www.brasileconomico.com.br mobile.brasileconomico.com.br SEGUNDA-FEIRA, 22 DE MARÇO, 2010 | ANO 2 | Nº 134 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR-ADJUNTO DARCIO OLIVEIRA | R$ 3,00 Antonio Milena São Paulo Geraldo Alckmin aposta no investimento em pesquisa para atrair empresa de tecnologia. ➥ P12 Aviação Eurocopter quer produzir helicóptero brasileiro e investe US$ 420 milhões na Helibras. ➥ P22 TV por assinatura Investimento das operadoras e maior poder aquisitivo animam a Discovery. ➥ P28 Reciclagem é o maior desafio do século para empresas e governo Lei que regulamenta coleta e descarte de resíduos é modernizada e inclui também responsabilidade dos consumidores Aprovada pela Câmara dos Deputados depois de 19 anos de espera, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) prevê mudanças profundas e mais mo- dernas na forma de tratamento do lixo no país. Fabricantes, comerciantes, importadores e distribuidores são responsáveis pela coleta de produtos descarta- dos, assim como por seu destino final. Empresas discutem como reciclar eletroeletrônicos e algumas testam iniciativas com consumidores. ➥ P4 A demora na aprovação da lei permitiu acrescentar temas como o aquecimento global e a inclusão social. Andre Penner Brasil lidera lista de prioridades do grupo ABB Eficiência do sistema melhora pouco com banco estrangeiro Levantamento feito por economista da Unesp mostra que a chegada de instituições financeiras internacionais não contribuiu para a expansão do crédito como se esperava. Ao repetirem a fórmula dos demais bancos aplicando em títulos públicos, tornaram-se ainda mais conservadores. Os nacionais, por sua vez, acabaram apresentando lucros maiores. ➥ P38 Em entrevista exclusiva, Sérgio Gomes, presidente da ABB no Brasil, revela como a maior construtora de redes elétricas do mundo quer aproveitar as oportunidades do bom momento do país. ➥ P20 TAXAS DE CÂMBIO Cotação de fechamento para venda em 19/mar/2010 Reitor da USP propõe diálogo Souza Cruz faz Giannetti sugere acordo com Cuba Estado enxuto João Grandino Rodas assume a reitoria da Universidade de São Paulo e diz estar aberto a conversas, tanto para resol ver conflitos internos como para modernizar a instituição. Mas quer saber quem tem interesse. ➥ P32 Fabricante de cigarros, que é sócia do governo cubano há 15 anos na fumageira Brascuba, fecha contrato de preferência, caso a Tabacuba, outra estatal do ramo, passe por um processo de privatização. ➥ P26 O economista Eduardo Giannetti questiona o aumento da intervenção do governo na economia e as escolhas na hora de decidir onde investir. “O Estado tem de ser forte, mas enxuto”, afirma. ➥ P14 PAÍS MOEDA Argentina Peso Canadá Dólar Chile Peso China Iuane Coreia do Sul Won União Europeia Euro Estados Unidos Dólar Índia Rúpia Japão Iene México Peso Paraguai Guarani Reino Unido Libra Uruguai Peso Rússia Rublo Venezuela Bolívar forte Fontes: Banco Central e Brasil Econômico R$ US$ 3,8663 0,4649 1,0160 1,7680 0,0034 529,3800 6,8270 0,2630 0,0016 1.135,9000 1,3538 2,4306 1,0000 1,7954 45,5100 0,0395 90,4500 0,0199 12,5839 0,1429 0,0004 4.760,0000 1,5015 2,6959 19,6500 0,0923 29,3625 0,0612 4,3000 0,4186 2 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 NESTA EDIÇÃO Enrique de La Osa/Reuters Em alta FIA testa aptidões dos executivos Parceria com o Thunderbird Global School of Management, dos Estados Unidos, desenvolverá novo teste que avalia a capacidade dos executivos para cargos fora do país. ➥ P31 Andre Penner Azul programa mais voos pelo país A companhia voa para 18 destinos e, até o fim do ano, pretende chegar a 21. Nos próximos meses, deverão ser incorporados mais seis aviões da Embraer a sua frota. ➥ P34 ACSP fará sugestões ao novo governo ABB planeja investimentos com muita energia no Brasil Fornecedora de gigantes como Petrobras, Vale e Eletrobrás, a maior construtora de redes de energia do planeta também tem planos ousados para o Brasil. Sérgio Gomes, presidente no país, relaciona a usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, o projeto hidroviário Teles Pires e o trem-bala como prioritários. “Temos muitas oportunidades teóricas no mercado que precisam se concretizar, mas à medida que elas se confirmarem não será por falta de disposição do grupo de investir que nós vamos perder”, afirma, garantindo que podem, inclusive, ser alocados recursos do próprio grupo pra o país. ➥ P20 As lições da crise e os obstáculos ao crescimento Alencar