Geo.br 1 (2004) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr CARACTERÍSTICAS ESTRATIGRÁFICAS E SEDIMENTOLÓGICAS DOS CONGLOMERADOS E ROCHAS ASSOCIADAS DA FORMAÇÃO SAMBURÁ (GRUPO BAMBUÍ), REGIÃO DO ALTO RIO SÃO FRANCISCO, SW DO CRÁTON DO SÃO FRANCISCO Paulo de Tarso Amorim Castro1 Departamento de Geologia da Escola de Minas da Universidade Federal de 1 Ouro Preto (DEGEO/EM/UFOP) ABSTRACT In the Southwest part of São Francisco Craton occur neoproterozoic metasedimentary rocks of the São Francisco Supergroup. Among these rocks, conglomerates of Samburá Formation, of the Bambuí Group outcrop as isolated patches nearby the external (eastern) region of the southernmost part of Brasília Fold and Thrust Belt. Sedimentological studies carried out on these rocks at the highest part of the São Francisco river reveal they are formed in a fan delta system that developed eastward in a foreland basin context due to erosion of mesoproterozoic rocks of Brasilia Belt. key words: Bambui Group - São Francisco Craton - fan delta system - foreland basin Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr RESUMO Na parte sudoeste do Cráton do São Francisco ocorrem rochas metassedimentares do Supergrupo São Francisco, de idade neoproterozóica. Dentre essas rochas, as que compõem a Formação Samburá, do Grupo Bambuí, afloram segundo áreas isoladas na porção externa da Faixa Brasília. Estudos sedimentológicos dessas rochas na região do alto Rio São Francisco levaram à conclusão que elas foram formadas em um sistema de fan-delta que se desenvolveu a partir da erosão das rochas mesoproterozóicas dos grupos Canastra e Araxá, ocorrentes na Faixa Brasília, sendo depositadas em um contexto do tipo bacia de antepaís. palavras-chaves: Grupo Bambuí - Cráton do São Francisco - sistema deposicional fan-delta - bacia de antepaís 2 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. a INTRODUÇÃO ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr que estão relacionados, seu posicionamento estratigráfico e sua relação Na região do alto rio São Francisco, com as demais rochas da cobertura do no centro-sul do estado de Minas Gerais, Cráton do São Francisco e da Faixa Brasília estão presentes conglomerados tidos como (Castro 1997). Este artigo discorre sobre pertencentes ao Grupo Bambuí, Supergrupo aspectos São deposicional e sobre o posicionamento Francisco (Neoproterozóico). Suas sedimentológicos ocorrências dispersam-se pela região segundo estratigráfico das afloramentos conglomerados do descontínuos, normalmente do sistema ocorrências Formação dos Samburá localizados nas proximidades das serras que situados na região do alto vale do Rio São compõem o conjunto dos divisores de águas Francisco. entre as bacias do rio São Francisco e as bacias do rio Grande e do rio Paranaíba, que CONTEXTO GEOLÓGICO são modeladas em rochas dos grupos Araxá, REGIONAL EM REVISTA Canastra, Paciência e Lavapés. A região estudada está Tais rochas foram descritas por compreendida na região fronteiriça entre Miranda (1943) e denominadas por Branco duas entidades tectônicas pré-cambrianas: o (1957) de Formação Samburá. Poucos são os Cráton do São Francisco e a Faixa de trabalhos que aventam hipóteses sobre sua Dobramentos Brasília, em seus extremos origem. Alguns autores atribuem-lhes uma meridionais, ao sul do paralelo 19o S origem glacial com base em correlações com (Figura1a e b). conglomerados da Formação Jequitaí (e.g. Dardenne 1981; Karfunkel e Hoppe 1988). Outros, sem suporte em estudos sedimentológicos, sugerem que sua deposição tenha se dado em fan-deltas (e.g. Simões e Valeriano 1990, Valeriano 1992) Estudos sedimentológicos e estratigráficos têm sido executados nestes conglomerados e em rochas associadas Figura 1 – A) Contexto geológico da região estudada que visando a definição do ambiente deposicional se localiza na Província do Tocantins, no Brasil central; 3 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. B) aspectos geológicos gerais da porção SW do Cráton do São Francisco e da parte meridional do Cinturão de São ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr Francisco está assentado discordantemente sobre se localiza. CA = Cráton Amazônico; CSF = Cráton do São embasamento granítico-migmatítico- Francisco.Traços geológicos principais compilados de greenstone, Supergrupo