MARIA ESTHER RICCI DA SILVA ANÁLISE PROTEÔMICA DO COMPLEXO SALIVAR DA SANGUESSUGA HAEMENTERIA depressa Tese Apresentada ao Programa de PósGraduação Interunidades em Biotecnologia – USP – Instituto Butantan – IPT da Universidade de São Paulo, para obtenção do Título de Doutor em Biotecnologia. Orientadora: Dra Ana Marisa Chudzinski-Tavassi São Paulo Outubro/2004 DADOS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) Serviço de Biblioteca e Informação Biomédica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo Ricci-Silva, Maria Esther. Análise proteômica do complexo salivar da sanguessuga Haementeria depressa / Maria Esther Ricci-Silva. -- São Paulo, 2004. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação Interunidades em Biotecnologia USP/Instituto Butantan/IPT. Área de concentração: Biotecnologia. Linha de pesquisa:coagulacão e fibrinólise a) purificação, caracterização, mecanismos de ação e biologia molecular de agentes anticoagulantes e fibrinolíticos naturais. Orientador: Chudzinski-Tavassi, Ana Marisa. Versão do título para o inglês: Proteomic analysis of the salivary gland complex from leech Haementeria depressa. Descritores: 1. Haementeria depressa 2. Eletroforese bidimensional 3. Espectrometria de massa 4.Proteoma 5. Complexo salivar 6. proteínas antihemostáticas ICB/SBIB091/2004 Àos meus pais Delson Edmundo Ferraz da Silva e Maria José Ricci da Silva; meu irmão Delson Edmundo Ferraz da Silva Júnior; minha cunhada Andréa Christie Oliveira Peters; meu namorado Adrien Oleszkiewicz. pelo incentivo que sempre encontrei. AGRADECIMENTOS Este período de desenvolvimento de doutoramento (1999-2004) propicioume uma oportunidade de conhecer pessoas que contribuíram para meu aperfeiçoamento científico e pessoal. Além do conhecimento adquirido, agradeço pelo incentivo, confiança e apoio. Desta forma, agradeço em especial: À Dra. Ana Marisa Chudzinski-Tavassi do Laboratório de Bioquímica e Biofísica – Instituto Butantan, minha orientadora, que nunca deixou de me apoiar em todas as etapas difíceis e permitiu a concretização deste trabalho. Ao Dr. Tetsuo Yamane do Laboratório de Toxinologia Molecular – Instituto Butantan, meu co-orientador, que me acolheu com amizade em seu laboratório. Agradeço também àqueles que participaram efetivamente de meu trabalho: Ao Dr. Katsuhiro Konno do Centro de Toxinologia Aplicada - Instituto Butantan, pela ajuda na obtenção de seqüências por espectrometria de massa, bem como em suas interpretações; Ao Dr. Gandhi Rádis Baptista do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular - Universidade Federal do Ceará, pela confiança e incentivo durante o desenvolvimento deste trabalho; Ao Dr. Wagner Fontes do Laboratório de Bioquímica e Química de Proteínas - Universidade de Brasília, pela orientação na fase de digestão dos spots à partir de géis bidimensionais, para posterior sequenciamento; Ao Dr. Reto Stöcklin, Sophie Michalet, Philippe Favreau, Guillaume Gueton do Laboratório Atheris – Suíça, pelos ensinamentos dos princípios de espectrometria de massa e pelo carinho com que me acolheram durante 6 meses; À Fernanda Faria do Laboratório de Bioquímica e Biofísica – Instituto Butantan, pelo suporte com a construção do banco de ESTs e pela colaboração durante o desenvolvimento deste trabalho; À Simone Michaela Simons do Laboratório de Bioquímica e Biofísica – Instituto Butantan, pelo auxílio na coleta e manutenção de sanguessugas; Ao Márcio Fritzen do Laboratório de Bioquímica e Biofísica – Instituto Butantan, e Cícero Zanini da Universidade Federal de Santa Catarina, pelo auxílio na coleta de sanguessugas; Ao Álvaro Rossan de Brandão Prieto da Silva do Laboratório de Toxinologia Molecular – Instituto Butantan, pelo apoio e pelo auxílio na confecção das figuras desta dissertação; Ao Dr. Igor Correia Almeida do Laboratório de Glicobiologia de Parasitas – ICB/USP; Ernesto Satoshi Nakayasu e Lourivaldo dos Santos Pereira do Laboratório de Bioquímica e Imunologia de artrópodes – ICB/USP, Dr. Claudemir Lúcio do Lago do Laboratório de Automação e Instrumentação analítica do IQ/USP, pela atenção com que me receberam para discussões e sugestões científicas; Ao Michael Murgu, Luciana Curiati, Marisa Dinnocenzo – Amersham Biosciences, pelo suporte técnico; Ao Dr. Ivo Lebrun – Diretor do Laboratório de Bioquímica e Biofísica – Instituto Butantan, pelas sugestões por ocasião da qualificação deste trabalho; Ao Dr. Antônio Carlos Martins de Camargo, Diretor do Centro de Toxinologia Aplicada do Instituto Butantan, pelo suporte instrumental para a concretização deste trabalho; Aos amigos/colegas: Durvanei Maria Augusto, Myriam Paola Alvarez Flores, Janaína de Souza Ventura, Isabel de Fátima Correa Batista, Cleyson Valença Reis, Jeane Claine Albuquerque Modesto, Linda Christian Carrijo, Agostinho Luiz Maia Pereira, do Laboratório de Bioquímica e Biofísica – Instituto Butantan; Ricardo Yassaka e Maria Cristina Viana Braga do Laboratório de Toxinologia Molecular – Instituto Butantan; Fernando Pretel do Laboratório de Imunogenética – Instituto Butantan, pelo apoio; Ao pessoal do Setor de Informática – Instituto Butantan, em especial Sérgio Marcello Humantschuk, pelo apoio técnico; Ao pessoal da Secretaria da Biotecnologia – ICB/USP, em especial Nancy Gonçalves de Melo e Eliane de Araújo Campos Gouveia; À Adriana de Almeida Barreiros da biblioteca do IQ/USP, à Maria José de Jesus Carvalho e Eva Aparecida da Silva Oliveira da biblioteca do ICB/USP, pelo auxílio na consulta e revisão de referências bibliográficas; Ao Noronha e Sílvia (Miracatu-SP); Luciano Barbosa e Delfino Beck Barbosa (Camaquã- RS), pela acolhida para coleta de sanguessugas; Ao Isaias França, pelo apoio no preparo e lavagem de materiais do laboratório; À todos que colaboraram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho; À FAPESP, pelo apoio financeiro. SUMÁRIO 1 Introdução 1 1.1 Hemostasia 1 1.2 Hematófagos em geral 3 1.3 Sanguessugas 4 1.3.1 Gênero Haementeria 8 1.3.2 Haementeria depressa 10 1.4 A era pós-genômica e o desenvolvimento do proteoma 14 1.5 Eletroforese bidimensional 17 1.6 Espectrometria de massa 17 1.6.1 Técnicas de ionização 18 1.6.1.1 Ionização por dessorção da matriz assistida por laser (Matrix assisted 18 laser desorption ionization – MALDI) 1.6.1.2 Ionização por electrospray (ESI) 20 1.6.2 Analisadores de massa 22 1.6.2.1 Analisador TOF (tempo de vôo – time of flight) 22 1.6.2.2 Analisador quadrupolo 23 1.6.3 Detector 24 1.6.4 Espectrômetros de massa 24 1.7 Identificação de proteínas 24 1.7.1 Identificação de proteínas analisadas por espectrometria de massa 25 1.7.1.1 Peptide mass fingerprinting (PMF) por MALDI-TOF 25 1.7.1.2 Análise via tandem MS – sequenciamento de novo por ESI-Q-TOF 26 MS 1.8 Visão atual da aplicação destas metodologias em estudos de 27 hematófagos 2 Objetivo 30 3 Materiais e Métodos 31 3.1 Sanguessugas Haementeria depressa 31 3.2 Eletroforese bidimensional 31 3.2.1 Preparo da amostra 31 3.2.2 Detecção de proteínas em géis bidimensionais 32 3.3 Seleção e digestão enzimática de spots 32 3.4 Espectrometria de massa 33 3.5 Identificação de proteínas 34 3.6 Detecção específica por zimografia 35 3.6.1 Atividade fibrinolítica e localização de hementerina 35 3.6.2 Zimografia bidimensional 36 3.6.3 Atividade sobre gelatina 37 3.6.4 Lefaxin 37 4 Resultados 38 4.1 Perfil bidimensional do extrato bruto do complexo salivar 38 4.2 Perfil espectrométrico do extrato bruto do complexo salivar 43 4.3 Análise proteômica do complexo salivar de H. depressa 43 4.3.1 Spots bidimensionais 43 4.3.1.1 Spots 1 e 2 43 4.3.1.1.1 Identificação dos spots 1 e 2: antiagregante plaquetário 52 4.3.1.2 Spots 3, 4 e 5 54 4.3.1.2.1 Identificação dos spots 3, 4 e 5: miohemeritrina 58 4.3.1.3 Spots 6, 7, 8, 9 e 10 63 4.3.1.3.1 Identificação dos spots 6, 7, 8, 9 e 10: anidrase carbônica 77 4.4.4 Outros spots analisados do mapa bidimensional e ainda não 77 identificados 4.5 Análises do lefaxin e hementerina purificados 95 4.6 Atividade biológica determinada por zimografia 98 4.6.1 Substrato: gelatina 98 4.6.2 Substrato: fibrina 101 5 Discussão 102 5.1 Abordagem proteômica do complexo salivar 102 5.2 Perfil espectrométrico do extrato bruto do complexo salivar 103 5.3 Spots bidimensionais identificados 104 5.3.1 Antiagregante plaquetário 104 5.3.2 Miohemeritrina 107 5.3.3 Anidrase carbônica 109 5.4 Lefaxin 110 5.5 Hementerina 112 5.6 Proteína com atividade biológica sobre gelatina 112 5.7 Proteínas antihemostáticas de sanguessugas do gênero Haementeria 113 5.8 Contribuições da análise proteômica para este trabalho 116 6 Conclusões 117 Referências 120 Glossário (espectrometria de massa) 132 Anexo 136 Ferramentas bioinformáticas 137 RESUMO Diversos anticoagulantes, fibrinolíticos e antiagregantes plaquetários já foram descritos nos mais diversos gêneros de hematófagos. As sanguessugas Haementeria depressa vêm sendo estudadas desde a década de 60 no Instituto Butantan. Neste trabalho foram analisados os mapas bidimensionais do complexo salivar e de um tecido muscular. O complexo salivar é composto pelas glândulas salivares e a probóscide. As análises bidimensionais mostraram que as proteínas de ambos tecidos apresentaram pI entre 3.5 a 9.5 e MM na faixa entre 10 a 105 kDa. O mapa eletroforético bidimensional do complexo salivar apresentou 352 spots totais, sendo 103 comuns com o tecido muscular e 249 exclusivos do complexo salivar (corado por nitrato de prata). Apenas 219 spots totais foram visualizados quando o gel foi corado por Coomassie Blue. As proteínas isoladas dos géis foram identificadas após sequenciamento por tandem MS (proteoma) através de análise complementar baseadas em sequências deduzidas do cDNA (transcriptoma). As proteínas identificadas neste trabalho foram: antiagregante plaquetário; miohemeritrina e anidrase carbônica. O antiagregante plaquetário impede a formação de trombos plaquetários; a miohemeritrina, além de seu papel como transportadora de oxigênio, por apresentar similaridade com lefaxin e com prolixin S pode ser anticoagulante; a anidrase carbônica auxilia na manutenção do pH do sistema digestivo. Estas foram as proteínas mais expressas nas glândulas salivares de sanguessugas não alimentadas durante 2-3 meses e portanto, devem exercer um papel durante a alimentação e apresentar propriedades antihemostáticas. Ainda, por zimografia, foi identificada uma protease que lisa gelatina (45 kDa). Interessantemente, o lefaxin (inibidor de FXa) não foi identificado pela análise proteômica e a hementerina (fibrinogenolítico e inibidor de agregação plaquetária), foi localizada no gel bidimensional somente após ensaio zimográfico, o que mostra a necessidade do uso de técnicas adicionais para a completa elucidação da constituição desta amostra. ABSTRACT Many anticoagulants, fibrinolytics and antiplatelet proteins were described in hematophagous animals. The leeches Haementeria depressa have been studied in Instituto Butantan since 1960. The electrophoretical bidimensional maps of the salivary complex and muscular tissue were carried out in this work. The salivary complex is composed by the salivary glands and proboscis. The two-dimensional analysis showed the proteins from both extracts have a pI from 3.5 to 9.5 and molecular weight from 10 to 105 kDa. The bidimensional map of the salivary complex showed 352 total spots, 103 in common with the muscular tissue and 249 are exlusives from the salivary complex (silver stained). Only 219 total spots were visualized in a Coomassie Blue stained gel. The proteins isolated from the gels were identified after tandem analysis (proteome) by a complemetary analysis based on deduced sequencing from cDNA (transcriptome). The proteins identified in this work were: an antiplatelet protein, a myohemerythrin and a carbonic anhydrase. The antiplatelet protein avoids the platelet agreggation; myohemerythrin, besides its role as an oxygen-carrier, by its similarity with lefaxin and with prolixin S can act as anticoagulant; carbonic anhydrase, which helps in the pH maintenance of the digestive system. Once these are the most expressed proteins in the salivary glands from leeches which were not fed for about 2-3 months, so these proteins should play a role during feeding and have some antihemostatic properties. Furthermore, by zymography, a gelatinolytic protease was identified (about 45 kDa). Interestingly, lefaxin (inhibitor of Fxa) was not identified by the proteomic analysis and hementerin (fibrinolytic and inhibitor of platelet aggregation), was localized on 2D protein map only by zimographyc assays. This fact shows that use of additional techniques will be necessary for the complete knowledge about the composition of this sample. ABREVIATURAS 2D - bidimensional CHAPS - 3-[(3-Cholamidopropyl)Dimethyl-Ammonio]-1-Propanesulfonate DTT - ditiotreitol ESI – electrospray ionization HCCA – ácido α-ciano-4- hidroxicinâmico IEF - isoeletrofocalização MALDI – matrix-assisted laser desorption ionization MM – massa molecular MS – espectrometria de massa pI – ponto isoelétrico PMF – peptide mass fingerprinting Q-TOF – quadrupole- time of flight SA- ácido sinapínico SDS – dodecil sulfato de sódio TFA – ácido trifluoracético 1 1 INTRODUÇÃO 1.1 Hemostasia O sistema hemostático mantém o sangue em estado fluido sob condições fisiológicas, sendo considerado como a reação de equilíbrio do organismo frente às injúrias. A hemostasia é então mantida por fatores que apresentam atividades pró-coagulantes, anticoagulantes, por inibidores e por moléculas que atuam a nível vascular, controlando os processos de coagulação, fibrinólise, agregação plaquetária e o fluxo sanguíneo nos vasos. Resumidamente, a cascata de coagulação pode ser desencadeada após uma lesão por dois processos: via fator tissular associado ao FVIIa ou via calicreína-cininogênio associados ao FXIIa, ambas vias são processadas e resultam no ponto comum de formação de FXa, o qual é responsável pela geração de trombina. A trombina converte o fibrinogênio em monômeros de fibrina que sofrem ação do FXIII através de uma reação de trans-glutaminação, formando polímeros de fibrina estáveis. Por outro lado, o plasminogênio, sob ação de ativadores de plasminogênio (uPA ou tPA), é transformado em plasmina, a qual degrada a fibrina em vários fragmentos. As plaquetas também secretam fatores de coagulação (Figura 1). O sistema da coagulação é regulado por anticoagulantes naturais, representados por inibidores como TFPI (Tissue factor pathway inhibitor) que bloqueia TF/FVIIa (Broze; Girard; Novotny, 1990), antitrombinas, por exemplo antitrombina III, que bloqueia os fatores FIXa, FXa e trombina (Rosenberg, 1987), sistema da proteína C que degrada FVa e VIIIa (Dibella; Maurer e Scheraga, 1995; Esmon, 1989) e inibidores menos específicos como a α1antitripsina (Carrel; Boswell, 1986) e a α2 macroglobulina (Sottroup-Jensen, 1989). Esses inibidores de proteases asseguram o equilíbrio hemostático permitindo a manutenção das reações procoagulantes em níveis fisiológicos. O endotélio vascular tem uma função anticoagulante devido à síntese de 2 glicosaminoglicanos, de cofatores do inibidor da via do fator tissular, de antitrombinas e de trombomodulina (COLMAN et al., 1994). XI XII Fator Tissular Fator Fator Tissular Tissular XIIa FvW VII IX Plaquetas XIa TFPI HK•PreKal HKa • kali IXa VIIa V PS PC Xa uPA scuPA αAP Plasminogênio ATIII F1+2 Trombina II TAT Plasmina Fibrina Fibrinogênio tPA FXIIIa PAI-1 FXIII Trombina D-D Figura 1 - Representação esquemática da cascata de coagulação. Obs: Inibidores da coagulação - TFPI, ATIII, αAP, PAI-1 e PC. 3 1.2 Hematófagos em geral Hematófagos são considerados como organismos modelos de estudos relacionados à hemostasia. Após ingestão de sangue, proteases e outras enzimas digestivas são estimuladas. Para estes animais, a manutenção da fluidez do sangue faz-se por meio de proteínas que interferem no mecanismo de hemostasia do hospedeiro, apresentando constituintes que inibem a coagulação sanguínea, inibidores da agregação plaquetária, compostos fibrinolíticos, vasodilatadores ou inibidores de vasoconstrição. Também a presença de imunomoduladores na saliva destes animais, contribui com a supressão da resposta alérgica para adesão do predador ao seu hospedeiro (RIBEIRO, FRANCISCHETTI, 2003). Diversos anticoagulantes foram encontrados nas glândulas salivares de hematófagos. As Anophelinas, são inibidores de trombina presentes no mosquito Anopheles stephensi (Valenzuela et al., 2003). No morcego Desmodus rotundus foi descrito um inibidor de FXa, denominado draculina (Apitz-Castro et al., 1995) e também um fibrinolítico, denominado Bat- PA (Gardell et al., 1989). O carrapato Ornithodoros moubata apresenta um potente inibidor do complexo protrombinase, TAP (tick anticoagulant peptide) (Waxman et al., 1990). De outro carrapato, Ixodes scapularis, foi isolado um potente inibidor de FXa, o ixolaris (Francischetti et al., 2002). A prolixina S, foi isolada do inseto Rhodnius prolixus, a qual foi inicialmente descrita como inibidor de FVIII (Ribeiro et al., 1995) e posteriomente, demonstrou-se tratar de uma proteína que inibe a ativação do FIXa, em presença de cálcio e fosfolipídeos, independente de FVIII (Sun et al., 1996). Também já foram descritas diversas apirases, que possuem atividade sobre agregação plaquetária e foram encontradas em insetos e carrapatos. 4 1.3 Sanguessugas Sanguessugas são anelídeos (filo: Annelidae, sub-classe: Hirudinae) e somam mais de 650 espécies conhecidas, podendo ser aquáticas (água doce e salgada) e terrestres. Cerca de 75% das sanguessugas são hematófagas e capazes de ingerir cerca de duas à dez vezes o volume de seu corpo em sangue em uma única refeição. Antes mesmo que os princípios medicinais das sanguessugas fossem estudados em profundidade, notava-se que o sangue ingerido por estes animais permanecia líquido por semanas em seu tubo digestivo (BAGDY et al., 1976). O uso de sanguessugas Hirudo medicinalis para sangrias surgiu nas civilizações antigas (Egito), atingindo o auge de sua popularidade no século XIX, no continente europeu (Eldor; Orevi; Rigbi, 1996), sendo interrompido pela falta de assepsia. A utilização destas sanguessugas no pós-operatório de cirurgias plásticas de implantes tem sido relatada recentemente no Reino Unido e na Irlanda, ainda que sejam poucos os registros; porém, adota-se uma profilaxia antibiótica (WHITAKER et al., 2004). As sanguessugas Hirudo medicinalis (ordem: Gnathobdellidae) apresentam o aparelho bucal composto por 3 mandíbulas adaptadas à perfuração da pele do hospedeiro (Sawyer, 1986). A Hirudo medicinalis é parasita de anfíbios e injeta fatores antihemostáticos ao redor da área perfurada onde se alimenta, capaz de manter a incoagulabilidade por cerca de 10 horas (SAWYER et al., 1991). Um dos grandes interesses nos estudos de diversos gêneros e espécies de sanguessugas está relacionado a compostos biologicamente ativos que possam interferir no mecanismo hemostático humano, em busca de novas drogas para o tratamento de doenças cardiovasculares, que representam um dos maiores índices de morbidez mundial. 