EDUCAÇÃO DO CAMPO E ORGANIZAÇÕES SOCIAIS INDÍGENAS NO ESTADO DE PERNAMBUCO: diálogo intercultural como possibilidade para uma educação identitária e emancipatória Maria Guadalupe de Araujo Silva UFPE-CAA [email protected] Nívea Roberta Moraes Barbosa Lemos UFPE-CAA [email protected] Resumo Este artigo tem como objetivo apresentar reflexões acerca da educação do campo dos povos indígenas, suas organizações sociais, e da educação intercultural como elo de diálogos entre os sujeitos sociais, diálogo este revestido de conhecimento, respeito, sensibilidade e subjetividade. Sendo este o resultado do trabalho de monitoria realizado por nós estudantes do 7° período do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco - Campus Agreste no módulo “Movimentos Sociais, Lutas e Organizações Indígenas” do Curso de Licenciatura Intercultural da mesma instituição, que ocorreu nos dias 13 a 16 de setembro de 2010, onde estavam presentes os seguintes povos de Pernambuco: Xukuru, Kambiwá, Truká, Tuxá, Pankará, Pankararú, Kapinawá, Fulni-ô, Atikum, as docentes responsáveis pelas aulas foram às professoras doutoras Allene Lage, Ana Maria de Barros e Fátima Aparecida da Silva. A partir desta experiência sistematizamos a concepção dos professores indígenas sobre educação do campo, educação intercultural e suas organizações sociais, seus objetivos, e dimensão educativa da mesma. Diante disto desenvolvemos uma pesquisa qualitativa, com estudo de caso, entrevistas semi- estruturadas, observação participante onde buscamos identificar as organizações sociais indígenas em prol da educação que se identifique com a identidade, cultura para compreender a Educação do Campo como construção de um paradigma de solidariedade e espaço intercultural. Buscando trazer com este estudo contribuições para o contexto atual da educação brasileira. Palavras-Chaves: Educação do Campo, Educação Indígena e Organizações Sociais. Introdução Diante dos vários fatos históricos que apontam a educação para o trabalhador, como manipulada pelas classes dominantes que reproduzem as desigualdades sociais, que não respeitam a diversidade e as identidades e que não possibilitam uma educação crítica e reflexiva para os sujeitos subalternos. Face a isto inserimos o debate da Educação do Campo e dos povos indígenas, onde o Estado deixou uma herança de atraso e desrespeito pela cultura e identidade dos sujeitos destas culturas. É no cenário da redemocratização do país após ditadura militar em meados de 1980 que as organizações civis, especialmente as ligadas a educação popular colocaram em pauta a luta pela Educação do Campo com o propósito do respeito às particularidades culturais, o próprio modo de viver dos camponeses. Sendo o campo lugar de luta, resistência e interesses coletivos, lutas políticas e educacionais. Nas Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, é possível descrever quais povos incorporam o campo como seu modo de viver e ser na sociedade, segundo as quais: A educação do campo, tratada como educação rural na legislação brasileira, tem um significado que incorpora os espaços da floresta, da pecuária, das minas e da agricultura, mas os ultrapassa ao acolher em si os espaços pesqueiros, caiçaras, ribeirinhos e extrativistas. O campo, nesse sentido, mais do que um perímetro não urbano, é um campo de possibilidades que dinamizam a ligação dos seres humanos com a própria produção das condições da existência social e com as realizações da sociedade humana. (ARROYO; CALDART; MOLINA, 2004, p. 176). O movimento “Por uma Educação do Campo” traz contribuições sobre as atividades político-pedagógicas relacionadas ao processo de definir orientações curriculares para as escolas do campo. Com o intuito de relacionarmos a Educação do Campo à Educação Indígena por acreditarmos serem indissociáveis, pois ambas apresentam uma dimensão territorial, cultural, identitária e étnica ligadas ao contexto do campo como lugar-local-território de existência e realizações humanas e a luta para a preservação de sua identidade que reconheça as especificidades dos sujeitos e o sentimento de pertença deste na sociedade. Mediante a isto este relato de experiência pretende oferecer reflexões para a seguinte pergunta: o que é educação na perspectiva indígena qual a sua intencionalidade? Tendo como objetivos: compreender e identificar a principal função das organizações sociais indígenas em prol da educação indígena no e do campo a partir das concepções dos