AVALIAÇÃO DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE COMPÓSITOS PULTRUDADOS DE MATRIZ POLIMÉRICA COM REFORÇO DE FIBRA DE VIDRO Sandra Penha de Souza Almeida TESE SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA CIVIL. Aprovada por: _____________________________________________ Prof. Eduardo de Miranda Batista, D. Sc. _____________________________________________ Profª. Michele Schubert Pfeil, D. Sc. _____________________________________________ Profª. Eliane Maria Carvalho, D. Sc. RIO DE JANEIRO, RJ – BRASIL MARÇO DE 2004 ALMEIDA, SANDRA PENHA DE SOUZA Avaliação das Propriedades Mecânicas de Compósitos Pultrudados de Matriz Polimérica com Reforço de Fibra de Vidro [Rio de Janeiro] 2004 XIV, 87 p. 29,7 cm (COPPE/UFRJ, M.Sc., Engenharia Civil, 2004) Tese – Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE 1. Propriedades Mecânicas de Compósitos Pultrudados I. COPPE/UFRJ II. Título (série) ii DEDICATÓRIA À meu pai Libio e meu irmão Célio, dedico este trabalho como minha mais saudosa homenagem. À minha mãe Helly, aos meus irmãos Libio e Célia, à meu marido Marcos, meus filhos Junior e Caroline, meus maiores incentivadores, pelo auxílio constante, por todo amor, carinho, dedicação e paciência ao participar junto comigo de todas as dificuldades e perdas que se apresentaram ao longo desses quatro anos. iii AGRADECIMENTOS À DEUS em primeiro lugar por ter me dado forças para continuar com meus projetos de vida depois de todas as provações por que passei. Ao Prof. Dr. Eduardo de Miranda Batista, pela orientação e por toda a ajuda dispensada nos momentos difíceis. Aos Técnicos do Laboratório de Estruturas que me ajudaram com seus esforços, principalmente nessa fase final em que todos se desdobraram para que os experimentos fossem concluídos. Aos Técnicos do Laboratório de Informática, da Secretaria do programa e das secretárias Luzidele e Sandra que me orientaram com carinho durante toda esta jornada. Ao Professor e amigo Dr. Tito Luiz da Silveira, que tanto me incentivou para a realização desta etapa em minha vida. Ao amigo e Professor Edvaldo Lopes de Araújo pela ajuda e todo o apoio dispensado. Aos Professores, Funcionários e Direção da Fundação Técnico Educacional Souza Marques, pelo incentivo durante a realização deste trabalho. iv Resumo da Tese apresentada a COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.) AVALIAÇÃO DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE COMPÓSITOS PULTRUDADOS DE MATRIZ POLIMÉRICA COM REFORÇO DE FIBRA DE VIDRO Sandra Penha de Souza Almeida Março/2004 Orientador: Eduardo de Miranda Batista Programa: Engenharia Civil Este trabalho apresenta a avaliação das principais propriedades mecânicas do material compósito estudado, através de ensaio destrutivo de tração e ensaio não destrutivo de flexão por quatro pontos. Apresenta-se igualmente, avaliação da propriedade física de peso específico, bem como avaliação da fração volumétrica de fibra através de ensaios destrutivos de queima e metalografia através da técnica de análise de imagens. A análise das propriedades mecânicas do material envolveu: estudo do módulo de elasticidade, tensão de resistência e alongamento na ruptura, através de ensaios de tração simples e cíclica, em máquinas de ensaios padrão, bem como o módulo de elasticidade à flexão através de ensaio de flexão simples por quatro pontos. A metodologia desenvolvida para padronização dos ensaios de flexão resultou em projeto e fabricação de um dispositivo de suporte e aplicação de carga no corpo de prova. A avaliação da fração volumétrica de fibras utilizando a técnica de análise de imagens possibilitou também a avaliação das frações volumétricas de matriz e vazios, tendo contribuído para o desenvolvimento de metodologia para padronização desta avaliação. v Abstract of Thesis presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.) EVALUATION OF THE MECHANICAL PROPERTIES OF PULTRUDED COMPOSITES OF GLASS REINFORCED POLIMERIC MATERIAL Sandra Penha de Souza Almeida March/2004 Advisor: Eduardo de Miranda Batista Department: Civil Engineering The thesis presents these results of the experimental analysis addressed to the study of the mechanical properties of composite material. The studies were developed on the barrios of tensile and flexural tests. The material density and the volumetric fraction of matrix, voids an fibers were also measured with the help of burnout method, as well as with metalography associated with image analysis technique. The following mechanical properties were studied: the tensile modulus, the tensile strength and the total strain at collapse load, measured with the help of standard press machine. The flexural modulus was measured by means of standard specimen under simply supported bending experiments. A special device was developed to perform these flexural tests. The fiber, the matrix and the void volume ratios were evaluated with the help of image analysis technique. The confirmation of these results was obtained after comparing with the results of the burnout method and allowed standardization of the applied procedures. vi ÍNDICE INTRODUÇÃO............................................................................................................... 1 PULTRUDADOS REFORÇADOS COM FIBRA DE VIDRO.................................. 5 2.1 – Processo de pultrusão ........................................................................................ 5 2.2 –Manuseio e utilização de pultrudados............................................................... 7 2.3 - Defeitos e imperfeições mais comuns em pultrudados com reforço de fibras de vidro ................................................................................................................... 8 2.4 – Principais propriedades da fibra de vidro ....................................................... 9 2.5 – Principais propriedades da matriz................................................................. 10 2.6 – Compósitos reforçados com fibra de vidro ................................................... 12 2.7 – Propriedades físicas dos compósitos .............................................................. 12 2.7.1 – Massa específica e peso específico ........................................................... 12 2.7.2 – Fração volumétrica de fibra .................................................................... 14 2.7.3 – Fração volumétrica de Vazios (Porosidade)........................................... 15 2.8 - Propriedades mecânicas dos compósitos ........................................................ 18 2.8.1 – Módulo de elasticidade longitudinal na tração ...................................... 19 2.8.2 – Módulo de elasticidade longitudinal na flexão....................................... 21 2.8.3 – Deformação lenta à temperatura ambiente............................................ 23 2.8.3.1 - Fatores que afetam magnitude da deformação lenta ...................... 24 2.8.3.2 – Condições ideais para projeto de pultrudados reforçados com fibra de vidro ........................................................................................................... 25 Capítulo 3 ...................................................................................................................... 26 ANÁLISE EXPERIMENTAL..................................................................................... 26 3.1 – Dados relativos ao material estudado ............................................................ 26 3.1.1 – Matérias primas usadas no perfil estudado ............................................ 26 3.1.2 – Propriedade s indicadas pelo fabricante.................................................. 27 3.2 – Análise de peso específico................................................................................ 28 3.3 – Análise do volume de fibra .............................................................................. 29 3.4 – Análise dos ensaios de tração.......................................................................... 31 3.5 – Análise dos ensaios de flexão .......................................................................... 41 3.6 – Análise dos ensaios de deformação lenta ....................................................... 45 Capítulo 4 ...................................................................................................................... 51 vii DISCUSSÃO DOS RESULTADOS EXPERIMENTAIS ......................................... 51 4.1 – Peso específico .................................................................................................. 51 4.2 – Fração volumétrica de fibras .......................................................................... 52 4.3 – Comportamento na tração .............................................................................. 53 4.4 – Comportamento na flexão............................................................................... 60 4.5 – Comportamento na deformação lenta à temperatura ambiente ................. 61 Capítulo 5 ...................................................................................................................... 63 CONCLUSÕES ............................................................................................................. 63 5.1 – Conclusão.......................................................................................................... 63 5.2 – Proposta para trabalhos futuros .................................................................... 67 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 69 ANEXO A ...................................................................................................................... 71 METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO DO MÓDULO DE ELASTICIDADE DE MATERIAL PULTRUDADO EM RESINA REFORÇADA COM FIBRA DE VIDRO ATRAVÉS DE ENSAIO DE FLEXÃO UTILIZANDO PROTÓTIPO DE PEQUENO PORTE............................................................. 71 ANEXO B ...................................................................................................................... 81 METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO DA FRAÇÃO VOLUMÉTRICA DE FIBRAS, MATRIZ E VAZIOS DE COMPÓSITOS PULTRUDADOS DE RESINA REFORÇADA COM FIBRA DE VIDRO ATRAVÉS DE ANÁLISE DE IMAGEM ....................................................................................................... 81 viii ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1.1 – Desenho esquemático do processo de pultrusão. Retirado de www.cogumelo.com.br (2001).....................................................................................2 Figura 1.2 - Formas complexas de perfis pultrudados. Retirado de www.creativepultrusions.com (2001) ..........................................................................2 Figura 2.1 - Esquema de pultrusão contínuo. Elaborado por Morrison Molded Fiber Glass Co.......................................................................................................................5 Figura 2.2 - Alimentação contínua do reforço. Retirado de www.creativepultrusions.com (2001). .........................................................................6 Figura 2.3 - Banho de resina. Retirado de www.creativepultrusions.com (2001). .........6 Figura 2.4 - Saída do perfil da forma. Retirado de www.creativepultrusions.com (2001). .........................................................................................................................7 Figura 2.5 – Imagem digitalizada de material compósito de vidro/poliéster (perfil “U”). Seção transversal usada para determinar fração volumétrica de vazios, de matriz e fibras. .........................................................................................................................16 Figura 2.6 – Histograma da figura 2.5 mostrando o número de pixels relativos à área de menor pico, que corresponde aos vazios e cuja fração volumétrica é de 6,83%. ................17 Figura 2.7 - Histograma da figura 2.5 mostrando o número de pixels relativos à área de médio pico, que corresponde à matriz e cuja fração volumétrica é de 33,17%............................. 17 Figura 2.8 - Histograma da figura 2.5 mostrando o número de pixels relativos à área de maior pico, que corresponde à fibra e cuja fração volumétrica é de 60,00%. .............................. 18 Figura 2.9 – Flexão por 3 pontos de carregamento (um ponto de aplicação de carga e dois apoios. ................................................................................................................21 Figura 2.10 – Flexão por 4 pontos de carregamento (dois pontos de aplicação de carga e dois apoios)................................................................................................................22 Figura 3.1 – Dimensões e geometria do perfil estudado. ...............................................26 Figura 3.2 – Corpo de prova utilizado para obtenção do peso específico. .....................28 Figura 3.3 – Imagem digitalizada de fibra de vidro/poliéster da amostra T2. Seção transversal usada para determinar fração volumétrica de vazios, matriz e fibras. ...29 Figura 3.4 - Histograma da figura 3.3 mostrando o número de pixels relativos à área de maior pico, que corresponde à fibra e cuja fração volumétrica encontrada foi de 59,19%............ 