1
UNINGÁ – UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ
FACULDADE INGÁ
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PERIODONTIA
EVANDRO TONIAL ANDREOLLA
UTILIZAÇÃO DOS CIANOACRILATOS PARA FECHAMENTO DE
INCISÕES ORAIS: REVISÃO DE LITERATURA
PASSO FUNDO
2009
2
EVANDRO TONIAL ANDREOLLA
UTILIZAÇÃO DOS CIANOACRILATOS PARA FECHAMENTO DE
INCISÕES ORAIS: REVISÃO DE LITERATURA
Monografia apresentada à unidade de Pósgraduação da Faculdade Ingá – UNINGÁ –
Passo Fundo-RS como requisito parcial
para obtenção do título de Especialista em
Periodontia.
Orientadora: Marisa Maria Dal Zot Flôres.
PASSO FUNDO
2009
3
EVANDRO TONIAL ANDREOLLA
UTILIZAÇÃO DOS CIANOACRILATOS PARA FECHAMENTO DE
INCISÕES ORAIS: REVISÃO DE LITERATURA
Monografia apresentada à comissão
julgadora da Unidade de Pós-graduação da
Faculdade Ingá – UNINGÁ – Passo FundoRS como requisito parcial para obtenção do
título de Especialista em Periodontia.
Aprovada em ___/___/______.
BANCA EXAMINADORA:
________________________________________________
Prof. Ms. Marisa Maria Dal Zot Flores - Orientadora
________________________________________________
Prof. Ms. Alexandre Basualdo
________________________________________________
Prof. Ms. Paula Banco
4
RESUMO
O objetivo final de toda intervenção cirúrgica é devolver ao paciente além da saúde,
a função e a estética da área a ser tratada. Neste contexto, o fechamento da ferida
cirúrgica é de vital importância para se alcançar tal objetivo, sendo a sutura ainda
hoje, o método mais amplamente usado para esse fim. A busca por novas formas de
coaptação de tecidos vem encontrando nos cianoacrilatos um grande e promissor
substituto para esta, onde neste trabalho objetivamos, realizar uma revisão da
literatura referente à utilização dos cianoacrilatos como substitutos das suturas
convencionais em incisões realizadas na cavidade oral, incluindo um rápido
apanhado histórico, requisitos de um material ideal, propriedades químicas dos
cianoacrilatos, vantagens e desvantagens de sua utilização. Com base na literatura
pesquisada, verificamos que a utilização dos cianoacrilatos para o fechamento de
feridas cirúrgicas vem de longa data, com as novas formulações, como o octil-2cianoacrilato, preenchendo, gradativamente, os requisitos necessários a um material
ideal, apresentando propriedades químicas cada vez mais compatíveis com a
utilização proposta. Várias vantagens foram verificadas, como: rapidez da técnica,
ser bacteriostático, não necessitar de anestesia nem de remoção da sutura, ser
menos traumática, principalmente em pacientes jovens e especiais, além de
apresentar bom resultado estético e cicatricial, embora, ainda apresenta algumas
limitações, como emprego superficial e em áreas livres de pressão ou compressão.
Conclui-se assim, que os adesivos à base de cianoacrilato são uma boa alternativa
para substituir as suturas no fechamento de incisões orais, estando porém seu
sucesso condicionado à indicação correta de sua utilização e ao conhecimento do
cirurgião quanto à aplicabilidade do adesivo.
Palavras-chave: adesivos teciduais. cianoacrilatos. suturas. cirurgia oral
5
ABSTRACT
The ultimate goal of every surgical intervention is to restore the patient, beyond
health, function and aesthetics of the area to be treated. In this context, the incision
closure has vital importance; actually, suture still represents the most widely method
used for this purpose. The search for new forms of tissue coaptation appoints to
cyanoacrylates like a great and promising substitute. This work aimed to undertake a
review of the literature concerning the use of cyanoacrylate as a substitute for
conventional suture incisions in the oral cavity, including a quick historical overview,
requirements of an ideal material, chemical properties of cyanoacrylates, advantages
and disadvantages of its use. Based on the literature, we found that the use of
cyanoacrylate for surgical wounds closure has a long history with new formulations,
such as 2-octyl cyanoacrylate, filling gradually the necessary requirements for an
ideal material, with chemical properties increasingly consistent with the proposed
use. Several advantages were noted, such as: technique haste, bacteriostatic
properties, does not require anesthesia or removal of the suture, minor trauma,
especially in young patients and special ones. Besides having good cosmetic results
and healing, though, have some limitations as superficial employment or in areas
free of pressure or compression. It follows that the adhesives based on
cyanoacrylate are a good alternative to replace sutures in the oral incisions closure,
while its success is being subject to correct indication of their use, surgeon
knowledge, and as to the adhesive applicability.
Keywords: tissue adhesives. cyanoacrylates. sutures. dental
6
À minha esposa Liana e meu filho Luiz Pedro,
pelas incontáveis horas privadas de nosso convívio,
pelo seu companheirismo incansável,
tolerância ímpar e pelo seu amor incondicional.
Aos meus pais, Evaristo e Elba,
pela vida, amor, dedicação,
exemplo de luta, garra,
ponderação e alegria.
7
Agradecimentos
A Deus, pela vida e proteção.
A meus Mestres e Professores, pessoas de extrema competência e dedicação, pela
oportunidade de compartilhar seus conhecimentos, por sua paciência, compreensão
e amizade.
A meus colegas, pela amizade, companheirismo e bons momentos compartilhados.
A meus familiares, pelo incentivo e apoio nas horas difíceis.
A minha orientadora, pela paciência, dedicação, compreensão e amizade.
A todos que de uma forma ou outra colaboraram para a realização deste estudo.
8
"É melhor tentar e falhar,
que preocupar-se e ver a vida passar;
é melhor tentar, ainda que em vão,
que sentar-se fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar,
que em dias tristes em casa me esconder.
Prefiro ser feliz, embora louco,
que em conformidade viver ..."
Martin Luther King
9
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO..................................................................................
10
2
REVISÃO DE LITERATURA.............................................................
12
2.1
HISTÓRICO.......................................................................................
12
2.2
REQUISITOS DE UM MATERIAL IDEAL..........................................
13
2.3
PROPRIEDADES DOS CIANOACRILATOS.....................................
15
2.4
VANTAGENS.....................................................................................
19
2.5
DESVANTAGENS.............................................................................
24
3
CONCLUSÃO....................................................................................
27
REFERÊNCIAS...............................................................................................
28
ANEXO............................................................................................................
31
10
1 INTRODUÇÃO
A busca da estética oral, de procedimentos menos traumáticos, mais rápidos
e pós-operatórios confortáveis, faz com que se busque materiais que propiciem ao
paciente essas vantagens, sem contudo, deixar de lado a segurança dos
procedimentos.
A aplicação de uma sutura, além do objetivo básico que é o de aproximar as
bordas da ferida, abreviando o tempo de reparação cutânea, visa também devolver
ao tecido sua aparência original o mais próximo possível. A aplicação de uma sutura
deve ser feita sob anestesia, porém sua retirada, normalmente não o é. Assim, a
possibilidade de se utilizar uma substância que torne a síntese dos tecidos mais
rápida e eficiente, abreviando o tempo de cicatrização, proporcionando bom
resultado cosmético e que não necessitasse sua remoção torna-se objetivo atraente.
O adesivo ideal seria aquele que teria boa propriedade hemostática, promovesse
aderência firme das bordas da ferida, não alterasse o processo de cicatrização,
promovesse a menor reação possível de corpo estranho e não apresentasse ação
carcinogênica.
Sintetizados pela primeira vez em 1949, os cianoacrilatos foram utilizados
pela primeira vez como adesivo tecidual em 1959, no intuito de substituir as suturas
(BETTES, 2003). Apresentam como vantagem a capacidade de realizar hemostasia
de maneira efetiva e imediata, a própria película adesiva funciona como barreira
física contra a entrada de bactérias, são de rápida adesão aos tecidos moles e
duros, sendo de fácil aplicação; reduzem o tempo cirúrgico, dispensam remoção de
sutura, eliminando a ansiedade e o desconforto que esta gera no paciente no pósoperatório, além de eliminar a dificuldade da remoção da sutura em pacientes com
alterações psiquiátricas e crianças (BETTES, 2003; SILVA; FIGUEIROA NETO;
SANTOS, 2007; FREITAS-JUNIOR et al., 2008). Autores ainda destacam o efeito
cicatrizante dos cianoacrilatos, salientando que seu uso diminuiu o infiltrado
inflamatório, a reação de células gigantes (toxicidade) e a quantidade de tecido de
granulação, tornando o processo de cicatrização mais rápido. Estes ainda testaram
a capacidade inibitória dos cianoacrilatos frente a microorganismos, classificando-os
como bacteriostáticos e bactericidas (CALDAS JR; GUSMÃO, 2005).
11
Todavia, não foi observado consenso entre os autores estudados, de que os
adesivos de cianoacrilato sejam realmente inócuos, promovam resistência tênsil
superior ao fio de sutura ou aos outros métodos de síntese e apresentem menor
índice de complicações como infecção, reação granulomatosa de corpo estranho ou
deiscência. Vários autores relataram bons resultados cosméticos das cicatrizes,
porém sem uma análise detalhada das modificações microscópicas promovidas pela
cola. As informações são quase exclusivamente de ordem macroscópica (BETTES,
2003).
Considerando estes aspectos, foi realizada uma revisão bibliográfica,
verificando a viabilidade da substituição das suturas para fechamento de incisões
orais pelos adesivos à base de cianoacrilato, destacando um breve histórico,
requisitos de um material ideal, propriedades químicas, vantagens e desvantagens
de sua utilização, em substituto às suturas tradicionais.
12
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 HISTÓRICO
A cirurgia é certamente o ramo mais antigo da terapêutica, tendo seu início na
pré–história, com o surgimento do homem primitivo, que em sua luta diária pela
existência, se envolvia ocasionalmente em conflitos com suas caças ou animais que
perseguia. Nesta época, as feridas eram tratadas com métodos primitivos como
aplicação de musgos, teias de aranha ou a simples compressão do local. Os
primeiros registros de fechamento de feridas ocorreram apenas 1.100 antes de
Cristo, quando incisões abdominais feitas em múmias eram fechadas com couro.
