III Encontro Nacional de Estudos da Imagem 03 a 06 de maio de 2011 - Londrina - PR O PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO COMO IMAGEM: O SIMULACRO NA PAISAGEM DE OURO PRETO. VANESSA REGINA FREITAS DA SILVA Universidade Federal de Pelotas/RS CAPES [email protected] Introdução O debate sobre a preservação do patrimônio no mundo é crescente e esta pesquisa1 contribui com uma reflexão sobre o que representa o patrimônio edificado na atualidade e a motivação para a sua preservação. Para tanto, a reconstrução de uma edificação localizada na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, Minas Gerais, é utilizada como estudo de caso. Ressalta-se então a importância de Ouro Preto, cidade capaz de se tornar referência sobre as discussões patrimoniais no Brasil. O objetivo é discutir a valorização do patrimônio arquitetônico a partir da imagem que evoca sobre a paisagem preservada. Para o desenvolvimento do trabalho foi aplicada uma metodologia técnica – através da coleta de dados por meio de pesquisa de campo com registro fotográfico da edificação e do contexto onde se insere e levantamentos documentais sobre a história da edificação e sobre o projeto executado – e uma metodologia de análise – através dos marcos teóricos utilizados após extensa pesquisa bibliográfica, entre os quais se destacam Milton Santos e Baudrillard, respectivamente sobre paisagem e imagem. Uma Reconstrução em Ouro Preto A antiguidade de Ouro Preto e a sua representação na história do país, bem como o valor arquitetônico e paisagístico que possui, refletem no entendimento do patrimônio cultural do Brasil e nas políticas públicas de preservação desde a década de 1930. O arraial que deu origem à atual Ouro Preto foi fundado em 1698, iniciando o Ciclo do Ouro no Brasil. Em 1711 foi elevada à categoria de vila com o nome “Vila Rica” e tornou-se capital da capitania de Minas Gerais em 1720. Ainda no século XVIII, em 1789, foi palco da Inconfidência Mineira, expressivo movimento separatista contra a Coroa Portuguesa. Em 1823 foi alçada por Dom Pedro I à “Imperial Cidade de Ouro Preto”, adotando a partir de então o nome “Ouro Preto”. Somente ao final do século XIX, em 1897, a capital do Estado de Minas Gerais é transferida de Ouro Preto para Belo Horizonte. Ouro Preto foi declarada Patrimônio Nacional em 1933, mediante um decreto do governo provisório federal. Após a criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico 2865 III Encontro Nacional de Estudos da Imagem 03 a 06 de maio de 2011 - Londrina - PR Nacional/IPHAN em 1937, a cidade foi inscrita no Livro do Tombo de Belas Artes (1938), no livro Histórico e, décadas depois, no Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico (1986). Foi a primeira cidade brasileira a receber o título de Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas/UNESCO em 1980. Seu rico acervo edificado tornou-se mais valorizado especialmente a partir dessa época, intensificando o turismo no local, o que aumentou a intenção em manter seu caráter paisagístico preservado. Os títulos e inscrições citados justificam a permanência da cidade como exemplar de sítio histórico com grande expressividade e importância. Nesse contexto, intervenções em sítios urbanos tombados, como Ouro Preto, suscitam discussões sobre como realizá-las de modo a preservar a paisagem e a imagem de uma cidade como um bem patrimonializado. A Praça Tiradentes é um referencial de centralidade de Ouro Preto, ponto de encontro, local das festividades e solenidades. Agrega valores estéticos, históricos e econômicos que reforçam a preocupação em preservar a imagem urbana evocada como memória e como patrimônio, nacional e internacionalmente. a) b) FIGURA 01 – A Praça Tiradentes em Ouro Preto. a) a edificação reconstruída a direita da foto. b) a edificação reconstruída a esquerda da foto. Fonte: Vanessa Regina Freitas da Silva. Acervo particular, 11 ago. 2009. Para a análise proposta, uma edificação localizada nessa praça foi determinada como ícone: o atual Centro Cultural e Turístico do Sistema FIEMG - Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. O local onde está implantado o centro foi reconstruído, após o incêndio que destruiu a edificação do século