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FACULDADE DE MEDICINA DO RECIFE
Denominações: Faculdade de Medicina do Recife (1920); Faculdades de Medicina, Farmácia e
Odontologia do Recife (1927); Faculdade de Medicina da Universidade do Recife (1946);
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (1965)
HISTÓRICO
Desde o século XVII, durante o período da ocupação holandesa, a então capitania de Pernambuco
tornou-se o espaço onde se realizaram os primeiros trabalhos de pesquisa científica no Brasil, de
autoria dos naturalistas holandeses Guilherme Piso e George Marcgraf, considerad os "pais da
nossa medicina, iniciadores da literatura médica e fundadores da história natural brasileira"
(ROCHA, 1960, p. 14). No entanto, a preocupação efetiva com o ensino médico em Pernambuco
surgiu dois séculos mais tarde, concretizando-se apenas a pa rtir do início do século XX. Em
contrapartida, desde 1808 já haviam sido criadas a Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio
de Janeiro e a Escola de Cirurgia da Bahia.
Portanto, uma das primeiras iniciativas voltadas para o ensino médico em Pernambuco data do
ano de 1817, por ocasião da Revolução Pernambucana, conspiração contra a Coroa portuguesa,
influenciada pelos princípios liberais divulgados a partir da Revolução Francesa. Nesta época, foi
criado o Hospital Militar em Recife para socorrer as vítimas dos conflitos. Um dos seus fundadores,
o médico José Eustáquio Gomes, tendo estudado na Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio
de Janeiro e na Universidade de Edimburgo (Escócia), criou naquele estabelecimento uma Escola
de Cirurgia Prática, na qual eram ministradas noções de cirurgia através da prática no Hospital
Militar, durante 18 ou 19 meses. Em 1819, o Governador e Capitão-general Luiz do Rego Barreto
encaminhou ofício ao Ministro do Reino Tomás Antônio de Vilanova Portugal, solicitando recursos
para a ampliação do curso de cirurgia para três anos, incluindo a subsistência de José Eustáquio
Gomes, que ficaria responsável pelo ensino nos 1° e 3° anos, e do Físico-mor José Joaquim de
Carvalho, responsável pelo ensino do 2° ano. Nesse ofício, Rego Barreto argumentava que a falta
de instrução pública precisava ser solucionada, tendo em vista que nas capitanias de Pernambuco,
Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte não havia médicos nem cirurgiões suficientes para
atender a população, e a vinda de profissionais da Corte seria limitada e onerosa. Mesmo sem
obter o apoio do Reino, a Escola de Cirurgia Prática funcionou até 1828, formando alguns práticos
que prestaram exame perante uma comissão médica, nomeada pela Câmara. Em 1840, pela lei
provincial nº 75 de 6 de maio, foi criada uma cadeira de arte obstétrica, privativa de mulheres e
subordinada à diretoria do Liceu, tendo suas aulas ministradas no Hospital do Paraíso por
Simplício Antônio Mavigner. Com o falecimento desse último em 1856, o curso de obs tetrícia
acabou também por ser extinto (ROCHA, 1960).
Com a República, através de sua primeira Constituição (1891), ficou estabelecido o regime
federativo, pelo qual o ensino superior no país deixou de ser privativo da União, tornando-se
permitido aos Estados organizar os seus sistemas escolares completos. Neste contexto, a partir do
início do século XX, vários cursos de ensino na área médica de nível superior, principalmente de
farmácia e de odontologia, começaram a surgir nas capitais ou mesmo em cidades importantes dos
principais Estados do país. A escassez de recursos para implantação de cursos de medicina
explica, em parte, a escolha por esses cursos menores e, por isso, menos dispendiosos, para mais
tarde serem criados os de medicina a eles vinculados.
