A sustentabilidade socioambiental das hortas orgânicas escolares da Prefeitura Municipal de Fortaleza SILVEIRA FILHO, José; MagDou14, Departamento de Alimentação Escolar, Secretaria Municipal de Educação, Prefeitura Municipal de Fortaleza; [email protected], Resumo O projeto de hortas orgânicas é uma experiência educativa que se implementa desde o ano de 2005 em escolas urbanas de Fortaleza. Executa-se através do Curso de Agronomia da Universidade Federal do Ceará e da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Fortaleza. No Programa Mais Educação, a PMF/SME tem 54 escolas com atividade horta. Neste trabalho estudamos as hortas de 18 escolas com alunos e alunas entre 3 e 14 anos. A equipe docente formada por professores, monitores e estagiários de Agronomia coordenados por Doutores em Educação Agrícola. O objetivo geral dessa experiência agroecológica é promover um intercâmbio cultural como uma nova forma de dignificar a pessoa, criando hábitos de trabalho e vínculos solidários na comunidade escolar em relação com a natureza. Esse trabalho mostra a relevância da horta orgânica escolar, com foco na educação para a sustentabilidade das escolas pesquisadas. Nessa pesquisa utilizou-se da metodologia de abordagem qualitativa, pesquisa descritiva, delineada num estudo de caso, com apoio na pedagogia freireana, dialógica e da troca de saberes entre os sujeitos envolvidos na investigação. Os diretores das escolas afirmaram que os objetivos acordados se cumprem de forma total ou parcial em 100% dos casos e que os resultados são excelentes ou muito bons em 92% deles. Os professores avaliaram o Programa com “muito bom” e “excelente” em 82% dos casos e “bom” em 15%, com um alto cumprimento dos objetivos. Os alunos disseram que as atividade da horta são positivas em 83% das respostas. Entre as atividades que mais agradaram destacam a instalação de cultivos e os tratos culturais. Os métodos com melhores são os policultivos e a elaboração de composto com os resíduos orgânicos da escola. Os resultados discutidos apontam para o desenvolvimento das atividades pedagógicas e agronômicas no cultivo de hortas orgânicas com vistas ao estudo da educação ambiental e a utilização das hortaliças na merenda escolar para a melhoria da alimentação e da qualidade de vida dos educandos. Palavras-chave: Horta orgânica, educação ambiental, sustentabilidade. Summary The project is organic gardens an educational experience that is implemented since 2005 in urban schools in Fortaleza. Executed through the Course of Agronomy, Federal University of Ceará and the Department of Education of the City of Fortaleza. More in Education Program, the PMF / EMS has 54 schools with garden activity. In this work we studied the gardens of 18 schools with boys and girls between 3 and 14 years. The teaching staff comprised of teachers, tutors and trainees of Agronomy coordinated by Doctors in Agricultural Education. The overall objective of this experiment is to promote agroecological a cultural exchange as a new way to honor the person, work habits and creating supportive school community links in relation with nature. This work shows the relevance of school organic garden, with a focus on education for sustainability of the schools surveyed. In this study we used the methodology of qualitative, descriptive research, outlined a case study, supported in Freire's pedagogy, dialogue and exchange of knowledge between the subjects involved in research. The school principals reported that they meet the agreed objectives, in whole or in part in 100% of cases and the results are excellent or very good in 92% of them. The teachers evaluated the program "very good" and "excellent" in 82% of cases and "good" in 15%, with a high achievement of objectives. Students said that the activity of the garden are positive in 83% of responses. Among the activities that highlight the most pleasing installation of crops and cultural practices. The methods are the best polycultures and the preparation of compound of organic waste from school. The results discussed point to the development of educational activities and agronomic traits in growing organic gardens with views to the study of environmental education and the use of vegetables in school meals to improve nutrition and quality of life of