UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ Denise Ienk Ferreira ASPECTOS QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS DA VOZ NA TERCEIRA IDADE Curitiba 2007 Denise Ienk Ferreira ASPECTOS QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS DA VOZ NA TERCEIRA IDADE Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre, Curso de Distúrbios da Comunicação, Setor de Fonoaudiologia, Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Tuiuti do Paraná. Orientador: Prof.ª Dra. Maria Inês Rebelo Gonçalves Curitiba 2007 ii TERMO DE APROVAÇÃO Denise Ienk Ferreira ASPECTOS QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS DA VOZ NA TERCEIRA IDADE Esta dissertação foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Mestre em Distúrbios da Comunicação no Curso de Mestrado da Universidade Tuiuti do Paraná. Curitiba, 08 de março de 2007. Coordenadora Profª. Dra. Bianca Simone Zeigelboim Coordenadora do Programa de Mestrado e Doutorado em Distúrbios da Comunicação Universidade Tuiuti do Paraná Orientadores: Profa. Dra. Maria Inês Rebelo Gonçalves UTP Profa. Dra. Noemi Grigoletto De Biase UNIFESP Kelly Cristina Alves Silvério UTP iii Dedico esta pesquisa aos idosos do grupo da Terceira Idade do SESC – Ponta Grossa/PR que possibilitaram tão generosamente o aprendizado de “observar” muito mais do que critérios de inclusão ou exclusão, “escutar” muito mais do que parâmetros de análise perceptivo-auditiva e “analisar” muito mais do que espectrogramas e laringoscopias. iv AGRADECIMENTOS À Profª. Dra. MARIA INÊS REBELO GONÇALVES pelo incentivo, simpatia e auxílio na concretização deste trabalho, certamente sua dedicação e paciência foram essenciais para a finalização da pesquisa. Ao Prof. Dr. EVALDO DAUCHEX DE MACEDO FILHO pela sugestão do tema e pelo seu espírito inovador e empreendedor na tarefa de conduzir-me na pesquisa, permitindo que eu amadurecesse a pesquisadora que jamais imaginei ser. Ao Prof. Dr. JAIR MENDES MARQUES por sua colaboração fundamental na análise estatística dando significado e clareza aos dados coletados. Às secretárias do mestrado, LUCIANA OLIVEIRA e SOLANGE KMETIUK, pela dedicação e carinho com que realizam seu trabalho. Ao Dr. RAFAEL FRANCISCO DOS SANTOS pela presença amiga e colaboração sem limites na realização das laringoscopias e pela confiança que deposita diariamente em minha atuação profissional. À PATRÍCIA STUNITZ por permitir minha entrada e pesquisa no SESC Ponta Grossa oferecendo as melhores condições para a coleta de dados. À minha família e amigos pelo apoio incondicional e pela paciência ao tolerar minha ausência. Aos colegas de classe pelos momentos de descontração, apoio e troca de experiências enriquecedoras. À minha secretária ROSELI MOREIRA GONÇALVES por estar sempre presente, cuidando e organizando meu trabalho como se fosse dela. v SUMÁRIO LISTA DE TABELAS LISTA DE QUADROS LISTA DE GRÁFICOS LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................... 1 2 REVISÃO DE LITERATURA................................................................... 3 2.1 ENVELHECIMENTO................................................................................... 3 2.1.1 Aspectos perceptivo-auditivos do envelhecimento vocal.............................. 4 2.1.2 Aspectos acústicos do envelhecimento vocal................................................ 6 2.1.3 Aspectos laringoscópicos do envelhecimento vocal ..................................... 7 3 PACIENTES E MÉTODOS ....................................................................... 11 3.1 PACIENTES.................................................................................................. 11 3.1.1 Caracterização da amostra ............................................................................. 12 3.2 MÉTODOS .................................................................................................... 13 3.2.1 Entrevista ....................................................................................................... 13 3.2.2 Gravação da voz ............................................................................................ 14 3.2.3 Análise perceptivo-auditiva da voz ............................................................... 14 3.2.4 Análise acústica da voz.................................................................................. 15 3.2.5 Avaliação laringoscópica............................................................................... 19 3.2.6 Análise estatística .......................................................................................... 20 4 RESULTADOS ............................................................................................ 21 4.1 Entrevista ....................................................................................................... 21 4.2 Protocolo de qualidade de vida e voz (QVV) ............................................... 22 4.3 Análise perceptivo-auditiva........................................................................... 23 4.4 Análise acústica ............................................................................................ 29 4.5 Avaliação laringoscópica............................................................................... 33 4.6 Caracterização dos grupos com queixa e sem queixa vocal.......................... 34 5 DISCUSSÃO ................................................................................................ 37 5.1 Entrevista ....................................................................................................... 37 vi 5.2 Protocolo de qualidade de vida e voz (QVV) ............................................... 39 5.3 Análise perceptivo-auditiva........................................................................... 40 5.4 Análise acústica ............................................................................................ 43 5.5 Avaliação laringoscópica............................................................................... 46 6 CONCLUSÃO.............................................................................................. 49 7 APÊNDICES ................................................................................................ 50 8 REFERÊNCIAS........................................................................................... 66 vii LISTA DE TABELAS TABELA 1 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA E O SEXO (N=60) ........................................... 11 TABELA 2– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM AS DIFICULDADES VOCAIS CITADAS (N=10) ........................... 21 TABELA 3– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A GRADUAÇÃO DO PARÂMETRO (G) DE 0 A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). (N=60) ........................................................................................... 24 TABELA 4– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A GRADUAÇÃO DO PARÂMETRO (I) DE 0 A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). (N=60) ........................................................................................... 25 TABELA 5– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A GRADUAÇÃO DO PARÂMETRO (R) DE 0 A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). (N=60) ........................................................................................... 26 TABELA 6– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A GRADUAÇÃO DO PARÂMETRO (B) DE 0 A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). (N=60) ........................................................................................... 27 TABELA 7– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A GRADUAÇÃO DO PARÂMETRO (A) DE 0 A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). (N=60) ........................................................................................... 28 TABELA 8– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A GRADUAÇÃO DO PARÂMETRO (S) DE 0 A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). (N=60) ........................................................................................... 29 viii TABELA 9 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA FEMININA DE ACORDO COM OS VALORES DE F0 OBTIDOS. (N=47) ........................ 30 TABELA 10 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA MASCULINA DE ACORDO COM OS VALORES DE F0 OBTIDOS. (N=13) ........................ 31 TABELA 11– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A GRADUAÇÃO DOS HARMÔNICOS DURANTE A EMISSÃO DA VOGAL /E/. (N=60) ............................................ 32 TABELA 12 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM OS VALORES OBTIDOS PARA O HARMÔNICO SUPERIOR NO SEXO FEMININO(N=47) ..................................................... 55 TABELA 13 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM OS VALORES OBTIDOS PARA O HARMÔNICO SUPERIOR NO SEXO MASCULINO (N=13) ................................................ 56 TABELA 14– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A CONFIGURAÇÃO DA FENDA GLÓTICA APRESENTADA NA AVALIAÇÃO LARINGOSCÓPICA. (N=7) ......................... 33 TABELA 15– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM O TIPO DE LESÃO ENCONTRADA OU AUSÊNCIA DA MESMA, EM BORDO LIVRE DAS PREGAS VOCAIS DURANTE A AVALIAÇÃO LARINGOSCÓPICA. (N=10) ............................. 34 TABELA 16 – TESTES DE DIFERENÇA DE PROPORÇÃO ENTRE OS GRUPOS COM E SEM QUEIXA DE DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (N=60) ................................................. 36 ix LISTA DE QUADROS QUADRO 1 – PROTOCOLO DE QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À VOZ, DESENVOLVIDO POR HOGIKYAN & SETHURAMAN (1999) E ADAPTADO POR MARA BEHLAU (2001) ........................................................................... 60 QUADRO 2 – DEFINIÇÃO DOS PARÂMETROS DA ESCALA GIRBAS – SEGUNDO BEHLAU et al (2001) .............................................. 62 QUADRO 3 – GRAU DE DEFINIÇÃO DOS HARMÔNICOS........................... 16 QUADRO 4 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A PRESENÇA DE DIFICULDADES AO USO INTENSO DA VOZ (N=10) .................................................................................. 57 QUADRO 5 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A AUSÊNCIA DE DIFICULDADES AO USO INTENSO DA VOZ (N=50) .................................................................................. 58 x LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 – EXEMPLO DE ESPECTOGRAMA DE DEFINIÇÃO ÓTIMA – Sexo Feminino................................................................................ 17 FIGURA 2 – EXEMPLO DE ESPECTOGRAMA DE DEFINIÇÃO BOA – Sexo Feminino................................................................................ 17 FIGURA 3 – EXEMPLO DE ESPECTOGRAMA DE DEFINIÇÃO REGULAR – Sexo masculino........................................................ 18 FIGURA 4 – EXEMPLO DE ESPECTOGRAMA DE DEFINIÇÃO RUIM – Sexo masculino .............................................................................. 18 FIGURA 5 – EXEMPLO DE ESPECTOGRAMA DE DEFINIÇÃO PÉSSIMA – Sexo masculino......................................................... 19 xi LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM O ESCORE TOTAL OBTIDO NO QVV (N=60) ............................ 23 xii LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ALT – alterado ARQ – arqueamento CEP – Comitê de Ética em Pesquisa CEP-UTP – Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Tuiuti do Paraná DEF – definição DI – discreto inferior DS – discreto superior ER – edema de Reinke FECHAM – fechamento FEM – feminino FFA – fenda fusiforme anterior FFAP – fenda fusiforme ântero-posterior FP – fenda paralela F0 – freqüência fundamental HD – hiperemia difusa HS – harmônico superior INCOMPL – incompleto MAS – masculino MS/CNS/CNEP – Ministério da Saúde/Conselho Nacional de Saúde/Comitê Nacional de Ética em Pesquisa MI – moderado inferior MS – moderado superior NL – normal N.