AGRUPAMENTO VERTICAL DE ESCOLAS DE PAÇOS DE FERREIRA Data da visita: 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 Relatório de Avaliação Externa I – Introdução A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação préescolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a auto-avaliação e para a avaliação externa. Por sua vez, o programa do XVII Governo Constitucional estabeleceu o lançamento de um “programa nacional de avaliação das escolas básicas e secundárias que considere as dimensões fundamentais do seu trabalho”. Após a realização de uma fase piloto, da responsabilidade de um Grupo de Trabalho (Despacho conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio), a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da Educação de acolher e dar continuidade ao processo de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no modelo construído e na experiência adquirida durante a fase piloto, a IGE está a desenvolver esta actividade, entretanto consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 81-B/2007, de 31 de Julho. O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, realizada pela equipa de avaliação que visitou este Agrupamento entre 23 e 27de Novembro de 2007. Os capítulos do relatório ― caracterização da unidade de gestão, conclusões da avaliação por domínio, avaliação por factor e considerações finais ― decorrem da análise dos documentos fundamentais do Agrupamento, da sua apresentação e da realização de entrevistas em painel. Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a auto-avaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o Agrupamento, constituindo este relatório um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos, bem como oportunidades e constrangimentos, a avaliação externa oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere. A equipa de avaliação externa congratula-se com a atitude de colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação. O texto integral deste relatório, bem como um eventual contraditório apresentado pelo Agrupamento, será oportunamente disponibilizado no sítio internet da IGE (www.ige.min-edu.pt). Escala de avaliação utilizada Níveis de classif icação dos cinco domínios Muito Bom ― Predominam os pontos fortes, evidenciando uma regulação sistemática, com base em procedimentos explícitos, generalizados e eficazes. Apesar de alguns aspectos menos conseguidos, a organização mobiliza-se para o aperfeiçoamento contínuo e a sua acção tem proporcionado um impacto muito forte na melhoria dos resultados dos alunos. Bom ― Revela bastantes pontos fortes decorrentes de uma acção intencional e frequente, com base em procedimentos explícitos e eficazes. As actuações positivas são a norma, mas decorrem muitas vezes do empenho e da iniciativa individuais. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto forte na melhoria dos resultados dos alunos. Suficiente ― Os pontos fortes e os pontos fracos equilibram-se, revelando uma acção com alguns aspectos positivos, mas pouco explícita e sistemática. As acções de aperfeiçoamento são pouco consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas do Agrupamento. No entanto, essas acções têm um impacto positivo na melhoria dos resultados dos alunos. Insuficiente ― Os pontos fracos sobrepõem-se aos pontos fortes. Não demonstra uma prática coerente e não desenvolve suficientes acções positivas e coesas. A capacidade interna de melhoria é reduzida, podendo existir alguns aspectos positivos, mas pouco relevantes para o desempenho global. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto limitado na melhoria dos resultados dos alunos. Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 2 Relatório de Avaliação Externa I – Caracterização do Agrupamento O Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, iniciou a sua actividade no ano lectivo 2000/2001, tendo sido a sua constituição reformulada no ano lectivo 2003/04, cobrindo a população escolar oriunda das freguesias de Ferreira, Meixomil, Paços de Ferreira e Penamaior. Estas freguesias caracterizam-se, por um forte predomínio da actividade industrial, com especial relevo para a indústria de mobiliário, por alguma indústria têxtil e vestuário, produtos alimentares, químicos e metalúrgicos. O nível socioeconómico das famílias dos alunos é predominantemente médio/baixo. Constata-se que as habilitações académicas dos pais/encarregados de educação são na sua maioria o 1.º e o 2.º ciclo do ensino básico (62%). Os pais dos alunos são, na sua maioria, empregados no sector secundário. Actualmente, o Agrupamento engloba cinco Escolas Básicas do 1.º Ciclo /Jardins de Infância (EB1/JI, quatro Escolas Básicas do 1.º Ciclo (EB1), três Jardins de Infância (JI e a Escola Básica com 2.º e 3.º ciclos de Paços de Ferreira (EB 2,3), sede do Agrupamento e situada na localidade de Meixomil. A Escola sede, de tipologia T30, funciona desde o ano lectivo de 1989/1990 e encontra-se num estado de conservação razoável. Funciona em regime duplo, sendo frequentada por um universo de 1.124 alunos, 631 no 2.º ciclo e 493 no 3.º ciclo. A este universo pertencem, também, 35 alunos que frequentam um curso de Educação Formação de Adultos (EFA) tipo 2, e 15 frequentam um curso EFA tipo 3, ambos a decorrer no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira; há ainda uma turma que frequenta um curso do 1.º ciclo de Educação e Formação de Adultos, a funcionar na Escola Secundária de Paços de Ferreira. A boa conservação e limpeza dos edifícios e dos amplos espaços circundantes são evidentes, embora a tipologia dispersa possa colocar alguns problemas de vigilância. A taxa de ocupação das instalações escolares é muito elevada, tendo como consequência o significativo número de alunos em algumas turmas. Funciona também, na Escola sede do Agrupamento, o Centro de Formação da Associação de Escolas de Paços de Ferreira. Dos 1090 alunos dos 2.º e 3.º ciclos, 585 (25%) são subsidiados pela Acção Social Escolar (ASE). Ao nível do 1.