students. Keywords: Organic Garden, environmental education, sustainability. Introdução Conforme Ruscheinsky (2002), tudo indica que é indispensável deixar de lado a agricultura convencional e caminhar em direção de uma agricultura mais autossustentável e menos agressiva à natureza. A agricultura ecológica apresenta-se como um espaço em construção que pode trazer amplos benefícios para quem produz, para quem consome e para o conjunto do meio ambiente. Para Altiere (2002), a Agroecologia enfoca as relações ecológicas no campo e o seu objetivo é compreender a forma, a dinâmica e a função destas relações. Em alguns trabalhos agroecológicos está implícita a idéia de que através da compreensão destes processos e relações, os agroecossistemas podem ser manejados para produzir melhor, com menos impactos ambientais e sociais negativos, com maior sustentabilidade e com menor uso de insumos externos. Segundo Silveira Filho et al. (2011d), a Agroecologia está se confirmando cada vez mais como estratégia para o desenvolvimento rural sustentável. A Educação Ambiental contribui fortemente para o processo de conscientização levando às mudanças de hábitos e atitudes do homem e sua relação com o ambiente. Destacamos ainda que a Educação Ambiental trás a questão de que há uma necessidade de se buscar a democratização da cultura, do acesso e permanência na escola bem como da melhora do nível cultural da população para compreender o que é ciência, os avanços científicos e tecnológicos e as possibilidades de solução para diversos problemas de nossa época. Loureiro (2004, p.89) compartilha da mesma idéia ao expressar que a Educação Ambiental deve possuir um conteúdo emancipatório, onde “as alterações da atividade humana, vinculadas ao fazer educativo possam conferir mudanças individuais e coletivas, locais e globais, estruturais e conjunturais, econômicas e culturais”. Como base para o conceito de Educação Ambiental considerou-se também o conceito dado pela mesma autora que diz que esta forma de educação está intimamente associada à formação de valores e atitudes sensíveis à diversidade, à complexidade do mundo da vida e, sobretudo, a um sentimento de solidariedade diante dos outros e da natureza. Além deste conceito, trabalha-se também com conceitos que rodearão a ciência da agroecologia, cuja mesma geralmente representa uma abordagem agrícola que incorpora cuidados especiais relativos ao ambiente, assim como os problemas sociais, enfocando não somente a produção, mas também a sustentabilidade ecológica do sistema de produção. A escola é um espaço importante para a formação de indivíduos responsáveis e aptos a colaborar e decidir sobre questões sociais, restabelecendo suas relações com o meio onde vive. A educação ambiental torna-se então uma prática necessária para fortalecer as relações homem–ambiente. Os alunos do ensino fundamental estão crescendo com um pensamento fragmentado em relação ao mundo/fenômenos que os rodeiam, dificultando a sua percepção cosmológica, ou seja, a visão do mundo como um grande e complexo sistema de interação entre as mais diferentes formas bióticas e abióticas. Como alternativa para este paradigma apresenta-se esta perspectiva da multidisciplinaridade que segundo Carvalho (1998) torna-se uma maneira de organizar e produzir conhecimento, buscando integrar as diferentes dimensões dos fenômenos estudados pelas disciplinas e ou áreas científicas. Assim, em Leff (2001), o processo educacional transmitirá e difundirá os princípios e valores das diferentes visões e propostas para alcançar a sustentabilidade. A educação ambiental implica num processo de conscientização sobre os processos socioambientais emergentes, que mobilizam a participação dos cidadãos na tomada de decisões, junto com a transformação dos métodos de pesquisa e formação, a partir de uma ótica holística e enfoques multidisciplinares. Para Oliveira (2004), a Educação Ambiental requer uma abordagem multidisciplinar, já que lida com a realidade, adota uma abordagem que considera todos os aspectos que compõem a questão ambiental e sociocultural e procura, estabelecer um diálogo entre as diversas culturas presentes nos mais diversos espaços/tempos sociais. Nesse sentido, a Educação Ambiental passa a ter uma relevante importância para o indivíduo, onde é a escola, a