PSICOLOGIA ESCOLAR/ EDUCACIONAL: SIGNIFICAÇÕES SOBRE A ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA CONSTRUÍDA POR PROFESSORES 1 Polyanna de Lourdes Saraiva do Nascimento1 Lívia Sales Cirilo (orientadora) 2 Universidade Estadual da Paraíba/Departamento de Psicologia,Rua Paulino Maia de Souza, 36. CruzeiroCampina Grande- PB. [email protected] 2 Universidade Estadual da Paraíba/Departamento de Psicologia, Rua Paulino Maia de Souza, 36. CruzeiroCampina Grande- PB [email protected] Resumo- A partir da educação crianças, jovens e adultos interagem com os conhecimentos socialmente construídos e se estabelecem como sujeitos sociais, nesse processo o professor ocupa um importante papel e necessita muitas vezes do auxilio de outros profissionais, tais como o profissional de psicologia. Nesta perspectiva, este trabalho buscou conhecer a relação estabelecida entre estes dois profissionais, no que toca a percepção do papel do educador e do psicólogo; a interação entre esses dois profissionais; as principais dificuldades no trabalho junto ao profissional de psicologia; e as expectativas do professor em relação ao trabalho do psicólogo escolar. Buscando elaborar novas estratégias de trabalho do psicólogo, viabilizando, assim, a edificação de uma perspectiva de atuação com caráter preventivo e reflexivo, construída com a participação de todos os agentes envolvidos no processo educativo Palavras-chave: Professor. Psicólogo escolar, Educação Área do Conhecimento: Psicologia escolar/ educacional Introdução O processo educativo se constitui em nossa sociedade como um importante instrumento para a formação dos indivíduos e para o desenvolvimento social. Nesse processo a escola se configura como um importante espaço para a promoção deste aprendizado tendo, como um dos elementos principais de facilitação e mediação, encontra-se a figura do professor. Atrelado a prática do professor, está atuação do psicólogo, cada vez mais presentes nas escolas brasileiras, muitas vezes “reduzida e assimilada as outras práticas sociais e pedagógicas desenvolvidas na escola” (ALMEIDA, 2007, p.82), o que vem gerando nos últimos anos uma vasta discussão a respeito da prática do psicólogo escolar/ educacional tem sido permeada por críticas, que visam, que buscam, à construção de novas formas de intervenção no contexto escolar. Nesta perspectiva, a percepção que os educadores estabelecem acerca do trabalho do psicólogo escolar, destaca-se como ponto fundamental para o desenvolvimento de um trabalho mais efetivo do profissional de psicologia. Visando este aspecto este estudo, buscou-se analisar as relações entre o professor e o psicólogo, focalizando principalmente a interação e as dificuldades no trabalho entre esses dois profissionais, atrelado a um vasto aporte teórico, composto por vários teóricos, como: Silva (2005); Guzzo (2006); Souza (2007); Araújo e Almeida (2005); Cruces (2006); Gomes (2002); etc. Contemplando um estudo sobre as concepções acerca da atuação do psicólogo escolar/educacional, construídas por 16 professores da educação básica e ensino médio de uma escola particular da cidade de Campina Grande – PB. Acredita-se que estudos desta natureza podem elucidar ainda mais a importância da formação de parcerias na escola, entre os profissionais de educação, quebrando, conseqüentemente, percepções distorcidas a respeito do processo educativo, que o visualizam como um processo isolado e consolidando uma atuação mais sólida e coesa entre o grupo de profissionais da educação. Metodologia Visando o objetivo deste estudo, optou-se por adotar uma abordagem metodológica qualitativa de caráter analítico descritivo, baseado no aporte teórico elaborado por Minayo (1994). A abordagem qualitativa tem como uma das principais técnicas norteadoras a Análise de Conteúdo, proposta por Bardim (1977), caracterizada pela descrição do conteúdo das mensagens obtidas através das entrevistas. Os sujeitos deste estudo estão distribuídos nos três segmentos de educação básica (infantil, fundamental e médio) perfazendo um total de 16 professores, o que corresponde acerca de 40% do total de professores, que lecionam na escola, é importante destacar que os entrevistados foram de XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 1 ambos os sexos, de uma escola particular da cidade de Campina Grande. Para a realização da pesquisa, foram utilizados dois instrumentos de coleta de dados, sendo eles: questionário bio-sócio-demográfico e entrevista semi-estruturada. Ao final do processo de realização das entrevistas, os dados coletados foram categorizados. Resultados A análise das práticas discursivas dos entrevistados está baseada nas temáticas sugeridas e nas diversas perspectivas interpretativas, consolidadas a partir das leituras do material transcrito. O primeiro aspecto identificado nas entrevistas diz respeito a concepção de educador, construída pela maioria dos professores, está relacionada a ser mediador, ou seja, o educador é o responsável por fazer a mediação entre as crianças e os modelos sociais, de forma crítica, priorizando o diálogo (BOCK, 1999,p.270). Outra parte dos professores compreende o educador como a pessoa responsável, por ministrar