UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA CURSO DE ENGENHARIA CIVIL Eduardo Sydney Dobbin Junior Luiz Felipe Serique Rocha ESTUDO DE CONCRETO COM ADIÇÃO DE FIBRA DE POLIPROPILENO PARA CONTROLE DA FISSURAÇÃO BELÉM 2011 EDUARDO SYDNEY DOBBIN JUNIOR LUIZ FELIPE SERIQUE ROCHA ESTUDO DE CONCRETO COM ADIÇÃO DE FIBRA DE POLIPROPILENO PARA CONTROLE DE FISSURAÇÃO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Engenharia Civil do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade da Amazônia para obtenção do grau de bacharel em Engenharia Civil. Orientador: Prof. Msc. José Zacarias Rodrigues da Silva Júnior Co-Orientador: Prof. Msc. Clementino José dos Santos Filho BELÉM 2011 EDUARDO SYDNEY DOBBIN JUNIOR LUIZ FELIPE SERIQUE ROCHA ESTUDO DE CONCRETO COM ADIÇÃO DE FIBRA DE POLIPROPILENO PARA CONTROLE DE FISSURAÇÃO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Engenharia Civil do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade da Amazônia para obtenção do grau de bacharel em Engenharia Civil. Banca Examinadora ___________________________________________ Prof. Msc. José Zacarias Rodrigues da Silva Júnior Professor e Orientador – CCET UNAMA ___________________________________________ Prof. Msc. Clementino José dos Santos Filho Professor - CCET UNAMA ___________________________________________ Prof. Msc. Paulo Márcio da Silva Aranha Professor – CCET UNAMA / UFPA Apresentado em: _____/_____/_____ Conceito: _______________________ Aos nossos pais e a busca incessante de conhecimento. AGRADECIMENTOS Aos pais e familiares de que forma direta e indireta nos conduziram a esta grande vitória. A empresa Safira Engenharia Ltda., que nos disponibilizou todo o aparato técnico e material para a realização dos experimentos. A Universidade da Amazônia - UNAMA, por ter nos cedido corpo técnico capacitado para colher todos os resultados dos experimentos. Ao nosso orientador Prof. Msc. José Zacarias Rodrigues da Silva Júnior, que nos guiou de forma séria e responsável. Aos nossos colegas de curso de Engenharia Civil, na compartilhação de conhecimento. A todos que acreditaram em nosso potencial e nos deu todo tipo de apoio e força na obtenção de nossos objetivos. “No que diz respeito ao desempenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem-feita ou não faz.” (Ayrton Senna) RESUMO As fibras são materiais que já vem sendo utilizados há muitos anos no ramo da construção civil, porém, a falta de conhecimento no mercado ainda é abrangente. Em específico, as fibras de polipropileno, possuem características singulares para o combate a certas patologias que degradam as estruturas de concreto em geral. O objetivo deste trabalho serve para expor as características e propriedades de compósitos com adição de fibras de polipropileno. Buscando obter parâmetros para utilização em dosagens de fibras nos concretos. Tais propriedades das fibras de polipropileno ainda são desconhecidas por grande parte da sociedade e é um grande avanço tecnológico que buscam garantir além de melhores compósitos, um aumento considerável na segurança das estruturas de concreto. O trabalho em si constituiu todo um processo que aborda temas como: tipos de fibras, métodos de dosagem, fator de forma das fibras, metodologia de ensaios e experimentos práticos. Foram escolhidos para a parte experimental da pesquisa, ensaios capazes de realizar uma avaliação das características e propriedades que as fibras proporcionam nos compósitos. Ensaio como compressão axial, tração indireta por compressão diametral, carbonatação, ascensão capilar e tenacidade. Conforme observado nos resultados, as fibras não proporcionam ganho de resistência mecânica em concretos, porém, proporcionam condições de resistência a cargas mesmo após o aparecimento das primeiras fissuras. Além de proporcionar ao compósito uma redução nos efeitos de carbonatação e ascensão capilar devido a redução da porosidade do mesmo. Sendo realizada uma leitura geral dos resultados obtidos a partir da realização dos ensaios, foi escolhido como dosagem ideal o traço com adição de 0,7% de adição de fibras por volume de concreto, a qual gerou dados aceitáveis em todos os experimentos realizados e inclusive manteve a mistura fluída, coesa e com boa trabalhabilidade. Foi possível observar o acréscimo das qualidades que as fibras incorporam nos concretos, gerando um considerável fator de segurança, peças de concreto com melhores acabamento e livres de indesejadas patologias como a fissuração do concreto. PALAVRAS-CHAVE: CONCRETO. FIBRAS. POLIPROPILENO. DOSAGEM. ABSTRACT The fibers are materials that have been used for many years in the business of construction, however, the lack of knowledge in the market is still comprehensive. In particular, the polypropylene fibers have characteristics unique to combat certain diseases that degrade concrete structures in general. The objective of this study is to describe the characteristics and properties of composites with the addition of polypropylene fibers. Seeking to obtain parameters for use in strengths of fibers in concrete. Such properties of polypropylene fibers are still unknown to much of society and is a major technological breakthrough that seek to ensure better than composite, a considerable increase in the safety of concrete structures. The work itself was a process that addresses issues such as: fiber types, measurement methods, form factor of the fibers, test methodology and experiments. Were chosen for the experimental part of the research, tests able to perform an evaluation of the characteristics and properties that provide the fibers in composites. Essay as axial compression, indirect tensile diametrical compression, carbonation, capillary rise and tenacity. As noted in the results, the fibers do not provide mechanical strength gain in concrete, however, provide load bearing conditions even after the appearance of first cracks. In addition to providing a reduction in the composite effects of carbonation and capillary rise due to a reduction of the porosity of the same. Being held a general reading of the results obtained from the tests, was chosen as the optimal dosage the dash with the addition of 0.7% addition of fibers per volume of concrete, which generated acceptable data in all experiments and even the mixture remained fluid, cohesive and good workability. It was possible to observe the increase of the qualities that embody the fibers in the concrete, creating a significant safety factor, pieces of concrete with better finishing and free from unwanted diseases such as cracking of concrete KEYWORDS: CONCRETE. FIBER. POLYPROPYLENE. DOSING. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Classificação das Fibras Segundo a BISFA. .............................................. 17 Figura 2 - Fibra de Coco ............................................................................................. 17 Figura 3 - Fibra de Sisal ............................................................................................. 18 Figura 4 - Fibra de Celulose ....................................................................................... 18 Figura 5 - Fibra de Amianto ........................................................................................ 18 Figura 6 - Fibra de acetato (CA) ................................................................................. 19 Figura 7 - Fibras de polipropileno (PP) ....................................................................... 19 Figura 8 - Fibra de acrílico (PAN) ............................................................................... 19 Figura 9 - Fibra de vidro ............................................................................................. 20 Figura 10 - Fibra de metal .......................................................................................... 20 Figura 11 - Traço de concreto com fibras de PP ........................................................ 21 Figura 12 - Fibra de Polipropileno Monofibriladas ...................................................... 22 Figura 13 - Fibra de Polipropileno Fibriladas .............................................................. 22 Figura 14 - Aderência das fibras de PP. ..................................................................... 25 Figura 15 - Solicitação de esforço à tração no concreto. ............................................ 26 Figura 16 - Linha de tensões em concretos sem fibras. ............................................. 27 Figura 17 - Linha de tensões em concretos com fibras. ............................................. 28 Figura 18 - Aderência das fibras................................................................................. 29 Figura 19 - Corpo-de-prova com fibras de PP. ........................................................... 30 Figura 20 - Processo de Fissura por Assentamento Plástico. .................................... 33 Figura 21 - Exsudação em Concretos sem Fibras de PP. .......................................... 34 Figura 22 - Exsudação em Concretos com Fibras de PP. .......................................... 35 Figura 23 - Mecanismos das Fibras de Polipropileno no Controle da Exsudação. ..... 35 Figura 24 - Exemplo de Fissura por Retração Plástica. ............................................. 36 Figura 25 - Concreto com Fissuras por Retração. ...................................................... 37 Figura 26 - Concreto com Fibras de PP – Redução das Fissuras. ............................. 39 Figura 27 - Execução de Concreto Projetado Via Úmida. .......................................... 42 Figura 28 - Execução de Concreto Projetado Via Seco. ............................................ 42 Figura 29 - Acompanhamento de Concretagem com Concreto Projetado Via Úmida. ................................................................................................................................... 43 Figura 30 - Ângulo de Incidência de Concreto Projetado Via Úmida. ......................... 43 Figura 31 - Espaço Vazio Deixado pela Fibra. ........................................................... 47 Figura 32 - Canais Produzidos pelas Evaporação das Fibras Após 360ºC. ............... 48 Figura 33 - Aumento de Pressão em Concretos sem Fibras. ..................................... 48 Figura 34 - Ensaio em Peça sem Fibras. ................................................................... 49 Figura 35 - Ensaio em Peça com Fibras. ................................................................... 49 Figura 36 - Ensaio de Combate ao Calor – Corpo sem Fibras. .................................. 50 Figura 37 - Ensaio de Combate ao Calor – Corpo com Fibras. .................................. 50 Figura 38 - Prensa Utilizada em Ensaios de Compressão. ........................................ 51 Figura 39 - Detalhe de Molde de Corpo-de-prova. ..................................................... 52 Figura 40 - Ensaio de Compressão Axial Simples. ..................................................... 53 Figura 41 - Detalhes do Corpo-de-prova para Ensaio de Compressão Diametral...... 54 Figura 42 - Detalhe de Ensaio de Carbonatação........................................................ 56 Figura 43 - Ensaio de Tração na Flexão. ................................................................... 58 Figura 44 - Ensaio JSCE-SF4. ................................................................................... 59 Figura 45 - Ensaio do tipo EFNARC. .......................................................................... 59 Figura 46 - Moldagem de Corpos-de-prova para Ensaio de Tenacidade. .................. 61 Figura 47 - Corpos-de-prova Moldados para Ensaio de Tenacidade. ........................ 61 Figura 48 - Leitura de Ensaio de Carbonatação do Corpo-de-prova do Traço Normal. ................................................................................................................................... 74 Figura 49 - Leitura de Ensaio de Carbonatação do Corpo-de-prova do Traço com Fibras. ........................................................................................................................ 75 Figura 50 - Pesagem do Corpo de Prova em Balança Digital. ................................... 76 Figura 51 - Corpo de Prova Imerso na Lâmina D’água. ............................................. 77 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Propriedades de fator de forma FibroMac 6. ............................................. 23 Tabela 2 - Propriedades de fator de forma FibroMac 12. ........................................... 23 Tabela 3 - Propriedades de fator de forma FibroMac 24. ........................................... 23 Tabela 4 - Características Mecânicas das Fibras. ...................................................... 24 Tabela 5 - Consumo de Material em Concreto Projetado. .......................................... 44 Tabela 6 - Relação de Normas para Ensaio de Tenacidade. ..................................... 60 Tabela 7 - Lista de Materiais Utilizados. ..................................................................... 62 Tabela 8 - Volume de Concreto .................................................................................. 