54) Crônica de Título: CLUBE ATOLADO NO BREJO Qual dos dois vai primeiro pro brejo, o Paraná Clube ou o Paraná Estado? Chegou o final da década de 80 e com ele a notícia alvissareira: fusão dos times (Leão, Tigre, Britânia, Savóia, Água Verde, Palestra Itália, Ferroviário, Paranaense, Comercial, Palmeiras, E.C. Brasil), Colorado e Pinheiros = Paraná Clube, em 19/12/1989, tendo por símbolo “o poder da realização”. Pelo andar da carruagem, J. Arnaldo e Sebastião Lima estão se contorcendo!... Foi para alegria/regozijo de poucos e para frustração/decepção de muitos, cujos sentimentos perduram até a atualidade, porém mais definidos. A base que parecia concreta, diluída no tempo; revela-se lúdica, politiqueira, inconsistente. Como já sou ruço, preciso dar asas ao meu pombo correio com retroação no tempo; “Portador das carteirinhas de sócio dos clubes Água Verde, Pinheiros e Paraná Clube, em vista de desacertos, passei a mão em uma tesoura e picotei as três e fiz uma bela fogueira. Bela não! Sim, uma fogueira catinguenta e cheia de indignações depois de tantos anos como associado. Com visão clubística dissidente, pressentia que o apregoado 'poder da realização' não passaria de marolinha tão a gosto de arrogantes detentores do poder coletivo, porém particularizado indevidamente. Todavia, pequeno e simples fato pode explicar sobre o por quê de o Tricolor da Vila Capanema ‘estar em parafuso’: naquele dia da abertura do portões das piscinas da Kennedy, com os pinheirenses já no banho, numa rara e lindíssima tarde de sol, o alto-falante anuncia o ingresso dos colorados no parque aquático. Reação: foi só as ‘madames colored’, e acompanhantes, se abancarem para as ‘madames branquelas’ recolherem seus pertences, interrompendo o banho de água e sol para irem embora. Desse painel evidenciava-se claramente o preconceito social, reações segregatícias e racismo. Sensibilidade que, infelizmente, viceja no Paraná Clube até hoje. Não abertamente, claro, mas funciona no ‘ministério paralelo’, em que as várias raças associadas pouco se aturam: na administração, nos esportes, no salão de festas, no relacionamento em geral, nos bailes, etc., etc., etc....”. Assim, é quase irrespondível a indagação: Qual Paraná acaba primeiro, o Clube ou o Estado? Sem data predefinida, ambos terão fim. O primeiro, pela bancarrota; e o segundo, pelo menos, em tese. A segregação social/racial tão presente nessa miscigenação paranaense, claro – eis que resido aqui há mais de 50 anos e ainda não consegui fortalecer amizade com nativos – não demonstrada publicamente pelo temor às leis repressoras, mas que funcionam na prática diuturna nos diversos logradouros. Enquanto que a mestiçagem não criar corpo único, unânime, homogêneo, as desavenças, os percalços e as dificuldades de toda ordem continuarão a navegar nesse mar de Abrantes, ou seja, no Paraná Clube e no Paraná Estado. Diz um velho jargão: “lobo não engole lobo”. Devem unificar as divergências e pacificar a guerra das vaidades. Já que as vacas estão no brejo, salvemos, ao menos, o bezerro pela corda que ainda existe. D’outra sorte, mais uma satisfação nos causa o Rei do Futebol, Édson Arantes do Nascimento (Pelé). Esteve aqui em Curitiba (PR), em 10/2/2015, quando promoveu o lançamento de cursos pósgraduação numa faculdade. Bastante debilitado por infecção hospitalar, mesmo assim chamou a atenção e atraiu olhares, sendo alvo de autógrafos e fotografias. Pela sua importância, suas declarações sempre são questionadas. A propósito do Paraná Clube, vale repetir as críticas do Rei aos empresários nos clubes brasileiros. "A tal liberdade dos empresários nos clubes de futebol, assim como a falta de profissionalização dos dirigentes, são considerados culpados pela crise financeira que atravessam boa parte dos times brasileiros. Infelizmente, a nossa profissionalização está começando tarde. Vários clubes passam por problemas financeiros. É preciso gestões mais profissionais e honestas. Quando fizemos a Lei Pelé, era para o jogador de futebol ser uma profissão como outra qualquer, e não mais um escravo dos clubes. Mas, infelizmente, pela falta de preparação dos dirigentes, eles passaram os jogadores para os empresários, que mandam no futebol. Tem que ter represália. Os clubes fazem o que querem e nunca há uma punição. É preciso cobrar dos dirigentes” – discursou o maior atleta do século. Eis aí bela lição para milhares de dirigentes de futebol, que precisam se integrar mais dos problemas clubísticos e federados existentes no contexto do esporte, em especial, o de cunho profissional. Frente ao exposto, os gritos que se levantam no Paraná Clube são reais, verdade verdadeira? Ou as ocorrências não passam de quimera? O torcedor quer e precisa compreender o que se passa nos umbrais da Kennedy! Escrita por: Martins Sebastião Kreusch Autor de: Oh Morena! e Melhores e Piores Cronicas Dr. Kreusch Idealizador do site: www.narrativasdabola.com.br