AVALIAÇÃO EXTERNA DOS ALUNOS NO DISTRITO DE PORTALEGRE
Equipa de Apoio às Escolas do Alentejo Norte e Jorge Mangerona
*
Resumo:
Com a necessidade de estabelecer metas nacionais a atingir a médio prazo, cada escola foi
confrontada com o imperativo de repensar o seu desempenho. A publicação dos resultados da
avaliação externa dos alunos tem vindo a ser considerada um dos indicadores a utilizar, uma vez que
a mesma influencia o modo como a sociedade olha a Escola e cada escola em particular. Através
desta publicação de resultados, procurou-se verificar o desempenho dos alunos do distrito perante
os testes de exame nacionais em 4 disciplinas, comparando os resultados nas sete unidades de
ensino secundário e ainda perceber se a influência da condição socioeconómica se verifica de forma
notória nessas mesmas unidades. Partilhando este estudo com os Directores e Presidentes dos
Conselhos Gerais, solicitou-se a cada unidade a selecção de uma medida pedagógica a partir dos
respectivos Projectos Educativos, que, ao longo do ano, servisse a melhoria de resultados fornecidos
por este indicador em análise.
Estudaram-se ainda os resultados no ensino básico, aqui não apresentados, cooptados para a
definição de tendências em agrupamentos ou escolas secundárias com 3º ciclo.
Palavras-chave: Resultados escolares, Agrupamentos/escolas, Ensino Secundário e condição
socioeconómica.
Metodologia
Foram utilizados os valores publicados pelo jornal Público nos anos 2006 a 2010 e os
relatórios anuais do JNE. As escolas forneceram os dados do SASE relativos aos escalões de
subsídios para a sua correlação com os resultados escolares.
Para comparação, estudaram-se as disciplinas comuns às sete unidades orgânicas:
Português, Matemática A, Física e Química A e Biologia e Geologia. As restantes disciplinas
foram alvo de apreciação isoladamente, na medida em que atingem valores bastante altos
ou bastante baixos.
Não foram considerados outros indicadores que permitam concluir acerca da eficácia
do trabalho realizado por cada uma das escolas como, por exemplo, taxas de repetência ou
capacidade de manter alunos no sistema educativo.
Neste artigo não estão publicados os dados que permitiram as leituras aqui
evidenciadas, sendo disponibilizados pela EAE Alentejo Norte.
*
Equipa de Apoio às Escolas do Alentejo Norte, com a colaboração do professor aposentado Dr. Jorge
Mangerona
E-mail : [email protected]
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Numa segunda fase, centrada no ensino básico, seguiu-se uma metodologia
semelhante. Dada a sua relevância para o distrito, foram estudados, com maior grau de
aprofundamento os resultados no concelho de Elvas, incluindo os resultados de provas de
aferição e exames de 9º ano.
Apresentação dos resultados
Nos últimos anos, quer as escolas quer a comunicação social têm evidenciado uma
maior preocupação com o tratamento dos dados estatísticos fornecidos pelo Ministério da
Educação. Por um lado, torna-se evidente a escassez de dados complementares que
permitam uma análise mais localizada e focalizada dos referidos resultado; por outro lado, o
histórico dos últimos cinco anos começa a permitir definir tendências que merecem ser
analisadas.
Relativamente ao distrito de Portalegre, a primeira constatação evidente foi a de que,
nos anos e conjunto de provas considerado, a média das classificações do distrito foi sempre
inferior à média nacional.
Média Nacional/Média distrito
12
Classificações
10
8
6
Média Nacional
4
Média Distrito
2
0
2006
2007
2008
2009
2010
Da análise por unidade, foi possível verificar que o Agrupamento de Escolas de Alter do
Chão e o Agrupamento de Escolas de Nisa atingem sempre valores globais muito baixos
(abaixo dos 8 valores). Olhando a curva desenhada parece que, a não haver alterações nos
quotidianos escolares, tendencialmente, se manterão os resultados. Considerando a
diferença nota máxima/mínima de cada uma das disciplinas consideradas por escola, nos 5
REVISTA ALENTEJO EDUCAÇÃO – N.º3 (2011)
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anos estudados, tendo em conta que se trata de alunos internos, este aspecto merece ser
aprofundado.
