1 Anos Finais do Ensino Fundamental Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA Governador de Pernambuco Eduardo Campos Vice-governador João Lyra Neto Secretário de Educação Ricardo Dantas Secretária Executiva de Gestão da Rede Cecília Patriota Secretária executiva de Desenvolvimento da Educação Ana Selva Secretário Executivo de Educação Profissional Paulo Dutra Secretário Executivo de Planejamento e Gestão Fernando Farias Gerência de Políticas Educacionais de Educação Infantil e Ensino Fundamental Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Shirley Malta 2 Chefe da Unidade de Ensino Fundamental Anos Finais Rosinete Feitosa Especialistas em Língua Portuguesa Anos Finais do Ensino Fundamental Salmo Pontes Maria da Conceição Albuquerque Endereço: Avenida Afonso Olindense, 1513 Várzea | Recife-PE, CEP 50.810-000 Fone: (81) 3183-8200 | Ouvidoria: 0800-2868668 www.educacao.pe.gov.br Uma produção da Superintendência de Comunicação da Secretaria de Educação Caro Professor(a) A Secretaria Estadual de Educação, em 2013, inicia um trabalho direcionado ao fortalecimento das aprendizagens dos estudantes, sendo organizado em horário diverso ao seu turno regular, nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática. Este Caderno é um material elaborado especialmente para subsidiar o professor nesse trabalho pedagógico, que traz sugestões de atividades relacionadas aos conteúdos e descritores que os estudantes vêm apresentando maiores dificuldades de aprendizagem, conforme os resultados de diferentes avaliações que vem sendo realizadas, tanto na escola, como externas. Ana Selva Secretaria Executiva de Desenvolvimento da Educação Anos Finais do Ensino Fundamental Esperamos que este Caderno auxilie a elaboração da proposta pedagógica a ser desenvolvida. Bom trabalho! Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA Foi elaborado pela equipe pedagógica da Gerência de Políticas Educacionais do Ensino Fundamental buscando situações de aprendizagem contextualizadas e pertinentes à faixa etária a que se destinam. Lembramos que é fundamental que o professor realize um diagnóstico das aprendizagens dos seus estudantes para efetuar seu planejamento e que deve atentar para a articulação das atividades desenvolvidas com o currículo proposto, utilizando situações problematizadoras no processo de ensino e de aprendizagem. 3 4 Ação de Fortalecimento da Aprendizagem UM PRIMEIRO OLHAR NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS À LUZ DOS PARÂMETROS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA DO ESTADO DE PERNAMBUCO Os Parâmetros Curriculares de Língua Fundamental para o Ensino Fundamental e Médio, documento curricular oficial construído para orientar o processo de ensino e aprendizagem e as práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas de educação básica do Estado de Pernambuco, estabeleceram o mínimo que se espera que o estudante aprenda a cada ano de escolarização definido através de “expectativas de aprendizagem”. De acordo com os Parâmetros Curriculares de Pernambuco “as expectativas de aprendizagem explicitam aquele mínimo que o estudante deve aprender para desenvolver as competências básicas na disciplina” (PCLPPE, 2012). Dependendo das condições de cada sala de aula essas expectativas podem ser ampliadas e ou aprofundadas. A articulação entre o Currículo de Língua Portuguesa e as Políticas Educacionais desenvolvidas no âmbito das escolas públicas apresenta-se como uma ferramenta fundamental na construção de novos espaços e tempos pedagógicos que possibilitem à escola cumprir com o seu papel na formação dos estudantes da Educação Básica. As expectativas de aprendizagem apresentadas no Currículo de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental foram estabelecidas considerando-se a necessidade de sua articulação com os sistemas de avaliação educacional em larga escala – SAEB, SAEPE, ENEM, PISA, entre outros. A leitura e análise do Currículo de Língua Portuguesa possibilitam a percepção da relação direta existente entre os descritores constantes nas matrizes das avaliações externas e as expectativas de aprendizagem definidas para um ou mais anos do Ensino Fundamental. À luz dos Parâmetros para Educação Básica, e do Currículo de Língua Portuguesa do Estado de Pernambuco, possibilidades de intervenções pedagógicas são apresentadas para auxiliar as ações desenvolvidas nas escolas, em especial àquelas que objetivam contribuir para a superação das dificuldades da aprendizagem constatadas, tanto nas avaliações do sistema educacional, avaliações externas, quanto nas avaliações do processo de ensino e aprendizagem do cotidiano escolar, avaliações internas. As intervenções pedagógicas construídas para auxiliar os estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem em um ou mais eixos do Currículo de Língua Portuguesa devem ser elaboradas tendo como referencial a expectativa de aprendizagem que se deseja consolidar sem, no entanto, isolar os conteúdos linguísticos e gramaticais. Nessa perspectiva devem promover a maior articulação possível entre os eixos do conhecimento linguístico estabelecidos no currículo, que apresenta de acordo com os eixos presentes nos Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa para a Educação Básica de Pernambuco: Análise Linguística, Oralidade, Leitura, Letramento Literário e Escrita. A cada um desses eixos relacionamse as expectativas de aprendizagem descritas nos Parâmetros Curriculares com os seus respectivos conteúdos. Facilitando assim o trabalho alinhado das atividades propostas nos parâmetros com as atividades desenvolvidas em sala de aula. A relação direta existente entre as expectativas de aprendizagem estabelecidas no Currículo de Língua Portuguesa do Estado de Pernambuco e os Descritores das Matrizes de Avaliação do SAEB e SAEPE possibilitam aos estudantes que consolidam as expectativas definidas para cada ano de escolaridade no Ensino Fundamental a construção das habilidades e competências previstas nos descritores avaliados e consequentemente o sucesso nas avaliações internas e externas. Assim sendo, o foco do trabalho pedagógico deverá ser a consolidação das expectativas de aprendizagem Anos Finais do Ensino Fundamental O desenvolvimento de habilidades e competências compatíveis com o nível de escolaridade, obtidos na idade certa e com qualidade social é meta traçada e almejada por todos os sistemas de ensino público em nosso país. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA INTRODUÇÃO 5 definidas no currículo para os Anos Finais do Ensino Fundamental. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem A leitura analítica do documento correspondente ao Currículo de Língua Portuguesa para os anos Finais do Ensino Fundamental e dos Descritores definidos nas Matrizes de Avaliação externa possibilita ao professor estabelecer a relação existente entre as expectativas de aprendizagem e os descritores utilizados para avaliação do sistema educacional. Essa leitura permite a observação de que conteúdos definidos para uma determinada unidade didática são revisitados em outras unidades e em outros anos possibilitando a ampliação e consolidação de conceitos, relações e procedimentos, a medida que as expectativas de aprendizagem estabelecidas vão sendo aprofundadas. 6 Na elaboração das estratégias é importante que o professor tenha clareza, além das competências específicas, das competências gerais que o ensino da Língua Portuguesa deve promover atividades para cumprir o seu papel na formação integral do ser humano. É de extrema importância o conhecimento e a análise crítica da realidade, da experiência, a interpretação dos fatos, a identificação das situações–problema, a apreciação da dimensão estética dos bens culturais. A exigência de observar, de sentir, de questionar, de levantar hipóteses, de procurar explicações, de criticar, de avaliar, de sistematizar, de generalizar, de prever, de sugerir, de criar etc. será fundamental para que se possa definir a prioridade das competências. Conforme o resultado de algumas avaliações institucionais, muitos dados têm apontado para a urgência atual de se fortalecer, na escola, competências para: a análise, a reflexão, a crítica e a auto-critica, a argumentação consistente, o discernimento fundamentado, a apreciação dos valores éticos, afetivos e estéticos, a compreensão e a expressão dos sentidos culturais, científicos e tecnológicos em circulação nos grupos sociais. Essas competências vão se refletir na definição de identidades, individuais e sociais, na participação solidária e nos ideais de desenvolvimento coletivo e de justiça social. Nessa perspectiva, é esperado que as competências em análise, leitura e produção das múltiplas linguagens sejam as competências prioritárias das atividades realizadas na escola. Vale ressaltar que essas competências são extremamente significativas para todas as áreas do saber, uma vez que análise, a produção e a circulação do conhecimento são processos que passam, necessariamente, pelo uso das linguagens. (BCC - PE, 2008). Ao escolher as estratégias e materiais de ensino o professor deve observar sua pertinência para as aprendizagens que objetiva construir buscando, como dito anteriormente, articular os eixos do conhecimento entre si e do conhecimento com outras áreas do saber. Cabe à escola, no processo de coordenação das políticas desenvolvidas em seu interior, promover espaços de articulação entre os professores de Língua Portuguesa e os professores responsáveis pelas atividades complementares para que o planejamento dessas atividades contemplem os eixos do currículo a partir das expectativas de aprendizagem que apresentam maior fragilidade observando-se os resultados do SAEPE, SAEB e os resultados das avaliações internas que estão sendo sistematizados através das fichas de monitoramento pedagógico dos conteúdos de Língua Portuguesa. As situações propostas pelo professor, nas “atividades complementares” devem considerar que “na elaboração de estratégias e na resolução de problemas os estudantes estabelecem processos cognitivos importantes não desenvolvidos por meio de um ensino baseado na memorização sem compreensão” e que a utilização de atividades lúdicas e de materiais concretos são ações necessárias para tornar a aula atrativa e motivar a participação dos estudantes. Considerando-se que a motivação dos estudantes é uma importante ferramenta no processo de construção das aprendizagens, o professor deve buscar, nas atividades complementares, estratégias e materiais de ensino diferenciados. Nessa perspectiva as questões do banco de dados do ENEM e as atividades propostas pela Olimpíada da Língua Portuguesa – OLP, de acesso público, podem, ao serem utilizadas como ferramentas de apoio nas atividades propostas, contribuir significativamente para a familiarização dos estudantes com itens de avaliação externa, uma vez que o banco de dados do SAEPE e SAEB não é de livre Aliado às estratégias que possibilitem a aprendizagem de forma lúdica, faz-se necessário a oferta de um período para discussão das atividades que apresentam dificuldades por parte dos estudantes e que foram propostas durante as aulas do período regular. O tempo destinado ao estudo dessas atividades pode ser otimizado pelo professor a partir de estratégias que promovam uma maior interação entre os estudantes que se encontram em diferentes estágios na construção do conhecimento na perspectiva da utilização do conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, de Vigotsky. Segundo Vigotsky há um determinado estágio no desenvolvimento, denominado por ele de nível de desenvolvimento proximal, no qual o indivíduo que ainda não conseguem realizar uma determinada atividade sozinho pode fazê-la com a ajuda de uma adulto ou de companheiros mais capazes. A zona de desenvolvimento proximal corresponde à distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela resolução independente de problemas e o nível potencial determinado através da solução de problemas a partir da interação com o outro (Oliveira, 1993). Assim a organização de grupos que promovam, em primeiro plano, a interação dos estudantes, auxiliada pela mediação de- Anos Finais do Ensino Fundamental Os Cadernos de Atividades do GESTAR II e do Aprender Mais correspondem à outra importante fonte de pesquisa para auxiliar o professor no planejamento das atividades complementares. Esses cadernos apresentam atividades e problemas relacionados a diversos eixos do conhecimento da Língua Portuguesa, que podem ser utilizados da forma como são apresentados ou reelaborados pelo professor para atendimento de seus objetivos e estratégias de ensino. O planejamento dos comandos para a execução das atividades, a reelaboração de problemas e itens, a adequação de jogos, a leitura de informações jornalísticas possibilitam as discussões com o eixo, o conteúdo e as expectativas de aprendizagem que se pretende desenvolver. senvolvida pelo professor consolida-se como uma estratégia interessante para a promoção do estudo das atividades cujas dificuldades de aprendizagem foram apresentadas por parte dos estudantes. A seguir são apresentadas, algumas sugestões de atividades, jogos, desafios, problemas não convencionais e itens do ENEM e da OLP que podem ser utilizados nas intervenções dos professores, de acordo com estratégias previamente estabelecidas articuladas às expectativas de aprendizagem que se pretende consolidar. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA acesso, bem como estimular o aumento do interesse na participação destes estudantes na OLP e no ENEM. Cabe ressaltar que a utilização dessas questões requer do professor a leitura, análise e escolha prévias das questões e, quando necessário sua ampliação e/ou reelaboração para adequação as expectativas de aprendizagem que se deseja consolidar. 7 TÓPICO I PROCEDIMENTOS DE LEITURA Os textos nem sempre apresentam uma linguagem literal. Deve haver, então, a capacidade de reconhecer novos sentidos atribuídos às palavras dentro de uma produção textual. Além disso, para a compreensão do que é conotativo e simbólico é preciso identificar não apenas a ideia, mas também ler as entrelinhas, o que exige do leitor uma interação com o seu conhecimento de mundo. A tarefa do leitor competente é, portanto, apreender o sentido global do texto, utilizando recursos para a sua compreensão, de forma autônoma. É relevante ressaltar que, além de localizar informações explícitas, inferir informações implícitas e identificar o tema de um texto, nesse tópico, deve-se também distinguir os fatos apresentados da opinião formulada acerca desses fatos nos diversos gêneros de texto. Reconhecer essa diferença é essencial para que o aluno possa tornar-se mais crítico, de modo a ser capaz de distinguir o que é um fato, um acontecimento, da interpretação que é dada a esse fato pelo autor do texto. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem D1 – Localizar informações explícitas em um texto. 8 A habilidade que pode ser avaliada por este descritor, relaciona-se à localização pelo aluno de uma informação solicitada, que pode estar expressa literalmente no texto ou pode vir manifesta por meio de uma paráfrase, isto é, dizer de outra maneira o que se leu. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto-base que dá suporte ao item, no qual o aluno é orientado a localizar as informações solicitadas seguindo as pistas fornecidas pelo próprio texto. Para chegar à resposta correta, o aluno deve ser capaz de retomar o texto, localizando, dentre outras informações, aquela que foi solicitada. Por exemplo, os itens relacionados a esse descritor perguntam diretamente a localização da informação, complementando o que é pedido no enunciado ou relacionando o que é solicitado no enunciado, com a informação no texto. A LUTA E A LIÇÃO Carlos Heitor Cony Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no Tibete após escalar pela segunda vez o ponto culminante do planeta, o monte Everest. Da primeira, usou o reforço de um cilindro de oxigênio para suportar a altura. Na segunda (e última), dispensou o cilindro, devido ao seu estado geral, que era considerado ótimo. As façanhas dele me emocionaram, a bem sucedida e a malograda. Aqui do meu canto, temendo e tremendo toda a vez que viajo no bondinho do Pão de Açúcar, fico meditando sobre os motivos que levam alguns heróis a se superarem. Vitor já havia vencido o cume mais alto do mundo. Quis provar mais, fazendo a escalada sem a ajuda do oxigênio suplementar. O que leva um ser humano bem sucedido a vencer desafios assim? Ora, dirão os entendidos, é assim que caminha a humanidade. Se cada um repetisse meu exemplo, ficando solidamente instalado no chão, sem tentar a aventura, ainda estaríamos nas cavernas, lascando o fogo com pedras, comendo animais crus e puxando nossas mulheres pelos cabelos, como os trogloditas --se é que os trogloditas faziam isso. Somos o que somos hoje devido a heróis que trocam a vida pelo risco. Bem verdade que escalar montanhas, em si, não traz nada de prático ao resto da humanidade que prefere ficar na cômoda planície da segurança. Mas o que há de louvável (e lamentável) na aventura de Vítor Negrete é a aspiração de ir mais longe, de superar marcas, de ir mais alto, desafiando os riscos. Não sei até que ponto ele foi temerário ao recusar o oxigênio suplementar. Mas seu exemplo --e seu sacrifício- é uma lição de luta, mesmo sendo uma luta perdida. I – O gesto considerado pelo autor do texto como temerário foi: táteis. Todas mecânicas, com exceção desta última, que é elétrica. a) Escalar pela segunda vez o ponto culminante do planeta: o monte Everest. b) Não seguir o exemplo do autor e não correr riscos em aventuras sem nenhum efeito prático. c) Dispensar o oxigênio suplementar. d) Trocar a vida pelo risco. Pois agora aqui estou, pronto a me passar para algo mais sério, iniciar uma nova aventura amorosa. Sim, porque segundo me ensinou minha filha, que entende de ambos os assuntos, os computadores e as mulheres têm uma lógica que lhes é própria e que devemos respeitar. Pois vamos ver como esta computa - e nem o palavrão contido em seu nome sugere-me outra coisa senão que se trata de minha nova e casta namorada. Inferir significa realizar um raciocínio com base em informações já conhecidas, a fim de se chegar a informações novas, que não estejam explicitamente marcadas no texto. Com este descritor, pretende-se verificar se o leitor é capaz de inferir um significado para uma palavra ou expressão que ele desconhece. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual o aluno, ao inferir o sentido da palavra ou expressão, seleciona informações também presentes na superfície textual e estabelece relações entre essas informações e seus conhecimentos prévios. Por exemplo, dá-se uma expressão ou uma palavra do texto e pergunta-se que sentido ela adquire. MINHA NOVA NAMORADA Fernando Sabino Tenho a informar que arquivarei a partir de hoje, espero que para todo o sempre, esta máquina de escrever na qual venho juntando palavras como Deus é servido, desde que me entendo por gente. Não a mesma, evidentemente. Ao longo de todos estes anos, da velha Remington Rand no escritório de meu pai, passei pela Underwood, a Olympia, a Hermes Baby, a Hermes 3.000, a Smith Corona, a Olivetti, a IBM de bolinha, algumas de mesa, outras portáteis ou semi-por- Assim como para o homem tudo se ilumina na presença da mulher amada, para o escritor este invento é uma forma igualmente luminosa de realizar a sua paixão pela palavra escrita. Não é uma simples máquina de escrever, que funciona como intermediária entre o escritor e a escrita, às vezes se tornando um obstáculo para a criação literária. Ao contrário, o computador estabelece uma surpreendente intimidade com o texto do momento mesmo de sua elaboração. Permite emendas, acréscimos, supressões, transposições de frases e parágrafos com uma velocidade milagrosa. Deve ter alguém lá dentro comandando tudo, provavelmente uma mulher, uma japonesinha, na certa. Ela dá instruções, chama nossa atenção se esquecemos de ligar a impressora, conversa com a gente: “Operação incorreta. Tente de novo”. E quando dá certo: “Operação executada com êxito”. Só falta acrescentar: “Meus parabéns. Eu te amo!” Escrever, que durante tantos anos constituiu um tormento para mim, passará a ser um caso de amor. Nunca mais olharei sequer para a máquina de escrever. Serei radical: ou entregar-me a este conúbio com o computador, no suave embalo de suas teclas e no luzente sortilégio de suas letras, ou regredir à solidão do celibato, em companhia da austera e rascante pena de pato. Imagino só a felicidade de Tolstoi, se pudesse ter escrito todo a “Guerra e Paz” com a mesma facilidade com que passei a escrever esta crônica no computador. Pois então lá vai: Anos Finais do Ensino Fundamental Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade de o aluno relacionar informações, inferindo quanto ao sentido de uma palavra ou expressão no texto, ou seja, dando a determinadas palavras seu sentido conotativo. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA D3 – Inferir o sentido de uma palavra ou expressão. 9 O melhor de um computador está nisso: poder torocar uma palavra a vo tade, mudar de idéia sem mudar o papel Sem usar o papel. Uma das vantagens do computador é poder corrigir tuDO o fimmmm. Nã precisa de- caneta Máquina de escrever e canheta já eram. Num com puta dor o sonho de um escritor se realiza: o da perfeição absoluta de uma semntença, graças à facilidade em, mudar palavras, cortar, acrescentar. O sonho do escritor e de toda a humanidade O SONHO DA HUMANIDADE DE ATINGIR A PERFEIÇÃO Ação de Fortalecimento da Aprendizagem atingir a perfeição A perfeição que a humanidade sonha em atingir Sonha atingir Que o homem sonha alcançar conseguir realizar Muita gentye fica admirada ao percebner a facilidade com que Muita gente se admira com a facilidade 10 Muitos leitores se admirão com a aparente facilidade com que escreverei fraes quae perfeitas escrevo sentenças textos quase per-feitos depois que abandonei troquei a máquina de escrever esta sim uma engenhoca de tração animal por esta fabulosa invençção esta prodigiosa admirável estupenda assombrosa espanto- sa m,iraculosa, extraordinária maravilhosa até parece que os sinônimos fabulosa ocorrem com mais faci-lidade sem precisar consultar dicionários d sinônimos, Desde que é mais fácil revisar e editar um texto computado? Compu-torizado computadorizado do que escrito a mÁQUINA OU A MÂO torna muito extremamente difícil impossível parar de revisae editarosuficiente para resultar çuma frase legível quanto mais uma crônica sobre a nova namoraddaPOISStãa pois então vai assim meso!!!#@@@***boa x.sorte procês... Texto extraído do livro “No Fim dá Certo”, Editora Record, 1998 c) Manter uma relação com o computador mas sem desprezar a máquina de escrever. d) Celebrar a união com o computador e descartar completamente voltar a utilizar a máquina de escrever. D4 – Inferir uma informação implícita em um texto. As informações implícitas no texto são aquelas que não estão presentes claramente na base textual, mas podem ser construídas pelo leitor por meio da realização de inferências que as marcas do texto permitem. Alem das informações explicitamente enunciadas, há outras que podem ser pressupostas e, consequentemente, inferidas pelo leitor. Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade de o aluno reconhecer uma ideia implícita no texto, seja por meio da identificação de sentimentos que dominam as ações externas dos personagens, em um nível básico, seja com base na identificação do gênero textual e na transposição do que seja real para o imaginário. É importante que o aluno apreenda o texto como um todo, para dele retirar as informações solicitadas. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto, no qual o aluno deve buscar informações que vão além do que está explícito, mas que à medida que ele vá atribuindo sentido ao que está enunciado no texto, ele vá deduzindo o que lhe foi solicitado. Ao realizar esse movimento, são estabelecidas de relações entre o texto e o seu contexto pessoal. Por exemplo, solicita-se que o aluno identifique o sentido da ação dos personagens ou o que determinado fato desperte nos personagens, entre outras coisas. O IMPÉRIO DA VAIDADE I - No 5º parágrafo do texto, a expressão entregar-me a este conúbio com o computador significa: a) Aceitar resignadamente a ascensão do computador sobre a máquina de escrever. b) Considerar como traição a opção pelo computador. Você sabe por que a televisão, a publicidade, o cinema e os jornais defendem os músculos torneados, as vitaminas milagrosas, as modelos longilíneas e as academias de ginástica? Porque tudo isso dá dinheiro. Sabe por que ninguém fala do afeto e do respeito entre duas pessoas comuns, mesmo meio gordas, um pouco feias, que fazem piquenique na praia? Porque isso não dá dinheiro para os negociantes, mas dá prazer para os participantes. I - O autor pretende influenciar os leitores para que eles: O prazer é físico, independentemente do físico que se tenha: namorar, tomar milk-shake, sentir o sol na pele, carregar o filho no colo, andar descalço, ficar em casa sem fazer nada. Os melhores prazeres são de graça − a conversa com o amigo, o cheiro do jasmim, a rua vazia de madrugada −, e a humanidade sempre gostou de conviver com eles. Comer uma feijoada com os amigos, tomar uma caipirinha no sábado também é uma grande pedida. Ter um momento de prazer é compensar muitos momentos de desprazer. Relaxar, descansar, despreocupar-se, desligar-se da competição, da áspera luta pela vida − isso é prazer. a) Evitem todos os prazeres cuja obtenção depende de dinheiro. b) Excluam de sua vida todas as atividade incentivadas pela mídia. c) Fiquem mais em casa e voltem a fazer os programas de antigamente. d) Sejam mais críticos em relação ao incentivo do consumo pela mídia. Não vivemos a ditadura do corpo, mas seu contrário: um massacre da indústria e do comércio. Querem que sintamos culpa quando nossa silhueta fica um pouco mais gorda, não porque querem que sejamos mais saudáveis − mas porque, se não ficarmos angustiados, não faremos mais regimes, não compraremos mais produtos dietéticos, nem produtos de beleza, nem roupas e mais roupas. Precisam da nossa impotência, da nossa insegurança, da nossa angústia. O único valor coerente que essa cultura apresenta é o narcisismo. LEITE, Paulo Moreira. O império da vaidade. Veja, 23 ago. 1995. p. 79. A habilidade que pode ser avaliada por meio deste descritor refere-se a reconhecimento pelo aluno do assunto principal do texto, ou seja, à identificação do que trata o texto. Para que o aluno identifique o tema, é necessário que relacione as diferentes informações para construir o sentido global do texto. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto para o qual é solicitado, de forma direta, que o aluno identifique o tema ou o assunto principal do texto. EPITÁFIO Sérgio Britto Devia ter amado mais Ter chorado mais Ter visto o sol nascer Devia ter arriscado mais E até errado mais Ter feito o que eu queria fazer... Queria ter aceitado As pessoas como elas são Cada um sabe a alegria E a dor que traz no coração... [...] Anos Finais do Ensino Fundamental As filhas precisam ser Xuxas, as namoradas precisam ser modelos que desfilam em Paris, os homens não podem assumir sua idade. O tema é o eixo sobre o qual o texto se estrutura. A percepção do tema responde a uma questão essencial para a leitura: “O texto trata de quê?” Em muitos textos, o tema não vem explicitamente marcado, mas deve ser percebido pelo leitor quando identifica a função dos recursos utilizados, como o uso de figuras de linguagem, de exemplos, de uma determinada organização argumentativa, entre outros. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA Mas vivemos num mundo onde relaxar e desligar-se se tornou um problema. O prazer gratuito, espontâneo, está cada vez mais difícil. O que importa, o que vale, é o prazer que se compra e se exibe, o que não deixa de ser um aspecto da competição. Estamos submetidos a uma cultura atroz, que quer fazer-nos infelizes, ansiosos, neuróticos. D6 – Identificar o tema de um texto. 11 Devia ter complicado menos Trabalhado menos Ter visto o sol se pôr Devia ter me importado menos Com problemas pequenos Ter morrido de amor... [...] http://letras.terra.com.br/titas/48968/ I – O tema central da letra da música é a) a eternização do amor como solução para os problemas da vida. b) o arrependimento por não ter aproveitado mais as coisas da vida. c) a preocupação por não saber o que fazer nas diversas situações de vida. d) o sentimento de morte que perpassa todas as simples situações da vida. A PARANÓIA DO CORPO Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Em geral, a melhor maneira de resolver a insatisfação com o físico é cuidar da parte emocional. 12 Não é fácil parecer com Katie Holmes, a musa do seriado preferido dos teens, Dawson’s Creek ou com os galãs musculosos do seriado Malhação. Mas os jovens bem que tentam. Nunca se cuidou tanto do corpo nessa faixa etária como hoje. A Runner, uma grande rede de academias de ginástica, com 23000 alunos espalhados em nove unidades na cidade de São Paulo, viu o público adolescente crescer mais que o adulto nos últimos cinco anos. “Acho que a academia é para os jovens de hoje o que foi a discoteca para a geração dos anos 70”, acredita José Otávio Marfará, sócio de outra academia paulistana, a Reebok Sports Club. “É o lugar de confraternização, de diversão.” É saudável preocupar-se com o físico. Na adolescência, no entanto, essa preocupação costuma ser excessiva. É a chamada paranoia do corpo. Alguns exemplos. Nunca houve uma oferta tão grande de produtos de beleza destinados a adolescentes. Hoje em dia é possível resolver a maior parte dos problemas de estrias, celulite e espinhas com a ajuda da ciência. Por isso, a tentação de exagerar nos medicamentos é grande. “A garota tem a mania de recorrer aos remédios que os amigos estão usando, e muitas vezes eles não são indicados para seu tipo de pele”, diz a dermatologista Iara Yoshinaga, de São Paulo, que atende adolescentes em seu consultório. São cada vez mais frequentes os casos de meninas que procuram um cirurgião plástico em busca da solução de problemas que poderiam ser resolvidos facilmente com ginástica, cremes ou mesmo com o crescimento normal. Nunca houve também tantos casos de anorexia e bulimia. “Há dez anos essas doenças eram consideradas raríssimas. Hoje constituem quase um caso de saúde pública”, avalia o psiquiatra Táki Cordás, da Universidade de São Paulo. É claro que existem variedades de calvície, obesidade ou doenças de pele que realmente precisam de tratamento continuado. Na maioria das vezes, no entanto, a paranóia do corpo é apenas isso: paranóia. Para curá-la, a melhor maneira é tratar da mente. Nesse processo, a autoestima é fundamental. “É preciso fazer uma análise objetiva e descobrir seus pontos fortes. Todo mundo tem uma parte do corpo que acha mais bonita”, sugere a psicóloga paulista Ceres Alves de Araújo, especialista em crescimento. Um dia, o teen acorda e percebe que aqueles problemas físicos que pareciam insolúveis desapareceram como num passe de mágica. Em geral, não foi o corpo que mudou. Foi a cabeça. Quando começa a se aceitar e resolve as questões emocionais básicas, o adolescente dá o primeiro passo para se tornar um adulto. CASTRO, Letícia de. Veja Jovens. Setembro/2001, p. 56. II – A ideia CENTRAL do texto é: a) a preocupação do jovem com o físico. b) as doenças raras que atacam os jovens. c) os diversos produtos de beleza para jovens. d) o uso exagerado de remédios pelos jovens. Por meio deste descritor pode-se avaliar a habilidade de o aluno identificar, no texto, um fato relatado e diferenciá-lo do comentário que o autor, ou o narrador, ou o personagem fazem sobre esse fato. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto, no qual o aluno é solicitado a distinguir partes do texto que são referentes a um fato e partes que se referem a uma opinião relacionada ao fato apresentado, expressa pelo autor, narrador ou por algum outro personagem. Há itens que solicitam, por exemplo, que o aluno identifique um trecho que expresse um fato ou uma opinião, ou então, dá-se a expressão e pede-se que ele reconheça se é um fato ou uma opinião. A RAPOSA E AS UVAS Num dia quente de verão, a raposa passeava por um pomar. Com sede e calor, sua atenção foi capturada por um cacho de uvas. “Que delícia”, pensou a raposa, “era disso que eu precisava para adoçar a minha boca”. E, de um salto, a raposa tentou, sem sucesso, alcançar as uvas. Exausta e frustrada, a raposa afastou-se da videira, dizendo: “Aposto que estas uvas estão verdes.” Esta fábula ensina que algumas pessoas quando não conseguem o que querem, culpam as circunstâncias. (http://www1.uol.com.br/crianca/fabulas/noflash/raposa. htm) I – A frase que expressa uma opinião é: a) “a raposa passeava por um pomar.” (l. 1) b) “sua atenção foi capturada por um cacho de uvas.” (l. 2) NO MUNDO DOS SINAIS Sob o sol de fogo, os mandacarus se erguem, cheios de espinhos. Mulungus e aroeiras expõem seus galhos queimados e retorcidos, sem folhas, sem flores, sem frutos. Sinais de seca brava, terrível! Clareia o dia. O boiadeiro toca o berrante, chamando os companheiros e o gado. Toque de saída. Toque de estrada. Lá vão eles, deixando no estradão as marcas de sua passagem. TV Cultura, Jornal do Telecurso. II – A opinião do autor em relação ao fato comentado está em a) “os mandacarus se erguem” b) “aroeiras expõem seus galhos” c) “sinais de seca brava, terrível!!” d) “toque de saída. Toque de entrada”. Anos Finais do Ensino Fundamental O leitor deve ser capaz de perceber a diferença entre o que é fato narrado ou discutido e o que é opinião sobre ele. Essa diferença pode ser ou bem marcada no texto ou exigir do leitor que ele perceba essa diferença integrando informações de diversas partes do texto e/ou inferindo-as, o que tornaria a tarefa mais difícil. c) “a raposa afastou-se da videira” (l. 5) d) “aposto que estas uvas estão verdes” (l. 5-6) Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA D11 – Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato. 13 TÓPICO II IMPLICAÇÕES DO SUPORTE, DO GÊNERO E/OU DO ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO TEXTO Este tópico requer dos alunos duas competências básicas, a saber: a interpretação de textos que conjugam duas linguagens – a verbal e a não-verbal – e o reconhecimento da finalidade do texto por meio da identificação dos diferentes gêneros textuais. I – Pela resposta da aranha, percebe-se, em relação a sua morte, uma postura: a) De alívio b) De pesar c) De sarcasmo d) De arrependimento Para o desenvolvimento dessas competências, tanto o texto escrito quanto as imagens que o acompanham são importantes, na medida em que propiciam ao leitor relacionar informações e se engajar em diferentes atividades de construção de significados. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem D5 – Interpretar texto com auxílio de material gráfico diverso (propagandas, quadrinhos, foto, etc.). 14 Por meio deste descritor pode-se avaliar a habilidade de o aluno reconhecer a utilização de elementos gráficos (não-verbais) como apoio na construção do sentido e de interpretar textos que utilizam linguagem verbal e não-verbal (textos multissemióticos). Essa habilidade pode ser avaliada por meio de textos compostos por gráficos, desenhos, fotos, tirinhas, charges. Por exemplo, é dado um texto nãoverbal e pede-se ao aluno que identifique os sentimentos dos personagens expressos pelo apoio da imagem, ou dá-se um texto ilustrado e solicita-se o reconhecimento da relação entre a ilustração e o texto. II – O uso da expressão “absolutamente” reforça a ideia de que o governo é: a) Incapaz b) Inábil c) Apático d) Improdutivo D12 – Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros A habilidade que pode ser avaliada por este descritor refere-se ao reconhecimento, por parte do aluno, do gênero ao qual se refere o texto-base, identificando, dessa forma, qual o objetivo do texto: informar, convencer, advertir, instruir, explicar, comentar, divertir, solicitar, recomendar, etc. Essa habilidade é avaliada por meio da leitura de textos integrais ou de fragmentos de textos de diferentes gêneros, como notícias, fábulas, avisos, anúncios, cartas, convites, instruções, propagandas, entre outros, solicitando ao aluno a identificação explícita de sua finalidade. MENTE QUIETA, CORPO SAUDÁVEL A meditação ajuda a controlar a ansiedade e a aliviar a dor? Ao que tudo indica, sim. Nessas duas áreas os cientistas encontraram as maiores evidências da ação terapêutica da meditação, medida em dezenas de pesquisas. Nos últimos 24 anos, só a clínica de redução do estresse da Universidade de Massachusetts monitorou 14 mil portadores de câncer, aids, dor crônica e complicações gástricas. Os técnicos descobriram que, submetidos a sessões de meditação que alteraram o foco da sua atenção, os pacientes reduziram o nível de ansiedade e diminuíram ou abandonaram o uso de analgésicos. da vida, e adotados, para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. (...) A outra espécie é formada dos que veem anormalmente a natureza e a interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica das escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. (...). Estas considerações são provocadas pela exposição da sra. Malfatti, onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso & cia. O Diário de São Paulo, dez./1917. II – O texto tem por finalidade: a) Estabelecer a distinção entre dois tipos de artistas b) Informar a realização da Exposição de Anita Malfatti c) Criticar o trabalho exposto por Anita Malfatti d) Reforçar e elogiar o caráter revolucionário do trabalho de Anita Malfatti. a) criticar. b) conscientizar. c) denunciar. d) informar. (ENEM – 2007) Sobre a exposição de Anita Malfatti, em 1917, que muito influenciaria a Semana de Arte Moderna, Monteiro Lobato escreveu, em artigo intitulado Paranoia ou Mistificação: Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que veem as coisas e em consequência fazem arte pura, guardados os eternos ritmos Anos Finais do Ensino Fundamental I – O texto tem por finalidade: Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA Revista Superinteressante, outubro de 2003. 