30 ix Figura 3.5 - Histograma da figura 3.3 mostrando o número de pixels relativos à área de médio pico, que corresponde à matriz e cuja fração volumétrica encontrada foi de 38,17%. ........ 30 Figura 3.6 – Histograma da figura 3.3 mostrando o número de pixels relativos à área de menor pico, que corresponde aos vazios e cuja fração volumétrica encontrada foi de 2,64% ..........................................................................................................................31 Figura 3.7 – Proteção do corpo de prova de tração. .......................................................33 Figura 3.8 – Gráfico Tensão x Deformação do CP 1A. .................................................34 Figura 3.9 – Gráfico Tensão x Deformação do CP T1. ..................................................34 Figura 3.10 – Gráfico Tensão x Deformação do CP T2. ................................................35 Figura 3.11 – Gráfico Tensão x Deformação do CP T3. ................................................35 Figura 3.12 – Gráfico Tensão x Deformação dos cinco ciclos do CP COG 2. ..............36 Figura 3.13 – Gráfico Tensão x Deformação completo do CP COG 2. .........................36 Figura 3.14 – Gráfico Tensão x Deformação dos cinco ciclos do CP COG 3. ..............37 Figura 3.15 – Gráfico Tensão x Deformação completo do CP COG 3. .........................37 Figura 3.16 – Gráfico Tensão x Deformação dos cinco ciclos do CP COG 4. ..............38 Figura 3.17 – Gráfico Tensão x Deformação completo do CP COG 4. .........................38 Figura 3.18 – Seção transversal do CP T2 mostrando a região de ruptura (50 X) e dois aumentos onde se concentram as fibras longitudinais, (100 X e 200 X). .................39 Figura 3.19 – Seção transversal do CP T2 mostrando a região afastada da ruptura (50 X) e dois aumentos nas seções onde se concentram as fibras longitudinais, (100 X e 200 X). ....................................................................................................................40 Figura 3.20 – Dispositivo para aplicação de carga no ensaio de flexão por quatro pontos. .......................................................................................................................42 Figura 3.21 – Montagem utilizada no ensaio de flexão com indicação de carregamento. ............................................................................................................43 Figura 3.22 - Gráfico Tensão x Flecha do ensaio de flexão com carga igual nos dois lados do suporte. ........................................................................................................44 Figura 3.23 – Corpos de prova dos ensaios. (a) primeiro CP idealizado. anterior com seção aumentada por resina. (b) CP (c) .CP utilizado no ensaio de deformação lenta. ......................................................................................................46 Figura 3.24 – Esquema para confecção do CP utilizado no ensaio de deformação lenta. ..........................................................................................................................47 Figura 3.25 – Montagem realizada para o ensaio de deformação lenta. ........................48 Figura 3.26 – Instrumentos de registro da deformação por deformação lenta. ..............49 x Figura 3.27 – Gráfico deformação lenta versus tempo correspondente à tensão de 127,5 MPa............................................................................................................................50 Figura 3.28 – Gráfico deformação lenta versus tempo correspondente à tensão de 255 MPa............................................................................................................................50 Figura 4.1 – Relação entre fração volumétrica de fibras e módulo de elasticidade na tração. ........................................................................................................................55 Figura 4.2 – Relação entre fração volumétrica de fibras e tensão máxima de tração ....56 Figura 4.3 – Aspecto da fratura do corpo de prova 1A. .................................................57 Figura 4.4 – Aspecto da fratura do corpo de prova T1. ..................................................57 Figura 4.5 – Aspecto da fratura do corpo de prova T2. ..................................................58 Figura 4.6 – Aspecto da fratura do corpo de prova T3. ..................................................58 Figura 4.7 – Aspecto da fratura do corpo de prova Cog 2..............................................59 Figura 4.8 – Aspecto da fratura do corpo de prova Cog 3..............................................59 Figura 4.9 – Aspecto da fratura do corpo de prova Cog 4..............................................60 Figura 5.1 – Projeto para construção do protótipo a ser utilizado no ensaio de flexão por quatro pontos. ............................................................................................................66 Figura 5.2 - Dimensões do corpo de prova e características de aplicação de carga do ensaio de flexão. ........................................................................................................67 xi ÍNDICE DE TABELAS TABELA 2.1 – Propriedades das fibras de vidro ...................................................... 10 TABELA 3.1 - Propriedades mecânicas e físicas poliéster de vidro ................................. 27 TABELA 3.2 – Avaliação de densidade ...................................................................... 28 TABELA 3.3 – Volume de fibras................................................................................. 29 TABELA 3.4 – Resultados dos ensaios de tração ...................................................... 33 TABELA 3.5 – Dados do ensaio de flexão - corpo de prova 1m16 - Cargas iguais de cada lado do suporte............................................................................................... 43 TABELA 3.6 – Resultados do ensaio de flexão - corpo de prova 1m16 - Cargas iguais de cada lado do suporte............................................................................... 44 TABELA 4.1 – Valores para alongamento máximo na ruptura ....................................... 54 TABELA 4.2 – VALORES para módulo de elasticidade na tração.................................. 55 xii LISTA DE SÍMBOLOS mc – massa do compósito. mf – massa de fibra. mm – massa de matriz. vc – volume do compósito. vf – volume de fibra. vm – volume de matriz. vv – volume de vazios. ρ - massa específica. m – massa. v – volume. ρ c - massa específica do compósito. ρ f - massa específica da fibra. ρ m - massa específica da matriz. Mm – fração de massa da matriz. Mf – fração de massa da fibra. Vv – fração volumétrica de vazios. Vf – fração volumétrica de fibras. Vm – fração volumétrica de metriz. γ c - peso específico do compósito. γ f - peso específico da fibra. γ m - peso específico da matriz. Wf – peso de fibras. Wc – peso do compósito. n1 – número de pixels correspondente à área de pico mais baixo do histograma. n2 - número de pixels correspondente à área de pico médio do histograma. n3 - número de pixels correspondente à área de pico mais alto do histograma. xiii N – número de pixels totais do histograma. E1 – módulo de elasticidade longitudinal. υ12 - coeficiente de Poisson longitudinal. Ect – módulo de elasticidade longitudinal à tração do compósito. Ef – módulo de elasticidade longitudinal à tração da fibra. Em – módulo de elasticidade longitudinal à tração da matriz σ ct - limite de resistência longitudinal à tração do compósito. σ f - limite de resistência longitudinal à tração da fibra. σ m - limite de resistência longitudinal à tração da matriz. ε ct - alongamento máximo na ruptura à tração para o compósito. ε f - alongamento máximo na ruptura à tração para a fibra. ε m - alongamento máximo na ruptura à tração para a matriz. Mmax – momento máximo à flexão. P = carga total a ser colocada no ensaio de flexão. fmax = flecha máxima que se deseja no ensaio de flexão. I = momento de inércia do corpo de prova de flexão. L = distância entre os apoios. b = largura do corpo de prova de flexão. h = espessura do corpo de prova de flexão. σ = tensão aplicada à flexão. E = módulo de elasticidade à flexão. f = flecha a cada leitura de flexão. xiv Capítulo 1 INTRODUÇÃO Materiais estruturais têm sido divididos em quatro categorias básicas conforme relata ASHBY (1987): metais, polímeros, cerâmicos e compósitos, nele estando incluído o concreto armado. Conforme definição de GIBSON (1994), compósitos consistem em dois ou mais materiais distintos combinados em uma unidade estrutural macroscópica. São geralmente usados porque tê m propriedades desejáveis que não puderam ser alcançadas por qualquer um dos materiais em separado, dentre elas temos: • Baixa condutibilidade elétrica; • Alta resistência à corrosão química; • Alto módulo de elasticidade; • Densidade menor que a do aço e alumínio; • Podem ser fabricados em diversas cores e formatos; • Baixo custo de manutenção; • Fácil instalação e • Alta resistência mecânica. As propriedades dos compósitos são uma função das propriedades de suas fases constituintes e da geometria do reforço, a qual compreende forma, tamanho, quantidade, distribuiç ão e orientação das fibras ou partículas. Nos últimos anos a utilização de compósitos pultrudados de resina reforçada com fibra de vidro tem aumentado gradativamente no Brasil, principalmente nas indústrias de petróleo. Existe um número infinito de possibilidades de fabricação de pultrudados cujo processo de fabricação é esquematizado na figura 1.1. Um compósito pultrudado pode ser projetado em função de um ou mais dos seguintes fatores: 1 - Forma: qualquer perfil de seção transversal constante pode ser pultrudado, conforme apresentado na figura 1.2. 2 - Matriz de resina: sistemas de resina podem ser modificados para atender a necessidades especiais como, por exemplo, temperaturas elevadas ou ambientes altamente corrosivos ou úmidos. Resinas típicas inc luem poliéster, ester de vinil, epóxi, e híbridas. 1 Figura 1.1 – Desenho esquemático do processo de pultrusão. Retirado de www.cogumelo.com.br (2001). Figura 1.2 - Formas complexas de perfis pultrudados. Retirado de www.creativepultrusions.com (2001) 3 - Reforços: o tipo, forma, posição e quantidade de reforços podem ser usados para maximizar economia, orientar resistência, e/ou outras características físicas. O tipo de reforço pode ser, por exemplo, de fibras de vidro, carbono ou aramida. O reforço de quaisquer destas fibras pode ser na forma de feixe (multifilamentos), tapete (fibras longas contidas numa forma de tapete junto com uma camada resinosa), ou tecidos. 2 4 - Projeto do compósito: uma peça pode ser fabricada por pultrusão, projetandose a resina e/ou reforço para alcançar uma necessidade particular. Qualquer projeto pode ser mudado para alcançar propriedades especificadas, por exemplo, mudando a quantidade, distribuição, tipo ou forma do reforço. Conforme CALLISTER JR. (1994), REINHART (1987), CHAWLA (1987), podemos citar algumas aplicações para perfis pultrudados: - Construções off- shore. - Aeronaves. - Mineração. - Automóveis. - Plantas de processo Industrial. - Telefonia móvel. - Construções de edifícios. - Construção naval. As propriedades mecânicas e físicas de um compósito de resina reforçada com fibra de vidro podem ser avaliadas através de ensaios como: tração, compressão, flexão, torção, deformação lenta, queima e metalografia. O ensaio de metalografia nos permite avaliar propriedades físicas e características importantes para o compósito, com o auxílio da técnica de análise de imagens, tais como: fração volumétrica de fibras, matriz e vazios, diâmetro das fibras ou partículas e comprimento de fibras. O perfil pultrudado analisado no presente trabalho tem a forma de seção tipo “I”, e pode ser utilizado em construção de edifícios, como elemento estrutural secundário em construções off-shore, plantas de processo industrial e telefonia móvel, por exemplo. Os objetivos principais da presente pesquisa são os seguintes: - Avaliação das propriedades mecânicas de módulo de elasticidade à tração, limite de resistência à tração, alongamento na ruptura à tração, módulo de elasticidade à flexão e deformação por deformação lenta diferida no tempo à temperatura ambiente. - Avaliação das propriedades físicas de peso específico e fração volumétrica de fibras, matriz e vazios. - Desenvolvimento de metodologia para padronização de ensaio de flexão por quatro pontos. Esta metodologia deve ser elaborada de maneira simplificada com vistas a permitir uma avaliação do módulo de elasticidade à flexão na própria indústria, como parâmetro de controle de qualidade. 3 - Desenvolvimento de metodologia para padronização de avaliação da fração volumétrica de fibras, matriz e vazios através da técnica de análise de imagem. Esta metodologia também tem a função de permitir um melhor controle de qualidade dos compósitos fabricados. Para permitir a avaliação das propriedades mecânicas de tração, foram realizados ensaios de tração simples e cíclica. O módulo de elasticidade à flexão, foi avaliado através do ensaio de flexão por quatro pontos. A deformação lenta à temperatura ambiente foi avaliada através de ensaio com carregamento do tipo gravitacional. Em relação às propriedades físicas, o peso específico teve sua avaliação realizada por pesagem e medição da geometria da amostra. Já a fração volumétrica das fibras foi avaliada pelo ensaio de queima e análise de imagem para apenas uma das amostras. Para esta amostra pela mesma técnica também foi possível avaliar as frações volumétricas de matriz e vazios. No capítulo 2, são apresentadas considerações a respeito do comportamento de pultrudados reforçados com fibra de vidro. Os detalhes da análise experimental realizada e os resultados obtidos são apresentados no capítulo 3. O capítulo 4 apresenta a análise e discussão desses resultados e, finalmente, as conclusões deste estudo e sugestão para trabalhos futuros são apresentados no capítulo 5. 