5 Diversos constituintes encontrados nas glândulas salivares de sanguessugas já foram descritos como anticoagulantes, fibrinolíticos e antiagregante-plaquetários. A hirudina, um potente inibidor de trombina (Ki 21fM), foi encontrada em Hirudo medicinalis (Haycraft, 1884). A hirudina é um peptídeo natural de cadeia simples, que contém 65 resíduos de aminoácidos com três pontes dissulfeto intra-cadeias, e um resíduo de tirosina sulfatado (Markwardt et al., 1989). A hirudina é uma substância que apresenta formas variantes. A hirudina é um estrito inibidor de trombina do tipo “tight binding”, não sendo necessários cofatores para sua atividade (TALBOT, 1989). À partir de 1986, o cDNA da hirudina foi clonado, e o recombinante (rH) obtido em larga escala em Escherichia coli (Fortkamp et al., 1986), em Saccharomyces cerevisiae (Courtney et al., 1989), e em Acremonium chrysogenum (Radzio; Kück, 1997). A avaliação pré-clínica e a triagem clínica da rH e de formas análogas, têm sido aperfeiçoadas ao longo dos últimos anos (Verstraete; Zoldhelyi, 1995), e sua forma de ação tem sido comparada às heparinas de baixo peso molecular, as quais representam os anticoagulantes orais mais empregados. Além da hirudina, outros inibidores de trombina têm sido isolados de sanguessugas. Dentre eles, um peptídeo similar à granulina (Hirudo nipponia) (Hong; Kang, 1999), a bufrudina (Hirudinaria manillensis) (Electricwala et al., 1991), a theromina (Theromyzon tessulatum) (Salzet et al., 2000) e a hemadina (Haemadipsa sylvestri) (Strube et al., 1993). A hemadina e a theromina foram descritas recentemente e não apresentam homologia em suas seqüências com os demais inibidores até agora descritos em todo o reino animal. Destes, o mais potente inibidor é o theromina (Ki 12 fM),o qual foi isolado do intestino da sanguessuga. Além dos inibidores de trombina, têm sido estudados inibidores dos fatores de coagulação, como os inibidores de FXa. 6 A antistasina foi o primeiro inibidor de FXa isolado de sanguessuga (Haementeria officinalis). É do tipo reversível, apresentando uma constante de dissociação entre 0.31 à 0.62 nM (Dunwiddie et al., 1989; Nutt et al., 1988). A antistasina possui 119 resíduos de aminoácidos, sendo que o domínio I (resíduos 1–55) é 56% similar ao domínio II (resíduos 56–110). Dos nove resíduos da porção C-terminal (111–119; domínio III), quatro são positivamente carregados (Nutt et al., 1988) e o sítio reativo está localizado no domínio I (Blankenship et al., 1990; Theunissen et al., 1994; Han et al., 1989). O cDNA da antistasina foi clonado (Theunissen et al., 1994) e a proteína recombinante foi expressa em sistema de vetor baculovírus em células de insetos (Han et al., 1989); porém, o desenvolvimento para uso clínico foi interrompido pela alta imunogenicidade da proteína. O peptídeo sintético mais potente de antistasina é composto por 22 resíduos e apresenta Ki de 35 nM para FXa (Ohta et al., 1995). Um peptídeo menor (DRCRVHCP) apresentou atividade anticoagulante e foi capaz de aumentar em 50% o tempo de coagulação, quando utilizado em concentrações micromolares (OHTA et al., 1995). Uma proteína homóloga à antistasina, foi encontrada em Haementeria ghilianii, a ghilanteína (BLANKENSHIP et al., 1990). Outro inibidor de FXa é a therostasina que é o mais potente inibidor de FXa natural conhecido (Ki de 34 pM), e que foi isolado de T. tessulatum (Chopin et al., 2000). Este inibidor apresenta 16 resíduos cisteínas. Uma nova família de inibidores do tipo-antistasina foi descrita por apresentarem especificidade distintas sobre as serinoproteases, devido as seqüências ao redor do sítio reativo serem diferentes; mas apresentarem distanciamentos entre os resíduos de cisteína semelhantes. Algumas moléculas desta família, como a therina e a tessulina, também mostraram atividade antiinflamatória (Chopin et al., 1998a, 1998b). Therina, tessulina ou therostasina quando administradas isoladamente foram capazes de diminuir o nível de ativação de granulócito e monócito, e quando administradas em conjunto 7 agiram sinergisticamente. Isto indica que elas também exercem uma ação de inibição enzimática na inflamação, fazendo com que estes inibidores tenham um alto interesse como agentes terapêuticos no tratamento de enfisema, câncer e inflamação (SALZET, 2002). Também foram identificados inibidores tipo-antistasina na espécie Hirudo medicinalis: a hirustasina e a bdellastasina. A hirustasina foi o primeiro inibidor de calicreína tissular descrito em sanguessugas, é também um inibidor do tipo “tight-binding” de tripsina, quimotripsina e catepsina G de neutrófilo (Sollner et al., 1994). A bdellastasina é um inibidor de plasmina e tripsina (Moser et al., 1998). A piguamerina, isolada de Hirudo nipponia, é um inibidor de tripsina, calicreína tissular e plasmática (Kim; Kang, 1998). Apesar da similaridade com a antistasina, tanto a hirustasina como a piguamerina não inibem a coagulação in vitro, nem a atividade amidolítica do FXa isolado (KIM; KANG, 1998; MOSER et al., 1998; SOLLNER et al., 1994). Além dos inibidores de trombina e de FXa, foram isolados inibidores de agregação plaquetária em glândulas salivares de sanguessugas. O calin, isolado de Hirudo medicinalis, e o LAPP (leech antiplatelet protein), obtido de Haementeria officinalis, bloqueiam a adesão e agregação plaquetária induzidas por colágeno, sendo que o LAPP é o mais potente (IC50 = 3 μg/ml) do que o calin (IC50 = 10 μg/ml) (Huizinga et al., 2001; Depraetere; Kerekes; Deckmyn, 1999; Van Zanten et al., 1995). Foi demonstrado que o calin apresentou efeito antitrombótico em plasma rico em plaqueta de hamsters (Deckmyn et al., 1995). Estudos terapêuticos já vem sendo realizados com o LAPP recombinante (Van Zanten et al., 1995), porém esta proteína não foi capaz de prevenir a formação de trombos em macacos (KREZEL et al., 2000). A decorsina e a ornatina, isoladas de Macrobdella decora e Placobdella ornata, respectivamente, são potentes antagonistas do complexo glicoprotéico GPIIb/IIIa e apresentam uma seqüência RGD. A seqüência RGD é uma seqüência de reconhecimento comum à proteínas de adesão, tais como fibrinogênio, fator von Willebrand, fibronectina e vitronectina, que ligam-se ao 8 receptor GPIIb/IIIa. A inibição da ligação de GPIIb-IIIa ao fibrinogênio pela decorsina, apresentou IC50 de ~1.5 nM e para ornatina, o IC50 variou de 2.9 à 5.3 nM (Seymour et al., 1990) (Mazur et al., 1991). Os inibidores mais comuns de agregação plaquetária induzida por colágeno são as apirases, encontradas em Hirudo medicinalis (RIGBI; OREVI; ELDOR, 1996). O peptídeo tridegin encontrado em Haementeria ghilianii é um inibidor potente (Ki de 9.2 nM) de FXIIIa e impede a formação de fibrina estável (Finney et al., 1997). Enzimas fibrinogenolíticas, tais como destabilases e hementina, foram encontradas nas sanguessugas Hirudo medicinalis e Haementeria ghilianii, respectivamente (Baskova et al., 2001) (Swadesh; Huang; Budynski, 1990). A hementina também apresenta ação antiagregante plaquetária por clivar o fibrinogênio, responsável pelas ligações cruzadas entre as plaquetas. Peptídeos antibacterianos denominados theromacin e theromizin foram recentemente descritos, sendo encontrados no celoma de sanguessugas T. tessulatum (TASIEMSKI et al., 2004). Ainda que a hirudina, a antistasina e a decorsina apresentem seqüências de aminoácidos e funções distintas, elas apresentam uma estrutura tridimensional semelhante, denominada LAP (leech antihemostatic protein), que é uma região rica em cisteínas (Cys-X6~12-Cys-X-Cys-X3~6-Cys-X3~6-Cys-X8-14) (KREZEL et al.,1994). 1.3.1 Gênero Haementeria As sanguessugas do gênero Haementeria (ordem: Rhyncobdellida) possuem uma probóscide no seu aparelho bucal, a qual introduzem no póro do hospedeiro, geralmente mamíferos, e encontram vasos sangüíneos mais periféricos, por onde se alimentam (SAWYER, 1986). A sanguessuga Haementeria depressa é encontrada na região Sul do Brasil, e tem como principais hospedeiros bovinos e eqüínos. Foram caracterizadas previamente a hementerina, um fibrinogenolítico e o lefaxin, um 9 inibidor de FXa (anticoagulante) à partir dos complexos salivares desta sanguessuga. Maiores detalhes sobre a Haementeria depressa serão fornecidos adiante pois ela foi o objetivo de estudo do presente trabalho. A sanguessuga Haementeria ghilianii, popularmente conhecida como sanguessuga gigante, é encontrada no Norte do Brasil e Guiana Francesa, podendo atingir até 50 cm de comprimento. Além de mamíferos, estas sanguessugas parasitam répteis. Foram isolados da glândula salivar de H. ghilianii: a ghilianteína, um inibidor de FXa; a hementina, um fibrinogenolítico, e a tridegin, um inibidor de FXIIIa. A sanguessuga Haementeria officinalis é encontrada na América Central e América do Sul e à partir de suas glândulas salivares, foram descritas a antistasina, um inibidor de FXa e o LAPP, um antiagregante plaquetário. Outras espécies de Haementeria, como: H. gracilis, H. lutzi, H. molesta, H. tuberculifera foram catalogadas, porém proteínas com propriedades antihemostáticas ainda não foram caracterizadas à partir de suas glândulas salivares. 10 1.3.2 Haementeria depressa A Figura 2 mostra a sanguessuga Haementeria depressa. O complexo salivar é composto por um par de glândulas anteriores, um par de glândulas posteriores e a probóscide. A) Figura 2 – A) Sanguessuga Haementeria depressa; B) complexo salivar: GA- glândula anterior, GP- glândula posterior; PB - probóscide. A sanguessuga Haementeria depressa vem sendo estudada desde a década de 60 no Instituto Butantan (São Paulo – Brasil). Os pioneiros destes estudos foram Dr Gastão Rosenfeld e Dra Eva M. A. Kelen, descrevendo pela primeira vez em sanguessugas um fibrinolítico que foi denominado hementerina (Kelen; Rosenfeld, colaboradores 1975). prosseguiram A Dra os Ana Marisa estudos com Chudzinski-Tavassi esta e sanguessuga, caracterizaram a hementerina e a descreveram como um fibrinogenolítico capaz de degradar o fibrinogênio preferencialmente nas cadeias α e γ (agindo portanto como um antipolimerizante dos monômeros de fibrina, o que promove a formação de fibrina instável) (Chudzinski-Tavassi et al., 1998). A hementerina, além de fibrinogenolítico, é capaz de inibir a agregação plaquetária induzida por diferentes agonistas (trombina, ADP, colágeno, adrenalina e ácido 11 araquidônico), pela via nitridérgica, induzindo o aumento do nível de cálcio-via GMPc e pelo aumento da atividade da óxido nítrico sintase e aumento dos níveis de cGMP, o que conseqüentemente, promovem a inibição da agregação plaquetária (Chudzinski-Tavassi et al, 2003). Acredita-se que no momento em que o animal injeta a saliva no hospedeiro, a hementerina pode promover um aumento dos níveis de óxido nítrico, induzindo a vasodilatação e a inibição da agregação plaquetária, exercendo assim o seu papel na alimentação do animal (CHUDZINSKI-TAVASSI et al., 2003). O lefaxin, a outra proteína isolado do complexo salivar de H. depressa, foi purificado à partir do extrato bruto do complexo salivar, através de uma etapa de gel filtração em resina Sephadex G-150, seguida de duas cromatografias de troca iônica em Mono Q (sistema FPLC) (Faria et al., 1999). A inibição do FXa pelo lefaxin foi demonstrada pela inibição da atividade amidolítica da enzima, medida pela hidrólise do substrato cromogênico S2765 (Ki ap = 3,6 nM), por sua habilidade em inibir a geração de trombina no complexo protrombinase (EC50 = 10 nM), além de inibir este fator diretamente no plasma (EC50 = 40 nM) (FARIA et al., 1999). O lefaxin é uma proteína de cadeia simples, com massa molecular 30 kDa (SDS-PAGE). As seqüências da região N-terminal e de peptídeos internos foram determinadas por degradação de Edman e até o presente, não mostraram similaridade com outros inibidores de FXa isolados de salivas de sanguessugas (Faria et al., 1999). Por outro lado, a seqüência N-terminal apresentou similaridade com a miohemeritrina (68 %) proveniente do anelídeo Nereis diversicollor (Takagi; Cox, 1991), e prolixina S (44 %), do inseto Rhodinus prolixus (RIBEIRO et al., 1995). Em paralelo à análise proteômica, foi desenvolvida uma análise transcriptômica do complexo salivar de Haementeria depressa (Faria, 2004), onde foram identificados os seguintes peptídeos e proteínas (Tabela 1): 12 Tabela 1: Identificação dos clusters que codificam proteínas putativas envolvidas na alimentação dos complexos salivares de sanguessugas H. depressa. Na A Database b / No de acesso Anidrases Carbônicas HDEP0020c 2 carbonic anhydrase 15 [Mus musculus] A ref|NP_085035.1|| 32 2e-004 HDEP0030c 2 carbonic anhydrase VII [Mus musculus] A ref|NP_444300.1|| 30 4e-016 HDEP0035c 4 carbonic anhydrase [Arabidopsis thaliana] A ref|NP_172285.1|| 28 7e-007 HDEP0065c 2 carbonic anhydrase [Helicobacter hepaticus] A ref|NP_860452.1|| 36 9e-011 HDEP0073c 3 carbonic anhydrase [Arabidopsis thaliana] A ref|NP_172285.1|| 30 1e-006 HDEP0088c 2 carbonic anhydrase [Arabidopsis thaliana] A ref|NP_172285.1|| 32 9e-006 HDEP0112s 1 carbonic anhydrase 2 [Rattus norvegicus] A ref|NP_062164.1|| 32 2e-005 HDEP0123s 1 carbonic anhydrase VII [Homo sapiens] A ref|NP_005173.1|| 37 4e-008 HDEP0214s 1 carbonic anhydrase VI precursor [Mus musculus] A sp|P18761| 30 1e-006 HDEP0302s 1 carbonic anhydrase VII [Mus musculus] A ref|NP_444300.1|| 30 4e-006 HDEP0372s 1 carbonic anhydrase [Arabidopsis thaliana] A ref|NP_172285.1|| 32 7e-006 HDEP0393s 1 carbonic anhydrase VI precursor [Mus musculus] A sp|P18761| 30 8e-006 HDEP0406s 1 carbonic anhydrase [Arabidopsis thaliana] A ref|NP_172285.1|| 31 2e-005 HDEP0442s 1 carbonic anhydrase VI precursor [Mus musculus] A sp|P18761| 32 1e-005 HDEP0451s 1 carbonic anhydrase II [Homo sapiens] A pdb|1UGA| 32 2e-008 HDEP0470s 1 carbonic anhydrase [Caenorhabditis elegans] A ref|NP_510674.1|| 31 1e-008 HDEP0494s 1 carbonic anhydrase [Caenorhabditis elegans] A gb|AAB52498.1| 34 6e-010 HDEP0500s 1 carbonic anhydrase [Caenorhabditis elegans] A ref|NP_510674.1|| 34 1e-009 HDEP0501s 1 carbonic anhydrase [Anopheles gambiae] A ref|XP_308327.1|| 32 1e-007 Miohemeritrina HDEP0005c 2 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9GYZ9| 50 1e-029 HDEP0031c 3 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9GYZ9| 55 2e-034 HDEP0086c 3 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9GYZ9| 52 2e-026 HDEP0098c 2 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] N sp|Q9GYZ9| 59 3e-033 HDEP0146s 1 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9GYZ9| 56 4e-024 HDEP0161s 1 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9GYZ9| 57 4e-028 HDEP0219s 1 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] N sp|Q9GYZ9| 57 2e-030 HDEP0269s 1 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9GYZ9| 58 8e-032 HDEP0312s 1 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9GYZ9| 53 1e-034 HDEP0369s 1 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9GYZ9| 53 6e-026 HDEP0435s 1 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9GYZ9| 59 6e-036 Cluster No Identificação provável por similaridade / [Organismo] Identidade % e-value 13 HDEP0438s 1 myohemerythrin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9GYZ9| 59 1e-035 Inibidores da família antistasina HDEP0007c 2 therostasin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9NBW4| 67 1e-030 HDEP0296s 1 therostasin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9NBW4| 55 9e-024 HDEP0412s 1 therostasin [Theromyzon tessulatum] A sp|Q9NBW4| 53 2e-020 Inibidores de agregação plaquetária HDEP0059c 2 leech antiplatelet protein precursor [H. officinallis] A pir||A42435 44 1e-023 HDEP0224s 1 leech antiplatelet protein precursor [H. officinallis] N sp|Q9NBW4| 53 2e-021 HDEP0318s 1 leech antiplatelet protein precursor [H. officinallis] A pir||A42435 91 4e-074 HDEP0344s 1 leech antiplatelet protein precursor [H. officinallis] A pir||A42435 44 8e-021 HDEP0192s 1 leech antiplatelet protein precursor [H. officinallis] A sp|Q01747| 36 3e-006 HDEP0361s 1 leech antiplatelet protein precursor [H. officinallis] N sp|Q9NBW4| 53 2e-019 HDEP0415s 1 leech antiplatelet protein precursor [H.officinallis] A sp|Q01747| 45 7e-009 HDEP0545s 1 leech antiplatelet protein precursor [H.officinallis] A pir||A42435 64 3e-048 Inibidores de Fator XIIIa HDEP0060c 3 tridegin [Haementeria ghilianii] A 2e-024 HDEP0457s 1 tridegin [Haementeria ghilianii] A 1e-034 HDEP0496s 1 tridegin [Haementeria ghilianii] A 2e-034 HDEP0497s 1 tridegin [Haementeria ghilianii] A 1e-028 HDEP0498s 1 tridegin [Haementeria ghilianii] A 1e-033 Outros inibidores de proteases HDEP0284s 1 alpha-2-macroglobulin protein [Ciona intestinalis] A emb|CAD24311.1| 37 2e-024 HDEP0322s 1 alpha-2 macroglobulin protein [Mus musculus] A ref|NP_694738.1|| 36 4e-018 HDEP0336s 1 cysteine-rich protease inhibitor [Mus musculus] A dbj|BAB03453.1| 42 1e-024 HDEP0338s 1 protease inhibitor [Arabidopsis thaliana] A ref|NP_030435.1|| 56 8e-012 HDEP0469s 1 alpha-1-inhibitor III [Mesocricetus auratus] A pir||A41081 40 9e-019 HDEP0027c 2 C-type lectin [Mus musculus] A ref|NP_064332.1|| 28 4e-004 HDEP0145s 1 serum lectin isoform 4 precursor [Salmo salar] A gb|AAO43608.1| 31 3e-005 HDEP0335s 1 C-type lectin-like protein 2 [Bungarus fasciatus] A gb|AAK43585.1| 29 2e-010 Antimicrobianos HDEP0121s 1 theromacin [Theromyzon tessulatum] A gb|AAR12065.1 64 3e-017 HDEP0285s 1 theromacin [Theromyzon tessulatum] A gb|AAR12065.1| 53 7e-026 HDEP0385s 1 theromacin [Theromyzon tessulatum] A gb|AAR12065.1| 53 2e-026 HDEP0458s 1 theromacin [Theromyzon tessulatum] A gb|AAR12065.1| 59 7e-026 Lectinas tipo C 14 Proteases HDEP0179s 1 caseinolytic protease X homolog [Homo sapiens] A ref|NP_006651.2|| 59 1e-036 HDEP0400s 1 metalloendopeptidase M16 [Anopheles gambiae] A ref|XP_316158.1|| 42 3e-011 Outros HDEP0117s 1 calreticulin precursor [Boophilus microplus] A gb|AAN03709.1| 82 3e-063 HDEP0281s 1 calreticulin [Aplysia californica] A pir||JH0795 74 2e-054 A ref|NP_823881.1|| 45 4e-021 Proteínas com função não conhecida HDEP0022c 7 hypothetical protein [Streptomyces avermitilis ] HDEP0002c 3 no hit HDEP0511s 1 no hit N: Similaridade de nucleotídeos obtida por BlastN. A: Similaridade de aminoácidos obtida por BlastX. b Databases: Gb - GenBank (nr); Emb - European Molecular Biology Laboratory; Dbj - DNA Database of Japan; Pir - Protein Information Resource; Sp – SwissProt; Ref – Reference Sequence project, PDB - Protein Data Bank. a 1.4 A era pós-genômica e o desenvolvimento do proteoma O sucesso dos projetos genômicos na década de 90 deu-se em virtude da automação dos métodos de análise dos ácidos núcleicos (PCR, seqüenciamento automático, microarray), permitindo a análise genômica em larga escala de diversos organismos (Wilkins et al., 1997). Por outro lado, a análise sistemática de proteínas, não pôde, naquele momento, seguir aos projetos de genoma com mesma intensidade e proporção. A razão é que os ácidos nucléicos são moléculas quimicamente homogêneas, informativas e consideradas moléculas estáticas. Por meio da análise genômica foi visto que tanto em procariotos, como em eucariotos, diversos produtos polipeptídicos podem ser formados a partir de um único gene. Isso deve-se, por exemplo, ao embaralhamento de exons, às modificações transcripcionais dos RNAs mensageiros e às modificações co- e pós-traducionais das proteínas (por exemplo, acilação, alquilação, carboxilação, fosforilação, sulfonação, carboxilação, sialilação, processamento proteolítico). Evidenciou-se que a complexidade protéica é bem maior que a genética, o que resultou no desencadeamento de estratégias tecnológicas de análise global de proteínas expressas, em relação ao estudo da função e da interação 15 dos produtos. Como conseqüência, foram reunidas e desenvolvidas estratégias tecnológicas de análise global de proteínas, nas quais são