Prazer e Sofrimento no Trabalho: estudo sobre os motoristas de uma empresa de ônibus da cidade de Belo Horizonte Dirce Santana de Lima [email protected] FNH Fernando Coutinho Garcia [email protected] FNH Christian Moisés Tomaz [email protected] FNH Resumo:Com base nos referenciais teóricos da psicodinâmica do trabalho, este artigo descreve e analisa a percepção dos motoristas de uma empresa de ônibus de Belo Horizonte sobre suas vivências com relação ao prazer e sofrimento em seu trabalho. Para a coleta dos dados, foi realizado um estudo de caso, de abordagem qualitativa e caráter descritivo com dez motoristas de ônibus, aplicou-se a eles uma entrevista semiestruturada, gravada e transcrita, a fim de realizar a análise de conteúdo à luz de Bardin (2009). Os resultados evidenciaram mais momentos de sofrimento do que prazer, configurados pelo sentimento de insegurança em relação aos assaltos que já aconteceram e os que porventura venham acontecer. A falta de reconhecimento pelo esforço profissional, falta de valorização pelo desempenho e o fato de os passageiros tratarem o motorista como ninguém. Palavras Chave: Prazer - Sofrimento - Motoristas - Reconhecimento - Valor 1. INTRODUÇÃO O exercício do trabalho faz parte do crescimento do ser humano, incidindo diretamente em seu autoconhecimento, nas relações interpessoais, no intelecto, em sua qualidade de vida e em suas movimentações financeiras. Enfim, faz parte do desenvolvimento e da sobrevivência do ser humano, além de ser fonte de prazer. Tem-se, portanto, que o trabalho está presente em toda a existência do ser humano (MARTINS; OLIVEIRA, 2012), atuando na construção de sua identidade, podendo ser considerado como um de seus mais importantes valores (ARAUJO; SACHUK, 2007). A psicodinâmica do trabalho estuda como as relações de prazer e sofrimento vivenciadas pelo indivíduo, afetam seu comportamento, bem como seu relacionamento social no trabalho (FERREIRA; MENDES, 2003). É uma disciplina teórica, a partir da qual os resultados da investigação clínica e os decorrentes da teoria do sujeito abrangem a psicanálise e a teoria social (DEJOURS, 1994). Esta disciplina focaliza o significado do prazersofrimento e a análise das estratégias individuais e coletivas que os trabalhadores utilizam para obter saúde ocupacional (DEJOURS, 1994; FERREIRA, MENDES, 2003; MERLO, 2006). Conforme Ferreira e Mendes (2001), o prazer no trabalho pode ser entendido como o resultado dos sentimentos de utilidade e produtividade. Nesta esteira, pode-se inferir que é indissociável dos sentimentos de valorização e de reconhecimento. Ele é vivenciado quando o sujeito se dá conta de que o trabalho que desenvolve é expressivo e importante tanto em seu ambiente profissional quanto em sua vida social, ou seja, quando em seu círculo social seu status é tão elevado quanto o trabalho que exerce e quando este sujeito apresenta um diferencial na consecução do seu trabalho. Neste artigo se voltam as atenções para o caso dos motoristas de ônibus, que Vasconcelos et al. (2009) afirmam que seu bem-estar e a saúde são fundamentais, uma vez que erros provenientes do elevado índice de estresse que enfrentam podem originar acidentes que colocam em risco a vida não somente deles, mas também de inúmeras pessoas. Neste estudo, analisou também o contexto de trabalho dos motoristas de ônibus urbano, que, em seu cotidiano, são expostos a inúmeros fatores que provocam adoecimento, sendo que alguns deles são inerentes ao próprio ambiente, como, poluição sonora (causada por buzinas no trânsito e pelo alarde sonoro acionado pelo passageiro que indica ao motorista o ponto de desembarque, sendo este o mais frequente); poluição atmosférica, proveniente da fumaça dos veículos automotores; temperatura elevada no interior dos coletivos, que, em sua maioria, não possuem aparelhos condicionadores de ar; e excessiva exposição ao sol, que pode causar câncer de pele, entre outras doenças (BAHIA; MONTEIRO, 2013). Em face da periculosidade a que estão expostos, estes trabalhadores apresentam sintomas de desmotivação para com o trabalho. Existem também: estresse, depressão, e sofrimento mental. Caracteriza-se assim, como um trabalho penoso (SILVA, 2001), resultando esta condição de precariedade do trabalho na agudização do sofrimento e dos conflitos deste trabalhador. Diante do exposto, a pesquisa apresenta um problema a ser investigado por meio do seguinte questionamento: como os motoristas de ônibus vivenciam o prazer e o sofrimento no trabalho? Para responder à pergunta colocou-se como objetivo descrever e analisar a percepção dos motoristas de uma empresa de ônibus de Belo Horizonte (MG), sobre suas vivências com relação ao prazer e sofrimento em seu trabalho. Justifica-se a realização desta pesquisa sob o ponto de vista acadêmico, por possibilitar a ampliação da abordagem sobre a temática, contribuindo para o desenvolvimento e evolução de estudos sobre prazer e sofrimento no trabalho. Sob a ótica organizacional, este estudo tem relevância, pois possibilita, a partir da análise das informações levantadas pelo estudo com os sujeitos de pesquisa, de que os resultados podem contribuir para que a alta administração da empresa pesquisada possa adotar políticas de gestão de pessoas inovadoras para auxiliar esses profissionais nas práticas de prazer e minimizar seu sofrimento. No âmbito social, este estudo justifica-se por saber que os motoristas de ônibus urbano desempenham um papel profissional de relevância social, e por isso a identificação dos fatores relacionados às condições de saúde física, psíquica desses profissionais deve ser considerada. Com base nos resultados obtidos, os gestores terão a possibilidade de intervir contribuindo para busca de práticas que possam trazer melhorias efetivas para o bem-estar dos motoristas e da população, uma vez que a atribuição conferida a eles é de propiciar à comunidade de Belo Horizonte um serviço de qualidade. 