interesse contagiou outros países, como a Noruega, que foi durante muitos anos motivo de apreensão entre pais e professores: o bullying sempre existiu nas escolas, porém há pouco mais de trinta anos começou a ser estudado sob parâmetros psicossociais e científicos. 27 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM 09/05/2012); “não se envolvem diretamente, mas isso não significa, em absoluto, que deixam de se divertir com o que vêem” (p. 46); os neutros, não demonstram sensibilidade diante das manifestações de violência que presenciam; a autora argumenta que estes são advindos de famílias desestruturadas ou de comunidades que a violência faz parte do cotidiano (p. 46): “sinto que talvez essa pessoa tenha feito alguma coisa pra ser maltratado” (Aluna, 14 anos, Escola A, entrevista concedida no dia 03/05/2012). Marriel (2006 apud LOPES, ARAMIS, SAAVEDRA 2003) caracteriza bullying como atos repetitivos de opressão, agressão e domínio de pessoas ou grupos sobre outras pessoas ou grupos, reprimidos pela força dos primeiros; ressalta ainda que o bullying trata-se de indivíduos valentes e brigões que colocam apelidos depreciativos, aterrorizam, ignoram e rejeitam colegas da escola, “ameaçam, agridem, furtam, ofendem, humilham, discriminam, intimidam ou quebram pertences dos colegas, entre outras ações destrutivas” (p. 37), destacando que os adolescentes, vítimas do bullying, geralmente são pessoas com dificuldades para reagir diante das situações agressivas, isolando-se, colaborando assim para a evasão escolar, tendo em vista que, muitas vezes, não conseguem suportar a pressão na qual são subjugados; no entanto, Francisco e Libório (2008) afirmam que as vítimas de bullying geralmente são indivíduos descritos como pouco sociáveis, inseguros, possuindo baixa autoestima, quietos e que não reagem efetivamente aos atos de agressividade sofridos (É muito comum que os alunos sofredores de “bullying”, geralmente seja aquela com característica peculiar de sua personalidade como exemplo dessa característica, destaca-se a timidez. Já o aluno mais “extrovertido” na maioria das vezes, carrega consigo, pontos chaves, que o tornaria um possível agressor (Professora 5, 24 anos, Escola C, entrevista concedida no dia 16/05/2012). Martins (2005) identifica o bullying em três grandes tipos. A autora se baseia no estudo teórico da área, para ela o que se chama bullying é dividido da seguinte maneira: diretos e físicos, que engloba agressões físicas, roubar ou danificar objetos dos colegas, extorquir dinheiro, violentar, obrigar que o colega se torne empregado, realizando atividades de maneira obrigatória, e ameaças; diretos e verbais, que incluem insultos, apelidos, zombarias, fazer comentários racistas ou que digam respeito a qualquer diferença no outro; e indiretos que incluem a exclusão sistemática de uma pessoa, realização de fofocas e boatos, ameaçar de exclusão do grupo com o objetivo de obter algum favorecimento, ou, de forma geral, manipular a vida social do colega. O termo bullying é utilizado para caracterizar comportamentos violentos no ambiente escolar, dentre os quais, destacam-se “as agressões, os assédios e as ações desrespeitosas, todos realizados de maneira recorrente e intencional por parte dos agressores” (SILVA, 2010, p. 21). A autora argumenta ainda que as atitudes tomadas por um ou mais agressores contra um ou mais estudantes, não apresentam motivos explicáveis ou justiçáveis, isto significa dizer que os mais fortes utilizam os mais fracos como objetos de diversão, com o único objetivo de maltratar, humilhar e amedrontar. De acordo com Gontijo e Saboia (2008), o fenômeno do bullying é uma prática contínua, persistente e que não precisa de motivos para acontecer, ela não se expressa através de murros e tapas, mais sim por meio de comportamentos que atentam contra a integridade moral do aluno que se torna motivo de humilhações, por meio de apelidos que o menosprezam e o exclui do convívio social, seja por suas atitudes, maneira de se vestir ou de pensar. Outro conceito de bullying, defendido por Fante (2005), consiste em um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotada por um ou mais alunos para expressar o desejo consciente de maltratar uma outra pessoa; como este termo não possui definição equivalente no Brasil, ela conceitua “os comportamentos agressivos e anti-sociais, utilizado pela literatura psicológica anglo-saxônica nos estudos sobre os problemas de violência escolar” (p.27). 28 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM Fante (2005), Pingoello (2009), Silva (2010), Martins (2005), dentre outros autores, afirmam que o que caracteriza o bullying é a repetição dos atos cometidos pelo agressor, que decorre de atitudes diárias contra uma mesma vítima; isto significa dizer que o bullying é uma agressão sofrida de forma repetitiva por uma mesma vítima, que se prolonga durante muito tempo, sem que exista um motivo evidente e justificável, o que difere de casos isolados de violência que acontecem por algum tipo de motivação, como exemplo, a vingança. O bullying na escola: a atuação dos professores de Educação Física em Parintins Na escola, todos os dias os alunos vivenciam relações conturbadas e agressivas, e muitas vezes essas interações são subestimadas pelos professores, que não encaram o fato como um tipo de violência, mas sim como uma espécie de brincadeira característica da idade, colaborando com o processo de banalização da violência no ambiente escolar (PIGOELLO, 2009). Nesse caso, pressupõe-se que os professores pesquisados tratam o bullying com descaso, não por negligência, mas por desconhecer a temática. As representações que os professores entrevistados fazem de bullying consiste numa ação de agressão intencional onde o “outro” é submetido a uma violência física, verbal, emocional e social; esse “outro” é visto nessas representações como “deficiente”, considerado inferior numa relação desigual e hierárquica com um suposto “eu” superior. Os professores entrevistados defendem o pressuposto de que bullying “são agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneiras repetitivas, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas” (Professor 2, 29 anos, Escola A, entrevista concedida no dia 07/05/2012). Também pode ser considerado “um ato caracterizado pela violência física ou psicológica, de forma intencional e continuada, de um individuo, ou grupo com outros grupos, sem motivos claros” (Professor 3, 49 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 10/05/2012). Desse modo, dá pra dizer que bullying aparece aqui como uma relação social, onde as diferenças entre os envolvidos são um ingrediente significativo na configuração desse fenômeno. Isto significa dizer que a relação que caracteriza o bullying sempre é etnocêntrica. Gontijo e Saboia (2008) argumentam que cenas de violência e hostilidade permeiam o ambiente escolar, mas, na maioria das vezes, essa violência é vista como brincadeira. Essa violência, que não está restrita a nenhum tipo de instituição escolar, estimula a delinqüência e induz a outras formas de violência, formando cidadãos com baixa auto-estima, dificuldade de auto-aceitação e interfere no processo de aprendizagem. Sendo assim, o bullying pode ser caracterizado como um problema social e que afeta a comunidade escolar de forma ampla e onde é preciso que os professores e a direção da escola busquem alternativas para a organização do trabalho pedagógico que minimizem essa prática. No entanto, Santos (2007) argumenta que o professor sem se dar conta pode gerar casos de bullying nas suas aulas, pela maneira que se remete ao aluno. Quando o professor se refere ao aluno tratando-o como símbolo de incompetência escolar ou quando sacode uma prova com baixa nota pelas pontas dos dedos perguntando pelo seu autor este está submetendo esse aluno a ser mais uma vítima do bullying. Professores que costumam fazer zombarias a respeito da capacidade intelectual do aluno é um exemplo de bullying por parte do professor, e outras crianças ao verem esta atitude poderão pensar que humilhar é uma atitude normal de relacionamento. Os professores têm se deparado com situações de apelidos depreciativos entre seus alunos, e tomado certas providências a partir do diálogo: “sempre converso com eles para evitarem esse tipo de brincadeira, ao mesmo tempo informando o que pode causar” (Professor 3, 49 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 10/05/2012). “ é preciso levá-lo a uma auto reflexão sobre a sua condição de agressor, no sentido de colocá-lo no lugar da vítima, atendendo o principio “então não faça aquilo que você não gostaria que fizesse com você” 29 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM (Professora 1, 53 anos, Escola A, entrevista concedida