4 Capítulo 2 PULTRUDADOS REFORÇADOS COM FIBRA DE VIDRO 2.1 – Processo de pultrusão Pultrusão é um processo industrial para produção contínua de formas estruturais de resina plástica reforçada. As matérias-primas são uma mistura de resina líquida (contendo resina e elementos aditivos, como por exemplo, coagulantes) e fibras flexíveis para reforço. O equipamento de pultrusão puxa estas matérias-primas (em lugar de empurrar como é o caso da extrusão) através de um molde de aço aquecido. Os materiais de reforço alimentam o equipamento de forma contínua com rolos de tapetes e/ou rolos de fios. Os reforços são saturados (molhados), com a mistura de resina fora da forma, e atravessam o molde aquecido. O endurecimento da resina é iniciado pelo calor do molde e com isso obtemos um perfil rígido e curado. O conceito básico do processo de pultrusão é mostrado no esquema da figura 2.1, e suas fases são descritas a seguir. Figura 2.1 - Esquema de pultrusão contínuo. Fiber Glass Co. 5 Elaborado por Morrison Molded Os rolos posicionam os reforços para alimentação subseqüente nas guias. O reforço deve ser localizado corretamente dentro do compósito sendo esta a função das guias de reforço, conforme pode-se observar na figura 2.2. Figura 2.2 - Alimentação contínua do reforço. Retirado de www.creativepultrusions.com (2001). O banho de resina satura (molha) o reforço com uma solução que contém a resina, pigmento, e catalisador com o intuito de garantir uma impregnação externa cuidadosa (saturação completa) do reforço, como mostra a figura 2.3. Figura 2.3 - Banho de resina. Retirado de www.creativepultrusions.com (2001). 6 No final do banho de resina, o compósito está em forma de folha plana. A seguir passa por um molde inicial que aproxima o compósito do formato final. Esta fase elimina a resina em excesso. Conforme o produto avança no molde, a reação é ativada pelo calor e o compósito é curado (endurecido). No final da mesa de pultrusão, o perfil curado é puxado para ser cortado no tamanho correto, conforme mostrado na figura 2.4. É necessário esfriar o perfil para prevenir fissuras e deformação antes que seja retirado para armazenamento. Figura 2.4 - Saída do perfil da forma. Retirado de www.creativepultrusions.com (2001). Em certas aplicações, uma unidade geradora de onda de rádio freqüência é usada para pré-aquecer o compósito antes de entrar na fôrma. Quando em uso, o aquecedor de rádio freqüência é posicionado entre o banho de resina e o molde inicial. 2.2 –Manuseio e utilização de pultrudados Os pultrudados são materiais de fácil utilização e manuseio. Para se montar estruturas com perfis de material pultrudado, podem ser usadas as mesmas ferramentas normalmente usadas para se trabalhar, por exemplo, com madeira, alumínio ou aço. 7 Os pultrudados podem ser cortados e perfurados, desde que a espessura máxima seja 3/16” para perfuração e ¼” para corte. Os acessórios (como discos de corte e brocas) utilizados para estes serviços devem ser à base de carbono ou ter a região de corte coberta com pontas de diamante. O pó produzido nessas etapas não é tóxico e não apresenta nenhum perigo sério à saúde, mas pode causar irritação na pele, que pode ser reduzida ou eliminada com equipamento de proteção (macacão, luvas e máscara). Outro cuidado que deve ser observado é evitar a produção de calor excessivo em qualquer operação com máquina. Calor excessivo amolece a resina que une as fibras de vidro resultando em superfície de corte esfarrapada. Por último, durante as operações de perfuração ou corte, os perfis devem ser bem apoiados para prevenir deformações. 2.3 - Defeitos e imperfeições mais comuns em pultrudados com reforço de fibras de vidro Segundo LACOVARA, quando o projetista e o fabricante trabalham juntos em um projeto, os defeitos são menos prováveis de acontecer. Usando o "conceito de equipe" desde o princípio de um projeto, todos os elementos necessários podem ser resolvidos antes que surjam defeitos e imperfeições irreversíveis. Alguns desses defeitos interferem no desempenho do compósito alterando suas propriedades. Os defeitos mais relevantes que interferem nas propriedades do compósito são: Bolha - uma elevação arredondada em forma de bolha que pode ser superficial ou interna. Essas bolhas podem existir dentro do pultrudado como uma área de delaminação oca (normalmente cheia de gás) debaixo de uma elevada camada superficial. Se essas bolhas forem de pequeno diâmetro são chamadas de poros, se forem de diâmetro maior são chamados de vazios Trincas - uma separação visual que acontece internamente ou penetra abaixo da superfície de pultrud ados. Pode provocar ruptura. Fissuras -. múltiplas trincas em pultrudados. cabelo e com formato de estrelas. Podem ser finas como fios de Essas fissuras são uma região de concentração de tensões, e podem ser superficiais ou penetrarem no reforço. Este defeito é bastante nocivo porque impedirá a matriz de transmitir normalmente os esforços à fibra. 8 Delaminação - é a separação de duas ou mais camadas de material ou planos de reforço dentro de um pultrudado. Cura insuficiente - uma anormalidade de pultrusão criada por falta de cura, ou cura incompleta em uma seção da resina. Esta condição normalmente provoca redução na dureza e nas propriedades físicas. Seções espessas, curadas de fora para dentro, podem revelar cura insuficiente no centro da seção embora completamente curadas na superfície. Esta condição pode ser causada por temperatura de cura insuficiente, catalisador impróprio, ou deslizamento muito rápido para a temperatura de cura. 2.4 – Principais propriedades da fibra de vidro Conforme CALLISTER (1994), uma característica importante da maioria dos materiais, especialmente os materiais frágeis, é que a adição de fibras de pequeno diâmetro torna esse material muito mais resistente que o material principal, que é chamado de matriz. Com isto, a probabilidade da presença de uma falha crítica que pode conduzir a uma fratura, diminui com o volume decrescente do material da matriz. Esta característica é usada como vantagem no s compósitos reforçados com fibra. Por isso, geralmente os materiais usados como fibras de reforço têm alta resistência à tração. Materiais que são classificados como fibras têm diâmetros pequenos e podem ser polímeros ou cerâmicos (por exemplo, o polímero de aramida, vidro, carbono, boro, óxido de alumínio e carboneto de silicone). Uma grande variedade de fibras é usada como reforço para compósitos. As características desejáveis da maioria das fibras de reforço são: alta resistência, alta dureza; e densidade relativamente baixa. Cada tipo de fibra tem suas próprias vantagens e desvantagens. Entre as mais utilizadas na fabricação de compósitos está a fibra de vidro que é comumente utilizada em compósitos de baixo a médio desempenho. Fibra de vidro é um constituinte do compósito, que pode ser contínuo ou descontínuo, contido em uma matriz plástica. grandes quantidades. Este tipo de compósito é produzido em O vidro é o material de fibra de reforço mais usado por várias razões, conforme descreve CALLISTER (1994): 1. É facilmente obtido em fibras de alta-resistência à partir do estado fundido. 2. É encontrado facilmente e pode ser fabricado utilizando uma grande variedade de técnicas industriais viáveis economicamente. 9 3. Como fibra, é relativamente resistente. E quando embutida em uma matriz de plástico, produz um compósito com uma resistência específica muito alta. 4. Quando associada a alguns tipos de plásticos, possui uma inércia química que produz um compósito resistente à vários ambientes corrosivos. As características de superfície das fibras de vidro são extremamente importantes porque até mesmo pequenas imperfeições na sua superfície, podem afetar suas propriedades elásticas. Falhas de superfície acontecem facilmente quando a superfície da fibra de vidro entra em atrito com outro material duro. Geralmente, superfícies de fibras de vidro expostas à atmosfera, mesmo por pequenos períodos de tempo, são atacadas, o que interfere na união com a matriz. Ultimamente, para prevenir esses efeitos, durante a fabricação as fibras normalmente são cobertas com um material que protege a superfície de dano e interações indesejáveis, o que permite uma adesão melhor entre a fibra e matriz. Conforme indica DANIEL (1994), os dois tipos de fibra de vidro ma is usados são E-glass e S- glass. Essas fibras têm como vantagem alta resistência e baixo custo e, como desvantagem, baixa dureza, baixa resistência à fadiga, baixa resistência a altas temperaturas e alta degradação quando submetidas à exposição em severas condições de umidade. A tabela 2.1 apresenta algumas propriedades referentes aos dois tipos mais usados de fibra de vidro. TABELA 2.1 – PROPRIEDADES DAS FIBRAS DE VIDRO Tipo E-glass S-glass Fabricante Resistência à tração MPa (ksi) Módulo de elasticidade GPa (Msi) Densidade (g/cm³) Corning Corning 3.450 (500) 4.480 (650) 72,5 (10,5) 85,6 (12,4) 2,54 2,49 2.5 – Principais propriedades da matriz A matriz nos compósitos desempenha três funções muito importantes. Primeiro liga as fibras, sendo o meio pelo qual uma tensão externa aplicada é transmitida e distribuída às fibras. Só uma proporção muito pequena da carga aplicada é absorvida pela matriz. A segunda função da matriz é proteger as fibras individuais de danos de superfície provocados por abrasão mecânica ou ambientes agressivos. 10 Tais interações podem introduzir falhas de superfície capazes de formar fissuras que podem conduzir a ruptura com baixos níveis de tensão de tração. Finalmente, a matriz separa as fibras e, em virtude de sua relativa plasticidade, previne a propagação de fraturas frágeis de fibra para fibra que poderia m resultar em ruptura catastrófica. Em outras palavras, a matriz serve como uma barreira para propagação de fissuras, embora uma fratura completa não ocorrerá até que um número grande de fibras adjacentes tenham falhado e tenham formado um agrupamento de falha de tamanho crítico. Conforme descrito em DANIEL (1994), quatro tipos de matrizes são usadas em compósitos: polímérica, metálica, cerâmica e de carbono. As matrizes metálicas, são recomendadas para aplicações sujeitas a altas temperaturas, aproximadamente 800° C. Para aplicações que precisam resistir a altíssimas temperaturas, acima de 1000º C, são usadas matrizes cerâmicas. Normalmente, metais e polímeros são usados como materiais de matriz porque é desejável que se tenha alguma ductilidade. Polímeros são usados como matriz na maioria das aplicações de compósitos, em função de suas propriedades e de tornar mais fácil a fabricação do compósito, conforme relata CALLISTER (1994). As matrizes políméricas mais comumente usadas são: epóxi e poliéster. As que mais se desenvolveram são do tipo epóxi, podendo ser formuladas com alta dureza. Há dois tipos de epóxis: os que curam a baixa temperatura (120°C) e são usados em componentes expostos à baixa ou moderada variação de temperatura (por exemplo, materiais esportivos), e os que curam a uma temperatura mais alta (175°C) e são usados em componentes de alto desempenho e expostos a temperaturas mais elevadas e grandes variações de umidade (por exemplo, estrutura de aeronave). As matrizes de poliéster são extensamente usadas para aplicações em regiões marítimas e industrias químicas. Suas vantagens são baixo custo e flexibilidade na formulação. O principal uso de resinas de poliéster é em compósitos reforçados com fibra de vidro. Uma quantidade enorme de resinas de poliéster pode ser produzida variando-se as proporções de seus componentes. O EUROCOMP (1997) indica que, poliésteres reforçados com fibras de vidro são usados desde o início dos anos 60 na fabricação de barcos. Na indústria da construção se tornaram extensamente utilizados em painéis pré-fabricados para forros e banheiras. 11 2.6 – Compósitos reforçados com fibra de vidro Plásticos reforçados com fibra de vidro são referidos, freqüentemente, simplesmente como "fibra de vidro" (como em tanques de fibra de vidro, formas estruturais de fibra de vidro, barcos de fibra de vidro, etc.). O que é usado neste contexto “fibra de vidro”, consiste num compósito de matriz de resina plástica, reforçada através de fibras de vidro embutidas. A resistência do reforço de fibra de vidro é principalmente determinada pelo tipo, orientação, quantidade, e localização das fibras no interior da matriz. A resina une o reforço de fibras de vidro, sendo este o principal responsável pela rigidez da peça. A resina usada determina ainda a resistência à corrosão, resistência à chama e temperatura máxima operacional, como também contribui significativamente para certas características de resistência, inclusive resistência ao impacto e resistência à fadiga. 