º – número OMS – Organização Mundial de Saúde PHR – proporção harmônico-ruído QVV – Qualidade de Vida e Voz SESC – Serviço Social do Comércio SUJ – sujeito xiii TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido VDLE – videolaringoestroboscopia VHS – Video Home System (Sistema de Vídeo Caseiro) VDG – vasculodisgenesia xiv RESUMO Objetivo: avaliar as características fonatórias em indivíduos com idade superior a 60 anos buscando interpretar presença ou ausência de queixa vocal, repercussão da presença de queixa na qualidade de vida (QVV), análise perceptivo-auditiva da voz, análise acústica e avaliação laringoscópica. Métodos: Sessenta indivíduos (13 homens;47 mulheres) responderam a entrevista estruturada e ao protocolo de qualidade de vida e voz (QVV). Amostras vocais foram gravadas por meios digitais e analisadas perceptivo-auditivamente através dos parâmetros da escala GIRBAS e, acusticamente observando-se no espectrograma o grau de definição dos harmônicos, a presença de ruído e a proporção harmônico-ruído. Foi realizada videolaringoestroboscopia para averiguar o padrão de fechamento glótico, presença de lesões de massa em pregas vocais e arqueamento. Resultados: oitenta e três por cento da amostra analisada não possuía queixa vocal, nenhum indivíduo obteve escore que sinalizasse relação entre o desempenho vocal apresentado e a qualidade de vida, 85% das vozes alteradas no parâmetro (G), 72% das vozes alteradas no parâmetro (I) e no parâmetro (R), 83% das vozes alteradas no parâmetro (B), 57% das vozes alteradas no parâmetro (A) e 28% das vozes alteradas no parâmetro (S), média de 139Hz na f0 dos homens e de 191Hz nas mulheres, 22% de definição irregular dos harmônicos e 25% de presença de ruído nos espectrogramas, presença de fechamento glótico incompleto em 12% dos exames, presença de lesão em 17% dos exames e presença de arqueamento 28% dos exames. Palavras-chave: Idoso. Qualidade da voz. Qualidade de vida. Espectrografia. Estroboscopia. xv ABSTRACT: Aim: Evaluate phonatory characteristics in subjects over 60 years of age aiming at interpreting the presence or absence of vocal complaint, repercussion of complaint in quality of life (QOL), vocal perceptive-auditive analysis, acoustical analysis, and laryngoscopic assessment. Methods: Sixty individuals (13 males; 47 females) answered the structured interview and the quality of life and voice protocol. Vocal samples were recorded through digital media; perceptiveauditively analyzed through the parameters of the GIRBAS scale; and acoustically analyzed through observation in the spectrogram of the degree of definition of harmonics and the presence of noise and the harmonic-noise ratio. Videolaryngostroboscopy investigated glottal closure pattern, presence of mass lesions in vocal folds, and arching. Results: Eighty three percent of the sample analyzed did not present vocal complaints, none of the individuals had a score indicating relationship between vocal performance and quality of life, 85% of voices with alteration in parameter (G), 72% of voices with alterations in parameter (I), and parameter (R), 83% of voices with alteration in parameter (B), 57% of voices with alteration in parameter (A), and 28% of voices with alteration in parameter (S); average of 139HZ in f0 of males and of 191HZ in females, 22% of irregular harmonic definition and 25% of presence of noise in spectrograms, presence of incomplete glottal closure in 12% of the exams, presence of lesion in 17% of the exams, and presence of arching in 28% of the exams. Key Words: Aged. Vocal quality.Quality of life Spectrography. Stroboscopy. xvi 1 INTRODUÇÃO As mudanças oriundas do processo normal de envelhecimento têm sido foco constante de diversos estudos. De acordo com a definição da Organização Mundial de Saúde – OMS (1989) o envelhecimento é um processo contínuo que tem seu início na puberdade. Ele pode ser determinado socialmente, a partir do padrão cultural de cada sociedade, economicamente, pela aposentadoria e cronologicamente pela idade. Freitas et al (2002) consideraram a influência do contexto social no processo de envelhecimento. Para esses autores os diferentes valores atribuídos à temática da velhice determinam a representação cultural que cada grupo social dá ao envelhecimento. Isso agrega à ótica geriátrica questões sociais, psicológicas e éticas que norteiam as necessidades e ações direcionadas a esse grupo específico. Ramos (2003) citou a questão de capacidade funcional como um novo paradigma a ser observado quando se trata de saúde do idoso, pois apesar da prevalência de doenças crônicas muitos idosos continuam tendo uma rotina perfeitamente normal através do controle de suas enfermidades. A autonomia, ou seja, a faculdade de se governar por si mesmo, proporciona a integração social e caracteriza uma pessoa idosa como saudável. Giatti e Barreto (2003) demonstraram em estudo que um quarto dos idosos brasileiros que vivem em regiões metropolitanas trabalham e que suas condições de autonomia e mobilidade física estão diretamente ligadas à sua permanência na vida ativa. Com o surgimento desse novo quadro a comunicação dessa população torna-se fator determinante. Para que continuem ativos na sociedade e no mercado de trabalho, expressar-se e ser bem compreendido é condição imprescindível. Em pesquisa realizada por Vecchia et al (2005) a preservação dos relacionamentos interpessoais está diretamente ligada a manutenção de qualidade de vida nesse grupo etário e para isso, a comunicação é fator preditivo. Esta mudança no quadro de envelhecimento, segundo Queija e Behlau (2006), trouxe nova perspectiva sobre este grupo, surgiu a necessidade de estabelecer 2 parâmetros para identificar e compreender as implicações do processo de envelhecimento na função comunicativa. Torna-se importante considerar como o idoso percebe sua voz e como essa função se mantém ao envelhecer. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar as características fonatórias em indivíduos com idade superior a sessenta anos, considerando os seguintes parâmetros: 1. Presença ou ausência de queixa vocal; 2. Repercussão da presença de queixa vocal na qualidade de vida (QVV); 3. Análise perceptivo-auditiva da voz; 4. Avaliação acústica computadorizada da voz; 5. Avaliação laringoscópica. 2 3 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 ENVELHECIMENTO Bodachne (1998) asseverou sobre o surgimento de novas demandas médicas, institucionais e sociais que visam suportar o aumento visível da população idosa. E, apesar da inevitabilidade da senectude, ao identificar e compreender as causas do envelhecimento e suas conseqüências, é possível proporcionar benefícios a esses indivíduos . O mesmo autor reforçou a diferença entre os termos senescência e senilidade. Senescência, no sentido biológico do termo, significa velhice, envelhecimento. Já a palavra senilidade transmite a idéia de enfraquecimento intelectual, decrepitude, decadência, denota a existência de doença. Deste modo, senilidade é um termo inadequado quando se trata de envelhecimento normal e convictamente ambos não podem ser usados como sinônimos. Para Behlau, Azevedo e Pontes (2001) é imprescindível a observação das questões biológicas do envelhecimento e não só os aspectos relacionados à idade cronológica do indivíduo. Além disso é importante, para Monte, Mourão e Mota (2001), levar em consideração a variabilidade do processo de envelhecimento, pois fatores genéticos e ambientais interferem no avanço de cada indivíduo. Segundo Mitre (2003), as deficiências funcionais inerentes a esta sucessão de transformações tornam-se progressivamente aceleradas a medida que o tempo de vida do indivíduo avança, sendo que essas funções podem ou não ser imprescindíveis à manutenção da vida. Sousa, Galante e Figueiredo (2003) reforçaram a importância da busca de qualidade de vida apesar das deficiências inerentes ao processo de envelhecimento. Surge assim o idoso pró-ativo, que define objetivos a alcançar e adapta-se às mudanças. 3 4 Para Sanches e Suzuki (2003) grande parte dos idosos busca adaptar-se às mudanças e, parecem conseguir encontrar o equilíbrio. Em pesquisa realizada por Xavier et al (2003) 57% dos 219 indivíduos idosos entrevistados demonstraram satisfação em relação à sua qualidade de vida atual. A interferência das condições de vida de cada país e região foram citadas por Costa e Matias (2005) como fatores atuantes no envelhecimento da população e esses autores afirmaram que novas condições tem surgido no mundo inteiro com o objetivo de tornar a vida mais longa. Apesar do processo ser contínuo e muito mais impactante para uns do que para outros, para Oliveira e Oliveira (2005) atualmente já é visível a busca de todos os segmentos, sejam biológicos, sociais ou econômicos, para favorecer a qualidade de vida dessa população. O trabalho constante visando redimensionar os direitos e obrigações do idoso, favorece essa busca e comprova a sua importância. Segundo Soyama et al (2005) surgiu, então, a necessidade de enfrentar as modificações do processo de envelhecimento, sejam elas físicas, sociais, econômicas e psicológicas. Queija e Behlau (2006) referiram ainda que os marcadores do envelhecimento estarão sempre vinculados ao excesso de variabilidade inter-individual. Pereira et al (2006) observaram que o equilíbrio entre as diversas dimensões da capacidade funcional pode ser alcançado independentemente da presença ou ausência de enfermidades crônicas, que são tão comuns durante o envelhecimento. 2.1.1 Aspectos perceptivo-auditivos do envelhecimento vocal A investigação do comportamento vocal, segundo Behlau e Pontes (1995), busca verificar os parâmetros mais utilizados pelo indivíduo durante a sua comunicação habitual. Dentro dos procedimentos clínicos básicos empregados na avaliação vocal é fundamental ressaltar a importância e a efetividade da avaliação perceptivo-auditiva. 4 5 Colton e Casper (1996), citaram que com o avanço da idade fica mais difícil controlar a voz. É possível reter os elementos essenciais de beleza característicos do indivíduo, mas certamente o controle vocal exibido na juventude já não é o mesmo. Em análise perceptivo-auditiva realizada por Feijó, Estrela e Scalco (1998), com quarenta e dois indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos, que tinha como objetivo analisar o comportamento vocal de indivíduos sem patologias vocais, não tabagistas, não cantores, sem histórico de cirurgias na laringe e em condições de saúde geral adequadas, os autores observaram rouquidão em 37% das mulheres, contra 30% do mesmo achado nos homens. Segundo Bloch e Behrman (2001), as alterações na qualidade vocal de indivíduos idosos incluem, entre outros fatores, soprosidade, rouquidão e instabilidade. Em estudo realizado com um grupo de 40 mulheres, por Allodi e Ferreira (2001) com o objetivo de descrever do ponto de vista do fonoaudiólogo e do próprio indivíduo a percepção das mudanças vocais decorrentes da idade, 45% dos indivíduos entrevistados perceberam e relataram como principais sintomas: rouquidão, redução da extensão vocal, agravamento da voz e fadiga vocal. Na análise da qualidade vocal 35% da amostra apresentou voz rouca, sendo que apenas uma delas foi classificada como rouca severa. Numa avaliação pré e pós programa vocal realizada por Monte, Mourão e Mota (2001), com doze indivíduos com idade média de 64,1 anos observou-se, na análise perceptivo-auditiva, predomínio de alterações de grau discreto, denotando boa saúde vocal da amostra. Este fato pode ser provavelmente confirmado pela idade inferior a 65 anos da maioria da amostra associado a prática intensa de atividades físicas e vocais do grupo analisado. Para Hirano et al (2004), as alterações vocais decorrentes da idade podem ser caracterizadas, principalmente, pelos parâmetros rouquidão, soprosidade e tensão. Polido, Martins e Hanayama (2005) realizaram estudo com a participação de 100 mulheres entre 60 e 95 anos. A pesquisa tinha o objetivo de comparar perceptivoauditivamente a voz de idosas com os achados referentes a esse parâmetro encontrados na literatura e verificar a percepção do próprio envelhecimento vocal nessa população. 5 6 No parâmetro sustentação da qualidade vocal o resultado foi significativamente alterado devido a falta de percepção das entrevistadas em relação a instabilidade vocal. Queija e Behlau (2006) realizaram estudo com um grupo de 200 indivíduos acima de 65 anos, com o objetivo de investigar a auto-avaliação da voz nessa população. O problema vocal mais citado pelos indivíduos entrevistados foi a rouquidão em 12,5%, seguido de perda de voz com 7,5%. Na análise perceptivoauditiva observou-se 28,5% de vozes roucas e 19,5% de tremor vocal. 