no dia 03/05/2012). Outros professores também têm apostado no mecanismo do diálogo e percebido sua eficácia: Acredita-se que o diálogo é a melhor forma para lidar com as situações de bullying. “Muitas vezes punições severas são dadas aos alunos, mas ainda acredito no diálogo como uma importante ferramenta (Professora 5, 24 anos, Escola C, entrevista concedida no dia 16/05/2012); Minha primeira atitude foi, parar a aula e conversar com as alunas sobre a situação. Escutei o que tinham pra falar e pedir que repensassem sobre o comportamento que tiveram. As alunas, agressora e vítima, continuaram a aula fazendo parte do mesmo grupo. Até o final da aula não tivemos problemas. Porém, encaminhei as alunas à pedagoga da escola, comunicando o fato. (Professora 5, 24 anos, Escola C, entrevista concedida no dia 16/05/2012). Fazendo uma relação entre apelidos depreciativos e suas influências no desempenho escolar, os professores de Educação Física acreditam que há prejuízos de aprendizagem dos alunos, inclusive em termos “psicológicos” (Professor 2, 29 anos, Escola A, entrevista concedida no dia 07/05/2012); esses prejuízos se revelam nas “dificuldades de relacionamentos” e de enfrentamento da “realidade de perto” por parte dos alunos. (Professor 1, 53 anos, Escola A, entrevista concedida no dia 03/05/2012), “principalmente quando o agressor deprecia a imagem física do colega, pois a vítima interioriza essa violência, o que causa comportamento antissocial” (Professora 5, 24 anos, Escola C, entrevista concedida no dia 16/05/2012). O bullying tem causado também prejuízos emocionais e sofrimento por parte dos alunos vitimados, pois esses alunos são submetidos ao isolamento social, conseqüentemente apresentando “doenças psicossomáticas” e “que podem até chegar a suicídio” (Professor 2, 29 anos, escola A, entrevista concedida no dia 07/05/2012). O discurso dos professores entrevistados apresenta as características de um indivíduo que sofreu essa violência: “sofrem em silêncio; sente-se humilhado; seu aprendizado é prejudicado; sente-se triste; tem medo de ir à escola” (Professor 3, 49 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 09/0502012); “abandono dos estudos, depressão, ou outras razões que a pessoa não suportaria” (Professor 4, 45 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 10/05/2012); afastamento do convívio social, rendimento escolar muitas vezes afetado, “o próprio comportamento muda o aluno, costuma ficar na defensiva na maioria das vezes” (Professora 5, 24 anos, Escola C, entrevista concedida no dia 16/05/2012). O desconhecimento com relação ao fenômeno faz com que muitos educadores adotem a postura de autores de bullying dentro da sala de aula2, pois tal postura reforça o comportamento negativo e dando origem a problemas, como agressão verbal, imposição de autoridade, intimidação que acabam prejudicando ainda mais o bom desenvolvimento social; e a escola, por se tratar de um local que recebe indivíduos de várias idades, culturas e valores, acaba contribuindo para o surgimento de conflitos, anseios, busca de autoafirmação. Os professores conseguem identificar os alunos que são vítimas de bullying e o bully, mas muitos deles não se sentem capacitados para intervir nessas situações de violência. Os professores analisam o comportamento agressivo de seus alunos a partir de alguns critérios: as diferenças sociais provocam relações desiguais, competição entre as pessoas, como por exemplo, as “brigas por namorados” (Professora 1, 53 anos, Escola A, entrevista concedida no dia 03/05/2012); quando o conhecimento do professor está baseado nas referências que os alunos fazem de seus colegas, levando-o a fazer o seu diagnóstico: “O professor quando 2 Frequentemente, os bullies (os que praticam o bullying no ambiente escolar) aprendem sobre o poder da agressão em casa, onde crescem em um ambiente onde a dominação e a força são utilizadas como medidas de valor social de um indivíduo. A criança recebe dos pais valores que irão fundamentar a construção de sua personalidade e caráter que, ao longo dos anos, poderão ser lapidados pela escola. 30 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM convive com os alunos, certamente tem referência de cada um, com isso fica mais fácil saber quem são os alunos agressivos e outros” (Professor 3, 49 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 09/05/2012); observando características da personalidade do seu aluno, e aquilo que é mais preponderante em seu comportamento no cotidiano escolar. Segundo a Professora 5, o aluno tímido e extrovertido, possuem características potenciais para se envolverem em situações de agressão: é muito comum que os alunos “sofredores” de bullying, geralmente seja aquele com característica peculiar de sua personalidade, como exemplo a timidez. Já o aluno mais “extrovertido” na maioria das vezes, carrega consigo pontos chaves que o tornaria um possível agressor (Professora 5, 24 anos, Escola C, entrevista concedida no dia 16/05/2012) O profissional de Educação Física, precisa estar vigilante a resistências dos alunos que não praticam as atividades em aula, amedrontados ou com receios sobre o que vai ser proposto e reclamações de problemas de sono. Em momentos mais complicados aparecem dores de cabeça e estômago, sempre nos dias de aula (JESUS, 2011 apud SOUZA et al., 2010). Gontijo e Saboia (2008) argumentam que esses aspectos se defrontam com os objetivos que permeiam o trabalho escolar: formar integralmente o ser humano, trabalhando a criticidade, de forma que possam atuar de maneira efetiva na sociedade na qual está inserido. Cabe a escola promover aos alunos uma vivência social aberta às experiências e ao aprimoramento das relações entre eles. O professor que critica constantemente o seu aluno, o comparando com outros, o ignorando, está expondo esse aluno a se tornar mais uma possível vítima do bullying e de certa forma está agindo com desrespeito no espaço pedagógico. Souza (2007) revela ainda que não se pode responsabilizar o professor de toda ocorrência de bullying em sala de aula; no entanto, atitudes desrespeitosas de professor para aluno podem gerar chances para que estes cometam bullying. As tentativas de se trabalhar com as diferenças é outro encaminhamento proposto na fala dos entrevistados, onde é necessário que o professor respeite seus alunos e possa criar “sempre um momento agradável” (Professor 4, 45 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 10/05/2012). Outras atitudes intuitivas aparecem na postura do professor, a qual reflete a sua dificuldade em dialogar com as situações de bullying: “Não sei como contornar tal situação, mas sempre levei as coisas na esportiva. Meus alunos sempre me respeitaram sem mostrar tanta autoridade e sim companheirismo” (Professor 4, 45 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 10/05/2012). O relacionamento entre professor e aluno deve favorecer a criação de um vínculo, onde o respeito e a tolerância sejam à base das ações pedagógicas, pois à medida que o professor estabelece vínculos significativos colabora com a diminuição da violência simbólica não só no âmbito professor-aluno, mas também na existente entre os alunos que se apresenta, muitas vezes, na forma de desrespeito e competição. 4. Considerações finais O fenômeno do bullying tem ocorrido nas escolas estaduais de Parintins com intensidade, nas quais alguns professores o percebem com certa visibilidade, enquanto outros não conseguem identificá-lo devido as suas manifestações sutis (“mas sempre existem os empurrões, os insultos, algumas mentiras” – Professor 3, 49 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 10/05/2012). Nem todos os professores têm habilidades de entender, reconhecer e atuar diante desta expressão de violência, mesmo em tempo em que a sociedade também amplia a discussão sobre tal fenômeno. Há discursos bem elaborados que explicam a ocorrência do bullying considerando o lugar e a condição social do aluno e suas relações hierárquicas: “A escola onde exerço minha profissão encontra-se em uma 31 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM área denominada pela sociedade como “periferia”. É comum os alunos que possuem uma condição financeira melhor se considerar algo mais valioso que o colega que é mais humilde (Professora 5, 24 anos, Escola C, entrevista concedida no dia16/05/2012). 4. Referências ABRAPIA- Associação Brasileira de Proteção à Infância e Adolescência. Programa de redução do comportamento agressivo entre estudantes. Rio de Janeiro, 2003. COLOVINI, C. E. 