UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA CURSO DE ENGENHARIA CIVIL Francisco Carlos Costa de Oliveira EXECUÇÃO DE PAINÉIS ESTRUTURAIS PRÉ-MOLDADOS EM CONCRETO ARMADO: ESTUDO DE CASO Feira de Santana 2009 I Francisco Carlos Costa de Oliveira. EXECUÇÃO DE PAINÉIS ESTRUTURAIS PRÉ-MOLDADOS EM CONCRETO ARMADO: ESTUDO DE CASO Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso da Universidade Estadual de Feira de Santana, como requisito parcial à obtenção de titulo de Bacharel em Engenharia Civil. Orientador: Profº. M.Sc. Antonio Freitas da Silva Filho. Feira de Santana 2009 I Francisco Carlos Costa de Oliveira. EXECUÇÃO DE PAINÉIS ESTRUTURAIS PRÉ-MOLDADOS EM CONCRETO ARMADO: ESTUDO DE CASO Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção título de Bacharel em Engenharia Civil. Feira de Santana, Março de 2009. Banca Examinadora: Profº M.Sc. Antonio Freitas da S. Filho ____________________ Universidade Estadual de Feira de Santana Profº M.Sc. Cristóvão César C. Cordeiro ____________________ Universidade Estadual de Feira de Santana Profº Especialista Carlos Antonio Alves de Queiroz ____________________ Universidade Estadual de Feira de Santana II AGRADECIMENTOS A Deus pelo dom da vida, e por ter me concedido o dom de amar essa profissão maravilhosa. Aos meus pais Francisco Carlos e Ana Maria, pelo amor e apoio incondicional nesses 26 anos de vida; Aos meus irmãos Igor e Karol, pela alegria, pelo companheirismo; Aos meus avôs, Rosalva Ferreira (em memória) e Antonio Patrício (em memória); José Ferreira Costa e Simone Victória, meus amores e exemplos para toda uma vida. Ao meu tio e grande amigo Ayrton Borges D. Filho, pelo exemplo de dignidade, profissionalismo e por sempre acreditar em meu potencial. À minha namorada Márcia Macedo, pelo seu apoio, suas palavras de conforto e motivação, por estar sempre ao meu lado. Ao meu orientador Antonio Freitas, pela paciência, pela disponibilidade e pelo apoio. Aos amigos Antoniel Queiroz, Antônio Carlos Lobo, Djavan Aragão, Ednardo Freire, Eduardo Chagas, Fabiane Lopes, Osvaldo Ribeiro, Thiago Silva, William Peixoto, pelos grandes momentos vividos nessa caminhada, pelos babas e encontros no Quatro Estações. A todas as pessoas que convivi ao longo dessa caminhada com certeza, também, estão guardadas em meu coração. III “O degrau de uma escada não serve simplesmente para que alguém permaneça em cima dele, destina-se a sustentar o pé de um homem pelo tempo suficiente para que ele coloque o outro um pouco mais alto.” Thomas Huxley IV EXECUÇÃO DE PAINÉIS ESTRUTURAIS PRÉ-MOLDADOS EM CONCRETO ARMADO RESUMO Há pouco tempo, a construção seguia um sistema convencional, normalmente com a superestrutura em concreto armado e fechamento em alvenaria de bloco cerâmico. Com o avanço tecnológico e a necessidade cada vez maior de reduzir custos e, principalmente, aumentar a agilidade do processo construtivo, algumas empresas da indústria da construção civil buscam implantar novos sistemas: como a produção de painéis pré-moldados ou pré-fabricados de concreto armado que, justapostos, formam andares e edifícios completos. Elementos prémoldados são uma opção para aumentar a racionalização no processo construtivo. Eles associam-se a particularidades desse processo com relação à rapidez de execução, rígido controle de qualidade, coordenação modular e alto nível organizacional da produção. O presente trabalho pretende estudar a execução dos painéis portantes, que são estruturas pré-moldadas, aplicados na execução de edifícios de múltiplos pavimentos, em uma obra na cidade de Feira de Santana, favorecendo a industrialização e a racionalização dos processos, bem como a redução do prazo de execução da obra, com isso, elevando a produtividade. O método oferece inúmeras vantagens, dentre as quais podemos citar: controle de qualidade, baixos custos de manutenção, facilidade de planejamento e controle de tempos e, principalmente, menor tempo de execução. Mas, também, possui algumas desvantagens como: alto investimento inicial, necessidade de grandes espaços para concretagens e estocagens, impossibilidade de alteração do lay out da edificação, necessidade de profissionais capacitados. Palavras-chaves: Painéis; Pré-moldados; Racionalização. V EXECUTION OF PANEL STRUCTURALS PRÉ-MOLDADOS IN ARMED CONCRETE ABSTRACT It has little time, all construction followed a conventional system, normally with the superstructure in armed concrete and closing in masonry of ceramic block. With the technological advance and the necessity each bigger time to reduce costs and, mainly, to increase the agility of the constructive process, the industry of the civil construction search to implant a new system: the production of panels daily pay-molded or prefabricated of armed concrete that, juxtaposed, complete floors and buildings form. Daily pay-molded elements are an option to increase the rationalization in the constructive process. They associate it particularitities of this process with regard to the rapidity of execution, rigid quality control, modular coordination and high organizacional level of the production. The present work intends to study the execution of the portantes panels, that are daily pay-molded structures, applied in the execution of buildings of multiple floors, favoring the industrialization and the rationalization of the processes, as well as the reduction of the stated period of execution of the workmanship, with this, raising the productivity. The method offers innumerable advantages, amongst which we can cite: quality control, basses maintenance costs, easiness of planning and control of times and, mainly, minor execution time. But, also, it possesss some disadvantages as: high initial investment, necessity of great spaces for concretagens and estocagens, impossibility of alteration of lay out of the construction, necessity of able professionals. Word-keys: Panels; Daily pay-molded; Rationalization. VI LISTA DE FIGURAS Figura 1 Modelo de Processo na filosofia gerencial tradicional 19 Figura 2 Modelo de Processo de Construção Enxuta 20 Figura 3 Fluxograma de produção de elementos pré-moldados 25 Figura 4 Juntas entre painéis internos 30 Figura 5 Junta entre painéis externos de canto 31 Figura 6 Junta entra painéis externos e laje 31 Figura 7 Junta entre pré-laje e complemento “in loco” 32 Figura 8 Fôrma horizontal de painel 36 Figura 9 Fôrma vertical de painel 36 Figura 10 Fluxograma de produção das armaduras 37 Figura 11 Espaçadores plásticos utilizados em painéis 38 Figura 12 Detalhe de montagem das telas unidas por espaçadores 39 Figura 13 Detalhes dos aços: a) para soldas; b) para