principal instituição capaz de colaborar com as tomadas de decisões sobre os problemas da sociedade, transmitindo às crianças e jovens, informações, auxiliando nas pesquisas, formando uma comunidade responsável pelo meio social e buscando restabelecer a harmonia entre o ser humano e o ambiente. Com base nestes conceitos está inserida a horta escolar que trabalha de forma a envolver a escola como um todo, no planejamento, construção e desenvolvimento das atividades inerentes e visa proporcionar possibilidades para o desenvolvimento de ações pedagógicas por permitir práticas em equipe explorando a multiplicidade das formas de aprender. A questão pedagógica, não é apenas a questão da aprendizagem, mas também a dos valores fundadores da ação: humanismo, respeito aos outros, democracia, trocas e solidariedade. Portanto, é fundamental que esses valores não sejam negados pela prática institucional e/ou por uma pedagogia que não esteja em coerência com eles (NOËL-EVEN, 2004). A idéia expressa por Freire (1996) é a de que temos que assumir o dever de lutar pelos princípios éticos fundamentais como o respeito à vida humana, aos animais, aos rios e às florestas. Portanto, deve estar presente em qualquer prática educativa de caráter crítico ou libertador. Uma das coisas que tem sido fonte de preocupação é o consumo de alimentos sem agrotóxicos produtos químicos usados na lavoura, na pecuária com o objetivo de combater insetos fungos, ácaros que causam algum tipo de dano à lavoura. Ou para a limpeza e desinfecção de instalações de animais domésticos; baias e estábulos. O manuseio inadequado de agrotóxicos é um dos principais responsáveis por acidentes de trabalho no campo (SILVA et al., 2005 apud CRIBB, 2010). A ação destas substâncias no organismo humano, sobretudo através da ingestão de alimentos contaminados é lenta e leva bastante tempo para se manifestar. O seu acúmulo no organismo pode provocar doenças como câncer, fetos com má formação, abortos, perturbações mentais que levem ao suicídio problemas de pele entre outras doenças. No que se refere ao ambiente, o mau uso e a ausência de cuidados com esses produtos provocam um acúmulo em diversos locais, fazendo com que se espalhem em outros ambientes, tornando impuros recursos hídricos e outros biomas. Na década de 60 Raquel Carson citada por Cribb (2010) demonstrou como os agrotóxicos permanecem no solo, penetravam na cadeia alimentar, acumulando-se nos tecidos gordurosos dos animais inclusive do homem, além de ter sido identificado no leite materno, levando a risco de câncer e graves alterações genéticas. Justifica-se este trabalho através do cultivo da horta orgânica, como alternativa de educação ambiental e melhoria na alimentação escolar. Este trabalho tem como objetivo geral evidenciar a sustentabilidade socioambiental das hortas orgânicas escolares da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Os objetivos específicos visam desenvolver nos alunos a compreensão da agricultura familiar e o desenvolvimento de técnicas de cultivo relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Além disso, promover a capacidade para o trabalho em equipe, a cooperação, o respeito e o senso de responsabilidade, a alimentação alternativa livre de agrotóxicos. Metodologia Utilizou-se da metodologia de abordagem qualitativa, pesquisa descritiva, delineada num estudo de caso, cujos procedimentos favorecem os objetivos propostos (Costa e Costa, 2001) e visa favorecer o conhecimento de uma realidade delimitada (Trivinos, 1987), o cultivo da horta orgânica nas 18 unidades escolares da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Os canteiros são de alvenaria, nas dimensões 5mx1mx0,3m, a composteira de 2mx1mx1m e o minhocário de 1mx1mx1m. Cada unidade escolar dispõe de cinco canteiros, uma composteira, um minhocário, um kit de ferramentas (ancinho, colher de transplantio, enxada, pá, marcador de sulcos, pulverizador, regadores, sacho, tesoura-de-poda, mangueira e bandeja para produção de mudas), sementes e adubação orgânica. As hortaliças mais cultivadas são alface, coentro, cebolinha, beterraba e cenoura. A água para irrigação dos canteiros é da Cagece, portanto de boa qualidade. A implantação da horta, conforme Silveira-Filho et al. (2004) – preparo do solo, plantio, formação de mudas, transplantio, tratos