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Projeto de pesquisa apresentado como exigência parcial para a Conclusão do Curso de Pedagogia da Faculdade de Ciências – UNESP Campus de Bauru, 2007 32 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM SOCIEDADE E VIOLÊNCIA ESCOLAR: O BULLYING NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM PARINTINS Rayza Batista Gadelha Bacharel em Educação Física – Universidade Federal do Amazonas/ICSEZ (E-mail: [email protected]) Adelson da Costa Fernando Sociólogo – Universidade Federal do Amazonas/ICSEZ Ralphy Reis Matos Bacharel em Educação Física – Universidade Federal do Amazonas/ICSEZ Resumo: A violência é um dos grandes problemas que afetam a sociedade, ela se faz presente em nosso cotidiano, atingindo os mais variados espaços sociais. O nosso interesse é entender as manifestações de violência na escola, e especificamente olhar as expressões do bullying nas aulas de educação física nas escolas estaduais em Parintins. Primando por uma abordagem qualitativa, esta pesquisa privilegiou uma incursão na literatiura acerca do referido tema, observação participante, entrevista. As escolas de Parintins têm sido palco das mais diversas expressões de bullying e, de forma especial, nas aulas de educação física suas ocorrencias tem sido vísiveis. Palavras chave: Sociedade e violência escolar; bullying; Aulas de Educação Física. 1. Introdução Na sociedade contemporânea, observa-se que inúmeras condições têm provocado e complexificado manifestações de violências, e este fenômeno social já tem alcançado as estruturas das escolas. Escolas estas com alunos de todos os níveis sociais, que se deparam com situações de violência no cotidiano, envolvendo, sobretudo, professores e alunos. O nosso interesse é entender as manifestações de violência na escola, e especificamente olhar as expressão do bullying nas aulas de educação física. 2. Procedimentos Metodológicos Este artigo consistiu numa pesquisa qualitativa, descritiva e analítica; ela privilegiou as falas dos entrevistados, as quais foram coletadas em formulários de questionários e entrevistas gravadas. A transcrição foi feita seguida de uma análise crítica articulando-a com todo o arcabouço teórico produzido no diálogo com as teorias selecionadas. 3. Resultados e discussões Expressões de violência no ambiente escolar 33 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM A escola3 hoje está passando por uma crise relacionada às interações sociais, enfrentando dificuldades na transmissão de normas e valores gerais da sociedade; além disso, ainda se fazem presentes os ideais da escola pautada em métodos tradicionais no cotidiano de muitas escolas, a idéia de obediência e subalternidade do aluno ao professor se perdeu no tempo (ZECHI, 2008 apud CAMACHO, 2001). A escola e os professores são possíveis agentes de violência, devido as ações como a imposição de conteúdos sem o menor interesse e significado para a vida dos alunos, o escasso conteúdo fornecido, a pressão do poder avaliativo, a ignorância quanto aos problemas dos alunos, o tratamento depreciativo incluindo as agressões verbais e a exposição do aluno ao ridículo, no caso de incompreensão a algum conteúdo de ensino (MARRIEL, 2006 apud GUIMARÃES, 1992). Na escola, lugar suscetível das mais variadas formas de relações sociais, a violência impregnada, não abrange tão somente os alunos, elas são direcionadas também a professores e funcionários que intervém no âmbito escolar (BOTELHO e SOUZA, 2007). A estrutura e organização da escola, de certa maneira, contribuem e influenciam na ocorrência de eventos de cunho violento (ZECHI, 2008 apud BRANCALEONI e PINTO, 2001). Nesse sentido, ZECHI (2008 apud GUIMARÃES 2006), revela que a escola não admite as diferenças e, por meio de seus mecanismos disciplinares, desempenha uma violência contra seus alunos ao procurar uma homogeneização, “a maior violência exercida pela escola é aquela quando ela usa de seu poder sobre as crianças e os jovens para impedi-los de pensar” (BOCK et.al, 1995, p. 286). Toda ação pedagógica exercida pelo método de ensino é constituinte de uma violência simbólica, de acordo com Bourdieu e Passeron (1975). A violência simbólica é definida por Zaluar e Leal, (2001, p. 148) como “a violência que se exerce também pelo poder das palavras que negam, oprimem ou destroem psicologicamente o outro”. Ela pode ser praticada pelos intervenientes da escola utilizando de mecanismos como punições, castigos, rebaixamento de notas, reprovação. A educação escolar, desta maneira, além de reproduzir a cultura dominante, contribui para que a desigualdade social se perpetue, pois não “propicia às classes populares um acesso igualitário à educação” (ZECHI, 2008, p. 86). A violência escolar se apresenta em duas modalidades: a primeira se caracteriza por atos de violência contra a escola, ações que danificam o patrimônio escolar, vandalismo, depredações; a segunda procede de um padrão de sociabilidade, das relações interpessoais que hoje atingem a escola pública e privada, são práticas crivadas pela formação de grupos que podem ou não se enfrentar de modo agressivo, tanto nas formas físicas como verbais, por meio de ameaças a professores e funcionários (SPOSITO, 2002)4. A escola passa a ser um lugar onde os conflitos sociais se concretizam; desse modo, as práticas de violência contra as pessoas que vêm acontecendo nas instituições escolares possibilita que a escola perca a sua função, a de socialização das novas gerações. (ZECHI, 2008 apud SANTOS, 2001). A escola tornou-se o lugar das práticas violentas; o ambiente escolar passou a ser o local onde as diferenças serão resolvidas, e os problemas “solucionados”. Perceber a escola como um local para reparar um mal ou corrigir um erro antes cometido é retirar dela o caráter que lhe cabia. 3 A escola exerce um papel fundamental no desenvolvimento do ser humano; a violência inerente à escola é um sintoma das crises sociais, ela possui características que danificam vínculos, prejudicando o desenvolvimento do sujeito nos campos afetivos, cognitivos e sociais (TORO, NEVES e REZENDE, 2010). 4 Zaluar e Leal (2001) também destacam dois tipos de violência no âmbito escolar, o primeiro tipo refere-se à violência física, muitas vezes cometida por mal feitores nos arredores e no bairro onde a escola se encontra e a violência verbal, acentuando que esta possui um grande poder que acarreta prejuízos psicológicos aos indivíduos. O segundo tipo de violência faz referência à violência dentro da escola, em que o indivíduo é ofendido, discriminado, humilhado por meio de palavras, estabelecendo assim relações de poder. 34 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM Outra manifestação de violência na escola é a depredação escolar, que são “atos de vandalismo, como a quebra de louças das instalações sanitárias, o furo de lâmpadas e outros materiais, e as pichações, caracterizam a depredação escolar” (CANDAU, 2001, p. 30). Muitas escolas públicas, encontram-se em estado de total abandono e precariedade, desta maneira, isto pode ter alguma relação com a depredação escolar (CANDAU, 2001), “as depredações, pichações, as brigas entre os alunos e a formação das turmas, gangues podem representar uma forma de persistência social que se nega a submeter-se” (GUIMARÃES, 1996, p. 50). Estas depredações podem ser encaradas como uma maneira de resistir às imposições de normas das escolas, como ressalta Candau (2001). As brigas e agressões entre alunos são sem dúvida a forma de violência mais presente entre os relatos dos professores, alunos e pais, as brigas e agressões mesmo sendo uma modalidade de violência cujas origens situam-se além das dependências da escola, afeta de maneira permanente o cotidiano escolar, cabendo à instituição encontrar alternativas que possam dar novas formas a estas relações. As agressões físicas, verbais ou psicológicas e ameaças são também sofridas pelos professores vindas de alunos, bem como as agressões sofridas pelos alunos advindas dos profissionais que atuam nas escolas, o professor que não comparece às aulas, que não consegue repassar os conhecimentos aos alunos de forma clara, que não possui o controle da turma, que utiliza sua autoridade de professor, de forma injusta, especialmente no que concerne as notas, que deixa transparecer que não tem amor pela sua profissão, é encarado pelos alunos como um mau professor (CANDAU, 2001)5. O fenômeno bullying na escola: o caso das aulas de Educação Física em Parintins A Educação Física é uma das áreas do âmbito escolar do conhecimento humano ligada à manutenção, reabilitação da saúde do corpo, da mente e enriquecimento cultural; ela é essencial para a constituição da cidadania dos alunos, articulada no processo de socialização de valores morais, éticos e estéticos, que consolidam princípios humanistas e democráticos (JESUS, 2011 apud CHAVES, 2006). Não se pode desconsiderar que a relevância da Educação Física consiste em proporcionar uma vida sadia e