FACULDADE MERIDIONAL - IMED CENTRO DE ESTUDOS ODONTOLÓGICO MERIDIONAL - CEOM CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENDODONTIA FRANCIELE FOCCHESATO CAPACIDADE SELADORA DE MATERIAIS UTILIZADOS COMO BARREIRA CERVICAL EM CLAREAMENTO ENDÓGENO PASSO FUNDO 2012 FRANCIELE FOCCHESATO CAPACIDADE SELADORA DE MATERIAIS UTILIZADOS COMO BARREIRA CERVICAL EM CLAREAMENTO ENDÓGENO Monografia apresentada ao curso de Pósgraduação da Faculdade Meridional/IMED de Passo Fundo-RS como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Endodontia. Orientador: Prof. Ms. Mateus Silveira Martins Hartmann PASSO FUNDO 2012 FRANCIELE FOCCHESATO CAPACIDADE SELADORA DE MATERIAIS UTILIZADOS COMO BARREIRA CERVICAL EM CLAREAMENTO ENDÓGENO Monografia apresentada ao curso de Pósgraduação da Faculdade Meridional/IMED de Passo Fundo-RS como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Endodontia. Aprovada em ___/___/______. BANCA EXAMINADORA: ________________________________________________ Prof. Ms. Mateus Silveira Martins Hartmann - Orientador ________________________________________________ Profª. Ms. Caroline Zamim ________________________________________________ Prof. Dr. José Roberto Vanni Dedicatória Ao Lucas, o segundo coração batendo eternamente dentro de mim. Dedico esta conquista ao meu filho, que é maior de todas as minhas vitórias. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, pela força espiritual para a realização deste trabalho. Ao meu marido Alan, que representa minha segurança em todos os aspectos, meu companheiro incondicional, o abraço espontâneo e tão necessário. Ao meu amado filho, agradeço pelo amor da forma mais genuína que recebo de você. Obrigada por cada beijo, sorriso, choro e correria que me distraíram muito ao escrever esta monografia. A minha querida mãe Rosane pelo amor, paciência e apoio incondicional. Tudo o que faço é na tentativa de te encher de orgulho. Te amo muito. A minha irmã, pelo apoio e carinho oferecidos em todo o momento de minha vida e principalmente neste. A minha sogra Nilse, pela o acolhimento, aliviando as minhas horas difíceis. Aos meus afilhados Lívia, Eros e Alexandre, muitíssimo obrigada por me ensinarem a ser mãe, muito antes de gerar o meu filho. Vocês foram gerados no meu coração. Muito obrigada ao meu cunhado Alex, por renunciar a presença da Sil em muitos momentos em que a minha monografia não era o melhor programa de final de semana. A minha querida irmã-cunhada-amiga, Silvana, por cada gesto que tornaram os meus dias mais suaves, pela companhia constante e tão querida, sacrifício ilimitado em todos os sentidos, por cada vez que leu esta monografia e sobretudo pela amizade incondicional. À Fabi, minha amiga e parceira de todas as horas. Obrigada pelas conversas, pela calma, mesmo quando era pra se apavorar, pela roda de chimarrão, por ter sido o meu braço esquerdo tão eficiente. Muito obrigada por ter me aceitado exatamente como eu sou. Aos Mestres, agradeço com imensa admiração a todos os meus professores e especialmente ao meu professor e orientador desse trabalho, Mateus, pelo desprendimento ao escolher me dar apoio. Meu muito obrigada nunca será suficiente para demonstrar a grandeza do que recebi de vocês. Peço a Deus que os recompense à altura. "O meu amor eu guardo para os mais especiais. Não sigo todas as regras da sociedade e às vezes ajo por impulso. Erro, admito, aprendo, ensino. Todos erram um dia: por descuido, inocência ou maldade. Conservar algo que faça eu recordar (...) seria o mesmo que admitir que eu pudesse esquecer (...)" (William Shakespeare) RESUMO Em Odontologia, buscam-se recursos que possibilitem ao paciente a obtenção de um tratamento estético. Um dos recursos é o clareamento dental interno, porém, não se pode esquecer alguns efeitos indesejáveis dos agentes clareadores, dentre eles, a reabsorção cervical externa. Com o objetivo de evitar a reabsorção, causada pela difusão do agente clareador para a superfície externa do dente durante o clareamento endógeno, deve-se confeccionar uma barreira cervical entre o material obturador do canal radicular e o agente clareador, denominado de tampão cervical. A proposta desta revisão de literatura foi avaliar a capacidade seladora de diversos materiais utilizados na confecção de tampão na região cervical de dentes despolpados submetidos ao clareamento interno. Conclui-se que houve a redução da infiltração de substâncias dos agentes clareadores quando confeccionado o tampão cervical, sendo que o Coltosol® apresentou os melhores resultados. Entretanto, nenhum material utilizado foi capaz de bloquear completamente a infiltração destas substâncias para superfície externa dos dentes. Palavras-chave: Clareamento dental. Endodontia. Reabsorção de dente. ABSTRACT In dentistry features that allow the patient to obtain a cosmetic treatment are searched. One of the resources is the internal tooth bleaching, but some effects of bleaching agents should not be forgotten, including the cervical root resorption. With the aim to prevent the resorption, caused by the diffusion of the bleaching agents to the external surface of the tooth during endogenous bleaching, a cervical barrier must be made between the root canal filling material and the bleaching agent called cervical plugs. The proposal of this literature review was to evaluate the sealing ability of different materials used in the making of a plug in the cervical region of pulpless teeth submitted to internal tooth bleaching. It was concluded that there was a reduction in the infiltration of substances of the bleaching agents when a cervical plug was done, with the best results were presented by Coltosol®. However none of materials used were able to completely block the infiltration of these substances to the external surface of the teeth. Key words: Tooth bleaching. Endodontics. Tooth resorption. 