FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS CENTRO DE FORMAÇÃO ACADÊMICA E PESQUISA CURSO DE MESTRADO EXECUTIVO IDENTIFICAÇÃO DA ESTRUTURA DE ESCRITÓRIO DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS ADEQUADA A PARTIR DA AVALIÇÃO DO NÍVEL DE MATURIDADE EM GERENCIAMENTO DE PROJETOS: UM ESTUDO SOBRE A ÁREA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DA PETROBRAS DISSERTAÇÃO APRESENTADA À ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Marta Cecília Henriques Calheiros Rio de Janeiro, 2005 II AGRADECIMENTOS Aos colegas da turma de Mestrado Executivo, pelos bons momentos de convívio, pelo apoio na superação das dificuldades e pela sua amizade. Ao professores do curso de Mestrado Executivo em Gestão Empresarial da Fundação Getulio Vargas, por todo o conhecimento transmitido. Ao professor Luis César Gonçalves de Araújo pela dedicação e apoio dispensados como orientador desta dissertação. Aos meus pais Rubem e Nilda, meus primeiros incentivadores na busca pela minha formação acadêmica. Ao meu esposo Márcio, pelo seu apoio, sua compreensão e seu amor. Aos seguintes gerentes da TI da Petrobras pelo apoio e patrocínio na realização deste curso de mestrado: Martha Gomes de Souza, Anna Maria Neville M. Nogueira, Maria Tereza Sotelino Ramos e Jesu Guimarães. Meus especiais agradecimentos aos colegas Ângela Ruriko Sakamoto, Carlos Roberto Soares dos Santos, Herbet de Souza Cunha e Roberto Santos Constantino pela paciência em criticar e rever diversas vezes o texto desta dissertação. III Ao meu esposo Márcio e aos meus pais Rubem e Nilda IV “Excelência é uma habilidade conquistada através de treinamento e prática. Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um ato, mas um hábito.” Aristóteles (384-322 AC) V RESUMO Mudanças são implementadas através de projetos e estas vem ocorrendo cada vez mais rapidamente e de maneira descontinuada. Com a demanda crescente de projetos, uma gestão adequada passa a ser fundamental de forma a aumentar suas taxas de sucesso. A criação de uma estrutura organizacional com a atribuição de concentrar o desenvolvimento de processos e metodologias é uma iniciativa de formalização da gestão de projetos e facilitação da disseminação de seus conceitos. Esta estrutura é o Escritório de Gerenciamento de Projetos, que deve ser adequada ao grau de maturidade em gerenciamento de projetos da organização e a sua estratégia. Esta dissertação se propõe a aplicar um modelo que analise o nível de maturidade em gerenciamento de projetos da área de Tecnologia da Informação da Petrobras e sugerir um Escritório de Gerenciamento de Projetos adequado ao nível identificado podendo ser evoluído à medida que o grau de maturidade for sendo aperfeiçoado. VI ABSTRACT Changing has been addressed by projects and it had happened in a fast and disarrenged way. In consequence of the increasing on demand for projects, to get better success rate is essential manage projects adequately. The creation of an organitional structure intended to concentrate the development of process and methodologies is a great initiative to spread the projects management concepts. The purpose of this work is to apply a model to analyse the maturity level on project management of the Petrobras IT Department and indicate an Project Management Office adequated to the level found, that could be improved with the increase of the maturity level. VII SUMÁRIO 1 Introdução...................................................................................................................... 1 1.1 Contextualização do problema .................................................................................. 1 1.2 Formulação do problema ........................................................................................... 2 1.3 Objetivos ..................................................................................................................... 5 1.3.1 Objetivo principal 5 1.3.2 Objetivos secundários 5 1.4 Delimitação do estudo................................................................................................ 6 1.5 Relevância do estudo.................................................................................................. 6 1.6 Organização do trabalho ............................................................................................ 9 2 Referencial Teórico..................................................................................................... 11 2.1 Gestão de Projeto...................................................................................................... 11 2.2 Sucesso e Fracasso em Projetos............................................................................... 20 2.3 Tipos de estruturas organizacionais ........................................................................ 24 2.4 2.5 2.3.1 Estrutura funcional 25 2.3.2 Estrutura projetizada 27 2.3.3 Estrutura matricial 29 Competências em gerenciamento de projetos......................................................... 31 2.4.1 O Gerente de Projeto 31 2.4.2 O papel do Gerente de Projeto 33 2.4.3 Competências do Gerente de Projeto 35 Modelos de Maturidade em Gerenciamento de Projetos ....................................... 39 VIII 2.6 3 2.5.1 O Modelo CMM (Capability Maturity Model) 40 2.5.2 Modelo de Fincher & Levin 41 2.5.3 Modelo de Maturidade em Processos de Gerenciamento de Projetos (Project Management Process Maturity Model) – (PM)2 - modelo de Berkeley 43 2.5.4 Modelo de Maturidade de Kerzner 44 2.5.5 O Modelo do PMI – Organization Project Management Maturity Model (OPM3) 47 2.5.6 51 Uma Análise Comparativa dos Modelos Escritório de Gerenciamento de Projeto – PMO (Project Management Office).. 53 2.6.1 O que é um PMO. 53 2.6.2 O papel e as funções de um PMO. 53 2.6.3 Implantação de um Escritório de Projeto 59 Metodologia ................................................................................................................. 63 3.1 Pesquisa Bibliográfica.............................................................................................. 64 3.2 Pesquisa de Campo................................................................................................... 64 3.3 4 3.2.1 Apresentação 64 3.2.2 Estrutura do Formulário 65 Limitações do Método.............................................................................................. 74 Apresentação do Caso da Área de Tecnologia da Informação da Petrobras.... 75 4.1 A Petrobras .............................................................................................................. 75 4.1.1 Histórico 75 4.1.2 Estrutura Organizacional e Atividades Desempenhadas 78 4.1.3 A empresa em números 82 IX 4.2 5 A Tecnologia da Informação ................................................................................... 83 4.2.1 Histórico 83 4.2.2 Função TI 86 4.2.3 Missão, Visão e Valores da Tecnologia da Informação 88 4.2.4 Organização Geral da TI da Petrobras 89 4.2.5 Situação atual 95 Resultados e Análise da Pesquisa do Nível de Maturidade em Gerenciamento de Projetos ................................................................................................................................... 103 5.1 Resultados da pesquisa........................................................................................... 104 5.1.1 5.2 Distribuição das freqüências 105 Interpretação dos Resultados por seções da pesquisa .......................................... 107 5.2.1 Análise das variáveis referentes à seção Institucional 107 5.2.2 Análise das variáveis referentes à seção Suporte Gerencial 108 5.2.3 Análise das variáveis referentes à seção Treinamento e Desenvolvimento110 5.2.4 Análise das variáveis referentes à seção Metodologia e Processos 5.2.5 Análise das variáveis referentes à seção Autoridade e Responsabilidade 123 5.2.6 Análise das variáveis referentes à seção Benchmarking 117 124 6 Modelo de Escritório de Gerenciamento de Projetos (PMO) proposto ........... 130 7 Considerações Finais ................................................................................................ 137 8 Sugestões .................................................................................................................... 141 Referências Bibliográficas ................................................................................................... 143 Anexo I.................................................................................................................................... 150 Anexo II .................................................................................................................................. 152 X LISTA DE TABELAS Tabela 1. Descrição do papel do Gerente de Projeto ........................................... 34 Tabela 2. Grid de maturidade gerencial de Crosby .............................................. 40 Tabela 3. Modelo de Maturidade da Capacidade de Gerenciamento de Software ........................................................................................................... 41 Tabela 4. Modelo de Maturidade em Gerenciamento de Projeto – Fincher & Levin ................................................................................................... 42 Tabela 5. Níveis de maturidade do modelo (PM)2 de Kwak & Ibbs .................... 44 Tabela 6. Níveis de maturidade de Kerzner ......................................................... 45 Tabela 7. Resumo da evolução dos modelos de maturidade. ............................... 51 Tabela 8. Características dos modelos de maturidade apresentados .................... 52 Tabela 9. Formas e responsabilidades dos PMOs ................................................ 58 Tabela 10. A Petrobras em números – dados referentes ao ano de 2004 ............. 82 Tabela 11. Distribuição das freqüências ............................................................. 104 XI LISTA DE FIGURAS Figura 1. Exemplo genérico de um ciclo de vida ............................................... 14 Figura 2. Distribuição de custos e recursos ao longo de um projeto .................. 14 Figura 3. Quatro categorias de projeto ............................................................... 16 Figura 4. Interligação entre os processos de gerenciamento de projeto ............. 18 Figura 5. “Sucesso deve ser um cubo em vez de um ponto” .............................. 22 Figura 6. Exemplo de estrutura funcional ........................................................... 26 Figura 7. Exemplo de estrutura projetizada ........................................................ 28 Figura 8. Exemplo de estrutura matricial ............................................................ 30 Figura 9. Associação entre as três dimensões de competência ........................... 37 Figura 10. Componentes para o sucesso de um projeto ...................................... 38 Figura 11. Níveis de maturidade e suas interações ............................................. 46 Figura 12. Ciclo do OPM3 .................................................................................. 50 Figura 13. Organograma da Petrobras ................................................................. 79 Figura 14. Cadeia de Valor da TI em 2001 ......................................................... 85 Figura 15. Matriz de Posicionamento Estratégico da TI ..................................... 87 Figura 16. Estrutura Organizacional do Quadrante de Excelência ...................... 89 Figura 17. Estrutura Organizacional do Quadrante de Gestão ............................ 90 Figura 18. Estrutura Organizacional do Quadrante de Agilidade ........................ 92 Figura 19. Estrutura Organizacional do Quadrante de Serviços .......................... 93 Figura 20. Gráfico de distribuição de freqüências das respostas ........................ 105 Figura 21. Gráfico de distribuição das respostas da questão 1 ........................... 106 Figura 22. Gráfico de distribuição das respostas da questão 2 ........................... 107 XII Figura 23. Gráfico de distribuição das respostas da questão 3 ........................... 108 Figura 24. Gráfico de distribuição das respostas da questão 4 ........................... 109 Figura 25. Gráfico de distribuição das respostas da questão 5a ......................... 110 Figura 26. Gráfico de distribuição das respostas da questão 5b ......................... 111 Figura 27. Gráfico de distribuição das respostas da questão 5c ......................... 113 Figura 28. Gráfico de distribuição das respostas da questão 13 respondidas por funcionários ................................................................................................... 114 Figura 29. Gráfico de distribuição das respostas da questão 13 respondidas por contratados .................................................................................................... 114 Figura 30. Gráfico de distribuição das respostas da questão 6 ............................ 116 Figura 31. Gráfico de distribuição das respostas da questão 7 ............................. 117 Figura 32. Gráfico de distribuição das respostas da questão 8 ............................. 118 Figura 33. Gráfico de distribuição das respostas da questão 9 ............................. 119 Figura 34. Gráfico de distribuição das respostas da questão 10 ........................... 120 Figura 35. Gráfico de distribuição das respostas da questão 11 ........................... 121 Figura 36. Gráfico de distribuição das respostas da questão 12 ........................... 122 Figura 37. Gráfico de distribuição das respostas da questão 14 ........................... 123 Figura 38. Gráfico de distribuição das respostas da questão 15 .......................... 124 XIII LISTA DE ABREVIATURAS ANP Agência Nacional de Petróleo BDEMQ Banco de Dados de Equipamentos e Movimentação e Qualidade BR Distribuidora Petrobras Distribuidora S.A CENPES Centro de Pesquisa e Desenvolvimento CEO Chief Executive Office CFO Chief Financial Office CMM Capability Maturity Model CobiT Control Objectives for Information and related Tecnologies CPO Chief Project Office E&P Exploração e Produção EAP Escritório de Apoio de Projeto EGP Escritório de Gestão de Projeto ERP Enterprise Resource Planning GID Gestão Integrada de Demandas OPEP Organização dos Países Exportadores de Petróleo OPM3 Organization Project Management Maturity Model OTC Offshore Tecnology Conference NTI Necessidades de Tecnologia da Informação PETROBRAS Petróleo Brasileiro S.A (PM)2 Project Management Process Maturity Model PMBoK Project Management Body of Knowledge PMI Project Management Institute PMCD Project Manager Competency Development PMCOE Project Management Center of Excellence PMO Project Management Office PMP Project Management Professional PrgMO Program Management Office PSO Project Support Office REDUC Refinaria Duque de Caxias RLAM Refinaria Landulfo Alves XIV RPBC Refinaria Presidente Bernardes SEI Software Engineering Institute SEORG Serviço de Organização e Métodos SEPROD Serviço de Processamento de Dados SERINF Serviço de Informática SOX Sarbanes-Oxley TI Tecnologia da Informação TI-AB Tecnologia da Informação Abastecimento TI-E&P Tecnologia da Informação da Exploração e Produção TI-G&E Tecnologia da Informação Gás e Energia TI-INTER Tecnologia da Informação Internacional TRANSPETRO Petrobras Transporte S.A. UN-BC Unidade de Negócios Bacia de Campos UN-RIO Unidade de Negócios Rio 1 1 Introdução 1.1 Contextualização do problema Em um ambiente de contínuas mudanças, as empresas, para permanecerem competitivas, precisam responder rapidamente aos novos desafios e novas oportunidades que surgem. Podemos dizer que projetos são o veículo por meio ao qual as empresas realizam mudanças em seus processos, produtos ou serviços. Devido ao ritmo crescente de mudanças, cada vez mais novos produtos e serviços são implementados pelas empresas por meio de projetos. Neste contexto, a gestão de projetos passa a ser fundamental. As empresas precisam inovar constantemente para continuarem a serem competitivas e estas inovações são realizadas por meio de um ou vários projetos. Para Thiry-Cherques (2002), projetos são criados para atender estrategicamente a um desafio. Segundo Verzuh (2000) quanto maior a mudança, mais inovações ocorrem em resposta e mais projetos surgem. A gerência de projetos é utilizada cada vez mais nas empresas como uma ferramenta de auxílio à gestão e ao planejamento estratégico. Segundo Kerzner (2001b), nos últimos anos, devido a uma demanda crescente por projetos, houve um aumento no interesse de formalização dos processos de gerência de projetos. O rápido crescimento do quadro de associações de membros de profissionais na área demonstra isso. O Project Management Institute (PMI) estabeleceu-se como um instituto de referência na área. Criado em 1969, por apenas 5 membros, atualmente conta com mais de 100.000 filiados em 125 países. (PMI, 2005). 2 Segundo Patah (2004), o Standard Group (1999 apud Patah 2004) publicou uma pesquisa segundo a qual, os Estados Unidos gastam US$ 275 bilhões ao ano em aproximadamente 200.000 projetos de tecnologia da informação. Este mesmo instituto publicou uma outra pesquisa em 2003, a partir de uma amostra de aproximadamente 13.000 projetos de tecnologia da informação em que apenas 34% dos projetos puderam ser considerados bemsucedidos. De acordo com os dados da pesquisa, 82% dos projetos foram completados fora do prazo sendo que somente 52% destes foram entregues conforme as características e funcionalidades requeridas. Apesar desta pesquisa ter sido realizada nos Estados Unidos, a realidade brasileira não é muito diferente. O Estudo de Benchmarking em Gerenciamento de Projetos realizado em 2004 pelo PMI – Seção Rio de Janeiro identificou que apesar do interesse em gerenciamento de projetos nas organizações brasileiras ser cada vez maior, o nível de maturidade em gerenciamento de projetos das mesmas ainda é baixo. Em outras palavras, apesar das empresas utilizarem cada vez mais a gerência de projetos, o nível de maturidade das mesmas em gerenciamento de projetos ainda deixa muito a desejar. 1.2 Formulação do problema Em 1997, a Petrobras, empresa de economia mista com atuação na indústria de exploração e produção, refino e comercialização de petróleo e derivados, e na distribuição de combustíveis, passou a atuar em um novo cenário de competição instituído pela lei 9.478, que regulamentou a emenda constitucional da flexibilização do monopólio estatal de petróleo. Com a quebra do monopólio, a empresa viu-se diante de um novo cenário competitivo com a entrada de novos concorrentes em suas áreas de atuação. A necessidade de maior agilidade em decorrência da abertura do mercado de petróleo no país e das 3 condições de competição no exterior exigiu da Petrobras uma nova postura. Em resposta a esta nova realidade, a empresa passou por um rigoroso processo de planejamento estratégico, com a revisão de seus objetivos e missão, acompanhado de um amplo processo de reestruturação. Esta reestruturação introduziu na Companhia o conceito de unidades de negócio, autônomas, com orçamento e estratégias próprias alinhadas à estratégia corporativa, voltadas para as áreas de atuação (Exploração e Produção (E&P), Abastecimento, Gás e Energia e Internacional). A área de Tecnologia da Informação (TI) da Petrobras, em conformidade com a revisão da estratégia da Companhia, iniciou um trabalho de alinhamento da tecnologia da informação da Petrobras às novas tendências da indústria, estabelecendo estruturas e mecanismos necessários para maximizar a contribuição da informática aos objetivos de negócios da Companhia. Este processo ocasionou na mudança de sua estrutura, processos e serviços. Com a reestruturação, a TI passou de uma atuação mais operacional para uma atuação mais estratégica, responsável por prover soluções que apóiem os processos de negócio estratégicos da empresa. A TI teve um aumento de sua área de atuação ao centralizar todas as atividades de tecnologia da informação da Petrobras. Devido à estrutura atual da TI, a maior parte dos projetos é desenvolvida com a participação de mais de uma área funcional e com a participação de fornecedores externos. A falta de padronização neste ambiente dificulta a realização dos projetos pelas áreas. Somado a isso a falta de critérios de priorização do que deve ser realizado e a falta de alinhamento dos projetos com objetivos estratégicos da organização levam a utilização ineficiente dos recursos e afetando, por conseqüência, o desempenho da TI. 4 A solução proposta ao longo deste trabalho para os problemas citados anteriormente é adoção de uma gestão de projetos padronizada segundo os conceitos do PMI. Este trabalho tem como objetivo identificar a forma adequada de implantar os conceitos de gerência de projetos na organização. Segundo autores como Block et al (1998) e Crawford (1999), a criação de uma estrutura organizacional de projetos, também conhecida por Escritório de Gerenciamento de Projetos ou Escritório de Projetos, com o objetivo de disseminar os conceitos de gerência de projetos em uma organização, pode ajudar a alcançar mais rapidamente a situação desejada. Segundo Patah et al (2003 apud Patah 2004), o Escritório de Gerenciamento de Projetos pode se apresentar sobre diferentes formas: desde uma simples estrutura criada somente para dar suporte administrativo aos projetos da organização até uma estrutura estratégica responsável pelo gerenciamento de todos os projetos da organização. Os autores enfatizam que o dimensionamento da estrutura deve estar alinhado à estratégia da organização, levando-se em conta a relevância da atividade de gerenciamento de projeto para a mesma e seu nível de maturidade em gerenciamento de projetos, de modo que a estrutura não se torne onerosa e não apresente os resultados desejados. Segundo Herszon (2004), entende-se por grau de maturidade em gerenciamento de projetos de uma organização como o nível em que a mesma se encontra em uma escala crescente a partir de um modelo de maturidade adotado. 5 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo principal Identificar qual a estrutura de Escritório de Gerenciamento de Projetos é mais adequada para a TI a partir da análise do nível atual de maturidade em gerenciamento de projetos. 1.3.2 Objetivos secundários Para a realização deste trabalho, torna-se necessário realizar: • A identificação dos principais modelos de maturidade em gerenciamento de projetos existentes na literatura; • A identificação das principais estruturas de Escritório de Gerenciamento de Projetos; • A análise do nível atual de maturidade em gerenciamento de projetos da área a ser pesquisada; • A identificação da situação desejada; • A análise das lacunas existentes entre a situação atual da área e a situação desejada; 6 • A identificação da estrutura de Escritório Gerenciamento de Projeto mais adequada para o nível atual de maturidade em gerenciamento de projetos. 1.4 Delimitação do estudo O estudo proposto identificará a estrutura de Escritório de Gerenciamento de Projetos mais adequada a partir da análise do nível de maturidade em gerenciamento de projetos da TI. Esta análise será efetuada a partir da percepção dos gerentes de projetos. Na TI, este profissional é nomeado como líder de projeto podendo desempenhar esta função tanto funcionários do sistema Petrobras quanto contratados, pessoas empregadas de empresas terceirizadas, mas que trabalham diretamente na TI. Para não se criar um viés na análise a ser realizada, o estudo será desenvolvido com as pessoas que trabalham diretamente com gerenciamento de projetos, excluindo-se aquelas que possuam cargo ou função de gerência ou direção. 1.5 Relevância do estudo A gestão de projetos não é uma atividade recente. Empresas sempre utilizaram projetos para implementar suas estratégias e desenvolver seus produtos e serviços. Mas os projetos nem sempre são gerenciados de forma ordenada, acarretando em baixas taxas de sucesso dos mesmos. Quando falamos em sucesso no resultado final de um projeto, estamos nos referindo não só a serem entregues no prazo e com o custo planejado como também a estarem em conformidade com os requisitos solicitados pelo cliente. 