UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS – UEG UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS CURSO ENGENHARIA CIVIL VICTOR GOMES GUIMARÃES ANÁLISE COMPARATIVA DA DEMANDA DE MÃO DE OBRA ENTRE OBRAS EM ALVENARIA ESTRUTURAL E OBRAS EM CONCRETO ARMADO PUBLICAÇÃO N°: ENC. PF-149-2011 ANÁPOLIS / GO 2011 ii VICTOR GOMES GUIMARÃES ANÁLISE COMPARATIVA DA DEMANDA DE MÃO DE OBRA ENTRE OBRAS EM ALVENARIA ESTRUTURAL E OBRAS EM CONCRETO ARMADO PUBLICAÇÃO N: ENC. PF-149-2011 PROJETO FINAL SUBMETIDO AO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS. ORIENTADORA: JULIANA LUIZA MOREIRA DEL FIACO ANÁPOLIS / GO: 2011 iii VICTOR GOMES GUIMARÃES ANÁLISE COMPARATIVA DA DEMANDA DE MÃO DE OBRA ENTRE OBRAS EM ALVENARIA ESTRUTURAL E OBRAS EM CONCRETO ARMADO PROJETO FINAL SUBMETIDO AO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE BACHAREL. APROVADO POR: _________________________________________ JULIANA LUIZA MOREIRA DEL FIACO, Msc (UEG) (ORIENTADOR) _________________________________________ JULIANO RODRIGUES SILVA, Msc (UEG) (EXAMINADOR INTERNO) _________________________________________ RODOLFO RODRIGUES DE SOUSA BORGES (UEG) (EXAMINADOR INTERNO) DATA: ANÁPOLIS/GO, 02 DE JULHO DE 2011. iv RESUMO Atualmente, a mão de obra qualificada está em falta. O Brasil vem passando por um momento de transição, pois está deixando o rótulo de país emergente para se tornar um país moderno e desenvolvido. Sabe-se que o crescimento de um país está alinhado com o desenvolvimento econômico, com a facilidade de crédito, etc. Não é possível crescer sem construir, em países desenvolvidos a infraestrutura é um fator básico e isso é fundamental para o Brasil. Mas também não se deve esquecer do bem estar social, da moradia, saúde e o lazer para a população. O governo brasileiro vem liberando crédito gradativamente para as construções de baixa renda com o programa minha casa, minha vida e muitas destas construções são feitas em alvenaria estrutural, um método alternativo de se construir. Por isso, existe a necessidade de se estudar mais este sistema construtivo para termos conhecimento de suas características, técnicas envolvidas e, principalmente, a demanda de mão de obra. Este trabalho tem como principal função fazer este estudo, com foco principal sobre a utilização da mão de obra e fazer um comparativo com o sistema de construção convencional em concreto armado. Fazendo-se levantamentos básicos, de etapas básicas, como levantamento de painéis alvenaria, passagem de eletrodutos, tubulações de água, etapas presentes nos dois métodos e com isso em mãos será feito um comparativo da demanda de mão de obra para que finalmente possamos concluir qual método é mais viável contra a escassez de qualificação profissional. Palavras chaves: Alvenaria Estrutural, Concreto Armado, Mão de Obra, Custo. v ABSTRACT Currently, skilled labor is in short supply. Brazil has been undergoing a transition, it is leaving the label of an emerging country to become a modern, developed country. We all know that the growth of a country is aligned with economic development, with the ease of credit, etc. It is not possible to grow without building in developing countries the infrastructure is a key factor and this is fundamental to Brazil. Nor can we forget the social welfare, housing, health and leisure for the population. The Brazilian government is gradually releasing credit to the construction of low income with the program my home, my life and many of these buildings are made of structural masonry, an alternative method of building. Therefore, there is a need to study this system to have constructive knowledge of its characteristics, and techniques involved, especially the demand for labor. This work has as main function to do this study, focusing primarily on the use of labor and make a comparison with the system of conventional construction with reinforced concrete. Doing surveys is basic, basic steps such as raising masonry panels, passage of conduits, water pipes, steps in these two methods, and with that in hand will be a comparison of the demand for labor so that finally we can conclude which method is more viable against the shortage of professional qualification. Keywords: Structural Masonry, Concrete, Labor Cost. vi LISTA DE FIGURAS 2.1 Passagem eletrodutos alvenaria de vedação (entulho e retrabalho) .................................... 4 2.2 Blocos de concreto .............................................................................................................. 7 2.3 Blocos cerâmicos................................................................................................................. 8 2.4 Bloco de Silico Calcário...................................................................................................... 8 2.5 Bloco autoclavado................................................................................................................ 8 2.6 Exemplo de armadura vertical............................................................................................ 11 2.7 Trabalhador depositando graute nas canaletas................................................................... 12 2.8 Aplicação graute nas cavidades verticais........................................................................... 12 2.9 Blocos família 29............................................................................................................... 13 2.10 Blocos Família 39............................................................................................................ 14 2.11 Planta Baixa modulada ( discriminação entre 1ª e 2ª fiada)............................................. 14 2.12 Modulação vertical (posição das caixas elétricas, vergas,etc)......................................... 15 2.13 A alternância entre as fiadas deixa a parede mais rígida.................................................. 15 2.14 A ilustração mostra de como deve ser feito o sistema de fôrmas para uma laje.............. 18 2.15 Sistema de fôrmas para vigas e lajes................................................................................ 19 2.16 Sistema de fôrmas para um pilar...................................................................................... 19 2.17 Confecção de estribos com auxilio de pinos.................................................................... 21 2.18 Detalhamento das ferragens de um pilar em concreto armado........................................ 23 2.19 Taxa de encargos sobre o salário do trabalhador da construção civil.............................. 27 vii LISTA DE QUADROS E TABELAS 2.1 Funções e resultados dos elementos que compõem a argamassa de assentamento ...........10 2.2 Relação entre tarefas e profissionais (alvenaria estrutural) .............................................. 24 2.3 Relação entre tarefas e profissionais (concreto armado) .................................................. 25 2.4 Relação entre os serviços e suas unidades de medida ....................................................... 29 viii LISTA DE GRÁFICOS 3.1 Instalações elétricas ........................................................................................................... 33 3.2 Alvenaria ........................................................................................................................... 34 3.3 Fôrmas e concreto.............................................................................................................. 35 3.4 Armação............................................................................................................................. 36 3.5 Instalações de água fria...................................................................................................... 38 3.6 Instalações de água fria...................................................................................................... 38 ix LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIMBOLOS % Percentual ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas BDI Benefícios e Despesas Indiretas cm centímetros CP Cimento Portland DIEESE Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos EPI Equipamento de proteção individual fck Resistência Característica do Concreto à Compressão m metros m² metros ao quadrado m³ metros cúbicos mm milímetros MPa Mega Pascal NBR Denominação de norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas TCPO Tabela de composição de preços para orçamentos x SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1 1.2 OBJETIVOS....................................................................................................................... 2 1.2.1 OBJETIVO GERAL......................................................................................................... 2 1.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS............................................................................................ 2 1.3 METODOLOGIA CIENTÍFICA..................................................................................... 3 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................................ 4 2.1 ALVENARIA ESTRUTURAL............................................................................................ 5 2.1.1 Fatores que influenciam na escolha da alvenaria estrutural.............................................. 6 2.1.2 Componentes de um sistema em alvenaria estrutural....................................................... 7 2.1.2.1 Blocos estruturais.......................................................................................................... 