Contributo da Manutenção na Sustentabilidade de uma Organização RESUMO O presente artigo tem como objet ivo abordar os contributos que a Manutenção de Equipamentos e Máquinas, das “coisas”, tem para o Desenvolvimento Sustentável, nas suas três componentes conhecidas, a económica, a ambiental e a social, e concomitantemente, a cultural. Precisamos hoje, que vivemos um estado perspetivo de cond icionamentos de empresas sustentáveis, o que passa por uma Manutenção Sustentável, e é isso que se propõe neste artigo, a sua demonstração académica. Aborda-se a temática se a Sustentabilidade é o f im do objetivo central e polar, ou não será a Saudabilidade, os cidadãos saudáveis, mas só em introdução, deixando o seu corpo para a discussão do Desenvolvimento Sustentável. Poucas são as fontes que na pesquisa foram encontradas, mas a final idade primeira que são os contributos da Manutenção estão presentes. Em tom interrogatório, fica a estratégia que será melhor seguir, dos tipos de Manutenção: Corretiva, Prevent iva, e dentro desta a Condicionada e a Predit iva. 1.- INTRODUÇÃO As três palavras-chave deste trabalho, situam-se como variáveis, e nenhuma delas constitui uma constante. “Manutenção”, que é o “ato ou efeito de manter”, a “ação de administrar, gerenciar” ou “o cuidado com vista à conservação e bom funcionamento (de 1 máquinas, ferramentas) ”, tendo uma “sinonímia de conservação” . 2 “Sustentabil idade”, como “característica do que é sustentável” , 3 sendo “sustentável” o que “pode ser sustentado por si” . “Organização”, “entidade que serve à real ização de ações de interesse social, polít ico, administrativo; inst ituição, órgão, 4 organismo, sociedade” . É a correlação sintática entre estes fenómenos que nos propomos refletir. Correlação sintática, mas também morfológica, na simpatia da conjugação das palavras, numa cat ivante criação que colocam três vocábulos imbuídos dum só propósito: o exercício do trabalho como força exponencial e física, no transporte dum espaço percorrido, às vezes não horizontal, mas conificado [de coseno], o que o torna mais dif icultoso. E é exponencial porque como “trabalho”, produz ser ontológico real izador e não subfactor desse mesmo ser. Por isso também uma proposta física e doutrinária que sustenta a conjugação analítica entre as nossas três palavras. Como pode a “Manutenção”, enquanto acto, ser um sustentáculo da “Sustentabil idade”, definida como fundamental numa “Organização”? E qual a conjugação para o seu Desenvolvimento Sustentável, tendo em consideração uma “organização azul” e não “verde”. Entre esta nomenclatura não é uma questão colorida, mas um avanço nos pilares da Sustentabilidade, estamos habituados a poder referir os três que constituem o sustentáculo, o económico, o ambiental e o social, (“verde”), quando, porém, juntamos, com 5 muita propriedade o “cultural” , passamos de uma tricomia a uma quadricomia, muito mais conjuntural e conjugada com o ser. A junção da perspetiva cultural, l ibertando-a do social, são, por si só, os fatores determinantes duma cadeia sustentável, porque inaugura o primado da pessoa, não o refletindo em algo muito preciso e condicionante, mas alargando o âmbito, al iás como Amílcar Cabral, político africano, referia, que “todas as movimentações armadas não eram um exclusivo disso mesmo, mas a única condição suf iciente, vál ida e insofismável, seria a cultura, 6 enquanto al icerce de toda a atividade humana” . Não é, porém, esta questão, que nos atrai, aqui, mas convém, referi-la. Ainda tendo em consideração que “Manutenção”, é “acto ou efeito de manter-se, preservação o que sustém; apoio, suporte, sustentação, despesa com a subsistência; sustento, mantença, 7 mantimento…” , será de toda a lógica submeter aquilo que chamamos de “Manutenção”, à normatividade onde é, também, “Combinação de todas as ações técnicas, administrativas e de gestão, durante o ciclo de vida de um bem, destinadas a mantê-lo ou repô-lo num estado em que ele pode desempenhar a função 8 requerida” . A discussão agora surgiria do todo da “Manutenção”, para a filosof ia do conhecimento, e traríamos aqui, toda uma infinidade de argumentação, que viria provar, como a Manutenção é uma componente essencial da Sustentabilidade de uma Organização. Essa anál ise, seria de todo um sem número de facetas, enquanto lugar situado, ontológico e supremo, e submetia-os a todo um discurso provatório da legit imidade e fundamentação dos contributos essenciais do fulcro epicentral da Manutenção. Não o vamos fazer, por não ser o lugar certo, e por isso nos cingiremos à normatividade, também ela proclamadora do estatuto do “bem”, e da sua “manutenção”, como melhor auxil io para o bem comum. 