A EDUCAÇÃO FÍSICA E SEUS CONTEÚDOS: UM ESTUDO SOBRE O QUE
SE ENSINA NAS ESCOLAS
Luciane de Almeida Gomes – PPGE/IE/UFMT
Larissa Beraldo Kawashima – PPGE/IE/UFMT
Cleomar Ferreira Gomes – FEF/PPGE/UFMT
Resumo
O presente artigo se propõe a refletir sobre o que se ensina nas aulas de Educação
Física, ou seja, sobre os conteúdos da Educação Física presentes na Educação Básica,
aprofundando em conhecimentos relevantes para se compreender melhor esses
conteúdos num contexto que se denomina pós-moderno. O presente estudo é parte de
uma pesquisa realizada pelos alunos do primeiro semestre, ingressantes em 2008/01, do
curso de Licenciatura Plena em Educação Física da UFMT, matriculados na disciplina
“Abordagens Histórico-Filosóficas da Educação Física e do Esporte”. Essa minipesquisa é de natureza qualitativa com orientações teórico-metodológicas interpretativas
e, consistiu na entrevista professores de Educação Física da Educação Básica das
diferentes redes de ensino, e, que atuam no município de Cuiabá – MT, a fim de
identificar e refletir sobre os conteúdos presentes nas suas aulas. Ao todo, foram
entrevistados oito professores de Educação Física da Educação Básica orientados pela
pergunta: O que você ensina nas aulas de Educação Física? Observou-se que apesar das
orientções existentes e de um novo contexto, com exigências de uma re-leitura do
corpo, ainda são frouas as experiências de diversificação e aprofundamento dos seus
conteúdos, o que requer dos envolvidos nesse processo um conhecimento
transdisciplinar que componham a cultura corporal como indispensável na cultura
educacional.
Palavras-chave: Educação Física, Educação Básica, Conteúdos.
Introdução
A Lei de diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96), no Título V,
Capítulo II, Seção I, Art. 26, § 3º apresenta a Educação Física como componente
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curricular obrigatório da Educação Básica. Há de ser compreendida, então, como uma
disciplina escolar com conteúdos específicos.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) classificaram a Educação
Física na área de linguagem, onde, propõe em seu vol., voltado para a Educação Física,
possibilitar a “ampliação da visão sobre a cultura corporal de movimento” (BRASIL,
1999), mas não trata de forma aprofundada dessas possibilidades o que demonstra uma
ampla necessidade de discussão entre os profissionais da área.
Antes de voltar o foco para a Educação Física, é necessário compreender a
Linguagem como área que a contempla enquanto disciplina e, seus objetivos para o
educando.
Segundo as orientações para a Escola Ciclada de Mato grosso, as disciplinas
da área de linguagem buscam “igualmente capacitar o ser humano para o uso dialógico
das diferentes manifestações da linguagem, como forma de construir o sujeito, a
realidade e as próprias linguagens.” (Mato Grosso, 2000).
Essa citação nos remete a um universo de possibilidades para a construção
dos conteúdos a serem desenvolvidos em Educação Física como uma Linguagem, o que
dificulta interação entre os professores da área. É mais cômodo, mas também é
necessário enxergar a Educação Física sob os princípios que a norteiam do que
transformar essas possibilidades em uma perspectiva didática contextualizada.
Há de se concordar que o tema proposto, apesar de dirigir o foco para os
conteúdos da Educação Física, essa reflexão nos remete a um leque de possibilidades
que podem ser recortadas e redirecionadas de acordo com as necessidades da pesquisa.
Assim, a intenção deste estudo é identificar os conteúdos presentes nas aulas
de Educação Física, sejam eles, recomendados por um programa formal como PCNs ou
das secretarias de educação ou aprendidos durante a vida acadêmica e profissional,
provocar desestabilizações a cerca realidade pedagógica da Educação Física na escola,
mobilize os profissionais em questão para ampla necessidade de discussão e reflexão a
cerca das linguagens pertinentes a Educação Física, num contexto pós-moderno.
