XXX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Maturidade e desafios da Engenharia de Produção: competitividade das empresas, condições de trabalho, meio ambiente. São Carlos, SP, Brasil, 12 a15 de outubro de 2010. INVESTIGAÇÃO DO COMPORTAMENTO EMPREENDEDOR COLETIVO EM APLS: UM MODELO PARA MENSURAÇÃO Jóice da Silva Pedro (uenf) [email protected] Alcimar das Chagas Ribeiro (uenf) [email protected] Renata Barreto Colares (uenf) [email protected] A investigação do empreendedorismo em Arranjos Produtivos Locais vislumbra o empreendedor como um criador de redes, em oposição à percepção predominante deste como um ator individualista. Neste sentido, se destaca o papel do empreendedor cooletivo, que embora possua a mesma capacidade de inovação, comprometimento e obstinação do empreendedor individual, é dotado também de uma visão do tecido social e da habilidade de cooperação e articulação. O presente trabalho expõe parte de uma pesquisa que investiga tal fenômeno e tem como objetivo apresentar o referencial teórico e as bases metodológicas da construção de um modelo de mensuração do comportamento empreendedor coletivo em APLs. O modelo propõe três dimensões que caracterizam o empreendedorismo coletivo características comportamentais empreendedoras dos agentes, o capital social que embasa suas relações e a verificação de resultados das ações conjuntas - e apresenta seus respectivos indicadores. Palavras-chaves: empreendedorismo coletivo, capital social, APL 1. Introdução A atitude empreendedora seja isolada ou coletiva, ganha cada vez mais força em nossa sociedade contemporânea. Desenvolver o empreendedorismo é prioridade em muitos países, inclusive para o Brasil, visto que o Desenvolvimento Econômico está intimamente relacionado ao grau de empreendedorismo de uma comunidade. As aglomerações produtivas do tipo Arranjo Produtivo Local (APL), por sua vez, constituem-se em importantes fontes geradoras de Desenvolvimento Econômico Local, na medida em que aproveitam a sinergia coletiva, num vínculo expressivo de produção, integração, cooperação e aprendizagem (CASSIOLATO & LASTRES, 2003). A investigação do empreendedorismo em APLs requer uma análise da componente sóciocultural vinculada ao território. Para Albagli e Maciel (2002) ambientes mais propícios ao empreendedorismo são aqueles em que ocorrem processos interativos e cooperativos de aprendizado e de inovação; daí a importância de se promover a capacitação local em inovação e aprendizado de forma coletiva e sistêmica. Nesse contexto, assumem novo papel os sistemas de relações entre os diferentes atores e que formam o objeto da análise sobre o capital social. As empresas que compõem os APLs dependem da relação de cumplicidade entre os agentes sem abrir mão das relações de competitividade. Conforme Sachs (2003), o fato dos empreendedores de um mesmo ramo competirem entre si não exclui iniciativas e ações compartilhadas, voltadas à solução de problemas comuns, ao aprimoramento da infraestrutura e da rede de serviços locais, à atuação conjunta nos mercados para compras e vendas compartilhadas, à negociação com os poderes públicos locais e nacionais, dentre outras. Se definir empreendedorismo não é uma tarefa fácil, mensurá-lo se torna ainda mais complexo, principalmente quando a unidade de análise recai para a ação empreendedora coletiva em APLs. O presente trabalho oferece uma contribuição para a discussão em torno desse tema propondo um modelo para investigação desse perfil empreendedor. Dessa forma, este estudo objetiva apresentar o referencial teórico e as bases metodológicas da construção de um modelo de mensuração do comportamento empreendedor coletivo em APLs, estabelecendo as dimensões e indicadores que caracterizam tal fenômeno. 2. Definindo Empreendedorismo, Empreendedor e Empreendedor Coletivo Muitas são as definições para empreendedorismo. De acordo com Dornelas, a visão de Shumpeter representa uma das definições mais antigas e que talvez melhor reflita o espírito empreendedor. Para Shumpeter (1949 apud Dornelas, 2001) “o empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existentente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais”. Schein (1985) relaciona o empreendedorismo à criatividade e à propensão de criar algo novo, envolvendo a motivação para superar obstáculos, propensão aos riscos e desejo de elevação pessoal em qualquer objetivo a ser alcançado. Para Carton et al. (1998) a essência do empreendedorismo é a busca de uma oportunidade descontínua envolvendo a criação de uma organização (ou sub-organização) com a expectativa de criação de valor para os participantes. Filion (1999 p.19) define o empreendedor como “uma pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos e que mantém alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-a para identificar oportunidades de negócios. Um empreendedor que continua a aprender a respeito de possíveis oportunidades de negócios e a 2 tomar decisões moderadamente arriscadas que objetivam a inovação, continuará a desempenhar um papel empreendedor”. O próprio autor resumindo a definição aos seus elementos essenciais, define: “O empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões”. Até recentemente, o estudo sobre o fenômeno do empreendedorismo se concentrou no individuo. Porém, desde a década de 1980, a importância dos contatos sociais e redes de empresas e de desempenho empresarial tem sido mais amplamente reconhecida. De acordo com essas perspectivas emergentes, desde que a atividade econômica está inserida na sociedade, o empresário inovador desenvolve capital social através da construção de redes que fornecem fontes externas de informação, apoio financeiro e conhecimentos que permitam a aprendizagem mútua. O empreendedorismo coletivo ocorre quando o esforço total é maior do que a soma das contribuições individuais (REICH, 1987). Pode ser representado por formas de associativismo, que vão desde a criação de entidades de representação política e sindical, até ações como compras em comum, serviços pós-venda, prospecção e venda nos mercados externos, controle de qualidade e aval solidário (SACHS, 2003). Segundo Martinez (2004) o empreendedorismo coletivo pode se manifestar em todo tipo de “arranjo” coletivo seja uma equipe, um grupo, dentro de uma empresa ou em uma rede de empresas. Ele acrescenta que o empreendedorismo coletivo não é simplesmente a soma do empreendedorismo individual de cada membro da equipe, pois em muitos casos, um indivíduo sozinho não é empreendedor, mas quando trabalha em equipe, se torna um empreendedor. Os relacionamentos são muito importantes para os empreendedores, mas entender como eles funcionam exige uma valorização do capital social (COPE ET AL., 2007). O capital social, nesta perspectiva, representa o conhecimento combinado, bens culturais, habilidades, competências e redes da sociedade civil. Um aglomerado de empresas em si não leva necessariamente à cooperação. É necessária a existência de uma estrutura de relacionamentos entre os agentes envolvidos que estejam assentadas em um enraizamento (embeddedness) no local, aonde os agentes compartilhem história, normas e valores comuns, facilitando o desenvolvimento de capital social e funcionando como um anteparo, um controle, a comportamentos oportunistas ou mal-intencionados (COSTA & COSTA 2005). O capital social vem a ser a base sobre a qual os empreendedores podem construir suas relações tendo em vista o fortalecimento do aglomerado como um todo e conseqüentemente de suas unidades produtivas. Para Dolabela (2003), o resultado do trabalho do Empreendedor Coletivo é o desenvolvimento do capital social, na tentativa de tentar provocar mudanças que conduzam à sustentabilidade, à auto-suficiência, tornando dinâmicas as potencialidades da comunidade, criando condições para que os seus habitantes sejam protagonistas, através de redes de cooperação internas e externas, na construção de seu próprio desenvolvimento. 2.1 Características Comportamentais Empreendedoras e Mensuração Para Stevenson e Gumpert (1985) o perfil empreendedor não se caracteriza como traços que algumas pessoas ou organizações possuem e outras não. Eles compreendem o empreendedorismo dentro do contexto de variação de comportamento, onde o indivíduo se situa em um continuum que possui, como extremos, aqueles mais voltados para a manutenção do status quo e outros com perfil empreendedor, orientado para a mudança, inovação e identificação de oportunidades. 3 McClelland identificou um forte elemento psicológico que caracterizava os empreendedores bem-sucedidos: a “motivação por realizações” ou um “impulso para aprimoramentos”. Isso resultou em uma abordagem do empreendedorismo como um conjunto de comportamentos e práticas que podem ser observadas e adquiridas. McClelland (1972) enumera dez características comportamentais empreendedoras, a saber: busca de oportunidades e iniciativa, persistência, propensão aos riscos, exigência de eficiência e qualidade, comprometimento com o trabalho, estabelecimento de metas, busca de informações, monitoramento e planejamento sistemático, persuasão e rede de contatos, independência e autoconfiança. Timmons; Smollen; Dingee (1977), enumeram algumas características comuns aos empreendedores, que