culturais, irrigação e colheita –, assim como, a compostagem e o minhocário foram realizadas com a participação de todos os sujeitos envolvidos no Programa Mais Educação – professores e estudantes de Agronomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), coordenadores, monitores e alunos das escolas beneficiárias do programa. Primeiramente foi feita a preparação dos canteiros onde as hortaliças iam ser cultivadas, procedeu-se com revolvimento do solo, adubação orgânica e posterior plantio, podendo no caso de algumas hortaliças como alface, pimentão e tomate proceder com preparação de sementeiras. Todas as atividades, desde o plantio, tratos culturais, irrigação até a colheita são realizadas pelos alunos com o auxilio de monitores e estagiários. Os dados oriundos das atividades agronômicas e pedagógicas são coletados por ocasião das visitas semanais (16 h/semana) dos estagiários de Agronomia da UFC e anotados num formulário – Roteiro acompanhamento horta orgânica escolar (Anexo 1). Esse trabalho é acompanhado pela UFC e PMF através de visitas e encontros itinerantes nas unidades escolares e reuniões semanais no Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará, Campus do Pici, em Fortaleza. Nos encontros itinerantes nas unidades escolares da PMF e nas reuniões na UFC, além do diálogo sobre as atividades desenvolvidas pelos sujeitos na horta orgânica escolar, coordenador, supervisor e estudantes de Agronomia exercitam a construção de saberes agronômicos e pedagógicos com vistas ao aprimoramento das tecnologias sociais e melhoria dos resultados do projeto. A produção baseia-se conforme o que é mais consumido na escola, dentre as hortaliças mais consumidas estão: alface, coentro, cebolinha, pimentão, tomate, beterraba e cenoura. Resultados e discussões Os diretores das escolas afirmaram que os objetivos acordados se cumprem de forma total ou parcial em 100% dos casos e que os resultados são excelentes ou muito bons em 92% deles. Os professores avaliaram o Programa com “muito bom” e “excelente” em 82% dos casos e “bom” em 15%, com um alto cumprimento dos objetivos. Os alunos disseram que as atividade da horta são positivas em 83% das respostas. Entre as atividades que mais agradaram destacam a instalação de cultivos e os tratos culturais. Os métodos com melhores são os policultivos e a elaboração de composto com os resíduos orgânicos da escola. A partir das atividades desenvolvidas na horta, os alunos ficam sensibilizados com a preservação do ambiente escolar, identificando áreas degradadas nos jardins, bueiros entupidos por falta de limpeza periódica e preventiva, que impossibilita o escoamento de água da chuva ocasionando muitas vezes o empoçamento em vários pontos do colégio. Tal situação pode contribuir para que procurem a direção da Instituição de ensino, apresentem o que foi identificado por eles e acabem assim levando a limpeza dos bueiros. Além disso, os alunos passam a ter atenção e cuidado com os animais silvestres, que eventualmente possam aparecer no colégio em busca de alimentos nas lixeiras da cantina e que usualmente são maltratados por alguns estudantes. As atividades na horta contribuem para incentivar nas crianças o consumo de hortaliças, vistas por elas como “não aceitáveis” ou “de gosto ruim”, como alface, coentro, couve, cebolinha, beterraba, pimentão entre outras, mostrando de maneira descontraída as contribuições que tais hortaliças podem trazer através de uma alimentação saudável e bom desempenho escolar possibilitado pelo acesso à alimentação necessária nesta fase de desenvolvimento. As atividades desenvolvidas na horta promoveram a oportunidade de muitas crianças estabelecerem contato com a natureza e um maior conhecimento do que a mesma pode trazer para a saúde. Segundo as merendeiras das escolas um fator importante para o consumo das hortaliças não aceitáveis pelas crianças é a criação de receitas e estratégias para acostumarem as mesmas a consumir as hortaliças produzidas no espaço da horta, gerando uma mudança de hábito alimentar destes. Com efeito, as atividades desenvolvidas com os sujeitos vinculados às escolas públicas envolvidas no trabalho evidenciaram que a horta orgânica escolar pode servir como fonte de alimentação e atividades didáticas, oferecendo grandes vantagens às