Estudo de Caso
O Arranjo de Máquinas e Implementos
Agrícolas Pós-colheita do Rio Grande do
Sul
(Produto 2)
Estudo de Caso
O Arranjo de Máquinas e Implementos
Agrícolas Pós-colheita do Rio Grande do
Sul
Produto 2
Contrato de Prestação de Serviços Nº 022/2013
Convite Nº 001/2013 – Processo Nº 3489/2013
Contrato firmado entre a Agência Brasileira de
Desenvolvimento Industrial – ABDI e Savi E Geremia
Planejamento, Consultoria & Auditoria LTDA.
Estudo de Caso
O Arranjo de Máquinas e Implementos Agrícolas Póscolheita do Rio Grande do Sul
(Produto 2)
Execução:
SAVI E GEREMIA PLANEJAMENTO, CONSULTORIA & AUDITORIA LTDA.
Responsável técnica: Ana Lúcia Tatsch
Sumário
1. Introdução ......................................................................................................................... 1
2. Dinâmica da indústria de máquinas e implementos agrícolas ............................................. 3
3. Dinâmica Inovativa, Processos de Aprendizado e Relações de Cooperação nos subsistemas
do Arranjo de Máquinas e Implementos Agrícolas da Região Noroeste do RS ................... 5
4. Histórico de Formação e Apoio ao APL Pós-Colheita ..................................................... 11
5. Estrutura Institucional e Governança do APL Pós-Colheita ............................................. 12
6. Principais atividades produtivas, produtos e mercados do APL Pós-Colheita ................... 16
7. Considerações Finais ....................................................................................................... 19
8. Referências Bibliográficas ............................................................................................... 21
1. Introdução
A indústria de máquinas agrícolas gaúcha teve sempre um importante papel na
indústria de bens de capital do estado, além de uma posição de liderança no cenário nacional,
já que o Rio Grande do Sul (RS) é o maior fabricante de máquinas agrícolas do Brasil.
Tal indústria de equipamentos agrícolas desenvolveu-se no estado a partir de
estabelecimentos de caráter familiar que evoluíram da simples fabricação de peças de
reposição e da oferta de serviços de assistência técnica para a produção de um conjunto
diversificado de produtos, com um nível considerável de sofisticação tecnológica.
Quanto à sua localização geográfica, há uma concentração dos estabelecimentos
industriais na região Noroeste do RS. Mas não só firmas estão localizadas nessa região do
território gaúcho, há também outros agentes, organizações voltadas à formação e treinamento
de recursos humanos, informação, pesquisa, desenvolvimento e engenharia, promoção e
financiamento, os quais apresentam vínculos, mesmo que incipientes, de produção, interação,
cooperação e aprendizagem. Em razão disso, esse sistema local é considerado, tanto pela
literatura quanto pelas instâncias de governo, como um arranjo produtivo local (APL).
Em função das características de sua especialização produtiva, esse APL tem também
sido tratado enquanto três subsistemas. Tal divisão segue a classificação por segmentos
utilizada pelo Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande
do Sul (Simers), e é também adotada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (SEBRAE) e pelos governos estaduais e federal no que tange às ações de política.
Assim, tem-se:
O APL centrado em equipamentos para a produção agropecuária, nominado como
Pré-colheita. Os municípios de Passo Fundo, Marau, Carazinho, Não-Me-Toque e
Ibirubá são aqueles que concentram empresas especializadas na produção de
máquinas e implementos para a preparação e plantio de produtos agrícolas.
O APL de produção de equipamentos automotrizes ou de máquinas agrícolas,
denominado de Colheita é concentrado, especialmente, nos municípios de
Horizontina e Santa Rosa.
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O APL voltado à produção de secadores, silos e outras estruturas típicas é chamado de
Pós-colheita. São os municípios de Panambi, Ijuí e Condor que concentram as firmas
cuja especialização produtiva é o armazenamento e o beneficiamento da produção
agrícola.
Nessa região noroeste do estado, estão também presentes várias empresas produtoras
de peças e componentes para as firmas fabricantes de equipamento agrícola de uso final. Tais
empresas fabricam uma gama diversa de produtos, com níveis tecnológicos diferentes e
escalas de produção distintas. No geral, elas são de pequeno e médio portes, com capital
nacional. Entorno delas, há também uma importante oferta de serviços especializados.
Dito isso, vale comentar alguns aspectos atinentes às peculiaridades de cada região,
de cada subsistema. No entorno de Santa Rosa, observa-se a predominância de firmas
menores, que, na maioria dos casos, fabricam peças e componentes para as montadoras de
maquinário agrícola de maior porte e complexidade. Essas empresas fabricantes de peças e
componentes, na maior parte das vezes, são subcontratadas daquelas fabricantes de
maquinário automotriz (tratores e colheitadeiras). No entanto, algumas delas produzem, além
dessas peças, implementos agrícolas mais simples. Nessa região, localizam-se ainda
importantes empresas de maior porte, como a AGCO, em Santa Rosa, e a John Deere, em
Horizontina, que produzem máquinas automotrizes, e também a Fankhauser, em Tuparendi.
Tanto a AGCO quanto a John Deere são grandes responsáveis pela demanda de produtos das
demais firmas de menor porte que se situam ao redor delas. Percebe-se que, de maneira geral,
existem relações de subcontratação de natureza estável, que, na maioria das vezes, envolvem
relações de cooperação e de aprendizado. Verifica-se, portanto, que essas duas grandes
empresas influenciam a trajetória de desenvolvimento e de capacitação produtiva e até
inovativa de outras empresas do arranjo.
Já nos municípios próximos a Passo Fundo, sobretudo, em Não-Me-Toque e
Carazinho, prevalecem empresas que fabricam maquinário e implementos agrícolas
propriamente. Dentre elas, podem-se citar a Semeato e a Kuhn do Brasil em Passo Fundo, a
Stara, a Jan, a Grazmec e a Stahar em Não-Me-Toque, a Max e a Gihal em Carazinho. Vale
comentar que há todo um empenho das organizações de Não-Me-Toque, seja das próprias
empresas, seja da Cooperativa Tritícola Mista Alto Jacuí (Cotrijal), da prefeitura e das demais
associações, no sentido de o município ser reconhecido pela qualidade em implementos, o
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que levou à concentração de esforços para a criação de uma grande feira neste município, a
Expodireto.