7 Em pesquisa realizada em 1999, o Gartner Group (1999 apud Herszon 2004) observou que os projetos de desenvolvimento de software de TI, da forma como eram gerenciados, apresentavam orçamento final de 170-180% superior ao orçamento planejado. Ainda segundo Herszon (2004), outra pesquisa realizada pela Robbins-Giola com gerentes de projetos identificou que 90% destes gerentes estimaram erradamente o tamanho e a complexidade de seus projetos. Quase metade dos projetos (44%) teve um estouro de orçamento da ordem de 10 a 40% e somente 16% destes foram entregues no cronograma planejado. O baixo conhecimento dos conceitos de gerenciamento de projetos e a não utilização de técnicas e metodologias adequadas contribuem para estes resultados. Cada vez mais as empresas notam que é necessário ter uma gestão adequada de seus projetos com o objetivo de aumentar a taxa de sucesso dos mesmos, pois as mudanças no ambiente onde as empresas se inserem vem ocorrendo de forma cada vez mais rápida e descontinuada, gerando uma crescente demanda por novos produtos e serviços. As adaptações às mudanças no ambiente em que as empresas inserem podem ser realizadas através do processo de planejamento estratégico. Kerzner (2001b) define planejamento estratégico como o processo de formular e executar decisões acerca da futura direção da organização. Este processo é fundamental para a sobrevivência da organização pois permite que se tenha uma visão de alcance a longo prazo dos resultados requeridos. O planejamento estratégico se divide no processo de definição e formulação das estratégias e no processo de execução das mesmas. No processo de definição são decididos os resultados que devem ser alcançados e as estratégias para obter os resultados pretendidos. No processo de execução, as estratégias definidas são efetuadas. Estratégias são implementadas através de projetos e 8 estes possuem maiores chances de serem bem-sucedidos se forem executados por um processo repetível e consistente. Por estes motivos, nos últimos anos, houve um crescimento do interesse de formalização dos processos de gerência de projetos e disseminação de seus conceitos. A criação de uma estrutura organizacional voltada para a aplicação dos conceitos de gerenciamento de projetos e para o desenvolvimento de processos e metodologias, vem ao encontro deste anseio. Esta estrutura organizacional seria o Escritório de Projetos ou o Escritório de Gerenciamento de Projetos. Ao implantar uma estrutura organizacional com estas características, a empresa passa a centralizar todas as suas iniciativas de aplicação dos conceitos de gerenciamento de projetos, facilitando sua disseminação pela organização. O Escritório de Gerenciamento de Projetos passa a ser a estrutura responsável pela metodologia de gerenciamento de projetos, podendo ajudar no desenvolvimento das competências e habilidades dos gerentes de projetos, pessoas responsáveis por gerenciar efetivamente os projetos da organização. Uma premissa na criação desta estrutura e definição de suas atribuições é que a mesma seja adequada à estratégia da organização e ao seu grau de conhecimento dos conceitos de gerenciamento de projetos. Analisar o nível de maturidade de gerenciamento de projetos da organização em relação a uma escala crescente é o passo inicial para se implantar uma estrutura de gerenciamento de projetos. A vantagem da utilização de um modelo de níveis de maturidade é que se pode identificar a situação atual da empresa em relação aos conceitos de gerenciamento de projetos e a partir desta identificação planejar o alcance da situação desejada. O alcance da situação desejada pode ser realizado de maneira gradual, tornando os processos de gerenciamento de projetos da organização mais maduros e com 9 isso aumentando as taxas de sucesso dos projetos. À medida que a organização for aperfeiçoando seu nível de maturidade, podem-se evoluir as atribuições do Escritório de Gerenciamento de Projetos desde uma atribuição mais operacional, como responsável pelas técnicas e metodologias, até uma atribuição mais estratégica, como responsável por todos os projetos da organização. Independente das atribuições definidas para Escritório de Gerenciamento de Projetos, o mesmo deve estar sempre alinhado a estratégia da organização. Desta forma a realização deste estudo visa aplicar um modelo que meça o nível de maturidade em gerenciamento de projetos de uma organização e sugerir uma estrutura organizacional de projetos adequada ao nível identificado podendo ser evoluída à medida que o grau de maturidade da mesma for sendo aperfeiçoado. 1.6 Organização do trabalho Este primeiro capítulo introduz o tema de gerenciamento de projetos, a formulação do problema, os objetivos primários e secundários, a relevância e a estrutura do trabalho. O capitulo dois apresenta a revisão da literatura em gerenciamento de projetos incluindo as definições de conceitos relevantes, o perfil das competências em gerência de projetos, os tipos de estrutura organizacionais existentes para gerenciamento de projetos, os modelos de maturidade propostos pela literatura e o conceito de escritório de gerenciamento de projetos e seu processo de implantação. Este trabalho apresenta os conceitos de gerenciamento de projetos para que estes possam ser utilizados como referencial teórico para a realização de 10 uma pesquisa empírica do nível de maturidade em gerenciamento de projetos da área de Tecnologia da Informação da Petrobras. O capítulo três apresenta a abordagem metodológica utilizada adotada na realização da dissertação que se constitui de um estudo de caso único onde os dados foram obtidos por meio da aplicação de questionários, pesquisa documental e observação direta. Em seguida, a pesquisa de campo realizada é apresentada e são descritas a forma de realização da pesquisa, a montagem da estrutura e a distribuição dos questionários. O capítulo quatro apresenta o caso estudado. O capítulo se inicia com a descrição da empresa Petrobras, apresentando a área de Tecnologia da Informação (TI) e como esta se insere no contexto da empresa. Ao final são apresentados a estrutura da TI e os fatores internos e externos que nos mostram a necessidade da adoção de uma gestão de projetos padronizada. O capítulo cinco apresenta os resultados da pesquisa empírica. São apresentados e interpretados os resultados obtidos e ao final com base no modelo utilizado como referência é analisado o nível atual de gerenciamento de projetos da TI. No capítulo seis é proposto o modelo de Escritório de Gerenciamento de Projetos mais adequado para TI a partir da identificação do nível atual de gerenciamento de projetos.. No capítulo sete são apresentadas as considerações finais do trabalho e no capítulo oito são apresentadas as sugestões para estudos futuros. 11 2 Referencial Teórico Este capítulo apresenta as principais características de um projeto, discute o conceito de sucesso e fracasso de um projeto, apresenta o conceito de estruturas funcionais, matriciais e projetizadas realizando uma comparação entre as mesmas, expõe as competências requeridas por um gerente de projetos, mostra os principais modelos de maturidade em gerência de projetos vigentes, discutindo suas origens e efetuando um comparativo entre os pontos convergentes e divergentes dos modelos e ao final apresenta as principais estruturas de escritório de gerenciamento de projetos indicadas na literatura. 2.1 Gestão de Projeto Quando falamos em projeto e gestão de projeto não estamos falando em algo recém-criado. A origem da gestão de projetos é bastante remota. Segundo Verzuh (2000), certamente, a construção das pirâmides e dos aquedutos da antiguidade necessitaram da habilidade de coordenação e planejamento de um gerente de projeto. Michelângelo na construção da Basílica de São Pedro enfrentou todos os problemas enfrentados atualmente por um gerente de projeto: especificações incompletas, mão-de-obra insuficiente, estouro de orçamento e uma pressão constante de um cliente bastante influente. Thiry-Cherques (2002) afirma que existem relatos sobre projetos realizados há pelo menos 6000 anos na Mesopotâmia. Somente a partir da 2a Guerra Mundial a disciplina de gestão de projetos, como a conhecemos atualmente, passou a ser difundida principalmente nos programas de defesa militar americanos. Segundo Verzuh (2000), o projeto Manhattan, para construção da primeira bomba atômica, é normalmente reconhecido como o primeiro projeto a utilizar as 12 modernas técnicas de gestão de projetos. Para o autor, apenas recentemente a gestão de projetos ultrapassou os limites tradicionais dos grandes projetos de construção civil e da indústria aeroespacial. Atualmente a disciplina encontra-se presente em todas as áreas, desde planos de saúde às indústrias, dos projetos de software a projetos de recursos ambientais. O que pode ser definido como projeto? Existem várias definições para projeto. Seu conceito vem sendo aprimorado ao longo dos anos. Uma das primeiras definições foi apresentada por Davis (1951 apud Cleland & Ireland 2002). O autor define projeto como: “qualquer empreendimento que tenha objetivos claros e definidos que representem valores específicos a serem usados para satisfazer alguma necessidade ou desejo”. Kerzner (2001a) já apresenta uma definição mais apurada. Segundo ele, um projeto é considerado como uma série de atividades ou tarefas multifuncionais, possuindo um objetivo específico a ser completado, dentro de um tempo definido, com prazos e recursos limitados. Para ThiryCheques (2002), um projeto é definido como sendo uma organização transitória, que compreende uma seqüência de atividades dirigidas à geração de um produto ou serviço único em um tempo dado. Por sua vez, o Project Management Institute, PMI (2004b), define um projeto como sendo um esforço temporário empreendido para criar um produto ou serviço único e o gerenciamento de projetos pode ser definido como a arte de coordenar as atividades com o objetivo de atingir as expectativas dos clientes. Similarmente, a norma ISO 10006 (2000) define um projeto como sendo “um processo único, consistindo de um grupo de atividades coordenadas e controladas com datas de início e término, empreendido para um objetivo conforme requisitos específicos, incluindo limitações de tempo, custo e recursos”. Podemos 13 notar que todas estas definições são similares e que um projeto possui três características essenciais: possui um objetivo, produz um resultado único e contém início e fim estabelecidos. Como um projeto consiste em um grupo de atividades coordenadas, que para atingirem os objetivos definidos ocorrem em uma ordem determinada, podemos dizer que as atividades de um projeto estão compreendidas em um ciclo de vida, que pode ser dividido em diversas fases. Maximiano (1997) divide o ciclo de vida de um projeto em quatro fases: preparação, estruturação, desenvolvimento e encerramento. Cleland & Ireland (2002), por sua vez, dividem o ciclo de vida de um projeto em cinco fases: conceituação, definição, produção ou construção, operacional e desinvestimento. O PMI em seu documento de referência para gerência de projeto, The Guide of Project Management Body of Knowledge (o Guia PMBoK ), não indica uma nomenclatura específica para as diversas fases de um ciclo de vida. Segundo este guia (2004b), as peculiaridades de cada projeto é que irão determinar as melhores escolhas para a divisão. A Figura 1 apresenta um exemplo de ciclo de vida genérico de um projeto. 14 Figura 1. Exemplo genérico de um ciclo de vida FASES Fonte: PMI (2004b:39) Segundo o PMBoK (2004b), independentemente do número de fases de um ciclo de vida de um projeto, durante o mesmo, seus custos e recursos não são uniformemente distribuídos. A Figura 2 apresenta como os custos e recursos de um projeto são distribuídos durante a ocorrência deste. Figura 2. Distribuição de custos e recursos ao longo de um projeto. Fonte: PMI (2004b: 36) 15 Podemos ver que no início do ciclo, os custos e a quantidade de pessoas envolvidas são bastante baixos, mas o nível de risco e de incerteza é bastante alto, pois o risco do projeto não atingir os objetivos especificados é maior neste período. Nesta fase a capacidade das partes interessadas de interferir nas características requeridas ainda é bastante alta. À medida que o projeto vai sendo desenvolvido, aumenta-se o número de pessoas envolvidas e os custos, devendo-se reduzir as incertezas e as mudanças nos requisitos especificados. Ao final do projeto, os custos e a quantidade de pessoas envolvidas se reduzem drasticamente. (PMI, 2004b) Segundo Patah (2004), a incerteza e complexidade inerentes aos projetos também são questões fundamentais para se entender o conceito. Para Maximiano (1997), os projetos desenvolvem-se naturalmente em um ambiente de complexidade e incerteza. Segundo o autor, os projetos podem ser divididos em quatro grandes categorias segundo a incerteza e complexidade. Quanto maior o grau de desconhecimento, maior a incerteza e o risco associado. A complexidade de um projeto pode ser avaliada, entre outros aspectos, através da multidisciplinaridade necessária a execução do mesmo, diversidade e volume das informações e número de organizações envolvidas. A Figura 3 apresenta as quatro grandes categorias de projetos. 16 Figura 3. Quatro categorias de projeto Fonte: Maximiano (1997:27) Face ao apresentado, podemos notar que existem vários fatores como custos, recursos, prazos e riscos que devem ser analisados ao se realizar um projeto. O Guia PMBoK compreende os elementos da gerência de projetos. Ele é estruturado por áreas de conhecimento, mas possui uma orientação por processos. Segundo o PMBoK (2004b), o gerenciamento de projetos significa aplicação do conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de atender ou superar as expectativas que os stakeholders1 possuem no projeto e é realizado através da aplicação e integração dos seguintes processos de gerenciamento de projetos: iniciação, planejamento, execução, Stakeholders: todos os agentes que contribuem para o desempenho da organização; por exemplo: funcionários de todos os níveis, acionistas, clientes, comunidades, governos federal, estadual e municipal (Cleland & Ireland, 2002, p.2) 1 17 monitoramento e controle, e encerramento. No processo de iniciação é estabelecida a base do projeto, com a definição dos recursos, stakeholders e é obtido o compromisso dos envolvidos para o desenvolvimento do projeto. No processo de planejamento é desenvolvido um plano com o objetivo de orientar a execução, o controle e o encerramento do projeto. Este plano é composto de atividades interligadas tendo como ênfase o cumprimento das metas acordadas. O processo de execução compreende a execução das atividades descritas no plano, coordenando os recursos do projeto, humanos e materiais, necessários para o cumprimento das tarefas. O processo de monitoramento e controle compreende o acompanhamento do desempenho das atividades do projeto com o objetivo de medir se o que está sendo realizado está de acordo ao que foi planejado e o cumprimento, se necessário, de ações corretivas para adequação da realização ao planejamento. Por fim, o processo de encerramento compreende as atividades de encerramento do projeto com a conclusão formal do mesmo mediante a aceitação do produto desenvolvido pelos clientes. A Figura 4 mostra a interligação entre os processos: 18 Figura 4. Interligação entre os processos de gerenciamento de projeto Fonte: PMBoK (2004b:56) O Guia PMBoK está dividido em nove áreas de conhecimento, são elas: integração, escopo, tempo, custo, qualidade, recursos humanos, comunicações, riscos e aquisições. (PMI, 2004b) A gerência de integração descreve os processos que asseguram a coordenação dos diversos elementos de gerenciamento de projetos de modo que as áreas estejam integradas de forma única. A gerência de escopo deverá assegurar que apenas o trabalho necessário para desenvolver os requisitos especificados pelo cliente esteja sendo executado, impedindo a realização de tarefas desnecessárias. 19 Para que um projeto seja finalizado dentro do prazo e custo previsto, devem ser realizadas respectivamente, as gerências de tempo e custo. Estas duas gerências estão intimamente relacionadas com a gerência de escopo, pois uma alteração em um requisito, provavelmente acarretará a alteração no prazo, podendo impactar em maiores custos para o projeto. A gerência de qualidade deve garantir que as necessidades que originaram o desenvolvimento do projeto sejam completamente satisfeitas. Em outras palavras, a gerência de qualidade deve garantir que o resultado produzido pelo projeto atenda satisfatoriamente ao cliente. A gerência de recursos humanos deve assegurar o aproveitamento dos participantes da equipe do projeto de maneira mais eficaz, ressaltando suas habilidades e competências. Segundo Thiry-Cherques (2002), a gerência de comunicações é responsável por promover os meios necessários à interação entre as pessoas e instituições envolvidas no projeto. Ela compreende a coleta, armazenamento e disponibilização de forma adequada das informações e idéias. O PMBoK (2004b) define risco como sendo como um evento ou condição incerta que se ocorrer pode proporcionar um resultado positivo ou negativo em pelo menos um dos objetivos do projeto. Devido a isso, a gerência de riscos é de fundamental importância, devendo identificar, analisar, mitigar e responder aos riscos do projeto. 20 A gerência de aquisições deve realizar a aquisição de serviços, produtos ou resultados de organizações externas àquela que desenvolve o projeto. Segundo o PMBoK (2004b), esta gerência deve garantir que todos os fornecedores de produtos, serviços ou resultados façam suas entregas dentro do prazo e condições estipuladas contratualmente. Deve se ressaltar que para o PMI, o guia PMBoK é um documento de referência que identifica um conjunto de conhecimento em gerenciamento de projetos. Ele tem como objetivo padronizar termos e procedimentos para que os gerentes de projetos possam ser orientar nas práticas mais comuns, porém segundo o guia, somente a equipe de projeto é responsável por determinar o que é adequado a um projeto específico. Após definirmos o que é um projeto, o item a seguir apresenta como se define o sucesso ou o fracasso de um projeto e os fatores que contribuem para que um projeto seja considerado ou não bem-sucedido. 2.2 Sucesso e Fracasso em Projetos Segundo Cleland & Ireland (2002), a dificuldade em se definir sucesso ou fracasso vem da própria dificuldade em se definir o significado dessas palavras. Para os autores, no contexto de projetos, o sucesso de um projeto ocorre quando a entrega do mesmo acontece no prazo certo, dentro do orçamento previsto e adequado estratégica ou operacionalmente à missão, aos objetivos e metas da organização. O fracasso acontece quando ocorre a situação inversa, ou seja, os resultados esperados não são alcançados. Patah (2004), similarmente, define o sucesso de um projeto como o atendimento do objetivo determinado para o 21 mesmo, com os recursos orçamentários e o tempo destinados conforme o plano elaborado para o projeto. Para o autor, um projeto pode ser considerado como um fracasso quando não foi possível cumprir o que foi planejado e acordado. Em outras palavras, quando não foi possível atender as necessidades dos stakeholders explicitadas nos objetivos do projeto. Kerzner (2001a) e Pinto & Slevin (1998) destacam que as definições iniciais de sucesso no contexto de gerência de projetos eram voltadas para atender aos requisitos internos de prazo, custo e qualidade, chamada pelos autores de tripla restrição. Não havia preocupação com a satisfação do cliente, o principal afetado pelos resultados produzidos pelo projeto. Com o aumento da competitividade do mercado, o consumidor tornou-se mais exigente. Consequentemente a satisfação do cliente passou a ser um dos pilares fundamentais, a quarta restrição, para a identificação do sucesso ou fracasso de um projeto, levando a definição de sucesso existente atualmente. Para Kerzner (2001a), o sucesso de um projeto não pode ser definido como um ponto. Ou em outras palavras, um projeto não pode ser considerado como um sucesso somente quando ele atender completamente as expectativas de todas as partes integrantes, no prazo e custo estabelecido e com a qualidade esperada. Poucos projetos são completados sem alterações no seu escopo e consequentemente sem mudanças de expectativas. O autor defende que o sucesso de um projeto deve ser definido como um cubo, podendo ser considerado como um sucesso se conseguir atender a uma grande parte das expectativas das partes interessadas. A figura 5 apresenta como o sucesso, segundo Kerzner, deve ser definido. 22 Figura 5. “Sucesso deve ser um cubo em vez de um ponto” Custo Qualidade ou escopo Tempo Fonte: Kerzner (2001a:63) Do mesmo modo, o PMI (2002) observa que o sucesso ou fracasso de um projeto pode ser percebido de maneiras distintas pelas diversas partes integrantes do projeto e que apesar da percepção poder variar, esta depende fortemente do grau de alcance dos objetivos esperados. Por exemplo, pode existir um projeto que apesar de ter ultrapassado os prazos e custos estabelecidos, ainda assim ser considerado um sucesso pelo cliente, pois produziu os resultados esperados. Existem alguns fatores que podem evidenciar e outros que podem contribuir para o sucesso ou fracasso de um projeto. Alguns fatores como o cumprimento do trabalho de acordo com o prazo e orçamento previsto, cumprimento do resultado global e atendimento das expectativas dos stakeholders evidenciam o sucesso de um projeto. Outros fatores como planejamento detalhado de todas as fases do projeto e um 23 acompanhamento e controle adequado dos recursos destinados ao mesmo contribuem para o sucesso do mesmo. Por sua vez, fatores como não adequação à missão ou objetivos da empresa ou não atendimento das necessidades explicitadas evidenciam o fracasso de um projeto. Cleland & Ireland (2002) ressaltam que para se determinar o sucesso ou fracasso, algumas medidas de desempenho, como por exemplo comparações entre os custos planejados e reais de todas as atividades completadas, devem ser realizadas durante o desenvolvimento do projeto para que possa haver uma comparação com o resultado previsto. Pinto & Slevin (1998) partiram do pressuposto de que o sucesso de um projeto depende do atendimento as quatro restrições citadas acima e estabeleceram um modelo de dez fatores críticos de sucesso, são eles: 1. Objetivos do projeto claramente definidos e compreendidos tanto pela equipe do projeto quanto pela organização onde o projeto será realizado; 2. Suporte da gerência executiva; 3. Planejamento detalhado do projeto; 4. Participação do cliente no projeto; 5. Equipe do projeto com as habilidades e competências necessárias. Responsabilidade e papéis bem definidos; 6. Assegurar que a equipe do projeto tenha a tecnologia necessária para realizar suas atividades; 7. Aprovação dos resultados do projeto pelo cliente; 8. Monitoramento e controle dos recursos do projeto; 24 9. Comunicação adequada entre as partes integrantes do projeto: equipe do projeto, clientes e organização; 10. Diagnosticar e corrigir problemas que possam vir a ocorrer no decorrer do projeto; Segundo Kerzner (2002), apesar de alguns fatores críticos de sucesso serem genéricos, as empresas devem definir seus próprios fatores críticos de sucesso. Em outras palavras, cada empresa deve possuir sua própria definição de sucesso que deve estar relacionada ao seu ambiente de negócio. Para Patah (2004), uma forma de diminuir as chances de fracasso de um projeto é verificar, tão logo comece a ocorrer, a impossibilidade de atender às necessidades explicitadas no início do projeto. Verificar somente ao final do projeto pode ser muito tarde, aumentando a chance de fracasso do mesmo. Similarmente, Kerzner (2001a) destaca que um fracasso pode se tornar um sucesso se for descoberto cedo o bastante, de modo que os recursos designados para o projeto possam ser redistribuídos para outras atividades mais oportunas. 2.3 Tipos de estruturas organizacionais Kerzner (2001a) define organização ou estrutura organizacional como sendo um grupo de pessoas que precisam coordenar suas atividades de modo que possam atender aos objetivos da organização. Segundo o autor, as rápidas mudanças que vêm ocorrendo no ambiente como aumento da competitividade, avanços tecnológicos e uma exigência de um maior controle de recursos produziu, nos últimos trinta anos, uma revolução na introdução e desenvolvimento de novas estruturas organizacionais. Similarmente, Morgan (1996) 25 apresenta o conceito de organizações como sistemas abertos, ou seja, sujeitas às influências do ambiente onde estão inseridas. Por estes motivos surgiu a necessidade das empresas de possuírem uma organização mais flexível, mais dinâmica que possa responder rapidamente as mudanças ocorridas no ambiente. Segundo Patah (2004), as estruturas matriciais e projetizadas surgiram como alternativas a rígida estrutura organizacional funcional A estrutura matricial é uma combinação da estrutura funcional e projetizada e pode ser classificada em matricial fraca, equilibrada ou forte. Kerzner (2001a) destaca que não existe um tipo ideal de estrutura organizacional, existem sim, estruturas apropriadas e não-apropriadas. Ou, em outras palavras, as estruturas devem ser apropriadas aos objetivos da organização. 2.3.1 Estrutura funcional As estruturas funcionais existem há mais de dois séculos. Neste tipo de estrutura, as pessoas são agrupadas em funções ou processos de trabalho similares sendo a autoridade exercida principalmente pelos gerentes funcionais. Daft (1999) ressalta que são aplicáveis em ambiente estáveis com baixa incerteza, sendo suas atividades rotineiras e com baixa interdependência. Nos últimos anos devido as constantes alterações ambientais, estas passaram a ser questionadas principalmente devido à dificuldade em responder rapidamente a mudanças. Na estrutura funcional, os projetos são desenvolvidos dentro de um dos 26 departamentos técnicos da empresa. A figura 6 apresenta um exemplo de estrutura funcional. Figura 6. Exemplo de estrutura funcional Fonte: adaptado de Kerzner (2001a) As principais vantagens desta estrutura no contexto de gerenciamento de projetos são o controle centralizado de orçamento e custo e grande flexibilidade e disponibilidade no uso de recursos humanos necessários ao projeto. Como o projeto é desenvolvido dentro de um departamento técnico da empresa, tendo o gerente funcional do departamento responsável pelo mesmo, os funcionários participantes da equipe do projeto são lotados no próprio departamento, reportando-se com isso a somente uma pessoa. Por um outro lado, existe uma dificuldade de responsabilização pelo resultado do projeto, pois apesar do gerente funcional ser o responsável pelo mesmo, esta não é sua única função tendo com isso dificuldade de acompanhar todas as atividades do projeto. Não é delegada a nenhum funcionário a responsabilidade total pelo projeto. Uma outra desvantagem é que os departamentos onde os projetos são desenvolvidos não possuem foco no cliente priorizando 27 as decisões técnicas. Com isso existe uma dificuldade em responder rapidamente às necessidades do cliente. Por último, apesar dos canais de comunicação serem verticais e bem estabelecidos, existe uma dificuldade de integração de atividades entre áreas funcionais distintas pois os gerentes funcionais tendem a ter problemas em ceder seus recursos tendo que haver uma intervenção dos níveis hierárquicos superiores. Kerzner (2001a) ressalta que apesar das desvantagens apresentadas, a estrutura funcional pode funcionar a contento desde que as áreas funcionais se conscientizem em fornecer os recursos necessários para a execução das atividades e que a pessoa designada como gerente de projeto possua a autoridade e responsabilidade necessárias para que não hajam conflitos com os gerentes funcionais das áreas dos recursos solicitados. 