2. REFERENCIAL TEÓRICO O referencial teórico deste artigo discorre sobre os seguintes aspectos: as dimensões do trabalho: dimensão centralidade na vida humana; a Psicodinâmica do Trabalho; o prazer e o sofrimento no trabalho; as estratégias de defesa para lidar com esse sofrimento e estudos sobre a saúde dos motoristas de ônibus. 2.1 AS DIMENSÕES DO TRABALHO: DIMENSÃO E CENTRALIDADE NA VIDA HUMANA Para Marx (1989) por meio do trabalho que o homem “põe em movimento as forças de que seu corpo é dotado a fim de assimilar a matéria, dando-lhe uma forma útil à vida”. De acordo com Leontiev (1978) o trabalho constitui-se em uma dinâmica que uni o homem à natureza, o método de atuação do homem sobre a natureza. Morin, Tonelli e Pliopas (2003) propuseram uma classificação dos sentidos do trabalho em três dimensões: individual, organizacional e social. A primeira trata do trabalho que entra em choque com os valores pessoais, assim como o que não proporciona reconhecimento ao trabalhador, atuando no equilíbrio do trabalhador, sendo fonte de sofrimento, e o indivíduo perde o sentido do trabalho. A segunda pressupõe que o trabalho tem sentido se o seu produto tem alguma utilidade para a organização e se existe a percepção do todo, do processo produtivo, do início ao fim. Assim, importam as características que aparecem atreladas ao aspecto organizacional, como aquelas que dão sentido ao trabalho: a autonomia, a criatividade e as relações interpessoais positivas e construtivas (MORIN; TONELLI; PLIOPAS, 2003). Nessa mesma linha, Toledo (2006) considera o trabalho não apenas como o meio para a satisfação das necessidades econômicas, mas também constitui uma forma de satisfação pessoal de ter realizado algo bem feito. A terceira exprime que o trabalho é capaz de colaborar com o desenvolvimento social em geral, beneficiando outras pessoas, o que faz com que ele adquira relevância e sentido (MORIN; TONELLI; PLIOPAS, 2003). Antunes (1995) e Oliveira (2008) possuem a mesma percepção sobre a compreensão das dimensões concretas e abstratas do trabalho. Entendem que na dimensão concreta o trabalho tido como criador de valor de uso da mercadoria se concretiza no trabalho que satisfaz a necessidade do homem, na medida em que traz prazer resultante da realização daquilo que se espera ou do se deseja. Oliveira (2008) aduz que a segunda dimensão é resultado das particularidades do trabalho no processo produtivo, quando parte da eliminação dessas particularidades, diminuindo o desprendimento de energia física e psíquica do trabalhador na produção do valor de troca da mercadoria. A centralidade do trabalho é observada por Mendes e Cruz (2004) quando argumentam que é o ponto principal para contemplar as realizações na vida do indivíduo, com consequências contrárias, que podem ocorrer com a integridade física, social e psíquica dos trabalhadores. Dessa forma, o trabalho constitui a identidade do trabalhador e assume papel importante para a saúde, mas também contribui para o adoecimento do indivíduo, pois existem práticas corporativas que levam ao sofrimento humano no trabalho. No saber de Dejours (2007, p. 21), “o trabalho continua sendo um mediador insubstituível da realização pessoal no campo social”. A centralidade do trabalho na vida humana não é passível de questionamento, pois é pelo trabalho que o sujeito adquire uma segunda chance para subsidiar sua saúde psíquica e para fomentar o processo de constituição de sua identidade. Mendes (2008) entende que no contexto da sociedade capitalista contemporânea existem inúmeros sentidos para os trabalhadores, apresentando dualidades do tipo: por vezes emancipa, por vezes escraviza. Os trabalhadores vivenciam psiquicamente os domínios sociais. Fatores do tipo economia, produtividade, consumo e flexibilização conduzem os trabalhadores a um estado de encurralamento; ou seja, ficam inertes e não buscam a sua emancipação. 2.2 PSICODINÂMICA DO TRABALHO A psicodinâmica do trabalho propõe uma abordagem além da teoria e da pesquisa, sendo também um modo de ação na organização do trabalho. É objeto da psicodinâmica do trabalho o estudo das relações dinâmicas entre organização do trabalho e processos de subjetivação, que se manifestam nas vivências de prazer e sofrimento, em estratégias que sinalizam incoerências no ambiente de trabalho, doenças na sociedade e aspectos envolvendo adoecimento e saúde no trabalho (MENDES, 2003). O objetivo da psicodinâmica do trabalho, de acordo com Dejours e Jayet (1994), consiste em compreender as atitudes, os procedimentos ou comportamentos e as vivências de prazer e de sofrimento por parte do trabalhador, além das relações sociais de trabalho. Conforme Mendes (2007), a evolução dos estudos da psicodinâmica do trabalho apresenta três fases. A primeira é marcada com a publicação da obra de Dejours, em 1980, intitulada “A loucura do trabalho: estudos da psicopatologia do trabalho”, cujo tema central corresponde à origem do sofrimento do indivíduo trabalhador no contexto da organização do trabalho. Na perspectiva de Mendes (2008), utiliza-se da psicodinâmica do trabalho como abordagem teórica para explicar o prazer e o reconhecimento dos investimentos afetivos físicos e cognitivos feitos pelo sujeito/trabalhador, sendo o reconhecimento aqui considerado como o sentimento de ser aceito e admirado no trabalho, bem como o poder expressar livremente sua individualidade, sendo que a organização do trabalho é elemento central para o desenvolvimento das ações e/ou dinâmicas que visam sanar as dificuldades que se apresentarem. A autora coloca em evidência tais dimensões da condição humana, produzindo um “jogo de forças contraditórias que operam sobre o trabalhador, levando-o às mais diversas soluções de compromissos” (MENDES, 2008, p. 13). Dejours e Jayet (1994) postulam que as atitudes transformadoras têm início a partir da escuta médica