UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA FACULDADE DE FISIOTERAPIA CLARICE BARROS SINDER MARIANA CRISTINA PALERMO FERREIRA OPORTUNIDADES DO AMBIENTE DOMICILIAR E DESENVOLVIMENTO MOTOR DE LACTENTES ENTRE DEZ E 18 MESES DE IDADE JUIZ DE FORA 2010 UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA FACULDADE DE FISIOTERAPIA CLARICE BARROS SINDER MARIANA CRISTINA PALERMO FERREIRA OPORTUNIDADES DO AMBIENTE DOMICILIAR E DESENVOLVIMENTO MOTOR DE LACTENTES ENTRE DEZ E 18 MESES DE IDADE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora, como requisito para a obtenção da aprovação na disciplina Trabalho de Conclusão de Curso II. Área de concentração: Desenvolvimento motor típico e atípico. Orientadora: Profa. Drª. Jaqueline da Silva Frônio Co-Orientadora: Profª. Érica Cesário Defilipo JUIZ DE FORA 2010 FICHA CATALOGRÁFICA Sinder, Clarice Barros. Oportunidades do ambiente domiciliar e desenvolvimento motor de lactentes entre dez e 18 meses de idade / Clarice Barros Sinder, Mariana Cristina Palermo Ferreira. – 2010. 73 f. : il. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fisioterapia)— Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2010. 1. Crianças – crescimento. 2. Lactente. 3. Desenvolvimento infantil. I. Ferreira, Mariana Cristina Palermo. II. Título. CDU 612.65:612.7-053.31 AGRADECIMENTOS Primeiramente à Deus, pois sem Ele nada seria realizado com tanto amor e empenho. À nossa excepcional orientadora e amiga Jaqueline que nos contagiou com sua dedicação e nos fez acreditar que podíamos sempre ir mais longe. Jaqueline, você é nosso exemplo de profissional competente. A cada dia nos prova o amor pela profissão e nos faz acreditar que os sonhos podem ser realizados ultrapassando quaisquer obstáculos quando se respeita e se doa. À nossa querida e admirada co-orientadora Érica que sempre nos acompanhou e acalmou todas as nossas aflições e inseguranças. Tia Érica, você foi imprescindível na construção desta etapa tão importante na nossa vida, não nos esqueceremos nunca da sua imensa ajuda. Ao Luiz Cláudio por nos fazer entender um pouco mais o mundo dos números. Às mães dos lactentes pela confiança e por nos receber em seu domicilio e permitir que conhecêssemos o bem mais precioso que possuem. Aos lactentes pela motivação para seguir nosso trabalho com simples gestos e sorrisos. Ao Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva, pelo financiamento e organização do trabalho de campo. À toda equipe envolvida, Mayra, Rayana, Lílian, Alessandra, Daiane e, especialmente, à Pollyanny e Ana Paula por estar sempre conosco ao longo dessa árdua caminhada. E em especial a nossa família e aos nossos grandes amigos que por muitos momentos sentiram nossa ausência e mesmo assim nos encorajavam com palavras de incentivo e força. Lúcia, Marcelo, Daniel e Marcela obrigada pelo grande amor que vocês sempre me oferecem. Amo vocês. Magda, José Palermo, Gabriela e Letícia, vocês foram essenciais nesta jornada. Obrigada pela força e todo o amor. Alessandro, obrigada por entender e compreender os diversos momentos destinados ao trabalho nas horas em que deveríamos namorar. Você foi essencial nesta conquista. Te amo. Durante este trabalho... As dificuldades não foram poucas... Os desafios foram muitos... Os obstáculos, muitas vezes, pareciam intransponíveis. Agora, ao olharmos para trás, a sensação do dever cumprido se faz presente e podemos constatar que nada foi em vão. Aqui estamos, como sobreviventes de uma longa batalha, porém, muito mais fortes e hábeis, com coragem suficiente para mudar a nossa postura, apesar de todos os percalços... Como dizia Nido Qubein: “Quando um sonho é realmente importante para uma pessoa, essa pessoa encontra a forma de realizar o que no início parecia impossível”. RESUMO O desenvolvimento motor é um processo de complexas mudanças e vários fatores podem interferir na aquisição destas habilidades, sendo o ambiente domiciliar um deles. O objetivo deste estudo foi verificar se há associação entre as oportunidades de estimulação ambiental e o desenvolvimento motor de lactentes de dez a 18 meses de idade, no contexto domiciliar. A amostra foi composta por 71 lactentes, de ambos os sexos. Os responsáveis responderam ao questionário Affordance in the Home Environment for Motor Development – Infant Scale (AHEMD-IS) e o Protocolo de Identificação da Criança, para identificar as características biológicas, ambientais e socioeconômicas da família. Os lactentes foram avaliados através da Alberta Infant Motor Scale – AIMS. Para análise estatística, foram utilizados testes não paramétricos: Qui-quadrado, Exacto de Fisher, Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, considerando estatisticamente significativos valores de p<0,05 e tendências de diferenciação quando p<0,10. Foram realizadas análises de regressão univariada e multivariada para as variáveis de controle. Foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre a dimensão “espaço físico” do AHEMD-IS e o percentil exato na AIMS (p=0,029), o que não foi observado nas outras dimensões e no AHEMD-IS Total. As variáveis que indicaram associação estatisticamente significativa com a classificação na AIMS foram: número de irmãos (p=0,028); número de crianças no domicilio (p=0,009); e ordem de nascimento (p=0,008). As variáveis de controle que se mostraram significativas na interação AIMS e AHEMD-IS foram: o fato da criança frequentar creche (p=0,003), a escolaridade materna (p=0,016) e o número de crianças no domicílio (p=0,045), sendo que a variável escolaridade materna foi a única que indicou tendência de diferenciação na análise multivariada (p=0,091). Conclui-se que a associação encontrada entre a dimensão “espaço físico” do AHEMD com o desenvolvimento motor parece ser um importante aspecto influenciador do desenvolvimento infantil nesta faixa etária. Além disto, múltiplos fatores parecem influenciar desenvolvimento motor e esta interação. Palavras-Chaves: Desenvolvimento Infantil. Lactente. Ambiente. Família. o ABSTRACT The process of development includes a large number of complex changes and several factors influence the acquisition of these skills, and the home environment plays an important role in this process. The aim of this study was to verify the association between the opportunities of home environment and motor development of infants from ten to 18 months old, in their home. The sample comprised seventyone infants, for both sexes. Parents answered the questionnaire Affordance in the Home Environment for Motor Development – Infant Scale (AHEMD – IS) and the Child Identification Protocol, to identify the biological, environmental and socioeconomic family. The infants were assessed using the Alberta Infant Motor Scale - AIMS. For statistical analysis, non parametric tests were used: chi-square, Fisher Exact, Mann-Whitney and Kruskal-Wallis test, considering statistically significant values p<0.05 and trends in the differentiation of less than 0.10. In addition to regression analysis of univariate and multivariate analysis to control variables. Statistically significant difference was found between the "physical space" subscale at AHEMD and in AIMS exact percentile (p=0.029), that wasn’t observed in the others subscales and in AHEMD-IS total score. The variables that showed statistically significant association with the AIMS were number of siblings (p=0.028), number of children at home (p=0.009), and birth order (p=0.008). Those that were statistically significant with the AIMS and AHEMD-IS were: the fact the child attended kindergarten (p=0.003), maternal education (p=0.016) and number of children in the household (p=0.045), and the maternal education variable showed a trend of differentiation in the multivariate analysis (p=0.091). In summary, the association found between the "physical space" subscale and motor development seems to be an important factor influencing child development in this age group. Moreover, multiple factors seem to influence the motor development and this interaction. Key Words: Child Development. Infant. Environment. Family. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO....................................................................................... 07 2 OBJETIVOS.......................................................................................... 11 2.1 OBJETIVO GERAL............................................................................. 11 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS............................................................... 11 3 MÉTODOS............................................................................................. 12 3.1 DESENHO DE ESTUDO.................................................................... 12 3.2 SELEÇÃO DOS SUJEITOS E CASUÍSTICA...................................... 12 3.2.1 Critério de Inclusão.......................................................................... 13 3.2.2 Critérios de Exclusão....................................................................... 14 3.3 VARIÁVEIS ESTUDADAS.................................................................. 14 3.3.1 Variável Dependente....................................................................... 14 3.3.2 Variável Independente..................................................................... 16 3.3.3 Variáveis de Controle....................................................................... 17 3.4 PROCEDIMENTO.............................................................................. 19 3.5 ANÁLISE DOS DADOS...................................................................... 20 3.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA.................................................................... 21 REFERÊNCIAS....................................................................................... 23 4 ARTIGO CIENTÍFICO............................................................................ 27 APÊNDICES............................................................................................. 48 APÊNDICE A Protocolo de Identificação da Criança............................... 48 APÊNDICE B Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)....... 