analisados não só o padrão de expressão, mas também as modificações moleculares de proteínas de uma célula, de um tecido ou de um organismo. O termo “PROTEOMA” refere-se a todas as PROTEínas expressas de um dado genOMA ou tecido (Wilkins et al., 1997). Dessa forma, o proteoma ou estudo proteômico é posterior a genômica. A análise global de proteinas, em escala proteômica, tem então se constituído de múltiplas técnicas, que abrangem não somente o isolamento e a identificação de proteínas em larga escala (por exemplo: cromatografia líquida, eletroforese bidimensional e espectrometria de massa), mas também aquelas metodologias que abrangem seu aspecto funcional no contexto celular (por exemplo: microscopia eletrônica e confocal, análise de interações entre proteínas, cristalização de proteínas, entre outras) (Phizicky et al., 2003). A composição de um complexo protéico é determinada através de complementariedade entre métodos e instrumentos, resultando na identificação e caracterização das proteínas individuais (AEBERSOLD; MANN, 2003). A eletroforese bidimensional foi a primeira técnica empregada para analisar quantitativamente um grande número de produtos gênicos (Aebersold; Mann, 2003). Os padrões característicos de uma amostra podem ser detectados por esta técnica. A espectrometria de massa é uma técnica analítica sensível, precisa e de alta resolução, capaz de fornecer valores precisos de massa molecular de amostras isoladas ou de misturas complexas. Porém, esta técnica não é quantitativa, e para esta finalidade, metodologias alternativas, como a marcação radioativa incorporada à proteína (vias metabólica, enzimática ou reação química) são utilizadas (AEBERSOLD; MANN, 2003; WASINGER; CORTHALS, 2002). A combinação das técnicas de eletroforese bidimensional e espectrometria de massa tem sido atualmente muito usual em análise 16 proteômica com alta resolução e encontra amplas aplicações, tais como: a análise de expressão protéica, de modificações pós-traducionais e de ligações não-covalentes (LIN; TABB; III, 2003; WASINGER; CORTHALS, 2002; PENG; GYGI, 2001; GYGI et al., 2000; LARSEN; ROEPSTORFF, 2000; JUNGBLUT; THIEDE, 1997). A análise proteômica estabelece comparações em situações biológicas e metabólicas distintas, mostrando alterações na quantidade e qualidade das proteínas expressas. Um exemplo desta aplicação é em diagnósticos de doenças, onde células sadias são comparadas com células doentes (câncer, diabetes e doenças do coração). Inclusive, pode-se efetuar o monitoramento através de uma avaliação do aumento ou da diminuição da abundância das proteínas nos dois tecidos, sendo facilmente visualizada na eletroforese bidimensional (AEBERSOLD; LEAVITT, 1990). A localização celular das proteínas pode ser determinada empregandose técnicas de análise proteômica (eletroforese bidimensional e espectrometria de massa). Assim, proteínas específicas de determinadas organelas podem ser identificadas (WASINGER; CORTHALS, 2002). A investigação de modificações pós-traducionais pode mostrar como estas influenciam na estrutura e função das proteínas, modulando a atividade protéica (Jonsson, 2001; Mann; Hendrickson e Pandey, 2001; Pandey; Mann, 2000). A eletroforese bidimensional é capaz de isolar as proteínas modificadas, e a espectrometria de massa, identifica estas modificações na seqüência primária da proteína. A proteômica funcional identifica as proteínas de um complexo, do qual as proteínas que o compõem foram previamente purificadas. A análise de interações entre proteínas ou entre proteína e DNA, são realizadas por espectrometria de massa (PHIZICKY et al., 2003; JONSSON, 2001; MANN; HENDRICKSON e PANDEY, 2001; PANDEY; MANN, 2000). 17 1.5 Eletroforese bidimensional A eletroforese bidimensional é uma técnica bioquímica que consiste na separação de proteínas por dois atributos físicos: o ponto isoelétrico (pI) e a massa molecular (MM). A primeira etapa é a isoeletrofocalização (IEF), onde a separação ocorre de acordo com o ponto isoelétrico (pI); e a segunda etapa é a eletroforese feita em gel de poliacrilamida contendo SDS (SDS-PAGE), onde as proteínas são separadas de acordo com a massa molecular. A técnica consiste em aplicar a amostra em tiras de gradiente de pH imobilizado, e efetua-se a IEF sob alta voltagem. Em seguida, as tiras são equilibradas com solução contendo SDS, o qual fornece cargas negativas às proteínas incorporadas nas tiras, que favorece a migração durante a eletroforese, e também nesta etapa as proteínas sofrem redução e alquilação. Após a etapa de equilíbrio, procede-se a corrida de eletroforese (RABILLOUD, 2000). A detecção de proteínas nos géis bidimensionais incluem usualmente colorações por nitrato de prata, por Coomassie Blue ou através de reações antígeno-anticorpo (Westernblotting) (Shalhoub et al., 2001). Outras estratégias como marcações radioativas, colorações baseadas em fluorescência ou quimioluminescência vêm sendo adotadas em análises proteômicas, sendo técnicas mais sensíveis (PATTON, 2002). 1.6 Espectrometria de Massa Espectrometria de massa é a análise ou separação de partículas carregadas em fase gasosa, tais como átomos e moléculas ionizados, baseada em suas relações de massa/carga, em condições de baixa pressão. Além da determinação da massa molecular, a espectrometria de massa permite a obtenção de seqüência primária; a determinação de modificações pós- 18 traducionais e de associações de proteínas (MANN; HENDRICKSON; PANDEY, 2001; NYMAN, 2001; BEAVIS; CHAIT, 1996; MANN; WILM, 1995). Os espectrômetros compreendem três partes principais: fonte de ionização, analisador e detector. Os íons são produzidos na fonte de ionização e subseqüentemente separados em um analisador, seguindo para o detector. 1.6.1 Técnicas de ionização Os analitos precisam ser ionizados e transferidos para a fase gasosa antes de serem analisados. A ionização por MALDI e ESI são técnicas consideradas suaves, por não causarem fragmentação excessiva, e usualmente empregadas em análises de peptídeos e proteínas. Ambas as técnicas permitem analisar, além de proteínas e peptídeos, lipídeos, carboidratos, oligossacarídeos e oligonucleotídeos (CHAPMAN, 2000; BANKS; WHITEHOUSE, 1996; MANN; WILM, 1995). 1.6.1.1 Ionização por dessorção da matriz assistida por laser (Matrix assisted laser desorption ionization - MALDI) O MALDI utiliza energia proveniente de laser para ionizar as biomoléculas. O princípio deste processo baseia-se na irradiação de um curto pulso de laser sobre a mistura de analito em excesso de matriz sólida (variando entre 1:1000 - 1:10000) aplicada sobre uma placa metálica. A matriz absorve energia pela incidência do laser, promovendo a dessorção do analito. Os íons do analito são formados em fase gasosa pela transferência de prótons de moléculas de matriz protonadas para moléculas neutras do analito (Mann; Hendrickson; Pandey, 2001; Beavis; Chait, 1996; Karas et al., 1987) (Figura 3). A ionização por MALDI é uma técnica descontínua, visto que os íons são produzidos somente por períodos curtos, quando o laser é acionado. 19 analisador TOF grid de extração ions do analito e matriz desorbidos feixe de laser Analito Matriz Cation placa de aplicação da amostra Figura 3 - Representação esquemática do processo de ionização por MALDI (www-methods.ch.cam.ac.uk/meth/ms/theory). As matrizes mais utilizadas são: ácido α-ciano-4-hidroxicinâmico (HCCA), ácido dihidrobenzóico (DHB) para peptídeos (abaixo de 5 kDa) e ácido 3,5-dimetoxi-4-hidroxicinâmico (ácido sinapínico) (SA) para proteínas (acima de 5 kDa) (MANN; HENDRICKSON; PANDEY, 2001; BEAVIS; CHAIT, 1996). A ionização por MALDI permite a análise de proteínas íntegras (até 100 kDa) ou fragmentos peptídicos digeridos enzimaticamente, o qual gera um perfil espectrométrico que auxilia na identificação protéica através do peptide mass fingerprinting (PMF). O espectro obtido por MALDI é caracterizado principalmente pela produção de íons moleculares (M + H)+, monocarregados; contudo, íons com poucas cargas (2 a 5) podem aparecer, sendo dependentes da amostra, da 20 matriz e da intensidade do laser. Também podem encontrar-se dímeros (2M + H)+ e trímeros (3M + H)+ (Mann; Hendrickson; Pandey, 2001; Beavis; Chait, 1996; Karas et al., 1987). Tal propriedade gera espectros de fácil interpretação, porém requerem maiores habilidades para análise dos dados obtidos. A predominância de íons com carga simples favorece a análise de amostras complexas, encontrando, deste modo, ampla aplicação para análises de compostos biológicos (Chapman, 2000). Uma das vantagens experimentais é a pequena quantidade de material (cerca de 1 a 10 pmol de proteína) necessária para efetuar uma análise. A determinação de massa molecular por SDS-PAGE depende do SDS ligado à proteína e da migração no campo elétrico, conferindo ao MALDI uma determinação com maior precisão por mensurar a massa química da molécula, não sendo afetada pelas propriedades físicas ou hidrodinâmicas das proteínas (SCOBLE et al., 1993). O MALDI é mais tolerante à presença de sais, tampões, glicerol, agentes quelantes e alguns detergentes (Beavis; Chait, 1996) quando comparado à ionização por ESI; entretanto, sais e outros contaminantes causam alargamento do pico e formação de aductos, resultando em imprecisão no valor da massa e sendo limitante na sensibilidade da técnica. 1.6.1.2 Ionização por electrospray (ESI) O analito em forma líquida é injetado, geralmente, com uma seringa e uma alta voltagem é aplicada (3-4 kV). Sob influência do campo elétrico, cargas semelhantes do analito (por exemplo: íons positivos) são acumuladas na extremidade de um tubo capilar, ejetadas e dispersas no interior do espectrômetro. Ocorre a formação de gotículas carregadas e posterior formação de íons (Jonsson, 2001; Mann; Hendrickson; Pandey, 2001; Gaskell, 1997; Banks; Whitehouse, 1996) (Figura 4). Esta etapa ainda não está completamente elucidada. Existem duas teorias à respeito da formação de íons 21 na fase gasosa a partir das gotículas carregadas: a) Modelo da carga residual: supõe-se que haja evaporação das gotículas, tornando-se cada vez menores, até a geração de uma única molécula, a qual prosseguirá para análise (Dole et al., 1968); b) Modelo de dessorção do íon: supõe-se que também haja evaporação do solvente, e ainda a influência do campo elétrico promovendo a dessorção do íon (Iribarne e Thomson, 1976). Esta última teoria é a mais aceita. Cátodo Ânodo Fonte de Alimentação Figura 4 - Representação esquemática do processo de ionização por electrospray (JONSSON, 2001). A característica do espectro obtido por electrospray é a produção de íons múltiplas cargas, o que limita o valor de m/z abaixo de 2500, restringindo a análise de proteínas de 10 a 100 kDa (Jonsson, 2001; Mann; Hendrickson; Pandey, 2001; Gaskell, 1997; Banks; Whitehouse, 1996). Comumente, observam-se no espectro, estados múltiplo-carregados para um único composto, formando um envelope típico. 22 A ionização por electrospray requer amostras purificadas e não tolera limites superiores à 0.01% de detergentes iônicos e 1 mM de sais (Mann; Wilm, 1995). A remoção de detergente e a dessalinização devem ser feitas por métodos cromatográficos. É possível realizar por ESI uma análise estrutural, tal como o sequenciamento, onde duas etapas de separação são necessárias (modo tandem MS). Para este tipo de análise, os íons duplamente carregados, normalmente, são os escolhidos, visto que a complexidade da interpretação dos espectros aumenta com o maior número de cargas da molécula. A formação de íons no ESI, partindo de uma amostra em solução, é contínuo e torna compatível o acoplamento de um cromatógrafo líquido ao espectrômetro (LC-MS), deste modo, analisa-se o composto purificado de modo direto. 1.6.2 Analisadores de massas Após a ionização, os íons seguem para o analisador. A função do analisador de massa é a separação dos íons de acordo com sua proporção massa/carga (m/z). Os analisadores mais usuais em análises protéicas, e portanto, empregados neste trabalho são o TOF e o Quadrupolo. 1.6.2.1 Analisador TOF (tempo de vôo -Time of flight) O analisador TOF mede o tempo de vôo dos íons acelerados, através de um tubo livre de um campo elétrico, até atingir o detector. Os íons serão separados de acordo com a proporção massa/carga, onde os íons menores atingem o detector antes do que os íons maiores (Jonsson, 2001; Beavis; Chait, 1996) (Figura 5). 23 Detetor Analisador (região livre de campo elétrico) Figura 5 – Princípio da separação de massa através do analisador TOF (DASS, 2001). 1.6.2.2 Analisador Quadrupolo O analisador Quadrupolo consiste de quatro cilindros metálicos, operando sob uma combinação de voltagens de corrente direta e radiofreqüência, que estabilizam a trajetória dos íons (Figura 6). íon a ser detectado para o detector íon não detectado fenda de entrada para o quadrupolo barras metálicas: quadrupolo Íons do analito apresentando valores de m/z distintos Figura 6 - Representação da trajetória dos íons no analisador quadrupolo (wwwmethods.ch.cam.ac.uk/meth/ms/theory). 24 1.6.3 Detector Os detectores são responsáveis pela amplificação do sinal e formação do espectro. Os detectores mais usuais são o Multiplicador de elétrons e o Faraday cup (WATSON, 1997). 1.6.4 Espectrômetros de massa Existem diversas possíveis combinações de fontes de ionização e analisadores para atender necessidades particulares. Os instrumentos utilizados neste estudo foram o MALDI-TOF MS e ESI-Q-TOF MS, disponíveis no Instituto Butantan (CAT/CEPID). O MALDI-TOF MS combina sistemas descontínuos de formação de íons e separação, apresentando alta resolução, sensibilidade e precisão (Jonsson, 2001). O Q-TOF MS combina o analisador quadrupolo, permitindo a seleção do íon no modo tandem MS, com o analisador TOF, analisando valores de m/z com alta resolução (JONSSON, 2001). 1.7 Identificação de proteínas A identificação completamente de elucidado, proteínas como de por organismos, exemplo: cujo genoma Haemophilus foi influenza, Escherichia coli, Saccharomyces cerevisiae, torna-se simples, visto que todas seqüências estão representadas em um banco de dados disponível (Rabilloud, 2000). Inclusive, foi criado um banco de dados de padrões de géis bidimensionais de organismos com genoma definido: GELBANK (http://gelbank.anl.gov). O desenvolvimento das tecnologias genômica e proteômica contribuem para a ampliação exponencial de dados para a bioinformática, onde por exemplo, existem hoje 152040 registros no SwissProt e mais de 38.989.342.500 sequências disponíveis no GenBank (junho/2004). Usualmente, as buscas 25 funcionam em um sistema de similaridade utilizando programas como o BLAST, o qual permite uma correlação entre nucleotídeos e proteínas. Contudo, a identificação de amostras desconhecidas é mais restrita, baseando-se em bancos específicos obtidos por sequenciamento aleatório de clones mais representativos da biblioteca de cDNA, denominados ESTs (Expressed Sequence Tag) (DASS, 2001; MANN; HENDRICKSON; PANDEY, 2001). 1.7.1 Identificação de proteínas analisadas por espectrometria de massa A identificação de proteínas é feita pela combinação dos dados obtidos por espectrometria de massa em bancos de dados disponíveis, sejam bancos de proteínas, DNA ou ESTs. A identificação de proteínas a partir de géis bidimensionais pode ser feita através do peptide mass fingerprinting (PMF) por MALDI-TOF MS e/ou por sequenciamento de novo por ESI-Q-TOF MS (DASS, 2001; MANN; HENDRICKSON; PANDEY, 2001). 1.7.1.1 Peptide mass fingerprintig (PMF) por MALDI-TOF Para o mapeamento peptídico, as proteínas são diferenciadas com base em seu padrão de fragmentação. A proteína a ser analisada é submetida à digestão enzimática, geralmente por tripsina, a qual cliva especificamente na porção C-terminal dos resíduos lisina ou arginina (DASS, 2001; MANN; HENDRICKSON; PANDEY, 2001). 26 1.7.1.2 Análise via tandem MS - Sequenciamento de novo por ESI Q-TOF MS Quando o mapa peptídico (análise por PMF) é originado de uma proteína com seqüência desconhecida, as determinações individuais das seqüências dos peptídeos são essenciais (DASS, 2001). A espectrometria por tandem visa a obtenção de informações adicionais sobre a estrutura da amostra. Inicialmente, a amostra digerida enzimaticamente é injetada no espectrômetro, gerando um perfil peptídico. Em seguida, seleciona-se o íon a ser fragmentado, o qual sofre colisões induzidas pela injeção de um gás inerte (hélio, geralmente). O espectro resultante apresenta uma série de picos que diferem pelas massas dos resíduos de aminoácidos e posterior interpretação de seqüências primárias do peptídeo. Por definição, o íon inicialmente selecionado é denominado íon precursor e os íons fragmentados, são íons produtos. Fragmentos peptídicos digeridos por tripsina contêm resíduos de aminoácidos básicos, os quais serão facilmente protonados, favorecendo o subseqüente sequenciamento por ESI. Os tipos mais comuns de íons formados nas análises tandem são do tipo –b e –y, o que denota fragmentação na ligação amídica, com retenção de carga no grupamento –N ou –C terminal, respectivamente. Peptídeos trípticos apresentam dominância relativa de íons do tipo –y, pois os resíduos lisina e arginina estão na porção –C terminal (MANN et al., 2001; STULTS, 2000). 27 x3 y3 z3 R1 O NH2 C C H a 1 x2 y2 z 2 x 1 R2 O R3 O N C H H b1 c1 C a 2 N C H H b2 c 2 y1 z1 R4 C a 3 N C H H COOH b3 c 3 Figura 7 - Classificação dos fragmentos de íons peptídicos nas regiões N- e C- terminal, de acordo com Roepstorff (WATSON, 1997). 1.8 Visão atual da aplicação destas metodologias em estudos de hematófagos A tendência crescente da análise proteômica pode ser avaliada pelas amplas aplicações encontradas para diversos organismos, contribuindo com a determinação estrutural e funcional dos compostos analisados. Esta hipótese é confirmada pelo número de registros (mais de 3400) existentes sobre Proteoma no Pubmed (Junho/2004). Em especial, o uso das mais diversas tecnologias disponíveis propiciam novas descobertas de moléculas antihemostáticas, elucidando a constituição da saliva de animais hematófagos. Alguns estudos envolvendo transcriptoma e proteoma foram desenvolvidos, nestes últimos 2 anos. Pode-se considerar que esta interrelação favoreça a identificação das moléculas da mistura complexa em um tempo relativamente rápido. A interrelação entre transcriptoma e proteoma da glândula salivar para o carrapato Ixodes scapularis já foi realizada (Valenzuela et al., 2002). Foram 28 obtidas seqüências completas de cDNA e a análise protéica foi feita a partir de eletroforese SDS-PAGE e sequenciamento por degradação de Edman. Foram encontradas diversos inibidores de proteases, metaloproteases, proteína com domínio para ligação de histamina e proteínas com função desconhecida. O sialoma do mosquito Anopheles stephans também foi feito por Valenzuela et al. (2003). Foram encontradas enzimas associadas ao sistema anti-hemostático: peroxidases, com função vasodilatadora; apirases, com ação antiagregante plaquetária. Também foram encontradas proteínas que interferem na coagulação sanguínea: um inibidor de trombina e um inibidor de quimiotripsina; entre outras. Em Anopheles gambiae notou-se que as proteínas envolvidas no metabolismo basal são mantidas pela ingestão de açúcar e a expressão de proteínas relacionadas à oôgenese são intensificadas após refeição com sangue (RIBEIRO, 2003). O sialoma do inseto Rhodnius prolixus foi desenvolvido a partir da obtenção da biblioteca de cDNA da glândula salivar, a qual foi sequenciada ao acaso, e pelo fracionamento das proteínas mais abundantes através de HPLC (Ribeiro et al., 2004). Foram descritas substâncias anticoagulantes, antiagregantes e vasodilatadores, destacando-se a abundância de proteínas da família lipocalina. As principais proteínas solúveis de glândula salivar de moscas tsé-tsé (Glossina morsitans morsitans) foram identificadas a partir de géis bidimensionais e espectrometria de massa, e correspondem a: fator de crescimento, com motivo adenosina-deaminase, que está relacionado à modulação da vasodilatação e agregação plaquetária; antígeno 5, um alérgeno; e duas proteínas novas com funções desconhecidas (HADDOW et al., 2002). Uma análise comparativa de saliva dos carrapatos Amblyoma americanum e Amblyoma maculatum foi feita por eletroforese bidimensional, os quais apresentaram perfis protéicos semelhantes, mas uma maior concentração de peptídeos foi encontrada em A. maculatum (MADDEN; SAUER; DILLWITH, 2003). 