Espinhaço e do Dobramentos e Falhamentos Brasília, onde a área estudada Schobbenhaus et al. (1984), Magalhães (1989) e Valeriano (1992). rochas do Grupo Paranoá. As rochas do Grupo Bambuí apresentam uma polarização metamórfica Estratigrafia Os conglomerados da região estudada estão englobados, sob a denominação de Supergrupo São Francisco (Pflug e Renger, 1973; Inda e Barbosa, 1978), no conjunto de rochas metassedimentares neoproterozóicas de cobertura do Cráton do São Francisco presentes na bacia hidrográfica do alto e médio São Francisco nos estados de Goiás, Bahia e Minas Gerais, alcançando também aquelas ocorrentes na região da Chapada Diamantina, Bahia. Grosso modo, o Supergrupo São centrífuga, indo desde a ausência de metamorfismo na região central do segmento sul do Cráton do São Francisco, até a fácies xisto verde, junto as faixas Araçuaí e Brasília (Dardenne 1978; Schöll 1976; Bonhomme 1976). O mesmo grau metamórfico afeta as rochas do Grupo Bambuí na porção SW do Cráton do São Francisco. Para efeito de simplicação da terminologia empregada, suprimiu-se o prefixo meta ao se discorrer sobre as rochas do Grupo Bambuí. Francisco compõe-se de dois conjuntos estratigráficos distintos (Figura 2): o primeiro, denominado Formação Jequitaí, na porção ocidental do Cráton do São Francisco a oeste do Corredor do Paramirim e Formação Bebedouro na porção nordeste, composto por rochas siliciclásticas, superposto por um conjunto essencialmente pelítico-carbonático, o Grupo Bambuí a oeste e Formação Salitre/ Grupo Una a nordeste do cráton). Por toda sua extensão, o Supergrupo Figura 2 - Coluna estratigráfica do Supergrupo São Francisco no alto e médio rio São Francisco. Modificado de Alkmim et al. (1996). 4 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr porção As rochas conglomeráticas sudoeste do Cráton do São do Francisco junto à terminação meridional da Supergrupo São Francisco na porção oeste Faixa Brasília. Estão também presentes na do Cráton do São Francisco têm sido base do Grupo Bambuí os conglomerados agrupadas por diversos autores (por ex.. denominados Formação Barbosa 1965 e Dardenne 1978) em duas Carrancas na porção sudeste do cráton, unidades estratigráficas: próximo à Faixa Araçuaí (Branco e Costa - Formação Jequitaí, unidade inferior ou Membro 1961). do Supergrupo São Francisco, composta Dardenne (1981) e Karfunkel e essencialmente por paraconglomerados que Hoppe (1988) correlacionaram as unidades estão expostos na cidade de Jequitaí, na Serra Samburá e Carrancas às formações Jequitaí da Água Fria e nas bordas sul, leste e norte da e Bebedouro, admitindo uma origem glacial Serra do Cabral, próximo à porção mediana para ocidental da Faixa Araçuaí. A Formação siliciclásticas do Supergrupo São Francisco Jequitaí é superposta por rochas do Grupo que Bambuí através de contato tido como abaixo do pacote pelítico-carbonático do localmente gradacional e, em outros locais, Grupo Bambuí. Incluíram também como discordante por Isotta et al. (1969), como registro deste evento glacial as formações discordante erosivo por Walde (1978) e Ibiá, Carandaí e as unidades do Grupo concordante por Dardenne e Walde (1979). Macaúbas, nas faixas Brasília, Alto Rio Vários Grande e Araçuaí, respectivamente. autores atribuem uma origem todo se o conjunto encontram de rochas estratigraficamente glaciogênica a estas rochas, associando-as, juntamente com as rochas da Formação Ambiente deposicional Bebedouro da Chapada Diamantina, a um dos eventos glaciais que ocorreram no Além da origem glacial para as rochas da Formação Samburá, admitida Neoproterozóico (Isotta et al. 1969, Hettich quase 1977, Walde 1978). correlações exclusivamente a litoestratigráficas partir com de as - Formação Samburá (Miranda 1943, rochas glaciogênicas das formações Jequitaí Branco 1957), tida por alguns autores como a e Bebedouro (Dardenne 1978, Karfunkel e unidade basal do Grupo Bambuí, onde estão Hoppe 1988, Tompkins e Gonzaga 1991), agrupados os conglomerados que ocorrem na há autores que sugerem uma origem 5 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr associada à leques aluviais e a fan-deltas porção sul da região do Alto São Francisco gerados a partir da erosão das nappes de e região da represa de Furnas, sugerem que rochas dos grupos Araxá e Canastra, que se a instalaram