TRABALHO INTERDISCIPLINAR: HORTA ESCOLAR, UM EXEMPLO DE PRÁTICA, PARA TRABALHAR EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL Juliana Da Parecida Ferreira 1 - UNICENTRO - PR Grupo de Trabalho – Educação e Meio Ambiente Agência Financiadora: não contou com financiamento Resumo O presente trabalho busca apresentar uma sugestão de proposta interdisciplinar desenvolvida dentro do tema Educação Ambiental em uma escola pública do estado do Paraná. A implantação de uma horta na escola. O objetivo foi de chamar atenção do aluno para as questões relacionadas ao meio ambiente, consumismo, degradação ambiental, recursos naturais. As disciplinas da matriz curricular envolvidas no projeto foram Geografia e Ciências. Os sujeitos participantes do projeto foram uma professora de Geografia, uma de Ciência e duas turmas de alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental I. O projeto ainda propôs uma pesquisa de campo, pesquisa bibliográfica realizada pelos alunos e uma visita a uma horta municipal, desenvolvida pelo município onde a escola se encontra localizada. Nesta visita aprendeu-se sobre manejo de uma horta. O projeto foi desenvolvido em dois meses e os encontros eram realizados uma vez por semana. A oportunidade de participar e desenvolver este projeto foi promovido pelo estágio de prática e pesquisa, proposto pela disciplina acadêmica “Prática e Pesquisa em ensino de Geografia; Métodos de Pesquisa em Geografia”, no ano 2013, no curso de Geografia Licenciatura da Universidade Estadual do Centro Oeste – Campus de Guarapuava no estado do Paraná. O projeto teve como resultado, o envolvimento dos alunos, dos professores e da comunidade escolar e ainda conseguiu envolver de forma interdisciplinar disciplinas da matriz curricular. O projeto proposto veio a somar com o já realizado pela escola, sobre a necessidade de conscientização dos alunos para as questões ambientais, proposto no projeto de atividades extracurriculares da escola. Palavras-chave: Interdisciplinaridade. Educação Ambiental. Horta escolar. Introdução Este texto busca apresentar o desenvolvimento de um projeto, oportunizado pela disciplina acadêmica “Prática e Pesquisa em ensino de Geografia; Métodos de Pesquisa em Graduanda em Geografia Licenciatura, pela Universidade Estadual do Centro Oeste PR. E-mail: [email protected]. ISSN 2176-1396 24713 Geografia”, da Universidade Estadual do Centro Oeste – UNICENTRO – Campus de Guarapuava/PR. O projeto foi desenvolvido com alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental I, do Colégio Estadual José de Anchieta-Ensino EFMNP. O colégio está localizado no centro da cidade de Santa Maria do Oeste, no estado do Paraná. O projeto com título "Trabalho Interdisciplinar: Horta Escolar, um Exemplo de Prática, para Trabalhar Educação Ambiental no Ensino Fundamental", apresentou a proposta de construção de uma horta escolar, elaborada e desenvolvida em parceria entre as disciplinas de Geografia e Ciências. A temática foi educação ambiental. O trabalho contou com uma pesquisa realizada pelos alunos sobre o tema Educação Ambiental e uma visita de campo realizada, com aula prática sobre manejo de horta, com os funcionários que trabalham na horta do município. A relevância do trabalho sobre o tema Educação Ambiental encontra respaldo nos Parâmetros Curriculares Nacionais de 1998, que propõem a temática de forma transversal abrangendo todos os níveis de ensino e diferentes dimensões e escalas. É importante destacar que o termo Educação ambiental na atualidade vem sendo empregado de forma generalizada e ampla, o que possibilita: [...] ser utilizado desde a escala mundial até a microescala pontual. Pode-se falar do ambiente terrestre, dos ambientes continentais, oceânicos, lacustres, dos ambientes das plantas, dos animais e dos homens, do ambiente urbano e do rural, do ambiente cultural, social e do de trabalho. A palavra é a mesma, mas diferentes são os significados e a expressividade (CHRISTOFOLETTI, 1995, p.336). Sendo assim, o Meio Ambiente aqui abordado, é o mesmo entendido pelo autor supracitado, isto é, o Meio