comunidades, como a obtenção de alimentos de qualidade a baixo custo e também o envolvimento em programas de alimentação e saúde desenvolvidos pelas escolas. Observou-se, ainda, uma maior aceitação das hortaliças pelas crianças a partir do momento em que as mesmas participaram de todo o processo de aprendizagem das culturas produzidas na horta e consumidas através da merenda escolar. A construção da horta escolar estabeleceu atitudes no dia-a-dia do trabalho. Um dos principais critérios foi a atividade em conjunto. Durante as idas à horta, cada aluno percebeu que um dependia do outro para que o trabalho tivesse resultado. Não foi na primeira semana de trabalho que isso foi percebido. Cada vez que se falava em horta dentro da sala ou fora dela, resgatava-se a importância de trabalhar em equipe. Aos poucos, os educandos deram-se conta de que todos precisavam auxiliar. A participação coletiva na construção da horta escolar exigiu que cada ser ali presente se envolvesse por inteiro no trabalho. A atitude de cada um dentro do grupo fez com que os alunos ficassem mais unidos, mais cooperativos. E conforme Boff (1999, p.33), “cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro”. O espaço da horta escolar é caracterizado por Capra (2005) como um local capaz de religar as crianças aos fundamentos básicos da comida e ao mesmo tempo integra e enriquece todas as atividades escolares. As atividades na horta despertam para não depredar, mas para conservar o ambiente e a trilhar os caminhos para alcançar o desenvolvimento sustentável. Segundo Nogueira (2005), a horta na escola pode servir como fonte de alimentação e atividades didáticas, oferecendo grandes vantagens às comunidades envolvidas, como a obtenção de alimentos de qualidade a baixo custo e também o envolvimento em programas de alimentação e saúde desenvolvidos pelas escolas. Para Morgado (2006), a horta inserida no ambiente escolar pode ser um laboratório vivo que possibilita o desenvolvimento de diversas atividades pedagógicas em educação ambiental e alimentar unindo teoria e prática de forma contextualizada, auxiliando no processo de ensinoaprendizagem e estreitando relações através da promoção do trabalho coletivo e cooperado entre os agentes sociais envolvidos. Ainda, segundo a mesma autora, o Agrônomo nesse processo auxilia a comunidade escolar no planejamento, execução e manutenção das hortas, levando à comunidade escolar princípios como horticultura orgânica, compostagem, formas de consumo dos alimentos, propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, relação campo-cidade, entre outros. Vale ressaltar que as atividades desenvolvidas nas hortas orgânicas escolares nas dimensões agronômicas e pedagógicas geram uma relevante produção científica, por exemplo, os trabalhos apresentados no VII Congresso Brasileiro de Agroecologia, realizado em Fortaleza, CE, de 12 a 16/12/2011 e publicados em Cadernos de Agroecologia (Silveira Filho et al., 2011abc). Considerações finais As atividades na horta contribuem para incentivar nas crianças o consumo de hortaliças vista por elas como “não aceitáveis” ou “de gosto ruim” como alface, coentro, couve, cebolinha, beterraba, pimentão entre outras, mostrando de maneira descontraída as contribuições que tais hortaliças podem trazer através de uma alimentação saudável e bom desempenho escolar possibilitado pelo acesso à alimentação necessária nesta fase de desenvolvimento. Nesse sentido afirmamos que a horta escolar é o espaço propício para que as crianças aprendam os benefícios de formas de cultivo mais saudáveis. Além disso, aprendem a se alimentar melhor, pois como se sabe, as crianças geralmente não gostam de comer verduras e legumes e o fato de cultivar o alimento que levarão para casa os estimula a comê-los, especialmente quando conhecem a origem dos vegetais e sabem que são cultivados sem a adição de insumos químicos. Para fortalecer o vínculo positivo entre a educação e a saúde, deve-se promover um ambiente saudável melhorando a educação e o potencial de aprendizagem, ao mesmo tempo que promovem a saúde. A partir da metodologia proposta espera-se que este programa consiga trazer grandes benefícios a todos envolvidos. Então servirá de modelo para outros mais, em beneficio da sociedade. A aproximação da universidade com a sociedade