No entorno de Ijuí, vê-se uma menor especialização em equipamentos agrícolas,
embora lá esteja uma tradicional empresa gaúcha, a Imasa. Em Ibirubá, estão a Vence Tudo e
a Fortaleza. Já em Panambi, há uma forte concentração de firmas do ramo metal-mecânico,
porém, muitas empresas fabricam componentes e sistemas para vários setores, como o
automobilístico e a indústria de equipamentos agrícolas. Ao não direcionarem toda a sua
produção ao segmento de maquinário agrícola, essas empresas procuram diversificar
produtos e clientes, ao atenderem outros mercados, não ficando à mercê das oscilações
inerentes à demanda dos produtores agrícolas. Em Panambi, está também a Kepler e Weber,
grande empresa produtora de silos para armazenagem de grãos. Enfim, nesse subsistema PósColheita, que será adiante explorado, há, comparativamente aos demais, uma maior
diversificação das atividades produtivas das empresas ali localizadas.
Feitas essas considerações iniciais, nas seções subsequentes desse Relatório são
discutidas as características e dinâmica da indústria de máquinas agrícolas, as principais
características dos processos de aprendizagem e cooperação, bemo como a estrutura
produtiva e institucional do APL Pós-Colheita.
2. Dinâmica da indústria de máquinas e implementos agrícolas
De modo geral, a indústria de máquinas e implementos agrícolas possui uma estrutura
heterogênea, uma vez que abriga empresas de diferentes portes, com distintas características
técnicas e organizacionais. As empresas diferenciam-se sobretudo em relação ao tamanho, ao
grau de complexidade do produto e ao grau de complexidade do sistema produtivo gerencial.
De forma geral, os produtores de equipamentos agrícolas tendem a especializar-se em
um conjunto determinado de produtos, com o intuito de atender a um mercado, em nível
tanto nacional quanto internacional, bastante segmentado. No entanto, a sazonalidade nas
vendas dos produtos, muitas vezes, impõe aos fabricantes uma certa diversificação na sua
oferta de produtos, de modo a manter seu faturamento ao longo de todo o ano. Já as
empresas fabricantes de peças e componentes para máquinas agrícolas produzem uma
diversidade de produtos, com níveis tecnológicos e escalas de produção diversas, o que
impõe estratégias diferenciadas.
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O padrão tecnológico da indústria de máquinas agrícolas caracteriza-se por inovações
adaptativas. Tais inovações adaptativas visam, principalmente, simplificar funções, aumentar
a robustez e a durabilidade dos equipamentos e, historicamente, tenderam a tornar os
produtos dessa indústria mais polivalentes, mais ajustados em termos ergonômicos e menos
agressivos ao meio ambiente (DAHAB, 1993).
Logo, há um padrão tecnológico incremental específico à indústria de máquinas
agrícolas, o qual, ao longo do tempo, desenhou uma trajetória de inovações determinada por
economias de escala e pelo tamanho dos equipamentos, mas também por economias do
aprendizado
tanto através da experiência no processo de fabricação quanto pelo uso
e
pela existência de marcos de referência para o desenvolvimento de projetos básicos
(FONSECA, 1990, p. 222).
A tecnologia já está bastante difundida, logo, as diferenças técnicas são pequenas
entre os produtos ofertados pelas diversas firmas. Conseqüentemente, as marcas irão
diferenciar-se, especialmente no suporte pós-venda e no atendimento ao cliente, como
também a qualidade desse atendimento acaba reforçando a própria marca. Assim, a
fidelização a determinada marca está relacionada particularmente à assistência técnica e à
presteza desse serviço.
Além disso, a indústria de máquinas agrícolas, ao caracterizar--se sobretudo como
uma
indústria
montadora
pertencente
ao
complexo
metal-mecânico,
incorre
no
aprimoramento de seus produtos, especialmente através da incorporação de peças e
componentes melhorados, sendo, portanto, o intercâmbio com fornecedores, elemento-chave
no desenvolvimento tecnológico dessa indústria. Todavia, por ser também uma indústria de
uso final, a relação com os clientes apresenta-se como fundamental para o aprimoramento
tecnológico dos produtos a serem ofertados. Nesse sentido, a demanda agroindustrial, por ser
qualificada e constantemente renovada, dá uma tônica particular, embora não facilmente
quantificável, à interação agricultura-indústria de máquinas agrícolas (FONSECA, 1990;
DAHAB, 1993; CALANDRO; PASSOS, 1999; TATSCH, 2006).
Assim, a agricultura e a agroindústria, ao imporem aos fabricantes de equipamentos
necessidades específicas relacionadas aos avanços nas técnicas de produção, contribuem para
o processo de evolução tecnológica da indústria de máquinas agrícolas.
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3. Dinâmica Inovativa, Processos de Aprendizado e Relações de Cooperação nos
subsistemas do Arranjo de Máquinas e Implementos Agrícolas da Região Noroeste do
RS
Esse arranjo é constituído por um conjunto de empresas de diferentes portes,
vinculadas em sua maioria ao segmento de máquinas e implementos agrícolas, por firmas
fabricantes de peças e componentes, bem como por uma infraestrutura educacional e
institucional. São as relações que se estabelecem entre esses agentes que conformam os
mecanismos de aprendizagem, através de vínculos cooperativos formais, ou não, imprimindo
uma dinâmica inovativa particular a esse arranjo. Contribuem, ainda, para esse desenho,
atores externos ao arranjo que interagem com os locais.
Em primeiro lugar, merece destacar a elevada taxa de inovação observada nesse
arranjo gaúcho, já que a grande maioria das empresas, independentemente de seu porte, inova
em produto e processo. Esse arranjo é inovador não só pela taxa de inovação das empresas de
seu principal segmento produtivo ser extremamente elevada, mas também em razão de parte
significativa do novo produto fabricado ser nova para o mercado nacional e também para o
internacional. Já para a indústria de transformação do Brasil como um todo, conforme a
Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), a taxa de inovação das empresas que
introduziram produto e/ou processo tecnologicamente novo ou substancialmente aprimorado
para a empresa ou para o mercado nacional é significativamente menor (cerca de 38%).
