TRABALHO INTERDISCIPLINAR: HORTA ESCOLAR, UM
EXEMPLO DE PRÁTICA, PARA TRABALHAR EDUCAÇÃO
AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL
Juliana Da Parecida Ferreira 1 - UNICENTRO - PR
Grupo de Trabalho – Educação e Meio Ambiente
Agência Financiadora: não contou com financiamento
Resumo
O presente trabalho busca apresentar uma sugestão de proposta interdisciplinar desenvolvida
dentro do tema Educação Ambiental em uma escola pública do estado do Paraná. A
implantação de uma horta na escola. O objetivo foi de chamar atenção do aluno para as
questões relacionadas ao meio ambiente, consumismo, degradação ambiental, recursos
naturais. As disciplinas da matriz curricular envolvidas no projeto foram Geografia e
Ciências. Os sujeitos participantes do projeto foram uma professora de Geografia, uma de
Ciência e duas turmas de alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental I. O projeto ainda
propôs uma pesquisa de campo, pesquisa bibliográfica realizada pelos alunos e uma visita a
uma horta municipal, desenvolvida pelo município onde a escola se encontra localizada.
Nesta visita aprendeu-se sobre manejo de uma horta. O projeto foi desenvolvido em dois
meses e os encontros eram realizados uma vez por semana. A oportunidade de participar e
desenvolver este projeto foi promovido pelo estágio de prática e pesquisa, proposto pela
disciplina acadêmica “Prática e Pesquisa em ensino de Geografia; Métodos de Pesquisa em
Geografia”, no ano 2013, no curso de Geografia Licenciatura da Universidade Estadual do
Centro Oeste – Campus de Guarapuava no estado do Paraná. O projeto teve como resultado, o
envolvimento dos alunos, dos professores e da comunidade escolar e ainda conseguiu
envolver de forma interdisciplinar disciplinas da matriz curricular. O projeto proposto veio a
somar com o já realizado pela escola, sobre a necessidade de conscientização dos alunos para
as questões ambientais, proposto no projeto de atividades extracurriculares da escola.
Palavras-chave: Interdisciplinaridade. Educação Ambiental. Horta escolar.
Introdução
Este texto busca apresentar o desenvolvimento de um projeto, oportunizado pela
disciplina acadêmica “Prática e Pesquisa em ensino de Geografia; Métodos de Pesquisa em
Graduanda em Geografia Licenciatura, pela Universidade Estadual do Centro Oeste PR.
E-mail: [email protected].
ISSN 2176-1396
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Geografia”, da Universidade Estadual do Centro Oeste – UNICENTRO – Campus de
Guarapuava/PR. O projeto foi desenvolvido com alunos do 8º e 9º ano do Ensino
Fundamental I, do Colégio Estadual José de Anchieta-Ensino EFMNP. O colégio está
localizado no centro da cidade de Santa Maria do Oeste, no estado do Paraná. O projeto com
título "Trabalho Interdisciplinar: Horta Escolar, um Exemplo de Prática, para Trabalhar
Educação Ambiental no Ensino Fundamental", apresentou a proposta de construção de uma
horta escolar, elaborada e desenvolvida em parceria entre as disciplinas de Geografia e
Ciências. A temática foi educação ambiental. O trabalho contou com uma pesquisa realizada
pelos alunos sobre o tema Educação Ambiental e uma visita de campo realizada, com aula
prática sobre manejo de horta, com os funcionários que trabalham na horta do município.
A relevância do trabalho sobre o tema Educação Ambiental encontra respaldo nos
Parâmetros Curriculares Nacionais de 1998, que propõem a temática de forma transversal
abrangendo todos os níveis de ensino e diferentes dimensões e escalas.
É importante destacar que o termo Educação ambiental na atualidade vem sendo
empregado de forma generalizada e ampla, o que possibilita:
[...] ser utilizado desde a escala mundial até a microescala pontual. Pode-se falar do
ambiente terrestre, dos ambientes continentais, oceânicos, lacustres, dos ambientes
das plantas, dos animais e dos homens, do ambiente urbano e do rural, do ambiente
cultural, social e do de trabalho. A palavra é a mesma, mas diferentes são os
significados e a expressividade (CHRISTOFOLETTI, 1995, p.336).