2.7 – Propriedades físicas dos compósitos A caracterização física de compósitos inclui a determinação da densidade, do peso específico, das frações volumétricas de fibra, de matriz e de vazios, entre outras. Cada uma dessas propriedades serão comentadas a seguir. 2.7.1 – Massa específica e peso específico Segundo CHAWLA (1987), se considerarmos um compósito de massa mc, a massa total do compósito será o total de soma das massas de fibra e matriz, ou seja: mc = m f + mm (2.1) Os índices c, f e m indicam respectivamente compósito, fibra e matriz, sendo a Eq. (2.1) válida para qualquer porcentagem de vazios. O mesmo não ocorre com o volume (vc), onde a porcentagem de vazios tem que ser incluída, e teríamos então: v c = v f + v m + vv Sabendo-se que ρ = (2.2) m , se relacionarmos com a Eq. (2.1) teremos: v 12 ρc = mc m f + mm ρ f v f + ρ m vm = = vc vc vc (2.3) Também podemos usar uma expressão derivada em termos de frações de massa obtida através da equação ρ c = ρc = = mc . Assim, vc mc mc mc = = = m vc v f + vm + vv mm f + + vv ρf ρm (÷ mc ) 1 1 1 = = M f M m vv M f Mm M f M m Vv v + + + + v + + ρf ρ m mc ρf ρ m ρ c vc ρf ρm ρc ρc = (× ρ c ) ρc (2.4) M M ρ c f + m + Vv ρ m ρ f ou, se agora tirarmos o valor de Vv da Eq. (2.4), teremos: M f M m ρc ρc + =1 + Vv = ρ m ρc ρ f M f Mm Vv = 1 − ρ c + ρ ρ m f (2.5) Freqüentemente, os conceitos de massa específica, peso específico e densidade, são facilmente confundidos conforme podemos ver a seguir BAUER (1982). Massa é a quantidade de matéria , e é constante para o mesmo corpo, esteja onde estiver. Peso é a força com que a massa é atraída para o centro da terra; varia de local para local. E chama-se densidade de um material a relação entre a sua massa e a massa de mesmo volume de água destilada a 4° C, no vácuo. Se agora considerarmos, não a massa, mas o peso total do compósito (pc), teremos o peso específico que é dado pela expressão: γc = Wc vc (2.6) 13 2.7.2 – Fração volumétrica de fibra Existem vários métodos para a determinação da fração volumétrica de fibra, que é uma propriedade importante do compósito. Segundo DANIEL (1994), quando se pode garantir que o material compósito tem uma quantidade desprezível (menos que 1%) ou nula de porosidade, a fração volumétrica de fibra pode ser obtida em função das densidades do compósito e dos seus componentes pela seguinte relação: Vf = ρc − ρm ρ f − ρm (2.7) onde ρ c , ρ m e ρ f são as massas específicas do compósito, da matriz e da fibra, respectivamente. Segundo CHAWLA (1987), se o volume de vazios é considerável teremos: V f = 1 − Vm − Vv (2.8) onde Vf, Vm e Vv são frações volumétricas de fibra, matriz e vazios respectivamente. Os métodos de queima ASTM D 2584 (1990) e D 297 (1975), podem ser aplicados a compósitos que têm fibras inorgânicas em uma matriz orgânica, como vidro/epóxi. Uma amostra do material compósito é seca em estufa e pesada, sendo então aquecida até a matriz estar completamente queimada. O resíduo das cinzas é lavado, seco e pesado. A relação de volume de fibra é obtida como: Vf = Wf γ f (2.9) Wc γ c onde: Wc e Wf são os pesos do compósito e fibras, respectivamente. A relação do volume de fibra também pode ser determinada através de técnicas óticas baseadas em análise de imagem de fotomicrografia de seções transversais às fibras no compósito. Uma aproximação elementar consiste em contar o número de fibras da seção transversal de uma fração dentro da região da fotomicrografia, calcular a área total das seções de fibra e dividir pela área total fotografada. Técnicas de análise de imagem mais sofisticadas também são usadas e podem determinar a fração volumétrica de fibra, de matriz e de vazios, conforme LI et al. (1992) e RUDNAYOVÁ et al (2000). 14 2.7.3 – Fração volumétrica de Vazios (Porosidade) A relação de volume de vazios (ou relação de porosidade) pode ser obtida como descrito na norma ASTM D 2734-70, isto é, expresso em termos das quantidades medidas na dissolução ácida ou métodos de queima, ASTM D 2584 (1990): Vv = 1 − W f γ f + (W c − W f ) γ m (2.10) Wc γ c ou, segundo CHAWLA (1987), através da seguinte equação: M f Mm Vv = 1 − ρ c + ρ ρ m f (2.11) Segundo DANIEL (1994), o método preferido para determinação de porosidade em um compósito é o método de análise de imagem mencionado anteriormente. A fotomicrografia da seção transversal de um compósito, mostra as fibras, matriz e vazios com tonalidades cinza claro, cinza escuro, e negro, respectivamente, conforme se observa na figura 2.5. No procedimento de análise de imagem, a seção transversal é registrada por uma máquina fotográfica digital, acoplada a um microscópio eletrônico que transmite a imagem em forma digital para um computador. Esta imagem é convertida em uma imagem retangular inteira no modo escala de cinza, que corresponderá ao tom cinzento de cada elemento de quadro (pixel). A imagem digital é processada e representada num histograma de níveis de cinza. Este histograma resume o conteúdo do nível de cinza da imagem e mostra para cada nível o número de pixels na imagem. Para exemplificar o procedimento, foi realizada metalografia de uma seção transversal retirada de um perfil “U”, com um volume de fibra de 60% indicado pelo fabricante. Processando a imagem , obteve-se um histograma com três regiões distintas de pico, alto médio e baixo. Essas três regiões de pico do histograma, são representadas nas figuras 2.6, 2.7 e 2.8, e correspondem à porosidade, matriz, e fibras, respectivamente. Os pixels são separados em três grupos que correspondem à porosidade, matriz, e fibras. São assim obtidas as frações volumétricas de vazios, de matriz e de fibras como a seguir : Vv = n1 N (2.12) 15 Vm = n2 N (2.13) Vf = n3 N (2.14) onde: n1 , n2 e n3 correspondem aos números de pixels dos níveis de cinza associados com porosidade, matriz, e fibras, respectivamente, e N é o número total de pixels. Figura 2.5 – Imagem digitalizada de material compósito de vidro/poliéster (perfil “U”). Seção transversal usada para determinar fração volumétrica de vazios, de matriz e fibras. 16 Figura 2.6 – Histograma da figura 2.5 mostrando o número de pixels relativos à área de menor pico, que corresponde aos vazios e cuja fração volumétrica é de 6,83%. Figura 2.7 - Histograma da figura 2.5 mostrando o número de pixels relativos à área de médio pico, que corresponde à matriz e cuja fração volumétrica é de 33,17%. 17 Figura 2.8 - Histograma da figura 2.5 mostrando o número de pixels relativos à área de maior pico, que corresponde à fibra e cuja fração volumétrica é de 60,00%. 2.8 - Propriedades mecânicas dos compósitos Neste item consideraremos os resultados da incorporação de fibras em uma matriz polimérica. Conforme citado anteriormente no item 2.5, a matriz, além de unir as fibras, tem a função importante de transferir a carga aplicada para as fibras. É de grande importância a possibilidade de se poder prever as propriedades de um compósito, determinando as propriedades dos componentes e o arranjo geométrico a ser adotado. Poderíamos examinar vários aspectos da micromecânica dos compósitos fibrosos. No caso de propriedades mecânicas, podemos utilizar a regra das misturas CHAWLA (1987); DANIEL (1994) como uma simplificação se o compósito é unidirecional, porém, se quisermos levar em conta características como empacotamento das fibras (arranjo das fibras unidirecionais, que podem ser por exemplo quadrado ou hexagonal) e interação fibra/matriz, é melhor usar aproximações mais sofisticadas baseadas na teoria de elasticidade que resultam em informação mais precisa. 18 Conforme descreve DANIEL (1994), estas propriedades podem apresentar variação importante para o mesmo material, conforme acontece por exemplo, em diferentes partidas de aço. Nem sempre é prático caracterizar cada grupo de material experimentalmente. É desejável realizar avaliações realistas das propriedades do compósito, como uma função das propriedades de seus constituintes e características geométricas, como relação de volume de fibra e parâmetros de empacotamento geométrico. Uma variedade de métodos tem sido usados para avaliar as propriedades mecânicas de materiais compósitos. Alguns métodos podem ser agrupados com base nos seguintes princípios e áreas de conhecimento: - Mecânica de materiais ; - Análise numérica; - Métodos semi-empíricos; - Métodos experimentais. As avaliações mecânicas de materiais estão baseadas em suposições simplificadas de tensão uniforme ou deformação uniforme nos componentes. Essas suposições são adequadas para propriedades longitudinais como módulo de elasticidade (E1 ) e o coeficiente de Poisson principal ( ν 12 ). Aproximações numéricas usam diferenças finitas, elementos finitos ou métodos de elemento de contorno, porém consomem algum tempo e não são aplicáveis na forma de expressões fechadas. Normalmente são apresentados resultados na forma de famílias de curvas, ADAMS e DONER (1967). HALPIN and TSAI (1967), desenvolveram relações semi-empíricas para evitar as dificuldades com as aproximações teóricas e facilitar a computação. Estas relações são expressas em termos da medida da eficiência do reforço (ou transferência de carga) e é determinado com a ajuda experimental. 2.8.1 – Módulo de elasticidade longitudinal na tração Propriedades relacionadas a carregamento na direção das fibras, E1 e ν 12 , são dominadas pelas fibras que são normalmente mais resistentes, rígidas, e tem uma deformação última mais baixa. Todas as avaliações e resultados experimentais, neste 19 caso, estão muito próximos dos resultados obtidos pela regra das misturas, onde o módulo longitudinal Ect é determinado por: Ect = V f E f + Vm E m (2.15) onde Ef e Em são o modulo longitudinal da fibra e da matriz, respectivamente, e Vf e Vm são as relações de volume de fibra e matriz, respectivamente. Nesta relação, é assumido que a fibra pode ser anisotrópica, com propriedades diferentes nas direções axial e transversal e que a matriz é isotrópica. Usando um princípio de analogia podemos obter igualmente a resistência à tração através da fórmula: σ ct = V f σ f + Vmσ m (2.16) Para compósitos com fibras muito rígidas, i.e., quando Ef >>Em, e valores significativos de Vf, o compósito falha quando sua tensão longitudinal alcança a tensão última da matriz. Então, a resistência à tração longitudinal do compósito pode ser calculada aproximadamente pela relação: Ef σ ct ≅ σ m V f × + Vm Em (2.17) Ainda, usando o mesmo princípio, podemos obter o alongamento pela fórmula: ε ct = V f ε f + Vm ε m (2.18) Como simplificação, VOIGT (1910) elaborou a seguinte hipótese: considerando um compósito unidirecional, assumimos que as seções transversais deste compósito permanecem planas depois de deformadas, ao aplicar-se uma força P na direção da fibra. Considerando-se que os dois componentes aderem perfeitamente e se, adicionalmente, esses componentes apresentarem o mesmo valor do Coeficiente de Poisson, então, cada componente sofrerá o mesmo alongamento longitudinal ∆l . Assim, podemos escrever para a tensão em cada componente: ε f = ε m = ε ct = ∆l l (2.19) onde ε ct é a deformação no compósito na direção longitudinal. Esta propriedade é denominada isodeformação. Se fibra e matriz são elásticas, podemos relacionar a tensão σ nos dois componentes para a deformação ε t , através do modulo de Young (E). Assim, teremos como tradicionalmente se adota: 20 Ect = σ ct ε ct (2.20) 2.8.2 – Módulo de elasticidade longitudinal na flexão O teste de flexão em uma pequena viga é o teste de execução mais simples, sendo por isso muito empregado. Num ensaio de flexão a viga sofre dois estados de tensão distintos: o estado de tensão na face superior da viga é compressão, enquanto que na face inferior é de tração. Conforme apresentado em EUROCOMP (1997), devemos notar que o módulo de elasticidade na flexão não apresenta o mesmo valor que os módulos de tração ou de compressão que podem ser determinados por métodos teóricos. Embora testes de flexão não forneçam dados básicos para projeto, seu uso é freqüente em função do material estar sujeito a carregamento de flexão em serviço. No ensaio de flexão, se o objetivo é analisar o modo de falha em serviço, é necessário que a relação comprimento/espessura do corpo de prova, seja semelhante à da peça estrutural a ser usada in situ, a qual se deseja qualificar. Se esta relação não for similar, o modo de falha em serviço pode ser diferente do que se obteve no teste de laboratório. Mas, se o objetivo é apenas a avaliação do módulo de elasticidade na flexão, a relação comprimento/espesura não é importante. Conforme a norma ASTM D 790-70 (1970), podem ser usados três pontos (figura 2.9) ou quatro pontos de carregamento (figura 2.10), ou seja, um ou dois pontos de carga, mais o número de pontos de apoio que são dois em qualquer caso. Figura 2.9 – Flexão por 3 pontos de carregamento (um ponto de aplicação de carga e dois apoios. 21 Figura 2.10 – Flexão por 4 pontos de carregamento (dois pontos de aplicação de carga e dois apoios). Conforme relata DONALD, o momento de carregamento máximo para flexão por 3 pontos é igual ao momento de carregamento máximo para flexão por 4 pontos, conforme mostrado a seguir: M max = P 2 (L 2) = PL 4 (2.21) M max = P(L 4) = PL 4 (2.22) Três pontos de carregamento resultam em um momento de flexão que aumenta linearmente até um máximo no centro da viga. Quatro pontos de carregamento, resultam em um momento de flexão que aumenta linearmente até um máximo nos pontos de carrega mento, e permanece constante entre eles. Assim, um maior volume de material é sujeito ao momento máximo no caso de quatro pontos de carregamento. Com base nas considerações anteriores, comparando os dois procedimentos, não parece haver nenhuma vantagem distinta entre uma configuração ou outra que não seja 22 a possibilidade de realizar mais facilmente a leitura da deflexão máxima. Parece-nos, portanto, mais apropriado a adoção do modelo de ensaio com quatro pontos de carga. 