professores indígenas cursistas da Licenciatura Intercultural da UFPE-CAA. Educação do campo e educação indígena Ao longo da história das lutas do movimento e organizações indígenas além da demarcação de suas terras, acesso a saúde de qualidade está em questão à educação, educação esta que se identifique com a realidade indígena, sua historicidade e identidade, uma educação no e do campo. A instituição escolar nas comunidades indígenas foi uma imposição do Estado, de início de ordem dos preceitos religiosos, sendo esta constituída de autoritarismo e desrespeito pelo universo cultural social dos indígenas, foi através de lutas do movimento indígena que não somente luta por demarcações de suas terras mais por uma educação de qualidade do e no campo. Onde pontua Caldart (2004) que: Uma escola do Campo não é final, um tipo diferente de escola, mas sim é a escola reconhecendo e ajudando a fortalecer os povos do campo como sujeitos sociais que também podem ajudar no processo de humanização do conjunto da sociedade, com suas lutas, sua história, seu trabalho, seus saberes, sua cultura, seu jeito. (CALDART, 2004:110). O campo é compreendido a partir do conceito de territorialidade é o lugar marcado pelo humano e pela diversidade cultural, étnico-racial, pela multiplicidade de geração e recriação de saberes, de conhecimentos que são organizados com lógicas de diferentes, de lutas, de mobilização social, de estratégias de sustentabilidade. É espaço emancipatório, quando associado à construção da democracia e de solidariedade de lutas pelo direito, à educação, à saúde, à organização da produção e pela preservação da vida. Assim, o desenvolvimento humano e o fortalecimento do capital social, por meio dos vínculos sociais, culturais e de relações de pertencimento a um determinado lugar como um espaço vivido, são imprescindíveis para o desenvolvimento territorial. (BRASIL, 2008: 40). Uma educação que reconheça a especificidade de seus sujeitos se configura também por um exercício da cidadania que a partir do contexto educacional é elemento essencial para a construção de uma sociedade mais democrática, este não foi dado de maneira sutil. Acerca desta discussão Paulo Freire nos diz que “A democracia demanda estruturas democratizantes e não estruturas inibidoras da presença participativa da sociedade civil no comando da res-publica” (FREIRE,2001:38 ). Para Freire, possibilitar o acesso e a participação dos atores sociais é democratizar o poder. Sendo assim, a escola torna-se um destes espaços para uma discussão teórica acerca do poder dentro da estrutura brasileira de democracia, como também propiciar o exercício da democracia pela experiência intercultural, pois segundo Santos “entre liberdade e igualdade é possível definir critérios de justiça social, de redistribuição e de solidariedade” (SANTOS, 1999: 86). Educação intercultural e educação indígena A compreensão do termo educação intercultural se faz necessário para o aprofundamento teórico deste trabalho e para isto utilizaremos o conceito de educação intercultural de Vieira (1999) que diz: Quando utilizo o conceito de intercultural, faço-o justamente a partir do momento em que há uma preocupação de comunicação entre os indivíduos portadores de diferentes culturas. Para isso, há que se pensar numa educação para o plural, o que implica reestruturar o sistema de atitudes que em cada um de nós é responsável pelas representações que temos dos outros. [...] (Vieira, 1999:20) De acordo com o referencial curricular nacional para as escolas indígenas, MEC, Brasília, 1998 os povos indígenas lograram ter reconhecidos na constituição brasileira e na legislação complementar, seu direito à manutenção de suas línguas e culturas e a uma educação escolar respeitosa de seus modos próprios de elaboração e transmissão de conhecimentos, com objetivos e currículos definidos por cada comunidade especifica, de acordo com seus próprios projetos. Essa educação intercultural e especifica, a ser desenvolvida em consonância com as condições sociolingüísticas locais (bilíngüe, multilíngüe,etc) como educação diferenciada onde afirma Ferreira e Silva(2001): Que a escolha pelo termo refere-se ao fato de que os membros das etnias indígenas são reconhecidos como cidadãos brasileiros, mas, assim como segmentos étnica, identitária e culturalmente diferenciados da população do país, tem reconhecido seu direito a ser eles mesmos em suas especificidades. (FERREIRA e SILVA,2001:10). Diante