9 LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS h- horas JAC- junção amelocementária ml- mililitros mm- milímetros ml/l- mililitros por litro pH- potencial hidrogeniônico X- vezes %- porcentagem ®- marca registrada 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO _________________________________________________ 11 2 REVISÃO DE LITERATURA ______________________________________ 13 3 DISCUSSÃO ___________________________________________________ 25 4 CONCLUSÕES _________________________________________________ 28 REFERÊNCIAS ____________________________________________________ 29 APÊNDICE ________________________________________________________ 33 12 1 INTRODUÇÃO No ímpeto de atingir um padrão de beleza, maior ênfase vem sendo dada ao clareamento dental. Esta técnica é condizente com as novas filosofias da odontologia moderna, que contempla a preservação da estrutura dental. Assim, o tratamento clareador tem como objetivo devolver ao dente a sua cor e translucidez originais, sendo considerado um tratamento conservador, de baixo custo e com alto índice de satisfação para os pacientes. Este procedimento pode ser realizado através de duas técnicas distintas: a técnica de clareamento externa e a interna. A técnica de clareamento externo visa tornar mais claros os dentes vitalizados e pode ser realizada pelo profissional no consultório, ou pelo próprio paciente, em casa (ESBERARD et al., 2004). Para o clareamento interno, são utilizadas as técnicas imediata, mediata e mista, em dentes desvitalizados. Na técnica imediata, o agente clareador é aplicado isoladamente no interior da câmara pulpar; já na técnica mediata, um curativo com agente clareador é introduzido na câmara pulpar e a técnica mista se faz a associação das duas. Os agentes clareadores propostos para a realização do clareamento dental de dentes tratados endodonticamente são produtos derivados do peróxido de hidrogênio em diferentes concentrações, peróxido de ureia (peróxido de carbamida) e perborato de sódio, associados entre si ou puro e colocados na cavidade pulpar (DAHL; PALLESEN, 2003). É fator relevante na determinação do método do tratamento clareador, o conhecimento da etiologia das alterações de cor dental (CASALLI, 2003). Estas podem ser causadas por fatores extrínsecos e intrínsecos, congênita ou adquirida (BARATIERI et al., 1996). Cada tipo de escurecimento ou mancha deve ser tratado com agentes clareadores e técnica específica (BARATIERI et al., 2001). Assim, o clareamento dental vem sendo aplicado para solucionar problemas de alteração de cor tanto em dentes vitais como não vitais, demonstrando ser um tratamento bastante eficiente (CAMPOY; ALVES, 2001). No entanto, apesar de apresentar inúmeras vantagens, o clareamento endógeno pode desencadear efeitos adversos, como a reabsorção cervical externa. 13 Com o objetivo de evitar esta patologia, causada pela difusão do agente clareador para a superfície externa do dente durante o clareamento endógeno, devese confeccionar uma barreira cervical entre o material obturador e o agente clareador. Conforme destaca Mendes et al. (2011), na tentativa de prevenir a passagem dos agentes clareadores em direção à região cervical radicular, deve-se confeccionar um tampão cervical, entretanto, o local, a espessura e o material a ser utilizado como barreira cervical são motivos de controvérsia na literatura, necessitando assim de mais pesquisas. Diante destas considerações o presente trabalho de revisão de literatura tem como objetivo avaliar a capacidade seladora de materiais utilizados como barreira cervical em clareamento endógeno, a fim de comparar a eficácia da utilização de materiais seladores na entrada do canal radicular, com o propósito de delinear um tratamento mais seguro e eficiente na prevenção da reabsorção cervical externa pós-clareamento em dentes desvitalizados. 14 2 REVISÃO DE LITERATURA Pécora, Souza Neto e Costa (1991) apresentaram um método químico para detectar a passagem, na junção cemento-esmalte, do peróxido de hidrogênio a 30% através da dentina radicular. Após serem preparados, os dentes foram colocados suspensos em um béquer contendo uma solução reveladora à base de cromato de potássio e a câmara pulpar preenchida com peróxido de hidrogênio. Depois de atravessar a dentina na área cervical do canal radicular, o peróxido de hidrogênio em contato com a solução reveladora produziu uma alteração de cor desta solução, de amarelo para azul intenso. Os autores concluíram que o método é eficiente para demonstrar a permeabilidade da dentina ao peróxido de hidrogênio. Ainda, sugeriram que procedimentos impermeabilizantes na altura da entrada dos canais radiculares devam ser utilizados para evitar a passagem deste agente clareador pela junção cemento-esmalte durante o processo de clareamento dental. Vários materiais são indicados para serem utilizados na confecção do plug cervical. Entre eles, o cimento de fosfato de zinco, ionômero de vidro, óxido de zinco e eugenol e a resina composta, entretanto, o local, a espessura e o material utilizado como barreira cervical são motivos de controvérsia na literatura (ROTSTEIN; TOREK; LEWINISTEIN, 1991). Segundo Dotto et al. (2000), a reabsorção cervical externa ocorre quando o peróxido de hidrogênio difunde-se pela estrutura dentária até o ligamento periodontal, resultando em destruição do tecido periodontal e início do processo reabsortivo. Vasconcellos, Assis e Albuquerque (2000) avaliaram a capacidade de vedamento da região cervical de diferentes tipos de materiais usados na confecção desse tampão. Foram utilizados 32 incisivos humanos extraídos, divididos em 4 grupos: Grupo I (controle): desobturação parcial do conduto deixando apenas 1 mm cervical desobturado; Grupo II: ionômero de vidro modificado por resina; Grupo III: cimento de fosfato de zinco; Grupo IV: cimento resinoso. A solução corante constituída de Randomina B 0,2% e perborato de sódio foi inserida no interior da câmara pulpar, sendo os corpos de prova submetidos à ciclagem térmica. Os corpos 