GOVERNO DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO – SEED
SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO – SUED
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA – UEL
PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL – PDE
MARIA CRISTINA JORGE DE LA VEGA
UNIDADE DIDÁTICA
PROPOSTA DE COMPREENSÃO DE CURRÍCULO E
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA
EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
LONDRINA
2011
GOVERNO DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO – SEED
SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO – SUED
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA – UEL
PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL –
PDE
MARIA CRISTINA JORGE DE LA VEGA
UNIDADE DIDÁTICA
PROPOSTA DE COMPREENSÃO DE CURRÍCULO E
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA
EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
Trabalho Professora PDE-2010
Orientador IES: Juliana Bayeux Dascal
LONDRINA
2011
SUMÁRIO
1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO ................................................................................3
2 APRESENTAÇÃO ..................................................................................................4
3 ATIVIDADES ...........................................................................................................5
4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ...........................................................................9
4.1 DIRETRIZES CURRICULARES , BREVE REFERENCIAL TEÓRICO .............................9
4.2 ELEMENTOS ARTICULADORES DOS CONTEÚDOS ESTRUTURANTES PARA A
EDUCAÇÃO BÁSICA ..............................................................................................12
4.3 CONTEÚDOS ESTRUTURANTES ..............................................................................13
4.3.1 Esporte .............................................................................................................15
4.3.2 Jogos e Brincadeiras ......................................................................................15
4.3.3 Ginástica ..........................................................................................................16
4.3.4 Lutas .................................................................................................................17
4.3.5 Dança ................................................................................................................17
REFERÊNCIAS ..........................................................................................................19
3
1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO
Título: Proposta de compreensão de currículo e organização do trabalho pedagógico na educação
física escolar
Autora
Maria Cristina Jorge De La Vega
Escola de Atuação
Colégio Estadual Benedita Rosa Rezende – Ensino Fundamental e
Ensino Médio.
Município da escola
Londrina
Núcleo Regional de Educação
Londrina
Orientador
Juliana Bayeux Dascal
Instituição de Ensino Superior
UEL – Universidade Estadual de Londrina
Disciplina/Área (entrada no PDE)
Educação Física
Produção Didático-pedagógica
Unidade Didática
Relação Interdisciplinar
Público Alvo
Professores de Educação Física de Londrina
Localização
Colégio Estadual Benedita Rosa Rezende – Ensino Fundamental e
Ensino Médio.
Apresentação:
Trata-se de uma produção didática da disciplina de Educação Física,
destinada a professores e, tem como objetivo principal contribuir
para a reflexão e discussão sobre o que os alunos precisam
aprender em cada uma das áreas de conhecimento e possibilitar o
acesso a subsídios teóricos e práticos que possam colaborar na
busca da construção de procedimentos eficazes que contribuam
para seu desenvolvimento profissional.
Palavras-chave
Currículo e organização pedagógica
4
5
2 APRESENTAÇÃO
Esta unidade didática está em andamento como parte do programa de
metas estipuladas pelo Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) da
Secretaria de Estado da Educação do Estado do Paraná (SEED).
Trata-se de uma produção didática da disciplina de Educação Física,
destinada
a
professores
do
quadro
próprio
do
magistério
do
Paraná
especificamente de Londrina, com até dez (10) anos de magistério e de dez (10) a
vinte (20) anos de magistério e, tem como objetivo principal contribuir para a
reflexão e discussão sobre o que os alunos precisam aprender em cada uma das
áreas de conhecimento e possibilitar o acesso a subsídios teóricos e práticos que
possam colaborar na busca da construção de procedimentos eficazes que
contribuam para seu desenvolvimento profissional. Neste trabalho serão
abordados os conteúdos considerados estruturantes e que estão devidamente
sistematizados pelas Diretrizes Curriculares da Educação Básica do Estado do
Paraná para a Educação Física.
6
3 ATIVIDADES
Objetivo: A Secretaria de Estado de Educação do Estado do Paraná
discutiu e reformulou as Diretrizes Curriculares de Educação Física durante certo
período de trabalho. No segundo semestre de 2003 a SEED/PR debruçou-se
sobre a tarefa de reorientar as Diretrizes Curriculares de Educação Física – parte
de um processo maior de (re) construção curricular geral. Desde então, foram
realizados encontros estaduais nos quais as professoras e os professores tiveram
a oportunidade – depois de um longo período – de contribuir com suas reflexões
na construção dos documentos oficiais. Desses encontros foram organizados os
dados que serviram de base para um texto preliminar a ser discutido e corrigido
pela Secretaria em conjunto com seus assessores e a categoria docente
(PEREIRA NETTO, 2006).