7 2.1.2.2 Argamassa de assentamento...........................................................................................9 2.1.2.3 Armaduras.....................................................................................................................10 2.1.2.4 Graute...........................................................................................................................11 2.2 O PROJETO DE ALVENARIA ESTRUTURAL..............................................................13 2.2.1 Modulação........................................................................................................................13 2.2.1.1 Modulação horizontal...................................................................................................14 2.2.1.2 Modulação vertical.......................................................................................................15 2.3 ESTRUTURAS EM CONCRETO ARMADO..................................................................16 2.3.1 Processo construtivo da estrutura em concreto armado...................................................17 2.3.1.1Fôrmas...........................................................................................................................17 2.3.1.2 Armaduras.....................................................................................................................20 2.3.1.3 Concretagem.................................................................................................................22 xi 2.3.2 Projetos e sequência de execução da estrutura em concreto armado...............................22 2.4 CARACTERIZAÇÃO DE UM PAVIMENTO TIPO E MÃO DE OBRA ENVOLVIDA EM SUA CONSTRUÇÃO........................................................................................................23 2.4.1 Caracterização de um pavimento tipo em alvenaria estrutural e mão de obra especifica para execução dos serviços.......................................................................................................24 2.4.2 Caracterização de um pavimento tipo em concreto armado e mão de obra especifica para execução dos serviços...............................................................................................................25 2.5 NOÇÕES BÁSICAS SOBRE OS CUSTOS RELATIVOS À MÃO DE OBRA...............25 2.6 COMPOSIÇÃO DE PREÇO..............................................................................................27 2.6.1 Produtividade e composição da mão de obra...................................................................28 2.6.2 Dados, unidades padrões e concepções finais para se montar as relações de produtividade............................................................................................................................29 3. RESULTADOS E ANÁLISES...........................................................................................30 3.1 DESCRIÇÕES DAS OBRAS............................................................................................30 3.2 INFORMAÇÕES DA TCPO 10 E CONSIDERAÇÕES SOBRE O ORÇAMENTO........30 3.2.1 Instalações Elétricas (Eletrodutos)...................................................................................31 3.2.2 Instalações hidráulicas.....................................................................................................31 3.2.3 Alvenaria..........................................................................................................................31 3.2.4 Rasgos e Enchimentos na Alvenaria................................................................................31 3.2.5 Fôrmas..............................................................................................................................31 3.2.6 Armaduras........................................................................................................................31 3.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE O ORÇAMENTO................................................................32 3.4 ANÁLISES E COMPARAÇÕES.......................................................................................32 3.5 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS...........................................................................................32 xii 3.6 PAINÉIS DE ALVENARIA................................................................................................33 3.7 FÔRMAS E CONCRETO..................................................................................................34 3.8 ARMAÇÃO........................................................................................................................35 3.9 INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA.....................................................................................36 3.10 COMPARATIVO GERAL...............................................................................................37 4 CONCLUSÃO......................................................................................................................39 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................................. 40 APÊNDICE A – LEVANTAMENTOS E CÁLCULOS DE DEMANDA DE MÃO DE OBRA DAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS............................................................................42 APÊNDICE B – LEVANTAMENTOS E CÁLCULOS DE DEMANDA DE MÃO DE OBRA DAS INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS......................................................................44 APÊNDICE C – LEVANTAMENTOS E CÁLCULOS DE DEMANDA DE MÃO DE OBRA PARA EXECUÇÃO DO PAINEL DE ALVENARIA................................................46 APÊNDICE D – LEVANTAMENTOS E CÁLCULOS DE DEMANDA DE MÃO DE OBRA PARA CONFECÇÃO DAS FÔRMAS E LANÇAMENTO DO CONCRETO.......................47 APÊNDICE E – LEVANTAMENTOS E CÁLCULOS DE DEMANDA DE MÃO DE OBRA NA CONFECÇÃO (CORTE E DOBRA) E COLOCAÇÃO DA ARMADURA....................51 APÊNDICE F – CÁLCULOS DOS INDICES PARA A ANÁLISE COMPARATIVA.........53 ANEXO A – PROJETO ARQUITETÔNICO OBRA A...........................................................54 ANEXO B – PROJETO ARQUITETÔNICO OBRA B...........................................................55 ANEXO C – PROJETO ELÉTRICO OBRA A........................................................................56 ANEXO D – PROJETO ELÉTRICO OBRA B........................................................................57 ANEXO E – PROJETO ESTRUTURAL OBRA A..................................................................58 ANEXO F – PROJETO ESTRUTURAL OBRA B..................................................................59 ANEXO G – PROJETO INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA OBRA A...................................60 ANEXO H – PROJETO INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA OBRA B...................................61 1 1 INTRODUÇÃO A engenharia é uma ciência que vem se desenvolvendo, ao longo dos anos, de uma maneira fantástica. Junto com o crescimento industrial e comercial, ela se torna uma ferramenta imprescindível para o desenvolvimento humano, transformando, de maneira direta, o meio em que se vive em um lugar mais confortável e organizado. Todo este desenvolvimento gerou um crescimento econômico, que por sua vez transformou o mercado em um setor bastante competitivo. Com isso, as empresas estão em busca de alternativas viáveis financeiramente, para assim poderem ampliar a lucratividade e o capital de giro. As construtoras não ficam fora desta concepção mercadológica estão em busca de novos meios para poderem acelerar a produção, reduzir custos, mas sem gerar queda na qualidade das edificações. A construção civil exige sempre uma melhora na utilização da mão-de-obra e dos materiais envolvidos na produção. De modo que isso resulte em agilidade, redução de desperdícios e em ganho nos lucros. Vários métodos construtivos, equipamentos estão sendo melhorados a cada ano e um desses métodos é a alvenaria estrutural, que usualmente, tinha uma demanda somente nas construções com alvo social, mas com seu uso disseminado, mostrou-se capaz de suprir as necessidades das construções de médio e alto padrão. Muitas empresas, atualmente, estão utilizando a alvenaria estrutural, porém a grande maioria ainda constrói por meio do sistema convencional (concreto armado). Talvez pela falta de conhecimento em relação ao sistema de alvenaria estrutural, que comprovadamente tem um custo (material) menor do que o sistema por meio do concreto armado. Quando se compara os gastos materiais entre os dois processos, a alvenaria estrutural chega a ser 30% mais barato (SOARES, 2008). Outro fator importante que se deve considerar são os custos de mão-de-obra. A mãode-obra influencia todas as áreas de um empreendimento, seu bom desempenho leva ao sucesso comercial, porém quando há uma má administração pode acarretar em perdas grandiosas. E é com esse intuito que se baseia a realização deste trabalho: mostrar a influência que as escolhas tem sobre o custo final do produto. Através da coleta de dados, mostrar a diferenciação entre dois sistemas muito usuais nos dias de hoje e compará-los quanto aos custos de mão-de-obra. 2 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 OBJETIVO GERAL Analisar dois sistemas construtivos, alvenaria estrutural e estrutura em concreto armado para se chegar a conclusão em relação a dos métodos se tem uma menor demanda de mão de obra e consequentemente, menor gasto. 1.2.2 OBJETIVOS ESPECÌFICOS a) Comparar os dois sistemas construtivos, o desenvolvido através de alvenaria estrutural e o baseado em estruturas em concreto armado. b) Levantar dados (custos e medidas) em obras que estão sendo realizadas nas cidades de Anápolis e Goiânia. c) Analisar quantitativamente e confeccionar gráficos que demonstrem a relação de demanda de mão de obra por área de construção. 3 1.3 METODOLOGIA CIENTÍFICA Foi realizada a apresentação dos métodos de construção em alvenaria estrutural e em concreto armado. Para isso, fez-se uma pesquisa bibliográfica, sobre os dois métodos, juntamente, consultada processos de orçamento, tabela de composição de preços, normas, além de consulta a encargos trabalhistas e medição realizada através de projetos. Toda base de comparação realizou-se através de dados colhidos nos projetos referentes às obras residenciais, sendo que elas foram executadas em Goiânia e Anápolis. No total analisaram-se duas obras (uma em Alvenaria Estrutural e uma em concreto armado), buscando-se uma maior igualdade possível entre os padrões sociais destas obras. A amostra base foi realizada em um pavimento tipo de uma habitação coletiva, posteriormente, dentro desta amostra analisou-se a composição da mão de obra necessária para a construção deste pavimento. Não foi considerada a parte de acabamento, somente as partes estruturais, de vedação, partes elétricas (passagem de eletrodutos) e as tubulações hidráulicas. O processo foi medido através de projetos, levando-se em consideração a quantidade de serviço executado. Posteriormente, foi consultada na TCPO 10 a demanda de mão-de-obra necessária para a execução de cada um dos serviços. E finalmente, fez-ser uma análise dos dados calculados e pôde-se chegar a uma conclusão por intermédio de gráficos e análises de qual o método construtivo que tem a melhor relação horas de trabalho dos profissionais por metro quadrado construído. Assim quanto aos fins, a pesquisa foi descritiva e explicativa e quanto aos meios a pesquisa foi um estudo de caso, uma pesquisa de campo e também bibliográfica. O universo da pesquisa foram duas obras, uma de alvenaria estrutural e outra em concreto armado. Para a coleta de dados utilizou-se livros, artigos científicos, a TCPO 10, fotografias. Para o tratamento de dados foi realizada uma análise financeira de custos, construção de gráficos (Excel, Microsoft), permitindo uma análise quantitativa e qualitativa das informações. 