Departamento de Engenharia Química e Biológica Desenvolvimento de Metodologias para a Optimização da Gestão da Manutenção da Fábrica de Pastelaria S. Silvestre, Lda. Relatório de Estágio apresentado para a obtenção do grau de Mestre em Processos Químicos e Biológicos Autora Catarina Alexandra dos Santos Nunes Orientadores Doutor Belmiro Pereira Mota Duarte Professor Adjunto, ISEC Engenheira Elisabete Costa Directora de Qualidade, Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. Coimbra, Dezembro, 2012 Agradecimentos Um agradecimento sentido ao Professor Doutor Belmiro Duarte pela orientação científica do presente relatório de estágio, pela dedicação, tolerância, sugestões, críticas e motivações constantes. À Engenheira Elisabete um enorme agradecimento pela orientação na empresa Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda., pela paciência, sugestões, críticas e incentivo. Agradeço também aos restantes colaboradores da empresa, bem como ao gerente Luís Campos, por me terem acolhido, ajudarem na minha integração e terem sido muito prestáveis relativamente a dúvidas que surgiam, assim como no desenvolvimento de tarefas. Agradeço a toda a minha família, em especial aos meus pais e irmã por todo o apoio e suporte emocional que me prestaram ao longo de todo o meu percurso académico. Ao Engenheiro Fábio Carraco um agradecimento especial por todo o companheirismo, ajuda, conselhos e suporte emocional que prestou desde sempre. i ii Resumo O trabalho de estágio reportado neste relatório teve como principais objectivos optimizar e monitorizar alguns dos processos dos Sistemas de Gestão da Qualidade, nomeadamente o Sistema de Gestão da Manutenção. No que respeita ao Sistema de Gestão da Qualidade efectuou-se um acompanhamento de acções que permitiu a actualização de determinados requisitos do sistema em questão. Como a manutenção é uma das áreas mais relevantes e actuantes da actividade industrial, devido à sua contribuição para o bom desempenho e rendimento produtivo, a segurança, a qualidade do produto, e uma vez que foi neste subprocesso que se verificou a existência de maior potencial de sistematização, o trabalho de estágio centrou-se essencialmente no desenvolvimento de metodologias para a optimização da Gestão da Manutenção. Assim, ao nível do serviço de manutenção efectuou-se um maior controlo e supervisão do processo de manutenção, bem como a melhoria de métodos de organização, desenvolveu-se um manual de boas práticas de manutenção compatibilizado com a segurança alimentar, determinaram-se os custos de manutenção e, ainda se implementou uma técnica, Análise de Modos de Falha e Efeitos, que permitiu definir, identificar e eliminar modos de falha. Apesar de existir um plano de manutenção preventiva na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda., a manutenção dos equipamentos produtivos é feita maioritariamente quando se verifica uma avaria ou devido à degradação progressiva e detectável de equipamento. Por forma a aumentar a sua pro-actividade desenvolveu-se um novo plano de manutenção para a unidade em estudo. O novo plano de manutenção foi elaborado com base nos resultados obtidos pela ferramenta da qualidade e na informação adquirida através do histórico dos equipamentos. Palavras-chave: Gestão da Qualidade, Sistema de Gestão da Qualidade, Gestão da Manutenção, Plano de Manutenção, Modos de Falha, Análise de Modos de Falha e Efeitos. iii iv Abstract The training work presented along this report had as main goals the optimization and the improvement some of the Systems of Quality Management, namely the System of Maintenance Management. In what concerns to the System of Quality Management an accompaniment of actions was carried out, which allowed the update of some requirements of the system in question. As the maintenance is one of the most relevant areas of industrial activity, due to its contribution to the overall performance and production, the safety, the quality of the product and this sub process has in this production line the larger improvement potential and systematization, the training work focused mainly in the development of the methodologies to optimize the Maintenance Management. Maintenance service level of a larger control and supervision of the maintenance process was established, as well as an improvement of the organizing methods. Also a guide to support good practices of maintenance harmonized with the food safety was produced, and the costs of maintenance were determined and analyzed. Finally, a Failure Mode Effects Analysis (FMEA) tool was implemented to determine the most relevant failure mode in the production line. Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. has already a planning which the philosophy is focused in resulting of failure occurrence. To increase the pro-activity of the plan, a new one was developed taking into account the result of Analysis of Failure Modes and Effects and data reflecting the plant history. Keywords: Management of Quality, Quality Management System, Maintenance Management, Maintenance Schedule, Modes of Failure, Analysis of Failure Modes and Effects. v vi Índice AGRADECIMENTOS ........................................................................................................................................................... I RESUMO ............................................................................................................................................................................ III ABSTRACT ......................................................................................................................................................................... V ÍNDICE ..............................................................................................................................................................................VII LISTA DE FIGURAS ......................................................................................................................................................... IX LISTA DE TABELAS ........................................................................................................................................................ XI ACRÓNIMOS .................................................................................................................................................................. XIII 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 1 1.1 1.2 1.3 2 SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE DA EMPRESA .................................................................................... 7 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 3 PRINCIPAIS OBJECTIVOS NO DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO DE ESTÁGIO .......................................................... 2 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA.................................................................................................................................. 4 ORGANIZAÇÃO DO RELATÓRIO DE ESTÁGIO ............................................................................................................ 5 SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE (REQUISITO 4 DA NP EN ISO 9001:2008) .................................................. 16 RESPONSABILIDADE DA GESTÃO (REQUISITO 5 DA NP EN ISO 9001:2008) .......................................................... 19 GESTÃO DE RECURSOS (REQUISITO 6 DA NP EN ISO 9001:2008) ......................................................................... 21 REALIZAÇÃO DO PRODUTO (REQUISITO 7 DA NP EN ISO 9001:2008) .................................................................. 22 MEDIÇÃO, ANÁLISE E MELHORIA (REQUISITO 8 DA NP EN ISO 9001:2008) ........................................................ 26 COLABORAÇÃO NO PROCESSO DE MELHORIA CONTÍNUA DO SGQ.......................................................................... 29 SISTEMA DE GESTÃO DA MANUTENÇÃO DA EMPRESA ............................................................................. 33 3.1 ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS NO ÂMBITO DA FUNÇÃO DE MANUTENÇÃO ........................................................... 43 4 ANÁLISE DE MODOS DE FALHA E EFEITOS (AMFE) ..................................................................................... 45 5 APLICAÇÃO DA AMFE PARA A DETERMINAÇÃO DE PONTOS CRÍTICOS DE MANUTENÇÃO ............ 55 5.1 RESULTADOS DA AMFE ........................................................................................................................................ 61 5.1.1. Determinação dos índices de severidade e detectabilidade.......................................................................... 61 5.1.2. Determinação do índice de ocorrência......................................................................................................... 63 5.1.3. Determinação do Número Prioritário de Risco () ................................................................................ 71 6 CUSTOS DE MANUTENÇÃO................................................................................................................................. 75 7 ESTRUTURAÇÃO DO PLANO DE MANUTENÇÃO ........................................................................................... 81 8 CONCLUSÃO ........................................................................................................................................................... 87 8.1 OPORTUNIDADES DE MELHORIA ............................................................................................................................. 88 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................................. 89 ANEXO I – REQUISITOS DA NORMA NP EN ISO 9001:2008 ..................................................................................... 92 ANEXO II – POLÍTICA E OBJECTIVOS DA QUALIDADE .......................................................................................... 93 ANEXO III – PLANO DE HACCP PARA AS PIRÂMIDES DE CHOCOLATE ............................................................... 94 ANEXO IV – PLANO DE HACCP PARA OS BATIDOS DE PÃO-DE-LÓ.................................................................... 105 ANEXO V – ANÁLISE DE MODOS DE FALHA E EFEITOS ...................................................................................... 115 ANEXO VI – PLANO DE MANUTENÇÃO ................................................................................................................... 134 ANEXO VII – MANUAL DE MANUTENÇÃO.............................................................................................................. 137 vii viii Lista de Figuras Figura 1.1 - Interligação entre o SGM, SGQ e HACCP. ....................................................................... 3 Figura 1.2 – Localização da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. ................................................ 4 Figura 1.3 – Estrutura organizacional da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda ............................. 5 Figura 2.1 – Representação esquemática das várias dimensões que podem ser associadas ao conceito da qualidade. ........................................................................................................................................... 7 Figura 2.2 – Representação do ciclo de qualidade. ................................................................................ 9 Figura 2.3 – Representação esquemática dos princípios da norma NP EN ISO 9001:2008. ............... 13 Figura 2.4 – Representação do processo melhoria contínua do Sistema de Gestão da Qualidade. ..... 14 Figura 2.5 – Metodologia PDCA. ........................................................................................................ 15 Figura 2.6 - Mapa de processos da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda..................................... 17 Figura 2.7 – Diagrama representativo da estrutura documental da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda.. ...................................................................................................................................... 18 Figura 3.1 – Principais objectivos da manutenção. .............................................................................. 33 Figura 3.2 – Modelo geral de um sistema da manutenção. .................................................................. 34 Figura 3.3 – Tipos de manutenção industrial. ...................................................................................... 36 Figura 3.4 - Método sistemático para criar um plano de manutenção. ................................................ 37 Figura 3.5 – Actividade de planeamento, programação e programa de trabalhos. .............................. 38 Figura 3.6 – Selecção da política de manutenção para componentes de substituição complexa ......... 39 Figura 3.7 – Tipos de tarefas definidas no módulo de manutenção e higienização. ............................ 41 Figura 3.8 – Grupo de motivos de não conformidade definidos no módulo de manutenção e higienização .......................................................................................................................................... 42 Figura 3.9 – Parametrização dos colaboradores no módulo de manutenção e higienização................ 42 Figura 4.1 – Fluxograma de implementação da AMFE. ...................................................................... 48 Figura 4.2 – Documento para a construção de AMFE. ........................................................................ 54 Figura 5.1 – Fluxograma do processo de produção do croissant simples. ........................................... 58 Figura 5.2 – Fluxograma do processo de produção do pão de bico. .................................................... 59 Figura 5.3 – Diagrama de Pareto aplicado aos índices de severidade dos respectivos modos potenciais de falha dos equipamentos em estudo. ................................................................................................. 62 Figura 5.4 – Diagrama de Pareto aplicado aos índices de detecção dos modos potenciais de falha dos respectivos equipamentos em estudo. .................................................................................................. 63 Figura 5.5 – Representação gráfica da percentagem de disponibilidade dos equipamentos em causa. .............................................................................................................................................................. 68 Figura 5.6 – Taxa média de falha para os equipamentos em estudo. ................................................... 70 Figura 5.7 – Diagrama de Pareto aplicado ao índice de ocorrência dos modos potenciais de falha dos equipamentos em estudo. ..................................................................................................................... 71 Figura 5.8 - Diagrama de Pareto aplicado aos números prioritários de risco dos respectivos modos potenciais de falha dos equipamentos em estudo. ................................................................................ 73 Figura 6.1 – Avaliação de custos em manutenção. .............................................................................. 75 Figura 6.2 – Custos de manutenção...................................................................................................... 76 Figura 6.3 – Representação gráfica dos custos de manutenção dos equipamentos produtivos em estudo.................................................................................................................................................... 79 Figura 7.1 – Plano de manutenção. ...................................................................................................... 85 Figura A.1 - Fluxograma relativo ao processo de fabrico das pirâmides de chocolate. ...................... 94 Figura A.2 - Fluxograma relativo ao processo de fabrico dos batidos de pão-de-ló. ........................ 105 Figura A.3 – Plano de manutenção. ................................................................................................... 135 ix x Lista de Tabelas Tabela 2.1 - Exemplos de características para análise da qualidade de um produto. ................. 8 Tabela 2.2 – Estrutura da norma NP EN ISO 9001:2008......................................................... 11 Tabela 2.3 – Princípios da norma NP EN ISO 9001:2008 e os requisitos nos quais se têm em conta. ........................................................................................................................................ 13 Tabela 4.1 – Cronologia da ferramenta da qualidade AMFE. .................................................. 46 Tabela 4.2 – Índice de severidade dos efeitos de falha ............................................................ 50 Tabela 4.3 – Índice de ocorrência............................................................................................. 51 Tabela 4.4 – Índice de detecção................................................................................................ 52 Tabela 5.1 – Equipamentos e respectivos modos potenciais de falhas dos órgãos/componentes. ................................................................................................................ 60 Tabela 5.2 – Índices de severidade e de detecção atribuídos aos modos potenciais de falha dos respectivos órgãos/componentes. ............................................................................................. 61 Tabela 5.3 - Valores de média e desvio-padrão obtidos através da Distribuição de Weibull e uniforme. .................................................................................................................................. 65 Tabela 5.4 – Indicadores de desempenho para os modos potenciais de falha e respectivos equipamentos. ........................................................................................................................... 67 Tabela 5.5 – Valores de MTBF e MTTR para os equipamentos em estudo.............................. 69 Tabela 5.6 – Índice de ocorrência atribuído a cada modo potencial de falha dos equipamentos em estudo. ................................................................................................................................. 70 Tabela 5.7 – Índices de severidade, de ocorrência, de detecção e número prioritário de risco para os respectivos modos potenciais de falha. ........................................................................ 72 Tabela 6.1- Custos de manutenção estimados para os equipamentos produtivos em estudo. .. 78 Tabela 7.1 - Órgãos/Componentes hierarquizados de forma prioritária. ................................. 81 Tabela 7.2 – Número de intervenções de manutenção para cada peça de equipamento em estudo. ....................................................................................................................................... 83 Tabela A.1 - Requisitos da norma NP EN ISO 9001:2008, mencionados ao longo do relatório de estágio, e respectivo campo de aplicação ............................................................................ 92 Tabela A.2 - Política e objectivos da qualidade ....................................................................... 93 Tabela A.3 - Perigos, sua descrição, nível de aceitação, causas e medidas preventivas. ......... 95 Tabela A.4 - Avaliação de Perigos. .......................................................................................... 99 Tabela A.5 - Classificação de medidas de controlo................................................................ 101 Tabela A.6 - Estabelecimento dos PCC’s............................................................................... 103 Tabela A.7 - Perigos, sua descrição, nível de aceitação, causas e medidas preventivas. ....... 106 Tabela A.8 - Avaliação de perigos. ........................................................................................ 109 Tabela A.9 - Classificação das medidas de controlo. ............................................................. 110 Tabela A.10 - Estabelecimento de PCC’s. ............................................................................. 112 Tabela A.11 - Parâmetros microbiológicos e seus valores de aceitação ................................ 114 Tabela A.12 - Análise de modos de falha e efeitos das amassadeiras. ................................... 116 Tabela A.13 - Análise de modos de falha e efeitos da prensa. ............................................... 118 Tabela A.14 - Análise de modos de falha e efeitos dos laminadores. .................................... 119 Tabela A.15 - Análise de modos de falha e efeitos das pesadoras. ........................................ 121 Tabela A.16 - Análise de modos de falha e efeitos das divisoras. ......................................... 122 Tabela A.17 - Análise de modos de falha e efeitos da linha de corte. .................................... 124 Tabela A.18 - Análise de modos de falha e efeitos das câmaras de congelação e refrigeração. ................................................................................................................................................ 125 xi Tabela A.19 - Análise de modos de falha e efeitos dos fornos. ............................................. 127 Tabela A.20 - Análise de modos de falha e efeitos das embaladoras. .................................... 129 Tabela A.21 - Análise de modos de falha e efeitos das batedeiras. ........................................ 130 Tabela A.22 - Análise de modos de falha e efeitos dos moinhos. .......................................... 132 Tabela A.23 - Análise de modos de falha e efeitos dos refrigeradores de água. .................... 133 xii Acrónimos AMFE – Análise de Modos de Falha e Efeitos AMFEC – Análise de Modos de Falha e Efeitos e Criticalidade D – Detecção HACCP – Análise de Controlo de Risco e Pontos Críticos MC – Manutenção Correctiva MCE – Manutenção Correctiva de Emergência MCP – Manutenção Correctiva Planeada MM – Manutenção Melhorativa MP – Manutenção Preventiva MTBF – Tempo Médio Entre Falhas MTTR – Tempo Técnico Médio de Reparação NPR – Número Prioritário de Risco PCC’s – Pontos Críticos de Controlo O – Ocorrência S – Severidade SGM – Sistema de Gestão da Manutenção SGQ – Sistema de Gestão da Qualidade xiii xiv Capítulo 1 Introdução 1 Introdução O estágio realizado na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. resultou de uma parceria entre o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) e a empresa em causa, com o intuito de proporcionar aos discentes um contacto com o ambiente empresarial. No seu enquadramento original, teve como principais objectivos optimizar e monitorizar alguns dos processos do Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQ), nomeadamente através do uso de ferramentas de controlo estatístico, o sistema de Análise de Controlo de Risco e Pontos Críticos, vulgarmente designado por HACCP (das iniciais da designação em inglês Hazards Analysis and Controlo of Critical Points) e do Sistema de Gestão da Manutenção. Contudo, centrou-se essencialmente no desenvolvimento de metodologias para a optimização da Gestão da Manutenção, visto que foi neste subprocesso que se verificou a existência de maior potencial de sistematização. A manutenção diz respeito ao conjunto das acções conduzidas com a finalidade de assegurar o bom funcionamento das instalações e equipamento fabril, garantindo a regularidade da produção, a sua qualidade e a segurança com o mínimo de custos totais. Deste modo, pode-se evitar que haja avarias ou diminuição do rendimento do equipamento industrial e, caso este aconteça possam ser repostas as boas condições de operacionalidade com a maior brevidade e com um custo global optimizado (Cabral, 1998; Kelly, 1989). Inequivocamente, manutenção é uma das áreas mais relevantes e actuantes da actividade industrial devido à sua contribuição para o bom desempenho e rendimento produtivo, a segurança, a qualidade do produto, as boas relações interpessoais, a imagem da empresa, a rentabilidade económica do processo de produção e a preservação dos investimentos (Pinto, 1995). Os objectivos da manutenção industrial estão incondicionalmente associados aos objectivos da empresa, podendo enumerar-se os seguintes: reduzir custos, evitar paragens com perdas de produção, reduzir tempos de não disponibilidade do equipamento, reduzir emergências e número de avarias, melhorar a qualidade de produção, aumentar a segurança, aumentar o tempo de vida dos equipamentos e aumentar o “output” da produção (Cabral, 1998; Kelly, 1989; Monteiro, 2000). Apesar de existir um plano de manutenção preventiva na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda., a manutenção dos equipamentos produtivos é feita maioritariamente quando se verifica uma avaria ou devido à degradação progressiva e detectável de equipamento. Deste modo, para optimizar o sector da manutenção trabalhou-se no sentido de dotar o Sistema de Gestão da Manutenção, comummente reactivo, com uma componente preventiva. Assim, para o desenvolvimento de novas metodologias de manutenção preventiva usou-se uma ferramenta da qualidade, Análise de Modos de Falha e Efeitos e Criticalidade (AMFEC), tendo em conta 2 linhas de produção (croissant simples e pão de bico) que englobassem os equipamentos produtivos com índice de criticalidade superior. Esta técnica foi implementada com o objectivo de identificar, reduzir ou mesmo eliminar as potenciais falhas dos equipamentos produtivos aquando a confecção de produtos. A partir dos resultados obtidos da sua implementação definiu-se um plano de manutenção preventiva relativamente aos Catarina Alexandra dos Santos Nunes 1 Capítulo 1 Introdução equipamentos integrados nas linhas de fabrico dos produtos croissant simples e pão de bico e, ainda, outros equipamentos que se consideram relevantes mas que não constam nas linhas de produção principais, tendo em conta os aspectos económicos e as consequências de eventuais paragens. No sentido de prever que tipos de falhas acarretam maiores custos de manutenção efectuou-se uma análise de custos de manutenção para cada equipamento e respectivas falhas. 1.1 Principais objectivos no desenvolvimento do trabalho de estágio O presente relatório de estágio foi desenvolvido como reporte das actividades levadas a cabo durante o período de 1 de Novembro de 2011 a 31 de Julho de 2012, as quais se centraram fundamentalmente na análise e optimização do Sistema de Gestão da Manutenção, apesar de se ter desenvolvido também um acompanhamento das acções, quer ao nível do SGQ, e quer do HACCP. Ao nível do Sistema de Gestão da Manutenção adoptou-se uma estratégia que consistiu primeiramente em seleccionar duas linhas de produção que englobassem a maioria dos equipamentos produtivos, sistematizando-se posteriormente os fluxogramas referentes à produção do croissant simples e pão de bico. Seguidamente, listaram-se os equipamentos integrantes dos fluxogramas mais críticos e analisaram-se as suas frequências de falha durante o período de estudo do processo de manutenção. A identificação dos equipamentos produtivos críticos foi conseguida através da análise de documentação da empresa, dos registos diários do técnico de manutenção, assim como de conhecimento extraído por contacto directo com o chefe de produção e com o técnico de manutenção. Posteriormente, determinaram-se os modos de falha mais frequentes e o respectivo número de ocorrências. Mais tarde, recorreu-se à ferramenta AMFE, que é uma técnica de engenharia da qualidade que permite definir, identificar e eliminar falhas. Ou seja, permite avaliar e minimizar os riscos de falha de um produto, recorrendo à análise do modo de falha, das causas de falha, dos efeitos de falha, dos modos de detecção, do número prioritário de risco (). Esta informação permitiu numa fase posterior estabelecer planos de acção correctiva mais adequados. A existência de uma boa Gestão da Manutenção permite garantir a disponibilidade e fiabilidade dos equipamentos produtivos e por conseguinte assegurar a qualidade de produtos (Souris, 1992). Neste sentido, durante o período de estágio o trabalho realizado visou um maior controlo e supervisão do processo de manutenção, bem como a melhoria de métodos de organização, quer ao nível do espaço de manutenção quer do técnico, na medida de rentabilizar o seu tempo na realização das tarefas de manutenção. A implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade é uma mais valia, uma vez que permite abordar as actividades de uma forma coordenada para dirigir e controlar uma organização no que respeita a qualidade. Neste sentido efectuou-se um acompanhamento das acções do Sistema de Gestão da Qualidade implementado na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda., das quais se destacam a revisão e actualização de determinados requisitos da norma NP EN ISO 9001:2008. O Sistema de HACCP é uma ferramenta essencial na protecção alimentar, tendo fundamentalmente um carácter preventivo. A sua implementação previne/minimiza os riscos 2 Capítulo 1 Introdução alimentares, através da eliminação ou redução da probabilidade de ocorrência de produtos não conformes. Neste contexto, efectuou-se o controlo e monitorização diária dos pontos críticos de controlo (PCC’s) definidos na Fábrica de Pastelaria de São Silvestre, Lda. e elaborou-se um plano de HACCP para dois produtos, pirâmides de chocolate e batidos de pão-de-ló. Os três processos mencionados podem-se interligar de acordo com a Figura 1.1. Figura 1.1 - Interligação entre o SGM, SGQ e HACCP. Quer o Sistema de Gestão da Manutenção, quer o Sistema de HACCP podem ser enquadrados no Sistema de Gestão da Qualidade, que no caso particular da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. é gerido de acordo com norma NP EN ISO 9001:2008. O Sistema de Gestão da Manutenção pode ser integrado no requisito 6.3 Infraestruturas da norma de referência. No que respeita o Sistema de HACCP a ISO 9001 serve de suporte para a sua implementação e, juntos, são essenciais para promover a garantia de segurança na indústria alimentar, pelo que os seus requisitos complementamse. O trabalho de estágio desenvolvido na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. ocorreu aos níveis representados na Figura 1.1. No entanto o objecto de estudo foi o Sistema de Gestão da Manutenção, uma vez que ao desenvolver acções neste nível promoveu-se a melhoria contínua dos processos Sistema de Gestão da Qualidade, nomeadamente ao nível do requisito 6.3 Infraestruturas da norma NP EN ISO 9001:2008, e melhorou-se o serviço de manutenção dos equipamentos produtivos e, consequentemente levou a um melhoramento ao nível da segurança alimentar. Contudo também se realizaram planos de HACCP para dois produtos específicos da empresa e actualizaram-se determinados requisitos da norma NP EN ISO 9001:2008, que contribuíram por sua vez para a optimização do Sistema de Gestão da Manutenção. O que significa que estes três processos se encontram interligados e ao promover acções de melhoria num deles potencia-se a melhoria contínua dos restantes. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 3 Capítulo 1 Introdução 1.2 Apresentação da Empresa A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. localiza-se no concelho da Lousã, na zona industrial do Alto Padrão. Esta empresa, dedicada ao processamento de produtos de pastelaria e padaria, foi fundada em 1990 com um capital social inicial de 5000€, sendo oriunda da Pastelaria Royal criada em 1976 por um casal ex-emigrante da Alemanha. Em 1991/1992, com ajuda dos fundos comunitários, este casal decidiu apostar na produção passando de uma área de produção de 50 m2 para uma área de 400 m2. Apesar do nome actual da empresa ter sido criado em 1990, as novas instalações com uma área de 1600 m2 na zona industrial do Alto Padrão da Lousã foram apenas inauguradas em 2002. Mais tarde, vislumbrando a necessidade e vantagens de obter a certificação da Qualidade, foi desenvolvido um processo de implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade, segundo a norma ISO 9001:2001, tendo a acreditação sido concebida em Abril de 2005. Actualmente, a empresa tem implementado e certificado o Sistema de Gestão da Qualidade, que se rege pela norma NP EN ISO 9001:2008 e que enquadra a ferramenta HACCP, de modo a evidenciar as acções levadas a cabo com a segurança alimentar. O Sistema de Gestão da Manutenção não tem uma existência separável do SGQ, mas configura um conjunto de práticas que cada vez mais se enquadram no objectivo de melhoria contínua. Por outro lado, tem-se ganho a evidência, de que tal sistema tem relevância efectuada ao nível da qualidade, quer enquanto percepcionada a nível interior, quer após a expedição. A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. é produtora de doçaria regional como o doce “Serranitos” e compreende ainda 4 postos de venda e um restaurante, contando com a colaboração de 50 funcionários. Presentemente, o mercado abrangido pela Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. localiza-se no distrito de Coimbra, com predominância no concelho da Lousã estendendo-se também ao sul do distrito de Aveiro e Norte de Leiria. A empresa tem-se focado no constante melhoramento e actualização de equipamento produtivo e da optimização do processo, bem como na formação contínua dos seus colaboradores, promovendo acções de formação relacionadas com as suas funções e ajustando as mesmas de acordo com as suas necessidades. Esta é, de facto, a base da estratégia de crescimento e desenvolvimento adoptada pela Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. (Costa, et al., 2011). Na Figura 1.2. apresenta-se a localização das instalações da empresa. Figura 1.2 – Localização da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. 