À GLÓRIA DO G∴
∴ A∴
∴ D∴
∴U∴
AUG :. RESP :. LOJ :. “FRANCISCO XAVIER FERREIRA
DE PESQUISAS MAÇÔNICAS” - JURISDICIONADA AO GORGS
Fundada em 19 de novembro de 1995
INFORMATIVO CHICO DA BOTICA
Registro na ABIM nº. 18-B
Ano 7, Edição nº. 051
Data: 30 de abri de 2011
EDITORIAL: "Período de eleições nas Lojas do GORGS”
Nesta edição:
Caros Irmãos:
Editorial:
"Período de eleições nas Lojas do GORGS”
Entramos, no GORGS, em mais um período de eleições com a renovação
ou confirmação das Administrações das Lojas, e na Chico da Botica não é diferente.
Aonde Começou a Maçonari- 2
a, foi no Egito? - Ir .·. Charles Evaldo Bolero - Pág. 2 e 3
Após uma brilhante administração do Venerável Mestre Edmundo Valle Jr,
por dois períodos, que proporcionou o desenvolvimento crescente da nossa Loja
de Pesquisas, estará passando o bastão para seu sucessor.
"A Conjuração Mineira e a
Maçonaria que não Houve"
José Castellani - Pág. 4 e 5
3
Alferes Tiradentes - Herói
Nacional - fonte Web - Pág. 5
4
Indicado por unanimidade pelos Membros Efetivos da Loja, restará eleito
para nos dirigir nos próximos dois anos nosso querido e valoroso Irmão João Lauro Desidério Alves, um dos Fundadores, que, com absoluta certeza de todos os
Obreiros, e com a colaboração mais próxima dos demais Membros da Administração, continuará a obra iniciada por nosso saudoso Irmão Heitor Dumoncel Pithan.
“LA RESILIENCIA” - Eduardo R. Medina - Pág. 6
5
Na Chico da Botica o evento acontecerá no dia 21 de maio de 2011.
BULA PAPAL DE CLEMENTE 6
XII - 28 DE ABRIL DE 1738 273 anos - tradução - Ir.·.
Fábio Cyrino - Pág. 7
Resumo dos acontecimentos 7
históricos que antecederam à
Edição da Bula - Ir.·.Gerson
Magdaleno - Pág. 8 e 9
Especiais:
• Chico Social
• Conhecimento
• Rapidinhas da Chico
Neste Informativo, de nº 51 trazemos para os Irmãos importantes temas
desenvolvidos por grandes estudiosos e pesquisadores de nossa Ordem. Pela
primeira vez, e esperamos que seja a primeira de muitas estamos publicando um
belíssimo texto de um querido Hermano de Possadas – Argentina, que esperamos seja um motivador para que outros Hermanos do exterior, que recebem nosso boletim também enviem seus trabalhos.
Renovamos nossos desejos de uma boa leitura a todos e na esperança de
que os assuntos colocados a vossa disposição sejam úteis e sirvam como fonte
para o desenvolvimento da cultura maçônica.
Um TFA
Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas
“O castigo dos homens capacitados que se recusam a tomar
parte nas questões governamentais é viver sob o governo
de homens incapacitados”
(Platão)
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ojá Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas
Informativo
CHICO DA BOTICA
Aonde Começou a Maçonaria, foi no Egito?
Ir .·. Charles Evaldo Bolero *
CONHECIMENTO:
RESILIENCIA
La resiliencia es un conjunto de atributos y habilidades
innatas para afrontar adecuadamente situaciones adversas,
como factores estresantes y
situaciones riesgosas.
Algunos autores definen a la
Resiliencia como la capacidad
de respuesta inherente al ser
humano, a través del cual se
generan respuestas adaptativas frente a situaciones de crisis o de riesgo. Esta capacidad
deriva de la existencia de una
reserva de recursos internos de
ajuste y afrontamiento, ya sean
innatos o adquiridos. De este
modo la resiliencia refuerza los
factores protectores y reduce la
vulnerabilidad frente a las situaciones riesgosas (abuso de
drogas, suicidio, embarazo
temprano, fugas de hogar, etc.)
Aniversariantes
MAIO
- IIr.·. Efetivos:
03- MARCO ANTONIO PEROTTONI
- IIr.·. Correspondentes:
06- RAMÃO CARMOS RODRIGUES AGUILAR
16- ANATOLI OLIYNIK
25- FRANCISCO ROBERTO
DE OLIVEIRA
Aos aniversariantes!
Nossas
Felicitações!!!
Existem registros que existiram organizações de pedreiros desde tempos imemoriais, inclusive especulações que tenha existido uma no Jardim do Éden, mas associar
isto com Maçonaria não passa de fantasia de escritores de ficção bem criativos.
Sem fatos e dados documentais não se valida a história do homem, mesmo que
esta sempre sofra um pouco da influência do historiador, por mais técnico que seja.
Por conta de historiadores, técnicos sérios, chegaram até nossos dias informações e
fatos, devidamente comprovados, que a ordem maçônica vem se desenvolvendo a
partir de grupos profissionais que trabalhavam com a pedra, pedreiros, organizados
em entidades semelhantes aos atuais sindicatos. Estes grupos de trabalhadores da
pedra constituíram sociedades fechadas e ligadas a construção de grandes obras em
pedra lavrada que existiram na Europa, confrarias de ofícios, depois denominadas comunidades de ofício e por último, corporações de ofício. Temos notícia deste tipo de
organização profissional advindo da Inglaterra na idade média, onde era denominada
"Gilda", traduzido para guilda. Estas se transformaram depois em "companha", e posteriormente em "fraternity".
Assim como nas atuais agremiações e agrupamentos de profissionais, aqueles
compartilhavam os segredos da profissão, à semelhança de todo grupo profissional
que tem segredos guardados mediante um linguajar próprio e até esotérico. Para entrar numa agremiação profissional é necessário obter treinamento, estar devidamente
regulamentado e registrado no órgão representativo da classe. Aqueles profissionais
da idade média, com o objetivo de manter o segredo dos métodos de trabalho exigiam
segredo de todas as técnicas da construção e as velavam por promessas, juramentos,
senhas, palavras de passe para acessar o canteiro de obras e outros artifícios.