(SILVA; FIGUEIROA NETO; SANTOS, 2007). Nas civilizações mais antigas, como a
grega e a romana, a ciência médica já se preocupava com o fechamento das feridas,
onde esses procedimentos eram realizados com suturas de linho, algodão, tiras de
couro, cascas de árvore, crinas de cavalo e tendões de animais (TRUAX, 1947 apud
DOURADO et al., 2005).
Por longo tempo se utilizou óleo quente para tratar os ferimentos, acreditando
que a presença de secreção purulenta era benéfica para o organismo. No século
XVI, Ambroise Paré, na falta de óleo quente, deixou as feridas evoluírem
naturalmente, evidenciando que elas cicatrizavam mais rapidamente e sem
complicações. Iniciou-se então a corrente do tratamento com interferência mínima,
ou seja, quanto menor a agressão aos tecidos, melhor a evolução da cicatriz. Logo
após começaram o fechamento das feridas com fios de sutura, entre eles os
absorvíveis de categute, poligalactina e ácido poliglicólico e os inabsorvíveis como o
multifilamentar de algodão e os monofilamentares de náilon e polipropileno,
conjuntamente com o desenvolvimento de agulhas menos traumáticas para os
tecidos. Em relação às técnicas de síntese, estas iniciaram-se com o uso de pontos
separados, evoluindo para as suturas contínuas tipo chuleio-simples e barra-grega,
porém as cicatrizes resultantes destes tipos de pontos não eram estéticas.
Apareceram então as suturas intradérmicas com pontos separados ou contínuos,
que permitiram a síntese das feridas sem promover cicatrizes nos locais dos pontos.
Os adesivos cirúrgicos surgiram com o intuito de permitir a síntese segura, rápida
e sem cicatrizes resultantes da sutura. Os primeiros a serem descritos foram os
13
cianoacrilatos, os quais foram sintetizados pela primeira vez em 1949 e usados
clinicamente em 1959 como agentes para colar feridas de pele, na tentativa de
substituir outros métodos de síntese, entre eles as suturas com fio, e mais
recentemente, com uso de grampos e até das fitas adesivas (MADDEN, 1972 apud
BETTES, 2005; CALDAS JR.; GUSMÃO, 1998; CECCHETI; GAYOTTO; CAMPOS,
2005; SASKA; MINARELLI GASPAR, 2006; SILVA; FIGUEIROA NETO; SANTOS,
2007).
Há relatos da utilização dos cianoacrilatos como adesivos tissulares a partir
de 1950, com o emprego do material comercialmente conhecido por EASTMAN 910
à base de metil 2-cianoacrilato. Desde 1975, os adesivos de cianoacrilato são
aprovados para uso em humanos no Canadá, sendo empregados também na
Europa e outras partes do mundo (BARROSO PALOMINO, 2005).
O Octil-2-cianoacrilato (Dermabond, Ethicon, Somerville, NJ) é o único
adesivo de tecido à base de cianoacrilato, aprovado pela Food and Drug
Administration (FDA), nos Estados Unidos, para fechamento de pele superficial,
concedendo sua aprovação em janeiro de 2001 para o Dermabond ser usado como
uma barreira contra micróbios bacterianos comuns, que incluem certos estafilococos,
pseudomonas e Escherichia coli, além de ter sua indicação adesiva cirúrgica
(ROSSI; SOUZA, 2006; SCHWADE, 2008).
2.2 REQUISITOS DE UM MATERIAL IDEAL
Inúmeros estudos clínicos e laboratoriais vêm sendo feitos para confirmar a
utilização dos cianoacrilatos como alternativa ou substituto das suturas tradicionais.
Destes estudos, algumas descobertas favoreceram o desenvolvimento de um
adesivo com as propriedades necessárias e almejadas para uma perfeita reparação
tecidual. O material ideal teria que proporcionar um menor tempo cirúrgico e evitar
complicações pós-operatórias decorrentes da síntese deficiente dos tecidos (SILVA;
FIGUEIROA NETO; SANTOS, 2007). Critérios como tempo de duração do material
em posição, mantendo fechada a ferida, tensão necessária nesse período,
biocompatibilidade e capacidade de induzir cicatrização, devem ser analisados no
momento da seleção do material que será utilizado para o reparo cirúrgico
(DOURADO et al., 2005). Cohen (1996) descreve os principais objetivos de uma
sutura: aproximar as superfícies incisionadas ou comprimir os vasos sanguíneos,
14
visando cessar o sangramento, prevenir exposição óssea, dar suporte aos tecidos
marginais até a cicatrização, minimizar a dor pós operatória e promover a
hemostasia (FERNANDES et al, 2005).
Troot (1997) considera que um vedante ideal deva apresentar rápida adesão
ao tecido submetido à sutura, não liberar calor excessivo, ser estável à temperatura
corporal, manter adesividade, mesmo em contato com a umidade, não provocar
lesão na região dos tecidos envolvidos no processo de cicatrização, não ser
potencialmente carcinogênico e ser passível de esterilização (SILVA; FIGUEIRA
NETO; SANTOS, 2007). O adesivo ideal deve ser seguro para aplicação tópica, ter
fácil manuseio, rápida polimerização, manter aproximadas as bordas da ferida,
apresentar bom resultado estético, ser apirogênico e promover mínima reação
inflamatória local (FERNANDES et al, 2005; CANCINO; OLIVEIRA; SANT’ANA
FILHO, 2004).
Mesmo sendo a sutura a forma mais usada de justaposição de tecidos
após intervenções cirúrgicas, este método é bastante demorado e trabalhoso,
aumentando o tempo cirúrgico, causando, na maioria das vezes, desconforto e
apreensão ao paciente. Há que se levar em consideração também que existem
áreas que, por sua natureza, dificultam o controle de variáveis como sangramento,
coaptação de bordos e infecção pós operatória, como é o caso da cavidade bucal,
devido a sua pequena amplitude e áreas muito vascularizadas, somadas à presença
constante de bactérias residentes como Streptococos, Stafilococos, Neisserias,
Lactobacilos, Veilonelas e fungos, e não residentes que são levados à cavidade
bucal através do ar e alimentos, tornando o controle mais laborioso. Além disso,
dependendo do fio utilizado, o mesmo proporciona retenção de placa bacteriana,
favorecendo uma reação inflamatória de maior intensidade do local suturado
(CALDAS JR; GUSMÃO, 1998).
Os fios de sutura apresentam como pontos positivos uma boa resistência à
tração e torção, calibre fino e regular, são macios, flexíveis, pouco elásticos, de fácil
esterilização e baixo custo, porém, apresentando pontos negativos como a lesão
provocada pela transfixação tecidual da agulha, a presença de resposta antígenoanticorpo e o atraso na proliferação fibroblástica cicatricial, que resultará no
isolamento do corpo. Dentre eles, o fio de nylon é o que apresenta melhor resposta
biológica, cicatricial e capacidade de coaptação de rebordos de ferida. Porém,
mesmo apresentando uma reação tecidual mínima, sua pouca maleabilidade,
15
possibilidade de traumas em mucosa e pele, baixo coeficiente de atrito e
instabilidade dos nós, o torna um material ponderável quando se trata de
aproximação de bordos em áreas estéticas, que exigem uma cicatriz menos
evidente (DOURADO et al., 2005).
2.3 PROPRIEDADES DOS CIANOACRILATOS
A busca de um vedante ideal fez com que a família dos cianoacrilatos se
tornasse o alvo de muitos estudos nos últimos 30 anos (CALDAS JR; GUSMÃO
1998; SILVA; FIGUEIRA NETO; SANTOS, 2007).
Barroso Palomino (2005) cita em seu artigo, como foi realizada a aprovação
do adesivo tecidual à base de n-butil 2-cianoacrilato, conhecido comercialmente
como TISUACRYL, em Cuba. Um grupo do Centro de Biomateriais da Universidade
de Havana, após sintetizar e caracterizar quimicamente o produto, procedeu a
avaliação pré clínica. Posteriormente, seguindo as orientações do órgão
competente, realizou-se a avaliação biológica do produto, o qual foi classificado e
registrado como “contato superficial em mucosa e superfícies alteradas”. Para se
cumprir a etapa de avaliação pré-clínica, foram necessários os seguintes ensaios:
citotoxicidade,
genotoxicidade,
irritação,
imunotoxicidade
(sensibilização)
e
toxicidade sistêmica. Também se recomendou um ensaio de implantação
(histotoxicidade) para possíveis aplicações em órgãos internos. Concluída a etapa
pré-clínica, realizaram-se ensaios clínicos prospectivos e controlados, demonstrando
a eficácia e segurança do produto em duas aplicações: n a c irurgia para o
fechamento de feridas cutâneas e na cirurgia bucal. Atualmente o produto está
registrado para utilização por especialistas nestas áreas, acumulando experiência
em mais de 2500 casos, com taxa de sucesso maior que 99%.
O monômero cianoacrilato tem a fórmula geral: CN – CH2 = C – COOR, onde
o radical R do grupo alquil pode ser, por exemplo, um metil, etil, propil, butil, octil ou
outro grupo molecular. O adesivo de cianoacrilato pertence a uma família de
monômeros que podem ser sintetizados pela reação do formaldeído com alquil
cianoacetato para obter um pré-polímero que, se aquecido, forma um monômero
líquido. Os diferentes adesivos de cianoacrilato (monômeros) podem ser
manufaturados, alterando o grupo do alcoxicarbonil (-COOR) da molécula para obter
compostos de comprimentos de cadeias diferentes. Aplicando o adesivo sobre os
16
tecidos vivos ou em meio úmido, o monômero sofre uma reação exotérmica de
hidroxilação, resultando na sua polimerização (CECCHETI; GAYOTTO; CAMPOS,
2005; ABDALLAH et al., 2008; SCHWADE, 2008). Segundo autores, a polimerização
do cianoacrilato também se daria pelo efeito do contato entre seus ânions e grupos
de radicais livres com soluções iônicas, endotélio, sangue, mucosa ou pele
(CALDAS JR; GUSMÃO, 2005).