2.8.3 – Deformação lenta à temperatura ambiente Deformação lenta é a deformação de um material (ou estrutura) dependente do tempo, em função de uma carga constante. A deformação lenta pode ser definida como a deformação adicional exibida por um material depois um determinado tempo decorrido. Fibras como vidro, boro, ou carbono apresentam pouquíssima deformação lenta às temperaturas de trabalho em compósitos de matriz polimérica. Igualmente, a matriz polimérica de uso comum na maioria dos compósitos de alto desempenho, exibe relativamente baixas taxas de deformação lenta em baixas temperaturas. Assim, quando as propriedades são dominadas pelas fibras, os compósitos apresentam freqüentemente pequena ou nenhuma deformação lenta mensurável e, quando as propriedades são dominadas pela matriz, apresentam muito pouca deformação lenta. Em compósitos de fibras alinhadas, onde o carregamento ocorre ao longo da direção de fibra, é improvável que ocorram problemas de deformação lenta significativos. Por outro lado, se o carregamento for perpendicular em relação à direção da fibra, pode resultar em deformação excessiva. A natureza e a quantidade do reforço são fatores importantes na deformação lenta. No documento EUROCOMP (1997), verificamos que compósitos com fração volumétrica de fibras com níveis altos têm pequena deformação lenta. Igualmente, pequenas relaxações são obtidas para compósitos de fibras contínuas paralelas à carga externa. Em materiais reforçados com tecidos, o enrugamento pode causar fratura interlaminar, contribuindo para a deformação lenta. De todos os reforços potenciais, tapete de fios cortados e tapetes de filamentos contínuos são os menos resistentes à deformação lenta. Há dificuldades para se extrair dados de deformação lenta na literatura publicada. Obter-se dados confiáveis é difícil, pela variedade de materiais compósitos e freqüente ausência de detalhes que descrevam o material na maioria das fontes de informação. Freqüentemente, tais resultados são limitados, e só podem ser usados para indicar tendências. 23 2.8.3.1 - Fatores que afetam magnitude da deformação lenta Segundo o EUROCOMP (1997), a deformação lenta é essencialmente um fenômeno dominado pela matriz, para o qual os seguintes fatores determinarão o grau de deformação lenta em um determinado momento: (a) Materiais: - Tipo de resina e grau de cura. - Interface entre fibra e matriz. - Fração de volume de fibras. - Forma do reforço (tecido, fibras, tapetes, etc). - Orientação das fibras com respeito à carga aplicada. - Método de fabricação. (b) Ambiente: - Temperatura. - Regime de carrega mento (particularmente compressão, flexão e todos os modos de fratura). - Substâncias químicas agressivas. - Conteúdo de umidade. - Carrega mento cíclico e intermitente. Geralmente, a matriz polimérica é o elemento de menor resistência mecânica de qualquer material compósito e determinará o desempenho global e uso em serviço. A matriz tem um papel crítico, transferindo carga para a fibra e estabilizando a fibra local em compressão e tração, fornecendo igualmente proteção contra ambientes agressivos. Entre os fatores listados acima, a temperatura tem uma das influência s mais significativas em comportamento de deformação lenta dos compósitos, em função do comportamento da matriz. Em função dos fatores descritos acima, se houver necessidade de controlar os efeitos da deformação lenta, é essencial fazer uma boa seleção do polímero a ser usado na fabricação do compósito. 24 2.8.3.2 – Condições ideais para projeto de pultrudados reforçados com fibra de vidro Segundo o EUROCOMP (1997) a metodologia para projeto de pultrudados reforçados com fibra de vidro que satisfaça a resistência à deformação lenta deveria, fundamentalmente, estar baseada em limitar as tensões iniciais na matriz. Isto deveria ser aplicado a todas as direções primárias de carregamento, onde deformação lenta e deflexões são críticas. Os reforços deveriam ser contínuos, não enrugados, e materiais fabricados para resistência e rigidez altas. Em geral, isto implica em materiais com frações de volume altas, acima de 50% para as fibras. É necessário selecionar um sistema de resina para satisfazer efeitos de altas temperaturas, permitindo uma marge m conservadora de pelo menos 50°C entre a temperatura de serviço e a temperatura de amolecimento do compósito, e também apresentar uma redução dos efeitos de umidade. As fibras devem ser alinhadas em relação às tensões principais, para limitar as deformações e minimizar a ruptura na resina. Como já foi dito, as fibras deveriam ser contínuas, porém, se for necessário o uso de tecidos, deve-se garantir que haja pouco enrugamento, para minimizar sua influência na deformação lenta. A deformação lenta das fibras é secundária em relação ao polímero. No entanto, se fibras individuais falham, haverá uma redistribuição de carga que resultará em um aumento da deformação lenta. 25 Capítulo 3 ANÁLISE EXPERIMENTAL O objetivo deste capítulo é apresentar com detalhes os ensaios realizados, assim como os resultados obtidos, sendo que a análise e discussão serão apresentadas no capítulo 4. 3.1 – Dados relativos ao material estudado Foram indicadas pelo fabricante para o perfil utilizado (perfil I), as porcentagens de fibra e de matriz, iguais a 55% e 45% respectivamente. Não foi indicado o volume de vazios. A resina utilizada é poliéster isoftálica resistente a altas temperaturas e a fibra de vidro é do tipo E-glass. As dimensões do perfil estudado são indicadas na figura 3.1. Figura 3.1 – Dimensões e geometria do perfil estudado. 3.1.1 – Matérias primas usadas no perfil estudado No perfil analisado foram utilizados pelo fabricante os seguintes tipos de matérias primas: 26 - Resinas poliéster de alto desempenho, misturadas com catalisadores e pigmentos. - Mantas de fibras de vidro, posicionadas entre as camadas de fibras contínuas. As mantas são fornecidas em rolos largos que, para serem processados, são cortados em rolos menores, com larguras adequadas a cada perfil. - Fibras de vidro contínuas “ROVINS” - encontradas em maior quantidade. - Véu de superfície - se posicionam na superfície, para produzir camada externa rica em resina com bom acabamento. 3.1.2 – Propriedades indicadas pelo fabricante Os dados de propriedades dos materiais usados na pultrusão, informados pela Cogumelo Pultrudados em Fibra de Vidro, são apresentados na tabela 3.1. TABELA 3.1 - PROPRIEDADES MECÂNICAS E FÍSICAS POLIÉSTER DE VIDRO 45% a 55% de fibras de vidro 75% de Longitudinal Transversal Propriedades Unidades fibras Mínimo Máximo Mínimo Máximo de vidro Resistência à tração MPa 210 260 49 70 700 Módulo de elasticidade MPa 17500 21000 5600 7000 42000 à tração Resistência à flexão MPa 210 260 70 98 700 Módulo de elasticidade MPa 11200 14000 5600 7000 42000 à flexão Resistência à MPa 210 260 105 140 420 compressão Módulo de elasticidade MPa 17500 17500 7000 8400 27300 à compressão Resistência ao impacto MPa 3,9 4,2 5,6 7,0 5,6 Alongamento na (%) 2 ruptura Peso Específico (g/cm³) 1,4 a 1,8 Coeficiente de cm/cm.°C 5,2x10 -6 dilatação térmica Absorção de água max % 0,6 Resistência ao arco segundos 120 Rigidez dielétrica kv/mm 16 Dureza BARCOL 50 27 3.2 – Análise de peso específico Através da fórmula tradicional para obtenção de peso específico: γ c = Wc vc (3.1) foi feita avaliação do material em estudo, utilizando balança digital marca Bell Mark, com capacidade de 4000 gf e sensibilidade de 0,01 gf/div, além de um paquímetro marca Mitutoyo de sensibilidade 0,02 mm/div. Para este levantamento foram utilizados 10 corpos de prova anteriormente confeccionados para ensaios de tração, mostrados na figura 3.2, cujos dados são descritos na tabela 3.2. Figura 3.2 – Corpo de prova utilizado para obtenção do peso específico. Peso (gf) 46,92 42,18 35,19 33,13 46,05 42,34 41,63 36,22 35,25 40,63 TABELA 3.2 – AVALIAÇÃO DE DENSIDADE Peso Específico Dimensões Volume γ (gf/cm³) (cm) (cm³) 25,078x1,540x0,780 30,124 1,6 25,006x1,550x0,720 27,907 1,5 24,930x1,520x0,770 29,178 1,2 25,040x1,510x0,724 27,375 1,2 25,010x1,540x0,790 30,427 1,5 25,010x1,540x0,800 30,812 1,4 25,080x1,510x0,750 28,403 1,5 25,008x1,540x0,740 28,499 1,3 25,010x1,508x0,750 28,286 1,3 25,088x1,510x0,764 28,943 1,4 MÉDIA 1,4 DESVIO PADRÃO (%) 9,85 28 3.3 – Análise do volume de fibra Foram realizadas no Instituto de Macromoléculas da UFRJ análises da fração volumétrica de fibras pelo processo de queima ASTM D 297 (1975), em quatro amostras, cujos resultados são apresentados na tabela 3.3. TABELA 3.3 – VOLUME DE FIBRAS Amostra Volume (%) 1A 65,7 Cog2 59,2 T2 62,7 Cog4 57,9 MÉDIA 61,4 Na amostra T2, foi também realizada avaliação por análise de imagem, sendo estabelecido não só o volume de fibra, mas também os volumes de matriz e vazios. O procedimento é o mesmo descrito no ANEXO B e o programa de tratamento de imagem utilizado é Photoshop 7.0. A imagem da seção analisada está na figura 3.3 e os resultados encontrados estão nas figuras 3.4, a 3.6. Figura 3.3 – Imagem digitalizada de fibra de vidro/poliéster da amostra T2. Seção transversal usada para determinar fração volumétrica de vazios, matriz e fibras. 29 Figura 3.4 - Histograma da figura 3.3 mostrando o número de pixels relativos à área de maior pico, que corresponde à fibra e cuja fração volumétrica encontrada foi de 59,19%. Figura 3.5 - Histograma da figura 3.3 mostrando o número de pixels relativos à área de médio pico, que corresponde à matriz e cuja fração volumétrica encontrada foi de 38,17%. 30 Figura 3.6 – Histograma da figura 3.3 mostrando o número de pixels relativos à área de menor pico, que corresponde aos vazios e cuja fração volumétrica encontrada foi de 2,64% . Observa-se, portanto, frações volumétricas para as fibras, matriz e vazios, iguais a 59,19%, 38,17% e 2,64% respectivamente. 3.4 – Análise dos ensaios de tração Foram realizados ensaios de tração convencional em sete corpos de prova e obtidas as seguintes propriedades: - Tensão máxima; - Módulo de elasticidade; - Alongamento na ruptura. Nos CPs 1A, T1, T2 e T3, foram realizados ensaios de tração simples em máquina de ensaios Shimadzu, servo controlada com capacidade de carregamento máximo de 100 tf. Nos CPs COG 2, COG 3 e COG 4 foram realizados ensaios de tração cíclica com cinco ciclos parciais e um ciclo completo, cada um dos ciclos parciais foi estabelecido em função da carga máxima de tração avaliada em ensaio anterior. O 1° ciclo com 10% desta carga (2,5 KN), o 2° ciclo com 20% (5 KN), o 3° ciclo com 30% 31 (7,5 KN), o 4° ciclo com 40% (10 KN), 5° ciclo com 50% (12,5 KN) e o último um ciclo completo até a ruptura, todos realizados em uma máquina Instron 8802 com controle de carga e capacidade de carga de 25 tf. A intenção deste tipo de ensaio era verificar se os ciclos consecutivos alterariam as propriedades do material. Os corpos de prova foram confeccionados com base na tabela 2 da ASTM D 3039, apresentada no ANEXO B, cujas dimensões são retiradas de acordo com a espessura disponível no material de origem. Como o perfil estudado tem a orientação das fibras a 0°, os corpos de prova confeccionados tem as seguintes dimensões: 15 mm de largura, 250 mm de comprimento e espessura de 7,5 mm que corresponde à espessura das paredes do perfil. Conforme recomendado pela ASTM D 3039 (1995), para os ensaios de tração foi colocada uma proteção, nas extremidades do corpo de prova, 1A, T1, T2 e T3, para possibilitar maior aderência e minimizar os efeitos da pressão da garra no corpo de prova, figura 3.7. Os corpos de prova COG2, COG3 e COG4 não foram ensaiados com proteção das extremidades porque a máquina Instron utilizada não apresentava espaço entre as garras para utilização desta proteção. Em compensação, a aplicação de carga transversal de fixação nas garras se dá suavemente, sem prejudicar o corpo de prova. O módulo de elasticidade médio das amostras 1A, T1, T2 e T3, foi obtido utilizando-se dois pontos contidos na reta de tendência vermelha, cons tantes das figuras 3.8 a 3.11, correspondente ao trecho reto inicial dos gráficos tensão x deformação, desprezando-se todos os dados restantes. Para as amostras COG2, COG3 e COG4, foram utilizados para cálculo do módulo de elasticidade médio dos ciclos 1 a 5, todos os pontos disponíveis, pois conforme mostram as figuras 3.12, 3.14 e 3.16, o comportamento dos materiais estudados seguem um comportamento elástico. O desvio padrão das amostras COG2, COG3 e COG4, foi calculado utilizando-se todos os pontos contidos em cada ciclo, com o número de pontos usados indicados na tabela 3.4. Os resultados obtidos estão indicados na tabela 3.4 e nas figuras 3.8 a 3.17. Em todos os corpos de prova foram realizadas metalografias próximo da região de ruptura e em região mais afastada da ruptura. Como amostra representativa foram registradas as imagens de seção transversal do CP T2 na região de ruptura, figura 3.18 e no topo do corpo de prova, figura 3.19. 