A guilda foi consequência de antigos canteiros de obras administrados pela ICAR,
Igreja Católica Apostólica Romana, mediante a atuação de monges arquitetos na
construção de igrejas e palácios. Quando os profissionais desta área se afastaram da
liderança dos monges, seus antigos mestres e arquitetos, surgiram as guildas. Os
monges, de sua parte, obtiveram o conhecimento da antiga civilização grega, as adaptaram e aplicaram na construção de sua época. As guildas eram formadas de aprendizes e companheiros, submetidos a rígida disciplina, funcionando os monges como
mestres de obra.
Desde o século quatorze existe na Inglaterra registro público de companhias de
pedreiros ou maçons e maçons livres. Inglaterra e França são berços da Maçonaria
especulativa hodierna. Seus criadores aproveitaram-se da estrutura de funcionamento
disciplinada, ordeira e fechada das antigas guildas para estabelecer o ambiente próprio ao debate de temas profundos das ciências e da sociedade.
Foi no século das luzes que grandes pensadores reuniram-se para planejar a
transição ao mundo moderno, sendo-lhes creditada a filosofia e a construção da modernidade. Eram homens, em sua maioria radicais e corajosos, opunham-se a mesmice liderada por ignorantes e extremistas religiosos que vedavam e dificultavam o desenvolvimento das ciências e do livre comércio. Estes grandes pensadores extirparam
as raízes da cultura europeia principalmente com relação ao que na época era considerado sagrado, mágico.
Aqueles cientistas e filósofos criaram a Maçonaria para obter um fórum de debate
para suas ideias e as foram registrando numa grande obra literária, por isso ficaram
conhecidos como os enciclopedistas. Seus escritos foram distribuídos pela Europa e
Américas, muitos adquiriram assinatura para receber estas publicações as quais eram
devoradas avidamente e influenciaram a sociedade, dando-lhe o contorno que hoje se
vê. Absolutismo, monarquia e hierarquia foram secularizadas, aflorou uma sociedade
laica. Com os debates protegidos da perseguição religiosa e velados por juramentos,
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Informativo CHICO DA BOTICA
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- Ano 7 Edição 051 - 30 Abr. 2011 Cont.: Aonde Começou a Maçonaria, foi no Egito?
seus registros cifrados em linguagem simbólica e outros
métodos de criptografia, os fóruns de debate da sociedade foram se desenvolvendo até adquirir sua forma na Maçonaria especulativa que herdamos. O século das luzes,
1650-1750, foi o berço da Maçonaria - o resto é lenda,
meras conjecturas ou considerações românticas.
O Egito possuía cabedal na construção da pedra,
haja vista as grandes obras que chegaram até nossos
dias, mas de forma alguma é origem da Maçonaria. Outras civilizações antigas também nos apresentam os resultados de suas técnicas do trabalho na pedra e tijolo e igualmente nada contribuíram para a formação das agremiações de pedreiros. Nada tem que as relacione com a
Maçonaria, seja ela operativa ou especulativa.
A ordem maçônica é resultado da ansiedade de evolução que era tolhida em seu desenvolvimento pelos radicais religiosos e baseadas exclusivamente nas guildas da
idade média. Lojas especulativas foram se organizando
desde 1600, na Escócia, e atingiram o auge no final daquele século.
No início do século dezoito a fase especulativa da
Maçonaria aumentou, foram estabelecidas lojas em York,
mas foi em Londres que o movimento explodiu, surgindo
diversas lojas. Naquela ocasião, Anderson e Payne, apresentaram estudos sobre a primeira constituição que constitui o ponto de partida do direito maçônico moderno, em
uso até hoje. Existe evidência que são alicerce dos fundamentos filosóficos da Maçonaria especulativa:
- Bíblia judaico-cristã;
- Registros egípcios dos mortos; e
- Rudimentos filosóficos creditados aos vetustos essênios.
O Rito Escocês Antigo e Aceito usa como principal
referência os livros da bíblia judaico-cristã.
O principal movimento filosófico que fez surgir a Maçonaria ficou registrado na história como Iluminismo, mas
em sua existência a ordem maçônica, como entidade moral e evolutiva, vem se alimentando de todas as linhas de
pensamento moralmente aceitáveis e que proporcionem o
progresso, união e igualdade dos homens. É a razão de
existência do imenso número de ritos e obediências. Não
poderia ser diferente e vai continuar se fragmentando enquanto houver futuro para a espécie. Felizmente é devido
a esta diversificação que a Maçonaria ainda cumpre com
seu papel de desenvolver o homem, alicerçada em forte
moralidade e voltada sempre para a evolução e melhoria
humana quando combate absolutismo e obscurantismo.
Luz é o que se busca na Maçonaria, luz é o que se
recebe quando se caminha na direção definida pela ordem. É a luz do conhecimento, da verdade. "Sapere aude"! - bradou Horácio, - ouse saber! - diz a Maçonaria. A
iluminação já está latente dentro do maçom quando este é
escolhido e retirado como pedra bruta da pedreira da sociedade. A Maçonaria apenas revela o caminho para a luz,
mostra caminhos.
O maçom é provocado em deixar de lado a indolência
e passa a ser motivado em caminhar com o esforço de
suas próprias pernas, discernimento, razão, emoção e espiritualidade. Não existe varinha de condão ou mágica! É
muito suor, persistência e trabalho em si mesmo. O primeiro exemplo é dado por ocasião da iniciação, aonde o cidadão precisa de quem o guie, é introdução para muitas experiências, lendas e exemplos do sistema maçônico de
educação natural.
Apontam-se apenas direções e rompem-se os grilhões dos pensamentos e emoções, sempre alicerçadas
em sólida espiritualidade. O desenvolvimento é racional,
mas o uso da razão está sempre acompanhado da crença
que existe uma mente orientadora por detrás de toda a
maravilhosa natureza de que cada ser vivente é parte. A
suprema liberdade aflora quando o maçom deduz que:
Todo aquele que se submete ao pensamento de outros, por preguiça de pensar, é escravo;
Um homem domina o outro através da força do pensamento, da capacidade de realização do pensamento;
Todo desenvolvimento humano surgiu primeiro na
mente.
