UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA – PROPPEC CENTRO DE EDUCAÇÃO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS – CEJURPS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM CIÊNCIA JURÍDICA – PPCJ CURSO DE MESTRADO ACADÊMICO EM CIÊNCIA JURÍDICA – CMCJ ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: FUNDAMENTOS DO DIREITO POSITIVO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FORMA DE ALCANCE DO PRINCÍPIO DA SUSTENTABILIDADE ESTER DORCAS FERREIRA DOS ANJOS Itajaí-SC 2015 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA – PROPPEC CENTRO DE EDUCAÇÃO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS – CEJURPS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM CIÊNCIA JURÍDICA – PPCJ CURSO DE MESTRADO EM CIÊNCIA JURÍDICA – CMCJ ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: FUNDAMENTOS DO DIREITO POSITIVO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FORMA DE ALCANCE DO PRINCÍPIO DA SUSTENTABILIDADE ESTER DORCAS FERREIRA DOS ANJOS Dissertação submetida ao Curso de Mestrado Acadêmico em Ciência Jurídica da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciência Jurídica. Orientador: Professora Doutora Denise Schmitt Siqueira Garcia Co-orientador: Professor Doutor Gabriel Real Ferrer Itajaí-SC 2015 AGRADECIMENTOS Sou Grata a Deus e ao Mestre Jesus por ter colocado pessoas especiais em minha vida e que de uma forma ou de outra estiveram presentes nesta jornada! À melhor mãe do mundo! Que sempre me amparou e compreendeu todos os momentos da minha vida, nos dias mais difíceis, você sempre esteve comigo e mesmo quando não podia estar, suas preces me acalentaram a alma e me fizeram levantar e continuar caminhando. Aos meus filhos maravilhosos, que me impulsionam para o caminho que tracei para seguir. Razão da minha vida, sempre segurando minha mão, Dani, Chris, Maria Júlia e Lucas, caminharam e sonharam comigo, encheram a minha vida de alegria!! Perdão pelas inúmeras vezes que estive ausente, perdão! Amo vocês!! Ao meu amigo querido, meu chefe, meu mestre, não tenho palavras para externar todo agradecimento, por tudo que fez e faz por mim, por meus filhos e em minha vida! Nem nos meus sonhos mais impossíveis, imaginei conhecer uma pessoa que eu pudesse amar tanto, esse amor pelo amor, da amizade verdadeira e plena! Dr. Adilor, minha gratidão eterna, para além dessa vida! À minha orientadora Doutora Denise Schmitt Siqueira Garcia, que desde o início desta jornada, me recebeu com tanto carinho, paciência, confiando sempre que “tudo vai dar certo”, deixando tudo tão simples e fácil, tornando meu sonho possível! Ao professor Doutor Gabriel Real Ferrer por todo ensinamento, carinho, cordialidade e amizade por mim e por meu filho Lucas, no Brasil e quando nos recebeu na Espanha. Ao Mestre German Valencia Martin por viabilizar esse projeto de vida em dupla titulação. Meu especial agradecimento ao Profº Dr. Paulo Márcio Cruz, sem a sua competente direção no curso, seu auxílio e compreensão não estaria aqui. Aos professores do Programa de Mestrado pelos ensinamentos e a todos que fazem do Mestrado em Ciências Jurídicas da Univali um dos melhores no país. Antecipadamente, agradeço à banca examinadora por toda contribuição, que trará ao meu trabalho!! DEDICATÓRIA Aos meus avós, Marciano Ferreira Neto (in memorian) e Juventina Arruda Santana (in memorian), amores eternos. Escolhi a sombra desta árvore para repousar do muito que farei, enquanto esperarei por ti. Quem espera na pura espera vive um tempo de espera vã. Por isto, enquanto te espero trabalharei os campos e conversarei com os homens Suarei meu corpo, que o sol queimará; minhas mãos ficarão calejadas; meus pés aprenderão o mistério dos caminhos; meus ouvidos ouvirão mais, meus olhos verão o que antes não viam, enquanto esperarei por ti. Não te esperarei na pura espera porque o meu tempo de espera é um tempo de quefazer. Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,: em voz baixa e precavidos: É perigoso agir É perigoso falar É perigoso andar É perigoso, esperar, na forma em que esperas, porquê esses recusam a alegria de tua chegada. Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me, com palavras fáceis, que já chegaste, porque esses, ao anunciar-te ingenuamente , antes te denunciam. Estarei preparando a tua chegada como o jardineiro prepara o jardim para a rosa que se abrirá na primavera. Paulo Freire Genève, Março 1971. TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE Declaro, para todos os fins de direito, que assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico conferido ao presente trabalho, isentando a Universidade do Vale do Itajaí, a Coordenação do Curso de Mestrado em Ciência Jurídica, a Banca Examinadora e o Orientador de toda e qualquer responsabilidade acerca do mesmo. Itajaí-SC, 07 de abril de 2015. Ester Dorcas Ferreira dos Anjos Mestranda PÁGINA DE APROVAÇÃO (A SER ENTREGUE PELA SECRETARIA DO PPCJ/UNIVALI) SUMÁRIO RESUMO............................................................................................................... 09 ABSTRACT........................................................................................................... 10 RESUMEN ............................................................................................................. 11 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 12 CAPÍTULO 1 FUNDAMENTOS DA SUSTENTABILIDADE NA DIMENSÃO AMBIENTAL DA EDUCAÇÃO.......................................................................................................... 16 1.1 INÍCIO DO PENSAMENTO EM SUSTENTABILIDADE ................................. 16 1.1.1 Dimensões da sustentabilidade ................................................................ 30 1.1.1.1 Dimensão ambiental da sustentabilidade ............................................. 33 1.1.1.2 Dimensão social da sustentabilidade .................................................... 39 1.1.1.3 Dimensão econômica da sustentabilidade ........................................... 48 CAPÍTULO 2 OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL ................................................... 56 2.1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL .............................................................................. 56 2.2 Principais documentos internacionais em EA ............................................ 70 2.2.1 Carta de Belgrado....................................................................................... 70 2.2.2 Primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental – Tbilisi (1977)......................................................................................................... 74 2.2.3 Agenda 21 ................................................................................................... 83 2.2.4 Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.................................................................................... 88 2.2.5 Declaração de Thessaloniki – Grécia, 1998 ............................................. 88 CAPÍTULO 3 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUA IMPORTÂNCIA PARA O ALCANCE DAS DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE .............................................................. 91 3.1 EDUCAÇÃO COMO PROCESSO TRANSFORMADOR ................................ 91 3.1.1 Correntes em educação ambiental ........................................................... 97 3.2 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A IMPORTÂNCIA DE PROGRAMAS E INVESTIMENTOS PARA O ALCANCE DA SUSTENTABILIDADE .................... 115 3.2.1 Política Nacional de Educação Ambiental – Lei nº 9.795/99 .................. 116 3.2.1.1 Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA) ...................... 125 3.2.1.1.1 Educomunicação ................................................................................ 129 3.2.1.2 Ministério da Educação e Cultura para Educação Ambiental ........... 133 3.2.2 Sistema educativo ambiental na Espanha ............................................. 138 3.2.2.1 Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo .......... 139 3.2.2.2 El Libro Branco de la Educación Ambiental em España ................... 143 3.2.2.3 Ações em Educação Ambiental para o alcance da sustentabilidade 146 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 150 REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS............................................................. 154 9 RESUMO A presente pesquisa tem como objeto de análise a educação ambiental como processo transformador para o alcance da sustentabilidade. O propósito fundamental desta investigação é demonstrar a importância da educação ambiental, como processo permanente, para o conhecimento e conscientização da sociedade, que tem por finalidade o alcance da sustentabilidade. Sendo assim, a pesquisa se inicia com uma abordagem sobre a sustentabilidade, discorrendo sobre sua origem, conceito e suas principais dimensões, ou seja, a social, econômica e ambiental. Procura trazer os principais eventos sobre Educação Ambiental, que influenciaram inclusive a legislação brasileira e espanhola. Notadamente, a Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil, bem como a Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo na Espanha e os programas desenvolvidos nos dois países, como instrumento na temática, voltados a demonstrar a importância da educação ambiental como um sistema de valores sem o qual o homem não pode chegar ao desenvolvimento sustentável. A educação ambiental é abordada como um processo transformador da consciência desenvolvido por meio de ações, que aplicadas constroem valores sociais, conhecimentos e atitudes voltadas para a conservação do meio ambiente, da qualidade de vida de todos os seres do planeta, para o alcance da sustentabilidade. Para o desenvolvimento desta pesquisa será utilizado como método de abordagem o indutivo e de procedimento histórico e bibliográfico. Palavras-chave: Educação Ambiental. Conscientização. Sustentabilidade. 10 ABSTRACT This research has as object of analysis the environmental education as a transformer process to achieve sustainability. The fundamental purpose of this investigation is to demonstrate the importance of environmental education, as permanent process, for the knowledge and awareness of the society, which purpose is the achievement of sustainability. Thus, the search begins with a sustainability approach, discussing its origins, concept and its main dimensions, that is, the social, economic and environmental. The reseach seeks to bring the main events on environmental education, that influenced the Brazilian and Spanish legislation. Notably, the National Environmental Education Policy in Brazil, as well as the Organic Law of General Order of the Educational System in Spain and programs developed in both countries, as an instrument in the theme, aimed to demonstrate the importance of environmental education as a system of values without which man cannot reach the sustainable development. Environmental education is approached as a transformer process of consciousness developed through actions, that, if applied, can build social values, knowledge and attitudes towards environmental conservation and the quality of life of all beings on the planet, in order to the achieve the sustainability. Keywords: Environmental Education. Awareness . Sustainability. 11 RESUMEN Esta investigación se analiza en la educación ambiental como un proceso de transformación para lograr la sostenibilidad. El propósito fundamental de esta investigación es demostrar la importancia de la educación ambiental como un proceso permanente de conocimiento y la conciencia de la sociedad, que tiene como objetivo lograr la sostenibilidad. Por lo tanto, la búsqueda comienza con un análisis de la sostenibilidad, discutiendo sus orígenes, concepto y sus dimensiones principales, a saber, el desarrollo social, económico y ambiental. Busca traer grandes eventos en Educación Ambiental, que también influyó en la legislación brasileña y española. Cabe destacar que la Política Nacional de Educación Ambiental en Brasil, así como el Sistema de la Ley Orgánica de Ordenación General de Educación del en España y programas desarrollados en ambos países como un instrumento sobre el tema, dirigidas a demostrar la importancia de la educación ambiental como un sistema de valores sin la cual el hombre no puede alcanzar el desarrollo sostenible. La educación ambiental se plantea como un proceso de transformación de la conciencia desarrollada a través de acciones, que se aplicaba construir valores sociales, conocimientos y actitudes encaminadas a la conservación del medio ambiente, la calidad de vida de todos los seres del planeta, para lograr la sostenibilidad . Para el desarrollo de esta investigación se utilizará como método de acercamiento al procedimiento inductivo e histórica y bibliográfica. Palabras clave: Educación Ambiental. Conciencia. Sostenibilidad. 12 INTRODUÇÃO O objetivo institucional da presente Dissertação é a obter do título de Mestre em Ciência Jurídica pelo Curso de Mestrado em Ciência Jurídica da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, tendo por linha de pesquisa Direito Ambiental, Transnacionalidade e Sustentabilidade, em dupla titulação com a Universidade de Alicante – UA, por meio de seu curso de Pós-grado Master em Derecho Ambiental y Sostentabilidad – MADAS/UA. Foram traçados como objetivos investigatórios, geral: “analisar se a educação ambiental é um instrumento de alcance do princípio da sustentabilidade”; e específicos: “identificar o conceito base do Princípio da Sustentabilidade, bem como suas dimensões; verificar os mecanismos utilizados como base dentro do cenário internacional para viabilizar a educação ambiental como forma de alcance do princípio da sustentabilidade; e, identificar as legislações e programas em educação ambiental, no Brasil e Espanha, como exemplo, para garantir as dimensões do princípio da sustentabilidade”. Buscando atingir esses objetivos a pesquisa norteou um fator determinante, motivado por um cenário que se mostra preocupante, no atual contexto social, econômico e ambiental, compreendidos nos fundamentos da sustentabilidade na dimensão ambiental da educação, percorridos nos caminhos da sustentabilidade, bem como, no importante papel da educação ambiental no Brasil e na Espanha para o alcance das dimensões da sustentabilidade. Sendo assim, o trabalho propõe no primeiro capítulo abordar as dimensões da sustentabilidade, já que juntas compõem um princípio constitucional, como essência, para que haja um desenvolvimento sustentável, tendo como respaldo a educação ambiental. São tratadas então, a dimensão social, no sentido de obter com maior equidade, uma sociedade mais justa, com educação de qualidade, dignidade e respeito aos demais seres vivos; no reconhecimento que existe uma ligação entre todos os seres vivos, que reclama ações que tragam bem-estar, restabelecendo o equilíbrio dos seres; a dimensão econômica, que por sua vez, reclama investimento 13 educacional, para uma ampliação de renda e via de consequência, o abandono da pobreza e emancipação econômica; e, a dimensão ambiental, partindo-se da premissa que o ser humano não sobreviverá em um ambiente degradado, advertindo sobre o comportamento humano, posto que se persistir na degradação, acabará com a sua espécie e as demais, pois para ter longevidade digna, deve viabilizar a vida no planeta, protegendo-o com responsabilidade ambiental. Destarte, considerando que a sustentabilidade na sua capacidade de manter o ambiente harmônico, depende da conexão de todos os seres vivos, buscase demonstrar que para que esse princípio continue a evoluir constantemente, se faz necessário ter uma conscientização ambiental, a fim de constituir-se um alicerce enraizado nessas dimensões com o componente transformador do comportamento e de novos valores, tendo a educação como uma ferramenta a fim de atingir esses objetivos. Essa que, não se limita à condição de investimentos econômicos, mas que, dentre outros pressupostos, deve ser processada desde a infância, modificando condutas, que visem à cooperação para o desenvolvimento sustentável, na dimensão ambiental da educação, preparando para uma vida produtiva e equilibrada. Nesse cenário apontado e em busca da eficaz Educação Ambiental, o segundo capítulo, traça os caminhos percorridos dentro do cenário internacional, onde os cientistas da área ambiental, levantaram as mais graves preocupações de suporte do planeta Terra e à viabilidade biológica da vida humana, onde cada vez mais pessoas adotam padrões de consumo, em todo o mundo, exercendo pressões crescentes sobre os recursos naturais. Diante da análise sistêmica do contexto socioambiental, alguns mecanismos globais foram apontados, trazendo definições e subsídios de grande relevância que influenciaram na legislação brasileira, bem como nas ações e atitudes de Educação Ambiental. Observadas essas perspectivas, o terceiro e último capítulo, intitulado “Educação ambiental no Brasil e Espanha e sua importância para o alcance das dimensões da sustentabilidade” versa sobre a educação como processo de inclusão, 14 onde reside a necessidade de ensinar e aprender, um processo de dirigir, conduzir e elevar o indivíduo a um nível de conhecimento que o leve às mudanças comportamentais exigidas nesse contexto. Levanta, então, as diferentes correntes que se propõem em diversas formas conceber e praticar a ação educativa no tema e se propõe a descrever as ações em Educação ambiental do Brasil e Espanha para o alcance da sustentabilidade, tendo por referência Política Nacional de Educação Ambiental, disposta na Lei 9.795/99, bem como Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo da Espanha. Busca-se demonstrar a implementação de ações para a educação ambiental, tendo como parâmetro os programas de educação ambiental no Brasil, propostas pelo governo federal, bem como as ações e propostas do governo da Espanha, de modo a internalizar o valor constitucional, como caminho para outras esferas de governo, a fim de construir valores sociais, trazendo conhecimento, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, com base no princípio da sustentabilidade. Para a presente dissertação a seguinte indagação: “A Educação Ambiental educação ambiental, tendo como exemplo os programas e investimentos, dos governos Brasil e Espanha, seja na Política Nacional de Educação Ambiental do Brasil, ou na Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo da Espanha garantem o Princípio da Sustentabilidade?” Como hipótese da pesquisa, tem-se a resposta positiva “A Educação ambiental vai formar e preparar cidadãos para uma reflexão crítica e para uma ação social corretiva ou transformadora do sistema, de forma a tornar viável o desenvolvimento integral dos seres humanos, e por esse motivo, os investimentos em programas na educação ambiental dos governos são essenciais para o alcance do princípio da sustentabilidade. O Brasil e Espanha possuem propostas em ações e programas, amparados pelas suas respectivas legislações para o alcance da sustentabilidade”. O presente Relatório de Pesquisa se encerra com as Considerações Finais, nas quais são sintetizadas as contribuições sobre “A Educação Ambiental como alcance do princípio da sustentabilidade no Brasil”. 15 Quanto à Metodologia empregada, registra-se que, na Fase de Investigação1 foi utilizado o Método Indutivo2, na Fase de Tratamento de Dados o Método Cartesiano3, e, o Relatório dos Resultados expresso na presente Dissertação é composto na base lógica Indutiva. Nas diversas fases da Pesquisa, foram acionadas as Técnicas do Referente4, da Categoria5, do Conceito Operacional6 e da Pesquisa Bibliográfica7. Nesta Dissertação as categorias principais estão grafadas com a letra inicial em maiúscula e os seus conceitos operacionais são apresentados no texto quando mencionadas pela primeira vez, do mesmo modo, como foi no rol de abreviaturas. As traduções existentes no texto foram feitas livremente pela autora, de modo a facilitar a leitura. 1 “[...] momento no qual o Pesquisador busca e recolhe os dados, sob a moldura do Referente estabelecido[...]. PASOLD, Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática.11 ed. Florianópolis: Conceito Editorial; Millennium Editora, 2008. p. 83. 2 “[...] pesquisar e identificar as partes de um fenômeno e colecioná-las de modo a ter uma percepção ou conclusão geral [...]”. PASOLD, Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática. p. 86. 3 Sobre as quatro regras do Método Cartesiano (evidência, dividir, ordenar e avaliar) veja LEITE, Eduardo de oliveira. A monografia jurídica.5 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001. p. 22-26. 4 “[...] explicitação prévia do(s) motivo(s), do(s) objetivo(s) e do produto desejado, delimitando o alcance temático e de abordagem para a atividade intelectual, especialmente para uma pesquisa.” PASOLD, Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática. p. 54. 5 “[...] palavra ou expressão estratégica à elaboração e/ou à expressão de uma ideia. ”PASOLD, Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática.p.25. 6 “[...] uma definição para uma palavra ou expressão, com o desejo de que tal definição seja aceita para os efeitos das ideias que expomos [...]”. PASOLD, Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática .p. 37. 7 “Técnica de investigação em livros, repertórios jurisprudenciais e coletâneas legais. PASOLD, Cesar Luiz. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática. p. 209. 16 CAPÍTULO 1 FUNDAMENTOS DA SUSTENTABILIDADE NA DIMENSÃO AMBIENTAL DA EDUCAÇÃO 1.1 INÍCIO DO PENSAMENTO EM SUSTENTABILIDADE A certeza da insustentável vida do homem no planeta Terra, outrora vista, marcada pela perspectiva da finitude dos recursos naturais para a atual e futuras gerações da vida com dignidade, movimentam ideias a partir de 1560, na Província da Saxônia, Alemanha, quando pela primeira vez, houve a preocupação “com o uso racional das florestas, de forma que elas pudessem se regenerar e se manter permanente”, dando o nome alemão de Nachaltigkeit, que significa “sustentabilidade”8. Em 1713, um ano antes de sua morte, Hans Carl Von Carlowitz escreveu um tratado, em latim, utilizando pela primeira vez o nome Nachaltigkeit, sobre a sustentabilidade das florestas9 com o título “Silvicultura Oeconomica”, com instruções para o cuidado das árvores nativas, propondo o uso sustentável da madeira10, era o primeiro manual de ciências florestais, o qual Grober11 comenta: The Sylvicultura Oeconomica had a remarkably deep impact. A second edition appeared in 1732. The book was required reading for the functionaries of the small German states. The Württemberger Wilhelm Gottfried Moser became acquainted with forestry in the Harz mountain forests of the Counts of Stolberg-Wernigerode at the foot of Brocken Mountain and took up the term. In his 1757 Principles of Forest-Oeconomie, he demands “a sustainable cultivation of our forests.”12 8 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é – o que não é. Petrópolis: Vozes, 2012. p. 32. 9 Nachaltigkeit wirtschaften: organizar de forma sustentável 10 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é – o que não é. p. 32. 11 GROBER, Von Ulrich. Hans Carl Von Carlowitz, Erfinder der Nachhaltigkeit. Disponível em: <http://www.zeit.de/1999/48/Der_Erfinder_der_Nachhaltigkeit> Acesso em 23 dez. 2014. 12 O Sylvicultura Oeconomica teve um impacto extremamente profundo. A segunda edição foi publicada em 1732. O livro foi leitura obrigatória para os funcionários dos pequenos Estados alemães. O Württemberger Wilhelm Gottfried Moser conheceu florestal nas florestas dos condes de 17 It was the foresters of Goethe's time – many of whom, by the way, maintained personal correspondence with him – who made the idea of sustainability the basis of their new science. Their think-tanks, which included the Forest Academy of Tharandt (a neighboring town of Freiberg), founded in 1816 by Heinrich Cotta, Eberswalde in Prussia, and other institutions of higher education, fleshed out the concept more thoroughly: strictly rationalistically, on the basis of geometry and surveying.13 René Dumont, francês estudioso das questões agrícolas, sociólogo e um ambientalista político foi um dos primeiros a usar a palavra "durável développement" - desenvolvimento sustentável, quando preconizava, nos idos de 1961, que a sociedade de consumo, no sentido de dilapidação e desperdício de recursos naturais entrou em um processo crítico que deve conduzir à sua conversão em uma sociedade racional, em que a distribuição de produtos deve ser em termos das necessidades do povo e tendo em conta os limites do planeta como produtor de matérias-primas. Preocupada com a sustentação da vida de todas as biodiversidades do planeta Terra, Rachel Carson, no ano de 1963, publica Primavera Silenciosa, desencadeando um debate nacional nos Estados Unidos da América, sobre os pesticidas químicos, resultando na proibição da produção doméstica do DDT14 e na criação de um movimento popular exigindo a proteção do meio ambiente por meio de normas estaduais e federais. Além desta importante contribuição, a obra de Carson deu início a uma transformação na relação entre os seres humanos e o mundo natural, incitando o despertar da consciência pública ambiental.15 Stolberg- Wernigerode Harz montanha no sopé da Montanha Brocken e tomou -se o termo. Em seus 1757 Princípios de Forest- Oeconomie, ele exige "um cultivo sustentável de nossas florestas". 13 Foram os engenheiros florestais da época de Goethe - muitos dos quais, aliás, manteve correspondência pessoal com ele - que criaram a ideia de sustentabilidade com base na sua nova ciência. Seus grupos de reflexão, que incluíram a Academia Florestal de Tharandt (a cidade vizinha de Freiberg), fundada em 1816 por Heinrich Cotta, Eberswalde, na Prússia, e outras instituições de ensino superior, clarificado, o conceito mais profundamente : estritamente racionalista, na base da geometria e topografia. 14 Iniciais de Diocloro-difenil-tricloroetano, o mais conhecido e estudado dentre os inseticidas no século XX <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422002000600017> 15 CARSON, Raquel. Primavera silenciosa. São Paulo: Gaya, 2013. p. 57. 18 Paul Ehrilich16 na obra intitulada, The Population Bomb, publicada em 1968, advertia sobre a fome em massa de seres humanos devido à superpopulação, assim como outras grandes convulsões sociais, e defendeu medidas imediatas para limitar o crescimento da população, que continuava e continua numa taxa sem precedentes. It has estimated that the human population of 8000 bc was about five million people, taking perhaps one million years to get there from two and a half million. The population did not reach 500 milion until almost 10,000 years later - about 1650 ad. This means it doubled roughly once every thousand years or so. It reached a billion people around 1850, doubling in some 200 years. It took only 80 years or so for the nest doubling, as the population reached two billion around 1930. We have not completed the next doubling to four billion ywt, but we now have well over three and half billion people. The doubling time at present seems to be about 35 years. […] If growth continued at that rate for about 900 years, there would be some 60,000,000,000,000,000 people on the face of the earth. Sixty million billion people. This about 100 persons for each square yard of the Earth's surface, land and sea.17 Mais tarde, na obra traduzida para o espanhol “La explosión demográfica” recorda, [...] entonces, la mecha estaba encendida; ahora, la bomba demográfica ha estallado. Desde 1968, más de 200 millones de personas - en su mayoría niños - han muerto innecesariamente a causa del hambre y de las enfermedades relacionadas con el hambre, a pesar de unos programas de choque destinados a estirar la capacidad de carga de Tierra aumentando la producción alimentaria.18 16 EHRILICH, Paul. The population bomb. New York: Buccaneer Books, Inc., 1968. p. 4. 17 Estima- se que a população humana de 8000 aC foi de cerca de cinco milhões de pessoas, tendo talvez um milhão de anos para chegar lá a partir de dois e meio milhões. A população não chegou a 500 milion até cerca de 10.000 anos mais tarde - cerca de 1650 anúncios. Isso significa que ele dobrou aproximadamente uma vez a cada mil anos mais ou menos. Ele chegou a um bilhão de pessoas em 1850, dobrando em cerca de 200 anos. Levou apenas 80 anos ou mais para a duplicação ninho, como a população chegou a dois bilhões por volta de 1930. Nós não ter concluído a próxima duplicação de quatro bilhões, mas agora temos bem mais de três e meio bilhões de pessoas. O tempo de duplicação, atualmente, parece ser de cerca de 35 anos. [... ] Se o crescimento continuou a essa taxa para cerca de 900 anos, haveria algumas 60.000.000.000.000.000 pessoas na face da terra. Sessenta milhões de bilhões de pessoas. Este cerca de 100 pessoas para cada jarda quadrado de superfície, terra e mar da Terra. 18 EHRLICH, Paul R.; EHRLICH, Anne H. La explosion demográfica: el principal problema ecológico. Barcelona: Salvat Editores, 1993. p. IX. 19 Deste modo, das previsões alarmantes dos ambientalistas e conclusões de Ehrilich, em abril de 1968, trinta pessoas19 de dez países, realizaram um encontro. Formado por cientistas, educadores, economistas, humanistas, industriais e funcionários públicos de nível nacional e internacional se reunirem na Academia dei Lincei, em Roma – Itália instados pelo Dr. Aurélio Peccei, empresário e economista e pelo cientista escocês Alexander King, para discutir os dilemas atuais e futuros do homem, em 1970 criaram o Clube de Roma. Uma organização informal, descrita com muita propriedade, como um “colégio invisível”. Suas finalidades são promover o entendimento dos componentes variados, mas interdependentes – econômicos, políticos, naturais e sociais – que formam o sistema global em que vivemos; chamar a atenção dos que são responsáveis por decisões de alto alcance, e do público do mundo inteiro, para aquele novo modo de entender, e, assim, promover novas iniciativas e planos de ação.20 O primeiro relatório foi sobre “Os limites do crescimento”, levando a ONU a ocupar-se do tema, diante da preocupação do meio científico sobre o assunto.21 Os Limites do crescimento trouxe em seu bojo a teoria do crescimento antes abordada por Ehrilich em Population Bomb e aborda a natureza do crescimento exponencial, levando em conta cinco elementos básicos: população, produção de alimentos, industrialização, poluição e consumo de riquezas naturais não renováveis, que deveriam então ser reavaliados, pois se continuassem imutáveis, “os limites de crescimento neste planeta serão alcançados algum dia dentro dos próximos cem anos”22. 19 À época a formação dos membros é variada, portanto. Citam-se o Dr. Aurélio Peccei, que é associado à Fiat e à Olivetti e administra uma firma consultora para o Desenvolvimento Econômica e de Engenharia, a Italconsult.; Hugo Thiemann, chefe do Battelle Institute em Genebra; Saburo Okita, chefe do Japan Economic Research e mais 15 membros do MIT (dentre eles, os doutores Dennis L Meadows, como diretor; Peter Milling, com estudos do capital; Roger F. Naill e William W. Behrens III sobre reservas; Farhard Hakimzadeh, Donella H. Meadows e Nirmala S. Murthy sobre população; Jay M. Anderson, Alison A. Anderson e Jorgen Randers sobre poluição; dentre outros). 20 MEADOWS, Donella H; MEADOWS, Dennis L.; RANDERS, Jørgen; BEHRENS III, William W. Limites do crescimento. São Paulo: Perspectiva AS, 1973. p. 20. 21 22 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é – o que não é. p. 32. MEADOWS, Donella H; MEADOWS, Dennis L.; RANDERS, Jørgen; BEHRENS III, William W. Limites do crescimento. p. 25. 20 A curva de crescimento exponencial da população mostra que, em 1650, a população era de 0,5 bilhão e estava crescendo a uma taxa de aproximadamente 0,3% ao ano. Isso corresponde a um período de duplicação de quase 250 anos. Em 1970, a população totalizava 3,6 bilhões e a taxa de crescimento era de 2,1% ao ano. O período de duplicação correspondente a esta taxa de crescimento é de 33 anos. Assim, não só a população vem crescendo exponencialmente, mas a taxa de crescimento também vem aumentando. Podemos dizer que o crescimento da população tem sido “super” exponencial; a curva da população esta subindo mais rapidamente do que o faria se o crescimento fosse estritamente exponencial.23 Mesmo assim, com todos os alertas, o adjetivo “sustentável” ainda não passava de um jargão técnico usado pelas comunidades científicas para evocar a possibilidade de um ecossistema não perder sua resiliência, mesmo estando sujeito a agressão humana recorrente24. No ano da primeira publicação, em 1972, a palavra se legitimou, quando a ONU nos dias 5 a 16 de junho, influenciada de maneira decisiva pelo “Limites do Crescimento” e “atenta à necessidade de um critério e de princípios comuns que ofereçam aos povos do mundo inspiração e guia para preservar e melhorar o meio ambiente humano”, realizou em Estocolmo a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, United Nations Conference on the Human Environment (UNCHE), resultando na criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Dentre os sete dispositivos da Conferência destaco, neste momento, a advertência para o uso sustentável dos recursos naturais. 3. O homem deve fazer constante avaliação de sua experiência e continuar descobrindo, inventando, criando e progredindo. Hoje em dia, a capacidade do homem de transformar o que o cerca, utilizada com discernimento, pode levar a todos os povos os benefícios do desenvolvimento e oferecer-lhes a oportunidade de enobrecer sua existência. Aplicado errônea e imprudentemente, o mesmo poder pode causar danos incalculáveis ao ser humano e a seu meio ambiente. Em nosso redor vemos multiplicar-se as provas do dano causado pelo homem em muitas regiões da terra, níveis perigosos de poluição da água, do ar, da terra e dos seres vivos; grandes 23 24 MEADOWS, Donella H; MEADOWS, Dennis L.; RANDERS, Jørgen; BEHRENS III, William W. Limites do crescimento. p. 25. VEIGA, José Eli da Veiga. Sustentabilidade. 2. ed. São Paulo: Senac, 2010. p. 11. 21 transtornos de equilíbrio ecológico da biosfera; destruição e esgotamento de recursos insubstituíveis e graves deficiências, nocivas para a saúde física, mental e social do homem, no meio ambiente por ele criado, especialmente naquele em que vive e trabalha.25 Em 1977, o presidente do Banco Mundial, Robert McNamara, pediu a Willy Brandt para chefiar a Comissão independente para questões de desenvolvimento internacional (Comissão Norte-Sul). Depois de quase três anos de pesquisas, no dia 12 de Fevereiro de 1980, a comissão apresentou sua análise, designada de Relatório Norte-Sul ou Relatório Brandt. O Relatório Brandt, publicado em julho de 1980 com o título NorteSul: um Programa para a Sobrevivência, decorreu do trabalho da Comissão Independente sobre Questões de Desenvolvimento Internacional, chefiada pelo ex-chanceler alemão Willy Brandt. O documento propôs medidas que diminuíssem a crescente assimetria econômica entre países ricos do hemisfério Norte e pobres do hemisfério Sul. Mas a onda neoliberal da década de 1980 fez com que o Relatório Brandt fosse ignorado pelos governos, que estavam mais preocupados com a livre circulação de capitais, o livre comércio e a desregulação dos mercados, com remoção de barreiras ambientais e trabalhistas e presença mínima do Estado na economia.26 Em 1983 foi criada pela Assembleia Geral da ONU, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – CMMAD. No ano de 1984 a expressão “desenvolvimento sustentável” aparece na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que propunha uma agenda global para mudança, trazendo como resultado o documento originalmente chamado de “Our Common Future” ou como é mais usualmente denominado - Relatório Brundtland. Gro Harlem Brundtland27, escolhida pela Assembleia Geral das Nações 25 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Estocolmo. Disponível em <www.mma. gov.br/estruturas/ agenda21/_arquivos/estocolmo.doc> Acesso em 26 dez. 2014. 26 FGV. Fundação Getútio Vargas. Radar Rio + 20: por dentro da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável <http://www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/radar Rio20-baixares.pdf> Acesso em 25 dez. 2014. 27 Em 1974 é nomeada ministra do Ambiente, e em 1981 é nomeada Primeira Ministra da Noruega. Entre 1983 e 1987 presidiu à Comissão Brundtland, da Organização das Nações Unidas, dedicada ao estudo do meio ambiente e a sua relação com o progresso. 22 Unidas, encarregada pelo Secretário Geral, de criar e presidir uma comissão especial e independente para tratar do grande desafio que era imposto à comunidade mundial, sabia das dimensões da tarefa. O desafio de encarar o futuro e de proteger os interesses das gerações vindouras. Pois uma coisa era perfeitamente clara: precisávamos de um mandato para a mudança. [...] Talvez nossa tarefa mais urgente hoje seja persuadir as nações da necessidade de um retorno do multilateralismo. [...] O desafio de encontrar rumos para o desenvolvimento sustentável tinha de fornecer o ímpeto – ou mesmo imperativo – para uma busca renovada de soluções multilaterais e para o sistema econômico internacional de cooperação reestruturado. O Relatório Brundtland afirmou que a humanidade é capaz de tornar o desenvolvimento sustentável de modo a “garantir que ele atenda as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem também as suas”28. Deixa claro que o conceito de desenvolvimento sustentável tem limites implícitos nas dimensões da sustentabilidade, mas não limites absolutos, limitações impostas pelo estágio atual da tecnologia e da organização social, no tocante aos recursos ambientais, e pela capacidade da biosfera de absorver os efeitos da atividade humana. Mas tanto a tecnologia quanto a organização social podem ser geridas e aprimoradas a fim de proporcionar uma nova era de crescimento econômico, onde, a pobreza generalizada já não é inevitável, porquanto, a pobreza não é apenas um mal em si mesma, mas para haver um desenvolvimento sustentável é preciso atender às necessidades básicas de todos e dar a todos a oportunidade de realizar suas aspirações de uma vida melhor.29 Não obstante, lançada pelos alertas ao meio ambiente, a sustentabilidade, propõe um desenvolvimento econômico e social respaldados na adoção desse conceito, restando consagrada a ideia na Conferência do Rio 92, que previa “elaborar estratégias e medidas para deter a degradação ambiental, por meio de esforços nacionais e internacionais, e promover o “desenvolvimento sustentável” em 28 ONU. Organização das Nações Unidas. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente. Nosso futuro comum. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1991. p. 1. 29 ONU. Organização das Nações Unidas. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente. Nosso futuro comum. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1991. p. 9. 23 escala planetária”30. A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - UNCED, que teve lugar no Rio de Janeiro em junho de 1992, foi um evento marcante que reuniu o maior número de chefes de Estado e Chefes de Estado-Governo do que qualquer outra reunião na história das relações internacionais, juntamente com diplomatas e funcionários do governo de todo o mundo, delegados de agências das Nações Unidas, funcionários de organizações internacionais, e muitos milhares de organização não-governamental (ONG) representantes e jornalistas. A UNCED deixou claro que não podemos mais pensar em meio ambiente, economia e desenvolvimento social como campos isolados. Além de importantes tratados e acordos internacionais celebrados na Cimeira da Terra sobre as questões da mudança climática global, a diversidade biológica, desmatamento e a desertificação, a Declaração do Rio contém princípios fundamentais em que as nações podem basear suas decisões e políticas futuras, considerando as implicações ambientais de desenvolvimento socio-econômico.31 A Cúpula da Terra do Rio de Janeiro produziu um documento chamado “Agenda 21”, esse documento é um programa de ações recomendado para todos os países nas suas diversas instâncias e setores para colocarem em prática as grandes diretrizes, determinadas aos governos de todo planeta, inclusive o Brasil. Contudo, dez anos após a Rio 92, o plano de ação global necessitava da adoção de medidas que efetivassem as metas estabelecidas na Agenda 21, para que, posta em ação, implementasse as propostas lá lançadas. Com o objetivo de analisar os resultados alcançados e indicar o caminho a ser seguido para implementação dos compromissos assumidos até então, o tema sustentabilidade, exigiu um novo encontro que possibilitasse novos acordos. Com o objetivo de alcançar esse desiderato, as Nações Unidas decidiram 30 BURSZTYN, Maria Augusta; BURSZTYN, Marcel. Fundamentos de política e gestão ambiental: caminhos para a sustentabilidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2012. p. 102. 