º ciclo, 416 (36%) alunos são subsidiados com escalão A e 95 (8 %) são subsidiados com escalão B de ASE. Cerca de 62% dos alunos não tem computador nem Internet em casa. Relativamente ao parque escolar, a maioria dos JI e das EB1 foi recentemente remodelada, pelo que as condições físicas são aceitáveis. No entanto, em alguns JI e EB1 são evidentes alguns dos problemas relacionados com a qualidade e conservação das infra-estruturas, bem como a ausência em 3 EB1 de alguns espaços que permitam o funcionamento em regime normal e a plena implementação da “escola a tempo inteiro”, embora se espere que a prevista constituição dos Centros Educativos venha a alterar esta realidade. A maioria dos 191 professores que trabalha no Agrupamento são profissionalizados e possuem vínculo definitivo, assinalando-se o facto de quase todos estarem há mais de três anos aí colocados, o que permite a continuidade pedagógica. O Agrupamento não dispõe de Serviço de Psicologia e Orientação (SPO), situação que condiciona a acção educativa e a integração dos alunos com Necessidades Educativas Especiais. O pessoal administrativo é composto por 8 funcionários, sendo 5 do quadro. O pessoal auxiliar de acção educativa é composto por 63 funcionários, sendo 38 pertencentes aos quadros de escola. Destes, 9 desempenham funções nos Serviços de Administração Escolar (SAE). Apenas13 prestam serviço nas EB1, o que se tem revelado manifestamente insuficiente, obrigando o Agrupamento a recorrer ao Centro de Emprego de Penafiel e a tarefeiros. O Agrupamento tem uma EB1 que não tem auxiliar de acção educativa dado que a titular se aposentou e não foi substituída. O Projecto Educativo, assumindo que “cabe às escolas o papel prioritário de construir e desenvolver processos de mudança”, a partir das palavras-chave “democracia e participação”, elege a promoção do sucesso escolar como a principal prioridade da política educativa do Agrupamento. III – Conclusões da avaliação por domínio 1. Resultados Suficiente O Projecto Educativo refere que, nos últimos anos, os índices de retenção têm vindo a baixar no 2º ciclo e a aumentar no 3º ciclo. Regista-se que no 9º ano de escolaridade, após a introdução dos exames nacionais, duplicou o número de alunos retidos, atingindo os 20% em 2006/2007. A análise do desempenho dos alunos nas provas de aferição revela que: no 4º ano de escolaridade há bons resultados; no 6º ano de escolaridade os resultados se aproximam das médias nacionais; e no 9º ano, comparando as classificações na Escola e nacional, se regista uma melhoria em Língua Portuguesa e uma regressão em Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 3 Relatório de Avaliação Externa Matemática em 2007. Os índices de retenção têm vindo a baixar no 2º ciclo e a aumentar no 3º, sendo mais evidentes nos anos de transição de ciclos. A monitorização dos resultados escolares é feita com base numa recolha estatística organizada pelo Conselho Executivo no final de cada período lectivo e analisada no Conselho Pedagógico, na Assembleia de Agrupamento e nos Departamento Curriculares, sendo solicitado aos Directores de Turma que desencadeiem estratégias para melhoria dos resultados, designadamente apoios educativos. Porém, este trabalho nem sempre tem reflexos positivos, conforme se pode verificar pela elevada percentagem de alunos abrangidos por planos de acompanhamento ou recuperação que não transitam. O Agrupamento revela um resultado muito positivo no combate ao abandono escolar e tem uma prática consolidada de abertura à comunidade. A Escola sede não tem associação de estudantes e criou, no presente ano lectivo, a assembleia de delegados das turmas, carecendo de aprofundar e valorizar a promoção da participação e assunção de responsabilidades por parte dos alunos. A Escola sede vive um clima de segurança e tranquilidade e as situações pontuais de indisciplina que ocorrem são comunicadas, pelo Director de Turma ao Conselho Executivo que actua prontamente. No presente ano lectivo, o aumento da oferta escolar alternativa veio abrir novas oportunidades de aprendizagem e valorização junto dos alunos com maiores dificuldades. 2. Prestação do serviço educativo Suficiente O Agrupamento garante a sequencialidade pedagógica através da manutenção dos mesmos grupos-turma, da continuidade dos docentes e dos Directores de Turma. A articulação curricular, horizontal e transversal entre as várias disciplinas, revela-se já significativa. Porém, denota-se uma frágil articulação na transição do 2.º para o 3.º Ciclo e na recuperação dos alunos com dificuldades de aprendizagem. O acompanhamento lectivo em sala de aula não está instituído, ocorrendo pontualmente, sobretudo de forma indirecta e em situações em que são evidentes as dificuldades dos docentes. Embora os resultados da avaliação contínua dos alunos sejam analisados a vários níveis no Agrupamento, não existe garantia de coerência entre práticas de ensino e avaliação, ou mesmo de aferição de procedimentos e resultados. A equipa de Apoios Educativos, apesar de contar com um número insuficiente de profissionais face ao número de alunos assinalados com necessidades educativas especiais, tem desenvolvido um trabalho organizado e consistente. Não há psicólogo a tempo inteiro, considerado indispensável por todos intervenientes nos painéis. As EB1 têm actividades de enriquecimento curricular, apesar de alguns regimes duplos e das deficientes condições físicas, beneficiando do esforço conjunto das diversas entidades parceiras envolvidas no projecto. A EB 2,3 apresenta ainda algumas fragilidades na diversidade de ofertas de enriquecimento curricular, apesar de disponibilizar algumas actividades desportivas, clubes, jornal escolar, promoção e educação para a saúde, bem como o acesso à disciplina de Design e História das Artes Visuais. O Agrupamento também não tem promovido, suficientemente, as componentes experimentais do currículo. A formação dos docentes tem sido fomentada quer através da organização de acções de formação no Agrupamento, quer em parceria com o Centro de Formação de Associação de Escolas, sedeado na Escola sede. A abertura dos três cursos Educação e Formação de Adultos (EFA) e os dois Cursos de Educação Formação (CEF) tem em vista não só a prevenção e o combate ao abandono escolar, mas também a integração dos alunos na vida activa. 3. Organização e gestão escolar Bom Na distribuição de serviço, o órgão de gestão atendeu às características individuais, às competências e aptidões do pessoal docente e não docente e à natureza das funções a desempenhar. O Conselho Executivo teve especial cuidado na atribuição do cargo de Director de Turma, função bastante valorizada pela comunidade escolar, apesar de não existirem perfis definidos para o desempenho desta função. A participação dos pais/encarregados de educação na vida escolar verifica-se nos orgãos em que têm assento, sobretudo, nas reuniões de Conselho de Turma e nos eventos festivos. Existem várias associações de pais no Agrupamento, algumas das quais bastante activas. O Agrupamento apresenta um deficiente circuito de comunicação interna, designadamente, na divulgação dos objectivos do Projecto Educativo e do Plano Anual de Actividades junto da generalidade dos pais, dos funcionários e dos alunos. Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 4 Relatório de Avaliação Externa O Agrupamento faz uma utilização dos recursos financeiros disponíveis tendo em linha de conta os objectivos constantes do seu Plano Anual de Actividades. As condições físicas da Escola sede e da generalidade das escolas do 1.º ciclo e JI são adequadas, tanto nas instalações como nos espaços e equipamentos, apesar de nem sempre responderem cabalmente às exigências que a escola a tempo inteiro hoje coloca. Os espaços estão bem cuidados e conservados, tendo em conta as intervenções regulares de manutenção e de melhoria, da responsabilidade da administração regional, autárquica ou do Agrupamento. Está prevista, por parte da autarquia, a requalificação das instalações dos estabelecimentos de ensino, através da constituição de Centros Educativos. Existe uma relação de reciprocidade entre o Agrupamento e a comunidade, destacando-se, neste âmbito, a colaboração da autarquia, das empresas e de outras entidades locais. É visível o esforço do Conselho Executivo na promoção de igualdade de oportunidades de acesso às condições de aprendizagem para todos os alunos, através da implementação de apoios pedagógicos, do funcionamento da sala de estudo, das tutorias e da constituição de três cursos de educação formação. 4. Liderança Bom A visão estratégica do Agrupamento está expressa no Projecto Educativo que estabelece de forma explícita as grandes linhas de organização e orientação da política educativa interna e define as prioridades de desenvolvimento e as metas a atingir na melhoria do sucesso educativo nos próximos anos. O órgão de gestão conhece o Agrupamento e o meio local e tem a ambição de fazer do Agrupamento uma referência. Para tal, aposta na motivação, empenho e participação generalizada de todos e no reforço da capacidade de intervenção dos alunos, dos pais e das entidades parceiras. Os coordenadores de ano e os coordenadores de departamento apoiam os professores quando solicitados e o Conselho Executivo acompanha, ao longo do ano, as turmas com maiores problemas de comportamento. Apesar da comunicação interna fluir com facilidade e eficácia entre os docentes, existem condições para a melhorar junto dos restantes elementos da comunidade educativa. O Agrupamento desenvolve uma política consistente de protocolos e parcerias activas, nomeadamente com o Centro de Saúde, o núcleo de estágios de enfermagem da Universidade Católica, a Câmara Municipal e a Associação Empresarial, entre outros, que muito contribuem para responder às necessidades dos alunos e da comunidade educativa. 5. Capacidade de auto-regulação e melhoria do Agrupamento Suficiente O Agrupamento criou recentemente uma equipa de auto-avaliação, revelando esforço e determinação para aprofundar a monitorização e reflexão sobre os seus pontos fortes e fracos, em que pretende alicerçar o acompanhamento do Projecto Educativo. Contudo, o dispositivo de avaliação interna não está consolidado, nem é ainda evidente o seu impacto na alteração da organização e das práticas educativas. Importará aperfeiçoá-lo, de forma duradoura, através de um maior envolvimento de outros actores educativos, do conhecimento dos factores explicativos do sucesso/insucesso educativo e uma maior ligação entre os resultados da avaliação e o planeamento subsequente. O Agrupamento tem consciência dos seus pontos fortes e das suas debilidades. Reconhecendo a “ausência de tradição no planeamento estratégico”, dá agora sinais de uma viragem, com evidentes manifestações de empenho e determinação em definir uma estratégia de melhoria. Contudo, requer-se uma maior intencionalidade da intervenção, de modo a garantir a ultrapassagem de alguns obstáculos e um processo sustentável. Conta com um conjunto de recursos internos em que pode basear a assunção de níveis superiores de autonomia, podendo ganhar com uma maior abertura ao intercâmbio com outras escolas e aproveitamento de oportunidades externas. Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 5 Relatório de Avaliação Externa IV – Avaliação por factor 1. Resultados 1.1 Sucesso académico O Projecto Educativo dedica o capítulo III à análise da “Dimensão Estratégica” e reflecte no ponto 2 sobre o “Sucesso/Insucesso” dos alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico ao longo dos últimos quatro anos lectivos, concluindo, entre outros aspectos, que, nos últimos anos, os índices de retenção têm vindo a baixar no 2º ciclo e a aumentar no 3º, situando-se, no ano lectivo 2006/2007, respectivamente nos 5,99% e 16,60% e que no 9º ano de escolaridade, após a introdução dos exames nacionais, duplicou o número de alunos retidos, atingindo os 20% em 2006/2007. Refere ainda este documento estruturante, que os anos terminais de 2º e 3º ciclos registam níveis de insucesso superiores aos restantes anos dos mesmos ciclos. A análise do desempenho dos alunos nas provas de aferição de Língua Portuguesa e Matemática revela que os do 4º ano de escolaridade têm bons resultados, situando-se acima das médias nacionais. No 6º ano de escolaridade os resultados aproximam-se das médias nacionais, ficando cerca de 7% abaixo no nível 3. Relativamente aos resultados dos alunos do 9º ano, comparando as classificações internas e externas, regista-se em Língua Portuguesa uma melhoria, situando-se agora 4% acima do valor nacional no nível 3 e uma grande aproximação entre a classificação interna e a de exame. Na disciplina de Matemática os resultados de 2007 pioraram em relação a 2006, continuando centrados no nível 2, tendo aumentado a diferença entre as classificações interna e externa. O Agrupamento revela um resultado muito positivo no combate ao abandono escolar, que persegue desde o tempo em que integrou o Território Educativo de Intervenção Prioritária, não registando abandono nos 1º e 2º ciclos e tendo conseguido passar de aproximadamente 60 alunos para 10 em 2006/2007. Este êxito deve-se à relevância dada pelos órgãos de administração e gestão e por todos os docentes, a começar pelo Presidente do Conselho Executivo, ao envolvimento de entidades parceiras, nomeadamente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco. A monitorização dos resultados escolares é feita com base numa recolha estatística organizada pelo Conselho Executivo no final de cada período lectivo e analisada no Conselho Pedagógico, na Assembleia de Agrupamento e nos Departamento Curriculares (DC), sendo solicitado aos Directores de Turma que desencadeiem estratégias para melhoria dos resultados. Apesar deste esforço e do envolvimento dos apoios educativos, continuam a existir muitos alunos abrangidos por planos de acompanhamento ou recuperação que não transitam. A explicação sobre o insucesso escolar mais ouvida nos painéis aponta sobretudo para aspectos exteriores à Escola, como os baixos índices socioeconómicos da maioria das famílias, a desvalorização do papel da Escola e a ausência de hábitos de trabalho e de estudo por parte dos alunos. No entanto, há factores internos à Escola que condicionam o sucesso educativo dos alunos e que são referidos no Projecto Educativo. Destaca-se como uma boa prática a informação escrita individual que as educadoras de infância entregam aos professores do 1º ano do 1º Ciclo com dados sobre as crianças que transitam e a reunião de articulação e troca de informação que ocorre no início do ano escolar, entre os docentes dos alunos que terminam o 4º ano e os do 5º ano que os recebem, envolvendo inclusivamente a entrega do projecto curricular trabalhado no 4º ano de escolaridade. 1.2 Participação e desenvolvimento cívico O Agrupamento e nomeadamente a Escola sede não tem Associação de Estudantes, tendo no presente ano lectivo criado a Assembleia de Delegados das Turmas. Talvez por esta razão, a participação activa dos alunos na elaboração dos documentos estruturantes se tenha reduzido às respostas ao inquérito e, como ficou evidenciado no respectivo painel, só os alunos que têm assento nos órgãos de administração e gestão é que conhecem vagamente o conteúdo desses documentos, apesar de no início do ano lectivo os directores de turma se esforçarem por os divulgar, sobretudo o Regulamento Interno, nas reuniões que fazem com os alunos e com os encarregados de educação. O Plano Anual de Actividades do Agrupamento contempla no início do ano, em dias específicos, a recepção aos alunos e encarregados de educação e aos funcionários, docentes e não docentes, com o objectivo de promover o convívio e a integração dos novos elementos na comunidade escolar. Estas e outras iniciativas comemorativas e festivas que constam do plano, acrescidas da participação das cinco associações de pais dos estabelecimentos de educação e ensino do agrupamento e do envolvimento das entidades parceiras em projectos específicos, Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 6 Relatório de Avaliação Externa contribuem para o bom ambiente que existe entre todos os membros da comunidade educativa, destacando-se o respeito mútuo e o forte sentido de identificação com a escola. O Agrupamento tem uma prática consolidada de abertura à comunidade, consubstanciada nos protocolos com o Centro de Saúde, o núcleo de estágios de Enfermagem da Universidade Católica, a Câmara Municipal e a Associação empresarial, entre outros. 1.3 Comportamento e disciplina Apesar da opinião manifestada pela comunidade educativa nos inquéritos que serviram de base à elaboração do PE apontar a indisciplina como um problema do Agrupamento, centrado na Escola sede, a Escola vive um clima de segurança e tranquilidade, sendo reconhecido pelos entrevistados que afinal se trata mais da ausência das regras de conduta que, por vezes, acontece por parte de alguns alunos. As situações de indisciplina que ocorrem pontualmente são comunicadas de imediato pelo Director de Turma ao Conselho Executivo que actua no exercício do princípio da autoridade, envolvendo os alunos e os respectivos encarregados de educação na resolução das situações. No início do ano lectivo, os Directores de Turma abordam as regras de comportamento, educação e civismo nas reuniões com os alunos e com os encarregados de educação e todos os docentes explicitam por escrito as normas de comportamento que devem prevalecer na sala de aulas. O Presidente do Conselho Executivo desloca-se às turmas ao longo do ano, especialmente às mais problemáticas, para abordar aspectos do comportamento e da disciplina. As aulas de substituição e o baixo absentismo contribuem para o bom clima do Agrupamento. Os pais e encarregados de educação manifestaram a necessidade de existir um controle mais rigoroso de entradas e saídas nas várias escolas do Agrupamento, porque estão preocupados com a segurança e bem estar das crianças e alunos, face ao número insuficiente de auxiliares de acção educativa a tempo inteiro nas EB1. 1.4 Valorização e impacto das aprendizagens O Conselho Executivo assume como uma fragilidade do funcionamento do Agrupamento a dificuldade que tem em seguir o percurso dos alunos que completam o 9º ano e saem da Escola para continuar estudos ou ingressarem no mercado de trabalho. No entanto, a valorização do papel da educação e do Agrupamento junto dos alunos e da comunidade educativa tem vindo a merecer um grande empenho por parte dos órgãos de administração e gestão, sobretudo junto dos jovens empresários que estão mais sensibilizados para admitirem trabalhadores com maiores qualificações académicas e profissionais. No presente ano lectivo, o aumento da oferta alternativa, com dois CEF com certificação de nível 2, dois cursos EFA e um curso de alfabetização de 1º ciclo para adultos, veio abrir novas oportunidades de aprendizagem e valorização junto dos alunos com maiores dificuldades. O Conselho Executivo tem vindo a apostar no reforço do Centro de Recursos e nas novas tecnologias de comunicação e informação, alargando a rede interna de acesso à Internet, disponibilizando maior número de computadores para alunos e professores e iniciando a colocação de quadros interactivos na sala de aula. Este esforço, a par da instituição do “quadro de mérito”, do funcionamento da sala de estudo, dos clube e dos projectos que Agrupamento desenvolve com entidades parceiras, contribuem para a valorização das aprendizagens e afirmação positiva do papel da educação junto das famílias. 2. Prestação do serviço educativo 2.1 Articulação e sequencialidade O Agrupamento aposta na continuidade pedagógica ao longo dos ciclos com manutenção dos grupos-turma, continuidade dos docentes e do Director de Turma. O Conselho Pedagógico, tem uma liderança forte e uma estratégia definida para melhorar a articulação, a sequencialidade e a diferenciação pedagógica. Os Departamentos Curriculares e os Conselhos de Turma, nos 2.º e 3.º ciclos e o Conselho de Docentes e Coordenações de Ano, na Educação Pré-Escolar e 1.º CEB, assumem as suas responsabilidades na articulação e flexibilização curricular, na diferenciação pedagógica e na avaliação dos alunos. Apesar destas estratégias e da consolidação do trabalho articulado entre os professores do 4.