Universidade Estadual de Maringá
29 de Junho a 02 julho de 2015
ISSN 2236-1855
MATER ET MAGISTER: A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA CATÓLICA E A
PEDAGOGIA VICENTINA (1972 - 1985)
Rodolfo Knesebeck (PUC-PR)
[email protected]
Palavras Chave: Doutrina Social da Igreja Católica, Pedagogia Vicentina, Educação
Católica.
A partir da problemática ―Qual a doutrina social da Igreja Católica durante os
anos de 1972 a 1985, e quais suas implicações e influências na educação?‖ a presente
comunicação foi produzida com a intenção de compreender esta doutrina social no
período estabelecido; identificar a relevância dos documentos papais selecionados,
Carta Encíclica Mater et Magister, Constituição Pastoral Gaudium et Spes, e
Compendio da Doutrina Social da Igreja, para a educação; destacar possíveis influências
e implicações da doutrina social da Igreja para a pedagogia Vicentina e, por
consequência, para a Escola Técnica de Enfermagem Catarina Labouré.
Como parte de uma pesquisa relacionada ao ―Carisma, práticas educativas e
ação social das Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo e o auxílio aos enfermos
através da Escola Técnica de Enfermagem Catarina Labouré durante o período de 1972
a 1985‖, está inserida no objetivo específico de ―analisar o carisma e os fundamentos
pedagógicos da congregação vicentina em relação à doutrina social da Igreja Católica‖,
contribuindo para o desenvolvimento de tal pesquisa.
A metodologia de pesquisa utilizada para a realização deste trabalho tem como
principal foco a História Cultural, através dos seguintes conceitos: práticas e
representações (CHARTIER, 1990) para explicar a interação entre as práticas da
instituição e seus objetos; estratégias (CERTEAU, 1996) que trazem uma maior
compreensão sobre a mentalidade, técnicas e planejamentos que visam um fim comum;
e campo religioso, de (BOURDIEU, 2004), para demarcar o espaço de funcionamento
da Igreja Católica.
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Três fontes se destacam na busca pelo conhecimento acerca da Doutrina Social:
a Carta Encíclica Mater Et Magistra, autoria de Papa João XXIII ―sobre a recente
evolução da questão social à luz da doutrina cristã‖, feita em 1961, atualiza as
orientações das encíclicas sociais anteriores, tornando-se assim o documento papal de
maior importância para o estudo da doutrina social católica do período. A Constituição
Pastoral Gaudium Et Spes, ―sobre a igreja no mundo actual‖, do Concílio Vaticano II,
por Papa Paulo VI em 1965, trata da missão do sacerdócio mas também,
principalmente, dos problemas do mundo atual (de seu período), e a relação da Igreja
com os mesmos. Em conjunto, ambas definiriam o tom da doutrina social católica pelos
anos que se seguiram. O Compendio da Doutrina Social da Igreja aglomera e reúne
vários textos e itens que tratam a questão da doutrina social.
Em suma, para a compreensão da prática educativa das Filhas de Caridade de
São Vicente de Paulo como percurso para atingir os objetivos do carisma da
congregação, enquanto parte da instituição Igreja Católica, me foi necessário aprofundar
o estudo prévio da doutrina social desta e a identificação de elementos dessa doutrina
que sejam relacionados à educação, tanto profissional quanto feminina. Por sua vez, a
Congregação Vicentina iria cumprir o seu próprio carisma, de auxílio aos enfermos, ao
educar suas alunas enquanto agia de acordo com o comportamento esperado pela
hierarquia católica, e cumpria também os objetivos sociais da Igreja Católica. A
educação surge então para a Congregação Vicentina como um caminho fértil para a
divulgação da fé cristã e, ao mesmo tempo, cria alunas formadas tanto em uma profissão
que cumpre diretamente o carisma da congregação quanto em questão de fé e a
propagação da mesma pela sua família. A Escola Técnica de Enfermagem Catarina
Labouré é uma instituição de ensino fundada pelas Filhas de Caridade na cidade de
Curitiba em 1956. A importância dada à escolha desta instituição como objeto se dá na
relação entre sua função social e a missão social, ou carisma, da congregação que a
fundou e deu suporte durante sua história.
