FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA: EaD ROMPENDO BARREIRAS Matilde Gonçalves da Penha* RESUMO O mundo contemporâneo é dependente das tecnologias de informação e de comunicação, que transformaram a dinâmica da sociedade. Esta pesquisa procura verificar se o currículo do curso a distância de licenciatura em Educação Física de uma Instituição de Ensino Superior do estado de Goiás preocupa-se em formar professores com habilidades para utilizar as tecnologias como auxiliares no processo pedagógico, face a dificuldade dos professores em dominá-las e ao domínio apresentados pelos estudantes deste século, que nasceram submersos nessas tecnologias. Esta é uma pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico e a partir da análise do Projeto-Político Pedagógico verificou-se a preocupação com o tema de forma superficial. Palavras-chave: Educação Física. Educação a distância. Currículo. ABSTRACT The comtemporany world is dependent of tecnologies of information and comunication, that transformed the dynamic of societ. This work find to verifiy if the curriculum of the Course of distance of licenciatura Fisic Education of the Superior Teach Institition worry to form with habilities to use tecnologies with auxiliary in the pedagogic process, some teacher find dificulties in dominity their and the present of the students this century, that was born in this tecnologies. This investigation have bibliografic caracter and, of the analyses of Politic Pedagogic Projetct verify the preocupation with theme of the superficial form. Key words: Fisic Education. Education of distancy. Curricullum. INTRODUÇÃO O mundo contemporâneo apresenta-se dinâmico, as mudanças ocorrem de forma assustadora. Os estudantes já não são mais os mesmos, e os professores? Estão preparados para o estudante de perfil diferente do tradicional? Diante dessa problemática e em face de tantas interrogações que permeiam a educação levantou-se o problema norteador desta pesquisa: O currículo do curso de Educação Física a distância está preparando o professor para o aluno “nativo digital”? *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. O novo perfil de estudantes assusta a escola e os professores que nasceram e formaram-se antes dessa revolução, possuem formas de agir, organizar pensamentos, de aprender, diferentes desses alunos. Se o estudante não é mais o mesmo, é necessário que haja uma adequação para atender essa nova demanda. Os objetivos dessa pesquisa foram: Verificar se o curso de Educação Física a distância prepara o professor para lidar com as tecnologias e como utilizá-las no cotidiano escolar; identificar no currículo do curso de Educação Física a distância a existência de disciplinas que preparem o professor para lidar com o estudante dos tempos digitais; justificar a necessidade de incluir nos currículos dos cursos de Educação Física a distância temas referentes às tecnologias da informação e da comunicação; demonstrar como é importante para o professor perceber as mudanças na forma de assimilação de conhecimentos (aprender) dos estudantes nativos digitais. Os cursos superiores a distância utilizam-se das tecnologias para alcançar o seu público. Os cursos de Educação Física a distância são novos, sua existência depende das TICs (tecnologias da informação e de comunicação), por isso, convém estudar o currículo para verificar se está preparando o professor para bem utilizar as tecnologias no cotidiano escolar e entender esse novo estudante. A relevância deste trabalho justifica-se na articulação dos temas: formação de professores, currículo, o estudante contemporâneo (nativo digital), tecnologias e os cursos de educação física a distância. METODOLOGIA Esta pesquisa é qualitativa de caráter bibliográfico. Para responder aos objetivos propostos analisou-se o Projeto Pedagógico com as ementas de um Curso de Licenciatura em Educação Física a distância ministrado em Goiás, além de consultas a documentos legais como: Diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores da educação básica; LDB 9.394/96; Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de educação física, os quais