15 TÓPICO III RELAÇÃO ENTRE TEXTOS Este tópico requer que o aluno assuma uma atitude crítica e reflexiva ao reconhecer as diferentes ideias apresentadas sobre o mesmo tema em um único texto ou em textos diferentes. O tema se traduz em proposições que se cruzam no interior dos textos lidos ou naquelas encontradas em textos diferentes, mas que apresentam a mesma ideia, assim, o aluno pode ter maior compreensão das intenções de quem escreve, sendo capaz de identificar posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou tema. As atividades que envolvem a relação entre textos são essenciais para que o aluno construa a habilidade de analisar o modo de tratamento do tema dado pelo autor e as condições de produção, recepção e circulação dos textos. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Essas atividades podem envolver a comparação de textos de diversos gêneros, como os produzidos pelos alunos, os textos extraídos da Internet, de jornais, revistas, livros e textos publicitários, entre outros. 16 D 20 – Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições em que ele foi produzido e daquelas em que será recebido. Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade do aluno em reconhecer as diferenças entre textos que tratam do mesmo assunto, em função do leitor-alvo, da ideologia, da época em que foi produzido e das suas intenções comunicativas. Por exemplo, historinhas infantis satirizadas em histórias em quadrinhos, ou poesias clássicas utilizadas como recurso para análises críticas de problemas do cotidiano. Essa habilidade é avaliada por meio da leitura de dois ou mais textos, de mesmo gênero ou de gêneros diferentes, tendo em comum o mesmo tema, para os quais é solicitado o reconhecimento das formas distintas de abordagem. TEXTO I Cinquenta camundongos, alguns dos quais clones de clones, derrubaram os obstáculos técnicos à clonagem. Eles foram produzidos por dois cientistas da Universidade do Havaí num estudo considerado revolucionário pela revista britânica – Nature, uma das mais importantes do mundo. [...] A notícia de que cientistas da Universidade do Havaí desenvolveram uma técnica eficiente de clonagem fez muitos pesquisadores temerem o uso do método para clonar seres humanos. O GLOBO. Caderno Ciências e Vida. 23 jul. 1998, p. 36. TEXTO II Cientistas dos EUA anunciaram a clonagem de 50 ratos a partir de células de animais adultos, inclusive de alguns já clonados. Seriam os primeiros clones de clones, segundo estudos publicados na edição de hoje da revista – Nature. A técnica empregada na pesquisa teria um aproveitamento de embriões — da fertilização ao nascimento — três vezes maior que a técnica utilizada por pesquisadores britânicos para gerar a ovelha Dolly. FOLHA DE S. PAULO. 1º caderno – Mundo. 03 jul. 1998, p.16. I – Os dois textos tratam de clonagem. Qual aspecto dessa questão é tratado apenas no texto I ? a) A divulgação da clonagem de 50 ratos. b) A referência à eficácia da nova técnica de clonagem. c) O temor de que seres humanos sejam clonados. d) A informação acerca dos pesquisadores envolvidos no experimento. É importante observar que, no descritor 14, é requerido do aluno que ele diferencie fato de uma opinião relativa a esse fato. Aqui, solicita-se ao aluno que ele observe que há diferentes opiniões sobre um mesmo fato, ou tema. Essa habilidade é avaliada por meio do reconhecimento de opiniões diferenciadas sobre um tema, acontecimento ou pessoa, em um mesmo texto ou em textos diferentes. Revista Isto É – nº 1648 – 02-05-2001 São Paulo – Ed. Três. TEXTO 2 HÁ QUALQUER COISA NO AR DO RIO, ALÉM DE FAVELAS Nem só as favelas brotam nos morros cariocas. As encostas cada vez mais povoadas no Rio de Janeiro disfarçam o avanço do reflorestamento na crista das serras, que espalha cerca de 2 milhões de mudas nativas da Mata Atlântica em espaço equivalente a 1.800 gramados do Maracanã. O replantio começou há 13 anos, para conter vertentes ameaçadas de desmoronamento. Fez mais do que isso. Mudou a paisagem. Vista do alto, ângulo que não faz parte do cotidiano de seus habitantes, a cidade aninha-se agora em colinas coroadas por labirintos verdes, formando desenhos em curva de nível, como cafezais. Revista Época – nº 83. 20-12-1999. Rio de Janeiro – Ed. Globo. p. 9. I – Uma declaração do segundo texto que CONTRADIZ o primeiro é: a) a mata atlântica está sendo recuperada no Rio de Janeiro. b) as encostas cariocas estão cada vez mais povoadas. c) as favelas continuam surgindo nos morros cariocas. d) o replantio segura encostas ameaçadas de desabamento. TEXTO 1 MAPA DA DEVASTAÇÃO TEXTO I ÁLCOOL, CRESCIMENTO E POBREZA A organização não-governamental SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais terminaram mais uma etapa do mapeamento da Mata Atlântica (www.sosmataatlantica.org.br). O estudo iniciado em 1990 usa imagens de satélite para apontar o que restou da floresta que já ocupou 1,3 milhão de km2, ou 15% do território brasileiro. O atlas mostra que o Rio de Janeiro continua o campeão da motos- O lavrador de Ribeirão Preto recebe em média R$ 2,50 por tonelada de cana cortada. Nos anos 80, esse trabalhador cortava cinco toneladas de cana por dia. A mecanização da colheita o obrigou a ser mais produtivo. O corta-cana derruba agora oito toneladas por dia. O trabalhador deve cortar a cana rente ao chão, encurvado. Usa roupas mal-ajambradas, quen- Anos Finais do Ensino Fundamental A habilidade que pode ser avaliada por este descritor refere-se ao reconhecimento pelo aluno de opiniões diferentes sobre um mesmo fato ou tema. A construção desse conhecimento é um dos principais balizadores de um dos objetivos do ensino da língua portuguesa (Brasil, 1998 p. 33), qual seja o de capacitar o aluno a analisar criticamente os diferentes discursos, inclusive o próprio, desenvolvendo a capacidade de avaliação dos textos: contrapondo sua interpretação da realidade a diferentes opiniões; inferindo as possíveis intenções do autor marcadas no texto; identificando referências intertextuais presentes no texto; percebendo os processos de convencimento utilizados para atuar sobre o interlocutor/leitor; identificando e repensando juízos de valor tanto sócio-ideológicos (preconceituosos ou não) quanto histórico-culturais (inclusive estéticos) associados à linguagem e à língua; e reafirmando sua identidade pessoal e social. O desenvolvimento dessa habilidade ajuda o aluno a perceber-se como um ser autônomo, dotado da capacidade de se posicionar e transformar a realidade. serra. Nos últimos 15 anos, sua média anual de desmatamento mais do que dobrou. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA D 21 – Reconhecer posições distintas entre duas ou mais opiniões relativas ao mesmo fato ou ao mesmo tema. 17 tes, que lhe cobrem o corpo, para que não seja lanhado pelas folhas da planta. O excesso de trabalho causa a birola: tontura, desmaio, cãibra, convulsão. A fim de aguentar dores e cansaço, esse trabalhador toma drogas e soluções de glicose, quando não farinha mesmo. Tem aumentado o número de mortes por exaustão nos canaviais. O setor da cana produz hoje uns 3,5% do PIB. Exporta US$ 8 bilhões. Gera toda a energia elétrica que consome e ainda vende excedentes. A indústria de São Paulo contrata cientistas e engenheiros para desenvolver máquinas e equipamentos mais eficientes para as usinas de álcool. As pesquisas, privada e pública, na área agrícola (cana, laranja, eucalipto etc.) desenvolvem a bioquímica e a genética no país. Folha de S. Paulo, 11/3/2007 (com adaptações). TEXTO II d) A charge mostra o cotidiano do trabalhador, e o texto defende o fim da mecanização da produção da cana – de – açúcar no setor sucroalcooleiro. e) O texto mostra disparidades na agricultura brasileira, na qual convivem alta tecnologia e condições precárias de trabalho, que a charge ironiza. III – (ENEM – 2009) Em contraste com o texto I, no texto II são empregadas, predominantemente, estratégias argumentativas que: TEXTO I É praticamente impossível imaginarmos nossas vidas sem o plástico. Ele está presente em embalagens de alimentos, bebidas e remédios, além de eletrodomésticos, automóveis etc. Esse uso ocorre devido à sua atoxicidade e à inércia, isto é: quando em contato com outras substâncias, o plástico não as contamina; ao contrário, protege o produto embalado. Outras duas grandes vantagens garantem o uso dos plásticos em larga escala: são leves, quase não alteram o peso do material embalado, e são 100% recicláveis, fato que, infelizmente, não é aproveitado, visto que, em todo o mundo, a percentagem de plástico reciclado, quando comparado ao total produzido, ainda é irrelevante. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Revista Mãe Terra. Minuano, ano I, n. 6 (adaptado). 18 TEXTO II II – Confrontando-se as informações do texto com as da charge acima, conclui-se que: a) A charge contradiz o texto ao mostrar que o Brasil possui tecnologia avançada no setor agrícola. b) A charge e o texto abordam, a respeito da cana – de – açúcar brasileira, duas realidades distintas e sem relação entre si. c) O texto e a charge consideram a agricultura brasileira avançada, do ponto de vista tecnológico. Sacolas plásticas são leves e voam ao vento. Por isso, elas entopem esgotos e bueiros, causando enchentes. São encontradas até no estômago de tartarugas marinhas, baleias, focas e golfinhos, mortos por sufocamento. Sacolas plásticas descartáveis são gratuitas para os consumidores, mas têm um custo incalculável para o meio ambiente. Veja, 8 jul. 2009. Fragmentos de texto publicitário do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. a) atraem o leitor por meio de previsões para o futuro. b) apelam à emoção do leitor, mencionando a morte de animais. c) orientam o leitor a respeito dos modos de usar conscientemente as sacolas plásticas. d) intimidam o leitor com as nocivas consequências do uso indiscriminado de sacolas plásticas. e) recorrem à informação, por meio de constatações, para convencer o leitor a evitar o uso de sacolas plásticas. Anos Finais do Ensino Fundamental a) o texto I apresenta um alerta a respeito do efeito da reciclagem de materiais plásticos; o texto II justifica o uso desse material reciclado. b) o texto I tem como objetivo precípuo apresentar a versatilidade e as vantagens do uso do plástico na contemporaneidade; o texto II objetiva alertar os consumidores sobre os problemas ambientais decorrentes de embalagens plásticas não recicladas. c) o texto I expõe vantagens, sem qualquer ressalva, do uso do plástico; o texto II busca convencer o leitor a evitar o uso de embalagens plásticas. d) o texto I ilustra o posicionamento de fabricantes de embalagens plásticas, mostrando por que elas devem ser usadas; o texto II ilustra o posicionamento de consumidores comuns, que buscam praticidade e conforto. e) o texto I apresenta um alerta a respeito da possibilidade de contaminação de produtos orgânicos e industrializados decorrente do uso de plástico em suas embalagens; o texto II apresenta vantagens do consumo de sacolas plásticas: leves, descartáveis e gratuitas. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA IV – (ENEM – 2009) Na comparação dos textos, observa-se que: 19 TÓPICO IV COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO Ação de Fortalecimento da Aprendizagem O Tópico IV trata dos elementos que constituem a textualidade, ou seja, aqueles elementos que constroem a articulação entre as diversas partes de um texto: a coerência e a coesão. Considerando que a coerência é a lógica entre as ideias expostas no texto, para que exista coerência é necessário que a idéia apresentada se relacione ao todo textual dentro de uma sequência e progressão de ideias. Para que as ideias estejam bem relacionadas, também é preciso que estejam bem interligadas, bem “unidas” por meio de conectivos adequados, ou seja, com vocábulos que têm a finalidade de ligar palavras, locuções, orações e períodos. Dessa forma, as peças que interligam o texto, como pronomes, conjunções e preposições, promovendo o sentido entre as ideias são chamadas coesão textual. Enfatizamos, nesta série, apenas os pronomes como elementos coesivos. Assim, definiríamos coesão como a organização entre os elementos que articulam as ideias de um texto. 