Considerando a fabricação de tratores e de máquinas e equipamentos para agricultura,
avicultura e obtenção de produtos animais, essa taxa atinge aproximadamente 81% no Rio
Grande do Sul (IBGE/PINTEC, 2010).
O arranjo de máquinas e implementos agrícolas, além de se caracterizar pela
inovatividade, se caracteriza também pelo fato de ser a própria empresa a grande responsável
pelas inovações. Nessas situações em que as firmas inovam sozinhas, as inovações
resultantes são, geralmente, incrementais e baseiam-se em processos de learning by using e
learning by doing. Tais evidências empíricas vão ao encontro daquelas comentadas pela
literatura que ressaltam o padrão inovativo incremental deste segmento produtor de
maquinário agrícola.
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Ainda com relação aos principais responsáveis pelas inovações, vale salientar dois
aspectos. O primeiro refere-se a uma diferença no padrão das pequenas empresas vis-à-vis ao
das médias e grandes. No caso das pequenas, o desenvolvimento da inovação, seja de produto
ou de processo, ocorre com mais freqüência em cooperação com outras empresas e institutos
ou, até mesmo, é feito por outras empresas ou institutos. Isso pode ser atribuído à necessidade
dessas empresas de buscarem, junto a outros colaboradores, subsídios e capacitações para
implementar novidades tecnológicas que não estão ainda internalizadas. Ou seja, buscam
esquemas cooperativos para contornar limitações de capacitações. Isso, no entanto, não
significa que não haja prévia capacitação para a compreensão do conteúdo do conhecimento
envolvido. O segundo aspecto diz respeito à importância das matrizes para as subsidiárias de
capital estrangeiro, pois mesmo que sejam desenvolvidas atividades inovativas localmente,
inclusive de P&D, o intercâmbio com as matrizes é fundamental.
Com relação às atividades inovativas necessárias à implementação dessas inovações
tecnológicas adotadas pelas empresas, não há um padrão único para os distintos portes de
empresas. Para as pequenas, o maior destaque é dado à aquisição de tecnologia incorporada
aos bens de capital e, na seqüência, ao treinamento. Isto é coerente com tal porte de firma que
tende a ter acesso ao conhecimento tecnológico via a incorporação de máquinas e
equipamentos e se vale do treinamento como atividade complementar de capacitação. Para as
médias e grandes empresas, tanto as atividades de P&D quanto de projeto ou desenho
industrial recebem maior relevância, enfatizando a realização de atividades inovativas dentro
da própria firma. No caso das grandes empresas, no entanto, há uma maior diversificação das
atividades inovativas empreendidas, pois além daquelas já citadas outras são também
empregadas – aquisição de máquinas e equipamentos que implicaram em significativas
melhorias tecnológicas de produtos/processos ou estiveram associados aos novos produtos e
processos, aquisição de outras tecnologias (softwares, licenças ou acordos de transferência de
tecnologia tais como patentes, marcas, segredos industriais) e programa de treinamento
orientado à introdução de produtos/processos tecnologicamente novos ou significativamente
melhorados.
As empresas, ao implementarem inovações de produto e processo, visam ganhos
futuros de competitividade e, portanto, são motivadas pela expectativa futura de maiores
lucros. Por conseguinte, são diversos os resultados desse esforço inovativo das firmas.
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Constatou-se que, dentre os impactos das inovações de produto e processo para as pequenas
empresas, o aumento da qualidade dos produtos e a possibilidade de manutenção da
participação da empresa no mercado foram os mais importantes, seguidos pelo aumento da
produtividade. Já para as médias empresas, a ampliação da gama de produtos ofertados, a
manutenção e/ou ampliação da participação no mercado interno recebem o mesmo grau de
importância. Para as grandes firmas, há três impactos empatados em grau de relevância: o
aumento da produtividade da empresa, o aumento da qualidade dos produtos e a ampliação da
participação da empresa no mercado externo.
Em suma, para as pequenas empresas inovar é condição importante para que
permaneçam atuantes e mantenham sua participação no mercado. Para as médias empresas, a
inovação, além de ser condição para manter sua participação no mercado, permite-lhes
também explorar economias de escopo, de modo a ampliar sua participação no mercado
interno. Já para as grandes empresas, a inovação propicia que se amplie a participação no
mercado e, nesse caso, que se conquiste mercado externo.
A dinâmica inovativa examinada nos parágrafos anteriores relaciona-se aos processos
de aprendizagem peculiares a esse arranjo de máquinas e implementos agrícolas. Isto porque
as fontes de aprendizado internas ou externas às empresas, que podem ser locais ou não,
influenciam as estratégias inovativas adotadas. Assim, a capacidade de inovação das
empresas é influenciada pela sua habilidade de absorver e combinar tais fontes de informação
para o aprendizado.
Para as empresas de portes médio e grande prevalecem, como fontes internas, as
atividades de P&D e as de vendas, marketing e atendimento a clientes. Dessa forma, são
importantes tanto o aprendizado estritamente relacionado a atividades formais de criação de
conhecimentos quanto os canais de comunicação com os usuários. Já para as empresas de
pequeno porte, a área de produção é a principal fonte interna. Nesse caso, o aprendizado pela
própria experiência junto ao processo produtivo ganha destaque.
Como fontes externas para o aprendizado, as empresas buscam conhecimentos,
principalmente, a partir de suas relações comerciais com seus clientes, em particular, mas
também junto a feiras e exibições. O aprendizado por interação tem um papel fundamental
nesse arranjo de máquinas e implementos agrícolas, uma vez que a interação entre os
usuários e as empresas permite que informações importantes para o aprimoramento
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tecnológico dos produtos sejam fornecidas pelos primeiros. Dada sua relevância, as empresas
procuram estabelecer com seus clientes, localizados no próprio arranjo, mas também em
outras regiões do estado e do Brasil, vínculos cooperativos regulares, que podem ser tanto
formais quanto informais.