Sendo assim, o Meio Ambiente aqui abordado, é o mesmo entendido pelo autor
supracitado, isto é, o Meio Ambiente que nos cerca. E a Educação Ambiental é vista como
uma forma de intervir na hora de conscientizar a humanidade sobre as consequências do
consumo excessivo, que leva a degradação do Meio Ambiente, à utilização dos recursos
naturais demasiadamente descontrolados por conta da massa consumidora capitalista, tem
como resultados os problemas estruturais existentes na atualidade. A Educação Ambiental
vem para auxiliar nesta conscientização, pois:
a educação ambiental que incorpora a perspectiva dos sujeitos sociais permite
estabelecer uma prática pedagógica contextualizada e crítica, que explicita os
problemas estruturais de nossa sociedade, as causas do baixo padrão qualitativo da
vida que levamos e da utilização do patrimônio natural como uma mercadoria e uma
externalidade em relação a nós. É por meio da atuação coletiva e individual,
intervindo no funcionamento excludente e desigual das economias capitalistas, que
os grupos sociais hoje vulneráveis podem ampliar a democracia e a cidadania
(LOUREIRO, 2004, p.16).
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As preocupações com a escassez dos recursos naturais há muito tempo vem sendo
pauta de discussões. E a situação vem se agravando pela crescente exploração da natureza que
se apresenta como uma vítima das “necessidades” humanas, que busca consumir de forma
alienada, sem se preocupar com o futuro.
As questões desencadeadas pela degradação do meio ambiente começaram a ser
discutidas há alguns anos, segundo Reigota (2004) "nos anos de 1968 foi realizado em Roma
uma reunião de cientistas com representantes de países desenvolvidos para tratar das questões
ambientais". E acrescenta: "No entanto, somente em 1972, foi realizado a primeira
Conferência Mundial de Meio Ambiente Humano, na cidade de Estocolmo, na Suécia". Nesta
ocasião o que de mais importante se ressaltou nesta conferência, foi a necessidade de educar o
cidadão para a solução dos problemas ambientais. Para Reigota (2004) "foi nesse evento que
aconteceu o surgimento do que se convencionou a chamar de educação ambiental". Portanto,
educar o cidadão para o enfrentamento das questões ambientais, é recomendado
internacionalmente, como forma de regra.
Defendendo a possibilidade do espaço múltiplo, assim, esta educação ambiental
proposta, pode acontecer de várias maneiras e em muitos lugares, mas principalmente na
escola, se esta dispuser de oportunidade para tais atividades, pois na perspectiva educativa a
educação ambiental pode perpassar todas as disciplinas, de forma interdisciplinar, pois para
Japiassu (1976, p. 25): “A interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas
entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um mesmo
projeto de pesquisa”.
A proposta interdisciplinar de ensino é importante, para todas as áreas do
conhecimento, pois envolve ações coletivas entre professores, explicitando sua importância
no processo educativo. A adoção de uma postura interdisciplinar de ensino e aprendizagem
possibilitará a compreensão do mundo pelo aluno em sua concepção heterogênea e
contraditória.
Na escola, o aprendizado coletivo fortalece a participação nas atividades e
consequentemente melhora o nível de conscientização do aluno a respeito de seu papel na
sociedade. O problema que se destaca como principal campo do estudo da educação
ambiental na escola é sem dúvida os impactos gerados pelo consumo desenfreado de uma
sociedade em ascensão. O consumismo vem na contramão da preservação do meio ambiente.
Segundo Sariego (2004, p.154):
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a malícia do consumismo não se restringe apenas à pessoa, mas estende-se ao
ambiente, que sofre grave impacto decorrente da ávida necessidade de energia e
matéria-prima. Ele é a verdadeira raiz de todos os problemas de poluição e de
destruição, da super-população ou o subdesenvolvimento econômico, como querem
alguns países do primeiro mundo.
Por isso, da preocupação com a retirada maciça de recursos naturais, que são
considerados matéria prima para o início da produção de várias coisas. A educação ambiental,
na atualidade é um tema de discussão mundial, inclusive por uma parte da sociedade que não
está diretamente ligada a movimentos ambientalistas. É possível observar uma mobilização
social, com propostas de atitudes de respeito com o meio ambiente. Esse momento de reflexão
social busca apresentar a necessidade de se pensar hoje o futuro próximo.