Burti, presidente, e Roberto Macedo, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, coordenam o documento com as propostas. ➥ P36 Souza Cruz se fortalece em Cuba Divulgação Sócia do governo cubano há 15 anos, a fumageira firmou novo acordo com as autoridades da ilha que lhe garantirá a preferência na privatização da estatal Tabacuba. ➥ P26 São Paulo na vanguarda da inovação Para isso, Geraldo Alckmin, secretário de Desenvolvimento do Estado, quer modernizar o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e ampliar as Fatecs e Etecs. ➥ P12 Iberostar prevê expansão de 8% Grupo hoteleiro espanhol especializado em turismo de negócios, voltado para convenções e eventos, registrou taxa de ocupação superior a 90% em janeiro e fevereiro. ➥ P17 “O Brasil não acompanhou o ritmo de crescimento dos países emergentes mais dinâmicos, mas tirou um excelente proveito para fazer um ajuste profundo nas contas externas, o que permitiu atravessar a crise com custo relativamente baixo”, afirma o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, avaliando que o país soube aproveitar apenas em parte o momento anterior à crise financeira global. “Vamos ver se dessa vez o país amadureceu a ponto de tirar proveito da oportunidade que o mundo está nos dando”, diz. A baixa taxa de poupança e de investimento são, na sua opinião, os dois obstáculos ao crescimento que gostaríamos de ter. ➥ P14 A expectativa de Emerson Almeida, presidente da Fundação Dom Cabral, é que, este ano, 40% dos cursos sejam vendidos a órgãos do governo. ➥ P30 Multimercados no radar das fundações Fundos, que não tiveram boa performance nos últimos exercícios, voltam a receber recursos de investidores institucionais obrigados a diversificar o portfólio. ➥ P40 Contra bolhas, um índice de imóveis Sugestão é de Alexandre Tombini, diretor de Normas do Banco Central, cotado para suceder Henrique Meirelles. O índice de preços seria usado para monitorar o setor. ➥ P41 Murillo Constantino Competição com as teles anima mercado de TV paga Mais cursos para funcionários públicos Divulgação Dejetos orgânicos vão gerar energia Ata do Copom centraliza as atenções Sabesp realiza em abril leilão para construção de termoelétrica junto à estação de tratamento de esgoto em Barueri, na Grande São Paulo. ➥ P18 Documento vai mostrar as razões de quem votou pela alta dos juros e de quem decidiu por sua manutenção em 8,75% na reunião da semana passada. ➥ P42 Um helicóptero totalmente brasileiro Dubai pede sete anos para pagar dívida Com aporte de US$ 420 milhões, a Helibras se torna a terceira unidade integrada da francesa Eurocopter Company para a fabricação deste tipo de aeronave. ➥ P22 “Nós precisamos de todos e eles também precisam de nós”, afirma o presidente do comitê de orçamento do emirado, Ahmed Bin Saeed al-Maktoum. ➥ P46 Henrique Manreza A disputa por novos assinantes no segmento de TV paga tende a se acirrar com a entrada de operadoras de telefonia, como Telefônica, Embratel e Oi, gerando mais negócios também para os programadores. “As teles trouxeram dinamismo e muito movimento ao mercado”, comemora Fernando Medin, diretor-geral da Discovery Networks no Brasil. Ele concorda que a bancarização, com o débito automático reduzindo o risco de inadimplência, o aumento do poder aquisitivo da classe C e a oferta de pacotes triple play, que reúnem TV paga, voz e banda larga, tornam os serviços mais atrativos, acelerando as vendas. ➥ P28 A FRASE “Os alunos da USP são bolsistas do povo” João Grandino Rodas, reitor da Universidade de São Paulo, lembra que é a sociedade quem paga a conta pelo que acontece na USP e, por isso, todos os que estão na universidade têm uma responsabilidade muito grande. “É preciso que as pessoas tenham consciência social”, afirma. Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 3 EDITORIAL Leandro Ferreira PATRÍCIA OLGA CAMARGO, ECONOMISTA DA UNESP Finalmente uma decisão sobre o destino do lixo Depois de longuíssimos — nunca é demais lembrar — 19 anos, a Câmara dos Deputados finalmente aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A lei, que regulamenta a forma de tratar o lixo, ainda precisa passar pelo crivo dos senadores. Se colocada em prática, ela responsabiliza tanto fabricantes, comerciantes, importadores e distribuidores, quanto consumidores e governos pelo descarte ambientalmente correto de restos usados pela sociedade. Aí se incluem também produtos como eletroeletrônicos. Nesse quesito, a demora na