O curso de Mestrado em Engenharia de Ma?quinas Mari?timas da ENIDH- uma nova realidade do ensino superior na?utico :Layout 1
EDUCAÇAO/FORMAÇÃO
O PROPULSOR
O curso de Mestrado em Engenharia de
Máquinas Marítimas da ENIDH: uma nova
realidade do ensino superior náutico
1. Introdução
No passado número 218 da revista “O Propulsor”,
publiquei o artigo intitulado “A Engenharia de Máquinas
Marítimas da ENIDH: Adaptação ao Processo de Bolonha”
[1], no qual descrevi as principais características do novo curso
de licenciatura em Engenharia de Máquinas Marítimas, em
consequência da adaptação dos cursos da ENIDH ao Processo
de Bolonha [2]. Nesse artigo, fiz referência ao facto de ter
sido igualmente submetido à apreciação do Ministério da
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) a proposta de
criação de um segundo ciclo de estudos em Engenharia de
Máquinas Marítimas que, de acordo com a nova legislação
sobre graus académicos (decreto-lei nº 74/2006, de 24 de
Março), conferia o grau académico de mestre. Este novo ciclo
de estudos constitui uma novidade no ensino politécnico,
visto que, na anterior legislação, a atribuição deste grau
académico estava restringida apenas ao ensino universitário.
Podemos recordar sucintamente alguns dos objectivos
gerais da Declaração de Bolonha [3], que são: o aumento da
competitividade do sistema europeu de ensino superior e a
promoção da mobilidade e empregabilidade dos diplomados
do ensino superior no espaço europeu. A realização destes
objectivos globais pressupõe a adopção de um sistema
assente essencialmente em dois ciclos de estudos, ou seja:
• Um primeiro ciclo, que conduz ao grau de licenciado
(em Portugal), com um papel relevante para o mercado
de trabalho europeu, e com uma duração compreendida entre seis e oito semestres;
• Um segundo ciclo, que conduz ao grau de mestre, com
uma duração compreendida entre três e quatro semestres.
Deste modo, o Departamento de Máquinas Marítimas
(DMM) propôs duas ofertas formativas de acordo com o
estipulado no Processo de Bolonha, tendo o primeiro ciclo de
licenciatura entretanto aprovado pela Tutela já sido objecto
de análise no artigo anterior. Mais recentemente, em
Dezembro de 2007, a Direcção Geral do Ensino Superior
(DGES), autorizou a proposta de criação do curso de
mestrado em Engenharia de Máquinas Marítimas da ENIDH
(Processo n.º B 1953/2007, de 14 de Dezembro). Esta decisão
da Tutela, dado tratar-se do primeiro curso de mestrado
aprovado para a ENIDH, constitui um acontecimento
extremamente positivo para o prestígio da Engenharia de
Máquinas Marítimas (EMM) e da própria Escola. Deste modo,
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Novembro/Dezembro 2007 - N.º 221 • Ano 37.º
vamos abordar nas secções seguintes, alguns dos aspectos
mais relevantes da proposta de curso de mestrado em EMM
de modo a dar a conhecer aos leitores da revista esta nova
oferta formativa da ENIDH.
2. O Curso de Mestrado em Engenharia
de Máquinas Marítimas
O curso de mestrado em Engenharia de Máquinas
Marítimas (EMM) enquadra-se na rede de cursos do ensino
superior politécnico público, e destina-se a formar Oficiais de
Máquinas Marítimas ao nível da gestão para o sector dos
transportes marítimos (nacional e internacional), sendo a
única oferta formativa a nível nacional destinada a este sector
de actividade. A ENIDH, conforme estatuído na sua lei
orgânica (Decreto-Lei nº16/2002, de 29 de Janeiro) é definida
como um estabelecimento do ensino superior que visa
formar Oficiais da Marinha Mercante e outros quadros
superiores para o sector marítimo e portuário e áreas afins,
dotando-os de profissionais altamente qualificados, bem
como promover a investigação e o desenvolvimento
tecnológico inerentes aquela área de actividade, e a difusão
dos conhecimentos adquiridos na prossecução das suas
competências. Deste modo, o curso de mestrado em EMM
visa contribuir para a formação de quadros de engenharia
altamente qualificados para o sector dos transportes
marítimos, área considerada estratégica pelo governo para o
desenvolvimento sustentável da economia nacional.
