UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE CURSO DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE PROGRAMA REGIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE – PRODEMA SUB-PROGRAMA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE CONSTRUÇÃO DE INDICADORES AMBIENTAIS PARA O ESTUDO DA EROSÃO MARGINAL DO BAIXO SÃO FRANCISCO Dissertação de Mestrado Maria Francineide Rosendo Guimarães São Cristóvão – Sergipe 2004 ii G963c Guimarães, Maria Francineide Rosendo Construção de indicadores ambientais para o estudo da erosão marginal do Baixo São Francisco / Maria Francineide Rosendo Guimarães. – São Cristóvão, 2004. 166p. : il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente) – Núcleo de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Programa Regional de Desenvolvimento e Meio Ambiente, Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, Universidade Federal de Sergipe. 1. Meio Ambiente – Indicadores ambientais. marginal – Impactos ambientais – Baixo São 3. Desenvolvimento sustentável. I. Título. CDU 504.03:551.3.53(282.281.5) 2. Erosão Francisco. ii MARIA FRANCINEIDE ROSENDO GUIMARÃES Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação da Universidade Federal de Sergipe, Núcleo de Pós-Graduação e Estudos do Semi-Árido, para defesa pública junto ao Curso de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente, vinculado ao Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente/PRODEMA, SubPrograma Universidade Federal de Sergipe, como requisito para a obtenção do título de Mestre. Orientador: Prof. Dr. Francisco Sandro Rodrigues Holanda São Cristóvão/Sergipe 2004 ii UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE CURSO DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE PROGRAMA REGIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE – PRODEMA SUB-PROGRAMA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE CONSTRUÇÃO DE INDICADORES AMBIENTAIS PARA O ESTUDO DA EROSÃO MARGINAL DO BAIXO SÃO FRANCISCO Dissertação aprovada como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente junto ao Núcleo de Pós Graduação e Estudos do Semi-Árido da Universidade Federal de Sergipe, pela Comissão Examinadora formada pelos Professores: ____________________________________________________ Orientador: Prof. Dr. Francisco Sandro Rodrigues Holanda Universidade Federal de Sergipe ____________________________________________________ 1ª Examinador (a): Prof. Dr. José Roberto de Lima Andrade Universidade Federal de Sergipe ____________________________________________________ 2º Examinador(a): Profª. Dra. Laura Jane Gomes Universidade Federal de Sergipe ii AGRADECIMENTOS São inúmeros os agradecimentos que se fazem necessários, pois foram inúmeras as contribuições para a realização deste trabalho. Primeiramente, agradecer pela saúde, inteligência, perseverança, discernimento e a força que Deus me concedeu. Ao meu orientador profº Dr. Francisco Sandro Rodrigues Holanda cuja ajuda foi fundamental, como sempre, para a conclusão do trabalho. Aos meus familiares e amigos pela compreensão nos momentos de ausência, principalmente ao meu companheiro Wal, pela força, apoio e paciência mais uma vez. À amiga Zenóbia pela palavra certa na hora certa e às amigas Arilmara e Suzete companheiras de campanha de campo. Aos geólogos João Carlos e José Holanda da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), cuja ajuda foi de grande valia. Aos engenheiros agrônomos da CODEVASF/4ª SR, Carlos Ermínio, Carlos Eugênio, Pedro Lessa, Alexandre Araújo Souza e José Vieira Filho pelas valiosas entrevistas concedidas e material disponibilizado. Ao economista Manoel Rezende Neto, chefe da Divisão de Fiscalização do IBAMA - Gerência de Sergipe. Ao promotor Eduardo Lima Matos, diretor do Núcleo de apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Rio São Francisco. Aos quatro mosqueteiros bolsistas do PIBIC, Igor 1, Igor 2, André e Alysson, pelo apoio logístico e solidariedade. Aos meus colegas, já Mestres, pelo convívio salutar e pela força nas horas de desânimo (Anselmo, Tereza, Silvia, Lígia, Idalton, Alexandra, Jean, Jeane, Ermínio, Sérgio, Luis Carlos, Luiz Alberto, Denise e Mônica). Ao pessoal de apoio do NESA, Aline, Najó e André pelas solicitações atendidas. A todos os representantes dos órgãos governamentais e não governamentais entrevistados, sociedade civil, principalmente os pescadores ribeirinhos do Baixo São Francisco, pela simpatia e préstimos valiosos quanto às informações solicitadas. A todos que direta e indiretamente contribuíram para a compilação desta dissertação. ii RESUMO A regularização da vazão no Rio São Francisco, a partir da construção de barragens ao longo do seu curso, vem promovendo o avanço progressivo da degradação ambiental que tem alterado a dinâmica fluvial, promovendo erosão nas margens e vários outros impactos negativos associados. As ações propostas na Agenda 21, com ênfase na construção de indicadores ambientais vem possibilitar um aperfeiçoamento nos modelos de gerenciamento dos recursos naturais, através da avaliação das medidas adotadas e monitoramento das ações estratégicas a serem empregadas com vistas ao desenvolvimento sustentável. Essa pesquisa teve como objetivo a construção de indicadores ambientais relacionados ao processo erosivo na margem direita do Baixo São Francisco (BSF), através de levantamento bibliográfico, coleta de dados no campo, que identificou o estado dos recursos naturais água, solo e vegetação e os outros aspectos sócio-econômicos que contribuíram para a construção de uma matriz de indicadores que traduzisse os impactos ambientais que esta região fisiográfica da bacia, vem sendo submetida ao longo dos anos. Foi adotada a metodologia da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), identificada como modelo de Indicadores de Pressão-Estado-Impacto-Efeito-Resposta (PEI/ER). Foram identificados trinta indicadores que permitirão a avaliação dos impactos das ações naturais e antrópicas de ocorrência na área, e ajudarão, sobremaneira, na gestão integrada dos recursos naturais do Baixo São Francisco. Várias ações vêm sendo implementadas e de forma direta ou indireta trabalham o monitoramento da evolução dos processos de degradação e suas mudanças em níveis locais, com possíveis aplicações em nível regional e global. A quantificação do processo erosivo através de indicadores ambientais vem subsidiar políticas e ações voltadas para a mitigação dos efeitos nocivos da degradação ambiental no BSF. PALAVRAS CHAVES: Indicador Ambiental, Erosão Marginal; Desenvolvimento Sustentável, Baixo São Francisco. ii ABSTRACT The regulation of the São Francisco river’s discharge, since the construction of the electrical power dams throughout the river stream, led to an aggressive and continued environmental degradation, which have altered its hydrological regime bringing margin erosion as a consequence, and other negative associated impacts. The proposed actions of the Rio declaration on Environment and Development - Agenda 21, which emphasize the needs for environmental indicators assessment, come toward an improvement of the natural resources management models, by the evaluation of the adopted policies and monitoring of the strategic actions toward the sustainable development. The objective of this research was to build environment indicators related to the margin erosion process of the right margin of the Lower São Francisco river basin (LSF), from a bibliographic survey and field data collection, which have identified the matter’s state of art, and how the natural resources have been managed, besides other social-environmental features, contributing to the construction of the environmental indicators assessment, in order to understand the degradation in this river section, throughout the years. We applied the methodology from OECD (Organization for Economic Co-operation and Development) by Pressure-State-Impact/Effect-Response (PEI/ER) model. Based on that, we have identified 30 (thirty) indicators allowing the evaluation of the past and current natural and human actions, which will be very helpful to support the natural resources management policies. Very much have been implemented, working directly and indirectly toward the monitoring of the erosion process and local environmental degradation, affecting the environmental on the regional and worldwide level. The quantification of the erosion process by the indicators, works also to support mitigation actions to solve the environmental degradation on the LSF. PALAVRAS CHAVES: Environmental Indicators, Margin Erosion, Sustainable Development, Lower São Francisco. ii SUMÁRIO 1. RESUMO ............................................................................................... ABSTRACT ........................................................................................... LISTA DE FIGURAS ............................................................................ LISTA DE QUADROS .......................................................................... LISTA DE TABELAS ........................................................................... ii iii vii ix x INTRODUÇÃO .................................................................................... 1 REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................... 4 1.1. Homem, Natureza e Meio Ambiente ............................................................. 4 1.2. Qualidade Ambiental ..................................................................................... 8 1.3. Sustentabilidade............................................................................................... 11 1.3.1. As dimensões da sustentabilidade ................................................ 14 1.3.2. Insustentabilidade do desenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco .............................................................................. 16 1.4. A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco no Cenário Nacional ........... 1.4.1. Breve histórico sobre o gerenciamento das águas da Bacia ......... 1.4.2. Revitalização da Bacia hidrográfica do Rio São Francisco ......... 1.4.3. Usos e conflitos dos recursos hídricos ......................................... 1.4.4. Os Comitês de Bacias Hidrográficas ............................................ 1.5. As Agressões ao Meio Ambiente - Os Impactos Ambientais no Baixo São Francisco .................................................................................................. 17 19 22 25 27 29 1.6. A Erosão Marginal no Cenário da Degradação Ambiental ........................ 32 2 1.7 Indicadores de Qualidade Ambiental .......................................................... 1.7.1. Indicadores – o estado da arte ..................................................... 1.7.2. Indicadores ambientais para a erosão marginal no Baixo São Francisco ................................................................................................ 1.7.2.1. A Matriz Pressão-Estado-Impacto/Efeito-Resposta ...... 35 37 MATERIAIS E MÉTODOS................................................................ 45 40 42 ii 3 2.1. Caracterização da Área de Estudo ..................................................... 2.1.1. Aspectos Geográficos e Recursos Naturais .................................. 2.1.1.1. Clima .............................................................................. 2.1.1.2. Pedologia ........................................................................ 2.1.1.3.Vegetação ........................................................................ 2.1.1.4. Geomorfologia e geologia .............................................. 2.1.1.5. Aptidão agrícola das terras ............................................. 2.1.1.6. Hidrografia ..................................................................... 2.1.2. Aspectos Demográficos ................................................................ 2.1.3. Aspectos Econômicos .................................................................. 2.1.3.1. Saneamento ambiental ................................................... 2.1.3.1.1. Abastecimento de água .................................. 2.1.3.1.2. Esgotamento sanitário .................................... 2.1.3.1.3. Resíduos sólidos ............................................. 45 47 47 48 49 49 50 51 52 52 54 54 55 55 2.2 Metodologia............................................................................................ 2.2.1. Coleta e Análise das Informações ................................................ 2.2.1.1. Dados secundários ........................................................... 2.2.1.2. Dados primários .............................................................. 2.2.1.3. Realização das entrevistas................................................ 2.2.1.4. Coleta de dados em campo .............................................. 2.2.2. Construção de Indicadores de Sustentabilidade Ambiental ........ 2.2.2.1. Definição dos descritores ................................................ 2.2.2.2. Identificação dos indicadores .......................................... 56 56 57 57 58 59 59 59 60 RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................... 63 3.1. Análise dos Indicadores........................................................................ 3.1.1. Descritores escolhidos para a pesquisa ........................................ 3.1.1.1. Perímetros Irrigados implantados .................................... 3.1.1.2. Barramentos construídos ................................................. 3.1.1.3. Recursos naturais (água, solo e vegetação) ..................... 3.1.1.4. Geomorfologia fluvial ..................................................... 3.1.1.5. Vegetação ciliar ............................................................... 3.1.2. Indicadores de Pressão – Estado – Impacto/Efeito – Resposta .... 67 69 69 71 72 72 72 73 3.2. Indicadores de Sustentabilidade Ambiental para o “Sistema Erosão na Margem do Rio São Francisco”......................................... 75 3.2.1. Indicadores de Pressão.................................................................. 76 3.2.2. Indicadores de Estado ................................................................... 95 ii 4 3.2.3. Indicadores de Impacto/Efeito ..................................................... 3.2.4. Indicadores de Resposta ............................................................... 100 118 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................. 145 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................... 147 ANEXOS ............................................................................................... Anexo 1 .................................................................................................. Anexo 2 .................................................................................................. 162 163 166 G963c Guimarães, Maria Francineide Rosendo Construção de indicadores ambientais para o estudo da erosão marginal do Baixo São Francisco / Maria Francineide Rosendo Guimarães. – São Cristóvão, 2004. 166p. : il. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente) – Núcleo de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Programa Regional de Desenvolvimento e Meio Ambiente, Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, Universidade Federal de Sergipe. 1. Meio Ambiente – Indicadores ambientais. marginal – Impactos ambientais – Baixo São 3. Desenvolvimento sustentável. I. Título. CDU 504.03:551.3.53(282.281.5) 2. Erosão Francisco. INTRODUÇÃO A humanidade tem promovido a erosão exponencial da biosfera, conforme afirma Mooney (2002). A erosão da biosfera compreende a erosão da eqüidade, a erosão dos direitos, a erosão ambiental e a erosão cultural. A erosão da eqüidade decorre da intensificação das diferenças entre povos e no interior de cada povo. A erosão dos direitos resulta da marginalização de segmentos substantivos de nossa sociedade. A erosão ambiental é conseqüência da aceleração dos processos entrópicos de produção da agricultura, da indústria e da urbanização, determinados pelos interesses das grandes corporações, produzindo impactos na fauna, na flora, na química e na física da Terra (água, solos e ar). A erosão cultural resulta do genocídio e da pasteurização das culturas, para domesticá-las e submetê-las ao modo de vida, de produção e de reprodução impostos pelas corporações oligopolistas. O Brasil contribui com uma parcela significativa para esse cenário conflituoso e desgastado do mundo atual. Mesmo com o privilégio de possuir a maior biodiversidade do planeta, o maior potencial de água doce do mundo, acelera o processo de construção de novas hidrelétricas, gasodutos e polidutos, pontes, estradas e pavimentações. Promove o processo de transposição de água da maior bacia hidrográfica do país, mas também portadora dos maiores problemas sócio-econômico-ambientais. Estimula a produção e exportação de urânio, liberação dos transgênicos, importação de pneus usados, enfim, adota medidas que representam um retrocesso na política ambiental brasileira, uma vez que sequer os estudos de impactos ambientais dos projetos foram realizados, o que visionaria os futuros impactos negativos ao meio ambiente. Conforme afirmou a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em pronunciamento na Amazônia: “inegavelmente o Brasil tem um passivo ambiental de 500 anos de desrespeito e desamor pelo meio ambiente”. Existe uma falta de tradição ambiental no Brasil, constatada através da inanição dos órgãos ambientais que necessitam passar por mudanças significativas que equilibrem o comando e controle com os mecanismos de gestão estratégica. O papel da sociedade, neste momento, é de extrema importância no sentido de pressionar e se fazer ouvir, apontando para caminhos que realmente levem ao desenvolvimento sustentável, mudando os rumos da atual política ambiental adotada, que se equivoca quanto à substituição da idéia de desenvolvimento pela de crescimento, vii LISTA DE FIGURAS Figura 1 Página Diagrama da variação da qualidade de vida com o nível de renda, condições de vida e trabalho e qualidade ambiental ................................... 9 2 Nova divisão fisiográfica da Bacia do Rio São Francisco .......................... 19 3 Estrutura conceitual do modelo PER da O.C.D.E – 1993 ........................... 43 4 Mapa da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco destacando a região do Baixo São Francisco .................................................................................... 46 5 Diagrama representativo da Metodologia PEI/ER ...................................... 61 6 Foto da margem direita do Baixo São Francisco no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba apresentando erosão marginal acelerada .................... 63 7 Foto da margem erodida com plantação de Bambu, substituindo a vegetação ciliar nativa ................................................................................. 64 8 Foto de bancos de areia ou croas nas imediações do Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba, caracterizando o assoreamento da calha do rio ......... 65 9 Foto do dique de proteção destruído pela erosão marginal ........................ 71 10 Foto da margem do rio com remanescentes de vegetação ciliar, próximo à Estação de Bombas-EB-02 no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba ..... 73 11 Foto de ocupação das margens do rio por barracos ..................................... 83 12 Foto de ocupação desordenada das margens do rio, na planície de inundação – Estação de Bombas – EB-2 – Perímetro Irrigado Cotinguiba Pindoba ........................................................................................................ 85 13 Foto da margem do rio que sofreu desmatamento no Município de Ilha das Flores – SE ............................................................................................ 90 Representação esquemática dos principais mecanismos de desestabilização dos taludes marginais estudados no baixo curso do Rio São Francisco ............................................................................................... 94 14 viii 15 Avanço da erosão marginal nas seções monitoradas (A, B e C) no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba ...................................................... 99 16 Foto de foco erosivo com grande extensão – Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba ..................................................................................... 102 17 Foto da orla ribeirinha na cidade de Ilha das Flores, na planície de inundação do rio, proporcionada pelo recuo das margens .......................... 103 18 Foto da alga “cabelo” (Elodea sp) que infesta o rio .................................... 106 19 Total de pescadores, em freqüência relativa por classe de rendimento mensal no Povoado Cabeço, Município de Brejo Grande/SE no período de setembro de 1997 a fevereiro de 1998 .................................................... 116 Total de pescadores, em freqüência relativa por classe de rendimento mensal no Povoado Saramém, Município de Brejo Grande/SE no período de setembro de 1997 a fevereiro de 1998 .................................................... 117 Total de pescadores, em freqüência relativa por classe de rendimento mensal na cidade de Brejo Grande/SE no período de setembro de 1997 a fevereiro de 1998 ......................................................................................... 117 20 21 22 Foto do espigão construído pela CODEVASF na margem do rio, no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba ...................................................... 123 23 Foto da margem do rio com enrocamento entre os Municípios de Brejo Grande e Neópolis ....................................................................................... 123 24 Foto de contenção dos taludes marginais com palhas de coqueiro, próximo à Brejo Grande .............................................................................. 124 25 Foto de contenção dos taludes marginais com pneus entrelaçados, nas proximidades do Município de Brejo Grande ............................................. 125 26 Foto de contenção dos taludes marginais com manta de nylon e sacos de areia, no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba ........................................ 125 27 Foto da plantação de bambu na margem do rio, no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba ..................................................................................... 126 ix LISTA DE QUADROS Quadro 1 2 3 página Problemas e conflitos relacionados aos recursos hídricos e interações ambientais na Bacia do São Francisco .............................. Esquema usado para a definição dos indicadores de qualidade ambiental no sistema “erosão marginal do Baixo São Francisco”...... .. Histórico da ocorrência de erosão nos diques de proteção dos Perímetros Irrigados do Baixo São Francisco e proteção dos taludes. 26 68 122 x LISTA DE TABELAS página Tabela 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Aspectos geográficos dos Municípios que compõem o Baixo São Francisco sergipano ............................................................................ 47 Atividades de manutenção e operação nos perímetros irrigados em 2000 .................................................................................................... 70 Indicadores de qualidade ambiental para a erosão marginal na Matriz PEI/ER .................................................................................... 75 Principais características das usinas instaladas na Bacia do Rio São Francisco ............................................................................................ 77 Capacidade das barragens da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco ............................................................................................ 81 Áreas irrigadas e vazão dos perímetros do Baixo São Francisco sergipano............................................................................................. 84 Mudanças na quantidade total de sedimentos transportados no canal do Baixo São Francisco ...................................................................... 86 Vegetação encontrada no Baixo São Francisco sergipano – levantamento : agosto a outubro de 2000 ........................................... 88 Disponibilidade e demanda de recursos hídricos no Baixo São Francisco ............................................................................................ 91 Volume de água retirado do Rio São Francisco para os perímetros irrigados da CODEVASF em 1999 .................................................... 92 Áreas de perímetros irrigados do Baixo São Francisco por utilidade em 2000 .............................................................................................. 92 Cotas médias dos níveis de água nas seções A, B e C, monitoradas no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba ........................................ 94 Precipitação e velocidade média do vento no período de fevereiro a janeiro de 1999 ................................................................................... 96 Alterações geomorfológicas ocorridas no Baixo São Francisco devido a construção das barragens ..................................................... 97 xi 15 Taxas de erosão e volume de material erodido em trechos do Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba ............................................. 99 Trechos de margens e pontos submetidos à erosão no Baixo São Francisco ............................................................................................ 101 Volume de material erodido em dois períodos distintos no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba ............................................. 105 18 Produção de pescado marítimo e estuarino no ano de 2002 .............. 109 19 Produção de pescado marítimo e estuarino e tipo de embarcação no ano de 2002 ........................................................................................ 109 Produção e valor da produção de pescado desembarcada no ano de 2002 .................................................................................................... 110 Perda de produção nos Perímetros Irrigados do Baixo São Francisco sergipano ............................................................................................ 111 Distribuição da frota de barcos cadastrada nos dois pontos de desembarque no Baixo São Francisco sergipano no ano de 1999 ..... 112 Distribuição da frota de barcos cadastrada nos dois pontos de desembarque no Baixo São Francisco sergipano no ano de 2000 ..... 113 Distribuição da frota de barcos cadastrada nos dois pontos de desembarque no Baixo São Francisco sergipano no ano de 2001 ..... 113 Distribuição da frota de barcos cadastrada nos dois pontos de desembarque no Baixo São Francisco sergipano no ano de 2002 ..... 113 16 17 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Percentuais de embarcações utilizadas para a pesca no Baixo São Francisco nos dois pontos de desembarque nos anos de 1999 a 2002 Renda mensal de pescadores do Município de Brejo Grande e adjacências no período de setembro/1997 a fevereiro/1998 .............. Espécies de vegetação indicadas pelos pescadores para contenção do processo erosivo no Baixo São Francisco sergipano .................... Principais ações do Projeto Amanhã desenvolvidas nos Perímetros Irrigados da CODEVASF no Baixo São Francisco no exercício de 2000 .................................................................................................... Resultados do Programa de Apoio à Fruticultura implementados nos perímetros irrigados da CODEVASF no Baixo São Francisco entre 1999 e 2000 ............................................................................... Dados estatísticos do período da piracema no Baixo São Francisco (2003/2004) ........................................................................................ 114 116 120 132 133 136 2 pois segundo Maimon (1998), a conscientização da população e a expansão do movimento ambientalista têm repercutido numa maior pressão da consolidação de um aparato institucional e legal da política ambiental. Esta pesquisa se insere no contexto dos problemas ambientais brasileiros quando se reporta à degradação ambiental, social e econômica de uma região da Bacia hidrográfica do Rio São Francisco, no seu baixo curso, localizada entre os Estados de Sergipe e Alagoas. O Baixo São Francisco é vítima da política de geração de energia, mesmo sendo, ao mesmo tempo, seu beneficiário. As hidrelétricas construídas na Bacia, além da produção de energia elétrica, produziram também grandes impactos nocivos aos recursos água, solo e vegetação, que se refletem na dinâmica estuarina constatadas pelas alterações na geomorfologia e hidrosedimentologia, acarretando erosão das margens e assoreamento do leito, alterações na ictiofauna e na biodiversidade. São incontáveis as agressões causadas pela erosão marginal em todos os aspectos estudados, como também são incontáveis os depoimentos da população ribeirinha, principalmente de pescadores, sobre as dificuldades enfrentadas para sobreviverem da pesca e sobre a falta de iniciativa dos poderes constituídos para minorar os danos sofridos por eles e pela natureza a partir das intervenções antrópicas no Baixo São Francisco sergipano. A inter-relação entre os aspectos acima existe e não pode ser descartada, sob pena de agregar falhas ao processo avaliativo no decorrer do tempo. O desafio constituído pela construção de indicadores ambientais para a erosão marginal, passa pela responsabilidade de se criar novas metodologias que busquem mensurar a evolução dos processos de degradação, no âmbito maior da sustentabilidade, enfocando o envolvimento público, o aparato legal institucional, aspectos técnicos, ambientais, econômicos, sociais e financeiros. Vislumbrar indicadores sociais e econômicos não oferece dificuldades, mesmo porque já são trabalhados há décadas o que não ocorre com os indicadores de qualidade ambiental, visto serem sutis, subjetivos muitas vezes, tendo que ser levada em conta a realidade do sistema estudado, dos atores envolvidos e das condições ambientais (cenário). Objetivando compreender, através da construção de indicadores ambientais, a evolução dos processos de degradação ambiental relacionados com a erosão na margem do Rio São Francisco no seu baixo curso, foi realizada a identificação dos componentes 3 ambientais que foram representados por indicadores específicos, partindo-se para a caracterização desses indicadores, segundo as causas, agentes e processos atuais e dinâmica de erosão marginal, complementando o trabalho com o diagnóstico dos aspectos sócio-econômicos diretamente afetados pela degradação ambiental, promovida pela erosão. Procurou-se construir indicadores que realmente satisfaçam as necessidades de mitigação dos impactos causados pela degradação ambiental proveniente do processo erosivo marginal no Baixo São Francisco atendendo às recomendações da Agenda 21, como subsídio para o gerenciamento dos recursos naturais através da avaliação das medidas adotadas, no monitoramento e análise das ações estratégicas a serem empregadas indicando o caminho rumo ao desenvolvimento sustentável da região. 4 1 . REFERENCIAL TEÓRICO 1.1. Homem, Natureza e Meio Ambiente O termo “meio ambiente” tem sido utilizado para indicar um “espaço” (com seus componentes bióticos e abióticos e suas interações) em que um ser vive e se desenvolve, trocando energia e interagindo com ele, sendo transformado e transformando-o. No caso dos seres humanos, ao espaço físico e biológico soma-se o “espaço” sócio cultural. Interagindo com os elementos do seu ambiente, a humanidade provoca tipos de modificação que se transformam com o passar da história. E, ao transformar o ambiente, os seres humanos também mudam sua própria visão a respeito da natureza e do meio em que vivem (BRASIL, 1998a). Segundo Quintas (1995), é na tensão entre a necessidade de se garantir o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, enquanto bem de uso comum da população e, portanto, como espaço público e o modo como são apropriados os recursos ambientais na sociedade, que se explicita a relação homem/meio ambiente. Esta relação ocorre, principalmente, no contexto do processo de mediação de interesses e conflitos entre atores sociais que agem sobre o meio físico, o meio natural e o meio construído. Este processo de mediação define e redefine, continuamente, o modo como os diferentes atores sociais, através de suas práticas, alteram a qualidade do meio ambiente e também como se distribuem na sociedade os custos e os benefícios decorrentes da ação destes agentes (Quintas, 1995). Não existe a sociedade pura em relação ao meio ambiente. Ela sobrevive em função de escalas em impactos maiores e impactos menores. É uma relação, portanto, ambivalente, de domínio e adoração (Ramalho Filho, 2000). No mundo ocidental, afirma Gonçalves (2000), vivemos duas vertentes: ou vemos a natureza como algo hostil, lugar da luta de todos contra todos, da chamada lei da selva, ou vemos a natureza como harmonia e bondade. Se a natureza é o lugar de luta de todos contra todos, nada mais necessário do que o Estado para impor a lei e a ordem. Já entre aqueles que vêem a natureza como bondade e harmonia encontram-se, infelizmente, muitos que contraditoriamente partilham do mesmo ponto de vista que acreditam criticar: a natureza é bondosa e harmônica e os homens é que destroem a natureza. Como se vê, o homem também não é natureza, mantendo-se, portanto, a dicotomia sociedade-natureza, homem-natureza. A primeira vertente afirma o 5 antropocentrismo e a segunda o naturalismo. Homem e natureza estão totalmente separados. No entanto, Holanda (2003), discorre que vários estudiosos vêm trabalhando a dimensão de valor da atitude de respeito à natureza, admitindo que todos os seres vivos nos ecossistemas naturais da terra, possuem valores intrínsecos. Segundo ele, tais autores também afirmam que “pensarmos que temos completo controle sobre o ambiente, ou que teremos algum dia, é um sinal de arrogância e uma ilusão de grandeza”. A chamada visão biocêntrica da natureza coloca ao homem ainda, o significado da sua situação ecológica, na medida em que se apresenta como não diferente das outras espécies. Cada organismo individualmente, cada espécie de uma população, cada comunidade biótica é um componente do todo, e todos estes constituintes vivos da ordem natural do mundo estão relacionados uns com os outros, como unidades funcionalmente interdependentes. Os filósofos biocentristas defendem que o antropocentrismo, para não excluir do sistema de direitos alguns seres humanos intelectualmente incapacitados, tem obrigatoriamente que incluir também os animais. Vargas (2000), simplifica dizendo que é inquestionável que a história do homem na terra é a história de sua relação com o seu meio, com o seu entorno, a relação homem-natureza, sociedade-natureza é a variável que delineia a qualidade de vida neste planeta, o que é válido em qualquer escala, de acordo com a multiplicidade e complexidade de relações empreendidas. Assim, pode-se entender a intrínseca relação entre homem-natureza e qualidade de vida. O processo evolutivo da degradação da natureza não é peculiaridade recente, decorre de épocas primitivas acolhido pelo aspecto cultural enraizado. A dependência do homem primitivo em relação à natureza, principalmente como fonte de alimento, obrigava-o a ser nômade, vivendo continuamente à procura de frutos, animais e outros alimentos, onde estes se encontrassem com maior fartura, nas diferentes épocas do ano. Essa situação tornou-se conflitante, especialmente nas regiões de clima frio, com a sua necessidade de utilizar abrigos permanentes para se refugiar das intempéries. É de se prever que isso, associado ao crescimento de cada tribo, tenha levado o homem de algumas regiões do globo, a iniciar seus rudimentares processos agrícolas e pecuários, tais como seleção de sementes, preparo da terra, adaptação de espécies vegetais e animais, seleção de variedades mais produtivas, tornando-se sedentário, pelo menos nas regiões em que a qualidade do solo o permitia (Branco, 1988). 6 Nas regiões de solo menos fértil, como as de clima tropical, segundo o autor (op. cit.) o homem permaneceu em uma situação seminômade, mudando-se de local a cada três ou quatro anos, quando a fertilidade do solo se esgotava. Mas essa situação era favorecida, principalmente nas faixas equatoriais, pela inexistência de inverno rigoroso. O hábito sedentário, por sua vez, levou o homem a desenvolver novas habilidades tecnológicas necessárias à edificação de casas, manejo do solo, uso do fogo, produção de tecidos e vestuários; ferramentas de trabalho; o transporte; a roda; a tração animal; armas para a defesa de suas aldeias; o aproveitamento da energia da água e do ar, através de rodas-d’água, monjolos, moinhos de vento etc. Assim, conforme Branco (1998), teria sido a necessidade ou a conveniência da vida sedentária, origem das cidades, a causa dessa tendência ao domínio progressivo da natureza, levando à sua conseqüente degradação. Essas habilidades tecnológicas evoluíram a tal ponto que estão mudando o caráter da atual sociedade, tal é o seu grau de penetração na mesma. Elas ensejam substituir o homem, medida de todas as coisas, pela informação. A tecnologia começa a desmanchar as relações do homem com a terra e com a cidade. A contribuição dessa sociedade para a destruição da natureza é mais grave ainda, pois além de deter o poder da informação reduz, no plano molecular, a riqueza biológica e os recursos naturais à condição de meros componentes. Mooney (2002), expressa a atual situação como o grande conflito do nosso tempo: grande avanço tecnológico e concentração da riqueza nas mãos de um sexto da população mundial que tem se beneficiado do progresso científico, tecnológico e da apropriação da maior parte dos recursos naturais finitos, deixando para a maioria a degradação do meio ambiente e a ampliação do fosso entre ricos e pobres. Isso, severamente, afastou a humanidade do senso de preservação e contribuiu para que ela se apropriasse a tal ponto da natureza tornando urgente a necessidade de se repensar as relações entre seres humanos e natureza. Conforme Santos (2001c), é preciso repensar um novo paradigma de desenvolvimento, capaz de centralizar o ser humano nesse processo, considerando o crescimento um meio, e não um fim, protegendo as oportunidades de vida das gerações atuais e futuras e, por conseguinte, respeitando a integridade dos ecossistemas naturais que permitem a existência da vida planetária. A humanidade tem sido levada a uma crise de civilização, que por sua vez é resultado de uma transição ecológica – real revolução dos padrões de produção e consumo, originária da revolução agrícola há 9.000 anos atrás. Torna-se, portanto, insensato tentar desvincular os problemas do meio ambiente dos problemas do 7 desenvolvimento, pois o quadro em que se apresenta o meio ambiente é conseqüência direta do esgotamento de um estilo de desenvolvimento ecologicamente depredador, socialmente perverso, politicamente injusto, culturalmente alienado e eticamente repulsivo. O que está em jogo é a superação dos paradigmas de modernidade que defendem a orientação do processo de desenvolvimento ( Guimarães, 2001). Para se ter o almejado desenvolvimento sustentável, defende Costanza (1991), “alguns comportamentos econômicos convencionais devem ser abandonados, em favor de uma conduta mais equilibrada diante da natureza”. Esta, por sua vez, numa perspectiva de sustentabilidade, deve ser encarada não como um estorvo a ser removido ou uma formação que se deva subjugar impiedosamente, e sim como um fator condicionante positivo a ser levado em conta na tarefa de satisfação das necessidades do homem a partir do estoque de recursos disponíveis. A tradição cartesiana, segundo Taylor (1989), do homem senhor e dominador da natureza, da “inerente superioridade humana”, não pode prevalecer, sob pena de se reduzir a base natural a objeto de ilimitada manipulação, acelerando-se sua tendência de agudização entrópica. Para se conseguir a sustentabilidade ambiental, a natureza deve ser considerada antes na sua característica de sobriedade, na sua forma de buscar eficiência máxima com um mínimo de perdas físicas. O caminho do desenvolvimento sustentável deve ser de prudência ecológica, de frugalidade, de economia dos recursos básicos que o homem tem à sua disposição em última instância: matéria e energia de baixa entropia (Cavalcanti, 1996). É necessário então, afirma Guimarães (2001), que o homem incorpore a sustentabilidade como um novo paradigma de desenvolvimento que seja ambientalmente sustentável no acesso e no uso dos recursos naturais e na preservação da biodiversidade; socialmente sustentável na redução da pobreza e das desigualdades sociais e promotor da justiça e da eqüidade; culturalmente sustentável na conservação do sistema de valores, práticas e símbolos de identidade que, apesar de sua evolução e reatualização permanentes, determinam a integração nacional através dos tempos; politicamente sustentável ao aprofundar a democracia e garantir o acesso e participação de todos nas decisões de ordem pública e ter por norte uma nova ética na qual os objetivos econômicos do progresso estão subordinados às leis de funcionamentos dos sistemas naturais e aos critérios de respeito à dignidade humana e de melhoria da qualidade de vida das pessoas. Sem maiores diferenças de outros países, afirma Boff (2000), no seu modelo de desenvolvimento, o Brasil, apesar da riqueza de sua biodiversidade, do potencial de 8 água potável e ainda, da riqueza de suas substâncias farmacológicas, é também um dos campeões mundiais de crescimento econômico, e evidencia a sua não sustentabilidade quando se analisa a situação dos seus recursos naturais nas últimas três décadas. Atualmente, enfrenta o conflito ideológico entre a visão neoliberal excludente e o ideologismo ambientalista, estruturado na forma de novas leis e de um ideário num contexto educacional científico administrativo e social. Apresenta-se um quadro de degradação ambiental continuada associada a um Estado desestruturado e, portanto, incompetente para coibir abusos, embora haja, no aparelho, instituições voltadas para um melhor encaminhamento das questões ambientais relacionadas com seus maiores bens naturais, (Moraes, 2001). Para Novaes (2002), a questão ambiental não é prioritária nas ações de governos brasileiros, não permeia o planejamento nem a execução, apesar dos esforços de muitas pessoas que dirigem ministérios, secretarias e outros órgãos. Da mesma forma, não são prioritárias, como orçamento, as dotações do setor ambiental, são uma fração mínima de despesas governamentais em todos os níveis. Apesar dos avanços, a questão ambiental no Brasil continua lento, mesmo com a exploração do tema em conferências, fóruns, seminários, ao longo das últimas décadas, que vem tentando acordar a sociedade para o caos ambiental a que estamos fadados, caso não sejam levadas à sério as questões relevantes relacionadas ao sonhado desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, os desafios do desenvolvimento sustentável, conforme afirma Leff (2001), se fundamentam na necessidade de formar capacidades para orientar um desenvolvimento com bases ecológicas, de equidade social, diversidade cultural e democracia participativa. Esses fundamentos permitirão a cada pessoa e cada sociedade produzir e apropriar-se de saberes, técnicas e conhecimentos para participar na gestão de seus processos de produção, decidir sobre suas condições de existência e definir sua qualidade de vida. Esta última está inegavelmente atrelada à qualidade ambiental. 