aprovação parece ter trazido pelo menos um benefício. Enquanto esperava, um grupo de empresas uniu-se no grupo denominado Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre), a fim de analisar as melhores práticas no setor. Pela quantidade de materiais tóxicos envolvidos em sua montagem, os eletroeletrônicos precisam de mais cuidados durante a reciclagem, ou mesmo durante seu descarte, do que caixas de papelão, para manter um exemplo simples. Algumas emendas acrescentaram novos temas, como o aquecimento global ou a inclusão social Não que papelão e isopor, ou mesmo restos de alimentos, deixem de ser um problema frente à comparação. Pelo contrário. Estima-se que o Brasil produza, diariamente, 150 mil toneladas de lixo urbano. Cada cidadão joga fora, dia após dia, 800 gramas de restos e ou produtos. Se mora em uma grande cidade, desperdiça mais. O total unitário, a cada 24 horas, é de 1,2 quilo. Dezenove anos foram suficientes para que os políticos apresentassem 140 emendas ao projeto. Alguma mudanças incluíram novos temas, que ganharam e ganham importância atualmente, como o aquecimento global e a inclusão social, nesse caso na forma dos catadores de materiais recicláveis. Enquanto aguardam a regulamentação, empresas como Itautec, Whirpool e Carrefour testam propostas de reciclagem, como mostra a série de matérias que começa na página 4. ■ Foram os bancos nacionais, e não os estrangeiros, que chegaram ao Brasil na última década, que mais contribuíram para a modernização do sistema financeiro brasileiro. A constatação é da economista Patrícia Olga Camargo no estudo “A evolução recente do setor bancário”. ➥ P38 Diretor de Redação Ricardo Galuppo Diretor-adjunto Darcio Oliveira [email protected] BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A. Presidente do Conselho de Administração Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos Diretor-Presidente José Mascarenhas Diretor e Jornalista Responsável Ricardo Galuppo Redação, Administração e Publicidade Avenida das Nações Unidas, 11.633 - 8º andar, CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP), Tel. (11) 3320-2000. Fax (11) 3320-2158 Editores Executivos Costábile Nicoletta, Fred Melo Paiva, Gabriel de Sales, Jiane Carvalho, Thaís Costa Produção Editorial Clara Ywata Editores Arnaldo Comin e Rita Karam (Empresas), Carla Jimenez (Brasil), Cristina Ramalho (Outlook e FS), Laura Knapp (Destaque), Márcia Pinheiro (Finanças) Subeditores Claudia Bozzo (Brasil), Fabiana Parajara, Isabelle Moreira Lima (Empresas), Luciano Feltrin (Finanças), Maeli Prado (Projetos Especiais), Phydia de Athayde (Outlook e FS) Repórteres Aline Lima, Amanda Vidigal, Ana Paula Machado, Carlos Eduardo Valim, Carolina Alves, Carolina Pereira, Cintia Esteves, Daniela Paiva, Denise Barra, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego, Elaine Cotta, Fábio Suzuki, Françoise Terzian, Gustavo Kahil, Ivone Santana, João Paulo Freitas, Juliana Elias, Karen Busic, Luiz Henrique Ligabue, Luiz Silveira, Lurdete Ertel, Marcelo Cabral, Maria Luiza Filgueiras, Mariana Celle, Mariana Segala, Marina Gomara, Martha S. J. França, Natália Flach, Natália Mazzoni, Nivaldo Souza, Paulo Justus, Priscila Machado, Regiane de Oliveira, Ruy Barata Neto, Thais Folego, Vanessa Correia Brasília Simone Cavalcanti, Sílvio Ribas Rio de Janeiro Daniel Haidar, Ricardo Rego Monteiro BRASIL ECONÔMICO On-line Marcel Salim (Editor), Conrado Mazzoni, Michele Loureiro, Micheli Rueda (Repórteres), Rodrigo Alves (Webdesigner) Arte Pena Placeres (Diretor), Betto Vaz (Editor), Cassiano de O. Araujo, Evandro Moura, Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo Argento, Renata Rodrigues, Renato B. Gaspar, Tania Aquino, (Paginadores) Infografia Alex Silva (Chefe), Monica Sobral, Rubens Neto Fotografia Antonio Milena (Editor), Marcela Beltrão (Subeditora), Henrique Manrezza, Murillo Constantino (Fotógrafos), Angélica Bueno, Thais Moreira (Pesquisa) Tratamento de imagem Antonio Moura, Henrique Peixoto Secretaria/Produção Shizuka Matsuno Departamento Comercial Heitor Pontes (Diretor Executivo), Sofia Pimentel (Assistente Executiva) Publicidade Comercial Gian Marco La Barbera (Diretor), Juliana Farias, Renato Frioli, Valquiria Resende, Wilson Haddad (Gerentes Executivos), Márcia Abreu (Gerente de Publicidade), Alisson Castro, Bárbara de Sá, Celeste Viveiros, Edson Ramão, Vinícius Rabello (Executivos de Negócios), Andreia Luiz, Solange Ferreira dos Santos (Assistentes) Publicidade