Ainda como fontes externas de informação, embora com menor grau de importância,
aparecem os fornecedores, os concorrentes e outras empresas do setor. As interações com os
fornecedores são especialmente ressaltadas no caso das médias e grandes empresas. Isto
porque as empresas desses portes, provavelmente, possuem condições especiais, tanto em
termos de capacitação interna quanto de poder de compra, para melhor se valerem da
interação com esses agentes. As subsidiárias de multinacionais, por exemplo, usufruem
desses contatos a partir de acordos corporativos mundiais. Parcerias formais e informais são
estabelecidas com fornecedores locais (principalmente voltados para a fabricação de peças e
componentes) e com fornecedores externos ao arranjo (que ofertam matérias-primas, insumos
e sistemas de maior complexidade tecnológica).
Além desses esquemas cooperativos verticais, por outro lado, observa-se uma
maior dificuldade de se estabelecerem parcerias formalizadas em termos horizontais. Embora
os concorrentes sejam vistos como fontes de informação especialmente para as empresas de
portes pequeno e médio, a troca de informações está baseada, sobretudo, no intercâmbio de
experiências sobre o processo produtivo, no que tange a possíveis fornecedores,
equipamentos comprados e soluções organizacionais encontradas, e menos sobre o
desenvolvimento de produtos propriamente. Isso ocorre em razão da concorrência se dar
particularmente intra-segmentos, tornando difícil estabelecerem-se acordos cooperativos
entre empresas concorrentes. Portanto, na maioria das vezes, o que se verifica é uma
colaboração entre empresas do mesmo setor, mas não competidoras diretas. Esse é o caso,
por exemplo, da colaboração entre fabricantes de maquinário automotriz e firmas produtoras
de implementos de tração mecânica, já que esses são acoplados em equipamentos
autopropelidos. Da mesma forma, há colaboração entre esse conjunto de empresas e outras do
mesmo setor que também fabricam peças, componentes e sistemas, pois especialmente as
firmas de maior porte procuram contribuir para a capacitação dessas pequenas empresas
locais.
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Chamou atenção a pouca relevância atribuída pelas empresas do principal segmento
produtivo às interações com organizações de ensino e pesquisa, pois não foram vistas como
fontes de informação de alta importância nem são estabelecidas com elas relações
cooperativas regulares. Contudo, os centros de capacitação profissional presentes no entorno
geográfico do arranjo recebem uma especial menção como agentes de capacitação e
treinamento da mão-de-obra local. Isso indica que, de modo geral, a importância da
infraestrutura educacional se relaciona ao esforço das empresas em organizar o processo de
capacitação de seus recursos humanos através de treinamento, mas demonstra também que
essas interações se baseiam sobretudo em atividades de formação e capacitação da força de
trabalho e não em atividades conjuntas de pesquisa. Da mesma forma que esses esforços de
capacitação e de treinamento, ao propiciarem a disseminação de conhecimentos, influenciam
a capacidade inovativa do arranjo.
Essas considerações ratificam a idéia de que a dinâmica tecnológica desse arranjo de
maquinário agrícola está alicerçada especialmente nas interações entre as empresas do
principal segmento do arranjo e seus usuários, como também nos intercâmbios entre essas
empresas e seus fornecedores. O aprendizado por interação com os usuários assume uma
importância fundamental nessa dinâmica. Isto porque os usuários detêm conhecimentos
tácitos importantes para o aprimoramento dos equipamentos agrícolas, cujas características
seguem especificidades em função do solo e das culturas nos quais são empregados. No
entanto, embora relevantes, esses conhecimentos são pouco formalizados, limitando sua
contribuição a sugestões que permitem inovações incrementais. Da mesma forma, o
aprendizado por interação com fornecedores estimula trajetórias de mudanças técnicas
incrementais.
Adicionalmente, cabe enfatizar que os fluxos de informação ocorrem entre os atores
localizados no próprio arranjo, mas também com agentes externos a ele. Para as pequenas
empresas, suas fontes de informação concentram-se, particularmente, no próprio arranjo e no
Rio Grande do Sul, ressaltando a importância do local para esse porte de empresas. Ao passo
que no caso das médias e grandes firmas, há uma distribuição mais uniforme entre o arranjo,
o estado e o Brasil e, em algumas situações, o exterior tem destaque. Logo, quanto maior o
porte da firma, mais relevância adquirem as fontes mais distantes. Supõe-se que isso ocorre
em razão da maior capacitação interna dessas firmas de maior porte, o que lhes permite
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melhor absorver e combinar informações, proporcionando um melhor aproveitamento das
diversas fontes disponíveis.
Ademais, vale também sublinhar que os agentes considerados como principais fontes
de informação são também aqueles com os quais as empresas buscam estrategicamente
estabelecer relações cooperativas. Novamente o agente que desempenha o papel mais
importante enquanto parceiro é o cliente, com o qual são desenvolvidas tanto parcerias
formais quanto informais de modo regular. As parcerias com os clientes são calcadas na
confiança e na reputação destes. Na seqüência, foram também mencionados os fornecedores,
os centros de capacitação, os representantes e as outras empresas do setor. Percebeu-se, ainda,
nos três segmentos de tamanho, que as parcerias visavam particularmente a troca de
informações (que se supõe técnicas) e a capacitação de recursos humanos das empresas.
Também as parcerias, no caso das pequenas empresas, estão mais concentradas em
nível local; já para as médias e grandes empresas, há uma presença uniforme destes clientes
parceiros tanto em nível local quanto estadual e nacional; e também, embora de forma menos
expressiva, no exterior.
A melhoria na qualidade dos produtos é o resultado mais relevante dos processos
cooperativos com os agentes locais para o todo das empresas pesquisadas, o que é
normalmente o efeito esperado das mudanças incrementais típicas desta indústria e deste
arranjo de máquinas e implementos agrícolas. O desenvolvimento de produtos e a melhor
capacitação de recursos humanos são as outras implicações mais citadas das ações
cooperativas com agentes locais.
Assim, as relações de cooperação no arranjo de máquinas e implementos agrícolas são
calcadas, sobretudo, no intercâmbio sistemático de informações produtivas e mercadológicas
(especialmente com clientes, mas também com fornecedores), mas há também interação de
outros tipos, envolvendo empresas e outras organizações, particularmente por meio de
programas comuns de treinamento.