Dessa forma, a educação ambiental é um tema de discussão social, pois é vivido por
todos, perpassa por confrontos e sugestões sobre alternativas possíveis de solução, diria que
envolve e gera tantas dúvidas por se tratar dos rumos da vida humana, mais do que isso todos
são envolvidos através de suas atitudes que podem influenciar positiva ou negativamente
neste quesito.
Em seu livro, “O Que é Educação Ambiental” Rigota (2004) afirma: "a educação
ambiental está também muito ligada ao método interdisciplinar. Esse método, no entanto, é
compreendido e aplicado das mais diversas formas". Com enfoque nesta problemática é que
acredito que a interdisciplinaridade na escola precisa ser revista, cabe ao professor retomar
esta prática, redescobrindo novas relações entre conceitos e práticas.
Ao professor também se compete à tarefa de fazer com que o aluno compreenda o
espaço produzido pela sociedade, bem como as relações que nele se desenvolve, portanto:
além de refletir o espaço, tarefa não muito fácil diante de tanto dinamismo
processual, ela deve reunir instrumentos de análise e de práticas sociais, que, no
embate do exercício da cidadania, levantem questões como formas de ordenação e
ocupação territorial, direito à saúde e à educação, acesso a moradia e à terra,
preservação e conservação da biodiversidade e da qualidade ambiental, necessidade
da sustentabilidade cultural e natural (CASTROGIOVANNI, 2007, p.43).
Ao trabalharem juntos, professores atuantes de disciplinas distintas, proporcionaram
aos alunos, nova visão do ensino, tanto teórico quanto prático. A horta escolar possibilitou aos
alunos e também aos professores, conhecer melhor o espaço onde estão inseridos, ou seja, o
espaço da escola. É neste sentido que:
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o professor ao unir os papéis de cidadão e de profissional, certamente realizará um
trabalho consequente; os alunos terão a possibilidade de se tornarem atores de seu
próprio aprendizado, inserido no espaço social, analisando-o no conjunto do
movimento da sociedade, construindo assim o seu espaço e sendo responsáveis por
sua história. (PONTUSCHKA, 2006, p.115).
E a educação ambiental sendo um tema transversal na educação, torna-se
indispensável à interdisciplinaridade na cooperação e união entre professores de diferentes
disciplinas, sem diminuir a participação das especificidades de nenhuma delas, mas sim
enaltecendo a abordagem do tema em questão:
estamos diante de um processo interdisciplinar todas as vezes em que ele conseguir
incorporar os resultados de várias especialidades, que tomar de empréstimo a outras
disciplinas certos instrumentos e técnicas metodológicas, fazendo uso dos esquemas
conceituais e das análises que se encontram nos diversos ramos do saber, a fim de
faze- los integrarem e convergirem, depois de terem sido comparados e julgados.
Donde podemos dizer que o papel específico da atividade interdisciplinar consiste,
primordialmente, em lançar uma ponte para religar as fronteiras que haviam sido
estabelecidas anteriormente entre as disciplinas com o objetivo preciso de assegurar
a cada uma seu caráter propriamente positivo, segundo modos particulares e com
resultados específicos (JAPIASSU,1976, p.75).
Os professores de diferentes disciplinas ao trabalharem juntos proporcionam aos
alunos diferentes conhecimentos a partir de olhares distintos sobre o mesmo ponto.
A ideia de se construir a horta escolar, na ocasião deste projeto surge com a intenção
de mostrar para os alunos uma prática que pode ser aplicada ao convívio de cada um.
Entende-se por horta escolar um espaço onde se possam plantar hortaliças, de preferência de
crescimento rápido, e esse espaço precisa ser dentro, ou seja, no interior da escola.
O objetivo do desenvolvimento de uma horta escolar com os alunos está na forma de
se apresentar uma maneira de se aprender integrando diversos recursos de aprendizagem,
como o trabalho interdisciplinar que neste caso veio a proporcionar a abrangência de vários
conteúdos. Buscou-se através da construção da horta na escola, conscientizar os alunos sobre
a importância de uma alimentação equilibrada para a saúde, para que sensibilizem seus pais
sobre a importância de cultivarem hortaliças em suas residências, mesmo em locais com
pouco espaço. Compreender a relação entre solo, água e nutrientes, na visita de campo,
aprender sobre manejo de horta, sobre os cuidados básicos que se deve ter ao cultivar
hortaliças. Conscientização sobre hábitos alimentares, consumo consciente sem desperdício,
bem como a possibilidade de mudanças de hábitos em relação ao consumo.
