GOVERNO DE ESTADO DE EDUCAÇÃO SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO – SEED SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO – SUED UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA – UEL PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL – PDE MARIA CRISTINA JORGE DE LA VEGA UNIDADE DIDÁTICA PROPOSTA DE COMPREENSÃO DE CURRÍCULO E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR LONDRINA 2011 GOVERNO DE ESTADO DE EDUCAÇÃO SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO – SEED SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO – SUED UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA – UEL PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL – PDE MARIA CRISTINA JORGE DE LA VEGA UNIDADE DIDÁTICA PROPOSTA DE COMPREENSÃO DE CURRÍCULO E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR Trabalho Professora PDE-2010 Orientador IES: Juliana Bayeux Dascal LONDRINA 2011 SUMÁRIO 1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO ................................................................................3 2 APRESENTAÇÃO ..................................................................................................4 3 ATIVIDADES ...........................................................................................................5 4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ...........................................................................9 4.1 DIRETRIZES CURRICULARES , BREVE REFERENCIAL TEÓRICO .............................9 4.2 ELEMENTOS ARTICULADORES DOS CONTEÚDOS ESTRUTURANTES PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA ..............................................................................................12 4.3 CONTEÚDOS ESTRUTURANTES ..............................................................................13 4.3.1 Esporte .............................................................................................................15 4.3.2 Jogos e Brincadeiras ......................................................................................15 4.3.3 Ginástica ..........................................................................................................16 4.3.4 Lutas .................................................................................................................17 4.3.5 Dança ................................................................................................................17 REFERÊNCIAS ..........................................................................................................19 3 1 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Título: Proposta de compreensão de currículo e organização do trabalho pedagógico na educação física escolar Autora Maria Cristina Jorge De La Vega Escola de Atuação Colégio Estadual Benedita Rosa Rezende – Ensino Fundamental e Ensino Médio. Município da escola Londrina Núcleo Regional de Educação Londrina Orientador Juliana Bayeux Dascal Instituição de Ensino Superior UEL – Universidade Estadual de Londrina Disciplina/Área (entrada no PDE) Educação Física Produção Didático-pedagógica Unidade Didática Relação Interdisciplinar Público Alvo Professores de Educação Física de Londrina Localização Colégio Estadual Benedita Rosa Rezende – Ensino Fundamental e Ensino Médio. Apresentação: Trata-se de uma produção didática da disciplina de Educação Física, destinada a professores e, tem como objetivo principal contribuir para a reflexão e discussão sobre o que os alunos precisam aprender em cada uma das áreas de conhecimento e possibilitar o acesso a subsídios teóricos e práticos que possam colaborar na busca da construção de procedimentos eficazes que contribuam para seu desenvolvimento profissional. Palavras-chave Currículo e organização pedagógica 4 5 2 APRESENTAÇÃO Esta unidade didática está em andamento como parte do programa de metas estipuladas pelo Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) da Secretaria de Estado da Educação do Estado do Paraná (SEED). Trata-se de uma produção didática da disciplina de Educação Física, destinada a professores do quadro próprio do magistério do Paraná especificamente de Londrina, com até dez (10) anos de magistério e de dez (10) a vinte (20) anos de magistério e, tem como objetivo principal contribuir para a reflexão e discussão sobre o que os alunos precisam aprender em cada uma das áreas de conhecimento e possibilitar o acesso a subsídios teóricos e práticos que possam colaborar na busca da construção de procedimentos eficazes que contribuam para seu desenvolvimento profissional. Neste trabalho serão abordados os conteúdos considerados estruturantes e que estão devidamente sistematizados pelas Diretrizes Curriculares da Educação Básica do Estado do Paraná para a Educação Física. 