os tornam pessoas incomuns, sendo elas: impulso e energia, autoconfiança; comprometimento; orientação para metas; propensão aos riscos calculados; lidam com falhas; fazem feedback; tomam iniciativa e assumem responsabilidade; usam recursos; competição interna; auto controle; tolerância para ambigüidade e incerteza. O quadro 01 sumariza as principais características comportamentais empreendedoras na visão de diversos autores. Características Autores Autoconfiança Busca de oportunidades Criatividade Propensão a assumir riscos Iniciativa Inovação Motivação Necessidade de Realização Persistência Orientação para metas Tolerância à ambigüidade Visão Stevenson e Gumpert (1985); McClelland (1972); Timmons et al (1977); Filion (1999); Dornellas (2001); Drucker (2002) Morris e Kuratko (2002); Filion (1999); McClelland (1972); Dornelas (2001) Shein (1985); Filion (1999) Cantillon (1700); Say (1800); McClelland (1972); Timmons et al (1977); Shein (1985); Carland & Carland (1992); Filion (1999); Dornelas (2001); Drucker (2002) Cantillon (1725); McClelland (1972); Timmons et al (1977); Stevenson e Gumpert (1985); Filion (1999); Dornelas (2001); Dolabela Say (1800); Shumpeter (1982); Shein (1985); Filion (1999); Dornelas (2001); Drucker (2002); Shein (1985); Dornelas (2001); Drucker (2002) McClelland (1972); Shumpeter (1982); Stevenson e Gumpert (1985); Carland &Carland (1992) Say (1800); McClelland (1972); Dornelas (2001) Timmons et al (1977) Timmons et al (1977); Fillion (1999); Drucker (2002) Say (1800); Filion (1999); Dolabela (1999); Dornelas (2001); Drucker (2002). Fonte: elaboração própria Quadro 01 – Características Comportamentais Empreendedoras Com relação à mensuração do comportamento empreendedor, três instrumentos se destacam na literatura. O instrumento de McClelland, já citado anteriormente, o CEI e a pesquisa GEM. O CEI (Carland Entrepreneurship Index) foi elaborado por Jim e Joann Carland (1992). Sua construção evoluiu a partir de quatro elementos do espírito empreendedor que se destacaram: personalidade, preferência para a inovação, propensão à tomada de riscos e postura estratégica. O instrumento consiste em um questionário de auto-resposta com trinta e três frases afirmativas em pares no formato de escolha forçada (INÁCIO & GIMENEZ, 2004). Os indivíduos são colocados, segundo a escala do CEI, entre os valores de 0 a 33 pontos, contidos em três faixas: micro-empreendedor (0 a 15), que possui baixos níveis de orientação 4 empreendedora; empreendedor (16 a 25), que se situam perto do ponto médio do continuum e macro-empreendedor (26 a 33), indivíduos altamente capazes de criar e gerir empresas que possam ter maior impacto econômico. A pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), realizada deste 1999, tem como objetivo principal, estimar a quantidade de indivíduos envolvidos em atividades empreendedoras em um determinado momento do tempo. Busca analisar as relações entre o crescimento econômico e o empreendedorismo nos países membros do OECD e em países em desenvolvimento. A pesquisa encerra que a principal ação de um governo para promover o crescimento econômico consiste em estimular e apoiar o empreendedorismo, colocando-o no topo das políticas públicas (INÁCIO & GIMENEZ, 2004). A principal unidade de medida relativa ao empreendedorismo é a TEA ou Taxa de Empreendedores Iniciais, que é a porcentagem da população que está ativamente envolvida na criação de novos empreendimentos com até 42 meses de existência. 3. Capital Social A definição mais comum de capital social descreve-o como "características da organização social, tais como redes, normas e confiança social que facilitam a coordenação e cooperação para benefício mútuo" (Putnam, 1995 pag 67 apud Krishna & Shrader, 1999). Narayan e Pritchett (2000) afirmam que a literatura sobre o capital social pode ser separada em três "correntes", a primeira das quais diz respeito à política de nível nacional, enquanto a segunda focaliza o meso (nível de eficácia das instituições, em um sentido mais amplo da palavra). Finalmente, no nível micro, o capital social consiste de redes e normas que regem as interações entre indivíduos, famílias e comunidades. De acordo com Grottaert et al. (2003) existem dois tipos básicos de capital social: capital social de “ligação” – laços entre pessoas similares, no sentido de que compartilham características demográficas, tais como familiares, vizinhos, amigos e colegas de trabalho – e capital social de “ponte” – laços que ligam as pessoas que não compartilham muitas dessas características (ver Gittell e Vidal 1998, Putnam 2000, Narayan 2002). A distinção