O metil-2-cianoacrilato foi o primeiro monômero acrílico com propriedades
físico-químicas e biológicas avaliadas para uso médico (SILVA; FIGUEIROA NETO;
SANTOS, 2007). Todavia, devido ao tamanho menor de sua cadeia, apresenta um
elevado grau de histotoxicidade, sendo contra-indicado para uso clínico, podendo
causar edemas e necrose tecidual (SASKA et al., 2004). Com o objetivo de reduzir a
toxicidade, várias mudanças no radical metil foram feitas, porém, estas alterações de
grupamento fizeram diminuir a adesividade, já que quanto maior a cadeia lateral,
menor a adesividade. No entanto, menor toxicidade, menor reação exotérmica e
consequentemente menor lesão tecidual foi conseguido (SILVA; FIGUEIROA NETO;
SANTOS, 2007).
Os cianoacrilatos são compostos adesivos de rápida polimerização; quando
em contato com soluções iônicas ou com tecidos, produzem reações exotérmicas e
transformam-se em finas películas fortemente aderidas, degradadas por hidrólise.
(CANCINO; OLIVEIRA; SANT’ANA FILHO, 2004). Com densidade específica de
1.05 g/ml, o cianoacrilato é solúvel em metil-etil-cetona e tolueno (RAZÓN;
GUERRERO; RODRIGUES, 2002). Em geral, os adesivos de cianoacrilato não
possue m c o -reagentes
ou
estabilizantes,
porque
contêm propriedad e d e
hemopolimerização rápida à temperatura ambiente. Os monômeros destes são
catalizados por diminutas gotículas de água em contato com o ar, convertendo-se
em polímeros de estágio sólido. Esta solidificação da película varia de 2 a 60
segundos, o que depende da espessura, quantidade de umidade presente na
superfície aplicada e do comprimento da molécula da cadeia alquílica (SLATTER et
al., 1998 apud SILVA; FIGUEIROA NETO; SANTOS, 2007).
A toxicidade dos cianoacrilatos está relacionada com a velocidade de
degradação, e esta ao tamanho da cadeia, ou seja, quanto maior for a cadeia,
menor a velocidade de degradação e menor a histotoxicidade. Esta, por sua vez
também está relacionada à ionização dos adesivos à base de cianoacrilato, que na
presença de sangue ou água, degradam-se em cianoacetato e formoldeído, gerando
17
uma ligeira reação exotérmica (SASKA; MINARELLI GASPAR, 2006). Sendo assim,
quanto maior a cadeia lateral, mais lenta é a degradação do adesivo, gerando
menos formaldeído e cianoacetato nos tecidos por unidade de tempo, possibilitando
sua eliminação sem o consequente sofrimento celular (CECCHETI; GAYOTTO;
CAMPOS, 2005).
A resistência à tração dos adesivos à base de cianoacrilato é comparada à
resistência de um fio de nylon 5.0 após o sétimo dia de pós operatório, o que
viabiliza seu uso em suturas cutâneas de áreas que não estejam sujeitas a grandes
tensões musculares ou sobre articulações (CECCHETI; GAYOTTO; CAMPOS,
2005).
As reações inflamatórias de corpo estranho são devidas ao formaldeído
liberado durante a degradação do adesivo. Porém, também ocorrem, em parte, pela
liberação de calor e da desidratação tecidual, durante hidroxilação da reação de
polimerização do adesivo. Esses mecanismos de toxicidade celular também
explicam os efeitos bactericidas dos adesivos de cianoacrilato (CECCHETI;
GAYOTTO; CAMPOS, 2005).
Relatou-s e q u e o b u t i l -cianoacrilato (Histoacril®) apresenta atividade
bacteriostática contra bactérias gram-positivas e que, a hipótese do mecanismo de
ação seria baseada na interação química do adesivo com radicais livres amina e/ou
grupos hidroxila da parede celular das bactérias gram-positivas. Adicionalmente, que
a ausência dessa atividade contra microorganismos gram-negativos seria decorrente
da presença de lipopolissacarídeos na parede celular dos mesmos, que formam uma
barreira que impede a reação química entre o cianoacrilato e a parede celular
bacteriana (ABDALLAH et al., 2008).
A ação do cianoacrilato sobre as plaquetas também foi analisada. Quando no
meio interno, o adesivo suscita a formação do tromboxano A2, que estimula a
agregação plaquetária e formação de trombo, favorecendo a hemostasia. Uma ação
física, de tamponamento, também ocorre quando da polimerização do cianoacrilato
sobre uma incisão (CECCHETI; GAYOTTO; CAMPOS, 2005). Diversos autores
revelaram que o cianoacrilato tem a capacidade de se aderir às umidescências dos
tecidos, possuindo propriedades hemostáticas imediatas. Foi sugerido que a
hemostasia se daria por dois processos: após 10 segundos de aplicação, esse
reagiria quimicamente com o sangue, provocando hemostasia, e após esse tempo, a
18
hemostasia dar-se-ia por uma ação mecânica do cianoacrilato polimerizado.
(CALDAS JR; GUSMÃO, 2005).
Ueda et al. (2004) realizaram um estudo visando avaliar a esterilidade do
cianoacrilato Super Bonder® (2-metil cianoacrilato) e sua atividade biocida sobre
microrganismos. Para verificação de contaminação, vinte amostras de cianoacrilato
Super Bonder® foram aplicadas em meio "brain heart infusion" (BHI) e incubadas a
37º C. Após 7 dias de incubação, foram retiradas e semeadas em placas de ágar
sangue, chocolate e Sabouraud. Para determinação do efeito biocida, as cepas
Staphylococcus xylosis, Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa da
American Type Culture Collection (ATCC) foram utilizadas em três diferentes
modelos, alterando a maneira de aplicação do adesivo cianoacrilato Super Bonder®
(em micro escavações, em tubos e sobre o agar ). C oncluíram que o mesmo é
alternativa segura quanto à esterilidade, porém não foi demonstrado nenhum efeito
bactericida ou bacteriostático em relação a S. aureus, S. xylosis e P. aeroginosa,
recomendando a manutenção de tratamento com antibioticoterapia apropriada, em
vigência de quadro infeccioso.
.
Mais recentemente o derivado octil-2-cianoacrilato, um cianoacrilato de cadeia
longa, foi formulado para suprir algumas deficiências dos seus derivados de cadeia
curta. Apresenta uma força de cisalhamento semelhante ao da sutura, com
degradação lenta, produzindo menor reação inflamatória e menor histotoxicidade.
(FREITAS-JUNIOR et al., 2008; SCHWADE, 2008). A maior flexibilidade que seus
antecessores, propiciou seu uso em áreas de maior movimentação (CECCHETI;
GAYOTTO; CAMPOS, 2005).
Fernandes et al. (2005), realizaram um estudo comparativo da eficiência do
octil-2-cianoacrilato e do fio de sutura na fixação de enxerto gengival livre. Quatro
pacientes com necessidade de enxerto gengival livre bilateral foram submetidos a
intervenção com imobilização dos enxertos feita com fio de seda 4-0 e octil-2cianoacrilato, um em cada lado. Para avaliação pós-operatória, utilizaram
questionário, avaliação clínica e fotográfica imediatamente a cirurgia, 7,14 e 21 dias.
Concluíram que o adesivo substituiu com eficiência o fio de sutura, havendo
cicatrização dentro de padrões normais com resultado satisfatório, porém sugerindo
mais pesquisas.
A literatura relata inúmeros experimentos realizados principalmente em ratos,
verificando histologicamente e biologicamente, a viabilidade da utilização dos
19
cianoacrilatos como possíveis substitutos às suturas convencionais (BETTES, 2003;
CANCINO; OLIVEIRA; SANTÁNA FILHO, 2004; SASKA et al., 2006; SOUZA et al,
2007; FREITAS-JUNIOR et al., 2008).
2.4 VANTAGENS
Como principais vantagens dos cianoacrilatos podemos destacar:
·
São auto-esterilizáveis;
·
Têm propriedades bactericidas decorrentes da liberação de seus produtos de
degradação;
·
A película adesiva funciona como barreira física contra a entrada de
bactérias;
·
São capazes de realizar hemostasia de maneira efetiva e imediata;
·
São de rápida adesão aos tecidos moles e duros;
·
Fácil aplicação;
·
Apresentam resistência a solventes como o álcool, benzeno e acetona;
·
A polimerização não é influenciada pela pequena quantidade de água;
·
São capazes de suportar altas temperaturas, sendo destruído nas superiores
a 100°C (BETTES, 2003; SILVA; FIGUEIROA NETO; SANTOS, 2007).
·
Reduz o tempo cirúrgico;
·
Dispensa remoção de sutura, eliminando a ansiedade e o desconforto que
esta gera no paciente no pós-operatório, além de eliminar a dificuldade da
remoção da sutura em pacientes com alterações psiquiátricas e crianças
(FREITAS-JUNIOR et al., 2008);
·
Forte adesão e coaptação dos bordos, sendo a adesão máxima conseguida
em 1-2 minutos, equivalente ao tecido sadio 7 dias após o reparo;
·
Resistência à água;
·
Aplicação apenas com uso de anestésico tópico, quando necessário,
dispensando agulhas;
·
Reparo por primeira intenção (FERNANDES et al., 2005).
Apesar da contra indicação do fabricante para o uso dos adesivos à base de
cianoacrilato em mucosas e cavidade oral, muitos estudos e trabalhos vêm
20
demonstrando sua eficácia e sucesso quando utilizados nestes tecidos
(FERNANDES et al., 2005; SASKA; MINARELLI-GASPAR, 2006).
Na literatura encontram-se vários autores que destacam clínica e
histologicamente o efeito cicatrizante dos cianoacrilatos, salientando que seu uso
diminuiu o infiltrado inflamatório, a reação de células gigantes (toxicidade) e a
quantidade de tecido de granulação, tornando o processo de cicatrização mais
rápido. Autores ainda testaram a capacidade inibitória dos cianoacrilatos frente a
microorganismos, calssificando-os como bacteriostáticos e bactericidas (CALDAS
JR; GUSMÃO, 2005).