Para finalizar essa seção, cabe enfatizar que os processos analisados de disseminação
de conhecimentos e de aprendizado típicos do arranjo de máquinas e implementos agrícolas
do Rio Grande do Sul são fruto das características de seus diversos agentes, bem como dos
fluxos e das interações que lhes são peculiares.
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4. Histórico de Formação e Apoio ao APL Pós-Colheita
O APL Pós-Colheita tem na fabricação de equipamentos para recebimento,
beneficiamento e armazenagem de grãos o foco principal das suas atividades produtivas.
Territorialmente abrange, especialmente, os municípios de Panambi e Condor.
Em termos de área, ambos os municípios aproximam-se. Condor possui 465,2 km² e
Panambi 490,9 km²; no entanto, a população de Panambi, no ano de 2011, foi bem maior,
38.386 habitantes, diante dos 6.566 habitantes de Condor. Com relação ao PIB, também
Panambi apresenta um valor maior, R$ 999,9 milhões (em 2010), frente aos R$ 169,8
milhões de Condor nesse mesmo ano. Já o PIB per capita dos municípios é semelhante.
A concentração da fabricação de equipamentos voltados à agricultura nessa região
deve-se às questões históricas relativas ao início do plantio agrícola e ao processo de
mecanização, assim como à posição estratégica em relação ao Mercosul. Mesmo com a
expansão das grandes fronteiras agrícolas para a Região Centro-Oeste e, em parte, para as
regiões Norte e Nordeste do Brasil, a indústria de maquinário agrícola continua bastante
concentrada em sua região de origem, o que está, sem dúvida, atrelado às especificidades e às
externalidades relacionadas ao local.
Assim, o arranjo de máquinas agrícolas deve ser considerado como uma aglomeração
produtiva que surge a partir de processos marcados por contextos culturais e históricos
determinados, que o conformam e reforçam a importância que adquirem as externalidades
associadas à infraestrutura produtiva, às características dos recursos humanos e à
infraestrutura física do local.
O APL recebeu visibilidade e apoio do governo tanto em nível estadual quanto federal.
Em nível estadual, foi a partir do Programa de Apoio aos Sistemas Locais de Produção
coordenado pela Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (SEDAI)
implementado no governo Olívio Dutra (1999 – 2002) que o APL de Máquinas e
Implementos Agrícolas das regiões Fronteira Noroeste, Alto Jacuí, Missões, Noroeste
Colonial e Produção, junto com outros quatro arranjos do estado, foi apoiado.
Em nível federal, foi através Programa Desenvolvimento de Arranjos Produtivos
Locais (Programa 1015), parte integrante do PPA 2004-2007, que Ministério do
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Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), através do Grupo de Trabalho
Permanente para Arranjos Produtivos Locais (GTP- APL), passou a apoiar especificamente o
APL Pós-Colheita.
A partir de 2005, o GTP-APL iniciou a denominada ampliação da estratégia de
desenvolvimento de APLs, com a seleção de, no máximo, cinco arranjos por estado. Foram
então priorizados os seguintes arranjos a serem apoiados no Rio Grande do Sul: Móveis
(Gramado); Vitivinicultura (Bento Gonçalves); Lapidação e Gemas (Soledade); Confecções
(Caxias do Sul); e o Metalmecânico / Máquinas e Implementos Agrícolas (Panambi).
Também em nível estadual, a partir de 2009, no período do Governo Yeda Crusius, o
apoio direcionou-se especificamente ao APL Pós-Colheita.
No atual governo Tarso Genro, através da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e
Promoção do Investimento (AGDI), no escopo do Projeto de Fortalecimento dos Arranjos
Produtivos Locais, esse APL Metalmecânico Pós-Colheita, continua enquadrado como
apoiado, recebendo recursos via convênio firmado para apoiar a Governança, visando a
estruturação técnica da gestão do APL, e a Elaboração do Plano de Desenvolvimento do
arranjo.
O APL recebeu ainda recursos no âmbito de outro projeto deste governo - Projeto
Extensão Produtiva e Inovação – voltado à capacitação das empresas pertencentes ao arranjo.
Comentado esse histórico e considerando que o APL Pós-Colheita congrega um
conjunto de distintas organizações, adiante, tais agentes são caracterizados. Isto é, observa-se
no APL a presença de uma significativa infraestrutura educacional no arranjo, bem como a
existência de uma infraestrutura institucional e de várias empresas de diferentes portes
vinculadas ao principal segmento produtivo do arranjo, que são analisadas nas seções a seguir.
5. Estrutura Institucional e Governança do APL Pós-Colheita
Além do conjunto de empresas, o arranjo é também formado por uma série de outras
organizações que conformam sua infraestrutura institucional. Dentre elas, podem-se citar
aquelas voltadas para educação, treinamento, pesquisa – universidades, escolas técnicas e
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centros de pesquisa , de representação de interesses específicos – associações, cooperativas
de agricultores e sindicatos, de financiamento, entre outras.
Primeiramente, vale citar a Associação Centro de Inovação Tecnológica (ACITEC),
fundada em 2004. É uma entidade pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, com
sede e apoio administrativo junto à Associação Comercial e Industrial de Panambi.
Desempenha a função de gestora deste APL Pós-Colheita e tem papel-chave na governança
desse arranjo. Seu “objetivo básico é coordenar e promover ações estruturantes de conteúdo
inovador”.
A ACITEC é formalmente reconhecida pelo governo do estado enquanto entidade
gestora do arranjo e, por isso, assinou convênio com a AGDI, através do qual recebeu
recursos, em torno de R$ 150 mil, para aprimorar a gestão do APL, via estruturação técnica e
auto-organização do APL. Tal convênio enquadra-se no Programa do governo que apoia o
fortalecimento da capacidade de governança local, por meio de uma entidade gestora, no caso
a ACITEC, para coordenação, elaboração, captação e gestão de projetos.
Essa instituição, juntamente com a AGDI e outras organizações localizadas na região,
comentadas a seguir, constituem o Comitê Gestor do APL.