4 Capítulo 1 Introdução A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. encontra-se estruturalmente organizada segundo o organograma apresentado na Figura 1.3. Sendo que as funções e responsabilidades de cada colaborador da empresa encontram-se descritas no manual de funções e na documentação do Sistema de Gestão da Qualidade da organização. Figura 1.3 – Estrutura organizacional da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. (Costa, et al., 2011). 1.3 Organização do Relatório de Estágio Este relatório envolve mais sete capítulos. No capítulo 2 analisa-se o SGQ da empresa de forma detalhada e listam-se as actividades levadas a cabo que se prendem com a sua manutenção e operação. O capítulo 3 centra-se na caracterização do Sistema de Gestão da Manutenção. O capítulo 4 introduz as bases conceptuais da ferramenta da qualidade usada para identificar e clarificar as falhas potenciais – a Análise Modal de Falhas e Efeitos. O capítulo 5 consiste no tratamento e análise dos resultados obtidos a partir da ferramenta da qualidade AMFE. O capítulo 6 foca-se na caracterização dos custos de manutenção que os principais modos de falha acarretaram e o capítulo 7 estrutura um novo plano de manutenção. Finalmente, o capítulo 8 apresenta algumas conclusões decorrentes do trabalho. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 5 6 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa O conceito de qualidade é relativo, visto que existe uma variedade de interpretações resultantes da percepção de cada indivíduo, conduzindo, portanto, à inexistência de um conceito universal que satisfaça todo o tipo de organizações e culturas (Pires, 2004; Santos, 2010). A qualidade pode tomar várias dimensões que dependem da percepção do consumidor, tal como se demonstra na Figura 2.1. Figura 2.1 – Representação esquemática das várias dimensões que podem ser associadas ao conceito da qualidade (Pires, 2004). Mesmo existindo uma infinidade de percepções da qualidade, esta está sempre associada à satisfação das necessidades dos clientes, assim como ao preço que os consumidores estão dispostos a pagar por ela. Segundo a Associação Francesa de Normalização as necessidades dos clientes podem ser de dois tipos, nomeadamente (Gogue, et al., 1983): • a necessidade definida pelo cliente num contrato ou numa encomenda; • a necessidade estabelecida pelo produtor após um estudo de mercado, sendo que a natureza das necessidades pode evoluir no tempo e variar em virtude do meio social. A qualidade é expressa por um conjunto de características medidas, que podem ser comparadas com um outro conjunto de características previstas na definição do produto. É, portanto, uma grandeza multidimensional, visto que se podem configurar imensos referenciais, um para cada produto ou mesmo um para cada cliente. A análise da qualidade de um produto é feita através de cinco parâmetros, mais especificamente: as características, “performances” funcionais, disponibilidade/fiabilidade, segurança e factores sensoriais. Com o intuito de elucidar que Catarina Alexandra dos Santos Nunes 7 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa características podem ser utilizadas na avaliação da qualidade de um produto e sendo este termo muito geral, apresentam-se na Tabela 2.1 exemplos de sectores produtivos e respectivas características, note-se que apenas se configuram alguns a título de exemplo. Tabela 2.1 - Exemplos de características para análise da qualidade de um produto. Sector Características (exemplos) Agro – alimentar Peso, volume, forma, teor de gordura, de açúcar, de corantes Automóvel Dimensões do “chassis”, peso do veículo, potência do motor Construção Dimensões das divisões, espessura das paredes e das divisórias, os coeficientes de isolamento térmico e acústico Uma análise dos parâmetros usados para caracterizar a qualidade revela que a “performance” funcional diz respeito à função principal que o produto deve cumprir, por outro lado, o conceito de disponibilidade está associado à fiabilidade e à manutibilidade. A fiabilidade é considerada uma extensão da “qualidade” no tempo. Ou seja, a qualidade de um produto é a sua conformidade a uma especificação à saída da fábrica, em que = 0, e a fiabilidade é usada como a função de medir essa conformidade durante o “tempo de funcionamento”. A manutibilidade define-se como sendo a probabilidade de recuperar um sistema de condições de funcionamento especificadas, em prazos de tempo estipulados, quando as acções de manutenção são executadas em condições e com métodos previstos, tendo como principais objectivos o design e a concepção de sistemas e equipamentos que possam ser submetidos a intervenções da manutenção no mais curto espaço de tempo (Cabral, 1998; Ferreira, 1998; Giagi, 2005). O parâmetro de avaliação segurança é exprimido pela probabilidade de acidentes, sendo que os valores experimentais são comummente baixos. Por fim, os factores sensoriais são aqueles que não concernem directamente ao funcionamento do produto. No entanto, contribuem para o conforto ou prazer do utilizador (Gogue, et al., 1983). As empresas devem estabelecer e assegurar um ciclo de qualidade, que envolve a sequência de todos os processos e subprocessos da organização, bem como a interacção entre os mesmos. Na Figura 2.2 representa-se o ciclo de qualidade. 8 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa Figura 2.2 – Representação do ciclo de qualidade (Pires, 2004). O ciclo de qualidade desenvolve-se de forma constante e repetida. Este ciclo tem início quando a organização identifica as necessidades dos processos e dos clientes através de várias técnicas de marketing e inquéritos partindo depois para a concepção do produto/serviço tendo em conta as especificações técnicas obtidas a partir dos clientes, por forma a que se cumpram os requisitos/necessidades. Após a prestação do serviço/processo de fabrico segue-se a avaliação realizada pelo cliente, bem como da performance interna. Estas duas componentes são posteriormente utilizadas na avaliação do desempenho do produto/serviço e se necessário são implementadas acções correctivas/preventivas para quando o ciclo recomeçar existir melhoria adicional. No caso particular da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. a empresa primeiramente estabelece as necessidades dos processos e dos clientes utilizando técnicas de marketing e inquéritos, seguidamente desenvolve-se o processo de concepção do produto baseado nas necessidades e expectativas do cliente que são expressas por um conjunto de características quantificadas designadas especificações técnicas. Após a etapa de definir, planear e desenvolver, sob condições controladas, os procedimentos essenciais à realização do produto, no sentido de cumprir os requisitos/necessidades dos clientes, procede-se ao processo de fabrico propriamente dito, que é controlado ao longo das suas várias etapas. Com o intuito da empresa monitorizar a informação associada à percepção dos clientes relativamente ao produto fornecido, esta baseia-se na análise de indicadores, nomeadamente reclamações, inquéritos, volume de vendas e fidelização. A empresa também realiza uma avaliação interna através da determinação, reunião e análise de informação associada aos seus processos com base em indicadores da qualidade. De acordo com as avaliações interna e a realizada pelos clientes a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. procede à análise de desempenho dos processos, estabelece acções preventivas e identifica oportunidades de melhoria. Seguidamente, o ciclo recomeça para uma melhoria adicional. Na sua génese, o Sistema de Gestão da Qualidade consiste num conjunto de medidas organizacionais capazes de alcançar um nível de qualidade aceitável, efectiva e competitiva, ao mínimo custo. A sua implementação tem por objectivo abordar de forma sistemática todas as Catarina Alexandra dos Santos Nunes 9 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa actividades que possam afectar a qualidade, favorecer as actividades de prevenção, fornecer uma evidência objectiva de que foi atingido um nível de qualidade viável (compatível com os custos associados) e, ainda, simplificar o modo de planeamento e estabelecimento de processos de monitorização, medição, análise e melhoria (Antunes, 2009; Cabral, 2009). Existe uma variedade de razões para as organizações optarem pela implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade, das quais se salientam (Duarte, 2011): • fornecer confiança aos clientes de que a qualidade é alcançada; • dar confiança à gerência de que é atingido um nível de qualidade aceitável, ao mínimo custo; • clientes e potenciais clientes exigirem um Sistema de Gestão da Qualidade; • os concorrentes já possuírem um Sistema de Gestão da Qualidade implementado, e tal ser visto como um factor de competitividade; • a utilização de marcas de conformidade requererem o Sistema de Gestão da Qualidade formalizado. As normas relacionadas com a Gestão da Qualidade surgiram por exigência dos grandes compradores e possuidores de sistemas complexos aos fornecedores de componentes e subsistemas, por forma a assegurar que os produtos adquiridos funcionariam adequadamente em serviço e eram compatíveis. As normas de garantia de qualidade podem ser agrupadas em NP EN ISO 9001 e NP EN ISO 9004. As normas NP EN ISO 9001 estabelecem requisitos e podem ser utilizadas como documentos contratuais. Este tipo de norma é implementada quando a organização necessita de demonstrar a sua capacidade de fornecer produtos que cumprem os requisitos legais, regulamentares e do cliente, pretendendo aumentar o seu nível de satisfação. No que respeita as normas NP EN ISO 9004, estas instituem orientações para o desenvolvimento de sistema da qualidade e melhoria do desempenho da organização (Lopes, et al., 2007; Pires, 2004). Da família de normas NP EN ISO 9001 destaca-se a norma NP EN ISO 9001:2008. Esta norma especifica requisitos para um Sistema de Gestão da Qualidade em que uma organização necessita de demonstrar a sua capacidade para fornecer produto conforme de modo a cumprir os requisitos do cliente e os regulamentares aplicáveis. Por outro lado, visa aumentar o nível de satisfação dos clientes através da implementação eficaz do sistema, envolvendo processos de melhoria contínua e garantia de conformidade com os requisitos do cliente e com normas regulamentares aplicáveis (Pinto, et al., 2009). A Tabela 2.2 apresenta a estrutura da norma NP EN ISO 9001:2008. 10 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa Tabela 2.2 – Estrutura da norma NP EN ISO 9001:2008. Estrutura da norma NP EN ISO 9001:2008 Secção Cláusulas 4. Sistema de Gestão da Qualidade 4.1 Requisitos gerais A organização deve estabelecer, documentar, implementar um Sistema de Gestão da Qualidade e melhorar continuamente a sua eficácia de 4.2 Generalidades acordo com esta norma (CT80, 2008) . 5. Responsabilidade da gestão 5.1 Comprometimento da gestão 5.2 Focalização no cliente Esta secção tem como objectivo assegurar o comprometimento e envolvimento activo da gestão de topo no desenvolvimento e implementação do Sistema de Gestão da Qualidade e na melhoria da sua eficácia (Pinto, et al., 2009). 5.3 Política da qualidade 5.4 Planeamento 5.5 Responsabilidade, autoridade e comunicação 5.6 Revisão pela gestão 6. Gestão de recursos Esta secção tem como finalidade disponibilizar os recursos necessários para assegurar que o SGQ atinja os seus objectivos e que as necessidades dos clientes sejam satisfeitas (Apcer, 2010). 6.1 Provisão de recursos 6.2 Recursos humanos 6.3 Infraestrutura 6.4 Ambiente de trabalho 7. Realização do produto 7.1 Planeamento da realização do produto 7.2 Processos relacionados com o cliente A organização deve planear e desenvolver processos necessários à realização do produto (CT80, 2008). 7.3 Concepção e desenvolvimento 7.4 Compras 7.5 Produção e fornecimento de serviço 8. Medição, análise e melhoria 8.1 Generalidades 8.2 Monitorização e medição A organização deve planear e implementar os processos de monitorização, medição, análise e melhoria necessários (CT80, 2008). 8.3 Controlo do produto conforme 8.4 Análise de dados 8.5 Melhoria Catarina Alexandra dos Santos Nunes 11 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa A norma NP EN ISO 9001:2008 encontra-se sustentada nos 8 princípios da Gestão da Qualidade, estipulados na norma NP EN ISO 9001:2005. Tais princípios foram definidos nos anos 90 com base nas perspectivas de grandes entendedores da Qualidade, mais especificamente Deming, Juran, Crosby e entre outros (Apcer, 2010). Os oitos princípios da norma NP EN ISO 9001:2008 podem ser explicitados do seguinte modo: • Focalização no cliente: refere que as organizações dependem dos seus clientes e, portanto devem compreender as suas necessidades, quer actuais, quer futuras, e assim satisfazer os seus requisitos e superar as suas expectativas. • Liderança: Os líderes da organização devem criar e manter um ambiente interno que proporcione o envolvimento das pessoas no sentido de serem atingidos os objectivos da qualidade estabelecidos. • Envolvimento das pessoas: O pleno envolvimento das pessoas possibilita que as suas competências favoreçam a organização no sentido de serem atingidos os objectivos da qualidade definidos. • Abordagem por processos: No sentido da organização obter o resultado desejado de modo mais eficaz deve gerir as actividades e recursos associados como somente um processo. • Abordagem da gestão como um sistema: Este princípio refere que a organização deve identificar, compreender e gerir processos inter-relacionados no sentido de atingir os seus objectivos de forma eficaz e eficiente. • Melhoria contínua: A organização deve estabelecer a melhoria contínua do seu desempenho global como objectivo permanente. • Abordagem à tomada de decisão baseada em factos: as decisões eficazes são tomadas tendo em conta a análise de dados e informações. • Relações mutuamente benéficas com fornecedores: refere que a organização e os seus fornecedores devem possuir uma relação interdependente e sendo benéfica poderá favorecer mutuamente ambas as partes, desenvolvendo capacidades para criar valor. A Figura 2.3 apresenta o enquadramento dos princípios da norma NP EN ISO 9001:2008. 12 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa Figura 2.3 – Representação esquemática dos princípios da norma NP EN ISO 9001:2008. A Tabela 2.3 mostra em que requisitos os princípios da norma NP EN ISO 9001:2008 são tidos em conta. Tabela 2.3 – Princípios da norma NP EN ISO 9001:2008 e os requisitos nos quais se têm em conta. Princípio Requisitos da norma NP EN ISO 9001:2008 Focalização no cliente 5.1. a), 5.2, 5.3, 5.4.1, 5.5.2, 7.2, 7.5.4, 8.1, 8.2.1 Liderança 5.1, 5.3, 5.4.1, 5.5.1, 5.5.3, 6.2.2, 6.4 Envolvimento das pessoas 5.4.1, 5.5.1, 5.5.3, 6.4, 7.3.4 Abordagem por processos 4.1 a), 4.1 c), 4.1 e), 4.1 f), 4.2.3, 5.4.1,5.5.3, 5.6.1, 6.1, 7.3, 7.4, 7.5, 8.2.3, 8.5.2, 8.5.3 Abordagem da gestão com um sistema 4.1 a), 4.1 b), 4.2.2, 5.4.2, 8.1 Melhoria contínua 4.1 f), 5.1, 5.3, 5.6, 6.1, 8.1, 8.4, 8.5.1 Abordagem à tomada de decisão baseada em factos 4.1 e), 4.2.1 d), 4.2.4, 5.4.1, 5.6, 7.3.4, 7.5.2, 7.6, 8.1, 8.2.3 Relações mutuamente benéficas com fornecedores 7.4.1, 8.1, 8.4 d) O modelo de um Sistema de Gestão da Qualidade baseado em processos traduz a interacção das partes enquadradas num sistema, apresentadas nas secções 4 a 8 da norma NP EN ISO 9001:2008. Assim sendo, na Figura 2.4 ilustra-se o modelo de um Sistema de Gestão da Qualidade fundamentada em processos (CT80, 2008). Catarina Alexandra dos Santos Nunes 13 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa Figura 2.4 – Representação do processo melhoria contínua do Sistema de Gestão da Qualidade ( (CT80, 2008). Resumidamente, o modelo de abordagem por processos pode ser descrito do seguinte modo (Pinto, et al., 2009): • a gestão de topo estabelece os requisitos (secção 5 - Responsabilidade da gestão), através dos processos associados com o planeamento estratégico, estabelecimento de políticas e objectivos da qualidade. • os recursos são determinados e alocados (secção 6 – Gestão de recursos), compreendendo todos os processos para a provisão de recursos necessários para que os objectivos da qualidade da organização estabelecidos sejam atingidos, assim como para a obtenção dos resultados desejados; • os processos são definidos e executados (secção 7 – Realização de produto), envolvendo o planeamento e desenvolvimento de procedimentos necessários para a realização do produto, no sentido da organização alcançar o resultado desejado; • os resultados obtidos são medidos, analisados e aperfeiçoados (secção 8 – Medição, análise e melhoria), o que contempla os processos necessários para a monitorização e recolha de dados para posteriormente analisar o desempenho e promover a melhoria da eficácia e eficiência. • retorno da informação para melhoria (cláusula 5.6 – Revisão pela gestão e cláusula 8.4 – Análise de dados), tal é conseguido através da revisão do SGQ da organização de modo a garantir que se mantém adequado e eficaz e pela análise de dados com a qual a organização consegue demonstrar a adequação do SGQ e promover a sua melhoria contínua. Note-se que este modelo evidencia que os clientes possuem um papel significativo no estabelecimento de requisitos como entradas. A monitorização do nível de satisfação de clientes 14 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa implica a avaliação da informação, tendo consciência da sua percepção no que respeita ao cumprimento, por parte da organização, dos requisitos (CT80, 2008). O objectivo de auditar um Sistema de Gestão da Qualidade implementado de acordo com a norma NP EN ISO 9001:2008 é avaliar se a organização identifica e gere os seus processos segundo a metodologia “Plan-Do-Check-Act” (PDCA). Posto isto, na Figura 2.5 explicita-se a metodologia PDCA (Apcer, 2010). Figura 2.5 – Metodologia PDCA. No sentido de implementar e garantir uma melhoria contínua do processo, é necessário que as organizações estabeleçam e apliquem uma metodologia PDCA. Esta estratégia está em sintonização com os paradigmas de Deming, particularmente no que se refere à necessidade de melhoria contínua. A metodologia centra-se em quatro passos sequenciais (Apcer, 2010; Lobo, 2011): • Planear (plan): significa estabelecer objectivos e processos necessários para apresentar resultados conforme os requisitos do cliente e as políticas da organização. • Executar (do): sugere a implementação de processos de acordo com o planeado. • Verificar (check): consiste em monitorizar e medir processos/produto em comparação com políticas, objectivos e requisitos para o produto e reportar os resultados. • Actuar (act): está relacionada com a realização de acções para a melhoria contínua do desempenho dos processos. Esta metodologia é extensível a todos os processos e subprocessos de uma organização, desde a produção até à função gestão. Note-se que todas as fases do ciclo PDCA são fundamentais na organização, no entanto há que realçar a fase “Actuar”, pelo que depois de terminar um projecto de melhoria (acção) tem que se analisar o seu desempenho e estudar como melhorar da próxima vez, implementando acções para promover a melhoria contínua quando recomeçar o ciclo (Santos, 2010). Catarina Alexandra dos Santos Nunes 15 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa De seguida, é descrito sumariamente o Sistema de Gestão da Qualidade implementado na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda., o qual está estruturado em conformidade com a NP EN ISO 9001:2008. 2.1 Sistema de Gestão da Qualidade (Requisito 4 da NP EN ISO 9001:2008) Este requisito da NP EN ISO 9001:2008 refere que a organização deve identificar e saber gerir os processos necessários à implementação do SGQ (Apcer, 2010). Os processos da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. necessários à implementação do Sistema de Gestão da Qualidade encontram-se identificados no “mapa de processos”, Figura 2.6, no qual constam também a sequência e interacção entre eles (Costa, et al., 2011). Os processos fundamentais para o Sistema de Gestão da Qualidade são os seguintes: • Gestão de encomendas; • Compras; • Concepção e desenvolvimento; • Produção e fornecimento de produtos; • Gestão de recursos; • Gestão do SGQ; • Gestão da informatização; • Medição e monitorização. A identificação e caracterização dos processos baseiam-se nas entradas, saídas, modo de interacção e responsáveis de cada processo. Na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. os processos do Sistema de Gestão da Qualidade surgem pelo pedido do cliente, sendo este processo denominado de gestão de encomendas. Após a recepção do pedido do cliente podem ser despoletados o processo de compras, produção e fornecimento do produto, gestão de recursos e concepção de desenvolvimento. Através destes processos são reunidos todos os dados essenciais à identificação de requisitos, alocação de recursos humanos, materiais, equipamentos e meios técnicos de suporte importantes para a confecção, determinando contactos necessários com o cliente para a aclaração de dúvidas que podem eventualmente surgir. O processo de concepção e desenvolvimento de produtos pode efectuar-se a partir do pedido do cliente ou por iniciativa interna da organização. A interacção entre o processo de gestão de encomendas e o processo de compras ocorre quando é identificada uma necessidade no âmbito da aquisição de meios de suporte à realização e/ou alocação de recursos materiais e/ou subcontratados. Os processos de gestão de recursos, medição e monitorização e gestão da informação são considerados processos de apoio que funcionam com base na informação e necessidades dos restantes, conduzindo a uma melhoria interna do sistema. 16 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa A medição e monitorização avaliam o nível de satisfação do cliente actuando o plano dos processos de gestão de encomendas e de produção e fornecimento de produto. O processo de Sistema de Gestão da Qualidade reflecte a análise de dados e necessidades dos restantes processos, bem como a da implementação de estratégias de melhoria e satisfação das necessidades pela melhoria interna (Costa, et al., 2011). Na Figura 2.6 apresenta-se o mapa de processos da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. O requisito 4.2. da NP EN ISO 9001:2008 indica que deve ser desenvolvida a documentação necessária ao suporte da gestão dos processos. Com a documentação pretende-se assegurar e validar os resultados e a evidência das actividades e dos processos, permitindo que a empresa tenha a capacidade de demonstrar a si própria, aos seus clientes e a terceiros que está apta para fornecer produto de forma consistente (Miguel, et al., 2011). Figura 2.6 - Mapa de processos da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. (Costa, et al., 2011). Na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. o Sistema de Gestão da Qualidade assenta numa estrutura documental dividida em três níveis: nível estratégico, nível organizacional e nível operacional. O nível estratégico baseia-se nas orientações globais da empresa ao plano funcional e organizacional, servindo de referência ao Sistema de Gestão da Qualidade. Este nível compreende documentos como o Manual da Qualidade, os objectivos do sistema, a política da qualidade e a identificação de processos e respectiva sequência e interacção. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 17 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa O nível organizacional descreve as disposições necessárias para cumprir os requisitos, tendo por base documentos como sejam procedimentos de qualidade, manual de funções e o Manual de HACCP. Do nível operacional constam as instruções de trabalho e esquemas que sistematizam de forma sequencial as etapas necessárias para a execução de uma determinada função. O desenvolvimento e monitorização de uma actividade é levado a cabo por um conjunto de impressos, documentos externos, normas, entre outros documentos disponíveis. Na Figura 2.7 apresenta-se o diagrama que descreve a estrutura documental da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda.. Figura 2.7 – Diagrama representativo da estrutura documental da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. (Costa, et al., 2011). O Manual da Qualidade (requisito 4.2.2 da NP EN ISO 9001:2008) é um documento extremamente importante, uma vez que descreve a forma como a empresa aborda os requisitos da norma, definindo o campo de aplicação (Santos, 2010). O Manual da Qualidade da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. é o documento de referência do Sistema de Gestão da Qualidade, baseando-se na política da qualidade, nas responsabilidades dos departamentos e nas suas interligações, bem como nos procedimentos que asseguram a qualidade dos produtos da empresa. É, naturalmente, utilizado como documento de referência por todos os colaboradores da organização e permite uma conspecção global do funcionamento da empresa (Costa, et al., 2011). De acordo com o processo controlo de documentos, cláusula 4.2.3 da NP EN ISO 9001:2008, os documentos descritos na secção 4.2 da norma NP EN ISO 9001:2008 que permitem garantir o planeamento, operação e controlo eficaz dos processos devem ser controlados. Isto é, a organização deve definir, num procedimento documentado quem, como e quando se efectua o controlo assim como deve existir sempre uma versão actualizada e aprovada dos documentos, estando disponível para consulta quando necessária (Antunes, 2009). O controlo do Manual da Qualidade na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. é realizado de acordo com o procedimento de qualidade PQ420. A distribuição e divulgação dos documentos são controladas com o intuito de garantir a acessibilidade, 18 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa a aptidão à utilização a que se destina, assegurar a legibilidade dos documentos e utilização de versões actualizadas e, ainda, prevenir o uso de versões desactualizadas (Costa, et al., 2011). O requisito 4.2.4 da NP EN ISO 9001:2008 Controlo de registos, refere que os registos devem ser mantidos adequados, actualizados e disponíveis sempre que a organização pretenda ou lhe seja pedido para demonstrar a conformidade de produtos, de processos e do Sistema de Gestão da Qualidade (Apcer, 2010). Na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. os registos de qualidade são controlados segundo o procedimento de qualidade PQ420/A, sendo mantidos em arquivo durante um período estipulado na lista de controlo, que define as condições para assegurar a sua identificação, armazenamento, protecção, recuperação, tempo de retenção e organização (Costa, et al., 2011). 2.2 Responsabilidade da Gestão (Requisito 5 da NP EN ISO 9001:2008) Este requisito tem por objectivo o comprometimento e envolvimento activo da gestão de topo no progresso e implementação do Sistema de Gestão da Qualidade, bem como na melhoria contínua do mesmo. Os líderes da organização devem criar um ambiente interno que possibilite o desenvolvimento dos colaboradores de forma a atingir os objectivos definidos pela empresa (Gogue, et al., 1983). Assim sendo, na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. o líder, Luís Campos, assume a responsabilidade de estabelecer, complementar e melhorar continuamente os processos associados ao Sistema de Gestão da Qualidade, sendo promotor do desenvolvimento dos colaboradores de modo a que se satisfaçam os requisitos do cliente, a política da qualidade e se maximize a contribuição de cada um para os objectivos da empresa (Costa, et al., 2011). Segundo a norma NP EN ISO 9001:2008, o requisito 5.2 Focalização no cliente, assenta no princípio de que as organizações dependem dos clientes e como tal devem compreender as suas necessidades, cumprir os seus requisitos e exceder, se possível as suas expectativas. Portanto, na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. os requisitos do cliente são determinados de acordo com o descrito no procedimento de qualidade PQ720, constante no Manual da Qualidade. Com o intuito de garantir que as necessidades e expectativas do cliente são atingidas, a sua satisfação é avaliada à custa de questionários (Mod.010). Simultaneamente são identificados os requisitos explícitos e implícitos, que serão utilizados posteriormente como especificações para a realização do produto. A Política da Qualidade (requisito 5.3 da NP EN ISO 9001:2008) deve ser expressa de modo a poder enquadrar o estabelecimento de objectivos da qualidade e reflectir os valores fundamentais da empresa. Esta secção da norma deve, ainda, abordar as necessidades e expectativas dos clientes, o compromisso com a satisfação dos requisitos, quer normativos, quer legais, e/ou regulamentares, assim como os requisitos relacionados com o produto e com melhoria contínua do SGQ (CT80, 2008). Na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. a política da qualidade e os objectivos são definidos pela gestão de topo na reunião de revisão do sistema e afixados nas instalações para serem do conhecimento de todos os colaboradores (Costa, et al., 2011). De acordo com o requisito 5.4.1 os objectivos da qualidade devem ser adequados à política da qualidade e às necessidades dos clientes. Pretende-se que os objectivos da qualidade e a política da qualidade sejam uma linha de orientação para a organização, pelo que estes podem eliminar ou Catarina Alexandra dos Santos Nunes 19 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa reduzir potenciais problemas e potenciar melhorias (Apcer, 2010). Tal como a política da qualidade, os objectivos da qualidade na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. são estabelecidos anualmente na reunião de revisão do SGQ. Os objectivos da qualidade estipulados são mensuráveis e estão associados a cada princípio da política da qualidade, encontrando-se descritos no Mod.019. Naturalmente, como toda a documentação, estão acessíveis a todos os colaboradores. O Anexo II descreve os objectivos da qualidade consistentes com a política da qualidade assumida (Costa, et al., 2011). Segundo a cláusula 5.4.2 da NP EN ISO 9001:2008 a organização deve garantir um planeamento apropriado de forma a que os objectivos da qualidade sejam cumpridos e assegurar que a integridade do SGQ seja mantida numa situação de mudança (Pinto, et al., 2009). Assim sendo, na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. são identificadas e planeadas as acções necessárias para garantir o cumprimento desses objectivos. O planeamento do Sistema de Gestão da Qualidade encontra-se descrito no Acompanhamento de Objectivos da Qualidade e Processos (Costa, et al., 2011). O requisito 5.5 da NP EN ISO 9001:2008, Responsabilidade, autoridade e comunicação, indica que a organização deve estipular e divulgar a todos os colaboradores as suas responsabilidades, destacando-se as tarefas que têm que desempenhar e a sua autoridade, nomeadamente que colaboradores poderão tomar decisões autonomamente (Pires, 2004). Na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. as responsabilidades e cadeia de autoridade dos colaboradores encontram-se definidas no organograma, no manual de funções e na restante documentação do Sistema de Gestão da Qualidade. As responsabilidades dos colaboradores no interior da empresa são definidas de acordo com as qualificações de cada um, e caso se ausente um colaborador as suas funções são assumidas pelo seu superior hierárquico. De modo a cumprir a cláusula 5.5.2 da NP EN ISO 9001:2008, o representante da gestão (Gestor da Qualidade) deve assegurar a comunicação clara com todos os colaboradores da empresa, promovendo a consciencialização da operacionalização do Sistema de Gestão da Qualidade de modo a satisfazer as necessidades, requisitos dos clientes e exceder expectativas. Luís Campos é o representante da gestão da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda., e como tal aprova e faz cumprir a política da qualidade e os objectivos da qualidade, indo ao encontro das necessidades e expectativas dos clientes (Costa, et al., 2011). O requisito 5.5.3 da norma de referência tem como finalidade garantir a comunicação interna eficiente de todos os colaboradores da empresa no que respeita à eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade, à política e objectivos da qualidade e às acções planeadas para satisfazer os requisitos e necessidades dos clientes, bem como exceder as suas expectativas. A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. tem como princípio transmitir informação com segurança. Para além da comunicação verbal esta empresa adopta outros métodos para a divulgação de informação, salientando-se o fax, documentação diversa, cartas, procedimentos no campo Doc/Mc, instruções de trabalho e restante documentação do Sistema de Gestão da Qualidade. O requisito que trata a Revisão pela gestão requer que a organização avalie o nível de objectivos atingidos no período anterior e, de acordo com o estado em que se encontra, estabeleça objectivos para o período seguinte, identifique as necessidades de alterações ao sistema e ao respectivo 20 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa planeamento e analise a sua adequabilidade e eficácia. Com o processo de revisão pela gestão pretende-se monitorizar o Sistema de Gestão da Qualidade na medida de verificar se se encontra implementado de forma eficaz e se é vantajoso e apropriado para a organização (CT80, 2008). Por outro lado, a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. considera que a revisão do SGQ é um mecanismo para melhoria contínua, pelo que a análise metódica do sistema implementado, a verificação da sua adequabilidade e a avaliação dos dados que resultam da realização de acções estabelecidas conduzem a um novo plano de acções a desencadear. A revisão pela gestão do Sistema de Gestão da Qualidade implementado na empresa em questão é efectuada numa reunião anual, baseando-se em indicadores estipulados pelos objectivos da qualidade e em dados departamentais validados. 