63 Tabela 9 - Peso das Fibras de PP .............................................................................. 64 Tabela 10 - Uso de Aditivo. ........................................................................................ 65 Tabela 11 - Resultados Gerais de Ensaio de Compressão Axial Simples. ................ 67 Tabela 12 - Resultados Gerais de Ensaio de Compressão Diametral Simples. ......... 70 Tabela 13 - Resultados Gerais de Ensaio de Flexão por Compressão Prismática Simples. ...................................................................................................................... 72 Tabela 14 - Resultados Gerais de Ensaio de Carbonatação. ..................................... 74 Tabela 15 - Resultados Gerais de Ensaio de Ascensão Capilar. ............................... 75 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Nível de volume crítico de fibras ............................................................... 31 Gráfico 2 - Deformação x Número de Horas. ............................................................. 40 Gráfico 3 - Temperatura x Degradação do Concreto.................................................. 45 Gráfico 4 - Exemplificação do Efeito “Spalling”........................................................... 46 Gráfico 5 - Consumo de Fibras por Traço. ................................................................. 64 Gráfico 6 - Consumo de Aditivo .................................................................................. 66 Gráfico 7 - Valores Resultantes Gerais de Ensaio de Compressão Axial Simples. .... 67 Gráfico 8 - Resultantes do Ensaio de Compressão Axial Simples para 07 Dias. ....... 68 Gráfico 9 - Resultantes do Ensaio de Compressão Axial Simples para 28 Dias. ....... 68 Gráfico 10 - Valores Resultantes Gerais de Ensaio de Compressão Diametral Simples. ...................................................................................................................... 70 Gráfico 11 - Resultantes do Ensaio de Compressão Diametral Simples para 07 Dias. ................................................................................................................................... 71 Gráfico 12 - Resultantes do Ensaio de Compressão Diametral Simples para 28 Dias. ................................................................................................................................... 71 Gráfico 13 - Resultantes de Compressão Prismática Simples para 28 Dias. ............. 73 Gráfico 14 - Resultados de Ensaio de Ascensão Capilar. .......................................... 76 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 11 1.1 PROBLEMATIZAÇÃO ................................................................................... 13 1.2 OBJETIVO..................................................................................................... 13 1.2.1 Objetivo Geral ................................................................................................................. 13 1.2.2 Objetivos Específicos .................................................................................................. 14 1.3 JUSTIFICATIVA ............................................................................................ 14 1.4 METODOLOGIA ............................................................................................ 14 2 CONCEITO DE FIBRA ................................................................................................... 16 2.1 TIPOS DE FIBRAS ........................................................................................ 16 2.2 INFLUÊNCIA DO FATOR DE FORMA .......................................................... 20 2.3 MECANISMOS DE TRANSFERÊNCIA ......................................................... 25 3 PROPRIEDADES DAS FIBRAS DE POLIPROPILENO ..................................... 32 3.1 USO DE FIBRAS DE POLIPROPILENO PARA CONTROLE E REDUÇÃO DE EXSUDAÇÃO ....................................................................................................... 32 3.1.1 Fissuras de Assentamento Plástico ...................................................................... 32 3.1.2 Resistência ao Desgaste ............................................................................................ 33 3.1.3 A Exsudação e as Fibras de Polipropileno ........................................................ 34 3.2 CONTROLE DA RETRAÇÃO DO CONCRETO E ARGAMASSAS............... 36 3.2.1 A Retração do Concreto ............................................................................................. 36 3.2.2 Atuação de Fibras de Polipropileno ao Combate a Retração .................... 38 3.3 UTILIZAÇÃO DE FIBRAS DE POLIPROPILENO PARA REDUÇÃO DA REFLEXÃO DE CONCRETOS PROJETADOS ......................................................... 41 3.4 USO DAS FIBRAS PARA CONCRETOS RESISTENTES A FOGO ............. 44 4 METODOLOGIA DE ENSAIOS ................................................................................... 51 4.1 ENSAIO DE COMPRESSÃO AXIAL SIMPLES ............................................. 51 4.2 ENSAIO DE TRAÇÃO INDIRETA POR COMPRESSÃO DIAMETRAL ......... 53 4.3 CARBONATAÇÃO ........................................................................................ 55 4.4 ASCENSÃO CAPILAR .................................................................................. 56 4.5 TRAÇÃO NA FLEXÃO .................................................................................. 57 4.5.1 Tenacidade ....................................................................................................................... 58 5 MÉTODOS DE DOSAGEM ........................................................................................... 62 5.1 OBTENÇÃO DO VOLUME TOTAL DE CONCRETO .................................... 63 5.2 DOSAGEM DA FIBRA................................................................................... 63 5.3 DOSAGEM DO ADITIVO .............................................................................. 65 6 EXPERIMENTOS ............................................................................................................. 67 6.1 COMPRESSÃO AXIAL SIMPLES ................................................................. 67 6.2 TRAÇÃO INDIRETA POR COMPRESSÃO DIAMETRAL ............................. 69 6.3 FLEXÃO POR COMPRESSÃO PRISMÁTICA SIMPLES .............................. 72 6.4 CARBONATAÇÃO ........................................................................................ 73 6.5 ASCENSÃO CAPILAR .................................................................................. 75 7 ANÁLISE DOS RESULTADOS ................................................................................... 78 7.1 COMPRESSÃO AXIAL SIMPLES ................................................................. 78 7.2 TRAÇÃO INDIRETA POR COMPRESSÃO DIAMETRAL ............................. 78 7.3 CARBONATAÇÃO ........................................................................................ 79 7.4 ASCENSÃO CAPILAR .................................................................................. 79 7.5 FLEXÃO POR COMPRESSÃO PRISMÁTICA SIMPLES .............................. 80 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................................... 81 REFERÊNCIAS...........................................................................................................83 ANEXOS..................................................................................................................... 85 11 1 INTRODUÇÃO A utilização de fibras nos compósitos é um método já utilizado há vários anos e ainda pode ser amplamente explorado para agregar benefícios a estruturas de concreto. Há, inclusive, relatos de seu uso no Egito, quando o povo utilizava palha como argamassa. Como dito no livro sagrado, “[...] não continueis a fornecer palha ao povo, como antes, para o fabrico de tijolos”. Na Antiga China, há indícios de seu uso para a construção da mundialmente conhecida muralha da China. Seu estudo científico sobre o comportamento destes deu-se apenas na década de 50 com a entrada das fibras de aço e vidro. (TANESI; FIGUEIREDO, 1999). Atualmente, vem sendo largamente utilizada para vários setores da construção civil no intuito de gerar propriedades benéficas em termos de segurança aos compósitos. Pode ser na fabricação de telhas, uso em pavimentações, painéis de vedação vertical, dentre outros. Todos com o fim de procurar minimizar deficiências dos compósitos convencionais que não conseguem o desempenho desejado. Sua procura também se deve ao ser requerido em locais ou condições adversas as quais também não se consegue o resultado esperado de compósitos convencionais. Compósitos, como já diz o nome, são materiais compostos basicamente por duas fases: a matriz e as fibras. As fibras podem atuar como um reforço da matriz em função das propriedades deste e das próprias fibras. (FIGUEIREDO, 2000). Tais como concreto, composto por uma fase agregado e outra fase pasta, que é a matriz, cujo comportamento consiste na combinação das propriedades dos materiais que o constituem. (FIGUEIREDO, 2000). Segundo Figueiredo (2000), é sabido que a qualidade dos componentes de matrizes de cimento não é mais caracterizada apenas pela resistência que apresentam , mas devem refletir outras propriedades que influenciam o desempenho do material como um todo. Vale ressaltar que existem outros tipos de fibras, sendo elas: orgânicas e sintéticas. Dentro do grupo de orgânicas podemos ressaltar o sisal, a casca de coco 12 e a celulose. Das sintéticas também são empregadas as de nylon, poliéster, polietileno e poliamida para os fins de reforço das matrizes cimentíceas. As fibras de polipropileno, nylon e polietileno podem ser classificadas como fibras de baixo modulo, que restringe sua aplicação ao controle de fissuração quando as matrizes possuem baixo modo de elasticidade, como é o caso de retração plástica em argamassas. (FIGUEIREDO, 2000). Para Tanesi e Figueiredo (1999), o reforço de fibras de polipropileno tem entre as suas funções a de controlar as fissurações causadas por mudanças de volume em matrizes de concreto, problema muito habitual em países de clima quente. Existem dois tipos básicos de fibras de polipropileno: monofilamentos e fibriladas. As fibras chamadas de monofilamento consistem em fios cortados em comprimento padrão. Já as fibriladas apresentam-se como uma malha de finos filamentos de seção retangular. A estrutura em malha das fibras de polipropileno fibrilado promove um aumento de adesão entre a fibra e a matriz, devido a um efeito de intertravamento. O uso das fibras de polipropileno disperso aletoriamente na massa de concreto estabiliza a abertura das fissuras nas primeiras horas. (TANESI; FIGUEIREDO, 1999) Na cura do concreto, ocorre um processo químico exotérmico, no qual existe o deslocamento de água para fora de sua superfície, provando a secagem da superfície, ocasionando o calor de hidratação, sendo o mesmo responsável pelo aparecimento de fissuras no concreto ainda recente. A grande área em questão para evaporação facilita este surgimento das fissuras. Processo conhecido também como retração do concreto. Para Tanesi e Figueiredo (1999), a sedimentação pode ser outra importante formação de fissuras, pois leva à abertura de canais de água e por conseqüência o surgimento de tensões de tração na superfície do concreto. Estas fissuras têm maior probabilidade de surgir logo nas primeiras horas, visto que a resistência do compósito ainda é baixa, comprometendo desta maneira toda a peça não somente quanto à sua estética, mas também em relação a sua resistência às mais variadas cargas. 13 Vale ressaltar que o uso das fibras de polipropileno é recomendado para trabalhar as fissuras de retração e não para compensar no ganho de resistência à compressão da peça. Tendo que ter em vista também que sua dosagem só é beneficiada com concentrações de no máximo 1% de volume. (TANESI; FIGUEIREDO, 1999.). Em contrapartida à utilização das fibras, está na grande limitação de não haver um método reconhecido de dosagem para controle de fissurações. E também, ainda não possuem métodos mundialmente reconhecidos de ensaio de controle. Sua dosagem ainda é realizada de maneira empírica, com consumo de 0,9kg/m³ (0,1% de volume) (TANESI; FIGUEIREDO, 1999.). 1.1 PROBLEMATIZAÇÃO Com o início do uso de fibras para o combate a fissuração, ainda são poucas as informações concretas sobre tal assunto. A busca pelo método de dosagem dos compósitos para a obtenção da diminuição de tal problema continua altamente empírica e somente por métodos de tentativas de acordo com o determinado tipo de construção, não havendo uma metodologia empregada para tais dosagens. Este trabalho procura fazer um consenso entre o consumo empírico já utilizado com ensaios laboratoriais para a obtenção de uma metodologia aceitável, para as mais variadas construções que procuram obter resultados ao combate a fissuração por retração. 1.2 OBJETIVO 1.2.1 Objetivo Geral O objetivo consiste em apresentar uma proposta voltada ao método prático do uso de fibras sintéticas de polipropileno em concretos, tendo a busca de uma dosagem para ser possível chegar a um índice desejável da melhor percentagem de adição visando o controle de fissuração dos compósitos. 