do sofrimento, envolvendo os próprios trabalhadores. Ao iniciarem suas atividades no ambiente do trabalho, eles já percorreram uma trajetória de vida que atesta a cada um características pessoais e exclusivas. Para Dejours, Abdoucheli e Jayet (1994), a transformação de um trabalho que traz fadiga pode proporcionar equilíbrio, e isso é possível quando se faz uma intervenção na organização do trabalho, nas principais categorias observados pela psicodinâmica, a saber: organização do trabalho, condições de trabalho e relações de trabalho. Sob o ponto de vista de Dejours (1994), a conjuntura do trabalho exerce influência no prazer e no sofrimento. Ela compõe a subjetividade. São competências da organização do trabalho: a divisão de trabalho, a aplicação das regras formais, o espaço de tempo que se destina ao trabalho, o controle e ritmo, o resultado esperado entre a relação do que é produzido e os meios aplicados na produção. 2.3 PRAZER E SOFRIMENTO NO TRABALHO Segundo Dejours (1994), o prazer remete a uma atividade que deve ser cumprida com êxito, ao mesmo tempo em que o empregado tem certa autonomia para exercer e executar suas funções. No entendimento de Prado (1998), o que se assemelha ao prazer é aquele sentimento quando algo de bom acontece (ou irá acontecer). Salienta-se que o trabalho é mais prazeroso quando as oportunidades e o local de trabalho estão adequados e apresentam conciliação com a determinação e o conhecimento do trabalhador (TAMAYO, 2004). Em conformidade com Ferreira e Mendes (2001), o prazer apresenta-se como o resultado dos sentimentos de utilidade e produtividade. É indissociável dos sentimentos de valorização e de reconhecimento. É vivenciado quando o sujeito se dá conta de que o trabalho que desenvolve é expressivo e importante tanto para a organização quanto para a sociedade. E, também, quando o indivíduo é aceito e admirado pelo que realiza e quando o trabalho se constitui em um modo de deixar sua marca pessoal, não sendo encarado como uma máquina ou um simples objeto. Toledo (2006) considera o trabalho como fonte de prazer quando, além da satisfação da necessidade econômica, há uma satisfação ao ideal de ego de fazer algo bem feito, de deixar sua marca. A autora concorda com Ferreira e Mendes (2001), no sentido de que quando o indivíduo encontra significado no trabalho torna-se motivado para crescer com a organização, sente-se reconhecido e fortalece a sua identidade. Lopes et al. (2012) assinalam que o fato de ser reconhecido, ser resolutivo, trabalhar junto aos pares e usar a criatividade demonstra haver prazer no trabalho. Além disso, possibilidade de construção de identidade e de autorrealização, valorização, felicidade, realização, reconhecimento, orgulho, aprendizado, desafio e interação social também são fatores que sinalizam a existência do prazer no trabalho (LOURENÇO; FERREIRA; BRITO, 2013), além de crescimento pessoal e profissional (SANTOS et al., 2013). Lourenço, Ferreira e Brito (2013) salientam que o trabalho, do ponto de vista do prazer, refere-se à dimensão positiva, relacionada à possibilidade de construção, de identidade e de autorealização. Os autores objetivam compreender o significado do trabalho para uma executiva cuja atuação profissional relaciona-se à certificação de qualidade. Ressalta-se que em sua trajetória profissional novos significados foram acrescentados, sobretudo na dimensão do prazer, cujos aspectos norteadores foram: sentimentos como valorização, reconhecimento, aprendizado, felicidade, orgulho, desafio, interação social e realização. O sofrimento designa o campo que separa a doença da saúde. Às vezes, entre o indivíduo e a organização prescrita para a realização do trabalho existe um espaço de liberdade, que autoriza uma negociação. Quando essa negociação é conduzida a seu último limite, a relação indivíduo-organização do trabalho fica bloqueada. Começa então, o domínio do sofrimento e a luta contra o sofrimento, que, normalmente está associado à doença. Ou seja, os sintomas físicos refletem questões emocionais (DEJOURS, 1988). Nesse arcabouço, Mendes (1999) inclui rigidez hierárquica, ausência de participação nas decisões, divisão e padronização das tarefas, falta de reconhecimento profissional, e a pouca expectativa em relação ao crescimento profissional, estimulando transtornos psíquicos e psicossomáticos, gerando sofrimento constante e não existindo alternativas de negociação entre o indivíduo e a realidade. As vivências de sofrimento no trabalho aparecem associadas à divisão e à padronização de atividades que utilizam a criatividade e potencialidades técnicas, hierarquias rígidas e excesso de burocracia, centralização de informações, falta de participação nas decisões, o não reconhecimento e limitada expectativa relacionada ao crescimento profissional. O sofrimento pode deixar ocorrer desgaste no trabalho, refletindo cansaço e, consequentemente, desânimo e descontentamento com o trabalho MENDES E TAMAYO (2002). A organização pode exercer influência no modo de pensar do trabalhador. Não havendo sintonia entre a organização e o trabalhador no que diz respeito a suas particularidades, surge o sofrimento, que se instala no psíquico do sujeito. Segundo Dejours (1980), o sofrimento tem seu nascedouro quando o sujeito não consegue ter domínio sobre sua tarefa para torná-la agradável e confortável materialmente e, em virtude disso, atender seus anseios psicológicos. “O trabalho transforma-se em algo perigoso para o funcionamento da mente quando ele contraria a sua desprendida função” (DEJOURS,1994, p. 24). 