6 3 ATIVIDADES Objetivo: A Secretaria de Estado de Educação do Estado do Paraná discutiu e reformulou as Diretrizes Curriculares de Educação Física durante certo período de trabalho. No segundo semestre de 2003 a SEED/PR debruçou-se sobre a tarefa de reorientar as Diretrizes Curriculares de Educação Física – parte de um processo maior de (re) construção curricular geral. Desde então, foram realizados encontros estaduais nos quais as professoras e os professores tiveram a oportunidade – depois de um longo período – de contribuir com suas reflexões na construção dos documentos oficiais. Desses encontros foram organizados os dados que serviram de base para um texto preliminar a ser discutido e corrigido pela Secretaria em conjunto com seus assessores e a categoria docente (PEREIRA NETTO, 2006). Após uma primeira versão que separava o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, estabelecendo como concepções a Corporalidade e a Cultura Corporal respectivamente, no ano de 2008 as Diretrizes foram concluídas, e apresentaram uma alteração significativa em relação à anterior, uma vez que une todos os níveis de ensino sob uma mesma perspectiva teórica, a Cultura Corporal (PARANÁ, 2008). A partir de então, toda elaboração de material didático feita pela SEED/PR passou a ser orientada a partir desta perspectiva. A adoção desta perspectiva de forma explícita nos materiais didáticos fez com que o professorado repensasse sua prática docente, que apesar de já conter alguns sinais de mudanças em relação àquela Educação Física criticada pelos autores da década de 80, ainda não contava com uma sistematização “oficial” via Secretaria de Educação (PARANÁ, 2008). Sendo assim, pretende-se investigar o quanto as Diretrizes Curriculares são utilizadas pelos professores para estabelecer seus conteúdos e guiar suas ações educacionais. 7 1ª Atividade No primeiro momento será trabalhado com os grupos um questionário (pré – intervenção), no qual será analisado se as Diretrizes Curriculares são contempladas na Organização pedagógica e, caso negativo, quais as dificuldades e angustias dos professores em relação a este aspecto. Questionário pré-intervenção 1-Escreva o que você entende por currículo. 2- Você tem conhecimento das Diretrizes ( ) sim ( ) não ( ) em partes Curriculares da Educação Física? Quais são elas? Descreva aqui seu conhecimento sobre as Diretrizes Curriculares da Educação Física: 3- De acordo com seus conhecimentos ( ) sim sobre as Diretrizes Curriculares, ( ) não ( ) em partes ( ) não ( ) em partes você considera que as mesmas contemplam os conteúdos necessários a cada série? Por quê? Justifique: 4- Você faz sua organização pedagógica de ( ) sim acordo com as Diretrizes Curriculares de Educação Física? Descreva o seu procedimento. 8 5– Você encontra dificuldades para colocar ( ) sim ( ) não 6- Você considera que haja algum conteúdo ( ) sim ( ) não ( ) em partes em prática as Diretrizes Curriculares de Educação Física? Se sim, quais são elas? Justifique que deixa de ser contemplado nas Diretrizes Curriculares? Descreva-os justificando sua resposta. 7- Descreva aqui sugestões que considera necessárias para melhor utilização das Diretrizes Curriculares de Educação Física. 8 - Qual o tempo de serviço que você tem como professor(a) da SEED? 9 2ª Atividade Em um segundo momento da implementação deste projeto será realizada uma inserção de estudos com o grupo professores que atual há mais de mais de dez (10) anos de magistérios do Núcleo Regional de Londrina sobre as Diretrizes Curriculares. 