14 1.2.2 Objetivos Específicos Tendo em vista o conhecimento teórico, este trabalho irá comprovar a obtenção de uma metodologia aplicada ao uso das fibras de polipropileno, através das análises dos ensaios realizados. 1.3 JUSTIFICATIVA Devido o pouco conhecimento sobre o assunto, e ainda não existir métodos de ensaio aceitos para o controle da dosagem de fibras de polipropileno, na mesma tampouco para avaliar a fissuração por retração e pelo fato de não haver um método aceitável de dosagem é ideal a procura por meios tanto literários quanto práticos para saciar estas deficiências. 1.4 METODOLOGIA Para realização deste trabalho foi necessária, inicialmente, a realização de pesquisa específica em artigos acadêmicos sobre concretos com uso de fibras, com foco nas fibras de polipropileno. As dosagens do concreto seguiram os padrões adotados para os métodos de dosagem convencional. O método utilizado nesta pesquisa foi com base em um processo experimental, sendo realizada no laboratório de experimentos da Universidade da Amazônia (UNAMA) a confecção de corpos de prova para obtenção de resultados comparativos entre concreto convencional e concreto com adição de fibras de polipropileno, ambos com o mesmo traço. Esta última parte, sendo realizada de forma dedutiva, com várias porcentagens de acréscimo de volume das fibras, indo de 0,1% até 1%. Para a melhor comparação dos resultados encontrados. Para os ensaios de resistência mecânica, foram realizados experimentos com relação à compressão axial simples e à tração na compressão diametral, foram utilizados um total de 40 corpos-de-prova cilíndricos, de dimensões 10x20cm. Sendo destes, 4 com concreto convencional sem fibras, 4 com adição de 0,3% de fibras de polipropileno, 4 com adição de 0,5% de fibras de polipropileno, 4 com adição de 0,7% de fibras de polipropileno e 4 com adição de 0,9% de fibras de polipropileno para o 15 ensaio a compressão diametral, e para o ensaio â compressão axial simples, 4 com concreto convencional e 4 com adição de 0,3% de fibras de polipropileno, 4 com adição de 0,5% de fibras de polipropileno, 4 com adição de 0,7% de fibras de polipropileno e 4 com adição de 0,9% de fibras de polipropileno. Foram confeccionados, também, 10 corpos de prova prismáticos, sendo 2 com concreto convencional e 2 corpos-de-prova para cada dosagem com adição de fibras, todos moldados para o ensaio de resistência à tração na flexão. Para o ensaio da tenacidade foi confeccionado um corpo-de-prova para cada tipo de dosagem, em forma de paralelepípedo. Para se analisar as propriedades químicas, foi confeccionado um corpo-deprova de cada dosagem, sendo um para o ensaio de carbonatação e um para o ensaio de ascensão capilar. Todo os ensaios foram realizados com os corpos de provas nas idades de 7 e 28 dias de cura. Sendo que para o ensaio de carbonatação foi-se estimado um prazo de 90 dias para cura. Após a execução de todos os ensaios, para conclusão, os resultados obtidos foram computados para a obtenção dos resultados. 16 2 CONCEITO DE FIBRA A fibra é um material fino, fibrilado e alongado. Na natureza, as fibras podem ser encontradas inclusive nos seres vivos, pois são elas que fazem o sustento dos tecidos. Elas podem ser aproveitadas para diversas finalidades, dependendo da sua origem e composição. Podem ser encontradas fibras naturais, artificiais e sintéticas. As naturais são as fibras encontradas prontas na natureza, as artificiais são produzidas pelo homem através das materiais da natureza e as sintéticas são também produzidas pelo homem, porém, oriundas de produtos químicos. Segundo o site Wikipedia (s.a), As fibras de polipropileno fazem parte da classe das fibras sintéticas, sendo produzida pelo homem, através de material petroquímico reciclado. É mais conhecida pela sua sigla PP (Polipropileno). A produção das fibras de polipropileno acabou por ter sido desenvolvida e ter o seu processo patenteado pela empresa de produtos petrolíferos Shell. Seu método foi o de produzir fibras fibriladas picotadas, como também concretos contendo tais fibras. (FIGUEIREDO; TANESI, 1999). As fibras de polipropileno são classificadas como fibras de baixo módulo, trabalhando em matrizes cimentíceas reforçando o compósito sobre todas as suas propriedades com base, sendo elas a tensão de tração, flexão e tenacidade da matriz. 2.1 TIPOS DE FIBRAS As fibras estão presentes em todo nosso ambiente. Seja no meio natural ou artificial. Diz-se artificial para as substâncias e compostos que o homem consegue processar e obter um novo tipo de material. No campo das fibras naturais, o seu encontro se dá na própria natureza, conforme classificação apresentada na Figura 1, abaixo: 17 Figura 1 - Classificação das Fibras Segundo a BISFA. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (s.a.) As fibras em geral podem ser classificadas como naturais, metálicas ou sintéticas, podendo ou não ter alguma intervenção química para melhoria de suas propriedades. O uso desse material em termos de propriedades construtivas se dá há vários séculos, na sua utilização para criação de casas e outros tipos de construção. Dentro do ramo das fibras naturais, existem as vegetais de madeira ou bambu, como também sementes, fibras de frutas e fibras de folhas. São exemplos as fibras de sisal, eucalipto, juta, coco, banana e etc. Ver Figuras 2 e 3, abaixo: Figura 2 - Fibra de Coco Fonte: Manuel Lourenço (s.a). 18 Figura 3 - Fibra de Sisal Fonte: Hipergesso (s.a). Ainda no campo das naturais encontram-se as fibras de amianto e celulose, que são matérias-primas para obtenção de materiais de revestimento na construção civil. (Ver Figuras 4 e 5). Figura 4 - Fibra de Celulose Fonte: Hotfrog (s.a). Figura 5 - Fibra de Amianto Fonte: Brasil Escola (s.a). As fibras naturais possuem uma gama de vantagens em comparação as fibras sintéticas, como conservação de energia, são encontrada em grande abundância, possuem baixo custo, não são prejudiciais à saúde, possuem baixa densidade, são biodegradáveis e têm a possibilidade de incremento na economia agrícola. Em contrapartida, para o seu uso em matrizes cimentícias elas possuem baixa durabilidade e também, no seu preparo em compostos para reforço da matriz, seu estado natural enfraquece a adesão na matriz do composto. 19 No grupo das fibras orgânicas, existem as fibras de transformação de polímeros naturais. Esse processo é realizado por intermédio do homem. São exemplos: Fibras de acetato (CA), alginato (ALG) e triacetato (CTA). Conforme visto na Figura 6. Figura 6 - Fibra de acetato (CA) Fonte: Allbiz (s.a). No campo dos polímeros sintéticos, também gerados por intermédio do homem, se contemplam as seguintes fibras: Polipropileno (PP), poliestireno (PES), acrílico (PAN), aramida (AR), dentre outras. Conforme alguns exemplos vistos nas Figuras 7 e 8. Figura 7 - Fibras de polipropileno (PP) Fonte: Fitesa – Apostila Técnica nº 001 (2001). Figura 8 - Fibra de acrílico (PAN) Fonte: Fitesa – Apostila Técnica nº 001 (2001). 20 As fibras artificiais também podem ser divididas entre as fibras inorgânicas, como as fibras de carbono (CF), cerâmica (CEF), vidro (GF) e metal (MTF). Vistos alguns exemplos nas Figuras 9 e 10. Figura 9 - Fibra de vidro Fonte: Fitesa – Apostila Técnica nº 001 (2001). Figura 10 - Fibra de metal Fonte: Fitesa – Apostila Técnica nº 001 (2001). Neste grupo das fibras artificiais, as fibras metálicas são definidas como elementos descontínuos produzidos com uma alta variabilidade de formatos, dimensões e mesmo tipos de aço. As fibras de aço são consideradas fibras de alto módulo, pois podem atuar como reforço estrutural no concreto. 2.2 INFLUÊNCIA DO FATOR DE FORMA Segundo o Manual Técnico Maccaferri (s.a.), o fator de forma se dá pela relação entre o comprimento e o diâmetro da fibra. Nesta relação, quanto mais elevado for o seu fator de forma, menor será o seu diâmetro, ou seja, a fibra será mais esbelta. 21 Segundo Figueiredo (2000, p.6): [...] quanto maior for o fator de forma, maior será também a influência da fibra na perda de fluidez do material. Isso ocorre pelo fator de se ter uma elevada área específica que demanda uma grande quantidade de água de molhagem aumentando o atrito interno do concreto e reduzindo a sua mobilidade. Este fato é comprovado na prática, conforme Figura 11, tendo conhecimento que, com o aumento do teor de fibras adicionado em relação ao volume do compósito, se dificulta a trabalhabilidade do material, como também a homogeneidade do composto. Desta forma, tendo em vista que quanto mais próximo se trabalha do limite de adição de fibras no compósito (1% em relação ao volume de concreto), mais difícil se torna a sua mobilidade. Figura 11 - Traço de concreto com fibras de PP Fonte: Arquivo pessoal. Ainda segundo Figueiredo (2000, p.6): [...] no caso de concretos plásticos, existe outro fator que pode gerar dificuldades de aplicação e consequentemente prejuízos a trabalhabilidade do material que é a baixa massa específica da fibra, que produz uma tendência à segregação do material que tende a “boiar” no concreto, concentrando-se na parte superior, caso a mistura conte com elevada relação água/materiais secos por exemplo. Este fato se resume pela relação água / cimento (A/C) estar elevada. Com base neste alto teor, as fibras que possuem baixa massa específica, acabam por não conseguir realizar uma mistura totalmente homogênea. Causando a segregação e, posteriormente, o prejuízo com o material final que não terá as propriedades desejadas. Isto muito se deve também, a falta de normas para dosagem das fibras, tornando o processo de controle mais difícil. 22 Segundo o fator de forma, as fibras de polipropileno são divididas em monofibriladas e fibriladas. As fibras monofibriladas possuem grande fator de forma, podendo ser visto na Figura 12, ou seja, sua relação entre o diâmetro da fibra e seu comprimento é alta. Novos tipos de fibra, como alternativa estão sendo produzidos, como é o caso das fibras fibriladas. (FIGUEIREDO 2000). Figura 12 - Fibra de Polipropileno Monofibriladas Fonte: Fitesa – Apostila Técnica nº 001 (2001). As fibriladas, vistas na Figura 13, possuem telas que se abrem no decorrer da mistura com o compósito, atenuando o impacto da adição de fibra. Desta forma, para um mesmo volume de fibras, em relação das monofibriladas para as fibriladas, há um ganho de na capacidade de reforço, pois elas estarão agindo intertravadas no concreto. (FIGUEIREDO 2000). Figura 13 - Fibra de Polipropileno Fibriladas Fonte: Fitesa – Apostila Técnica nº 001 (2001). Segue abaixo, exemplos dos fatores de forma das fibras de polipropileno da fabricante Maccaferri, utilizadas no estudo, de acordo com as Tabelas 1, 2 e 3. 23 Tabela 1 - Propriedades de fator de forma FibroMac 6. Propriedades Físicas – Fibras de Polipropileno (Ex. FibroMac® 6 – Maccaferri Diâmetro µm 18 Seção - Circular Comprimento Mm 6 Alongamento % 80 Matéria-prima - Polipropileno Peso Específico g/cm³ 0,91 Fonte: Manual Técnico Maccaferri (S.A.) Tabela 2 - Propriedades de fator de forma FibroMac 12. Propriedades Físicas – Fibras de Polipropileno (Ex. FibroMac® 12 – Maccaferri Diâmetro µm 18 Seção - Circular Comprimento Mm 12 Alongamento % 80 Matéria-prima - Polipropileno Peso Específico g/cm³ 0,91 Fonte: Manual Técnico Maccaferri (S.A.) Tabela 3 - Propriedades de fator de forma FibroMac 24. Propriedades Físicas – Fibras de Polipropileno (Ex. FibroMac® 24 – Maccaferri Diâmetro µm 18 Seção - Circular Comprimento Mm 24 Alongamento % 80 Matéria-prima - Polipropileno Peso Específico g/cm³ 0,91 Fonte: Manual Técnico Maccaferri (S.A.) Levando em consideração os aspectos tecnológicos, segue abaixo na Tabela 4, valores de resistência mecânica e módulos de elasticidade para os mais diversos tipos de fibra. 24 Tabela 4 - Características Mecânicas das Fibras. FIBRAS Aço Vidro Amianto DIÂMET RO (µm) 5– 500 9 – 15 0.02 – 0.04 DENSIDA MÓDULO DE ESLASTICIDA (10³kg/m³) DE (KN/mm²) RESISTÊN ALONGAMEN CIA A TO NA TRAÇÃO RUPTURA (KN/mm²) (%) 7.84 200 0.5 – 2 0.5 – 3.5 2.60 70 – 80 2–4 2 – 3.5 3.00 180 3.30 2–3 0,90 5–7 Polipropil 20 – eno 200 Nylon - 1.10 4 0.90 13 – 15 - 0.95 0.30 0.0007 10 Carbono 9 1.90 230 2.60 1 Kevlar 10 1.45 65 – 133 3.60 2.1 – 4 Acrílico 18 1.18 14 – 19.5 0.4 – 1 3 Celulose - 1.2 10 0.3 – 0.5 - 1 – 50 - 0.8 3.0 1.5 71 0.90 - Polietilen o Sisal Fibra de madeira 10 – 50 - 0.5 – 0.75 8 Fonte: Manual Técnico Maccaferri (S.A.) O comprimento das fibras tem uma relação direta com o desempenho do compósito, quanto menor for a sua dimensão de comprimento, maior será a possibilidade de elas serem arrancadas. Para uma análise completa, há a necessidade de se verificar também o seu diâmetro, pois depende dele também a capacidade da fibra desenvolver resistência as cargas nelas solicitadas. Fato ilustrado na Figura 14. 25 Figura 14 - Aderência das fibras de PP. Fonte: RODRIGUES; MONTARDO (2002) Segundo Rodrigues e Montardo (2002, p. 6): [...] a relação l/d é proporcional ao quociente entre a resistência à tração da fibra e a resistência de aderência fibra/matriz, na ruptura. Em grande parte, a tecnologia dos materiais compósitos depende desta simples equação: se a fibra tem uma alta resistência à tração, por exemplo, como o aço, então ou a resistência de aderência necessária deverá ser alta para impedir o arrancamento antes que a resistência à tração seja totalmente mobilizada ou fibras de alta relação l/d deverão ser utilizadas. A Figura 14 mostrou uma disposição idealizada da fibra em relação à fissura. A orientação da fibra relativa ao plano de ruptura do concreto ou uma simples fissura, influencia na sua capacidade de transmitir cargas. 