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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA
COMPORTAMENTO SEXUAL DO MACHO E MATERNO-FILIAL DE
OVINOS DA RAÇA MORADA NOVA
JAQUELINE DA SILVA TRAJANO
Zootecnista
AREIA – PB
FEVEREIRO/2011
ii
COMPORTAMENTO SEXUAL DO MACHO E MATERNO-FILIAL DE
OVINOS DA RAÇA MORADA NOVA
iii
JAQUELINE DA SILVA TRAJANO
COMPORTAMENTO SEXUAL DO MACHO E MATERNO-FILIAL DE
OVINOS DA RAÇA MORADA NOVA
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação
em
Zootecnia
da
Universidade
Federal da Paraíba, Centro de Ciências Agrárias Areia, em cumprimento as exigências ao titulo de
Mestre em Zootecnia,
Área de concentração: Produção Animal.
Comitê de Orientação:
Prof. Dr. Edgard Cavalcanti Pimenta Filho - Orientador Principal (CCA/UFPB)
Prof. Dr. Ariosvaldo Nunes de Medeiros – Co - Orientador (CCA/UFPB)
Prof. Dr. Edilson Paes Saraiva – Co - Orientador (CCA/UFPB)
AREIA-PB
FEVEREIRO 2011
iv
Departamento de Zootecnia/CCA
Presidente
v
Se tu o desejas, podes voar, só tens de confiar muito em ti.
Mensagem
vi
Aos meus Pais
Risonete da Silva Trajano e Geraldo da Silva Trajano
Ao meu irmão
Geraldo da Silva Trajano Júnior
E em especial ao meu filho, razão da minha vida
Mateus Trajano Muniz
Dedico
vii
AGRADECIMENTOS
A Deus por todos as portas que ele tem aberto em minha vida e por ter
proporcionado mais essa conquista.
Aos meus pais pelo amor e apoio em todas as horas que precisei.
Ao amor incondicional do meu pequeno príncipe (meu filho) que soube proporcionar
muitas alegrias em minha vida nos momentos mais difíceis.
A Universidade Federal da Paraíba e ao Programa de Pós-Graduação em
Zootecnia pela oportunidade de realização deste mestrado.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES,
pela concessão da bolsa de estudos.
Ao meu orientador Prof. Edgard Cavalcanti Pimenta Filho pela grande
oportunidade a mim concedida de ter feito parte da minha via profissional e pessoal,
agradeço pela compreensão e apoio nos momentos difíceis durante o experimento.
Nem todas as palavras que possa expressar aqui serão suficientes para agradecer a
pessoa maravilhosa que o senhor foi durante minha formação enquanto Zootecnista.
Ao meu segundo orientador e amigo, Prof. Edilson Paes Saraiva agradeço todo
o apoio, conselhos e extrema ajuda em todos os momentos dessa fase tão importante.
Agradeço ao Corpo Docente do Programa de Pós Graduação em Zootecnia,
PPGZ/CCA. Em especial aos professores Dr. Severino Gonzaga Neto, Dr. Walter
Esfrain Pereira, Dra. Carla Saraiva, Profª. Dra. Juliana Silva de Oliveira,
As funcionárias do PPGZ e da estação Experimental de São João o Cariri: Seu
Son, Inacinho, Seu Jaime, por todos os momentos vividos e pela disposição em
ajudarmos sempre que precisamos.
Aos meus grandes amigos e companheiros que foram essenciais na execução
do trabalho: Vinicius, Mucureba, José Helder, Adriano, Cintia, Ana Jaqueline, Serjão,
Luana, Lígia, Rinaldo, Vanúbia, Rosa, Giu, Uriel, e todos que não foram citados, mas
que também auxiliaram de alguma forma na execução desse trabalho.
viii
BIOGRAFIA DA AUTORA
JAQUELINE DA SILVA TRAJANO - Nascida em 20 de novembro de 1985, na
cidade de Santa Rita - PB e residente no município de Santa Rita - PB, onde estudou
na Escola Estadual Maria de Lourdes Araújo durante o ensino fundamental, tendo
concluído em 2000. Em 2001, ingressou na Escola Estadual de Ensino Fundamental e
Médio Luiz de Azevedo Soares - PB, concluindo o ensino médio em 2003. Em abril
de 2009, formou-se em Zootecnia, pelo Centro de Ciências Agrárias da Universidade
Federal da Paraíba. Quando acadêmica do Curso de Zootecnia, desenvolveu pesquisa
na área de produção de ruminantes, sendo bolsista no 5ª semestre, ano 2006, do
Programa de Iniciação Cientifica (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e
Tecnológico – CNPq), durante 30 meses. Em Março de 2009, ingressou no Curso de
Mestrado em Zootecnia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sob a orientação
do professor Dr. Edgard Cavalcanti Pimenta Filho, no qual foi bolsista da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES,
desenvolvendo sua pesquisa na área de Comportamento Animal.
ix
SUMÁRIO
Página
Lista de Tabelas........................................................................................................ x
Resumo Geral............................................................................................................ xii
Abstract..................................................................................................................... xiii
Capítulo 1. Referencial Teórico............................................................................... 01
Referências Bibliográficas........................................................................................ 09
Capítulo 2. Comportamento Sexual de carneiros da Raça Morada Nova................ 13
Resumo...................................................................................................................... 14
Abstract..................................................................................................................... 15
Introdução................................................................................................................. 16
Material e Métodos................................................................................................... 17
Resultados e Discussão............................................................................................ 21
Conclusões................................................................................................................ 31
Referências Bibliográficas........................................................................................ 32
Anexos...................................................................................................................... 34
Capítulo 3. Caracterização do Comportamento Materno-Filial no Pós-Parto de
ovelhas Morada Nova............................................................................................... 38
Resumo...................................................................................................................... 39
Abstract..................................................................................................................... 40
Introdução................................................................................................................. 41
Material e Métodos................................................................................................... 43
Resultados e Discussão............................................................................................ 47
Conclusões................................................................................................................ 56
Referências Bibliográficas........................................................................................ 57
Implicações e Sugestões............................................................................................ 59
x
LISTA DE TABELAS E QUADROS
Capítulo 2
Página
Quadro 1. Média de temperatura máxima, mínima e umidade relativa dos meses
18
experimentais na fase de acasalamento.....................................................................
Tabela 1. Percentagem de prenhez entre estações de monta em ovinos Morada
Nova..........................................................................................................................
21
Tabela 2. Número de fêmeas expostas, com repetição de cio, com prenhez
positiva por reprodutor e por estação de monta........................................................
23
Tabela 3. Média do Tempo de Reação (TR) em segundos e Freqüência do
Número de Saltos por tentativa (NST) de ovinos da raça Morada
Nova..........................................................................................................................
24
Tabela 4. Médias das frequências dos padrões de Comportamentos sexuais:
cortejo da fêmea (CF); cortejo com a pata (CP); vocalização (VOC); exposição
de pênis (EXP); cheirar a região urogenital da fêmea (CRUF) e reflexo de
flehmen (RF) apresentados por machos ovinos da raça Morada Nova.....................
25
Tabela 5. Média do Tempo de Reação (TR), em segundos, e média da
Freqüência do Número de Saltos por Tentativa (NST) dos reprodutores em
relação ao turno de acasalamento..............................................................................
28
Tabela 6. Médias das freqüências dos padrões de Comportamentos sexuais:
Cortejo com a Pata (CP); Vocalização (VOC); Exposição da Língua (EXL);
Exposição de Pênis (EXP); Cheirar a Região Urogenital da Fêmea (CRUF) e
Reflexo de Flehmen (RF) apresentados em ovinos da raça Morada Nova em
relação ao turno de acasalamento..............................................................................
29
xi
Capítulo 3
Página
Tabela 1. Frequência das latências para tocar a cria em segundos, ficar em pé e
realiza a primeira mamada em minutos, relacionados com o tipo de
parto..........................................................................................................................
48
Tabela 2. Média das Frequências de Posturas e Atividades das ovelhas em
relação ao tipo de parto segundo o lote de parição...................................................
49
Tabela 3. Frequências das Posturas e Atividades das crias em relação ao tipo de
parto em dos lotes de parição....................................................................................
52
Tabela 4. Correlação dos comportamentos entre as mães dos dois lotes.................
54
Tabela 5. Correlação dos comportamentos entre as crias dos dois lotes.................
55
xii
Comportamento Sexual do macho e Materno-Filial de ovinos Morada Nova
Resumo geral: A raça ovina Morada Nova tem sido considerada alvo de esforços
integrados por vários grupos de pesquisa de diferentes instituições intuito de
conhecermos melhor como explorarmos de forma eficiente. Objetivou-se caracterizar
o comportamento sexual e materno-filial de ovinos Morada Nova nas condições de
semiárido. Foram registrados todos os eventos relativos à corte do macho perante uma
fêmea em cio, registrados em planilhas específicas durante o acasalamento. Os
resultados das variáveis referentes aos padrões de comportamento sexual dos machos
foram influenciados por características individuais. Isso provavelmente pode ser
atribuído a pouca experiência sexual do macho, o que leva a supor que o maior tempo
despendido no cortejo poderia ser atribuído a questão da experiência do macho. Após
o parto foram observados os comportamentos entre mãe e cria, num período de 2
horas, sendo registrados todos os comportamentos expressados pelas fêmeas. Os
resultados obtidos demonstraram que as ovelhas da raça Morada Nova expressam
todos os comportamentos iniciais necessários para garantir a sobrevivência da sua cria.
Além disso, os resultados observados mostraram que as crias se apresentaram mais
ágeis quanto ao tempo de ficar em pé e realizar a primeira mamada independente do
lote. Concluiu-se que os ovinos desta raça apresentam a maioria dos padrões do
comportamento sexual, durante as fases de cortejo e cópula da fêmea em estro com as
diferenças comportamentais observadas atribuídas a características individuais. Além
das fêmeas apresentarem uma excelente habilidade materna para as condições do
semiárido, sendo fundamental na preservação da espécie, agilidade e sobrevivência da
cria até o desmame.
Palavras-Chave: etologia, fêmeas, relação mãe-cria, reprodução, sobrevivência.
xiii
Male and Sexual Behavior Branch of the Maternal and Morada Nova sheep
ABSTRACT: The Morada Nova sheep breed has been considered the target of
integrated efforts by several research groups from different institutions order to know
better how to exploit efficiently. This study aimed to characterize the sexual behavior
and mother-infant Morada Nova sheep in semiarid conditions. We recorded all events
relating to the cutting of the male before a female in heat, registered in specific
worksheets during mating. The results of the variables related to sexual behavior
patterns of males were influenced by individual characteristics. This can probably be
attributed to inexperienced male sexual, which leads to the supposition that the more
time spent in courtship could be attributed to the issue of male experience. After
delivery behaviors were observed between mother and soon, within 2 hours, and
recorded all behaviors expressed by females. The results showed that sheep Morada
Nova express all initial behaviors needed to ensure the survival of their offspring.
Moreover, the observed results showed that the pups were more agile as the time to
stand and deliver the first batch of independent feeding. It was concluded that the
sheep of this breed have most patterns of sexual behavior during the stages of
courtship and copulation the female in estrus with the observed behavioral differences
attributed to individual characteristics. Besides the females present an excellent
maternal ability to semiarid conditions, being instrumental in the preservation of the
species, agility and survivability of the offspring to weaning.
Keywords: ethology, females, mother-offspring relationship, reproduction, survival.
1
Capítulo 1
Referencial Teórico
COMPORTAMENTO SEXUAL DO MACHO E MATERNO-FILIAL DE
OVINOS DA RAÇA MORADA NOVA
2
1. Referencial teórico
No Nordeste, em decorrência do sistema extensivo de criação e em associação às
condições do semiárido brasileiro, os ovinos sofreram uma seleção natural ao longo
dos séculos. Esta seleção levou ao desenvolvimento de animais cujas principais
características são rusticidade, boa capacidade de reprodução e pele de ótima
qualidade (Azevêdo et al., 2003).
O desempenho reprodutivo, especialmente a habilidade materna e a taxa de
crescimento de seus cordeiros, estão entre os componentes responsáveis pelo sucesso
da produção (Macedo et al., 2003). Os ovinos representam para a região Nordeste uma
fonte de alimento proteico a baixo custo, apresentando uma inconteste importância
socioeconômica para a população da zona rural.