2.3.2 Estrutura projetizada Segundo Patah (2004), nos últimos anos, as empresas, devido as constantes demandas do mercado consumidor por novos produtos, atentaram para o fato de que a diversificação de sua linha de produtos era fundamental para sua sobrevivência. Esta diversificação tem como premissa a integração de tecnologias distintas e um rápido ciclo de desenvolvimento de produtos desde sua concepção até a entrada no mercado. Neste cenário, surgiu a necessidade de uma estrutura mais ágil que possibilitasse uma maior integração entre tecnologias e áreas. Esta estrutura seria a estrutura projetizada. Segundo Kerzner (2001a), a maior vantagem da estrutura projetizada é que somente um indivíduo, o gerente de projeto, mantém autoridade completa sobre o projeto como um 28 todo. A principal desvantagem neste tipo de estrutura é que a organização é replicada para cada projeto podendo haver duplicidade de esforços e dificuldade de comunicação entre pessoas de projetos distintos, apesar dos canais de comunicação dentro do projeto serem bastante eficazes possibilitando respostas rápidas a mudanças que possam ocorrer no decorrer do mesmo. A figura 7 apresenta uma estrutura do tipo projetizada. Figura 7. Exemplo de estrutura projetizada Fonte: Patah (2004:53) Outra vantagem desta estrutura é que ela é estruturalmente mais simples e flexível que a estrutura funcional podendo ser implantada mais rapidamente. Além disso, todos os participantes do projeto encontram-se sob a responsabilidade de uma única pessoa: o gerente de projeto. Como a estrutura é criada para o projeto, existem menos conflitos entre as áreas, permitindo que a alta gerência executiva tenha mais tempo para tomada de 29 decisões. Apesar do número de conflito entre as áreas ser menor, existe uma baixa troca de informações entre as mesmas desperdiçando com isso oportunidades de um maior intercâmbio técnico. Outra desvantagem é que um especialista, uma pessoa com conhecimentos específicos, tende a ser alocado em um projeto quando está disponível e não quando é necessário. Sendo com isso retido no mesmo por um tempo maior que o necessário. 2.3.3 Estrutura matricial Segundo Kerzner (2001a), a estrutura matricial é uma tentativa de combinar as vantagens da estrutura projetizada e da estrutura funcional. Esta estrutura existe em paralelo a estrutura funcional sob a responsabilidade dos gerentes funcionais. São criadas equipes de projeto com representantes das diversas áreas funcionais pertinentes sob a responsabilidade do gerente de projeto. O gerente de projeto tem a total responsabilidade pelo sucesso do mesmo enquanto que as gerências funcionais são responsáveis por disponibilizar os recursos, humanos ou técnicos, necessários ao sucesso do projeto. Os membros da equipe do projeto são lotados nas gerências funcionais e respondem tanto aos seus gerentes funcionais quanto ao gerente de projeto durante a duração do mesmo. A estrutura matricial pode se apresentar sob diversas formas. A primeira delas é a estrutura matricial fraca. Ela é mais parecida com a estrutura funcional e nela os gerentes funcionais possuem maior poder em comparação com o gerente de projeto. Outro tipo é a estrutura matricial forte. Este tipo de estrutura se aproxima mais da estrutura projetizada onde o gerente de projeto possui uma maior influência sobre os membros da equipe que os 30 gerentes funcionais. O terceiro tipo de estrutura é a estrutura matricial equilibrada onde o gerente de projeto e os gerentes funcionais possuem o mesmo nível de influência sobre os membros da equipe. A figura 8 apresenta uma estrutura do tipo matricial. Figura 8. Exemplo de estrutura matricial Fonte: Patah (2004:56) Um dos principais problemas que pode existir em uma estrutura matricial é o grande potencial de ocorrência de conflitos entre o gerente funcional e o gerente de projeto em relação a disponibilização de recursos. Segundo Kerzner (2001a), neste tipo de estrutura devem existir métodos eficientes de resolução de conflitos, pois esta pode consumir bastante tempo da gerência executiva e tanto os gerentes funcionais quanto os gerentes de projeto devem estar preparados para negociar os recursos necessários a um projeto. Uma vantagem é que existe um único responsável pelo projeto como um todo, o gerente de projeto, que com isso mantém um máximo controle sobre todos os recursos necessários ao 31 mesmo. Por outro lado, os funcionários participantes de equipes de projeto sentem dificuldades de se reportarem simultaneamente a vários gerentes. Kerzner (2001a) observa que os principais executivos de uma empresa normalmente temem implantar uma estrutura matricial por acharem que esta acarretará em mudanças radicais na estrutura organizacional da empresa. Segundo o autor, este temor não tem fundamento pois a estrutura matricial nada mais é do que uma superposição horizontal sobre a estrutura tradicional. Em outras palavras, a estrutura matricial nada mais é do que uma estrutura temporária que é criada no início do projeto e extinta ao término do mesmo. Por ser flexível pode ser implantada rapidamente. Ao contrário da estrutura tradicional que é uma estrutura permanente. Após serem explicados os principais tipos de estruturas organizacionais existentes no contexto de gerenciamento de projetos, o item a seguir apresenta a definição de gerente de projeto, suas principais atribuições e competências. 2.4 Competências em gerenciamento de projetos 2.4.1 O Gerente de Projeto Gaddis (1959) foi um dos primeiros autores a utilizar o termo gerente de projeto. Apesar de se referir somente a gerência de projetos de tecnologia avançada para a época, como projetos de eletrônica e aeronáuticos, o autor apresenta o gerente de projeto como sendo um profissional responsável por lidar com uma equipe de especialistas para entregar um produto final de acordo com o especificado dentro das limitações de prazo e custo. O autor 32 ressalta que as atividades exercidas pelo gerente de projeto são finitas e não repetitivas, ocorrendo somente durante o andamento do mesmo. Lawrence & Lorsch (1967) apesar de utilizarem o termo integrador, apresentam uma discrição similar do que vem a ser um gerente de projeto. Segundo os autores, após a 2a Guerra Mundial, as empresas tiverem que se especializar cada vez mais para atenderem a demanda do mercado por novos produtos. Com isso, surgiu a necessidade de uma nova função que seria responsável por integrar os diversos setores da empresa como produção, vendas e pesquisa quanto à criação de um novo produto. Esta pessoa seria a interlocutora entre estas diversas áreas, sendo responsável por tratar tanto dos problemas de relacionamento entre as áreas quanto dos problemas que poderiam vir a ocorrer no desenvolvimento de um produto como falta de padrão de qualidade, estouro de custo e prazo e outros. Crawford (1997) observa que os projetos estão se tornando cada vez mais complexos e multi-disciplinares com mais pessoas afetadas, ou stakeholders que no passado. Neste contexto, há um interesse crescente sobre competências em gerenciamento de projetos, pois é necessária uma pessoa com a competência de gerenciar projetos de diferentes tipos em um ambiente de constantes mudanças. Segundo a autora, este papel seria exercido pelo gerente de projetos. Para Menezes (2003), todo projeto deve ter uma pessoa para qual convirja toda a responsabilidade pelo conjunto de atividades a ser desempenhada e sua integração. Esta pessoa é o gerente de projeto que é o responsável pelos resultados parciais e globais do 33 projeto. O gerente de projeto é o interlocutor do cliente, sendo responsável por fornecer todas as informações necessárias e realizar as negociações, de prazo, custo e escopo, que por ventura possam vir a ocorrer durante o andamento do projeto. 2.4.2 O papel do Gerente de Projeto Para Gaddis (1959), o principal problema de qualquer projeto é a inter-relação entre a estrutura da organização e seus indivíduos. O gerente de projeto, com seu papel de integrador de áreas distintas, pode vir a ajudar a minimizar este problema desde que exista uma definição clara de sua autoridade e responsabilidade. Lawrence & Lorsch (1967) advertem que sem esta definição, o papel do gerente de projeto limita-se a um mero interlocutor entre as áreas, não conseguindo resolver os problemas que possam vir a ocorrer. Gaddis (1959) destaca ainda que o papel do gerente de projeto é bastante complexo, pois ele precisa conhecer tanto as funções administrativas quanto as funções técnicas, não devendo ser um especialista em nenhuma das duas. A Tabela 1 abaixo apresenta uma descrição do papel do gerente de projeto. 34 Tabela 1. Descrição do papel do Gerente de Projeto Descrição do papel do Gerente de Projeto Objetivos • Representação dos interesses do projeto • Garantia da realização dos objetivos do projeto • Coordenação da equipe do projeto Posição Organizacional • Reportar-se ao proprietário do projeto • Ser um membro da equipe do projeto Funções no processo de iniciação do projeto • Definição da equipe do projeto • Entendimento dos objetivos definidos para o projeto • Formalização do comprometimento de todos os envolvidos no projeto Funções no processo de planejamento do projeto • Desenvolvimento de um plano de projeto com a definição de papéis e responsabilidade de cada integrante da equipe • Avaliação dos riscos • Definição de como será realizada a comunicação dos resultados intermediários e finais do projeto. Funções no processo de execução do projeto • Distribuição dos recursos para a realização das atividades do projeto Funções no processo de coordenação e controle do projeto • Controle dos resultados das atividades e garantia da qualidade dos mesmos • Aprovação dos resultados • Determinação, juntamente com a equipe do projeto, da situação do mesmo • Gerenciamento das mudanças de escopo do projeto • Planejamento de um plano de ações corretivas • Preparação de relatórios de acompanhamento informando os resultados do projeto para todos os envolvidos Fonte: Adaptado de Gareis & Huemann (2000) Apesar da definição clara do papel do gerente de projeto, algumas pesquisas indicam que as empresas ainda estão longe de atingir a maturidade necessária ideal para seu desempenho efetivo. Crawford (1996), em uma pesquisa realizada em duas empresas da Austrália (uma empresa do setor de varejo e outra governamental), concluiu que a principal dificuldade continua sendo a falta de autoridade em proporção ao excesso de responsabilidade. Em outras palavras, o gerente de projeto possui um grande conjunto de responsabilidade, mas 35 não desfruta de autoridade suficiente. É interessante notar que isto ocorre, na pesquisa, tanto na empresa governamental que possui uma estrutura organizacional projetizada quanto na empresa do setor de varejo possuidora de uma estrutura organizacional funcional. 2.4.3 Competências do Gerente de Projeto As primeiras pessoas designadas como gerentes de projeto, no início dos anos 50, provavelmente não tinham todas as habilidades e competências necessárias para gerenciarem adequadamente um projeto. Gaddis (1959) já ressaltava que um gerente de projeto deveria ter um bom conhecimento de planejamento e ser flexível o bastante para ser adaptar as mudanças que poderiam ocorrer no decorrer do projeto. Somado a isso, o gerente de projeto deveria apresentar uma boa capacidade em lidar com pessoas. Ao longo dos últimos 50 anos, o nível de complexidade dos projetos foi aumentando, sendo necessárias novas competências. Segundo Klarsfeld (2000), competência pode ser definida como uma combinação de conhecimento, habilidades e comportamentos geradores de performance e atributos pessoais que contribuem para a melhoria da performance individual e dos resultados da organização. O conceito de competência surgiu a partir de uma separação do conceito de qualificação. Enquanto o conceito de qualificação vincula-se a um cargo sendo definido como os requisitos associados a ele, o conceito de competência vincula-se ao indivíduo. O PMI em seu Modelo de Desenvolvimento de Competências para Gerentes de Projeto (Project Manager Competency Development (PMCD) Framework), baseia-se na definição 36 de Parry (1998 apud PMI 2002) e define competência como “um grupo relacionado de conhecimento, habilidades, atitudes e outras características pessoais que: afetam a principal parte de um trabalho; são correlacionados a performance no trabalho; podem ser medidos a partir de padrões aceitos; podem ser aperfeiçoados através de treinamento e podem ser divididos em dimensões de competências”. O modelo PMCD desdobra competência em três dimensões, como se segue: § Conhecimento em Gerenciamento de Projetos – o que o indivíduo conhece sobre gerência de projetos. § Performance em Gerenciamento de Projetos – o que o individuo é capaz de fazer ou realizar ao aplicar seu conhecimento § Competências Pessoais – como o indivíduo se comporta ao realizar um projeto ou uma tarefa. A figura 9 apresenta a associação entre as três dimensões de competência propostas pelo modelo. 37 Figura 9. Associação entre as três dimensões de competência Fonte: PMI (2002:2) Segundo Kerzner (2001a), duas partes são importantes para o sucesso de um projeto: o gerente de projeto e a estrutura organizacional montada para o projeto. O modelo PMCD (PMI, 2002), do mesmo modo enfatiza que o sucesso de um projeto requer tanto a competência do gerente de projeto quanto a maturidade e capacidade da organização em gerência de projetos. A Figura 10 mostra que tanto as competências individuais do gerente de projeto quanto à maturidade da organização fornecem a base para o sucesso do projeto e que ambos são influenciados por diversas contingências e variáveis reguladoras. 38 Figura 10. Componentes para o sucesso de um projeto Fonte: PMI (2002:4) O que podemos concluir é que para o sucesso de um projeto deve existir uma interligação entre as competências individuais do gerente de projeto e a organização. Segundo Crawford (1999), pesquisas realizadas por Thamhain (1991 apud Crawford 1999), Pettersen (1991 apud Crawford 1999) e Einsedel (1987 apud Crawford 1999) mostram que o gerente de projeto não pode apenas ter um conhecimento nas disciplinas de gerência de projeto, ele deve também conhecer a tecnologia em que o projeto vai ser desenvolvido, a organização em que o projeto se localiza e o ambiente em que a organização opera. Com o objetivo de medir a maturidade e capacidade em gerência de projeto de uma organização, foram criados nos últimos anos, modelos de maturidade em gerenciamento de 39 projetos baseados no Capability Maturity Model (CMM). Com uma visão geral, serão apresentados alguns destes modelos. Ao final, será realizada uma análise comparativa dos modelos apresentados. 2.5 Modelos de Maturidade em Gerenciamento de Projetos Segundo Kerzner (2001a), a excelência em gerência de projetos somente é alcançada se a organização conseguir antes um alto nível de maturidade. Segundo o autor, somente o uso de metodologias de gerenciamento de projetos não é suficiente para alcançar esta excelência. Para Kerzner (2002), a maturidade em gestão de projetos é o desenvolvimento de sistemas e processos que são por natureza repetitivos e garantem uma alta probabilidade de que cada um deles seja um sucesso. O autor ressalta que sistemas e processos repetitivos não garantem por si só o sucesso em projetos apenas aumenta sua probabilidade. Cleland & Ireland (2002) observam que um modelo de maturidade tem como principal objetivo fornecer a estrutura para que se possa medir o grau de desenvolvimento da capacidade gerencial de um projeto e com isso orientar o desenvolvimento interno da capacidade de uma organização, comparando-a com seus concorrentes. Similarmente Kerzner (2001a) destaca que modelos ajudam as organizações a realizarem um planejamento estratégico de gerência de projetos ao mostrarem o nível em que a organização se encontra e sugerirem o que deve ser feito para alcançarem o nível desejado. Existem diversos modelos de maturidade em gerenciamento de projetos (Fincher & Levin, 1997; Kwak & Ibbs, 2002; Kerzner, 2001a; PMI, 2003). Todos se utilizam normalmente de 40 quatro ou cinco passos para medir a capacidade em gerenciamento de projetos de uma organização, tendo como origem o Capability Maturity Model (CMM) do Software Engineering Institute (SEI) da Carnegie Mellon University, EUA. 2.5.1 O Modelo CMM (Capability Maturity Model) O Modelo CMM foi criado, em 1986 pelo SEI com o patrocínio do Departamento de Defesa Americano, com o objetivo de aprimorar a capacidade das empresas no desenvolvimento de software. Segundo Paulk et al (1993), o CMM fornece uma orientação para as organizações de como controlar seus processos de desenvolvimento e manutenção de software. Sua estrutura foi inspirada no modelo de qualidade de Crosby (1979 apud Paulk et al, 1993) definido como Grid de Maturidade da Gerência de Qualidade (Quality Management Maturity Grid) . O modelo de maturidade de Crosby descreve cinco estágios ou níveis crescentes de adoção de práticas de qualidade. A Tabela 2 apresenta os cinco níveis do modelo de Crosby. Tabela 2. Grid de maturidade gerencial de Crosby Nível 1. Incerteza Definição Falta de interesse pela resolução de problemas de qualidade do produto desenvolvido e do processo 2. Despertar Reconhecimento da necessidade de se resolver os problemas e do valor dos processos para o negócio 3. Esclarecimento Início de estudo e capacitação em métodos para melhoria dos processos de trabalho 4. Sabedoria Valorização do processo de melhoria contínua, por meio da participação direta dos gerentes nas ações para melhoria dos processos. 5. Certeza Gerência do processo passa a ser considerada como parte essencial do trabalho. Fonte: Cleland & Ireland (2002) 41 Segundo Cleland & Ireland (2002), o modelo CMM utiliza a gerência de projetos dentro da sua estrutura para atingir um processo que possa ser repetido e com isso tentar obter resultados mais previsíveis. O modelo também possui cinco estágios ou níveis hierarquizados que podem ser resumidos segundo a tabela abaixo: Tabela 3. Modelo de Maturidade da Capacidade de Gerenciamento de Software Nível 1. Inicial Definição A estabilidade do processo é incerta podendo ser caótica. Existem poucos processos definidos e o sucesso é dependente de esforços individuais 2. Repetido Processos básicos de gerenciamento estão definidos principalmente os que dizem respeito a custo, tempo e funcionalidade. A disciplina do processo permite que sucessos anteriores sejam repetidos em novos projetos similares. 3. Definido Tanto o processo de gerenciamento quanto o processo de engenharia de software são documentados, padronizados e integrados a um processo padrão para desenvolvimento e manutenção de software. 4. Gerenciado São coletadas informações detalhadas do processo de software e da qualidade do produto, sendo estas informações entendidas e controladas. 5. Otimizado Um processo de melhoria contínua é possibilitado a partir de informações empíricas dos processos e de tecnologias e idéias inovadoras Fonte: Paulk et al (1993) 2.5.2 Modelo de Fincher & Levin O modelo de maturidade em gerenciamento de projetos de Fincher & Levin (1997 apud Cleland & Ireland, 2002) foi um dos primeiros modelos de maturidade adaptados para a gerência de projetos. Ele guarda bastante similaridade com o modelo CMM. A tabela abaixo apresenta os cinco níveis de maturidade do modelo. 42 Tabela 4. Modelo de Maturidade em Gerenciamento de Projeto – Fincher & Levin Nível 1- Inicial Definição Não existe um processo definido. O trabalho é realizado na medida em que é necessário. O sucesso do projeto depende de esforços individuais. Não existe uma metodologia formal de gerência de projetos. 2- Repetível Os membros da equipe do projeto recebem treinamento sobre os elementos fundamentais da gerência de projeto e sobre áreas de conhecimento ou habilidades correlatas. Existe uma metodologia que é aplicada. Enfatiza-se a reprodução do processo de modo a assegurar que o resultado do trabalho seja repetido. 3 – Definido Todas as áreas de gerência do projeto são definidas e os processos são documentados. Práticas de gerência de projetos são coletadas e utilizadas para aumentar a eficiência e eficácia do projeto 4 – Gerenciado O processo de gerência de projetos é medido e controlado. As dificuldades do projeto são antecipadas pela gerência e soluções são encontradas antes que os obstáculos exerçam um grande impacto sobre o projeto 5 – Otimizado Enfoque no aprimoramento do projeto e nos ajustes finais da metodologia buscando se adequar ao ritmo das mudanças tecnológicas. Os processos são utilizados adequadamente. Todos os empregados estão treinados e desempenhando suas funções dentro dos mais altos níveis de competência Fonte: Fincher & Levin (1997) apud Cleland & Ireland (2002:295) Fincher & Levin (1997 apud Cleland, 2002) ao contrário de outros autores defendem a idéia de que não é necessário que todas as organizações busquem o mais alto nível de maturidade para serem eficazes. Os autores sugerem que toda organização deve encontrar a melhor combinação de competências que seja mais adequada a seus objetivos. Ou em outras palavras, devem avaliar a relação custo-benefício de alcançar o nível mais alto de maturidade. 43 2.5.3 Modelo de Maturidade em Processos de Gerenciamento de Projetos (Project Management Process Maturity Model) – (PM)2 - modelo de Berkeley O modelo (PM)2 de Kwak & Ibbs (2002) foi desenvolvido a partir de uma pesquisa realizada pelos autores em 2000 com empresas de diversos setores como Engenharia e Construção Civil, Telecomunicações e Sistemas de Informação. Este modelo é similar aos modelos de Fincher & Levin (1997 apud Cleland, 2002) e Kerzner (2001b) e segue uma abordagem incremental que se inicia com uma metodologia não-sofisticada ou inexistente até um nível de maturidade sofisticado para os processos de gerência de projetos. Os autores detalham os cinco níveis de maturidade para cada uma das nove áreas de conhecimento e cada uma cinco fases do ciclo de vida do projeto, conforme abordagem do PMI (2004b). Este detalhamento permite uma análise dos pontos fracos e fortes de uma organização em áreas específicas da gerência de projeto. A partir desta análise, a organização pode definir em quais áreas deve se ater para alcançar um maior nível de maturidade. Os cinco níveis do modelo são apresentados na tabela abaixo. 44 Tabela 5. Níveis de maturidade do modelo (PM)2 de Kwak & Ibbs Nível 1- Ad-hoc Definição Os processos de gerência de projetos são básicos, não sendo avaliados consistentemente. As informações do projeto não são coletadas e analisadas. 2- Planejado O planejamento do projeto é individual. São definidos processos informais, problemas são identificados e dados são coletados 3- Gerenciado no Planejamento formal de projeto e sistemas de controle são nível de projeto utilizados. 4 – Gerenciado no Planejamento e controle integrados. Surge o conceito de nível da gerenciamento de programas (vários projetos gerenciados organização paralelamente). Os dados do projeto são quantitativamente analisados, medidos e armazenados. 5- Aprendizagem Processos de gerenciamento de projeto são continuamente contínua aperfeiçoados. Todos os processos são totalmente compreendidos. Os dados de gerência de projeto devem ser otimizados e guardados. Fonte: Kwak & Ibbs (2002) 2.5.4 Modelo de Maturidade de Kerzner Kerzner (2001a) ao apresentar seu modelo ressalta que a conquista da excelência em gerência de projetos só acontece com o reconhecimento por parte das empresas de que o planejamento estratégico para gerência de projetos é essencial e que os gerentes de nível médio são os principais responsáveis pela execução da estratégia planejada. O autor ressalta que estes devem ser auxiliados pela alta gerência de forma a garantir que não ocorram mudanças indesejadas na cultura corporativa. Os cinco níveis do modelo de maturidade de Kerzner são apresentados na tabela abaixo: 45 Tabela 6. Níveis de maturidade de Kerzner Nível 1- Linguagem comum Definição A empresa reconhece a importância e necessidade de utilizar e conhecer as técnicas de gerência de projetos para se chegar a uma linguagem comum 2- Processos A necessidade da definição e desenvolvido de processos comuns comuns de forma a repetir sucessos ocorridos em projetos anteriores é reconhecida. Além disso, verifica-se que a metodologia de gerenciamento de projetos pode ser aplicada a outras metodologias utilizadas pela empresa 3- Metodologia A gerência de projetos é utilizada como metodologia única centralizadora. A empresa reconhece os efeitos sinérgicos de combinar todas as metodologias em uma única. 2 4 – Benchmarking A empresa reconhece que é necessário o aprimoramento dos processos para se manter uma vantagem competitiva. Para isso a empresa define quem e o que deverá ser monitorado para a realização de análises comparativas. 5- Melhoria Constantes avaliações dos dados obtidos com o benchmarking para contínua decidir quais as informações irão agregar valor à metodologia utilizada. Fonte: Kerzner (2001a:1045-1049) Kerzner (2001a) destaca que quando se fala sobre níveis de maturidade normalmente se pensa que o processo deve ser realizado sequencialmente. Segundo o autor, isto não é necessariamente verdade. Alguns níveis podem ser sobrepostos. A extensão da sobreposição depende da quantidade de riscos que organização deseja suportar. Porém a ordem que os níveis devem ser completados não pode ser alterada. O autor não recomenda a sobreposição dos níveis 2 e 3, uma vez que para uma metodologia ser considerada única outras devem ser abandonadas e isso não pode ser realizado sem a consolidação de processos. Ao alcançar o nível 5, deve-se sempre retornar ao nível 3 e 4 de forma a se ter Benchmarking - processo de comparação constante das práticas de uma organização com as práticas de outras organizações com o objetivo de obter informações que possam aperfeiçoar a performance da organização (Kerzner, 2001b) 2 46 um ciclo de melhoria continua. A figura 11 apresenta um diagrama com os níveis de maturidade e suas interações. Figura 11. Níveis de maturidade e suas interações Fonte: Silva (2003:25) Segundo Kerzner (2001a), existem riscos em cada nível do modelo. A criticidade do risco é frequentemente associada ao impacto na cultura corporativa. Para o autor, o nível 3 é o que apresenta maiores dificuldades de ser alcançado pois requer as maiores mudanças na cultura corporativa. Os níveis 1 e 2 apresentam graus médios de dificuldade e os níveis 4 e 5 apresentam baixo grau de dificuldade para serem alcançados. 