2.4 ESTRATÉGIAS DE DEFESA PARA LIDAR COM O SOFRIMENTO NO TRABALHO Um dos mecanismos de defesa está relacionado à função da inteligência dos trabalhadores na construção da identidade no trabalho. Sabe-se que a psicodinâmica do trabalho possibilitou o entendimento de que não era apenas o indivíduo o único responsável pelas consequências da atividade de trabalho que incidia em sua saúde (DEJOURS, 1988). Conformismo, negação de perigo, agressividade, individualismo e passividade são consideradas por Dejours (1987) como formas de enfrentamento contra o sofrimento e são empregadas pelos trabalhadores para realizar o trabalho prescrito. Tais estratégias propiciam a proteção do sofrimento quanto a conservação do equilíbrio psíquico, uma vez que possibilitam o enfrentamento das situações causadoras do sofrimento. Dejours (2007) salienta que os indivíduos reagem às vivências de prazer e sofrimento no trabalho de acordo com a sua capacidade psíquica. Por meio da sua energia psíquica e com o objetivo de evitar a doença, eles buscam o prazer. Portanto, pode-se inferir que a busca pelo prazer, no contexto do trabalho, com o intuito de evitar a doença, é considerada também uma estratégia de defesa. Sob o ponto de vista da problemática psicossocial do trabalho, Almeida (2002) corrobora com Mendes (1996) ao apontar como principais estratégias: a racionalização, a passividade e o individualismo. Para Almeida (2002), tais estratégias de defesa são utilizadas, porque permitem ao trabalhador, manter, o equilíbrio psíquico e, ao mesmo tempo, favorecem a alienação das causas advindas do sofrimento, dificultando, assim, o processo de mudança das situações de trabalho. Manifestam-se como estratégias defensivas os comportamentos de afastamento psicoafetivo e profissional do grupo de trabalho, assim como, abdicação, ceticismo, repúdio à participação, desprezo e indiferença (DEJOURS; ABDOUCHELI; JAYET, 1994). As estratégias de defesa são instaladas a partir do momento em que os trabalhadores não podem ou não conseguem utilizar o processo de mobilização subjetiva, seja por limitações de sua própria personalidade, seja por determinações do modelo de sistematização do trabalho (MENDES, 1995). 2.5 ESTUDOS SOBRE A SAÚDE DOS MOTORISTAS DE ÔNIBUS Fernandes et al. (2006), em seus estudos sobre a saúde e trabalho, apontam o desgaste físico e mental na saúde do trabalhador em geral como o principal causador de acidentes, por produzir esgotamento, fadiga, traumas, depressões e diversos tipos de sensação de mal-estar. O excesso de carga de trabalho ocasionado por horas fatigantes de trabalho compromete as articulações dos motoristas de ônibus, resultando em problemas com os músculos e tendões. A sobrecarga dos braços, troncos e pernas causa transtornos musculoesqueléticos, podendo resultar em dano permanente, que o leva ao afastamento do trabalho. Santos (2008) assinala que os motoristas de ônibus são os que mais adoecem e que mais morrem. Segundo ele, as doenças mentais mais comuns nos hospitais psiquiátricos dessa classe de profissionais são: transtornos do humor, psicoses e quadros paranoides, além de outros distúrbios psiquiátricos menores, bem como elevados índices de suicídio. Existem outros agentes desencadeadores do processo de adoecimento do corpo e da mente como o estresse e a fadiga. Considera-se que o estresse é um acontecimento emocional negativo, que ocasionado o desgaste físico e mental, englobando em si medo, a tensão, sentimento de raiva, falta de iniciativa e fadiga, principal aliada do estresse. Tais agentes podem causar tumores malignos e distúrbios mentais, como a depressão, que pode levar ao suicídio (SILVA et al.,1986). Silva et al. (1986) também discorrem sobre o tema e defendem a correlação do adoecimento com o excesso de carga de trabalho, a sistematização das fontes de tensão e as condições ambientais e organizacionais do trabalho. Ressaltam que as más condições no ambiente de trabalho, e a falta de organização nas empresas propiciam a 'desestabilização' do empregado, contribuindo para o adoecimento. Dessa forma, o trabalhador pode entrar em fadiga, num processo de cansaço geral, que pode desencadear vários sinais, como: distúrbios do sono, dores de cabeça, mal-estar, desânimo e isolamento social. Diante disso, o trabalhador está sujeito à depressão e ou ao alcoolismo, podendo comprometer o raciocínio e a atenção, bem como suas relações interpessoais. O motorista de ônibus urbano, por trabalhar em ambiente aberto e ter contato direto com as pessoas, o trânsito intenso, assentos que não são adequados ergonomicamente, vandalismo, veículo deficitário e exposição a componentes como gases tóxicos, que podem causar danos à saúde, desgaste físico e psíquico na prática de sua atividade de trabalho, entre outros, tem uma saúde que difere da de outros trabalhadores que trabalham em um ambiente fechado (BATTISTON; CRUZ; HOFFMANN, 2006). Segundo Macedo (2010), o trânsito se constitui em um dos grandes complicadores da vida desses profissionais, além de ser um agente estressor na vida de qualquer pessoa habilitada para dirigir. Quanto às variáveis relativas ao trânsito em si, também se revelaram como possíveis fontes de pressão no trabalho. Por fim, como estratégias de combate ao estresse, a pesquisa revelou que os motoristas se utilizam da racionalização e do apoio social para enfrentar as pressões do trabalho (MENDES; MORAES, 2001). Balbinot, Zaro e Timm (2011) pesquisaram as funções psicológicas e cognitivas que os motoristas, em geral, utilizam para conduzir suas implicações para a segurança do trânsito. Os autores indicaram as estatísticas preocupantes de acidentes de trânsito (que matam pessoas todos os dias) e destacaram a percepção da necessidade de investimento e pesquisa nesta área. Dirigir um carro envolve a estimulação cognitiva múltipla e comportamento do condutor, sendo uma atividade complexa que, muitas vezes, não é compreendida em todas as suas dimensões. Apontaram também para os preditores de comportamentos de risco e sua relevância para corroborar a eficácia de intervenções preventivas no trânsito. 