2625 UM ESTUDO PRELIMINAR DA RELAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO REGINAL ENTRE CENTROS VOCACIONAIS TECNOLOGICOS E OS ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS: UMA ANÁLISE PARA O APL DE CONFECÇÃO EM PERNAMBUCO José Geraldo PIMENTEL NETO Geógrafo do Instituto de Tecnologia de Pernambuco, Subcoordenador Núcleo de Inovação Tecnológica, [email protected] Ivan Dornelas Falcone de MELO Engenheiro Cartógrafo – Serviço Florestal Brasileiro, Ministério do Meio Ambiente, [email protected] Felipe José Alves de ALBUQUERQUE Geógrafo do Instituto de Tecnologia de Pernambuco, Coordenador da Unidade de Geoinformação, [email protected] Ana Mônica CORREIA Geógrafo do Instituto de Tecnologia de Pernambuco, Gerente da Unidade de Geoinformação, [email protected] Marcos Aurélio DORNELAS Sociólogo, Mestre e doutorando em Sociologia pela UFPE, Consultor do Instituto de Tecnologia de Pernambuco, [email protected] Marcia Maria Pereira LIRA engenheira química – Superintendente de Inovação Tecnológica do Instituto de Tecnologia de Pernambuco - [email protected] RESUMO O presente trabalho tem como preocupação apresentar a importante relação de desenvolvimento local-estadual entre os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT1) com os seus Arranjos Produtivos Locais (APL) no setor de confecções em Pernambuco. O Nordeste, por apresentar grandes disparidades regionais na sua própria região destaca nos seus níveis socioeconômicos grandes diferenças entre as regiões do Estado de Pernambuco. Essa relação é vista também entre os municípios de um APL ora com índices socioeconômicos razoáveis ora com índices negativos, mostrando a disparidade 1 Os CVT de acordo com o Ministério de Ciência e Tecnologia tem como objetivo: “Consolidar e expandir o programa de Centros Vocacionais Tecnológicos - CVTs, visando fortalecer a rede nacional de difusão e popularização da Ciência e Tecnologia. Ampliar a oferta de pontos de acesso ao conhecimento científico e tecnológico; fortalecer a capacitação da população, reduzindo as desigualdades sociais, culturais e econômicas. Contribuir para o desenvolvimento regional, com ênfase na inclusão social”. Página na WEB: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/78327.html I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2626 inter-municipais. Deste modo foram analisados os municípios (Agrestina e riacho das Almas) do APL que possuem CVT e os principais municípios (Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe) do APL totalizando cinco municípios. Foi analisado para os municípios o seu porte setorial, educacional e regional para o setor de confecções, tendo como conclusão a importância dos CVT com ações de capacitação básica e para o mercado de trabalho incluindo socialmente as populações dos municípios mais desfavoráveis do APL e potencializando esses municípios diminuindo as disparidades intermunicipais do Estado de Pernambuco. Palavras-chaves: Arranjo Produtivo Local, Centro vocacional Tecnológico, Inclusão social, desenvolvimento regional e Setor de Confecções de Pernambuco. ABSTRACT The present work shall be concerned with the need to present na important relation of local-state development between the Technological Vocational Centers (TVC) and their Local Productive Arrangements (LPA2) in the textile sector of Pernambuco. Considering that Northeastern Brazil presents large regional disparities in its own region, it highlights in its socioeconomic levels large differences among the regions of the State of Pernambuco. This relation is also noted among the cities that compose a LPA, sometimes possessing admissible socioeconomic indicators, sometimes possessing negative indicators, showing the inter-municipal disparities. Thus, it was analyzed the cities (Agrestina and Riacho da Almas) of the LPA that has a TVC and the main cities (Caruaru, Toritama and Santa Cruz do Capibaribe) of the LPA, totalizing five cities. It was analyzed the sectorial set, educational and regional profile of the cities for the textile sector. It presents as conclusion the development of TVC with actions related to basic training procedure for the labor market, including socially the populations of the most unfavorable cities of the LPA and potentiating