47 2.5.5 O Modelo do PMI – Organization Project Management Maturity Model (OPM3) Em maio de 1998, o PMI iniciou o programa Organization Project Management Maturity Model (OPM3) com o objetivo criar um modelo de maturidade de gerenciamento de projetos que servisse como referência e ajudasse as organizações a alinhar diversos aspectos de suas operações com suas estratégias de negócio. Segundo o PMI (2003), a aplicação do OPM3 auxilia as empresas a estabelecer políticas e processos padrões para assegurar que suas operações estão consistentes com seus objetivos estratégicos. O modelo OPM3 foi intencionalmente projetado sem o sistema de níveis de maturidade existentes em outros modelos. A progressão do aumento da maturidade dentro do OPM3 consiste de várias dimensões ou diferentes maneiras de se observar à maturidade de uma organização. Para o PMI (2003), múltiplas perspectivas para avaliar a maturidade permitem flexibilidade em se aplicar o modelo às unicidades de uma organização. O modelo OPM3 possui três dimensões a saber: o domínio do gerenciamento, o estágio do processo de aperfeiçoamento e os processos de gerenciamento de projetos. O domínio do gerenciamento refere-se ao nível de gerenciamento de projetos de uma organização. O gerenciamento pode ocorrer em três níveis: Projeto, Programa ou Portfolio. Segundo o PMI (2003), programa é definido como sendo um grupo de projetos relacionados gerenciados de uma forma coordenada para obter benefícios e controles que não seriam possíveis de serem obtidos individualmente. Portfolio, no contexto de gerenciamento de projetos, é definido como uma coleção de projetos e programas que são agrupados juntos com o intuito de facilitar o gerenciamento efetivo, de forma a alcançar os 48 objetivos estratégicos. Os projetos e programas de um porfolio não são necessariamente dependentes ou relacionados. O estágio do processo de aperfeiçoamento se refere à escala seqüencial de aperfeiçoamento: Padronização, Medição, Controle e Melhoria Contínua. A seqüência implica em uma inter-relação entre os estágios em que o estágio mais avançado Melhoria Contínua é dependente do estágio anterior e assim por diante. A última dimensão se refere aos processos de gerenciamento de projetos definidos no Guia PMBoK: Iniciação, Planejamento, Execução, Monitoramento e Controle e Finalização. A maturidade organizacional em gerenciamento de projetos é descrita pelo OPM3 através da existência de Melhores Práticas (Best Practices). Melhor Prática é definida no modelo como um modo ideal reconhecido pela indústria de alcançar uma determinada meta ou objetivo. Elas se estendem por diversas categorias como: • Padronização e integração de Métodos e Processos; • Desempenho e Métricas enfatizando os aspectos do trinômio prazo-custo-qualidade; • Comprometimento com procedimentos de gerenciamento de projetos; • Priorização de Projetos e Alinhamento Estratégico; • Melhoramento contínuo; • Estabelecimento de critérios de sucesso para continuar ou terminar projetos; • Desenvolvimento de competências em gerenciamento de projetos; • Alocação adequada de recursos em projetos respeitando os projetos prioritários; • Apoio Organizacional para Projetos; • Aperfeiçoamento do trabalho em equipe; 49 O OPM3 possui 586 melhores práticas. Cada melhor prática é mapeada no modelo em uma ou mais dimensões. Ou seja, o modelo apresenta onde a melhor prática se encontra dentro dos domínios do gerenciamento de projeto, programa ou portfolio e em qual estágio do processo de aperfeiçoamento. Cada melhor prática é composta por duas ou mais Capacidades. Capacidade é definida pelo modelo como sendo uma competência específica que deve existir na organização para que a mesma possa executar processos de gerenciamento de projetos e criar produtos e serviços. A existência de uma dada capacidade na organização é demonstrada através de um ou mais Resultados. Resultados são definidos como conseqüências tangíveis ou intangíveis da aplicação de uma Capacidade. Uma Capacidade pode ter múltiplos resultados. Resultados podem ser verificados através de Indicadores Chave de Desempenho. Indicadores Chave de Desempenho são definidos pelo modelo como sendo critérios através dos quais a organização pode determinar quantitativamente ou qualitativamente se um Resultado associado a uma Capacidade existe e em que grau. O modelo OPM3 é dividido em três elementos interligados: • Conhecimento – Relacionado com as melhores práticas e como utilizar o modelo; • Avaliação – Métodos de avaliação das melhores práticas e capacidades; • Melhoria – Define a seqüência de capacidades a serem desenvolvidas agrupadas as melhores práticas. O ciclo de aplicação do modelo em uma organização é composto por cinco passos: Preparação para Avaliação, Avaliação, Planejamento das Melhorias, Execução das 50 Melhorias e Repetição do Processo. A figura abaixo mostra como os passos do ciclo se inserem dentro dos três elementos. Figura 12. Ciclo do OPM3 Fonte: adaptado de PMI (2003:25) A primeira versão do modelo OPM3 só foi liberada pelo PMI em Setembro de 2003, cinco anos após o início do programa. É um modelo recente não sendo encontrados ainda estudos sobre sua aplicação em organizações. Pennypacker & Grant (2003) verificaram, em uma pesquisa realizada com empresas de quatro diferentes setores da indústria americana, que 67% das organizações pesquisadas ainda estão no nível maturidade 2, independente do tamanho e do setor específico. No 51 Brasil, os Estudos de Benchmarking em Gerenciamento de Projetos realizados pelo PMI – Seção Rio de Janeiro em 2003 com 60 empresas e em 2004 com 73 empresas de diversos setores da indústria brasileira como Construção Civil, Petróleo e Gás e Tecnologia da Informação verificaram que as empresas brasileiras ainda estão em um nível de maturidade baixo com um melhor desempenho nas empresas do setor de Construção Civil. Por um outro lado, grande parte das empresas percebe de forma clara os benefícios da gerência de projetos, acreditando que ainda tem um longo caminho a percorrer. 2.5.6 Uma Análise Comparativa dos Modelos A Tabela 7 apresenta uma análise comparativa dos modelos apresentados. Tabela 7. Resumo da evolução dos modelos de maturidade. Ano Autor 1979 Crosby 1- Incerteza N Í V E I S 2- Despertar 3-Esclarecimento 4- Sabedoria 5- Certeza 1986 Paulk et al (CMM) 1-Inicial 1997 Fincher & Levin 1-Inicial 2001 2002 Kerzner Kwak & Ibbs (PMMM) (PM)2 1-Linguagem 1 –Ad hoc Comum 2-Repetido 2-Repetível 2-Processos 2- Planejado Comuns 3-Definido 3-Definido 3-Metodologia 3-Gerenciado no nível de projeto 4444-Gerenciado Gerenciado Gerenciado Benchmarking no nível da organização 5-Otimizado 5-Otimizado 5-Melhoria 5Contínua Aprendizagem contínua Além disso, podemos avaliar resumidamente as principais características dos modelos apresentados: 52 Tabela 8. Características dos modelos de maturidade apresentados Crosby • Baseado nos princípios da qualidade do produto Inclui o envolvimento das pessoas no processo de gerência da qualidade • Base para outros modelos de maturidade CMM • Oferece duas representações para melhorias contínuas e pontuais; • Fornece melhores práticas que endereçam produtividade, performance, custos e satisfação dos stakeholders • Foca nos problemas de processos de softwares • Facilita um processo de melhoria abrangente na empresa Fincher & Levin • Um dos primeiros modelos de maturidade adaptado do CMM • Defende a idéia de que as organizações não precisam estar necessariamente no nível de maturidade mais alto para serem eficazes Modelo de Berkeley – • Baseado na pesquisa do PMI e incorpora partes de outros (PM)2 modelos • Permite análise dos pontos fracos e fortes da organização em áreas específicas da gerência de projetos • Enfatiza o gerenciamento de programas e portfolios nos níveis 4 e 5 Kerzner’s PMMM • Questões genéricas que podem ser aplicadas a múltiplas empresas • Funcionalidade de visão executiva • Possui um Plano de Ação detalhado • Fornece a base para o Planejamento Estratégico em Gerenciamento de Projetos OPM3 • Modelo padrão do PMI • Possui várias dimensões permitindo diversas maneiras de se observar a maturidade de uma organização • Possui 586 melhores práticas, cada uma composta de duas ou mais capacidades • Possui um plano de ação permitindo que as organizações escolham as melhores práticas a serem aperfeiçoadas Fonte: adaptado de Herszon (2004) • 53 2.6 Escritório de Gerenciamento de Projeto – PMO (Project Management Office) 2.6.1 O que é um PMO. Com o desenvolvimento do gerenciamento de projetos e a disseminação de procedimentos e processos, tornou-se necessário, principalmente nas grandes empresas, concentrar o desenvolvimento de padrões, reunir as atividades de avaliação dos projetos e consolidação dos resultados dos mesmos em uma mesma estrutura organizacional. Esta estrutura é conhecida como PMO. Existem várias definições de PMO. Segundo DAI (2001 apud Patah 2004), o PMO pode ser definido como uma estrutura organizacional que tem como objetivo auxiliar os gerentes de projeto e suas equipes na implementação dos princípios, práticas, metodologias, ferramentas e técnicas de gerenciamento de projeto. Block & Frame (1998) observam que quando um escritório de projeto é estabelecido, a organização pode desenvolver uma abordagem consistente em gerenciamento de projetos. 2.6.2 O papel e as funções de um PMO. Segundo Verzuh (2000), independentemente da forma como um PMO vai ser estabelecido em uma organização, os principais fatores que devem dirigi-lo são responsabilidade e autoridade. Block & Frame (1998) destacam as principais funções de um PMO: • Fornecer suporte em gerenciamento de projetos para a equipe de projetos; 54 • Prover a organização com consultoria e mentoring3 em gerenciamento de projetos; • Desenvolver e manter metodologias e padrões em gerenciamento de projetos para a organização; • Fornecer treinamento em gerenciamento de projetos para a organização; • Prover a organização com gerentes de projeto. Similarmente, Verzuh (2000) apresenta as seguintes responsabilidades para um PMO: • Manutenção de padrões; • Organização de treinamentos; • Mentoring e Consultoria; • Análise de Cronogramas e Orçamento; • Preparação de informações de projetos; • Tomada de decisões em gerenciamento de projetos; • Cumprimento dos objetivos do projeto; • Fornecimento de gerentes de projetos para a organização; • Participação no gerenciamento do portfolio de projetos; O autor observa que dependendo da estrutura de PMO escolhida, algumas responsabilidades podem ou não ser exercidas. Mentoring – O conceito de mentoring (mentor) enfatiza a idéia de que o principal trabalho do mentor não é resolver o problema e sim orientar com sua experiência os empregados responsáveis a solucionarem os problemas. (Block & Frame ,1998, p.18) 3 55 Dinismore (1998 apud Patah 2004) propõe cinco modelos de PMO. • Equipe Autônoma de Projeto; • Project Support Office (PSO); • Project Management Center of Excellence (PMCOE); • Program Management Office (PrgMO); • Chief Project Office (CPO) Quando uma organização conduz projetos de forma autônoma, a função de gerenciamento de projetos permanece dentro do próprio projeto. As informações sobre as práticas de gerenciamento de projetos vêm da experiência com projetos anteriores e da experiência dos próprios gerentes de projeto. Todas as funções de gerenciamento de projeto são realizadas pela própria equipe do projeto. A função deste tipo de PMO é gerenciar o projeto como um todo, residindo no gerente de projeto, a responsabilidade pelo sucesso do mesmo. O Project Support Office (PSO) apóia diversos projetos simultaneamente. Suas principais funções são: fornecer suporte, ferramentas e serviços de planejamento, determinar padrões de qualidade, custo e prazo para os projetos, fornecer recursos técnicos e estabelecer metodologias de gerenciamento de projetos. A responsabilidade pelo sucesso dos projetos não reside no PSO e sim nos gerentes de projetos que utilizam seus serviços. O PSO é considerado um centro de competência em projetos. O Project Management Center of Excellence (PMCOE) é o ponto focal da experiência em projetos, mas não assume a responsabilidade pelo resultado dos mesmos. A principal tarefa 56 do PMCOE é disseminar a disciplina de gerenciamento de projeto pela organização, divulgando metodologias, técnicas e práticas. O Program Management Office (PrgMO) gerencia os gerentes de projeto e é o responsável pelo sucesso dos projetos. Em grandes corporações, o PrgMO concentra suas atividades nos projetos estratégicos, sendo os outros projetos gerenciados por departamentos ou unidades, recebendo o apoio do PrgMO quando necessário. O PrgMO compreende as funções de um PMCOE e em alguns casos de um PSO. A principal responsabilidade de um Chief Project Office (CPO) consiste em controlar o portfolio de projetos da organização, desde fase de iniciação do projeto até o fechamento do mesmo. Entre as atividades do CPO podemos destacar: alinhamento das estratégias de negócio com os projetos, acompanhamento dos projetos em âmbito empresarial, desenvolvimento da conscientização e da competência em gerenciamento de projetos dos membros da organização, desenvolvimento de padrões, políticas e procedimentos em gerenciamento de projetos e avaliação periódica dos projetos incluindo a decisão de descontinuá-los. Verzuh (2000) também apresenta uma classificação de cinco diferentes tipos de PMO: • Centro de Excelëncia; • Escritório de Apoio de Projeto (EAP) – Project Support Office (PSO); • Escritório de Gestão de Projeto (EGP) – Project Management Office; • Escritório de Gerenciamento de Programa – Program Management Office; • Escritório Responsável pelo Projeto – Accountable Project Office 57 Segundo o autor, o propósito principal de um Centro de Excelência é manter os padrões de gerenciamento de projetos e promover sua utilização na organização. Apesar da equipe freqüentemente ser solicitada a apoiar os gerentes de projetos, eles não participam da tomada de decisões do projeto. Sua autoridade na organização origina-se exclusivamente do seu conhecimento de gestão de projeto. O Escritório de Apoio de Projeto (EAP), além de manter e promover os padrões e práticas de gerenciamento de projetos, apóia ativamente uma variedade de projetos através de uma série de atividades como a criação e atualização do plano de projeto e orçamento do mesmo. O Escritório de Gestão de Projeto (EGP) pode fornecer suporte na confecção de cronogramas e orçamentos, e manter os padrões e práticas da mesma forma que o EAP. A principal diferença é que o EGP disponibiliza gerentes de projetos para os projetos da organização. Apesar de prover os gerentes de projetos, o EGP não é responsável pelo resultado dos projetos. Os programas, como já tido anteriormente, são vários projetos relacionados entre si. O papel de um Escritório de Gerenciamento de Programas é fornecer o conhecimento técnico de todo o programa, vinculando assim todos os projetos juntos. Como um EAP, o Escritório de Gerenciamento de Programas não é diretamente responsável pelo cumprimento do cronograma, seu papel é principalmente disseminar os padrões e práticas de gerenciamento de projetos e apoiá-los. Participa da tomada de decisões do projeto e diferentemente das 58 outras formas de PMO, possui uma vida útil, ou seja, será desmontado quando ao final do programa. O Escritório Responsável pelo Projeto é a forma mais antiga, mas em alguns casos, o mais radical de PMO. Ele é chamado assim, pois possui responsabilidade total pelos objetivos de qualidade, custo e tempo sobre os projetos a ele designados. Sua equipe inclui tanto gerentes de projetos quanto pessoal de apoio a projeto. A tabela abaixo resume as responsabilidades dos PMOs, segundo Verzuh (2000), onde “•” significa responsabilidade integral e “ο” significa responsabilidade parcial. Tabela 9. Formas e responsabilidades dos PMOs Responsabilidade Manutenção de padrões Organização de treinamentos Mentoring e consultoria Análise de Cronogramas e Orçamento Preparação de informações de projetos Tomada de decisões em gerenciamento de projetos Cumprimento dos objetivos do projeto Fornecimento de gerentes de projetos para a organização Participação no gerenciamento do portfolio de projetos Baixa Centro de Excelência • Autoridade de influência nos projetos Escritório de Apoio a Projetos • Escritório Escritório de de Gestão Gerenciamento de Projetos de Programas • • Alta Escritório Responsável pelo Projeto • ο ο ο ο ο ο • • • • • • • • • • • • • • ο • ο ο ο Fonte : adaptado de Verzuh (2000) ο ο • • • 59 Pelo que foi apresentado, existem vários tipos de PMO e o que os distinguem são os diferentes graus de responsabilidade e autoridade. Verzuh (2000) destaca que embora os modelos do PMO pareçam evolutivos, seria um erro sugerir que todas as empresas devam iniciar com um modelo de Centro de Excelência e evoluir até um PMO do tipo Escritório Responsável pelo Projeto. Segundo o autor, o escritório de projeto deve refletir a estrutura organizacional, o estágio de maturidade da organização em gerenciamento de projetos e a alocação dos projetos dentro da organização. A presença de um escritório de projeto, não importando o tipo, representa um comprometimento da organização para a melhoria do gerenciamento de projetos. 2.6.3 Implantação de um Escritório de Projeto Segundo Litke (1995 apud Patah 2004), as principais motivações para a implantação de um PMO em uma organização são as seguintes: • Grande número de atividades burocráticas sendo realizadas pelos membros das equipes de projeto tendo consequentemente pouco tempo disponível para se dedicarem aos projetos; • Processos de gerenciamento de projeto não padronizados; • Baixa produtividade dos projetos; • Aumento da complexidade dos projetos; • Documentação dos projetos espalhada por toda a organização. Para Patah (2004), a implantação de um PMO pode ser vista como um projeto e como tal é composta por fases que devem ser realizadas na seqüência adequada para que os resultados 60 previstos possam ser alcançados. Block & Frame (1998) dividem o processo de implantação de um PMO nas seguintes fases: • Diagnóstico da situação atual; • Determinação da missão, objetivo, escopo e funções; • Identificação do patrocinador; • Estabelecimento da estrutura; • Preparação de plano de comunicação; • Realização de um projeto piloto; • Disseminação; • Avaliação e melhoria. A avaliação da situação atual da organização tem como objetivo avaliar o nível de maturidade em gerenciamento de projeto da mesma. Esta avaliação consiste em uma comparação dos processos de gerenciamento da organização com os padrões aceitos no mercado e com isso determinando a competência que a organização possui em obter e repetir sucessos em projetos. Ao se examinar, o nível de maturidade que a organização se encontra poderá ser realizada uma análise das lacunas existentes e a partir deste resultado podem ser desenvolvidas ações de melhoria no processo de gerenciamento. A partir da avaliação, devem ser definidos os objetivos, a missão e o escopo do PMO. O PMO pode possuir duas abordagens: uma consultiva e outra centralizadora. Empresas com baixo nível de maturidade tendem a preferir PMO com uma abordagem consultiva, responsável por padrões, métricas e metodologias. À medida que o nível de maturidade da 61 empresa aumenta, o PMO passa a ter uma abordagem centralizadora, mais voltada ao alinhamento estratégico. A identificação de um patrocinador é fundamental pois os principais benefícios de ser implantar um PMO não aparecem no início, vão surgindo com o tempo. Santosus (2003) em uma pesquisa realizada com 450 empresas verificou que o tempo de operação de um PMO é diretamente proporcional ao aumento da taxa de sucesso de projetos. Quanto mais tempo de operação maiores as taxas de sucesso. A estrutura e as características do PMO devem ser definidas com base nos passos anteriores. Deve ser determinada a estrutura organizacional e os processos, padrões e métricas estabelecidos. A métrica será utilizada para mensurar o sucesso e servir como insumo para as medidas de melhoria dos processos. Qualquer mudança por menor que seja causa resistência. O principal objetivo do plano de comunicação é explicar detalhadamente o motivo da implantação do PMO, quais serão seus objetivos, benefícios, funções, responsabilidades e como irá interagir com a organização. A comunicação de todo o processo de implantação, bem como os resultados obtidos, deverá ser realizada regularmente para que as pessoas não se sintam alijadas do processo e para que não haja desinformação, gerando com isso expectativas infundadas referentes às atribuições, responsabilidades e possibilidades de sucesso. A organização deverá escolher um projeto piloto que irá utilizar o PMO recém-criado. Este projeto deverá ser acompanhado e irá fornecer uma oportunidade de experimentar os 62 processos criados bem como realizar os ajustes necessários. A última fase do projeto piloto é a avaliação dos resultados. Quaisquer modificações que precisem ser realizadas nos processos ou na estrutura do PMO devem ser efetuadas antes do seu lançamento oficial. Denomina-se por disseminação, a utilização do PMO pelos projetos da organização. Durante o processo de disseminação, deverão ser realizados treinamentos dos gerentes de projetos e dos membros das equipes nos processos, padrões e métricas estabelecidos. A última fase consiste na avaliação dos resultados obtidos e revisão dos processos, padrões e metodologias estabelecidas de forma a ser iniciado um processo de melhoria contínua. Existem diversos fatores críticos para que a implantação de um PMO possa ser bemsucedida. Alguns como patrocínio e apoio da gerência executiva já foram citados. Outros fatores importantes são alinhamento com os objetivos do negócio e os papéis e responsabilidades definidos. Mas o principal fator é adequação do modelo de PMO adotado com a estrutura da empresa. Segundo Santosus (2003), deve-se inicialmente entender a cultura da empresa, verificar os padrões da indústria e as melhores práticas e adaptá-los a organização. Em outras palavras, não existe um modelo padrão e sim um modelo adequado às necessidades da organização e que possa ser aperfeiçoado à medida que estas vão sendo modificadas. Rodrigues et al (2002) observam que a melhor abordagem para a implantação de um PMO é por fases. À medida que a organização for aperfeiçoando seu nível de maturidade em gerenciamento de projetos, o PMO pode evoluir em suas atribuições de modo a estar sempre alinhado a estratégia da organização. 63 3 Metodologia Este capítulo apresenta as justificativas para o tipo de pesquisa realizado e os métodos utilizados a partir de diversos autores que discorrem sobre metodologia cientifica. Para responder as questões da dissertação, o método escolhido será o estudo de caso individual, já que as questões estão relacionadas com situações operacionais da área. O método de estudo de caso é apontado como o mais apropriado para estudos centrados em questões do tipo “que”, “como” e “porque” e quando o foco se encontra em fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real (Yin, 2001). A unidade de análise será a área de Tecnologia da Informação (TI) da Petrobras e sua trajetória desde outubro de 2000. A pesquisa desenvolvida pode ser classificada como descritiva, uma vez que tem por objetivo identificar o nível de maturidade em gerenciamento de projeto existente nesta área da Petrobras e o tipo de Escritório de Gerenciamento de Projetos mais adequado ao nível identificado. Para alcançar o objetivo desejado, foram realizadas pesquisas bibliográfica e documental nos assuntos apresentados no referencial teórico e uma pesquisa de campo para coleta dos dados primários. 64 3.1 Pesquisa Bibliográfica Na pesquisa bibliográfica foram utilizados livros, artigos publicados em revistas científicas, teses e dissertações sobre assuntos pertinentes ao assunto pesquisado. A Internet também foi utilizada como instrumento de pesquisa bibliográfica, principalmente os sites relativos aos institutos especializados em gerência de projetos e a institutos de pesquisa. 3.2 Pesquisa de Campo 3.2.1 Apresentação A pesquisa de campo foi composta primeiramente por um estudo da TI da Petrobras desde sua reestruturação ocorrida em outubro de 2000 até os dias de hoje. Procurou-se identificar os motivos que levaram a TI a adotar o gerenciamento de projetos, as dificuldades encontradas na implantação e como a gestão de projetos pode ajudar a TI a maximizar seu valor a Petrobras. Esta parte da pesquisa foi composta por coleta de dados em diversas fontes como: memorandos internos, documentos, apresentações e informações divulgadas na Intranet. Foram distribuídos questionários aos profissionais da TI com o objetivo de medir o grau de maturidade em que a área se encontra. A pesquisa foi composta também por observação direta visto que a autora atua na área pesquisada desde 2001. O nível de maturidade em gerenciamento de projetos da TI foi analisado a partir da percepção dos gerentes de projetos. Na TI este profissional é nomeado como líder de projeto, sendo deste modo identificado no questionário de pesquisa, podendo desempenhar 65 esta função tanto funcionários do sistema Petrobras quanto contratados, pessoas empregadas de firmas terceirizadas que trabalham diretamente na TI. Para determinar a escolha dos entrevistados, foram identificados os profissionais da TI que exercem a função de líder de projeto. Foram enviados 180 questionários sendo obtidas 61 respostas consideradas válidas e completas, o que corresponde a 33,8% da amostra pesquisada, sendo um índice considerado bastante satisfatório. Como os lideres de projeto estão localizados em vários centros de atuação da TI da Petrobras distribuídos pelo território nacional, os formulários para levantamento dos dados foram enviados como anexos de uma mensagem de correio eletrônico. Um modelo deste formulário é apresentado como anexo neste trabalho. 