entre esses dois conceitos é referida por alguns autores como capital social “estrutural” e “cognitivo”, respectivamente (ver Krishna e Uphoff, 2002). A dimensão estrutural compreende o que facilita a interação social e a dimensão cognitiva representa o que predispõe as pessoas a agir de forma socialmente benéfica. Estas duas partes trabalham de forma interativa, e se reforçam mutuamente. Uma terceira classificação conceitual tem surgido em estudos recentes: o chamado capital social de “conexão” (ver Woolcock, 1999; Banco Mundial, 2000). Este, refere-se aos laços mantidos com as pessoas que detêm posições de autoridade, tais como representantes de instituições públicas (polícia, partidos políticos) e privadas (bancos). Rose (1999) separa a análise do capital social em três abordagens alternativas relacionando-as aos seus expoentes: a teoria situacional, a abordagem psico-social e a teoria da cultura. A teoria situacional admite que o capital social é um fenômeno endógeno nas relações sociais e varia de pessoa para pessoa e de situação para situação (ver Coleman, 1990); a abordagem psico-social assume o capital social como um conjunto de crenças e normas culturais. Os defensores desta abordagem argumentam que organizações de voluntários emergem como uma conseqüência da confiança, e não o inverso, ou seja, capital social é, em essência igual a confiança (ver Inglehart, 1997). Por fim, os defensores da teoria da cultura acreditam que o capital social é homogêneo entre indivíduos pertencentes a uma mesma cultura (sociedade), bem como a coerência de situação para situação (ver Fukuyama, 1995). 3.1 Mensuração do Capital Social 5 Há um grande controvérsia sobre a possibilidade, conveniência e praticidade da medição do capital social, pois este possui construções que são inerentemente abstratas e exigem uma interpretação subjetiva na sua tradução em medidas concretas (Grootaert et al., 2003). Vale et al. (2006) afirma que as linhas clássicas da pesquisa sobre capital social compreendem estudos de natureza comparativa, estudos qualitativos e estudos quantitativos. Nos estudos de natureza comparativa destaca-se o trabalho de Putnam (1993) sobre o governo regional na Itália, onde procura explicar as diferenças de engajamento cívico e governos regionais efetivos entre o Centro-Norte e o Sul da Itália, a partir de seus diferentes estoques de capital social. Com relação aos estudos de natureza qualitativa, Anderson (1995 apud Milani 2003), estudou, nos Estados Unidos, o papel das “cabeças velhas”, os anciãos de comunidades afroamericanas, considerando-os como fontes de capital social (sabedoria e conselhos aos jovens). Os estudos de natureza quantitativa, por sua vez, preocupam-se com a aferição e a mensuração do fenômeno do capital social – captado por meio de proxies - e suas implicações sócio-econômicas (VALE ET AL., 2006). Narayan e Pritchett (1995), por exemplo, desenvolveram uma pesquisa sobre capital social e pobreza na Tanzânia, destacando que as regiões em que a pobreza era menor, também tinham níveis de capital social mais elevado. Vários autores tem se empenhado na tentativa de estabelecer indicadores de capital social. Krishna e Shrader (1999) construíram um questionário bastante extenso, na tentativa de englobar todos os aspectos possíveis do capital social: o SCAT (Social Capital Assessement Tool). O SCAT enfoca indicadores do capital cognitivo e capital estrutural no nível micro e as formas como se interagem na comunidade, lar e nos níveis institucionais. Spellenberg (2001) e sua equipe, no documento intitulado “Framework for the Measurment of Social Capital in New Zealand” desenvolvem as bases para mensuração do capital social na Nova Zelândia, com base em quatro dimensões principais: comportamentos, atitudes e valores, perfil da população e as organizações existentes na comunidade. O trabalho desenvolvido por Grootaert et al. (2003) recebeu o nome de Integrated Questionnaire for the Measurement of Social Capital (SC-IQ). O objetivo do instrumento é prover um conjunto de questões essenciais do tipo survey para todos aqueles interessados em gerar dados quantitativos sobre várias dimensões do capital social, como parte de surveys domiciliares mais amplos, (tais como as Pesquisas de Padrão de Vida – PPV). O quadro 02 apresenta os indicadores de capital social utilizados por estes autores. Estrutural Cognitivo Tipo de capital social Autor Krishna e Shrader (1999) Spellenberg (2001) Grootaert et al (2003) - Estrutura organizacional horizontal - Processo de tomada de decisão coletiva/transparente Responsabilização dos lideres - Práticas de ação coletiva