serão respaldados por uma ampla consulta a bibliografia pertinentes aos temas aqui pesquisados. *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. A EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL As tentativas de implantar uma Educação Física escolar no Brasil remetem à primeira metade do século XIX. Mas, esta só foi introduzida oficialmente em 1851 com a Reforma Couto Ferraz, porém, sua aceitação não se deu de forma facilitada no contexto daquele século (MARINHO, 1953). A Educação Física no final do século XIX e no início do XX era “higiênica, educativa, recreativa e médica” (MARINHO, 1953, p. 440). A princípio era utilizado o modelo alemão de ginástica, que foi substituído pelo modelo francês com a chegada da Missão Militar Francesa, em 1907 (MARINHO, 1953; TUBINO, 1996; SOARES, 2001). Este último influenciou o exército brasileiro e os primeiros cursos de Educação Física do país. Houve uma apropriação da Educação Física pelo Estado como instrumento ideológico a partir do Estado Novo (OLIVEIRA, 2004). Com o fim da II Guerra Mundial, que coincide como o fim do Estado Novo, a Educação Física sofreu influência do Método Natural Austríaco, ao mesmo tempo em que a Educação Física Desportiva Generalizada foi trazida para o Brasil pelo professor Augusto Listelo (BRACHT, 1997; SOARES et al, 1992). No pós-guerra acontece uma explosão esportivista na Europa que reflete nos países sob influência daquele continente (BRACHT, 1997). O esporte é elevado a status de “elemento hegemônico da cultura de movimento” (Ibid., 1997, p. 22). Surgem, nos fins dos anos de 1970 e toda década de 1980, movimentos renovadores na Educação Física. Medina (1996, p. 35) fala de uma crise da Educação Física, demonstrando que esta precisaria entrar ou já se encontrava em crise nesta época. Havia essa necessidade para se autoafirmar e encontrar sua verdadeira identidade. Numa tentativa de reação ao tecnicismo esportivista surgiram “novos movimentos na Educação Física escolar (...) inspirados no novo momento histórico social por que passaram o país, a educação e a Educação Física” (DARIDO, 2005, p. 5). *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. Percebe-se, de acordo com o exposto, que a Educação Física possui hoje uma gama de abordagens pedagógicas com o objetivo de superar o status quo. Cabe ao professor de Educação Física tornar-se um profissional crítico, adequar-se à que melhor lhe convir para bem ministrar suas aulas, e desenvolver o diferencial para ampliar os horizontes da Educação Física Escolar, reescrevendo a história. FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA Para analisar a formação de professores devem-se considerar os fatores históricos, culturais, políticos e sociais em que é exercida a profissão (LIBÂNEO, OLIVEIRA, TOSCHI, 2007). Uma profissão é conceituada a partir de suas tarefas específicas, o período de execução dessas tarefas, o regulamento do trabalho, as condições salariais “compatíveis à função exercida e dignidade no exercício profissional” (Ibid., 2007, p. 277). A primeira escola de formação de professores de Educação Física foi o Centro Militar de Educação Física, criado pelo exército em 1922, cujo método adotado era o Francês, como já citado anteriormente (MARINHO, 1953). A Resolução 69/69 estabeleceu novos objetivos para a formação de professores, acrescentando no currículo as disciplinas pedagógicas. Visava a preparar o técnico desportivo e o licenciado. Dividia-se o currículo em três áreas: Matérias básicas, profissionais e pedagógicas, permanecendo assim até a publicação da Resolução 03/87, que normatizava a formação do licenciado e do bacharel, que podiam habilitar-se técnico desportivo em nível de especialização. O currículo dividia-se em duas partes: formação geral, que deveria ser humanística, e técnica para aprofundamento de conhecimentos (MALACO, 1996). A LDB 9394/96 deu mais autonomia às instituições para a organização dos cursos de formação de professores (BRASIL, 1996). A Resolução CNE/CES 7/2004 promulga as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Educação Física estabelecendo orientações para a licenciatura plena