51 ANEXOS................................................................................................... 54 ANEXO A Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa............................... 54 ANEXO B Alberta Infant Motor Scale (AIMS)........................................... 55 ANEXO C Affordance in the Home Environment for Motor Development – Infant Scale (AHEMD-IS)…………………………………………………... 61 ANEXO D Critério de Classificação Econômica Brasil (ABEP)................ 70 7 1 INTRODUÇÃO Os primeiros anos de vida da criança são caracterizados por grandes mudanças, e este é um período crítico do desenvolvimento cerebral (SILVA et al., 2006). Segundo Vayer e colaboradores (1990), o termo desenvolvimento, quando aplicado à evolução da criança, significa constante observação no crescimento das estruturas somáticas e aumento das possibilidades individuais de agir sobre o ambiente. Nos primeiros anos de vida ocorrem aquisições importantes e máxima plasticidade neuronal, determinantes do desenvolvimento subsequente (GABBARD et al., 2008; RODRIGUES e GABBARD, 2007b; MARIA-MENGEL e LINHARES, 2007). A plasticidade neuronal é a capacidade do sistema nervoso se organizar, tendo grande importância no funcionamento normal do organismo (ANNUNCIATO e OLIVEIRA, 2004). Segundo a Teoria dos Sistemas Dinâmicos, o desenvolvimento motor resulta da interação de vários subsistemas, sendo o Sistema Nervoso Central um deles, considerando também que vários fatores podem interferir na aquisição das habilidades, tendo o ambiente um papel importante neste processo (MORRIS et al., 1994). Desta forma, o desenvolvimento motor ocorreria de maneira dinâmica, sendo suscetível a mudanças a partir de inúmeros estímulos externos (TECKLIN, 2002). A interação entre aspectos relativos ao indivíduo, como suas características físicas e estruturais, ao ambiente em que está inserido e à tarefa a ser aprendida são determinantes na aquisição e refinamento das diferentes habilidades motoras (HAYWOOD e GETCHELL, 2004). Segundo Darrah e colaboradores (1998b), o desenvolvimento motor não é estável, podendo existir períodos em que nenhuma habilidade é adquirida e outros em que muitas habilidades são adquiridas simultaneamente. Baseado nesta perspectiva, o ritmo de aquisição das habilidades motoras pode variar de acordo com a faixa etária. Desta forma, verifica-se que o desenvolvimento infantil pode ser influenciado por diversos fatores como a exposição a riscos biológicos, genéticos, psicológicos e/ou ambientais (PILZ e SCHERMANN, 2007; MANCINI et al., 2004). Em países desenvolvidos, o risco biológico é 8 considerado o principal fator que exerce influência nos desfechos do desenvolvimento infantil, já em países em desenvolvimento, como o Brasil, as crianças com risco ao nascimento apresentarão morbidades, muitas vezes, decorrentes da associação entre fatores biológicos e sociais (MANCINI et al., 2004). Muitas crianças que vivem em países em desenvolvimento são concomitantemente expostas a múltiplos riscos, como prematuridade, baixo peso ao nascer, complicações na gestação, condições socioeconômicas adversas, doenças, além de viverem em ambientes desfavoráveis, resultando em elevadas chances de apresentarem atraso ou alteração no desenvolvimento (PILZ e SCHERMANN, 2007; MANCINI et al., 2004; HALPERN et al., 1996). Dentre os fatores de risco que aumentam a probabilidade de déficits no desenvolvimento neuropsicomotor de crianças, estão as condições ambientais como um nível socioeconômico baixo. Além disso, devem ser observadas as condições biológicas, relacionadas à gestação (MIRANDA et al., 2003), destacando-se entre elas a idade gestacional e o peso ao nascimento (MANCINI et al., 2004). Outros fatores que podem estar relacionados com os déficits no desenvolvimento infantil incluem ausência do pai, depressão materna e baixa escolaridade dos pais (ANDRACA et al., 1998). Estudos demonstram que o efeito cumulativo de múltiplos fatores de risco aumenta a probabilidade do desenvolvimento da criança ser comprometido (LAWSON e BADAWI, 2003; HALPERN et al., 1996). Assim, o reconhecimento da influência desses fatores nas interações entre a criança, a família e o contexto amplia a compreensão da necessidade de uma abordagem multidimensional no estudo do desenvolvimento humano (ZAJONZ et al., 2008). De acordo com a literatura atual, um problema biológico pode ser agravado por um ambiente não estimulador, assim como, um ambiente com estímulos variados pode reduzir os efeitos do problema biológico (PILZ e SCHERMANN, 2007). Em outras palavras, o ambiente domiciliar pode oferecer proteção ou risco para o desenvolvimento da criança (ANDRADE et al., 2005). As variações individuais nos níveis de desenvolvimento das crianças não são determinadas somente pelas influências genéticas e pelo ritmo maturacional (RODRIGUES & GABBARD, 2007a). Um dos principais fatores que podem explicar esse fenômeno é a influência ambiental, ou seja, o 9 ambiente vivenciado no domicílio, uma vez que, o desenvolvimento ocorre a partir de uma interação constante do indivíduo com o ambiente em que ele está inserido (NOBRE et al., 2009; RODRIGUES e GABBARD, 2007a). O contexto domiciliar vivenciado pela criança permite a construção de comportamentos motores necessários à adaptação e exploração adequada do meio, sendo fundamental para o desenvolvimento infantil (RODRIGUES & GABBARD, 2007a). Desta forma, o ambiente positivo age como facilitador do desenvolvimento normal, pois possibilita a exploração e interação com o meio. Entretanto, o ambiente desfavorável pode diminuir o ritmo de desenvolvimento e restringe as possibilidades de aprendizado da criança (SILVA et al., 2006). Para a criança, a melhora constante das capacidades motoras significa a aquisição da sua independência e a capacidade de adaptar-se ao ambiente (FLEHMIG, 2005). O final do primeiro ano e a primeira metade do segundo ano de vida do lactente, entre dez e 18 meses, é marcado pela aquisição da habilidade de locomoção, tendo como principais marcos o engatinhar e a marcha, fato que o transforma em um ser mais independente e apto a se adaptar a novos contextos sociais e a exploração mais livre do ambiente. As fases motoras e os processos psíquicos e cognitivos influenciam-se reciprocamente de modo imediato, manifestando-se quase sempre mediante modalidades comportamentais motoras (FLEHMIG, 2005). Isto é, a maior capacidade de agir sobre o ambiente propicia mais experiências cognitivas, e, o interesse em explorar o ambiente propicia mais experiências motoras. Durante a primeira infância, os vínculos, os cuidados e os estímulos necessários ao crescimento e ao desenvolvimento são fornecidos pela família (ANDRADE et al., 2005). Rodrigues e colaboradores (2005) descrevem que a casa, representada pela família, é o principal agente para a aprendizagem e desenvolvimento da criança, sendo o ambiente domiciliar considerado o principal fator para o desenvolvimento motor, cognitivo, social e de linguagem. Considerando que é durante os primeiros anos de idade que ocorre uma otimização para a construção de comportamentos motores necessários à adaptação e exploração do meio, torna-se evidente a influência do contexto imediato vivenciado pela criança para a promoção de um nível de desenvolvimento motor adequado (GABBARD et al., 2008; RODRIGUES e GABBARD, 2007a). 10 Apesar da importância do tema e dos constructos teóricos embasarem as afirmações descritas anteriormente, foram encontrados na literatura pesquisada poucos estudos que investigassem diretamente o ambiente domiciliar e sua possível associação com o desenvolvimento motor em crianças brasileiras, principalmente nos primeiros 18 meses de vida, não tendo sido encontrado nenhum referente à população de Juiz de Fora e região. E, como o ritmo do desenvolvimento não é estável, também não foram encontradas evidências de que o ambiente influencia da mesma maneira o desenvolvimento motor em diferentes idades ou fases. Neste contexto, o presente estudo tem como questão central a investigação do ambiente domiciliar e o desenvolvimento motor no período de aquisição da locomoção independente. 11 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL O presente estudo teve por objetivo verificar se há associação entre as oportunidades de estimulação ambiental e o desenvolvimento motor de lactentes de dez a 18 meses de idade, no contexto domiciliar. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Analisar as oportunidades do ambiente domiciliar em lactentes entre dez e 18 meses de idade através do questionário Affordance in the Home Environment for Motor Development – Infant Scale (AHEMD-IS). Avaliar o desenvolvimento motor dos lactentes de dez a 18 meses de idade através da Alberta Infant Motor Scale – AIMS. Verificar se há associação entre as oportunidades do ambiente domiciliar e o desenvolvimento motor de lactentes de dez a 18 meses de idade através do Escore Total e das dimensões do AHEMD-IS e o desempenho na AIMS, bem como os aspectos que influenciam essa associação. Estimar se há associação entre a renda mensal da família, renda per capta, nível sócio-econômico, escolaridade da mãe e do pai, presença e número de irmãos, ordem de nascimento, número de crianças no domicílio, idade materna, sexo da criança, se ela frequenta creche ou escola de educação infantil e o desenvolvimento motor de lactentes de dez a 18 meses de idade. 12 3 MÉTODOS 3.1 DESENHO DE ESTUDO Trata-se de um estudo epidemiológico, do tipo transversal, baseado em um inquérito populacional. Este estudo é parte da pesquisa “Oportunidades do ambiente domiciliar e fatores associados para o desenvolvimento motor entre três e 18 meses de idade”, que é originado de uma pesquisa maior intitulada “Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG”, realizado pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Juiz de Fora. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFJF, sob o parecer nº 277/2009 (ANEXO A). Devido à grande diversidade de aquisições motoras neste período e a importância de cada faixa etária para o desenvolvimento motor, o estudo “Oportunidades do ambiente domiciliar e fatores associados para o desenvolvimento motor entre três e 18 meses de idade” foi desmembrado em outros dois, contemplando as faixas etárias de três a nove meses e dez a 18 meses, dando origem ao presente estudo de trabalho de conclusão de curso. 