15 de provas foram lavados, incluídos em resina acrílica, cortados e realizada a leitura. Nos grupos I e IV, grau 0 de infiltração foi observado em 75% dos corpos de prova, enquanto nos grupos II e III, 50% dos corpos de prova, apresentaram respectivamente grau 1 e 2. Os resultados foram submetidos à análise de variância, apresentando diferença significante, sendo lícito concluir que nenhum dos grupos testados apresentou selamento perfeito. O grupo controle apresentou o melhor resultado, onde o material obturador usado foi deixado na região cervical, funcionando como tampão. O segundo melhor resultado foi do grupo IV (cimento resinoso), apresentando menor penetração de corante que o grupo III e III. Os grupos II e III apresentaram uma infiltração estatisticamente igual entre si, e mostraram-se ineficientes no vedamento da região cervical. O peróxido de hidrogênio em altas concentrações tem um baixo pH, ocasionando desnaturação que leva a um aumento da permeabilidade dentinária na região cervical, fazendo com que os gases da reação química do perborato de sódio com o peróxido de hidrogênio (técnica mediata) ou do peróxido de hidrogênio com o calor (técnica imediata) possam chegar até a superfície externa da raiz (LOGUERCIO et al., 2002). Dezotti et al. (2002) observou uma possível via de comunicação entre a câmara pulpar e a superfície externa da raiz, medindo o pH e a infiltração de corante na dentina cervical após o procedimento clareador. Realizou-se o tratamento endodôntico em 34 incisivos permanentes extraídos. Os dentes foram divididos em três grupos experimentais de acordo com o nível do corte da obturação e selamento da embocadura dos canais radiculares com cimento de ionômero de vidro. O clareamento foi realizado usando perborato de sódio e peróxido de hidrogênio a 30%. As leituras do pH foram realizadas e em seguida os dentes foram imersos em fucsina básica a 0,5% por 24h. Os resultados mostraram que o pH apresentou tendência a aumentar quando o corte da obturação permaneceu na embocadura dos canais, bem como quando se removeram 2 mm da obturação e quando se selou a embocadura com cimento de ionômero de vidro. A permeabilidade dentinária aumentou nos três grupos experimentais, em comparação com os dentes que compreenderam o grupo controle. Estas leves diferenças podem sugerir uma via de comunicação entre a câmara pulpar e a superfície externa da raiz. 16 Oliveira et al. (2002) avaliaram a eficácia do cimento ionômero de vidro e do cimento fosfato de zinco quando utilizados como barreira cervical durante o clareamento interno. Após serem instrumentados e obturados, 41 incisivos e caninos superiores humanos extraídos foram divididos em três grupos (cimento ionômero de vidro, cimento fosfato de zinco e controle). Nos grupos onde a barreira cervical foi confeccionada, 3 mm de material obturador foi removido abaixo da junção amelocementária e o cimento colocado. Uma mistura de perborato de sódio e peróxido de hidrogênio 30% foi colocada na câmara pulpar, sendo as cavidades seladas e os dentes mantidos em estufa por 7 dias. Em seguida, uma pasta de hidróxido de cálcio permaneceu na cavidade pulpar por 14 dias. Posteriormente, os dentes foram impermeabilizados com esmalte de unha e cera pegajosa, com exceção da cavidade de acesso e imersos em tinta nanquim por 7 dias, para em seguida serem cortados e avaliados com o auxílio de um estereomicroscópio por dois examinadores. Os resultados mostraram que a barreira confeccionada com o cimento fosfato de zinco apresentou menores infiltrações, em direção apical, que o cimento ionômero de vidro. Os autores concluíram que a ausência de barreira cervical aumenta significantemente a infiltração marginal em direção apical e que nenhuma das barreiras avaliadas impediu a infiltração do corante no interior dos túbulos dentinários em direção ao cemento. Em 2004, Yui et al., com o objetivo de avaliar in vitro a influência de associações de agentes clareadores sobre o tampão cervical utilizando infiltração marginal por corante, utilizaram 48 molares humanos íntegros, recém-extraídos, tratados endodonticamente pela técnica da condensação lateral com cones de gutapercha e cimento obturador Sealapex. O cimento de ionômero de vidro modificado por resina – Vitremer foi utilizado como tampão cervical com espessura de 3 mm. Os espécimes foram divididos em quatro grupos: I (controle, sem material clareador), II (perborato de sódio + água), III (perborato de sódio + peróxido de carbamida a 10%) e IV (perborato de sódio + peróxido de carbamida a 35%). A troca dos agentes clareadores foi realizada após 7 e 14 dias. Após 21 dias, os agentes clareadores foram removidos e os dentes foram impermeabilizados com esmalte para unhas e uma camada de cera pegajosa, sendo imersos em corante Rodamina B a 2% durante 48 horas e posteriormente lavados em água corrente e secos. A avaliação da infiltração na interface dentina-tampão cervical em direção apical foi 17 realizada, demonstrando que não houve diferença estatística entre o grupo controle e as associações de agentes clareadores. Concluiu-se que as associações de agentes clareadores tiveram o mesmo grau de infiltração quando comparados ao grupo controle, e não houve diferença estatística quando comparou-se os materiais clareadores entre si. Ainda, o tampão cervical realizado com cimento de ionômero de vidro modificado por resina (Vitremer) apresentou baixos valores de infiltração marginal em direção apical. Segundo os autores os dados deste estudo sugerem que o uso do tampão cervical realizado com Vitremer sobre a guta-percha, quando submetido ao clareamento endógeno com os materiais testados, foi suficiente para reduzir a infiltração do corante em direção apical, sendo que a infiltração máxima ocorreu a 1,60 mm. Desta maneira, os resultados indicaram que 3 mm de Vitremer utilizado como barreira cervical foram efetivos no bloqueio da infiltração do material clareador em direção