º ano e 5.º ano de escolaridade, que se encontram no início do ano escolar para trocarem informações e registos documentais, denotam-se ainda algumas fragilidades, visíveis nas transições para o 2.º e para o 3.º ciclos e na recuperação dos alunos com dificuldades de aprendizagem. Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 7 Relatório de Avaliação Externa As Coordenações dos Directores de Turma definem linhas orientadoras comuns para uniformizar procedimentos, particularmente, no domínio dos comportamentos dos alunos e na elaboração dos Projectos Curriculares de Turma. No entanto, não é visível que estes sejam verdadeiros documentos de gestão das aprendizagens, eficazes para o aumento do sucesso educativo. Como forma de preparar a integração dos alunos, no final de cada ano lectivo, as crianças da Educação Pré-Escolar que irão frequentar o 1.º ano e os alunos do 4.º ano que irão transitar para o 5.º ano fazem uma visita guiada pela sua futura escola. Existe uma deficiente articulação sequencial com as escolas secundárias que recebem os alunos no seu normal percurso escolar. 2.2 Acompanhamento da prática lectiva em sala de aula Cada professor elabora a sua planificação individual integrada no plano de gestão curricular da(s) área(s) disciplinar(es) que lecciona e no âmbito dos Conselhos de Turma que integra. O acompanhamento da prática lectiva não está instituído e é realizado sobretudo a partir de leituras de resultados académicos. Os Presidentes do Conselho Executivo, Conselho Pedagógico e Assembleia de Agrupamento têm reflectido sobre este assunto, também por força da avaliação do desempenho dos docentes. Como consequência do trabalho dos Departamentos Curriculares e da preocupação em uniformizar procedimentos, procura-se calibrar testes e o exercício da avaliação contínua, especificamente, elaborando em conjunto os instrumentos de avaliação. Os resultados da avaliação contínua são avaliados em Conselho de Turma e de Conselho de Ano e, posteriormente, em Conselho Pedagógico com a participação dos elementos dos vários Departamento Curricular/Conselho de Ano. No entanto, não existe garantia de coerência entre práticas de ensino e avaliação, ou mesmo de aferição de procedimentos e de resultados, cuja análise carece de aprofundamento e de questionamento, no sentido de ganhar consistência. O Plano para a Acção da Matemática está em desenvolvimento, havendo já indicadores que apontam para uma melhoria no processo de ensino-aprendizagem. Para o combate ao insucesso, nessa área disciplinar, estão a ser implementadas no 8.º ano assessorias pedagógicas nas aulas de Estudo Acompanhado. Os alunos do sétimo ano com maiores dificuldades de aprendizagem estão a ser apoiados na sala “Vou gostar da Matemática” por professores de Matemática e Ciências Físico-Químicas, durante 90 minutos. Sob proposta da Assembleia de Agrupamento, o Conselho Executivo promoveu as “Jornadas Pedagógicas”, onde foram abordados: actividades curriculares não disciplinares, avaliação de desempenho e quadros interactivos. Há ainda propostas dos Coordenadores dos Directores de Turma para acções para os alunos sobre educação sexual e saídas profissionais para os alunos, alargadas à presença dos pais e encarregados de educação. 2.3 Diferenciação e apoios A identificação e sinalização dos alunos com Necessidades Educativas Especiais e com dificuldades de aprendizagem são efectuadas em Conselho de Turma e em Conselho de Docentes, com a colaboração do núcleo de apoios educativos e em articulação com os pais e encarregados de educação. Não há psicólogo a tempo inteiro, considerado indispensável por todos os painéis. A autarquia disponibiliza uma psicóloga um dia por semana, o que se revela insuficiente para o contexto social em que as escolas trabalham. Há um Departamento de Educação Especial e Apoio Educativo para acompanhar os alunos com dificuldades de aprendizagem e com Necessidades Educativas Especiais. Mas, de acordo com os entrevistados nos diferentes painéis os professores colocados são insuficientes para fazerem face ao elevado número de alunos sinalizados no Agrupamento. Nas EB1 há falta de auxiliares de acção educativa para acompanharem estes alunos. Os casos sinalizados são objecto de um planeamento educativo específico e ajustado em articulação com outras estruturas assistenciais da comunidade. Não há uma monitorização sistemática dos resultados do apoio sóciopedagógico prestado a estes alunos. Os apoios aos alunos que evidenciam dificuldades de aprendizagem assentam nas medidas tradicionais dos planos de recuperação, contudo o Agrupamento não tem uma monitorização próxima dos resultados obtidos. Para colmatar o problema de alguma indisciplina associado à “falta de civismo”, o Conselho Executivo designa tutores responsáveis pelo acompanhamento, de forma individualizada do processo educativo de alunos que evidenciam maior dificuldade de integração na turma e na Escola sede. Estes professores desenvolvem a sua actividade de forma articulada, quer com a família quer com a equipa dos apoios educativos. Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 8 Relatório de Avaliação Externa 2.4 Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem A Escola sede apresenta algumas fragilidades na diversidade de ofertas de enriquecimento curricular, apesar de disponibilizar algumas actividades de âmbito cultural, desportivo e de educação ambiental. Os projectos/programas, que assentam no domínio da Língua Portuguesa – Plano Nacional de Leitura (PNL) – e no domínio da Matemática – Plano de Acção para a Matemática (PAM) -, mobilizam recursos significativos. O esforço conjunto das diversas entidades parceiras permitiu que as EB1, apesar de alguns regimes duplos e das deficientes condições físicas, tenham actividades de desenvolvimento curricular. As actividades no âmbito do ensino experimental das ciências restringem-se, na Escola sede, aos alunos do 3.º Ciclo, uma vez que as salas específicas ficam aquém das necessidades. No 1.º Ciclo observam-se alguns exercícios de trabalho experimental, ainda que com poucos recursos. O Agrupamento está bem apetrechado para a utilização das tecnologias da informação e comunicação. A oferta educativa da Escola sede foi substancialmente alargada, contemplando um CEF tipo 2, um CEF tipo 3, três cursos EFA e um Curso de Adultos, demonstrando a preocupação com o sucesso educativo e profissional dos alunos, num esforço articulado com as necessidades do mundo do trabalho. Os estágios curriculares em empresas/instituições locais têm contribuído para a valorização das aprendizagens escolares. Nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, na área artística constituem oferta as disciplinas de Design e História da Arte Visual, respectivamente. 