2.- CORPO EM DISCUSSÃO/ANÁLISE DE RESULTADOS DE PESQUISAS 9 A combinação entre os “ativos f ixos tangíveis” e os “ativos f ixos 10 intangíveis” , e a sua manutenção, tendo como definição normativa que estes são os “bens”, f ixa um ditame paradigmát ico de l imitação que vamos seguir, e não numa banda larga discursiva. Assim iremos referir os contributos da manutenção enquanto definição de “bem”, como “qualquer elemento, componente, aparelho, subsistema, unidade funcional, equipamento ou sistema 11 que possa ser considerado individualmente” , e não numa paráfrase muito mais ampla, que penso deveria ser analisada. A reflexão torna-se, assim, imbuída não do objetivo últ imo para a antropologia do ser humano, e concretamente a Saudabilidade, mas ficando na Sustentabil idade e nos quatro pilares considerados. Considerando todos os conceitos já descritos a Manutenção tem uma influência significat iva nos gastos resultantes, duma não manutenção, porque os resultados desta vão influenciar decisivamente o desenvolvimento económico duma organização, porque “a manutenção, como função estratégica das organizações é responsável direta pela disponibil idade dos ativos, tem 12 importância capital nos resultados da empresa” . A discussão teórica sobre os custos e, consequentemente, os gastos, fez com que “a manutenção tem procurado novos modelos de pensar, técnicos e administrativos, já que as novas exigências de mercado 12 tornaram visíveis as l imitações dos atuais sistemas de gestão” , por isso mesmo é que ao nível dos gastos, existe uma análise prát ica de quais as práticas de manutenção a serem real izadas: corretiva, que é não planeada, a preventiva e um subsistema que é a pred itiva. Por volta dos anos 1950 observava-se “que, em muitos casos, o tempo gasto para diagnosticar as fal has era maior do que o despendido na 14 execução do reparo” . No entanto segundo Xavier (2003), citado no trabalho que temos vindo a referir o menos custo é “fruto do acompanhamento predit ivo, é real izado, fazendo uma Manu15 tenção Corretiva Planeada” , consideramos, no entanto, que de acordo com a Norma EN 13306, a Manutenção Predit iva é considerada Preventiva e não Corretiva Planeada, exist indo assim entre a Norma e a Bibl iografia ut il izada, uma não coincidência 1 entre as duas fontes, o que aqui fica registado. Esta discrepância é perceptível considerando que a falha se dá quando se observa o início do mecanismo de degradação ou apenas quando se passa para valores fora de tolerância. A dicotomia é entre a escolha de uma estratégia da Manutenção, e não sobre o desenvolvimento económico por esta gerada, no processo produtivo. A estratégia da Manutenção está no estudo sistémico entre as variáveis do valor sustentável, e não valor acrescentado, que inclua a determinística entre as Correções e as Prevenções. Só um estudo correto destas estratégias pode definir um sentido em termos vetoriais, que não seja unicamente uma direção. Por outro lado, e tendo em consideração a sintonia entre os desenvolvimentos económicos e ambientais, dado que qualquer agressão real izada à criação, criará um confl ito insanável, dado que esta não perdoa. “A dependência do equilíbrio económico, do ambiental, é, pois, inevitável, é um facto, ou melhor, sempre o foi, embora a cegueira indutiva de muitos, tenha deixado a situação 16 chegar a um estado preocupante” . A Manutenção fornece ao nível da defesa do ambiente um “aumento de capacidade assimilativa dos ecossistemas e da regeneração dos recursos naturais, promovendo por parte da empresa uma apreciável redução da aceleração do desgaste 17 imposto ao meio ambiente ”, ao