apical. Mendes (2004) estudou as mudanças de pH extrarradicular em dentes submetidos ao tratamento clareador endógeno após a colocação de diferentes barreiras cervicais, com e sem a confecção de defeitos artificiais ao longo da junção cemento-esmalte. Cinqüenta caninos superiores humanos extraídos foram utilizados. Após serem instrumentados e obturados, tiveram 2 mm de material obturador removidos, sendo divididos em três grupos experimentais e dois grupos controle. As barreiras cervicais foram confeccionadas com o cimento fosfato de zinco, cimento de óxido de zinco sem eugenol (Coltosol) e cimento ionômero de vidro fotopolimerizável. A pasta clareadora formada pela mistura do perborato de sódio e peróxido de hidrogênio 30% foi inserida nas cavidades. Os espécimes foram imersos em frascos contendo água deionizada e medidas do pH obtidas no momento em que os dentes foram colocados na água, após 24, 48, 72 horas e sete dias, com o auxílio de um pHmetro digital. Em uma segunda etapa, foram confeccionados defeitos artificiais ao longo de toda extensão da junção cemento-esmalte, a pasta clareadora substituída, as cavidades seladas e impermeabilizadas para posterior avaliação do pH. Os resultados indicaram diferença significativa entre os grupos avaliados (p < 0,05). Houve um aumento do pH da água em todos os grupos experimentais, sendo esse maior após a confecção do defeito artificial, indicando a passagem dos materiais clareadores pela junção cemento-esmalte. Na primeira etapa do estudo valores de pH mais elevados foram obtidos no grupo onde o cimento ionômero de 18 vidro fotopolimerizável foi utilizado, tendo o cimento fosfato de zinco e cimento Coltosol se comportado de maneira semelhante. Após a confecção do defeito artificial, valores de pH mais constantes e menores foram obtidos com o cimento Coltosol, enquanto os outros dois cimentos permitiram elevação significativa do pH. Vasconcellos et al. (2004) realizaram um estudo in vitro com o objetivo de avaliar a capacidade de vedamento dos diferentes materiais utilizados para a confecção da barreira cervical através da análise qualitativa e quantitativa da microinfiltração de corante. Foram divididos em 6 grupos 42 pré-molares superiores humanos extraídos, sendo um grupo controle (guta-percha) e outros cinco grupos com os seguintes materiais: cimento ionômero de vidro resinoso; cimento fosfato de zinco; cimento de óxido de zinco sem eugenol (Coltosol®); cimento resinoso; cimento ionômero de vidro convencional. Após realização de tratamento endodôntico e execução da barreira, os corpos de prova foram termociclados, impermeabilizados, corados com solução de azul de metileno 2% por um período de 24 horas. Estes foram seccionados longitudinalmente, sendo posteriormente, levados a uma lupa estereomicroscópica acoplada a uma câmara para a visualização da infiltração, que foi determinada pela penetração do corante a partir da margem até a base da barreira. Os resultados foram submetidos à análise estatística, não sendo constatada diferença significativa entre os grupos. A comparação dos grupos permitiu verificar que quando o grupo restaurado com Coltosol® foi comparado aos demais grupos a diferença foi significativa (p < 0,05). Considerando as condições testadas, concluiu-se que nenhum material foi 100% eficaz no vedamento, sendo os melhores resultados apresentados pelo Coltosol®. Os mecanismos de clareamento são variados, podendo dar origem a diferentes espécies de oxigênio ativo, e dependem das condições de reação que incluem temperatura, pH, luz e presença de metais. O peróxido de hidrogênio oxida uma grande variedade de compostos orgânicos e inorgânicos. A reação de oxidação, no clareamento dental, ocorre pela difusão do peróxido através da estrutura dental para causar oxidação e clarear as espécies escurecidas, particularmente, no interior da dentina (JOINER, 2006). Cardoso (2006) verificou através de análise radiográfica a adaptação de tampões cervicais confeccionados com quatro materiais, G1=cimento de fosfato de 19 zinco; G2=Riva; G3=Vitrofill ; G4=Biocal (n=22). Para o estudo foram selecionados 88 incisivos inferiores humanos extraídos. Após abertura coronária e preparo biomecânico, foram confeccionados tampões cervicais 2 mm aquém do colo anatômico. Os corpos de prova foram armazenados em estufa biológica (37°C) por 7 dias e radiografados no sentido mésio-distal e vestíbulo-lingual para posterior análise radiográfica quanto a uniformidade de espessura e presença de bolhas nos tampões cervicais. O teste de Kruskal-Wallis não indicou diferença estatisticamente significante entre os grupos no que se refere à existência de bolhas. Quanto à uniformidade de espessura, a aplicação do mesmo teste revelou discrepâncias significantes entre os grupos. No sentido vestíbulo-lingual, os grupos divergentes foram: G1XG3; G2XG3; G1X G4; G2XG4; G3XG4. Para o sentido mésio-distal, o G4 mostrou superioridade estatística quando comparado aos demais grupos. Houve reduzida incidência de bolhas nos tampões cervicais independentemente do material utilizado. Os materiais que proporcionam um maior controle em sua manipulação e presa (dual ou ativação pela luz) propiciaram maior uniformidade de espessura do tampão cervical, que foram o G3=cimento de ionômero de vidro híbrido-Vitrofill LC/DFL® e G4=cimento de hidróxido de cálcio fotopolimerizável- Biocal/Biodinâmica®. Llena, Amengual e Forner (2006) avaliaram os índices de infiltração cervical no tampão de resina flow confeccionados com diferentes sistemas adesivos em dentes tratados endodonticamente submetidos a clareamento dental. Setenta dentes com raízes obturadas receberam tampão cervical com resina flow usado com três sistemas adesivos: Excite DCS, Syntac e Excite. O agente clareador utilizado na câmara pulpar por 24 horas foi o peróxido de hidrogênio 30%. Após o clareamento, os dentes foram imersos em solução de nitrato de prata a 50% por 4 horas, lavados, seccionados