1.2. Qualidade ambiental A qualidade ambiental de um ecossistema, de acordo com Tauk et al (1991), expressa as condições e os requisitos básicos que ele detém, de natureza física, química, biológica, social, econômica, tecnológica e política. Os fatores ambientais que constituem um ecossistema, em qualquer instante, podem exercer efetivamente as relações ambientais que são naturalmente afetas ao mesmo, necessárias à manutenção 9 de sua dinâmica e, por conseguinte, da dinâmica desse ecossistema de que fazem parte. A qualidade ambiental é o resultado da dinâmica dos mecanismos de adaptação e dos mecanismos de auto-superação dos ecossistemas. Assim, com base na teoria sistêmica da evolução, a qualidade ambiental é o resultado da ação simultânea da necessidade e do acaso. A qualidade ambiental faz parte, conforme Cendrero et al (2001), dos elementos que determinam a qualidade de vida, a qual se integra por nível de renda, as condições de vida e de trabalho e a qualidade ambiental. O nível de renda diz respeito ao aspecto econômico que já teve maior importância em um passado recente. Mede as necessidades primárias da sociedade (alimentação, moradia, vestuário, etc.), os critérios utilizados para o processo de tomada de decisões. As condições de vida e trabalho se referem às características dos ambientes onde homens e mulheres passam a maior parte do tempo (ruído, riscos de trabalho, iluminação, etc.), assim como os seus impactos no comportamento social. A Figura 1 apresenta como se dá a relação entre a qualidade de vida e os três componentes citados. VARIAÇÃO DE IMPORTÂNCIA NO TEMPO NÍVEL DE RENDA CONDIÇÕES DE VIDA E TRABALHO QUALIDADE AMBIENTAL QUALIDADE DE VIDA FIGURA 1 – Diagrama da variação da qualidade de vida com o nível de renda, condições de vida e trabalho e qualidade ambiental. Fonte: Cendrero et al, (2001) A qualidade ambiental deve ser interpretada, ainda conforme Cendrero et al (2001), como o marco humano, refere-se em termos gerais ao grau de conservação dos ecossistemas e a funcionalidade (serviços) que presta o ambiente ao desenvolvimento 10 social, assim como a pureza do ar, a qualidade da água, o estado e limpeza do solo e as condições do cenário urbano. A funcionalidade, como elemento da qualidade ambiental, define o papel do meio como fonte de diferentes recursos, como sumidouro de diversos tipos de resíduos gerados pelas atividades humanas e como suporte e fornecedor de serviços de atividades de toda sorte. As atividades humanas influem sobre a capacidade do meio para cumprir as três funções e, através das mudanças que podem causar nelas, na qualidade de vida. Para Jimenez-Beltran (2000), a qualidade ambiental expressa a capacidade do meio para suportar o desenvolvimento sustentável ao indicar como critérios gerais a utilização de insumos de recursos renováveis, que deve ser igual ou inferior a taxa de renovação destes. Os ritmos e as intensidades de exploração dos recursos não renováveis devem ser pequenos em comparação com as quantidades totais disponíveis. As atividades devem ser pequenas em comparação com as quantidades totais disponíveis. Devem ainda, utilizar o espaço sem ultrapassar a capacidade de recepção do território. Por fim, as emissões de diversos efluentes não devem ultrapassar a capacidade de assimilação dos receptores. Com base no exposto, Cendrero Uceda (1997), complementa que a qualidade ambiental é um conceito que se define a partir de variáveis tanto quantitativas, como qualitativas, ou seja, características e processos naturais e antrópicos que necessitam de modelos numéricos com capacidade de funcionar a partir de uma diversidade de variáveis em escala, magnitude e valoração, e, de produzir uma visão concentrada da qualidade ambiental, que permita a análise espacial e temporal dos ambientes, criando o suporte para o desenvolvimento e execução de programas de manejo desses ambientes. Bassani (1999), por sua vez, enfatiza que a qualidade ambiental está associada a uma série de conceitos que envolvem diversos tipos de comportamentos do homem, sejam afetivos, perceptivos e cognitivos, adquiridos ao longo de sua vida e de sua relação com os diversos ambientes a que tem sido exposto. Para a autora, o conceito de qualidade de vida incorpora as percepções da pessoa perante o seu ambiente, pessoa que tem uma história de vida, um conjunto de crença e valores, que possui um sistema 11 de conhecimentos sobre o ambiente e que pode se defrontar com o desconhecido diariamente. O Relatório realizado pela UNESCO em 1990, que relaciona os problemas ambientais da América Latina assinala dois níveis: a) recursos naturais: diminuição de recursos minerais, contaminação radiativa e por agrotóxicos, perda de espécies e de diversidade genética, diminuição de florestas, etc.; b) social: poluição sonora, contaminação de alimentos, migração desordenada do campo para a cidade, tráfico e consumo de drogas, insegurança social, assentamentos urbanos desordenados, etc. A população ribeirinha do Baixo São Francisco, com relação à sua qualidade de vida, encontra-se bastante alterada devido ao avançado processo de degradação ambiental, resultante de uma política de desenvolvimento insustentável adotada ao longo dos anos, pois conforme ressalta Bassani (1999), a questão da qualidade de vida está diretamente ligada aos problemas ambientais. Nessa região, afirma Santos (2001b), os recursos naturais apresentam-se seriamente comprometidos devido às diretrizes adotadas pelas políticas públicas de desenvolvimento, especialmente com a implantação das barragens ao longo do rio, cujos impactos sócio-ambientais nefastos têm sido ignorados. Esses impactos são bastante visíveis, conforme Fontes (2002), devido à acentuação do processo erosivo marginal e o assoreamento progressivo de montante à jusante, que se refletem nos usos do rio pelo homem, como a pesca, o turismo e a navegação. Aliado a isso, a falta do saneamento básico nos municípios ribeirinhos do Baixo São Francisco, também denuncia a precariedade na qualidade de vida das suas populações. Nesse contexto, a busca pela sustentabilidade da região passa a ser uma meta e obrigação de todos os segmentos da sociedade. 1.3. Sustentabilidade Sustentabilidade, mais do que um objetivo a ser atingido, é algo que se relaciona aos próprios procedimentos utilizados na promoção do desenvolvimento. Há também uma acepção ambiental que pensa, sobretudo, na não-dilapidação do capital natural, 12 como um compromisso entre gerações. Existe, ainda, uma concepção econômica, onde se fala em desenvolvimento sustentado ainda no sentido da durabilidade, da nãomortalidade das empresas e da manutenção do crescimento ao longo do tempo. Pode-se pensar sustentabilidade como a capacidade de um determinado sistema de autogerar as condições de sua própria continuidade (Luz, 2002). Para Leff (2001), o conceito de sustentabilidade surge do reconhecimento da função de suporte da natureza, condição e potencial do processo de produção. Para ele, o discurso da “sustentabilidade” leva a lutar por um crescimento sustentado, sem uma justificação rigorosa da capacidade do sistema econômico de internalizar as condições ecológicas e sociais (de sustentabilidade, eqüidade, justiça e democracia) deste processo. A ambivalência do discurso da sustentabilidade surge da polissemia do termo sustainability, que integra dois significados: um que se traduz em castelhano como sustentable, que implica a internalização das condições ecológicas de suporte do processo econômico; outro, que aduz a durabilidade do próprio processo econômico. Nesse sentido, a sustentabilidade ecológica constitui uma condição da sustentabilidade do processo econômico. Numa linguagem econômica, Cavalcanti (1998 apud BARBIER e MARKANDYA (1990), diz que o objetivo da sustentabilidade se exprime sob a forma de três restrições o que vêm enquadrar a função utilidade intertemporal: a extração de recursos esgotáveis deve se fazer a uma taxa permitindo sua substituição por recursos equivalentes; a exploração de recursos renováveis deve se fazer a uma taxa compatível com a sua renovação; a emissão de rejeitos deve ser compatível com a capacidade ecológica de assimilação. Godard (1992), afirma que a exigência de sustentabilidade não se insere dentro de um procedimento de otimização e corresponde mais a uma norma mínima de satisfação. Isto lhe é freqüentemente criticado: ela não forneceria um critério permanente de operar de maneira precisa todas as decisões necessárias. Tratar-se-ia, no melhor dos casos, de um critério parcial, se se pudesse chegar a tornar esta exigência operatória. Mas, esta fraqueza é também a sua força. Segundo o autor, a idéia de uma otimização das trajetórias de desenvolvimento a longo prazo pode ser considerada como uma má idéia, pois ela exige hipóteses por demais inverificáveis tanto sobre a evolução das técnicas quanto sobre as preferências das gerações futuras. Em outros termos, o procedimento de otimização, que tem um sentido sobre o curto e médio 13 prazos, representa, quando se aplica ao longo prazo, seja um paradigma enganador, seja a expressão de uma ditadura da geração presente sobre as gerações seguintes. Numa visão humanística, Rattner (2000), afirma que a sustentabilidade também nos remete a uma dimensão temporal pela comparação de características de um dado contexto ecológico e sóciocultural no passado, no presente e no futuro. O primeiro serve como parâmetro de sustentabilidade, enquanto que o último requer a definição do estado desejável da sociedade no futuro. Segundo o autor, experiências políticas passadas, que tentaram impor às gerações presentes os sacrifícios necessários para construir o futuro, revelam o relacionamento conflituoso e complexo subjacente a um problema aparentemente simples, conceitual ou taxonômico. Enquanto as práticas dominantes na sociedade (econômica, política, cultural) são determinadas pelas elites de poder, essas mesmas elites são também as principais referências para produção e disseminação de idéias, valores e representações coletivas. Assim, a força e a legitimidade das alternativas de desenvolvimento sustentável dependerão da racionalidade dos argumentos e opções apresentadas pelos atores sociais que competem nas áreas política e ideológica. Cada teoria, doutrina ou paradigma sobre sustentabilidade terá diferentes implicações para a implementação e o planejamento da ação social. Almeida (2002), diz que a noção de sustentabilidade pode ser melhor entendida quando atribuímos um sentido amplo à palavra “sobrevivência”. O desafio da sobrevivência – luta pela vida – sempre dominou o ser humano. Inicialmente, no enfrentamento dos elementos naturais; e, mais tarde, sobretudo agora no século XXI, no enfrentamento das conseqüências trazidas pelo imenso poder de transformação desses elementos acumulados pelo homem. Segundo o autor, um relatório de sustentabilidade deve, essencialmente, seguir os seguintes princípios: - ser pertinente com relação à proteção do meio ambiente, à saúde humana e/ou à melhoria da qualidade de vida; - subsidiar o processo de tomada de decisão; - reconhecer a diversidade das empresas; - permitir a comparação entre empresas; - ser objetivo, mensurável, transparente e verificável; - ser compreensível e significativo para os stakeholders (indivíduos, instituições, comunidades e empresas comprometidos com a sustentabilidade); 14 - ser baseado numa avaliação global (holística) da organização; - abranger as três dimensões da sustentabilidade: econômica, ambiental e social. Uma comunidade sustentável deve procurar manter e melhorar as características econômicas, ambientais e sociais de uma região de forma que seus membros possam ter uma vida saudável, produtiva e agradável ali, (Sato, 2002). Para Capra (2002), a comunidade sustentável é feita de tal forma que seus modos de vida, seus negócios, sua economia, suas estruturas físicas e suas tecnologias não se oponham à capacidade intrínseca da natureza de sustentar a vida. O que é sustentado numa comunidade sustentável não é o crescimento econômico nem o desenvolvimento, mas toda a teia da vida da qual depende a longo prazo, a nossa própria sobrevivência. Nessa linha, torna-se evidente a necessidade de desenvolver instrumentos que permitam avaliar o progresso em matéria de sustentabilidade. 1.3.1. As dimensões da sustentabilidade As perspectivas da sustentabilidade se traduzem em experiências práticas diversificadas, construídas no mundo inteiro, fundamentadas numa visão holística, participativa e de aprendizado com a própria natureza, (Oliveira, 2003). Para Capra (1996), a noção de sustentabilidade só se torna real quando construída sobre uma verdadeira mudança de paradigma. O pensamento holístico compreende cada fenômeno dentro do contexto de um todo integrado, cujas propriedades surgem das relações entre as suas partes, permitindo a percepção do mundo como um sistema vivo que se auto-organiza, se auto-regula e se perpetua a partir das relações entre seus diversos componentes todos interdependentes e complementares. Essas relações, afirma Lovelock (1991), proporcionam as características ideais para a existência e a manutenção da vida sendo, portanto, fundamental a participação de cada elemento neste todo formado por diversidades. Silva (2000), diz que a sustentabilidade sendo um tema de natureza interdisciplinar, e, portanto, com expressão em diferentes áreas do conhecimento, exige o reconhecimento de sua complexidade e de seu enfoque pluridimensional, sendo necessário, além das interações entre as disciplinas, a conexão efetiva entre os diversos atores sociais envolvidos. Para Acserald (1999), a noção de sustentabilidade só pode se 15 delinear a partir das práticas, de forma que se obtenha resultados concretos, em conformidade com suas diversas dimensões. Capra (2002), defende que na qualidade de membros da comunidade humana, uma vez imbuídos em construir comunidades sustentáveis, nosso comportamento deve manifestar um respeito pela dignidade humana e pelos direitos humanos básicos. Ele diz que, uma vez que a vida humana engloba necessidades biológicas, cognitivas e sociais, os direitos humanos devem ser respeitados nessas três dimensões. Sob o aspecto biológico inclui-se o direito a um ambiente sadio e a alimentos seguros e saudáveis; o respeito à integridade da vida acarreta necessariamente a rejeição do registro de patentes de formas de vida. Os direitos humanos na dimensão cognitiva são, entre outros, o direito de acesso à educação e ao conhecimento e a liberdade de opinião e de expressão. Na dimensão social, ressalta-se o primeiro direito humano, nas palavras da Declaração de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) que é o direito à vida, à liberdade e à segurança da pessoa, da justiça social, direito de reunir-se pacificamente, passando pelos direitos à integridade cultural e à autodeterminação. Sachs (1993), defende cinco dimensões de sustentabilidade necessárias para o planejamento de desenvolvimento sustentável. A sustentabilidade social que tem como meta uma sociedade com maior equidade, reduzindo a distância entre as classes de pobres e ricos; a sustentabilidade econômica que deve ser voltada para a alocação e gerenciamento mais eficientes dos recursos e de um fluxo constante de investimentos públicos e privados; a sustentabilidade ecológica baseada na redução das agressões ao meio natural e cumprimento da legislação vigente; a sustentabilidade espacial que deve equilibrar a relação rural-urbana, descentralizando grandes aglomerados humanos, adotando medidas que diminuam o êxodo rural, evoluindo as áreas rurais com incrementos industriais e a sustentabilidade cultural que deve modernizar sem violentar o aspecto cultural. Procurar soluções específicas para o local, o ecossistema, a cultura e a área. Sendo estratégia ou metodologia, sendo utopia ou realidade, a sustentabilidade precisa ser trabalhada em suas mais diversas dimensões para mudar os processos políticos e sociais já arraigados no planeta. Resta à sociedade a boa vontade e determinação para burlar esse sistema que desrespeita o cidadão e a natureza, ignora a democracia e desconhece o que é sustentabilidade. 16 1.3.2. Insustentabilidade do desenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco A bacia hidrográfica do rio São Francisco é representada por uma grande área, de domínio federal, banhando 504 municípios de cinco Estados brasileiros. A bacia possui topografia variada e rica, onde estão assentadas mais de mil núcleos urbanos, que variam de pouco mais dos 300 aos 2,5 milhões de habitantes, distribuídos em vilas, distritos, e cidades, dispostos em paisagens de cerrado, caatinga, mata atlântica, cânion, um extraordinário patrimônio natural e cultural, marcado de maneira contundente desde o início do processo de penetração e ocupação do interior brasileiro, há 500 anos (Paraguassú, 2002). Esse processo de ocupação promoveu, segundo o autor, e promove, ainda hoje, intensa insustentabilidade, seja pelos métodos de extração e exploração dos recursos naturais, passando pelas opções adotadas para o armazenamento de água, pelos mais diversos tipos e forma de produção praticadas, com claros reflexos sociais, ambientais e econômicos, ou ainda, pela sua intensa rede urbana, agravada pelo pouco ou nenhum cuidado com a infra-estrutura das cidades, com grande destaque para o saneamento. Apenas 8% dos municípios da bacia possuem esgotamento sanitário. O São Francisco não é ladeado somente pelas cidades ribeirinhas, mas por todos os municípios de seus tributários que deságuam em sua calha. O esgoto, o assoreamento e a mineração chegam também de outros rios (Ferreira, 2002). A bacia, com sua múltipla utilização, presenteia a população urbana e rural com o seu potencial energético, agropecuário, agroindustrial e turístico que por sua vez, retribui com atividades predatórias exercendo pressões sobre seus recursos naturais, mais especificamente os recursos hídricos, que sofrem com a irrigação de 336.200 hectares, correspondente à cerca de 11% dos 2,9 milhões de hectares de área irrigada do Brasil, segundo (PAE, 2004), agredindo ambientalmente a bacia como um todo. Não somente ações antrópicas que em 1985, já atingia 24,8% da área da bacia, sendo desse total, 16,6% com ocupação por pastagens, 7% com agricultura, 0,9% com reflorestamento e 0,3% com usos diversos, (PAE, 2004), somado ao descaso das autoridades, a falta de articulação institucional para desenvolver ações integradas também tem dificultado a execução de projetos de revitalização da bacia, o que levou o Secretário Nacional de Recursos Hídricos em pronunciamento no Senado em 2002, resumir a questão dizendo: “o São Francisco está na UTI”. 17 Alguns dados marcantes registram a degradação ao longo do rio. No seu alto curso, o São Francisco já perdeu 95% das matas ciliares. O desmatamento das margens dá-se em todo o trajeto. No norte de Minas, 75% da vegetação regional foram destruídos com a construção da rodovia Belo-Horizonte-Brasília na década de 60. Depois da construção da usina Três Marias, em 1960, grandes reservatórios seccionaram seu curso na década seguinte, coincidindo com o crescimento da irrigação e o definhamento das espécies de piracema. O oeste baiano tornou-se pólo agrícola na década de 80. Em Minas, nos últimos 20 anos, 50% dos cerrados foram transformados em carvão. A siderurgia mineira consome 6 milhões de toneladas, por ano, do ouro negro, 40% provenientes de derrubadas de mata nativa. Isso acarreta uma grande erosão, pois são arrastados 18 milhões de toneladas de solo para a calha do São Francisco anualmente. (Cerri, 2000). No seu baixo curso, os sucessivos barramentos construídos desde 1950, têm trazido conseqüências sócio-econômicas-ambientais desastrosas como a crescente diminuição do pescado, com índices insustentáveis para a subsistência da maioria da população, a erosão marginal devido a diminuição da vazão do rio, com prejuízos até nos perímetros irrigados, devido à perda de terras. Para Vieira (2003), o Velho Chico exige uma ação objetiva e imediata, que reverta a tendência de redução de seu caudal e de perda total da qualidade de suas águas, ou seja, ações que contemplem a sustentabilidade da bacia. 1.4. A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco no cenário nacional O rio São Francisco, também conhecido como “Rio da Unidade Nacional”, ou apenas, “O Velho Chico”, com sua nascente no rio Samburá, na serra da Canastra em Minas Gerais e sua foz no oceano Atlântico sul, no povoado Cabeço, Município de Brejo Grande, no Estado de Sergipe, possui 2.863 Km de seu extenso curso de água e atravessa os Estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Pernambuco, Alagoas e Sergipe e ainda uma pequena parte do Distrito Federal, percorrendo 504 Municípios, ( 9% do total de Municípios do país) (DAB, 2003). A Bacia abrange uma área de 639.212 Km2 de área de drenagem, correspondendo a 7,5% do território brasileiro, com uma população cerca de 16,14 milhões de habitantes, o que equivale a 9,5% da população do país, sendo destes, 18 11.552.964 habitantes em zona urbana, 4.591.068 habitantes em zona rural, taxa de urbanização de 77% e densidade demográfica de 22 hab/Km2 (PAE, 2004). Estrategicamente bem situada, a bacia liga a Região Sudeste à Região Nordeste o que lhe confere grande complexidade no tocante a precipitações pluviométricas que variam com valores superiores a 2.000mm nas suas cabeceiras, até a zona semiárida/árida da Bahia e Pernambuco, com menos de 360mm, aumentando daí em direção a foz com valores médios anuais em torno de 1.300mm (DAB, 2003). A Bacia possui ainda, cinco biomas, mata atlântica, cerrado, caatinga, restinga e mangue, sendo a ocorrência de fragmentos de floresta atlântica no Alto São Francisco, devastada pelo uso agrícola e pastagens, nas cabeceiras. O cerrado prevalece na metade da área da bacia situando-se no oeste do Estado de Minas Gerais e sul da Bahia. A caatinga predomina no nordeste da Bahia e a Mata Seca em regiões mais úmidas nas margens dos rios (PAE, 2004). De acordo com a Agência Nacional de Água (ANA), a vazão regularizada média na foz é de aproximadamente 2.810 m3/s. Os rios do Estado de Minas Gerais contribuem com cerca de 2.042 m3/s, o que corresponde a 72%. Os rios bahianos contribuem com aproximadamente 610 m3/s, equivalente a 22%. Os 158 m3/s restantes ou 6%, se distribuem entre os Estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Os rios que nascem no Distrito Federal e Goiás possuem vazões reduzidas cujos valores estão incorporados às do Estado de Minas Gerais. A partir da barragem de Sobradinho a vazão regularizada mede 2.060 m3/s. Aproximadamente 343.784 Km2 da Bacia do São Francisco, estão incluídas no Polígono das Secas, o que corresponde a 53,8%, compreendendo 251 municípios e mais de 5.680.000 habitantes, (PAE, 2004). A Comissão do Senado Federal de Acompanhamento do Projeto de Revitalização do São Francisco recomendou uma revisão dos limites estabelecidos das grandes regiões fisiográficas da Bacia do São Francisco, apresentada em 1967, ficando os limites atuais como Alto São Francisco, compreendendo das nascentes à confluência do rio Jequitaí em Minas Gerais; Médio São Francisco, da confluência com o rio Jequitaí à barragem de Sobradinho – Pernambuco/Bahia; Sub-Médio São Francisco, da barragem de Sobradinho a Belo Monte em Alagoas e o Baixo São Francisco, de Belo Monte à foz – Alagoas/Sergipe, conforme se apresenta na Figura 2 . 19 FIGURA 2 – Nova divisão fisiográfica da Bacia do Rio São Francisco. Fonte: Projeto ANA/GEF/PNUMA/OEA, (2004). Esses novos limites foram motivo de forte discussão por parte de integrantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), representantes de organizações governamentais e não-governamentais (ONG’s), pescadores e entidades que participaram do Fórum de Debates sobre a Conservação da Região da Foz do Rio São Francisco, realizado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, através da Câmara Consultiva Regional do Baixo São Francisco, na cidade de Aracaju/SE, em setembro de 2003. 1.4.1. Breve histórico sobre o gerenciamento das águas da Bacia O papel da Bacia do São Francisco, dentro do contexto econômico e social brasileiro vem sendo, há muitos anos, referendado através de ações e estudos do governo e instituições, à exemplo da criação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF), desde 1945 (DAB, 2003 e PAE, 2004). Em 1948, foi criada a Comissão do Vale do São Francisco (CVSF); em 1950, foi elaborado o Plano Geral para o Aproveitamento Econômico do Vale do São 20 Francisco da CVSF; em 1961, foi formado o lago de Três Marias (represas de Três Marias, Sobradinho e Itaparica) que tem influência decisiva no regime hidrológico da bacia e início da operação da hidrelétrica. Em 1964, foi firmado Convênio entre a CVSF, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e a United States Agency for International Development (USAID), para execução pelo United States Bureau of Reclamation (USBR) do Reconhecimento dos Recursos Hidráulicos e de Solos da Bacia do Rio São Francisco. Em 1969, foram iniciados os trabalhos do Comitê de Estudos Energéticos do Nordeste (ENENORDE). Em 1974, foi concluído o Plano de Desenvolvimento Integrado do Vale do São Francisco pelo Development and Resources Corporations (DRC), e, foi criada a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF), em substituição a SUVALE que em 1967, substituiu a CVSF. Em 1978, foi formado o lago de Sobradinho e iniciada a operação da sua hidrelétrica. Em 1979, foi criado o Comitê Especial de Estudos Integrados do São Francisco (CEEIVASF), que permaneceu até 2002, como fórum de discussão dos organismos governamentais da bacia. Em 1982, foram iniciados os estudos pelo governo federal para a transposição das águas do São Francisco para vários estados do Nordeste localizados fora da bacia, fato gerador de grandes discussões e polêmicas atuais. Em 1988, formação do lago de Itaparica e início da operação da hidrelétrica. Em 1989, conclusão do Plano Diretor para o Desenvolvimento do Vale do São Francisco (PLANVASF), coordenado pelo Ministério do Interior, CODEVASF e SUDENE, com a colaboração da OEA e aprovado posteriormente pela Lei 8.851/94. Em 1993, início da elaboração de Planos Diretores de Recursos Hídricos de 15 sub-bacias de afluentes do São Francisco, realizados por empresas consultoras para a Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (SRH/MMA), ainda não aprovados. Em 1996, o governo brasileiro solicitou, através da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (SRH/MMA), para a cooperação do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF), Programa das Nações Unidas para o Meio 21 Ambiente (PNUMA) e Organização dos Estados Americanos (OEA), a elaboração de um Plano de Ações Estratégicas para a Bacia do rio São Francisco e sua Zona Costeira. Em 2000, iniciou-se aos Estudos de Revitalização Hidroambiental da Bacia, pelo Ministério da Integração Nacional (MI). Em 2001, foi transferida a execução nacional do projeto GEF São Francisco para a Agência Nacional de Água (ANA); criou-se o projeto de Revitalização e Conservação da Bacia do Rio São Francisco pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da Comissão da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e iniciou-se os trabalhos da Comissão Especial de Acompanhamento do Projeto de Revitalização do Rio São Francisco do Senado Federal, (DAB, 2003). Em 2002, foi criado o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e apresentou-se a proposta de Plano de Recursos Hídricos da Bacia do São Francisco, preparado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (SRH/MMA). No ano de 2003, os Ministérios da Integração Nacional e do Meio Ambiente, suas companhias e agências começaram a revisão dos planos e programas referentes à revitalização da bacia. Iniciou-se as atividades do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) com a eleição da sua primeira diretoria; elaboração do Diagnóstico Analítico da Bacia do São Francisco e da sua Zona Costeira (DAB), pela ANA/GEF/PNUMA/OEA e elaboração do Plano Plurianual de Ação (PPA) para 2004 – 2007 (DAB, 2003). Em setembro de 2003, realizou-se na cidade de Aracaju/SE o Fórum de Debates: A Conservação da Região da Foz do Rio São Francisco, iniciativa do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco através da Câmara Consultiva Regional do Baixo São Francisco e contou com a participação de pescadores, ONG’s, professores e alunos das universidades de Alagoas, Sergipe e Bahia, Instituto do Meio Ambiente (IMA)/AL/SE, IBAMA (AL e SE), CHESF e CODEVASF. Na oportunidade foi discutida a melhor forma de conservação, de acordo com o Sistema Nacional de Unidade de Conservação, lei federal de 2000, que rege todas as unidades de conservação como a Área de Proteção Ambiental (APA), Parque Nacional e Reserva Sustentável. Cada expositor apresentou os impactos da não conservação da foz, como a erosão, a dificuldade de navegação, o assoreamento do rio, a destruição da vegetação e outros fatores que culminam na perda da biodiversidade. 22 Em outubro de 2003, realizou-se a II Reunião Plenária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, no Município de Penedo, Estado de Alagoas, quando foi discutido o Programa de Ações Estratégicas para o Gerenciamento Integrado da Bacia (PAE/GEF) e deliberação sobre o posicionamento do CBHSF. Discussão e deliberação sobre o planejamento do Plano de Bacia e sobre o Termo de Referência para preparação do Plano. Discussão e deliberação sobre o Marco Regulatório Provisório e Diretrizes de Outorga, com ênfase nas diretrizes e critérios para grandes usos e estabelecimento dos critérios para usos insignificantes. Discussão, posicionamento e encaminhamentos do CBHSF em relação ao novo plano que está sendo divulgado pelo governo federal para novos usos das águas do rio São Francisco (incluindo transposições, novas barragens, aporte de águas da bacia do Tocantins) e ações de revitalização da bacia. Discussão e deliberação sobre os encaminhamentos para a participação do CBHSF no Projeto de Conservação e Revitalização da Bacia do São Francisco, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e sobre as diretrizes e prioridades indicadas pelo CBHSF. Apresentação dos problemas regionais hidroambientais mais relevantes, através da Câmara Consultiva Regional do Baixo São Francisco. Discussão e deliberação sobre as diretrizes gerais e principais ações para o Plano de Ações 2004 e calendário de reuniões do Plenário. 1.4.2. Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco São milhões de pessoas que vivem rio abaixo das represas, em especial as que dependem das planícies de inundação naturais e da pesca e presenciam seus meios de subsistência seriamente prejudicados e, conseqüentemente, o perigo à produtividade futura de seus recursos, que gera o empobrecimento e sofrimento das mesmas. Falar de ações de revitalização da bacia, requer um comentário sobre a situação atual proveniente dos impactos ambientais notórios, principalmente no Baixo São Francisco, considerada a parte mais afetada pela construção de barragens. O assoreamento que favoreceu o aparecimento de novas ilhas, que por sua vez, dificultam a navegação, o aumento de macrófitas (algas), o impedimento à migração de peixes (UFAL, 2003). A ausência de cheias que promoveu o desaparecimento de lagoas marginais, a perda de terras férteis, a baixa produtividade da água, a redução da produção pesqueira e o aumento da área alagada. 23 Os impactos da expansão do cultivo da cana de açucar que facilitou o desmatamento em muitas áreas, conseqüentemente, a retração dos “habitats”, o lançamento de gases, de material particulado das queimadas, de metais pesados e contaminação do lençol freático, de efluentes poluidores, a devastação da mata ciliar e nascentes, a privatização das águas, os conflitos de terras, a redução da vegetação nativa utilizada para artefatos de pesca e artesanato (CODEVASF, 1984). Os impactos da aqüicultura que favoreceu o uso de espécies exóticas e nãonativas, a eutrofização, a desagregação da categoria, a baixa lucratividade, a inexperiência, a dificuldade de comercialização e, conseqüentemente, a alteração cultural. Os impactos na produção pesqueira que são a baixa fertilidade da água, a ausência do pulso de inundação (floodpulse) nas lagoas, o desaparecimento de “habitats”, a redução de estoques da pescaria comercial e empobrecimento dos pescadores artesanais (UFAL, 2003). De acordo com Brasil (2002), os Estados de Sergipe e Bahia projetam a construção de canais de irrigação (Dois Irmãos e Xingo) com recursos já previstos no Plano Plurianual (PPA), sendo que para a sua execução e utilidade futura, há que se garantir adequado suprimento de água a ser transferido pelo rio São Francisco. O rio São Francisco está no seu limite hídrico, ou seja, abaixo do necessário para possibilitar o desenvolvimento econômico e social. É assim que a Organização das Nações Unidas (ONU) classifica a disponibilidade hídrica média do Nordeste semiárido. As chuvas irregulares, temperaturas entre as mais altas do país (média superior a 26 graus centígrados), período médio de isolação de 2.800 horas anuais, evaporação cerca de três vezes superior à precipitação média e, para complicar, solos rasos (2/3 sobre base cristalina) e com poucos cursos de água perenes. Nessas condições, avança o processo de desertificação em muitas áreas (Araújo, 2003). Segundo Paraguassú (2002), revitalizar significa recuperar o ecossistema e a economia proporcionando melhores condições de vida e trabalho para as comunidades ribeirinhas. Para recuperar o ecossistema e manter o equilíbrio ambiental é necessário executar a recuperação das áreas degradadas, através de ações simples como reflorestamento, recomposição da cobertura vegetal nas margens, recomposição da mata ciliar, contenção do processo de erosão marginal, implantação do sistema de saneamento básico nas cidades ribeirinhas, sistematização da educação ambiental, é, enfim, fazer o gerenciamento ordenado da bacia. 24 A revitalização do São Francisco é de importância fundamental, defende Brasil (2002), principalmente para o semi-árido nordestino, pois abre perspectivas para a implementação de projetos relevantes que aumentem a produção e a geração de empregos na região e continuidade dos projetos já em andamento. Para Paraguassú (2002), o Programa de Conservação e Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, se não é a primeira, certamente, é uma das mais importantes e complexas iniciativas de desenvolvimento sustentável de âmbito regional em curso no Brasil. Para o autor, este é um desafio para muitos mandatos, muitos governos, várias gerações de brasileiros, nordestinos e principalmente, são franciscanos. O Programa é coordenado pela Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente (MMA) por meio do comitê gestor e objetiva atender a projetos de infraestrutura com forte conteúdo social (esgotamento sanitário, água e resíduos sólidos), bem como desenvolver ações estruturadoras nas áreas de saúde e educação. Para isso, é necessário a participação e articulação entre as instituições federais, estaduais e municipais, bem como a sociedade organizada e o setor produtivo. O apoio aos Ministérios Públicos estaduais, por meio da estruturação de uma rede de agências na bacia para oferecer os serviços que garantam os direitos elementares e efetuem a cobrança dos deveres dos cidadãos, sem os quais, não se poderá falar em plena cidadania. Segundo Brasil (2002), apesar dos desequilíbrios existentes na região semiárida, ela responde por 64% da produção agrícola e por 67% da área irrigada em todo o Nordeste. A revitalização da bacia, principalmente para o Baixo São Francisco, significará, sem dúvida, a volta à vida para a comunidade ribeirinha, uma vez que os Estados de Sergipe, Bahia e Alagoas sustentam grande parte de sua economia com base no aproveitamento do rio, pois conforme Cerri (2000 apud DUMONT, 2003), “como o São Francisco não é apenas um rio e um povo não é um mercado, mas sim uma interação de gente, cultura, trabalho, memória, política e fé, articulados em unidades de poder local. Um pouco como o velho pescador e seu fiel companheiro, Mata Grande, que zarpam diariamente do porto da Barra, lá na Bahia, mal o sol cutuca o escuro. Em terra, ninguém dá nada por eles. Um velho e um vira-lata. Mas, juntos, entrelaçados ao rio e à camaradagem que os une, que bela aposta no futuro eles simbolizam!” 