3. Organização e gestão escolar 3.1 Concepção, planeamento e desenvolvimento da actividade As grandes linhas orientadoras do Projecto Educativo, construído de forma participada, constituem-se como quadro de referência para a definição dos planos e metas de acção do Agrupamento. O Plano Anual de Actividades é um documento com um vasto conjunto de actividades, pouco diversificadas, distribuídas por período lectivo ao longo do ano, envolvendo todos os níveis e ciclos do Agrupamento e a comunidade educativa. Porém, não é visível o enquadramento com os objectivos do Projecto Educativo. Os alunos, os pais e os funcionários não docentes entrevistados revelaram ter acesso fácil aos documentos estruturantes e à informação neles contida, mas desconheciam os objectivos do Projecto Educativo, bem como as diferentes actividades constantes do Plano Anual de Actividades. O Conselho Executivo teve especial cuidado na atribuição do cargo de Director de Turma, função bastante valorizada pela comunidade educativa, apesar de não existirem perfis definidos para o desempenho desta função. A Ocupação Plena dos Tempos Escolares foi organizada dando prioridade à substituição pelo professor da mesma turma e depois do mesmo ciclo. Existe a possibilidade de permuta de aulas, para aproximar o número de aulas dadas das previstas. 3.2 Gestão dos recursos humanos O Conselho Executivo privilegia, sempre que possível, a continuidade pedagógica na distribuição do serviço docente, gerindo a grande estabilidade do corpo docente e adequando as suas funções e perfis às necessidades da organização, cumprindo os critérios definidos no Conselho Pedagógico. Quanto ao pessoal não docente verificou-se que é realizada uma gestão adequada, atendendo às suas aptidões, de forma a garantir a eficácia dos serviços. Os auxiliares de acção educativa assumem as suas competências e mantêm boas relações com alunos, professores e encarregados de educação. O pessoal auxiliar do JI e do 1.º CEB é manifestamente insuficiente. Apesar de nem todas as áreas estarem informatizadas, os serviços administrativos respondem, eficaz e prontamente, às necessidades do Agrupamento e às solicitações dos diferentes utentes. Embora os Serviços de Acção Social Escolar (SASE) não tenham espaço próprio, em situações de sigilo, dispõem de um gabinete adequado e reservado para atendimento. Os processos são rapidamente organizados e os subsídios entregues em tempo útil. O Conselho Executivo preocupa-se com a integração dos novos alunos e professores, organizando recepções formais e visitas guiadas para os alunos do 5.º ano. 3.3 Gestão dos recursos materiais e financeiros As condições físicas da Escola sede do Agrupamento e da generalidade das escolas do 1.º ciclo e JI são adequadas, tanto nas instalações como nos espaços e equipamentos, apesar de nem sempre responderem cabalmente às Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 9 Relatório de Avaliação Externa exigências que a “escola a tempo inteiro” hoje coloca. Os espaços estão bem cuidados e em bom estado de conservação, tendo em conta as intervenções regulares de manutenção e de melhoria, da responsabilidade da administração regional, autárquica ou do Agrupamento. Estão previstos, por parte da autarquia, planos de melhoria das condições físicas dos restantes estabelecimentos de ensino, através da constituição de Centros Educativos. Os espaços são vedados e o controlo das condições de aceso é adequado, não se notando problemas de segurança significativos, com excepção da EB1 de Trindade e JI do Farol. Existem regras de utilização dos espaços específicos e equipamentos. Os alunos conhecem as regras e são devidamente acompanhados nessa utilização pelos professores e pessoal auxiliar. Existem sempre auxiliares responsáveis pela supervisão dos alunos durante as refeições. O Agrupamento vive sobretudo das verbas do Orçamento de Estado, mas cativa receitas próprias e recebe verbas que a autarquia disponibiliza, nomeadamente para apoio à concretização do Plano Anual de Actividades. O Conselho Executivo ouve a Assembleia e o Conselho Pedagógico na elaboração do orçamento e a boa gestão financeira é visível nos laboratórios, nas bibliotecas e noutros espaços e equipamentos escolares. 3.4 Participação dos pais e outros elementos da comunidade educativa Na primeira reunião de Conselho de Turma, os encarregados de educação são informados dos critérios de avaliação e da nomenclatura utilizada nas fichas de avaliação e recebem um desdobrável contendo uma síntese dos objectivos do Projecto Educativo e das regras de funcionamento da Escola sede. No entanto, os pais entrevistados revelaram desconhecer os objectivos do Projecto Educativo, bem como as actividades constantes do Plano Anual de Actividades. Há várias Associações de Pais no Agrupamento, uma vez que a lógica é manter as associações dos JI e das EB1 e a Associação da Escola sede. A participação dos pais/encarregados de educação na vida escolar é desigual: alguns envolvem-se activamente, outros raramente se deslocam à Escola sede, sendo a sua colaboração mais visível nas actividades realizadas pelos JI e pelas EB1. Os pais que participam nos órgãos, em que têm assento, fazem-no de uma forma activa, propondo acções concretas relativamente ao funcionamento do Agrupamento. Em algumas EB1 e JI, o empenho e articulação entre professores e pais reflecte-se nas significativas verbas conseguidas para aquisição de materiais e equipamentos. A não valorização do saber é uma das razões apontadas para a falta de participação cívica dos pais, e esta vai diminuindo à medida que os alunos vão progredindo na escolaridade. Contudo, a relação dos pais com o Agrupamento é boa, têm orgulho e revêem-se nele. Não há Associação de Estudantes, mas foi constituída a Assembleia de Delegados que está a iniciar funções. Da entrevista realizada constatou-se que se trata de um grupo dinâmico, cujo contributo e reflexão crítica pode ser útil à melhoria do funcionamento da Escola sede. O Agrupamento valoriza a abertura à comunidade e tem várias parcerias importantes para a concretização dos seus objectivos educativos, podendo ser destacados os projectos que envolvem o Centro de Saúde, a Câmara Municipal, a Universidade Católica, a Associação Empresarial, a Profisousa e a Universidade do Minho. 