3.2 SELEÇÃO DOS SUJEITOS E CASUÍSTICA Foi avaliada uma amostra representativa da população de crianças com idades entre dez e 18 meses, residentes na região administrativa norte da cidade de Juiz de Fora, MG. Considerando a população total de crianças do município com idade entre zero e seis anos, 25,64% dessas residem nesta região, que apresenta a maior concentração de crianças desta faixa etária quando comparada com as demais, sendo este um dos motivos para a sua escolha (DATASUS, 2009). Além disso, a região administrativa norte apresenta uma variabilidade econômica que permite incluir na pesquisa indivíduos com 13 diferentes níveis socioeconômicos (DATASUS, 2009). Os participantes foram selecionados por meio de um processo de amostragem aleatória por conglomerado em dois estágios, no qual o primeiro foi a região urbana (região administrativa norte) e o segundo o domicílio (CESAR e TANAKA, 1996). Inicialmente foram sorteados 22 setores da região administrativa norte, onde foi realizado, no mês de março de 2010, um levantamento do tipo screnning para detectar o número de crianças residentes nestes setores. Neste levantamento foram entrevistados no mínimo um a cada cinco domicílios, onde o entrevistado foi perguntado sobre a existência de menores de dois anos em sua residência e nos dois domicílios vizinhos à direita e à esquerda. No caso do informante não saber, os domicílios em questão também foram abordados. Foi utilizada como referência a idade de dois anos, pois o levantamento foi simultâneo para todos os estudos pertencentes ao projeto maior (“Inquérito em Saúde no Município de Juiz de Fora”), que envolve esta faixa etária mais ampla, e considerou-se difícil para o informante perceber pequenas diferenças de idade nos lactentes não pertencentes ao seu domicílio (zero a três, e 18 a 24 meses). Neste levantamento, foram encontrados 779 menores de dois anos. Considerando-se uma prevalência de domicílios com oportunidades favoráveis da ordem de 30%, um efeito de delineamento amostral de 1,6 e uma recusa em participar da pesquisa da ordem de 15%, estimou-se que seriam aplicados 199 questionários. A partir disso, foram sorteados 12 domicílios dentro de cada setor previamente selecionado, onde foram encontrados 239 lactentes com idades entre três e 18 meses. Estes foram contabilizados e divididos de acordo com as faixas etárias de três a nove meses e de dez a 18 meses, atendendo aos critérios de inclusão e exclusão dos estudos. 3.2.1 Critério de Inclusão Participaram do presente estudo lactentes com idade entre dez e 18 meses, residentes na região administrativa norte da cidade de Juiz de Fora MG, no período programado para a coleta de dados. 14 3.2.2 Critérios de Exclusão Considerando que o objetivo do presente estudo foi verificar uma possível associação entre o ambiente e o desenvolvimento motor, foram excluídos os lactentes nascidos com idade gestacional inferior a 37 ou superior a 42 semanas, com baixo peso ao nascimento (menor que 2500g) ou, ainda, que apresentarem comprometimento neurológico (hidrocefalia, hemorragia intracraniana, lesão de plexo braquial, entre outros), malformação congênita (mielomeningocele, agenesias, focomielias, por exemplo), síndromes genéticas, desnutrição, problemas de audição ou visão, alterações sensoriais, ortopédicas ou cardiorrespiratórias, ou outra intercorrência/alteração que possa comprometer o desenvolvimento motor. 3.3 VARIÁVEIS ESTUDADAS As variáveis foram dispostas de acordo com o objetivo do presente estudo. Descreveu-se primeiramente o instrumento usado na avaliação do desenvolvimento motor, logo o questionário referente ao ambiente, seguido pelas variáveis de controle. 3.3.1 Variável Dependente - Avaliação do desenvolvimento motor grosso O desenvolvimento motor foi investigado como variável dependente deste estudo, considerando que este pode ser influenciado por diversos fatores. Para tal avaliação foi utilizada a Alberta Infant Motor Scale – AIMS (ANEXO B), uma escala predominantemente observacional que requer manuseio mínimo, desenvolvida para monitorar o curso do desenvolvimento motor em lactentes nos primeiros 18 meses de vida. A aplicação e 15 interpretação da escala foram feitas de acordo com o recomendado no seu manual (PIPER e DARRAH, 1994) e em artigos publicados sobre o seu uso (CAMPBELL et al., 2002; DARRAH et al., 1998a; DARRAH et al.; 1998b). A AIMS foi elaborada para avaliar o desenvolvimento motor global desde o nascimento até a marcha independente e é composta de 58 itens que descrevem o desenvolvimento da movimentação espontânea e de habilidades motoras em quatro posições básicas: prono (21 itens), supino (nove itens), sentado (12 itens) e de pé (16 itens). Cada item corresponde a uma posição adotada pelo lactente e é pontuado como O (observado) ou NO (não observado) de acordo com critérios que avaliam a postura, a descarga de peso e os movimentos espontâneos antigravitacionais, específicos para cada posição. As respostas obtidas pelo lactente são anotadas em uma folha de registro (Score Sheet) formada por desenhos que correspondem aos itens avaliados, seguindo uma ordem crescente de complexidade e aparecimento esperado, da esquerda para a direita (PIPER e DARRAH, 1994). Para se calcular a pontuação do lactente, deve-se fazer a contagem dos itens que foram observados (O) naquela postura e somar ao número de itens que ficaram à esquerda do primeiro item observado. A pontuação obtida em cada uma das posturas deve ser somada, chegando-se à pontuação total. Desta forma, obtém-se o Escore Bruto (Raw Score) que deve ser convertido para Índices Percentis (Centile Ranks) e comparado às curvas normativas para cada idade, através do gráfico que acompanha a escala (PIPER e DARRAH, 1994). Trata-se de um instrumento de triagem, que classifica os lactentes em uma curva de desenvolvimento. Quanto mais alto o percentil de classificação, menor a probabilidade de atraso ou alteração no desenvolvimento motor (CAMPOS et al., 2006). Claramente, quanto mais baixo o Índice Percentil, maior é a probabilidade de o lactente estar exibindo desenvolvimento motor atrasado ou atípico (PIPER e DARRAH, 1994). Em um estudo realizado por DARRAH e colaboradores (1998a) foi recomendado como ponto de corte com níveis aceitáveis de especificidade e sensibilidade na AIMS o percentil dez para o quarto mês e os percentis cinco e dez para o oitavo mês. As propostas específicas da AIMS são: identificar atrasos ou desvios no desenvolvimento motor e avaliar ou monitorar as mudanças ao longo do tempo 16 decorrentes da intervenção e/ou maturação do SNC (PIPER e DARRAH, 1994). Para o presente estudo os lactentes foram avaliados na sua idade correspondente, entre dez e 18 meses de vida e, para análise, serão utilizados o Escore Bruto e o Índice Percentil de cada lactente, sendo considerado alterado aquele que estivesse abaixo do percentil dez da curva de desenvolvimento da escala (DARRAH et al., 1998a). 3.3.2 Variável Independente - Oportunidades de estímulo ambiental presentes no domicílio O estudo tem como variável independente as oportunidades de estímulo ambiental presentes no domicílio, que foram avaliadas através da aplicação do questionário: Affordance in the Home Environment for Motor Development – Infant Scale – AHEMD-IS (ANEXO C). O questionário AHEMD foi desenvolvido pelos Laboratórios de Desenvolvimento Motor do Instituto Politécnico Viana do Castelo (Portugal) e da Texas A&M University (EUA) em colaboração com o Laboratório de Pesquisa em Desenvolvimento Neuromotor - Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP (Brasil) e está em processo de validação no Brasil, o que permite torná-lo mais adequado ao perfil de nossas crianças. O questionário visa avaliar de forma simples, rápida e eficaz as oportunidades, affordances, presentes no contexto do ambiente domiciliar para o desenvolvimento motor (GABBARD et al., 2008; RODRIGUES e GABBARD, 2007a; RODRIGUES e GABBARD, 2007b). O roteiro deve ser preenchido pelos próprios pais ou cuidador principal da criança. No caso de analfabetos, o preenchimento deve ser realizado pelo entrevistador junto ao entrevistado, segundo orientações do questionário (PROJECTO AHEMD, 2010). O AHEMD-IS (3 a 18 meses) é constituído por quatro seções distintas: caracterização familiar, espaço físico da residência, atividades diárias e brinquedos e materiais. Todas as 48 questões específicas sobre as oportunidades presentes no domicílio foram formuladas com clareza para 17 serem respondidas pelos pais, sendo divididas em questões dicotômicas (sim ou não), de escala de Likert (nunca, às vezes, quase sempre e sempre ou muito pequeno, pequeno, razoável, moderado e amplo, grande) e de descrição de materiais com imagens ilustrativas dos brinquedos. As questões foram agrupadas em cinco subescalas: espaço interior, espaço exterior, variedade de estimulação, materiais de motricidade fina e materiais de motricidade grossa (PROJECTO AHEMD, 2010). O cálculo do Escore Total referente ao questionário e os critérios para a classificação utilizados no presente estudo encontram-se descritos no item Análise dos Dados. 