XVIII, um dos marcos edificados da praça. A edificação destruída abrigava o “Hotel Pilão” em todo o seu segundo piso. O serviço de hotelaria era uma referência para os moradores que denominavam a edificação como “O Pilão”. No subsolo e no pavimento térreo existiam comércios: lojas de móveis e eletrodomésticos, de artesanato e de pedras preciosas e jóias; uma farmácia; e um café que permitia acesso à rede internacional de computadores. Não há registros exatos que atestem a época da construção, mas segundo De Grammont (2006), após o incêndio, escavações 2866 III Encontro Nacional de Estudos da Imagem 03 a 06 de maio de 2011 - Londrina - PR realizadas revelaram estruturas de alvenaria de pedra do século XVIII. Outros indícios apontam três fases: em 1812 existiam três casas no local, em 1868, duas; e em 1894 apenas uma. Ou seja, foram feitos remembramentos até chegar à tipologia de uma edificação única no século XIX. O incêndio no imóvel começou no fim da tarde do dia 14 de abril de 2003 e se alastrou rapidamente; em duas horas a edificação estava destruída pelo fogo. Existem controvérsias sobre a causa do incêndio e um inquérito permanece instaurado. O prédio foi comprado por um empresário meses antes do incêndio; a intenção era transformá-lo em um empreendimento mais moderno, mas mantendo o uso hoteleiro. Desde essa compra, o hotel não estava mais em funcionamento; apenas os comércios foram mantidos. Após o incêndio e destruição do imóvel, o qual possuía um seguro contra sinistros, o proprietário decidiu vendê-lo, realizando a transação em dezembro de 2004. Sendo assim, a FIEMG tornou-se a proprietária e, em 2005, iniciaram os debates junto com a Prefeitura de Ouro Preto e o IPHAN sobre a forma de intervir na cidade tombada. A instalação de um Centro Cultural e Turístico em Ouro Preto aproveitou a boa localização do imóvel no espaço urbano e a vocação turística da cidade. a) b) FIGURA 02 – a) A edificação sendo consumida pelo fogo. Fonte: Eduardo Trópia. Jornal Estado de Minas. Belo Horizonte, p. 01(capa), 15 abr. 2003. b) O aspecto da edificação no dia posterior ao incêndio. Fonte: Marcelo Santa’Anna. Jornal Estado de Minas. Belo Horizonte, p. 01(capa), 16 abr. 2003. Durante os debates sobre a intervenção entendia-se que o projeto elaborado deveria se adequar ao contexto urbano da praça. Ressaltou-se que em casos semelhantes de destruição por incêndios ou danos de guerra são admitidas três opções: deixar o lote livre, urbanizandoo; inserir uma edificação notadamente moderna e contrastante com o entorno; ou projetar uma edificação reinterpretando a edificação perdida; sendo a última opção a escolhida para o caso em Ouro Preto. Entre as ações técnicas que têm como característica manter uma referência original de um bem se destaca a Reconstrução. A reconstrução promoveu uma releitura da volumetria da edificação antiga e dos elementos compositivos das fachadas, todos similares 2867 III Encontro Nacional de Estudos da Imagem 03 a 06 de maio de 2011 - Londrina - PR aos da edificação destruída. O diferencial está na aplicação de tecnologia construtiva moderna – estrutura metálica – aliada às ruínas de alvenaria de pedra, bem como dos materiais colocados nos elementos arquitetônicos externos como gradis, esquadrias e cimalhas que foram simplificados. Algumas questões contrárias foram colocadas quanto aos aspectos externos da nova edificação proposta: a confusão da leitura dos elementos arquitetônicos que compõem a paisagem e a falta de clareza ao leigo sobre a informação do período em que foi erguida. O que se temia era que a arquitetura reconstruída levasse a um falseamento da realidade o que, no jargão utilizado na área da restauração e conservação, significaria criar um pastiche – quando se imita grosseiramente uma obra anterior ou original. a) b) FIGURA 03 – a) A edificação antiga, antes do incêndio. Fonte: Rodrigo Marcandier. Inventário Nacional de Bens Imóveis de Sítios Urbanos Tombados/INBI-SU, IPHAN, 2002. b) A edificação atual, após a reconstrução. Fonte: Vanessa Regina Freitas da Silva. Acervo particular, 11 ago. 2009. Contudo, o que interessou foi a manutenção da imagem paisagística expressa pelo conjunto da Praça Tiradentes, indiferente ao impacto sobre