25 1.4.3. Usos e conflitos dos recursos hídricos O maior desafio das últimas décadas é, sem dúvida, a exploração racional dos recursos hídricos, considerando seus usos múltiplos. A explosão demográfica, a expansão das áreas irrigadas, o crescimento industrial, além da intensificação de outros usos, são fontes geradoras de conflitos que tendem a se agravar à proporção que aumenta a escassez e a poluição desse bem. O gerenciamento de recursos hídricos pode ser entendido como conjunto de instrumentos e ações que visam ao aproveitamento múltiplo e racional desses recursos para atender a todos os usos em quantidade e padrões de qualidade. Para assegurar a sustentabilidade dos recursos hídricos será indispensável que seu gerenciamento seja efetuado de forma descentralizada e participativa (Sergipe, 2002). A adoção da bacia hidrográfica como unidade de planejamento, representa princípios, normas e padrões de gestão de água utilizados em todo o planeta que permite a gestão descentralizada e participativa das águas, envolvendo múltiplos usos e diferentes formas de compartilhamento, permitindo também o acesso a todos os usuários, além do seu reconhecimento como um recurso finito, vulnerável e com valor econômico (Sergipe, 2000). Os principais usos, problemas, conflitos e potencialidades relacionados com os recursos hídricos da bacia do São Francisco em todas as regiões fisiográficas foram levantados pelos órgãos governamentais, não governamentais, instituições e pela população ribeirinha através de discussões efetuadas em diversos eventos realizados nos últimos seis anos. A Bacia do São Francisco atende a diversas categorias de usos da água, potencialmente, a geração de energia com um suporte de 10.500 MW, a agroindustrialização, a agropecuária, a irrigação, predominando com 68% do total da área utilizada na bacia, a navegação que utiliza 1.243 km de vias navegáveis, e o abastecimento urbano (DAB, 2003), são as demandas que necessitam do potencial do rio e movimentam a economia da bacia e que estão ameaçados mediante a idéia da transposição. Esses problemas e conflitos relacionados aos recursos hídricos e interações ambientais na Bacia do São Francisco, estão elencados no Quadro 1, apresentado no Programa de Ações Estratégicas para o Gerenciamento da Bacia do Rio São Francisco e sua Zona Costeira – PAE, 2004. 26 Problemas identificados Conflitos existentes . desmatamento e queimadas, inclusive de . uso das águas como receptoras de resíduos, matas ciliares; lançamento de efluentes versus usos da água . uso e ocupação desordenada do solo e de que exigem qualidade adequada como abastecimento, piscicultura e recreação; práticas não-conservacionistas; . lançamento de esgotos sem tratamento e . geração de energia versus piscicultura e a biodiversidade no meio hídrico, decorrente do resíduos sólidos sem destinação final efeito dos reservatórios, eliminando nutrientes adequada; . uso indiscriminado de agrotóxicos e das águas; fertilizantes; . . atividades que causam erosão do solo como . erosão e carreamento de sedimentos; agricultura, mineração versus usos que . assoreamento dos cursos d'água e falta de necessitam de tirantes de água adequados condições de navegabilidade; como navegação, ou pouca carga de . alteração do regime hídrico pela operação sedimentos nas águas; . conflito ANA versus ONS no tema operação das barragens de regularização; . desperdício de água; . proliferação de de reservatórios; . conflito de competências/ações ANA versus "algas cabelo" no leito do Baixo São Francisco; ANEEL versus MMA versus MI; . navegação versus geração de energia . pesca predatória e conseqüente declínio decorrente da operação do reservatório de dos recursos pesqueiros; Três Marias; . exploração mineral sem controle; . vazão do rio versus desaparecimento de . perfuração indiscriminada de poços; lagoas marginais; . degradação das lagoas marginais; . instalação de tanques-rede versus qualidade da . pobreza aguda e miséria rural no semiágua; árido; . vazão do rio para energia versus outros usos . falta de água para abastecimento de (pesca, irrigação, navegação, abastecimento); comunidades mais pobres do semi-árido; . quantidade de nutrientes versus diminuição da . falta de integração entre os órgãos pesca; governamentais e ausência de coordenação . barragens versus ecossistemas e dos diversos estudos e projetos realizados; biodiversidade; . falta de planejamento integrado e recomposição floresta versus proprietário deficiência no controle e fiscalização por versus poder público; parte dos órgãos públicos; . vazão do rio versus perda de áreas produtivas, . frágil educação ambiental e várzeas; conscientização dos ribeirinhos; . uso de agrotóxicos versus abastecimento . descrédito da população nas ações humano; governamentais . desmatamento versus baixa renda da população QUADRO 1 – Problemas e conflitos relacionados aos recursos hídricos e interações ambientais na Bacia do São Francisco. Fonte: PAE, (2004) Na identificação dos problemas e conflitos no gerenciamento do uso dos recursos hídricos da Bacia do São Francisco, dentre os problemas levantados, foram destacados oito (8) mais críticos e relevantes que constam também no diagnóstico: falta de articulação institucional; conflitos de uso de água; insuficiência de água para uso múltiplo; modificação degradatória do ecossistema aquático; fontes de poluição pontual e difusa; modificação do uso e ocupação inadequada do solo; explotação desordenada da água subterrânea dissociada da superficial e restrições à navegação. 27 1.4.4. Os Comitês de Bacias Hidrográficas “Os Comitês de Bacias são fundamentais no processo de gestão das águas, e se constituem a partir da própria organização da sociedade, atuando o governo estadual como orientador e motivador do processo, realizando políticas próprias de recursos hídricos, que incluem a criação de programas de conservação e manejo” (RECURSOS, 2000). A Lei Federal n° 9.433 de 8 de janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Recursos Hídricos, estabelece, entre outras coisas, a criação dos Comitês de Bacias Hidrográficas formados por usuários, prefeituras, ONGs, empresas, associações e representantes dos governos estadual e federal – e a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. O princípio legal que orienta o funcionamento dos comitês de bacias hidrográficas é o da descentralização da atuação do poder público para facilitar o monitoramento e controle dos recursos hídricos. A bacia é, em sua “ totalidade”, a área de atuação dos comitês, que podem promover debater, aprovar e acompanhar a execução do plano de recursos hídricos da bacia e sugerir as providências necessárias ao cumprimento de suas metas, arbitrar em primeira instância conflitos relacionados aos recursos hídricos, avaliar os casos de isenção de outorga pela insignificância da utilização, estabelecer mecanismos de cobrança e valores e estabelecer critérios para rateio de obras de interesse coletivo. A composição dos comitês tem a participação dos usuários e das organizações civis, o que lhe confere um caráter especial, visto que a totalidade de representantes dos Poderes Públicos não pode exceder à metade, ou seja, eles não detém a maioria nos comitês, o que evita a aprovação de projetos danosos à comunidade, degradantes aos cofres públicos, e, algumas vezes, prejudiciais ao meio ambiente (Matos, 2001). Essa participação de componentes da comunidade nos comitês de bacias hidrográficas, facilita e viabiliza a gestão dos recursos hídricos com a execução de programas de conservação e manejo, uma vez que essa comunidade é quem vivencia os problemas de sua localidade. A gestão dos recursos hídricos deve ser integrada com a gestão ambiental e contemplar programas com medidas e ações voltadas para o combate à poluição dos mananciais pelos resíduos sólidos gerados na bacia. Portanto, os comitês de bacias hidrográficas têm uma grande missão mediante a gestão dos resíduos sólidos na bacia de sua responsabilidade. Através de debates no 28 comitê da bacia, na base, poderá ser feita uma melhor avaliação das políticas de recursos hídricos e meio ambiente a serem implementadas, respeitando a realidade local. No Brasil, são aproximadamente 100 comitês de bacias hidrográficas, instituídos dentro dos trâmites legais, que tentam modificar o quadro de degradação da qualidade e quantidade das águas dos rios e seus impactos diretos nos usos para abastecimento doméstico, industrial, irrigação, recreação, pesca e outros usos. Há uma grande expectativa com relação a implantação e regulamentação da outorga dos recursos hídricos e das Agências de Bacias (Lima, 2003). Praticando a gestão democrática, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco tem realizado reuniões com freqüência como a II Reunião Plenária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, em outubro de 2003, no Município de Penedo/AL, que teve como objetivo promover uma discussão com representantes da sociedade civil organizada e governamental, a fim de gerar subsídios e encaminhamentos norteadores para a elaboração de propostas concretas para a preservação da foz do Velho Chico e discutir as atribuições do comitê, dentre as quais estão: estabelecer os marcos regulatórios para o uso das águas do São Francisco e seus afluentes, à exceção daqueles que têm comitês próprios, além de estabelecer os quantitativos para outorgas. O comitê será encarregado da cobrança pelo uso da água bruta (através da sua própria agência de bacia), além de se transformar no fórum indicado para diminuir os conflitos gerados pelo uso da água em consonância com normas estabelecidas pelo Conselho Nacional dos Recursos Hídricos. Também é função dos comitês, articular as ações ambientais, desenvolvimentistas, culturais e institucionais no contexto da bacia hidrográfica, estimulando consórcios municipais, programas integrados de desenvolvimento, ações interestaduais e ampla interface com programa e projetos da União, estados, municípios, empresas e outros entes institucionais. As reuniões dos comitês são abertas à participação pública, mas apenas os membros titulares ou suplentes têm direito à voz e voto. Enfim, os comitês de bacias hidrográficas, através de seus participantes, podem e devem ajudar na identificação dos principais impactos da bacia que poderão ser monitorados através de indicadores ambientais. 29 1.5. As agressões ao meio ambiente – os impactos ambientais no Baixo São Francisco O planeta terra tem sido submetido a correntes mudanças hidrográficas, climáticas e biológicas que, segundo Stern et al (1993), diferem dos episódios anteriores de mudança global, uma vez que apresentam um indiscutível componente antrópico. Os seres humanos, tanto individualmente como coletivamente, sempre procuraram mudar o mundo que lhes cerca. Mas, pela primeira vez, eles começaram a desempenhar um papel fundamental no sentido de alterar os sistemas biogeoquímicos globais e a terra como um todo. As mudanças globais que se agigantam, são resultados de impactos ambientais que descaracterizam os grandes ecossistemas tanto em nível global como local. Para Tauk (1991), impacto ambiental consiste no resultado da variação da quantidade e/ou da qualidade de energia transacionada nas estruturas aleatórias dos ecossistemas diante da ocorrência de um evento ambiental capaz de afetá-las, quer ocasionando eventos derivados, quer modificando a natureza e a intensidade do comportamento e/ou a funcionalidade de pelo menos um conjunto de fatores ambientais, beneficiando-os ou prejudicando-os nas relações que mantêm entre si e com outros fatores a eles vinculados. Em suma, os impactos ambientais afetam a estabilidade preexistente dos ciclos ecológicos, fragilizando-a ou fortalecendo-a e sua classificação é feita levando-se em conta os atributos de natureza, duração, incidência, ocorrência temporal e geográfica. Conforme Araújo (1999), e Silva (2001), impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia que, direta ou indiretamente afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; o meio biótico, a qualidade dos recursos ambientais, sendo essas alterações física, química e biológica sofridas pelo meio ambiente decorrentes de atividades antrópicas. O modelo de desenvolvimento adotado também tem gerado inúmeros impactos negativos, não somente ao meio físico, como modificações climáticas, inundações de jazidas minerais, inundações de áreas férteis, modificação no uso do solo, alterações na qualidade da água, eutrofização e processo erosivo das margens, mas também ao meio 30 antrópico e biótico, comprometendo a qualidade de todo o ecossistema (Casado, 2000a apud OFICINA, 2000). O Baixo São Francisco sergipano enfrenta hoje as conseqüências de um modelo de desenvolvimento que, ao longo de décadas, têm comprometido a Bacia como um todo, necessitando de medidas urgentes que promovam a reparação ou mitigação dos mais variados impactos já constatados. Os projetos de desenvolvimento executados, como afirma Casado (2000a), muitas vezes não contemplam a conservação dos recursos naturais da Bacia nem a efetiva melhoria da qualidade de vida das populações da região. O que ocorre é um aproveitamento dos recursos de solo e água para um desenvolvimento econômico que não trás uma melhor distribuição de renda para a população que sofre com as alterações ocorridas. Essas alterações se fazem sentir também no solo através da erosão, da acidificação, acúmulo de metais pesados, da redução de nutrientes e de matéria orgânica e tendo como resultado a perda de área produtiva, da produção e da renda familiar, alterando dessa forma a qualidade de vida da população (Holanda et al, 2000). Santos (2002), através de estudos no Baixo São Francisco, fez um levantamento do alcance dos impactos ambientais, econômicos e sociais com suas projeções para o futuro, onde todos tenderam de moderado nas condições presentes, para severo nas condições futuras. O autor citado, utilizou a metodologia GIWA (2001) – Global Internacional Waters Assessment, cujo objetivo é avaliar, medir, qualificar, quantificar ações mitigadoras que sejam abrangentes e significativas e que possam ser utilizadas tanto em nível local como global, ou seja, indicadores de sustentabilidade. Os impactos foram avaliados numa escala de quatro pontos, onde: 0- sem impacto conhecido; 1- impacto baixo; 2- impacto moderado; 3 – impacto severo. O problema ambiental mais crucial detectado, foi a redução da disponibilidade de água doce que decorre da modificação da vazão hídrica, da poluição das fontes de abastecimento existentes e das mudanças no lençol freático. No âmbito social e comunitário, são sentidos os impactos como perdas de uso recreativo e de valores estéticos do Rio São Francisco face à modificação da paisagem devido ao assoreamento e erosão das margens; mudanças nas oportunidades de trabalho para as populações locais; desigualdade entre gerações – filhos de pequenos irrigantes preferem trabalhar como diaristas em outros lotes que não os das famílias; redução da disponibilidade de peixe como alimento; perdas de uso agrícola dos lotes já afetados pela erosão e redução de uso futuro dos lotes próximos às áreas afetadas pela erosão. 31 Conforme Souza (1998), além dos impactos com a construção de barragens à montante do rio, da retirada de grandes volumes d´agua para a irrigação da agricultura, da construção de um porto ao sul da foz do São Francisco, de toda uma carga de esgotos domiciliares e drenagem de fertilizantes da agroindústria lançados ao longo do rio, a área do baixo São Francisco sergipano, principalmente na sua desembocadura, tem estado sujeita a intensos processos erosivos e processos deposicionais na face alagoana. Esses causam profundas alterações no ecossistema, provocando uma série de danos, muitas vezes irreversíveis, com um acentuado desequilíbrio das características geomorfológicas, físicas, químicas e biológicas, além de prejuízos socioeconômicos. Esses impactos negativos, de acordo com Holanda (2000a), estão relacionados com a mudança do regime fluvial do rio, a partir dos barramentos construidos, que tem sido justificado pela exploração do potencial energético pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco – CHESF, se estendendo ao acentuado assoreamento do rio, devastação das matas ciliares, perda de área produtiva, levando a uma desestruturação da economia tradicional, representada pela produção agrícola e pesqueira. De acordo com Ramos (1999), a migração produtiva dos peixes (piracema) foi prejudicada pelos barramentos, havendo também a transformação de ambientes lóticos em lênticos (modificando a estrutura das comunidades aquáticas), reduzindo acentuadamente as cheias à jusante das barragens, impedindo a inundação das várzeas (lagoas marginais) e, conseqüentemente, o transporte de ovos, larvas e pequenos peixes nesses ambientes. Santos (2002), relata que outro problema de grande relevância, proveniente da construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Xingó, em 1994, foi acentuação da erosão dos taludes das margens do rio, consequência da destruição de grande parte dos diques de proteção. Esses diques foram construídos quando da implantação do Perímetro Irrigado, na Várzea do rio Cotinguiba, onde já se verificam consideráveis perdas da área cultivada de alguns lotes. Santos (2001a), afirma que o avanço da erosão é progressivo e causa rápido solapamento na base dos barrancos, o desmoronamento de grandes blocos de areia em grande parte das margens, uma vez que os componentes granulométricos que constituem o barranco do rio são predominantemente compostos por areia. Fontes (2002), identificou 57 focos de erosão marginal fluvial no trecho compreendido entre o município de Propriá e a foz do rio São Francisco, onde a grande maioria encontra-se em estágio bastante avançado. 32 Conforme registrado por Casado (2000a), a retirada de mata ciliar das margens significa a retirada da sua proteção. Sem essa vegetação as margens do rio se apresentam suscetíveis ao processo erosivo, implicando em perda de solo agricultável e problemas de assoreamento. Ainda conforme Casado (2000a), alguns problemas decorrentes do assoreamento do rio são a proliferação de algas e a dificuldade em relação à navegabilidade no canal do rio que diminui a locomoção e acesso a serviços pela população ribeirinha. As algas, macrófitas, têm facilidade de proliferar em pontos rasos do rio, onde a energia solar penetra com maior intensidade dificultando a pesca com redes e tarrafas. Mediante a atual situação constatada no Baixo curso do rio São Francisco é oportuno se pensar em técnicas e metodologias que venham resolver os problemas específicos para o desenvolvimento de um sistema de indicadores para a erosão marginal, pois conforme Cendrero et al (2001), o controle da destruição do meio natural dentro de limites toleráveis somente se dará com o emprego de indicadores de sustentabilidade que possibilitarão um aperfeiçoamento nos modelos de gerenciamento dos recursos naturais. 1.6. A erosão marginal no cenário da degradação ambiental A degradação ambiental se manifesta como sintoma de uma crise de civilização, marcada, pelo modelo de modernidade regido pelo predomínio do desenvolvimento da razão tecnológica sobre a organização da natureza. A questão ambiental problematiza as próprias bases da produção; aponta para a desconstrução do paradigma econômico da modernidade e para a construção de futuros possíveis, fundamentados nos limites das leis da natureza, nos potenciais ecológicos, na produção de sentidos sociais e na criatividade humana ( Leff, 2001). A degradação ambiental ocorre em toda parte, com maior ou menor intensidade, dependendo das técnicas utilizadas na exploração dos recursos naturais, e da preocupação local com a conservação desses recursos. Isso tem gerado uma série de danos, não só ao ambiente natural, como aos seres humanos, que têm convivido com toda a sorte de riscos. Para Cunha e Guerra (2000), a dificuldade intrínseca dos problemas ambientais causados pela degradação antrópica, pode ser claramente percebida nas obras de desassoreamento de rios, lagos e reservatórios, necessárias devido ao grande volume de 33 sedimentos que se depositam nesses corpos líquidos. Em geral, essa deposição é função do desmatamento generalizado das encostas destes corpos, ou das encostas dos rios que os alimentam, do processo erosivo, das construções de obras civis, etc. Isso sem considerar a poluição que compromete a qualidade da água, da flora e da fauna que vive nessas áreas. A erosão, conforme define Bertoni e Lobardi Neto (1993), é o processo de desprendimento e arraste acelerado das partículas do solo causado pela água (erosão hídrica) e pelo vento (erosão eólica). A erosão do solo constitui, sem dúvida, a principal causa do depauperamento acelerado das terras. Segundo Ferreira (1986), pela erosão, o solo perde não só elementos da sua fertilidade natural ou construída, como também os constituintes do seu corpo; isso significa que um terreno fértil, em que a erosão atua acentuadamente, em breve se tornará pobre, apresentando baixa produção agrícola. A erosão hídrica, afirma Guerra et al (1999), consiste basicamente numa série de transferências de energia e matéria geradas por um desequilíbrio do sistema água/solo/cobertura vegetal, as quais resultam numa perda progressiva do solo. A variação da intensidade da erosão hídrica do solo, segundo Holanda (2000b), se manifesta condicionada pela chuva, pelo solo, pela topografia, pela vegetação e uso da terra e pela prática de controle à erosão. Tecnicamente, a erosão hídrica, segundo Silva et al (2003 apud ZACHAR, 1982), pode ser expressa como a relação entre a erosividade da chuva (potencial da chuva de causar erosão) e a erodibilidade do solo (susceptibilidade à erosão), ou seja, agente ativo e agente passivo, tendo as águas pluviais como agente do processo (Silva et al, 2003 apud ACIESP, 1987). A erosão hídrica se classifica em erosão pluvial tendo como agente ativo a chuva, e pode se dá por arrastamento e por impacto da chuva com o solo, erosão devido à ação das ondas, erosão por percolação chamada vertical e erosão fluvial (Casado 2000a apud SEIXAS, 1985). A erosão marginal é um componente da erosão hídrica e decorre das alterações na dinâmica fluvial quando esta quebra seu equilíbrio natural. Consiste na destruição das margens dos rios, e controle da largura do canal dos mesmos. Contribui no incremento da carga de fundo dos rios, provoca destruição progressiva da área marginal desvalorizando os terrenos ribeirinhos e limitando o seu uso adequado (Casado, 2000a apud THORNE, 1981). Esse processo ocorre devido à remoção dos materiais do barranco pela ação fluvial, correntes, ondas ou por forças de origem externa, precipitação pluviométrica. 34 Pode ser desencadeada pela ação antrópica como obras de construção civil, substituição da mata ciliar pelo cultivo, urbanização e a exploração de alúvios (Casado et al, 2000b). Segundo Casado (2000a apud HOOKE, 1979), a evolução do processo de erosão marginal é rápido comparado com muitos outros processos geomorfológicos, isso acentua a importância do estudo na interpretação da mudança da paisagem, bem como o conhecimento das taxas de erosão marginal que são de grande valor na investigação dos efeitos das atividades humanas na mudança da forma do canal e uma predição, em pouco tempo, da erosão e o planejamento para o seu controle. A atuação dos principais agentes erosivos que comandam a erosão marginal ainda gera dúvida, afirma Holanda (2000a apud FERNANDEZ, 1995). Os fatores que controlam a erosão marginal e que são decorrentes das condições pedológicas, hidrológicas e climáticas da área estudada, causam opiniões diferentes entre diversos cientistas. Porém, Holanda (2000b apud HOOKE, 1979), deduziu que a combinação dos processos erosivos é o mecanismo que controla a erosão marginal. As conseqüências da erosão para o ambiente natural se dão através do aumento da turbidez nos corpos hídricos gerando o acréscimo de sedimentos em suspensão na água, o que concorre para onerar os custos com tratamento de água para consumo, perda da área produtiva e assoreamento do rio devido à devastação das matas ciliares e a mudança do regime fluvial. Prejudica também a vida de organismos aquáticos pelo aumento da intercepção da luz solar pelos sedimentos em suspensão. Conduz ao assoreamento de várzeas, vales, calha de rios e represas e perda de fertilizantes, corretivos e defensivos aplicados ao solo. A contaminação dos cursos d´água com fertilizantes e corretivos provoca o fenômeno de eutrofização das águas, que é o crescimento exagerado de plantas aquáticas. Isso provoca o consumo de oxigênio da água, levando ao aumento da DBO (demanda bioquímica de oxigênio), resultando na mortandade de peixes (Holanda, 2000 apud COSTA E MATOS, 2000). A avançada degradação ambiental, comprovada no Rio São Francisco, vem evidenciar o quadro desolador em que este se encontra, vítima da ação antrópica, usada sob pretexto para alcançar o almejado desenvolvimento das regiões ribeirinhas. O acentuado processo de erosão marginal, no Baixo São Francisco é fato gerador da necessidade de identificação de metodologias de análise que possam mensurar a evolução dos processos de degradação e monitorar suas mudanças ao longo dos anos, urgindo a necessidade do emprego de indicadores ambientais. 35 Avaliar o processo erosivo no Baixo São Francisco, e identificar indicadores ambientais que sejam adequados à especificidade da erosão marginal, é, dar um passo para a construção da sustentabilidade, contribuindo para que a comunidade local compreenda melhor a necessidade de preservar a sua maior riqueza natural, mudando os rumos do seu desenvolvimento com vistas a um desenvolvimento sustentável. A quantificação do processo erosivo através de indicadores ambientais facilitará a elaboração de políticas e ações voltadas para a mitigação dos efeitos nocivos da degradação ambiental no Baixo São Francisco. 1.7. Indicadores de qualidade ambiental Maia et al, (2001), diz que para quantificar um fenômeno ambiental é necessário percebê-lo. Após uma longa história evolutiva, tornaram-se natos na espécie humana sofisticados mecanismos fisiológicos de percepção ambiental, utilizados sem muitas vezes serem apercebidos, através dos cinco sentidos. Todas as informações geradas pelos nossos sentidos agregam-se no cérebro e seu processamento resulta na consciência do homem do que o cerca ou de onde está no meio: o ambiente. Os indicadores ambientais, conforme Tauk et al (1991), específicas a são variáveis cada fator ambiental, que permitem a aferição das oscilações de comportamento e/ou de funcionalidade do fator, tornando-se o elemento mais adequado para a análise qualitativa e quantitativa das variações da qualidade ambiental de um ecossistema. Todo e qualquer fator ambiental possui comportamento e funcionalidade típicos, de acordo com as requisições dos ecossistemas de que faz parte. Esses atributos representam as funções e a relevância do fator no contexto ambiental. A variação deles exprime, em maior ou menor grau, a variação da qualidade ambiental dos ecossistemas. Dessa forma, ao estimar ou aferir as oscilações de um indicador ambiental, em escala apropriada, fica estabelecida a própria medida da intensidade de um impacto ambiental, ou pelo menos torna-se conhecido um valor dela resultante, com consistência e aptidão suficientes para representa-la em um estudo analíticocomparativo. Para a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), indicador é um parâmetro ou valor derivado de vários parâmetros os quais dão 36 informações sobre um fenômeno. O indicador tem um significado que vai mais além das propriedades diretamente associadas com o valor do parâmetro. Os indicadores ambientais, segundo Cendrero-Uceda (1997), são estatísticas ou parâmetros que proporcionam informações e/ou tendências sobre os fenômenos ambientais. Seu significado vai mais além da estatística mesmo pretendendo prover informações que permitam ter uma medida da efetividade das políticas ambientais. Para Dias (2002), os indicadores podem ser elementos formadores de cenários de prioridades para pesquisas nas mais diversas áreas das atividades humanas e salienta que os mesmos não são apenas um conjunto de dados, mas sim modelos que simplificam um tema complexo a uns quantos números (índices) que possam ser facilmente tomados e entendidos por quem elabora políticas e pelo público em geral. Almeida (2002 apud GRI, 2002), afirma: quer seja um investigador institucional em busca de informação ambiental para avaliar riscos, ou ativista tentando estabelecer diálogo com uma empresa, ou uma autoridade pública buscando possíveis parceiros corporativos, ou um alto executivo interessado em elevar os padrões de eficiência e inovação de sua organização – todos precisam de informação clara e organizada para avaliação de desempenho econômico, ambiental e social. Os indicadores devem seguir princípios tais como: serem pertinentes com relação à proteção do meio ambiente, à saúde humana e/ou à melhoria da qualidade de vida; subsidiarem o processo de tomada de decisão; serem objetivos, mensuráveis, transparentes e verificáveis; serem compreensíveis e significativos e baseados numa avaliação global (holística) da organização. Segundo Forge (1994), a proposta de um sistema de indicadores ambientais deve ser iniciada para responder as seguintes questões: quais os objetivos dos indicadores? Alertar, definir tendências ou avaliar impacto? Qual o tipo? Avaliação do estado do ambiente, verificação das pressões sobre ele incidentes ou avaliação das respostas dadas pelo poder público e sociedade quanto à melhoria do meio ambiente? Qual a escala da avaliação? Global, regional, nacional ou local? Quais os usuários das informações? Tomadores de decisão, políticos, economistas, público em geral ou técnicos? Acrescenta-se às questões citadas a necessidade de se estabelecerem os procedimentos operacionais de obtenção dos indicadores, as formas de medição e os procedimentos de análise e de avaliação (Ducker e McNulty, 1975). 37 Os indicadores ambientais têm como função a identificação de problemas, formulação, avaliação e implementação de políticas e estratégias, avaliação do desempenho de políticas ambientais, difusão da informação de maneira objetiva, mediante estatísticas e tendências da situação atual dos fenômenos ambientais, e ainda, contribuição para o adequado planejamento das políticas ambientais (Cendrero et al, 2001). 1.7.1. Indicadores – o estado da arte O estudo de indicadores ambientais, segundo Maia et al (2001), torna-se cada vez mais complexo e a necessidade de trocar experiências para superar as dificuldades é essencial para o avanço do conhecimento científico. Porém, isso não é em si uma novidade, pois as dificuldades e as respectivas superações das condições ambientais e sua avaliação fazem parte da própria história do homem e são tão antigas quanto nossa história e evolução biológica. O interesse pela busca de indicadores de sustentabilidade data dos últimos dez anos, por parte de entidades governamentais, não-governamentais, universidades e institutos de pesquisa. Segundo Marzall e Almeida (1999) O World Resources Institute (WRI) fez um levantamento e acompanhamento de trabalhos que foram ou estão sendo realizados com indicadores de sustentabilidade, no que se refere a informações ambientais, observando a evolução e o incremento de trabalhos nessa direção nos últimos seis anos. O evento de referência é a Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente (Rio-92), com a elaboração de seu documento final, a Agenda 21. Nela, em seu capítulo 40, é enfatizada a necessidade do desenvolvimento de indicadores por parte de cada país, em função de sua realidade. Algumas entidades internacionais, como a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e United Nations Research Institute for Social Development (UNRISD), nos países considerados desenvolvidos e a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAI) nos países ditos subdesenvolvidos, vêm se preocupando com a mensuração da qualidade de vida e têm buscado desenvolver indicadores para cada área de atuação, à exemplo da saúde, educação, indústria, meio ambiente natural (qualidade da água, ar e solo), meio ambiente social e cultural, habitação trabalho e serviços, ( Borja e Moraes, 2003). 38 Inúmeros foram os eventos que marcaram a última década tais como o trabalho desenvolvido na Holanda desde 1991, através do programa de indicadores ambientais para monitorar as ações de desenvolvimento e agilizar a tomada de decisões, com a participação popular no processo: - Ainda em 1991, foi lançado o programa de “eco-pontos”, na Áustria, dentro do Programa Nacional Agroambiental, com a aplicação de 13 indicadores. - As experiências-piloto em produção integrada (PI), desenvolvidas pela Organização Internacional da Luta Biológica e Integrada, em 1992, na Suíça, usando 16 indicadores. - O Encontro sobre Indicadores Ambientais e de Desenvolvimento Sustentável, em 1993, realizado em Genebra. - Em 1996, realizou-se na França o encontro internacional tematizando “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável” (Marzall e Almeida, 1999 apud BOURNI, 1996). - O diagnóstico biótico, desenvolvido na Alemanha, em 1997, objetivando avaliar a biodiversidade, (Marzall e Almeida, 1999 apud CLAIN, 1997). - Conforme Dias (2002), a Comissão de Assentamentos Humanos da Unesco, Habitat e Banco Mundial promoveram encontros para o desenvolvimento de um Programa de Indicadores de Moradia, dentro do qual se desenvolveu o Programa de Indicadores Urbanos. O interesse e a necessidade premente levou a comunidade científica brasileira a desenvolver projetos e trabalhos com indicadores nas mais diversificadas áreas do conhecimento, à exemplo: Metodologia para a avaliação ambiental integrada por Bollmann, (2001); Estatística como ferramenta para análise de dados em meio ambiente por Pião, (2001); Utilização de bioindicadores de poluição em condições temperadas e tropicais por Klumpp, (2001); Processos biológicos e o biomonitoramento: aspectos bioquímicos e morfológicos por Lima, (2001); Análise e aplicação dos anéis de crescimento das árvores dendroclimatologia por como indicadores ambientais: dendrocronologia e Tomazello Filho et al, (2001); Aplicação de faixas dendrométricas na dendrocronologia: avaliação da taxa e do ritmo de crescimento do tronco de árvores tropicais e subtropicais por Botosso et al, (2001); Indicadores de periculosidade e métodos de controle de incêndios em vegetação natural por Soares, (2001); A geofísica aplicada na caracterização da geologia e da qualidade das águas subterrâneas por Braga, (2001); A modelagem matemática da dispersão de poluentes 39 em regiões costeiras e estuarinas por Campos, (2001); Ecotoxicologia aquática por Bertoletti, (2001); O emprego de indicadores biológicos na determinação de poluentes orgânicos perigosos por Damato, (2001); Invertebrados bentônicos como indicadores de impactos antrópicos sobre ecossistemas aquáticos continentais por Kuhlmann et al, (2001); Os peixes como indicadores da qualidade das águas dos rios por Barrella, (2001); Estudo biogeográfico do Astyanax bimaculatus (Tambiú) na determinação da qualidade de hidrótopo no estado de São Paulo por Viadana, (2001); Indicadores de qualidade ambiental urbana por Garcias, (2001). A reunião de todos esses trabalhos culminou no Segundo Simpósio sobre Indicadores Ambientais, realizado pela Faculdade de Ciências Biológicas do Centro de Ciências Médicas e Biológicas (CCMB) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em setembro de 1999, na cidade de Sorocaba, com o objetivo de possibilitar o encontro de profissionais das ciências exatas, humanas e biológicas para a troca de experiências e idéias. Esse Encontro resultou na impressão dos trabalhos apresentados compondo o livro intitulado: “Indicadores Ambientais: conceitos e aplicações”. No campo da saúde ambiental muitas iniciativas louváveis estão sendo postas em prática com o objetivo de se criar instrumentos confiáveis que respaldem o planejamento, a execução e a avaliação pública, valendo à pena ressaltá-las, conforme elencados por Borja e Moraes, (2003). Destaca-se também a realização da Oficina de Indicadores de Saúde e Monitoramento Ambiental promovida pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e a OPAS, em agosto de 1998, onde se discutiu aspectos teórico-conceituais sobre indicadores de saúde e ambiente e a urgência de seu desenvolvimento, utilizando-se um texto base elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), intitulado “Indicadores para o estabelecimento de políticas e a tomada de decisão em saúde ambiental”. Ressalta-se ainda, a iniciativa da FUNASA, através da Coordenação Geral de Vigilância Ambiental (CGVAM), e com o apoio da OPAS, o estudo de indicadores para a vigilância da qualidade da água para consumo humano, que é a prioridade no processo de estruturação da Vigilância no Brasil. Outra iniciativa, nesse sentido, foi a elaboração de documento, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), em 1999, propondo indicadores para avaliar a adequação dos serviços prestados pelas concessionárias estaduais de água e esgoto, 40 visando atender aos requisitos estabelecidos pela Lei de Concessão dos Serviços Públicos Nº 8.987/95, que são de satisfazer as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na prestação de serviços e modicidade das tarifas. Já o Ministério da Saúde elegeu três indicadores de saneamento para a construção do IDB-97, sendo eles, população urbana com acesso à abastecimento de água, à esgotamento sanitário e coleta de lixo (Borja e Moraes, 2003). Numa iniciativa pioneira da equipe técnica da Fundação Municipal do Meio Ambiente (FAEMA), foi criado o Programa de Indicadores Ambientais para Blumenau em Santa Catarina, lançado em 1997, que avalia a situação ambiental real do município e serve de subsídio para a tomada de decisão. Segundo Dias (2002), o índice de sustentabilidade de Blumenau (ISB) é composto por um conjunto de indicadores ambientais com o objetivo de avaliar, anualmente, a evolução do município em direção ao desenvolvimento sustentável. A disposição dos resíduos sólidos e a qualidade do ar formam os indicadores de pressão, enquanto a cobertura vegetal e a qualidade do ar formam os indicadores de estado. Eles permitem visualizar facilmente a condição ambiental local (os valores variam de 0 – insustentável a 1 – sustentável). Pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal da Bahia, coordenadas pelos autores op. cit., e em outras universidades brasileiras, evidenciam a necessidade de se trabalhar com ferramentas que possam mensurar a sustentabilidade nos seus três pilares, ambiental, social e econômico. Mais recentemente, foi realizada a Conferência sobre Indicadores de Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida, na cidade de Curitiba, em outubro de 2003, onde cientistas de diversos lugares do mundo discutiram e trocaram experiências sobre o tema. 1.7.2. Indicadores ambientais para a erosão marginal no Baixo São Francisco A sociedade, segundo Maia et al (2001), necessita cada vez mais de informações cientificamente coletadas, analisadas e interpretadas, para que possa promover o seu sustento e desenvolvimento, com menor agressão possível ao meio ambiente e aos outros entes viventes que compartilham a vida no planeta. A consciência da capacidade humana de alterar os ecossistemas a ponto de comprometer a sustentabilidade da sua espécie e de outras mais, a faz responsável não só pela manutenção da sua espécie, 41 como por todas as demais, que estão sujeitas à alterações, o que torna maior a responsabilidade e necessidade de conhecimento sobre o ambiente. A busca da existência harmoniosa com outras populações e outros ecossistemas passa, então, não só a ser uma necessidade material, mas também ética, e sua viabilidade deve ser avaliada, medida e analisada com todo o ferramental que se dispõe. Dentre eles, diversos indicadores de sustentabilidade. Segundo Baccaro et al (1997), há necessidade de um conhecimento dos elementos físicos, químicos, biológicos e das ações humanas que se interagem e contribuem para a dinâmica do sistema ambiental e físico, objetivando conhecer a estabilidade e os limites do equilíbrio dos mais diversos ambientes. Isso leva a uma reflexão e avaliação para a manutenção da estrutura e realização de modelagens, sobre até que ponto a intensidade e extensividade dos impactos antrópicos poderão ser absorvidas. De acordo com Ferraz (1994), os indicadores de sustentabilidade permitem verificar se as tecnologias empregadas têm efeito negativo ou positivo na sustentabilidade dos sistemas. Estes indicadores devem apresentar simplicidade de mensuração ao longo do tempo, sensibilidade para detectar mudanças no sistema e permitir o cruzamento com outros indicadores. Destaca que os indicadores devem medir o grau de sustentabilidade tanto em nível local quanto regional. Conforme Christofoletti (1996 apud HATCHER, 2000), para que os indicadores possam ser analisados e avaliados em sua função para com a sustentabilidade ambiental, torna-se necessário que: a) expressem adequadamente o status de uma característica ambiental significante e fundamental; b) sejam compreendidos e validados pela comunidade; c) sejam mensuráveis de modo prático e analisados estatisticamente, produzindo dados defensáveis pela lógica; d) possuam ligações compreensíveis e analisavéis com outros indicadores; e) representem ou diretamente se relacionem com valores relevantes da comunidade. Os indicadores de sustentabilidade são ferramentas que auxiliam na avaliação de determinada situação no momento da primeira medição, estabelecendo aonde se quer chegar e acompanhando as mudanças necessárias. Para tal, é importante que eles apresentem características que mostrem eficiência na sua aplicabilidade tais como, relevância, facilidade de compreensão, confiabilidade e visão de longo alcance. (Oliveira, 2003 apud HART, 1999). 