3.2.2 Estrutura do Formulário Cada questionário foi dividido em três partes: a primeira com uma carta de apresentação da pesquisa com a identificação da pesquisadora, a segunda com a identificação do pesquisado e a terceira com perguntas relacionadas à gerência de projetos expressas utilizando-se a escala Likert. Na primeira parte do questionário foi apresentado o motivo de realização da pesquisa, nome, e-mail e telefone da pesquisadora para retirada de dúvidas. Na segunda parte foram solicitados nome e chave de identificação com preenchimento opcional e lotação completa 66 do pesquisado. Também foi perguntado se o mesmo era funcionário do sistema Petrobras ou funcionário de uma empresa terceirizada. Para cada uma das questões referentes à terceira parte foi apresentada uma afirmação sobre o assunto a ser pesquisado, sendo solicitado ao pesquisado que respondesse segundo a uma escala com as seguintes opções: 1-Discordo totalmente; 2-Discordo; 3-Não concordo nem discordo; 4-Concordo e 5-Concordo totalmente. As perguntas do segmento da pesquisa referente à gerência de projetos foram preparadas tomando-se por base o modelo de maturidade de Kerzner apresentado no capítulo 2, item 2.5 deste trabalho. Este modelo foi adotado por permitir através de seus vários níveis ou estágios avaliar como se encontra o grau de maturidade da organização e a partir desta identificação, o modelo fornece orientações de como se realizar um planejamento estratégico em gerenciamento de projetos para se alcançar os resultados desejados. É um modelo que pode ser adaptado às necessidades da organização a ser avaliada, sendo um dos mais representativos existentes na literatura. A terceira parte do questionário de pesquisa foi dividida por seções para identificar o grau de maturidade da organização em gerenciamento de projetos. As seguintes seções foram identificadas: • Institucional – Esta seção composta pela pergunta 1, visa identificar o reconhecimento da organização da importância do gerenciamento de projetos. 67 • Suporte Gerencial – Esta seção, composta pelas perguntas 2 e 3, avalia o reconhecimento por parte do corpo gerencial da importância de gerenciamento de projetos para a organização e seu nível de conhecimento dos princípios de gerenciamento de projetos. • Treinamento e Desenvolvimento – Esta seção, composta pelas perguntas 4, 5 e 13, examina o grau de reconhecimento da carreira de gerência de projetos, a existência de um programa de treinamento formal na empresa, o incentivo da TI para que seus funcionários participem e o grau de conhecimento em gerenciamento de projetos das pessoas que atuam como gerentes de projetos . • Metodologia e Processos – Esta seção, composta pelas perguntas 6 a 11, examina o grau de adequação da organização aos princípios de gerenciamento de projetos avaliando os processos e metodologias existentes. • Autoridade e responsabilidade – Esta seção, composta pela pergunta 12, avalia se o gerente de projeto possui autoridade suficiente para exercer seu papel. Autoridade e responsabilidade são os princípios básicos para o que o gerente de projeto possa desempenhar corretamente seu papel de gerenciar todos os recursos do projeto. • Benchmarking- Esta seção, composta pelas perguntas 14 e 15, avalia se a empresa realiza comparações entre seus projetos e com projetos de outras áreas da organização ou de outras empresas. 68 A seguir será apresentada a explicação de cada pergunta do formulário. • Reconhecimento da organização – com esta variável procura-se medir o nível de reconhecimento da organização da necessidade da gestão de projetos. O reconhecimento da organização da necessidade da gestão de projetos e da sua importância é o primeiro passo no alcance da maturidade em gerenciamento de projetos. Segundo Kerzner (2001b), as empresas finalmente reconheceram a importância e ligação entre planejamento estratégico e o gerenciamento de projetos. Estratégias são implementadas através de projetos e estes tem mais chances de serem bem-sucedidos se forem executados através de um processo repetível e consistente. Ao verificar se a organização reconhece a importância da gestão de projetos, procura-se identificar se o primeiro passo no alcance da maturidade em gerenciamento de projetos foi realizado. • Reconhecimento do corpo gerencial - com esta variável procura-se medir o nível de reconhecimento do corpo gerencial da necessidade da gestão de projetos. Não somente a organização como também seu corpo gerencial deve reconhecer a importância de gerenciamento de projetos. O suporte do corpo gerencial, incluindo todos os níveis da gerência, é uma das bases para a implantação efetiva de gerenciamento de projetos. O não reconhecimento dificulta a implantação, pois a organização não vislumbra nenhum esforço do seu corpo gerencial tornando com isso seu uso esporádico ou somente por algumas áreas. 69 • Conhecimento da gerência intermediária – esta questão busca avaliar o conhecimento das gerências intermediárias, também conhecidas como gerentes de linha, dos princípios de gerenciamento de projetos. Os gerentes da organização devem não apenas reconhecer a importância do gerenciamento de projetos como também conhecer seus princípios. Segundo o nível 2 Processos comuns, do modelo de maturidade de Kerzner, o suporte em gerenciamento de projetos deve ocorrer em todos os níveis e este suporte inclui tanto o reconhecimento da importância de gerenciamento de projetos quanto o conhecimento de seus princípios. • Existência do cargo de gerente de projeto – com esta variável procura-se verificar o reconhecimento da carreira de gerenciamento de projetos pela organização . O reconhecimento da carreira de gerente de projeto é um passo importante na implantação do gerenciamento de projetos. Por isso procurou-se identificar a existência da carreira específica de gerenciamento de projetos na organização. • Programa de treinamento em gerenciamento de projetos Esta pergunta foi dividida em duas partes sendo solicitado ao pesquisado funcionário da Petrobras que respondesse as questões a) e b) e ao pesquisado contratado de uma firma terceirizada que respondesse a questão c). 70 § Existência do programa de treinamento em gerenciamento de projetos – esta variável avalia a existência de um programa de treinamento formal na empresa. A existência de um programa formal de treinamento em gerenciamento de projetos demonstra a importância do gerenciamento de projetos para a organização. § Participação dos funcionários no programa de treinamento - esta variável complementa a pergunta anterior ao avaliar se os funcionários da Petrobras que exercem a função de gerente de projetos são incentivados a participar do programa de treinamento existente, permitindo o incremento de seus conhecimentos e habilidades. § Existência do programa de treinamento em gerenciamento de projetos na empresa contratada – esta variável avalia a existência de um programa de treinamento em gerenciamento de projetos na empresa contratada. • Metodologia única – esta variável procura identificar a existência de uma metodologia única de gerência de projetos, conhecida por todos e efetivamente utilizada. A existência de uma metodologia única em gerenciamento de projetos, conhecida e utilizada por todos é um dos principais passos na conquista da maturidade em 71 gerenciamento de projetos. A metodologia deve ser única, pois a existência de várias metodologias compromete o uso das mesmas já que passam a ser utilizadas por áreas separadas da organização dificultando sua integração. Desta forma procurou-se identificar a existência de uma metodologia única na organização e se a mesma estava suficientemente divulgada a ponto de ser conhecida pelos pesquisados. • Existência de planejamento – esta variável procura avaliar se os conceitos de planejamento de projetos são utilizados Avalia se os projetos desenvolvidos pela TI estão sendo realizados com planejamento inicial das atividades e alocação dos recursos. Um planejamento das atividades que serão realizadas em um projeto com a correta alocação dos recursos, tanto humanos quanto materiais que serão utilizados, viabiliza uma correta previsão dos custos e prazos que serão realizados. • Gerência de riscos – esta variável procura identificar a utilização do gerenciamento de riscos em projetos Avalia se está sendo realizado o gerenciamento de riscos em projetos. O gerenciamento de riscos é um dos principais itens em gerenciamento de projetos. Segundo Kerzner (2001a), o gerenciamento de risco não-apropriado ou nãoadequado é uma das maiores causas para o fracasso de um projeto. 72 • Controle de mudanças - esta variável procura identificar a utilização de um processo de controle de mudanças Avalia a existência de um processo de controle de mudanças. A não existência de um processo formal de controle de mudanças permite que sejam realizadas mudanças no escopo do projeto que podem comprometer os prazos e custos acordados levando ao fracasso do mesmo. • Seleção dos projetos – esta variável procura identificar a existência de critérios para a seleção dos projetos a serem desenvolvidos. Avalia a existência de um critério de seleção dos projetos a serem desenvolvidos. Se a organização realiza a seleção estratégica de projetos a serem desenvolvidos segundo critérios como lucratividade, importância estratégica para o cliente, alinhamento ao planejamento estratégico da organização, risco, tecnologia, etc. Procura identificar se a organização realiza a seleção e priorização dos projetos a serem desenvolvidos. • Documentação das lições aprendidas – esta variável analisa se existe preocupação da organização em documentar seus processos de forma a assimilar as lições aprendidas. 73 O objetivo desta pergunta é avaliar se as lições aprendidas são documentadas de forma a aumentar a eficácia e eficiência do processo. Assimilar as lições aprendidas é uma forma de melhorar o processo para que os erros não se repitam. • Autonomia dos gerentes de projetos – esta variável avalia se o gerente de projeto possui plena autoridade para exercer seu papel. Autoridade e responsabilidade são os princípios básicos para o que o gerente de projeto possa desempenhar corretamente seu papel de gerenciar todos os recursos do projeto incluindo recursos humanos e materiais. • Conhecimento dos gerentes de projetos – esta variável procura identificar se os gerentes de projetos possuem conhecimento adequado para realizarem seu papel • Benchmarking interno – esta variável procura verificar se são realizadas comparações entre os projetos executados pela TI. • Benchmarking externo – esta variável procura verificar se são realizadas comparações dos projetos executados pela TI com projetos de outras áreas da companhia ou com projetos de outras empresas. Segundo Silva (2003), aprender lições com os próprios erros é importante, mas é necessário também aprender lições com os erros dos outros. Em outras palavras, 74 deve-se buscar comparar os resultados e lições dos projetos com os resultados de outros projetos executados pela organização como também com outros projetos de outras áreas ou com projetos de outras empresas. A realização de benchmarking é um esforço contínuo de aprimoramento e evolução do processo de gerenciamento de projetos. 3.3 Limitações do Método A metodologia escolhida para esta pesquisa apresenta algumas limitações em relação à coleta e o tratamento dos dados. Segundo Silva (2003 apud Richardson 1999), a não obtenção de retorno de 100% da amostra pode acarretar o surgimento de vieses importantes pois os respondentes podem não ser os mais representativos dos grupos selecionados. O método de observação direta se por um lado permite, devido maior facilidade de obtenção de dados, um estudo mais aprofundado e abrangente da área a ser pesquisada, por outro lado pode acarretar um viés na análise dos dados obtidos visto que a pesquisadora encontra-se imersa no universo pesquisado. 75 4 Apresentação do Caso da Área de Tecnologia da Informação da Petrobras. 4.1 A Petrobras 4.1.1 Histórico A Petróleo Brasileiro S.A (PETROBRAS) é uma empresa de economia mista criada em 3 de outubro de 1953, por meio da Lei 2.004, cujo principal acionista é o Governo Federal. A empresa atua verticalmente na indústria de exploração e produção, refino e comercialização de petróleo e derivados, e na distribuição de combustíveis. A Petrobras iniciou suas atividades com o acervo recebido do antigo Conselho Nacional do Petróleo (CNP), que manteve sua função fiscalizadora sobre o setor. Este acervo continha: • Reservas recuperáveis de 15 milhões de barris; • Campos de petróleo com capacidade de prospecção de 2700 barris por dia (bpd), que correspondiam a 27% do consumo brasileiro; • Refinarias de Mataripe (BA), atual Refinaria Landulfo Alves (RLAM) com capacidade de processamento de 5000 bpd; • Refinaria em fase de montagem, em Cubatão (SP), atual Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) que também incluía uma fábrica de fertilizantes; • Mercado com consumo de derivados de 137.000 bpd, sendo maior parte importados; • Vinte petroleiros que podiam transportar 221mil toneladas. 76 Ao longo de cinco décadas, enfrentou uma série de desafios, tornando-se líder em distribuição de derivados no País e colocando-se entre as quinze empresas maiores petrolíferas na avaliação internacional. Nos anos 50, com apoio político e financeiro do governo brasileiro, foi possível aumentar a produção, ampliar o parque de refino, melhorar a capacidade de transporte e incrementar a pesquisa. Ao final da década, a produção de petróleo já se elevava a 65 mil barris diários, as reservas somavam 617 milhões de barris, enquanto as obras em andamento no setor industrial prometiam, para a década seguinte, a auto-suficiência do parque de refino na produção de derivados básicos. No início dos anos 60, a Petrobras alcançou um de seus objetivos principais: a autosuficiência na produção dos principais derivados, com o início de funcionamento da Refinaria Duque de Caxias (REDUC), no Rio de Janeiro. Somado a isso, dois importantes marcos de produção foram alcançados nos anos 60: os 100 mil barris diários de produção, em 1962, e a primeira descoberta de petróleo no mar, em 1968 levando a iniciar os estudos para exploração em águas profundas. Na década de 70, houve uma implosão no consumo interno impulsionado por altas taxas de crescimento, além da crise do petróleo devido à elevação dos preços internacionais pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Estes motivos levaram a empresa a concentrar esforços para aumentar a participação do petróleo nacional no consumo brasileiro, intensificando a pesquisa por novas jazidas e o desenvolvimento de novas fontes de energia capazes de substituir os derivados do petróleo. Uma dessas 77 iniciativas foi a criação do Programa Nacional do Álcool com o incentivo do uso de álcool carburante como combustível automotivo. Na década de 80, o desafio foi atingir a produção de 500 mil barris por dia. Assim, as ações foram direcionadas para o desenvolvimento da tecnologia para produção de petróleo em águas profundas com participação crucial do seu Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (CENPES), criado em 1966 e atualmente o maior centro de pesquisas da América Latina. Os esforços foram recompensados. Em 1988, a empresa superava seu próprio recorde produzindo petróleo a 492 metros e em dezembro de 1989, a produção atingia a marca de 675.135 barris diários. Na década de 90, a empresa intensificou a produção de petróleo na Bacia de Campos em campos localizados em águas profundas. Em 1992 foi premiada pela primeira vez pela Offshore Tecnology Conference (OTC) pela sua notável contribuição para o avanço da tecnologia de produção em águas profundas. Prêmio recebido novamente em 2001. Em 1997, o Brasil por meio da Petrobras, ingressou no seleto grupo de 16 países que produzem mais de 1 milhão de barris de óleo por dia. Neste mesmo ano foi promulgada a Lei 9.478 que regulamentou a emenda constitucional de flexibilização do monopólio estatal do petróleo, abrindo as atividades da indústria petrolífera do Brasil à iniciativa privada. (PETROBRAS, 2005) Com a lei foram criados a Agência Nacional do Petróleo (ANP), encarregada de regular, contratar e fiscalizar as atividades do setor e o Conselho Nacional de Política Energética, o 78 órgão formulador da política pública de energia. Com a quebra do monopólio, a empresa viu-se diante de um novo cenário competitivo com a entrada de novos concorrentes em suas áreas de atuação. A necessidade de maior agilidade em decorrência da abertura do mercado de petróleo no país e das condições de competição no exterior exigiu da Petrobras uma nova postura. Em resposta a esta nova realidade, a empresa passou por um rigoroso processo de planejamento estratégico, com a revisão de seus objetivos e missão, acompanhado de um amplo processo de reestruturação. Esta reestruturação introduziu na Companhia o conceito de unidades de negócio, autônomas, com orçamento e estratégias próprias alinhadas à estratégia corporativa, voltadas para as áreas de atuação (Exploração e Produção (E&P), Abastecimento, Gás e Energia e Internacional). Desde então a Petrobras dobrou sua produção e em 2003 ultrapassou a marca de 2 milhões de barris de óleo e gás natural por dia. A previsão da empresa é que a auto-suficiência da produção de petróleo seja alcançada em dezembro de 2005, quando atingirá a produção de cerca de 1,85 milhão de barris diários, gerando com isso uma economia imediata de 3 bilhões de reais (PETROBRAS, 2005) 4.1.2 Estrutura Organizacional e Atividades Desempenhadas A Petrobras atua em toda a cadeia produtiva da indústria de petróleo, desde a exploração até a entrega de produtos derivados ao consumidor final passando pelo refino e abastecimento. Em sua reestruturação ocorrida em 2000, foram definidas quatro áreas de negócio (Exploração e Produção (E&P), Abastecimento, Gás e Energia e Internacional), 79 duas áreas de apoio (Financeira e Serviços) e as unidades corporativas ligadas diretamente ao presidente, conforme apresentado na figura 13. Figura 13. Organograma da Petrobras Fonte: Petrobras (2005) As unidades de negócio operam com mais autonomia nas decisões e independência para gerir orçamento e investimento, tendo seu desempenho aferido por metas e responsabilização por resultados. 80 A Área de Exploração e Produção é responsável pela pesquisa, localização, identificação, desenvolvimento, extração, produção e incorporação de reservas de óleo e gás natural. Este conjunto de atividades é denominado, no ramo da indústria de petróleo de Upstream. Possui tecnologia própria para exploração em águas profundas que é considerada como o estado da arte em prospecção em águas profundas e ultra-profundas. A Área de Abastecimento é responsável pelas atividades de refino, transporte e distribuição, atividades denominadas como Downstream. • Refino - responsável pelo processamento da produção de óleo no Brasil, vem buscando se adaptar às mudanças de mercado, batendo seguidos recordes de produção e expandindo suas atividades na América Latina. • Transporte – atividade desempenhada por uma subsidiária, a Petrobras Transporte S.A (Transpetro), fornece serviços de transporte e armazenagem de óleo e gás, tanto no mercado interno, quanto no mercado externo. • Distribuição – atividade desempenhada por uma subsidiária, a Petrobras Distribuidora S.A (BR), é responsável pela distribuição de derivados de petróleo para diversos segmentos da indústria como o automotivo, marítimo, ferroviário e aviação. 81 A Área de Gás e Energia abrange atividades relativas ao desenvolvimento de produtos que substituem outros derivados de petróleo, a um custo menor e sem restrições ambientais, sendo responsável pela comercialização do gás natural nacional e importado. A Área Internacional é responsável pelo desenvolvimento de diversas atividades no exterior como a exploração e compra e vendas de petróleo, tecnologia, equipamentos, materiais e serviços. As áreas de apoio prestam suporte a toda a companhia, sendo que a área Financeira possui um papel mais consultivo e consolidador. Enquanto que a área de Serviços possui um intenso contato com as demais áreas da companhia atuando como uma área de suporte e buscando prover soluções que agreguem resultados às atividades da Companhia. Dentro da área de Serviços, destacamos o órgão de Tecnologia da Informação, objeto do estudo deste trabalho. Desde 2000, o modelo foi sendo aprimorado com as áreas sofrendo alguns ajustes, sem porém alterar as diretrizes da reestruturação. 82 4.1.3 A empresa em números A Petrobras apresenta os seguintes dados nas áreas de exploração, produção, abastecimento entre outros: Tabela 10. A Petrobras em números – dados referentes ao ano de 2004 RECEITAS (R$ mil) R$ 108.201.479 LUCRO LÍQUIDO (R$ mil) R$ 17.860.754 INVESTIMENTOS (em bilhões de reais) R$ 21,8 ACIONISTAS 161.143 EXPLORAÇÃO 50 sondas de perfuração (31 marítimas) 4 RESERVAS (CRITÉRIO SEC ) 11,85 bilhões de barris de óleo e gás equivalente (boe) POÇOS ATIVOS 13.821 (665 marítimos) PLATAFORMAS DE PRODUÇÃO 98 (72 fixas; 26 flutuantes) PRODUÇÃO DIÁRIA 1.661 mil barris por dia - bpd de petróleo e LGN 359 mil barris de gás natural REFINARIAS 16 RENDIMENTO DAS REFINARIAS 1.797 mil barris por dia – bpd DUTOS 30.318 km FROTAS DE PETROLEIROS 120 (46 de propriedade da Petrobras) POSTOS 6.154 Ativos (631 próprios) FERTILIZANTES 2 Fábricas: 1.852 toneladas métricas de amônia e 1.598 toneladas métricas de uréia Fonte: Petrobras (2005) 4 Critério SEC – Critério da U.S. Securities and Exchange Commission. Diz respeito ao volume de óleo cuja recuperação será economicamente viável. É o mais adequado em termos de análise econômica (GasNet, 2005) 83 4.2 A Tecnologia da Informação 4.2.1 Histórico A Tecnologia da Informação - TI é a denominação atual do órgão central de tecnologia da informação da Petrobras. A existência de uma estrutura central de informática na Petrobras data da década de 60, quando o então Serviço de Organização e Métodos (SEORG) tinha como responsabilidade a gestão da organização e administração dos serviços de informática em toda a Petrobras. O SEORG era o órgão responsável pelo planejamento, controle e execução das atividades de processamento de dados corporativos. Por dados corporativos entenda-se processamento de folha de pagamento, processamento contábil/financeiro e comercial. Os processamentos científicos, relacionados às atividades de exploração e produção de petróleo, não eram de responsabilidade do SEORG. Aliado a isto, cada órgão da empresa podia ter sua própria área de processamento de dados, sendo responsável por operar seus próprios sistemas e serviços. Em 1979, o SEORG deu origem ao Serviço de Processamento de Dados (SEPROD), responsável exclusivamente pela administração e fornecimento dos serviços de informática. Em 1990, o SEPROD foi substituído pelo Serviço de Informática (SERINF), através da fusão das atividades de informática e telecomunicações em um único órgão. O SERINF passou a fornecer os serviços de desenvolvimento de sistemas de informação, incluindo modelos de apoio à decisão e gerência dos serviços de informática. Além das atribuições da área de informática, foram incorporados os processos de gerência de serviços de telecomunicações e projetos de engenharia de telecomunicações. 84 Como parte do processo de revisão organizacional da Petrobras, em abril de 2000 foi aprovada pela diretoria a criação da unidade de Tecnologia da Informação (TI), desmembrando novamente as atividades de informática e telecomunicações. No período de maio a julho de 2000, foi elaborada uma nova estrutura organizacional para a área recémcriada. Esta nova estrutura surgiu com a necessidade do alinhamento da estratégia da tecnologia da informação às estratégias de negócio da Companhia e com a constatação do nível elevado de gastos em informática de toda a Empresa. Somada a esta constatação, a descentralização de funções acarretava uma série de problemas como: • Redundância de recursos: os recursos de informática eram comprados ou contratados segundo as necessidades locais, ocasionando perdas de escala em contratações e maior necessidade de espaço físico; • Falta de padronização: as características dos equipamentos, programas de computador e as metodologias para desenvolvimento de projetos de informática variavam bastante entre os diversos órgãos; • Dificuldade de acesso às informações: havia uma grande dificuldade em integrar as informações dos diversos órgãos, devido à ausência de padronização, dificultando a comunicação entre as diversas áreas. 85 A estrutura organizacional da TI era composta pelos seus três centros: Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, atendendo principalmente as áreas corporativas. As áreas de negócio continuavam a possuir suas próprias áreas de informática. Visando otimizar suas operações e aumentar a satisfação dos seus clientes, a TI realizou uma redefinição de seus processos e mapeamento da cadeia de valor, com o objetivo de eliminar redundâncias e sobreposição de tarefas. A cadeia de valor é apresentada na figura abaixo, sendo que as definições dos macro-processos são apresentadas no anexo II. Figura 14. Cadeia de Valor da TI em 2001 Fonte: SINPEP (2005) Com a instituição do modelo de processos padronizados em seus três centros, a TI passou por um novo desafio: a obtenção da certificação ISO 9001:2000. Em julho de 2002, a TI obteve essa certificação, dos seus serviços de Prover Soluções, Apoiar Usuários, Gerir Relacionamento com os Clientes e Gerir Infra-estrutura conforme os macro-processos vistos anteriormente. 