os conteúdos. O segundo aspecto está relacionado ao trabalho profissional de psicologia na escola, considerado pela maior parte dos professores como importante Entretanto, formulando opiniões diferentes em relação à atuação, alguns consideram a importância de uma intervenção junto aos professores, além do trabalho com alunos, outros percebem a atuação do profissional de psicologia ligada, apenas, às demandas de problemas de aprendizagem. A partir dessas colocações, é possível perceber que os profissionais da educação ainda não têm total clareza sobre os papéis e funções do psicólogo escolar. Porém, compreendem a contribuição que o psicólogo pode oferecer para a construção de um trabalho coletivo que permita aos professores uma reflexão crítica sobre suas práticas (NEVES, 2006, p.55). Quando questionados em relação às dificuldades de atuação junto ao psicólogo escolar/educacional este profissional, os professores entrevistados elaboraram diversos tipos de respostas, tais como: o trabalho em sala de aula; a intervenção junto aos professores (categoria mais destacada), o diálogo entre os profissionais e a ausência da devolutiva dos encaminhamentos. Quanto à orientação do trabalho dos professores em sala de aula, com os alunos encaminhados ao setor de psicologia, grande parte (pouco mais da metade) dos professores afirmaram, não receber nenhum tipo de orientação, a outra parte dos professores afirma receber orientações para o trabalho. O ultimo aspecto relacionou-se as expectativas do trabalho do psicólogo escolar/educacional, esta indagação levantou um extenso arranjo de respostas, mas a maioria delas girou em torno da necessidade de desenvolver um trabalho mais próximo, entre os docentes e o profissional de psicologia, destacando ainda, que, embora para alguns seja visível a expectativa voltada para o aluno, uma nova categoria demonstra relevância: o cuidar do professor. A partir da análise das respostas sobre as expectativas do trabalho do profissional de psicologia na escola foi possível constatar, ainda, que “é pouco expressivo o percentual de professores que percebe ou constata a atuação do psicólogo escolar em sua vertente preventiva e de promoção de saúde” (ROSSI e PAIXÃO, 2006, p.161), nas falas de alguns entrevistados ainda se concentram em “preocupações fortemente relacionadas com a rotina da sala de aula e com os problemas de aprendizagem e de comportamento dos alunos” (GOMES, 2002,p.58). Discussão A partir desta pesquisa, foi possível perceber que, tal como afirma Araujo e Almeida (2005), a educação é um fenômeno social complexo, considerando que toda a organização e funcionamento da sociedade constituem-se em uma situação educativa, na medida em que representam as manifestações das produções e criações humanas por meio das relações sociais. Esta complexidade se mostrou como o maior desafio na construção desta pesquisa, considerando que diversos professores pesquisados sentem dificuldade em definir o próprio papel de educador, elaborando respostas vagas, associando seu trabalho ao ministrar conteúdos. E outros considerando ser um mediador, capaz de inovar; criar; compreender o educando, em seus diversos aspectos; ouvi-lo; viabilizar o diálogo e construção do saber crítico. Em relação à interação entre o psicólogo escolar/ educacional e o professor, foi possível perceber que, para a maioria dos professores, existe interação entre eles e o serviço de psicologia, mas que existem muitas dificuldades neste processo, considerando que os encontros entre eles acontecem, na maioria das vezes, nas reuniões de planejamento, com um caráter meramente informativo, e ainda, arraigada aos problemas da sala de aula. É importante considerar que, segundo uma parte estimável dos professores os alunos identificados com queixas escolares, são encaminhados na maioria das vezes à coordenação pedagógica dos segmentos (Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio) e não diretamente ao setor de psicologia caracterizando, ainda mais, as falhas no processo interativo entre os docentes e o profissional de psicologia, citadas por diversos XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 2 professores durante o transcurso da entrevista. Já no que diz respeito, a percepção construída pelos professores, do trabalho do psicólogo escolar/educacional foi possível apreender que “as expectativas do professor com relação ao psicólogo escolar já emergem no momento em que tenta definir esse profissional: alguém que proporcione suporte à aprendizagem escolar, ao aluno, ao professor e a família” (ROSSI e PAIXÃO, 2006, p. 160). Ou seja, o trabalho do profissional de psicologia é considerado pela maioria como importante/ imprescindível, contudo, quanto a definição das suas ações, ainda é possível perceber que há uma construção difusa, já que alguns entrevistados mostraram a necessidade do psicólogo trabalhar mais em sala de aula, junto aos alunos com queixas escolares. Porém, foi possível perceber que esta visão vem se modificando, considerando que a maior parte dos entrevistados consideram que o psicólogo deve realizar um trabalho próximo ao professor, junto à equipe da escola, abrangendo todos os envolvidos no processo