Nesse quadro, em 14 de junho de 1895 foi apresentado à Câmara dos Deputados um projeto de
autoria do Governador do Estado de Pernambuco, Alexandre José Barbosa Lima, que propunha a
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criação de uma faculdade de medicina na capital pernambucana. Embora tenha sido aprovado na
Câmara, o projeto acabou sendo rejeitado pelo Senado (ROCHA, 1960, KELNER, 1985). A
iniciativa seguinte de implantação do ensino na área médica deu-se a partir da criação da Escola
de Farmácia de Pernambuco, em 1902, inaugurada no ano seguinte. Esta foi adiante, embora seu
funcionamento tenha sido interrompido por alguns anos.
No I Congresso Médico de Pernambuco, realizado em Recife, durante o mês de abril de 1909,
novamente foi apresentada proposta de criação de uma escola livre de medicina pelo farmacêutico
Durval de Brito. Ele não conseguiu a adesão dos demais participantes do Congresso, que
alegaram insuficiência de recursos, citando como exemplo a Escola de Farmácia de Pernambuco,
que permanecia fechada desde 1905. Em contrapartida, neste mesmo Congresso foram aprovadas
as propostas de restabelecimento, pela Santa Casa da Misericórdia do Recife, da Escola de
Enfermeiros mantida no Hospital Pedro II; e de remodelação do curso de obstetrícia, que vinha
sendo ministrado de forma precária pelo diretor daquele mesmo hospital, Inácio Alcebíades
Velloso. A nova Escola das Parteiras passou a ter um curso de três anos e o obstetra professor
José Bandeira de Mello Filho encabeçou uma campanha para conseguir recursos para a
construção de uma maternidade na cidade, objetivo que só foi alcançado em 1931, com a
inauguração da Maternidade do Derby, contígua às novas instalações da Faculdade de Medicina
do Recife.
Em 1910, se teve notícia de que a Escola de Enfermeiros começou a receber alunos de ambos
sexos, tendo como fins:
"(...) criar um extenso e habilitado corpo de enfermeiros, com suficientes
conhecimentos para proceder a curativos de pequena responsabilidade, nos
doentes que lhe eram confiados, proporcionar-lhes, com acerto, os medicamentos
receitados pelos facultativos e, conhecendo também noções elementares de
higiene, úteis, sem dúvida, para quem ia ser um colaborador da primeira ordem do
médico ao qual estivesse confiado um doente qualquer" (FREITAS, 1944, p. 27).
Criação da Faculdade de Medicina do Recife
Em 1914, a idéia de criação da Faculdade de Medicina do Recife partiu de um grupo de
profissionais da área médica que atuavam no Estado ou mesmo lecionavam nas instituições de
ensino já criadas na capital pernambucana – Escola de Farmácia de Pernambuco e Escola de
Odontologia de Pernambuco. Nesta época estava em vigor a Lei Orgânica do Ensino Superior e do
Fundamental, conhecida como Reforma Rivadavia Corrêa. Aprovada pelos decretos nº 8.659 e nº
8.661 ambos de 05/04/1911, essa reforma concedia autonomia didática e administrativa às
faculdades, desencadeando um processo de desoficialização do ensino. Neste momento, já
haviam sido criadas faculdades de medicina nos principais Estados do país – Faculdade de
Medicina e Farmácia de Porto Alegre (1898), Faculdade de Medicina de Belo Horizonte (1910),
Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo (1912) e Curso de Medicina e Cirurgia da
Universidade do Paraná (1912).
Em reunião da Congregação da Escola de Farmácia de Pernambuco no dia 5 de outubro de 1914,
foi apresentada a proposta de formação de comissões para a elaboração dos estatutos e para
angariar donativos, com fins de organizar a futura Faculdade de Medicina do Recife. Nesta
ocasião, foi votada uma diretoria provisória composta por José Octávio de Freitas (diretor), Alfredo
Cordeiro da Fonseca Medeiros (tesoureiro) e Thomé Isidoro Dias da Silva (secretário), tendo sido
marcada a primeira reunião da Congregação da instituição para 5 de abril do ano seguinte.