3.3.3 Variáveis de Controle •Renda mensal da família: classificada como variável categórica, de acordo com o salário total dos moradores do domicílio (soma dos salários) (PILZ e SCHERMANN, 2007; ANDRADE et al., 2005; MANCINI et al., 2004; MARTINS et al., 2004; ANDRACA et al., 1998; SEIFER et al., 1996; SAMEROFF et al., 1993). •Renda per capta: classificada como variável categórica, expressa em reais, e calculada a partir da renda mensal da família dividida pelo número de moradores do domicílio. •Nível sócio-econômico: para identificar o nível sócio-econômico da família da criança, foi utilizado o questionário de nível sócio-econômico da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa - ABEP - Critério de Classificação Econômica Brasil (ANEXO D). A partir deste questionário é possível obter informações sobre o grau de instrução do chefe da família e a capacidade de aquisição de bens (ABEP, 2010). O ABEP considera aspectos relativos ao número de cômodos e utensílios domésticos, o nível de escolaridade do chefe de família, o poder de compra das pessoas e famílias urbanas, sendo sua divisão definida exclusivamente em classes econômicas. Utilizado para a 18 caracterização da população brasileira em uma escala que vai de A a E, sendo A, a classe mais alta e E, a mais baixa. •Escolaridade da mãe e do pai: classificada como variável categórica, de acordo com os ciclos escolares completos, sendo adotada a seguinte divisão: 1° a 4° série; 5° a 8° série; Ensino médio; Curso s uperior; Mestrado ou Doutorado (ANDRADE et al., 2005; MANCINI et al., 2004; MARTINS et al., 2004; ANDRACA et al., 1998; SEIFER et al., 1996; SAMEROFF et al., 1993). •Presença e número de irmãos: analisada como variável categórica (ANDRADE et al., 2005; MARTINS et al., 2004; ANDRACA et al., 1998; SEIFER et al., 1996; SAMEROFF et al., 1993). •Ordem de nascimento: analisada como variável qualitativa ordinal (ANDRADE et al., 2005). •Número de crianças no domicílio: analisada como variável categórica (PILZ e SCHERMANN, 2007; ANDRADE et al., 2005; MARTINS et al., 2004; ANDRACA et al., 1998; SEIFER et al., 1996; SAMEROFF et al., 1993). •Idade materna: analisada como variável quantitativa categórica, descrita em anos (MARTINS et al., 2004). •Sexo: analisada como variável categórica, descrita em masculino e feminino. •Frequenta Creche ou Escola de Educação Infantil: classificado como variável categórica, sendo analisado o tipo (pública ou privada) e o tempo (integral ou meio período). As variáveis de controle foram obtidas de acordo com a entrevista estruturada pelos acadêmicos através do preenchimento do Protocolo de Identificação da Criança (APÊNDICE A) e também foram utilizadas para cruzamento com o desempenho motor dos participantes na AIMS. 19 3.4 PROCEDIMENTO Os instrumentos foram aplicados por oito acadêmicos do Curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF. Esta equipe recebeu treinamento prévio para a entrevista, aplicação da AIMS e para o esclarecimento de possíveis dúvidas dos pais, durante a aplicação da escala, acerca do preenchimento do AHEMD-IS. Para aplicação do instrumento de avaliação do desenvolvimento motor grosso, AIMS, a equipe foi submetida a um treinamento realizado em quatro etapas: teórica, prática piloto, treinamento prático e cálculo do índice de concordância (ICC), com base em dez avaliações de lactentes de diferentes idades. Foi obtido o ICC de 0,99, utilizando-se valores absolutos e o intervalo de confiança de 95%, para todos os membros envolvidos com a coleta de dados do presente estudo. O domicílio sorteado foi visitado pelo menos uma vez, e em caso de recusa, foi sorteado um novo domicílio no mesmo setor. Na ausência dos residentes no momento da visita, foram feitas mais duas tentativas em dias e horários distintos. Caso estes não fossem encontrados nas três tentativas, um novo sorteio selecionaria outros domicílios no mesmo setor. Se no momento da visita o responsável pelo lactente estivesse impossibilitado de participar do estudo, uma nova data e horário seriam agendados, de acordo com a disponibilidade do mesmo e da equipe envolvida com a coleta. No domicílio selecionado, o entrevistador explicou brevemente como seria realizada a coleta de dados (instrumentos, avaliações, entrevista), enfatizando que a participação era voluntária e que não haveria custos, despesas ou contrapartidas. Caso o residente concordasse, era entregue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (APÊNDICE B), que deveria ser corretamente preenchido. O entrevistador portava duas vias do TCLE: uma cópia assinada foi arquivada pela equipe e a outra cópia foi entregue para o entrevistado. Logo após, foi realizada a entrevista para o preenchimento do Protocolo de Identificação da Criança (APÊNDICE A) e o Critério de Classificação Econômica Brasil – ABEP (ANEXO D). Em seguida, o 20 responsável preenchia o questionário AHEMD-IS. No caso de analfabetos, o preenchimento era realizado pelo entrevistador junto ao entrevistado. Simultaneamente ao preenchimento do AHEMD-IS, o acadêmico aplicou a AIMS, utilizando um kit padrão composto de: tapete EVA (1x1m); brinquedos padronizados, caso a criança não possuísse; e, um kit limpeza composto por álcool 70% e papel toalha, para a higienização de todos os materiais. Terminada a avaliação do desenvolvimento motor, foi fornecido um retorno para o responsável de acordo com o Índice Percentil encontrado na escala. Durante o trabalho de campo, os entrevistadores tiveram supervisão direta dos responsáveis pela pesquisa, sendo acompanhados, avaliados e reciclados durante todo o período. Para maior confiabilidade dos dados, foi verificada a concordância em 10% da amostra pela supervisora responsável, que aplicava concomitantemente os instrumentos com os acadêmicos, de forma independente, sendo obtido o ICC de 0,99 para todos os membros envolvidos. 3.5 ANÁLISE DOS DADOS Como ainda não existe normatização para o cálculo da pontuação do AHEMD-IS, foi utilizado um sistema de pontuação que vem sendo empregado pelo grupo responsável pela sua validação (BATISTELA, 2010; PROJECTO AHEMD, 2010). Nela cada item dicotômico é pontuado como zero ou um, e aqueles que não o são, recebem pontuação de zero até o número de opções de respostas correspondentes, sendo considerado o maior valor como a melhor oportunidade possível. O escore de uma dimensão é calculado pela soma dos pontos obtidos para todos os itens dentro de cada dimensão. Logo, o Escore Total possível no instrumento é obtida pela soma dos escores das três dimensões. Foram consideradas as pontuações obtidas pelo AHEMD-IS como um todo (amplitude de zero – 167 pontos) e em cada uma das suas três dimensões: espaço físico (amplitude de zero – 13 pontos), atividades diárias (zero – 28 pontos) e brinquedos (zero – 126 pontos), sendo esta última a que mais contribui para Escore Total (75,45%). 21 Para a análise dos dados, o Escore Total foi dividido e classificado, através dos índices tercis com base nas pontuações encontradas na amostra do presente estudo, em “Baixo” (abaixo de 49 pontos), “Médio” (entre 49 e 64 pontos) e “Alto” (acima de 64 pontos), significando respectivamente, “Pouca”, “Razoável” e “Muito boa” oportunidade no ambiente domiciliar (RODRIGUES e GABBARD, 2007a). As dimensões do AHEMD-IS “espaço físico”, “atividades diárias” e “brinquedos” foram classificadas através de índices quartis em: “Muito fraco”, “Fraco”, “Bom” e “Muito bom” (RODRIGUES e GABBARD, 2007a). Os pontos de corte considerados para estas classificações em cada dimensão podem ser visualizados na Tabela 1. Tabela 1: Classificação AHEMD-IS dimensões através dos índices quartis Oportunidades Espaço Físico Atividades Diárias Brinquedos MUITO FRACO <7 < 15 < 21 FRACO 7-8 15 21 - 32 BOM 9 - 10 16 - 18 33 - 43 > 10 > 18 > 43 MUITO BOM 3.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA Os dados coletados e registrados no cartão individual dos participantes (APÊNDICE A) foram posteriormente arquivados no programa SPSS 14.0. Como estes não satisfizeram os critérios de normalidade, para a análise estatística foram utilizados testes não paramétricos. Para interpretação dos achados foram considerados estatisticamente significativos valores de p<0,05 e tendências de diferenciação aqueles inferiores a 0,10. Para descrever o perfil da amostra segundo as variáveis em estudo, foram feitas tabelas de frequência das variáveis categóricas e estatísticas descritivas das variáveis contínuas, com valores de média, desvio padrão, valores mínimo e máximo. 22 Para verificar se havia associação entre as oportunidades do ambiente domiciliar e o desenvolvimento motor dos lactentes, foram utilizados o teste Qui-quadrado ou Exacto de Fisher (este último, quando o número esperado de lactentes em cada grupo era menor ou igual a cinco). O Teste Kruskal-Wallis foi utilizado para analisar a associação entre a classificação do AHEMD-IS, em tercis, com o percentil da AIMS obtido pelos participantes. Para comparar os valores de uma variável contínua entre dois grupos foi utilizado o teste de Mann-Whitney (comparações inter-grupos). Ao verificar quais fatores poderiam estar interferindo no desfecho, desempenho da AIMS, segundo o nível de estimulação (AHEMD-IS total), foram realizadas análises de regressão univariada para as variáveis: sexo, creche, trabalho materno fora do domicílio, classificação ABEP, renda per capta, escolaridade materna e paterna, anos de estudos materno e paterno, renda mensal, número de irmãos, número de crianças no domicílio, ordem de nascimento e idade materna. As variáveis que apresentaram valores de p<0,10 foram incluídas em um modelo de regressão multivariada. Os resultados, a discussão e a conclusão serão apresentados em formato de artigo (Capítulo 4), que será enviado para possível publicação no Caderno de Saúde Pública e será adequado às normas do periódico após sugestões da banca. 23 REFERÊNCIAS ANDRADE, S. A.; SANTOS, D. N.; BASTOS, A. C.; PEDROMÔNICO, M. R. M.; ALMEIDA-FILHO, N.; BARRETO, M. L. Ambiente familiar e desenvolvimento cognitivo infantil: uma abordagem epidemiológica. 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Física/UEM Maringá, v.19, n.2, p.159-171, 2008. 27 4 ARTIGO CIENTÍFICO OPORTUNIDADES DO AMBIENTE DOMICILIAR E DESENVOLVIMENTO MOTOR DE LACTENTES ENTRE DEZ E 18 MESES DE IDADE Introdução Os primeiros anos de vida da criança são caracterizados por grandes mudanças, e este é um período crítico do desenvolvimento cerebral (SILVA et al., 2006). Segundo Vayer e colaboradores (1990), o termo desenvolvimento, quando aplicado à evolução da criança, significa constante observação no crescimento das estruturas somáticas e aumento das possibilidades individuais de agir sobre o ambiente. Nos primeiros anos de vida ocorrem aquisições importantes e máxima plasticidade neuronal, determinantes para o desenvolvimento (GABBARD et al., 2008; RODRIGUES e GABBARD, 2007b; MARIA-MENGEL e LINHARES, 2007). Segundo a Teoria dos Sistemas Dinâmicos, o desenvolvimento motor resulta da interação de vários subsistemas, sendo o Sistema Nervoso Central um deles, considerando também que vários fatores podem interferir na aquisição das habilidades, tendo o ambiente um papel importante neste processo (MORRIS et al., 1994). Alguns autores afirmam que o desenvolvimento ocorre a partir de uma interação constante do indivíduo com o ambiente em que ele está inserido (NOBRE et al., 2009; RODRIGUES e GABBARD, 2007a). Portanto, o desenvolvimento motor ocorre de maneira dinâmica e é suscetível a mudanças a partir de inúmeros estímulos externos (TECKLIN, 2002). Segundo Darrah e colaboradores (1998), o desenvolvimento motor não é estável, podendo existir períodos em que nenhuma habilidade é adquirida e outros em que muitas habilidades são adquiridas simultaneamente. Baseado nesta perspectiva, o ritmo de aquisição das habilidades motoras pode variar de acordo com a faixa etária. 