29 A análise transcriptômica da sanguessuga Theromyzon tessulatum foi feita pela combinação de RT-PCR e microarrays de DNA (Lefebvre et al., 2004), focando no inibidor de cisteina-proteases cistatina B, o qual está relacionado à resposta imune inata. Gânglios cefálicos e caudais do sistema nervoso central de Hirudo medicinalis foram analisados por eletroforese bidimensional e fosfoproteínas induzidas por forbol éster foram detectadas (Garcia-Gil et al., 1991). Especulase que as fosfoproteínas da sanguessuga estejam envolvidas na modulação dos canais iônicos, biossíntese e liberação de neurotransmissor, regulação de receptor de neurotransmissor. Os avanços conquistados pela análise proteômica de organismos muito estudados, como por exemplo no caso da levedura S. cerevisiae, indicam que estudos mais minuciosos devem ser feitos em análises estruturais, que são baseadas nas interações não-covalentes (DZIEMBOWSKI e SÉRAPHIN, 2004). Deste modo, o presente trabalho, aborda, pela primeira vez, o proteoma do complexo salivar de sanguessugas analisado por eletroforese bidimensional, espectrometria de massa e transcriptoma. 30 2 OBJETIVO O principal objetivo do presente trabalho foi o de fazer um mapeamento das proteínas que compõem o complexo salivar da sanguessuga Haementeria depressa e identificar as proteínas com possível atividade anti-hemostáticas desta amostra através das técnicas de eletroforese bidimensional, análises zimográficas e espectrometria de massa. Etapas desenvolvidas: a) Obtenção do mapa protéico bidimensional do complexo salivar e de um tecido muscular; b) Obtenção dos géis bidimensionais do complexo salivar para remoção de spots a serem analisados; c) Detecção de proteases com atividade sobre fibrina e gelatina, através de zimografia; d) Obtenção de seqüências da hementerina e lefaxin purificados e localização destas proteínas no mapa bidimensional; e) Análise por Peptide Mass Fingerprinting (PMF) dos fragmentos trípticos dos spots ou de proteína isolada (em solução ou gel) por MALDI-TOF MS; f) Análise de sequência dos fragmentos trípticos de spots mais abundantes por ESI-Q-TOF MS; g) Identificação de peptídeos/proteínas utilizando banco de dados de proteínas, incluindo o banco de ESTs do complexo salivar de H. depressa. 31 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Sanguessugas Haementeria depressa Sanguessugas foram coletadas em pântanos da região Sul do Brasil, foram mantidas em aquário no biotério no laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto Butantan (São Paulo). As sanguessugas não alimentadas por 2 a 3 meses foram anestesiadas com éter e os complexos salivares foram dissecados através de uma incisão longitudinal na região dorsal. A ventosa posterior também foi dissecada para uma análise comparativa. Os complexos salivares e as ventosas removidos foram imediatamente congelados e conservados à - 80ºC. Considerando a dificuldade para obtenção da saliva secretada, foram utilizados os complexos salivares inteiros para as análises. Como a ventosa posterior é constituída majoritariamente por proteínas musculares, foi selecionada como o tecido comparativo para exclusão de proteínas teciduais. 3.2 Eletroforese Bidimensional 3.2.1 Preparo da amostra Considerando que o complexo salivar é composto também por um tecido muscular (probóscide), foram preparados géis bidimensionais do complexo salivar e de um tecido muscular (ventosa) para fins comparativos, que permitissem distinguir as proteínas exclusivas da saliva. Um pool de 300 complexos salivares e/ou 20 ventosas foram utilizados para a análise em géis bidimensionais. Os tecidos foram triturados em gral sob nitrogênio líquido e solubilizados em solução contendo uréia 8M, CHAPS 2%, tampão com anfólitos carreadores 0.5% e azul de bromofenol. Foram aplicadas 0.1-1.0 mg de proteína, com remoção de pellets celulares por centrifugação (10 000 x g por 20 32 minutos). Foi adicionado DTT 60 mM à solução de rehidratação contendo a amostra protéica, perfazendo um volume total de 350 μl, e aplicadas em uma tira de 18 cm pH 3-10. A rehidratação foi realizada no aparelho IPGphor® (Amersham Biosciences, Suécia) por 12 horas, sob voltagem de 30 V. Na eletroforese bidimensional, a primeira dimensão consiste na isoeletrofocalização, que empregou o aparelho IPGphor®, até atingir 33000 Vh. Em seguida, as tiras foram equilibradas em solução contendo Tris-Cl 1.5M pH 8.8, uréia 6M, glicerol 30%, SDS 2%, DTT 65 mM e bromofenol blue durante 15 minutos sob leve agitação. Um segundo equilíbrio foi feito com esta solução, onde o DTT foi substituído por iodoacetamida 135 mM. Para a execução da segunda dimensão, as tiras foram colocadas em contato com o gel de corrida, acrilamida 14% homogêneo. Marcadores de peso molecular, Rainbow® Full range (10-250 kDa) foram aplicados em papel de filtro 3MM. Em seguida, as tiras e os marcadores foram selados com agarose 0.5%. A eletroforese foi efetuada em Hoefer® DALT (Amersham Bioscience, Suécia) aplicando-se uma corrente de 60 mA por gel. 3.2.2 Detecção de proteínas em géis bidimensionais As estratégias para detecção de proteínas utilizadas foram a coloração por prata (Shevchenko et al., 1996) ou por Coomassie Blue (LEGENDRE et al., 1993). Após as digitalizações dos géis, as análises das imagens foram feitas com o auxílio do programa Image Master® (Amersham Biosciences, Suécia). 3.3 Seleção e digestão enzimática de spots Os spots dos géis bidimensionais foram selecionadas de acordo com massas moleculares e pontos isoelétricos de proteínas de sanguessugas 33 citadas na literatura e por abundância dos spots, visto que o fator limitante para obtenção de seqüências por espectrometria de massa tem sido a quantidade de proteína, mesmo que aparelhos muito sofisticados e sensíveis estejam disponíveis. Os spots foram introduzidos em tubos eppendorff e lavados com bicarbonato de amônio 100 mM por 10 minutos e adicionados de 100 μl de acetonitrila. Foram assim mantidos por 10 minutos. O excesso da solução foi removido e submetido à secagem em Speed Vac por 30 minutos. Acrescentouse ao tubo 20 μl do tampão de digestão, composto por bicarbonato de amônio 50 mM, cloreto de cálcio 5 mM e 12.5 ng/μl de tripsina. Foi feita uma incubação em gelo por 45 minutos e o sobrenadante foi removido. Adicionou-se ao macerado 20 μl de cloreto de cálcio 5 mM contido em bicarbonato de amônio 50 mM e procedeu-se nova incubação à 37 °C por 16 horas. Para efetuar a extração, 100 μl de bicarbonato de amônio 20 mM foram adicionados e a amostra sonicada por 20 minutos. O sobrenadante foi armazenado à -20°C. Três lavagens sucessivas com 100 μl de acetonitrila 50%, ácido acético 5% foram efetuadas, coletando-se o sobrenadante. As amostras foram secas em Speed Vac, posteriormente (HEUNSSEN, DOWDLE, 1980). Após digestão com tripsina e extração das proteínas dos spots do gel bidimensional, as amostras foram ressuspensas em TFA 0.1%, dessalinizadas em microponteiras Ziptip® C18 e secas em Speed Vac. Em seguida, as amostras foram adicionadas à matriz HCCA, solubilizadas em acetonitrila 50% e TFA 0.1% para análises no MALDI-TOF. Para análise pelo electrospray, elas foram solubilizadas em acetonitrila 50% e TFA 0.1%. 3.4 Espectrometria de massa A análise dos fragmentos peptídicos foi executada no espectômetro ETTAN MALDI-TOF (Amersham Biosciences, Suécia), equipado com pulso de 34 laser à 337 nm no modo linear. A matriz HCCA foi preparada em concentração de 10 mg/ml em 1:1 acetonitrila, 0.1% TFA. 0.5 μl da solução peptídica foi misturada à 0.5 μl da solução de matriz e aplicadas na placa de análise. A voltagem de aceleração foi de 20 kV. A calibração externa foi feita com [Ile7]angiotensina III (m/z 897.51) e hormônio adrenocorticotrófico humano, fragmento 18-39 (m/z 2465.19). O espectrômetro ETTAN MALDI-TOF (Amersham Biosciences, Suécia) apresenta resolução de 12000 e 1000 (FWHM) nos modos reflectron e linear, respectivamente; sensibilidade de 10 e 5 fmol nos modos reflectron e linear, respectivamente; precisão > 25 ppm (calibração interna), > 100 ppm (calibração externa); capacidade de analisar massas na faixa de 500 à 500.000 Da. A análise de sequenciamento foi efetuada no espectrômetro Q-TOF Ultima API com fonte de ionização por electrospray (Micromass, Reino Unido). A energia de colisão empregada variou de 18 à 45 e os íons precursores foram selecionados em uma janela de 1 m/z. As seqüências peptídicas foram determinadas com o auxílio do software MassLynx®. A calibração externa foi feita com NaI. 3.5 Identificação de proteínas A identificação de proteínas baseou-se na localização bidimensional dos spots; na análise por Peptide mass fingerprinting (PMF), que correlaciona massas peptídicas geradas pela digestão de uma proteína pura com as massas peptídicas teoricamente esperadas. Utilizou-se o programa MASCOT que efetua a busca em banco de dados disponíveis. Utilizou-se também o banco de ESTs do complexo salivar de H. depressa, através da simulação tríptica dos clusters completamente seqüenciados. Para a identificação das seqüências dos peptídeos/proteínas obtidos foram consultados então os bancos de ESTs e bancos de proteínas, como BLASTp e BLAST-MS. 35 Os bancos de ESTs cobrem porções parciais do cDNA (Expressed Sequence Tags), através dos quais podem-se correlacionar informações provenientes da espectrometria de massa e seqüências do cDNA. Como não existe banco de dados disponível exclusivo de sanguessugas, em paralelo a este trabalho, foi construído uma biblioteca de cDNA a partir do complexo salivar da sanguessuga Haementeria depressa e 900 clones aleatórios desta biblioteca tiveram sua sequência analisada (Faria, 2004). ESTs desta biblioteca foram seqüenciadas e traduzidas com o auxílio do programa Bioedit®. Resultaram 555 contigs, os quais foram utilizados para as análises comparativas. As seqüências obtidas das ESTs contribuíram para a identificação das proteínas analisadas por Espectrometria de Massa. Recentemente, as seqüências dos nucleotídeos do complexo salivar da Haementeria depressa foram depositadas no banco de ESTs do GenBank. Os clusters que apresentaram seqüências completas foram submetidos à uma digestão teórica e deste modo, foi construído um banco parcial para análises por PMF. Diversos programas e utilitários de acesso livre on-line foram utilizados para análise dos resultados obtidos, estando apresentados no anexo. 3.6 Detecção específica por zimografia A técnica de zimografia auxilia na identificação de proteases e, no presente trabalho, foram avaliadas as atividades fibrinolítica e gelatinolítica de possíveis proteases presentes no extrato do complexo salivar de H. depressa. 3.6.1 Atividade fibrinolítica e localização de hementerina Como primeira etapa de identificação de atividade fibrinolítica foi realizada zimografia a partir de SDS-PAGE (Laemmli, 1970). O gel SDS-PAGE 36 10% homogêneo foi preparado, e nele foram aplicados 80 μg de extrato do complexo salivar. A corrida eletroforética foi realizada à 6 mA à 4°C. Em seguida, o gel foi lavado com Triton X100 2.5% por 30 minutos, e depois com tampão Tris-HCl 50 mM pH 7.5 por 10 minutos, por 3 vezes. Após as lavagens, o gel foi depositado sobre uma placa de fibrina-agarose, mantido por 18 horas a 37 °C em câmara úmida. Após observação da área de lise na placa de fibrinaagarose, o gel foi removido e corado por Coomassie Blue. Em paralelo, fez-se um gel SDS-PAGE nas mesmas condições para estabelecer comparações de localização da proteína ativa por sobreposição. A proteína revelada no gel de acrilamida correspondente à posição que apresentou lise na placa de fibrinaagarose foi então reservada para análise espectrométrica. A placa de fibrina-agarose (placa de atividade) sobre a qual depositou-se o gel de acrilamida foi preparada da seguinte maneira: solução de fibrinogênio humano (Calbiochem) correspondente à 2 mg/ml em proteína coagulável em 15 ml Tris 50 mM pH 7.5 contendo CaCl2 5mM e adicionando trombina 20U/ml. Preparou-se em tubo separado uma solução de agarose 2% no mesmo tampão. A solução de fibrinogênio e de agarose foram misturados em volumes iguais em tubo Falcon à 40 °C e depositados sobre uma placa de Petri sob leve agitação que permaneceu por cerca de 1 hora à temperatura ambiente em superfície nivelada (ASTRUP, 1956). 3.6.2 Zimografia bidimensional Para a execução da zimografia bidimensional, foram aplicados 350 μg de extrato bruto em tira de 11 cm de gel imobilizado na faixa de pH de 3.0 à 10.0 sob voltagem constante de 3000V, até atingir 16000Vh. A tira foi equilibrada e a eletroforese foi executada. A segunda dimensão foi feita em um gel de acrilamida 14% homogêneo. O gel foi lavado e transferido para placa de fibrinaagarose, conforme procedimentos descritos acima. 37 A localização da hementerina no gel bidimensional foi obtida pela sobreposição da área de lise observada na placa de fibrina-agarose com o gel comparativo. Este spot correspondente à hementerina foi submetido à análise de sequenciamento. 3.6.3 Atividade sobre gelatina Para avaliar a atividade gelatinolítica da amostra, preparou-se gel de poliacrilamida SDS-PAGE 10% contendo 0.1 mg/ml de gelatina. 120 μg de extrato do complexo salivar foram aplicados. A corrida eletroforética foi realizada sob voltagem baixa à 4 °C. Em seguida, o gel foi lavado com Triton X100 2.5% por 30 minutos, e depois com tampão Tris-HCl 50 mM pH 7.5 por 10 minutos, por três vezes. Após as lavagens, o gel foi corado por Coomassie Blue por 2 horas e descorado. A proteína correspondente à atividade gelatinolítica foi reservada para análise espectrométrica. 3.6.4 Lefaxin Foram aplicadas 40 μg de proteína purificada em um gel de acrilamida SDS-PAGE, e a banda correspondente ao lefaxin (30 kDa) foi recortada, submetida à digestão tríptica (conforme procedimentos descritos no item 3.3) e reservada para análise de sequenciamento por espectrometria de massa. 38 4 RESULTADOS 4.1 Perfil bidimensional do extrato bruto do complexo salivar O mapeamento bidimensional do complexo salivar da sanguessuga H. depressa foi obtido aplicando-se 100 μg de proteína, no qual foram detectados um total de 352 spots, quando corado por nitrato de prata (Figura 8) e 183 spots totais foram detectados no mapa protéico do tecido muscular, também corado por nitrato de prata (Figura 9). Foram detectadas proteínas do complexo salivar e do tecido muscular com pI entre 3.5 a 9.5 e massa molecular entre 10 e 105 kDa. A reprodutibilidade destes géis foi observada através de experimentos sucessivos que apresentaram o mesmo padrão de spots. Uma análise comparativa entre os géis do complexo salivar e tecido muscular foi feita para relacionar as proteínas constituintes de ambos tecidos e sobretudo, as exclusivas da glândula salivar. Esta análise foi feita utilizando o programa Image Master® (Amersham Biosciences, Suécia), o qual relaciona os spots detectados nos géis, baseando-se no posicionamento, volume e distância entre os spots. Observou-se que dos 352 spots totais do complexo salivar, 249 foram exclusivos da saliva e 103 spots comuns com o tecido salivar (Figura 10). Visando a identificação dos spots do complexo salivar, foram aplicadas 800 μg de proteína e os géis foram corados por Coomassie; sendo detectados 219 spots totais (Figura 11). 39 pH 3,0 10,0 250 kDa MM 10 kDa Figura 8 - Gel bidimensional do complexo salivar de Haementeria depressa. Foram aplicadas 100 ug de proteína em uma tira de 18 cm linear com gradiente imobilizado de pH entre 3.0 à 10.0. Primeira dimensão: IEF feita no equipamento IPGphor até atingir 33kVh. Segunda dimensão: corrida eletroforética em gel SDS-PAGE 14%, utilizando o sistema Hoefer DALT. Proteínas foram detectadas pela coloração por nitrato de prata (352 spots totais). 40 pH 3,0 10,0 250kDa MM 10kDa Figura 9 - Gel bidimensional do tecido muscular de Haementeria depressa. Foram aplicadas 100 ug de proteína em uma tira de 18 cm linear com gradiente imobilizado de pH entre 3.0 à 10.0. Primeira dimensão: IEF feita no equipamento IPGphor até atingir 33kVh. Segunda dimensão: corrida eletroforética em gel SDS-PAGE 14%, utilizando o sistema Hoefer DALT. Proteínas foram detectadas pela coloração por nitrato de prata (183 spots totais). 41 pH 3,0 10,0 250kDa MM 10kDa Figura 10 - Sobreposição dos spots detectados no complexo salivar (vermelho) e no tecido muscular (azul) de Hamenteria depressa - análise efetuada com o auxilio do software Image Master. 42 3,0 pH 10,0 250 kDa MM 10 kDa Figura 11 - Gel bidimensional do complexo salivar de Haementeria depressa. Foram aplicadas 800 ug de proteína em uma tira de 18 cm linear com gradiente imobilizado de pH entre 3.0 à 10.0. Primeira dimensão: IEF feita no equipamento IPGphor até atingir 33kVh. Segunda dimensão: corrida eletroforética em gel SDS-PAGE 14%, utilizando o sistema Hoefer DALT. Proteínas foram detectadas pela coloração por Coomassie Blue (219 spots totais). 43 4.2 Perfil espectrométrico do extrato bruto do complexo salivar A análise preliminar desta amostra detectou 7 íons moleculares principais: 1856.3; 2028.4; 3369.3; 3863.8; 5103.4; 5734.6 e 7028.6 Da, com a matriz HCCA solubilizada em acetonitrila 50% e TFA 0.1% (Figura 12). Utilizando-se a matriz SA solubilizada em acetonitrila 50% e TFA 0.1%, detectaram-se 7 íons principais: 7025.4; 8476.7; 10805.6; 14046.2; 16952.5; 28261.1; 42448.2 (Figura 13). 4.3 Análise proteômica do complexo salivar de H. depressa Os constituintes do complexo salivar obtidos por eletroforese bidimensional (25 spots), proteínas com atividade biológica reveladas por zimografia (hementerina e “gelatinase”) e ainda, proteínas purificadas (hementerina e lefaxin) foram analisados por espectrometria de massa. 4.3.1 Spots bidimensionais A Figura 14 mostra os spots bidimensionais selecionados para análise. O gel bidimensional do complexo salivar apresentou um total de 219 spots totais, quando corado por Coomassie Blue, dos quais foram analisados os 25 mais abundantes do complexo salivar; dentre os quais, 10 spots tiveram suas seqüências definidas. 4.3.1.1 Spots 1 e 2 Os spots foram localizados no mapa protéico do complexo salivar: spot 1 = pI 3.5 e MM 17 kDa; spot 2 = pI 3.5 e MM 16 kDa. Figura 12 - Perfil espectrométrico do complexo salivar de H. depressa analisado por MALDI-TOF MS em matriz HCCA (faixa de m/z: 500-10000). Figura 13 - Perfil espectrométrico do complexo salivar de H. depressa analisado por MALDI-TOF MS em matriz SA (faixa de m/z: 5000-100000). pH 3,0 10,0 250 kDa 25 24 23 21 MM 10 19 9 18 20 22 17 678 1 15 2 16 14 3 13 10 kDa 12 11 Spot 45 Proteína pI MM (kDa) 1 Antiagregante plaquetário 3.5 17 2 Antiagregante plaquetário 3.5 16 3 Miohemeritrina 6.7 14 4 Miohemeritrina 7.1 14 5 Miohemeritrina 7.3 14 6 Anidrase carbônica 5.6 30 7 Anidrase carbônica 5.8 30 8 Anidrase carbônica 6.0 30 9 Anidrase carbônica 5.5 32 10 Anidrase carbônica 5.7 32 11 4.5 10 12 7.0 12 13 4.7 13 14 3.9 15 15 5.2 20 16 6.3 20 17 8.3 26 18 4.5 31 19 5.2 30 20 8.3 34 21 3.7 35 22 3.8 35 23 5.2 36 24 5.2 37 25 6.2 74 Figura 14 - Análise dos spots do gel bidimensional do complexo salivar de H. depressa. Área circular pontilhada: hementerina. 47 Em seguida, foram feitas as análises via PMF, e os seguintes íons moleculares dos fragmentos tripsinizados foram analisados por MALDI-TOF MS: Spot 1: (M + H)+ = 643.4; 913.6; 1243.6; 1371.7; 1653.7; 2531.2; Spot 2: (M + H)+ = 789.4; 851.5; 1207.9; 1375.8. Os espectros das análises por PMF dos spot 1 e 2 estão apresentados nas Figuras 15 e 16, respectivamente. Tratando-se de uma amostra desconhecida, o sequenciamento de novo foi essencial para a identificação das proteínas. Os íons analisados no ESI-QTOF MS e as respectivas seqüências obtidas estão apresentadas na Tabela 2: Tabela 2 - Análises espectrométricas dos spots 1 e 2 por ESI-Q-TOF. Spot 1 Spot 2 (M + H)+ (M + 2H)2+ (monoisotópico) (monoisotópico) 913.6 457.2 LPDNLLTK 1243.6 622.2 TEFTSVDECR 1653.7 827.3 ILQINTETNECYR 789.4 Seqüências KKENDR 851.5 426.2 FDESILK 1375.8 688.4 CQVIQVNDSNKK Obs: os íons duplamente carregados foram selecionados para fragmentação, exceto o íon monocarregado 789.4 do spot 2 . Os espectros obtidos para o sequenciamento estão apresentados nas figuras 17 e 18. Figura 15 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 1 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Este spot corresponde a uma proteína similar a antiagregante plaquetário de H. officinalis. Figura 16 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 2 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Este spot corresponde a uma proteína similar a antiagregante plaquetário de H. officinalis. A) LPDNLLTK LP D K N T L L LT L N K D P 800.42 y7 100 % 327.12 129.11 0 248.15 147.12 230.08 y2 y1 440.20 b4 525.28 459.27 a5 400.79 703.37 y6 588.35 y5 801.56 707.31 803.10 653.37 299.14 bMax yMax L 893.37 911.42 994.41 M/z 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 B) TEFTSVDECR TE F R T C 100 S D E V D S V E T 231.11 b2 % 140.11 0 335.17 378.15 y2 b3 170.05 100 678.28 y5 755.46 507.29 259.15 200 1014.55 579.19 y4 461.13 300 400 500 bMax yMax T 866.33 y7 765.29 y6 203.09 a2 CR E F 1013.40 y8 600 867.50 995.36 766.40 768.92 869.41 800 900 700 1015.91 1000 1157.61 1100 1245.61 M/z 1300 1200 C) ILQINTETNECYR IL Q R I C Y N T E E N T T N E E T C I N Y Q R L 100 355.22 b3 1186.41 y9 827.50 % 175.11 227.18 b2 349.28 y1 bMax I yMax 1653.68(M+H) + 709.57 498.21 627.29 453.44 820.34 y3 y4 705.25 842.32971.34 y7 y6 1072.39 y8 1169.43 1654.85 1658.19 1299.47 y10 1427.52 1636.66 y11 1187.59 1429.84 1409.78 1658.44 1667.63 1714.97 0 M/z 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 1400 1500 1600 1700 Figura 17 - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 1, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: A) LPDNLLTK; B) TEFTSVDECR; C) ILQINTETNECYR. A) KKENDR K K E R N D N D R E bMax yMax 789.39(M+H) + KK 100 790.53 % 116.11 158.11 175.14 y1 150 200 404.23 370.20387.21 y3 290.18 y2 175.89 0 100 229.13 a2 250 300 350 791.26 481.24 400 450 499.22 500 615.24 b5 562.10 550 600 772.46 691.42 650 700 794.39 830.43 M/z 800 850 750 B) FDESILK F K D L E S I I S L D E K F bMax yMax 704.46 y6 100 589.41 y5 % 214.13 263.13 120.11 b2 a1 147.14 F y1 158.08 427.16 460.37 y4 314.11 332.13 426.34 571.42 469.20 705.60 b6 590.52627.37 851.48(M+H) + 708.49745.73 833.42 855.48 921.35 0 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700 750 800 850 936.66 M/z 900 C) CQVIQVNDSNKK CQ V K K I N Q S V D NDS N V N Q KK VQC I bMax yMax 331.19 b3 100 232.10 b2 % 204.10 129.13 a2 242.17 419.12476.33 y4 369.34 705.43 591.36 y6 661.28 y5 804.49 y7 787.50 915.60 994.79 1045.74 y9 1000 1100 1184.791255.57 1374.421410.11 0 M/z 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1200 1300 1400 Figura 18 - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 2, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: A) KKENDR; B) FDESILK; C) CQVIQVNDSNKK. 52 4.3.1.1.1 Identificação dos spots 1 e 2: antiagregante plaquetário A localização bidimensional do spot 1 (pI 3.5 e MM 16 kDa) foi similar ao LAPP (leech antiplatelet protein) (pI 4.0 e MM 16 kDa) (Q01747), um antiagregante plaquetário encontrado na sanguessuga H. officinalis (Connoly; Jacobs; Condra, 1992). A análise por PMF, utilizando o programa MASCOT, confirmou que os íons moleculares 913.61 e 1243.68 correlacionam-se ao LAPP. Por outro lado, a análise por PMF do spot 1, usando o banco de ESTs (digestão tríptica teórica dos clusters completos), apresentou uma correlação dos íons: 643.41; 913.61; 1243.68; 1371.75 e 2531.27 com os clusters 318 e 545, identificados pela similaridade ao LAPP. Esta proteína também foi identificada após a obtenção de seqüências com a utilização do BLASTp – seqüências curtas. Deste modo, o spot 1 foi identificado como antiagregante plaquetário. Apesar do spot 2 estar intimamente próximo ao spot 1 no gel, os dados de massas peptídicas e de seqüências não apresentaram correlação significativa com os bancos de proteínas disponíveis; deste modo, a análise foi feita utilizando o banco de ESTs de H. depressa. Para o spot 2, a análise por PMF, mostrou que os íons moleculares 851.55; 1207.92 e 1375.93 corresponderam ao antiagregante plaquetário, identificados nos clusters 59 e 344. Apenas o íon 789.48 (QQENDR) não apresentou correlação por PMF. Assim, o spot 2 apresentou similaridade aos clusters identificados como antiagregante plaquetário. A Figura 19 mostra o posicionamento das seqüências provenientes da fragmentação tríptica destes spots em relação aos clusters similares ao LAPP e ao LAPP, propriamente dito, através de alinhamento. 53 LAPP_HAEOF HDEP344 HDEP59 HDEP318 HDEP545 SPOT1ANTIPLAT SPOT2ANTIPLAT 10 20 30 40 50 60 | | | | | | MNSFLFSLACSLLVAIPAISAQDEDAGGAGDETSEG-EDTTGSDETPSTGGGGDGGNEET -------LLCSLLLVAPVIRAQDE---EEGGESEET-TGEGDEPTPPSDDGGEP----PG MNSFLFYLLCSLLLVAPVIRAQDE---EEGGESEET-TGEGDEPTPPSDDGGEPPASPPG MNSFLFSFVCSLLVAIPAVRAQDEG--DAGDEANEGGEDNTGSDETTSTGGGGGGGNEET MNSFLFSFVCSLLVAIPAVRAQDE---DAGDEASEGGEDNTGSDETTSTGGGGGGGNEET ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Prim.cons. MNSFLFSL2CSLLVAIPAIRAQDE2AG2AGDE22EGGED2TGSDETPSTGGGG2GGNEET LAPP_HAEOF HDEP344 HDEP59 HDEP318 HDEP545 SPOT1ANTIPLAT SPOT2ANTIPLAT Prim.cons. 70 80 90 100 110 120 | | | | | | ITAGNEDCWSKRPGWKLPDNLLTKTEFTSVDECRKMCEESAVEPSCYILQINTETNECYR GNEESSDCWSERKDLKFDESILKDSGTTSVEECKKKC---LENDRCAVIQVNDSNKKCYI GNEESSDCWSERKDLKFDESILKDSGTTSVEECKKKC---LENDRCAVIQVNDSNKKCYI ITAGNGDCWSKRPGWKLPDNLLTKTEFTSVDECRKMCEKSAVEPACYILQINTETNECYR ITAGNGDCWSKRPGWKLPDNLLTKTEFTSVDECRKMCEKSAVEPACYILQINTETNECYR ----------------LPDNLLTKTEFTSVDECR-------------ILQINTETNECYR ----------------FDESILK----------KK------ENDRCAVIQVNDSNKK--: :.:*. : ::*:* ..:: ITAGN2DCWSKRPGWKLPDNLLTKTEFTSVDECRKMCEKSA222RC2ILQINTETNECYR LAPP_HAEOF HDEP344 HDEP59 HDEP318 HDEP545 SPOT1ANTIPLAT SPOT2ANTIPLAT 130 140 150 | | | NNEGDVTWSSLQYDQPNVVQWHLHACSK---YP-ADADWGSVQQGSTGYTQYHIHACQ----YP-ADADWGSVQQGSTGYTQYHIHACQ----NNEGDVTWSSLQYDQPNVVQWHLHACSNRKNW NNEGDVTWSSLQYDQPNVVQWHLHACSK------------------------------------------------------------------ Prim.cons. NNEGDVTWSSLQYDQPNVVQWHLHACSKRKNW Figura 19 - Alinhamento de proteínas identificadas como antiagregante plaquetário, incluindo a seqüência de Haementeria officinalis, as seqüências de proteínas traduzidas de ESTs dos clusters 59, 344, 318 e 545 (acesso Genbank: HDEP0059c, HDEP0318s, HDEP0344c, HDEP0545s) e as seqüências de fragmentos peptídicos obtidos por espectrometria de massa dos spots 1 e 2 de Haementeria depressa. O alinhamento foi feito utilizando o utilitário CLUSTALW. 54 4.3.1.2 Spots 3, 4 e 5 Spots apresentando pI entre 6.7 a 8.5 e massa molecular de cerca de 14 kDa foram detectados como muito abundantes no complexo salivar e no tecido muscular de H. depressa. Os spots 3 (pI 6.7 e MM 14 kDa), 4 (pI 7.1 e MM 14 kDa) e 5 (pI 7.3 e MM 14 kDa) foram visualizados nos géis bidimensionais como um grupo seriado de spots com pIs distintos e massas moleculares próximas. Uma migração dispersa, em forma de cauda, observada nos spots 4 e 5, poderia sugerir modificação pós-traducional. A análise por PMF detectou os seguintes íons moleculares por MALDITOF MS: Spot 3: (M+ H)+ = 871.4; 978.5; 1010.6; 1044.6; 1243.7; 1276.7; 1281.9; 1311.7; 1339.6; 1455.7; 1486.6; 1855.0; 2321.1; 2446.1; 2562.2; 2943.3; Spot 4: (M+ H)+ = 599.2; 713.2; 768.3; 850.4; 882.4; 996.4; 1024.5; 1165.6; 1263.6; 1311.5; 1343.4; 1455.5; 1534.4; 1854.9; 2307.0; 2562.1. Spot 5: (M+ H)+ = 599.2; 713.2; 768.4; 850.4; 882.4; 996.4; 1024.4; 1165.6; 1311.5; 1327.5; 1421.7; 1455.5; 1503.7; 1534.5; 1707.7; 1854.9; 2307.0; 2383.9; 2562.2. As Figuras 20 , 21 e 22 mostram os espectros obtidos por MALDI-TOF MS. Os íons moleculares comuns para os spots 3, 4 e 5 foram: 1311; 1455; 1854 e 2562. A análise por PMF revelou ainda íons moleculares comuns entre os spots 4 e 5: (M+ H)+ = 599.2; 713.2; 768.4; 850.4; 882.4; 996.4; 1024.4; 1165.6; 1311.5; 1455.5; 1534.5; 2307.0 e 2582.2; e alguns íons exclusivos do spot 5: 1421.7; 1503.7; 1707.7 e ainda revelou que o íon 1263.6 é exclusivo do spot 4, portanto, os íons exclusivos podem indicar correlações com modificações póstraducionais. Figura 20 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 3 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS.Este spot corresponde a uma proteína similar a miohemeritrina de T. tessulatum. Figura 21 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 4 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Este spot corresponde a uma proteína similar a miohemeritrina de T. tessulatum. Figura 22 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 5 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Este spot corresponde a uma proteína similar a miohemeritrina de T. tessulatum. 58 O sequenciamento de novo, foi realizado para os íons correspondentes ao spot 3, cujas seqüências estão apresentadas na Tabela 3: Tabela 3 – Análise espectrométrica do spot 3 por ESI-Q-TOF. (M + H)+ Spot 3 (M + 2H)2+ Sequências (monoisotóp) (monoisotóp) 871.3 436.2 FEEGMMK 978.5 490.2 FDVPEPFK 1010.5 505.7 DWLVNHVK 1243.6 622.3 GLFEAFFDLGK 1276.7 638.8 SPSDAHALTHLK 1311.6 656.3 HFRFEEGMMK 2321.1 1161.5 LHTDFEHDLESVHTPVSTEK Os espectros das sequências obtidas estão apresentados nas Figuras 23A e 23B. Fragmentos peptídicos referentes aos spots 4 e 5 serão ainda sequenciados. 4.3.1.2.1 Identificação dos spots 3, 4 e 5: miohemeritrina A identificação dos spots 3, 4 e 5 foi possível após PMF em banco de EST e/ou por sequenciamento de novo. Pela análise por PMF dos spots 3, 4 e 5, usando o programa MASCOT, foram encontradas diversas proteínas, de diversos organismos, incluindo globinas e hemocianinas, o que indicaria uma relação de identificação funcional. A) FEEGMMK F K E M E M G G MM K E E bMax yMax F 595.30 y5 100 249.14 277.13 a2 b2 % 120.11 a1 147.13 F y1 186.12 724.36 y6 436.28 466.26 y4 577.32 406.22 498.66 b3 278.17 y2 318.13 871.37(M+H) + 596.40 706.34 598.81 876.09 726.27 811.25 853.46 935.53 958.55 M/z 900 950 0 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700 750 800 850 B) FDVPEPFK F K D V PEPF F P 391.28 y3 100 E P V K F D bMax yMax 978.64(M+H) + 617.37 y5 % 129.13 0 217.16 263.14 b2 147.13 y1 618.44 471.27 324.20 100 200 716.46 y6 392.23 294.20 y2 300 400 502.30 581.35 500 600 981.77 717.39 737.26 618.94 715.34 851.42 864.41 977.41 700 800 H V W 900 983.31 1064.71 M/z 1000 C) DWLVNHVK DW K L V 274.14 a2 100 V H 302.13 b2 N N V L K bMax yMax D 709.49 y6 596.40 y5 % 351.20 256.13 187.11 132.10143.07 383.27 y3 507.36 563.37 464.29 603.34 692.45 710.63 1010.56(M+H) + 1070.04 711.92 829.32 878.57 899.68 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 M/z 1100 1000 D) GLFEAFFDLGK GL K F G E D L A F F F 100 F A 797.45 726.42 y7 y6 D E LG F 926.56 y8 K LG 1073.56 y9 277.13 % 143.14 a2 249.13 318.20 432.27 b3 348.19 y4 553.36 1074.72 579.34 y5 622.45 727.55 633.40 204.15;y2 bMax yMax 927.45 b8 1072.88 798.59 1157.89 1243.57(M+H) + 1288.37 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 M/z 1300 Figura 23A - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 3, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: A) FEEGMMK; B) FDVPEPFK; C) DWLVNHVK; D) GLFEAFFDLGK. E) SPSDAHALTHLK SP S L 214.12 K 100 % D H 158.04 147.13 y1 A H T L A T H 546.78 547.29 H D A L K S P 890.55 y8 793.39 765.47 bMax yMax S 1189.74 y11 1092.76 y10 682.49 y6 397.31 427.16 y3 315.13 A L 1193.83 930.46 1096.07 1074.68 1278.67 0 M/z 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 F) HFRFEEGMMK H K F M R F M G E E E E 100 % 147.13 y1 130.11 173.15 285.16 b2 580.35 452.32 424.28 717.46 b5 766.40 G FR 903.47 b7 875.58 a7 M MK F 904.63 1006.53 a8 619.31 bMax yMax H 1034.51 b8 1174.65 1274.87 1313.01 y9 0 M/z 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 G) LHTDFEHDLESVHTPVSTEK LH K T E T D S F V E P T H H D V L S E E S L V D H HTPV E S F T DT E H 100 251.17 b2 2071.00 y18 660.39 y6 % 761.47 y7 501.43 234.13 253.11 898.52 y8 1036.64 630.27 1547.68 1237.76 2053.02 b10 1306.65 1535.90 1548.97 1796.341854.96 y16 1970.31 K bMax L yMax 2321.31(M+H) + 2303.14 2321.79 2190.32 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 2200 2329.05 2333.94 M/z 2400 Figura 23B - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 3, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: E) SPSDAHALTHLK; F) HFRFEEGMMK; G) LHTDFEHDLESVHTPVSTEK. 61 A análise por PMF utilizando o banco de ESTs, mostrou uma correlação dos seguintes íons moleculares dos fragmentos trípticos dos spots 3, 4 e 5 com os íons moleculares da digestão teórica do cluster 312: Spot 3: (M+ H)+ = 871.4; 1010.6; 1243.7; 1276.7; 1311.7; 1455.7; 1486.6; 1855.0; 2321.1 e 2943.3; Spots 4 e 5: (M+ H)+ = 768.4; 1311.5; 1455.5; 1854.9 e 2307.0. Esta proteína também foi identificada após a obtenção de seqüências com a utilização do BLASTp – seqüências curtas. O cluster 312 possui o domínio hemeritrina (PS00550), o qual requer H, E e Q para a ligação do ferro, sendo definido pela seguinte seqüência: H-FX(2)-[EQ]-[ENQ]-X(2)-[LMF]-X(4)-[FY]-X(5-6)H-X(3)-[HR]. Neste caso, os íons moleculares 1311 e 1455 correspondem aos fragmentos deste domínio. Uma vez que estes íons são comuns aos spots 3, 4 e 5 foi possível considerá-los como pertencentes à família das hemeritrinas. O íon 1311.70 do spot 3 foi seqüenciado e a seqüência do íon 1455.74 pôde ser deduzida pelo PMF no banco de ESTs. A Figura 24 apresenta o alinhamento das seqüências obtidas por espectrometria de massa em relação às seqüências completas do cluster 312 de H. depressa e da miohemeritrina de T. tessulatum. 62 HEMM_THETS HDEP312 SPOT3hemeritrina Prim.cons. HEMM_THETS HDEP312 SPOT3hemeritrina Prim.cons. HEMM_THETS HDEP312 SPOT3hemeritrina Prim.cons. 10 20 30 40 50 60 | | | | | | --------------MVFEIPEPYQWDETFEVFYEKLDEEHKGLFKGIKDLSDSPACSETL MKAFIVLAACFAATLAFDVPEPFKWDHSFEVFYEKLDEQHKGLFEAFFDLGKSPSDAHAL ----------------FDVPEPF-----------------KGLFEAFFDLGKSPSDAHAL *::***: ****:.: **..**: :.:* MKAFIVLAACFAAT22FDVPEPF2WD22FEVFYEKLDE2HKGLFEAFFDLGKSPSDAHAL 70 80 90 100 110 120 | | | | | | EKLVKLIEDHFTDEEEMMKSKSYEDLDSHKKIHSDFVETLKGVKAPVSEENIKMAKEWLV THLKDVVHKHFRFEEGMMKNAHYAEYDAHHKLHTDFEHDLESVHTPVSTEKVHWAKDWLV THLK-----HFRFEEGMMK------------LHTDFEHDLESVHTPVSTEK-----DWLV :* ** ** *** :*:** . *:.*::*** *: :*** THLK22222HFRFEEGMMK222Y222D2H2KLHTDFEHDLESVHTPVSTEK222AKDWLV 130 | NHIKGTDFKYKGKL NHVKGVDFKYKGKL NHVK---------**:* NHVKG2DFKYKGKL Figura 24 - Alinhamento de proteínas identificadas como miohemeritrinas, incluindo a seqüência de T. tessulatum, seqüência de proteína traduzida do cluster 312 (acesso Genbank: HDEP0312s) e as seqüências de fragmentos peptídicos obtidos do spot 3 de H depressa. O alinhamento foi feito utilizando o utilitário CLUSTALW. 63 4.3.1.3 Spots 6, 7, 8, 9 e 10 Muitos spots abundantes foram localizados na região de 30 kDa e na faixa de pI entre 5.5 à 6.2 no gel bidimensional do complexo salivar de H. depressa, e 5 destes spots foram recortados e analisados. No tecido muscular não foram observados spots correspondentes à esta região. Foram feitas análises por PMF em MALDI-TOF MS, encontrando-se os seguintes íons moleculares: Spot 6: (M+ H)+ = 568.2; 722.5; 851.5; 878.5; 1031.5; 1069.7; 1093.6; 1131.6; 1174.6; 1355.8; 1474.7; 1535.9; 1590.92; 1718.9; 2075.14; Spot 7: (M+ H)+ = 568.1; 677.3; 752.3; 840.5; 878.5; 1007.5; 1173.7; 1320.7; 1337.7; 1381.8; 1436.8; 1463.8; 1594.9; 1608.9; 1670.0; 1737.0; 1987.2; 2125.2; 2259.3; Spot 8: (M+ H)+ = 568.1; 1055.7; 1233.6; 1283.7; 1443.8; 1748.0; 1774.0; Spot 9: (M+ H)+ = 1243.7; 1371.8; Spot 10: (M+ H)+ = 568.1; 1037.5; 1073.6; 1199.6; 1215.5; 1275.7; 1401.7; 1457.8; 1521.9; 1608.8; 1685.7; 1721.8; 1864.0; 1903.9; 2124.1; 2199.1; 2503.3; 2932.2; 3372.0; 3442.6. Observou-se que o íon molecular 568.1 é comum aos spots 6, 7, 8 e 10 e o íon 1173.7, comum aos spots 6 e 7. Os íons 1608.9 e 2125.2 foram encontrados nos spots 7 e 10, e os demais íons não se correlacionaram entre si. Os espectros das análises por PMF estão apresentados nas Figuras 2529. Após a análise via PMF destes spots, os íons foram selecionados, detectados, seqüenciados e estão apresentados na Tabela 4: 64 Tabela 4 – Análises espectrométricas dos spots 6, 7, 8, 9, e 10 por ESI-Q-TOF. Spot 6 (M + H)+ (M + 2H)2+ (monoisotóp) (monoisotóp) 486.34 Spot 7 ELPK 812.53 406.79 LVNELPK 772.93 1544.85 QCEGNQSLPNLDVK 530.39 Spot 8 NVLGK 1159.77 580.37 VGNKNEELEK 1196.81 598.91 KMVNEPTHLK 1337.78 669.39 QYDLELTNEGR 1737.11 869.06 MVLSLSQEQLDAFKK 476.32 Spot 9 Spot 10 Sequências QSNK 1275.75 638.38 LADTDNEELQK 706.51 353.76 FVSLLK 1233.75 617.39 ESLSLSQTQLK 1375.77 688.41 LNEGTENTELQK 973.58 487.32 WNVLSVAGK 1018.56 509.76 EVSPDNVMK 1037.50 519.26 SYYQYEGK 1073.63 537.31 QDELNEVVK Os espectros dos sequenciamentos estão apresentados nas Figuras 3034. Figura 25 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 6 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Este spot corresponde a uma proteína similar a anidrase carbônica. Figura 26 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 7 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Este spot corresponde à uma proteína similar a anidrase carbônica. Figura 27 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 8 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Este spot corresponde à uma proteína similar a anidrase carbônica. Figura 28 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 9 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Este spot corresponde à uma proteína similar a anidrase Figura 29 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 10 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Este spot corresponde à uma proteína similar a anidrase carbônica. A) EPLK EP L K K L P bMax yMax 486.35(M+H) + E 100 487.28 % 129.12 81.33 87.78 0 50 75 260.22 y2 279.86 227.13 199.13 b2 a2 147.13 y1 312.25 a3 488.81 340.22 b3 374.23 440.27 387.21 504.95 540.38 587.47 615.42 M/z 100 125 150 175 200 225 250 275 300 325 350 375 400 425 450 475 500 525 550 575 600 B) LVNELPK LV NE K P L L E PK N 100 185.20 a2 % 0 V bMax yMax L 600.42 y5 244.19 y2 699.47 y6 213.20 b2 129.13 147.15 y1 100 150 245.25 200 250 343.18 300 812.52(M+H) + 813.65 601.34 357.25 y3 406.83 427.28 487.46 350 400 450 700.60 583.37 500 550 602.56 685.49 600 650 700 715.66 789.55 750 800 817.20 850 861.15 M/z 900 C) QCEGNQSLPNLDVK QC K V 100 E D 361.23 b3 y3 232.12 184.11 b2 % 147.14 y1 G N L Q S N P 588.41 y5 367.15 343.19 463.14 491.49 300 400 L 773.41 LP S N Q L N 885.61 y8 721.29 799.49 643.28 887.71 V K bMax Q yMax 1544.98(M+H) + C 1184.67 b11 y11 798.58 y7 772.89 D E G 1013.63 y9 1548.91 1313.86 y12 1175.65 1544.13 1549.71 1459.82 1285.75 0 M/z 100 200 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 1400 1500 Figura 30 - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 6, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: A) ELPK; B) LVNELPK; C) QCEGNQSLPNLDVK. A) NVLGK NV L K G G L K V bMax yMax 530.41(M+H) + N 100 % 129.12 73.97 147.13 y1 75 100 125 317.26 y3 214.14 b2 309.66 240.16 150 175 200 225 250 531.30 327.25 b3 262.17 226.17 110.70 0 50 186.15 a2 275 377.20 367.22 300 325 350 393.23 437.27 375 400 425 472.33 505.32 513.39 450 475 500 532.18 525 553.75 579.38 586.92 M/z 550 575 B) VGNKNEELEK VG K N E K L N E E E E N L K E N K G 1060.67 y9 100 761.45 y6 % 0 129.13 a2 147.14 226.12 258.20 y1 373.21 387.30 451.34 530.74 551.45 647.42 y5 V bMax yMax 1159.64(M+H) + 673.37 775.34 793.58 700 800 889.58 y7 1043.73 971.68 1163.26 1061.50 1117.34 1167.54 1263.80 M/z 100 200 300 400 500 600 900 1000 1100 1200 C) KMVNEPTHLK K K M L V NE HT P E P T H N 100 260.21 b2 y2 % 147.13 y1 0 100 L M K K bMax yMax 938.49 440.24 325.18 427.22 83.87 V 937.64 b8 y8 519.54 838.53 724.47 865.64 y7 599.36 666.46 y6 821.45 939.82 1196.89(M+H) + 1050.75 1097.73 b9 1198.14 M/z 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 Figura 31A - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 7, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: A) NVLGK; B) VGNKNEELEK; C) KMVNEPTHLK. D) QYDLELTNEGR QY D RG E L E N T L T L NEGR E L D Y bMax yMax Q 1319.89 100 689.45 y6 576.33 y5 % 158.10 247.12 264.19 a2 358.23 390.15 475.27 y4 1046.65 y9 818.50 y7 660.32 691.61 931.56 y8 819.37 1005.41 1320.68 1337.69(M+H) + 1047.50 1151.92 1209.77 y10 1340.18 1383.50 M/z 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 Q L 1000 1100 1200 1300 1400 E) MVLSLSQEQLDAF MV K L F S A L D S L Q Q E E Q 100 S 1065.66 y9 D L A F S K L 1265.83 y11 % 326.19 147.15 y1 213.10 100 200 395.24 850.54 805.45 978.63 508.32 593.42 y7 y8 y5 613.35 804.91 959.45 1178.69 y10 1068.36 bMax yMax VM 1609.10(M+H) + 1378.80 y12 1268.00 1380.08 1613.33 1607.79 1700.36 0 M/z 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 1400 1500 1600 1700 Figura 31B - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 7, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: D) QYDLELTNEGR; E) MVLSLSQEQLDAFKK. A) QSNK Q S N K K N bMax SQ yMax 476.36(M+H) + 100 477.27 % 55.14 0 100.28 129.12 b1 115.30 175.13 201.15 229.17 259.17 478.74 330.21 b3 371.09 391.23 403.25 301.00 312.21 430.18 459.31 495.34 M/z 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 260 280 300 320 340 360 380 400 420 440 460 480 B) LADTDNEELQK LA K D T Q D E L NE E E D N L Q D 1091.57 y9 T 100 % 185.17 b2 0 157.17 a2 217.12 100 200 300.21 401.23 b3 369.24 b4 638.43 517.37 y4 629.44 704.36 875.48 y7 760.44 y6 775.46 876.64 976.56 y8 K A L bMax yMax 1162.69 y10 1275.64(M+H) + 1257.63 1282.30 1368.53 1073.56 984.70 M/z 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 Figura 32 - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 8, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: A) QSNK; B) LADTDNEELQK. A) FVSLLK FV S K L L L L S K V bMax yMax F 460.37 y4 100 219.19 a2 461.33 % 120.11 a1 F 260.24 y2 147.13 y1 201.14 560.49 b5 707.62 524.34 561.34 629.63 706.53(M+H) + 708.44 437.27 354.24 282.24 314.26 493.42 401.37 0 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700 747.77 805.30 M/z 800 750 B) ESLSLQTQLK ES L K S L L Q S T QT Q S L 100 704.46 y6 % 0 147.13 130.14 y1 100 312.19 217.10 b2 489.37 y4 512.33 399.23 200 300 400 500 617.46 b6 y5 817.59 y7 619.05 600 800 K 906.11 900 bMax yMax SE 1017.74 y9 905.77 886.63 706.65 700 QL L S 904.59 y8 1233.66(M+H) + 1018.59 1000 1238.15 1216.71 1100 1265.34 M/z 1300 1200 C) LNEGTEENTELQK LN K E Q G L T E ENTE T L N E T 100 228.17 b2 % 147.15 y1 211.12 275.19 y2 688.34 357.21 b3 455.23 517.33 y4 618.44 y5 732.45 y6 G 1019.63 y9 Q E 1148.63 y10 K N L bMax yMax 1375.92(M+H) + 1376.71 861.54 y7 962.57 y8 843.48 1130.64 1022.81 862.42 1262.71 y11 1273.69 1244.80 1379.41 1200 1400 1382.20 0 M/z 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1300 Figura 33A - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 9, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: A) FVSLLK; B) ESLSLSQTQLK; C) LNEGTENTELQK. D) GVPVQDAVDR GV R P V D Q A V D A Q D V D V R P bMax G yMax 1055.59(M+H) + V 100 460.31 y4 % 175.13 y1 349.32 120.07 169.16 237.16 330.17 596.39 b6 530.33 1056.80 528.41 443.32 599.57 802.47 y7 696.51 899.54 881.56 y8 1038.76 b9 919.43 1060.06 1061.89 0 M/z 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 E) LSYDFELTENGR LS R G Y N D E F E T L L T E EN F D G Y R S 100 576.32 y5 % 136.10 Y 201.14 b2 279.11 346.20 y3 463.41 689.43 y6 475.29 y4 513.25 818.50 y7 965.58 y8 1080.59 y9 1243.76 y10 1330.74 y11 724.60 624.35 819.37 973.45 bMax L yMax 1443.74(M+H) + 1081.77 1444.98 1447.66 1426.91 1450.67 1400 1500 1511.69 M/z 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 Figura 33B - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 9, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: D) GVPVQDAVDR E) LSYDFELTENGR. A) EVSPDNVMK E K V S M V PDNV D N M P 703.44 y6 100 V 395.80 704.35 509.85 511.98 595.43 686.37 300 400 500 600 1000.53 792.30 724.51 854.47 1019.68 982.54 1000 1024.73 1092.52 M/z 1100 S bMax yMax 795.40 0 200 1018.52(M+H) + 791.57 201.16 229.16 a2 b2 298.16 352.17 147.13 114.99 y1 bMax yMax E 790.43 y7 % 100 K S 700 800 900 B) SYYQYEGK SY Y KG Q E Y Y E Q 100 % 136.10 Y 204.15 y2 G Y Y K 787.48 y6 223.15 a2 1037.54(M+H) + 788.38 251.13 b2 292.17 414.20 445.21 b3 519.36 606.37 624.35 y5 789.62 1039.40 875.44 792.39 721.51 991.46 1044.45 1113.80 0 M/z 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 C) QDELNEVVK Q K D V E LN V E EV N V L E K D Q 100 bMax yMax 1073.64(M+H) + 1075.45 537.40 % 129.13 b1 203.13 216.13 244.14 a2 b2 701.56 a6 y6 539.49 588.44 373.22 451.30 487.21 337.82 b3 y5 830.55 y7 745.30 1079.05 947.44 1058.52 831.43 943.53 971.44 1082.22 1144.52 0 M/z 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 D) WGEMYWCR W R G E MY C W W M Y 100 159.13 a1 W 129.12 R 113.48 335.20 373.22 y2 b3 317.19 227.12 487.22 815.40 y5 585.91 669.29 549.32 453.16 R W G 1001.44 y7 684.34 y4 521.26 y3 % C E 635.24 745.31 690.40 1189.60 1002.60 817.31 bMax yMax 1170.50 1192.66 945.40 1044.55 836.31 1205.26 0 M/z 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 Figura 34 - Interpretações das seqüência obtidas pelos espectros de massas pelo modo tandem de íons produzidos pela fragmentação do spot 10, analisado por ESI-Q-TOF MS, cuja interpretação de seqüência é: A) EVSPDNVMK; B) SYYQYEGK; C) QDELNEVVK; D) WGEMYWCR. 77 4.3.1.3.1 Identificação dos spots 6, 7, 8, 9 e 10: anidrase carbônica À primeira vista, os fragmentos peptídicos obtidos dos spots 6, 7, 8, 9 e 10 selecionados do complexo salivar apresentaram uma pequena correlação de massas e/ou seqüências entre si. A análise por PMF da digestão teórica dos clusters do banco de ESTs, também não resultou na correlação dos spots individuais com seus respectivos clusters. A identificação foi possível somente após a obtenção de seqüências de aminoácidos. As seqüências dos fragmentos peptídicos foram correlacionadas isoladamente com os 19 clusters existentes no banco de ESTs, que apresentam similaridade ao domínio de anidrase carbônica descrito para eucariotos (PS00162), tratando-se portanto, de isoformas. Poucas são as anidrases carbônicas relatadas em invertebrados. Contudo, uma similaridade significativa por BLAST-MS permitiu a correlação das seqüências VGNKNEELEK (íon 1159.77) e MVLSLSQEQLDAFKK (1737.11) do spot 7 com anidrase carbônica da bactéria Bacillus halodurans; porém os fragmentos seqüenciados não foram correspondentes ao domínio de anidrases. 4.4.4 Outros spots analisados do mapa bidimensional e ainda não identificados Outros 15 spots foram selecionados de diversas regiões do gel (Figura 14), os espectros das análises obtidos por PMF estão apresentadas nas Figuras 35-49, e os seguintes íons moleculares foram detectados: spot 11: 568.23; 809.48; 906.56; 929.57; 962.57; 985.85; 1190.74; 1335.74; 1409.74; 2134.12; 2150.14; 78 spot 12: 568.20 ; 887.55 ; 952.65 ; 1202.79 ; 1379.86. 1466.78 ; 1567.90 ; 1606.91 ; 1639.90 ; 1724.02 ; 1801.89 ; 2172.13 ; spot 13: 1014.76; 1038.71; 1098.77; 1150.73; 1230.82; 1649.95; 1720.23; 1750.04; 1784.08; spot 14: 568.17 ; 706.45 ; 795.36 ; 860.99 ; 972.66 ; 1151.71 ; 1201.73 ; 1280.73 ; 1376.72 ; 1438.75 ; 1720.95 ; 2027.97 ; 2044.37 ; spot 15: 568.07; 911.49; 948.35; 1008.47; 1287.64; 1571.86; 1666.82; 1673.81; spot 16 : 911.60; 1223.82; 1281.85; 1411.86; 1698.95; 1859.16; 2116.16; spot 17: 568.11; 665.98; 841.21; 893.12; 977.54; 1037.61; 1074.69; 1194.72; spot 18: 568.22 ; 846.66 ; 917.58 ; 1121.71 ; 1155.72 ; 1207.77 ; 1260.68 ; 1372.79 ; 1403.86 ; 1452.88 ; 1557.90 ; 1868.04 ; 3440.49 ; 3865.79 ; 4122.87 ; spot 19: 722.47; 851.45; 1069.63; 1174.60; 1275.65; 1302.84; 1356.70; 1474.71; 1511.89; 1590.77; 1718.78; 1921.00; 2074.95; spot 20: 887.57; 965.68; 1202.77; 1379.84; 1418.89; 1466.79; 1581.91; 1606.92; 1639.86; 1738.02; 2158.16; spot 21: 599.24; 713.24; 768.39; 850.38; 882.43; 996.47; 1165.62; 1196.50; 1213.51; 1245.50; 1285.61; 1534.49; 1572.53; spot 22: 599.26; 671.86; 713.28; 768.40; 850.43; 882.43; 996.46; 1051.58; 1147.50; 1165.62; 1420.45; 1534.49; 1572.47; 1716.75; 1851.87; spot 23: 599.26 ; 713.31 ; 768.40 ; 882.37; 945.47; 976.37; 996.50; 1051.63; 1132.48; 1198.66; 1354.59; 1499.62; 1516.66; 1534.51; 1572.47; 1790.87; 1833.81; 1854.03; spot 24: 599.27 ; 713.31 ; 768.43 ; 850.45 ; 882.48 ; 996.54 ; 1051.63 ; 1245.64 ; 1292.62 ; 1367.75 ; 1406.68 ; 1435.73 ; 1534.52 ; 1588.07 ; 1617.80 ; 1633.77 ; 1810.95 ; 1934.08 ; 1974.02 ; 2265.32 ; 2298.10 ; spot 25: 599.27; 713.31; 768.44 ; 850.43 ; 882.48 ; 996.52 ; 1033.52 ; 1057.53 ; 1165.71 ; 1278.65 ; 1312.56 ; 1403.71 ; 1437.77 ; 1534.52 ; 1572.50 ; 1630.87 ; 1694.82; 2201.08. Figura 35 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 11 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 36 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 12 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 37 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 13 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 38- Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 14 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 39 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 15 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 40 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 16 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 41 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 17 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 42 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 18 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 43 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 19 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 44 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 20 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 45 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 21 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 46 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 22 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 47 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 23 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 48- Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 24 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. Figura 49 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do spot 25 do complexo salivar de H.depressa analisado por MALDI-TOFMS. 94 Ainda que seja difícil identificar proteínas de amostras desconhecidas sem a obtenção de seqüências, a análise por PMF permitiu apresentar algumas sugestões de similaridade com proteínas depositadas em bancos de dados: Spot 11: hirulin, inibidor de trombina, encontrado na sanguessuga Hirudinaria manillensis; hemoglobinase, encontrada em Fasciola hepática; precursor de equinatoxin V, proteína com atividade hemolítica encontrada na anêmona marinha Actinia eqüina. Spot 13: hemocianina, proteína transportadora de oxigênio, semelhante à hemeritrinas; ornatina, antiagregante plaquetário encontrado na sanguessuga Placobdella ornata; globina; Spot 14: hemiptericin, antibacteriano encontrado em Pyrrhocoris apterus; piguamerin, inibidor de tripsina e calicreína, encontrado na sanguessuga Hirudo nipponia; Spot 15: guamerin, inibidor de elastase encontrado em Hirudo nipponia; óxido nítrico sintase, encontrado em Rhodnius prolixus; metalotioneína, uma metaloprotease; Spot 16: bdellastasin, inibidor de tripsina e plasmina encontrado na sanguessuga Hirudo medicinalis; hemoglobina; Spot 17: conopressin, vasopressina encontrada na lesma Lymnasa stagnalis; theromin, inibidor de trombina de sanguessuga Theromyzon tessulatum; ixodidin, inibidor de quimiotripsina e elastase, encontrado no carrapato Boophilus microplus; precursor de proteína adesiva de matriz; Spot 18: lectina; Spot 19: coagulógeno, presente na hemolinfa de Carcinoscorpius rotundicauda; hirustasin, inibidor de trombina, tripsina, quimiotripsina e catepsina G encontrado em Hirudo medicinalis; Spot 20: maragatoxin; defensin; profilin; precursor de coagulógeno; Spots 21 e 22: coagulógeno de Carcinoscorpius rotundicauda; Spot 23: metalotioneína; calpaína; inibidor de serinoprotease. 95 Assim, estes spots correspondem a proteínas com potencial função antihemostática. Em relação aos spots 21 e 22, os quais apresentaram proximidade bidimensional e perfis espectrométricos semelhantes, através de PMF, sugerimos que estas proteínas sejam isoformas, uma vez que apresentaram alguns íons moleculares comuns: (M + H)+ = 713.2; 768.4; 850.4; 882.4; 996.4; 1165.6; 1534.4 e 1572.4. Foram exclusivos ao spot 21 os seguintes íons moleculares: (M + H)+ = 1196.5; 1213.5; 1285.6; e os exclusivos do spot 22 foram: (M + H)+ = 1051.5; 1147.5; 1420.4; 1716.7 e 1851.8. O programa MASCOT identificou estas proteínas com valores de massas similares ao coagulógeno do siri Carcinoscorpius rotundicauda, presente na hemolinfa. Outros spots analisados parecem não estar diretamente envolvidos com funções antihemostáticas, e podem apresentar similaridade com as seguintes proteínas: Spot 12: esterase; apolipoforina; Spot 24: actina; Spot 25: globina; tropomiosina; actina. 4.5 Análises do lefaxin e hementerina purificados O lefaxin e a hementerina purificados foram aplicados em um gel bidimensional e observou-se que o lefaxin apresentou cerca de 14 kDa, mas o pI não pôde ser determinado, pois durante a isoeletrofocalização ocorreu retração do gel nas extremidades (efeito de eletroendosmose). No caso da hementerina, um único spot de cerca de 80 kDa e pI próximo à 8.0, foi revelado. Devido à baixa concentração protéica, os spots foram desconsiderados para análise de seqüência. Por outro lado, o lefaxin pré-purificado aplicado em gel SDS-PAGE, foi extraído e a hementerina purificada, em solução, foram digeridos com tripsina e analisados via PMF (Figuras 50 e 51). Figura 50 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica do lefaxin purificado submetido a eletroforeseSDS-PAGE e analisado por MALDI-TOFMS. Figura 51 - Espectro do Peptide mass fingerprint após digestão tríptica de hementerina purificada (em solução) analisada por MALDI-TOFMS. 98 Os seguintes íons moleculares foram detectados: Lefaxin: (M+ H)+ = 599.2; 713.3; 768.4; 850.4; 882.4; 979.4; 1019.4; 1066.5; 1125.5; 1179.6; 1283.7; 1455.6; 1534.5; 1586.8; Hementerina: (M+ H)+ = 1037.4; 1467.4. Pela análise por PMF do lefaxin no MASCOT, uma lista de diversas proteínas apresentaram alguma correlação, porém, não foram significativas. Os íons referentes ao lefaxin, com maior intensidade, serão seqüenciados em uma próxima etapa. A hementerina em solução foi analisada por ESI-Q-TOF MS após digestão tríptica, apresentando as seqüências: TGYGQPLTSN (íon 1037.4) e FGQSNLLS (íon 1467.4), as quais não mostraram similaridade significativa com proteínas depositadas em banco de dados. 4.6 Atividade biológica determinada por zimografia 4.6.1 Substrato: gelatina Uma proteína com cerca de 45 kDa do extrato bruto do complexo salivar de H. depressa foi detectada por ocasionar uma leve área de lise sobre a gelatina, incorporada ao gel SDS-PAGE (Figura 52). Esta área protéica foi recortada do gel e submetida à digestão tríptica. A amostra foi analisada por MALDI-TOF MS (Figura 53) e os seguintes íons foram obtidos: (M+ H)+ = 678.3; 898.5; 988.5; 1105.6; 1193.7; 1241.7; 1267.7; 1427.7; 1459.7; 1562.8; 1648.8; 1655.8; 1832.9; 1922.9; 1976.1; 2056.2; 2216.2; 2472.2; 2707.3; 2855.3. A B 45 kDa Figura 52 - Atividade gelatinolítica do extrato bruto de Haementeria depressa A) controle: colagenase; B) 120 ug de proteína de extrato bruto do complexo salivar. Figura 53 - Espectro do Peptide mass fingerprint de digestão tríptica em gel da proteína do complexo salivar de H.depressa com atividade sobre gelatina analisado por MALDI-TOFMS. 101 A análise dos fragmentos peptídicos desta banda por PMF, utilizando o MASCOT, derivou uma lista de diversas proteínas com similaridade, podendose sugerir as seguintes candidatas: precursor de catepsina L (40 kDa), que degrada proteínas lisossomais; um precursor de fibropelina II (40 kDa), uma metaloprotease com domínio EGF; metalotioneína 10-IV (sistema digestivo) (8 kDa), que sequestra íons metálicos tóxicos. A análise de sequenciamento de novo para esta proteína deverá ser efetuada em uma próxima etapa. 