2.3 Gestão de Recursos (Requisito 6 da NP EN ISO 9001:2008) O requisito 6 da NP EN ISO 9001:2008 tem como finalidade assegurar que são definidos e facultados os recursos necessários à implementação do Sistema de Gestão da Qualidade e à sua melhoria contínua, no sentido de atingir os objectivos da qualidade e aumentar a satisfação do cliente (Miguel, et al., 2011). A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. dispõe de recursos, equipamentos e materiais necessários para o desenvolvimento da sua actividade, sendo estes monitorizados e verificada a sua adequabilidade sistematicamente. Nas reuniões de revisão do Sistema de Gestão da Qualidade são apresentadas as necessidades de recursos para aprovação pelo responsável da gestão. As necessidades de recursos estão associadas à implementação, manutenção e revisão do SGQ e à satisfação dos requisitos do cliente (Costa, et al., 2011). De acordo com o requisito Recursos humanos a organização deve identificar e assegurar as competências mínimas dos colaboradores que desenvolvem actividades directamente relacionadas com a qualidade do produto, identificar a necessidade de formação, estabelecer normas de selecção e recrutamento dos recursos humanos (Gogue, et al., 1983). Relativamente a este requisito, a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. possui um manual de funções (Mod.035) que descreve os requisitos mínimos, competência, escolaridade, formação e experiência necessária para efectuar determinada tarefa. Este manual requer ainda uma qualificação, efectuada pelo superior hierárquico, das funções para as quais os colaboradores se encontram habilitados a realizar, comprovada pelas assinaturas no registo de qualificações dos colaboradores (Costa, et al., 2011). A Competência, consciencialização e formação (requisito 6.2.2 da NP EN ISO 9001:2008) alude a que a organização identifique a competência necessária dos colaboradores e os avalie, promovendo acções de formação e outras acções eficazes relacionadas com as suas funções, ajustando-as de acordo com as suas necessidades de formação (Pinto, et al., 2009). A formação dos colaboradores é fundamental, visando assegurar que estes atinjam a competência que a organização necessita. Assim sendo, na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. os responsáveis de cada departamento determinam anualmente as necessidades de formação, sendo para isso usado o Mod.014, aprovadas pelo responsável de gestão. A seguir, é elaborado um plano anual de formação Catarina Alexandra dos Santos Nunes 21 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa para posteriormente ser aprovado pelo gerente Luís Campos na reunião de revisão do SGQ. Nas reuniões de revisão do Sistema de Gestão da Qualidade é também analisada a eficácia das acções de formação anteriores, bem como os seus efeitos, ficando o resultado relatado no relatório da reunião. A metodologia encontra-se definida no procedimento de qualidade PQ620. A consciencialização dos colaboradores relativamente à importância das suas actividades e de como estas contribuem para atingir os objectivos definidos pela empresa é realizada no acompanhamento do trabalho pelos responsáveis dos departamentos e pelo responsável da gestão de topo (Costa, et al., 2011). Segundo o requisito 6.3 da NP EN ISO 9001:2008, a organização deve assegurar uma infraestrutura capaz de permitir atingir a conformidade do produto, reconhecendo-se que são relevantes as tecnologias de informação nas empresas e o seu efeito na conformidade dos produtos (Apcer, 2010). A manutenção está enquadrada no processo de Gestão de Infraestruturas ao nível da ISO 9001:2008. No entanto, não se encontra directamente especificada na norma mencionada, mas sim indirectamente (Levitt, 2009), A infraestrutura da Fábrica da Pastelaria São Silvestre, Lda. é dirigida de modo a assegurar a conformidade do produto, sendo que o gerente Luís Campos, enquanto representante da gestão, se comprometeu a disponibilizar todos os recursos necessários e adequados à execução de cada actividade. Nesta empresa os equipamentos são sujeitos a manutenção periódica segundo o estipulado nos planos de manutenção actualizados anualmente. O colaborador da área de manutenção leva a cabo a manutenção dos equipamentos mais comuns. Por outro lado, é também o responsável pelo desencadeamento de contactos com as empresas a subcontratar com vista a levarem a cabo a manutenção de unidades de maior complexidade ou objecto de prévia contratualização (Costa, et al., 2011). Com o requisito 6.4 da NP EN ISO 9001:2008 pretende-se que a organização determine quais os aspectos do ambiente de trabalho que podem influenciar a conformidade do produto. Como tal, a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. proporciona aos seus colaboradores o ambiente social e físico adequado, de modo a aumentar a sua motivação, satisfação e desempenho, e assim, promover a qualidade dos seus produtos (Antunes, 2009). 2.4 Realização do Produto (Requisito 7 da NP EN ISO 9001:2008) O requisito 7 da NP EN ISO 9001:2008 menciona que a organização deve definir, planear e desenvolver, sob condições controladas, os processos essenciais à realização do produto e instituir métodos eficazes de comunicação com os clientes, no sentido de cumprir os seus requisitos/ necessidades e superar as suas expectativas (Santos, 2010). Os critérios de planeamento dos processos para cada um dos processos do Sistema de Gestão da Qualidade da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. encontram-se referidos na estrutura documental da empresa. 22 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa O planeamento inclui a definição dos objectivos dos processos, requisitos aplicáveis, actividades, documentação necessária à realização do produto e recursos (acções de formação, equipamentos de monitorização, métodos, parâmetros a controlar e registos). O planeamento de processos da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. é executado de acordo com a metodologia descrita no procedimento de qualidade PQ751 (Costa, et al., 2011). O requisito 7.2 da NP EN ISO 9001:2008 Processos relacionados com o cliente, pretende que a organização identifique e compreenda os requisitos e necessidades dos clientes e os transforme em características do produto, cumprindo os requisitos legais, regulamentares e estatuários associados. Para tal a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. identifica os requisitos dos produtos recepcionando uma encomenda segundo o procedimento de qualidade PQ720 e determinando os requisitos legais e regulamentares através de consulta periódica, como mencionado na instrução de trabalho IT423. A revisão dos requisitos relacionados com o produto (requisito 7.2.2 da NP EN ISO 9001:2008) refere que a organização antes de se comprometer a fornecer o produto ao cliente deve rever e assegurar que é capaz de cumprir os requisitos, prazos de entrega, condições de pagamento, solicitação de documentos, entre outras exigências expressas no contracto (Apcer, 2010). Assim sendo, a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. antes de fornecer um produto a um determinado cliente procede à revisão dos requisitos associados ao produto, nos moldes definidos na norma. Os requisitos relacionados com produto estabelecidos pela empresa encontram-se documentados no procedimento de qualidade PQ720. A organização deve possuir uma comunicação eficaz desde a produção e fornecimento do produto até ao momento após a entrega do mesmo. Isto requer que o desenvolvimento de mecanismos eficazes de comunicação seja fundamental para a identificação e satisfação das necessidades e expectativas do cliente. A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. considera que é da responsabilidade dos departamentos financeiro, da qualidade e de produção garantir uma comunicação adequada e eficaz relativamente ao produto, encomenda, contractos, questionários e retorno de informação ao cliente o que compreende resposta a reclamações. As respostas a reclamações dos clientes são enviadas após o cumprimento das condições descritas no procedimento de qualidade PQ830 (Costa, et al., 2011). O requisito 7.3 da NP EN ISO 9001:2008 aborda o planeamento e controlo da concepção e desenvolvimento de um produto a fornecer, baseando-se nas necessidades e expectativas do cliente que são expressas por um conjunto de características. A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. planeia a concepção e desenvolvimento de produtos segundo o procedimento de qualidade PQ 720/A. As entradas lógicas para a concepção e desenvolvimento estão associadas à identificação e definição de todos os requisitos legais e estatuários relacionados com o produto. Assim sendo, a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. identifica e avalia os requisitos legais e regulamentares do mercado e de desempenho, as informações resultantes de acções de concepção e desenvolvimento anteriores e análogas, assegurando que as informações vitais estão convenientemente identificadas e que não existem requisitos ambíguos ou contraditórios. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 23 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa As saídas lógicas do processo de concepção e desenvolvimento compreendem as características necessárias à utilização e funcionalidade do produto, garantindo que as necessidades e expectativas do cliente foram traduzidas em características, as quais podem ser controladas nos restantes processos de realização de produto. A Fábrica de Pastelaria de São Silvestre, Lda. monitoriza o processo de concepção e desenvolvimento, à custa de documentos e registos resultantes de todo o ciclo de produção. A revisão da concepção e desenvolvimento tem como finalidade monitorizar a evolução da ideia de aprovação das etapas pertinentes do plano de concepção e desenvolvimento, sendo registadas as alterações efectuadas e posteriormente consideradas na melhoria do ciclo de concepção e desenvolvimento. A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. realiza sucessivas revisões da concepção e desenvolvimento para garantir a adequabilidade e eficácia do produto e para identificar eventuais problemas que são considerados e solucionados em etapas posteriores. A verificação da concepção e desenvolvimento visa a assegurar que as saídas dos processos de concepção e desenvolvimento estão de acordo com os requisitos de entrada estipulados. Desta forma, a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. garante que as saídas lógicas do processo de concepção e desenvolvimento foram ao encontro dos requisitos de entrada definidos através de verificações. A validação da concepção e desenvolvimento propõe-se garantir que o produto é adequado para a utilização solicitada, em condições reais ou simuladas. Posto isto, na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. a validação deste processo é realizada por uma equipa responsável numa fase posterior, reunindo informação nos postos de venda, nos quais é comprovada a aceitação do produto (Costa, et al., 2011). O requisito Controlo e alterações da concepção e desenvolvimento requer que a organização identifique, registe e controle as modificações feitas ao processo de concepção e desenvolvimento. As modificações podem resultar das reclamações de clientes, não conformidades, melhorias do produto, mudança de fornecedores, alteração dos critérios de fornecimento, novos requisitos legais e regulamentares, entre outras. A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. assegura a identificação, registo e controlo de todas as alterações que possam ser efectuadas nas fases de concepção e desenvolvimento. De acordo com o requisito 7.4 da norma de referência a organização deve identificar e cumprir os requisitos do processo de compra, garantindo que o produto comprado é conforme com os requisitos estabelecidos e os respectivos fornecedores são avaliados segundo a sua competência, no que respeita fornecer produto conforme (Antunes, 2009). O processo de compra da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. é gerido através da inspecção dos produtos e avaliando de forma contínua os seus fornecedores, encontrando-se a lista de fornecedores qualificados actualizada e disponível na base de dados informática SIM!pan. Para que o requisito 7.5 da NP EN ISO 9001:2008 seja cumprido a organização tem que definir, sob condições controladas, as características do produto, as instruções de trabalho, as competências adequadas dos colaboradores, o equipamento adequado, as actividades e equipamento de medição e monitorização apropriados e as actividades de liberação de produto, durante e após entrega. O requisito Controlo da produção e do fornecimento do serviço, requer que a organização assegure o controlo dos seus processos e operações, definindo os parâmetros relevantes que 24 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa determinam a aptidão destes no que respeita ao cumprimento das condições de aceitação estipulados e ao fornecimento de produto conforme e consistente com os requisitos estabelecidos. A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. disponibiliza a formação e informação dos seus colaboradores, equipamentos apropriados e dispositivos de monitorização e medição necessários às suas actividades, de modo a assegurar os requisitos básicos deste produto. O planeamento da produção é efectuado através do Software SIM!pan, sendo realizada a sua actualização de acordo com a necessidade e evolução das ordens de produção. A informação, documentação e recursos aplicáveis ao processamento do produto encontra-se descrita nas ordens de produção e instruções de trabalho. A derrogação de um produto não conforme é da responsabilidade do chefe de fabrico e/ou do departamento de qualidade e, na sua ausência, da pessoa nomeada para tal tarefa. Com base na cláusula Validação dos processos de produção e controlo do serviço, a organização deve identificar quais os processos cujo resultado planeado pode ser validado por disposições adequadas e não por monitorização e medição. Sempre que forem detectadas não conformidades de produtos/serviços e reclamações estas devem ser tratadas, averiguando-se se estão associadas com causas especiais de variabilidade (Pinto, et al., 2009). A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. tem identificados os processos relacionados com a higienização dos equipamentos e instalações, em que o resultado é validado pelo acompanhamento do sistema HACCP. De acordo com a Identificação e rastreabilidade (requisito 7.5.3 da NP EN ISO 9001:2008), a organização deve identificar os produtos segundo a natureza do processo e do produto, satisfazendo as necessidades dos clientes, regulamentação e legislação aplicável. A rastreabilidade é obrigatória quando estabelecida contratualmente, sendo sujeita a requisitos estatuários e regulamentares ou da própria organização. Para tal, a empresa tem de determinar critérios e a extensão em que os processos e os produtos asseguram a rastreabilidade. A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. desenvolveu e implementou métodos de identificação do produto e do seu estado de conformidade. A identificação do produto é garantida desde o momento da recepção da matéria-prima até ao produto final pelo Software SIM!pan. A cláusula 7.5.4 da NP EN ISO 9001:2008 requer que a organização identifique e disponha de mecanismos adequados para verificação e protecção da propriedade do cliente, bem como para comunicar ao cliente quando a sua propriedade se danifica, perde ou se torna inapropriada para ser utilizada (Mello, et al., 2009). O objectivo da cláusula 7.5.5 da NP EN ISO 9001:2008 é assegurar que a organização define mecanismos de preservação do produto em todas as fases do processo de produção e fornecimento, mesmo após a entrega, se tal for acordado com o cliente. Na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. a conformidade do produto é assegurada desde a sua produção até à entrega no local pretendido. Dos processos de preservação de produto constam a identificação, manuseamento, embalagem, armazenamento e a salvaguarda de acordo com o plano HACCP implementado na empresa. O Controlo dos equipamentos de monitorização e medição (requisito 7.6 da NP EN ISO 9001:2008) pretende que a organização assegure o controlo dos equipamentos de monitorização e Catarina Alexandra dos Santos Nunes 25 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa medição da conformidade do produto, de forma a fornecer resultados válidos. A monitorização da conformidade dos produtos pode ser efectuada por observação directa, podendo também incluir equipamentos, como câmaras de vídeo ou equipamentos de gravação, podendo ainda ser feita através de medições contínuas ou periódicas de características do produto ou de parâmetros do processo que influenciam directamente as características do primeiro. Com base neste requisito, a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. determina as actividades de monitorização e de medição a serem realizadas e dispõe de dispositivos de monitorização e medição necessários para demonstrar a conformidade do produto e o cumprimento dos requisitos definidos. Os dispositivos de monitorização e medição são sujeitos a calibrações e/ou verificações periódicas de modo a determinar a sua capacidade de fornecer resultados válidos. Caso seja necessário, os equipamentos são ajustados ou reajustados. A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. tem definido na instrução de trabalho IT760/A a metodologia apropriada para garantir um adequado controlo e gestão dos equipamentos de monitorização e medição de conformidade dos produtos (Costa, et al., 2011). 2.5 Medição, Análise e Melhoria (Requisito 8 da NP EN ISO 9001:2008) O requisito 8 da NP EN ISO 9001:2008 refere que a organização deve planear e estabelecer processos de monitorização, medição, análise e melhoria essenciais para comprovar a conformidade do produto e garantir a conformidade e melhoria contínua do Sistema de Gestão da Qualidade (Santos , 2008). Deste modo, a organização deve efectuar um planeamento e implementar procedimentos de monitorização, análise e melhoria dos seus processos. Este planeamento deve abordar o tipo, o local, o momento e a periodicidade de monitorização. Para tal, a organização tem de estabelecer métodos adequados à monitorização de processos, salientando-se métodos de amostragem, controlo estatístico do processo, AMFE e Desdobramento da Função Qualidade (Apcer, 2010). A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. tem implementado processos de monitorização, medição e análise que se encontram referidos na documentação relacionada com o Acompanhamento dos objectivos da qualidade e processos (Mod.019). Nesta empresa, dos métodos de monitorização vulgarmente usados constam essencialmente técnicas de estatísticas (Costa, et al., 2011). O requisito Monitorização e medição (requisito 8.2 da NP EN ISO 9001:2008) estabelece que a organização tem que instituir métodos para obtenção de informação relacionada com o cliente, analisando-a e, se necessário, desenvolver acções consequentes. A informação pode ser obtida através dos requisitos do cliente, dos aspectos contratuais, na entrega do produto e através das necessidades do mercado. A organização deve ainda garantir a monitorização da informação relativamente ao cliente, tendo consciência da sua percepção no que respeita à sua satisfação em relação aos produtos cumprirem os requisitos (Antunes, 2009). A percepção do cliente permite o desencadeamento de acções correctivas quando o resultado é desfavorável e possibilita a melhoria contínua dos produtos quando se obtém um resultado favorável. A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. monitoriza a informação associada à satisfação do cliente através da análise de indicadores, nomeadamente reclamações, inquéritos, volume de vendas e 26 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa fidelização. O inquérito ao cliente é realizado pelo departamento de qualidade e enviado para uma amostra de clientes activos, seleccionando-se os que no decorrer do ano fizeram reclamações. Adquiridos os dados a partir dos inquéritos, efectua-se o tratamento estatístico e posteriormente a sua análise na reunião de revisão do SGQ (Costa, et al., 2011). As Auditorias internas (requisito 8.2.2 da NP EN ISO 9001:2008) devem ser periódicas e planeadas de forma a avaliar se o Sistema de Gestão da Qualidade está de acordo com os requisitos da norma, com as disposições planeadas e se está implementado e é mantido adequada e eficazmente (Lopes, et al., 2007). A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. planeia e executa regularmente auditorias internas, com o intuito de avaliar se o SGQ implementado cumpre os requisitos da norma de referência e os estabelecidos pela empresa, de acordo com o descrito no procedimento de qualidade PQ822. O planeamento das auditorias internas baseia-se no grau de importância das actividades e nos resultados de auditorias internas efectuadas anteriormente. De modo a assegurar a imparcialidade, as auditorias internas são executadas por entidades externas. A cláusula 8.2.3 da NP EN ISO 9001:2008, Monitorização e medição de processos, está associada à aplicação de métodos apropriados para a monitorização dos processos, de modo a verificar se se encontram aptos para a produção de produto conforme. Os métodos de monitorização das características dos processos podem ser designadamente as observações directas dos processos e das suas saídas, as verificações dos processos, as medições frequentes dos parâmetros dos processos, revisões do cumprimento da prática definida e, ainda, ferramentas de análise estatística de dados, tais como cartas de controlo. A monitorização e medição dos processos na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. é efectuada através da análise de indicadores que permitem assegurar o cumprimento dos requisitos do cliente, a adequabilidade e eficácia do SGQ, bem como a melhoria contínua. Nas reuniões de revisão do SGQ e nas reuniões de acompanhamento trimestrais são analisados os indicadores estabelecidos para cada objectivo. Caso existam objectivos não atingidos são desencadeadas acções de correcção. No sentido de cumprir o requisito 8.2.4 NP EN ISO 9001:2008 a organização tem que assegurar a conformidade do produto, cumprindo os requisitos durante a sua confecção e principalmente aquando da sua entrega ao cliente. Para tal, a organização deve estabelecer actividades de monitorização e medição adequadas, desde verificações a produtos e serviços recepcionados, passando por processos de realização do produto, até ao seu fornecimento. A recepção de produtos e serviços na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. é controlada de acordo com o definido na secção 7.4.3. da NP EN ISO 9001:2008. De modo a comprovar que o produto cumpre os requisitos, a empresa tem instituído tabelas de monitorização, instruções de trabalho em todas as etapas de realização do produto, actividades de monitorização e medição das suas características do produto. Assim sendo, é disponibilizada a formação, informação e recursos necessários para os colaboradores realizarem o produto cumprindo os requisitos e, simultaneamente efectuarem as actividades de monitorização e medição das características do mesmo. O processo de monitorização define os pontos de verificação, métodos de verificação a adoptar, dispositivos de monitorização e medição, critérios de aceitação, frequência das verificações e responsáveis pelas mesmas. Os critérios são cumpridos caso estejam conforme o definido no procedimento de qualidade PQ751. O produto é Catarina Alexandra dos Santos Nunes 27 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa apenas liberado quando o responsável pelo departamento de produção ou pelo seu substituto autorizem a sua entrega ao cliente. Caso sejam detectados produtos não conformes age-se de acordo com o procedimento de qualidade PQ830 (Costa, et al., 2011). O requisito Controlo do produto não conforme requer que a organização garanta que em todas as etapas do processo de realização do produto sejam estabelecidas acções, para que o produto não conforme não siga o trajecto do produto conforme nem seja inadvertidamente entregue ao cliente (Mello, et al., 2009). A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. segue a metodologia descrita no procedimento de qualidade PQ830 relativamente ao tratamento do produto não conforme. Com base na Análise de dados (requisito 8.4 NP EN ISO 9001:2008), a organização deve determinar, reunir e analisar a informação relativamente aos seus processos e ao SGQ, de forma a estabelecer acções preventivas e identificar oportunidades de melhoria contínua. A análise de dados pode ser efectuada através de técnicas estatísticas adequadas, das quais se destacam os histogramas, diagramas de Pareto, gráficos de dispersão, diagramas de correlação e cartas de controlo do processo/produto (Apcer, 2010). A Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda., com o intuito de analisar a adequabilidade e eficácia do SGQ, realiza o acompanhamento de objectivos da qualidade e processo, baseando-se nos indicadores de qualidade, reclamações, inquéritos aos clientes e avaliação dos fornecedores e não conformidades detectadas. Estes indicadores são analisados na reunião de revisão do SGQ. Tendo em conta o requisito 8.5 da NP EN ISO 9001:2008 Melhoria, o Sistema de Gestão da Qualidade pode ser melhorado de forma contínua se a organização efectuar um acompanhamento/ revisão incessante e adequado da política da qualidade, objectivos da qualidade, indicadores de desempenho, resultados de auditorias, análise de dados e acções preventivas e correctivas. Portanto, na organização deve existir uma filosofia de melhoria contínua dos produtos e do SGQ e aumentar a capacidade de cumprir os requisitos (Santos, 2010). Com as acções correctivas pretende-se que a organização analise as causas das não conformidades e implemente acções de modo a evitar a sua recorrência. Na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. este requisito encontra-se documentado no procedimento de qualidade PQ830, o qual descreve a metodologia de desenvolvimento e implementação de uma acção correctiva, bem como de identificação de acções para evitar a sua repetição. Estas acções são monitorizadas e geridas de acordo com o tratamento de não conformidades/relatório de acção correctiva (Mod.016). As acções preventivas têm como finalidade que a organização desenvolva a capacidade de actuar preventivamente, identificando potenciais não conformidades e desencadeando acções que previnam a sua ocorrência. Para cumprir este requisito a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. segue a metodologia descrita no procedimento de qualidade PQ853. Este procedimento refere os requisitos para determinar potenciais não conformidades, as suas causas, bem como a implementação de acções preventivas, pressupondo a análise dos resultados e a determinação da sua eficácia e adequação. Este tipo de acções é monitorizado e gerido segundo o pedido de acção preventiva requerido através do impresso Mod.016. 28 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa 2.6 Colaboração no processo de melhoria contínua do SGQ Durante o período de estágio o trabalho realizado no âmbito da melhoria contínua do Sistema de Gestão da Qualidade centrou-se nos seguintes requisitos da norma NP EN ISO 9001:2008: • 4.2 Requisitos de documentação; • 6.2 Recursos humanos; • 6.2.2 Competência, consciencialização, formação; • 6.3 Infraestrutura; • 7.3 Concepção e desenvolvimento; • 7.4.3 Verificação do processo de compra; • 8.2.1 Satisfação do cliente; • 8.2.2 Auditoria Interna; • 8.2.3 Monitorização e medição de processos. Relativamente aos Requisitos de documentação, ponto 4.2 da NP EN ISO 9001:2008, efectuouse o controlo dos modelos de controlo de temperatura, higienização e manutenção, actualizaram-se procedimentos e informação afixada nas instalações e ao nível da documentação organizacional elaborou-se o plano de HACCP para dois produtos de pastelaria, designadamente pirâmides de chocolate e batidos de pão-de-ló (Anexo III e Anexo IV). Em relação ao requisito Recursos humanos (requisito 6.2. da NP EN ISO 9001:2008) actualizouse o currículo vitae de determinados colaboradores e desenvolveram-se os currículos dos que não se sentiam aptos para o fazer. No que respeita à formação dos colaboradores, foi ministrada uma acção de formação aos colaboradores da secção de limpeza intitulada Higiene e Segurança no Trabalho. Ainda, relativamente a este requisito distribuiu-se, recolheu-se e avaliou-se, segundo os critérios de avaliação definidos, a eficácia de 4 acções de formações ocorridas no ano 2011 (Cuidados Básicos de Saúde, Cálculo Nutricional, Gestão de Conflitos e Trabalho em Equipa). Após a avaliação de 2 acções de formação e da opinião da chefia directa para as restantes, tratou-se estatisticamente os resultados e concluiu-se que os objectivos tinham sido cumpridos. De acordo com o requisito Infraestrutura, a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. focaliza o processo de manutenção de equipamentos como sendo o fundamental para assegurar a infraestrutura da empresa e a conformidade do produto. Neste sentido, foi elaborado um novo plano de manutenção para o ano corrente com base em alterações efectuadas ao do ano anterior e no parecer do responsável de manutenção e do chefe de produção no que respeita às manutenções periódicas requeridas pelos equipamentos. A este nível foi feita também uma análise de todas as tarefas registadas pelo responsável de manutenção durante o 2º semestre do ano 2011, de modo a que o colaborador optimizasse melhor o seu tempo em determinadas tarefas. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 29 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa Ainda, relativamente ao sector de manutenção, produziu-se um manual de boas práticas de manutenção e higiene e segurança alimentar (Anexo VII). Este manual, direccionado ao responsável de manutenção, foi elaborado com o intuito de sensibilizar o colaborador a ter boas práticas de manutenção tornando o seu trabalho mais rápido e eficaz e, a simultaneamente ter em conta as boas práticas de higiene e segurança alimentar. Com vista a analisar o processo de manutenção usou-se a ferramenta da qualidade AMFE para detectar causas de falha e a sua criticalidade ao nível dos equipamentos das duas linhas de produção. Posteriormente, foi estruturado um novo plano de manutenção preventivo com base nos resultados da análise da AMFE e na informação do registo histórico dos equipamentos em estudo (Capítulo 7). No âmbito do requisito 7.3 da NP EN ISO 9001.2008 efectuou-se o preenchimento de documentação relativa ao processo de concepção e desenvolvimento para 3 novos produtos criados no ano 2011, nomeadamente, Bolo 7 Rosas, Bolo Imperial e Bolo Inglês. O facto de ter sido estabelecido este processo para os produtos criados diminui a probabilidade de ocorrência de problemas em fases seguintes, contribui para a satisfação do cliente e melhora o desempenho da empresa, reduzindo a variabilidade da produção. No sentido de cumprir o requisito 7.4.3 Verificação do produto comprado desenvolveu-se o seguinte procedimento que se adequa a variadas matérias-primas: • antes da descarga do produto comprado verificaram-se as condições de transporte (higiene, temperatura, separação dos vários tipos de produto no veículo, etc.); • no decorrer da descarga avaliaram-se validade, lote, quantidade, temperatura (quando aplicável); • após registo da validade e lote do respectivo produto procede-se à sua recepção no Software SIM!pan. Para culminar o processo é emitida a etiqueta identificadora, a qual é colocada no produto. Com o intuito de avaliar a satisfação dos clientes em 2011, e, portanto cumprir o ponto 8.2.1 da NP EN ISO 9001:2008, recorreu-se ao estudo da percentagem de representatividade dos clientes, que foi calculada com base nos mapas recapitulativos, que fornecem os valores de facturação por cliente e o valor total de facturação atingido em 2011. Uma outra tarefa desempenhada foi o registo das devoluções de produtos e qual o motivo da sua devolução, para efectuar posteriormente o tratamento estatístico dos dados, concluindo que cliente mais devolveu, que produto foi mais devolvido e quais os custos de não qualidade que a empresa acarretou. Também fez parte das funções desenvolvidas distribuir e posteriormente recolher os questionários de satisfação dos colaboradores. Este tipo de questionário teve como finalidade avaliar a satisfação dos colaboradores relativamente ao ano de 2011, analisar o seu grau de conhecimento em relação às diferentes áreas funcionais da empresa e conhecer as suas sugestões relativamente a determinados aspectos. Após a recolha de dados fornecidos pelos questionários, estes foram tratados estatisticamente, averiguando-se qual o nível de satisfação. É essencial que a empresa tenha a iniciativa de realizar este tipo de questionários e incentive os colaboradores ao seu preenchimento, pois através deles podem surgir sugestões úteis e melhorar situações com as quais os colaboradores 30 Capítulo 2 Sistema de Gestão da Qualidade da Empresa não se encontram satisfeitos, contribuindo assim para a melhoria contínua, isto é, dando prática à possibilidade de todos contribuírem para a melhoria contínua. De acordo com o requisito 8.2.2 Auditoria Interna a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. planeia e executa as auditorias internas periodicamente. Durante o período de estágio realizei 2 auditorias internas suportadas numa checklist (Mod.054/01). Da checklist Auditoria (Interna) constam parâmetros a avaliar como a conformidade dos produtos e higienização das instalações de cada uma das secções da empresa. De acordo com as observações e resultados obtidos foram estabelecidas e implementadas acções correctivas, para as quais foi acordado um prazo, após o que foi verificado se as acções correctivas tinham sido concluídas. Foi possível, ainda, acompanhar a realização das auditorias interna controlada e externa ao Sistema de Gestão da Qualidade da empresa. Em ambas as auditorias foram verificados com máximo rigor os requisitos da norma NP EN ISO 9001:2008, bem como a legislação aplicável. Estes dois tipos de auditoria distinguem-se pelo facto de na auditoria interna controlada ser a própria empresa a seleccionar o auditor externo enquanto que a auditoria externa é conduzida por um auditor de uma entidade certificadora. A auditoria externa teve uma importância acrescida, uma vez que se tratava da renovação da certificação de conformidade, o que acontece de 3 em 3 anos. O facto de ter tido o privilégio de assistir a estas duas auditorias proporcionou-me um maior entendimento relativamente aos requisitos expressos na norma NP EN ISO 9001:2008 e a minuciosidade de como são efectuadas as auditorias. Na sequência das auditorias foi realizada a reunião anual de revisão do Sistema de Gestão da Qualidade dirigida por mim, pelo gerente Luís Campos e pela Engª Elisabete Costa. Nesta reunião divulgou-se a todos os colaboradores que objectivos da qualidade no ano de 2011 foram atingidos, quais foram os inatingidos e qual motivo, deu-se a conhecer os objectivos da qualidade definidos para 2012, os resultados das auditorias, que processos deveriam ser melhorados e formalmente solicitou-se sugestões dos colaboradores. Este tipo de reuniões é fundamental na empresa para assegurar a melhoria contínua do Sistema de Gestão da Qualidade implementado, e transmitir a noção de responsabilidade alargada à organização da função em causa. Durante o período de estágio efectuou-se o controlo de equipamentos de monitorização e medição, particularmente das balanças e fornos. Para verificar a calibração das balanças foram utilizados pesos de 1 kg e de 2 kg efectuando-se 3 ensaios com cada um dos pesos e com os 2 pesos simultaneamente em todas as balanças existentes nas instalações. No que respeita a verificação da calibração dos fornos foi utilizada uma sonda de altas temperaturas calibrada, a qual foi colocada em várias localizações estipuladas, realizando-se também para cada uma 3 ensaios. Periodicamente, monitorizaram-se as temperaturas das câmaras de congelação e refrigeração e das viaturas de distribuição de produto alimentar, bem como a análise da qualidade do óleo das fritadeiras, em conformidade com o definido pelo sistema HACCP. Ao longo do estágio actualizou-se a legislação aplicável ao sector alimentar. Ao contactar com a legislação verificou-se que existe uma grande variabilidade de legislação adequável a este tipo de sector e o quanto é importante mantê-la actualizada e cumpri-la de forma imediata. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 31 32 Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa Neste capítulo caracteriza-se o Sistema de Gestão da Manutenção (SGM) da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda.. O objectivo fundamental desta análise é proceder à caracterização do estado actual de desenvolvimento da função em causa, para a seguir, e com base na detecção de oportunidades de melhoria, desenvolver procedimentos que possam contribuir para o seu desenvolvimento. Nesta análise, apresentam-se inicialmente alguns conceitos fundamentais que sustentam a prática e a estrutura do SGM, e posteriormente caracteriza-se o SGM da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. com base neles. A Gestão da Manutenção pode ser definida como um conjunto de actividades de gestão que estipulam objectivos, estratégias e responsabilidades associadas ao processo de manutenção, sendo implementados através de planeamento, controlo, supervisão da manutenção e optimização das metodologias utilizadas na empresa (Cabral, 2009). Para que se realize uma Gestão da Manutenção correcta e eficiente é necessário que a organização disponha de recursos técnicos adequados para que os responsáveis consigam atingir os objectivos pretendidos, gerando informação que possibilite avaliar desempenhos, estabelecer metas e confrontar resultados (Cabral, 1998). Entende-se por manutenção uma combinação de acções que permitem substituir, reparar, modificar equipamentos ou apenas componentes, com a finalidade destes funcionarem dentro dos limites de disponibilidade prevista para um dado período de tempo. Os objectivos da manutenção devem ser estabelecidos em consonância com os objectivos e estratégia da empresa. De uma forma sumária a Figura 3.1 exibe os principais objectivos da manutenção. Figura 3.1 – Principais objectivos da manutenção (Pinto, 1995). Catarina Alexandra dos Santos Nunes 33 Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa É função da Gestão da Manutenção encontrar uma relação de compromisso entre estes objectivos. Ao nível do objectivo “Qualidade”, a Figura 3.2 apresenta um modelo sistemático de como a área de manutenção se relaciona com a produção. Figura 3.2 – Modelo geral de um sistema da manutenção (Harris, et al., 1978). Nesta figura a função manutenção apresenta-se como sendo o uso adequado de vários recursos (homens, equipamentos, componentes e materiais) direccionados no sentido do controlo de disponibilidade da planta fabril. Pode-se verificar também a relevância da aplicação de políticas de manutenção para a conservação e melhoria da qualidade do produto através da verificação e calibração dos mecanismos de controlo e de regulação, da calibração frequente de instrumentos por comparação com padrões convenientemente avaliados e, finalmente, da criação de condições ambientais apropriadas ao bom funcionamento dos equipamentos e à boa conservação e acondicionamento dos produtos (Pinto, 1995). De uma forma geral podem-se considerar três tipologias de acções de manutenção, sendo elas a manutenção preventiva (MP), a manutenção correctiva (MC) e a manutenção melhorativa (MM). A manutenção preventiva prevê que o serviço de manutenção aja num momento preparado e programado antecipando-se ao surgimento de uma avaria. Este tipo de acção tem por objectivos o aumento da fiabilidade de um equipamento; o aumento do tempo de vida eficaz do equipamento; o melhoramento do planeamento de trabalhos; a redução e regularização da carga de trabalhos e também o melhoramento do clima de relações humanas, uma vez que a ocorrência de uma avaria inesperada causa efeitos de tensão no ambiente de trabalho (Levitt, 2011; Nasa, 2008; Patton, 1995). A manutenção preventiva pode-se dividir em manutenção preventiva sistemática e manutenção preventiva condicionada. A primeira diz respeito a intervenções programadas do serviço de manutenção segundo uma periodicidade em T, esta periodicidade é determinada em 2 fases. A 34 Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa primeira fase baseia-se nos dados do construtor do equipamento, enquanto que a segunda está relacionada com resultados operacionais obtidos através das visitas preventivas ou ensaios efectuados. O facto de se realizarem intervenções sistemáticas leva vulgarmente a que haja uma optimização dos custos de operação (Marques, 2009; Pinto, 1995). A manutenção preventiva condicionada pode ser também designada como manutenção preditiva (Cabral, 1998; Monteiro, 2000; Patton, 1995). Este tipo de acção baseia-se na intervenção do serviço de manutenção somente quando se verifica experimentalmente avaria iminente ou quando o equipamento apresenta uma degradação progressiva e detectável. Este tipo de acção observa os pontos críticos (análise de vibrações do equipamento, análises de óleo, temperatura, medição de pressão e ruído), de forma a verificar se existem situações em que os valores de referência são excedidos ou não. O controlo dos pontos críticos mencionados pode ser avaliado de forma estrita, larga ou integrada. A forma estrita baseia-se no acompanhamento contínuo, em que os parâmetros a controlar se encontram sob observação constante com o auxílio de equipamento de medição e controlo apropriado. A forma larga consiste na vigilância periódica, em que a medição das variáveis controladas é feita por executante equipado com equipamento de medida adequado, recolhendo amostras periódicas relativamente à variável a verificar. Por fim, a forma integrada não possui vigilância extrema ou auto vigilância (Ferreira, 1998; Levitt, 2011; Palmer, 1999). A prática da acção de manutenção preditiva resume-se a 7 fases, enumerando-as a seguir: 1. selecção dos equipamentos a monitorizar, escolhendo-se os equipamentos fundamentais do processo de produção; 2. escolha de técnicas de planeamento/manutenção a usar; 3. definição do programa de testes, no qual se descrevem os pontos de monitorização a registar e com que periodicidade tal se faz, assim como os equipamentos e técnicas a que se aplica o programa; 4. definição dos padrões, tendo por base a determinação de valores de referência e limites de alerta de acordo com as informações dos fabricantes, para cada um dos parâmetros de controlo; 5. detecção da deficiência do equipamento, esta fase baseia-se na comparação dos valores dos parâmetros de controlo obtidos pela revisão feita ao equipamento com os de referência; 6. estabelecimento de um diagnóstico, feito com base na análise dos valores dos parâmetros de controlo de acordo com modelos de desgaste e informações relacionadas com o equipamento; 7. estabelecimento de um prognóstico, no qual se planeiam acções imprescindíveis, efectuadas de acordo com cálculos estatísticos, estimando o tempo médio de falhas e a taxa de falha. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 35 Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa Da implementação deste tipo de manutenção obtêm-se as seguintes vantagens: minimização dos custos de produção e da probabilidade de introdução de deficiências nas operações metódicas de montagem e desmontagem; aumento do tempo médio entre cada inspecção; eliminação da substituição de elementos em estado funcional e diminuição das paragens não planeadas resultantes de falhas de componentes no decorrer da operação (Mobley, et al., 2008). A manutenção correctiva pode dividir-se em manutenção correctiva de emergência (MCE) e correctiva planeada (MCP). Considera-se que se executa uma acção de manutenção correctiva de emergência quando as intervenções são efectuadas sem planeamento prévio, considerando-se, assim, ser uma acção reactiva por avaria após o seu acontecimento. Por sua vez, a manutenção correctiva planeada pode ser praticada durante o funcionamento do equipamento ou durante a sua paragem. Quando o equipamento se encontra em funcionamento as avarias já são esperadas e, portanto, os procedimentos para as reparar já estão preparados. No caso do equipamento se encontrar em paragem esta acção de manutenção é posta em prática no sentido de corrigir anomalias ou de o adaptar a um modo de funcionamento estabelecido. O mencionado relativamente à manutenção correctiva encontra-se em sintonia com a literatura (Mobley, et al., 2008; Pinto, 1995). A manutenção de melhoria é principalmente aplicada em situações de concepção de projectos. Este tipo de acção inclui todas a modificações ou alterações feitas no equipamento industrial, de modo a melhorar o seu desempenho e características operacionais, bem como o ajuste a novas condições de funcionamento (Marques, 2009). A Figura 3.3 mostra de forma sistemática os tipos de manutenção industrial. Figura 3.3 – Tipos de manutenção industrial. De modo a minimizar as imobilizações por avaria de equipamentos e por conseguinte aumentar a sua disponibilidade para a utilização, diminuir os custos de não manutenção e reduzir as paragens de produção é comummente utilizado um plano de manutenção, no qual se define com antecedência um conjunto de acções sistemáticas de manutenção a realizar ao longo de um ciclo temporal, sendo 36 Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa que as periodicidades iniciais são frequentemente indicadas pelo fabricante (Cabral, 1998). O plano de manutenção deve ser criado pelo gestor de manutenção da empresa mas na ausência de um, essa responsabilidade recai sobre o departamento de qualidade, técnico de manutenção e gestor de produção. O plano de manutenção deve ser desenvolvido em consonância com o plano de produção, seleccionando a melhor combinação de políticas (manutenção preventiva e manutenção correctiva de emergência) no sentido de tirar o máximo proveito dos recursos e do tempo sem penalizar a produção. Naturalmente que o desenvolvimento de um plano de manutenção deve articular gestão de operações, questões logísticas, disponibilidade de recursos, coordenando-os numa perspectiva de minimização dos custos. As políticas de manutenção preventiva e manutenção correctiva de emergência deveriam ser indicadas pelo fabricante do equipamento, no entanto essas determinações apenas se verificam para componentes mais simples e de maior frequência de substituição, para os quais a manutenção não é muito dispendiosa e determinística (Harris, et al., 1978). Na Figura 3.4 apresenta-se a sequência de realização de um plano de manutenção de acordo com as características do processo e com os trabalhos de manutenção preventiva. A Figura 3.4 ilustra claramente a interligação entre o plano de produção e o plano de manutenção. De facto, o plano de produção constitui base relevante pelas restrições que impõe ao desenvolvimento de plano de manutenção. Mas o cumprimento das actividades deste último tem impacto na produção, condicionando-a. É vulgar que se minimize este condicionamento, mas é comum ele existir, mesmo que em reduzida escala. Por outro lado, a manutenção preventiva tem impacto na manutenção correctiva, quer ao nível do planeamento das acções, quer da sua efectiva prossecução. Tal é particularmente relevante porque tem impacto na carga de trabalho da função manutenção, que pode ser largamente beneficiada por uma boa organização dos recursos. É, pois, natural que o plano de manutenção deve ter em linha de conta a informação da produção, mas também o perfil organizativo da função manutenção da empresa. Figura 3.4 - Método sistemático para criar um plano de manutenção (Pinto, 1995). Catarina Alexandra dos Santos Nunes 37 Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa Muitos são os factores de cariz económico e de segurança que influenciam na escolha da melhor política de manutenção para cada componente, e que em conjunto com os numerosos elementos envolvidos, levam a que a organização necessite de adoptar um procedimento sistemático para o desenvolvimento do programa de manutenção mais adequado e eficiente para um dado período de tempo. Do procedimento em causa constam várias fases, nomeadamente a classificação e identificação do equipamento, a recolha de informação, a selecção da política de manutenção, a elaboração do programa de manutenção preventiva, as orientações de manutenção correctiva de emergência e a organização geral da função manutenção. A classificação e identificação do equipamento são feitas com base na planta fabril, listando todos os equipamentos existentes. A recolha de informação é fundamental para a actividade de planeamento, programação e controlo dos trabalhos de qualquer organização, uma vez que a área de manutenção é inseparável da área de produção. Portanto, a informação mais importante encontra-se associada a esta, bem como ao processo de fabrico. Na Figura 3.5 apresenta-se um esquema dessa actividade, enquadrando-se enquanto tarefa dinâmica. De facto, ainda que seja desejável um plano sustentado, a actividade no campo requer vulgarmente acções de controlo com o intuito de debelar problemas pontuais e uma eventual recalendarização contínua de acções. Figura 3.5 – Actividade de planeamento, programação e programa de trabalhos (Pinto, 1995). Para além da informação fornecida pela área de produção (programa de produção), a estruturação do plano requer informação obtida através de tipologias de indicações de manutenção do fabricante do equipamento, de características do equipamento (falhas, MTBF1, MTTR2, etc.), de aspectos económicos (consequências de avarias, custos de reparação, custos de peças, etc.) e factores de segurança. A melhor política de manutenção pode ser seleccionada pela identificação das estratégias mais eficientes e posterior análise de quais são as que produzem resultados mais favoráveis. A escolha depende de muitos factores, contudo o que mais influencia na decisão é por norma o custo. A selecção da política de manutenção depende da natureza dos componentes, por exemplo, se são de substituição fácil, complexa ou não reparáveis. Para componentes de substituição 1 MTBF (Mean Time Between Fails) – é o tempo médio entre falhas consecutivas. MTTR (Mean Time To Repair) – tempo que é necessário despender para reparar uma determinada avaria e é considerado uma medida de manutibilidade. 2 38 Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa fácil é estabelecido um programa pormenorizado de acções, periodicidade e recursos necessários, aconselhado pelo fabricante do equipamento. Caso se tratem de componentes de substituição complexa tem que se ter em conta em primeiro lugar a segurança e o custo que podem acarretar. Com o intuito de escolher a melhor política de manutenção para esta situação tem-se como referência a Figura 3.6. Para os componentes não reparáveis não se planeiam acções de manutenção a não ser a sua substituição após a avaria. Figura 3.6 – Selecção da política de manutenção para componentes de substituição complexa (Pinto, 1995). No programa de manutenção preventiva definem-se as datas de realização das actividades e programam-se as tarefas e os recursos necessários (mão de obra, materiais e serviços) (Cabral, 1998). Após a realização de análises individuais aos equipamentos, as acções estabelecidas e as periodicidades devem ser avaliadas de modo a que se possam coordenar. Para tal ser possível, é necessário que haja um compromisso entre cada programa de manutenção individual, a sua utilização económica e a disponibilidade máxima do equipamento. Assim, o agrupamento dos trabalhos mediante um ajuste da periodicidade conduz a um melhoramento do programa de manutenção, do qual resultam rotinas de inspecção, programas de serviço e reparação. Em relação às orientações de manutenção correctiva de emergência, destaca-se que a sua previsão na fase inicial de um equipamento é muito incerta, e, portanto, fundamenta-se nas indicações do fabricante do equipamento. Contudo, com o decorrer do tempo esta previsão da MCE aumentará em termos de robustez, podendo mesmo ser planeada tendo por base os registos históricos. Para que se execute uma carga de trabalhos de modo adequado e eficiente é fundamental que a organização da manutenção, a qual deve contemplar 3 áreas importantes, designadamente: a estrutura dos recursos, a estrutura da gestão e administração e o sistema de planeamento e programação do trabalho. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 39 Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa No caso da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. existe implementado um plano de manutenção preventiva sistemática efectuado de acordo com os manuais dos equipamentos e com o grau de necessidade observado pelo técnico ou pelo departamento de qualidade. A revisão do plano de manutenção é efectuada no início de cada ano e se necessário este é reajustado com base nas intervenções efectuadas no ano anterior, no sentido de o adequar às necessidades. O plano de manutenção é comummente realizado pelo departamento de qualidade em conjunto com o colaborador de manutenção e o chefe de produção. A empresa Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. integra o serviço de manutenção e consequentemente os planos de manutenção no requisito 6.3 da norma NP EN ISO 9001:2008, que refere que os equipamentos produtivos devem ser sujeitos a uma manutenção periódica segundo o estipulado nos planos de manutenção actualizados anualmente. Contudo é reconhecido que para a organização puder assegurar produtos consistentes em termos de qualidade necessita de possuir um Sistema de Gestão da Manutenção adequado e eficiente. No plano de manutenção preventiva sistemática em vigor constam a designação dos equipamentos, código, estado, a área a que pertencem, a periodicidade e o respectivo responsável pela sua manutenção. Aquando da manutenção de um determinado equipamento o registo da acção é aposto na “Ficha de manutenção de equipamento”. Caso se verifique uma anomalia num equipamento é efectuado o pedido de manutenção correctiva, que pode ser resolvido pelo técnico de manutenção ou por uma entidade externa, sendo posteriormente registada a acção no plano de manutenção. O pedido de manutenção correctiva é efectuado pelo colaborador que preenche o respectivo impresso e entrega ao departamento de qualidade que avalia a prioridade da avaria, seguidamente o pedido é afixado no painel de manutenção no quadro das “manutenções a efectuar”. O técnico de manutenção deverá consultar o painel de manutenção diariamente e rubricar o impresso conforme tomou conhecimento das manutenções a efectuar. Sabendo quais as acções a efectuar, o técnico procede à reparação avaliada como mais urgente, tomando medidas e cumprindo a data estipulada (Costa, et al., 2011). No sentido de melhorar e sofisticar o registo das tarefas do plano de manutenção preventiva, assim como dos pedidos de manutenção correctiva, está a ser desenvolvido um módulo de manutenção no Software SIM!pan que permitirá a informatização de todo o SGM, com o intuito de incrementar o seu controlo. O módulo de manutenção possibilita definir e agendar tarefas associadas ao colaborador responsável por esta área. O colaborador tem acesso às tarefas agendadas através do módulo SIM!touch, sendo que posteriormente os registos aqui efectuados pelo mesmo podem ser avaliados e analisados. Para que o colaborador tenha acesso às tarefas calendarizadas é necessário definir primeiramente alguns parâmetros de base no BackOffice. Dos parâmetros base salientam-se o tipo de tarefas, os grupos de análise, os departamentos, os motivos, a calendarização e os colaboradores responsáveis pelas tarefas. A seguir apresenta-se sumariamente as características da informação a fornecer, usando-se para tal ecrãs da interface associados a cada tarefa. A tipologia de tarefas é útil no sentido de se poder aglutinar tarefas idênticas, o que facilitará análises e pesquisas no sistema. 40 Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa Os grupos de análise são necessários para indicar o grupo a que pertence uma determinada tarefa. Os departamentos definidos no BackOffice servirão para classificar as tarefas do mesmo sector de actuação da empresa. Quando um colaborador tem a função de avaliar uma dada tarefa executada pelo responsável de manutenção, se classificar a tarefa como não conforme terá de indicar qual o motivo da não conformidade. Para tal, tem que se definir anteriormente um grupo de motivos, como se apresenta na Figura 3.8. É necessário que haja uma calendarização das tarefas a executar, no sentido de o colaborador poder efectuar um planeamento das tarefas que lhe compete levar a cabo, bem como definir os dias em que não se encontra disponível para exercer as suas funções por motivo de folga ou férias. Por fim, uma das parametrizações fundamentais é a dos colaboradores, para ser possível a distribuição de tarefas, quer ao nível da execução quer ao nível da avaliação como se demonstra na Figura 3.9. Na Figura 3.7 apresentam-se os tipos de tarefas estabelecidos no mesmo, utilizando-se a interface para demonstrar o aspecto da aplicação. Figura 3.7 – Tipos de tarefas definidas no módulo de manutenção e higienização (ASSEC SIM!, 2012). A Figura 3.8 mostra a interface para a parametrização dos grupos. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 41 Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa Figura 3.8 – Grupo de motivos de não conformidade definidos no módulo de manutenção e higienização (ASSEC SIM!, 2012). A Figura 3.9 apresenta a interface para a parametrização dos colaboradores. Figura 3.9 – Parametrização dos colaboradores no módulo de manutenção e higienização (ASSEC SIM!, 2012). Depois de todas as parametrizações de base efectuadas em BackOffice é possível utilizar o módulo de manutenção e higienização em POS (Point of Service). Para o colaborador de manutenção aceder a este módulo tem de abrir o programa SIM!touch e pressionar no botão “manutenção e higienização”. Existem dois modos de utilização deste módulo, mais especificamente o modo colaborador e modo avaliador. O sistema detecta se o colaborador que acede tem perfil de “responsável de verificação” e caso tal se verifique são disponibilizadas algumas operações especificadas, por exemplo a avaliação de tarefas de outros colaboradores. O colaborador ao pressionar uma das linhas tem acesso às tarefas associadas a cada departamento que são da sua responsabilidade e estas podem surgir num dos 3 estados possíveis: 42 • Pendente: tarefa que ainda não foi iniciada (surge com uma indicação de cor vermelha); • Em curso: tarefa iniciada mas não concluída (surge com uma indicação de cor amarela); Capítulo 3 Sistema de Gestão da Manutenção da Empresa • Concluída: Tarefa iniciada e concluída (surge com uma indicação de cor verde). Com a finalidade do colaborador executar uma determinada tarefa deverá clickar sobre a tarefa pretendida, iniciando-a escolhendo a opção “iniciar tarefa”. Após a conclusão da tarefa o responsável pela sua avaliação procede à sua apreciação e caso a considere não conforme surge um grupo de motivos para seleccionar o que melhor se adequa à não conformidade registada. Para visualizar a avaliação da tarefa executada o colaborador clicka numa linha de departamento e surgem as tarefas correspondentes a um dos dois estados: • Não conforme – apresenta uma indicação de exclamação; • Conforme – apresenta uma indicação de cor verde. 3.1 Actividades desenvolvidas no âmbito da função de manutenção Durante o período de estágio colaborei nas acções do SGM da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda.. Várias foram as acções levadas a cabo em colaboração com o técnico de manutenção, nomeadamente, melhorou-se o processo de controlo e supervisão do sistema de manutenção, bem como a melhoria de métodos de organização, quer ao nível do espaço de manutenção quer do técnico de manutenção. Estas acções centraram-se em definir as tarefas de organização que redundaram uma melhor coordenação das actividades e na rentabilização do tempo. No sentido de sensibilizar e alertar o colaborador de manutenção para questões de Segurança Alimentar e para o desenvolvimento de um processo de manutenção adequado e eficaz foi desenvolvido um manual intitulado Manual de Boas Práticas de Manutenção e Higiene e Segurança Alimentar que consiste num conjunto de regras e recomendações. Pela análise dos registos diários relativos às acções de manutenção surgiu a necessidade de desenvolver um novo plano de manutenção para os equipamentos produtivos críticos. Para a estruturação desta ferramenta de manutenção recorreu-se à seguinte estratégia: • uma vez que se pretendia um plano que reflectisse o estado actual do processo decidiu-se fazer uma análise de falhas, caracterizando as suas tipologias, frequência e severidade; • esta análise foi feita com base na ferramenta AMFE, que permite identificar e reduzir/eliminar os potenciais modos de falha; • tendo em conta os resultados da AMFE e a análise historial dos equipamentos, bem como planos de manutenção anteriores definiu-se um novo plano de manutenção. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 43 44 Capítulo 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) A Análise de Modos de Falha e Efeitos é considerada uma das sete ferramentas da qualidade (Souris, 1992) e consiste num método de análise de processo/produto para definir, identificar e eliminar os possíveis modos potenciais de falha, determinando o seu efeito no desempenho do sistema (Stamatis, 2003). É, portanto, uma ferramenta analítica que utiliza uma técnica que permite identificar e faculta a eliminação de produtos e processos com potenciais modos de falha. De acordo com Palady (Palady, 1995) a AMFE é uma das ferramentas mais eficientes, e que simultaneamente apresenta baixo risco no que respeita a prevenção de problemas e ao desenvolvimento das acções de controlo mais eficazes em termos de custos. A técnica de Análise de Modos de Falha e Efeitos e Criticalidade (AMFEC) tem uma abordagem quantitativa e é uma extensão de AMFE que consiste em atribuir o nível de criticalidade e a probabilidade de ocorrência a cada modo potencial de falha. A AMFEC é, portanto, o resultado da AMFE conjugada com análise de criticalidade. Apesar de alguns autores ainda distinguirem conceptualmente AMFE de AMFEC, está cada vez mais vulgarizada o uso da designação AMFE para designar AMFEC. Um exemplo disso é Palady (Palady, 1995). Em consonância com a tendência observada, neste trabalho usa-se a mesma definição. Isto é, Análise Modal de Falha e Efeitos reflecte não só a dimensão da ocorrência e da detectabilidade, mas também a severidade das causas. A metodologia AMFE surgiu pela primeira vez referenciada num procedimento militar US MIL – 1629 – Produces for performing a failure mode, effects and critically analysis, no ano de 1949. Este procedimento foi desenvolvido e escrito pelo exército Norte-Americano com a finalidade de identificar os efeitos de falhas de sistemas e equipamentos, classificando-os segundo a sua relevância no sucesso da missão e das condições de segurança humana e dos equipamentos (Cruz, 2009; Hampl, 2010). No entanto, este método apenas foi formalmente desenvolvido e vulgarizado na década de 60 pela indústria aeroespacial (NASA), a fim de ser utilizado em testes e na melhoria do hardware dos seus programas espaciais (McDermott, et al., 2008), passando nas duas décadas seguintes a ser empregue também nas indústrias aeronáuticas, nuclear e automóvel (Santos, 2008). A implementação desta ferramenta ao nível industrial tem tido um crescimento progressivo e, actualmente estende-se às mais diversas áreas, salientando-se as seguintes, entre muitas outras: • produção de equipamentos semicondutores (Villacourt, 1992); • produção de sistemas hidráulicos e pneumáticos (Sakurada, 2001); • produção de circuitos eléctricos (Sakurada, 2001); • desenvolvimento de reactor termonuclear (Sakurada, 2001); • siderurgia (Sakurada, 2001); • produção de dispositivos médicos (Keen, 2012); Catarina Alexandra dos Santos Nunes 45 Capítulo 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) • indústria alimentar, apesar de ainda não ser muito frequente já existem alguns estudos quanto à aplicação desta técnica como, por exemplo, no processo de fabrico do produto leite da Longa Vida na empresa Elegê Alimentos S.A. (Garcia, 2000), na empresa Tagol – Companhia de Oleaginosas do Tejo S.A. no âmbito do processo de extracção de oleaginosas (Baptista, 2007). Na Tabela 4.1 apresenta-se uma breve cronologia da evolução da ferramenta da qualidade AMFE desde que foi formalmente desenvolvida. Tabela 4.1 – Cronologia da ferramenta da qualidade AMFE. Desenvolvida/usada pela indústria aeroespacial. 1960’s 1970’s 1980’s 1990’s Desenvolvida/usada pela indústria aeronáutica. Utilizada na indústria nuclear. Ford Motor Company iniciou o seu uso generalizado, quer internamente, para conquistar avanços nas áreas de projecto e processo de fabrico, quer externamente, através do incentivo à sua utilização pelas empresas suas fornecedoras. Foi desenvolvida uma família de normas ISO 9000 relativas à implementação de Sistemas de Gestão da Qualidade em empresas e no âmbito da melhoria contínua é sugerido a AMFE. Um grupo de trabalho constituído por representantes da Chrysler Corporation, da Ford Motor Company e da General Motors desenvolveram a norma americana QS 9000 que define o Sistema de Gestão da Qualidade exigido por fornecedores internos e externos de produção e fornecimento de materiais e componentes. Esta norma é uma melhoria das ISO 9000. Melhoria do desenvolvimento do sistema AMFE. Aumento da sua utilização na indústria automóvel. Segundo Paul Palady (Palady, 1995) a técnica Análise de Modos de Falha e Efeitos pode classificar-se fundamentalmente em 2 tipos, designadamente: AMFE de produto e AMFE de Processo. A AMFE de produto tem a finalidade de prever que não conformidades o produto pode apresentar como resultado de um projecto mal planeado. Assim, este tipo de AMFE possibilita a identificação dos modos de falha (defeitos estruturais e funcionais) antes da primeira produção para serem eliminados e posteriormente alterar a concepção do produto nos pontos onde tal se verifique imprescindível, garantindo a segurança e o desempenho pretendido na sua totalidade. Esta técnica baseia-se nos seguintes princípios (Hampl, 2010): 46 • avaliar de forma objectiva as especificações do projecto; • ter em conta as especificações de produção e montagem no projecto inicial; • aumentar a probabilidade de que os modos potenciais de falha tenham sido considerados no processo de concepção do produto; • fornecer informações adicionais para o planeamento e desenvolvimento de programas de ensaio de projecto; • registar e classificar os modos potenciais de falha segundo os efeitos provocados no cliente e, assim, instituir prioridades para a melhoria contínua do projecto. Capítulo 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) A AMFE de processo é utilizada para analisar processos de fabricação e montagem de sistemas ou componentes, concentrando-se principalmente nos modos potenciais de falha causados pelo processo de fabrico ou deficiências na montagem. Este tipo de AMFE envolve os seguintes aspectos (Hampl, 2010): • identificar os potenciais produtos associados aos modos de falha do processo; • avaliar os efeitos das potenciais falhas sobre os clientes; • identificar as causas potenciais de falha do processo de fabrico ou montagem e as variáveis de processo que devem ser controladas e monitorizadas; • desenvolver um processo de classificação dos modos de falha, estabelecendo-se a prioridade das mesmas para a implementação de acções correctivas. A metodologia de implementação é a mesma independentemente do tipo de AMFE, bem como para a aplicação a processos/produtos novos ou a processos/produtos que já se encontrem em funcionamento. A implementação da Análise de Modos de Falha e Efeitos resulta do compromisso de uma empresa em melhorar continuamente o seu processo/produto, visto que se trata de um método disciplinado e racional que permite identificar e ajuda a atenuar ou mesmo eliminar potenciais falhas. Esta ferramenta da qualidade pode ser empregue na fase de concepção do produto, no fim do projecto, na pré-planificação da produção, durante o processo de fabrico ou aquando do estabelecimento de acções de melhoria (Tague´s, 2004). Contudo, para obter melhores resultados deve ser aplicada antes de um modo de falha de processo/produto ter sido incorporado no sistema inadvertidamente. A implementação da ferramenta AMFE pode efectuar-se de acordo com o fluxograma apresentado na Figura 4.1. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 47 Capítulo 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) Figura 4.1 – Fluxograma de implementação da AMFE. 48 Capítulo 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) Tendo por base o fluxograma apresentado, que se refere à implementação da ferramenta, de seguida são analisadas de forma sistemática as etapas do procedimento. • Definir a equipa responsável pela implementação da AMFE (etapa 1): Primeiramente a responsabilidade da execução desta técnica é delegada num determinado indivíduo da empresa e este posteriormente forma a sua equipa de trabalho. A equipa deve ser multidisciplinar em termos de especialistas (de áreas como a qualidade, o desenvolvimento, a produção, etc.) com experiência no assunto em análise, que entendam as necessidades dos clientes e que possuam ideias e criatividade por forma a que a estratégia seja aplicada com sucesso (Santos, 2008). • Selecção dos componentes do sistema em análise (etapa 2): A análise inicia-se pelo desenvolvimento de uma lista, da qual devem constar a identificação e hierarquização dos subsistemas e/ou componentes do sistema a analisar. De forma a facilitar a análise é conveniente que se represente o sistema através de fluxogramas de operações sequenciais (Tague´s, 2004). • Recolha e análise de informação (etapa 3): a informação pode ser obtida e analisada a partir da produção, de relatórios de falhas, de registos de manutenção, de inspecções, de auditorias e por comparação com AMFE anteriores (Baptista, 2007). Quando existe uma maior dificuldade em identificar as potenciais falhas as equipas multidisciplinares podem, ainda, utilizar ferramentas como a Análise de Árvore de Falhas (AAF), Desdobramento da Função de Qualidade (DFQ) e Diagramas de causa-efeitos. • Identificação dos modos potenciais de falha (etapa 4): o modo potencial de falha é a forma como a falha se produz, descrevendo o afastamento relativamente à função pretendida ou requisito do cliente (Cruz, 2009). Nesta fase pretende-se responder a questões do género: “Como pode falhar um produto/componente ou como pode falhar potencialmente um processo?”. Os modos potenciais de falha são expressos em termos físicos, mais especificamente, através de fadiga, vibrações, ruptura, fuga de material, corrosão, deformação, aquecimento, desgaste, entre outros. • Identificação dos efeitos de falha (etapa 5): os efeitos de falha correspondem às consequências dos efeitos potenciais negativos que advêm dos modos potenciais de falha, devendo ser identificados, registados e avaliados para cada um (Stamatis, 2003). Os efeitos de falha podem afectar o rendimento do componente, o rendimento do sistema, o grau de satisfação e a conformidade provocada no cliente, a segurança e, mesmo, os requisitos legais a cumprir. Os efeitos de falha podem ser, nomeadamente o ruído, a incapacidade para acelerar, o consumo exagerado, etc. • Determinação do índice de severidade do efeito de falha (etapa 6): este índice resulta da avaliação do impacto negativo do efeito do modo de falha. Na classificação dos efeitos dos modos de falha deve-se ter em consideração factores como, por exemplo, efeitos possíveis sobre os utilizadores e o meio envolvente, o desempenho funcional do sistema, o Catarina Alexandra dos Santos Nunes 49 Capítulo 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) cumprimento de exigências contratuais impostas pelo cliente ou requisitos legais (Santos, 2008). Por norma, é utilizada uma escala de 1 a 10 para medir o índice de severidade, em que quanto mais grave e crítico for o efeito do modo de falha, maior será o índice de severidade (). A Tabela 4.2 apresenta a escala utilizada para a atribuição do índice de severidade relativamente aos efeitos avaliados aquando da aplicação da AMFE. Tabela 4.2 – Índice de severidade dos efeitos de falha (Palady, 1995). • 50 Índice Critério 1 O efeito não é notado pelo utilizador. 2 Efeito muito ligeiro, notado pelo utilizador. No entanto, não incomoda ou prejudica o utilizador. 3 Efeito ligeiro que causa incomodo ao utilizador. No entanto, não leva o utilizador a procurar o serviço de manutenção. 4 Efeito ligeiro que causa incomodo ao utilizador, levando-o a procurar o serviço de manutenção. 5 Efeito menor que causa inconveniência ao utilizador. No entanto, não o leva a procurar o serviço de manutenção. 6 Efeito moderado que causa inconveniência ao utilizador, levando-o a procurar o serviço de manutenção. 7 Efeito moderado que causa degradação no desempenho do equipamento, conduzindo a falhas graves ou a uma falha que eventualmente cesse as funções do equipamento. 8 Efeito significativo resultando numa falha grave, no entanto não coloca a segurança do utilizador em risco e não resulta numa significativa falha de custo. 9 Efeito crítico de insatisfação do utilizador, cessa as funções do equipamento, significativa falha de custo e ligeiro risco de segurança (não ameaça a vida ou incapacidade permanente para o utilizador). 10 Ferimentos, ameaça à vida ou incapacidade permanente ou outra falha de custo que coloca a capacidade da organização continuar a operar em risco. Determinação das causas potenciais de falha (etapa 7): as causas potenciais de falha definem-se como sendo o que provocou o modo de falha correspondente. Para cada modo de falha devem-se listar todas as causas potenciais, quer sejam prováveis, quer improváveis (Tague´s, 2004). De modo a que equipa identifique quais as causas que estão a impedir que a função esteja a ser desempenhada correctamente pode recorrer-se à Análise de Árvore de Falha (AAF), que se revela uma ferramenta vantajosa em situações em que existe maior dificuldade de identificar o que provoca a potencial falha, ou pode-se igualmente usar diagramas causa-efeito. Capítulo 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) • Determinação do índice de ocorrência das causas de potenciais falhas (etapa 8): este índice é estimado com base na probabilidade de cada modo de falha ocorrer (Baptista, 2007). A probabilidade pode ser determinada a partir de informações relacionadas com a taxa de falhas, de dados obtidos em ensaios de tempo de vida útil do componente, de informação sobre taxas de falha disponíveis em bases de dados ou, ainda, com base em falhas ocorridas durante um período de estudo/funcionamento dos sistemas. No caso concreto da aplicação da técnica AMFE nas linhas de produção da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. usou-se a métrica (tempo médio entre falhas) para cada um dos modos de falha e consoante o seu valor, definiu-se o índice de ocorrência usando o sistema codificado na Tabela 4.3. Assim, a cada modo potencial detectado foi atribuído um índice de ocorrência, aqui designado por . O é um indicador de desempenho que indica o tempo médio que decorre entre duas avarias sucessivas. Para um determinado equipamento o tempo médio entre falhas é calculado do seguinte modo: = ∑ (4.1) onde é o tempo de funcionamento entre a falha − 1 e a falha do componente e é o número total de falhas observadas no período considerado. Tabela 4.3 – Índice de ocorrência (Baptista, 2007). • Probabilidade de ocorrência Critério: MTBF Índice de falha Muito alta MTBF inferior a 15 dias 6 Alta MTBF igual ou superior a 15 dias e inferior a 80 dias 5 Moderada MTBF igual ou superior a 80 dias e inferior a 170 dias 4 Baixa MTBF igual ou superior a 170 dias e inferior a 260 dias 3 Muito baixa MTBF igual ou superior a 260 dias e inferior a 350 dias 2 Remota MTBF igual ou superior 350 dias 1 Identificação dos modos de detecção de falha (etapa 9): esta fase consiste em estabelecer mecanismos que permitem controlar o sistema com o intuito de detectar um possível modo de falha (Hampl, 2010). As actividades de controlo são de cariz preventivo e resumem-se à realização de testes periódicos aos componentes, estudos estatísticos e análises críticas de viabilidade. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 51 Capítulo 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) • Determinação do índice de detecção (etapa 10): define-se como sendo a capacidade de detectar os modos de falha antes que o produto chegue aos clientes. Este índice () é atribuído a um modo de falha com base numa escala que assume valores de 1 a 10, e contrariamente ao índice de severidade, quanto mais elevado é o valor do índice de detecção maior o grau de incerteza (Keen, 2012). A Tabela 4.4 foi a utilizada para a codificação do índice de detecção dos modos de falha dos equipamentos produtivos da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. aquando do uso da ferramenta da qualidade AMFE. Tabela 4.4 – Índice de detecção (Palady, 1995). 52 Índice Critério 1 Praticamente certo de detectar. 2 Probabilidade muito elevada de detecção. 3 Probabilidade elevada de detecção. 4 Possibilidade moderada de detecção. 5 Detecção média. 6 Baixa detecção. 7 Detecção muito baixa. 8 Detecção remota. 9 Detecção muito remota. 10 Praticamente impossível detectar. • Determinação do NPR (etapa 11): o número prioritário de risco () resulta da multiplicação dos índices de severidade, ocorrência e detecção, isto é = × × . Este valor é utilizado para estabelecer prioridades para a eliminação dos modos de falha (Hagedorn, 2010). De acordo com as tabelas de índices utilizadas o valor pode variar entre 1 e 600, sendo que para os modos de falha que apresentam valores elevados deve-se tentar reduzir o risco de imediato, estabelecendo acções correctivas. Assim, para atribuir a prioridade de tratamento aos modos de falha deve-se ter em conta o valor de e os índices de severidade e ocorrência. Os modos de falha que devem ser tratados primeiramente são os que possuem o índice de ocorrência e de severidade mais elevados e posteriormente os que apresentam valores de superiores (Palady, 1995). Esta hierarquização revela que a detectabilidade é um factor menos importante que a severidade e a ocorrência neste plano. • Acções correctivas (etapa 13) : este tipo de acções são estabelecidas como resposta ao risco, de forma a diminuir os índices de severidade, de ocorrência e de detecção. • Definir uma data para a próxima revisão (etapa 14): de acordo com Stamatis (Stamatis, 2003) a AMFE é uma ferramenta dinâmica, que deve estar em contínua revisão durante o tempo de vida útil do produto, serviço ou sistema, e, portanto, após o desenvolvimento desta Capítulo 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) metodologia a equipa responsável deve definir a data da próxima revisão e assim sucessivamente. As etapas mencionadas constam num documento AMFE que ao ser identificado com número/código pode ser utilizado para a rastreabilidade do processo. O documento AMFE que se apresenta na Figura 4.2 foi o utilizado para a aplicação da ferramenta na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda., sendo que o documento AMFE se encontra apresentado no Anexo V aplicado sob a forma de tabela para cada equipamento produtivo em estudo. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 53 Capítulo 4 Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE) Data de conclusão: Equipamento: Modelos/ Localização: Nº de revisões: Análise de Modos de Falha e Efeitos Código: Órgão/ Componente Componente a analisar Data de revisão: Modo de Falha Potenciais falhas Efeito de Falha S Efeito de falha Causa de Falha O Modos Detecção Manutenção Causas de falha Modos de detecção Figura 4.2 – Documento para a construção de AMFE. 54 D " Acções Correctivas Acções recomendadas para a melhoria do sistema Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção Com o intuito de optimizar a organização da função manutenção na Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. foi desenvolvido um plano de manutenção que tivesse em conta os efectivos modos de falha e a realidade actual da linha de produção vista na perspectiva do processamento de dois produtos. A AMFE foi aqui aplicada com o intuito de se determinar os pontos críticos e os modos de falha a eles associados, por forma a que essa informação pudesse posteriormente ser usada na estruturação do plano conjugadamente com o conhecimento baseado no histórico da unidade de produção. Note-se que a AMFE é uma ferramenta de análise de perigos e detecção de modos de falha bastante usada hoje em dia. No entanto, para o fim em vista – análise de perigos e pontos críticos de manutenção – não é certamente a única. De facto, existem algumas alternativas como sejam: 1. Análise de Árvores de Acontecimentos – particularmente orientada para modelar sequências de acontecimentos envolvendo falhas operacionais e respectivas respostas. 2. Análise de Perigos de Zurich – centrada na identificação de perigos em qualquer área, como seja a segurança dos colaboradores, a imagem e a performance financeira. 3. Análise de Árvores de Falhas – centrada na identificação das causas dos acontecimentos mais importantes e na justificação económica de promover melhorias no sistema. 4. Estudos de Análise de Operabilidade (Hazard Operability Studies – HAZOP) – destinada a identificar desvios da operação normal e problemas operacionais, sendo particularmente usada na indústria química e farmacêutica. 5. Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controlo (HACCP) – orientada para a análise detalhada de perigos em processos de produção alimentar e identificação de limites processuais que requeiram monitorização periódica. A AMFE é particularmente usada para identificar falhas do sistema que podem conduzir a situações indesejáveis, sendo vulgarmente usada no controlo de processos eléctricos e mecânicos. Note-se, que neste enquadramento, a Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. tem implementado um sistema de HACCP com o intuito de detectar perigos alimentares. Por outro lado, sendo a manutenção orientada, no caso da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda., para a eliminação de causas e falhas associadas aos sistemas mecânicos e eléctricos das linhas de produção, a escolha desta ferramenta encontra-se totalmente justificada. Para além disso, a AMFE é enquadrada na norma NP EN ISO 9001:2008. O requisito 8.1 da norma NP EN ISO 9001:2008 refere que a organização deve determinar a necessidade de utilização de métodos adequados como, por exemplo, as técnicas estatísticas e outras metodologias, sendo que essas metodologias podem incluir técnicas como AMFE (Apcer, 2010). Apesar da Análise de Modos de Falha e Efeitos não ser uma exigência específica da norma de referência, a sua abordagem satisfaz o requisito 8.5.3 Acções Preventivas da norma NP EN ISO 9001:2008 (Keen, 2012), mais especificamente: Catarina Alexandra dos Santos Nunes 55 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção • a identificação dos potenciais modos de falha, a identificação das causas dos modos de falha e a determinação da severidade do efeito dos modos de falha correspondem ao requisito 8.5.3. a); • a identificação do efeito dos modos de falha, a determinação da ocorrência dos modos de falha e a determinação do são nomeadas no requisito 8.5.3. b); • a implementação de acções necessárias está associada ao requisito 8.5.3. c); • o registo dos resultados das acções implementadas é referido no requisito 8.5.3. d); • a revisão da eficácia das acções implementadas relaciona-se com o requisito 8.5.3. e). A AMFE foi aplicada a equipamentos que constituem duas linhas de processamento, sendo que uma diz respeito ao croissant simples e a outra ao pão de bico. Foram seleccionadas estas linhas de produção uma vez que delas fazem parte os equipamentos produtivos mais críticos, tendo igualmente apresentado a maior ocorrência de falhas durante o período de estudo. As linhas de produção em causa foram esquematicamente representadas através dos respectivos fluxogramas. Para além de se ter conduzido a AMFE referente às duas linhas de processamento atrás citadas, esta análise foi alargada a um conjunto de equipamentos não directamente envolvido nelas, mas de elevada importância no funcionamento da unidade de produção. Esta estratégia visa detectar eventuais modos de falha em equipamento de utilização comum que posteriormente permita a estruturação mais realista de um plano de manutenção global. Note-se que equipamento de utilização comum é todo o conjunto de peças de suporte às tarefas de produção não explicitamente envolvidas na sequência produtiva do croissant simples e do pão de bico, nomeadamente as batedeiras, os moinhos e os refrigeradores. Os fluxogramas foram desenvolvidos após análise da sequência de operações envolvidas nas duas linhas de produção. A versão original foi posteriormente discutida com responsáveis da produção e melhorada iterativamente. A construção dos fluxogramas dá particular relevância ao equipamento, explicitando-o, e menos às operações que aí decorreram. Esta perspectiva está em consonância com o objectivo final da análise – detectar pontos críticos de falha que representem necessidades de manutenção. A análise baseada em linhas de processamento de produtos definidos está em sintonia com os passos da AMFEC (Capítulo 4). No entanto, quando os resultados da análise visam a consubstanciação de um conjunto de pontos críticos de manutenção, a perspectiva em termos de produtos perde relevância face à visão da unidade como um conjunto de peças de equipamento de uso alargado. O processo de produção do croissant simples inicia-se com a preparação e pesagem de produtos, que sofrem posteriormente o processo de amassadura, formando uma massa homogénea. Terminada esta etapa a massa é prensada e transferida para o laminador, ficando com uma espessura muito pequena. Finda esta fase a massa é colocada na linha de corte, na qual se dá forma ao produto. Tendo o produto formado e moldado, este pode tomar 2 destinos distintos, que dependem da quantidade em stock. Caso exista uma grande quantidade de croissants simples em stock, os produzidos no dia são colocados no túnel de congelação para processamento posterior. No túnel o produto sofre uma congelação rápida, apenas saindo quando a sua temperatura é homogeneamente de -18ºC. Depois de 56 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção atingir a temperatura pretendida o produto é armazenado na câmara de congelação de produtos semiacabados, na qual fica sujeito a temperaturas iguais ou inferiores a -18ºC. Estando perante a situação de que não existe croissant simples em stock, depois de moldado o produto, de acordo com a sua apresentação final, é pincelado e sujeito ao tratamento térmico. Após o processo de cozedura, decorre o seu arrefecimento à temperatura ambiente e em recipientes que seguirão para as etapas seguintes. Posteriormente, os croissants simples são embalados, seguindo-se as últimas etapas do processo que correspondem à expedição e distribuição. O processo de produção do pão de bico tem início na preparação e pesagem de matéria-prima, seguindo o preparado para a amassadeira, na qual se dá o processo de mistura. Posteriormente, a massa é transferida para um equipamento no qual se pesam e cortam pantões de massa. Seguidamente, os pantões são divididos em pedaços de massa menores na divisora. Terminada a etapa da divisão segue-se a moldagem que se efectua de acordo com o produto final. Depois da massa moldada é colocada em carregadores, sendo que o produto pode tomar 2 destinos. Quando não existe stock de produto, este é colocado na câmara de levedação e, posteriormente, quando atinge o tamanho adequado é sujeito ao processo térmico no forno anelar. Findo o processo de cozedura o produto é arrefecido à temperatura ambiente. Para finalizar o processo de produção do pão de bico este é acondicionado e posteriormente distribuído em viaturas de transporte de pão. Na situação em que existe stock de pão de bico, o produto tendido nos carregadores de pão é colocado na câmara de padaria e no dia seguinte se tiver atingido o tamanho pretendido é sujeito ao processo de cozedura, caso contrário é transferido para a câmara de levedação para a massa crescer. No caso do produto ter o tamanho adequado é cozido e posteriormente é arrefecido à temperatura ambiente e acondicionado. A Figura 5.1 e Figura 5.2 dizem respeito ao fluxograma do processo de fabrico do croissant simples e pão-de-bico, respectivamente. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 57 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção Figura 5.1 – Fluxograma do processo de produção do croissant simples. 58 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção Figura 5.2 – Fluxograma do processo de produção do pão de bico. A análise dos modos potenciais de falha em cada um dos equipamentos da unidade de produção está sistematizada na Tabela 5.1. Esta tabela foi construída através de sucessivas iterações, tendo para Catarina Alexandra dos Santos Nunes 59 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção ela, contribuído informação proveniente da análise das avarias num período de tempo definido (1 de Junho de 2011 até 1 de Junho até 2012), bem como de sessões de brainstorming com os colaboradores do processo e o técnico de manutenção. Assim, para cada peça de equipamento foram listados os seus componentes e potenciais modos de falha. Tabela 5.1 – Equipamentos e respectivos modos potenciais de falhas dos órgãos/componentes. Equipamento Amassadeiras Prensa Laminadores Pesadora Divisora Linha de corte Câmaras de congelação e refrigeração Órgão/Componente Modos de falha Rolamentos Correias Portas Electroválvulas Resistências Termostato Todos os componentes Peças empurra Veios/casquilhos Pintura Gripagem Desgaste Danificação da borracha de protecção envolvente/ruptura Degradação Desgaste Gripagem Rasgo das telas Danificação da borracha de protecção envolvente/Ruptura Gripagem Desgaste Desferramento da bomba Gripagem dos componentes Rasgos superficiais Sujidade Ruptura Deterioração Gripagem Gripagem Rasgos na superfície Ganho de gelo Danificação Danificação das lâmpadas Danificação Danificação das lâmpadas Tubo do queimador desfaz-se em contacto com a chama Ruptura dos vidros das portas Derretimento das electroválvulas Deterioração das resistências Danos no termostato Sujidade Ruptura das peças Gripagem Degradação superficial Rolamentos/veios Rodas dentadas Varas Todos os componentes Pintura Veios/Casquilhos Rodas Depósitos/Filtros Bomba de água Gripagem Nível de baboline (óleo espesso) baixo Ruptura Sujidade acumulada Deterioração Gripagem Apodrecimento Sujidade da água Danificação da bomba Interruptores Pintura Todos os componentes Rolamentos Telas Interruptores Correntes Todos os componentes Bomba de azeite Veios/Casquilhos Tela Todos os componentes Veios/casquilhos Sapatas Veios/casquilhos Rolos Telas Ventiladores Electroválvulas Iluminação Portas Iluminação Queimador Fornos Embaladora Batedeiras Moinhos Refrigeradores de água 60 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção 5.1 Resultados da AMFE Nesta secção apresentam-se os parâmetros que permitiram a estruturação da AMFE para a unidade da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda.. Tal como foi referido no Capítulo 4 a AMFE envolve a avaliação de três métricas: a severidade, como medida indicativa de criticalidade da falha; a ocorrência, como medida de frequência da falha; a detectabilidade, como medida da facilidade de detecção. Por outro lado, e conforme referido, a severidade e a detectabilidade de cada potencial falha foram determinados por recorrência às Tabela 4.2 e Tabela 4.4, respectivamente. Relativamente à ocorrência ela é determinada com base na Tabela 4.3, usando o conceito de como chave de codificação. 5.1.1.Determinação dos índices de severidade e detectabilidade Com o intuito de atribuir o índice de severidade e de detecção aos modos potenciais de falha recorreu-se à técnica de brainstorming, levada a cabo através de reuniões com os colaboradores. Aí, questionaram-se os colaboradores quanto ao ranking de criticalidade e detectabilidade dos modos de falha. A elicitação ocorreu após se ter dado informação quanto às alternativas apresentadas na Tabela 4.2 e Tabela 4.4. Na Tabela 5.2 apresentam-se os índices de severidade e de detecção atribuídos aos modos potenciais de falha dos respectivos órgãos/componentes. Tabela 5.2 – Índices de severidade e de detecção atribuídos aos modos potenciais de falha dos respectivos órgãos/componentes. Equipamento Divisora Linha de corte Câmaras de congelação e refrigeração Rolamentos Correias Gripagem Desgaste Danificação da borracha de protecção envolvente/ruptura Degradação Desgaste Gripagem Rasgo das telas Danificação da borracha de protecção envolvente/Ruptura Gripagem Desgaste Desferramento da bomba Gripagem dos componentes Rasgos superficiais Sujidade Ruptura Deterioração Gripagem Gripagem Ganho de gelo Danificação Danificação das lâmpadas Danificação Pintura Todos os componentes Rolamentos Telas Interruptores Laminadores Pesadora Modos de falha Interruptores Amassadeiras Prensa Órgão/Componente Correntes Todos os componentes Bomba de azeite Veios/Casquilhos Tela Todos os componentes Veios/casquilhos Sapatas Veios/casquilhos Rolos Ventiladores Electroválvulas Iluminação Portas " 8 8 5 5 9 1 9 6 7 9 1 3 4 3 8 1 7 6 6 8 9 6 9 8 8 8 9 9 6 9 5 5 4 4 1 5 4 1 5 4 3 2 1 2 Catarina Alexandra dos Santos Nunes 61 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção Continuação Iluminação Queimador Fornos Embaladora Batedeiras Moinhos Refrigeradores de água Portas Electroválvulas Resistências Termostato Todos os componentes Peças empurra Veios/casquilhos Pintura Rolamentos/veios Rodas dentadas Varas Todos os componentes Pintura Veios/Casquilhos Rodas Depósitos/Filtros Bomba de água Danificação das lâmpadas Tubo do queimador desfaz-se em contacto com a chama Ruptura dos vidros das portas Derretimento das electroválvulas Deterioração das resistências Danos no termostato Sujidade Ruptura das peças Gripagem Degradação superficial Gripagem Nível de baboline (óleo espesso) baixo Ruptura Sujidade acumulada Deterioração Gripagem Apodrecimento Sujidade da água Danificação da bomba 5 1 7 2 9 9 7 7 6 9 8 5 7 7 9 6 5 8 5 9 8 1 2 2 2 4 3 5 1 5 5 1 5 1 4 1 3 4 Na Figura 5.3 apresenta-se o Diagrama de Pareto aplicado aos índices de severidade dos respectivos modos potenciais de falha dos equipamentos em estudo. Índice de severidade vs Número de modos de falha por índice de 100,00% severidade Número de modos de falha por índice de severidade 12 90,32% 90,00% 10 80,00% 74,19% 70,00% 8 60,00% 54,84% 6 4 32,26% 50,00% Severidade 40,00% Cumulativa 30,00% 20,00% 2 10,00% 0 0,00% 9 6 7 8 5 Índice de severidade Figura 5.3 – Diagrama de Pareto aplicado aos índices de severidade dos respectivos modos potenciais de falha dos equipamentos em estudo. De acordo com a Figura 5.3 pode-se constatar que 54,84% dos modos potenciais de falha dos órgãos/componentes em estudo possuem índices de severidade 9 e 6, sendo que o índice de severidade 9 designa Efeito crítico de insatisfação do utilizador, cessa as funções do equipamento, significante falha de custo e ligeiro risco de segurança e o índice 6 consiste num Efeito menor que causa inconveniência ao utilizador, levando-o a procurar o serviço de manutenção. 62 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção Na Figura 5.4 apresenta-se o Diagrama de Pareto aplicado aos índices de detecção dos modos potenciais de falha dos respectivos equipamentos em estudo. No que respeita a Figura 5.4, pode-se constatar que 52,78% dos modos potenciais de falha dos órgãos/componentes possuem índices de detecção 1, Praticamente certo de detectar, e índice de detecção 5, Detecção média. Número de modos de falha por ínidiice de detecção Índice de detecção vs Número de modos de falha por índice de 12 100,00% detecção 90,00% 86,11% 10 80,00% 70,00% 69,44% 8 60,00% Detecção 52,78% 6 50,00% Cumulativa 40,00% 4 30,56% 30,00% 20,00% 2 10,00% 0 0,00% 1 5 2 Índice de detecção 4 3 Figura 5.4 – Diagrama de Pareto aplicado aos índices de detecção dos modos potenciais de falha dos respectivos equipamentos em estudo. 5.1.2.Determinação do índice de ocorrência A atribuição do índice de ocorrência aos modos de falha foi baseada no parâmetro . Para tal, usou-se uma amostra de dados referentes ao período de tempo em estudo (1 de Junho de 2011 até 1 de Junho de 2012) e determinou-se o , e a Disponibilidade. O resulta da divisão do tempo de funcionamento no período pelo número de ocorrências de falha para cada equipamento (Equação 4.1). O tempo de funcionamento foi determinado através de informação fornecida pelo chefe de produção e o número de ocorrências dos modos potenciais de falha resultou da análise feita aos registos diários efectuados pelo técnico de manutenção. O valor de foi obtido pela divisão do tempo de reparação de cada falha, baseado no registo histórico de manutenção, pelo número de ocorrências. A disponibilidade depende de factores como, por exemplo, o número de avarias (fiabilidade), a velocidade com que as avarias são reparadas (manutibilidade), os tipos de manutenção (manutenção) e a qualidade dos meios à disposição e sua interdependência (logística) (Ferreira, 1998), sendo obtida através da expressão que se segue e que mede a fracção de tempo que o equipamento esteve disponível no período em causa: Catarina Alexandra dos Santos Nunes 63 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção = + (5.1) A Equação 4.1, usada para calcular o valor de está em sintonia com a consideração de que o tempo entre falhas sucessivas é descrito por uma distribuição uniforme. Assim, o valor de calculado dessa forma representará a média dessa distribuição e será aqui designado por $ . O seu desvio-padrão é calculado usando a relação: $ . ∑ ( − ) %&'()* = + −1 (5.2) Note-se que o cálculo deste parâmetro foi apenas efectuado para os órgão/componentes com modos de falha com mais de duas ocorrências no período de tempo em causa. Em estudos de fiabilidade é comum assumir-se que o segue uma distribuição de Weibull (Ferreira, 1998). Assim, esta premissa foi usada para estimar a média e o desvio-padrão do se a sua distribuição seguisse a distribuição de Weibull. Tal foi levado a cabo através do procedimento de ajuste de dados a modelos não lineares. Este procedimento usa o paradigma dos mínimos quadrados para ajustar os dados à distribuição de Weibull representada por: 1 56 5 3 4 exp :− 3 4 ; , se ≥ 0 ≈ 02 2 2 0, se < 0 (5.3) onde 1 e 2 são parâmetros característicos da distribuição e é o tempo. A distribuição de frequência B 5 cumulativa é dada por () = 1 − exp @− ACD E e o ajuste de parâmetros permite determinar 1, o factor de forma, e 2, o parâmetro de escala. Posteriormente, com o conhecimento destes parâmetros determinou-se a média de e o respectivo desvio-padrão por recurso às relações (Baptista, 2007): 1 F = 2 G 31 + 4 1 (5.4) 2 1 %&'()H = +2. G 31 + 4 − 2. G . 