86 4.2.2 Função TI Como desdobramento da revisão da estratégia da empresa, no final de 2002, iniciou-se trabalho de alinhamento da tecnologia da informação da Petrobras às novas tendências da indústria, estabelecendo estruturas e mecanismos necessários para maximizar a contribuição da área de informática aos objetivos de negócios da Petrobras. Como resultado desta estratégia teve início o processo de centralização das atividades de informática. Este processo foi nomeado como Função TI. Foram integradas a TI Corporativa, as atividades da Tecnologia da Informação da Exploração e Produção (TI-E&P) Sede, Unidade de Negócios Bacia de Campos (UN-BC) e Unidade de Negócios Rio (UN-RIO). Com a integração da TI-E&P foi adicionado à cadeia de valor da TI, um novo macro-processo específico para atendimento às unidades de negócios do E&P, Gerir Informação Técnica, que consiste na coleta, processamento, divulgação, recuperação e disponibilização das informações e documentos técnicos para o E&P. Uma das conseqüências da incorporação das atividades e órgãos de informática das demais áreas da companhia foi a necessidade de se reajustar a estrutura organizacional da TI. Iniciou-se então, o processo de reestruturação da TI com o envolvimento das diversas áreas da companhia. Como parte deste processo, foi realizada uma pesquisa constituída de entrevistas com os clientes da TI, pertencentes a diversas áreas da empresa. Como resultado desta pesquisa, constatou-se que apesar dos esforços na definição de uma estratégia com foco no Cliente, estes ainda não se sentiam plenamente atendidos. A visão dos clientes em relação a TI era que existia uma grande duplicação de atividades e responsabilidades, e que não possuía foco no cliente. Por outro lado verificou-se uma grande fidelidade dos clientes 87 a TI, apesar de poderem contratar serviços de tecnologia da informação de empresas externas. Como resultado do processo de reestruturação, um novo modelo de gestão e uma nova estrutura organizacional da TI foram desenhados tendo como principais objetivos aumentar a eficiência e agilidade e tornar a TI um parceiro estratégico de negócio. A nova estrutura, implantada em janeiro de 2004, é baseada em uma matriz de posicionamento estratégico com os seguintes quadrantes: Figura 15. Matriz de Posicionamento Estratégico da TI Excelência Gestão Serviços Agilidade Papel Estratégico Operacional Tecnologia Foco Negócio Fonte: TI (2005) • Gestão: orientado ao alinhamento com os imperativos de negócio e maximização do valor agregado pela TI; • Excelência: orientado ao desenvolvimento de conhecimento de novas tecnologias de informação apropriadas para o negócio dos clientes; 88 • Serviços: orientado à excelência operacional dos serviços prestados associados a uma gestão eficiente dos ativos de infra-estrutura de TI; • Agilidade: orientado ao conhecimento dos processos de negócios dos Clientes de modo a possibilitar o pronto atendimento às suas necessidades, oferecendo soluções que agreguem valor ao negócio. 4.2.3 Missão, Visão e Valores da Tecnologia da Informação Após a reestruturação, houve revisão da Missão, Visão e Valores da área da Tecnologia da Informação, definidas da seguinte forma: A Contribuição da TI para a Missão da Companhia: Prover serviços e soluções de tecnologia da informação voltados à excelência estratégica e operacional e à integração dos processos de negócio, com qualidade, agilidade, segurança e ética. A Contribuição da TI para a Visão da Companhia: Ser agente de maximização do valor que as soluções de TI agregam ao Sistema Petrobras. Valores da TI: • Comprometimento com os objetivos da Petrobras; • Valorização das pessoas; • Integração e cooperação; • Ética e responsabilidade social; 89 • Excelência, agilidade e segurança. Fonte: TI (2005) 4.2.4 Organização Geral da TI da Petrobras Para facilitar o entendimento da estrutura organizacional da TI, a mesma foi sub-dividida em quadrantes, conforme figuras a seguir: 4.2.4.1 Excelência A figura a seguir, exibe a estrutura organizacional do quadrante de Excelência: Figura 16. Estrutura Organizacional do Quadrante de Excelência Fonte: TI (2005) Este quadrante possui as seguintes políticas: • Adoção pelas áreas de serviço e agilidade de arquiteturas tecnológicas aprovadas pela TI; 90 • Estudo de tecnologias com aplicação direta em soluções de negócio; • O conjunto de arquiteturas, diretrizes e padrões para os produtos e serviços de TI na companhia devem seguir referenciais de mercado; • Busca do uso efetivo de meta-dados visando à integração e o re-uso de componentes; • Sistematização da rede de competências de profissionais especialistas em TI da Companhia. 4.2.4.2 Gestão A figura a seguir, exibe a estrutura organizacional do quadrante de Gestão: Figura 17. Estrutura Organizacional do Quadrante de Gestão Fonte: TI (2005) 91 Este quadrante possui as seguintes políticas: • Evitar a proliferação de diferentes soluções para um mesmo objetivo; • Ter foco permanente na melhoria da ambiência; • Seguir os padrões de qualidade do mercado para o gerenciamento de níveis de serviço e otimização de recursos de infra-estrutura; • Prestar contas aos clientes da TI através de processo simples, claro e objetivo negociados de forma única; • Buscar as fontes mais adequadas no provimento de produtos e serviços, com contratação de serviços, consolidação de contratos, regionalização de fornecimento e foco nas atividades mais valiosas para a companhia; • As áreas e unidades de negócio devem participar do estabelecimento de metas para o sistema de conseqüências da TI; • Os projetos de TI devem ser gerenciados segundo uma metodologia única; • Atuar nas áreas de negócio em conformidade com as práticas administrativas de cada área; • As medidas de desempenho de TI devem estar alinhadas com as métricas empresariais da companhia. 92 4.2.4.3 Agilidade A figura a seguir, exibe a estrutura organizacional do quadrante de Agilidade: Figura 18. Estrutura Organizacional do Quadrante de Agilidade Fonte: TI (2005) 93 Este quadrante possui as seguintes políticas: • Manter as organizações de TI nos segmentos de negócio, visando o suporte aos processos específicos de negócio; • O processo decisório da TI deve estar próximo ao cliente para aumentar a agilidade; • Propor soluções que mantenham o alinhamento com o negócio, garantindo a maior contribuição para a companhia; • O processo de provimento de soluções deve sempre seguir os padrões tecnológicos da TI, mesmo quando houver desenvolvimento externo; • Todo projeto de TI deve ter um cliente como responsável principal e com o nível de competência para assumir compromissos compatíveis com os custos do empreendimento; • Manter os especialistas em soluções próximos aos respectivos usuários gestores; • Prover soluções de forma integrada, internamente e com os clientes; • Priorizar a aplicação de seus recursos nas soluções que representem diferenciação competitiva para a Companhia. 4.2.4.4 Serviços A figura a seguir, exibe a estrutura organizacional do quadrante de Serviços: Figura 19. Estrutura Organizacional do Quadrante de Serviços 94 Fonte: TI (2005) Este quadrante possui as seguintes políticas: • No processo de provimento de soluções, a TI deve priorizar as soluções existentes no mercado; • Minimizar a adequação de pacotes adquiridos no mercado; • Avaliar sistematicamente a opção de terceirização para atividades operacionais; • Os serviços de TI devem ser regularmente acompanhados, avaliados e comparados com referenciais de excelência do mercado; • As operações de TI devem ser realizadas visando os ganhos de escala, a eficiência e os níveis de serviço acordados; 95 • A infra-estrutura de TI deve ser provida de forma segura e compatível com a arquitetura tecnológica padrão. 4.2.5 Situação atual Face ao que foi exposto anteriormente, podemos verificar que desde da mudança da estrutura organizacional da Petrobras e, consequentemente, a criação da área da Tecnologia da Informação, a expectativa da atuação da TI foi modificada. A TI deixou de ser originalmente vista como atividade de suporte aos processos administrativos (Recursos Humanos, Contabilidade, etc) que apoiavam a operação da empresa passando a ser vista como parte integrante do negócio, responsável por prover soluções que apóiem os processos de negócio estratégicos da empresa. Isto confirma o observado por Fagundes (2005). Segundo o autor, atualmente nenhuma grande empresa consegue se destacar sem o apoio de uma forte área de sistemas de informações. Cada vez mais, o negócio fim da empresa é dependente da tecnologia da informação. Com a reestruturação, as áreas de informática que antes estavam vinculadas às diversas áreas da empresa foram incorporadas à nova estrutura da TI (TI-AB, refino e comercialização; TI-G&E, Gás & Energia; TI-INTER, Área Internacional). A nova estrutura organizacional é o resultado da mais abrangente reorganização da área de TI na Companhia. Com a centralização de toda a área de informática a TI viu-se diante de um novo cenário, pois passou a atender todos os tipos de serviços (Apoio ao Usuário, Infra-estrutura, 96 Consultoria e Provimento de Soluções, Prospecção de Tecnologias) para todas as áreas da Empresa. Com a integração a TI triplicou seu número de funcionários, passando para quase 4.000 pessoas, sendo aproximadamente 1.200 empregados Petrobras e o restante da força de trabalho terceirizada. O grande desafio da reestruturação foi centralizar, em uma mesma área, tanto o suporte a operação da empresa, por meio das atividades essenciais de tecnologia da informação como apoio ao usuário e serviços de infra-estrutura quanto à identificação de soluções de tecnologia da informação com potencial de aprimorar o negócio da Petrobras. Para isso a TI teve sua estrutura organizacional dividida em duas principais áreas ou quadrantes: § Agilidade, estruturada em gerências separadas por áreas de negócio, tendo em cada gerência profissionais conhecedores dos processos de negócios dos clientes podendo com isso apresentar soluções que agreguem resultados às atividades da Companhia § Serviços, dividida em seis centros de atendimento, todos atendendo demandas solicitadas por qualquer gerência da Agilidade e podendo utilizar fornecedores externos no desenvolvimento dos produtos e serviços solicitados. A necessidade de uma gestão de projetos padronizada tornou-se premente, pois a TI passou a ter diversas áreas internas e parceiros externos atuando no desenvolvimento e suporte de seus produtos e serviços. Como as diversas áreas incorporadas trabalhavam de forma distintas, algumas já utilizando conceitos de gerenciamento de projetos, iniciou-se a padronização dos processos de 97 desenvolvimento de projetos com a adoção de uma ferramenta única para o acompanhamento e realização dos projetos. Esta ferramenta, nomeada como Gestão Integrada de Demandas (GID), foi implantada em setembro de 2004 e ainda não está sendo utilizada por toda a TI. Apesar de ter sido constatada a necessidade de priorização e seleção de projetos a serem desenvolvidos, foi adotada a estratégia de inicialmente concentrar a realização de todos os projetos desenvolvidos em um local único para depois ter início a implantação do processo de priorização. Na área de Serviços, optou-se por estender o modelo de processos padronizados já existente nos centros do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia para os outros centros. Com a mudança organizacional ocorrida em 2000 na Petrobras iniciaram-se os estudos para implantação de um Sistema de Gestão Integrada (ERP - Enterprise Resource Planning) na companhia. O sistema ERP tem como proposta concentrar em uma única base todo o conhecimento padrão dos processos principais de operação de uma empresa (Recursos Humanos, Materiais, Financeiro, Vendas) podendo ser adequado às necessidades específicas da mesma. O projeto de implantação do ERP no sistema Petrobras, chamado Projeto Sinergia foi criado em março de 2000, depois de estudos de viabilidade, tendo início com a adequação do sistema às necessidades da companhia. O Projeto Sinergia foi estruturado nos mesmos moldes do modelo Agilidade/Serviços. Uma área, chamada funcional, responsável pela definição junto aos profissionais das áreas de negócio do grau de adequação do sistema e de soluções específicas, como por exemplo, Logística de transporte e integração com o Banco 98 de Dados de Equipamentos de Movimentação e Qualidade (BDEMQ) da empresa. E outra área responsável pela infra-estrutura, apoio e desenvolvimento das soluções especificadas. O sistema ERP integra no sistema Petrobras as operações dos processos de Vendas e Distribuição (SD), Gestão de Materiais e Serviços (MM), Planejamento da Produção (PP), Gestão da Qualidade (QM), Manutenção e Inspeção (PM), Recursos Humanos (HR), Gestão Financeira (FI), Controladoria (CO), Gestão de Ativo Fixo (AM) e Gestão de Empreendimentos (PS). Sua implantação foi realizada em etapas, sendo implantado na BR Distribuidora em julho de 2002 , na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) em julho de 2004 e em todo o sistema Petrobras em 4 de outubro de 2004, concretizando uma das maiores implantações de um sistema integrado de gestão no mundo. Foram investidos em torno de US$ 260 milhões e a estimativa é que a empresa tenha, em um prazo de cinco anos, uma economia de cerca de US$ 450 milhões, principalmente nas atividades de exploração e produção, manutenção, comercialização, gestão de estoques, compra de bens e serviços e gestão de empreendimentos. (SINERGIA, 2005) Dentre os diversos benefícios econômicos e estratégicos vislumbrados com a implantação de um sistema de gestão integrada, podemos destacar: disponibilidade de informações em tempo real e em um único sistema, possibilitando melhores condições de gerenciamento; padronização de procedimentos e agilização do processo decisório. A TI também está sendo impactada por fatores externos à companhia, em conseqüência de sua estratégia de internacionalização e abertura de capital. A Lei Sarbanes-Oxley (SOX) foi promulgada em 25 de julho de 2002 após os escândalos na bolsa americana envolvendo grandes empresas como: Enron, WorldCom, Adelphia, Tyco, etc. Estes escândalos 99 abalaram a credibilidade do mercado de capitais americano e provocaram a falência de várias empresas. A lei SOX surgiu com objetivo de reverter a imagem do mercado de capitais, buscando promover a transparência, eqüidade (fairness), prestação de contas e responsabilidade corporativa das empresas com ações negociadas na bolsa americana. A aderência à SOX implica em assegurar que os processos de negócio associados às atividades primárias da cadeia de valor da companhia atendem aos requisitos de governança corporativa5 e são suportados por aplicações seguras de TI. Os requisitos mínimos de governança corporativa são baseados na tríade: transparência, prestação de contas (accountability) e eqüidade. Essa tríade requer que nas diretrizes de gestão da empresa o Conselho de Administração, representante dos proprietários do capital (acionistas ou cotistas), exerça seu papel na organização, que consiste em: estabelecer estratégias para a empresa, eleger a Diretoria, fiscalizar e avaliar o desempenho da gestão e escolher a auditoria independente. Grande parte dos problemas ocorridos nas empresas são decorrentes de abusos de poder (do acionista controlador sobre minoritários, da Diretoria sobre o acionista ou dos administradores sobre terceiros), erros estratégicos (decorrentes de muito poder concentrado em uma única pessoa, normalmente o executivo principal) ou fraudes (uso de informação privilegiada em benefício próprio, atuação em conflito de interesses). (IBCG,2005) 5 Governança corporativa é o sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre Acionistas/Cotistas, Conselho de Administração, Diretoria, Auditoria Independente e Conselho Fiscal. As boas práticas de governança corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e contribuir para a sua perenidade. (IBGC,2005) 100 A lei enfoca a importância da organização possuir controles que garantam o atendimento aos requisitos de governança, tornando explícita a responsabilidade dos CEO (Chief Executive Office – Diretor Executivo) e do CFO (Chief Financial Office – Diretor Financeiro) pela existência e adequado funcionamento das estruturas de controle sob risco de penas de reclusão de até 20 anos. A Petrobras possui ações na bolsa de Nova York desde agosto de 2000, estando desde 2002 compromissada com os princípios da lei SOX. A TI como órgão de tecnologia da informação da Petrobras é responsável pelos sistemas que dão apoio aos processos de negócios essenciais da Petrobras que também serão auditados. No que diz respeito, a auditoria de sistemas de informação a lei SOX indica o CobiT.6 Segundo Fagundes (2005), o CobiT é orientado ao negócio e fornece informações detalhadas para gerenciar processos baseados em objetivos de negócio. É composto por 34 processos dividido em quatro domínios: planejamento e organização, aquisição e implementação, entrega e suporte e monitoração. Os conceitos de gerenciamento de projetos do PMBoK permeiam os domínios do CobiT, principalmente nas disciplinas de gerência de projetos, gerenciamento de riscos e controle de mudanças de escopo. Para dimensionar o esforço da TI para adequação ao SOX, foi realizado levantamento dos sistemas de informação existentes que dão suporte aos processos de negócio essenciais da empresa. Nesta primeira avaliação, foram identificados cerca de 35 sistemas. Dos sistemas identificados, a grande maioria tem como clientes, áreas de negócio como Finanças, Contabilidade, E&P e Abastecimento. As aplicações desenvolvidas após a certificação de 6 CobiT – Control Objectives for Information and related Tecnologies (Objetivos de Controle para Informação e Tecnologias relacionadas), guia para gestão de TI recomendado pelo ISACF (Information Systems Audit and Control Foundation – Associação de Controle e Auditoria de Sistemas de Informação). 101 processos obtida em julho de 2002, estão quase em sua totalidade aderentes à SOX, porém as aplicações legadas (aplicações desenvolvidas antes desta data), cerca de 75% das aplicações identificadas na avaliação, requerem grande esforço extra em sua adequação. Na avaliação dos processos de desenvolvimento de sistemas da TI, em relação às práticas recomendadas pelo CobiT, poucos pontos de melhoria foram recomendados. Este fato ficou evidenciado com a avaliação do domínio de aquisição e implementação do CobiT quando dos 175 itens avaliados em menos de 10% foram indicados alguns pontos de melhoria. Os diversos fatores apresentados nos mostram que somente com uma gestão de projetos padronizada que permita o planejamento e acompanhamento de seus projetos é que a TI conseguirá atender a todas as expectativas tanto internas, sendo uma parceira estratégica e provendo soluções que agreguem resultados às atividades da Companhia, quanto externas, através da aderência à SOX. Isto vai ao encontro do destacado por Kerzner (2002). Segundo ele, dentre as principais motivações que levam uma empresa a adotar o gerenciamento de projetos encontram-se o atendimento às expectativas dos clientes e a fatores externos. Em 1 de julho de 2005, houve uma reorganização da estrutura organizacional da TI com a incorporação do projeto Sinergia. Esta integração tem como objetivo consolidar a visão da Tecnologia da Informação no sistema Petrobras. A nova estrutura organizacional está prevista para durar apenas um ano, e encontra-se em fase de avaliação de seu funcionamento. Por este motivo, esta nova estrutura organizacional não será objeto de 102 estudo desta dissertação. A mesma terá, como objeto de estudo, a estrutura organizacional da TI da Petrobras que vigorava até 30 de junho de 2005. 103 5 Resultados e Análise da Pesquisa do Nível de Maturidade em Gerenciamento de Projetos Conforme apresentado no capítulo 4, a TI para atender demandas solicitadas pelos seus clientes foi estruturada organizacionalmente em duas áreas: Agilidade, responsável pelo contato com o cliente e Serviços, responsável pelo desenvolvimento do produto solicitado. Desta forma foram criados dois responsáveis, um em cada área, conforme atribuições a seguir: O Líder de Projeto, encontra-se nas gerências do quadrante Agilidade, sendo responsável por: • Elaborar o plano de projeto, criando a estrutura analítica do trabalho, com os produtos que compõem o projeto; • Gerenciar os riscos, prazos, custos e recursos do projeto junto ao cliente; • Gerenciar o escopo do projeto, interagindo com o cliente nas solicitações de mudança do projeto. • Gerenciar as solicitações de mudanças do projeto, interagindo com o cliente; • Obter as validações e aceites dos produtos do projeto junto ao cliente. O Líder de Produto, encontra-se nas gerências do quadrante de Serviços, tem as seguintes responsabilidades: • Estabelecer o plano para construção do produto, criando uma estrutura analítica do trabalho com as fases, iterações e sub-produtos; • Executar o plano de projeto para a construção do produto; 104 • Controlar os recursos, prazos e custos acordados com o Líder de Projeto para a execução e entrega do produto; • Reportar ao Líder de Projeto os possíveis desvios e riscos atrelados à construção do produto; • Garantir a qualidade do produto entregue; • Garantir a manutenibilidade e documentação do produto entregue. Fonte (SINPEP, 2005) O Líder de Projeto possui as responsabilidades correspondentes a um Gerente de Projeto. O Líder de Produto é o Responsável Técnico, pertence a equipe de projeto sendo responsável pelo desenvolvimento do produto. Por este motivo a pesquisa de levantamento do nível de maturidade de gerenciamento de projeto foi realizada com os líderes de projeto nas gerências do quadrante de Agilidade. 5.1 Resultados da pesquisa Os dados oriundos dos formulários recebidos foram lançados no programa Excel da Microsoft para tratamento e realização da análise estatística. Os resultados de cada questão serão apresentados nesta seção, sendo realizada a interpretação dos resultados obtidos no próximo item deste trabalho. 105 5.1.1 Distribuição das freqüências De forma a melhor analisar os dados obtidos, estes foram consolidados. A tabela abaixo apresenta os números de observações obtidas para cada variável. Tabela 11. Distribuição das freqüências Não concordo nem Discordo Concordo totalmente Discordo discordo Concordo totalmente Total Reconhecimento da Organização 1 3 1 29 27 61 Reconhecimento do corpo gerencial 0 4 13 25 19 61 Conhecimento da gerência intermediária 1 3 10 25 22 61 Existência do cargo de gerente de projeto 10 19 21 6 5 61 4 4 12 14 2 36 2 2 12 9 4 29 contratada 8 8 5 3 1 25 Metodologia única 6 26 18 9 2 61 Utilização da metodologia 13 22 18 7 1 61 Gerência de riscos 9 19 21 9 3 61 Controle de mudanças 3 20 21 13 4 61 Seleção dos projetos 11 15 23 8 4 61 Documentação das lições aprendidas 10 26 16 7 2 61 Autonomia dos gerentes de projetos 11 23 16 11 0 61 Conhecimento dos gerentes de projetos 1 12 29 18 1 61 Benchmarking interno 7 22 21 10 1 61 Benchmarking externo 11 28 16 5 1 61 Variáveis Existência do programa de treinamento em gerenciamento de projetos Participação dos funcionários no programa de treinamento Existência do programa de treinamento em gerenciamento de projetos na empresa 106 Partindo desta tabela é possível observar que as respostas dos respondentes tendem a se dividir basicamente entre os que não concordam com as afirmações apresentadas e aqueles que se posicionam de forma neutra sem concordar nem discordar. As variáveis Reconhecimento da Organização, Reconhecimento do corpo gerencial e Conhecimento da gerência intermediária obtiveram um número expressivo de respostas positivas (Concordo e Concordo totalmente). Deve se destacar que estas variáveis compõem o segmento da pesquisa relativo às seções Institucional e Suporte gerencial. O gráfico foi baseado nos valores apresentados na tabela 11 e apresenta a distribuição de freqüências de cada resposta da pesquisa. Figura 20. Gráfico de distribuição de freqüências das respostas Distribuição de frequências 35 30 25 Discordo Totalmente 20 Discordo Não concordo nem discordo 15 Concordo Concordo totalmente 10 5 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 107 O gráfico mostra a predominância de respostas positivas (Concordo e Concordo totalmente) para as três primeiras afirmações e a predominância de respostas que discordam com as afirmativas apresentadas nas outras questões. 5.2 Interpretação dos Resultados por seções da pesquisa 5.2.1 Análise das variáveis referentes à seção Institucional Questão 1: A TI, como órgão de Tecnologia da Informação da Petrobras, reconhece a necessidade da gestão de projetos Figura 21. Gráfico de distribuição das respostas da questão 1 Questão 1 - Reconhecimento da organização 2% 5% Discordo totalmente 2% Discordo 44% Não concordo nem discordo 47% Concordo Concordo totalmente 108 O alto percentual (91%) de respostas positivas (Concordo e Concordo totalmente) na variável Reconhecimento da organização indica uma percepção da importância do gerenciamento de projetos para a TI. Esta importância pode ser confirmada na própria política da organização e na participação da TI como patrocinadora em diversos eventos ligados a gerenciamento de projetos, como por exemplo, os eventos coordenados pela seção PMI-Rio de Janeiro entre outros. A organização estimula a participação de funcionários e contratados nestes eventos. 