31 UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura. Cúpula da Terra. Disponível em: < http://www.unesco.org/education/nfsunesco/pdf/RIO_E.PDF> Acesso em: 26 dez. 2014. 24 realizar, em 2002, na África do Sul, uma Conferência para marcar os dez anos da Rio-92. Denominada Rio + 10, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável reuniu, em Johanesburgo, mais de 100 Chefes de Estado, reafirmando metas relativas à erradicação da pobreza, à promoção da saúde, à expansão dos serviços de água e saneamento, à defesa da biodiversidade e à destinação de resíduos tóxicos e não-tóxicos; incluindo uma agenda de debates para que todos os atores sociais somem esforços na promoção do desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, onde o avanço econômico, a proteção ambiental e o progresso social estavam em discussão, surge então, segundo Bodnar32 Um conceito integral de sustentabilidade [...] surge [...], na Rio+10, realizada em Jonesburgo, quando restou consagrada, além da dimensão global, as perspectivas ecológica, social e econômica, como qualificadoras de qualquer projeto de desenvolvimento, bem como a certeza de que sem justiça social não é possível alcançar um meio ambiente sadio e equilibrado na sua perspectiva ampla. Dessa forma, só a partir de 2002 é que passa a ser adequado utilizar a expressão ‘sustentabilidade’, ao invés de desenvolvimento com o qualificativo ‘sustentável’. Isso porque a partir deste ano consolida-se a ideia de que nenhum dos elementos (ecológico, social e econômico) deve ser hierarquicamente superior ou compreendido como variável de segunda categoria. Todos são complementares, dependentes e só quando implementados sinergicamente é que poderão garantir um futuro mais promissor. Así, desde Johannesburgo se habla de sostenibilidad, en su triple dimensión, económica, social y ambiental, como equivalente al Desarrollo Sostenible. El desarrollo, pues, por muy adjetivado que sea, sigue siendo el paradigma que se propone33, destaca Ferrer34. 32 BODNAR, Zenildo. A sustentabilidade por meio do direito e da jurisdição. Disponível em: <http://www.cesumar.br/pesquisa/periodicos/index.php/revjuridica/article/viewFile/1885/1262> Acesso em 25 ago. 2013. 33 Assim desde Joanesburgo se fala sobre sustentabilidade nas suas três dimensões, econômicos, sociais e ambientais, como equivalente ao Desenvolvimento Sustentável. O desenvolvimento por mais qualificado que seja, continua a ser o paradigma proposto. 34 FERRER, Gabriel Real. Sostenibilidad, Transnacionalidad y Trasformaciones del Derecho. In: Maria SOUZA, Cláudia da Silva Antunes de; GARCIA, Denise Schmitt Siqueira; RONCONI, Diego Richard. (org.). Direito ambiental, transnacionalidade e sustentabilidade. Itajaí: UNIVALI, 2013. Disponível em: <http://www.univali.br/ppcj/ebook> Acesso em 15 nov. 2014. Assim, 25 Desde el punto de vista de la teoría económica, el desarrollo vino a substituir al periclitado paradigma del crecimiento, añadiéndole la consideración por las condiciones de vida, la dimensión de progreso social. Lo que conceptualmente supone el Desarrollo Sostenible no es otra cosa que añadir a la noción de desarrollo el adjetivo de sostenible, es decir que se trata de desarrollarse de un modo que sea compatible con el mantenimiento de la capacidad de los sistemas naturales de soportar la existencia humana. Dando un paso adelante e imbuidos por la adopción de los Objetivos del Milenio (OM) como guía de acción de la humanidad, bajo el paraguas del Desarrollo Sostenible se han llevado a las Cumbres tanto cuestiones de contenido económico como social.35 Apesar desse conjunto sucessivo de encontros, ainda havia a necessidade de renovar os compromissos assumidos pelos governantes, em prol da humanidade. Foi então que, reunidos no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de junho de 2012, com a plena participação da sociedade civil, Chefes de Estado e de Governo, e representantes de alto nível, renovaram o compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a promoção de um futuro econômico, social e ambientalmente sustentável para o planeta Terra. Na Conferência Rio+20 assumiram compromissos importantes, para as atuais e futuras gerações, no documento intitulado o “Futuro que Queremos”, reafirmando, nos planos de ação, a Implementação da Agenda 21, o Plano de Implementação da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Plano de Johanesburgo) e a intenção de atingir o desenvolvimento sustentável em todas as dimensões da sustentabilidade. 3. Afirmamos, portanto, a necessidade de uma melhor integração dos aspectos econômicos, sociais e ambientais do desenvolvimento sustentável em todos os níveis, e reconhecemos as relações existentes entre esses diversos aspectos para se alcançar o desenvolvimento sustentável em todas as suas dimensões.36 35 Do ponto de vista da teoria econômica, desenvolvimento Stale veio para substituir o paradigma de crescimento, acrescentando que a consideração pela vida, a dimensão do progresso social. O que conceitualmente suposto Desenvolvimento Sustentável há nada a acrescentar à noção de desenvolvimento do adjetivo sustentável, ou seja, que é desenvolvido em uma maneira que seja compatível com a manutenção da capacidade dos sistemas naturais para apoiar a existência humano. Um passo à frente e imbuído pela adopção da Acção Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (OM) para guiar a humanidade, sob a égide do desenvolvimento sustentável foram realizadas questões Summit ambos conteúdo econômico e social. 36 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. O Futuro que queremos. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/processos/61AA3835/O-Futuro-que-queremos1.pdf> Acesso em 20 dez. 2014. 26 Nas palavras de Bodnar37, do posicionamento de Ferrer38 a sustentabilidade foi inicialmente construída a partir de uma tríplice dimensão: ambiental, social e econômica e adiciona a elas a dimensão tecnológica. Na atual sociedade do conhecimento é imprescindível que também seja adicionada a dimensão tecnológica, pois é a inteligência humana individual e coletiva acumulada e multiplicada que poderá garantir um futuro mais sustentável. Na perspectiva jurídica todas estas dimensões apresentam identificação com a base de vários direitos humanos e fundamentais (meio ambiente, desenvolvimento, direitos prestacionais sociais, dentre outros), cada qual com as suas peculiaridades e riscos. Ignacy Sachs, um dos consultores do grupo que assessorou o secretáriogeral da Conferência das Nações Unidas de Estocolomo em 1972, e do mesmo modo em 1992 na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento diz que todo o planejamento de desenvolvimento precisa levar em conta, simultaneamente, cinco dimensões de sustentabilidade: social, econômica, ecológica, espacial e cultural, todavia, mais tarde acrescenta a estas a dimensão política nacional e internacional. Sobre as dimensões Sachs39 ao enumerá-las discorre: - a sustentabilidade social vem na frente, por se destacar como a própria finalidade do desenvolvimento, sem contar com a probabilidade de que um colapso social ocorra antes da catástrofe ambiental; - um corolário: a sustentabilidade cultural; - a sustentabilidade do meio ambiente vem em decorrência; - outro corolário: distribuição territorial equilibrada de assentamento humanos e atividades; - a sustentabilidade econômica aparece como necessidade, mas em hipótese alguma é condição prévia para as anteriores, uma vez que um transtorno econômico traz consigo o transtorno social, que, por seu lado, obstrui a sustentabilidade ambiental; - o mesmo pode ser dito quanto à falta de governabilidade política, e por esta razão é soberana a importância da 37 BODNAR, Zenildo. A sustentabilidade por meio do direito e da jurisdição. Disponível em: <http://www.cesumar.br/pesquisa/periodicos/index.php/revjuridica/article/viewFile/1885/1262> Acesso em 25 ago. 2013. 38 FERRER, Gabriel Real. La construcción del derecho ambiental. Disponível em <http://siaiweb06.univali.br/seer/index.php/nej/article/view/5128/2688> Acesso em 26 ago. 2013. 39 SACHS, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável: ideias sustentáveis. Rio de Janeiro: Garamond, 2009. p. 71-72. 27 sustentabilidade política na pilotagem do processo de reconciliação do desenvolvimento com a conservação da biodiversidade; novamente um corolário se introduz: a sustentabilidade do sistema internacional para manter a paz [...]. Ferrer40 por sua vez sustenta que sustentabilidade representa [...] una noción positiva y altamente proactiva que suponela introducción de los cambios necesarios para que la sociedade planetaria, constituida por la Humanidad, se a capaz de perpetuarse indefinidamente em el tiempo. Dehecho, podríamos decir que la sostenibilidad no es más que la matérialización del instinto de supervivencia social, sin prejuzgar, por supuesto, si debe o no haber desarrollo (crecimiento), ni donde sí o donde no.41 E por isso, há várias dimensões da sustentabilidade, e uma delas é a ambiental, a qual colocou os problemas globais para o Direito, todavia, propor a sustentabilidade é levar isso para a dimensão social, econômica e tecnológica, ou seja, no âmbito social, temos de criar uma nova arquitetura para assegurar os direitos fundamentais para todos em todos os lugares. O fato de ter outra nacionalidade não tem de impedir o exercício dos direitos fundamentais, entre eles, a saúde e o ensino, por exemplo. Nos aspectos econômicos temos de achar um novo modelo de distribuir a riqueza, porque o sistema atual é extremamente injusto e tem gerado uma concentração da riqueza. No que se refere aos aspectos tecnológicos, por exemplo, isso é altamente interessante, porque a nossa sociedade é tecnológica. Nesse âmbito, por uma parte temos de aprender a compartilhar as tecnologias que podem ajudar a humanidade e, por outra, prevenir as tecnocatástrofes, como, por exemplo, uma queda temporária, por dias ou semanas, de internet, cujas consequências seriam imprevisíveis.42 40 FERRER, Gabriel Real. Sostenibilidad, transnacionalidad y trasformaciones del Derecho. Disponível em: <http://xa.yimg.com/kq/groups/18206209/1421855917/name/Sostenibilidad,+trans nacionalidad+y+transformaciones+del+derecho.doc> Acesso em 25 ago. 2013. 41 [... ] A noção positiva e altamente pró-ativa supõe que fazer as mudanças necessárias para que a sociedade planetária , que consiste da Humanidade , é ser capaz de continuar indefinidamente em tempo. Poderia dizer que a sustentabilidade é simplesmente a realização do instinto de sobrevivência sociais, sem prejuízo, naturalmente, se deve ou não ter o desenvolvimento (crescimento ), ou quando sim ou não onde. 42 FERRER, Gabriel Real. Soberania, governança global e ecossistema compartilhado em debate. Entrevista especial com Gabriel Ferrer: por Patrícia Fachin. Unissinos. Disponível em <http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/529649-a-discussao-de-e-meu-ou-e-meu-faz-parte-do- 28 Freitas43 amplia o leque das dimensões da sustentabilidade, sustentando que sua natureza é multidimensional e sem caráter exaustivo há pelo menos cinco dimensões da sustentabilidade, ou seja, social, ética, jurídico-política, econômica e ambiental, inserindo “sustentabilidade” como princípio constitucional, onde elementos essenciais estão implantados, senão vejamos: [...] trata-se do princípio constitucional que determina, com eficácia direta e imediata, a responsabilidade do Estado e da sociedade pela concretização solidária do desenvolvimento material e imaterial, socialmente inclusivo, durável e equânime, ambiente limpo, inovador, ético e eficiente, no intuito de assegurar, preferencialmente de modo preventivo e precavido, no presente e no futuro, o direito ao bemestar. A ideia, portanto, abrange diversas dimensões do desenvolvimento, levando a dois conceitos dados por Bursztyn e Bursztyn44, a sustentabilidade forte que “tem como fundamento a constatação científica de que qualquer ação humana se dá no âmbito dos limites do Planeta, ou da biosfera, onde a humanidade habita. Isso inclui a vida social em geral e as atividades econômicas em particular” ou ainda a sustentabilidade fraca que “se refere ao equilíbrio entre as esferas, econômicas, social e ecológica”, que implica na “possibilidade de compatibilizar a dinâmica das atividades econômicas com a justiça social e o respeito às condições do mundo natural, de modo a que estas se mantenham no longo prazo”. Consiste desse modo, em assegurar para as presentes e futuras gerações, condições propícias ao bem-estar físico e psíquico, material e imaterial, sem empobrecer e inviabilizar o bem-estar no amanhã, próprio e alheio45, ou ainda em uma definição integradora dada por Boff46 sustentabilidade, passado-entrevista-especial-com-gabriel-ferrer> Acesso em 10 jan. 2014. 43 FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: direito ao futuro. 2. ed. Belo Horizonte: Fórum, 2012. p. 41. 44 BURSZTYN, Maria Augusta; BURSZTYN, Marcel. Fundamentos de política e gestão ambiental: caminhos para a sustentabilidade. p. 47. 45 FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: direito ao futuro. p. 15; 42. 46 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é – o que não é. p. 32. 29 [...] é toda ação destinada a manter as condições energéticas, informacionais, físico-químicas que sustentam todos os seres, especialmente a Terra viva, a comunidade de vida e a vida humana, visando sua continuidade e ainda atender as necessidades da geração presente e das futuras, de tal forma que o capital natural seja mantido e enriquecido em sua capacidade de regeneração, reprodução e coevolução. A partir do contexto histórico da sustentabilidade, criado ao longo dos anos, tendo por base as propostas realizadas, nos diversos encontros, e apesar da maleabilidade da palavra, tem sentido complexo, importando em um novo e recente conceito, porquanto se trata de um paradigma, que deverá ser implantado pelo homem, em todas suas dimensões e harmonizadas, para garantir um desenvolvimento sustentável. Mas como viabilizar essas propostas, diante do crescimento ilimitado, contraposto aos anseios de Estocolmo e à agenda 21, do Futuro que queremos, onde a sociedade não tem consciência do futuro que nos aguarda, cultiva ainda culturas de consumo insustentável, modos de viver incompatíveis com as preocupações dos cientistas sociais. A resposta está na conscientização para a sustentabilidade, que reclama, portanto, um amadurecimento da sociedade, um novo paradigma que modifique cultura, crenças e valores atuais, para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável, demandando uma “interação sinérgica entre os aspectos sociais, ecológicos e econômicos do desenvolvimento”47, ou seja, nos pilares em que a sustentabilidade se apoia. E isso por que “alcançar sustentabilidade pressupõe e exige a transformação do mundo”48, a transformação de cada de um de nós, uma reforma íntima numa árdua jornada. “Em qualquer caso, esta é uma prova, na batalha para garantir o futuro do planeta, haverá vencedores e perdedores. Ou todos ganham, ou 47 BODNAR, Zenildo. A sustentabilidade por meio do direito e da jurisdição. Disponível em: <http://www.cesumar.br/pesquisa/periodicos/index.php/revjuridica/article/viewFile/1885/1262> Acesso em 25 ago. 2013. 48 FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: direito ao futuro. p. 40. 30 todos nós perdemos”.49 As dimensões da sustentabilidade, juntas compõem um princípio constitucional, abordado por Freitas50, e, para que haja um desenvolvimento sustentável, devem ser entrelaçadas e assim consolidadas. Portanto, para a abordagem dessas dimensões tomo como base aquelas elaboradas e construídas ao longo dos encontros organizados pela Organização das Nações Unidas - ONU, ou seja, ambiental, social e econômica. 1.1.1 Dimensões da sustentabilidade As dimensões da sustentabilidade abrigam vários conceitos e teses, onde cada um de seus interlocutores defendem, como a sociedade deva proceder para alcançar esse fim, tendo em vista os alertas dos cientistas sociais, que por meio de teorias, demonstram a preocupação na preservação da vida, diante da degradação e a expectativa de finitude dos recursos naturais do planeta e em consequência a extinção da espécie humana. As grandes modificações dos ciclos da biosfera, provocada pela industrialização e a tecnologia utilizada pelo emprego dos recursos naturais, gerando grande degradação desses recursos, exerceram grande influência no modelo de desenvolvimento econômico, cultural e social da atualidade, resultando em problemas ambientais catastróficos em todo planeta, podendo comprometer as presentes e futuras gerações. Esse discurso iniciado no encontro das Nações Unidas em Jonesburgo busca a preservação da espécie humana e não somente as noções de manutenção do planeta, pois “certo é que a degradação ambiental pode, no limite, inviabilizar a 49 50 FERRER, Gabriel Real. Soberania, governança global e ecossistema compartilhado em debate. Entrevista especial com Gabriel Ferrer: por Patrícia Fachin. Unissinos. Disponível em <http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/529649-a-discussao-de-e-meu-ou-e-meu-faz-parte-dopassado-entrevista-especial-com-gabriel-ferrer> Acesso em 10 jan. 2014. FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: direito ao futuro. p. 41. 31 vida humana”51. Frente à perspectiva de um colapso planetário, nos cabe uma reflexão sobre as propostas que em grande parte, estão fragmentadas em elementos isolados na problemática, e iniciar uma compreensão “que o todo é maior do que suas partes; que a mudança em um dos elementos significa mudança nos demais”52. E há bons motivos para colocar em prática algumas das ideias de solução de problemas, para impedir que os ecossistemas do planeta se desequilibrem mais ainda. Nosso planeta possui recursos limitados, disso já sabemos, mas ainda estamos de braços cruzados persistindo na “matriz comportamental da degradação e do poder neurótico sobre a natureza”, fazendo milhões de vítimas pelo caminho. Vivemos em uma sociedade de privilegiados explorando os recursos naturais, extraindo e utilizando-os em proporções abusivas. Não obstante, Boff53 é categórico, quando menciona que cientistas, nos “tem dado alertas dramáticos sobre o que poderemos esperar caso não fizermos uma travessia bem-sucedida para o outro paradigma de habitar o planeta”, conforme prevê James Lovelock, por exemplo, autor da Teoria de Gaia, que “prevê para o final do século o desaparecimento de grande parte da humanidade”54. E nesse cenário tão delicado deveríamos atuar com diligência, buscando caminhos e iniciativas que levem à verdadeira sustentabilidade. Paul e Anne Ehrlich55 fazem uma comparação bem interessante, muito parecida com a parábola do filho pródigo. Imaginemos que dois irmãos jovens herdam uma grande fortuna de seu pai. O primogênito, investe seu capital em uma sólida empresa, que lhe dá bons dividendos, rendendo periodicamente bons lucros. 51 52 FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: direito ao futuro. p. 64. MEADOWS, Donella H; MEADOWS, Dennis L.; RANDERS, Jørgen; BEHRENS III, William W. Limites do crescimento. p.11. 53 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é – o que não é. p. 42. 54 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é – o que não é. p. 43. 55 EHRLICH, Paul R.; EHRLICH, Ane H. La explosion demográfica: el principal problema ecológico. p. 15-16. 32 Os dividendos e os interesses deste capital investido, proporcionam a esse jovem uma renda que lhe permitirá viver folgadamente o resto da vida. Consciente dos anos de esforço e trabalho empregados por seu pai e seus antepassados, para acumular a fortuna, também aplica sabiamente seu capital para que possa passar a seus filhos e dos descendentes desses. Continuando, suponhamos que seu irmão menor, ao contrário, prefere desfrutar o momento presente em vez de planejar o futuro. Também investiu seu dinheiro, mas sem esforçar-se em proteger e aumentar seu patrimônio. Ele desperdiçou sua renda e teve que mergulhar em seu capital para manter seu alto estilo de vida. Como se isso não bastasse, ele perdeu parte do capital devido a maus investimentos. A diminuição da sua fortuna, também diminuiu suas rendas, e teve que usar o capital para manter a si e sua família. Por ter desperdiçado toda a sua fortuna, não resta dinheiro para sobreviver ou para deixar aos seus filhos, aos quais, por sua vez, sobrou a obrigação de apoiar seu pai.56 Assim é o homo sapiens, igual aos jovens da história, que herdaram uma fortuna incalculável: o planeta Terra e suas riquezas. Consistente em milhões de organismos, com os quais compartilhamos a existência no planeta, desde plantas, animais e micróbios que desempenham papel decisivo na hora de proporcionar um meio ambiente habitável. Esse meio ambiente compreende coisas tão essenciais, como clima favorável, ar respirável e terra fértil, que foi criado ao longo de milhões de anos, em parte como consequência da evolução de diversas formas de vida da Terra. A Terra conserva em si os traços evidentes da sua formação, explicados pela geologia, em suas diversas teorias controvertidas; mas sob esse ponto de vista, “puede decirse que la edad del planeta tierra gira entre los 4,500 y los 5,000 millones de años”, diz Yurrita57. 56 EHRLICH, Paul R.; EHRLICH, Ane H. La explosion demográfica: el principal problema ecológico. p. 15-16. 57 YURRITA, Pedro Joaquim Gutièrrez. Efectos del cambio climático global sobre la biodiversidad. Derecho ambiental e ecologia. Disponível em: < http://participacionsocial.sre.gob.mx/docs/ 33 Le llamamos planeta tierra desde que se han consolidado los gases que deambulaban alrededor de un núcleo, localizado en la nebulosa que formó al sistema solar. La dinámica seguida por esta masa gaseosa que culminó en el planeta que habitamos ha sido tan intensa y variable que por eso se dice que “la tierra tiene vida propia”, y no únicamente por nosotros, los seres vivos que posteriormente la poblamos, sino por todos los procesos físicos y geoquímicos que la hacen ser tan peculiar y cambiante. Assim, durante os primeiros milhões de anos de sua existência, o homem era igual aos outros animais, obtinha seus recursos, a partir do ar para respirar e água para beber, quase exclusivamente de outros organismos vivos que consumia e utilizava como combustível, e ainda para fazer ferramentas simples, roupas e abrigo. Certo é que naquele tempo o homem vivia como o filho maior da história, ou seja, vivia das rendas de seu patrimônio. Todavia, com a chegada da industrialização e o uso do carvão, seguido do petróleo e o gás natural como combustível, essa perspectiva mudou. É de se notar que a partir da revolução industrial, que culminou na ideia de progresso ilimitado, o homem alçou melhores condições de vida, adquirindo outras necessidades. Passou a explorar todos os recursos renováveis a ponto de transforma-los em não renováveis, dilapidando seu patrimônio, sem pensar nas futuras gerações, a exemplo do filho mais novo, da história relatada há pouco. No entanto, no atual momento, “tudo leva a crer que ele esgotou suas virtualidades e passou a ser dilacerador dos laços sociais e destrutivo das bases que sustentam a vida”58, inclusive a sua. 1.1.1.1 Dimensão ambiental da sustentabilidade Sustentabilidade ambiental, então, abrange medidas que levem à preservação dos recursos naturais para as atuais e futuras gerações, ponderando e avaliando as tensões causadas pelo homem no mundo natural. incidencia_social_ambito_regional_multilateral/agenda_internacional/agenda_y_temas_internacion ales/cambio_climatico/propuestas/cambio_climatico_yurrita.pdf> Acesso em 27 dez. 2014. 58 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é – o que não é. p. 75. 34 Toda ação do homem, em busca do crescimento econômico, qualquer atividade produtiva ou de transformação, como explicam Bursztyn e Bursztyn59, provoca algum impacto negativo sobre o meio ambiente. “Nesse sentido, um olhar mais rigoroso leva à conclusão de que a busca do bem-estar humano, mesmo que de forma frugal, é antagônica (ou pelo menos ameaçadora) à própria ideia de sustentabilidade”. Com efeito, embora difícil mensurar a sustentabilidade ambiental, ainda é a dimensão que causa divergências menores na doutrina, pois é pacífico que a sustentabilidade ambiental refere-se a um equilíbrio e manutenção dos ecossistemas, conservação e manutenção da herança genética das espécies, que garante a resiliência60 aos impactos externos. No entendimento de Faladori61: [...] la sustentabilidad ecológica incluye también el mantenimiento de los recursos naturales abióticos y lo que se denomina integridad climática, que no es otra cosa que un clima con la menor interferencia humana posible. En su conjunto, la sustentabilidad ecológica corresponde al concepto de conservación de la naturaleza, en el sentido de naturaliza externa al ser humano. El criterio para medir la sustentabilidade ecológica, aunque eso sea técnicamente imposible, está dado por el concepto de integridad, o naturaleza sin modificaciones hechas por el ser humano. Así, cuanto más cerca se está de la naturaleza intocada o prístina, más ecologicamente sustentable es; cuanto más humanamente modificada esté la naturaleza, menor sustentabilidad ecológica habrá. Al final, a pesar de las diferentes posiciones, la medida es siempre la naturaliza no humana y, por lo tanto, la posición de los preservacionistas que defienden la menor transformación de la naturaleza se constituye en la brújula que orienta.62 59 BURSZTYN, Maria Augusta; BURSZTYN, Marcel. Fundamentos de política e gestão ambiental: caminhos para a sustentabilidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2012, p. 49. 60 Resiliência neste contexto é definido por Veiga como a capacidade de um ecossistema absorver tensões ambientais se, perceptivelmente, mudar seu estado ecológico para um estado diferente. Conceito oriundo da física: propriedade de alguns materiais de, quando exigidos ou submetidos a estresse, acumular energia sem que ocorra ruptura. Atualmente o termo também é muito utilizado para caracterizar pessoas que são capazes de lidar com problemas sob pressão ou estresse. VEIGA, José Eli da. Sustentabilidade. 2. ed. São Paulo: Senac, 2010. p. 11. 61 FALADORI, G.: Avances y límites de la sustentabilidad social. Economía, Sociedad y Territorio, vol. III, núm. 12, julio-dici, 2002, El Colegio Mexiquense, A.C., México. Disponível em: < http://www.redalyc.org/pdf/111/11112307.pdf> Acesso em 26 dez. 2014. 62 [...] A sustentabilidade ecológica também inclui a manutenção dos recursos naturais abióticos e que é chamado de integridade do clima, que nada mais é que um clima com a menor interferência 35 E tudo isso, depende exclusivamente da atividade humana no planeta Terra. Notadamente, a última parte do quinto relatório do Painel Internacional de Mudanças Climáticas - IPCC, órgão da ONU, reafirmou, com dramaticidade, quão severas são as consequências para o planeta dos excessos do comportamento humano. E a culpa é nossa, assevera Beer63 quando comenta sobre os pontos fundamentais do estudo que concluem: Primeiro: os milhares de dados que relacionam ações do homem às mudanças climáticas tornam inegável nossa culpa no descompasso do planeta. O IPCC afirma que a probabilidade de essa informação estar correta é de 95%. Segundo: apesar da saudável e sensata cultura de sustentabilidade que se espalhou na sociedade, tanto na iniciativa privada quanto na pública, continuamos a aumentar o ritmo de emissão de dióxido de carbono (o CO2), o grande vilão da história, a uma taxa alarmante. Terceiro: é preciso cortar entre 40% e 70% das emissões globais até 2050, e em 100% até 2100, para assegurar um futuro suportável. Disse o climatologista indiano Rajendra Pachauri, presidente do IPCC: "Para evitar o caos, sabemos que temos de mudar de forma drástica. Há pouco tempo pela frente antes que não tenhamos mais a oportunidade de permanecer abaixo dos 2 graus de aquecimento". Mesmo nesse cenário de menos de 2 graus, a esperança de Pachauri (e de todos os que prezam pela saúde do planeta) para o amanhã, haverá consequências [...]. Felizmente, os estragos são mitigáveis. Se continuarmos a emitir CO2 na quantidade atual, estima-se que a temperatura global se eleve em 4,8 graus até o fim do século. Isso faria diminuir a produção agrícola mundial a ponto de a fome se espalhar (o cultivo de soja na região amazônica, por exemplo, teria uma queda de 44% da produção até 2050, e seria impossível plantar café no sudeste do país até o fim do século). A partir daí, podemos prever que será o início do fim. O ritmo acelerado de extinção de espécies de animais e vegetais assumiria contornos irreversíveis em todos os níveis, a água potável de qualidade se tornaria escassa e em locais onde haveria tempestades, as enchentes se multiplicariam, soando previsões apocalípticas se não houver freio na utilização de combustíveis fósseis, do qual a humana. Juntos, a sustentabilidade ecológica corresponde ao conceito da conservação da natureza no sentido de seres humanos externos naturalizados. Os critérios para medir a sustentabilidade ecológica, embora isso seja tecnicamente possível, é dada pelo conceito de integridade, ou modificações feitas pela natureza sem seres humanos. Assim, quanto mais próximo estiver da natureza intocada e pura, é mais ambientalmente sustentável; a natureza mais humano é alterado, haverá menos sustentabilidade ambiental. No final, apesar das diferentes posições, a medida não é sempre o humano naturalizada e, portanto, a posição dos preservacionistas que defendem inferior transformação da natureza torna-se a bússola que orienta. 63 BEER, Raquel. A culpa é nossa. Planeta Sustentável. Disponível em <http://planeta sustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/a-culpa-e-nossa-818804.shtml> Acesso em 26 dez. 2014. 36 nossa sociedade é dependente e buscar alternativas de energia.64 O autor da pesquisa, o climatologista peruano José Marengo, do IPCC, adverte que "Mesmo se as emissões de CO2 cessassem hoje, sofreríamos", se a sociedade não criar alternativas, O Ártico deve ver sumir espécies endêmicas da região, um dos atalhos para a mudança definitiva do ecossistema. Áreas da Amazônia devem se transformar em savanas similares às africanas. A acidificação dos oceanos já destrói recifes, que podem desaparecer quase que por completo. E esse é o cenário ameno, ao qual só chegaremos com o corte total de emissões de gases de efeito estufa ainda neste século.65 Mas apesar da previsão catastrófica e alarmante o relatório dá boas notícias: um modo para atingir a meta. “É necessária uma mudança de cultura e de comportamento de governos, e também de indivíduos”. Com base na narrativa de Beer, para o alcance da sustentabilidade ambiental, o homem deve fazer essa mudança comportamental, iniciando a compreensão e o respeito das dinâmicas do meio ambiente, entendendo que o ser humano é apenas uma das partes deste ambiente e depende do meio que o cerca66 e assim, deve buscar alternativas de modo a diminuir o impacto que causa no ambiente. Algumas ações, elaboradas pelos cientistas sociais e abordadas por Mendes67 são de extrema importância para conseguir a sustentabilidade ambiental e 64 BEER, Raquel. A culpa é nossa. Planeta Sustentável. Disponível em <http://planeta sustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/a-culpa-e-nossa-818804.shtml> Acesso em 26 dez. 2014. 65 BEER, Raquel. A culpa é nossa. Planeta Sustentável. Disponível em <http://planeta sustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/a-culpa-e-nossa-818804.shtml> Acesso em 26 dez. 2014. 66 MENDES, Jefferson Marcel Gross. Dimensões da sustentabilidade. <http://www.santacruz. br/v4/download/revista-academica/13/cap5.pdf> Disponível e6 dez. 2014. 67 MENDES, Jefferson Marcel Gross. Dimensões da sustentabilidade. <http://www.santacruz. br/v4/download/revista-academica/13/cap5.pdf> Disponível e6 dez. 2014. 37 deveriam ser colocadas em práticas pelos governantes e pela sociedade em geral, senão vejamos: Intensificação do uso dos recursos potenciais dos vários ecossistemas, com um mínimo de dano aos sistemas de sustentação da vida; limitação do consumo de combustíveis fósseis e de outros recursos e produtos facilmente esgotáveis ou ambientalmente prejudiciais, substituindo-os por recursos ou produtos renováveis e/ou abundantes e ambientalmente inofensivos; redução do volume de resíduos e de poluição, por meio da conservação e reciclagem de energia e recursos; autolimitação do consumo material pelos países ricos e pelas camadas sociais privilegiadas em todo o mundo; intensificação da pesquisa de tecnologias limpas, com eficiente utilização dos recursos para promoção do desenvolvimento urbano, rural e industrial; definição de regras para proteção ambiental, concepção da máquina institucional, bem como escolha do conjunto de instrumentos econômicos, legais e administrativos necessários para assegurar o cumprimento destas regras estabelecidas. Algumas ações são implantadas em diversos lugares do planeta, como por exemplo, na cidade de São Paulo com a crise hídrica, anunciou em 21.01.2015, um Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, o segundo bioma mais rico em biodiversidade do planeta. Mesmo o muito que se tem feito nesse sentido, em cada canto do planeta, não é suficiente, porque ainda a maioria “permanece esquecido de sua condição de ser eminentemente natural”68 e integrante do grande ecossistema, planeta Terra. Nesse contexto, a dimensão ambiental da sustentabilidade, reclama conscientização da sociedade, para que haja atitudes em prol de um ambiente limpo, saudável e habitável. Nessa questão, Veiga adverte de forma crítica, que “há sérios obstáculos cognitivos a serem ultrapassados, e esses dependem, no mínimo de alfabetização em ciências naturais”. Conforme relata, a humanidade não tem conhecimento científico quando fala “salvar o planeta”, e equivocadamente, tem a ideia de que pode evitar o fim da Terra. Portanto, deve-se distinguir a biosfera, conjunto de todos os ecossistemas da Terra e a ideia de evitar o fim desta “densa massa de rocha fundida e de metal”, mesmo porque o “planeta poderá ter o mesmo destino de planetas similares que já viraram pó” e certamente vai desaparecer. 68 FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: direito ao futuro. p. 65. 38 O que realmente está na berlinda não é a salvação do planeta, ou da biosfera, mas o encurtamento do prazo de validade da espécie humana. [...] É a possibilidade de a espécie humana evitar que seja acelerado o processo de sua própria extinção. Essencialmente pela depleção de boa parte dos ecossistemas que constituem a biofesra. [...] A artificialização, que tanto fez progredir a humanidade, ameaça seus próprios alicerces vitais, como um parasita que põe em risco a sobrevivência de seu hospedeiro. Na concepção de Miranda69 é preciso perguntar, antes de qualquer coisa, “O que seria de nós sem a fotossíntese? O que seria de nós sem algas e plantinhas verdes?”. As algas garantem nosso oxigênio nos pulmões do planeta que são os oceanos. Os vegetais são os únicos seres vivos capazes de transformar e armazenar parte da energia solar em produtos complexos. Esses compostos (açúcar, proteínas, celulose, gorduras etc.) estocam energia e servem de matéria prima às diversas formas de vida. Pelas leis da termodinâmica, a energia se degrada. Em todo o processo de trabalho, a energia vai se transformando e sendo perdida sob a forma de calor. É o princípio da entropia. [...] Tudo termina em calor e resíduos. A atividade humana tem balanço energético negativo. E ainda, lembrar que a principal fonte de energia da agricultura é o sol, e, quanto mais um sistema ou modo de vida está construído sobre o verde e a fotossíntese, mais ele é renovável e sustentável, até que se apague o sol. A necessidade de conscientização do homem, situando-o no centro da questão sustentabilidade ambiental é de fundamental importância, posto que ele pode tanto evitar sua extinção, como evita-la, por meio de escolhas que visem alcançar a sustentabilidade, conforme afirma Freitas que “a sustentabilidade, bem concebida, é prova robusta do florescimento da consciência, entendida como condição processual do ser que, por meio da mente e dos sentidos, reconhece a si próprio, na natureza, tanto pelo autoconhecimento como pelo heteroconhecimento”. Esse é o paradigma que o homem deve adotar, mudando o pensamento e os rumos de seu destino, se colocando como principal e único responsável por sua 69 MIRANDA, Evaristo E. de. A sustentabilidade é verde. Disponível em: <http://planetasustentavel. abril.com.br/noticia/sustentabilidade/conteudo_232325.shtml> Acesso em 27 dez. 2014. 39 existência. 1.1.1.2 Dimensão social da sustentabilidade Das reuniões ocorridas em Estocolmo – 1972 e Rio – 1992, nasce a noção de que o desenvolvimento tem, além do aspecto ambiental, uma dimensão social, dispondo, respectivamente que “O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente que o cerca, o qual lhe dá sustento material e lhe oferece oportunidade para desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente” e “Os seres humanos estão no centro das preocupações com o desenvolvimento sustentável. Eles têm direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza”. As preocupações com a natureza devem, a partir daí, considerar o ser humano como o cerne da questão ambiental, incorporando à sustentabilidade ambiental a sustentabilidade social e também uma sustentabilidade econômica, que de forma holística, interagem e se completam. Destarte, o conceito de sustentabilidade social passa por duas fases descritas por Faladori70, sendo que a primeira fase, chamada de círculo vicioso esteve presente na Conferência da ONU de Estocolmo em 1972, também no relatório Brundtland (1987), no Relatório sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente do Banco Mundial, de 1992, e no Relatório sobre Pobreza e Meio Ambiente do PNUD de 1995, onde a sustentabilidade social inicialmente está contida na “ideia de que a pobreza é provocadora de agressões ambientais e, por isso, a sustentabilidade deve contemplar a equidade social e a qualidade de vida dessa geração e das próximas”71. 70 FALADORI, Guilherme. Avanços e limites da sustentabilidade social. R. paran. Desenv, Curitiba, n. 102, p. 103-113, jan./jun. 2002. Disponível em < http://www.ipardes.pr.gov.br/ojs/index.php/revista paranaense/article/viewFile/214/176> Acesso em 20 nov. 2014. 71 NASCIMENTO, Elimar Pinheiro. Trajetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, do social ao econômico. Estudos Avançados. vol.26, n.74, São Paulo, 2012. Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php? pid=S0103-40142012000100005&script=sci_arttext> Acesso em 20 nov. 2014. 40 [...] onde os pobres são tanto agentes quanto vítimas da degradação ambiental. São agentes porque a falta de capital faz com que utilizem mais intensivamente os recursos naturais e, consequentemente, os depredem. Nessa situação, não têm condições de “pensar no futuro”, devem pensar na sobrevivência cotidiana. Assim, ficam progressivamente com menores recursos naturais para sobreviver. São vítimas porque a escassez de dinheiro os obriga a migrar para áreas degradadas, mais baratas, e a compensar a falta de capital com mais filhos que, por sua vez, pressionam sobre os mesmos recursos naturais. A alternativa para romper o círculo vicioso seria o desenvolvimento econômico. Mais tarde, essa fase foi ultrapassada por um novo pensamento do “duplo caminho” levando em conta que a pobreza não deve ser considerada como a causa principal da degradação, colocando nessa hipótese a necessidade de definição de políticas públicas dirigidas a combater a pobreza em diferentes frentes simultaneamente, ou seja, políticas de emprego, moradia, educação, etc. que devem ser implementadas, estreitando as diferenças.72 Notadamente, há algum tempo, explica Mendes73, a sustentabilidade social era utilizada para encobrir o interesse sobre a sustentabilidade ambiental, sustentando que a pobreza seria a causadora da agressão à natureza, causada por falta de recursos em adquirir técnicas preservacionistas. Outro problema seria o crescimento populacional entre os extratos mais pobres. No entanto, pontua que a dimensão social da sustentabilidade, [...] objetiva garantir que todas as pessoas tenham condições iguais de acesso a bens, serviços de boa qualidade necessários para uma vida digna, pautando-se no desenvolvimento como liberdade, no qual o desenvolvimento deve ser visto como forma de expansão de liberdades substantivas, para tanto, requer que se removam as principais fontes de privação de liberdade: pobreza e tirania, carência de oportunidades econômicas e destituição social sistemática, negligência dos serviços públicos e intolerância ou interferência excessiva de Estados repressivos. 