Revista Técnica de Engenharia
O curso de Mestrado em Engenharia de Ma?quinas Mari?timas da ENIDH- uma nova realidade do ensino superior na?utico :Layout 1
O PROPULSOR
2.1. Objectivos do curso
A formação de Oficiais da Marinha Mercante é
historicamente uma formação estruturada em dois níveis de
formação, por força de normativos internacionais, de que são
exemplos mais recentes os parâmetros de formação
estabelecidos na Convenção IMO-STCW’95. De facto, pode
afirmar-se que, no nosso país, a Escola Náutica foi percursora
no ensino estruturado em dois ciclos, na medida em que essa
estrutura de organização do ensino já existia muito antes do
aparecimento das conhecidas licenciaturas bi-etápicas.
De acordo com a Convenção, o primeiro ciclo de estudos
(curso de licenciatura em Engenharia de Máquinas Marítimas
com a duração de três anos lectivos já em funcionamento no
corrente ano lectivo), deve satisfazer os requisitos mínimos
obrigatórios estabelecidos no parágrafo 2.3 da regra III/1 do
anexo à Convenção IMO-STCW’95 para a obtenção dos
certificados de competência para oficiais de máquinas chefes
de quarto numa casa da máquina em condução atendida ou
oficiais de máquinas, de serviço numa casa da máquina em
condução desatendida.
O segundo ciclo de formação deve satisfazer os requisitos
mínimos obrigatórios para a obtenção dos certificados de
competência para chefes de máquinas e segundos oficiais de
máquinas de navios cuja máquina principal tenha uma
potência propulsora igual ou superior a 3000 kW, conforme
previsto no parágrafo 2.2 da regra A-III/2 do anexo à
Convenção IMO-STCW’95.
A prossecução destes objectivos implica a necessidade de
criação de um curso de mestrado nesta abrangente e
interdisciplinar área do conhecimento. Deste modo, o curso
de mestrado em EMM foi criado com a finalidade de dar
cumprimento aos seguintes objectivos:
• Adaptar o Ensino Náutico no que diz respeito à formação de Oficiais de Máquinas da Marinha Mercante
ao nível de gestão e às alterações da lei de Bases do
Sistema Educativo Nacional, com base nos conceitos
preconizados no processo de Bolonha (decreto-lei nº
74/2006 de 24 de Março) e Lei nº 49/2005 de 25 de
Agosto que alterou a lei de Bases do Sistema Educativo
(Lei nº 46/1986, de 14 de Outubro) alterada pela Lei nº
115/1997 de 19 de Setembro;
• Satisfazer aos requisitos obrigatórios para certificação de
Segundos Oficiais de Máquinas e Chefes de Máquinas,
conforme previsto no parágrafo 2.2 da Regra A-III/2 do
anexo à Convenção Internacional sobre Normas de Formação e Certificação e de Serviço de Quartos STCW’95
(Decreto do Presidente da República nº 42/98, de 13 de
Outubro, e Resolução da Assembleia da República nº
45/98, de 13 de Outubro), bem como possibilitar a
obtenção dos respectivos certificados de competência;
• Criar uma estrutura curricular que esteja adaptada ao
novo quadro legislativo, contemplando a formação de
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Revista Técnica de Engenharia
EDUCAÇAO/FORMAÇÃO
diplomados com o grau académico de mestre, de acordo com o Processo de Bolonha, de modo a responder
aos novos desafios que se colocam ao sector dos transportes marítimos. Esta área é considerada estratégica
para o desenvolvimento sustentável da economia
nacional, conforme referido no Relatório da Comissão
Estratégica dos Oceanos de 15 de Março de 2004 [4] e
no Livro Verde da Comissão das Comunidades Europeia – Para uma futura política marítima da União –
Uma visão europeia para os oceanos e os mares
(COM(2006) 275 – 7/06.2006) [5];
• Rentabilizar os meios – recursos humanos e bens materiais – disponíveis na ENIDH. Refira-se que o Departamento de Máquinas Marítimas possui um corpo docente
altamente qualificado e que, em virtude dos investimentos que se têm vindo a fazer na Escola desde há vários
anos, o curso de EMM dispõe de um conjunto de laboratórios e meios informáticos de elevada qualidade.