Para atender a sociedade de um tempo “pós-moderno”, interpretada assim
por teóricos que advogam uma “sociologia compreensiva”. Citando alguns: Michel
Maffesoli (1987), Gilles Lipovetski (1998) e Zygmunt Bauman (2007). Todos esses
teóricos em suas obras acham um jeito para falar desse “corpo” pós-moderno que se
livrou das amarras ideológicas do moralismo que orientavam o mundo moderno.
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Um Pouco de História
A história da Educação Física escolar brasileira nos leva ao séc. XIX,
passando por um processo histórico natural de modificação até o contexto atual. Sua
inclusão oficial se deu no ano de 1851, com a reforma Couto Ferraz. Três anos depois, a
ginástica tornou-se obrigatória no ginásio e a dança no secundário. Em 1882,
recomendou-se, através da reforma realizada por Rui Barbosa, que a ginástica fosse
obrigatória para “meninos e meninas”, aparecendo com maior freqüência através das
reformas educacionais dos estados da federação depois de 1920, com este mesmo nome,
Ginástica.
Darrido (1999) comenta que nos anos 30 observou-se uma preocupação
central com os hábitos de higiene e saúde, utilizando o exercício como forma de
desenvolvimento físico e moral. Esse viés estabelece que é necessário exercitar o corpo
para mantê-lo asséptico de moléstias, tomando o exercício físico como curativo.
Com a influência da Escola Nova, contaminada pelas idéias de Dewey
(1936), a constituição de 1946 caracteriza uma escola democrática e utilitária, refletindo
no discurso de que “A Educação Física é um meio da Educação” e uma forma de
promover a chamada Educação Integral. Esse paradigma de Educação assemelha-se em
um certo sentido às idéias, a fortiori, com aquilo que Paula Carvalho chama em 1990
de Paradigma Holonômico de Educação. Salvo outros juízos, não dá para enxergar um
corpo e educá-lo, ou civilizá-lo por seu lado físico, psíquico, social. Essa multiplicidade
de percepções é que faz o indivíduo ser um inteiro indiviso quanto ao processo de sua
Educação. Seja de qual tribuna for holos em grego quer dizer literalmente, inteiro, o
indivíduo indiviso.
Na década de 70, mais uma influência direcionou a Educação Física, dessa
vez o militarismo, impregnando um caráter nacionalista e promovendo a ascendência do
esporte. Através de um do Decreto nº 69.450 de 1971, a Educação Física passou a ser
considerada como “atividade que, por seus meios, processos e técnicas, desenvolve e
aprimora forças físicas, morais, psíquicas e sociais do educando” (BRASIL, 1998). A
partir desse Decreto, a aptidão física passou a ser o foco, e a iniciação esportiva se
tornou um eixo fundamental, a partir da Quinta Série. O esporte passa a ser considerado
o objetivo e o conteúdo nesta época, nas aulas de Educação Física.
Se cada época vive sua ascensão e seu crepúsculo, em se considerando a sua
matriz mental ou sua ideologia obsessiva, em oposição a esta vertente mais tecnicista,
surgem novas proposições na Educação Física escolar, no final da década de 70,
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inspirados no momento histórico social pelo qual passou o país, nas novas tendências
educacionais e em questões específicas da Educação Física. As abordagens que tiveram
maior respaldo e que trouxeram outros rótulos foram a psicomotora, a construtivista, a
desenvolvimentista e a crítico-superadora. Não vamos nos aprofundar nas concepções
de cada abordagem, basta-nos por hora saber que todas surgiram em contraposição a um
modelo tecnicista, pensando a Educação Física de forma mais abrangente, ou seja, mais
livre desse modelo de corpo heróico. É bom lembrar que a expressão tecnicista foi
assim entendida como uma prática de Educação Física prioritariamente preocupada com
a precisão dos gestos e movimentos, em outras palavras, com a intenção técnica desses
gestos.