Após uma primeira versão que separava o Ensino Fundamental e o
Ensino Médio, estabelecendo como concepções a Corporalidade e a Cultura
Corporal respectivamente, no ano de 2008 as Diretrizes foram concluídas, e
apresentaram uma alteração significativa em relação à anterior, uma vez que une
todos os níveis de ensino sob uma mesma perspectiva teórica, a Cultura Corporal
(PARANÁ, 2008).
A partir de então, toda elaboração de material didático feita pela
SEED/PR passou a ser orientada a partir desta perspectiva. A adoção desta
perspectiva de forma explícita nos materiais didáticos fez com que o professorado
repensasse sua prática docente, que apesar de já conter alguns sinais de
mudanças em relação àquela Educação Física criticada pelos autores da década
de 80, ainda não contava com uma sistematização “oficial” via Secretaria de
Educação (PARANÁ, 2008).
Sendo assim, pretende-se investigar o quanto as Diretrizes Curriculares
são utilizadas pelos professores para estabelecer seus conteúdos e guiar suas
ações educacionais.
7
1ª Atividade
No primeiro momento será trabalhado com os grupos um questionário (pré – intervenção), no qual será analisado se as Diretrizes Curriculares são contempladas
na Organização pedagógica e, caso negativo, quais as dificuldades e angustias
dos professores em relação a este aspecto.
Questionário pré-intervenção
1-Escreva o que você entende por currículo.
2- Você tem conhecimento das Diretrizes ( ) sim
( ) não
( ) em partes
Curriculares da Educação Física? Quais
são elas?
Descreva aqui seu conhecimento sobre as Diretrizes Curriculares da Educação Física:
3- De acordo com seus conhecimentos ( ) sim
sobre
as
Diretrizes
Curriculares,
( ) não
( ) em partes
( ) não
( ) em partes
você
considera que as mesmas contemplam os
conteúdos necessários a cada série? Por
quê?
Justifique:
4- Você faz sua organização pedagógica de ( ) sim
acordo com as Diretrizes Curriculares de
Educação Física?
Descreva o seu procedimento.
8
5– Você encontra dificuldades para colocar
( ) sim
( ) não
6- Você considera que haja algum conteúdo ( ) sim
( ) não
( ) em partes
em prática as Diretrizes Curriculares de
Educação Física?
Se sim, quais são elas?
Justifique
que
deixa
de
ser
contemplado
nas
Diretrizes Curriculares?
Descreva-os justificando sua resposta.
7- Descreva aqui sugestões que considera necessárias para melhor utilização das
Diretrizes Curriculares de Educação Física.
8 - Qual o tempo de serviço que você tem como professor(a) da SEED?
9
2ª Atividade
Em um segundo momento da implementação deste projeto será realizada
uma inserção de estudos com o grupo professores que atual há mais de mais de
dez (10) anos de magistérios do Núcleo Regional de Londrina sobre as Diretrizes
Curriculares.
10
4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
4.1 DIRETRIZES CURRICULARES , BREVE REFERENCIAL TEÓRICO
De acordo com as Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná, propõe-se
que a Educação Física deve estar fundamentada nas reflexões sobre as
necessidades atuais de ensino perante os alunos, na superação de contradições
e na valorização da educação. Por isso, é de fundamental importância considerar
os contextos e experiências de diferentes regiões, escolas, professores, alunos e
da comunidade a fim de que estes pressupostos sejam alcançados (PARANÁ,
2008).
A disciplina Educação Física pode e deve ser trabalhada em interlocução
com outras disciplinas que permitam entender a Cultura Corporal em sua
complexidade, ou seja, a relação com as múltiplas dimensões da vida humana,
tratadas tanto pelas ciências humanas, sociais, da saúde e da natureza
(PARANÁ, 2008).
A Educação Física é parte do projeto geral de escolarização e, como tal,
deve estar articulada ao projeto político-pedagógico, pois tem seu objeto de
estudo e ensino próprios, e trata de conhecimentos relevantes na escola
(PARANÁ, 2008).