2.3 MECANISMOS DE TRANSFERÊNCIA Figueiredo (2000) discorre sobre as variações e propriedades do concreto, tendo como abordagem principal as limitações do compósito comparando seu comportamento de frágil ruptura e pouca deformação com outros elementos como o aço. Como se é esperado, o concreto não apresenta um bom desempenho de resistência à tração quando comparado com sua resistência à compressão. Este propósito está associado diretamente ao comportamento das fissuras no interior da matriz. No momento da solicitação do concreto às forças de tração, fissuras já presentes ou novas formações de fissuras prejudicam seu desempenho. 26 Ilustrando este raciocínio, o modelo da Figura 15 exemplifica o comportamento destes materiais tipicamente frágeis ao tipo de solicitação que transfere tensão através do contato quando se esta comprimindo. Já no momento em que o conjunto é colocado a uma força de tração, ele não oferece resistência à separação. Figura 15 - Solicitação de esforço à tração no concreto. Fonte: FIGUEIREDO (2000) È possível associar a dificuldade da resistência à tração do concreto com a mesma dificuldade do mesmo interromper a propagação das fissuras quando solicitado a este tipo de esforço. (FIGUEIREDO, 2000). O concreto é susceptível à concentração de tensão no surgimento de uma fissura e propagação da mesma, como pode ser visto na Figura 16. A fissura representa um escudo a esta propagação da tensão. Após este desvio das forças, uma concentração irá ocorrer no lado da extremidade da fissura. Caso esta tensão supere a resistência da matriz do compósito, irá ocorrer um rompimento abrupto do material. No caso de solicitação do tipo cíclica, pode-se compreender o rompimento abrupto como sendo a cada ciclo da tensão o aparecimento de novas micro-fissuras, que vão se acumulando até ocorrer o rompimento do material. Obtendo isto como exemplo, podemos associar ao concreto sem fibras que, após o aparecimento das 27 fissuras, não há mais possibilidade de haver capacidade de resistência do material. (FIGUEIREDO, 2000). Figura 16 - Linha de tensões em concretos sem fibras. Fonte: FIGUEIREDO (2000) Uma contribuição das fibras está relacionada ao seu efeito na ponte de transferência de tensões. O aparecimento das fissuras ocorre no momento em que o concreto chega ao seu ponto de ruptura, a tensão aplicada na matriz se transfere para as fibras, desta maneira interceptando a propagação da fissura, controlando a abertura da mesma. Este fenômeno se denomina ponte de transferência de tensões, vistos na Figura 17. Esta relação só será mantida se for possível manter o nível de carregamento no corpo de prova constante ou até mesmo diminuir. Este fato é difícil de garantir, pois o corpo de prova pode apresentar vazios que podem interferir nos resultados. (TANESI; FIGUEIREDO, 1999). 28 Figura 17 - Linha de tensões em concretos com fibras. Fonte: FIGUEIREDO (2000) Segundo Tanesi e Figueiredo (1999, p.13): “[...] a transferência de tensão para uma região não fissurada promoverá nela um incremento de tensão, que quando atingir a tensão de ruptura da matriz resultará no aparecimento de mais fissuras.”. Desta forma, um compósito que é reforçado com fibras, possuirá mais fissuras com relação a uma matriz sem fibras, porém, com um controle da abertura das fissuras, tornando-as menores. A tensão de ruptura aplicada ao concreto não poderá passar da tensão suportada pela fibra, tão quanto à aderência da relação fibra/matriz para não ocorrer consequências, como o escorregamento e possível arrancamento da fibra da matriz. O efeito de escorregamento e arrancamento geram gasto de energia, promovendo o aumento da tenacidade dos compósitos reforçados com fibras em geral, como pode ser visto na Figura 18. (TANESI; FIGUEIREDO, 1999). 29 Figura 18 - Aderência das fibras. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (s.a.) Acreditava-se que, no acréscimo das fibras em elemento de concreto próximas uma das outras, poderiam criar uma barreira contra a propagação das fissuras, dando ao concreto um aumento da resistência a tração. Após experimentos utilizados para tal comprovação, foi comprovado que mesmo com a incorporação das fibras de diferentes tamanhos e formas ao concreto ou argamassas convencionais, não há um aumento de resistência comparado às misturas correspondentes de concreto sem fibras, embora pesquisas posteriores comprovem a considerável melhora no comportamento pós-fissuração nos concretos com fibras. O concreto com fibras torna-se muito tenaz, ou seja, deformável e mais resistente a impactos. (MEHTA; MONTEIRO, 1994). Este efeito de transferência de tensões gera um aumento da deformação até o aparecimento da primeira fissura como também uma alta deformação até seu colapso, como visto abaixo na Figura 19. O compósito resiste ao carregamento e continua a se deformar, inclusive após o aparecimento das fissuras iniciais, como também as conseqüências de descolamento e arrancamento das fibras da matriz. (TANESI; FIGUEIREDO, 1999). 30 Figura 19 - Corpo-de-prova com fibras de PP. Fonte: Arquivo pessoal. Segundo Mehta e Monteiro (1994), é conhecido que na adição de fibras em concretos simples ocorre a perda de trabalhabilidade do material. Dependendo do tipo da fibra adicionada, a perda da trabalhabilidade será proporcional a concentração do volume de fibras no concreto. Um fator importante em concretos com adição de fibras é o fator de seu volume de fibras em relação ao volume de concreto conforme gráfico abaixo (ver Gráfico 1). O volume crítico em um compósito se dá ao teor de fibras necessárias para manter a mesma capacidade portante a partir da ruptura da matriz. Sendo o volume de fibras abaixo do volume crítico, há a ocorrência necessária de uma perda de carga que o material tem capacidade de suportar. Quando o volume está acima do crítico, o compósito consegue suportar níveis crescentes de carregamento, mesmo após o surgimento da primeira fissura. (FIGUEIREDO, 2000). 31 Gráfico 1 - Nível de volume crítico de fibras Fonte: FIGUEIREDO (2000) Os níveis de fibras ficando acima do da curva de volume crítico, apesar de suportar inicialmente maiores níveis de carregamentos, perde grande capacidade na trabalhabilidade do material ainda no estado fresco. Desta forma, gerando uma grande dificuldade para a moldagem de estruturas e controle de integridade física da peça. 32 3 PROPRIEDADES DAS FIBRAS DE POLIPROPILENO 3.1 USO DE FIBRAS DE POLIPROPILENO PARA CONTROLE E REDUÇÃO DE EXSUDAÇÃO O fenômeno da exsudação é um problema que se tem decorrência nos concretos logo nas suas primeiras idades. Porém este efeito pode acarretar em danos também em longo prazo. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 3, 2002). Exsudação se define como a separação da parte de água do compósito, a qual aflora para a superfície do mesmo. A partir deste efeito, é gerado um aumento direto na relação a/c na superfície do concreto, prejudicando a área. A utilização das fibras de polipropileno possui capacidades que vão além de aumento da tenacidade em compósitos, tornando o grau de exsudação menor nesses materiais. Há vários fatores que provocam este processo, sendo que os mesmos, sempre estão diretamente ligados aos teores de finos do concreto, que são formados pelos agregados finos e o cimento, e aos grandes teores de água, mesmo combinados com aditivos. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 3, 2002). Fatores que são comumente encontrados em serviços diversos que provocam o aumento da exsudação são: a vibração e acabamento excessivo do concreto. Estes processos combinados acarretam na aceleração do processo e normalmente não são bem controlados por estarem ligados à trabalhabilidade do material. 3.1.1 Fissuras de Assentamento Plástico As principais patologias encontradas em processos de exsudação não controlados são as fissuras de assentamento plástico. Este fenômeno ocorre durante o processo da concretagem das estruturas. Durante o lançamento do concreto, o espaço entre a ferragem e o concreto fica preenchido por água. Posteriormente, esta água tende a percolar para a superfície, onde se forma uma lâmina de água. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 3, 2002). Em situações onde a exsudação é elevada, ocorre uma grande mudança no volume de concreto, fazendo com que o recobrimento da armadura diminua, 33 acarretando na retração por assentamento plástico, conforme Figura 20. Posteriormente, são geradas tensões internas de tração no concreto, fazendo ocorrer fissuras. Figura 20 - Processo de Fissura por Assentamento Plástico. Fonte: Fitesa – Boletim Técnico nº 3 (2002) As fissuras que surgem por parte deste processo de retração plástica são independentes dos fatores externos, como o sol, que permitem a evaporação e secagem da superfície do concreto. Deve-se levar em consideração também que, dependendo do nível de abatimento do concreto, ou seja, quanto mais ele for adensado, e se proporcionalmente quanto maior for a bitola de armadura, mais vulnerável está o concreto para o aparecimento destas fissuras por retração plástica. 3.1.2 Resistência ao Desgaste O concreto possui uma grande resistência ao desgaste, que é co-relacionada à sua resistência à compressão. Existem também outros fatores que influenciam nesta resistência, e umas delas são as alterações que ocorrem no concreto em estado fresco. Devido ao efeito da exsudação, que causa a saída gradativa de água do concreto, este efeito corrobora diretamente em alterações nos níveis da relação a/c (relação água cimento) do compósito. A resistência mecânica, como a resistência compressão ou ao desgaste, é totalmente dependente desta relação. A partir do momento em que a água que exsuda forma uma película em cima da superfície, forma-se uma camada porosa, sendo a mesma com baixa resistência mecânica, 34 fazendo com que o compósito apresente desgaste com mais facilidade. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 3, 2002). Este efeito pode atenuar-se devido, a re-incorporação desta água da superfície por meio de desempeno do concreto excessivo e/ou fora de hora. Desta mesma forma, a superfície também poderá apresentar desgaste com mais rapidez e também surgimento de erosão e pó, como é comum de se ver em pisos de estacionamentos e calçadas. 3.1.3 A Exsudação e as Fibras de Polipropileno Após o surgimento das fibras de polipropileno, se tornou possível um ataque contra estas patologias. As fibras possibilitam a diminuição do aparecimento de fissuras causadas por assentamento plástico, como também, aumentam a resistência dos compósitos a abrasão pelo controle de exsudação. As fibras de polipropileno no interior do compósito tendem a impedir a saída da água, servindo como barreiras, revelando sua capacidade de retenção. O polipropileno é um material hidrofóbico, ou seja, não absorve água. Como sua adição no concreto se deve à inúmeros filamentos, estes se comportam como verdadeiras barreias, impedindo com que a água exsude, conforme visto no exemplo nas Figuras 21 e 22. Desta forma, por um maior período de tempo, a água permanece no concreto, gerando melhores condições de hidratação do mesmo e diminuindo as patologias geradas pela exsudação elevada. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 3, 2002). Figura 21 - Exsudação em Concretos sem Fibras de PP. Fonte: Manual Técnico da Maccaferri (s.a). 35 Figura 22 - Exsudação em Concretos com Fibras de PP. Fonte: Manual Técnico da Maccaferri (s.a). As fibras de polipropileno do tipo multifilamento, por possuírem pequeno diâmetro e baixa densidade, apresentam elevada área superficial. Estas fibras, como as demais, não absorvem água, mas realizam um processo de adsorção, que faz com que as moléculas de água sejam mantidas perto delas, conforme figura abaixo (Ver Figura 23). Também realizando a diminuição do processo de exsudação, tornando-a controlada. Figura 23 - Mecanismos das Fibras de Polipropileno no Controle da Exsudação. Fonte: Fitesa – Boletim Técnico nº 3 (2002). Muitos ensaios realizados atualmente que procuram a medição da exsudação, não conseguem ser bem sucedidos na avaliação da influência das fibras de polipropileno no combate a este fenômeno. Porém, vários estudos internacionais, utilizando a princípio o túnel de vento, estão sendo bem sucedidos e comprovando esta exponencial melhora do concreto ao combate a exsudação com o uso das fibras. As qualidades das fibras de polipropileno contra este fenômeno da exsudação podem ser visualizadas de forma bem clara ao se observar concretagens de pisos e lajes de concreto. 36 3.2 CONTROLE DA RETRAÇÃO DO CONCRETO E ARGAMASSAS No momento da adição das fibras de polipropileno em concreto para pisos, há uma facilidade na percepção de uma grande qualidade, o aumento da coesão da mistura no estado fresco. A base desta qualidade propõe a diminuição, ao máximo, do aparecimento de fissuras que geralmente ocorrem no estado plástico do compósito e nas suas primeiras horas de endurecimento. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 2, 2002). 