28 Desta forma, verifica-se que o desenvolvimento infantil pode ser influenciado por diversos fatores como a exposição a riscos biológicos, genéticos, psicológicos e/ou ambientais (PILZ e SCHERMANN, 2007; MANCINI et al., 2004). Dentre os fatores de risco que aumentam a probabilidade de déficits no desenvolvimento neuropsicomotor de crianças, estão as condições ambientais, como o nível socioeconômico, escolaridade dos pais, número de irmãos, número de crianças no domicílio e ordem de nascimento da criança (MANCINI et al., 2004; MARTINS et al., 2004; MIRANDA et al., 2003; ANDRACA et al., 1998). De acordo com a literatura atual, um problema biológico pode ser agravado por um ambiente não estimulador, assim como, um ambiente com estímulos variados pode reduzir os efeitos do problema biológico (PILZ e SCHERMANN, 2007). Em outras palavras, o ambiente domiciliar pode oferecer proteção ou risco para o desenvolvimento da criança (ANDRADE et al., 2005). Assim, o reconhecimento da influência desses fatores nas interações entre a criança, a família e o contexto amplia a compreensão da necessidade de uma abordagem multidimensional no estudo do desenvolvimento humano (ZAJONZ et al., 2008). Para a criança, a melhora constante das capacidades motoras significa a aquisição da sua independência e a capacidade de adaptar-se ao ambiente (FLEHMIG, 2005). O final do primeiro ano e a primeira metade do segundo ano de vida do lactente, entre dez e 18 meses, é marcado pela aquisição da habilidade de locomoção, tendo como principais marcos o engatinhar e a marcha, fato que transforma a criança em um ser mais independente e apto a se adaptar a novos contextos sociais e a exploração mais livre do ambiente. Durante a primeira infância, os vínculos, os cuidados e os estímulos necessários ao crescimento e ao desenvolvimento são fornecidos pela família (ANDRADE et al., 2005). Rodrigues e colaboradores (2005), descrevem que a casa, representada pela família, é o principal agente para a aprendizagem e desenvolvimento da criança, sendo o ambiente domiciliar considerado o principal fator para o desenvolvimento motor, cognitivo, social e de linguagem. Parece relevante a influência do contexto imediato vivenciado pela criança para 29 a promoção de um nível de desenvolvimento motor adequado (GABBARD et al., 2008; RODRIGUES e GABBARD, 2007a). Apesar da importância do tema e dos constructos teóricos embasarem as afirmações descritas anteriormente, foram encontrados poucos estudos que investigassem diretamente o ambiente domiciliar e sua possível associação com o desenvolvimento motor em crianças brasileiras, principalmente nos primeiros 18 meses de vida. E, como o ritmo do desenvolvimento não é estável, também não foram encontradas evidências de que o ambiente influencia da mesma maneira o desenvolvimento motor em diferentes idades ou fases. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo verificar, no ambiente domiciliar, se há associação entre as oportunidades de estimulação ambiental de lactentes de dez a 18 meses de idade com o desenvolvimento motor. Métodos Trata-se de um estudo epidemiológico, do tipo transversal, baseado em um inquérito populacional. Este estudo é parte da pesquisa “Oportunidades do ambiente domiciliar e fatores associados para o desenvolvimento motor entre três e 18 meses de idade”, que é originado de uma pesquisa maior intitulada “Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG”, realizado pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Juiz de Fora. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFJF, sob o parecer nº 277/2009. Foi avaliada uma amostra representativa da população de crianças com idades entre dez e 18 meses, residentes na região administrativa norte da cidade de Juiz de Fora, MG. Considerando a população total de crianças do município com idade entre zero e seis anos, 25,64% dessas residem nesta região, que apresenta a maior concentração de crianças desta faixa etária quando comparada com as demais, sendo este um dos motivos para a sua escolha (DATASUS, 2009). Além disso, a região administrativa norte apresenta 30 uma variabilidade econômica que permite incluir na pesquisa indivíduos com diferentes níveis socioeconômicos (DATASUS, 2009). Os participantes foram selecionados por meio de um processo de amostragem aleatória por conglomerado em dois estágios, no qual o primeiro foi a região urbana (região administrativa norte) e o segundo o domicílio (CESAR e TANAKA, 1996). Foram sorteados 22 setores desta região onde foi realizado um levantamento do tipo screnning para detectar o número de crianças residentes nestes setores, sendo encontrados 779 menores de dois anos. Considerandose uma prevalência de domicílios com oportunidades favoráveis da ordem de 30%, um efeito de delineamento amostral de 1,6 e uma recusa em participar da pesquisa da ordem de 15%, estimou-se que seriam aplicados 199 questionários. A partir disso, foram sorteados 12 domicílios dentro de cada setor previamente selecionado, onde foram coletados os dados dos lactentes com idades entre três e 18 meses. Foram encontrados 239 lactentes pertencentes a esta idade. Participaram do presente estudo lactentes com idade entre dez e 18 meses, residentes na região administrativa norte da cidade de Juiz de Fora MG, no período programado para a coleta de dados contabilizando 110 crianças, sendo excluídas aquelas nascidas com idade gestacional inferior a 37 semanas ou superior a 42 semanas, com baixo peso ao nascimento ou que apresentaram qualquer alteração ou intercorrência pré, peri e pós-natal que pudesse afetar o desenvolvimento neuromotor. Inicialmente os responsáveis pelos participantes do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE. Logo após, foi realizada a entrevista para o preenchimento do Protocolo de Identificação da Criança para identificar as características biológicas, ambientais e socioeconômicas da família e do Critério de Classificação Econômica Brasil – ABEP. Em seguida, o responsável preenchia o questionário Affordance in the Home Environment for Motor Development – AHEMD-IS (PROJECTO AHEMD, 2010), e simultaneamente era aplicada a Alberta Infant Motor Scale – AIMS (PIPER & DARRAH, 1994) pelo entrevistador. Os instrumentos descritos anteriormente foram aplicados por oito acadêmicos do Curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, previamente treinados. Durante o trabalho de 31 campo, os entrevistadores tiveram supervisão direta dos responsáveis pela pesquisa, sendo acompanhados, avaliados e reciclados durante todo o período. A Alberta Infant Motor Scale (AIMS), desenvolvida por Piper & Darrah (1994) é uma escala observacional, elaborada para avaliar o desenvolvimento motor global desde o nascimento até a marcha independente e é composta de 58 itens que descrevem o desenvolvimento da movimentação espontânea e de habilidades motoras em quatro posições básicas: prono (21 itens), supino (nove itens), sentado (12 itens) e de pé (16 itens). Para análise estatística, foram utilizados o Escore Bruto e o Índice Percentil de cada lactente, sendo considerado alterado aquele que estivesse abaixo do percentil dez da curva de desenvolvimento da escala. Para a aplicação deste instrumento, a equipe foi submetida a um treinamento realizado em quatro etapas: teórica, prática piloto, treinamento prático e cálculo do índice de concordância (ICC), com base em dez avaliações de lactentes de diferentes idades. Foi obtido o ICC de 0,99, utilizando-se valores absolutos e o intervalo de confiança de 95%, para todos os membros envolvidos com a coleta de dados do presente estudo. Para maior confiabilidade dos dados, foi realizada a concordância em 10% da amostra pela supervisora responsável, que aplicava concomitantemente os instrumentos com os acadêmicos, de forma independente, obtendo um ICC de 0.99 para toda a equipe envolvida. O questionário Affordance in the Home Environment for Motor Development (AHEMD) visa avaliar de forma simples, rápida e eficaz as oportunidades, affordances, presentes no contexto do ambiente domiciliar para o desenvolvimento motor (GABBARD et al., 2008; RODRIGUES e GABBARD, 2007a; RODRIGUES e GABBARD, 2007b) sendo este desenvolvido pelos Laboratórios de Desenvolvimento Motor do Instituto Politécnico Viana do Castelo (Portugal) e da Texas A&M University (EUA) em colaboração com o Laboratório de Pesquisa em Desenvolvimento Neuromotor – Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP (Brasil). O roteiro deve ser preenchido pelos próprios pais ou cuidador principal da criança. No caso de analfabetos, o preenchimento deve ser realizado pelo entrevistador junto ao entrevistado, segundo orientações do questionário (PROJECTO AHEMD, 2010). 