2.1.2 Aspectos acústicos do envelhecimento vocal Segundo Behlau (1999) na análise do parâmetro freqüência fundamental de idosos observou-se que a freqüência encontra-se mais aguda nos homens, devido à uma predominância de atrofia e de rigidez da mucosa das pregas vocais. Já nas mulheres, a freqüência fundamental apresenta-se mais grave pelo efeito do edema pósmenopausa e pela grande queda hormonal. Numa investigação realizada por Decoster e Debruyne (2000) observando vozes de 20 homens em dois momentos distintos, sendo o primeiro com idades entre 23,4 e 41,7 anos, e o segundo entre 52,6 e 71,9 anos, percebeu-se redução significativa da freqüência fundamental média e do desvio-padrão entre as gravações. Segundo estudo realizado por Hodge, Colton e Kelley (2001) com um grupo de onze idosos, com idades entre 68 e 85 anos, e um grupo controle de adultos jovens, com idades entre 25 e 35 anos a respeito da intensidade vocal observou diferença desse parâmetro entre os dois grupos. Esse resultado estava diretamente relacionado com as medidas de pressão pulmonar, fluxo aéreo e cociente de abertura das pregas vocais. Mitre (2003) observou que o aumento da freqüência fundamental nos homens e sua redução nas mulheres aproxima as vozes tornando-as parecidas. Vasconcellos e Behlau (2006) em estudo da intensidade em diferentes tarefas fonatórias, observaram nos 30 indivíduos com idade superior a 60 anos que a intensidade máxima é menor em 6 dB em relação à população de adultos. 6 7 Estrela, Feijó e Behlau (2006) realizaram análise acústica de 56 indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos e verificaram que a medida de desvio padrão da freqüência fundamental eleva-se com o avanço da idade. 2.1.3 Aspectos laringoscópicos do envelhecimento vocal Behlau e Pontes (1995) enunciaram que, associada às diversas mudanças percebidas no corpo, a laringe apresenta igualmente manifestações correspondentes ao envelhecimento. Mudanças anatômicas e funcionais resultam em um desempenho inferior de todo o sistema fonatório. As condições de saúde física e psicológica, além de fatores constitucionais, raciais, hereditários, sociais e ambientais de cada indivíduo determinarão o princípio e a escala de deterioração vocal. Para esses autores há dois tipos de alterações anatômicas que podem ser observadas durante o processo de envelhecimento: a calcificação e a ossificação gradual das cartilagens laríngeas e a atrofia muscular intrínseca da laringe. Para Costa e Andrada e Silva (1998) essas alterações no aparelho fonador costumam ser mais intensas na mulher, já que desde os 20 anos ocorre uma intensificação da ossificação das cartilagens laríngeas tornando-as mais rígidas e menos flexíveis. Os autores apresentaram na seqüência as mudanças musculares, que têm papel importante na redução da eficiência do sistema fonatório. A musculatura intrínseca da laringe perde sua forma, elasticidade, tonicidade e atrofia tornando mais difíceis as mudanças bruscas e sutis necessárias aos ciclos fonatórios. Ainda na mesma obra os autores asseveraram que os movimentos encontram-se diminuídos devido ao processo de artrose sofrido pelas articulações. A diminuição do colágeno limita a movimentação das cartilagens e prejudica a aproximação das aritenóides, que são indispensáveis à produção vocal. A arteriosclerose atinge progressivamente os vasos sangüíneos e o muco torna-se mais espesso e em quantidade reduzida. Segundo Ferreira (1998), as alterações que ocorrem na laringe trazem consigo mudanças significativas dos parâmetros vocais do indivíduo. 7 8 Além destas modificações, segundo Heemann e Wojciehwski (1998) há mais um fator que favorece as modificações vocais, tanto no homem como na mulher, que seriam as alterações hormonais. Para Lundy et al (1998) apesar da atrofia de prega vocal ser um dos achados mais comuns, as informações existentes são inconclusivas sobre o diagnóstico diferencial da causa de alterações vocais em idosos. Nesse estudo longitudinal realizado por Lundy et al (1998) com 393 indivíduos, com média de idade de 72,9 anos, avaliados por um período de cinco anos, houve a incidência comum de arqueamento e paralisia unilateral de prega vocal, seguidas de lesões benignas de prega vocal, tremor vocal e disfonia espasmódica. Segundo Behlau (1999) além da calcificação e ossificação das cartilagens laríngeas há indícios de que as cápsulas articulares tendem a afrouxar com a idade, fato que reduz o deslizamento das aritenóides e contribui para a incompetência glótica e a soprosidade. Para Allodi e Ferreira (2001) as pregas vocais encontram-se com sua tensão diminuída e podem apresentar arqueamento. A membrana mucosa pode estar avermelhada ou com pigmentos amarelados ou marrons. Segundo os mesmos autores podem ocorrer erosões e afinamentos das superfícies articulares, com a redução do colágeno que se verifica com a limitação da faixa de movimentação das cartilagens, arriscando a aproximação das aritenóides que, como já foi citado anteriormente, são indispensáveis na produção vocal e na diminuição do grau e extensão das pregas vocais. Com a atuação da fibrose progressiva sobre o ligamento vocal, Allodi e Ferreira (2001) apontam para a aproximação imperfeita das pregas vocais gerada por essa perda gradual da elasticidade. Algumas mudanças nos nervos da laringe também são encontradas. Segundo os mesmos autores, há declínio de fibras mielinizadas com pequenos diâmetros axonais e também redução de mitocôndrias que são essenciais para a célula nervosa. Em estudo de Bloch e Behrman (2001) com 64 indivíduos com idade superior a 60 anos, realizado com o objetivo de testar a hipótese de correlação entre arqueamento de prega vocal e presença de fenda glótica observou-se que uma alteração não garante 8 9 a presença da outra, comprovando que o arqueamento de prega vocal não pode ser considerado achado suficientemente específico para caracterização de envelhecimento vocal. Para Monte, Mourão e Mota (2001) a avaliação otorrinolaringológica realizada em doze indivíduos com média de idade de 64,1 anos, apresentou predomínio de fechamento glótico incompleto e de constrição supraglótica mediana em 75% dos casos. O edema de pregas vocais de grau discreto foi observado em 33% da amostra, apenas na população feminina. Em estudo das características histomorfométricas do nervo laríngeo superior em indivíduos idosos, realizado por Thiago et al (2002), verificou-se uma diminuição de fibras mielínicas de maior diâmetro no nervo laríngeo superior em comparação aos indivíduos mais jovens. A sensibilidade laríngea diminuída pode favorecer o aparecimento de alterações vocais e predispor à disfagia, inclusive com episódios de aspiração. As mudanças histológicas relacionadas ao envelhecimento foram mais evidentes em homens, no estudo feito por Ximenes Filho et al (2003). O estudo analisou 20 laringes e concluiu que existe correlação entre envelhecimento e redução na densidade das células epiteliais das pregas vocais. Mitre (2003) aludiu que a mucosa laríngea, seguindo o padrão da mucosa oral, necessita de mais hidratação para manter sua eficiência funcional. Durante o processo de envelhecimento é bastante comum a redução na ingestão de líquidos o que mantém a mucosa laríngea desidratada levando à redução nos movimentos muco-ondulatórios das pregas vocais. O mesmo autor citou que a diminuição no tônus e a atrofia do músculo vocal estão diretamente ligados ao aspecto edematoso, ou de flacidez associados à hidratação reduzida. Freeman (2004) sugeriu que o arqueamento ou a fraca adução das pregas vocais sejam apenas o resultado da diminuição do tônus da musculatura laríngea. Já os achados videolaringoestroboscópicos obtidos em estudo realizado por Hirano (2004) indicaram alterações decorrentes do envelhecimento tais como: 9 10 arqueamento, incompetência glótica, periodicidade e amplitude da onda mucosa reduzidas. Em análise de 210 imagens laríngeas de indivíduos acima de 60 anos, realizado por Pontes, Brasolotto e Behlau (2005) os indicativos de presbilaringe citados foram proeminência do processo vocal e alongamento da configuração da fenda glótica durante a fonação. 10 11 3 PACIENTES E MÉTODOS 3.1 PACIENTES Sessenta indivíduos com faixa etária acima de sessenta anos, falantes do português, foram incluídos neste estudo. A média de idade apresentada foi de 69,68 anos, com desvio padrão de 6,72 anos. Toda população analisada participava de grupos direcionados à terceira idade e a maioria praticava regularmente atividades físicas (48). TABELA 1 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA E O SEXO (N=60) SEXO FAIXA ETÁRIA Masculino Feminino 60 a 65 anos 4 16 66 a 70 anos 2 15 71 a 75 anos 2 7 76 a 80 anos 3 6 81 a 85 anos 2 2 86 a 90 anos 0 1 TOTAL 13 47 Os critérios de inclusão exigidos foram relacionados às condições de saúde geral adequada, ausência de distúrbios neurológicos e problemas de fala e/ou 11 12 linguagem. Foram excluídos etilistas e indivíduos que passaram por cirurgias ou traumas no aparelho fonador. 3.1.1 Caracterização da amostra A maior parte da amostra relatou presença de enfermidades como hipertensão arterial, artrite, depressão, osteoporose e problemas cardiovasculares, fato que não os excluiu do estudo já que atualmente a grande maioria dos idosos consegue manter-se ativa apesar da presença de doenças crônicas. A indicação de medicamentos de uso contínuo foi citada pela maioria da amostra. Houve incidência de tabagistas há mais de dez anos (seis indivíduos). Parte do grupo (24) apresentou queixas relacionadas à audição. Onze indivíduos referiram queixas de tosse, engasgo ou dificuldades na deglutição. Metade da população analisada nunca havia passado por avaliação otorrinolaringológica. Quanto ao grau de escolaridade houve predominância de ensino fundamental completo e incompleto e ensino médio completo. A maior parte do grupo (78%) encontrava-se aposentada. Todos os voluntários foram informados sobre a pesquisa e convidados a assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice 1). Esta pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Tuiuti do Paraná. Of. CEPUTP n.º 075/2006 protocolo da aprovação. Todos os indivíduos envolvidos consentiram na realização desta pesquisa e a divulgação de seus resultados conforme Resolução 196/96 (BRASIL. Resolução MS/CNS/CNEP n.º 196/96 de 10 de outubro de 1996, que aprova a diretriz e as normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília, 1996. 24p.). Todas as etapas da coleta de dados foram realizadas nas dependências do SESC na cidade de Ponta Grossa, Paraná. 12 13 3.2 MÉTODOS 3.2.1 Entrevista A entrevista foi realizada individualmente e em sala reservada. A técnica utilizada foi de roteiro temático estruturado, constando de 22 questões fechadas que tinham o objetivo de caracterizar a amostra e investigar queixas de alteração vocal, lembrança de voz no passado e seu estado atual, hábitos e vícios, prática de atividades físicas, uso de medicamentos e presença de distúrbios orgânicos que pudessem interferir na produção vocal (Apêndice 2). O protocolo validado QVV - Protocolo de Qualidade de Vida e Voz, proposto por Hogikyan & Sethuraman (1999) citado, traduzido e adaptado por Behlau et al (2001) também foi aplicado para relacionar as vozes dos indivíduos com sua qualidade de vida (Quadro 1 – Anexo 1). 13 14 3.2.2 Gravação da voz A amostra vocal foi coletada através do gravador HI-MD MZ-RH910 Sony acoplado ao microfone unidirecional R11-Samson CE apoiado em pedestal, posicionado em ângulo de 45 a 90º da boca do indivíduo e havia distância constante de 10cm entre a boca e o microfone. A sala utilizada para a coleta era silenciosa e o indivíduo permaneceu em pé durante a execução do protocolo. Os cuidados quanto às condições do registro da voz seguem orientações referidas na literatura por Behlau et al (2001). O protocolo de gravação compreendia a produção da vogal sustentada //, após inspiração profunda, e fala encadeada. Todas as emissões foram realizadas em níveis confortáveis de fala. O material gravado foi posteriormente selecionado de acordo com a análise científica proposta. 3.2.3 Análise perceptivo-auditiva da voz A classificação das características perceptivo-auditivas foi realizada através de uma amostra de fala encadeada (Parabéns à você e opinião sobre a própria voz). O julgamento foi realizado de forma consensual por 3 fonoaudiólogas com experiência da área de voz. A aprovação do grupo de juízas e a marcação no protocolo de análise (Anexo 1) ocorreu após audição das amostras com direito a repetição da amostra gravada quando se fizesse necessário. A escala GIRBAS foi utilizada como método de avaliação do grau global de disfonia (G) pela identificação da contribuição de cinco parâmetros independentes, sendo: instabilidade (I-instability), rugosidade (Rroughness), soprosidade (B-breathiness), astenia (A-asteny) e tensão (S-strain). Para identificação do grau de desvio de cada um dos parâmetros foi usada a escala de quatro pontos, onde “0” significa normal ou ausente, “1” discreto, “2” moderado e “3” severo. Os parâmetros dessa escala, baseados nos trabalhos de Isshiki et al (1966) e referidos por Behlau et al (2001), estão definidos no Quadro 2 (Anexo 2). 