A caminhada é realizada individualmente pelas sendas da autoeducação natural, do "conhece-te a ti mesmo"
socrático, pedra angular da filosofia da Maçonaria. Este
conhecimento dos rumos para a iluminação é a responsável por mudar o homem, e este, por sua ação modificadora, influi na sociedade. E assim, caminhando para o futuro,
em direção a luz, apoiado em forte espiritualidade e vontade evolutiva, com amor, o maçom dá honra e glória ao
Grande Arquiteto do Universo.
Bibliografia:
ISRAEL, Jonathan I., Iluminismo Radical a Filosofia e
a Construção da Modernidade 1650-1750, Radical
Enlighttenment; Philosofy, Making of Modernity,
1650-1750, tradução: Cláudio Blanc, ISBN 978-85370-0432-6, 1ª edição, Madras Editora Ltda., 878
páginas, São Paulo, 2009.
MONDIN, B., Introdução à Filosofia, Problemas, Sistemas, Autores e Obras, título original: Introdizione
Alla Filosofia, Problemi, Sistemi, Autori, Opere,
tradução: J. Renard, ISBN 85-349-0631-9, 2ª edição, Paulus, 392 páginas, São Paulo, 1974.
PORTO, A. Campos, A Igreja Católica e a Maçonaria,
3ª edição, Editora Aurora Ltda., 320 páginas, Rio
de Janeiro.
Revista Filosofia Especial, Ciência&Vida, Editora Escala, Ano i, nº 5.
Charles Evaldo Boller
Loja Apóstolo da Caridade, 21. Curitiba - GLPR
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Informativo CHICO DA BOTICA
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- Ano 7 Edição 051 - 30 Abr. 2011 -
Sinopse - Síntese
Do livro
"A Conjuração Mineira e a Maçonaria que não Houve"
José Castellani (em parceria com Frederico Guilherme Costa)
Editora Gazeta Maçônica - S. Paulo - 1992
CONJURADOS ENDIVIDADOS
Seria extremamente gratificante, para o pesquisador, se
sempre pudesse afirmar que uma determinada rebelião
contra poderes discricionários foi feita, exclusivamente,
em nome de objetivos altruísticos e libertários. A História,
todavia, vive de fatos e não de arroubos de autores tendenciosos. E o historiador deve ser inflexivelmente imparcial e honesto.
Em nome dessa imparcialidade e dessa honestidade,
não se pode negar que o movimento conhecido como Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira foi movido,
também, por interesses pessoais de seus principais próceres, afogados em dívidas, as quais, se vitoriosa fosse a
rebelião, não precisariam ser pagas. Dessa relação exclui
-se, evidentemente, o precursor José Joaquim da Maia
("Vendek"), que, além de movido por interesses totalmente libertários, morreu em Lisboa, em 1788, sem ter podido
retornar ao Brasil.
Todos os homens que se reuniram na casa do tenentecoronel Francisco de Paula Freire de Andrade, em dezembro de 1788, quando foi coordenada a estratégia ampla do movimento rebelde, ou seja: Álvares Maciel, o padre Rolim, o Tiradentes, Alvarenga Peixoto, o padre Carlos Correia e o anfitrião, tinham algum tipo de interesse
pessoal em jogo.
O pai de Maciel, capitão-mor de Vila Rica, tornara-se
grande devedor da Fazenda Real, pois tinha sido o caixa
de contratos de entradas, arrematados, entre 1751 e
1761, por José Ferreira da Veiga, respondendo, pelas
grandes dívidas atrasadas, com os seus bens móveis e
imóveis. Com as ordens do ministro Martinho de Mello e
Castro, referentes aos contratos arrematados e à sua cobrança, Maciel, que era completamente dependente do
pai, corria o risco de perder todo o seu patrimônio.
Freire de Andrade, que era filho ilegítimo do segundo
conde de Bobadela --- irmão deste, o primeiro conde
(1685-1763) governou o país cerca de trinta anos --- era
casado com Isabel de Oliveira Maciel, irmã de Álvares
Maciel, e também seria afetado bastante, se o sogro perdesse os seus bens. Além disso, os Dragões, que ele comandava, foram acusados, por Martinho de Mello e Castro, de serem parcialmente responsáveis pelo estado calamitoso em que se encontrava a Fazenda, em Minas, graças às suas extorsões e assaltos armados.
Alvarenga Peixoto estava profundamente endividado e
era bastante crítica a sua situação, em 1788, com o fracasso das onerosas instalações hidráulicas de suas lavras
auríferas. Tomara empréstimos, que não poderia pagar
nunca e acabara chegando a uma situação de desespero,
quando se uniu aos conjurados.
O padre José da Silva de Oliveira Rolim, filho do principal tesoureiro de diamantes, era conhecido fraudador,
envolvido no escândalo do contrabando de diamantes,
que era feito com a conivência dos Dragões (comandados
por Freire de Andrade) e, provavelmente, também com a
da magistratura. Apesar de traficante de escravos e de
diamantes, tinha grande prestígio no Distrito Diamantino,
onde praticava a agiotagem. Tendo sido banido da Capitania, por suas atividades ilícitas, solicitou a revogação de
sua expulsão e não foi atendido, o que o levou a se unir
aos conspiradores, ainda mais porque se sentia lesado em
suas "rendas".
O padre Carlos Correia de Toledo e Mello era um grande latifundiário, com muitos escravos trabalhando na lavoura e na mineração. Constava no relatório de Martinho
de Mello e Castro como um dos típicos vigários de paróquia, os quais, sob o pretexto de direitos paroquiais, oprimiam e extorquiam o povo, com excessivas contribuições;
e Correia sempre estava à procura de novas rendas. Não
estava endividado, mas as providências da Coroa eram
lesivas aos seus não muito legítimos interesses financeiros.
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, representava um caso diferente do de seus companheiros, que eram
todos abonados, embora, em sua maioria, ilegalmente.