32 Como ainda não existe normatização para o cálculo da pontuação do AHEMD-IS, foi utilizado um sistema de pontuação que vem sendo empregado pelo grupo responsável pela sua validação (BATISTELA, 2010; PROJECTO AHEMD, 2010). Nesta pontuação, cada item dicotômico é pontuado como zero ou um, e aqueles que não o são, recebem pontuação de zero até o número de opções de respostas correspondentes, sendo considerado o maior valor como a melhor oportunidade possível. O escore de uma dimensão é calculado pela soma dos pontos obtidos para todos os itens dentro de cada dimensão. Logo, a pontuação máxima possível no instrumento, ou seja, o Escore Total é obtido pela soma dos escores das três dimensões. Foram consideradas as pontuações obtidas pelo AHEMD-IS como um todo (amplitude de zero – 167 pontos) e em cada uma das suas três dimensões: espaço físico (amplitude de zero – 13 pontos), atividades diárias (zero – 28 pontos) e brinquedos (zero – 126 pontos), sendo esta última a que mais contribui para a composição do Escore Total (75,45%). Esta pontuação foi dividida e classificada, através dos Índices tercis com base nas pontuações encontradas na amostra do presente estudo, em “Baixa” (abaixo de 49 pontos), “Média” (entre 49 e 64 pontos) e “Alta” (acima de 64 pontos), significando respectivamente, “Pouca”, “Razoável” e “Muito boa” oportunidade no ambiente domiciliar. Já as dimensões do AHEMD-IS “espaço físico”, “atividades diárias” e “brinquedos” foram classificadas através de Índices quartis em: “Muito fraco”, “Fraco”, “Bom” e “Muito bom”. Os pontos de corte considerados para estas classificações em cada dimensão podem ser visualizados na Tabela 1. Tabela 1: Classificação AHEMD-IS dimensões através dos Índices quartis Oportunidades Espaço Físico Atividades Diárias Brinquedos MUITO FRACO <7 < 15 < 21 FRACO 7-8 15 21 - 32 BOM 9 - 10 16 - 18 33 - 43 > 10 > 18 > 43 MUITO BOM No intuito de verificar se outros aspectos, que não o ambiente propriamente dito, influenciavam no desempenho motor dos lactentes, foram controladas as variáveis: renda mensal da família, renda per capta, nível sócio- 33 econômico, escolaridade da mãe e do pai, presença e número de irmãos, ordem de nascimento, número de crianças no domicílio, idade materna, sexo da criança, e se ela frequenta creche ou escola de educação infantil, obtidos através do preenchimento de um Protocolo de Identificação da Criança. Os dados coletados e registrados no cartão individual dos participantes foram posteriormente arquivados no programa SPSS 14.0. Como estes não satisfizeram os critérios de normalidade, para a análise estatística foram utilizados testes não paramétricos. Para interpretação dos achados foram considerados estatisticamente significativos valores de p<0,05 e tendências de diferenciação aqueles inferiores a 0,10. Para descrever o perfil da amostra segundo as variáveis em estudo, foram feitas tabelas de frequência das variáveis categóricas e estatísticas descritivas das variáveis contínuas, com valores de média, desvio padrão, valores mínimo e máximo. Para verificar se havia associação entre as oportunidades do ambiente domiciliar e o desenvolvimento motor dos lactentes, foram utilizados o teste Qui-quadrado ou Exacto de Fisher (este último, quando o número esperado de lactentes em cada grupo era menor ou igual a cinco). O Teste Kruskal-Wallis foi utilizado para analisar a associação entre a classificação do AHEMD-IS, em tercis, com o percentil da AIMS obtido pelos participantes. Para comparar os valores de uma variável contínua entre dois grupos foi utilizado o teste de Mann-Whitney (comparações inter-grupos). Ao verificar quais fatores poderiam estar interferindo no desfecho (desempenho da AIMS) segundo o nível de estimulação (AHEMD-IS total), foram realizadas análises de regressão univariada para as variáveis: sexo, creche, trabalho materno fora do domicílio, classificação ABEP, renda per capta, escolaridade materna e paterna, anos de estudos materno e paterno, renda mensal, número de irmãos, número de crianças no domicílio, ordem de nascimento e idade materna. As variáveis onde foram encontrados valores de p<0,10 foram incluídas em um modelo de regressão multivariada. 34 Resultados Durante a coleta de dados, foram encontrados 239 lactentes entre três e 18 meses de idade. Destes, 110 lactentes pertenciam a faixa etária do presente estudo (dez a 18 meses), mas 39 lactentes (35,45%), não puderam participar por apresentarem os seguintes critérios de exclusão: idade gestacional inferior a 37 ou superior a 42 semanas (nove lactentes); peso ao nascimento menor do que 2.500 gramas (oito lactentes); alterações respiratórias crônicas (14 lactentes); ou outro critério de exclusão que poderia comprometer o desenvolvimento motor (oito lactentes). Portanto, a amostra do estudo foi composta por 71 lactentes e suas características estão descritas na Tabela 2. O perfil predominante da amostra foi de lactentes do sexo feminino (56,3%). A maioria (93,0%) não frequentava creche, não possuía irmãos (47,9%) e eram os primeiros filhos (52,1%). Dos cinco lactentes (7,0%) que frequentavam creche, quatro pertenciam à categorização pública e um particular, todos em tempo integral. Houve predomínio de até duas crianças no domicilio (81,7%). A renda mensal predominante foi de até R$1000,00 (49,3%), com maior concentração na classe C2 da ABEP (35,2%) e renda per capta entre os valores de R$150,01 e R$ 400,00 (40,9%). Apenas um indivíduo (1,41%) apresentou-se na classificação A2 e dois (2,82%) na B1. Com relação à escolaridade dos pais, grande parte das mães (45,1%) e dos pais (40,9%) possuía o Ensino Médio completo. A maioria das mães não trabalhava fora do domicilio (64,8%) e a idade materna predominante foi entre 22 e 29 anos (47,9%). No Escore Total do AHEMD-IS, observa-se uma distribuição da amostra nos tercis equivalentes às oportunidades de estimulação ambiental. Na dimensão “espaço físico”, 35,2% dos participantes encontram-se na classificação “Muito fraco”, e 31% nas “atividades diárias”, obtiveram pontuação equivalente à classificação “Muito fraco e Bom”. Já na dimensão “brinquedos”, 29,6% dos participantes da amostra apresentaram classificação “Fraco”. 35 Tabela 2: Distribuição de frequência das características descritivas dos 71 participantes (variáveis categóricas) Variáveis f (%) Número de irmãos Variáveis f (%) Frequenta creche 0 34 (47,9) Sim 5 (7,0) 1 20 (28,2) Não 66 (93,0) 2 ou mais 17 (23.9) Ordem de nascimento Escolaridade materna 1º 37 (52,1) 1ª a 4ª série 9 (12,6) 2º 20 (28,2) 5ª a 8ª série 23 (32,4) 3º ou mais 14 (19,7) Ensino Médio 32 (45,1) Ensino Superior 7 (9,9) Classificação ABEP* Renda mensal A2, B1 e B2 19 (26,7) Até R$ 1000,00 35 (49,3) C1 17 (23,9) R$ 1001,00 a R$2000,00 26 (36,6) C2 25 (35,2) Acima de R$ 2000,00 9 (12,7) D 10 (14,2) Não soube informar 1 (1,4) Escore Total AHEMD-IS** “Espaço físico” Baixa 22 (31,0) Muito fraco 25 (35,2) Média 25 (35,2) Fraco 14 (19,7) Alta 24 (33,8) Bom 18 (25,4) Muito Bom 14 (19,7) “Brinquedos” “Atividades diárias” Muito fraco 22 (31,0) Muito fraco 18 (25,4) Fraco 15 (21,1) Fraco 21 (29,6) Bom 22 (31,0) Bom 15 (21,1) Muito bom 12 (16,9) Muito bom 27 (23,9) f= frequência; * Critério de classificação econômica da Associação Brasileira de Empresas e Pesquisas; ** Affordance in the Home Environment for Motor Development – Infant Scale. 36 A análise descritiva da AIMS e do AHEMD-IS, total e nas dimensões podem ser observadas na Tabela 3. Tabela 3: Análise descritiva das variáveis contínuas dependente (AIMS) e independente (AHEMD-IS) Variáveis n Média±DP Mín. P25 Median. P75 Máx. AIMS 71 65,78 ± 30,98 1 38,46 90,0 90,0 90,0 AHEMD-IS Total 71 58,44 ± 21,23 18 45 56 72 130 AHEMD-IS “Espaço Físico” 71 7,76 ± 2,69 2 6 8 10 13 AHEMD-IS “Atividades” 71 16,14 ± 3,24 11 14 15 18 26 AHEMD-IS “Brinquedos” 71 34,54 ±19,45 0 20 32 43 103 (Índice Percentil) _______________________________________________________________________________ n=número de participantes; DP=desvio padrão; Min.=mínimo; Max.=máximo; Median.=mediana; P25 e P75=percentil 25 e 75. AHEMD- IS: Affordance in the Home Environment for Motor Development – Infant Scale. AIMS: Alberta Infant Motor Scale. A Tabela 3 e o boxplot (Figura 1) indicam que houve grande assimetria e pouca variabilidade da pontuação obtida pelos participantes na AIMS, pois os valores da média e da mediana são bem distintos e os percentis 50 (mediana), 75 e a pontuação máxima foram iguais (P90th), sendo que metade dos participantes obtiveram Índice Percentil maior ou igual a 90. Figura 1: Percentil Exato AIMS. 100 80 60 40 20 0 PERCENTIL EXATO AIMS Nenhum participante do presente estudo atingiu o valor máximo de pontos possível no Escore Total do AHEMD-IS (167) e o valor da mediana encontrado (56 pontos) representa próximo de um terço desta pontuação. 37 Verifica-se na Tabela 3 e na Figura 2 que o Escore Total máximo do AHEMD-IS atingido foi de 130 pontos, sendo este representado por um outlier. Para a dimensão “espaço físico” observa-se que o valor da mediana (oito pontos) é maior do que a metade do valor máximo possível (13 pontos), indicando que a maioria dos lactentes, pontuaram igual ou acima deste valor. Na dimensão “atividades diárias”, a mediana encontrada (15) tem valor próximo à metade de sua amplitude máxima de pontuação (28 pontos). Já na dimensão “brinquedos”, a pontuação máxima possível é de 126 pontos, sendo que o valor da mediana (32) encontrado nesta dimensão é menor do que um terço deste valor, e a pontuação máxima encontrada na amostra, 103 pontos, um outlier. Os valores descritos acima podem ser melhor visualizados na Tabela 3 e Figura 2. Figura 2: Escore Total AHEMD-IS e em cada dimensão. 140 29 120 29 100 80 60 40 15 20 0 TOTAL DE PONTOS AHEMD TOTAL DE PONTOS AHEMD ESPAÇO FÍSICO TOTAL DE PONTOS AHEMD ATIVIDADES DIÁRIAS TOTAL DE PONTOS AHEMD BRINQUEDOS Os participantes do estudo foram avaliados pela AIMS, e através do Escore Bruto calculou-se o Índice Percentil de cada lactente. Considerou-se desempenho alterado aquele que ficou abaixo do percentil dez da curva de desenvolvimento motor da escala. Foram classificados como apresentando desenvolvimento normal 65 participantes (91,5%) e como alterado seis (8,5%). O pequeno número de classificações alteradas dificultou a realização de alguns cruzamentos com as variáveis categóricas. Desta forma, os participantes foram reagrupados em menor número de categorias, inclusive para as variáveis de controle, sendo as dimensões do AHEMD-IS divididas em: “Fraco” e “Muito fraco” / “Bom” e “Muito bom”. Analisando as variáveis AIMS e AHEMD-IS (Escore Total e dimensões) como variáveis categóricas (Tabela 4), observa-se associação estatisticamente 38 significativa da dimensão “espaço físico” com a classificação na AIMS (p=0,029), onde todos com desenvolvimento alterado pertenciam à categoria “Fraco ou Muito fraco” quanto as oportunidades de estimulação ambiental. Não foram encontrados valores estatisticamente significativos segundo o Escore Total do AHEMD-IS (p=0,241) e nas dimensões “atividades diárias” (p=0,201) e “brinquedos” (p=0,683). Apesar do p valor encontrado na associação entre a dimensão “atividades diárias” e a AIMS não ter significância, observa-se que a maior parte dos lactentes com desenvolvimento motor alterado (cinco participantes, 83,3%) pertencia ao grupo “Fraco e Muito fraco” quanto à estimulação ambiental. Tabela 4: Associação AIMS e AHEMD-IS Desenvolvimento motor - AIMS Normal f (%) Alterado Total p-valor f (%) Baixa estimulação 21 (95,5) 1 (4,5) 22 Média estimulação 21 (84,0) 4 (16,0) 25 Alta estimulação 23 (95,8) 1 (4,2) 24 AHEMD-IS Muito fraco e Fraco 33 (84,6) 6 (15,4) 39 “Espaço físico” Bom e Muito bom 32 (100,0) 0 (0) 32 AHEMD-IS Muito fraco e Fraco 32 (86,5) 5 (13,5) 37 Bom e Muito bom 33 (97,1) 1 (2,9) 34 Muito fraco e Fraco 35 (89,7) 4 (10,3) 39 Bom e Muito bom 30 (93,8) 2 (6,3) 32 AHEMD-IS Escore Total “Atividades” AHEMD-IS “Brinquedos” 0,241* 0,029** 0,201** 0,683** f= freqüência; *Teste X²; ** Teste Exacto de Fisher. AHEMD- IS: Affordance in the Home Environment for Motor Development – Infant Scale. AIMS: Alberta Infant Motor Scale. 