No dia 6 de dezembro de 1914 seus estatutos foram apresentados. Eles estabeleciam que o
primeiro provimento de cadeiras seria feito por nomeação da Congregação da Escola de Farmácia
de Pernambuco. A instituição ficaria constituída por 28 lentes catedráticos, seis lentes substitutos,
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13 preparadores, 13 assistentes, um diretor, um vice-diretor, um secretário, dois amanuenses, um
porteiro, quatro contínuos, um bibliotecário, um sub-bibliotecário, dois serventes e um almoxarife;
além de membros honorários que lhe prestassem serviços de relevância, e de um corpo discente.
A seleção dos alunos candidatos ao curso seria realizada por um corpo complementar de
professores efetivos de reconhecido saber, nomeados pela própria Congregação, sem interferência
do governo. O exame de admissão incluiria as disciplinas de português, francês, inglês ou alemão,
latim, aritmética, álgebra, geometria, trigonometria, história universal e corografia do Brasil,
geografia, psicologia, física, química e história natural. No entanto, estas medidas não chegaram a
ser postas em execução neste ano, já que a instituição só entrou em funcionamento a partir de
julho de 1920.
No dia 4 de maio de 1920 foi realizada a segunda Congregação preparatória da Faculdade de
Medicina do Recife, na qual foi aprovada a ata da sessão anterior de 5 de abril de 1915, decidindose pela reforma do corpo docente de acordo com a distribuição, classificação e nomenclatura
estabelecidas pela nova legislação do ensino aprovada pelo decreto n.º 11.530 de 18/03/1915
(Reforma Maximiliano). As disciplinas ficaram assim distribuídas:
Física médica (Oscar Coutinho); química médica (Antônio Raposo Pinto); história natural médica
(Alfredo Cordeiro da Fonseca Medeiros); anatomia descritiva (Luiz Gonzaga de Souza Góes);
histologia (Antônio Monteiro de Moraes Nascimento); fisiologia (Gilberto Fraga Rocha);
microbiologia (José Octávio de Freitas); terapêutica clínica e experimental e arte de formular
(Alexandre dos Santos Selva Júnior); patologia geral (Mário de Oliveira Ramos); farmacologia
(João Baptista Regueira Costa); anatomia médico-cirúrgica e operações, e higiene (Joaquim Costa
Carvalho); medicina legal (Ascânio de Alcântara dos Guimarães Peixoto); clínica médica - 1ª
cadeira (João Paulino Marques); clínica médica - 2ª cadeira (João Gomes de Amorim); clínica
médica - 3ª cadeira (Edgar Altino Correia de Araújo); clínica médica - 4ª cadeira (Fernando Simões
Barbosa); clínica cirúrgica - 1ª cadeira (Alfredo Arnóbio Marques); clínica cirúrgica - 2ª cadeira
(Frederico Curio); clínica cirúrgica - 3ª cadeira (Paulo de Aguiar); clínica obstétrica (José Bandeira
de Mello Filho); clínica ginecológica (Thomé Isidoro Dias da Silva); clínica oftalmológica (Isaac
Salazar da Veiga Pessoa); clínica otorrinolaringológica (Artur de Sá Cavalcanti de Albuquerque);
clínica pediátrica médica e higiene infantil (Augusto Lins e Silva); clínica pediátrica cirúrgica e
ortopédica (José Ignácio Ávila); clínica dermatológica e sifilográfica (Francisco Clementino Carneiro
da Cunha); clínica psiquiátrica (Ulisses Pernambucano de Melo Sobrinho); e clínica neurológica
(Manoel Gouveia de Barros). Foram ainda nomeados como professores substitutos das seções de
ginecologia e cirurgia, Arsênio Luiz Tavares da Silva e José de Arruda Souto Maior,
respectivamente.
Além desta distribuição das disciplinas, formaram-se duas comissões integradas por professores
das instituições de ensino médico existentes: uma para entrar em entendimento com o Governador
do Estado, José Bezerra, sendo formada pelos professores Manoel Gouveia de Barros, Edgar
Altino Correia de Araújo, Frederico Curio e José Octávio de Freitas; e outra para modificar os
estatutos e o regimento interno, editados em 1915, constituída por Mário de Oliveira Ramos,
Ulisses Pernambucano de Melo Sobrinho, Gilberto Fraga Rocha, Thomé Isidoro Dias da Silva,
Ascânio de Alcântara dos Guimarães Peixoto e Arsênio Luiz Tavares da Silva.