nos termos definidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para formação de professores. Ela instituiu as diferenças entre o graduado (bacharel) e o licenciado de Educação Física (BRASIL, 2004). *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. A Resolução CNE/ CP 2/2002 instituiu a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura para, no mínimo, 2800 horas para serem cumpridas em 200 dias letivos/ano e com duração mínima de três anos, articulando teoria e prática no seu Projeto Político-Pedagógico (BRASIL, 2002a). Historicamente, a Educação Física tem como característica ensinar a cultura corporal, ou seja, através da docência trabalhar pedagogicamente os conhecimentos acumulados dessa cultura (Ibid., 2006). A sociedade concebe a Educação Física como uma prática inerente ao desenvolvimento da pessoa humana que contribui para uma melhor qualidade de vida, e que tem o corpo, em todas as suas dimensões, como o centro da práxis educativa (DAVID, 2002). A identidade profissional que balizará a prática pedagógica do professor de Educação Física é construída durante sua formação. Em suma, existe uma gama de problemas que servem para que a escola e a formação de professores sejam submetidos a uma racionalidade dominadora, que imprime a necessidade de formar cidadãos que atendam ao que é exigido pelo mercado, sem desenvolver senso crítico. Cabe às instituições de formação de professores definirem que tipos de profissional querem formar: se professores aptos a conceber alunos críticos, ou mais um, para o mundo mercadológico. AS DIRETRIZES CURRICULARES DO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA A resolução CNE/CES 7/2004 instituiu as diretrizes para os cursos de graduação em Educação Física estabelecendo formas de orientação para a licenciatura em Educação Física, em concordância com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da educação básica CNE/CP 01 e 02/2002. O artigo 3º da resolução CNE/CES 7/2004 define as áreas de conhecimento e de intervenção do profissional de Educação Física que tem o movimento humano como objeto de estudo e aplicação: [...] com foco nas diferentes formas e modalidades do exercício físico, da ginástica, do jogo, do esporte, da luta/arte marcial, da dança, nas perspectivas da prevenção de problemas de agravo da saúde, promoção, proteção e reabilitação da saúde, da formação cultural, da educação e da reeducação motora, do rendimento físico–esportivo, do lazer, da gestão de *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. empreendimentos relacionados às atividades físicas, recreativas e esportivas, além de outros campos que oportunizem ou venham a oportunizar a prática de atividades físicas, recreativas e esportivas (BRASIL, 2004, online). Os cursos de licenciatura em Educação Física devem observar e seguir as diretrizes na construção de seus Projetos Políticos Pedagógicos e na estruturação de suas matrizes curriculares para bem organizar o processo de ensinoaprendizagem do aluno/professor em formação. O QUE É CURRÍCULO? Goodson (1995) busca na etimologia da palavra currículo uma forma de explicá-lo. Do latim scurrere, significa correr, e faz referência a um caminho a ser percorrido por um “carro de corrida”. Esta definição infere-nos a ideia de que é algo a ser perseguido. Segundo Grundy, citado por Gimeno Sacristan (2000), o currículo é uma construção cultural, não um conceito. É o organizador das diferentes práticas educativas. Para Shubert, citado pelo mesmo autor, é um instrumento que tem como função guiar as experiências escolares dos alunos, que contém as responsabilidades da escola e que define os conteúdos a serem ensinados. Para Tadeu da Silva (2001, p.102), o currículo é um instrumento de “conhecimento, poder e identidade” e o mostra como uma construção sociocultural e política imbuída de todas as mazelas sociais, tais como racismo, sexismo, dentre outras formas de discriminação. Apple e Giroux, citados por este autor, demonstramno como um instrumento de divisão social que serve para reproduzir as pobrezas e misérias tanto econômicas como intelectuais. Costa (1999, p. 41) define currículo