Ogus et al. (2000, apud FERNANDES et al., 2005) confirmaram o efeito
bacteriostático do cianoacrilato sobre o crescimento do Staphylococcus aureus e
Klebsiella em cultura de ágar sangue, adicionando 03 gotas de cianoacrilato em
meio de cultura. Checadas após 48 horas e 08 dias, devido à vaporização do
cianoacrilato, as culturas apresentaram halo circular, indicando inibição bacteriana.
Testes em feridas previamente infectadas demonstraram bons resultados
antimicrobianos
dos
cianoacrilatos
microorganismos gram-negativos
a
cepas
possuem
gram-positivas,
a
membrana
isso
porque
externa
de
lipopolissacarídeos da parede celular, que barra seletivamente a ação química dos
adesivos sobre a membrana plasmática desses (BETTES, 2003; CECCHETI;
GAYOTTO; CAMPOS, 2005).
Caldas Jr. e Gusmão (1998), em um estudo clínico comparativo, utilizando
etil-cianoacrilato (Super-Bonder) e fio de sutura (seda 4-0) para coaptação de
tecidos gengivais pós cirurgia de retalho em 07 pacientes de ambos os sexos, com
idade entre 21 e 45 anos, portadores de periodontite, concluíram que a coaptação
dos bordos apresentou melhores resultados com o etil cianoacrilato até o 14° dia,
sendo que a partir desta data, ambos os grupos se assemelharam clinicamente,
considerando viável o uso do adesivo para a síntese de bordos incisados na cirurgia
a retalho, conferindo reparação tecidual. Finalizam sugerindo a aplicabilidade clínica
desse adesivo no uso odontológico em cirurgias periodontais. Neste mesmo estudo,
os autores citam o trabalho realizado por Forrest (1974), o qual utilizou o butilcianoacrilato em 300 pacientes na área da periodontia, aplicando esse adesivo no
tecido conjuntivo gengival, o qual não observou alteração clínica ou histológica que
pudesse contra-indicar
seu
aproximadamente três anos.
uso,
tendo
proservado
alguns
casos
por
21
Bettes (2003), em um estudo com ratos, comparando o octil-2-cianoacrilato
com a síntese padrão, concluiu que a resistência tênsil era semelhante. O adesivo
permitiu organização mais rápida dos feixes de colágeno no 21° dia, promoveu
reação inflamatória mais exacerbada no 7° dia, gerou aumento significativo da
reação inflamatória do tipo crônica a partir do 14° dia, não desenvolveu reação
granulomatosa de corpo estranho e apresentou valores de colágeno semelhante no
21° dia. O mesmo apresentou boa biocompatibilidade, não prejudicando o processo
cicatricial da pele.
Abdallah et al. (2008), em revisão da literatura, concluíram que os adesivos à
base de cianoacrilato de cadeia longa, apresentam várias vantagens, concordando
com as já citadas por outros autores, porém salientando que combinadas ou
isoladamente, tais características sugerem seu uso como alternativa às suturas em
cirurgias bucais.
Ceccheti, Gayotto e Campos (2005), após revisão da literatura c o m a
proposta de avaliar as propriedades físico-químicas dos derivados de cianoacrilato
de cadeia longa encontrados comercialmente para síntese tecidual e estabelecer
suas implicações nas diferentes aplicações clínicas, concluíram que estes podem
ser utilizados no meio externo e interno com parcimônia, possuíndo mínima ação
sobre a reparação, porém sem inclusão tecidual, principalmente em área estética,
além de ser possível seu uso para adesão de fragmentos ósseos, sujeitos à pouca
ou nenhuma força biomecânica, como nos terços superior e médio da face.
Saska
e t a l . (2004), com o intuito de avaliar histologicamente a
compatibilidade biológica de uma cola à base de etil-cianoacrilato (Super Bonder®),
de fácil disponibilidade e acesso no mercado brasileiro, após a realização de fissuras
em tíbias de ratos, nos períodos de 07, 15 e 30 dias, concluíram que o adesivo não
provocou reação tecidual na região operada dos animais estudados, dentro dos
períodos determinados. O grupo tratado não apresentou células inflamatórias ou
áreas de necrose, apesar de ter ocasionado retardo no reparo tecidual.
No intuito de observar como ocorre a cicatrização de ferimentos cutâneos,
cuja síntese é realizada com adesivos sintéticos (etil-cianoacrilato e octil-2cianoacrilato) e fio de sutura não-absorvível (Mononylon® 5-0), Cancino, Oliveira e
Sant’ana Filho (2004), em estudo descritivo, realizaram uma análise histológica das
características do processo de cicatrização de ferimentos cirúrgicos feitos na pele do
dorso de 45 ratos (Rattus norvegicus, Wistar). Concluíram que, no que se refere à
22
resposta tecidual, o Mononylon® e o etil-cianoacrilato, induziram uma reação
inflamatória semelhante nas primeiras 24 horas de observação; o fio de sutura exibiu
características histológicas mais acentuadas em relação aos outros materiais, as
quais foram mantidas durante todo o experimento e retardaram o processo de
cicatrização nesse grupo; a ausência de hiperemia e edema, no grupo do octil-2cianoacrilato favoreceu o processo de cicatrização; os grupos dos adesivos exibiram
características histológicas semelhantes, com predomínio de fibrócitos no grupo do
octil-2-cianoacrilato, aos cinco dias do experimento. O reparo tecidual com todos os
materiais testados foi verificado no décimo dia de observação, sendo que.o grupo do
octil-2-cianoacrilato mostrou um comportamento histológico superior, se comparado
com o etil-cianoacrilato e o fio de sutura. Não se observaram diferenças marcantes
no processo de cicatrização entre os adesivos. Assim sendo, os resultados
encontrados neste trabalho sugeriram que o cianoacrilato constitui uma alternativa
frente ao fio, uma vez que o comportamento histológico destes materiais foi superior
à sutura e o efeito cosmético observado foi satisfatório e semelhante ao
Mononylon®.
Dourado et al. (2005), em revisão da literatura, analisou, comparativamente,
as suturas convencionais e os adesivos à base de 2-octil-cianoacrilato, concluindo
em suas considerações finais que este último apresenta grande vantagem como
agente adesivo de pele e mucosa para uma variedade de procedimentos, tais como
fechamento de retalhos gengivais, lacerações mucosas e cutâneas, capeamento
pulpar em restaurações dentárias e em cirurgias parendodônticas com maior
biocompatibilidade e menor reação tecidual secundária frente aos fios de sutura
tradicionais. Todavia, sugere mais estudos para tornar o produto mais acessível e
com maior aplicabilidade, principalmente nas áreas cirúrgicas onde as exigências
estéticas são maiores.
Razón, Guerrero e Rodriguez (2002) realizaram um ensaio clínico cego
simples, com o objetivo de investigar a eficácia do cianoacrilato no fechamento de
feridas em zonas livres de tensão em cirurgias ambulatoriais, e comparar com o
método de sutura tradicional. Sessenta e dois pacientes foram divididos em dois
grupos. Em um grupo se colocou uma a duas gotas de adesivo diretamente sobre a
incisão e no outro foi realizada a sutura tradicional com fio de nylon. Após 21 dias foi
feita a avaliação das suturas e concluiu-se que o cianoacrilato é mais eficaz para o
fechamento de feridas em zonas livres de tensão, com várias vantagens sobre a
23
sutura tradicional. Assim, a rapidez da técnica, proporcionou um maior número de
procedimentos cirúrgicos, quando considerado o caso de um hospital que exige
atendimentos rápidos e imediatos; redução de custos (um frasco de 2 gramas é
suficiente para 50 pacientes, já que seriam necessárias, aproximadamente, três
gotas (0,2ml) para cada um). Além disso, não requer esterilização, nem aplicadores
especiais por ser uma substância inerte, mais, a ausência da dor da anestesia e do
desconforto da remoção da sutura.
A ação dos cianoacrilatos sobre as plaquetas também foi analisada. Quando
no meio interno, suscita-se a formação de tromboxano A2, que estimula a formação
plaquetária e formação de trombo, favorecendo a hemostasia.
Testes com o
adesivo utilizado para reparo ósseo em áreas não sujeitas a cargas mecânicas
intensas, demonstraram ser possível sua utilização, mesmo quando aplicados
derivados de cadeia menor como o etil-cianoacrilato. Todavia, compostos com cinco
o u o ito carbonos na cadeia lateral, respectivamente, butil e octil-cianoacrilato
possibilitaram o uso como material de fixação óssea, devido às propriedades mais
biocompatíveis e à maior resistência tridimensional.(CECCHETI; GAYOTTO;
CAMPOS, 2005).
Silva, Figueira Neto e Santos (2007), citam como vantagens oferecidas pelos
vedantes teciduais, a diminuição do tempo cirúrgico, uma vez que elimina o tempo
despendido com a sutura tradicional, além de redução do período de recuperação da
ferida cirúrgica por facilitar a síntese tecidual, diminuindo o trans cirúrgico, reduzindo
portanto o risco de contaminação, já que o órgão ou região anatômica submetida à
cirurgia, fica menos exposta ao meio ambiente.
Mezarobba (1998) relata em um artigo da revista Veja, a façanha do cirurgião
cardíaco Francisco Gregori Jr., ao salvar a vida de uma paciente que, após sofrer
um infarto agudo do miocárdio, apresentava um orifício de aproximadamente 1 cm
envolto em área de tecido necrótico, que impossibilitava a sutura sem ruptura. Num
gesto ousado, o cirurgião decidiu usar uma cola (Super Bonder®) como último
recurso. Aproximando as bordas do orifício, utilizando três pequenas placas de
celulose com Super Bonder, ele conseguiu obliterar o orifício, restabelecendo a
função do coração e a vida da paciente. Visto com cautela por alguns, o ato recebeu
apoio do Conselho Regional de Medicina do Paraná e do presidente da Sociedade
Brasileira de Cirurgia Cardiovascular.