2.2. Adequação da organização do ciclo de
estudos
A estrutura curricular do ciclo de estudos conducente ao
grau de mestre em EMM pretende reflectir uma mudança de
atitude de todos os participantes no processo formativo
perante a sociedade. Estas mudanças culturais têm vindo a
verificar-se ao longo dos últimos anos pelo que existe a
necessidade de antecipar algumas das tendências que se
avizinham, tais como:
• A constante evolução tecnológica das instalações de
máquinas marítimas e os novos desafios colocados pela
preservação do meio marinho;
• A existência de meios informáticos adequados (hardware e software) capazes de analisar e tratar problemas
de engenharia de máquinas marítimas com complexidade crescente e em áreas onde, tradicionalmente, não
eram geralmente utilizados.
Estas tendências incluem a passagem de um modelo
de ensino baseado na transmissão de conhecimentos
pelos docentes para um ensino baseado no desenvolvimento de competências, em que os alunos são encorajados a desenvolver uma atitude mais activa e com uma
componente de auto-aprendizagem mais acentuada. Ao
nível da mudança de atitude por parte dos alunos, podemos destacar:
• Tendo em conta que o sector dos transportes marítimos
está em constante mudança, onde os conhecimentos
adquiridos hoje poderão estar desactualizados num futuro
próximo, os alunos devem ser estimulados a desenvolver
competências que lhes permitam efectuar uma aprendizaNovembro/Dezembro 2007 - N.º 221 • Ano 37.º
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EDUCAÇAO/FORMAÇÃO
gem ao longo da vida, de modo autónomo, com o objectivo de manterem-se actualizados e de possuírem uma visão
alargada sobre os diferentes domínios da engenharia de
máquinas marítimas e áreas afins;
• O incremento da comunicação, o trabalho em equipa, a
criatividade e a experiência prática/laboratorial dos alunos,
embora assegurando uma forte componente científica;
• Os alunos devem ter mais flexibilidade e mobilidade
para ajustar a sua formação, antecipando as necessidades do mercado de trabalho marítimo-portuário.
Esta mudança requer alterações profundas na forma de
ensinar e organizar as unidades curriculares e de as alicerçar
em metodologias de estudo mais adequadas. Estes aspectos
podem nem sempre ser directamente mensuráveis nos
conteúdos das unidades curriculares do curso de mestrado,
na medida em que, em muitos casos reflectem apenas
diferentes formas de pensar, ensinar e aprender que devem
ser incorporadas pelos alunos e, principalmente, pelos
docentes afectos ao curso. A interdisciplinaridade da
engenharia de máquinas marítimas, por exemplo, não se
repercute facilmente num plano de estudos constituído por
unidades curriculares tradicionalmente estanques. Para atingir
os objectivos preconizados pela Declaração de Bolonha, os
docentes afectos ao curso de mestrado em EMM terão que
ter em consideração a necessidade de alargar os horizontes de
aplicação das matérias leccionadas e introduzir trabalhos de
natureza predominantemente interdisciplinar e integradora.
2.3. Estrutura do curso
O curso de mestrado em EMM, está organizado com
base na engenharia de máquinas marítimas, com especial
incidência nas áreas de mecânica aplicada, instalações
térmicas, controlo de sistemas e de disciplinas específicas
inerentes ao exercício da actividade de Segundo Oficial de
Máquinas e de Chefe de Máquinas de Máquinas da Marinha
Mercante, conforme preconizado pela Convenção IMOSTCW’95 (ver figuras 1 e 2).
O plano de estudos do curso de mestrado em EMM
contempla 120 unidades de créditos ECTS [6] distribuídas
por quatro semestres lectivos. É composto na sua quase
totalidade por unidades curriculares obrigatórias, sendo
apenas duas de opção. Tal facto deve-se, fundamen talmente, à necessidade de dar cumprimento a normas
nacionais e internacionais aplicáveis à actividade marítima.
Estas normas não permitem a existência de um leque
alargado de disciplinas de opção, tendo em consideração
O PROPULSOR
os objectivos técnico-científicos e profissionais a atingir
pelo curso. Deste modo, podemos caracterizar o curso da
seguinte forma:
• É constituído por 4 semestres lectivos;
• No primeiro ano, cada semestre é constituído por 6
unidades curriculares (cinco obrigatórias e uma de
opção). O modelo de organização pedagógica baseia-se
em 24 horas de contacto docente/aluno por semana;
• As disciplinas obrigatórias do primeiro ano, têm como
finalidade proporcionar uma formação especializada, e
constituem a base do curso. As disciplinas de opção,
permitem aos alunos optarem por um carácter mais
preferencial da formação especializada, tendo em vista
o seu interesse particular;
• O segundo ano é constituído por dois semestres lectivos,
sendo essencialmente dedicados à realização da dissertação/projecto/relatório em regime não presencial.