Se a atuação do professor efetiva-se na quadra, assim como em outros
lugares do ambiente escolar e em diferentes tempos pedagógicos, seu
compromisso, tal como de todos os professores, também está pautado a partir do
projeto de escolarização ali instituído, sempre em favor da formação humana.
Esses pressupostos se expressam no trato com os conteúdos específicos, tendo
como objetivo formar a atitude crítica perante a Cultura Corporal, exigindo
domínio do conhecimento e a possibilidade de sua construção a partir da escola
(PARANÁ, 2008).
11
Sendo assim, busca-se superar formas anteriores de concepção e
atuação na escola pública, visto que a superação é entendida como ir além, não
como negação do que precedeu, mas sim considerada objeto de análise, de
crítica, de reorientação e/ou transformação daquelas formas. Nesse sentido,
procura-se possibilitar aos alunos o acesso ao conhecimento produzido pela
humanidade, relacionando-o às práticas corporais, ao contexto histórico, político,
econômico e social (PARANÁ, 2008).
Isso representa uma mudança na forma de pensar o tratamento teóricometodológico dado às aulas de Educação Física. Significa, ainda, repensar a
noção de corpo e de movimento historicamente dicotomizados pelas ciências
positivistas, isto é, ir além da ideia de que o movimento é predominantemente um
comportamento motor, visto que também é histórico e social (PARANÁ, 2008).
Pensar a Educação Física a partir de uma mudança significa analisar a
insuficiência do atual modelo de ensino, que muitas vezes não contempla a
enorme riqueza das manifestações corporais produzidas socialmente pelos
diferentes grupos humanos. Isto pressupõe criticar o trabalho pedagógico, os
objetivos e a avaliação, o trato com o conhecimento, os espaços e tempos
escolares da Educação Física. Além disso, significa reconhecer a gênese da
cultura corporal, que reside na atividade humana para garantir a existência da
espécie.
Destacam-se
daí
os
elementos
lúdicos
e
agonísticos
que,
sistematizados, estão presentes na escola como conteúdos de ensino (PARANÁ,
2008).
A gênese da cultura corporal, referida acima, está relacionada à vida em
sociedade, desenvolvendo-se, inicialmente, nas relações Homem-Natureza e Homem-Homem, isto é, pelas relações para a produção de bens e pelas relações de
troca. Para garantir sua sobrevivência, reprodução e povoamento do Planeta, a
humanidade necessitou conhecer a natureza, conquistar diferentes espaços, ocupando-os e explorando-os em sua diversidade de fauna, flora e relevo.
Nas relações com a natureza e com o grupo social de pertencimento, por
meio do trabalho, os seres humanos desenvolveram habilidades, aptidões físicas
e estratégias de organização, fundamentais para superar obstáculos e garantir a
12
sobrevivência. Inicialmente, correr, saltar, rastejar, erguer e carregar peso eram
habilidades essenciais para abater uma caça e transportá-la para “casa”, escapar
de uma perseguição, alcançar lugares onde os frutos fossem abundantes
(PARANÁ, 2008).
Outras manifestações corporais e culturais se concretizavam em celebrações dos frutos do trabalho. As danças comemorativas das colheitas, danças de
guerra, danças religiosas, dentre outras, são exemplos disso (PARANÁ, 2008).
O trabalho é, então, constitutivo da experiência humana, concomitante
com a materialidade corporal e como ato humano, social e histórico, assumindo,
ao longo da história da humanidade, duplo caráter. Se por um lado, ele é
fundamental para a existência humana e nós dependemos dele, por outro, na
sociedade capitalista, ocorre um processo de estranhamento, no qual não nos
reconhecemos no produto do nosso trabalho. Para manter este segundo caráter –
de trabalho alienado – são necessários mecanismos e mediações referentes à
disciplina corporal para atender aos interesses do modo como o capital organiza a
vida em sociedade (PARANÁ, 2008).
Nesse sentido, propõe-se a discussão a respeito da disciplina de Educação Física, levando-se em conta que o trabalho é categoria fundante da relação
ser humano/natureza e ser humano/ser humano, pois dá sentido à existência humana e à materialidade corporal que constitui “um acervo de atividades comunicativas com significados e sentidos lúdicos, estéticos, artísticos, místicos, antagonistas” (ESCOBAR, 1995, p. 93). Dessa forma, a materialidade corporal se constitui
num longo caminho, de milhares de anos, no qual o ser humano construiu suas
formas de relação com a natureza, dentre elas as práticas corporais.