3.2.1 A Retração do Concreto Várias ações climáticas, principalmente por motivos térmicos, irão influenciar diretamente no volume do concreto logo após o seu lançamento e, posteriormente, durante toda a sua vida. Esta variação é intensificada principalmente nos primeiros meses da estrutura. Uma destas variações mais conhecidas se dá com retração hidráulica. Este fenômeno pode acontecer em duas fases distintas do concreto, uma é quando o concreto já está endurecido ou em processo de endurecimento. E a outra se denomina de retração inicial ou plástica, sendo esta fase a mais propícia para o aparecimento de fissuras, devido à perda de água. A Figura 24 mostra uma fissura típica de retração plástica. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 2, 2002). Figura 24 - Exemplo de Fissura por Retração Plástica. Fonte: Fitesa – Boletim Técnico nº 2 (2002). 37 A retração plástica é subdividida em quatro fases distintas, sendo que cada uma age de acordo com a fase específica do concreto, podendo ser logo após o lançamento, tão quanto após tempos depois da concretagem. A primeira fase é o assentamento plástico, ocorre quando a água do concreto não foi evaporada. As partículas sólidas estão envolvidas com água, assim, depois que estas partículas se assentam, existe uma tendência da água percolar até a superfície do concreto, este fenômeno, como já foi referido anteriormente, é chamado de exsudação. A segunda fase chama-se de retração plástica primária, é a fissura comum, acontece quando a água começa a evaporar pelas ações do tempo como: sol, calor e vento. Uma situação importante é quando a taxa de evaporação é maior que a taxa de exsudação, neste estágio o concreto começa a contrair. Este tipo de retração ocorre antes e durante a pega, devido às pressões que acontecem nos poros capilares do concreto, conforme Figura 25. Figura 25 - Concreto com Fissuras por Retração. Fonte: Manual Técnico da Maccaferri (s.a). A terceira fase chama-se de retração autógena, é a retração que ocorre sem troca de massa com o meio ambiente, ou seja, sem que exista perda de água. Esta retração se dá quando a hidratação do concreto de desenvolve e os produtos 38 envolvem os agregados, mantendo todos unidos. Assim, os níveis de capilaridade, o assentamento plástico e a retração plástica primária decrescem. Tal fenômeno ocorre quase que totalmente após a pega do concreto. Atualmente leva-se muito em consideração este estágio, tendo em vista que a relação água/cimento apresenta níveis muito baixos. Quando o concreto começa a endurecer e assim ganhar resistência a retração plástica tende a desaparecer. Sendo esta a quarta e última fase, denominada de retração plástica secundária. Por conhecimento de que em concretos já endurecidos ou em processo de endurecimento já há o ganho substancial de resistência mecânica, as fissuras tornam-se cada vez mais raras para aparecimento. Tendo assim, somente as três primeiras fases de retração como sendo mais comuns. Era imaginado que as fissuras por retração plástica eram meramente estéticas, sem apresentar riscos à estrutura, por motivo de não apresentar grandes patologias muito aparentes, como fissuras de grandes profundidades ao qual preocupam as condições do concreto. Isto se levando em consideração este fator quando a retração hidráulica baixas. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 2, 2002). Atualmente, através dos estudos em pisos de concreto, pode-se observar que com o advento do uso de fibras neste tipo de estrutura, houve uma grande redução na espessura para o mesmo. Desta forma, acarretando no aumento de tensões no concreto. Porventura disto, é observado um aumento do aparecimento de fissuras, cuja explicação vem das fissuras plásticas. 3.2.2 Atuação de Fibras de Polipropileno ao Combate a Retração O emprego das fibras de polipropileno para a resolução de problemas na retração plástica já vem sendo bastante praticado. Mesmo que seu mecanismo de acontecimento não seja ainda totalmente conhecido. Conforme observado por Padron e Zollo (1990), concretos reforçados com fibras de polipropileno, em condições bastante solicitadas e severas, a variação das fissuras em relação ao concreto simples foi entre 18% e 23%. Sua variação de 39 retração aconteceu em torno de 52% a 100%, também em relação ao concreto simples. Fato que se mostrou interessante, tendo a amostra que continha fibras de polipropileno apresentou o mesmo padrão de retração, porém, uma quantidade menor de fissuras, como pode ser visto na Figura 26. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 2, 2002). Figura 26 - Concreto com Fibras de PP – Redução das Fissuras. Fonte: Manual Técnico da Maccaferri (s.a). Este comportamento estudado se deve ao principal mecanismo de atuação das fibras. Tendo conhecimento do funcionamento do concreto simples, que logo após ser feito seu lançamento, ainda é fluído, porém com o passar de certo tempo ele perde sua fluidez junto com sua capacidade de deformação. O momento de aparecimento das fissuras ocorre na etapa da evaporação da água de exsudação, provocando no concreto um processo de retração. Quando o mesmo não consegue mais suportar a deformação provocada, as fissuras aparecem. Conforme demonstrado nesta pesquisa, as fibras de polipropileno de baixo módulo, ao adicionado no concreto, torna o mesmo mais maleável nas primeiras idades. Esta propriedade da fibra é transmitida ao concreto, que passa a trabalhar de forma eficaz a deformação por retração. Desta forma, as fissuras são controladas e, 40 em alguns casos, até totalmente contidas, fato demonstrado no Gráfico 2. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 2, 2002). Gráfico 2 - Deformação x Número de Horas. Fonte: Fitesa – Boletim Técnico nº 2 (2002). Para obter total sucesso é necessário alcançar a máxima eficiência das fibras utilizadas. As fibras de polipropileno estão correlacionadas a fatores como: relação l/d, comprimento, módulo de elasticidade, dosagem e também dependendo de propriedades do próprio concreto, como as características da matriz. Concretos com fibras de menor relação cimento / areia se adaptam melhor à adição de fibras. Desta forma, o concreto apresentará um maior potencial de redução de fissuras que outros concretos com adição de fibras iguais. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 2, 2002). Em estudos realizados por diversos pesquisadores da área científica, em fibras tanto de aço quanto sintéticas, no intuído do combate a retração, pôde-se chegar a várias conclusões, dentre elas três são principais: a) A adição de fibras em concreto, mesmo que em baixo teor, garante reduções substanciais no aparecimento de fissuras. 41 b) No caso das fibras longas, as que apresentam menor módulo de elasticidade se desempenham melhor. c) Em fibras sintéticas, como as de polipropileno, não ocorre a redução do aparecimento de fibras, mas sim o seu controle de dimensão. Com base neste conhecimento, é comprovado não poder ser generalizada a dosagem de fibras em concretos. Para uma melhor eficácia com produto final, é indispensável o artifício de análises experimentais para se chegar ao denominador comum que resulta no melhor resultado. 3.3 UTILIZAÇÃO DE FIBRAS DE POLIPROPILENO PARA REDUÇÃO DA REFLEXÃO DE CONCRETOS PROJETADOS O concreto projetado é muito utilizado na estabilização de taludes, paredes de túneis, canais e galerias. Uma das grandes vantagens é a rapidez do lançamento e a pouca mão-de-obra envolvida no processo. Existem dois meios de ser realizar o lançamento: via seca e via úmida. (MANUAL TÉCNICO MACCAFERRI, s.a). Na via seca, o concreto é transportado até o bico de lançamento – concreto seco ou com pouca umidade – e, chegando lá, é o operador o responsável pela adição de água, dependendo do mesmo a qualidade do concreto. Vale ainda lembrar que o concreto projetado através deste meio é muito mais prejudicial, porque ocorre muito mais desperdício de material. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 5, 2003). Outro processo é o lançamento via úmida, sendo muito simples. Trata-se de lançar o concreto pronto, pré-misturado, passando até o bico de projeção, que posteriormente será lançado até a parede a ser revestida. No bico de projeção é aplicado ar comprimido em alta pressão, depois sendo jateado em alta velocidade até a superfície desejada. Com a adição da fibra de polipropileno, existe uma redução à reflexão do concreto projetado, ou seja, há uma redução do desperdício de material. Quando a fibra é acrescida ao concreto, o mesmo se torna mais coeso e denso, assim, a taxa de perda depois que o concreto sofre impacto na parede, é consideravelmente reduzida. O processo de lançamento de concreto tanto via úmida quanto via seca 42 pode ser acompanhada nas Figuras 27, 28 e 29, abaixo: (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 5, 2003). Figura 27 - Execução de Concreto Projetado Via Úmida. Fonte: Manual Técnico da Maccaferri (s.a). Figura 28 - Execução de Concreto Projetado Via Seco. Fonte: Manual Técnico da Maccaferri (S.A.). 43 Figura 29 - Acompanhamento de Concretagem com Concreto Projetado Via Úmida. Fonte: Manual Técnico da Maccaferri (S.A). Um cuidado fundamental com este tipo de prática é sempre observar se o mangote está em um ângulo de incidência perpendicular à superfície de aplicação, como visto na Figura 30. Figura 30 - Ângulo de Incidência de Concreto Projetado Via Úmida. Fonte: Manual Técnico da Maccaferri (S.A.). Tornando o concreto muito mais viável, pois depois que sofre a reflexão, este material que não sofreu a incorporação será “perdido”, impossibilitando a reutilização na projeção. Tudo isso se dá pelo fato de que as fibras de pequeno diâmetro elevam a coesão do concreto por terem uma grande área especifica, formando um 44 entrelaçamento de agregados finos e graúdos, tornando o concreto, um material bastante estável. (MANUAL TÉCNICO MACCAFERRI, s.a.). A tabela a seguir (Ver Tabela 5) mostra como a fibra trabalha de forma significativa no concreto. Foi adicionado a este concreto 1kg/m³ de fibra de polipropileno, deixando claro que o índice de reflexão decresceu consideravelmente em relação ao concreto sem fibra. Considerando o concreto projetado via úmida. Tabela 5 - Consumo de Material em Concreto Projetado. Fonte: Fitesa – Boletim Técnico nº 5 (2003) Esta propriedade da fibra de polipropileno trás uma grande vantagem econômica para execução de grandes obras de túneis e demais estruturas que necessitam deste tipo de concreto. 3.4 USO DAS FIBRAS PARA CONCRETOS RESISTENTES A FOGO Tornar estruturas resistentes a incêndios são de grande relevância, tanto para projetistas quando para grandes entidades da engenharia. O motivo está no alto risco decorrente de um incêndio em grandes estruturas, como no caso de túneis, onde os danos além dos materiais existem o risco da perda de vidas humanas. (MANUAL TÉCNICO MACCAFERRI, s.a.) Estruturas como as de túneis, por serem confinadas, em caso de incêndio as chamas entram em contato rapidamente e diretamente com o concreto. Com este contato direto, o concreto é colocado diante de altas temperaturas e sofre uma rápida deterioração. A forma como a estrutura irá se comportar, em caso de incêndio, depende diretamente do tipo de fogo que está ocorrendo. Os valores de temperatura têm uma alta variabilidade para cada tipo de incêndio. Pela alta temperatura, o concreto sofre consequências em suas características mecânicas e físicas. Esta degradação ocorre em etapas, relativamente ao aumento de temperatura do incêndio. O Gráfico 3, 45 abaixo, demonstra o efeito de degradação conforme a intensidade do fogo. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 6, 2004). Gráfico 3 - Temperatura x Degradação do Concreto. Fonte: Manual Maccaferri (s.a). Em virtude do aumento da temperatura, ocorre no concreto um efeito de aumento intensivo da poro-pressão, gerando lascamentos explosivos de sua superfície. Este efeito se dá devido o aumento da temperatura na superfície do concreto, fazendo com que parcelas de vapor de água que se encontram nesta região movam-se em direção ao núcleo do concreto, desta maneira acarretando em um aumento de pressão interna na matriz. Em sua certa hora, a pressão fica tamanha que supera a própria resistência do concreto, produzindo o efeito do lascamento explosivo. Este fenômeno também é nomeado como “spalling” ou lascamento explosivo. (MANUAL TÉCNICO MACCAFERRI, s.a) No Gráfico 4, pode-se notar a exemplificação do fenômeno, sendo representados todos os carregamentos causados pelo aumento da pressão interna até o momento do efeito “spalling”. 46 Gráfico 4 - Exemplificação do Efeito “Spalling”. Fonte: Fitesa – Boletim Técnico nº 6 (2004) O maior objetivo na proteção passiva ao fogo é a eficácia na defesa de vidas humanas. Para isto se concretizar, algumas características chave do concreto devem ser preservadas, tendo como principais as características mecânicas: a) Conservação da capacidade portante; b) Não emissão de gases inflamáveis na superfície exposta; c) Isolamento térmico da matriz do concreto; d) Não dissipação das chamas e gases tóxicos. Desta forma os elementos estruturais poderão permanecer estáveis durante o processo de evacuação do local durante um incêndio por um determinado período de tempo. 