Antes de mergulhar em uma análise sobre o impacto da doutrina social da Igreja
na educação, a Encíclica Mater et Magistra e seus itens de mais importância, se faz
necessária a compreensão de que se trata a Doutrina Social da Igreja. O documento que
melhor define as atribuições é o Compendio da Doutrina Social da Igreja (2004), que
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agrega e organiza vários trechos de cartas e outros documentos da Igreja relacionados,
com o mesmo fim, de produzir um documento que ―ilustrasse as linhas fundamentais da
doutrina social da Igreja e a relação que há entre esta doutrina e a nova evangelização‖
(item 7).
A doutrina social é parte integrante do ministério de evangelização da
Igreja. Daquilo que diz respeito à comunidade dos homens —
situações e problemas referentes à justiça, à libertação, ao
desenvolvimento, às relações entre os povos, à paz — nada é alheio à
evangelização e esta não seria completa se não levasse em conta o
recíproco apelo que se continuamente se fazem o Evangelho e a vida
concreta, pessoal e social do homem. Entre evangelização e promoção
humana há laços profundos: «laços de ordem antropológica, dado que
o homem que há de ser evangelizado não é um ser abstrato, mas é sim
um ser condicionado pelo conjunto de problemas sociais e
econômicos; laços de ordem teológica, porque não se pode nunca
dissociar o plano da criação do plano da Redenção, um e outro a
abrangerem as situações bem concretas da injustiça que deve ser
combatida e da justiça a ser restaurada; laços daquela ordem
eminentemente evangélica, qual é a ordem da caridade: como se
poderia proclamar o mandamento novo sem promover na justiça e na
paz o verdadeiro e autêntico progresso do homem?». (2004, item 66)
Inseparável é, então, a evangelização e a doutrina social. Entender o homem
como concreto e dotado de várias relações sociais e econômicas que, não
necessariamente perseguem a mesma doutrina que o evangelizado, é compreender a
necessidade de convivência do cristão com toda sorte de pessoas e pensamentos no seu
dia-a-dia. Logo, a evangelização da Igreja é feita, também, através da doutrinação de
seus fiéis. Diz o compendio:
A doutrina social, «por si mesma, tem o valor de um instrumento de
evangelização» e se desenvolve no encontro sempre renovado entre a
mensagem evangélica e a história humana. Assim entendida, tal
doutrina é via peculiar para o exercício do ministério da Palavra e da
função profética da Igreja: «para a Igreja, ensinar e difundir a doutrina
social pertence à sua missão evangelizadora e faz parte essencial da
mensagem cristã, porque essa doutrina propõe as suas conseqüências
diretas na vida da sociedade e enquadra o trabalho diário e as lutas
pela justiça no testemunho de Cristo Salvador». Não estamos na
presença de um interesse ou de uma ação marginal, que se apõe à
missão da Igreja, mas no coração mesmo da sua ministerialidade: com
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a doutrina social a Igreja «anuncia Deus e o mistério de salvação em
Cristo a cada homem e, pela mesma razão, revela o homem a si
mesmo». Este é um ministério que procede não só do anúncio, mas
também do testemunho. (2004, item 67)
O ―encontro renovado entre a mensagem evangélica e a história humana‖ se
encaixa perfeitamente na história da instituição que é a Igreja católica, considerando que
―A igreja apresenta e proclama uma concepção sempre atual da convivência humana‖
(Mater et Magister, 217). Sempre atual nos indica a preocupação constante de manter a
doutrina coesa com o contexto da história humana a que se refere, enquanto a
convivência humana trata das relações entre as pessoas, concretas e dotadas de suas
próprias relações com outros humanos.
A doutrina social da Igreja não tem, no
entanto, a intenção de se ocupar de todos os aspectos da vida social, sua competência é
religiosa, em anunciar a salvação em Cristo.
Com a sua doutrina social a Igreja «se propõe assistir o homem no
caminho da salvação»: trata-se do seu fim precípuo e único. Não há
outros objetivos tendentes a sub-rogar ou invadir atribuições de
outrem, negligenciando as próprias; ou a perseguir objetivos alheios à
sua missão. Tal missão configura o direito e juntamente o dever da
Igreja de elaborar uma doutrina social própria e com ela exercer
influxo sobre a sociedade e as suas estruturas, mediante as
responsabilidades e as tarefas que esta doutrina suscita. (2004, item
69)
Esses três itens do Compendio da Doutrina Social da Igreja nos permite, sem
grande aprofundamento, compreender alguns conceitos e pontos que fundamentam a
doutrina social da Igreja. Primeiro, a doutrina social é indissociável do processo de
evangelização, a doutrina social não existe, não tem objetivo ou motivo sem o processo
de evangelizar. Segundo, ―a doutrina social tem valor como instrumento de
evangelização‖, o próprio processo de doutrinamento no cristianismo já evangeliza a
pessoa, por mais que não completamente, mas o leva a participar da religião. Terceiro, o
único objetivo da doutrina social é assistir o homem no caminho da salvação, a diretriz
principal, seu cerne, embora atinja outros aspectos da vida, está na salvação do homem
e em mais nada.