39 Como o número de participantes com a classificação alterada foi muito pequeno, as possíveis associações também foram verificadas considerando-se o percentil exato obtido pelos participantes na AIMS (variável contínua), considerando-se as categorias do AHEMD-IS Total (através do Teste KruskalWallis) e das dimensões reagrupadas (através do teste de Mann-Whitney). Os achados confirmaram o descrito anteriormente para o cruzamento da AIMS como variável categórica, onde apenas na dimensão “espaço físico” foi encontrada diferença estatisticamente significativa (p=0,042). No AHEMD-IS Total, na dimensão “atividades” e “brinquedos” os valores de p encontrados foram, respectivamente, 0,778, 0,677 e 0,575. Foram testadas as possíveis associações entre a classificação obtida na AIMS e as seguintes variáveis de controle através do teste Qui-quadrado: renda per capta, renda mensal, classificação ABEP, número de irmãos, ordem de nascimento, sexo, se a criança frequenta creche, idade materna, número de crianças no domicilio, escolaridade materna e paterna. As variáveis que indicaram associação estatisticamente significativa com a AIMS foram: número de irmãos (p=0,028); número de crianças no domicilio (p= 0,009); e ordem de nascimento (p= 0,008), Tabela 5. A classificação ABEP e escolaridade paterna mostraram tendência de diferenciação com o desempenho na AIMS (p=0,083 e p=0,087, respectivamente). As outras variáveis não mostraram associação estatisticamente significativa com a classificação obtida na AIMS: renda per capta (p= 0,647); renda mensal (p= 0,204); escolaridade materna (p= 0,534); sexo (p= 0,169); creche (p= 0,366); e aleitamento materno (p= 0,423). 40 Tabela 5: Associação do desempenho da AIMS com as variáveis de controle: número de irmãos, número de crianças no domicílio e ordem de nascimento Desenvolvimento motor - AIMS Normal f Número de irmãos domicílio Ordem de nascimento Total p-valor f (%) 0 32 (94,1) 2 (5,9) 34 1 20 (100,0) 0 (0) 20 2 ou mais 13 (76,5) 4 (23,5) 17 2 (3,4) 58 4 (30,8) 13 Número de crianças no (%) Alterado Até 2 56 (96,6) Acima de 2 9 (69,2) 1º 35 (94,6) 2 (5,4) 37 2º 20 (100,0) 0 (0) 20 3º ou mais 10 (71,4) 4 (28,6) 14 0,028* 0,009** 0,008* f= freqüência; *Teste X²; ** Teste Exacto de Fisher. AIMS: Alberta Infant Motor Scale. Para verificar quais fatores poderiam estar interferindo no desfecho (percentil exato na AIMS) segundo o nível de estimulação (AHEMD-IS Escore Total), foram realizadas análises de regressão univariada com as seguintes variáveis: sexo, creche, trabalho materno fora do domicílio, classificação ABEP, renda per capta, escolaridade materna e paterna, anos de estudos materno e paterno, renda mensal, número de irmãos, número de crianças no domicílio, ordem de nascimento e idade materna. As que se mostraram significativas foram: se a criança frequenta creche (p=0,003), a escolaridade materna (p=0,016) e o número de crianças no domicílio (p=0,045). Quando estas variáveis foram incluídas em um modelo de regressão multivariada, observa-se que somente a variável escolaridade materna mostrou tendência de diferenciação (p=0,091). 41 Discussão O presente estudo apresentou como principal objetivo verificar se havia associação entre as oportunidades de estimulação ambiental e o desenvolvimento motor de lactentes de dez a 18 meses de idade, no contexto domiciliar. Desta forma, os resultados podem acrescentar importantes considerações, uma vez que existe uma literatura escassa sobre o assunto, principalmente quando se considera a utilização da AIMS e do AHEMD-IS e o fato deste último ser um questionário recente e em processo de validação no Brasil. Quando analisado a pontuação total do AHEMD-IS, observa-se que quase metade dos participantes obteve pontos equivalentes a um terço da pontuação total possível ou menos (55,66 pontos). Fato este também apontado pelo estudo de Nobre e colaboradores (2009), quando afirma que as affordances presentes no domicílio se mostram insuficientes, com baixo nível de oportunidades. O fato de não ter sido encontrada associação estatisticamente significativa entre a classificação do Escore Total do AHEMD-IS e do desempenho na AIMS pode estar relacionado ao reduzido número de lactentes que apresentaram desenvolvimento motor alterado na presente amostra (seis 8,5%), o que dificulta os testes estatísticos perceberem alguns aspectos inerentes ás variáveis estudadas. Outra possível explicação é o fato de ter sido utilizada a AIMS para verificar o desenvolvimento motor grosso, podendo este não ser o instrumento mais indicado para a faixa etária do presente estudo, visto que, 53 lactentes (74,6%) estavam acima de 12 meses. Verifica-se que a partir desta idade a variação na pontuação total da escala deve-se principalmente a mudanças na subescala de pé, onde entre o percentil dez e o 90 existem apenas 12 pontos de diferença, e 50% da amostra normativa obteve aos 13 meses 55 do total de 58 pontos possíveis (PIPER e DARRAH, 1994). Isto torna-se ainda mais relevante quando se considera o percentil exato encontrado na amostra, onde houve pouca variabilidade e metade dos participantes obtiveram desempenho maior ou igual ao percentil 90. 42 Quanto às dimensões do AHEMD-IS, foi encontrada associação estatisticamente significativa entre o “espaço físico” e o desempenho motor na AIMS. Uma das possíveis explicações para este achado é que, na faixa etária estudada, a criança normalmente já desenvolveu alguma forma de locomoção, sendo então capaz de explorar por si só o ambiente em que vive e criar novas estratégias adaptativas para a interação com o meio, desde que haja espaço físico e aparatos (p.ex. móveis) adequados e disponíveis para tal. O espaço disponível para estes deslocamentos parece ser muito importante nesta fase, onde características arquitetônicas internas e externas do domicílio podem permitir novas experiências sensório-motoras, proporcionando assim a aquisição e refinamento da postura ortostática, marcha dependente e posteriormente independente. Como esta dimensão representa uma porcentagem muito pequena do total possível no instrumento (7,78%), estas diferenças não foram percebidas quando se considerou para análise o Escore Total do AHEMD-IS. Lima e colaboradores (2001), destacam que estas experiências acontecem e são enriquecidas com a variabilidade e complexidade do ambiente. Este fato também é reforçado por Gagen e Getchell (2006) quando estes afirmam que a forma como uma criança se move muda através do tempo em função da experiência e do aprendizado, assim como do contexto e da tarefa. No presente estudo o fato do lactente não possuir irmãos, possuir mais de dois irmãos ou existirem mais de duas crianças no domicílio influenciou negativamente o desenvolvimento motor. De acordo com Andrade e colaboradores (2005), a interação da criança com outras crianças é um dos principais elementos para uma adequada estimulação no espaço familiar. Acredita-se que residências com filhos únicos oferecem poucos estímulos sociais e modelos motores para que ele se desenvolva, pois este terá menos oportunidades de observar e reproduzir atividades que outros lactentes de faixas etárias superiores já realizam. Em contrapartida, um número elevado de crianças em um mesmo ambiente parece não proporcionar oportunidades adequadas e/ou suficientes para aquisição de habilidades motoras, uma vez que a criança terá que dividir com as demais os estímulos do ambiente em que vive e a atenção dos pais. Estes achados são corroborados por Sameroff e 43 Seifer (1983) e Andraca e colaboradores (1998), que consideram essa variável como fator de risco para a qualidade do ambiente, onde famílias numerosas tendem a ser menos estimuladoras. A variável classificação ABEP e escolaridade paterna mostraram tendência de diferenciação com o desempenho na AIMS, onde lactentes pertencentes a classes mais baixas, com menor renda e/ou com baixa escolaridade dos pais, apresentaram pior desenvolvimento motor. Estudos anteriores afirmam que a condição de pobreza amplifica a vulnerabilidade biológica da criança, levando a resultados desfavoráveis no desenvolvimento (ANDRACA et al., 1998), e que a parcela mais desfavorecida da população acumula fatores sociais, econômicos e biológicos, que determinam maior chance de atraso no desenvolvimento motor (HALPERN et al., 2000). Ainda, segundo a Unicef (2006), a escolaridade dos chefes da família afeta substancialmente o nível de bem-estar de seus filhos devido à vulnerabilidade das crianças na primeira infância. De acordo com Santos e colaboradores (2009), a baixa escolaridade do pai também é considerada um fator de risco para o desenvolvimento motor, pois se mostrou associada com o atraso nas habilidades motoras de locomoção. Este contexto apresenta uma repercussão indireta sobre a capacidade de cuidar adequadamente dos seus filhos, na medida em que reduz o acesso às informações veiculadas pelos serviços de saúde, educação, mídia e a compreensão delas (MOREIRA e LORDELO, 2002). Outro achado do presente estudo foi que lactentes com mães que não completaram o Ensino Médio e estão inseridos em um ambiente com baixas oportunidades de estimulação, possuem maior probabilidade de apresentarem baixo desempenho na AIMS. Mães com maior escolaridade parecem possuir maior acesso a informações sobre o desenvolvimento infantil e interagir melhor com seus filhos, respondendo adequadamente às suas solicitações e provendo melhores condições estruturais e emocionais