Ambiente que nos cerca. E a Educação Ambiental é vista como uma forma de intervir na hora de conscientizar a humanidade sobre as consequências do consumo excessivo, que leva a degradação do Meio Ambiente, à utilização dos recursos naturais demasiadamente descontrolados por conta da massa consumidora capitalista, tem como resultados os problemas estruturais existentes na atualidade. A Educação Ambiental vem para auxiliar nesta conscientização, pois: a educação ambiental que incorpora a perspectiva dos sujeitos sociais permite estabelecer uma prática pedagógica contextualizada e crítica, que explicita os problemas estruturais de nossa sociedade, as causas do baixo padrão qualitativo da vida que levamos e da utilização do patrimônio natural como uma mercadoria e uma externalidade em relação a nós. É por meio da atuação coletiva e individual, intervindo no funcionamento excludente e desigual das economias capitalistas, que os grupos sociais hoje vulneráveis podem ampliar a democracia e a cidadania (LOUREIRO, 2004, p.16). 24714 As preocupações com a escassez dos recursos naturais há muito tempo vem sendo pauta de discussões. E a situação vem se agravando pela crescente exploração da natureza que se apresenta como uma vítima das “necessidades” humanas, que busca consumir de forma alienada, sem se preocupar com o futuro. As questões desencadeadas pela degradação do meio ambiente começaram a ser discutidas há alguns anos, segundo Reigota (2004) "nos anos de 1968 foi realizado em Roma uma reunião de cientistas com representantes de países desenvolvidos para tratar das questões ambientais". E acrescenta: "No entanto, somente em 1972, foi realizado a primeira Conferência Mundial de Meio Ambiente Humano, na cidade de Estocolmo, na Suécia". Nesta ocasião o que de mais importante se ressaltou nesta conferência, foi a necessidade de educar o cidadão para a solução dos problemas ambientais. Para Reigota (2004) "foi nesse evento que aconteceu o surgimento do que se convencionou a chamar de educação ambiental". Portanto, educar o cidadão para o enfrentamento das questões ambientais, é recomendado internacionalmente, como forma de regra. Defendendo a possibilidade do espaço múltiplo, assim, esta educação ambiental proposta, pode acontecer de várias maneiras e em muitos lugares, mas principalmente na escola, se esta dispuser de oportunidade para tais atividades, pois na perspectiva educativa a educação ambiental pode perpassar todas as disciplinas, de forma interdisciplinar, pois para Japiassu (1976, p. 25): “A interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa”. A proposta interdisciplinar de ensino é importante, para todas as áreas do conhecimento, pois envolve ações coletivas entre professores, explicitando sua importância no processo educativo. A adoção de uma postura interdisciplinar de ensino e aprendizagem possibilitará a compreensão do mundo pelo aluno em sua concepção heterogênea e contraditória. Na escola, o aprendizado coletivo fortalece a participação nas atividades e consequentemente melhora o nível de conscientização do aluno a respeito de seu papel na sociedade. O problema que se destaca como principal campo do estudo da educação ambiental na escola é sem dúvida os impactos gerados pelo consumo desenfreado de uma sociedade em ascensão. O consumismo vem na contramão da preservação do meio ambiente. Segundo Sariego (2004, p.154): 24715 a malícia do consumismo não se restringe apenas à pessoa, mas estende-se ao ambiente, que sofre grave impacto decorrente da ávida necessidade de energia e matéria-prima. Ele é a verdadeira raiz de todos os problemas de poluição e de destruição, da super-população ou o subdesenvolvimento econômico, como querem alguns países do primeiro mundo. Por isso, da preocupação com a retirada maciça de recursos naturais, que são considerados matéria prima para o início da produção de várias coisas. A educação ambiental, na atualidade é um tema de discussão mundial, inclusive por uma parte da sociedade que não está diretamente ligada a movimentos ambientalistas. É possível observar uma mobilização social, com