Não tinha posses e, embora possuísse uma cultura acima
da média, tinha uma atividade profissional considerada
secundária. Tendo perdido suas propriedades por dívidas
e depois de tentar, sem sucesso, o comércio varejista,
ingressou nos Dragões, como alferes, o posto mais baixo,
em 1755, não tendo progredido em posto e nem em remuneração, até à época em que se uniu aos revoltosos. O
fato de ter sido várias vezes preterido, nas promoções da
carreira, fizeram com que ele se tornasse um revoltado,
queixando-se sempre de que só eram promovidos os que
tinham parentes influentes no meio político-financeiro.
Na Sessão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, constam vários recibos de pagamentos de soldo, firmados pelo
Tiradentes, mostrando que ele ganhava 24$000 (vinte e
quatro mil réis) mensais --- os recibos trimestrais eram de
72$000 --- enquanto um coronel, que era a mais alta graduação da tropa, recebia 80$000 mensais. Não se conhece o motivo pelo qual ele jamais passou do posto de alferes. Talvez tenha tido influência o fato dele ser mazombo,
ou seja, filho de português, nascido no Brasil, com ideias
de liberdade (o termo foi usado por autores tendenciosos,
como Tenório d´Albuquerque, como se fosse sinônimo de
maçom), quando o Conselho Ultramarino começava a recear a ascensão de mazombos ao comando da tropa regular. E Silva Xavier, que desejava conseguir o prestígio e
a riqueza de que desfrutavam seus companheiros, já tentara se associar aos ricos contratantes-mercadores imigrantes, tendo relacionamento com muitos deles, como o
notório Domingos de Abreu Vieira, e recebendo pagamentos de Rodrigues de Macedo e de Silvério dos Reis, a
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Cont.: "A Conjuração Mineira e a Maçonaria que não Houve"
quem tinha como um amigo pessoal.
Esses eram os principais, os ativistas, por trás dos quais
existiam homens respeitáveis, como o ex-ouvidor Tomás
Antônio Gonzaga --- o verdadeiro chefe intelectual do movimento --- o poeta hipocondríaco Cláudio Manoel da Costa e
o humanista e historiador, cônego Luís Vieira da Silva. A
missão desses homens era a de elaborar as leis e organizar a constituição do Estado independente, tentando armar
uma justificativa ideológica para a ruptura dos vínculos com
a metrópole portuguesa. Não possuíam os mesmos interesses que animavam muitos dos ativistas; eles eram os ideólogos.
Já no terceiro escalão surgiam, novamente, os grandes
interesses financeiros, da parte de homens que ficavam na
sombra, pouco arriscando, no caso de um fracasso do movimento. Nesse grupo estavam os contratantes portugueses Domingos de Abreu Vieira, João Rodrigues de Macedo
e Joaquim Silvério dos Reis, entre outros. Abreu Vieira era
intimamente ligado a muitos conjurados, como o padre Rolim, o Tiradentes --- a quem protegia --- e Cláudio Manoel
da Costa, que era seu advogado nas questões legais referentes aos contratos de dízimos. Macedo e Silvério eram
grandes devedores da Fazenda Real: a dívida do primeiro
era oito vezes superior ao seu ativo financeiro. Esse era o
grupo que maior influência exercia no levante, apesar de
atuar, geralmente, apenas na retaguarda. Eram os magnatas aproveitando-se de uma situação, para alcançar os
seus objetivos pessoais, sob a capa de um levante popular.
Pouco, portanto, havia de desprendimento e de objetivos
altruísticos e libertários. Esta é uma verdade histórica.
Fontes de pesquisa:
Documentais:
Autos da Devassa da inconfidência Mineira -- volumes I,
II e IV -- Edição do Ministério da Educação -- 1936-1938
Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional
Bibliográficas:
GRIECO, Donatello - História Sincera da Inconfidência Mineira - Rio de Janeiro - 1990
MAXWELL, Kenneth - A Devassa da Devassa (do original
inglês: Conflicts and Conspiracies: Brazil & Portugal 17501808) - Rio de Janeiro - 3a.edição - 1985
TORRES, Luís Wanderley - Tiradentes, a áspera estrada
para a Liberdade - São Paulo - 2a. edição - 1977.
***
Conteúdo da obra:
A INCONFIDÊNCIA
A Independência dos EUA e a Revolução Francesa
Vendek
Os livros do ideário da Revolta
O Programa do Governo
Conjurados Endividados
O homem Joaquim José da Silva Xavier
O Mito Tiradentes
Tiradentes: Herói, mito...e falastrão
O Chefe da Conjuração Mineira
A Devassa de Vila Rica: uma cortina de fumaça
Os últimos momentos
E paguem os réus as custas
A MAÇONARIA QUE NÃO HOUVE
Maçonaria e Inconfidência: Estudo crítico
As universidades europeias e o movimento de Vila Rica
Estudantes mineiros na Europa: maçons?
E o Tiradentes? Foi maçom?
A visita do Tiradentes ao tenente-coronel Paula Freire
A viagem a Lisboa
Mazombo
Conjuração mineira, ou sociedade secreta?
A Bandeira dos Inconfidentes
O Decantado triângulo da bandeira dos inconfidentes
A primeira Loja maçônica no Brasil
A Maçonaria que não houve
***
Indicação de leitura da Coluna Chico
da Botica no mês de Abril 2011
Alferes Tiradentes - Herói Nacional
O NASCIMENTO
Joaquim José da Silva Xavier nasceu na fazenda do
Pombal, comarca do Rio das Mortes, próximo a Vila de
são José Del Rei. (Atual Tiradentes) no ano de 1746, não
se sabendo, porém o dia de seu nascimento. Era o quarto filho de Domingos da Silva dos Santos, Português e de
Dona Antônia da Encarnação Xavier.
O MILITAR
Em lº de Dezembro de 1775 ingressou na carreira militar
e alistou-se na 6º Cia. de Dragões da Capitania de Minas
Gerais, e por ser descendente de portugueses cristãos,
teve o privilégio de ingressar nas armas já como oficial,
sem passar pelos postos subalternos. Tornou-se Alferes,
posto este correspondente ao de 2º tenente. Recebeu
missões perigosas, que cumpriu com eficiência, devido
ao seu conhecimento do sertão. À frente do destacamento acabou com o banditismo na serra da Mantiqueira e
combateu os contrabandistas de ouro. Comandou a guarda dos armamentos depositados no quartel de Vila Rica.