10 4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 4.1 DIRETRIZES CURRICULARES , BREVE REFERENCIAL TEÓRICO De acordo com as Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná, propõe-se que a Educação Física deve estar fundamentada nas reflexões sobre as necessidades atuais de ensino perante os alunos, na superação de contradições e na valorização da educação. Por isso, é de fundamental importância considerar os contextos e experiências de diferentes regiões, escolas, professores, alunos e da comunidade a fim de que estes pressupostos sejam alcançados (PARANÁ, 2008). A disciplina Educação Física pode e deve ser trabalhada em interlocução com outras disciplinas que permitam entender a Cultura Corporal em sua complexidade, ou seja, a relação com as múltiplas dimensões da vida humana, tratadas tanto pelas ciências humanas, sociais, da saúde e da natureza (PARANÁ, 2008). A Educação Física é parte do projeto geral de escolarização e, como tal, deve estar articulada ao projeto político-pedagógico, pois tem seu objeto de estudo e ensino próprios, e trata de conhecimentos relevantes na escola (PARANÁ, 2008). Se a atuação do professor efetiva-se na quadra, assim como em outros lugares do ambiente escolar e em diferentes tempos pedagógicos, seu compromisso, tal como de todos os professores, também está pautado a partir do projeto de escolarização ali instituído, sempre em favor da formação humana. Esses pressupostos se expressam no trato com os conteúdos específicos, tendo como objetivo formar a atitude crítica perante a Cultura Corporal, exigindo domínio do conhecimento e a possibilidade de sua construção a partir da escola (PARANÁ, 2008). 11 Sendo assim, busca-se superar formas anteriores de concepção e atuação na escola pública, visto que a superação é entendida como ir além, não como negação do que precedeu, mas sim considerada objeto de análise, de crítica, de reorientação e/ou transformação daquelas formas. Nesse sentido, procura-se possibilitar aos alunos o acesso ao conhecimento produzido pela humanidade, relacionando-o às práticas corporais, ao contexto histórico, político, econômico e social (PARANÁ, 2008). Isso representa uma mudança na forma de pensar o tratamento teóricometodológico dado às aulas de Educação Física. Significa, ainda, repensar a noção de corpo e de movimento historicamente dicotomizados pelas ciências positivistas, isto é, ir além da ideia de que o movimento é predominantemente um comportamento motor, visto que também é histórico e social (PARANÁ, 2008). Pensar a Educação Física a partir de uma mudança significa analisar a insuficiência do atual modelo de ensino, que muitas vezes não contempla a enorme riqueza das manifestações corporais produzidas socialmente pelos diferentes grupos humanos. Isto pressupõe criticar o trabalho pedagógico, os objetivos e a avaliação, o trato com o conhecimento, os espaços e tempos escolares da Educação Física. Além disso, significa reconhecer a gênese da cultura corporal, que reside na atividade humana para garantir a existência da espécie. Destacam-se daí os elementos lúdicos e agonísticos que, sistematizados, estão presentes na escola como conteúdos de ensino (PARANÁ, 2008). A gênese da cultura corporal, referida acima, está relacionada à vida em sociedade, desenvolvendo-se, inicialmente, nas relações Homem-Natureza e Homem-Homem, isto é, pelas relações para a produção de bens e pelas relações de troca. Para garantir sua sobrevivência, reprodução e povoamento do Planeta, a humanidade necessitou conhecer a natureza, conquistar diferentes espaços, ocupando-os e explorando-os em sua diversidade de fauna, flora e relevo. Nas relações com a natureza e com o grupo social de pertencimento, por meio do trabalho, os seres humanos desenvolveram habilidades, aptidões físicas e estratégias de organização, fundamentais para superar obstáculos e garantir a 12 sobrevivência. Inicialmente, correr, saltar, rastejar, erguer e carregar peso eram habilidades essenciais para abater uma caça e transportá-la para “casa”, escapar de uma perseguição, alcançar lugares onde os frutos fossem abundantes (PARANÁ, 2008). Outras manifestações corporais e culturais se concretizavam em celebrações dos frutos do trabalho. As danças comemorativas das colheitas, danças de guerra, danças religiosas, dentre outras, são exemplos disso (PARANÁ, 2008). O trabalho é, então, constitutivo da experiência humana, concomitante com a materialidade corporal e como ato humano, social e histórico, assumindo, ao longo da história da humanidade, duplo caráter. Se por um lado, ele é fundamental para a existência humana e nós dependemos dele, por outro, na sociedade capitalista, ocorre um processo de estranhamento, no qual não nos reconhecemos no produto do nosso trabalho. Para manter este segundo caráter – de trabalho alienado – são necessários mecanismos e mediações referentes à disciplina corporal para atender aos interesses do modo como o capital organiza a vida em sociedade (PARANÁ, 2008). Nesse sentido, propõe-se a discussão a respeito da disciplina de Educação Física, levando-se em conta que o trabalho é categoria fundante da relação ser humano/natureza e ser humano/ser humano, pois dá sentido à existência humana e à materialidade corporal que constitui “um acervo de atividades comunicativas com significados e sentidos lúdicos, estéticos, artísticos, místicos, antagonistas” (ESCOBAR, 1995, p. 93). Dessa forma, a materialidade corporal se constitui num longo caminho, de milhares de anos, no qual o ser humano construiu suas formas de relação com a natureza, dentre elas as práticas corporais. Compreender a Educação Física sob um contexto mais amplo significa entender que ela é composta por interações que se estabelecem nas relações sociais, políticas, econômicas e culturais dos povos. É partindo dessa posição que estas Diretrizes apontam a Cultura Corporal como objeto de estudo e ensino da Educação Física, evidenciando a relação estreita entre a formação histórica do ser humano por meio do trabalho e as práticas corporais decorrentes. A ação pedagógica da Educação Física deve 13 estimular a reflexão sobre o acervo de formas e representações do mundo que o ser humano tem produzido, exteriorizadas pela expressão corporal em jogos e brincadeiras, danças, lutas, ginásticas e esportes. Essas expressões podem ser identificadas como formas de representação simbólica de realidades vividas pelo homem (COLETIVO DE AUTORES, 1992) 4.2 ELEMENTOS ARTICULADORES DOS CONTEÚDOS ESTRUTURANTES PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA Visando romper com a maneira tradicional como os conteúdos têm sido tratados na Educação Física, faz-se necessário integrar e interligar as práticas corporais de forma mais reflexiva e contextualizada, o que é possível por meio dos Elementos Articuladores (PARANÁ, 2008). A proposta dos Elementos Articuladores se aproxima daquilo que Pistrak (2000) denomina por Sistema de Complexos Temáticos, isto é, aquilo que permite ampliar o conhecimento da realidade estabelecendo relações e nexos entre os fenômenos sociais e culturais. A organização do trabalho pedagógico através de um sistema de complexo temático garante uma compreensão da realidade atual de acordo com o método dialético pelo qual se estudam os fenômenos ou temas articulados entre si e com nexos com a realidade atual mais geral, numa interdependência transformadora. O complexo, segundo Pistrak (2000), deve estar embasado no plano social, permitindo aos estudantes, além da percepção crítica real, uma intervenção ativa na sociedade, com seus problemas, interesses, objetivos e ideais (PARANÁ 2008, p. 53). Tais elementos não podem ser entendidos como conteúdos paralelos, nem tampouco trabalhados apenas teoricamente e/ou de maneira isolada. Os conteúdos articuladores podem transformar o ensino da Educação Física na escola, respondendo aos desafios anteriormente descritos (PARANÁ, 2008). Neste sentido, as Diretrizes Curriculares propõem os seguintes elementos articuladores: • Cultura Corporal e Corpo; 14 • Cultura Corporal e Ludicidade; • Cultura Corporal e Saúde; • Cultura Corporal e Mundo do Trabalho; • Cultura Corporal e Desportivização; • Cultura Corporal – Técnica e Tática; • Cultura Corporal e Lazer; • Cultura Corporal e Diversidade; • Cultura Corporal e Mídia. Os elementos articuladores alargam a compreensão das práticas corporais e indicam múltiplas possibilidades de intervenção pedagógica em situações que surgem no cotidiano escolar. São, ao mesmo tempo, fins e meios do processo de ensino/aprendizagem, pois devem transitar pelos Conteúdos Estruturantes e específicos de modo a articulá-los o tempo todo (PARANÁ, 2008). 4.3 CONTEÚDOS ESTRUTURANTES De acordo com as Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná, os Conteúdos Estruturantes foram definidos como os conhecimentos de grande amplitude, conceitos ou práticas que identificam e organizam os campos de estudos de uma disciplina escolar, considerados fundamentais para compreender seu objeto de estudo/ensino. Constituem-se historicamente e são legitimados nas relações sociais (PARANÁ, 2008). Os Conteúdos Estruturantes da Educação Física para a Educação Básica devem ser abordados em complexidade crescente, 15 “Abordar os Conteúdos Estruturantes em complexidade crescente significa romper com a visão etapista de conhecimento, cuja exposição de conteúdos pauta-se em pré-requisitos. Exemplo dessa