Fazem também parte do Comitê, a Prefeitura Municipal de Condor e a Prefeitura
Municipal de Panambi, bem como a Associação Comercial de Condor (ACI CONDOR) e a
Associação Comercial de Panambi (ACI PANAMBI).
Outra organização que tem importante papel no APL é o SEBRAE. Historicamente o
SEBRAE atua fortemente no arranjo desenvolvendo várias ações de capacitação das firmas
locais. A partir de 2003, trabalhou na sensibilização e engajamento dos empresários de
Panambi e Condor. Em razão do seu foco nas empresas de menor porte, foi através do
Programa de apoio à competitividade das micro e pequenas indústrias (Procompi), resultante
de uma parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que o SEBRAE buscou
apoiar as empresas locais. Desde então, atua especialmente por meio de cursos, palestras,
consultoria e aconselhamento para o crédito.
Observa-se ainda a presença de uma significativa infraestrutura educacional nessa
região, que compreende um conjunto de diferentes agentes, dentre os quais se pode
mencionar uma série de estabelecimentos de ensino fundamental (1ª a 8ª séries) e de ensino
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médio. Além destes, há também várias escolas técnicas. Merecem especial destaque como
organizações voltadas ao treinamento e à formação técnica de mão-de-obra tanto o Colégio
Evangélico, em Panambi, quanto o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)
vinculado à Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS) , que oferece ensino
profissional em vários centros educacionais, em muitos municípios do noroeste gaúcho. O
Colégio Evangélico desenvolve, também, atividades de pesquisa em parceria com empresas.
O Senai, além de contar com diversas escolas próprias, ministra vários de seus cursos dentro
das empresas. Oferece cursos na área metal-mecânica e dá assessoria técnica e tecnológica às
empresas.
O Colégio Evangélico Panambi oferece sete cursos técnicos, qualificando alunos nas
áreas de interesse das indústrias, como Eletrotécnica, Mecânica, Mecatrônica, Fabricação
Mecânica, Informática, Contabilidade e Segurança do Trabalho. Em seu Centro Tecnológico
e de Formação Profissional, o Colégio mantém laboratórios que dão suporte à formação
profissional dos alunos, além de fornecerem assistência técnica e tecnológica às empresas.
Há também o Instituto Federal Farroupilha - Campus Panambi que iniciou suas
atividades em 2008. Dentre os cursos oferecidos, destacam-se os técnicos em: Agroindústria,
Agricultura de Precisão, Controle Ambiental, Química, Pós-Colheita de Grãos, entre outros.
A Universidade Regional de Ijuí (Unijuí) é outra importante instituição de ensino e
pesquisa na região. Em seu Campus Panambi, oferta os Cursos de Graduação em Engenharia
Mecânica e em Administração, assim como a Pós-Graduação em Engenharia Industrial. A
Universidade disponibiliza ainda uma rede de laboratórios.
Além disso, a Unijuí é responsável por coordenar a execução do “Plano de
Desenvolvimento do APL Pós-Colheita”, contando com recursos da AGDI.
Além do Instituto Federal e da Unijuí, são muitas as universidades e as faculdades
presentes na região noroeste do RS. Destacam-se a Universidade de Passo Fundo (UPF), com
mais de um campus ou núcleo universitário, a Faculdade de Tecnologia do Senac também em
Passo Fundo, a Universidade de Cruz Alta Faculdade Horizontina (Fahor), o Instituto
Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo, a Faculdade Três de Maio (Setrem) em Três
de Maio, as Faculdades Integradas Machado de Assis (FIMA) em Santa Rosa, dentre outras.
14
A partir desse ambiente de formação e a qualificação da mão-de-obra local, saberes
individuais e codificados são conformados, mas também conhecimentos coletivos e
codificados são gerados a partir das interações que acontecem nesse contexto, sem falar, é
claro, dos conhecimentos tácitos que também emergem. Assim, ao se analisarem as
evidências empíricas, percebe-se que, dessa infraestrutura, emergem significativas
externalidades positivas ao conjunto do arranjo. Todavia, identifica-se também que tais
ligações abarcam principalmente atividades de formação e capacitação de recursos humanos
e relativamente poucas atividades conjuntas de pesquisa.
Várias são também as cooperativas presentes no arranjo que têm grande vinculação
com os produtores rurais, que são seus associados. Em Panambi, está a Cooperativa Tritícola
Panambi Ltda. (Cotripal), mas outras cooperativas estão presentes na região. Vale citar as
seguintes: Cooperativa Tritícola Mista Alto Jacuí (Cotrijal) em Não-Me-Toque, Cooperativa
Regional Tríticola Serrana Ltda. (Cotrijuí) em Ijuí, Cooperativa Mista São Luiz Ltda.
(Coopermil) e Cooperativa Tritícola Santa Rosa (Cotrirosa) em Santa Rosa, Cooperativa
Tritícola e Agropastoril Giruá Ltda. (Cotap) em Giruá, dentre outras.
No arranjo, há ainda um conjunto de organizações financeiras, composta pelas
agências tanto do Banco do Brasil e do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul)
quanto de diversos bancos privados, bem como pelo Sicredi1, que é um sistema de crédito
cooperativo, com unidades em Condor e Panambi. É importante frisar o quão importante é
essa estrutura financeira, já que o acesso ao crédito é fator fundamental para incrementar e
garantir a demanda por equipamentos agrícolas.
Por fim, cabe também mencionar outras organizações que, embora não estejam
situadas fisicamente nos municípios de Panambi e Condor, fazem parte da infraestrutura
institucional presente nessa região do estado. Isto é o caso dos centros de pesquisa da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da
Agricultura e do Abastecimento, particularmente a Embrapa Trigo em Passo Fundo. Há
também a Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa Fecotrigo (Fundacep) em Cruz
Alta.
1
O Sicredi é formado pelas Cooperativas de Crédito Singulares, suas centrais, uma confederação, o Banco
Sicredi S/A e suas empresas ligadas, BC Card e Corretora de Seguros. Ver: <http://www.sicredi.com.br>.
15
Também não localizado nesses municípios, o Sindicato das Indústrias de Máquinas e
Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), representa o segmento dos
fabricantes, e tem sua sede em Porto Alegre.