Em 1781, foi nomeado pela rainha de Portugal para chefiar a patrulha do Caminho Novo, estrada que ligava Minas ao Rio de Janeiro, por onde seguiam as Tropas de
Mulas trazendo o ouro para ser embarcado no porto do
Rio de Janeiro.
JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER - O TIRADENTES (1746-1792)
Foi o primeiro herói a ter o nome inserido no Livro de Aço
dos Heróis Nacionais, com inscrição em 21 de abril de
1992, por ocasião do bicentenário de sua execução.
Fonte: internet
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- Ano 7 Edição 051 - 30 Abr. 2011 -
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Tema de la Plancha: “LA RESILIENCIA” - Eduardo R. Medina (MM)
- Posadas, Argentina - 19 de mayo del 2005 (e.v.)
VM.:. Luces del T.:. QQHH.:.
Cada persona brilla con luz propia entre todas las demás.
No hay dos fuegos iguales. Hay fuegos grandes y fuegos
chicos y fuegos de todos los colores. Hay gente de fuego
sereno, que ni se entera del viento y gente de fuego loco,
que llena el aire de chispas. Algunos fuegos, fuegos bobos
no alumbran ni queman, pero otros arden con tantas ganas
que no se puede mirarlos sin parpadear y quien se acerca se
enciende.
En este relato de GALEANO, se resumen las dos aristas
filosóficas de la teoría de la resiliencia y la primera se relaciona con la idea de la luminosidad. La resiliencia se edifica
desde la zona luminosa del ser humano, desde sus fortalezas, asumiendo la potencialidad de cada individuo para desarrollarse. L a segunda arista consiste en la idea de la diversidad, de la diferencia. La teoría de la resiliencia cobra
significado a partir de las diferencias en la reacción ante circunstancias adversas, generadoras de conflictos. Mientras
algunas personas sucumben a dichas circunstancias, evidenciando desequilibrio y trastornos a diversos niveles.Otras
se desarrollan exitosamente a pesar de la adversidad.
Parece que las preguntas principales formuladas por los
investigadores sociales en los últimos años se relacionan
con el problema de la determinación del enfrentamiento exitoso al stress y a la adversidad.
Es justo en este espacio de incertidumbre que abre la diferencia en la reacción ante la adversidad donde se inscribe el
concepto de resiliencia, definido como la capacidad de un
individuo de reaccionar y recuperarse ante adversidades,
que implica un conjunto de cualidades que fomentan un proceso de adaptación exitosa y transformación a pesar de los
riesgos y la adversidad.
La resiliencia es en términos de ingeniería: la capacidad
de un material para recobrar su forma original, después de
someterse a una presión deformadora. En esta plancha, sin
embargo, retomo la más reciente acepción de esta palabra,
que designa la capacidad de una persona para superar bien
condiciones adversas de la vida.
Como seres humanos, pese a vivir en diferentes condiciones cada ser, por lo menos en algún momento de la vida los
problemas nos han hecho tocar fondo. De hecho, a veces se
ha dicho que hay que tocar fondo para poder tomar conciencia y levantarse. Puesto que si nos dejáramos arrollar por
ese tipo de situación, nuestras vidas perderían toda conducción y sentido.
El objetivo principal de esta plancha es mostrar que si partimos de la existencia de ciertos factores de resiliencia individuales y sociales, existe la posibilidad de salir adelante sin necesidad de ampararnos bajo vicios, como la falta de respeto,
intrigas, mentiras, codicias, soberbias, insidias y tipos de dependencia, que no hacen sino sumarse a los problemas ya
existentes y que alteran las paz y armonía de las Organizaciones.
Actualmente al contrario de lo que se propone en los proyectos políticos institucionales , se da la fragmentación de
las identidades y redefinición de valores. Además se
acentúa la discriminación y el individualismo. Esto es
sencillamente una realidad.
A la par cobran expresión nuevas propuestas desde
aquellas nuevas identidades que se manifiestan mediante el espacio de la cultura organizacional que es mucha veces cambiante y dinámica. Por lo tanto dichas
identidades(etnia, edad, clase social, ideas renovadoras, religión, inteligencia, formación, familia), que no son
excluyentes unas de otras, sino muchas veces transversales, reclaman el lugar que se les niega.
Existen factores internos como la autoestima, el optimismo, la fe, la confianza en sí mismo, la responsabilidad, la capacidad de elegir o de cambio de las competencia cognoscitivas.
Una vez fortalecidos estos aspectos, que se conjugan
en lo que llamamos espíritu. Además se refuerzan las
posibilidades del grupo de apoyar a las personas como
ser humano integro, seguro y capaz de salir adelante.
Por ello es importante, además de desarrollar factores
internos, afianzar los apoyos externos. Sin embargo, si
la autoestima es baja o no se conjuga bien con las destrezas sociales, o si la esperanza en uno mismo no fluye
no se canaliza de la mejor manera y si se le quita al individuo el apoyo externo vuelven a derrumbarse
Pero en el caso de la resiliencia ella busca restituir
corazones heridos y darles la posibilidad de emprender
un proceso de rehumanización.
Después de informarnos un poco acerca de este tema
que es muy nuevo e innovador en lo que respecta a la
forma en que las personas son capaces de superar la
adversidad, creo con absoluta convicción que resultan
fundamentales ciertos factores formativos en el desarrollo de cada individuo; como una buena estimulación
intelectual, social y sobre todo afectiva, ya que esto podría conformar un pilar sólido al momento de enfrentarse a situaciones adversas. Esto desde el punto de vista
individual.
Pero lo que nos ocupa en esta exquisita Tenida mas
que la resiliencia individual , es ver en ella los factores
en que debemos descansar para que ese concepto sea
el generador del fortalecimiento en nuestra Organización Masónica, resaltando nuevamente la simpleza de la
definición técnica que dice que es la capacidad de un
material para recobrar su forma original, después de
someterse a una presión deformadora.