3.5 Equidade e justiça A equidade é um critério presente na distribuição do serviço docente, na constituição de turmas, na elaboração de horários e na avaliação das aprendizagens. Os critérios estão definidos nos órgãos próprios e o Conselho Executivo aplica-os, tendo em conta os contextos e o bom funcionamento do Agrupamento. Verifica-se, por parte da comunidade escolar, uma preocupação com a inclusão de todos os alunos. Existe uma actuação sistemática de sinalização, valorização e encaminhamento dos alunos com Necessidades Educativas Especiais. Todos os painéis reconhecem que os órgãos de administração e gestão, seguindo o exemplo do presidente do Conselho Executivo, pautam a sua acção por forte liderança, assente nos princípios de democracia, participação, equidade e justiça, contribuindo para o bom ambiente que se sente no Agrupamento. Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 10 Relatório de Avaliação Externa 4. Liderança 4.1 Visão e estratégia A visão estratégica do Agrupamento está expressa no Projecto Educativo que estabelece as grandes linhas de organização e orientação da política educativa interna e define as prioridades de desenvolvimento e as metas avaliáveis a atingir na melhoria do sucesso educativo nos próximos anos. Esta dinâmica assenta na articulação que existe entre todos os órgãos de administração e gestão e nas lideranças fortes, disponíveis para ouvir, de proximidade e esforçadas de cada um dos respectivos presidentes -Assembleia de Agrupamento, Conselho Executivo e Conselho Pedagógico -, acompanhados pelos restantes membros das equipas de trabalho, não sendo observáveis dependências que limitem o pleno exercício das competências que cada órgão detém e pratica. O Conselho Executivo conhece profundamente o Agrupamento e o meio local e tem a legítima ambição de fazer do Agrupamento uma referência, pese os constrangimentos sócio-culturais do meio onde se insere. Para tal, aposta na motivação, empenho e participação de todos e no reforço da capacidade de intervenção dos alunos, dos pais e das entidades parceiras. O exemplo deste esforço de cooperação é já visível na diversidade de parcerias, protocolos e projectos em curso e na constituição da assembleia de delegados. A comunicação interna flui com facilidade entre os docentes. O Agrupamento tem condições para evoluir muito nos próximos anos, através da implementação do controlo estratégico baseado em objectivos e metas avaliáveis no curto prazo. 4.2 Motivação e empenho O estilo de liderança praticado no Agrupamento facilita e estimula a participação e a responsabilização de todos, sendo de assinalar a visita que os presidentes da Assembleia de Agrupamento, Conselho Executivo e Conselho Pedagógico fazem no início do ano lectivo a todas as unidades de educação e ensino do Agrupamento. Podemos constatar a disponibilidade, a motivação e o dinamismo dos vários actores com quem contactamos e verificar o conhecimento que têm das respectivas funções, sendo exemplo a disponibilidade dos Director de Turma para atenderem e reunirem com os encarregados de educação fora das horas de trabalho destes. A recepção organizada pelo Conselho Executivo, no início do ano escolar, para acolher os docentes, funcionários, alunos e encarregados de educação e integrar os novos membros da comunidade educativa é demonstrativa da forte política de estímulo e de respeito com que todos são tratados e motivados para um bom desempenho profissional. Todos os entrevistados reconhecem e valorizam a disponibilidade total do Conselho Executivo para os atender de “porta aberta” sempre que necessitam. Os bons resultados alcançados na diminuição do abandono escolar e os baixos índices de absentismo favorecem a organização interna e a prática sistemática de colaboração está presente, sendo exemplo as permutas directas entre professores da turma e entre funcionários para suprirem ausências de colegas, sem transtorno para o funcionamento dos serviços. Os coordenadores de Conselho de Ano e os coordenadores de Departamento Curricular apoiam os professores sistematicamente, e o Conselho Executivo acompanha ao longo do ano as turmas com maiores problemas de comportamento. 4.3 Abertura à inovação O Agrupamento faz uma aposta forte nas novas tecnologias da informação e da comunicação e todas as unidades de educação e ensino têm acesso à Internet e ao e-mail, comunicando facilmente entre elas e com a Escola sede, numa demonstração da cultura de Agrupamento que já advém da experiência vivida como Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP). O Conselho Executivo procura responder aos novos desafios mobilizando o contributo das entidades parceiras, tanto na oferta educativa diversificada através dos CEF e EFA, como em projectos específicos. Como exemplo citase a introdução do controlo electrónico de entradas e saídas da Escola sede com ligação à utilização dos serviços de cantina e bar, patrocinado por uma parceria privada. A existência de uma sala de cinema que funciona semanalmente e a instalação de quadros interactivos com a necessária formação de professores ligada a esta inovação contribuem para a melhoria do ensino-aprendizagem. As jornadas pedagógicas organizadas no início do ano escolar e a aposta na formação de docentes e não docentes, por iniciativa própria ou em articulação com o centro de formação, sedeado na Escola sede, é outro Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 11 Relatório de Avaliação Externa exemplo de preocupação e resposta às necessidades identificadas em contexto de trabalho, existindo encontros de formação abertos aos encarregados de educação. 