5.2.2 Análise das variáveis referentes à seção Suporte Gerencial Questão 2: A necessidade da gestão de projetos é reconhecida em todos os níveis da gerência, incluindo a gerência executiva Figura 22. Gráfico de distribuição das respostas da questão 2 Questão 2 - Reconhecimento do corpo gerencial 0% 7% 31% 21% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo Concordo Concordo totalmente 41% 109 O alto número de respostas positivas (Concordo e Concordo totalmente) na variável Reconhecimento do corpo gerencial indica a percepção do corpo gerencial da importância do gerenciamento de projetos para a TI. Este resultado está em conformidade com o resultado apresentado na questão 1, demonstrando desta forma, o alinhamento das percepções do corpo gerencial e da organização como um todo. Questão 3: Meu gerente/coordenador conhece os princípios de gerenciamento de projetos Figura 23. Gráfico de distribuição das respostas da questão 3 Questão 3 - Conhecimento da gerência intermediária 2% 5% 16% Discordo totalmente 36% Discordo Não concordo nemdiscordo Concordo Concordo totalmente 41% O percentual (77%) de respostas positivas (Concordo e Concordo totalmente) nessa variável indica que o corpo gerencial da TI conhece os conceitos de gerenciamento de projetos. O percentual de respostas neutras (Não concordo nem discordo) em ambas as variáveis, 21% e 16% respectivamente, indicam que o trabalho de conscientização do corpo gerencial em relação à importância do gerenciamento de projetos ainda não está completo, sendo um ponto de atenção para a TI. 110 5.2.3 Análise das variáveis referentes à seção Treinamento e Desenvolvimento Questão 4: Existe uma carreira específica para gerente de projeto na TI. Figura 24. Gráfico de distribuição das respostas da questão 4 Questão 4 - Existência do cargo de gerente de projeto 8% 16% 10% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo 31% 35% Concordo Concordo totalmente As respostas desta variável mostram uma contradição quanto à percepção da carreira de gerente de projeto na TI. Apesar de haver uma percepção positiva da existência do cargo de gerente de projeto na TI, existe um alto índice de respostas neutras e de respostas que discordam da afirmação apresentada. Entende-se como carreira específica, a existência de um plano de carreira específico com benefícios, salários e treinamentos exclusivos para a carreira. Na TI, o cargo de gerente de projeto, nomeado como líder de projeto, apesar de poder ser exercido tanto por funcionários quanto por empregados de empresas terceirizadas, não possui uma carreira específica. No caso de funcionários que exercem o cargo, podem ser incluídas em suas metas a serem alcançadas durante o ano, metas específicas ao seu desempenho como líder de projeto. O resultado do cumprimento das metas é um dos fatores que habilitam o funcionário 111 concorrer a uma promoção. Mas não existem salários ou benefícios específicos por exercer o cargo. No caso de empregados de empresas terceirizadas, estes são contratados para exercerem o cargo de líder de projeto não havendo plano de carreira específico. Podemos supor então que o alto índice de respostas neutras e respostas negativas são de respondentes que apesar de exercerem perante a organização o cargo de gerente de projeto, não se sentem reconhecidos como tal., o que vem ao encontro a não existência de uma carreira específica. É interessante notar que as respostas negativas foram tanto de contratados quanto de funcionários. Questão 5a: Existe na Companhia um programa de treinamento em gerenciamento de projetos acessível a todos os funcionários. Figura 25. Gráfico de distribuição das respostas da questão 5a Questão 5a - Existência do programa de treinamento em gerenciamento de projetos 6% 11% Discordo totalmente 11% Discordo Não concordo nem discordo 39% Concordo Concordo totalmente 33% 112 A questão 5 do formulário foi subdividida em três questões a serem respondidas separadamente por funcionários e empregados de empresas terceirizadas. As respostas da variável 5a indicam tendência positiva (45%) no reconhecimento por parte dos funcionários da existência de um programa de treinamento de gerenciamento de projetos. Estas respostas demonstram o conhecimento do programa de treinamento de gerenciamento de projetos existente na empresa, em sua unidade denominada Universidade Petrobras. Este programa é exclusivo para funcionários do sistema Petrobras e abrange vários níveis desde conhecimentos básicos em gerenciamento de projetos, preparação para a certificação Project Management Professional (PMP) até cursos de pós-graduação lato-sensu em Gerenciamento de Projetos. O percentual (33%) de respostas neutras (Não concordo nem discordo) indica que a TI deve investir na comunicação interna dos programas de treinamento existentes . Questão 5b: A TI incentiva a participação de seus funcionários no programa de treinamento em gerenciamento de projetos. Figura 26. Gráfico de distribuição das respostas da questão 5b Questão 5b - Participação dos funcionários no programa de treinamento 14% 7% 7% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo 31% 41% Concordo Concordo totalmente 113 Como foi solicitado que somente respondessem a questão 5b aqueles que concordassem com a questão anterior, o número de respostas das duas questões não foi o mesmo, apresentando uma pequena diferença mas não significativa no resultado final devido ao alto índice de respostas positivas na questão 5a. O número de respostas positivas, 45%, na questão 5b indica a percepção da importância para a gerência da participação dos funcionários nos programas de treinamento. Segundo dados da gerência de Recursos Humanos da TI, durante o ano de 2004, foram treinados 110 funcionários em cursos de gerenciamento de projetos. O percentual (41%) de respostas neutras (Não concordo nem discordo) indica que apesar de terem conhecimento da existência do programa de treinamento, os respondentes não se sentem incentivados a participar do mesmo. Este é um ponto de atenção para TI, pois segundo Kerzner (2001b) a não percepção pelo funcionário da importância para a gerência de sua participação nos treinamentos pode acarretar em resistência ao uso de gerenciamento de projetos. 114 Questão 5c: Existe um programa de treinamento em gerenciamento de projetos na empresa pela qual sou contratado Figura 27. Gráfico de distribuição das respostas da questão 5c Questão 5c - Existência do programa de treinamento em gerenciamento de projetos na empresa contratada 12% 4% 32% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo 20% Concordo Concordo totalmente 32% O alto índice (64%) de respostas negativas (Discordo e Discordo totalmente) indica a não existência na maior parte das empresas terceirizadas de um programa de treinamento em gerenciamento de projetos. 115 Questão 13: Os líderes de projetos demonstram ter conhecimento adequado para exercer seu papel Figura 28. Gráfico de distribuição das respostas da questão 13 respondidas por funcionários Questão 13 - Conhecime nto dos gerente s de projetos Respondida por funcionários 0% 3% 19% 22% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo Concordo Concordo totalmente 56% Figura 29. Gráfico de distribuição das respostas da questão 13 respondidas por contratados Questão 13 - Conhecimento dos gerentes de projetos Respondida por contratados 7% 13% Discordo totalmente 33% Discordo Não concordo nem discordo 20% Concordo Concordo totalmente 27% 116 É interessante notar que a grande parte dos respondentes que se posicionaram de forma neutra e de forma negativa a esta afirmação são funcionários (gráfico 28), um resultado discrepante em relação aos resultados obtidos nas questões 5a e 5b, Podemos supor que apesar de perceberem a existência de treinamento em gerenciamento de projetos e o incentivo pela TI na participação dos funcionários nos mesmos, os respondentes ou não realizaram o treinamento ou apesar de terem sido treinados não se sentem com conhecimento suficiente para exercer o cargo de gerente de projeto. Para um melhor entendimento desta discrepância seria necessário um maior aprofundamento nos resultados obtidos nos treinamentos em gerenciamento de projetos, o que está fora do escopo deste trabalho. Porém é necessário ressaltar que esta evidência poderá servir como indicador para pesquisas futuras. Por um outro lado, a maior parte das respostas positivas foram respondidas por contratados (gráfico 29) apesar das respostas da questão 5c indicarem a não existência de um programa de treinamentos em gerenciamento de projetos na maior parte das empresas contratadas. 117 5.2.4 Análise das variáveis referentes à seção Metodologia e Processos Questão 6: Existe uma metodologia única de gerência de projetos, conhecida por todos e efetivamente utilizada Figura 30. Gráfico de distribuição das respostas da questão 6 Questão 6 - Metodologia única 3% 15% 10% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo 30% 42% Concordo Concordo totalmente A maioria (52%) de respostas negativas (Discordo e Discordo totalmente) mostra uma tendência em não concordar com a existência de uma única metodologia de gerência de projetos na TI. Isto pode ser explicado pelo fato de diversas áreas incorporadas pela TI em sua reestruturação possuírem padrões próprios. Existe um forte investimento na implantação na TI de uma metodologia única com padrões, procedimentos e ferramentas que suportem a mesma. A implantação da metodologia teve início em setembro de 2004, mas ainda existem áreas que não a utilizam, o que confirma o resultado apresentado. O alto índice (30%) de respostas neutras (Não concordo nem discordo) indica a falta de percepção da existência de uma metodologia única e deve ser um ponto de atenção para a 118 TI podendo ser um subsídio para a avaliação da implantação da metodologia, o que está fora do escopo deste trabalho. Questão 7: Para todo o projeto é construída uma WBS (Work-Breakdown Strucuture). Figura 31. Gráfico de distribuição das respostas da questão 7 Questão 7 - Existência de planejamento 11% 2% 21% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo 30% Concordo 36% Concordo totalmente Os resultados desta questão, ao apresentarem uma forte tendência de respostas que não concordam com a afirmativa (57%), incluindo o alto índice de respostas neutras (30%), demonstram a pouca utilização dos conceitos de planejamento de projetos. Não efetuar um planejamento das atividades que serão realizadas em um projeto inviabiliza a correta alocação dos recursos, tanto humanos quanto materiais, que serão utilizados e uma previsão dos custos e prazos que serão realizados. Somado a isso, a falta de planejamento acarreta dificuldade de acompanhamento do projeto pois não se consegue comparar o que foi realizado como o que foi planejado e com isso realizar os ajustes que possam vir a serem necessários. A falta de planejamento é um dos principais aspectos que pode comprometer o sucesso de um projeto 119 Não podemos inferir que este resultado se complementa ao resultado da questão anterior pois a não existência de uma metodologia única não inviabiliza a existência de padrões e procedimentos. Questão 8: A gerência de riscos na TI é suportada por processos para identificação, qualificação e quantificação dos riscos. Figura 32. Gráfico de distribuição das respostas da questão 8 Questão 8 - Gerência de riscos 5% 15% 15% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo 31% 34% Concordo Concordo totalmente 120 Questão 9: Existe um processo formal de controle de mudanças sendo utilizado e respeitado Figura 33. Gráfico de distribuição das respostas da questão 9 Questão 9 - Controle de mudanças 7% 5% Discordo totalmente 21% Discordo 33% Não concordo nem discordo Concordo Concordo totalmente 34% Os resultados destas duas questões estão coerentes com os resultados apresentados nas questões anteriores. Existem padrões e procedimentos para quantificação e acompanhamento dos riscos e para controle de mudanças de escopo que possam surgir durante ao desenvolvimento do projeto. Estes procedimentos e padrões fazem parte da metodologia de gerenciamento de projetos que começou a ser implantada em setembro de 2004. A não percepção da existência destes padrões, ou em outras palavras, a não percepção da existência do processo de gerência de riscos e de controle de mudanças de escopo ratifica o resultado encontrado na questão 6 da não percepção da existência de uma metodologia única. Assim como na questão 6, o significativo índice de respostas neutras (Não concordo nem discordo) nas questões 8 e 9, 34% e 34% respectivamente, ratifica a falta de percepção da 121 existência de processos e padrões sendo mais um subsídio para a avaliação da implantação da metodologia. Questão 10: Existem critérios formais e bem-definidos para a seleção dos projetos a serem desenvolvidos. Figura 34. Gráfico de distribuição das respostas da questão 10 Questão 10 - Seleção dos projetos 7% 18% 13% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo 25% Concordo Concordo totalmente 37% O percentual (43%) de respostas negativas (Discordo e Discordo totalmente) acrescentado ao percentual (37%) de respostas neutras (Não concordo nem discordo) indicam a falta de percepção da existência de um processo formal de seleção dos projetos a serem desenvolvidos. Este resultado era esperado pois conforme apresentado anteriormente no capítulo 4, apesar da TI reconhecer a necessidade de critérios formais para seleção de projetos, optou-se por inicialmente concentrar a centralização de todos os projetos desenvolvidos e partir da visibilidade dos projetos a serem atendidos, desenvolver critérios para priorização dos mesmos. 122 Em agosto de 2005 teve início a implantação de uma ferramenta chamada de Necessidades de Tecnologia da Informação (NTI) que tem como objetivo suportar o processo de seleção e priorização dos projetos a serem realizados e uma correta previsão dos recursos que devem estar disponíveis para atendimento dos mesmos. Esta ferramenta tem a previsão de ser implantada em toda a TI. Questão 11: Ao final de cada projeto, as lições aprendidas são discutidas e documentadas. Figura 35. Gráfico de distribuição das respostas da questão 11 Questão 11- Documentação das lições aprendidas 11% 3% 16% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo 26% Concordo 44% Concordo totalmente A maioria das respostas (60%) com tendência negativa incluindo as respostas neutras (26%) está de acordo com o resultado esperado pois atualmente não existe na TI a obrigatoriedade de documentar as lições aprendidas ao final de cada projeto. Na metodologia de gerenciamento de projetos, que começou a ser implantada em setembro de 2004, existe a obrigação da confecção de um relatório ao final do projeto onde são informadas as lições aprendidas, mas não existe uma forma de consulta a estas lições. 123 Como a metodologia ainda não foi implantada em todas as áreas da TI, este relatório não é confeccionado para todos os projetos desenvolvidos. 5.2.5 Análise das variáveis referentes à seção Autoridade e Responsabilidade Questão 12: Os líderes de projetos possuem plena autonomia na condução de seus projetos, incluindo equipe, recursos materiais, etc. Figura 36. Gráfico de distribuição das respostas da questão 12 Questão 12 - Autonomia dos gerentes de projetos 18% 0% 18% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo Concordo 26% 38% Concordo totalmente O índice (56%) de respostas negativas (Discordo e Discordo totalmente) incluindo o índice (26%) de respostas neutras indicam a falta de autonomia dos gerentes de projetos na condução de seus projetos. Uma das principais funções do gerente de projeto é, segundo Gareis & Huemann (2000), coordenar a equipe do projeto para que os objetivos estabelecidos para o projeto sejam alcançados. Sem a possibilidade de poder alocar os recursos necessários que serão utilizados nas atividades do projeto, o gerente de projeto não 124 consegue planejar adequadamente os custos e prazos que serão realizados, prejudicando com isso a realização do projeto podendo comprometer o seu resultado final. 5.2.6 Análise das variáveis referentes à seção Benchmarking Questão 14: Os projetos da minha área são medidos, controlados e comparados com os demais projetos da área. Figura 37. Gráfico de distribuição das respostas da questão 14 Questão 14 - Benchmarking interno 16% 2% 11% Discordo totalmente Discordo Não concordo nem discordo Concordo 37% Concordo totalmente 34% As respostas negativas (48%) incluindo as respostas neutras (34%) indicam a não realização de comparações entre os projetos desenvolvidos pelas diversas áreas da TI. Esta resposta corrobora com a resposta da questão 11 que informa que as lições aprendidas não são discutidas e documentadas. Documentar as lições aprendidas com os projetos realizados é um dos passos para realizar a comparação entre os mesmos. Outro fator que dificulta a realização de benchmarking interno é a inexistência de indicadores aplicados a todos os projetos realizados. 125 Questão 15: Os projetos da minha área são medidos, controlados e comparados com outros projetos de outras áreas ou empresas Figura 38. Gráfico de distribuição das respostas da questão 15 Questão 15 - Benchmarking externo 8% 2% 18% Discordo totalmente Discordo 26% Não concordo nem discordo Concordo Concordo totalmente 46% A resposta quanto à inexistência de comparação entre os projetos realizados pela TI e projetos realizados por áreas da Petrobras ou por outras empresas é esperada ao se verificar na questão anterior que não são realizadas comparações internas. Cabe ressaltar que a realização de comparações tanto internas quanto externas ocorre em empresas com um alto nível de maturidade em gerenciamento de projetos. Podemos destacar dentre todos os resultados apresentados que: • Existe uma tendência geral dos respondentes em não concordarem com as afirmações apresentadas com exceção das três primeiras afirmações que discorrem sobre o reconhecimento da importância da gerência de projetos tanto pela organização quanto pela gerência executiva; 126 • Identificou-se na percepção dos respondentes que seus gerentes imediatos ou coordenadores possuem conhecimentos dos conceitos de gerenciamento de projetos; • Identificou-se na percepção dos respondentes que apesar de exercerem o cargo de gerente de projeto, nomeado como líder de projeto, os mesmos não se sentem reconhecidos como tal; • A existência de um programa de treinamento em gerenciamento de projetos e o incentivo pela gerência para a participação neste são reconhecidos por uma grande parte dos funcionários da Petrobras que exercem o cargo de líder de projeto na TI. Mas estas questões tiveram um alto índice de respostas neutras o que deve ser um ponto de atenção para a TI; • A maior parte das empresas terceirizadas não oferece programa de treinamentos em gerenciamento de projetos para seus funcionários embora os mesmos se sintam capacitados a exercerem o cargo de líder de projeto na TI; • Existe uma percepção positiva pelos respondentes do conhecimento em gerenciamento de projeto dos líderes de projeto, sendo esta percepção maior no caso dos respondentes que são contratados; 127 • A existência de uma metodologia única de gerenciamento de projetos com procedimentos e padrões para gerência de riscos e controle de mudanças de escopo não está sendo percebida pelos líderes de projeto; • Existem projetos que estão sendo desenvolvidos sem o planejamento inicial de suas atividades e alocação de recursos, comprometendo com isso a previsão dos prazos e custos que serão realizados; • Não existem critérios para seleção e priorização dos projetos o que leva a dificuldade de previsão dos recursos que devem ser disponibilizados para atendimento dos mesmos; • A autonomia dos líderes de projeto quanto à condução de seus projetos não foi percebida pelos respondentes; • Os processos de benchmarking tanto internos quanto externos não são executados de acordo com os respondentes; Face ao que foi apresentado e comparando os resultados com o modelo de maturidade de Kerzner, utilizado como base para a pesquisa, podemos concluir que a TI ao apresentar o reconhecimento tanto pela organização quanto pelos todos os níveis da gerência da importância do gerenciamento de projetos e ao desenvolver processos e padrões para o efetivo uso de gerenciamento de projeto possui características identificadas pelo modelo como pertencentes ao nível 2 – Processos Comuns. 128 Mas apesar de possuir características do nível 2 (Processos Comuns) do modelo de Kerzner, a TI ainda encontra uma grande resistência aos conceitos de gerenciamento de projetos nos níveis operacionais. Vários fatores apresentados nos resultados da pesquisa nos levam a esta conclusão. Dentre eles: a falta de autonomia dos gerentes de projetos na condução de seus projetos, a falta de planejamento dos projetos, a percepção por partes dos respondentes da falta de conhecimento adequado para exercer o cargo de líder de projeto apesar da existência de programas de treinamento. A resistência do nível operacional quanto à utilização do gerenciamento de projetos vem da falta de visibilidade do suporte do corpo gerencial. Os respondentes apesar de perceberem o reconhecimento da importância do gerenciamento de projetos tanto pela a organização quanto pelo corpo gerencial, não percebem o suporte para a utilização do gereciamento de projetos. O alto índice de respostas negativas e neutras nas questões que dizem respeito a utilização da metodologia e de seus processos e padrões nos levam a concluir que os investimentos que estão sendo realizados quanto a implantação do gerenciamento de projetos não estão sendo percebidos pelo corpo operacional. Kerzner (2001b) destaca que o nível 2 do modelo pode e deve sobrepor o nível 1. Para o autor, uma organização pode apresentar características de um nível superior sem obrigatoriamente apresentar todas as características de um nível inferior. Segundo ele, não existe razão para esperar treinar todos aqueles que utilizarão gerenciamento de projetos para depois desenvolver processos e metodologias. Quanto mais cedo a metodologia for desenvolvida maior a possibilidade de apresentá-la no treinamento. Mas ressalta que uma 129 organização somente pode ser avaliada como pertencente a um nível superior se ela apresentar todas as características do nível inferior. Podemos concluir que a TI encontra-se no nível 1 – Linguagem Comum de maturidade em gerenciamento de projetos mas com diversas características do nível imediatamente superior. O resultado encontrado encontra similaridade com os estudos de benchmarking realizados pelo PMI-Seção Rio de Janeiro em 2003 e 2004 baseados no modelo de Kerzner. Segundo estes estudos, realizados com empresas de diversas áreas como construção, tecnologia da informação e telecomunicações, petróleo e gás, entre outras, a grande maioria das empresas pesquisadas encontra-se no nível 1 de maturidade em gerenciamento de projetos. 130 6 Modelo de Escritório de Gerenciamento de Projetos (PMO) proposto Conforme apresentado no capítulo 2 – Referencial Teórico deste documento, para se implantar um Escritório de Gerenciamento de Projeto (PMO) adequado a uma organização, deve-se inicialmente avaliar o nível de maturidade em gerenciamento de projetos da mesma. Após a análise do nível de maturidade em gerenciamento de projetos da TI apresentada no capítulo anterior, podemos então indicar com base na literatura estudada, a estrutura de Escritório de Gerenciamento de Projetos mais adequada. A partir da análise do nível de maturidade de gerenciamento de projetos da TI, tendo como base o modelo de maturidade de Kerzner, concluímos que a TI encontra-se no nível 1 – Linguagem Comum do modelo, mas possuindo algumas características do nível 2 – Processos Comuns. Segundo Verzuh (2000), o PMO deve refletir a estrutura organizacional e o estágio de maturidade da organização em gerenciamento de projetos. O autor destaca que a presença de um escritório de gerenciamento de projetos, não importando o tipo, representa um comprometimento da organização para a melhoria do gerenciamento de projetos. Block & Frame (1998) destacam diversas funções que o PMO pode ter como: fornecer suporte em gerenciamento de projetos para a equipe de projetos, prover a organização com consultoria e mentoring em gerenciamento de projetos, desenvolver e manter metodologias e padrões, fornecer treinamento em gerenciamento de projetos, entre outras. Verzuh (2000) destaca, além destas funções, a função de participar do gerenciamento do portfolio de projetos da organização. 131 Segundo Kendall & Rollins(2003), o PMO não deve focar apenas em metodologia, dados operacionais e ferramentas sem se preocupar com o valor estratégico dos projetos. Os autores destacam que 90% dos PMO não conectados com a gerência executiva e sem métrica importantes a eles falham. Para ser bem-sucedido e sobreviver, o PMO tem que prover um valor significativo para a gerência executiva. Este valor é percebido através de informações estratégicas, recomendações, entre outros. Segundo os autores o PMO, por mais simples que seja, deve ser estabelecido para atender não somente ao nível operacional como ao nível executivo. O PMO que não influencia a seleção e priorização dos projetos prioritários possui um alto risco de perder o suporte executivo. Os resultados apresentados na pesquisa realizada indicam quais as funções que o PMO inicialmente deve possuir. A maioria das respostas negativas e o alto índice de respostas neutras nas questões da seção Metodologia e Processos da pesquisa composta pelas questões 6 a 11, média de 43% a 60% de respostas negativas e 26% a 37% de respostas neutras, nos levam a concluir a falta de percepção da existência de uma metodologia em gerenciamento de projetos na TI e a baixa utilização da mesma. A implantação da metodologia de gerenciamento de projetos iniciada em setembro de 2004 ainda não foi percebida por todas as áreas da organização. Centralizar o desenvolvimento e manutenção da metodologia e processos em uma única estrutura, no caso o PMO, facilita sua disseminação pela organização. Somado a isso, o PMO passa a ser responsável pela avaliação da implantação e de sua utilização. 