A exploração de raças nativas no Nordeste, desde muitos anos, tem trazido uma
grande vantagem, principalmente no uso de áreas de Caatinga. Animais, como os da
raça Morada Nova, tendem a contribuir com uma produção eficiente por serem bem
adaptados às condições do semiárido (Fernandes et al., 2001), com características
específicas tais como excelente habilidade materna, altos índices de fertilidade e
prolificidade. A raça Morada Nova constitui-se em uma das principais raças nativas de
ovinos deslanados do Nordeste Brasileiro, explorados para carne e pele, sendo esta
altamente apreciada no mercado internacional.
Nas últimas décadas o estudo do comportamento animal vem sendo utilizado no
intuito de auxiliar os produtores para que eles possam maximizar a produção animal e
o estudo desta raça pelo pode contribuir para melhorias na exploração de ovinos no
semiárido.
Del-Claro (2004) vai um pouco além e define “estudar o comportamento” como
sendo avaliar e mensurar todo o ato executado por um animal, perceptível ou não, ao
universo sensorial humano. Cada vez mais o comportamento tem se tornado uma
ciência multidisciplinar, envolvendo técnicas de outras subdisciplinas da biologia
como a bioquímica, genética, botânica, ecologia, além de manipulações experimentais.
Mesmo quando um animal aparentemente não está fazendo nada, esse "não fazer
nada", também representa um tipo de comportamento e tem sua função.
Animais sociais como os ovinos podem comer mais e digerir melhor os
alimentos quando estão em grupo. Da mesma forma, rotinas de criação aplicadas de
3
forma biologicamente inadequada podem diminuir a taxa de produção dos animais
(Jensen, 2002).
A etologia é uma ciência que pode oferecer muitos tipos de aplicações em
situações em que os seres humanos utilizam animais para vários fins (Ferraz, 2011). A
intensificação dos estudos de comportamento na área de produção visa uma
exploração mais eficiente e obtenção de produtos de maior qualidade sem
comprometimento dos animais.
Segundo Snowdon (1999), a conservação de uma espécie requer uma
compreensão do seu comportamento em seu habitat natural como: padrões
migratórios, tamanho de território, interações com outros grupos, demanda de
forrageio, comportamento reprodutivo e comunicação.
O comportamento animal vem sendo estudado desde a antiguidade. Os homens
pré-históricos estudavam o comportamento dos animais à sua volta, seja para se
alimentar, se defender, domesticá-los ou apenas conhecê-los. Na atualidade, o estudo
do comportamento vem se destacando em uma maior proporção devido à grande
contribuição no manejo, nas adequações das instalações de acordo com a espécie,
sexo, idade ou fase fisiologia e até no próprio bem-estar dos animais (Ferraz, 2011).
Com isso, a caracterização e a compreensão do comportamento natural
representam um aspecto central da etologia (Jensen, 2002). Entre esses aspectos,
principalmente quando se trata de raças nativas, se mostra de grande relevância o
estudo do comportamento sexual e materno-filial, pois existem alguns fatores que
podem afetar a conduta sexual dos animais, como fatores genéticos, fisiológicos,
estação do ano, raça, níveis hormonais (andrógenos), sanidade, manejo, dominância,
idade, ambiente, interação sócio-sexual experiência prévia do indivíduo e ordem de
dominância social (Santos et al., 2006) que necessitam serem avaliados com intuito de
maximizar a produção desses animais em áreas de caatinga.
Na maioria das espécies, a expressão do comportamento sexual depende tanto
de fatores internos como os níveis de hormônios esteróides, estado nutricional,
incluindo o ambiente físico e social além do fotoperíodo ou estrutura social do grupo
(Fabre-Nys, 2000).
O comportamento sexual é uma resposta aos estímulos externos, que
normalmente são ferormônios, substâncias químicas secretadas pelo animal na urina,
fezes ou glândulas, que causam respostas específicas no indivíduo da mesma espécie
(Rekwot et al., 2001)
4
A avaliação do comportamento reprodutivo permite a elaboração de um padrão
que norteie a identificação de carneiros com eficiência de desempenho sexual,
expresso pela demonstração de capacidade de reconhecer fêmeas em cio e efetuar a
cobrição.
Carneiros classificados como de alto desempenho reprodutivo deixam maior
número de descendentes (Stellflug et al., 2006). A identificação e seleção de machos
para serem utilizados como reprodutores é uma ferramenta extremamente importante,
pois carneiros com melhor desempenho sexual provavelmente servirão um maior
número de ovelhas em um curto período de tempo, aumentando a pressão de seleção e
a disseminação do material genético desejável. As principais características a serem
avaliadas na escolha de potenciais reprodutores incluem a qualidade seminal, as
características testiculares e o comportamento sexual (Pacheco et al., 2008).
Mellado et al. (2000) citam que nas condições de criação em regiões áridas e
semiáridas, os machos percorrem grandes distâncias tanto à procura de alimentos
como de fêmeas no cio, o que leva a um significante estresse durante este período,
especialmente nos casos de alta relação macho e fêmea, altas temperaturas ambientais
e vegetação escassa. Considera-se que os resultados advindos de estudos do
comportamento sexual envolvendo a capacidade de monta ao longo do dia, a
frequência ejaculatória, a libido, variações no peso corporal, constituem importantes
bases de informações para o estabelecimento de programas reprodutivos em condições
de monta a campo.
Macedo e Alvarado (2005), trabalhando com ovelhas em diferentes sistemas de
produção e épocas de monta, observaram que a produtividade foi maior quando houve
maior intensificação dos sistemas, mostrando que a eficiência de uma propriedade
também está relacionada com a tecnologia ou manejo adequado que esta utiliza.
O comportamento sexual, tanto em machos como em fêmeas, pode ser dividido
em duas fases. A primeira, conhecida como pré-copulatória, é chamada fase de
"excitação" e depende, essencialmente, da motivação dos parceiros sexuais. Durante
esta fase, o indivíduo procura manter contato com o companheiro e o incentiva numa
interação sexual (Fabre-Nys, 2000).
De acordo com Rutter (2002), os machos utilizam estímulos olfativos e
gustativos para detectar fêmeas no cio. Conhecido como comportamento de Flehmen,
o macho cheira a urina da fêmea e, em seguida, fica parado, com a cabeça levantada e
os lábios curvados, sendo esta investigação olfatória controlada por ação da
5
testosterona (Ladewig et al., 1980) e que dura normalmente entre 10 e 30 segundos
nos machos caprinos e ovinos. Estes autores citam que ao ser desencadeado o efeito
Flehmen nos machos, estes já teriam previamente identificado as fêmeas no cio,
sugerindo-se que este ato seja uma confirmação do diagnóstico e um estímulo para
excitação sexual.
A fêmea também cheira o corpo e genitais do macho, nesta fase de
acasalamento. Este comportamento de abordagem genital de ambos os sexos os levam
a circular o outro. O macho faz grunhidos de corte e lambe a genitália da fêmea
durante a abordagem sexual, depois desloca a fêmea, e ela vira a cabeça para trás
sendo o inicio da imobilização que antecede a cópula (Rutter, 2002).
Na segunda fase, chamada de fase de "consumação", ocorre o acasalamento
propriamente dito. Um dos principais fatores de variação no comportamento sexual
nos machos é o nível de testosterona. A primeira indicação do papel da testosterona é a
observada no comportamento sexual do machos (Fabre-Nys, 2000). Após a corte, o
macho desloca a fêmea e ela vira a cabeça para trás. Para o macho, o acasalamento
termina quando a fêmea torna-se imóvel e adota uma postura que permite que o macho
a monte. Se a fêmea é receptiva, a cópula pode ocorrer rapidamente, e é muito breve, o
macho move a cabeça rapidamente para trás, e ocorre a ejaculação com o
comportamento característico dos ruminantes chamado de arranque. Após o
acasalamento, os carneiros esticam sua cabeça e pescoço (Rutter, 2002).
Após o acasalamento, inicia-se outra fase na vida da fêmea: a fase gestacional,
no caso das ovelhas que ficaram prenhez. Nesse período tanto a fisiologia quanto o
comportamento da fêmea são modificados devido às transformações ocorridas. O parto
é um momento muito importante no ciclo reprodutivo da ovelha que tem seu
comportamento profundamente alterado entre algumas horas e alguns dias anteriores
ao parto. A ovelha transforma-se de um animal altamente gregário para um animal
isolado do rebanho (Silva et al., 2010a). Para a formação do laço materno-filial é
necessário que haja um conjunto de comportamentos de atenção, incluindo a
vocalização, o ato de cheirar, lamber e proteger o neonato. Estes comportamentos são
direcionados à formação de um vínculo olfatório exclusivo entre a ovelha e o cordeiro
Por muito tempo, acreditou-se que a ocitocina seria responsável apenas pelas
contrações uterinas e ejeção de leite. No entanto, esse hormônio parece ser, também, a
chave que estimula o comportamento materno (Lévy et al., 2004).
6
O comportamento materno envolve uma variedade de hormônios, a experiência
como mãe, tendências hereditárias e o estímulo do neonato (Reece, 2006). Nas
primeiras horas após o parto as principais funções dos cuidados maternos em
mamíferos são fornecer colostro, para satisfazer as necessidades metabólicas do
recém-nascido, e protegê-lo de agressão por parte do ambiente externo (Nowak e
Poindron, 2006).
Segundo Dwyer et al. (1998), os ovinos têm uma vocalização específica ao
parto: um balido de tom baixo ou ronco, que é feito exclusivamente para o cordeiro, e
de grande importância no estabelecimento do vínculo ovelha e cordeiro. Em seu
experimento, constataram que esse balido foi menor em ovelhas primíparas do que em
multíparas, concordando com a questão do comportamento materno de ovelhas de
primeira cria, que desenvolvem um vínculo com seu filhote muito mais lentamente.
De acordo com Paranhos da Costa e Cromberg (1998), com a proximidade do
parto ocorrem algumas alterações comportamentais que podem ter início desde alguns
dias até poucas horas antes do nascimento, demonstrando a possibilidade de se
selecionar animais através de suas habilidades para cuidar da prole, associando o
temperamento materno ao vigor da cria. Com isso, se podem tomar medidas mais
precisas do efeito materno nos programas de melhoramento genético animal.
As ovelhas recém paridas despendem seu tempo, principalmente, com
comportamentos voltados à formação de um vínculo exclusivo com a cria e com
cuidados importantes para a sobrevivência do cordeiro, como a limpeza corporal do
neonato, enquanto que a cria após se levantar e locomover, procura ingerir o colostro
(Rainere, 2008). O período no qual a ovelha forma uma ligação com seu cordeiro é de
cerca de 24 horas, sendo necessária a exposição do cordeiro por apenas alguns minutos
que ocasionam alterações hormonais desencadeando o comportamento maternal
(Reece, 2006).
Poucas horas depois do nascimento a ingestão de colostro deve ser feita para
aquisição de imunidade e energia, conferindo resistência a doenças e aumentando as
chances de sobrevivência da cria. Para que isto ocorra, é desejável que a mãe inicie o
quanto antes o processo de limpeza da cria, com consequente formação de vínculo
afetivo e que permita ao recém-nascido acesso ao alimento, ou seja, não dificulte a
mamada. Neste aspecto, são relevantes duas características: o comportamento materno
(de aceitar a aproximação e manipulação do úbere ou tetos pela cria) e a conformação
do aparelho mamário (Schmidek, 2004).
7
A mãe é responsável pela sobrevivência imediata do recém-nascido, que nas
diferentes espécies não nasce com o mesmo grau de maturidade motora, sensorial ou
de termorregulação e, consequentemente, exige um comportamento perfeitamente
adaptado da mãe à sua necessidade. Nas espécies do grupo dos ungulados, como
bubalinos, ovinos, bovinos e caprinos, os recém-nascidos são classificados como
precoces por seguirem as mães pouco tempo após o nascimento (Poindron, 2005).
Para Dwyer (2008), essas características do comportamento materno são
expressas após o nascimento associados à sobrevivência das crias e são divididas em
duas categorias. A primeira é de cuidados com o cordeiro que facilitam a transição da
vida pré-natal para a pós-natal; esses comportamentos incluem balidos de baixa
intensidade (uma vocalização específica para a comunicação com a cria, lambidas ou
grooming). A segunda categoria é a da formação de uma memória que permita o
reconhecimento do cordeiro, dirigindo os cuidados maternos apenas para a sua própria
cria.