visão pode ser observado nos esportes, por exemplo, quando se acredita que o aluno necessita primeiramente conhecer as regras, para posteriormente vivenciá-las na prática. Essa forma de abordagem evidencia-se destinar para a quinta e sexta séries a vivência de diversos jogos pré-desportivos e, para a sétima e oitava séries, o reconhecimento das regras de diferentes modalidades esportivas. Na compreensão de abordagem crescente de complexidade, esses assuntos não são vistos separadamente. Desde a quinta série o aluno terá contato com regras e jogos pré-esportivos e esportivos, sendo o enfoque diferenciado para cada série, de acordo com sua capacidade de abstração. Logo, na quinta e sexta séries, o aluno terá cond ições de vivenciar regras gerais de determinado esporte, aprofundando isso na sétima e oitava, por meio de competições e festivais esportivos” (PARANÁ 2008, p. 62). Isto porque, em cada um dos níveis de ensino os alunos trazem consigo múltiplas experiências relativas ao conhecimento sistematizado, que devem ser consideradas no processo de ensino/aprendizagem (PARANÁ, 2008). A Educação Física e seu objeto de ensino/estudo, a Cultura Corporal, deve, ainda, ampliar a dimensão meramente motriz. Para isso, pode-se enriquecer os conteúdos com experiências corporais das mais diferentes culturas, priorizando as particularidades de cada comunidade (PARANÁ, 2008). A seguir, cada um dos Conteúdos Estruturantes será tratado sob uma abordagem que contempla os fundamentos da disciplina, em articulação com aspectos políticos, históricos, sociais, econômicos, culturais, bem como elementos da subjetividade representados na valorização do trabalho coletivo, na convivência com as diferenças, na formação social crítica e autônoma. Os Conteúdos Estruturantes propostos para a Educação Física na Educação Básica são os seguintes: • Esporte; • Jogos e brincadeiras; • Ginástica; 16 • Lutas; • Dança. 4.3.1 Esporte Ao trabalhar o Conteúdo Estruturante esporte, os professores devem considerar os determinantes histórico-sociais responsáveis pela constituição do esporte ao longo dos anos, tendo em vista a possibilidade de recriação dessa prática corporal. Portanto, nestas Diretrizes, o esporte é entendido como uma atividade teórico-prática e um fenômeno social que, em suas várias manifestações e abordagens, pode ser uma ferramenta de aprendizado para o lazer, para o aprimoramento da saúde e para integrar os sujeitos em suas relações sociais (PARANÁ, 2008). 4.3.2 Jogos e Brincadeiras Nestas Diretrizes, os jogos e as brincadeiras são pensados de maneira complementar, mesmo cada um apresentando as suas especificidades. Como Conteúdo Estruturante, ambos compõem um conjunto de possibilidades que ampliam a percepção e a interpretação da realidade. No caso do jogo, ao respeitarem seus combinados, os alunos aprendem a se mover entre a liberdade e os limites, os próprios e os estabelecidos pelo grupo. Além de seu aspecto lúdico, o jogo pode servir de conteúdo para que o professor discuta as possibilidade de flexibilização das regras e da organização coletiva. As aulas de Educação Física podem contemplar variadas estratégias de jogo, sem a subordinação de um sujeito a outros. É interessante reconhecer as formas particulares que os jogos e as brincadeiras tomam em distintos contextos 17 históricos, de modo que cabe à escola valorizar pedagogicamente as culturas locais e regionais que identificam determinada sociedade (PARANÁ, 2008). 4.3.3 Ginástica Nestas Diretrizes Curriculares, entende-se que a ginástica deve dar condições ao aluno de reconhecer as possibilidades de seu corpo. O objeto de ensino desse conteúdo deve ser as diferentes formas de representação das ginásticas. Espera-se que os alunos tenham subsídios para questionar os padrões estéticos, a busca exacerbada pelo culto ao corpo e aos exercícios físicos, bem como os modismos que atualmente se fazem presentes nas diversas práticas corporais, inclusive na ginástica. Ampliando esse olhar, é importante entender que a ginástica compreende uma gama de possibilidades, desde a ginástica imitativa de animais, as práticas corporais circenses, a ginástica geral, até as esportivizadas: artística e rítmica. Contudo, sem negar o aprendizado técnico, o professor deve possibilitar a vivência e o aprendizado de outras formas de movimento (PARANÁ, 2008). Por meio da ginástica, o professor poderá organizar a aula de maneira que os alunos se movimentem, descubram e reconheçam as possibilidades e limites do próprio corpo. Com efeito, trata-se de um processo pedagógico que propicia a interação, o conhecimento, a partilha de experiências e contribui para ampliar as possibilidades de significação e representação do movimento (PARANÁ, 2008). 