42 Para Atkisson (1993), deve-se colocar como meta a formulação e aplicação de indicadores que atinjam três critérios gerais, quais sejam, refletir as tendências fundamentais da saúde cultural, econômica e ambiental à longo prazo e ser estatisticamente mensuráveis. Segundo Zhao (1999), os indicadores de sustentabilidade medem a distância entre o impacto ambiental real e aquilo que a biosfera pode aceitar. Por exemplo, se uma região quiser se desenvolver sustentavelmente, quais os tipos de impactos ambientais, sociais e econômicos ele poderá receber? Serão estes impactos aceitáveis? Será que a região estará caminhando na direção do desenvolvimento sustentável? Segundo Amaral (2002), normalmente os indicadores são descritivos e normativos. Os indicadores descritivos refletem as condições reais, como o estado do meio ambiente ou a pressão sobre o meio ambiente. Os indicadores normativos medem ou comparam as distâncias entre as condições reais e as de referência. 1.7.2.1. A Matriz Pressão – Estado- Impacto/Efeito – Resposta - (PEI/ER) A matriz PEI/ER é oriunda da estrutura conceitual para a seleção de indicadores que foram sistematizados em Pressão-Estado-Resposta (PER), criada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 1993 e adaptada para Pressão-Estado-Impacto/Efeito-Resposta pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA-CIAT), em 1996. Nesta matriz, os Indicadores de Pressão caracterizam as pressões e os potenciais agravos que podem ocorrer sobre sistemas ambientais. Os Indicadores de Estado representam o estado em que se encontra o sistema ambiental, refletindo a qualidade ambiental num dado espaço/tempo e os Indicadores de Resposta, permitem avaliar as respostas da sociedade às alterações e preocupações ambientais, bem como à implementação de programas e ações em benefício do ambiente. A Figura 3 representa a relação entre os atributos da matriz e sua interação com o meio. A matriz PEI/ER é um instrumento analítico que permite organizar e agrupar de maneira lógica os fatores que incidem sobre o meio ambiente, os efeitos que as ações humanas produzem nos ecossistemas e recursos naturais, o impacto que isto gera na natureza e à saúde humana, assim como as intervenções da sociedade e do Poder Público (PNUMA-CIAT, 1996). 43 Recursos Pressão Ocupação Humana Respostas ambientais Resposta Agentes Econômico e Ambientais Estado Ambiente Poluição Informação FIGURA 3 - Estrutura conceitual do modelo PER da O.C.D.E. – 1993 Fonte: (adaptado de SIDS, 2001). A estrutura da análise de indicadores para a erosão marginal foi adaptada da metodologia empregada pelo Global Environment Outlook (GEO), no Projeto Geo Cidades, iniciado em 1995, pelo Programa das Nações Unidas (PNUMA) para avaliar o estado do meio ambiente na América Latina e Caribe. Adequou-se ao diagrama da Figura 3, que por sua vez foi adaptado do Sistema de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (SIDS) em 2001, por Peixeiro e Batista (2002). Os componentes da matriz, conforme IISD et al (2000), que expressam diferentes formas de relacionamento urbano-ambiental e atributos do meio ambiente e da qualidade de vida local correspondem, por sua vez, à tentativa de responder a quatro perguntas básicas sobre o meio ambiente, em qualquer escala territorial: 1. o que está ocorrendo com o meio ambiente? 2. porque isso ocorre? 3. que podemos fazer e o que estamos fazendo agora? 4. o que acontecerá se não atuarmos agora? Essas perguntas identificam as quatro situações básicas que serão objetos de análise que permitirão a formulação das perspectivas futuras do meio ambiente no Baixo São Francisco com relação ao processo erosivo. A relação entre as perguntas básicas e os componentes da matriz PEIR formarão um relatório ambiental integrado, com a finalidade de produzir e comunicar 44 informações pertinentes sobre as interações-chave entre o meio ambiente e a sociedade. Essa relação se complementa da seguinte maneira: A pressão exercida pela atividade humana sobre o meio ambiente, em geral denominada causas ou vetores de mudanças. O conhecimento dos fatores de pressão procura responder à pergunta “por que ocorre isto?” O estado ou condição do meio ambiente que resulta das pressões. As informações referentes ao estado respondem à pergunta “o que está ocorrendo com o meio ambiente?” O impacto ou efeito produzido pelo estado do meio ambiente sobre diferentes aspectos, como os ecossistemas, a qualidade de vida humana, a economia local. A resposta é o componente da matriz que corresponde às ações coletivas ou individuais que aliviam ou previnem os impactos ambientais negativos, corrigem os danos ao meio ambiente, conservam os recursos naturais ou contribuem para a melhoria da qualidade de vida da população ribeirinha. Podem ser preventivas ou paliativas. Os instrumentos deste componente respondem à pergunta “o que podemos fazer e o que estamos fazendo agora?” Além disso, as respostas à pergunta “o que acontecerá se não atuarmos agora?”, orientam a análise das perspectivas futuras do meio ambiente local. A lógica subjacente à matriz PEI/ER permite estabelecer uma ponte para projetar os desdobramentos futuros das condições do meio ambiente, incluindo o exercício de análise das conseqüências possíveis de nossas ações atuais (cenários). Com isto, existe a possibilidade de uma ação estratégica visando à correção dos rumos dos problemas ambientais de cada localidade (indicadores prospectivos) (IISD et al, 2000). 45 2. MATERIAIS E MÉTODOS 2.1. Caracterização da área de estudo A área de estudo está inserida no baixo curso da bacia hidrográfica do Rio São Francisco, que divide os Estados de Sergipe e Alagoas, entre o Município sergipano de Própria e a foz do rio. Vários são os estudos, (Casado, 2000; Casado et al, 2002; Santos, 2001; Santos, 2002 e Fontes, 2002), desenvolvidos pelo Núcleo de Estudo do Semi-árido (NESA) da Universidade Federal de Sergipe, tematizando a erosão marginal no baixo São Francisco, especificamente, nesse trecho, dado o seu progressivo avanço. Este trabalho vem dar continuidade a linha de pesquisa sobre erosão no Baixo São Francisco, vislumbrando construir metodologias que possam mensurar o avançado processo erosivo e estabelecer possíveis medidas mitigadoras. A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco com 2.863 Km de extensão e área total de 636.920 Km2 o que corresponde a 7,5% das terras brasileiras (DAB, 2003), está dividida em quatro regiões fisiográficas denominadas Alto, Médio, Sub-Médio e Baixo São Francisco. A região do Alto São Francisco possui uma área de 99.387 Km2 o que corresponde a 15,6% da bacia e 1.003 km de extensão, indo da nascente do rio até a confluência do rio Jequitaí no Estado de Minas Gerais, envolvendo 194 Municípios e possui cobertura vegetal predominante de cerrados e fragmentos de florestas. A região do Médio São Francisco com área de 401.559 km2, correspondendo a 63,1% da bacia e 1.152 Km de extensão, da confluência do rio Jequitaí à barragem de Sobradinho, inclui os Estados de Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás e Bahia, envolvendo 173 Municípios e apresenta com predominância cobertura vegetal de cerrado, caatinga e pequenas matas de serra. O Sub-Médio São Francisco possui uma área de 115.987 Km2 que corresponde a 18,2% da área da bacia e 568 Km de extensão, indo da barragem de Sobradinho à Belo Monte em Alagoas, inclui os Estados de Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, envolve 93 municípios e possui cobertura vegetal predominante de caatinga (PAE, 2004). O Baixo São Francisco estende-se de Paulo Afonso à foz do rio, no Oceano Atlântico, compreendendo as bacias dos rios Ipanema, Jacaré, Capivara, Gararu, 46 Canhoba, Pilões e Betume, abrangendo uma parte das áreas dos Estados de Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Apresenta uma extensão de 236 km entre o ponto mais a noroeste e a sua foz, correspondendo a 37% da área total do Estado de Sergipe e 1,2% do total da área da Bacia (Santos, 2001a). Em Sergipe, a bacia limita-se ao norte com o Estado de Alagoas, ao sul com a bacia complementar, a leste com o Oceano Atlântico e a oeste com o rio Xingó (Casado, 2000a apud COMISSÃO, 2000). De acordo com a nova divisão fisiográfica, (PAE, 2004), o Baixo São Francisco e zona costeira adjacente abrange uma área de 19.987 Km2 o que corresponde a 3,1% da área da bacia, diminuindo sua extensão para 140 Km, se estendendo de Belo Monte à foz, envolvendo 78 Municípios conforme mostra o mapa da bacia, na Figura 4, com destaque para a região fisiográfica do Baixo São Francisco. FIGURA 4 – Mapa da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco destacando a região fisiográfica do Baixo São Francisco (em verde). Fonte: (PAE, 2004). 47 2.1.1. Aspectos geográficos e recursos naturais O Baixo São Francisco sergipano abrange os municípios de Amparo do São Francisco, Brejo Grande, Cedro de São João, Ilha das Flores, Neópolis, Propriá, Santana do São Francisco e Telha, conforme informações geográficas apresentadas na Tabela 1. TABELA 1 – Aspectos geográficos dos Municípios que compõem Francisco sergipano. Município Amparo do São Francisco Brejo Grande Microrregião Propriá Propriá Cedro de São João Ilha das Flores Propriá Neópolis Propriá Propriá Propriá Santana do São Francisco Telha Propriá Propriá Propriá Mesorregião Sertão sergipano Leste sergipano Leste sergipano Leste sergipano Leste sergipano Leste sergipano Leste sergipano Leste sergipano Altitude (m) Área (Km2) o Baixo São Distância da capital (Km) Rod. Linha reta 51 39,8 116 88 06 149,2 137 83 20 73,0 94 75 28 57,6 135 77 10 249,9 121 84 17 95,5 98 81 27 a 92 47,0 124 ? 22 56,5 107 81 Fonte: SUPES, (1989) 2.1.1.1. Clima O clima predominante no Baixo São Francisco, conforme Supes (1989), é o sub-úmido, com precipitação média anual de 350 a 1.500 mm., sendo o trimestre mais chuvoso, maio/junho/julho e menor incidência de chuvas nos meses de setembro, outubro, dezembro, temperatura média de 25°C, com insolação média anual de 2.800 horas e evapotranspiração média anual de 1.500 mm. Os Municípios sergipanos de Amparo de São Francisco, Cedro de São João e Telha possuem uma precipitação média anual de 800mm e Propriá de 806,1 mm. Apresentam um clima megatérmico semi-árido com pequeno ou nenhum excesso de água. Já nos Municípios de Brejo Grande, Ilha das Flores, Neópolis e Santana do São 48 Francisco a precipitação média anual alcança 1.200 mm., apresentando um clima megatérmico seco e sub-úmido com pequeno ou nenhum excesso de água. Apenas o Município de Santana do São Francisco apresenta um clima megatérmico e sub-úmido (D1Aa), com estação seca bem definida e deficiência hídrica de verão significativa. A oeste, do Município, ocorre o tipo climático, megatérmico sub-úmido seco (C1Aa). Todos os Municípios citados possuem uma temperatura média anual uniforme de 26 °C, com período chuvoso de março a agosto (Supes, 1989). 2.1.1.2. Pedologia Com relação à pedologia no Baixo São Francisco, existem duas regiões distintas, onde na primeira observa-se Neosolos Litólicos, Planossolos e Luvisolos. Estes tipos de solos se encontram entre os municípios de Paulo Afonso(BA) e Propriá (SE) em grandes manchas. Na segunda, localizada do Município de Propriá até à foz do rio destaca-se os Neosolos Quarzarenios, solos indiscriminados de mangue, Argisolos, Espodosolos, Latossolos, Neosolos Flúvicos e Gleisolos que apesar de se apresentarem em maior variedade têm pouca abrangência (Supes, 1989). Os Municípios possuem solos característicos sendo necessário discorrer individualmente, conforme se segue: O Município de Amparo de São Francisco possui Neosolos Litólicos. No município de Brejo Grande os solos são hidromórficos, Espodosolos, Neosolos Quarzarenios e solos indiscriminados de mangues. Em Cedro de São João são encontrados Neosolos Litólicos Eutróficos, Argisolo vermelho-amarelo, equivalente Eutrófico e Argisolo. Já em Ilha das Flores, se encontram Neosolos Flúvicos, solos hidromórficos e Espodosolos. No Município de Neópolis predominam os Argisolos vermelho-amarelo, Neosolos Flúvicos Eutróficos e solos hidromórficos. Em Propriá, também é usual os Neosolos Litólicos Eutróficos, Argisolo vermelho-amarelo, Neosolo Regolítico Eutrófico e Neosolos Fluvicos Eutróficos. No Município de Santana do São Francisco os solos são Argisolos vermelho-amarelo. TbA. A leste: associações de Neosolos Flúvicos a fraco e moderado de textura arenosa. Finalmente, no Município de Telha têm-se Neosolos Litólicos Eutróficos e Argisolo vermelho-amarelo (Supes, 1989). 49 2.1.1.3. Vegetação A cobertura vegetal predominante em todo o Baixo São Francisco, segundo PAE (2004), é de floresta estacional semidecidual, mangue e vegetação litorânea. A paisagem das regiões dos municípios sergipanos do baixo São Francisco é caracterizada por campos limpos e sujos. Nos Municípios de Amparo do São Francisco e Telha a predominância é de vegetação higrófila. Já nos municípios de Brejo Grande, Ilha das Flores, Neópolis e Propriá, além da vegetação higrófila têm-se a capoeira e a caatinga. No Município de Santana do São Francisco há ocorrência de mata, tanto subperenifólia na parte centro-oriental, como subcaducifólia mais a oeste. Na área centro-oeste, evidencia-se o cerrado, uma formação intermediária entre a mata atlântica e a caatinga. Predominando a sudoeste, mas com ocorrência na área central e oeste, aparece a capoeira. Ao norte, leste e pequenas áreas a oeste, observa-se a pastagem. 2.1.1.4. Geomorfologia e geologia Os dados que seguem são da Secretaria de Estado do Planejamento (SUPES) – Informações Geoeconômicas dos Municípios Sergipanos, 1989. A incidência no Município de Brejo Grande é de planície fluvio marinha com coberturas fanerozóicas quaternário: QPM, QFL O Município de Ilha das Flores apresenta planície fluvial, relevo dissecado do tipo tabular e planície fluvio marinha. Aprofundamento de drenagem fraca e extensão máxima de suas formas menor ou igual a 250 m. Possui coberturas fanerozóicas quaternário: QT2. No Município de Cedro de São João o relevo é dissecado dos tipos colina e crista. Aprofundamento de drenagem fraca e extensão máxima de suas formas de 750 m. Apresenta coberturas fanerozóicas quaternário: QI; terciário: TB; cretáceo: KBI; jurássico/cretáceo: JKB, JKD; permiano: PS; carbonífero: CBB, CBM; complexo cristalino proterozóico: PTJ, PUPF. No Município de Neópolis o relevo se apresenta dissecado do tipo tabular erosiva e planície fluvial. Aprofundamento de drenagem muito fraca e extensão máxima de suas formas 1.750 m. Suas coberturas fanerozóicas são quaternário: QT, QFL; terciário: TB; cretáceo: KBI, KPO e jurássico/cretáceo: JKS. 50 No Município de Santana do São Francisco os tabuleiros costeiros predominam. O centro-sul apresenta-se com uma superfície tabular erosiva do tipo aplainado. A oeste, norte e leste os tabuleiros costeiros ocorrem dissecados em interflúvios tabulares, com relevo de topo tabular, topo plano e/ou aplanado. Os altímetros oscilam de 27 m a 92 m do nível do mar. É composto por formação barra itiúba e formação penedo, de idade cretácea; formação barreiras, da idade terciária e sedimentos de aluvião, da idade recente. O Município de Propriá tem relevo dissecado dos tipos colina e tabular e planície fluvial. Aprofundamento de drenagem variando de muito fraca a fraca e extensão máxima de suas formas 750 m. Suas coberturas fanerozóicas são quaternário: QI, QFL; terciário: TB; cretáceo: KBI, KPO; permiano: PA; carbonífero: CBB, CBM e complexo cristalino proterozóico: PUPF; rochas graníticas: PGGD. O Município de Amparo do São Francisco apresenta relevo dissecado do tipo colina e tabular. Aprofundamento de drenagem variando de fraca a fraca e extensão máxima de suas formas de 750m. É composto por coberturas fanerozóicas quaternário: QI; terciário: TB; complexo cristalino proterozóico: PUPF, PTJ e rochas graníticas: PGGR, (SUPES, 1989). Numa análise geral, Santos (2001a), afirma, “o substrato rochoso da faixa cortada pelo rio São Francisco, entre os Municípios de Propriá e a foz do rio é formado por granitóides do tipo Propriá e pelas formações Bananeiras (do Jurássico) e Serraria (da idade neojurássica e eocretácica) pertencentes ao grupo Perucaba; Barra Itiúba e Penedo (Cretácio inferior), ambas do grupo Coruripe. Estas formações são unidades da Bacia Sedimentar Sergipe –Alagoas, recobertas ao longo da margem direita do rio, por sedimentos superficiais recentes inconsolidados (coberturas Quaternárias Holocênicas) e em alguns locais por sedimentos Terciários do Grupo Barreiras que formam os platôs ligeiramente inclinados em direção à costa”. O relevo da área de estudo apresenta-se em três unidades morfológicas bem definidas, os combros que são as terras altas e as várzeas, (Santos, 2002). 2.1.1.5. Aptidão agrícola das terras Nas terras do Baixo São Francisco sergipano predominam a aptidão para silvicultura, pastagem natural e para lavoura. 51 Para a silvicultura, os Municípios de Brejo Grande e Ilha das Flores possuem aptidão regular, os demais, sem aptidão. Os Municípios de Amparo de São Francisco, Cedro de São João, Propriá e Telha possuem aptidão boa, regular e restrita para pastagem natural. Já os Municípios de Brejo Grande e Ilha das Flores possuem aptidão regular para lavouras, silvicultura e pastagem natural e sem aptidão para pastagem natural. Apenas o Município de Santana de São Francisco possui aptidão boa para pastagem natural. Para a lavoura, os Municípios de Ilha das Flores, Neópolis e Propriá possuem aptidão boa e regular. Aptidão regular nos Municípios de Brejo Grande e Cedro de São João. Aptidão boa nos Municípios de Santana de São Francisco e Telha. Apenas no Município de Amparo de São Francisco a aptidão das terras para a lavoura é restrita. O Município de Santana do São Francisco ainda tem aptidão para a agricultura, onde verifica-se um grande número de culturas, com destaque para a citricultura, fruticultura, cana-de-açucar, pastagens e cultura de subsistência como milho, mandioca e feijão (SUPES, 1989). 2.1.1.6. Hidrografia As sub-bacias dos tributários do rio São Francisco no seu baixo curso são formados por rios intermitentes, vegetação de caatinga e solos rasos. Os afluentes perenes são poucos e localizam-se a partir do Município de Traipu (AL). As sub-bacias do rio São Francisco em Sergipe são Curituba ( 732 Km2), Lagedinho (164 Km2), Jacaré (950 Km2), Marroquinho (240 Km2), Mocambo (94 Km2), Campos Novos (298 Km2), Capivara (1.138 Km2), Gararu (583 Km2), Poção (400 Km2), Propriá (300 Km2), Cotinguiba (250 Km2), Poxim/Aterro (830 Km2), (CODEVASF, 1984). Os Municípios de Cedro de São João, Propriá e Telha possuem como principal manancial o Riacho Jacaré. O Riacho Monde da Onça é o principal manancial do Município de Neópolis. Amparo de São Francisco é banhado pelo rio Salgado e o Município de Santana de São Francisco conta com a Lagoa do Fogo (SUPES, 1989). 52 2.1.2. Aspectos demográficos A população residente nas zonas urbana e rural nos 78 Municípios do Baixo São Francisco é de 1.807.718 hab., com crescimento de 12,1% e urbanização 49% (IBGE, 2000) Os dados referentes à população residente nos Municípios ribeirinhos sergipanos e taxa de crescimento anual do ano de 1996 ao ano 2000, são encontrados a seguir. O Município de Santana do São Francisco é o mais recente, tendo sido criado no ano de 1993. Sua população cresceu de 5730 hab. para 6131 hab. com taxa de crescimento anual de 1,71%, superior às dos Municípios de Brejo Grande, Cedro de São João e Propriá. Em 1996, o Município de Amparo do São Francisco possuía uma população de 1994 hab., urbana e rural crescendo para 2181 hab. no ano de 2000, tendo, portanto, uma taxa de crescimento anual de 2,27%. O Município de Brejo Grande, de 6813 hab. cresceu no mesmo período para 7101 hab. com taxa de crescimento anual de 1,04%. O Município de Cedro de São João, de 5164 hab. para 5376 hab., com taxa de 1,01%. Para o Município de Ilha das Flores, de 7585 hab. cresceu para 8264 hab. com taxa de 2,17%. O Município de Neópolis cresceu de 16.732 hab. para 18.877 hab., com uma taxa de crescimento anual de 3,06%, sendo o que mais cresceu em termos de população urbana e rural. O crescimento de Propriá já não foi tão acentuado, passando de 25.986 hab. para 27.292 hab. com taxa de crescimento de 1,23%. O Município de Telha, cresceu de 2444 hab. para 2636 hab. com taxa de crescimento de 1,91%. 2.1.3. Aspectos econômicos As principais atividades econômicas da região do Baixo São Francisco são a agricultura, pecuária e pesca/aqüicultura, possuindo cerca de 14.399 ha. de área irrigada, que representa 4,2% da área irrigada da bacia hidrográfica. No Baixo São Francisco sergipano as atividades sócio-econômicas mais importantes são a rizicultura, piscicultura, indústrias de beneficiamento de arroz e agricultura irrigada. 53 A rizicultura tem uma produção expressiva nos Municípios de Brejo Grande, Neópolis e Propriá, ocupando cerca de 1.500 ha. de suas terras. A concentração das atividades se dá no Distrito do Perímetro Irrigado de Propriá (1.126,2 ha.), Perímetro Irrigado Cotinguiba – Pindoba (2.208 ha.), Betume (2.860,8 ha.) e no Platô de Neópolis cuja produção das culturas irrigadas (abacaxi, acerola, mamão, laranja e maracujá) chega a atingir 50 mil toneladas (CINFORM, 2002), em terras dos Municípios de Neópolis e Santana do São Francisco. Contando ainda com agroindústria de sucos e polpas para exportação, manga e uva também para exportação, limão e coco-anão para mercado interno (BRASIL, 1998). São também produtos agrícolas de destaque na região, o feijão, a mandioca, a cana-de-açúcar, o coco-da-baia, e milho (Santos, 2000). Os Municípios sergipanos contemplados com esses projetos de irrigação são Propriá, Neópolis, Ilha das Flores, Cedro de São João e Telha. Todo o processo produtivo é gerenciado através de um comitê institucional composto por entidades públicas (Prefeituras Municipais, CODEVASF, EMDAGRO, SAGRI, Banco do Nordeste do Brasil ) e instituições de produtores (Santos, 2000). Quanto às atividades industriais, o Município de Propriá conta com indústrias de beneficiamento do arroz, milho e café. Neópolis possui usina de açúcar e álcool e indústria têxtil. Acrescentando-se os Municípios de Brejo Grande, e Ilha das Flores as unidades de beneficiamento de arroz e outras atividades do ramo alimentício como panificadoras, fábricas de biscoitos e sorveterias também em grandes quantidades em todos os demais Municípios do Baixo São Francisco. Indústrias de beneficiamento de madeira são encontradas nos Municípios de Ilha das Flores, Neópolis e Propriá que conta também com serralherias e mineração. As serralherias produzem esquadrias metálicas e nos Municípios de Propriá e Neópolis encontram-se ainda, 16 unidades de construção de pré-moldados de concreto, brita e cal (BRASIL, 1998b). O Município de Propriá, conforme informações repassadas por funcionário da Prefeitura, conta com uma melhor infra-estrutura em comparação com os outros Municípios ribeirinhos. A cidade possui duas emissoras de rádio, um jornal, “ O Correio de Propriá”, cinco agências bancárias (Banco do Brasil, Banese, Bradesco, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal), cinco postos de saúde, sendo um posto em cada povoado circunvizinho e outro situado na sede. Possui duas indústrias de confecção (EMATEX e SORAMED). Possui ainda, 90% dos troncos telefônicos utilizados por empresas na região, vindo Neópolis em segundo lugar com maior número de ramais telefônicos em operação. Os demais Municípios contam com uma infra- 54 estrutura comercial básica possuindo, agência dos correios, delegacias de polícia, supermercados, escolas das redes municipal e estadual, fórum, etc. O Município de Neópolis, de acordo com informações de funcionário da prefeitura municipal, possui uma emissora de rádio local, Comunitária FM, mas recebe com boa qualidade sinais de outras duas emissoras, FM Penedo e FM Propriá. O Município de Brejo Grande, já na foz do Baixo São Francisco, que tem parte do seu território na faixa litorânea possui um potencial turístico muito expressivo. 2.1.3.1. Saneamento ambiental No Baixo São Francisco, 32,8% da população urbana é servida por rede de água e 8,8% dessa população é servida por coleta de esgoto, que aporta um percentual de volume tratado de esgoto de apenas 1,1% (PAE, 2004). A situação dos municípios sergipanos do baixo São Francisco no tocante ao saneamento ambiental: abastecimento de água, esgotamento sanitário e resíduos sólidos está descrita nos sub-itens abaixo. 2.1.3.1.1 Abastecimento de água Nos Municípios ribeirinhos do Baixo São Francisco, pertencentes aos Estados de Alagoas e Sergipe, os domicílios particulares permanentes urbanos perfazem um total de 12.907 domicílios, sendo que destes, 11.857 domicílios recebem água canalizada pela rede geral de abastecimento. Apenas 23 domicílios são abastecidos por poços ou nascentes, sendo que destes, 07, a água é canalizada e 16, não canalizada. Um total de 1004 domicílios, utilizam outras formas de abastecimento de água (IBGE, 2000). Na zona rural o número total de domicílios é de 6.089, sendo que 3.118 domicílios possuem água canalizada da Distribuidora. Um total de 553 domicílios são abastecidos por poços ou nascentes, sendo que destes, 56 domicílios canalizam a água e 497 domicílios utilizam a água bruta. O restante dos domicílios perfazendo um total de 1.865, utilizam outras formas de abastecimento de água que se refere a reservatório ou caixa, água das chuvas, água fornecida por carro pipa, poço ou nascente localizado fora do terreno ou da propriedade onde estava construído. 55 Em todos os Municípios e seus povoados, o abastecimento de água é feito pela DESO, sendo o Município de Propriá o que possui o maior número de ligações de água perfazendo um total de 5.313, com 31 ligações industriais que representa metade dos consumidores industriais da área. O Município de Neópolis possui 2.500 ligações (BRASIL, 1998b). 2.1.3.1.2. Esgotamento sanitário A situação dos municípios com relação ao tipo de esgotamento sanitário adotado e ao saneamento não adequado, nas áreas urbana e rural, encontra-se a seguir, conforme dados coletados no IBGE – Censo Demográfico, 2000. Em todos os Municípios o sistema de esgotamento sanitário é deficiente, resultando o lançamento dos dejetos residenciais e comerciais, em sua grande maioria, diretamente no rio, sem qualquer tratamento (Souza, 1998). Em um total de 12.884 domicílios urbanos, 4.805 destes possuem o sistema de esgoto na rede geral, 644 domicílios possuem fossa séptica, 6.689 domicílios utilizam outras formas de esgotamento sanitário e 746 não tem instalação sanitária. Na zona rural, são 5.536 domicílios, onde apenas 17 são atendidos pela rede geral de esgoto, 126 domicílios possuem fossa séptica, 4.276 domicílios utilizam outras formas de esgotamento sanitário e ainda, 1.117 deles não têm instalação sanitária. Com exceção do Município de Própria, mais de cinqüenta por cento dos domicílios dos demais Municípios utilizam outra forma de esgotamento sanitário como o uso de fossa rudimentar, despejo em vala, rio, lago ou mar e/ou outro escoadouro. Isso demonstra a precariedade do saneamento básico nos perímetros urbanos dos Municípios do Baixo São Francisco. Da mesma forma acontece na zona rural, em índices bem maiores, mais de setenta por cento dos domicílios em todos os Municípios ribeirinhos utilizam outro tipo de esgotamento sanitário, conforme citado acima (IBGE, 2000). 2.1.3.1.3. Resíduos sólidos As informações coletadas sobre a situação da destinação dos resíduos sólidos nos municípios do baixo São Francisco, nas zonas urbana e rural estão a seguir (IBGE, 2000). 56 Na zona urbana são 12.884 domicílios, sendo que 11.754 destes são atendidos pela coleta regular do lixo. O lixo é queimado ou enterrado em 230 domicílios e outros 900 adotam outra forma de destinação. Na zona rural, tem-se um total de 5.506 domicílios, onde 1.269 recebem a coleta, 2.484 domicílios queimam ou enterram seu lixo e 1.753 domicílios dispõem seu lixo de outra forma. Outra forma de destino para os resíduos sólidos urbano e rural nos municípios do baixo São Francisco se refere a ser jogado à céu aberto ou em logradouro, em rio, lago ou mar e/ou outro destino. A ação de queimar ou enterrar os resíduos sólidos na zona rural é bastante utilizada, confirmando o descaso do poder público e da população ribeirinha para com o meio natural. 2.2. Metodologia A erosão na margem direita do Baixo São Francisco sergipano é o problema ambiental e, portanto, a temática principal do trabalho. A sua ocorrência gerada por pressões naturais e antrópicas sobre os recursos naturais resulta em estados diferenciados de degradação ambiental. Esse processo degradativo gera impactos e efeitos nocivos que necessitam de soluções, ou seja , respostas, através de estratégias e ações que os minimizem. Foi trabalhada uma metodologia embasada nas dimensões de sustentabilidade e, portanto, caracterizada por uma visão interdisciplinar. Em um primeiro momento, identificou-se componentes sócio-econômicos e ambientais que pudessem ser representados por indicadores específicos. A partir daí, realizou-se a caracterização desses instrumentos considerando as causas, agentes e processos atuais e dinâmica da erosão marginal. 2.2.1. Coleta e análise das informações O estudo foi realizado utilizando-se fontes de informações que forneceram dados secundários e primários. 57 2.2.1.1. Dados secundários Foram coletadas informações em órgãos governamentais e não-governamentais que desenvolvem atividades na área estudada como as Prefeituras Municipais de Propriá e Neopólis, Gerências de regionais da CODEVASF, EMDAGRO, DESO, IBAMA, Ministério Público, Secretaria de Agricultura de Propriá, Gerências dos Perímetros Irrigados de Propriá e Cotinguiba-Pindoba, Colônia de Pescadores, Associação de Moradores etc. Outras informações foram adquiridas na capital do Estado de Sergipe nos órgãos públicos UFS, SRH, CHESF, Secretaria Executiva do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, ONG’ s, COHIDRO, IBAMA e ADEMA. A coleta das informações visou o levantamento da atual situação do Baixo São Francisco, mais precisamente no trecho compreendido entre os Municípios de Propriá e Neopólis onde os danos causados pela erosão marginal são bastante prejudiciais às atividades sócio-econômicas desenvolvidas naqueles Municípios e levantamento das ações e/ou projetos executados por estas entidades que contemplam o Baixo São Francisco. A pesquisa bibliográfica referente à erosão marginal no Baixo São Francisco e indicadores ambientais foi realizada em Sergipe nas bibliotecas da UFS, IBAMA, ADEMA, CODEVASF, acervo da SRH, periódicos e artigos disponibilizados ”on line”, acervos da Agência Nacional de Água (ANA), Ministério do Meio Ambiente (MMA), etc, além de dissertações de mestrado que subsidiaram a execução deste trabalho, no tocante ao histórico da erosão marginal no Baixo São Francisco. 2.2.1.2. Dados primários A pesquisa em campo foi realizada através do levantamento das áreas mais críticas de ocorrência de erosão marginal, destruição da vegetação ciliar, e faixas remanescentes de mata, previamente identificadas por Casado (2000), Casado et al, (2002), Santos (2000), Santos (2002) e Fontes (2002), com atualização, no período de outubro/2003 a abril/2004. Foram realizados registros fotográficos em toda a extensão da área em estudo, a partir do Município de Propriá até a foz do rio, utilizando-se veículos e embarcações motorizados. 58 Informações sobre os aspectos socioeconômicos da área em estudo foram também levantadas no decorrer de toda a coleta de dados no campo, com destaque para as atividades de pesca, turismo, navegação, entre outras não menos relevantes. A observação do estado dos recursos solo, água e vegetação da área em estudo, foi realizada intensamente durante todas as campanhas de campo, subsidiando a construção dos indicadores. Aspectos sócioeconômicos, também foram levantados para a identificação dos indicadores ambientais relacionados aos focos de erosão, aos impactos advindos do avanço do processo erosivo, como o crescimento das barras arenosas e ilhas, ou seja, o percentual da área erodida, com a perda da área produtiva e com as condições pedológicas, hidrológicas e climáticas da área em estudo. A técnica mais utilizada para coleta de dados foi a observação direta do cenário ambiental da área de estudo com enfoque para os pontos marginais erodidos, os enroncamentos e espigões, que ainda restam, para conter o processo erosivo e a situação da vegetação das margens do rio. A participação da autora em eventos como o Fórum de Debates sobre a Conservação da Região da Foz do Rio São Francisco realizada em Aracaju/SE, em setembro de 2003, II Plenária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco realizada em Penedo/AL, em outubro de 2003, I Rodada de Discussão do Plano de Recursos Hídricos da Bacia do São Francisco e Plano de Revitalização realizada em Maceió/AL, em março de 2004, subsidiou a coleta de informações mais gerais sobre as ações de gerenciamento da Bacia. 2.2.1.3. Realização das entrevistas Foram aplicados dois tipos de questionários, modelos em anexo, destinados aos órgãos públicos e sociedade civil, respectivamente, sendo contemplados seguimentos representando a população ribeirinha, especialistas sobre o assunto, representantes de órgãos e instituições governamentais e não-governamentais da área de estudo, perfazendo um total de 55 entrevistas, das quais, 35 foram direcionadas aos pescadores do BSF. Foram entrevistados representantes, técnicos e secretários da Prefeitura Municipal de Propriá, e de Neopólis, CODEVASF – 4ª SR, EMDAGRO, gerentes dos 59 Perímetros Irrigados de Propriá e Cotinguiba-Pindoba e DESO das Regionais locais destes órgãos. Quanto à sociedade civil, foram entrevistados os presidentes das Associações de Pescadores (Z8) em Propriá e Associação de Moradores e moradores locais residentes nas zonas urbana e rural de ambos os sexos, membros do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Técnicos da CODEVASF, IBAMA, EMBRAPA, Promotoria Pública além de Secretários Municipais. Também foram entrevistados presidentes e representantes de ONG’S sergipanas e alagoanas que atuam no BSF. O universo de pescadores foi entrevistado à medida que as viagens de campo foram realizadas, escolhendo-se aleatoriamente os que estavam disponíveis e por indicação dos moradores dos locais, por serem mais antigos na profissão, nos diversos municípios e povoados visitados na área de estudo. 2.2.1.4. Coleta de dados em campo Com o objetivo de observar os aspectos econômicos, sociais, ambientais e impactos associados ao longo da margem do rio, procedendo com registro fotográfico dos pontos de erosão marginal anteriormente identificados por Fontes (2002), fez-se, num primeiro momento, o percurso fluvial saindo do Município de Propriá até a foz do rio, passando pelos Municípios de Neópolis, Santana do São Francisco, Ilha das Flores e Brejo Grande. Esse trecho foi percorrido no decorrer de toda a coleta de dados desta pesquisa, antes e depois do advento das cheias promovidas pelas chuvas acontecidas no mês de janeiro de 2004 no baixo São Francisco. 2.2.2. Construção de indicadores de sustentabilidade ambiental A construção dos indicadores propostos se deu, inicialmente, a partir da definição dos descritores que orientam o sistema “erosão marginal no Baixo São Francisco”. 2.2.2.1. Definição dos descritores Os descritores, segundo Desponti et al (2002), são características significativas para a manutenção e funcionamento do sistema que permitirão alcançar o padrão de sustentabilidade ideal e são necessários para a sustentação e permanência do sistema. 60 De Camino e Muller (1996), afirmam que para cada elemento significativo de cada categoria importante, é necessário escolher descritores e indicadores. Os descritores são características significativas de um elemento de acordo com os principais atributos de sustentabilidade de um determinado sistema. Para cada descritor deve-se definir um ou vários indicadores. Para os autores op. cit., os indicadores são uma medida do efeito da operação do sistema sobre o descritor. Se há sustentabilidade no sistema, tem efeito positivo sobre o descritor. Se não há sustentabilidade, o efeito é negativo. Foram identificados os descritores, elementos que orientam a definição dos indicadores, durante toda a coleta de dados e informações gerais sobre os recursos água, solo e vegetação, nos pontos mais críticos afetados pela erosão marginal, considerando seu entorno, na área de estudo. Eles forneceram os componentes ambientais escolhidos como indicadores específicos, componentes estes, mensuráveis e quantificáveis, pois segundo Desponti et al (2002), os descritores são genéricos e qualitativos, portanto não passíveis de mensuração, e necessitam ser traduzidos através de indicadores. Os descritores foram selecionados observando-se as características de ocorrência da erosão marginal e os aspectos relacionados à sustentabilidade ambiental na área. 2.2.2.2. Identificação dos Indicadores Há uma carência de trabalhos abordando a temática indicadores de sustentabilidade ambiental, com enfoque para a erosão marginal. Portanto, foi trabalhada a construção de indicadores de qualidade ambiental voltados para as áreas com focos erosivos no Baixo São Francisco sergipano com base em informações coletadas na área de abrangência deste estudo e também resgatando informações apresentadas em estudos que retratam os problemas e impactos mais críticos ligados a esses focos de erosão com uma abordagem interdisciplinar. Conforme Malheiros (2001 apud WRI, 1995), uma base conceitual bastante utilizada para indicadores ambientais surge das seguintes perguntas básicas: o que está acontecendo com a situação do meio ambiente ou dos recursos naturais? Por que está acontecendo? O que está sendo feito sobre isso? Os indicadores de mudanças ou tendências do estado físico ou biológico do mundo natural (indicadores de estado) respondem a primeira questão. Indicadores de estresse ou de pressão que as atividades antrópicas causam no meio ambiente (indicadores de pressão) respondem a segunda 61 questão. A medida das políticas adotadas em resposta aos problemas ambientais respondem a terceira questão (indicadores de resposta). Foi adotada a metodologia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE - 1993), Pressão/Estado/Resposta (PER), que ampliada pelo PNUMA-CIAT, (1996), é identificada como modelo de indicadores de Pressão-Estado-Impacto/Efeito-Resposta (PEI/ER). O diagrama expresso na Figura 5, demonstra as inter-relações possíveis entre os componentes da matriz PEI/ER. PRESSÃO ESTADO IMPACTO/EFEITO RESPOSTA FIGURA 5 – Diagrama representativo da Metodologia PEI/ER. Fonte: IISD et al, (2000) - Projeto GEO CIDADES Esses indicadores se comportam, no contexto ambiental interagindo da seguinte forma: As pressões sobre o meio ambiente são ações derivadas da atividade humana. Essas pressões promovem a modificação em certos parâmetros que servem para descrever o estado do meio ambiente, gerando impactos e efeitos dessas atividades antrópicas sobre o mesmo. Finalmente a modificação desses parâmetros de estado suscitam à respostas dos sistemas naturais, através de processos de retroalimentação e dos sistemas sociais que atuam para remediar os problemas produzidos. Procurou-se gerar indicadores com caráter prático com vistas à identificação dos processos erosivos e a formulação das políticas para seu controle, observando-se que os indicadores, segundo (Holanda, 2000a apud CENDRERO, 1997), para serem eficientes devem manter características tais como fácil medição, devem ser tangíveis, aplicáveis sobre uma larga faixa de diferentes ecossistemas, de fácil coleta de informação e baixo custo, adequados ao sistema sob análise centrando-se em aspectos práticos e claros, 62 com repetições das medições através do tempo, devem ser representativos da sustentabilidade dos sistemas analisados, sensíveis às mudanças do sistema, sensibilidade que pode se manifestar pela magnitude dos desvios da tendência e devem também analisar as relações com outros indicadores. Sendo uma ferramenta eficaz para mensurar as mudanças das características de um determinado sistema, o indicador é expresso em unidades de medidas que permitam avaliar a sustentabilidade deste sistema. O método escolhido não se limita aos fatores ecológicos. A ação principal é avaliada como parte de um sistema ambiental que considera os aspectos físicos, químicos, biológicos, econômicos, sociais, culturais e psicológicos, pois conforme afirma Matallo Júnior (2001), “o que interessa é a identificação dos processos e seu monitoramento ao longo do tempo, levando em conta que diferentes dimensões devem ser consideradas”. 