72 FALADORI, Guilherme. Avanços e limites da sustentabilidade social. R. paran. Desenv, Curitiba, n. 102, p. 103-113, jan./jun. 2002. Disponível em < http://www.ipardes.pr.gov.br/ojs/index.php/revista paranaense/article/viewFile/214/176> Acesso em 20 nov. 2014. 73 MENDES, Jefferson Marcel Gross. Dimensões da sustentabilidade. Revista das Faculdades Santa Cruz, v. 7, n. 2, julho/dezembro 2009. Disponível em: <http://www.santacruz.br/v4/download/ revista -academica/13/cap5.pdf> Acesso em 25 nov. 2014. 41 No final do século passado, a comunidade internacional começou a compreender que o objetivo principal é o aumento da qualidade de vida. “O desenvolvimento humano, como objetivo próprio, se coloca em primeiro lugar e, na medida do desenvolvimento humano, haveria um melhor relacionamento com o ambiente externo” 74. Nesse contexto, uma sociedade sustentável será aquela em que “todos os cidadãos tenham o mínimo necessário para uma vida digna e que ninguém absorva bens, recursos naturais e energéticos que sejam prejudiciais a outros”75, de forma a erradicar a pobreza e definir o padrão de desigualdade aceitável, delimitando limites mínimos e máximos de acesso a bens materiais. Nessa linha de pensamento Ignacy Sachs76 em linhas gerais sustenta que na sustentabilidade social a maior preocupação o “alcance de um patamar razoável de homogeneidade social; distribuição de renda justa; emprego pleno e/ou autônomo com qualidade de vida decente; igualdade no acesso aos recursos e serviços sociais”, para que haja um desenvolvimento sustentável dentro de um ambiente saudável. A sustentabilidade social abrange para Mendes77 [...] a necessidade de recursos materiais e não-materiais, objetivando maior equidade na distribuição da renda, de modo a melhorar substancialmente os direitos e as condições da população, 74 FALADORI, Guilherme. Avanços e limites da sustentabilidade social. R. paran. Desenv, Curitiba, n. 102, p. 103-113, jan./jun. 2002. Disponível em < http://www.ipardes.pr.gov.br/ojs/index.php/revista paranaense/article/viewFile/214/176> Acesso em 20 nov. 2014. 75 NASCIMENTO, Elimar Pinheiro. Trajetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, do social ao econômico. Estudos Avançados. vol.26, n.74, São Paulo, 2012. Disponível em < http://www.scielo. br/scielo.php? pid=S0103-40142012000100005&script=sci_arttext> Acesso em 20 nov. 2014. 76 SACHS, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2009. p. 85. 77 MENDES, Jefferson Marcel Gross. Dimensões da sustentabilidade. Revista das Faculdades Santa Cruz, v. 7, n. 2, julho/dezembro 2009. Disponível em: <http://www.santacruz. br/v4/download/ revista -academica/13/cap5.pdf> Acesso em 25 nov. 2014. 42 reduzindo-se o índice de GINI78, ampliando-se a homogeneidade social; a possibilidade de um emprego que assegure qualidade de vida e igualdade no acesso aos recursos e serviços sociais. Do trabalho de Hoffmann79 extrai-se que o Brasil se destaca na elevada desigualdade da distribuição da renda e a explicação para isso teria de ser procurada na formação e evolução econômico-social das antigas colônias de Portugal e Espanha e que as desigualdades advindas da distribuição de renda no Brasil, desde então, continuaram ao longo das décadas e períodos, marcados pelo baixo crescimento econômico. Justifica, baseado no livro de Celso Furtado, que a tendência estrutural para a concentração da renda favorece o subemprego de fatores característico das economias subdesenvolvidas. Assinala que a concentração da renda causa uma grande diversificação das formas de consumo de grupos privilegiados. Não obstante, pressupõe-se que as diversas manobras políticaseconômicas ocorridas ao longo dos anos, buscou trazer crescimento econômico aliado ao estabelecimento da igualdade, mas apesar das tentativas e planos econômicos, a exemplo disso, “no ano de 1989, a inflação acelerada contribuiu para aumentar ainda mais a desigualdade da distribuição da renda no país, que atingiu um pico em 1989”. Naquele ano o índice de Gini do rendimento das pessoas ocupadas com rendimento positivo atingiu 0,630 (IBGE, 1997: 144). Isso colocava o Brasil como o mais desigual entre os países do mundo com dados confiáveis sobre a distribuição de renda. [...] Em 1993, novamente com inflação elevada, o índice de Gini da distribuição do rendimento de todas as fontes das pessoas economicamente ativas com rendimento positivo era igual a 0,605 e em 1999 havia diminuído para 0,572 — um valor semelhante ao de 29 anos antes, em 1970, 78 O Índice de Gini, criado pelo matemático italiano Conrado Gini, é um instrumento para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo. Ele aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. Numericamente, varia de zero a um (alguns apresentam de zero a cem). O valor zero representa a situação de igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda. O valor um (ou cem) está no extremo oposto, isto é, uma só pessoa detém toda a riqueza. (http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=2048:catid=28&It emid=23). 79 HOFFMANN, Rodolfo. Distribuição de renda e crescimento econômico. Estudos Avançados. vol. 15, no. 41, São Paulo, Jan./Apr. 2001 Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010340142001000100007&script=sci_arttext> Acesso em 20 dez. 2014. 43 após a década em que havia ocorrido um substancial e polêmico aumento da desigualdade. Cabe assinalar que a redução da desigualdade entre 1993 e 1999 foi muito menor quando se considera a distribuição de todas as pessoas residentes em domicílios particulares, ordenando-as conforme seu rendimento familiar per capita. O índice de Gini diminuiu de 0,609 em 1993 para 0,600 em 1999. [...] analisando a distribuição de rendimento domiciliar per capita de 1977 a 1999, comprova a "inaceitável estabilidade da desigualdade de renda no Brasil.80 Hoffmann81 afirma que Kuznets, um economista americano, sugeriu que os países subdesenvolvidos, assim como os europeus, passariam por “uma longa oscilação da desigualdade na estrutura secular da distribuição da renda”, com um aumento do crescimento econômico inicialmente e tornando-se estável durante um período e diminuindo nas fases posteriores. Sustentou que os países subdesenvolvidos passariam provavelmente pelas mesmas fases, com um aumento da desigualdade no início da industrialização e uma posterior diminuição da desigualdade. Essa tese passou a ser conhecida como "lei de Kuznets” da variação da desigualdade, conformando graficamente um U invertido. Para explicar como se aplicaria a curva de Kuznets em um modelo de crescimento endógeno, Arraiz, Diniz e Diniz82 discorrem a partir de três elementos chave. Primeiro, a mudança tecnológica como capaz de permitir reduções na poluição; segundo, a mudança intra-setorial para acompanhar a introdução de tecnologias redutoras de poluição; terceiro, mudanças técnicas intra-setoriais como decorrentes de mudanças políticas e tomada de consciência ambiental. Nesse contexto, é possível se distinguir quatro fases na formação da curva ambiental de Kuznets. A primeira é chamada pelos autores de “fase verde”, na qual a produção usa uma tecnologia geral que não causa poluição. Na segunda fase, é introduzida gradualmente na economia uma 80 HOFFMANN, Rodolfo. Distribuição de renda e crescimento econômico. Estudos Avançados. vol. 15, no. 41, São Paulo, Jan./Apr. 2001 Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010340142001000100007&script=sci_arttext> Acesso em 20 dez. 2014. 81 HOFFMANN, Rodolfo. Distribuição de renda e crescimento econômico. Estudos Avançados. vol. 15, no. 41, São Paulo, Jan./Apr. 2001 Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010340142001000100007&script=sci_arttext> Acesso em 20 dez. 2014. 82 ARRAES, Ronaldo A.; DINIZ, Marcelo B.; DINIZ, Márcia J. T. Curva ambiental de Kuznets e desenvolvimento econômico sustentável. RER, Rio de Janeiro, vol. 44, nº 03, p. 525-547, jul/set 2006. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/resr/v44n3/a08v44n3.pdf> Acesso em 23 nov. 2014. 44 tecnologia geral que permite a produção a um custo de trabalho mais baixo. Esta nova tecnologia é poluidora, mas a poluição causada pelas firmas não é ainda de conhecimento público. Esta é a denominada “fase de confiança”. A terceira fase se inicia após ter sido revelada publicamente que a nova tecnologia é prejudicial em termos ambientais. Assim, com o crescimento da poluição, dá-se início a “fase de alarme”. Nessa fase o Governo cria impostos ambientais e taxa as firmas geradoras de poluição, o que leva à conformação de uma nova tecnologia geral que seja não poluidora. Com a implantação dessa nova tecnologia, surge a denominada “fase limpeza”. No entanto, os dados estatísticos disponíveis em meados do século XX, que levaram Kuznets a achar que pudesse existir uma lei que regeria a relação entre o aumento do Produto Interno Bruto – PIB per capita e a desigualdade de renda, não se confirmou, tendo em vista outra estatística, na metade final do século XX, revelando que as relações entre crescimento e desigualdade de renda haviam sido das mais heterogêneas, nos países do continente europeu.83 A despeito da explicação dada por Kuznets ser bem intuitiva, e mesmo recorrente para explicação do percurso histórico de alguns países em desenvolvimento, na década de 1990 surgiram várias evidências empíricas em contrário ensejando, por sua vez, explicações teóricas que sustentavam formatos da relação entre desigualdade e crescimento diferentes daquela prevista por Kuznets. Apesar dessa controvérsia, também na década de 1990, a curva de Kuznets passou a ser referência para explicar a relação de como a poluição ambiental em suas várias formas evolui em razão do crescimento econômico.84 Outra tese, abordada por Veiga, reside na teoria convencional, de inspiração keynesiana, surgida após a segunda guerra mundial e domina a formulação de política econômica ao redor do mundo. Segundo Vale85 “a maior parte dos indicadores de bem-estar social está altamente correlacionada com o produto por habitante”, além disso, “o próprio progresso moral da civilização dependeria do 83 VEIGA, José Eli da. Sustentabilidade: a legitimação de um novo valor. p. 22. 84 ARRAES, Ronaldo A.; DINIZ, Marcelo B.; DINIZ, Márcia J. T. Curva ambiental de Kuznets e desenvolvimento econômico sustentável. RER, Rio de Janeiro, vol. 44, nº 03, p. 527, jul/set 2006. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/resr/v44n3/a08v44n3.pdf> Acesso em 23 nov. 2014. 85 VALE, Petterson Molina. A condição estável da economia: teoria e prática. Disponível em < http://www.anpec.org.br/encontro2009/inscricao.on/arquivos/000-acfa0846f577c45dfaec8631e3c0 b0c1.pdf> Acesso em 20 nov. 2014. 45 crescimento constante da renda por habitante, e a estagnação econômica seria responsável pela rápida corrosão da moral”. Os formuladores dessa tese, Grossman e Krueger86 a chamam de Curva de Kuznets Ambiental, pela semelhança daquela lançada anteriormente, aduzindo ser “o melhor caminho para se conseguir sustentabilidade seria maximizar o crescimento econômico por toda a parte”87. O estudo partiu da análise nas relações da forma reduzida entre renda per capita e vários indicadores ambientais, abrangendo quatro tipos de indicadores: urbano poluição do ar, o estado do regime de oxigênio em bacias hidrográficas, a contaminação fecal de nível das bacias e contaminação das bacias hidrográficas por metais pesados. Como resultado, em suma, a pesquisa encontrou pouca evidência de que a qualidade do ambiente se deteriora com o crescimento econômico, levando a crer que havendo crescimento econômico, deverá haver um aumento da renda per capita, quando então as desigualdades tenderiam a diminuir e assim, com a diminuição da pobreza o homem degradaria menos, já que essa seria a causa para aquela. Grossman e Krueger88 concluem em seus estudos, To summarize, we find little evidence that environmental quality deteriorates steadily with economic growth. Rather, we find for most indicators that economic growth brings an initial phase of deterioration followed by a subsequent phase of improvement. We suspect that the eventual improvement reflects, in part, an increased demand for (and supply of) environmental protection at higher levels of national income. Outra tese, denominada “Condição Estável”, formulada pelo economista 86 ECONOMIC GROWTH AND THE ENVIRONMENT, publicada na revista The Quarterly Journal of Economics, Vol. 110, No. 2 (May, 1995), pp. 353-377. “Não encontramos provas que a qualidade ambiental se deteriora com o crescimento econômico. Pelo contrário, para a maioria dos indicadores, o crescimento econômico traz uma fase inicial de deterioração seguido por uma fase posterior de melhoria. Os pontos de viragem para os diferentes poluentes variam, mas na maioria dos casos eles vêm antes de um país atinge um per capita renda de $ 8.000”. <Disponível em https://groups.nceas.ucsb.edu/sustainability-science> Acesso em 20 nov. 2014. 87 VEIGA, José Eli da. Sustentabilidade: a legitimação de um novo valor. 2. ed. São Paulo: Editora Senac, 2010. p. 22. 88 GROSSMAN, Gene M.; KRUEGER, Alan B. Economic growth and the environment, The Quarterly Journal of Economics, Vol. 110, No. 2 (May, 1995), pp. 353-377. 46 Herman E. Daly, também levantada por Veiga, está apoiada na ideia de que, para haver sustentabilidade, e aqui friso, a sustentabilidade social, seria necessário transitar pela condição suscitada pelos economistas clássicos do século XIX, chamada de estacionária, onde “um regime em que a qualidade de vida de uma sociedade segue melhorando, sem que isso continue a exigir significativa expansão de seus subsistemas econômicos”. Para os economistas ecológicos, segundo Veiga [...] as nações que já atingiram altíssimos níveis de desenvolvimento deveriam começar a planejar uma transição para esse modo mais avançado de prosperidade sem crescimento. E, simultaneamente, contribuir para que os países que ainda precisam crescer possam fazê-lo com estilos ambientalistas menos agressivos.89 Caminhamos para uma situação em que o problema central do desenvolvimento será o abandono do crescimento econômico, em troca do desenvolvimento da qualidade de vida, sustenta Nascimento90 ao mencionar Daly. O recente relatório da ONU, que prega a "prosperidade sem crescimento", é uma variação palatável dessa vertente. E os estudos que têm mostrado o descolamento do crescimento econômico da qualidade de vida nos países altamente desenvolvidos reforçam a ideia de que é possível viver melhor produzindo e consumindo menos. Nascimento91 quando se refere a Latouche, o mais radical dos defensores do decrescimento, comenta que o modelo atual de produção e consumo não tem futuro, porque nos conduz à autoextinção. A saída é a adoção de novos valores e novos costumes, com abandono da moda, do instantâneo, em troca de uma produção duradoura e decrescente. Enfim, adoção de um novo estilo de vida. Na verdade, “esse é o desafio de nosso tempo transitar para uma sociedade de padrões de consumo menos extravagantes e mais igualitários, sem 89 VEIGA, José Eli da. Sustentabilidade: a legitimação de um novo valor. p. 25. 90 NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. Trajetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, do social ao econômico. Estudos avançados 26 (74), 2012. p. 51-64. Disponível em <www.revistas.usp.br/eav/article/download/10624/12366> Acesso em 26 dez. 2014. 91 NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. Trajetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, do social ao econômico. Estudos avançados 26 (74), 2012. p. 51-64. Disponível em <www.revistas.usp.br/eav/article/download/10624/12366> Acesso em 26 dez. 2014. 47 comprometer o dinamismo das economias de mercado e as liberdades individuais: condição imprescindível ao respeito dos limites físicos e ecológicos do planeta”.92 Nessa perspectiva, a dimensão social pode ser entendida como a consolidação de um processo de desenvolvimento orientado por outra visão, a da boa sociedade. O objetivo é construir uma civilização do "ser", em que exista maior equidade na distribuição do "ter" (renda), de modo a melhorar substancialmente os direitos e as condições de amplas massas de população e a reduzir a distância entre os padrões de vida de abastados e não-abastados, resultando na diminuição do índice de Gini.93 Vale94 citando Jackson, autor que defende o desenvolvimento como liberdade com a ideia de limites à escala da economia, relata que segundo essa perspectiva, [...] o foco do desenvolvimento é a habilidade para se prosperar: fisicamente, psicologicamente e socialmente, e isso depende em parte de bens materiais, mas somente na medida em que livram o homem do medo do amanhã. Depois disso, a expansão das liberdades humanas exige uma combinação de instituições que ultrapassa em muito o papel dos mercados, da troca e do consumo. O desafio da sustentabilidade exige que se minimize o papel que as mercadorias exercem sobre o bem-estar (popularidade, imagem e sucesso financeiro), e que se maximize o papel de formas diretas de sociabilidade: auto-estima, família, identidade, amizade, participação, propósito na vida e pertencimento a uma comunidade. Em suma, uma maior coesão social. É imperativo que não nos omitamos das questões sociais e busquemos um ideal que seria a emergência de um novo paradigma cultural que descarte o 92 VEIGA, José Eli da. Economia em transição. Disponível em < http://www.zeeli.pro.br/wpcontent/uploads/2012/06/JEV_-_Transi%C3%A7%C3%A3o_-_Cap_1_-_DS_12-50.pdf> Acesso em 20 nov. 2014. 93 MENDES, Jefferson Marcel Gross. Dimensões da sustentabilidade. Revista das Faculdades Santa Cruz, v. 7, n. 2, julho/dezembro 2009. Disponível em: <http://www.santacruz.br/v4/download/ revista -academica/13/cap5.pdf> Acesso em 25 ago. 2013. 94 VALE, Petterson Molina. A condição estável da economia: teoria e prática. Disponível em <http://www.anpec.org.br/encontro2009/inscricao.on/arquivos/000-acfa0846f577c45df aec8631e3c0b0c1.pdf> Acesso em 28 dez. 2014. 48 pensamento consumista, atingindo os objetivos propostos pela dimensão social que visa garantir a igualdade entre as pessoas, para que tenham iguais condições de vida, mas vida com dignidade, de forma que as diferenças sejam estreitadas, e para atingir esses objetivos as instituições devem empreender esforços “para práticas educativas que garantam a continuidade dos aspectos culturais, sociais, econômicos, físicos e ambientais do planeta”95. A desigualdade de renda é um fator determinante que gera a insustentabilidade, mas como se vê pode não estar diretamente ligada ao crescimento econômico, mas na construção de uma sociedade em que a instrução e o conhecimento estejam em primeiro plano, gerando igualdade de oportunidades, para assim haver uma maior equidade na distribuição de renda. 1.1.1.3 Dimensão econômica da sustentabilidade O conceito de sustentabilidade econômica começa a complicar a análise da sustentabilidade, porque ela aparece como uma necessidade, mas em hipótese alguma é condição prévia para as anteriormente apresentadas, “uma vez que um transtorno econômico traz consigo o transtorno social, que, por outro lado, obstrui a sustentabilidade ambiental”96. Si ese concepto se restringe al crecimiento económico y a la eficiencia productiva, surge la pregunta de si un crecimiento ilimitado como aquel comandado por el sistema capitalista es congruente con la sustentabilidade ambiental.97 No final do século XX, nasce uma corrente de críticas ao crescimento ilimitado da economia, apresentando propostas de reverter as trajetórias econômicas, chamada de teoria do decrescimento. O precursor da teoria do 95 BARROS, Jussara de. Sustentabilidade na escola. Disponível em < http://educador. brasilescola.com/orientacoes/sustentabilidade-na-escola.htm> Acesso 28 dez. 2014. 96 SACHS, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. p. 71. 97 FALADORI, Guilherme. Avanços e limites da sustentabilidade social. R. paran. Desenv, Curitiba, n. 102, p. 103-113, jan./jun. 2002. Disponível em < http://www.ipardes.pr.gov.br/ojs/index.php/revista paranaense/article/viewFile/214/176> Acesso em 20 nov. 2014. 49 decrescimento foi Serge Latouche, defendendo uma sociedade que produza menos e consuma menos, sustentando que é a única maneira de frear a destruição do meio ambiente, que ameaça seriamente o futuro da humanidade. “É preciso uma revolução. Porém, isso não quer dizer que haja que massacrar e apertar as pessoas. É preciso uma mudança radical de orientação”98. Mas a ideia não é nova, Bursztyn e Bursztyn99 relatam que as raízes da tese do decrescimento remontam a obras críticas publicadas várias décadas antes, mas o seu fundamento pode ser associado a autores como Georgescu-Roegen e mesmo Meadows, pontuando o que Latouche conta, ao mesmo tempo em que aponta soluções. Em oposição aos economistas que vêem no desenvolvimento uma solução miraculosa para os males da sociedade moderna, os adeptos do decrescimento identificam justamente o desenvolvimento como a origem de todos os males. É nesse sentido, que visam uma fórmula para o que chamam pós-desenvolvimento. [...] Para se chegar a tal estágio, seria preciso radical mudança de comportamento por parte dos cidadãos, em aspectos como o transporte, o consumo de energia, a maneira de consumir e, de forma mais geral, mudança no próprio modo de vida. O decrescimento é, nesse sentido, antiprodutivista, anticonsumista e ecologista. A proposta antiprodutivista, anticonsumista e ecologista é abordada por Dumond que entende que vivemos em uma sociedade consumo, uma sociedade de privilegiados, aquela “que explota el conjunto de los recursos naturales del mundo. Los países desarrollados del Globo extraem em proporción excessiva todo tipo de recursos naturales, y los consumen de manera abusiva”100. De fato, para transformar a sociedade que se tem hoje em um modelo 98 UNISSINOS. Instituto Humanitas Unissinos. Serge Latouche, o precursor da teoria do decrescimento, defende uma sociedade que produza menos e consuma menos. Disponível em: <http://www.ihu.unisinos.br/noticias/523299-serge-latouche-o-precursor-da-teoria-do-decresci mento-defende-uma-sociedade-que-produza-menos-e-consuma-menos> Acesso em 11 fev. 2015. 99 BURSZTYN, Maria Augusta; BURSZTYN, Marcel. Fundamentos de política e gestão ambiental: caminhos para a sustentabilidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2012, p. 62. 100 DUMONT, René. La sociedad de consumo. Barcelona: Salvat Editores, S.A., 1973. p. 9. 50 sustentável de sociedade, será necessário algumas ações, em alguns segmentos da economia, mas não necessariamente o decrescimento pelo decrescimento, ensejando uma inversão ao crescimento. O horizonte instituinte subscreve a palavra de ordem de demarcar fortemente o abandono do objetivo do crescimento pelo crescimento ou subornar a (des)razão que ampara a (ir)racionalidade da economia capitalista e cujas consequências são desastrosas para o meio ambiente.101 A proposta estaria na redução das atividades nos segmentos da economia que “están en origen del crescimiento imparable de la huella ecológica102”, e nesse sentido pode-se citar a indústria automobilística, de aviação, construção civil, indústria militar e indústria da publicidade.103 Essa redução certamente geraria milhares de desempregos, que somente teria solução se utilizássemos mecanismos diferentes, assinalados por Taibo104, a saber: El primero consistirá em propiciar el desarrollo de aquellas atividades econômicas que guardam relación com la atención de las necessidades sociales insatisfechas y com el respeto del médio natural; si queremos decirlo así, estas atividades seguirán crescendo. El segundo refiere la necesidad de repartir el trajao em los segmentos de la economia convencional que inevitablemente seguirán existiendo. El efecto conjunto de la aplicación d estos mecanismos será, em términos individuales, que trajaremos menos horas, dispodremos de mucho más tempo libre, reduciremos – 101 RUSCHEINSKY, Aloísio. Sustentabilidade: concepções, práticas e utopia. In: GUERRA, Antonio Fernando Silveira; FIGUEIREDO, Maria Lúcia. Sustentabilidades em diálogos. Itajaí: Universidade do Vale do Itajaí, 2010. p. 79. 102 Huella ecológica (Pegada ecológica): Como uma marca que deixamos na areia, ao caminharmos pela praia, a pegada ecológica é um indicador que tem a finalidade de medir a pressão exercida pelas sociedades humanas sobre o planeta. Ela é aplicável a qualquer escala e pode medir o impacto de uma pessoa, uma cidade, uma atividade econômica, um país ou toda a humanidade. Como indicador, ajuda a gerir os ativos ambientais de modo racional e para sugerir mudanças de conduta (individuais e coletivas), no sentido de se respeitar os limites da Terra. A ideia da pegada foi formulada pelos pesquisadores canadenses Mathis Wackernagel e Willian Rees, da University of British Columbia, em 1990. BURSZTYN, Maria Augusta; BURSZTYN, Marcel. Fundamentos de política e gestão ambiental: caminhos para a sustentabilidade. p. 61. 103 TAIBO, Carlos. ¿Por qué el decrescimento? Un ensayo sobre la antesala del colapso. Barcelona: Libros del Lince, 2014. p. 76. 104 TAIBO, Carlos. ¿Por qué el decrescimento? Un ensayo sobre la antesala del colapso. p. 76. 51 cuando ello sea posible – nuestros a menudo desbocados niveles de consumo y haremos lo que este em nuestras manos para fortalecer nuestra alicaída vida social. Entiendo que to que este horizonte es manifiestamente preferible al vinculado com el modo de vida esclavo del que hablé em su momento. A proposta do decrescimento de modo algum se esgota em uma demanda de redução dos níveis de produção e de consumo dos países ricos, já que só a eles é propiciada a produção e consumo em grande escala. Antes é necessário uma reivindicação paralela da necessidade de introduzir mudanças radicais nos princípios e valores que estão impregnadas nas sociedades modernas. Também, não se trata de condenar a industrialização em sí, mas a industrialização abusiva, que levará a humanidade, se continuar nesse processo atual de industrialização, a vivenciar em breve, situações catastróficas por causa do esgotamento dos recursos naturais. É preciso utilizar e saber o que realmente é necessário para a existência e racionalizar inteligentemente sua exploração. É necessário adotar um tipo de crescimento econômico muito diferente do atual, em que se reduza o superconsumo a que estamos habituados105 De outra parte, também se faz necessário que aumente a capacidade de consumo das populações que estão na pobreza, seja ela extrema, moderada ou relativa, que carecem desde o mínimo necessário para viver ou possuem condições de vida com grande dificuldade. Sachs106 em seus estudos revela que a maioria das pessoas não tem consciência das lutas cotidianas pela sobrevivência e da enorme quantidade de gente pobre em todo mundo que perde essa luta. Se o desenvolvimento econômico é uma escada em que os degraus mais altos representam passos acima no caminho do bem-estar econômico, há cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo – um sexto da humanidade – que vivem [...] tão doentes, famintos e destituídos 105 DUMONT, René. La sociedad de consumo. p. 13. 106 SACHS, Jefrey. O fim da pobreza: como acabar com a miséria mundial nos próximos 20 anos. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 44-45. 52 que não conseguem pôr um pé nem no primeiro degrau da escada do desenvolvimento. Essas pessoas são as ‘mais pobres dos pobres’, ou os ‘miseráveis’ do planeta. Eles vivem todos em países em desenvolvimento (nos países ricos existe pobreza, mas não miséria). É evidente que nem todo esse bilhão de pessoas vai morrer hoje, mas todas elas lutam pela sobrevivência a cada dia. Surpreendentemente, há tendências preocupantes, nesse sentido, no país mais rico do mundo, os Estados Unidos da América, diz Laszlo107: A pobreza e a fome estão em ascensão. De acordo com medidas oficiais de pobreza, em 2003, 12,5% da população total dos Estados Unidos vivia na pobreza; 10 milhões de lares – 31 milhões de indivíduos, dos quais 12 milhões eram crianças – corriam o risco de ser vitimados pela fome ou enfrentavam insegurança alimentar; e 3,1 milhões de lares – que incluíam 2 milhões de crianças sofriam de fome real. O planeta está se dirigindo por um caminho no qual a pressão populacional e a pobreza serão cada vez maiores, de escassez de alimentos, de água e de energia. Por isso, Ferrer108 alerta que “La Humanidad, al menos de momento, tiene que conformarse con lo que tiene, porque no hay nada más allá. Esta noción es tan elemental como rigurosamente nueva en la historia del Hombre y le obliga a trascendentales cambios conceptuales”. O grande desafio da geração atual, para o alcance da sustentabilidade econômica, está em ações que visem melhorar a qualidade de vida dos mais pobres, ajustando essas desigualdades, de modo que possam começar sua ascensão na escala do desenvolvimento. O fim da pobreza, não é apenas o fim do sofrimento extremo, mas também o começo do progresso econômico, da esperança e da segurança que acompanham o desenvolvimento.109 107 LASZLO, Ervin. O ponto do caos. São Paulo: Cultrix, 2011. p. 23. 108 FERRER, Gabriel Real. Sostenibilidad, transnacionalidad y trasformaciones del Derecho. Disponível em: <http://xa.yimg.com/kq/groups/18206209/1421855917/name/Sostenibilidad,+trans nacionalidad+y+transformaciones+del+derecho.doc> Acesso em 25 ago. 2013. 109 SACHS, Jefrey. O fim da pobreza: como acabar com a miséria mundial nos próximos 20 anos. p. 51. 53 Nesse passo, a visão econômica da sustentabilidade importa na mudança de paradigmas e implica segundo Freitas110 a completa reestruturação do consumo e a produção, numa alteração inescapável do estilo de vida. Numa abordagem econômica sustentável, o investimento educacional robusto (com bons gastos, em vez de mais gastos) amplia renda, numa equação custo benefício que pende para a externalidades altamente positivas, tornando-se prioridade das prioridades. Seguramente, como o abandono da pobreza liberta para alçar voos maiores, nada mais sustentável do que investir naquilo que promove a emancipação econômica.111 Portanto, o crescimento não é necessariamente mau, nem mesmo ilimitado, observa Laszlo112, o que torna um crescimento desejável e lhe garante um futuro depende do tipo de crescimento no qual nós estamos nos envolvendo. O crescimento irrestrito, puramente quantitativo, da produção e do consumo de energia e de materiais não é possível em um planeta finito com uma biosfera delicadamente equilibrada – em última análise, este está destinado a se converter em um crescimento de um tipo canceroso. Para Sachs113 a sustentabilidade econômica busca um “desenvolvimento econômico intersetorial equilibrado, com segurança alimentar, capacidade de modernização contínua dos instrumentos de produção, razoável nível de autonomia na pesquisa científica e tecnológica e inserção soberana na economia internacional”. Discorre Mendes114, sobre essa dimensão, explicando [...] foi amplamente difundida na sociedade ocidental embora não sob a perspectiva da sustentabilidade e nem de desenvolvimento, pois a 110 FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: direito ao futuro. p. 66. 111 FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: direito ao futuro. p. 66. 112 LASZLO, Ervin. O ponto do caos. São Paulo: Cultrix, 2011. p. 77. 113 SACHS, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. p. 71. 114 MENDES, Jefferson Marcel Gross. Dimensões da sustentabilidade. Revista das Faculdades Santa Cruz, v. 7, n. 2, julho/dezembro 2009. Disponível em: <http://www.santacruz.br/v4/ download/ revista-academica/13/cap5.pdf> Acesso em 25 ago. 2013. 54 sustentabilidade econômica extrapola o acúmulo de riquezas, bem como o crescimento econômico e engloba a geração de trabalho de forma digna, possibilitando uma distribuição de renda, promovendo o desenvolvimento das potencialidades locais e da diversificação de setores. Ela é possibilitada por alocação e gestão mais efetivas dos recursos e por um fluxo regular do investimento público e privado nos quais a eficiência econômica deve ser avaliada com o objetivo de diminuir a dicotomia entre os critérios microeconômicos e macroeconômicos. A sustentabilidade econômica em uma análise simplificada, busca um desenvolvimento econômico equilibrado, assim como o meio ambiente que não admite o que prega o capitalismo e somente será alcançada pelo uso racional dos recursos naturais. Todavia, ampliando o entendimento, nas palavras de Bodnar115, o que verdadeiramente ocorre em nível planetário, na atual sociedade, [...] é que o equilíbrio ecológico jamais será o mesmo no planeta, pois o mundo já atingiu os limites mais críticos e ameaçadores da sua trajetória. Estas ameaças decorrem do esgotamento dos recursos naturais não renováveis, da falta de distribuição equitativa dos bens ambientais, do crescimento exponencial da população, da pobreza em grande escala, do surgimento de novos processos tecnológicos excludentes propostos pelo modelo capitalista. Todos esses fatores contribuem com a consolidação de uma ética individualista e desinteressada com o outro, com o distante, com as futuras gerações e com um desenvolvimento justo e duradouro. Seria um desenvolvimento denominado por Laszlo116 como ‘intensivo’, que “está centralizado no desenvolvimento dos indivíduos, e das comunidades e ecologias nas quais eles vivem”, baseada na conexão117, comunicação118 e 115 BODNAR, Zenildo. A sustentabilidade por meio do direito e da jurisdição. Disponível em: < http://www.cesumar.br/pesquisa/periodicos/index.php/revjuridica/article/viewFile/1885/1262> Acesso em 25 ago. 2013. 116 LASZLO, Ervin. O ponto do caos. p. 78. 117 Cada quantum está conectado sutilmente com o outro quantum, e cada organismo com outros organismos no ecossistema. Por sua vez os economistas sabem que há uma conexão direta entre os interesses dos indivíduos, dos Estados individuais, e das empresas individuais e o funcionamento do sistema internacional globalizado. Em nosso mundo, essas conexões abrangentes evoluem com rapidez, e uma das finalidades do crescimento intensivo é ordena-las, criando estrutura coerente em vez de proliferação aleatória. LASZLO, Ervin. 118 A comunicação se desdobra em níveis múltiplos. Em primeiro lugar, precisamos nos comunicar com nós mesmos, cuidando de nossa consciência e de nossa personalidade e as desenvolvendo. Também precisamos estar em comunicação com aqueles que compõem o contexto imediato de nossas vidas – família, comunidade e colegas de trabalho ou colegas profissionais. São 55 consciência119 assim e poderia produzir a sustentabilidade, impulsionando as sociedades contemporâneas para um novo modo de funcionamento, ou seja, uma nova civilização. A nova civilização evoluirá quando houver a compreensão de que estamos ligados uns aos outros, à biosfera e ao universo, tudo o que fizermos aos outros e ao planeta refletirá na possibilidade da continuidade da vida, portanto, no momento importa modificar paradigmas da sustentabilidade econômica, onde o tipo de desenvolvimento gerido seja socialmente justo, ambientalmente sadio e com cuidados especiais, proporcionados por meio de uma educação conscientizadora e transformadora. igualmente necessários níveis ainda mais amplos de comunicação: comunicação com outras pessoas, próximas ou distantes, e nossa própria comunidade e em outras comunidades, países e culturas. 119 A comunicação exige conexão, mas no plano humano entra em jogo mais do que a conexão: a comunicação envolve a consciência. O pleno potencial da comunicação humana se desdobra quando os comunicadores apreendem os fios de conexão por meios dos quais eles se comunicam. Um alto nível de comunicação requer um alto nível de consciência, que permite que as pessoas fazer uso dos muitos – às vezes extremamente sutis – fios de conexão que os ligam uns aos outros e ao seu meio ambiente. A consciência dessas conexões eleva o pensamento humano do nível centrado no ego, [...] à dimensão urgentemente necessária centralizada na comunidade, na ecologia e no planeta. 56 CAPÍTULO 2 OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL 2.1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL Educação ambiental – environmental education – é uma expressão recente, ouvida pela primeira vez na Grã-Bretanha, a partir de um movimento, difundido no mundo, em reverência por tudo o que é vivo.120 Educação Ambiental – EA, conceituada na apresentação do livro “Identidades da educação ambiental brasileira” do então diretor de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente Philippe Pomier Layrargues, no ano de 2004, escreve que a palavra é um vocábulo composto por um substantivo e um adjetivo, que envolvem, respectivamente, o campo da Educação e o campo Ambiental. Enquanto o substantivo Educação confere a essência do vocábulo “Educação Ambiental”, definindo os próprios fazeres pedagógicos necessários a esta prática educativa, o adjetivo Ambiental anuncia o contexto desta prática educativa, ou seja, o enquadramento motivador da ação pedagógica.121 Educação Ambiental, portanto, é o nome que historicamente se convencionou dar às práticas educativas relacionadas à questão ambiental. Assim, “Educação Ambiental” designa uma qualidade especial que define uma classe de características que juntas, permitem o reconhecimento de sua identidade, diante de uma Educação que antes não era ambiental. O conceito oriundo da Lei nº 9795/1999 – Política Nacional de Educação 120 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. 9. ed. São Paulo: Gaia, 2004. p. 33. 121 LAYRARGUES, Philippe Pomier (coord.). Identidades da educação ambiental brasileira. Ministério do Meio Ambiente. Diretoria de Educação Ambiental. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004. 57 Ambiental, define Educação Ambiental em seu art. 1º como “processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”. Já no art. 2° das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, ela é “uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos, visando potencializar essa atividade humana com a finalidade de torná-la plena de prática social e de ética ambiental”. Da Conferência Intergovernamental de Tbilisi (1977), que será pormenorizada neste trabalho, no capítulo 2, extraímos o conceito de educação ambiental como “um processo de reconhecimento de valores e clarificações de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos. A educação ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhora da qualidade de vida”122. Como processo e/ou dimensão, na verdade educação ambiental data os tempos primitivos, quando dificuldades e desafios foram enfrentados pelos primeiros seres humanos, há uns cinco milhões de anos, no planeta Terra. Essa afirmação, decorre dos estudos de Donella Meadows, que abriu um capítulo do seu livro "Conceitos para se fazer Educação Ambiental" com uma idealização daquele tempo, em que "a natureza era mais poderosa que os homens", e "os afetava mais de que era afetada por eles".123 122 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 25. 123 BRASIL. A Implantação da Educação Ambiental no Brasil. Examinando raízes. Brasília - DF, 1998. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/images/stories/biblioteca/ educacao_ ambiental/A_implanta%C3%A7%C3%A3o_da_EA_no_Brasil.pdf> Acesso em: 20 de nov. 2014. 