mesmo tempo que citando Resende e Santos (2006), se destaca “a atenção ao meio envolvente mediante um desenvolvimento sustentável, …como responsabil idade social, transparência, eco eficiência e eco produtos, propiciando concil iar viabil idade económica ganhos sócio18 19 ambientais” . O cálculo do Risco , é inevitável para considerarmos 20 uma “obtenção de vantagem competit iva sustentável” , e aí teremos uma gestão conjunta dos ativos, do desempenho e do custo. Se é verdade que só uma empresa sustentável terá uma vida saudável, colocaremos como vertentes importantes na Manu21 tenção acerca da Sustentabilidade : a vantagem competit iva, a qual idade e o custo, o resultado (economia), as tecnologias mais l impas, reciclagem, reutil ização, os recursos naturais util izados devidamente, cumprimento legislativo, o tratamento dos efluentes e resíduos e menores impactos ambientais. Um estudo realizado na publ icação que vimos citando refere: “A monitorização baseada na condição, complementado por uma polít ica de manutenção proativa pode levar a uma solução efect iva do sistema, portanto 22 produzindo medidas mit igadoras e gerando ecoeficiência” . As várias estratégias da Manutenção também têm um significado bastante sal iente, dado que se existe uma Manutenção com, porventura, maiores gastos, a Corretiva, mas com melhores atuações ao nível ambiental, enquanto a Manutenção Preventiva, pode não usar os equipamentos ou peças, até ao fim do ciclo de vida de atuação. Assinale-se que com a Manutenção Preventiva Condicionada pretende-se através de estudos, para melhor fiabil izar a periodicidade da vida dos equipamentos. Nesta matéria também as estratégias da manutenção são determinantes, para o que chamo valor sustentável. A afetividade ambiental que os trabalhadores da Manutenção sent irem pelo trabalho, vai ditar componentes essenciais para a determinação de contributos à Sustentabilidade. Não descuramos os contributos sociais, pois no que se refere a estas “práticas sociais sustentáveis, pois a empresa está planeando 23 a sustentabil idade empresarial” . A Segurança e a Saúde, esta a 2 todos os níveis, quer físicos, quer psíquicos, obtém uma contribuição incomparável para o bem-estar dos trabalhadores e da afetividade para com os equipamentos e as máquinas, por isso uma componente cultural, se afirma como sintomát ica do desenvolvimento sustentável. Esta componente, que em alguma l iteratura, se define como social, e aqui como cultural, advém duma formação holíst ica, isto é, que envolvem o SER todo, de forma ontológica, e como tal a verificação dum estudo tempest ivo e verificável das boas prát icas, que só se conseguem com valores intrínsecos à atividade humana, mormente quando a manutenção de equipamentos, máquinas e instalações, são um usufruto comum. Por isso a introdução do cariz cultural é significat ivo, e detona o social, em termos de coesão. A “Manutenção”, nosso tema, contribui duma forma sonante e colorida, para todo o trabalho produt ivo, sem interregnos temporais, economicamente viáveis, saudavelmente ambientais, cuidados não extemporâneos em desastres ambientais ou pessoais, focando-os em indicadores próximos, cada vez mais, dum l imite mínimo. Convém ainda referir que a l iteratura que consta deste trabalho, nos seus Indicadores de Desempenho, preocupa-se com medições de tempo, de custos, de gastos, nunca referindo outros sobre o ambiente, social ou cultural, isto é, existe uma preocupação excessiva no vetor económico, e até economicista, dizendo melhor e financeiro de curto prazo, do que na natureza de uma Manutenção Preventiva e Pred itiva. Aqui estão as grandes lacunas, que qualquer empresa sustentável não pode ignorar. Verificando os requisitos 24 25 normativos , ou mesmo a l iteratura , podemos verificar que as perguntas para os Indicadores de Desempenho da Manutenção, se situam ao nível de “quantas avarias”, “planos de manutenção”, 26 27 “tempos” , pessoal, no que diz respeito às “baixas” e “acidentes”, . Existe uma preocupação, de perdas financeiras, que é lógica, mas sem que sem Indicadores Sociais, Ambientais ou Culturais, intervenham, o que constitui um estudo parad igmático errado, porque só a Sustentabilidade, é por si factor determinat ivo, para 28 uma empresa economicamente saudável . Assim, será necessário, para uma Manutenção Sustentável, que crie Valor Sustentável, indicadores que refl itam a cultura, o ambiente e a coesão social. Estes Indicadores deverão ser anal isados de forma que traduzam aquilo que regulamentarmente e normativamente, se acha determinado. 