desforma 39 Figura 14 Armação do painel com instalação elétrica 40 VII Figura 15 Verificação da dimensão da bateria 41 Figura 16 Concretagem do painel em forma horizontal 42 Figura 17 Adensamento do concreto com vibrador tipo agulha 42 Figura 18 Concretagem e adensamento em forma vertical 43 Figura 19 Rolo para criar aderência na pré-laje 43 Figura 20 Desforma de pré-laje 44 Figura 21 Desforma de painel em forma vertical 45 Figura 22 Painel sendo transportado 45 Figura 23 Painel montado e escorado 46 Figura 24 Grauteamento entre painéis 47 Figura 25 Edificação montada 47 VIII LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo JIT – Just in Time. Fck – Resistência à compressão característica do concreto IX SUMÁRIO 1.0 INTRODUÇÃO 12 1.1 JUSTIFICATIVA 13 1.2 OBJETIVOS 14 1.2.1 OBJETIVO GERAL 14 1.2.2 OBJETIVO ESPECÍFICO 14 1.3 METODOLOGIA 15 2.0 CONSTRUÇÃO CIVIL 16 2.1 A CONSTRUÇÃO 16 2.2 CONSTRUÇÃO ENXUTA 17 2.2.1 BASE CONCEITUAL 18 2.3 RACIONALIZAÇÃO 20 3.0 PAINÉIS ESTRUTURAIS 22 3.1 HISTÓRIA DA PRÉ-FABRICAÇÃO 22 3.2 OS PRÉ-MOLDADOS E O AUMENTO DA PRODUTIVIDADE 23 3.3 PADRONIZAÇÃO 24 3.4 ORGANIZAÇÃO DO CANTEIRO DE OBRA 24 3.5 ASPECTOS DE PRODUÇÃO 25 3.5.1 FORMAS 26 3.5.2 AÇO 27 3.5.3 ARRANJO 27 3.5.4 JUNTAS 28 4. ESTUDO DE CASO - EXECUÇÃO DE PAINÉIS 34 4.1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA E DA OBRA 34 4.2 FÔRMAS 35 4.3 ARMAÇÃO DOS PAINÉIS 37 4.4 CONCRETAGEM DOS PAINÉIS 40 4.5 IÇAMENTO, CURA E TRANSPORTE DOS PAINÉIS 43 4.6 MONTAGEM DE PAINÉIS 46 X 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 49 REFERÊNCIAS 51 ANEXOS 54 XI 12 1.0 INTRODUÇÃO A globalização trouxe mudanças significativas em todos os mercados, principalmente na indústria da construção. Essas mudanças acarretaram em grande competitividade entre as empresas e uma das formas de diferenciação é a inovação tecnológica. Segundo SCARDOELLI et al (1994), a indústria da construção tem papel fundamental no desenvolvimento do país, apesar disso é um setor que apresenta um grande atraso tecnológico, que pode ser caracterizado pelos seguintes aspectos: · Mão-de-obra sem qualificação, com alta rotatividade e de baixa produtividade; · Resistência às inovações tecnológicas; · Elevada incidência de não conformidade de materiais, componentes, sistemas construtivos e serviços; · Baixa exigência das empresas do setor em relação aos produtores de materiais; · Baixa exigência por parte do consumidor final; · Desperdícios significativos de material e de tempo ao longo da produção; Uma das formas de buscar a redução desse atraso é com técnicas associadas à utilização de elementos pré-fabricados de concreto. A base da industrialização é a racionalização. Quando medidas racionalizadas são aplicadas, aumenta o nível organizacional dos processos. Entende-se por industrialização da construção o “processo evolutivo” que, através de ações organizacionais e de implementação de inovações tecnológicas, métodos de trabalho, técnicas de planejamento e controle objetiva incrementar a 13 produtividade e o nível de produção e aprimorar o desempenho da atividade construtiva.(FRANCO, 1992) A repetição causada pela pré-fabricação melhora a eficiência, reduz custos, reduz desperdícios, refletindo diretamente na produtividade da mão de obra. Devido, também, a esse fato há de se ter cuidado para não se repetirem os erros.( SAYEGH,2009) Tem se buscado cada vez mais alternativas para tornarem as construções mais limpas, no que diz respeito a situação ambiental (redução dos resíduos da construção civil), mais ágeis e mais baratas. Esses sistemas requerem grandes investimentos iniciais em equipamentos e máquinas, porém possibilitam economia considerável nos custos finais das obras, versatilidade e redução nos prazos de conclusão, além de proporcionar segurança, baixa manutenção e facilidade de implantação em lugares distantes e com pouca infra-estrutura.(Barros, 1998). Os painéis são peças de concreto armado com função estrutural, são executados em formas verticais e horizontais em canteiros de obra devidamente estruturados, transportados com equipamentos de grande porte (gruas, pórticos) e usados como paredes, prontos para receberem acabamento final (pintura e cerâmica) sem a necessidade do revestimento (chapisco, reboco, emboço). 1.1 JUSTIFICATIVA Há sempre uma barreira quando se fala em inovação tecnológica. Existe uma dificuldade na introdução de inovações tecnológicas devido à resistência dos próprios usuários em aceitá-la. Eles se opõem a qualquer tecnologia diferente da tradicional.(Santana,1987) Hoje em dia, para aumentar a produtividade e reduzir os custos, tem se buscado racionalizar os processos construtivos. A grande competitividade do mercado 14 atual faz com que as empresas busquem melhorar a eficiência do processo, eliminando etapas construtivas, minimizando interferências entre os subsistemas e elevando a qualidade do produto final. Adotar soluções voltadas à industrialização, principalmente com a pré-fabricação, pode ser um caminho para melhorar a eficiência do processo. Atualmente a preocupação com a situação ambiental, tem estimulado o desenvolvimento tecnológico, pois cada vez mais o mundo está se voltando para a redução de resíduos e todos os tipos de poluição. Estão buscando cada vez mais a utilização de técnicas menos agressivas ao ambiente. É importante conhecer a execução de uma peça estrutural deste tipo, suas fôrmas, armação e concretagem, pois trará benefícios no conhecimento técnico e gerencial, mostrando que o processo em estudo deverá reduzir custos no final da obra, pois é controlado, com mão de obra reduzida e uma enorme rapidez de fabricação. 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 OBJETIVO GERAL Estudar a execução de painéis estruturais pré-moldados em concreto armado. 1.2.2 OBJETIVO ESPECÍFICO Analisar os elementos pré-moldados sob aspectos executivos, listando-se vantagens e desvantagens. 15 1.3 METODOLOGIA A presente monografia dar-se-á através de um embasamento teórico inicial no campo do histórico da pré-fabricação e da evolução do sistema. Posteriormente um estudo de caso foi feito em uma obra que utiliza esta tecnologia. E complementando o estudo e a pesquisa, analisar criticamente a utilização deste sistema construtivo. 