63 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO O processo da erosão marginal no Baixo São Francisco apresenta-se bastante acelerado, alterando a paisagem e avançando em direção aos lotes do Perímetro Irrigado Cotinguiba-Pindoba e Perímetro Irrigado Betume, localizados nos Municípios de Propriá e Neópolis, respectivamente, diminuindo suas áreas agricultáveis, restringindo, em vários pontos das margens do rio, o lazer dos ribeirinhos, dificultando o acesso ao seu leito e criando dificuldades à navegação em razão do conseqüente assoreamento do rio (Figura 6). FIGURA 6 – Foto da margem direita do Baixo São Francisco no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba, apresentando erosão marginal acelerada. (Autora, out/2003) O desencadeamento e avanço da erosão, na área estudada, é mais pronunciado nos trechos onde a vegetação ciliar se encontra pouco presente ou quando o talvegue (canal principal do rio) está localizado muito próximo ao barranco do rio. A ação antrópica é expressiva pois observa-se, em pouquíssimos pontos, somente um pequeno sinal de renovação da vegetação, com destaque para a umbaúba (Cecropia pachystachya), que apesar de ser uma planta invasora está ajudando na recomposição das margens, assim como as mangueiras, que floridas, conferem, junto a outras 64 espécies não nativas, a exuberância à paisagem ribeirinha pois estão desempenhando o papel da vegetação nativa. Algumas tentativas de contenção das margens, de forma empírica, têm sido desenvolvidas pelos ribeirinhos como o plantio de bambu, porém sem continuidade e orientação técnica. A Figura 7, mostra a margem com plantação de bambu, onde a erosão é mais lenta, conforme afirmação de moradores locais que acompanham o processo. FIGURA 7 – Foto da margem erodida com plantação de Bambu, substituindo a vegetação ciliar nativa. (Autora, out/2003) Nas margens do rio onde ocorre a incidência da erosão a presença de qualquer tipo de vegetação mais fechada, seja nativa ou não, o processo se mostra acanhado, em desenvolvimento muito lento. Segundo depoimento de moradores residentes no Povoado Serrão, localizado na margem do rio, em área do Município de Propriá, era possível medir cento e cinqüenta metros (150m), da margem até o início das residências e apresentava uma densa vegetação. Atualmente, os barrancos se apresentam desmatados em extensas partes da margem e diferentes alturas. Em alguns pontos a 65 erosão se apresenta em maior grau, em outros poucos pontos, pela presença de camadas com um material mais argiloso na base dos barrancos, o processo erosivo é dificultado. Os pescadores são unânimes quando afirmam e atribuem as mudanças ocorridas no rio à construção das barragens que regularizaram a vazão do rio, à falta de cheias e ao poder público que no seu linguajar simples “os homens do poder não soltam a água das comportas para encher o rio”. Atualmente, a pesca tem que ser realizada em mar aberto ou em trechos muito distantes de suas residências, que estão localizadas às margens do rio. Segundo pescador do povoado Santa Cruz, Município de Neópolis, “tem canto do rio que se anda com água no joelho, tá cheio de croa, desse jeito nós vamos ter que cavar cacimba” (Figura 8). FIGURA 8 – Foto de bancos de areia ou croas, nas imediações do Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba, caracterizando o assoreamento na calha do rio. (Autora, out/2003) Um acontecimento que modificou por algum tempo o cenário do Baixo São Francisco foi o advento das intensas chuvas que caíram no mês de janeiro/2004, acentuando ainda mais o processo erosivo marginal, mas por outro lado, aumentando os sedimentos devido à água barrenta, quando muitas espécies de peixes que estavam 66 desaparecidas voltaram ao rio, possibilitando ao pescador sonhar com os tempos de outrora. Essas chuvas trouxeram prejuízos ambientais e econômicos para muitos dos municípios ribeirinhos, conforme aconteceu em Amparo do São Francisco diretamente atingido em sua economia. Inúmeros bares de alvenaria levantados no leito do rio, local onde houve grande recuo da margem, foram cobertos pelas águas da cheia. Dezenas de moradores que sobrevivem desse comércio, perderam seus pertences, ficando grande parte da população em situação financeira bastante difícil, uma vez que o local atraía turistas de todo o Nordeste. Esse fato também ocorreu na cidade de Propriá, onde barracas de lona permaneciam armadas no leito do rio, funcionando como bares na orla ribeirinha, área de lazer dos moradores locais. Nas áreas marginais afetadas pela cheia, que passaram muitos dias submersas, a vegetação queimou, deixando bem nítida a dimensão da inundação. O Município de Neópolis, apesar de estar localizado em área alta, sofreu alguns danos nas suas localidades mais baixas. Um aspecto positivo foi a carreação do banco de areia que se formava no rio, próximo ao ponto de travessia da balsa entre os Municípios de Neópolis e Penedo, deixando o percurso navegável pois já vinha sendo feito por sinalização através de bóias. Para os pescadores entrevistados que sobrevivem da pesca, mesmo com perdas materiais consideráveis, a cheia que ocorreu no início do ano de 2004, foi “bem-vinda e abençoada” pois devolveu o ânimo para continuar vivendo da pesca. A percepção ambiental da comunidade ribeirinha, principalmente dos pescadores é que apesar do benefício da energia elétrica, a construção das barragens modificou totalmente o rio, acabando com as cheias naturais que alimentavam os peixes. Na sua concepção para a erosão não tem jeito, mas, as margens do rio podem ser replantadas e as hidrelétricas podem aumentar o volume de água do rio para melhorar tanto a pesca quanto a navegação. Para a comunidade pesqueira, continuar sobrevivendo da pesca “só com a ajuda de Deus”. Talvez por limitações de conhecimento dos significados, a grande maioria nunca ouviu falar de revitalização e a transposição das águas do rio para outros Estados, para eles, significa piorar ainda mais a situação atual. São pessoas sem ambições que se contentam com muito pouco, o suficiente para sua subsistência. 67 A erosão nas margens direita e esquerda do rio é considerada o componente de degradação ambiental de grande relevância e também causador de grande parte dos impactos sócio-econômicos no Baixo São Francisco. Através da avaliação e mensuração desses impactos é possível mitigar os seus efeitos nocivos utilizando para isso, indicadores que levem à sustentabilidade do sistema, sendo necessário a qualificação e quantificação dos mesmos numa escala temporal-espacial. A identificação e avaliação dos problemas ambientais necessitam da definição de um conjunto de indicadores dirigidos aos vários elementos envolvidos. Sendo um indicador uma estatística ou medição que, segundo Peixeiro et al ( 2002), se relaciona com uma condição, mudança de qualidade ou mudança no estado de algo que se pretende avaliar fornecendo informação e descrevendo o estado de um determinado fenômeno, o sistema da erosão na margem direita do Baixo São Francisco foi estudado com essa finalidade. 3.1 Análise dos indicadores Tendo em vista que a ação antrópica sobre o meio ambiente não é um fenômeno a ser entendido apenas do ponto de vista ambiental, e segundo Bollmann, (2001), “tratase de uma relação complexa, originada por demandas individuais e coletivas, que se fundamentam em aspectos psicológicos, culturais e sociais, e cujos reflexos são observados no modo como são explorados os elementos da matriz de recursos naturais disponíveis”, necessário se faz entender esse fenômeno em todas as suas dimensões e medir adequadamente seus efeitos em cada uma das dimensões consideradas. Os indicadores construídos para o estudo do processo erosivo agrupam essas dimensões e estão atrelados a cada descritor selecionado, fazendo parte do sistema de degradação ambiental causada pela erosão marginal no Baixo São Francisco, de acordo com cada categoria e elemento significativo que formam esse sistema, (Quadro 2). 68 SISTEMA CATEGORIA Base de recursos Degradação ambiental causada pela erosão marginal no Baixo São Francisco ELEMENTO DESCRITORES INDICADORES Uso e ocupação desordenada do solo (ha.) Solo Uso do solo Pontos de erosão (nº) Área erodida (%) Assoreamento (formação de barras e ilhas) (ha.) Variação da cota do rio (m) Água Qualidade da água Vazão hídrica (m3/s) Regularização da vazão (m3) Área desmatada (ha.) Trabalhos de recomposição da mata ciliar (ha.) Conclusão relatório final da Comissão de Acompanhamento do Vegetação Vegetação ciliar Projeto de Revitalização do rio São Francisco (nº) Perímetros Irrigados implantados Operação do sistema Manejo técnico Barramentos construídos Geomorfologia fluvial Perda de área produtiva (ha.) Renda (R$) Avanço da erosão (m.ano-1) Barragens construídas (nº) Capacidade de geração de energia (mw) Volume do pescado (ton) Navegação fluvial (nº) estabilização dos Contenção, taludes (nº) Formação do CBHSF (nº) Ações M P (nº) Ações da CHESF (nº) Ações da CODEVASF (nº) Fiscalização do IBAMA (nº) Ações ANA (nº) Ações SRH (nº) ConclusãoPlanoRev.BHSF (nº) Conclusão Relatório Final PAE (nº) Ações ONG´s (nº) Alterações climáticas (nº) Alterações geomorfológicas (nº) Sedimentos retidos (ton) QUADRO 2 – Esquema usado para a definição dos indicadores de qualidade ambiental no sistema “erosão marginal do Baixo São Francisco”. O sistema “degradação ambiental causada pela erosão marginal no Baixo São Francisco” considerou cinco descritores sendo dois destes na categoria base de recursos e três na categoria operação do sistema. Foram construídos trinta indicadores voltados para as características principais que requer um bom indicador como facilidade de medição, clareza, facilidade de entendimento e monitoramento, confiabilidade das informações e sensibilidade. O objetivo foi permitir a avaliação das modificações nas 69 características do sistema e integradores, conforme Alves (2003), favorecendo a interrelação com outros indicadores, compreendendo aspectos das dimensões ambiental, econômica e social. 3.1.1. Descritores escolhidos para a pesquisa Foram definidos descritores através da identificação dos componentes sócioeconômicos-ambientais, orientação para a construção dos indicadores. De acordo com Christofoletti (1996 apud SIMPSON, 1996), O desenvolvimento sustentável representa a meta a ser atingida e a sustentabilidade ambiental engloba os procedimentos de mensuração e a qualificação dos indicadores para a sua operacionalização. Com base na observação do comportamento dos componentes descritos, foram selecionados como descritores, a implantação dos perímetros irrigados, a construção de barragens, a qualidade dos recursos naturais (água, solo e vegetação), a geomorfologia fluvial e a destruição da vegetação ciliar. A escolha dos descritores perpassa pelos pressupostos específicos a cada elemento significativo para a erosão marginal. 3.1.1.1. Perímetros Irrigados implantados Os Perímetros Irrigados da CODEVASF implantados no Baixo São Francisco (Betume, Cotinguiba/Pindoba e Propriá), operam desde a década de setenta, utilizando o mesmo modelo de exploração da rizicultura como o ponto forte, abrangendo cerca de 90% da área irrigável. O total de área irrigável para os três perímetros é de 6.252,80 hectares, parcelados em 1.538 lotes agrícolas sendo 1.505 lotes ocupados por 1.238 famílias de irrigantes, 12 lotes destinados a 11 empresas agrícolas, 06 utilizados para pesquisa e 15 lotes familiares sem sua ocupação definida (CODEVASF, 2001). A implantação dos Perímetros Irrigados pressupõe a retirada de água do rio e a sua devolução com expressivo grau de poluição devido ao uso de defensivos agrícolas na rizicultura e demais cultivos assim como outros produtos químicos provenientes da piscicultura. Essa retirada de água influencia na dinâmica fluvial. A Tabela 2 apresenta, além do volume de água captada para irrigação, os resultados das atividades de 70 operação e manutenção dos perímetros da CODEVASF no Baixo São Francisco no ano de 2000. TABELA 2 - Atividades de manutenção e operação dos perímetros irrigados em 2000 Indicadores de Operação Unidade Resultados Globais Lotes irrigados (acumulado em 12 meses) Área irrigada (acumulada em 12 meses) Volume de água captado para irrigação Volume de água fornecido para irrigação Valor do faturamento da tarifa de água Custo total de energia elétrica consumida Eficiência de distribuição da água para irrigação Volume de água fornecido para irrigação/ha/mês Valor da tarifa de água/ha irrigado/mês Custo da energia elétrica consumida /ha irrigado/mês Fonte: CODEVASF, (2001) Nº ha Mil m3 Mil m3 R$ 1.000 R$ 1.000 % Mil m3 R$ 5.974 26.955,83 103.619,89 50.389,43 434,28 1.200,45 48,63 1,87 16,11 R$ 44,53 Outros impactos são provenientes da localização desses Perímetros Irrigados muito próximos às margens do rio que, segundo estudos de Santos (2002), vêm sofrendo com a erosão. Ocorrem prejuízos para a sua infra-estrutura como diques, estradas, cercas e obras de arte, desvalorização de propriedades, redução de terra no território sergipano devido ao recuo da linha de margem, levando à reivindicação de indenização de lotes destruídos pela erosão, conflitos entre parceiros (usuários e órgãos assistentes), e muitos outros problemas. A Figura 9 mostra a destruição da estrada e do dique de proteção, pela erosão, no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba, onde o cenário se apresenta bastante crítico. 71 FIGURA 9 – Foto do dique de proteção destruído pela erosão marginal. (Autora, jan/2004) 3.1.1.2. Barramentos construídos A construção de barragens ao longo do curso do rio promoveu grandes alterações que romperam o equilíbrio dinâmico natural do sistema fluvial, consequentemente, causando implicações sócio-ambientais à jusante das mesmas. Segundo Fontes (2002), após a construção da barragem de Sobradinho (BA), no Sub-médio São Francisco, foram iniciadas as mudanças sócio-ambientais no Baixo São Francisco. As barragens causaram entre outros impactos, modificações na hidrologia e na geomorfologia dos canais. As mudanças são significativas no comportamento hidráulico e sedimentológico do rio, principalmente no trecho entre o Município de Propriá e a sua foz. Entre os Municípios de Propriá e Neópolis se percebe um agravamento do processo erosivo acarretando uma gama de impactos negativos, como grandes mudanças no uso das terras ribeirinhas com a perda de áreas agrícolas e de obras de engenharia. A retenção de sedimentos promovida pelas barragens pressupõe uma descarga líquida mais leve, consequentemente, com maior energia, o que acentua o processo da erosão marginal e no leito do rio, se constituindo em uma resposta do sistema fluvial às alterações hidrosedimentológicas do canal devido aos efeitos geomorfológicos à jusante das barragens. 72 3.1.1.3. Recursos naturais (água, solo e vegetação) A qualidade dos recursos naturais (água, solo e vegetação) como descritor pressupõe que a poluição dos recursos hídricos, o mau uso e consequente perda do solo e a destruição da vegetação nativa, são causadores de degradação. Além da poluição em si, as águas represadas, quando liberadas, trazem uma carga muito baixa de nutrientes durante quase todo o ano. Isso ocasiona mudanças no ciclo reprodutivo da ictiofauna e do teor nutritivo das águas do rio. O uso incorreto do solo vem acarretando perda de áreas produtivas, ou degradação pela acidificação ou salinização das terras cultivadas. A destruição da vegetação nativa é tão grave quanto os outros recursos naturais, tendo em vista abrir espaço para a erosão nas margens, desproteger o solo e empobrecer a paisagem do local. A interação entre os recursos naturais água, solo e vegetação é sistêmica, portanto, os agravos sofridos por um desses fatores altera, sobremaneira, os demais sendo necessário o gerenciamento integrado respeitando o equilíbrio ecológico energético resultante da sua interação. 3.1.1.4. Geomorfologia fluvial A geomorfologia como descritor, pressupõe que os impactos causados por fatores externos, como a construção de sucessivas barragens em uma bacia hidrográfica, atuam sobre as formas e processos nas vertentes e na rede de canais da bacia. Segundo Christofoletti (1996), os indicadores geomorfológicos, devem expressar as características das formas topográficas e a dinâmica dos processos geomorfológicos, propiciando parâmetros para se estabelecer a amplitude da resiliência (facilidade de reconstituição) e avaliar a sua estabilidade, em função da sustentabilidade ambiental necessária ao desenvolvimento sócio-econômico e aos padrões e à qualidade de vida das comunidades. 3.1.1.5. Vegetação ciliar A destruição da vegetação ciliar se caracteriza pela retirada da proteção das margens do canal fluvial, desnudando o espaço para que a erosão marginal avance mais 73 facilmente. Conforme Casado (2000a apud CEMIG, 1995), por ser um sistema frágil, a vegetação ciliar vem sofrendo os impactos promovidos pelo homem, com a dinâmica erosiva e sedimentação no canal do rio em toda a bacia hidrográfica. A Figura 10 apresenta trechos da margem direita do rio, nas imediações da estação de bombas (EB-2), no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba, (36° 43`45” W e 10° 15`46,4” S), onde a presença da vegetação nativa inibe o acelerado avanço da erosão. FIGURA 10 – Foto da margem do rio com remanescentes de vegetação ciliar, próximo à EB-02 – Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba. Fonte: Autora, (out./2004). O papel da vegetação ciliar como elemento mitigador do processo erosivo é de fundamental importância, podendo a sua recomposição, se constituir em um indicador de resposta dos mais eficazes, para diminuição da degradação ambiental causada pela erosão marginal. 3.1.2. Indicadores de Pressão – Estado – Impacto/Efeito – Resposta Os indicadores de pressão são decorrentes tanto das pressões antrópicas como aquelas de menor grau causadas pela própria natureza. Neste caso, pode-se observar que os oito indicadores de pressão identificados são resultantes de ações antrópicas, provenientes das conseqüências advindas da cascata de barragens em operação ao longo 74 do rio, todos direta ou indiretamente relacionados ao avanço da erosão marginal. A pressão exercida por esses indicadores mede a intensidade das atividades produtivas e antropogênicas sobre os recursos naturais e o meio ambiente. Os indicadores de estado proporcionam informações em dois aspectos acerca do meio ambiente. No primeiro aspecto mostram a estabilidade do meio ambiente tanto sob estado natural ou antropizado sobre as bases de suas características físicas. No segundo aspecto mostram a qualidade ambiental associada à diversidade de ecossistemas e de espécies no sistema estudado. Os três indicadores de estado construídos na pesquisa fazem parte do primeiro grupo e também estão diretamente relacionados com o processo erosivo nas margens do rio. O estado mede a qualidade do meio e dos recursos naturais considerando quanto frágil ou sensível são as mudanças no sistema estudado, levando em conta seu estado atual podendo decidir quanto pode suportar de carga o meio com relação a sua fragilidade e estado. Os indicadores de impacto/efeito são proveniente do resultado das alterações causadas ao meio ambiente decorrente das ações que desencadeiam o processo erosivo nas margens do rio. Os sete indicadores construídos demonstram exatamente o nível de degradação e os impactos advindos desse processo. O impacto mede a intensidade das alterações sofridas pelas propriedades físicas, químicas e biológicas do ambiente, e portanto, a qualidade dos recursos naturais. Os indicadores de resposta também podem ser divididos em dois aspectos. O primeiro são as respostas da sociedade civil e o segundo, as respostas dos órgãos governamentais em seus diferentes níveis, objetivando a conservação e o planejamento da gestão ambiental do sistema estudado. Os doze indicadores de resposta construídos estão incluídos nos dois aspectos. A resposta proporciona informações acerca da reação do meio antrópico e social para as pressões e o estado do meio ambiente. Na Tabela 3 estão apresentados os trinta indicadores dispostos conforme definição da Matriz PEI/ER (Pressão, Estado, Impacto/Efeito e Resposta) e selecionados com o intuito de conferir a interação entre as dimensões ambiental, econômica e social. 75 TABELA 3 – Indicadores de qualidade ambiental para a erosão marginal na Matriz Pressão/Estado/Impacto/Efeito/Resposta – (PEI/ER) Indicadores de Pressão (P) Indicadores de Estado (E) Indicadores de Impacto/Efeito (I/E) Indicadores de Resposta (R) . Barragens construídas (nº) . Regularização da vazão (m3) . Capacidade de geração de energia (mw) . Uso e ocupação desordenada do solo (ha.) . Sedimentos retidos (ton) . Área desmatada (ha) . Vazão hídrica (m3/s) . Variação da cota do rio (m) . Alterações climáticas (nº) . Alterações geomorfológicas (nº) . Avanço da erosão (m.ano-1) . Pontos de erosão (nº) . Área erodida (%) . Perda da área produtiva (ha.) . Volume do pescado (ton) . Navegação fluvial (nº) . Renda (R$) . Assoreamento (ha) . Trabalhos de recomposição da mata ciliar (ha.) . Contenção e estabilização dos taludes (nº) . Formação do CBHSF (nº) . Ações do MP (nº) . Ações CHESF (nº) . Ações CODEVASF (nº) . Fiscalização IBAMA (nº) . Ações ANA (nº) . Ações SRH (nº) . Conclusão P. Rev. BHSF (nº) . Conclusão Relatório final PAE (nº) . Ações ONG`s (nº) Os indicadores ambientais construídos atuarão como ferramentas necessárias para a avaliação e monitoramento do comportamento da degradação causada pela erosão marginal na área estudada e possibilitarão medir as conseqüências para o meio ambiente positivas ou negativas, relacionados com a sustentabilidade do sistema estudado. Nesse sentido, procurou-se construir indicadores capazes de subsidiar a tomada de decisão na gestão das políticas adotadas frente aos problemas ambientais, econômicos e sociais do Baixo São Francisco, como também na identificação das competências, redirecionamento dessas políticas, apontando para as medidas corretivas mais apropriadas à sustentabilidade da região. 3.2. Indicadores de sustentabilidade ambiental para o “sistema erosão na margem do Rio São Francisco” A definição dos indicadores foi feita considerando as causas, agentes e processos atuais e dinâmica da erosão marginal. O processo de construção de um sistema de indicadores ambientais envolve segundo Borja e Moraes (2003), uma série de decisões e exige uma concepção integrada do meio ambiente e, consequentemente, uma 76 abordagem interdisciplinar. Entre outras exigências, deve-se definir: os objetivos do sistema de indicadores; o marco teórico/conceitual; os campos disciplinares que participarão da avaliação; as técnicas e instrumentos de coleta de dados; os métodos de ponderação e agregação dos indicadores. Considerando a degradação ambiental, proveniente da erosão marginal, o sistema estudado, e procedendo com a caracterização e construção dos indicadores, segundo as causas, agentes, efeitos e dinâmica fluvial que promoveram essa erosão, foram avaliados os impactos ambientais e sócio-econômicos detectados, quanto a possibilidade de mensuração e que pudessem ser representados como indicadores. Enfocando-se a problemática do acelerado processo da erosão marginal no Baixo São Francisco, foram elencados indicadores que possibilitam desenvolver e aprimorar ferramentas para monitoramento e para estudos de curto, médio e longo prazo, de modo a conferir a acuidade necessária aos mesmos. Nesse sentido, foi trabalhada a metodologia PEI/ER, que, conforme afirma Marzall e Almeida (1999), é a mais empregada por ter uma estrutura bem definida, clara quanto ao que se quer, determinando bem as perguntas. A abordagem, dentro de cinco aspectos (Pressão-Estado-Impacto/Efeito-Resposta), permite determinar os pontos onde se deve ter maior preocupação. 3.2.1. Indicadores de Pressão Os indicadores de pressão identificados para estudar a erosão marginal no Baixo São Francisco são os que exercem grande pressão sobre o meio ambiente e apresentam grande relevância no contexto do cenário estudado: a. Barragens construídas (unidade) Os trabalhos que tematizam a problemática da erosão marginal no Baixo São Francisco acenam para os impactos gerados pela construção das hidrelétricas e outras obras na bacia do São Francisco e que atingem, principalmente, o seu baixo curso. Isso modificou o regime fluvial que inclui a regularização da vazão e mudanças no comportamento hidráulico e sedimentológico e alteração do equilíbrio morfológico do rio. 77 Fontes (2002), em seus estudos, afirma que a erosão marginal no Baixo São Francisco teve início na década de 70, anterior à implantação da barragem de Sobradinho e se acentuou a partir do início da década de 80, após a sua operação, tornando-se mais grave no final da década de 90. Segundo o autor (op.cit.), os barramentos modificaram, sobremaneira, a biodiversidade do ecossistema aquático contribuindo para mudanças na diversidade de espécies e estrutura das comunidades ecológicas existentes na calha do rio, estuário e zona costeira. A quantidade de barramentos construídos na Bacia do Rio São Francisco, constitui-se um indicador de pressão sobre o sistema de degradação ambiental causada pela erosão marginal no Baixo São Francisco. A partir delas surgiram as mais diversas mudanças que agravaram a situação do sistema. (Tabela 4). TABELA 4 – Principais características das usinas instaladas na Bacia do Rio São Francisco. Área drenagem (Km2) Volume útil (Km3) Potênc. Instal. (MW) Vazão média longo termo (m3/s) Vazão natural máx. (m3/s) Três Marias/Alto 50.560 15.278 396 705 7.245 Sobradinho/Médio 498.425 28.669 1.050 2.750 18.525 Itaparica/SubMédio 587.000 3.548 1.500 2.797 18.504 Moxotó/Sub-Médio 599.200 0,226 400 2.797 18.851 Paulo Afonso I,II,III/Sub-Médio Paulo Afonso IV/Sub-Médio 599.200 0,090 1.423 2.797 18.851 599.200 0,030 2.460 2.797 18.851 Xingó/Sub-Médio 608.700 0,005 3.000 2.807 18.851 Barragem/região fisiográfica Sedim. retidos 106t/ano Pirapora 8,3 Morpará 21,5 Juazeiro 12,9 Juazeiro 12,9 Juazeiro 12,9 Juazeiro 12,9 Juazeiro 12,9 Fonte: ANA/GEF/PNUMA/OEA, 2004. (adaptada) As barragens construídas ao longo da bacia são nove (09). No Alto São Francisco tem-se a Barragem de Três Marias operada pela CEMIG (Centrais Elétricas de Minas Gerais). Do Médio ao Baixo São Francisco, estão localizadas as oito (08) restantes, operadas pela CHESF (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) sendo elas: Sobradinho, Itaparica, Apolônio Sales-Moxotó, Paulo Afonso I, Paulo Afonso II, Paulo Afonso III, Paulo Afonso IV e Barragem de Xingó. Esse indicador é facilmente mensurável e compreensível servindo de parâmetro para avaliar as conseqüências de futuras construções na bacia, à exemplo das barragem 78 de Dois Irmãos e Pão de Açúcar, programadas para o Baixo São Francisco, podendo acentuar o processo erosivo nas margens do rio. A construção de novas barragens na Bacia do rio São Francisco é motivo de acalouradas discussões e polêmicas por parte da comunidade ribeirinha, técnicos da CHESF, CODEVASF, ANA, membros do Comitê da bacia hidrográfica do Rio São Francisco e sociedade civil em geral. Na visão dos técnicos, a construção da barragem de Pão de Açúcar, já com cota prevista de 32 m., representará a solução para o Baixo São Francisco, pois servirá de nível para controlar a água nas margens do baixo curso do rio até a sua foz, podendo a CHESF reter um determinado volume de água ou liberar quanto quiser, e até transpor as águas do Sub-Médio São Francisco que não prejudicará a região do Baixo São Francisco. Conforme o inventário hidrelétrico do Baixo São Francisco elaborado pela CHESF, os aspectos positivos da implantação da UHE de Pão de Açúcar perpassa pelo aumento da geração de energia elétrica na região, incremento da capacidade da UHE de Xingó, incremento do turismo, aumento da compensação financeira para o município, melhorias para a irrigação, geração de empregos e incremento da piscicultura industrial. Para os pescadores, a construção de outra barragem, sem que haja a escada (o peixe sobe o rio para desovar), para os peixes na época da sua reprodução (piracema), irá agravar ainda mais a insustentável situação da pesca na região. Para a sociedade civil organizada, a construção de mais um barramento, em nome do desenvolvimento econômico da região, causará impactos sociais relevantes, a exemplo da expropriação acirrando ainda mais a miséria e exclusão social dos pescadores e campesinos do Baixo São Francisco, tendo em vista que estes vêm sofrendo intensamente com a diminuição da pesca por falta de condições ecologicamente aceitáveis e sustentáveis do ponto de vista da geração de renda. b. Regularização da vazão (m3/s) A regularização da vazão do rio no Baixo São Francisco caracterizou a falta das cheias naturais, contribuiu para a degradação sócio-econômica-ambiental, e, diretamente, causou mudanças extraordinárias no cotidiano da pesca e pescadores da área. Foram alterados, conforme Fonte (2002), o calendário de pesca, as técnicas de pesca, a qualidade, quantidade e diversidade do pescado além do que, induziu à pesca predatória criando uma grande pressão sobre este recurso, em função da necessidade de buscar meios para sobrevivência de grande parte da população ribeirinha. Para o solo, 79 a conseqüência pior foi a diminuição da fertilidade, devido a diminuição da carga de nutrientes que seriam renovados com as cheias naturais, caracterizando a formação de solos Neossolos Flúvicos. A regularização do fluxo d’água causou modificações na morfologia, reduzindo o ciclo natural do rio quanto ao transporte de sedimentos. Essa redução de sedimentos, segundo (UFAL, 2003), gera o assoreamento do canal, que por sua vez, impede a navegação de grandes embarcações, altera os nichos ecológicos e produz um déficit de sedimentos no rio, acelerando a erosão tanto nas margens fluviais como nas margens litorâneas. A vazão regularizada, de acordo com Fontes (2002), por um determinado tempo faz com que o nível da água do rio permaneça estático por um longo período, em níveis mais elevados do que suas condições anteriores que somados à retirada de vegetação ciliar leva à desestabilização das margens, consequentemente, promovendo erosão. Antes da construção dos barramentos, conforme Vargas (1999), a vazão média do rio São Francisco, em épocas de cheias, entre os meses de novembro a março, era de 13.000 m3/s, reduzindo, na vazante, para 900 m3/s. A pesca e o cultivo nas várzeas inundadas eram beneficiados pela grande variação das vazões. Após os barramentos, a vazão média do Rio São Francisco, no município de Propriá, segundo Souza (1998), no ano de 1993 mediu 2.592 m3.s-1 diminuindo em 1996, para 1.742 m3.s-1 voltando a aumentar em 1997 para 1.870 m3.s-1, ficando estabilizada uma vazão muito próxima a esta, com pequenas variações para mais ou para menos. Segundo a autora (op.cit.), os dados da CHESF demonstram um ciclo anual com tendência a diminuir a vazão nos meses de junho e julho e registros de vazões altas em janeiro/93 e abril/94, sendo esta última em volume bem menor. Para a barragem de Sobradinho, na década de 80, foi tomada como referência a vazão regularizada de 2.050 m3/s, objetivando a realização dos derrocamentos para garantir o calado de 1,50 m e profundidade mínima de 2,00 m no trecho à jusante da barragem. Ultimamente, a barragem vem liberando vazões entre 1.300 e 4.000 m3/s, em condições normais de operação, tendo sido reduzida até 900 m3/s em 2001, devido a um período muito crítico de baixa pluviosidade nas cabeceiras do rio e contribuiu, inclusive, para uma rápida evolução do processo erosivo (PBHSF, 2004). Após as intensas chuvas que caíram no mês de janeiro e fevereiro de 2004, e que obrigou a CHESF a liberar um volume maior de água das barragens, o panorama foi 80 modificado quando a vazão do rio aumentou de seu volume normal, 2000 m3/s para 3.500 m3/s e logo depois para 8.000 m3/s na foz, chegando até 9.500 m3/s, segundo informações de técnicos da CODEVASF. No dia 06/fevereiro/2004, a vazão foi reduzida a 5.500m3/s, com possibilidades de diminuir, de acordo com a ocorrência das chuvas, mesmo porque, segundo técnicos, a barragem de Sobradinho não estava na área de abrangência das chuvas e operava com apenas 32% (trinta e dois por cento) da sua capacidade. A área de maior precipitação foi à montante da barragem de Sobradinho e segundo depoimentos de técnicos da CHESF, a água que foi liberada não era a que estava retida nas barragens e sim da própria bacia, ou seja, a vazão incremental. Essa cheia foi classificada como uma exceção, tendo em vista a época não ser de precipitações normais para a região do Sub-Médio São Francisco. Na realidade, as águas que passaram pela calha principal do rio, aumentando o seu nível, foram contribuições dos afluentes, Paracatu, Urucuia, Carinhanha, Paraopeba, Das Velhas, Jequitaí e Verde-Grande com nascentes em Minas Gerais e Corrente e Grande com nascentes na Bahia. Como a barragem de Xingó, não tem capacidade de regularização de vazão, não podia ser permitido que chegasse a um nível máximo, evitando assim uma catástrofe. Por ocasião da I Rodada de Discussão do Plano de Recursos Hídricos da bacia hidrográfica do Rio São Francisco, realizada na cidade de Maceió/AL, nos dias 11 e 12 de março de 2004, foi proposto em trabalhos de grupo, que fossem criadas pelo sistema CHESF, duas vazões regularizadas para o Baixo São Francisco, obedecendo os períodos de estiagem e chuvoso da região. Essa medida teria como objetivo melhorar a situação da pesca, da erosão marginal, do assoreamento e outros efeitos negativos provenientes da regularização de uma vazão única. Esse indicador, informando sobre a vazão regularizada, em metros cúbicos por segundos, e suas variações nos períodos chuvosos e de estiagem, para Baixo São Francisco até a foz, contribui para o monitoramento da erosão e impactos associados com a construção das barragens e conseqüências nas alterações de vazão na calha do rio. É um indicador confiável, pois poderá ser obtido facilmente através de estudos realizados pela CHESF e órgãos gestores dos recursos hídricos. 81 c. Capacidade de geração de energia (MW) O uso primordial dos represamentos construídos ao longo da bacia do São Francisco objetiva, principalmente, a geração de energia elétrica. As barragens de Três Marias, no Alto São Francisco e Sobradinho no Sub-médio São Francisco são as que possuem reservatórios com boa capacidade de regularização das vazões e maior produção de energia. A barragem de Três Marias foi projetada, para garantir, inicialmente uma vazão mínima de 500 m3/s, à sua jusante e a barragem de Sobradinho com uma vazão inicialmente projetada para 2.060 m3/s. As demais operam de forma complementar com uma capacidade de regularização inferior, ou seja, com uma quantidade de água mínima para manter o nível da coluna d’água, para o funcionamento das turbinas (Jaakko Poyry-Tahal, 2000). São nove (09) hidrelétricas construídas na bacia do Rio São Francisco, somando um total de potencial instalado de 10.231 MW, sendo distribuído conforme mostra a Tabela 5, com o potencial de geração de energia e capacidade de acumulação de água dos seus reservatórios. TABELA 5 – Capacidade das barragens da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco Hidrelétrica Geração de Acumulação de Ano Operação (un) energia água (MW) (bilhões de m3) Três Marias Sobradinho Itaparica Complexo Moxotó (*) Xingo (*) incluindo Paulo Afonso 396 1.050 1.500 4.283 3.000 19,3 34,1 11,8 1,2 3,8 1963 1978 1988 1978 1994 Fonte: CODEVASF (Adaptada) A barragem de Apolônio Sales Moxotó individualmente possui potencial instalado de 400 MW e as barragens de Paulo Afonso I (180 MW), Paulo Afonso II (445 MW), Paulo Afonso III (800 MW), Paulo Afonso IV (2.460 MW), sendo que as hidrelétricas da CHESF perfazem um total de 9.835 MW. A hidrelétrica piloto de Paulo Afonso e Paulo Afonso I entraram em operação no ano de 1955; Paulo Afonso II no ano de 1965; Paulo Afonso III em 1968; Paulo Afonso IV em 1980 e a previsão para a implantação da barragem de Pão de Açúcar é para o ano de 2008, com capacidade de potencial instalado de 330 MW. 82 A usina hidrelétrica de Sobradinho, segundo Fontes (2002), representa um marco na história hidro-sedimentológica do Baixo São Francisco, uma vez que foi projetada, unicamente para a geração de energia, que apesar de representar o progresso para a área estudada, promoveu alteração significativa no seu ecossistema fluvial. No ano de 2000, o consumo de energia elétrica nos Perímetros Irrigados da CODEVASF, no Baixo São Francisco foi de 7.372,42 mil Kwh, sendo que deste total 2.081,60 Kwh foram consumidos no Perímetro Irrigado Betume, 3.371,76 Kwh no Perímetro Cotinguiba/Pindoba e 1.919,06 Kwh no Perímetro de Propriá (CODEVASF, 2001). Este indicador informa que o aumento da descarga líquida (vazão) liberada nas barragens, gerando mais energia, tem trazido maiores danos ambientais com a diminuição da carga de sedimentos, liberando uma água com mais energia para a promoção da erosão marginal. È um indicador de fácil obtenção de dados e entendimento, com dados disponibilizados pelas operadoras das barragens. d. Uso e ocupação desordenada do solo (ha.) No Baixo São Francisco a maioria das terras se classifica como de Classe I e II, ou seja, terras sem expressivas limitações ao uso agrícola apropriadas para todas as culturas sem grandes inversões e sem problemas de conservação de solo e terras com algumas limitações ao uso agrícola, apropriadas a quase toda a cultura com inversões médias e com problemas simples de conservação, respectivamente (SUPES, 1989). Para Fontes (2002), pode-se caracterizar a região do Baixo São Francisco como de intensa antropização, (já que mais de 65% do seu território são de áreas que sofreram algum tipo de ação antrópica), tendo seu uso destinado principalmente à agricultura e pecuária. Na Figura 11 é observado um dos tipos de ocupação das margens do rio São Francisco. 