58 Nesses tempos só sobrevivia quem soubesse relacionar-se com o ambiente. Todos precisavam saber quais frutos serviam para comer, onde encontrar água durante a seca, como evitar onças, que plantas serviam como bons materiais de construção, faziam um bom fogo ou um bom remédio. O conhecimento ambiental era também necessário para a proteção contra ataques da natureza e para o aproveitamento de suas riquezas.124 Revela-nos a história que o conhecimento foi repassado pelas gerações, e "desde o primeiro momento em que os seres humanos começaram a interagir com o mundo ao seu redor, e ensinaram seus filhos a fazerem o mesmo, estava havendo educação e educação ambiental".125 Antes de qualquer movimento a favor da natureza, o pensamento ambiental era expressado por filósofos e teólogos, a exemplo de São Francisco de Assis “ecologista na sua adoração pela natureza, anticonsumista pela simplicidade, defensor da liberdade de espírito, da alegria e da vida comunitária” 126. Com a evolução dos povos, os processos de crescimento industrial e tecnológico chegaram triunfante, trazendo com eles em contrapartida, a degradação ambiental. O homem almejava o domínio sobre o meio ambiente e o progresso material. A humanidade criou novas necessidades mudando, assim, sua percepção em relação ao meio ambiente e “a natureza passou a ser entendida como ‘algo separado e inferior à sociedade humana’ e ‘o estudo do meio ambiente tornou-se, ou uma ciência prática de extração de recursos, ou um estudo do mundo natural 124 MEADOWS, Donella H; MEADOWS, Dennis L.; RANDERS, Jørgen; BEHRENS III, William W. Limites do crescimento. p. 27. 125 SILVA, Márcia Nazaré. A educação ambiental na sociedade atual e sua abordagem no ambiente escolar. Disponível em < http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/educa%C3% A7 %C3%A3o-ambiental -na- sociedade-atual-e-sua-abordagem-no-ambiente-escolar> Acesso em 27 dez. 2014. 126 BRASIL. A Implantação da Educação Ambiental no Brasil. Examinando raízes. Brasília - DF, 1998. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/images/stories/biblioteca/ educacao_ ambiental/A_implanta%C3%A7%C3%A3o_da_EA_no_Brasil.pdf> Acesso em: 20 de nov. 2014. 59 catálogos e descrições das maravilhas naturais’.”127 Com a revolução industrial e científica no século XVIII, estabeleceuse definitivamente um divisor de águas entre a sociedade do homem "desenvolvido" e sua cultura peculiar em contraponto dissonante à Natureza. Esta transformação incluiu a transição de métodos de produção, antes artesanais, para a produção por máquinas, a fabricação de novos produtos químicos, novos processos de produção de ferro, maior eficiência da energia da água, o uso crescente da energia a vapor e o desenvolvimento das máquinasferramentas, além da substituição da madeira e de outros biocombustíveis pelo carvão.128 Nessa perspectiva Carvalho129, comenta que a visão da natureza como “domínio do selvagem, do ameaçador e do esteticamente desagradável estabeleceuse sobre a crença de que o progresso humano era medido por sua capacidade de dominar e submeter o mundo natural”. Tal visão, situa o ser humano como centro do universo, quando então, o homem passou a sentir-se dono do mundo que habita, e, não se deu conta, que assim como os demais seres vivos, integra o planeta, pertencente de um ecossistema, dentre tantos, que compõem o ecossistema maior, o planeta. Logo após, com a exploração dos recursos naturais em proveito próprio, rumou a humanidade a ter um modelo de desenvolvimento econômico insustentável, que “favorece a desigualdade, onde alguns seres humanos consomem demais – consumismo – e todos os outros são os excluídos”. Desde o século XV firmou-se um modelo urbano e mercantil em contraposição ao padrão medieval, basicamente camponês. Assim, à medida que o projeto civilizatório moderno avançava, o passado medieval adquiria um sentido negativo, sendo qualificado como inculto, menos desenvolvido, período das trevas, entre outros 127 FONSECA, Sérgio de Mattos. Movimento ambientalista e desenvolvimento sustentável, um breve histórico. Disponível em: <http://www.ecoeco.org.br/conteudo/publicacoes/encontros/iii_en/ Mesa8/6.pdf>. Acesso em: 25 nov. 2014. 128 FONSECA, Sérgio de Mattos. Movimento ambientalista e desenvolvimento sustentável, um breve histórico. Disponível em: <http://www.ecoeco.org.br/conteudo/publicacoes/encontros/iii_en/ Mesa8/6.pdf>. Acesso em: 25 nov. 2014. 129 CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2012. p. 94. 60 adjetivos desabonadores. Essa mudança cultural inaugurou a modernidade e está na base de nossa experiência civilizatória, sendo protagonizada por uma aristocracia que, buscando diferenciar-se da nobreza feudal, investia em novos valores culturais e padrões de comportamento que formariam as bases ideológicas da modernidade.130 Com a mudança de comportamento e essa inversão de valores, colocando a modernidade em contraponto à natureza, o homem ao longo do tempo perdeu qualquer percepção ambiental. A natureza foi classificada segundo sua utilidade em suprir necessidades humanas imediatas. Na sivilcultura da época, daninha era a árvore que restasse da mata nativa, e as ervas silvestres eram vistas como nocivas, inúteis e feias. Da mesma forma, a caça e a captura de animais nocivos para a agricultura eram estimuladas com prêmios e leis.131 Relata Fonseca132, que remontam ao século XVI os primeiros questionamentos do homem sobre o meio ambiente, com as grandes navegações e a ampliação das fronteiras mundiais para novos continentes, contrapondo a cultura e a civilização europeia aos costumes e a relação com o meio ambiente dos habitantes do novo mundo. No Brasil a carta de Pero Vaz Caminha ao rei de Portugal no ano de 1500 contando sobre as belezas da terra é um dos marcos dessa dicotomia ambiental. Nesse momento, se dá o início, do que chama Dias133 de contrabando dos “nossos recursos naturais; são levados também exemplares da nossa flora, principalmente toras de pau-brasil, e da nossa fauna, especialmente papagaios”. Algumas advertências falavam dos possíveis danos que poderiam ser 130 CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. p. 94. 131 CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. p. 94. 132 FONSECA, Sérgio de Mattos. Movimento ambientalista e desenvolvimento sustentável, um breve histórico. Disponível em: <http://www.ecoeco.org.br/conteudo/publicacoes/encontros/iii_en/ Mesa8/6.pdf>. Acesso em: 25 nov. 2014. 133 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 25. 61 causados pelo uso dos recursos naturais de forma irresponsável, a exemplo, transcrevo a recomendação em 1854, do chefe indígena Seattle, nos Estados Unidos, quando remeteu uma célebre correspondência ao governo norte-americano, em resposta à tentativa de comprar suas terras. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a Terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à Terra acontecerá aos filhos da Terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a Terra não pertence ao homem, o homem pertence à Terra. Isso sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. [...] O homem não teceu o tecido da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo. [...] Os brancos também passarão, talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.134 No mesmo ano, o norte-americano Georges Perkins Marsh lançou o livro intitulado “O Homem e a Natureza, ou Geografia Física Modificada pela Ação do Homem”. Relata Sato135 que foi um alerta, inédito entre os cientistas, sobre os perigos de certas atividades humanas para o equilíbrio da natureza e, ao mesmo tempo, um aviso de que ainda daria para evitar o pior. O livro inspirou a criação do primeiro parque nacional do mundo, o Yellowstone National Park, implantado doze anos depois nos Estados Unidos. No ano de 1822 José Bonifácio de Andrada e Silva, ao tempo das lutas contra a repressão portuguesa nos movimentos de Independência do Brasil (o Patriarca da Independência), como ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros e como político de impressionante visão, era também um naturalista. A ele se atribuem as primeiras observações, de cunho ecológico, feitas por um brasileiro, em nosso país. 134 BRASIL. A Implantação da Educação Ambiental no Brasil. Examinando raízes. Brasília - DF, 1998. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/images/stories/biblioteca/ educacao_ ambiental/A_implanta%C3%A7%C3%A3o_da_EA_no_Brasil.pdf> Acesso em: 20 de nov. 2014. 135 SATO, Hitoshi. Examinando raízes. Brasília - DF, 1998. In: A Implantação da Educação Ambiental no Brasil Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/images/stories/ biblioteca/ educacao_ ambiental/A_implanta%C3%A7%C3%A3o_da_EA_no_Brasil.pdf> Acesso em: 20 de nov. 2014. 62 Mas, o surgimento de uma ideologia consumista nas linhas de produção capitalistas do século XVIII, deu origem às primeiras reflexões quanto a atuação danosa do homem sobre a Natureza e uma mudança importante no padrão de percepção do mundo natural. E isso porque, enquanto a nova disciplina do trabalho nas fábricas marcava o ritmo de formação da classe operária, as condições de vida no ambiente fabril e nas cidades tornavam-se insuportáveis. Conforme Carvalho136, discorre: A deteriorização do ambiente urbano era, em muitos casos, ainda pior que nos dias de hoje. [...] O resultado era alta concentração populacional, constituída principalmente de trabalhadores pobres, expostos a um ambiente insalubre de trabalho e moradia. Não havia coleta de lixo ou saneamento. Os trabalhadores amontoavam-se em cortiços e eram submetidos a longas e penosas jornadas de trabalho. Era altíssima a propagação de epidemias. Essa experiência impulsionou o surgimento de um sentimento estético e moral de valorização da natureza, repercutindo e abrindo um debate na Inglaterra e Estados Unidos sobre o sentido do bem viver, mudando a percepção e a valoração dos ideais ambientalistas, que constituem raízes na contemporaneidade. [...] na Inglaterra, iniciou-se uma mudança importante no padrão de percepção do mundo natural. Trata-se do fenômeno das novas sensibilidades, estudado [...] como um traço cultural ligado ao ambiente social inglês do século XVIII [...] Essas novas sensibilidades orientavam-se para a valorização das paisagens naturais, das plantas e dos animais e poderiam ser consideradas parte das raízes do interesse contemporâneo. Essa cultura de valorização da natureza seria ainda mais fortalecida com o movimento romântico europeu do século XIV e, na perspectiva de uma tradição de longa duração, permanece presente até nossos dias.137 Nessa época Patrick Guedes, considerado pai da educação ambiental, expressava a sua preocupação com os efeitos da revolução industrial, iniciada em 1779, na Inglaterra, pelo desencadeamento do processo de urbanização e suas 136 CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. p. 94. 137 CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. p. 97. 63 consequências para o ambiente natural.138 Dias139 conta que no século XIX vários acontecimentos marcaram os rumos da educação ambiental, não como se tem hoje, mas que contribuíram para o aprendizado da nossa era, como por exemplo o lançamento do livro de Charles Darwin, que mostra como todas as coisas vivas são o produto do ambiente, trabalhado através do processo de seleção natural; Thomas Huxley, no ensaio Evidence as to man’s place in nature, trata da interdependência entre os seres humanos e os demais seres vivos. No Brasil, a princesa Isabel autoriza a operação da primeira empresa privada especializada em corte de madeira e assim, após três anos, o ciclo econômico do pau-brasil encerra-se com o abandono das matas exauridas; e, André Rebouças sugere a criação de parques nacionais na ilha de Bananal e em Sete Quedas.140 Essas contribuições marcaram significativamente a nossa era, contudo, “é bom recordar que foi na segunda metade do século XX que os desastres socioambientais se tornaram tão alarmantes que geraram muito medo e, talvez por isto, inspiraram as novas visões sobre um ‘desenvolvimento sustentável’”.141 As primeiras manifestações ambientalistas, organizadas em defesa do planeta Terra se deu no pós-II Grande Guerra, “após a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki, iniciaram-se na Europa manifestações pacifistas contra o uso da energia nuclear em função das consequências desastrosas para a humanidade e o meio ambiente”142. O homem comum, então, pelo menos por algum tempo, se deu conta e começou a conscientizar-se que poderia acabar definitivamente com o 138 CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. p. 97. 139 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 28. 140 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 29. 141 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 31. 142 FONSECA, Sérgio de Mattos. Movimento ambientalista e desenvolvimento sustentável, um breve histórico. Disponível em: <http://www.ecoeco.org.br/conteudo/publicacoes/encontros/iii_en/ Mesa8/6.pdf>. Acesso em: 25 nov. 2014. 64 planeta e com todas as espécies, inclusive a sua. Poucas foram as manifestações que proporcionaram uma mudança tão significativa nos valores humanos quanto à revolução ambientalista, datada do pósguerra. Em 1948 a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO realizou uma Conferência na cidade francesa de Fontainebleau levando ao surgimento da União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN, a mais importante organização conservacionista até a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, em 1972. A UICN publicou, em 1951, um Estudo da Proteção da Natureza no Mundo, apresentando setenta relatórios de países diferentes.143 Em 1965 aceita-se que a Educação Ambiental deve tornar uma parte essencial da educação de todos os cidadãos e deixe de ser vista essencialmente como conservação ou ecologia aplicada e “a expressão Environmental studies – estudos ambientais – entra no vocabulário dos profissionais do ensino na GrãBretanha”.144 O dia 20 de julho de 1969, do mesmo modo, é considerado marco importante, para a conscientização ambiental, quando Neil Armstrong, astronauta americano, pisou na lua mudando nosso olhar sobre ela, mas muito mais que isso, a percepção de nosso lugar no Universo, no cenário nosso planeta azul, flutuando num ambiente negro, tão belo, mas frágil. “Vista do espaço, a Terra é uma bola frágil e pequena, dominada não pela ação e pela obra do homem, mas por um conjunto ordenado de nuvens, oceanos, vegetação e solos”145. A percepção da Terra como algo vivo, que desempenhou um papel importante em nosso remoto passado cultural, foi dramaticamente revivida quando os astronautas puderam, pela primeira vez na história humana, ver nosso planeta a partir do espaço exterior. A 143 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 31. 144 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 31. 145 ONU. Organização das Nações Unidas. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente. Nosso futuro comum. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1991. p. 1. 65 visão que eles tiveram do planeta em toda a sua refulgente beleza um globo azul e branco flutuando na imensa escuridão do espaço impressionou-os e comoveu-os profundamente. Essa intensa experiência assim vivida mudou para sempre a interação entre o homem e seu planeta Terra, e as magníficas fotos da "Terra por Inteiro" que esses astronautas trouxeram ao voltar, tornaram-se um novo e poderoso símbolo para o movimento ambiental mundial.146 Marcada pelo alerta de peritos em desenvolvimento e meio ambiente para a necessidade de mudanças nas relações socioeconômicas, sem as quais a sociedade marcharia para o esgotamento dos recursos naturais, o movimento de defesa do meio ambiente que se limitava a um pequeno grupo eclético de universitários e hippies, rumou ao incentivo de tomada de consciência ecológica ao final da década de 60. Nessa época não se falava em Educação Ambiental, somente em março de 1965, na Conferência de Educação da Universidade de Keele, da Inglaterra, colocou-se pela primeira vez a expressão ‘Educação Ambiental’, com a recomendação de que ela deveria se tornar uma parte essencial da educação de todos os cidadãos.147 Em abril de 1968 trinta indivíduos de dez países, instigados a debater a crise atual e o futuro da Humanidade, encontraram-se na Itália, a convite de Arillio Perecei, um empresário preocupado com as questões econômicas e ambientais. Nascia o “Clube de Roma”, que produziu uma série de relatórios de enorme impacto, sendo “um deles chamado ‘Os Limites do Crescimento’; foi publicado em 1972 e trouxe um modelo inédito para a análise do que poderia acontecer se a Humanidade não mudasse seus métodos econômicos e políticos”.148 146 MACHADO, L. M. C. P. A percepção do meio ambiente como suporte para a educação ambiental. http://www.ib.usp.br/limnologia/Perspectivas/arquivo%20pdf/ Capitulo%204.pdf. Acesso em 20 nov. 2014. 147 BRASIL. A Implantação da Educação Ambiental no Brasil. Examinando raízes. Brasília - DF, 1998. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/images/stories/biblioteca/ educacao_ ambiental/A_implanta%C3%A7%C3%A3o_da_EA_no_Brasil.pdf> Acesso em: 20 de nov. 2014. 148 BRASIL. A Implantação da Educação Ambiental no Brasil. Examinando raízes. Brasília - DF, 1998. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/images/stories/biblioteca/ 66 Com o impacto do relatório do "Clube de Roma" somadas às movimentações da década de 60, a Organização das Nações Unidas – ONU realizou, entre 5 e 16 de junho 1972, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. A institucionalização ambiental global tomou rumou para a Educação Ambiental a partir da Conferência de Estocolmo, em 1972, onde se atribui a inserção da temática da Educação Ambiental na agenda internacional, desde então, levado pela sua importância, 5 de junho tornou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Importante destacar os três principais resultados deste evento mundial, no tema Educação Ambiental, a saber: criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, instalado no mesmo ano, com sede em Nairobi, a capital do Quênia; os 113 países participantes, assinaram a "Declaração da ONU sobre o Ambiente Humano", cujo artigo 19 dispõe que "É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais [...]”; e, recomendou-se a criação do Programa Internacional de Educação Ambiental – PIEA, para ajudar a enfrentar a ameaça de crise ambiental no planeta. Passados três anos, em 1975, lança-se em Belgrado o Programa Internacional de Educação Ambiental, definindo princípio, afirmando que “Governos e formuladores de políticas podem ordenar mudanças e novas abordagens para o desenvolvimento, podem começar a melhorar as condições de convívio do mundo, mas tudo isso não passa de soluções de curto prazo, a menos que a juventude mundial receba um novo tipo de educação. [...]”149. Cinco anos após Estocolmo, em 1977, acontece em Tbilisi, na Georgia (ex-União Soviética), a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, cuja organização ocorreu a partir de uma parceria entre a Unesco e o então recente educacao_ ambiental/A_implanta%C3%A7%C3%A3o_da_EA_no_Brasil.pdf> Acesso em: 20 de nov. 2014. 149 JACOBI, Pedro Roberto. Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo. Educ. Pesqui. vol. 31 no. 2 São Paulo May/Aug. 2005. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-97022005000200007&script=sci_arttext> Acesso em 28 dez. 2014. 67 Programa de Meio Ambiente da ONU (Pnuma). Destarte, deste encontro que saíram as definições, os objetivos, os princípios e as estratégias para a Educação Ambiental, que até hoje são adotados em todo o mundo. A Conferência de Tbilisi150 decidiu que as finalidades, que iriam nortear a Educação Ambiental em todo o planeta, seriam: a. Ajudar a fazer compreender, claramente, a existência e a importância da interdependência econômica, social, política e ecológica, nas zonas urbanas e rurais; b. Proporcionar, a todas as pessoas, a possibilidade de adquirir os conhecimentos, o sentido dos valores, o interesse ativo e as atitudes necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente; c. Induzir novas formas de conduta nos indivíduos, nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto, a respeito do meio ambiente. Tbilisi foi um grande marco da Educação Ambiental, a exemplo dos resultados de alguns eventos posteriores, que pouco a pouco, reafirmaram a Conferência de Tbilisi, dos quais se cita o Seminário sobre Educação Ambiental realizado (Costa Rica, 1979); Congresso Internacional sobre Educação e Formação Ambientais (Moscou, 1987), com a divulgação do Relatório “Nosso Futuro Comum”, conhecido como “Relatório Brundtland”, que inauguraria a terminologia “desenvolvimento sustentável”; ainda em Moscou, no mesmo ano, realiza-se o “Congresso Internacional da UNESCO-PNUMA sobre Educação e Formação Ambiental”; e ainda na Argentina em 1988 é realizado o Seminário Latino-Americano de Educação Ambiental; além de outros tantos encontros de expressivo conteúdo. Uma Estratégia para o Futuro da Vida (UICN, Pnuma, WWF, 1991) foi lançado como a Nova Estratégia para o Futuro da Vida, por meio da publicação 150 BRASIL. Secretaria do Meio Ambiente. Disponível em <http://www.meioambiente.pr.gov.br/ arquivos/File/coea/Tbilisi.pdf> Acesso em: 01 dez. 2014. 68 Cuidando do planeta Terra, com os objetivos trazidos por Dias151, que encerram: [...] melhorar as condições de vida no planeta através de definição de duas exigências fundamentais: primeira, é necessário assegurar um amplo e profundo compromisso com uma nova [..] ética sustentável e traduzir na prática os seus princípios; segunda, integrar conservação e desenvolvimento – a conservação para limitar as nossas atitudes à capacidade da Terra, e o desenvolvimento para permitir que as pessoas possam levar vidas longas, saudáveis e plenas, em todos os lugares. O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (1992), basicamente reafirma as recomendações de Tbilisi, mas diferentemente, a Conferência de Thessaloniki (Tessalônica, Grécia, 1998) traz um documento denominado “Educação para um futuro sustentável”, observando que houve um desenvolvimento insuficiente em educação ambiental; reafirmando que para atingir a sustentabilidade requer-se um enorme esforço para que haja mudanças radicais de comportamento e estilo de vida, de padrões de produção e consumo, além de recomendar que as escolas devam ser estimuladas e apoiadas a ajustar seus currículos visando atender às necessidades para um futuro sustentável.152 Destaca-se o “Primeiro Seminário sobre materiais para a Educação Ambiental”, em Santiago, Chile no ano de 1989; a “Declaração de Haia” em 1989, preparatória da RIO 92, que demonstra a importância da cooperação internacional nas questões ambientais, seguida pela “Conferência Mundial sobre Educação para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem”, realizada em Jomtien, Tailândia no ano de 1990, que aprovou a “Declaração Mundial sobre Educação para Todos”. O resultado chamaria a atenção do mundo para o analfabetismo ambiental, ressaltando: “A educação pode contribuir para conquistar um mundo mais seguro, mais sadio, mais próspero e ambientalmente mais puro, e que, ao mesmo tempo, favoreça o progresso social, econômico e cultural, a 151 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 105. 152 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 105. 69 tolerância e a cooperação internacional.”153 Mas, foi a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992, conhecida como Cúpula da Terra, e, mencionada no capítulo anterior, que reuniu chefes de Estado para debater formas de desenvolvimento sustentável, momento quando ficou registrado o documento elaborado de extrema importância, a Agenda 21 Global, um programa de ação baseado num documento, que constitui a mais abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, denominado “desenvolvimento sustentável”. Também em um encontro paralelo – o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global154. O dia primeiro de janeiro de 2005 ficou registrado na lembrança de educadores ambientalistas em todo o mundo, marcado pelo primeiro dia da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014). Sob coordenação da Unesco, essa iniciativa das Nações Unidas, instituída por resolução de sua Assembleia Geral, procura estabelecer um grande plano internacional de implementação, tendo como referência os preceitos da Agenda 21, em seu capítulo 36. Assim, os governos são chamados a aderir às medidas necessárias para a aplicação do que propõe a Década em seus planos e estratégias educativas.155 153 ARAÚJO, Thiago Cássio d´Ávila. Principais marcos históricos mundiais da educação ambiental. Disponível em: < http://noticias.ambientebrasil.com.br/artigos/2007/09/11/33350principais-marcos-historicos-mundiais-da-educacao-ambiental.html> Acesso em: 01 dez. 2014. 154 O Fórum Global das Organizações Não Governamentais foi realizado, simultaneamente à reunião de chefes de Estado ocorrida na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio de Janeiro, em 1992, contando com a participação de 15.000 profissionais atuantes na temática ambiental. Nesse evento foram ratificados 32 tratados, dentre eles o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, documento que constitui marco referencial da Educação Ambiental – EA. Tornou-se a Carta de Princípios da Rede Brasileira de Educação Ambiental, e das demais redes de EA a ela entrelaçadas. 155 SILVA, Marina. Identidades da educação ambiental brasileira. Ministério do Meio Ambiente. Diretoria de Educação Ambiental. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/livro_ieab.pdf> Acesso em 01 dez. 2014. 70 2.2 Principais documentos internacionais em EA Seguindo a recomendação 96 da Conferência de Estocolmo156, que atribuiu grande importância estratégica à Educação Ambiental, dentro dos esforços de busca da melhoria da qualidade ambiental, foram realizados diversos encontros nacionais, regionais e internacionais, todavia, os colacionados sequencialmente neste capítulo, são os globais e aqueles de maior relevância que influenciaram na legislação brasileira, bem como nas ações e atitudes de Educação Ambiental. 2.2.1 Carta de Belgrado Promovido pela UNESCO – o Encontro de Belgrado, na cidade de Belgrado, ex-Iugoslávia, em 1975, foram formulados os princípios e as orientações para o Programa Internacional de Educação Ambiental – PIEA, resultando ao final, a elaboração do documento denominado Carta de Belgrado, “que iria se constituir num dos documentos mais lúcidos sobre a questão ambiental na época”.157 No Encontro de Belgrado além dos princípios e orientações restou estabelecido que a Educação Ambiental deveria ainda ser contínua, multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e orientada para os interesses nacionais. A Carta de Belgrado: uma estrutura global para a educação ambiental, traz em seu bojo a situação da problemática ambiental e a justificativa para a situação da época, que analisada pode ser aplicada aos dias atuais. Nossa geração foi testemunha de um crescimento e de um progresso tecnológico sem precedentes, que mesmo quando aportou benefícios a muitas pessoas, provocou ao mesmo tempo graves consequências sociais e ambientais. Aumenta a desigualdade entre ricos e pobres, entre as nações e dentro delas; e existem evidências de uma crescente degradação ambiental, sob diferentes formas, em escala mundial. Esta situação, apesar de causada principalmente por um número relativamente pequeno de países, afeta a toda 156 "Se promova a educação ambiental como uma base de estratégias para atacar a crise do meio ambiente" 157 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 101. 71 humanidade.158 O início do texto declara, que naquela época, os responsáveis, pelo consumo de 80% dos recursos naturais da Terra e por 80% de toda população despejada no planeta era o grupo dos sete, ou seja, Estados Unidos da América, Japão, Alemanha, Inglaterra, Canadá, França e Itália, sem ainda incluir a Rússia.159 A Global Footprint Network160, aponta dados de 2010, conforme se infere da pesquisa realizada por Alves161, que a pegada ecológica da humanidade atingiu a marca de 2,7 hectares globais (gha) por pessoa, em 2007, para uma população mundial de 6,7 bilhões de habitantes na mesma data (segundo a ONU). Isso significa que para sustentar essa população seriam necessários 18,1 bilhões de gha. Ou seja, já ultrapassamos a capacidade de regeneração do planeta. No nível médio de consumo mundial atual, com pegada ecológica de 2,7 gha, a população mundial sustentável seria de no máximo 5 bilhões de habitantes.162 Mas ainda, existe uma perspectiva bastante pessimista, trazido pelo autor, que ao final faz uma pergunta, diante da realidade apontada, “o planeta suporta?” [...] em 2050 a população mundial deve atingir 8 bilhões de pessoas, na projeção baixa, 9 bilhões, na projeção média, e 10 bilhões, na projeção alta. Nas previsões do FMI, a economia mundial deve crescer acima de 3,5% ao ano de 2010 a 2050. Isso significa que o PIB mundial vai dobrar a cada vinte anos ou se multiplicar por quatro até 2050. Portanto, o mais provável é que a Terra tenha mais 2 bilhões de habitantes nos próximos quarenta anos e uma economia 158 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Carta de Belgrado. Disponível http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/crt_belgrado.pdf> Acesso em 15 fev. 2015. 159 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 103. em: < 160 Global Footprint Network publica Contas Nacionais da Pegada de 201 nações, e acolhe e incentiva essas nações para conduzir avaliações de suas contas. Avaliações nacionais são excelentes maneiras de ajudar a melhorar as Contas Nacionais da Pegada e criar oportunidades para aplicações de políticas pegada ecológica em nível nacional. 161 ALVES, José Eustáquio Diniz. A Terra no limite. Disponível em: <http://planetasustentavel.abril. com.br/noticia/ambiente/terra-limite-humanidade-recursos-naturais-planeta-situacao-sustentavel637804.shtml> Acesso em: 14 fev. 2014. 162 FONSECA, Sérgio Mattos; DRUMMOND, José Augusto. O valor de existência de um ecossistema costeiro tropical através da disposição ao trabalho voluntário: o caso da Lagoa de Itaipu (NITERÓI, RJ). Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v5n2/a06v5n2> Acesso em 28 dez. 2014. 72 quatro vezes maior. A Declaração de Belgrado, quando se refere à Resolução da ONU, recomenda um novo conceito de desenvolvimento e revela uma crítica sobre a formação acadêmica fragmentada, que segundo comentário de Dias163, acerca do tema “contribuía para uma visão isolada dos fenômenos, destituída, da visão do todo (visão holística164), perdendo-se, de forma perigosa, a noção das inter-relações”. A recente Declaração das Nações Unidas para uma Nova Ordem Econômica Internacional (Resolução da 6ª Sessão Especial da Assembleia Geral da ONU, adotada em 10 de maio de 1974, Nova Iorque), pede um novo conceito de desenvolvimento, que leve em consideração a satisfação das necessidades e os desejos de todos os habitantes da Terra, o pluralismo das sociedades e o equilíbrio e harmonia entre o homem e o ambiente. O que se busca é a erradicação das causas básicas da pobreza, da fome, do analfabetismo, da contaminação, da exploração e da dominação. Tratar, como se fazia antes, estes problemas cruciais de modo fragmentado, não é de modo algum adequado à esta situação. Com base na problemática mundial, recomenda que é absolutamente vital que todos os cidadãos do mundo insistam em medidas que apoiem um tipo de crescimento econômico que não tenha repercussões prejudiciais para as pessoas, para seu ambiente, nem para suas condições de vida. É necessário encontrar modos de assegurar que nenhuma nação cresça ou se desenvolva às custas de outra, e que o consumo de um indivíduo não ocorra em detrimento dos demais. Os recursos da Terra devem ser utilizados de modo que beneficiem a toda humanidade, e que proporcionem melhoria da qualidade de vida para todos. Para que se aplique tais medidas a Carta estabelece como meta da 163 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 103. 164 A proposta de desenvolver posturas holísticas em Educação Ambiental tem sido aceita apressadamente por grande parte dos educadores e educadoras. O atual prestígo que o enfoque holístico desfruta na Educação Ambiental e Ética Ambiental tem contribuído para que tal postura seja aceita, sem maiores questionamentos, como uma solução para o trabalho em Educação Ambiental. [...] grande parte das filosofias holistas pretende integrar o ser humano à Natureza como solução para a crise ambiental. Os seres humanos seriam parte da Natureza. GRÜn, Mauro. O conceito de holismo em ética ambiental e em educação ambiental. In: SATO, Michèle Sato; CARVALHO, Isabel Cristina Moura. Educação ambiental: pesquisas e desafios. Porto Alegre: Artmed, 2005. p. 48. 73 educação ambiental “Formar uma população mundial consciente e preocupada com o meio ambiente e com os problemas associados, e que tenha conhecimento, aptidão, atitude, motivação e compromisso para trabalhar individual e coletivamente na busca de soluções para os problemas existentes e para prevenir novos” 165. Os objetivos propostos então, para a Educação Ambiental foram estabelecidos de forma que haja uma tomada de consciência, ajudando as pessoas e aos grupos sociais a adquirir maior sensibilidade e consciência do meio ambiente em geral e dos problemas, por meio da “compreensão básica do meio ambiente em sua totalidade, dos problemas associados e da presença e função da humanidade neles”; atitudes, para que possam “adquirir valores sociais e um profundo interesse pelo meio ambiente que os impulsione a participar ativamente na sua proteção e melhoria”; aptidões “necessárias para resolver os problemas ambientais”; capacidade de avaliação, ajudando “a avaliar as medidas e os programas de educação ambiental em função dos fatores ecológicos, políticos, sociais, estéticos e educativos”; com a participação dos indivíduos, para as responsabilidades individuais, prestando atenção aos problemas ambientais e assim assegurar que medidas sejam adotadas.166 A carta reconhece a inadequação do sistema educacional instalado, pois não compreende o impacto que uma sociedade gera sobre as demais e sobre o ambiente global e impede a visão holística. Ao final recomenda as Diretrizes Básicas dos Programas de Educação Ambiental, a saber: 1. A Educação Ambiental deve considerar o ambiente em sua totalidade – natural e criado pelo homem, ecológico, econômico, tecnológico, social, legislativo, cultural e estético. 2. A Educação 165 UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Carta de Belgrado. Disponível em <http://unesdoc.unesco.org/images/0001/000177/017772sb.pdf> Acesso em 15 Fev. 2015. 166 UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Carta de Belgrado. Disponível em <http://unesdoc.unesco.org/images/0001/000177/017772sb.pdf> Acesso em 15 Fev. 2015. 74 Ambiental deve ser um processo contínuo, permanente, tanto dentro como fora da escola. 3. A Educação Ambiental deve adotar um método interdisciplinar. 4. A Educação Ambiental deve enfatizar a participação ativa na prevenção e solução dos problemas ambientais. 5. A Educação Ambiental deve examinar as principais questões ambientais em uma perspectiva mundial, considerando, ao mesmo tempo, as diferenças regionais. 6. A Educação Ambiental deve se basear nas condições ambientais atuais e futuras. 7. A Educação Ambiental deve examinar todo o desenvolvimento e crescimento a partir do ponto de vista ambiental. 8. A Educação Ambiental deve promover o valor e a necessidade da cooperação a nível local, nacional e internacional, na solução dos problemas ambientais.167 A Carta de Belgrado busca uma nova ética global, inserida em um programa mundial de Educação Ambiental, tendo como base um modelo de crescimento econômico que traga bem estar a todos os indivíduos; e, não repercussões prejudiciais às pessoas; de modo equitativo e igualitário, visando a melhoria da qualidade ambiental e em consequência, a elevação da qualidade de vida para as gerações presentes e futuras. As atividades desenvolvidas em Belgrado culminaram em diversos encontros regionais e internacionais resultando na Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental em Tbilisi no ano de 1977, que trataremos em seguida. 2.2.2 Primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental – Tbilisi (1977) A Primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental (Conferência de Tbilisi), foi realizada na cidade que deu o nome à conferência, capital da Geórgia, ex-URSS, de 14 a 26 de outubro de 1977, organizada pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em cooperação com o Pnuma, que resultou num documento final que é um marco histórico e a base para a moderna visão da Educação Ambiental. Deste encontro saíram as definições, os objetivos, os princípios e as estratégias para a Educação Ambiental, que até hoje são adotados em todo o mundo. 167 UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Carta de Belgrado. Disponível em <http://unesdoc.unesco.org/images/0001/000177/017772sb.pdf> Acesso em 15 Fev. 2015. 75 Conforme disposto na conferência, “nas últimas décadas, o homem, utilizando o poder de transformar o meio ambiente, modificou rapidamente o equilíbrio da natureza. Por conseguinte, as espécies vivas ficam frequentemente expostas a perigos que podem ser irreversíveis”168. No prefácio para o informe, se disse que “a educação ambiental não é uma matéria suplementar que se soma aos programas existentes, exige a interdisciplinaridade, quer dizer, uma cooperação entre disciplinas tradicionais, indispensável para poder se perceber a complexidade dos problemas do meio ambiente e formular sua solução”169. A Conferência relembra os desafios, que restaram proclamados na Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em 1972, em Estocolmo, ou seja, a defesa e a melhoria do meio ambiente para as gerações presentes e futuras constituem um objetivo urgente da humanidade. Para que se obtenha os resultados esperados “novas estratégias precisam ser adotadas com urgência e incorporadas ao progresso, o que representa, especialmente nos países em desenvolvimento, requisito prévio para todo avanço nessa direção”170. A solidariedade e a igualdade nas relações entre as nações devem constituir a base da nova ordem internacional, contribuindo para que se reúnam, o quanto antes, todos os recursos existentes.171 168 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 169 GAUDIANO, Edgar Gonzáles. Interdisciplinaridade e educação ambiental: explorando novos territórios epistêmicos. In: SATO, Michèle Sato; CARVALHO, Isabel Cristina Moura. Educação ambiental: pesquisas e desafios. Porto Alegre: Artmed, 2005. p. 119. 170 GAUDIANO, Edgar Gonzáles. Interdisciplinaridade e educação ambiental: explorando novos territórios epistêmicos. In: SATO, Michèle Sato; CARVALHO, Isabel Cristina Moura. Educação ambiental: pesquisas e desafios. Porto Alegre: Artmed, 2005. p. 119. 171 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 76 Mediante a utilização dos descobrimentos da ciência e da tecnologia, a educação deve desempenhar uma função capital com vistas a despertar a consciência e o melhor entendimento dos problemas que afetam o meio ambiente. Essa educação deverá fomentar a formação de comportamentos positivos em relação ao meio ambiente, bem como a utilização dos recursos existentes pelas nações.172 Recomenda que a educação ambiental deve abranger pessoas de todas as idades e de todos os níveis, no âmbito do ensino formal e não-formal, sendo um de seus princípios173 básicos, dispostos na conferência. Os meios de comunicação social têm a grande responsabilidade de colocar seus enormes recursos a serviço dessa missão educativa. A incorporação da dimensão ambiental174 no ensino formal (programas) deve incluir uma revisão de conteúdos programáticos, [...] Essa fase é executada por uma equipe multidisciplinar [...] Buscase em seguida, o tratamento dos temas de forma transversal, ou seja, reunindo ações de diferentes disciplinas, em torno de um tema. É um caminho para o início de práticas interdisciplinares. [...] Definem-se os objetivos educacionais e inicia-se a produção de recursos instrucionais, que vão depender da natureza das ações previstas. O passo seguinte é capacitar a escola (não apenas os professores). A escola em seguida, desenvolverá seus projetos, em função das suas diferentes realidades.175 Os especialistas no assunto, e também aqueles cujas ações e decisões 172 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 173 Princípio segundo: Constitui um processo contínuo e permanente, através de todas as fases do ensino formal e não-formal. 