Grandinson (2005) aponta como componentes principais do comportamento
materno o estabelecimento de vínculo entre mãe e filho, o comportamento de cuidado,
a receptividade, a atenção para com a prole e proteção contra intrusos.
Segundo Rech et al. (2008), o comportamento materno se modifica de acordo
com a idade e experiência da ovelha, relatando que quanto maior o tempo que os
cordeiros permanecem com a mãe aumenta a probabilidade de sua sobrevivência. O
comportamento materno tem grande influência sobre a sobrevivência da prole desde o
aleitamento ou até o desmame.
A manutenção do comportamento materno é promovida pela ação hormonal
(estradiol, prolactina, ocitocina e opióides) e sensorial (audição, olfato e visão). O
olfato é extensivamente usado em muitos aspectos maternais em mamíferos,
assegurando a coordenação das interações materno-filiais e, por conseguinte, o
desenvolvimento normal da descendência. Fora do período de parição e lactação,
componentes olfatórios exercem um papel de inibição da responsabilidade materna,
fazendo com que as fêmeas não prenhes, ou em estádio inicial de gestação, considerem
aversivo o odor de um jovem (Levy et al., 2004).
A relação mantida entre mãe e neonato durante o período colostral depende
muito do que ocorre no chamado período sensível, que é um período sensório
específico, dependente de fatores internos da mãe relacionados com o parto, que
ativam o comportamento materno em um primeiro momento. Este período é
8
caracterizado pela receptividade materna a algumas pistas táteis, olfativas e ou
auditivas fornecidas pelo neonato e é nele que se estabelecem os laços que garantirão o
empenho materno na sobrevivência do recém-nascido até à desmama (Poindron,
2005).
Apesar
dos
estímulos
visuais
serem,
sem
dúvida,
importantes
no
reconhecimento individual, o fato de ovinos gastarem muito tempo se cheirando,
especialmente quando um animal estranho é introduzido no grupo, implica que o
olfato também é importante a este respeito. À medida que o cordeiro cresce e melhora
o reconhecimento mútuo, o cordeiro e a ovelha ficam mais distantes um do outro. A
ovelha pode chamar o cordeiro para mamar, mas ela também mostra uma tendência
crescente para encerrar o aleitamento quando o cordeiro cresce. Ovelhas com duas
crias só permitirá a mamada quando ambos os cordeiros estiverem presentes,
indicando que ela reconhece que tem dois filhos (Rutter, 2002).
A habilidade da matriz, a condição de escore corporal, a idade e o estado
imunológico da fêmea influenciam no comportamento materno-filial e no
desenvolvimento dos cordeiros, além disso, podem contribuir para um maior ou menor
cuidado maternal as alterações fisiológicas, o clima, o grupo genético e o estresse.
Desta forma, para diminuir o índice de perdas nesse período é fundamental o
conhecimento da etologia, pois, desta maneira, pode-se utilizar o comportamento
como ferramenta seletiva de matrizes, avaliando-se a habilidade, possíveis correlações
dos cuidados maternos com o peso das crias ao desmame e com o índice de
sobrevivência (Silva et al., 2010b).
9
2. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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13
Capítulo 2
COMPORTAMENTO SEXUAL DE CARNEIROS DA RAÇA MORADA NOVA
14
COMPORTAMENTO SEXUAL DE CARNEIROS DA RAÇA MORADA NOVA
Resumo: Objetivou-se caracterizar o comportamento sexual de reprodutores Morada
Nova nas condições de semiárido. Foram registrados todos os eventos relativos à
corte, registrados em planilhas específicas durante o acasalamento como: Tempo de
Reação (TR), Número de saltos por Tentativa (NST), Cortejo da Fêmea (CF), Cortejo
com a Pata (CP), Vocalização (VOC), Exposição do Pênis (EXP), Cheirar a região
Urogenital da Fêmea (CRUF) e Reflexo de Flehmen (RF). O delineamento
experimental utilizado foi um DIC, adotando o qui-quadrado para a análise dos
dados, através do procedimento GLM do SAS (1999). Os resultados das variáveis
referentes aos padrões de comportamento sexual dos machos foram influenciados
por
características
individuais.
As
variáveis
CP,
VOC,
EXL
variaram
significativamente (P<0,05) entre os reprodutores, porém as variáveis CF, EXP, CRUF
e RF não diferiram estatisticamente entre os carneiros. Isso provavelmente pode ser
atribuído a pouca experiência sexual do macho, o que leva a supor que o maior tempo
despendido no cortejo poderia ser atribuído a questão da experiência do macho.
Portanto, concluiu-se que a maioria dos padrões do comportamento sexual de ovinos
da raça Morada Nova foi apresentada durante as fases de cortejo e cópula da fêmea em
estro, com as diferenças comportamentais observadas atribuídas a características
individuais, não sendo observada influência do turno de monta o que pode evidenciar
o valor adaptativo de ovinos da raça Morada Nova.
Palavras-Chave: ovinos nativos, etologia, cortejo sexual.
15
SEXUAL BEHAVIOR OF SHEEP BREED MORADA NOVA
Abstract: This study aimed to characterize the sexual behavior of breeding Morada
Nova semiarid conditions. We recorded all events relating to the court, registered in
specific worksheets during mating as: Reaction Time (RT), number of jumps per
Attempt (NST), Procession of Female (CF), Procession with Pata (CP), Vocalization
(VOC), Dick Exposure (EXP), Smell of Female Urogenital region (CRUF) and Reflex
Flehmen (RF). The experimental design was a DIC, adopting the chi-square test for
the analysis of data through the GLM procedure of SAS (1999). The results of the
variables related to sexual behavior patterns of males were influenced by individual
characteristics. The variables CP, VOC, EXL varied significantly (P <0.05) among the
players, but the variables CF, EXP, CRUF and RF did not differ statistically among
the sheep. This can probably be attributed to inexperienced male sexual, which leads
to the supposition that the more time spent in courtship could be attributed to the issue
of male experience. Therefore, it was concluded that most of the sexual behavior
patterns of Morada Nova sheep was presented during the phases of courtship and
copulation the female in estrus, with the observed behavioral differences attributed to
individual characteristics, it did not influence the shift rides can show that the adaptive
value of Morada Nova sheep.
Keywords: mating, sheep, procession, ethology, experience
16
1. INTRODUÇÃO
O estudo do comportamento animal vem sendo valorizado, nos últimos anos,
com intuito de adequar o manejo dos rebanhos e como forma de auxiliar no aumento
dos índices produtivos e reprodutivos. Em carneiros, a atividade reprodutiva pode ser
afetada por vários fatores externos, incluindo sócio-sexuais, temperatura, fotoperíodo e
nutrição (Maurya et al., 2010).
Em regiões áridas e semiáridas para os animais nativos a reprodução é uma
forma de prolongar a sobrevivência da espécie através de novos descendentes.
Consequentemente, se o macho não estiver em boa condição ou até mesmo com baixo
a libido, prejudicaria a reprodução da espécie.
Para que haja sucesso na reprodução dos animais em condições de pastejo, os
recursos existentes devem ser geridos de forma eficiente para atingir o nível ideal. Isto
requer um entendimento claro do requisito tanto nutricional quanto dos vários sistemas
fisiológicos concorrentes para que os animais possam externar todo seu potencial
reprodutivo. Durante a estação de monta o reprodutor tem uma contribuição
importante para a taxa reprodutiva e o melhoramento genético de rebanho. Por isso, é
importante prestar atenção aos fatores que podem influenciar a fertilidade do macho,
como a libido, capacidade de acasalamento e qualidade do sêmen (Maurya et al.,
2010).
A compreensão do comportamento sexual dos machos fornece informações de
grande importância, pois no acasalamento o macho desencadeia comportamentos
específicos nesse período, desde o cortejo da fêmea até o ato final da cobrição,
acompanhada da efetiva concepção. Estes comportamentos podem ser influenciados
pela idade, estado fisiológico, e a libido do macho. Durante este momento a eficiência
do reprodutor se mostra como uma ferramenta importantíssima para o sucesso
reprodutivo do rebanho.
A seleção de machos para serem utilizados como reprodutores é extremamente
importante, pois carneiros com alto desempenho sexual servirão um maior número de
ovelhas em um curto período de tempo, aumentando a pressão de seleção e a
disseminação do material genético desejável (Pacheco e Quirino, 2006).
Objetivou-se com este trabalho caracterizar o comportamento sexual de
machos da raça Morada Nova em regime semi-intensivo em condições do semiárido.
17
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1.
Local do experimento
O trabalho foi desenvolvido na Unidade de Pesquisa em Pequenos Ruminantes,
da Universidade Federal da Paraíba, localizada na Microrregião do Cariri Oriental
Paraibano. A região é caracterizada por apresentar uma vegetação típica classificada
como caatinga hiperxerófila, clima quente e seco com distribuição irregular de chuvas
em curtos períodos, podendo apresentar uma estação seca prolongada, com
precipitação média de 450 mm anuais e temperaturas médias anuais em torno de 25º C
(Bacia Escola UFCG).
2.2.
Animais
Foram utilizados quatro reprodutores da raça Morada Nova, numerados de um
a quatro, com média de escore corporal entre 3,5 e 4,0, sendo todos jovens, com idade
em torno de dois anos. Foram utilizadas sessenta e nove fêmeas da mesma raça, com
idades que variam entre quatro e treze anos, todas multíparas.
2.3 Condições climáticas
Os acasalamentos foram realizados em duas estações de monta, nos turnos da
manhã e tarde durante os meses de janeiro, fevereiro, março e abril, período seco,
apresentando um índice pluviométrico médio de 75,6 mm (Bacia Escola UFCG).
No Quadro 1 estão apresentadas as médias de temperatura máxima (Tmáx),
temperatura mínima (Tmín) e umidade relativa (UR) nos meses em que se realizaram
as montas.
As fêmeas foram suplementadas num período de cinco semanas (duas semanas
antes do início dos acasalamentos e três semanas após) e os machos foram mantidos
confinados em baias individuais durante todo o período experimental recebendo feno
de sorgo à vontade no cocho e uma suplementação concentrada. As ovelhas receberam
suplementação formulada de acordo o NRC (1985), apenas à tarde após retornarem do
18
pastejo na caatinga. Durante esse período foi utilizado também o efeito macho através
do contato dos carneiros com as fêmeas duas vezes ao dia, ou seja, antes e depois delas
retornarem do pastejo (6h30 h e 17h).
Quadro 1. Média de temperatura máxima, mínima e umidade relativa dos meses
experimentais na fase de acasalamento
Meses
Manhã
Tarde
UR
Tmáx
Tmín
Tmáx
Tmín
Janeiro
27,82
21,54
31,71
23,60
74,01
Fevereiro
26,81
21,54
31,82
25,57
75,01
Março
26,77
21,84
34,38
25,42
64,77
Abril
27,38
21,06
32,11
27,55
S/L
Média
27,19
21,49
32,50
25,53
71,26
S/L= sem leitura
2.4 Estação de Monta
Foram realizadas duas estações de monta em períodos distintos, com duração
de 45 dias cada e com um intervalo de quinze dias entre as duas estações. Determinouse um escore corporal mínimo entre 2,5 e 3,0 para entrada na estação de monta.
Quarenta ovelhas foram destinadas para a primeira fase, no período janeiro-fevereiro,
denominada Estação A. As demais vinte e nove fêmeas foram direcionadas a um
tratamento alimentar para alcançar o escore corporal mínimo, compondo a Estação B,
realizada no período de março a abril. As treze fêmeas que repetiram o cio na Estação
A foram incorporadas na Estação B.
O lote de fêmeas foi dividido em grupos ao acaso para facilitar o trabalho do
rufião que permanecia durante um período de 5 minutos para cada grupo com intervalo
de 2 minutos entre os grupos. À medida que as fêmeas eram identificadas pelo rufião,
as mesmas eram expostas aos reprodutores de acordo com a ordem de identificação no
grupo. Após a detecção do estro, as fêmeas eram conduzidas aos reprodutores, de uma
em uma, para cada carneiro, sequencialmente do 1 ao 4.
Os animais eram identificados pela numeração dos colares e tatuagem na
região dorso lombar. Foram utilizados colares com cores diferentes para identificação
19
da condição reprodutiva das fêmeas. Quando apresentava cio era colocado um colar
verde e quando cobertas e não aceitavam mais a monta pelo macho era colocado um
colar branco.