incentivar aos seus praticantes noções de cidadania e desenvolver a prática desportiva solidária, contribuindo para uma concepção saudável, e assim, favorecer a inclusão social (JESUS, 2011 apud SOUZA et al., 2010). Então dá para pressupor que os professores pesquisados nas escolas de Parintins têm uma visão filosófica de Educação Física voltada para a formação de alunos-atletas, estando aquém do papel para o qual foram formados. O princípio que fundamenta as atividades desse professor é o esporte como espetáculo, onde “o que interessa é a vitória de qualquer maneira e o alto-rendimento, rebaixando os menos habilidosos” (JESUS, 2011, p. 21). É nesse sentido que Samulski (2002, apud COSTA, 2007), problematiza a prática dos esportes nas aulas de Educação Física, revelando as vantagens e desvantagens de suas práticas pedagógicas. Para este autor, “as vantagens são produzir um melhor rendimento, ampliação positiva da personalidade, especialmente no ambiente social, a autoconfiança, o orgulho positivo, o companheirismo e o comportamento disciplinar e melhora na comunicação”. Por outro lado, ele também revela as possíveis desvantagens: estresse precoce por derrotas, vitórias e pelo próprio lugar onde realiza seu esporte ou atividade, cansaço psíquico e físico, frustração e desmotivação pela 5 Na ótica dos alunos, a violência sofrida por eles, sempre tem um motivo, é para eles uma forma de protesto, “protesta-se contra o mau exercício, pelo adulto, de sua capacidade de julgar e promover a justiça” (CANDAU, 2001, p. 33 apud PERALVA, 1997). 35 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM sobrecarga de treinos, além de prejudicar a personalidade das crianças, seja pela autovalorização demasiada, pelo medo da derrota, pela instabilidade de suas emoções e o afastamento social (JESUS, 2011, p. 22). Nas aulas de Educação Física, o fenômeno bullying não está distante, aqui ele aparece de forma perceptível, diante do que foi observado e relatado pelos alunos, nestas aulas a necessidade de expor suas habilidades e o “querer ser melhor” muitas vezes ultrapassam as barreiras do aceitável. Estas aulas são vistas como o momento da prática, que prioriza o movimento corporal, desta forma, o contato entre os alunos é frequente, e muitas vezes, é nesse contato que ocorrem as mais variadas formas de violência. Um “empurrar” aqui, um “encostar” ali, formam um cenário propício para manifestações de agressividade, é ali num jogo ou numa atividade direcionada pelo professor, que os alunos exteriorizam suas emoções6. Muitas vezes os professores não se dão conta, mas utilizam uma maneira de violência simbólica que é a elitização, quando aplica um cuidado maior aos alunos que praticam melhor as atividades que está ensinando (GUIMARÃES, 1994 apud LIPPELT, 2004). Os alunos passam a se diferenciar dos outros: “sou a primeira aluna que ele escolhe e eu consigo desenvolver” (Aluna, 14 anos, 7º ano, Escola B) Os que não são beneficiados, os alunos “menos habilidosos”, (“não consigo porque eles deixam a gente muito com dor de cabeça, e eu não consigo” (Aluna, 12 anos, 6º ano, Escola B)) sofrem a violência simbólica, revelada pela exclusão, ficam desmotivados a praticarem as atividades, ficando mais capazes de exercer atos de rebeldia e agressividades com seus professores e colegas (JESUS, 2011). Devido às diferenças de habilidades entre estes indivíduos, é comum vermos então surgirem conflitos de grupos, pois é inconscientemente que eles incorporam as identidades e passam a se identificarem, social e historicamente, como fortes ou frágeis, corajosos ou medrosos (OLIVEIRA & VOTRE, 2006) As escolas estudadas têm tentado responder a esse fenômeno que se expressa no seu cotidiano através de procedimentos bem pontuais (palestras que tratam sobre valores como respeito, proferidas normalmente por especialistas da área), tendo em vista que é um assunto ainda tratado de maneira superficial. Apesar do bullying se manifestar de forma intensa nessas escolas “este assunto ainda não faz parte do cotidiano dos alunos” (Professora 5, 24 anos, Escola C, entrevista concedida no dia 16/05/2012). Nessas escolas os conteúdos transversais (respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade) têm sido trabalhados basicamente através das seguintes práticas: Através de incentivo a solidariedade, a generosidade e o respeito as diferenças por meio de conversas, trabalhos didáticos, como atividades de cooperação e interpretação de diferentes papeis de um conflito (Professor 2, 29 anos, Escola A, entrevista concedida no dia 07/05/2012); Através das aulas práticas. Utilizando o diálogo entre os mesmos (Professor 3, 49 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 10/05/2012); A aula de Educação Física, é um espaço ao mesmo tempo fácil e complicado de trabalhar tais conteúdos. É muito interessante certas posturas e atitudes dos alunos, uma vez que na escola onde trabalho, o respeito a escola, os funcionários, e colegas fazem parte da avaliação bimestral (Professora 5, 24 anos, Escola C, entrevista concedida no dia 16/05/2012). Os professores têm valorizado um aspecto importante de seus alunos que é a auto-estima, um dos primeiros componentes que é afetado pelas vítimas do bullying nas escolas estaduais pesquisadas. A auto-estima é uma condição sine qua non para a aprendizagem e para a busca de autonomia (Professor 1, 53 anos, Escola A, entrevista concedida no dia 6 O bullying se potencializa dentro de condições muito peculiares, quando o professor em suas aulas permite manifestações de marginalização e exclusão de alunos que não alcançam a mesma interação com os demais, seja por peculiaridades individuais ou sociais. Habilidade, força, idade e gênero compõem um emaranhado de exclusões nas aulas de Educação Física (JESUS, 2011 apud SOUZA; ALTMAN, 1999), que tem criado situações que fertilizam um cenário de violência. 36 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM 07/05/2012); é por meio dela que se criam as condições para o respeito mútuo entre as pessoas (Professor 2, 29 anos, Escola A, entrevista concedida no dia 09/05/2012), para o reconhecimento “de nossas qualidades, nossas virtudes, nossos defeitos. Cada ser humano tem sua importância no contexto social” (Professor 4, 45 anos, Escola B, entrevista concedida no dia 11/05/2012). De acordo com Jesus7 (2011 apud Souza et al. 2010), muitos efeitos podem ser visualizados em relação ao fenômeno do bullying: dor, pânico, depressão, baixa autoestima, insegurança, temor, entre outras condutas que vivenciamos atualmente. Os acontecimentos encontrados na sociedade causam impacto nas crianças, no ambiente escolar e, principalmente, as aulas de Educação Física, onde receios de diferenças agem sobre uma boa parte dos alunos: o “gordinho”, o “dessemelhante”, o “inapto” e os “normais”. Adolescentes, jovens e adultos que apresentam alguns problemas em executar fundamentos se deparam com o bullying, são intimidados, ocorrendo violências psicológicas, tendo temor em praticar os exercícios, ficando fora do contexto das aulas. Estas exclusões formam trágicos problemas pessoais e grupais, atrapalhando seu desenvolvimento, muitas vezes, para vida toda. 4. Considerações finais Tratar de assuntos como ética nas aulas de Educação Física, pode acarretar fatores positivos na prevenção do bullying, pois levantando pontos importantes onde se preza a educação, o respeito mútuo, convívio escolar, a justiça e solidariedade, valores que podem ser praticados dentro do contexto, ressaltando autonomia para os próprios participantes. Além desses valores éticos adotados como referência de conduta e relacionamento, tornar esses processos reais e trabalhá-los e aperfeiçoá-los nas práticas da cultura corporal. 4. Referências ABRAMOVAY, M., & RUA, M. G. (2003). Violências nas escolas: Versão resumida. Brasília, DF: Unesco. BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 8ª ed. São Paulo. Editora Saraiva, 1995. BOURDIEU, P.; PASSERON, J. C. A Reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. Tradução de Reynaldo Bairão. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975. CANDAU, V. M. 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Acesso em: 28/04/2012 7 Jesus (2011) argumenta que o bullying na Educação Física ocorre geralmente com aqueles alunos que saem do “padrão”, são os que apresentam maior dificuldade nas práticas e serão alvo de inferiorização, ou seja, o bullying é praticado contra aqueles “menos habilidosos”, ou contra aqueles que praticam atividades que fogem aos estereótipos, como as meninas que jogam futebol, e são vistas como “machonas” e os meninos que preferem alguma atividade que não o futebol, ou atividades que envolvam expressão, e que são vistos como “afeminados”. (COSTA, 2007, p. 21). 