longitudinalmente e expostos à luz solar por 2 horas. A penetração do corante foi avaliada com aumento de 4x. A infiltração máxima ocorreu no grupo controle (tampão cervical confeccionado sem condicionamento ácido e sem aplicação prévia de adesivo). Nos grupos submetidos ao condicionamento ácido e utilização do sistema adesivo para a confecção do tampão cervical, não houve diferença estatisticamente significante entre os adesivos utilizados, em relação aos índices de infiltração. Nos grupos onde apenas o sistema adesivo foi usado, 50% dos espécimes apresentaram infiltração. Os autores concluíram que a utilização dos 20 sistemas adesivos testados diminuiu os índices de infiltração no tampão cervical de resina flow. Em 2007 Gomes et al., com o objetivo de verificar in vitro a capacidade seladora de quatro materiais usados como tampão cervical, utilizaram 88 incisivos inferiores permanentes extraídos, distribuídos aleatoriamente em dois grupos: G1=perborato de sódio; G2=Cristal de uréia. Cada grupo foi subdividido em quatro subgrupos (n=11): A=cimento de fosfato de zinco; B= Riva; C= Vitrofill; D= Biocal. Os tampões foram confeccionados 2 mm aquém do colo do dente. Após o clareamento (sete dias, 37°C), impermeabilização das faces externas e atuação da fucsina básica 0,5% no interior da câmara coronária por 24h a 37°C, os espécimes foram lavados e secionados transversalmente na região do tampão. Foi avaliada visualmente a infiltração lateral, em escores que variaram de 0 (nenhuma infiltração) a 4 (infiltração até a face externa). Assim foi possível verificar que o Biocal mostrou superior capacidade seladora em relação aos demais materiais testados, e o cimento de fosfato de zinco apresentou os maiores níveis de infiltração. Em 2008, em estudo sobre a eficácia dos materiais utilizados como barreira cervical, Gomes et al. avaliaram a eficiência de três materiais usados na confecção do tampão cervical no procedimento clareador. Utilizaram 36 caninos humanos recém-extraídos e divididos em quatro grupos experimentais, de nove dentes cada grupo. O grupo I foi o grupo controle, no qual não se realizou nenhum vedamento da região cervical; o grupo II corresponde ao tampão cervical feito pelo cimento de ionômero de vidro quimicamente ativado (Vidrion R); no grupo III utilizou-se o cimento de ionômero de vidro modificado por resina (Vitremer); e no grupo IV foi utilizado o cimento restaurador temporário Coltosol. Uma pasta de perborato de sódio com peróxido de hidrogênio a 30% foi colocada na câmara pulpar por sete dias, seguido da colocação do corante para posterior avaliação da microinfiltração. Os resultados obtidos entre os grupos experimentais foram estatisticamente significativos. Como conclusão do trabalho, os autores relataram que nenhum dos grupos proporcionou um bom selamento cervical, no entanto o G IV (Coltosol®) obteve o melhor resultado, seguido do G III (Vitremer). O GII demonstrou precárias propriedades seladoras, estatisticamente semelhantes ao grupo controle. 21 Plotino et al. (2008) relataram vários casos de descoloração dental, diferentes materiais clareadores, e suas aplicações em dentes tratados endodonticamente. Salientaram sobre os efeitos adversos causados pelo clareamento em dentes desvitalizados, tais como: reabsorção cervical externa, danos às restaurações de resina composta, sensibilidade dentinária e a redução da microdureza do esmalte dental. Concluíram que ainda é deficiente o número de pesquisas sobre o prognóstico de dentes não vitais submetidos ao clareamento. Por essa razão ressaltam a importância das possíveis complicações e riscos que estão associados às diferentes técnicas de clareamento. Vários são os mecanismos que podem desencadear reabsorção cervical externa, entre eles a ação química e física dos agentes clareadores empregados, a morfologia da junção amelocementária associada ao sistema imunológico, à concentração dos materiais empregados, os traumas, bem como a técnica de clareamento utilizada. (SILVA et al., 2009). O peróxido de hidrogênio, o peróxido de carbamida e o perborato de sódio podem ser utilizados na superfície externa e interna dos dentes ou aplicados no interior da câmara pulpar, seguido pelo selamento coronário e troca do material clareador, em períodos de tempo pré-estabelecidos – técnica conhecida como Walking bleach. A aplicação de calor, visando acelerar a reação química do clareamento dental (técnica termo-catalítica) tem sido questionada pelo fato de se constituir em um possível fator de risco para o desenvolvimento de reabsorção radicular externa (MARTINS et al., 2009). Bernardineli et al. (2009) em estudo longitudinal investigou o efeito da ausência de junção amelocementária (JAC) na variação de pH extrarradicular durante clareamento interno. Foram utilizados 30 incisivos humanos extraídos. Estes dentes foram divididos em dois grupos experimentais (n = 12) e um grupo controle (n = 6). Nos espécimes do grupo experimental I, as junções amelocementárias foram mantidas intactas; no grupo experimental II, as mesmas foram completamente removidas por desgaste com ponta diamantada antes da inserção intracoronária de peróxido de hidrogênio a 30%. No grupo controle, as câmaras pulpares foram repletas de soro fisiológico. Em cada intervalo experimental de 0, 24, 72, 96, 156, 192 e 270 horas, mensurava-se o pH extrarradicular. A análise de variância revelou 22 para o grupo II (JAC ausente) os menores valores de pH (4,3 ± 0,16), que foram estatisticamente diferentes do grupo controle (pH=7,1 ± 0,20) nos intervalos de 156, 192 e 270 horas, e do grupo I (pH=5,9 ± 0,14) no período de 270 horas (p ≤ 0,05). Concluiu-se que a ausência de união entre cemento e esmalte reduziu o pH no meio extrarradicular tardiamente (270 horas). Scopel (2009) teve como objetivo avaliar in vitro, a eficácia do cimento do ionômero de vidro modificado por resina e o cimento de fosfato de zinco como barreira cervical no