e responsabilidade -Estruturas organizacionais formais e informais - Mandato e autoridade Participação em associações em redes locais Valores (confiança, solidariedade e reciprocidade) - Normas Sociais - Comportamentos - Atitudes - Normas e sansões -Obrigações e expectativas - Confiança - Solidariedade 6 Outros aspectos considerados - Fontes de informação ---------- - Ação coletiva e cooperação - Comunicação e informação - Coesão e inclusão social - Autoridade e participação política Fonte: elaboração própria Quadro 2 - Indicadores de Capital Social 4. Arranjos Produtivos Locais e o papel do Empreendedorismo e Capital Social Alfred Marshal foi pioneiro na investigação do papel das aglomerações produtivas enquanto unidades de interação e promoção do desenvolvimento territorial. Ele verificou que pequenas firmas concentradas na manufatura de produtos específicos, em atividades econômicas como têxtil, gráfica e cutelaria, aglomeravam-se em geral na periferia dos centros produtores (BECATINI, 2002). A década de 70 marcou o ressurgimento da região ou localidade como foco central de vantagens competitivas e inovativas. Este fato foi largamente ilustrado pelo sucesso de algumas experiências de economias regionais, cujo dinamismo encontrava-se fundamentado extensivamente em ativos locais, tais como os Distritos Industriais na região da Terceira Itália, o Vale do Silício na Califórnia, Baden-Wurttemberg, na Alemanha, entre outras (LASTRES & CASSIOLATO, 2005). No Brasil estas aglomerações produtivas são chamadas de Arranjos Produtivos Locais (APLs) e vêm assumindo um importante papel para o Desenvolvimento Regional, visto que se apóiam na identidade e vocação local aliada à cooperação e difusão de conhecimento, como forma de ultrapassar as barreiras impostas ao crescimento. Lastres & Cassiolato (2005) apontam como principais características dos APLs: a dimensão territorial; a diversidade de atividades e atores econômicos, políticos e sociais; o conhecimento tácito; a inovação e aprendizado interativos; a governança e o grau de enraizamento. A formação dos APLs está geralmente associada a trajetórias históricas de construção de identidades e de formação de vínculos territoriais (regionais e locais), a partir de uma base social, cultural, política e econômica comum. De acordo com Lastres & Cassiolato (2005), o argumento básico do enfoque conceitual e analítico, é que onde houver a produção de qualquer bem ou serviço, haverá sempre um arranjo em torno da mesma, envolvendo atividades e atores relacionados à aquisição de matérias-primas, máquinas e demais insumos. Suzigan (2006 p. 3) destaca que um ponto comum verificado nas experiências com APLs trata-se da capacidade de geração de economias externas que podem ser incidentais e decorrentes da existência de um amplo contingente de mão-de-obra especializada e com habilidades específicas ao sistema local; da presença e atração de um conjunto de fornecedores especializados de matéria-prima, componentes e serviços; e grande disseminação dos conhecimentos, habilidades e informações, por meio de transbordamentos locais (spill-overs), concernentes ao ramo de atividade dos produtores locais. Os agentes locais podem ter sua capacidade competitiva reforçada ainda por meio de ações conjuntas deliberadas, tais como compra de matérias primas, promoção de cursos de capacitação gerencial e formação profissional, criação de consórcios de exportação, contratação de serviços especializados, estabelecimento de centros tecnológicos de uso coletivo, cooperativas de crédito, entre outros. A aplicação do conceito de capital social a APLs requer que sejam consideradas as especificidades dessa unidade de análise, enquanto vinculada ao desempenho competitivo. De 7 acordo com Costa & Costa (2005), nos APLs as empresas têm por objetivo a obtenção de ganhos pecuniários, de modo que se posicionar de maneira favorável no mercado, ou de pelo menos se manter ao nível dos concorrentes, fazem parte de suas estratégias individuais. O autor defende que no interior do distrito haveria um mix de cooperação e competição. A cooperação minimizaria as deficiências de escala, contribuiria para a redução de riscos e de custos de transação, facilitaria o fluxo de recursos, manteria a capacidade inovativa do aglomerado e divisaria novas oportunidades. A competição, por sua vez, daria dinamismo ao distrito, fortalecendo a competitividade de suas empresas mediante a difusão de melhores práticas produtivas. Borges (2008) analisa em seu trabalho a influência do capital social do empreendedor sobre o processo de criação de empresas de base tecnológica. Partindo da leitura e análise de artigos conceituais, estudos empíricos e com base na convivência com empreendedores tecnológicos e empresas nascentes, o autor formulou 16 proposições visando a melhor compreensão da interseção entre as teorias do capital social e do empreendedorismo, reunindo-as em cinco grupos: identificação de oportunidades de negócio; acesso aos recursos financeiros; aprendizagem de novas tecnologias; processo de legitimização de uma empresa nova; trabalho em equipe e parcerias. 