propostas de atitudes de respeito com o meio ambiente. Esse momento de reflexão social busca apresentar a necessidade de se pensar hoje o futuro próximo. Dessa forma, a educação ambiental é um tema de discussão social, pois é vivido por todos, perpassa por confrontos e sugestões sobre alternativas possíveis de solução, diria que envolve e gera tantas dúvidas por se tratar dos rumos da vida humana, mais do que isso todos são envolvidos através de suas atitudes que podem influenciar positiva ou negativamente neste quesito. Em seu livro, “O Que é Educação Ambiental” Rigota (2004) afirma: "a educação ambiental está também muito ligada ao método interdisciplinar. Esse método, no entanto, é compreendido e aplicado das mais diversas formas". Com enfoque nesta problemática é que acredito que a interdisciplinaridade na escola precisa ser revista, cabe ao professor retomar esta prática, redescobrindo novas relações entre conceitos e práticas. Ao professor também se compete à tarefa de fazer com que o aluno compreenda o espaço produzido pela sociedade, bem como as relações que nele se desenvolve, portanto: além de refletir o espaço, tarefa não muito fácil diante de tanto dinamismo processual, ela deve reunir instrumentos de análise e de práticas sociais, que, no embate do exercício da cidadania, levantem questões como formas de ordenação e ocupação territorial, direito à saúde e à educação, acesso a moradia e à terra, preservação e conservação da biodiversidade e da qualidade ambiental, necessidade da sustentabilidade cultural e natural (CASTROGIOVANNI, 2007, p.43). Ao trabalharem juntos, professores atuantes de disciplinas distintas, proporcionaram aos alunos, nova visão do ensino, tanto teórico quanto prático. A horta escolar possibilitou aos alunos e também aos professores, conhecer melhor o espaço onde estão inseridos, ou seja, o espaço da escola. É neste sentido que: 24716 o professor ao unir os papéis de cidadão e de profissional, certamente realizará um trabalho consequente; os alunos terão a possibilidade de se tornarem atores de seu próprio aprendizado, inserido no espaço social, analisando-o no conjunto do movimento da sociedade, construindo assim o seu espaço e sendo responsáveis por sua história. (PONTUSCHKA, 2006, p.115). E a educação ambiental sendo um tema transversal na educação, torna-se indispensável à interdisciplinaridade na cooperação e união entre professores de diferentes disciplinas, sem diminuir a participação das especificidades de nenhuma delas, mas sim enaltecendo a abordagem do tema em questão: estamos diante de um processo interdisciplinar todas as vezes em que ele conseguir incorporar os resultados de várias especialidades, que tomar de empréstimo a outras disciplinas certos instrumentos e técnicas metodológicas, fazendo uso dos esquemas conceituais e das análises que se encontram nos diversos ramos do saber, a fim de faze- los integrarem e convergirem, depois de terem sido comparados e julgados. Donde podemos dizer que o papel específico da atividade interdisciplinar consiste, primordialmente, em lançar uma ponte para religar as fronteiras que haviam sido estabelecidas anteriormente entre as disciplinas com o objetivo preciso de assegurar a cada uma seu caráter propriamente positivo, segundo modos particulares e com resultados específicos (JAPIASSU,1976, p.75). Os professores de diferentes disciplinas ao trabalharem juntos proporcionam aos alunos diferentes conhecimentos a partir de olhares distintos sobre o mesmo ponto. A ideia de se construir a horta escolar, na ocasião deste projeto surge com a intenção de mostrar para os alunos uma prática que pode ser aplicada ao convívio de cada um. Entende-se por horta escolar um espaço onde se possam plantar hortaliças, de preferência de crescimento rápido, e esse espaço precisa ser dentro, ou seja, no interior da escola. O objetivo do desenvolvimento de uma horta escolar com os alunos está na forma de se apresentar uma maneira de se aprender integrando diversos recursos de aprendizagem, como o trabalho interdisciplinar que neste caso veio a proporcionar a