A construção da horta escolar como prática aplicada aos alunos do ensino fundamental
para se trabalhar a educação ambiental, com trabalho interdisciplinar, contou com três
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momentos: Primeiro; na sala de aula onde foi trabalhada a visão da educação ambiental em
relação ao consumismo e desperdício de recursos naturais, a importância de uma alimentação
saudável para à saúde e manejo de horta (plantio, cultivo e cuidado), através de pesquisa feita
pelos alunos. Segundo; foi realizada uma visita de campo com os alunos a horta municipal,
onde aprenderam na prática alguns exemplos de cuidados com as hortaliças. E finalmente a
prática em um espaço existente nos fundos do colégio para a horta, onde os alunos aplicaram
todo o aprendizado.
Resultados e discussões
Este trabalho é resultado do estagio de observação e aplicação de práticas no ensino
fundamental, que se intitula: Trabalho Interdisciplinar: Horta Escolar, um Exemplo de Prática,
para Trabalhar Educação Ambiental no Ensino Fundamental. A metodologia descrita neste
trabalho, de elaboração do projeto foi primeiramente a pesquisa bibliográfica; onde foi
estudada a questão da educação ambiental, como tema transversal apresentado no PCNs,
também a interdisciplinaridade tendo como um exemplo de prática na escola a construção de
uma horta escolar, com uma breve abordagem sobre alimentação saudável.
O trabalho resultou em uma pesquisa participante, que segundo Gil (1994, p.207) a
"pesquisa participante é uma pesquisa desenvolvida pela interação entre pesquisadores e
membros das situações investigadas".
A temática Educação Ambiental proposta já havia sendo desenvolvido desde o início
do ano letivo, supervisionado pela professora de ciências. O projeto surgiu quando o colégio
foi contemplado com um programa de atividades complementares em contra turno a alunos
dos 8º e 9º anos.
Este programa foi uma iniciativa do governo Estadual que escolheu duas escolas do
núcleo regional de educação de Pitanga para desenvolver projetos de iniciação científica e
atividades complementares extracurriculares, foi escolhido entre todos os colégios do núcleo
de Pitanga, um colégio localizado na cidade de Pitanga -PR e o colégio Estadual José de
Anchieta, na cidade de Santa Maria do Oeste- PR.
Os requisitos exigidos para os alunos se inserirem no projeto foram: estudar no ensino
fundamental, no 8° e 9° anos, ter um currículo de boas notas e frequência, estarem
matriculados no período da manhã, morar na área urbana, pois o projeto funcionava em contra
turno, uma vez por semana, (quintas- feiras), das 13h00min às 16h15min da tarde.
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Ao me apresentar ao diretor do Colégio Estadual José de Anchieta, como graduando
no curso de geografia licenciatura desde 2012, na disciplina de Prática e Pesquisa em ensino
de Geografia; Métodos de Pesquisa em Geografia, explicar para ele sobre o projeto que
precisava aplicar no ensino fundamental, ele me perguntou se eu gostaria de participar de um
projeto já existente e em andamento na escola e justamente no ensino fundamental, expliquei
que precisava aplicar um projeto aos alunos, ele me disse que seria uma ótima oportunidade
de se trabalhar a interdisciplinaridade, acrescentando que seria muito bom para a professora
de ciências ter uma estagiária para auxilia-la nas atividades, para os alunos, pois iria
acrescentar mais um tema ao projeto, isto é mais aprendizado, e para mim que iria ganhar com
a experiência de trabalhar junto com uma professora de outra disciplina, um tema transversal
qual eu estava propondo.
O projeto inicial começou com 38 alunos, mas apenas 28 alunos participavam
ativamente, sendo deste total, 3 meninos e 25 meninas, com idades entre 12 e 14 anos. A
proposta do projeto foi a pesquisa de vários temas: como por exemplo, reciclagem do lixo,
meio ambiente, água, alimentação saudável entre outros temas para os alunos pesquisarem,
em meio a esses temas encaixei este projeto da horta escolar, que acredito, foi de grande
importância, e veio a acrescentar ao projeto inicial dos alunos.