No caso específico do segundo ano curricular do curso de
mestrado em EMM, os dois semestres destinam-se à realização de:
• Unidade curricular “Instalações e Equipamentos de
Navios”. Esta disciplina, à qual são atribuídos 12 créditos, é orientada por um docente (tutor) e tem como
finalidade a elaboração em contexto de trabalho de um
relatório técnico-científico, versando o estudo e análise
de um sistema marítimo ou industrial. Neste relatório,
o aluno deverá evidenciar a capacidade efectiva de
integração de conceitos e metodologias não apenas
entre unidades curriculares mas, se possível, entre as
diferentes áreas de conhecimento adquiridas nos
módulos curriculares leccionados durante o curso;
• Unidade curricular “Dissertação/Projecto/Relatório”, à
qual estão atribuídos 48 créditos e que abrange os dois
semestres lectivos. Esta unidade curricular deverá ser
elaborada com base no disposto na alínea b) do nº 1 do
Art.º 20 do Decreto-Lei nº74/2006, de 24 de Março.
Esta alínea define que o curso de mestrado deve integrar “Uma dissertação de natureza científica ou um trabalho de projecto, originais e especialmente realizados
para este fim, ou um estágio de natureza profissional
objecto de relatório final, consoante os objectivos
específicos visados, nos termos que sejam fixados pelas
respectivas normas regulamentares, a que corresponde um
mínimo de 35% do total dos créditos do ciclo de estudos”.
- ECTS (European Credit Transfer System): sistema de créditos que se baseia no trabalho global, medido em número de horas de actividade, que o estudante deve efectuar para ser aprovado nas várias unidades curriculares do curso. Este novo sistema é oposto ao anterior,
no qual os créditos estavam associados ao número de horas de docência para cada tipo de aulas (teóricas, práticas ou teórico-práticas). Um
ano de trabalho a tempo inteiro corresponde a 60 créditos ECTS.
1
20
Novembro/Dezembro 2007 - N.º 221 • Ano 37.º
Revista Técnica de Engenharia
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O PROPULSOR
EDUCAÇAO/FORMAÇÃO
O plano de estudos do curso de mestrado em EMM, que
se apresenta no Quadro nº 1, é constituído por unidades
curriculares de ciências de engenharia (CE), ciências da
especialidade (CES), de formação complementar (FC), e por
uma dissertacão/projecto/relatório com características
integradoras. Deste modo, tem-se:
Quadro 1
1º ANO
HC2 ECTS
Análise Energética de Sistemas Marítimos
HC ECTS
4
6
Motores Diesel Marítimos
Instrumentação e Controlo
4
6
Sist. Eléctricos e Electrónicos de Navios
4
6
Vibrações e Ruído
4
6
Fractura e Dano
4
6
Hidrodinâmica e Propulsão
4
4
Refrigeração e Climatização
4
4
Gestão Técnica de Navios
4
4
Regulamentos e Direito Marítimo
4
4
Opção M1
4
4
Opção M2
4
4
24
30
24
30
4
4
Totais
Opção M1
4
Totais
6
Opção M2
Estruturas Navais
4
4
Materiais Compósitos
Cuidados Avançados de Saúde
4
4
Bases de dados e Redes
4
4
Optimização
4
4
Modelação e Simulação de Sistemas
4
4
Equipamentos Térmicos
4
4
Automação e Robótica
4
4
Sistemas Digitais e Microprocessadores
4
4
Aplicações com Microprocessadores
4
4
2º ANO
HC ECTS
Instalações e Equipamentos de Navios
(*)3
12
Introdução ao Trabalho de
Dissertação / Projecto / Relatório
(*)
18
Totais
HC ECTS
Dissertação/Projecto/Relatório
Totais
30
• Disciplinas de ciências de engenharia (CE), as quais se
consideram como sendo aplicações das ciências de
base a modelos gerais (Instrumentação e Controlo,
Vibrações e Ruído, Fractura e Fadiga, etc…);
• Disciplinas da ciências da especialidade (CES), as quais
se consideram como uma aplicação directa das
matérias à resolução de problemas reais, podendo
diferir das disciplinas de ciências de engenharia pelo
facto de procederem à aplicação concreta à respectiva
actividade profissional (Análise Energética de Sistemas
Marítimos, Hidrodinâmica e Propulsão, Motores Diesel
Marítimos, etc.);
(*)
30
30
do curso (Gestão Técnica de Navios e Regulamentos e
Direito Marítimo).