A partir desse elenco de organizações mencionadas, percebe-se que está presente no
arranjo uma considerável infraestrutura institucional. Todavia, por si só, esta não garante uma
forte interação de suas organizações com aquelas vinculadas tanto à infraestrutura
educacional quanto à produtiva do arranjo, nem assegura que haja efetivos esquemas de
cooperação entre os seus diversos atores. Observam-se importantes iniciativas de
determinadas organizações, dentre as quais, especialmente, as do Sebrae, as da ACITEC e da
ACI, de Panambi, em promover ações com a finalidade de capacitar e integrar os atores do
arranjo.
6. Principais atividades produtivas, produtos e mercados do APL Pós-Colheita
A história da matriz produtiva de Panambi e Condor tem sua origem em pequenas
oficinas fornecedoras de instrumentos para o trabalho na lavoura. Com o passar dos anos,
essas oficinas se transformaram em empresas capazes de produzir equipamentos e acessórios
que são referência nacional.
Várias dessas empresas especializaram-se na construção de grandes estruturas para
receber e armazenar toneladas de grãos. Vale ressaltar que muitas empresas voltam-se ao
mercado agrícola, mas não só, pois possuem estratégias de diversificação de mercados-alvo.
No entorno dessa concentração de firmas, fruto de aspectos históricos, criou-se um
importante conjunto de serviços especializados.
O arranjo compreende, assim, uma estrutura heterogênea, da qual fazem parte
empresas de diferentes portes. Entre essas firmas de maior e menor tamanho estabelecem-se
também relações de subcontratação, que muitas vezes envolvem relações de cooperação e de
aprendizado.
Seus principais mercados podem ser tanto o doméstico, seja regional, seja nacional,
quanto o externo. Nesse último caso, destacam-se, como países de destino, os da América
Latina. Em 2010, por exemplo, 50% das exportações de equipamentos pós-colheita foi
16
destinado a cinco países. São eles: Paraguai, Bolívia, Uruguai, Argentina e Índia. Salienta-se
a presença de somente um país além das fronteiras sul-americanas (TATSCH; RUFFONI;
MORAIS, 2013).
As empresas nacionais, ao buscarem inserir-se em mercados internacionais, procuram
ter como parâmetro as empresas líderes de mercado. Já as pequenas vêem, tanto nestas
empresas nacionais quanto nas multinacionais, exemplos a serem seguidos e imitados.
O APL, no entanto, não reúne territorialmente todos os diferentes segmentos que
integram a sua cadeia produtiva, pois, embora se encontre lá grande parte dos fabricantes de
equipamentos agrícolas, bem como uma série de fabricantes de peças e componentes, muitos
fornecedores de insumos e equipamentos estão situados em outras regiões do estado, do
Brasil e até fora do País.
A seguir, comenta-se as especializações/segmentos de atuação das empresas do APL
Pós-Colheita.
Há uma gama de firmas voltadas à fabricação de máquinas de pré-limpeza e limpeza
de grãos, bem como separação de variados grãos. Outras desenvolvem e fabricam
equipamentos para secagem de grãos. Existem ainda empresas produtoras de equipamentos
para movimentação de granéis, para as mais variadas necessidades e aplicações, tanto para
carga como descarga. Para o armazenamento da produção agrícola, fabricam-se silos,
desenvolvidos para armazenar os mais variados tipos de grãos. Ainda no que diz respeito à
armazenagem, são produzidos sistemas automatizados de gerenciamento de processos que
asseguram melhores condições de armazenagem e manuseio dos produtos.
Equipamentos de termometria e aeração são também produzidos pelas empresas do
APL Pós-Colheita, os quais são importantes para obtenção de alta produtividade e redução de
perdas desnecessárias. Equipamentos específicos para selecionar e classificar grãos,
utilizados para otimização dos processos de beneficiamento de grãos, são igualmente
fabricados por empresas do arranjo. Além desses, equipamentos para descarga de grãos,
como tombadores, são desenvolvidos e fabricados visando melhorar a logística das unidades
de recebimento de grãos.
Dentre as empresas que estão localizadas no APL Pós-Colheita, fabricantes de
produtos finais, peças ou componentes, e fornecedoras de serviços especializados, podem-se
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citar:
C. A. CEQUINATTO
METALURGICA SCHUMANN
CARPAN EQUIPAMENTOS
AGROINDUSTRIAIS
METALÚRGICA CENTRAL
COMAG EQUIPAMENTOS AGROINDUSTRIAIS
METALÚRGICA FAULHABER
DALROS
METALÚRGICA GAÚCHA
DILTEC INDÚSTRIA DE EQUIPAMENTOS
AGRÍCOLAS
METALÚRGICA RESIDENCE
ECOMETAL INDUSTRIA DE METAIS
MÓVEIS E ESQUADRIAS WALDOW
ELECKTRON
NATUR INDÚSTRIA DE EQUIPAMENTOS
ELETROMAQ
NBR TEC INDÚSTRIA DE EQUIPAMENTOS
ELÉTRICOS
ENGEGRAN INDÚSTRIA E MONTAGENS
PCE ENGENHARIA E MONTAGENS
INDUSTRIAIS
FAVIPAL
QUADRELEC
FUNILARIA FEIDEN
REINKE
GALVANOTÉCNICA ANDURI
SAUR EQUIPAMENTOS
GALVÂNICA HAAS
SILOS CONDOR AGROINDUSTRIAL
GRUPO FOCKINK
STERN TECH AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL
HEAT INDUSTRIA E COMÉRCIO
STOLLMEIER INDÚSTRIA DE PEÇAS
HIDROPAN
SW USINAGEM
IROTEC INDUSTRIAL
TERMOMASTER INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS
JOPE INDUSTRIAL
TORNEARIA CARFER
JOSCIL EQUIPAMENTOS
TORNEARIA DIEMAN
JS USINAGEM
TORNEARIA PIRATINI
KEPLER WEBER INDUSTRIAL
TORNEPAN
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KS MONTADORA
TROMINK INDUSTRIAL
LANGE TERMOPLÁSTICOS
USICRAFT USINAGEM
MAREMA PARTS - PEÇAS E ACESSÓRIOS
AUTOMOTIVOS
VIDRAÇARIA IRMÃOS HENTGES
MEDIZA EQUIPAMENTOS
AGROINDUSTRIAIS
WF MOTORES ELÉTRICOS
METALBAUER INDÚSTRIA DE PEÇAS
AGRÍCOLAS
WIDITEC
METALMETH DO BRASIL
WINCKIEEL IND. EQUIPAMENTOS
ELETRÔNICOS
METALTEC AGROINDUSTRIAL
ZAMPRONIO INDÚSTRIA DE
CLASSIFICADORES DE SEMENTES
Fonte: Site APL-Pós Colheita: http://www.aplposcolheita.com.br
Com relação aos insumos e às matérias-primas utilizados pelas empresas do arranjo,
esses provêem, em sua maior parte, do mercado nacional.