clareamento endógeno de dentes desvitalizados. Utilizou 22 incisivos centrais superiores extraídos, sendo que estes foram tratados endodonticamente, as obturações dos canais radiculares removidas na porção coronária 1mm abaixo da junção amelocementária e divididos em dois grupos de dez dentes cada, de acordo com o material utilizado como barreira cervical. Os outros dois dentes serviram como controles negativo e positivo. A infiltração foi avaliada através do corante rodamina B a 0,2%. Os resultados foram submetido à análise estatística através do Teste de Kolmogorov-Smirnov e Teste de Lavene, e para verificar a diferença entre os dois grupos foi utilizada a análise de variância (ANOVA). Houve diferença estatística significativa entre os grupos. O cimento de ionômero de vidro modificado por resina (Vitremer) foi o material mais eficaz quando utilizado como barreira cervical. Patel, Kanagasingam e Ford (2009) realizaram uma revisão da etiologia, fatores predisponentes, diagnóstico e tratamento da reabsorção cervical externa. Esta, pode resultar em danos irreversíveis e/ ou eventual perda do dente. Vários fatores etiológicos podem danificar a região cervical da superfície radicular e, portanto, iniciar a reabsorção cervical externa. Estes incluem: trauma dental, tratamento ortodôntico, clareamento, terapia periodontal e de etiologia idiopática. Os autores enumeram alguns sinais clínicos e radigráficos. Sinais clínicos: ponto rosado que pode ser observado pelo paciente e o cirurgião dentista. O dente geralmente responde positivamente aos testes de vitalidade a menos que haja envolvimento pulpar e sangramento à sondagem, sendo geralmente assintomático. Sinais radiográficos: radiolucidez localizada assimetricamente na porção externa radicular, sem comprometimento do canal radicular. O diagnóstico é realizado através dos exames clínico e radiográfico. Recentemente, a tomografia computadorizada de feixe cônico tem sido utilizada para avaliar com maior precisão as lesões de 23 reabsorção cervical externa. O tratamento depende da gravidade, localização. Essencialmente, o tratamento envolve a remoção completa do tecido da região reabsorvida e a restauração do defeito resultante. O tratamento endodôntico também pode ser necessário nos casos em que houver comunicação entre a lesão e o sistema de canais radiculares. Süssenbach (2010), em revisão de literatura, estudou o clareamento de dentes tratados endodonticamente. A autora concluiu que dentre os agentes clareadores, destaca-se o perborato de sódio misturado com água, tendo a mesma capacidade de clareamento e não ocasionando uma possível reabsorção cervical externa quando associado ao peróxido de hidrogênio. Ainda, o uso de tampão cervical faz-se necessário para prevenir uma possível reabsorção cervical externa, principalmente nos casos onde se encontram defeitos da junção amelo-cementária, o que os torna mais suscetível à penetração do agente clareador. A patogênese das reabsorções externas induzidas por clareamento interno deve ser constantemente avaliada, para permitir uma escolha racional do procedimento clareador, efetuando manobras e procedimentos que visem reduzir esse risco ou controlá-lo devem ser estimulados. Entretanto, esses aspectos necessitam ser mais bem esclarecidos e estudos mais conclusivos devem ser feitos. Quando a reabsorção está presente na superfície externa radicular, correspondente à junção amelocementária, imediatamente abaixo do epitélio juncional de dentes clareados, trata-se de um processo patológico de natureza inflamatória progressiva denominada reabsorção cervical externa. Esta é, certamente, a mais grave sequela do clareamento endógeno (SILVA, 2010). Costa et al. (2010), com o propósito de avaliar a capacidade de vedação da região cervical de dois tipos de materiais usados na confecção do tampão cervical, utilizaram 22 incisivos inferiores humanos extraídos, que foram divididos aleatoriamente em 4 grupos: Grupo I - 9 dentes selados com cimento de ionômero de vidro fotopolimerizável; Grupo II - 9 dentes selados com cimento resinoso; Controle negativo - 2 dentes selados apenas com guta-percha e que não receberam solução clareadora; Controle positivo - 2 dentes selados apenas com guta percha e que receberam apenas o peróxido de hidrogênio. Depois de confeccionado o tampão cervical, foi colocado o peróxido de hidrogênío 35% e curativo com ionômero 24 de vidro para restauração. Após a impermeabilização externa, os dentes foram submersos até a região de cíngulo em recipientes contendo 3 ml de água destilada. Decorridos sete dias, os dentes foram removidos e com o auxílio de uma pipeta automática foi extraído 1 ml da composição de cada amostra e colocado em uma cubeta de quartzo, adicionando então 1 ml de sulfato ferroso 0,1 ml/I e 1 ml de tiocionato de potássio 0,2 ml/I. As amostras foram submetidas à leitura com espectrofotômetro, e os resultados analisados estatisticamente concluindo que o cimento resinoso, quando utilizado como tampão cervical, foi mais eficaz do que o ionômero de vidro. A eficácia do tratamento clareador reside em fatores pertinentes ao elemento dental, como etiologia, profundidade, localização e o tempo do escurecimento, pois quanto maior o período, mais incerta é a reversão como também ao produto, uma vez que o potencial oxidante está diretamente relacionado à concentração e ao tempo de permanência do agente na câmara pulpar (CARDOSO et al., 2011). Nos casos de clareamento, a reabsorção cervical externa pode ser considerada relativamente rara e de natureza invasiva, geralmente sua causa está associada a trauma dentário, tratamento ortodôntico ou clareamento interno. Por não apresentar sintomatologia dolorosa, muitas vezes é diagnosticada por exames radiográficos de rotina, dificultando seu diagnóstico no estágio inicial (BARNABÉ et al., 2011). O processo de reabsorção envolve a perda de estruturas dentárias, como dentina e cemento e também do osso alveolar, sendo resultante da atividade de células clásticas e causado por fatores fisiológicos, patológicos ou idiopáticos. A raiz dental normalmente é resistente aos estímulos que levam à reabsorção o que se deve à proteção de tecidos não mineralizados, como a pré-dentina e a camada odontoblástica internamente e do pré-cemento externamente. Esses tecidos desempenham importante papel na resistência dos dentes às reabsorções, pois impedem a ação clástica à dentina mineralizada. Para iniciar o processo de reabsorção radicular é necessário que ocorra uma injúria aos tecidos não mineralizados que cobrem a superfície externa da raiz, como o pré-cemento, e a superfície interna do canal radicular, como a pré-dentina e a camada odontoblástica (MACIEIRA et al., 2011). 