A inauguração oficial da Faculdade de Medicina ocorreu no dia 16 de julho de 1920, quando foi
proferida a aula inaugural pelo professor e diretor da instituição, José Octávio de Freitas. No seu
discurso, Freitas enfatizou os objetivos da instituição e a situação financeira do profissional médico
no país:
"(...) a Faculdade de Medicina do Recife não teve nem terá por principal escopo
formar a granel e em correrias, médicos, farmacêuticos, cirurgiões -dentistas e
parteiras. O que ela pretende, sobretudo, é ensinar teórica e praticamente a
medicina e suas ciências e artes correlatas, procurando elevar cada vez mais o
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nível moral e intelectual dos nossos profissionais (...) A profissão médica foi, é e
será sempre um sacerdócio e, por conseguinte, deve revestir-se, sem cessar, de
uma incomparável soma de abnegação e de desprendimento (...) Os lucros
oriundos da vossa profissão proporcionar-vos-ão tão somente o conforto e o bem
estar encontrados comumente nas demais profissões liberais – advogados,
engenheiros civis, agrônomos, mecânicos, funcionários públicos (...) Nada mais e
nada menos que isto" (Apud KELNER, 1985, p.32).
A maioria dos 15 primeiros alunos selecionados pelos exames vestibulares eram já formados pelas
escolas de farmácia, odontologia ou direito de Recife. Inicialmente, a instituição ficou instalada na
Escola Manuel Borba, na rua Barão de São Borja.
Em 1925, ainda sob a gestão de José Octávio de Freitas, a Faculdade ganhou do Governo do
Estado, ocupado por Sérgio Teixeira Lins de Barros Loreto, um terreno no bairro do Derby para a
construção de sua sede própria. A planta do prédio foi de autoria do arquiteto Giacomo Palumbo, e
seus construtores foram J. Brandão, Magalhães & Cia, tendo sido lançada a pedra fundamental do
edifício em 20 de maio de 1925. Com empréstimos obtidos da Liga Pernambucana contra a
Tuberculose e do Coronel Mendo Sampaio, o prédio foi inaugurado em 21 de abril de 1927. Seus
laboratórios foram montados com materiais vindos da capital federal e importados da Europa.
Em dezembro de 1925, diplomaram-se os seis primeiros médicos pela instituição. O número de
diplomados só aumentaria a partir de 1930, quando formaram -se 17 alunos.
Diretores: José Octávio de Freitas (1915-1920); Manoel Gouveia de Barros (1920-1921); José
Octávio de Freitas (1921-1935).
Em 1915, quando a Congregação da Escola de Farmácia aprovou a proposta de criação da
Faculdade de Medicina do Recife, ficou estabelecido que seu diretor provisório seria responsável
pelas duas instituições – a de medicina e a de farmácia.
ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO
Com a aprovação da reforma de ensino Rocha Vaz fundamentada pelo decreto nº 16.782-A de
13/01/1925, foi designada uma comissão na Faculdade de Medicina para emitir parecer a respeito
dessa nova legislação, formada por José Octávio de Freitas, como relator, e os professores Edgar
Altino Correia de Araújo, Frederico Curio, Fernando Simões Barbosa e Thomé Isidoro Dias da
Silva. O parecer sugeriu, para obter o patrimônio exigido pela Reforma Rocha Vaz, que fosse feita
uma solicitação ao governo estadual visando criar a Universidade do Estado, depois que fosse
conseguida a oficialização da Faculdade de Medicina do Recife. E quanto à organização didática e
administrativa observou que a reforma manteve a maioria das cadeiras, criando algumas e
modificando a denominação de outras. Logo, a comissão defendeu a adoção do critério
estabelecido por lei para a Faculdade de Medicina da Bahia. Este determinou que ao invés de
quatro cadeiras de clínica médica, ficassem apenas duas no 5° ano, sendo transformadas as
outras duas em clínica propedêutica médica e patologia médica no 3° ano. Em relação à clínica
cirúrgica, a lei estabelecia que deviam ser três cadeiras e uma de patologia cirúrgica. A Faculdade
de Medicina do Recife tinha, no entanto, quatro cadeiras de clínica cirúrgica. Diante disso, a
comissão propôs a manutenção das quatro e a transformação da cadeira vias urinárias em
patologia cirúrgica, a ser ministrada no 5° ano. O parecer da comissão propôs ainda a elaboração
do regimento interno da Faculdade, efetivando sua junção administrativa com a então Escola de
Farmácia e Odontologia. Submetido à votação, esse parecer foi aprovado pela Congregação em 4
de maio de 1925 (FREITAS, 1944).