16 2.0 CONSTRUÇÃO CIVIL 2.1 A CONSTRUÇÃO Nas civilizações primitivas, o homem empregava os materiais como encontrava na natureza. Depois começou a trabalhá-los, modelá-los às suas necessidades. Aos poucos ele passou a demandar de materiais de maior resistência, durabilidade e melhor aparência. Precisavam de um material trabalhável e resistente, surgiu daí o concreto. Aproveitaram o avanço tecnológico e técnicas mais avançadas, para procurar melhorar o padrão e reduzir o custo. O aprimoramento das técnicas em uso exige o cumprimento de tarefas de identificação de necessidades, ordenação de prioridades, realização de pesquisas, treinamento, implantação do sistema, análises de desempenho, etc. A indústria da construção civil está buscando cada vez mais estratégias de modernização do setor, onde a racionalização construtiva tem papel fundamental. Nesse sentido, as tendências mais notáveis relacionam-se ao emprego de sistemas total ou parcialmente pré-fabricados. Apresentando baixo controle de qualidade, baixa produtividade, grande desperdício, a indústria da construção civil tem sido considerada uma indústria atrasada.(EL DEBS, 2000) As atividades artesanais são substituídas por uniformidade e continuidade executiva (repetição), características das modalidades operacionais mecanizadas, características da industrialização.(Ciribini apud ROSSO, 1980) Uma das formas de reduzir esse atraso é empregar técnicas associadas à utilização de elementos pré-moldados de concreto. 17 Segundo Sabbatini (1989), “evoluir no sentido de aperfeiçoar-se como indústria é o caminho natural da construção civil”, portanto, industrializar-se para a construção é sinônimo de evoluir. A aplicação de pré-fabricados nos processos construtivos tem como objetivo proporcionar um aumento da racionalização, elevando a produtividade e reduzindo desperdícios e custos. Além da rapidez de execução com um rígido controle de qualidade. 2.2 CONSTRUÇÃO ENXUTA A construção enxuta é um paradigma de gestão da produção que é baseado nos conceitos da produção enxuta. O novo paradigma de entendimento da função produção que envolve o desenvolvimento de uma nova teoria de administração é denominado produção enxuta. Koskela (1992) afirma ainda que as idéias da produção enxuta tiveram origem no Japão, na década de 50, e a sua aplicação mais proeminente aconteceu no sistema de produção da Toyota. O Sistema Toyota de Produção caracteriza-se pela “produção com estoque zero, ou sem estoque, o que equivale dizer que cada processo é abastecido com os itens necessários, na quantidade necessária, no momento necessário, ou seja, just-in-time” (SHINGO, 1996). O foco principal está voltado para combater o desperdício, devendo-se desenvolver uma nova cultura gerencial que busca atender a cinco princípios fundamentais: especificar precisamente o valor; identificar as cadeias de fluxos de valor de cada produto e subproduto ou serviço; fazer fluir o desempenho de fluxos de valor sem interrupções; deixar que o cliente acione o fluxo de produção; e perseguir a perfeição.(WOMACK et al apud SAN MARTIN, 1999) Diferente da filosofia tradicional da produção que é entendida como várias operações, que são controladas, uma por uma, para obter menores custos, a 18 nova filosofia de produção é entendida como um fluxo de processo de materiais e informações, que são controladas para obter menor variabilidade e tempo de ciclo, e aperfeiçoar continuamente em relação às perdas.(KOSKELA, 1992) Já os princípios da construção enxuta identificados por Koskela (1992) são: 1. Redução da parcela de atividades que não agregam valor; 2. Aumentar o valor de saída através de considerações sistemáticas das necessidades do consumidor; 3. Reduzir a variabilidade; 4. Reduzir o tempo de ciclo; 5. Simplificar reduzindo o número de passos, partes e ligações; 6. Aumentar a flexibilidade de saída; 7. Aumentar a transparência do processo; 8. Focar o controle no processo completo; 9. Introduzir a melhoria contínua no processo; 10. Balancear melhorias de fluxo com melhorias de conversão; 11. Benchmark (comparação com as melhorias práticas) Baseado nos conceitos de produção enxuta, Koskela (1992) os interpretou, agrupando-os ao sub-setor de edificações, propondo o desenvolvimento de uma teoria fundamentada nas idéias da teoria da produção enxuta. 2.2.1 BASE CONCEITUAL Atualmente, ainda, o processo de produção é entendido como “um conjunto de atividades de conversão, que transforma os insumos (materiais, informações) em produtos intermediários (alvenaria, estrutura, revestimento) ao final em edificação”, conforme ilustrado na Figura 1.(FORMOSO, 2005) 19 Figura 1: Modelo de processo na filosofia gerencial tradicional. Uma execução de estrutura envolve a execução fôrmas, montagem de armaduras, concretagem, cura, desfôrma e reescoramento. Assim dentro da concepção de processo de produção, o empenho para redução de custo total está direcionado para a redução de custo de cada fragmento de processo (subprocesso), e também o valor do produto de um subprocesso está associado ao custo dos seus insumos.(Formoso, 2005) Conforme San Martin (1999) apud Santos (2000, p. 8) tem-se as seguintes definições para processo e operação: • “Processo é o fluxo definido pelos materiais, constituído por uma seqüência de eventos, em que esses são transformados no produto final. Esses eventos podem ser caracterizados como conversão ou processamento, inspeção, espera ou transporte”. • “Operação é o fluxo definido pelas pessoas ou máquinas, constituído pela seqüência de ações (ou trabalhos) executadas sobre os materiais. Essas ações também podem ser caracterizadas como conversão ou processamento, inspeção ou transporte / deslocamento e ainda outras que não coincidem com as atividades dos fluxos de processos”. O modelo de processo da construção enxuta, por sua vez, assume que um processo consiste em um fluxo de materiais, desde a matéria prima até o produto final, sendo o mesmo constituído por atividades de transporte, espera, 20 processamento (ou conversão) e inspeção, (Figura 2). As atividades de transporte, espera e inspeção não agregam valor ao produto final, sendo por essa razão denominadas atividades de fluxo.(FORMOSO, 2005) Figura 2: Modelo de Processo de Construção Enxuta (KOSKELA, 1992). Resumindo, “Toda atividade constitui o encontro físico, na produção, dos fluxos de processos e de operações, sendo os processos a maneira como os materiais são arranjados para a realização de um determinado serviço, e as operações os movimentos realizados pelos operários e equipamentos para possibilitar tal realização”.(SAN MARTIN, 1999 apud SANTOS, 2000) 2.3 RACIONALIZAÇÃO A nova mentalidade voltada para a produção racionalizada com qualidade é muito mais que um modismo; é uma questão de sobrevivência para as empresas. A globalização abriu o mercado do Brasil para o mercado competitivo mundial, exigindo da indústria nacional uma rápida adaptação às rigorosas exigências de um consumidor consciente de seus direitos. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) concluiu durante suas pesquisas que “através do processo de racionalização, as empresas procuram obter ganhos de produtividade e minimizar os custos e os prazos, sem uma ruptura da base produtiva que caracteriza o setor”.(IPT apud FRANCO, 1992) Para ROSSO (1980), “racionalizar a Construção Civil significa “agir contra os desperdícios de materiais e mão-de-obra e utilizar mais eficientemente o capital” 21 e completa explicando que isso se faz por meio da aplicação de princípios de planejamento e gerenciamento, com objetivo de eliminar a casualidade das decisões”. SABBATINI (1989) propõe sua definição sobre o tema, a qual foi aceita e adotada por vários autores, inclusive neste trabalho. Esta definição prescreve que a “racionalização da construção é o processo dinâmico que torna possível a otimização do uso dos recursos humanos, materiais, organizacionais, tecnológicos e financeiros, visando atingir objetivos fixados nos planos de desenvolvimento de cada país e de acordo com a realidade sócio-econômica própria”. A racionalização deve estar presente em todas as fases do processo, desde as concepções iniciais, passando pelo desenvolvimento do projeto, até atingir a etapa de produção. 22 3.0 PAINÉIS ESTRUTURAIS 3.1 HISTÓRIA DA PRÉ-FABRICAÇÃO A história da Pré-fabricação divide-se em dois períodos. O primeiro vai de 1867 a 1930, e caracteriza-se pelo emprego das peças de concreto armado principalmente em obras de estradas, ao nível do solo ou subsolo. Nesse período, por volta de 1920 a protensão se tornou realidade pelo trabalho do engenheiro francês E. Freyssinet. Já o segundo período começa em 1930 até os dias atuais. Em meados dos anos 40 o concreto “in situ” foi largamente usado, havendo pouco emprego de peças pré-fabricadas.(MILMAN, 1971). Após a Segunda Guerra Mundial, a Europa estava destruída. Era necessário o emprego de uma tecnologia construtiva rápida para solucionar o problema da moradia. Os elementos pré-fabricados ganharam espaço e foram responsáveis pela maioria das construções.(MILMAN, 1971) A utilização em massa da pré-fabricação na área da habitação, naquela época, criou uma espécie de marca, que associava a construção com pré-fabricado. No Brasil, as construções pré-fabricadas de concreto surgiram por volta da década de sessenta (1960), exatamente em 1959 na construção do Centro de abastecimento de São Sebastião, e em 1966 na construção do Conjunto Residencial José Anchieta, em Vigário Geral.(MILMAN, 1971) O sistema construtivo painel portante começou a ser utilizado. De acordo com Franco (2005), com todos os objetivos técnicos atingidos, tais como estanqueidade, isolamento térmico e acústico, baixos custos de manutenção e produção, alto índice de produtividade, satisfação do cliente e competitividade de mercado, o sistema permite novos desafios, ou seja, a produção de edifícios de diversos pavimentos. 23 As suas principais funções são a compartimentação da edificação e o oferecimento, aos ambientes construídos, das condições para o desenvolvimento das atividades previstas. As vedações, além de servirem de suporte e proteção às instalações prediais e aos equipamentos de utilização do edifício, criam também condições de habitabilidade e segurança (FRANCO,1998). Na produção de edifícios, as vedações verticais também têm um papel importante (BARROS, 1998a; CARDOSO, 1998), por influenciarem e serem responsáveis por algumas características, dentre as quais pode-se citar: • Determinação de diretrizes para o planejamento e programação da execução da edificação. • Determinação do potencial de racionalização da produção, pois possui interfaces com outros subsistemas (instalações prediais, esquadrias, revestimentos e estrutura). • Participação como elemento estrutural (alvenaria estrutural), ou servir de travamento da estrutura de concreto armado, ou ainda servir apenas de fechamento da edificação. • Profunda relação com a ocorrência de problemas patológicos. A maior organização e limpeza do canteiro, melhor qualidade no produto final, rapidez e facilidade na execução das vedações, maior precisão geométrica e menor desperdício de materiais são algumas das vantagens do emprego de painéis préfabricados sobre a alvenaria tradicional. Porém, para a introdução de tecnologias pré-fabricadas no mercado nacional, existem algumas limitações que deverão ser superadas antes da introdução de quaisquer tecnologias racionalizadas para vedações. 3.2 OS PRÉ-MOLDADOS E O AUMENTO DA PRODUTIVIDADE O objetivo maior da racionalização é aproveitar melhor os recursos disponíveis em todas as fases do empreendimento. Embora apresente uma definição clara, 24 torna-se difícil encontrar um parâmetro para quantificar “o grau ou nível de racionalização”. À primeira vista, uma possibilidade é a utilização do conceito de produtividade como proposto por FRANCO (1992). A utilização de pré-moldados preenche as condições para serem rotulados instrumentos de melhoria da produtividade na execução de uma estrutura. Os elementos pré-fabricados apresentam diversas vantagens técnico- econômicas que permitem otimizar tanto a execução da obra, como a qualidade do produto final, principalmente com a diminuição de desperdício de material na execução de detalhes de obra, anteriormente resolvidos de modo artesanal. (MEDEIROS & SABBATINI 1994) 3.3 PADRONIZAÇÃO A padronização é uma maneira de alcançar ganhos de produtividade. Padronização é definida por ROSSO (1966) como “a aplicação de normas a um ciclo de produção ou a um setor industrial completo com objetivo de estabilizar o produto ou o processo de produção”. Com a padronização conseguimos reduzir a variabilidade, um dos princípios da construção enxuta. A padronização reduz as improvisações e otimiza as atividades desenvolvidas na construção civil, tendo impacto direto na redução de desperdícios.(ROSSO, 1966) 3.4 ORGANIZAÇÃO DO CANTEIRO DE OBRA Produzir mais com menor custo e em menos tempo é atualmente, o maior desafio da engenharia. Na Construção Civil, a “fábrica” que se movimenta não o produto. Então é necessário um bom planejamento do canteiro para evitar possíveis problemas futuros com o lay out. 25 O canteiro de obra deve ser organizado de forma a otimizar o fluxo de materiais e pessoas, com toda segurança. A correta estocagem de materiais e componentes reduzirá as perdas.