32 Figura 3.7 – Reforço do corpo de prova de tração. COG 4 COG 3 COG 2 TABELA 3.4 – RESULTADOS DOS ENSAIOS DE TRAÇÃO Tensão Módulo de elasticidade máxima Alongamento Desvio Amostra N° de (%) de tração Ect (MPa) Padrão resultados (MPa) (%) 1A 222,7 20482 02 1,3 T1 143,16 12984 02 3,6 T2 228,42 21429 02 3,65 T3 116,26 18366 02 2,19 1° ciclo 23 22451 1935 36,0 2° ciclo 46 26439 2708 21,2 3° ciclo 68 26498 4328 11,9 4,84 4° ciclo 90 21527 5995 32,8 5° ciclo 112 23517 7366 29,5 COM183,91 PLETO 1° ciclo 22 18665 1856 12,4 2° ciclo 45 18223 3162 10,8 3° ciclo 67 17761 4699 10,2 3,68 4° ciclo 89 17534 5751 7,4 5° ciclo 111 17028 6721 9,9 COM201,72 PLETO 1° ciclo 21 14801 1265 10,3 2° ciclo 41 14918 2620 6,1 3° ciclo 62 14697 4083 7,0 8,79 4° ciclo 83 13991 5510 12,6 5° ciclo 104 13644 6796 14,4 COM119,87 PLETO 33 Figura 3.8 – Gráfico Tensão x Deformação do CP 1A. Figura 3.9 – Gráfico Tensão x Deformação do CP T1. 34 Figura 3.10 – Gráfico Tensão x Deformação do CP T2. Figura 3.11 – Gráfico Tensão x Defo rmação do CP T3. 35 Figura 3.12 – Gráfico Tensão x Deformação dos cinco ciclos do CP COG 2. Figura 3.13 – Gráfico Tensão x Deformação completo do CP COG 2. 36 Figura 3.14 – Gráfico Tensão x Deformação dos cinco ciclos do CP COG 3. Figura 3.15 – Gráfico Tensão x Deformação completo do CP COG 3. 37 Figura 3.16 – Gráfico Tensão x Deformação dos cinco ciclos do CP COG 4. Figura 3.17 – Gráfico Tensão x Deformação completo do CP COG 4. 38 Figura 3.18 – Seção transversal do CP T2 mostrando a região de ruptura (50 X) e dois aumentos onde se concentram as fibras longitudinais, (100 X e 200 X). 39 Figura 3.19 – Seção transversal do CP T2 mostrando a região afastada da ruptura (50 X) e dois aumentos nas seções onde se concentram as fibras longitudinais, (100 X e 200 X). 40 3.5 – Análise dos ensaios de flexão Foram realizados nove ensaios de flexão por quatro pontos com o protótipo idealizado e caracterizado no ANEXO A. Para se chegar a este protótipo partiu-se das seguintes considerações: a estrutura deveria ser a mais leve possível, deveria ser estável e precisaria suportar a carga calculada para o ensaio. Projetou-se então o protótipo mostrado na figura 3.20, com montagem apresentada na figura 3.21. Os corpos de prova utilizados tem o mesmo formato e dimensões dos corpos de prova de tração, apenas não necessitam de proteção nas extremidades. Nos nove ensaios as medições de carga e descarga foram realizadas com carregamentos iguais colocados nos dois suportes de carga do protótipo. Esses carregamentos foram efetuados com massas calibradas em balança digital marca Bell Mark, com capacidade de 4000 gf e sensibilidade de 0,01 gf/div. Foi calculada uma carga básica para uma flecha de no máximo 2 mm através da seguinte fórmula: P= 48 f max E ct I (3.2) L3 bh 3 I= 12 (3.3) onde: P = carga total a ser colocada no ensaio. fmax = flecha máxima que se deseja no ensaio. Ect = módulo de elasticidade médio do material = 17,5 GPa (informado pelo fabricante). I = momento de inércia do corpo de prova. L = distância entre os apoios = 200 mm. b = largura do corpo de prova em mm. h = espessura do corpo de prova em mm. Os dados obtidos nestes ensaios estão descritos na tabela 3.5, e os resultados são apresentados na tabela 3.6 e figura 3.22, cujos cálculos seguem as prescrições da norma ASTM D 790 (1970). Para a tensão de flexão temos a seguinte fórmula: 41 σ = 3 PL 2bh 2 (3.4) onde: σ = tensão aplicada a cada leitura. P = carga aplicada a cada ponto. L = vão entre apoios (200 mm). b = largura do corpo de prova. h = espessura do corpo de prova Para o módulo de elasticidade temos: E= 0, 25PL3 f b h2 (3.5) onde: E = módulo de elasticidade à flexão. P = carga aplicada a cada ponto. L = vão entre apoios (200 mm). f = flecha a cada leitura. b = largura do corpo de prova. h = espessura do corpo de prova Figura 3.20 – Dispositivo para aplicação de carga no ensaio de flexão por quatro pontos. 42 Figura 3.21 – Montagem utilizada no ensaio de flexão com indicação de carregamento. TABELA 3.5 – DADOS DO ENSAIO DE FLEXÃO CORPO DE PROVA 1M16 Cargas iguais de cada lado do suporte DESCARGA CARGA CARREGAMENensaio ensaio TO 1 2 (gf) 0 0 0 855 0,153 0,176 2855 0,544 0,552 4855 0,912 0,922 7215 1,402 1,379 _ 7215 1,339 _ 4855 0,938 _ 2855 0,566 _ 855 0,184 _ 0 0 FLECHA (mm) ensaio ensaio ensaio ensaio ensaio ensaio ensaio 3 4 5 6 7 8 9 0 0,165 0,558 0,926 1,365 1,345 0,96 0,583 0,18 0 0 0,16 0,549 0,918 1,359 1,351 0,949 0,586 0,176 0 43 0 0,161 0,562 0,918 1,363 1,367 0,979 0,595 0,192 0 0 0,165 0,539 0,92 1,354 1,342 0,949 0,584 0,183 0 0 0,165 0,559 0,897 1,345 1,334 0,94 0,583 0,176 0 0 0,164 0,545 0,879 1,328 1,329 0,939 0,572 0,18 0 0 0,159 0,551 0,907 1,334 1,335 0,941 0,57 0,174 0 TABELA 3.6 – RESULTADOS DO ENSAIO DE FLEXÃO CORPO DE PROVA 1M16 Cargas iguais de cada lado do suporte σ Q (gf) (MPa) 855 2855 4855 7215 7215 4855 2855 855 3,0 10,1 17,2 25,6 25,6 17,2 10,1 3,0 MÓDULO DE ELASTICIDADE (MPa) Ensaio 1 10680 20322 18896 16264 Ensaio 2 15353 16346 16642 16535 17029 16358 15942 14685 Ensaio 3 16377 16170 16570 16705 16953 15983 15477 15012 Ensaio 4 16888 16435 16714 16779 16878 16168 15397 15353 Ensaio 5 16783 16055 16714 16729 16681 15673 15165 14074 Ensaio 6 4,23 4,23 4,22 4,25 4,23 16377 16740 16678 16841 _ 16991 _ 16168 _ 15450 _ 14766 16541 16111 16156 16327 15984 16319 E Médio Desvio 4,29 Padrão (%) Média Geral de E 16336 Ensaio 7 Ensaio 8 Ensaio 9 16377 16141 17106 16953 17093 16323 15477 15353 16366 16476 16556 17456 17170 17157 16340 15774 15012 16483 16995 16376 16917 17093 17080 16306 15830 15530 16601 4,23 4,25 4,29 Desvio Padrão Geral (%) 4,42 Figura 3.22 - Gráfico Te nsão x Flecha do ensaio de flexão com carga igual nos dois lados do suporte. 44 3.6 – Análise dos ensaios de deformação lenta Foram realizados dois ensaios com carga constante ao longo do tempo e à temperatura ambiente (cerca de 28°C). Para se chegar a um modelo de corpo de prova que pudesse ser ensaiado, foi utilizado primeiramente o CP de tração sem proteção e sua largura foi reduzida para 7,5 mm através de usinagem no laboratório, com um formato que não produzisse concentração de tensões, figura 3.23 (a). A análise das condições necessárias para o ensaio mostrou que este formato não era possível, pois não apresentava área suficiente para fixação. Para viabilizar esta área pensou-se em princípio no reforço por meio de resina, mas no primeiro teste a resina utilizada não resistiu à tensão, tendo se rompido, figura 3.23 (b). Foi então confeccionado um novo corpo de prova com o formato e dimensões apresentados nas figuras 3.23(c) e 3.24, sendo colocado neste CP um reforço colado, utilizando a mesma cola empregada na indústria entre peças estruturais pultrudadas. Este reforço tem o objetivo de evitar a propagação de fissura em torno do orifício de fixação, figura 3.23 (c). O ensaio foi realizado com a seguinte configuração: um corpo de prova pendurado em uma célula de carga presa a um pórtico rígido, atuando sobre este um carregamento de gravidade, composto de uma placa de aço com 1,5 m de comprimento, 0,75 m de largura e 0,05 m de espessura a qual produziu uma tensão de 127,5 MPa no corpo de prova no primeiro ensaio e duas placas iguais, que produziram uma tensão de 255 MPa no corpo de prova, no segundo ensaio. A montagem realizada se encontra representada na figura 3.25. Para registro dos dados de deformação lenta foram utilizados dois dispositivos: (a) Clip-gage marca MTS com transdutor modelo n° 632.12C-20 com base de medida de 25 mm e (b) dois EERs colados nas laterais do corpo de prova, sendo que um deles teve seu fio partido e ficou sem registro, figura 3.26. Estes sensores foram ligados a um sistema de aquisição de dados marca Lynx e um condicionador de sinal dinâmico resistivo marca Kywoa. Os resultados obtidos são apresentados nas figuras 3.27 e 3.28. 45 Figura 3.23 – Corpos de prova dos ensaios. (a) primeiro CP idealizado. (b) CP anterior com seção aumentada por resina. (c) .CP utilizado no ensaio de deformação lenta. 46 Figura 3.24 – Esquema para confecção do CP utilizado no ensaio de deformação lenta. 47 Figura 3.25 – Montagem realizada para o ensaio de deformação lenta. 48 Figura 3.26 – Instrumentos de registro da deformação por deformação lenta. 49 Figura 3.27 – Gráfico deformação lenta versus tempo correspondente à tensão de 127,5 MPa. Figura 3.28 – Gráfico deformação lenta versus tempo correspondente à tensão de 255 MPa. 50 Capítulo 4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS EXPERIMENTAIS No presente capítulo são apresentadas as discussões dos resultados apresentados no capítulo 3. 4.1 – Peso específico Conforme o método das misturas e usando a equação 2.3 temos: γc = mc m f + mm γ f v f + γ m v m = = vc vc vc Usando os dados de volume de fibra fornecidos pelo fabricante (COGUMELO) e os dados de densidade retirados do EUROCOMP (1997), sem levar em consideração o volume de vazios obtido pelo processo de análise de imagem temos: γc = 2,54 × 0,55 + 1,1× 0, 45 1,89 = = 1,89 g/cm³ 1 1 Usando os mesmos dados apenas levando em consideração o volume de vazios obtido pelo processo de análise de imagem que foi de 2, 54 %, temos: γc = 2,54 × 0,55 + 1,1 × 0,4236 1,86 = = 1,86 g/cm³ 1 1 De acordo com os pesos específicos avaliados, 60% estão acima e 40% estão abaixo da faixa indicada pelo fabricante (1,4 a 1,8 g/cm³), sendo que a média se apresentou no limite mínimo da faixa. O peso específico nos dá uma base da densidade do compósito que varia com a fração volumétrica de fibra existente e com a fração volumétrica de vazios. Comparando com o método das misturas (1,86 g/cm³) e levando em consideração o volume de vazios (valor mais real), a diferença entre a média dos experimentos (1,4 g/cm³) e o valor indicado pelo fabricante(1,6 g/cm³), é de 33%. Comparação com a bibliografia não foi possível, pois propriedades para o conjunto resina isoftálica/fibra de vidro não foram encontradas. 51 4.2 – Fração volumétrica de fibras Comparando os dados obtidos pelos dois métodos (queima e análise de imagem) para o vo lume de fibras, vemos que os resultados são bastante dispersos se comparados com os 55 % indicados pelo fabricante: média de 61 % entre as quatro amostras analisadas pelo processo de queima, que é bastante preciso, e 59% na amostra analisada por tratamento de imagem, sendo este dado obtido através da equação 2.11: Vf = n3 465494 × 100 = × 100 = 59,19 N 786432 Este processo apresenta uma avaliação mais completa, possibilitando também a quantificação dos volumes de matriz e vazios. O resultado obtido para fração volumétrica de fibras através de análise de imagem comparado com a média obtida pelo ensaio de queima, valida o procedimento apresentado no Anexo B. Em relação à fração volumétrica de fibras informada pelo fabricante, podemos afirmar que a média obtida pela queima apresentou uma diferença de 10,9%. Se considerarmos apenas a amostra T2, que foi objeto da análise de imagem, podemos observar que a diferença com o ensaio de queima foi de 4,5% e por tratamento de imagem de 7,2%, em relação ao informado pelo fabricante. Como foi comprovado pela análise de imagem, a fração volumétrica de vazios (2,64 %), não se encontra numa faixa aceitável segundo DANIEL (1994), que é de no máximo 1%, então, não podemos obter um valor calculado para fração volumétrica de fibra em função das densidades dos componentes do compósito (equação 2.7). Em relação aos valores obtidos em cada amostra, o desvio padrão obtido foi de 9,85%. Se levarmos em conta que todas as amostras foram retiradas de um mesmo perfil, podemos dizer que esta diferença é muito alta. Conforme mostrado nas metalografias das figuras 3.18 e 3.19 podemos observar que a distribuição das fibras se encontra completamente irregular, estas irregularidades associadas ao volume de vazios na amostra, interferem em várias propriedades como por exemplo, deformação lenta, densidade e flexão. Quanto à avaliação pelo processo de análise de imagem para a amostra T2, observou-se uma fração volumétrica de vazios de 2,64% e de matriz 38,17%. valores foram obtidos pelas fórmulas 2.12 e 2.13: 52 Estes Vm = n2 300195 × 100 = × 100 = 38,17 N 786432 Vv = n1 20743 ×100 = ×100 = 2,64 N 786432 De acordo com o valor considerado ideal por DANIEL (1994), máximo de 1%, a fração volumétrica de vazios está acima. Em conseqüência, a fração volumétrica de matriz se encontra abaixo do mínimo que deveria ser 39,1% para uma fração volumétrica de vazios máxima de 1%. Estas porcentagens influem não só na densidade do material como também nas propriedades que dependem da fração volumétrica de matriz, o qual é responsável pela transmissão das tensões ext ernas para as fibras. 