14 15 3.2.4 Análise acústica da voz A medição dos eventos acústicos foi realizada através da vogal //, sustentada, de forma isolada, utilizando-se o programa Multi Speech 3700, da Kay Elemetrics observando-se o espectrograma de banda estreita (estrias horizontais) dos dados analisados considerando os parâmetros distintivos relativos a onda sonora e ao ruído. Considerou-se para realização da análise um trecho médio de três segundos da vogal //, isolada e sustentada. O trecho escolhido foi o mais estável possível, eliminando-se, quando necessário, o início e o final da emissão. Na observação quanto à onda sonora foi realizada a análise computadorizada da identificação quanto ao grau de definição dos harmônicos, a presença de ruído e a proporção harmônico-ruído. Pontes et al (2002), em estudo comparativo de vozes roucas, ásperas e normais através da espectrografia, sugeriram análise relativa à definição dos harmônicos. Nos casos de vozes normais o espectrograma apresentava harmônicos preenchendo todo ou quase todo o intervalo, sinalizando clareza vocal. Na análise do espectrograma das vozes ásperas e roucas observou-se redução de metade e de um quarto, respectivamente, do resultado obtido na análise das vozes normais. Como não foi encontrada na literatura pesquisada nenhuma medida graduada para caracterização os graus de definição dos harmônicos sugerimos o uso de uma notação para garantir objetividade a este julgamento. Os harmônicos puderam ser considerados acerca de sua regularidade sendo: ótima (1), boa (2), regular (3), ruim (4) e péssima (5). A caracterização dos graus observados nessa nova escala encontram-se no Quadro 3. 15 16 QUADRO 3 – GRAU DE DEFINIÇÃO DOS HARMÔNICOS DEFINIÇÃO ÓTIMA (1) BOA (2) REGULAR (3) RUIM (4) PÉSSIMA (5) CARACTERIZAÇÃO Melhor definição possível, onde há riqueza de harmônicos e os mais superiores se apresentam de forma definida e sem interrupções. Definição de boa qualidade, porém os harmônicos mais altos não se apresentam forma com interrupções. Definição regular, com dificuldade na visibilização dos harmônicos superiores porém com traçado definido. Definição instável, visibilização de número restrito de harmônicos e com traçado menos definido, com presença de interrupções. Pior definição possível, com pobreza de harmônicos, indefinição e interrupções do traçado e ausência de visibilização da maior parte dos harmônicos. Os chuviscos no fundo do traçado foram identificados como ruído, os mesmos poderiam estar localizados na região dos harmônicos ou na região acima dos harmônicos. Essa análise reflete as observações sugeridas na literatura por Pontes et al (2002). O termo proporção harmônico-ruído (PHR) é transposto do termo em inglês harmonic-to-noise ratio (HNR) e objetiva relacionar o elemento harmônico contra o elemento ruído da onda acústica. 16 17 FIGURA 1 - EXEMPLO DE ESPECTOGRAMA DE DEFINIÇÃO ÓTIMA – Sexo Feminino FIGURA 2 - EXEMPLO DE ESPECTOGRAMA DE DEFINIÇÃO BOA – Sexo Feminino 17 18 FIGURA 3 - EXEMPLO DE ESPECTOGRAMA DE DEFINIÇÃO REGULAR – Sexo masculino FIGURA 4 - EXEMPLO DE ESPECTOGRAMA DE DEFINIÇÃO RUIM – Sexo masculino 18 19 FIGURA 5 - EXEMPLO DE ESPECTOGRAMA DE DEFINIÇÃO PÉSSIMA – Sexo masculino 3.2.5 Avaliação laringoscópica O exame de videolaringoestroboscopia (VDLE) efetuado com o objetivo de analisar as estruturas laríngeas e seu funcionamento foi realizado através do aparelho Scott LC 900, com ótica rígida de 70º. O indivíduo foi acomodado em posição sentada e ereta em frente ao examinador, com o pescoço esticado e a cabeça ligeiramente inclinada para trás. Um sensor para captação de freqüência foi colocado no pescoço do indivíduo ao longo da lâmina da cartilagem tireóide a fim de medir a f0 da voz (determinação do número de ciclos por segundo de emissão). Foi solicitada uma respiração bucal controlada e profunda seguida da emissão da vogal // sustentada para que fosse possível averiguar através do mostrador digital instalado no próprio estroboscópio o valor da f0 que estava sendo produzida. Com o microfone corretamente posicionado foi solicitado ao indivíduo que esticasse a língua e o examinador a segurou com um pedaço de gaze 4 x 4. O 19 20 examinador introduziu o endoscópio até que a lente estivesse para o vestíbulo laríngeo. Foi realizada a inspeção da laringe durante a respiração. A seguir foi acionada a luz estroboscópica e solicitado ao indivíduo a emissão da vogal // em pitch normal, grave, agudo e fonação inspiratória. Os movimentos vibratórios das pregas vocais foram registrados através de equipamento de gravação em vídeo (fita VHS). Quando necessário foi realizada anestesia tópica da orofaringe com spray de Lidocaína 10% para suprimir o reflexo nauseoso do indivíduo. Todo o procedimento acima descrito obedeceu as orientações propostas na literatura por Hirano e Bless (1997) e Behlau et al (2001). O protocolo de análise foi realizado através da repetição e análise das imagens obtidas pelo otorrinolaringologista examinador com participação da pesquisadora responsável. 3.2.6 Análise estatística Os achados sobre queixa vocal, análise perceptivo-auditiva, análise acústica e avaliação laringoscópica foram digitados em planilha Excel com o objetivo de elaborar tabelas e gráficos, calcular estatísticas descritivas (média e desvio padrão). Foi utilizado um teste estatístico que foi considerado o mais adequado para comparar as diferenças de proporção entre dois grupos. Nesse caso, as diferenças entre o grupo com presença de dificuldade ao uso intenso da voz e o grupo com ausência de dificuldade ao uso intenso da voz. Na aplicação do teste foram comparadas as variáveis: sexo, definição dos harmônicos, presença ou ausência de ruído, padrão de fechamento das pregas vocais, presença ou ausência de lesão e arqueamento nos dois grupos citados. O nível de significância foi de 5%. 20 21 4 RESULTADOS 4.1 ENTREVISTA Durante a entrevista o indivíduo foi questionado se, ao se expor à situações onde necessitasse de uso mais intenso da voz, apresentava sintomas que sinalizassem alteração vocal. Na análise da entrevista dos 60 indivíduos foi possível observar a citação de história positiva de dificuldade ao uso intenso da voz em 10 indivíduos, sendo o grupo formado apenas por mulheres (Questão 7 – Apêndice 2). As dificuldades vocais citadas por esses indivíduos que observaram alterações na voz ao uso intenso (Questão 9 – Apêndice 2) encontram-se na Tabela 2, o número de citações é superior ao número de observações devido à possibilidade de respostas múltiplas. TABELA 2– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM AS DIFICULDADES VOCAIS CITADAS (N=10) DIFICULDADES VOCAIS N = 10 Rouquidão 2 Fadiga vocal 3 Instabilidade vocal 10 TOTAL 15 A percepção em relação ao envelhecimento vocal foi referida por 36 indivíduos do grupo entrevistado, sendo 7 citações masculinas e 29 femininas (Questão 10 – Apêndice 2). Nessa população onde o envelhecimento vocal foi notado, 8 entrevistados associaram a ocorrência dessas mudanças com dificuldades ao uso 21 22 intenso da voz, o restante dessa amostra (28 indivíduos) percebeu mudança vocal relacionada à idade porém usa a voz sem apresentar nenhuma queixa. Segundo relato de 15 entrevistados, amigos e familiares já haviam observado e comentado a respeito de mudanças vocais devido ao envelhecimento, sendo rouquidão, o parâmetro mais citado (Questões 12 e 13 – Apêndice 2). Quatro indivíduos referiram ter passado por situação onde o ouvinte não foi capaz de identificar o sexo do falante pelo telefone. (Questão 14 – Apêndice 2). Apenas duas mulheres referiram percepção de agravamento vocal durante o período da menopausa e, apesar de perceberem sua voz mais grave, não referiram dificuldade ao uso intenso da voz ou seja, não faziam parte do grupo com queixa (Questões 21 e 22 – Apêndice 2). No grupo entrevistado foi observada a presença de seis fumantes (Questão 15 – Apêndice 2). O grupo de fumantes era composto por dois homens e quatro mulheres, sendo que apenas uma das mulheres possuía queixa de dificuldade ao uso intenso da voz. Nas avaliações laringoscópicas desse grupo foram encontrados: seis casos de fechamento glótico completo, um caso de vasculodisgenesia, dois casos de hiperemia difusa e dois casos de laringite crônica. Doze indivíduos declararam-se como ex-fumantes (Questão 17 – Apêndice 2). O grupo de ex-fumantes era composto por seis homens e seis mulheres, sendo que duas mulheres possuíam queixa de dificuldade ao uso intenso da voz. Nas avaliações laringoscópicas desse grupo foram encontrados: um caso de fechamento glótico incompleto, um caso de edema de Reinke e três casos de hiperemia difusa. 4.2 PROTOCOLO QUALIDADE DE VIDA E VOZ (QVV) Dentro da variação do protocolo QVV (de 0 a 100), a maior parte dos indivíduos apresentaram escores totais de 100 sendo que esse valor corresponde à melhor relação possível entre qualidade de vida e voz. O restante dos indivíduos obtiveram escores entre 99 e 55, o que não significa que tenham algum problema vocal que afete sua qualidade de vida. Apenas escores a 22 23 partir de 50 podem sinalizar problemas que afetam moderadamente a qualidade de vida do indivíduo. Nenhum dos indivíduos obteve escore menor do que 55 pontos. Os escores obtidos encontram-se no Gráfico 1. GRÁFICO 1 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO AO ESCORE TOTAL OBTIDO NO PROTOCOLO QVV (N=60) 23 37 Escore total de 100 pontos Escore total entre 99 e 55 pontos Escore total abaixo de 54 pontos 4.3 ANÁLISE PERCEPTIVO-AUDITIVA Na análise perceptivo-auditiva da qualidade vocal, realizada através da escala japonesa GIRBAS, o parâmetro (G) que corresponde ao grau global da disfonia foi considerado normal ou ausente nas vozes de 9 indivíduos, discreto em 37 vozes, moderado em 13 vozes e apenas 1 voz foi caracterizada como severa nesse parâmetro. A correlação entre a graduação recebida no parâmetro (G), o relato de dificuldade ao uso intenso da voz e a presença de fenda ou lesão em pregas vocais na avaliação laringoscópica encontra-se na Tabela 3. 23 24 TABELA 3– DISTRIBUIÇÃO GRADUAÇÃO DA DO AMOSTRA DE PARÂMETRO ACORDO (G) DE COM 0 A A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). N=60 GRADUAÇÃO N Com Queixa Com Fenda Com Lesão 0 – Normal ou ausente 9 1 0 2 1 – Discreto 37 6 5 4 2 – Moderado 13 3 1 4 3 – Severo 1 0 1 0 60 10 7 10 TOTAL O parâmetro (I) que corresponde à instabilidade ou flutuação na freqüência fundamental e/ou na qualidade vocal foi considerado normal ou ausente em 17 vozes analisadas. Trinta vozes foram graduadas como alteradas discretamente. Alterações de grau moderado foram percebidas em 11 vozes e apenas uma voz foi considerada como severa nesse parâmetro. A correlação entre a graduação recebida no parâmetro (I), o relato de dificuldade ao uso intenso da voz e a presença de fenda ou lesão em pregas vocais na avaliação laringoscópica encontra-se na Tabela 4. 24 25 TABELA 4– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE GRADUAÇÃO DO PARÂMETRO ACORDO (I) DE COM 0 A A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). N=60 GRADUAÇÃO N Com Queixa Com Fenda Com Lesão 0 – Normal ou ausente 17 1 2 2 1 – Discreto 31 7 3 6 2 – Moderado 11 2 1 2 3 – Severo 1 0 1 0 60 10 7 10 TOTAL O parâmetro (R) que sinaliza possíveis irregularidades na vibração das pregas vocais e indica a sensação de “rugosidade” foi considerado como normal ou ausente em 15 vozes. Alterações de grau discreto foram evidentes em 34 vozes e de grau moderado em 11. Nenhuma das sessenta vozes analisadas foi percebida como severa no parâmetro (R). A correlação entre a graduação recebida no parâmetro (R), o relato de dificuldade ao uso intenso da voz e a presença de fenda ou lesão em pregas vocais na avaliação laringoscópica encontra-se na Tabela 5. 25 26 TABELA 5– DISTRIBUIÇÃO GRADUAÇÃO DA DO AMOSTRA DE PARÂMETRO ACORDO (R) DE COM 0 A A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). N=60 GRADUAÇÃO N Com Queixa Com Fenda Com Lesão 0 – Normal ou ausente 15 1 2 2 1 – Discreto 34 7 4 5 2 – Moderado 11 2 1 3 3 – Severo 0 0 0 0 60 10 7 10 TOTAL O parâmetro soprosidade, que é representado pela letra (B), foi considerado normal ou ausente em dez vozes. Trinta e uma vozes foram consideradas com soprosidade de grau discreto e 17 com moderado. O grau severo de soprosidade surgiu em apenas duas vozes analisadas. A correlação entre a graduação recebida no parâmetro (B), o relato de dificuldade ao uso intenso da voz e a presença de fenda ou lesão em pregas vocais na avaliação laringoscópica encontra-se na Tabela 6. 26 27 TABELA 6– DISTRIBUIÇÃO GRADUAÇÃO DA DO AMOSTRA DE PARÂMETRO ACORDO (B) DE COM 0 A A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). N=60 GRADUAÇÃO N Com Queixa Com Fenda Com Lesão 0 – Normal ou ausente 10 1 0 2 1 – Discreto 31 5 4 4 2 – Moderado 17 4 2 4 3 – Severo 2 0 1 0 60 10 7 10 TOTAL O parâmetro astenia (A) foi considerado normal ou ausente em 26 vozes, discreto em 25 vozes, moderado em nove vozes e não apresentou severidade em nenhuma das análises realizadas. A correlação entre a graduação recebida no parâmetro (A), relato de dificuldade ao uso intenso da voz, presença fenda ou lesão em pregas vocais ao exame de videolaringoestroboscopia encontra-se na Tabela 7. 