a autenticidade do bem. A opção pela reconstrução considerou alguns fatores: Complexidade de uma intervenção em um espaço urbano fortemente caracterizado pela harmonia de seu conjunto arquitetônico; caracterização da intervenção como reintegração de uma grande lacuna urbana da Praça Tiradentes, causada pela destruição do antigo Hotel Pilão; dificuldades para se organizar um concurso público para a escolha de técnicos com sólidas formações teórica e prática no assunto para a elaboração de um projeto de intervenção em uma propriedade privada; sentimento de que a grande maioria da população de Ouro Preto aprovaria uma reconstrução no local. (DE GRAMMONT, 2006, p.18) Após argumentos favoráveis, o projeto de reconstrução foi aprovado pelos órgãos de preservação municipal e federal na cidade. As obras foram iniciadas em agosto de 2005 e apresentou rapidez devido aos trabalhos arqueológicos prévios realizados no terreno e pela 2868 III Encontro Nacional de Estudos da Imagem 03 a 06 de maio de 2011 - Londrina - PR utilização de tecnologia rápida em obra. No dia 20 de abril de 2006, a nova edificação foi reinaugurada, oferecendo um programa de uso diferenciado para abrigar um café, uma livraria, uma galeria de arte e ambientes para informações turísticas e reuniões. a) b) c) FIGURA 04 – O Centro Cultural e Turístico do Sistema FIEMG em Ouro Preto. a) Paredes de alvenaria de pedra remanescentes em parte da livraria b) Pilares de alvenaria de pedra e ao fundo o café. c) Alvenaria de pedra conjugada à estrutura metálica; vista do mezanino onde funciona a galeria de arte. Fonte: Vanessa Regina Freitas da Silva. Acervo particular, 11 ago. 2009. Restauração da paisagem: o patrimônio como imagem Houve grande repercussão sobre a reprodução dessa arquitetura colonial em uma cidade Patrimônio da Humanidade como forma de manter uma paisagem reconhecida para todo o mundo. Ao analisar a preservação da Praça Tiradentes no espaço urbano, compreendese em que medida intervenções no patrimônio edificado são direcionadas para a manutenção de uma imagem fortemente consolidada. Considerando o objeto de investigação apresentado e sua relação com a preservação do patrimônio, as Cartas Patrimoniais se tornam referenciais para algumas definições, inclusive de “paisagem”. A Recomendação Europa de 1995 (sobre a conservação integrada das áreas de paisagens culturais como integrantes das políticas paisagísticas) oferece como definição: 2869 III Encontro Nacional de Estudos da Imagem 03 a 06 de maio de 2011 - Londrina - PR Paisagem - expressão formal dos numerosos relacionados existentes em determinado período entre o indivíduo ou uma sociedade e um território topograficamente definido, cuja aparência é resultado de ação ou cuidados especiais, de fatores naturais e humanos e de uma combinação de ambos. Paisagem é considerada em um triplo significado cultural, porquanto: definida e caracterizada da maneira pela qual determinado território é percebido por um indivíduo ou por uma comunidade; dá testemunho ao passado e ao presente do relacionamento existente entre os indivíduos e seu meio ambiente; ajuda a especificar culturas e locais, sensibilidades, práticas, crenças e tradições. (CURY, 2004, p.331) Nota-se que “paisagem”, na definição acima, relaciona aspectos físicos, sociais e temporais, refletindo um significado cultural. Pode ser aprofundada pela visão do geógrafo Milton Santos, pois, para ele, “a paisagem é o conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre homem e natureza.” (SANTOS, 1996, p.83). E continua: A paisagem se dá como um conjunto de objetos reais - concretos. Nesse sentido a paisagem é transtemporal, juntando objetos passados e presentes, uma construção transversal. (...) A paisagem existe através de suas formas, criadas em momentos históricos diferentes, porém coexistindo no momento atual. (SANTOS, 1996, p.83). Desta forma, a paisagem guarda tempos desiguais nas formas objetivas construídas, contudo, busca comunicar uma imagem de temporalidade única, como pode ser observado na Praça Tiradentes. Considerando essas reflexões, a reprodução da arquitetura colonial se justifica como tentativa de manter uma unidade estética e também temporal. Relacionado à arquitetura, o