0 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO – MESTRADO EM TECNOLOGIA AMBIENTAL ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM GESTÃO E TECNOLOGIA AMBIENTAL Rosana Louzada Müller OBTENÇÃO DE MONO E DIACILGLICERÓIS VIA GLICERÓLISE ENZIMÁTICA COMO ALTERNATIVA PARA APROVEITAMENTO DA GLICERINA OBTIDA NA PRODUÇÃO DE BIODIESEL Santa Cruz do Sul, janeiro de 2013. 1 Rosana Louzada Müller OBTENÇÃO DE MONO E DIACILGLICERÓIS VIA GLICERÓLISE ENZIMÁTICA COMO ALTERNATIVA PARA APROVEITAMENTO DA GLICERINA OBTIDA NA PRODUÇÃO DE BIODIESEL Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Tecnologia Ambiental – Mestrado, Área de Concentração em Gestão e Tecnologia Ambiental, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Tecnologia Ambiental. Orientadora: Prof. Dra. Rosana de Cassia de Souza Schneider Santa Cruz do Sul, janeiro de 2013 2 Rosana Louzada Müller OBTENÇÃO DE MONO E DIACILGLICERÓIS VIA GLICERÓLISE ENZIMÁTICA COMO ALTERNATIVA PARA APROVEITAMENTO DA GLICERINA OBTIDA NA PRODUÇÃO DE BIODIESEL Esta Dissertação foi submetida ao Programa de Pós Graduação – Mestrado em Tecnologia Ambiental, Área de Concentração em Gestão e Tecnologia Ambiental, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Tecnologia Ambiental. Marco Flores Ferrão Universidade Federal do Rio Grande do Sul -UFRGS Ênio Leandro Machado Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC Dra. Rosana de Cassia de Souza Schneider Professora orientadora Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC Santa Cruz do Sul, janeiro de 2013. 3 AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço aos meus pais Otvino Müller e Gilce Louzada Müller pelo exemplo de vida e apoio nas minhas decisões; À orientadora Rosana de Cassia de Souza Schneider pela oportunidade concedida e orientação deste trabalho; Aos professores Luciano Marder e Ângela Lazzari e à bolsista do curso de Química Industrial Fernanda Bock pelo auxílio prestado durante desenvolvimento deste trabalho; À bolsista do curso de Química Industrial Jéssica Thomé pela ajuda incondicional prestada durante toda a realização deste trabalho; Aos amigos e colegas de Mestrado em Tecnologia Ambiental Carolina Niedersberg, Rangel Ghisleni, Alexandre Ferraz, Ezequiel Cremonese, Carla Cremonese e Gilberto Falk, pela amizade e companheirismo durante esse período de convivência; Às amigas e colegas de trabalho Fabiane Bartz e Kétling Lusche pela amizade e apoio; Ao CNPq, pela concessão da bolsa de mestrado. E a Deus, por sempre me guiar para o caminho correto. 4 RESUMO OBTENÇÃO DE MONO E DIACILGLICERÓIS VIA GLICERÓLISE ENZIMÁTICA COMO ALTERNATIVA PARA APROVEITAMENTO DA GLICERINA OBTIDA NA PRODUÇÃO DE BIODIESEL Devido à políticas governamentais o Brasil tem centrado grandes esforços no desenvolvimento de tecnologias para obtenção de biodiesel. A produção de biodiesel gera como co-produto uma fase rica em glicerina, que representa cerca de 10% do volume total. A glicerólise enzimática surge como alternativa pra utilização de glicerina na produção de monoacilgliceróis (MAG) e diacilgliceróis (DAG) a partir de óleos vegetais. No presente estudo foi realizada a glicerólise enzimática dos óleos de canola, girassol e tabaco com 16 condições reacionais variando quantidade de glicerol, lipase, tempo e temperatura. Os produtos das reações foram avaliados por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC), Espectroscopia de Infravermelho (IV). Os resultados de conversão foram avaliados através da análise de variância (ANOVA) e análise por componentes principais (PCA). Utilizando o óleo de girassol se obteve um porcentual de conversão de cerca de 90% de triacilglicerol (TAG) a monoacilglicerol e diacilglicerol, e utilizando o óleo de canola foi obtida conversão de aproximadamente 71% de MAG+DAG. Foi verificado que a quantidade de lipase é um fator que influencia diretamente a reação de glicerólise, proporcionando o desenvolvimento de um método mais limpo e reduz os impactos ambientais quando comparado ao método químico tradicional. PALAVRAS CHAVE: glicerina, glicerólise enzimática, óleos vegetais, lipase 5 ABSTRACT OBTAINING OF MONO-AND DIGLYCERIDES BY ENZYMATIC GLYCEROLYSIS AS ALTERNATIVE FOR USE OF GLYCERINE OBTAINED ON BIODIESEL PRODUCTION Due to government policies, Brazil has focused great efforts in the development of technologies to obtain biodiesel. The biodiesel production creates as a byproduct a phase rich in glycerin, which represents about 10% of the total volume. The enzymatic glycerolysis appears as an alternative to the use of glycerin in the production of monoglycerides (MAG) and diglycerides (DAG) from vegetable oils. In the present study was performed enzymatic glycerolysis of canola, sunflower and tobacco oil with 16 reaction conditions varying amounts of glycerol, lipase, time and temperature. The products of the reactions were analyzed by High Performance Liquid Chromatography (HPLC) and Infrared Spectroscopy (IR). The conversion results were evaluated by variance analysis (ANOVA) and Principal Component Analysis (PCA). Using sunflower oil it was obtained a conversion percentage of about 90% of triglycerides (TAG) in MAG + DAG, and using canola oil were obtained approximately 71% of conversion of MAG + DAG. It was found that the amount of lipase is a factor that directly influences the glycerolysis reaction, providing the development of a cleaner method and it reduces environmental impacts when compared to traditional chemical method. KEYWORDS: glycerin, enzymatic glycerolysis, vegetable oils, lipase 6 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Reação de transterificação para obtenção de biodiesel............................ 14 Figura 2 - Reação de glicerólise enzimática. ............................................................. 21 Figura 3 - Fluxograma com as etapas da reação de glicerólise enzimática. ............. 30 Figura 4 - Cromatograma obtido por cromatografia líquida do óleo de canola. ......... 35 Figura 5 - Cromatograma obtido por cromatografia líquida de óleo girassol. ............ 35 Figura 6 - Cromatograma obtido por cromatografia líquida do óleo de tabaco.......... 36 Figura 7 - Cromatogramas íon total obtido por CG-EM dos ésteres metílicos dos óleos de canola, girassol e tabaco. ........................................................................... 37 Figura 8 – Espectros de infravermelho obtidos para os óleos de canola (A), girassol (B) e tabaco (C). ........................................................................................................ 38 Figura 9 - Cromatogramas obtidos por CLAE dos produtos de glicerólise dos óleos de canola (A), girassol (B) e tabaco (C) para o primeiro estudo................................ 41 Figura 10 - Cromatogramas obtidos por CLAE dos produtos de glicerólise dos óleos de canola (A), girassol (B) para o segundo estudo. .................................................. 42 Figura 11 – Espectros das amostras após a aplicação da primeira derivada e centralização dos dados na média. ........................................................................... 51 Figura 12 – Espectros de infravermelho sobrepostos representado área espectral utilizada para Análise de Componentes Principais (PCA) com exclusão da amostra outlier......................................................................................................................... 52 Figura 13 – Gráfico de diagnóstico de outliers para os 16 ensaios de óleo de canola e girassol. .................................................................................................................. 52 Figura 14 – Gráfico de scores baixo – PC1 x PC2 para os 16 ensaios de óleo de canola e girassol. ...................................................................................................... 53 Figura 15 – Avaliação Qualitativa de Impactos Ambientais, seguindo os critérios de valor, ordem, espaço, tempo, dinâmica e plasticidade para a glicerólise enzimática. .................................................................................................................................. 55 Figura 16 – Fluxograma com as etapas da reação de glicerólise enzimática. .......... 56 7 Figura 17 – Avaliação Qualitativa de Impactos Ambientais, seguindo os critérios de valor, ordem, espaço, tempo, dinâmica e plasticidade para a glicerólise química. ... 56 8 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Estudos desenvolvidos para obtenção de MAG e DAG através de reações enzimáticas. ................................................................................................. 23 Tabela 2 – Planejamento – ensaios de glicerólise enzimática utilizando os óleos de canola, girassol e tabaco. .......................................................................................... 29 Tabela 3 - Parâmetros de análise para CLAE dos óleos de partida e produtos de reação de glicerólise.................................................................................................. 31 Tabela 4 – Condições de ensaio e resultados de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL do primeiro estudo utilizando óleo de canola. ................................................ 43 Tabela 5 – Condições de ensaio e resultados de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL do primeiro estudo utilizando óleo de girassol................................................ 44 Tabela 6 – Condições de ensaio e resultados de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL do primeiro estudo utilizando óleo de tabaco. ................................................ 45 Tabela 7 – Condições de ensaio e resultados de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL do segundo estudo utilizando óleo de canola. ............................................... 48 Tabela 8 – Condições de ensaio e resultados de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL do segundo estudo utilizando óleo de girassol............................................... 49 Tabela 9 – Número de componentes principais, porcentagem de variância explicada e porcentagem de variância acumulada. ................................................................... 50 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................. 11 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................... 13 2.1 Biodiesel ....................................................................................................... 13 2.2 Glicerol.......................................................................................................... 