Em relação ao perfil dos alunos, todos adolescentes, e se diferenciavam pelo fato de
serem críticos, interessados, questionadores e dinâmicos, todos se interessaram, participaram
das atividades realizadas com muito empenho.
Desafio aceito, como nesta época eu estava sem trabalho, e apenas me dedicando ao
estágio, consegui participar e aproveitar ao máximo esta experiência. No primeiro dia, no qual
foi me apresentar à professora e a turma, conversar com ela sobre todo o processo, o que eu
precisava desenvolver com os alunos e apresentar a ela as minhas ideias, ela logo me disse:
"você começa hoje", e foi assim que comecei a acompanhar estes alunos. As aulas teóricas e
as conversas aconteciam no laboratório de biologia, pelo espaço e também disponibilidade da
sala para aulas.
Os alunos trabalhavam múltiplos temas que foram escolhidos através de um consenso
de todos: alunos e a professora de Ciências, alguns assuntos da pauta de pesquisa eram, por
exemplo: água, reciclagem, nutrição entre outros, e o tema horta escolar educação ambiental
que encaixei pra desenvolver o meu trabalho, que inclusive tinha relação com o que vinha
sendo desenvolvido no projeto inicial.
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O projeto foi aplicado no próprio colégio, em um espaço não muito grande, mas o
suficiente para se construir a horta, esse espaço nos fundos do colégio não estava sendo
aproveitado da maneira como deveria e poderia ser aproveitado.
A construção da horta escolar como prática aplicada aos alunos do ensino fundamental
para se trabalhar a educação ambiental, com trabalho interdisciplinar, contou com três
momentos: Primeiro; na sala de aula onde foi trabalhada a visão da educação ambiental em
relação ao consumismo e desperdício de recursos naturais, a importância de uma alimentação
saudável para à saúde e manejo de horta como fazer uma horta, quais as plantas mais
adequadas, como cuidar posteriormente (plantio, cultivo e cuidado), através de pesquisa feita
pelos alunos; Segundo, foi realizada com os alunos uma visita de campo, à horta municipal,
um espaço de plantio, mantido pela prefeitura, onde o trabalho é realizado por dois
funcionários, que cultivam hortaliças e legumes, além de mudas de flores, são usadas no
próprio município, as flores que lá são cultivadas são plantadas nos canteiros da rua que dão
acesso ao município, já as hortaliças são usadas, por exemplo, na alimentação da creche e
hospital e escola municipal. E terceiro a contextualização do aprendizado, que foi o momento
onde aplicaram seus conhecimentos, na prática, a construção da horta.
Na visita a horta municipal, eles aprenderam na prática alguns exemplos de como
preparar a terra (adicionando alguns nutrientes), cuidados com as hortaliças, tempo
determinado de crescimento até que fique no ponto de serem mudadas para outro canteiro,
obedecendo aos espaços entre as plantas e também a profundidade de se plantar cada tipo de
hortaliça. Colocaram literalmente a "mão na massa", pois após todas as instruções eles
fizeram transplante de mudas das bandejas de isopor para o canteiro, obedecendo à distância
de um palmo da mão de um adulto, ou seja, mais ou menos 15 cm, ajudaram a semear, e
também aprenderam um pouco de como e quando as plantas precisam ser irrigadas.
A última parte do projeto foi à construção da horta na escola, que foi o momento da
contextualização, isto é, da realização de tudo o que foi absorvido tanto nas pesquisas por eles
feita como na atividade de campo, foi aplicado no momento que desenvolveram o trabalho na
horta da escola.
Na ocasião da construção da horta, nós tivemos o auxilio de um funcionário da escola
(porteiro e inspetor) que ajudou a capinar os canteiros e a fazer o trabalho mais pesado como
encanar a água para ficar próximo dos canteiros para a irrigação, por exemplo. Depois disso
os alunos se dividiram em grupo, para que cada grupo trabalha-se em um canteiro (quatro
canteiros), assim eles aplicaram o que aprenderam na prática, semearam, plantaram algumas
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mudas de hortaliças (alface) já prontas cedidas pelos funcionários da horta municipal, e
também, plantaram alguns tipos de temperos que eles próprios trouxeram de suas casas, como
por exemplo: cebolinha e salsinha.