37 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM GUIMARÃES, A. M. A dinâmica da violência escolar: conflito e ambiguidade/Áurea Maria Guimarães. – Campinas, SP: Autores Associados, 1996. – (Coleção educação Contemporânea. JESUS, A. G. 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Ela proporciona estímulos, a criatividade e principalmente a socialização.A música não poderia então ficar de fora da escola, já que a escola veio com a proposta inicial de acolher a criança, porém a música; assim como a escola realizam esse processo;toma novos fundamentos, vindo com novas funções, além das já utilizadas desde o período fetal, vem com propostas curriculares, com objetivos educacionais, porém não deixando de ser estimuladora. O objetivo do estudo foi analisar questões relacionadas ainfluências musicais no desenvolvimento da criança, suas relações com a construção de conhecimentos e as influencias do meio para a reestruturação do conhecimento adquirido.A Metodologia utilizada foi uma revisão de literatura,onde buscamos embasamento nos seguintes temas específicos, música, corpo e criança. Consideramos que a música, é muito importante como estímulo, para a aprendizagem e desenvolvimento humano, através da música pode ser despertada sensações e emoções gerando estímulos neurais, que causam novas sinapses aumentando o desempenho e desenvolvimento do cérebro. Palavras-Chave:estímulo, música, desenvolvimento. ABSTRACT The musicis for the childand forthe adultsa factorstimulating.It providesstimuli, creativity and especiallysocialization. Themusic could notthenstay out ofschool, sincethe schoolcame up with theinitial proposal toaccept the child, but the music, just as the schoolperformthis process; takefurther submissionscoming withnew featuresin addition to thoseusedfrom thefetal period, comes withcurricular proposals, educational purposes, however notlonger bestimulating. Theaim of the studywas to analyzeissuesrelated tomusical influencesin child development, its relationswith the construction ofknowledge andthemeans toinfluencethe restructuringof the acquired knowledge. The methodologyused wasa literature review, where we seekgroundingin the followingspecific themes, music, body andchild.We believethat musicis very importantas a stimulustolearning andhuman developmentthrough musiccanbe awakenedfeelingsand emotionsgeneratingneural stimulithat causenew synapsesincreasing performance andbrain development. Keywords: stimulus, music,development. INTRODUÇÃO A música é para a criança assim como para os adultos um fator estimulante. Ela proporciona estímulos, a criatividade e principalmente a socialização. O som é o primeiro contato que a criança tem com o mundo exterior, isto ocorre através do som da voz da mãe, que conversa e canta para seu filho na gestação. Alguns estudiosos falam sobre uma memoria fetal que os bebes apresentam que os fazem identificar a voz da mãe ao nascer, que junto com o cordão umbilical seria a ligação entre o bebe esua mãe. A música não poderia então ficar de fora da escola, já que a escola veio com a proposta inicial de acolher a criança, porém a música; assim como a escola; toma novos 39 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM fundamentos, vindo com novas funções, além das já utilizadas desde o período fetal, vem com propostas curriculares, com objetivos educacionais, porém não deixando de ser estimuladora; estimulo este proporcionado pelos ritmos, rimas e melodias que contagiam a criança, junto comgestos motores presentes em algumas músicas, que a transforma em uma brincadeira, criando assim uma linguagem corporal partindo da musicalidade. Nesse contexto, este artigo tem como objetivo identificar a importância da música no desenvolvimento cognitivo e motor da criança, como a música pode ser utilizada de modo a facilitar este desenvolvimento, assim como analisar sua função estimuladora. MÚSICA UMA CONDIÇÃO SOCIAL E CULTURAL Alguns autores como Bréscia 2013, nos relatam fatos que nos remete a uma utilização da música em civilizações antigas, tais como as civilizações gregas, que já utilizavam a música como estimulo, a comemorações, competições e rituais, o que também observamos em tribos indígenas e africanas;que apesar das influências da sociedade tecnológica atual; ainda podem ser encontradas atualmente. A música apresenta uma condição cultural e social onde esta é estimulada e perpassada no âmbito do convívio social, como cita Vygotsky(Vygotsky apubRego 2002), o desenvolvimento não pode ser entendido sem referência ao contexto social e cultural no qual ele ocorre. Compreendemos então que a música possui um papel no desenvolvimento, pois ela está ligada a um contexto social, o que nos remete a Zona de Desenvolvimento Proximal criada por Vygotsky(Vygotsky apub Rego 2002)descrevendo a Zona de Desenvolvimento Proximal como sendo; A distância entre aquilo que ela é capaz de fazer de forma autônoma (nível de desenvolvimento real), e aquilo que ela realiza em colaboração com os outros elementos de seu grupo social (nível de desenvolvimento potencial) caracteriza aquilo que Vygotsky chamou de “zona de desenvolvimento potencial ou proximal (Rego,pag.742002). O INÍCIO DO DESENVOLVIMENTO DA MUSICALIDADE NACRIANÇA. É na infância que as crianças estão mais receptivas às aprendizagens, é na fase da educação infantil que ela deve ser mais estimulada; pois assimila com maior facilidade.É na primeira infância que ocorre maiores possibilidades de sinapses; conexões dos neurônios, que ampliando a capacidade cerebral.Podemos concluir partindo de estudos da neurociência que a música desenvolve significativamente o cérebro já que ela estimula seus dois hemisférios; direito e esquerdo. [...] a linguagem, o raciocínio lógico, determinados tipos de memória, o cálculo, a análise e resolução de problemas são comandados pelo hemisfério esquerdo do cérebro, frequentemente citado como hemisfério dominante ou principal. Já as habilidades manuais não-verbais, as intuições, a imaginação, os sentimentos e a síntese são comandadas pelo hemisfério direito[...] no hemisfério esquerdo que se percebem os sons relacionados com a linguagem verbal, e no hemisfério direito que são percebidos a música e os sons emitidos por animais. (Ilariaput Carneiro, 2001). Assim sendo, a música também desenvolve a lateralidade na criança, estimulando os dois hemisférios do cérebro, devido á ocorrência do aumento de sinapses entre eles. A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO Não se pode falar em educação infantil sem citar a rotina escolar e dentro dela não há como não falar do momento da rodinha onde é proporcionado à criança um momento de estímulo e aprendizagem constante através da música.Música esta que volta a ser vista pela criança em outros momentos da aula, e que também deve ser utilizada pelo professor de Educação Física principalmente nas aulas ministradas para os alunos da educação infantil. 40 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM A música favorece o desenvolvimento e a construção do conhecimento da criança, ela contribui significativamente para o desenvolvimento psicomotor,sócioafetivo, cognitivo e linguístico. Facilitando também o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, concentração, atenção, do respeito ao próximo, da socialização e afetividade, contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação. A música na educação infantil tem como função, induzir e estimular ações, comportamentos motores e gestuais, fazendo com que não apenas a percepção auditiva seja estimulada, mas tambémseja desenvolvida a área motora. Desde que nascemos já estamos predispostos aos sons, vocalizações e melodias, nosso primeirouniverso de linguagem; por isso, o contato precoce com a música é capaz de favorecer positivamente o desenvolvimento de nossas habilidades cognitivas, linguísticas e motoras. (Cícero, aputSimionato e Tourinho, 2007). Percebemos então a importância da música para o desenvolvimento da criança, pois é através dos sons que a criança percebe e desenvolve a fala, onde primeiro ocorre o balbuciar, em seguida a repetição de palavras simples, até então seu aprimoramento. A MÚSICA NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA [...] o canto acompanhado de movimentos corporais acontece em salas de aula, as crianças ainda têm a possibilidade de desenvolver o sistema de pensamento social. Através do canto acompanhado por gestos e movimentos corporais, a criança pode vir a ter pelo menos seis sistemas de seu cérebro estimulados. (Ilari 2003) Observamos então, que antes do nascimento, as crianças já demonstram interesse e curiosidade pelos sons. Segundo o RCNEI – Referencial Curricular Nacional para a EducaçãoInfantil (BRASIL, 1998), do primeiro ao terceiro ano de vida, as crianças conferem