20 As habilidades a serem desenvolvidas pelos descritores que compõem este tópico exigem que o leitor compreenda o texto não como um simples agrupamento de frases justapostas, mas como um conjunto harmonioso em que há laços, interligações, relações entre suas partes. A compreensão e a atribuição de sentidos relativos a um texto dependem da adequada interpretação de seus componentes. De acordo com o gênero textual, o leitor tem uma apreensão geral do assunto do texto. Em relação aos textos narrativos, o leitor necessita identificar os elementos que compõem o texto – narrador, ponto de vista, personagens, enredo, tempo, espaço – e quais são as relações entre eles na construção da narrativa. A compreensão e a atribuição de sentidos relativos a um texto dependem da adequada interpretação de seus componentes, ou da coerência pela qual o texto é marcado. De acordo com o gênero textual, o leitor tem uma apreensão geral do tema, do assunto do texto e da sua tese. Essa apreensão leva a uma percepção da hierarquia entre as ideias: qual é a ideia principal? Quais são as ideias secundárias? Quais são os argumentos que reforçam uma tese? Quais são os exemplos confirmatórios? Qual a conclusão? Em relação aos textos narrativos, pode ser requerido do aluno que ele identifique os elementos componentes – narrador, ponto de vista, personagens, enredo, tempo, espaço – e quais são as relações entre eles na construção da narrativa. D2 – Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto. As habilidades que podem ser avaliadas por este descritor relacionam-se ao reconhecimento da função dos elementos que dão coesão ao texto. Dessa forma, eles poderão identificar quais palavras estão sendo substituídas e/ou repetidas para facilitar a continuidade do texto e a compreensão do sentido. Trata-se, portanto, do reconhecimento, por parte do aluno, das relações estabelecidas entre as partes do texto. BALEIA-SARDINHEIRA: ENORME, VELOZ E SUPERELEGANTE! Um gigante dos mares, ainda misterioso para os cientistas, veio parar nas páginas da Ciência Hoje das Crianças: é a baleia-sardinheira. Nesta edição, venha conhecer essa espécie e, de quebra, aprender muito mais. Saiba como as cores e as formas são importantes para a sobrevivência de diferentes animais, descubra como se forma o solo e encontre muitas curiosidades sobre os cupins, os filhotes da tartaruga e até sobre o funcionamento da garrafa térmica. Adaptado de http://chc.cienciahoje.uol.com.br/revista/revista-chc-2010/210 A EMA O surgimento da figura da Ema no céu, ao leste, no anoitecer, na segunda quinzena de junho, indica o início do inverno para os índios do sul do Brasil e o começo da estação seca para os do norte. É limitada pelas constelações de Escorpião e do Cruzeiro do Sul, ou Cut’uxu. Segundo o mito guarani, o Cut’uxu segura a cabeça da ave para garantir a vida na Terra, porque, se ela se soltar, beberá toda a água do nosso planeta. Os tupis guaranis utilizam o Cut’uxu para se orientar e determinar a duração das noites e as estações do ano. ALMANAQUE BRASIL, maio/2007 (com adaptações). II – O pronome os (l.3) refere-se a: a) Escorpião b) Índios c) Cruzeiro do Sul d) Tupis guaranis III – Na passagem “É limitada pelas constelações de Escorpião e do Cruzeiro do Sul, ou Cut’uxu.” ocorre o seguinte processo coesivo: a) Hiperonímia b) Reiteração c) Elipse d) Hiponímia D7 – Identificar a tese de um texto. Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade de o aluno reconhecer o ponto de vista ou a ideia central defendida pelo autor. O OURO DA BIOTECNOLOGIA Até os bebês sabem que o patrimônio natural do Brasil é imenso. Regiões como a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica – ou o que restou dela – são invejadas no mundo todo por sua biodiversidade. Até mesmo ecossistemas como o do cerrado e o da caatinga têm mais riqueza de fauna e flora do que se costuma pensar. A quantidade de água doce, madeira, minérios e outros bens naturais é amplamente citada nas escolas, nos jornais e nas conversas. O problema é que tal exaltação ufanista (“Abençoado por Deus e bonito por natureza”) é diretamente proporcional à desatenção e ao desconhecimento que ainda vigoram sobre essas riquezas. Estamos entrando numa era em que, muito mais do que nos tempos coloniais (quando pau-brasil, ouro, borracha etc. eram levados em estado bruto para a Europa), a exploração comercial da natureza deu um salto de intensidade e refinamento. Essa revolução tem um nome: biotecnologia. Com ela, a Amazônia, por exemplo, deixará em breve de ser uma enorme fonte “potencial” de alimentos, cosméticos, remédios e outros subprodutos: ela o será de fato – e de forma sustentável. Outro exemplo: os créditos de carbono, que terão de ser comprados do Brasil por países que poluem mais do que podem, poderão significar forte entrada de divisas. Com sua pesquisa científica carente, indefinição quanto à legislação e dificuldades nas questões de patenteamento, o Brasil não consegue transformar essa riqueza natural em riqueza financeira. Diversos produtos autóctones, como o cupuaçu, já foram registrados por estrangeiros – que nos obrigarão a pagar pelo uso de um bem original daqui, caso queiramos (e saibamos) produzir algo em escala com ele. Além disso, a biopirataria segue crescente. Até mesmo os índios deixam que plantas e animais sejam levados ilegalmente para o exterior, onde provavelmente serão vendidos a peso de ouro. Resumo da questão: ou o Brasil acorda onde Anos Finais do Ensino Fundamental a) “edição”. b) “crianças”. c) “baleia-sardinheira”. d) “garrafa térmica”. A tese é uma proposição teórica de intenção persuasiva, apoiada em argumentos contundentes sobre o assunto abordado. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA I - No trecho “... venha conhecer essa espécie e, de quebra, aprender muito mais.”, a palavra em destaque refere-se a 21 provavelmente serão vendidos a peso de ouro. Resumo da questão: ou o Brasil acorda para a nova realidade econômica global, ou continuará perdendo dinheiro como fruta no chão. Daniel Piza. O Estado de S. Paulo. I – O texto defende a tese de que a) a Amazônia é fonte “potencial” de riquezas. b) as plantas e os animais são levados ilegalmente. c) o Brasil desconhece o valor de seus bens naturais. d) os bens naturais são citados na escola. II – (ENEM – 2005) A tese explicitada na tira abaixo é a contradição entre: Ação de Fortalecimento da Aprendizagem a) relações pessoais e o avanço tecnológico. b) inteligência empresarial e a ignorância dos cidadãos. c) inclusão digital e a modernização das empresas. d) economia neoliberal e a reduzida atuação do Estado. e) revolução informática e a exclusão digital. 22 III (ENEM – 2009 / MODIFICADA) Na parte superior do anúncio, há um comentário escrito à mão que aborda a questão das atividades linguísticas e sua relação com as modalidades oral e escrita da língua. A tese exposta a partir desse comentário deixa evidente que é necessário: a) implementar a fala, tendo em vista maior desenvoltura, naturalidade e segurança no uso da língua. b) conhecer gêneros mais formais da modalidade oral para a obtenção de clareza na comunicação oral e escrita. c) dominar as diferentes variedades do registro oral da língua portuguesa para escrever com adequação, eficiência e correção. d) empregar vocabulário adequado e usar regras da norma padrão da língua em se tratando da modalidade escrita. e) utilizar recursos mais expressivos e menos desgastados da variedade padrão da língua para se expressar com alguma segurança e sucesso. D8 – Estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la. Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade do aluno em estabelecer a relação entre o ponto de vista do autor sobre um determinado assunto e os argumentos que sustentam esse posicionamento. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual é solicitado ao aluno que identifique um argumento entre os diversos que sustentam a proposição apresentada pelo autor. Pode-se, também, solicitar o contrário, que o aluno identifique a tese com base em um argumento oferecido pelo texto. O NAMORO NA ADOLESCÊNCIA Um namoro, para acontecer de forma positiva, precisa de vários ingredientes: a começar pela família, que não seja muito rígida e atrasada nos seus valores, seja conversável, e, ao mesmo tempo, tenha limites muito claros de comportamento. O adolescente precisa disto para se sentir seguro. O outro aspecto tem a ver com o próprio adolescente e suas condições internas, que determinarão suas necessidades e a I – Para um namoro acontecer de forma positiva, o adolescente precisa do apoio da família. O argumento que defende essa idéia é: a) a família é o anteparo das frustrações. b) a família tem uma relação harmoniosa. c) o adolescente segue o exemplo da família. d) o apoio da família dá segurança ao jovem. A MONTANHA PULVERIZADA Esta manhã acordo e não a encontro. Britada em bilhões de lascas deslizando em correia transportadora entupindo 150 vagões no trem-monstro de 5 locomotivas — trem maior do mundo, tomem nota — foge minha serra, vai deixando no meu corpo a paisagem mísero pó de ferro, e este não passa. Carlos Drummond de Andrade. Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 2000. a) estimular os processos de instalação de novas mineradoras para acelerar a modernização da paisagem. b) criarem-se estratégias para reduzir o impacto ambiental no ambiente degradado. c) reaproveitarem-se materiais, reduzindo-se a necessidade de extração de minérios. d) a exploração da paisagem favorece o desenvolvimento do transporte ferroviário. D9 – Diferenciar as partes principais das secundárias em um texto. Por meio deste descritor pode-se avaliar a habilidade de o aluno reconhecer a estrutura e a organização do texto e localizar a informação principal e as informações secundárias que o compõem. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual pode ser solicitado ao aluno que ele identifique a parte principal ou outras partes secundárias na qual o texto se organiza. ANIMAIS NO ESPAÇO Vários animais viajaram pelo espaço como astronautas. Os russos já usaram cachorros em suas experiências. Eles têm o sistema cardíaco parecido com o dos seres humanos. Estudando o que acontece com eles, os cientistas descobrem quais problemas podem acontecer com as pessoas. A cadela Laika, tripulante da Sputnik-2, foi o primeiro ser vivo a ir ao espaço, em novembro de 1957, quatro anos antes do primeiro homem, o astronauta Gagarin. Os norte-americanos gostam de fazer experiências científicas espaciais com macacos, pois o corpo deles se parece com o humano. O chimpanzé é o preferido porque é inteligente e convive melhor com o homem do que as outras espécies de macacos. Ele aprende a comer alimentos sintéticos e não se incomoda com a roupa espacial. Anos Finais do Ensino Fundamental SUPLICY, Marta. A condição da mulher. São Paulo: Brasiliense, 1984. II – O argumento que melhor sintetiza a ideia do poema é: Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA própria escolha. São fatores inconscientes, que fazem com que a Mariazinha se encante com o jeito tímido do João e não dê pelota para o herói da turma, o Mário. Aspectos situacionais, como a relação harmoniosa ou não entre os pais do adolescente, também influenciarão o seu namoro. Um relacionamento em que um dos parceiros vem de um lar em crise, é, de saída, dose de leão para o outro, que passa a ser utilizado como anteparo de todas as dores e frustrações. Geralmente, esta carga é demais para o outro parceiro, que também enfrenta suas crises pelas próprias condições de adolescente. Entrar em contato com a outra pessoa, senti-la, ouvi-la, depender dela afetivamente e, ao mesmo tempo, não massacrá-la de exigências, e não ter medo de se entregar, é tarefa difícil em qualquer idade. Mas é assim que começa este aprendizado de relacionar-se afetivamente e que vai durar a vida toda. 23 Além disso, os macacos são treinados e podem fazer tarefas a bordo, como acionar os comandos das naves, quando as luzes coloridas acendem no painel, por exemplo. Enos foi o mais famoso macaco a viajar para o espaço, em novembro de 1961, a bordo da nave Mercury/Atlas 5. A nave de Enos teve problemas, mas ele voltou são e salvo, depois de ter trabalhado direitinho. Seu único erro foi ter comido muito depressa as pastilhas de banana durante as refeições. (Folha de São Paulo, 26 de janeiro de 1996) I – No texto “Animais no espaço”, uma das informações principais é: a) “A cadela Laika (...) foi o primeiro ser vivo a ir ao espaço”. b) “Os russos já usavam cachorros em suas experiência”. c) “Vários animais viajaram pelo espaço como astronautas”. d) “Enos foi o mais famoso macaco a viajar para o espaço”. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem ENCONTRO DE ANSIEDADES 24 O pai Irineu, a mãe Florinda e os filhos Lúcia, Eliana e Ronaldo (...) tiveram uma experiência bastante inusitada. A família de índios Guarani, do Pontal do Paraná, litoral do Estado, foi convidada para visitar os alunos da Escola Atuação em Curitiba. Foi um encontro de ansiedades: de um lado, as crianças indígenas amedrontadas com tanta gente para recebê-las no ginásio da escola; de outro, os alunos curiosos e inquietos com a presença de novos visitantes. No fim das contas, tudo terminou bem: as crianças índias não falam português, mas receberam toda a atenção dos novos amigos e voltaram para a sua aldeia com muitas cestas de frutas e outros presentes. A turminha da escola adorou a experiência e garante que aprendeu muito com a atividade. A troca de ansiedades acabou se tornando troca de carinhos. Gazeta do Povo. Curitiba, 29 abr. 2000. Gazetinha, p.5. II – A principal informação desse texto está expressa: a) na iniciativa de uma família de Curitiba. b) na aceitação do convite pela família guarani. c) no resultado do encontro dos dois grupos. d) no grau de ansiedade dos dois grupos. De uma coisa temos certeza: a terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra, fere também os filhos da terra. O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio. Trecho de uma das várias versões de carta atribuída ao chefe Seattle, da tribo Suquamish. A carta teria sido endereçada ao presidente norte-americano, Franklin Pierce, em 1854, a propósito de uma oferta de compra do território da tribo feita pelo governo dos Estados Unidos. PINSKY, Jaime e outros (Org.). História da América através de textos. 3ª ed. São Paulo: Contexto, 1991. III – O argumento principal do texto está expresso no seguinte trecho: a) “Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família.” b) “O homem não tece a teia da vida” c) “O que fere a terra, fere também os filhos da terra.” d) “(...) a terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra.” IV – (ENEM 2001 – MODIFICADA) O par que apresenta o argumento principal do texto é: a) rejeição / alimentos básicos. b) discriminação / força de trabalho. c) falta de compreensão / matérias-primas. d) preconceito / vestuário. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual é solicitado ao aluno que identifique os acontecimentos desencadeadores de fatos apresentados na narrativa, ou seja, o conflito gerador, ou o personagem principal, ou o narrador da história, ou o desfecho da narrativa. URUBUS E SABIÁS Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam... Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram do-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão para mandar nos outros. Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um respeitável urubu titular, a quem todos chamam por Vossa Excelência. Tudo ia muito bem até que a doce tranquilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos, tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas com os sabiás... Os velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa, e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito. “— Onde estão os documentos de seus concursos?” E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvesse. Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera com elas. E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam, simplesmente... “— Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem.” MORAL: EM TERRA DE URUBUS DIPLOMADOS NÃO SE OUVE CANTO DE SABIÁ. ALVES, Rubem. Estórias de Quem gosta de Ensinar. São Paulo: Ars Poética, 1985, p.81. No contexto, o que gera o conflito é: a) a competição para eleger o melhor urubu. b) a escola para formar aves cantoras. c) o concurso de canto para conferir diplomas. d) o desejo dos urubus de aprender a cantar. O DIA SEGUINTE “Se há alguma coisa importante neste mundo, dizia o marido, é uma empregada de confiança. A mulher concordava, satisfeita: realmente, a empregada deles era de confiança absoluta. Até as compras fazia, tudo direitinho. Tão de confiança que eles não hesitavam em deixar-lhe a casa, quando viajavam. Uma vez resolveram passar o fim de semana na praia. Como de costume a empregada ficaria. Nunca saía nos fins de semana, a moça. Empregada perfeita. Foram. Quando já estavam quase chegando à orla marítima, ele se deu conta: tinham esquecido a chave da casa da praia. Não havia outro remédio. Tinham de voltar. Voltaram. Quando abriram a porta do apartamento, quase desmaiaram: o living estava cheio de gente, todo mundo dançando, no meio de uma algazarra infernal. Quando ele conseguiu se recuperar da estupefação, procurou a empregada: — Mas o que é isto, Elcina? Enlouqueceu? Aí um simpático mulato interveio: que é isto, meu patrão, a moça não enlouqueceu, coisa alguma, estamos apenas nos divertindo, o senhor não quer dançar também? Isto mesmo, gritava o pessoal, dancem com a gente. Anos Finais do Ensino Fundamental Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade do aluno em reconhecer os fatos que causam o conflito ou que motivam as ações dos personagens, originando o enredo do texto. E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás... Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA D10 – Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa. 25 O marido e a mulher hesitaram um pouco; depois - por que não, afinal a gente tem de experimentar de tudo na vida, aderiram à festa. Dançaram, beberam, riram. Ao final da noite concordavam com o mulato: nunca tinham se divertido tanto. No dia seguinte, despediram a empregada.” Fonte: SCLIAR, Moacyr. Histórias para (quase) todos os gostos. Porto alegre: L&PM, 1998. O fato no texto que dá início ao conflito é: a) Todos se divertiram muito na festa. b) A empregada era de confiança do casal. c) O casal esqueceu a chave da casa de praia. d) O casal resolve passar o fim de semana na praia. D11 – Estabelecer relação causa/consequência entre partes e elementos do texto. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Por meio deste descritor pode-se avaliar a habilidade do aluno em identificar o motivo pelo qual os fatos são apresentados no texto, ou seja, o reconhecimento de como as relações entre os elementos organizam-se de forma que um torna-se o resultado do outro. 26 Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual o aluno estabelece relações entre as diversas partes que o compõem, averiguando as relações de causa e efeito, problema e solução, entre outros. O HOMEM QUE ENTROU PELO CANO Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio incomodava-o a estreiteza do tubo. Depois se acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos familiares. Vez ou outra um desvio, era uma seção que terminava em torneira. Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou monótono. O cano por dentro não era interessante. No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma criança brincava. Ficou na torneira, à espera que abrissem. Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta era um branco imenso, uma água límpida. E a cara da menina aparecia redonda e grande, a olhá-lo interessada. Ela gritou: “Mamãe, tem um homem dentro da pia” Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu pelo esgoto. BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras Proibidas. São Paulo: Global, 1988. p. 89. I – O homem desviou-se de sua trajetória porque: a) ouviu muitos barulhos familiares. b) já estava “viajando” há vários dias. c) ficou desinteressado pela “viagem”. d) percebeu que havia uma torneira. O SURDO APRENDE DIFERENTE O surdo não adquire de forma natural a língua falada, e a sua aquisição jamais ocorre da mesma forma como acontece com a criança ouvinte. Esse processo exige um trabalho formal e sistemático. Os surdos, por serem incapazes de ouvir seus pais, correm o risco de ficar seriamente atrasados na compreensão da língua, a menos que providências sejam tomadas. E ser deficiente de linguagem, para um ser humano, é uma grande lacuna. Segundo Sacks, chega a ser uma calamidade, porque é por meio da língua que nos comunicamos livremente com nossos semelhantes, adquirimos e compartilhamos informações. Se não pudermos fazer isso, ficamos incapacitados e isolados. Pesquisas realizadas em várias cidades do Brasil chegaram à triste conclusão de que o oralismo, ainda utilizado em muitas escolas, não apresenta resultados satisfatórios para o desenvolvimento da linguagem do surdo. Além disso, o oralismo só é capaz de perceber 20% da mensagem, através da leitura labial. O bilinguismo busca respeitar o surdo na questão do processo de aquisição da sua língua natural, tendo como pressuposto básico que o surdo deve adquirir como língua materna e primeira língua (L1) a língua de sinais e, como segunda língua (L2), a língua oficial de seu país; no nosso caso a Língua Portuguesa. Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela. Fonte: FERNANDES, Millôr. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991. Fonte: Revista Mundo Jovem julho de 2008 página 3, fragmento. III – O motivo pelo qual o coveiro não conseguiu sair do buraco foi que: O SOCORRO Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão - coveiro - era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enlouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouvia um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais dos matos. Só um pouco depois da meia-noite é que lá vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria lá em cima, perguntou o que havia: O que é que há? O coveiro então gritou desesperado: “Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível!” “Mas coitado!” - condoeu-se o bêbado. “Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de você, meu pobre mortinho!” E, pegando a pá, encheu-a de terra e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente. O Brasil, por suas características de crescimento econômico, e apesar da crise e do retrocesso das últimas décadas, é classificado como um país moderno. Tal conceito pode ser, na verdade, questionado se levarmos em conta os indicadores sociais: o grande número de desempregados, o índice de analfabetismo, o déficit de moradia, o sucateamento da saúde, enfim, a avalanche de brasileiros envolvidos e tragados num processo de repetidas migrações(...) (adap.Valin,1996, pág.50 Migrações: da perda de terra à exclusão social. SP. Atuali, 1996). IV –(ENEM 1998 – MODIFICADA) Os indicadores sociais do Brasil permitem: a) acreditar em um crescimento a longo prazo; b) aceitar o fato de que o País está maduro para consolidar a democracia e a estabilidade econômica; c) questionar a classificação do Brasil como um país moderno; d) ignorar o retrocesso das últimas décadas. D15 – Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc. As habilidades que podem ser avaliadas por este descritor, relacionam-se ao reconhecimento das relações de coerência no texto em busca de uma Anos Finais do Ensino Fundamental a) O surdo corre o risco de ficar seriamente atrasado na compreensão da língua. b) O surdo não poderá fazer a leitura labial. c) O surdo terá grandes problemas com o bilinguismo e com o oralismo. d) O surdo será incapaz de compreender as mensagens através da leitura labial. a) Distraiu-se tanto com seu trabalho que cavou demais. b) Anoiteceu rapidamente e ele sentiu medo de sair dali. c) Estava com muito frio e precisava de um lugar para dormir. d) Por mais que gritasse, ninguém atendeu seu pedido. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA II – Segundo o texto apresentado, o surdo não adquire a linguagem da mesma forma que o ouvinte. O processo exige um trabalho formal e sistematizado. Qual a consequência quando não há este trabalho? 