(Manual Sistema Construtivo Painel Portante, v.1) As peças pré-moldadas podem ser produzidas no canteiro ou confeccionadas em um local determinado e transportada para a obra. Nas duas situações, é necessário que haja um canteiro organizado, com definições de espaços previamente destinados a estes elementos. No primeiro caso, é necessário espaço suficiente para estocagem do elemento até a sua utilização definitiva, com definições de fluxos de transporte. A forma de transporte dos pré-moldados já deve estar definida previamente ao planejamento do canteiro, permitindo melhor interação entre o local de armazenamento e equipamentos de içamento.(Manual Sistema Construtivo Painel Portante, v.1) 3.5 ASPECTOS DE PRODUÇÃO A execução de painéis estruturais pré-moldados em concreto armado, é um processo amplo e diversificado. Este processo será mostrado em diferentes etapas, todas com sua devida importância, conforme a Figura 3. Produção e preparo das fôrmas Preparo das armaduras embutidos Montagem da armação Concretagem: Lançamento Adensamento Cura desforma Preparo do concreto transporte Peça pronta Figura 3: Fluxograma de produção de elementos pré-moldados ( BARROS; MELHADO,1998) 26 Os painéis de concreto podem ser produzidos na própria obra, reduzindo custos com transportes, se houver espaço suficiente ou podem ser produzidos industrialmente. A mistura dos agregados constituintes do concreto é efetuada através de dosagem experimental, meticulosamente estudada, sendo necessário avaliar as qualidades e propriedades dos materiais em função das características e desempenho do concreto especificado em projeto. Em geral, as misturas contêm agregados com dimensão máxima característica inferior a 20 mm e, no caso de componentes não revestidos, com teor de finos suficiente para garantir o acabamento superficial desejado.(DAWSON, 1995) Para painéis de concreto, a relação água/cimento recomendada é de 0,4 para a obtenção de um concreto de consistência plástica, com menor absorção de água e menor retração hidráulica, para a garantia dos requisitos de segurança estrutural, estanqueidade e durabilidade do painel.(ANDRIOLO, 1984; METHA, 1994) 3.5.1 FÔRMAS A escolha do material do molde é determinada pela possibilidade de reaproveitamento da fôrma, pelo acabamento do painel, o que tem grande influência nos custos de produção, e pelas dimensões das peças, que determinam a resistência requerida da fôrma. As fôrmas em aço têm custo alto, mas possibilitam uma maior precisão e podem ser utilizadas até 150 vezes.(DAWSON, 1995) A desfôrma deve ser feita, aproximadamente, após 16 horas do preenchimento ou até o painel adquirir resistência, de 6 Mpa, suficiente para os esforços que incidirão durante a desfôrma, o manuseio, o transporte e o içamento. Os painéis devem ser submetidos à cura úmida por no mínimo sete dias.(Manual Sistema Construtivo Painel Portante, v.1) 27 3.5.2 AÇO As armaduras prontas são muito utilizadas na pré-fabricação. Elas se preparam em série, com tamanhos definidos ou em tamanhos especiais. São, geralmente, soldadas e atendem a quaisquer tipos de peças - pré-lajes, painéis, pilares – sem perda de pontas. Sabemos que em obras que usam barras de aço com 12 m de comprimento, cortam e dobram esse aço, dão sobras que podem chegar até a 15 – 20%, conforme a habilidade dos profissionais.(MILMAN, 1971). Com a utilização de telas conseguimos eliminar as atividades, de corta e dobra, que não agregam valor. Simplificando, reduzindo o número de passos. 3.5.3 ARRANJO As construções feitas com peças pré-fabricadas são, em sua maior parte, constituídas de painéis portantes. Essa prática conduz a eliminação de colunas e vigas, trazendo economia ao sistema. De acordo com sua função as paredes se classificam em: Paredes portantes Paredes divisórias Paredes de contraventamento As paredes portantes recebem as cargas da edificação. As divisórias, como o próprio nome já diz, servem apenas para dividir uma grande área. Elas não têm capacidade para receber carga. Já as de contraventamento dão estabilidade a edificação.(MILMAN, 1971) A geometria e a forma do painel são determinadas em projeto, considerando ainda fatores de produção e manuseio. É importante que na fase de projeto procure-se reduzir o número de tipos de painéis a serem utilizados, garantindo uma maior padronização na produção. A padronização da fôrma reduz 28 significativamente os custos de produção, pois aumenta a velocidade de produção e reduz custos operacionais, o tempo de detalhamento e confecção de moldes, riscos de erros de detalhamento e de produção. Em algumas situações, os moldes podem ser projetados para receberem ajuste dimensional e atender a uma gama maior de painéis. As condições de exposição e a tipologia da edificação alimentam a etapa de dimensionamento os painéis, que ainda deve considerar as solicitações mecânicas, envolvendo a ação do vento, do peso próprio e os esforços durante a desfôrma e manuseio em atendimento do requisito de segurança estrutural. Além disso, o peso dos painéis define as maneiras de realizar o transporte e içamento (PCI, 1989). Em painéis não estruturais, a definição da espessura do cobrimento depende: • da dimensão máxima característica do agregado. • dos meios utilizados para manter a armação na devida posição durante a concretagem. • das características e qualidade do concreto. • do tipo de acabamento final. • da agressividade do ambiente de exposição 3.5.4 JUNTAS Devido a variação de temperatura e até sobrecargas, ocorre uma movimentação da estrutura. Essas movimentações causam tensões que levam ao aparecimento de fissuras que comprometem o desempenho da edificação. As juntas têm por finalidade permitir que essas expansões e contrações ocorram sem afetar a 29 integridade dos constituintes do sistema de vedação.(Manual Sistema Construtivo Painel Portante, v.1) Para o desempenho adequado do sistema de vedação em painéis de concreto, é imprescindível um bom desempenho das juntas, seja em termos de estanqueidade ou de acomodação da movimentação das peças.(DAWSON, 1995). Entre painéis, e outros elementos estruturais, devem-se estabelecer uniões apropriadas (secas e argamassadas). As argamassadas são as que vão preenchendo a folga entre as peças com argamassa de cimento ou com concreto. Já as secas são as formadas através de soldagens de pontos estratégicos entre essas peças.(MILMAN, 1971). As juntas constituem as linhas de separação horizontais ou verticais entre os painéis de concreto justapostos ou sobrepostos, devendo ser de alguma forma seladas. As juntas horizontais têm função similar às pingadeiras e estão sujeitas a esforços de compressão originários do peso próprio dos painéis. Já as juntas verticais estão mais sujeitas às intempéries e tendem a canalizar a água da chuva, exigindo maiores cuidados quanto à vedação(PCI, 1989; DAWSON, 1995). No modelo estudado as juntas podem ser de quatro tipos:(Manual Sistema Construtivo Painel Portante, v.1) (a)Junta entre Painéis Internos de Concreto Esta junta tem como objetivo permitir uma ligação entre os painéis garantindo o posicionamento na montagem, sem a função de transmissão de esforços por cisalhamento. A principal dificuldade encontrada é a de conseguir um material que tenha boa aderência aos dois painéis e absorva qualquer tipo de deformação sem transmitir para a massa de acabamento que deve se limitar a região da junta uma vez que os painéis recebem pintura direta. Como observamos na Figura 4. 