3. METODOLOGIA Para a realização da pesquisa, optou-se por um estudo de caso (YIN, 2010) quanto à abordagem, a pesquisa foi qualitativa, (ALVES-MAZZOTTI E GEWANDSZNAJDER, 1999) em relação aos fins, a pesquisa caracteriza-se como descritiva, (TRIVIÑOS, 1987), com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a percepção dos motoristas de uma empresa de ônibus da cidade de Belo Horizonte. O estudo teve como unidade de análise uma empresa de transporte coletivo urbano de ônibus localizada na cidade de Belo Horizonte, e os sujeitos de pesquisa foram dez motoristas de ônibus, que foram escolhidos pelos critérios de disponibilidade e acessibilidade. Os dados foram coletados, através de um roteiro de entrevista semiestruturada utilizando-se as dimensões do Inventário sobre o Trabalho e Risco de Adoecimento-ITRA, de Mendes e Ferreira (2007), o qual foi adaptado para a abordagem da pesquisa, apresentando as seguintes categorias: contexto do trabalho; condições do trabalho; sentido do trabalho; e danos decorrentes do trabalho. Foram acrescidas da dimensão associada às estratégias para lidar com o sofrimento no trabalho. As entrevistas foram gravadas e transcritas conforme o roteiro em que se apoiou e agrupados de acordo com as categorias do ITRA acrescida da categoria estratégias para mediar o sofrimento no trabalho. Fez-se a organização sistemática dos dados, a tabulação e a categorização temática, releitura, análise e interpretação. 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS O perfil dos motoristas de ônibus que participaram da pesquisa observa-se na Tabela 1. Tabela 1: Perfil dos motoristas de ônibus urbano E2 Viúvo 34 BH E3 Solteiro 37 BH E4 Casado 31 BH E5 Casado 45 BH E6 Casado 50 BH E7 Casado 34 BH E8 Casado 44 BH E9 Casado 49 BH E10 Solteiro 37 Sta Luzia 1º Grau incompleto 2º Grau completo 2º Grau completo 1º Grau incompleto 2º Grau completo 2º Grau completo Primário completo 1º Grau incompleto 2º Grau completo 1 ano e 6 meses 1 ano e 6 meses 1 ano e 6 meses 02 anos 2 anos 08 meses 4 anos e meio 15 anos 33 anos 33 anos 5 anos 5 anos 8 anos 6 anos 8 dias 20 anos 2 anos e 5 meses 5 anos Tabela 2: Categorias e subcategorias do conteúdo das entrevistas Categoria Contexto do trabalho Organização do trabalho Subcategoria O dia de trabalho é estressante e desgastante. Condição do trabalho Relações socioprofissionais Custos do trabalho Custo físico Custo cognitivo Custo afetivo Sentido do trabalho Vivências de prazer Vivências de sofrimento Estratégias para lidar com o sofrimento no trabalho Sem condições de segurança, assaltos com arma de fogo. Bom relacionamento com os colegas Subcategoria Esforço físico em demasia dos braços, pernas e pés. Procuram manter a calma no trabalho Já foram assediados inúmeras vezes no trabalho Subcategoria Identificam com o que fazem e sentem-se motivados Sentimentos de insegurança em relação aos assaltos Subcategoria Ficam próximos à família Subcategoria Não desenvolveram nenhuma lesão em razão do Danos físicos trabalho Danos psicossociais Não possuem vida social A Tabela 2 exibe as categorias e subcategorias que emergiram dos depoimentos dos entrevistados. Os principais aspectos que caracterizam a “organização do trabalho” uma das subcategorias que se destacaram diz respeito de como é um dia de trabalho do motorista urbano. Os depoimentos dos entrevistados destacam o dia de trabalho estressante, desgastante, que o tempo disponível para a realização do percurso na maioria das vezes é muito apertado. Os relatos ajudam a perceber o contexto apresentado. Com relação ao ritmo do trabalho diário do motorista urbano, o relato de cinco entrevistados revelou que a rotina é estressante. Três a descrevem como normal e dois consideraram o ritmo de trabalho relativo. [...] é desgastante, né, ritmo acelerado [...] às vezes, eu chego e já tou saindo. Do jeito que tá, a gente mal, mal vai ao banheiro. De acordo com o trânsito de Belo Horizonte [...] não dá tempo nem de tomar água (E1). Ah [...] muito estressante, entendeu?. Eu chego em casa, eu tenho até vontade de deixar esse ônibus e ir embora (E4). Sob o ponto de vista de Dejours (1994), a conjuntura do trabalho exerce influência no prazer e no sofrimento. Ela compõe a subjetividade. São competências da organização do trabalho: a divisão de trabalho, a aplicação das regras formais, o espaço de tempo que se destina ao trabalho, o controle e ritmo; enfim o resultado esperado entre o que é produzido e os meios aplicados na produção. No contexto com relação às “condições do trabalho” ao prazer no trabalho, seis entrevistados indicaram a oportunidade de ser promovido, uma vez que iniciaram na profissão como trocador ou manobreiro. Todos. Nos últimos tempos, todos. Formar meus filhos... foi uma maravilha....Profissional, geralmente, mudar de um cargo para o outro, a gente se sente muito satisfeito quando muda. Isso é muito raro ocorrer (E6). O prazer que eu posso dizer da minha vida profissional é o fato de estar trabalhando e fazendo alguma coisa que eu gosto. O que seria ascensão profissional? Eu fui cobrador e passei pra motorista. Não exatamente o prazer por eu ter passado pra motorista. Eu estou falando é que a minha satisfação é porque eu faço uma coisa do que eu gosto. Independente de ser um ônibus ou um carro pequeno... eu gosto de dirigir, eu faço que eu gosto, não pelo salário. Eu faço porque eu gosto. E é lógico que o salário ajuda, né. Muito, não: relativamente (E7). Os aspectos apontados pelos entrevistados confirmam as proposições de Schutz (1974) quando afirma que o prazer corresponde ao sentimento oriundo da realização e do potencial de cada um. Tal realização traz para o indivíduo uma série de sentimentos, tais como: poder defrontar-se com seu meio ambiente, autoconfiança, o fato de ser uma pessoa importante, competente e amigável, ter a capacidade de lidar com situações emergentes, usar plenamente suas capacidades e ser livre para expressar seus próprios sentimentos. Com referência às relações “socioprofissionais” na prática cotidiana do