27 28 TABELA 7– DISTRIBUIÇÃO GRADUAÇÃO DA DO AMOSTRA DE PARÂMETRO ACORDO (A) DE COM 0 A A 3, CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). N=60 GRADUAÇÃO N Com Queixa Com Fenda Com Lesão 0 – Normal ou ausente 26 3 5 3 1 – Discreto 25 6 1 6 2 – Moderado 9 1 1 1 3 – Severo 0 0 0 0 60 10 7 10 TOTAL A correlação entre a graduação recebida no parâmetro (S), relato de dificuldade ao uso intenso da voz, presença fenda ou lesão em pregas vocais ao exame de videolaringoestroboscopia encontra-se na Tabela 8. 28 29 TABELA 8– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A GRADUAÇÃO DO PARÂMETRO (S) DE 0 A 3,CORRELACIONADA À DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ (COM QUEIXA), PRESENÇA DE FENDA GLÓTICA (COM FENDA) OU LESÃO (COM LESÃO). N=60 GRADUAÇÃO N Com Queixa Com Fenda Com Lesão “0” – Normal ou ausente 43 6 3 10 “1” – Discreto 14 3 3 0 “2” – Moderado 1 1 0 0 “3” – Severo 2 0 1 0 60 10 7 10 TOTAL 4.4 ANÁLISE ACÚSTICA A obtenção dos valores de freqüência fundamental foi realizada através do sensor de captação de freqüência utilizado durante a avaliação laringoscópica. As médias da freqüência fundamental foram de 139Hz para os homens, com desvio padrão de 26,35 e 190,74Hz para as mulheres, com desvio padrão de 20,47. Os valores individuais, as médias e o desvio padrão estão descritos nas Tabelas 9 e 10. 29 30 TABELA 9 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA FEMININA DE ACORDO COM OS VALORES DE f0 OBTIDOS. N=47 N.º Indivíduo f0 N Indivíduo f0 N Indivíduo F0 1 CBP 226 Hz 20 JAS 199 Hz 40 ABZ 211 Hz 2 CKG 197 Hz 21 MCP 191 Hz 41 ARB 210 Hz 3 ERC 155 Hz 22 MJR 145 Hz 42 DFD 169 Hz 4 JLA 161 Hz 23 WN 191 Hz 43 DG 192 Hz 5 NSB 194 Hz 25 CDL 186 Hz 44 HF 200 Hz 6 EM 187 Hz 27 DCG 163 Hz 45 EAO 181 Hz 7 LPC 209 Hz 29 GBS 217 Hz 50 JS 233 Hz 8 ZM 193 Hz 30 HS 216 Hz 53 LM 187 Hz 9 GSD 182 Hz 31 IAV 174 Hz 54 OTS 203 Hz 10 MS 206 Hz 32 IM 189 Hz 55 PRB 221 Hz 12 AJB 200 Hz 33 IOF 219 Hz 56 RA 199 Hz 14 BDB 193 Hz 34 JSD 175 Hz 59 SBA 155 Hz 15 CBA 165 Hz 35 LG 174 Hz 60 TJR 188 Hz 16 CD 227 Hz 26 MB 179 Hz 17 CCS 168 Hz 37 TC 196 Hz 18 IFS 187 Hz 38 VC 174 Hz MÉDIA 190,74 19 JTB 172 Hz 39 AM 206 Hz DESVIO PADRÃO 20,47 30 31 TABELA 10 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA MASCULINA DE ACORDO COM OS VALORES DE f0 OBTIDOS. (N=13) N.º Indivíduo F0 11 AM 96 Hz 13 AR 148 Hz 24 AH 168 Hz 26 CN 104 Hz 28 ELS 172 Hz 46 EM 155 Hz 47 ES 144 Hz 48 JM 167 Hz 49 JMB 122 Hz 51 JPO 145 Hz 52 FG 136 Hz 57 RA 152 Hz 58 SS 98 Hz MÉDIA 139 DESVIO PADRÃO 26,35 31 32 A observação, na análise acústica, do padrão de definição dos harmônicos através da espectrografia demonstrou pouca definição ou definição irregular em 13 espectrogramas. Quarenta e sete análises foram consideradas como de boa definição ou definição regular. A graduação aplicada aos harmônicos encontra-se descrita na Tabela 11. TABELA 11– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A GRADUAÇÃO DOS HARMÔNICOS DURANTE A EMISSÃO DA VOGAL / E /.(N=60) GRADUAÇÃO N.º OCORRÊNCIAS “1” Ótima 22 “2” Boa 11 “3” Regular 14 “4” Ruim 8 “5” Péssima 5 TOTAL 60 A presença de ruído na região entre os harmônicos foi observada em quatro vozes, sendo dois espectrogramas caracterizados com presença de ruído discreto e dois com ruído moderado. Na região acima dos harmônicos o ruído foi evidente em 11 vozes, sendo 9 espectrogramas caracterizados com presença de ruído discreto e 2 com presença de ruído moderado. O valor médio do harmônico superior foi de 2942,60Hz para os homens, com desvio padrão de 1028,3 e 3146,47Hz para as mulheres, com desvio padrão de 1251,03. Os valores individuais, as médias e os desvios-padrão estão descritos nas Tabelas 12 e 13 (Apêndice 6 e apêndice 7). 32 33 O valor médio da proporção harmônico-ruído foi de 7,84dB para as mulheres, com desvio padrão de 3,19 e de 7,05dB para os homens, com desvio padrão de 2,58. 4.5 AVALIAÇÃO LARINGOSCÓPICA Durante a observação do padrão de fechamento das pregas vocais no exame de videolaringoestroboscopia houve predominância de fechamento completo em 53 casos. A Tabela 14 oferece as configurações de fenda glótica apresentadas nos sete indivíduos onde houve ocorrência de fechamento incompleto das pregas vocais. A configuração de fechamento glótico incompleto foi observada em seis indivíduos do sexo feminino e um do sexo masculino. TABELA 14– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM A CONFIGURAÇÃO DA FENDA GLÓTICA APRESENTADA NA AVALIAÇÃO LARINGOSCÓPICA. (N=7) FENDA GLÓTICA N.º OCORRÊNCIAS Fusiforme Ântero-posterior 1 Paralela 1 Fusiforme Anterior 5 TOTAL 7 O aparecimento de lesões, modificações ou alterações em pregas vocais ocorreu em dez casos. Os tipos de lesões observados na videolaringoestroboscopia encontramse na Tabela 15. 33 34 TABELA 15– DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM O TIPO DE LESÃO ENCONTRADA OU AUSÊNCIA DA MESMA, EM BORDO LIVRE DAS PREGAS VOCAIS DURANTE A AVALIAÇÃO LARINGOSCÓPICA. (N=10) LESÕES EM PREGAS VOCAIS N.º OCORRÊNCIAS Edema de Reinke 1 Laringite Crônica 2 Vasculodisgenesia 3 Hiperemia Difusa 4 TOTAL 10 Quanto à existência prévia de diagnóstico de patologias laríngeas apenas dois indivíduos referiram já ter recebido diagnóstico de nódulos vocais e fenda. Entretanto 28 indivíduos jamais haviam passado por avaliação otorrinolaringológica glótica (Questões 18 e 19 – Apêndice 2). O arqueamento das pregas vocais ocorreu em 17 casos e o parâmetro tremor vocal foi ausente em todos os exames realizados. 4.6 CARACTERIZAÇÃO DOS GRUPOS COM QUEIXA E SEM QUEIXA VOCAL Com o objetivo de caracterizar melhor a amostra, definindo a situação relativa a cada indivíduo dos grupos com queixa e sem queixa, foram elaborados quadros separados dos dois grupos. No Quadro 4 (Apêndice 8) encontram-se descritas as características do grupo COM dificuldade ao uso intenso da voz. Dessa forma, é possível observar: o valor obtido na análise perceptivo-auditiva (GIRBAS); o valor da freqüência fundamental 34 35 (F0); a definição dos harmônicos como bem definidos ou pouco definidos, a graduação do harmônicos, sendo: (1)Ótima, (2)Boa, (3)Regular, (4)Ruim ou (5)Péssima; o valor da proporção harmônico-ruído; a presença de ruído na região inferior ou superior dos harmônicos; o padrão de fechamento glótico das pregas vocais; a presença de lesão em pregas vocais e a presença de arqueamento de pregas vocais. No Quadro 5 (Apêndice 9) encontram-se descritas as características do grupo SEM dificuldade ao uso intenso da voz. Dessa forma, é possível observar: o valor obtido na análise perceptivo-auditiva (GIRBAS); o valor da freqüência fundamental (F0); a definição dos harmônicos como bem definidos ou pouco definidos, a graduação do harmônicos, sendo: (1)Ótima, (2)Boa, (3)Regular, (4)Ruim ou (5)Péssima; o valor da proporção harmônico-ruído a presença de ruído na região inferior ou superior dos harmônicos; o padrão de fechamento glótico das pregas vocais; a presença de lesão em pregas vocais e a presença de arqueamento de pregas vocais. Os resultados dos testes de diferença de proporção entre os grupos sem queixa e com queixa encontram-se na Tabela 16. 35 36 TABELA 16 – TESTES DE DIFERENÇA DE PROPORÇÃO ENTRE OS GRUPOS COM E SEM QUEIXA DE DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ VARIÁVEL CATEGORIAS Sexo Masculino VALOR DE p 0,0736 Feminino Harmônicos Bem definidos 0,3307 Pouco definidos Ruído Presente 0,6906 Ausente Fechamento glótico Completo 0,2131 Incompleto Lesão Presente 0,0342* Ausente Arqueamento Presente 0,5243 Ausente Análise: Ao nível se significância de 5% ( = 0,05), a diferença entre as proporções de casos sem queixas e com queixas somente é significativa se p < = 0,05. Na Tabela 1, verifica-se que a diferença é significativa (* p < 0,05) apenas para a variável lesão. 36 37 5 DISCUSSÃO A amostra deste estudo foi composta por indivíduos com um perfil específico, atuantes na vida familiar e social que usufruem do tempo de modo ativo. Apesar de já terem passado dos 60 anos, buscam diariamente otimizar sua vida em sociedade e cuidar de sua saúde física e mental. Segundo Behlau e Pontes (1995) esse cuidado com a saúde física e psicológica influencia diretamente no envelhecimento, ou seja, a forma como o indivíduo recebe e enfrenta os desafios da velhice define a aceitação das mudanças, inclusive aquelas que ocorrem na comunicação. Colton e Casper (1996) também apontaram para a relevância de boas condições físicas na manutenção de uma voz jovem. Ferreira (1998) discorreu sobre a influência que boas condições físicas e de saúde têm em propiciar um padrão vocal mais jovem. Para Behlau (1999) o início do processo de envelhecimento depende de cada indivíduo e estilo de vida, além disso a autora reforçou a idéia de que a prática de atividades físicas exerce grande influência, muito mais do que a idade cronológica do indivíduo. Para Freeman e Fawcus (2004) a competência da função vocal depende diretamente do estilo de vida adotado. 5.1 ENTREVISTA Dezessete por cento da amostra referiu alguma dificuldade ao uso intenso da voz, sendo o grupo composto exclusivamente por mulheres. Monte. Mourão e Mota (2001) constataram queixa vocal em 41,7% da amostra de 12 indivíduos, com idades entre 54 e 74 anos. Pontes, Brasolotto e Behlau (2005) inquiriram presença de queixa vocal em 63% da amostra de 210 idosos analisados. Queija e Behlau (2006) atentaram para a presença de queixa em 15% dos 200 indivíduos da população idosa entrevistada em seu estudo, porcentagem similar aos achados da presente pesquisa. Toda a população que referiu dificuldade ao uso intenso da voz (N=10) observou presença de instabilidade vocal durante a emissão. Nesse mesmo grupo três 37 38 indivíduos referiram presença de fadiga vocal e dois indivíduos queixaram-se de rouquidão (Tabela 2). Esses sintomas foram relatados por Colton e Casper (1996) aferindo que a voz realmente pode não apresentar a mesma extensão ou grau de controle da juventude. Lundy et al (1998) observaram a incidência comum de rouquidão nos 393 indivíduos idosos que analisaram. Allodi e Ferreira (2001) em pesquisa realizada com 40 mulheres com idade a partir de 40 anos, observaram a percepção de vozes como fina, rouca, grossa, baixa, entre outras na opinião das próprias entrevistadas. A queixa de rouquidão também esteve presente na amostra de 12 indivíduos idosos de Monte, Mourão e Mota (2001). Sanches e Suzuki (2003) incluíram sintomas de fadiga, rouquidão, afonia e voz trêmula além dos já citados de diminuição da extensão vocal e perda dos agudos. Queija e Behlau (2006) observaram na análise de 200 indivíduos (152 mulheres e 48 homens), a presença de queixas de rouquidão (12,5%), perda de voz (7,5%) e cansaço ao falar (1%). Mudanças no padrão vocal conseqüentes do processo de envelhecimento foram observadas por 36 indivíduos. Na pesquisa de Allodi e Ferreira (2001) a percepção de mudanças vocais resultantes do avançar da idade foi descrita por 45% da amostra. Polido, Martins e Hanayama (2005) constataram auto-percepção reduzida por parte de 100 mulheres questionadas sobre mudanças vocais em decorrência do envelhecimento. A percepção de mudança no perfil vocal decorrente do envelhecimento, por parte de amigos e familiares foi relatada por 15 indivíduos. Há referência na literatura sobre problemas com a identificação do gênero do falante ao telefone. Essa dificuldade em ser reconhecido foi citada por apenas quatro indivíduos, dado que entra em concordância com Behlau (1999) que asseverou a ocorrência desse comprometimento na identificação do falante apenas em casos excepcionais. O grupo que referiu constrangimento ao telefone era composto por um homem e três mulheres, sendo que apenas uma das mulheres possuía queixa de dificuldade ao uso intenso da voz. Nas avaliações laringoscópicas desse grupo foram encontrados: quatro casos de fechamento glótico completo, um caso de edema de Reinke e 38 39 hiperemia difusa num indivíduo ex-fumante e um caso de hiperemia difusa num fumante. Os outros dois indivíduos não possuíam histórico de tabagismo. A mudança vocal no período da menopausa foi referida por duas mulheres, o agravamento da voz foi o sintoma citado sem que houvesse queixa prévia de dificuldade ao uso intenso da voz ou prejuízo ao desempenho vocal. Uma delas apresentou quadro de hiperemia difusa à videolaringoestroboscopia e a outra não apresentou alteração em pregas vocais. Para Costa e Andrada e Silva (1998) a redução do pitch vocal na menopausa ocorre devido à influência do edema de mucosa causado pela redução do estrógeno e da testosterona. Segundo Allodi e Ferreira (2001) a redução da produção de estrógeno é um dos fatores responsáveis por algumas mudanças na voz feminina. Ao analisarmos a percepção vocal desse grupo de idosos (N=60) podemos observar uma incidência pequena de queixas de dificuldade ao uso intenso da voz, dificuldade ao telefone e agravamento da voz durante a menopausa. Esses dados levantam a questão da relevância de um bom desempenho vocal no período de envelhecimento na opinião dos próprios idosos. Existem duas possibilidades a considerar, a primeira seria que esses idosos têm uma auto-percepção reduzida a respeito do rebaixamento vocal inerente ao envelhecimento. A segunda seria que as alterações vocais, decorrentes do envelhecimento, não tem importância em suas atividades de vida diária a ponto de serem consideradas relevantes, pelos idosos, no momento da entrevista. 5.2 PROTOCOLO QUALIDADE DE VIDA E VOZ (QVV) Na aplicação do Protocolo de Qualidade de Vida e Voz (QVV), que tinha por objetivo relacionar a voz dos indivíduos com sua qualidade de vida, ou seja, verificar até que ponto o desempenho vocal interfere nas atividades cotidianas, o escore total de 100 foi alcançado por 37 indivíduos e o restante da amostra obteve escores entre 99 e 55, o que sugere que o desempenho vocal apresentado não interfere na qualidade de vida desses indivíduos (Gráfico 1). 39 40 Apenas escores a partir de 50 podem sinalizar problemas que afetam moderadamente a qualidade de vida. Nenhum dos indivíduos obteve escore menor do que 55 pontos. Os bons resultados obtidos nesse protocolo sinalizam que, apesar de alguns idosos apresentarem dificuldades ao uso intenso da voz, não há prejuízo em qualidade de vida, ou seja, eles continuam participando de suas atividades habituais sem que alterações vocais interfiram no seu dia a dia. Uma vez que as alterações vocais apresentadas não geram ansiedade, frustração, depressão, problemas sociais ou dificuldades de relacionamento, a comunicação é funcionalmente eficaz apesar dos sintomas ocasionais em situações de uso intenso da voz. Um trabalho direcionado à saúde vocal de idosos, com o objetivo de amenizar as dificuldades citadas de rouquidão, fadiga e instabilidade vocal, possibilitaria também um autopercepção vocal diferenciada e, talvez, o resultado do Protocolo de Qualidade de Vida e Voz fosse diferente. 5.3 ANÁLISE PERCEPTIVO-AUDITIVA Na análise perceptivo-auditiva o parâmetro (G), que representa o grau de alteração vocal como um todo, foi considerado como alterado em 51 casos, sendo discreto em 37, moderado em 13 e severo em 1 caso (Tabela 3). De todo o grupo (51) considerado com algum grau de alteração nesse parâmetro, nove indivíduos referiram queixa de dificuldade ao uso intenso da voz, sete apresentaram fechamento glótico incompleto e oito tinham lesão em pregas vocais (vasculodisgenesia, hiperemia difusa, edema de Reinke e laringite crônica). Do grupo considerado como (G) ausente ou normal (9) havia um caso de queixa de dificuldade ao uso intenso da voz e dois casos de lesões em pregas vocais (vasculodisgenesia e laringite crônica) que não foram auditivamente perceptíveis durante a análise. Além disso, se calcularmos o índice de acerto da análise perceptivo-auditiva para esse parâmetro temos 78% de acerto para as vozes consideradas como normais e 40 41 que apresentavam laringoscopia normal. Mas interessante observar que houve apenas 29% de acerto para as vozes consideradas como alteradas e que realmente apresentavam alteração laringoscópica. Esses dados nos fazem questionar porque as vozes dos 36 indivíduos que obtiveram um exame de videolaringoestroboscopia normal, sem fenda glótica e sem lesão em pregas vocais, foram consideradas como alteradas. O parâmetro (I) que corresponde à instabilidade ou flutuação na freqüência fundamental foi considerado normal ou ausente em 17 vozes, discreto em 31, moderado em 11 e severo em 1 caso (Tabela 4). Número similar na análise desse parâmetro surgiu na amostra de 12 indivíduos avaliada por Monte, Mourão e Mota (2001) onde (I) foi considerado desviado discretamente em 58,3%. De todo o grupo (43) considerado com algum grau de alteração nesse parâmetro, nove indivíduos haviam referido queixa de dificuldade ao uso intenso da voz, cinco apresentaram fechamento glótico incompleto e oito tinham lesão em pregas vocais (vasculodisgenesia, hiperemia difusa, edema de Reinke e laringite crônica). Apesar das vozes de 30 indivíduos que obtiveram um exame de videolaringoestroboscopia normal, sem fenda glótica e sem lesão em pregas vocais, terem sido considerados como alteradas nesse parâmetro devemos considerar a possibilidade da instabilidade ter ocorrido apenas durante a emissão coletada ou até mesmo ser uma desordem funcional, sem que haja necessidade de presença de alteração laringoscópica. Do grupo considerado como (I) ausente ou normal (17) havia um caso de queixa de dificuldade ao uso intenso da voz, dois casos de fechamento glótico incompleto e dois casos de lesões em pregas vocais (vasculodisgenesia e laringite crônica). O parâmetro (R) foi considerado normal ou ausente em 15 vozes, discreto em 34, moderado em 11 e não apresentou-se severo em nenhuma das vozes analisadas (Tabela 5). Esse fator relaciona-se a irregularidade na vibração das pregas vocais. Nos doze indivíduos examinados por Monte, Mourão e Mota (2001) esse parâmetro encontrou-se alterado de forma discreta em 75% dos casos. 41 42 De todo o grupo (45) considerado com algum grau de alteração nesse parâmetro, nove indivíduos haviam referido queixa de dificuldade ao uso intenso da voz, cinco apresentaram fechamento glótico incompleto e oito apresentaram lesão em pregas vocais (vasculodisgenesia, hiperemia difusa, edema de Reinke e laringite crônica). A percepção de vozes alteradas em 30 exames de videolaringoestroboscopia normais pode ser justificada pela presença de alergia, mudanças de temperatura ambiente no dia da coleta que interferem na voz do indivíduo ou até mesmo quadros de disfonia funcional. Do grupo considerado como (R) ausente ou normal (15) havia um caso de queixa de dificuldade ao uso intenso da voz, dois casos de fechamento glótico incompleto e dois casos de lesões em pregas vocais (vasculodisgenesia e laringite crônica) que não foram percebidas auditivamente na análise. Estrela e Scalco (1998), em pesquisa com 42 indivíduos notaram desvio nesse parâmetro em 37% do grupo feminino e 30% do grupo masculino. Allodi e Ferreira (2001) apontaram 35% de rouquidão no grupo de 40 mulheres analisadas. O parâmetro soprosidade, que é representado pela letra (B) da escala GIRBAS, foi considerado normal ou ausente em 10 vozes, discreto em 31 vozes, moderado em 17 vozes e severo em 2 vozes (Tabela 6). Em análise com 42 indivíduos, Feijó, Estrela e Scalco (1998) discorreram sobre a presença de soprosidade em 9% das 42 vozes analisadas. De todo o grupo (50) considerado com algum grau de alteração nesse parâmetro, nove indivíduos haviam referido queixa de dificuldade ao uso intenso da voz, sete apresentaram fechamento glótico incompleto e oito tinham lesão em pregas vocais (vasculodisgenesia, hiperemia difusa, edema de Reinke e laringite crônica). Ao que parece esse parâmetro é extremamente perceptível na análise pois todos os indivíduos que apresentavam fenda glótica no estudo tiveram suas vozes consideradas com algum grau de soprosidade. Do grupo considerado como (B) ausente ou normal (10) havia um caso de queixa de dificuldade ao uso intenso da voz e dois casos de lesões em pregas vocais (vasculodisgenesia e laringite crônica). Todos os indivíduos considerados com vozes normais realmente possuíam fechamento glótico completo. 42 43 O fator (A), que correspondente à astenia foi considerado normal ou ausente em 26, com alteração discreta em 25, alteração moderada em 9 e não apresentou-se severo em nenhuma das vozes analisadas (Tabela 7). De todo o grupo (34) considerado com algum grau de alteração nesse parâmetro, sete indivíduos haviam referido queixa de dificuldade ao uso intenso da voz, dois apresentaram fechamento glótico incompleto e sete tinham lesão em pregas vocais (vasculodisgenesia, hiperemia difusa e edema de Reinke). Do grupo considerado como (A) ausente ou normal (26) havia três casos de queixa de dificuldade ao uso intenso da voz, cinco casos de fechamento glótico incompleto e três casos de lesões em pregas vocais (vasculodisgenesia e laringite crônica). Na finalização da análise foi possível observar que, parâmetro (S) que refere-se a tensão foi considerado normal ou ausente em 43, discreto em 14, moderado em 1 e severo em 2 das vozes analisadas (Tabela 8). De todo o grupo (17) considerado com algum grau de alteração nesse parâmetro, quatro indivíduos haviam referido queixa de dificuldade ao uso intenso da voz e quatro apresentaram fechamento glótico incompleto. Do grupo considerado como (S) ausente ou normal (43) havia seis casos de queixa de dificuldade ao uso intenso da voz, três casos de fechamento glótico incompleto e dez casos de lesões em pregas vocais (vasculodisgenesia, hiperemia difusa, edema de Reinke e laringite crônica). A tensão, segundo Colton e Casper (1996) pode sugerir uma forma de compensação do indivíduo diante de uma falta de eficiência vocal. 5.4 ANÁLISE ACÚSTICA Na análise acústica foi possível perceber média de freqüência fundamental dos homens em 139Hz e das mulheres em 191Hz (Tabelas 9 e 10). Ao compararmos com a pesquisa realizada por Behlau e col. (1988), em pequena amostra, há similaridade nos valores de 135Hz e 178Hz para a população masculina e feminina, respectivamente. 43 44 Colton e Casper (1996) concordaram sobre o agravamento ou agudização da freqüência na população idosa. Os valores obtidos nesse parâmetro diferem dos encontrados em estudo realizado por Feijó, Estrela e Scalco (1998) que encontraram valores médios de 118,63 para o sexo masculino e 213Hz para o sexo feminino. O achado para homens foi de 148,5Hz e 194,1Hz para mulheres em estudo realizado por Lundy et al (1998). A tendência da freqüência em aumentar nos homens e declinar nas mulheres com o avançar da idade é constantemente abordada na literatura por Behlau (1999), Allodi e Ferreira (2001), Behlau et al (2001), Mitre (2003), Freeman e Fawcus (2004), Estrela, Feijó e Behlau (2006). Durante avaliação das características espectrais do som das pregas vocais os harmônicos apresentaram definição irregular em 13 análises espectrográficas (Tabela 11). Desse grupo, oito espectrogramas foram considerados com definição ruim, ou seja, qualidade instável, com harmônicos de baixa amplitude, em menor número e com traçado menos definido. Cinco espectrogramas obtiveram graduação péssima, a pior definição possível, onde há pobreza de harmônicos e a região superior apresenta-se escurecida. A videolaringoestroboscopia desses indivíduos, onde a definição foi considerada como irregular, apresentou-se alterada com fenda glótica em seis casos e com lesão em nove casos, fato que pode justificar a irregularidade do traçado espectrográfico. Para Behlau (2001) o envelhecimento pode acarretar na diminuição dos harmônicos. Nesse estudo a maior parte dos harmônicos foi considerado como bem definidos e regulares, o que pode caracterizar vozes normais. Dos 47 espectrogramas da amostra onde os harmônicos foram considerados como bem definidos 22 tiveram definição ótima que é a melhor definição possível, onde há riqueza de harmônicos e os mais altos se apresentam de forma definida e sem interrupções. Onze espectrogramas foram consideradas com definição de boa qualidade mas, com os harmônicos mais altos não se apresentando de forma ininterrupta. Houveram 14 definições medianas, com número restrito de harmônicos porém com traçado definido também foram observadas (Tabela 11). 44 45 A videolaringoestroboscopia desses indivíduos apresentou-se sem fenda em 41 casos e sem lesão em 36 casos, o que justifica o fato de não ser só o resultado da avaliação laringoscópica a interferir diretamente na definição dos harmônicos, mesmo exames alterados (seis fendas e nove lesões) podem ter espectrogramas bem definidos. Pinho e Camargo (1998) consideraram que a presença de chuviscos no fundo do traçado prejudica a nitidez do espectro caracterizando o ruído glótico. Na amostra analisada o ruído foi evidente em 11 vozes na região acima dos harmônicos, sendo 9 considerados como discretos e 2 como moderados. Apenas quatro vozes apresentaram ruído na região dos harmônicos. Desses espectrogramas onde o ruído foi evidente (15) foram encontrados nas videolaringoestroboscopias dois casos de fechamento glótico incompleto e três casos de lesão em pregas vocais (vasculodisgenesia, hiperemia difusa e laringite crônica). Ao correlacionarmos os dois espectrogramas, onde o ruído na região dos harmônicos foi considerado discreto, e o parâmetro rouquidão da análise perceptivoauditiva temos: uma das vozes foi considerada como normal e a outra foi considerada com alteração de grau discreto. O mesmo ocorre nos dois espectrogramas caracterizados por presença de ruído moderado nessa região, correlacionados com a presença de soprosidade vocal: uma das vozes foi considerada normal e a outra foi considerada com alteração de grau discreto. Ao correlacionarmos os nove espectrogramas nos quais o ruído na região acima dos harmônicos foi considerado como discreto, e o parâmetro rouquidão da análise perceptivo-auditiva temos: sete vozes consideradas com alteração de grau discreto e duas vozes com alteração de grau moderado. Nos dois espectrogramas caracterizados por presença de ruído moderado na região acima dos harmônicos temos: uma voz considerada como normal ou ausente e a outra voz considerada como alterada discretamente. Na correlação entre presença de ruído discreto na região acima dos harmônicos e a graduação do parâmetro soprosidade da análise perceptivo-auditiva temos: uma voz considerada como normal, seis vozes com alteração de grau discreto e duas vozes com alteração de grau moderado. 45 46 Os valores obtidos no parâmetro proporção harmônico-ruído (PHR) resultou em média de 7,84dB para as mulheres e 7,05dB para os homens, com diferença não significativa entre mulheres e homens. 5.5 AVALIAÇÃO LARINGOSCÓPICA Na realização da videolaringoestroboscopia o fechamento glótico foi completo em 53 exames. Para Costa e Andrada e Silva (1998) a diminuição do tônus muscular e a perda da elasticidade comum nessa faixa etária é um dado que pode justificar a presença de fenda glótica nos sete exames restantes. Vale ressaltar aqui que um dos aspectos na análise da coaptação glótica máxima observado foi relativo a configuração mais freqüente. A classificação de “fechamento glótico completo” foi baseada na observação da glote completamente fechada durante cada ciclo vibratório. E a classificação de “fechamento glótico incompleto” quando a glote nunca é fechada durante o ciclo vibratório. Lembrando que, existem as variações normais no fechamento glótico de acordo com o sexo do indivíduo, a maioria das mulheres possui uma fenda glótica triangular posterior que quase nunca interfere na qualidade vocal e não foi caracterizada como padrão de fechamento glótico incompleto nesse estudo. A caracterização dos tipos de fenda glótica encontradas nos indivíduos que apresentaram fechamento glótico incompleto foi correspondente as fendas fusiformes que têm a forma de um fuso à fonação, podendo se restringir à região anterior (fenda fusiforme anterior - cinco exames) ou formar-se ao longo de toda glote (fenda fusiforme ântero-posterior – um exame); e as fendas paralelas (um exame) que resultam provavelmente de uma complexa interação de inadaptações miodinâmicas e orgânicas, podendo também representar uma situação de mucosa pouco abundante. As fendas glóticas foram consideradas na adução das pregas vocais (Tabela 14). Segundo Behlau (1999) a ocorrência de fenda fusiforme em indivíduos idosos é comum. No exame laringoscópico realizado por Monte, Mourão e Mota (2001) em 46 47 amostra de 12 indivíduos houve predominância de 75% de fechamento glótico incompleto. A presença de queixa vocal relacionada ao padrão de fechamento glótico encontrado evidencia que, todos os indivíduos com queixa de dificuldade vocal ao uso intenso da voz possuíam fechamento glótico completo. Em contrapartida dos cinqüenta indivíduos que não referiam queixa, sete apresentaram fenda glótica ou seja, a presença de fenda glótica nesse grupo não resultou em percepção de redução no desempenho vocal. O parâmetro onda mucosa que refere-se a determinação da qualidade do movimento da cobertura das pregas vocais foi analisado no intuito de verificar possíveis limitações, devido a rigidez de mucosa, distorções por presença de lesões de massa ou ausência por disfonias psicogênicas ou lesões malignas da laringe. As lesões nesse parâmetro ocorreram em dez casos, a amostra foi composta por quatro casos de hiperemia difusa, três de vasculodisgenesia, dois de laringite crônica e um caso de edema de Reinke (Tabela 15). Conforme Costa e Andrada e Silva (1998) a simples presença dessas lesões pode acarretar em uma redução nos tons agudos. O aparecimento de lesão em pregas vocais ocorrido nesses dez casos compreendia tanto indivíduos com queixa de dificuldade vocal ao uso intenso (4) como indivíduos que não possuíam queixa alguma (6). O arqueamento, que seria uma variação da aproximação das pregas vocais, visto como uma lacuna central foi observado durante a abdução das pregas vocais. Na amostra analisada foi percebido em 17 casos. Dentre os casos de arqueamento das pregas vocais relacionados à incidência de dificuldade ao uso intenso da voz denota que neste grupo dois indivíduos relatavam dificuldade vocal e 15 não tinham queixa alguma. Para Ferreira (1998) a perda de tecidos e a atrofia que ocorrem na musculatura instrínseca da laringe podem justificar a presença de arqueamento. Lundy et al (1998) obtiveram o arqueamento como uma das cinco observações mais freqüentes em pesquisa com 393 idosos com incidência de 19%. Allodi e Ferreira (2001) observaram a atrofia e a redução na tensão das pregas vocais como fatores que favorecem o arqueamento. 47 48 Segundo Bloch e Behrman (2001) o arqueamento não pode ser considerado diagnóstico específico de envelhecimento vocal. Freeman e Fawcus (2004) examinaram o arqueamento como incomum quando observada a fonação contínua. Em análise realizada por Pontes, Brasolotto e Behlau (2005) a incidência de arqueamento foi de 23% nos 210 exames observados, dados que relacionam-se com a incidência de 28% de arqueamento na nossa pesquisa. O tremor vocal foi ausente em todos os exames. Lundy et al (1998) descobriram baixa incidência de tremor com apenas 2% dos 393 casos analisados. A presença de queixa vocal pode ou não sinalizar alteração laríngea. O grupo de dez indivíduos com queixa apresentou ocorrência de quatro lesões, dois arqueamentos e nenhuma fenda glótica. O grupo sem queixa apresentou 15 arqueamentos, sete fendas glóticas e seis lesões. A análise perceptivo-auditiva foi capaz de perceber como alteradas seis das dez vozes que tiveram diagnóstico de lesão nas pregas vocais. A análise acústica caracterizou como pouco definidos 13 espectrogramas e desse grupo apenas dois exames foram considerados alterados com presença de fenda ou lesão, o que deixa uma margem de 11 espectrogramas de pouca definição em vozes normais, sem alteração laríngea. 48 49 6 CONCLUSÕES O presente trabalho que tinha por objetivo avaliar as características fonatórias em indivíduos com idade superior a sessenta anos nos permite concluir que: 1. Presença ou ausência de queixa vocal: oitenta e três por cento da amostra analisada não possuía queixa vocal; 2. Repercussão da presença de queixa na qualidade de vida (QVV): nenhum indivíduo obteve escore que sinalizasse relação entre o desempenho vocal apresentado e a qualidade de vida; 3. Análise perceptivo-auditiva da voz: 85% das vozes alteradas no parâmetro (G), 72% das vozes alteradas no parâmetro (I) e no parâmetro (R), 83% das vozes alteradas no parâmetro (B), 57% das vozes alteradas no parâmetro (A) e 28% das vozes alteradas no parâmetro (S); 4. Avaliação acústica computadorizada da voz: média de 139Hz na f0 dos homens e de 191Hz nas mulheres, 22% de definição irregular dos harmônicos e 25% de presença de ruído nos espectrogramas; 5. Avaliação laringoscópica: presença de fechamento glótico incompleto em 12% dos exames, presença de lesão em 17% dos exames e presença de arqueamento 28% dos exames. 49 50 7 APÊNDICES APÊNDICE 1 – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO A presente pesquisa tem como objetivo verificar os parâmetros vocais característicos do processo de envelhecimento vocal. O estudo pretende realizar um levantamento da incidência de queixas vocais nesse período e verificar os parâmetros de qualidade vocal de cada indivíduo entrevistado, colaborando desta forma para um maior conhecimento da realidade desta população. Os procedimentos solicitados aos participantes da pesquisa incluem coleta de dados por meio de aplicação, em situação individual, de entrevista estruturada com questões referentes à percepção e queixas vocais e a gravação de amostras de voz dos mesmos. Além disso será realizada, por um médico otorrinolaringologista, uma videolaringoestroboscopia, exame que visa detectar alterações anatômicas e funcionais na laringe. A partir das respostas obtidas e analisadas estatisticamente, análise acústica e perceptivo-auditiva das amostras de voz e do laudo otorrinolaringológico dos exames serão obtidos os resultados que irão compor um Trabalho de Conclusão de Curso de Mestrado na área de Distúrbios da Comunicação. É garantido o acesso, em qualquer etapa, ao profissional responsável pela pesquisa – Fga. Denise Ienk Ferreira, telefone (42) 3025-4125 para esclarecimento de eventuais dúvidas. Também é assegurada a liberdade da retirada do consentimento, a qualquer momento, deixando de participar do estudo, sem quaisquer conseqüências. O participante tem a garantia de não identificação e de manutenção do caráter confidencial da informação com relação à privacidade. Eu_________________________________________, RG____________________, declaro que, manifestei a decisão em participar da pesquisa. Ficaram claros para mim quais são os propósitos do estudo, os procedimentos a serem realizados, as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. CONCORDO voluntariamente em participar deste estudo, estando ciente de que poderei retirar o meu consentimento, a qualquer momento, antes ou durante o mesmo. A minha assinatura neste Consentimento Livre e Esclarecido autoriza o patrocinador do estudo, o Comitê de Ética da UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ e a organização governamental de saúde a utilizarem os dados obtidos quando se fizer necessário, incluindo a divulgação dos mesmos, sempre preservando minha privacidade. Ponta Grossa, _____ de __________________ de 200__. Nome do participante:___________________________________________ Assinatura participante:__________________________________________ Nome do Pesquisador Responsável: Denise Ienk Ferreira Assinatura Pesquisador Responsável:_______________________________ 50 51 APÊNDICE 2 – ENTREVISTA 1. Nome: 2. Data de nascimento: 3. Faixa etária: 1. 60 a 65 anos 2. 66 a 70 anos 3. 71 a 75 anos 4. 76 a 80 anos 5. 81 a 85 anos 6. 86 a 90 anos 4. Sexo: 1. Masculino 2. Feminino 5. Participa de alguma outra onde faça uso intenso da voz? 1. Não 2. Sim 6. Quais atividades seriam essas? 1. Aula de Canto 2. Bingos 3. Bolão 4. Canto Coral 5. Canto na Igreja 6. Leitura na Igreja 7. Ministra cursos/palestras 8. Orador do grupo/comunidade que representa 9. Pastoral da Criança 10. Pastoral da Paz 11. Professor de Catequese 12. Serviço voluntário em creches e escolas 13. Toma conta de crianças (netos, sobrinhos) 14. Venda de produtos 15. Outra 16. Não participa de nenhuma atividade com uso da voz 7. Possui queixa vocal ao participar de alguma dessas atividades? 1. Não 2. Sim 3. Não participo de nenhuma atividade com uso da voz 8. Com que regularidade sente essas dificuldades? 1. Sempre 2. Ás vezes 3. Raramente 4. Não sente nenhuma dificuldade 5. Não participa de nenhuma atividade com uso da voz 9. Que tipo de dificuldades sente? 51 52 1. Voz fraca 2. Voz rouca 3. Voz sem alcance 4. Voz grossa/grave 5. Voz fina/aguda 6. Falhas na Voz 7. Fadiga Vocal 8. Outra 9. Não sente nenhuma dificuldade 10. Não participa de nenhuma atividade com uso da voz 10. Sua voz apresentou alguma mudança com o passar dos anos? 1. Não 2. Sim 3. Não percebi se houve mudança 11. Que tipo de mudança percebeu? 1. Melhorou 2. Piorou 3. Está mais fraca 4. Está mais baixa 5. Está mais alta 6. Está rouca 7. Está mais grossa/grave 8. Está mais fina/aguda 9. Está mais encorpada 10. Não sai às vezes 11. Não alcança as mesmas notas que anteriormente 12. Parece sempre cansada 13. Some ao uso intenso 14. Outra 15. Não percebi nenhuma mudança 12. Seus amigos e familiares notaram alguma mudança na sua voz? 1. Não 2. Sim 13. Que comentários fizeram em relação à sua voz? 1. Que a voz melhorou 2. Que a voz piorou 3. Que está mais fraca 4. Que está mais baixa 5. Que está rouca 6. Que está mais grossa/grave 7. Que está mais fina/aguda 8. Que parece sempre cansada 9. Outro 10. Não fizeram nenhum comentário 14. Ao falar ao telefone já foi confundido com pessoa de outro sexo? 1. Não 2. Sim 15. Fuma? 1. Não 2. Sim 16. Há quanto tempo é fumante? 1. Menos de 5 anos 2. De 5 à 10 anos 3. Mais de 10 anos 4. Não fuma 52 53 17. Já foi fumante? 1. Não 2. Sim 3. Ainda fuma 18. Já teve alguma alteração vocal diagnosticada por otorrinolaringologista? 1. Não 2. Sim 19. Qual foi o problema vocal apresentado? 1. Câncer de Garganta 2. Cisto(s) 3. Edema de Prega Vocal 4. Fenda Glótica 5. Leucoplasia/Laringite Crônica 6. Nódulos Vocais 7. Paralisia de Prega Vocal 8. Pólipos Vocais 9. Tremor Vocal 10. Outra - 11. Nunca passou por avaliação ORL 12. Nenhum problema vocal foi encontrado por ORL 20. Está/esteve na menopausa? 1. Não 2. Sim 21. Notou alguma mudança na voz durante a menopausa ou durante o uso do medicamento? 1. Não 2. Sim 3. Não está/esteve na menopausa 22. Que mudanças vocais percebeu? 1. Voz fraca 2. Voz rouca 3. Voz sem alcance 4. Voz grossa/grave 5. Voz fina/aguda 6. Falhas na Voz 7. Fadiga vocal 8. Outra 9. Não percebeu nenhuma mudança 10. Não está/esteve na menopausa 53 54 APÊNDICE 3 – PROTOCOLO PARA ANÁLISE ACÚSTICA DA VOZ 1. Nome do indivíduo/Track n.º 2. Definição e regularidade dos harmônicos: 1. Bem definidos/regulares 2. Pouco definidos/irregulares 3. Qualidade da definição e da regularidade: 1. 1.Ótima 2. 2.Boa 3. 3.Regular 4. 4.Ruim 5. 5.Péssima 4. Valor do harmônico superior: 5. Há presença de ruído? 1. Não 2. Sim 6. Parâmetros relativos ao ruído: 1. Discreto na região dos harmônicos 2. Moderado na região dos harmônicos 3. Intenso na região dos harmônicos 4. Discreto na região acima dos harmônicos 5. Moderado na região acima dos harmônicos 6. Intenso na região acima dos harmônicos 7. Não há presença de ruído Indique as respostas selecionando uma ou diversas casas (2 no máximo) 7. Valor PHR: 54 55 APÊNDICE 4 – TABELA 12 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM OS VALORES OBTIDOS PARA O HARMÔNICO SUPERIOR NO SEXO FEMININO N.º Indivíduo HS N.º Indivíduo HS N.º Indivíduo HS 6 EM 3567,9 59 SBA 4458,9 60 TJR 2395,7 7 LPC 4865,3 21 MCP 3526,7 14 BDB 1315,8 8 ZM 4836,2 34 JSD 3426,8 22 MJR 1584,6 9 GSD 3968,4 26 MB 3359,8 25 CDL 1324,5 10 MS 3758,6 37 TC 3756,9 27 DCG 1466,5 16 CD 4866,8 45 EAO 3654,2 54 OTS 1892,2 17 CCS 4859,5 53 LM 3587,2 55 PRB 1857,6 18 IFS 4833,6 2 CKG 2935,6 1 CBP 1125,6 20 JAS 4796,7 3 ERC 2785,6 19 JTB 1284,5 23 WN 4799,4 4 JLA 2413,5 31 IAV 1328,9 29 GBS 4668,8 5 NSB 2398,4 50 JS 1075,8 30 HS 4582,3 12 AJB 2459,1 33 IOF 4828,9 15 CBA 2418,3 38 VC 3396,3 32 IM 2256,4 39 AM 4785,6 35 LG 2158,9 40 ABZ 3587,4 41 ARB 2284,7 43 DG 3621,2 42 DFD 2387,6 MÉDIA 3146,47 56 RA 3986,5 44 HF 2354,5 DESVIO PADRÃO 1251,03 55 56 APÊNDICE 5 – TABELA 13 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA DE ACORDO COM OS VALORES OBTIDOS PARA O HARMÔNICO SUPERIOR NO SEXO MASCULINO N.º Indi- HS víduo 11 AM 3648,9 13 AR 4125,3 24 AH 3685,6 26 CN 979,6 28 ELS 3954,6 46 EM 3655,1 47 ES 1552,1 48 JM 2119,4 49 JMB 3421,8 51 JPO 3694,1 52 FG 2415,6 57 RA 1876,2 58 SS 3125,6 MÉDIA DESVIO PADRÃO 2942,60 1028,3 56 57 APÊNDICE 6 - QUADRO 4 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA COM DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ DE ACORDO COM AS ANÁLISES PERCEPTIVO-AUDITIVA, ACÚSTICA E LARINGOSCÓPICA N.º Ind. Sexo G I R B A S F0 Def. Grau PHR Ruído Tipo Fecham. Fenda Lesão Arq. 1 CBP Fem. 2 2 2 2 0 2 226 Pouco 5 Péssima 2.075 Sim DS Completo -- -- -- 2 CKG Fem. 0 0 0 0 1 0 197 Bem 3 Regular 6.367 -- -- Completo -- -- Sim 3 ERC Fem. 2 1 1 2 2 0 155 Bem 3 Regular 5.676 -- -- Completo -- ER -- 4 JLA Fem. 1 1 1 1 1 0 161 Bem 3 Regular 5.360 Sim DS Completo -- VDG Sim 5 NSB Fem. 1 1 1 1 1 0 194 Bem 3 Regular 5.308 -- -- Completo -- VDG -- 6 EM Fem. 1 1 1 1 0 1 187 Bem 1 Ótima 9.681 Sim DS Completo -- -- -- 7 LPC Fem. 1 1 1 2 1 0 209 Bem 1 Ótima 11.590 -- -- Completo -- -- -- 8 ZM Fem. 1 1 1 1 0 1 193 Bem 1 Ótima 11.242 -- -- Completo -- -- -- 9 GSD Fem. 1 1 1 1 1 1 182 Bem 1 Ótima 10.697 -- -- Completo -- -- -- 10 MS Fem. 2 2 2 2 1 0 206 Bem 1 Ótima 9.352 -- -- Completo -- HD -- 57 58 APÊNDICE 7 - QUADRO 5 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA SEM DIFICULDADE AO USO INTENSO DA VOZ DE ACORDO COM AS ANÁLISES PERCEPTIVO-AUDITIVA, ACÚSTICA E LARINGOSCÓPICA N.º Ind Sexo G I R B A S F0 Def. Grau PHR Ruído Tipo Fecham. Fenda Lesão Arq. 11 AM Mas. 2 2 2 3 1 0 96 Bem 2 Boa 8.452 -- -- Completo -- -- -- 12 AJB Fem. 1 2 1 1 0 1 200 Bem 3 Regular 6.061 Sim MI Completo -- -- -- 13 AR Mas. 1 1 1 1 1 0 148 Bem 1 Ótima 10.087 -- -- Completo -- -- Sim 14 BDB Fem. 0 1 0 0 0 0 193 Pouco 4 Ruim 4.906 -- -- Completo -- -- Sim 15 CBA Fem. 1 1 1 1 0 1 165 Bem 3 Regular 6.554 Sim DI Completo -- -- -- 16 CD Fem. 2 2 2 2 2 0 227 Bem 1 Ótima 13.859 -- -- Completo -- -- Sim 17 CCS Fem. 1 1 1 1 1 0 168 Bem 1 Ótima 13.481 Sim MS Completo -- -- Sim 18 IFS Fem. 1 1 1 1 0 1 187 Bem 1 Ótima 11.044 Sim DS Completo -- -- Sim 19 JTB Fem. 1 1 1 1 1 0 172 Pouco 5 Péssima 2.071 -- -- Completo -- -- -- 20 JAS Fem. 1 0 0 1 0 1 199 Bem 1 Ótima 10.010 -- -- Incompl. FFA -- Sim 21 MCP Fem. 0 0 0 0 0 0 191 Bem 2 Boa 8.849 -- -- Completo -- VDG -- 22 MJR Fem. 1 1 1 1 1 0 145 Pouco 4 Ruim 4.276 -- -- Completo -- HD Sim 23 WN Fem. 1 1 1 1 1 0 191 Bem 1 Ótima 10.869 -- -- Completo -- HD -- 24 AH Mas. 2 2 2 2 1 0 168 Bem 1 Ótima 9.702 Sim DS Completo -- HD -- 25 CDL Fem. 0 0 0 0 0 0 186 Pouco 4 Ruim 3.973 -- -- Completo -- -- -- 26 CN Mas. 2 0 1 2 2 0 104 Pouco 5 Péssima 2.383 -- -- Completo -- -- Sim 27 DCG Fem. 1 1 1 1 1 0 163 Pouco 4 Ruim 4.429 -- -- Completo -- -- Sim 28 ELS Mas. 2 2 2 2 2 3 172 Bem 1 Ótima 9.406 Sim MI Completo -- -- -- 29 GBS Fem. 1 0 0 1 0 0 217 Bem 1 Ótima 13.091 -- -- Incompl. FFA -- -- 30 HS Fem. 1 1 1 1 1 0 216 Bem 1 Ótima 10.122 -- -- Completo -- -- Sim 31 IAV Fem. 1 0 0 1 0 0 174 Pouco 5 Péssima 2.815 Sim MS Completo -- -- Sim 32 IM Fem. 1 1 1 1 2 0 189 Bem 3 Regular 5.358 Sim DS Completo -- -- -- 33 IOF Fem. 1 0 1 1 0 0 219 Bem 1 Ótima 12.723 Sim DS Completo -- -- Sim 34 JSD Fem. 1 0 0 1 1 0 175 Bem 2 Boa 7.823 -- -- Completo -- -- -- 35 LG Fem. 1 0 1 0 1 0 174 Bem 3 Regular 6.292 -- -- Completo -- -- -- 58 59 N.º Suj. Sexo G I R B A S F0 Def. Grau PHR Ruído Tipo Fecham. Fenda Lesão Arq. 36 MB Fem. 0 0 0 0 0 0 179 Bem 2 Boa 7.793 Sim DI Completo -- LC -- 37 TC Fem. 0 0 0 0 0 0 196 Bem 2 Boa 8.967 -- -- Completo -- -- -- 38 VC Fem. 1 1 1 1 0 1 174 Bem 1 Ótima 9.280 Sim DS Incompl. FA -- -- 39 AM Fem. 1 0 1 1 2 0 206 Bem 1 Ótima 11.125 -- -- Completo -- -- -- 40 ABZ Fem. 0 0 0 0 1 0 211 Bem 1 Ótima 10.873 -- -- Completo -- -- -- 41 ARB Fem. 3 3 2 3 0 3 210 Bem 3 Regular 5.299 -- -- Incompl. FFA -- -- 42 DFD Fem. 2 2 2 2 2 0 169 Bem 3 Regular 6.978 -- -- Completo -- -- -- 43 DG Fem. 1 1 1 1 0 0 192 Bem 1 Ótima 10.474 -- -- Incompl. FP -- -- 44 HF Fem. 1 1 1 1 1 0 200 Bem 3 Regular 6.756 -- -- Completo -- -- -- 45 EAO Fem. 1 1 1 1 0 1 181 Bem 2 Boa 8.400 -- -- Completo -- -- -- 46 EM Mas. 1 1 1 2 1 0 155 Bem 2 Boa 8.542 -- -- Completo -- -- -- 47 ES Mas. 1 1 1 1 1 0 144 Pouco 4 Ruim 3.855 -- -- Completo -- -- Sim 48 JM Mas. 2 1 1 2 2 1 167 Bem 3 Regular 4.691 Sim DS Incompl. FFAP -- -- 49 JMB Mas. 0 0 0 0 0 0 122 Bem 2 Boa 7.533 -- -- Completo -- -- -- 50 JS Fem. 1 2 1 2 1 0 233 Pouco 5 Péssima 2.245 -- -- Incompl. FFA -- Sim 51 JPO Mas. 2 2 2 2 0 1 145 Bem 2 Boa 8.575 -- -- Completo -- -- -- 52 FG Mas. 1 0 0 1 0 1 136 Bem 3 Regular 5.308 -- -- Completo -- -- -- 53 LM Fem. 1 1 1 2 1 0 187 Bem 2 Boa 7.596 -- -- Completo -- -- -- 54 OTS Fem. 1 1 0 1 0 0 203 Pouco 4 Ruim 4.360 -- -- Completo -- -- -- 55 PRB Fem. 1 1 1 2 1 0 221 Pouco 4 Ruim 5.074 -- -- Completo -- -- -- 56 RA Fem. 0 0 0 0 0 1 199 Bem 1 Ótima 9.163 -- -- Completo -- -- -- 57 RA Mas. 1 1 1 1 0 1 152 Pouco 4 Ruim 4.296 -- -- Completo -- -- Sim 58 SS Mas. 2 1 2 2 0 0 98 Bem 2 Boa 8.948 -- -- Completo -- LC -- 59 SBA Fem. 2 2 2 2 2 0 155 Bem 1 Ótima 11.649 -- -- Completo -- -- -- 60 TJR Fem. 1 1 1 1 1 0 188 Bem 3 Regular 6.842 -- -- Completo -- -- -- 59 60 ANEX0 1 – QUADRO 1 – PROTOCOLO DE QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À VOZ, DESENVOLVIDO POR HOGIKYAN & SETHURAMAN (1999) E ADAPTADO POR MARA BEHLAU (2001) PROTOCOLO QVV – MENSURAÇÃO DE QUALIDADE DE VIDA E VOZ Hogikyan & Sethuraman (1999) (tradução e adaptação de Mara Behlau Nome_______________________________________________ Data: ____________ Sexo ____ Idade ____ Profissão_____________________________ Estamos procurando compreender melhor como um problema de voz pode interferir nas atividades de vida diária. Apresentamos uma lista de possíveis problemas relacionados a voz. Por favor, responda a todas as questões baseadas em como sua voz tem estado nas duas últimas semanas. Não existem respostas certas ou erradas. Para responder ao questionário, considere tanto a severidade do problema, como sua freqüência de aparecimento, avaliando cada item abaixo de acordo com a escala apresentada. A escala que você irá utilizar é a seguinte: 1 = nunca acontece e não é um problema 2 = acontece pouco e raramente é um problema 3 = acontece às vezes e é um problema moderado 4 = acontece muito e quase sempre é um problema 5 = acontece sempre e realmente é um problema Por causa de minha voz, O quanto isso é um problema? 1. Tenho dificuldades em falar forte (alto) ou ser ouvido em ambientes ruidosos 1 2 3 4 5 2. O ar acaba rápido e preciso respirar muitas vezes enquanto eu falo 1 2 3 4 5 3. Não sei como a voz vai sair quando começo a falar 1 2 3 4 5 4. Fico ansioso ou frustrado (por causa da minha voz) 1 2 3 4 5 5. Fico deprimido (por causa da minha voz) 1 2 3 4 5 6. Tenho dificuldades ao telefone (por causa da minha voz) 1 2 3 4 5 7. Tenho problemas no meu trabalho ou para desenvolver minha profissão (por causa da voz) 1 2 3 4 5 8. Evito sair socialmente (por causa da voz) 1 2 3 4 5 9. Tenho que repetir o que falo para ser compreendido 1 2 3 4 5 10. Tenho me tronado menos expansivo (por causa da minha voz) 1 2 3 4 5 A base de cálculo utilizada para a mensuração de qualidade de vida e voz foi retirada da obra de Behlau et al (2001). Para o cálculo do escore final do QVV, utilizam-se as regras geralmente empregadas na maior parte dos instrumentos de qualidade de vida. É calculado um escore padrão a partir do escore bruto, com um valor mais elevado indicando uma maior correlação entre a voz e a qualidade de vida. O escore máximo é de 100 (melhor qualidade de vida), e o escore mínimo é zero, tanto para um domínio particular, como para o escore global. O escore geral do QVV é calculado de acordo com o seguinte algorítimo, referido na obra de Behlau (2001): 60 61 100 - (escore bruto - itens no domínio ou total) x 100 maior escore bruto possível - itens Desta forma, se quisermos calcular o escore do domínio sócio-emocional, correspondente aos itens 4, 5, 8 e 10, utilizaremos o seguinte algorítimo: 100 - (escore bruto - 4) x 100 16 Já o escore do funcionamento físico, correspondente aos itens 1, 2, 3, 6, 7 e 9, é calculado de acordo com o seguinte algorítimo: 100 - (escore bruto - 6) x 100 24 Finalmente, o escore total, correspondente aos itens de 1 a 10, é calculado de acordo com o seguinte algorítimo: 100 - (escore bruto - 10) x 100 40 Desta forma, se o escore padrão for 30, como se um problema moderado existisse em todos os itens, então, o resultado global do QVV seria: 100 - 20 x 100 = 100 – (0,5 x 100) – 50 = 50 escore padrão 40 61 62 ANEXO 2 QUADRO 2 – DEFINIÇÃO DOS PARÂMETROS DA ESCALA GIRBAS – SEGUNDO BEHLAU et al (2001) PARÂMETROS G – GRADE I – INSTABILITY R – ROUGHNESS B – BREATHINESS A – ASTENY S – STRAIN DEFINIÇÃO Grau de alteração vocal – impressão global da voz, impacto da voz no ouvinte, percepção global do envelope do espectro, da fonte e dos filtros; identifica o grau da alteração vocal como um todo. Instabilidade, flutuação na freqüência fundamental e/ou na qualidade vocal. Irregularidade nas vibrações das pregas vocais, indica a sensação de “rugosidade” na emissão (rugosité, em francês). Soprosidade, turbulência audível como um chiado, escape de ar na glote, sensação de ar na voz. Astenia, fraqueza vocal, perda de potência, energia vocal reduzida, harmônicos pouco definidos. Tensão, impressão de estado hiperfuncional, freqüência aguda, ruído nas freqüências altas do espectro e harmônicos e agudos marcados. 62 63 8 REFERÊNCIAS ALLODI, P., FERREIRA, L. A voz no envelhecer. In: FERREIRA, C., COSTA, H. Voz ativa: falando sobre a clínica fonoaudiológica. São Paulo: Roca, 2001. p. 219236. BEHLAU, M. Presbifonia: envelhecimento vocal inerente à idade. In: RUSSO, I. Intervenção fonoaudiológica na terceira idade. Rio de Janeiro: Revinter, 1999. p.2550. BEHLAU, M., AZEVEDO, R., PONTES, P. Conceito de voz normal e classificação das disfonias. In: Voz o livro do especialista. 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