theses cities, the LPA and State, reducing the inter-municipal disparities of the State. Key-words: Local Productive Arrangements, Technological Vocational Centers, social inclusion, regional development e Garment Industry of Pernambuco 1) Uma breve reflexão conceitual sobre CVT e APL e a análise metodológica dessa relação. A questão do desenvolvimento regional sempre esteve presente nos objetivos da política pública brasileira. O problema das desigualdades econômicas e sociais nas regiões, ao longo do tempo, marca o processo de regionalização no Brasil esse processo de 2 The LPAs according to the Ministry of Science and Technology has as main goal: “To consolidate and expand the program of Technological Vocational Centers – TVCs, aiming to strengthen the national network of diffusion and popularization of Science and Technology. To expand the provision of access points to the scientific and technological knowledge, strengthen population’s professional formation, reducing social, cultural and economic inequalities. To contribute to the regional development, with emphasis on social inclusion”. Internet website: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/78327.html I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2627 mudanças normalmente esta atrelado aos paradigmas da economia internacional que atualmente é regido pela globalização. O Brasil em tempos de inserção competitiva por conta da globalização de acordo com Araújo (1999) apresenta uma inserção passiva nos mercados internacionais possibilitando a fragmentação denominada por Araújo (1999) de desintegração competitiva3. Esta tendência pode ser contrabalanceada por uma nova política nacional de desenvolvimento regional. Políticas preocupadas com o desenvolvimento social e econômico dos municípios e regiões do Brasil que atuem primordialmente nas áreas de saúde, educação, economia entre outros pontos que possibilitam o desenvolvimento regional4 dos espaços com maiores disparidades locais/regionais como, por exemplo, a macrorregião do IBGE - Nordeste. Tais políticas podem ser verificadas no Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) na sua secretaria de inclusão social na qual se desenvolve o projeto dos CVT (desde 2003 pelo MCT) e no Ministério do Desenvolvimento, indústria e comércio Exterior (MDIC) desenvolvido pelo Grupo de Trabalho Permanente para Arranjos Produtivos Locais. Os CVT de acordo5 com o ministério de Ciência e Tecnologia são definidos como: “Os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT) são, além de unidades de ensino e de profissionalização, centros voltados para a difusão do acesso ao conhecimento científico e tecnológico de conhecimentos práticos na área de serviços técnicos e para a transferência de conhecimentos tecnológicos na área de processo produtivo. Os CVTs estão direcionados para a capacitação tecnológica da população, como uma unidade de formação profissional básica, de experimentação científica, de investigação da realidade e prestação de serviços especializados, levando-se em conta a vocação da região onde se insere, promovendo, a melhoria dos processos produtivos.” Para estruturar a definição conceitual de APL (Arranjo Produtivo Local), os autores: Cassiolato, Lastres & Szafiro (2000), indicam algumas das principais peculiaridades que devem ser observadas no estudo dessas aglomerações: 1) a dimensão territorial; 2) a 3 Exercer apenas às próprias decisões do mercado tende a dinamizar um caráter seletivo nas cidades, regiões e países. 4 A idéia de região deve diferenciar da de uma empresa, pois a empresa menos as que trabalham em conjunto adotam o modelo da competição com outras empresas. As regiões não devêm ser vistas dessa forma, porque a área de atuação é para desenvolvimento da sociedade, ou seja, cada região deve complementar a outra gerando assim um melhor desenvolvimento regional e por sua vez nacional. 