Terminado esta parte prevista do trabalho a expectativa que fica é de que se mantenha
e siga em frente o cultivo da horta não apenas pelos alunos participantes do projeto, mas por
todos ali inseridos. O que pude perceber foi que os adolescentes do ensino fundamental
participaram, interagiram em todas as atividades propostas, desde a preparação do terreno,
plantar, etc.
No início como eu esperava encontrei algumas dificuldades, como por exemplo, a
desistência de alguns alunos antes mesmo do início das atividades, mas a satisfação de ver
algo que deu certo se concretizar superou todos os esforços. Ficou a certeza que uma maneira
de se interpor na rotina da escola, são as diferentes possibilidades de práticas escolares como
foi o caso da inclusão da horta, que proporcionará alimentos mais saudáveis e naturais para os
próprios alunos e demais membros atuantes neste espaço de também educar chamado
"escola".
Considerações Finais
Todo o estágio é igual? Ou será que todo o estágio é diferente? Ao me deparar com
este desafio, fiquei perplexa com a ideia de fazer um estágio de aplicação de projeto, me
inserido já em um projeto existente, pois imaginei a princípio que faria o estágio em uma
determinada turma do ensino fundamental, iria aplicar o projeto em uma quantidade já
estabelecida de aulas e pronto, mas foi extraordinariamente diferente de tudo, foi especial e
única esta experiência para minha vida e formação.
Com relação à interdisciplinaridade, defendo-a aqui, como uma forma de integrar os
conhecimentos de várias disciplinas, para tentar solucionar problemas ou levantar questões e
apontamentos sobre os temas transversais na educação, como aqui se falou na educação
ambiental, pois a mesma perpassa por vários aspectos, que podem ser trabalhados
simultaneamente por distintas disciplinas, respeitando os pressupostos e especificidades de
cada uma, desta forma, educar para a consciência sobre o meio ambiente se torna uma tarefa
indispensável ao recinto escolar.
É na escola e desde muito cedo, que os alunos devem ter contato com pesquisas e
formas práticas de se construir um aprendizado em coletividade. Neste trabalho, apresento a
construção de uma horta escolar, com possibilidade de abordagem da educação ambiental até
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as questões relacionadas à alimentação saudável. A proposta sugere incutir no aluno a
responsabilidade pelo futuro deste nosso planeta.
Concluí que toda a experiência de estágio é única e desafiadora, e foi de extrema
importância conclusão deste projeto, percebi que os alunos se mostraram motivados e deram
retorno ao que a eles foi proposto, como também o empenho da professora de Ciências, que
com objetivo deste projeto: "educação ambiental e horta escolar," se mostrou imparcial, sem
se prender a especificidade de sua disciplina, mas como um tema comum às duas disciplinas
em questão, reforçando a ideia de que o mais importante é o resultado conseguido através das
práticas de ensino que possibilitam a construção de novos conhecimentos.
REFERÊNCIAS
CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. (Org). Geografia. Artmet. Porto Alegre, 2007.
CHRISTOFOLETTI, Antonio. Geografia e Meio Ambiente no Brasil. São Paulo- Rio de
Janeiro: Hucitec, 1995.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4ª ed. Atlas. São Paulo, 1994.
JAPIASSU, Hilton. Interdisciplinaridade e Patologia do Saber. Rio de Janeiro. Imago,
1976.
LOUREIRO, Carlos Frederico B. Educar, participar e transformar em educação ambiental.
Revista brasileira de educação ambiental. Brasília. 2004, p. 13-20. Disponível em:<
http://d3nehc6yl9qzo4.cloudfront.net/downloads/revbea_n_zero.pdf> Acesso em 10/08/2015.
PONTUSCHKA, Nídia Nacib. A Prática de Ensino e o Estagio Supervisionado. 12ª ed.
São Paulo: Papirus, 2006.
REIGOTA, Marcos. O Que é Educação Ambiental. 4ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2004.
SARIEGO, José Caros. Educação Ambiental: As ameaças ao Planeta Azul. 1ª ed. São Paulo:
Scipione, 2004.
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horta escolar, um exemplo de prática, para trabalhar educação