4.6.2 Substrato: fibrina Um gel bidimensional do complexo salivar foi aplicado sobre placa de fibrina-agarose. Um único spot de cerca de 80 kDa e pI 8.0-9.0 revelou área de lise, identificando a hementerina. Estes dados foram confirmados pelos resultados obtidos na análise bidimensional da proteína pura. 102 5 DISCUSSÃO 5.1 Abordagem proteômica do complexo salivar À partir do gel bidimensional preparativo do complexo salivar de H. depressa, contendo 219 spots corados por Coomassie Blue, foram analisados os 25 spots mais representativos, dos quais 10 foram identificados por seqüência de aminoácidos. O gel bidimensional do complexo salivar apresentou 352 spots totais quando corado por nitrato de prata e 219 spots quando corado por Coomassie Blue, refletindo a diferença de sensibilidade de detecção. A detecção por Coomassie requer cerca de 100 ng por spot; e por prata, o limite está entre 1 à 10 ng de proteína por spot. A determinação de massa de um peptídeo ou proteína por espectrometria de massa requer alguns picomoles, porém uma análise de sequenciamento de novo requer nanomoles da amostra. Portanto, teoricamente, todos spots detectados por Coomassie Blue, deveriam gerar informações de massa suficientes para caracterização das proteínas (Jungblut; Thiede, 1997). No entanto, muitos spots não foram detectados por espectrometria de massa. Após o mapeamento bidimensional dos componentes do complexo salivar, nosso objetivo era o de identificar o maior número possível de proteínas por espectrometria de massa. Contudo, apenas as proteínas mais abundantes à partir de géis corados por Coomassie Blue puderam ser identificadas. Assim, a análise proteômica de uma amostra complexa, envolvendo as técnicas de eletroforese bidimensional e espectrometria de massa, apresentou uma limitação quantitativa para a obtenção de seqüências. Apesar do uso de spots semelhantes obtidos de 3 géis preparados simultaneamente, muitas vezes não foi possível obter proteína suficiente para análise de sequências. Deve-se considerar ainda que a implantação das técnicas de eletroforese bidimensional e de espectrometria de massa no Instituto Butantan (Lab. de 103 Toxinologia Molecular e Lab. de Espectrometria de Massa - CAT/CEPID, respectivamente) e, conseqüentemente, o estabelecimento de condições apropriadas para este tipo de abordagem, foram desenvolvidas durante este trabalho. Deste modo, este trabalho foi o pioneiro na identificação de proteínas a partir destas técnicas proteômicas em nosso laboratório. Alguns trabalhos relataram que a análise proteômica baseada na eletroforese bidimensional apresenta limitações para identificação de proteínas de média e pouca abundância (Kim et al., 2003; Gygi et al., 2000). O acoplamento de um sistema de HPLC e o uso de uma fonte de ionização com nanospray podem minimizar as perdas protéicas e assim, ampliar a identificação dos compostos. A vantagem da abordagem proteômica para organismos com genoma definido reside na rapidez de identificação dos compostos, os quais são usualmente analisados por PMF. 5.2 Perfil espectrométrico do extrato bruto do complexo salivar Sendo a espectrometria de massa considerada uma técnica sensível, seria esperado encontrar-se um maior número de peptídeos/proteínas detectados no extrato bruto do complexo salivar, tendo em vista que o perfil bidimensional desta amostra já havia sido estabelecido (352 spots totais, corado por prata e 219 spots totais, corado por Coomassie Blue). No entanto, os 13 íons detectados neste extrato bruto (Figuras 12 e 13) corresponderiam supostamente aos compostos mais abundantes. Quando o extrato bruto do complexo salivar é submetido à eletroforese unidimensional (SDS-PAGE), cerca de 20 bandas são reveladas (entre 20 à 100 kDa), representando as proteínas mais expressas. Muito provavelmente, a supressão de sinal observada por espectrometria de massa, também poderia estar relacionada à presença de sais na amostra, uma vez que o processo de ionização é influenciado pela amostra 104 em si e pelo seu preparo; ou também, pela dificuldade de ionização de proteínas grandes, as quais são significativas no extrato bruto em questão. Assim, foi estabelecido um perfil preliminar geral do extrato bruto do complexo salivar de H. depressa; sendo que outras análises espectrométricas foram feitas a partir de proteínas isoladas deste complexo. 5.3 Spots bidimensionais identificados A identificação de proteínas de amostras com genoma desconhecido, como foi o caso desta amostra, somente tornou-se viável com o auxílio de um banco de ESTs. Assim, o banco de ESTs do complexo salivar de H. depressa construído, em paralelo, complementou a interpretação de seqüências obtidas por espectrometria de massa e resolveu uma das limitações do sequenciamento por ESI-Q-TOF MS, o qual não distingue entre resíduos que apresentam os mesmos valores de massa (resíduos isobáricos) ou valores próximos e também para os dipeptídeos da porção N-terminal do fragmento peptídico. Deste modo, através do uso destas duas técnicas, proteoma e transcriptoma, foram identificadas proteínas que devem estar envolvidas na aquisição de sangue, e portanto, podem interferir nos processos de coagulação, fibrinólise e agregação plaquetária do sangue ingerido pela sanguessuga. 5.3.1 Antiagregante plaquetário A localização bidimensional, a análise por PMF e as seqüências obtidas no espectrômetro ESI-Q-TOF permitiram a identificação dos spots 1 e 2 correlacionando-o com o LAPP. 105 O sequenciamento de novo dos fragmentos trípticos do spot 1 correlacionaram-se aos clusters 318 e 545, onde as seqüências traduzidas de ESTs complementaram alguns pontos duvidosos obtidos por espectrometria de massa: a) no íon 1243.64 foi possível definir a posição de resíduos do dipeptídeo TE; b) no íon 1653.73 foi possível distinguir entre leucina (L) e isoleucina (I). As seqüências obtidas por espectrometria de massa do spot 2 correlacionaram-se com os clusters 59 e 344, os quais contribuíram para distinguir os resíduos: a) glutamina (Q) de lisina (K) nos íons 789.48 e 1375.93; b) leucina (L) de isoleucina (I) nos íons 851.55 e 1375.93. As proteínas dos spots 1 e 2 apresentaram um caráter ácido (pI 3.5), e portanto poucos resíduos básicos, os quais normalmente favorecem a protonação dos fragmentos trípticos. A eficiência do sequenciamento por espectrometria de massa pode ser avaliada pela área de cobertura das seqüências obtidas em relação à sequência completa (proveniente da dedução do cDNA). Para o spot 1, de 150 resíduos totais do cluster 318, 45 resíduos foram identificados por espectrometria de massa, correspondendo a 30% da seqüência completa. Sendo que 45 resíduos foram obtidos por PMF no MALDITOF-MS e 31 destes resíduos foram seqüenciados por ESI-Q-TOF MS. Para o cluster 545, de 145 resíduos totais, 45 resíduos também foram identificados por espectrometria de massa. Neste caso, a análise por PMF abrangeu todos os resíduos seqüenciados. Para o spot 2, de 139 resíduos totais do cluster 59, 35 resíduos foram identificados por espectrometria de massa, correspondendo à 25% da seqüência traduzida completa, sendo que 29 resíduos foram identificados por PMF e 25 resíduos foram seqüenciados. Para o cluster 344, contendo 128 resíduos totais, 35 resíduos foram identificados. 106 Concluiu-se então que a área de cobertura das seqüências obtidas por espectrometria de massa obteve apenas esta abrangência pelo fato dos fragmentos peptídicos dos spots 1 e 2 apresentarem poucos resíduos susceptíveis à protonação. Uma análise espectrométrica complementar poderia ser realizada utilizando-se outras enzimas proteolíticas ou por análise no modo negativo, no qual ocorre deprotonação e analisam-se as cargas negativas. Porém uma vez que a sequência completa foi determinada por seqüências traduzidas de ESTs, esta análise não se fez necessária neste trabalho. Assim, os resultados apresentados para H. depressa mostraram que tanto os spots 1 e 2, como os clusters 59, 318, 344 e 545 são proteínas isoformas correspondentes ao antiagregante plaquetário LAPP (Figura 19). As seqüências completas traduzidas de ESTs mostraram 8 clusters identificados como antiagregante plaquetário, que apresentaram 32% de identidade e 16% de similaridade entre si, e uma variação de pI entre 3.8 à 4.4 e de MM de 10.0 à 15.7 kDa. No entanto, apenas uma única forma de antiagregante plaquetário foi descrita em H. officinalis (Connoly et al., 1992). Em especial, os clusters 318 e 545, apresentaram 86 e 82%, respectivamente, de similaridade com o LAPP. O mais importante é que estes dois clusters compartilham as mesmas seqüências e posições necessárias na configuração da estrutura secundária, já determinada para o LAPP através de ensaios cristalográficos (Huizinga et al., 2001). A porção C-terminal do LAPP assemelhou-se à porção N-terminal do fator de crescimento de hepatócito, o que o classifica como um domínio PAN, o qual apresenta 6 folhas pregueadas, 1 alfa-hélice e 2 pontes dissulfeto na região central da molécula (Huizinga et al., 2001). O domínio PAN pertence à família de fatores de crescimento que assemelha-se com a seqüência, com a organização do domínio e com o mecanismo de ação do plasminogênio. A proteína identificada como similar ao LAPP está sendo clonada pelo nosso grupo e após sua expressão, a atividade biológica e o mecanismo de ação da proteína poderão ser avaliados. 107 5.3.2 Miohemeritrina Somente após a análise por PMF utilizando o banco de ESTs e após a obtenção de seqüências parciais foi possível identificar os spots 3, 4 e 5 como miohemeritrinas. A seqüência da miohemeritrina de H. depressa (cluster 312) apresentou 71% de similaridade com a miohemeritrina de T. tessulatum, a qual já foi descrita como uma proteína abundante de 14 kDa e com pI estimado de 4.95 (Q0GYZ9) (Coutte et al., 2001). As miohemeritrinas de H. depressa foram localizadas no gel bidimensional com massa molecular total correspondente à miohemeritrina de T. tessulatum. Porém, como apresentam pIs distintos, mostram que as seqüências primárias também são distintas. Deste modo, não foi possível avaliar a correlação de valores de massa por PMF através do MASCOT para esta proteína. A interpretação de alguns resíduos das seqüências obtidas por ESI-QTOF MS foram confirmadas, baseando-se nas seqüências traduzidas de ESTs, esclarecendo-se que: a) íon 977.56 – houve substituição dos resíduos YV por FD; b) íon 1010.63 – identificou-se o posicionamento do dipeptídeo DW; c) íon 1243.74 – ocorreu a substituição de VA por GL; d) íon 2321.15 – identificou-se o posicionamento do dipeptídeo LH; ocorreram as substituição de YL por FE e de W por SV. A análise do spot 3 por PMF no banco de EST mostrou que de 134 resíduos totais do cluster 312, 102 resíduos foram identificados por espectrometria de massa, correspondendo à 76% da seqüência traduzida completa (Figura 20), considerando-se ainda que este cluster apresentou a região do peptídeo sinal, o qual não é expresso na proteína madura. Concluiuse então que o spot 3 e o cluster 312 correspondem à mesma proteína. Ressalta-se que a digestão tríptica destas proteínas com pI de caráter neutro, apresentou uma protonação favorável e conseqüentemente, o sequenciamento 108 por espectrometria de massa foi eficiente. Destaca-se também a obtenção da seqüência de um fragmento contendo 20 resíduos de aminoácidos (íon 2321.1). Uma análise detalhada pôde ser feita considerando-se apenas o spot 3, que foi o único spot seqüenciado até este momento, no presente trabalho, para esta família de proteínas. Uma análise comparativa mostrou que o spot 3 diferenciou-se dos spots 4 e 5, sendo evidenciado pelos pIs distintos e pelo perfil espectrométrico através de PMF (Figuras 21, 22 e 23). A diferenciação das seqüências primárias entre estes spots deve basear-se nos íons moleculares exclusivos de cada spot. A migração dispersa (forma de cauda) visualizada nos spots 4 e 5 sugere alguma similaridade entre eles que os distingue do spot 3. O spot 3 não apresentou o íon 1534.4, o qual estava presente nas análises dos spots 4 e 5, o que poderia sugerir uma modificação póstraducional. A adição de fosfato ao íon 1455.5 implicaria em um incremento de massa de 80 Da, obtendo-se o íon 1535.4. Provavelmente a variação de 1 Da poderia ser por ajustes de calibração do instrumento. O programa NetPhos, disponível no site do Swiss Prot, propiciou a predição de fosforilação, podendose sugerir que a adição de fosfato seja em um dos resíduos tirosina (Y) do íon 1455.5. Porém, maiores esclarecimentos de caracterização serão possíveis apenas após o sequenciamento de novo. No cluster de miohemeritrinas foram encontrados 12 clusters completos, com 17.6% de identidade e 13.9% de similaridade, pIs variando entre 5.0 à 7.9 e massa molecular de 10.9 à 13.9 kDa, confirmando que os spots visualizados nesta faixa ampla de pI (6.7 à 8.5) no gel bidimensional, onde estão incluídos os spots 3, 4 e 5, tratam-se de isoformas. Assim, os spots 3, 4 e 5 foram identificados como miohemeritrinas. Hemeritrinas são multímeros não-heme, envolvidas na transferência e armazenamento de oxigênio intracelular presente no sistema vascular e no fluido do celoma em invertebrados, como anelídeos. Miohemeritrinas são 109 análogas de hemeritrinas encontradas no tecido muscular, geralmente na forma de monômeros. O mesmo perfil bidimensional de spots analisados do complexo salivar foi observado no gel do extrato muscular de H. depressa; embora os spots do tecido muscular não tenham sido analisados, pode-se sugerir uma relação entre estas proteínas presentes em ambos extratos. Organismos que expressam múltiplas formas de hemeritrinas podem apresentar adaptações funcionais, pois estas proteínas transportadoras de oxigênio evoluíram quanto à estrutura e função (TERWILLIGER, 1998). Além da miohemeritrina, a ovohemeritrina, uma outra proteína da família das hemeritrinas, não glicosilada, foi descrita na sanguessuga Theromyzon tessulatum (BAERT et al., 1992). Foram descritas hemeritrinas em vermes Nereis diversicolor, as quais apresentaram propriedades antibacterianas, por seqüestrarem íons ferro (DELOFFRE et al., 2003). 5.3.3 Anidrase carbônica As seqüências obtidas por espectrometria de massa dos spots 6, 7, 8, 9 e 10 analisados correlacionaram-se com diferentes clusters, dados pela grande diversidade desta proteína, sendo que todos estes clusters foram classificados como anidrase carbônica. Deve-se considerar ainda que a identificação das seqüências traduzidas de ESTs apresentaram similaridade com anidrase carbônica de diversos organismos (Tabela 1). Existem diferentes tipos de anidrases carbônicas: citosólicas (I, II e III); ligadas às membranas (IV e II); mitocondrial (V); secreção salivar (VI). Anidrases carbônicas do tipo II são amplamente distribuídas nos tecidos epiteliais do sistema digestivo (Parkkila et al., 1994) e as anidrases do tipo VI são secretadas na saliva, sendo seu constituinte principal (KIVELÄ et al., 1999). 110 Anidrases carbônicas participam da manutenção do pH homeostático de diversos tecidos e fluidos biológicos, catalisando a seguinte reação reversível: CO2 + H2O ↔ HCO3- + H+ Considerando que a sanguessuga alimenta-se de sangue e necessite de enzimas que metabolizem o sangue e o mantenham fluido, pode-se sugerir que a manutenção do pH exerça um papel importante para o desempenho destas enzimas no mecanismo digestivo. Destaca-se que pela primeira vez está sendo descrita a presença de anidrases carbônicas no complexo salivar de sanguessugas através das técnicas de proteoma e de transcriptoma. Os spots analisados foram exclusivos do complexo salivar, indicando que sejam anidrases carbônicas do tipo VI, ou seja, secretados pela saliva; contudo, o tecido muscular esquelético de mamíferos apresentam estas proteínas (tipo III) (Cote, Ambrosio e Perreault, 1999). No estômago do hematófago Aedes aegypti foi descrita uma anidrase carbônica (tipo II), sendo possível a presença de isoformas (Corena et al., 2002). No entanto, não foram descritas anidrases carbônicas no sialoma de glândulas salivares de Aedes aegypti (VALENZUELA et al., 2002). 5.4 Lefaxin Os íons moleculares 1099 e 1586 foram comuns ao lefaxin purificado analisado via PMF e à miohemeritrina de T. tessulatum, analisada pela digestão teórica da seqüência completa, sugerindo uma correlação entre estas proteínas. Como previamente descrito, a região N-terminal do lefaxin apresenta uma similaridade de 68% com a miohemeritrina de Nereis diversicolor (Faria et al., 1999). A migração bidimensional do lefaxin purificado, apresentando massa molecular de cerca de 14 kDa, poderia ser outro indicativo de que o lefaxin seja classificado como uma proteína da família hemeritrina. O lefaxin foi descrito por Faria et al. (1999) como uma proteína de cerca de 30 kDa (SDS-PAGE), sendo 111 possível que esta proteína seja um dímero, o que poderia mostrar uma relação com as hemeritrinas, as quais são geralmente multímeros. Por outro lado, os íons moleculares 1311 e 1455, supostamente relacionados ao domínio hemeritrina, estavam ausentes no perfil espectrométrico do lefaxin. Mas pelo fato de não haver conservação de alguns resíduos na região do domínio, ainda não se pode desconsiderar que o lefaxin seja uma hemeritrina. O lefaxin, inibidor de FXa, também já descrito por apresentar, em sua porção N-terminal, similaridade de 44% com o prolixin S, um inibidor de FIXa, de Rhodnius prolixus (Faria et al., 1999). Deste modo, supondo que o lefaxin pertença à família hemeritrina, seu papel anticoagulante representaria uma adaptação funcional desta classe de proteínas. O lefaxin purificado apresentou alguns íons comuns aos spots 4 e 5 (miohemeritrinas): (M+ H)+ = 599, 713, 768, 850, 882 e 1534. Os spots 4 e 5 apresentaram modificações pós-traducionais, conforme discutido no item 5.3.2, porém o íon 1455, correspondente ao provável fragmento peptídico fosforilado, não foi detectado no lefaxin purificado. O perfil espectrométrico do lefaxin purificado parece sugerir a presença de açúcares (2 moléculas de HexNAc) no íon 1125.52, com o incremento de 406 Da, observando o íon 1534.55 (Figura 50), com um erro de cerca de 2Da. De fato, o lefaxin foi descrito como uma glicoproteína, sendo caracterizado através da reação de Schiff (FARIA et al., 1999). As hemeritrinas descritas até hoje não são glicosiladas e a provável seqüência do lefaxin possui sítio de glicosilação. As hemeritrinas são susceptíveis à fosforilação, portanto, pode-se sugerir que a funcionalidade destas proteínas deva estar relacionada com as modificações pós-traducionais. Deste modo, as análises sobre o lefaxin foram inconclusivas e maiores informações estruturais serão possíveis apenas após os sequenciamentos dos fragmentos diferenciais desta proteína. O lefaxin também não foi identificado 112 pela análise transcriptômica e continua sendo motivo de estudos em nosso grupo. 5.5 Hementerina Apenas a análise por PMF com o MASCOT não foi suficiente para a identificação da hementerina. A dificuldade de obtenção de seqüências da hementerina por espectrometria de massa deve-se provavelmente ao tamanho desta proteína. Após digestão tríptica, tentou-se a extração do spot do gel bidimensional com uma mistura de solventes orgânicos (ácido fórmico, acetonitrila, isopropanol e água) para aumentar a sensibilidade de detecção no espectrômetro (Ehring et al., 1997). Também foram feitas tentativas de análise à partir do extrato bruto e a partir de proteína purificada, tanto em solução como aplicada em gel bidimensional. Porém, seqüências de apenas dois fragmentos foram obtidas à partir da proteína em solução, ocorrendo ainda uma contaminação com fragmentos da autólise de tripsina, vistos no espectro apresentado na Figura 51. Observou-se que a hementerina também não foi identificada no banco de ESTs, portanto, a análise desta proteína requer o uso de outras técnicas, provavelmente, por bioquímica clássica. 5.6 Proteína com atividade biológica sobre gelatina Uma proteína com atividade gelatinolítica foi encontrada pela primeira vez em sanguessugas pelo grupo de Rigbi (1987). Esta proteína de Hirudo medicinalis foi identificada como colagenase originária de mamíferos, apresentando cerca de 50 kDa. Embora a gelatina seja um substrato para colagenases, a atividade proteolítica observada foi lenta, detectando-se uma banda suave em torno de 45 kDa no complexo salivar de H. depressa. A caracterização de colagenases deve ser através de métodos bioquímicos. Por 113 exemplo, hialuronidases são determinadas pela formação de ferrocianeto férrico (Rigbi et al., 1987). Metaloproteases que hidrolisam gelatina já foram descritas no carrapato Ixodes scapularis (FRANCISCHETTI et al., 2003). A presença de enzimas proteolíticas na saliva podem estar relacionadas com o aumento da permeabilidade tecidual, favorecendo a ingestão de sangue do hospedeiro. Em escorpiões Tityus bahiensis e Tityus serrulatus, foram encontradas serinoproteases que degradam gelatina, mostrando que estas enzimas também atuam sobre a permeabilidade vascular, facilitando a difusão das proteínas do veneno (ALMEIDA et al., 2002). 