5 Citados na página do Ministério de inclusão digital - http://www.inclusaodigital.gov.br/inclusao/links-outrosprogramas/centros-vocacionais-tecnologicos/ I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2628 diversidade, das atividades e dos atores; 3) o conhecimento tácito; 4) as inovações e aprendizados interativos; e 5) a governança. O desenvolvimento dos APL de acordo com Siedenberg (2006) é constituído com instalações de empresas, outras instituições (educação, pesquisa, governo, etc.) cujo conjunto potencializa a capacitação produtiva do entrono (a região delimitada pelas características econômicas). Deste modo os riscos são diminuídos e aumenta flexibilização de novas estratégias e cooperação entre os autores locais da região. O APL então nada mais é que uma concentração geográfica de empresas correlatas que formam gestão e especialização produtiva sendo assim um estágio mais avançado que um simples aglomerado de empresas. Metodologicamente, para se analisar a importância dos CVT em um APL, utilizou-se à relação dos três principais municípios em quantidade de estabelecimentos e empregados do APL de Confecção de Pernambuco com os CVT que fazem parte do mesmo APL. Deste modo foram analisados cinco municípios do APL de confecção de Pernambuco, são eles: Caruaru (APL), Santa Cruz do Capibaribe (APL), Toritama (APL), Riacho das Almas (APL-CVT) e Agrestina (APL-CVT). FIGURA 1: Mapa do Estado de Pernambuco: APL e CVT de confecção Foi realizada uma análise quantidade de estabelecimentos e empregados totais de cada município para o ano de 2006 e suas especificações na CNAE 2.0 (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) e, ainda, uma análise das empresas importadoras e exportadoras, verificando o nome das empresas, quantidade e faixa de gasto e lucro. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2629 Essas análises foram complementadas com dados de educação, importantes para se traçar o perfil dos municípios envolvidos no APL e dos CVT da região, e por uma análise dos valores do Índice GINI, do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal IDHM e da renda per capita de cada município. Por fim foram associados os estudos de regionalização e tipologia de diversos órgãos brasileiros para municípios do Brasil. 2) Análise socioeconômica do APL e CVT de confecção de Pernambuco: Este trabalho tem como objetivo analisar a relação dos municípios que possuem CVT (Centro vocacional Tecnológico) com o APL (Arranjo Produtivo Local) ambos de confecção. Foi feita uma primeira análise a partir dos dados secundários retirados da plataforma do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS – Relação anual de Interesse Social), de onde foi extraída a quantidade de estabelecimentos e empregados para 26 classes6 da CNAE (Classificação Nacional de Atividade Econômica). Os municípios que fazem parte do APL e possuem CVT são: Agrestina e Riacho das Almas já os principais municípios do APL de confecção são: Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru. Essa primeira análise setorial-regional mostra a capacidade estrutural dos municípios com a sua configuração setorial para o ramo de confecção. TABELA 1: Quantidade total de estabelecimentos e empregados segundo classes selecionadas da CNAE 2.0 (26 classes no total - apêndice) UF PE - CVT PE - CVT PE - APL PE - APL PE - APL Município Agrestina Riacho das Almas Santa Cruz do Capibaribe Toritama Caruaru Total Total - Estabelecimento 4 24 340 319 1.051 1.779 Total - empregado 45 146 2.509 2.439 8.011 13.411 Fonte: RAIS 2006 A partir da Tabela 1, verifica-se grande disparidade entre os municípios que possuem CVT e os que fazem parte do APL, como todo APL se analisa o todo, ou seja, o conjunto de todos os municípios – a regionalização, as questões municipais individuais desfavoráveis são secundárias, pois quase sempre existe um município pólo que centraliza (informações, dinamicidade, serviços etc.) mais que os outros. Deste modo, é 6 Ver apêndice da CNAE – classe 2.0 para o setor de confecções do ano de 2006. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2630 importante salientar que a idéia de se analisar os Arranjos Produtivos Locais no seu conjunto dos municípios, na qual proporciona uma cadeia de valor regionalizada, que deveria ser bem distribuída pelo território, tendo atuação em todo o processo de produção do determinado produto e/ou serviço. A partir dessa breve análise é importante verificar para cadeia produtiva de confecção e têxtil o total de empregados e o total de estabelecimentos do APL de confecção de Pernambuco. Está verificação é mais importante do que analisar somente as partes, ou seja, os municípios individualmente, sendo, então, de suma importância a boa relação entre os municípios que fazem parte do APL. Neste sentido os municípios que não possuem muitas empresas e empregados como Agrestina e Riacho das almas ganha tem certo grau de importância por existir o CVTem seus municípios fonte de mão de obra qualificada para o desenvolvimento do APL. Os CVT são unidades educacionais para o desenvolvimento social-regional propostos pelo Ministério de Ciência e Tecnologia do Brasil. Então os CVT proporcionam um diferencial para região que em alguns formatos tem como o objetivo a capacitação profissional vinculada ao APL. Os setores que mais se destacam no APL de confecção, retirados dos cinco municípios, são: 1. Confecção de peças de vestuário, exceto roupas íntimas – Estabelecimento 728 e empregados – 7170 2. Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios – Estabelecimento 617 e empregados – 1809 3. Confecção de roupas íntimas – Estabelecimento 160 e empregados – 1314 4. Lavanderias, tinturarias e toalheiros – Estabelecimento 91 e empregados – 1436 5. Fabricação de acessórios do vestuário, exceto para segurança e proteção – Estabelecimento 71 e empregados – 698 Entretanto das 26 classes selecionadas para a identificação do setor de confecção algumas delas não tiveram nenhum estabelecimento e empregados, são elas: 1. Fiação de fibras artificiais e sintéticas 2. Tecelagem de fios de fibras têxteis naturais, exceto algodão 3. Fabricação de artefatos de tapeçaria 4. Fabricação de tecidos especiais, inclusive artefatos 5. Confecção de roupas profissionais 6. Fabricação de meias I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2631 7. Fabricação de máquinas e equipamentos para a indústria têxtil 8. Fabricação de máquinas e equipamentos para as indústrias do vestuário, do couro e de calçados A composição do APL de confecção do Agreste Pernambucano, na sua conceituação mais usual, esta com déficit, principalmente no que se refere a estabelecimentos e empregados para os 8 tipos de classes da CNAE que, em princípio, deveria existir para configurar toda cadeia de valor com o setor. Depois de verificar dados gerais do setor pela RAIS foi obtido pela plataforma ALICE/SECEX dados de exportação e importação no ano de 2007. Essas informações são específicas para o setor de confecção dos municípios do APL e CVT do Agreste Pernambuco. Nessa investigação foram encontradas 3 (três) empresas exportadoras para os cinco municípios analisados, são elas: 1. Agreste exportação LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Caruaru 2. Forrozão dos retalhos LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Santa Cruz do Capibaribe 3. Mercatore-indústria e comercio LTDA - faixa até Us$ 1 milhão – Agrestina. Como informado, esses dados também foram coletados para as empresas importadoras, sendo encontrados 16 estabelecimentos na regionalização analisada (0s 6 municípios do APL de Confecção de Pernambuco): 1. Mercatore-indústria e comercio LTDA - até Us$ 1 milhão – Agrestina 2. Carapeba & costa LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Caruaru 3. Pro-surf indústria e comercio de confecções LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Caruaru 4. CIA dos fios LTDA me – faixa até Us$ 1 milhão – Caruaru 5. Kambri comercial LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Caruaru 6. Etigraf - indústria de etiquetas LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Caruaru 7. Euro 5 têxtil - comercio, importação e exportação LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Caruaru 8. M tributino & CIA LTDA me – faixa até Us$ 1 milhão – Caruaru 9. André Julio da silva me – faixa até Us$ 1 milhão – Santa Cruz do Capibaribe I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2632 10. forrozão dos retalhos LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Santa Cruz do Capibaribe 11. M.campos comercial, exportação & importação LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Santa Cruz do Capibaribe 12. Aci Brasil têxtil importação e exportação LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Santa Cruz do Capibaribe 13. Jussa tecidos LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Santa Cruz do Capibaribe 