30 Figura 4: Junta entre painéis internos. (b) Junta entre Painéis Externos de Concreto Esta junta tem como objetivo permitir uma ligação entre os painéis garantindo o posicionamento na montagem, sem a função de transmissão de esforços por cisalhamento e, principalmente, não permitir a passagem de umidade. O segredo para não permitir a penetração da umidade é criar obstáculos que diminuam a pressão da água e conduzam para um caminho que não seja o da penetração. Os obstáculos para diminuir a pressão da água, nesta junta são três: I. Num primeiro momento, existe a aplicação de um mastique (devidamente protegido contra a insolação, uma vez que está interno a junta. II. Após o mastique, existe ainda o graute com alta aderência ao painel. III. O terceiro obstáculo é a própria geometria do painel na junta, uma vez que o aumento do percurso a ser percorrido pela água faz com que haja diminuição de pressão (aliada aos itens anteriores) e que ao invés desta água penetrar, ela desça e retorne a superfície, escorrendo até a fundação saindo pela calçada.(vide Figura 5) 31 Figura 5: Junta entre painéis externos de canto. (c) Junta entre Painéis Externos de Concreto e Laje Esta junta tem como objetivo permitir o apoio uniforme da pré-laje nos painéis sem a introdução de tensões localizadas, além de impedir a penetração de água do meio externo e gabaritar ao complemento “in loco” de forma a permitir o uso de laje zero, sem contra-piso. Ver Figura 6. Figura 6: Junta entre painéis externos e laje. 32 (d) Junta entre Pré-Laje e Complemento “in loco” A laje é formada de uma composição entre um elemento pré-moldado e um complemento “in loco”. Ela tem seu desempenho estrutural diretamente ligado com a qualidade da ligação entre os dois elementos. Esta ligação poderia ser feita através de produtos químicos, ou seja, adesivos a base epoxi, de alto custo e eficiência diretamente proporcional a qualidade de aplicação. A união dois elementos é garantida por: I. Alta rugosidade da face superior da pré-laje, provocada pela passagem de um equipamento semelhante a um pé de carneiro, após a concretagem da pré-laje. II. Armações de ligação entre os dois concretos, utilizadas com o objetivo de içamento da peça e que contribuem para esta monolitização da junta entre os dois concretos. Como observamos na Figura 7. Figura 7: Junta entre pré-laje e complemento “in loco”. Os selantes das juntas garantem a estanqueidade das fachadas, sendo que esta característica depende do tipo de polímero, do detalhamento das juntas e das condições de exposição. Estes polímeros são suscetíveis a fatores de degradação resultantes da combinação de efeitos atmosféricos, radiação solar, 33 calor, oxigênio, água e microorganismos, que contribuem para a diminuição da vida útil e do desempenho das juntas.(PCI, 1989; DAWSON, 1995). As juntas nunca devem "atravessar" aberturas, e devem estar completamente inseridas em uma única peça de concreto para minimizar os problemas de movimentação diferencial entre os elementos e as dificuldades de selagem (PCI, 1989). Embora os fabricantes de vedações continuem a usar juntas de selantes, possivelmente por serem mais fáceis de detalhar e executar, as juntas de gaxetas podem oferecer um produto de junta mais estável, particularmente quando usadas em conjunto com a barreira de ar. 34 4. ESTUDO DE CASO: EXECUÇÃO DE PAINÉIS 4.1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA E DA OBRA A empresa escolhida para avaliação e estudo do sistema Painéis Portantes, é uma pioneira no uso de elementos pré-fabricados em obras no eixo Bahia, Sergipe. Uma Unidade Industrial foi criada em 1980 para consumo próprio. Inicialmente destinada à fabricação de blocos de concreto, a unidade industrial passa a vislumbrar novas atuações, face aos altos custos com insumos e ao descontentamento de seus proprietários com a técnica construtiva convencional. A partir do ano de 1984, Aracaju, capital do estado de Sergipe, passa a ter as primeiras obras com pré-lajes e pré-vigas. Na década de 1990, a empresa investe ainda mais em industrialização, e dessa vez com características de uma linha de produção. É o início das obras com painéis portantes. A obra estudada está situada na Rua Macário Cerqueira S/N no Bairro Muchila na cidade de Feira de Santana – BA próximo a rotatória de acesso ao Bairro Feira X e à Panificadora Rios. O empreendimento consiste na construção de um condomínio residencial de cinco edificações de dez pavimentos com cinco unidades por andar. A área total construída será de 23.918,05 m². Este sistema é desenvolvido com pequenas equipes e prazos curtos, fatores estes preponderantes para minimizar as oportunidades de acidentes.(Manual Sistema Construtivo Painel Portante, v.1) 35 As etapas para confecção de painéis são as seguintes: – Fabricação e preparação das fôrmas; – Montagem da armação; – Concretagem; – Desforma, cura e transporte; – Montagem dos painéis. 4.2 FÔRMAS As fôrmas podem ser consideradas como o conjunto de componentes cujas funções principais são: – Servir como modelador; – Conter o concreto fresco e sustentá-lo até que tenha resistência suficiente para se sustentar por si só; – Proporcionar à superfície do concreto a textura requerida. Qualquer irregularidade nas fôrmas trará futuros retrabalhos, gerando custos indesejáveis para a obra, por isso têm grande influência no acabamento final dos painéis. Na obra as formas utilizadas são metálicas, pois proporcionam uma superfície lisa e plana em toda sua dimensão, maior resistência as vibrações, adensamento do concreto, além de um reaproveitamento numeroso, a depender da manutenção e exposição, podendo ser utilizadas em diferentes obras, reduzindo custos a longo prazo.(PEDREIRA DE FREITAS, 2008.) As fôrmas podem ser dispostas à fabricação dos painéis tanto verticalmente como horizontalmente, conforme pode ser observado através das figuras 8 e 9. As formas verticais denominam-se “baterias”, até pela quantidade de peças próximas. Já as fôrmas horizontais, denominam-se “bandejas”. São concretadas separadamente, com maior facilidade para lançamentos e espalhamento de concretos convencionais na sua extensão, porém os custos com a mão-de-obra aumentam, pois é necessário acabamentos pós-concretagem.