Atualmente, as pesquisas e reflexões teóricas têm transformado essas
concepções em propostas pedagógicas, e mesmo assim encontram-se nas escolas,
práticas pedagógicas “ultrapassadas” e desprovidas de uma fundamentação teórica
consistente, de um discurso que qualifique a sua pedagogia. Como qualificar essa
prática? Como assegurar que esse procedimento habitual de nossos professores vai
imprimir uma prática salutar de Educação Física que atenda as necessidades de um
corpo pós-moderno? É nesse cenário de questionamentos que a reflexão a cerca do tema
se instala.
O Que se Ensina nas Aulas de Educação Física
Supõe-se que as Secretarias Municipais e Estaduais possuam dentro de seu
projeto de Educação, um roteiro de orientação aos professores das inúmeras áreas de
conhecimento que se fazem presente na seleção dos conteúdos e na organização de suas
aulas.
Segundo Vago e Cachorro (2003), a Educação Física disputa um lugar, no
complexo meio escolar, entre os demais componentes curriculares. É necessário
compreender a escola como um espaço-tempo de disputas acerca da legitimidade dos
diferentes conteúdos culturais, que podem figurar nos currículos. Isso reafirma a
possibilidade de se tomar a Educação Física como componente curricular, uma cultura
corporal, dentro da cultura escolar, permitindo-nos olhar para os conteúdos que
compõem essa cultura.
Assim, pela autonomia dos professores em construir os componentes da suas
aulas, para identificar esses conteúdos é necessário recorrer aos seus autores. A pesquisa
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escolheu aleatoriamente oito professores da Educação Básica que atuam nas diferentes
redes de ensino no município de Cuiabá. A entrevista semi-estruturada teve como eixo
central uma única pergunta: O que você ensina nas aulas de Educação Física? Pergunta
que sugere a busca do conteúdo como base objetiva do processo de ensinoaprendizagem, incluindo o grupo de conhecimentos trabalhados pelos diferentes
métodos de transmissão e viabilização.
Segundo Libâneo (1994), e outros, conteúdos de ensino são o conjunto de
conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudinais de atuação social,
organizados pedagógica e didaticamente, tendo em vista a assimilação ativa e aplicação
pelos alunos na sua prática de vida.
Baseado em Coll (2000), a classificação dos conteúdos pode se dar em três
dimensões respondendo as seguintes questões: O que se deve saber? (dimensão
conceitual) O que se deve saber fazer? (dimensão procedimental) O que se deve ser?
(dimensão atitudinal)
A análise reflexiva das entrevistas indicou uma realidade comum, porém
negada. “Comum” no sentido de que as realidades são muito parecidas. “Realidade
negada” significa que apesar dos direcionamentos e reflexões produzidos em Educação
Física, as concepções ultrapassadas e de pouca consistência teórica ainda são
recorrentes, estabelecendo um contexto de contradições.
As diferentes culturas de Educação Física que se estabelecem no ambiente
escolar surgem na voz de seus autores com um esforço de compreensão das decisões e
das lógicas com as quais operam os professores que vivem nos cotidianos escolares.
As primeiras respostas analisadas foram as que indicaram essa falta de
conhecimento substanciado das orientações existentes para organização das aulas,
demonstrando uma ausência de conteúdos que se estabelecem pelo confronto de
experiências do professor, como podemos observar:
“ No meu plano de aula especifico várias atividades e modalidades
diferentes, mas pelo fato de serem poucas aulas, e possuir pouco tempo,
prefiro dar opção de escolha a eles, sendo quais forem, mas, geralmente eles
tendem ao futsal (meninos) e ao vôlei (meninas).” (R.O.B./M – 32 anos)
“ Bom, eu tento passar o que sei, mas muitas vezes não posso tudo pois é
muito difícil controlar toda aquela criançada que ficam a todo momento
pedindo a bola para jogar futebol, e quando consigo passar o motivo da
educação física eles não entendem ou por incompetência minha ou por não
verem mesmo a finalidade daquele exercício.” (M.A.U./M – 42 anos)
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Mais uma situação que se sobressai é a presença do esporte como conteúdo
único da Educação Física Escolar, via de regra, acrescentado às aulas a partir da 5ª
Série. Como uma herança do militarismo que insiste em perdurar.