O rebanho foi devidamente vacinado contra clostridiose e desverminados de
acordo com o calendário Zootécnico da estação experimental. Os reprodutores também
foram pesados e avaliados o escore, quinzenalmente para acompanhamento do peso e
da condição corporal.
2.5 Comportamento Sexual
Para a caracterização do comportamento sexual foi utilizado o método de
observação direta, com amostragem tipo animal focal e avaliação em forma de
frequência. Os padrões comportamentais dos reprodutores foram observados e
anotados e as avaliações realizadas durante o turno da manhã e da tarde após a
identificação do cio pelo rufião. As anotações foram realizadas por observadores
treinados e posicionados em locais estratégicos no curral de acasalamento.
Foi avaliado o tempo de reação (TR), período de tempo de liberação do
carneiro para a monta até a primeira ejaculação, e o número de saltos por tentativa
(NST) durante o tempo de reação, sendo registrado em cronômetro. Além disso, foram
observados os padrões de comportamento como: cortejo da fêmea (CF); cortejo com a
pata (CP); vocalização (VOC); exposição de língua (EXL); cheirar a região urogenital
da fêmea (CRUF); exposição do pênis (EXP) e reflexo de flehmen (RF) segundo a
metodologia de Santos et al. (2006).
Os reprodutores realizaram uma monta a cada 12 horas, sendo estabelecido um
intervalo de 40 minutos entre duas montas consecutivas num mesmo turno, garantindo
um período de restabelecimento do macho sem prejudicar o processo da
espermatogênese. Todos os comportamentos foram registrados em planilhas, seguindo
um etograma de trabalho específico para avaliação do comportamento sexual dos
reprodutores.
20
2.5.1 Etograma de trabalho para as avaliações comportamentais
1- Tempo de Reação: Período de tempo de liberação do carneiro para a monta
até a primeira ejaculação;
2- Números de saltos por tentativa: Número de vezes que o animal monta na
fêmea até executar a monta completa com ejaculado;
3- Cortejo da fêmea: Perseguir a fêmea insistentemente durante o cortejo;
4- Cortejo com a pata: cortejar a fêmea com os membros anteriores;
5- Exposição da Língua: Expor a língua durante a corte da fêmea;
6- Exposição do pênis: Expor o pênis como forma de excitação antecedendo a
cópula;
7- Vocalização: emissão de sons em tons graves durante o cortejo;
8- Cheirar a região urogenital da fêmea: Cheirar e/ou lamber a região
urogenital reconhecendo os ferormônios que a fêmea libera em estro;
9- Reflexo de Flehmen: O macho cheira a urina da fêmea e então levanta a
cabeça, com os lábios torcidos.
2.6 Análises Estatísticas
O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado (DIC) e a análise
estatística adotada foi o teste do Qui-quadrado. Os índices reprodutivos foram
expressos de forma descritiva, através de porcentagem.
Os dados de frequência das avaliações comportamentais foram analisados
utilizando modelos lineares generalizados considerando uma distribuição binomial
negativa a 5% de probabilidade, através do procedimento GLM do programa
estatístico SAS (1999).
21
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Indicadores reprodutivos
Os resultados dos serviços realizados pelos reprodutores nas duas estações,
com respectivas taxas de prenhez total e número de fêmeas expostas estão
apresentados na Tabela 1. Das quarenta fêmeas expostas na estação A, vinte e cinco
emprenharam, uma abortou, duas não apresentaram cio e treze não emprenharam.
Com estas últimas sendo expostas na estação seguinte. Durante essa primeira estações
de monta foram observados problemas reprodutivos como hidrometria e cistos no
útero detectados por meio da ultrassonografia transretal nas ovelhas que obtiveram
diagnóstico negativo de prenhez.
Na estação B, foram expostas quarenta e três fêmeas, das quais treze foram
remanejadas da estação A, porque repetiram o cio. Apenas trinta e três ovelhas ficaram
prenhas. Se observados apenas o número de fêmeas pertencentes à estação B,
contabilizaríamos vinte e nove ovelhas, das quais vinte e sete emprenharam,
evidenciando uma taxa de prenhez de 93,1% para esse grupo.
As ovelhas expostas na Estação B apresentaram uma maior taxa de prenhez em
relação aos da Estação A. Este grupo era composto em maior parte por fêmeas que se
encontravam com uma condição corporal abaixo do recomendado para início da
atividade reprodutiva, com vinte e sete das fêmeas prenhas, representando um
percentual de 93,1%. Quando se incorporou as ovelhas da Estação A esse percentual
diminui para 76,74% (Tabela 1), mas mesmo assim representa um valor considerável
para fêmeas em regime de caantiga.
Tabela 1. Percentagem de prenhez entre estações de monta em ovinos Morada Nova
Fêmeas
Expostas
Prenhez total
% Total de prenhez
Estação A
40
25
62,50
Estação B
43
33
76,74
Resultados obtidos por análise descritiva.
A maior eficiência das ovelhas da estação B poderia ser explicada por uma
melhor resposta à suplementação alimentar, com consequente aumento na taxa de
22
ovulação. Esse raciocínio tem como premissa o fato de que as referências para
classificação do escore corporal são baseadas em trabalhos com raças especializadas.
Para alguns autores, as ovelhas no momento da cobertura devem estar com escore
corporal acima de 2 para alcançar uma ótima eficiência reprodutiva resultando na
prenhez (Cezar e Sousa, 2006). Nesse caso, é possível que o verdadeiro padrão para
raças nativas, com a Morada Nova, esteja naturalmente abaixo desse escore. Assim, as
ovelhas da Estação A estariam, na realidade, acima da condição corporal desejável, ou
seja, com deposição de gordura no aparelho reprodutor acarretando em uma menor
eficiência reprodutiva. Na primeira estação de monta algumas fêmeas apresentaram
retorno ao estro em maior número em relação à segunda estação. Isso pode ser
atribuído à condição corporal das ovelhas, pois fêmeas mais gordas tendem a depositar
gordura entre as gônadas (ovários), podendo apresentar problemas reprodutivos e
consequentemente prejudicar a liberação do óvulo para posterior fertilização.
Para Cezar & Sousa (2006) a eficiência reprodutiva à monta responde ao
consumo de energia ou às mudanças de escore corporal, mostrando que se o animal
chegar à monta com um escore abaixo ou acima a perda ou o ganho não vai piorar nem
melhorar a baixa eficiência reprodutiva das matrizes, porém, a melhoria do escore
resulta em incremento da eficiência, enquanto a perda diminuirá o desempenho
reprodutivo das matrizes. A condição corporal alcançada pela ovelha durante a monta
tem uma ação reguladora sobre a eficiência reprodutiva, afetando a taxa de fertilidade
e, principalmente, o índice de prolificidade das matrizes.
Selaive-Vilarroel & Fernandes (1994) observaram em ovelhas Morada Nova
com escore corporal entre 1 e 3, taxa de parição de 75 e 91% , respectivamente. A
tabela 2 apresenta os valores referentes às fêmeas expostas por reprodutor e seus
respectivos percentuais de prenhez em cada estação. Na Estação A foram apresentadas
menores taxas do que na B, exceto para o macho 3. Esse reprodutor apresentou uma
maior taxa do que os demais reprodutores, que obtiveram índices similares.
As taxas de prenhez segundo o reprodutor mostraram que o valor individual
prevaleceu entre os animais, pois todos os machos receberam manejo nutricional,
sanitário e números de fêmeas expostas semelhantes.
23
Tabela 2. Número de fêmeas expostas, com repetição de cio, com prenhez positiva
por reprodutor e por estação de monta.
Reprodutor Estação
1
2
3
4
Fêmeas
Repetição
Expostas de cio
Prenhez
%
Positiva Prenhez
A
12
5
6
50,00
B
12
4
8
66,66
A
12
4
6
50,00
B
13
6
7
53,84
A
10
2
8
80,00
B
13
3
10
76,92
A
10
4
5
50,00
B
13
5
8
61,54
% média de
prenhez/macho
58,33
51,92
78,46
55,77
Resultados obtidos por análise descritiva.
O maior percentual médio de prenhez apresentado pelo carneiro 3 pode estar
associado a um maior vigor espermático somado a uma mais rápida recuperação, que
pode ter refletido num melhor desempenho. Estes resultados demonstram a
importância do valor individual do reprodutor, o que pode ser um dos pontos de
grande relevância na escolha de um macho, visando uma alta eficiência reprodutiva.
Em virtude da impossibilidade da realização do exame andrológico, estes resultados
não puderam, no entanto, ser associados ao vigor espermático.
3.2 Variáveis comportamentais dos reprodutores Morada Nova
Os resultados apresentados para a variável Tempo de Reação (TR) diferiram de
forma significativa (P<0,05) entre os reprodutores. Os carneiros 2 e 3 apresentaram
maior TR em relação aos machos 1 e 4, resultados possivelmente atribuídos às
diferenças individuais. O maior tempo que o reprodutor 3 levou para realizar a monta
pode ter sido um dos fatores responsáveis pela maior taxa de prenhez. Novamente,
essa diferença pode ser conferida ao comportamento individual relativa à capacidade
de aprendizagem de cada macho o que influenciará na eficiência durante o
acasalamento, tornando-se um fator de escolha de reprodutores que se mostrem
eficientes no rebanho (Tabela 3).
24
Tabela 3. Média do Tempo de Reação (TR) em segundos e Freqüência do Número de
Saltos por tentativa (NST) de ovinos da raça Morada Nova
Reprodutores
Tempo de Reação
N° Saltos/Tentativa
N° observações
1
26,95 b
1,48 b
45
2
39,73
a
b
38
3
39,07 a
2,95 a
40
4
22,15 b
1,64 b
39
1,92
Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem estatisticamente, ao nível de 5% de
probabilidade, pelo teste do Qui-quadrado
Diferentemente do que se espera de um animal jovem que, pela sua exacerbada
libido, realiza a cópula de forma mais rápida, os reprodutores 2 e 3 levaram mais
tempo para realizar a monta. Isso pode ter estimulado mais as fêmeas com aumento na
liberação de LH, refletindo diretamente nas taxas de ovulação o que repercutiu num
maior índices de prenhez apresentado pelo carneiro 3 em comparação aos outros
carneiros.
O fato do reprodutor 1 ter tido uma experiência sexual anterior em relação aos
outros, não se mostrou como um fator de diferenciação em relação aos machos
inexperientes. Se essa diferença no TR fosse atribuída à experiência, apenas o macho 1
apresentaria menor TR, mas o que não se mostrou relevante para essa explicação entre
os machos, pois percebe-se que o fator mais importante nesse padrão será o nível de
estimulação ocasionado na fêmea, que influenciará na taxa de prenhez do rebanho.
Pacheco et al. (2008) trabalhando com carneiros jovens com contato prévio e sem
contato prévio, observaram que o tempo de reação entre os animais não variaram,
apresentando um TR médio de 26,5 segundos, sendo semelhante aos nossos
resultados, apenas que neste estudo o autor mensurou o TR a partir do tempo que cada
macho levava para manifestar qualquer tipo de evento sexual.
O macho 3 apresentou um NST superior aos demais (P<0,05). A explicação para
esse resultado pode ser atribuída ao alto TR e às diferenças individuais. Deve ser
destacado também que o macho 3 apresentou um desempenho superior no que se
refere à taxa de prenhez das fêmeas por ele cobertas em ambas as estações. Como este
reprodutor levou mais tempo em realizar a monta, isso pode ter promovido um maior
estimulo no cortejo dando respaldo aos índices reprodutivos.
25
A característica individual no comportamento sexual influencia a eficiência do
macho e pode proporcionar diferenças no número de descendentes por reprodutor. No
caso do macho 3, a resposta ao aumento no número de saltos pode ter refletido numa
possível indução à liberação de hormônios estrais promovidos possivelmente por esse
maior contato ou cortejo no acasalamento.
Pimentel Gómez et al. (2005) relataram, em seus trabalhos com diferentes
genótipos de ovinos, que a influência da idade e as características como número de
serviços e número de montas tendem a melhorar com o aumento da idade dos
reprodutores.
Os comportamentos apresentados durante a fase preparatória da cópula como
cortejar a fêmea com a pata (CP), vocalização (VOC), exposição de língua (EXL)
variaram de forma significativa (P<0,05) entre os reprodutores, enquanto que
comportamentos como cortejo da fêmea (CF), exposição de pênis (EXP), cheirar a
região urogenital da fêmea (CRUF) e reflexo de flehmen (RF), denominados eventos
pré-copulatórios, não diferiram estatisticamente (Tabela 4).