Vuelvo nuevamente a los verso del poeta español :
Algunos fuegos, fuegos bobos no alumbran ni queman,
pero otros arden con tantas ganas que no se puede mirarlos sin parpadear y quien se acerca se enciende.
Acordémonos de aquella ves que en este mismo espacio fuimos signados por el fuego, que ese fuego sea el
que encienda nuestros corazones “resilientes” y que haya
paz, armonía y felicidad en nuestros corazones QQHH.:.
y tres veces gracias por escucharme.
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Colaboração do Ir.·. Fábio Cyrino, M.I. - Harmonia e Concórdia 3522 GOB/GOSP - Or.·.de São Paulo
distribuída a Grupos Maçônicos a transcrição para português da Bula In Eminenti, emitida por Clemente XII
em 28 de abril de 1738, ou há exatos 273 anos, que
condenou à excomunhão todos os Maçons e todos aqueles que apoiarem ou se associarem aos Maçons:
IN EMINENTI APOSTOLATUS SPECULA
BULA PAPAL DE CLEMENTE XII - 28 DE ABRIL 1738
CLEMENTE, bispo, servo dos servos de Deus a todos
os fiéis, Saudações e Bênçãos Apostólicas.
Uma vez que a divina clemência colocou-Nos, mesmo
nossos méritos não estando à altura de tal tarefa, no alto
da torre do relógio do Apostolado com o dever de cuidado
pastoral confiando em Nós, e tendo sido chamada a Nossa
atenção, na medida em que foi concedida a Nós vinda do
alto, com incessantes cuidados a todas essas coisas através do qual a integridade da religião ortodoxa é mantida a
partir de erros e vícios, impedindo a sua entrada, e pelos
quais os perigos de perturbação da maior parte dos tempos
são repelidos de todo o mundo católico.
Agora, chegou a Nossos ouvidos, e o tema geral deixou
claro, que certas Sociedades, Companhias, Assembleias,
Reuniões, Congregações ou Convenções chamadas popularmente de Liberi Muratori ou Franco-Maçons ou por outros nomes, de acordo com as várias línguas, estão se difundindo e crescendo diariamente em força; e que homens
de quaisquer religiões ou seitas, satisfeito com a aparência
de probidade natural, estão reunidos, de acordo com seus
estatutos e leis estabelecidas por eles, através de um rigoroso e inquebrantável vínculo que os obriga, tanto por um
juramento sobre a Bíblia Sagrada quanto por uma variedade de severos castigos, a um inviolável silêncio sobre tudo
o que eles fazem em segredo em conjunto.
Mas é parte da natureza do crime trair a si própria e
para mostrar ao seu próprio clamor. Assim, estas citadas
Sociedades ou Convenções têm causado na mente dos
fiéis a maior suspeita, e todos os homens prudentes e íntegros tem apresentado o mesmo juízo sobre eles como sendo pervertidos e depravados. Pois se eles não estão fazendo mal, então não deveriam ter um ódio tão grande da luz.
De fato, este rumor tem crescido a tais proporções que, em
vários países estas sociedades têm sido proibidas pelas
autoridades civis como sendo contra a segurança pública,
e por algum tempo pareceu terem sido prudentes eliminados.
Por conseguinte, tendo em mente o grande prejuízo que
é muitas vezes causado por essas Sociedades ou Convenções não só para a paz do Estado temporal, mas também
para o bem-estar das almas, e percebendo que eles não
possuem, por qualquer das sanções civis ou canônica; e
uma vez que Nós somos inspirados pela palavra divina que
é a parte do fiel servo e do comandante da casa do Senhor
para assistir dia e noite o açoite de tais homens contra o lar
agindo como ladrões e, como raposas que procuram
BULA PAPAL DE CLEMENTE XII
28 DE ABRIL DE 1738 - 273 anos - tradução
destruir a vinha; de fato, para evitar que os corações dos simples sejam pervertidos e os inocentes sejam feridos secretamente por suas flechas e para bloquear a ampla estrada que
poderia ser aberta para a ação de pecado e pelas justas e
razoáveis motivações conhecidas por Nós; e por isso, depois
de ter tomado conselho de alguns de nossos Veneráveis Irmãos entre os Cardeais da Santa Igreja Romana, e também
de nossa própria reflexão a partir de certos conhecimentos e
de madura deliberação, com a plenitude do poder apostólico,
que decidimos fazer e decretar que estas mesmas Sociedades, Companhias, Assembleias, Reuniões, Congregações, ou
Convenções de Liberi Muratori ou de Franco-Maçons, ou de
qualquer outro nome que estas possam vir a possuir, estão
condenadas e proibidas, e por Nossa presente Constituição,
válida para todo o sempre, condenadas e proibidas.
Deste modo, Nós ordenamos precisamente, em virtude da
santa obediência, que todos os fiéis de qualquer estado, grau,
condição, ordem, dignidade ou preeminência, seja esta clerical ou laica, secular ou regular, mesmo aqueles que têm direito a menção específica e individual, sob qualquer pretexto ou
por qualquer motivo, devam ousar ou presumir o ingresso,
propagar ou apoiar estas sociedades dos citados Liberi Muratori ou Franco-maçons, ou de qualquer outra forma como sejam chamados, recebê-los em suas casas ou habitações ou
escondê-los, associar-se a eles, juntar-se a eles, estar presente com eles ou dar-lhes permissão para se reunirem em
outros locais, para auxiliá-los de qualquer forma, dar-lhes, de
forma alguma, aconselhamento, apoio ou incentivo, quer abertamente ou em segredo, direta ou indiretamente, sobre os
seus próprios ou através de terceiros; nem a exortar outros ou
dizer a outros, incitar ou persuadir a serem inscritos em tais
sociedades ou a serem contados entre o seu número, ou apresentar ou a ajudá-los de qualquer forma; devem todos (os
fiéis) permanecerem totalmente à parte de tais Sociedades,
Companhias, Assembleias, Reuniões, Congregações ou Convenções, sob pena de excomunhão para todas as pessoas
acima mencionadas, apoiadas por qualquer manifestação, ou
qualquer declaração necessária, e a partir da qual ninguém
poderá obter o benefício da absolvição, mesmo na hora da
morte, salvo através de Nós mesmos ou o Pontífice Romano
da época.