24
Souza et al. (2007), com o objetivo de investigar a biocompatibilidade do etilcianoacrilato comparativamente com o octil-cianoacrilato e a sutura, utilizaram 24
ratos norvegicus albinus, os quais foram submetidos a três incisões, cada uma
fechada por um dos métodos e, após 3,7,14 e 21 dias pós operatório, eutanasiados
e avaliados quanto à presença de necrose, edema, eritema, dermatite, infecção,
deiscência, alargamento cicatricial e custo. Histopatologicamente avaliou-s e a
epitelização, abertura profunda, reação de corpo estranho, resíduos de material de
síntese, fibrose, reação inflamatória, deiscência e necrose. O resultado foi que os
adesivos apresentaram maiores níveis de deiscência e o etil menor custo; nos
demais itens não houve diferença. Histologicamente, a abertura profunda foi mais
comum com o octil; o etil foi o material mais encontrado em granulomas; os adesivos
foram mais brandos que a sutura a partir do sétimo dia no quesito inflamação,
enquanto que nos demais itens, o etil não apresentou diferença importante em
relação ao octil e sutura. Concluiu-se que o etil-cianoacrilato foi bem tolerado neste
estudo, sem induzir necrose, reação alérgica e infecção, apresentando diversas
vantagens em relação ao octil-cianoacrilato e à sutura.
Podemos citar ainda como vantagem, a segurança na aplicação, evitando
acidentes perfuro cortantes decorrentes da agulha para sutura, o fato de não
necessitar curativos oclusivos, nem de analgesia para sua aplicação em ferimentos
corto-contusos, possibilitando a aposição dos bordos sem anestesia (CECCHETI;
GAYOTTO; CAMPOS, 2005). Também apresenta redução do ressecamento das
margens da ferida, prevenindo a ocorrência de infecções secundárias, indicando seu
uso na prevenção de possíveis complicações sépticas (ABDALLAH et al., 2008)
2.5 DESVANTAGENS
Apesar dos estudos clínicos e revisões demonstrarem bons resultados,
alguns deles revelaram que o produto da degradação dos adesivos de cianoacrilato
acumula-se localmente, podendo causar inflamação, formação de tecido de
granulação, necrose e deiscência da ferida. Todavia, quando utilizado em pele ou
mucosa bucal, é de consenso utilizá-lo somente na superfície tecidual, obtendo
melhores resultados estéticos e funcionais, minimizando complicações (CECCHETI;
GAYOTTO; CAMPOS, 2005).
25
Silva, Figueiroa Neto e Santos (2007) em sua revisão onde objetivaram listar
os principais adesivos, biológicos ou sintéticos, utilizados em cirurgia, destacando
composições, estruturas e situações mais indicadas, citam que, embora sejam
importantes em vários tipos de sutura e recomendados de maneira especial em
alguns tipos de tecido, os adesivos de cianoacrilato ainda não são adequados para
substituir completamente os fios de sutura. Citam ainda que a toxicidade tecidual
quando se faz uso, especialmente, de metil e propil cianoacrilato, caracterizam esta
por presença de inflamação, necrose tecidual, formação de granulomas por corpo
estranho e ainda afastamento dos bordos da ferida. Contra-indicam os cianoacrilatos
em feridas infectadas ou profundas, em sangramentos excessivos de artérias,
porque apesar de cicatrizante, o adesivo pode não estancar totalmente o
sangramento; em tecido muscular provoca intensa reação irritante no local e
calcificação de vasos; na medula óssea, ocorre necrose intensa e efeito pirogênico.
Rossi e Souza (2006), objetivando avaliar as diversas modalidades de
aproximação de pele e tegumentos no território otorrinolaringológico e identificar sua
efetividade e indicação, após análise de estudos randomizados, estudos de série,
relato de caso, revisões sistemáticas e acadêmicas, afirmam que suturas
subcutâneas são usadas para aliviar a tensão da pele antes de aplicar o adesivo. A
colocação da sutura subcutânea ajudará na eversão da pele e minimizará as
chances de exposição do adesivo aos tecidos subcutâneos, o que produziria uma
reação inflamatória significativa, como é do consenso de vários autores( ABDALLAH
et al., 2008). Isto vem a ressaltar a indicação dos adesivos de cianoacrilato apenas
em áreas de baixa tensão tecidual, aplicados apenas superficialmente.
Dourado et al. (2004), limita o uso do 2-octil-cianoacrilato a zonas de baixa
tensão tecidual, citando que o mesmo encontra-se menos indicado para o
fechamento de áreas altamente móveis como articulações, áreas com uso de
fricção, como mãos e pés, ou para aquelas onde o alinhamento exato é uma
prioridade, como rosto ou pálpebras.
Razón, Guerrero e Rodrigues (2002), investigando a eficácia dos
cianoacrilatos no fechamento de feridas livres de tensão, relatam que até o
momento, se restringiu o uso e aplicação do cianoacrilato em pacientes com
patologias que possam alterar o processo natural de cicatrização, coagulação,
reação de idiosincrasia, atopia, alergias dérmicas conhecidas ou suspeitas,
dermatites, e com feridas infectadas ou com risco de infecção. Em mucosa com
26
secreção constante ou hipersecreção, feridas com hemostasia inadequada, assim
como zonas expostas à tensão ou pressão direta.
Fernandes et al. (2005), em sua revisão de literatura contra indica o uso dos
cianoacrilatos em lacerações com bordos irregulares, mordidas, picadas, tecidos
rasgados, feridas contaminadas, superfícies de mucosas, áreas de grande
movimentação, mãos, pés e articulações.
Algumas desvantagens atribuídas aos derivados dos cianoacrilatos: maior
toxicidade ao grupo metil; para o grupo etil, degradação rápida e uma reação
inflamatória crônica; aos grupos isobutil e n-butil, pouca flexibilidade depois da
polimerização, resultando numa película quebradiça, se flexionada, principalmente
em incisões longas (CANCINO; OLIVEIRA; SANT’ANA FILHO, 2004).
Barroso Palomino (2005), em sua revisão bibliográfica a respeito do adesivo
tecidual Tisuacryl (2-cianoacrilato de n-butil), concluiu que este não poderia ser
usado em tecido ósseo, não recomendando também a utilização do mesmo em
pacientes asmáticos crônicos ou muito alérgicos, mesmo que não se tenha relato de
caso de que o produto tenha causado alguma alteração. Neste mesmo trabalho, cita
que mesmo o Tisuacryl tendo uma forte característica bacteriostática, o mesmo não
permite que se use radiação gama, pois este material é sensível à radiação. Esta é
uma grande desvantagem no que se refere à esterilização deste material.
Não foi observado consenso entre os autores de que os adesivos à base de
cianoacrilato fossem inócuos, promovessem resistência tênsil superior às suturas
tradicionais ou a outras formas de coaptação, nem que apresentasse menor índice
de complicação como infecção, reação granulomatosa de corpo estranho ou
deiscência. Vários autores relatam bons resultados cosméticos das cicatrizes, porém
sem avaliar microscopicamente as alterações promovidas pela cola. As informações
são em sua maioria de caráter macroscópico (BETTES, 2003).
27
3 CONCLUSÃO
·
Com base na literatura revisada, verificamos que:
·
As novas formulações, como o octil-2-cianoacrilato, vêm p reenchendo,
gradativamente, os requisitos necessários a um material ideal, apresentando
propriedades químicas cada vez mais compatíveis com a utilização proposta;
·
Várias
vantagens
foram
verificadas, como rapidez da técnica, ser
bacteriostático, não necessitar de anestesia, nem de remoção da sutura, ser
menos traumático, principalmente em pacientes jovens e especiais, além de
apresentar bom resultado estético e cicatricial;
·
Todavia, os adesivos ainda apresentam algumas limitações, como emprego
superficial nos tecidos e em áreas livres de pressão ou compressão;
·
Concluímos assim que os adesivos à base de cianoacrilato são uma boa
alternativa para substituir as suturas no fechamento de incisões orais,
estando, porém, seu sucesso condicionado à indicação correta de sua
utilização e ao conhecimento do cirurgião quanto à aplicabilidade do adesivo;
·
Sugere-se que se realizem mais estudos com os adesivos à base de
cianoacrilato, podendo este tornar-se um material eletivo em certas cirurgias
orais, como já ocorre em algumas especialidades médicas.
28
REFERÊNCIAS
ABDALLAH, E. Y. A. et al. Adesivos teciduais à base de cianoacrilato: Revisão da
Literatura, Rev. Saúde, Belo Horizonte-MG, v. 2, n. 1, p. 36-40, 2008.
BARROSO PALOMINO, M. Utilización del adhesivo tisular tisuacryl em
estomatologia. Revisión bibliográfica. Rev. Cuba. Estomatol., v. 42, n. 3, Sept./Dic.
2005.
BETTES, P. S. L. Análise comparativa histológica e tensiométrica entre a
cicatrização de feridas cutâneas tratadas com o adesivo octil-2-cianoacrilato e com
sutura intradérmica em ratos, Curitiba:UFP, 2003. Tese (Doutorado), Programa de
Pós-Graduação em Clínica Cirúrgica, Universidade Federal do Paraná – PR,
Curitiba, 2003.
CALDAS JR, A. F., GUSMÃO, E. S. Estudo clínico comparativo da coaptação dos
tecidos gengivais, após cirurgia a retalho, utilizando-se etil-cianoacrilato (SuperBonder) e fio de sutura. Rev. Periodontia, Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, p. 35-42,
jan./abr. 1998.
CANCINO, C. M. H.; OLIVEIRA, F. A. M.; SANT’ANA FILHO, M. Comparação
histológica entre adesivos teciduais (etil e octil-2-cianoacrilato) e Mononylon®5-0.
RBC – Revista Internacional de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, São
Paulo, v. 2, n. 8, p. 230-7, 2004.
CECCHETI, M. M.; GAYOTTO, M. V.; CAMPOS, A. C. Adesivos teciduais de
cianoacrilato em cirurgia e traumatologia buço-maxilo-facial, Rev. Assoc. Paul. de
Cir. Dent. São Paulo, v. 59 , n. 3, p. 218-21, 2005.