educativo, visualizando o desenvolvimento de um trabalho preventivo, valorizando a troca de experiência e o bem-estar dos profissionais da educação. Conclusão A partir desta pesquisa, foi possível perceber que, tal como afirma Araujo e Almeida (2005), a educação é um fenômeno social complexo, considerando que toda a organização e funcionamento da sociedade constituem-se em uma situação educativa, na medida em que representam as manifestações das produções e criações humanas por meio das relações sociais. Esta complexidade se mostrou como o maior desafio na construção desta pesquisa, considerando que diversos professores pesquisados sentem dificuldade em definir o próprio papel de educador, elaborando respostas vagas, associando seu trabalho ao ministrar conteúdos. E outros considerando ser um mediador, capaz de inovar; criar; compreender o educando, em seus diversos aspectos; ouvi-lo; viabilizar o diálogo e construção do saber crítico. É importante considerar que, segundo uma parte estimável dos professores os alunos identificados com queixas escolares, são encaminhados na maioria das vezes à coordenação pedagógica dos segmentos (Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio) e não diretamente ao setor de psicologia caracterizando, ainda mais, as falhas no processo interativo entre os docentes e o profissional de psicologia, citadas por diversos professores durante o transcurso da entrevista. Diante da análise dos dados foi possível perceber que a visão a cerca da atuação do trabalho do psicólogo na escola está se modificando, considerando que a maioria dos professores encerraram a entrevista pontuando a necessidade de que o psicólogo deve realizar um trabalho próximo ao professor, junto à equipe da escola, abrangendo todos os envolvidos no processo educativo, visualizando o desenvolvimento de um trabalho preventivo, valorizando a troca de experiência e o bem-estar dos profissionais da educação. A partir dos resultados obtidos por meio desta pesquisa, é possível perceber que ainda há um árduo e longo caminho a percorrer quando se fala em atuação do profissional de psicologia no cenário educativo. Desta forma, espera-se que sejam desenvolvidos novos estudos sobre a temática e que estes possam contribuir para uma melhor compreensão da atuação do psicólogo na escola, como também o desenvolvimento de uma sólida parceria entre todos os personagens envolvidos no processo educativo, visando o desenvolvimento coletivo. Referências ALMEIDA, Sandra Francesca Conte de. O psicólogo no cotidiano escolar: re-significando a atuação do profissional. In: GUZZO, Raquel Souza Lobo. Psicologia escolar: LDB e educação hoje. Campinas, SP: Editora Alinea,2007. ARAÚJO,Claisy Maria Marinho e ALMEIDA, Sandra Francesca Conte de. Psicologia escolar: recriando identidades, desenvolvendo competências. In: In: MARTÍNEZ, Albertina Mitjáns (org). Psicologia escolar e compromisso social: novos discursos, novas práticas. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. BARDIM. Laurence. Análise Lisboa: Edições70; 1977. de conteúdo. BOCK, Ana Mercês Bahia (org). Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo, Editora Saraiva, 1999. CRUCES, Alacir Villa Valle. Psicologia e Educação: nossa história e nossa realidade. In: ALMEIDA, Sandra Francesca Conte de (org). Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação profissional. Campinas, Sp: Editora Alínea, 2006 GOMES, Vera Lúcia Trindade. A formação do psicólogo escolar e os impasses entre a teoria e a prática. IN: GUZZO, Raquel Souza Lobo (org). XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 3 Psicologia escolar: LDB e educação hoje. Campinas, SP: Editora Alínea,2002. GUZZO, Raquel Souza. Lobo. Educação para a liberdade, psicologia da libertação e psicologia escolar: uma práxis para a liberdade. IN: ALMEIDA, Sandra Francesca Conte de (org). Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação profissional. Campinas, Sp: Editora Alínea, 2006. MINAYO, Maria Cecília de Sousa (org.) Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis RJ: Vozes,1994 NEVES, Marisa Maria Brito da Justa e ALMEIDA,Sandra Francesca Conte de. A atuação da psicologia escolar no atendimento aos alunos encaminhados com queixas escolares. In: ALMEIDA, Sandra Francesca Conte de (org). Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação profissional. Campinas, Sp: Editora Alínea, 2006. ROSSI, Tânia Maria de Freitas e PAIXÃO, Divaneide Lira Lima. Significações sobre a atuação do psicólogo escolar. In: ALMEIDA, Sandra Francesca Conte de (org). Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação profissional. Campinas, Sp: Editora Alínea, 2006. SILVA, Silvia Maria Cintra da. Psicologia Escolar e Arte: uma proposta para a formação e a atuação profissional. Campinas, SP: Editora Alínea e Editora da Universidade Federal de Uberlândia, 2005. SOUZA, Marilene Proença Rebello de. Reflexões a respeito da atuação do psicólogo no campo da psicologia escolar/educacional em uma perspectiva crítica. IN: CAMPOS, Herculano Ricardo (org.). Formação em psicologia escolar: realidades e perspectivas. Campinas, SP: Editora Alínea, 2007. XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 4