4.3 – Comportamento na tração Se o compósito em estudo apresentasse apenas reforço unidirecional, o cálculo do módulo de elasticidade seguiria a regra das misturas (fórmula 2.15), a tensão máxima de tração seria obtida através da fórmula 2.17 e a deformação última pela fórmula 2.18, todas oriundas da regra das misturas. Como o nosso compósito apresenta reforço contínuo associado à manta, com proporções não indicadas pelo fabricante, só podemos comparar os resultados experimentais com o valor indicado pelo fabricante informado na tabela 3.1. Comparando o módulo de elasticidade médio dos quatro ensaios de tração simples, cujo valor é 18,06 GPa, com a faixa de variação informada pelo fabricante, de 17,5 a 21 GPa para frações volumétricas de fibra de 45 a 55% e, ainda, um valor de referência obtido no EUROCOMP (1997) para pultrudados com 36% de fibras, manta mais reforço contínuo e resina poliéster (17,2 GPa), podemos constatar que os valores experimentais se encontram dentro da faixa esperada. Com relação ao ensaio com os 6 ciclos de carga-descarga, as médias foram: 1° ciclo 18,64 GPa com tensão máxima média de 22 MPa; 2° ciclo 19,86 GPa com tensão máxima média de 44 MPa; 3° ciclo 19,65 GPa com tensão máxima média de 65,6 MPa; 4° ciclo 17,68 GPa com tensão máxima média de 87,3 MPa e 5° ciclo 18,06 GPa com tensão máxima média de 109 MPa, podemos observar que os módulos de elasticidade também se encontram dentro da faixa indicada pelo fabricante. Se compararmos os valores médios dos ciclos entre si, encontramos um desvio padrão de 5,11% e, se a comparação for em relação ao valor 53 médio encontrado para os ensaios de tração simples, obtemos um desvio padrão de 5,45%, o que nos indica que ensaios realizados a vários níveis de tensão produze m resultados de módulo de elasticidade confiáveis. O valor médio da tensão máxima de tração nas quatro primeiras amostras foi de 178 MPa e do ensaio cíclico foi de 169 MPa. Esses valores, ficaram cerca de 15 a 35% inferiores se comparados com a faixa ind icada pelo fabricante que é de 210 a 260 MPa. Individualmente apenas duas das amostras estudadas apresentaram-se dentro da faixa indicada pelo fabricante. O valor médio da tensão máxima de tração entre os ensaios de tração simples e os ensaios cíclicos foi de 173,5 MPa o que resultou em um desvio padrão de 27,21% em relação aos valores de tensão máxima obtidos em cada ensaio realizado. Os valores médios para o alongamento máximo na ruptura foram de: 4,0% para os ensaios de tração simples, 5,8% para os ensaios cíclicos e 4,9% para média geral de todos os ensaios. Este alongamento se encontra bem acima do informado pelo fabricante que é de 2%. Se utilizarmos a regra das misturas como indicado no item 2.8.1 (fórmula 2.18), e as frações volumétricas obtidas no ensaio de queima para as amostras 1A, T2, COG2 E COG4 (tabela 3.3), podemos estabelecer valores calculados para essas amostras que podem ser comparados com os valores encontrados nos ensaios de tração. Esses resultados se encontram relacionados na tabela 4.1. Analisando a tabela 4.1, podemos observar que os valores obtidos para o alongamento máximo na ruptura através dos ensaios de tração se comparados com os valores calculados, se encontram bastante dispersos. Podemos notar também que os valores obtidos nos ensaios de tração se encontram bem superiores ao indicado pelo fabricante que é de 2%. TABELA 4.1 – VALORES PARA ALONGAMENTO MÁXIMO NA RUPTURA ALONGAMENTO ALONGAMENTO CALCULADO (%) ENCONTRADO (%) 1A 3,67 1,3 T2 3,52 3,65 COG2 3,45 4,8 COG4 3,41 8,79 MÉDIA 3,51 4,64 AMOSTRA 54 Se compararmos os valores obtidos para os módulos de elasticidade e para as tensões máximas de tração das amostras 1A, T2, Cog2 e Cog 4 com a fração volumétrica obtida pelo ensaio de queima, para as mesmas amostras, podemos observar que a variação do módulo de elasticidade é compatível, de acordo com o EUROCOMP (1997), com a variação da fração volumétrica de fibras conforme podemos observar na tabela 4.2 e nas Figuras 4.1 e 4.2. TABELA 4.2 – VALORES PARA MÓDULO DE ELASTICIDADE E TENSÃO MÁXIMA NA TRAÇÃO FRAÇÃO MÓDULO DE TENSÃO VOLUMÉTRICA DE ELASTICIDADE MÁXIMA DE FIBRAS (%) (GPa) TRAÇÃO (MPa) 1A 65,7 20,482 222,7 T2 62,7 21,429 228,42 COG2 59,2 19,135 183,91 COG4 57,9 13,378 119,87 AMOSTRA Figura 4.1 – Relação entre fração volumétrica de fibras e módulo de elasticidade na tração. 55 Figura 4.2 – Relação entre fração volumétrica de fibras e tensão máxima de tração. A ruptura desses corpos de prova depende das propriedades dos componentes. Os corpos de prova ensaiados apresentaram ruptura por delaminação entre as fases do compósito, o que caracteriza, segundo DANIEL (1994), uma interface relativamente fraca e uma tensão última de fibra relativamente alta. As figuras de 4.3 a 4.9 representam as fraturas nos corpos de prova ensaiados à tração. Os corpos de prova COG2 e COG3, apresentam um comportamento diferenciado dos demais. Se observarmos as figuras 3.13 e 3.14, podemos notar um patamar atípico para essa classe de material, comportamento este que deverá ser melhor estudado em trabalhos futuros. 56 Figura 4.3 – Aspecto da fratura do corpo de prova 1A. Figura 4.4 – Aspecto da fratura do corpo de prova T1. 57 Figura 4.5 – Aspecto da fratura do corpo de prova T2. Figura 4.6 – Aspecto da fratura do corpo de prova T3. 58 Figura 4.7 – Aspecto da fratura do corpo de prova Cog 2. Figura 4.8 – Aspecto da fratura do corpo de prova Cog 3. 59 Figura 4.9 – Aspecto da fratura do corpo de prova Cog 4. Em todos os corpos de prova foram realizadas metalografia em região próxima da região de ruptura e em região mais afastada da ruptura, constatando-se em todas elas as mesmas características. Conforme já foi comentado anteriormente, amostra representativa do corpo de prova T2 se encontra registrada nas figuras 3.17 e 3.18, onde se observa várias irregularidades. Conforme já discutido no item 4.2, estes tipos de irregularidades interferem diretamente nas propriedades mecânicas do material e, conseqüentemente, no desempenho do compósito. 4.4 – Comportamento na flexão Nosso objetivo neste item, utilizando método de ensaio e protótipo projetado conforme o ANEXO A, é produzir avaliação do módulo de elasticidade à flexão, nas 60 dependências da indústria, sem necessidade de equipamento para tração direta (prensa de ensaio). Conforme descrito no item 2.8.2, para obtenção apenas do módulo de elasticidade não é necessário preocupação com a relação comprimento/espessura. O cálculo da carga total a ser aplicada é realizado para uma flecha máxima de 2 mm, utilizando as fórmulas 3.2 e 3.3. P= 48 f max E ct I I= bh 3 12 I= 15 × 7,53 = 527,34375 mm4 12 P= L3 48 × 2 × 17500 × 527,34375 = 110,7 N ≅ 11 kgf 2003 Os resultados encontrados nas nove amostras testadas apresentaram valores muito próximos para o módulo de ela sticidade à flexão, variando entre 15,9 e 16,6 GPa, e o valor médio igual a 16,3 GPa. Comparando os valores encontrados no ensaio com o material de mesmas características, mas com 36% de volume de fibras apresentado pelo EUROCOMP (1997), cujo valor é 13,8 GPa, podemos verificar que é bastante razoável. A faixa indicada pelo fabricante que é de 11,2 a 14 GPa, também se encontra próxima dos valores medidos. 4.5 – Comportamento na deformação lenta à temperatura ambiente Conforme descrito no item 2.8.3, os resultados obtidos do ensaio de deformação lenta freqüentemente são usados para indicar apenas tendências. A análise dos dados obtidos nos dois ensaios mostrou que não houve deformação lenta do material, após cerca de duas horas de ensaio. Conforme indicado pelo EUROCOMP (1997), propriedades de compósitos dominadas pelas fibras exibem freqüentemente pequena ou nenhuma deformação lenta. confirmam esta previsão. 61 Resultados experimentais Ainda segundo o EUROCOMP (1997), para que a deformação lenta seja mínima ou nula, o projeto do compósito deve ser baseado em: alta porcentagem de fibras (> 50%); fibras contínuas na mesma direção do carregamento; matriz de alto desempenho; matriz resistente a altas temperaturas e fibras de alta resistência, condições essas que correspondem ao material avaliado experimentalmente. 62 Capítulo 5 CONCLUSÕES 5.1 – Conclusão Com o aumento expressivo da utilização de compósitos pultrudados reforçados com fibra de vidro no Brasil, principalmente na indústria do petróleo, se torna cada vez mais imperativo que os produtos utilizados no país sejam completamente conhecidos e caracterizados, de modo a aprimorar o controle de qualidade. Foi pensando nessas necessidades que essa pesquisa foi desenvolvida, focando seus objetivos no desenvolvimento de procedimentos simplificados para aprimorar o controle de qualidade na indústria. Esses objetivos foram plenamente alcançados com a elaboração de duas metodologias de ensaio : 1 - ensaio de flexão utilizando estrutura de pequeno porte apresentada no ANEXO A; 2 - avaliação da fração volumétrica de fibra, matriz e vazios através de análise de imagem apresentada no ANEXO B. Na comprovação de algumas propriedades indicadas pelo fabricante, observamos que as variações dos resultados entre esses valores e as amostras estudadas foram bastante significativas. Esta constatação aponta para a necessidade de se qualificar melhor o produto oferecido ao consumidor. O valor encontrado para fração volumétrica obtida pela técnica de análise de imagem, foi comparado com o resultado encontrado no ensaio de queima, que é bastante preciso. Esta comparação mostrou que esta técnica possibilita não só a avaliação da fração volumétrica de fibras com grande precisão, como também a avaliação das frações volumétricas de matriz e vazios de maneira bastante simples e rápida. A caracterização metalográfica da seção transversal do perfil estudado mostrou que, nas duas extremidades, temos um véu de superfície irregular e muitos espaços livres. As fibras contínuas apresentam dimensões distintas e distribuição irregular, a 63 manta não se encontra simétrica na figura 3.17, em comparação com a figura 3.18, apesar de ambas serem paralelas. Nessas amostras, podemos observar muitos vazios, acima do nível aceitável de 1%. Estes tipos de irregularidades interferem diretamente nas propriedades mecânicas e físicas do material e, conseqüentemente, no desempenho do compósito. Por exemplo, na avaliação do peso específico encontramos 4 amostras com resultados abaixo do valor mínimo indicado pelo fabricante. De acordo com os valores encontrados para os módulos de elasticidade médios nos vários ciclos introduzidos no ensaio de tração, concluiu-se que podemos avaliar com precisão o módulo de elasticidade à tração utilizando diferentes níveis de tensão. Concluiu-se também que nas amostras em que se realizou ensaio de queima para obtenção da fração volumétrica de fibras, o módulo de elasticidade médio e a tensão máxima de tração, apresentam comportamento esperado, ou seja, aumenta proporcionalmente com o aumento da fração volumétrica de fibras conforme registrado nas figuras 4.1 e 4.2. O desvio padrão alto para as frações volumétricas de fibras, a grande incidência de defeitos e a redução da tensão máxima de resistência, influencia diretamente o módulo de elasticidade à tração. Os patamares encontrados em dois ensaios de tração, figuras 3.13 e 3.14, denotam um comportamento atípico que deve ser investigado para podermos saber a influência deste comportamento nas propriedades. Todas estas observações apontam como causa o controle do processo de fabricação, produzindo um aumento do volume de fibra e desalinhamento da manta, conseqüentemente conduzindo a uma redução de matriz, que se agrava com a quantidade de vazios existentes, provocando interferência no mecanismo de transferência de cargas pela matriz. O ensaio de deformação lenta a temperatura ambiente apresentou deformação praticamente nula, como se esperava. Fica portanto comprovada a hipótese segundo a qual compósitos fabricados: (i) com alta porcentagem de fibras (> 50%); (ii) fibras contínuas na mesma direção do carregamento; (iii) matriz de alto desempenho; (iv) matriz resistente a altas temperaturas; e (v) fibras de alta resistência a deformação lenta, apresentam deformação lenta desprezível. O módulo de elasticidade à flexão, avaliado utilizando o protótipo projetado segundo as características da figura 5.1 em corpo de prova com dimensões e características de aplicação de carga indicadas na figura 5.2, apresentou valores 64 razoáveis e bastante constantes apesar de todos os defeitos encontrados e das grandes diferenças na tensão limite de resistência. Esses resultados mostram que é possível avaliar o módulo de elasticidade por flexão de compósitos reforçados com fibra de vidro, utilizando ensaios simples, com bastante precisão. Conforme apresentado no capítulo 3 e discutido no capítulo 4, podemos considerar que o protótipo e o método de ensaio de flexão por quatro pontos e o método de avaliação da fração volumétrica de fibra, matriz e vazios através de análise de imagem, são bastante simples e satisfatórios, podendo ser adotados como ferramenta de avaliação de grande poder e simplicidade, para utilização na indústria. Essa providência reforçaria o controle de qualidade do produto acabado, permitindo gerar informações de grande valia para projetistas de estruturas e oferecer, aos clientes finais, uma situação confortável devido ao aumento da confiança no produto adquirido para fins estruturais. 65 Figura 5.1 – Projeto para construção do protótipo a ser utilizado no ensaio de flexão por quatro pontos. 66 Figura 5.2 - Dimensões do corpo de prova e características de aplicação de carga do ensaio de flexão. 5.2 – Proposta para trabalhos futuros Como proposta para trabalhos futuros, tendo como ótica as necessidades relatadas no início do item 5.1 e a utilização crescente desses materiais na indústria do petróleo (sujeitos a condições adversas como altas temperaturas, umidade excessiva, agressões químicas, etc.), podemos sugerir, em relação à caracterização e controle de qualidade dos perfis disponíveis no mercado, que sejam programados os seguintes estudos: 1 – Caracterização individual de todos os perfis oferecidos pelo fabricante quanto às propriedades mecânicas e físicas para possibilitar segurança em sua utilização como material estrutural; 2 – Estudo do efeito da temperatura na flexão, com criação de sistema de aquecimento e estrutura de carregamento resistente à temperatura que gere uma metodologia para ser usada na indústria, semelhante ao que foi elaborado no ANEXO A; 67 3 – Estudo para avaliação da deformação lenta a altas temperaturas com descrição detalhada do procedimento utilizado e do material ensaiado para que junto com a avaliação da influência da alta temperatura na flexão seja possível qualificar o comportamento do compósito a altas temperaturas. 