Segundo o Coletivo de Autores (1992), a frase mais conhecida da época em
que esse sistema vigorava era “Esporte é saúde”, em referência ao domínio desse
fenômeno sobre a Educação Física, foi o “esporte na escola” e não o “esporte da
escola”, com um fim em si mesmo.
Os trechos transcritos a seguir revelam essa tendência nos conteúdos e
apresenta o esporte como o dono das aulas de Educação Física:
“ Fundamentos de modalidades esportivas e a disciplina no jogo,
brincadeiras e regras.” M.A.R./M – 36 anos)
“ O que ensino é dentro da realidade da escola, exercícios lúdicos, com
ênfase nas atividades voltadas ao esporte.” (A.N.T./M – 37 anos)
“ Trabalho o conceito de coletividade, e trabalho em equipe com os alunos
de 4ª a 8ª séries, pois é importante para eles aprender a competir e saber
perder. Já para os alunos do Ensino médio, damos uma aula mais dinâmicas,
visando a interação entre os alunos com esportes coletivos, principalmente
futsal.” (M.A.R./M – 43 anos)
“ Ensino fundamentos de modalidades por bimestre: 1º bimestre futsal, 2º
bimestre handebol, 3º bimestre vôlei e no 4º bimestre os alunos jogam todos
os esportes vistos anteriormente. Quando chove ou faz frio, ou a quadra está
indisponível realizo jogos recreativos, ex: queimada, ou então, jogos como
xadrez, dama, pimbolim, entre outros.” (G.E.R./M – 43 anos)
Os Parâmetros Curriculares Nacionais, em suas diretrizes para a Educação
Física, recomenda a compreensão da disciplina como uma “cultura corporal de
movimento”, e como tal deve dar oportunidade a todos os alunos para que desenvolvam
suas potencialidades, de forma democrática e não seletiva. (BRASIL, 1998).
Porém, também foi possível identificar registros de separação por gênero.
Essa prática ainda habita as escolas nos dias atuais. Parecem-nos que se tornam mais
fáceis as aulas, para os professores manter o controle. Meninos de um lado jogando
“futebol” ou “pelada” e meninas de outro pulando corda e/ou balançando arcos.
“ Trabalhos desenvolvidos: Nas 5ª e 6ª séries a minha preocupação é mais
voltada para coordenação motora, que é muito fraca, onde procuro trabalhar
com exercícios de coordenação, jogos, saltos (corda, pulo em distância...), e
da 7ª em diante já trabalho mais diretamente jogos recreativos onde
predomina na categoria feminina e masculina a queimada e o futsal.”
(J.O.S./M – 51 anos)
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Dos dados adquiridos por meio das entrevistas, apenas um apresentou uma
diversidade maior de conteúdos condizentes com uma orientação formal, mais
precisamente de acordo com os conteúdos sugeridos pelos PCNs, que sugerem uma
ampliação da cultura corporal de movimento.
“ Jogos recreativos, Jogos cooperativos, Jogos competitivos Jogos sociais,
dama, dominó, xadrez. Esportes, futsal, Voleibol, Basquetebol, handbol,
Ginástica, alongamentos, rolamentos. Dança, expressão corporal e rítmicas,
movimentos de luta, capoeira, karatê, Judô.” (I.V.A./F- 34 anos)
Não foi ambição desta pesquisa fazer um enquadramento avaliativo desta
ou daquela prática. Com efeito, não se pode mais pensar uma prática pedagógica em
Educação Física ou em qualquer área de conhecimento descontextualizada,
principalmente em se tratando de uma cultura educacional, mais especificamente uma
cultura corporal, há de se pensar na diversidade e no aprofundamento dos conteúdos que
se propõem a marcar essa cultura.
Considerações Finais
Repensar a Educação Física, mais especificamente, seus conteúdos, é uma
prática que se faz necessário todos os dias, a fim de atender não só essa era que se
anuncia “pós-moderna”, como identificada anteriormente à cunha de Michel Maffesoli
(1987); à metáfora de “Vida Líquida”, de Zygmunt Bauman (2007), quando tudo
acontece muito rápido e mal dá tempo de manter a forma e, ainda, àquilo que propõe
Gilles Lipovetski (2007), uma “Hiper-Modernidade”, regida por um “hiperconsumismo”, onde o corpo se ancora numa liberdade de ser o que quiser.