18 4.3.4 Lutas Da mesma forma que os demais Conteúdos Estruturantes, as lutas devem fazer parte do contexto escolar, pois se constituem das mais variadas formas de conhecimento da cultura humana, historicamente produzidas e repletas de simbologias. Ao abordar esse conteúdo, deve-se valorizar conhecimentos que permitam identificar valores culturais, conforme o tempo e o lugar onde as lutas foram ou são praticadas. As lutas, assim como os demais conteúdos, devem ser abordadas de maneira reflexiva, direcionada a propósitos mais abrangentes do que somente desenvolver capacidades e potencialidades físicas. Dessa forma, os alunos precisam perceber e vivenciar essa manifestação corporal de maneira crítica e consciente, procurando, sempre que possível, estabelecer relações com a sociedade em que vivem. A partir desse conhecimento proporcionado na escola, o aluno pode, numa atitude autônoma, decidir pela sua prática ou não fora do ambiente escolar (PARANÁ, 2008). 4.3.5 Dança O professor, ao trabalhar com a dança no espaço escolar, deve tratá-la de maneira especial, considerando-a conteúdo responsável por apresentar as possibilidades de superação dos limites e das diferenças corporais. A dança é a manifestação da cultura corporal responsável por tratar o corpo e suas expressões artísticas, estéticas, sensuais, criativas e técnicas que se concretizam em diferentes práticas, como nas danças típicas (nacionais e regionais), danças folclóricas, danças de rua, danças clássicas, dentre outras. Em situações que houver oportunidade de teorizar acerca da dança, o professor poderá aprofundar com os alunos uma consciência crítica e reflexiva 19 sobre seus significados, criando situações em que a representação simbólica, peculiar a cada modalidade de dança, seja contemplada. A dança pode se constituir numa rica experiência corporal, a qual possibilita compreender o contexto em que estamos inseridos. É a partir das experiências vividas na escola que temos a oportunidade de questionar e intervir, podendo superar os modelos pré-estabelecidos, ampliando a sensibilidade no modo de perceber o mundo (SARAIVA, 2005) Alguns assuntos podem ser discutidos com os alunos, como o uso exacerbado da técnica, mostrando que a dança pode ser realizada por qualquer pessoa independentemente dos seus limites. A dança é uma forma de libertação do ser e promove a expressão de movimentos (PARANÁ, 2008). É importante que o professor reconheça que a dança se constitui como elemento significativo da disciplina de Educação Física no espaço escolar, pois contribui para desenvolver a criatividade, a sensibilidade, a expressão corporal, a cooperação, entre outros aspectos. Além disso, ela é de fundamental importância para refletirmos criticamente sobre a realidade que nos cerca, contrapondo-se ao senso comum (PARANÁ, 2008). 3ª Atividade Neste momento após a as inserções de estudo será aplicado o questionário, agora como pós-intervenção, com o objetivo de verificarmos se a partir dos estudos realizados em grupo, os participantes mudam ou não sua forma de pensar e atuar a partir das Diretrizes Curriculares. 20 REFERÊNCIAS COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino da educação física. São Paulo: Cortez, 1992. ESCOBAR, M. O. Cultura corporal na escola: tarefas da educação física. In: Revista Motrivivência, n. 08, Florianópolis: Ijuí, 1995, p. 91-100. PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Diretrizes Curriculares de Educação Física para os anos finais do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio. Curitiba: 2008. PEREIRA NETTO, Nilo Silva. Contribuições crítico-superadoras para superação dos mecanismos deheterossexismo na Educação Física escolar. DEF/UFPR. Monografia de especialização (Especialização em Educação Física Escolar). Curitiba, 2006. PISTRAK, M. Fundamentos da escola do trabalho. São Paulo: Expressão popular, 2000. SARAIVA, M. do C. et. al. Dança e seus elementos constituintes: uma experiência contemporânea In: SILVA, A. M.; DAMIANI, I. R. (Org.). Práticas Corporais: Gênese de um Movimento Investigativo em Educação Física. 1 ed., v. 03, Florianópolis: Nauemblu Ciência & Arte, 2005, p. 114-133.