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Em agosto deste mesmo ano foi nomeado para fiscalizar a Faculdade de Medicina do Recife o
inspetor federal Álvaro Campos de Carvalho, professor de física da Faculdade de Medicina da
Bahia. Embora desde dezembro de 1922 a Escola de Farmácia de Pernambuco já houvesse se
juntado à Escola de Odontologia de Pernambuco, e o diretor da Faculdade de Medicina fosse o
mesmo para as três escolas, somente em 1926 o Departamento Nacional de Ensino resolveu
unificar a fiscalização da Faculdade de Medicina com a então Escola de Farmácia e Odontologia
do Recife. Em função disso, o professor de obstetrícia Oscar Coutinho foi dispensado do cargo de
inspetor da Escola de Farmácia e Odontologia do Recife, para o qual tinha sido nomeado em
agosto de 1925.
Em 25 de julho de 1927, o Conselho Nacional de Ensino emitiu parecer a favor da equiparação da
Faculdade de Medicina do Recife, sendo baixado ato pelo Ministro da Justiça e Negócios
Interiores, Augusto Vianna do Castelo, em 27 de julho de 1927. Neste mesmo ano, o Conselho
Nacional de Ensino aprovou também a anexação da Escola de Farmácia e Odontologia à
Faculdade de Medicina do Recife e o desmembramento das duas escolas em faculdades, que
passaram assim a denominar-se Faculdades de Medicina, Farmácia e Odontologia do Recife, de
acordo com os artigos 109 e 119 do decreto nº 16.782-A de 13/01/1925. O diretor José Octávio de
Freitas tornou-se então responsável oficialmente pela Faculdade de Medicina e suas faculdades
anexas. Com essa anexação e desmembramento, a partir de 1928 as congregações das três
faculdades deveriam se reunir, em separado, para atender as condições dos três cursos. Ainda em
outubro de 1927, foi nomeado pelo Ministro da Justiça e Negócios Interiores como único Inspetor
Federal do Departamento Nacional de Ensino junto às faculdades, Otávio Leite Moreira
(RELATÓRIO, 1928).
Neste mesmo ano foram matriculados nas Faculdades de Medicina, Farmácia e Odontologia do
Recife 239 alunos, sendo 155 no curso médico, 22 no curso farmacêutico, 55 no curso
odontológico e sete no curso de enfermeiras especializadas. Esse último curso foi criado pela
reforma de ensino Rocha Vaz em 1925. As aulas teóricas e práticas dos cursos médico,
farmacêutico e odontológico, e do 1° ano do curso de enfermeiras foram ministradas nas novas
instalações da instituição, localizada na esplanada do Derby. Assim, as aulas de anatomia, antes
dadas no necrotério do Hospital Pedro II, passaram a ser ensinadas no pavilhão anatômico do
novo prédio. No entanto, a falta de um hospital próprio manteve o funcionamento das aulas de
clínica do curso médico em diversos hospitais, alguns pertencentes à Santa Casa da Misericórdia
do Recife, como o Hospital Pedro II (clínicas médica, neuriátrica, obstétrica, otorrinolaringológica e
oftalmológica) e o Hospital de Santo Amaro (pediatria médica e higiene infantil, clínica pediátrica
cirúrgica e ortopédica, clínica ginecológica e clínica dermatológica e sifilográfica). Havia ainda o
Hospital do Centenário (clínicas propedêutica e cirúrgica) e o Hospital de Doenças Nervosas e
Mentais (clínica psiquiátrica). Além dessas disciplinas, as noções práticas de anatomia e de
fisiologia do curso de enfermeiras especializadas foram ministradas no Hospital de Santo Amaro
(RELATÓRIO,1928). Por outro lado, somente a partir de 1927 foram realizados concursos para a
categoria livre-docência, criada desde 1915, pela Reforma Maximiliano. Os primeiros docentes
aprovados foram Armando Meira Lins (cadeira de clínica pediátrica médica e higiene infantil),
Romero da Gama Marques (cadeira de clínica propedêutica cirúrgica) e Hermes Caldas Bivar
(cadeira de clínica obstétrica).