25 Silveira et al. (2011), com o objetivo de avaliar as mudanças de pH extrarradicular pós tratamento clareador, utilizou três diferentes barreiras cervicais. Foram utilizados 50 caninos superiores extraídos. Após serem instrumentados e obturados, tiveram 2 mm de material obturador removidos, sendo divididos em três grupos experimentais. Defeitos artificiais ao longo da junção cemento-esmalte foram realizados e as barreiras cervicais confeccionadas com os cimentos de fosfato de zinco, óxido de zinco sem eugenol e ionômero de vidro. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística, sendo que os resultados indicaram diferença significativa entre os grupos. O cimento de óxido de zinco sem eugenol proporcionou a melhor capacidade de vedamento cervical, valores de pH mais constantes e menores, enquanto os outros dois cimentos, que se comportam de maneira mais semelhante, permitiram elevação significativa do pH. Maleknejad, Ameri e Kianfar (2012) avaliaram in vitro as alterações ultraestruturais da dentina induzida após exposição a diferentes agentes clareadores. Foram utilizados 64 pré-molares superiores humanos. Os dentes foram cortados com 1 mm de espessura a partir da dentina coronária. Foram divididos em quatro grupos: peróxido de carbamida a 45%, o peróxido de hidrogênio a 35%, perborato de sódio + peróxido de hidrogênio a 30%, perborato de sódio + água. As amostras foram então avaliadas com a utilização do microscópio eletrônico de varredura para avaliar o diâmetro dos túbulos dentinários e análise química. Houve diferença significativa entre o diâmetro dos túbulos dentinários de todos os grupos teste e controle, com exceção do perborato de sódio + água. A análise química revelou que não houve nenhuma diferença significativa entre os grupos experimentais. Todos os agentes clareadores aumentaram o diâmetro dos túbulos dentinários e promoveram alterações no conteúdo mineral de dentina com exceção do perborato de sódio misturado com água. 26 3 DISCUSSÃO A alteração cromática que ocorre em dentes desvitalizados é um dos fatores que prejudica a harmonia do sorriso, necessitando de intervenção. Diante disso, o clareamento intracoronário é habitualmente utilizado (GOMES et al., 2008). O clareamento de dentes sem vitalidade, seja pelo seu alto índice de sucesso, seja por se tratar de uma técnica extremamente conservadora e de baixo custo, é um procedimento com grande indicação. Contudo a literatura tem demonstrado que a reabsorção cervical externa é um possível risco envolvido neste procedimento. Na tentativa de prevenir esta patologia, a confecção de uma barreira cervical recobrindo a obturação radicular deve ser empregada anteriormente à inserção do agente clareador, evitando a passagem do oxigênio liberado durante o clareamento endógeno à superfície externa dental, com o intuito de impedir o início do processo reabsortivo (SCOPEL, 2009; CARDOSO et al., 2011). A confecção da barreira cervical, embora não sendo totalmente eficiente, representa um procedimento que visa reduzir a difusão dos agentes clareadores. Segundo o Quadro 1, todos os estudos à respeito de infiltração cervical foram realizados in vitro, sendo a espessura e os materiais utilizados para a confecção de barreiras cervicais bastante variadas, dificultando as comparações entre eles, como pode-se observar nos estudos de Silveira (2011), Vasconcelos et al. (2004) e Cardoso (2006). Outra dificuldade para a comparação dos estudos são os testes para medir a capacidade de selamento dos materiais, sendo que alguns utilizam corantes, como a tinta nanquim (OLIVEIRA et al., 2002 , GOMES et al., 2008) e a rodamina B 0,2% (VASCONCELLOS, ASSIS e ALBUQUERQUE, 2000), outros as medições de pH (MENDES, 2004) e há ainda as avaliações radiográficas (CARDOSO, 2006). Destaca-se ainda, a importância de avaliar a capacidade seladora dos materiais a partir da utilização de corante, sendo este um método já amplamente utilizado, mas que, contudo, poderá interagir quimicamente com o material da barreira impedindo a adequada avaliação da infiltração (SCOPEL, 2009). 27 Esta revisão de literatura somente pode realizar comparações, embora ciente da diferença da metodologia utilizada. Vasconcellos et al. (2004) utilizaram como metodologia de estudo a infiltração de corante e Silveira et al. (2011), a leitura de pH, onde ambos concluíram que o cimento restaurador provisório (Coltosol®) apresentou os melhores resultados. Gomes et al. (2008) utilizaram os cimentos de ionômero de vidro quimicamente ativado (Vidrion R), ionômero de vidro modificado por resina (Vitremer) e o restaurador temporário (Coltosol®) para confecção da barreira cervical. Quando comparados os materiais, foram obtidos resultados satisfatórios com o cimento restaurador provisório (Coltosol®). Os autores atribuíram a capacidade seladora do Coltosol® à expansão higroscópica de 60% que sofre esse material. A superioridade do Coltosol® pode ser confirmada novamente com o estudo de Mendes et al. (2004) e Silveira (2011) ao utilizarem a leitura de pH como metodologia para avaliar a capacidade seladora dos tampões cervicais. Foram comparados os cimentos de fosfato de zinco, o cimento de ionômero de vidro modificado por resina e o cimento restaurador provisório (Coltosol), todos com espessura de 3 mm. Gomes et al. (2007) verificaram que o cimento de fosfato de zinco apresenta elevado grau de infiltração e consequentemente pobre capacidade de selamento, devido às poucas propriedades adesivas atribuídas a este cimento. Já o ionômero de vidro, seria o material de escolha para a confecção do tampão cervical por apresentar baixa contração de presa, dentre outras propriedades. Contudo, o cimento de hidróxido de cálcio fotoativado demonstrou os melhores resultados, possivelmente por este produto possuir uma maior fluidez permitindo melhor escoamento e adaptação às paredes do conduto radicular. Para Cardoso et al.