14. Indústria de elásticos JM LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Santa Cruz do Capibaribe 15. Rota Brasil indústria e comércio de mercadorias e insum – faixa até Us$ 1 milhão – Santa Cruz do Capibaribe 16. Nortex importação e exportação de artigos têxteis LTDA – faixa até Us$ 1 milhão – Santa Cruz do Capibaribe Essa relação entre exportação e importação mostra uma idéia da balança comercial brasileira que normalmente, na maioria dos produtos, importa mais do que exporta. Deste modo, não é diferente para os municípios do APL de confecção de Pernambuco. Mas, é importante salientar que possuir empresas desse porte, tanto na exportação quanto na importação e essa dinâmica é de grande relevância para o desenvolvimento do APL, pois em suma é a relação entre o local – regional – global tão importante nesse período de globalização com feedbacks entre outras regiões. Além dessas informações setoriais gerais e específicas para o ramo de confecção nos municípios do APL de Pernambuco é importante para a caracterização as informações das instituições de educação superior e profissional voltada para a área de confecção. Essas instituições (públicas e privadas) potencializam a região, pois prioriza a capacitação no setor e diversificam com novas idéias, processos e produtos (as empresas) os segmentos da cadeia de valor do ramo de confecção. Os principais cursos de acordo com o MEC (Ministério da Educação) na região são: 1. Caruaru - Universidade Federal de Pernambuco – UFPE – Design (Moda) 2. Santa Cruz do Capibaribe Faculdade de Desenvolvimento e Integração Regional – FADIRE - Design com habilitação em moda É visto que para a região a quantidade de cursos superiores é pequena, principalmente por que em Recife que não faz parte do APL possui 5 instituições superiores que trabalham com confecção. Isso indica a priori uma baixa capacidade de difusão do I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2633 conhecimento e certa concentração espacial, pois essas instituições são relativamente próximas dificultando a difusão do conhecimento no APL. Para tentar responder a essa indagação foi analisado na plataforma do IBGE para o ano de 2000 o índice de analfabetismo para adultos acima de 25, dos municípios estudados são: Tabela 2: dados socioeconômicos para os municípios do APL de confecção de Pernambuco Município Agrestina Riacho das almas Santa Cruz do Capibaribe Toritama Caruaru Analfabetismo acima de 25 anos % 2000 51,45 25,38 29,21 39,52 37,73 GINI % 2000 0,63 0,58 0,53 0,59 0,46 IDH % 2000 Renda per capita (R$) 2000 0,612 0,713 0,699 0,641 0,67 108,03 209,76 207,85 131,70 195,27 Fonte: IBGE e IPEA ano 2000 Agrestina é o pior município com um percentual de 51,45% e 49,688% respectivamente, o melhor município, mas mesmo assim com índice ainda elevado, é santa Cruz do Capibaribe com 29,21%. Ou seja, em nenhum dos cinco municípios, para o dado de analfabetismo acima de 25 anos, caracteriza-se ter um bom investimento na educação básica e profissional, pois os valores de analfabetos são relativamente alto, isto eleva, ainda mais, a importância dos CVT na região que em muitos dos casos tem também a preocupação com a educação básica. Indica também, a possibilidade de não existir mais cursos superiores pela falta de pessoas com nível de formação adequado para entrar nesse tipo instituição (superior) que são necessários, no mínimo, 12 anos de estudo comprovados por escolas vinculadas ao MEC. GINI é um índice que indica disparidade social entre a sociedade da uma localidade. Esse dado é interpretado da seguinte forma: quanto mais perto de 1 maior a desigualdade entre a sociedade da determinada localidade. Porém, em alguns casos, principais em municípios muito pobres, essa desigualdade pode ficar menor por conta da grande fragilidade financeira de toda população, ou seja, não existem muitas pessoas com grandes rendas na localidade gerando assim uma falsa impressão de um bom indicador. Essa situação pode acontecer em alguns municípios analisados. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2634 Agrestina é o que apresenta pior situação, pois tem um índice alto de analfabetos acima de 25 anos, uma quantidade de estabelecimentos e empregados irrelevantes e um índice GINI alto indicando alta disparidade social. Toritama e Santa Cruz do Capibaribe seguem a linha do município de Agrestina no que se refere à disparidade social (GINI) e o município de Caruaru mesmo estando abaixo dos 50% esta com um alto índice no GINI, isso indica que todos os municípios possuem uma grande disparidade social entre as populações pobres e ricas da região. Diferentemente do GINI o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é interpretado da seguinte forma: quanto mais perto de 1 melhor é a localidade. É um índice que trabalha com três variáveis: Renda, educação e longevidade e indica o nível de desenvolvimento de uma área. Por se tratar de um índice que trabalha com três variáveis qualquer diferença no percentual é uma grande diferença, o Brasil, por exemplo, tem para o ano de 2006 segundo a ONU (Organização das Nações unidas) um índice de 0,807 e esta em 70 no rank mundial, o primeiro lugar é a Islândia com um índice para 2006 de 0,968. Por fim a renda per capita que de acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada) é a razão entre o somatório da renda familiar per capita de todos os domicílios e o número total de domicílios no município. Para o Brasil a renda per capita no ano de 2000 foi de 297,23 reais já para o Pernambuco foi de 183,76 reais. É notório que os principais municípios, ou seja, os que possuem melhor renda são: riacho das almas, Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru todos acima do valor pernambucano, porém abaixo do valor brasileiro, mostrando uma fragilidade quando se compara com o nível nacional. E os outros três municípios do APL possuem uma renda baixa, pois estão abaixo do valor Estadual que é uma média dos 185 municípios do Estado de Pernambuco. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2635 Quadro 1: Regionalizações para os municípios do APL e CVT de Confecções de Pernambuco UF PE CVT PE CVT Município Agrestina Riacho das Almas PE Santa Cruz APL do Capibaribe PE APL PE APL Toritama Tipologia das habitações - 2008 H - Centros urbanos em espaços rurais com elevada desigualdade e pobreza J - Pequenas cidades em espaços rurais pobres, com baixo dinamismo G - Centros urbanos em espaços rurais consolidados, com algum grau de dinamismo G - Centros urbanos em espaços rurais consolidados, com algum grau de dinamismo Estudo IPEA (1998) + Soares et al (2004) e Pimentel Neto et al (2007) Centro rural Centro rural Centro sub-regional 3 Centro sub-regional 1 E - Aglomerados e centros regionais N e NE Caruaru Centro sub-regional 1 Fonte: IBGE (1993), IPEA (1998), Ministério das Cidades (2008), Soares et al (2004), e Pimentel Neto et al (2007) Para fazer uma análise da estrutura e rede urbana dos municípios que fazem parte da regionalização para o APL de confecção de Pernambuco foram consultados diversos estudos desenvolvidos por Instituições de pesquisas brasileiras, tais como: IBGE, IPEA, Ministério das Cidades, etc. então se utilizaram de dois estudos de para os cinco municípios da regionalização do APL e CVT de Pernambuco para confecção. É visto de uma forma geral que para os dois estudos a variação de grupos com relação aos estudos para os municípios são de 3 grupos, Caruaru é a principal cidade para todos os estudos desenvolvidos. É interessante destacar o Estudo IPEA junto com Soares et al (2004) e Pimentel Neto et al (2007) possuem similaridades, pois baseasse na relação de proximidade física e capilaridade entre aglomerados (mais de um município) urbanos metropolitanos e não-metropolitanos, lembrando-se que, para os dois últimos, se estudo toda a rede urbana do Estado de Pernambuco utilizando metodologia para identificação dos centro rurais e para o de 2007 hierarquizando os centro e/ou lugares rurais . Por isso que Toritama é um centro sub-regional 1 com relação de proximidade física e I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2636 capilaridade com Caruaru. Já Santa Cruz do Capibaribe é denominado um centro de zona, ou seja, é um município com baixa centralidade e capilaridade na suas relações com outros municípios apresentando pequena força de capilaridade com a sua região de entorno. Por fim os últimos municípios Agrestina e Racho das Almas são considerados centros urbanos de pequeno porte (alguns autores tipo Soares