Relativamente à distribuição das disciplinas por grupos,
verifica-se uma distribuição equilibrada, de acordo com os
objectivos a atingir e com as recomendações para os cursos de
engenharia, nomeadamente as da Ordem dos Engenheiros
para os processos de acreditação de cursos. Em face do exposto,
o peso relativo dos diferentes tipos de unidades curriculares do
ciclo de estudos conducente ao grau de mestre em EMM, é o
seguinte:
• Ciências de engenharia (25%)
• Ciências da especialidade (25%)
• Disciplinas de formação complementar (FC), as quais,
sendo importantes, o seu conteúdo programático não
se insere na linha científica principal da especialidade
2
3
• Formação complementar (10%)
• Dissertação/Projecto/Relatório (40%)
- HC: Horas de contacto docente/aluno.
- Nestes casos, as horas de contacto são ministradas sob a forma de orientação tutorial.
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Novembro/Dezembro 2007 - N.º 221 • Ano 37.º
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O PROPULSOR
EDUCAÇAO/FORMAÇÃO
a)
b)
a)
b)
c)
d)
Fig.2. Exemplos de aulas laboratoriais do curso de EMM. a) Aula de informática. b) Ensaio prático de controlo de condição. c)
Ensaio prático de permutadores de calor. d) Ensaio prático de sistemas de controlo automático.
2.4. Certificação marítima
Para a atribuição de certificação marítima aos alunos do
curso de mestrado em EMM, foram considerados em
particular os seguintes artigos do decreto-lei sobre graus
académicos (n.º74/2006 de 24 de Março):
Artigo 18.º
Ciclo de estudos conducente ao grau de mestre
1 – O ciclo de estudos conducente ao grau de mestre
tem 90 a 120 créditos e uma duração normal compreendida entre três e quatro semestres curriculares
de trabalho dos alunos.
4 – No ensino politécnico, o ciclo de estudos conducente
ao grau de mestre deve assegurar, predominantemente, a aquisição pelo estudante de uma especialização de natureza profissional.
5 – A obtenção do grau de mestre referido nos números
anteriores, ou dos créditos correspondentes ao curso
de especialização referido na alínea a) do n.º 1 do
artigo 20.º do presente decreto-lei, pode ainda habil-
22
Novembro/Dezembro 2007 - N.º 221 • Ano 37.º
itar ao acesso a profissões sujeitas a requisitos especiais de reconhecimento nos termos legais e institucionais previstos para o efeito.
Artigo 20.º
Estrutura do ciclo de estudos conducente ao grau de mestre
1 – O ciclo de estudos conducente ao grau de mestre integra:
a) Um curso de especialização, constituído por um conjunto organizado de unidades curriculares, denominado curso de mestrado, a que corresponde um mínimo
de 50% do total de créditos do ciclo de estudos
......
De acordo com o exposto no Quadro n.º1, o primeiro ano
do curso de mestrado em EMM integra um conjunto de
unidades curriculares com um total de 60 créditos, ou seja
50% do número total de créditos do curso de mestrado (120
créditos). Assim, e de acordo com o estipulado na alínea a) do
n.º 1 do artigo 20.º, o primeiro ano curricular do curso de
mestrado irá corresponder um curso de Especialização em
Engenharia de Máquinas Marítimas. Deste modo, tendo
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O PROPULSOR
ainda em consideração o estipulado nos pontos 4 e 5 do
artigo n.º18 com o curso de especialização em EMM,
estabeleceu-se que, em termos de certificação marítima, e
independentemente de outras exigências estabelecidas por
lei, a obtenção dos créditos correspondentes ao curso de
especialização em Engenharia de Máquinas Marítimas
satisfaz os requisitos obrigatórios para a obtenção do
Certificado de Competência para Segundo Oficial de
Máquinas e Chefe de Máquinas, em embarcações com
potência propulsora igual ou superior a 3000 kW, conforme
previsto no parágrafo 2.2 da regra A-III/2 do anexo à
Convenção IMO-STCW’95.
Acresce que, independentemente de outras exigências
estabelecidas por lei, a conclusão com aproveitamento da
unidade curricular de opção M1 - Cuidados Avançados de
Saúde, satisfaz os requisitos obrigatórios para a obtenção do
certificado de responsável pelos cuidados de saúde a bordo
das embarcações (tabela A-V1/4-2 do STCW’95).