Neste contexto não só da Educação Física escolar, mas de qualquer
disciplina é exigido uma postura crítico-reflexiva frente aos paradigmas que extraem
suas vocações.
Em Educação Física especificamente, é preciso uma re-leitura do corpo,
entrelaçada às outras áreas do conhecimento para fazer parte desta civilização com
todos os seus desafios, pensando a significância e as marcas de prazer que se adquirem
nessas aulas.
Faz-se pertinente nesse momento citar o filósofo Silvino Santin (2002)
quando sugere o contexto atual como “momento novo da Educação Física”,
apresentando seis pontos desafiadores para a Educação Física escolar, assim o filósofo
se anuncia:
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“1) Pedagógico: que deve ser pensada como ação educativa para construir um ser
humano, porque traz já a palavra educação. Deve se comprometer com a ordem
social e que suas atividades tenham um caráter autotélico, um valor em si mesmas.
2) Antropológico: inspirada em Protágoras em sua máxima “o homem é a medida
de todas as coisas”, esse desafio enceta uma tarefa de compreender o homem como
indivíduo e como ser social, dentro de um projeto de desenvolvimento.
3) Epistemológico: como a educação física que elegeu o movimento humano, deve
encarar com seu status de ciência dois obstáculos. O primeiro é como classificar o
movimento humano, físico ou humano? O segundo viaja a bordo do esgotamento
das ciências modernas. Que tipo de ciência a educação física deve ser. Não deve ter
física como ciência basilar, mas biologia molecular, para compreender esse ser
vivo humano.
4) Profissional: o fato mais marcante, mais recente da educação física é o seu
reconhecimento enquanto profissão. O mercado de trabalho é a mola mestra da
formação profissional e toda profissão resulta da demanda social. Como a educação
física o que está em jogo é a própria vida, que ela garanta um serviço de qualidade.
5) Esportivo: poderia ser enfrentado de duas maneiras. Uma revisão do esporte
como atividade humana ― o esporte deve estar a serviço da pessoa. Nunca se
violentar, se agredir, se esgotar. Viver o seu eu e não para produzir mais. A
segunda seria respeitar a corporeidade humana de cada pessoa na realização
corporal e não na tabela de índices. Cabe a educação física a responsabilidade de
vencer esse dualismo de vencedores/vencidos.
6) Lúdico: esse é o desafio dos desafios ― cabe à educação física defender
princípios que a ordem globalizada científica e tecnológica ainda rejeita. A volta da
brincadeira. Brincar significa oposição ao mundo dos adultos que pensa em lucro
do negócio, do deus Argent. Valores como a ludicidade, o tempo livre, o corpo
como experiência em si mesmo, deve eliminar a metáfora da máquina, e amar a si
mesmo sem a ditadura dos modelos heróicos (grifo nosso), deve ser a ordem da
pauta da educação física”.
Aceitar estes desafios é sinalizar a realização de aulas que produzam
encontros mais significativos, para além dos rótulos desta ou daquela abordagem.
Aliás, esta nova Educação Física põe em cena fundamentos filosóficos, antropológicos,
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biológicos, sociológicos, psicológicos, pedagógicos, não antes postos em currículos do
passado, que por sua vez, tentam enxergar um “sujeito inteiro”, com seu “projeto
corporal” de bem estar, de qualidade de vida, para ficar mais perto do mantra desses
novos tempos que se dizem pós-modernos.
Assim, pensar a Educação Física, bem como pensar os conteúdos que a
preenchem, implica pensar um corpo que não é só movimento, mas exige dos
envolvidos nesse processo um conhecimento transdiciplinar que componham a cultura
corporal como indispensável na cultura educacional. Priorizar este ou aquele conteúdo,
supõe o parcelamento dessa cultura corporal.
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10
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BRACHT, V.; CRISÓRIO, R. (ORG). A Educação Física no Brasil e na Argentina:
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