83 FIGURA 11 – Foto de ocupação das margens do rio por barracos. (Autora, out/2003) A incidência de barracos construídos ao longo das margens do rio é grande não oferecendo segurança, pois são feitos com barro, outras vezes com lonas e madeira, sendo erguidos bem próximos à calha do rio. As planícies inundáveis foram ocupadas pela cultura do arroz e algumas dessas várzeas inundáveis foram transformadas em Perímetros Irrigados (Propriá, CotinguibaPindoba e Betume) pela CODEVASF, onde são praticadas a rizicultura, piscicultura e fruticultura. Na abrangência da área em estudo, o uso do solo se dá da seguinte forma: policultura - cultura de sequeiro, ainda com várzeas ocupadas com rizicultura, principalmente. Áreas ocupadas com culturas consorciadas: milho, feijão, algodão, mandioca, associadas à vegetação natural e à pastagem. Chácaras com frutíferas: côco, manga, jaca, laranja, caju e abacaxi, frutíferas em maior quantidade. A cultura irrigada em perímetros como o Platô de Neópolis onde se cultiva espécies: abacaxi, acerola, mamão, laranja e maracujá. Pecuária com predomínio de pastos plantados, para a manutenção do rebanho bovino, associados à vegetação natural e às partes cultivadas com forrageiras (milho e palma) (Brasil, 1998b). O Perímetro Platô de Neópolis envolve terras dos Municípios de Neópolis, Japoatã, Pacatuba e Santana do São 84 Francisco, não se localiza exatamente às margens do rio como os demais, e possui uma área total de 10.432 hectares, dispondo de área irrigável de 7.230 hectares (Santos, 1997). Atualmente, o Platô de Neópolis é formado por 35 lotes que variam entre 20 a 600 hectares. Segundo Nascimento (2002), até maio de 2000 apenas 50% da área estava ocupada com 8 sistemas de produção frutícolas, sendo 50% da área total explorada com plantação de côco. No Município de Neópolis a utilização das terras, baseando-se nos anos de 1995 a 1996, conforme Nascimento (2002), predominavam lavouras permanentes com 1.963 hectares (14,28%), lavouras temporárias com 1.859 hectares (13,52%) e lavouras em descanso com 301 hectares (2,19%). As pastagens naturais com 4.447 hectares (32,34%), pastagens plantadas com 2.937 hectares (21,35%) e as naturais com 1.555 hectares (11,31%) e finalmente as terras produtivas não utilizadas com 689 hectares (5,01%), perfazendo um total de 13.751 hectares. A área de sequeiro ocupada nos Perímetros Irrigados do Betume é de 3.190 hectares, Cotinguiba/Pindoba de 300 hectares e de Propriá de 217 hectares, perfazendo um total de 3.707 hectares de área de sequeiro (CODEVASF, 2001). A Tabela 6 apresenta terras utilizadas para a irrigação nos perímetros irrigados do Baixo São Francisco e vazão usada para irrigação, quando em pleno funcionamento. TABELA 6 – Áreas irrigadas e vazão dos perímetros do Baixo São Francisco sergipano Perímetro Total de área Vazão do Projeto irrigável (ha.) (m3/s) 2.865 8,40 Betume Cotinguiba/Pindoba 2.237 6,11 Propriá 1.117 7,28 Fonte: CODEVASF (2001) Vale salientar, segundo CODEVASF (2001), que a rizicultura, no ano de 2000, representou 86,93% da área cultivada nos perímetros de irrigação (Betume, Cotinguiba/Pindoba e Propriá), ficando a fruticultura com 7,74% e as demais culturas (forrageiras, milho, melancia, etc.), com os 5,33% restantes da área. A erosão causou mudanças no uso das terras ribeirinhas, principalmente nesses Perímetros Irrigados. A exemplo da perda de áreas agrícolas e obras civis como casas, diques, estradas, pontes, barragens, etc. 85 Segundo Santos (2002), outros males causados pela erosão são a perda do uso recreativo e valores estéticos do leito e das margens do rio, prejudicando o turismo, criando dificuldades para a captação de água para irrigação e abastecimento humano, gerando conflitos a montante e jusante decorrentes da priorização na distribuição de água para os lotes irrigados. Geralmente o uso e ocupação das margens se dá por pequenos sítios com moradias simples de alvenaria e/ou taipa, com criatórios de aves (galinhas, guiné, patos, etc). A Figura 12 sintetiza o uso desordenado do solo nas margens do rio, onde é bastante perceptível a retirada total da vegetação de proteção da margem, demonstrando nas manchas mais claras sinais de escoamento superficial da água. FIGURA 12 – Foto de ocupação desordenada das margens do rio, na planície de inundação, Estação de Bombas (EB-2) – Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba. (Autora, out/2003) A ocupação das margens por barracos é comum no Baixo São Francisco. Não se observa sistema de esgotamento sanitário nem tão pouco banheiros construídos e muitos residentes recolhem a água do rio através de pequenas bombas hidráulicas para uso doméstico e consumo humano e devolvem para o rio a água servida, com efluentes líquidos e sólidos. 86 Esse indicador informa sobre o uso e ocupação desordenada nas margens do rio, vulnerabilizando os seus taludes à erosão. É um indicador de fácil compreensão e medição, pois pode ser trabalhado a partir de levantamentos publicados através de mapas temáticos sobre a área estudada e checagens “in loco” visando a atualização das informações com suas constantes modificações. e. Sedimentos retidos (ton) O represamento acumula grandes volumes de água em reservatórios, que de acordo com o seu tamanho retêm menos ou mais sedimentos. Os sedimentos são partículas sólidas que permanecem dissolvidas na água, formando um fluxo que se constitui na descarga sólida do efluente. O efluente é a junção do fluxo aquoso (descarga líquida) com o fluxo de sedimentos (descarga sólida). Este fluxo que é liberado pelas barragens, com características bem diferentes do fluxo natural do rio, promove as mudanças ocorridas na sua morfologia. Conforme Fontes (2002), o equilíbrio na dinâmica litoral e as formas litorais a ele relacionadas serão modificados em decorrência dos sedimentos retidos no fundo dos reservatórios que reduzirão a quantidade de sedimentos que naturalmente chegaria à foz do rio, pois a carga erosiva instalada no canal principal poderá assorear primeiramente a foz. Isso se processa porque as modificações no regime fluvial em um rio represado, podem ser transmitidas a longas distâncias atingindo a desembocadura, praias e faixas costeiras adjacentes. À jusante da Barragem de Xingó, a água é excessivamente límpida e a carga sólida total atual, representa cerca de 4% da carga existente anteriormente à construção das barragens à montante da área em estudo. A concentração média de sedimentos em suspensão em todo o Baixo São Francisco é maior que 300mg/L (PAE, 2004). É perceptível a redução de sedimentos ao longo dos anos com a construção das barragens no Baixo São Francisco, conforme apresentada na Tabela 7. TABELA 7 – Mudanças na quantidade total de sedimentos transportados no canal do Baixo São Francisco. Tempo Sedimentos Antes de Sobradinho (1966 – 1968) 12 x 106 ton/ano Depois de Sobradinho (1983) 6 x 106 ton/ano Antes de Xingó (2000) 0,466 x 106 ton/ano 87 Segundo UFAL (2003), o transporte médio de sedimentos entre o Médio e SubMédio São Francisco, foi de 21,5 x 106 T/ano, entre os anos de 1978 a 1984, enquanto que no Baixo São Francisco, foi transportada uma média de 12,5 x 106 T/ano entre os anos de 1966 a 1968. Em 2001 a descarga de sedimentos na foz do rio foi de 0,41x 106 ton/ano, aproximadamente, que comparando com medições do ano de 1970, ocorreu uma redução de 97% (PAE, 2004). Os sedimentos retidos se constituem indicadores de grande relevância para a problemática da erosão marginal, são tangíveis e de fácil compreensão pois a quantidade de sedimentos, em toneladas, indicará uma descarga líquida pobre em sedimentos orgânicos e com capacidade erosiva bastante expressiva. f. Área desmatada (ha.) È notória a quantidade de áreas degradadas às margens do Baixo São Francisco. Isso denota a ação das queimadas, da prática da monocultura, da falta de adequação da cultura ao tipo de solo, entre outros. Segundo Ferreira (1986), os solos com mais de 18% de declive não devem ser usados para cultivo intensivo, milho, soja, mandioca, etc. E todos os solos com mais de 2% de declividade só devem ser cultivados quando se tomam os cuidados necessários para evitar a erosão e demais manifestações de degradação ambiental. O desmatamento de terras marginais para o uso agrícola, tem um impacto forte e imediato, retirando a proteção natural do solo, destruindo elementos orgânicos, facilitando inundações, levando à altos níveis de erosão (Castro, 1998). No Baixo São Francisco, o desmatamento é, ainda, a grande ameaça à preservação do ecossistema do rio, pois prejudica a estabilidade de suas margens, muito embora, segundo Fontes (2002), não exerça um papel direto na disseminação do processo erosivo. No entanto, o desmatamento próximo às nascentes, para o plantio da cana-deaçucar, influenciou no processo tendo em vista o assoreamento das nascentes que permitiam a produção de água na bacia. A implantação dos perímetros irrigados favoreceu grande parte da destruição da cobertura vegetal existente ao longo das margens. Conforme Santos (2001), os projetos de irrigação estimularam a monocultura, bem como o desmatamento de diversas áreas 88 para a implantação dos perímetros irrigados sem a preocupação de preservar a vegetação ciliar local. As margens do rio, sem a cobertura verde não torna o local atrativo, pois este perdeu seu valor estético paisagístico, dificultando as atividades turísticas e deixando as margens desprotegidas, permitindo a aceleração do processo erosivo. Em estudos realizados por Santos (2001b), sobre os remanescentes de mata ciliar no Baixo São Francisco sergipano afetado pela erosão marginal, foi feito um levantamento das espécies vegetais que, segundo os pescadores dos Municípios da área estudada, Brejo Grande, Ilha das Flores, Neópolis, Santana do São Francisco e Propriá, eram encontradas em abundância nas margens do rio, conforme apresentado na Tabela 8. TABELA 8 – Vegetação encontrada no Baixo São Francisco sergipano (levantamento: agosto a outubro de 2000) Nome Nome científico Local de ocorrência vulgar Amendoeira Terminalia catalpa Propriá Aninga Montrichardia linifera Schott Ilha das Flores Araticum Annona cacans Brejo Grande Arroz Oryza sativa L. Neópolis, Propriá Balseiro Eichomia crassipes Brejo Grande, Ilha das Flores, Neópolis, Santana, Propriá Bugio Dalbergia ecastophyllum (l.) Brejo Grande Taub. Cajazeira Spodias dulcis Brejo Grande, Neopólis Cajueiro Anacardium ocidentale L. Brejo Grande , Neópolis, Propriá Calumbi Mimosa sp Ilha das Flores, Neópolis, Propriá Cambuí Eugenia sp Brejo Grande Canafisteira Cássia Grandis Ilha das Flores, Neópolis Santana, Propriá Caniço Bambusa vulgaris Neópolis, Propriá Catingueira Caesalpinea pyramidale Propriá Cedro Cedrela fissilis Propriá Coqueiro Cocos nucifera Brejo Grande, Ilha das Flores, Neópolis, Santana 89 TABELA 8 – (continuação) Nome vulgar Nome científico Craibeira Tabebuia caraíba Mart. Cruirizeiro Psidium sp Espinho Anisomeris sp branco Gameleira Fícus eximia Ingazeira Inga edulis Jenipapeiro Juazeiro Junco Maçãzeira Mangueira Genipa americana Zizyphus joazeiro Mart. Eleocharis elegans Couepia impressa Mangifera indica Maracujazeiro Passiflora sp Maria-preta Casearia sylvestris Mata-cabra Ipomoaea fistulosa Oitizeiro Licania humilis Pipeira Piper arborium Umbaúba Cedropia pachystachya Rompe-gibão Guettarda angelica Fonte: Santos, (2001b) Local de ocorrência Propriá Brejo Grande e Ilha das Flores Brejo Grande Propriá Brejo Grande, Ilha das Flores, Santana, Propriá Neópolis, Santana, Propriá Propriá Neópolis, Santana Propriá Ilha das Flores, Neópolis, Santana, Propriá Brejo Grande Brejo Grande Propriá Brejo Grande Ilha das Flores, Neópolis, Propriá Ilha das Flores Santana, Propriá Conforme a autora (op. cit.), dentre as espécies vegetais citadas algumas ainda se fazem presente na região, como a aninga, balseiro, calumbi, caniço, ingazeira, junco e o coco, bem distribuídos nas marginais ribeirinhas, sendo a concentração de mudas de côco nos Municípios de Brejo Grande e Neópolis. As demais espécies encontram-se bastante reduzidas denotando o agravo maior com a perda da biodiversidade. A Figura 13 apresenta um trecho da margem esquerda do rio, nas proximidades do Município de Ilha das Flores onde o desmatamento é bem pronunciado. 90 FIGURA 13 – Foto da margem do rio que sofreu desmatamento, no Município de Ilha das Flores-SE (Autora, out/2003) È possível que a diminuição do pescado tenha levado ao ribeirinho, ávido por produzir alimentos, ou por necessidade de sobrevivência a utilizar de forma não sustentável a sua terra, desmatando-a indiscriminadamente. Em um ciclo vicioso a falta de oportunidades de trabalho em razão da diminuição do pescado, levou ao ribeirinho a pressionar sobre o uso dos recursos naturais, principalmente a vegetação nativa (mata ciliar), que por sua vez, ausente, diminui mais ainda a produção de sedimentos orgânicos necessários para a sustentabilidade da pesca (Holanda, 2004). Este indicador permite mensurar quantos hectares de área desmatada e, portanto, degradada não somente pela ação da erosão, necessita ser revitalizada. Constitui-se um indicador tangível, confiável e de grande importância também para o monitoramento da biodiversidade no Baixo São Francisco, uma vez que o desaparecimento de várias espécies vegetais está relacionado com as causas geradoras da erosão marginal. g. Vazão hídrica (m3/s) O Baixo São Francisco possui uma vazão de 51 m3/s (Q), contribuição natural de cada trecho e 15,3 m3/s (Q95), vazão com permanência de 95%, e uma área de 19.987 Km2. A demanda de recursos hídricos para a zona urbana é de 1,5 m3/s; para a 91 zona rural de 0,6 m3/s; animal é de 0,5 m3/s; industrial é de 0,3 m3/s; para irrigação é de 12,8 m3/s, perfazendo um total de 15,8 m3/s. A relação entre demanda e disponibilidade é de 1,6%, (Sergipe, 2001). Ainda conforme Sergipe (2001), a vazão média do Baixo São Francisco é de 2.850 m3/s, onde o Estado de Sergipe contribui com 0,5%. A disponibilidade hídrica é de 1.172 m3/hab/ano. A Tabela 9 apresenta informações atualizadas do PAE (2004, revisado), sobre a demanda e disponibilidade hídrica no Baixo São Francisco. TABELA 9 – Disponibilidade e demanda de recursos hídricos no Baixo São Francisco. Vazão Q (m3/s) 28 2.850 Vazão Q95 (m3/s) 8 853* Demanda (m3/s) Urbana Dem. Dem. Dem. Dem. Dem. Rural Animal Industrial Irrigação Total 1,1 1,4 0,7 0,3 14,4 17,9 Dem Q95 (%) 223,7 2,1* * Fonte: PAE, (2004) Q: contribuição natural de cada trecho; Q95: vazão com permanência de 95%; *: Valores acumulados seguindo as regiões fisiográficas O Baixo São Francisco apresenta a menor relação entre demanda e disponibilidade hídrica (2,1%), de todas as regiões fisiográficas. Analisando os valores apresentados por Sergipe (2001), e pelo PAE (2004), é observado que houve redução das vazões (Q e Q95), demanda urbana e para irrigação, sendo aumentadas as demandas animal e rural, permanecendo a demanda industrial com mesmo volume. As alterações aumentaram o total das demandas de 15,8 m3/s para 17,9 m3/s. O maior privilegiado foi o setor rural com um aumento de mais de 50% em sua demanda. No Baixo São Francisco sergipano a demanda para irrigação dos perímetros da CODEVASF, em relação ao ano de 1999 é apresentada na Tabela 10. 92 TABELA 10 – Volume de água retirado do Rio São Francisco para Perímetros Irrigados da CODEVASF, em 1999. Volume de água Percentual de água Perímetro Irrigado captado do São captada Francisco (1999) (m3) (%) 82.406.210 31,12 Betume Cotinguiba/Pindoba 48.089.860 18,16 Propriá 40.019.030 15,11 Total 170.515.100 64,39 Fonte: Souza, (2000) Esses volumes de água captados são variáveis de acordo com a quantidade de lotes que estejam em operação, portanto de áreas irrigadas, conforme mostra dados do relatório de atividades da CODEVASF do ano de 2000 (Tabela 11). TABELA 11 – Áreas dos Perímetros Irrigados do Baixo São Francisco, por utilidade em 2000. Referências Unid. Betume Cotinguiba/Pindoba Propriá Total Área atual Área de sequeiro Área irrigável Lotes irrigáveis ha 6.698 3.083 2.165 11.946 ha 3.190 300 217 3.707 ha 2.860,80 2.215,00 1.177,00 6.252,80 nº 753 474 311 1.538 Fonte: CODEVASF, (2001) Em janeiro de 2004, a vazão do Baixo chegou à 9.500 m3/s, tendo em vista a liberação da água das represas pela CHESF, numa medida preventiva, quando a chuva inundou o Sub-Médio e o Baixo São Francisco. Essa vazão perdurou por aproximadamente três dias, tendo sido reduzida aos poucos para o seu valor normal médio de 2.850 m3/s, conforme informações de técnicos da CODEVASF. Em outro momento, em abril de 2004, devido ao volume de água liberado pelas Barragens de Sobradinho e Itaparica, a hidrelétrica de Xingó, começou a operar com seis do total de suas doze comportas, novamente como medida de prevenção. A vazão aumentou de 1.780 m3/s para 2.700m3/s, chegando a 3.700 m3/s à jusante da hidrelétrica, aumentando o nível do rio para 3 metros. 93 Esse indicador permite avaliar se uma determinada vazão regular adotada, está contribuindo ou não para o avanço do processo erosivo, uma vez que a regularização da vazão parece ter contribuído para a aceleração do processo erosivo. É um indicador tangível e de confiabilidade, e sendo tratado adequadamente, conforme as necessidades hídricas do Baixo São Francisco ajudará na mitigação do processo erosivo. h. Variação da cota do rio (m) A cota do rio está diretamente relacionada com a sua vazão. Quando há um aumento de vazão, que significa também um acréscimo de energia gerada, há uma elevação da cota do rio à jusante da usina, ou o inverso, quando há a diminuição da vazão. Essas variações de vazões se dão de acordo com a demanda de energia elétrica necessária nos horários de pico de consumo e oscilam em horas, dias, semanas e meses, consequentemente, variações também do nível do rio. De acordo com Fontes (2002), “os níveis d’água do rio São Francisco, no trecho compreendido entre Xingó e Propriá, são influenciados pelas regras de operação da Usina de Xingó e promovem oscilações diárias e semanais de amplitude variando entre 20 cm e 60 cm”. O aumento semanal da vazão liberada pela usina (maré artificial), potencializa a ação das ondas que por sua vez é produzida pelos ventos, contribuindo para o solapamento da base dos barrancos facilitando a ação da erosão nas margens. Segundo Santos (2002), essas variações de vazão e de cota do rio interferem também na elevação ou rebaixamento dos aqüíferos. Em três seções de barranco na margem do rio (A, B e C), monitoradas por Santos (2002), localizadas no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba, o autor (op. cit.), com o objetivo de observar a profundidade em que se encontrava o nível de água subterrânea e a oscilação do mesmo com relação ao nível de água do rio na interface dos taludes, no período de janeiro a fevereiro de 2001, trabalhou com o Indicador do Nível da Água (INA) e com os níveis e cotas médias referentes ao referencial de nível (RN) da CODEVASF, (Tabela 12 e Figura 14). 94 TABELA 12 – Cotas médias dos níveis de água nas seções A, B e C monitoradas no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba Nível do rio Cota média Cota média 2º INA Seção (média) 1º INA (m) (m) (m) 2.086 2.619 2.629 A 2.078 2.616 2.588 B 2.085 2.136 -C Fonte: Santos, (2002) Os mecanismos ocorridos para a desestabilização dos taludes marginais são apresentados no esquema da Figura 14. FIGURA 14 – Representação esquemática dos principais mecanismos de desestabilização dos taludes marginais, estudados no Baixo curso do Rio São Francisco. Fonte: Santos, (2002) Essa experiência realizada referente à desestabilização dos taludes marginais, indica que mesmo levando-se em conta a pouca declividade da área estudada, e portanto, a pequena diferença de cota média entre os níveis do rio para as três seções monitoradas, “as ondas entraram em choque com os taludes devido ao tipo de solo, provocando solapamento, desagregação e arraste do material de base e ponto de confluência ou afloramento do fluxo da água subterrânea na interface do talude entre o rio e o aqüífero, sendo estes eventos, agentes erosivos para a instabilidade dos taludes e a conseqüente erosão marginal”(Santos,2002). As cotas topográficas máximas das barragens implantadas no Sub-Médio São Francisco são para Sobradinho (392 m), Itaparica (315 m), Moxotó (230 m) e Xingó (135 m). A represa de Pão de Açúcar, em estudos, apresentaria uma cota de (32m) (Sergipe, 2000). 95 No período de janeiro de 2004, por ocasião da ocorrência das chuvas que atingiram o Baixo São Francisco, a cota do rio chegou a 7,78 m, segundo CODEVASF (2001), dificultando ainda mais o, já deficiente, sistema de drenagem nos Perímetros Irrigados atingidos, ficando o nível da água a cerca de 20 cm para extravasamento em direção à área do Perímetro Cotinguiba/Pindoba. Esse indicador é tangível, de fácil medição e permite avaliar a cota de água no rio que não desestabilize os taludes marginais que provoca maior erosão e desestruturação na infra-estrutura das margens, pois as oscilações artificiais, conforme Fontes (2002), influenciam a erosão marginal, através da produção de fluxos e refluxos de sub-superfície nas margens arenosas, através do movimento da água subterrânea no sentido do rio que gera surgências nos pontos de afloramento da água subterrânea, transportando material fino que age no solapamento da base desestabilizando o barranco e contribuindo para o processo da erosão marginal. 3.2.2. Indicadores de Estado Os indicadores de estado selecionados representam a reação do meio ambiente às pressões recebidas. a. Alterações climáticas Variáveis climáticas como pluviosidade e ação do vento influenciam no processo erosivo marginal. Apesar da quantidade da precipitação na região estudada ter pouca influência sobre a vazão do rio, e para o aumento do seu nível, indiretamente atua como coadjuvante para que a erosão ocorra. Em casos de grandes chuvas, como as ocorridas recentemente no Baixo São Francisco, acompanhadas de ventos, podem sim, potencializar a ação dos ventos na produção de ondas, que associados atuarão diretamente no processo erosivo, com a remoção do material das margens. Casado (2000a), conduzindo estudos do processo erosivo na área do Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba, no período de fevereiro/1999 a janeiro/2000, monitorou a precipitação e a velocidade do vento, (Tabela 13). 96 TABELA 13 – Precipitação e velocidade média do vento no período de fevereiro/1999 a Janeiro/2000. Mês Precipitação (mm) Velocidade média vento (m/s) fevereiro março abril maio junho julho agosto setembro outubro novembro dezembro janeiro Total anual Fonte: Casado, (2000a) 9,20 9,80 36,60 212,90 131,60 143,60 86,10 53,40 36,60 89,00 16,20 31,00 856,00 1,814 1,553 1,384 0,969 0,830 1,296 1,315 1,186 1,385 1,488 1,610 1,465 -- No Baixo São Francisco o período de maior pluviosidade ocorre a partir do mês de abril até agosto, ou como pode ser percebido na (Tabela 13), quando as maiores taxas pluviométricas se deram no período de maio a julho/1999, com uma precipitação anual de 856 mm. Segundo a autora (op. cit.) “os índices de pluviosidade da área não proporcionaram um escoamento superficial relevante”, o que significa muito baixa contribuição para o volume de água no rio. Quanto à velocidade do vento, nos meses de maior pluviosidade, ocorreram os menores valores de velocidade do vento. As maiores velocidades do vento se deram nos meses de fevereiro, março, outubro, novembro, dezembro de 1999 e janeiro/2000. Conforme a autora (op. cit.), a direção predominante dos ventos na área pesquisada é sudoeste (SW) durante todo o ano, coincidindo com o sentido da correnteza do rio o que respalda a sua participação no processo erosivo agindo sobre as ondas que provocam o solapamento da base dos barrancos, predominantemente na margem direita, que identifica o lado sergipano. Para Fontes (2002 apud SIMONS, 1982), a magnitude e freqüência dessas ondas superficiais geradas pelo vento são dependentes da sua velocidade, duração, distância atingida em função da sua direção, orientação e dimensões da superfície da água exposta à ação do vento, profundidade da água e outras variáveis menores. As alterações climáticas são indicadores confiáveis, tangíveis, de fácil medição e permite o cruzamento de informações com outros indicadores, que permitirão a validação dos climáticos que por si só, não exercem grande influência no processo 97 erosivo, mas associados a fatores hidrológicos como cota do rio e velocidade do fluxo próximo à margem, influenciam bastante o avanço da erosão na área estudada. b. Alterações geomorfológicas (dinâmica fluvial) (nº) Os represamentos construídos na Bacia do Rio São Francisco, apesar dos benefícios econômicos, provocaram grandes impactos, principalmente no Baixo São Francisco. A partir daí, as mudanças se fizeram notar na vazão hídrica, nos sedimentos, na vegetação ciliar, na ictiofauna, na geomorfologia do rio, na paisagem ribeirinha, no fluxo da navegação, no pescado, na disponibilidade de água doce, no uso e ocupação das margens, entre outros. A Tabela 14 apresenta as principais alterações geomorfológicas ocorridas na bacia, à montante, na área dos reservatórios e à jusante das barragens construídas. TABELA 14 – Alterações geomorfológicas ocorridas no Baixo São Francisco devido à construção das barragens. Nº de ordem Alteração Efeito 01 Elevação do nível de base local Ruptura nos processos de formação do relevo dos vales fluviais 02 Sedimentação reservatório no Ação do vento, ondas, correntes e processos gravitacionais nas linhas de costa do lago 03 Mudança no regime do canal -Alteração na dinâmica fluvial pela de sedimentos na retenção barragem, controle da vazão e enchentes; -Erosão no leito e margens; -Mudança no perfil longitudinal do rio principal e tributários que são remodelados e aprofundados; -Alteração na linha da costa adjacente; -Mudanças no perfil transversal do rio (largura, profundidade e nível do fundo do canal). Fonte: Fontes, (2002) Os impactos hidro-geomorfológicos gerados pelas barragens no Baixo São Francisco, foram levantados e agrupados em quatro ordens hierárquicas, porém relacionadas entre si. Primeiramente os impactos causando alterações no regime hidro- 98 sedimentológico seguidas das alterações geomorfológicas atingindo a área marginal inundável e o canal fluvial, contribuindo para o aumento do poder erosivo do fluxo, resultando no entalhe do leito do rio. Em terceiro, alterações na morfodinâmica fluvial que diz respeito ao entalhe e erosão das margens e sedimentação na calha. Por último, as alterações hidro-geomorfológicas distais que envolvem as respostas dos rios tributários, variações no nível piezométrico e as mudanças na dinâmica da foz (Fontes, 2002). Essas alterações estão diretamente ligadas ao processo erosivo e ao recuo das margens em decorrência da mudança no comportamento morfodinâmico do rio. A busca de indicadores geomorfológicos para a sustentabilidade ambiental, salientam Baccaro et al (1997), se traduz em dados qualitativos, mas sobretudo quantitativos, a fim de se estabelecer os limites do equilíbrio dinâmico no sistema ambiental. Nesse sentido, as alterações geomorfológicas constituem-se em um indicador expressivo, de ligações compreensíveis e analisáveis com outros indicadores e facilita a avaliação da aceleração da erosão nas margens do rio. c. Avanço da erosão (m.ano-1) O avanço da erosão marginal no Baixo São Francisco sergipano vem sendo monitorado sendo perceptível através do solapamento da base dos taludes que se dá devido ao abaixamento do nível da água e devastação da vegetação marginal nativa constatando a instabilidade dos taludes marginais (Holanda et al, 2004). De acordo com Casado (2000a) e Casado et al (2002), os valores correspondentes ao avanço da erosão anual estudados são elevados e deixam claro a rapidez com que o processo se desenvolve, acarretando problemas econômicos, sociais e ecológicos à região, além da destruição de obras civis marginais e redução da área agricultável. Estes estudos foram conduzidos por Casado et al (2002), na área do Perímetro Cotinguiba/Pindoba, que quantificaram o avanço da erosão marginal e o volume de material erodido, demarcando três seções (A, B e C) instrumentadas, no período de fevereiro/1999 a julho/2000 e cujos resultados são apresentados na Tabela 15. 99 TABELA 15 – Taxa de erosão e volume de material erodido em trechos do Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba Seção monitorada Taxa de erosão (m.ano-1) Volume material erodido (m3) A B C 8,30 47,30 4,45 518,91 36.099,94 208,79 Fonte: Casado et al, 2002 Conforme estudos dos autores (op.cit.), as diferenças nas taxas de erosão e volume do material erodido estão diretamente relacionadas com a altura dos barrancos e composição granulométrica do material destes nas seções estudadas. Na seção B, a altura do barranco é maior e seu material é arenoso o que contribui, significativamente, para um maior recuo das margens tendo em vista que a falta de coesão da areia facilita o solapamento da base do barranco pela ação das ondas. Na seção C, os valores menores, são justificados pela menor altura do barranco e o material argiloso que possui maior coesão e dificulta a ação da erosão marginal. Além das três seções (A, B, C), onde a evolução do processo erosivo vem sendo monitorado, conta-se com nova seção D, que começou a ser avaliada em janeiro de 2004. O comportamento da margem nestas seções fica evidenciado no gráfico que mostra o seu recuo em metros nos períodos de fevereiro de 1999 a janeiro de 2004, (Figura 15). Recuo da margem 40 Metros (m) 35 30 Seção A 25 20 Seção B 15 Seção C 10 5 0 fev 99 - jan 00 dez 99 - out 01 jan 04 - mai 04 Período FIGURA 15 – Avanço da erosão marginal nas seções monitoradas (A, B e C) No Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba. Fonte: Holanda et al, (2004) 100 Na seção B, em todos os períodos monitorados, o recuo da margem é bastante pronunciado, denunciando maior altura do barranco e proximidade do talvegue, consequentemente maior ação das ondas e sua contribuição para o avanço da erosão na margem. O avanço da erosão marginal é um indicador facilmente perceptível e mensurável. Está relacionado à ação das ondas e do vento, às mudanças no fluxo do rio e à composição granulométrica dos barrancos. Permite a avaliação quanto às medidas adotadas para recomposição das margens. É facilmente obtido através do monitoramento que já vem sendo executado na área mais crítica submetida ao processo erosivo. 3.2.3. Indicadores de Impacto/Efeito Os indicadores de impacto/efeito dizem respeito ao resultado das alterações ocorridas no meio ambiente, em consequência das várias pressões que contribuem para o processo de degradação representado pela erosão na margem do rio. a. Pontos de erosão (nº) A erodibilidade é uma propriedade do solo determinada pela sua capacidade de infiltração e resistência à fragmentação e transporte sedimentar pela precipitação e escoamento superficial, (Shinki, 2000), ou seja, é a sua susceptibilidade ao processo erosivo. Para Wischmeier et Mannering (1969), a erodibilidade é o fator mais importante na predição da erosão e no planejamento do uso do solo. A facilidade de dispersão dos torrões de solo em água determina a erodibilidade deste. Através do ensaio de dispersão (Crumb Test), proposto por Santos (2002 apud SHERARD, 1972), é possível classificar um solo quanto ao seu índice de dispersão, ou seja, > 50%, o solo é altamente dispersivo; de 20% a 50% o solo é moderadamente dispersivo e < 20%, o solo tem baixa dispersão, ou seja, tem agregados mais estáveis. O aumento de focos de erosão se faz notar por meio da aceleração desta nas margens do rio e ilhas, com a queda de barrancos e recuo das margens, consequentemente redução do território sergipano e com a instabilidade lateral da calha do rio. Essa aceleração se dá com mais incidência na margem direita e já modificou a dinâmica costeira, próximo à foz; causou o desequilíbrio entre os processos marinhos e 101 fluviais; gerou uma deficiência no aporte de sedimentos; contribuiu para o recuo da linha de costa e que levou ao desaparecimento do Povoado Cabeço. Daquele Povoado, outrora localizado na região da foz do rio São Francisco, no lado sergipano, somente restou o farol, localizado a centenas de metros mar adentro, levando à comunidade a construir novas moradias em local mais afastado da praia. Os pontos de erosão identificados por Fontes (2002), e revisitados por Gomes et al, (2004), no trecho compreendido entre o Município de Propriá e a foz do rio, são em número de 57 focos, (Tabela 16), segundo cobertura vegetal, proximidade do talvegue, altura do barranco, composição granulométrica, etc. TABELA 16 – Trechos de margens e pontos submetidos à erosão no Baixo São Francisco. Foz (Cabeço) – Piaçabuçu (AL) Nº total de pontos de erosão na margem 14 Piaçabuçu – Ilha das Flores(SE) 05 5,600 Ilha das Flores – Ilha do Aurélio 15 9,770 Ilha do Aurélio – Propriá (SE) 23 15,400 Total 57 39,730 Trecho do rio Extensão aprox. sob erosão (m) 8,960 Fonte: Fontes, (2002) – adaptado pela Autora (2004) A identificação e descrição dos trechos com erosão foi feita através da enumeração de jusante (foz) para montante (Propriá). Já no trecho entre o Município de Propriá (SE) e Pão de Açucar (AL), foram identificados 15 focos erosivos perfazendo um total de 72 focos no Baixo São Francisco. O autor (op. cit.), numerou os focos erosivos dividindo o rio em segmentos em função das mudanças na direção da calha fluvial e afirma que “a numeração dos focos não reflete a extensão total de linhas de margem sob erosão uma vez que não considera o comprimento de cada trecho de margem sob erosão, podendo apresentar então, desde poucos metros até centenas de metros de margem erosiva cadastrada”. Os focos erosivos são em maior magnitude e quantidade na margem sergipana conforme mostra a Figura 16 nos trechos marginais no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba. 102 FIGURA 16 – Foto de foco erosivo com grande extensão – Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba. (Autora, jan/2004) Nesta área, a estrada e o segundo dique de proteção do Perímetro Irrigado já foram destruídos e a erosão continua avançando gradativamente, tendo sido mais acentuado o seu avanço após a última enchente em janeiro e fevereiro de 2004. Os pontos de erosão são perceptíveis ao longo de toda a margem do rio, porém, os trechos mais críticos, no que diz respeito à maior taxa de erosão e recuo das margens, ocorrem nos Perímetros Irrigados Cotinguiba-Pindoba, Perímetro Irrigado Betume e no Município de Ilha das Flores. Neste Município, o recuo deu lugar ao assoreamento onde foram erguidas barracas enfileiradas que servem de bares e compõem uma pequena orla ribeirinha estando dispostas na planície de inundação do rio e correndo o risco de sofrer inundações por ocasião de eventuais cheias, como acontecido em janeiro de 2004 (Figura 17). 103 FIGURA 17 – Foto da orla ribeirinha na cidade de Ilha das Flores, na planície de inundação do rio, proporcionada pelo recuo da margem. (Autora, out/2003) Esse indicador permite o monitoramento dos pontos de erosão ao longo do Baixo São Francisco, sendo analisado, à luz do comportamento da erosão nas últimas décadas, após a regularização da vazão, por conta da construção das barragens, observando-se o aumento desses pontos erodidos devido às alterações hidrosedimentológica e da dinâmica fluvial. É um indicador simples, confiável, com informação disponível e bastante representativo dos aspectos de erosão. b. Área erodida (%) A maior quantidade de focos erosivos identificados no Baixo São Francisco está localizada na margem direita onde apresenta maior magnitude. A extensão do trecho sob erosão entre o Município de Propriá e a foz do rio é de 29,90 Km o que corresponde a 39,90% de área erodida na margem sergipana (Fontes, 2002). Na margem esquerda do rio, o trecho sob erosão compreende uma extensão de 17,80 Km, o que equivale a 22,50% de terras alagoanas erodidas no Baixo São Francisco. Conforme o autor (op. cit.), a extensão da erosão na margem direita excede a margem esquerda 104 em 12,1 Km, representando uma diferença de aproximadamente 68%. A erosão que se acelera nas ilhas e croas situadas no meio da calha do rio, perfaz um total de 10,5 Km de extensão. O percentual de área erodida constitui um indicador importante para avaliar a perda de áreas marginais e alteração da paisagem com a perda do seu valor estético paisagístico, tendo em vista que nas margens protegidas normalmente da erosão, a vegetação ciliar original e secundária se prolifera com mais facilidade, por ficar mais intocada. A perda de áreas marginais pela erosão tem implicações também na diminuição do território sergipano, prejuízos financeiros para produtores, agricultores e pescadores e extinção de espécies nativas já que o solo perde a sua fertilidade natural. A alteração da paisagem local vem dificultar, inclusive, o desenvolvimento do turismo ecológico de forma sustentável que poderia alavancar o crescimento socioeconômico da região. O valor estético paisagístico é conferido pela presença de remanescentes de vegetação ciliar, relacionados com uma diversidade de espécies do ecossistema mata atlântica que ainda embelezam as margens ribeirinhas e apresentamse como testemunhas de uma outrora, muito rica, biodiversidade, classificada, inclusive, como um dos 25 “hotspots” (com extremamente alta prioridade) para a conservação da biodiversidade do planeta Terra (Myers et al, 2000). Este indicador é tangível e facilitará o monitoramento do avanço da erosão marginal no Baixo São Francisco, podendo ser obtido pela medição da extensão de áreas erodidas. c. Assoreamento (formação de barras e ilhas) (ton.) O assoreamento é a sedimentação do canal principal do rio, proveniente de taxas de erosão fluvial elevadas quando o material erodido é carreado para o leito do rio, formando croas, ilhas, barras, bancos de areia e faixas de praia que aparecem devido à modificação no perfil transversal do rio em decorrência do entalhamento do leito, (Guerra et al, 1999). O assoreamento no canal principal se dá devido ao material erodido que é carreado para o leito do rio e merece destaque devido a sua gravidade crescente, promovendo vários impactos associados. 105 Santos (2002), calculou o volume de material erodido equivalente a 342.092,70 3 m de toneladas de terra carreado ao leito do rio, somente nos sítios onde a erosão vem sendo monitorada, dando continuidade aos resultados da pesquisa de Casado (2000a), no período de dezembro/1999 a outubro/2001, nas seções A, B e C, instaladas no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba, conforme mostra a Tabela 17, e no momento conduzido por Bandeira et al, (2004). TABELA 17 - Volume de material erodido em dois períodos distintos no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba Dezembro/99 a Outubro/2001 (Período pesquisa) Janeiro/2001 a fevereiro/2001 (Período pesquisa) Material erodido (m3) Material erodido (m3) A 518,91 542,00 B 36.099,94 6.678,40 C 208,79 281,20 Seção Fonte: Casado (2000a) e Santos (2002). O assoreamento deixa o rio mais raso facilitando o rápido crescimento de algas, que os pescadores denominam de “cabelo” ou “mato”. Essa espécie, (Elodea sp), não é bem-vinda na região, pois interfere na pesca, dificultando o uso dos equipamentos, uma vez que as algas ficam emaranhadas nas redes e tarrafas, consequentemente, diminuindo a atividade pesqueira que é o meio de subsistência de muitos ribeirinhos. O excesso de Elodea sp também tem prejudicado a navegação de pequeno porte. Essas algas proliferaram devido a pouca profundidade do rio que facilita a penetração de raios solares e o seu desenvolvimento. A locomoção em embarcações tornou-se muito perigosa, principalmente durante a noite, tendo em vista que a pouca visão leva ao perigo de danificar a hélice dos barcos nos bancos de areia. A Figura 18 apresenta detalhe do aspecto visual da alga em trecho do rio, próximo ao município de Brejo Grande, onde a mesma tem se proliferado bastante. 