COHEN E.S. Sutures and suturing. In:_________ Atlas of cosmetic & reconstructive
periodontal surgery. Lea & Febiger, v. 2, p. 9-30, 1996 apud FERNANDES, J. G. et
al. Estudo comparativo da eficiência do octylcianoacrilato (Dermabond®) e do fio de
sutura na fixação de enxerto gengival livre. FOA-Rev. da Fac. de Odontol. Anápolis,
v. 7, n. 1, p. 46-49, jan./jun. 2005.
DOURADO, E. et al. Análise comparativa entre suturas convencionais e adesivo a
base de 2-octil-cianoacrilato: Revisão de literatura. Rev. Cir. Traumatol. Buco-MaxiloFac., Camaragibe, v. 5, n. 1, p. 15-20, jan./mar. 2005.
29
FERNANDES, J. G. et al. Estudo comparativo da eficiência do octylcianoacrilato
(Dermabond®) e do fio de sutura na fixação de enxerto gengival livre. FOA-Rev. da
Fac. de Odontol. Anápolis, v. 7, n. 1, p. 46-49, jan./jun. 2005.
FORREST, J .O. The use of cyanoacrylates in periodontal surgery . J. Periodontol.
V.45, n. 4, p. 225-229, 1974 apud CALDAS JR, A. F., GUSMÃO, E. S. Estudo clínico
comparativo da coaptação dos tecidos gengivais, após cirurgia a retalho, utilizandose etil-cianoacrilato (Super-Bonder) e fio de sutura. Rev. Periodontia, Rio de Janeiro,
v. 7, n. 1, p. 35-42, jan./abr. 1998.
FREITAS-JUNIOR, R. et al. Estudo experimental comparando o uso do 2-octil
cianoacrilato ao nylon 4-0 na sutura de pele. Rev. Col. Bras. Cir. [ periódico na
Internet]., v. 35, n. 3, p. 194-198, Mai./Jun. 2008. Disponível em:
http://www.scielo.br/rcbc. Acesso em : 13 nov. 2008.
MADDEN, J.W. Wound healing: Biologicand Clinicals Features. In Sabiston Jr, D.C.
Text Book of Surgery. 10. Ed. Philadelphia, P.A.: W.B. Sounders Company, p.249271, 1972, apud BETTES, P. S. L. Análise comparativa histológica e tensiométrica
entre a cicatrização de feridas cutâneas tratadas com o adesivo octil-2-cianoacrilato
e com sutura intradérmica em ratos, Curitiba: UFP, 2003. Tese (Doutorado),
Programa de Pós-Graduação em Clínica Cirúrgica, Universidade Federal do Paraná
– PR, Curitiba, 2003.
MEZAROBBA, G. Medicina: Coração remendado, Rev. Veja, São Paulo: ed.Abril
S.A., 11/03/1998. Disponível em: http://veja.abril.com.br/110398/p_052.html Acesso
em 15 nov. 2008.
OGUS, N. T. et al. Prevention of recurrent osteomyelitis using cyanoacrylate gluing in
mediastinitis. Am Thorac Surg, v. 70, n. 5, p. 1761-63, nov. 2000, apud
FERNANDES, J. G. et al. Estudo comparativo da eficiência do octylcianoacrilato
(Dermabond®) e do fio de sutura na fixação de enxerto gengival livre. FOA-Rev. da
Fac. de Odontol. Anápolis, v. 7, n. 1, p. 46-49, jan./jun. 2005.
RAZÓN, L. F. O.; GUERRERO, R. O. M.; RODRIGUEZ, S. E. V. Cianoacrilato
comparado con cirurgía tradicional en el cierre de heridas en zonas libres de tensión,
Gac Méd Méx, v. 138, n. 6, p. 505-509, jan. 2002.
ROSSI, H. Z.; SOUZA, F. C. Métodos de fechamento no território
otorrinolaringológico. Acta ORL, São Paulo, v. 24, n. 1, p. 46-51, jan./mar. 2006.
30
SASKA, S. et al. Uso do adesivo à base de etil-cianoacrilato na reparação óssea,
Rev. Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Rio de Janeiro, v. 39, n.8, p. 461-467,
agosto 2004.
SASKA, S.; - MINARELLI GASPAR, A. M. Análise comparativa na coaptação de
tecido periodontal entre adesivo a base de cianoacrilato (Super Bonder) e fio de
sutura. FOA – Rev. da Fac. de Odontologia Anápolis, São Paulo, v. 8, n. 1, p. 7-9
jan./jun. 2006.
SCHWADE, N. D. Wound adhesives, 2-octyl Cyanoacrylate, eMedicine
Otolaryngology and Facial Plastic Surgery, Set. 2008.
SILVA, L.S.; FIGUEIROA NETO, F. B.; SANTOS, A. L. Q. Utilização de adesivos
teciduais em cirurgias. Biosci.J.,Uberlândia, v. 23, n. 4, p. 108-119, out./dez.2007.
SLATTER, D. Manual de cirurgia de pequenos animais. Manole, São Paulo, v. 1, n.
2, p. 257-261,715-717, 1998 apud SILVA, L.S.; FIGUEIROA NETO, F. B.; SANTOS,
A. L. Q. Utilização de adesivos teciduais em cirurgias. Biosci.J.,Uberlândia, v. 23, n.
4, p. 108-119, out./dez.2007.
SOUZA, S. C. et al. Comparative study of suture and cyanoacrilates in skin closure of
rats. Acta Cir. Bras., São Paulo, v. 22, n. 4, Jul./Aug. 2007.
TROOT, A. T. Cyanoacrylate tissue adhesives an advance in wound care. Journal of
the American Medical Association, Chicago, v. 277, n. 19, p. 1559-1560, May 1997,
apud SILVA, L.S.; FIGUEIROA NETO, F. B.; SANTOS, A. L. Q. Utilização de
adesivos teciduais em cirurgias. Biosci.J.,Uberlândia, v. 23, n. 4, p. 108-119,
out./dez.2007.
TRUAX, R. Joseph lister-father of modern surgery. Indianápolis: Bobs Merril, 1947,
apud DOURADO, E. et al. Análise comparativa entre suturas convencionais e
adesivo a base de 2-octil-cianoacrilato: Revisão de literatura. Rev. Cir. Traumatol.
Buco-Maxilo-Fac. Camaragibe, v. 5, n. 1, p. 15-20, jan./mar. 2005.
UEDA, E. L. Avaliação de um cianoacrilato quanto à esterilidade e atividade biocida,
Arquivo Brasileiro de Oftalmologia, São Paulo, v. 64, p. 397-400, jan. 2004.
31
ANEXO
32
DERMABOND*
Adesivo de uso tópico para pele (2-octil cianoacrilato)
DESCRIÇÃO
O adesivo de uso tópico para pele DERMABOND* é um líquido adesivo, esterilizado,
composto por uma fórmula monomérica (2-octil cianoacrilato) e colorido com o
corante D e C violeta Nº 2. É fornecido num aplicador de uso único, dentro de uma
embalagem blister. O aplicador é composto por uma ampola de vidro quebrável,
contida num frasco de plástico com uma ponta para aplicação. Quando aplicado na
pele, o líquido adesivo fica mais viscoso do que a água e polimeriza-se em alguns
minutos. Estudos mostraram que após a aplicação do adesivo DERMABOND, este
atua como barreira para impedir a infiltração microbiana na ferida em cicatrização.
Consultar as INSTRUÇÕES DE USO.
INDICAÇÕES
O adesivo de uso tópico para pele DERMABOND foi concebido apenas para uso
tópico, para manter unidos bordos facilmente aproximáveis de feridas causadas por
incisões cirúrgicas, incluindo punções de cirurgias minimamente invasivas e
lacerações traumáticas simples, depois de bem limpas. Para aliviar a tensão nos
bordos da pele, podem ser aplicadas suturas nas camadas profundas da derme e/ou
no tecido subcutâneo antes do fecho local da ferida com o adesivo de uso tópico
DERMABOND. O adesivo DERMABOND não constitui um substituto das suturas
subcutâneas.
CONTRA-INDICAÇÕES
• Não utilizar em feridas com sinais evidentes de infecção ativa, feridas gangrenadas
ou feridas causadas por úlceras de decúbito.
• Não utilizar sobre superfícies do tipo das mucosas ou em uniões mucocutâneas
(como a cavidade bucal ou os lábios) ou sobre zonas da pele que possam estar
expostas regularmente a fluidos corporais ou cobertas de pilosidade natural densa.
• Não utilizar em pacientes com hipersensibilidade conhecida ao cianoacrilato ou ao
formaldeído.
ADVERTÊNCIAS
• O adesivo DERMABOND é um adesivo de consolidação rápida, capaz de aderir à
maioria dos tecidos do corpo ou a muitos outros materiais como, por exemplo, as
luvas de látex e o aço inoxidável. Deve-se evitar o contato acidental com qualquer
tecido do corpo ou com quaisquer superfícies ou dispositivos que não sejam
descartáveis ou que não possam ser limpos imediatamente com um solvente, como
a acetona.
• A água ou os fluidos que contenham álcool podem acelerar a polimerização do
adesivo DERMABOND: o adesivo DERMABOND não deve ser aplicado em feridas
úmidas.
• O adesivo DERMABOND não deve ser aplicado nos olhos. No caso de ocorrer o
contato com os olhos, enxaguar com água abundante ou solução salina. Se
permanecer algum resíduo de adesivo, aplicar uma pomada oftálmica tópica para
ajudar a desprender o adesivo e, em seguida, contatar um oftalmologista.