promove a transformação social, diminuindo as desigualdades e contribui para uma sociedade mais humanitária. O programa é de grande importância para a sociedade, pois será uma forma da Universidade proporcionar maior contato dos estudantes do Curso de Agronomia com a sociedade, cuja inserção permite o crescimento dos seus egressos profissionais de Agronomia no mercado de trabalho, a par de maior vivência com a realidade atual. Por outro lado, a horta orgânica escolar como alternativa de educação ambiental e de consumo de alimentos saudáveis para alunos das escolas municipais de Fortaleza constitui uma experiência exitosa em Agroecologia. Essa atitude cria uma motivação para futuras intervenções pertinentes. Referências bibliográficas ALTIERI, Miguel. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Agropecuária. Guaíba, 2002. 592p. BOFF, Leonardo. Saber cuidar – ética do humano – compaixão pela terra. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999. CAPRA, F. Alfabetização ecológica: a educação das crianças para um mundo sustentável. São Paulo: Editora Pensamento/Cultrix, 2005. CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Em direção ao mundo da vida: interdisciplinaridade e educação ambiental/ conceitos para se fazer educação ambiental. Brasília, DF: IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, 1998. COSTA, Marco Antonio F. da; COSTA, Maria de Fátima Barroso da. Metodologia da pesquisa: conceitos e técnicas. Rio de Janeiro: Interciência, 2001. CRIBB, S.L.S.P. Contribuições da educação ambiental e horta escolar na promoção de melhorias ao ensino, à saúde e ao ambiente. Ensino, Saúde e Ambiente, v.3 n 1 p. 42-60 Abril 2010. REMPEC: Florianópolis. ISSN 1983-7011. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Ed. Paz e Terra, 9 ed., 1996. LEFF, Henrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder; Petrópolis, RJ: vozes, 2001. LOUREIRO, C.F.B. Trajetória e fundamentos da Educação Ambiental. São Paulo: Editora Cortez, 2009. MORGADO, Fernanda da Silva. A horta escolar na educação ambiental e alimentar: experiência do Projeto Horta Viva nas escolas municipais de Florianópolis. 2006. 45p. Centro de Ciências Agrárias. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006. NOËL-EVEN, J. O liceu experimental de Saint-Nazaire: uma utopia? In: OLIVEIRA, I. B. (Org.). Alternativas emancipatórias em currículo. 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A horta orgânica escolar como alternativa de educação ambiental e de consumo de alimentos saudáveis para alunos das escolas municipais de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cadernos de Agroecologia – Vol 6, No. 2 Dez 2011a. SILVEIRA FILHO, José; MATTOS, Sérgio Horta; NASCIMENTO, Maria Verusca; HOLANDA, Rêmulo. A troca de saberes na construção coletiva da horta orgânica escolar. Cadernos de Agroecologia – Vol 6, No. 2 Dez 2011b. SILVEIRA FILHO, José; MATTOS, Sérgio Horta; TAMIRIS, Yeska; CIDADE, Ana Karine. A horta escolar como alternativa de educação ambiental e abordagem multidisciplinar. Cadernos de Agroecologia – Vol 6, No. 2 Dez 2011c. SILVEIRA FILHO, José; SALES, Fernando João Montenegro de; HAGUETTE, André. A sustentabilidade da agricultura e o projeto formativo no Curso de Agronomia da Universidade Federal do Ceará. Revista Extensão Rural. DEAER/PPGExR – CCR – UFSM, Ano XVIII, nº. 21, Jan – Jun de 2011d. TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987. Anexo 1 – Roteiro acompanhamento horta orgânica escolar EMEIF: Diretora: I. Sujeitos envolvidos 1) Coordenadora Mais Educação: 2) Professores: 3) Funcionários: 4) Alunos: Número de turmas: Número de alunos/turma (Programa Mais Educação): II. Dimensão pedagógica 1) Interdisciplinaridade a) Língua portuguesa: produção textual b) Matemática: medição de canteiros, quantidade de mudas e espaçamento c) Educação artística: Canto, teatro, desenhos e colagens d) Ciências: conservação do solo, irrigação, compostagem, minhocário, cultivo hortaliças orgânicas 2) Melhoria processo ensino-aprendizagem: 3) Interesse pela questão ambiental e preservação recursos naturais: 4) Ampliação interesse pelos estudos: 5) Evasão escolar: III. Horta 1) Canteiros a) quantidade: b) área: c) estado: d) espécies cultivadas: 2) Composteira: 3) Minhocário: IV. Fotos Data: Estagiário de Agronomia: