PROJETO, CONSTRUÇÃO E TESTE DE UM SISTEMA DE CORTE AUTOMÁTICO PARA MATERIAIS SÓLIDOS FRÁGEIS Alessandro Santos Morais*, Luciana Reyes Pires Kassab** Resumo Este trabalho consiste em projetar e construir um equipamento automático para realizar cortes [1] em amostras de vidros e cristais frágeis, para análises espectroscópicas e medidas de índice de refração. Os vidros são produzidos no nosso Laboratório de Vidros e Datação, normalmente dopados com terras-raras [2,3,4,5,6,7] e com aplicações optoeletrônicas. Os cristais são provenientes de amostras geológicas e arqueológicas [8,9,10] e são datados no nosso laboratório. O corte será feito por um fio de diamante com espessura variando de 0,2 a 0,4 mm. O equipamento será composto por sistemas mecânico e eletrônico [11]. O sistema eletrônico será composto por um controle programável com interface homem-máquina permitindo ao usuário selecionar os valores das variáveis: número de cortes e a distância entre eles. Equipamentos de corte desta natureza podem ser usados sem risco de danificar a amostra. produção. Por exemplo, uma determinada máquina só fazia furos de um mesmo tipo. Com o passar do tempo, foi preciso fazer algumas alterações nas máquinas e equipamentos, de forma a resguardar a mão-de-obra de algumas funções que não se adequavam à estrutura física do homem. A máquina passou a fazer o trabalho mais pesado e o homem, a supervisioná-la. Introdução A fim de conseguir uma boa integração entre o operador e seu instrumento de trabalho, foram colocados sensores nas máquinas, para indicar a situação da produção, e também atuadores, para melhorar a relação entre o homem e a máquina. O processo da produção era então controlado diretamente pelo operador, caracterizando um sistema automático. Automatizar um sistema tornou-se bastante viável quando a eletrônica passou a dispor de circuitos eletrônicos capazes de realizar funções lógicas e aritméticas com os sinais de entrada, e gerar sinais de saída. Assim, o controlador uniu-se aos sensores e aos atuadores para transformar o processo em um sistema automatizado. a) Métodos, Forma de Análise e Materiais Fio de Diamante A tecnologia do uso de serras abrasivas não é nova, os egípcios já usavam na Antiguidade para cortar as pedras das pirâmides. O corte com fio é utilizado quando o material a ser cortado é frágil ou muito caro. O fio utilizado neste caso tem alta resistência à tração e passa por um processo de impregnação de pó de diamante. O diamante, neste caso, é o responsável pelo corte. Existem no mercado máquinas que empregam fios de diamante para o corte de materiais semicondutores e optoeletrônicos, tais como Arsenato de Gálio e materiais caros como YAG ( laser de cristal). Entretanto, o uso destas máquinas não é restrito a estas áreas e pode ser usado para o corte de amostras geológicas, amostras arqueológicas (fósseis e dentes) e muitos outros materiais. b) Automatização No início, os processos produtivos utilizavam ao máximo a força da mão-de-obra. A produção era composta por estágios nos quais as pessoas desenvolviam sempre as mesmas funções, especializando-se numa certa tarefa ou etapa da produção. O mesmo ocorria com as máquinas, que eram específicas para uma dada aplicação, o que impedia de utilizá-las em outras etapas da a) Descrição do sistema mecânico A Figura 1 apresenta uma vista frontal do sistema de corte. O corte será realizado por um fio de diamante (ou diamantado) com espessura de 0,2 a 0,4 mm. Este fio é enrolado em um carretel que gira acionado por um motor de corrente contínua (Figura 2a, motor 1). Na fonte que alimenta este motor será acoplado um circuito para o controle da velocidade. O fio ficará disposto em um sistema de 4 polias paralelas entre si (Figura 2b). O fio será enrolado no carretel de tal forma que ao ser desenrolado, passe pelas 4 polias e volte para o mesmo carretel (Figura 2b). O carretel translada no eixo do motor, devido à presença de uma rosca centrada no eixo, para que não ocorra superposição dos fios enrolados. Este movimento de translação também tem como função inverter a polaridade do motor. Tal inversão ocorre quando o carretel toca os sensores 1 e 2 (Figura 2a). A polaridade do motor tem que ser invertida para inverter também o sentido de rotação do motor e evitar que o fio se rompa. *Aluno de iniciação científica do curso de Mecânica de Precisão da Fatec-SP ** Profa. Plena da Fatec-SP, Doutora em Ciências pelo IFUSP 52 Polia Carretel Fio de diamante Interface homem-máquina e controle eletrônico Sistema de deslocamento vertical Figura 1: Vista frontal do sistema de corte. Figura 2a Figura 2b Sistema de deslocamento vertical Sensor 3 Porta-amostra Base do portaamostra Motor de passo Motor 2 Guias Sensor 4 Figura 2c A amostra será fixada em um portaamostra (Figura 2c) por meio de uma cera colante. Um sistema de deslocamento vertical, acionado pelo motor 2 (de corrente contínua com velocidade ajustável para exercer diferentes forças dependendo da natureza da amostra), levará a amostra ao encontro do fio de corte. O deslocamento horizontal será acionado por um motor de passo (Figura 2c). Este deslocamento permitirá a realização, em uma mesma amostra, de cortes a diferentes distâncias . As guias apresentadas na Figura 2c garantirão o paralelismo e a planicidade da amostra cortada. A precisão do corte estará intrinsecamente relacionada à fixação dos guias na base do porta-amostras (Figura 2c). Será acoplado ainda à máquina um sistema de fornecimento de lubrificante para refrigerar e limpar permanentemente o fio e evitar que a amostra se quebre. 53 b) Descrição do sistema eletrônico O sistema eletrônico (Figura. 3) será composto por um controle programável com interface homemmáquina que permita ao usuário escolher os valores das variáveis: número de cortes e distância entre eles. Ao usuário caberá apenas fixar a amostra no porta-amostra (com cera colante), determinar os valores das variáveis e ajustar as velocidades dos motores (1 e 2). O controle ligará o motor 1 para acionar o carretel (Figura 2a). Quando o carretel tocar os sensores 1 e 2 serão enviados pulsos elétricos para o controle. O controle acionará também o motor 2 (Figura 2c) que fará a amostra deslocar-se verticalmente para cima a fim de ser cortada. Quando o fio de diamante tocar no portaamostra o corte estará encerrado e o sensor 3 enviará um pulso elétrico ao controle que fará o motor 2 inverter o sentido de rotação a fim de deslocar a amostra verticalmente para baixo. No instante em que for tocado o sensor 4 será enviado um pulso ao controle. Caso seja escolhida a opção de 2 cortes, ou mais, o controle acionará o motor de passo que fará o deslocamento horizontal da amostra de acordo com o valor especificado para a variável distância entre os cortes. Então o controle voltará a acionar o motor 2 que irá fazer a amostra subir novamente repetindo a rotina anteriormente explicada. Interface hom em -m áquina C ontrole M otor 1 M otor 2 S ensor 1 S ensor 3 S ensor 2 S ensor 4 M otor de Passo Figura 3: Sistema eletrônico Conclusão Com a concretização deste trabalho será possível cortar amostras frágeis, de vidro e cristal, com diferentes espessuras. Otimizaremos também as condições de tratamento das amostras do nosso laboratório. 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