14 2.3 Triacilgliceróis ............................................................................................... 16 2.4 Mono e diacilgliceróis e suas aplicações ...................................................... 16 2.5 Lipases ......................................................................................................... 18 2.6 Reações de Glicerólise ................................................................................. 20 2.7 Avaliação de impactos ambientais................................................................ 26 3 METODOLOGIA ........................................................................................... 28 3.1 Materiais e reagentes ................................................................................... 28 3.2 Instrumentação ............................................................................................. 28 3.3 Glicerólise enzimática ................................................................................... 28 3.3.1 3.3.2 Primeiro estudo de glicerólise enzimática ..................................................... 30 Segundo estudo de glicerólise enzimática .................................................... 30 3.4 Analise dos óleos vegetais de partida .......................................................... 31 3.5 Cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) ........................................... 31 3.6 Cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM) ...... 32 3.7 Espectroscopia no Infravermelho (IV)........................................................... 33 3.7.1 Análise dos dados ........................................................................................ 33 3.8 Avaliação ambiental da reação de glicerólise ............................................... 34 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................. 35 4.1 Analise dos óleos vegetais de partida .......................................................... 35 4.2 Glicerólise enzimática ................................................................................... 39 4.2.1 4.2.2 Primeiro estudo de glicerólise ....................................................................... 40 Segundo estudo de glicerólise enzimática .................................................... 46 10 4.3 Analise dos resultados empregando espectroscopia /quimiometria ............. 50 4.4 Avaliação ambiental dos métodos de glicerólise .......................................... 54 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 58 6 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ............................................ 59 7 REFERÊNCIAS ............................................................................................ 60 ANEXO A - Matriz de identificação qualitativa de impactos ambientais da reação de glicerólise enzimática................................................................................................. 65 ANEXO B - Matriz de identificação qualitativa de impactos ambientais da reação de glicerólise química......................................................................................................66 11 1 INTRODUÇÃO O aumento das preocupações ambientais com a qualidade do ar atmosférico tem levado a indústria a tornar viável a utilização de combustíveis alternativos que proporcionam uma queima mais limpa. A produção de biodiesel a partir de óleos vegetais e gorduras animais tem se mostrado promissora como combustível alternativo para motores diesel, obtendo melhor viscosidade e volatilidade equiparando ao diesel. Durante o processo de produção do biodiesel uma fase rica em glicerol é gerada como co-produto deste processo.1 Com a produção de biodiesel em escala industrial, estão sendo geradas toneladas de glicerina por ano no processo.2 Neste contexto, surge a possibilidade de utilização do glicerol como matéria prima para obtenção de monoacilgliceróis (MAG) e diacilgliceróis (DAG), emulsificantes muito utilizados no ramo alimentício, farmacêutico e de cosméticos.3 A síntese de MAG e DAG catalisada por lipases tem sido estudada como alternativa ao método clássico, devido à seletividade das lipases e também à utilização de condições reacionais brandas, resultando em produtos de melhor qualidade e menor custo de energia 3 Os substratos naturais utilizados pelas lipases são triacilgliceróis (TAG), e sob condições naturais as lipases catalisam a hidrólise da ligação éster da molécula.2 Do ponto de vista ambiental, o processo de glicerólise utilizando lipases é tecnicamente mais limpo e seguro.3 Considerando o exposto, o objetivo desse trabalho foi obter mono e diacilgliceróis a partir da reação de glicerina com diversos tipos de óleos vegetais (canola, girassol e tabaco), através da glicerólise enzimática e avaliar tais produtos. Inicialmente foram realizados ensaios preliminares para otimizar as condições reacionais, para testar a capacidade da enzima em converter triacilglicerol a mono e diacilglicerol. Os produtos da reação foram avaliados através de Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE) e Espectroscopia no Infravermelho com posterior tratamento de dados por Análise de Componentes Principais (PCA). Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 12 Também se objetivou buscar novas tecnologias e/ou novos materiais obtidos por processos mais limpos, que possam ser transferidos ao setor produtivo. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 13 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Biodiesel A intensiva busca por fontes alternativas de energia e processos sustentáveis visando à redução da poluição ambiental e o aquecimento global do planeta tem estimulado o mercado mundial de combustíveis limpos. Os biocombustíveis, como o biodiesel, representam uma alternativa renovável e ambientalmente segura aos combustíveis fósseis.4 O caráter renovável do biodiesel está apoiado no fato de que as matériasprimas utilizadas para a sua produção são provenientes de oleaginosas que, ao contrário do petróleo5 que provém de fonte não renovável, pode ser derivado de práticas agrícolas sustentáveis. Por terem origem vegetal, os biocombustíveis contribuem para o ciclo do carbono na atmosfera sendo assim considerados renováveis. O CO2 emitido durante a queima do biocombustível é reabsorvido pelas plantas que irão produzi-lo, causando diminuição do impacto no aquecimento do planeta, pois no balanço total diminuem as emissões de CO2.6 Vários estudos têm demonstrado que a substituição do diesel por biodiesel reduziria a quantidade de CO2 introduzida na atmosfera. A redução não se daria exatamente na proporção de 1:1, pois cada litro de biodiesel libera cerca de 1,1 a 1,2 vezes mais CO2 na atmosfera do que um litro de diesel convencional. Todavia, ao contrário do combustível fóssil, o CO2 proveniente do biodiesel é reciclado nas áreas agricultáveis, que consequentemente geram uma nova partida de óleo vegetal para um novo ciclo de produção.5 O biodiesel é um combustível biodegradável que pode substituir o diesel fornecendo uma queima mais limpa.7 Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP)8, o biodiesel pode ser definido como “combustível composto de alquil ésteres de ácidos graxos de cadeia longa, derivados de óleos vegetais ou de gorduras animais”. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 14 O biodiesel é formado por ésteres alquílicos de óleos e gorduras, e pode ser produzido a partir de diversas matérias primas, incluindo óleos vegetais, gorduras animais, óleo de frituras e até graxas de alta acidez. O método mais comumente utilizado para obtenção de biodiesel é a transterificação de óleos e gorduras.9 Esse processo é geralmente utilizado para reduzir a viscosidade dos triacilgliceróis, melhorando assim as propriedades físicas do biodiesel.7 Na reação de transterificação o óleo vegetal utilizado é um triacilglicerol, o qual, sob ação de um catalisador básico e na presença um álcool (metanol ou etanol), sofre uma transterificação formando três moléculas de ésteres metílicos ou etílicos dos ácidos graxos (biodiesel), e liberando uma molécula de glicerol6 (Figura 1). Figura 1 - Reação de transterificação para obtenção de biodiesel. Devido à criação de programas governamentais de biodiesel, enormes quantidades de glicerol estão previstas para serem geradas em um futuro próximo, o que significa uma força inevitável para o desenvolvimento de novas tecnologias dedicadas à transformação de tal subproduto em novos produtos.10 2.2 Glicerol O glicerol (propano-1,2,3-triol) é um álcool trihidroxilado, líquido claro, viscoso, de gosto doce, higroscópico (a temperaturas acima do seu ponto de fusão), é completamente solúvel em água e álcool, pouco solúvel em dietil éter, acetato de etila e dioxano, e insolúvel em hidrocarbonetos.9 Por ser um composto atóxico, é Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 15 bastante utilizado como aditivo alimentar, atuando como estabilizante, antioxidante, sequestrante, emulsificante, e umectante.11 Após a reação de transterificação para obtenção do biodiesel, a glicerina bruta é obtida pela lavagem com água, sendo composta por 80% ou mais de glicerol. A qualidade da gordura usada na transterificação afeta diretamente o tratamento exigido para que se produza um glicerol com qualidade aceitável.9 Dependendo da matéria prima utilizada na produção do biodiesel, a glicerina remanescente pode conter diversos compostos químicos considerados como contaminantes. Os mais comuns são metanol, sabão, compostos de fósforo, potássio, cálcio, silício, sódio e zinco.12 Tais impurezas desvalorizam a glicerina bruta, e a purificação adicional a um grau de 99% de pureza é necessária para a utilização em indústrias cosméticas e farmacêuticas.13 Dessa forma, existe um grande interesse na purificação do glicerol ou no seu reaproveitamento direto, sem tratamento, o que viabiliza o processo de produção de biodiesel, e permite que este se torne competitivo mercado de biocombustíveis.4 Devido ao avanço do programa nacional do biodiesel, em 2011 foram fabricados 2,6 bilhões de litros deste biocombustível e a produção estimada para 2020 é de 14,3 bilhões de litros. Consequentemente o volume de glicerina gerada no ano de 2011 atingiu cerca de 260 mil toneladas apenas como coproduto do biodiesel, volume muito superior à demanda brasileira, estimada em cerca de 40 mil toneladas. Hoje se estima que 1,5 milhão de toneladas da substância são provenientes das usinas de biodiesel instaladas no mundo.14 Com o objetivo de reduzir os futuros problemas ambientais por acumulação de glicerol e tornar a produção de