Legal Marco Panza (Diretor Comercial), Ana Alves, Carlos Flores, Celso Nedeher (Executivos de Negócios), Alcione Santos (Assistente Comercial) Departamento de Marketing Samara Ramos (Coordenadora) Operações Cristiane Perin (Diretora) Departamento de Mercado Leitor Flávio Cordeiro (Diretor), Nancy Socegan Geraldi (Assistente Diretoria), Carlos Madio (Gerente Negócios), Anderson Palma (Coordenador Negócios), Rodrigo Louro (Gerente MktD e Internet), Giselle Leme (Coordenadora MktD e Internet), Lea Soler (Gerente Tmkt ativo), Silvana Chiaradia (Coordenadora Tmkt ativo), Alexandre Rodrigues (Gerente de Processos), Denes Miranda (Coordenador de Planejamento) Central de atendimento e venda de assinaturas 4007 1127 (capitais) 0800 600 1127 (demais localidades). De segunda a sexta, das 7h às 20h Sábado, das 7h às 15h [email protected] TABELA DE PREÇOS Assinatura Nacional Trimestral R$ 167,00 Semestral R$ 329,00 Anual R$ 648,00 Condições especiais para pacotes e projetos corporativos (circulação de segunda a sábado, exceto nos feriados nacionais) Impressão: Oceano Ind. Gráfica e Editora Ltda.- SP/MG/PR/RJ FCâmara Gráfica e Editora Ltda. - DF/GO RBS - Zero Hora Editora Jornalística S.A. - RS/SC 4 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 DESTAQUE MEIO AMBIENTE Coleta de lixo mais moderna no Brasil Pacote responsabiliza empresas, cidadãos e governo pelo destino final de rejeitos Sílvio Ribas [email protected] Em tramitação há 19 anos no Congresso Nacional, o projeto de lei 203/91, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), foi aprovado este mês na Câmara dos Deputados e prevê mudanças profundas na forma de o país lidar com os resíduos sólidos. A legislação proposta inicialmente pelo Senado retorna agora à Casa para sua última avaliação, podendo consagrar a obrigação para que fabricantes, comerciantes, importadores e distribuidores se responsabilizem pela coleta de produtos descartados. Eles também terão de garantir destino final adequado a milhares de toneladas de lixo produzidas diariamente. O projeto que estabelece a fixação de obrigações para empresários, governos e cidadãos no gerenciamento dos rejeitos é de autoria do relator da comissão especial sobre a matéria, deputado Dr. Nechar (PP-SP), que tomou como base a redação preparada por grupo de trabalho suprapartidário coordenado pelo deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP). Segundo os parlamentares envolvidos, a demora na tramitação do projeto acabou favorecendo a inclusão de novos temas, muitos envolven- A aprovação e a sanção da lei devem aumentar, por exemplo, a quantidade de artigos eletrônicos levada à reciclagem, tornando o sistema rentável e a custo menor ao consumidor do a discussão sobre o aquecimento global e a inclusão social, como a dos catadores de materiais recicláveis. Foram apresentadas 140 emendas para serem agregadas ao projeto. “O Brasil parte de experiências internacionais bem sucedidas para criar um sistema ambiental e socioeconômico que faz do lixo um gerador de negócios, renda, empregos e sustentabilidade”, afirma Jardim. O texto passou a responsabilizar ainda ao poder público pelo financiamento de iniciativas ajustadas à PNRS. A aprovação e a sanção da lei devem aumentar, por exemplo, a quantidade de artigos eletrônicos levada à reciclagem, tornando o sistema rentável e a custo menor ao consumidor. A geração de lixo urbano no Brasil se aproxima de 150 mil toneladas por dia, das quais 60% ainda são destinados a lixões. Só 1% é incinerado, incluídos os resíduos dos serviços de saúde. Cada brasileiro produz por dia em média cerca de 800 gramas de lixo, quantidade que sobe para 1,2 quilograma nas grandes cidades. O único ponto de discórdia no projeto, com crítica de especia- listas em gestão do lixo, se refere à incineração de resíduos. Considerada prejudicial no aspecto ambiental e social, a queima do lixo vem sendo proibida em vários países, sob o alerta de problemas de saúde por inalação de fumaças tóxicas e risco de poluição na atmosfera. Grandes empresas de incineração, concentradas no Sudeste, são apontadas como as responsáveis pelo lobby em favor da manutenção da prática. Além disso, a chamada “tecnologia suja” contraria projetos sociais para a coleta e reciclagem de materiais, que gera emprego e renda para catadores. GUERRA AO ENTULHO Principais itens do projeto de lei, em tramitação no Congresso, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos Fonte: Câmara dos Deputados CICLO DE VIDA LOGÍSTICA REVERSA ARTIGOS TÓXICOS DESCARTES PROIBIDOS Fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes passarão a ser solidariamente responsáveis pelo ciclo de vida dos produtos. Fica proibida a importação de resíduos considerados perigosos ou que causem danos ao meio ambiente e à saúde pública Criação do processo de recolhimento, desmontagem (se for o caso), reciclagem e destinação ambientalmente correta de materiais. Para isso, empresas poderão comprar produtos ou embalagens usados, atuar em parceria com cooperativas de catadores e criar postos de coleta. Se a empresa de limpeza urbana realizar a logística reversa, o setor público deverá ser remunerado Empresas serão obrigadas a atuar no recolhimento dos materiais rejeitados, dando-lhes destinação ambientalmente correta. Serão estabelecidas medidas para receber, após o uso, embalagens e agrotóxicos (restos e embalagens), pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes (resíduos e embalagens), lâmpadas fluorescentes e aparelhos (e componentes) eletroeletrônicos Serão proibidos lançamentos de resíduos em praias, no mar, rios e lagos, ou a céu aberto sem tratamento, exceto no caso da mineração. Ficará vedada também a queima a céu aberto ou em equipamentos não licenciados Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 5 LEIA MAIS Mesmo aprovada, lei precisará de regulamentação. Por enquanto, legislação municipal e estadual de meio ambiente rege coleta, reciclagem e tratamentos de material. O Carrefour cobra para retirar eletros da casa do cliente. A Whirlpool fez parcerias com companhias energéticas para tirar do mercado geladeiras velhas. A fabricante de PCs Itautec reciclou 527,7 toneladas de equipamentos no ano passado. A empresa exporta as placas usadas para Bélgica e Cingapura. Eduardo Nicolau/AE O desafio do século XXI Fabricantes e varejistas de eletroeletrônicos discutem como reciclar os produtos Martha San Juan França [email protected] Centro de reciclagem de Jaguariúna: em 2008, somente 405 municípios faziam coleta seletiva no país A demora na aprovação do projeto da Política Nacional de Resíduos Sólidos trouxe pelo menos um benefício. No caso dos eletroeletrônicos, fabricantes e grandes empresas de varejo associadas ao Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre), como Intel, HP, Dell, Philips, Walmart, Carrefour e Pão de Açúcar, formaram um comitê de trabalho voltado para estudar iniciativas de reciclagem. O grupo tem debatido questões relacionadas ao reaproveitamento de eletroeletrônicos e à possibilidade de incentivos fiscais para a sua realização. Atualmente, também está para ser votada na Câmara a Medida Provisória 476/09, que concede crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para empresas que usem resíduos sólidos como matéria-prima na fabricação de seus produtos. Esse crédito só poderá ser aproveitado na aquisição de resíduos diretamente de cooperativas de catadores de materiais recicláveis. Manuseio diferente Incineração polêmica Técnicos do Ministério do Meio Ambiente consideram a inclusão da possibilidade de incineração de lixo um fator positivo, se for considerado o estimulo dado à inclusão de municípios em programas de coleta e destinação correta dos resíduos. Atualmente, só 13% dos municípios têm aterros sanitários. Essa é considerada a melhor solução para evitar a contaminação do lençol freático. O senador Cícero Lucena (PSDB-PB), um dos parlamentares mais envolvidos com o tema, acredita que o projeto deverá ser votado pelo Senado antes das eleições deste ano. Ele avalia que o texto vindo da Câmara é “moderno, abrangente e responsável”, definindo obrigações dos governos, cidadãos e empresários no gerenciamento do lixo. Lucena lamenta que o lixo urbano tenha se tornado um dos grandes gargalos para as prefeituras, mas vê na coleta seletiva o ponto de partida para sua solução. “Em 1994, apenas 81 municípios faziam a coleta seletiva. Em 2004, o número avançou para 237 e, em 2008, já era de 405”, lembra. ■ O TAMANHO DA BAGUNÇA ● O Brasil gera cerca de 150 mil toneladas de lixo urbano por dia. Delas, 60% ainda são destinadas a lixões. ● Do total de resíduos, apenas 1% é incinerado, incluindo-se aí resíduos de serviços de saúde. ● Apenas 13% dos municípios do país contam com aterros sanitários, considerados o melhor método para evitar a contaminação do lençol freático. Segundo André Vilhena, diretor executivo do Cempre, a criação de um