31 + 4 1 1 (5.5) onde G(J) é a distribuição G em J. A Tabela 5.3 ilustra os valores de e os seus desvios-padrão assumindo as suas distribuições de frequência consideradas (uniforme e Weibull). Note-se que os valores apresentados 64 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção correspondem a tempos efectivos. Comparando os valores de desvio-padrão obtidos através da distribuição de Weibull com os resultantes da distribuição uniforme pode-se referir que no geral os valores não diferem muito. Relativamente aos valores da média obtidos através da distribuição de Weibull, eles apresentam alguma discrepância relativamente aos determinados através da distribuição uniforme, como é o caso de: • os rasgos das telas e sujidade acumulada nos componentes das pesadoras; • a ruptura/gripagem de veios/casquilho e deterioração das sapatas das divisoras; • o ganho de gelo pelos ventiladores, danificação das lâmpadas e danos nas portas das câmaras de congelação e refrigeração; • os danos no termostato e ruptura dos vidros dos fornos; • a degradação da pintura das embaladoras; • a degradação da pintura dos moinhos. O desvio-padrão indica a proximidade com que os valores estão agrupados em torno da média. Um valor menor do desvio-padrão traduz que as observações estão pouco “espalhadas” à volta da média. Assim, analisando os valores do desvio-padrão obtidos, quer a partir da assumpção da distribuição de Weibull, quer da distribuição uniforme, observou-se que os modos potenciais de falha referentes à degradação da pintura das amassadeiras, à sujidade acumulada nos componentes dos fornos, à deterioração das sapatas das divisoras, aos rasgos nas telas das pesadoras, à degradação da pintura das batedeiras e a danificação das lâmpadas das câmaras de congelação e refrigeração são os que envolvem menos dispersos. Apesar da distribuição de Weibull ser vulgarmente usada para modelar tempos de falha, dada a exiguidade do número de ocorrências para alguns modos de falha, optou-se por usar os valores do obtidos assumindo que a distribuição uniforme é a lei que governa a sua ocorrência. Isto está também em coerência com a consideração de que o valor de é modelado uniformemente. Assim, a partir deste ponto, considera-se que o corresponde aos valores reportados na Tabela 5.3 como sendo $ . Tabela 5.3 - Valores de média e desvio-padrão obtidos através da Distribuição de Weibull e uniforme. Equipamento Amassadeiras Laminadores Modos de falha Gripagem dos rolamentos/correias Degradação da pintura Sujidade acumulada nos componentes Interruptores Rasgo das telas Baixo nível de lubrificação das correntes Número de ocorrências Distribuição de Weibull PKLMNO KLMNO (d) (d) Distribuição uniforme KLMNQ (d) PKLMNQ (d) 8 14,76 16,41 12,88 13,93 8 18 7,91 4,03 6,88 4,13 1 3 16,20 - 14,41 - 15,28 - 15,71 - 49,49 41,06 33,00 37,50 4 51,66 22,65 38,500 23,01 Catarina Alexandra dos Santos Nunes 65 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção Pesadoras Divisoras Câmaras de congelação e refrigeração Fornos Embaladoras Batedeiras Moinhos Refrigeradores de água Continuação Sujidade acumulada nos componentes Interruptores Desferramento da bomba de azeite Gripagem dos veios/casquilhos Rasgos na tela Sujidade acumulada nos componentes Ruptura dos veios/casquilhos Gripagem dos veios/casquilhos Deterioração das sapatas Ganho de gelo pelos ventiladores Danificação das lâmpadas Danos nas portas Electroválvulas Danificação das lâmpadas Ruptura dos vidros das portas Danos no termostato Sujidade acumulada nos componentes Electroválvulas Queimador Peças empurra Veios/casquilhos Pintura Degradação da pintura Ruptura das varas Sujidade acumulada nos equipamentos Degradação da pintura Depósitos/Filtros Danificação da bomba de água 3 1 81,05 - 63,03 - 54,00 - 59,00 - 6 43,88 51,38 40,17 49,13 8 44,21 57,28 38,88 51,72 3 12,56 7,48 8,33 7,50 6 41,75 31,60 34,50 33,66 4 34,81 78,81 26,00 46,91 3 122,83 47,21 81,33 49,00 3 14,09 6,81 9,33 7,00 9 85,54 104,89 37,33 55,00 3 107,69 10,69 71,67 10,50 7 1 44,03 - 45,75 - 37,31 - 40,22 - 13 29,21 23,97 27,00 22,59 7 37,63 56,44 33,43 59,21 3 57,79 88,99 33,43 52,50 10 1 1 9,45 - 6,57 - 8,50 - 6,58 - 2 2 3 2 118,67 - 9,75 - 14,00 217,00 79,00 38,00 9,50 - 8 2 38,59 - 22,30 - 33,50 18,00 23,19 - 3 19,51 20,2133 13,0000 16,5000 6 2 14,20 - 18,79 - 12,17 1,000 20,30 - Na Tabela 5.4 apresentam-se os valores de , determinados pela Equação 4.1, de , de disponibilidade () e de disponibilidade global (R) para os modos potenciais de falha e respectivos equipamentos. A taxa de utilização resulta da divisão do tempo do funcionamento do equipamento pelo tempo de estudo. A disponibilidade global por equipamento foi determinada através da média aritmética da disponibilidade dos modos potenciais de falha dos respectivos equipamentos. De acordo com a Tabela 5.4 verificou-se que os modos potenciais de falha que apresentam menor tempo médio entre falhas são os seguintes: degradação e gripagem dos veios/casquilhos dos moinhos, ruptura das varas das batedeiras, gripagem dos veios/casquilhos das pesadoras e gripagem dos rolamentos. Relativamente aos valores de , pode-se verificar que os modos potenciais de falha que necessitaram maior tempo de reparação foram os seguintes: gripagem 66 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção dos veios/casquilhos dos moinhos, degradação da pintura das amassadeiras depósitos/filtros e bomba de água dos refrigeradores, desferramentos da bomba de azeite das pesadoras e a degradação da pintura das embaladoras. No que respeita as percentagens de disponibilidade pôde-se concluir que estas são elevadas para todos os modos potenciais de falha, variando entre 98,34% e 100%. Pode-se, ainda, concluir que as câmaras de congelação e refrigeração são os equipamentos que apresentam maior valor de disponibilidade global (99,92%) e os moinhos registam o menor valor deste parâmetro (93,24%). Tabela 5.4 – Indicadores de desempenho para os modos potenciais de falha e respectivos equipamentos. Equipamento Amassadeiras Prensas Modos de falha Gripagem dos rolamentos/correias Danificação da borracha de protecção/ ruptura dos interruptores Degradação da pintura Sujidade acumulada nos componentes Gripagem dos rolamentos Tempo de utilização (%) 33,15 1,48 Rasgo das telas Laminadores Pesadoras Divisoras Danificação da borracha de protecção/ ruptura dos interruptores Baixo nível de lubrificação das correntes Sujidade acumulada nos componentes Desferramento da bomba de azeite Gripagem dos veios/casquilhos Rasgos na tela Sujidade acumulada nos componentes Ruptura dos veios/casquilhos Gripagem dos veios/casquilhos Deterioração das sapatas Linha de corte Baixo nível de lubrificação dos rolos Câmaras de congelação e refrigeração Ganho de gelo pelos ventiladores Danificação de electroválvulas Danificação das lâmpadas Danos nas portas KLMN (h) KLL (h) " (%) 364,00 2,30 99,91 2912,00 0,92 100,00 364,00 4,54 99,82 161,78 2,61 99,77 130,00 1,83 99,80 606,67 1,42 1820,00 1,92 33,15 8,88 99,13 98,61 99,96 99,98 20,72 12,43 "S (%) 99,82 455,00 1,23 99,96 606,67 0,64 99,98 182,00 2,81 99,78 136,50 2,00 99,98 364,00 2,10 99,78 182,00 2,79 99,72 728,00 2,35 99,95 970,67 2,25 99,97 970,67 1,28 99,98 390,00 0,54 99,98 970,67 0,69 99,99 8736,00 1,25 100,00 2912,00 0,64 100,00 1248,00 2,52 99,97 98,73 99,77 99,86 Catarina Alexandra dos Santos Nunes 67 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção Continuação Fornos Embaladoras Batedeiras Moinhos Refrigeradores de água Danificação das lâmpadas Tubo do queimador desfaz-se em contacto com a chama Ruptura das portas Derretimento das electroválvulas Deterioração das resistências Danos no termostato Sujidade acumulada nos componentes Ruptura das peças empurra Gripagem dos veios/casquilhos Degradação da pintura Gripagem dos veios/casquilhos Ruptura das varas Sujidade acumulada nos componentes Degradação da pintura Gripagem dos veios/casquilhos Depósitos/Filtros Danificação da bomba de água 62,16 20,72 17,76 1,18 33,15 420,00 1,46 99,89 5460,00 1,92 99,99 780,00 1,50 99,94 2730,00 0,29 100,00 5460,00 1,75 99,99 1820,00 1,11 99,98 546,00 1,33 99,93 910,00 2,42 99,96 910,00 2,17 99,97 606,67 3,86 99,91 780,00 0,54 99,98 195,00 0,74 99,91 780,00 3,58 99,89 34,67 1,11 99,54 52,00 6,00 98,39 485,33 4,63 99,88 1456,00 3,29 99,97 99,87 99,62 99,70 93,24 99,41 Na Figura 5.5 apresenta-se a percentagem de disponibilidade dos equipamentos em causa. Equipamentos vs % Disponibilidade % Disponibilidade 100,00 99,80 99,60 99,40 99,20 99,00 98,80 98,60 98,40 Equipamentos Figura 5.5 – Representação gráfica da percentagem de disponibilidade dos equipamentos em causa. Na Tabela 5.4 apresentaram-se os valores de e de para cada órgão/componente. No entanto, também se analisou o valor destes parâmetros para cada um dos equipamentos tendo em conta todos os seus modos de falha. Assim, para cada uma das peças consideradas: 68 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção • • o valor de do equipamento é igual ao valor de da peça que apresenta o valor mínimo, isto é = minW,X Y. o valor de do equipamento corresponde ao valor de da peça que possui o valor máximo, ou seja = maxW,X Y. A Tabela 5.5 apresenta os valores de e para os equipamentos em estudo. Tabela 5.5 – Valores de KLMN e KLL para os equipamentos em estudo. Equipamento KLMN (h) KLL (h) Amassadeiras 364,00 4,54 Prensa 130,00 1,83 Laminadores 455,00 1,92 Pesadoras 136,50 2,81 Divisoras 728,00 2,35 390,00 0,54 Câmaras de congelação e refrigeração 970,67 2,52 Fornos 420,00 1,92 Embaladoras 606,67 3,86 Batedeiras 195,00 3,58 Moinhos 34,67 6,00 Refrigeradores de água 485,33 4,63 Linha de corte Pela análise da Tabela 5.5 pôde-se constatar que as câmaras de congelação e refrigeração, as divisoras e as embaladoras são os equipamentos que registaram maiores tempos entre falhas sucessivas e que os moinhos, os refrigeradores de água, as amassadeiras, as embaladoras e as batedeiras são os equipamentos que necessitam maiores tempos de reparação. A taxa média de falha corresponde ao inverso do e mede a frequência da falha. Assim sendo, na Figura 5.6 mostra-se a taxa média de falha para cada equipamento em estudo. Da sua análise pode-se verificar que os equipamentos que apresentam maior taxa média de falha são os moinhos, a prensa e as pesadoras. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 69 Taxa média de falha (h-1) Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção Equipamentos vs Taxa de falha 0,00900 0,00800 0,00700 0,00600 0,00500 0,00400 0,00300 0,00200 0,00100 0,00000 Equipamentos Figura 5.6 – Taxa média de falha para os equipamentos em estudo. A Tabela 5.6 lista o índice de ocorrência atribuído aos respectivos modos potenciais de falha dos equipamentos em estudo, tendo por base os resultados da Tabela 5.4. Tabela 5.6 – Índice de ocorrência atribuído a cada modo potencial de falha dos equipamentos em estudo. Equipamento Amassadeiras Prensa Laminadores Pesadora Divisora Linha de corte Câmaras de congelação e refrigeração Órgão/Componente Modos de falha Rolamentos Correias Gripagem Desgaste Danificação da borracha de protecção envolvente/ruptura Degradação Desgaste Gripagem Rasgo das telas Danificação da borracha de protecção envolvente/Ruptura Gripagem Desgaste Desferramento da bomba Gripagem dos componentes Rasgos superficiais Sujidade Ruptura Deterioração Gripagem Gripagem Ganho de gelo Danificação Danificação das lâmpadas Danificação Danificação das lâmpadas Tubo do queimador desfaz-se em contacto com a chama Ruptura dos vidros das portas Derretimento das electroválvulas Deterioração das resistências Interruptores Pintura Todos os componentes Rolamentos Telas Interruptores Correntes Todos os componentes Bomba de azeite Veios/Casquilhos Tela Todos os componentes Veios/casquilhos Sapatas Veios/casquilhos Rolos Ventiladores Electroválvulas Iluminação Portas Iluminação Queimador Fornos 70 Portas Electroválvulas Resistências 6 5 5 4 5 5 1 5 5 6 6 5 6 5 5 5 5 5 1 4 5 5 3 5 5 3 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção Continuação Termostato Todos os componentes Peças empurra Veios/casquilhos Pintura Rolamentos/veios Rodas dentadas Varas Todos os componentes Pintura Veios/Casquilhos Depósitos/Filtros Bomba de água Embaladora Batedeiras Moinhos Refrigeradores de água Danos no termostato Sujidade Ruptura das peças Gripagem Degradação superficial Gripagem Nível de baboline (óleo espesso) baixo Ruptura Sujidade acumulada Deterioração Gripagem Sujidade da água Danificação da bomba de água 5 5 5 5 5 5 5 6 5 6 6 5 5 Número de modos de falha por índice de ocorrência Na Figura 5.7 apresenta-se o Diagrama de Pareto aplicado aos índices de ocorrência dos modos potenciais de falha dos equipamentos em estudo. Analisando a figura observou-se que 65 % dos modos potenciais de falha possuem índices de ocorrência 5, MTBF igual ou superior a 15 dias e inferior a 80 dias. Note-se que o índice de ocorrência 2, MTBF igual ou superior a 260 dias e inferior a 350 dias, não foi atribuído a nenhum modo potencial de falha. Índice de ocorrência vs Número de modos de falha por índice de ocorrência 25 100% 97% 91% 90% 85% 20 80% 70% 65% 15 60% 50% 10 40% Ocorrência Cumulativa 30% 20% 5 10% 0 0% 5 6 4 3 Índice de ocorrência 1 Figura 5.7 – Diagrama de Pareto aplicado ao índice de ocorrência dos modos potenciais de falha dos equipamentos em estudo. 5.1.3.Determinação do Número Prioritário de Risco () Tendo estabelecidos os índices de severidade, de ocorrência e de detectabilidade referentes aos modos potenciais de falha pode-se determinar o número prioritário de risco para cada um deles, que resulta da multiplicação dos três ( = × × ). Na Tabela 5.7 mostra-se o valor de para cada modo potencial de falha dos equipamentos. Uma vez que o plano de manutenção foi estruturado com base em órgãos/componentes, não se calculou o valor de por equipamentos, o que Catarina Alexandra dos Santos Nunes 71 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção implicaria uma metodologia de agregação dos respectivos valores referentes a cada um dos componentes. Tabela 5.7 – Índices de severidade, de ocorrência, de detecção e número prioritário de risco para os respectivos modos potenciais de falha. Equipamento Amassadeiras Prensa Laminadores Pesadora Divisora Linha de corte Câmaras de congelação e refrigeração Órgão/Componente Modos de falha Rolamentos Correias Gripagem Desgaste Danificação da borracha de protecção envolvente/ruptura Degradação Desgaste Gripagem Rasgo das telas Danificação da borracha de protecção envolvente/Ruptura Gripagem Desgaste Desferramento da bomba Gripagem dos componentes Rasgos superficiais Sujidade Ruptura Deterioração Gripagem Gripagem Ganho de gelo Danificação Danificação das lâmpadas Danificação Danificação das lâmpadas Tubo do queimador desfaz-se em contacto com a chama Ruptura dos vidros das portas Derretimento das electroválvulas Deterioração das resistências Danos no termostato Sujidade Ruptura das peças Gripagem Degradação superficial Gripagem Nível de baboline (óleo espesso) baixo Ruptura Sujidade acumulada Deterioração Gripagem Sujidade da água Danificação da bomba de água Interruptores Pintura Todos os componentes Rolamentos Telas Interruptores Correntes Todos os componentes Bomba de azeite Veios/Casquilhos Tela Todos os componentes Veios/casquilhos Sapatas Veios/casquilhos Rolos Ventiladores Electroválvulas Iluminação Portas Iluminação Queimador Fornos Embaladora Batedeiras Moinhos Refrigeradore s de água Portas Electroválvulas Resistências Termostato Todos os componentes Peças empurra Veios/casquilhos Pintura Rolamentos/veios Rodas dentadas Varas Todos os componentes Pintura Veios/Casquilhos Depósitos/Filtros Bomba de água " 8 8 5 5 5 5 200 200 9 4 1 36 9 6 7 9 5 6 6 5 1 3 4 3 45 108 168 135 8 5 1 40 7 6 6 8 9 6 8 8 8 8 9 9 6 9 5 5 5 6 6 5 6 5 5 5 5 5 1 4 5 5 5 5 4 4 1 5 4 1 5 4 3 2 1 2 1 175 150 144 192 45 180 160 40 200 160 135 18 24 90 25 7 3 2 42 9 9 7 7 6 9 8 5 7 7 9 6 5 8 9 8 5 5 3 5 5 5 5 5 5 5 6 5 6 6 5 5 1 2 2 2 4 3 5 1 5 5 1 5 1 4 3 4 45 90 42 70 120 135 200 25 175 175 54 150 30 192 135 160 Na Figura 5.8 apresenta-se o Diagrama de Pareto aplicado aos números prioritários de risco dos respectivos modos potenciais de falha dos equipamentos em estudo. Da sua análise pode-se verificar 72 Capítulo 5 Aplicação da AMFE para a determinação de pontos críticos de manutenção que a maioria dos problemas (63%) se encontra nas classes de de 41-60, 61-80, 161-180 e 201210, pelo que se se actuar sobre as classes em causa pode-se reduzir/eliminar até 63% das falhas ocorridas. Classes NPR vs Número de modos de falha por classe NPR Número de modos de falha por classe de NPR 8 95% 97% 89% 7 100% 90% 84% 80% 6 74% 5 63% 4 70% 60% 50% 50% 40% 3 34% Número de modos de falha Cumulativa 30% 2 20% 18% 1 10% 0% 0 41-60 61-80 161-180201-210141-160181-200101-120121-140 21-40 81-100 Classes do NPR Figura 5.8 - Diagrama de Pareto aplicado aos números prioritários de risco dos respectivos modos potenciais de falha dos equipamentos em estudo. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 73 74 Capítulo 6 Custos de manutenção 6 Custos de manutenção A manutenção deve ser encarada como uma função estratégica na obtenção de resultados da empresa quer ao nível de qualidade, quer da produtividade. Como tal, deve ter em conta os objectivos da organização, ser gerida de forma a proporcionar funcionalidade e um custo global optimizado (Souris, 1992). Neste sentido, tornou-se fundamental a determinação dos custos de manutenção dos equipamentos produtivos considerados mais críticos de modo a prever que tipos de falhas acarretam maiores custos de manutenção. Com a estimativa do custo de cada falha a empresa pode gerir de um modo mais adequado e eficiente os seus recursos económicos, estabelecendo estratégias para racionalizar os custos de manutenção. . A análise de custos da função manutenção possibilita: • definir um orçamento anual mais realista; • conhecer em tempo real as despesas e os desvios ao orçamento; • definir o nível de manutenção preventiva a executar; • verificar a eficácia das acções de manutenção; • decidir do recurso ou não à subcontratação e à mão de obra externa; • decidir sobre a substituição de material ou equipamento; • decidir sobre pequenas reparações (exemplo: colocar o equipamento em estado de funcionamento); • decidir sobre grandes reparações (exemplo: reconstrução do equipamento). A Figura 6.1 sistematiza a relevância da avaliação de custos de manutenção. Figura 6.1 – Avaliação de custos em manutenção (Monchy, 1989). Catarina Alexandra dos Santos Nunes 75 Capítulo 6 Custos de manutenção Os custos de manutenção são geralmente estimados pelos responsáveis técnicos dos departamentos de manutenção, vulgarmente, sem grande rigor. No entanto a sua estimativa engloba a previsão de três tipologias de custo: i. os custos directos; ii. os custos indirectos; iii. os custos especiais (Ferreira, 2011). Os custos directos contabilizam os custos da mão-de-obra, dos materiais de conservação, da subcontratação e amortização de equipamentos de manutenção. Os custos indirectos compreendem os custos de estrutura imputados à actividade de manutenção. Os custos especiais dizem respeito a stocks de materiais e componentes, ruptura de produção, deterioração de equipamentos, qualidade de produção e produção diminuída (Cabral, 2009; Pinto, 1995; Souris, 1992). De forma resumida a Figura 6.2 apresenta as três tipologias de custos de manutenção. Figura 6.2 – Custos de manutenção. A estimativa dos custos de manutenção dos equipamentos produtivos com nível de criticalidade superior da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. baseou-se na análise dos custos de mão-deobra, na facturação da empresa relativa à compra de materiais e referente à prestação de serviços por entidades externas, bem como na percepção do técnico de manutenção da empresa no que diz respeito às necessidades tendo em consideração cada tipo de reparação associada. O período de tempo objectivo de análise de facturação para determinar indicadores de custo de manutenção foi igualmente de 1 de Junho de 2011 até 1 Junho de 2012. O custo de mão-de-obra está directamente associado ao custo de pessoal na manutenção ([), do qual consta o pessoal interno de manutenção, pessoal interno de produção, na medida em que desempenha tarefas de manutenção, e pessoal externo, contratado como mão-de-obra gerida pela empresa. Sendo assim, o custo de mão-de-obra é estimado a partir da seguinte relação: [ = \\ × [\\ + \\ × [\\] 76 (6.1) Capítulo 6 Custos de manutenção onde \\ é o número de horas.homem directos aplicados nos trabalhos de manutenção; [\\ referese ao custo padrão da horas.homem do pessoal interno, e [\\] ao custo de hora.homem do pessoal externo (Cabral, 2009). Para os custos de materiais ([^) contribuem os custos de sobresselentes, consumíveis, bem como de produtos aplicados na manutenção durante a fase de análise. Neste tipo de custo podem ser contabilizadas as saídas de armazém que correspondem à quantidade de material utlizado na reparação multiplicado pelo custo unitário de stock e, ainda podem ser registados os materiais de aplicação directa que se relacionam com o produto da quantidade de material pelo custo unitário de aquisição, no qual se encontra incluído o custo de transporte. Os custos dos serviços de subcontratação advêm da soma das facturas associadas à prestação de serviços de terceiros na manutenção, podendo compreender uma diversidade de actividades, como por exemplo, trabalhos em oficinas especializadas, intervenções técnicas pontuais, serviços especializados, grandes revisões, entre outros (Cabral, 2009; Ferreira, 1998; Monchy, 1989). Apesar dos custos de indisponibilidade do equipamento não fazerem parte da estimativa dos custos de manutenção é importante que se defina o seu conceito, visto que estes podem ser mais decisivos que os custos indirectos no que respeita ao investimento em novos equipamentos, assim como na adopção de novas políticas de manutenção. Esta perspectiva, que engloba os custos de indisponibilidade do equipamento, está em consonância com o custo de não qualidade, neste caso estendido à não produção, atendendo objectivamente ao risco de falha. Os custos de indisponibilidade ([) resultam da seguinte relação: [ = [_ × _ (6.2) sendo [_ o custo médio horário da indisponibilidade do equipamento, para o qual contribui o custo acrescido da produção e/ou do valor da receita cessante consequente da indisponibilidade. O parâmetro _ corresponde ao tempo de indisponibilidade por manutenção (Cabral, 2009). Um outro tipo de custos que não foi determinado por inexistência de dados, mas que é igualmente importante é o referente aos custos de não-manutenção. Este tipo de custos corresponde às consequências que advêm da ineficácia da manutenção, dando origem à indisponibilidade e à deterioração do funcionamento dos equipamentos e, por conseguinte, à redução do número de vendas e geração de custos de não-qualidade (Pinto, 1995; Souris, 1992). Tendo em consideração as tipologias de custos mencionadas e explicitadas estimam-se o custo de manutenção para os equipamentos produtivos da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda.. A Tabela 6.1 apresenta o custo de manutenção determinado para cada uma das peças de equipamentos considerados. Este custo foi determinado tendo por base o tipo de falha mais frequente para cada equipamento e a base de dados referente aos custos de manutenção do ano de 2010. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 77 Capítulo 6 Custos de manutenção Tabela 6.1- Custos de manutenção estimados para os equipamentos produtivos em estudo. Equipamento Divisora Amassadeira Tipo de Falha Custo de mãode-obra (€) Custo de materiais (€) Custo de subcontratados (€) Custo total (€) Reparação 64,98 14,98 - 79,96 Sapatas 46,58 108,00 - 154,58 Lubrificação 26,45 3,55 - 30,00 Manutenção 323,61 1516,27 - 1839,88 Lubrificação 127,08 47,08 - 174,16 Ferrugem 250,70 69,30 - 320,00 8,68 - 15,00 1068,13 Interruptores Fornos Batedeiras Câmaras de refrigeração e congelação Laminadores Manutenção 92,00 976,13 - Iluminação 130,53 232,30 - 362,83 Vidros das portas 72,45 137,55 - 210,00 Electroválvulas 4,03 55,98 - 60,00 Queimador 13,23 11,78 - 25,00 Resistências 12,08 47,97 - 60,05 Termostato 23,00 7,00 - 30,00 Manutenção 49,45 171,67 - 221,12 Varas 40,83 69,91 - 110,74 Lubrificação 7,48 12,53 - 20,00 Ventiladores 43,13 - 1350,61 1393,74 Portas 121,90 216,60 - 338,50 Electroválvulas 8,63 21,38 - 30,00 Iluminação 13,23 16,78 - 30,00 Tela 29,33 15,00 - 44,33 Interruptores 13,23 5,00 - 18,23 Lubrificação 33,93 275,64 - 309,57 Manutenção 13,23 287,95 - 301,18 Lubrificação 116,15 3,85 - 120,00 17,40 - 58,80 164,97 Tela Pesadora Embaladoras 78 6,33 41,40 Bomba de azeite 116,15 48,82 - Manutenção 115,58 264,26 - 379,84 Manutenção 79,93 19,93 - 99,86 Capítulo 6 Custos de manutenção Continuação Linha de corte Lubrificação Rolos 33,35 4,00 - 37,35 29,90 10,00 - 39,90 Manutenção 7,48 12,53 - 20,00 Manutenção 23,58 36,43 - 60,00 Lubrificação 82,80 32,80 - 115,60 Manutenção 12,65 4,00 - 16,65 11,64 - 203,46 45,43 15,43 - 60,86 2463,53 4810,08 1350,61 8624,22 Moinhos Prensa Refrigeradores Depósito/Filtros Bomba de água Total (€) 191,82 Custos de manutenção (€) Analisando a Tabela 6.1 concluiu-se que o custo total obtido para a função manutenção durante o período de estudo (1 de Junho de 2011 até 1 Junho de 2012) foi de 8624,22€, em que 2463,53€ estão associados ao custo de mão-de-obra, 4810,08€ ao custo de materiais e 1350,61€ dizem respeito à prestação de serviços por entidades externas. Da Tabela 6.1, pode-se, ainda, salientar que a manutenção da amassadeira, dos ventiladores das câmaras de refrigeração e congelação, dos fornos, da pesadora, a iluminação dos fornos e as portas das câmaras de refrigeração e congelação foram os equipamentos que registaram custos mais elevados durante o período considerado. Na Figura 6.3 apresentam-se graficamente os custos de manutenção relativamente aos equipamentos produtivos enquadrados na análise. 2500,00 2400,00 2300,00 2200,00 2100,00 2000,00 1900,00 1800,00 1700,00 1600,00 1500,00 1400,00 1300,00 1200,00 1100,00 1000,00 900,00 800,00 700,00 600,00 500,00 400,00 300,00 200,00 100,00 0,00 Equipamentos vs Custos de manutenção Equipamentos Figura 6.3 – Representação gráfica dos custos de manutenção dos equipamentos produtivos em estudo. Relativamente à Figura 6.3 pode-se constatar que os equipamentos produtivos que mais contribuíram para o custo total de manutenção foram as amassadeiras, fornos e câmaras de congelação e refrigeração. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 79 Capítulo 6 Custos de manutenção De acordo com o resultado da análise, sugere-se que a empresa faça um registo mais pormenorizado relativamente aos custos de manutenção por equipamento no Software (SIM!pan), bem como realize uma gestão mais adequado do stock. Quanto mais detalhado for o registo das informações de custos, maior a probabilidade da empresa ter conhecimento de quais os equipamentos que estão a acarretar mais custos e quais os motivos, e, assim, estabelecer métodos para racionalizar esses custos. A gestão de stocks de material de manutenção constitui uma mais valia para a empresa no que respeita a redução de custos. Este tipo de gestão consiste em codificar e registar os materiais de manutenção, arrumação física, identificação e conservação dos materiais em stock, registo e controlo de entradas e saídas, recepção de materiais e encomendas com a verificação de conformidade de características, quantidade, preços e fornecedor, bem como a inventariação total do stock pelo menos uma vez por ano (Cabral, 2009). 80 Capítulo 7 Estruturação do plano de manutenção 7 Estruturação do plano de manutenção Neste capítulo estrutura-se um novo plano de manutenção para os órgãos/componentes dos equipamentos produtivos em estudo que constituem a linha de produção da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. O plano de manutenção é, portanto, elaborado com base na análise historial dos equipamentos relativamente às suas falhas e nos resultados obtidos pela AMFE. A estruturação do plano de manutenção consistiu em 4 etapas, sendo que a versão que aqui se apresenta foi o resultado de uma melhoria iterativa. As etapas em causa enumeram-se de seguida: 1. listagem das peças de equipamento de forma hierarquizada (do mais prioritário para o menos prioritário). A análise do valor de , de e de para cada modo de falha permite definir um ranking de hierarquização das acções de manutenção. Note-se que este ranking, apenas ajuda a sequenciar acções quando elas caem num instante temporal simultâneo. Os critérios usados para o estabelecimento do ranking por ordem de importância, são: 1º. modos potenciais de falha com índice de ocorrência superior ou igual a 5, uma vez que os índices inferiores a 5 correspondem a um nível de frequência de falha moderada, baixo ou muito baixo, portanto, priorizam-se as peças de equipamento de alta e muito alta frequência de falha. 2º. modos potenciais de falha com índice de severidade superior ou igual a 8, pois são estes índices de severidade que correspondem a efeitos mais significativos e críticos, podendo colocar a segurança do utilizador em causa e acarretar custos mais elevados. 3º. modos potenciais de falha com número prioritário de risco mais elevado, o que reflecte uma maior detectabilidade. Esta hierarquização reflecte de forma encoberta a importância dada à ocorrência, à severidade e à detectabilidade. Assim, a ocorrência é o factor mais importante e assume-se que acções de manutenção nos equipamentos de maior taxa de ocorrência de falha visam prevenir problemas. A severidade está num nível secundário, pois espera-se que a prevenção permita reduzir falhas de elevada severidade. Finalmente, é considerado o o qual entra em linha de conta com a detectabilidade, aqui vista como o factor de menor relevância na hierarquização. Na Tabela 7.1 apresenta-se a hierarquização construída com base nos critérios atrás definidos. Tabela 7.1 - Órgãos/Componentes hierarquizados de forma prioritária. Equipamento Órgão/Componente Prioridade Batedeiras Pesadoras Moinhos Prensa Varas Veios/Casquilhos Veios/Casquilhos Rolamentos Todos os componentes 1 2 3 4 Pesadora 5 Catarina Alexandra dos Santos Nunes 81 Capítulo 7 Estruturação do plano de manutenção Continuação Pesadora Amassadeiras Moinhos Refrigeradores de água Embaladoras Laminadores Câmaras de congelação e refrigeração Fornos Câmaras de congelação e refrigeração Pesadora Amassadeiras Fornos Amassadeiras Amassadeiras Divisoras Embaladoras Refrigeradores de água Linha de corte Divisoras Divisoras Laminadores Laminadores Batedeiras Batedeiras Fornos Fornos Fornos Laminadores Batedeiras Fornos Amassadeiras Fornos Embaladoras Câmaras de congelação e refrigeração Câmaras de congelação e refrigeração Bomba de azeite Todos os componentes Pintura Depósitos/Filtros Peças empurra Telas 6 8 9 10 11 Ventiladores 12 Electroválvulas 13 Portas 14 Telas Pintura Portas Rolamentos Correias Veios/Casquilhos Veios/Casquilhos Veios/Casquilhos Rolos Veios/Casquilhos Sapatas Interruptores Correntes Rolamentos/Veios Rodas dentadas Termostato Resistências Queimador Todos os componentes Todos os componentes Todos os componentes Interruptores Iluminação Pintura 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 7 33 34 35 36 37 38 Iluminação 39 Electroválvulas 40 2. estabelecimento das acções de manutenção a levar a cabo de acordo com os modos potenciais de falha descriminados com base na AMFE. Estas acções foram definidas através de questões efectuadas ao técnico de manutenção relativamente à melhor solução a aplicar a cada modo potencial de falha no sentido de evitar a sua ocorrência. 3. determinação do número de intervenções a efectuar no equipamento durante um ano. O número de intervenções foi obtido através da seguinte expressão: _ = ` a + 82 (7.1) Capítulo 7 Estruturação do plano de manutenção onde é o tempo de funcionamento anual determinado com base nos dados referentes ao período de tempo analisado e b. d é o operador ceiling. Note-se que, a determinação do número de intervenções a levar a cabo no período a que se reporta o plano de manutenção prevê-se igual ao que ocorreu no histórico dos equipamentos relativamente ao período de estudo, portanto, o histórico do processo é aqui considerado como uma base de previsão. Por outro lado, espera-se igualmente que o tempo de operação se mantenha, o que se consubstancia no facto de se esperar manter o nível de produção. Desta forma, espera-se que o plano a implementar seja óptimo do ponto de vista do sequenciamento das acções, mas não se consegue avaliar a potencial redução de custos, uma vez que as acções levadas a cabo se mantêm. De facto, uma redução do número de intervenções poder-se-ia revelar positiva em termos de custos, mas aumentaria bastante o risco de ocorrência dos modos de falha. Uma tal análise implicaria uma melhor descrição das distribuições dos para cada modo de falha. Na Tabela 7.2 apresenta-se o número de intervenções a levar a cabo para cada peça de equipamento em análise no período de 1 de Junho de 2011 até 1 de Julho de 2012. Tabela 7.2 – Número de intervenções de manutenção para cada peça de equipamento em estudo. Equipamento Órgão/Componente Batedeiras Pesadoras Moinhos Prensa Varas Veios/Casquilhos Veios/Casquilhos Rolamentos Todos os componentes Bomba de azeite Todos os componentes Pintura Depósitos/Filtros Peças empurra Telas Pesadora Pesadora Amassadeiras Moinhos Refrigeradores de água Embaladoras Laminadores Câmaras de congelação e refrigeração Fornos Câmaras de congelação e refrigeração Pesadora Amassadeiras Fornos Amassadeiras Amassadeiras Divisoras Embaladoras Refrigeradores de água Linha de corte Divisoras Divisoras Laminadores Laminadores Batedeiras Nº intervenções a efectuar 5 8 2 1 6 6 18 3 6 2 3 Ventiladores 9 Electroválvulas 2 Portas 7 Telas Pintura Portas Rolamentos Correias Veios/Casquilhos Veios/Casquilhos Bomba de água Rolos Veios/Casquilhos Sapatas Interruptores Correntes Rolamentos/Veios 3 8 7 8 8 3 2 2 2 3 3 1 3 1 Catarina Alexandra dos Santos Nunes 83 Capítulo 7 Estruturação do plano de manutenção Continuação Batedeiras Fornos Fornos Fornos Laminadores Batedeiras Fornos Amassadeiras Fornos Embaladoras Câmaras de congelação e refrigeração Câmaras de congelação e refrigeração Rodas dentadas Termostato Resistências Queimador Todos os componentes Todos os componentes Todos os componentes Interruptores Iluminação Pintura 1 3 1 1 3 1 10 1 13 3 Iluminação 3 Electroválvulas 1 4. estabelecimento da periodicidade de manutenção, a qual foi definida equidistribuindo as intervenções pelo período de referência do plano. É de salientar que para a realização do plano de manutenção assumiu-se que o tempo de funcionamento dos equipamentos não irá sofrer alterações no próximo ano. Para tal é necessário que a empresa Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. reúna certas condições favoráveis ao nível do serviço de manutenção, das quais se destacam as seguintes: • os recursos económicos devem ser geridos de modo adequado e eficiente tendo em conta os custos de manutenção (Capítulo 6) para que a empresa tenha uma ideia do custo de cada modo potencial de falha que possa surgir e definir métodos para a racionalização dos mesmos; • implementação de uma gestão de stocks adequada, capaz de codificar e registar os materiais de manutenção, arrumação física, identificação e conservação dos materiais em stock, registo e controlo de entradas e saídas, recepção de materiais e encomendas com a verificação de conformidade de características, quantidade, preços e fornecedor, assim como a inventariação total do stock pelo menos uma vez por ano. É imprescindível que haja uma boa gerência de stocks, uma vez que quando forem realizadas acções de manutenção exista em stock todo o material necessário. Na Figura 7.1 apresenta-se a estruturação do plano de manutenção para as peças de equipamento em estudo. Contudo, no Anexo VI exibe-se novamente o novo plano de manutenção com maior resolução, afim de facilitar a sua compreensão. 84 Capítulo 7 Estruturação do plano de manutenção Figura 7.1 – Plano de manutenção. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 85 86 Capítulo 8 Conclusão 8 Conclusão Após o desenvolvimento do presente relatório de estágio concluiu-se que os principais objectivos foram cumpridos, pelo que se realizou um acompanhamento das acções ao nível do SGQ e do SGM, promovendo assim a melhoria contínua destes processos. No que respeita ao Sistema de Gestão da Manutenção, realizou-se um maior controlo e supervisão do processo de manutenção, bem como a melhoria de métodos de organização. Desenvolveu-se, ainda, a técnica AMFE com o intuito de avaliar a disponibilidade e fiabilidade dos equipamentos produtivos, bem como definir os modos de falha da linha. A implementação da Análise de Modos de Falha e Efeitos exige que a equipa encarregue de a estabelecer na empresa adquira um conhecimento mais pormenorizado sobre cada equipamento, ao nível dos seus componentes e respectivos modos potenciais de falha. Esta técnica foi aplicada a duas linhas de produção (croissant simples e pão-de-bico), sendo alargada a um conjunto de equipamentos que não se encontram directamente envolvidos nelas, mas que possuem elevada importância para o funcionamento da unidade de produção. Aquando a aplicação de AMFE foi necessário determinar a severidade e a detectabilidade dos modos potenciais de falha através da técnica de brainstorming e, posteriormente, a atribuição do índice de severidade e detectabilidade ocorreu após se ter dado informação quanto às alternativas apresentadas nas respectivas tabelas. Para a determinação do índice de ocorrência utilizou-se o conceito de como chave de codificação e, por fim, o número prioritário de risco () resultou da multiplicação dos três índices. Após a implementação da AMFE para os equipamentos em estudo, definiram-se critérios com base no valor do índice de ocorrência, de severidade e de para definir um ranking de hierarquização das acções de manutenção. Ao nível do serviço de manutenção, foi importante que se estimassem os custos de manutenção, de modo a prever que tipos de falhas acarretam maiores custos. Assim, a empresa ao ter uma noção do custo de cada falha pode gerir de um modo adequado e eficiente os seus recursos económicos, definindo estratégias para racionalizar os custos de manutenção. Após a reunião dos dados adquiridos, através da técnica AMFE e das informações do registo histórico dos equipamentos foi possível dar um passo no sentido da função manutenção da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda., realizando um novo plano de manutenção para os equipamentos em causa. Para a estruturação do plano em causa definiram-se as acções de manutenção a levar a cabo para cada modo potencial de falha, através de informações dadas pelo técnico de manutenção, determinou-se o número de intervenções previstas, assumindo que o tempo de funcionamento dos equipamentos produtivos não irá sofrer alteração no período em causa. Isto implica que a empresa terá implementada uma adequada e eficiente gestão de recursos alocados à função manutenção, quer económicos quer de stocks, para que sejam reunidas as condições favoráveis ao cumprimento do Catarina Alexandra dos Santos Nunes 87 Capítulo 8 Conclusão plano. Para concluir a estruturação do novo plano de manutenção estabeleceu-se a periodicidade de manutenção, equidistribuindo as intervenções pelo período de referência. Assim, depois de estruturado, foi apresentado à empresa para ser sujeito a discussão e, posteriormente a aprovação. 8.1 Oportunidades de melhoria Nesta secção enumeram-se as competências atingidas ao longo do período de estágio, bem como aspectos que a empresa deve melhorar e sugestões de melhoria. Durante o período de estágio obtiveram-se as seguintes “conquistas”: • desenvolvimento do plano de HACCP para dois produtos de pastelaria (pirâmides de chocolate e batidos de pão-de-ló); • actualização de determinados requisitos do Sistema de Gestão da Qualidade, promovendo assim a melhoria contínua do sistema mantendo-o adequado e eficaz para a empresa; • incentivo ao técnico de manutenção da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda. e auxílio na organização do espaço de manutenção e identificação do material de manutenção; • estabelecimento de acções de manutenção para cada modo potencial de falha, através de questões elaboradas ao técnico de manutenção; • estruturação de um novo plano de manutenção. Após o período de estágio e o desenvolvimento do relatório verificou-se que a empresa necessita de melhorar em determinados campos da Gestão da Manutenção, tais como o registo de custos de manutenção e a gestão de stocks. Neste sentido, sugere-se que a empresa faça um registo mais detalhado dos custos de manutenção por equipamento no Software (SIM!pan), e que realize uma gestão mais detalhada do stock. Quanto mais pormenorizado for o registo das informações de custos, maior a probabilidade da empresa ter conhecimento de quais os equipamentos que estão a acarretar mais custos e de quais os motivos, e, assim, estabelecer métodos para racionalizar esses custos. A gestão de stocks de material de manutenção constitui uma mais valia para a empresa, no que respeita a redução destes. Este tipo de gestão consiste, por exemplo, em codificar e registar os materiais de manutenção, na arrumação física rastreável, na identificação e conservação dos materiais em stock, no registo e controlo de entradas e saídas, na recepção de materiais e encomendas com a verificação de conformidade de características, quantidade, preços e fornecedor, bem como na inventariação total do stock pelo menos uma vez por ano. 88 Referências Referências Antunes, Maria de Lurdes. 2009. Qualidade para participantes. Lisboa : Sílabo, 2009. Apcer. 2010. Guia interpretativo de NP ISO 9001:2008. Leça da Palmeira, 2010. ASSEC SIM! 2012. SIM!TOUCH - Manutenção e Higienização. Covilhã : ASSEC SIM!, 2012. Baptista, Luís Manuel. 2007. RAMS aplicado a sistemas reparáveis - extracção oleaginosas. Lisboa : Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, 2007. Cabral, José Paulo. 2009. Gestão da Mnautenção de Equipmamentos, Instalações e Edifícios. 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International SEMATECH, Inc., 1992. 90 Anexos ANEXOS Catarina Alexandra dos Santos Nunes 91 Anexos Anexo I – Requisitos da norma NP EN ISO 9001:2008 Tabela A.1 - Requisitos da norma NP EN ISO 9001:2008, mencionados ao longo do relatório de estágio, e respectivo campo de aplicação (CT80, 2008). Requisitos 4 5 6 7 8 92 Âmbito de aplicação 4.1 a) A organização deve determinar os processos necessários para o Sistema de Gestão da Qualidade e para a sua aplicação em toda a organização. 4.1 b) A organização deve determinar a sequência e interacção destes processos. 4.1 c) A organização deve determinar critérios e métodos necessários para assegurar que tanto a operação como o controlo destes processos eficazes. 4.1 d) A organização deve assegurar a disponibilidade de recursos e de informação necessários para suportar a operação e a monitorização destes processos. 4.1 e) A organização deve monitorizar, medir onde aplicável e analisar estes processos. 4.1 f) A organização deve implementar acções necessárias para atingir os resultados planeados e a melhoria contínua destes processos. 4.2.1 Generalidades dos Requisitos da Documentação 4.2.2 Manual da qualidade 4.2.3 Comunicação interna 4.2.4 Controlo de Registos 5.1 Comprometimento da gestão – a) A gestão de topo deve proporcionar evidências do seu comprometimento no desenvolvimento e implementação do Sistema de Gestão da Qualidade e na melhoria da sua eficácia ao comunicar à organização a importância de se ir ao encontro dos requisitos do cliente, bem como dos estatuários e regulamentares. 5.2 Focalização no cliente 5.3 Política da qualidade 5.4.1 Objectivos da qualidade 5.4.2 Planeamento do Sistema de Gestão da Qualidade 5.5.1 Responsabilidade e autoridade 5.5.3 Comunicação interna 5.6.1 Generalidades da Revisão pela gestão 6.1 Provisão de recursos 6.2.2 Competência, formação e consciencialização 6.4 Ambiente de trabalho 7.2 Processos relacionados com o cliente 7.3 Concepção e desenvolvimento 7.3.4 Revisão da concepção e desenvolvimento 7.4 Compras 7.4.1 Processo de compra 7.5 Produção e fornecimento do serviço 7.5.2 Validação dos processos de produção e do fornecimento do serviço – d) A validação deve estabelecer disposições para estes processos que incluam, conforme aplicável aos requisitos para os registos. 7.5.4 Propriedade do cliente 7.6 Controlo do equipamento de monitorização e de medição 8.1 Generalidades da medição, análise e medição 8.2.3 Monitorização e medição dos processos 8.4 Análise de dados 8.5.1 Melhoria contínua 8.5.2 Acções correctivas 8.5.3 Acções preventivas Anexos Anexo II – Política e objectivos da qualidade Tabela A.2 - Política e objectivos da qualidade (Costa, et al., 2011). Política da Qualidade Objectivos da Qualidade Satisfazer as necessidades dos clientes, disponibilizando para além dos produtos pedidos, também novos Desenvolvimento de pelo menos um novo produto produtos, excedendo as suas expectativas, promovendo a sua fidelização; Finalização dos novos módulos do Software (SIM!pan) Número de notificações de produtos Garantir géneros alimentícios seguros, que não potencialmente não seguros enviadas inferior a 1 apresentem perigo para a saúde do consumidor; Número de reclamações de produtos potencialmente não seguros do mercado inferior a 1 Entender a qualidade e a segurança alimentar como um factor chave para a competitividade e rentabilidade da empresa; Cumprimento de prazos e garantia de qualidade dos Grau de eficácia das acções correctivas superior a 80% Custo da não qualidade inferiores a 2.000,00 € Promover uma média de 35 horas de formação nossos produtos e do nosso serviço; Criação de condições que permitam a constante motivação e envolvimento de todos os colaboradores anuais/colaborador. Índice de satisfação dos colaboradores superior a 87% (medido no inquérito anual) Assegurar o cumprimento dos requisitos do cliente, legais, regulamentares. Clientes satisfeitos em pelo menos 90% (medido no inquérito anual) Catarina Alexandra dos Santos Nunes 93 Anexos Anexo III – Plano de HACCP para as pirâmides de chocolate Figura A.1 - Fluxograma relativo ao processo de fabrico das pirâmides de chocolate. 94 Anexos Tabela A.3 - Perigos, sua descrição, nível de aceitação, causas e medidas preventivas. Etapa Perigo Biológico Armazenagem em câmara de refrigeração (1), (1A) e (1B) Químico Descrição Nível de aceitação Causa Medidas preventivas Tabela A.11 Exposição do produto a tempos e temperaturas inadequadas na câmara de congelação Danificação do sistema de refrigeração Prática de higienização inadequada da câmara de refrigeração Práticas de manipulação incorrectas Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Cumprimento do plano anual de calibração e ensaio Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo dos equipamentos de medição de temperatura (termómetros) Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Vestígio de agentes de limpeza/desinfecta ntes Ausência Dosagem incorrecta de detergentes/desinfectante Colocação incorrecta de detergentes/desinfectante Dosagem do produto químico de limpeza a utilizar de acordo com o plano de higienização Formação/Sensibilização da equipa responsável pelo processo de higienização Crescimento e desenvolvimento microbiano Tabela A.11 Pragas Ausência Crescimento e desenvolvimento microbiano durante o armazenamento Biológico Amassadura (2) e (2A) Físico Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis (parafusos, resíduos de caixas de PVC, resíduos de embalagens de plástico, papel vegetal cabelos) Ausência Exposição elevada do produto a temperaturas inadequadas Práticas de fabrico incorrectas Práticas de higiene inadequadas Contaminações cruzadas Controlo de pragas inadequado e ineficaz Deficientes práticas de manipulação Práticas de higiene inadequadas Fragmentos metálicos desprendidos da amassadeira Resíduos de embalagens de plástico e papel Vestígios de papel vegetal Resíduos de caixas de PVC, nas quais as aparas de pão-de-ló se encontram acondicionadas Operadores equipados incorrectamente Manutenção preventiva das amassadeiras Controlo da temperatura a que o produto se encontra exposto Boas práticas de manipulação Boas práticas de higiene, cumprindo o plano de higienização e registo Formação/sensibilização dos manipuladores Controlo de pragas adequado e eficaz Manutenção preventiva dos equipamentos Cumprimento das exigências relativas ao uso de farda e à conduta de higiene Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Catarina Alexandra dos Santos Nunes 95 Anexos Etapa Amassadura (2) e (2A) Perigo Descrição Químico Vestígio de agentes de limpeza/desinfecta ntes Biológico Sobrevivência de esporos de agentes patogénicos Químico Tratamento térmico (3) Nível de aceitação Ausência 96 Medidas preventivas Dosagem incorrecta de detergentes/desinfectante Colocação incorrecta de detergentes/desinfectante Absorção de produtos químicos quando armazenados em recipientes inadequados Dosagem do produto químico de limpeza a utilizar de acordo com o plano de higienização Formação/Sensibilização da equipa responsável pelo processo de higienização Utilização de recipientes adequados para o acondicionamento de produtos Tabela A.11 Ineficiência na destruição da carga microbiológica Contaminações cruzadas Compostos químicos indesejáveis Ausência Formação de compostos químicos indesejáveis pelo incumprimento do binómio tempo/temperatura estabelecido Crescimento e desenvolvimento microbiano Tabela A.11 Pragas Ausência Biológico Tritura/Moagem (4) Causa Físico Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis (fragmentos metálicos, cabelos, adornos pessoais) Químico Vestígios de agentes de limpeza/desinfecta ntes Ausência Ausência Exposição elevada do produto a temperaturas inadequadas Práticas de fabrico incorrectas Práticas de higiene inadequadas Contaminações cruzadas Controlo de pragas inadequado e ineficaz Deficientes práticas de manipulação Práticas de higiene inadequadas Fragmentos metálicos desprendidos do moinho Resíduos de embalagens de papel ou plástico Operadores equipados incorrectamente Dosagem incorrecta de detergentes/desinfectante Colocação incorrecta de detergentes/desinfectante Absorção de produtos químicos quando armazenados em recipientes inadequados Sensibilizar os manipuladores para o cumprimento de medidas preventivas Sensibilização para boas práticas de fabrico e manipulação Manutenção do processo de cozedura apenas o tempo necessário, de modo a obter a temperatura adequada Controlo dos termóstatos e equipamentos de medida Manutenção do processo de cozedura apenas o tempo necessário, de modo a obter a temperatura adequada Controlo dos termóstatos e equipamentos de medida Formação/sensibilizador dos manipuladores Manutenção preventiva das amassadeiras Controlo da temperatura a que o produto se encontra exposto Boas práticas de manipulação Boas práticas de higiene, cumprindo o plano de higienização e registo Formação/sensibilização dos manipuladores Controlo de pragas adequado e eficaz Manutenção preventiva dos equipamentos Cumprimento das exigências relativas ao uso de farda e à conduta de higiene Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Dosagem do produto químico de limpeza a utilizar de acordo com o plano de higienização Formação/Sensibilização da equipa responsável pelo processo de higienização Utilização de recipientes adequados para o acondicionamento de produtos Anexos Etapa Biológico Moldagem (5) Físico Químico Congelação (6) Descrição Nível de aceitação Crescimento de microrganismos patogénicos Tabela A.11 Pragas Ausência Perigo Biológico Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis (resíduos de embalagem, metal, cabelos) Vestígios de agentes de limpeza/desinfecta ntes Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Ausência Causa Medidas preventivas Exposição elevada do produto a temperatura inadequada Avaria do sistema de ventilação da sala de acabamentos Práticas de fabrico incorrectas Controlo de pragas inadequado e ineficaz Controlo do sistema de ventilação da sala de acabamentos e sempre que necessário reparar de imediato Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Controlo de pragas adequado e eficaz Deficientes práticas de manipulação Práticas de higiene inadequadas Resíduos de embalagens de papel ou plástico Operadores equipados incorrectamente Manutenção preventiva dos equipamentos Cumprimento das exigências relativas ao uso de farda e à conduta de higiene Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Ausência Dosagem incorrecta de detergentes/desinfectante Colocação incorrecta de detergentes/desinfectante Tabela A.11 Exposição do produto a tempos e temperaturas inadequadas na câmara de congelação Danificação do sistema de refrigeração Prática de higienização incorrecta da câmara de congelação Manipulação inadequada Dosagem do produto químico de limpeza a utilizar de acordo com o plano de higienização Formação/Sensibilização da equipa responsável pelo processo de higienização Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Cumprimento do plano anual de calibração e ensaio Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo dos equipamentos de medição de temperatura (termómetros) Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Cumprimento do binómio tempo/temperatura no túnel de congelação Catarina Alexandra dos Santos Nunes 97 Anexos Etapa Armazenagem em câmara de congelação de produtos acabados (7) Acabamento/Cobe rtura (8) Perigo Biológico Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Biológico Crescimento de microrganismos patogénicos Físico Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis (resíduos de embalagem, fragmentos metálicos, cabelos) Químico Vestígios de agentes de limpeza/desinfectante s Biológico Potencial crescimento microbiano Físico Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis (metal, papel, plástico, cabelos, adornos pessoais) Químico Vestígios de agentes de limpeza/desinfecção Expedição (9) 98 Descrição Nível de aceitação Causa Medidas Preventivas Tabela A.11 Exposição do produto a tempos e temperaturas inadequadas na câmara de congelação Danificação do sistema de refrigeração Prática de higienização incorrecta da câmara de congelação Manipulação inadequada Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo e calibração dos equipamentos de medição de temperatura Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Cumprimento do binómio tempo/temperatura no túnel de congelação Tabela A.11 Exposição prolongada do produto a temperaturas elevadas Práticas de fabrico incorrectas Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Ausência Ausência Tabela A.11 Ausência Ausência Deficientes práticas de manipulação Práticas de higiene inadequadas Desprendimento de peças metálicas dos utensílios utilizados Resíduos de embalagens de papel ou plástico Operadores equipados incorrectamente Dosagem incorrecta de detergentes/desinfectante Colocação incorrecta de detergentes/desinfectante Valor de temperatura de exposição do produto excedida Avaria do sistema de refrigeração Práticas de manipulação incorrectas Deficientes práticas de manipulação Desprendimento de materiais dos equipamentos Resíduos de embalagens de papel ou plástico Operadores equipados incorrectamente Dosagem incorrecta de detergentes/desinfectante Colocação incorrecta de detergentes/desinfectante Manutenção preventiva dos equipamentos Cumprimento das exigências relativas ao uso de farda e à conduta de higiene Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Dosagem do produto químico de limpeza a utilizar de acordo com o plano de higienização Formação/Sensibilização da equipa responsável pelo processo de higienização Boas práticas de fabrico Controlo da temperatura da área de expedição Formação/ sensibilização dos manipuladores Manutenção preventiva dos equipamentos Cumprimento das exigências relativas ao uso de farda e à conduta de higiene Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Dosagem do produto químico de limpeza a utilizar de acordo com o plano de higienização Formação/Sensibilização da equipa responsável pelo processo de higienização Anexos Tabela A.4 - Avaliação de Perigos. Etapa Armazenagem em câmara de refrigeração (1) Perigo Biológico S – Significativo NS – Não significativo Químico Biológico Amassadura (2) Físico Químico Tratamento térmico (3) Biológico Químico Biológico Trituração/Moagem (4) Físico Químico Biológico Amassadura (2A) Físico Descrição Crescimento e desenvolvimento microbiano durante o armazenamento. Vestígio de agentes de limpeza/desinfectantes Crescimento e desenvolvimento microbiano Pragas Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis Vestígio de agentes de limpeza/desinfectantes Substâncias tóxicas Sobrevivência de esporos de agentes patogénicos Compostos químicos indesejáveis Crescimento e desenvolvimento microbiano Pragas Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis Vestígio de agentes de limpeza/desinfectantes Substâncias tóxicas Crescimento e desenvolvimento microbiano Pragas Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis Nível de aceitação Risco (R) Severidade (G) RxG S/NS Tabela A.11 100 100 10000 SM3 Ausência 10 100 1000 SB4 Tabela A.11 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Tabela A.11 1000 1000 1000000 SA5 Ausência 100 1000 10000 SA Tabela A.11 100 100 10000 SM Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Tabela A.11 1000 1000 1000000 SA Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB 3 SM – Significância Média SB – Significância Baixa 5 SA – Significância Alta 4 Catarina Alexandra dos Santos Nunes 99 Anexos Etapa Moldagem (5) Perigo Descrição Biológico Crescimento de microrganismos patogénicos Pragas Físico Químico Congelação (6) Biológico Armazenamento em câmara de produto acabado (7) Biológico Armazenamento em câmara de refrigeração (1A); (1B) Biológico Químico Biológico Acabamento/Cobertura (8) Físico Químico Biológico Expedição (9) Físico Químico 100 Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis Vestígio de agentes de limpeza/desinfectantes Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Desenvolvimento de microrganismos patogénicos Vestígio de agentes de limpeza/desinfectantes Crescimento de microrganismos patogénicos Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis Vestígio de agentes de limpeza/desinfectantes Potencial crescimento microbiano Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis Vestígio de agentes de limpeza/desinfectantes Nível de aceitação Risco (R) Severidade (G) RxG S/NS Tabela A.11 100 1000 100000 SA Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Tabela A.11 100 1000 100000 SA Tabela A.11 100 1000 100000 SA Tabela A.11 100 1000 100000 SA Ausência 10 100 1000 SB Tabela A.11 100 1000 100000 SA Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Tabela A.11 1000 1000 1000000 SA Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Anexos Tabela A.5 - Classificação de medidas de controlo. Etapa Armazenagem em câmara de refrigeração (1), (1A) e (1B) Perigo Biológico Crescimento e desenvolvimento microbiano durante o armazenamento. Biológico Sobrevivência de esporos de agentes patogénicos Químico Compostos químicos indesejáveis Biológico Crescimento e desenvolvimento microbiano Tratamento térmico (3) Trituração/Moagem (4) Descrição Nível de aceitação Medidas preventivas Q1 Q2 Q3 Q4 Plano HACCP Tabela A.11 Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Cumprimento do plano anual de calibração e ensaio Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo dos equipamentos de medição de temperatura (termómetros) Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores S S - - PCC1 S S - - PCC4 S N N - PC S N N - PC Tabela A.11 Ausência Tabela A.11 Sensibilizar os manipuladores para o cumprimento de medidas preventivas Sensibilização para boas práticas de fabrico e manipulação Manutenção do processo de cozedura apenas o tempo necessário, de modo a obter a temperatura adequada Controlo dos termóstatos e equipamentos de medida Manutenção do processo de cozedura apenas o tempo necessário, de modo a obter a temperatura adequada Controlo dos termóstatos e equipamentos de medida Formação/sensibilizador dos manipuladores Manutenção preventiva dos equipamentos Cumprimento das exigências relativas ao uso de farda e à conduta de higiene Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Catarina Alexandra dos Santos Nunes 101 Anexos Etapa Amassadura (2A) Moldagem (5) Congelação (6) Perigo Descrição Biológico Crescimento e desenvolvimento microbiano Biológico Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Biológico Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Nível de aceitação Tabela A.11 Tabela A.11 Tabela A.11 Armazenamento em câmara de produto acabado (7) Biológico Acabamento/ cobertura (8) Biológico Crescimento de microrganismos patogénicos Tabela A.11 Expedição (9) Biológico Potencial crescimento microbiano Tabela A.11 102 Tabela A.11 Medidas preventivas Manutenção preventiva das amassadeiras Controlo da temperatura a que o produto se encontra exposto Boas práticas de manipulação Boas práticas de higiene, cumprindo o plano de higienização e registo Formação/sensibilização dos manipuladores Controlo de pragas adequado e eficaz Controlo do sistema de ventilação da sala de acabamentos e sempre que necessário reparar de imediato Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Controlo de pragas adequado e eficaz Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Cumprimento do plano anual de calibração e ensaio Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo dos equipamentos de medição de temperatura (termómetros) Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Cumprimento do binómio tempo/temperatura no túnel de congelação Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo e calibração dos equipamentos de medição de temperatura Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Cumprimento do binómio tempo/temperatura no túnel de congelação Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Realizar o acabamento rapidamente de forma a evitar desenvolvimento de carga microbiana Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Boas práticas de fabrico Controlo da temperatura da área de expedição Formação/ sensibilização dos manipuladores Q1 Q2 Q3 Q4 Plano HACCP S N N - PC S N N - PC S S - - PCC5 S S - - PCC1 S N N - PC S S - - PCC6 Anexos Tabela A.6 - Estabelecimento dos PCC’s. Etapa Perigo PCC Medida de controlo Parâmetro de controlo Limite de controlo Monitorização Frequência Procedimento Registo Correcções Acções correctivas Responsável Software de controlo de temperatura Armazenagem em câmara de refrigeração (1); Biológico (1A) (1B) PCC1 Monitorização da temperatura da câmara Temperatura da câmara Temperatura ≥ 4ºC 3 observações diárias Controlo visual do Departamento da mostrador digital da Qualidade e/ou sonda da câmara e/ou Departamento de através de software produção Alertar o responsável pela manutenção. Repor os valores de Reparação temperatura. imediata da Ficha de registo Verificação das avaria de temperaturas características Rejeitar produtos macroscópicas dos produtos da câmara suspeitos Registo de antes da sua utilização. Detectar situações de pedidos de deterioração manutenção Mod.051/00 Controlo visual do Departamento da mostrador digital da Qualidade e/ou sonda da câmara e/ou Departamento de através de software produção Alertar o responsável pela manutenção. Reparação Repor os valores de imediata da temperatura. avaria Verificação das Ficha de registo Rejeitar produtos características de temperaturas suspeitos macroscópicas dos produtos da câmara Reencaminhamen antes da sua utilização. Registo de to para outros Detectar situações de pedidos de fins industriais deterioração manutenção Mod.051/00 Software de controlo de temperatura Armazenagem em câmara de congelação de Biológico produto acabado (7) PCC2 Monitorização da temperatura da câmara Temperatura da câmara Temperatura ≤ 18ºC 3 observações diárias Catarina Alexandra dos Santos Nunes 103 Anexos Etapa Perigo Tratamento térmico (3) Congelação (7) Expedição (9) Biológico Biológico Biológico 104 PCC PCC4 PCC5 PCC6 Medida de controlo Controlo do binómio tempo/temperatura estipulado Monitorização da temperatura da câmara Controlo da temperatura das viaturas Monitorização Procedimento Controlo do tempo e temperatura de cozedura e Temperatura no Temperatura no Por tratamento medição da centro do centro do (por amostragem) temperatura do produto produto de 80ºC Mod.040 centro do produto após cozedura Parâmetro de controlo Temperatura Temperatura Limite de controlo Frequência Responsável Chefe de pastelaria Controlo visual do 1 observação diária e/ou as mostrador digital Departamento da da sonda da Qualidade e/ou Temperatura ≤ - necessárias para câmara e/ou Departamento de 18ºC ser atingida uma através de produção temperatura de software ≤18ºC Temperatura ≤ 12ºC durante 3 horas Por ciclo Medição da temperatura no momento da carga e no momento da entrega Distribuidor Registo Correcções Registo de Submeter o temperatura do produto a novo forno tratamento Mod. 45/00 Software de controlo de temperatura Registo de pedidos de manutenção Mod.051/00 Reparação imediata da avaria Rejeitar produtos suspeitos Reencaminham ento para outros fins industriais Reparar de imediato a Registo de avaria temperatura das Rejeitar viaturas produtos Mod.060/00 ou suspeitos ticket Reencaminhar para outros fins industriais Acções correctivas Manutenção do tratamento térmico apenas o tempo necessário, de modo a obter a temperatura adequada Alertar o responsável pela manutenção Repor os valores de temperatura Verificação das características macroscópicas dos produtos antes da sua utilização Detectar situações de deterioração Alertar o responsável pela manutenção Anexos Anexo IV – Plano de HACCP para os batidos de pão-de-ló Figura A.2 - Fluxograma relativo ao processo de fabrico dos batidos de pão-de-ló. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 105 Anexos Tabela A.7 - Perigos, sua descrição, nível de aceitação, causas e medidas preventivas. Etapa Perigo Descrição Nível de aceitação Crescimento e desenvolvimento microbiano Tabela A.11 Pragas Ausência Biológico Preparação e pesagem de ingredientes (1), Pesagem (7), Mistura de ingredientes (2), Emulsionar/bater (3), Corte, Enformagem (4) Físico Químico Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis (parafusos, resíduos de embalagens de plástico e papel cabelos, adornos pessoais) Vestígio de agentes de limpeza/desinfecta ntes Substâncias químicas 106 Ausência Ausência Ausência Causa Medidas preventivas Exposição elevada do produto a temperaturas inadequadas Práticas de fabrico incorrectas Práticas de higiene inadequadas Contaminações cruzadas Controlo de pragas inadequado e ineficaz Manutenção preventiva das amassadeiras Controlo da temperatura a que o produto se encontra exposto Boas práticas de manipulação Boas práticas de higiene, cumprindo o plano de higienização e registo Formação/sensibilização dos manipuladores Controlo de pragas adequado e eficaz Deficientes práticas de manipulação Práticas de higiene inadequadas Fragmentos metálicos desprendidos dos equipamentos Resíduos de embalagens de plástico e papel Operadores equipados incorrectamente Dosagem incorrecta de detergentes/desinfectante Colocação incorrecta de detergentes/desinfectante Absorção de produtos químicos quando armazenados em recipientes inadequados Manutenção preventiva dos equipamentos Cumprimento das exigências relativas ao uso de farda e à conduta de higiene Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Dosagem do produto químico de limpeza a utilizar de acordo com o plano de higienização Formação/Sensibilização da equipa responsável pelo processo de higienização Utilização de recipientes adequados para o acondicionamento de produtos Anexos Etapa Perigo Descrição Biológico Sobrevivência de esporos de agentes patogénicos Químico Compostos químicos indesejáveis Nível de aceitação Causa Tabela A.11 Ineficiência na destruição da carga microbiológica Contaminações cruzadas Ausência Formação de compostos químicos indesejáveis pelo incumprimento do binómio tempo/temperatura estabelecido Biológico Aumento da carga microbiana Tabela A.11 Práticas de fabrico incorrectas Práticas de higiene inadequadas Contaminações cruzadas Biológico Contaminação microbiana Tabela A.11 Práticas de fabrico incorrectas Práticas de higiene inadequadas Contaminações cruzadas Tratamento térmico (5) Arrefecimento (6) Desenformagem (7) Físico Químico Congelação (8) Biológico Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis (fragmentos das formas, papel vegetal cabelos, adornos pessoais) Vestígio de agentes de limpeza/desinfecta ntes Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénico Ausência Ausência Tabela A.11 Deficientes práticas de manipulação Práticas de higiene inadequadas Fragmentos desprendidos das formas Vestígios de papel vegetal Operadores equipados incorrectamente Medidas Preventivas Sensibilizar os manipuladores para o cumprimento de medidas preventivas Sensibilização para boas práticas de fabrico e manipulação Manutenção do processo de cozedura apenas o tempo necessário, de modo a obter a temperatura adequada Controlo dos termóstatos e equipamentos de medida Manutenção do processo de cozedura apenas o tempo necessário, de modo a obter a temperatura adequada Controlo dos termóstatos e equipamentos de medida Formação/sensibilizador dos manipuladores Sensibilização para boas práticas de fabrico e manipulação Boas práticas de higiene, cumprindo o plano de higienização e registo Formação/sensibilização dos manipuladores Sensibilização para boas práticas de fabrico e manipulação Boas práticas de higiene, cumprindo o plano de higienização e registo Formação/sensibilização dos manipuladores Manutenção preventiva dos equipamentos Cumprimento das exigências relativas ao uso de farda e à conduta de higiene Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Higienização inadequada das formas Boas práticas de higiene, cumprindo o plano de higienização e registo Exposição do produto a tempos e temperaturas inadequadas na câmara de congelação Danificação do sistema de refrigeração Prática de higienização incorrecta da câmara de congelação Manipulação inadequada Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Cumprimento do plano anual de calibração e ensaio Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo dos equipamentos de medição de temperatura (termómetros) Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Cumprimento do binómio tempo/temperatura no túnel de congelação Catarina Alexandra dos Santos Nunes 107 Anexos Etapa Armazenagem em câmara de congelação produtos acabados (9) Perigo Biológico Biológico Armazenagem em câmara de refrigeração (10) Químico 108 Descrição Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Crescimento e desenvolvimento microbiano durante o armazenamento. Vestígio de agentes de limpeza/desinfecta ntes Nível de aceitação Causa Tabela A.11 Exposição do produto a tempos e temperaturas inadequadas na câmara de congelação Danificação do sistema de refrigeração Prática de higienização incorrecta da câmara de congelação Manipulação inadequada Tabela A.11 Exposição do produto a tempos e temperaturas inadequadas na câmara de congelação Danificação do sistema de refrigeração Prática de higienização inadequada da câmara de refrigeração Práticas de manipulação incorrectas Ausência Dosagem incorrecta de detergentes/desinfectante Colocação incorrecta de detergentes/desinfectante Medidas Preventivas Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo e calibração dos equipamentos de medição de temperatura Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Cumprimento do binómio tempo/temperatura no túnel de congelação Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Cumprimento do plano anual de calibração e ensaio Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo dos equipamentos de medição de temperatura (termómetros) Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Dosagem do produto químico de limpeza a utilizar de acordo com o plano de higienização Formação/Sensibilização da equipa responsável pelo processo de higienização Anexos Tabela A.8 - Avaliação de perigos. S - Significativo NS - Não significativo Etapa Perigo Biológico Preparação e pesagem de ingredientes (1), Mistura de ingredientes (2), Emulsionar/bater (3), Enformagem (4) Tratamento térmico (5) Arrefecimento (6) Desenformagem (7) Físico Químico Biológico Químico Biológico Biológico Físico Químico Congelação (8) Armazenamento em câmara de congelação produtos acabados (9) Armazenamento em câmara de refrigeração (10) Biológico Biológico Biológico Químico Descrição Nível de aceitação Risco (R) Severidade (G) RxG S/NS Crescimento e desenvolvimento microbiano Pragas Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis Vestígios de agentes de limpeza/desinfectantes Tabela A.11 Ausência 10 10 100 100 1000 1000 SB SB Ausência 10 100 1000 SB Ausência 10 100 1000 SB Substâncias tóxicas Ausência 10 100 1000 SB Tabela A.11 100 1000 100000 SA Ausência Tabela A.11 Tabela A.11 100 100 100 1000 1000 1000 10000 100000 100000 SA SA SA Ausência 10 1000 10000 SM Ausência 10 1000 10000 SM Tabela A.11 100 1000 100000 SA Tabela A.11 100 1000 100000 SA Tabela A.11 100 1000 10000 SA Ausência 10 100 1000 SB Sobrevivência de esporos de agentes patogénicos Compostos químicos indesejáveis Aumento da carga microbiana Contaminação microbiana Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis Vestígios de agentes de limpeza/desinfectantes Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Crescimento e desenvolvimento microbiano durante o armazenamento Vestígios de agentes de limpeza/desinfectantes Catarina Alexandra dos Santos Nunes 109 Anexos Tabela A.9 - Classificação das medidas de controlo. Etapa Perigo Descrição Nível de aceitação Sobrevivência de esporos de agentes patogénicos Químico Compostos químicos indesejáveis Ausência Biológico Aumento da carga microbiana Tabela A.11 Biológico Contaminação microbiana Tabela A.11 Físico Objectos estranhos e fragmentos indesejáveis Ausência Químico Vestígios de agentes de limpeza/desinfectan tes Ausência Boas práticas de higiene, cumprindo o plano de higienização e registo Tabela A.11 Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Cumprimento do plano anual de calibração e ensaio Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo dos equipamentos de medição de temperatura (termómetros) Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Cumprimento do binómio tempo/temperatura no túnel de congelação Desenformagem (7) Biológico 110 Sensibilizar os manipuladores para o cumprimento de medidas preventivas Sensibilização para boas práticas de fabrico e manipulação Manutenção do processo de cozedura apenas o tempo necessário, de modo a obter a temperatura adequada Controlo dos termóstatos e equipamentos de medida Biológico Tabela A.11 Tratamento térmico (5) Arrefecimento (6) Medidas preventivas Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Manutenção do processo de cozedura apenas o tempo necessário, de modo a obter a temperatura adequada Controlo dos termóstatos e equipamentos de medida Formação/sensibilizador dos manipuladores Sensibilização para boas práticas de fabrico e manipulação Boas práticas de higiene, cumprindo o plano de higienização e registo Formação/sensibilização dos manipuladores Sensibilização para boas práticas de fabrico e manipulação Boas práticas de higiene, cumprindo o plano de higienização e registo Formação/sensibilização dos manipuladores Manutenção preventiva dos equipamentos Cumprimento das exigências relativas ao uso de farda e à conduta de higiene Boas práticas de manipulação Formação/sensibilização dos manipuladores Q1 Q2 Q3 Q4 S S - - PCC4 S N N - PC S N N - PC S N N - PC S N N - PC S N N - PC S - - PCC5 S Plano HACCP Anexos Etapa Armazenamento em câmara de congelação produto acabado (9) Armazenamento em câmara de refrigeração (10) Perigo Descrição Nível de aceitação Biológico Crescimento e desenvolvimento de microrganismos patogénicos Tabela A.11 Biológico Crescimento e desenvolvimento de microrganismos durante o armazenamento Tabela A.11 Medidas preventivas Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo e calibração dos equipamentos de medição de temperatura Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Cumprimento do binómio tempo/temperatura no túnel de congelação Sensibilização dos manipuladores para boas práticas de manipulação Verificação frequente do sistema de refrigeração Reparação do equipamento de refrigeração sempre que for necessário Cumprimento do plano anual de calibração e ensaio Controlo diário da temperatura da câmara de refrigeração Controlo dos equipamentos de medição de temperatura (termómetros) Controlo do cumprimento das boas práticas de higiene Formação/Sensibilização dos manipuladores Catarina Alexandra dos Santos Nunes 111 Q1 Q2 Q3 Q4 Plano HACCP S S - - PCC2 S S - - PCC1 Anexos Tabela A.10 - Estabelecimento de PCC’s. Etapa Perigo PCC Medida de controlo Parâmetro de controlo Limite de controlo Monitorização Frequência Registo Procedimento Correcções Acções correctivas Responsável Software de controlo de temperatura Armazenagem em câmara de refrigeração de Biológico produto acabado (10) PCC1 Monitorização da temperatura da câmara Temperatura da câmara Temperatura ≥ 4ºC 3 observações diárias Controlo visual do Departamento da mostrador digital da Qualidade e/ou sonda da câmara e/ou Departamento de através de software produção Alertar o responsável pela manutenção. Reparação Repor os valores de imediata da temperatura. avaria Verificação das Ficha de registo Rejeitar produtos características de temperaturas suspeitos macroscópicas dos produtos da câmara Reencaminhamen Registo de antes da sua utilização. to para outros pedidos de Detectar situações de fins industriais manutenção deterioração Mod.051/00 Software de controlo de temperatura Armazenagem em câmara de congelação de Biológico produto acabado (9) Tratamento térmico (5) 112 Biológico Controlo visual do Departamento da mostrador digital da Qualidade e/ou sonda da câmara e/ou Departamento de através de software produção Alertar o responsável pela manutenção. Reparação Repor os valores de imediata da temperatura. avaria Ficha de registo Verificação das Rejeitar produtos de temperaturas características suspeitos macroscópicas dos produtos da câmara Reencaminhamen antes da sua utilização. Registo de to para outros Detectar situações de pedidos de fins industriais deterioração manutenção Mod.051/00 PCC2 Monitorização da temperatura da câmara PCC4 Temperatura 190ºC durante Controlo do tempo e Controlo do 12 – 15 minutos temperatura de Registo de binómio Temperatura no Temperatura no Por tratamento cozedura e medição Chefe de padaria e temperatura do tempo/temperatura centro do produto centro do (por amostragem) da temperatura do chefe de pastelaria forno estipulado produto de centro do produto Mod. 45/00 80ºC após cozedura Mod.040 Temperatura da câmara Temperatura ≤ -18ºC 3 observações diárias Manutenção do tratamento Submeter o térmico apenas o tempo produto a novo necessário, de modo a obter tratamento a temperatura adequada Anexos Etapa Perigo Congelação (8) Biológico PCC PCC5 Medida de controlo Monitorização da temperatura da câmara Parâmetro de controlo Temperatura Limite de controlo Frequência Monitorização Procedimento Responsável 1 observação Controlo visual do diária e/ou as Departamento da mostrador digital Temperatura ≤ - necessárias para Qualidade e/ou da sonda da câmara 18ºC ser atingida uma Departamento de e/ou através de produção temperatura de software ≤18ºC Catarina Alexandra dos Santos Nunes 113 Registo Software de controlo de temperatura Registo de pedidos de manutenção Mod.051/00 Correcções Reparação imediata da avaria Rejeitar produtos suspeitos Reencaminham ento para outros fins industriais Acções correctivas Alertar o responsável pela manutenção Repor os valores de temperatura Verificação das características macroscópicas dos produtos antes da sua utilização Detectar situações de deterioração Anexos Tabela A.11 - Parâmetros microbiológicos e seus valores de aceitação (Costa, 2009). Parâmetro Bolores e leveduras (ufc/g) Bactérias sulfito redutoras (ufc/g) Valor de aceitação ≤ 5×102 ≤ 1×103 Bactérias coliformes (ufc/g) ≤ 1×103 Bactérias coliformes (ufc/100mL) 0 E. coli (ufc/g) ≤ 1×101 E. coli (ufc/100mL) 0 Microrganismos a 22ºC (ufc/mL) ≤ 1×102 Microrganismos a 30ºC (ufc/g) Microrganismos a 37ºC (ufc/mL) Staphylococus coagulase positiva (ufc/g) ≤ 1×105 ≤ 2×101 ≤ 1×102 Bacillus cereus (ufc/g) ≤ 1×103 Salmonella /25g* Ausência Listeria monocytogenes /25g* Ausência * (Segundo amostragem referida no Regulamento 1441/2007 de 05 de Dezembro) 114 Anexos Anexo V – Análise de Modos de Falha e Efeitos O presente Anexo apresenta a Análise de Modos de Falha e Efeitos desenvolvida para os equipamentos produtivos críticos que constam das linhas de produção da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda.. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 115 Anexos Tabela A.12 - Análise de modos de falha e efeitos das amassadeiras. Equipamento: Amassadeira Modelos/ Localização Treemme 100, Felino – Pastelaria Treemme 80, Sancassiano 80 e Ferneto - Padaria Órgão/ Componente Modo de Falha Análise de Modos de Falha e Efeitos Efeito de Falha Ruído Rolamentos 7 Excesso de peso Entrada de água no interior da amassadeira Nº de revisões: 0 Data de revisão 22/05/2013 " Aquando o equipamento ligado existência de ruído 5 8 22/05/2012 Modos Detecção Manutenção Causa de Falha Gripagem dos rolamentos Apodrecimento das esferas 116 Data de conclusão: Ao proceder à abertura do equipamento verificação de rolamentos desgastados Acções Correctivas 175 Verificação regular do equipamento Sensibilização para uma manipulação mais cuidada, reduzindo o peso de massa colocada de uma vez 200 Boas práticas de higienização evitando deixar entrar água no interior do equipamento 5 Anexos Desgaste das correias Quando desgastadas aquecem e, posteriormente estalam, podendo sofrer ruptura Danificação da borracha de protecção envolvente Entrada poeiras no interruptor Correias 8 Conduz à paragem do equipamento Degradação A degradação da pintura poderá eventualmente cair no produto Pintura Todo o equipamento Acumulação de farinha Desgaste do equipamento Pode afectar o funcionamento normal do equipamento 5 4 Verificação da danificação dos interruptores, aquando observar o equipamento 8 Má manipulação dos interruptores do equipamento Interruptores Ruptura do interruptor Degradação e utilização do equipamento Apenas é detectado através da abertura do equipamento 9 9 Degradação do equipamento 5 Muito uso 6 Tempo de utilização excessivo 6 Anomalia detectável ao observar o equipamento Inspecção sensorial e visual Catarina Alexandra dos Santos Nunes 117 5 200 1 32 1 36 1 3 Verificação regular das amassadeiras. Cumprindo o plano de manutenção Sensibilização dos colaboradores para terem boas práticas de manipulação dos equipamentos 45 Verificação regular relativamente ao estado de conservação do equipamento 108 Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção Anexos Tabela A.13 - Análise de modos de falha e efeitos da prensa. Equipamento: Prensa Modelo Localização: Sever Rondo Pastelaria Análise de Modos de Falha e Efeitos Órgão/ Componente Modo de Falha Efeito de Falha Causa de Falha Rolamentos Gripagem Ruído 7 Utilização frequente 118 6 Data de conclusão: 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2013 Modos de detecção " Acções Recomendadas Modo de funcionamento do equipamento 4 168 Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção Anexos Tabela A.14 - Análise de modos de falha e efeitos dos laminadores. Equipamento: Modelo/ Localização: Órgão/ Componente Telas Interruptores Laminador Treemme e Ferneto LMF624 – Pastelaria Sever Rondo Padaria Modo de Falha Rasgo das telas Danificação dos interruptores e/ou borracha protectora envolvente Análise de Modos de Falha e Efeitos Efeito de Falha Paragem do equipamento para substituição de telas 6 Como o produto está em contacto com as telas pode eventualmente contaminar fisicamente o produto Ao danificarem a borracha protectora conduz à entrada de farinha, podendo levar o equipamento à sua paragem 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2013 Modos de detecção Causa de Falha 5 Uso de objectos cortantes para raspar as telas 9 8 Data de conclusão: 1 30 Inspecção visual 5 Mau manuseamento do equipamento " 5 3 Inspecção visual Catarina Alexandra dos Santos Nunes 119 1 135 40 Acções Recomendadas Sensibilização dos colaboradores para evitar a utilização de objectos cortantes nas telas Alertar para o possível perigo de contaminação física dos produtos Sensibilização dos colaboradores para terem boas práticas de manuseamento do equipamento Formação e informação para os colaboradores Anexos Lubrificação das correntes Todo o equipamento 120 Gripagem das correntes Ruído do equipamento e desgaste das correntes 7 Entrada de farinha no interior da máquina e tempo de utilização 5 Inspecção sensorial 5 175 Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção Acumulação de farinha Desgaste do equipamento Melhorar o funcionamento do equipamento 6 Prevenção de eventuais avarias 5 Inspecção sensorial e visual 5 150 Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção Anexos Tabela A.15 - Análise de modos de falha e efeitos das pesadoras. Pesadora Equipamento: Análise de modo e efeito de falha Modelo Localização: Órgão/ Componente Data de conclusão: 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2013 Abapan - Padaria Modo de Falha Causa de Falha S Efeito de Falha O Modos de detecção D NPR Acções Recomendadas 6 Funcionamento da máquina 4 144 Sensibilização dos colaboradores para terem boas práticas de manuseamento do equipamento, verificando se existe azeite suficiente para a pesadora ter um bom funcionamento 6 Inspecção sensorial 4 192 Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção Bomba de azeite Desferramento da bomba Escassez de azeite 6 Com ausência de azeite, o êmbolo não e lubrificado e assim a máquina não puxa a massa Veios/Casquilhos Secagem dos veios e casquilhos Acumulação de farinha 8 Ruído Tela Danificação da tela Utilização de objectos cortantes para raspar a tela Defeito de fabrico 9 Resíduos no produto aquando a confecção 5 Inspecção visual 1 45 Sensibilização dos colaboradores para terem boas práticas de operação, evitando a utilização de objectos cortantes na tela Alertar os colaboradores para o possível perigo de contaminação dos produtos Todos os componentes Sujidade acumulada Prevenção de eventuais falhas 6 Melhorar o funcionamento do equipamento 6 Inspecção sensorial e visual 5 180 Verificação regular, cumprindo o plano de manutenção Catarina Alexandra dos Santos Nunes 121 Anexos Tabela A.16 - Análise de modos de falha e efeitos das divisoras. Equipamento: Divisora Manual Erika – Pastelaria Modelo/Localização: Manual Ferneto e automática Ferneto - Padaria Órgão/ Componente Veios/Casquilhos Sapatas 122 Modo de Falha Ruptura Deterioração das sapatas Análise de Modos de Falha e Efeitos Efeito de Falha Resíduos nos produtos alimentares Funcionamento anormal do equipamento Dificulta a fixação do equipamento Causa de Falha 8 Mau manuseamento 8 Desgaste e envelhecimento devido a água e farinha Data de conclusão: 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2013 Modos de detecção 5 5 Inspecção visual e sensorial Inspecção Visual " 5 200 Verificação regular das divisoras, cumprindo o plano de manutenção Sensibilização dos colaboradores para terem boas práticas de manuseamento dos equipamentos Alertar os colaboradores para o perigo de contaminação física caso haja danificação de peças do equipamento 40 Sensibilização das colaboradoras do sector de higienização para terem boas práticas, cumprindo o plano de higienização 1 Acções Recomendadas Anexos Veios/Casquilhos Gripagem Dificulta o funcionamento normal do equipamento 8 Tempo de utilização excessivo e acumulação de farinha 5 Inspecção sensorial Catarina Alexandra dos Santos Nunes 123 4 160 Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção Anexos Tabela A.17 - Análise de modos de falha e efeitos da linha de corte. Equipamento: Linha de corte Modelo localização: Sever Rondo Pastelaria Análise de modo e efeito de falha Órgão/ Componente Modo de Falha Efeito de Falha Causa de Falha Rolos Baixo nível de lubrificação Ruído 8 Desgaste dos rolos 124 5 Data de conclusão: 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2013 Modos de detecção " Acções Recomendadas Inspecção sensorial 4 160 Verificação periódica da linha de corte, cumprindo o plano de manutenção Anexos Tabela A.18 - Análise de modos de falha e efeitos das câmaras de congelação e refrigeração. Equipamento: Modelo Localização: Órgão/ Componente Ventiladores Câmaras de congelação e refrigeração Refrigerada de matérias-primas, refrigerada de padaria, refrigerada de pastelaria, túnel de congelação, congelação de produto semi-acabado e congelação de produto acabado – Câmaras frigoríficas Modo de Falha Data de conclusão: 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2013 Análise de Modos de Falha e Efeitos Efeito de Falha Pode levar à mudança de produtos para outro local 6 Alteração das características dos produtos 9 Ganho de gelo Modos de detecção Causa de Falha Abertura constante das portas das câmaras e refrigeração e congelação " 5 Inspecção visual 3 90 5 Inspecção visual e análises químicas 3 135 Catarina Alexandra dos Santos Nunes 125 Acções Recomendadas Sensibilização dos colaboradores para apenas abrirem as portas das câmaras apenas quando necessário e serem rápidos Verificação periódica do estado dos ventiladores das câmaras de refrigeração e congelação Anexos Electroválvulas Iluminação Portas 126 Danificação das electroválvulas Como não há circulação do gás, as câmaras não arrefecem, podendo levar à alteração das características dos produtos Danificação das lâmpadas Dificulta a observação dos produtos Danificação Alteração das temperaturas das câmaras e, consequentemente alteração dos produtos 9 6 9 As lâmpadas estão sujeitas a temperaturas muito elevadas Mau manuseamento 1 Ruido Verificação das electroválvulas Existência de um computador que demostra o estado de circulação do gás 2 4 Inspecção visual 1 5 Inspecção visual 2 18 24 90 Verificação regular das electroválvulas e dos gráficos computador que mostra o estado de circulação do gás Verificação regular do estado da iluminação das câmaras Sensibilização dos colaboradores para boas práticas de manipulação das portas Verificação regular do estado das portas Anexos Tabela A.19 - Análise de modos de falha e efeitos dos fornos. Equipamento: Fornos Modelo Localização: Lares, eléctrico de 3 patamares, eléctrico de 4 patamares, lares eléctrico e rotativo – Tratamentos térmicos Órgão/ Componente Iluminação Queimador Análise de Modos de Falha e Efeitos Modo de Falha Efeito de Falha Causa de Falha Danificação das lâmpadas Dificulta a visualização do produto quando sujeito a tratamento térmico 5 Temperatura elevada Tubo do queimador desfaz-se em contacto com a chama Espalhamento da chama, não sendo atingida assim uma temperatura uniforme em todo o forno 7 Como é inapropriado, não suporta calor libertado pela chama 5 3 Data de conclusão: 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2012 Modos de detecção " Acções Recomendadas Inspecção visual 1 25 Verificação regular do estado da iluminação dos fornos 42 Verificação regular do queimador dos fornos, cumprindo o plano de manutenção Caso esteja danificado o tubo do queimador, reparar utilizando material apropriado e que suporte elevadas temperaturas Inspecção visual Catarina Alexandra dos Santos Nunes 127 2 Anexos Portas Ruptura dos vidros das portas Como as portas estilhaçam podem eventualmente atingir os produtos sujeitos ao tratamento térmico no momento Perda de calor Electroválvulas Derretimento das electroválvulas Inexistência do aquecimento total do forno 9 Elevado grau de funcionamento 5 Sujidade Influência no funcionamento normal do equipamento 6 Acumulação de resíduos de produto 5 Todo o equipamento Resistências Termostato 128 Danificação das resistências Influência na temperatura atingida no forno Danos do termostato Dificulta monitorização da temperatura a que se encontra o forno e de colocar o forno à temperatura pretendida 9 Mau manuseamento 5 7 7 Mau manuseamento Mau manuseamento 3 5 Inspecção visual Inspecção sensorial e visual Inspecção visual Inspecção visual 1 45 Sensibilização dos colaboradores para terem boas práticas de manuseamento do equipamento Alertar os colaboradores o perigo de contaminação do produto 2 90 Verificação regular destes componentes 4 120 Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção 42 Sensibilização dos colaboradores para boas práticas de manuseamento, colocando de forma cuidada os tabuleiros nos fornos evitando a danificação das resistências 70 Sensibilização dos colaboradores para boas práticas de manipulação do equipamento 2 2 Anexos Tabela A.20 - Análise de modos de falha e efeitos das embaladoras. Equipamento: Embaladora Modelo Localização: SmiPack T450 e FP560A, Record e Embalacer – Sala embalamento Órgão/ Componente Modo de Falha Data de conclusão: 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2013 Análise de Modos de Falha e Efeitos Efeito de Falha Causa de Falha Modos de detecção " Acções Recomendadas Peças empurra Ruptura das peças Contaminação física dos produtos 9 Mau manuseamento 5 Inspecção visual 3 135 Sensibilização dos colaboradores para terem boas práticas de manuseamento dos equipamentos Alertar para o possível perigo de contaminação física dos produtos Veios/Casquilhos Gripagem Ruído do equipamento 8 Acumulação de farinha 5 Inspecção sensorial 5 200 Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção 25 Sensibilização de boas práticas de higienização, cumprindo o plano de higienização Inspecção periódica relativamente ao estado de conservação da pintura do equipamento Pintura Degradação superficial Aparecimento de ferrugem 5 Utilização e envelhecimento do equipamento e água 5 Inspecção visual Catarina Alexandra dos Santos Nunes 129 1 Anexos Tabela A.21 - Análise de modos de falha e efeitos das batedeiras. Equipamento: Batedeira Modelo/Localização: Varimixer 40 L e Motokov 60 L – Pastelaria Rekena 60 L e KitchenhAid – Tratamentos térmicos Rekena 40 L – Sala Acabamentos Órgão/ Componente Modo de Falha Rolamentos /Veios Gripagem Varas Efeito de Falha 7 130 Nível de baboline (óleo espesso) baixo Ruptura 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2012 Análise de Modos de Falha e Efeitos Ruído Rodas dentadas Data de conclusão: Excessiva utilização e desgaste 7 Resíduos no produto a confeccionar 9 Modos de detecção Causa de Falha 5 5 175 5 175 Inspecção sensorial 5 Mau manuseamento Sujeita-se o equipamento a um esforço superior ao recomendado " 6 Inspecção visual 1 54 Acções Recomendadas Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção Sensibilização dos colaboradores para um manuseamento mais cuidado Controlar o esforço a que se sujeita o equipamento Verificar a existência de objectos estranhos caso haja a danificação de vara Anexos Todos os componentes Sujidade acumulada Pode afectar o funcionamento normal do equipamento 6 Prevenção de avarias inesperadas 5 Inspecção visual e sensorial Catarina Alexandra dos Santos Nunes 131 5 150 Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção Anexos Tabela A.22 - Análise de modos de falha e efeitos dos moinhos. Equipamento: Moinho Modelo Localização: Moinho de açúcar e moinhos de amêndoa Rekena Pastelaria Análise de Modos de Falha e Efeitos Órgão/ Componente Modo de Falha Efeito de Falha Causa de Falha Pintura Deterioração Resíduos nos produtos 5 Desgaste e envelhecimento do equipamento Veios/Casquilhos Gripagem Ruído 8 Secagem dos veios e casquilhos com a constante utilização 132 Data de conclusão: 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2013 Modos de detecção " Acções Recomendadas 6 Inspecção visual 1 30 Verificação periódica do estado de conservação da pintura 6 Inspecção sensorial 4 192 Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção Anexos Tabela A.23 - Análise de modos de falha e efeitos dos refrigeradores de água. Equipamento: Refrigerador de água Modelo Localização: Refrigerador de Padaria e Pastelaria Análise de Modos de Falha e Efeitos Órgão/ Componente Depósito/Filtros Bomba de água Modo de Falha Efeito de Falha Causa de Falha Data de conclusão: 22/05/2012 Nº de revisões: 0 Data de revisão: 22/05/2013 Modos de detecção " Sujidade da água Contaminação dos produtos 9 Água muito tempo parada, crescimento microbiano 5 Análises microbiológicas 3 135 Danificação da bomba de água Não desloca a água para amassadeira, tendo que ser retirada manualmente 8 Não adequada para suportar diferença de temperatura 5 Modo de funcionamento 4 160 Catarina Alexandra dos Santos Nunes 133 Acções Recomendadas Efectuar limpeza periódica dos depósitos de água dos refrigeradores Sensibilizar para a adequada higienização Alertar para o possível perigo de contaminação química dos produtos Verificação regular do equipamento, cumprindo o plano de manutenção Caso seja confirmada a danificação da bomba proceder à substituição de uma bomba apropriada capaz de suportar a diferença de temperatura Anexos Anexo VI – Plano de Manutenção O presente anexo apresenta o novo plano de manutenção, que foi estruturado de acordo com os resultados obtidos através da ferramenta da qualidade AMFE e o registo histórico dos equipamentos em estudo. 134 Anexos Equipamento Órgão/ Equipamento Acções de Manutenção J Batedeiras Varas Verificação e caso seja necessário reparar x Pesadoras Veios/Casquilhos Inspecção e caso seja necessário lubrificar Moinhos Veios/Casquilhos Inspecção e caso seja necessário lubrificar Prensa Rolamentos Inspecção e caso seja necessário lubrificar Pesadora Todos os componentes Limpeza geral do equipamento Pesadora Bomba de azeite Verificação e caso seja necessário efectuar limpeza e ferrar a bomba de azeite Amassadeiras Todos os componentes Limpeza geral do equipamento F M A x x x M J J A x x x xx Moinhos Pintura Verificação do estado de conservação da pintura e caso seja necessário melhorá-la Refrigeradores de água Depósitos/Filtros Limpeza dos depósitos e substituição dos filtros Embaladoras Peças empurra Verificação do estado de conservação das peças empurra e caso seja necessário reparar Laminadores Câmaras de congelação e refrigeração Fornos Câmaras de congelação e refrigeração Pesadora Telas Limpeza profunda das telas e caso seja necessário substituir Ventiladores Verificação do estado dos ventiladores Electroválvulas Inspecção das electroválvulas Portas Verificação do estado das portas x Telas Limpeza profunda das telas e caso seja necessário substituir x Amassadeiras Pintura Verificação do estado de conservação da pintura e caso seja necessário melhorá-la Fornos Portas Verificação do estado das portas Amassadeiras Rolamentos Inspecção e caso seja necessário lubrificar Amassadeiras Correias Inspecção e caso seja necessário lubrificar Divisoras Veios/Casquilhos Inspecção e caso seja necessário lubrificar Embaladoras Veios/Casquilhos Inspecção e caso seja necessário lubrificar Refrigeradores de água Veios/Casquilhos Inspecção e caso seja necessário lubrificar Linha de corte Rolos Verificação e caso seja necessário lubrificar Divisoras Veios/Casquilhos Inspecção e caso seja necessário lubrificar x x x x x x xx x x x x x x x xx x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x Verificação e limpeza dos interruptores Laminadores Correntes Inspecção e caso seja necessário lubrificar Batedeiras Rolamentos/Veios Inspecção e caso seja necessário lubrificar Batedeiras Rodas dentadas Inspecção e caso seja necessário lubrificar Fornos Termostato Inspecção e caso seja necessário lubrificar Fornos Resistências Verificação do estado da resistências e caso seja necessário substituir Fornos Queimador Inspecção do queimador Laminadores Todos os componentes Limpeza geral do equipamento Batedeiras Todos os componentes Limpeza geral do equipamento Fornos Todos os componentes Limpeza geral do equipamento Amassadeiras Interruptores Verificação do estado da resistências e caso seja necessário substituir x xx x x x x x x x x x Fornos Iluminação Verificação do estado do termostato e caso seja necessário reparar Embaladoras Câmaras de congelação e refrigeração Câmaras de congelação e refrigeração Pintura Verificação do estado de conservação da pintura e caso seja necessário melhorá-la x Iluminação Verificação do estado da limpeza e caso seja necessário substituir a mesma x Electroválvulas Inspecção das electroválvulas x x x x x x x x x x x x x x x x x x x xx x x x x x x x x x x x x x x Figura A.3 – Plano de manutenção. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 135 x x x x x x x x x x x x x xx x x x x x x x x Verificação do estado de conservação das sapatas e caso seja necessário substituir x x x x Sapatas xx x x xx x x x Interruptores x x x x x Divisoras x x xx x x x x D x x x N x x Laminadores O x x x x x x x S x Anexos 136 Anexos Anexo VII – Manual de Manutenção O presente anexo apresenta o manual de manutenção direccionado ao técnico de manutenção da Fábrica de Pastelaria São Silvestre, Lda.. O manual em causa é intitulado Manual de Boas Práticas de Manutenção e Higiene e Segurança Alimentar consiste num conjunto de regras e recomendações quer ao nível do serviço de manutenção quer ao nível da segurança alimentar. Catarina Alexandra dos Santos Nunes 137