(2006), os materiais de menor fluidez e presa química podem perder ainda mais a capacidade de escoamento e adaptação na região cervical pelo início de sua presa, o que poderia propiciar uma menor uniformidade de espessura dos tampões. Assim, comprovou em seu estudo que os cimentos Vitrofill e Biocal, ambos de presa ativada pela luz, propiciaram uma espessura mais 28 uniforme nos tampões cervicais, o que pode determinar clinicamente, uma maior segurança na realização do clareamento endógeno. Além do material utilizado, outros fatores exercem grande influência na capacidade de vedamento, dentre os quais podemos citar: a espessura da base protetora e a utilização ou não de fonte de calor. Scopel (2009), em seu estudo, utilizou barreiras cervicais de cimento de ionômero de vidro modificado por resina (Vitremer), onde este apresentou os melhores resultados, e cimento de fosfato de zinco, com espessura de 2 mm. Nesse sentido, a autora afirma que uma espessura inferior a 2 mm poderia permitir a penetração dos agentes clareadores. Os resultados obtidos no estudo de Vasconcellos, Assis e Albuquerque (2000) apresentaram vedamento significativamente melhor para o grupo que não recebeu tampão. Tal fato pode estar associado à espessura da barreira cervical, que foi de apenas 1 mm, diferenciando-se dos demais estudos desta revisão de literatura, os quais preconizaram a confecção da barreira cervical de 2 e 3 mm. Estudos existentes na literatura indicaram espessuras e resultados controversos sobre materiais utilizados como tampão cervical, porém, todos os estudos são unânimes em validar o método de fazer um tampão cervical prévio ao clareamento interno. Apesar da maioria dos trabalhos utilizarem o cimento de óxido de zinco sem eugenol, referindo-se a ele como um material selador provisório, os dados deste estudo sugerem que o uso de tampão cervical confeccionado com Coltosol sobre o material obturador, quando submetido ao tratamento clareador endógeno, apresenta resultados mais satisfatórios na redução da infiltração de corante em direção apical quando comparados aos demais materiais testados descritos no Quadro 1. 29 4 CONCLUSÕES Após esta revisão de literatura, que discorreu sobre a capacidade seladora de materiais utilizados como barreira cervical em clareamento endógeno, parece lícito concluir que: • Nenhum material utilizado foi capaz de bloquear completamente a infiltração de substâncias provenientes de agentes clareadores para superfície externa dos dentes; • Segundo esta revisão de literatura, podemos afirmar que o cimento restaurador provisório (Coltosol) é o mais indicado para a confecção do tampão cervical, pois apresentou os melhores resultados contra a infiltração cervical. 30 REFERÊNCIAS BARATIERI, L. 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White) Mendes (2004) In vitro Leitura de pH 50 caninos superiores 2mm *Grupo controle Coltosol apresentou pH menor e mais *Cimento de fosfato de zinco (S.S. constante. White) *Coltosol *Cimento de ionômero de vidro fotopolimerizável (GC Fuji-Japão) 33 35 *Grupo controle *Cimento de ionômero de vidro al. resinoso (Vivaglas Liiner) Infiltração por Vasconcellos et In vitro (2004) corante azul 42 pré-molares de Metileno superiores *Cimento de fosfato de zinco (S.S. 2mm White) *Coltosol 2% *Cimento resinoso (Ciment-it) Não foi constatada diferença significativa entre os grupos, porém os melhores resultados foram apresentados pelo Coltosol. *Cimento de ionômero de vidro convencional (Ketac Fill Plus) Os cimentos de ionômero de vidro Análise radiográfica Cardoso (2006) In vitro da adaptação de tampões 88 incisivos inferiores *Cimento de fosfato de zinco/DFL 2mm *Riva/SDI® *Vitrofill LC/DFL® cervicais *Biocal/ Biodinâmica® híbrido Vitrofill LC/DFL® e de hidróxido de cálciol-Biocal/ Biodinâmica® proporcionaram maior uniformidade de espessura quando utilizados como tampão cervical. *Biocal/Biodinâmica® mostrou superior Gomes et al. (2007) Infiltração por In vitro fuccina básica 0,5% *Cimento de fosfato de zinco/DFL® 88 incisivos inferiores 2mm capacidade seladora. *Riva/SDI ® * Vitrofill LC/DFL® *Biocal/Biodinâmica® 34 36 *Grupo controle *Cimento de ionômero de vidro quimicamente ativado (Vidrion R) Gomes et al. (2008) In vitro Infiltração por tinta nanquim 36 caninos 2mm *Cimento de ionômero de vidro O Coltosol obteve o melhor resultado. modificado por resina (Vitremer) *Coltosol Infiltração por Scopel (2009) In vitro corante Randomina B 0,2% *Grupo controle 22 incisivos centrais *Ionômero de vidro modificado por 1mm superiores resina (Vitremer) *Cimento de fosfato de zinco (S.S. White) O cimento de ionômero modificado por resina (Vitremer) foi o material mais eficaz quando utilizado como barreira cervical. *Grupo controle *Cimento de fosfato de zinco (S.S. White) Silveira (2011) In vitro Leitura de Ph 50 caninos superiores 2mm * Cimento de óxido de zinco sem eugenol (Coltosol) *Cimento de ionômero de vidro fotopolomerizável (GC Fuji II LC- O cimento de óxido de zinco sem eugenol proporcionou melhor capacidade de vedamento cervical, além de valores menores e mais constantes de pH. Japão) Quadro 1: Artigos científicos sobre materiais utilizados como barreira cervical em clareamento endógeno. 35