comitê para discutir o reaproveitamento da sucata de material eletroeletrônico se justifica pelas particularidades do setor. “Trata-se de um material que necessita de manuseio diferenciado e que exige uma tecnologia mais complexa e cara do que aquela usada, por exemplo, nas embalagens”, afirma. Para tratar lixo eletroeletrônico, são necessárias empresas especializadas com autorização de órgãos ligados ao meio ambiente, evitando a contaminação por materiais tóxicos. Para Vilhena, essas particularidades fazem com que cada em- “ Trata-se de um material que necessita de manuseio diferenciado, exigindo uma tecnologia mais complexa e cara do que aquela usada, por exemplo, nas embalagens André Vilhena, diretor executivo do Cempre presa de eletroeletrônicos ofereça alternativas diferentes pósconsumo. Ele cita a Philips que, na terça-feira passada, iniciou um programa de reciclagem de seus produtos, estabelecendo 40 pontos de coleta em 25 cidades de quase todos os estados do país, em parceria com a Oxil. Outras empresas, como a HP e a Dell recuperam parte dos cartuchos, hardwares e baterias. E a Whirpool investe na recuperação de refrigeradores velhos. Conceder incentivos fiscais para o trabalho de logística reversa, como é chamado o retorno desses materiais, pode ser uma forma de reforçar a indústria de reciclagem e aumentar os ganhos registrados com a Lei do Bem, que prevê benefícios fiscais a quem desenvolve inovações tecnológicas na agregação de novas funcionalidades ou características ao produto ou processo. O setor também discute como deve ser feito o transporte desse material e a definição do que constitui um produto obsoleto. “A relação do consumidor com esse material usado é diferente do que ocorre com os outros resíduos”, lembra Vilhena. Assim que todas essas questões forem definidas, os planos de atuação serão apresentados ao governo. ■ FIM DOS LIXÕES COLETA PÚBLICA RECICLAGEM INCINERAÇÃO HISTÓRICO Fixação de metas para acabar com os lixões e para construir aterros sanitários destinados ao tratamento adequado do lixo Outros materiais recicláveis descartados ao final da sua vida útil deverão ser reaproveitados sob a responsabilidade do serviço público de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Para isso, o poder público deverá estabelecer a coleta seletiva, implantar sistema de compostagem (transformação de resíduos sólidos orgânicos em adubo) e dar destino adequado a resíduos da limpeza urbana. Catadores de baixa renda serão priorizados Incentivos ao investimento de artigos recicláveis e que gerem a menor quantidade possível de resíduos sólidos. A criação de cooperativas de reciclagem será incentivada Possibilidade de se permitir a prática da incineração como forma de eliminar os resíduos sólidos. Medida gerou protestos de catadores e entidades que defendem políticas de inclusão social A proposta do deputado Dr. Nechar (PP-SP), aprovada quarta-feira (dia 17) no plenário da Câmara, é fruto de amplo acordo, construído há anos. O deputado tomou como base a redação preparada pelo grupo de trabalho suprapartidário coordenado pelo deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP). Ela retoma o Projeto de Lei 203/1991, do Senado, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, fixando obrigações aos empresários, governos e cidadãos na gestão dos rejeitos. O texto volta ao Senado para nova votação 6 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 DESTAQUE MEIO AMBIENTE Investimentos no setor são tímidos por falta de histórico jurídico Por enquanto interessadas seguem as leis municipais e estaduais relativas ao tratamento de lixo Paulo Liebert/AE Fabiana Parajara Divulgação [email protected] Mesmo que seja sancionada em breve a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o assunto não está resolvido. “Faltará ainda toda a regulamentação para o setor. O projeto de lei apenas abre caminho para que ela seja implementada”, diz Diógenes Del Bel, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre). Ou seja, será preciso ter regras claras para o reaproveitamento ou descarte de embalagens, de restos da construção civil e de eletrônicos, por exemplo — incluindo a coleta seletiva dos produtos. Por enquanto, o setor segue regulado pelas leis estaduais e municipais de meio ambiente. Mas, segundo Del Bel, elas são insuficientes para garantir segurança jurídica às empresas. Por isso, diz, os investimentos não avançam com a mesma velocidade que o volume de