Alter do Chão / Distrito
12
10
Classificações
8
6
Alter do
Chão
4
Média do
Distrito
2
0
2006
2007
2008
2009
2010
Nisa/Distrito
12
Classificações
10
8
6
Nisa
4
Média distrito
2
0
2006
2007
2008
2009
2010
D. Sancho II/Distrito
12
Classificações
10
8
6
Média Distrito
4
D. SanchoII
2
0
2006
2007
2008
2009
2010
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ESPS/Distrito
12
Classificações
10
8
6
ESPS
4
Média distrito
2
0
2006
2007
2008
2009
2010
ESSL/ Distrito
12
Classificações
10
8
6
ESSL
4
Média Distrito
2
0
2006
2007
2008
2009
2010
ESMS/Distrito
12
10
Médi
a
ESMS
Classificações
8
6
Médi
a
Distri
4
2
0
2006
2007
2008
2009
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2010
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ESCM/Distrito
12
10
Classificações
ESCM
8
6
Média
distrito
4
2
0
2006
2007
2008
2009
2010
A análise destes resultados, escola a escola, revelou ainda algumas situações
interessantes que merecem destaque e que evidenciam não só algumas das fragilidades dos
rankings permitindo, por exemplo, grandes oscilações na posição ordenada de uma dada
escola, como também a necessidade de dar publicidade às boas práticas. Constatou-se, por
exemplo, que os alunos da Escola Secundária de Campo Maior, no ano de 2008, atingiram a
média de dezasseis valores na disciplina de Matemática, facto que não mereceu a devida
atenção da comunicação social local, nem sequer da comunidade escolar regional. Salientese ainda que muitos alunos obtêm classificações/ médias elevadas ingressando em cursos
superiores que, não sendo de medicina, são desvalorizados pela sociedade. Nos anos em
estudo, no distrito, houve alunos que atingiram classificações elevadas / máximas em
diversas disciplinas, como podemos observar no quadro abaixo:
Ano
Classificação Máxima em
Exame
2006
18,9
Biologia
Psicologia
2007
19,3
Matemática
2008
20
Matemática
2009
20
Matemática
2010
20
Matemática
Disciplina
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O senso comum e as dificuldades da região levam a que os baixos resultados globais
sejam encarados como uma consequência e quase como uma fatalidade. Um dos aspectos
significativos deste estudo foi a análise da correlação entre resultados escolares e condição
sócio-económica dos alunos. Não havendo outro indicador, mais fiável, foi considerado
como representativo dessa realidade a percentagem, por escola, de alunos subsidiados.
Utilizou-se o coeficiente de correlação de Pearson.
Correlação entre a percentagem de alunos subsidiados e
as médias dos exames nacionais
Escolas
Nº de alunos Nº de alunos
subsidiados
% de alunos
subsidiados
Média
Alter do Chão
191
89
46,60%
7,96
Nisa
357
158
44,26%
8
D. Sancho II
672
197
29,32%
9,32
ESPS
783
296
37,80%
8,75
ESSL
675
156
23,11%
10,67
ESMS
612
127
20,75%
10,15
ESCM
562
179
31,85%
9,11
12/11/2010
EAE-AN
Coeficiente de correlação
12/11/2010
EAE-AN
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Como se depreende do valor encontrado (p= -0,97 < 0,05), há uma forte correlação
entre as médias dos exames nacionais e a percentagem de alunos subsidiados. No entanto, a
confirmação desta realidade não explica tudo, pois, comparado o distrito de Portalegre com
outros distritos do interior com características que parecem ser semelhantes, verifica-se que
a prestação global dos nossos alunos é a mais fraca a nível nacional. Sendo necessário
ultrapassar esta situação e encontrar soluções, os Directores das Escolas acordaram, em
sessão de trabalho conjunta, a definição de uma medida de melhoria, cujo resultado será
aferido após a próxima época de exames, em 2011.
Dada a relevância do concelho de Elvas, no contexto do distrito, foi este analisado em
particular, envolvendo, para isso as escolas básicas e a escola secundária, de modo a
consciencializar acerca da necessidade de articulação vertical entre ciclos. A análise relativa
aos resultados das escolas do concelho de Elvas mereceu as mesmas considerações
anteriormente apresentadas e seguiu-se a mesma metodologia. Apresenta-se, a seguir, o
gráfico que compara a média obtida pelas escolas do distrito e a média obtida pelas escolas
do concelho de Elvas no 3º CEB, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática:
3º CEB
Trabalho realizado pela EAE AN
9/12/2010
Da análise do gráfico podemos concluir que, no 3º CEB, o concelho de Elvas apresenta,
ao longo dos anos em análise, uma média sempre inferior à média do distrito, acontecendo
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o mesmo no 1º CEB e no 2º CEB, no que respeita às provas de aferição, como se mostra nos
quadros seguintes:
Língua Portuguesa
4º Ano
6º Ano
2009
2010
2009
2010
1
2,79
3,21
2,77
2,77
2
3,38
3,26
3,34
3,07
3
2,88
3,04
2,97
3,17
Distrito
3,19
3,17
3,18
3,18
Nacional
3,39
3,47
3,36
3,22
Matemática
4º Ano
6º Ano
2009
2010
2009
2010
1
2,58
3,16
2,42
2,26
2
3,09
3,13
3,01
2,91
3
2,98
3,41
3,13
2,69
Distrito
3,06
3,17
2,97
2,97
Nacional
3,5
3,54
3,1
3,14
Constata-se o facto dos resultados obtidos no 1º CEB serem melhores do que no 2º
CEB, numa tendência que parece ter características nacionais. Também os resultados
obtidos em Língua Portuguesa estão mais próximos das médias do distrito e nacional.
Conclusões
É evidente que os rankings, por si só, como já referido anteriormente, não são
suficientes para avaliar da qualidade do processo de ensino e de aprendizagem, mas
poderão indiciar tendências. Não aferem as boas práticas que muitas escolas /
agrupamentos do distrito implementam no seu quotidiano, nem são indicador de diferenças
e assimetrias entre as escolas. Contudo, não podem ser menosprezados, atendendo ao
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impacto que têm na sociedade em geral e à difusão que lhe é dada pela comunicação social,
nacional e regional, o que tem implicações na tomada de decisão dos diversos actores da
comunidade educativa.
Fontes:
Escolas/ Agrupamentos do Distrito.
Jornal Público, edições de 21 de Outubro de 2006; 2 de Novembro de 2007; 3 de Novembro
de 2008; 17 de Outubro de 2009 e 15 de Outubro de 2010.
Estatística do JNE respeitante ao 1º CEB, 2º CEB e 3º CEB
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