trabalho, seis entrevistados descreveram que as relações são muito boas; dois que saem e jogam bola fora com os amigos após o trabalho; e dois não desenvolvem nenhuma relação com os amigos fora do horário de trabalho. Ah... eu me dou muito bem com os meus colegas de trabalho. A gente, devido a gente trabalhar... a gente de vez em quando, quando é possível, a gente marca um recreamento, como um futebol, um churrasco, uns momentos de folga, pra gente ter esse contato familiar, né. Seria isso (E2). Bem. Sempre brincando. Eu dificilmente saio para sair para tomar cerveja com amigo porque eu não tenho tempo... não é porque eu não quero (E6). Os achados confirmam as proposições de Dejours (2007, p. 15), indicando que “o trabalho continua sendo um mediador insubstituível da realização pessoal no campo social”. A centralidade do trabalho na vida humana não é passível de questionamento, pois é pelo trabalho que o sujeito adquire uma segunda chance para subsidiar sua saúde psíquica e para fomentar o processo de constituição de sua identidade. Quanto a categoria de “custo físico” os principais esforços físicos necessários ao exercício de suas funções no trabalho, oito entrevistados consideram que o maior esforço físico é exigido dos braços; oito entrevistados indicaram que há também desgaste das pernas e pés; dois indicaram que é exigido muito esforço da mente; e dois afirmaram que é depreendido muito esforço com relação à troca de marchas. Nossa, que pergunta difícil! Braço, perna, mente. A mente é o que mais faz... o mais exercício é a mente. Atenção. É, justamente. Há todo o tempo tem de dirigir pra nós e pra os barbeiros na rua. Desgaste (E1). Acredito que só com relação à troca de marchas, que se o veículo não estiver em bom estado de conservação prejudica um pouco o braço da gente. Exatamente, com as pernas, também. Às vezes, é um banco que não dá regulagem. Então, acaba atrapalhando muito a gente (E3). Fernandes et al. (2006), em seus estudos sobre a saúde e trabalho, apontam o desgaste físico e mental na saúde do trabalhador como o principal causador de acidentes, por produzir esgotamento, fadiga, traumas, depressões e diversos tipos de sensação de mal-estar. O excesso de carga de trabalho ocasiona horas fatigantes de trabalho e compromete as articulações dos motoristas de ônibus, resultando em problemas com os músculos e tendões. A sobrecarga dos braços, troncos e pernas causa transtornos musculoesqueléticos, podendo resultar em dano permanente, que leva ao afastamento do trabalho. Com relação aos relatos dos entrevistados, sobre os desafios diários impostos pelo trabalho relacionado a dirigir um carro envolve a estimulação cognitiva múltipla e o comportamento do condutor, sendo uma atividade complexa, que, muitas vezes, não é compreendida em todas as suas dimensões, fica claro nos relatos: Ó, o desafio aqui é que a gente tem de enfrentar mesmo. Aí... Na realidade, pra mim, o desafio é levar passageiros, vidas, ir e voltar com eles com vidas... ir e voltar, fora disso, desafio pra mim, graças a Deus, e ganhando pouco ainda(E8). Por exemplo, se entrar uma barulhada demais dentro do carro, você tem de estar focado no trânsito mesmo, porque senão você acaba fazendo besteira. Se você deixar e levar pelo barulho dele, gritar, o celular ligado, aquele sonzinho deles, aquele negócio todo, você perde o controle e acaba fazendo besteira (E9). Balbinot, Zaro e Timm (2011) pesquisaram as funções psicológicas e cognitivas que os motoristas utilizam para conduzir suas implicações para a segurança no trânsito. Dirigir um carro envolve a estimulação cognitiva múltipla e o comportamento do condutor, sendo uma atividade complexa, que, muitas vezes, não é compreendida em todas as suas dimensões. Apontaram também os preditores de comportamentos de risco e sua relevância para corroborar a eficácia de intervenções preventivas no trânsito. Mendes (2010) postula que é da capacidade de sofrer que surge a ideia de vencer. Entretanto, Mendes (2007) menciona que por meio da psicodinâmica do trabalho faz-se uma abordagem de pesquisa e ação sobre o trabalho, analisando criticamente uma forma de agir da organização do trabalho e permitindo ao trabalhador refletir e criar estratégias com atitudes individuais e em grupo. Quanto ao “custo afetivo” envolvendo às questões de assédio no trabalho, oito motoristas afirmaram que já foram assediados sexualmente mais de uma vez e um declarou que já teve que mudar de linha de ônibus em razão do assédio sexual. Indicaram há casos de assedio moral também. Várias vezes. Por passageiros e passageiras. Teve uma passageira que quando eu ainda era cobrador, ela veio e me chamou na direção dela ali, na direção da gaveta. “Oh! Chegue aqui!” Eu arredei e ela tentou me agarrar ali. Fiquei até assombrado com aquilo ali. E outros, né, morais, pessoas que desfazem da cor da gente, e aí vai (E1). Já. Já fui assediado. Por passageira. Comento, sim, sem problemas. Pediu pra que a trocadora entregasse o número do telefone dela e eu pedi pra trocadora pra jogar o papel fora, porque eu tenho um relacionamento então a gente tem que separar as coisas (E3). Segundo Dejours (1980), o sofrimento tem seu nascedouro quando o sujeito não consegue ter domínio sobre sua tarefa para torná-la agradável e confortável materialmente e, em virtude disso, atender seus anseios psicológicos. “O trabalho transforma-se em algo perigoso para o funcionamento da mente quando ele contraria a sua desprendida função” (DEJOURS,1994, p. 24). As “vivências de prazer” podem ser percebidas pelas indicações de nove entrevistados, que declararam que se identificam com o trabalho e se sentem motivados conforme relatos. Como que eu identifico com o que faço? Eu falo lá em casa, falo com a minha esposa que parece que eu nasci pra dirigir. Tem uma coisa que eu descobri que está em mim mesmo, um dom que Deus me deu foi isso. Em relação ao que eu faço, eu