Tabela 4. Médias das frequências dos padrões de Comportamentos sexuais: cortejo da
fêmea (CF); cortejo com a pata (CP); vocalização (VOC); exposição de pênis (EXP);
cheirar a região urogenital da fêmea (CRUF) e reflexo de flehmen (RF) apresentados
por machos ovinos da raça Morada Nova
Reprodutores
Padrões Comportamentais
CF
CP
VOC
EXL
EXP CRUF
RF
1
1,00
1,23 b
1,71 b
1,60 b
1,80
1,48
1,09
2
1,50
1,19 b
2,85 a
2,27 ab
1,71
1,75
1,20
3
1,40
2,89 a
3,16 a
2,75 a
1,60
1,41
1,25
1,50
b
b
b
1,28
1,29
1,00
4
1,60
1,60
1,60
Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem estatisticamente, ao nível de
5% de probabilidade, pelo teste do Qui-quadrado do valor da média estimada.
O macho 3 apresentou 2,89 vezes mais o CP do que os outros animais. Este
resultado pode ter ocorrido em função do maior TR, o que mostra que os
comportamentos iniciais do cortejo da fêmea em estro podem ser importantes na
estimulação. Possivelmente, o comportamento apresentado pelo macho 3 respalda a
maior taxa de prenhez das fêmeas servidas por ele em ambas estações de monta. O
26
reprodutor 2 mesmo com um maior TR, apresentou uma menor frequência deste
comportamento, o que possa ser uma das explicações da menor taxa de prenhez.
Kridli e Al-Yacoub (2006) não observaram efeito significativo quanto aos
comportamentos cortejo com a pata, cheirar a região urogenital da fêmea, tentativa de
monta e monta quando o grupo era constituído apenas de machos. Porém quando os
machos foram inseridos a grupos misturados com fêmeas mostraram mais padrões de
comportamentos durante o acasalamento.
Os reprodutores 2 e 3 tenderam a vocalizar mais do que os outros machos, fato
também associado ao maior TR. Segundo Pacheco et al. (2008), avaliando o
comportamento sexual de ovinos Santa Inês, a vocalização excessiva pode ser uma
atitude provavelmente relacionada com a ansiedade gerada pela separação dos
companheiros pertencentes ao seu grupo de convívio. Mas, neste estudo, este padrão
de comportamento possivelmente estaria relacionado com a comunicação entre os
animais durante o cortejo.
Ao observar a EXL entre os reprodutores, os resultados mostram que o macho 3
apresentou em maior número este padrão de comportamento da fase pré-copulatória,
mas que não diferiu do macho 2 e este não diferiu dos demais. Este tipo de
comportamento está associado com a captura dos ferormônios liberados pelas fêmeas
em estro o que pode também respaldar a taxa de prenhez apresentada pelo carneiro 3.
Os outros padrões envolvidos na fase preparatória ou pré-copulatória como CF, EXP,
CRUF e RF não apresentaram diferença significativa, possivelmente por se tratarem
de animais jovens e estes tipos de comportamentos serem apresentados com maior
frequência em animais adultos.
Madella-Oliveira
et
al.
(2009)
observaram
que
entre
os
padrões
comportamentais realizados pelos carneiros os que apresentaram maiores frequências
foram: perseguir (16,1%), lamber (18,5%) e cheirar a região genital das fêmeas em
estro (11,6%). Essas altas frequências evidenciam que mesmo sem experiência prévia,
o comportamento sexual dos carneiros durante a fase de monta pode ser expresso de
forma satisfatória. Para Hafez (2004), o nível de experiência sexual não altera os
padrões motores de conduta do cortejo, mas age principalmente sobre a eficiência do
acasalamento.
De acordo com Bench et al. (2001), o contato prévio dos carneiros com as
fêmeas pode fornecer prática na execução da cópula podendo auxiliar na desinibição
de machos inexperientes. Entretanto, o início do desenvolvimento da orientação sexual
27
também pode surgir pelo convívio com outros machos. Para Kridli e Al-Yacoub
(2006), a criação de machos separadamente ou junto das fêmeas, antes da entrada na
puberdade, parece não influenciar no desempenho sexual.
Os carneiros 2 e 3, sem experiência prévia, apresentaram padrões de
comportamentos semelhantes, enquanto que o macho 1, com experiência, e o 4, sem
experiência prévia, demonstraram resultados similares para a maioria dos
comportamentos avaliados. Stellflug e Lewis (2007) relataram que a frequência e
duração de cada comportamento dependem de cada reprodutor e de sua experiência
sexual prévia, podendo servir como critério de avaliação, classificação e seleção de
bons reprodutores. Os resultados mostraram que o fator experiência não se apresentou
como fator de diferenciação entre os machos para expressar os comportamentos
necessários de estímulo das fêmeas em estro.
Godfrey et al. (1998) avaliaram o comportamento sexual de carneiros que não
tiveram contato físico nem visual com fêmeas desde o desmame e concluíram que a
falta de contato com fêmeas parece não influenciar no desencadeamento dos
comportamentos de cortejo. Apenas com um contato prévio com fêmeas em cio os
machos são estimulados e adquirem experiência para a realização do comportamento e
reconhecimento do estado fisiológico da fêmea (Pacheco et al., 2008).
Os comportamentos CF, EXP, CRUF e RF podem ser apresentados durante o
acasalamento, porém em menor frequência do que outros, mas que se mostram muito
importantes durante a fase de cortejo, podendo desencadear processos como liberação
de hormônios sexuais envolvidos na cópula.
Stellflug
e
Lewis
(2007)
observaram
que
os
cortejos
aumentaram
siginificativamente (P <0,01) para machos em contato com fêmeas desde cordeiros,
comparado com os que não tinham contato, sendo um importante indicativo para
realizações de teste de libido.
Na Tabela 5 estão apresentados os resultados relacionados com o turno. Não
houve diferença estatística entre TR e NST nos dois turnos, demonstrando que para
ovinos desta raça durante a época chuvosa do ano o turno de acasalamento não
influenciou na eficiência da monta.
Esses resultados diferem dos apresentados por Alves et al. (2006), que relatam
diferença significativa entre os períodos de monta (manhã e tarde) observando que os
animais, tanto jovens como adultos, tiveram TR menor pela manhã (das 6 às 12 h) do
que à tarde (das 12 às 18 h). Atribuíram os resultados, primeiramente, ao cansaço
28
natural advindo da exposição sequencial dos reprodutores à monta e, em segundo
lugar, ao fator climático, uma vez que durante o período experimental as temperaturas
no turno da tarde foram superiores àquelas da manhã.
Tabela 5. Média do Tempo de Reação (TR), em segundos, e média da Freqüência do
Número de Saltos por Tentativa (NST) dos reprodutores em relação ao turno de
acasalamento.
Qui-Quadrado
Turno
N° observações
TR
NST
Manhã
31,27
1,85
80
Tarde
32,41
2,12
82
Efeito não significativo (P>0,05) pelo Qui-Quadrado
Nos períodos de acasalamento as temperaturas médias máximas (Tmáx) e
mínimas (Tmín) no turno da manhã (das 6 as 7:30 h) foram 27,19°C e 21,49°C,
respectivamente, e no turno da tarde (das 16:30 as 17 h) foram 32,50°C e 25,53°C
apresentaram dentro da zona de conforto térmico que varia de 15 a 30°C de ovinos
adultos que conforme Baêta e Souza (1997), sendo a zona crítica acima de 35°C. Por
ter sido realizada na época considerada chuvosa os dados relacionados com a
temperatura se encontram relativamente adequadas para a espécie, além de que a raça
apresenta um excelente valor adaptativo o que não afetou o seu desempenho durante a
monta em dias com temperaturas mais altas.
Nas condições de temperatura elevada os carneiros devem expressem níveis
adequados de libido e fertilidade para o sucesso reprodutivo de um grande número de
fêmeas (Godfrey et al., 1998).
Não houve diferenças significativas (P<0,05) entre os turnos com relação às
variáveis comportamentais CF, CP, VOC, EXL, EXP, CRUF e RF (Tabela 6). Os
padrões de comportamentos apresentados foram todos avaliados dentro de um período
que compreendeu, da soltura dos machos até ele realizar a monta completa com
ejaculado (TR).
Os resultados apresentados mostraram que os ovinos da raça Morada Nova, em
regime de monta natural controlada, apresentam todos os comportamentos necessários
para estímulo da fêmea em estro. Os reprodutores nos dois turnos realizaram no
máximo duas montas por turno, para não haver o desgaste físico dos mesmos, com
29
isso favorecendo uma renovação na produção dos espermatozoides. Também foi feito
uma distribuição das fêmeas semelhante como forma de fornecer as mesmas condições
dos machos demonstrarem seus padrões comportamentais diante das ovelhas em estro.
Tabela 6. Médias das freqüências dos padrões de Comportamentos sexuais: Cortejo
com a Pata (CP); Vocalização (VOC); Exposição da Língua (EXL); Exposição de
Pênis (EXP); Cheirar a Região Urogenital da Fêmea (CRUF) e Reflexo de Flehmen
(RF) apresentados em ovinos da raça Morada Nova em relação ao turno de
acasalamento
Padrões Comportamentais
Turno
CF
CP
VOC
EXL
EXP CRUF
RF
Manhã
1,42
1,74
2,32
2,12
1,54
1,47
1,06
Tarde
1,33
2,20
2,47
2,16
1,67
1,52
1,20
Efeito não significativo (P>0,05) pelo Qui-Quadrado
O comportamento CF foi pouco observado nos machos isso possa ser explicado
pelo motivo das ovelhas quando expostas aos reprodutores já se encontravam em
estro, o que não necessitaria de um investimento do macho na insistência em perseguir
lá.
Com
isso,
refletindo
num
menor
desgaste
físico
dos
reprodutores,
consequentemente auxiliando numa monta mais eficiente. Enquanto que o CP que
também é considerado como um dos comportamentos iniciais da fase pré-copulatória,
não foi influenciado pelo turno de monta, estando mais associada à característica
individual dos machos do que efeito dentro do turno de acasalamento.
A VOC em relação aos outros padrões de comportamento se apresentou com
uma média de frequência um pouco maior, isso possa está relacionada à idade dos
animais e possivelmente a algum tipo de comunicação entre eles durante o
acasalamento. O que demonstra que mesmo se tratando de animais jovens, eles
também desencadeiam estímulos auditivos no momento da cópula. Para a EXL junto
com a VOC também apresentou com uma média de frequência relativamente mais alta
do que os outros comportamentos, associada principalmente a detecção do estro
através dos feromonios liberados pelas fêmeas, sendo este comportamento associado
com a confirmação do cio.
Na EXP não apresentou diferença estatística, obtendo uma frequência
semelhante entre os dois turnos, mostrado principalmente na fase de excitação diante
30
uma fêmea em cio, antecedendo a ereção na preparação a monta. De acordo com
Santos et al. (2006), existe uma variação na frequência das manifestações das
características de cortejo (exposição da língua e exposição do pênis) entre animais
jovens e adultos, tendo maior intensidade nos animais mais velhos, devido à maior
experiência sexual. Neste trabalho os resultados para os reprodutores foram
semelhantes por se tratarem de animais de mesma faixa etária com relação aos jovens,
com apenas o carneiro 1 apresentando uma experiência prévia de monta o que não se
apresentou como fator de diferença na demonstração dos padrões de comportamento
sexual na fase de acasalamento.
O ato de cheirar a região urogenital da fêmea (CRUF) se mostra como um dos
padrões mais importantes que antecede a monta, aumentando a excitação do macho na
detecção da fêmea em cio ao cheirar a urina fresca da ovelha, odores dos feromonios
liberados pelos hormônios envolvidos no estro como FSH, LH e estrógeno.
Com relação ao reflexo de Flehmen, verificou-se uma frequência muito baixa,
independente do turno. Após cheirar e lamber a urina, o carneiro realiza um
movimento bem característico dos ruminantes e equídeos, chamado de reflexo de
Flehmen, levantando a cabeça e curvando o lábio superior, estando associado como
uma investigação olfatória do estro da fêmea, sendo controlada por ação da
testosterona. Alves et al. (2006) atribuem esta característica aos animais mais velhos e
experientes que a utilizam como forma de estímulo sexual antes da cópula.