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Tendo entendido isso, podemos prosseguir o estudo no âmbito de analisar certos
documentos que definem a doutrina social no período proposto. Apesar de serem
numerosas as cartas, encíclicas e outros documentos papais, darei mais ênfase à dois, a
Carta Encíclica Mater et Magister de 1961; e a Constituição Pastoral Gaudium Et Spes
de 1965.
1965, em meio ao período histórico conhecido como Guerra Fria, foi aprovada a
Constituição Pastoral Gaudium et Spes, literalmente Alegria e Esperança. Não irei fazer
um estudo aprofundado no tema da Guerra Fria neste trabalho, porém compreender o
terror e o medo de guerra total que marcou essa época é necessário para entender a
principal diretriz de paz e esperança, entre homens, que é recorrente nesta constituição.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial houve uma competição entre Estados Unidos e
União Soviética para se armar, causando tensão militar e levando essas potencias à
doutrina de Destruição Mútua Assegurada, que significa um uso exacerbado de armas,
neste caso nucleares, que iriam levar a destruição total de ambos os participantes e todos
os seus aliados e vizinhos. Isto explica, apesar de resumidamente, o estado de tensão das
autoridades, entre elas o Vaticano, em relação ao período em que a constituição foi
escrita. A importância da Gaudium et Spes para este trabalho é de embasar todo o
comportamento da Igreja e sua evangelização durante o período estudado, influenciando
diretamente a doutrina social e, portanto, a educação nas instituições católicas.
Mais influente e mais importante para este trabalho é a Carta Encíclica Mater et
Magister, ―Mãe e Mestra‖, de 1961. Escrita por João Paulo XXIII, o primeiro item já
permite uma visão da igreja sobre ela mesma e sua missão:
Mãe e mestra de todos os povos, a Igreja Universal foi fundada por
Jesus Cristo, a fim de que todos, vindo no seu seio e no seu amor,
através dos séculos, encontrem plenitude de vida mais elevada e
penhor seguro de salvação. A esta Igreja, "coluna e fundamento da
verdade" (cf. 1 Tm 3, 15), o seu Fundador santíssimo confiou uma
dupla missão: de gerar alhos, e de os educar e dirigir, orientando, com
solicitude materna, a vida dos indivíduos e dos povos, cuja alta
dignidade ela sempre desveladamente respeitou e defendeu. (1961,
item 1)
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Destaca-se aqui o objetivo de ―educar e dirigir a vida dos indivíduos e dos
povos‖, demarcando já no primeiro item a preocupação da Igreja com a educação de
seus fiéis. Em seu texto, a Encíclica irá fazer várias referências à Encíclica Rerum
Novarum, por seu conteúdo e septuagésimo aniversário, e tratará de vários temas
recorrentes a Doutrina Social da Igreja, de passagem: ―Iniciativa pessoal e intervenção
dos poderes públicos em matéria econômica‖, itens 51 ao 58; ―A socialização‖ itens 59
ao 67; ―A Remuneração do Trabalho‖, itens 68 ao 81; ―As exigências da justiça quanto
às estruturas produtivas‖, itens 82 ao 103; ―A Propriedade Privada‖, itens 104 ao 120;
neste ponto faço uma observação que necessita observação mais ávida para
compreensão histórica, em relação ao item 121, ―Novos aspectos da questão social‖:
O avanço da história faz ressaltar cada vez mais as exigências da
justiça e da eqüidade que não intervêm apenas nas relações entre
operários e empresas ou direção destas, mas dizem também respeito às
relações entre os diversos setores econômicos, entre zonas
economicamente desenvolvidas e zonas economicamente menos
desenvolvidas dentro da economia nacional, e, no plano, mundial, às
relações entre países desigualmente desenvolvidos em matéria
econômica e social. (1961, item 121)
Aqui se demonstra a necessidade de um conhecimento prévio sobre o período
estudado. Os temas da guerra fria, a ameaça de guerra nuclear e o avanço do
comunismo permeiam toda a extensão dos documentos estudados aqui e vão continuar
até, e possivelmente depois, de 1990 com o fim da guerra fria. Os capítulos já citados,
bem como os que citarei, da Encíclica Mater et Magister continuam a tocar nessa
temática: ―Quanto às relações entre os setores produtivos‖, itens 122 ao 155;
―Exigências de Justiça nas relações de diferente progresso econômico‖, itens 156 ao