2.5. Saídas profissionais
As saídas profissionais proporcionadas pelo curso de
mestrado em EMM, inserem-se nos domínios da engenharia
de gestão da manutenção de instalações e equipamentos
marítimos e industriais. Deve notar-se que no sector dos
transportes marítimos, quer a nível interno quer no espaço
comunitário, o mercado de trabalho está actualmente
bastante carenciado deste tipo de profissionais devido ao
decréscimo de interesse por parte dos candidatos em
frequentar cursos de vertente marítima, nomeadamente na
área da engenharia. Deste modo, podem salientar-se as
seguintes saídas profissionais:
EDUCAÇAO/FORMAÇÃO
título de exemplo o METNET (Thematic Network on Maritime
Education, Training and Mobility of Seafarers) [7]. Das
conclusões finais do projecto METNET (Overview of the
recomendations) [8], transcrevem-se as seguintes
recomendações no que diz respeito à qualidade e benefícios
esperados das propostas de formação avançada para oficiais
da marinha mercante:
“….
Quality
• To highlight the role of shippers in the improvement of
quality and their support of best practice should be
encouraged. Conversely, their use of sub-standard tonnage and focus upon lowest prices needs to be more
openly discussed and publicly deplored.
• The enrichment of the maritime studies, will have to
done through an improvement in quality but also
through a change of subjects or educational aspects,
enlargement in order to teach a more ample knowledge spectrum than that represented by the minimum
STCW’95.
• To eliminate the bachelor level and to concentrate (in
line with Bologna declaration) in a four maximum years
careers in which a License degree will be got. Covering
in excess the STCW’95 minima.
• Segundo Oficial de Máquinas (Second Engineer Officer) e
Chefe de Máquinas (Chief Engineer Officer);
• The competency for all the students coming from a
non university career should be understood as a way to
get the limited certificates by the sailing distance off
the coast or the number of GT or output kW. It will
mean a professional level furnished by skippers.
• Quadros superiores para chefia e gestão no sector dos transportes marítimos, operações portuárias, inspecção naval,
superintendência, administrações portuárias, estaleiros de construção e reparação naval e sectores afins;
• Once finished the academic period, pass to the compulsory period of practices in order to get a competency certificate. Once there, the professional path will
remain as today.
• Quadros superiores para chefia e gestão na área da engenharia de manutenção nos sectores de produção e distribuição de energia, ramos petrolífero, automóvel, refrigeração e de climatização;
• The possibility to offer a second cycle, that should be
understood in a superior academic step that is not
going to be chosen by all the students. The second
cycle, is going to be divided in two possibilities:
• Quadros superiores para chefia e gestão na área da engenharia de manutenção em empresas dos ramos metalomecânico, automação, controlo industrial e hotelaria.
1) MSc degree that is going to be covered by only one
more year of studies, and
3. Análise comparativa com cursos
congéneres do Espaço Europeu
Ciente das rápidas transformações tecnológicas,
económicas e sociais das últimas décadas, a ENIDH tem vindo
a participar em diversos projectos internacionais que
envolvem o ensino náutico. Destes projectos, pode referir-se a
Revista Técnica de Engenharia
2) Doctorate degree, covered by more than one year of
studies.
• The PhD path is going to be taken by all those who are
interested in research and teaching, the MSc in
Maritime Affaires postgraduate studies, is considered
an appropriate possibility for MET graduates, seeking
additional qualifications though further education.
• The MSc program will be designed for European seaNovembro/Dezembro 2007 - N.º 221 • Ano 37.º
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O curso de Mestrado em Engenharia de Ma?quinas Mari?timas da ENIDH- uma nova realidade do ensino superior na?utico :Layout 1
O PROPULSOR
EDUCAÇAO/FORMAÇÃO
farers who have already obtained the BSc or unique university academic level at a MET institution and a certificate of competency.
• The initial program on MSc should be easily adopted in
countries where the studies are already surmounted by
a university degree, such as Belgium, France, Netherlands, Norway, Portugal, Spain, Sweden and Germany.
• Two different curricula should be developed within the
mentioned MSc, one with commercial bias and one
with a technical one.
• The MSc could be defined in a rotational sense among
different institutions in Europe, where the students go
on to learn certain specific subjects.
• The MSc program should address to fill a void in the
academic MET environment, since there exists no programs of this kind yet, increasing the career opportunities for seafarers in the shore-based maritime industry
and administration.
Quadro 2
INSTITUIÇÕES DE ENSINO
• The academic degree in MET studies, will act as a catalyst to increase the attraction of a seafaring career, as
this is not considered as a one way road anymore that
will end on board ships.
• The academic degree also attracts more women students into the career as open more possibilities to
them, and not only to limited opportunities on board
ships.
• The new structure proposed for MET enters fully in the
future structure of all university studies in Europe, providing a standard level for the studies.
• The academic degree for the seafarers, give them more
opportunities when looking for jobs on shore and puts
in a better position to access in better conditions.
• The seafarers could access to administrative jobs where
a university degree is required and further they can
decide and influence the future regulations that will
affect the working and living conditions of the own
seafarers.
CURSOS CONGÉNERES
Universidad de Cádiz, Espanha
Facultad de Ciencias Náuticas
http://www2.uca.es/facultad/nauticas/
Engenharia Naval
Universidad Politécnica da Catalunha, Espanha
Facultad de Nautica de Barcelona
http://www.fnb.upc.es/menus/estudios.htm
Engenharia Naval
Gdynia Maritime University, Polónia
Faculty of Marine Engineering
http://www.wsm.gdynia.pl/index-e.html
Marine Engineering
Szczecin Maritime University, Polónia
http://www.wsm.szczecin.pl/
Marine Engineering
Vestfold University College, Noruega
Faculty of Maritime Studies
http://www.hive.no/engelsk/MA/index.htm
Marine Engineering
Kalmar Maritime Academy, Suécia
http://www.sb.hik.se/
Marine Engineering
Alland Polythecnic, Finlândia
http://www.ha.ax/text.con?iPage=21&m=20
Marine Engineering
Alland Polythecnic, Finlândia
http://www.ha.ax/text.con?iPage=21&m=20
Marine Engineering
Constanta Maritime University, Roménia
http://www.imc.ro/
Marine Engineering
University of Southampton
School of Engineering Sciences
www.sesnet.soton.ac.uk/degpro/MScmaritime.htm
24
Expected benefits
Maritime Engineering Science
• The rotational character of the MSc, can
also afford changes in the centres of
excellence responsible for each module
teaching. These centres should be responsible for coordinating the creation of
the course material for the specific subjects.
• Also there should be a rotation of the
courses to MET institutions in other countries to increase the mutual involvement
of West and East; promoting mobility
among all these countries as a measure
the reduce the lack of professionals in the
shipping industry.
….”
Norwegian University of Science and Technoloy (NTNU)
Faculty of Engineering Science and Technology
http://www.marin.ntnu.no/msc/
Marine Technology
Technical University of Delft
Faculty of Mechanical, Maritime and Materials Engineering
www.ocp.tudelft.nl/wbmt/fac/Onderw/MTKOM_E/0inh_e.htm
Marine Technology
Novembro/Dezembro 2007 - N.º 221 • Ano 37.º
• The proposed structure will ensure that
all the students wanting to pass the second cycle or MSc/PhD must go to sea at
least for one year in order to get the minimum competency certificates. This,
together with improved future conditions
at sea, could enlarge the periods that
graduates spent at sea and may partially
fill the void of young European officers.
As preocupações com a qualidade da
formação marítima no espaço europeu estão
igualmente expressas em diversos documentos da União Europeia, de que é exemplo
Revista Técnica de Engenharia
O curso de Mestrado em Engenharia de Ma?quinas Mari?timas da ENIDH- uma nova realidade do ensino superior na?utico :Layout 1
O PROPULSOR
a acta da 2695.ª Sessão do Conselho dos Transportes,
Telecomunicações e Energia, que decorreu em Bruxelas, de 1
a 5 de Dezembro de 2005 [9].
Tendo em consideração as necessidades de formação
avançada na área de máquinas marítimas, o DMM pretendeu
com este novo curso de mestrado, contribuir para a criação de
condições que suportem o desenvolvimento de uma
estratégia a longo prazo que vá ao encontro das necessidades
de formação avançada para o sector dos transportes
marítimos, no espaço europeu. No caso específico dos cursos
de formação de oficiais da marinha mercante no espaço
europeu, verifica-se que a sua adaptação ao Processo de
Bolonha, está ainda numa fase embrionária, o que tem
dificultado até ao momento eventuais harmonizações entre
cursos congéneres. Deste modo, e embora o Projecto METNET
tenha terminado antes de se ter iniciado a implementação do
Processo de Bolonha no espaço europeu, o relatório final
relativo ao plano de estudos em máquinas marítimas (Marine
Engineering) constituiu um bom documento de orientação
para a elaboração do presente curso de mestrado em EMM.