desta realidade negligenciada e diversas lutas travadas por uma educação indígena a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece que: Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilingüe e intercultural aos povos indígenas, com os seguintes objetivos: I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências; II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas, desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. § 2º Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos Planos Nacionais de Educação, terão os seguintes objetivos: I - fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua materna de cada comunidade indígena; II - manter programas de formação de pessoal especializado, destinado à educação escolar nas comunidades indígenas; III - desenvolver currículos e programas específicos, neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades; A necessidade de uma educação que se identifique com a identidade do sujeito nos valendo novamente de Caldart (2002) que afirma: É um dos traços fundamentais que vêm desenhando a identidade deste movimento por uma educação do campo por políticas públicas que garantam o seu direito à educação, e a uma educação que seja no e do campo. No: o povo tem direito a ser educado no lugar onde vive; Do: o povo tem direito a uma educação pensada desde o lugar e com sua participação, vinculda à sua cultura e às suas necessidades humanas e sociais. (CALDART, 2002:18). A conquista por uma educação que se identifique com a história e cultura de vida dos sujeitos é conscientização e reconhecimento da educação como direito de todos, direito humano, subjetivo que visa o desenvolvimento pleno da sociedade. Face a isto a Educação do Campo deverá ser compreendida como um espaço de formação continuada, com reflexões conjunturais e elaboração de proposição que contemple todos os níveis de ensino, objetivando que se quer ver discutir no campo entendido como lugar de cultura e identidade, Souza (2008). Metodologia A partir da necessidade de apreensão e sistematização de conhecimentos diante da experiência educativa como monitora no módulo “Movimentos Sociais, Lutas e Organizações Indígenas” do Curso de Licenciatura Intercultural do Centro Acadêmico do Agreste-UFPE, optamos pela pesquisa qualitativa de modo que os nossos resultados possam contribuir para ampliar o conhecimento sobre as questões centrais deste estudo. Com o objetivo de aprimorar e solidificar a metodologia desta pesquisa tomamos alguns autores como referência, os quais reforçam e definem conceitos acima utilizados a pesquisa é segundo Gil (2008, p.26), é:[...]”o processo formal e sistemático de desenvolvimento do método cientifico . O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”.(GIL,2008:26).Em seguida é necessário falar da pesquisa qualitativa, onde Minayo (2008) afirma que “ a pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares, ou seja , ela trabalha com o universo dos significados, dos valores e das atitudes”(p.21). É importante afirmar que “o objeto das ciências sociais é essencialmente qualitativo”. (MINAYO, 2008:14). Face a isto utilizamos como instrumentos de coleta de dados: a “observação participante”, onde o pesquisador na medida em que participava como um dos protagonistas nesta ação cultural, também o sujeito pesquisador tornou-se objeto (GIL, 2008, p.103).Para o desenvolvimento deste relato de experiência utilizamos as seguintes técnicas de coleta de dados: entrevista semi-estruturada, conversas informais e observação na sala de aula. Sobre a entrevista Gil (2008, p.109) a define como: A técnica em eu o observado, o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que interessam a investigação. A entrevista é, portanto, uma forma de interação social. Mais especificamente, é uma das partes buscar coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. (GIL, 2008 p.109). Vale ressaltar que o estudo a ser utilizado neste exercício de pesquisa é o estudo de caso onde André. 1995 afirma: O estudo de caso aparece há muitos anos nos livros de metodologia da pesquisa educacional, mas dentro de uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo descritivo de uma unidade, seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula.(ANDRÉ, 1995:30). Análise e sistematização de dados Para fins desta investigação utilizaremos a técnica de Análise de conteúdo, enquanto um primeiro exercício de aproximação metodológica. A análise de conteúdo é uma técnica que trata das informações e pode ser utilizada nos vários níveis de investigação empírica tanto das diferentes ciências humanas e sociais. Segundo Vala (2001), “a finalidade de análise de conteúdo será, pois efetuar interferências, com base numa lógica explicitada, sobre as mensagens cujas características foram inventariadas e sistematizadas” (VALA, 2001:104). É necessário ressaltar que para chegar às conclusões preliminares, analisar os dados de acordo com os temas estabelecidos anteriormente e desenvolvidos durante todo o caminho percorrido neste relato de experiência. Organizações sociais indígenas, educação intercultural e educação do campo: qual a sua articulação? De acordo com Ferreira e Silva (2001): o maior movimento para a educação Intercultural e Bilingue originou-se localmente nas próprias comunidades quando buscou alternativas à educação formal, entendida como ameaça à maneira de os povos serem, pensarem e fazerem.( FERREIRA e SILVA,2001:48) Ao considerar-mos que as organizações dentro dos diversos povos contribui para a conscientização da luta por uma educação de qualidade e de acordo a sua questão identitária. Perguntarmos qual a principal função das organizações indígenas em prol da educação, aos seguintes povos: Pankararu, Atikum, Kambiwá as respostas foram às seguintes: Pankararu Lutar por uma educação especifica, diferenciada e intercultural, assegurar os direitos garantidos na Constituição Federal e na LDB, parecer 14, resolução 3. Atikum A principal função das organizações indígenas é formar guerreiros e guerreiras críticos que conheçam seus direitos e deveres e que saibam defender eles dentro e fora da comunidade. Kambiwá A principal função das organizações indígenas é formar cidadãos críticos, conscientes e conhecedores dos seus direitos e deveres, cidadãos críticos capazes de levar sua história adiante. A partir das respostas acima é perceptível que a função das organizações indígenas é lutar por uma educação intercultural, diferenciada em que os educadores e educadoras indígenas possam possibilitar aos seus educandos e educandas a socialização da sua cultura, tradição e identidade histórica por meio da interculturalidade, pois esta se preocupa com a comunicação das diferentes culturas, o educanda e educandos indígenas estudam sua cultura e a cultura dos povos não indígenas, para que assim possam fortalecer, enriquecer-se mutuamente, conservando suas identidades próprias, sua educação no e do campo e compreendendo as demais podendo criar e recriar consciência crítica face à sociedade em que estão inseridos. Os professores indígenas pernambucanos especificamente os povos Pankararu, Atikum, Kambiwá possuem suas organizações que lutam pela educação, segundo as suas falas são: Pankararu As principais organizações são: COPIPE (Comissão de Professores Indígenas de Pernambuco) Assembléias, encontrões, encontrinhos, conferencias de educação indígena. Reflexos: reivindicações dos direitos por uma educação de qualidade. Atikum As principais organizações é COPIPE (Comissão de Professores Indígenas de Pernambuco) que representa a educação, resolvendo os problemas externos e COPIA: conselho que resolve os problemas internos da educação dento do povo. Kambiwá Nós nos organizamos em vários espaços para fazermos mobilizações como: nas gerencias regionais, secretaria de educação. A reflexão é sempre alcançar os objetivos pensados pelo movimento. A função destas organizações junto às comunidades dos povos citados tem seu trabalho ancorado na perspectiva da luta e efetivação de políticas públicas que legitimem sua educação intercultural, educação no e do campo e o direito de ser índio em todas as suas dimensões para que prevaleça o sentimento de pertencimento a sua cultura, origens, tradições e identidade. Os elementos constituintes para a prática educativa seja ela no ensino convencional ou organizações afins tem como cunho a emancipação plena do sujeito a partir de instrumentos para o reconhecimento de sua cidadania. É diante deste trabalho que as organizações sociais ajudam os sujeitos na busca de suas identidades que possibilitem a sua inserção na sociedade. Podemos constatar isto nas falas dos povos que seguem abaixo quando perguntamos o que é educação na perspectiva indígena, qual sua finalidade? Pankararu Uma educação formadora de guerreiros e guerreiras críticos e reflexivos, conhecedores de seus direitos e deveres para fortalecer sua identidade étnica. Atikum 1° Conhecimento que a criança adquire antes de ir para a escola. 