3.- CONCLUSÃO Se não existe qualquer dúvida sobre o contributo positivo da Manutenção na Sustentabilidade de uma Organização, potenciando os desenvolvimentos, harmoniosamente, económicos, ambientais e culturais, e que portanto a manutenção, por definição e prát ica é um baluarte desse desenvolvimento, nos seus vários pilares, a questão central é mesmo a de que Manutenção deveremos usar, para cada situação concreta: Preventiva, Corretiva, dentro daquela a Condicionada, Sistemát ica ou Predit iva. A Manutenção dos bens, e se formos mais prospetivos das pessoas e da criação, é em si, um bom contributo para o Desenvolvimento Sustentável, mesmo entendendo o conceito de Sustentabil idade, como uma ética planetária, com o uso dos bens da criação, hoje, sem comprometer o futuro da mesma, e isto são matérias económicas, ambientais, sociais, culturais e éticas. Ao agir prospetivamente, a Manutenção tem a missão da defesa do bemestar económico, ambiental, social e cultural, o que se demonstraria em exemplos concretos. A reutil ização, a previsão, os custos inerentes a paragens de máquinas e equipamentos, o stresse, a ansiedade, a postura perante o trabalho. A questão da revisão dos Indicadores da Manutenção, é determinante para uma empresa saudável, com destino ao valor sustentável. A fractura equinocial será, também, determinada para uma empresa, se os Indicadores da Manutenção não forem definidos para além da temporal idade e dos custos inerentes, mas com um epicentro centrado no SER, com o cativar das pessoas, para matérias que vão para além do manuseável, e situam-se num domínio do pensamento e da consciência. Da profunda atratividade com que se manuseiam instalações, equipamentos e máquinas, se determina uma envolvência de Sustentabilidade empresarial. A discussão cont inuaria então em se saber qual a melhor estratégia a seguir na Manutenção, em cada situação, que pelo que me é dado perceber seria a Condicionada Predit iva, no caso de bens de maior valor ou cujas consequências de falha sejam de impacto significat ivo, do risco de estudos prolongados e de custeio variável, consegue, no entanto, verter em todos os outros aspetos sintomas de maior manutabil idade, confiabil idade e disponibil idade, fatores essenciais para a sustentabil idade empresarial. 1234567- Dicionário do Português Atual Houaiss,Círculo e Leitores, pág. 1521 Ibidem, pág. 2206 Ibidem, pág. 2207 Ibidem, pág. 1711 “Estratégia para Sustentabilidade”, pág. 7 e 9 PAIGC, “História da Guiné e Ilhas de Cabo Verde”, pág. 174 Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia- “Dicionário Houaiss da língua portuguesa”, pág. 2388 8 - EN ISO 13306 9 - “SNC - todas as perguntas e respostas”, pág. 40 10 - Ibidem, pág. 40 11 - EN ISO 13306 12 - “A Propostas de Desenvolvimento de Gestão da Manutenção Industrial na busca da Excelência ou classe mundial”, pág. 2 13 - Ibidem, pág. 3 14- Ibidem, pág. 6 15 - Ibidem, pág. 4 16 - Revista CINFORMANDO, “A Defesa do Ambiente e a Economia”, pág.21 17 - “As relações entre Estratégias da Manutenção e Sustentabilidade Empresarial: Um enfoque Reflexivo no Modelo Entrada Transformação Saída”, pág. 1 18 - Ibidem, pág. 2 19 - Norma ISO 31000 20 - As relações entre Estratégias da Manutenção e Sustentabilidade Empresarial: Um enfoque Reflexivo no Modelo Entrada Transformação - Saída”, pág. 4 21 - Ibidem, pág. 6 22 - Ibidem, pág. 8 23 - Ibidem, pág. 9 24 - NP EN 15341 - Indicadores de desempenho da manutenção (KPI) 25 - “Gestão da Manutenção de Equipamentos, Instalações e Ed ifícios”, pág. 53 26 - Ibidem, pág. 55 27 - “Organização e Gestão da Manutenção”, pág. 281 28 - “Economia do Desenvolvimento Sustentável”, pág. 7 Joaquim Armindo - Diretor do Departamento da Qualidade, Ambiente e Segurança e Saúde do CENFIM 3