Deve notar-se que as recomendações do Projecto METNET
referem explicitamente que um curso de mestrado poderá
facilmente ser implementado em países como Portugal, que já
possui uma estrutura de ensino superior náutico consolidada, e
um corpo docente bastante qualificado. Deste modo, propõese que sejam criados cursos de mestrado (MSc – Master of
Sciense) para os alunos de cursos de oficiais, que tenham
obtido o grau de licenciado (BSc – Bachelor of Sciense) e
adquirido o respectivo certificado de competência.
Conforme referido anteriormente, a adaptação dos cursos
de ensino náutico no espaço europeu ao Processo de Bolonha
está ainda numa fase inicial, pelo que se torna prematuro
estar a prever as suas principais tendências. No entanto, tendo
em conta elementos recolhidos através de uma pesquisa
exaustiva na Internet e as informações obtidas junto de
docentes de algumas instituições de referência do ensino
náutico no Espaço Europeu, existem boas perspectivas de os
alunos do curso de mestrado em EMM poderem vir a
frequentar unidades curriculares de cursos homólogos
nalgumas dessas escolas, de modo a incrementar a
mobilidade de alunos e docentes, conforme preconizado pelo
Processo de Bolonha. A título de exemplo, apresenta-se na
Quadro n.º 2 uma lista de escolas superiores europeias de
referência na área marítima, que possuindo cursos
semelhantes ao de EMM, ou em vias de os criar, poderão,
caso sejam criadas as condições necessárias, assegurar a
mobilidade de alunos e docentes do curso de mestrado em
EMM no espaço europeu.
4. Conclusões
Neste artigo, descreveu-se de uma forma sucinta o novo
curso de mestrado em engenharia de máquinas marítimas da
ENIDH, recentemente aprovado pela Direcção Geral do
Ensino Superior do MCTES. Esta decisão da Tutela, dado
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EDUCAÇAO/FORMAÇÃO
tratar-se do primeiro curso de mestrado aprovado para a
ENIDH, constitui um acontecimento extremamente positivo
para o prestígio da Engenharia de Máquinas Marítimas e da
própria Escola.
Por fim, deve salientar-se que à medida que a Escola for
tomando decisões concretas relativamente à entrada em
funcionamento do novo curso de mestrado em EMM, irão
sendo publicadas informações aos potenciais interessados no
sítio da Escola (http://www.enautica.pt).
Referências
[1]. Luís Filipe Baptista, A Engenharia de Máquinas Marítimas da
ENIDH: Adaptação ao Processo de Bolonha, revista O Propulsor,
nº 218, edição de Maio/Junho de 2007
[2]. O Processo de Bolonha, Direcção Geral do Ensino Superior
http://www.dges.mctes.pt/Bolonha/Bolonha/Processo+Bolonha/
[3]. Declaração de Bolonha: declaração conjunta dos ministros da
educação europeus, assinada em 19.06.1999 na cidade de
Bolonha, Itália
[4]. Relatório da Comissão Estratégica dos Oceanos - O Oceano: Um
Desígnio Nacional para o Século XXI, Presidência do Conselho de
Ministros, Lisboa, 2004. http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres
/8C1F00F7-7589-4FDF-B0FC-9209A1291C5/0
/Relatorio_Oceanos_I.pdf
[5]. Livro Verde da Comissão da Comunidade Europeia – Para uma
futura política marítima da União: Uma visão europeia para os
oceanos e os mares (COM(2006) 275 – 7/06/2006)
http://www.emam.mdn.gov.pt/livro_verde.htm
[6]. ECTS: European Credit Transfer System, Direcção Geral do Ensino
Superior http://www.dges.mctes.pt/Bolonha/Objectivos+e+
Linhas+de +Acção/ECTS/
[7]. Relatório final de Task 5.2: Creation of a syllabus for MET (Marine
Engineering), Projecto METNET, Universidade Marítima Mundial,
Setembro de 2002 http://www.wmu.se/Pages/PageTemplate_7.asp?
SectionId=864
[8]. Recomendações finais do Projecto METNET – Thematic Network
on Maritime Education, Training and Mobility of Seafarers,
Novembro de 2002.
[9]. Acta da 2115ª Sessão do Conselho – Transportes, Teleco municações e Energia, 15 de Junho de 2003, Luxemburgo.
Luis Filipe Baptista
Professor Adjunto do Departamento de Máquinas Marítimas
Escola Náutica Infante D. Henrique
Novembro/Dezembro 2007 - N.º 221 • Ano 37.º
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