biodiesel mais rentável, a implementação de estratégias biotecnológicas que utilizam a glicerina como fonte de carbono, para obtenção de produtos de maior valor agregado, vem sendo estudada como uma promissora alternativa e solução.4 Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 16 2.3 Triacilgliceróis Os triacilgliceróis (TAGs) são substâncias formadas pela ligação de uma molécula de glicerol a três moléculas de ácidos graxos, cuja natureza física é definida por fatores como comprimento da cadeia, grau de insaturação e distribuição dos radicais. Os TAGs são os principais componentes das gorduras animal ou vegetal.26 Os ácidos graxos representam mais de 95% da massa molecular dos triacilgliceróis. Esses compostos estão presentes nos óleos e gorduras geralmente constituídos por ácidos carboxílicos de cadeia longa.15 Os mais comuns apresentam 12, 14, 16 ou 18 átomos de carbono, embora ácidos com menor ou maior número de átomos de carbono possam ser encontrados em vários óleos e gorduras,16 contendo de 4 até 30 átomos.15 Nos ácidos graxos saturados, os átomos de carbono estão ligados entre si por ligações simples e nos ácidos graxos insaturados por ligações duplas, sendo estes denominados como mono-, di-, tri- e poliinsaturados.15 Os ácidos graxos que existem em maior quantidade na natureza são os ácidos butírico, cáprico, láurico, mirístico, palmítico, esteárico, araquídico (saturados) e os ácidos oléico, linoléico, linolênico e araquidônico (insaturados).15 Quando saturados possuem apenas ligações simples entre outros carbonos e pouca reatividade química.17 O tipo e quantidade de triacilglicerol presente na mistura de óleos vegetais dependem da fonte do óleo e da região onde a planta foi produzida.17 Os triglicerídeos líquidos a temperatura ambiente são denominados óleos, sendo o seu conteúdo de ácidos graxos insaturados elevado.16 2.4 Mono e diacilgliceróis e suas aplicações Monoacilgliceróis (MAG) são surfactantes extensivamente utilizados devido as suas excelentes propriedades emulsionante, estabilizante, condicionante e plastificante. MAG são moléculas anfifílicas que consistem de uma cadeia de ácido Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 17 graxo ligado covalentemente a uma molécula de glicerol através de uma ligação éster.18 Os monoacilgliceróis são moléculas com características emulsificantes, tendo, portanto, uma larga aplicação nas indústrias farmacêuticas, de alimentos e cosméticos, representando cerca de 70% dos emulsificantes sintéticos nessas indústrias. Esses surfactantes são amplamente utilizados por não apresentarem efeitos colaterais quando ingeridos ou irritações na pele.19 Na indústria farmacêutica, MAGs são utilizados como excipientes em comprimidos e como emolientes para medicamentos de liberação programada. Na indústria alimentar, MAGs são os emulsionantes mais comuns para produtos de padaria, margarinas, produtos lácteos, de confeitaria, molhos, e outros. Na indústria cosmética, eles são utilizados como agentes de texturização e para melhorar a consistência de cremes e loções. Além disso, devido as suas excelentes propriedades lubrificantes e plastificantes, os MAG são utilizados na indústria têxtil de processamento, na produção de materiais plásticos e na formulação de óleo para diferentes tipos de máquinas.20 Os MAGs também possuem aplicabilidade em sínteses orgânicas, onde são utilizados como intermediários sintéticos e como blocos de construção para obtenção de compostos quirais.21 Alguns efeitos benéficos e propriedades nutricionais recém descobertas que contribuem para sua larga aplicação foram reportados, tais como atividade antimicrobiana da monolaurina, monomiristina e monolinoleína, função de redução de peso do 1,3-diglicerídeo.22 Diacilgliceróis (DAG) são ésteres de glicerol em que dois dos grupos hidroxila são esterificados com ácidos graxos. Eles existem em duas formas isoméricas diferentes: 1,2-(2,3)-DAG e 1,3-DAG, e ocorrem como componentes naturais de glicerídeos em vários óleos e gorduras em níveis superiores a 10%.23 Mesmo que os DAGs ocorram em menor escala quando comparado com os constituintes de gorduras e óleos comestíveis, estes tem atraído um interesse particular recentemente devido à sua grande importância e propriedades benéficas à sua saúde humana.24 Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 18 Há afirmações recentes de que os óleos enriquecidos com DAG podem superar problemas de obesidade e de doenças associadas ao consumo excessivo de gordura. Devido ao seu efeito benéfico à saúde, bem como suas propriedades emulsificantes, esforços têm sido tomados para produzir DAG de uma forma mais rápida e econômica.25 Os DAG também são utilizados como aditivos funcionais em alimentos, na área medicinal e em indústrias de cosméticos, muitas vezes associados com MAGs. Tais compostos foram aprovados para uso como emulsificante e para diversas aplicações em alimentos nos Estados Unidos.26 Os MAG e DAG são produzidos industrialmente através da glicerólise de triacilgliceróis com glicerol, a altas temperaturas (>200 °C), na presença de catalisadores inorgânicos. Devido às altas temperaturas utilizadas, esta reação gera subprodutos indesejáveis, decorrentes de reações de polimerização de ácidos graxos. Estes componentes conferem cor escura e odor desagradável ao produto.27 Os monoacilgliceróis (MAGs) e os diacilgliceróis (DAGs) são os produtos mais valiosos que se obtém em reações de glicerólise, e devido a sua importância mundial como aditivos ativos na superfície em uma gama extensiva de alimentos, considerável atenção foi dada recentemente para melhorar sua síntese.26 2.5 Lipases As lipases (triglicerol acil-hidrolases, EC 3.1.1.3) são classificadas como a/b hidrolases e atuam sobre ligações éster presentes em acilgliceróis, liberando ácidos graxos e glicerol, constituindo uma classe especial de esterases. A diferença entre uma lipase e uma esterase (EC 3.1.1.1) está no fato que a primeira catalisa reações de substratos insolúveis em água, enquanto que a esterase age em substratos solúveis.28 Estas enzimas são importantes biocatalisadores porque atuam em condições reacionais brandas, são estáveis em solventes orgânicos, apresentam especificidade ao substrato29, não requerem cofatores, atuam em uma faixa de pH relativamente grande, são muito estáveis neste meio, apresentam especificidade, Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 19 regiosseletividade, quimiosseletividade, enantiosseletividade. Possuem a habilidade de catalisar reações de esterificações, transesterificações (acidólise, interesterificação, alcoólise), aminólise e tiotransesterificação em solvente orgânico anidro, sistema bifásico e em solução micelar com alta especificidade.28,30 Lipases são utilizadas para várias transformações em microemulsões, e dependendo da natureza dos substratos e produtos, três tipos de reação podem ser previstos. Na primeira reação, dois substratos, tais como os álcoois alifáticos de cadeias longas e ácidos graxos, produzem um éster solúvel em óleo. No segundo caso, um dos substratos é hidrofílico (glicerol e dióis de cadeia curta), e o outro substrato é um ácido graxo, obtendo um produto solúvel em interfase micelar ou em fase orgânica. No terceiro caso, o substrato é um triacilglicerol e os produtos da hidrólise são solúveis em água (por exemplo, glicerol), ou solúveis em interfase micelar ou em fase orgânica contínua (por exemplo, mono e diacilglicerol e/ou ácidos graxos).31 Escolhendo a lipase adequada é possível controlar quais produtos são gerados e minimizar as reações secundárias devido a sua especificidade. Tal versatilidade torna as lipases interessantes para aplicações em indústrias de alimentos, detergentes, cosméticos, papel, farmacêutica e têxtil.29 A capacidade de catalisar reações com solvente orgânico foi descrita como uma característica pertencente principalmente às lipases.3 Neste meio as lipases catalisam a transferência de grupos acilas de compostos doadores para uma ampla faixa de compostos aceptores diferentes da água.32 Existem inúmeras vantagens no emprego de sistemas não-aquosos para biocatálise, porém as enzimas geralmente mostram baixa atividade catalítica nestes meios, em comparação com soluções aquosas. Nesse sentido, ainda existem problemas relacionados à aplicação de enzimas em reações que utilizam solventes orgânicos, entre estes a instabilidade da enzima em solventes e termoinstabilidade.3 Algumas lipases são muito utilizadas em reações enzimáticas, tais como: lipase de pâncreas de porco (LPP), Candida rugosa (LCR), Rhizomucor miehei (LRM), Candida antarctica (CAL B), Pseudomonas sp. (LPS), Thermomyces Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 20 lanuginosus (LTL), Pseudomonas fluorescens (LPF), Burkolderia cepacia (LBC) e Penicillium camembertii (LPC).3 As plantas de reações enzimáticas podem ser construídas e operadas com menor capital, custos de energia e baixo custo de tratamento de resíduos. As enzimas são biodegradáveis, e quando utilizadas em quantidades entre 0,1-1,0% do substrato, a contribuição para a DBO (demanda bioquímica de oxigênio) em efluente é desprezível.29 2.6 Reações de Glicerólise Nos últimos quinze anos têm surgido um crescente interesse na tecnologia de modificação dos óleos e gorduras. Esta tendência pode ser atribuída principalmente ao fato desses materiais serem obtidos de fontes naturais e empregados como importantes matérias-primas para as indústrias químicas, farmacêuticas e alimentícias.32 A glicerólise é um tipo de reação de interesterificação utilizada para a transformação de óleos e gorduras.11 Atualmente a produção de MAG em larga escala vem sendo realizada por glicerólise química, que traz problemas como baixo rendimento de MAG, alta temperatura de operação, alto consumo de energia e formação de subprodutos indesejáveis. A glicerólise química não é adequada para a produção de monoglicerídeos insaturados, pois estes não são estáveis a altas temperaturas.18 A reação de glicerólise química é acelerada pela utilização de catalisadores inorgânicos, como NaOH ou Ca(OH)2, a temperaturas entre 220–260 ºC. Contudo, essas condições levam a formação de produtos indesejáveis e, portanto, é necessária a purificação extensiva desses produtos.21 A substituição de catalisadores inorgânicos por lipases na síntese de gliceróis traz vantagens como temperaturas mais baixas, o que impede a coloração e formação de subprodutos, e diminui o consumo de energia e geração de poluentes. Além disso, possibilita a síntese de gliceróis com ácido graxos insaturados, que é dificilmente alcançado pelo método químico.22 Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 21 Os processos enzimáticos têm como vantagens condições reacionais brandas e elevada pureza de MAG, em comparação com métodos químicos. Os métodos de síntese enzimática de MAG incluem esterificação, hidrólise e glicerólise. A glicerólise catalisada por enzimas oferece um elevado nível de conversão de substrato: 3 mol de MAG podem ser formados a partir de 1 mol de óleo. A glicerólise enzimática para a produção de MAG resulta em misturas de monoacilgliceróis, diacilgliceróis, triacilgliceróis e um pouco de glicerol18 (Figura 2). Figura 2 - Reação de glicerólise enzimática. O conhecimento sobre o mecanismo de reação pode direcionar a glicerólise para a formação de apenas um produto de interesse (MAG ou DAG) ou a maximização de ambos (MAG e DAG). A partir do mecanismo de reação, pode-se verificar que um mol de TAG reage com 1 mol de glicerol para produzir um mol de MAG e DAG. Além disso, 1 mol de DAG pode reagir com 1 mol de glicerol, para formar 2 mol de MAG. Se o interesse principal é a produção de DAG, um excesso de TAG/restrição de glicerol pode favorecer essa reação.33 A composição final do meio reacional dependerá dos valores das constantes de equilíbrio de ambas as reações (formação de mono ou diacilgliceróis), sendo que os produtos são dependentes da temperatura e da proporção inicial de glicerol em relação à concentração do triglicerídeo de partida.11 Vários pesquisadores têm centrado seus estudos em produção enzimática de DAG por esterificação, glicerólise e hidrólise parcial de óleos e gorduras, devido às vantagens de relacionadas às enzimas, tais como condições reacionais brandas, alta seletividade e eficiência de catálise.34 Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 22 Devido às desvantagens do processo convencional, o uso de enzimas como catalisadores parece ser um potencial assim como uma alternativa para considerações práticas.35 A temperatura muito mais baixa utilizada (menos que 80ºC) melhora a qualidade do produto, além de haver contribuição quanto ao gasto energético.36 A minimização da degradação térmica dos produtos e a economia de energia são provavelmente os maiores atrativos na substituição da glicerólise química pela enzimática. Porém, apesar da aparente superioridade, os métodos enzimáticos ainda não atingiram um nível de exploração comercial proporcional ao seu potencial.37 Nas reações de esterificação, os DAGs são sintetizados através da esterificação de ácidos graxos e glicerol com remoção simultânea de água. No entanto, uma alta quantidade de ácidos graxos livres são necessários. Na hidrólise parcial, uma grande quantidade de ácidos graxos livres é gerada e o rendimento de DAG é relativamente baixo. Comparativamente, a glicerólise de gorduras e óleos naturais é um processo em perspectiva para produzir produtos de DAG.34 Com o crescente interesse das indústrias alimentícias em fabricar produtos mais saudáveis devido às exigências de mercado, ou seja, produtos livres de reações de polimerização e de gorduras, a substituição da rota química pela enzimática na produção de MAG e DAG vem sendo avaliada como uma alternativa interessante.27 Diversos trabalhos podem ser destacados quanto à produção de MAG e DAG através de reações enzimáticas. Com relação à reação de glicerólise, destacam-se os trabalhos dos autores Cetina (2011), Ferreira-Dias (2003), Fiametti (2011), Fregolente (2009), Freitas (2009), Gonçalves (2012), Krüger (2010), Liu (2012), Pawongrat (2007), Valério (2009) e Wang (2011). A Tabela 1 lista trabalhos recentes desenvolvidos através reações enzimáticas de glicerólise, hidrólise e esterificação, descrevendo as condições reacionais e rendimentos obtidos para MAG e DAG. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 23 Tabela 1 – Estudos desenvolvidos para obtenção de MAG e DAG através de reações enzimáticas. Enzima / forma Substrato Sistema Cândida antarctica B Óleo de soja Livre de solvente Candida antarctica (solução aquosa) Ácido palmítico Acetona Candida rugosa imobilizada em filme de quitosana Trioleína Candida rugosa imobilizada em poliuretano hidrofílico Óleo de oliva residual da torta Hexano Lecitase imobilizada em resina polimérica Ácido oleico Livre de solvente Lecitase imobilizada em resina polimérica Óleo de soja Livre de solvente acetona:isoctano Condições reacionais Glicerol/TAG = 8 (razão molar) Lipase: 2% (rel. óleo) Água: 3,5% (rel. glicerol) 70 ºC, 300 rpm, 24h Ácido palmítico: 0,46 g Glicerol: 0,65 g Acetona: 4 mL Lipase: 50 µL Água: 1% 50 ºC, 300 rpm, 24h Glicerol:trioléina = 3:1 (razão molar) Lipase: 90 mg banho termostatizado, 35 e 45 ºC, 300 rpm, 24h Razão glicerol/óleo: 0,5 - 1 – 2 3 – 3,5 Óleo/hexano = 30% (m/v) Agitação, 30 ºC, 24h Ácido oleico:glicerol = 1:5 (razão molar) Enzima: 1,5% Água: 4% 45 ºC, 200 rpm, 1,5h Glicerol:óleo = 10:1 (razão molar) Enzima: 5% Água: 5% 45 ºC, 200 rpm, 12h Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC Rendimento Autor/Referência MAG: 24,2% DAG: 48,22% Fregolente, 2009 MAG: 87% DAG: 3,3% Kapoor, 2012 27 38 a 35 ºC: MAG: 68,39% DAG: 17,53% a 45 ºC: MAG: 31,64% DAG: 41,02% Cetina, et al. (2011) 39 Relação = 1 MAG: 32% DAG: 18% Ferreira-Dias, 2003 40 DAG: 54,8% Liu, 2011 41 DAG: 53,7% Liu, 2012 52 24 Lipozyme Novozyme 435 imobilizada em resina aniônica macroporosa Óleo de palma Óleo de oliva Livre de solvente Livre de solvente Novozyme 435 Óleo de oliva t-butanol Novozyme 435 imobilizada Óleo de oliva n-butano Novozyme 435 Óleo de soja t-butanol Lipase PS imobilizada em SiO2-PVA Óleo de babaçu Livre de solvente P. cammbertii imobilizada em SiO2-PVA Ácido láurico Livre de solvente Óleo: 10 g Lipase: 2% Água: 5% (rel. óleo) Ultrassom, 30 ºC, 300 rpm Enzima:7,5% Surfactante AOT: 16% Glicerol:óleo = 2:1 (razão molar) Ultrassom, 65 ºC, 600 rpm, 2h Glicerol:óleo = 3:1 e 0,5:1,5 (razão molar) Enzima: 10% 70 ºC, 600 rpm, 8h Glicerol:óleo = 2:1 (razão molar) Solvente:óleo = 4:1 (m/m) Enzima: 7,5% Surfactante AOT: 7,5% 70 ºC, 600 rpm, 10 bar, 2h Óleo:glicerol = 6,23:1 (razão mássica – 40% de óleo em solvente) Lipase: 1% 50 ºC, 200 rpm, 36h Óleo:glicerol = 1:15 (razão molar) Enzima: 10% 55 ºC, 200 rpm, 6h Glicerol:ácido láurico = 8,1 (razão molar) Lipase: 40g Banho termostatizado, 45 a 65 ºC, 200 rpm, 12h Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC DAG: 39,77% DAG: 25,9% (com AOT) 38,95% (sem AOT) Gonçalves, 2012 23 Fiametti, 2011 10 MAG: 53% (razão glicerol:óleo 3:1) DAG: 50% (razão glicerol:óleo 0,5:1,5) Krüger, 2010 26 MAG: 70% DAG: 11% Valério, 2009 36 DAG: 48,5% Wang, 2011 34 MAG: 25% DAG: 63% Freitas, 2009 2 MAG: 60% (monolaurina) Freitas, 2010 42 25 Pseudomonas sp. imoblizada em resina polimérica Oleína de palma acetona:isoctano 3:1 (v/v) Pseudomonas sp imobilizada em polipropileno Oleína de palma Livre de solvente Pseudomonas sp imobilizada em polipropileno Oleína de palma Acetona:isoctano 3:1 Pseudomonas sp imobilizada em polipropileno Oleína de palma Acetona:isoctano 3:1 Pseudomonas fluorescence imobilizada em polipropileno Óleo de atum terc-butil metil éter (TBME) S. simulans imobilizada em CaCO3 Ácido oleico Livre de solvente TAG: 7,16 mM Glicerol: 19,14 mM Água: 9,89 mM 45 ºC, 300 rpm Glicerol/oleína = 2,7 (razão molar) Lipase: 1,5 g Água: 4% 45 ºC, 300 rpm Glicerol:oleína = 8:1 (razão molar) Lipase: 50% Água: 10% (rel. glicerol) Solvente: 20 mL 45 ºC, 24h Glicerol:oleína = 12:1 (razão molar – 10% em solvente) Lipase: 1,5 g Água: 10% 45 ºC, 300 rpm, 24h Glicerol:óleo = 3:1 (razão molar – 10% em solvente) Lipase: 30% (rel óleo) Água: 4% (rel. glicerol) 45 ºC, 300 rpm, 24h Ácido oleico/glicerol = 0,2 (razão molar) Lipase: 100 IU Água: 5% 37 ºC, 200 rpm, 48h Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC MAG: 82% Cheirsilp, et al. (2011) 43 MAG: 20,74% Kaewthong, 2005 20 MAG: 55,75% Kittikun, 2004 44 MAG: 70,1% Kittikun, 200845 MAG: 24,6% Pawongrat, 2007 21 MAG: 71,68% Ghamgui, 2006 46 26 2.7 Avaliação de impactos ambientais Os impactos ambientais são uma cadeia de efeitos que se produzem no meio natural e social, como conseqüência de uma determinada ação.49 Considerando o avanço tecnológico no desenvolvimento de processos produtivos, é de suma importância avaliar quais os impactos relacionados a cada processo. Como ferramenta de avaliação de impactos pode ser utilizada a Matriz de Interação derivada da Matriz de Leopold, a qual objetiva identificar aspectos ambientais e determinar os impactos ambientais associados a estes aspectos.47 A matriz de Interação qualifica os impactos seguindo critérios com características de valor, ordem, espaço, tempo, dinâmica e plástica. Após lançados na matriz, as ações impactantes são multiplicadas pelos fatores ambientais resultando em impactos identificados, os quais apresentam subsídios para adoção de medidas ambientais minimizadoras ou potencializadoras.47 No Sistema de Gerenciamento Ambiental e Tecnologias mais Limpas adotada pelo CNTL48, a identificação dos aspectos ambientais segue uma numeração seqüencial conforme o fluxograma do processo produtivo e posteriormente listados os aspectos de entrada e saída. As manifestações dos impactos ambientais são identificadas como se não houvesse nenhuma forma de controle, exceto as que desempenhavam funções essenciais de processo. Os impactos aos meios físicos, bióticos e antrópicos provenientes das etapas do processo produtivo são plotadas na matriz de integração e correlacionados com cada elemento do meio. Para qualificar os impactos, adotam-se os critérios apresentados por Silva49 e estão caracterizados a seguir. a) Características de Valor: - Impacto positivo: quanto uma ação causa melhoria da qualidade de um parâmetro; - Impacto negativo: quando uma ação causa dano à qualidade de um parâmetro. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 27 b) Característica de Ordem: - Impacto direto: quando resulta de uma simples relação de causa e efeito; - Impacto indireto: quando é uma reação secundária em relação à ação. c) Características Espaciais: - Impacto local: quando a ação circunscreve-se ao próprio sítio e suas imediações; - Impacto regional: quando um efeito se propaga por uma área além das imediações; - Impacto estratégico: o componente é afetado coletivo, nacional ou internacional. d) Características Temporais: - Impacto em curto prazo: quando o efeito surge no curto prazo (a determinar); - Impacto em médio prazo: quando o efeito se manifesta no médio prazo (a determinar); - Impacto em longo prazo: quando o efeito se manifesta no longo prazo (a determinar). e) Características Dinâmicas: - Impacto temporário: quando o efeito permanece por um tempo determinado; - Impacto Cíclico: quando o efeito se faz sentir em determinados períodos; - Impacto permanente: executada a ação, os efeitos não cessam de se manifestar num horizonte temporal conhecido. f) Características Plásticas: - Impacto reversível: a ação cessada, o fato ambiental retorna às condições originais; - Impacto irreversível: quando cessada a ação, o fator ambiental não retorna às suas condições originais, pelo menos num horizonte de tempo aceitável pelo homem. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 28 3 METODOLOGIA 3.1 Materiais e reagentes - Óleo refinado de canola - Óleo refinado de girassol - Óleo bruto de tabaco - Glicerina PA Synth - Lipase Novozymes 435 - Água deionizada - Acetonitrila grau HPLC Merck - Metanol grau HPLC Merck - 2-propanol grau HPLC Panreac - n-hexano grau HPLC Merck 3.2 Instrumentação - Balança analítica; - Câmara incubadora com agitação orbital (shaker); - Cromatógrafo líquido Shimadzu modelo UFLC, equipado com coluna C18 de sílica gel de fase reversa e detector UV-VIS de arranjo de diodo; - Cromatógrafo gasoso Shimadzu modelo QP 2010 Plus, equipado com coluna DB5 MS (30m x 0,25 mm x 0,25 µm) e detector de espectrometria de massas; - Espectrômetro de infravermelho Perkin Elmer modelo Spetrum 400, equipado com acessório para refletância total atenuada universal (UATR); - Software Pirouette versão 3.1 para tratamento de dados; 3.3 Glicerólise enzimática Visando otimizar as condições reacionais de glicerólise enzimática para obter o melhor rendimento, foram planejados 16 ensaios a serem realizados com glicerina comercial (PA) e óleos de canola, girassol e tabaco. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 29 Conforme o ensaio houve variações na quantidade de glicerol (razão mássica glicerol/óleo), porcentagem de lipase, tempo e temperatura de reação. A quantidade de óleo foi mantida fixa, bem como a quantidade de água (3% em relação à massa do óleo). A relação mássica de glicerina/óleo, quantidade de água e porcentagem de lipase foram baseadas na metodologia desenvolvida por Fregolente.27 A Tabela 2 mostra o planejamento experimental com as condições reacionais. Tabela 2 – Planejamento – ensaios de glicerólise enzimática utilizando os óleos de canola, girassol e tabaco. Ensaio* Glicerina/óleo (m/m) 1 0,9 2 1,2 3 0,9 4 1,2 5 0,9 6 1,2 7 0,9 8 1,2 9 0,9 10 1,2 11 0,9 12 1,2 13 0,9 14 1,2 15 0,9 16 1,2 Lipase (%)** Tempo (h) Temperatura (ºC) 10 24 20 45 10 36 20 10 24 20 55 10 36 20 * Utilização de quantidades fixas de óleo e água (3% em relação à massa do óleo). ** Porcentagem em relação à massa de óleo. A Figura 3 mostra o fluxograma das reações, nas quais os reagentes são adicionados a um erlenmeyer com tampa e são agitados em shaker orbital a temperatura e tempo determinados no planejamento. Após o término da reação, as amostras são colocadas em repouso para haver a separação das fases, e em seguida são retiradas alíquotas dos produtos para análises. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 30 TG + MAG + DAG Glicerina/Óleo: 0,9 e 1,2 (m/m) Água: 3% Lipase: 10 e 20% Glicerólise 200 rpm; 45 e 55 º C; 24 e 36h Separação de fases Análises: HPLC, IV Lipase Glicerina remanescente Figura 3 - Fluxograma com as etapas da reação de glicerólise enzimática. 3.3.1 Primeiro estudo de glicerólise enzimática Os 16 ensaios foram realizados com os óleos de canola, girassol e tabaco partindo da utilização de 3g de óleo Os demais reagentes e condições foram aplicados conforme o planejamento experimental apresentado anteriormente. Todos os ensaios ocorreram sob agitação de shaker orbital a 200 rpm. A caracterização dos compostos obtidos foi realizada por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE). 3.3.2 Segundo estudo de glicerólise enzimática Os resultados obtidos no primeiro estudo de glicerólise foram continuadas com uma outra condição de produção, buscando melhor homogeneidade do meio durante a glicerólise (ver 4.2). Portanto, as 16 reações foram repetidas utilizando uma maior proporção dos reagentes e utilizando os óleos de canola e girassol. Os ensaios foram realizados com a utilização de 25g de óleo e 3% de água (em relação à massa do óleo), e os demais reagentes e condições foram aplicados conforme o planejamento experimental apresentado anteriormente. Todos os ensaios ocorreram sob agitação de shaker orbital a 200 rpm. No decorrer das reações foram retiradas alíquotas para análise dos produtos (a cada 12h). A caracterização dos compostos obtidos foi realizada por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) e espectroscopia de infravermelho (IV). Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 31 3.4 Analise dos óleos vegetais de partida Os óleos vegetais (canola, girassol e tabaco) utilizados nas reações foram analisados por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE), cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM) e espectroscopia de infravermelho (IV), para assim determinar suas condições iniciais e posteriormente compará-los com a mistura de produtos para confirmar a ocorrência das reações. 3.5 Cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) As análises por CLAE foram realizadas em um cromatógrafo líquido Shimadzu modelo UFLC, com coluna empacotada Phenomenex Luna C18 de sílica gel ou coluna Waters C18 e detector UV-VIS de arranjo de diodo. As fases móveis utilizadas foram denominadas como “A” e “B”, sendo a fase “A” acetonitrila com metanol (relação 4:1 v/v), e a fase “B” hexano com isopropanol (relação 8:5 v/v). A eluição foi realizada em gradiente, conforme mostrado na Tabela 3, que também apresenta os demais parâmetros de análise. Tabela 3 - Parâmetros de análise para CLAE dos óleos de partida e produtos de reação de glicerólise. Tempo (min) % Eluente A % Eluente B 0 100 0 2,5 66 34 35 66 34 40 100 0 Tempo de corrida 50 min Fluxo FM 0,8 mLmin-1 Temperatura forno 40 ºC Λ 275 nm Os óleos vegetais e os produtos das reações foram preparados para análise através de diluição em fase móvel “B” com relação 1:20 (v/v). O mesmo Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 32 procedimento foi realizado para os óleos vegetais utilizados na reação para qualificar os produtos através de comparação com os tempos de retenção. O processamento dos dados gerados nas análises dos produtos foi realizado pelo software LabSolutions, o qual gerou os cromatogramas, integrou e quantificou as áreas dos picos. Para obter o porcentual relativo de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL foram utilizados os valores de área quantificados em Área% (porcentagem relativa de área de um pico com relação ao total de área de todos os picos). O resultado valor de conversão foi calculado através da porcentagem de MAG+DAG e AGL presente no óleo no final da reação em relação a quantidade inicial de TAG presente no início da reação. Através da porcentagem relativa de cada pico é possível estimar o valor de conversão do óleo de partida aos produtos de interesse. 3.6 Cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM) As amostras de óleos vegetais foram preparadas para análise de cromatografia gasosa através do processo de derivatização pelo método BF3/metanol. As amostras foram refluxadas com solução metanólica de NaOH, e após foi adicionada solução de BF3/metanol deixando em ebulição. Da mesma forma foi adicionado heptano mantendo o sistema de refluxo. Após deligado o aquecimento foi adicionada solução saturada de cloreto de sódio para a separação das fases. Foi adicionado à fase heptânica uma ponta de espátula de Na2SO4 anidro, e deste modo os ácidos graxos presentes nos óleos foram convertidos a ésteres metílicos de ácidos graxos. O extrato foi armazenado em balão volumétrico até o momento da análise. As análises por CG-EM foram realizadas em um cromatógrafo gasoso Shimadzu modelo QP 2010 Plus, equipado com coluna DB5 MS (30m x 0,25 mm x 0,25 µm) e detector de espectrometria de massas. O modo de injeção utilizado foi do tipo Split (15:1), o modo de aquisição foi do tipo SCAN e o tempo de corrida foi de 50 minutos. A temperatura do injetor foi mantida em 250 ºC, a fonte de ionizacao a 280 ºC e a interface em 290 ºC. A programacao de temperatura do forno iniciou em 80 ºC Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 33 e apos foi elevada a 280 ºC com rampa de aquecimento de 5 ºC/min e mantida por 10 minutos. 3.7 Espectroscopia no Infravermelho (IV) Os produtos obtidos pelo segundo estudo de glicerólise enzimática foram analisados por espectroscopia de infravermelho (IV), sendo realizadas em um espectrômetro de infravermelho do tipo FT-IR/FT-NIR (infravermelho médio com transformada de Fourier), marca Perkin Elmer modelo Spectrum 400, equipado com acessório para refletância total atenuada universal (UATR). A leitura foi executada na região do infravermelho médio em faixa espectral de 650 a 4000 cm-1, com 32 varreduras com resolução de 4,0 cm-1, após ser realizada a leitura do branco. 3.7.1 Análise dos dados Os resultados obtidos através da cromatografia líquida foram avaliados estatisticamente pelo teste de variância (ANOVA) entre duas variáveis. A análise de variância utilizada foi de um único fator (variável independente), sendo este, normalmente, com dois níveis, e de uma variável de estudo (variável dependente). Foram testadas duas hipóteses: - H0: As médias da variável dependente nos dois níveis não diferem entre si; - H1: As médias da variável dependente nos dois níveis diferem entre si. A aceitação do H0 revelará que o fator considerado não acarretará mudanças significativas na variável de estudo. Por outro lado, a rejeição de H0 indicará, com risco α, que o fator considerado exerce influência sobre a variável de estudo.50 Mesmo que seja possível concluir se as variáveis do planejamento (glicerol, lipase, temperatura e tempo) influenciam nos resultados, é preciso decidir se influenciam o suficiente para poderem ser consideradas de importância prática. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 34 Os dados obtidos pelas análises IV do segundo estudo de glicerólise enzimática foram processados utilizando o software Pirouette (3.1) para a realização da Análise por Componentes Principais (PCA). Essa análise permite identificar a relação entre características extraídas dos dados analisados. Neste caso, a intenção foi verificar se há relação entre as variáveis da reação e o porcentual de conversão de TAG em MAG+DAG. 3.8 Avaliação ambiental da reação de glicerólise Para melhor identificação dos aspectos e avaliação dos impactos ambientais decorrente da reação de glicerólise, foi utilizado como ferramenta uma Matriz de Interação derivada da matriz de Leopold. Com a intenção de obter um comparativo ao método de glicerólise enzimática, o método de glicerólise químico também foi avaliado quanto aos impactos ambientais. Como o processo de reação possui uma seqüência para ser executado, utilizaram-se as etapas envolvidas nas reações para melhor identificar as atividades impactantes. As etapas envolvidas nos métodos enzimático e químico são listadas abaixo: - 1ª etapa – Neutralização da glicerina: reação em batelada para controlar a acidez da glicerina bruta e obter separação de fases. - 2ª etapa - Reação de Glicerólise: é onde ocorre o processo propriamente dito. - 3ª etapa – Separação do produto: separação da fase oleosa juntamente com os produtos através de decantação para método enzimático, e separação por uso de solvente para o método químico. A matriz foi construída correlacionando as etapas dos métodos com os respectivos impactos ambientais quanto às características de valor, ordem, espaciais, temporais, dinâmicas e plásticas. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 35 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 4.1 Analise dos óleos vegetais de partida A análise realizada por cromatografia líquida revelou o perfil de cada óleo, o qual representa os sinais referentes aos triacilgliceróis presentes nos mesmos. Essa informação é bastante relevante, pois indica o ponto de partida das reações. As Figuras 4, 5 e 6 mostram os cromatogramas dos óleos de canola, girassol e tabaco, respectivamente. Figura 4 - Cromatograma obtido por cromatografia líquida do óleo de canola. (uso de coluna C18 - 5 µm x 250 x 4.6 mm) Figura 5 - Cromatograma obtido por cromatografia líquida de óleo girassol. (uso de coluna C18 - 5 µm x 250 x 4.6 mm) Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 36 Figura 6 - Cromatograma obtido por cromatografia líquida do óleo de tabaco. (uso de coluna C18 - 5 µm x 250 x 4.6 mm) A Figura 7 (A, B e C) mostra os cromatogramas obtidos por cromatografia gasosa-espectrometria de massas para os óleos derivatizados de canola, girassol e tabaco, respectivamente, onde pode ser observada a presença dos ácidos graxos: palmítico (C 16:0), esteárico (C 18:0) e oléico (C 18:1), linoléico (C 18:2). Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 37 (x10,000,000) T IC C18:2 1.75 1.50 C16:0 1.25 1.00 C18:1 0.75 C18:0 0.50 (A) 0.25 5.0 10.0 15.0 20.0 25.0 30.0 35.0 40.0 45.0 (x10,000,000) 2.00 T IC C18:2 1.75 1.50 C16:0 1.25 C18:1 1.00 0.75 0.50 C18:0 0.25 5.0 10.0 15.0 20.0 25.0 30.0 35.0 (B) 40.0 45.0 (x10,000,000) 2.00 T IC C18:2 1.75 1.50 C16:0 1.25 1.00 C18:1 0.75 0.50 0.25 (C) C18:0 5.0 10.0 15.0 20.0 25.0 30.0 35.0 40.0 45.0 Figura 7 - Cromatogramas íon total obtido por CG-EM dos ésteres metílicos dos óleos de canola, girassol e tabaco. A análise por espectroscopia de infravermelho revela as principais ligações constituintes dos triacilgliceróis dos óleos vegetais (Figura 8 - A, B e C). No comprimento de onda de ~1740 cm-1 verifica-se as deformações axiais da ligação C=O corresponde ao éster, entre 2800 e 3000 cm-1 as deformações axiais das Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 38 ligações C-H (CH2 e CH3), em ~1460 cm-1 a deformação angular da ligação C-H e em 1150 cm-1 a deformação axial da ligação C-O-C éster. (A) (B) (C) Figura 8 – Espectros de infravermelho obtidos para os óleos de canola (A), girassol (B) e tabaco (C). Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 39 4.2 Glicerólise enzimática Primeiramente foi realizada a analise qualitativa dos cromatogramas obtidos com base no perfil cromatográfico dos produtos de reação comparados aos cromatogramas dos óleos de partida, conforme Figura 7. Nos cromatogramas obtidos no decorrer das reações, se observa a diminuição do tamanho dos picos referentes aos triacilgliceróis e consequente aparecimento de picos adjacentes. Como não foram utilizados padrões de glicerídeos para comparação e quantificação dos produtos, utilizou-se de conhecimento de interação dos compostos com a fase móvel e coluna do cromatógrafo para identificar os compostos. Sabe-se que a reação de glicerólise leva a formação de MAG, DAG e AGL, e que uma quantidade de TAG não reagida pode também estar presente. Os sinais correspondentes ao óleo (TAG) foram identificados através de comparação com o perfil de cada óleo, uma vez que foram analisados por CLAE os três óleos utilizados nas reações. Analisando os componentes das fases móveis, se pode concluir que a Fase “A” apresenta polaridade superior a Fase “B”, uma vez que acetonitrila e metanol são compostos polares, e na mistura hexano:isopropanol somente o segundo composto é polar. Na análise cromatográfica realizada nesse trabalho o gradiente de eluição iniciou com a Fase “A” e no decorrer da análise foi inserida a Fase “B”. Considerando o fato de os ácidos graxos livres serem compostos de alta polaridade e de menor massa molecular, estes devem eluir primeiramente juntamente com a fase mais polar (A). Seguindo a ordem de polaridade dos compostos, de aumento de massa molecular, e também a diminuição de polaridade do eluente pela adição de fase móvel B, a ordem de eluição seguinte deve ser monoacilglicerol, diacilglicerol e triacilglicerol. Analisando os cromatogramas das reações e dos óleos puros, e considerando o exposto acima, foi definido que os picos apresentados logo no início da corrida cromatográfica são os ácidos graxos formados durante a hidrólise do óleo, os seguintes seriam os mono e diglicerídeos, e os últimos picos do óleo remanescente da reação. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 40 Os cromatogramas que representam amostras do primeiro estudo estão representados na Figura 9 (A, B e C), e os do segundo estudo estão na Figura 10 (A, B e C). 4.2.1 Primeiro estudo de glicerólise Conforme descrito no item 3.5, as áreas dos picos foram quantificadas em Área%, e o valor de conversão de triacilglicerol em mono+diacilglicerol foi calculado relação à quantidade inicial de TAG presente no início da reação. As Tabelas 5, 6 e 7 apresentam, respectivamente, os resultados de conversão das 16 reações realizadas para os três óleos (canola, girassol e tabaco). Analisando os resultados se observa que houve pouca conversão dos triacilgliceróis em mono e diacilgliceróis, e alto valor de conversão para ácidos graxos livres. Isso pode ser explicado pelo fato de terem sido utilizadas quantidades pequenas dos reagentes no primeiro estudo, o que dificultou a agitação e homogeneização do meio reacional, condição esta verificada visualmente. Desse modo, o contato entre as superfícies do glicerol e do óleo fica prejudicado, e a lipase após quebrar a ligação éster do triacilglicerol encontra a água como reagente disponível. A presença de água nessas circunstâncias apresenta um problema na reação de esterificação, uma vez que favorece a reação inversa (hidrólise do éster) de reação, formando, portanto, ácidos graxos livres51 ao invés do produto de interesse. Com a intenção de obter melhores resultados os 16 ensaios foram repetidos com a utilização de maiores quantidades de reagentes. O óleo de tabaco não foi utilizado nessa etapa, por ter apresentado resultados inferiores aos demais óleos e ter favorecido mais a reação de hidrólise. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 41 AGL Ensaio nº 9 (óleo de canola) TAG Cromatograma preto: 0h de reação Cromatograma rosa: 24h de reação MAG+DAG (A) TAG AGL Ensaio nº 6 (óleo de girassol) Cromatograma preto: 0h de reação Cromatograma rosa: 36h de reação MAG+DAG (B) Ensaio nº 10 (óleo de tabaco) AGL Cromatograma preto: 0h de reação Cromatograma rosa: 24h de reação TAG MAG+DAG (C) Figura 9 - Cromatogramas obtidos por CLAE dos produtos de glicerólise dos óleos de canola (A), girassol (B) e tabaco (C) para o primeiro estudo. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 42 TAG Ensaio nº 7 (óleo de canola) Cromatograma preto: 0h de reação Cromatograma rosa: 12h de reação Cromatograma azul: 36h de reação MAG+DAG AGL (A) TAG Ensaio nº 16 (óleo de girassol) Cromatograma preto: 0h de reação Cromatograma rosa: 12h de reação Cromatograma azul: 24h de reação Cromatograma marrom: 36h de reação AGL MAG+DAG (B) Figura 10 - Cromatogramas obtidos por CLAE dos produtos de glicerólise dos óleos de canola (A), girassol (B) para o segundo estudo. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 43 Tabela 4 – Condições de ensaio e resultados de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL do primeiro estudo utilizando óleo de canola. Canola Ensaio* 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Glicerol/óleo Lipase (%)** (m/m) 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 Tempo (h) Temperatura (ºC) 10 24 20 45 10 36 20 10 24 20 55 10 36 20 TAG 22,4 26,6 14,3 15,0 21,6 26,5 13,9 15,3 24,2 20,9 18,3 14,9 15,7 17,6 16,8 18,1 Área % MG + DG 15,7 24,2 8,1 8,2 18,6 21,7 10,3 10,7 21,9 24,3 14,3 11,2 15,8 26,5 12,5 15,0 * Utilização de quantidades fixas de óleo e água (3% em relação à massa do óleo). ** Porcentagem em relação à massa de óleo. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC AGL 61,9 49,2 77,6 76,8 59,7 51,8 75,7 74,0 53,9 54,8 67,4 74,0 68,6 58,5 70,7 66,9 Conversão (%) 16,8 25,8 8,6 8,8 19,9 23,2 11,1 11,5 23,4 26,0 15,3 11,9 16,9 28,3 13,4 16,1 44 Tabela 5 – Condições de ensaio e resultados de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL do primeiro estudo utilizando óleo de girassol. Girassol Ensaio* 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Glicerol/óleo Lipase (%)** (m/m) 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 Tempo (h) Temperatura (ºC) 10 24 20 45 10 36 20 10 24 20 55 10 36 20 TAG 36,0 35,3 15,4 23,2 26,4 30,2 14,4 18,5 25,2 23,9 16,1 19,5 23,3 23,8 20,3 18,7 Área % MG + DG 24,5 33,7 12,2 25,7 30,9 33,5 11,0 12,9 33,6 20,3 12,6 29,7 31,3 39,0 28,3 15,0 * Utilização de quantidades fixas de óleo e água (3% em relação à massa do óleo). ** Porcentagem em relação à massa de óleo. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC AGL 39,0 30,9 72,3 51,1 42,5 36,2 74,5 68,6 41,1 55,7 71,4 50,8 45,4 37,1 51,4 66,3 Conversão (%) 26,9 36,9 13,3 28,2 33,9 36,7 12,1 14,2 36,8 22,3 13,8 32,6 34,4 42,8 31,0 16,5 45 Tabela 6 – Condições de ensaio e resultados de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL do primeiro estudo utilizando óleo de tabaco. Tabaco Ensaio* 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Glicerol/óleo Lipase (%)** (m/m) 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 ,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 0,9 1,2 Tempo (h) Temperatura (ºC) 10 24 20 45 10 36 20 10 24 20 55 10 36 20 TAG 11,1 14,4 8,3 9,1 11,0 12,4 7,7 6,7 9,6 12,1 8,1 8,0 9,9 8,6 4,1 7,9 Área % MG + DG 11,5 10,0 10,8 13,4 10,4 14,9 11,9 12,0 10,1 16,8 15,9 14,4 12,1 14,6 11,9 14,2 * Utilização de quantidades fixas de óleo e água (3% em relação à massa do óleo). ** Porcentagem em relação à massa de óleo. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC AGL 77,4 75,6 80,9 77,5 78,6 72,8 80,4 81,3 80,3 71,1 74,8 77,6 78,0 76,8 84,1 77,9 Conversão (%) 13,0 11,3 12,2 15,2 11,8 16,9 13,4 13,6 11,4 19,1 18,0 16,3 13,7 16,5 13,4 16,1 46 4.2.2 Segundo estudo de glicerólise enzimática Os resultados de conversão de triacilglicerol em mono+diacilglicerol do segundo estudo são apresentados nas Tabelas 8 e 9 para os óleos de canola e girassol, respectivamente. É possível verificar que o aumento nas quantidades de reagentes foi efetivo para melhor homogeneização do sistema reacional, pois todas as reações tiveram um aumento significativo de conversão de TAG em MAG+DAG e consequente redução da conversão de AGL. Considerando o óleo de girassol, verificou-se que a reação que apresentou melhor conversão foi a de nº 16 (glicerina/óleo = 1,2 m/m; 20% lipase; 36h; 55 ºC). O fato de esta reação representar o ensaio com as maiores proporções dos reagentes envolvidos e maior temperatura e tempo de reação, pode ser um precedente para este ótimo resultado de conversão, de cerca de 90% de MAG+DAG. Com relação ao óleo de canola, a reação que apresentou o melhor valor de conversão em MAG+DAG foi a de nº 7 (glicerina/óleo = 0,9 m/m; 20% lipase; 36h; 45 ºC), com cerca de 71%. Assim como no ensaio 16, o ensaio 7 utilizou 20% de lipase e tempo de reação de 36, o que pode ser um indicativo de que esses fatores influenciam significativamente nos resultados. Com base na análise de variância entre duas variáveis foi possível constatar que nos resultados obtidos para a glicerólise do óleo de canola a concentração de lipase e a temperatura são as que influenciam significativamente (p<0,05) no teor de triacilglicerol (TG) remanescente no meio reacional. A temperatura também influencia significativamente (p<0,05) no teor de mono e diacilgliceróis (MG +DG) produzidos, da mesma forma que o teor de lipase influencia significativamente (p<0,05) no teor de ácidos graxos livres (AGL). Este resultado permite inferir que dependendo da temperatura e da concentração de lipase há mais conversão dos triacilgliceróis, no entanto em temperaturas maiores há mais formação de ácidos graxos livres. Com relação à reação de glicerólise do óleo de girassol, o tempo e a temperatura de reação influenciam significativamente (p<0,05) na produção de mono Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 47 e diacilgliceróis (MG +DG), assim como, o teor de lipase influencia (p<0,05) na produção de ácidos graxos livres no meio. Quanto ao teor de glicerol, não influenciou significativamente no grau de conversão de triacilgliceróis em MG+DG, bem como não influenciou na formação de AGL com p>0,05. Diversos autores desenvolveram estudos através de glicerólise enzimática utilizando óleo como substrato em meio livre de solvente, obtendo resultados semelhantes. Fiametti e colaboradores10 utilizaram a enzima Novozymes 435 imobilizada para catalisar a reação com óleo de oliva, obtendo assim cerca de 39% de DAG. No estudo desenvolvido por Fregolente e colaboradores27 foi utilizado óleo de soja como fonte de triacilglicerol, que foi catalisado pela lipase Candida antarctica imbolilizada, resultando em 24% de MAG e 48% de DAG. Já Freitas e colaboradores2 desenvolveram um método utilizando Lipase PS imobilizada e óleo de babassu, obtendo rendimento de 25% de MAG e 63% de DAG. A enzima Lipozyme foi a lipase utilizada por Gonçalves e colaboradores23 na glicerólise do óleo de palma realizada em sistema com ultrassom, o qual resultou em um rendimento de 39,8% de DAG. Liu e colaboradores52 obtiveram cerca de 54% de DAG através da reação de glicerólise do óleo de soja catalisada pela enzima Lecitase ultra imobilizada. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 48 Tabela 7 – Condições de ensaio e resultados de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL do segundo estudo utilizando óleo de canola. Canola Ensaio* 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Glicerol/óleo Lipase (%)** (m/m) 0,9 10 1,2 0,9 20 1,2 0,9 10 1,2 0,9 20 1,2 0,9 10 1,2 0,9 20 1,2 0,9 10 1,2 0,9 20 1,2 Tempo real Tempo previsto 24 24 Temperatura (ºC) 45 24 36 36 24 36 24 12 36 24 55 36 TAG 49,2 48,0 15,8 15,0 21,7 18,3 16,6 12,9 17,3 16,7 12,5 13,5 14,3 15,6 14,6 11,4 Área % MG + DG 34,8 27,3 45,1 41,4 41,0 43,9 42,9 43,1 51,3 48,0 40,6 44,0 41,4 46,3 43,9 36,6 * Utilização de quantidades fixas de óleo e água (3% em relação à massa do óleo). ** Porcentagem em relação à massa de óleo. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC AGL 10,9 13,9 37,2 36,5 27,9 32,9 37,0 39,5 29,0 29,5 43,0 37,8 42,0 35,3 38,4 48,2 Conversão (%) 41,7 37,5 58,7 55,3 61,5 63,5 71,3 57,5 60,6 65,9 47,7 52,3 52,3 63,5 57,2 46,9 49 Tabela 8 – Condições de ensaio e resultados de conversão de TAG em MAG+DAG e AGL do segundo estudo utilizando óleo de girassol. Girassol Ensaio* 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Glicerol/óleo Lipase (%)** (m/m) 0,9 10 1,2 0,9 20 1,2 0,9 10 1,2 0,9 20 1,2 0,9 10 1,2 0,9 20 1,2 0,9 10 1,2 0,9 20 1,2 Tempo real Tempo previsto 24 24 Temperatura (ºC) 45 24 36 36 24 24 55 36 36 TAG 44,2 40,3 18,3 17,1 23,8 19,9 18,3 19,0 22,2 22,8 17,1 19,6 21,0 21,5 3,4 3,8 Área % MG + DG 35,0 33,7 47,7 45,6 49,3 52,4 47,7 46,4 53,2 48,2 43,8 44,6 49,8 54,2 66,1 66,1 * Utilização de quantidades fixas de óleo e água (3% em relação à massa do óleo). ** Porcentagem em relação à massa de óleo. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC AGL 16,1 15,5 30,6 32,9 20,2 23,3 30,4 31,4 21,3 25,7 36,0 27,5 27,2 21,9 27,7 29,8 Conversão (%) 42,4 44,9 69,9 60,7 79,3 69,9 58,0 61,7 64,9 57,9 53,3 55,9 66,4 72,3 87,4 90,2 50 4.3 Analise dos resultados empregando espectroscopia /quimiometria A espectroscopia nos permite verificar se há a presença de grupos funcionais dos produtos finais, no entanto, a avaliação da presença de grupamentos formados nos produtos ou reduzidos dos reagentes de partida torna-se tênue quando se trata de amostras de triacilgliceróis submetidas a glicerólise. A análise por componentes principais (PCA) auxilia nesta tarefa, permitindo identificar o efeito das condições de reação a partir da espectroscopia. A análise de PCA foi realizada aplicando a primeira derivada nos dados originais, seguido pelos dados centrados na média e número máximo de 9 fatores. Para cada componente principal do modelo construído foi associada uma porcentagem de variância explicada. Na Tabela 9 é possível visualizar os percentuais de variância explicada para cada componente principal e da variância acumulada das 9 componentes do modelo PCA. Os resultados mostram que somente duas componentes principais são necessárias para explicar 87,3% da variância total do modelo. Tabela 9 – Número de componentes principais, porcentagem de variância explicada e porcentagem de variância acumulada. Componente Variância % Variância explicada % Variância Acumulada 1 0,002863 65,622581 65,622581 2 0,000944 21,631517 87,254097 3 0,000278 6,379033 93,633133 4 0,000101 2,314465 95,947601 5 0,000076 1,743114 97,690712 6 0,000040 0,913813 98,604523 7 0,000026 0,592681 99,197205 8 0,000015 0,337901 99,535103 9 0,000006 0,146472 99,681572 Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 51 A Figura 11 mostra os sinais após o pré-tratamento dos dados conforme citado anteriormente (primeira derivada nos dados originais, seguido pelos dados centrados na média). Figura 11 – Espectros das amostras após a aplicação da primeira derivada e centralização dos dados na média. Nas amostras analisadas inicialmente identificou uma amostra como outlier. Tal amostra possuía a banda característica da ligação –OH com intensidade muito superior às demais, dando o indicativo de que no momento da coleta da alíquota para análise, pode ter sido coletada juntamente com mistura de produtos uma fração de glicerol, que gerou o espectro outlier. Portanto a amostra outlier foi retirada do conjunto de dados e novamente foi realizada a análise de PCA, conforme mostrado pela Figura 12. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 52 Figura 12 – Espectros de infravermelho sobrepostos representado área espectral utilizada para Análise de Componentes Principais (PCA) com exclusão da amostra outlier. A Figura 13 mostra o gráfico de diagnóstico de outlier, no qual é possível observar que a amostra 3-girassol apresentou um maior resíduo, e as amostras 16girassol, 12-canola e 16-canola apresentaram uma maior contribuição na construção do modelo, porém não foram removidas da análise por apresentarem rendimento alto de MAG+DAG evidenciado pela análise cromatográfica. 3-Girassol Sample Residual (E -05) 12 2-Girassol 2-Canola 1-Girassol 1-Canola 8 16-Girassol 7-Girassol 10-Girassol 13-Girassol 6-Girassol 3-Canola 10-Canola 14-Girassol 11-Girassol 6-Canola 14-Canola 5-Girassol 9-Canola 4-Girassol 9-Girassol 12-Girassol 5-Canola 8-Girassol 4-Canola 13-Canola 15-Canola 11-Canola 7-Canola 4 0 16-Canola 8-Canola 12-Canola 3 10 20 Mahalanobis Distance Figura 13 – Gráfico de diagnóstico de outliers para os 16 ensaios de óleo de canola e girassol. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 53 O gráfico dos scores (Figura 14) mostra 4 grupos distintos que podem estar associados ao grau de conversão de triacilgliceróis em mono e diacilgliceróis. Por exemplo: as amostras 1 e 2-girassol e 1 e 2-canola tem um menor grau de conversão segundo a analise por HPLC, sendo em torno de 40%, e a amostra 16girassol tem o maior grau de conversão entre todas as amostras. Figura 14 – Gráfico de scores baixo – PC1 x PC2 para os 16 ensaios de óleo de canola e girassol. O emprego da espectroscopia seguida de analise por PCA nos permitiu confirmar os resultados encontrados por HPLC, onde foi observado que a PC1 tem relação inversa com a conversão a mono e diacilgliceróis. Com relação a proporção de reagentes remanescentes no meio de reação e de produtos (AGL e MD+DG) é possível observar que na análise por PCA é possível discriminar na PC1 o grau de conversão dos triacilgliceróis em mono e diacilgliceróis. É possível visualizar também que à diferenciação quanto ao tipo de óleo utilizado na reação, uma vez que as amostras de óleo de canola se dispõe no gráfico acima das amostras de óleo de girassol. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 54 4.4 Avaliação ambiental dos métodos de glicerólise Os impactos ambientais são uma cadeia de efeitos que se originam no meio natural e social, como conseqüência de uma determinada ação.53 As avaliações de impactos não devem ser apenas consideradas como uma técnica, mas como uma dimensão política de gerenciamento, educação da sociedade e coordenação de ações impactantes, pois permite a incorporação de opiniões de diversos grupos sociais.54 Desta forma, apresenta-se a Figura 15, com os resultados referentes à avaliação ambiental qualitativa de impactos ambientais da glicerólise enzimática a partir da matriz de interação de Leopold. Na Matriz de Interação foram identificadas 8 ações de impacto, sendo que as mesmas foram multiplicadas por 8 fatores ambientais resultando em 64 possíveis relações de impacto, sendo destas, identificadas 38. Os resultados dos 38 impactos identificados quanto a critérios de valor, ordem, espaço, tempo, reversibilidade e dinâmica estão representados na Figura 15. Analisando os gráficos apresentados acima, verificou-se que cerca de 65% dos impactos são negativos, porém a maioria das atividades impactantes são apenas uma probabilidade de ocorrência, não sendo uma atividade intrínseca da reação. Quanto ao critério de dinâmica, mais de 91% dos impactos foram considerados como temporários, o que indica a possibilidade de remediação caso algum venha a ocorrer. O critério ordem mostra que cerca de 95% das atividades impactantes são diretas e 79% são locais, porém como no caso do critério valor, são apenas uma probabilidade de ocorrência. Em relação ao tempo, 79% foram classificados como de curto prazo, e quanto à plasticidade, nenhum foi considerado irreversível. Constata-se que o impacto atribuído ao processo pode ser muito baixo como foi atribuído a avaliação da produção de biodiesel em escala piloto por Kaercher et al, onde a maioria pode ser evitado ou, se produzido, não causa um efeito permanente e nem cíclico ou irreversível.55 Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 55 Comparado com a glicerólise química observa-se que há menos impactos identificados, pois a matriz de impactos foi originada a partir das etapas apresentadas no fluxograma da Figura 16. A realização de experimentos visando o reconhecimento das etapas e análise dos produtos por cromatografia líquida permitiu reconhecer estas etapas, no processo de produção na mesma escala utilizada para o método enzimático. Valor Temporal 20,9% 34,9% negativo curto prazo positivo longo prazo 79,1% 65,1% Ordem Dinâmica 4,7% 9,3% direto temporário indireto 90,7% 95,3% Plásticidade Espacial 18,6% permanente 2,3% 79,1% local reversível regional irreversível e s tr a té g i c o Figura 15 – Avaliação Qualitativa de Impactos Ambientais, seguindo os critérios de valor, ordem, espaço, tempo, dinâmica e plasticidade para a glicerólise enzimática. Estas atividades são relativas ao processo de purificação parcial da glicerina, reação de glicerólise propriamente dita e etapas de purificação do produto. A glicerólise nestas condições ocorre em 3 horas, que comparado ao método enzimático é uma vantagem para a formação de monoacilgliceróis totais. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 56 Figura 16 – Fluxograma com as etapas da reação de glicerólise enzimática. Na Matriz de Interação foram identificadas nove ações de impacto, sendo que as mesmas foram multiplicadas por oito fatores ambientais resultando em 72 possíveis relações de impacto, sendo destas, identificadas 52. Os resultados dos 52 impactos identificados quanto a critérios de valor, ordem, espaço, tempo, reversibilidade e dinâmica estão representados na Figura 17. Temporal Valor 17,3% 32,7% curto prazo negativo longo prazo positivo 82,7% 67,3% Ordem Dinâmica 5,8% 1,9% direto temporário indireto permanente 98,1% 94,2% Plásticidade Espacial 17,3% 1,9% 80,8% local reversível regional irreversível e s tr a té g i c o Figura 17 – Avaliação Qualitativa de Impactos Ambientais, seguindo os critérios de valor, ordem, espaço, tempo, dinâmica e plasticidade para a glicerólise química. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 57 Os gráficos apresentados acima mostram que cerca de 67% dos impactos são negativos, 98% são diretos, 83% são de curto prazo, 94% são temporário e 81% são locais. Deste modo, além de a glicerólise enzimática possuir menor número de atividades impactantes, a porcentagem de atividades negativas e diretas também é reduzida. Mesmo que a diferença entre dois métodos não seja muito distante, o fato de a glicerólise enzimática não utilizar catalisador químico na reação e solvente na separação dos produtos, gera benefícios quanto a não geração de efluentes, ao contrário do método químico. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 58 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A metodologia de glicerólise enzimática de óleos vegetais desenvolvida neste estudo se mostrou uma alternativa promissora na obtenção de mono e diacilgliceróis sem uso de solvente. Os experimentos realizados provaram o potencial do uso de enzimas como catalisadores da reação de glicerólise, neste caso a lipase Novozymes 435, alcançando altas taxas de conversão de triacilgliceróis a mono e diacilgliceróis. Utilizando o óleo de girassol se obteve um porcentual de conversão de TAG a MAG+DAG de cerca de 90%, através do ensaio de nº 16 (glicerina/óleo = 1,2 m/m; 20% lipase; 36h; 55 ºC), e com o óleo de canola se atingiu o valor de conversão de aproximadamente 71% de MAG+DAG com o ensaio nº 7 (glicerina/óleo = 0,9 m/m; 20% lipase; 36h; 45 ºC). A análise de variância mostrou que a quantidade de lipase é um fator determinante na ocorrência da reação de glicerólise, porém quando associado à maior temperatura, pode levar a formação de maior quantidade de AGL. A homogeneização do meio e o contato óleo/glicerol também é fator determinante para a formação de MAG+DAG, pois de outro modo a reação de hidrólise com formação de AGL é favorecida. A ocorrência da reação também pode ser verificada através da análise de infravermelho utilizando a ferramenta PCA, através da distinção entre as reações que obtiveram os maiores e menores resultados de conversão e também distinção dos óleos utilizados nas reações. O processo de glicerólise enzimática se mostrou menos impactante quando comparado ao método químico, com 65% de impactos negativos que podem vir a ocorrer, enquanto o método químico apresentou 67%. O fato de o método enzimático não necessitar da utilização de catalisador químico e solvente para a separação das fases é de fato um fator muito importante para a redução de impactos ambientais relacionados à geração de efluentes. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 59 6 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS A glicerina comercial apresentou resultados satisfatórios para a glicerólise enzimática, porém para implementar esse método com a glicerina oriunda da produção de biodiesel deve-se realizar os mesmos ensaios com a glicerina bruta. Outro estudo a ser realizado é o desenvolvimento de método de glicerólise enzimática em escala piloto e verificar sua viabilidade. Considerando o alto custo da lipase utilizada neste estudo, cabe realizar um estudo sobre reaproveitamento da mesma, avaliando a sua capacidade de catalisar a glicerólise após uma série de reações e determinar seu tempo de vida útil. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 60 7 REFERÊNCIAS 1 MUNIYAPPA, P. R.; et al. Improved conversion of plant oils and animal fats into biodiesel and co-product. Bioresource Technology, 56, 19-24, 1996. 2 FREITAS, L.; et al. 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Viçosa: Universidade Federal de ViçosaMG, 1996. 68p. 55 KAERCHER, J.A., et al., Optimization of biodiesel production for selfconsumption: considering its environmental impacts, Journal of Cleaner Production (2012), http://dx.doi.org/10.1016/j.jclepro.2012.09.016. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 65 ANEXO A - Matriz de identificação qualitativa de impactos ambientais da reação de glicerólise enzimática CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS RELEVANTES Meio Biótico Meio Físico glicerolise separação de fases Contaminação do Solo Diminuição da Diversidade Saúde Desenvolvimento Regional Qualid. Prod. Final Flora/ Fauna Contaminação neutralização da glicerina Recurso Edáfico consumo Etapas Recurso Hidrico Gases e Vapores Ar Meio Antrópico uso glicerina bruta - - NDLCTV NDLCTV NDLCTV - PDROTV NDLCTV uso de ácido fosfórico - NDLCAV NDLCTV NDLCTV NDLCTV NDLMTV PDROTV PDLCTV uso de óleo - - NDLCTV NDLCTV NDLCTV - PDROTV PDLCTV Atividades Impactantes uso de glicerina - - NDLCTV NDLCTV NDLCTV - PDROTV PDLCTV uso água - NDRCAV - - NILCTV - NDROTV PDLCTV uso lipase - NDLCAV NDLCTV NDLCTV - - PDEOTV PDLCTV consumo de energia eletrica NIECAV - - - - - PDROTV PDLCTV obtenção de produto - - NDLCTV NDLCTV NDLCTV - PDROTV PDLCTV separação de lipase - - NDLCTV NDLCTV - NDLOTV PDLCTV Legenda: P - positivo; N - negativo; D - direto; I - indireto; L - local; R - regional; E - estratégico; C - curto prazo; M - médio prazo; O - longo prazo; T - temporário; Y - cíclico; A - permanente; V - reversível; S - irreversível. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC 66 ANEXO B - Matriz de identificação qualitativa de impactos ambientais da reação de glicerólise química CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS RELEVANTES Meio Biótico Meio Físico Diminuição da Diversidade Saúde Desenvolvimento Regional Qualid. Prod. Final separação de fases Contaminação do Solo glicerolise Flora/ Fauna Contaminação neutralização da glicerina Recurso Edáfico consumo Etapas Recurso Hidrico Gases e Vapores Ar Meio Antrópico uso glicerina bruta - - NDLCTV NDLCTV NDLCTV - PDROTV NDLCTV uso de ácido fosfórico - NDLCAV NDLCTV NDLCTV NDLCTV NDLMTV PDROTV PDLCTV uso de óleo - - NDLCTV NDLCTV NDLCTV - PDROTV PDLCTV uso de glicerina - - NDLCTV NDLCTV NDLCTV - PDROTV PDLCTV uso CaCO3 - NDLCTV NDLCTV NDLCTV NDLCTV NDLMTV PDROTV NDLCTV uso N2 - - - - - - PDROTV PDLCTV consumo de energia eletrica NIECAV - - - - - PDROTV PDLCTV obtenção de produto - - NDLCTV NDLCTV NDLCTV - PDROTV PDLCTV uso de solvente NDLCAV - NDLCTV NDLCTV NDLCTV NDLMTV PDROTV PDLCTV geração efluente - - NDLCTV NDLCTV NDLCTV NDLMTV NDLCTV PDLCTV Atividades Impactantes Legenda: P - positivo; N - negativo; D - direto; I - indireto; L - local; R - regional; E - estratégico; C - curto prazo; M - médio prazo; O - longo prazo; T - temporário; Y - cíclico; A - permanente; V - reversível; S - irreversível. Rosana Louzada Müller - Dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental - UNISC