47 Em pesquisas recentes realizadas pela Maccaferri, foi notada a capacidade no uso das fibras de polipropileno (PP), de monofilamento e diâmetros inferiores a 32mm, na matriz de concreto na redução de efeito do fenômeno “spalling”. Esta adição possui uma relação direta na concentração de fibras ao concreto à melhoria do fenômeno. Quanto mais fibras adicionadas, melhor será o resultado na redução do fenômeno. (MANUAL TÉCNICO MACCAFERRI, s.a.) As fibras são uma solução simples na redução do fenômeno. Incrementadas na mistura do concreto, em caso de exposições a fogo, à uma temperatura de 160ºC, as fibras começam a se fundir, reduzindo grande parte de sua massa. Após a temperatura alcançar 360ºC, as fibras evaporam totalmente, deixando espaços vazios na matriz de concreto, conforme visto na Figura 31. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 6, 2004). Figura 31 - Espaço Vazio Deixado pela Fibra. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (s.a). Estes vazios deixados pelas fibras trabalham como canais, que percorrem todo o concreto, indo de sua matriz até a superfície, como pode ser visto nas Figuras 32 e 33: 48 Figura 32 - Canais Produzidos pelas Evaporação das Fibras Após 360ºC. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (s.a). Figura 33 - Aumento de Pressão em Concretos sem Fibras. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (s.a). Devido à geração destes canais gerados, a percolação do vapor até a superfície se torna mais rápido, e a poro-pressão gerada na matriz do concreto, caso 49 ainda exista, é menor que a resistência do concreto, evitando assim os lascamentos explosivos do compósito. (FITESA – BOLETIM TÉCNICO Nº 6, 2004) Seguem, abaixo, exemplos de ensaios de resistência ao calor, realizados com e sem a adição de fibras de polipropileno (Ver Figuras 34 e 35). Figura 34 - Ensaio em Peça sem Fibras. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (s.a). Figura 35 - Ensaio em Peça com Fibras. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (S.A). As fibras de polipropileno se destacam nesta propriedade terminal devido a sua associação à faixa de temperatura em que o combate ao efeito “spalling” ocorre. Com o surgimento dos vazios permeáveis ao longo de todo o concreto, caminho por onde percola o vapor de água, ocorre numa faixa de temperatura específica onde a 50 maior parte da água está contida dentro da estrutura do concreto. Sendo o aumento desta permeabilidade ocorrendo dentro dessa faixa de temperatura, o lascamento explosivo consegue ser evitado, como pode ser verificado nas Figuras 36 e 37. (MANUAL TÉCNICO MACCAFERRI, s.a.). Figura 36 - Ensaio de Combate ao Calor – Corpo sem Fibras. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (s.a). Figura 37 - Ensaio de Combate ao Calor – Corpo com Fibras. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (s.a). Desta forma, as fibras de polipropileno conseguem ser as mais adequadas para o combate a altas temperaturas, tendo a finalidade no controle da pressão gerada no interior do concreto, ao invés de fibras que possuem outras características de estabilidade térmica. (MANUAL TÉCNICO MACCAFERRI, s.a.). 51 4 METODOLOGIA DE ENSAIOS 4.1 ENSAIO DE COMPRESSÃO AXIAL SIMPLES O ensaio de compressão axial simples é o mais comumente utilizado para se aferir a resistência mecânica a compressão em concretos. Para uma correta execução deste ensaio, deve-se atentar para os seguintes parâmetros: a) O maquinário para a realização do ensaio pode ser de qualquer tipo, porém, deve ter capacidade suficiente para possibilitar carga contínua e sem choques no corpo de prova. b) A máquina utilizada deve portar de dois pratos de aço, com espessura suficiente para evitar deformações do corpo de prova durante o ensaio (Ver Figura 38). Em prensar verticais, o prato superior deve se assentar em rótula esférica e o outro em um bloco rígido e plano. Um dos pratos deve conter referências para facilitar a centralização do corpo-de-prova. c) Deve-se possuir um tanque ou recipiente capazes de serem destinados à imersão dos corpos de prova à temperatura ambiente durante o tempo de cura do concreto. Figura 38 - Prensa Utilizada em Ensaios de Compressão. Fonte: Arquivo Pessoal 52 Para este trabalho, aplicamos o teste somente para duas etapas: 7 dias e 28 dias. Assim, tornando o ensaio menos abrangente, mas com um espaço amostral maior. O ensaio é feito a partir da moldagem de corpos-de-prova (CP) cilíndricos, com dimensões: diâmetro de 150 mm e 300 mm de altura, conforme Figura 39: Figura 39 - Detalhe de Molde de Corpo-de-prova. Fonte: NBR – 5738 (1994). Os cilindros são comprimidos verticalmente até ocorrer à primeira fissura, sabendo-se a sua resistência à compressão, como mostra a Figura 40, a seguir. (NBR – 5738, 1994). 53 Figura 40 - Ensaio de Compressão Axial Simples. Fonte: Arquivo Pessoal Para a realização do ensaio foram moldados, para cada tipo de traço utilizado na pesquisa, 04 corpos de prova. Estes foram divididos para análise entre 7 e 28 dias de cura. O ensaio de compressão axial simples deve ser realizado de acordo com a sua norma vigente - NBR – 5739 (1994). 4.2 ENSAIO DE TRAÇÃO INDIRETA POR COMPRESSÃO DIAMETRAL Por existirem grandes dificuldades práticas de realizar este ensaio, foi desenvolvida uma alternativa para realizá-lo com mais facilidade e agilidade, sendo chamado de compressão diametral ou “ensaio brasileiro”. (MANUAL TÉCNICO MACCAFERRI, s.a.). Segundo Macaferri (s.a, p. 30): “[...] a ruptura é ocorre quando é alcançada a máxima resistência à tração na direção ortogonal a força aplicada. A partir da carga máxima, obtém-se a resistência à tração indireto do concreto reforçado com fibras.”. Neste ensaio usa-se corpos de prova de mesma dimensão assim como citados no tópico anterior e também rompidos nas mesmas circunstancias de idade, e a fibra de polipropileno atua de forma muito intensa. A fibra atua na matriz de 54 concreto de forma intertravada, evitando que a fissura se propague e, até mesmo, controlando seu tamanho. Vale ressaltar que, com a adição de PP, a deformação fica acentuada, ou seja, a matriz de concreto resiste de forma eficiente até mesmo depois da primeira fissura aparecer e também consegue resistir esforços crescentes de carregamento. O corpo de prova deve ser colocado deitado entre os pratos da máquina de ensaio, e o seu contato deve acontecer ao longo de seu eixo por intermédio de taliscas de madeira padronizadas (Ver Figura 41). A força é aplicada até o momento de ruptura do concreto. (Pinheiro, et. al, 2010). Figura 41 - Detalhes do Corpo-de-prova para Ensaio de Compressão Diametral. Fonte: Pinheiro, Muzardo, Santos, Catoia e Catoia (2010). Para a realização do ensaio, foram moldados corpos-de-prova semelhantes aos utilizados em ensaios de compressão axial simples, de forma cilíndrica com o a altura CP sendo o dobro de seu diâmetro. De forma que seja a dimensão mais comum de 150mm de diâmetro por 300mm de altura. Nesta pesquisa, foi necessária a moldagem de 04 corpos de prova para cada tipo de traço utilizado. Sendo a sua análise realizada com 02 amostragens para cada tempo estimado de cura a ser rompido. O ensaio de compressão diametral deve ser realizado de acordo com a sua norma vigente - NBR – 7222 (1994). 55 4.3 CARBONATAÇÃO O fenômeno da carbonatação é bem conhecido e bastante estudado, devido sua ocorrência esta presente em todas as estruturas de concreto armado. Este ensaio tem grande influência no meio acadêmico e comercial, porque é por ele que podemos quantificar a carbonatação no concreto e saber se o mesmo irá apresentar algumas patologias futuras, como fissura no concreto, destacamento do recobrimento do aço, redução de seção do aço, entre outros. Nesses ambientes, o concreto está exposto à grande quantidade de gás carbônico (CO2). Este composto penetra no concreto, através de seus poros e se associa com a umidade presente na matriz, formando assim outra substância: o ácido carbônico (H2CO3). (TOKUDOME, 2009). Para este mesmo autor: Este ácido reage com alguns componentes da pasta de cimento hidratada e resulta em água e carbonato de cálcio (CaCO 3). O composto que reage rapidamente com (H2CO3) e o hidróxido de cálcio (Ca(OH)2). O carbonato de cálcio não deteriora o concreto, porém durante a sua formação consome os álcalis da pasta (ex: Ca(OH) 2 e C-S-H) e reduz o pH. (TOKUDOME, 2009, p. 1) Geralmente o concreto possui pH entre 12,6 e 13,5. Depois deste processo de carbonatação o seu pH abaixa e permanece em torno de 8,5. A carbonatação iniciase na superfície da matriz, composta por duas zonas uma com pH básico e outra neutra. Este processo viaja até o interior do concreto e encontra a armadura, ocorrendo a despassivação e tornando o aço vulnerável. Após a eliminação da camada protetora, a carbonatação irá ocorrer com a presença de três fatores: umidade, agente agressor (CO2) ou fuligem e oxigênio. Para a execução do ensaio de carbonatação, é necessário o uso de solução de Fenolftaleína, a qual reage com a camada superficial do concreto a ser analisada, colorindo a parte de concreto em um tom roxo (Ver Figura 42). Em caso de reação com o ácido carbônico gerado pelas reações no concreto, a cor roxa deixa de se destacar. É neste momento de reação que se faz a aferição do grau de carbonatação da peça. 56 Figura 42 - Detalhe de Ensaio de Carbonatação. Fonte: Arquivo pessoal Deve-se medir, com o auxílio de um paquímetro, partindo da face do concreto até onde a mancha roxa deixa de se destacar na superfície do corpo-de-prova. O resultado desta medição é tido como o valor de carbonatação que o concreto sofreu durante o período estudado. Para esta pesquisa, foi utilizada a moldagem de um corpo de prova cilíndrico, de dimensões iguais as do ensaio de compressão axial simples e compressão diametral, medindo em seu diâmetro 150mm x 300mm em sua altura, com um período de 90 dias de cura, tempo determinado para possibilitar que as reações ocorressem no concreto. 4.4 ASCENSÃO CAPILAR O ensaio de ascensão capilar define a quantidade e forma dos poros do concreto, ou seja, dos buracos que implicam na penetração da água, provocando lixiviação dos sais do concreto. A execução deste ensaio se baseia em realizar a medição da absorção de água em corpos-de-prova de concreto com tempo de cura de vinte e oito dias de idade. A sua metodologia de ensaio, baseia-se em manter o corpo-de-prova que irá 57 ser analisado na câmara úmida até o dia anterior ao seu ensaio. O mesmo deverá ser colocado na estufa durante o período de 24 horas. Após este período, o corpo-deprova deverá ser posto a temperatura ambiente para, posteriormente, poder ser pesado em balança eletrônica e feita a imersão em um recipiente com uma lâmina d’água de 01 centímetro de altura. Após este processo, o corpo-de-prova é, novamente, pesado na balança eletrônica para ser verificada a quantidade de água que foi absorvida pelo concreto. A ascensão capilar é realizada com um período de curta no concreto de 28 dias e serve para a verificação da evolução da hidratação do cimento e, consequentemente, a redução dos poros. Para a presente pesquisa, foi-se moldado um corpo de prova para cada tipo de traço analisado, ambos de mesma dimensão dos utilizados nos ensaios anteriores. A ascensão capilar é definida pela seguinte fórmula matemática: AC = P / 187,5 (g/cm²), onde: P = Quantidade de água absorvida, em gramas. AC = Índice de ascensão capilar, em g/cm² O ensaio de ascensão capilar deve ser realizado de acordo com a sua norma vigente - NBR – 9778 (1987). 4.5 TRAÇÃO NA FLEXÃO Para Pinheiro e seus colaboradores (2010), na realização de um ensaio a tração na flexão, o corpo de prova é moldado com uma seção prismática, de medidas padrões de 15x15x50cm. Na máquina de ensaio, ele é submetido à flexão, com carregamentos em suas duas seções simétricas, até o seu momento de ruptura (Ver Figura 43). 58 Figura 43 - Ensaio de Tração na Flexão. Fonte: Pinheiro e seus colaboradores (2010). Para este ensaio, foram moldados 02 corpos-de-prova prismáticos para cada traço utilizado, com dimensões padrões, sendo rompidos com 28 dias de cura. O ensaio de tração na flexão deve ser realizado de acordo com a sua norma vigente NBR – 12142 (1991). 4.5.1 Tenacidade Segundo o Boletim Técnico 19, da ANAPRE (2009), o ensaio de tenacidade serve para medir o comportamento de pós-fissuração em concretos, ou seja, permitir que o concreto continue a receber carga mesmo sofrendo deformações. No Brasil, o método de determinação mais empregado para tal ensaio é o utilizado pela Japan Society of Civil Engineers - JSCE-SF4 (1984). É um ensaio realizado por meio de corpos-de-prova prismáticos carregados por quatro cutelos, como pode ser visto na Figura 44, abaixo: 59 Figura 44 - Ensaio JSCE-SF4. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (s.a). O ensaio de flexão também permite o controle da tenacidade, desde que seja realizado com a deformação controlada. Conforme visto na Figura 44, acima, a prensa para o ensaio deve dispor de controle eletrônico de deslocamento por meio de um transdutor do tipo LVDT. (BOLETIM TÉCNICO 19 ANAPRE, 2009). Outra forma de controle da tenacidade está no ensaio de flexão sobre placa (Ver Figura 45), podendo ser chamando também de puncionamento. Foi elaborado pelo Serviço Nacional Ferrovias Francesas – SNCF, em 1989. A diferença primordial deste ensaio para o anterior se deve à aplicação de uma carga concentrada no centro de uma placa, sendo assim através da pré-flexão, ocorre a determinação da energia absorvida. (MANUAL TÉCNICO MACCAFERRI, s.a). Figura 45 - Ensaio do tipo EFNARC. Fonte: Manual Técnico Maccaferri (s.a.) 60 No Brasil, não há norma sobre o assunto. De acordo com outros métodos para a realização do controle de tenacidade, pode-se observar na Tabela 6 abaixo, normas mundiais utilizadas para a realização do ensaio. (BOLETIM TÉCNICO 19 ANAPRE, 2009). Tabela 6 - Relação de Normas para Ensaio de Tenacidade. Fonte: Figueiredo, 2000. Nas figuras abaixo (Ver Figuras 46 e 47), nota-se as placas de concreto moldadas com base na norma da Experts for Specialized Constrution and Concrete Systems - EFNARC para a realização dos ensaios. 61 Figura 46 - Moldagem de Corpos-de-prova para Ensaio de Tenacidade. Fonte: Arquivo Pessoal Figura 47 - Corpos-de-prova Moldados para Ensaio de Tenacidade. Fonte: Arquivo Pessoal Para o ensaio de tenacidade, foram moldados placas de concreto, com dimensões de 60x60x10cm com base na norma da EFNARC, sendo confeccionados dois corpos-de-prova para cada traço de concreto analisado. 62 5 MÉTODOS DE DOSAGEM Neste capítulo exploraremos o processo experimental do trabalho, sendo o mesmo responsável por quantificar todos os materiais necessários para a confecção do traço ideal. Vale ressaltar que todos os materiais utilizados no ensaio experimental foram adquiridos na região metropolitana de Belém, através de representantes da fábrica da Maccaferri, buscando sempre um traço comum utilizado em obras. Segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP (s.a.), “[...] dosagem nada mais é, do que o proporcionamento adequado e mais econômico de matérias: cimento, água, agregados, adições e aditivos.”. Os materiais utilizados no concreto têm cada um sua particularidade, sendo assim, cada um influencia na dosagem. Por exemplo, o maior consumo de cimento acarreta em: maior plasticidade, maior coesão, menor segregação, menor exsudação e maior calor de hidratação. (ABCP, s.a.). O traço padrão adotado para este trabalho foi: 1; 2,17; 2,44, a/c 0,35; sendo 1 kg de cimento, 2,17 de areia, 2,44 de seixo e relação água/cimento de 0,35 ml. Houve também o acréscimo de aditivo superplastificante, sendo a dosagem do mesmo variável, de 0 a 2% em relação ao peso do cimento em quilos (Kg). Os materiais utilizados neste estudo foram os seguintes, como mostra a Tabela 7: Tabela 7 - Lista de Materiais Utilizados. COMPONENTE TIPO MARCA ESPECIFICAÇÃO Cimento Portland Nassau Z – 32 Agregado Miúdo Areia - Granulometria média Agregado Graúdo Seixo rolado - Granulometria média Aditivo Superplastificante BASF Glenium 51 Fonte: Arquivo pessoal. Foram adotados para os experimentos cinco traços tendo a variação do traço padrão a partir da adição das fibras de polipropileno. As fibras foram adicionadas devido à percentagem do volume de concreto, conforme segue: 63 5.1 OBTENÇÃO DO VOLUME TOTAL DE CONCRETO No procedimento de dosagem das fibras de polipropileno, sua adição no concreto é realizada através de sua dosagem com base da percentagem desejada de fibras em relação ao volume total de concreto. Para a obtenção do volume de concreto, devem-se quantificar os componentes do concreto de acordo com sua unidade de consumo e fazer a relação com base no seu peso específico, obtendo assim, a relação da fórmula . O peso de cada material é diretamente relacionado ao traço padrão adotado. Sendo o traço 1; 2,17; 2,44, a/c 0,35, os materiais são quantificados de acordo com a multiplicação de cada índice pelo valor do peso do cimento. Após a obtenção destes valores, torna-se possível o prosseguimento da dosagem de fibras de polipropileno (PP) a serem adicionadas ao concreto, conforme demonstrado na Tabela 8. Tabela 8 - Volume de Concreto MATERIAL PESO (KG) PESO ESPECÍFICO (KG/CM²) VOLUME (L) Cimento Areia 50 108,5 1.4 1.6 35,71 67,81 Seixo 122 1.5 81,33 Àgua 17,5 1 17,5 Volume total de concreto 202,35 Fonte: Arquivo pessoal. O peso de cada material é divido por seu peso específico, obtendo-se assim o volume, em litros (L), de cada material. A soma de todos os resultados desta razão de cada material é o volume total de concreto. 5.2 DOSAGEM DA FIBRA Para a obtenção de dosagem da fibra a partir do volume de concreto, utiliza-se em relação direta, a multiplicação do volume total de concreto pela percentagem desejada de fibras, juntamente com o peso específico da fibra utilizada. Resultando, 64 desta maneira, no peso desejado para dosagem de fibras a serem adicionadas no concreto. Este procedimento repete-se de acordo com a percentagem utilizada para qualquer traço desejado, conforme apresentado na Tabela 9 e no Gráfico 5, a seguir: Tabela 9 - Peso das Fibras de PP VOLUME CONCRETO (L) PERCENTUAL DE DOSAGEM (%) PESO ESPECÍFICO DA FIBRA (G/CM³) PESO PARA DOSAGEM (KG) 202,35 0,3 0,91 0,5524 202,35 0,5 0,91 0,9207 202,35 0,7 0,91 1,2890 202,35 0,9 0,91 1,6573 Fonte: Arquivo pessoal. Gráfico 5 - Consumo de Fibras por Traço. Fonte: Arquivo pessoal. Vale ressaltar a importância do volume crítico de fibras de polipropileno a ser dosada para concretos, que não pode ser superior a 1%. Uma dosagem superior ao volume crítico, além de apenas gerar desperdício de material por não conseguir aumentar suas propriedades, pode causar uma grande perda da trabalhabilidade do compósito, devido o volume de fibras ser bastante elevado, fato este que pode ser 65 comprovado no gráfico acima, que demonstra o aumento do volume das fibras em relação ao percentual da dosagem escolhido. 5.3 DOSAGEM DO ADITIVO Aditivos são materiais adicionados a concretos simples para obter propriedades específicas de acordo com cada tipo, como controle de tempo de pega, redução do calor de hidratação, teor de plasticidade e etc. Para concretos ricos em fibras, os aditivos plastificantes são indispensáveis, pois este aditivo, tendo efeitos benéficos com a possibilidade da redução de água, consegue adequar a plasticidade do compósito. Isto tem grande utilidade, tendo em vista que as fibras mesmo não absorvendo a água, geram um processo de adsorção, o qual torna o concreto bastante seco, dificultando sua trabalhabilidade. A relação de aditivo necessário a ser adicionado varia de traço para traço, a sua relação se dá em virtude da relação direta da percentagem de aditivo a ser adicionada pelo peso do cimento, em quilos. A superdosagem de aditivo na mistura não é benéfica, pelo contrário, se torna um grande mal para o concreto. No caso dos plastificantes, sua superdosagem pode segregar os agregados, aumentar efeitos de exsudação e entre outros. Os aditivos, em geral, são explorados por fabricantes especializados. Em seus catálogos, os mesmos dão informações pormenorizadas sobre o emprego e dosagem destes produtos. A dosagem, dependendo do tipo do material e aditivo, varia de 0,2% a 2%. Segue abaixo, na Tabela 10, a forma da dosagem utilizada na parte experimental. Tabela 10 - Uso de Aditivo. COMPONENTE TRAÇO PESO CIMENTO (KG) Glenium 51 Glenium 51 Glenium 51 Glenium 51 Glenium 51 Padrão 0,3% PP 0,5% PP 0,7% PP 0,9% PP 50 50 50 50 50 Fonte: Arquivo pessoal. PERCENTAGEM VOLUME (ML) DO ADITIVO (%) 0,4 0,5 0,8 1,4 2 200 300 400 700 1000 66 No Gráfico 6, abaixo, pode-se notar o gradativo aumento da dosagem de aditivo de acordo com o aumento da percentagem de fibras no concreto. Gráfico 6 - Consumo de Aditivo Fonte: Arquivo pessoal. Este fato se dá pela busca da trabalhabilidade do material, visto que quanto mais se chega no nível crítico de fibras, maior a concentração, tendo assim um maior fenômeno de adsorção, tornando o material cada vez mais difícil de se trabalhar. 67 6 EXPERIMENTOS 6.1 COMPRESSÃO AXIAL SIMPLES O experimento se deu com a confecção de quatro corpos de prova para cada traço a ser analisado. Foram arbitradas duas idades para o seu rompimento, sete (7) dias e vinte e oito (28) dias. Para cada idade, foram dispostos dois corpos-de-prova para análise. Para cada idade analisada foi escolhido, para efeito de resultado, o maior valor resultante entre os dois corpos de prova, para, desta forma, extrair possíveis erros provenientes de moldagem. Os resultados seguem na Tabela 11, abaixo: Tabela 11 - Resultados Gerais de Ensaio de Compressão Axial Simples. TRAÇO 7 DIAS (MPA) 28 DIAS (MPA) NORMAL 14,97 18,21 0,3% PP 18,62 18,46 0,5% PP 21,91 14,11 0,7% PP 13,79 16,47 0,9% PP 15,97 18,72 Fonte: Arquivo Pessoal De acordo com o Gráfico 7, pode ser observado a variabilidade como ocorreram os resultados. Gráfico 7 - Valores Resultantes Gerais de Ensaio de Compressão Axial Simples. 25 20 15 7 dias (Mpa) 10 28 dias (Mpa) 5 0 Normal Fonte: Arquivo Pessoal 0.30% 0.50% 0.70% 0.90% 68 Nos Gráficos 8 e 9 abaixo, estão demonstrados os resultados registrados pela máquina de compressão após a realização do ensaio. Gráfico 8 - Resultantes do Ensaio de Compressão Axial Simples para 07 Dias. Fonte: Arquivo Pessoal Gráfico 9 - Resultantes do Ensaio de Compressão Axial Simples para 28 Dias. 69 Fonte: Arquivo Pessoal Os gráficos confeccionados para a leitura dos resultados procuram mostrar a evolução que o concreto sofreu de acordo com os diferentes traços analisados. 6.2 TRAÇÃO INDIRETA POR COMPRESSÃO DIAMETRAL O experimento se sucedeu com a confecção de quatro corpos de prova para cada traço a ser analisado. Foram arbitradas duas idades para o seu rompimento, sete (07) dias e vinte e oito (28) dias. Para cada idade, foram dispostos dois corposde-prova para análise. Para cada idade analisada, foi escolhido, para efeito de resultado, o maior valor resultante entre os dois corpos de prova, para, desta forma, extrair possíveis erros provenientes de moldagem. Os resultados seguem na Tabela 12, abaixo: 70 Tabela 12 - Resultados Gerais de Ensaio de Compressão Diametral Simples. TRAÇO 7 DIAS (MPA) 28 DIAS (MPA) NORMAL 2,74 2,38 0,3% PP 2,60 2,43 0,5% PP 2,12 2,58 0,7% PP 2,26 2,05 0,9% PP 2,58 2,28 Fonte: Arquivo Pessoal De acordo com o Gráfico 10, pode ser observada a variabilidade como ocorreram os resultados. Gráfico 10 - Valores Resultantes Gerais de Ensaio de Compressão Diametral Simples. 3 2.5 2 7 dias (Mpa) 1.5 28 dias (Mpa) 1 0.5 0 Normal 0.30% 0.50% 0.70% 0.90% Fonte: Arquivo Pessoal Nos Gráficos 11 e 12 abaixo, estão demonstrados os resultados registrados pela máquina de ensaio. 71 Gráfico 11 - Resultantes do Ensaio de Compressão Diametral Simples para 07 Dias. Fonte: Arquivo Pessoal Gráfico 12 - Resultantes do Ensaio de Compressão Diametral Simples para 28 Dias. Fonte: Arquivo Pessoal 72 Os gráficos confeccionados para a leitura dos resultados procuram mostrar a evolução que o concreto sofreu de acordo com os diferentes traços analisados. 6.3 FLEXÃO POR COMPRESSÃO PRISMÁTICA SIMPLES O experimento se deu com a confecção de dois corpos-de-prova para cada traço a ser analisado. Foi arbitrada somente uma idade para o seu rompimento, que foi de vinte e oito (28) dias. Para tal idade, foi disposto de dois corpos-de-prova para análise. Para a idade analisada, foi escolhido, para efeito de resultado, o maior valor resultante entre os dois corpos de prova para, desta forma, extrair possíveis erros provenientes de moldagem. Os resultados seguem na Tabela 13, abaixo: Tabela 13 - Resultados Gerais de Ensaio de Flexão por Compressão Prismática Simples. TRAÇO 28 DIAS (KGF) NORMAL 2532 0,3% PP 2452 0,5% PP 2433 0,7% PP 2551 0,9% PP 2456 Fonte: Arquivo Pessoal No Gráfico 13, abaixo, está demonstrado o resultado registrado pela máquina de ensaio. 73 Gráfico 13 - Resultantes de Compressão Prismática Simples para 28 Dias. Fonte: Arquivo Pessoal Os gráficos confeccionados para a leitura dos resultados procuram mostrar a evolução que o concreto sofreu de acordo com os diferentes traços analisados. 6.4 CARBONATAÇÃO Para efeito de análise de resultado do ensaio de carbonatação, foi moldado um corpo-de-prova para cada traço analisado. Para tal procedimento, foi arbitrado um período de noventa (90) dias para execução do ensaio, para que fosse possível constatar fatores relevantes para leitura dos resultados. Os resultados seguem na Tabela 14, abaixo: 74 Tabela 14 - Resultados Gerais de Ensaio de Carbonatação. TRAÇO 90 DIAS (MM) NORMAL 0,57 0,3% PP 0 0,5% PP 0 0,7% PP 0 0,9% PP 0,17 Fonte: Arquivo Pessoal Nas Figuras 48 e 49, abaixo, pode ser observado o método executivo de ensaio de carbonatação e sua forma de leitura dos resultados. Figura 48 - Leitura de Ensaio de Carbonatação do Corpo-de-prova do Traço Normal. Fonte: Arquivo Pessoal 75 Figura 49 - Leitura de Ensaio de Carbonatação do Corpo-de-prova do Traço com Fibras. Fonte: Arquivo Pessoal A carbonatação é um ensaio criterioso a ser executado e deve se atentar para a limpeza do corpo-de-prova, como também da qualidade da mistura de fenolftaleína que deve estar dentro de sua validade e estocada em local adequado para ser possível a correta obtenção dos resultados. 6.5 ASCENSÃO CAPILAR Para efeito da análise de resultado do ensaio de ascensão capilar, foi moldado um corpo-de-prova para cada traço analisado. Para tal procedimento, foi arbitrado um período de vinte e oito (28) dias para execução do ensaio. Os resultados seguem na Tabela 15, abaixo: Tabela 15 - Resultados Gerais de Ensaio de Ascensão Capilar. TRAÇO PESO SECO(G) PESO ÚMIDO (G) NORMAL 3454,22 3454,92 0,7 0,0037 0,3% PP 3397,17 3397,70 0,53 0,0028 0,5% PP 3498,91 3499,31 0,40 0,0021 0,7% PP 3407,20 3407,51 0,31 0,0016 0,9% PP 3543,43 3544,05 0,62 0,0033 Fonte: Arquivo Pessoal DIFERENÇA (G) AC (G/CM²) 76 No gráfico abaixo (Ver gráfico 14), pode ser observado de forma clara os resultados de ensaio de ascensão capilar. Gráfico 14 - Resultados de Ensaio de Ascensão Capilar. 