(Manual Sistema Construtivo Painel Portante, v.1) 36 Figura 8: Fôrma horizontal de painel (2008). Figura 9: Fôrma vertical de painel (2008). 37 4.3 ARMAÇÃO DOS PAINÉIS O aço é um material estreitamente ligado à racionalização do processo de produção, pois além de constituir a estrutura do edifício, constitui ao mesmo tempo a sua vedação vertical, o que proporciona elevada produtividade para a execução do edifício. Na execução da armação são utilizadas telas soldadas, pois além da rapidez e agilidade adquirida com sua utilização, pretende-se eliminar as perdas, pois as telas são fabricadas sobre medida. Os aços são cortados e dobrados de acordo com o especificado em projeto, por máquinas apropriadas (maior rapidez), iniciando a preparação para a montagem da armadura.(Manual Sistema Constrtutivo Painel Portante, v.1) Atualmente, o serviço de corte e dobra de aço já pode ser encontrado industrialmente por empresas especializadas, eliminando desperdícios de material (perda zero) e conseqüentemente, economia de custos. Com a utilização de aço cortado e dobrado eliminamos os passos corta e dobra, demonstrados na Figura 10, passos onde há maior desperdício de materiais. Figura 10: Fluxograma de produção das armaduras (BARROS; MELHADO, 1998). As telas são unidas por espaçadores, em geral material plástico com dupla função - distanciar as telas e garantir o recobrimento da mesma (vide Figura 11). 38 Em seguida, os aços previamente preparados vão sendo amarrados nas telas, tanto os de reforços estruturais como os de içamentos e soldas. A ligação entre barras de aço, estribos e telas, é feita através da utilização de arame recozido. Figura 11: Espaçadores plásticos utilizados em painéis (2006) Alguns detalhes ficam para o instante em que a armadura é colocada na fôrma, adaptando-se aos testeiros, que são anteparos colocados na forma para definição das arestas de canto do painel antes do seu fechamento. Dois problemas fundamentais devem ser evitados: falta do cobrimento de concreto especificado (normalmente da ordem de 20mm para concretos convencionais) e o posicionamento incorreto da armadura definido no projeto. Daí torna-se necessário observar a correta utilização dos espaçadores, garantindo uma maior durabilidade da peça. As figuras 12 e 13 apresentam detalhe da montagem da armação focando a utilização de espaçadores (Figura 12) e dos aços para soldas e içamento dos painéis (Figura 13). 39 Figura 12: Detalhe da montagem das telas unidas por espaçadores (2006). a) a) a) b) Figura 13: Detalhes dos aços: a) para soldas; b) para desforma (2008). Ainda nesta etapa, são introduzidas as instalações elétricas e telefônicas, a fim de eliminar futuros recortes nos painéis e conseqüentemente retrabalhos. Os eletrodutos, as caixas para interruptores, tomadas e disjuntores, são fixados na armadura com arames recozidos e ficam embutidas no concreto, reduzindo maiores custos com mão-de-obra na montagem da estrutura, conforme pode ser observado na Figura 14. 40 As instalações hidro-sanitárias não são embutidas como as elétricas, pois necessitam de manutenção durante a vida útil. Para isso, existem espaços nos painéis e nas pré-lajes (negativos), facilitando o trabalho dos instaladores. Também é utilizado shaft´s para passagem das tubulações. Figura 14: Armação do painel com instalação elétrica. (2008). 4.4 CONCRETAGEM DOS PAINÉIS As características do concreto utilizado nos painéis são especificadas em projeto quanto à resistência à compressão, abatimento e cobrimentos das armaduras. No caso do empreendimento estudado a resistência característica do concreto é de 25 MPa e o abatimento é de (200±20) mm, para a concretagem dos painéis e pré-lajes, pois necessitam de um concreto bem fluido, sobretudo na utilização da bateria. As etapas de execução do concreto vão desde a caracterização e armazenamentos dos materiais componentes (cimento,areia,brita,água), estudo de dosagem, ajustes e comprovação do traço até o preparo, que pode ser na obra ou em empresas especializadas. No primeiro caso, o proprietário ou alguém designado por ele é o responsável. No segundo caso, a central dosadora (concreteira) é quem assume toda a responsabilidade pela execução. 41 De uma forma ou de outra, o importante é que o concreto seja preparado, controlado e recebido seguindo recomendações da NBR 12655/2005, a qual fixa as condições exigíveis, destinado à execução de estruturas de concreto. Para ensaios de comprovação, antes do seu lançamento, é medido o abatimento e retirado amostras, constituídas de quatro corpos de prova cilíndricos para futuros ensaios de resistência à compressão. O primeiro define a resistência mínima para içamento, que deve ser de 6MPa com aproximadamente 16 horas. O segundo, prevendo o comportamento, é feito aos 07 dias, devendo atingir cerca de 80% do solicitado. Os dois últimos ensaios, são feitos aos 28 dias, onde deverá apresentar a resistência à compressão definida no projeto, os ensaios de compressão são realizados segundo a NBR-5739, Concreto – Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos. Após a colocação das armaduras nas fôrmas devidamente conferidas por profissionais capacitados, as medidas da bateria são verificadas para não haver diferença na dimensão do painel, conforme Figura 15. Figura 15: Verificação da dimensão da bateria. (2008). Depois o concreto é transportado e lançado com o auxílio de equipamentos como gruas, pórticos ou guinchos, começando todo o processo de concretagem, conforme Figura 16. 42 Figura 16: Concretagem do painel em fôrma horizontal. (2008). Após o lançamento do concreto, faz-se o processo de adensamento, com vibradores e mangotes tipo agulha, que são introduzidos no concreto com o objetivo de adensar o concreto, deixando-o com melhor acabamento e evitando nichos de concretagem, visto nas figuras 17 e 18. Figura 17: Adensamento do concreto com vibrador tipo agulha (2008) 43 Figura 18: Concretagem e adensamento em fôrma vertical. (2006) No caso da execução das pré-lajes, após a concretagem da peça, quando o concreto está começando a dar pega (endurecendo), passa-se uma espécie de rolo para que o complemento da laje feito “in loco” tenha maior aderência. Podemos observar na figura 19. Figura 19: Rolo para criar aderência na pré laje. (2008) 44 4.5 IÇAMENTO, CURA E TRANSPORTE DOS PAINÉIS Os painéis para serem retirados das fôrmas (içados), necessitam de no mínimo, 6MPa de resistência à compressão do concreto, suficientes para suportar seu peso próprio em dois pontos para fôrmas verticais e quatro ou seis nas horizontais. Esta resistência é medida em laboratório com o primeiro corpo-deprova previamente preparado no recebimento do concreto. O içamento é efetuado após autorização do técnico especializado (Figura 20). . Figura 20: Desforma de pré-laje (2008). Após a retirada dos painéis das fôrmas (vide figura 21), os mesmos são identificados com o tipo e data, para um controle de rastreabilidade do concreto. Daí são encaminhados para as áreas de estocagem, onde são mantidos úmidos, mantendo o processo de cura já iniciado nas fôrmas. É importante que os painéis não sofram nenhum tipo de impacto, evitando que apareçam fissuras, trincas ou quebra das arestas, comprometendo a qualidade dos mesmos. 