para o adequado desenvolvimento motor (MARTINS et al., 2004). Ao contrário, lactentes que possuem baixas oportunidades de estimulação em seu domicílio, mas frequentam creche, sofrem influencia positiva no desenvolvimento motor, pois parecem ser mais expostos a diferentes situações físicas e sociais. Bradley e Vandell (2007) destacam que 44 as experiências da criança na creche interagem com suas experiências na família e com as próprias características da criança para produzir os resultados no desenvolvimento. Santos e colaboradores (2009) afirmam que na creche, a criança é desafiada motora e cognitivamente em atividades, interação com as pessoas, contato com objetos e estímulos diferentes dos encontrados em seu ambiente familiar. O presente estudo apresentou como limitações o fato da amostra conter um número reduzido de lactentes abaixo de 12 meses e a utilização de um instrumento (AIMS) que parece não permitir maior detalhamento do desenvolvimento motor acima desta idade. Desta forma, sugere-se a realização de novas pesquisas que utilizem outros instrumentos de avaliação do desenvolvimento motor nesta faixa etária para elucidar os achados do presente estudo. Concluindo, os resultados indicam que não houve associação estatisticamente significativa entre o Escore Total do AHEMD-IS com o desempenho na AIMS, mas considerando-se as dimensões do instrumento, foi encontrada associação da dimensão “espaço físico” com o desenvolvimento motor de lactentes de dez a 18 meses, parecendo este ser um importante aspecto influenciador do desenvolvimento nesta faixa etária. Além disto, múltiplos fatores como número de irmãos e de crianças no domicílio, ordem de nascimento, escolaridade materna e paterna, classificação ABEP e o fato da criança frequentar creche, parecem influenciar o desenvolvimento motor e esta interação. Os achados possibilitam o melhor conhecimento da realidade presente na cidade de Juiz de Fora e a investigação de possíveis fatores associados ao desenvolvimento motor, o que permitirá melhor delineamento de estudos futuros e orientação de práticas que considerem a visão ampliada em saúde, auxiliando no planejamento de estratégias e políticas de ação que possam melhorar a realidade encontrada. 45 Referências ANDRACA, I.; PINO, P.; LA PARRA, A.; RIVERA, F.; CASTILO, M. Risk factors for psychomotor development among infants born under optimal biological conditions. Rev Saúde Pública, v.32, p.138-147, 1998. ANDRADE, S. A.; SANTOS, D. N.; BASTOS, A. C.; PEDROMÔNICO, M. R. M.; ALMEIDA-FILHO, N.; BARRETO, M. L. Ambiente familiar e desenvolvimento cognitivo infantil: uma abordagem epidemiológica. Rev Saúde Publica, v.39, n.4, p.606-611, 2005. BATISTELA, A. C. T. Relação entre as oportunidades de estimulação motora no lar e o desempenho motor de lactentes-um estudo exploratório. 2010. 100f. 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Sexo: ( )F ( )M Nome do entrevistado: ____________________________________________ Parentesco com a criança: _________________________________________ Endereço: _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ Telefone: ______________ 2.CARACTERÍSTICAS DA CRIANÇA Peso ao nascimento: __________ gramas (verificar na Caderneta da Criança): ( )Extremo Baixo Peso ( ) Baixo Peso ( ) Muito Baixo Peso ( )≥ 2.500g Idade Gestacional: ________ semanas (verificar na Caderneta da Criança): ( ) Prematuro extremo ( ) A termo ( ) Prematuro ( ) Pós termo Presença de irmãos: ( ) Não ( ) Sim Quantos: _________ Ordem de nascimento: ______________. Gemelaridade: ( ) Não ( ) Sim: ( )gêmeos ( )trigêmios ( )quadrigêmios Óbito: ( ) Não ( ) Sim Quantos?_____________ ( )mais A criança alimenta ou alimentou com o leite da mãe? ( ) Não ( ) Sim Por quanto tempo? _________________ A criança convive com o pai? ( ) Não ( ) Sim ( ) Sempre ( ) Quase sempre ( ) Quase nunca A criança frequenta creche? ( ) Não ( ) Sim ( )Particular ( ) Pública Tempo: ( ) Integral ( ) Meio período A criança realiza algum tipo de intervenção ou freqüenta programa de follow up? 49 ( ) Não ( ) Sim Tipo:________________________________________ Local: _______________________________________ A criança permaneceu internada durante o primeiro ano de vida? ( ) Não ( ) Sim: ( ) 1vez ( ) 2 vezes ( ) 3 vezes ( ) 4 ou mais vezes Motivo:_________________________________________________________ A criança apresenta alguma patologia ou problema de saúde? ( ) Não ( ) Sim Qual? ___________________________________________________ 3. CARACTERÍSTICAS DA FAMÍLIA Chefe da família (Quem é considerado o chefe da família?): ( ) Mãe ( ) Avó ( ) Pai ( ) Outro: __________________ ( ) Avô Cuidador da criança (quem cuida a maior parte do tempo da criança?): ( ) Mãe ( ) Babá ( ) Pai ( ) Irmão/ Irmã ( ) Avô ( ) Outro: ___________________ ( ) Avó Idade materna: ______ anos. Trabalho materno: A mãe trabalha fora do domicílio? ( ) Não ( ) Sim Quantas horas/dia?____________ Escolaridade da mãe: até que série estudou? Anos de estudo com aproveitamento: ______________ anos. Escolaridade do pai: até que série estudou? Anos de estudo com aproveitamento: ______________ anos. Estado civil da mãe: ( ) Solteira ( ) Casada ( ) União conjugal estável Outro: _______________ ( ) Divorciada ou Desquitada ( ) Viúva ( ) Não respondeu Renda mensal da família: soma dos salários = R$________________ Número de pessoas que residem no domicílio: __________ pessoas. 50 Critério de Classificação Econômica (ABEP) Posse de itens Quantidade de itens 0 1 2 Televisão em cores 0 1 2 Rádio 0 1 2 Banheiro 0 4 5 Automóvel 0 4 7 Empregada mensalista 0 3 4 Maquina de lavar 0 2 2 Vídeo Cassete e/ou 0 2 2 DVD Geladeira 0 4 4 Freezer (independente 0 2 2 ou geladeira duplex) 3 3 3 6 9 4 2 2 4 ou + 4 4 7 9 4 2 2 4 2 4 2 Grau de Instrução do Chefe da Família Analfabeto/ Primário Incompleto Analfabeto/ Até a 3ª Fundamental Primário Completo/ Ginasial Até 4ª Série Fundamental Incompleto Ginasial Completo/ Colegial Fundamental Completo Incompleto Colegial Completo/ Superior Médio Completo Incompleto Superior Completo Superior Completo Série 0 1 2 4 8 TOTAL DE PONTOS: ________________ CLASSE PONTOS A1 42 - 46 CLASSE: A1( ) A2( ) A2 35 - 41 B1( B1 29 - 34 ) B2( B2 23 - 28 ) C1( C1 18 - 22 ) C2 14 - 17 C2( ) D 8 - 13 D( ) E 0-7 E( ) OBSERVAÇÕES_________________________________________________ Entrevistador responsável:____________________________________________________ Supervisor responsável:____________________________________________________ 51 APÊNDICE B TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Universidade Federal de Juiz de Fora Programa de pós-graduação em Saúde Coletiva Mestrado Acadêmico PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Luiz Cláudio Ribeiro ENDEREÇO: NÚCLEO DE ASSESSORIA, TREINAMENTO E ESTUDOS EM SAÚDE - NATES CAMPUS DA UFJF – BAIRRO MARTELOS. CEP:36036-330 – JUIZ DE FORA – MG FONE: (32)2102-3830 E-MAIL: [email protected] TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO O Sr. (a) está sendo convidado (a) como voluntário (a) a participar da pesquisa “INQUÉRITO EM SAÚDE DA POPULAÇÃO DE JUIZ DE FORA: Oportunidade do ambiente domiciliar e fatores associados para o desenvolvimento entre três e 18 meses de idade”. O objetivo deste estudo é avaliar as condições de saúde da população e o seu acesso aos serviços. A importância do estudo é justificada pela necessidade de conhecer as condições de saúde da população e contribuir para a criação de políticas públicas nesta área. O estudo consiste na realização de uma entrevista na qual será aplicado questionários na população residente em Juiz de Fora. Os riscos relacionados à participação no estudo são mínimos, comparáveis aos riscos das suas atividades de rotina. Participar da pesquisa não implica em custos, remuneração, ou qualquer ganho material (brindes, indenização, etc.). A participação no estudo será voluntária, não havendo nenhum tipo de prejuízo ou penalização. Os danos previsíveis serão evitados. Porém, qualquer tipo de problema ou desconforto detectado será imediatamente sanado pelos pesquisadores, ou por quem de direito, sem qualquer custo para o voluntário da pesquisa. É garantido a todos os participantes que se retirem da pesquisa quando assim desejarem, sem qualquer prejuízo financeiro, moral, físico ou social. Todas as informações colhidas serão cuidadosamente guardadas, garantindo o sigilo e a 52 privacidade dos entrevistados, que poderão obter informações sobre a pesquisa quando necessário pelo telefone (32) 3229-3830. Seu nome ou o material que indique sua participação não será liberado sem a sua permissão. O (A) Sr (a) não será identificado em nenhuma publicação que possa resultar deste estudo. Este termo de consentimento encontra-se impresso em duas vias, sendo que uma cópia será arquivada pelos pesquisadores responsáveis, no Núcleo de Assessoria, Treinamento e Estudos em Saúde (NATES) e a outra será fornecida a você. Eu, ____________________________________________, portador do documento de Identidade ____________________ fui informado (a) dos objetivos do estudo ““INQUÉRITO EM SAÚDE DA POPULAÇÃO DE JUIZ DE FORA: Oportunidade do ambiente domiciliar e fatores associados para o desenvolvimento entre três e 18 meses de idade”, de maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei que a qualquer momento poderei solicitar novas informações e modificar minha decisão de participar se assim o desejar. Declaro que concordo em participar desse estudo. Recebi uma cópia deste termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada à oportunidade de ler e esclarecer as minhas dúvidas. Juiz de Fora, _________ de __________________________ de 2010. Nome Assinatura participante Data Nome Assinatura pesquisador Data Nome Assinatura testemunha Data 53 Em caso de dúvidas com respeito aos aspectos éticos deste estudo, você poderá consultar o CEP- COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA/UFJF CAMPUS UNIVERSITÁRIO DA UFJF PRÓ-REITORIA DE PESQUISA CEP 36036.900 FONE: 32 3220 3788 54 ANEXO A PARECER DO COMITÊ DE ÉTICA 55 ANEXO B Alberta Infant Motor Scale (AIMS) 56 57 58 59 60 61 ANEXO C Affordance in the Home Environment for Motor Development – Infant Scale (AHEMD-IS) Questionário (3 a 18 meses) 62 63 64 65 66 67 68 69 70 ANEXO D CRITÉRIO DE CLASSIFICAÇÃO ECONÔMICA BRASIL 71 72 73