106 FIGURA 18 – Foto da alga “cabelo” (Elodea sp) que infesta o rio. Fonte: Autora, (out/2003). Segundo depoimento do encarregado de operações e manutenção da CODEVASF, no Perímetro Irrigado Cotinguiba-Pindoba, o assoreamento e o aumento da carga de sedimentos na calha do rio, interfere no bombeamento da água para os Perímetros Irrigados instalados na área, sendo necessário dragar esse material para não comprometer o funcionamento do sistema hidráulico. Essa operação se torna onerosa para os Perímetros, pois é necessário a sua execução periódica. Esse indicador mensura a quantidade de material erodido, em tonelada, carreado para a calha do rio formando os bancos de areia, croas e ilhas. É um indicador relevante para avaliação e monitoramento do processo erosivo, é de fácil compreensão e poderá ser analisado com outros indicadores como a diminuição da navegação e alterações geomorfológicas do rio. Poderá ser obtido através do levantamento do volume do material carreado para a calha do rio pelos órgãos competentes ligados ao assunto. d. Volume do pescado (ton) As atividades humanas decorrentes do crescimento populacional e desenvolvimento econômico de municípios localizados em regiões que fazem parte dos limites de uma bacia hidrográfica, interferem direta ou indiretamente nas condições 107 naturais das bacias. O resultado destas interferências faz-se notar na diminuição e até extinção de várias espécies nativas. Segundo Barrella (2001), isso acontece porque poucas espécies nativas apresentam pré-adaptações às novas condições ambientais. O desencadeamento das mudanças ocorridas na diversidade do pescado levou à diminuição de espécies nobres, (espécies mais raras e de valor econômico maior) como Tilápia (Sarotherodon sp), Carpa (Cyprimus carpio) , Tambaqui (Colossoma macropomum), etc, que povoavam o Baixo São Francisco, chegando mesmo à diminuição acentuada de algumas delas. Uma curiosidade que se tornou corriqueira no curso inferior do rio, segundo depoimento de todos os pescadores entrevistados em fevereiro de 2004, foi a incidência de espécies marinhas como peixes e siris (Callinectes spp) que adentram, agora, durante todo o ano. Antes da construção das barragens estas espécies ocorriam somente em períodos determinados. A erosão também foi muito prejudicial para o pescador, no que tange à sua sobrevivência. O material erodido carreado para a calha do rio diminuiu a sua profundidade, ajudando na proliferação de algas, que por sua vez, impediu o uso dos utensílios para a pesca, levando à diminuição da quantidade, do peso e tamanho do pescado. Também verificou-se o quase desaparecimento de espécies como o surubim (Pseudoplatystoma spp), pitu (Macrobachium carcinus), mandim (Pimelodus spp), curimatã (Prochilodus spp), piau (Leporinus elongatus), piranha (Serrasalmus piraya), acari, aragu, xira (Prochilodus marggravii) e outros, segundo os depoimentos de dezenas de pescadores do Baixo São Francisco. Os pescadores relatam que atualmente, apenas o camarão (Penaeus spp), pirambeba (Serrasalmus brandtii), piau (Leporinus elongatus) e Tucunaré (Cichla ocellaris), aparecem, esporadicamente, mesmo assim em pequenas quantidades. Esses problemas desencadeiam uma série de outros como a adaptação do pescador às novas condições do rio e de mudanças no tipo e quantidade de pescado, uso de meios alternativos para a pesca de camarões, também fora dos padrões de outrora, constituindo-se, pois, numa atividade predatória. A pesca, segundo os pescadores ribeirinhos entrevistados, “pareceu ter melhorado em 70%, mesmo tendo o rio voltado ao seu nível normal”. Isso se deveu às águas barrentas trazidas pelas chuvas, ou seja, o aumento de sedimentos. Muitas espécies de peixes que estavam desaparecidas voltaram ao rio, possibilitando ao pescador sonhar um pouco com tempos atrás. 108 Alguns pescadores têm consciência que, apesar de ter melhorado a pesca, os peixes necessitariam de, aproximadamente, 6 meses para adquirir um tamanho ideal. A quantidade de camarão era tão grande que chegam a beliscar as pernas dos banhistas, mesmo na parte mais rasa do rio. A xira (Prochilodus argenteus), espécie de peixe que estava desaparecida, está sendo usualmente encontrada boiando, quase morta, na superfície da água, com pedaços arrancados pelas hélices das bombas que puxam água para os perímetros, devido a refrega da água. Ainda, segundo depoimento de pescador mais antigo, “as lagoas marginais inundaram, facilitando a entrada dos peixes que aí morreram. Isso ocorreu devido aos agrotóxicos utilizados nas plantações de cana-deaçucar”. Segundo o pescador, uma grande extensão de terra foi desmatada para esse plantio, inclusive em locais onde haviam lagoas fizeram o aterramento, nas proximidades e acima do Município de Penedo/AL. Os depoimentos dos pescadores entrevistados são os mais diversos com relação à quantidade do pescado. Segundo eles, antes da entrada em operação da barragem de Xingó apenas três vezes na semana eram suficientes para se fazer uma boa pescaria. Em cada dia, a quantidade de pescado variava entre 20, 30, 50 e até 100 quilos de peixe. Com a pesca do camarão aconteceu a mesma coisa, pescadores que capturavam 50 quilos de camarão por semana, hoje pescam apenas de 4 a 5 quilos. Conforme um pescador de 67 anos de idade, 50 anos de profissão, “houve ocasião de pescar 100 quilos somente de Piau, na faixa de 2 a 3 quilos. Atualmente, a pescaria tem que ser diária, em locais mais afastados, rio acima ou na foz e após 20 a 30 lances, os resultados são peixes pequenos que não perfazem 4 quilos no total, como suprimento apenas da refeição do dia, sendo muitas vezes insuficiente”. De acordo com a CODEVASF (1976), a produção pesqueira no ano de 1976 foi estimada em 1.150 ton./ano. Segundo Ramos (1999), a produção pesqueira do Baixo São Francisco no ano de 1996, foi de 500 ton./ano. De acordo com CEPENE/IBAMA (2003), a produção pesqueira de todo o Estado de Sergipe no ano de 1998 foi de 3.691,5 ton, no ano de 1999 foi de 3.750,3 ton, no ano de 2000 foi de 3.882,4 ton, no ano de 2001 foi de 3.851,1 e no ano de 2002 foi de 3.932,6 ton. A produção do Baixo São Francisco é levantada nos dois pontos de desembarque situados nos Municípios de Brejo Grande e Ilha das Flores, sendo que no ano de 2002, no contexto estadual, o quinto maior desembarque foi o de Brejo Grande. Em Ilha das Flores, a base da atividade pesqueira é a pilombeta que teve um decréscimo na produção de 86,5%, em relação ao ano de 2001 e 94,3% em relação à 2000. Isso provavelmente se deve a 109 dependência da espécie às enchentes do rio e sua reprodução em águas turvas, o que não mais se observa no São Francisco, uma vez que a água liberada pelas barragens é límpida e quase livre de sedimentos orgânicos. A produção de camarão no Estado também sofreu uma diminuição acentuada nos últimos cinco anos. De 1998 a 2002 o desembarque de camarões caiu de 2.241,7 ton, em 1998, para aproximadamente 1.650 ton, em 2002, representando um decréscimo de 38,9% no banco camaroneiro, que, reafirmam os técnicos do IBAMA, se deve ao déficit de água pobre em nutrientes chegando ao mar sem o alimento necessário às espécies de peixes, com outro agravante que é a captura de camarões juvenis. As Tabelas 18, 19 e 20, apresentam informações da produção pesqueira nos dois pontos de desembarque do Baixo São Francisco no ano de 2002, monitorados pelo IBAMA/SE. Percebe-se com grande destaque a importância que apresenta o Município de Brejo Grande na produção de pescado, possivelmente sendo explicada pela ocorrência de margem menos castigada pela devastação da mata ciliar, além de uma condição menos favorável à ocorrência da erosão marginal, composta por barrancos de menor altura, e também da proximidade dos manguezais da foz do rio. TABELA 18 – Produção de pescado marítimo e estuarino no ano de 2002. Município Produção (Ton.) % Brejo Grande 372,9 9,5 Ilha das Flores 33,6 0,8 Fonte: CEPENE/IBAMA, 2003 TABELA 19 – Produção de pescado marítimo e estuarino e tipo de embarcação no ano 2002. Total Município Canoa (ton.) Coleta manual (ton.) Brejo Grande 231,4 141,6 372,9 Ilha das Flores 33,6 -- 33,6 Fonte: CEPENE/IBAMA, (2003) 110 TABELA 20 – Produção e valor da produção de pescado desembarcada no ano de 2002. Município Produção (ton.) Valor produção (R$) % Brejo Grande 372,9 1.137.764,13 7,94 Ilha das Flores 33,6 95.942,01 0,67 Fonte: CEPENE/IBAMA, (2003) A CODEVASF, através do Programa de Desenvolvimento da Aqüicultura, tem produzido alevinos na estação de piscicultura de Betume com a capacidade para produção anual de aproximadamente 200 milhões de larvas, o que representa 3 milhões de alevinos para suprir a piscicultura e peixamentos. Segundo CODEVASF (2001), no ano de 2000, foram produzidos 9.645.000 pós-larvas e 1.771.000 alevinos, dos quais 1.539.000 foram aproveitados no processo produtivo, de fato. Ainda no ano de 2000, foram vendidos 376.000 alevinos, que resultou na obtenção de 75,65 ton. de pescado, com rendimento de R$ 96.140,00 (noventa e seis mil e cento e quarenta reais). Mesmo com o peixamento realizado no Baixo São Francisco na calha do rio, aguada construída e lagoas, pela CODEVASF em parceria com as prefeituras municipais e líderes comunitários, o pescado ainda continua deficiente para garantir a subsistência do ribeirinho. A diminuição do pescado indica a não sustentabilidade econômica a que está submetida a população ribeirinha, impotente na resolução do problema por não ter outro ofício para a sua sobrevivência. Esse indicador é de fácil entendimento podendo ser obtido através de levantamentos realizados pelos órgãos responsáveis pela pesca no Baixo São Francisco, além de representativo como componente diretamente afetado pela degradação ambiental. e. Perda da área produtiva (ha) O avanço da erosão marginal tem acarretado a diminuição de áreas produtivas em todo o Baixo São Francisco, sendo no Perímetro Irrigado Cotinguiba-Pindoba, no município de Neópolis, onde se constata o avanço do rio em direção dos lotes irrigados, representado pelas perdas econômicas consideráveis para os agricultores e parceleiros. Por outro lado, existem muitas construções civis (casas, estradas, etc.) localizadas bem próximas às margens do rio que caracterizam avanço sobre a planície 111 de inundação com destruição da vegetação ciliar. Conforme Cunha e Guerra (2000), a interferência humana transforma o ambiente com vistas ao desenvolvimento e processos naturais, como a erosão, ocorrem com mais intensidade trazendo prejuízos para a população local. Em janeiro de 2004, as intensas chuvas ocorridas no Baixo São Francisco, em pouco espaço de tempo, afetaram as plantações de arroz dos Perímetros Irrigados Cotinguiba/Pindoba e Propriá conforme mostra a Tabela 21, promovendo uma drástica perda da produção, devido à completa inundação dos campos de rizicultura por período equivalente à uma semana. TABELA 21 – Perda de produção nos Perímetros Irrigados do Baixo São Francisco. Safra de Nº de lotes Área afetada arroz perdida Perímetro Irrigado afetados (ha) (ton) Cotinguiba/Pindoba 192 540 2.808 Propriá 21 82 451 Fonte: CODEVASF, (2001) Segundo informações do chefe da Divisão de Produção da CODEVASF - 4ºSR, em Aracaju, “numa área de 622 ha, houve a perda de 100% da área plantada de arroz que já estava em fase de colheita”. Segundo o engenheiro, o prejuízo mais recente foi estimado em R$ 2.628,000 (dois milhões e seiscentos e vinte e oito mil reais), para os produtores. Os prejuízos decorrentes corresponderam às despesas com aquisição de sementes, preparo do solo, plantio, fertilizante e manejo da cultura, além do custo da parcela da tarifa de água. A perda de área produtiva associada à erosão na margem, em muitos trechos, se caracteriza de forma muito mais danosa, uma vez que não se relaciona somente a produção, mas a milhares de metros cúbicos que são erodidos na margem do rio. Nos trechos monitorados, que representam situações comuns nas bacias hidrográficas, chega-se a registrar taxas de avanço de erosão de até 60 m/ano, (Casado et al, 2002). Isto indica que não só a outrora zona ripária tem sido afetada, mas também áreas onde efetivamente são praticadas a irrigação. A perda da área produtiva, quer seja em decorrência do processo erosivo, ou outro fator qualquer, acarreta no empobrecimento do solo pela perda da fertilidade 112 natural ou pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, nas áreas irrigadas. Este indicador pode fornecer a dimensão, em hectares, da área produtiva perdida e revela a extensão da área sob risco. È um indicador de fácil entendimento e pode ser obtido através do levantamento de dados junto aos setores produtivos (Cooperativas, Associações de Produtores) ou organismos governamentais que trabalham com irrigação na área. f. Navegação fluvial (nº) As alterações ocorridas na navegação no Baixo São Francisco são decorrentes das mudanças na morfologia da calha do rio e a diminuição da sua profundidade que dificultam a movimentação das embarcações, consequentemente diminuem seu fluxo, pondo em risco, inclusive, a segurança da população que se utiliza do transporte fluvial. O aumento da formação de croas e bancos de areia em muitos trechos do rio, têm alterado a rota de navegação a partir dos Municípios sergipanos ribeirinhos para o município de Penedo em Alagoas. O trajeto feito pela embarcação (balsa) que transporta passageiros e veículos do Município de Neópolis-SE para Penedo-AL tem sido constantemente alterado, haja vista a quantidade de croas, necessitando do auxílio de bóias para orientação do percurso. Segundo depoimentos de pescadores que trabalham na área, antigamente o movimento de barcos, como canoas de tolda, gaiolas e, mais recentemente, os catamarãs, era muito freqüente. Hoje se encontra reduzido às canoas, barcos pequenos que fazem o transporte de pessoas da margem sergipana para a alagoana, e vice-versa. As Tabela 22, 23, 24, 25, apresentam o volume e tipo de embarcações que fazem a navegação, atualmente, no Baixo São Francisco, utilizados para a pesca. TABELA 22 – Distribuição da frota de barcos cadastrada nos dois pontos de desembarque, no Baixo São Francisco sergipano no ano de 1999. Município Canoa Bote motorizado Coleta manual Total Brejo Grande 106 0 22 128 Ilha das Flores 109 0 69 178 Total 215 0 91 306 Fonte: CEPENE/IBAMA, (2000) 113 TABELA 23 – Distribuição da frota de barcos cadastrada nos dois pontos de desembarque, no Baixo São Francisco sergipano no ano de 2000. Município Canoa Bote motorizado Coleta manual Total Brejo Grande 115 0 0 115 Ilha das Flores 80 0 73 153 Total 195 0 73 268 Fonte: CEPENE/IBAMA, (2001) TABELA 24 – Distribuição da frota de barcos cadastrada nos dois pontos de desembarque, no Baixo São Francisco sergipano no ano de 2001. Município Canoa Bote motorizado Coleta manual Total Brejo Grande 189 0 83 272 Ilha das Flores 104 0 9 113 Total 293 0 92 385 Fonte: CEPENE/IBAMA, (2002) TABELA 25 – Distribuição da frota de barcos cadastrada nos dois pontos de desembarque, no Baixo São Francisco sergipano no ano de 2002. Município Canoa Bote motorizado Coleta manual Total Brejo Grande 177 0 98 275 Ilha das Flores 124 0 9 133 Total 301 0 107 408 Fonte: CEPENE/IBAMA, (2003) Do total de embarcações destinadas ao pescado, no Estado de Sergipe, a região do Baixo São Francisco, nos seus dois pontos de desembarque, se faz representar conforme mostram os dados da Tabela 26. 114 TABELA 26 - Percentuais de embarcações utilizadas para a pesca no Baixo São Francisco nos dois pontos de desembarque nos anos de 1999 a 2002. Ano Canoa (%) Coleta Manual (%) Total (%) 1999 15,02 6,36 21,38 2000 13,14 4,92 18,06 2001 19,18 6,02 25,2 2002 19,66 7,00 26,65 Fonte: CEPENE/IBAMA, (2000, 2001, 2002, 2003) O total de embarcações cadastradas para a pesca no Estado de Sergipe no ano de 1999 foi de 1.431, no ano de 2000 foi de 1483, no ano de 2001 foi de 1527 e no ano de 2002 foi de 1531, apresentando uma pequena variação, significando dizer que não houve um aumento considerável do uso de canoas e coleta manual de um ano para o outro. Observa-se que embarcações motorizadas não foram cadastradas durante esses anos, denotando a pescaria ainda rústica em canoas e manualmente, e, supõe-se, o baixo poder aquisitivo dos pescadores. Segundo depoimento de pescadores mais antigos, “no passado a navegação era feita por navios que importavam e exportavam arroz, milho, feijão, algodão e até bovinos no porto de Penedo, além do movimento intenso e constante de barcaças e iates vindo do Estado do Maranhão”. Hoje, os próprios pescadores já sentem dificuldade em navegar durante a noite, temendo o risco de danificar os barcos nos bancos de areia. Para eles a deficiência na navegação se deve principalmente ao assoreamento e à proliferação das algas. A erosão contribui para a diminuição da navegação tanto através do material erodido que é carreado ajudando na formação das croas, como com a presença de troncos de árvores arrancados quando da ação erosiva marginal. O assoreamento resultante dos constantes desmoronamentos de terra provenientes das margens, tem se acentuado na calha do rio afetando diretamente a navegação, promovendo constantes alterações das cartas náuticas. Como conseqüência direta do assoreamento e com reflexos na navegação, percebe-se o desenvolvimento acentuado das algas conhecidas como “cabelo” (Elodea sp), que em grande quantidade se enroscam nas hélices das embarcações trazendo perigo para o transporte de pessoas e mercadorias. 115 A diminuição da navegação é um dos parâmetros que indica a insustentabilidade econômica em que se encontra o Baixo São Francisco. Esse indicador de fácil medição, poderá avaliar o quanto a erosão é prejudicial à navegação do Baixo São Francisco, podendo ser obtido através de levantamento da diminuição do número de embarcações pela Marinha local. g. Renda (R$) As alterações ocorridas com a diminuição do pescado, que garantia a subsistência da maioria da população ribeirinha, decorrem de mudanças nas relações sócio-econômicas observadas na perda da renda dos pescadores, no desinteresse dos filhos de pescadores pela profissão, na marginalização da atividade pesqueira artesanal, como sendo secundária e pouco remunerada e distinção e conflitos entre pescadores e piscicultores. Os próprios pescadores profissionais desestimulam seus filhos da idéia de pescar. Muitos deles, de acordo com estudos de Casado (2000 a), preferem vê-los buscando outras formas de sobrevivência, em outras atividades, quando ganhariam o necessário para o próprio sustento. Com a diminuição do pescado, que segundo os pescadores, não voltavam para casa, após uma pescaria, com menos de 100 Kg de peixes, a pesca se restringe ao suficiente para suprir as necessidades alimentares do dia. A diminuição da renda dos ribeirinhos estimula o êxodo rural, quando estes partem na esperança de encontrar ofício e local melhor para sobreviver. Souza (1998), conduziu estudos sobre os impactos no estuário do rio São Francisco e conseqüências socioeconômicas no Município de Brejo Grande, onde através de levantamento do rendimento mensal dos pescadores, no período de setembro de 1997 a fevereiro de 1998, é possível avaliar a diminuição da renda devido a diminuição do pescado (Tabela 27) e contatadas pelos depoimentos dos pescadores. 116 TABELA 27 – Renda mensal dos pescadores do Município de Brejo Grande e adjacências, no período de setembro/1997 a fevereiro/1998 Cabeço Freqüência Relativa (%) Saramém Freqüência relativa (%) Brejo Grande Freqüência relativa (%) Até 60,00 7 --- 6 60,00 a 120,00 32 60 66 120,00 a 180,00 33 35 16 180,00 a 240,00 21 5 10 Mais de 240,00 7 --- 2 Renda Pescadores (R$) Fonte: Souza, (1998). Do total de 43 pescadores, entrevistados pela autora (op. cit.) no Povoado Cabeço, apenas 7% recebiam renda mensal de até R$ 60,00, estando enquadrados neste mesmo percentual os pescadores que recebiam mais de R$ 240,00 mensal. Cerca de 32% dos pescadores recebiam rendimento mensal entre R$ 60,00 a R$ 120,00, enquanto 33% dos pescadores recebiam entre R$ 120, 00 a R$ 180,00 e 21% recebiam entre R$ 180,00 a R% 240,00 mensal, (Figura 19). FIGURA 19 – Total de pescadores, em frequência relativa por classe de rendimento mensal, no Povoado Cabeço, Município de Brejo Grande/SE, no período de setembro de 1997 a fevereiro de 1998. Fonte: Souza, (1998). Em um contingente de 20 pescadores entrevistados no Povoado Saramém, a média de pescadores que recebiam entre R$ 60,00 a R$ 120,00 e entre R$ 120,00 a R$ 180,00 era bem maior com relação à arrecadação no Povoado Cabeço. Entretanto, apenas 5% dos pescadores recebiam entre R$ 180,00 a R$ 240,00 mensal e nenhum recebia até R$ 60,00 e mais de R$ 240,00 mensal, (Figura 20). 117 FIGURA 20 – Total de pescadores, em frequência relativa por classe de rendimento mensal, no Povoado Saramem, Município de Brejo Grande/SE, no período de setembro de 1997 a fevereiro de 1998. Fonte: Souza, (1998). Na cidade de Brejo Grande, do total de 50 pescadores entrevistados, apenas 6% dos pescadores recebiam até R$ 60,00, mas, 66% recebiam entre R$ 60,00 a R$ 120,00 mensal, cerca de 16% dos pescadores recebiam entre R$ 120,00 a R$ 180,00 mensal, 10% dos pescadores com renda mensal entre R$ 180,00 a R$ 240,00 e apenas 2% recebiam mais de R$ 240,00 mensal resultante das atividades pesqueiras, (Figura 21). FIGURA 21 – Total de pescadores, em frequência relativa por classe de rendimento mensal, na cidade de Brejo Grande/SE, no período de setembro de 1997 a fevereiro de 1998. Fonte: Souza, (1998). 118 È perceptível que a renda mensal dos pescadores se concentrava em valores a partir de R$ 60,00 a R$ 180,00, conforme demonstram os maiores percentuais. Por falta de dados passados, que possam permitir uma comparação com os dados recentemente levantados neste trabalho, não é permitido uma avaliação mais precisa, porém é possível compreender que rendas mensais para grande parte desta população, que não atingem o valor do salário mínimo vigente, caracterizam uma situação de grandes dificuldades para a sobrevivência deste grupo em uma atividade tradicionalmente desenvolvida por eles. A diminuição da renda se constitui um indicador de dimensão econômica de grande relevância. É um indicador de fácil entendimento e confiável podendo ser analisado comparativamente com outros indicadores, como a diminuição do pescado. Poderá ser obtido através de levantamento da situação socioeconômica do ribeirinho pelos órgãos administradores competentes. 3.2.4. Indicadores de Resposta Os indicadores de resposta representam as ações voltadas para a reparação e/ou mitigação dos impactos sofridos pelo meio ambiente e que se apresentam como iniciativas no sentido de mitigar os impactos criados pelas pressões sobre o sistema estudado. a. Trabalhos de recomposição da vegetação ciliar (ha) No Baixo São Francisco a vegetação ciliar foi praticamente devastada, fato que pode ser comprovado pela quantidade mínima distribuídas nas margens. Segundo Santos (2001b), em apenas seis locais são encontrados reduzidos remanescentes de vegetação ciliar: no Morro do Aracaré e Fazenda Cajuípe localizados no Município de Neópolis, Povoado Cabeço e em frente à ilha do Monte, no Município de Brejo Grande, ilha do Cachimbão, no Município de Ilha das Flores e em frente a ilha do Aurélio, no Município de Santana do São Francisco. Esses locais continuam pouco explorados justificando a presença da vegetação mesmo já antropizada. Apesar da vegetação ciliar, por si só, não conter a erosão marginal, porém, a sua presença nas margens retarda o avanço da erosão em alguns trechos, segundo Fontes (2002), principalmente em estágio inicial. 119 A vegetação ciliar para uma bacia hidrográfica é de fundamental importância. Ela é essencial, a depender do contexto ambiental local, das características das margens, dos agentes, dos fatores e dos processos envolvidos ao equilíbrio do ecossistema ribeirinho devido às funções que desempenha na manutenção dos recursos hídricos, na proteção do solo e da fauna, na preservação da biodiversidade e patrimônio genético sendo ainda, de grande relevância para a composição da paisagem. Em tempo, a zona ripária ou áreas com a presença da vegetação ciliar são áreas de transição entre os ecossistemas terrestres e aquáticos, que se diferenciam pelo gradiente nas condições biofísicas, processos ecológicos e biota. A recomposição da vegetação ciliar do Baixo São Francisco se apresenta como um dos principais atributos para a revitalização da bacia. Trabalhos, em nível acadêmico, estão sendo desenvolvidos como ações complementares utilizando espécies nativas que concordam com a orientação sugerida por Santos (2001b), “devendo ser as espécies que apresentem um desenvolvimento vegetativo rápido o suficiente para que seu estabelecimento seja numa velocidade superior a rápida evolução do processo erosivo marginal”. Os estudos realizados no Baixo São Francisco, pela autora (op. cit.) tematizando o levantamento florístico nos remanescentes de mata ciliar afetados pela erosão marginal e a compreensão dos ribeirinhos sobre a degradação desta vegetação, foi através de entrevistas, com os pescadores que, com base nos conhecimentos empíricos, indicaram várias espécies para contenção do processo erosivo marginal, no período de agosto a outubro de 2000, conforme apresentado na Tabela 28. As espécies mais citadas foram a ingazeira, o balseiro e a aninga. Segundo Santos (2001b), algumas destas espécies já vêm desempenhando papel importante na proteção das margens, à exemplo do calumbi, utilizado na contenção do processo erosivo à jusante do município de Canindé de São Francisco, da ingazeira e a aninga na área estudada. 120 TABELA 28 – Espécies de vegetação indicadas pelos pescadores para a contenção do processo erosivo no Baixo São Francisco sergipano. Nome comum Nome científico Algaroba Amendoeira Aninga Balseiro Cajueiro Junco Cajazeira Calumbi Canafisteira Caniço Coqueiro Cruirizeiro Espinho-branco Ingazeira Jenipapeiro Mangueira Mata-cabra Rompe-gibão Umbaúba Prosopis procera Terminalia capalta Montrichardia linifera Schott Eichornia crassipes Anacardium ocidentale Eleocharis elegans Spondia dulcis Mimosa sp Cássia grandis Bambusa vulgaris Cocos nucifera Lafoensia sp Anisomeris sp Inga edulis Genipa americana Mangifera indica Ipomoaea fistulosa Guettarda angelica Cecropia pachystachya Fonte: Santos (2001b) De forma pontual, estão sendo desenvolvidos alguns trabalhos de recomposição florística na margem do Rio São Francisco, pelos pesquisadores Mesquita et al, (2003), que se refere a implantação de áreas piloto para revegetação ciliar como medida mitigadora para controle da erosão do Baixo São Francisco e Ferreira et al, (2004), com o projeto de pesquisa semeadura direta para restauração de matas ciliares, sendo massa específica de sementes versus estabelecimento de mudas, além dos trabalhos realizados por Holanda et al (2004), usando bioengenharia na estabilização dos taludes marginais e posterior recomposição da vegetação ciliar. A recomposição da vegetação ciliar é um indicador de grande importância para o monitoramento da degradação ambiental no Baixo São Francisco. É tangível, de fácil compreensão e muito importante para as comunidades ribeirinhas pelo papel que a vegetação ciliar desempenha na manutenção da vida no rio e possibilidade de geração de renda, com um ecossistema equilibrado. Pode ser obtido através do levantamento das condições físicas do solo, clima e tipo de vegetação adequada para recuperação das áreas degradadas. 121 121 vb. Contenção e estabilização dos taludes (m) Os taludes marginais, também chamados de encostas, são superfícies inclinadas que limitam um volume de terra, rocha ou misto, Santos (2002 apud FIORI, 2001), como as barrancas de rios. A estabilidade de um talude depende da sua altura, resistência e textura do material granulométrico, forças de percolação e da quantidade e velocidade do escoamento superficial e subterrâneo, Santos (2002 apud HUNT, 1990). Um talude pode ser desestabilizado pela erosão regressiva (carreamento do material subterrâneo face à percolação da água), pelo choque das ondas do rio na sua base, devido a ação do vento, e, pela ausência de vegetação na superfície do talude permitindo a insolação, promovendo o ressecamento do solo (perda da umidade natural), e a instabilidade do talude pela ausência do sistema radicular, facilitando a remoção do material pela ação do vento ou pela força da gravidade. De acordo com estudos conduzidos por Santos (2002), na área do Perímetro Irrigado Continguiba-Pindoba, nas seções A, B e C estudadas, onde a situação de desestabilização dos taludes é bastante grave, os dois mecanismos que mais contribuem como agentes erosivos para a instabilidade dos taludes marginais são a erosão regressiva e a ação das ondas. Um breve histórico da ocorrência da erosão nos diques de proteção se faz necessário, conforme apresenta o Quadro 3. 122 Ano de referência Década de 70 1980 1982 entre 1986 1985 1987 1995 2000 a 2001 2004 Extensão submetida à erosão (m) 9.700 Ocorrência e Construção diques pela CODEVASF Alerta de erosão dique de proteção perímetro de Itiúba (margem esquerda) pelo Engº Pedro Lessa/CODEVASF/4ª SR - Construção enrocamento Perímetro Cotinguiba/Pindoba - Perímetro Betume Construção diques destruídos nos perímetros, espigão e enrocamento da base (recuo de 100 a 150m) Peter Hradilek constata avanço da erosão sobre a faixa de terra que separava o dique da margem Construção de dique em substituição ao 1º dique com recuo de 100m Destruição do novo dique Trecho mais crítico no Perímetro Cotinguiba/Pindoba sob intensa erosão 200m 1.000 2.000 1.000 2.000 900 1.000 100 2000 QUADRO 3 – Histórico da ocorrência de erosão nos diques de proteção dos Perímetros Irrigados do Baixo São Francisco e proteção dos taludes Fonte: Fontes, (2002) e Bandeira, (2003), adaptado pela Autora. A primeira ação da CODEVASF na área mais crítica do Perímetro, foi a construção do dique de proteção contra as cheias no final da década de 70, com uma extensão de 9.700 metros, com características técnicas de utilização de solos selecionados e compactados e projetado para superar em 1 metro a linha de água equivalente a uma cheia com recorrência de 50 anos, provocadas por vazões de até 14.600 m3/s (Fontes, 2002 apud SCET INTERNACIONAL, 1974). Entre os anos de 1981 e 1991, segundo Fontes (2002 apud BARBERO, 1994), foram construídos enrocamentos (colocação de blocos de pedra) sobre um filtro de fibra geotextil, para proteção contra a erosão nos Perímetros Irrigados Cotinguiba/Pindoba e Betume numa extensão de 1 Km e de 2 Km, respectivamente. Entre os anos de 1985 e 1986, dada a gravidade e aumento do processo erosivo que destruiu grande parte do dique de proteção, a CODEVASF iniciou a construção de um novo dique, com recuo de 150 metros do primeiro, construção de um espigão (construções de pedras feitas rio adentro em um ângulo de 72° para desviar a água) e o enrocamento da base, (Figuras 22 e 23). Segundo o encarregado de operações e manutenção do Perímetro, em informação não-oficial, “foram construídos, 123 aproximadamente, 850 metros de extensão (linear) de enrocamento que necessitaram de 258 mil m3 de pedras”. FIGURA 22 – Foto do espigão construído pela CODEVASF na margem do rio no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba. Fonte: Casado, (1999). FIGURA 23 – Foto da margem do rio com enrocamento entre os Municípios de Brejo Grande e Neópolis. (Autora, mar/2004) Como o processo erosivo foi avançando ao longo dos anos destruindo as proteções, em 1995, a CODEVASF investiu em outro dique de proteção distando 100 124 metros do primeiro e que também foi totalmente destruído, mais recentemente, entre os anos 2000 e 2001. Nessa mesma área, A CODEVASF, iniciou, em abril de 2001, serviços de obras de terraplanagem, com verba do Programa do Governo Federal Avança Brasil/Pró-àgua/Banco Mundial, no valor de R$ 1.182,175,48, objetivando diminuir a inclinação do talude (retaludamento) e enrocamento das margens numa tentativa de conter o avanço da erosão, ficando a obra inacabada ainda no seu início, segundo informações do chefe da Divisão de Produção da 4ª SR – CODEVASF em Sergipe. Podem ser identificados 4 Km de dique no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba e 3 Km no Perímetro Irrigado Betume, que se encontram comprometidos pela erosão, sendo necessários, segundo estimativas da CODEVASF, 4 milhões de dólares para construção de novas obras desses diques. De forma empírica têm sido identificadas tentativas dos ribeirinhos de estabilizar a erosão na margem e assim proteger os seus lotes. Pneus empilhados, malhas de tiras de borracha, sacos de areia, mantas de nylon, troncos e palhas de coqueiros, são muitas das possibilidades trabalhadas por aquela população no sentido de conter a erosão, (Figuras 24, 25, 26). FIGURA 24 – Foto de contenção dos taludes marginais com palhas de coqueiro, próximo a Brejo Grande- SE. Fonte: Autora, (abril/2004) 125 FIGURA 25 – Foto de contenção dos taludes marginais com pneus entrelaçados nas proximidades do Município de Brejo Grande. Fonte: Jane T. V. F. Prado, (mar/2004). FIGURA 26 – Foto de contenção dos taludes marginais com manta de nylon e sacos de areia no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba. Fonte: Igor Ramos dos Anjos, (mar/2004). 126 Os diversos artifícios utilizados para contenção da erosão são ações complementares de relativo baixo custo, para os ribeirinhos, e que realmente inibem o avanço do processo erosivo nos taludes marginais. Os técnicos do Perímetro Irrigado Cotinguiba-Pindoba, iniciaram uma ação complementar para a contenção do processo erosivo, que se constituiu na plantação do Bambu às margens do rio. A ação vem sendo experimentada há oito anos, aproximadamente, tendo mostrado o bom desenvolvimento da vegetação. Infelizmente, o processo é demorado e mesmo com o comprometimento da CODEVASF, esta tentativa não teve continuidade. No trecho onde o Bambu prolifera, apesar da pequena extensão, a erosão é inibida, (Figura 27). FIGURA 27 – Foto da plantação de bambu na margem do rio, no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba. Fonte: Igor Ramos dos Anjos, (mar./2004). Também foi observada a ocorrência de uma espécie de vegetação chamada de taquara (Laciasis ligulata Hitch et Chase) , que permanece com as raízes dentro da água, porém não há estudos sobre sua eficiência quanto à contenção do processo erosivo. A contenção e estabilização dos taludes marginais é um excelente indicador de resposta para o processo erosivo fluvial. Constitui-se uma das medidas mais eficazes 127 para conter o avanço da erosão nas margens do rio, através da construção dos enrocamentos. É um indicador tangível e seus resultados são constatados em vários trechos onde a erosão foi estabilizada no Baixo São Francisco. c. Formação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) (nº) O processo de formação do CBHSF se deu a partir do ano de 2001, com a criação de uma diretoria provisória composta por 19 membros, sendo 9 das esferas governamentais e 10 não governamentais. A diretoria criou comissões responsáveis pelo processo eleitoral e elaboração do regimento interno do comitê, além de coordenadorias estaduais eleitorais. A representatividade no comitê foi estabelecida em 60 membros, distribuídos entre usuários (40%), poder público (33%) e sociedade civil (27%), com a participação estadual dividida entre 32% do Estado de Minas Gerais, 20% da Bahia, 13% de Pernambuco, 10% de Sergipe, 10% de Alagoas e 3% do Distrito Federal. Através de 39 encontros regionais, de caráter consultivo, realizados com a participação de 5.726 pessoas dos Estados envolvidos, sendo 53% de membros da sociedade civil, 28% do poder público e 19% de usuários, foi preparado o processo eleitoral que se consolidou em 27 plenárias estaduais e outra especial para os povos indígenas da Bacia. O processo teve uma abrangência de 940 pessoas, sendo 57% de usuários, 30% da sociedade civil e 13% do poder público (PAE, 2004). A posse definitiva do CBHSF, foi em novembro de 2002, e representa um marco para a história da Bacia, tendo em vista se constituir a base do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, grande desafio uma vez que, dentre as atribuições do Comitê estão as questões relativas a articulação, mediação de conflitos, aprovação e acompanhamento da execução do Plano de Recursos Hídricos da Bacia, e ainda, criação dos mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos. Essas atribuições começaram a ser implementadas a partir de um Convênio entre a Agência Nacional de Água (ANA) e a Secretaria de Recursos Hídricos da Bahia, assinado em 11 de março de 2004, para viabilização da estruturação e operacionalização da Secretaria Executiva do CBHSF, este, por sua vez, com o suporte da Secretaria Executiva necessário para desenvolver ações, estratégias e articulações externas e internas, comungando com os princípios da gestão participativa, descentralizada e compartilhada. 128 Com o objetivo de acompanhar, analisar, coordenar e emitir parecer sobre todo o processo de trabalho na elaboração do Plano de Recursos Hídricos da Bacia, o Comitê criou duas Câmaras Técnicas, instituídas no âmbito do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), através da Resolução Nº 4 de 10/06/1999. Segundo o Secretário Executivo do Comitê da bacia, é possível operacionalizar o Plano ainda no ano de 2004, implementando a Associação Pró-Gestão da bacia que seria o embrião da Agência de bacia. A formação do CBHF é um indicador de resposta dos mais relevantes para a viabilização da sustentabilidade na Bacia, sendo tangível quanto às ações a que se propõe e culmina com a aferição de outros indicadores que representam, por si só, os desafios a serem enfrentados pelo Comitê. d. Ações do Ministério Público ( nº) O Ministério Público do Estado de Sergipe, criou no ano de 2002, o Núcleo de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Rio São Francisco, que surgiu da necessidade dos sete Estados da área de abrangência da bacia, inclusive o Distrito Federal e Goiás, em criar órgãos internos estaduais com o comprometimento específico de defender as questões relativas à Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, quando iniciou-se a elaboração do Plano de Revitalização da Bacia. O Núcleo foi criado pelo colegiado de Procuradores de Justiça do Ministério Público de Sergipe, através da Resolução Nº 002/2002, tendo como finalidade apoiar todas as promotorias de justiça atuantes no Baixo São Francisco sergipano e otimizar ações no processo de revitalização do rio. Está sob a coordenação do promotor de justiça Moacyr Soares da Motta, tendo a promotora Maria Isabel Santana de Abreu como diretora do Centro de Apoio Operacional e como diretor do Núcleo, o promotor Eduardo Lima de Matos, grande defensor do “Velho Chico”. Segundo o promotor Eduardo de Matos, o Núcleo se reuniu, no ano de 2002, com os órgãos ambientais das três esferas públicas, membros da Universidade Federal de Sergipe e Universidade Tiradentes, para a elaboração de um diagnóstico da degradação no Baixo São Francisco. O levantamento geral de dados para subsidiar o diagnóstico foi feito no decorrer do mesmo ano, sendo as viagens sempre acompanhadas por membro dos órgãos ambientais e universidades. 