5. O modelo proposto 5.1 Aspectos Metodológicos da Construção do Modelo Buscando atingir o objetivo proposto, esta pesquisa utilizou-se de um modelo metodológico classificado como descritiva. Segundo Gil (2002) a pesquisa descritiva tem como objetivo principal a descrição das características de determinadas populações ou fenômenos, visando descobrir também a existência de associações entre variáveis. Partindo de leituras revisionais sobre o fenômeno do empreendedorismo em Arranjos Produtivos Locais, foram identificadas algumas questões essenciais para a análise do perfil empreendedor coletivo a ser investigado nos APLs. De forma geral, as pesquisas que investigam o perfil empreendedor nos APLs baseiam seus instrumentos em trabalhos que priorizaram apenas a investigação do comportamento empreendedor individual. Este trabalho propõem que a análise desse perfil empreendedor necessita ser enriquecida através da investigação do nível de capital social que “lubrifica” as ações empreendedoras em prol do APL. Neste contexto, o empreendedor coletivo será definido como “indivíduo ou grupo de indivíduos capazes de perseguir interesses comunitários com a mesma capacidade de inovação, comprometimento e obstinação do empreendedor privado, muito embora também dotado de uma visão do tecido social e da habilidade de cooperação e articulação com os vários grupos sociais relevantes” (VALE, 2000). A concepção proposta assume que o empreendedorismo coletivo se manifesta no APL através da presença de grupos de indivíduos dotados de características comportamentais empreendedoras e capital social e pode ser constatado por meio dos resultados alcançados pelas ações conjuntas empreendidas por estes agentes em prol do arranjo. A união entre tais vertentes fornece três dimensões que caracterizam o fenônemo do empreendedorismo coletivo: o comportamento empreendedor dos agentes, o capital social e os resultados alcançados pelas ações conjuntas. A Figura 1 ilustra este conceito. 8 Fonte: Elaboração própria Figura 1: Dimensões do Empreendedorismo Coletivo 5.2 Definição do Modelo Tendo sido definidas as dimensões que compõem o fenômeno do empreendedorismo coletivo, o próximo passo é resgatar na literatura os indicadores que as caracterizam. Com base no estudo de diferentes autores, foram estabelecidos sete indicadores para a dimensão características comportamentais empreendedoras: Busca de oportunidades: para os empreendedores, as boas idéias são geradas daquilo que todos conseguem ver, mas não identificaram algo prático para transformá-las em oportunidade, através de dados e informação (DORNELAS, 2001); Criatividade e Inovação: a criatividade permite a criação e comunicação de conexões importantes que permitem pensar em possibilidades novas e incomuns e que leva à geração e seleção de alternativas (BESSANT E TIDD, 2009). A inovação representa o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio ou serviço diferente (DRUCKER, 2002); Determinação e Dedicação: os empreendedores implementam suas ações com total comprometimento, atropelando as adversidades e obstáculos com uma vontade ímpar de “fazer acontecer”. São também trabalhadores incansáveis, encontrando energia para continuar mesmo quando encontram problemas pela frente (DORNELAS, 2001); Necessidade de realização: representa a necessidade que o indivíduo tem de pôr a prova seus limites, de fazer um bom trabalho. Pessoas com alta necessidade de realização procuram mudanças em suas vidas, estabelecem metas e colocam-se em situações competitivas, estipulando também para si, metas que são realistas e realizáveis (MCCLELLAND, 1972); Propensão aos riscos: os empreendedores assumem riscos calculados e sabem gerenciar o risco, avaliando as reais chances de sucesso. Assumir riscos tem relação com os desafios, que estimulam a jornada do empreendedor (DORNELAS, 2001); Planejamento e Conhecimento: os empreendedores de sucesso planejam cada etapa do seu empreendimento, sempre tendo como base a forte visão de negócio que possuem. São sedentos e aprendem continuamente, pois sabem que quanto maior o domínio sobre um ramo de negócio, maior é a sua chance