XII Encontro de Pós-Graduação e Pesquisa Universidade de Fortaleza 22 à 26 de Outubro de 2012 A história da capoeira cearense: Da visita de Mestre Bimba aos eventos intelectuais José Olímpio Ferreira Neto1* (PQ) 1Especialista em Educação, Universidade Vale do Acaraú, Fortaleza-CE [email protected] Palavras-chave: Capoeira. Capoeira cearense. História. Mestres. Práticas Culturais. Resumo O presente artigo é um estudo introdutório sobre a história da capoeira no Ceará. O objetivo é a produção de material que possa contribuir para a divulgação da mesma no estado buscando descrever seu processo de desenvolvimento. Os quase vinte anos de imersão na atividade facilitaram o estudo etnográfico aliado à pesquisa bibliográfica. O referencial que embasou o presente estudo foi composto pelos seguintes autores: CAMPOS, (2001); CARVALHO FILHO, (1997); MENDES, (2010); LAKATOS & MARCONI, (1991); RODRIGUES, (2009) dentre outros. Utilizou-se, ainda, diversas fontes como sites, jornais, revistas, literatura de cordel, contação de história e livros. Ao final do trabalho, pode-se constatar que o assunto não se esgotou e como se pensava no início a pesquisa foi apenas um estudo introdutório. Pode-se constatar, ainda, que a referida prática cultural albergou em sua estrutura o conhecimento acadêmico e que contradiz o sofisma de que a mesma se trata de uma prática meramente corporal. Introdução Esta pesquisa deseja situar-se no campo da História do Tempo Presente através da voz dos atores da prática da Capoeira no estado cearense. Cada vez mais, a Capoeira tem se tornado uma prática educacional de suma importância para a formação dos jovens indo além de movimentações corporais. Nos últimos anos, algumas políticas de incentivo a cultura têm surgido e contribuído para que a Capoeira continue sendo passada de geração em geração, principalmente através da cultura oral, seja através de contação de histórias na vivência com os mestres ou nas cantigas, porém ainda há uma carência de registros escritos. Preocupado com a escassez de história documentada e registrada sobre a Capoeira do Ceará, tomou-se a iniciativa de realizar uma pesquisa partindo da experiência pessoal que conta quase 20 anos dentro da referida atividade. Em verdade, a temática é bastante extensa para ser resumida em um artigo. O que objetiva-se nesse trabalho é realizar uma introdução na pesquisa que continuará em momento posterior com a catalogação de um acervo material e oral de maior dimensão. Com o fito de contribuir, espera-se que a presente pesquisa possa tornar-se fonte de pesquisa para futuros interessados no tema. Metodologia A chamada História Nova está mais interessada na cultura e nos aspectos sociais, conferindo menos importância às grandes personagens e acontecimentos singulares. Ela se interessa mais pelos costumes e pelos protagonistas anônimos (RODRIGUES, 2009). O estudo que se realiza, aqui, refere-se a uma cultura específica utilizando, sobretudo, a experiência humana dos sujeitos envolvidos nessa prática cultural. Essa pesquisa terá como corpus metodológico duas fontes principais. A primeira, bibliográfica, buscada na literatura existente sobre Capoeira. Lakatos & Marconi (1991) dizem que uma pesquisa bibliográfica engloba o uso de vários tipos de fontes publicadas que são pertinentes ao tema. Pode-se indicar entre elas, publicações avulsas, revistas, livros, jornais, monografia, artigos acadêmicos além de ISSN 1808-8457 1 meios de mídia e audiovisuais. E a segunda se refere a vivência ao longo dos anos imersos nessa prática cultural que permite aos autores a utilização da etnografia. No método etnográfico com abordagem qualitativa, os dados, as informações e os depoimentos precisam de interpretação buscando enfatizar a perspectiva dos participantes. (MENDES, 2010). Resultados e Discussão Apresentação de Mestre Bimba no Ceará Aos 7 de fevereiro de 1955, em Fortaleza, o Jornal