Somente a partir do ano letivo de 1928, foram previstas modificações nos currículos da Faculdade
de Farmácia e da Faculdade de Odontologia, de acordo com a Reforma Rocha Vaz
(RELATÓRIO,1928). No entanto, essas modificações não chegaram a ser postas em execução na
data prevista, havendo um esvaziamento durante aquele ano, quando foram matriculados apenas
três alunos no curso de farmácia, e outros 32 estudantes em odontologia. Em contrapartida, o
número de alunos matriculados no curso médico aumentou para 232. Ainda em 1928 foram
previstas obras para a ampliação do prédio das Faculdades de Medicina, Farmácia e Odontologia,
visando dotar cada cadeira de um laboratório próprio. Havia ainda a previsão de inauguração do
Hospital Manoel de Almeida para onde seria transferido o ensino das disciplinas de clínicas
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pediátrica, médica e pediátrica cirúrgica; e da Maternidade, onde passariam a ser ministradas as
cadeiras de clínica obstétrica, ginecológica e obstetrícia (RELATÓRIO, 1929).
Com a Reforma Francisco Campos, regulamentada pelos decretos nº 19.851 e 19.852 de
11/04/1931, assinados pelo Chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas, e pelo Ministro da
Educação e Saúde, Francisco Campos, foi proposta a transformação das faculdades de farmácia e
de odontologia em escolas anexas, com a redução de seus currículos novamente para três anos e
dois anos, respectivamente. Sendo assim, pelo decreto estadual n° 187 de 09/05/1933 o Governo
do Estado de Pernambuco encampou a Faculdade de Medicina do Recife e suas escolas anexas
de Farmácia e de Odontologia. Em seu artigo 1° estabelecia que "a Faculdade de Medicina do
Recife reger-se-á rigorosamente pela legislação federal vigorante, na parte que lhe é aplicável e
pelo decreto presente, tornando-se um instituto de ensino superior oficializado pelo Estado" (Apud
FREITAS, 1944, p.137). Contudo, esse decreto foi revogado pelo ato n° 405 de 17/12/1937,
frustando a iniciativa da criação da Universidade do Estado pernambucano.
Criação da Universidade do Recife
Pela lei federal n° 9.38 8 de 20/06/1946, foi criada a Universidade do Recife, quando as escolas de
Farmácia e de Odontologia continuaram incluídas na categoria de escolas anexas à então
Faculdade de Medicina da Universidade do Recife. Pela lei n° 976 de 16/12/1949 a Universidade
foi federalizada.
As escolas de Farmácia e Odontologia só voltaram a se constituir como unidades universitárias
pela lei n° 3.401 de 12/06/1958, quando passaram a denominar-se Faculdade de Farmácia da
Universidade do Recife e Faculdade de Odontologia da Universidade do Recife. Ainda no ano de
1958, a Universidade foi transferida do bairro do Derby para a Cidade Universitária. Com a criação
da Universidade Federal de Pernambuco, em 1965, quando a Universidade do Recife passou a
integrar o grupo de instituições federais do novo sistema de educação do país, as instituições aqui
relacionadas receberam os nomes de Faculdade de Medicina da Universidade Federal de
Pernambuco, Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Pernambuco e Faculdade de
Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco.