de êxito (DORNELAS, 2001). Visão: indica o que deverá ser feito. Empreendedores evoluem da concepção para a realização de um projeto por meio da formulação de visões a ser transformadas em realidade (FILION, 2004). Quanto aos indicadores de capital social, para efeito deste estudo, foi considerada a abordagem proposta por Coleman (1990 apud Rose 1999) que assume o capital social como um fenômeno endógeno nas relações sociais e que varia de pessoa para pessoa e de situação 9 para situação. Seis indicadores foram definidos: Participação na rede: se baseia na densidade da participação nas associações locais em prol do APL, grau e frequência de participação em reuniões formais e informais bem como aspectos da própria associação e funcionamento institucional (GROTTAERT ET AL., 2003). Valores: concebem sentimentos de confiança, solidariedade e reciprocidade. Representam importantes instrumentos para azeitar as relações entre os agentes econômicos e melhorar a eficiência de formatos organizacionais entre e no interior das firmas (ALBAGLI & MACIEL, 2002); Normas Sociais: operam para regular o comportamento das pessoas e assim governam as suas interações. Prescrevem o que é aceitável na unidade de análise em questão, determinando quais os comportamentos, valores e atitudes são aprovados com o apoio do grupo e recompensados (SPELLENBERG, 2001). Cooperação: investiga se e como os membros do APL têm trabalhado com outras pessoas do grupo, em projetos conjuntos e/ou como resposta a uma crise. Também considera as conseqüências do não cumprimento das expectativas em relação à participação (GROTTAERT ET AL., 2003). Comunicação e Informação: verifica como se dá o processo de comunicação e o fluxo de informações entre os agentes do APL. As fontes de informações são extremamente importantes porque a informação é poder, em termos de facilitar a ação. Neste aspecto, enfatiza também a habilidade de se comunicar com os outros e obter informações através das redes e relacionamentos (SPELLENBERG, 2001). Autoridade e Participação Política: refere-se à expansão dos recursos e capacidades das pessoas em tomar parte, negociar, influenciar, controlar e responsabilizar instituições que afetam suas vidas (BANCO MUNDIAL, 2002 APUD GROTTAERT ET AL., 2003). No contexto do APL, autoridade ou capacitação (empowerment) é definida mais como a habilidade para tomar decisões que afetam as atividades cotidianas do arranjo. As ações conjuntas a serem identificadas foram baseadas no termo de referência do SEBRAE para atuação em APLs (2003) e no trabalho de autores como Albali & Maciel (2002), Lastres & Cassiolato (2005) e Borges (2008). Foram definidas 6 ações: Acesso a recursos financeiros e ações de mercado: compreende estímulos à criação de soluções e serviços financeiros adequados ao APL (tipo finanças de proximidade e outros), estímulo a criação de políticas públicas que reforcem a convergência e a integração de investimentos públicos e privados, bem como criação de estratégias e políticas de promoção comercial do arranjo (SEBRAE, 2003); Aprendizagem e capacidade inovativa local: refere-se ao processo contínuo e interativo de aquisição de diferentes tipos de conhecimentos e habilidades por parte dos agentes bem como ao domínio de conhecimentos, tecnologias e demais recursos necessários para a introdução de inovações tecnológicas e organizacionais, incluindo a capacidade para interagir com outros atores (LASTRES & CASSIOLATO, 2005); Construção da identidade territorial: compreende os estímulos à valorização e conservação dos aspectos histórico-culturais do território aplicados aos bens e serviços produzidos no APL, bem como promoção de iniciativas de conservação e preservação ambiental (SEBRAE, 2003). Criação de bens e atividades comuns: representam ações que estimulem a busca de soluções para problemas comuns, como produção, tecnologia, logística, bem como 10 compartilhamento de infra-estrutura (SEBRAE, 2003); Identificação de oportunidades de negócio: trata-se do acesso a idéias, indicação de clientes em potencial ou informações variadas, algumas com potencial de gerar um novo negócio, através dos contatos que os empreendedores fazem com sua rede de relacionamento (BORGES, 2008); Promoção da governança local: reflete a promoção da consolidação e integração das agendas, projetos, planos ou programas de desenvolvimento das várias instituições presentes no arranjo, bem como capacitação e “empoderamento” das lideranças, animadores e atores locais (SEBRAE, 2003). As dimensões propostas, seus indicadores e respectivas descrições são apresentados no anexo 01. 6. Considerações Finais Este trabalho objetivou apresentar o referencial teórico e as bases metodológicas da construção de um modelo de mensuração do comportamento empreendedor coletivo em APLs. Três dimensões foram estabelecidas para este fim: a ação empreendedora dos agentes, o capital social que embasa suas relações e a verificação de resultados de ações conjuntas em prol do APL. É evidente que o modelo proposto não pretende encerrar todos os indicadores que as dimensões suportam, pois o tornaria muito extenso e de difícil compreensão e operacionalização. A continuidade desta pesquisa, já em fase de construção irá validar um questionário que instrumente o modelo proposto. Neste sentido, algumas considerações são importantes: Primeiramente, vale salientar que a pesquisa do perfil empreendedor num Apl requer um olhar sistêmico. Conforme Lastres & Cassiolato (2005), o APL é formado pelo sistema produtivo e diversas organizações de apoio. Dessa forma, apenas a análise do perfil empreendedor dos proprietários-gerentes das unidades produtivas, pode não ser um retrato da dimensão que se investiga, pois outros agentes também precisam estar interagindo neste processo, tal como membros de instituições de apoio, centros de pesquisa e outros. Um segundo aspecto relevante diz respeito à natureza das variáveis a serem investigadas. Neste sentido, a combinação de métodos quantitativos e qualitativos podem delinear desenhos mais adequados para avaliação das dimensões analisadas. A mera investigação quantitativa pode simplificar a análise, limitando-a aos fenômenos que podem ser enunciados, sacrificando a compreensão do significado em troca do rigor matemático (Glodemberg, 2002 apud Markoni & Lakatos, 2008). Os instrumentos requerem flexibilidade na aplicação e rigor na análise, através da combinação de metodologias complementares e adaptação ao contexto local e características do aglomerado em estudo. A definição do modelo apresenta limitações que são inerentes ao objeto de análise e às dimensões que o suportam. O conceito de empreendedorismo coletivo é recente, sendo que este perfil empreendedor ainda não está mapeado adequadamente (VALE, 2000). Além disso a discussão em torno das características comportamentais empreendedoras e de indicadores de capital social ainda são temas de grandes debates e controvérsias na literatura especializada. No entanto, as dimensões e indicadores propostos para investigação do empreendedorismo coletivo em APL são consistentes com a descrição do fenômeno encontrada na literatura. Por fim, o modelo não pretende esgotar o assunto, mas sim contribuir para o levantamento de maiores reflexões e pesquisas empíricas sobre o tema, haja vista a extrema relevância do empreendedorismo coletivo para o desenvolvimento e sustentabilidade do APL e para o Desenvolvimento Econômico Local. 11 7. Referências Bibliográficas ALBAGLI, S. & MACIEL, M. L. 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Capacidade de assumir riscos, de forma a avaliar e a analisar de maneira antecipada a ação. 13 Visão Capital Social Participação Valores Normas Sociais Cooperação Comunicação e informação Ação Conjunta Autoridade e participação política Acesso a recursos e ações de mercado Aprendizagem e capacidade inovativa Construção da identidade territorial Criação de bens e atividades comuns Identificação de oportunidades de negócio Promoção da governança Tem a visão de como será o futuro para o negócio e sua vida e a habilidade de implementar seus sonhos. Considera a natureza e a extensão da participação dos membros do APL na organização social e redes informais. Representa valores de confiança, solidariedade e reciprocidade. Reflete o compartilhamento das normas pelo grupo. Representa o grau de iniciativa para cooperar e participar de ações coletivas. Analisa o processo de comunicação e o fluxo de informações entre os agentes. Representa a habilidade para tomar decisões que afetam as atividades cotidianas do APL. Compreende políticas de acesso a recursos financeiros públicos e privados e promoção comercial do arranjo. Reflete o processo contínuo e interativo de aquisição de diferentes saberes, habilidades e novas tecnologias por parte dos agentes. Valorização e conservação de aspectos histórico-culturais e ambientais. Representa a busca de soluções para problemas comuns relacionados à capacidade produtiva do APL. Compreende a identificação e divulgação de oportunidades de negócio, através de parcerias, alianças e cooperação. Reflete a interação das várias instituições presentes no arranjo, a capacitação e empoderamento das lideranças, animadores e atores locais. Fonte: elaboração própria 14