4 – Produzir metodologia através de análise de imagem, para medição do diâmetro das fibras e controle da disposição das diversas camadas de reforço, que auxiliem no controle de qualidade do processo de fabricação. Esta metodologia pode servir de base não só para o controle de qualidade do processo em si (por exemplo, ajuste no posicionamento das guias de reforço, controle do nivelamento na pré-forma e na forma para evitar desvios das camadas de reforço no interior do compósito e controle no banho de resina para evitar uma porcentagem grande de vazios) como também para controle de qualidade do material de reforço adquirido no mercado. 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS, D. F.; DONER, D. R., “Tansverse Normal Loading of a unidirectional Composite”, J. Composite Materials, Vol. 1, pp. 152-164 (1967). ASHBY, M. F., “Technology of the 1990s: Advanced Materials and Predictive Design”, Philosophical Transactions of the Royal Society of London, A322, 393407 (1987). ASTM D 297-74, “Standards Methods of Chemical Analysis of Rubber Products”, American Society for Testing and Materials, Philagelphia, PA, (1975). ASTM D 790-70, “Standards Methods of Test for Flexural Properties of Plastics”, American Society for Testing and Materials, Philagelphia, PA, (1970). ASTM D 2584-68, “Standards and Literature References for Composite Materials”, 2nd Ed., American Society for Testing and Materials, Philagelphia, PA, (1990). ASTM D 2734-70, “Standard Test Methods for Void Content of Reinforced Plastics”, American Society for Testing and Materials, Philagelphia, PA, (1970). ASTM D 3039 / D 3039 M-95, “Test Methods for Tensile Properties of Polymer Matrix Composite Materials”, American Society for Testing and Materials, Philagelphia, PA, (1995). BAUER, L. A. F., “Materiais de Construção”, Livros Técnicos e Científicos Editora S.A., Rio de Janeiro (1982). CALLISTER JR., W.D., “Materials Science and Engineering and Introduction”, 3rd edition, John Wiley & Sons (1994). CHAWLA, K. K., “Composite Materials Science and Engineering”, Springer-Verlag New York Inc. (1987). Cogumelo Pultrudados, “Pultrudados Perfis Estruturais em Fibras de Vidro – Guia de Engenharia” DANIEL, I. M.; ISHA, O., “Engineering Mechanics of Composite Materials”, Oxford University Press (1994) DONALD, F. A., “Test Methods for Composite Materials”. Technomic Publishing Company, Lancaster, Pennsylvania 69 EUROCOMP DESIGN CODE AND HANDBOOK, “Structural Design of Polymer Composites”, Edited by John L. Clarke (1997). GIBSON, R. F., “Principles of Composite Material Mechanics”, Ed. McGraw-Hill, New York (1994) HALPIN, J. C.; TSAI, S. W., “Effects of Environmental Factors on Composite Materials”, Air Force Technical Report AFML-TR-67-423, Wright Aeronautical Labs., Dayton, OH (1967). LACOVARA, B., “What Every Engineer Should Know About Composites”, CFA Technical Co. LI, Q. F.; SMITH, R. and McCARTNEY, D. G., “Quantitative Evaluation of Fiber Distributions in a Continuously Reinforced Aluminum Alloy Using Automatic Image Analysis”, Materials Characterization 28, 189-203 (1992). PROPERTIES OF A GRP PULTRUDED SECTION, Sims, G. D., Johnson, A. F., and Hill, R. D. “Composite Structures 8”. REINHART, T. J. et al., “Engineered Materials Handbook – Volume 1 Composites, ASM Intenational, Materials Park, OH (1987). RUDNAYOVÁ, E.; GLOGAR, P. and KOHÚTEK, I., “Qualitative Microstructure Study of the Unidirectional Carbon Fiber Reinforced Carbon Composites”, Prakt. Metallogr. 37, 452-467 (2000). VOIGT, W., “Lehrbuch der Kristallphysik”, Teubner, Leipzig (1910). 70 ANEXO A METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO DO MÓDULO DE ELASTICIDADE DE MATERIAL PULTRUDADO EM RESINA REFORÇADA COM FIBRA DE VIDRO ATRAVÉS DE ENSAIO DE FLEXÃO UTILIZANDO PROTÓTIPO DE PEQUENO PORTE CONTEÚDO 1 - Objetivo 2 - Aplicação 3 - Limitações 4 - Documentos Relacionados 5 – Formato e Dimensões dos Corpos de Prova 6 – Equipamentos Utilizados 7 – Cálculo da Carga Necessária ao Ensaio 8 – Execução do Ensaio 9 – Folha de Dados 10 – Cálculo da Tensão Aplicada 11 – Cálculo do Módulo de Elasticidade à Flexão 1 - OBJETIVO Este procedimento destina-se a servir como guia na execução de ensaio de flexão simples por quatro pontos através de protótipo de pequeno porte para avaliação do módulo de elasticidade na flexão, nas dependências da indústria. 71 2 - APLICAÇÃO Este procedimento é aplicável a materiais pultrudados de resina reforçados com fibra de vidro. 3 – LIMITAÇÕES Este procedimento está limitado a peças onde sejam possíveis a retirada de corpos de prova planos e de dimensões padronizadas conforme item 5. 4 - DOCUMENTOS RELACIONADOS 4.1 – ASTM D 3039 / D 3039M – 95 – Test Method for Tensile Properties of Polymer Matrix Composite Materials; 4.2 – ASTM D 790 – 70 – Methods of Test for Flexural Properties of Plastics. 5 – FORMATO E DIMENSÕES DOS CORPOS DE PROVA As dimensões são descritas na tabela abaixo baseadas na norma ASTM D 3039, e o formato é apresentado na Figura 1. RECOMENDAÇÕES DAS DIMENSÕES DOS CORPOS DE PROVA COMPRIMENTO ORIENTAÇÃO DAS LARGURA FIBRAS mm (polegadas) 0° unidirecional 15 (0,5) 250 (10,0) 90° unidirecional 25 (1,0) 175 (7,0) Balanceada e simétrica 25 (1,0) 250 (10,0) Randômica-descontínua 25 (1,0) 250 (10,0) 72 TOTAL mm (polegadas) Figura 1 – Formato e dimensões do corpo de prova de flexão. 6 – EQUIPAMENTOS UTILIZADOS Neste ensaio são necessários os seguintes equipamentos: - Balança com sensibilidade de no mínimo 5g. - Massas calibradas em quantidade suficiente para realização do ensaio. - Protótipo de alumínio e complementos apresentados nas Figuras 2, 3 e 4. - Relógio comparador com sensibilidade de 0,002 mm/div. 73 Figura 2 – Dimensões do protótipo de alumínio 74 Figura 3 – Foto do protótipo já construído Figura 4 – Dimensões e esquema dos suportes. 75 7 – CÁLCULO APROXIMADO DA CARGA NECESSÁRIA AO ENSAIO P= 48 f max E ct I I= bh 3 12 L3 onde: P = carga total a ser colocada no ensaio, em kgf. fmax = flecha máxima que se deseja no ensaio, em mm. Ect = módulo de elasticidade médio do material = 17,5 GPa (informado pelo fabricante). I = momento de inércia do corpo de prova. L = distância entre os apoios = 200 mm. b = largura do corpo de prova em mm. h = espessura do corpo de prova em mm. OBS 1 – Deve-se usar o inteiro múltiplo de dois mais próximo. OBS 2 – A carga encontrada deve ser colocada metade em cada haste do protótipo. OBS 3 – Devem ser usadas massas de 1 kg para aplicação da carga. OBS 4 – As massas devem ser calibradas em balança com boa sensibilidade. 8 – EXECUÇÃO DO ENSAIO - Colocar os suportes posicionados sobre os apoios e verificar a distância entre eles que deve ser de 200 mm entre os centros dos roletes. - Pesar o protótipo e anotar na folha de dados - Colocar o corpo de prova junto com o protótipo centralizando o conjunto, Figura 5. - Colocar o relógio comparador no centro co corpo de prova, Figura 6. - Levantar o protótipo e zerar o relógio. - Recolocar o protótipo, fazer a primeira leitura e anotar na folha de dados. 76 - Colocar as massas uma de cada vez e fazer as leituras referentes a cada carregamento, anotando na folha de dados, Figura 7. OBS 1 – As massas devem ser colocadas uma a uma em lados alternados do protótipo para que a cada leitura seja colocado carga igual nos dois ramos do protótipo. OBS 2 – Para confirmação das leituras efetuadas podemos usar o processo inverso (retirada de carga) e anotar as leituras na folha de dados. Figura 5 – Colocação e posicionamento de todo o conjunto para realização do ensaio. 77 Figura 6 – Centralização do relógio comparador para obtenção da flecha. Figura 7 – Colocação das massas calibradas sobre o suporte e realização das medições. 78 9 – FOLHA DE DADOS FOLHA DE DADOS ENSAIO ENSAIO ENSAIO s E (kg) 1 2 3 (kgf/mm²) (kgf/mm²) DESCARGA CARGA CARREGAMENTO VALOR MÉDIO Seção Retangular: _____ x _____ mm E= 0, 25PL3 fbh 2 σ = 3 PL 2bh 2 79 10 – CÁLCULO DA TENSÃO APLICADA A tensão aplicada a cada leitura deve ser calculada através da seguinte fórmula: σ = 3 PL 2bh 2 onde: σ = tensão aplicada a cada leitura. P = carga aplicada a cada ponto. L = vão entre apoios (200 mm). b = largura do corpo de prova. h = espessura do corpo de prova OBS – Tirar a média de todos os pontos. 11 – CÁLCULO DO MÓDULO DE ELASTICIDADE À FLEXÃO O módulo de elasticidade à flexão a cada leitura deve ser calculada através da seguinte fórmula: E= 0, 25PL3 f b h2 onde: E = módulo de elasticidade à flexão. P = carga aplicada a cada ponto. L = vão entre apoios (200 mm). f = flecha a cada leitura em mm. b = largura do corpo de prova. h = espessura do corpo de prova OBS – Tirar a média de todos os pontos. 80 ANEXO B METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO DA FRAÇÃO VOLUMÉTRICA DE FIBRAS, MATRIZ E VAZIOS DE COMPÓSITOS PULTRUDADOS DE RESINA REFORÇADA COM FIBRA DE VIDRO ATRAVÉS DE ANÁLISE DE IMAGEM CONTEÚDO 1 - Objetivo 2 - Aplicação 3 - Documentos Relacionados 4 – Retirada e Embutimento da Amostra 5 – Preparação da Amostra 5.1 – Lixamento 5.2 – Polimento Fino 5.3 – Registro da Imagem 6 – Equipamentos Utilizados 7 – Execução do Procedimento 1 - OBJETIVO Este procedimento destina-se a servir como guia na avaliação da porcentagem de matriz e fibra em compósitos através de análise de imagens, nas dependências da indústria. 81 2 - APLICAÇÃO Este procedimento é aplicável a materiais pultrudados de resina reforçados com fibra de vidro. 3 - DOCUMENTOS RELACIONADOS 3.1 – SAMUELS, L. A. – Metallographic Polishing by Mechanical Methods, 3ª ed., ASM; Metals Park; 1982. 3.2 - LI, Q. F.; SMITH, R.; McCARTNEY, D. G. – Quantitative Evaluation of Fiber Distributions in a Continous ly Reinforced Aluminium Alloy Using Automatic Image Analysis. Materials Characterizations, vol 28 nº 3, April 1992. 4 – RETIRADA E EMBUTIMENTO DA AMOSTRA A amostra deve ser retirada em seção transversal às fibras centrais, responsáveis pela resistência do perfil pultrudado. O embutimento deve ser feito a frio, ou seja, utilizando-se resina do tipo Resipox LF/531 Gr11 (resina R 331 e endurecedor RE 201), conforme Figura 1. Figura 1 – Embutimento feito com resina. 82 5 – PREPARAÇÃO DA AMOSTRA A preparação de amostras envolve três operações básicas: - Lixamento. - Polimento fino. - Registro da imagem. 5.1 - LIXAMENTO Neste estágio a superfície da amostra é lixada em seis classes de abrasivos diferentes: Lixa 100, 220, 320, 400, 500 e 600. Em cada um desses estágios de lixamento, o corpo de prova é movimentado sobre a superfície de tal maneira que os riscos sejam formados apenas em uma direção. Na passagem de um abrasivo para o outro, o corpo de prova é girado de um ângulo de 90°, de forma que os riscos se disponham agora segundo esta direção. O lixamento é efetuado numa mesma lixa enquanto os riscos do estágio anterior permanecerem. 5.2 – POLIMENTO FINO Neste estágio são removidos os riscos e a fina camada deformada proveniente do estágio de lixamento. O composto de polimento usado é a Alumina, (óxido de alumínio Al2 O3 – forma gama) diluído em água destilada, com tamanho de partícula de 1µ. Este composto é colocado sobre um disco coberto com pano felpudo e o corpo de prova é pressionado contra o pano com uma pressão leve e realizando movimento rotativo no sentido contrário ao do giro do prato. 5.3 – REGISTRO DA IMAGEM A amostra deve ser colocada num microscópio com máquina fotográfica acoplada. Utilizando a lente de aumento de 50x deve-se posicionar a imagem para registro na região mais característica da amostra acertando o foco e então registrar a imagem. 83 6 – EQUIPAMENTOS UTILIZADOS Nesta análise são necessários os seguintes equipamentos: - Lixadeira. - Politriz. - Microscópio com máquina fotográfica acoplada. - Computador com programa de tratamento de imagem que tenha opção de ajuste de brilho e contraste e análise de histograma. 7 – EXECUÇÃO DO PROCEDIMENTO - Abrir a imagem obtida e convertê- la para o modo escala de cinza. - Ajustar brilho e contraste se necessário Figura 2. - Regravar a imagem com outro nome (para que a imagem original seja preservada). - Acionar a análise por histograma Figura 3. - Analisar o histograma marcando as regiões correspondentes aos três picos distintos que correspondem as frações volumétricas de fibra, matriz e vazios, Figuras 4 a 6. OBS – A marcação das regiões deve levar em conta picos e planos no gráfico do histograma em relação aos tons de cinza da imagem. 84 Figura 2 - Micrografia 50x (escala de cinza). Figura 3 - Histograma da figura 2 (50x) mostrando o número de pixels totais da imagem. 85 Figura 4 - Histograma da figura 2 mostrando o número de pixels relativos à área de maior pico, que corresponde às fibras cuja fração volumétrica é de 59,19%. Figura 5 - Histograma da figura 2 mostrando o número de pixels relativos à área de médio pico, que corresponde à matriz mais os vazios cuja fração volumétrica é de 38,17%. 86 Figura 6 - Histograma da figura 2 mostrando o número de pixels relativos à área de menor pico, que corresponde à matriz mais os vazios cuja fração volumétrica é de 2,64%. 87