Compreender a Educação Física sob um contexto mais amplo significa
entender que ela é composta por interações que se estabelecem nas relações
sociais, políticas, econômicas e culturais dos povos.
É partindo dessa posição que estas Diretrizes apontam a Cultura Corporal
como objeto de estudo e ensino da Educação Física, evidenciando a relação
estreita entre a formação histórica do ser humano por meio do trabalho e as
práticas corporais decorrentes. A ação pedagógica da Educação Física deve
13
estimular a reflexão sobre o acervo de formas e representações do mundo que o
ser humano tem produzido, exteriorizadas pela expressão corporal em jogos e
brincadeiras, danças, lutas, ginásticas e esportes. Essas expressões podem ser
identificadas como formas de representação simbólica de realidades vividas pelo
homem (COLETIVO DE AUTORES, 1992)
4.2 ELEMENTOS ARTICULADORES DOS CONTEÚDOS ESTRUTURANTES PARA A
EDUCAÇÃO BÁSICA
Visando romper com a maneira tradicional como os conteúdos têm sido
tratados na Educação Física, faz-se necessário integrar e interligar as práticas
corporais de forma mais reflexiva e contextualizada, o que é possível por meio
dos Elementos Articuladores (PARANÁ, 2008).
A proposta dos Elementos Articuladores se aproxima daquilo que Pistrak (2000)
denomina por Sistema de Complexos Temáticos, isto é, aquilo que permite
ampliar o conhecimento da realidade estabelecendo relações e nexos entre os
fenômenos sociais e culturais. A organização do trabalho pedagógico através de
um sistema de complexo temático garante uma compreensão da realidade atual
de acordo com o método dialético pelo qual se estudam os fenômenos ou temas
articulados entre si e com nexos com a realidade atual mais geral, numa
interdependência transformadora. O complexo, segundo Pistrak (2000), deve
estar embasado no plano social, permitindo aos estudantes, além da percepção
crítica real, uma intervenção ativa na sociedade, com seus problemas, interesses,
objetivos e ideais (PARANÁ 2008, p. 53).
Tais elementos não podem ser entendidos como conteúdos paralelos,
nem tampouco trabalhados apenas teoricamente e/ou de maneira isolada. Os
conteúdos articuladores podem transformar o ensino da Educação Física na
escola, respondendo aos desafios anteriormente descritos (PARANÁ, 2008).
Neste sentido, as Diretrizes Curriculares propõem os seguintes elementos
articuladores:
•
Cultura Corporal e Corpo;
14
•
Cultura Corporal e Ludicidade;
•
Cultura Corporal e Saúde;
•
Cultura Corporal e Mundo do Trabalho;
•
Cultura Corporal e Desportivização;
•
Cultura Corporal – Técnica e Tática;
•
Cultura Corporal e Lazer;
•
Cultura Corporal e Diversidade;
•
Cultura Corporal e Mídia.
Os elementos articuladores alargam a compreensão das práticas corporais e indicam múltiplas possibilidades de intervenção pedagógica em situações
que surgem no cotidiano escolar. São, ao mesmo tempo, fins e meios do processo de ensino/aprendizagem, pois devem transitar pelos Conteúdos Estruturantes
e específicos de modo a articulá-los o tempo todo (PARANÁ, 2008).
4.3 CONTEÚDOS ESTRUTURANTES
De acordo com as Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná, os
Conteúdos Estruturantes foram definidos como os conhecimentos de grande
amplitude, conceitos ou práticas que identificam e organizam os campos de
estudos de uma disciplina escolar, considerados fundamentais para compreender
seu objeto de estudo/ensino. Constituem-se historicamente e são legitimados nas
relações sociais (PARANÁ, 2008).
Os Conteúdos Estruturantes da Educação Física para a Educação Básica
devem ser abordados em complexidade crescente,
15
“Abordar os Conteúdos Estruturantes em complexidade crescente
significa romper com a visão etapista de conhecimento, cuja
exposição de conteúdos pauta-se em pré-requisitos. Exemplo
dessa visão pode ser observado nos esportes, por exemplo,
quando se acredita que o aluno necessita primeiramente conhecer
as regras, para posteriormente vivenciá-las na prática. Essa forma
de abordagem evidencia-se destinar para a quinta e sexta séries a
vivência de diversos jogos pré-desportivos e, para a sétima e
oitava séries, o reconhecimento das regras de diferentes
modalidades esportivas. Na compreensão de abordagem
crescente de complexidade, esses assuntos não são vistos
separadamente. Desde a quinta série o aluno terá contato com
regras e jogos pré-esportivos e esportivos, sendo o enfoque
diferenciado para cada série, de acordo com sua capacidade de
abstração. Logo, na quinta e sexta séries, o aluno terá cond ições
de vivenciar regras gerais de determinado esporte, aprofundando
isso na sétima e oitava, por meio de competições e festivais
esportivos” (PARANÁ 2008, p. 62).