4 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Segundo o DIEESE, a boa situação econômica brasileira leva as empresas construtoras, que estão em busca de tirar proveito desta fase, a buscarem um meio rápido de construir sem aumentar demasiadamente os gastos com insumos, equipamentos e mão de obra. A alvenaria estrutural é um método construtivo em que se pode aliar a simplicidade da produção com o tempo, porém a mão de obra presente no Brasil está mais habituada ao sistema estrutural em concreto armado (MANZIONE, 2004). Neste entrave, gera-se uma grande dúvida: qual sistema teria uma melhor relação entre custo versus beneficio? As semelhanças entre os dois métodos são poucas: a parte estrutural da alvenaria estrutural é o próprio elemento de vedação, no caso as paredes, já no sistema em concreto armado os elementos estruturais e de vedação são independentes. Quando existe a necessidade de se passar as tubulações elétricas na alvenaria estrutural, isso deve ser feito juntamente com a execução das fiadas, no concreto armado, primeiramente, deve-se subir as fiadas de tijolos para depois fazer a passagem das tubulações, fato que gera um retrabalho e um desperdício de material (ARAÚJO, 2001). Figura 2.1 - Passagem eletrodutos alvenaria de vedação (entulho e retrabalho). Fonte: Direta, 2009. Embora existam algumas vantagens da alvenaria estrutural em relação ao concreto armado, o segundo sistema propicia uma mudança arquitetônica mais dinâmica em relação ao primeiro e a parte da arquitetura é um fundamento muito importante na parte comercial das obras residenciais (CLÍMACO, 2005). 5 2.1 ALVENARIA ESTRUTURAL A definição de alvenaria estrutural vem da junção entre estrutura e vedação. É um processo construtivo em que as paredes suportam as cargas provenientes das lajes e repassam para a fundação. A parede estrutural é formada por blocos cerâmicos ou de concreto, com resistência mínima de 4,5 MPa. O principal conceito estrutural ligado à utilização de alvenaria estrutural é a transmissão de ações através de tensões de compressão (RAMALHO & CORRÊA, 2003). O dimensionamento é feito através de modelos matemáticos que simulam os efeitos das sobrecargas, dos ventos e o peso próprio de todo o sistema. Na alvenaria estrutural as paredes são responsáveis por suportarem as cargas, assim com as vigas e os pilares fariam em um sistema em concreto armado, em aço, madeira, etc. O processo construtivo em alvenaria estrutural é empregado na construção de edifícios que se caracterizam por uma estrutura suporte de sistema tridimensional, segundo métodos racionais e de confiabilidade determinável (ARAÚJO, 1995). Segundo a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) NBR 10837:1989, existem três tipos de construção em alvenaria estrutural: a) Alvenaria estrutural armada: são aquelas em que se empregam os blocos de concreto ou cerâmico, juntamente com uso de argamassa de assentamento. Além do uso de aço nos locais destinados ao “depósito” do graute. Essa armadura tem o objetivo de absorver esforços previamente calculados. b) Alvenaria estrutural não armada: são aquelas em que se usam os blocos e concreto ou cerâmico, juntamente com uso de argamassa de assentamento. E não tem uso de aço no auxílio de absorção de esforços, todas as cargas são suportadas pelas paredes (também pelas cavidades preenchidas com o graute). c) Alvenaria estrutural parcialmente armada: são aquelas em que algumas paredes possuem as armaduras e outras não. Fazendo-se um misto entre os dois sistemas. Existem algumas normas que fazem referência ao sistema em alvenaria estrutural e também ao controle de fabricação dos blocos, as mais importantes são: a) ABNT NBR 8798:1985 - Execução e Controle de Obras em Alvenaria. Estrutural de Blocos Vazados de Concreto; 6 b) ABNT NBR 8215:1983 - Prismas de blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural. Preparo e ensaio à compressão; c) ABNT NBR 10837:1989 - Cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto. O desempenho da estrutura está diretamente relacionado com a qualidade dos blocos. Todo o controle de qualidade é imprescindível para se manter uma estrutura estável e de confiança. 2.1.1 Fatores que influenciam na escolha da alvenaria estrutural Alguns fatores importantes devem ser previamente consultados antes de se construir utilizando-se o sistema em alvenaria estrutural. Todo o estudo realizado deve prever que a segurança da edificação fique em primeiro plano, portanto, existem algumas limitações quando se vai construir utilizando este processo. Existem três fatores que devem ser considerados antes de se utilizar do sistema em alvenaria estrutural (RAMALHO E CORRÊA, 2003): a) Altura da Edificação – O método é recomendado para edifícios com no máximo de 16 pavimentos, já que para edificações com mais pavimentos solicitariam um fck muito alto para os blocos e a disponibilidade desses blocos e o custos se elevariam muito, inviabilizando o processo construtivo. Porém, existem edifícios mais altos com alto custo também. b) Arquitetura – O uso da alvenaria estrutural impõe alguns limites arquitetônicos, já que os vãos são limitados pelas lajes, que geralmente são pré-moldadas e futuramente as paredes não poderão ser modificadas já que fazem parte da estrutura. Recomenda-se o uso de 0,5 a 0,7 m de parede estrutural por metro quadrado de construção. c) Uso futuro da edificação – As obras em alvenaria estrutural não são recomendadas para edifícios de alto padrão e comerciais, pois isso elevaria demasiadamente a densidade das paredes, tornando-se inviável a sua utilização. Por isso, o uso da alvenaria estrutural é mais apropriado em habitações de baixo ou de médio padrão em que as características são compatíveis com as capacidades técnicas da estrutura. 7 2.1.2 Componentes de um sistema em alvenaria estrutural Basicamente, o método é formado pelos blocos, argamassa de assentamento, pelas armaduras e pelo graute. 2.1.2.1 Blocos estruturais Os blocos são os principais elementos que compõem a estrutura de um sistema em alvenaria estrutural. Todo o controle de qualidade deve ser rigorosamente seguido para que não haja eventuais problemas futuros que possam acarretar em diminuição da segurança. Quando se vai construir uma parede em alvenaria estrutural o projetista já tem prédefinidas as peças que podem fazer tal composição, os blocos são classificados em bloco, meio bloco e canaletas. No Brasil, somente o bloco de concreto possui uma norma homologada na ABNT, os demais blocos, como o cerâmico, autoclavado e o sílico-calcário utilizam-se de normas estrangeiras para serem fabricados. Abaixo segue uma descrição dos blocos mais utilizados no Brasil (SOARES, 2008): a) Bloco de concreto – É o mais utilizado, já que possui uma norma brasileira específica para se efetuar o cálculo da alvenaria estrutural. Assim como as peças feitas de concreto, possui boa resistência à compressão. O mínimo recomendado pela norma ABNT NBR 6136:2006 é de 4,5 MPa, mas podem atingir até 16 MPa. Figura 2.2 – Blocos de concreto. Fonte: http://www.telhacol.com.br, 2010. b) Bloco cerâmico – É mais leve do que o bloco de concreto, porém se não houver um controle de fabricação pode não atingir índices de resistência tão bons quanto aos de concreto e com dimensões compatíveis com a família dos blocos. 8 Figura 2.3 – Blocos cerâmicos. Fonte: http://www.revistatechne.com.br, 2010. c) Bloco de sílico-calcário – Possuem um bom isolamento térmico. É muito utilizado na Europa, onde a alvenaria estrutural não armada é mais tradicional. No Brasil, são fabricados com resistência de 6 MPa, que são indicados para alvenaria estrutural armada e em 10 MPa indicados para alvenarias não armadas. Possui peso específico maior que o bloco cerâmico. Existem blocos com resistência de 60 MPa. Figura 2.4 – Bloco de Sílico Calcário. Fonte: http://www.inout-search.com, 2010. d) Bloco de concreto celular autoclavado – Feito de materiais finos de alumínio, cal e areia silicosa. O uso de altas temperaturas e pressão para hidratar o cimento definem o autoclave. É o menos empregado, já que é maciço o que impede de armar a estrutura. Este bloco é leve, porém sua resistência à compressão máxima é de 6 MPa, fato que inviabiliza a construção de prédios altos. Possui bom isolamento acústico e boa resistência ao fogo. Figura 2.5 – Bloco autoclavado. Fonte: www.atualle.com.br, 2009. Para garantir a qualidade dos blocos é necessário que haja no canteiro um espaço reservado para armazenagem com segmentação dos blocos por tipo e classes de resistência. 9 No recebimento do material, a verificação deve ser realizada visualmente antes e durante o descarregamento. Os blocos devem ser homogêneos, compactos, terem cantos vivos, sempre livres de trincas e imperfeições que possam prejudicar o assentamento ou afetar a resistência e a durabilidade da construção. No canteiro de obras, assim que os blocos são recebidos, devem ser separadas amostras para cada lote, para que sejam encaminhadas a um laboratório e ensaiadas. É importante que as amostras sejam coletadas aleatoriamente, representando as características do lote, seguindo as quantidades estabelecidas pela ABNT NBR 6136:2006. As amostras coletadas serão marcadas identificando a data de coleta e o lote e posteriormente enviadas a um laboratório para os ensaios. (RAMALHO E CORREA, 2003) 2.1.2.2 Argamassa de assentamento A argamassa de assentamento é responsável pela união entre os elementos que compõem a alvenaria: os blocos. Ela é formada basicamente por cimento, areia, cal hidratada e água. Os principais objetivos de se utilizar a argamassa são: unir os blocos de maneira eficaz para que as tensões possam ser dissipadas de maneira uniforme, absorver pequenas deformações que as alvenarias estão sujeitas, compensar desvios dimensionais dos blocos e selar a entrada de água e vento (SOARES, 2008). Segundo Roman, Cada um dos componentes da argamassa possui uma função muito importante para que no final ela tenha algumas características fundamentais. O cimento tem como principal função a resistência da argamassa, além de dar trabalhabilidade, reter água e aumento da aderência. Quando utilizado em excesso causa retração da argamassa, gerando trincas. Os melhores cimentos são aqueles que possuem uma maior superfície especifica no caso os cimentos CP III e CP IV, pois deixam as argamassas com uma maior retenção de água e, portanto, com trabalhabilidade melhor (ROMAN, 2000). A areia tem como principal benefício a redução de custos, por ser um agregado inerte, ele compõe a argamassa sem causar danos, além de diminuir os efeitos causados pelo excesso de cimento. As areias finas são mais indicadas para a confecção da argamassa, pois geram uma melhor aderência (ROMAN, 2000). A cal hidratada gera uma melhor plasticidade, retenção de água, coesão e extensão de aderência. Esses fatores levam a uma melhor trabalhabilidade e redução no número de fissuras e trincas (ROMAN, 2000). A água propicia o endurecimento da argamassa hidratando o cimento. É o agente direto da trabalhabilidade (ROMAN, 2000). 10 No quadro 2.1 mostra-se um resumo das funções e os resultados esperados de cada um dos componentes da argamassa. Função Resultado Esperado COMPONENTE Cimento - Resistência - Endurecimento lento - Aderência - Capacidade de absorver pequenas cargas - Colaborar com a trabalhabilidade e retenção de água - Argamassa com melhor qualidade Cal Hidratada - Plasticidade - Retenção de água - Coesão - Extensão de aderência Areia - Aumentar rendimento (Reduzir custos) - Reduzir os efeitos do excesso de cimento - Aumento da aderência - Hidratação do cimento - Condicionar boa trabalhabilidade Água Quadro 2. 1 - Funções e resultados dos elementos que compõem a argamassa de assentamento. Fonte: ROMAN, 2000. As argamassas podem ser divididas em dois estados: fresco e endurecido. No estado fresco as principais propriedades que as argamassas de assentamento devem apresentar são: boa trabalhabilidade, retenção de água, boa consistência e um tempo de endurecimento suficiente para se assentar os blocos sem alterar suas propriedades. Já no estado endurecido, apresentar boa aderência e uma considerável resistência à compressão (SOARES, 2008). 2.1.2.3 Armaduras As armaduras empregadas na alvenaria estrutural possuem a função de absorver esforços de tração atuantes nas paredes, tanto na tração pura como na flexão. Geralmente, são dispostas na vertical e na horizontal, dentro das cavidades dos blocos estruturais. São envolvidas pelo graute, que proporciona uma melhor aderência entre aço e a estrutura. O diâmetro da armadura deve ser de no mínimo 3,8 mm, não ultrapassando a metade da espessura da junta (RAMALHO E CORRÊA, 2003). 11 Figura 2.6 – Exemplo de armadura vertical. Fonte: Direta, 2008. 2.1.2.4 Graute O graute é composto dos mesmos elementos que compõem o concreto. Só que no preparo do graute existem restrições em relação aos agregados. O agregado graúdo nunca poderá ultrapassar 12,5 mm e deve ter no máximo 15 % do seu volume com retido na peneira de 9,3 mm. O agregado miúdo deve ter o modulo de finura entre 2 e 3 (ROMAN, 2000). Segundo a ABNT NBR 10837:1989, o graute deve ter sua resistência característica maior ou igual a duas vezes a resistência característica do bloco. O graute deve ser fluído para que o furo do bloco possa ser preenchido sem falhas, bastando à compactação com o próprio ferro do furo (se houver), para adensá-lo convenientemente. Também pode ser utilizado vibradores de agulha de pequeno diâmetro. Dentre as funções do graute duas se destacam mais: solidarizar a armadura com a parede estrutural e também absorver esforços de compressão. Para que o graute exerça suas funções perfeitamente é importante ficar atento a algumas propriedades: 12 a) Consistência – Esta propriedade deve se adequar de tal forma que haja uma facilidade para se preencher as cavidades dos blocos, porém não muito fluído evitando assim a separação de seus constituintes. É medida pelo “Slump” test (NBR NM 67:1996 - Concreto - determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone). b) Retração – A retração dever ser muito baixa nas primeiras idades, pois evita o descolamento do concreto da parede. Figura 2.7 – Trabalhador depositando graute nas canaletas. Fonte: http://www.equipaobra.com.br, 2010. Figura 2.8 – Aplicação graute nas cavidades verticais. Fonte: SOARES, 2008. 13 2.2 O PROJETO DE ALVENARIA ESTRUTURAL O projeto de alvenaria estrutural reúne todas as informações para que se possa executar a parte da estrutura da obra, consequentemente, informações sobre as paredes e aberturas. Ele também deve conter dados sobre a parte hidráulica e elétrica, para que não haja possibilidade de erros na execução destas etapas, já que na alvenaria estrutural a passagem de eletrodutos e tubulações ocorrem simultaneamente com a subida das fiadas. Deve conter dados construtivos tais como: encontro entre paredes, juntas de controle, etc. (MANZIONE, 2004). 2.2.1 Modulação Segundo a ABNT NBR 6136/1994, a modulação é uma interação entre as dimensões dos ambientes com as dimensões dos blocos estruturais. Os blocos são divididos em famílias que se diferem pelas dimensões e de como será elaborada as medidas do projeto arquitetônico. A família 29 é composta de três elementos básicos: o bloco 29 (14x19x29 cm), o bloco 14 (14x19x19 cm) e o bloco 44 (44x19x14 cm). Com a família 29 deve-se projetar usando dimensões múltiplos de 15, onde 15 é a medida do bloco de 14 cm mais 1 cm de espessura das juntas. Na figura 4.9 podemos ver os blocos da família 29. Figura 2.9 – Blocos família 29. Fonte: Associação Brasileira de Cimento Portland, 2008. A família 39 é composta de três elementos básicos: o bloco 39 (39x19 cm) e largura variável, o bloco 19 (19x19 cm) e largura variável e o bloco 54 (54x19 cm) e largura variável. Para a família 39 é necessário usar dimensões múltiplos de 20, onde 20 é a medida do bloco de 19 cm mais 1 cm de espessura das juntas. No caso da família 39, os blocos podem ter largura de 14 ou 19 cm. Na figura 4.10 temos os blocos da família 39. 14 Figura 2.10 – Blocos Família 39. Fonte: Associação Brasileira de Cimento Portland, 2008. 2.2.1.1 Modulação horizontal A modulação horizontal define as dimensões reais dos ambientes em relação às áreas, ou seja, define largura e comprimento. É importante conter na modulação horizontal a 1ª e a 2ª fiada, as demais fiadas são repetições dessas duas que vão sendo executadas alternadamente. Além do mais, essa modulação permite ao executor da obra fazer a marcação da alvenaria. É de suma importância o uso do esquadro e da linha para se executar esta modulação (RAMALHO E CORRÊA, 2003). Na figura 2.11 temos um exemplo de modulação horizontal. Figura 2.11 – Planta Baixa modulada ( discriminação entre 1ª e 2ª fiada). Fonte: BRICKA, 2009. 15 2.2.1.2 Modulação vertical A modulação vertical define o número total de fiadas, consequentemente, a altura do pé direito. Mostra-se a disposição das canaletas que irão compor a fiada mediana e a última fiada, além das vergas e contra-vergas. Também deve conter informações sobre as aberturas, posição das tomadas e interruptores, etc. É importante o uso do prumo e do nivelador. Na figura 2.12, tem-se um exemplo de modulação vertical. Figura 2.12 – Modulação vertical (posição das caixas elétricas, vergas,etc). Fonte: BRICKA, 2009. Figura 2.13 – A alternância entre as fiadas deixa a parede mais rígida. Fonte: PRUDÊNCIO, OLIVEIRA E BEDIM. Alvenaria Estrutural de Blocos de Concreto, 2002. 16 2.3 ESTRUTURAS EM CONCRETO ARMADO O sistema concebido pela estrutura de concreto armado é o mais utilizado no mundo e também é o sistema mais estudado. É considerado como se fosse um sistema convencional de estrutura. O concreto armado é usado há mais de 150 anos, mas só passou a possuir embasamentos técnicos em menos 100 anos. A principal característica que se deve levar em conta em relação ao concreto armado é a “perfeita” combinação entre concreto, que tem uma resistência muito boa em relação à compressão e o aço, elemento que tem grande resistência à tração. O consumo de concreto chega a 6 bilhões de toneladas por ano, ou seja, quase uma tonelada por habitante por ano. O concreto possui baixa resistência à tração por isso existia a necessidade de se utilizar um conjunto entre concreto e aço. O aço possui uma boa resistência à tração tanto quanto à compressão, porém o aço se mostra instável quando submetido à compressão (MEHTA E MONTEIRO, 1994). O que garante um bom desempenho entre esses dois elementos é a boa aderência entre ambos, o que garante um funcionamento conjunto, sem deslizamento, quando um ou outro material é solicitado, ou os dois são solicitados. Outros dois fatores são de extrema importância: o coeficiente de dilatação térmica e a proteção física e química oferecida pelo concreto. O coeficiente de dilatação térmica do concreto é praticamente igual ao do aço e o concreto, por ser um meio alcalino, oferece toda proteção contra corrosão necessária para o aço (MEHTA & MONTEIRO, 1994). Basicamente, para se construir utilizando-se da estrutura em concreto armado são necessários três elementos básicos: aço, madeira e concreto. Todos esses componentes são fundamentais na confecção das peças estruturais (pilares, vigas e lajes). A madeira é utilizada para dar formas aos elementos, já o aço é utilizado ativamente na parte estrutural juntamente com o concreto. Quando se deseja construir uma estrutura em concreto armado devem-se considerar alguns fatores que podem influenciar positivamente ou negativamente. O concreto armado proporciona uma variedade muito grande das formas arquitetônicas, durabilidade das construções boa resistência mecânica, porém o grande consumo de madeira e as fissurações são problemas que, algumas vezes, causam dificuldades. 17 2.3.1 Processo construtivo da estrutura em concreto armado Todo o processo construtivo é feito através das fôrmas, armaduras e o concreto. A sequência deve ser a seguinte: montagem das armaduras com aço, moldagem das fôrmas seguindo o projeto estrutural com a utilização de madeiras e, finalmente, preparo do concreto e lançamento. Abaixo está uma definição e as funções esperadas de cada um desses itens (BARROS E MELHADO, 1998). - Fôrmas – são feitas em madeira ou metais. As principais funções das fôrmas são: dar a forma geométrica esperada ao concreto e abrigá-lo até que ele tenha resistência suficiente para sustentar a si próprio. - Armaduras – são montadas pela dobragem do aço e também por barras inteiriças. As armaduras servem para absorver esforços provenientes do uso da estrutura, principalmente, esforços de tração. - Concreto – é uma mistura entre cimento, areia, brita e água. Todo o preparo do concreto deve ser feito com muito cuidado, obedecendo-se as medidas para que o produto final tenha a resistência esperada. A principal função do concreto é absorver os esforços de compressão, além de proporcionar uma proteção física e química ao aço. 2.3.1.1 Fôrmas A produção da estrutura de edificações necessita das fôrmas para moldagem e sustentação provisória das lajes, vigas, pilares, etc. As fôrmas são elementos de uso temporário, porém não dispensam alguns requisitos essenciais para a segurança da estrutura e dos trabalhadores que a executam. Os seguintes esforços atuam nas fôrmas: peso próprio, peso do concreto e do aço, empuxo do concreto e sobrecarga dos trabalhadores e dos equipamentos (BARROS E MELHADO, 1998). Quando se vão escolher as madeiras, para se fazer as fôrmas, elas devem ter algumas propriedades e requisitos básicos para que possam exercer suas funções sem gerar problemas futuros. a) Resistência – toda madeira deve resistir e sem deformar aos efeitos causados pela sobrecarga, pelo peso do aço e do concreto, ao peso dos equipamentos, empuxo, etc. 18 b) Geometria regular – atender as especificações do projeto estrutural, para que as peças estruturais não fiquem com dimensões diferentes das que estão propostas no projeto. c) Textura superficial regular - para que as peças não fiquem com as superfícies irregulares. d) Baixa aderência ao concreto – essa propriedade permite a retirada da fôrma sem que haja problemas de “colagem” entre madeira e concreto. e) Estanqueidade – qualquer perda de água que o concreto sofra pode interferir na sua resistência. Segundo Fajersztajn (1987), o sistema de fôrmas possui 4 elementos: o molde, estrutura do molde, escoramento e as peças acessórios. O molde tem como função caracterizar a peça e está em contato direto com o concreto, define a forma e textura das partes estruturais. A estrutura do molde é responsável por travar e dar a sustentação necessária quando o molde estiver submetido pelas ações da concretagem e da atividade dos trabalhadores. É constituída pelas gravatas, sarrafos, painéis e travessões. Escoramento é a parte de suporte das fôrmas, responsável por transmitir os esforços para algum local que possa dar sustentação, são as guias, pé direito e pontaletes. Já os acessórios são componentes tais como o nivelador, prumo. Para se executar a concretagem de uma laje o seguinte conjunto deve estar preparado: os painéis, as guias, pés-direitos e os calços, conforme figura 2.14. Figura 2.14 – A ilustração mostra de como deve ser feito o sistema de fôrmas para uma laje maciça. Fonte: FAJERSZTAJN,1987. 19 A execução das fôrmas das vigas requer o molde da viga (faces e fundo), gravatas e os pontaletes (pés-direitos). A figura 2.15 mostra um esquema de fôrmas para concretagem de vigas e lajes. Figura 2.15 – Sistema de fôrmas para vigas e lajes. Fonte: Cimento e Concreto, 1944. Para os pilares o madeiramento principal conta com as faces do pilar, as gravatas, trava do pé do pilar e os sarrafos. A figura 2.16 mostra a fôrma de um pilar. Figura 2.16 – Sistema de fôrmas para um pilar. Fonte: FAJERSZTAJN, 1987. 20 2.3.1.2 Armaduras As armaduras são elementos estruturais importantíssimos, pois exercem uma função estrutural de grande importância. O aço tem uma grande resistência à tração e é usado também para resistir esforços de cisalhamento. Apesar de todas essas características favoráveis, as armaduras não dispensam o concreto, pois ele oferece toda proteção e estabilidade essencial para o aço. Quanto ao preparo das armaduras, vários fatores devem ser cuidadosamente verificados para que não haja problemas com a qualidade do aço. O primeiro cuidado a ser tomado deve ser no ato do recebimento das barras, verificar se elas estão uniformes, sem oxidação e se estão conforme as especificações da solicitação de compra. Posteriormente, deve-se tomar cuidado com o armazenamento, o aço não pode ficar exposto a intempéries, não deve ficar em contato com o solo e não ficar distante do local onde será feito o manuseio do aço. O preparo da armadura é feito pelo profissional responsável: o armador. A primeira etapa para se preparar as armaduras é fazendo os cortes das barras. Alguns equipamentos são utilizados para tal procedimento: os tesourões, talhadeiras e as máquinas de corte com disco. O tesourão e a talhadeira são equipamentos manuais que apresentam um grau de dificuldade de manuseio mais elevado do que as máquinas de corte, porém a máquina possui um custo maior do que os outros equipamentos. Há também uma grande necessidade de se contar com um profissional com alta capacidade, pois o corte do aço é muito perigoso e se feito sem o devido planejamento pode acarretar em desperdício, já que o aço é um insumo muito caro. O profissional também deve estar capacitado ao preparo das armaduras, depois do corte, vem o dobramento das barras, que é feito sobre uma bancada com pinos, que auxiliam nas dobras. Veja a figura 2.17 que detalha a explicação. 21 Figuras 2.17 – Confecção de estribos com auxilio de pinos. Fonte: FAJERSZTAJN, 1987. A primeira etapa da armadura inicia-se com a ligação, através de arame recozido, entre as barras e os elementos que foram dobrados. Na armação de um pilar existem as barras longitudinais e as barras transversais. As barras longitudinais são apenas cortadas no tamanho que está descrito no projeto e as barras transversais serão cortadas primeiramente, depois são dobradas, formando assim os estribos. Na disposição das armaduras sobre as fôrmas para concretagem, o funcionário responsável pelo acompanhamento e fiscalização do preparo da armadura deve-se atentar a dois problemas graves: a falta de cobrimento da armadura, que pode causar problemas de corrosão ao aço e o posicionamento das armaduras, fato que pode inverter a posição armadura, passando-a de negativa para positiva ou vice-versa. Para se evitar tais problemas o uso de espaçadores é fundamental, ele é conectado na armadura e apoiado na face das fôrmas, 22 desta maneira o cobrimento especificado no projeto será obedecido (BARROS E MELHADO, 1998). 2.3.1.3 Concretagem A concretagem é a última etapa do preparo da parte estrutural. A concretagem requer alguns cuidados fundamentais para se evitar um retrabalho, desperdício, consequentemente, uma perda significativa de tempo. Essa etapa da estrutura é simples, porém se feito de modo incorreto pode gerar prejuízos de grandes proporções. Primeiramente, o lançamento do concreto deve ter o acompanhamento de um profissional capacitado tecnicamente, depois se devem umedecer as fôrmas. O lançamento do concreto exige um cuidado especial, pois os elementos não podem segregar (processo patológico de separação entre pasta e os agregados), nem deformar as fôrmas, romper os eletrodutos ou desmanchar as armaduras, por isso deve-se lançar o concreto de uma maneira constante e evitar acúmulos que possam causar uma sobrecarga no madeiramento. Recomenda-se o acompanhamento de um eletricista e um armador, pois caso ocorra algum problema esses profissionais poderão reparar o dano sem prejudicar o serviço. Quando o lançamento for para moldagem de pilares, deve-se dividir o procedimento em três etapas e a cada etapa de lançamento passar o vibrador para que o concreto possa adensar de maneira uniforme. Já nas vigas deve-se lançar em um comprimento de 50 cm, passar o vibrador e regularizar a superfície. Nas lajes pode-se lançar e com a ajuda de enxadas espalhar o concreto, passar o vibrador e sarrafear a superfície para evitar irregularidades. 2.3.2 Projetos e sequência de execução da estrutura em concreto armado Quando o projetista for elaborar os projetos referentes às estruturas, as instalações hidro-sanitárias e elétricas, ele deverá seguir as normas de execução de cálculos referentes a cada um dos projetos. Para se confeccionar um projeto de boa qualidade, o responsável pela elaboração deve se preocupar em colocar informações suficientes para que os executores não tenham nenhuma dúvida durante a execução dos serviços (BARROS E MELHADO, 1998). Segundo a ABNT NBR 12722/1992, o projeto estrutural deve constar a locação e as cargas dos pilares, características dos materiais empregados, plantas de formas de todo o projeto estrutural nas quais devem constar as seguintes indicações: Qualidade do concreto, e a qualidade dos aços empregados, tipos de acabamentos especiais constantes do projeto arquitetônico (concreto aparente, liso ou aplicado, etc), contra flecha e sobrecargas especiais; 23 qualquer outra indicação que torne mais claro o projeto estrutural e as limitações de uso. Desenhos de todas armações dos elementos do projeto, detalhes nas devidas escalas. A figura 2.18 mostra o detalhamento do aço de um pilar. Figura 2.18 – Detalhamento das ferragens de um pilar em concreto armado. Fonte: Blog Engenheiro Cirillo Junior, 2010. Depois do recebimento dos projetos, começa uma execução lógica da parte estrutural. Como modelo será utilizado os procedimentos para se construir a estrutura de um pavimento tipo. E as etapas são: a) Madeiramento – Cortes e verificações das fôrmas dos pilares; b) Montagem das armaduras dos pilares; c) Montagem das fôrmas dos pilares; d) Liberação dos pilares; e) Concretagem dos pilares; f) Montagem das fôrmas das vigas e das lajes; g) Montagem das armaduras; h) Liberação para concretagem das vigas e lajes; i) Desforma. 2.4 CARACTERIZAÇÃO DE UM PAVIMENTO TIPO E MÃO DE OBRA ENVOLVIDA EM SUA CONSTRUÇÃO 24 É complicado se definir quais elementos compõem um pavimento tipo, porém sabe-se que um pavimento tipo é que aquele que se repetem mais vezes que os demais pavimentos, segundo o site da Patrimóvel (http://patrimovel.com.br). Portanto, em um edifício residencial, que será a base da análise, os pavimentos tipos serão os pavimentos destinados a construção dos apartamentos. Tomando como base esta “definição”, compõem-se, de um modo geral, os elementos que fazem a composição básica de um pavimento tipo: estrutura (pilares, vigas, lajes, etc.), vedação (alvenarias), eletrodutos e as tubulações. Ou seja, a partir do momento que o apartamento estiver liberado para se iniciar a parte de acabamento então se termina a definição de um pavimento tipo, não entram nesta definição a parte de preparo para pinturas e revestimentos, tais como chapisco, reboco, massa pva, etc. A mão de obra básica para se construir um pavimento tipo é composta por carpinteiros, armadores, pedreiros, serventes, encanadores e eletricistas (TISAKA, 2006). 2.4.1 Caracterização de um pavimento tipo em alvenaria estrutural e mão de obra especifica para execução dos serviços Um pavimento tipo em alvenaria estrutural seria definido pelas paredes, que já compõem a parte de vedação e estrutural, passagem dos eletrodutos, passagem das tubulações e a colocação da laje superior. O quadro abaixo mostra etapa por etapa e o profissional responsável pela construção de um pavimento tipo. Etapas Profissional (is) Responsável (is) Marcação das fiadas Pedreiros e Serventes Fixação das armaduras verticais Profissional Habilitado Inicio da execução das fiadas Pedreiros e Serventes Passagem Eletrodutos (baixo para cima) Eletricista Grauteamento das vergas Pedreiros e Serventes Assentamento das canaletas Pedreiros e Serventes Disposição dos aços nas canaletas Profissional Passagem de eletrodutos (cima para baixo) Eletricista Grauteamento das canaletas Pedreiros e Serventes Fabricação das lajes pré-moldadas Armador, eletricista, pedreiros e serventes Ligações finais dos eletrodutos Eletricista Execução parte hidráulica Encanador Quadro 2.2 – Relação entre tarefas e profissionais (alvenaria estrutural). Fonte: TCPO 10, 1996. 25 2.4.2 Caracterização de um pavimento tipo em concreto armado e mão de obra especifica para execução dos serviços O pavimento tipo de uma edificação feita em concreto armado tem como base os pilares, as vigas e a laje superior. Também se deve considerar as paredes, as tubulações hidráulicas e os eletrodutos devidamente chumbados. O quadro abaixo mostra cada uma das etapas e os profissionais envolvidos em cada uma delas. Etapas Profissional (is) Responsável (is) Locação dos pilares Profissional Habilitado Confecção das fôrmas Carpinteiro Fabricação das armaduras Armador Amarração das armaduras Armador Posicionamento das fôrmas pilares Carpinteiro Concretagem dos pilares Pedreiros e Serventes Posicionamento das fôrmas vigas e lajes Carpinteiro Passagem de eletrodutos geral Eletricista Disposição das armaduras das vigas e lajes Armador Concretagem vigas e lajes Pedreiros e serventes Ligações finais dos eletrodutos Eletricista Marcação das fiadas Pedreiros e serventes Subida das fiadas Pedreiros e serventes Passagem eletrodutos pela alvenaria Eletricista Passagem tubulações pela alvenaria Encanador Recomposição da alvenaria Pedreiros e Serventes Quadro 2.3 – Relação entre tarefas e profissionais (Concreto Armado). Fonte: TCPO 10, 1996. 2.5 NOÇÕES BÁSICAS SOBRE OS CUSTOS RELATIVOS À MÃO DE OBRA O custo deste item é representado pelo salário dos trabalhadores que manuseiam os materiais, acrescidos dos encargos sociais e outras despesas que envolvem a participação dos trabalhadores na obra (TISAKA, 2006). Seguindo esta definição, se compõe todos os encargos sociais e as despesas para se ter noção do custo real da mão de obra de um trabalhador mensalista. Segundo Tisaka 2006, o custo da mão de obra é igual ao salário mais encargos sociais. Porém ele salienta a importância de se considerar os gastos referentes à alimentação, 26 transporte e ao uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual). Na figura abaixo consta todos os encargos que incidem sobre o salário de mensalistas. Figura 2.19 – Taxa de encargos sobre o salário do trabalhador da construção civil. Fonte: SICEPOT – MG, 2009. O Total de encargos é a soma de (A+B+C+D) e segundo a figura 2.19 esse total é de 138,48%. Para se fazer o cálculo de quanto é descontado do salário dos trabalhadores, Tisaka (2006), montou algumas fórmulas referentes aos valores que são descontados, do salário do trabalhador, em relação ao transporte, refeição (almoço), café da manhã e EPI: Equação 2.1 27 Equação 2.2 Figura 2.20 – Cálculos trabalhistas Fonte: TISAKA, 2006. Em que: C1 = tarifa de transporte urbano; C2 = custo do café da manhã; C3 = Vale-Refeição - definido em Acordo Sindical; N = número de dias trabalhados no mês; S = salário médio mensal dos trabalhadores N = número de trabalhadores na obra; S = salário médio mensal; P1, P2, P3,... Pn = Custo de cada um dos EPI’S ou de ferramentas manuais; F1, F2, F3,... Fn = Fator de utilização do EPI ou de ferramentas manuais, dado pela seguinte fórmula: F = t / (12 x VU) Sendo: t = tempo de permanência do EPI ou da Ferramenta à disposição da obra; VU = Vida útil do EPI ou Ferramenta manual em meses (TISAKA, 2006). Portanto, o cálculo que se pode fazer para obter o custo de um trabalhador para cada hora de trabalho realizado é multiplicar a hora base (definida pelo sindicato de cada região) pelo somatório de (1 + encargos). - Custo do Homem-Hora = Hora-Base x (1 + Encargos) 2.6 COMPOSIÇÃO DE PREÇO Todo preço na construção civil é composto pelos custos diretos de produção e pelo índice de benefício e despesas indiretas. O preço final é igual ao produto entre custos diretos e o BDI (Benefícios e Despesas Indiretas). Para se achar o custo de um serviço compõe-se o preço baseando-se na quantificação dos serviços e as despesas com mão de obra, encargos, equipamentos e insumos. Ou seja, os custos diretos é a soma da mão de obra, insumos, equipamentos e encargos sociais (AVILA, LIBRELOTTO E LOPES, 2003). 28 Ao final, o custo total de um projeto (serviço) é a soma dos produtos dos quantitativos por suas composições unitárias. A definição dos custos unitários de produção é necessita de um conhecimento da produtividade da mão de obra, dos equipamentos e também, a quantidade de produtos necessários para se realizar o serviço. Os unitários são determinados em relação às unidades de medidas de cada serviço. Por exemplo: concreto se mede em m³, alvenarias em m², o trabalhador sempre em horas. Segundo Avila, Librelotto e Lopes (2003), a composição de custo unitário geralmente tem os seguintes componentes: a) Índice ou coeficiente de aplicação de materiais; b) Índice ou coeficiente de produção ou de aplicação de mão-de-obra; c) Índice de aplicação de equipamentos com o seu custo horário; d) Preços unitários de materiais; e) Preços unitários de mão-de-obra; f) Taxas de encargos sociais; g) Benefícios e Despesas Indiretas (BDI). 2.6.1 Produtividade e composição da mão de obra A análise da produtividade de um trabalhador ou de um grupo de trabalhadores requer um acompanhamento estatístico. Através destes índices colhidos em campo pode-se ter uma noção orçamentária minuciosa e, consequentemente, evitar grandes desvios de previsão. A definição de produtividade é simples, define-se produtividade pela razão entre a quantidade de serviço realizado, em unidades padrões, e o tempo gasto até a conclusão do serviço (MATTOS, 2006). O cálculo do custo unitário da mão de obra é calculado em função da produtividade do trabalhador e o custo do Homem-Hora, então: - Custo unitário da Mão de Obra = (Produtividade) x( Homem-Hora) Já o custo total da mão de obra é dado por: - Custo total da Mão de Obra = (Custo unitário)x(Tempo de Utilização da Mão de obra) 29 2.6.2 Dados, unidades padrões e concepções finais para se montar as relações de produtividade A montagem das relações de produtividade requer algumas definições básicas com o objetivo de chegar a um padrão de medidas e, por consequência, a um padrão estatístico. Quando existe a necessidade da medição de alguns serviços de empreitada, é comum definir unidades básicas com o intuito de calcular a quantidade de serviço prestado. Segundo a TCPO10 (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos), existem definições para cada um dos serviços executados em uma obra, algumas delas estão descritas no quadro 2.4. Serviço Unidade Eletrodutos Tubulações Alvenaria Fôrmas Concretagem Lajes Pré-Fabricadas Armaduras Argamassa Profissionais Metros Metros Metros Quadrados Metros Quadrados Metros Cúbicos Metros Quadrados Quilogramas Metros Cúbicos Horas Quadro 2.4 – Relação entre os serviços e suas unidades de medida. Fonte: TCPO10, 1996. A conclusão das relações exige a coleta de mais alguns dados fundamentais, como: o tempo gasto para conclusão dos serviços, quantidade de profissionais envolvidos em cada serviço e um levantamento, consultando-se os projetos, da medição de cada um dos serviços. 30 3. RESULTADOS E ANÁLISES 3.1 DESCRIÇÕES DAS OBRAS As duas obras em estudo estão situadas em municípios diferentes, uma obra está localizada em Anápolis no estado de Goiás possui 18 pavimentos, sendo 14 pavimentos tipo, em cada pavimento tipo possui 2 apartamentos com área útil de 197,52 m² cada um. Cada apartamento possui pé-direito de 2,96 metros. As lajes são maciças e as tubulações, tanto hidráulica como elétrica, são embutidas na alvenaria. Esta obra é projetada em estrutura convencional, ou seja, ela é toda feita em concreto armado e será denominada de Obra A. A outra obra está localizada no município de Goiânia e possui 2 pavimentos, sendo que cada pavimento possui 2 apartamentos com área útil de 52,37 m² cada um. O pé-direito é de 2,60 metros. Todas as lajes são maciças, pré-moldadas enloco, com altura de 8 cm, exceto a laje da área comum que possui 7 cm de altura. As tubulações de água fria são sobrepostas nos painéis de alvenaria e posteriormente é feito um shaft para vedar a tubulação. Já os eletrodutos são colocados nas cavidades dos blocos de concreto, eliminando a necessidade de rasgos. Toda a estrutura desta obra é feita em alvenaria estrutural e vai ser denominada de Obra B. 3.2 INFORMAÇÕES DA TCPO 10 E CONSIDERAÇÕES SOBRE O ORÇAMENTO Nos tópicos abaixo será feita uma breve descrição de como foram realizados os levantamentos de cada um dos serviços. Todo o levantamento tem como base as indicações da TCPO 10 para que, posteriormente, se realizasse a composição de mão-de-obra. 31 3.2.1 Instalações Elétricas (Eletrodutos) As instalações elétricas, segundo a TCPO 10, devem ser levantadas em metros e também devem ser considerados os diâmetros dos eletrodutos. Neste orçamento não será considerado a passagem da fiação devido à particularidade de cada obra. 3.2.2 Instalações hidráulicas Nas instalações hidráulicas não serão contabilizadas as conexões, pois segundo orientação da TCPO 10, as mesmas já se encontram diluídas nas composições de água fria e esgoto. 3.2.3 Alvenaria Os painéis de alvenaria são levantados pela sua área, possuem também informações vinculadas a composição da argamassa de assentamento e também considerações sobre a espessura das juntas. 3.2.4 Rasgos e Enchimentos na Alvenaria Os rasgos e enchimentos devem ser feitos em metros e também devem ser considerados os diâmetros das tubulações que serão passadas nos painéis de alvenaria 3.2.5 Fôrmas As fôrmas são levantadas em metros quadrados, levando-se em conta a espessura da fôrma, a madeira e o acabamento empregado nas chapas e a quantidade de vezes que a chapa poderá ser reutilizada. 3.2.6 Armaduras Todas as armaduras serão levantadas em quilogramas, levando-se em conta a classificação do aço, se ele é CA-50 e CA-60. Também se devem considerar as bitolas das barras. 32 3.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE O ORÇAMENTO O orçamento de mão-de-obra está intimamente ligado aos insumos utilizados para se compor um serviço. Por isso, para que não haja influência da qualidade dos materiais sobre o preço final, alguns materiais, como as fôrmas e os eletrodutos serão utilizados, hipoteticamente, tanto na Obra A quanto na Obra B de maneira fictícia. 3.4 ANÁLISES E COMPARAÇÕES De um modo geral percebe-se o quanto esses dois tipos construtivos são distintos, mas através de uma análise focada na mão de obra, pode-se notar que não existe uma grande discrepância entre as classificações dos trabalhadores, para se executar os serviços. Por exemplo, para se executar a alvenaria nos dois tipos de obra são necessários trabalhadores com as mesmas qualificações, a grande diferença está na demanda desta mão de obra. 3.5 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Nas instalações elétricas, existe uma diferença muito grande entre os dois processos construtivos, pois no sistema em alvenaria estrutural (Obra B) não existe a necessidade de se fazer rasgos na alvenaria para a passagem dos eletrodutos, o que leva a necessidade de outro tipo de mão de obra para se abrir os rasgos e, posteriormente, também existe a necessidade de se fechar os rasgos. O gráfico 3.1 mostra a comparação entre os dois sistemas. 