conceito de paisagem é algo que se deseja construir para contemplação; a paisagem como uma segunda natureza, a natureza construída. A paisagem entendida desta maneira, como construção, permite constatar que possa ser modificada de acordo com as intenções dos agentes que a constrói. Por outro lado, a paisagem pode ter um significado de cenário, inerte, somente como interpretação estética. Assim, essa interpretação “pressupõe a separação do sujeito com respeito ao objeto e a construção deste objeto de acordo com os valores impostos pelo sujeito” (ALIATA; SILVESTRI, 1994, p.12). Porém, em Ouro Preto, a paisagem não pode ser vista somente como um cenário. A paisagem tem valor como elemento importante e participativo, sendo assim, “a paisagem, como tema de estudo, de reflexão, de expressão, de inspiração ou de criação é uma realidade viva, dinâmica, atual” (NOGUÉ, 1985, p.97). Eco (2005) apresenta a arquitetura como um sistema de signos que sugerem significantes os quais podem denotar funções precisas à luz de determinados códigos. Simplificadamente, a denotação permite que mesmo com função básica inexistente, um objeto 2870 III Encontro Nacional de Estudos da Imagem 03 a 06 de maio de 2011 - Londrina - PR arquitetônico comunique outra função. Como exemplo, ele cita uma janela falsa em uma edificação. Ela terá a função estética, de composição; e a função simbólica, através da forma. Por esse prisma, é possível avaliar a reconstrução da edificação na Praça Tiradentes: a reprodução dos elementos arquitetônicos e da volumetria, similares aos da edificação perdida, seria uma maneira de destacar as funções estética e simbólica. A intenção da reconstrução foi manter a identidade visual do conjunto, sua imagem, retomando a informação paisagística que remetia. Desta maneira, “intervir nos centros urbanos pressupõe avaliar sua herança histórica e patrimonial, seu caráter funcional e sua posição relativa na estrutura urbana” (CASTILHO E VARGAS, 2006, p.03). A paisagem, portanto, relaciona aspectos físicos, sociais e temporais e sua expressão se dá através dos objetos que a compõem. A paisagem pode ser desnaturalizada quando um elemento novo, produto de uma urgência para mantê-la no seu estado anterior, é inserido. Foi exatamente o que aconteceu em Ouro Preto. Em busca da imagem urbana reconhecida internacionalmente, optou-se por apressar em construir uma nova edificação, porém reproduzindo externamente elementos da edificação anterior, bem como de edificações do entorno. A intenção foi expressar forte similaridade e unicidade para recompor o conjunto edificado da praça. Nesse sentido, a Praça Tiradentes foi restaurada a partir da reconstrução de um elemento destruído inesperadamente. E a sua imagem, ou seja, aquilo que se pretende ver, contemplar e perceber foi retomado. Ao destacar a paisagem como imagem permite-se avaliá-la como um bem simbólico, de acordo com a teoria de Bourdieu (1992): As diferenças propriamente econômicas são duplicadas pelas distinções simbólicas na maneira de usufruir estes bens, ou melhor, através do consumo, e mais, através do consumo simbólico (ou ostentatório) que transmuta os bens em signos (...) ou, para falar como os lingüistas, em “valores”, privilegiando a maneira, a forma da ação ou do objeto em detrimento de sua função. (BOURDIEU, 1998, p.16) Ou seja, o patrimônio apresenta maior valor, nesses casos, somente pelo o que comunica visualmente, como imagem dos seus objetos. A reconstrução em análise, dentro do contexto de paisagem e imagem, pode ser considerada um simulacro, conforme Baudrillard (1991) afirma: “Simular é fingir ter o que não se tem. (...) a simulação põe em causa a diferença do ‘verdadeiro’ e do ‘falso’, do ‘real’ e do ‘imaginário’” (BAUDRILLARD, 1991, p.09-10). Para Baudrillard, há uma “histeria da produção e da reprodução do real” e o simulacro é um rompimento da compreensão da diferença entre “verdadeiro” e “falso”, pois não há como distinguir mais o que é inventado, fingido ou copiado do que é o real. Simulacro 2871 III Encontro Nacional de Estudos da Imagem 03 a 06 de maio de 2011 - Londrina - PR não é apenas imitação; é o que substitui o real. Assim, a intervenção arquitetônica substituiu a antiga construção; é