174 Dimensão foi a expressão empregada quase desde o início para designar como deveria proceder caso ocorresse a incorporação dos conteúdos, enfoques e perspectivas metodológicas ambientais no currículo. A dimensão ambiental era, [...] uma proposição que impregnava o currículo em seu conjunto, para tentar fecundar o conteúdo convencional das cadeiras com uma “ambientalização” que, muito frequentemente, consistia na adição de conteúdos e atividades didáticas sobre algum problema ou fenômeno ambiental. Essa situação ocorria apesar de em Tbilisi se haver insistido que a incorporação da educação ambiental ao sistema escolar, embora estivesse demonstrado que aumentava a adequação eficácia dos processos educativos, não é imediatamente evidente nem espontânea, dado que implica, a prazo mais ou menos longo, uma transformação do paradigma educativo. GAUDIANO, Edgar Gonzáles. Interdisciplinaridade e educação ambiental: explorando novos territórios epistêmicos. p. 124. 175 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 113-114. 77 podem repercutir significativamente no meio ambiente, deverão receber, no decorrer da sua formação, os conhecimentos e atitudes necessários, além de detectarem plenamente o sentido de suas responsabilidades nesse aspecto.176 Após, a compreensão, a educação ambiental estar integrada em um processo dinâmico integrativo, transformador, participativo, abrangente, globalizador e permanente, acompanhando as mudanças que se produzem num mundo em rápida evolução. Essa proposta educativa deve possibilitar ao indivíduo compreender os principais problemas do mundo contemporâneo, proporcionando-lhe conhecimentos técnicos e as qualidades necessárias para desempenhar uma função produtiva visando à melhoria da vida e à proteção do meio ambiente, com observância aos valores éticos.177 Deve ainda adotar um enfoque global, fundamentado numa ampla base interdisciplinar178, ou seja, natural, tecnológico, social, econômico, político, histórico, cultural, moral, ético e estético; a educação ambiental torna a criar uma perspectiva geral, dentro da qual se reconhece existir uma profunda interdependência entre o meio natural e o meio artificial. Essa educação deverá contribuir para qkue se exija a continuidade permanente que vincula os atos do presente às consequências do futuro; além disso, demonstra a interdependência entre as comunidades nacionais e a necessária solidariedade entre todo o gênero humano. Ainda a educação ambiental deve ser dirigida à comunidade despertando 176 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 177 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 178 A interdisciplinaridade vem como um dos princípios da Educação Ambiental: “Aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina, de modo que se adquira uma perspectiva global e equilibrada”. Pela própria natureza complexa do ambiente, das suas múltiplas interações com o fundo ecológico, político, social, econômico, ético, cultural, científico e tecnológico, não se poderia tratar o assunto em uma única disciplina. Preconiza a ação conjunta das diversas disciplinas em torno de temas específicos. DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 111. 78 o interesse do indivíduo em participar de um processo ativo no sentido de resolver os problemas dentro de um contexto de realidades específicas, estimulando a iniciativa, o senso de responsabilidade e o esforço para construir um futuro melhor. Por sua própria natureza, a educação ambiental pode, ainda, contribuir satisfatoriamente para a renovação do processo educativo.179 Assim, para atingir seus objetivos180, a educação ambiental exige a realização de certas atividades específicas, de modo a preencher as lacunas que ainda existem em nossos sistemas de ensino, apesar das inegáveis tentativas feitas até agora. “Esses objetivos estão interligados e pode-se começar por qualquer um, pois todos podem levar a todos”, e isso porque se executarmos uma atividade qualquer em Educação Ambiental, cujo objetivo seja oferecer conhecimento, esse conhecimento possa levar o indivíduo ou grupo a desenvolver uma dada habilidade. Com a aquisição dessa habilidade poderá haver uma sensibilização, que o levará a participar de uma iniciativa e, por conseguinte trará novos conhecimentos, desenvolvendo novas habilidades.181 Para que isso ocorra, a Conferência Intergovenamental de Tbilisi182, Convoca os Estados-membros a incluírem em suas políticas de educação, medidas visando incorporar um conteúdo, diretrizes e atividades ambientais em seus sistemas, com base nos objetivos e características mencionadas anteriormente; 179 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 180 a. Consciência: ajudar os grupos sociais e os indivíduos a adquirirem consciência do meio ambiente global e ajudar-lhes a sensibilizarem-se por essas questões; b. Conhecimento: ajudar os grupos sociais e os indivíduos a adquirirem diversidade de experiências e compreensão fundamental do meio ambiente e dos problemas anexos; c. Comportamento: ajudar os grupos sociais e os indivíduos a comprometerem-se com uma série de valores, e a sentirem interesse e preocupação pelo meio ambiente, motivando-os de tal modo que possam participar ativamente da melhoria e da proteção do meio ambiente; d. Habilidades: ajudar os grupos sociais e os indivíduos a adquirirem as habilidades necessárias para determinar e resolver os problemas ambientais; e. Participação: proporcionar aos grupos sociais e aos indivíduos a possibilidade de participarem ativamente nas tarefas que têm por objetivo resolver os problemas ambientais. 181 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 113-114. 182 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 79 Convida as autoridades educacionais a intensificarem seu trabalho de reflexão, pesquisa e inovação no que tange à educação ambiental; Incentiva os Estados-membros a colaborar nessa área, principalmente através do intercâmbio de experiências, pesquisas, documentação e materiais, colocando, além disso, os serviços de formação à disposição do corpo docente e dos especialistas de outros países; Estimula, finalmente, a comunidade internacional a dar uma generosa ajuda para fortalecer essa colaboração numa área de atuação que simboliza a necessária solidariedade de todos os povos, e que pode considerar-se como particularmente alentadora na promoção do entendimento internacional e da causa da paz. Em suas recomendações, considerando os problemas que o meio ambiente impõe à sociedade contemporânea e levando em conta o papel que a educação pode e deve desempenhar para a compreensão de tais problemas, recomenda a adoção de alguns critérios que poderão contribuir na orientação dos esforços para o desenvolvimento da educação ambiental, em âmbito regional, nacional e internacional.183 Destaca que as dimensões socioculturais e econômicas, e os valores éticos que deverão definir as orientações e os instrumentos com os quais o homem poderá compreender e utilizar melhor os recursos da natureza; pois “a educação ambiental é o resultado de uma reorientação e articulação de diversas disciplinas e experiências educativas que facilitam a percepção integrada do meio ambiente” e tem como objetivo fundamental “lograr que os indivíduos e a coletividade compreendam a natureza complexa do meio ambiente natural e do meio ambiente criado pelo homem” com o propósito fundamental em “mostrar, com toda clareza, as interdependências econômicas, políticas e ecológicas do mundo moderno” e com isso “contribuir para o desenvolvimento de um espírito de responsabilidade e de solidariedade entre os países e as regiões”.184 183 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 184 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 80 Nas recomendações podemos encontrar as finalidades, objetivos e princípios básicos da Educação Ambiental, pois reconhece que a educação ambiental deveria contribuir para consolidar a paz, desenvolver a compreensão mútua entre os Estados e constituir um verdadeiro instrumento de solidariedade internacional e de eliminação de todas as formas de discriminação racial, política e econômica. Tem como finalidades da Educação Ambiental estabelecidas na Conferência de Tbilisi: a. Ajudar a fazer compreender, claramente, a existência e a importância da interdependência econômica, social, política e ecológica, nas zonas urbanas e rurais; b. Proporcionar, a todas as pessoas, a possibilidade de adquirir os conhecimentos, o sentido dos valores, o interesse ativo e as atitudes necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente; c. Induzir novas formas de conduta nos indivíduos, nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto, a respeito do meio ambiente. Nesse sentido Dias185 comenta que “não se pode compreender uma questão ambiental sem as suas dimensões políticas, econômicas e sociais [...]”; a Educação Ambiental deve atender a todos as pessoas e chegar onde elas estiverem reunidas, além do que “os conhecimentos devem tratar das suas realidades sociais, econômicas, políticas, culturais e ecológicas”; devendo informar sobre a legislação ambiental, para que todos tenham conhecimento de seus direitos constitucionais de ter um ambiente devidamente equilibrado, porquanto, a questão ambiental está globalizada e não se aceita mais a desculpa de que não sabia, para que agredir o meio ambiente. Quanto aos princípios básicos, a publicação do Ministério Educação e Cultura – MEC, também destacou os princípios que foram listados na Recomendação nº 2 da Conferência de Tbilisi, e que até hoje são referência para quem atua no setor. Eles foram transformados em doze pequenos mandamentos, que podem guiar as "boas ações" de quem pratica educação ambiental. A 185 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 110. 81 Conferência propõe para a Educação Ambiental: a. Considerar o meio ambiente em sua totalidade, ou seja, em seus aspectos naturais e criados pelo homem (tecnológico e social, econômico, político, histórico cultural, moral e estético); b. Constituir um processo contínuo e permanente, começando pelo pré-escolar e continuando através de todas as fases do ensino formal e não formal; c. Aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de cada disciplina, de modo que se adquira uma perspectiva global e equilibrada; d. Examinar as principais questões ambientais, do ponto de vista local, regional, nacional e internacional, de modo que os educandos se identifiquem com as condições ambientais de outras regiões geográficas; e. Concentrar-se nas situações ambientais atuais, tendo em conta também a perspectiva histórica; f. Insistir no valor e na necessidade da cooperação local, nacional e internacional para prevenir e resolver os problemas ambientais; g. Considerar, de maneira explícita, os aspectos ambientais nos planos de desenvolvimento e de crescimento; h. Ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais; i. Destacar a complexidade dos problemas ambientais e, em consequência, a necessidade de desenvolver o senso crítico e as habilidades necessárias para resolver tais problemas; j. Utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla gama de métodos para comunicar e adquirir conhecimentos sobre o meio ambiente, acentuando devidamente as atividades práticas e as experiências pessoais. Na Conferência de Tbilisi foram recuperadas algumas estratégias de desenvolvimento do currículo buscando a compreensão, do ponto de vista holístico, os aspectos ambientais em suas dimensões políticas, econômicas e sociais, implicando noções distintas de interdisciplinaridade, tanto para o ensino fundamental como para a educação tecnológica e superior.186 186 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 82 Nas diversas recomendações restou claro que cada país deve intensificar ou estabelecer as estruturas para a promoção de uma Educação Ambiental, que visasse a conservação e melhoria da qualidade de vida, ao mesmo tempo em que se preservasse os sistemas ecológicos, por meio da criação de conscientização de todos os indivíduos.187 Busca a instigar profissionais de grande influência sobre o meio ambiente a aperfeiçoarem seus conhecimentos sobre Educação Ambiental em todos os níveis de formação, seja complementar ou em programas destinados a um público já especializado. Do mesmo modo, incentiva o desenvolvimento da pesquisa nas universidades; formação técnica, para a compreensão sobre as mudanças ambientais resultantes das atividades profissionais, já que o trabalho é um excelente ponto de partido para a Educação Ambiental de adultos; os consumidores, pois influem indiretamente (acredito que atualmente, diretamente), por meio do seu comportamento individual e coletivo, nas repercussões de consumo sobre o meio ambiente; atualização da maioria dos membros do corpo docente, tendo em conta que suas diplomações foram em uma época em que a temática ambiental era descuidada; a disponibilização de material didático adequados; recomendações aos governos; além de outras recomendações aos Estados membros, para que tomem as medidas necessárias, por meio de planos de ação, atividades e ajuda às organizações não governamentais, que assegurem uma Educação Ambiental eficiente.188 No Brasil, conforme Recomendação 41, que transcrevo, muitos criticaram os documentos de Tbilisi, mas, como costuma acontecer, não apresentaram suas sugestões. Na verdade, possuem bagagem e astúcia suficientes para – do alto de sua atmosfera acadêmica rarefeita, na qual os mais simples não podem respirar – reduzir a cinzas qualquer tentativa de produção 187 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 188 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 83 nessa área. Foi assim com o Projeto de EA da Ceilândia, com o Projeto Universidade Aberta, e com os trabalhos da Cetesb, iniciativas pioneiras, de inegável relevância na evolução da EA no Brasil. Esses experts, no entanto, por razões que não compreendemos, deixaram de apresentar seus trabalhos, sugestões e alternativas.189 Na realidade, Tbilisi gerou muitas outras decisões. Afinal, cada uma das quarenta e uma recomendações traz um conjunto de propostas. Algumas perderam a atualidade (por exemplo, as recomendações n° 22 a 40 abordam programas de cooperação internacional e propostas de ações regionais, na África e Ásia, que seriam adotadas naquela época).190 Outras, se mantêm atuais e servem como norte para quem quer atuar neste setor. A influência de Tbilisi, no Brasil, se fez presente na Lei n. 6.938, de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, suas finalidades e mecanismos de formulação e execução, os quais veremos oportunamente. Em um de seus princípios, a lei dispõe que a Educação Ambiental deve atuar em todos os níveis de ensino, inclusive na educação da comunidade, com a finalidade de capacitá-la para a participação ativa na defesa do meio ambiente. 2.2.3 Agenda 21 A “Agenda 21” é um documento lançado na Rio92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CNUMAD – realizada em 1992 na cidade do Rio de Janeiro. É um programa de ações recomendado para todos os países nas suas diversas instâncias e setores para colocarem em prática a partir da data de sua aprovação – 14 de junho de 1992 e ao longo de todo século 21. Conforme informa o Ministério do Meio Ambiente, 179 países participantes da Rio 92 acordaram e assinaram a Agenda 21 Global, um programa 189 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Declaração de Tbilisi. Disponível em <http://www.mma. gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/decltbilisi.pdf> Acesso em: 15 fev. 2015. 190 MORIN, Edgar. As bases internacionais para a educação ambiental. Disponível em < http://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/images/stories/biblioteca/educacao_ambiental/A_impl anta%C3%A7%C3%A3o_da_EA_no_Brasil.pdf> Acesso em 15 fev. 2015. 84 de ação baseado num documento de 40 capítulos, que constitui a mais abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, denominado “desenvolvimento sustentável”. O termo “Agenda 21” foi usado no sentido de intenções, desejo de mudança para esse novo modelo de desenvolvimento para o século XXI. A Agenda 21 pode, ainda, ser definida como um instrumento de planejamento para a construção de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.191 O documento possui cerca de 800 páginas, sem valor jurídico impositivo, todavia, revelam Bursztyn e Bursztyn192 onde se “traça um plano global de ação, a ser implantado pelos governos, pelas instituições de desenvolvimento, pelos organismos das Nações Unidas e pelas ONG’s, para tornar o desenvolvimento sustentável numa realidade do século XXI”. Em seu preâmbulo afirma que: A Agenda 21 está voltada para os problemas prementes de hoje e tem o objetivo, ainda, de preparar o mundo para os desafios do próximo século. Reflete um consenso mundial e um compromisso político no nível mais alto no que diz respeito a desenvolvimento e cooperação ambiental. O êxito de sua execução é responsabilidade, antes de mais nada, dos Governos. Para concretizá-la, são cruciais as estratégias, os planos, as políticas e os processos nacionais.193 No que se refere à Educação Ambiental, a Agenda 21, destinou um capítulo especial ao tema, capítulo 36, intitulado Promoção do Ensino, da Conscientização e do Treinamento. 191 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda 21 Global. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global> Acesso em 16 fev. 2015. 192 BURSZTYN, Maria Augusta; BURSZTYN, Marcel. Fundamentos de política e gestão ambiental: caminhos para a sustentabilidade. p. 108 193 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda 21 Global. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global> Acesso em 16 fev. 2015. 85 Os principais princípios e fundamentos do capítulo 36, tem como base a Conferência de Tbilisi, e foi dividida em três partes, onde estão previstas as bases de ação, objetivos e atividades, iniciando o estabelecimento nas áreas de programas. A primeira parte visa uma reorientação do ensino no sentido do desenvolvimento sustentável; a segunda um aumento da consciência pública e a terceira a promoção do treinamento. A reorientação do ensino no sentido do desenvolvimento sustentável, possui uma base para a ação, justificando que inclusive “o ensino formal, a consciência pública e o treinamento devem ser reconhecidos como um processo pelo qual os seres humanos e as sociedades podem desenvolver plenamente suas potencialidades”.194 O ensino tem fundamental importância na promoção do desenvolvimento sustentável e para aumentar a capacidade do povo para abordar questões de meio ambiente e desenvolvimento. Ainda que o ensino básico sirva de fundamento para o ensino em matéria de ambiente e desenvolvimento, este último deve ser incorporado como parte essencial do aprendizado. Tanto o ensino formal como o informal são indispensáveis para modificar a atitude das pessoas, para que estas tenham capacidade de avaliar os problemas do desenvolvimento sustentável e abordá-los. O ensino é também fundamental para conferir consciência ambiental e ética, valores e atitudes, técnicas e comportamentos em consonância com o desenvolvimento sustentável e que favoreçam a participação pública efetiva nas tomadas de decisão. Para ser eficaz, o ensino sobre meio ambiente e desenvolvimento deve abordar a dinâmica do desenvolvimento do meio físico/biológico e do sócio-econômico e do desenvolvimento humano (que pode incluir o espiritual), deve integrar-se em todas as disciplinas e empregar métodos formais e informais e meios efetivos de comunicação.195 Quanto ao aumento da consciência pública, a base para a ação tem por fundamento a falta de conscientização da inter-relação existente entre todas as 194 FRANÇA, Maria Cristina. A educação ambiental na escola: um estudo sobre as representações sociais dos professores do ensino fundamental do município de Pouso Redondo – SC. Disponível em< http://www.unoesc.edu.br/images/uploads/mestrado/Maria_Cristina.pdf> Acesso em 28 dez. 2014. 195 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda 21: caderno 36. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/deds/pdfs/cap36_ag21.pdf> Acesso em 28 dez. 2014. 86 atividades humanas e o meio ambiente, porquanto não há informações suficientes sobre o assunto ou ainda podem ser inexatas. Os países em desenvolvimento, em particular, carecem da tecnologia e dos especialistas competentes. É necessário sensibilizar o público sobre os problemas de meio ambiente e desenvolvimento, fazê-lo participar de suas soluções e fomentar o senso de responsabilidade pessoal em relação ao meio ambiente e uma maior motivação e dedicação em relação ao desenvolvimento sustentável.196 A base de ação para a promoção do treinamento se justifica tendo em conta que é um dos instrumentos mais importantes para desenvolver recursos humanos e facilitar a transição para um mundo mais sustentável. Ele deve ser dirigido a profissões determinadas e visar preencher lacunas no conhecimento e nas habilidades que ajudarão os indivíduos a achar emprego e a participar de atividades de meio ambiente e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, os programas de treinamento devem promover uma consciência maior das questões de meio ambiente e desenvolvimento como um processo de aprendizagem de duas mãos.197 A Agenda 21 como um instrumento de planejamento para a construção de sociedades sustentáveis, deve servir para diferentes bases geográficas, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Sendo assim, a partir das propostas da Agenda 21 Global, os Estados membros devem implantar suas Agendas locais. 198 Conforme informação colhida do Ministério do Meio Ambiente a Agenda 21 Brasileira, 196 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda 21 Global. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global> Acesso em 16 fev. 2015. 197 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda 21 Global. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global> Acesso em 16 fev. 2015. 198 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda 21 Global. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global> Acesso em 16 fev. 2015. 87 É um processo e instrumento de planejamento participativo para o desenvolvimento sustentável e que tem como eixo central a sustentabilidade, compatibilizando a conservação ambiental, a justiça social e o crescimento econômico. O documento é resultado de uma vasta consulta à população brasileira, sendo construída a partir das diretrizes da Agenda 21 global. Trata-se, portanto, de um instrumento fundamental para a construção da democracia participativa e da cidadania ativa no País. Para sua implementação deve haver participação da sociedade e do governo e pode ser construída e implementada em municípios ou em quaisquer outros arranjos territoriais, como bacias hidrográficas, regiões metropolitanas e consórcios intermunicipais. Deve ser, portanto, um processo de construção contínua, levando em conta as características da localidade, sempre com a participação das comunidades envolvidas.199 A Agenda 21 Local é um instrumento de planejamento de políticas públicas que envolve tanto a sociedade civil e o governo em um processo amplo e participativo de consulta sobre os problemas ambientais, sociais e econômicos locais e o debate sobre soluções para esses problemas através da identificação e implementação de ações concretas que visem o desenvolvimento sustentável local.200 Em diversas localidades no país foram implantadas a Agenda 21, a partir dessa participação com reuniões e debates, utilizando-se do processo de construção da Agenda 21 Local, nos recursos disponibilizados pelo Ministério do Meio Ambiente. 199 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda 21 Global. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global> Acesso em 16 fev. 2015. 200 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Agenda 21 Global. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-21/agenda-21-global> Acesso em 16 fev. 2015. 88 2.2.4 Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global Outro documento internacional de extrema relevância é intitulado Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, elaborado pela sociedade civil planetária, em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92).201 Este documento, além de firmar com forte ênfase o caráter crítico e emancipatório da Educação Ambiental, entendendo-a como um instrumento de transformação social, política, ideologicamente comprometido com a mudança social (o que já aparecia timidamente em Tbilisi), desponta também como elemento que ganha destaque em função da alteração de foco do ideário desenvolvimentista para a noção de sociedades sustentáveis construídas a partir de princípios democráticos, em propostas participativas de gestão ambiental e de responsabilidade global. Traz o Tratado, a educação, como um processo dinâmico em permanente construção, na qual deve-se propiciar a reflexão, o debate e a sua própria modificação.202 2.2.5 Declaração de Thessaloniki – Grécia, 1998 Promovida pela UNESCO e governo da Grécia, reuniram de 8 a 12 de dezembro de 1997, na Thessaloniki, Grécia, participantes de organizações governamentais, intergovernamentais e não-governamentais (ONGs), e da sociedade civil dos 83 países presentes na Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade. Com o objetivo de reconhecer o papel crítico da educação e da consciência pública para o alcance da sustentabilidade; de considerar a importante contribuição da educação ambiental; fornecer elementos para o futuro 201 BRASIL. Ministério da Educação. Proposta de diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao13.pdf> Aceeso em 27 dez. 2014. 202 BRASIL. Ministério da Educação. Proposta de diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao13.pdf> Aceeso em 27 dez. 2014. 89 desenvolvimento do programa de trabalho da Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU; e mobilizar ações nos níveis internacional, nacional e local, a Conferência de Thessaloniki adotou essa declaração, levando em consideração que as recomendações e planos de ação da Conferência de Belgrado em Educação Ambiental (1975), da Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental de Tbilisi (1977), dentre outros, ainda são válidos, mas ainda não foram totalmente explorados. Observa que a visão de educação e consciência pública tem sido desenvolvida, enriquecida e reforçada pela ONU – Organização das Nações Unidas e que os planos de ação para um desenvolvimento sustentável propostos, devem ser implementados pelos governos nacionais, sociedade civil, incluindo as Organizações não governamentais, jovens, empresas e a comunidade educacional, a ONU e outras organizações internacionais. Reafirmou, por conseguinte, o compromisso de atingir a sustentabilidade, por meio de esforços de todos, que deve se dar com mudanças radicais de comportamento de estilos de vida, de padrões de produção e consumo, indicando para seu alcance, a educação e conscientização pública apropriada, posto que são pilares da sustentabilidade e devem assim ser reconhecidos, junto com a legislação, a tecnologia e a economia. Reconhecem que a pobreza dificulta o acesso à educação, elevando o crescimento populacional e via de consequência a uma elevada degradação ambiental, motivo pelo qual, objetivam de forma essencial e indispensável para atingir a sustentabilidade, sua redução. Portanto, somente com um processo de aprendizagem coletiva, parcerias e diálogos contínuos entre governos, autoridades locais, comunidade acadêmica, consumidores, dentre outros atores sociais, ajudando nesse processo, que se pode mudar os comportamentos e estilo de vida, incluindo padrões de produção e consumo para o alcance da sustentabilidade. E assim, como em Belgrado e os compromissos firmados na Agenda 21, afirmam que a educação, envolvendo todos os níveis, formais, não formais e informais são meios indispensáveis para fornecer a todas as pessoas do mundo a 90 capacidade de direcionarem suas próprias vidas, com escolhas responsáveis, aprendendo ao longo de uma vida, em todas as áreas do conhecimento. Com base nessas premissas recomenda, em suma, que governos e líderes em todo o mundo honrem os compromissos já realizados durante a série das conferências das Nações Unidas, que contribuam para a implementação do Capítulo 36 da Agenda 21 e ofereçam à educação as condições necessárias para cumprir seu papel na construção do futuro sustentável. Com base nas recomendações dessa conferência e passados 38 anos de Tbilisi, o poder econômico ainda comanda os interesses do mundo e a educação continua sendo deixada de lado e não é prioridade dos governos no mundo todo. Vivemos numa crise de percepção do planeta, da localidade e de nós mesmos, como se não partilhássemos toda biosfera e dependente dela. Outros encontros de especial valor foram realizados, reafirmando e buscando o comprometimento da sociedade e dos governos, reconhecendo que o atual modelo de desenvolvimento é política, social, econômica, ecológica e ética insustentável. O apelo feito em todas elas, buscam uma mudança, no comportamento e forma de vida. Nesse passo, sabedores que o Brasil firmou esses compromissos, passaremos a analisar o movimento e as mudanças que o nosso país, fez e tem feito para o alcance da sustentabilidade ambiental na educação brasileira. 91 CAPÍTULO 3 EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O ALCANCE DAS DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE 3.1 EDUCAÇÃO COMO PROCESSO TRANSFORMADOR A necessidade de ensinar e aprender é a continuação da existência social, pois os indivíduos se “mantém em contínua auto renovação e esta renovação se efetua por meio do crescimento educativo dos componentes imaturos dos grupos”, sendo a educação um processo de dirigir, de conduzir ou de elevar resultando em “uma atividade formadora ou modeladora – isto é, modela os seres na forma desejada de atividade social”.203 Nessa perspectiva a educação é transmitida por um método que “consiste em provocar, pela ação do meio, que as impõe, determinadas reações ou respostas”, posto que, não se pode conceber que o desenvolvimento se transmita diretamente por convicções, emoções e conhecimentos.204 Contudo, o caminho de libertação para o indivíduo, onde reside o objetivo da educação, é a clarificação da inteligência, que para Prado205, se trata de uma “iluminação interior, um apuro da acuidade no discernir, que se vai adquirindo com buscas singulares, tudo que contribui para criar o que podemos chamar de mente formada, mente sensata”. Na visão de Émile Durkheim206 (1858-1917), teórico fundador da 203 204 205 206 DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. 4. ed. São Paulo: Nacional, 1979. p. 11. DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. p. 11. PRADO, Lourenço de Almeida. Educação: ajudar a pensar, sim: conscientizar, não. Rio de Janeiro: Agir, 1991. p. 32. DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. São Paulo: Melhoramentos, 1978. P. 92 sociologia da educação, a educação é um fato social e assegura que: A construção do ser social, feita em boa parte pela educação, é a assimilação pelo indivíduo de uma série de normas e princípios sejam morais, religiosos, éticos ou de comportamento - que baliza a conduta do indivíduo num grupo. O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela. Para a teoria durkheimiana, a educação é o instrumento em que o indivíduo pode se valer, para aperfeiçoar-se, criando um alicerce, que embasará a evolução de uma sociedade. Essa teoria, observada por Lucena207 se inspira em uma concepção de homem, onde a educação se torna uma poderosa ferramenta para a construção gradativa de uma moral coletiva, fundamental para a continuidade da sociedade capitalista, afirmando que a “influência das coisas sobre os homens é diversa daquela que provém dos próprios homens; e a ação dos membros de uma geração sobre os outros, difere da que os adultos exercem sobre as crianças e os adolescentes”, estando nessa máxima a denominação de educação dada por Durkheim. A educação consiste em habituar os indivíduos a uma disciplina, a qual deve ter, e não pode deixar de ter, um caráter autoritário. Formar os indivíduos, tendo em vista a integração na sociedade, é torná-los conscientes das normas que devem orientar a conduta de cada um e do valor imanente e transcendente das coletividades que cada homem pertence ou deverá pertencer. A educação visa criar no homem um ser novo. Weber por sua vez, nas palavras de Silva e Amorim208, não a “trabalha com fato social, mas como categoria social (ação) com a origem no indivíduo e afirma que toda ação social do indivíduo tem como princípio a liberdade”. 207 LUCENA, Carlos. O pensamento educacional de Émile Durkheim. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n. 40, p. 295-305, dez. 2010 - ISSN: 1676-2584, Disponível em: < http://www.histedbr.fae. unicamp.br/revista/edicoes/40/art18_40.pdf> Acesso em 09 julh. 2013. 208 SILVA, José Augusto Medeiros. AMORIM, Wellington Lima. Estudo de Caso: O pensamento sociológico de Max Weber e a Educação. Revista Interdisciplinar Científica Aplicada, Blumenau, v.6, n.1, p.100-110, Tri I. 2012. 93 A educação no conceito de Weber, trazido por Silva e Amorim209 “é o instrumento que propicia ao homem a preparação necessária para o exercício de atividades funcionais adequadas às exigências das mudanças ocasionadas pela racionalização que o homem irá se deparar socialmente”. E, ainda, na medida em que a sociedade se racionaliza historicamente, não é mais, a educação um meio de preparação para que o indivíduo compreenda seu papel no conjunto harmônico do contexto social, tampouco vista como fim na conquista da liberdade.210 Na verdade, a educação para Weber, passa a ser uma forma de dominação, de um indivíduo em relação ao outro, onde se busca, em uma estrutura social, cada um ocupar posições privilegiadas, conforme ascende nas suas qualificações. Nesse contexto, a educação é tratada como um processo contínuo de socialização do indivíduo, que vai desde o nascimento, quando recebe os primeiros estímulos na família e depois no ambiente escolar, que por sua vez tem papel fundamental na sua formação para o convívio em sociedade. Nessa ordem, a educação do indivíduo, conforme assinalado, passa primeiramente pela família, onde seus membros mais velhos passam valores, aos mais jovens, comportamentos e experiências, bons ou maus, preparando-os para a vida em sociedade. O papel educador da família para Reboul211 é decisivo e consiste em formar sentimentos, [...] até nova ordem, insubstituível; [...] O amor familial é, muita vez 209 SILVA, José Augusto Medeiros. AMORIM, Wellington Lima. Estudo de Caso: O pensamento sociológico de Max Weber e a Educação. Revista Interdisciplinar Científica Aplicada, Blumenau, v.6, n.1, p.100-110, Tri I. 2012. 210 SILVA, José Augusto Medeiros. AMORIM, Wellington Lima. Estudo de Caso: O pensamento sociológico de Max Weber e a Educação. Revista Interdisciplinar Científica Aplicada, Blumenau, v.6, n.1, p.100-110, Tri I. 2012. 211 REBOUL, Olivier. Filosofia da educação. p. 14. 94 cego, por vezes tempestuoso e cruel; constitui, entretanto, a ocasião única no mundo para que o indivíduo, homem ou mulher, adulto ou criança, se descubra como pessoa, isto é, como insubstituível; a família educa amando e, sejam quais forem seus conflitos, seus erros e suas faltas, o essencial é que “o coração esteja lá”. Além dos sentimentos, a família estabelece os primeiros contatos com o indivíduo, que por meio da linguagem e da convivência se inicia o aprendizado e a formação da personalidade. Todavia, a educação familiar fundada pelos laços da afetividade, torna-se uma função primeira, mas insuficiente, porque a tarefa de instruir cabe às instituições de ensino, porque, “a família e a escola são instituições complementares, cada uma com funções opostas; ante a hierarquia doméstica, a escola assegura a igualdade entre crianças da mesma idade; não desenvolve os sentimentos, mas o entendimento; o valor que a inspira não é o amor, mas a justiça”212 A primeira função da escola é proporcionar um ambiente simplificado; estabelecendo uma progressão, utilizando-se dos elementos adquiridos em primeiro lugar como meio de conduzi-los ao sentido e compreensão real das coisas mais complexas; em segundo lugar, o meio escolar tem a tarefa de eliminar o mais possível os aspectos vantajosos do ambiente comum, que exercem influência sobre os hábitos mentais; em terceiro, contrabalancear os vários elementos do ambiente social e dar ao indivíduo oportunidade para fugir às limitações do grupo social em que nasceu.213 O ambiente escolar é um meio de instrução, que leva ao conhecimento por intermédio das experiências, portanto, indispensável ao indivíduo. Sobre a escola Reboul214 afirma que: [...] a escola pela proteção que assegura, por seus programas a 212 REBOUL, Olivier. Filosofia da educação. p. 15. 213 DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. p. 22. 214 REBOUL, Olivier. Filosofia da educação. p. 91. 95 longo termo, seus métodos, sua progressão, até sua coerção, é a instituição que pode, e só ela pode, por cada qual, ao menos de maneira durável, em condições de instruir-se. O fato de que a gente não se instrui senão por si mesma não suprime a necessidade da escola: é a base da escola. E quem pode dar efetividade a esses elementos é o educador, que tem a responsabilidade, no âmbito escolar, de transmitir valores, respeito às regras, formas de comportamento e, sobretudo, o conhecimento, àqueles que estão na condição de aprendizes, sejam eles crianças, jovens ou mesmo adultos, levando-os a pensar, refletir e compreender o sistema que vive. Canivez215 em seu estudo da teoria de Hannah Arendt entende que o educador deve sentir-se “responsável pelo mundo”, ou seja, ele deve transmitir o saber, ensinando a história, o passado, tudo aquilo que o indivíduo herdou de sua geração, e explica: É dessa relação com o passado, e do fato de ser capaz de assumir a responsabilidade do mundo, que ele recebe essa autoridade. Ao transmitir essa herança de saber e de tradições, ele não priva as crianças de sua capacidade de inovação. Ao contrário, ele a preserva. Porque apresenta diante delas o campo de sua ação futura, sem procurar pronunciar-se sobre o que ela será nem sobre o que deve ser. De modo contrário, o indivíduo ao considerar que não tem passado, não saberá que caminhos seguir, “não há criação a não ser sobre o fundo da tradição, aceita ou recusada, celebrada ou criticada, mas conhecida e assumida”216. Dewey217 nesse sentido, afirma que a educação pode ser concebida retrospectivamente ou prospectivamente, ou seja, pode-se considerar como processo de adaptação do futuro com o passado, ou ainda como utilização do passado para a construção e desenvolvimento do futuro, tornando “importantíssimo 215 CANIVEZ, Patrice. Educar o cidadão? p. 142. 216 CANIVEZ, Patrice. Educar o cidadão? p. 145. 217 DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. p. 92. 96 encarecer o valor das primeiras experiências dos imaturos, precipuamente por causa da tendência de se considerarem como de pouca monta”. A educação, em todos os aspectos expostos, que se restringem a uma visão filosófica da educação, seja ela com o propósito de conquistar a liberdade interior, de ensinar ou aprender, como fator social, na preparação necessária para o exercício de atividades funcionais ou ainda como formadora de gerações, deve ser pensada em um sentido macro, despertando o indivíduo para ir além de si mesmo, no aperfeiçoamento moral e intelectual. Assim, para que a educação atinja seu objetivo, deverá ser um mecanismo de alcance ao indivíduo, como cidadão, ao trazer o conhecimento e sua importância no sistema e ambiente que vive. E isso porque, a exemplo do que Platão exprime sobre educação, abordado no estudo de Dewey218 “a organização da sociedade depende, em última instância, do conhecimento da finalidade da existência”, e justifica: [...] se desconhecermos a finalidade, que é o bem, não teremos um critério para decidir racionalmente sobre as possibilidades que devem ser acoroçoadas, ou como deve ser organizada a sociedade; sem isso, não poderemos conceber qual a conveniente limitação e distribuição das atividades – o que ele chamava de justiça – indispensável a caracterizar a organização tanto individual como social. A educação não se presta somente a formar individualmente o homem, para que exerça suas atividades como trabalhador, de forma mecanizada, mas a desenvolver a inteligência e personalidade para uma vida participativa na sociedade. Com ela o indivíduo deve ter a oportunidade e a opção de buscar o melhor para o grupo em que pertence. A educação, portanto, tem a função de trazer ao indivíduo um 218 DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. p. 95. 