132 O alto índice de respostas negativas (57%) e o índice de respostas neutras (30%) na questão Existência de planejamento (questão 7) nos levam a concluir que grande parte dos projetos desenvolvidos pela TI estão sendo realizados sem planejamento inicial das atividades e alocação dos recursos, dificultando uma previsão correta dos custos e prazos que serão realizados. Este resultado demonstra a baixa utilização dos conceitos de gerenciamento de projetos, apesar de um resultado positivo principalmente por parte dos contratados, na questão Conhecimento dos gerentes de projetos (questão 13) que diz respeito a percepção do conhecimento dos líderes de projeto. Isto indica que o conhecimento teórico não está sendo empregado na prática, não estando totalmente assimilado. Uma das funções do PMO seria fornecer consultoria e coaching7 em gerenciamento de projetos. Porém, devido a extensa área de atuação da TI, com grande número de projetos desenvolvidos, sugere-se a criação da figura do multiplicador dos conceitos e da metodologia de gerenciamento de projetos nas gerências da Agilidade e Áreas de Serviço. O multiplicador pertenceria funcionalmente ao PMO e estaria alocado fisicamente nas gerências da Agilidade e Áreas de Serviço, sendo responsável por disseminar os conceitos de gerenciamento de projetos, metodologias e padrões e avaliar a situação dos projetos. O multiplicador seria também o centralizador das dúvidas dos líderes de projeto na condução de seus projetos além de fornecer suporte nas ferramentas de gerenciamento de projetos utilizadas pela TI tanto para o líder de projeto quanto para os membros da equipe de projeto. Com isso o multiplicador seria o ponto focal do PMO na gerência. Esta seria uma forma de diminuir a resistência do nível operacional na utilização das metodologias, 7 Coaching - Processo utilizado pela liderança quando se quer melhorar o comportamento no trabalho ou perfil do colaborador (Brocato, 2003) 133 padrões e ferramentas. Para esta alternativa ser bem-sucedida, o patrocínio das gerências das áreas é fundamental. Inicialmente os gerentes das áreas podem achar que não é necessária a existência de um representante do PMO alocado diretamente em sua área. Caberá ao PMO conscientizá-los dos benefícios da utilização da abordagem de multiplicadores. O resultado da pesquisa relativo às questões da seção Treinamento e Desenvolvimento composta pelas questões 4, 5 e 13, demonstram que apesar dos funcionários que exercem o cargo de líder de projeto na TI reconhecerem a existência de um programa de treinamento em gerenciamento de projetos e o incentivo pela gerência para a participação neste, consideram que não possuem conhecimento suficiente para exercerem o cargo. Como uma estrutura organizacional voltada para o desenvolvimento de uma abordagem consistente em gerenciamento de projetos, uma das funções do PMO seria a organização dos treinamentos de gerenciamento de projetos, sendo ser responsável pela ementa dos treinamentos, escolha dos instrutores e avaliação dos resultados dos mesmos. Os treinamentos poderiam ter como base o Modelo de Desenvolvimento de Competências para Gerentes de Projeto do PMI apresentado no item 2.4.3 deste trabalho. Estes treinamentos consistiriam desde treinamentos nos conceitos de gerenciamento de projetos até treinamentos nas metodologias, processos e ferramentas utilizadas pela TI. O percentual de respostas negativas (43%) e o percentual de respostas neutras (37%) na questão Seleção dos projetos (questão 10) da pesquisa indicam a falta de percepção da existência de critérios de seleção e priorização dos projetos a serem desenvolvidos. Sem um planejamento estratégico do que deve ser feito e em que ordem, os projetos são realizados 134 ao mesmo tempo e como conseqüência levam muito mais tempo que o necessário. Uma das funções do PMO é ajudar a gerência executiva a definir o processo de seleção e priorização e a executá-lo. Apesar de não ser responsável por definir quais são os projetos prioritários e estratégicos que devem pertencer ao portfolio de projetos, é responsabilidade do PMO acompanhá-los. A responsabilidade da gerência executiva é assegurar que os objetivos estratégicos serão cumpridos. Face ao exposto e a partir do nível de maturidade identificado sugerimos uma estrutura organizacional de Escritório de Gerenciamento de Projetos para TI com inicialmente as seguintes funções: • Ser responsável pelo desenvolvimento e manutenção de metodologias e padrões de gerenciamento de projetos; • Fornecer consultoria e coaching em gerenciamento de projetos; • Fornecer suporte em gerenciamento de projetos a equipe de projetos; • Fornecer suporte ao treinamento em gerenciamento de projetos; • Acompanhar os projetos tidos como prioritários e estratégicos; Não é necessário que todos os projetos desenvolvidos se reportem ao PMO. O PMO deve se preocupar em acompanhar os projetos tidos como prioritários e estratégicos. Por outro lado, o PMO deve periodicamente avaliar a situação dos projetos que estão sendo realizados para verificar a utilização da metodologia e aprimorá-la. Este acompanhamento deverá ser feito pelo multiplicador alocado nas gerências da Agilidade e de Serviços. 135 Segundo Kendall & Rollins (2003), o PMO tem que ser visto como um aliado não como uma ameaça. Ele deve funcionar de forma independente, não devendo ser visto como uma estrutura que apóia uma área específica e sim como uma estrutura que apóia a organização como um todo. Sendo assim, o PMO deve estar vinculado diretamente à gerência executiva da TI, e não a nenhuma das gerências da Agilidade ou das Áreas de Serviço, seus principais clientes. Embora esteja vinculado diretamente à gerência executiva, por ter sido criado com o objetivo de apoiar toda a organização, o PMO deve ter a preocupação de atender não somente a gerência executiva como também aos níveis operacionais. Kendall & Rollins (2003) indicam, para organizações com níveis de maturidade mais baixo, um modelo de PMO mais centralizador com responsabilidade de desenvolver metodologias e padrões, avaliar situação dos projetos. À medida que a organização for aperfeiçoando seu nível de maturidade em gerenciamento de projetos, o PMO pode ter uma atribuição mais consultiva. Ao ser implantar o PMO com as funções sugeridas, deve se tomar o cuidado de não estabelecê-lo com uma abordagem concentradora obrigando a todos a utilizarem as metodologias e processos desenvolvidos. Esta abordagem só leva a uma forte rejeição daqueles que deveriam ser os beneficiados com a implantação do PMO, os líderes de projeto e membros das equipes de projeto. Os líderes de projeto devem entender os benefícios de se ter uma gestão padronizada dos projetos desenvolvidos com a utilização de processos e metodologias. Conforme apresentado no item 2.6.3 do referencial teórico, a comunicação de todo o processo de implantação, bem como os resultados obtidos, deverá 136 ser realizada regularmente para que não haja resistência e expectativas infundadas referentes às atribuições, responsabilidades e possibilidades de sucesso. Rodrigues et al (2002) indica que o processo de implantação do PMO seja dividido em estágios de forma que seja possível mensurar os benefícios da implantação. Um plano detalhado de implantação deve ser desenvolvido com a finalidade de alcançar os objetivos definidos para o PMO. Os autores sugerem que dentro de cada estágio de implantação seja efetuado um ciclo iterativo que consiste na avaliação das atribuições existentes e da maturidade da organização, plano para aprimoramento das atribuições baseado na avaliação realizada, execução do plano e repetição do processo a partir da avaliação do resultado das modificações implementadas. No ciclo iterativo, a figura do multiplicador passa a ser fundamental no recebimento de críticas e sugestões das áreas e disseminação das modificações. Rodrigues et al (2002) observa que a evolução das atribuições do PMO deverá sempre estar alinhada à estratégia da organização. 137 7 Considerações Finais A área de Tecnologia da Informação (TI) da Petrobras vem concentrando esforços para se desenvolver como uma parceira estratégica das atividades fins da Companhia atuando no provimento de soluções que apóiem os processos de negócio estratégicos da empresa. Para atender a esta expectativa a área sofreu, desde 2000, reestruturações que culminaram na criação de uma estrutura organizacional dividida em duas principais áreas: Agilidade, estruturada por áreas de negócio e responsável por apresentar soluções que agreguem resultados às atividades da Companhia e Serviços, responsável por prover as soluções demandadas pelas gerências da Agilidade. Devido ao porte da TI, tornou-se freqüente a realização de projetos com a participação de mais de uma gerência funcional e de fornecedores externos. Neste ambiente, a falta de padronização é o principal fator a dificultar o desenvolvimento de uma solução. Somado a isso, vários indícios demonstram a inexistência de um efetivo planejamento estratégico. Podemos citar dentre eles: mesmo recurso sendo alocado em vários projetos ao mesmo tempo, o início de desenvolvimento de um projeto sem a avaliação ou planejamento de recursos disponíveis e a falta de alinhamento dos projetos desenvolvidos com objetivos estratégicos da organização. Como conseqüência os recursos são utilizados de forma ineficaz, afetando o desempenho da TI. Uma estratégia para reduzir os problemas apresentados é a adoção de uma gestão padronizada de gerenciamento de projetos segundo os conceitos do PMI. O presente trabalho se propôs a avaliar o nível de maturidade em gerenciamento de projetos da TI e a partir desta avaliação identificar a estrutura de PMO mais adequada. As 138 atribuições do PMO deverão ser aprimoradas à medida que o grau de maturidade for sendo aperfeiçoado. Algumas iniciativas estabelecidas desde setembro de 2004 na TI como a criação de metodologia em gerenciamento de projetos e o desenvolvimento de um processo de seleção e priorização de projetos demonstram que a TI encontra-se no caminho certo para alcançar níveis superiores em maturidade de gerenciamento de projetos e com isso poder atender ao objetivo de ser parceira estratégica das áreas de negócio da Petrobras desenvolvendo soluções que agreguem resultados às atividades da Companhia. A criação do PMO visa facilitar o alcance deste objetivo. Por outro lado, somente a implantação do PMO não ajudará a TI aumentar seu nível de maturidade. Na estrutura organizacional da TI, um projeto é realizado com a participação de membros de diversas gerências funcionais, podendo ser considerado como uma estrutura matricial temporária. Pelo resultado encontrado na questão Autonomia dos gerentes de projetos (questão 12) da pesquisa realizada, concluímos que o líder de projeto não possui autonomia suficiente apesar de possuir grande conjunto de responsabilidades. Ao mesmo tempo a TI possui uma estrutura organizacional hierárquica, o que dificulta o gerenciamento de projetos que envolvam mais de uma área. Para que a estrutura matricial montada para o projeto possa funcionar a contento, o trabalho em equipe é muito importante, somado ao apoio não somente da gerência executiva, quanto das gerências funcionais. Em outras palavras, deve haver uma maior integração entre as áreas de Agilidade e Serviços. O suporte da gerência executiva para que esta integração ocorra efetivamente é fundamental para o alcance de um maior nível de maturidade. 139 A pesquisa também identificou que os respondentes, apesar de exercerem o cargo de líder de projeto, não se sentem reconhecidos como tal e não se sentem plenamente capacitados. Apesar do resultado das seções Institucional e Suporte Gerencial da pesquisa, composta pelas questões reconhecimento da organização, reconhecimento do corpo gerencial e conhecimento da gerência intermediária, indicarem a percepção da importância do gerenciamento de projetos tanto pela organização quanto por todos os níveis da gerência incluindo a gerência executiva, o suporte não é visível. Somente com o suporte visível dos gerentes é que os líderes de projeto se sentirão reconhecidos. Podemos supor que este resultado possa ser devido ao modelo Agilidade/Serviços ter sido implantado há menos de dois anos e que a percepção da falta de reconhecimento possa ser modificada com o tempo. Em relação à capacitação, poderá ser indicado, em comum acordo com as gerências das áreas, que os funcionários que exerçam o cargo de líder de projeto sejam capacitados para se certificarem como Project Management Professional (PMP) do Project Management Institute (PMI). O Estudo de Benchmarking em Gerenciamento de Projetos, realizado em 2004, ressalta a prática adotada por diversas empresas de exigirem em seus contratos apenas profissionais com certificação PMP para exercem o cargo de gerente de projeto. Sugere-se ao invés disso, treinar os contratados que o exerçam o cargo de líder de projeto na TI para obterem a certificação PMP, pois esses profissionais já possuem conhecimento técnico nas suas áreas de atuação e conhecimento da organização. 140 Por fim, pode-se dizer que a TI, apesar de estar no caminho certo, ainda tem uma jornada a percorrer no alcance de níveis de maturidade mais avançados. Este objetivo só será alcançado com o esforço de todos os seus membros. 141 8 Sugestões A nova estrutura organizacional implantada em julho de 2005 propõe a criação de um Escritório de Gerenciamento de Projeto. O estudo realizado poderá servir como base para a comparação entre o Escritório de Gerenciamento de Projeto proposto e o a ser implantado. Uma sugestão para pesquisa futura é avaliar o resultado do PMO a ser implantado. Nesta avaliação poderia ser pesquisada não somente a percepção do líder de projeto como também dos líderes de produto e os membros da equipe do projeto. Este estudo também pode ser aprofundado por meio de uma pesquisa mais ampla, comparando o Escritório de Gerenciamento de Projetos a ser implantado com outros Escritórios de Gerenciamento de Projeto implantados em áreas de tecnologia da informação de empresas subsidiárias da Petrobras. Por exemplo, a realização de uma pesquisa comparando o PMO a ser implantado na TI e o PMO existente na área de TI da Petrobras Argentina S/A (PESA), seus objetivos, responsabilidades e resultados. Sugere-se também estudos comparativos entre PMO existentes em empresas da mesma área de negócios da Petrobras, visto que estudos anteriores como os Estudos de Benchmarking de 2003 e 2004 utilizaram empresas de diversos setores. Além do enfoque técnico necessário para implantar o PMO ficou evidente, pelos resultados apresentados na pesquisa realizada, que o aspecto humano deve ser trabalhado. A integração entre as áreas de Agilidade e Serviços requer forte trabalho no desenvolvimento 142 de equipes. Sugere-se a criação de grupos inter-áreas que possam trabalhar as diferenças e resistências existentes. A TI, por ser uma área técnica, possui classicamente gerentes com formação técnica que e com isso acabam desenvolvendo enfoque mais técnico do que o humano. Deve haver um envolvimento maior da área de Recursos Humanos da própria TI de modo a desenvolver alternativas de visibilidade do suporte gerencial requerido pelos técnicos. Este trabalho tem como objetivo ser um trabalho embrionário no sentido de promover uma base sólida para implementação de um PMO efetivo na TI. 143 Referências Bibliográficas BCB. Banco Central do Brasil. Disponível em [http://www.bcb.gov.br/glossario.asp]. Acessado em 18 ago 2005 BLOCK, Thomas R. & FRAME, J. Davidson. The Project Office. Best Management Practices, Crisp Management Library, 1998, 83p. BROCATO, R. Coaching for Improvement: An Essential Role for Team Leaders and Managers. The Journal for Quality and Participation: Cincinnati, 2003. CLELAND, David L.; IRELAND, Lewis R. Gerência de Projetos. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso Editores, 2002. CRAWFORD, J.Kent. The Strategic Project Office: A Guide to Improving Organization Performance. Project Management Inc. CRAWFORD, Lynn. Project Manager Competence: Putting the PMBOK to Work. In: Project Management Institute 27 th Annual Seminar/Symposium. Boston, Massachusetts, 1996 _____________. Project Manager Competence for Next Century. In: Project Management Institute 28 th Annual Seminar/Symposium. Chicago, Illinois, 1997 144 _____________. In search of competent project manager. In: Proceedings of the Australian Institute of Project Management National Conference. Melbourne, Australia, 1999 DAFT, Richard L. Teoria e projeto das organizações. Rio de Janeiro: LTC - Livros Técnicos e Científicos, 1999. FAGUNDES, Eduardo. CobiT – um kit de ferramentas para a excelência na gestão de TI. Disponível em [http:// www.efagundes.com/]. Acessado em 20 jun 2005. GADDIS, P O. 1959. The project manager. Harvard Business Review 37 (3):89-97. GASNET. O site do Gás Natural. Disponível em [http://www.gasnet.com.br/artigos/artigos_view2.asp]. Acessado em 16 ago 2005. GAREIS, Roland; HUEMANN, Martina. Project Management Competences in the Project-oriented Organization. In TURNER, J.R; SIMISTER, S.J. The Gower Handbook of Project Management , Aldershot, 2000, p 709-721. HALLOWS, Jolyon E. The Project Management Office Toolkit. American Management Association. 145 HERSZON, Leon F. Análise da Gestão de Projetos com ênfase na sua maturidade: Uma survey multi-setorial. Dissertação de Mestrado. Área de Sistemas de Gestão pela Qualidade Total da UFF (Universidade Federal Fluminense), Niterói, 2004 HUMPREY, Wates S. Managing the Software Process. Software Engineering Institute, 1990 IBCG. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Disponível em [http://www.ibgc.org.br]. Acessado em 17 ago 2005 KENDALL, Gerald I; ROLLINS, Steven C. Advanced Project Portfolio Management and the PMO – Multiplying ROI at Warp Speed. International Institute for Learning: J.Ross Publishing, 2003 KERZNER, Harold. Project management: a system approach to planning, scheduling and controlling. New York: John Wiley & Sons, 2001a _____________. Strategic Planning for Project Management using a Project Management Maturity Model. New York: John Wiley & Sons, 2001b _____________. Gestão de Projetos: As Melhores Práticas. Porto Alegre: Bookman, 2002. 146 KLARSFELD, A.. La compétence : ses définitions, ses enjeus. Paris : Gestion 2000, maravril, 2000. KWAK, Young Hoon; IBBS, C. William. Assessing Project Management Maturity. Project Management Journal, Vol. 31, p 32-43, Mar-2002. _____________. Project Management Process Maturity (PM)2 Model. Journal of Management in Engineering, Vol. 18, p 150-155, Jul/Aug. 2002. LAWRENCE, Paul R; LORSCH, Jay W. New management job: the integrator. Harvard Business Review, Vol. 45, p.142-151, Nov/Dez-1967. MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Administração de Projetos: como transformar idéias em resultados. São Paulo: Atlas, 1997 MENEZES, Luis Cesar de Moura. Gestão de Projetos. São Paulo: Atlas, 2003 MORGAN, Gareth. Imagens da Organização. São Paulo: Ed. Atlas, 1996 NBR ISO 10006:2000, Gestão da qualidade - Diretrizes para a qualidade no gerenciamento de projetos. Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT/CB-25 – Comitê Brasileiro da Qualidade; International Standard, International Organization for Standardization; 29-01-2001 147 PATAH, Leandro A. Alinhamento Estratégico de Estrutura Organizacional de Projetos: Uma análise de múltiplos casos. Dissertação de mestrado. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004 PAULK, M.C. et al. Capability Maturity Model for Software, Version 1.1. Software Engineering Institute. Carnegie Mellon University, Pittsburgh, 1993. PENNYPACKER, James S.; GRANT, Kevin P. Project Management Maturity: An Industry Benchmark. Project Management Journal. Vol. 34, p. 4-11, Mar-2003. PETROBRAS (Petroleo Brasileiro S.A). A Petrobras. Disponível em [http://www.petrobras.com.br/portal/Petrobras.htm]. Acessado em 22 jul 2005 PINTO, Jeffrey K; SLEVIN, Dennis P. Project Management Handbook. Project Management Institute, 1998 PMI (Project Management Institute). Project Manager Competence Development (PMCD) Framework. Project Management Institute, 2002, p. 2-6. _____________. Organizational Project Management Maturity Model (OPM3). Project Management Institute, 2003. _____________. Rio de Janeiro. Estudo de Benchmarking em Gestão de Projetos, 2004a. Rio de Janeiro: Project Management Institute – Seção Rio de Janeiro. 148 _____________. A guide to the Project Management Body of Knowledge (PMBOK Guide). Project Management Institute, 2004b _____________. Introduction to the Project Management Institute (PMI ). Disponível em: [http://www.pmi.org/info/AP_IntroOverview.asp]. Acessado em 26 jan 2005 RODRIGUES, Ivete; Gonsalez, Fábio L; Sbragia, Roberto. Escritório de Gerenciamento de Projetos: Teoria e Prática. XXII Simpósio de Gestão de Inovação Tecnológica, Nov2002 SANTOSUS, Megan. Office Discipline: Why you need a Project Management Office. Issue of CIO Magazine, Jul. 1, 2003 SILVA, Leonardo L. N. A influência da maturidade em Gerência de Projetos para uma atuação com maior responsabilidade ambiental: Um estudo de caso sobre profissionais de SMS da Unidade de Negócios Bacia de Campos da Petrobras. Dissertação de Mestrado. EBAPE (Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas) da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Rio de Janeiro, 2003 SINERGIA. Projeto Sinergia de Tecnologia da Informação. Disponível em [http://www.sinergia.petrobras.com.br]. Acessado em 25 jul 2005 149 SINPEP. Sistema Integrado de Padronização Eletrônica da Petrobras. Disponível em [http://www.ti.petrobras.com.br/sinpepti]. Acessado em 21 jun 2005 THIRY-CHERQUES, Hermano Roberto. Modelagem de Projetos. São Paulo: Atlas, 2002. TI (Tecnologia da Informação). Portal da Tecnologia da Informação. Disponível em [http://www.ti.petrobras.com.br]. Acessado em 20 jun 2005 VERZUH, E. MBA Compacto – Gestão de Projetos. Rio de Janeiro: Campus, 2000 YIN, Robert K. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. 2a ed. Ed. Bookman, 2001 150 Anexo I Formulário de Pesquisa Caro(a) Líder de Projeto, Agradeço a sua disponibilidade em responder este rápido questionário sobre o nível de maturidade em gerenciamento de projetos da TI da Petrobras. As informações fornecidas serão usadas somente para o escopo de um trabalho acadêmico, mantendo o sigilo e anonimato sobre os respondentes. Caso tenha alguma dúvida, por favor entre em contato comigo. Obrigada! Marta Cecília Henriques Calheiros. 1. Identificação do Entrevistado. 1.1. Nome (opcional): 1.2. Chave (opcional): 1.4. Lotação: 2. 1.3. (_ ) Funcionário ( ) Contratado Em cada questão, marque com um X o nível mais apropriado em uma escala de 1 a 5 (5 = Concordo totalmente; 4 = Concordo; 3 = Não concordo nem discordo; 2 = Discordo; 1 = Discordo totalmente) 2.1 A TI, como órgão de Tecnologia da Informação da Petrobras, reconhece a necessidade da gestão de projetos 1 2 3 4 5 2.2 A necessidade da gestão de projetos é reconhecida em todos os níveis da gerência, incluindo a gerência executiva. 1 2 3 4 5 2.3 Meu gerente/coordenador conhece os princípios de gerenciamento de projetos. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 2.4 Existe uma carreira específica para gerente de projeto na TI. 2.5 Caso seja funcionário, por favor responda as questões a) e b). Caso seja contratado, por favor responda a questão c). a) Existe na Companhia um programa de treinamento em gerenciamento de projetos acessível a todos os funcionários. 151 Caso você concorde, por favor responda a questão b). b) A TI incentiva a participação de seus funcionários no programa de treinamento em gerenciamento de projetos. 1 2 3 4 5 Existe um programa de treinamento em gerenciamento de projetos na empresa pela qual sou contratado 1 2 3 4 5 2.6 Existe uma metodologia única de gerência de projetos, conhecida por todos e efetivamente utilizada 1 2 3 4 5 2.7 Para todo o projeto é construída uma WBS (Work-Breakdown Strucuture). 1 2 3 4 5 2.8 A gerência de riscos na TI é suportada por processos para identificação, qualificação e quantificação dos riscos. 1 2 3 4 5 2.9 Existe um processo formal de controle de mudanças sendo utilizado e respeitado. 1 2 3 4 5 2.10 Existem critérios formais e bem-definidos para a seleção dos projetos a serem desenvolvidos. 1 2 3 4 5 2.11 Ao final de cada projeto, as lições aprendidas são discutidas e documentadas. 1 2 3 4 5 2.12 Os líderes de projetos possuem plena autonomia na condução de seus projetos, incluindo equipe, recursos materiais, etc. 1 2 3 4 5 2.13 Os líderes de projetos demonstram ter conhecimento adequado para exercer seu papel. 1 2 3 4 5 2.14 Os projetos da minha área são medidos, controlados e comparados com os demais projetos da área. 1 2 3 4 5 2.15 Os projetos da minha área são medidos, controlados e comparados com outros projetos de outras áreas ou empresas. 1 2 3 4 5 c) 152 Anexo II Processo Finalidade Planejar e Controlar Planejar a estratégia, a distribuição de recursos e o Sistema de Gestão da Qualidade da TI, além de garantir o controle, os recursos e a operação dos demais processos. Gerir Infra-estrutura Disponibilizar os ambientes tecnológicos necessários à prestação dos serviços de responsabilidade da TI com os graus de segurança, disponibilidade, confiabilidade e custo previamente acordados com os Clientes. Prover Soluções Prover soluções de TI aos clientes, levando em conta critérios de prazo, qualidade e custo previamente acordados. Apoiar Usuários Apoiar os usuários no uso da infra-estrutura básica e nas soluções de TI implementadas, levando em conta os níveis de serviço acordados. Gerir Relacionamento Tem por finalidade a identificação, a conquista e a manutenção com os Clientes de Clientes, através do atendimento aos requisitos acordados e na busca por serviços de maior valor agregado. Prover Novos Serviços e Dispor à Companhia de tecnologias de informação compatíveis Novas Tecnologias com os padrões internacionais observados na indústria de petróleo. Gerir Recursos Humanos Tornar a força de trabalho da TI compatível com as competências requeridas pelos processos executados pelo referido Órgão. Gerir Aquisição de Proporcionar à Companhia as melhores práticas que conduzam Produtos e Serviços à contratação de produtos e serviços de TI com qualidade e menores custos. Fonte: SINPEP (2005)