resíduos. Hoje, no país, segundo dados da entidade, quase 50% dos resíduos sólidos acabam em lixões clandestinos. Em 2008, 160 empresas privadas atuavam legalmente no setor de tratamento, de restos que não podem ir para a reciclagem, movimentando cerca de R$ 1,6 bilhão com 14,2 milhões de toneladas de resíduos tratados. A taxa anual de crescimento dos negócios gira em torno de 10%. “E ainda há muito espaço para expansão. Os investidores estão de olho no mercado. O problema é que estamos muito atrasados, em termos legais, em relação a outros países”, diz Del Bel. Os números não consideram o material que foi reciclado e, portanto, dispensou tratamento. Maturidade De acordo com o diretor da Abetre, atualmente os modelos jurídicos para o segmento vêm da Europa. Em países como Holanda, França e Alemanha, há metas obrigatórias, tanto para empresas quanto para o consumidor, sobre o descarte. Elas envolvem desde o pagamento de taxas, no ato da compra, até créditos dados ao cliente pela reciclagem dos produtos. “No Reino Unido, apenas no setor de eletrônicos, há entre 300 e 350 companhias que prestam serviço nessa área, dando o destino adequado para os equipamentos”, diz Del Bel. “No Brasil, são cerca de dez.” O setor ainda teria espaço para crescer prestando serviços para órgãos públicos, mas esbarra sempre em questões como Diógenes Del Bel Diretor da Abetre “Há muito espaço ainda para esse mercado crescer. Os investidores estão de olho nele. O problema é que estamos muito atrasados, em termos legais, em relação a outros países” orçamento e falta de regras jurídicas claras para atuar neste segmento. Várias cidades brasileiras mantêm seus próprios aterros e incineradores. Quanto às indústrias e às grandes obras de construção civil, Del Bel afirma que a maioria administra adequadamente as sobras de seus processos. Segundo dados da associação, apenas 50% dos resíduos sólidos têm tratamento adequado no Brasil Plástico, alumínio e aço para reciclagem têm mercado estruturado Lixões clandestinos Hoje, pelos dados da Abetre, os resíduos urbanos somam 53 milhões de toneladas por ano. Deste total, 12% nem chegam a ser coletados. Outros 40% acabam em locais que funcionam clandestinamente. Qualquer regulamentação para o setor terá de abordar o tema, com normas para recuperar esses locais. “Ainda não temos nada no país como a Superfund, dos Estados Unidos, uma legislação específica, feita para evitar problemas como esses”, diz Del Bel. ■ A reciclagem de materiais passou por grande avanço nos últimos anos no Brasil. O maior exemplo é o das embalagens longa vida, que hoje servem como matéria-prima para diversas finalidades. Depois de triadas nas cooperativas de catadores, as fibras de papel são empregadas pela indústria para caixas de papelão, o plástico unido ao alumínio tanto pode servir para a fabricação de telhas e placas, como para peças plásticas, como potes, canetas e brindes. Quando separados, os dois materiais servem para diversas aplicações específicas. O mesmo ocorre com o plástico reciclado das garrafas PET, utilizado principalmente para a produção de fibras de poliéster pela indústria têxtil, servindo para fios de costura, forrações, tapetes, carpetes e mantas. O material é também usado em roupas, e em cordas e cerdas de escovas, além de chapas para boxes de banheiro, placas de trânsito e tubos para redes de esgoto. Quando reprocessadas, podem se transformar em novas garrafas e fornecer matéria-prima para resinas, tintas e adesivos. A indústria automobilística, de modo geral, investe no reaproveitamento da matériaprima. Os modelos nacionais têm em média 85% de material reciclável. Há várias experiências de utilização de plástico para os painéis feitos da carcaça de computadores e estofamentos e carpetes desenvolvidos com resíduos de PET e bagaço de cana. Martha San Juan França Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 7 8 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 9 10 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 DESTAQUE MEIO AMBIENTE Empresas reciclam eletrodomésticos Carrefour lança serviço de recolhimento de eletros e Whirlpool tem parceria com companhia energética para Cintia Esteves [email protected] Varejistas e fabricantes, pelo menos por enquanto, não são obrigados a reciclar eletroeletrônicos e eletrodomésticos, mas algumas empresas estão se preparando para um futuro que julgam inevitável: o envolvimento de toda a cadeia na busca da sustentabilidade. Na