Isto porque, em cada um dos níveis de ensino os alunos trazem consigo
múltiplas experiências relativas ao conhecimento sistematizado, que devem ser
consideradas no processo de ensino/aprendizagem (PARANÁ, 2008).
A Educação Física e seu objeto de ensino/estudo, a Cultura Corporal,
deve, ainda, ampliar a dimensão meramente motriz. Para isso, pode-se
enriquecer os conteúdos com experiências corporais das mais diferentes culturas,
priorizando as particularidades de cada comunidade (PARANÁ, 2008).
A seguir, cada um dos Conteúdos Estruturantes será tratado sob uma
abordagem que contempla os fundamentos da disciplina, em articulação com
aspectos políticos, históricos, sociais, econômicos, culturais, bem como
elementos da subjetividade representados na valorização do trabalho coletivo, na
convivência com as diferenças, na formação social crítica e autônoma. Os
Conteúdos Estruturantes propostos para a Educação Física na Educação Básica
são os seguintes:
•
Esporte;
•
Jogos e brincadeiras;
•
Ginástica;
16
•
Lutas;
•
Dança.
4.3.1 Esporte
Ao trabalhar o Conteúdo Estruturante esporte, os professores devem
considerar os determinantes histórico-sociais responsáveis pela constituição do
esporte ao longo dos anos, tendo em vista a possibilidade de recriação dessa
prática corporal. Portanto, nestas Diretrizes, o esporte é entendido como uma
atividade
teórico-prática
e
um
fenômeno
social
que,
em
suas
várias
manifestações e abordagens, pode ser uma ferramenta de aprendizado para o
lazer, para o aprimoramento da saúde e para integrar os sujeitos em suas
relações sociais (PARANÁ, 2008).
4.3.2 Jogos e Brincadeiras
Nestas Diretrizes, os jogos e as brincadeiras são pensados de maneira
complementar, mesmo cada um apresentando as suas especificidades. Como
Conteúdo Estruturante, ambos compõem um conjunto de possibilidades que
ampliam a percepção e a interpretação da realidade. No caso do jogo, ao
respeitarem seus combinados, os alunos aprendem a se mover entre a liberdade
e os limites, os próprios e os estabelecidos pelo grupo. Além de seu aspecto
lúdico, o jogo pode servir de conteúdo para que o professor discuta as
possibilidade de flexibilização das regras e da organização coletiva. As aulas de
Educação Física podem contemplar variadas estratégias de jogo, sem a
subordinação de um sujeito a outros. É interessante reconhecer as formas
particulares que os jogos e as brincadeiras tomam em distintos contextos
17
históricos, de modo que cabe à escola valorizar pedagogicamente as culturas
locais e regionais que identificam determinada sociedade (PARANÁ, 2008).
4.3.3 Ginástica
Nestas Diretrizes Curriculares, entende-se que a ginástica deve dar
condições ao aluno de reconhecer as possibilidades de seu corpo. O objeto de
ensino desse conteúdo deve ser as diferentes formas de representação das
ginásticas. Espera-se que os alunos tenham subsídios para questionar os
padrões estéticos, a busca exacerbada pelo culto ao corpo e aos exercícios
físicos, bem como os modismos que atualmente se fazem presentes nas diversas
práticas corporais, inclusive na ginástica. Ampliando esse olhar, é importante
entender que a ginástica compreende uma gama de possibilidades, desde a
ginástica imitativa de animais, as práticas corporais circenses, a ginástica geral,
até as esportivizadas: artística e rítmica. Contudo, sem negar o aprendizado
técnico, o professor deve possibilitar a vivência e o aprendizado de outras formas
de movimento (PARANÁ, 2008).
Por meio da ginástica, o professor poderá organizar a aula de maneira
que os alunos se movimentem, descubram e reconheçam as possibilidades e
limites do próprio corpo. Com efeito, trata-se de um processo pedagógico que
propicia a interação, o conhecimento, a partilha de experiências e contribui para
ampliar as possibilidades de significação e representação do movimento
(PARANÁ, 2008).