28 dias (AC) 0.004 0.0035 0.003 0.0025 0.002 28 dias (AC) 0.0015 0.001 0.0005 0 Normal 0.30% 0.50% 0.70% 0.90% Fonte: Arquivo Pessoal O método executivo de ensaio pode ser observado nas Figuras 50 e 51, abaixo. Figura 50 - Pesagem do Corpo de Prova em Balança Digital. Fonte: Arquivo Pessoal 77 Figura 51 - Corpo de Prova Imerso na Lâmina D’água. Fonte: Arquivo Pessoal O ensaio de ascensão capilar é um dos mais simples execução, porém, fornece dados importantes que podem definir o futuro da qualidade do concreto examinado. 78 7 ANÁLISE DOS RESULTADOS 7.1 COMPRESSÃO AXIAL SIMPLES Como já mencionado no trabalho, a fibra de polipropileno é considerada de baixo módulo, ou seja, não é estrutural. Desta forma, não gera ganho de resistência mecânica ao concreto. O observado nos resultados dos experimentos demonstra, a primeira vista, um ganho crescente na resistência à compressão de acordo com o aumento da dosagem das fibras. Este fato não é verdadeiro, sendo a razão para tal a possibilidade de ter ocorrido falhas durante o processo de moldagem dos corpos de prova. Os traços decorreram diretamente de um traço padrão e não ocorreram alterações na sua dosagem, apenas a adição das fibras. Os gráficos apresentam picos de resistência distintos entre os traços, os quais não devem ser relacionados com a adição das fibras de polipropileno. Para uma leitura correta, as fibras de polipropileno demonstraram-se inertes em relação a resistência mecânica de compressão axial simples. 7.2 TRAÇÃO INDIRETA POR COMPRESSÃO DIAMETRAL De acordo com a obtenção dos resultados, as fibras demonstraram-se eficazes em proporcionar aos concretos, mesmo após o aparecimento das primeiras fissuras e ruptura de sua estrutura, uma capacidade de resistir ao carregamento se deformando e mantendo a sua capacidade portante. Tal feito é essencial para um acréscimo de segurança em estruturas de concreto como pontes, túneis e estruturas em geral. Possibilitando um ganho de tempo até o colapso geral do concreto, fazendo com que a estrutura possa ter uma alta deformabilidade. No contexto da resistência mecânica, as fibras, mais uma vez, demonstraramse inertes, não havendo acréscimo em sua resistência, mesmo dentre as diferentes dosagens utilizadas neste trabalho. 79 7.3 CARBONATAÇÃO As fibras de polipropileno, em virtude de sua propriedade na diminuição da capilaridade do compósito e de proporcionar uma maior aderência e enlaçamento dos agregados com o cimento, possibilita uma redução considerável na porosidade do concreto. Devido esta redução, o concreto passa a possuir uma vida útil prolongada e um aumento de sua resistência ao efeito da carbonatação. Como observado nos resultados dos ensaios, foi comprovada a redução da carbonatação dentro do período analisado, de acordo com o acréscimo das fibras de polipropileno ao concreto. Na dosagem do traço de concreto com a adição de 0,90% de fibras de polipropileno, devido sua alta dosagem, próxima do volume crítico, a fibra prejudicou na trabalhabilidade do compósito. Portanto, impossibilitando na sua perfeita moldagem, tornando-o mais poroso. Desta forma, para este traço, foi observado um pequeno aumento no efeito da carbonatação durante o período proposto em relação aos demais traços com fibras utilizados. 7.4 ASCENSÃO CAPILAR A ascensão capilar é vinculada diretamente ao grau de porosidade do concreto. Devido às fibras de polipropileno serem eficazes na diminuição da porosidade, de acordo com os resultados do ensaio, ficou comprovado a diminuição da absorção de água nos concretos conforme a dosagem das fibras de forma crescente e com base na sua dosagem. De acordo com os experimentos, quanto maior a dosagem da fibra, a ascensão capilar tendeu a diminuir. Porém, à medida que se aproxima da dosagem crítica, ocorre um aumento da porosidade do compósito, devido a dificuldade na trabalhabilidade de moldagem, acarretando uma absorção maior de água, havendo, desta forma, um aumento na ascensão capilar do compósito. Fato que é comprovado nos resultados do ensaio. 80 7.5 FLEXÃO POR COMPRESSÃO PRISMÁTICA SIMPLES Com a obtenção dos resultados do ensaio, foi possível observar o ganho do concreto na sua capacidade portante mesmo após o surgimento das primeiras fissuras. Com a adição das fibras, de acordo com o acréscimo de sua dosagem, houve o acréscimo de deformabilidade da estrutura por um maior período de tempo. Este feito possibilita um acréscimo considerável na segurança de estruturas. Visto a importância no ganho de tempo em estruturas que entram em colapso. O concreto, mesmo após passar do ponto de ruptura, continua a resistir às cargas solicitadas. 81 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso das fibras sintéticas em concretos, em especial as de polipropileno, já deixou de ser uma grande novidade no meio acadêmico e comercial. Porém, o desconhecimento geral sobre suas propriedades e características ainda é muito elevado. Com a elaboração desta pesquisa, esperamos ter conseguido aumentar o campo de conhecimento sobre o assunto e gerar interesse para futuros estudos no ramo. A busca pelo método de dosagem ideal para as fibras de polipropileno são de certa forma totalmente empíricas. Pela razão de diversos pesquisadores utilizarem uma linha diferente de pesquisa, o entendimento geral sobre o assunto fica impossibilitado de ocorrer. Porém, com os frutos desta pesquisa, foi possível chegar a um denominador comum para futuras dosagens aceitáveis em peças de concreto conforme nossas perspectivas levantadas. Tendo uma visão geral dos resultados obtidos com os ensaios, foi possível constatar a plenitude de uma dosagem em especial, a qual gerou dados aceitáveis em todos os ensaios executados e ainda conseguiu a mistura do compósito totalmente coeso e fluído, com boa trabalhabilidade. A dosagem em questão é a de 0,70% de fibras em relação ao volume de concreto. Tendo em vista a proposta de esta pesquisa ser voltada para o método prático, foi procurada para execução dos experimentos uma condição mais próxima da real possível, ou seja, em obra de acordo com o contexto atual do mercado de nossa região. Em virtude do mesmo, não houve condições de acontecer o controle de umidade dos agregados, influenciando desta forma em uma alteração indesejada na relação água/cimento. Diretamente ligada a esta relação, com o acréscimo de água na mistura do compósito, ocorre a diminuição de sua resistência mecânica. Fato que foi comprovado em todos os resultados dos ensaios com relação à resistência mecânica do concreto. Infelizmente a realização do experimento de tenacidade por meio de placas de concreto não foi possível de ser executado, visto que o equipamento técnico para a 82 realização do mesmo não é encontrado na entidade local e nas demais instituições do país ainda está em fase de testes. Sendo o procedimento uma novidade no setor da engenharia civil brasileira, as opções para ensaios são poucas. Feito que tornaria nossa pesquisa inédita no assunto, por abordar uma característica marcante e importante das fibras de polipropileno. O mérito desta pesquisa procurou levantar todas as características e propriedades positivas das fibras de polipropileno, porém, segue como nossa sugestão para frutos de futuras pesquisas, o seguimento desde mesmo raciocínio envolvendo demais fibras que são fartas na natureza e ainda continuam desconhecidas pelo mundo acadêmico como material a ser utilizado na construção civil. 83 REFERÊNCIAS ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5739: Concreto - Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos. Rio de Janeiro, 1994. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12142: Concreto - Determinação da resistência à tração na flexão em corpos-de-prova prismáticos. Rio de Janeiro, 1991. ALLBIZ. Acetato de celulose. Disponível em: <http://www.br.all.biz/g4072/>, Acesso em: 23 set 2011. BRASIL ESCOLA. O Amianto usado em caixas d’águas é cancerígeno? Disponível em: <http://www.brasilescola.com/curiosidades/o-amianto-usado-caixasdagua-cancerigeno.html>, Acesso em: 17 out 2011. CURTI, Rubens. Propriedades e Dosagem do Concreto. Associação Brasileira de Cimento Portland – ABPC. Disponível em: <http://www.abcp.org.br/comunidades/recife/download/pm_minicursos/11_curso_inte nsivo/Dosagem.pdf>, Acesso em: 10 out 2011. FIGUEIREDO, A. D. Concreto com Fibras de Aço. Boletim Técnico. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2000. FITESA. As Fibras de Polipropileno e a Retração Plástica do Concreto. Boletim Técnico nº 2, 2002. Disponível em: <www.fitesa.com.br>, Acesso em: 13 mar 2011. FITESA. As Influencias das Fibras de Polipropileno na Exsudação do Concreto. Boletim Técnico nº 3, 2002. Disponível em: <www.fitesa.com.br>, Acesso em: 13 mar 2011. FITESA. Uso de Fibras de Polipropileno para Reduzir a Reflexão de Concretos Projetados. Boletim Técnico nº 5, 2003. Disponível em: <www.fitesa.com.br>, Acesso em: 14 mar 2011. FITESA. Uso de Fibras na Construção Civil. Apostila Técnica nº 001, 2001. Disponível em: <www.fitesa.com.br>, Acesso em: 15 mar 2011. FITESA. Efeito “Anti-Spalling” das Fibras de Polipropileno. Boletim Técnico nº 6, 2004. Disponível em: <www.fitesa.com.br>, Acesso em: 15 mar 2011. HIPERGESSO. Fibra de sisal. Disponível em: <http://hypergesso.wordpress.com/produtos-2/fibra-de-sisal/>, Acesso em: 10 set 2011. HOTFROG. Fibra de celulose. Disponível em: < http://www.hotfrog.com.br/Empresas/Celulose-Ambiental/Fibra-de-Celulose-285457>, Acesso em: 20 ago 2011. 84 LOURENÇO, Manuel. Nossas orquídeas. Disponível em: < http://orquidea.base33.net/duvidas/98-plantio-de-orquideas>, Acesso em: 15 ago 2011. MACCAFERRI. Manual Técnico. Fibras como elemento estrutural para reforço de concreto. 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Disponível <http://pt.wikipedia.org/wiki/Fibra_t%C3%AAxtil>, Acesso em 17 Ago 2011. em: 85 ANEXOS 86 ANEXO 1 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão Axial Simples 7 dias - Traço normal Fonte: Arquivo Pessoal 87 ANEXO 2 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão axial simples 28 dias - Traço normal Fonte: Arquivo Pessoal 88 ANEXO 3 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão diametral 7 dias - Traço normal Fonte: Arquivo Pessoal 89 ANEXO 4 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão diametral 28 dias - Traço normal Fonte: Arquivo Pessoal 90 ANEXO 5 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão prismática 28 dias - Traço normal Fonte: Arquivo Pessoal 91 ANEXO 6 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão axial simples 7 dias - Traço 0,3% PP Fonte: Arquivo Pessoal 92 ANEXO 7 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão axial simples 28 dias - Traço 0,3% PP Fonte: Arquivo Pessoal 93 ANEXO 8 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão diametral 7 dias - Traço 0,3% PP Fonte: Arquivo Pessoal 94 ANEXO 9 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão diametral 28 dias - Traço 0,3% PP Fonte: Arquivo Pessoal 95 ANEXO 10 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão prismática 28 dias - Traço 0,3% PP Fonte: Arquivo Pessoal 96 ANEXO 11 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão axial simples 7 dias - Traço 0,5% PP Fonte: Arquivo Pessoal 97 ANEXO 12 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão axial simples 28 dias - Traço 0,5% PP Fonte: Arquivo Pessoal 98 ANEXO 13 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão diametral 7 dias - Traço 0,5% PP Fonte: Arquivo Pessoal 99 ANEXO 14 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão diametral 28 dias - Traço 0,5% PP Fonte: Arquivo Pessoal 100 ANEXO 15 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão prismática 28 dias - Traço 0,5% PP Fonte: Arquivo Pessoal 101 ANEXO 16 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão axial simples 7 dias - Traço 0,7% PP Fonte: Arquivo Pessoal 102 ANEXO 17 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão axial simples 28 dias - Traço 0,7% PP Fonte: Arquivo Pessoal 103 ANEXO 18 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão diametral 7 dias - Traço 0,7% PP Fonte: Arquivo Pessoal 104 ANEXO 19 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão diametral 28 dias - Traço 0,7% PP Fonte: Arquivo Pessoal 105 ANEXO 20 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão prismática 28 dias - Traço 0,7% PP Fonte: Arquivo Pessoal 106 ANEXO 21 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão axial simples 7 dias - Traço 0,9% PP Fonte: Arquivo Pessoal 107 ANEXO 22 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão axial simples 28 dias - Traço 0,9% PP Fonte: Arquivo Pessoal 108 ANEXO 23 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão diametral 7 dias - Traço 0,9% PP Fonte: Arquivo Pessoal 109 ANEXO 24 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão diametral 28 dias - Traço 0,9% PP Fonte: Arquivo Pessoal 110 ANEXO 25 – Gráfico de ensaio laboratorial – Compressão prismática 28 dias - Traço 0,9% PP Fonte: Arquivo Pessoal