como “[...] um conjunto articulado e normatizado de saberes, regidos por uma determinada ordem, estabelecida em uma arena em que estão em luta visões de mundos e onde se produzem, elegem e transmitem representações, narrativas, significados sobre as coisas e seres do mundo”. Constata-se que o currículo é uma construção social que surgiu com o objetivo de nortear o processo educativo. Pacheco Silva (2003), em conformidade *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. com Hernandez, leva à compreensão de que é o projeto e não um plano estático, tornando-se assim um objeto flexível, adaptável de acordo com a necessidade profissional e social. O pensado e o vivido são congruentes numa mesma ação educativa. Norteador desta ação, o currículo é um instrumento que prepara o homem para identificar e solucionar os problemas a serem encontrados no decorrer da vida. CURRÍCULO DOS CURSOS A DISTÂNCIA Na educação a distância há uma concepção de tempo e espaço diferente dos cursos presenciais. Na escola ou faculdade tem-se o cenário tradicional das carteiras (enfileiradas), quadro negro, os colegas e o professor. Na educação pela Internet, há uma mudança. O estudante escolhe onde e quando estudar, pode ser no trabalho, em casa, no cômodo que lhe convir, nas lan houses, e outras possibilidades de escolha (TOSCHI, 2005). Tempo e espaço são fatores que afetam a organização curricular. Na elaboração dos currículos dos cursos pela Internet devem-se observar essas questões e outras que possam surgir. Dentre as mudanças que ocorrem de uma forma de ensino a outra está a concepção de leitura e escrita. Esses dois elementos associados aos acessos rápidos e à concepção pedagógica dos cursos são fatores que influenciam nos currículos a distância (TOSCHI, 2005). Nos cursos presenciais os currículos são estáticos, definem-se os conteúdos visando aos objetivos pré-traçados. Em um curso pela Internet o estudante tem infinita possibilidade de acesso. Numa concepção mais ampla, os conteúdos devem possibilitar a liberdade do aluno de fazer intercâmbio de ideias e buscar novas informações para compartilhar e refletir com seus colegas e professores (TOSCHI, 2005), alterando a antiga concepção de currículo. Infere-se que os currículos devem se adequar a atual realidade educativa. Até mesmo os presenciais devem rever seus conceitos e passarem a ser mais flexíveis. As facilidades de acesso e o uso das novas tecnologias exigem reestruturação, novas formas de gestão e de metodologias utilizadas na educação (KESNSKI, 2003). *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. A base curricular de um curso a distância deve ser menos extensa para possibilitar as contribuições dos estudantes. Toschi (2005) ressalta que há um descuido sobre essa questão e pouco se discute sobre o assunto. O potencial comunicativo existente na Internet deve ser valorizado, assim como a liberdade do aluno de contribuir com outros temas. Os planejamentos, além dos conteúdos, devem prever o tempo para as interações entre os alunos e alunos e entre alunos e professores, possibilitando reflexões conjuntas. A comunicatividade de um curso a distância é que faz com que seja um agregador de currículos. Se esse aspecto não for eficiente o currículo não será dinâmico (TOSCHI, 2005). Os currículos devem ser dinâmicos, flexíveis e o professor o mediador das informações trazidas pelos alunos. O docente é peça fundamental nesse processo, pois é ele quem vai mediar de forma organizada os debates oriundos da gama de informações que os alunos podem contribuir. FORMAÇÃO DE PROFESSORES A DISTÂNCIA Presencia-se um novo momento histórico nos cursos de formação de professores, busca-se capacitar em menor tempo, ou seja, há um aligeiramento dos cursos de licenciatura. As diretrizes curriculares permitem e deixam brechas legais para que as Instituições organizem seus cursos. O que se percebe é uma queda na qualidade dessa formação. Isso acarreta reflexos na educação básica. Estatísticas demonstram que há uma redução na procura pelos cursos de formação de professores devido ao desprestígio social e baixos salários (TOSCHI, 2008). Como já foi demonstrado