na porção sul da Faixa Brasília, em (Formação Samburá) do Supergrupo São função da tectônica compressiva (Barbosa et Francisco tenha se dado em uma bacia de al. 1970, Simões e Valeriano 1990). antepaís (foreland basin) gerada devido ao sedimentação das rochas psefíticas empilhamento de rochas dos grupos Araxá Contexto tectônico As rochas do Grupo Bambuí, mais especificamente as que compõem o Subgrupo e Canastra na borda ocidental do cráton durante o Ciclo Brasiliano (Valeriano, 1992; Simões, 1995). Paraopeba (Braun et al. 1990; Formação Paraopeba, Braun 1968), freqüentemente têm OS CONGLOMERADOS SAMBURÁ sua origem relacionada à evolução de uma NO ALTO RIO SÃO FRANCISCO bacia do tipo rifte - margem passiva que se Os conglomerados associados ao desenvolvera junto a porção marginal oeste Supergrupo do cráton, onde houve a deposição dos sudoeste do cráton estão presentes em grupos Araxá e Canastra. Nestas condições, áreas isoladas com significativa expressão tais rochas representariam depósitos de areal no flanco leste da Serra da Pimenta, cobertura cratônica (Campos Neto 1984, nos municípios de Pium-í e Pimenta Freitas Silva e Dardenne 1992). Após o (Fritzsons et al. 1980; Castro e Dardenne contexto francamente extensional reportado 1995); no flanco oeste da Serra da para a sedimentação na Faixa Brasília Paciência, 5 km a leste de Capitólio (Silva (Schobbenhaus 1993 e Fuck et al. 1993), et al. 1978; Fritzsons et al. 1980); a sul da ocorreu um evento compressivo progressivo, Nappe de Passos, entre Carmo do Rio que teria sido causado, possivelmente, por Claro e Campo do Meio (Valeriano 1992); uma colisão continental, durante o Ciclo na região de Cristais (Silva et al. 1978; Brasiliano. Valeriano 1992) e no alto vale do Rio São Por um outro lado, há autores que, Francisco São nos Francisco rios na região Samburá e São estudando a evolução tectônica , sob o ponto Francisco situados nos municípios de de vista da deformação e metamorfismo, da Vargem Bonita, São Roque de Minas e terminação meridional da Faixa Brasília na Bambuí (Branco 1957, Magalhães 1989; 6 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr Tompkins e Gonzaga 1991). Os aspectos pelitos geológicos desta última área estão em localizadamente, enfoque neste texto. conglomerados através de empurrões, cujas Na região do alto rio São Francisco, encontram-se calcários que, superpõem-se aos superfícies mergulham para oeste. as ocorrências de rochas conglomeráticas restringem-se ao vale do rio Samburá, afluente da margem esquerda do rio São Francisco, junto à antiga usina hidroelétrica, e em algumas áreas no interflúvio entre esse rio e o São Francisco. Foram realizados levantamentos de seções estratigráficas e o mapeamento nessa região, abrangendo os vales dos rios Santo Antônio, Samburá e São Francisco a leste da Serra da Canastra nos municípios de Bambuí, Medeiros, Pium-í, São Roque de Minas e Vargem Bonita (Figura 3). Figura 3 - Mapa geológico do área do alto Rio São Francisco. Legenda: 1- coberturas cenozóicas; 2- Grupo Nessa região, os conglomerados e as rochas Bambuí, Formação Samburá (predomínio de psefitos); 3- sedimentares Grupo Bambuí (predomínio de pelitos); associadas apresentam-se deformados, exibindo dobras apertadas e 4- Grupo Bambuí (carbonatos); 5- Grupo Canastra (quartzitos); 6falhas; 7- acamamento; 8- estradas; 9- local da seção falhas que segmentam inclusive os clastos, levantada;. Coordenadas no sistema UTM. dificultando, por vezes o levantamento de Estratigrafia perfis sedimentares e restringindo a análise da O mapeamento, executado na escala sucessão vertical de fácies a trechos menos de 1:30.000 (Figura 3), possibilitou a deformados. individualização de cinco unidades rochosas Os conglomerados encontram-se intimamente relacionados à arcósios e pelitos, aflorando em duas áreas de aproximadamente 2 2 cartografáveis ( unidades litoestratigráficas informais) descritas a seguir: - unidade coberturas sedimentares 8 km e 28 km na porção central da área, a inconsolidadas, constituídas por depósitos norte do rio São Francisco. Apresentam-se areno-silto-argilosos apresentando seixos intercalados em rochas pelíticas, principal dispersos, laterizados superficialmente e de conjunto rochoso da região. Sotopostos aos pequena espessura (normalmente menores 7 