O Povo publicava duas notas sobre capoeira. A primeira delas dava destaque à Mestre Bimba, o criador da Capoeira Regional, estilo de Capoeira que retira sua prática da marginalidade. A referida nota mostrava seus discípulos como dançarinos, atores e lutadores e enfatizava o fato de o Mestre, aos 55 anos, gozar de vitalidade para executar os movimentos dessa prática de extrema agilidade e destreza corporal. A segunda nota trazia como título, em caixa alta, Exibição de Capoeirismo, hoje, no teatro José de Alencar e o subtítulo trazia, in litteris, E mais: danças africanas, cânticos, cenas de candomblé, Mãe Raimunda e Mestre Bimba evocarão para o povo as tradições da Bahia – Ingressos a dez e cinco Cruzeiros. O nome do espetáculo era Uma noite na Bahia com baianas e capoeiristas comandados por Mãe Raimunda e Mestre Bimba. Cantos dolentes, requebros e saracoteios, invocação dos deuses africanos, tudo isso as baianas pretendem apresentar com seus trajes típicos. Mestre Bimba (ensina capoeiragem a mais de 800 alunos na Bahia, tem 55 anos de idade e ainda é maneiroso) apresentará ao público seus alunos: Carlos Sena (formado em Finanças), Álvaro Alberto (estudante de engenharia), João Veloso e Orlando dos Santos (estudantes de comércio) os quais farão demonstração de capoeira (Jornal O Povo, 7 de fevereiro de 1955). Como pode-se perceber o espetáculo apresentava a capoeira e o candomblé juntos, como manifestações culturais oriundas dos povos africanos. Também é importante destacar que os alunos do mestre eram estudantes ou profissionais, era exigido que o discípulo tivesse uma ocupação. Está era uma maneira de desvincular a capoeira de seu estigma marginal. Mestre Bimba antes da apresentação fazia uma breve explicação, traço muito marcante que é repetido pelos mestres da atualidade. Antes de começar o espetáculo (evocação das tradições afro-brasileiras) será dada uma explicação […]. Na primeira parte, Mestre bimba e seus alunos farão exibição de capoeira, dança, ritmo, […]. Berimbaus, maracás marcarão o passo e a cadência. Na segunda parte, os figurantes desferirão golpes e contragolpes. E a capoeira como elemento subsidiário do jiu-jitsu, Mestre Bimba também participará da luta (Jornal O Povo, 7 de fevereiro de 1955). Esta reportagem no jornal O Povo é apontada como o primeiro registro da capoeira no Ceará. Porém, a Capoeira Regional teve a participação de suma importância de um cearense para sua construção. Um cearense na capoeira de Bimba Não se pode falar de Capoeira do Ceará sem citar um dos grandes colaboradores da Capoeira Regional, José Sisnando Lima, cearense natural de Crato. Ele era um jovem que foi estudar Medicina na Bahia, pois na época não havia tal curso no Ceará. Lá conheceu Manoel dos Reis Machado, o famoso Mestre Bimba, criador da Capoeira Regional. No documentário Mestre Bimba: A Capoeira Iluminada de 2007, o Mestre de Capoeira, Doutor Decânio fala sobre Sisnando e o início da Capoeira Regional. Referindo-se a história da Capoeira de Bimba, ele diz: “A história começa para mim, quando Sisnando chega na Bahia. Ele corre aos capoeiristas, só encontrou um que ele respeitou, que era um negão, que era carvoeiro na Liberdade, que era Bimba”(sic). ISSN 1808-8457 2 Sisnando foi o primeiro aluno branco de Bimba. O Mestre o rejeitou a princípio, dizendo que o mesmo era um branco e não poderia aprender Capoeira. Mas o cearense, insistente, disse que havia praticado outras artes e gostaria de aprender aquela arte afro-brasileira. Bimba o submeteu ao seu exame com uma gravata, um golpe muito conhecido no meio das artes marciais, tendo suportado bem, Sisnando começou a treinar e trouxe diversos universitários para um espaço, ocupado, sobretudo, pelos trabalhadores. Começa aí, então, a formação de uma capoeira de influência acadêmica e militar. O cearense foi um capoeirista que contribuiu para a história da Capoeira, mas infelizmente