PUBLICAÇÕES OFICIAIS
No ano de 1934, começou a circular o periódico Anais da Faculdade de Medicina do Recife,
publicação semestral constituída por artigos de autoria de professores e/ou médicos da Faculdade.
Entre 1947 e 1953, sua publicação foi suspensa, voltando a circular em 1954 com o nome de Anais
da Faculdade de Medicina da Universidade do Recife. A partir de 1966, passou a denominar-se
Anais da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco.
FONTES
- BRASIL. Decreto nº 11.530, de 18 de março de 1915. In: Collecção das Leis da República dos
Estados Unidos do Brazil de 1915. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1917. (BCCBB)
- BRASIL. Decreto nº 16.782-A, de 13 de janeiro de 1925. In: Collecção das Leis da República
dos Estados Unidos do Brasil de 1925, v.II. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1926. (BCCBB)
- FACULDADE de Medicina do Recife. Jornal de Medicina de Pernambuco, Recife, n.6, p. 139-143,
jun.1927. (BMANG)
- FARIAS SOBRINHO, José Ribeiro. 140 anos do ensino farmacêutico no Brasil: 1832-1972.
João Pessoa: ESLF, 1973. (BCOC)
- FREITAS, José Octávio de. Estatuto da Faculdade de Medicina de Pernambuco. Jornal de
Medicina de Pernambuco, Recife, v.1, n.6, p. 34-40, mar./dez. 1914. (BN)
Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930)
Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – (http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br)
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- ______________________. História da Faculdade de Medicina do Recife, 1895-1943. Recife:
Imprensa Oficial, 1944. (BN)
- __________. Relatório da Faculdade de Medicina do Recife em 1926. Jornal de Medicina de
Pernambuco, Recife, n.3, março de 1927, p. 65-91. (BMANG)
- KELNER, Salomão et alli. História da Faculdade de Medicina do Recife 1915-1985. Recife:
Universidade Federal de Pernambuco - Centro de Ciências da Saúde, 1985. (BABEM)
- RELATÓRIO da Faculdade de Medicina do Recife e Faculdades annexas de Pharmácia e de
Odontologia em 1927. Jornal de Medicina de Pernambuco, Recife, ano XXIV, n.1, p.311-330, jan.
1928. (BMANG)
- RELATÓRIO da Faculdade de Medicina do Recife e Faculdades annexas de Pharmácia e de
Odontologia em 1927. Jornal de Medicina de Pernambuco, Recife, ano XXIV, n.2, p.21-41,
fev.1928. (BMANG)
- RELATÓRIO da Faculdade de Medicina e Faculdades annexas de Pharmácia e Odontologia.
Jornal de Medicina de Pernambuco, Recife, ano XXV, n.1, p.1-16, jan.1929. (BMANG)
- RELATÓRIO da Faculdade de Medicina e Faculdades anexas de Pharmácia e Odontologia
(cont.). Jornal de Medicina de Pernambuco, Recife, ano XXV, n.2, p.16-34, fev.1929. (BMANG)
- ROCHA, Leduar de Assis. Subsídios para a história da Escola de Odontologia de
Pernambuco: da fundação à formatura dos primeiros odontolandos. (Conferência proferida no
salão nobre da Faculdade de Medicina da Universidade do Recife, em 27 de janeiro de 1958, por
ocasião da homenagem prestada pelo Instituto Pernambucano de História da Medicina à antiga
Escola de Odontologia de Pernambuco). Recife: Universidade do Recife, 1958. (B N)
- ______________________. História da medicina em Pernambuco (séculos XVI, XVII e XVIII).
Recife: Arquivo Público Estadual, 1960. (IFCS – UFRJ)
- TÁVORA, José Geraldo. José Octávio de Freitas: um homem à frente do seu tempo. Recife:
Ed. José Octávio de Freitas, 1993. (BCOC)
FICHA TÉCNICA
Pesquisa - Marcos Roza de Sousa, Verônica Pimenta Velloso
Redação - Verônica Pimenta Velloso
Revisão - Francisco José Chagas Madureira.
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