97 amadurecimento, um pensar coletivo, que para Dewey219 acontece onde “há mútua cooperação entre os homens e existem convenientes e adequadas oportunidades para a reconstrução dos hábitos e das instituições sociais por meio de amplos estímulos decorrentes da equitativa distribuição de interesses e benefícios”. Para se se estabelecer essa conexão entre o indivíduo, como educando no contexto educacional ambiental, diversas correntes se formaram, retratando o aspecto didático pedagógico, em uma visão estreita ou ampliada do homem em relação ao meio que vive e traduz com o conhecimento que adquire. 3.1.1 Correntes em educação ambiental Diferentes discursos em educação ambiental se propõem em diversas formas conceber e praticar a ação educativa no tema. A esse fenômeno chamamos de correntes em educação ambiental, que se refere a uma maneira geral, a visão ou o ângulo que se vai analisar. As correntes em educação ambiental foram analisadas por Sauvé220, sendo que cada uma apresenta “um conjunto de características específicas que as distingue das outras, as correntes não são, no entanto, mutuamente excludentes em todos os planos: certas correntes compartilham características comuns”, por esse motivo, não se pode afirmar que a educação ambiental, se restringe a essa ou aquela corrente, porquanto a visão do homem em relação ao seu meio é diversa e vem se ampliando ao longo dos tempos. Ao classificar as correntes em educação ambiental, Sauvé221 as apresentou em função de alguns parâmetros, a saber: concepção dominante do meio ambiente; intenção central da educação ambiental; enfoques privilegiados, 219 DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. p. 108. 220 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. Porto Alegre: Artmed, 2005. p. 17. 221 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. Porto Alegre: Artmed, 2005. p. 17. 98 ilustrando por meio de exemplo de estratégias ou de modelos. As divide em algumas que tem longa tradição em educação ambiental: naturalista, conservacionista, resolutiva, sistêmica, científica, humanista mora/ética; e, as correntes mais recentes: holística biorregionalista, práxica, crítica, feminista, etnográfica, da ecoeducação e da sustentabilidade. Percorreremos cada uma delas, então, para que possamos, ao longo do trabalho visualizar o comportamento do homem, sua visão em relação ao mundo e a proposta da educação ambiental em relação às modificações das qualidades intrínsecas, que podem transformar ou melhorar o comportamento do homem, refletindo-se extrinsecamente, visando atingir os objetivos e esforços de todo um trabalho feito pelos cientistas sociais e a comunidade internacional, que o Brasil pertence. A corrente naturalista busca reconstruir uma ligação com a natureza e tem como objetivo aprender com coisas sobre a natureza, por meio de experiências, associando a criatividade humana à da natureza. Essa corrente está associada ao movimento de “educação para o meio natural” (nature education) e a certas proposições de “educação ao ar livre” (outdoor education). As conjecturas dessa corrente com frequência reconhecem o valor intrínseco da natureza, além dos recursos que ela proporciona e do saber que se possa obter dela. Na prática educacional, esta perspectiva se concretiza em atividades ao ar livre, que deve ser considerada um dos meios mais eficazes para aprender sobre o mundo natural, pois leva a uma visão socioambiental e de preservação da natureza.222 O homem em contato com a natureza, estaria num exercício de reflexão em busca do descobrimento de sua essência, como coadjuvante no sistema planetário, tentando compreender, da onde veio e para onde vai, as responsabilidades de seus atos, em meio a humanidade inteira. Jean-Paul Sartre, dizia que “o homem antes de mais nada, é um projeto que se vive subjetivamente” e explicava que toda a ação passa pela subjetividade, assim toda a ação é humana, 222 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 17. 99 seja boa ou não, mas que pode nesse contexto, fazer escolhas e se tornar responsável por aquilo que é. “Não somos aquilo que queremos ser, mas somos o projeto que estamos vivendo e este projeto é uma escolha, cuja responsabilidade é apenas do próprio homem”.223 Ligado ao meio em que vive “o homem, no ato de fazer uma escolha, não escolhe somente a si mesmo, mas escolhe toda humanidade, ou seja, ao escolher o homem que deseja ser, o homem está julgando como todos os homens deve ser” 224. Esse pensamento aplicado à corrente naturalista, coloca o homem em contato com a natureza, para que de forma singular, se inclua como único responsável por toda humanidade, por meio de suas escolhas sustentáveis de preservação ao meio ambiente, que envolvem o destino de todos. A corrente conservacionista, busca, como sugere o nome, conservar os recursos naturais tanto no que se refere à sua qualidade quanto na quantidade. Está ligada ao movimento conservacionista225 da década de 70 e conforme Dias e Mazetto226, traz em seu cerne uma abordagem despolitizada e procura demonstrar a necessidade da conservação dos recursos naturais, partindo de uma visão reducionista e fragmentária da problemática ambiental, onde a natureza é vista apenas como um recurso que deve ser mais bem administrado em prol da cadeia produtiva atual, mas que “no fundo, não contribuem decididamente para uma reflexão acerca da complexidade da problemática socioambiental no qual estamos mergulhados”. 223 L'APICCIRELLA, Nadime. O existencialismo de Jean Paul Sartre. Disponível em: <http://www. cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_26/sartre.html> Acesso em 28 fev. 2015. 224 L'APICCIRELLA, Nadime. O existencialismo de Jean Paul Sartre. Disponível em: <http://www. cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_26/sartre.html> Acesso em 28 fev. 2015. 225 Criado por Giffort Pinchot, engenheiro florestal treinado na Alemanha, esse movimento considera o ser humano capaz de utilizar dos recursos naturais de forma controlada, equilibrada e, muitas vezes, mais eficazmente do que se este permanecesse intocado, e ainda ditava que a conservação deveria basear-se na preservação de desperdícios e o uso dos recursos naturais para benefício da maioria dos cidadãos das presentes e futuras gerações. L'APICCIRELLA, Nadime. O existencialismo de Jean Paul Sartre. Disponível em: <http://www. cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_26/sartre.html> Acesso em 28 fev. 2015. 226 DIAS, Elizandra Ferreira; MAZETTO, Francisco de Assis Penteado. Educação ambiental e sociedade contemporânea. Disponível em: <http://www.ufjf.br/revistageografia/files/ 2011/12/ Revista_Geografia_Dez-2011_-_Francisco_Mazetto1.pdf-81.pdf> Acesso em: 18 fev. 2015. 100 Os programas de educação ambiental centrados nos três “R” já clássicos, os da Redução, da Reutilização e da Reciclagem, ou aqueles centrados em preocupações de gestão ambiental (gestão da água, gestão do lixo, gestão da energia, por exemplo) se associam à corrente conservacionista/recursista. Geralmente se dá ênfase ao desenvolvimento de habilidades de gestão ambiental e ao ecocivismo. Encontram-se aqui imperativos de ação: comportamentos individuais e projetos coletivos. Recentemente, a educação para o consumo, além de uma perspectiva econômica, integrou mais explicitamente uma preocupação ambiental da conservação de recursos, associada a uma preocupação de equidade social.227 A corrente resolutiva prega na análise dos problemas ambientais, encarando o meio ambiente como um conjunto de problemas que deva ser resolvido, busca habilidades de resolução de problemas do diagnóstico da ação, todavia, sem “implementar a solução de tais problemas”.228 Em análise da corrente sistêmica Dias e Mazetto229 partem do ponto de vista, de que se trata de uma posição um pouco mais completa e tem por base a ecologia e a ciência biológica. Busca-se compreender o meio ambiente como sistema, em toda sua estrutura e vai além, busca encontrar soluções. A análise sistêmica permite identificar os diferentes componentes de um sistema ambiental e salientar as relações entre seus componentes, como as relações entre os elementos biofísicos e os elementos sociais de uma situação ambiental. Esta análise é uma etapa essencial que permite obter em seguida uma visão de conjunto que corresponde a uma síntese da realidade apreendida. Chega-se assim à totalidade do sistema ambiental, cuja dinâmica não só pode ser percebida e compreendida melhor, como também os pontos de ruptura (se existirem) e as vias de evolução.230 227 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 17. 228 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 17. 229 DIAS, Elizandra Ferreira; MAZETTO, Francisco de Assis Penteado. Educação ambiental e sociedade contemporânea. Disponível em: <http://www.ufjf.br/revistageografia/files/ 2011/12/ Revista_Geografia_Dez-2011_-_Francisco_Mazetto1.pdf-81.pdf> Acesso em: 18 fev. 2015. 230 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 17. 101 Essa corrente desenvolve o pensamento em uma análise e síntese para uma visão global, compreendendo as realidades ambientais, as relações entre os diversos elementos e pode propor uma reflexão sobre o modelo de desenvolvimento econômico, levando à necessária busca de soluções. Nesse importante aspecto, em educação ambiental, o pensamento de Freire231 é oportuno, pois conforme aponta, “faltando aos homens uma compreensão crítica da totalidade em que estão, captando-a em pedaços nos quais não reconhecem a interação constituinte da mesma totalidade, não podem conhece-la”. Na corrente científica, a educação ambiental “está seguidamente associada ao desenvolvimento de conhecimentos e de habilidades relativas às ciências do meio ambiente, do campo de pesquisa essencialmente interdisciplinar para a transdisciplinaridade”232. Como na corrente sistêmica, o enfoque é sobretudo cognitivo: o meio ambiente é objeto de conhecimento para escolher uma solução ou ação apropriada. As habilidades ligadas à observação e à experimentação são particularmente necessárias. Se observarmos as propostas para que se chegue à um ambiente seguro e saudável para as presentes e futuras gerações, nos depararemos com essa corrente, em ações, como por exemplo o sucesso da implementação de energia eólica na União Europeia, que vem crescendo como a nova fonte de energia que mais cresce no bloco europeu233. O exemplo serve sobremaneira para os demais países que pretenderem implantar tais tecnologias de energia limpa. Para explicar a corrente humanista é preciso recorrer às dimensões históricas, culturais, políticas, econômicas, estéticas, dentre outras, porque tem que 231 FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 42. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. p. 111. 232 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 17. 233 O setor britânico instalou 1.7gigawatt (GW) de nova capacidade de energia. A Alemanha lidera com com 5.2 GW. Quase 11.8 GW foram acrescentados à grade elétrica, o que representa 43.7 da nova geração. 102 se levar em conta sua significação, seu valor simbólico, explica Sauvé234. O “patrimônio” não é somente natural, é igualmente cultural: as construções e os ordenamentos humanos são testemunhos da aliança entre a criação humana e os materiais e as possibilidades da natureza. A arquitetura, entre outros elementos, se encontra no centro desta interação. O meio ambiente é também o da cidade, da praça pública, dos jardins cultivados, pois sua porta de entrada para o aprendizado é a paisagem. Ao vislumbrar a natureza em seu conteúdo, o homem percebe que está envolvido em todas as dimensões, sejam históricas, culturais, políticas, econômicas, estéticas e interage com elas, de forma que consegue entender sua condição, se vinculando a uma maneira de ver, conceber e compor o mundo em uma cena. A partir desse momento perceptivo espacial, que se acha envolvido, atribui sentido, construindo extrinsecamente seu lugar e de toda a humanidade. Na corrente moral/ética, Savè a aborda como um fundamento da relação com o meio ambiente, pois o homem deve intervir nessa perspectiva, atuando em um conjunto de valores, conscientes e coerentes. Citando Louis Iozzi, que desenvolveu um exemplo de modelo pedagógico relacionado a esta corrente, demonstra que se busca favorecer a confrontação em situações morais que levam a fazer suas próprias escolhas e a justificá-las: o desenvolvimento moral opera, em diversas situações, por meio do “conflito moral”, do confronto, às vezes difícil com as posições dos outros. Propõe também a estratégia do “dilema moral” onde o homem é colocado, por exemplo, em um caso de desobediência civil frente a uma situação, que se deseja denunciar, e em análise desta situação, conforme os valores que estabelece, faz sua escolha.235 Alguns convidam para a adoção de uma “moral” ambiental, prescrevendo um código de comportamentos socialmente desejáveis, da mesma forma que o 234 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 25. 235 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 17. 103 ecocivismo propõe; mas, mais fundamentalmente ainda, pode se tratar de desenvolver uma verdadeira “competência ética”, e de construir seu próprio sistema de valores. Não somente é necessário saber analisar os valores dos protagonistas de uma situação como, antes de mais nada, esclarecer seus próprios valores em relação ao seu próprio atuar. E assim, podem escolher dentre as diversas correntes éticas como por exemplo antropocentrismo, biocentrismo, sociocentrismo, ecocentrismo, etc. Dentre todas destaco o biocentrismo, explicado pelo Dr. Robert Lanza236, que “ensina que a vida e a consciência são fundamentais para o universo. É a consciência que cria o universo material, não o contrário”. Aponta para a estrutura do próprio universo, e que as leis, as forças e as constantes do universo parecem ser bem afinadas para a vida, o que implica que a inteligência existia antes da matéria. Também afirma que o “espaço e o tempo não são objetos ou coisas, mas sim ferramentas da nossa compreensão animal”, e que carregamos o espaço e o tempo conosco "como tartarugas carregam os seus cascos" significando que quando o casco se solta (espaço e tempo), nós continuamos a existir.237 Essa teoria explica e comprova por meio da ciência quântica, que existe vida não física após a morte de qualquer ser humano, ou seja, a teoria que levaria o homem a tomar atitudes mais éticas, pois estaria comprometido com as reações de sua conduta, pois “a morte da consciência simplesmente não existe”. Estaria, então a teoria, em correlação com a doutrina espírita reencarnacionista de Alan Kardec, porquanto, também acredita que múltiplos universos podem existir simultaneamente. Em um universo o corpo pode estar morto, mas em outra dimensão continua a existir, absorvendo consciência que migraram para este universo. Isto significa que uma pessoa morta enquanto viaja 236 Especialista em medicina regenerativa e diretor científico da Advanced Cell Technology Company. No passado ficou conhecido por sua extensa pesquisa com células-tronco e também por várias experiências bem sucedidas sobre clonagem de espécies animais ameaçadas de extinção. Mas não há muito tempo, o cientista se envolveu com física, mecânica quântica e astrofísica. Esta mistura explosiva deu à luz a nova teoria do biocentrismo que vem pregando desde então. O biocentrismo ensina que a vida e a consciência são fundamentais para o universo. 237 LANZA, Robert. Biocentrism. A New Theory of the Universe. Disponível http://www.robertlanza.com/biocentrism-how-life-and-consciousness-are-the-keys-tounderstanding-the-true-nature-of-the-universe/> Acesso em 28 fev. 2015. em < 104 através do mesmo túnel acaba não no inferno ou no céu, mas em um mundo semelhante a ele ou ela que foi habitado, mas desta vez vivo. E assim por diante, infinitamente, quase como um efeito cósmico vida após a morte. Dentro dessa perspectiva apontada pelo Dr. Robert Lanza, o homem estaria comprometido para além das presentes e futuras gerações, mas com a sua própria e de seus filhos e netos, que retornariam em vidas posteriores a habitar e compartilhar o mesmo universo que houver deixado, com suas atitudes morais e éticas do presente. Entre as correntes mais recentes destaco a corrente holística, segundo a qual, o “enfoque exclusivamente analítico e racional das realidades ambientais se encontra na origem de muitos problemas atuais”. Explica Savè238 que é preciso levar em conta não apenas o conjunto das múltiplas dimensões das realidades socioambientais como também das diversas dimensões da pessoa que entra em relação com estas realidades, da globalidade e da complexidade de seu “ser-nomundo”. O sentido de “global” aqui é muito diferente de “planetário”; significa antes holístico, referindo-se à totalidade de cada ser, de cada realidade, e à rede de relações que une os seres entre si em conjuntos onde eles adquirem sentido. Citando Nigel Hoffmann, que se inspirou no filósofo Heidegger e no poeta naturalista Goethe, Savè239 propõe um enfoque orgânico das realidades ambientais, porquanto, as realidades ambientais devem ser abordadas de uma forma diversa daquela que provocou a degradação do meio ambiente. O processo de investigação não consiste em conhecer as coisas a partir do exterior, para explicá-las; origina-se de uma solicitação, de um desejo de preservar seu ser essencial permitindo-lhes revelar-se com sua própria linguagem. Permitir aos seres (as plantas, os animais, as pedras, as paisagens, etc.) falar por si mesmos, com sua própria natureza, antes de encerrar essas naturezas a priori ou logo 238 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 27. 239 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 27. 105 a seguir em nossas linguagens e teorias, permitirá que nos ocupemos melhor deles. O convite é para o aprendizado, com o objetivo de se compreender com os demais seres e com a natureza, interagindo com o conjunto de dimensões do meio ambiente, seja social, econômico ou político, para que haja participação nos fenômenos que encontramos, quando associados com o meio ambiente. A educação ambiental, então, visa modificar o modo como nos relacionamos conosco e com os demais seres vivos. A corrente biorregionalista se inspira geralmente numa “ética ecocêntrica e centra a educação ambiental no desenvolvimento de uma relação preferencial com o meio local ou regional” 240, no desenvolvimento de um sentimento de pertença a este último e no compromisso em favor da valorização deste meio. A educação ambiental está centrada num enfoque participativo e comunicativo: ela convoca os pais e outros membros da comunidade. Trata-se primeiramente de se comprometer num processo de reconhecimento do meio e de identificação das problemáticas ou das perspectivas de desenvolvimento deste último.241 A função dessa corrente em Educação Ambiental consiste em expandir a compreensão e a percepção do homem, para que tenha a consciência do seu meio ambiente, seu ecossistema e os impactos que pode causar, gerando uma responsabilidade maior pelas decisões individuais e pessoais. A ênfase da corrente práxica consiste na aprendizagem na ação, pela ação e para a melhora desta. Não se trata de desenvolver a priori os conhecimentos e as habilidades com vistas a uma eventual ação, mas em pôr-se imediatamente em situação de ação e de aprender através do projeto por e para esse projeto. A aprendizagem convida a uma reflexão na ação, no projeto em curso. A práxis consiste essencialmente em integrar a reflexão e a ação, que, assim, se alimentam 240 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 28. 241 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 29. 106 mutuamente. Busca operar uma mudança num meio, nas pessoas e em consequência, no meio ambiente, Deve ter uma dinâmica participativa, envolvendo os diferentes atores de uma situação por transformar, que podem ser de ordem socioambiental e educacional.242 A corrente crítica social insiste na análise das dinâmicas sociais que se encontram nas bases das problemáticas e realidades ambientais, define como as relações de poder são identificadas e denunciadas, ou seja, a nível local, é preciso uma análise daquilo que se pretende mudar, unindo os diversos campos do saber em um diálogo, para a busca de soluções. A dinâmica crítica apresenta componentes políticos que apontam para um maior esclarecimento da alienação característica aos países em desenvolvimento econômico, trata-se de uma postura corajosa que faz com que o homem vigie e se auto critique na busca de coerências e incoerências no seu discurso e respectiva ação.243 Para Savè244 esta proposição está centrada numa pedagogia de projetos interdisciplinares que aponta para o desenvolvimento de um saber-ação, para a resolução de problemas locais e para o desenvolvimento local. Insiste na contextualização dos temas tratados e na importância do diálogo dos saberes: saberes científicos formais, saberes cotidianos, saberes de experiência, saberes tradicionais, etc. É preciso confrontar estes saberes entre si, não aceitar nada em definitivo, abordar os diferentes discursos com um enfoque crítico para esclarecer a ação. Esta última deve, por outro lado, se apoiar em um referencial teórico e gerar elementos para o enriquecimento progressivo de uma teoria da ação. Teoria e ação estão estreitamente ligadas numa perspectiva crítica. A primeira etapa do processo que propõe este modelo é a análise dos textos relativos a um tema ambiental, a água, por exemplo: textos de tipo argumentativo, textos científicos, informes de estudos, artigos de jornais, textos literários, poemas, ou qualquer outro recurso. 242 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 29. 243 BITTENCOURT, C. dos Santos; BOER, N. Oficinas de teatro e educação ambiental: um olhar a partir dos objetivos da ONU para o desenvolvimento do milênio Disponível em: <http://www.unifra.br/eventos/pedagogia2010/Trabalhos/308.pdf> Acesso em 28 fev. 2015. 244 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 29. 107 Na segunda etapa o interlocutor deve estabelecer uma relação com os problemas locais, dando início, então, a um processo de pesquisa para compreender melhor estes problemas, para a busca de soluções, e aqui o diálogo é imprescindível, para que possam chegar à elaboração de projetos a partir de uma perspectiva comunitária. Com a concepção de projetos devem então ser apresentados às autoridades municipais que, em colaboração com os responsáveis pelo meio escolar, escolhem os melhores ou o melhor para lhes dar ajuda financeira para sua realização. Todos então devem participar, escola e comunidade. A ação socioambiental é um dos objetivos a serem atingidos, porquanto todos estão convidados a refletir sobre o projeto, sua essência, para assim aclarar sua razão de ser e seu significado. A corrente crítica social é fundamental no processo para o alcance da sustentabilidade por meio da educação, pois conforme Yurrita245, não adianta ter a pretensão de transformar o todo de um momento para outro, será preciso que se pense a nível local inicialmente, com projetos e ações que viabilize por meio de pequenas mudanças, a sustentabilidade da vida no planeta. A corrente feminista246 quando se trata de meio ambiente, possui uma ligação estreita entre a dominação das mulheres e a da natureza, pois trabalhar para restabelecer relações harmônicas com a natureza é indissociável de um projeto social que aponta para a harmonização das relações entre os humanos, mais especificamente entre os homens e as mulheres. Busca a corrente feminista restabelecer as relações de gênero de forma harmônica, por meio de projetos em conjunto, em um encontro onde se uni os talentos de cada um. Desenvolvida por Darlene Clover247 essa corrente opõe-se ao predomínio 245 Entrevista pessoal, quando professor na dupla titulação na Universidade de Alicante, Espanha, no período de novembro/2014 a janeiro de 2015. 246 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 29. 247 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; 108 do enfoque racional das problemáticas ambientais, tal como frequentemente se observa nas teorias e práticas da corrente de crítica social. Os enfoques intuitivos, afetivos, simbólicos, espirituais ou artísticos das realidades do meio ambiente são igualmente valorizados248 e sendo assim, acredita-se que a mulher possui certas qualidades e sentimentos que podem contribuir, juntamente com o homem, de forma harmônica, para atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável, alcançando a sustentabilidade ambiental. Citando Darlene Clover et al., Savè249 demonstra o modelo de intervenção em educação ambiental que integra um componente feminista complementar com alguns enfoques importantes. Frequentemente as mulheres são as primeiras a intervir em educação ambiental. Em seus lares e comunidades, desenvolvem uma compreensão particular dos processos naturais do meio. Há séculos, as mulheres estiveram envolvidas no ensino da medicina tradicional e nos cuidados de saúde, em colher as sementes e em manter a biodiversidade, em cultivar e preparar os alimentos, em trabalhar a mata e em administrar a provisão de água. Estas habilidades são cada vez mais essenciais frente à degradação do meio ambiente [...]. As mulheres desenvolveram no cotidiano estratégias de sobrevivência em que deve-se inspirar a sobrevivência do planeta. Suas ideias e suas ações traduzem outra compreensão das problemáticas atuais [...], ao nível de um saber superior [...]. Importante salientar a crítica feminista ao movimento de educação ambiental, porquanto ao longo desse movimento e nos mais importantes eventos internacionais que fundaram a educação ambiental, não se encontram sinais da contribuição das mulheres. Na corrente etnográfica250 da educação ambiental o enfoque tem caráter CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 32. 248 SILVA, Márcia Nazaré. A educação ambiental na sociedade atual e sua abordagem no ambiente escolar. Disponível em <http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/educa%C3% A7%C3%A3o-ambiental-na-sociedade-atual-e-sua-abordagem-no-ambiente-escolar> Acesso em 28 fev. 2015. 249 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 32. 250 O etnocentrismo que consiste em tomar como referência as categorias de pensamento das sociedades ocidentais permitiu durante longo tempo designar as outras culturas como sociedades sem estado, sem economia ou sem educação. Pelo contrário, quando o diálogo intercultural é real, ele produz uma interrogação radical sobre os problemas mais cruciais que têm as sociedades pós- 109 cultural da relação com o meio ambiente. “A educação ambiental não deve impor uma visão de mundo; é preciso levar em conta a cultura de referência das populações ou das comunidades envolvidas” 251. O exemplo de modelo pedagógico apontado por Savè, mas proposto por Michael J. Caduto e Joseph Bruchac, foi intitulado ‘Os Guardiões da Terra’, é centrado na utilização de contos ameríndios, ou seja, trata-se de desenvolver uma compreensão e uma apreciação da Terra para adotar um atuar responsável em relação ao meio ambiente e às populações humanas que são parte dele. O enfoque está na relação do homem com a natureza, fundada no sentimento de pertença e não no controle. O processo consiste em apresentar um conto a um grupo de alunos e convidá-los a explorar juntos o universo simbólico. Algumas atividades (principalmente em meio natural) permitem depois experimentar a relação com a natureza proposta pelo conto.252 Nesse modelo, a criança desde cedo aprende que ela mesma é parte do meio ambiente, e não o ambiente como uma mercadoria que está a seu dispor, desenvolvendo assim um sentimento de empatia, que refletirá ao longo de sua jornada no planeta, em ações sustentáveis em prol da preservação da vida no meio ambiente. A corrente da ecoeducação está dominada pela perspectiva educacional da educação ambiental. Não se trata de resolver problemas, mas de aproveitar a relação com o meio ambiente uma parte de desenvolvimento pessoal, para o fundamento de um atuar significativo e responsável. O meio ambiente é percebido aqui como uma esfera de interação essencial para a ecoformação ou para a ecoontogênese. Apesar de distintas, guardam a relação na busca da sustentabilidade por meio da educação ambiental. Segundo Gaston Pineau citado por Savè essa corrente gira em torno de modernas. SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 34. 251 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 29. 252 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. Porto Alegre: Artmed, 2005. p. 29. 110 três movimentos: a socialização, a personalização e a ecologização, e isso porque, conforme Dominique Cottereau, O meio ambiente nos forma, nos deforma e nos transforma, pelo menos tanto quanto nós o formamos, o deformamos, o transformamos. Neste espaço de reciprocidade aceita ou rejeitada se processa nossa relação com o mundo. Nesta fronteira (de espaço e tempo) se elaboram os fundamentos de nossos atos para o meio ambiente. No espaço entre a própria pessoa e o outro [...], cada um responde ao desafio vital de “ser-no-mundo”. Esta expressão “ser-nomundo” permite compreender que o ser não é nada sem o mundo no qual vive e que o mundo é composto por um conjunto de seres que o povoam. Examinar o “ser-no-mundo” é entrar no que forma a relação de cada um com seu ambiente [...].253 Nesse passo, essa corrente, busca na eco-formação trabalhar sobre o “ser-no-mundo”: conscientizar-se do que acontece entre a pessoa e o mundo, em interações vitais ao mesmo tempo para a pessoa e para o mundo. Para atingir esse objetivo, a educação passa por um processo de heteroformação, com a participação dos pais, semelhantes, da instituição escolar, pois ela vem do homem; a autoformação, onde o indivíduo reage à sua própria forma, expressando seu controle pela pessoa de seu próprio poder de formação e ainda pela ecoformação, mais silencioso, pois passa pela formação pessoal que cada um recebe de seu meio ambiente físico, onde o indivíduo constituiu sua história ecológica. Construída por Tom Berryman a teoria da ecoontogênese254 sublinhada pelo autor, acentua as diferenças importantes nas relações com o meio ambiente e com a natureza entre os bebês, as crianças e os adolescentes, e convida a adotar práticas educativas diferenciadas em relação a esses sujeitos, pois são os laços com o meio ambiente que devem ser considerados em educação ambiental. 253 COTTEREAU, Dominique. Chemins de l’ imaginaaire: pédagogie de l’ imaginaire et education à l’environnement. La Caunette: Babio, 1999. p. 11-12. In: SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 29. 254 Uma teoria da ecoontogênese busca caracterizar e diferenciar os períodos particulares quanto aos tipos de relação com o meio ambiente e associar a isso práticas específicas de educação ambiental (...). Uma das perguntas-chave feitas pela corrente da ecoontogênese poderia ser a seguinte: em nossos processos educativos, tanto pelo objeto que preconizamos, como pela língua que utilizamos e pelos ambientes em que os realizamos, em que “cosmos”, em que mundo, introduzimos as crianças? COTTEREAU, Dominique. Chemins de l’ imaginaaire: pédagogie de l’ imaginaire et education à l’environnement. La Caunette: Babio, 1999. p. 11-12. 111 A última corrente a ser abordada, a corrente da sustentabilidade se impôs como uma perspectiva dominante, começou pouco a pouco, por meio dos movimentos internacionais em prol do meio ambiente, discorridos com maiores detalhes no capítulo um, desta pesquisa. A educação ambiental, então tornou-se uma ferramenta, em busca da sustentabilidade. Contudo, inicialmente os partidários dessa corrente, se manifestam dizendo que a educação ambiental estaria limitada a um enfoque naturalista e não integraria as preocupações sociais. Com uma proposta de obter um desenvolvimento sustentável e pretendendo dar continuidade ao Capítulo 36 da Agenda 21, a UNESCO, em documento intitulado ‘Reforma da educação para um desenvolvimento sustentável’, trouxe a função da educação ambiental, apontada por Savè quando cita Bertrand. A função de uma educação que responde às necessidades do desenvolvimento sustentável consiste essencialmente em desenvolver os recursos humanos, em apoiar o progresso técnico e em promover as condições culturais que favorecem as mudanças sociais e econômicas. Isso é a chave da utilização criadora e efetiva do potencial humano e de todas as formas de capital para assegurar um crescimento rápido e mais justo, reduzindo as incidências no meio ambiente. [...] Os fatos provam que a educação geral está positivamente ligada à produtividade e ao progresso técnico porque ela permite às empresas obterem e avaliarem as informações sobre as novas tecnologias e sobre oportunidades econômicas variadas. [...] A educação aparece cada vez mais, não apenas como um serviço social, mas como um objeto de política econômica. 255 A Educação Ambiental, pela corrente da sustentabilidade visa, portanto, encontrar um novo modelo de desenvolvimento, onde coloque o ser humano no centro do desenvolvimento; considere o crescimento econômico como um meio e não como um fim; proteja a vida das futuras gerações e igualmente a das atuais; respeite os sistemas naturais do qual dependem todos os seres vivos.256 O modelo de desenvolvimento atual onde se explora a natureza ao máximo, para satisfazer às necessidades supérfluas, deve ser deixado de lado. 255 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 29. 256 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 398. 112 A sustentabilidade está invariavelmente associada a uma visão enriquecida do desenvolvimento sustentável, menos economicista, onde a preocupação com a manutenção da vida não está relegada a um segundo plano, mas sim àquilo que se propõe o estudo do meio ambiente, que é a preservação e manutenção, para as presentes e futuras gerações da vida na Terra. Assim, a educação para o consumo sustentável chega a ser uma estratégia importante para transformar os modos de produção e de consumo, processos de base da economia das sociedades. Nessa perspectiva, a proposta de uma educação ambiental se daria de forma esclarecedora, explica Savè257, proporcionando informação sobre os produtos, como modos de produção, os possíveis impactos ambientais, os custos de publicidade, e ainda uma capacidade de escolha entre diferentes opções. Dumont258 diz que não há outra alternativa, senão uma revolução na forma de consumir, pois “es necesario salir de la econmía del lucro, em la que los ricos disponen de um poder aquisitivo, de compra, suplementario, em cula les hace sujetos de esses despilfarro del superconsumo” e propõe que “la sociedade de consumo tendrá recursos más limitados y deberá utilizarlos más racionalmente”. Sendo assim, a educação ambiental para o consumo sustentável deve adotar estratégias diferenciadas para cada grupo e segmento da população, conforme exemplifica Gaudiano citado por Savè259: [...] necessita-se de estratégias apropriadas para populações vulneráveis, analfabetas ou privadas de informação e de serviços, as quais têm um fraco poder de compra: trata-se de ajudá-las a vencerem sua vulnerabilidade econômica e legal mediante processos educativos específicos que levem a “eliminar a pobreza e reforçar a democracia por meio de processos participativos e pela valorização 257 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 29. 258 DUMONT, René. La sociedad de consumo. p. 85. 259 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 38. 113 de produtos culturais”. A educação ambiental para o consumo sustentável deve considerar os processos sociais atuais ligados ao fenômeno da globalização. A globalização está abrindo oportunidades a milhões de pessoas, entretanto encontra-se impulsionada pela expansão dos mercados, implicando em instabilidade social, pobreza e privações. Nesse passo, se criou uma concepção de consumo que teve início na era industrial e se propagou com uma intensidade, que não se poderia prever. A ansiedade e a insatisfação se tornaram companheira do homem moderno, criando uma espécie de alienação, fenômeno “o homem se converte em estrangeiro de si mesmo, um alienado de si mesmo”260. Na busca da felicidade, o homem crê que a vida será perfeita se adquirir bens e produtos, e se torna escravo de si mesmo, num ritmo de vida alucinado. Al admitirla para la parte blanda y cómada de la sociedade que puede abarcarmos a todos se suscita el problema de si toda la civilización de consumo no es uma civilización de droga; de si los mismos preparados alucinógenos de la planta Cannabis sativa (la marihuana y el hachís) que muchos indivíduos emplean para evadirse de esta sociedad agobiante de los milhares de mensajes/órdenes diários, no estariam implícitos em el ama de casa que adquiere uma batedora o um molinillo de café para compensar sus frustraciones de mujur-objeto (de mujer utesilio de cocina em sí misma) o em el automóvil com el padre de família imagina tener “mas poder”.261 Com uma frustação e uma desolação, ao ver que tudo não passa de um grande engano, o consumidor segue o mesmo caminho de um viciado em drogas, de uma satisfação temporária que inevitavelmente o levará, mais tarde, a pagar com uma insatisfação pessoal, pois sempre existirá um abismo entre sua remuneração, seus ganhos de seu trabalho e tudo aquilo que o mundo material, lhe oferece, por meio da publicidade. 260 “el cual el hombre se convierte em extranjero de sí mismo, em ajeno a sí mismo”. DUMONT, René. La sociedad de consumo. p. 86. 261 DUMONT, René. La sociedad de consumo. p. 133. 114 Gaudiano citado por Savè262, comenta que, A identidade social está cada vez mais ligada ao consumo de certos produtos. As práticas comerciais atuais criaram condições tais que chega a ser inconveniente, por exemplo, criticar os jovens que se identificam mais com a música rock do que com as canções folclóricas. Sua identidade foi configurada desta maneira; eles agem conforme uma concepção de si mesmos e dos outros, que difere da de seus pais. Isto deve ser considerado nas intervenções educativas. A identidade não está mais simplesmente ligada ao território nacional e à cultura regional; as dimensões materiais e simbólicas foram efetuadas pela globalização [...] A educação dos consumidores confronta diretamente os interesses corporativos de grandes produtores e distribuidores, que, em muitos casos, atuaram com impunidade. Mas uma verdadeira cidadania não pode existir sem uma participação mais inteligente na defesa dos interesses e aspirações da população [...] para a valorização das pessoas, além da valorização da riqueza. Chegado o momento em que essa realidade deve mudar. O homem deve percorrer o caminho inverso, e a educação ambiental não pode ser reduzida a uma simples visão ecologista, naturalista ou conservadora sem perder legitimidade social, por uma simples questão ética, e sem perder sua coerência, pois os problemas socioambientais, como o consumo, a degradação ambiental, superpopulação e a pobreza precisam ser superados, por meio de uma educação que leve a uma sociedade sustentável. Então, para se alcançar a sustentabilidade por meio da educação ambiental, na corrente da sustentabilidade, os educadores devem integrar-se aos movimentos políticos sociais que lutam por uma vida melhor para todos. A intervenção por meio de políticas públicas, pode ser o melhor caminho para gerar modificações profundas, cujos reflexos se notará em indivíduos conscientes de sua existência, valores, sentimentos e sua posição no planeta. Para se chegar à sustentabilidade por meio da educação ambiental, o Brasil possui a Política Nacional de Educação Ambiental, sob a égide da Lei 9.75/99, alcançada por meio de esforços de centenas de ambientalistas, e de pessoas 262 SAVÉ, Lucie. Uma cartografia das correntes em educação ambiental. In: SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. p. 38. 115 envolvidas na questão, almejando uma educação priorizada, na política ambiental, já que um dia todos terão que se mobilizar em busca da sustentabilidade. 