tenho uma jornada que sai tudo bem, que não acontece nenhuma insatisfação. Nem do patrão, nem das pessoas em minha volta. Nem dos passageiros em minha volta (E1). Eu gosto muito de dirigir. A minha paixão é o volante. Então é muito difícil me tirar do sério quando eu estou dirigindo. Eu me sinto feliz a partir do momento que eu arranco com o ônibus (E3). Os relatos confirmam os achados de Ferreira e Mendes (2001) que indicam que o prazer no trabalho pode ser entendido como o resultado dos sentimentos de utilidade e produtividade, indissociável dos sentimentos de valorização e de reconhecimento. E demonstram que o trabalho de motorista para esses profissionais é capaz de propiciar prazer no dia a dia de trabalho. Quanto às “vivências de sofrimento”, indica-se que os assaltos foram apontados por sete entrevistados como vivências de insatisfação no trabalho. Isso confirma a exposição a situações de constantes tensões, vivenciando em seu cotidiano pressões inerentes ao trabalho, traumas desencadeados por acidentes de trânsito, assaltos durante a jornada de trabalho e agressões verbais e físicas, dentre outras (BATTISTON; CRUZ; HOFFMANN, 2006). As insatisfações, geralmente, são os horários. Insegurança, porque, dependendo da circunstância, da hora que parar serviço. [...] um exemplo foi quando paro de trabalhar uma hora e pouquinho, chego quatro horas e meia da manhã, andando, por mais de dois ou três quilômetros pra chegar em casa, porque não tem ônibus circulando de madrugada. Eu moro no Madri, região do São Benedito. Eu ando do São Benedito até a minha casa. 2 km, 3 km. O último noturno passa no Centro três horas. Esse último assalto, já tem muito mais de sete anos. Eu não fui assaltado depois disso [...] mesmo com quatro revólveres, porque é de acordo com o seu psicológico na hora. Sua paciência vem na hora, porque eles estão querendo o dinheiro e estão sabendo o que fazem. Se você não souber entregar o dinheiro, não adianta, vai morrer do mesmo jeito (E1). Assalto, a violência em geral, a raiva, a angústia muitas vezes, do próprio passageiro, que, muitas vezes, culpa a gente pelos erros do sistema. Acho que se o ônibus está lotado, a culpa não é minha. A culpa não é minha se o ônibus está cheio. Inseguro? É a violência do trânsito. Temeroso (E2). Os resultados confirmam as proposições de Valadares (2000, p. 60), que expõe os riscos de quando o sujeito percebe que está ameaçado em sua integridade e que o mesmo "pode experimentar desde um simples mal-estar até o pânico". Para muitos, trabalhar e viver tornaram-se um perigo, o que vem fazendo dos locais de trabalho uma rede de intrigas particulares e coletivas. Dentre as “estratégias para lidar com o sofrimento no trabalho” apontadas para conviver com a situação descrita pelos entrevistados seis destacam que procuram conversar com os amigos; cinco, que jogam bola; cinco, que ouvem música; quatro, que procuram ficar próximos à família; três, que ignoraram certas coisas; três, fazem orações antes e depois do trabalho; e três, que procuram cantar. Sim! Converso muito com os meus colegas, jogo bola, procuro ficar mais próximo com a família, ignoro algumas coisas, faço orações antes e durante o meu trabalho (E1). Sim! Não considero o estresse dos passageiros, procurando respeitá-los. Tenho outra atividade que gosto muito que é vender churros e isto para mim é uma terapia, pois gosto muito (E2). Percebeu-se que cada indivíduo procura desenvolver uma estratégia diversificada para lidar com o sofrimento no trabalho. A esse respeito, Dejours, Abdoucheli e Jayet (1994) ressaltam que as estratégias defensivas podem ser tanto individuais quanto coletivas. Na avaliação dos “danos físicos” resultantes do trabalho, seis entrevistados alegaram que não desenvolveram nenhum dano. Contudo, foram destacados por quatro entrevistados distúrbios de insônia, problemas digestivos, como gastrite, perda de audição em razão do barulho e problemas renais e na coluna. Não. Acredito que é porque eu estou novo, ainda no ramo, são só 3 anos. Então não deu tempo de afetar alguma coisa, mas acredito que daqui a uns 5 ou 10 anos, provavelmente vai afetar em alguma coisa. Sim. (E3) Não. Eu não posso falar nada a respeito disso, porque eu sou novo como motorista, há 5 anos. (E7) Não. Só apenas auditivo. Apenas auditivo. Perda de audição devido ao barulho. (E10) Nesse sentido, o trabalhador pode entrar em fadiga, num processo de cansaço geral, que pode desencadear vários sinais, como: distúrbios do sono, dores de cabeça, mal-estar, desânimo e isolamento social [...] sujeitando-o a depressão e/ou alcoolismo, podendo comprometer o raciocínio e a atenção, bem como suas relações interpessoais (SILVA, et al., 1986). Quanto aos “danos psicossociais” conflitos nas relações familiares ou sociais em decorrência da situação de trabalho, por três entrevistados consideraram que às vezes chegam em casa e acabam brigando com a namorada/esposa porque ficaram guardando aquele rancor durante o dia; dois, indicaram que é a insatisfação da esposa em razão do horário de trabalho; e dois, que a esposa fica preocupada. A gente não tem uma vida, como eu diria, uma vida social. Não tem festa, não tem nada, porque você trabalha, igual eu mesmo, folguei terça-feira, se tivesse uma festa este final de semana, eu não tenho como ir. Eu trabalho hoje, como trabalho amanhã. Ganhos, talvez seria o que está difícil de achar um ganho. Deixa esse ganho de lado aí, deixa pra depois (E1). Às vezes foi um dia muito estressante no trabalho e a gente chega em casa, e a gente as vezes acaba brigando com a esposa, brigando com a namorada, mas porque a gente acabou guardando aquele rancor do dia da gente de serviço (E3). Para Dejours, Abdoucheli e Jayet (1994) os danos psicossociais, em razão da falta de reconhecimento do trabalho ou quando não pode se manifestar contra ou de acordo em situações decorrentes da relação de trabalho, o sujeito acaba se defrontando com o sofrimento. Esse sentimento negativista ocasiona "sentimentos de desgosto, agressividade, tensão, cansaço", que propiciam falta de diálogo, desconforto e frustrações. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como vivências de prazer, os motoristas entrevistados relataram que sentem prazer com o que fazem e que se sentem motivados para o trabalho. Um quesito indicado como importante foi a oportunidade de ser promovido, uma vez que iniciaram na profissão como trocador de ônibus ou manobreiro. Relataram que há abertura para o diálogo no ambiente de trabalho, tanto com os superiores quanto com os colegas de trabalho. Como atividades de lazer promovidas para o motorista e sua família, foram apontadas: o clube da empresa e o clube do sindicato. Entretanto, citaram que existe pouca participação dos motoristas, pois para participar do clube do sindicato é necessário que os motoristas sejam sindicalizados. Os benefícios citados foram: plano de saúde, plano odontológico, tíquete-refeição, cartão-farmácia e clube recreativo. Para os entrevistados trata-se de conquistas adquiridas ao longo do tempo de trabalho. Porém, reconheceram que são parciais, uma vez que os valores são descontados na folha de pagamento. As vivências de sofrimento descritas pelos motoristas contemplaram o sentimento de insegurança em relação aos assaltos que já aconteceram e os que porventura venham a acontecer. A falta de reconhecimento pelo esforço profissional e a falta de valorização pelo desempenho, geralmente, são causas de sofrimento dos trabalhadores. Os motoristas acreditam que deveriam ser mais reconhecidos e valorizados na profissão. Outro ponto destacado prende-se ao fato de os passageiros tratarem o motorista como ninguém. Isso foi indicado como um tipo de convivência profissional responsável por criar situações constrangedoras e discriminatórias. Os motoristas que se envolveram em algum sinistro sentiram-se injustiçados, pois tiveram de pagar tanto o conserto do ônibus quanto o conserto do carro, mesmo estando certos. Ressaltaram que a empresa possui seguro, mas mesmo assim cobra do motorista, apesar de ressarcida posteriormente pela empresa de seguros. Este resultado indica que a empresa está descumprindo o inciso III do §2º da Lei 12.619/2012, que garante ao "não responder perante o empregador por prejuízo patrimonial decorrente da ação de terceiro, ressalvado o dolo ou a desídia do motorista, nesses casos mediante comprovação, no cumprimento de suas funções". Configura, também, uma prática abusiva não só do cumprimento das leis trabalhistas como também um ato capaz de gerar sofrimento ao empregado, na medida em que também se evidencia perversa e desonesta, uma vez que são observadas duas situações de abuso, uma contra o empregado, pelo descumprimento da lei, e outra contra o seguro, considerando que o empregado já pagou pelo sinistro, o que pode ensejar ao direito de pleitear na justiça trabalhista e, também, na esfera penal. Os motoristas admitiram que o trabalho é responsável por gerar estresse emocional. Em razão disso, desenvolvem estratégias para conviver com a situação descrita. Assim, procuram conversar com os amigos, jogar bola, ouvir música, ficar com a família, ignorar certas coisas, fazer orações antes e depois do trabalho e cantar. Isso confirma que cada indivíduo procura desenvolver uma estratégia diversificada para lidar com o sofrimento no trabalho. Não foi relatado pelos motoristas entrevistados o desenvolvimento de nenhuma lesão em razão do trabalho. O custo físico decorrente do trabalho é assinalado pelo esforço em demasia de braços, pernas, pés e mente. Também, é exigido muito esforço na troca de marchas. Não foram indicados problemas de saúde física ou mental em decorrência do trabalho. Com relação aos danos psicossociais, os entrevistados consideram não possuem vida social em razão do trabalho; declararam que às vezes chegam à casa estressados e acabam brigando com a esposa porque ficaram guardando aquele rancor durante o dia; e que há pressão familiar em razão da insatisfação da esposa com relação ao horário de trabalho. No que tange as contribuições do estudo, sob a ótica acadêmica, a abordagem da Psicodinâmica descortinou a relevância de ampliar as investigações sobre a temática ‘Vivências de prazer e sofrimento dos motoristas de ônibus’ e de mostrar o modo como os sujeitos da pesquisa procuram proteger a saúde em um contexto de trabalho sobre o qual eles não têm o controle. Em relação às limitações do estudo, cita-se, primeiramente, a impossibilidade de fazer generalizações dos resultados. Em segundo lugar, aponta-se a falta de disponibilidade dos motoristas, tendo em vista que eles passam a maior parte do tempo na direção do veículo, bem como o receio em responder à pesquisa, além da dificuldade de compreender as perguntas da entrevista. Sugere-se para estudos futuros ampliar a pesquisa sobre a abordagem da temática às cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, contemplando motoristas que realizam viagens intermunicipais e interestaduais, bem como aqueles de outros estados brasileiros, permitindo comparar os resultados e possíveis generalizações. Realizar estudos qualitativos, como grupos de foco, além de estudos com uma abordagem quantitativa, permitindo a triangulação dos dados e ainda analisar as vivências de prazer e sofrimento à luz de uma legislação voltada para as realidades vivenciadas por estes profissionais. 6. REFERÊNCIAS ALMEIDA, N. D. V. Contemporaneidade X trânsito reflexão psicossocial do trabalho dos motoristas de coletivo urbano. Psicologia Ciência e Profissão, Brasília, v. 22, n. 3, Set. 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?>. Acesso em: 07 Jun. 2014 ALVES-MAZZOTTI, A. J.; GEWANDSZNAJDER, F. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 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