4.4 Parcerias, protocolos e projectos O Agrupamento desenvolve uma política explícita e consistente de protocolos e parcerias activas que muito contribuem para responder às necessidades dos alunos e da comunidade educativa, melhorando a intervenção do Agrupamento em áreas-chave do seu funcionamento. Desde logo importa referir os bons resultados conseguidos no combate ao abandono escolar, que deixou de ser uma fragilidade da Escola sede, fruto não só da actuação interna, mas também do trabalho sistemático, articulado e eficaz com a Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco. Destaca-se, ainda, a parceria com a Universidade Católica do Porto, envolvendo alunos do 4º ano do curso de licenciatura em enfermagem que estão na escola de 3ª a 6ª feira, durante 7 horas/dia, à disposição de todos, especialmente dos alunos, para prestarem cuidados de saúde e primeiros socorros e promoverem estilos de vida saudáveis com campanhas de informação e formação que envolvem também os pais e encarregados de educação. A parceria com a Associação Empresarial tem permitido a colocação dos alunos em estágios e a identificação das áreas prioritárias para a abertura dos CEF e EFA. Regista-se a participação empenhada do Agrupamento em projectos nacionais como, Promoção e Educação para a Saúde (PES), desporto escolar, rede nacional de bibliotecas escolares, PNL e PAM, que contribuem para a forte melhoria da acção educativa. A Autarquia assume-se como um parceiro prioritário no domínio das actividades de enriquecimento curricular, na disponibilização de uma verba para que o Agrupamento possa contratar pessoal auxiliar para suprir as carências no 1º CEB e no protocolo para utilização do pavilhão gimnodesportivo, pagando a totalidade do consumo de água da Escola sede. 5. Capacidade de auto-regulação e melhoria do Agrupamento 5.1 Auto-avaliação As práticas de avaliação interna do Agrupamento têm-se centrado mais na análise dos resultados académicos, no âmbito dos diversos órgãos de administração e gestão, nomeadamente Conselho Pedagógico e Departamentos Curriculares, Conselhos de Turma e de Conselho de Docente, com base nos dados estatísticos recolhidos e tratados pelo Conselho Executivo e, em especial os resultados trimestrais, de exame e provas de aferição. Não existem evidências de monitorização de outras dimensões educativas. Apenas no início do ano lectivo foi criada uma “Comissão de Avaliação Interna” que está ainda a dar os primeiros passos, no sentido de conceber um dispositivo mais robusto. Prevê-se que seja alicerçado na identificação de pontos fortes e fracos e privilegie dimensões como o clima interno e relacionamento, órgãos de gestão, processo de ensino aprendizagem e sucesso pedagógico, recorrendo a diversas fontes de informação (relatórios das estruturas intermédias…) e instrumentos de recolha de dados (ex.: bateria de inquéritos destinados a docentes, alunos e pessoal não docente). A comissão reconhece a necessidade de reforçar o envolvimento e participação de outros actores educativos, em especial alunos e encarregados de educação, bem como de abranger, progressivamente, novos campos de análise. Globalmente, é patente a necessidade de aprofundar a reflexão sobre os objectivos da avaliação pretendida e suas principais dimensões, decorrentes da visão de Agrupamento e do seu PE, bem como de desenhar um sistema de avaliação que não descure o conhecimento dos factores explicativos e permita dar contributos para uma intervenção consentânea de apoio à melhoria da organização, das práticas e dos resultados. 5.2 Sustentabilidade do progresso O Agrupamento tem consciência dos seus pontos fortes e das suas debilidades, reconhecendo a “ausência de tradição no planeamento estratégico”. Após um período de alguma acomodação a um contexto local globalmente pouco estimulante e desafiado pelo recente processo de recomposição dos órgãos de gestão e por alguns factores externos (confronto dos resultados internos com os exames, comparação com outras escolas, processo de avaliação externa das escolas, crescente exigência das famílias e comunidades, entre outros), há sinais de uma clara viragem, com evidentes manifestações de motivação, empenho, proactividade e dinamismo que todos reconhecem e valorizam. Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 12 Relatório de Avaliação Externa Contudo, dada a complexidade e resistência de alguns dos problemas a enfrentar, bem como a experiência passada de dificuldade em dar continuidade à participação em alguns projectos, designadamente o TEIP, requer-se um especial esforço de maior intencionalidade da intervenção, bem como de persistência e determinação, de modo a garantir um processo sustentável. Neste contexto, o Agrupamento pode ganhar com uma maior abertura a intercâmbio com outras escolas e o aproveitamento de recursos e oportunidades externas. Mas conta também com um conjunto de recursos internos em que se pode alicerçar a assunção de níveis superiores de autonomia: a larga experiência de muitos dos seus profissionais, o clima interno de grande abertura, a disponibilidade e cooperação entre os órgãos de gestão e os principais actores da comunidade educativa, a aprendizagem resultante da participação no projecto TEIP, a continuidade pedagógica de alunos e equipas de docentes nas turmas, a aposta nos CEF e EFA , assim como os claros progressos no combate ao abandono escolar. Neste âmbito, entre outros aspectos, os responsáveis pelos órgãos de gestão referem o desejo de maior autonomia no desenho dos órgãos à medida das necessidades e características do Agrupamento, no dimensionamento do mesmo e na gestão do currículo, enquanto os pais aludem à contratação dos recursos humanos. V – Considerações finais Apresenta-se agora uma síntese dos atributos do Agrupamento (pontos fortes e pontos fracos) e das condições de desenvolvimento da sua actividade (oportunidades e constrangimentos) que poderá orientar a sua estratégia de melhoria. Neste âmbito, entende-se por ponto forte: atributo da organização que ajuda a alcançar os seus objectivos; ponto fraco: atributo da organização que prejudica o cumprimento dos seus objectivos; oportunidade: condição externa à organização que poderá ajudar a alcançar os seus objectivos; constrangimento: condição externa à organização que poderá prejudicar o cumprimento dos seus objectivos. Todos os tópicos seguidamente identificados foram objecto de uma abordagem mais detalhada ao longo deste relatório. Pontos fortes A articulação da oferta educativa com o mercado de trabalho. A ausência de abandono escolar nos 1º e 2º ciclos do ensino básico e a drástica redução no 3ºCEB. A capacidade de liderança democrática e participada dos órgãos de administração e gestão e das estruturas de orientação educativa, com reflexos na gestão e motivação dos recursos humanos. Pontos fracos A frágil articulação na transição do 2º para o 3º ciclos. As debilidades no processo de auto-avaliação recentemente iniciado. A falta de supervisão e acompanhamento da prática lectiva em sala de aula. Oportunidades A constituição dos Centros Educativos para a melhoria das condições de trabalho e de aprendizagem. Constrangimentos A inexistência, a tempo inteiro, do Serviço de Psicologia e Orientação Educativa. A sobrelotação da Escola sede do Agrupamento que obriga ao limite de alunos por turma. Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Paços de Ferreira 23, 26 e 27 de Novembro de 2007 13