Além disso, Nós desejamos e ordenamos que todos os
bispos e prelados, e outras autoridades locais, bem como os
inquisidores de heresia, investiguem e procedam contra os
transgressores, independentemente da situação, grau, condição, ordem de dignidade ou preeminência que venham a ter;
e que venham a perseguir e punir a todos com as sanções
competentes da mais alta suspeição de heresia. Para cada
um destes e a todos destes Nós concedemos e garantimos a
livre faculdade de solicitar o auxílio do braço secular, em caso
de necessidade, para investigar e proceder contra aqueles
mesmo transgressores e para persegui-los e puni-los de acordo com as competentes sanções.
Dada e traçada em Roma, em Santa Maria Maior, no ano
de 1738 de Nosso Senhor. __._,_.___
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Informativo CHICO DA BOTICA
- Ano 7 Edição 051 - 30 Abr. 2011 -
oja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas
Resumo dos acontecimentos históricos que antecederam à Edição da Bula - Ir.·.Gerson Magdaleno
A Bula "In Eminenti" assinada pelo Papa Clemente
XII em 1738, foi na verdade uma articulação daqueles
que estavam à sua volta, sob o comando do Cardeal
Néri Corsini, sobrinho, assessor e braço direito de Clemente XII.
O Papa nessa época estava muito doente, quase
não saia da cama (sofria de artrose severa que praticamente o impedia de sair da cama, que os médicos da
época chamavam de "gota" e tinha também uma hérnia,
que por vezes lhe saíam as vísceras, precisava sempre
andar com bandagem para mantê-las no lugar), e completamente cego....tudo o que ele assinava, tomava conhecimento através do que lhe era falado.
Depois do conteúdo de qualquer documento ser explanado e, ele estando de acordo, seu assessor, o Cardeal Corsini, orientava sua mão na parte do documento
que deveria ser assinada... Sinteticamente, como a maioria de nós já sabe, a Bula diz que quem frequentar Ordens Iniciáticas Secretas (inclui-se aí a Maçonaria) será
excomungado.
Vamos narrar alguns fatos históricos importantes
para entendermos porque e como ela foi elaborada. A
Igreja Romana preocupava-se especificamente com um
oficial Inglês chamado Barão Stosch, pois para a época
ele era um revolucionário que pregava ideias de liberdade que colocavam em risco o poder da Igreja, além disso
falava aos quatro ventos que era um "Liberi Muratori" (Free-Mason - Franco-Maçom) e membro de uma Loja Maçônica em Florença, como a Igreja já tinha conhecimento de que na Ordem havia um "grande segredo" que
não poderia ser revelado, esse foi um motivo muito grande para colocar a Ordem na mira do poder da Igreja.
Vale um esclarecimento, a maioria esmagadora das
Lojas Maçônicas Europeias do séc XVII e XVIII formam
fundadas por Ingleses, Irlandeses e Escoceses, das
mais variadas áreas profissionais. É bom reforçar, todas
elas tinham Inglêses, Irlandeses e Escoceses em seus
quadros, que para a Igreja Católica eram considerados
hereges.
Ocorre que nem na própria Maçonaria em Florença o
Barão Stosch era bem quisto, mas como ele era amicíssimo e mantinha um ótimo relacionamento com Sua Majestade o Rei da Inglaterra, ninguém tinha coragem de
propor sua saída da Ordem e de Florença e, apesar da
Igreja pressionar o Grão-Duque da Toscana a expulsar o
desafeto, ele demora a executar essa ordem, pois também não queria arrumar um problema sério com o Rei
da Inglaterra.
Os Membros do Clero que estavam assessorando o
Papa, estavam de olho nele e na Maçonaria de algumas
cidades Italianas, (Florença, Veneza, Pisa) e era contra
elas que estavam preparando uma "punição". Mas, por
sua (maçonaria) dita "universalidade", o Vaticano aca-
bou estendendo essa "punição" para toda a instituição europeia continental, a coisa deixaria de ser pessoal e passaria
a ser contra a instituição. Mais ou menos assim: - matar a
vaca para acabar com o carrapato.
Desde o Século XVII a alta cúpula do Papado de Roma
estava preocupada com a nova sociedade que surgia com
muita força em quase todos os países da Europa (França,
Espanha, Portugal, Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália, Áustria, Suíça, Finlândia, Suécia, além da Inglaterra, Escócia e
Irlanda de onde veio para a Europa), denominada FrancoMaçonaria, não por evidências de desvio de comportamento
de seus integrantes, mas principalmente pelo conteúdo do
Juramento que era prestado pelos homens que nela entravam.
Percebam que já era de conhecimento da Igreja, desde
o final do Séc. XVII, o conteúdo do Juramento da nossa
Cerimônia de Iniciação Maçônica. O que lhes causava verdadeiro "pânico" era os iniciados se permitirem ter uma
morte "horrível" e "cruel" se revelassem o seu segredo....que era o de ter o P.´. cortado e a cabeça A.´. e seu
C.´. Ent.´. nas areias do mar, onde o F.´. e R.´. das ondas o
mantivesse em P.´. Esquecimento.
Para eles, a permissão desse tipo de morte para guardar um segredo, dava margem a criarem um sem número
de teorias conspiratórias contra o poder da Igreja no continente Europeu, e esse também foi o argumento utilizado
pela Igreja para trazer como aliados Reis de alguns Países
europeus. De forma bem objetiva não era nada mais que
isso. O conteúdo do nosso Juramento está escrito em vários documentos do Vaticano espalhados por toda a Europa, e estão guardados em Arquivos ou Bibliotecas Nacionais e no próprio Arquivo Secreto do Vaticano até hoje.