importância e equivalência a toda e qualquer fonte sonora e estão sempre atentas às características dos sons ouvidos ou produzidos, descobrindo possibilidades sonoras com todo material acessível. O corpo fala e se expressa. A música vai além da melodia, versos e som ela é traduzida pelo corpo através de seus movimentos, este movimento é música, a música expressada pela linguagem corporal. Pensando nisso os professores podem estimular seus alunos a criar suas músicas, que perpassarão para o trabalho corporal e até mesmo á execução instrumental, esta função não cabe somente a um professor de música, mas opróprio professor de Educação Físicaque pode trabalhar este eixo dos parâmetros curriculares, assim como o professor regente de turma. Ritmos marcados, caminhando, batidos com as mãos, e até mesmo falados, podem ser meios da utilização da música nas aulas de educação física, de modo a contribuir com o desenvolvimento amplo do aluno; ou seja, um desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, motor, entre outros. Segundo o RCNEI (BRASIL, 1998), os estímulos musicais vivenciados durante a infância terão um impacto significativo na capacidade de um indivíduo de entender a música. O professor de educação física pode recorrer ao auxilio dos jogos musicais, que geram uma grande aprendizagem, motivação eo neurodesenvolvimento da criança.Os jogos musicais geralmente são trabalhados em grupos, o que promove a socialização e na maioria das vezes a orientação espacial, assim como outros objetivos, dependendo da música, de seus movimentos e regras. Segundo Ilari 2003, jogosmusicais como; memória, notas e instrumentos, dominós de células rítmicas, brincadeiras de solfejo, mímica, cantigas de roda, encenações musicais e 41 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM pequenas danças, podem desenvolver a atenção, a memória, a linguagem, a orientação espacial e motora entre outras coisas. OS JOGOS CANTADOS Segundo, Machado 2010, professor de educação física, em seu livro Jogos Cantados “Os jogos cantados representam a forma mais simples de atividades lúdicas, e são uma das atividades mais aplicáveis á educação das crianças. A criança aprende melhor brincando e a música estimula o brincar, assim como estimula o cérebro e a memória, e a música junto com a brincadeira estimula consideravelmente a aprendizagem cognitiva da criança além do desenvolvimento motor. Ilari2003,concorda que as canções de brincar incluindo as do folclore, e parlendas apresentam sugestões de movimentos corporais que propiciam benefícios na coordenação motora e em outras habilidades como auditiva e visual. Assim sendo, a música também, esta ligada a cultura de uma sociedade, o que garante a socialização da criança, além dos aprendizados já citados anteriormente. CONSIDERAÇÕES Consideramosentão que a música, é muito importante como estímulo, para a aprendizageme desenvolvimento humano, através da música pode ser despertada sensações e emoções gerando estímulos neurais, que causam novas sinapses aumentando o desempenho e desenvolvimento do cérebro. Através da música a criança aprende inconscientemente, pois esta se torna uma brincadeira, onde seu ritmo e melodia despertam outro tipo de linguagem, a corporal, estimulando assim o aprimoramento da vivencia corporal, com isso desenvolvendo também a área motora e a socialização. Sendo assim, consideramos também que todos os tipos de música apresentam benefícios para desenvolvimento humano. REFERENCIAS: BEYER, Esther S.W. A abordagem cognitiva em música: uma crítica ao ensino da música, a partir da teoria de Piaget. Rio Grande do Sul, Dissertação (Mestrado em Educação).Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 1988. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Vol.3. Brasília, MEC/ SEF, 1998. BRÉSCIA, Vera Lúcia Pessagno. Educação Musical: bases psicológicas e ação preventiva. São Paulo: Átomo, 2003. FREIRE,Paulo. Pedagogia do Oprimido.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. GORDON, E. Teoria de Aprendizagem Musical para Recém-Nascidos e Crianças em Idade Pré-Escolar. Serviço de Educação da Fundação CalousteGulbenkian. 2000. ILARI. Beatriz. A música e o cérebro: algumas implicações do neurodesenvolvimento para a educação musical Revista da ABEM. Porto Alegre. V. 9. 7-16, set. 2003. ____________. Bebês também entendem de música: a percepção e a cognição musical no primeiro ano de vida. Revista da ABEM. Porto Alegre, n. 7, setembro. 2002. LINDNER, Lorene Butkus. O feto como ser ouvinte.cefac centro de especialização em fonoaudiologia clínica audiologia clínica. Monografia de Conclusão do Curso deEspecialização em Audiologia Clínica. Porto Alegre. 1999. MACHADO, José Ricardo; Vinícius, Marcos e Miranda, Rogério. Jogos Cantados. Rio de Janeiro. Sprint, 2010. MÁRSICO, Leda Osório. A criança e a música: um estudo de como se processa o desenvolvimento musical da criança. Rio de Janeiro: Globo, 1982. PENNA, Maura. Reavaliações e buscas em musicalização. Loyola. São Paulo. 1990. 42 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM RAVELLI, Ana Paula Xavier; Motta, Maria da Graça Corso da.O lúdico e o desenvolvimento infantil: um enfoque na música e no cuidado de enfermagem. RevBrasEnferm. set-out 2005. REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 14 ed., 2002. SIMIONATO,L. Cristina e Tourinho, Cristina. Contribuição do aprendizado de canções no desenvolvimento da linguagem verbal. In ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE COGNIÇÃO EARTES MUSICAIS. 2007. Anais do 3º Simpósio de Cognição e Artes Musicais. Bahia UFBH 2007. 43 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM PSICOMOTRICIDADE FUNCIONAL NA EDUCAÇÃO FÍSICA COMO AUXILIADOR DA APRENDIZAGEM NA ESCOLA CUNHA, N. P.1; SANTOS, M. A. M. 2; CONEGLIAN, J. C. 3; DASILVA, Eduardo Rodrigues. 4. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – Brasil Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro - Brasil Dillard University – New Orleans – Lousiana – United States Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro - Brasil [email protected] RESUMO Psicomotricidade é a ciência que estuda o corpo do homem em movimento, classificando o desenvolvimento na sua totalidade. Ela se subdivide em psicomotricidade relacional e funcional. A psicomotricidade relacional é classificada pelo uso de jogos e brincadeiras para o desenvolvimento da criança, nela ocorre interação dos alunos entre si e dos alunos com o professor, já a funcional são exercícios específicos, que são repetidos até obter o êxito, são realizados exercícios de forma mecânica, sem interação do professor com o aluno e do aluno com outro aluno. Ela é dividida em áreas psicomotoras como: esquema corporal; lateralidade; equilíbrio; coordenação motora global; coordenação motora fina; estruturação espacial; estruturação temporal e ritmo. O professor tem papel de servir apenas de modelo para o aluno. O objetivo da pesquisa é identificar as diferenças entre as duas psicomotricidades e classificar como se da o uso da psicomotricidade funcional com os alunos nas escolas. Chegamos à conclusão que a psicomotricidade funcional é muito importante como auxiliadora do controle da defasagem dos alunos e para o trabalho de habilidades ou objetivos específicos. PALAVRAS-CHAVE: Psicomotricidade Funcional, Educação Física e Escola. ABSTRACT Psychomotricity is the science that studies the man's body in motion, classifying the development in its entirety. It is subdivided into relational and functional psychomotricity. Relational psychomotricity is classified by the use of games and activities for the development of child; it is about interaction among students and between student and teacher. Differently, functional psychomotricity refers to specific exercises that are repeated until successful, exercises are performed mechanically without interaction neither between teacher and student nor student with another student. This psychomotricity is divided into areas such as body image, laterality; balance, coordination overall, fine motor coordination; spatial structure, temporal structure and rhythm. The teacher only serves as a model for the student. The goal of this research is to identify differences between the two types of psychomotricity and rank the use of functional psychomotricity with students in schools. We concluded that functional psychomotricity is very important because it helps recovering the lag of students and working skills or specific goals. 