et al (2004) chamam de centro rurais e em outro estudo Pimentel Neto et al (2007) de lugares rurais), pois seu nível de centralidade é tão baixo que só atinge o seu próprio município não tendo capilaridade com outros municípios ficando reservado uma infraestrutura urbana de industria e serviços praticamente inexistente. A tipologia das habitações de 2008, possui 11 tipos que trabalha com a base metodológica da tipologia das cidades (2005) mais as seguinte variáveis: déficit habitacional urbano acumulado e da projeção de demandas futuras por domicílios. É visto que os cinco municípios da regionalização do APL de confecções possuem disparidades nas verificações das tipologias. Caruaru possui o melhor destaque para as duas tipologias sendo “E” para as habitações e 4 para a tipologia das cidades, em ambos os casos ela é considera como um centro de aglomerado urbano indicando certa complexidade nos diversos setores da economia. Toritama e Santa Cruz do Capibaribe para as tipologias são municípios de centros urbanos em espaços rurais com algum dinamismo, o que mostra algum tipo de complexidade nos setores da economia. Agrestina esta inserida na área com elevada pobreza e disparidade social, já possuindo dificuldades na dinâmica urbana-setorial. Por Fim Riachos Almas que dentre os municípios estudados é o que tem pior infra-estrutura urbana, pois ela de acordo com os estudos é uma cidade que possui mais espaços rurais e neles com grande pobreza e baixo dinamismo. 3) Conclusão Conclui-se que o APL e os CVT de confecção de Pernambuco a partir das verificações de: 1) Análise estrutural setorial (quantidade: estabelecimento e empregado) de confecções; 2) Análise das empresas de confecção dos municípios citados para as exportações e importações; 3) análise educacional, do GINI, IDH e Renda per capita e 4) análise das regionalizações municipais das diversas instituições brasileiras, indica que dos cinco municípios estudados Caruaru é o que tem a melhor dinâmica urbana e estrutura setorial tendo ainda certa complexidade na sua infraestura setorial para o APL I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2637 de confecções. Logo depois é observada uma similaridade de influências para as cidades de Santa Cruz do Capibaribe e Toritama possuindo uma dinamicidade, mas existindo uma moderada desigualdade social isto porque os estudos das regionalizações junto com índice GINI mostra certa diferenciação entre as populações das duas cidades. Agrestina possui como característica na sua cidade baixa dinâmica urbana existindo uma elevada desigualdade social isso é acentuado pela elevada taxa de GINI para os dois municípios. Por fim Riacho das almas que apresenta a pior dinâmica urbana para as cinco localidades sendo reconhecidas segundo os estudos de Soares et al (2004) e Pimentel Neto et al (2007) como um município de características rurais pouco desenvolvido. Isto endossa que os principais municípios, para possíveis políticas locais-regionais-federais, de cunho socioeconômico, como, por exemplo, a implementação dos CVT são os municípios com os piores indicadores nas análises dos diversos estudos: que são: Agrestina e Riacho das Almas que apresentam piores índices sociais, de dinâmica urbana, complexidade setorial e desigualdade social. Outro ponto importante não discutido ainda é a rede urbana de Pernambuco altamente concentrada que de acordo com os estudos de Soares et al (2004) e Pimentel Neto et al (2007) dos 184 municípios (retirou-se o distrito de Fernando de Noronha) 140 são municípios da menor classe da rede urbana (os centro rurais). Isto significa um desenvolvimento concentrado para poucos municípios (44) do Estado de Pernambuco. Neste sentido essas políticas de desenvolvimento social e profissional podem modificar durante o tempo essa realidade de uma rede urbana concentrada e com muitos “hiatos espaciais” no que se trata de infra-estrutura e capacidade humanas. Podendo, com o tempo, Melhorar os parâmetros educacionais e profissionais (um das funções do CVT) desses municípios, desenvolvendo o Estado de Pernambuco diminuindo as desigualdades socioeconômicas intermunicipais e diminuindo a quantidade de centro urbano e/ou rurais do Estado de Pernambuco, pois com o tempo alguns desses municípios, que