3.2 Educação ambiental e a importância de programas e investimentos para o alcance da sustentabilidade Brasil e Espanha As Políticas Públicas decorrem normalmente de situações em que a sociedade não consegue resolver por si só os problemas que lhe afetam coletivamente. Nesse passo, política pública diz respeito à mobilização políticaadministrativa para articular e alocar recursos e esforços para tentar solucionar problemas coletivos. A humanidade tem provocado problemas ambientais decorrentes do mau uso do meio ambiente para obter os recursos necessários para produzir os bens e serviços que estes necessitam e dos despejos de materiais e energia não aproveitados no meio ambiente. Com sua atitude, provocou grandes desajustes sociais, que necessitam de uma urgente transformação social de que trata a educação ambiental visando à superação das injustiças ambientais, da desigualdade social, da apropriação capitalista e funcionalista da natureza e da própria humanidade263, que o homem, por si só, não consegue resolver. A política de educação ambiental desenvolvida no Brasil apresentase, assim como aliada dos processos que promovem uma “sociologia das emergências”, como estratégia para superar o paradigma da racionalidade instrumental264 que operou, no Brasil e no mundo, silenciamentos opostos à participação, à emancipação, à diversidade e à solidariedade.265 263 SORRENTINO, Marcos. et al. Educação Ambiental como política pública. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ep/v31n2/a10v31n2.pdf> Acesso em 5 mar. 2015. 264 A racionalidade instrumental é reconhecida por Guerreiro Ramos como a predominante na sociedade, isto é, aquela que busca o “sucesso individual desprendido da ética, apenas pautado no cálculo utilitário e no êxito econômico”. Sobre a racionalidade instrumental, escreve BELLUCCI, Christiane Ferreira. Tensão entre racionalidades (instrumental e substantiva) em paralelo a formas de cultura organizacional: um estudo de caso em escola básica de tempo integral. Dissertação de Mestrado. Florianópolis: UFSC, 2015. p. 35. 265 SORRENTINO, Marcos. et al. Educação Ambiental como política pública. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ep/v31n2/a10v31n2.pdf> Acesso em 5 mar. 2015. 116 As preocupações com o comportamento humano e visando levar conhecimento sobre as ações ambientais, foram ratificadas pela Política Nacional de Educação Ambiental, aprovada em 1999 e regulamentada em 2002, a Educação ambiental, como obrigatória em todos os níveis de ensino e considerada componente urgente e essencial da educação fundamental. Nesse passo, a Política Nacional de Educação Ambiental institucionalizou a Educação Ambiental, legalizou seus princípios e a transforma em objeto de políticas públicas, além de fornecer à sociedade um instrumento de cobrança para a promoção da educação ambiental. 3.2.1 Política Nacional de Educação Ambiental – Lei nº 9.795/99266 A lei da Educação Ambiental, amparada por marcos legais como a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 – CRFB/88, que estabelece os compromissos internacionalmente assumidos, onde prevê no inciso VI do art. 225, a incumbência do Poder Público em “promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”; instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental, Lei nº 9.795, regulamentada pelo Decreto 4.281/02, e sancionada em 27 de abril de 1999, visando estimular à Educação Ambiental, que deve ser desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente e de forma transversal e interdisciplinar. No Brasil a legislação com uma política específica, busca assegurar a efetividade do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as presentes e futuras gerações, nas atividades vinculadas à Política Nacional de Educação Ambiental, desenvolvidas na educação em geral e na educação escolar através da capacitação de recursos humanos, dos desenvolvimentos de estudos e pesquisas, da produção de material educativo e do acompanhamento e avaliação. Para a Lei entendem-se por educação ambiental os processos267 por 266 BRASIL. Política Nacional de Educação Ambiental. Lei nº 9.795 de 27 de abril de 1999. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm> Acesso em: 10 jan. 2015. 117 meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. A legislação infraconstitucional quando dispôs no artigo terceiro, que a educação ambiental é direito de todos e faz parte de um processo educativo mais amplo, apontou, assim como fez a CRFB/88, o Poder Público como o incumbido a “definir políticas públicas que incorporem a dimensão ambiental, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente”. De forma abrangente e indistintamente, a lei aponta que cabe às instituições educativas, promover a educação ambiental de maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem; aos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente – Sisnama, cabendo-lhes promover ações de educação ambiental integradas aos programas de conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente; aos meios de comunicação de massa, colaborando de maneira ativa e permanente na disseminação de informações e práticas educativas sobre meio ambiente, além de incorporar a dimensão ambiental em sua programação; às empresas, entidades de classe, instituições públicas e privadas, quando então devem promover programas destinados à capacitação dos trabalhadores, visando à melhoria e ao controle efetivo sobre o ambiente de trabalho, bem como sobre as repercussões do processo produtivo no meio ambiente; e ainda, à sociedade como um todo, mantendo atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a solução de problemas ambientais. 267 A Lei ainda identifica a Educação Ambiental como um processo, ou seja, uma vez iniciado prossegue indefinidamente por toda a vida, aprimorando-se e incorporando novos significados sociais e científicos. Devido ao próprio dinamismo da sociedade, o despertar para a questão ambiental no processo educativo deve começar desde a infância. A determinação para que a Educação Ambiental seja integrada, contínua e permanente implica o início do seu desenvolvimento na educação infantil sem futura interrupção. BRASIL. Ministério da Educação. Proposta de Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Disponível em < http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao13.pdf> Acesso em 28 fev. 2015. 118 Trouxe como princípios básicos o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; corroborando com as respectivas correntes de educação ambiental, supra citadas; e ainda, a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade; a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; a garantia de continuidade e permanência do processo educativo; a permanente avaliação crítica do processo educativo; a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural, tudo em consonância com a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental de Tbilisi, com especial atenção às recomendações da Agenda 21. Instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental apontando os objetivos fundamentais da educação ambiental, como o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos; a garantia de democratização das informações ambientais; ao estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social; ao incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania; ao estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro e macrorregionais, com vistas à construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade; o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia; e ao fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade. A Educação Ambiental, portanto, nos termos da lei é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma 119 articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal. A educação formal, explicada pela legislação em seu art. 9º, consiste na educação escolar a ser desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de ensino públicas e privadas, englobando a educação básica, voltada para a educação infantil; ensino fundamental e médio; a educação superior, especial, profissional e para jovens e adultos. No entanto, mesmo que a proposta da educação ambiental, seja desenvolver-se como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal, ela não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino, e se assim for necessário, somente é facultada a criação de disciplina específica, nos cursos de pós-graduação, extensão e nas áreas voltadas ao aspecto metodológico da educação ambiental. Outrossim, nos cursos de formação e especialização técnico-profissional, em todos os níveis, deve ser incorporado conteúdo que trate da ética ambiental das atividades profissionais a serem desenvolvidas. Discorda desse posicionamento Philippi Júnior e Pelicioni268, mas explica que a intenção do legislador, pela criação da disciplina somente para os cursos de pós graduação se deu pelo fato, de que, “embora desde cedo a consciência ambiental do cidadão brasileiro deva ser formada, isso ocorrerá primeiro na família e depois na escola, devendo ser incorporada como filosofia de vida”. Na verdade, segundo Sato e Carvalho269, a educação ambiental no ensino formal tem “enfrentado inúmeros desafios, entre os quais se pode destacar o de como inserir-se no coração das práticas escolares a partir de sua condição de transversalidade”, posição consagrada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. 268 PHILIPPI, JÚNIOR, Arlindo; PELICIONI, Maria Cecília Focesi. Educação ambiental e sustentabilidade. São Paulo: Manole, 2005. p. 295. 269 SATO, Michèle Sato; CARVALHO, Isabel Cristina Moura. Educação ambiental: pesquisas e desafios. p. 59. 120 Pedrini e Saito270 nesse sentido, comentam que “na Educação Ambiental como disciplina, a interdisciplinaridade é de difícil aplicação, não havendo paradigmas seguros que a embasem”. Partindo do pressuposto que a educação ambiental representa um instrumento fundamental para uma possível alteração do comportamento do ser humano, pela sua interdisciplinaridade; por lidar com a realidade; por adotar uma abordagem que considera todos os aspectos que compõem a questão ambiental, sejam elas socioculturais, políticas, éticos, ecológicos e ainda por achar que a escola não pode ser um amontoado de gente trabalhando com outro amontoado de papel; por ser ainda catalizadora de uma educação para a cidadania consciente, para Dias271, o caminho experimental é o ideal para talharmos a mudança. E isso porque a interdisciplinaridade visa à superação da fragmentação dos diferentes campos do conhecimento, buscando pontos de convergência e propiciando a relação entre os vários saberes, permitindo que cada indivíduo, a partir de uma visão integrada de mundo, investigue, reflita e aja sobre os efeitos e causas dos problemas ambientais que afetam a qualidade de vida e a saúde da população.272 Contudo, para que se efetive a educação ambiental, os professores em atividade devem receber formação complementar em suas áreas de atuação, com o propósito de atender adequadamente ao cumprimento dos princípios e objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental. 270 PEDRINI, Alexandre de Gusmão. Paradigmas metodológicos em educação ambiental. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 177. 271 Essa constatação Dias chega a partir de atividades realizadas com alunos, fruto de experimentação no Centro Educacional La Salle, escolas da Fundação Educacional do Distrito Federal e no Centro de Pesquisas da Universidade Católica de Brasília, entre 1985 e 2000, contados no capítulo 6 “As atividades de Educação Ambiental Urbana”. DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. 9. ed. São Paulo: Gaia, 2004. p. 255-259. 272 PHILIPPI, JÚNIOR, Arlindo; PELICIONI, Maria Cecília Focesi. Educação ambiental e sustentabilidade. p. 406. 121 A esse respeito, Sato e Carvalho273 lembram que quando se pensa na formação de professores em educação ambiental outras questões se evidenciam, a saber: Uma delas é a de que a formação de professores comporta uma dimensão que transcende os objetivos programáticos dos cursos e metodologias de capacitação. Trata-se da formação de uma identidade pessoal e profissional. Desta forma, quaisquer que sejam estes programas e metodologias, eles devem dialogar com o mundo da vida dos(as) professores(as), suas experiências, seus projetos de vida, suas condições de existência, suas expectativas sociais, sob pena de serem recebidos como mais uma tarefa entre tantas que tornam o cotidiano do professor um sem-fim de compromissos. A capacitação e habilidades do professor para as atividades pedagógicas, visando a construção de uma nova concepção de mundo, passam necessariamente pelo novo sujeito que ele deve se tornar, um sujeito ecológico. Esse é uns dos desafios da Educação Ambiental, a formação desse indivíduo que com sua criatividade, reproduzirá seu conhecimento, formando cidadãos conscientes com práticas éticas em relação ao meio que vive. Nesse passo, Sorrentino274 aponta algumas estratégias para auxiliar na formação de educadores ambientais: - Disponibilizar repertórios sobre meio ambiente, ecologia e ambientalismo, educação e Educação Ambiental; - Promover uma reflexão crítica sobre eles em relação à realidade e ao sonhos/desejos/utopias individuais e coletivas; - Estimular o educador ambiental a acreditar na sua capacidade de atuação, individual e coletiva, e a exercitá-la, a fim de contribuir para que o mesmo ocorra com as pessoas e com os grupos com os quais atua. - Possibilitar o contato com métodos e técnica de Educação Ambiental que possam ser por ele editados e apropriados para suas práticas cotidianas. 273 SATO, Michèle Sato; CARVALHO, Isabel Cristina Moura. Educação ambiental: pesquisas e desafios. p. 61. 274 SORRENTINO, Marcos. De Tblilisi a Tessaloniki, a educação ambiental no Brasil. In: JACOBI, P. et. al. (orgs.) Educação, meio ambiente e cidadania: reflexões e experiências. São Paulo: SMA, 1998. p. 27-28. 122 - Fomentar e apoiar a compreensão do(a) educador(a) ambiental como pesquisador(a) e do processo de Educação Ambiental como um processo de pesquisa, intervenção educacional dirigido à solução de problemas e à incorporação de valores voltados à sustentabilidade em suas dimensões social, ambiental, econômica, cultural e espacial; - Contribuir para a organização de comunidades de aprendizagem e de redes de comunicação. Que possibilitem a educação continuada e ampliem a potência dos indivíduos para intervirem na transformação da realidade, na direção de suas utopias. Quanto à educação não formal, entendem-se “as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente”. Princípios Gerais (Tbilisi) Proposta Internacional + PCN’s Proposta Curricular Nacional Proposta Curricular Estadual Proposta Curricular Municipal Proposta das Escolas (Projetos) Figura 1: Inclusão da Dimensão Ambiental nos Programas de Educação Fonte: Dias, Genebaldo Freire. Educação Ambiental, 2004. A educação formal passa, então, pelas fases de execução, iniciadas por uma equipe multidisciplinar, com o tratamento do tema (ambiental) de forma transversal, ou seja, reunindo ações de diferentes disciplinas, em torno de um tema específico dentro do tema principal, iniciando assim, as práticas interdisciplinares. Definem-se os objetivos educacionais e inicia-se a produção de recursos instrucionais, que vão depender da natureza das ações previstas. O passo seguinte é capacitar a escola (não apenas os professores). A escola em seguida desenvolverá os seus projetos, em função das suas diferentes realidades. Os professores por sua vez, devem ser incentivados a produzir o seu próprio material, porquanto são os conhecedores mais efetivos da sua realidade.275 A educação não formal, então, surge como uma proposta curricular alternativa, apresentando-se com uma metodologia diferenciada daquela apresentada nas escolas formalizadas, ou seja, se trata de uma nova concepção educacional, que busca romper paradigmas tradicionais. 275 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 114. 123 Caberá ao Poder Público, a responsabilidade de incentivar os governos nas esferas federal, estadual e municipal, para uma ampla participação das empresas públicas e privadas em parceria com a escola, bem como as organizações nãogovernamentais na formulação e execução de programas e atividade vinculadas à educação ambiental. Com essa proposta, os vínculos entre as organizações da sociedade civil e os órgãos públicos devem ser fortalecidos, com a finalidade de possibilitar a descentralização das decisões, indispensável à legitimação do processo, com a participação na gerência dos recursos e das ações do governo.276 Visa a educação não formal o desenvolvimento da sensibilidade da coletividade para a resolução dos temas ambientais, estimulando sua organização e participação na construção de políticas públicas saudáveis e na defesa da qualidade de vida do cidadão no meio ambiente. Para a efetividade da Educação Ambiental não-formal recomenda-se, conforme discorre Dias277, [...] a elaboração do perfil ambiental da comunidade ou instituição para a qual será planejado, executado e avaliado um projeto ou programa de EA. O perfil ambiental, sob uma abordagem da ecologia humana, fornece subsídios importantes para um planejamento seguro, mais próximo das carências reais. Além dos aspectos sociais, econômicos, culturais e outros, deve-se traçar o mapa político local (quem é quem, quais as lideranças comunitárias expressivas) e sua teia de interações, influências e hierarquias. O perfil ambiental termina revelando as prioridades da comunidade, e estas a determinação dos objetivos. Nomeiam-se as estratégias e elabora-se o programa (formado por diversos projetos, se for o caso). Os métodos e as técnicas são nomeados em seguida, quando se elegem também os recursos instrucionais que serão necessários para o empreendimento das ações previstas. 276 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 408. 277 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. p. 408. 124 Comunidade Perfil Ambiental Prioridades Projeto X Objetivos Estratégias Programa Projeto Y Métodos Técnicas Projeto N Figura 2: Educação Não formal Fonte: Adaptação do Diagrama de Dias, 2004 Para dar efetividade ao que dispõe a Política Nacional de Educação Ambiental, o Decreto n. 4281, de 25 de junho de 2002278, criou o Órgão Gestor previsto no art. 14 da Lei de Política Nacional de Educação Ambiental, definindo sua responsabilidade e que os ministros do Meio Ambiente e da Educação serão os responsáveis por sua direção. Do mesmo modo criou um Comitê Assessor para assessorar o Órgão Gestor, integrado por um representante dos seguintes órgãos, entidades ou setores, conforme dispõe o art. 4º: I - setor educacional-ambiental, indicado pelas Comissões Estaduais Interinstitucionais de Educação Ambiental; II - setor produtivo patronal, indicado pelas Confederações Nacionais da Indústria, do Comércio e da Agricultura, garantida a alternância; III - setor produtivo laboral, indicado pelas Centrais Sindicais, garantida a alternância; IV - Organizações Não-Governamentais que desenvolvam ações em Educação Ambiental, indicado pela Associação Brasileira de Organizações não Governamentais - ABONG; 278 BRASIL. Decreto n. 4281, de 25 de junho de 2002. Disponível em: <www.planalto.gov.br> Acesso em: 15 fev. 2015. 125 V - Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB; VI - municípios, indicado pela Associação Nacional dos Municípios e Meio Ambiente - ANAMMA; VII - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC; VIII - Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, indicado pela Câmara Técnica de Educação Ambiental, excluindo-se os já representados neste Comitê; IX - Conselho Nacional de Educação - CNE; X - União dos Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME; XI - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA; XII - da Associação Brasileira de Imprensa - ABI; e XIII - da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Estado de Meio Ambiente - ABEMA.279 Conforme Philippi Júnior e Pelicioni280 previu acertadamente que a participação dos representantes no Comitê Assessor não enseja nenhum tipo de remuneração, sendo considerado serviço de relevante interesse público, podendo, ainda o Órgão Gestor solicitar assessoria de órgãos, instituições e pessoas de notório saber, na área de sua competência, em assuntos que necessitem de conhecimento específico. A Política Nacional de Educação Ambiental recomendou a inclusão da Educação Ambiental em todos os níveis e modalidades de ensino, e por esse motivo foi criada a lei, para a inclusão da educação ambiental nas políticas públicas do Estado brasileiro no âmbito do Ministério da Educação e Cultura – MEC, como uma estratégia de incremento da educação pública, bem como no Ministério do Meio Ambiente como atendimento de uma demanda específica da sociedade. 3.2.1.1 Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA) O Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA é um programa de âmbito nacional, fruto da sintonia com o Tratado de Educação Ambiental e 279 BRASIL. Decreto n. 4281, de 25 de junho de 2002. Disponível em: <www.planalto.gov.br> Acesso em: 15 fev. 2015. 280 PHILIPPI, JÚNIOR, Arlindo; PELICIONI, Maria Cecília Focesi. Educação ambiental e sustentabilidade. p. 295. 126 coordenado pelo Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental, criada pelo Decreto n. 4281/2002, visando o alcance da sustentabilidade ambiental. Apresenta e propõe, princípios, diretrizes, linhas de ação e estratégias para a Educação Ambiental. Tem como “eixo orientador a marca institucional do atual governo: ‘Brasil, um País de todos’” 281, conforme informa o Ministério do Meio Ambiente. Farias, Mazzarino e Oliveira282 comentam que as ações do Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA destinam-se a assegurar, no âmbito educativo, a interação e a integração equilibradas das dimensões da sustentabilidade ambiental na busca da participação social na proteção, recuperação e melhoria das condições ambientais e de qualidade de vida o cidadão brasileiro e para isso, [...] concebe o ambiente em sua totalidade, em uma abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; respeito à liberdade e à equidade de gênero; reconhecimento da diversidade cultural, étnica, racial, genética, de espécies e de ecossistemas; enfoque humanista, histórico, crítico, político, democrático, participativo, inclusivo, dialógico, cooperativo e emancipatório; compromisso com a cidadania ambiental; vinculação entre as diferenças de conhecimento, valores éticos e estéticos, educação, cultura e práticas sociais; democratização na produção e divulgação do conhecimento; pluralismo de ideias e concepções pedagógicas; permanente avaliação do processo educativo; transparências; coerência entre o pensar, o falar, o sentir e o fazer. O Órgão Gestor, pelo qual é coordenado, é formado por dois ministérios que atuam juntos, o MEC representado pela Coordenação Geral de Educação Ambiental, da Diretoria de Educação Integral, Direitos Humanos e Cidadania da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), representado pela Diretoria de Educação Ambiental, na Secretaria Executiva. 281 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA. Disponível em < http://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/pronea_3.pdf> Acesso em 02 mar. 2015. 282 FARIAS, Alessandra Marlice de Brito; MAZZARINO, Jane Márcia; OLIVEIRA, Eniz Conceição. Educação ambiental e políticas públicas. Universidade Federal do Grio Grande. Disponível em http://www.seer.furg.br/remea/article/view/3232/2226. Acesso em 28 fev. 2015. 127 Para melhor visualização do Sistema que envolve a Política Nacional de Educação Ambiental, segue o organograma, na figura 3 PNEA Órgão Gestor COEA/MEC DEA/MMA PCN’s/DCN’s-EA ProNEA Figura 3: Sistema da Política Nacional de Educação Ambiental Fonte: Elaboração da pesquisadora com base na legislação O Órgão Gestor segue a missão do Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA, com a finalidade de construir sociedades sustentáveis, compartilhando informação e o acesso permanente e continuada à educação ambiental: [...] com a educação libertadora, não com a educação domesticadora, como prática utópica [...]. Utópica no sentido de que é esta uma prática que vive a unicidade dialética, dinâmica, entre a denúncia de uma sociedade injusta e espoliadora e o anúncio do sonho possível de uma sociedade [...] que chamamos agora de “sustentável”.283 Suas ações destinam-se a assegurar, no âmbito educativo, a integração equilibrada das múltiplas dimensões da sustentabilidade - ambiental, social, ética, cultural, econômica, espacial e política - ao desenvolvimento do País, resultando em melhor qualidade de vida para toda a população brasileira, por intermédio do envolvimento e participação social na proteção e conservação ambiental e da manutenção dessas condições ao longo prazo. 283 BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Educação ambiental: aprendizes da sustentabilidade. Disponível em <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao2.pdf> Acesso em 08 mar. 2015. 128 Para atingir esses objetivos, assume as diretrizes do Ministério do Meio Ambiente, a saber, transversalidade, fortalecimento do Sisnama, sustentabilidade, participação e controle social. O Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA representa um constante exercício de Transversalidade284, criando espaços de interlocução bilateral e múltipla para internalizar a educação ambiental no conjunto do governo, contribuindo assim para a agenda transversal, que busca o diálogo entre as políticas setoriais ambientais, educativas, econômicas, sociais e de infraestrutura, de modo a participar das decisões de investimentos desses setores e a monitorar e avaliar, sob a ótica educacional e da sustentabilidade, o impacto de tais políticas. Tal exercício deve ser expandido para outros níveis de governo e para a sociedade como um todo. O Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA adota as recomendações de Tbilisi buscando o tratamento de forma transversal, ou seja, reunindo ações de diferentes disciplinas, em torno de um tema, incluindo a dimensão ambiental nos programas de educação. A Política Nacional de Educação Ambiental deve ser então executada pelo Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, em sinergia com as demais políticas federais, estaduais e municipais de governo, consolidando suas ações e em razão disso, o seu fortalecimento. Mesmo porque, a busca da sustentabilidade deve ser priorizada em todos os níveis, pois de nada adianta “ficar falando de efeito 284 A transversalidade diz respeito à possibilidade de se instituir, na prática educativa, uma analogia entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real (aprender na realidade e da realidade). A escola vista por esse enfoque, deve possuir uma visão mais ampla, acabando com a fragmentação do conhecimento, pois somente assim se apossará de uma cultura interdisciplinar. A transversalidade e a interdisciplinaridade são modos de trabalhar o conhecimento que buscam reintegração de procedimentos acadêmicos, que ficaram isolados uns dos outros pelo método disciplinar. Necessário se torna uma visão mais adequada e abrangente da realidade, que muitas vezes se nos apresenta de maneira fragmentada. Através dessa ênfase poderemos intervir na realidade para transformá-la. HAMZE, Amélia. O princípio da interdisciplinaridade da transversalidade. Disponível em <http://educador.brasilescola.com/trabalho-docente/o-principio-da-interdisciplina ridade-transversalidade.htm> Acesso 8 Mar. 2015. 129 estufa, camada de ozônio, matança das baleias, destruição da Amazônia, entre outros assuntos, se a realidade local não for considerada”285. Considerando-se a Educação Ambiental como um dos elementos fundamentais da gestão ambiental, o Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA desempenha um importante papel na orientação de agentes públicos e privados para a reflexão e construção de alternativas que almejem a Sustentabilidade. Assim propicia-se a oportunidade de se ressaltar o bom exemplo das práticas e experiências exitosas. A Participação e o Controle Social também são diretrizes que permeiam as estratégias e ações do ProNEA, por intermédio da geração e disponibilização de informações que permitam a participação social na discussão, formulação, implementação, fiscalização e avaliação das políticas ambientais voltadas à construção de valores culturais comprometidos com a qualidade ambiental e a justiça social; e de apoio à sociedade na busca de um modelo socioeconômico sustentável. Em vista dos objetivos traçados pelo Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA, na busca de uma educação ambiental contribuindo para a construção de sociedades sustentáveis com pessoas atuantes e felizes em todo o Brasil, o governo federal criou uma linha, para a articulação de ações de comunicação para a Educação Ambiental. 3.2.1.1.1 Educomunicação Segundo o Ministério do Meio Ambiente286 em atendimento à lei 9.795/99, da Política Nacional de Educação Ambiental o governo federal criou uma linha de ação decorrente do ProNEA, denominada Educomunicação que cuida da articulação 285 DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. 9. ed. São Paulo: Gaia, 2004. p. 118. 286 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em < http://www.mma.gov.br/ educacao -ambiental/educomunicacao> Acesso em: 08 mar. 2015. 130 de ações de comunicação para a Educação Ambiental. Esta linha de ação possui dois tipos, uma, destinada ações estratégicas, que promovem a participação na produção de informação e conteúdos educativos e articulam resultados a longo prazo; e, outra de ações continuadas de suporte. Farias, Mazzarino e Oliveira287 citando Soares ao analisar o conceito de Educomunicação relatam que era usado para identificar a área da educação voltada para a formação do chamado senso crítico frente à mídia, especialmente frente à televisão e tem o objetivo de legitimar práticas dos comunicadores populares e sistematizar o movimento social em torno do que até então também era chamado de comunicação/educação ou inter-relação comunicação e educação. Traz como princípios norteadores, [...] o compromisso com o diálogo permanente e continuado; a interatividade e produção participativa de conteúdos; a transversalidade; os diálogos de saberes; a proteção e valorização do conhecimento tradicional e popular; a democratização da comunicação e a acessibilidade à informação ambiental; o direito à comunicação e a não discriminação e respeito à individualidade e diversidade humana.288 Tem como objetivo proporcionar meios interativos e democráticos para que a sociedade possa produzir conteúdos e disseminar conhecimentos, através da comunicação ambiental voltada para a sustentabilidade, com um novo campo de atividades sociais a partir de proposta de interação de duas áreas de conhecimento, (educação e comunicação), na qual a comunicação funciona como instrumento para a educação e conscientização das problemáticas relacionadas ao meio ambiente. Os meios utilizados estão disponibilizados no site do Ministério do Meio Ambiente, através: a) blog Educação Ambiental; b) Coleciona; c) Campanhas de 287 FARIAS, Alessandra Marlice de Brito; MAZZARINO, Jane Márcia; OLIVEIRA, Eniz Conceição. Educação ambiental e políticas públicas. Universidade Federal do Grio Grande. Disponível em http://www.seer.furg.br/remea/article/view/3232/2226. Acesso em 28 fev. 2015. 288 FARIAS, Alessandra Marlice de Brito; MAZZARINO, Jane Márcia; OLIVEIRA, Eniz Conceição. Educação ambiental e políticas públicas. Universidade Federal do Grio Grande. Disponível em http://www.seer.furg.br/remea/article/view/3232/2226. Acesso em 28 fev. 2015. 131 Consumo Sustentável; d) Circuito tela verde; e) Informativos I-DE@; f) Nas ondas do São Francisco; g) Salas Verdes; e, h) Texto-base. O Blog Educação Ambiental, busca demonstrar como pensa a Sociedade sobre os diversos temas de alguma forma relacionados à Educação Ambiental, por meio de postagem de diversas organizações, sejam governamentais ou não governamentais. O “Coleciona: fichário do Educador Ambiental” é uma iniciativa do Departamento de Educação Ambiental da SAIC/MMA – DEA que tem por objetivo pensar e fazer Educação Ambiental, por meio de textos práticos, permanentemente atualizado, disponibilizados para educadoras e educadores e aberto a consulta e uso público. O último disponibilizado, data outubro/novembro 2010 e tem como tema “Agenda 21: Não basta planejar, é preciso realizar. Mas, sobretudo, avaliar os passos dados”.289 Algumas campanhas permeiam o Educomunicação como, por exemplo, a do Consumo Consciente de Embalagem; Saco é um Saco; Separe o Lixo e Acerte na Lata; Outubro - Mês do Consumo Sustentável. Já o Circuito Tela Verde – CTV é uma iniciativa do Departamento de Educação Ambiental – DEA, da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental – SAIC do Ministério do Meio Ambiente – MMA, realizada em parceria com a Secretaria do Audiovisual – SAV do Ministério da Cultura. O CTV promove regularmente a Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente, que reúne vídeos com conteúdo socioambiental para serem exibidos em todo território nacional e em algumas localidades fora do país. O objetivo da Mostra é divulgar e estimular atividades de educação ambiental, participação e mobilização social por meio da 289 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao> Acesso em: 08 mar. 2015. < 132 produção independente audiovisual, bem como atender a demanda de espaços educadores por materiais pedagógicos multimídias.290 O informativo, como o próprio nome diz, busca trazer informações das ações realizadas em Educação Ambiental no Brasil. O último informativo do Ministério do Meio Ambiente de dezembro de 2014, traz dentre outras notícias, o balanço dos primeiros cursos à distância. Nas ondas do São Francisco é um programa lançado pelo Ministério do Meio Ambiente, como política Educomunicação, que busca transmitir à sociedade a importância dos cuidados com o meio ambiente, para conscientização da população, com a participação social na gestão ambiental local, além de estimular a adoção de ações socioambientais no dia a dia, utilizando como instrumento spots291 de rádio, feitos pela comunidade.292 O Projeto Salas Verdes, coordenado pelo Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (DEA/MMA), consiste e no incentivo à implantação de espaços socioambientais para atuarem como potenciais Centros de informação e Formação ambiental, em todo território nacional. A dimensão básica de qualquer Sala Verde é a disponibilização e democratização da informação ambiental e a busca por maximizar as possibilidades dos materiais distribuídos, colaborando para a construção de um espaço, que além do acesso à informação, ofereça a possibilidade de reflexão e construção do pensamento/ação ambiental. É um espaço definido, vinculado a uma instituição pública ou privada, que poderá se dedicar a projetos, ações e programas educacionais voltados à questão ambiental. Deve cumprir um papel dinamizador, numa perspectiva articuladora e integradora, 290 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao> Acesso em: 08 mar. 2015. 291 Spot é um fonograma utilizado como peça publicitária em rádio, feita por uma locução simples ou mista (duas ou mais vozes), com ou sem efeitos sonoros e música de fundo. O spot é, geralmente, utilizado na publicidade quando há muita coisa a ser transmitida em uma só mensagem. (Dicionário escolar da língua portuguesa/Academia Brasileira de Letras. 2. ed. São Paulo. Companhia Editora Nacional, 2008. p. 1200. 292 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao> Acesso em: 08 mar. 2015. < < 133 viabilizando iniciativas que propiciem uma efetiva participação dos diversos segmentos da sociedade na gestão ambiental, seguindo uma pauta de atuação permeada por ações educacionais, que caminhem em direção à sustentabilidade.293 Em Santa Catarina algumas escolas, associação de bairros e a Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, configuraram suas salas de acordo com sua identidade institucional e o público com quem trabalha, dialogando as potencialidades com as particularidades locais e regionais, onde devem orientar as ações, através de um processo constante e continuado de construção, implementação, avaliação e revisão de seu Projeto Político Pedagógico. Além de todas as ferramentas disponibilizadas o Educomunicação possui ainda um texto base, que é uma publicação que tem como missão subsidiar propostas de políticas públicas associadas ao Programa Nacional de Educação Ambiental e orientar práticas de comunicação no campo da Educação Ambiental, tendo como foco princípios de dialogismo e participação em toda ação comunicativa irradiada a partir deste campo. O Educomunicação sistematiza um quadro de referência para a toda ação comunicativa no campo da Educação Ambiental, contribuindo com a construção de uma Política Nacional de Comunicação e Informação Ambiental. Apesar de não responder a todas as necessidades de construção de uma política de comunicação ambiental, corresponde à dimensão pedagógica dos processos comunicativos associados à questão ambiental que, na perspectiva do Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA, se quer presente como competência em conteúdos de educadores e educadoras ambientais, bem como de todos os canais e atores da comunicação social do país. 3.2.1.2 Ministério da Educação e Cultura para Educação Ambiental O Ministério da Educação e Cultura – MEC tem suas linhas de orientação 293 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível <http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao> Acesso em: 08 mar. 2015. em 134 por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s e Diretrizes Curriculares Nacionais, porquanto, ambas têm seu papel na Política Nacional de Educação Ambiental. Os Parâmetros Curriculares Nacionais constituem um referencial de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o País. Sua função é orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional, socializando discussões, pesquisas e recomendações, subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros, principalmente daqueles que se encontram mais isolados, com menor contato com a produção pedagógica atual.294 Em 1997, depois de dois anos de debates, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) foram aprovados pelo Conselho Nacional de Educação e constituem-se como um subsídio para apoiar a escola na elaboração do seu projeto educativo, inserindo procedimentos, atitudes e valores no convívio escolar, bem como a necessidade de tratar de alguns temas sociais urgentes, de abrangência nacional, denominados como temas transversais: meio ambiente, ética, pluralidade cultural, orientação sexual, trabalho e consumo, com possibilidade de as escolas e/ou comunidades elegerem outros de importância relevante para sua realidade.295 Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s buscam, dentro do conjunto de suas proposições responder à necessidade de referenciais a partir dos quais o sistema educacional do País se organize, com a finalidade, [...] de garantir que, respeitadas as diversidades culturais, regionais, étnicas, religiosas e políticas que atravessam uma sociedade múltipla, estratificada e complexa, a educação possa atuar, decisivamente, no processo de construção da cidadania, tendo como meta o ideal de uma crescente igualdade de direitos entre os cidadãos, baseado nos princípios democráticos. Essa igualdade implica necessariamente o acesso à totalidade dos bens públicos, entre os quais o conjunto dos conhecimentos socialmente 294 295 BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. p. 9. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Educação Continuada. Secad Disponível em <http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/educacaoambiental/ealegal.pdf> Acesso em 8 mar. 2015. 135 relevantes.296 No que se refere ao tema ‘Meio Ambiente’, os Parâmetros Curriculares Nacionais têm como objetivo trabalha-lo de forma transversal, com o intuito de criar uma visão global e abrangente da educação ambiental, onde visualiza aspectos físicos e histórico-sociais, em relação aos quais cada professor tem um papel importante quando cria vínculos de sua área com as questões ambientais. Os PCNs, apesar de ser um instrumento normativo de caráter mais específico foi elaborado e encaminhado de forma a orientar um instrumento de caráter mais geral, como as Diretrizes Curriculares Nacionais. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica em todas as suas etapas e modalidades reconhecem a relevância e a obrigatoriedade da Educação Ambiental e sendo assim, o Conselho Nacional de Educação aprovou o Parecer CNE/CP nº 8, de 6 de março de 2012, homologado por Despacho do Senhor Ministro de Estado da Educação, publicado no Diário Oficial União de 30 de maio de 2012, estabelecendo as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos incluindo os direitos ambientais no conjunto dos internacionalmente reconhecidos, e define que a educação para a cidadania compreende a dimensão política do cuidado com o meio ambiente local, regional e global. Considerando, dentre outras coisas que o atributo "ambiental" se constitui em elemento estruturante que demarca um campo político de valores e práticas, mobilizando atores sociais comprometidos com a prática político-pedagógica transformadora e emancipatória capaz de promover a ética e a cidadania ambiental e reconhecendo o papel transformador e emancipatório da Educação Ambiental, o Conselho Nacional de Educação, por meio da Resolução nº 2, de 15 de junho de 2012, estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, no qual devem ser observadas pelos sistemas de ensino e suas instituições de Educação Básica e de Educação Superior, afirmando ainda que a Educação 296 BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. p. 9. 136 Ambiental é uma dimensão da educação, é atividade intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os outros seres humanos, visando potencializar essa atividade humana com a finalidade de torná-la plena de prática social e de ética ambiental. Além do que, a Educação Ambiental, deve ser desenvolvida como uma prática educativa integrada e interdisciplinar, contínua e permanente em todas as fases, etapas.297 O programa do MEC propõe-se a construir um processo permanente de educação ambiental na escola. Por meio de modalidades de ensino presenciais, à distância e difusas, as ações envolvem secretarias de educação estaduais e municipais, professores, alunos, comunidade escolar, sociedade civil e universidade.298 Questões ambientais abrangentes, bem como áreas mais específicas são trabalhadas a partir de uma visão sistêmica, baseada em quatro ações estruturantes, conforme enumera Sorrentino299: Conferência Nacional de Meio Ambiente, Formação Continuada de Professores e Estudantes, Inclusão Digital com Ciência de Pés no Chão, Educação de Chico Mendes, conforme se verifica na figura a seguir. 297 BRASIL. Ministério da Educação Conselho Nacional da Educação. Resolução nº 2, de 15 de junho de 2012. Disponível em <http://www.lex.com.br/legis_23451844_ RESOLUCAO_N_2_DE_15_ DE_JUNHO_DE_2012.aspx> Acesso em 08 Mar. 2015. 298 SORRENTINO, Marcos. et al. Educação Ambiental como política pública. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ep/v31n2/a10v31n2.pdf> Acesso em 5 mar. 2015. 299 SORRENTINO, Marcos. et al. Educação Ambiental como política pública. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ep/v31n2/a10v31n2.pdf> Acesso em 5 mar. 2015. 137 Figura 4: Visão Sistêmica Fonte: Ministério da Educação e Cultura. A partir de um processo de sensibilização desencadeado pela Conferência realizada em 2003, o MEC desenvolveu processos de formação ambiental continuada com o Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas, envolvendo 32 mil professores e 32 mil alunos de 16 mil escolas participantes da Conferência. A formação dos professores teve como tema gerador o consumo sustentável (Idec/MEC/MMA) e a dos alunos a formação de Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida – Com-vida e consequentemente a elaboração da Agenda 21 na Escola. Neste contexto, surge o Programa Educação de Chico Mendes que dá continuidade à construção permanente da educação ambiental no Brasil. Este programa faz parte de um círculo virtuoso de busca de conhecimento, pesquisa, geração de saberes e criação de ações transformadoras a partir das Escolas e Comunidades. Todas essas ações e programas visam e tem como objetivo principal nas políticas públicas, a integração da Educação Ambiental na busca do alcance da sustentabilidade ambiental. Essas políticas públicas quando executadas, devem trazer conhecimento, informação sobre o uso dos recursos naturais, padrões de consumo, dentre tantos fatores que transformam a realidade socioambiental. Aos poucos, graças aos movimentos, notadamente, preocupados com o 138 meio ambiente em constante degradação, pelas ações do homem, bem como a preocupação da relevância internacional da matéria, a Educação Ambiental foi assumida no país por diversos departamentos educativos, de gestão ambiental e da juventude. 3.2.2 Sistema educativo ambiental na Espanha Educação Ambiental na Europa varia entre os países, pois a reflexão de comportamentos produzidos por diferentes políticas ambientais, depende dos vários problemas ambientais dos Estados membros e da conscientização popular em relação à natureza. Esta consciência não foi estabelecido de maneira uniforme em toda a Europa. Em relação à implementação da educação ambiental nos diversos Estados-Membros da União Europeia, há uma grande variedade de situações. A causa raiz pode estar na origem da iniciativa dos ministérios relevantes, as autoridades administrativas locais, escolas ou entidades privadas. A Educação Ambiental na Espanha surgiu como uma reação da própria sociedade. Assim como na Europa, aparece como uma resposta às ações agressivas ao meio ambiente. Ibáñez300 acredita que na Espanha atualmente, estamos testemunhando um processo de descentralização administrativa e mudanças no sistema de ensino atual. Esta situação heterogênea dificulta a adoção de medidas e decisões sobre o desenvolvimento de uma política global de Educação Ambiental. El Seminario celebrado en 1.988 en las Navas del Marqués (Ávila), fue el punto de partida para la posterior integración de la EA en el sistema educativo español, ya que en él se definen las bases de las posteriores estrategias nacionales en esta materia. Este hecho culminó en 1.990 con la implantación de la Ley Orgánica de 300 IBANÑEZ, Macarena Esteban. La educación ambiental en los países de la unión europea: una necesidad en los albores del siglo XXI. Universidade de Oviedo. Disponível em <http://www.fmmeducacion.com.ar/Recursos/educambiental.htm> Acesso em 11 marc. 2014. 139 Ordenación General del Sistema Educativo (LOGSE), que supuso la inclusión oficial de este tipo de educación en la legislación española. A Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo - LOGSE a partir do que dispõe a Constitución Española, que afirma que: 1. “Todos tienen el derecho a disfrutar de un medio ambiente adecuado para el desarrollo de la persona, así como el deber de conservarlo. 2. Los poderes públicos velarán por la utilización racional de todos los recursos naturales, con el fin de proteger y mejorar la calidad de la vida y defender y restaurar el medio ambiente, apoyándose en la indispensable solidaridad colectiva [...]301. A legislação inclui educação ambiental nas áreas de ensinamentos opcionais como tema transversal. Administração Educacional define o currículo para o território MEC e as Comunidades Autónomas, em colaboração com os vários atores da comunidade educativa. Nos termos da Lei, a abordagem transversal é a presença da educação ambiental em todos os níveis e todas as áreas dentro do currículo, que são impregnadas pela perspectiva educativa e, portanto, interrelacionados. Essa abordagem requer, tendo em conta o conteúdo da escola, que tem cuidadosamente analisadas para esclarecer os objetivos e papel dos membros da comunidade educativa envolvida em diferentes graus no projeto.302 3.2.2.1 Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo A Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo303 espanhola tem por fundamental objetivo El objetivo primero y fundamental de la educación es el de proporcionar a los niños y a las niñas, a los jóvenes de uno y otro sexo, una formación plena que les permita conformar su propia y esencial identidad, así como construir una concepción de la realidad que integre a la vez el conocimiento y la valoración ética y moral de 301 ESPANHA. Constitución española. Disponível em: < http://www.congreso.es/consti /constitucion/indice/titulos/articulos.jsp?ini=45&tipo=2> Acesso em 11 marc. 2015. 302 ESPANHA. Constitución española. Disponível em: < http://www.congreso.es/consti /constitucion/indice/titulos/articulos.jsp?ini=45&tipo=2> Acesso em 11 marc. 2015. 303 ESPANHA. Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo. Disponível em: < https://www.upct.es/seeu/_as/divulgacion_cyt_09/Libro_Historia_Ciencia/WORD/logse.pdf> Acesso em: 10 Marc. 2015. 140 la misma. Tal formación plena ha de ir dirigida al desarrollo de su capacidad para ejercer, de manera crítica y en una sociedad axiológicamente plural, la libertad, la tolerancia y la solidaridad. E atenderá e se desenvolverá a atividade educativa, com base em alguns princípios, dentro os quais, o processo que estabelece de percepção com o meio social, econômico e cultural, tenho em vista o respeito e defesa ao meio ambiente, que deve ser preservado, senão vejamos: a) La formación personalizada, que propicie una educación integral en conocimientos, destrezas y valores morales de los alumnos en todos los ámbitos de la vida, personal, familiar, social y profesional. b) La participación y colaboración de los padres o tutores para contribuir a la mejor consecución de l os objetivos educativos. c) La efectiva igualdad de derechos entre los sexos, el rechazo a todo tipo de discriminación y el respeto a todas las culturas. d) El desarrollo de las capacidades creativas y del espíritu crítico. e) El fomento de los hábitos de comportamiento democrático. f) La autonomía pedagógica de los centros dentro de l os límites establecidos por las leyes, así como la actividad investigadora de los profesores a partir de su práctica docente. g) La atención psicopedagógica y la orientación educativa y profesional. h) La metodología activa que asegure la participación del alumnado en los procesos de enseñanza y aprendizaje. i) La evaluación de los procesos de enseñanza y aprendizaje, de los centros docentes y de los diversos elementos del sistema. j) La relación con el entorno social, económico y cultural. k) La formación en el respeto y defensa del medio ambiente. 304 O sistema educativo espanhol compreende o ensino geral e ensino em regime especial, o geral abrange a educação infantil; primária; secundária, que compreende a obrigatória e o colegial e a formação do ensino médio; profissional grau superior; e, a educação universitária. Já o ensino em regime especial, compreende o artístico e de idiomas. Nesse passo, se constata que em todos os níveis de ensino para a Educação na Espanha, seja de modo implícito ou explicitamente, desde a educação infantil, busca contribuir para o desenvolvimento, nas crianças a capacidade de “observar y explorar su entorno natural, familiar y social”; como na educação primária “Conocer las características fundamentales de su medio físico, social y 304 ESPANHA. Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo. Disponível em: < https://www.upct.es/seeu/_as/divulgacion_cyt_09/Libro_Historia_Ciencia/WORD/logse.pdf> Acesso em: 10 Marc. 2015. 141 cultural, y las posibilidades de acción en el mismo”, bem como, “Valorar [...] la conservación de la naturaleza y del medio ambiente”305. Quando se trata do ensino na educação obrigatória secundária, o artigo 19 dispõe, que a “Ciencias de la Naturaleza” é disciplina obrigatória e a tem como fundamental para atingir os objetivos traçados, tendo em vista a preservação do meio ambiente, a saber: [...] e) Conocer, valorar y respetar los bienes artísticos y culturales. f) Analizar los principales factores que influyen en los hechos sociales, y conocer las leyes básicas de la naturaleza. g) Entender la dimensión práctica de los conocimientos obtenidos, y adquirir una preparación básica en el campo de la tecnología. h) Conocer las creencias, actitudes y valores básicos de nuestra tradición y patrimonio cultural, valorarlos críticamente y elegir aquellas opciones que mejor favorezcan su desarrollo integral como personas. i) Valorar críticamente los hábitos sociales relacionados con la salud, el consumo y el medio ambiente. j) Conocer el medio social, natural y cultural en que actúan y utilizarlos como instrumento para su formación.306 Na fase denominada “El bachillerato”, a disciplina “Ciencias de la Naturaleza”, tem por metodologia didática a aplicação da interdisciplinaridade desenvolvida, para que o aluno tenha a capacidade para aprender por si mesmo, trabalhando em equipe, com métodos apropriados para a investigação. “De igual modo subrayará la relación de los aspectos teóricos de las materias con sus aplicaciones prácticas en la sociedade”. E assim, de dará nos ensinos da “formación professional” e da “educación especial”, diferenciando apenas na especialidade que deverão ter os professores nas respectivas áreas a ser desenvolvidas. A lei espanhola inclui dentre as já mencionadas esferas da Educação, ainda “la educación de las personas adultas” buscando garantir “las personas adultas 305 ESPANHA. Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo. Disponível em: < https://www.upct.es/seeu/_as/divulgacion_cyt_09/Libro_Historia_Ciencia/WORD/logse.pdf> Acesso em: 10 Marc. 2015. 306 ESPANHA. Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo. Disponível em: < https://www.upct.es/seeu/_as/divulgacion_cyt_09/Libro_Historia_Ciencia/WORD/logse.pdf> Acesso em: 10 Marc. 2015. 142 puedan adquirir, actualizar, completar o ampliar sus conocimientos y aptitudes para su desarrollo personal y professional”. Com o objetivo maior em dar efetividade ao princípio da igualdade, estabelece a lei que: [...] el principio de igualdad en el ejercicio del derecho a la educación, los Poderes públicos desarrollarán las acciones de carácter compensatorio en relación con las personas, grupos y ámbitos territoriales que se encuentren en situaciones desfavorables y proveerán los recursos económicos para ello. 2. Las políticas de educación compensatoria reforzarán la acción del sistema educativo de forma que se eviten las desigualdades derivadas de facAtores sociales, económicos, culturales, geográficos, étnicos o de otra índole.307 A Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo, estabeleceu que a educação ambiental deve ter um enfoque de trabalho escolar, empregando em todas as áreas do currículo, desde os primeiros níveis a Educação Ambiental, tendo como fonte principal, o reconhecimento dos objetivos da Conferência de Tbilisi, discorridos no item 2.2.2 deste trabalho. Portanto, a Educação Ambiental está incluída no currículo escolar, com os objetivos gerais de cada uma das etapas, não como uma área de assunto, mas de modo interdisciplinar308, integrando todos os assuntos em todos os níveis do conhecimento. “De hecho, las diferentes áreas del corriculo recogen la casi 307 ESPANHA. Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo. Disponível em: < https://www.upct.es/seeu/_as/divulgacion_cyt_09/Libro_Historia_Ciencia/WORD/logse.pdf> Acesso em: 10 Marc. 2015. 308 Cuando la Educación Ambiental se imparte dentro del sistema escolar (como sucede en la mayoría de los Estados miembro, si bien en grados diferentes) se hace de forma disciplinar o interdisciplinar. En el primer caso puede constituir una asignatura específica o integrarse en las materias escolares y en el segundo, puede impartirse de forma «transversal», recurriendo a los conocimientos de diversas disciplinas para tratar los temas ambientales o llevarlo a cabo mediante proyectos interdisciplinares, que se concretan en una propuesta de actividad. IBANÑEZ, Macarena Esteban. La educación ambiental en los países de la unión europea: una necesidad en los albores del siglo XXI. Universidade de Oviedo. Disponível em <http://www.fmmeducacion.com.ar/Recursos/educambiental.htm> Acesso em 11 marc. 2015. 143 totalidade de los objetivos referidos al médio ambiente, tanto los de tipo conceptual como los que se refieren a procedimentos e actitudes”309. A inclusão da educação ambiental é, portanto, marcada pela “Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo”, e por seu caráter generalizador no ensino educacional, necessita de algumas ferramentas de apoio e a formação de professores, na área, assim como a Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil. 3.2.2.2 El Libro Branco de la Edución Ambiental em España O Livro Branco sobre a Educação Ambiental na Espanha busca promover a ação em prol do médio ambiente, entre os indivíduos e grupos sociais; uma ação informada e decisiva para o ambiente e uma sociedade sustentável, realizada em contextos vida das pessoas: casa, trabalho, escola, lazer e comunidade.310 Tem como objetivo comum a qualidade de vida de governos e populações e foi criado no ano de 1999, em final do século XX, por reconhecer que “uno de los obstáculos más importantes para el mantenimiento o la mejora de la calidad de vida es el deterioro de los sistemas vitales, de los que depende la existencia de la especie humana en el planeta”311. O propósito do Libro Branco, disposto em seu texto, é colaborar para a melhoria da qualidade de vida e felicidade humana, conforme encerra a Carta de Belgrado, além de proporcionar a todos o conhecimento acerca dos problemas ambientais, a fim de poder preveni-los, obtendo assim a sustentabilidade. El Libro Blanco de la Educación Ambiental quiere recoger el fruto de 309 ROY, Susana Calvo. La educación ambiental em España. dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/2244809.pdf> Acesso em 11 mar. 2015. 310 ESPANHA. Libro Blanco de la educacion ambiental en España. Disponível em < www.oei.es/salactsi/blanco.pd> Acesso em 11 marc. 2015. 311 ESPANHA. Libro Blanco de la educacion ambiental en España. Disponível em < www.oei.es/salactsi/blanco.pd> Acesso em 11 marc. 2015. Disponível em: < 144 toda la experiencia acumulada y ponerlo a disposición de todos. Pretende ser un marco de referencia abierto con el que puedan identificarse los diferentes actores y organismos implicados, un elemento catalizador de la elaboración de estrategias y planes adaptados a ámbitos diversos y promovidos por distintos agentes. Con la realización del Libro Blanco se quiere potenciar la educación ambiental tanto en la actuación administrativa como en el sistema educativo, la gestión empresarial y las organizaciones ciudadanas. No es que la educación pueda resolver por sí misma los problemas ambientales, pero es imprescindible para alcanzar el objetivo último: la mejora de la calidad de vida.312 Para atingir o objetivo de chegar a acordo sobre bases comuns, houve um processo de participação, aberta às administrações, associações, representantes de diferentes setores sociais, profissionais da educação e, em geral pessoas interessadas. Participação institucional ocorreu através de reuniões periódicas da Comissão de Educação Ambiental, organismos de promoção do Livro Branco, e as contribuições que os diversos órgãos da administração central e autônomas durante a fase de consulta. Esse documento possui uma estrutura, que se divide em partes diferenciadas, do seguinte modo: El contenido de la primera parte es fundamentalmente teórico y explica el contexto general en el que se enmarca el Libro Blanco, los principios que orientan la educación ambiental, los objetivos que persigue y los instrumentos de que dispone. De este modo, se recogen los planteamientos y recomendaciones de las conferencias internacionales de educación ambiental de los últimos años, así como el análisis, a grandes rasgos, de una práctica de más de 20 años, a la que se han ido incorporando nuevos enfoques, agentes promotores y grupos destinatarios. La segunda parte es eminentemente práctica y está dedicada a los diversos marcos de acción de la educación ambiental. Dentro de cada ámbito se hace una valoración crítica del trabajo realizado hasta el momento, así como un análisis de las potencialidades latentes en cada uno de ellos. A continuación, se propone una serie de recomendaciones y acciones para el desarrollo de la tarea futura.313 E traz princípios essenciais para uma educação ambiental no contexto 312 ESPANHA. Libro Blanco de la educacion ambiental en España. Disponível em < www.oei.es/salactsi/blanco.pd> Acesso em 11 marc. 2015. 313 ESPANHA. Libro Blanco de la educacion ambiental en España. Disponível em < www.oei.es/salactsi/blanco.pd> Acesso em 11 marc. 2015. 145 espacial da Espanha, a saber: Implicar a toda la sociedad. [...] La educación ambiental debe alcanzar a todos los sectores de la población [...]; Adoptar un enfoque amplio y aberto: [...]Cualquier intervención en educación ambiental debe abordar las situaciones y los problemas con mentalidad abierta, considerar los diferentes puntos de vista sobre los conflictos y sopesar los diversos factores que influyen en ellos, incluyendo los aspectos sociales, culturales y económicos, así como los valores y; sentimientos de la población [...]; Promover un pensamiento crítico e innovador: La educación ambiental debe propiciar la comprensión adecuada de las [...]; Desarrollar una acción educativa coherente y creíble: Es necesario subrayar la importancia de la congruencia entre mensaje y acción, de la adecuación entre fines y medios, de la conexión entre educación y gestión ambiental, de la armonía entre los diferentes recursos e instrumentos utilizados, de la idoneidad de los temas tratados, de la oportunidade de los momentos de actuación principales cuestiones socio-ambientales y permitir a las personas formarse opiniones fundadas [...]; Impulsar la participación: La educación ambiental debe favorecer la aplicación práctica de los aprendizajes a través de acciones orientadas a solucionar problemas concretos [...]; Mejorar la coordinación y colaboración entre agentes: es necesario mejorar la coordinación y la cooperación entre los agentes sociales, en el sentido de garantizar la comunicación fluida, [...]; Garantizar los recursos necessários: [...] Sin los medios necesarios económicos, técnicos y humanos- no es posible poner en marcha planes y programas efectivos. Es necesario, pues, el incremento y mejora de los recursos existentes [...]314 E ainda indica os instrumentos que podem ser utilizados, não excluindo outros métodos que podem ser adotados, para uma aprendizagem social, com responsabilidade e participação, além da experimentação. Podem ser “Información y comunicación; Formación y capacitación; Participación; Investigación y evaluación”315. Traz recomendações e ações para a prática da cidadania, em associações e comunidades locais e notadamente, “Promover la elaboración y aplicación de Agendas 21”, constituindo “un foro de medio ambiente local que permita la participación ciudadana en la formulación, ejecución y evaluación de un plan de 314 ESPANHA. Libro Blanco de la educacion ambiental en España. Disponível em < www.oei.es/salactsi/blanco.pd> Acesso em 11 marc. 2015. 315 ESPANHA. Libro Blanco de la educacion ambiental en España. Disponível em < www.oei.es/salactsi/blanco.pd> Acesso em 11 marc. 2015. 146 acción ambiental local” 316; para todos os setores, inclusive ao Sistema Educativo em todos os currículos em atendimento aos preceitos de Tbilisi e ainda às empresas, desde “las grandes corporaciones hasta las pequeñas y medianas empresas- que consideran la necesidad de incorporar criterios ambientales a su gestión y se plantean la información y formación de sus plantillas”, até os sindicatos. Pretendeu-se com a elaboração do Livro Branco um novo impulso na educação ambiental, para que haja maior atenção ao tema, e via de consequência a criação de programas que alcancem a prevenção de problemática ambiental. 3.2.2.3 Ações em Educação Ambiental para o alcance da sustentabilidade Dentre as diversas ações em busca de um desenvolvimento sustentável que são desenvolvidos na Espanha, destaco a Asociación de Educacion Ambiental y del Consumidor – ADEAC, do Ministério de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente que propõe e desenvolve atualmente na Espanha, possui algumas de linhas de trabalho para el Turismo Sostenible tres Campañas o Programas de carácter internacional, dentro de las actividades promovidas por la Fundación de Educación Ambiental (FEE): Campaña Bandera Azul317 Europea 316 ESPANHA. Libro Blanco de la educacion ambiental en España. Disponível em < www.oei.es/salactsi/blanco.pd> Acesso em 11 marc. 2015. 317 La Campaña Bandera Azul de Playas, Puertos y embarcaciones es llevada a cabo por ADEAC desde su lanzamiento europeo en el año 1987. Bandera Azul es una iniciativa original, anterior (1985) y precursora de los actuales sistemas de certificación ambiental y ecoetiquetado (incluidas las ISO 9000 y 14000 y sus antecedentes anglosajones, la ecoetiqueta comunitaria, el EMAS comunitario, etc.), que engloba simultáneamente elementos de un galardón ambiental y una ecoetiqueta, de un instrumento de marketing social de una causa justa y de un sistema de certificación de la gestión ambiental, sin identificarse plenamente con ninguno de ellos. Entre los criterios imperativos de Bandera Azul, se encuentra la exigencia de 5 actividades de Educación Ambiental. También ha sido creada una Distinción a las mejores iniciativas en este campo, así como el fomento de Centros de Información y Educación Bandera Azul. Bandera Azul reconoce mediante un galardón aquellas playas o puertos deportivos que cumplen requisitos de calidad de aguas, servicios y realización de actividades de información, educación y gestión ambiental por parte del municipio o del puerto deportivo. Progresivamente, y como finalidad última, pretende un desarrollo sostenible del turismo y del conjunto del litoral, en línea con la Agenda Local 21. En 2001 han ondeado 390 Banderas Azules en playas de más de 200 municipios litorales y casi 100 puertos del Estado Español, escogidas entre las 723 candidaturas recibidas procedentes de 236 municipios litorales y 100 puertos deportivos españoles. ESPANHA. Ministério de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente. Asociación de Educacion Ambiental y del Consumidor – ADEAC. Disponível em <http://www.magrama.gob.es/es/ ceneam/recursos/quien-es-quien/adeac.aspx> Acesso em 12 marc. 2015. 147 de Playas y Puertos. Campaña Ecoescuelas318. Programa Jóvenes Reporteros para el Medioambiente319. Bosques en la Escuela. Bosques en la Escuela (LEAF). Llave Verde (Green Key)320. Green Campus.321 Na Espanha, ADEAC é o órgão membro da FEE – Foundation for Environmental Education – Fundação para a Educação Ambiental, uma fundação internacional privado, registrados nos Países Baixos em 1982, inicialmente composta por membros da Comissão de Educação do Conselho Europeu, independente de partidos políticos, crenças religiosas ou grupos econômicos. 318 La Campaña Ecoescuelas promovida y desarrollada por la FEE, y ADEAC en España, cuenta ya con más de 6.000 centros, en 22 países europeos, de los que 156 se encuentran en España. Las Ecoescuelas trabajan en colaboración con sus municipios en la aplicación de la Agenda 21 de la Conferencia de Río, en especial en temas como el Agua, la Energía o los Residuos. Cada Ecoescuela cuenta con un Comité Ambiental, elegido por la comunidad escolar, que coordina el desarrollo de un Código de Conducta y un Plan de Acción, dentro y fuera del centro, a partir de los resultados de una Ecoauditoría interna. ESPANHA. Ministério de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente. Asociación de Educacion Ambiental y del Consumidor – ADEAC. Disponível em <http://www.magrama.gob.es/es/ ceneam/recursos/quien-es-quien/adeac.aspx> Acesso em 12 marc. 2015. 319 Jóvenes Reporteros para el Medio Ambiente fue relanzada oficialmente por ADEAC el año 1999 en España. Se trata de una Intranet dentro de Internet donde centros, en su mayoría de Enseñanza Secundaria, intercambian noticias ambientales en torno a seis temas (Costas, Agua, Energía, Residuos, Ciudades y Agricultura) y desarrollan un proyecto a nivel de centro, elaborando un reportaje ambiental relacionado con alguna de dichas temáticas. Esta cooperación "virtual" se complementa con "misiones" sobre el terreno y seminarios para los educadores implicados. ESPANHA. Ministério de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente. Asociación de Educacion Ambiental y del Consumidor – ADEAC. Disponível em <http://www.magrama.gob.es/es/ ceneam/recursos/quien-es-quien/adeac.aspx> Acesso em 12 marc. 2015. 320 Llave Verde (Green Key) es un programa internacional de certificación de la FEE, implantado en 2013 en 39 países, que certifica los procesos de mejora en la gestión ambiental de hoteles, campings y hostales en todo el mundo. ESPANHA. Ministério de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente. Asociación de Educacion Ambiental y del Consumidor – ADEAC. Disponível em <http://www.magrama.gob.es/es/ ceneam/recursos/quien-es-quien/adeac.aspx> Acesso em 12 marc. 2015. 321 El éxito mundial de Ecoescuelas y la existencia de alumnos que llegan a la universidad desde ecoescuelas, ha suscitado en diversos países miembros de la FEE la oportunidad de crear un nuevo Programa, Green Campus, que recoja la filosofía, metodología y experiencia de Ecoescuelas, adaptándola a las necesidades y problemática específica del ámbito universitario. Todo ello con la intención de reconocer los esfuerzos en este campo que se están realizando en diversas universidades españolas y de motivar a aquellas que aún no cuentan con una trayectoria en materia de educación ambiental. A partir de una metodología común consensuada, se pretende ofrecer instrumentos para lograr reducir el impacto ambiental de las universidades, a través de la participación de toda la comunidad universitaria y su entorno. ESPANHA. Ministério de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente. Asociación de Educacion Ambiental y del Consumidor – ADEAC. Disponível em <http://www.magrama.gob.es/es/ ceneam/recursos/quien-esquien/adeac.aspx> Acesso em 12 marc. 2015. 148 Atualmente compreende ramos ou entidades membros associados em 25 países, incluindo ADEAC que promover atividades de educação ambiental em todo o país e une esforços internacionais em campanhas, como praias e marinas com Bandeira Azul, Eco- Escolas, Jovens Repórteres para o Ambiente e Escola Forest. Esse número aumenta a cada ano, devido a sua contínua expansão, e culminou na África do Sul e em breve atingirá os seus frutos nas Caraíbas (República Dominicana, Venezuela e Porto Rico) e outras áreas.322 A Fundação para a Educação Ambiental - FEE busca o desenvolvimento de pesquisas e ações que promovam a conscientização e educação ambiental, dimensão transfronteiriça dos problemas ambientais e da necessidade de cooperação internacional na busca de soluções. ADEAC como membro integrante da FEE e consistente com os propósitos gerais deste tem entre seus objetivos: Promover y realizar investigaciones y estudios a nivel de necesidades, objetivos, contenidos, y metodologías en torno a la educación ambiental y del consumidor, tanto en el medio rural como en el urbano. Organizar o participar en encuentros, talleres, simposios y actividades de formación en este campo, investigando nuevos destinatarios y nuevos enfoques. Cooperar con otras instituciones afines, tanto a nivel nacional como internacional, fomentando el intercambio de materiales, experiencias y personas. Detectar y/o promover y apoyar experiencias educativas piloto y de servicio a la comunidad en este ámbito. Difundir las informaciones y experiencias recogidas o desarrolladas por medio de publicaciones escritas y producciones audiovisuales y mediante el uso de los medios de comunicación social. Tratar de crear actitudes y comportamientos cívico-ambientales solidarios, a nivel nacional e internacional, en especial en el terreno de la educación ambiental y de la educación y defensa de los consumidores.323 322 ESPANHA. Ministério de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente. Asociación de Educacion Ambiental y del Consumidor – ADEAC. Disponível em <http://www.magrama.gob.es/es/ ceneam/recursos/quien-es-quien/adeac.aspx> Acesso em 12 marc. 2015. 323 ESPANHA. Ministério de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente. Asociación de Educacion Ambiental y del Consumidor – ADEAC. Disponível em <http://www.magrama.gob.es/es/ ceneam/recursos/quien-es-quien/adeac.aspx> Acesso em 12 marc. 2015. 149 O impulso que adquiriu a Educação Ambiental na sociedade espanhola, nas últimas duas décadas, em diferentes contextos institucionais, seja, social e profissionais é o resultado de um desenvolvimento progressivo de ferramentas, programas e ações, em atividade contínua, com uma variedade de meios de comunicação e ações que visam promover e realizar estudos, detectando e tratando dos diferentes problemas ambientais, com práticas educativas, que foram se consolidando por meio de atitudes e comportamentos ambientais conscientes. 150 CONSIDERAÇÕES FINAIS Criar um mundo sustentável é um objetivo a ser atingido por todas as nações, pois segundo alertas dramáticos dos cientistas sociais, estamos diante de um colapso, em que a nossa casa, chamado planeta Terra, com todas as alterações decorrentes do comportamento humano, se transformará inviabilizando a existência da espécie humana no globo terrestre. Mas até que isso aconteça, há um consenso claro de que o futuro que começa a surgir será diferente de tudo o que vimos no passado e que haverá um período de mudanças sequer parecido com o que a humanidade está prestes a viver. Os diversos documentos mencionados, no âmbito internacional que influenciaram ou buscam influenciar todos os governantes, são manifestações daqueles que realmente se preocupam e estão à disposição das autoridades de todas as nações que participaram e participam desses eventos. No entanto, a maior preocupação dessas nações ainda está na economia, em cifras, em aquisições pessoais e se esquecem que a Terra é uma casa de passagem, outros estão por vir e é preciso deixar a casa em ordem para as futuras gerações, que por sinal serão seus descendentes. Viver com sustentabilidade é segurar o planeta nas mãos, todos os dias, a cada ação, ou seja, no modo de viver de cada indivíduo, porque não se muda a humanidade, senão pela reforma mental de cada um, e essa reforma mental, somente será alcançada com educação ambiental que deve ter como objetivo principal, considerar o meio ambiente em sua totalidade, seja social, econômica ou ambiental. Deve estar então em sintonia com as realidades, em todas suas dimensões, para prover conhecimento, compreensão e percepção dos vários fatores do Meio Ambiente, complexidade, interação, evolução, adaptação, tendo uma visão global, a partir da local, para mudar hábitos, posturas e comportamentos, que sejam capazes de promover ações, que busquem melhorar a qualidade de vida. Pretende a educação ambiental desenvolver conhecimento, compreensão, habilidades e motivação para adquirir valores, mentalidades e atitudes, necessários 151 para lidar com problemas ambientais e encontrar soluções sustentáveis. A educação ambiental, como ferramenta, pode diminuir os riscos que ameaçam o planeta Terra, transformando-o em um mundo sustentável, em todos os níveis, seja ele local, nacional, regional ou global, mas é preciso ação. Com essa realidade, questiona-se o que tem feito o Brasil e Espanha para garantir os preceitos constitucionais e viabilizar a vida das presentes e futuras gerações com dignidade, para atingir a sustentabilidade em suas dimensões? Pois bem! Essa foi a problemática levantada quando da formulação do projeto de pesquisa: “A Educação Ambiental educação ambiental, tendo como exemplo os programas e investimentos, dos governos Brasil e Espanha, seja na Política Nacional de Educação Ambiental do Brasil, ou na Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo da Espanha garantem o Princípio da Sustentabilidade?” Tendo então como resposta positiva “A Educação ambiental vai formar e preparar cidadãos para uma reflexão crítica e para uma ação social corretiva ou transformadora do sistema, de forma a tornar viável o desenvolvimento integral dos seres humanos, e por esse motivo, os investimentos em programas na educação ambiental dos governos são essenciais para o alcance do princípio da sustentabilidade. O Brasil e Espanha possuem propostas em ações e programas, amparados pelas suas respectivas legislações para o alcance da sustentabilidade”. A partir do desenvolvimento da Política Nacional de Educação Ambiental o processo de Educação Ambiental no Brasil segue suas orientações, recomendando a inclusão da Educação Ambiental em todos os níveis e modalidades de ensino, e por esse motivo foi criada a lei, para a inclusão da educação ambiental nas políticas públicas do Estado brasileiro no âmbito do Ministério da Educação e Cultura – MEC, como uma estratégia de incremento da educação pública, bem como no Ministério do Meio Ambiente como atendimento de uma demanda específica da sociedade. Com essas propostas pretende o governo brasileiro atender aos objetivos traçados em todos os documentos internacionais de educação ambiental. 152 Já na Espanha, os mecanismos a partir da constituição do país, como a Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo, criou programas que buscam atender aos requisitos tanta da Conferência de Tbsilisi, quanto às recomendações da Agenda 21, bem como dos acordos internacionais, implantando a educação nas escolas de forma interdisciplinar, bem como implantando programas, em todas as áreas de atuação da educação, para o alcance da sustentabilidade. Pode-se constatar que na situação atual, houve na Espanha, significativos avanços em Educação Ambiental. O que se verifica no sistema de ensino é que desde as administrações, gerais, regionais e locais, inúmeros programas e atividades de vários temas, são implantados para atingir o maior número de pessoas das mais diversas áreas. As matérias relacionadas ao assunto teve um crescimento impressionante. Todos estão envolvidos na educação ambiental no provimento de recursos para a educação ambiental. As empresas privadas passaram a integrar a criação de equipamentos e materiais. E as conferências, seminários e programas de referência para a educação ambiental são utilizados como instrumento essencial para o desenvolvimento sustentável. Entendo que a hipótese da pesquisa, se confirmou, e isso porque, a temática ambiental como um problema que afeta o destino de todos os seres que habitam o planeta, vem por meio dos cientistas sociais, trazer soluções. A Educação Ambiental tem despontado, por meio dos alertas de há muito, como a única forma de conscientização, pois dialoga com os problemas gerados, produz reflexões e cria métodos para a construção de uma nova base de conhecimento, garantindo uma mudança de valores e via de consequência de práticas ambientais sustentáveis. Para a criação desse novo sujeito, a Educação Ambiental deve atingir todas as pessoas, da criança ao idoso e para que isso acontece deve haver integração de todas as áreas da sociedade, para a reversão da situação de degradação, em que o planeta se encontra. Os programas e investimentos em Educação Ambiental, implantados pelo Brasil com a Política Nacional do Meio Ambiente e Espanha, por meio da Ley Orgánica de Ordenación General del Sistema Educativo, são alguns mecanismos, mas ainda insuficientes, para o alcance da sustentabilidade por meio da implantação da educação Ambiental. 153 Transcorridos debates e discussões sobre a dimensão ambiental na educação, muitas dúvidas ainda permanecem acerca do papel político ou do referencial teórico, epistemológico e metodológico mais adequado que possa contribuir para a superação das formas pedagógicas tradicionais impróprias ou deficientes diante da complexidade da questão ambiental na contemporaneidade. O que se deve ter em conta e metas, apesar das conquistas, são os caminhos que a Educação Ambiental deve seguir para que haja uma interferência no processo de degradação ambiental. A Educação Ambiental deve ter uma força superior aos processos de devastação e degradação que desequilibram todos os sistemas e a vida no planeta. Deve interferir diretamente nas escolhas e decisões de toda humanidade e os governantes são responsáveis pela implementação de programas, que reduzam a falta de conhecimento, da pobreza, do consumismo, do crescimento populacional, dentre outros problemas que geram a utilização inadequada dos recursos naturais, para que o princípio da sustentabilidade seja alcançado. 154 REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS ALVES, José Eustáquio Diniz. A Terra no limite. Disponível em: <http://planeta sustentavel.abril. com.br/noticia/ambiente/terra-limite-humanidade-recursos-naturaisplaneta-situacao-sustentavel-637804.shtml> Acesso em: 14 fev. 2014. ARAÚJO, Thiago Cássio d´Ávila. 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