44 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM KEYWORDS: phichomotricity, functional, physical education. INTRODUÇÃO PSICOMOTRICIDADE Ao longo da literatura encontramos diversas definições para psicomotricidade. Podemos então classificar a mesma como uma ciência que estuda o homem em movimento, sua relação com ele mesmo e com o ambiente ao seu redor. O corpo é ligado ao cognitivo e afetivo, então classifica o aprendizado através do movimento do corpo, intelecto e afeto. Uma aprendizagem só é possível a partir desses três fatores. De acordo com a sociedade Brasileira de Psicomotricidade (1982), “psicomotricidade é a ciência cujo objeto de estudo é o homem através do seu movimento e sua relação com o mundo interno e externo.” Encontramos então diferentes conceitos, porém eles estão sempre se interligando e se completando, desde seu aparecimento no Brasil através da escola Francesa o conceito de psicomotricidade vem sendo explorado e classificado por diversos autores como Araujo que fala: “A Psicomotricidade envolve toda ação realizada pelo indivíduo; é a integração entre o psiquismo e a motricidade, buscando um desenvolvimento global, focando os aspectos afetivos, motores e cognitivos, levando o indivíduo à tomada de consciência do seu corpo por meio do movimento.” (ARAUJO, 2013, p.0 PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL E FUNCIONAL A psicomotricidade se subdivide em Relacional e Funcional. A relacional na teoria é a mais presente nas escolas, ela se classifica como a utilização do lúdico e da brincadeira para que ocorra a aprendizagem, pois se acredita que o brincar é auxiliador no processo da aprendizagem e do desenvolvimento. “A Brincadeira faz parte do cotidiano da criança. Com isso, esta atuação relacional utiliza-se do brincar como recurso motivador. Tal fato estimula a exteriorização corporal da criança, por perceber que a ação do brincar otimiza os processos de aprendizagem e de desenvolvimento.” (RICARDO, 2010, p. 28) Consiste então na prática através de jogos e brincadeiras onde se utiliza o espaço de forma criativa, promovendo a interação da criança com o meio, ela mesma e outras crianças de forma bem espontânea, criativa, livre, onde ela explora todo seu potencial motor, cognitivo, afetivo, social. “O brincar é entendido como o ato motor que os indivíduos realizam conscientemente ou não, em busca de prazer. Esta é a melhor forma de aprender, pois brincando a criança desenvolve três pilares fundamentais: o psíquico, o motor e o cognitivo, que lhe garantirá um crescimento sadio.” (ROCHA, 2010, p.01) O papel do professor é provocar essa interação da criança com o outro, interferindo e auxiliando na aprendizagem do aluno. Segundo Rocha, 2010 “O brincar como elemento 45 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM pedagógico deve ser mediado, isto é, o professor deve atuar como facilitador deve ser capaz de interpretar os jogos que a criança realiza sem ter a preocupação de julgar o mérito de suas ações.” Já a psicomotricidade funcional consiste em exercícios específicos prescritos pelo professor com o objetivo de realizar também o desenvolvimento motor, porém de uma forma bem mais objetiva, são utilizados exercícios funcionais os quais são feitas repetições com o objetivo de desenvolver uma habilidade específica. Como o próprio nome mostra, vem para fazer funcionar da forma mais perfeita possível, por isso ocorrem às repetições do mesmo exercício. “O aspecto funcional da psicomotricidade objetiva uma complementação corporal para que a criança ou o indivíduo consiga atingir um desenvolvimento global por intermédio do trabalho de alguns fundamentos psicomotores específicos de acordo com as necessidades e particularidades de cada um.” (MACHADO, 2010, p.05) A literatura classifica a psicomotricidade funcional representando ela por áreas como: Esquema corporal: a visão que cada um tem do próprio corpo tornando-o capaz de identificar as diferentes partes do corpo. “É de fundamental importância que se estimule o reconhecimento do corpo da criança, pois sem o desenvolvimento dessa função psicomotora, provavelmente, as outras que se seguirão ficarão comprometidas em se estabelecerem nas estruturas cognitivas e motoras.” (RICARDO, 2010, P. 30) Esquema corporal é a primeira função psicomotora que pode ser desenvolvida, ela deve ter muita importância ao trabalhar com crianças nos primeiros anos de vida. Lateralidade: temos um lado do nosso corpo que mais utilizamos no nosso dia. O individuo já nasce com o cérebro pronto para ser destro ou canhoto, porém a criança pode vim a desenvolver os dois lados ou o lado oposto do programado se estimulada desde pequena. Equilíbrio: toda atividade que realizamos gera um desequilíbrio. O equilíbrio é a força acionada para corrigir essa postura de acordo com Ricardo, 2010. Coordenação Motora Global: a criança adquire a capacidade para realizar atividades corporais que utilizem grandes grupamentos musculares. A partir da ampla podemos entrar na coordenação mais específica. Coordenação Motora Fina: essa é a respeito de trabalhos mais finos, como a escrita, mas também qualquer trabalho executado com as mãos e dedos. Estruturação Espacial: a criança aprende a se posicionar no espaço, como o corpo ocupa o lugar na escola sem esquecer o que esta a sua volta. Estruturação Temporal: saber colocar os fatos da vida em uma seqüência lógica de acontecimentos. Ritmo: coordenação e tempo juntos geram o ritmo. 46 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM “É a ordenação constante e periódica de um ato motor. É a forma de se deslocar no espaço obedecendo a uma determinada seqüência de sons ou músicas. Para ter ritmo é preciso ter organização espacial.” (RICARDO, 2010, p.34) PSICOMOTRICIDADE FUNCIONAL NAS ESCOLAS O professor tem papel apenas de comandar a aula, é o modelo da criança, ele faz e a criança repete, não interage, é o oposto da relacional. São feitos exercícios padronizados de acordo com suas idades e qual habilidade quer desenvolver. Não são levadas em considerações variáveis como sexo, cultura, experiências vivenciadas, são analisadas apenas as suas qualidades físicas a fim de criar exercícios que desenvolva as mesmas. “A Psicomotricidade Funcional se sustenta em diagnósticos do perfil psicomotriz e na prescrição de exercícios para sanar possíveis descompassos do desenvolvimento motriz. A estratégia pedagógica baseia-se na repetição de exercícios funcionais, criados e classificados constituindo as famílias de exercícios para as finalidades de equilíbrios estáticos e dinâmicos, de flexibilidade, agilidade, destreza e outras funções psicomotoras.” (SILVA, p.07) Quando pensamos em escola, observamos que na literatura o mais utilizado seria a psicomotricidade relacional, por estarmos lidando com crianças, porém existem crianças com uma grande defasagem de desenvolvimento motor, sendo necessário o uso da funcional para suprir a mesma. “As sessões eram destinadas à crianças com problemas de aprendizagem, mais especificamente na leitura, na escrita e no cálculo matemático.Tal método se sustenta no discurso de que o desenvolvimento de certas habilidades motrizes permite a melhora do desempenho nas aprendizagens cognitivas.” (SILVA, p.07 apud NEGRINE, 1986). O professor estrutura suas aulas de forma que o aluno imitem seus gestos, imitando modelos propostos pelos professores, a criança não interage, não tem escolha própria, apenas executa e realiza os movimentos, os alunos são dependentes dos professores, quando realizado diferente o gesto é classificado como errado. Como diz Silva, 20 que afirma que: “O gesto motriz que não é realizado conforme a solicitação do professor é considerada errado. Deste modo, criam-se inibições e resistências de exteriorização corporal, e, devido a isso, a avaliação se torna uma ação puramente quantitativa, valorizando a correta execução dos exercícios propostos.” (Silva, p. 07) O professor então tem uma relação de comando, executa intervenções de forma mecânica, não ocorre contato corporal nem interação dos alunos entre si. Pode-se dizer que a psicomotricidade funcional é um método tradicional vindo das tradicionais aulas de ginástica. OBJETIVO O presente estudo tem como objetivo identificar as principais diferenças entre a psicomotricidade relacional e a funcional e identificar o papel da psicomotricidade funcional 47 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM nas escolas pelos professores de educação física agindo como auxiliadora do desenvolvimento da criança. METODOLOGIA Foi realizada uma pesquisa bibliográfica que reuniu artigos e livros sobre psicomotricidade de uma forma geral, a diferenciação da psicomotricidade relacional e funcional, mais especificamente funcional, e como se da o uso da psicomotricidade funcional nas escolas pelos professores de educação física. Foram usadas as palavras chaves psicomotricidade, relacional, funcional e educação física. CONSIDERAÇÕES Concluímos que a psicomotridade é uma ciência de muita importância para o desenvolvimento da criança como um todo, com