• Ao fechar feridas faciais próximas do olho com o DERMABOND, o paciente deve
ser posicionado de forma a que caso se verifique um derrame de líquido adesivo,
este escorra no sentido contrário ao olho. O olho deve estar fechado e protegido
33
com gaze. A colocação preventiva de vaselina em volta dos olhos, que funciona
como barreira física ou bloqueio, pode ser eficaz para prevenir o fluxo inadvertido de
líquido adesivo para dentro do olho. O DERMABOND não adere à pele se esta tiver
sido previamente untada com vaselina. Portanto, o uso de vaselina deve ser evitado
nas superfícies da pele onde se pretende que haja aderência do DERMABOND. O
uso do adesivo DERMABOND junto ao olho já causou inadvertidamente a oclusão
das pálpebras de alguns pacientes. Em alguns casos, tem sido necessário utilizar
anestesia geral e efetuar uma operação cirúrgica para abrir a pálpebra.
• O adesivo DERMABOND não deve ser utilizado sob a pele, dado que o material
polimerizado não é absorvido pelo tecido e pode provocar uma reação ao corpo
estranho.
• O adesivo DERMABOND não deve ser utilizado em áreas onde exista uma grande
tensão na pele, ou em áreas de alta tensão cutânea como as articulações
metacarpo-falângicas, cotovelos ou joelhos, salvo se a articulação ficar imobilizada
durante o período de cicatrização da pele.
• As feridas tratadas com o adesivo DERMABOND devem ser mantidas sob
observação para detectar indícios de infecção. As feridas com sinais de infecção,
como eritema, edema, aquecimento, dor e pus, devem ser avaliadas e tratadas,
segundo as práticas normais para o tratamento de feridas infectadas.
• O adesivo DERMABOND não deve ser utilizado em feridas que serão sujeitas a
uma exposição repetida ou prolongada a umidade ou fricção.
• O adesivo DERMABOND só deve ser utilizado após as feridas terem sido bem
limpas de todos os resíduos de acordo com as práticas cirúrgicas normais. Quando
for necessário, deve ser utilizado um anestésico local para assegurar a limpeza e o
desbridamento adequados.
• A pressão excessiva da ponta do aplicador sobre os bordos da ferida ou sobre a
pele adjacente pode provocar a separação dos bordos da ferida, permitindo desta
forma a entrada de adesivo para dentro da ferida. A presença de adesivo dentro da
ferida pode atrasar a sua cicatrização e/ou provocar um resultado estético adverso.
Portanto, o adesivo DERMABOND deve ser aplicado com um movimento muito leve
de pincelada com a ponta do aplicador sobre os bordos da ferida aproximados sem
forçar.
• O adesivo DERMABOND polimeriza-se através de uma reação exotérmica que
provoca a libertação de uma pequena quantidade de calor. Com uma técnica correta
de aplicação do adesivo DERMABOND em várias camadas finas (pelo menos três)
sobre uma ferida seca e dando tempo para que se dê a polimerização entre as
aplicações, o calor é libertado lentamente e a sensação de calor ou de dor sentida
pelo paciente é reduzida ao mínimo. No entanto, se o adesivo DERMABOND for
aplicado deixando gotas grandes de líquido por espalhar, o paciente poderá ter uma
leve sensação de calor ou desconforto.
• O adesivo DERMABOND é fornecido numa embalagem que se destina a ser
utilizada num único paciente. Após o procedimento do fecho da ferida, descartar o
material restante aberto, quer tenha sido utilizado ou não.
• Não reesterilizar o adesivo DERMABOND.
• Não colocar o adesivo DERMABOND num kit/tabuleiro de procedimentos cirúrgicos
que tenha de ser esterilizado antes da utilização. A exposição do adesivo
DERMABOND, após o seu fabrico final, a um calor excessivo (como em autoclaves
ou esterilização com óxido de etileno) ou a radiação (como raios gama ou feixe de
eletrons) aumenta a sua viscosidade e pode inutilizar o produto.
34
PRECAUÇÕES
• Não aplicar medicamentos líquidos ou pomadas, nem outras substâncias na ferida,
após esta ter sido fechada com o adesivo DERMABOND, pois estas substâncias
podem enfraquecer a película polimerizada e levar à deiscência da ferida. A
permeabilidade do adesivo DERMABOND por medicações tópicas não foi ainda
estabelecida.
• A permeabilidade do adesivo DERMABOND por fluidos desconhece-se e não foi
estabelecida.
• O adesivo DERMABOND quando aplicado, é um líquido que flui livremente e é
ligeiramente mais viscoso do que a água. Para impedir o derrame acidental do
líquido adesivo DERMABOND em áreas do corpo onde a aplicação do adesivo não
é desejada: (1) a ferida deve ser mantida na posição horizontal, aplicando o adesivo
DERMABOND de cima para baixo, e (2) o adesivo DERMABOND deve ser aplicado
em várias camadas finas (pelo menos 3), em vez de em poucas gotas grandes.
• Segurar o aplicador longe do próprio corpo e do do paciente, e esmagar a ampola
na zona central uma única vez. Não esmagar o conteúdo do aplicador
repetidamente, pois a continuação da manipulação do aplicador pode provocar a
penetração dos pedaços de vidro no tubo externo.
• O adesivo DERMABOND deve ser utilizado imediatamente após a ampola ser
quebrada, pois o líquido adesivo deixará de fluir livremente através da ponta do
aplicador após alguns minutos.
• Se se verificar a aderência acidental de uma zona de pele que esteja intacta,
descamar a pele, em vez de tentar separar a pele. A vaselina ou acetona podem
ajudar a descolar. Outros agentes tais como água, solução salina, antibióticos
Betadine®, HIBICLENS† (gluconato de clorexidina) ou sabão não desfazem
imediatamente o adesivo.
• A segurança e eficácia do adesivo DERMABOND não foram estabelecidas em
feridas de pacientes com doença vascular periférica, diabetes mellitus dependente
de insulina, alterações da coagulação sanguínea, antecedentes pessoais ou
familiares de formação de quelóides, hipertrofia ou lacerações em estrela.
• A segurança e eficácia do adesivo DERMABOND não foram estabelecidas nos
seguintes tipos de feridas: mordeduras de seres humanos ou de animais,
perfurações ou facadas.
• Desconhece-se a segurança e eficácia do adesivo DERMABOND em feridas que
foram tratadas com o adesivo DERMABOND e posteriormente foram expostas à luz
solar direta ou lâmpadas de raios ultravioletas, por períodos de tempo prolongados.
• Desconhece-se a segurança e eficácia do adesivo DERMABOND em feridas nas
superfícies de pigmento vermelho.
REACÇÕES ADVERSAS
• Reações adversas obtidas durante o estudo clínico:
*No estudo clínico, a presença de infecção foi identificada pela observação de
vermelhidão numa zona de mais de 3 a 5 mm a partir da ferida tratada, inchaço,
descarga purulenta, dor, aumento da temperatura da pele, febre ou outros indícios
sistêmicos de infecção. (Consultar o estudo clínico). Não se obteve cultura
confirmatória de rotina. Entre os casos de suspeita de infecção devido ao adesivo
DERMABOND, 7/14 (50%) deram-se em pacientes de menos de 12 anos de idade e
tratados devido a lacerações traumáticas; em geral, 8 de 14 (aproximadamente
60%) feridas tratadas com adesivo DERMABOND e com suspeita de infecção foram
associadas a resultados cosméticos abaixo de ótimos.
35
• Podem ocorrer reações de hipersensibilidade em pacientes que sejam
hipersensíveis ao cianoacrilato ou ao formaldeído. Consultar as CONTRAINDICAÇÕES.
• A polimerização do adesivo DERMABOND na pele libera pequenas quantidades de
calor que podem causar uma sensação de calor ou desconforto em alguns
pacientes.
• Podem ser sentidas reações adversas em caso de contato do adesivo
DERMABOND com os olhos.
ESTUDO CLÍNICO
Descrição: foi realizado um estudo prospectivo, aleatório, controlado, aberto, para
avaliar a segurança e eficácia do fecho dos bordos aproximados de incisões
cirúrgicas, incluindo perfurações de cirurgias minimamente invasivas e lacerações
resultantes de traumatismos, usando o adesivo DERMABOND em comparação com
suturas de calibre 5-0 U.S.P. ou de calibre inferior, agrafos ou tiras adesivas com ou
sem fecho cutâneo (sutura subcuticular), segundo o parecer do investigador.
Resumo dos resultados de eficácia comparando o adesivo DERMABOND com
suturas (U.S.P. de calibre 5-0 ou inferior), agrafos e tiras adesivas
Resultados do estudo clínico SSS CSS
DERMABOND Controlo
N (%) N (%) N (%) N (%)
Quantidades
Nº de pacientes do estudo 240 243 167 168
Nº de pacientes tratados 239 242 167 166
Pacientes que terminaram o estudo 228 (95%) 215 (88%) 164 (98%) 162 (96%)
Nº de controlo: 194/46/1/1 116/45/5/0
sutura/tiras/agrafos/em falta
Reacções adversas
Suspeita de infecção* 8 (3,6%) 2 (0,9%) 6 (3,6%) 2 (1,2%)
Tipo de ferida
Nº de lacerações 8 2 1 0
Nº de incisões 0 0 5 2
Deiscência que obriga à repetição do tratamento
6 (2,5%) 5 (2,1%) 3 (1,8%) 0
Inflamação aguda
Eritema 26 (11,5%) 74 (33,0%) 52 (31,3%) 75 (45,1%)
Edema 22 (9,7%) 28 (12,5%) 62 (37,3%) 71 (42,8%)
Dor 14 (6,1%) 13 (5,8%) 56 (33,7%) 57 (34,3%)
Calor 3 (1,3%) 6 (2,6%) 3 (1,8%) 4 (2,4%)
Avaliação do fecho da ferida
Imediato:
Dispositivos adicionais 18 (7,5%) 13 (5,4%) 2 (1,2%) 11 (6,6%)
aos 5 a 10 dias:
100% de aposição epidérmica 169 (75,1%) 199 (88,8%) 140 (84,3%) 160 (96,4%)
>50% de aposição epidérmica 205 (91,1%) 214 (95,5%) 163 (98,2%) 165 (99,4%)
aos 3 meses:
Classificação a nível da cosmética*= 0
(óptima) 188 (82,5%) 180 (83,7%) 128 (78,0%) 128 (79,0%)
Tempo médio para o tratamento (Minutos) 1,5 6,0 1,3 2,9
* Cosmética: Escala de Cosmética Hollander Modificada
36
A população do estudo incluiu pacientes com pelo menos um ano de idade, em geral
saudáveis, que assinaram o consentimento informado e concordaram em
comparecer a consultas de seguimento. Foram excluídos os pacientes que
apresentaram: traumatismos vários significativos, doença vascular periférica,
diabetes mellitus dependente de insulina, alterações da coagulação sanguínea,
antecedentes de formação de quelóide ou hipertrofia (paciente ou familiares), alergia
ao cianoacrilato ou ao formaldeído, lacerações em estrela devidas a esmagamento
ou pancada forte, mordeduras de seres humanos ou animais e úlceras produzidas
por decúbito.