Os equipamentos utilizados no processo produtivo advêm tanto do mercado nacional
sobretudo de outros estados que não o Rio Grande do Sul, especialmente de São Paulo
quanto do exterior.
7. Considerações Finais
Para finalizar, cabem algumas considerações sobre o APL Pós-Colheita, bem como
sugestões de políticas voltadas a esse arranjo.
Conforme ressaltado anteriormente, a região Noroeste do RS concentra um conjunto
de firmas industriais voltadas à fabricação de máquinas e implementos agrícolas, bem como
uma infraestrutura educacional e institucional que dá suporte a essas atividades produtivas,
conformando nesse território uma aglomeração produtiva particular, o APL de Máquinas e
Implementos Agrícolas.
Dentre os subsistemas que tal arranjo abarca, está o de Pós-Colheita, voltado para a
19
produção de equipamentos para armazenamento, secagem e separação de grãos, e
beneficiamento da produção agrícola. Dada tal especialização, são boas as perspectivas para
as empresas produtoras desse equipamentos uma vez que a produção agrícola brasileira tem
tido desempenho bastante positivo. Um exemplo disso, é a atual supersafra de soja vivida no
estado que acaba puxando outros setores da cadeia produtiva, como é o caso dos
equipamentos.
Ações de política, tanto em nível estadual quanto federal, tem apoiado o APL PósColheita. Organismos como o Sebrae tem também desenvolvido ações de apoio. Tais
iniciativas auxiliaram na organização da gestão desse arranjo, assim como na capacitação de
recursos humanos locais e no fomento a interação dos agentes ali localizados.
No sentido de explorar ainda mais as oportunidades características dessa aglomeração,
vale sugerir focar as ações de apoio em algumas frentes:
Inovação
Apoiar projetos calcados em parcerias, seja entre empresas ou entre essas e instuições
de ensino e pesquisa, cujo objeto vise inovações de produto, processo ou
organizacionais.
Ampliação de Fornecedores
Ampliar a oferta de fornecedores, via a atração de empresas ou ampliação de negócios
já existentes localmente, no sentido de adensar a cadeia produtiva.
Investimentos em logística
Expandir os investimentos em infraestrutura logística para facilitar o transporte de
cargas, contemplando estrutura rodoviária, ferroviária, aérea e portuária.
Promoção de acesso a mercados internacionais
Auxiliar as empresas em seus processos de internacionalização. Mercados como os
dos países dos BRICS surgem como alternativas interessantes.
Diversificação produtiva
Formular ações de capacitação visando a diversificação produtiva e tecnológica do
local.
20
8. Referências Bibliográficas
CALANDRO, M. L.; PASSOS, M. C. Transformações nas estratégias empresa- riais da
indústria de máquinas e implementos agrícolas no RS. In: CASTILHOS, C. C. et al.
Impactos sociais e territoriais da reestruturação econômica no Rio Grande do Sul. Porto
Alegre: FEE, 1999. p. 226-247.
DAHAB, Sonia. Competitividade da indústria de máquinas agrícolas: nota técnica
setorial do complexo metal-mecânico. Campinas, SP: 1993. (Estudo da Competitividade da
Indústria Brasileira — ECIB).
FONSECA, M. da G. D. Concorrência e progresso técnico na indústria de máquinas
para a agricultura: um estudo sobre trajetórias tecnológicas. Campinas: Unicamp, 1990.
Tese (Doutorado em Economia). (mimeo).
IBGE. Pesquisa de Inovação Tecnológica 2008 (PINTEC). Rio de Janeiro: IBGE, 2010.
MORAES, J. P.; SILVA, E. M. T. da. Vantagens e desvantagens das empresas de Panambi e
Condor por participarem do arranjo produtivo local pós-colheita. In: IV Encontro de
Economia
Gaúcha,
Porto
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FEE
e
PUC,
2008.
Disponível
em:
http://www.fee.tche.br/4-encontro-economia-gaucha/trabalhos.htm
TATSCH, A. L. O processo de aprendizagem em arranjos produtivos locais: o caso do
arranjo de máquinas e implementos agrícolas no Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: UFRJ,
2006. Tese (Doutorado em Economia) Instituto de Economia, Universidade Federal do Rio
de Janeiro, 2006. (mimeo).
______. Inovação, aprendizagem e cooperação no arranjo de máquinas e implementos
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______ . Conhecimento, Aprendizagem, Inovação e Proximidade Espacial: o caso do arranjo
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______ . O arranjo de máquinas e implementos agrícolas no Rio Grande do Sul: infraestrutura produtiva, educacional e institucional. Ensaios FEE (Online), v. 28, p. 755-774,
2008.
21
TATSCH, A. L.; RUFFONI, J.; MORAIS, I. Análise do Comportamento Exportador da
Indústria Brasileira de Máquinas e Implementos Agrícolas. Indicadores Econômicos FEE
(Impresso), v. 41, p. 25-44, 2013.
Sites Consultados
Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI). Disponível em:
http://www.agdi.rs.gov.br
APL Pós-Colheita Panambi e Condor / RS <http://www.aplposcolheita.com.br/apl-poscolheita>
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)
<http://www.educaçãosuperior.inep.gov.br>.
Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul, FecoAgro/RS
<http://www.redeagro.com.br>
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Estudo de Caso