183; ―Incrementos Demográficos e Desenvolvimento Econômico‖, Itens 184 ao 198;
―Colaboração em Plano Mundial‖, itens 199 ao 210; E finalmente chegamos à quarta
parte do documento: ―A Renovação das relações de convivência na Verdade, Na Justiça
e No Amor‖, itens 211 à conclusão. De fato, o assunto educação é tratado
separadamente a partir do item 221. Antes de entrar nisso é interessante observar os
itens 211 ao 216 (Ideologias defeituosas e errôneas) que vem a confirmar que:
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O erro mais radical na época moderna é considerar-se a exigência
religiosa do espírito humano como expressão do sentimento ou da
fantasia, ou então como produto de uma circunstância histórica, que se
há de eliminar como elemento anacrônico e obstáculo ao progresso
humano. Ora, é precisamente nesta exigência que os seres humanos se
revelam tais como são verdadeiramente: criados por Deus e para
Deus, como exclama Santo Agostinho: "Foi para ti, Senhor, que nos
fizeste; e o nosso coração está insatisfeito, até que descanse em ti".
(1961, Item 213)
Isto é uma resposta direta ao ateísmo de estado promovido pela União Soviética
e outros governos comunistas. Mais uma vez enfatizo a importância de se compreender
o período em que o documento foi escrito para a compreensão de seu conteúdo. As
estratégias (CERTEAU, 1996) utilizadas por uma instituição, sua mentalidade, técnicas
e planejamentos são dependentes do período histórico em que se encontram, estudar a
doutrina social da igreja durante este período sem compreender a dimensão da Guerra
Fria e sua influência, bem como o conceito de estratégia é deixar de entender a razão e
os fins que dão o tom da doutrina.
Os itens de 217 ao 220 (Perene atualidade da doutrina social na Igreja) agem
como preâmbulo dos itens que irão tratar da instrução e educação, o item 219 em
especial comenta a doutrina social como ―o caminho seguro que leva ao
restabelecimento das relações de convivência social‖ e o 220 sobre a disseminação desta
doutrina:
Mas hoje, é mais do que nunca indispensável que esta doutrina seja
conhecida, assimilada e aplicada à realidade nas formas e na medida
que as situações diversas permitem ou reclamam. Tarefa árdua, mas
nobilíssima, para cuja realização convidamos instantemente não só os
nossos irmãos e filhos espalhados pelo mundo inteiro, mas todos os
homens de boa vontade. (1961, item 220)
Os itens referentes à instrução já começam nos lembrando que ―a doutrina social
cristã é parte integrante da concepção cristã da vida‖ (item 221), novamente afirmando a
constante importância da doutrina para o cotidiano do cristão. Aqui veremos o primeiro
item que justifica a criação e os objetivos da Escola Técnica de Enfermagem Catarina
Labouré, bem como qualquer outro instituto de ordem religiosa:
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Embora saibamos, com prazer, que esta doutrina já de há muito é
proposta em vários institutos, insistimos na intensificação de tal
ensino, por meio de cursos ordinários e em forma sistemática, em
todos os seminários e em todas as escolas católicas de qualquer grau
que sejam. Inclua-se também nos programas de instrução religiosa das
paróquias e das associações do apostolado dos leigos; propague-se
através dos meios modernos de difusão: imprensa diária e periódica,
obras de vulgarizaçâo e de caráter científico, rádio e televisão. (1961,
item 222)
Obviamente que não se restringe apenas a vias educativas para propagar a
doutrina, são citados obras em geral, vulgares ou científicas e meios de comunicação
pertinentes à época, ―meios modernos de difusão‖. Chegamos então, aos quatro itens
referentes à educação e, com eles, espero elucidar no leitor a necessidade da
compreensão prévia da doutrina social e do cenário em que ela se forma para a época
estudada. Em primeiro lugar fala-se sobre a aplicação desta doutrina, relembra a ideia
previamente discutida sobre a posição da doutrina social da igreja em promover a
convivência humana, não apenas se estuda e se segue a doutrina, mas se aplica no
cotidiano, mostrando pelo exemplo os seus benefícios ―na orientação segura que
oferecem à solução dos problemas concretos‖ (item 224).