33 Gráfico 3.1 – Instalações elétricas Fonte: Pesquisa de campo, 2011 3.6 PAINÉIS DE ALVENARIA A comparação entre os painéis de alvenaria é um fator de muita importância neste trabalho já que a alvenaria da obra B faz parte da estrutura. Como era de se esperar por demandar uma maior técnica no assentamento dos blocos, a obra em alvenaria estrutural necessitou de uma maior quantidade de horas de pedreiro (responsável por assentar os blocos). Porém, em relação à demanda de servente (responsável por carregar os blocos e a argamassa) no painel da obra A foi maior, possivelmente, isso ocorreu pela quantidade de blocos carregados, já que o bloco de concreto tem quase o dobro da área do bloco cerâmico, o gráfico 3.2 mostra a comparação. 34 Gráfico 3.2 – Alvenaria (horas/m2) Fonte: Pesquisa de campo, 2011 3.7 FÔRMAS E CONCRETO Ao analisar a confecção de fôrmas, a fabricação e lançamento do concreto nota-se uma grande diferença entre os processos construtivos, a demanda de carpinteiros e ajudantes de carpinteiro. O carpinteiro é responsável pela fabricação das fôrmas e também pela sua disposição na obra. Esse tipo de mão de obra exige uma grande qualificação para que se evite desperdícios, por isso o preço da hora de um carpinteiro é uma das mais elevadas da construção civil. Quando se faz uma comparação em relação ao uso de fôrmas não se deixa de perceber que na obra A usam-se fôrmas para se fabricar toda a estrutura de concreto, já na obra B as fôrmas são utilizadas apenas na moldagem das lajes, fato que propicia a uma menor demanda de carpinteiros. Quanto a fabricação e lançamento do concreto existe uma diferença entre a obra A e a obra B, porém mais equilibrada do que em relação as fôrmas. É importante salientar que apesar das estruturas em concreto armado exigirem um lançamento grandioso para se fazer as peças estruturais, as obras em alvenaria estrutural requerem uma exigência maior na aplicação do graute nas cavidades dos blocos, com isso conclui-se que mesmo que na obra A se use 35 mais concreto, a dificuldade de se aplicar e a diferença entre os concretos leva a quase uma equivalência entre o uso dos profissionais. Gráfico 3.3 – Fõrmas e concreto(horas/m2) Fonte: Pesquisa de campo, 2011 3.8 ARMAÇÃO Na fabricação das armaduras tem-se uma disparidade muito grande entre os dois sistemas, enquanto nas obras em concreto armado existe uma demanda muito grande de armadores e ajudantes, nas obras em alvenaria estrutural essa demanda cai significativamente. Isso acontece porque a estrutura da obra A é concentrada em elementos pontuais, como os pilares, então a quantidade de aço aumenta de maneira considerável. Já na obra B a estrutura é distribuída entre os painéis de alvenaria e os pontos de graute, por isso a utilização de aço é bem menor. 36 Gráfico 3.4 – Armação Fonte: Pesquisa de campo, 2011 3.9 INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA As instalações hidráulicas levam inevitavelmente a uma comparação com as instalações elétricas. Assim como na parte elétrica, as instalações de água fria da obra A exigem diferentes tipos de mão de obra, além da mão de obra padrão, que seriam os encanadores e seus ajudantes. Isso acontece, pois, geralmente, para se passar a tubulação de água fria nas obras em concreto armado é necessária se abrir rasgos nos painéis de alvenaria e embutir os tubos e conexões dentro das paredes, posteriormente deve-se regularizar as paredes com enchimento em argamassa. Percebeu-se também que a demanda de encanador e ajudante é significativamente maior na obra A, possivelmente isso ocorre por uma questão construtiva, pois nas construções em alvenaria estrutural o projetista tenta minimizar os caminhos percorridos pelas tubulações, pois os tubos ficam em paredes hidráulicas (destinadas à passagem de tubulações de água), não passam por dentro da alvenaria e são vedadas através de “shafts”. 37 Gráfico 3.5 – Instalações de água fria Fonte: Pesquisa de campo, 2011 3.10 COMPARATIVO GERAL Ao analisar a demanda de mão de obra de uma maneira global nota-se que a obra A exige uma maior demanda de pessoal devido ao modo que se executa a estrutura e também as instalações elétricas e hidráulicas. Observou-se pelo gráfico 3.6 que a demanda básica de mão de obra como serventes, pedreiros, encanadores e eletricistas é menor na obra B, porém não chega a ser uma diferença de grande consideração. Quando se compara a demanda de carpinteiros, armadores e ajudantes destes profissionais existe uma diferença significativa entre a obra A e a obra B. Na obra em alvenaria estrutural a utilização de formas e armaduras é racionalizada, pois a parte responsável por fazer a vedação do pavimento também tem função estrutural o que leva a um menor uso de aço e madeira, consequentemente, diminuindo a demanda de profissionais que executam tais serviços. O gráfico 3.6 mostra uma comparação geral da demanda de mão de obra entre a obra A e obra B. 38 Gráfico 3.6 – Análise geral de demanda Fonte: Pesquisa de campo, 2011 39 4 CONCLUSÃO Com todo o processo de analise concluído, podemos perceber que em relação a demanda, consequentemente, aos custos de mão de obra, o processo construtivo em alvenaria estrutural é significativamente menor do que a demanda no processo em concreto armado. O sistema em alvenaria estrutural possui algumas limitações quanto a geometria, quanto aos comprimentos dos vãos, porém conseguiu unir duas etapas de difícil execução (por falta de mão de obra e pelo processo em si) em obras de concreto armado, em uma única etapa: a estrutura e a alvenaria de vedação. Enquanto que na alvenaria estrutural a vedação e a estrutura fazem um conjunto, no concreto armado eles têm um papel distinto. Outro fator que pesa a favor do processo em alvenaria estrutural é a dissipação de esforços pelas paredes, isso diminui a necessidade do uso de armaduras, nos processos em concreto armado os esforços ficam concentrados nas vigas e pilares aumentando-se a demanda de armadores. Todos esses fatos levam a uma grande diferença de demanda mão de obra como podemos comprovar através dos gráficos. Em relação as instalações elétricas e hidráulicas, o processo em alvenaria estrutural elimina a necessidade de se quebrar os painéis de alvenaria para a passagem das tubulações. A quebra da alvenaria de vedação gera um desconforto muito grande nas construções, já que além de gerar entulho, exige um retrabalho por parte de pedreiros e serventes. A mão de obra na construção civil vem se tornando um problema crônico, nosso país vem crescendo de uma maneira muito rápida, mas não estava tecnicamente preparado para este crescimento. Portanto, existe a necessidade de estudarmos e buscarmos, cada vez mais, meios viáveis para suprir tais necessidades, para que a falta de mão de obra não seja uma barreira para o desenvolvimento e crescimento econômico do nosso país. 40 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, L.O. C; SOUZA, U.E.L. Produtividade da mão de obra na execução de alvenaria. São Paulo: Net, ago. 2001. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6136 – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2006. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8215 – Prismas de blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural. Preparo e ensaio à compressão. Rio de Janeiro: ABNT, 1983. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12722 – Discriminação de serviços para construção de edifícios. Rio de Janeiro: ABNT, 1992. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10837 – Cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto. Rio de Janeiro: ABNT, 1989. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8798 – Execução e Controle de Obras em Alvenaria. Estrutural de Blocos Vazados de Concreto. Rio de Janeiro: ABNT, 1985. AVILA, Antonio Victorino; LIBRELOTTO, Liziane Ilha e LOPES, Oscar Ciro. Orçamento de Obras – Construção Civil. Santa Catarina: Universidade do Sul de Santa Catarina, 2003. BARROS, Mercia Maria S. Bottura; MELHADO, Silvio Burrattino. Recomendações para a produção de estruturas de concreto armado em edifícios. São Paulo: Projeto Epusp/Senai, 1998. BOM momento do país leva aumento a aumento da classe C. Http://www.estadao.com.br. São Paulo, 5 de agosto de 2008. Caderno de Economia. BRICKA. Alvenaria Estrutural – Manual http://www.bricka.com.br, 15 de novembro de 2010. de Tecnologia. São Paulo. CLÍMACO, J. C. T. S. - Estruturas de Concreto Armado. Fundamentos de Projeto, Dimensionamento e Verificação. Brasília: UnB, 2005. DIEESE – Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, http://www.dieese.org.br FAJERSZTAJN, H. Formas para concreto armado: aplicação para o caso de um edifício. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1987. Glossário Imobiliário, http://www.patrimovel-nit.com.br/, 22 de novembro de 2010. http://www.equipaobra.com.br, 16 de novembro de 2010. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, http://www.ibge.gov.br 41 MANZIONE, Leonardo. Projeto e Execução de Alvenaria Estrutural. São Paulo: Nome da Rosa, 2004. Matemática UOL, http://educacao.uol.com.br/matematica, 23 de novembro de 2010. MATTOS, Aldo Dórea. Como Preparar Orçamentos de Obras. São Paulo: PINI, 2007 MEHTA, P. K., MONTEIRO, P. J. M. Concreto: estrutura, propriedades e materiais. São Paulo, PINI, 1994. MORETTIN, Pedro Alberto; BUSSAB, Wilton de Oliveira. Estatística Básica. São Paulo: Saraiva, 2010. PRUDÊNCIO, OLIVEIRA E BEDIM. Alvenaria Estrutural de Blocos de Concreto, 2002. RAMALHO, M.A.; CORRÊA, M.R.S. Projeto de Edifícios de Alvenaria Estrutural. São Paulo: Pini, 2003. ROMAN, H.R. Construindo em Alvenaria Estrutural. Santa Catarina: UFSC, 2000. SINDUSCON – João Pessoa, http://www.sindusconjp.com.br SOARES, Sílvia Maria Baptista. Alvenaria Estrutural. Rio Grande do Sul: PUC-RS, 2008. TCPO 10 – Tabela de composição de preços para orçamentos. São Paulo: PINI, 1996. THOMAZ, Ercio. Código de práticas n.1: alvenaria de vedação em blocos cerâmicos. São Paulo: IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, 2009. TISAKA, Maçahico. Orçamento na construção civil. São Paulo: PINI, 2006. 