uma substituição do que era, mas, ao mesmo tempo, procurando manter o passado nas novas formas expressas do presente e comunicando uma temporalidade única inexiste na realidade. Desta forma, está claro que a tendência a padronização espacial para atender a uma demanda de mercado turístico, fabrica simulacros: Para que o passado não seja abolido é preciso que tudo o que se vive seja atualizado. As diferenças temporais entre o passado, o presente e o futuro são aniquiladas graças aos simulacros dessa atualização. O passado e o futuro parecem se conjugar no presente, ao passo que o próprio presente se torna o tempo da reprodução antecipada do passado. (JEUDY, 2005, p. 16) Finalmente, através do caso apresentado, entende-se a influência de uma edificação isolada interligada à paisagem em que se insere no debate de como e por que reconstruir um patrimônio edificado, buscando a restauração de um conjunto arquitetônico. Desta maneira, tem-se os motivos que estão subjacentes aos interesses de preservação, relacionados ao modo de produção capitalista, quando a imagem dos lugares transforma-se em mercadoria. Conclusão O estudo de caso permite o debate sobre como, em que circunstâncias e quais são as justificativas que torna válido reconstituir um bem edificado para, notadamente, reconstruir uma paisagem e uma imagem. A reconstrução fez uma releitura da volumetria da edificação e dos elementos compositivos das fachadas similares aos da construção anterior para se aproximar da paisagem estabelecida como a original, como imagem da paisagem. A reinterpretação dos elementos procurou restabelecer a unidade de um conjunto em busca da manutenção de uma realidade local a ser visitada e consumida. A reprodução externa da arquitetura colonial predominante na paisagem permite a restauração de uma imagem urbana consolidada histórica, estética e simbolicamente. Reflete, portanto, a manutenção do passado através de uma imagem urbana do período colonial do Brasil e indica uma singularidade do local, ao mesmo tempo em que visa valorizar o patrimônio através da construção de imagens similares, como se uma identificação global fosse possível. Ao considerar a preservação da Praça Tiradentes no espaço urbano de Ouro Preto e a reconstrução de um elemento da sua paisagem, percebe-se que as intervenções atuais no patrimônio arquitetônico são voltadas para uma cultura da imagem. O simulacro rompe o entendimento entre verdadeiro e falso e, exemplificado na reconstrução, faz com que o 2872 III Encontro Nacional de Estudos da Imagem 03 a 06 de maio de 2011 - Londrina - PR presente se torne espaço temporal para reafirmar o que a cidade foi um dia, mantendo-a como imagem de um passado. Referências ALIATA, Fernando; SILVESTRI, Graciela. El paisaje en el arte y las ciencias humanas. Centro Editor de América Latina, 1994. BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulação. Lisboa: Relógio d’Água. 1991. BOURDIEU. Pierre. A economia das trocas simbólicas. 5ª ed. São Paulo: Perspectiva. 1998. CASTILHO, Ana Luisa Howard de; VARGAS, Heliana Comin. Intervenções em Centros Urbanos: objetivos, estratégias e resultados. In: CASTILHO, Ana Luisa Howard de; VARGAS, Heliana Comin (orgs.). Intervenções em Centros Urbanos: objetivos, estratégias e resultados. Barueri, SP: Manole, 2006. p.01-51. CURY, Isabelle (Org.). Cartas patrimoniais. Rio de Janeiro: IPHAN, 2004. DE GRAMMONT, Anna M. Hotel Pilão: Um Incêndio no Coração Ouro Preto. São Paulo: Oficina do Livro Rubens Borba de Moraes, 2006. ECO, Umberto. A estrutura ausente. São Paulo: Perspectiva, 2005. JEUDY, Henri-Pierre. Espelho das cidades. Rio de Janeiro: Casa da Palavra. 2005. NOGUÉ, J. Geografía humanista y paisaje. Anales de Geografía de la Universidad Complutense, N° 5, 1985. SANTOS, Milton. A natureza do espaço: Técnica e Tempo. Razão e Emoção. São Paulo: HUCITEC, 1996. 1 Este artigo é um dos desdobramentos da dissertação desenvolvida pela arquiteta urbanista Vanessa Regina Freitas da Silva no programa de mestrado “Memória Social e Patrimônio Cultural”, da Universidade Federal de Pelotas/UFPel-RS, bolsista CAPES, sob orientação do Prof. Dr. Sidney Gonçalves Vieira do departamento de Geografia do Instituto de Ciências Humanas da UFPel. 2873