18
4.3.4 Lutas
Da mesma forma que os demais Conteúdos Estruturantes, as lutas devem fazer parte do contexto escolar, pois se constituem das mais variadas formas
de conhecimento da cultura humana, historicamente produzidas e repletas de
simbologias. Ao abordar esse conteúdo, deve-se valorizar conhecimentos que
permitam identificar valores culturais, conforme o tempo e o lugar onde as lutas
foram ou são praticadas.
As lutas, assim como os demais conteúdos, devem ser abordadas de
maneira reflexiva, direcionada a propósitos mais abrangentes do que somente
desenvolver capacidades e potencialidades físicas. Dessa forma, os alunos
precisam perceber e vivenciar essa manifestação corporal de maneira crítica e
consciente, procurando, sempre que possível, estabelecer relações com a
sociedade em que vivem. A partir desse conhecimento proporcionado na escola,
o aluno pode, numa atitude autônoma, decidir pela sua prática ou não fora do
ambiente escolar (PARANÁ, 2008).
4.3.5 Dança
O professor, ao trabalhar com a dança no espaço escolar, deve tratá-la de
maneira especial, considerando-a conteúdo responsável por apresentar as
possibilidades de superação dos limites e das diferenças corporais.
A dança é a manifestação da cultura corporal responsável por tratar o
corpo e suas expressões artísticas, estéticas, sensuais, criativas e técnicas que
se concretizam em diferentes práticas, como nas danças típicas (nacionais e
regionais), danças folclóricas, danças de rua, danças clássicas, dentre outras.
Em situações que houver oportunidade de teorizar acerca da dança, o
professor poderá aprofundar com os alunos uma consciência crítica e reflexiva
19
sobre seus significados, criando situações em que a representação simbólica,
peculiar a cada modalidade de dança, seja contemplada.
A dança pode se constituir numa rica experiência corporal, a qual
possibilita compreender o contexto em que estamos inseridos. É a partir das
experiências vividas na escola que temos a oportunidade de questionar e intervir,
podendo superar os modelos pré-estabelecidos, ampliando a sensibilidade no
modo de perceber o mundo (SARAIVA, 2005)
Alguns assuntos podem ser discutidos com os alunos, como o uso
exacerbado da técnica, mostrando que a dança pode ser realizada por qualquer
pessoa independentemente dos seus limites. A dança é uma forma de libertação
do ser e promove a expressão de movimentos (PARANÁ, 2008).
É importante que o professor reconheça que a dança se constitui como
elemento significativo da disciplina de Educação Física no espaço escolar, pois
contribui para desenvolver a criatividade, a sensibilidade, a expressão corporal, a
cooperação, entre outros aspectos. Além disso, ela é de fundamental importância
para refletirmos criticamente sobre a realidade que nos cerca, contrapondo-se ao
senso comum (PARANÁ, 2008).
3ª Atividade
Neste momento após a as inserções de estudo será aplicado o questionário, agora como pós-intervenção, com o objetivo de verificarmos se a partir dos
estudos realizados em grupo, os participantes mudam ou não sua forma de pensar e atuar a partir das Diretrizes Curriculares.
20
REFERÊNCIAS
COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino da educação física. São
Paulo: Cortez, 1992.
ESCOBAR, M. O. Cultura corporal na escola: tarefas da educação física. In: Revista Motrivivência, n. 08, Florianópolis: Ijuí, 1995, p. 91-100.
PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Diretrizes Curriculares de Educação Física para os anos finais do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio. Curitiba: 2008.
PEREIRA NETTO, Nilo Silva. Contribuições crítico-superadoras para superação dos mecanismos deheterossexismo na Educação Física escolar.
DEF/UFPR. Monografia de especialização (Especialização em Educação Física
Escolar). Curitiba, 2006.
PISTRAK, M. Fundamentos da escola do trabalho. São Paulo: Expressão popular, 2000.
SARAIVA, M. do C. et. al. Dança e seus elementos constituintes: uma experiência contemporânea In: SILVA, A. M.; DAMIANI, I. R. (Org.). Práticas Corporais: Gênese de um Movimento Investigativo em Educação Física. 1 ed., v. 03,
Florianópolis: Nauemblu Ciência & Arte, 2005, p. 114-133.
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