Os resultados apresentados mostram que, independente do turno, todos os
padrões de comportamentos foram apresentados, o que pode caracterizar a adaptação
desta raça na região semiárida nordestina.
31
4. CONCLUSÃO
Concluiu-se que a maioria dos padrões do comportamento sexual de ovinos da raça
Morada Nova foi apresentada durante as fases de cortejo e cópula da fêmea em estro,
com as diferenças comportamentais observadas atribuídas a características individuais.
32
5.
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34
ANEXOS
35
36
Fêmea no curral de monta
Farejando os ferormonios
37
Fêmea e macho durante o corte
Imobilização da Fêmea
Monta Completa
Macho cheirando a CRUF da fêmea
Salto sobre a fêmea
Monta completa evidenciando o arranque
Curral onde foram realizados os acasalamentos
38
Capítulo 3
CARACTERIZAÇÃO DO COMPORTAMENTO MATERNO-FILIAL NO
PÓS-PARTO DE OVELHAS MORADA NOVA
39
CARACTERIZAÇÃO DO COMPORTAMENTO MATERNO-FILIAL NO
PÓS-PARTO DE OVELHAS MORADA NOVA
Resumo: O comportamento materno-filial em ovinos tem uma importância
fundamental na preservação da espécie, agilidade e sobrevivência da cria até o
desmame, tendo reflexo direto na eficiência econômica do sistema de produção.
Objetivou-se caracterizar a relação materno-filial de ovelhas da raça Morada Nova
após o parto. Para tais observações comportamentais foram acompanhadas 39 fêmeas
adultas, multíparas, distribuídas em duas estações de monta consecutivas, com
intervalo de quinze dias entre elas. As observações das variáveis foram feitas
iniciando-se a partir da localização de uma fêmea com características de pré-parto.
Foram registrados todos os eventos comportamentais realizados entre mãe e cria, num
período de 2 horas. A análise estatística adotada foi o teste do Qui-quadrado
considerando uma distribuição binomial negativa a 5% de probabilidade. Os
resultados obtidos demonstraram que as ovelhas da raça Morada Nova expressam
todos os comportamentos iniciais necessários para garantir a sobrevivência da sua cria.
Além disso, os resultados observados mostraram que as crias se apresentaram mais
ágeis quanto ao tempo de ficar em pé (TEP) e realizar a primeira mamada (TPM)
independente do lote. Pode-se obsevar que para as outras variáveis comportamentos
relacionadas com a relação materno-filial como: limpeza do cordeiro (LCO), ingerindo
membranas (IME), facilitando a mamada (FMA) e dificultando a mamada (DMA). E
nas crias os padrões observados foram: procurar úbere (PUB), tentar mamar (TMA) e
mamando (MAM) mostram que independente da estação de parição ou condição
corporal da fêmea antes do parto não prejudica na apresentação dos estímulos iniciais
da mãe com sua cria. Concluiu-se que os ovinos desta raça apresentam uma excelente
habilidade materna para as condições do semiárido brasileiro, ambiente em que foi
conduzido o trabalho.
Palavras–chave: mãe-cria, prolificidade, sobrevivência.
40
CHARACTERIZATION OF CONDUCT BRANCH IN MOTHER-OF SHEEP
MORADA NOVA POSTPARTUM
Abstract: The maternal-filial behavior in sheep is of fundamental importance in the
preservation of the species, agility and survivability of the offspring to weaning,
having a direct impact on economic efficiency of the production system. This study
aimed to characterize the relationship of mother-infant Morada Nova sheep after
delivery. For such behavioral observations were accompanied by 39 adult females,
multiparous, distributed in two consecutive breeding seasons, with two week interval
between them. The electrocardiographic changes were made starting from the location
of a female with characteristics of pre-birth. All were recorded behavioral events
performed between mother and creates, over a period of 2 hours. The statistical
analysis used was the chi-square test assuming a negative binomial distribution at 5%
probability. The results showed that sheep Morada Nova express all initial behaviors
needed to ensure the survival of their offspring. Moreover, the observed results
showed that the pups were more agile in terms of time of standing (TEP) and perform
the first feeding (TPM) independent of the lot. You can obsevar that behavior for other
variables related to maternal-filial relationship as: cleaning Lamb (LCO), ingesting
membranes (IME), facilitating breastfeeding (FMA) and hindering breastfeeding
(DMA). And the patterns observed in the offspring were looking udder (PUB), try to
breastfeed (TMA) and feeding (MAM) show that regardless of the calving season or
female body condition before calving did not affect the presentation of the stimuli with
his mother's initials creates. It was concluded that this breed sheep have excellent
maternal ability to Brazilian semiarid conditions, the environment in which the work
was conducted.
Keywords: mother-offspring, prolificacy, survival.
41
1. INTRODUÇÃO
As raças nativas do semiárido brasileiro, face ao desconhecimento de seu
potencial produtivo mesmo no seu ambiente de origem, vêm sendo, gradativamente,
substituídas por raças de origem europeia ou sul-africana. A caracterização fenotípica,
fundamental para o programa de conservação, inclui, também, as características de
comportamento. Dentro do estudo etológico, destaca-se a relação materno-filial,
responsável pelo padrão de desenvolvimento da cria no início de sua vida e, por
consequência, da taxa de mortalidade.
Além disso, o conhecimento do comportamento animal, em todas as fases, tem
auxiliado não somente no manejo dos animais, mas tem também contribuído para
reduzir o estresse advindo da intensa exploração produtiva dos rebanhos.
Na espécie ovina, como na maioria dos mamíferos, a relação materno-filial
inicia-se nos primeiros dias após a concepção por meio de mecanismos hormonais que
irão estabelecer o contato entre a mãe e o feto denominado de reconhecimento materno
da gestação (Paranhos da Costa et al., 2007). Nas primeiras horas de vida os cordeiros
nascem bastante frágeis, com pouco tecido de reserva e muito dependentes da nutrição
e proteção materna. Por isso, a adequação do manejo pós-parto se mostra de suma
importância, pois pode acarretar em sérios problemas de rejeição da cria o que pode
ocasionar um aumento na taxa de mortalidade na propriedade.
Um manejo inadequado para um determinado genótipo pode influenciar a
mortalidade das crias. A sobrevivência das crias deve ser encarada principalmente
como uma parceria bem sucedida entre mãe e cria durante todas as fases criticas da
vida do recém-nascido.
Para tanto, pesquisas vêm sendo realizadas com a raça Morada Nova no intuito
de conhecer melhor seus hábitos, formas de interação e relação entre mãe-cria.
Estudos anteriores já mostraram que ovelhas da raça Morada Nova mesmo recebendo
níveis baixos de energia na dieta não deixaram de expressar seus cuidados, nem
tampouco deixaram de rejeitar suas crias. Esse resultado pode estar amparado pela
pressão de seleção natural imposta à raça, que permitiu evidenciar uma ótima
habilidade materna, mesmo em condições de restrição energética (Mariz et al., 2007).
Em programas da própria Embrapa Caprinos e Ovinos esta raça é considerada
como raça mãe tendo como base a sua habilidade materna. No entanto, informações
42
advindas de estudos planejados sobre a relação materno-filial nessa raça ainda são
limitadas, demandando uma caracterização melhor definida.
Neste trabalho, objetivou-se caracterizar a relação materno-filial de ovelhas da
raça Morada Nova após o parto em regime de criação semi-intensivo no semiárido.
43
2.
MATERIAL E MÉTODOS
2.1. Fase pré-experimental e Experimental
A pesquisa foi desenvolvida na Unidade em Pequenos Ruminantes, pertencente
ao CCA/UFPB, Campus II, localizada no município de São João do Cariri-PB, na
Microrregião do Cariri Oriental Paraibano, apresentando uma média anual de chuvas
em torno de 450 mm anuais e temperaturas médias de 25º C (Bacia Escola, UFCG).
Para a avaliação do comportamento materno-filial foram utilizados dois
currais, sendo um para a maternidade com as dimensões 9,00m x 10,30m e outro
curral de apoio para as fêmeas e borregos no pós- parto. Foram utilizadas 39 fêmeas
prenhes da raça Morada Nova, com idades entre quatro e treze anos, todas multíparas,
provenientes de duas estações de monta realizadas nos meses de janeiro a fevereiro,
estação A, e de março a abril, denominada de B.
Na estação A, foram utilizadas 19 fêmeas e na estação B foram utilizadas 20
fêmeas. Para o acasalamento foram utilizados quatro carneiros e um rufião para
detectar as fêmeas em estro.
Durante a fase pré-experimental as ovelhas foram pesadas com uso de uma
balança digital e avaliadas quanto ao escore corporal (ECC) a cada 28 dias. A
avaliação do escore foi feito pelo método de apalpação das vértebras lombares na
região dos processos transversais e processos espinhais, atribuindo um valor de 1 a 5
(sendo 1 os animais muito magros e 5 os animais obesos), com um único avaliador.
Depois de 30 dias após o acasalamento realizou-se o diagnóstico de gestação
por ultrassonografia trans retal para cada grupo de fêmeas e consequentemente foi
estimado o período de parição de todas as ovelhas dentro de cada lote. A previsão do
parto foi contabilizada a partir da primeira cópula da fêmea com o macho e somado a
cento e cinquenta dias de gestação.
A Fase experimental iniciou-se nos meses de junho, julho e agosto, onde se
concentraram os partos, sendo este período considerado de transição entre o chuvoso e
início do período seco, apresentando uma média pluviométrica de 78,6 mm e
temperatura variando de 21,9 a 28,2 ºC de acordo com dados provenientes da Bacia
Escola – UFCG.
44
No período experimental o manejo nutricional adotado seguiu as exigências
estabelecidas pelo NRC (1985) de acordo com a fase gestacional dos animais, sendo
fornecido 600g de ração concentrada/animal/dia.
O rebanho foi vacinado de acordo com o calendário Zootécnico e as ovelhas
foram everminadas logo após o parto e as crias 15 dias após, segundo um protocolo
específico de acordo com a infestação parasitária.
No período que antecedia o parto, cerca de sete dias antes da data prevista de
parição as ovelhas foram transferidas para uma área reservada, num curral
maternidade e permaneceram nessas instalações até o parto.
Para as avaliações da relação materno-filial foram realizadas observações
comportamentais de forma direta, com registro instantâneo e amostragem focal. As
observações do comportamento foram iniciadas a partir da localização de uma fêmea
com características de pré-parto. Logo após a expulsão completa do feto, era anotada a
hora do parto e iniciados os registros dos comportamentos da fêmea em relação à cria
e da cria em relação à mãe por um período de 2 horas. Os registros eram feitos durante
dez minutos com um intervalo de cinco minutos entre as amostragens, seguindo a
metodologia apresentada por Rainere (2008); Paranhos da Costa e Cromberg (1998),
adotando-se períodos de observação de 24 horas contínuos.
A avaliação da relação mãe-cria foi feita seguindo uma padronização, onde
apenas a primeira cria independente do tipo de parto foi avaliada, para não gerar
tendências nos resultados. Foram também caracterizados a duração e o tipo de parto
(simples, duplos ou triplos) referente ao número de cordeiros nascidos por parto.
O comportamento materno-filial foi caracterizado através do registro das
variáveis atividade (ATM) e postura (PTM) da ovelha e do borrego.
Os horários do primeiro toque da mãe no cordeiro (TTC), momento em que o
cordeiro ficou em pé (TEP) e mamou pela primeira vez (TPM) foram registrados
independentemente dos intervalos de amostragem. Todos os dados foram colhidos por
observadores treinados e registrados em planilhas específicas, seguindo um etograma
de trabalho pré-estabelecido.
Nas fêmeas foram observados os padrões comportamentais: contato com o
cordeiro (CCO), limpeza do cordeiro (LCO), ingerindo membranas (IME), facilitando
a mamada (FMA), dificultando a mamada (DMA). Para as crias os padrões observados
foram: tentando levantar (TLE), levantar (LEV), procurar úbere (PUB), tentar mamar
(TMA), mamando (MAM) e os parâmetros como: sem atividade aparente (SAA) e
45
outras atividades (OAT) foram utilizados tanto para as mães como para as crias, como
mostrado abaixo.
Depois de transcorrido o período de duas horas de observação às fêmeas e suas
crias foram levadas a um curral de apoio, onde permaneciam com suas crias até
completarem um período de 15 dias para daí então serem liberadas para o pastejo.