não desenvolveu trabalho no Ceará e até onde se sabe não formou discípulos. Esta tarefa ficou para outros. Mestre Zé Renato em cordel Em 1997, foi publicado em Fortaleza a história do Mestre Zé Renato através de um cordel de autoria de José Bento de Carvalho Filho, vulgo Zelito. O referido autor conta através de versos a história do Mestre Zé Renato. Carvalho Filho (1997) afirma que “[…] na história da capoeira cearense existem outros nomes igualmente importantes […]” durante seus versos ele cita outros nomes que contribuíram para o desenvolvimento da Capoeira no Ceará, os mesmos serão citados mais na frente. Quanto ao Mestre Zé Renato, o autor diz: Em vinte e quatro de maio De cinqüenta e um nasceu (sic), Em Crateús e cresceu Na arte fazendo ensaio, Para brilhar como um raio, O artista Zé Renato; Mestre em artesanato E também em capoeira, […] (CARVALHO FILHO, 1997, p. 1) Em seus versos Carvalho Filho (1997) conta que um militar que chegara a cidade vinha da Bahia e trazia consigo a arte da capoeira. O Mestre muito curioso fazia perguntas sobre a cidade do baiano, encantara-se com a ginga e com a habilidade do mesmo. Aquele homem de fora Era um capoeirista, E logo de primeira vista Zé Renato se enamorava Pela ginga, embora Fosse cheia de catimba. Quem se descuidasse, pimba No chão, numa queda feia, Melar a boca de areia Por um aluno de Bimba. (Ibidem, p. 2 e 3) Depois de terminado o primeiro grau, atual ensino fundamental, o Mestre inicia suas viagens pelo mundo da Capoeira, vai para a Bahia e conhece o famoso Mestre Bimba. Mestre Zé Renato terminou o Segundo Grau, atual Ensino Médio, em Ilhéus, onde jogava Angola na praia. Todo final de semana estava em Salvador para jogar na capital. Em 1967, retorna à sua terra natal. Mas com seu espírito inquieto, vai ao Rio de Janeiro, onde treinou com Mestre Leopoldina, grande nome da capoeira carioca. Passou quase cinco anos no Rio e voltou para o Ceará, fez Escola Técnica em Fortaleza e em 1971 foi ao Maranhão. Treinou bastante por lá e voltou em 1972. Ano em que começou o processo de implantação da capoeira no Estado. Ensinou nas Escolas Oliveira Paiva e Castelo Branco. Apresentou-se na TV, divulgando a cultura afrobrasileira. Teve como primeiro aluno Demóstenes. O Mestre falou sobre seus alunos para o cordelista e o mesmo transcreveu para seus versos da seguinte forma: Devem ser também lembrados, ISSN 1808-8457 3 Por serem co-fundadores E todos divulgadores […] São eles Jorge Negão, Everaldo e João Baiano, […] Do Márcio ele se lembrou, Também de Sérgio e Zé Ivan,[…] De George me falou. […] Não se esqueceu também De Juarez e Datim;[…] O nome de Antônio Luiz. (Ibidem, p. 13-16) Esses são citados como capoeiras da velha guarda. O mestre também foi à Brasília, onde ensinou e fundou o Grupo Xangô, deixando lá o Mestre Bartô. Fundou, ainda, o Grupo Alma Negra. Quando na década da 1990, encerra sua carreira de capoeirista, deixando saudade em seus discípulos. Tendo citado como últimos discípulos dois nomes, a saber, Januário e Pão. Hoje, o Mestre Zé Renato retorna as rodas de Capoeira, constantemente vai aos eventos que é convidado. Ele leva além de sua presença um pouco de sua experiência através das conversas que narram sua trajetória de desbravador de novas terras para Capoeira. Foi premiado pelo Edital Viva Meu Mestre, política pública oriunda do Registro da Capoeira como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial. A contribuição de outros mestres Além do Mestre Zé Renato outro mestre que contribuiu para o início do desenvolvimento da Capoeira cearense foi o Mestre Esquisito. Ele trouxe o estilo Regional ao estado (CARVALHO FILHO, 1997). Onde tem atualmente o Grupo Terreiro que contou em seu elenco com os saudosos Mestres Soldado e Samurai. A Associação Zumbi do Mestre Everaldo tem entre seus Mestres associados, Lula, Ulisses, Júnior, Jean, Geléia e Wladimir (CARVALHO