27 concatenação perfeita entre as partes do texto, as quais são marcadas pelas conjunções, advérbios, etc., formando uma unidade de sentido. I – Que função desempenha a expressão destacada no texto “... o volume do rio cresceu TANTO QUE a família defronte teve medo.” (2º parágrafo): Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual é solicitado ao aluno, a percepção de uma determinada relação lógico-discursiva, enfatizada, muitas vezes, pelas expressões de tempo, de lugar, de comparação, de oposição, de causalidade, de anterioridade, de posteridade, entre outros e, quando necessário, a identificação dos elementos que explicam essa relação. a) adição de ideias. b) comparação entre dois fatos. c) consequência de um fato. d) finalidade de um fato enunciado. AS ENCHENTES DE MINHA INFÂNCIA Sim, nossa casa era muito bonita, verde, com uma tamareira junto à varanda, mas eu invejava os que moravam do outro lado da rua, onde as casas dão fundos para o rio. Como a casa dos Martins, como a casa dos Leão, que depois foi dos Medeiros, depois de nossa tia, casa com varanda fresquinha dando para o rio. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Quando começavam as chuvas a gente ia toda manhã lá no quintal deles ver até onde chegara a enchente. As águas barrentas subiam primeiro até a altura da cerca dos fundos, depois às bananeiras, vinham subindo o quintal, entravam pelo porão. Mais de uma vez, no meio da noite, o volume do rio cresceu tanto que a família defronte teve medo. 28 Então vinham todos dormir em nossa casa. Isso para nós era uma festa, aquela faina de arrumar camas nas salas, aquela intimidade improvisada e alegre. Parecia que as pessoas ficavam todas contentes, riam muito; como se fazia café e se tomava café tarde da noite! E às vezes o rio atravessava a rua, entrava pelo nosso porão, e me lembro que nós, os meninos, torcíamos para ele subir mais e mais. Sim, éramos a favor da enchente, ficávamos tristes de manhãzinha quando, mal saltando da cama, íamos correndo para ver que o rio baixara um palmo – aquilo era uma traição, uma fraqueza do Itapemirim. Às vezes chegava alguém a cavalo, dizia que lá, para cima do Castelo, tinha caído chuva muita, anunciava águas nas cabeceiras, então dormíamos sonhando que a enchente ia outra vez crescer, queríamos sempre que aquela fosse a maior de todas as enchentes. BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 157. O consumo de álcool cresce entre os jovens brasileiros. Muitos não se preocupam com a dependência nem encaram a bebida como droga. Mas, segundo a Organização Mundial de Saúde, o álcool é a droga mais consumida no mundo, com doze bilhões de usuários.” Fonte: Revista Isto É/1978- 26/09/07 pág. 50. II – A função desempenhada pela palavra destacada no texto é: a) Comparação entre ideias b) Adição de ideias. c) Conseqüência dos fatos. d) Finalidade dos fatos. O Brasil, por suas características de crescimento econômico, e apesar da crise e do retrocesso das últimas décadas, é classificado como um país moderno. Tal conceito pode ser, na verdade, questionado se levarmos em conta os indicadores sociais: o grande número de desempregados, o índice de analfabetismo, o déficit de moradia, o sucateamento da saúde, enfim, a avalanche de brasileiros envolvidos e tragados num processo de repetidas migrações(...) (adap.Valin,1996, pág.50 Migrações: da perda de terra à exclusão social. SP. Atuali, 1996). III – (ENEM 1998 – MODIFICADA) A função desempenhada pela palavra destacada no texto é: a) Conclusão de ideias; b) Oposição de ideias; c) Conformidade entre ideias; d) Sucessão de ideias TÓPICO IV RELAÇÃO ENTRE RECURSOS EXPRESSIVOS E EFEITOS DE SENTIDO O uso de recursos expressivos possibilita uma leitura para além dos elementos superficiais do texto e auxilia o leitor na construção de novos significados. Nesse sentido, o conhecimento de diferentes gêneros textuais proporciona ao leitor o desenvolvimento de estratégias de antecipação de informações que o levam à construção de significados. representado tanto por uma expressão verbal inusitada, quanto por uma expressão facial da personagem. Nos itens do Saeb, geralmente é solicitado ao aluno que ele identifique onde se encontram traços de humor no texto, ou informe por que é provocado o efeito de humor em determinada expressão. Em diferentes gêneros textuais, tais como a propaganda, por exemplo, os recursos expressivos são largamente utilizados, como caixa alta, negrito, itálico, etc. Os poemas também se valem desses recursos, exigindo atenção redobrada e sensibilidade do leitor para perceber os efeitos de sentido subjacentes ao texto. I – O que torna o texto engraçado é que: Por meio deste descritor pode-se avaliar a habilidade do aluno em reconhecer os efeitos de ironia ou humor causados por expressões diferenciadas, utilizadas no texto pelo autor, ou, ainda, pela utilização de pontuação e notações. Essa habilidade é avaliada por meio de textos verbais e não-verbais, sendo muito valorizado nesse descritor atividades com textos de gêneros variados sobre temas atuais, com espaço para várias possibilidades de leitura, como os textos publicitários, as charges, os textos de humor ou as letras de músicas, levando o aluno a perceber o sentido irônico ou humorístico do texto, que pode estar a) a aluna é uma formiga. b) a aluna faz uma pechincha. c) a professora dá um castigo. d) a professora fala “XIS” e “CÊ AGÁ”. Anos Finais do Ensino Fundamental D16 – Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA Vale destacarmos que os sinais de pontuação, como reticências, exclamação, interrogação, etc., e outros mecanismos de notação, como o itálico, o negrito, a caixa alta e o tamanho da fonte podem expressar sentidos variados. O ponto de exclamação, por exemplo, nem sempre expressa surpresa. Faz-se necessário, portanto, que o leitor, ao explorar o texto, perceba como esses elementos constroem a significação, na situação comunicativa em que se apresentam. 29 AÍ, GALERA Luís Fernando Veríssimo Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo “estereotipação”? E, no entanto, por que não? II – (ENEM 1998 – MODIFICADA) O efeito de humor do texto é provocado pelo (a): a) linguagem muito formal do jogador, inadequada à situação da entrevista. b) vasto domínio vocabular do repórter. c) uso inadequado de termos específicos. d) plena correspondência do jogador ao estereótipo. — Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera. — Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares. III – O efeito de humor na tira é reforçado devido: — Como é? — Aí, galera. — Quais são as instruções do técnico? — Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação. — Ahn? — É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem — Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? 30 — Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas? — Pode. — Uma saudação para a minha progenitora. — Como é? — Alô, mamãe! — Estou vendo que você é um, um... — Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação? — Estereoquê? — Um chato? — Isso. Correio Braziliense, 13/05/1998. a) Ao fato de Jon adquirir um celular. b) Ao tamanho do celular. c) À ironia no pensamento do Garfield. d) Ao tamanho do manual. AGRADECENDO A DEUS Um turista viaja para um safári na África. Durante a excursão na savana, se perde e acaba frente a frente com um leão feroz. Ao vê-lo avançando em sua direção, pede a Deus que um espírito cristão tome posse daquele leão. Nisto, ouvese um trovão, seguido de um grande clarão no céu. O leão ajoelha-se diante do assustado turista e começa a rezar, dizendo: — Obrigado Senhor, por mais essa refeição! Fonte: Piadas e pára-choques nº1 – RDE – Revista das Estradas. IV – O texto acima tem a intenção de provocar risos, é um texto humorístico. O que torna o texto engraçado? a) O trovão que clareia o céu tornando o leão bonzinho. b) O desespero do turista frente a frente com o leão. c) A forma como o leão agradece a refeição. d) A atitude do leão ao agir como cristão. V – O que torna o texto mais engraçado é: a) A expressão das personagens em todos os quadrinhos. b) A comparação dos termos médicos com a linguagem do Haroldo. c) O conceito sobre o amor na fala do Haroldo. d) A associação entre os sintomas na conclusão do texto. D17 – Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações. A habilidade que pode ser avaliada por este descritor refere-se à identificação, pelo aluno, dos efeitos provocados pelo emprego de recursos da pontuação ou de outras formas de notação, em contribuição à compreensão textual, não se limitando ao seu aspecto puramente gramatical. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual é requerido do aluno que ele identifique o sentido provocado por meio da pontuação (travessão, aspas, reticências, interrogação, exclamação, etc.) e/ou notações como, tamanho de letra, parênteses, caixa alta, itálico, negrito, entre outros. Os enunciados dos itens solicitam que os alunos reconheçam o porquê do uso do itálico, por exemplo, em uma determinada palavra no texto, ou indique o sentido de uma exclamação em determinada frase, ou identifique por que usar os parênteses, entre outros. I – No terceiro quadrinho, os pontos de exclamação reforçam ideia de: a) comoção. b) contentamento. c) desinteresse. d) surpresa. Anos Finais do Ensino Fundamental a) Na quantidade de filhos. b) Na expressão impassível de Garfield. c) No gesto de Garfield. d) No agradecimento da aranha. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA VI – O efeito de humor do texto está: 31 II – No segundo quadrinho, o ponto de interrogação e reticências reforçam a ideia de: ficado decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão, dependendo da intenção do autor, a qual pode assumir sentidos diferentes do seu sentido literal. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual o aluno é solicitado a perceber os efeitos de sentido que o autor quis imprimir ao texto a partir da escolha de uma linguagem figurada ou da ordem das palavras, do vocabulário, entre outros. “CHATEAR” E “ENCHER” Um amigo meu me ensina a diferença entre “chatear” e “encher”. Chatear é assim: você telefona para um escritório qualquer da cidade. — Alô! Quer me chamar por favor o Valdemar? — Aqui não tem nenhum Valdemar. Daí a alguns minutos você liga de novo: a) Perplexidade e contrariedade. b) Dúvida e admiração. c) Surpresa e conclusão. d) Reflexão e questionamento. III – As reticências utilizadas no texto indicam: — O Valdemar, por obséquio. — Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar. — Mas não é do número tal? — É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar. Mais cinco minutos, você liga o mesmo número: Ação de Fortalecimento da Aprendizagem — Por favor, o Valdemar chegou? 32 — Vê se te manca, palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui? — Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí. — Não chateia. Daí a dez minutos, liga de novo. a) Contrariedade b) Concordância c) Dúvida d) Incerteza D18 – Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão. Por meio deste descritor, pode-se avaliar a habilidade do aluno em reconhecer a alteração de signi- — Escute uma coisa! O Valdemar não deixou pelo menos um recado? O outro desta vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis. Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação: — Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar. Alguém telefonou para mim? CAMPOS, Paulo Mendes. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, v.2, p. 35. I – No trecho “Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar”, o emprego do termo sublinhado sugere que o personagem, no contexto: a) era gentil. b) era curioso. c) desconhecia a outra pessoa. d) revelava impaciência. II – (ENEM 2003 – MODIFICADA) O humor presente na tirinha decorre principalmente do fato de a personagem Mafalda: do água, proteína, açúcar e sais minerais’. Um alimento pra ninguém botar defeito. O ser humano o usa há mais de 5.000 anos. É o único alimento só alimento. A carne serve pro animal andar, a fruta serve pra fazer outra fruta, o ovo serve pra fazer outra galinha (...) O leite é só leite. Ou toma ou bota fora. Esse aqui examinando bem, é só pra botar fora. Tem chumbo, tem benzina, tem mais água do que leite, tem serragem, sou capaz de jurar que nem vaca tem por trás desse negócio. Depois o pessoal ainda acha estranho que os meninos não gostem de leite. Mas, como não gostam? Não gostam como? Nunca tomaram! Múúúúúúú! (FERNANDES, Millôr. O Estado de S. Paulo, 22 de agosto de 1999) “Vocês que têm mais de 15 anos, se lembram quando a gente comprava leite em garrafa, na leiteria da esquina? (...) Mas vocês não se lembram de nada, pô! Vai ver nem sabem o que é vaca. Nem o que é leite. Estou falando isso porque agora mesmo peguei um pacote de leite – leite em pacote, imagina, Tereza! – na porta dos fundos e estava escrito que é pasteurizado, ou pasteurizado, sei lá, tem vitamina, é garantido pela embromatologia, foi enriquecido e o escambau. Será que isso é mesmo leite? No dicionário diz que leite é outra coisa: ‘Líquido branco, conten- O ladrão entra numa joalheria e rouba todas as jóias da loja. Guarda tudo numa mala e, para disfarçar, coloca roupas em cima. Sai correndo para um beco, onde encontra um amigo, que pergunta: — E aí, tudo joia? — Que nada! Metade é roupa... Fonte: http://www.gel.org.br/4publica-estudos-2005/4publica-estudos-2005 -pdfs/piadas-e-tiras-em-quadrinhos-119.pdf?SQMSESSID=a38ffc79c82bcbe561e1c641326fd16c - Acesso em 16/6/2008 Anos Finais do Ensino Fundamental a) atribuir, no primeiro quadrinho, poder ilimitado ao dedo indicador. b) considerar seu dedo indicador tão importante quanto o dos patrões. c) atribuir, no primeiro e no último quadrinhos, um mesmo sentido ao vocábulo “indicador”. d) usar corretamente a expressão “indicador de desemprego”, mesmo sendo criança. a) um termo científico que significa estudo dos bromatos. b) uma composição do termo de gíria “embromação” (enganação) com bromatologia, que é o estudo dos alimentos. c) uma junção do termo de gíria “embromação” (enganação) com lactologia, que é o estudo das embalagens para leite. d) um neologismo da agropecuária que significa a ordenha mecânica. Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA III – (ENEM 2003 – MODIFICADA) A palavra embromatologia usada pelo autor é: 33 IV – Na frase “- E aí, tudo joia?” a expressão destacada apresenta ambiguidade. O que causa o efeito de humor? a) O fato da mala conter jóias. b) O fato do ladrão não entender a pergunta. c) O fato da mala conter roupas. d) O fato do amigo não conhecer o conteúdo da mala. D19 – Reconhecer o efeito de sentido decorrente da exploração de recursos ortográficos e/ou morfossintáticos. A habilidade que pode ser avaliada por meio deste descritor, refere-se à identificação pelo aluno do sentido que um recurso ortográfico, como, por exemplo, diminutivo ou, aumentativo de uma palavra, entre outros, e/ou os recursos morfossintáticos (forma que as palavras se apresentam), provocam no leitor, conforme o que o autor deseja expressar no texto. Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual se requer que o aluno identifique as mudanças de sentido decorrentes das variações nos padrões gramaticais da língua (ortografia, concordância, estrutura de frase, entre outros) no texto. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem A CHUVA 34 A chuva derrubou as pontes. A chuva transbordou os rios. A chuva molhou os transeuntes. A chuva encharcou as praças. A chuva enferrujou as máquinas. A chuva enfureceu as marés. A chuva e seu cheiro de terra. A chuva com sua cabeleira. A chuva esburacou as pedras. A chuva alagou a favela. A chuva de canivetes. A chuva enxugou a sede. A chuva anoiteceu de tarde. A chuva e seu brilho prateado. A chuva de retas paralelas sobre a terra curva. A chuva destroçou os guarda-chuvas. A chuva durou muitos dias. A chuva apagou o incêndio. A chuva caiu. A chuva derramou-se. A chuva murmurou meu nome. A chuva ligou o para-brisa. A chuva acendeu os faróis. A chuva tocou a sirene. A chuva com a sua crina. A chuva encheu a piscina. A chuva com as gotas grossas. A chuva de pingos pretos. A chuva açoitando as plantas. A chuva senhora da lama. A chuva sem pena. A chuva apenas. A chuva empenou os móveis. A chuva amarelou os livros. A chuva corroeu as cercas. A chuva e seu baque seco. A chuva e seu ruído de vidro. A chuva inchou o brejo. A chuva pingou pelo teto. A chuva multiplicando insetos. A chuva sobre os varais. A chuva derrubando raios. A chuva acabou a luz. A chuva molhou os cigarros. A chuva mijou no telhado. A chuva regou o gramado. A chuva arrepiou os poros. A chuva fez muitas poças. A chuva secou ao sol. ANTUNES, Arnaldo. As coisas. São Paulo: Iluminuras, 1996. I – Todas as frases do texto começam com “a chuva”. Esse recurso é utilizado para: a) provocar a percepção do ritmo e da sonoridade. b) provocar uma sensação de relaxamento dos sentidos. c) reproduzir exatamente os sons repetitivos da chuva. d) sugerir a intensidade e a continuidade da chuva. Fernanda Takai Fernanda Takai, cantora e compositora, vocalista do grupo Pato Fu lançou um livro com o título: “Nunca Substime Uma Mulherzinha - Contos e Crônicas”, segundo suas palavras, o livro não tem a ver com as bandas de rock com vocais feminino, mas sim com a mulher em geral. Quem fica em casa lavando roupa e cuidando de filho parece invisível, mas as mulherzinhas são capazes de tudo. II – Qual o sentido produzido pelo uso da palavra mulher no diminutivo: a) Inferiorizar a mulher que não trabalha. b) Enaltecer apenas o trabalho doméstico da mulher. c) Enaltecer a mulher que realiza todos os tipos de trabalho. d) Enaltecer as mulheres que trabalham fora de casa. TÓPICO VI VARIAÇÃO LINGUÍSTICA É muito importante mostrarmos ao aluno as razões dos diferentes usos, quando é utilizada a linguagem formal, a informal, a técnica ou as linguagens relacionadas aos falantes, como por exemplo, a linguagem dos adolescentes, das pessoas mais velhas. É necessário transmitirmos ao aluno a noção do valor social que é atribuído a essas variações, sem, no entanto, permitir que ele desvalorize sua realidade ou a de outrem. Essa discussão é fundamental nesse contexto. Só tenho tempo pras manchetes no metrô E o que acontece na novela Alguém me conta no corredor Escolho os filmes que eu não vejo no elevador Pelas estrelas que eu encontro na crítica do leitor Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa Mas nada tanto assim Eu me concentro em apostilas coisa tão normal Leio os roteiros de viagem enquanto rola o comercial Conheço quase o mundo inteiro por cartão-postal Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa mas nada tanto assim Bruno & Leoni Fortunato. Greatest Hits’80. WEA. I – Identifica-se termo da linguagem informal em: a) “Leio os roteiros de viagem enquanto rola o comercial.” b) “Conheço quase o mundo inteiro por cartão postal!” c) “Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal.” d) “Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa mas nada tanto assim.” D13 – Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto. AÍ, GALERA Por meio deste descritor pode-se avaliar a habilidade do aluno em identificar quem fala no texto e a quem ele se destina, essencialmente, por meio da presença de marcas linguísticas (o tipo de vocabulário, o assunto, etc.), evidenciando, também, a importância do domínio das variações linguísticas que estão presentes na nossa sociedade. Essa habilidade é avaliada em textos nos quais o aluno é solicitado a identificar, o locutor e o interlocutor do texto nos diversos domínios sociais, como também são exploradas as possíveis variações da fala: linguagem rural, urbana, formal, informal, incluindo também as linguagens relacionadas a determinados domínio sociais, como, por exemplo, cerimônias religiosas, escola, clube, etc. Luís Fernando Veríssimo Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo “estereotipação” ? E, no entanto, por que não? — Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera. — Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares. — Como é? — Aí, galera. — Quais são as instruções do técnico? — Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam Anos Finais do Ensino Fundamental O estudo da variação linguística é, também, essencial para a conscientização linguística do aluno, permitindo que ele construa uma postura não-preconceituosa em relação a usos linguísticos distintos dos seus. PRESSA Reforço Escolar | LÍNGUA PORTUGUESA Este tópico refere-se às inúmeras manifestações e possibilidades da fala. No domínio do lar, as pessoas exercem papéis sociais de pai, mãe, filho, avó, tio. Quando observamos um diálogo entre mãe e filho, por exemplo, verificamos características linguísticas que marcam ambos os papéis. As diferenças mais marcantes são intergeracionais (geração mais velha/geração mais nova). 35 as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação. — Ahn? — É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça. — Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? — Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas? — Pode. — Uma saudação para a minha progenitora. — Como é? — Alô, mamãe! — Estou vendo que você é um, um... — Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação? — Estereoquê? — Um chato? — Isso. Ação de Fortalecimento da Aprendizagem Correio Braziliense, 13/05/1998. 36 II – (ENEM 1998 – MODIFICADA) O texto mostra uma situação em que a linguagem usada é inadequada ao contexto. Considerando as diferenças entre língua oral e língua escrita, assinale a opção que representa também uma inadequação da linguagem usada ao contexto: a) “o carro bateu e capotô, mas num deu pra vê direito” - um pedestre que assistiu ao acidente comenta com o outro que vai passando. b) “Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer uma observação” - alguém comenta em uma reunião de trabalho. c) “Venho manifestar meu interesse em candidatar-me ao cargo de Secretária Executiva desta conceituada empresa” - alguém que escreve uma carta candidatando-se a um emprego. (D) “Porque se a gente não resolve as coisas como têm que ser, a gente corre o risco de termos, num futuro próximo, muito pouca comida nos lares brasileiros” - um professor universitário em um congresso internacional. A PRAIA DE FRENTE PRA CASA DA VÓ Eu queria surfar. Então vamo nessa: a praia ideal que eu idealizo no caso particularizado de minha pessoa, em primeiramente, seria de frente para a casa da vó, com vista para o meu quarto. Ia ter umas plantaçãozinha de água de coco e, invés de chão de areia, eu botava uns gramadão presidente. Assim, o Zé, eu e os cara não fica grudando quando vai dar os rolé de Corcel! Então, vamo nessa: na praia dos sonhos que eu falei “É o sooonho!”, teria menos água salgada! (Menas porque água é feminina) Eu ia consegui ficar em pé na minha triquilha tigrada, sair do back side, subir no lip, trabalhar a espuma, iiiiihhhhaaaaaaaaa!(...) Fonte: Peterson Foca . Personagem “cult” de Sobrinhos do Ataíde, programa veiculado pela Rádio 89,1 FM de São Paulo. III – “Eu ia consegui ficar em pé na minha triquilha tigrada, sair do back side, subir no lip, trabalhar a espuma, iiiiihhhhaaaaaaaaa!(...)” As expressões destacadas são gírias próprias dos: a) Professores universitários em palestra. b) Adolescentes falando sobre surf. c) Geógrafos analisando a paisagem. d) Biólogos discutindo sobre a natureza. AULA DE PORTUGUÊS 1 4 A linguagem na ponta da língua tão fácil de falar e de entender. A linguagem na superfície estrelada de letras, 7 sabe lá o que quer dizer? Professor Carlos Góis, ele é quem sabe, e vai desmatando 10 o amazonas de minha ignorância. Figuras de gramática, esquipáticas, atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me. 13 Já esqueci a língua em que comia, em que pedia para ir lá fora, em que levava e dava pontapé, 16 a língua, breve língua entrecortada do namoro com a priminha. O português são dois; o outro, mistério. Carlos Drummond de Andrade. Esquecer para lembrar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. IV – No poema, a referência à variedade padrão da língua está expressa no seguinte trecho: a) “A linguagem / na ponta da língua” (v.1 e 2). b) “A linguagem / na superfície estrelada de letras” (v.5 e 6). c) “[a língua] em que pedia para ir lá fora” (v.14). d) “[a língua] em que levava e dava pontapé” (v.15). REFERÊNCIAS ________Base Curricular Comum para as Redes Públicas de Ensino de Pernambuco: Língua Portuguesa/Secretaria de Educação – Recife-PE. 2008. ________Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Disponível em: http:// download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/ provas/2011/05_AMARELO_GAB.pdf. Acesso em 31 de maio 2013. Oliveira, Martha Kohl de. VIGOTSKY: Aprendizado e Desenvolvimento Um Processo Sócio Histórico – Coleção Pensamento e Ação no Magistério, São Paulo, Scipione, 1993. _________Parâmetros para a Educação Básica do Estado de Pernambuco, Pernambuco. SEE/PE: Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental e Médio. 2012.