abrangência de vários conteúdos. Buscou-se através da construção da horta na escola, conscientizar os alunos sobre a importância de uma alimentação equilibrada para a saúde, para que sensibilizem seus pais sobre a importância de cultivarem hortaliças em suas residências, mesmo em locais com pouco espaço. Compreender a relação entre solo, água e nutrientes, na visita de campo, aprender sobre manejo de horta, sobre os cuidados básicos que se deve ter ao cultivar hortaliças. Conscientização sobre hábitos alimentares, consumo consciente sem desperdício, bem como a possibilidade de mudanças de hábitos em relação ao consumo. A construção da horta escolar como prática aplicada aos alunos do ensino fundamental para se trabalhar a educação ambiental, com trabalho interdisciplinar, contou com três 24717 momentos: Primeiro; na sala de aula onde foi trabalhada a visão da educação ambiental em relação ao consumismo e desperdício de recursos naturais, a importância de uma alimentação saudável para à saúde e manejo de horta (plantio, cultivo e cuidado), através de pesquisa feita pelos alunos. Segundo; foi realizada uma visita de campo com os alunos a horta municipal, onde aprenderam na prática alguns exemplos de cuidados com as hortaliças. E finalmente a prática em um espaço existente nos fundos do colégio para a horta, onde os alunos aplicaram todo o aprendizado. Resultados e discussões Este trabalho é resultado do estagio de observação e aplicação de práticas no ensino fundamental, que se intitula: Trabalho Interdisciplinar: Horta Escolar, um Exemplo de Prática, para Trabalhar Educação Ambiental no Ensino Fundamental. A metodologia descrita neste trabalho, de elaboração do projeto foi primeiramente a pesquisa bibliográfica; onde foi estudada a questão da educação ambiental, como tema transversal apresentado no PCNs, também a interdisciplinaridade tendo como um exemplo de prática na escola a construção de uma horta escolar, com uma breve abordagem sobre alimentação saudável. O trabalho resultou em uma pesquisa participante, que segundo Gil (1994, p.207) a "pesquisa participante é uma pesquisa desenvolvida pela interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas". A temática Educação Ambiental proposta já havia sendo desenvolvido desde o início do ano letivo, supervisionado pela professora de ciências. O projeto surgiu quando o colégio foi contemplado com um programa de atividades complementares em contra turno a alunos dos 8º e 9º anos. Este programa foi uma iniciativa do governo Estadual que escolheu duas escolas do núcleo regional de educação de Pitanga para desenvolver projetos de iniciação científica e atividades complementares extracurriculares, foi escolhido entre todos os colégios do núcleo de Pitanga, um colégio localizado na cidade de Pitanga -PR e o colégio Estadual José de Anchieta, na cidade de Santa Maria do Oeste- PR. Os requisitos exigidos para os alunos se inserirem no projeto foram: estudar no ensino fundamental, no 8° e 9° anos, ter um currículo de boas notas e frequência, estarem matriculados no período da manhã, morar na área urbana, pois o projeto funcionava em contra turno, uma vez por semana, (quintas- feiras), das 13h00min às 16h15min da tarde. 24718 Ao me apresentar ao diretor do Colégio Estadual José de Anchieta, como graduando no curso de geografia licenciatura desde 2012, na disciplina de Prática e Pesquisa em ensino de Geografia; Métodos de Pesquisa em Geografia, explicar para ele sobre o projeto que precisava aplicar no ensino fundamental, ele me perguntou se eu gostaria de participar de um projeto já existente e em andamento na escola e justamente no ensino fundamental, expliquei que precisava aplicar um projeto aos alunos, ele me disse que seria uma ótima oportunidade de se trabalhar a interdisciplinaridade, acrescentando que seria muito bom para a professora de ciências ter uma estagiária para auxilia-la nas atividades, para os alunos, pois iria acrescentar mais um tema ao projeto, isto é mais aprendizado, e para mim que iria ganhar com a experiência de trabalhar junto com uma professora de outra