Os nascimentos foram concentrados durante o período de 13 de junho a 07 de
julho de 2010, referente à estação A e no período de 30 de julho a 17 de agosto de
2010, referente à estação B.
2.2 Descrição das atividades observadas nas ovelhas
1- Contato ou toque: a ovelha cheira ou toca o cordeiro com o focinho;
2- Limpeza do cordeiro: a ovelha lambe o cordeiro;
3- Ingerindo membranas: a ovelha ingere membranas do solo, cordeiro ou do
seu corpo;
4- Facilitando a mamada: a ovelha expõe o úbere para o cordeiro ou direciona o
neonato;
5- Dificultando a mamada: movimentos para frente, para trás ou em círculos
quando o cordeiro aproxima-se do úbere;
6- Afastar-se da cria: caminhar para outra direção, interessada por outro
estímulo;
7- Agressão contra a cria: a ovelha afasta ou agride a cria com movimentos da
cabeça;
8- Sem atividade aparente: a ovelha não demonstra nenhuma atividade;
9- Estimulando a cria: a ovelha toca o neonato com o focinho ou patas para
fazê-lo levantar;
10- Outras atividades: a ovelha realiza atividades diferentes das avaliadas;
11- Vocalização: emissão de sons em tons graves;
12- Rejeição da cria: quando a fêmea rejeita sua cria dando cabeças ou afastandose.
46
2.3 Descrição das atividades observadas nos cordeiros
1- Tentar levantar: cordeiro mantém pelo menos uma parte do corpo fora do
solo;
2- Levantar: cordeiro sobre as quatro patas por no mínimo 5 segundos;
3- Procurar úbere: cordeiro explorando o corpo da mãe;
4- Tentar mamar: cordeiro explorando o úbere da mãe por no mínimo 5
segundos;
5- Sem atividade aparente: o cordeiro não demonstra nenhuma atividade;
6- Outras atividades: o cordeiro realiza atividades diferentes das avaliadas.
2.4 Análises Estatísticas
O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado (DIC) e a análise
adotada paras os padrões de comportamentos foi o teste do Qui-quadrado. Os dados de
frequência foram analisados utilizando modelos lineares generalizados considerando
uma distribuição binomial negativa a 5% de probabilidade, utilizando-se do
procedimento GLIMMIX do programa estatístico SAS (1999).
47
3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Padrões comportamentais de fêmeas e crias durante as primeiras horas pósparto
Os dados observados para as médias das frequências para latência de tocar a
cria, tempo de ficar em pé e realizar a primeira mamada não diferiram entre os tipos de
parto simples e duplo dentro de cada lote (Tabela 1). Os resultados mostraram que as
ovelhas Morada Nova apresentam uma habilidade materna satisfatória no que se refere
ao tempo de contato com sua cria dando estímulos que proporcionam maior agilidade
as suas crias através dos comportamentos necessários para sobrevivência nas primeiras
horas de vida.
O TTC em ambos os lotes foram semelhantes, demonstrando que mesmo uma
fêmea que pare dois borregos consegue imprimir os primeiros cuidados maternais
necessários para manter uma relação de contato com sua prole. Isso implica em
afirmar que a ovelha da raça Morada Nova possui uma boa habilidade materna desde
os primeiros momentos após o parto independente do número de crias paridas.
Para as variáveis TTC e TEP os resultados apresentados neste trabalho foram
similares aos encontrados por Rainere (2008) que relataram TTC de 1,8 segundos e
TEP 20,87 minutos para ovinos da raça Santa Inês. Mariz et al. (2007) Trabalhando
com ovinos Morada Nova em confinamento, apresentaram um valor para TPM de
44,09 minutos. Esse tempo foi superior aos resultados encontrados no presente
trabalho. Essa diferença pode ser atribuída ao fato das fêmeas, naquele estudo, estarem
em restrição alimentar o que possa ter apresentado como uma condição menos
apropriada para o manejo de animais dessa raça.
A característica tempo para ficar em pé é uma das mais importantes na
determinação da capacidade de sobrevivência. Quanto menor é esse tempo maior é a
capacidade da cria de buscar a teta para a mamada. Em situação de manejo extensivo
essa capacidade é imprescindível para que a taxa de mortalidade não se eleve muito.
Em trabalho realizado com ovino da raça Ideal, Rech et al. (2008) observaram um
tempo de 27,83 minutos para as crias ficarem em pé e de 78,87 minutos para realizar a
primeira mamada, tempo superior aos registrados no presente trabalho. Quanto mais o
cordeiro demorar em levantar, mais tempo ele desprenderá para ingerir o colostro e,
possivelmente, serão menos precoces (Kippert et al., 2006).
48
Tabela 1. Frequência das latências para tocar a cria em segundos, ficar em pé e realiza
a primeira mamada em minutos, relacionados com o tipo de parto
Tipo de Parto
Variáveis
Lote A
Lote B
Simples
Duplo
Simples
Duplo
TTC
3
3
2
2
TEP
3,88
8,62
5,34
6,27
TPM
30,83
32,32
24,22
24,22
TTC= Tempo de tocar a cria (segundos); TEP= Tempo para ficar em pé (minutos); TPM= Tempo para
mamada (minutos)
As variáveis comportamentais TEP e TPM mostraram-se relativamente
maiores para as ovelhas de parto duplo em ambos os lotes de parição, possivelmente
pelo fato dessas fêmeas ainda estarem em trabalho de parto. Observou-se que o
cuidado desprendido com o primeiro borrego é diminuído, já que uma segunda cria
prestes a nascer necessita de maior atenção da fêmea.
Outro fator importante para garantir a sobrevivência relaciona-se com o tempo
para realizar a primeira mamada. Neste trabalho, os baixos valores de TPP, associados
à agilidade da cria Morada Nova em procurar o úbere e mamar, independente do tipo
de parto, sugere possibilidade de maiores taxas de sobrevivência das crias nas
primeiras horas após o parto. Para Toledo et al. (2007), as variáveis latência de ficar
em pé e realizar a primeira mamada podem ser utilizadas como medida de vigor ou
agilidade em ingerir o colostro logo após o parto.
Na Tabela 2 são apresentadas as variáveis comportamentais demonstradas
pelas ovelhas em relação às crias, logo após o parto, nos dois lotes.
No Lote B, as ovelhas de parto duplo apresentaram menor frequência da postura
em pé do que as de parto simples. Isso pode ser atribuído ao maior desgaste da ovelha
após trabalho de parto, ocasionando menor permanência destes animais em pé pelo
maior esforço físico gerado. Também no Lote B, as ovelhas de parto simples
dedicaram mais tempo à atividade de limpeza da cria. A princípio, com a massagem
que o ato de limpeza proporciona era de se esperar uma diferença no tempo para ficar
em pé, resultante desse estímulo.
49
O contato com o cordeiro (CCO) é a primeira estimulação de reconhecimento
do laço maternal. Os padrões comportamentais apresentados pelas ovelhas são
decisivos para a sobrevivência do cordeiro, favorecendo o desenvolvimento de laços
de exclusividade entre mãe e cria. Os sistemas de cuidados maternos entre os
mamíferos são bem variados, pois existem cuidados que envolvem o contato mãefilhote mais continuado.
Tabela 2. Média das Frequências de Posturas e Atividades das ovelhas em relação ao
tipo de parto segundo o lote de parição
Lote A
Tipo de Parto
Lote B
Simples
Duplo
Simples
Duplo
Deitada
0,16
1,83
1,42
2,09
Em pé
17,00
16,58
26,14 a
13,60 b
Deslocamento
9,16
19,25
23,71
19,27
Contato com a cria
8,33
8,50
18,28
15,72
Ingerindo membranas
8,33
13,08
4,71
11,18
Limpeza da cria
58,50
47,50
116,57 a
54,00 b
Estimulando a cria
8,66
5,83 A
0,42
1,00 B
Facilitando a mamada
13,16
20,75
15,85
16,00
Dificultando a mamada
0,16
2,16
0,57
0,18
293,83
349,00
190,71
233,18
Sem atividade aparente
9,50
13,33 A
7,28
4,00 B
Outras atividades
7,83
1,58 B
9,00
13,00 A
Postura
Atividade
Vocalizando
Médias seguidas de letras minúsculas diferentes na linha dentro do lote diferem estatisticamente, e
médias seguidas de letras maiúsculas de acordo com o tipo de parto entre os lotes diferem entre si ao
nível de 5% de probabilidade, pelo teste do Qui-quadrado.
As frequências de limpeza da cria se mostraram significativas apenas no Lote
B, nas quais as ovelhas de parto simples apresentaram maior frequência deste
comportamento em relação às fêmeas de parto duplo. De fato, a limpeza já se
configura como um ato de estímulo afetivo, acarretando em um mecanismo eficaz para
o enfrentamento da cria. A menor frequência de limpeza apresentada pelas ovelhas de
50
parto duplo pode ser explicada pelo fato de que apenas a primeira cria nascida era
avaliada e isso possa ter interferido nos resultados relativos a este comportamento.
A limpeza da cria proporciona o reconhecimento, desobstrução das vias aéreas,
aumento da circulação sanguínea, regulação da homeotermia e secagem dos borregos.
Segundo Dias et al. (2008), o olfato é utilizado em muitos aspectos do comportamento
materno-filial para garantir a sobrevivência da prole. No momento do parto,
mecanismos neuroendócrinos modificam a resposta da fêmea frente aos recémnascidos, sendo estabelecido o vínculo materno-filial através de informações
olfatórias.
Outro padrão relacionado com a habilidade materna da ovelha, que é a
facilitação da mamada (FMA), é um dos pontos mais importantes no que diz respeito à
sobrevivência do cordeiro, uma vez que é através do colostro que o animal adquire
imunidade. Em ambos os lotes, este tipo de comportamento demonstrou frequências
semelhantes o que mostra relação positiva com o sucesso da primeira mamada nessa
raça.
A vocalização se apresentou com elevada frequência nas ovelhas, independente
do tipo de parto e da estação de parto. Pode-se concluir que a vocalização representa,
para a raça ovina Morada Nova, em um mecanismo de destaque no estabelecimento de
vínculo entre a mãe e a cria. A identificação da mãe pela cria e da cria pela mãe por
meio dos sons, além dos parâmetros visuais, concorrem para facilitar o
acompanhamento quando a visualização está prejudicada. Isso é essencialmente
importante nas condições da caatinga.
Apenas as variáveis observadas nas ovelhas de parto duplo estímulo da cria, sem
atividade aparente e outras atividades apresentaram diferença estatística (P>0,05) entre
os lotes de parição (Tabela 2). No entanto, ressalta-se que dessas variáveis a que
sugere maior importância na sobrevivência da cria é aquela ligada ao seu estímulo.
As fêmeas de parto duplo do lote A demonstraram estimular mais seus filhotes
comparadas às fêmeas de parto duplo do lote B, o que possivelmente sugere a maior
agilidade das crias em ficarem de pé, num menor tempo comparado com o do Lote B,
mas que não apresentou efeito significativo entre os lotes com relação às variáveis
TEP e TPM. As fêmeas de parto duplo do lote A ficaram sem realizar nenhum tipo de
atividade com maior frequência comparada com as de parto duplo do lote B. Isto possa
ser atribuído ao fato das fêmeas do lote B terem gastado mais tempo lambendo e
limpando suas crias.
51
Durante o período de observação as fêmeas apresentaram algumas atividades
diferentes das constantes no etograma. Isso aconteceu principalmente aquelas de parto
duplo. Essas atividades foram inquietação, batendo a pata no chão e se sacudindo,
relacionados mais ao parto da segunda cria.
Tanto com relação às características de postura quanto de atividades, não
houve evidências de diferenças quando se compararam ovelhas de partos simples e
duplos. Novamente, esses resultados podem estar sugerindo uma suficiente habilidade
materna uma vez que poderia haver menor atividade da ovelha dedicada ao primeiro
filho visto haver um segundo borrego para cuidar. No entanto, o que se verificou foi
uma semelhança de comportamento em relação às ovelhas que pariram de apenas um
borrego.
Comportamentos como afastar-se e apresentar agressão contra a cria não foram
observadas. Esse registro é uma comprovação de observações realizadas por criadores
que atestam a acentuada habilidade de cuidar das crias apresentada por esta raça. Neste
trabalho a frequência de comportamentos agonísticos foi praticamente nula.
Possivelmente esses comportamentos não façam parte da herança genética desses
animais que apresentam uma excelente habilidade em cuidar de suas crias.
Observa-se que crias desta raça se mostram ágeis em permanecer em pé e realizar
a mamada logos nos primeiros minutos, comparados com ovinos de outras raças. Isto
pode estar vinculado com a herança genética advinda das raças que participaram da
formação da raça Morada Nova.
Na verdade, uma questão crítica em este estabelecimento é se o recém-nascido
aprende a reconhecer algumas características físicas individuais da mãe ou responde a
alguns sinais de aceitação (como por exemplo, acesso à lambida, permitindo então que
a mãe exponha o úbere para realização da mamada ou a produção de um determinado
tipo de vocalização) ou comportamentos de rejeição (por exemplo, agressão e
agitação), mostrado pela mãe ao interagir com os animais jovens (Sèbe et al. 2010).
Na Tabela 3 os padrões de comportamento das crias nas primeiras horas pósparto não variaram em função do tipo de parto dentro de cada lote. Quando se
comparou os lotes de parição observou-se diferença significativa (P>0,05) com relação
às variáveis em pé, deslocamento e procurando o úbere entre os tipos de parto duplo.
As crias do lote B apresentaram menores frequências dessas variáveis quando
comparadas com as do Lote A. Provavelmente esses resultados possam ser explicados
pelas TEP e TPM que para as crias do lote B os animais se mostraram mais ágeis.
52
Tabela 3. Frequências das Posturas e Atividades das crias em relação ao tipo de parto
em dos lotes de parição
VARIÁVEIS
COMPORTAMENTAIS
Lote A
Lote B
Postura
Simples
Duplo
Simples
Duplo
Deitada
9,33
7,75
9,00
8,72
Em pé
11,00
18,16 A
15,42
10,54 B
Deslocamento
23,26
49,67 A
39,71
26,18 B
Tentando levantar
17,33
8,25
8,28
10,54
Levantando
2,33
7,16
3,85
2,18
Procurando o úbere
24,33
34,25 A
17,85
15,81 B
Tentando mamar
18,67
25,16
19,00
21,00
Mamando
13,83
10,75
14,85
11,18
Vocalizando
70,67
37,41
52,28
50,90
Sem atividade aparente
14,16
13,41
11,71
8,90
Outras atividades
4,00
6,00
11,28
4,81
Atividades
Médias seguidas de letras maiúsculas na linha de acordo com o tipo de parto entre os lotes diferem entre
si ao nível de 5% de probabilidade, pelo teste do Qui-quadrado.
Os resultados apresentados para as atividades e posturas das crias dentro de
cada lote não demonstram diferença estatística independente do tipo de parto, que as
fêmeas promovem todos os estímulos necessários às crias. Observando os lotes,
referente a outras atividades apresentadas pelas crias, os animais do Lote B
demonstraram apresentar mais relacionadas à interação com outras fêmeas, atividades
relacionadas com comportamentos lúdicos e tentar mamar em outras ovelhas,
comparados com os do Lote A. Estes comportamentos foram observados durante as
avaliações no período experimental.
Paranhos e Cromberg (1998) ressaltam que o sucesso da mamada parece
sugerir uma sequência definida, onde se identifica os comportamentos ficar em pé,
procurar os tetos e finalmente mamar.
53
No entanto, apesar da mãe desempenhar um papel importante no investimento
parental,
o
animal
jovem
pode
também
contribuir
para
o
sucesso
do
reconhecimento maternal através do desenvolvimento de um relacionamento com sua
mãe. Com efeito, o reconhecimento é crucial para a sobrevivência da cria, ao passo
que um erro no reconhecimento representa um maior custo para fêmeas adultas (Sèbe
et al., 2010).
Foram realizadas as correlações entre os padrões de comportamento estudados
nas mães e crias, com isso foram observadas algumas correlações positivas entre as
variáveis comportamentais encontradas nas Tabelas 4 e 5.
Há relatos de correlação negativa entre a latência para ficar de pé e a
intensidade e quantidade de contato entre a mãe e o filho durante a primeira hora de
vida (Cromberg et al., 1997).
Para a variável IME nas fêmeas observou-se correlação positiva com as
variáveis FMA e VOC, e estas correlacionaram positivamente com a IME. Enquanto
que nas crias observamos correlação entre DES e PUB e TLE com VOC e vice-versa,
podem ser indícios da adaptação comportamental dessa raça em condições
semiextensivas.
54
Tabela 4. Correlação dos comportamentos entre as mães dos dois lotes
D
EP
DES
CCO
LCO
IME
FMA
DMA
SAA
ESC
VOC
OAT
D
1.00000
-0.15561
0.3648
0.02134
0.9017
0.20116
0.2394
0.07136
0.6792
-0.05330
0.7575
-0.10923
0.5260
0.28322
0.0942
-0.06054
0.7258
0.22364
0.1898
-0.25005
0.1413
0.22364
0.1898
EP
-0.15561
0.3648
1.00000
DES
0.02134
0.9017
0.22493
0.1872
1.00000
CCO
0.20116
0.2394
0.21316
0.2119
0.30585
0.0697
1.00000
0.22493
0.1872
0.21316
0.2119
0.12916
0.4528
-0.37936
0.0225
-0.06980
0.6858
-0.06260
0.7168
0.13050
0.4481
0.05300
0.7589
-0.14109
0.4118
0.30585
0.0697
-0.04856
0.7785
0.15746
0.3591
0.15033
0.3815
0.15995
0.3514
-0.02076
0.9043
0.06510
0.7060
-0.10042
0.5601
0.26651
0.1161
-0.22899
0.1791
-0.03646
0.8328
-0.06351
0.7129
-0.08528
0.6209
0.04675
0.7866
-0.29109
0.0850
0.21357
0.2111
0.03738
0.8286
0.15008
0.3823
LCO
0.07136
0.6792
0.12916
0.4528
-0.04856
0.7785
0.26651
0.1161
1.00000
-0.33234
0.0477
-0.19327
0.2587
0.11176
0.5164
-0.08118
0.6379
-0.01918
0.9116
-0.01029
0.9525
0.23827
0.1617
IME
FMA
-0.05330 -0.10923
0.7575
0.5260
-0.37936 -0.06980
0.0225
0.6858
0.15746 0.15033
0.3591
0.3815
-0.22899 -0.03646
0.1791
0.8328
-0.33234 -0.19327
0.0477
0.2587
1.00000 0.53542*
0.0008
0.53542* 1.00000
0.0008
-0.09141 -0.05416
0.5959
0.7537
-0.10198 0.10182
0.5540
0.5546
-0.27625 -0.13233
0.1029
0.4417
0.53814* 0.47848
0.0007
0.0032
DMA
0.28322
0.0942
-0.06260
0.7168
0.15995
0.3514
-0.06351
0.7129
0.11176
0.5164
-0.09141
0.5959
-0.05416
0.7537
1.00000
-0.21014
0.2186
-0.17575
0.3052
-0.46876
0.0039
-0.05859
0.7343
0.24567
0.1487
0.18862
0.2706
SAA
-0.06054
0.7258
0.13050
0.4481
-0.02076
0.9043
-0.08528
0.6209
-0.08118
0.6379
-0.10198
0.5540
0.10182
0.5546
-0.05859
0.7343
1.00000
ESC
0.22364
0.1898
0.05300
0.7589
0.06510
0.7060
0.04675
0.7866
-0.01918
0.9116
-0.27625
0.1029
-0.13233
0.4417
0.24567
0.1487
0.41585
0.0117
1.00000
0.41585
0.0117
-0.00009 0.07804
0.9996 0.6510
VOC
-0.25005
0.1413
-0.14109
0.4118
-0.10042
0.5601
-0.29109
0.0850
-0.01029
0.9525
0.53814*
0.0007
0.47848
0.0032
0.18862
0.2706
-0.00009
0.9996
0.07804
0.6510
1.00000
1.00000
OAT
0.02275
0.8952
0.21357
0.2111
-0.03738
0.8286
0.15008
0.3823
0.23827
0.1617
-0.21014
0.2186
-0.46876
0.0039
-0.17575
0.3052
-0.10177
0.5548
-0.13181
0.4435
-0.31535
0.0610
-0.10177
0.5548
-0.13181
0.4435
-0.31535
0.0610
1.00000
54
55
Tabela 5. Correlação dos comportamentos entre as crias dos dois lotes
D
D
1.00000
LEV
0.32808
0.0508
0.21941
0.1985
0.11055
0.5210
-0.03728
PUB
0.8291
0.08771
EP
DES
TLE
VOC
TMA
MAM
SAA
OAT
0.31017
0.0656
0.05350
0.7566
0.20823
0.2230
0.00637
0.9706
0.09769
0.5766
EP
0.32808
DES
0.21941
TLE
0.11055
LEV PUB
-0.03728
0.08771
VOC
0.31017
TMA
0.05350
MAM
0.20823
SAA
0.00637
OAT
0.09769
0.0508
1.00000
0.1985
0.46364
0.0044
1.00000
0.5210
-0.09997
0.5618
-0.12312
0.4744
1.00000
0.6110
0.35119
0.0357
0.66039*
<.0001
0.18739
0.2738
0.10433
0.0656
0.16209
0.3449
0.14498
0.3989
0.54855*
0.0005
-0.02672
0.7566
0.10142
0.5562
0.24802
0.1447
-0.06514
0.7058
-0.03551
0.2230
0.29341
0.0824
0.11137
0.5178
0.01474
0.9320
-0.01393
0.9706
0.22283
0.1915
-0.08355
0.6280
0.17481
0.3079
-0.15468
0.5766
0.23096
0.1819
0.51333
0.0016
-0.10053
0.5656
0.05764
0.5448
1.00000
0.8770
0.11966
0.4870
1.00000
0.8371
0.49510
0.0021
0.13081
0.4470
1.00000
0.9357
0.34643
0.0385
-0.02410
0.8890
0.50385
0.0017
1.00000
0.3677
0.17073
0.3195
0.17789
0.2993
0.05052
0.7698
0.05537
0.7484
1.00000
0.7423
0.42652
0.0106
0.15821
0.3640
0.26580
0.1228
0.36345
0.0319
0.27669
0.1076
1.00000
0.46364
0.0044
-0.09997
0.5618
-0.01751
-0.12312
0.4744
0.10722
-0.16316
0.8291
-0.01751
0.9193
0.10722
0.5337
-0.16316
0.3417
1.00000
0.9193
0.35119
0.0357
0.16209
0.3449
0.10142
0.5562
0.29341
0.0824
0.22283
0.1915
0.23096
0.1819
0.5337
0.3417
0.66039* 0.18739
<.0001
0.2738
0.14498 0.54855*
0.3989
0.0005
0.24802 -0.06514
0.1447
0.7058
0.11137 0.01474
0.5178
0.9320
-0.08355 0.17481
0.6280
0.3079
0.51333 -0.10053
0.0016
0.5656
0.10433
0.5448
-0.02672
0.8770
-0.03551
0.8371
-0.01393
0.9357
-0.15468
0.3677
0.05764
0.7423
0.11966
0.4870
0.49510
0.0021
0.34643
0.0385
0.17073
0.3195
0.42652
0.0106
0.13081
0.4470
-0.02410
0.8890
0.17789
0.2993
0.15821
0.3640
0.50385
0.0017
0.05052
0.7698
0.26580
0.1228
0.05537
0.7484
0.36345
0.0319
0.27669
0.1076
55
56
4.
CONCLUSÃO
Concluiu-se que ovelhas da raça Morada Nova, independente do tipo de parto,
demonstram os padrões de comportamentos maternais necessários à sobrevivência da
cria, destacando-se a rapidez como praticam os cuidados alo corporais com a cria.
57
5.
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59
6.
Implicações e Sugestões
 Mais estudos devem ser desenvolvidos na intenção de melhorar a forma de
avaliação de animais nativos nas condições do semiárido;
 Algumas metodologias simples podem ser adaptadas para realizarem as
avaliações a pasto;
 Provavelmente as fêmeas dessa raça necessitem de uma avaliação mais acurada,
quanto ao escore corporal ideal para iniciarem uma estação de monta;
 Sugeri-se que durante as avaliações de comportamento materno-filial, possa se
disponibilizar uma área maior para o curral maternidade, para que possa evitar a
concorrência por espaço e o roubo de crias por outras fêmeas.
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