FILHO, 1997). O cordelista não deixa de citar também o Mestre Paulão do Ceará que na década de oitenta divulgou bastante a Capoeira no Estado, indo para o exterior no início dos anos 1990. Ele teve muitos discípulos como os mestres: Ratto, Zebrinha, Ferrim, Pica-pau dentre outros que formaram seus grupos. E outros como Kim, Cibriba, Marcão, Envergado, Juruna que continuam sob seu comando divulgando a Capoeira do Ceará no Brasil e no Exterior. Outro nome que é destaque mundial é o Mestre Espirro Mirim. Ele iniciou na Capoeira em 1979, com o Mestre Everaldo do Grupo Favela que, mais tarde, mudou o nome para Grupo Zumbi. Em uma matéria de uma revista especializada em Capoeira o Mestre Mirim (2001, p. 25) diz que: “Em 1984, fui formado pelo Mestre Everaldo, porém eu não parei de treinar […] resolvi viajar para o Rio de Janeiro […] onde treinei no grupo Palmares com os Mestres Branco e Gomes”. Lá quiseram colocá-lo para dar aulas, mas ele queria aprender mais, então foi para São Paulo, onde identificou-se com o Mestre Suassuna. Em 1988, Espirro Mirim formou-se professor pelo Grupo Cordão de Ouro, ano em que trouxe o grupo para Fortaleza e começou seu trabalho. Em 1991, ele recebeu o título de Mestre, depois de pouco mais de uma década de treino. Iniciou sua carreira internacional em 1992 quando vai para São Francisco nos EUA, através do Mestre Caveirinha, para ministrar cursos para os americanos, retornando diversas vezes. Em 1996, foi para Israel também através do Mestre Caveirinha. Realiza seu primeiro encontro internacional em 1999 trazendo diversos nomes da Capoeira mundial como o Mestre Caveirinha e o capoeirista e ator César Carneiro que trabalhou no filme Desafio Mortal, ao lado de Van Damme; e Esporte Sangrento, ao lado de Mark Dacascos. A Capoeira do Ceará na atualidade Da década de 1970 para os anos 2000 muita coisa aconteceu no cenário capoeirístico cearense. Hoje, assim como em outros Estados, há uma busca por parte dos capoeiristas de cursos universitários e produção de eventos do gênero. Já há inclusive produção bibliográfica sobre Capoeira partindo de ISSN 1808-8457 4 cearenses. Na década de 1990, a Capoeira do Ceará ganha o mundo, rompe as fronteiras nacionais e parte para o exterior. Muitos capoeiristas cearenses estão morando em outros países, principalmente nos países da Europa e nos Estados Unidos, levando a cultura brasileira a outros povos. Dentre esses atores, pode-se citar Pica-Pau, Araminho, Paulão do Ceará, Espirro Mirim, Biscuim, Cibriba, Juruna, Caboclinho, Amapá, Chitãozinho, Zangado, Vladimir, todos mestres de capoeira com mais de vinte anos de prática. O primeiro a desembarcar em terras estrangeiras foi o Pica-pau, que na época não carregava o título de mestre, ele foi através de um grupo folclórico, assim como outros pelo Brasil, como os pioneiros Jelon e Amém, este último, foi ator em muitos filmes norte-americanos. Em seguida, o Mestre Paulão do Ceará se instalou na Holanda e levou diversos outros capoeiristas de seu grupo, o Capoeira Brasil. Outro grande capoeirista que viajou muito na década de 1990, citado acima, foi o Mestre Espirro Mirim, do Grupo Cordão de Ouro, que hoje também mora no exterior, levando também, diversos de seus alunos. Em setembro de 1993, Francisco Carlos Cavalcante Cidrão, vulgo Samuray diretor da Associação Terreiro do Bonfim filiada a ABPC – Associação Brasileira dos Professores de Capoeira leva a Capoeira cearense para o ambiente universitário. Ele realizou o I Simpósio Universitário Cearense de Capoeira que além das rodas de capoeira e aulas práticas trazia palestras com vários temas. No ano seguinte, no mês de novembro, acontece o II Simpósio Universitário Cearense de Capoeira em Fortaleza. Novamente, o evento trouxe palestras e cursos dos dois estilos de capoeira tidos como tradicionais, a saber, a Capoeira Angola através do Mestre Paulo do Anjos e a Capoeira Regional através