disciplina, um tema transversal qual eu estava propondo. O projeto inicial começou com 38 alunos, mas apenas 28 alunos participavam ativamente, sendo deste total, 3 meninos e 25 meninas, com idades entre 12 e 14 anos. A proposta do projeto foi a pesquisa de vários temas: como por exemplo, reciclagem do lixo, meio ambiente, água, alimentação saudável entre outros temas para os alunos pesquisarem, em meio a esses temas encaixei este projeto da horta escolar, que acredito, foi de grande importância, e veio a acrescentar ao projeto inicial dos alunos. Em relação ao perfil dos alunos, todos adolescentes, e se diferenciavam pelo fato de serem críticos, interessados, questionadores e dinâmicos, todos se interessaram, participaram das atividades realizadas com muito empenho. Desafio aceito, como nesta época eu estava sem trabalho, e apenas me dedicando ao estágio, consegui participar e aproveitar ao máximo esta experiência. No primeiro dia, no qual foi me apresentar à professora e a turma, conversar com ela sobre todo o processo, o que eu precisava desenvolver com os alunos e apresentar a ela as minhas ideias, ela logo me disse: "você começa hoje", e foi assim que comecei a acompanhar estes alunos. As aulas teóricas e as conversas aconteciam no laboratório de biologia, pelo espaço e também disponibilidade da sala para aulas. Os alunos trabalhavam múltiplos temas que foram escolhidos através de um consenso de todos: alunos e a professora de Ciências, alguns assuntos da pauta de pesquisa eram, por exemplo: água, reciclagem, nutrição entre outros, e o tema horta escolar educação ambiental que encaixei pra desenvolver o meu trabalho, que inclusive tinha relação com o que vinha sendo desenvolvido no projeto inicial. 24719 O projeto foi aplicado no próprio colégio, em um espaço não muito grande, mas o suficiente para se construir a horta, esse espaço nos fundos do colégio não estava sendo aproveitado da maneira como deveria e poderia ser aproveitado. A construção da horta escolar como prática aplicada aos alunos do ensino fundamental para se trabalhar a educação ambiental, com trabalho interdisciplinar, contou com três momentos: Primeiro; na sala de aula onde foi trabalhada a visão da educação ambiental em relação ao consumismo e desperdício de recursos naturais, a importância de uma alimentação saudável para à saúde e manejo de horta como fazer uma horta, quais as plantas mais adequadas, como cuidar posteriormente (plantio, cultivo e cuidado), através de pesquisa feita pelos alunos; Segundo, foi realizada com os alunos uma visita de campo, à horta municipal, um espaço de plantio, mantido pela prefeitura, onde o trabalho é realizado por dois funcionários, que cultivam hortaliças e legumes, além de mudas de flores, são usadas no próprio município, as flores que lá são cultivadas são plantadas nos canteiros da rua que dão acesso ao município, já as hortaliças são usadas, por exemplo, na alimentação da creche e hospital e escola municipal. E terceiro a contextualização do aprendizado, que foi o momento onde aplicaram seus conhecimentos, na prática, a construção da horta. Na visita a horta municipal, eles aprenderam na prática alguns exemplos de como preparar a terra (adicionando alguns nutrientes), cuidados com as hortaliças, tempo determinado de crescimento até que fique no ponto de serem mudadas para outro canteiro, obedecendo aos espaços entre as plantas e também a profundidade de se plantar cada tipo de hortaliça. Colocaram literalmente a "mão na massa", pois após todas as instruções eles fizeram transplante de mudas das bandejas de isopor para o canteiro, obedecendo à distância de um palmo da mão de um adulto, ou seja, mais ou menos 15 cm, ajudaram a semear, e também aprenderam um pouco de como e quando as plantas precisam ser irrigadas. A última parte do projeto foi à construção da horta na escola, que foi o momento da contextualização, isto é, da realização de tudo o que foi absorvido tanto nas pesquisas por eles feita como na atividade de campo, foi aplicado no momento que desenvolveram o trabalho na horta da escola. Na ocasião da