receberem, ações de políticas públicas (como a dos CVT) podem promover alguma capilaridade entre os outros municípios da rede urbana do Estado de Pernambuco. REFERÊNCIA ARAÚJO, Tânia Bacelar de. Por uma Política Nacional de Desenvolvimento Regional. Revista Econômica do Nordeste, Banco do Nordeste, vol. 30, nº 2, p. 1-30, abr. jun, 1999. I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2638 CASSIOLATO, J., LASTRES H. E SZAPIRO, M. Arranjos e sistemas produtivos locais e proposições de políticas de desenvolvimento industrial e tecnológico. NT 27 Projeto de pesquisa arranjos e sistemas produtivos locais e as novas políticas. Rio de Janeiro, 2000. FASE. PPGEO-UFPE. Sistema nacional de informações das cidades: classificação (tipologia) das cidades brasileiras. Rio de Janeiro, 2005. IPEA/UNICAMP.IE.NESUR/IBGE Caracterização e tendências da rede urbana do Brasil. Campinas: Ed. UNICAMP/IE, 1999. IPEA; IBGE; UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Caracterização e tendências da rede urbana do Brasil. Brasília, DF: IPEA, v.1, 2002. IPEA; IBGE; UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Caracterização e tendências da rede urbana do Brasil. Brasília, DF: IPEA, v.2, 2002. LEMOS, M. B.; DINIZ, C.; GUERRA, L. P.; MORO, S.. A nova geografia econômica do Brasil: uma proposta de regionalização com base nos pólos econômicos e suas áreas de influência. 2000. (Apresentação de Trabalho/Seminário). MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR. Manual de Atuação em arranjos produtivos locais – APLs. Ministério do desenvolvimento, indústria e comércio exterior – Grupo de trabalho permanente para arranjos produtivos locais, Governo Federal, 2006. PIMENTEL NETO, J.G. ; SOARES, Fernando Ramalho Gameleira ; SILVEIRA, Keilha Correia da ;FERNANDES, Ana Cristina de Almeida; SANTOS, Rogério Antonio de Araujo; VASCONCELOS, Priscila Batista. As Pequenas Cidades e sua Funcionalidade na Rede Urbana Brasileira: um estudo de caso do Estado de Pernambuco. In: XII Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR), 2007, Belém: Anais do evento (ANPUR), 2007. v. 1. p. 1-20. SARA (Secretário de Agricultura e Reforma Agrária). Ovinocaprinocultura. 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I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP 2639 APÊNDICE: QUADRO 1: Classe da CNAE 2.0 para o setor de confecções Numeração 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 CNAE- classe 13.11-1 13.12-0 13.13-8 13.14-6 13.21-9 13.22-7 13.23-5 Tecelagem de fios de fibras artificiais e sintéticas 13.30-8 Fabricação de tecidos de malha 13.40-5 Acabamentos em fios, tecidos e artefatos têxteis 13.51-1 Fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico 13.52-9 13.53-7 Fabricação de artefatos de tapeçaria Fabricação de artefatos de cordoaria 13.54-5 Fabricação de tecidos especiais, inclusive artefatos 13.59-6 14.11-8 14.12-6 14.13-4 14.14-2 14.21-5 14.22-3 20 21 28.63-1 Fabricação de máquinas e equipamentos para as indústrias do vestuário, do couro e de calçados 46.16-8 Representantes comerciais e agentes do comércio de têxteis, vestuário, calçados e artigos de viagem 23 25 26 Fabricação de outros produtos têxteis não especificados anteriormente Confecção de roupas íntimas Confecção de peças de vestuário, exceto roupas íntimas Confecção de roupas profissionais Fabricação de acessórios do vestuário, exceto para segurança e proteção Fabricação de meias Fabricação de artigos do vestuário, produzidos em malharias e tricota gens, exceto meias Fabricação de máquinas e equipamentos para a indústria têxtil 28.64-0 22 24 DENOMINAÇÃO Preparação e fiação de fibras de algodão Preparação e fiação de fibras têxteis naturais, exceto algodão Fiação de fibras artificiais e sintéticas Fabricação de linhas para costurar e bordar Tecelagem de fios de algodão Tecelagem de fios de fibras têxteis naturais, exceto algodão 46.42-7 47.81-4 96.01-7 Comércio atacadista de artigos do vestuário e acessórios Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios Lavanderias, tinturarias e toalheiros Fonte: RAIS 2006 na CNAE 2.0 I Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e X Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro ISBN: 978-85-88454-20-0 05 a 07 de outubro de 2010 – Rio Claro/SP