45 Figura 21: Desforma de painel em fôrma vertical. Com aproximadamente sete dias, as peças já atingem mais de 80% da sua resistência final (esperada aos 28 dias), podendo ser transportadas para os locais de montagem em caminhões devidamente equipados com cavaletes metálicos (vide figura 22). Os painéis são distribuídos nestes transportes de forma semelhante, levando em consideração o seu peso. Figura 22: Painel sendo transportado 46 4.6 MONTAGEM DE PAINÉIS Com os painéis já estocados nos locais pré-determinados para a montagem e feita a marcação dos eixos da edificação e das posições finais dos painéis com riscos feitos no piso, inicia-se, então, o processo de montagem. Os painéis são erguidos com o auxílio de gruas ou guinchos e cabos de aço pré-dimensionados para a carga máxima das peças. Os painéis são colocados na posição correta, sobre uma camada de argamassa, para nivelar e distribuir os esforços, com dois centímetros de altura e largura igual ao do painel, alinhados, aprumados e devidamente escorados, para então serem unidos uns aos outros com solda elétrica nos ganchos que ficaram expostos ao concreto. Em cada pavimento montado, o auxílio de serviços topográficos é indispensável para um perfeito posicionamento da edificação e de seus eixos, pois um painel desse porte assentado fora do eixo previsto acarretará grandes esforços na edificação, muitas vezes não calculados. Logo após os painéis são assentados observando os espaçamentos entre eles, sendo utilizados escoras e gabaritos para a execução deste serviço(vide figura 23). . Figura 23: Painel montado e escorado. 47 Após o posicionamento de todos os painéis do pavimento, os espaços gerados entre painéis são preenchidos com graute, que é um concreto com alto grau de resistência e bastante fluido, garantindo uma boa aderência nos painéis (vide figura 24). Figura 24: Grauteamento entre painéis. Após a montagem do pavimento, sua fachada, assim como seu interior estão preparados após a execução do tratamento das juntas, para receber acabamento final. A aplicação de cerâmica, massa corrida, tinta e textura são feitas diretamente no painel, sem a utilização de qualquer tipo de argamassa. A Figura 25 retrata um detalhe de uma edificação montada. Figura 25: Edificação montada. 48 Sob a ótica da construção enxuta, alguns princípios são aplicados no sistema de painéis estruturais pré-moldados em concreto armado, como, principalmente: Redução da parcela de atividades que não agregam valor; Reduzir a variabilidade; Simplificar reduzindo o número de passos, partes e ligações; Introduzir a melhoria contínua no processo; 49 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS A escolha de um método construtivo com componentes pré-fabricados, no caso específico deste trabalho, de painéis pré-moldados em concreto armado, geralmente ocorre porque o construtor está em busca de velocidade de execução, de racionalização do processo, da melhora na qualidade do produto e do processo, e, conseqüentemente, do incremento dos níveis de industrialização. Atualmente o mercado impõe, cada vez mais, obras com prazos de execução curtos, com isso devemos cada vez mais estar à procura de novos e práticos métodos construtivos que nos atendam tanto financeiramente, quanto em rapidez. O método construtivo é muito prático, que oferece inúmeras vantagens. Dentre as quais podemos citar: Controle de qualidade; Segurança do trabalho; Baixos custos de manutenção; Facilidade de planejamento e controle de tempos; Menor tempo de execução Dessas vantagens a que mais se destaca é o menor tempo de execução. Com o uso de equipes reduzidas e com menor tempo de execução, conseguimos reduzir passos, que é um dos princípios da construção enxuta. 50 Os painéis estruturais em estudo devem ter uma atenção especial quanto à sua fabricação. Os painéis transmitem todas as cargas para as fundações, sendo sua execução de uma grande responsabilidade, devendo existir um controle de todas as etapas da sua fabricação, bem como seu transporte e montagem final. Assim, buscam-se intensamente novas alternativas para o crescimento e desenvolvimento da construção civil, tornando-a mais racionalizada, com menores custos, facilitando a competitividade no mercado industrial. Como todo processo, este também tem suas desvantagens: Alto investimento inicial para aquisição de máquinas e equipamentos como gruas e fôrmas metálicas; Necessidade de grandes espaços para concretagens e estocagem; Impossibilidade de alteração do lay-out da edificação para reformas; Necessidade de capacitação de profissionais de projetos e de execução. Para o desenvolvimento de futuros trabalhos sugere-se: Estudo de outros métodos de construção industrializados, comparando com o método tradicional. Avaliação da segurança do trabalho em obras que utilizam o sistema construtivo painéis estruturais em concreto armado, em função da equipe reduzida necessária para execução dos serviços. Utilização de aditivos no concreto para melhorar o conforto térmico em edificações que utilizam o sistema construtivo painéis estruturais em concreto armado. 51 REFERÊNCIAS ANDRIOLO, F.R. Construções de concreto: Manual de prática para controle e execução. São Paulo: Pini, 1984. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (1994). NBR-5739 Concreto - Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2005). NBR-12655 Concreto - Preparo, controle e recebimento. BARROS, Mercia Maria S. Bottura; MELHADO, Silvio Burrattino. Recomendações para a produção de estruturas de concreto armado em edifícios. Projeto EPUSP/SENAI. São Paulo, 1998. BARROS, M.M.S.B. O desafio da implantação de inovações tecnológicas no sistema produtivo das empresas construturas. In: Tecnologia e gestão na produção de edifícios: seminário vedações verticais. Anais... São Paulo: EPUSP, 1998a. p. 249 – 285. CARDOSO, F.F. 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