do Mestre Pombo de Ouro. Para as palestras trouxe novamente Mestre e Professores Universitários, destacando-se os Mestres Zé Renato, Jorge Ceará, Squisito, apontados como precursores da capoeira no Ceará. Em janeiro de 2009, sob iniciativa do Centro Cultural Água de Beber, presidida por Robério de Queiroz, conhecido como Mestre Ratto acontece um curso de Capacitação e Formação de Profissionais de Capoeira com certificado emitido pela UFC. Curso ministrado por capoeiristas e professores universitários, destaque para Luiz Renato Vieira, mestre de capoeira, autor de livros, e doutor em Sociologia. No final do mesmo ano, em outubro, a instituição supracitada deu continuidade no curso de formação, dessa vez com apoio da Faculdade Católica, Governo Federal e Banco do Nordeste. Desta vez, trouxe como principal palestrante o Doutor José Luiz Cirqueira Falcão, autor de livros e mestre de capoeira. Entre as produções, pode-se citar diversos trabalhos acadêmicos, porém com tímida divulgação. Uma produção de suma importância para capoeira, lançado no Ceará, é o livro do Professor Gerardo Vasconcelos da UFC sobre um dos maiores símbolos da Capoeira que é cantado em rodas pelo mundo. Seu livro tem como título, Besouro Cordão de Ouro: o capoeira justiceiro e é fruto de uma tese de Pósdoutorado em artes Cênicas. Além desse trabalho, o autor publicou diversos artigos sobre o tema e é utilizado como referência nos estudos sobre o assunto. Em 2000, o Mestre Chitãozinho publica seu primeiro livro, a saber, Capoeira sob uma nova visão que é seguido de mais três, são eles, O ABC da Capoeira, Consciência Capoeirística e A Morte de Besouro. Todos foram de iniciativa pessoal no intuito de contribuir para a sociedade capoeirística cearense. Os grupos de Capoeira estão se organizando no intuito de oferecer a seus integrantes uma formação além da Capoeira, porém tais trabalhos, muitas vezes, são pouco socializados. O capoeirista cearense começa seus passos para se adaptar ao conceito cunhado por Campos (2001, p. 47), o mesmo afirma que o capoeirista de hoje é um “jogador-estudioso”, ou seja, “[…] aquele que pratica a Capoeira e, ao mesmo tempo se interessa pela pesquisa, aprofundando e produzindo conhecimentos históricos, técnicos e antropológicos”. Ele não valoriza apenas o corpo, mas também busca a sua formação cultural dentro e fora da roda de capoeira. ISSN 1808-8457 5 Conclusão Essa pesquisa foi realizada para que capoeiristas da nova geração possam ter contato com os que iniciaram a história da Capoeira do Ceará. Mestre Zé Renato foi um dos pioneiros. Além do Mestre suprarreferido, citou-se ainda, outros que foram seus discípulos e deram continuidade formando outros capoeiristas. Esses praticantes dão sua contribuição no Brasil e no exterior. A Capoeira cearense é uma grande referencia para o cenário mundial, sendo parâmetro para diversos outros grupos. Atualmente, a Capoeira cearense adentra no universo acadêmico levando a brasilidade que brota do povo. Ela se faz presente nas escolas, academias, universidades, projetos sociais, clubes, igrejas, praças e em qualquer espaço que permita sua prática. Não houve, aqui, a pretensão de esgotar o assunto. Concluiuse, portanto, ao final deste trabalho, que necessita-se de um maior aprofundamento no assunto que será realizado, sobretudo, através de pesquisa oral, além de uma pesquisa mais detalhada em jornais e arquivos pessoais. Certamente, outros nomes deveriam ser citados e os que o foram deveriam ser mais explorados, porém o que se objetivou, aqui, foi tão somente desenhar alguns passos dado pela capoeira do Ceará. Referências CAMPOS, Hélio. Capoeira na Universidade: Uma Trajetória de Resistência. s/ed., Salvador-BA: SCT, EDUFBA, 2001. CARVALHO FILHO, José Bento de. Capoeira: a história do Mestre Zé Renato. Literatura de cordel. Fortaleza – CE, 1997. 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