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr que 5 m). Não mostram deformação de lateralmente para a unidade psefítica qualquer caráter. Sua idade cenozóica é anteriormente descrita predominandoa leste obtida a partir de critérios geomorfológicos e norte da região mapeada. É a unidade de regionais; maior expressão em área na região. - unidade clástica com predomínio de psefitos (Grupo ruditos, arenitos Bambuí), formada arcosianos e por lutitos - unidade Bambuí), carbonática formada por (Grupo calcários acinzentados a negros, por vezes oolíticos, intimamente associados, mostrando espessura raras aparente Os Apresenta-se deformada com dobras de conglomerados são suportados pelos clastos, planos axiais subverticais. Na interseção por entre a estrada que liga São Roque de da vezes ordem de mostrando 650 m. granodecrescência ascendente, normalmente apresentando clastos polimíticos, centimétricos a vezes exibindo esteiras algais. Minas à Pium-í e o Rio São Francisco a unidade carbonática encontra-se decimétricos, subarredondados de quartzito, superposta à unidade pelítica, mediante quartzo, falha de empurrão; siltito, jaspilito e granitóides, inseridos em uma matriz areno-siltosa de cor - quartzitos (Grupo Canastra), que esverdeada, quando fresca. Os arenitos estão superpostos à unidade pelítica, arcosianos corpos formando klippes de pequena expressão em lenticulares, tabulares e sigmoidais, por vezes área (menos que 8 hectares), a 4 km a com nordeste da localidade de Sobradinho. mostram-se como granodecrescência intercalados aos ascendente, conglomerados e, principalmente, aos lutitos. Esta unidade está interdigitada, localmente intercalada Sedimentologia Para a denominação e descrição das à fácies e conjunto de fácies ocorrentes na unidade pelítica, desaparecendo para leste da região estudada, foi utilizada como base a região estudada. Esta unidade corresponde à simbologia definida por Miall (1978, 1996) Formação Samburá descrita por Miranda adaptada para as características específicas (1943) e Branco (1957). locais. Os estudos sedimentológicos das - unidade pelítica (Grupo Bambuí),. Compõe-se de lutitos, normalmente rochas clásticas do Grupo Bambuí, mais de especificamente nas rochas associadas aos coloração creme quando alterados e cinza- conglomerados (unidades clástica com esverdeado quando mais frescos. Passa predomínio de psefitos e pelítica) na região 8 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. permitiram reconhecer as fácies descritas ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr • St - arenito médio a grosso, com abaixo: níveis • Gh - Conglomerado suportado pelos estratificação cruzada acanalada e clastos, apresentando fragmentos de grânulos, espessura de apresentando poucos decímetros, subangulosos a subarredondados de preenchendo canais. Ocorre associada metarenitos variados, quartzo, siltitos, às fácies Sh e Gh; jaspilitos e granitóides, com diâmetro • Sgs - arenito arcoseano fino a médio, médio em torno de 3,5 cm e máximo ao apresentando gradação normal em redor de 14 cm, matriz arenosa com corpos de geometria sigmoidal (lobos pequenos sigmoidais), com espessura de até grânulos. Apresenta-se segundo corpos tabulares de espessura submétrica, com tênue estratificação 0,80m e comprimento de 1,60m; • Sgl - arenito geralmente arcoseano plano-paralela. Freqüentemente, o plano apresentando ab dos seixos dispõe-se paralelamente a geometria lenticular, cuja espessura estratificação. vezes, chega a 1,2 m e extensão à 2,7m. Por gradação normal e, mais raramente, vezes ocorrem grânulos e seixos (0,2 gradação inversa. Esta fácies pode a 6,0 cm) na base. Estão presentes ocorrer também preenchendo canais estratificações cruzadas acanaladas; rasos (profundidade menor que 0,40m) • Sw - arenito fino e siltito apresentando escavados em arenitos da fácies Sh. laminação ondulada (wave-bedding) e Aparece em Mostra, por freqüentemente interestratificada com a fácies Sh; • Sh - arenito médio a grosso, com níveis gradação corpos interestratificado siltitos da normal e lenticulares, com fácies argilitos e P. Ocorrem horizontais de seixos e seixos dispersos, freqüentemente segundo conjuntos apresentando normalmente geometria que lenticular, por vezes com tendência a ascendente (thickening upward) de tabularidade, e espessura de até 0,40m. até 15,0 cm; apresentam