5.7 Proteínas antihemostáticas de sanguessugas do gênero Haementeria O estudo da evolução da hematofagia desenvolve-se a partir da identificação e caracterização de compostos bioativos. Os inibidores de coagulação sanguínea e os antiagregantes-plaquetários apresentam origens evolutivas comuns, conforme descrito para os carrapatos do gênero Ornithodoros (Mans; Louw; Neitz, 2002). E mais, as proteínas da glândula salivar do mosquito Anopheles stephans podem ser evolutivamente mais desenvolvidas quando comparadas às enzimas constitutivas, a fim de adaptarem-se a diferentes hospedeiros (VALENZUELA et al., 2003). Substâncias com propriedades anticoagulantes e antiagregantes- plaquetárias foram descritas em sanguessugas. Analisando as proteínas encontradas nas espécies H. depressa, H. ghilianii e H. officinalis, foram encontradas proteínas com seqüências similares e funções comuns, sugerindo um ancestral comum. As proteínas antihemostáticas isoladas e caracterizadas encontradas nas espécies H. ghilianii e H. officinalis estão apresentadas na Tabela 5 , bem como seus valores de pI e massa molecular: 114 Tabela 5 - Proteínas antihemostáticas das sanguessugas H. ghilianii e H. officinalis. Proteína/peptídeo Função Acesso on-line pI* Massa molecular* (kDa) Ghilanteína Inibidor FXa P16242 8.49 13.3 Hementina** fibrinolítico A61007 n. d. 82.0 Tridegin Inibidor FXIII 5.79 7.6 Haementeria ghilianii Haementeria officinalis Antistasina Inibidor FXa P15358 8.74 15.2 LAPP Antiagr. plaq. Q01747 4.06 15.9 * pI (ponto isoelétrico) e massa molecular correspondem a valores estimados, consultados no banco de dados SWISS-PROT. ** Hementina: seqüência depositada em banco de patente, pI não determinado (n. d.). Os anticoagulantes lefaxin (H. depressa), ghilanteína (H. ghilianii) e antistasina (H. officinalis) são inibidores do FXa. A ghilanteína e a antistasina são proteínas ricas em cisteína, apresentando arginina34-valina35 como resíduos reativos para inibição do fator X (Blankenship et al., 1990; Dunwiddie et al., 1989). Ainda que a ghilanteína seja mais potente do que a antistasina (Blankenship et al., 1990; Condra et al., 1989), o antisoro capaz de neutralizar a antistasina reage com a ghilanteína (Condra et al., 1989). Não foi possível estabelecer uma relação do lefaxin com estas proteínas, pois a seqüência/estrututa do lefaxin ainda não está completamente definida, mas foi encontrado um inibidor da família antistasina no banco de ESTs (Faria, 2004). Por outro lado, inibidores de trombina também não foram encontrados neste gênero de sanguessugas. Conforme discutido anteriormente, foram encontradas isoformas do antiagregante plaquetário no complexo salivar da sanguessuga H. depressa, havendo similaridade ao LAPP, descrito em H. officinalis. A configuração 115 estrutural dos clusters 318 e 545 são semelhantes a do LAPP (Huizinga et al., 2001), o que sugere que o mecanismo de ação possam ser equivalentes. O LAPP inibe a ligação do fator de von Willebrand ao colágeno (Conolly; Jacobs; Condra, 1992; Depraetere; Kerekes; Deckmyn, 1999), sendo um inibidor da agregação plaquetária. Na sanguessuga H. ghilianii, a hementina parece ter um papel como antiagregante plaquetário por clivar o fibrinogênio, responsável pela ligação cruzada entre as plaquetas (Sawyer et al., 1991; Swadesh; Huang; Budzynski, 1990). A hementina é um fibrinogenolítico por promover a clivagem das cadeias α, β e γ do fibrinogênio, nesta ordem (Budzynski, 1991). A única fibrinogenase descrita até o presente momento que hidrolisa, preferencialmente, as cadeias α e γ do fibrinogênio é a hementerina de H. depressa (Chudzinski-Tavassi et al., 1998). Este fato é curioso porque a formação de fibrina “cross-linked” dá-se pela ação do FXIII, exatamente nas cadeias α e γ dos monômeros de fibrina; se estas cadeias estiverem degradadas a fibrina pode ser facilmente solubilizada. Ainda foi encontrado em H. ghilianii um inibidor de FXIIIa, denominado tridegin; o qual também foi encontrado no banco de ESTs de H. depressa, e não identificado pelo proteoma. Na espécie H. officinalis ainda não foram descritos fibrinogenolíticos. Sendo que o LAP (leech antihemostatic protein) é considerado um fator antihemostático para sanguessugas, e sendo a antistasina o representante do gênero Haementeria, seria esperado encontrar-se proteínas com regiões ricas em cisteína na H. depressa (Tabela 1: clusters 7, 296 e 412 – inibidores da família antistasina). Deste modo, os constituintes da glândula salivar das sanguessugas Haementeria asseguram a fluidez do sangue por meio da combinação de componentes, como inibidor de FXa, antiagregante-plaquetário e fibrinogenolítico. A ocorrência de proteínas diferentes pode significar adaptação das próprias proteínas deste gênero de sanguessugas aos diferentes hospedeiros. 116 5.8 Contribuições da análise proteômica para este trabalho O estudo proteômico do complexo salivar da sanguessuga Haementeria depressa, através da eletroforese bidimensional, possibilitou o isolamento dos spots e também permitiu estabelecer a diferenciação protéica entre constituintes da saliva e do tecido muscular; determinar a abundância das proteínas nestes tecidos; predizer possíveis presenças de modificações póstraducionais. Ainda, a seleção de spots referentes à saliva possibilitaram a detecção de potenciais proteínas com função antihemostática através da análise por PMF. Foram obtidas informações de estrutura primária dos fragmentos peptídicos provenientes dos spots através da espectrometria de massa. Frente ao grande número de constituintes detectados no gel bidimensional, os resultados alcançados foram relativos às proteínas mais abundantes presentes na amostra e estes foram analisadas tanto pelo proteoma como pelo transcriptoma. Deve-se considerar ainda que cerca de 11% das proteínas deduzidas do banco de ESTs não encontraram correlação com proteínas que tenham função conhecida, e portanto, são hipotéticas. Embora as técnicas que envolvam análises proteômica e transcriptômica sejam potentes, ambas não foram capazes de identificar todas as proteínas que compõem o complexo salivar de Haementeria depressa, até o momento; mostrando que o uso de metodologias bioquímicas convencionais podem fornecer resultados adicionais para a elucidação dos constituintes da saliva. 117 6 CONCLUSÕES " Este trabalho foi pioneiro na análise proteômica, envolvendo eletroforese bidimensional e espectrometria de massa, no Instituto Butantan (São Paulo). " Através de uma abordagem proteômica, identificaram-se os constituintes do complexo salivar da sanguessuga Haementeria depressa. O mapeamento bidimensional do complexo salivar e do tecido muscular desta sanguessuga mostraram um total de 352 e 183 spots totais, respectivamente, quando corados por nitrato de prata, sendo 249 exclusivos da saliva. As proteínas de ambos tecidos apresentaram pI entre 3.5 a 9.5 e massa molecular entre 10 e 105 kDa. " O gel bidimensional preparativo do complexo salivar, corado por Coomassie Blue, apresentou 219 spots, mostrando 25 spots como os mais abundantes e estes puderam ser detectados e analisados por espectrometria de massa. " As análises foram feitas à partir de complexos salivares removidos de sanguessugas alimentadas de 2 a 3 meses anteriormente à dissecação, supondo que nestas condições as glândulas salivares estariam aptas a secretar proteínas que facilitem o metabolismo do sangue. As proteínas mais abundantes nestas condições foram identificadas, o que poderia determinar seus papéis na alimentação, e portanto, no processo de coagulação do sangue usado no processo alimentar. Identificou-se um possível antiagregante plaquetário, que evitaria a formação de trombos plaquetários. Outra proteína identificada foi a miohemeritrina, que além de seu papel no transporte de oxigênio, poderia ter um papel anticoagulante, por apresentar similaridade com o lefaxin e com a prolixin S. Também identificou-se a anidrase carbônica, capaz 118 de neutralizar as condições ácidas promovidas pela ingestão do alimento (sangue) no sistema digestivo. " Ainda foram identificadas, através de zimografia, uma protease gelatinolítica (cerca de 45 kDa), uma provável colagenase; e a hementerina (80 kDa) presente no extrato bruto, responsável pela única área de lise em fibrinaagarose. " A hementerina e o lefaxin purificados foram analisados por espectrometria de massa. As seqüências TGYGQPLTSN e FGQSNLLS obtidas à partir da digestão tríptica da hementerina purificada não encontraram similaridade significativa com proteínas disponíveis em banco de dados, podendo-se sugerir que correspondam a fragmentos desta proteína. Já o lefaxin purificado apresentou um perfil espectrométrico de íons comuns à miohemeritrina de T. tessulatum, ao cluster 312 (similar à miohemeritrina de T. tessulatum). Porém ambas proteínas não foram completamente identificadas através do proteoma, e também não foram encontradas no banco de ESTs, mostrando que o uso de outras técnicas serão necessárias para suas caracterizações. " A análise por PMF identificou proteínas, exclusivas da saliva, com potencial atividade antihemostática. " A análise por PMF feita no MALDI-TOF MS mostrou-se rápida, porém as interpretações dos resultados foram mais difíceis, por tratar-se de organismo que não apresenta genoma completamente elucidado. " A grande limitação da identificação das proteínas, neste trabalho, foi a obtenção de seqüências por ESI-Q-TOF MS, a partir de pequena quantidade de 119 proteína, ainda que os géis tenham sido corados por Coomassie e os spots idênticos acumulados para esta análise. " As seqüências obtidas por sequenciamento de novo através de ESI-QTOF MS foram identificadas e/ou confirmadas pelas seqüências de proteínas deduzidas de ESTs do complexo salivar da sanguessuga, uma vez que o espectrômetro não distingue valores de massa próximos (resíduos isobáricos) ou iguais. As seqüências genômicas de um organismo são as bases para as análises protéicas. Deste modo, as proteínas foram identificadas pela complementariedade de resultados obtidos através de análises proteômicas e transcriptômicas, e contribuíram para a elucidação parcial da composição deste extrato salivar. Ambas as técnicas são poderosas mas apresentam suas limitações, mostrando a necessidade de técnicas adicionais, pelo menos, para a identificação do lefaxin e de hementerina, presentes neste complexo salivar. " As proteínas identificadas por eletroforese bidimensional e espectrometria de massa correspondem a formas expressas dos transcritos traduzidos do genoma obtidos por transcriptoma. Uma vantagem do estudo de proteínas é a possibilidade de avaliar modificações pós-traducionais, o que não é possível em seqüências de DNA. " A perspectiva de análise de proteínas pouco abundantes é grande, pois os espectrômetros disponíveis são sensíveis e novos aprimoramentos no preparo da amostra serão capazes de detectar estes sinais. " Os resultados obtidos neste trabalho deverão marcar o primeiro estudo proteômico e transcriptômico para glândulas salivares de sanguessugas na literatura, e abrem perspectivas para a continuidade de análises de outros spots que compõem o complexo salivar de H. depressa, cujas proteínas podem apresentar papéis importantes em diferentes sistemas homeostáticos. 120 REFERÊNCIAS* AEBERSOLD, R.; MANN, M. Mass spectrometry-based proteomics. Nature, v. 422, p. 198-207, 2003. AEBERSOLD, R.; LEAVITT, J. Sequence analysis of proteins separated by polyacrylamide gel electrophoresis: towards an integrated protein database. 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Analisador quadrupolo: filtro de m/z onde a combinação de voltagens de corrente direta e radiofreqüência são aplicadas sobre quatro cilindros metálicos, de tal maneira que permita a transmissão apenas de íons com massa/carga selecionadas. Analisador TOF: analisador de m/z que fornece a medida de m/z pela determinação do tempo de vôo de íons apresentando a mesma energia cinética por uma distância fixa. Os íons são formados no mesmo local e ao mesmo tempo, e recebem a mesma energia através da voltagem de aceleração quando eles passam para o tubo de separação. Os íons com valores menores de m/z apresentam maior velocidade e os íons com valores maiores de m/z apresentam menor velocidade. A determinação do tempo de chegada dos íons até atingirem o detector é o meio de diferenciar suas massas. Dissociação induzida por colisão: em uma colisão entre íons e espécies neutras, a energia translacional do íon é convertida em energia interna. Esta energia interna causa a dissociação do íon em íons de fragmentos menores e também pode provocar mudanças na carga dos íons. Dissociações induzidas por colisões são comuns em experimentos MS/MS. Energia de ionização: energia mínima necessária para remover um elétron de um átomo ou molécula para produzir um íon positivo. 1 Busch K. L. www.spectroscopyonline.com 133 Espectrômetro tempo de vôo com reflectron: reflectron é um instrumento incorporado ao tubo de vôo que opera como um espelho eletrostático. Íons com energias cinéticas distintas provenientes da fonte de ionização, atravessam a primeira porção do tubo de vôo e então atingem o reflectron. O resultado é que todos os íons refletidos são focados no detector, fornecendo maior resolução de m/z. Ionização por dessorção: termo geral usado para diversos métodos [por exemplo: MALDI, FAB (Fast atom bombardment), dessorção por plasma] onde os íons são gerados diretamente da amostra através de uma rápida absorção de energia gerando íons em estado gasoso. Ionização por electrospray: uma solução contendo as moléculas a serem analisadas é injetada através de um tubo capilar metálico sob um alto potencial. A solução é dispersa e mantida em uma câmara sob pressão atmosférica. Uma diferença de potencial forma gotículas carregadas, que progressivamente diminuem de tamanho com a evaporação do solvente. A carga é mantida na superfície das gotículas. Íon molecular: é formado pela remoção (íons positivos) ou adição (íons negativos) de um ou mais elétrons de uma molécula M para formar M+ ou M-. A massa do íon molecular corresponde à massa monoisotópica da molécula, com a massa do elétron adicionada ou subtraída. Ion monoisotópico: massa de um íon dada pela fórmula empírica usando a massa exata do isótopo mais abundante de cada elemento. Ion precursor: íon que dissocia-se em fragmentos pequenos, usualmente através de dissociação induzida por colisão em um experimento MS/MS. 134 Limite de detecção: quantidade de amostra necessária para um sinal ser distinguido do ruído. MALDI (Ionização por dessorção de laser assistida por matriz): No MALDI, as moléculas da amostra são misturadas com matriz sólida em excesso, a qual é capaz de absorver energia do laser. A mistura é co-cristalizada em um filme fino sobre um suporte metálico. A irradiação repetitiva neste filme com pulsos de laser, libera os íons da superfície, os quais são acelerados para o analisador TOF. Massa/carga (m/z): relação da massa de um íon sobre o número de cargas carregadas por este íon; onde m é a massa iônica relativa e z é o múltiplo do total de cargas do íon. Massa exata: a massa exata de um íon de composição isotópica específica é calculada pela somatória das massas exatas dos átomos constituintes. Molécula protonada: uma molécula protonada é um íon formado pela adição de um próton à molécula neutra M, sendo (M + H)+. A transferência de um próton de uma molécula para outra em fase gasosa é uma reação ácido/básica onde as afinidades relativas por prótons da espécie reativa determina a energética da reação. Precisão: para medida experimental de uma massa exata, o percentual da precisão é determinado por (massa real – massa observada)/massa real x 100%, opcionalmente pode ser expresso em partes por milhão (ppm). Resolução: é definida em diferentes maneiras relativas dadas comumente pela fórmula m/Δm, onde m é a massa do íon onde a resolução é especificada. Para dois picos simétricos e adjacentes com alturas iguais no espectro, os 135 parâmetros instrumentais (físicos ou elétricos) são ajustados para que os picos de massas m e (m-Δm) sejam separados por um vale, em 50% da altura dos picos. Assim, a resolução é baseada em Δm. A resolução é normalmente expressa em comprimento completo do pico em sua altura média (fwhm). Sensibilidade: é a resposta do sistema medida pela quantia de amostra disponível no sistema. As unidades são dadas em termos de Coulombs por micrograma. Também pode ser especificada pela troca de pressão parcial d amostra na fonte de ionização. Tandem MS: o instrumento MS/MS consiste de 2 analisadores operados independentemente unidos por uma região de reação onde o íon é induzido à reação. A indução ocorre geralmente por colisão, onde um íon de maior m/z dissocia-se em íons produtos menores. Voltagem de aceleração: voltagem aplicada à fonte para mover os íons formados nesta fonte em direção ao analisador. Em espectrômetros com quadrupolo, a voltagem de aceleração pode ser de algumas dezenas de volts, enquanto em espectrômetros com TOF, chegam a ser aplicados centenas de volts. 136 ANEXO Ferramentas bioinformáticas 137 FERRAMENTAS BIONFORMÁTICAS Diversas ferramentas de análises e predições foram consultadas para auxiliar a interpretação dos resultados. Estando sumarizadas adiante: " Identificação e caracterização de proteínas: site: www.expasy.ch Swiss Prot é um banco de dados de proteínas integrado a outros bancos de dados biomoleculares. Contém informações para identificações estruturais e funcionais através de diversos utilitários. Como exemplo, o utilitário TagIdent identifica proteínas pelo ponto isoelétrico e massa molecular. Prosite é um banco de dados sobre famílias de proteínas e domínios, sendo a identificação feita através de seqüências padrões. " Análise por PMF www.matrixscience.com O programa MASCOT identifica proteínas à partir de valores de massa de proteínas digeridas por enzimas específicas. " Análises espectrométricas www.prospector.ucsf.edu ProteinProspector apresenta dados de seqüências aliados a experimentos de espectrometria de massa. Como utilitários: MS-Product, que é capaz de prever os íons formados sob a fragmentação induzida a partir de determinada seqüência; MS-Digest, que simula a digestão tríptica de uma seqüência protéica. 138 " Tradução de seqüências As seqüências de oligonucleotídeos geradas da biblioteca de cDNA foram traduzidas para seqüências de proteínas com o auxílio do programa Bioedit®. " Análises de similaridades de sequências www.ncbi.nlm.nih.gov/BLAST www.dove.embl-heidelberg.de/Blast2/msblast.html As seqüências obtidas também foram comparadas com dados destes bancos. " Alinhamento de seqüências As seqüências obtidas foram alinhadas com o auxílio do programa Clustal W. " Predições de modificações pós-traducionais www.expasy.ch O utilitário GlycoMod permite a predição de glicosilações; o utilitário NetPhos, por outro lado, permite a predição de fosforilações. " Informações atualizadas / jornais / links sobre espectrometria de massa www.i-mass.com