Só a título de curiosidade, o jornal londrino "The Flying
Post" publicou nos dias 11, 12 e 13 de abril de 1723, "a masons examination" (o exame de um maçom) e nessas edições, colocou todo o conteúdo do juramento prestado pelo
Aprendiz no dia de sua Iniciação. Quando o Vaticano, através dos assessores do Papa Clemente XII, resolveu tomar
uma medida punitiva contra os Membros de algumas Lojas
Maçônicas da Itália, repito, por causa de sua conhecida
"universalidade" maçônica, resolveram estender isso para
toda a Ordem existente na Europa católica.
Acontece que a Maçonaria em sua Origem é eminentemente Cristã, na Inglaterra, Escócia e Irlanda não católica,
mas cristã.
Quando os padres inquisidores, principalmente em Portugal e Espanha, além da França, Holanda e Bélgica, foram
atrás de seus Membros para proibi-los de reunirem-se sob
pena da excomunhão, de serem considerados hereges e
serem queimados na fogueira, surpreenderam-se, pois todas as Lojas já não mais se reuniam, resolveram encerrar
suas atividades assim que tomaram conhecimento da proibição pela Bula Papal.
Informativo CHICO DA BOTICA
Organização
AUG :. RESP :. LOJ :.
“FRANCISCO XAVIER FERREIRA
DE PESQUISAS MAÇÔNICAS” JURISDICIONADA AO GORGS
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- Ano 7 Edição 051 - 30 Abr. 2011 -
>>> Informativo Virtual destaca . . .
Templo : Leonello Paulo Paludo
Centro Templário - 3º andar
Rua Aureliano de Figueiredo Pinto, 945
Dia da Oficina: 3º Sábado de cada mês Hora: 10:00 h
Datas importantes de Abril:
> 13, Primeira vez foi entoado o Hino Nacional em 1831;
> 19, Dia do Índio, Dia do Exército;
> 21, Tiradentes;
> 22, Descobrimento do Brasil
Cont.: Resumo dos acontecimentos históricos
Podemos perceber aqui que, como sabemos, os
Maçons respeitaram o que juravam, assim como fazemos hoje, respeitar as Leis, os Poderes Constituídos e a
soberania dos Reis e, naquela época, uma ordem Papal
era Lei. Ninguém fora da Ordem sabia que o juramento
"terrível", restringia-se apenas à divulgação dos toques,
sinais e palavras pelos quais os Obreiros utilizavam para se reconhecer em qualquer lugar do mundo.
A Maçonaria naquela época era realmente de ajuda
mútua, quando um Irmão precisava de ajuda, os outros
se reuniam e o ajudavam...para evitar que "profanos"
tirassem proveito dessa ajuda mútua, juravam segredo
quanto aos sinais, toques e palavras...comportamento
este herdado das antigas guildas de pedreiros livres.
Bem resumidamente, o incomodo que o Barão Stosch causava no Clero com seus discursos revolucionários, associada a essa falta de entendimento da diferença do juramento, mais o medo da força que a Ordem
vinha adquirindo por causa do nível intelectual de seus
membros e da "febre' que acometeu a alta sociedade
europeia em participar da Ordem, foram as principais
causas para a Edição da Bula.
Esses fatos resumidamente colocados acima, são
ingredientes mais do que suficientes para explicar o que
aconteceu depois... É da natureza humana criar monstros onde não existem, o desconhecimento causa perturbação, que geram as suposições e as teorias conspiratórias, que acabam tornando-se problemas reais... daí
à ação é apenas um pequeno passo....
Nossa história está cheia de acontecimentos bizarros que surgem de fatos inexistentes, que só está na
cabeça de quem se sente ameaçado ou interessado em
tirar vantagem de algum acontecimento.
Esse é apenas mais um.
A história existe para conhecermos, refletirmos e
não repetirmos os mesmos erros...
TFA
Gerson Magdaleno – MI - Grau 32 R.E.A.A. - GOB
Membro Efetivo das Lojas:
Livres Pensadores - 2304 - Benfeitora da Ordem
Madras - 3359
Tempo de Estudos - 3830
Sublime Imprensa Maçônica - 3999
Obs: texto de circulação na Web em 12/06/2010
NOTÍCIAS RAPIDINHAS DA CHICO
1. REUNIÃO DE ABRIL DE 2011
Aconteceu como tradicionalmente ocorre, no terceiro sábado, dia 18, às 10:00 horas no Templo Leonello Paulo Paludo - Centro Templário - 3º andar, na Rua Aureliano de
Figueiredo Pinto, 945. Dentre os assuntos tratados, destacase o andamento, na fase de discussão, do Estatuto da Loja
de Pesquisa. Definição da minuta e marcação de data para
aprovação final, após a manifestação de todos os Membros
Efetivos.
2. ASSUNTOS TRATADOS
Também tratou-se dos destinos da Chico da Botica para
próximo período que estarão a cargo do Ir.·. João Lauro Desidério Alves, o Laurinho, um dos fundadores da Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas.
Cumprindo os prazos requeridos o Ir.·. Lauro apresentou
a chapa de sua Diretoria:
1° –
Inscrição da Chapa:
de 31/03 / 2011 a 15 /04 / 2011 (15 dias)
2° –
Impugnação de candidaturas:
de16 /04 / 2011 a 01/05 / 2011 (15 dias)
3° –
Julgamento das impugnações:
de 02 /05 / 2011 a 09 /05 / 2011 (7 dias)
4° –
Eleição: 21 / 05 / 2011
Ficando assim constituída:
VENERÁVEL MESTRE:
JOÃO LAURO DESIDÉRIO ALVES
1° VIGILANTE:
DIOGO BRITES DA LUZ
2° VIGILANTE:
LUIZ ANTÔNIO DAL CORSO
ORADOR:
AFRÂNIO MARQUÊS CORRÊA
SECRETÁRIO: ARTÊMIO GELCI HOFFMANN
TESOUREIRO: DANILO CHIARADIA KRAUSE
Terceiro sábado de maio, 10:00 h, eleições!!!
3. PUBLICAÇÕES NO INFORMATIVO CHICO DA BOTICA
Irmãos Efetivos, Correspondentes e Colaboradores contatar:
- Marco A. Perottoni - e-mail: [email protected]
- Artêmio G. Hoffmann - e-mail: [email protected]
Obs.·.
Os textos publicados são de inteira responsabilidade dos autores.