129 Em uma segunda reunião, com os mesmos atores citados, foi elaborado o planejamento para 2003. Nele foram contempladas algumas ações para a resolução de micro e macro problemas, e segundo o diretor do Núcleo, todas as onze promotorias, envolvendo, aproximadamente, trinta (30) municípios, têm atuado, primeiramente, junto aos problemas micro da localidade, como disposição e coleta do lixo, lançamento de resíduos locais no rio, como também nos grandes problemas que afetam as comunidades. Apesar das dificuldades financeiras, o Núcleo elegeu algumas áreas que serão utilizadas como projeto piloto para implementação de ações sustentáveis e medidas mitigadoras, tendo em vista o recurso escasso para a implementação das ações em toda a região de atuação. Apenas para o exercício de 2001-2002, foi repassado recurso do Ministério do Meio Ambiente para montagem da infra-estrutura (bens móveis), do Núcleo. As áreas escolhidas para efetivação do trabalho são o assentamento Borda da Mata no município de Canhoba/SE, em parceria com a comunidade organizada, para reflorestamento da vegetação ciliar e a região de Samambira, mais próxima à foz do rio, em parceria com a Universidade Federal de Sergipe, para implantação de atividades sustentáveis. A idéia é também atuar em outras áreas da região assistida pelo Núcleo. Parte integrante da Coordenadoria Inter-Estadual das Promotorias do São Francisco, o Núcleo e o conjunto de promotorias estaduais, avaliam periodicamente através de reuniões e encontros, as ações desenvolvidas neste contexto, objetivando uniformizá-las já que cada região fisiográfica da bacia tem suas próprias diversidades. Em outra ação realizada em uma reunião de avaliação na cidade de São José dos Campos em 2003, onde estavam presentes membros de fundações ligadas ao Ministério do Interior e ITA, órgãos responsáveis pela transposição do rio São Francisco, o citado Núcleo entregou uma carta aberta, elaborada em Sergipe, onde o grupo de promotores de todo o Estado se manifestaram contrários à transposição do rio. Para Eduardo Matos, “a transposição, neste momento, é inoportuna, primeiramente é necessário implementar ações de revitalização”. A transposição não seria uma discussão impossível, mas, não é momentânea, devendo ser deixada para um segundo momento, após a implementação das ações de revitalização. Nesse sentido, o Núcleo protocolou na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), pedido de avaliação dos impactos advindos da geração de energia elétrica no Baixo São Francisco, tomando como base as pesquisas realizadas desde o ano de 1998, pelos pesquisadores Holanda 130 (2000), Santos(2001), Santos(2002) e Fontes(2002), além de outros pesquisadores colaboradores da Universidade Federal de Sergipe e outras entidades e acompanha a tramitação do processo. Outro processo solicitando clareza nos estudos da construção da barragem de Pão de Açúcar, no Baixo São Francisco, foi encaminhado à ANEEL, na mesma época. O Núcleo também atua acompanhando a problemática e polêmica construção da estrada que liga o município de Pirambu à foz, que ameaça a bioreserva Santa Izabel, por passar na zona de amortecimento da mesma, e entende que é indispensável o EIA/RIMA da construção da estrada, pela sua obrigatoriedade de acordo com a Resolução CONAMA nº 40 e o SNUC (Sistema Nacional de Unidade de Conservação). Acompanha não só as ações do Comitê de Bacia Hidrográfica do São Francisco, como aguarda a execução do Plano Decenal de Recursos Hídricos da Bacia e Plano de Revitalização da Bacia, numa linha de somar esforços no sentido de recuperar o Velho Chico. e. Ações da CHESF (un.) A Companhia Hidrelétrica do São Francisco – CHESF tem como missão principal a geração de energia elétrica em toda a bacia do São Francisco. Constitui-se na maior rede de distribuição de energia elétrica do Brasil perfazendo 18 mil Km de linhas de transmissão, a maioria em 500 e 230 KV, ligadas a 87 substações que abastecem aproximadamente 43 milhões de pessoas, sendo que o seu sistema de transmissão utiliza a tecnologia mais moderna do mundo (Rev. CHESF, 2003). É responsável pelas usinas em operação no Médio e Baixo São Francisco, Sobradinho, Itaparica, Apolônio Sales/Moxotó, Paulo Afonso I, II, III e IV e Xingó. A CHESF mantém no reservatório da hidrelétrica de Xingó, produção de mudas das espécies nativas da caatinga, que segundo os técnicos, é uma maneira de garantir a biodiversidade da região através do replantio de espécies que equilibram o ecossistema. Mantém ainda, a produção de alevinos e peixamento, contribuindo para tornar a piscicultura uma alternativa econômica para a Bacia. Desenvolve um trabalho histórico com a manutenção do Museu Arqueológico de Xingó. Os desgastes sócio-econômicos-ambientais no Baixo São Francisco, promovidos pela construção das hidrelétricas à montante do rio, não foram pré-analisados e préavaliados pela empresa. Atualmente, a CHESF é cobrada em todos os sentidos para 131 reparar através de medidas e ações mitigadoras os danos causados pelas suas obras. A participação da CHESF no grupo de trabalho que elabora o Plano Decenal de Recursos Hídricos da Bacia do São Francisco, nas Rodadas de Discussão dos Planos de Recursos Hídricos e de Revitalização da Bacia, é de grande importância para a sua sensibilização quanto à degradação que se instalou no baixo curso do rio. As ações da CHESF representam um indicador de resposta muito importante tanto para o contexto econômico da região (geração de energia), como para o contexto sócio-ambiental, uma vez que a reparação dos danos causados pelas hidrelétricas no Baixo São Francisco é tangível e de fácil execução para a empresa, e contribuirá para a recuperação ambiental desde que a efetividade destas ações seja adequada à realidade do Baixo São Francisco com a utilização de metodologias que ajudem a melhorar a qualidade de vida da comunidade ribeirinha. f. Ações da CODEVASF (un.) A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba – CODEVASF atua em toda a bacia do Rio São Francisco. No Estado de Sergipe a 4ª Superintendência Regional atua junto aos Perímetros Irrigados Betume, Cotinguiba/Pindoba e Propriá desenvolvendo ações voltadas para a operação e manutenção, atividades de preservação e proteção ambiental, rizicultura, pecuária leiteira, fruticultura e piscicultura. A assistência técnica e extensão rural prestadas, envolvem outras empresas como o Banco do Nordeste, EMBRAPA, EMDAGRO e Cooperativas, através de Convênios celebrados entre a CODEVASF e essas empresas. A CODEVASF desenvolve programas e projetos de cunho social e econômico no Baixo São Francisco à exemplo do Projeto Amanhã, que tem como finalidade capacitar tecnicamente os jovens ruralistas para exploração dos lotes irrigados, com vistas à sucessão dos irrigantes atuais e ingresso no mercado de trabalho não-agrícola. O programa de apoio à fruticultura que objetiva o seu desenvolvimento nos perímetros irrigados, iniciado em 1997 e que abrange uma área de 93 ha, distribuídos com 122 produtores em atividade, integrantes de 12 associações dos perímetros de Propriá, Betume e Cotinguiba/Pindoba e 2 associações do Projeto Califórnia, (CODEVASF, 2001). As Tabelas 29 e 30 apresentam dados e informações gerais sobre os projetos. 132 TABELA 29 – Principais ações do Projeto Amanhã desenvolvidas nos Perímetros Irrigados da CODEVASF, no Baixo São Francisco no exercício de 2000. Planejado Realizado b/a Indicadores Unidade (a) (b) (%) Mobilização de jovens rurais jovem 165 110 66,67 Constituição grupo de jovens grupo 03 01 33,33 Capacitação de jovens evento 61 37 60,66 nº 48 18 37,50 Cursos, treinamentos, seminários nº 08 06 75,00 de jovem 110 89 80,91 de nº 01 01 100,0 nº 01 jovem 230 Palestras educativas Participantes de eventos capacitação Implantação de unidade capacitação Instalação de kit de irrigação Assistência agrícolas técnica a projetos 0,00 205 89,13 Fonte: CODEVASF, (2001) – adaptado pela Autora. Com a promoção das ações acima, basicamente, orientadas para a organização e capacitação a CODEVASF acredita que preparando os jovens rurais que vivem dependentes dos Perímetros Irrigados, haverá uma transformação significativa no modo de exploração dos lotes irrigáveis, tendo em vista terem, esses jovens, maior facilidade em assimilar e incorporar novas tecnologias aplicadas ao processo produtivo, e melhorar o relacionamento com o setor urbano quando da sucessão aos irrigantes tradicionais. Os cursos ministrados dizem respeito à capacitação sobre atividades sociais, atividades de transformação, educação ambiental e atividades produtivas, envolvendo, respectivamente as ações de organização social, artesanato, pintura e bijuteria, plantas medicinais, indústria rural caseira, processamento de frutas, uso de agrotóxicos, higiene e limpeza, produção de mudas, fruticultura irrigada, olericultura, piscicultura e manejo de água e solo. 133 TABELA 30 – Resultados do Programa de Apoio à Fruticultura implementado nos Perímetros Irrigados da CODEVASF, no Baixo São Francisco entre 1999 e 2000. Produtores (nº) Área programada (ha) Área implantada (ha) Montante aplicado até 1999 (R$) Montante aplicado até 2000 (R$) Betume 02 4,00 -- -- 7.452,00 Cotinguiba/Pindoba 100 68,00 66,00 243.535,59 278.341,94 Propriá 10 11,00 10,00 40.315,35 40.315,35 Califórnia 10 10,00 10,00 18.889,92 18.889,92 Total 122 93,00 86,00 302.740,86 344.999,21 Perímetro Fonte: CODEVASF, (2001) – adaptado pela Autora. Na Tabela 30 são listados os resultados do Programa de Apoio à Fruticultura, relacionados com as culturas de mangaba, côco da baia, limão, tangerina, manga, goiaba e banana que absorve 83% da área programada. Da área total, 7 hectares foram utilizados para implantação de unidades de observação e demonstração, sendo localizadas 05 no Perímetro Irrigado Cotinguiba/Pindoba, 01 em Betume e 01 no Perímetro de Propriá. Essas unidades são utilizadas para aferição e adequação de parâmetros técnicos para desenvolvimento da fruticultura irrigada em solos aluviais dos perímetros e podem servir como instrumentos de apoio pedagógico na difusão de técnicas e processos apropriados para a região do Baixo São Francisco (CODEVASF, 2001). Os R$ 344.999,21 (trezentos e quarenta e quatro mil e novecentos e noventa e nove reais e vinte e hum centavos), correspondem a 87,70% do montante de R$ 393.422,43 (trezentos e noventa e três mil e quatrocentos e vinte e dois reais e quarenta e três centavos), autorizado para implementação dos projetos de fruticultura. A CODEVASF desenvolve também o Programa da Aqüicultura, centrado nas atividades de pesquisa aplicada, produção de alevinos para repovoamento dos recursos hídricos e fornecimento aos piscicultores da região, disponibilizando alevinos de espécies já adaptadas à região, a custo relativamente baixo, orientando os produtores sobre o manejo técnico. Ainda dentro da linha sócio-econômica, a CODEVASF atua para melhorar a infra-estrutura de comunidades rurais, com a finalidade de otimizar o abastecimento de água para consumo humano e irrigação em pequenas áreas, extensão de rede elétrica, construção de aguada/barreiro, recuperação de barreiro e perfuração de poço tubular. 134 Através do Programa de melhoramento genético, a CODEVASF supervisiona e fiscaliza os trabalhos realizados pela EMDAGRO, referentes ao programa de transferência de embriões e inseminação artificial, que foi celebrado entre as duas empresas para atuação no Baixo São Francisco. A Superintendência Regional de Sergipe – 4ª SR, juntamente com a empresa norte-americana Fresh Del Monte, planejando investir no Baixo São Francisco, objetivam utilizar as áreas altas, combros, do Baixo São Francisco, que não estejam ocupadas com a rizicultura, para o plantio de bananas, tendo como meta a exportação do produto em alta escala, em parceria com a iniciativa privada e o setor público. Através de levantamentos de dados técnicos das áreas de entorno dos Projetos CotinguibaPindoba, Betume e Platô de Neópolis, feitos pela CODEVASF, a empresa americana pretende avaliar a viabilidade do empreendimento, o que acarretará em geração de emprego e renda para a população do Baixo São Francisco sergipano. A erosão marginal no Baixo São Francisco é cenário antigo para a CODEVASF que já atuou no sentido de conter o processo nas áreas dos perímetros irrigados Betume e Continguiba/Pindoba. Em 1985, com o advento das cheias, a erosão avançou na área do Perímetro Irrigado Continguiba-Pindoba, próximo à Estação de Bomba (EB-2), trecho crítico onde a estrada e o dique de proteção foram destruídos, a CODEVASF iniciou a construção de enrocamentos (estruturas de pedras erguidas às margens do rio para conter a erosão). Por oportunidade de uma das campanhas de campo foi observado, em vários trechos, após o município de Brejo Grande, no sentido da foz, o enrocamento das margens associado ao desenvolvimento de uma nova vegetação o que não deixa de ser uma forma de controlar a erosão, oportunizando o reaparecimento da vegetação nativa. No povoado Serrão, município de Ilha das Flores, observou-se outros enrocamentos construídos pela CODEVASF, onde o talude íngreme medindo, aproximadamente, cinco metros de altura, abriga bananeiras, coqueiros e outras vegetações à beira, com o talvegue muito próximo à margem. Na faixa de praia estreita, o lixo encontra-se espalhado nas encostas enrocadas. A CODEVASF também vem pleiteando junto à PETROBRÁS recursos para a execução de dez projetos ambientais para melhoria da qualidade de vida dos ribeirinhos residentes nos vinte e oito (28) Municípios onde o órgão atua no Estado de Sergipe, todos beneficiando o Baixo São Francisco, dentre eles: reflorestamento das margens, revitalização do rio, plantio de árvores com viveiros de mudas, hortas comunitárias, 135 peixamento, preservação do rio, canteiros de mudas, implantação de tanques de rede ao longo do rio abrangendo do município de Poço Redondo até a foz, projeto do plantio da várzea de arroz nos assentamentos, etc. As ações da CODEVASF se constituem um indicador importante, pois trabalha aspectos sócio-econômicos-ambientais do Baixo São Francisco, através dos programas e projetos desenvolvidos visando melhorias para a população sendo fácil o entendimento dos seus objetivos e tangíveis uma vez que já estão em efetivação buscando o desenvolvimento sustentável da região. g. Fiscalização do IBAMA (nº ocorrências) O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais e Renováveis IBAMA, Gerência Executiva em Sergipe, atua no Baixo São Francisco objetivando o ordenamento pesqueiro, através da disciplina e organização da pesca, em cumprimento à Portaria IBAMA nº 059/03. De acordo com o Relatório do defeso da piracema no Rio São Francisco 2003/2004, as linhas de ações são respaldadas na prevenção, baseada na informação aos pescadores e demais usuários ribeirinhos no que concerne à divulgação da Portaria do defeso e numa linha mais de coibição, a fiscalização ostensiva em todo o baixo curso do rio, de Canindé de São Francisco até a foz, lado sergipano e alagoano, envolvendo as lagoas marginais (onde o peixe se reproduz) e os principais pontos (coleta) de desembarque pesqueiro (Brejo Grande e Ilha das Flores). A tabela 31 apresenta os dados estatísticos das fiscalizações realizadas no Baixo São Francisco, no período de 1º de dezembro de 2003 a 30 de março de 2004, época do defeso da piracema. 136 TABELA 31 – Dados estatísticos do período da piracema no Baixo São Francisco (2003/2004). Operações/Ocorrências Autos de infração lavrados Transporte ilegal pescado (Propriá) Comércio ilegal (Propriá) Quantidades e valores 02 R$ 10.700,00 R$ 980,00 Notificações 04 Termos de Apreensão 02 Apreensão de peixes (**) Peixes devolvidos ao rio Operações Horas navegadas Fonte: DICOF/IBAMA, (2004). 1.028 Kg 38 (emalhados nas redes apreendidas) 16 ( 64 dias de operações) 288 h. (**) Da quantidade de peixe apreendida 528 Kg foram doados aos desabrigados pelas enchentes (janeiro e fevereiro de 2004), através da prefeitura do Município de Poço Redondo e 500 Kg aos desabrigados do Município de Porto da Folha, através da Igreja. Os resultados dos autos de infração, notificações e termos de apreensão registrados denotam que o grau de conscientização do pescador com relação ao período da piracema melhorou bastante. As operações nesta época se tornam intensivas e tem dado bons resultados, conforme apresentado pelos valores nos relatório de fiscalização do IBAMA em anos anteriores. O material de pesca apreendido somente é resgatado mediante pagamento de multa e permanecem confinados na Gerência Executiva do IBAMA em Aracaju. Os Municípios ribeirinhos fiscalizados foram, Brejo Grande, Ilha das Flores, Santana do S. Francisco, Neópolis, Propriá, Telha, Amparo do S. Francisco, Canhoba, Nossa S. de Lourdes, Porto da Folha, Poço redondo e Canindé do S. Francisco. Como atividade complementar o IBAMA executa o monitoramento dos principais pesqueiros (pontos de pesca no rio). Conforme informações do chefe da Divisão de Fiscalização do IBAMA em Sergipe, “o trabalho de fiscalização abrange a fauna estuarina, marinha e silvestre, sendo mais intenso na região da foz, de Brejo Grande a Neópolis”. As operações são concentradas na caça predatória e comércio de animais silvestres na região da caatinga e regiões fronteiriças dos Estados da Bahia e Alagoas. Essas operações são realizadas com o apoio da Polícia Federal e ambiental, e tem inibido o crescimento do comércio. 137 No âmbito da fiscalização da flora na região, o IBAMA concentra as ações, especialmente, no desmatamento de áreas de preservação permanentes (APP´s) como as matas ciliares. De acordo com o economista, está em fase de estudo desde o ano de 2003, em Brasília, a definição de uma área de proteção ambiental (APA) na foz do rio, com a participação de ONG´s que já defendem a idéia há mais tempo, universidades e ambientalistas que solicitaram o apoio do IBAMA, como forma de sustentação da área. Outras operações menores se referem à poluição hídrica que devido à demanda de trabalhos, são fiscalizadas pela ADEMA, sendo que, não há registro da sua atuação no Baixo São Francisco ultimamente. O IBAMA também administra a estação de alevinos no Município de Neópolis, no Projeto de Irrigação Betume, com a reprodução de espécies exóticas já adaptadas e nativas do Rio São Francisco. Nesta estação de alevinos e em outras áreas como Pacatuba onde se pratica a piscicultura, as espécies nativas que melhor se adaptaram foram a traira (Hoplias malabaricus), piaba, xira (Haemulon auroline), surubim (Pseudoplatystoma coruscans), dourado (Coryphaena hippurus) e fidalgo e espécies exóticas mais freqüentes são o tambaqui (Colossoma macropomum), carpa (Cyprimus carpio) e tilápia (Oreochromis niloticus) (Brasil, 1998b) e (PAE, 2004). Vale ressaltar que o IBAMA, através do Núcleo de Educação Ambiental desenvolve um trabalho cujo objetivo é a participação dos cidadãos, individual ou coletivamente, na gestão dos recursos ambientais tomando como ponto de partida a realidade sócio-ambiental vivenciada pelas comunidades tendo como atores os agricultores rurais, usuários dos recursos pesqueiros e grupos sociais afetados por impactos ambientais. Atua organizando espaços para dialogar com os usuários dos recursos ambientais envolvidos no processo de gestão, conjuntamente com o poder público e os movimentos sociais, na perspectiva de se construir uma nova relação produzindo plano de ação e projetos, com prioridades estabelecidas pelos grupos trabalhados. A sua atuação é nas Unidades de Conservação e seu entorno, nas comunidades litorâneas, sertão sergipano e em todo o Estado de Sergipe. As ações do IBAMA no Baixo São Francisco são indicadores de grande relevância de fácil obtenção e medição e trabalham no sentido da coibição dos atos impactantes promovidos pela população, contribuindo para a sua conscientização, orientando para ações que culminem na sustentabilidade do uso e preservação dos recursos naturais da região, sendo que para melhor efetividade das ações o órgão deve disponibilizar de mais recursos humanos e tecnológicos. 138 h. Ações da Agência Nacional de Água (ANA) – regulação e execução do Plano Nacional de Recursos Hídricos e implantação da Lei das Águas (9.433/97) (nº) A Lei Federal Nº 9.433/97, Lei das Águas, estabelece os instrumentos que possibilitam a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos. Dentre eles os Planos de Recursos Hídricos onde se destacam o Plano Nacional de Recursos Hídricos e o Plano de Recursos Hídricos por Bacia Hidrográfica. O Plano Nacional de Recursos Hídricos é um plano estratégico que estabelece diretrizes gerais sobre os recursos hídricos do País. A sua elaboração constitui-se em um processo técnico, político e social e de construção permanente (MMA/SRH, 2003). O Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica é um instrumento de planejamento local onde se encontram definidas a conservação, recuperação e utilização dos recursos hídricos da bacia facilitando o uso mais organizado das águas. Foram realizadas rodadas de discussões, encontros e reuniões por regiões fisiográficas da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, no período de 11 a 20 de março de 2004, com a finalidade de reunir propostas para orientar os trabalhos de elaboração do Plano de Recursos Hídricos da Bacia. Segundo o Secretário Executivo do CBHSF, a intenção foi de elaboração de uma proposta com a participação dos diversos segmentos envolvidos do Alto, Médio, Sub-Médio e Baixo São Francisco. A elaboração do Plano Decenal de Recursos Hídricos da Bacia foi concretizada envolvendo técnicos da Agência Nacional de Água (ANA), do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e membros integrantes do CBHSF, que se reuniram durante dois dias, no mês de março de 2004, na sede da ANA e promoveram consultas públicas em diversas cidades das regiões fisiográficas, sendo a do Baixo São Francisco realizada no dia 21 de maio de 2004, na cidade de Aracaju/SE. O Plano deverá orientar as ações prioritárias para o rio São Francisco entre os anos 2004 e 2013 e será submetido para aprovação do seu texto final em reunião plenária que será realizada na cidade de Juazeiro/BA, em junho de 2004. As ações prioritárias do Plano constarão de enquadramento do rio e seus afluentes em classes de uso, a navegação, as prioridades e critérios para a alocação de água na bacia, demandas de águas atuais e futuras, as disponibilidades hídrica ao longo do rio, os critérios gerais para a cobrança pelo uso da água e lançamento de efluentes, o planejamento da gestão participativa e descentralizada dos recursos hídricos da bacia e o plano de investimentos para a revitalização hidroambiental (ANA, 2004). 139 O Grupo de Trabalho criado para a elaboração do Plano é formado por técnicos da Agência Nacional de Águas (ANA), representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF), da CHESF e dos órgãos gestores de recursos hídricos e dos estados integrantes da Bacia do Rio São Francisco. Apesar dos benefícios, e de desempenhar um papel importante a Agência Nacional de Água, através dos seus representantes, quando da sua participação em reuniões e audiências públicas, poderia ser mais clara nos seus objetivos, usando de linguagem acessível à população local, adotando metodologias que realmente atendam aos interesses dos ribeirinhos. Esse documento se constitui em um indicador sócio-econômico-ambiental de grande relevância que ajudará, através da efetividade de suas ações, buscar a sustentabilidade para a bacia com o uso racional das suas águas. i. Ações da Superintendência Recursos Hídricos (SRH/SE) – órgão gestor - Plano Diretor de Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas dos rios Gararu, Salgado, Jacaré, Pilões e Betume e Atlas Digital sobre os Recursos Hídricos de Sergipe (nº) A Superintendência de Recursos Hídricos (SRH) é um órgão estratégico de governo e está diretamente subordinado ao Ministério do Meio Ambiente, responsável pela Política Nacional de Recursos Hídricos, juntamente com o Conselho Nacional de Recursos Hídricos exercendo o papel de Secretaria Executiva do Conselho, e também responsável pela coordenação do Plano Nacional de Recursos Hídricos. A elaboração do Plano Diretor de Recursos Hídricos das bacias hidrográficas dos rios Gararu, Salgado, Jacaré, Pilões e Betume, contribui sobremaneira para a sustentabilidade regional tendo em vista priorizar a exploração racional dos recursos naturais e no uso das águas. O Plano Diretor foi elaborado partindo do processo de avaliação ambiental da região das bacias, contemplando a avaliação da qualidade ambiental atual; avaliação dos usos do solo atuais; identificação e análise de atividades impactantes nas bacias; descrição dos impactos associados às atividades já citadas; potencialidades e limitações das bacias hidrográficas, conclusões e recomendações para mitigar os impactos identificados (PBHSF, 2004). 140 A Secretaria de Estado do Planejamento e da Ciência e Tecnologia/SEPLANTEC através da Superintendência de Recursos Hídricos/SRH concluiu, recentemente, o Atlas Digital sobre os Recursos Hídricos de Sergipe, um grande avanço para a política de recursos hídricos estadual e nacional, pois representa um primeiro passo para a implantação do Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos, ferramenta primordial para o planejamento da gestão desses recursos no território sergipano. Esse documento é um dos principais instrumentos técnicos do PAE por integrar o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos, e essencial para o apoio à decisão para os participantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. As ações da Secretaria de Recursos Hídricos/SRH constituem-se em um indicador de resposta de grande relevância, de fácil compreensão e tangível por priorizar as ações que serão desenvolvidas como a revitalização dos afluentes das bacias e seu entorno já que os impactos sofridos pelos tributários se refletem também na bacia principal e por visar a gestão competente dos recursos hídricos no Estado de Sergipe, ações simples dependentes apenas de vontade política institucional. j. Conclusão do Relatório Final da Comissão de Acompanhamento do Projeto de Revitalização do rio São Francisco do Senado Federal (nº) O Programa de Revitalização da Bacia hidrográfica do Rio São Francisco, está sendo elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, Agência Nacional de Águas e Ministério da Integração Nacional. Na mesma linha de elaboração do Plano de Recursos Hídricos da Bacia, o Programa está sendo trabalhado por meio de rodadas de discussões nas regiões fisiográficas, objetivando envolver os segmentos sociais existentes na bacia, para a coleta de sugestões, contribuições e críticas para sua elaboração final. O Programa tem como premissa conceitual a implantação do desenvolvimento sócio-ambiental na bacia, usando como eixos norteadores a transversalidade e o controle social. Para o Baixo São Francisco o eixo norteador, ou seja, a vocação da região é o ecoturismo que foi considerado a prioridade regional e aglutinará outras intervenções como atividades tipo a exploração da prática de esportes náuticos e pesca esportiva. O desafio maior se constitui na resolução dos principais problemas da região como o assoreamento, erosão, degradação ambiental, conflitos diversos, escassez de água, 141 saneamento básico, entre outros que estão contemplados no Plano por serem problemas comuns à todas as regiões fisiográficas e abordados em todas as discussões (MMA/SRH, 2003). As ações mais importantes para o Baixo São Francisco correspondem à exploração do ecoturismo como eixo da economia sustentável, criação de um pólo ambiental entre os Municípios de Penedo (AL) e Neopólis e criação de uma unidade de conservação ambiental na foz. As ações a serem implementadas pelo programa objetivam estimular a produção na Bacia. Por ocasião da plenária da I Rodada de Discussão, realizada na cidade de Maceió-AL, no período de 11 a 12 de março de 2004, foi apresentado por técnicos do Ministério do Meio Ambiente/MMA e Agência Nacional de Água/ANA, o Plano de Recursos Hídricos da bacia e que oportunizou a discussão em grupos (formados por representantes das três esferas do poder público, da sociedade civil e usuários da água). A discussão em torno da revitalização da bacia culminou com a elaboração de propostas para as ações apresentadas, dentre elas, acrescentar à sustentabilidade sócio-ambiental a econômica; discussão da revitalização das nascentes e foz; criação de instrumento de fortalecimento da revitalização da bacia , plano nacional de micro-bacias; ações para recuperação da biodiversidade do Baixo São Francisco (como componente); deixar claro no organograma o papel do gestor. Muitas outras propostas foram feitas enfocando a sustentabilidade do Baixo São Francisco. Na oportunidade, foi discutido o não cumprimento do Governo Federal ao conteúdo do Art. 29 da Carta Magna de 1946, atualmente ressuscitado pela Proposta de Emenda Constitucional - (PEC) Nº 27 de 08 de agosto de 2001. A PEC-27 institui o Fundo para a Revitalização Hidroambiental e o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do São Francisco para o custeio de programas e projetos governamentais de recuperação ambiental da bacia, seus afluentes e entorno. O Fundo será alimentado com recursos na ordem de 0,5% da receita de impostos da União, para o período de vinte anos. O Plano de Revitalização da Bacia, corresponde aos critérios exigidos a um indicador eficiente, pois avaliará a melhoria das condições sociais, econômicas e ambientais da região, através de ações simples e eficazes e bastante tangíveis. 142 l. Conclusão do Relatório Final do Programa de Ações Estratégicas (PAE) para a BHSF (nº) O Programa de Ações Estratégicas para o Gerenciamento Integrado da Bacia do Rio São Francisco e da sua Zona Costeira (PAE) em sua versão final, foi a última etapa do Projeto de Gerenciamento Integrado das Atividades Desenvolvidas em Terra na Bacia do São Francisco, elaborado pela ANA, GEF, PNUMA e OEA e aprovado pelo Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF), em 1998. O Programa foi elaborado no período de julho a novembro de 2003, a partir de um Diagnóstico das Ações na Bacia (DAB), com a participação dos segmentos da sociedade civil, do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco e representantes do poder público federal, estadual e municipal, também na linha de discussões através de reuniões plenárias e fóruns para coletar sugestões e críticas do público que atingiu 12 mil pessoas e 404 instituições atuantes na bacia. No mês de outubro de 2003, as ações estratégicas propostas, após analisadas Pelo Grupo de Trabalho do Comitê da bacia do São Francisco, foram aprovadas pelo Comitê dando seqüência e legitimação à sua elaboração final (PAE, 2004). A elaboração do Relatório Final do Programa de Ações Estratégicas é de fundamental importância para o aperfeiçoamento do processo de melhoria ambiental da bacia e sua zona costeira, visto que caminha para a implementação de um modelo de gerenciamento integrado ajustado ao cenário atual da bacia. O Programa será acompanhado e executado pela Agência Nacional de Água, responsável pela qualidade técnica. A participação do PNUMA como agência implementadora do GEF, em cooperação com a OEA, como agência executora do PNUMA assegurando o desenvolvimento do Programa conforme as normas administrativas e financeiras exigidas pelo GEF. O papel do Comitê da bacia Hidrográfica do São Francisco como parceiro, será o acompanhamento da efetivação das ações que subsidiarão suas tomadas de decisões. Para isso, a agenda de execução do Programa será priorizada, primeiramente, para o Comitê. Para o monitoramento e avaliação da execução das ações estratégicas o PAE recomenda que seja aprovado um modelo que contemple indicadores de desempenho de desembolsos e avanços do Programa; indicadores de desempenho das instituições parceiras quanto ao planejado e ao desenvolvido; indicadores de performance de gestão e indicadores de desempenho técnico das ações e das atividades. Esse monitoramento 143 deverá ser apresentado em relatórios trimestrais para a apreciação do Comitê Diretor do Programa, em reuniões periódicas. A elaboração do PAE é, portanto, um indicador de sustentabilidade para o Baixo São Francisco, tangível e de fácil compreensão, pois contempla ações, não só para minorar os efeitos da degradação ambiental em grande avanço, mas ações voltadas à gestão integrada dos recursos naturais, melhorando os aspectos econômicos e sociais da região. m. Ações das Organizações Não-Governamentais – ONG´s (nº) Os Organismos não Governamentais que se fazem presentes na região do Baixo São Francisco são entidades sergipanas e alagoanas que atuam na linha da educação ambiental, buscando sensibilizar e conscientizar a população ribeirinha para o desenvolvimento de ações de preservação ambiental através da mudança de hábitos que muitas vezes ajudam na degradação da área. É difícil trazer as pessoas para a realidade quando sequer se dispõe da infra-estrutura básica, direito de todos, como saneamento ambiental, conforme mostra a situação das zonas urbana e rural no Baixo São Francisco. Mesmo assim, as iniciativas das ONG´s incorporam atividades ambientais, sociais e econômicas buscando a melhoria da qualidade de vida dos ribeirinhos. A Sociedade Socioambiental do Baixo São Francisco “Canoa de Tolda”, seguindo essa linha, segundo o seu presidente, “assiste e coordena instituições para que desenvolvam trabalhos de conscientização junto à comunidade ribeirinha para irrigar e repovoar as margens do rio além da produção de filmes com conteúdos semelhantes, e ainda, mantém articulações com universidades públicas e privadas objetivando dar continuidade as ações”. A Associação de Moradores de Propriá/SE, UDICAMP, desenvolve campanhas educativas junto à população para evitar a disposição do lixo nas margens do rio, trabalhos com crianças e adolescentes de recolhimento do lixo, além de projetos de capacitação de emprego e renda. A APA de Piaçabuçu atua na área costeira e uma parte do Baixo São Francisco desenvolve ações de controle do defeso do camarão, controle da piracema, fiscalização da região em conjunto com o IBAMA gerência executiva de Alagoas. Segundo Bruno Cabral, responsável pela APA, foi enviado um Projeto de Gestão Participativa de Recursos Pesqueiros para o Fundo Nacional do Meio Ambiente, em 2002, mas não foi 144 aprovado. Outro Projeto foi enviado à Petrobrás para balizamento de uma área para uma nova estratégia de recursos pesqueiros específicos do camarão, em 2003, sem resposta até o momento. A APA é área de desova de tartarugas que aparecem enganchadas nas redes de pescaria. Uma parceria foi feita com o Projeto TAMAR para capacitação ao pescador de ressuscitamento (massagem) às tartarugas. A Associação “Olha o Chico”, também com sede em Piaçabuçu, desenvolve ações sociais como saraus aos sábados com músicas, poesias, teatro, etc. e programa em emissoras de rádio aos domingos, para conscientização da comunidade. As ações desenvolvidas pelos Organismos não Governamentais no Baixo São Francisco se constituem em indicadores de respostas para a sustentabilidade da região, de fácil obtenção pois se materializa através de pequenas ações complementares que resultam em excelentes resultados, podendo ser adotado e utilizado ao longo dos anos, pois há muito que ser feito pela conservação da bacia e seu entorno. 145 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS As aspirações acadêmicas e o desejo de contribuir para o resgate da qualidade de vida e da cidadania das populações ribeirinhas no Baixo São Francisco, por meio da geração de informações que venham subsidiar a sua recuperação ambiental, impulsionaram a realização dessa pesquisa. É fato que as políticas desenvolvimentistas, ultrapassadas, adotadas em diversas regiões da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco caminham na contra mão do almejado desenvolvimento sustentável. É fato, também, que o progresso não pode estacionar, sob pena de interromper o ciclo evolutivo do homem, que está diretamente ligado ao desenvolvimento econômico e tecnológico das nações. A constatação dos fatos é bastante nítida quando são observados os impactos sócio-econômicos-ambientais resultantes destas políticas de agravo ao meio ambiente e exclusão social na região do Baixo São Francisco. Esses impactos negativos abrangem todo o Baixo e a zona costeira e são identificados através de alterações na ictiofauna, na biodiversidade, no regime hidro sedimentológico e geomorfólógico do rio que se fazem visíveis pela presença do processo erosivo acelerado nas margens. A construção de indicadores ambientais para o estudo do processo erosivo marginal no Baixo São Francisco, se constitui em uma ferramenta de grande importância para a condução de Programas que trabalham no sentido da revitalização da bacia. Não há registros de trabalhos especificamente nessa linha de ação envolvendo a erosão marginal. Entretanto, um dos caminhos mais lógico e viável para a diminuição do passivo ambiental acumulado na área estudada, é, sem dúvida, o emprego de indicadores de sustentabilidade. Os indicadores construídos estão relacionados entre si, haja vista, os impactos acontecerem formando uma cadeia causal interligada à problemática da erosão marginal. Foram identificados trinta indicadores que permitirão a avaliação dos impactos das ações naturais e antrópicas de ocorrência na área, e ajudarão, sobremaneira, na gestão integrada dos recursos naturais do Baixo São Francisco, conforme recomendação do Programa de Ações Estratégicas para o Gerenciamento Integrado da Bacia do Rio São Francisco e sua Zona Costeira. Esses indicadores poderão contribuir tanto em nível local como regional ou global, para a tomada de decisões gerenciais a partir do monitoramento da evolução do processo de degradação ambiental, servindo, sobretudo, 146 como instrumentos de educação ambiental à luz das metas e ações recomendadas pela Agenda 21. A implementação das ações para a recuperação hidroambiental da bacia é o que se espera para um ecossistema “Rio São Francisco” ostensivamente degradado. Resta então, uma grande disposição de luta nas dimensões politico-ambientais, para que se tenha mais que a boa vontade política dos “tomadores de decisão”. Destaca-se a importância de vencer as adversidades dos órgãos competentes para um novo modelo de gestão dos recursos naturais, nas dimensões administrativas e de operacionalização das necessárias ações, para então iniciar um diálogo em linguagem comum, juntos resgatando a cidadania dos ribeirinhos e lhes proporcionando qualidade de vida digna nesta e nas muitas gerações que virão quando então se terá uma sociedade, quiçá, mais organizada, justa, igualitária e sustentável. 147 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Informação e documentação – referências – elaboração – NBR 6023. Agosto/2002. 24p. _______ - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Informação e documentação – citações em documentos – apresentação – NBR 10520. Agosto/2002. 7p. ACSELRAD, H. Discursos da sustentabilidade urbana. 1999. In: OLIVEIRA, N. Indicadores de sustentabilidade: experiência na comunidade de entorno do Refúgio de Vida Silvestre banhado dos Pachecos. 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( ) SIM ( ) NÃO 4 – O senhor tem conhecimento sobre erosão na margem do rio? ( ) SIM ( ) NÃO. Em caso afirmativo, qual? 5 – Na sua opinião, o que está causando a erosão nas margens do rio São Francisco? 6 – Quais medidas devem ser tomadas para solucionar o problema? 164 7 – O senhor acha que a presença da vegetação na margem do rio pode conter a erosão? ( )SIM ( ) NÃO. Por que? 8 – O senhor acha que as mudanças na margem do rio tem afetado a vida dos ribeirinhos? ( ) SIM ( ) NÃO Em caso afirmativo, como isto tem ocorrido? COM RELAÇÃO À PESCA: 1) A quantidade de peixes pescados aumentou ou diminuiu? Por quê? 2) Se pescador, que distância o senhor tem que percorrer para encontrar os peixes? 3) Quais as espécies que o senhor mais pesca? 4) Na sua opinião, desapareceu(ram) alguma(s) espécie(s) de peixe(s) do rio? Qual?(is)? 5) Hoje dá para sobreviver apenas pescando no São Francisco? Por quê? COM RELAÇÃO À NAVEGAÇÃO: 1) Na sua opinião, as mudanças ocorridas no rio, nos últimos anos, influenciou na navegação? SIM ( ) NÃO ( ). Caso sim, de que forma? 2) Os bancos de areia que apareceram no rio dificultam a navegação? SIM ( ) NÃO ( ). Caso sim, de que forma? 3) Que formas alternativas o Senhor teria para a navegação voltar a funcionar como antes? COM RELAÇÃO À CONSTRUÇÃO DAS BARRAGENS: 1 – O senhor acha que a construção das barragens influenciou nas mudanças que tem passado o rio durante os anos? ( ) SIM ( ) NAO. Caso sim, de que forma? E quais as mudanças decorrentes disso? 2) Quais os benefícios para a população e para o rio trazidos pelas barragens? 3) Quais os malefícios provenientes da construção de barragens? 165 COM RELAÇÃO À REVITALIZAÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO: 1) O Senhor já ouviu falar em revitalização? SIM ( ) NÂO ( ) Caso sim, o que o Senhor entende por revitalizar? 2) O Senhor acha que a revitalização do baixo São Francisco irá trazer benefícios para a população e para o rio? SIM ( ) NÃO ( ). Caso sim, em que sentido? 3) Quais as ações que, o Senhor (a) acha, ajudariam a revitalizar o rio? COM RELAÇÃO AO COMITÊ DA BACIA 1) O Senhor(a) já ouviu falar no Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco? ( )SIM ( ) NÃO. Em caso afirmativo, através de quê? ( ) jornal ( ) televisão ( ) associação ( ) reunião ( ) palestras ( ) manifestação ( ) escola ( ) outros. Qual (is)?___________________________________________ 2) Como o senhor(a) acha que o Comitê pode ajudar para melhorar a situação atual do baixo São Francisco? COM RELAÇÃO AO IMPACTO AMBIENTAL E ASSOREAMENTO NO RIO 1) O Senhor(a) sabe o que significa impacto ambiental? ( )SIM ( ) NÃO. 2) Em caso afirmativo, qual (is) o (s) maior(es) impacto(s) ambiental(is) causado(s) ao rio? Por quê? 3) O que o senhor(a) acha que pode ser feito para diminuir ou melhorar esse(s) impacto(s)? 4) O senhor (a) sabe o que é assoreamento? ( ) SIM ( ) NÃO. 5) Em caso afirmativo, o que acha que causa o assoreamento do rio? 6) Quais os efeitos ruins ( negativos) do assoreamento? 7) Como o senhor(a) acha que pode ser resolvido esse problema do assoreamento? 166 ANEXO 2 ROTEIRO DE ENTREVISTA APLICADA EM ÓRGÃOS PÚBLICOS E À SOCIEDADE CIVIL Órgão: Local: Data: Nome do entrevistado: Função/Cargo: 1) O órgão desenvolve algum projeto e/ou programa no baixo São Francisco? Em caso afirmativo, qual(is)? e qual(is) o (s) objetivo (s) ? 2) Quais as ações desenvolvidas pelo órgão que buscam melhorar a qualidade de vida da população ribeirinha? 3) E do rio? 4) Qual a posição do órgão com relação à revitalização do rio? 5) Qual a posição do órgão com relação à transposição do rio?