espessamento Mostra laminações ondulada e plano- • Pdc - argilito laminado apresentando paralela. Normalmente interestratificada intercalações de lâminas de siltito. com a fácies Gh; Estão presentes grânulos e seixos em 9 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. sua maioria subarredondados arredondados, a principalmente de ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr depósitos refletiriam uma deposição descontínua e poderiam estar quartzitos, com diâmetro inferior a 3,0 relacionados à deposição em canais cm. Os seixos se encontram espaçados. rasos, no topo de barras, ou a fluxos A espessura da fácies pode alcançar até não confinados (não canalizados) nas 3,5m; porções distais a partir de fluxos • P - argilito laminado, freqüentemente unidirecionais de energia declinante intercalado a lâminas de siltito de (wanning floods). A presença de espessura centimétrica. seixos, cuja orientação preferencial do plano ab é paralela à estratificação e a Os processos formadores das fácies e ausência de fácies que indiquem associações de fácies descritos acima são fluxos aquosos canalizados, sugerem discutidos a seguir. que esta associação de fácies tenha • Gh/Sh- Segundo Blair e McPherson sido gerada por fluxos não (1994), esta associação de fácies é a canalizados (sheetfloods), localizados mais nas porções distais dos leques. conspícua representante de fluxos • Gh/Sh/St - A presença da fácies St nessa gravitacionais fluidos em porções não associação aponta para a ocorrência de canalizadas aluviais fluxos canalizados. A origem dessa (sheetfloods). A presença de estratos associação de fácies, como sugerido por plano-paralelos, com a estratificação Nemec e Steel (1984), poderia estar sendo na associada a topo de barras entrecortadas granulometria dos clastos na fácies Gh e por canais ou a canais amplos e rasos a sua associação com a fácies Sh seria que fruto de variações na energia do meio medianas a proximais inferiores de leques (condições hidráulicas), principalmente aluviais (Zarza et al. 1993). depósitos gerados de marcada por leques pela variação associadas à expansão do fluxo quando atinge áreas não confinadas e à se localizariam nas porções • Sgl - Essa fácies teria sido gerada por fluxos aquosos direcionais diminuição da declividade nas porções preenchendo canais. A sua freqüente distais do leque. Por um outro lado, presença junto a fácies P sugere que Nemec e Steel (1984) admitem que tais sua deposição se daria nas porções 10 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr terminais de canais junto a um corpo seleção por gravidade (descritos acima, aquoso. nos processos geradores da fácies Sgl), • Pdc - essa fácies pode ser gerada a partir podem induzir a ocorrência de fluxos de de dois processos diferentes. Uma das clastos finos que, misturados à argila, possibilidades é que tenha sido formada em gerariam um contexto glaciogênico, em corpos seixosos (Nemec et al. 1984). Postma aquosos (por exemplo, glacio-lacustre), (1984) admite um processo semelhante onde as argilas se depositariam por ao acima descrito, mas ocorrente nos decantação, canais distributários de fan-deltas. com os siltes sendo os depósitos de argilitos trabalhados, esporadicamente, por suaves • P - os argilitos formaram-se a partir da correntes de fundo. Os clastos, que se decantação de partículas em suspensão encontram dispersos, poderiam ter sido em um corpo d’água. A predominância depositados pingados, das camadas de argilito sobre as de desprendidos de placas de gelo flutuantes. siltito, principalmente nas porções mais Os pontos desfavoráveis a essa origem setentrionais dessa região, sugere um seriam a inexpressiva ocorrência dessa distanciamento das áreas de entrada de fácies de material clástico. Há um aumento na arredondamento dos clastos, a ausência de incidência de camadas e lentes de siltito e outras fácies que normalmente compõem o arenito em direção às bordas de Serra da sistema glácio-lacustre (tais como varvitos, Pimenta . Da mesma maneira, a presença diamictitos, arenitos com climbing ripples, de palhetas de moscovita milimétricas é tal como mostrado, por exemplo, em Eyles conspícua, e Eyles 1992). Uma outra possibilidade grossas, junto a Serra da Pimenta Não seria sua origem ser relacionada a fluxo de foram observadas gretas de contração, o