O seguimento efetuou-se aos 5–10 dias e aos 3 meses. Todas as feridas foram
avaliadas mediante inspeção visual aos 5–10 dias após o fecho da ferida. Todos os
tipos de feridas tratadas no estudo incluíram 46,1% de lacerações e 53,9% de
incisões. As incisões compreendiam 47,8% de excisões de lesões cutâneas, 27,4%
de perfurações de cirurgias minimamente invasivas e 24,8% de incisões cirúrgicas
gerais.
No caso das feridas fechadas sem pontos de sutura subcuticulares, o comprimento
médio das feridas era de 1,5 cm, a largura média era de 2,5 mm e a profundidade
média era de 5,8 mm. No caso das feridas fechadas com pontos de sutura
subcuticulares, o comprimento médio das feridas era de 3,2 cm, a largura média era
de 5,3 mm e a profundidade média era de 3,8 mm.
Quando o método principal de fecho não era suficiente, foi colocado um dispositivo
de segurança adicional. O tempo para realizar o tratamento incluía o tempo
necessário mais tarde para retirar o dispositivo de fecho, quando aplicável. Utilizouse a Escala de Cosmética Hollander Modificada (MHCS), uma escala validada, para
avaliar a cosmética aos três meses: bordos separados, eversão dos bordos,
irregularidades do contorno, inflamação excessiva, separação das margens da ferida
e aspecto general.
INSTRUÇÕES DE USO
1. A aplicação de adesivo DERMABOND requer uma limpeza minuciosa da ferida.
Seguir as práticas cirúrgicas normais para a preparação da ferida antes da aplicação
do adesivo DERMABOND (isto é, anestesiar, irrigar, desbridar, obter a hemóstase e
fechar as camadas profundas).
2. Secar a ferida com gaze seca e esterilizada, a fim de garantir o contacto direto
com os tecidos, para que haja aderência do adesivo DERMABOND à pele. A
umidade acelera a polimerização do adesivo DERMABOND e pode afetar os
resultados do fecho da ferida.
3. Para impedir o derrame acidental de líquido adesivo DERMABOND em áreas do
corpo onde a aplicação do adesivo não é desejada, a ferida deve ser mantida na
posição horizontal, aplicando o adesivo DERMABOND de cima para baixo.
4. O adesivo DERMABOND deverá ser utilizado imediatamente após partir a ampola
de vidro, já que o líquido adesivo fluirá livremente pela ponta apenas durante alguns
minutos. Retirar o aplicador da embalagem blister. Segurar o aplicador com o
polegar e outro dedo, mantendo-o afastado do paciente, para evitar a colocação
acidental do líquido adesivo DERMABOND na ferida ou no paciente. Enquanto se
segura o aplicador com a ponta voltada para cima, apertar a ampola no meio, de
forma a partir a ampola de vidro interna. Virar o aplicador para baixo e apertá-lo
ligeiramente, apenas o suficiente para fazer com que o líquido adesivo
DERMABOND umedeça a ponta do aplicador.
37
5. Aproximar os bordos da ferida com os dedos, usando luvas, ou com uma pinça.
Aplicar lentamente o adesivo DERMABOND em várias camadas finas (pelo menos
3) sobre a superfície dos bordos unidos da ferida, com uma leve pincelada. Esperar
aproximadamente 30 segundos entre as aplicações ou as camadas. Manter a
aproximação dos bordos da ferida com os dedos durante cerca de 60 segundos,
após aplicar a camada final.
NOTA: o adesivo DERMABOND polimeriza-se através de uma reação exotérmica.
Se o adesivo DERMABOND for aplicado deixando gotas grandes de líquido por
espalhar, o paciente poderá ter uma sensação de calor ou desconforto. A sensação
pode ser mais intensa sobre tecidos sensíveis. Esta sensação pode ser minimizada,
se o adesivo DERMABOND for aplicado em várias camadas finas (pelo menos 3).
NOTA: a pressão excessiva da ponta do aplicador sobre os bordos da ferida ou
sobre a pele adjacente pode provocar a separação dos bordos da ferida, permitindo
desta forma a entrada de adesivo para dentro da ferida. A presença de adesivo
dentro da ferida pode atrasar a sua cicatrização e/ou provocar um resultado estético
adverso.
NOTA: a força mecânica máxima da película adesiva é atingida cerca de 2,5
minutos após a aplicação da última camada, apesar de a camada adesiva superior
se manter pegajosa durante aproximadamente 5 minutos. A polimerização estará
completa quando a camada superior de adesivo DERMABOND já não estiver
pegajosa.
6. Não aplicar medicamentos líquidos nem pomadas na ferida após ter sido fechada
com o adesivo DERMABOND, pois estas substâncias podem enfraquecer a película
polimerizada, o que, por sua vez, pode causar a deiscência da ferida.
7. Poderão ser aplicados pensos e compressas secos, como por exemplo gaze, mas
somente depois de a película de adesivo DERMABOND estar completamente
sólida/polimerizada, não pegajosa ao tato (aproximadamente cinco minutos depois
da aplicação). Deixar que a camada superior se polimerize totalmente antes de
aplicar uma compressa. Se forem aplicados pensos, compressas, tiras ou fitas
adesivas antes de a polimerização estar completa, estes materiais poderão aderir à
película. Ao retirar o penso ou a compressa, a película adesiva pode separar-se da
pele, podendo causar a deiscência da ferida.
8. Os pacientes devem ser instruídos no sentido de não arrancar a película
polimerizada de adesivo DERMABOND (à semelhança do que algumas pessoas
fazem com as crostas das feridas). Isso poderá afetar a aderência do adesivo à pele
e causar a deiscência da ferida. A utilização de um penso ou compressa poderá
evitar que o paciente toque na película.
9. Aplicar uma compressa protetora seca no caso de crianças ou de outros
pacientes que provavelmente não terão os cuidados necessários com as suas
feridas.
10. O folheto informativo intitulado “How to Care for Your Wound After It’s Treated
With DERMABOND Topical Skin Adhesive” (Cuidados a Ter com a Ferida Após o
Tratamento com o Adesivo de Uso Tópico para Pele DERMABOND) deve ser
entregue a todos pacientes tratados com o adesivo DERMABOND. Este folheto
informativo deverá ser lido com cada paciente ou responsável, para garantir que
este compreende corretamente os cuidados que deve ter com a área tratada.
11. Os pacientes devem ser instruídos no sentido de que, até a película polimerizada
do adesivo DERMABOND se desprender naturalmente (geralmente após 5 a 10
dias), só devem molhar de passagem o local tratado.
38
Os pacientes poderão tomar ducha e banho com o devido cuidado. O local não
deverá ser esfregado, encharcado, nem exposto a uma umidade excessiva até a
película cair naturalmente e a ferida estar totalmente cicatrizada. Os pacientes
deverão ser informados de que durante este período não devem nadar.
12. Se for necessário retirar o adesivo DERMABOND por qualquer razão, aplicar
cuidadosamente vaselina ou acetona sobre a película de DERMABOND para ajudar
a desprender o adesivo. Descamar a película, mas sem tentar separar a pele.
APRESENTAÇÃO
O adesivo DERMABOND é fornecido esterilizado, num aplicador de uso único, précarregado. O aplicador é composto por uma ampola de vidro quebrável, contida num
frasco de plástico, com uma ponta para aplicação.
O aplicador contém 0,5 ml de líquido adesivo. O aplicador encontra-se numa
embalagem blister, que mantém o dispositivo esterilizado até ser aberta ou
danificada.
O adesivo DERMABOND encontra-s e d isponível em caixas com 6 ou 12
aplicadores.
ARMAZENAMENTO
Condições de armazenamento recomendadas: a uma temperatura que não
ultrapasse os 30 °C, ao abrigo da umidade, do calor direto e da luz direta. Não
utilizar para além do prazo de validade.
ESTERILIZAÇÃO
O adesivo DERMABOND é esterilizado originariamente por calor seco e gás de
óxido de etileno. Não reesterilizar. Não utilizar se a embalagem estiver aberta ou
danificada. Após o procedimento cirúrgico, descartar o material aberto, quer tenha
sido utilizado ou não.
ESTERILIZADO PARA USO ÚNICO
NOTIFICAÇÃO DE OCORRÊNCIAS
Os médicos deverão contactar o representante local de vendas na linha verde 1800-255-2500 (apenas para os Estados Unidos) para comunicar quaisquer reações
adversas ou complicações potencialmente perigosas relacionadas com o uso do
adesivo DERMABOND.
ATENÇÃO
A lei federal (dos Estados Unidos) só permite a venda deste dispositivo a médicos
ou sob receita destes.
Fabricado para a ETHICON, INC.pela Closure Medical Corp.© ETHICON, Inc. 1998
®Marca comercial da Purdue Fredericks
†Marca registada de Zeneca Pharmaceuticals
Ver instruções de uso
Não reutilizar/não reesterilizar
Validade — ano e mês
LOT
Lote
Método de esterilização — Óxido de etileno
Conteúdo: O
39
frasco contém 0,5 ml
Método de esterilização —Calor Seco
30 °C máx Armazenar a temperatura ambiente (abaixo de 30 °C)
86 max
Antes de abrir esta embalagem,esmagar a ampola
Marca CE e número de identificação do organismo notificado. O produto obedece
aos principais requisitos da Diretiva sobre Dispositivos Médicos 93/42/CEE.0086
Sensível
Download

UNINGÁ – UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