42 APÊNDICE A – LEVANTAMENTOS E CÁLCULOS DE DEMANDA DE MÃO DE OBRA DAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS OBRA A Eletrodutos embutidos na laje COMPRIMENTO PROJETO (metros) ESCALA 1115,8 Eletrodutos - 3/4" - LAJE COMPRIMENTO REAL (metros) 0,5 557,9 Eletrodutos, rasgos e enchimentos dos painéis Alvenaria P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 TOTAL (m) Banho serviço 1,86 1,86 Quarto Serviço 2,66 0,75 1,86 0,8 3,41 Lavanderia 1,86 1,86 0,9 2 6,62 Cozinha 1,86 1,26 0,76 1,1 Varanda 1,86 0,8 Suíte Master 1,86 1,86 0,8 0,8 Banho Master 3,1 1,86 1,6 2,12 Banho suíte 1 1,86 1,86 2,15 0,95 Suíte 1 1,86 1,86 0,8 2,66 Semi suíte 2 2,66 1,86 0,8 2,15 Banho Semi suíte Semi suíte 1 1,86 0,8 2,68 1,86 2,66 1,86 0,8 2,15 Varanda 2 2,66 Estar/Jantar 1,86 Lavabo 1,86 Despensa 1,86 0,8 2,66 Hall/Circulação 1,86 1,86 3,72 1,12 1,86 1,86 0,76 1,1 1,6 1,2 14,48 2,66 0,76 2,12 8,2 8,68 6,82 1,7 1,51 10,39 7,47 1,15 8,35 7,47 2,66 0,9 0,65 1,2 1,12 5,73 1,86 206,08 TOTAL x 2 43 Segundo a tabela da TCPO 10, rasgos em alvenaria para Tubulação de 12mm a 25mm demandam: Eletricista: 0,1 horas/metro Ajudante: 0,25 horas/metro Cálculos demanda total: 0,10 x 206,08 = 20,61 horas de eletricista 0,25 x 206,08 = 51,52 horas ajudante Passagem Eletroduto ¾”: Eletricista: 0,17 h x 763,98 m = 129,8 horas Ajudante: 0,17 h x 763,98 m = 129,8 horas Enchimento: Pedreiro: 0,15 h x 206,08 m = 30,91 horas Servente: 0,10 h x 206,08 m = 20,61 horas OBRA B Eletrodutos embutidos na Laje: Eletrodutos - 3/4" - LAJE Comprimento projeto (m) Escala Comprimento real (m) 191,3 0,5 95,65 Eletrodutos que passam na parede: Eletrodutos Paredes Estar - 3/4" - COMPRIMENTO PROJETO ESCALA COMPRIMENTO REAL 9,5 1 9,5 6 1 6 Banho 2,3 1 2,3 A. Serviço 1,5 1 1,5 Quarto 1 6 1 6 Quarto 2 4,5 1 4,5 Cozinha Total x 2 Passagem Eletroduto: Eletricista: 0,17 h x 155,3 m = 26,4 horas Ajudante: 0,17 h x 155,3 m = 26,4 horas 59,6 44 APÊNDICE B – LEVANTAMENTOS E CÁLCULOS DE DEMANDA DE MÃO DE OBRA DAS INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS OBRA A Tubulações água fria PVC soldável 25 mm 112,85 Passagem tubulação: Diâmetro de 25 mm: o Encanador 0,40 h x 112,85 = 45,2 horas o Ajudante 0,40 h x 112,85 = 45,2 horas Diâmetro de 32 mm: o Encanador 0,45 h x 15,99 = 7,2 horas o Ajudante 0,45 h x 15,99 = 7,2 horas Rasgos em alvenaria passagem Tubulação de 25 mm: Encanador 0,1 x 55,3 = 5,5 horas Ajudante 0,25 x 55,3 = 13,8 horas Enchimento de rasgos: Pedreiro 0,15 x 55,3 = 8,3 horas Servente 0,1 x 55,3 = 5,5 horas PVC soldável 32 mm 15,99 45 OBRA B Tubulações água fria Diâmetro de 25 mm: o Encanador 0,35 h x 24 = 8,4 horas o Ajudante 0,35 h x 24 = 8,4 horas PVC soldável 20 mm 24 m 46 APÊNDICE C – LEVANTAMENTOS E CÁLCULOS DE DEMANDA DE MÃO DE OBRA PARA EXECUÇÃO DO PAINEL DE ALVENARIA OBRA A Comprimento (m) Alvenaria Peitoris Altura (m) Área (m²) TOTAL (m²) 441 Variável* 1323 34,75 Variável** 38,92 1361,92 *A altura é variável devido à passagem de vigas em alguns lugares, ou seja, não se considera a área ocupada pelas vigas. Alvenaria de elevação com tijolos cerâmicos furados, dimensões: 10 x 20 x 20 cm, assentes com argamassa traço 1:2:8. Espessura das juntas: 12 mm. Pedreiro: 1,00 x 675,38 = 675,4 horas Servente: 1,12 x 675,38 = 756,4 horas Comprimento (m) Alvenaria Descontos das aberturas Altura (m) 45,61 2,6 Área (m²) 118,586 TOTALx2 224,33 6,42 OBRA B Alvenaria estrutural com Blocos de Concreto com 14 cm de espessura, juntas de 10 mm, dimensões 14x19x39: Pedreiro: 0,80 horas/m² x 224,33 m² = 179,5 horas Servente: 0,8 horas/m² x 224,33 m² = 179,5 horas 47 APÊNDICE D – LEVANTAMENTOS E CÁLCULOS DE DEMANDA DE MÃO DE OBRA PARA CONFECÇÃO DAS FÔRMAS E LANÇAMENTO DO CONCRETO OBRA A Vigas (fôrmas) e concreto Altura(cm) Largura(cm) Comp. Repetições 2 Fator escala 0,5 Total área fôrmas 34,23 Total vol. Concreto 1,86 v20 58 12 26,74 vl3=vl4 58 8 3,02 4 0,5 7,49 0,28 v21 T1 v21 – T2 v25 45 20 14,7 2 0,5 16,17 1,32 80 15 12,05 2 0,5 21,09 1,45 78 12 14,92 2 0,5 25,07 1,40 v24 45 20 12,36 2 0,5 13,60 1,11 v27 60 12 12,17 1 0,5 8,03 0,44 v26 45 12 7,43 1 0,5 3,79 0,20 v12 45 12 5,96 1 0,5 3,04 0,16 v13 45 12 3,26 1 0,5 1,66 0,09 v9 45 40 4,4 1 0,5 2,86 0,40 v6 45 12 6,4 1 0,5 3,26 0,17 v3 45 20 12,4 1 0,5 6,82 0,56 v17 60 12 5,96 1 0,5 3,93 0,21 v14 – T1 v14 – T2 v22 45 30 5,96 1 0,5 3,58 0,40 45 30 5,68 2 0,5 6,82 0,77 58 15 18,91 2 0,5 24,77 1,65 v23 80 15 2,75 2 0,5 4,81 0,33 vl01 58 8 7,42 2 0,5 9,20 0,34 v7 78 12 9,36 2 0,5 15,72 0,88 v15 45 15 17,75 2 0,5 18,64 1,20 v18 45 20 20,45 2 0,5 22,50 1,84 v19 58 12 21,95 2 0,5 28,10 1,53 v10 45 12 8,34 2 0,5 8,51 0,45 v4 45 12 7,29 2 0,5 7,44 0,39 v1 45 12 7,19 2 0,5 7,33 0,39 Total 308,44 19,81 Concreto fck 30 MPa, consistência normal, Brita 1: Operador Betoneira: 0,714 horas/m³ x 19,81 m³ = 14,14 horas 48 Servente: 6,00 x 19,81 = 118,9 horas Lançamento e aplicação de concreto em estrutura: Pedreiro: 5,00 x 19,81 = 99,05 horas Servente: 8,00 x 19,81 = 158,5 horas Fôrmas de tábua de pinho para concreto armado: Carpinteiro: 1,50 horas/m² x 308,44 m² = 462,7 horas Ajudante: 1,50 x 308,44 = 462,7 horas Pilares Altura(cm) Largura(cm) Comprimento Reptições Fator escala Total vol. Concreto 1 Total área fôrmas 11,84 p2 20 80 2,96 2 p3 20 80 2,96 p7 30 80 2,96 2 1 11,84 0,95 2 1 13,02 1,42 p12 20 80 2,96 2 1 11,84 0,95 p13 30 70 2,96 2 1 11,84 1,24 p16 40 70 2,96 2 1 13,02 1,66 p22 30 80 2,96 2 1 13,02 1,42 p23 60 70 2,96 2 1 15,39 2,49 p24 30 145 2,96 2 1 20,72 2,58 p32 30 100 2,96 2 1 15,39 1,78 p33 30 100 2,96 2 1 15,39 1,78 p34 30 100 2,96 1 1 7,70 0,89 Total 161,02 18,09 Concreto fck 30 MPa, consistência normal, Brita 1: Operador de Betoneira: 0,714 horas/m³ x 18,09 m³ = 12,9 horas Servente: 6,00 x 18,09 = 108,5 horas Lançamento e aplicação de concreto em estrutura: Pedreiro: 5,00 x 18,09 = 90,5 horas Servente: 8,00 x 18,09 = 144,7 horas 0,95 49 Fôrmas de tábua de pinho para concreto armado: Carpinteiro: 1,50 horas/m² x 161,02 m² = 241,5 horas Ajudante: 1,50 x 161,02 = 241,5 horas Lajes Peça altura(cm) largura(m) repetições 3,65 comp. (m) 5,54 2 fator escala 1 total área fôrmas 40,44 total vol. Concreto 2,83 L1 7 L7 7 var var 2 1 31,94 2,24 L12 7 L17 10 4,3 4,31 2 1 37,07 2,59 5,72 5,51 2 1 63,03 6,30 L17 - 2 10 4,17 1,89 2 1 15,76 1,58 L4 10 3,87 1,48 2 1 11,46 1,15 L11 10 5,12 6,79 2 1 69,53 6,95 L16 10 7,53 5,1 2 1 76,81 7,68 L20 7 1,58 6,48 2 1 20,48 1,43 L21 7 4,5 1,58 2 1 14,22 1,00 L15 7 2,98 1,77 1 1 5,27 0,37 L13 7 1,41 3,93 1 1 5,54 0,39 L9 7 2,98 1,86 1 1 5,54 0,39 L6 7 3,4 2 1 1 6,80 0,48 Total 403,89 35,37 Concreto fck 30 MPa, consistência normal, Brita 1: Operador de Betoneira: 0,714 horas/m³ x 35,37 m³ = 25,2 horas Servente: 6,00 x 35,37 = 212,2 horas Lançamento e aplicação de concreto em estrutura: Pedreiro: 5,00 x 35,37 = 176,9 horas Servente: 8,00 x 35,37 = 282,96 horas Fôrmas de tábua de pinho para concreto armado: Carpinteiro: 1,50 horas/m² x 403,89 m² = 605,8 horas Ajudante: 1,50 x 403,89 = 605,8 horas Escoras metálicas para lajes e vigas: Servente: 0,1 horas/m² x 564,91 m² = 56,5 horas 50 OBRA B Volume Concreto nas cavidades dos blocos Vertical Bloco de Canto 0,035 Bloco de Meio 0,049 quant c quant m total c total m total 23 56 0,805 2,744 3,55 Horizontal 0,0165 94,58 1,56 Total de Volume Concreto: 5,11 m³ Preparo e Lançamento do Graute: Pedreiro: 5 horas/m³ x 5,11 m³ = 25,6 horas Servente: 18 x 5,11 = 92 horas altura(cm) Lajes L1 8 largura(m ) 4,89 comp. (m) 3,15 reptiçõe s 2 fator escala 1 total área fôrmas 30,81 total vol. Concreto 2,46 L2 8 3,5 3,38 2 1 23,66 1,89 L3 8 3,5 2,9 2 1 20,30 1,62 L4 8 4,63 1,88 2 1 17,41 1,39 L5 8 3,38 1,27 2 1 8,59 0,69 L6 7 3,84 1,23 1 1 4,72 0,33 TOTAL 114,14 8,39 Concreto fck 30 MPa, consistência normal, Brita 1: Operador de Betoneira: 0,714 horas/m³ x 8,39 m³ = 6 horas Servente: 6,00 x 8,39 = 50,3 horas Lançamento e aplicação de concreto em estrutura: Pedreiro: 5,00 x 8,39 = 41,9 horas Servente: 8,00 x 8,39 = 67,1 horas Fôrmas de tábua de pinho para concreto armado: Carpinteiro: 1,50 horas/m² x 114,14 m² = 171,2 horas Ajudante: 1,50 x 114,14 = 171,2 horas Escoras metálicas para lajes e vigas: Servente: 0,1 horas/m² x 114,14 m² = 11,4 horas 51 APÊNDICE E – LEVANTAMENTOS E CÁLCULOS DE DEMANDA DE MÃO DE OBRA NA CONFECÇÃO (CORTE E DOBRA) E COLOCAÇÃO DA ARMADURA OBRA A Peça Peso Vigas 4700 Kg Lajes 4300 kg Pilares 1900 kg Armadura CA-50 média de 6,3 a 10 mm: Armador: 0,08 horas/quilogramas x 10900 quilogramas = 872 horas Ajudante: 0,08 x 10900 = 872 horas OBRA B POSIÇÃO Lajes COMP. AÇO KG/METRO(Ø 6,3MM) QUANT . REPETIÇÕES TOTAL L1 - X 3,12 0,25 33 2,00 51,48 L1 - Y 4,88 0,25 16 2,00 39,04 L2 - X 3,12 0,25 22 2,00 34,32 L2 - Y 3,48 0,25 19 2,00 33,06 L3 - X 2,88 0,25 22 2,00 31,68 L3 - Y 3,48 0,25 16 2,00 27,84 L4 - X 1,86 0,25 29 2,00 26,97 L4 - Y 4,6 0,25 10 2,00 23,00 L5 - X 1,25 0,25 21 2,00 13,13 L5 - Y 3,36 0,25 6 2,00 10,08 L6 - X 3,82 0,25 7 1 6,69 L6 - Y 1,22 0,25 24 1 7,32 TOTAL 304,60 52 PILARES (Graute vert.) QUANTIDADE KG/METRO(Ø 8,0MM) COMPRIMENTO TOTAL 79 0,39 3,4 104,75 Armadura CA-50 média de 6,3 a 10 mm: Armador: 0,08 horas/quilogramas x 409,35 quilogramas = 32,8 horas Ajudante: 0,08 x 409,35 = 32,8 horas 53 APÊNDICE F – CÁLCULOS DOS INDICES PARA A ANÁLISE COMPARATIVA Para se fazer a comparação faz-se necessária criar um índice que possa ser utilizado para todos os casos que envolvam obras em concreto armado e obras em alvenaria estrutural. Portanto, todas as horas, separadas pela função do trabalhador, serão somadas e posteriormente dividiremos pela área construída (área do pavimento tipo, no caso), criando-se um índice de horas por metro quadrado de construção. MÃO DE OBRA OBRA A INSTALAÇÕES ELÉTRICAS HORAS ÁREA DO PAVIMENTO TIPO INDICE COMPARATIVO ELETRICISTA 150,4 439,7 0,34 AJUDANTE 181,3 439,7 0,41 PEDREIRO 30,91 439,7 0,07 SERVENTE 20,61 439,7 0,05 26,4 109,44 0,24 OBRA B ELETRICISTA AJUDANTE 26,4 109,44 0,24 OBRA A PEDREIRO 675,4 439,7 1,54 SERVENTE 756,4 439,7 1,72 PEDREIRO 179,5 109,44 1,64 SERVENTE OPERADOR DE BETONEIRA 179,5 109,44 1,64 52,2 439,7 0,12 SERVENTE 973,8 439,7 2,21 CARPINTEIRO AJUDANTE CARPINTEIRO 1310 439,7 2,98 1310 439,7 2,98 PEDREIRO OPERADOR DE BETONEIRA 366,5 439,7 0,83 6 109,44 0,05 SERVENTE 220,8 109,44 2,02 CARPINTEIRO AJUDANTE CARPINTEIRO 171,2 109,44 1,56 171,2 109,44 1,56 PEDREIRO 67,5 109,44 0,62 ARMADOR 872 439,7 1,98 AJUDANTE 872 439,7 1,98 ARMADOR 32,8 109,44 0,30 AJUDANTE 32,8 109,44 0,30 ENCANADOR 52,4 439,7 0,12 AJUDANTE 52,4 439,7 0,12 SERVENTE 5,5 439,7 0,01 PEDREIRO 8,3 439,7 0,02 ENCANADOR 8,4 109,44 0,08 AJUDANTE 8,4 109,44 0,08 ALVENARIA OBRA B OBRA A FORMAS E CONCRETAGEM OBRA B OBRA A OBRA B OBRA A OBRA B ARMAÇÃO INSTALAÇÕES ÁGUA FRIA 54 ANEXO A – PROJETO ARQUITETÔNICO OBRA A 55 ANEXO B – PROJETO ARQUITETÔNICO OBRA B 56 ANEXO C – PROJETO ELÉTRICO OBRA A 57 ANEXO D – PROJETO ELÉTRICO OBRA B 58 ANEXO E – PROJETO ESTRUTURAL OBRA A 59 ANEXO E – PROJETO ESTRUTURAL OBRA B 60 ANEXO F – PROJETO INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA OBRA A 61 ANEXO G – PROJETO INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA OBRA B