detritos que sugere não ter havido exposição sub- em como área, não seixos o bom coesivos grau (seixosos), próximo aérea. de camadas de argila, as desestabilizariam marcas de objeto nos argilitos, nem a causando a mistura entre os clastos e a presença de gradação normal e extensa argila, vindo a gerar depósitos de fluxos continuidade lateral e vertical dessa coesivos. turbulentos fácies, o que descarta a ocorrência de desestabilizam os depósitos gerados por correntes de turbidez. No entanto, as fluxos foram fácies mais subaquosos, que, ao se depositarem acima Quando Tampouco às observadas 11 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr deformações sofridas por estas rochas Uma outra possibilidade de podem ter concorrido para a obliteração de formação de corpos de geometria algumas dessas estruturas. Em boa parte sigmoidal das vezes em que esta fácies acha-se sedimentação associada à fácies Sgl, há evidências claras desaceleração de estarem próximas as fácies mais grossas direcionais canalizados, ao atingirem e muitas vezes preenchendo canais. corpos d’água. Normalmente, tal fato • Sgs/Sw/P - Os corpos sigmoidais tem, seria através da provocada de estaria associado fluxos pela à aquosos períodos de segundo a literatura (e.g. Kreisa e aumento de descarga durante à cheias, Moiola 1985; Della Fávera 1984), sua em condições de fluxo turbulento, de origem relacionadas a dois processos. O distributários de sistemas aluviais, em primeiro, associa a origem desse corpos corpos à migração de dunas em ambientes desaceleração (Della Fávera 1984). influenciados por maré, durante a Tais corpos apresentam, em seção ocorrência de maré dominante. Nessas longitudinal uma geometria sigmoidal, circunstâncias, a variação de energia que ao ocorre durante as fases de um evento de possuem forma de lobos que atingem maré, resulta na geração de três espessura superior a um metro. diferentes tipos de estratos cruzados Podem também, segundo Della Fávera dispostos em um arranjo que resulta em (1984), estar presentes em canais de um corpo de geometria sigmoidal, maré e estuários. denominado sigmóide de maré (Kreisa e d'água, passo que causando rápida volumetricamente As laminações onduladas e as Moiola 1985). O caráter bimodal de pequenas distribuição vem relacionadas à ambientes influenciados acompanhado de outros indicadores de pela ação de marés, onde se alternam ação de marés, tais como estratificação períodos de movimentação de águas, cruzada através de tipo paleocorrentes espinha de peixe lentes de são correntes comumente aquáticas (herringbone), estratificações ondulares direcionais responsáveis pela geração e do tipo flaser. Tais características não de ripples, com períodos de água estão presentes no caso aqui estudado. parada, onde haveria a deposição de finos (Reineck e Singh 1980). Nestas 12 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. circunstâncias, feições tais como ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr Foram levantados perfis estratificações cruzadas do tipo espinha sedimentares na escala 1:200, um dos quais, de peixe (herringbone), rosetas de localizado junto à usina hidrelétrica do rio palecorrentes bimodais, superfícies de Samburá, reativação nas estratificações cruzadas, mostrado na figura 4. Neste ponto, foi ripples de crista chata e gretas de definida a Formação Samburá por Branco contração são elementos que concorrem (1957). Nesta área, embora haja uma para evidenciar a influência de marés no continuidade vertical de exposição que processo de sedimentação. No entanto, permitiu o levantamento de um pacote de em ambientes onde a chegada de cerca de 650m, tais rochas apresentam-se suprimento sedimentar é intermitente, de bastante caráter cíclico ou periódico, tais como localmente por dobras que, por vezes, as frentes de deltas, também se dá a dificultam o entendimento da sucessão formação de laminações onduladas e de vertical pequenas silte paleocorrente tomadas foram coletadas em interestratificadas com argilas (Leeder locais de exposição que permitiram um 1995). ondas mínimo de conhecimento da deformação retrabalhariam parcialmente o material possível que evitasse que a qualidade do proveniente dos canais distributários. dado fosse prejudicada na reconstituição da lentes Neste de areia caso, as e atualmente afetadas por