construção da horta, nós tivemos o auxilio de um funcionário da escola (porteiro e inspetor) que ajudou a capinar os canteiros e a fazer o trabalho mais pesado como encanar a água para ficar próximo dos canteiros para a irrigação, por exemplo. Depois disso os alunos se dividiram em grupo, para que cada grupo trabalha-se em um canteiro (quatro canteiros), assim eles aplicaram o que aprenderam na prática, semearam, plantaram algumas 24720 mudas de hortaliças (alface) já prontas cedidas pelos funcionários da horta municipal, e também, plantaram alguns tipos de temperos que eles próprios trouxeram de suas casas, como por exemplo: cebolinha e salsinha. Terminado esta parte prevista do trabalho a expectativa que fica é de que se mantenha e siga em frente o cultivo da horta não apenas pelos alunos participantes do projeto, mas por todos ali inseridos. O que pude perceber foi que os adolescentes do ensino fundamental participaram, interagiram em todas as atividades propostas, desde a preparação do terreno, plantar, etc. No início como eu esperava encontrei algumas dificuldades, como por exemplo, a desistência de alguns alunos antes mesmo do início das atividades, mas a satisfação de ver algo que deu certo se concretizar superou todos os esforços. Ficou a certeza que uma maneira de se interpor na rotina da escola, são as diferentes possibilidades de práticas escolares como foi o caso da inclusão da horta, que proporcionará alimentos mais saudáveis e naturais para os próprios alunos e demais membros atuantes neste espaço de também educar chamado "escola". Considerações Finais Todo o estágio é igual? Ou será que todo o estágio é diferente? Ao me deparar com este desafio, fiquei perplexa com a ideia de fazer um estágio de aplicação de projeto, me inserido já em um projeto existente, pois imaginei a princípio que faria o estágio em uma determinada turma do ensino fundamental, iria aplicar o projeto em uma quantidade já estabelecida de aulas e pronto, mas foi extraordinariamente diferente de tudo, foi especial e única esta experiência para minha vida e formação. Com relação à interdisciplinaridade, defendo-a aqui, como uma forma de integrar os conhecimentos de várias disciplinas, para tentar solucionar problemas ou levantar questões e apontamentos sobre os temas transversais na educação, como aqui se falou na educação ambiental, pois a mesma perpassa por vários aspectos, que podem ser trabalhados simultaneamente por distintas disciplinas, respeitando os pressupostos e especificidades de cada uma, desta forma, educar para a consciência sobre o meio ambiente se torna uma tarefa indispensável ao recinto escolar. É na escola e desde muito cedo, que os alunos devem ter contato com pesquisas e formas práticas de se construir um aprendizado em coletividade. Neste trabalho, apresento a construção de uma horta escolar, com possibilidade de abordagem da educação ambiental até 24721 as questões relacionadas à alimentação saudável. A proposta sugere incutir no aluno a responsabilidade pelo futuro deste nosso planeta. Concluí que toda a experiência de estágio é única e desafiadora, e foi de extrema importância conclusão deste projeto, percebi que os alunos se mostraram motivados e deram retorno ao que a eles foi proposto, como também o empenho da professora de Ciências, que com objetivo deste projeto: "educação ambiental e horta escolar," se mostrou imparcial, sem se prender a especificidade de sua disciplina, mas como um tema comum às duas disciplinas em questão, reforçando a ideia de que o mais importante é o resultado conseguido através das práticas de ensino que possibilitam a construção de novos conhecimentos. REFERÊNCIAS CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. (Org). Geografia. Artmet. Porto Alegre, 2007. CHRISTOFOLETTI, Antonio. Geografia e Meio Ambiente no Brasil. São Paulo- Rio de Janeiro: Hucitec, 1995. GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4ª ed. Atlas. São Paulo, 1994. JAPIASSU, Hilton. Interdisciplinaridade e Patologia do Saber. Rio de Janeiro. Imago, 1976. 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