2° Educação escolar é onde ampliamos os conhecimentos da educação indígena e ensinamos a escrever e a ler e mostramos também as duas, realidades do índio e do não índio para que eles possam identificar desde cedo as duas realidades. Kambiwá Nós aderimos a dois tipos de educação primeiro a escolar àquela que a criança vai para a escola aprender a ler e escrever e a segunda conhecer a cultura de outros povos. Esta perspectiva aponta outro elemento a dialogicidade com a cultura indígena e não indígena. Nesta direção que encontramos a interculturalidade como ponto de mediação entre as aprendizagens construídas pelos educandos e educandas indígenas sobre sua cultura e a dos outros. Conclusão No âmbito da Licenciatura Intercultural no módulo: Movimentos Sociais, Lutas e Organizações Indígenas, e dos nossos objetivos traçados mediante ele, e ainda confrontando os dados escolhidos a partir dos sujeitos com outros que trabalham os temas aqui abordados, trataremos as conclusões preliminares deste relato de experiência, na busca de responder aos nossos objetivos, retomamos a pergunta inicial que nos levou a desenvolver este estudo, que foi: o que é educação na perspectiva indígena, qual a sua finalidade? As nossas conclusões preliminares nos levaram a compreensão de que a realidade campesina educacional ainda apresenta desvantagem em relação à educação proporcionada na zona urbana, por diversos fatores, entre eles a, matrícula, ao desempenho educacional dos educandos/as, à formação inicial e continuada de professores e profissionais educacionais específicos para a Educação do Campo e suas especificidades, como também a própria infra-estrutura física das escolas, como também o sentimento de repulsa pela identidade étnica indígena. Vale salientar que vários dispositivos legais foram alcançados por meio da luta da sociedade civil organizada, como os artigos da Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n° 9.394 de 29 de dezembro de 1996 que dão respaldo a Educação Indígena, em seus artigos 78 e 79, e para a Educação do Campo os artigos 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, também nas leis, Lei 10.172 de 2001 o Plano Nacional de Educação, a Lei 11.494 de 2007 que regulamenta o FUNDEB, em seu artigo 40, o Decreto de n° 6.755 de 2009, artigo 2, Decreto 7.352 de 2010 que regulamenta o PRONERA artigo 5, a Resolução CNE/CEB NN° 1/2002, as Diretrizes Operacionais para a Educação do Campo. Apontando-nos desta forma maior coerência, consistência e veracidade que a educação deve respeitar a diversidade cultural, lingüística, identitária e sócio-histórica, local, territorial dos povos indígenas que lutam por uma educação que valorize suas especificidades e compreendendo a educação do campo como que leva em conta as pessoas, os conhecimentos e as subjetividades que estes possuem. Os povos aqui investigados Pankararu, Atikum, Kambiwá se organizam em várias organizações como a COPIPE, COPIA, sua educação se baseia no conhecimento da cultura dos povos indígenas e não indígenas, a partir de diálogos interculturais. A Licenciatura Intercultural do Centro Acadêmico do Agreste-UFPE busca em seu módulo Movimentos Sociais, Lutas e Organizações Indígenas estabelecer uma conexão entre a realidade do povo indígena com os conhecimentos educacionais pedagógicos construídos ao longo do tempo, por meio de vários processos de lutas sociais. A luta das organizações indígenas é por uma educação que não ameace a sua cultura que valorize a autonomia dos povos, suas línguas, seu currículo, suas práticas pedagógicas o respeito pela sua história e singularidades, pois a educação em sua finalidade maior é proporcionar o desenvolvimento pleno dos sujeitos educativos, que possibilite sua inserção de forma crítica, reflexiva e autônoma na sociedade, é isto que a Educação Intercultural, Educação do Campo objetiva estabelecer diálogos entre os sujeitos sociais, diálogo este revestido de conhecimento, respeito, sensibilidade e subjetividade, desta forma podendo assim construir uma paradigma de solidariedade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonso de. Etnografia da prática escolar. Campinas, SP: Papirus, 1995. BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização. Cadernos Pedagógicos do ProJovem Campo-Saberes da Terra/Brasil. Brasília: MEC/SECAD, 2008. CALDART, R. S. 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