ela mesma, com o outro e com o ambiente em que ela vive. Os dois tipos de psicomotricidade (relacional e funcional) tem seus objetivos e sua importância na escola. A psicomotricidade relacional é a mais indicada, porém quando a criança tem uma defasagem motora ou cognitiva muito grande ou o objetivo necessita, a psicomotricidade funcional é muito importante e/ou até mesmo necessária. Para alcançar um objetivo específico como trabalhar uma valência física é necessário esses tipos de aulas. Recomendamos um aprofundamento da pesquisa, observando na prática se a psicomotricidade relacional vem sendo abordada corretamente pelos professores com as crianças na escola e como ela vem sendo explorada como auxiliadora na aprendizagem. REFERENCIAS: ARAUJO, A. S. G. SILVA, E. R. As contribuições da psicomotricidade na Educação Infantil. Publicado em 6 de Agosto de 2013, disponível em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/comportamento/0116.html. Acessado em: 10/09/2013 às 14:49h. LUSSAC, R.M.P.. Psicomotricidade: história, desenvolvimento, conceitos, definições e intervenção profissional. Disponível em http://www.efdesporstes.com.br, Buenos Aires, n 126, nov.2008. Acessado em: 10/09/2013 às 13:34h. MACHADO J.R.M.; VINÍCIUS, M. Recriando a psicomotricidade. Rio de Janeiro, Sprint LTDA, 2010, 1ª edição. ROCHA, F.C., LÍRIO, L. R. Psicomotricidade Relacional e sua intervenção na Educação Infantil. Disponível em http://www.efdesporstes.com.br, Buenos Aires, n 126, nov.2008. Acessado em: 10/09/2013 às 14:23h SILVA, D.M., FALKENBACH, A.P. Psicomotricidade: Um olhar descritivo das suas distintas vertentes. Disponível em: http://www.ucbweb2.castelobranco.br acessado em: 10/09/2013 às 15h. 48 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM RESUMOS O CORPO DO IDOSO: UMA ANÁLISE SOBRE A CONCEPÇÃO DE CORPO DE IDOSOS PRATICANTES DA MODALIDADE DANÇA AUTORA: CARDOSO, J.S.1. ORIENTADORA: MONTEIRO, M.A.2. ESAMAZ – PARÁ – BRASIL ESAMAZ – PARÁ – BRASIL EMAIL: [email protected] Este trabalho irá apresentar sobre a influência que a dança tem em relação ao corpo do idoso. Esta, sendo uma das artes mais antigas. A Dança será sempre considerada como um patrimônio histórico devido ao seu nascimento, na qual, sempre estará permeando a cultura corporal do homem. A partir disso, o homem na fase da terceira idade, terá essa mesma essência e cultura, pois a sociedade contemporânea vem assumindo características determinadas pela melhoria da qualidade de vida que refletem em um aumento da expectativa de vida. Partindo disto, essa modalidade torna-se muito eficaz em relação ao idoso, e trazendo assim, grandes avanços. Esta população considerada hoje a maior entre crianças, jovens e adultos, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, e essa a população de idosos cresce a cada dia que passa. O trabalho tende analisar o papel da dança no desenvolvimento do conceito de corpo e corporeidade dos idosos e analisar as possibilidades que a dança oferece para se ter um estilo de vida saudável e ativo para os idosos, praticantes desta modalidade. O Trabalho foi realizado a partir da pesquisa bibliográfica, na qual, estiveram baseados em diversos livros, autores, artigos e trabalhos científicos, assim realizando também comparações entre esses autores. Os principais resultados obtidos foram: a melhoria da frequência cardíaca melhora de aptidão física, pressão estabilizada, aumento da flexibilidade e equilíbrio do corpo, dando mais força para o mesmo, ajudando na parte da estética, pois passaram a ter uma visão jovial, até mesmo ajudando na auto-estima, passaram a se sentir super importantes perante a sociedade. Diante da pesquisa concluímos que a Dança, uma das modalidades da grade de Educação Física, pode ser considerada uma atividade que traz grandes benefícios para o corpo dos idosos devido ter o envolvimento desde a parte psicológica á parte física. Sendo um assunto interessante para os profissionais de Educação Física, para que tenham um maior conhecimento, devido serem profissionais envolvidos com esporte, lazer e educação, e justamente terem consciência que trabalham com seres humanos. Palavras-chave: Educação Física; Dança, Terceira Idade e Qualidade de Vida 49 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM JOGOS GERONTOLÓGICOS DA AMIZADE - PROJETO VIDATIVA MACHADO,F.T.1 TEIXEIRA, M. A.1 LIMA, R.S.1 Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer Manaus – Amazonas – Brasil [email protected] Introdução: O jogo possui uma grande relação com aspectos socioculturais, sendo assim um fenômeno histórico, social e cultural. A presença dessa ferramenta dentro de grupos de idosos é indispensável, pois contribui com o desenvolvimento de todas as dimensões do comportamento humano, se constituindo como um instrumento pedagógico de grande valor, proporcionando vivências e experimentações variadas. “O jogo é uma forma de se exercitar – talvez a única – que atinge o ser humano na sua totalidade. Jogando, mais do que qualquer outra atividade, as pessoas têm oportunidade de se reconstituir como tais, reintegrando os segmentos cognitivo, psicomotor e afetivo-social” (OLIVEIRA, 1985). Neste sentido, com o Objetivo de oferecer vivências práticas sobre os diversos tipos de jogos gerontológicos; convívio social; valorizar e estimular a prática de atividade física como fator de promoção de saúde e bem estar, que a Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer – SEJEL, por meio do Projeto Vidativa, desenvolve os Jogos Gerontológicos da Amizade. Metodologia: os jogos foram desenvolvidos nos próprios grupos de idosos atendidos pelo projeto Vidativa, com as modalidades de jogos de mesa e salão. Devido à aceitação dos grupos, já foi realizado até sua terceira edição, sempre tendo os métodos aprimorados com base na vivência e participação dos idosos, sendo assim um objeto vivo e socialmente constituído. Resultados: observou-se a adesão e permanência de participação dos idosos durante os jogos, principalmente nos jogos de mesa e desafio. Conclusão: os jogos gerontológicos tem sido uma ferramenta importante de atendimento e agente de promoção da saúde e bem-estar. Palavras-chave: Jogos, atividade física, idosos. 50 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM PROJETO VIDATIVA - PROMOVENDO O ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL MACHADO,F.T.1; MACIEL, R.S.1; ALBUQUERQUE, L. F.D.1; Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer Manaus – Amazonas – Brasil [email protected] Introdução: Diante da realidade das transformações demográficas iniciadas no último século e que nos fazem observar uma população cada vez mais envelhecida, evidencia-se a importância de garantir aos idosos não só uma sobrevida maior, mas também uma boa qualidade de vida. Em um contexto de envelhecimento populacional, os programas e projetos de promoção da saúde do idoso são cada vez mais necessários. Em geral, os programas e projetos convergem em ações que privilegiam o envelhecimento ativo, com foco em uma longevidade que preserva a capacidade funcional e o estímulo à autonomia. Nessa perspectiva surge o Projeto Vidativa implantado desde 2006, pela Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer - SEJEL com o objetivo de inclusão social, através de atividades esportivas, sociais, artísticas, sócio-culturais, intergeracionais, preventivas, de entretenimento e de lazer para pessoas idosas. Metodologia: O projeto atua com uma equipe multiprofissional nas áreas da Educação Física, Dança, Fisioterapia, Serviço Social e Psicologia. Atendendo 47 grupos de idosos semanalmente no município de Manaus e municípios metropolitanos. Resultados: O Projeto Vidativa permite aos idosos acessos às atividades físicas, esportivas, intergeracionais, artísticas, culturais, sócio-educacionais e de lazer, favorecendo a integração e contribuindo para o processo de envelhecimento ativo e saudável. Tem sido umas das principais políticas de governo para a pessoa idosa, atendendo cerca de 8.500 pessoas com idades a partir de 45 anos. Conclusão: Destacamos a importância da continuidade deste projeto, principalmente para fortalecer as diretrizes da Política Nacional do Idoso – PNI estabelecida pela Lei nº 8.842/1996, assegurada pela Política Estadual do Idoso – PEI Lei nº 2.422/1996 na qual as áreas da Educação Física, Dança, Fisioterapia, Serviço Social e Psicologia buscam uma abordagem integral da população idosa, contribuindo para suas redescobertas de suas potencialidades, independencias, autonomia e assim promovendo um envelhecimento ativo e saudável. Palavras-chave: Envelhecimento; Equipe Multiprofissional; Política Nacional do Idoso. 51 Revista ENAF Science Volume 8, número 3, Setembro de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 3º ENAF MANAUS/AM 52