Uma doutrina social não se enuncia apenas; aplica-se na prática, em
termos concretos. Isto vale sobretudo quando se trata da doutrina
social cristã, cuja luz é a verdade, cujo fim é a justiça, cuja força
dinâmica é o amor. (1961, item 225)
Logo em seguida é diferenciada a instrução social da educação social, e é
enfatizada a atitude cristã nos aspectos da vida que não religiosos, o ensino deve atingir
o evangelizado de modo a ―pensar cristãmente‖:
Relembramos, pois, a necessidade de os nossos filhos não receberem
apenas instrução social, mas também educação social. (1961, item
226)
A educação cristã deve ser integral; quer dizer, deve compreender a
totalidade dos deveres. Há de, pois, fazer nascer e fortificar nas almas
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a consciência de terem de exercer cristãmente as atividades de
natureza econômica e social.(1961, item 227)
Apesar de parecer subjetivo o ―agir cristão‖ nos itens já apresentados, para
esclarecimento o próximo trata da passagem da teoria à prática:
A passagem da teoria à prática é difícil por natureza e o é
principalmente quando se trata de reduzir a termos concretos uma
doutrina social como a cristã. A dificuldade vem do egoísmo
profundamente enraizado no ser humano, do materialismo que
impregna a sociedade moderna, da dificuldade em reconhecer, com
clareza e exatidão, as exigências objetivas da justiça, em cada um
dos casos particulares. Por isso, não basta fazer despertar e formar a
consciência da obrigação de proceder cristãmente no campo
econômico e social. A educação deve pretender também ensinar o
método que torne possível o cumprimento desta obrigação. (1961,
item 228)
Ora, se a educação deve ensinar tal método, é plausível que, uma vez baseada
nessas diretrizes, a coordenação da Escola Técnica de Enfermagem Catarina Labouré
estivesse em sua instituição cumprindo não apenas o objetivo próprio da congregação de
cuidar dos enfermos, através da formação de profissionais da saúde, mas também os
objetivos da doutrina social da igreja ao ensinar os valores e a prática da mesma no
cotidiano.
A importância do estudo destes documentos; a Carta Encíclica Mater et Magistra, o
Compêndio da Doutrina Social da Igreja, e a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, para a
compreensão da influencia da doutrina social da Igreja na educação se mostra aparente
nessa relação entre as diretrizes da Igreja, o carisma das Filhas de Caridade, e os objetivos
educacionais da ETECLA.
Ao analisar estes documentos e destacar estes trechos,
apresentam-se os pontos mais relevantes da doutrina para a educação e, por consequência,
para a Escola Técnica de Enfermagem Catarina Labouré.
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2. REFERÊNCIAS
BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. – 6 ed. – São Paulo:
Perspectiva, 2005.
CERTEAU, Michel de. A Invenção do Cotidiano: Artes de fazer. Tradução De
Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis: Vozes, 3 ed, 2008.
CHARTIER, Roger, História Cultural: entre práticas e representações. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.
NERIS, Wheriston Silva. Bourdieu e a Religião: Aportes para (re)discussão do
conceito de campo religioso. Anais do X Simpósio ABHR. 2008
LE GOFF, Jaques. História e Memória. 5º Ed. Campinas, SP: Editora da UNICAMP,
2003.
3. DOCUMENTOS
Histórico Das Congregações Femininas na Arquidiocese de Curitiba. Disponível
em:
<http://www.arquidiocesedecuritiba.org.br/UserFiles/File/cf2009.pdf>.
Acesso em: 28 jun. 2014.
Carta
Encíclica
Mater
Et
Magistra.
Disponível
em:
<http://www.vatican.va/holy_father/john_xxiii/encyclicals/documents/hf_jxxiii_enc_15051961_mater_po.html>. Acesso em: 02 out. 2014.
Compêndio
da
Doutrina
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Disponível
em:
http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_just
peace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html. Acesso em 02 out. 2014
Constituição
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Gaudium
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Disponível
em:
<http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vatii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html>. Acesso em: 02 out. 2014.
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