a priori novos alunos requerem novos professores. O novo professor deve conseguir executar seu trabalho nessa realidade, ou seja, deve ser preparado. A formação inicial ou continuada nessa modalidade deve ser diferente da presencial, tal como esta se apresenta atualmente. Os cursos mediados pelas tecnologias, ministrados pela Internet podem romper com os modelos tradicionais (Ibid., 2008). De acordo com Orozco citado por Toschi (2008), a mediação tecnológica no processo de aprendizagem favorece o descobrimento (exploração) superando o modelo tradicional de reprodução. *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. As licenciaturas precisam garantir essas novas competências exigidas atualmente. Juntamente com o saber científico e pedagógico devem oferecer ao “professor condições para ser agente, produtor, operador e crítico dessas novas educações mediadas pelas tecnologias eletrônicas de comunicação e informação” (KENSKI, 2003, p.50). Um programa de educação a distância deve oferecer conteúdos atuais; identificar o que é importante para discussões; levantar reflexões polêmicas; possuir professores que visem à compreensão do alunado; o corpo docente deve ser pesquisador, buscar desenvolver pesquisas no âmbito de sua atuação. Os projetos desses cursos devem ser constantemente avaliados por todos os envolvidos, inclusive os estudantes, na busca de identificar erros e também os sucessos (LITWIN, 2001). Kenski (2003, p. 89) explicita que o espaço do professor no “mundo em rede” aumenta e não se extingue como possa parecer. São necessárias outras qualificações, que aparecem ao lado de novas oportunidades educacionais. O professor que aceite o desafio deve estar aberto a novos conhecimentos e a novas funções. É importante que se desenvolva uma política que valorize as competências do professor e reconheça sua importância indo além da formação inicial, dando melhores condições de trabalho. O ESTUDANTE DO SÉCULO XXI: NATIVO DIGITAL “Nossos estudantes mudaram radicalmente. Nosso sistema de educação não está designado a ensinar esses novos alunos” (PRENSKY, 2001, online). Os estudantes do século XXI são denominados por Prensky de “nativos digitais”. São os nativos dos tempos do computador. As pessoas que nasceram antes desse período são chamados por ele de “imigrantes digitais” (Ibdi., 2001, online) O aluno nativo digital domina as tecnologias da informação e comunicação sem dificuldades e tem facilidades para encontrar respostas ao se deparar com problemas, usa a própria tecnologia a seu favor. Esse aluno é para o professor, imigrante, um desafio. *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. Os cursos de formação de professores precisam entender a necessidade de adequação de conteúdos e metodologias associadas às tecnologias de forma a serem atrativas para esses estudantes. CONCLUSÃO O projeto político-pedagógico do curso de Licenciatura em Educação Física da instituição pesquisada, na modalidade de ensino a distância visa à formação de professores com habilidades técnico-científicas, com responsabilidade política e ética, na busca de somar esforços para promover melhorias da qualidade do ensino brasileiro na Educação Básica. Consta nos objetivos do curso que serão incorporadas as tecnologias de informação e de comunicação para serem utilizadas como mediadores de ensino e aprendizagem. No item competências e habilidades consta que o egresso deve dominar as TICs. São as únicas inferências sobre domínios e preparo do professor em formação para trabalhar com as TICs. Nas ementas das disciplinas não explicita que vão oferecer esse preparo. Além de não estar inserida nas disciplinas que compõem a matriz curricular do curso uma específica para trabalhar esse tema. Conclui-se, portanto, que os cursos de formação de professores a distância ainda não atentaram para a necessidade de preparar os professores para trabalhar com as tecnologias, embora seja um curso que dependa das TICs. Observa-se que ainda existem fronteiras a serem rompidas. REFERÊNCIAS BRACHT, Valter. Educação Física e aprendizagem social. 2 ed. Porto Alegre: Magister, 1997. BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Lei n. 9.394, de 23 de dezembro de 1996. Fixa as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: Ministério da Educação e Cultura, 1996. *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. BRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. CNE/CP 02/2002a. Disponível em: <http://www.confef.org.br.htm>. Acesso em: 20 mar. 2007. __________. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. CNE/CP 01/2002b. Disponível em: <http://www.confef.org.br.htm>. Acesso em: 20 mar. 2007. BRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Graduação em Educação Física. CNE/CES 07/2004. Disponível em: <http://www.confef.org.br.htm>. Acesso em: 20 mar. 2007. COSTA, Marisa Varraber. Currículo e política cultural. In: COSTA, Marisa Varraber (org.). O currículo nos limiares do contemporâneo. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 1999. cap. 2. p.37-68. DARIDO, Suraya C.; RANGEL, Irene Conceição Andrade (org.). Educação física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. p. 1-35. DAVID, Nivaldo A. N. A formação de professores para a educação básica: dilemas atuais para a educação física. Revista Brasileira de ciências do esporte. Campinas,SP, v. 23, n.2, p. 119-133. jan. 2002. GOODSON, Ivor F. Trad. Attílio Brunetta. Curriculo: teoria e história. 4 ed. Petrópolis,RJ: Vozes, 2001. GOODSON, Ivor F. Trad. Attílio Brunetta. Curriculo: teoria e história. 4 ed. Petrópolis,RJ: Vozes, 2001. KENSKY, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. 3 ed. Campinas, SP: Papirus, 2003. LIBANEO, José C.; OLIVEIRA, João; TOSCHI, Mirza S. Educação escolar: política, estrutura e organização. 5 ed. São Paulo: Cortez, 2007. LITWIN, Edith (org.). Educação a distância: temas para o debate de uma nova agenda educativa. Trad. MURAD, Fátima. Porto Alegre: Artimed, 2001. MALACO, Lais Helena. As disciplinas humanísticas e o currículo de educação física, segundo a percepção de alunos e docentes. MOTRIZ. V.2, n.1. jun. 1996. Disponivel em: < www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/02n1/ V2n1_ART03.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2008. MARINHO, Inezil P. Sistemas e métodos de educação física. São Paulo: Cia. Brasil Editora, 1953. *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected]. MEDINA, João Paulo S. A educação física cuida do corpo e... mente. 14 ed. Campinas, SP: Papirus, 1996. OLIVEIRA, Vitor Marinho. O que é educação física. São Paulo: Brasiliense, 2004. PACHECO SILVA, Maria Evangelina. O currículo do curso de direito: diminuindo distância entre o pensado e o vivido. 2003. Dissertação (Mestrado em Educação) Universidade de Havana, Universidade Estadual de Goiás, Anápolis. PRENSKY, Marc. Digital Natives, Digital inmigrantes. From the Horizon: NBC University Press, v. 9, n. 5. Oct. 2001. Disponível em: <http://ritla.net/index.php?option=com_content&task=view&id=Intemid=136>. Acesso em: set. 2007. SACRISTÁN, J. Gimeno. Trad. Ernani F. da F. Rosa. O currículo: uma reflexão sobre a prática. 3 ed. Porto Alegre: ArtMed, 2000. SOARES, Carmem L. et al. Metodologia do ensino de educação física. São Paulo: Cortez, 1992. __________. Educação Física: raízes européias e Brasil. 2 ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2001. TADEU DA SILVA, Tomás. Documentos de identidade: Uma introdução às teorias do currículo. 2 ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. TOSCHI, Mirza Seabra. Educação presencial e a distância: questões em aberto. In: BONIN, Iara. et allu. Trajetórias e processos de ensinar e aprender: políticas e tecnologias. XIV ENDIPE – Econtro Nacional de Didática e Prática de Ensino. Porto Alegre: ediPUCRS, 2008. Livro 4. p. 531-552. __________. Currículo em educação a distância. In: PRETI, Oreste (org.). Educação a distância - ressignificando práticas. Brasília: Líber Livro, 2005. TUBINO, Manoel José G. O esporte no Brasil, do período colonial aos nossos dias. São Paulo: IBRASA, 1996. *Especializando em Metodologia do Ensino Fundamental – CEPAE/UFG. Especialista em Metodologia do Ensino e Pesquisa na Educação Superior. Licenciada em Educação Física E-mail: [email protected].