ali exposta. desativada, fraturamento As medidas é e de Posto não serem distinguidas outras direção original de corrente. As direções de fácies passíveis de serem associadas à paleocorrente, reconstituídas, apontam para ação de marés, parece ser a mais os quadrantes NE e SE. plausível que a origem da associação de fácies Sgs/Sw/P seja relacionada ao deságüe periódico dos canais distributários de fan-deltas. RELAÇÕES ESPACIAIS ENTRE AS FÁCIES E ASSOCIAÇÕES DE FÁCIES 13 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr retrogradante, pode estar associada a pulsos tectônicos nas porções mais internas da Faixa Brasília, onde há o predomínio de rochas dos grupos Canastra e Araxá, que resultariam em aumento do relevo e retomada mais intensa dos processos erosivos. A partir da análise de fácies realizada pode-se admitir que tais rochas estão associadas à um sistema de fan-delta cuja proveniência, obtida a partir de medida das de paleocorrente (Figura 4), encontraFigura 4 - Perfil sedimentar levantado na Formação Samburá (unidade clástica com predomínio de psefitos) do Grupo Bambuí na usina hidroelétrica do Rio Samburá. SISTEMAS DEPOSICIONAIS DAS ROCHAS DA FORMAÇÃO SAMBURÁ No perfil da figura 4 há uma tendência geral à retrogradação do sistema, partindo de predomínio de termos psamíticos e proximais e evoluindo até o predomínio de termos mais pelíticos de fácies mais distais. Setorialmente, os conjuntos granocrescência upward) e rochosos mostram ascendente (coarsening espessamento ascendente (thickenig upward) que estão relacionados à eventos progradantes. A presença de eventos progradantes, internamente a uma seqüência que mostra-se se a oeste. Desta forma, a origem de rochas da Formação Samburá estaria associada às frentes de empurrão de vergência para leste (Figura 5). Contextos deposicionais semelhantes aos aqui descritos foram determinados para as ocorrências das rochas da Formação Samburá no Sw do Cráton São Francisco, junto à Serra da Pimenta, 40 km a leste da área do Alto Vale do Rio São Francisco (Castro e Dardenne 1995) e próximo a cidade de Cristais (MG), a cerca de 100 km a SE (Castro 1997). Uma análise integrada sugere a relação entre a geração dos sitemas de fan-deltas e o avanço das frentes de empurrão para leste, fruto de esforços compressivos na 14 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. ISSN1519-5708 http//:www.degeo.ufop.br/geobr Faixa Brasília, em um contexto tectônico de fonte dos sedimentos se situava à oeste e bacia de antepaís (foreland basin). em rochas da faixa de dobramentos Brasília. Como estas rochas possuem relações estratigráficas com rochas calcários, parece razoável admitir que estes fan-deltas desaguassem em um mar . A deformação presente nas rochas da Formação Samburá e as evidências de pulsos progradantes durante a sua deposição sugerem uma associação com eventos de movimentação das falhas de empurrão na Faixa Brasília, em direção ao Cráton do São Francisco. A Figura 5 - A origem dos conglomerados da Formação ausência de características Samburá na região do alto Rio São Francisco e seu contexto indicadoras de origem glacial nas rochas da geológico (desenho adaptado de Ramsay e Huber 1987 e unidade psefítica, bem como nas demais geologia baseada, parcialmente, em Valeriano 1992). Exagero vertical. acentuado. 1 - embasamento granítico- unidades do Grupo Bambuí, na região do gnáissico; 2 - Grupo Canastra; 3 - Grupo Bambuí, unidade alto carbonática; 4 - Grupo Bambuí, unidade pelítica; 5 - Grupo sobremaneira a sua correlação com as Bambuí, unidade psefítica (Formação Samburá). Francisco, enfraquece Cráton do São Francisco e das faixas Brasília e Araçuaí. As fácies e associações de fácies presentes e suas relações corroboram a interpretação de que as rochas sedimentares associadas aos conglomerados Samburá, na região do alto São Francisco, tenham sido em São unidades glaciogênicas neoproterozóicas do CONCLUSÕES depositadas Rio um fan-delta com As características sedimentológicas, estratigráficas e de deformação indicam que as rochas conglomeráticas da Formação Samburá tenham sido formadas em um contexto deposicional do tipo bacia de antepaís (foreland basin). características retrogradantes e cuja área 15 Geo.br 1 (2002) 1-18 Paulo de Tarso Amorim Castro. 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