segunda quinzena de fevereiro, o Carrefour lançou o programa Descarte Certo. Por ele, a rede de supermercados se compromete a retirar eletros usados da casa do cliente e dar um fim ecologicamente correto para eles. Os produtos são coletados por uma companhia especializada em reciclagem. A empresa não é paga pelo Carrefour para prestar o serviço. Sua receita sai dos produtos que são reciclados. A solicitação do serviço pode ser feita por um consumidor que tenha ou não comprado algo no Carrefour. Até o início de março o varejista, que cobra de R$ 3,90 (cartucho de tinta de impressora) a R$ 152,90 (geladeira ou freezer) por um chamado, havia registrado 550 pedidos, o que lhe gerou uma receita de R$ 7 mil. “Mesmo assim não temos lucro com a operação”, diz Fabio Regis, diretor de eletros do Carrefour. “Temos que pagar comissões para os vendedores, além de arcar com todos os custos de divulgação do progra- FÁBIO REGIS, DIRETOR DE ELETROS DO CARREFOUR ma”, diz. O executivo afirma que 90% das vendas do serviços acontecem nas próprias lojas. O restante chega através do site especialmente criado para o programa. A meta do executivo é fazer com que o Descarte Certo, em um prazo de 12 a 24 meses, corresponda por 10% das vendas do varejista (considerando-se apenas as categorias listadas no programa), o que deve gerar entre 3 mil e 5 mil pedidos de descartes por mês. Mas será que este crescimento é realmente possível? O consumidor estaria disposto a pagar mais de R$ 150 para se ver livre de uma geladeira usada? Ou desembolsar R$ 50,90 para dar um fim ecologicamente correto a No Carrefour, o foco do programa de reciclagem de eletros são as classes mais abastadas. Para dar um fim ecologicamente correto a um produto, a empresa cobra de R$ 3,90 a R$ 152,90, dependendo do item um aparelho de DVD? Para Regis, não há dúvidas de que a resposta para estas perguntas seja “sim”. No entanto, ele admite que o maior foco do programa são as classes mais abastadas. “Do total de descartes vendidos nas lojas, 79% é comprado por clientes que adquiriram algum eletro novo no Carrefour”, diz Regis. “O valor de R$ 152,90 é referente ao descarte de uma geladeira de grande porte. O cliente que tem um eletrodoméstico desse tipo provavelmente vai comprar outro do mesmo nível ou melhor. O valor de R$ 152,90 por um descarte não é muito significativo para esse cliente”, acredita. A estratégia da Whirlpool, Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 11 por conta própria vender geladeiras novas e reciclar as antigas fabricante de produtos de linha branca das marcas Consul e Brastemp, foi fazer parcerias com algumas companhias distribuidoras de energia elétrica, entre elas a CPFL. Por lei, estas empresas são obrigadas a investir 0,5% da receita em ações de combate ao desperdício de energia em seus estados. Onde entra a Whirlpool? A fabricante vende refrigeradores para as companhias como se fosse uma negociação tradicional com o varejo. Quando a geladeira é entregue na casa da família privilegiada pelo programa, a Whirlpool aproveita para retirar o refrigerador antigo. O produto é levado para o centro de reciclagem da fabricante, em Joinville (SC). Lá, tudo que pode reciclado é reaproveitado. Materiais como plástico, alumínio e cobre são vendidos para as indústrias correspondentes. “É um modelo de negócio do futuro. Olhando as empresas do ponto de vista da sustentabilidade, não há como agir diferente”, diz Armando do Valle Júnior, diretor de relações institucionais da Whirlpool. ■ PASSOS LENTOS CLASSE A Mil R$ 152,90 toneladas de resíduos foi o total reciclado pela Whirpool em 2009. O número parece imponente, mas atualmente a fabricante consegue reciclar apenas 1% do total de produtos que vende. é o valor cobrado pelo Carrefour para retirar da casa do cliente uma geladeira usada de grande porte. O produto é levado para reciclagem por uma empresa parceira. Henrique Manreza Nem sempre as tentativas do varejo dão certo. Há cerca de dois anos, o Carrefour tentou recolher impressoras usadas, oferecendo descontos para clientes na compra de uma nova. O projeto não vingou. O supermercadista descobriu que existiam poucas empresas no mercado especializadas no correto processo de reciclagem. Além disso, as impressoras usadas começaram a ocupar muito espaço das lojas. “No varejo, espaço é dinheiro”, diz Fábio Regis, diretor de eletros do Carrefour. Como se não bastassem essas dificuldades, alguns clientes se recusavam a entregar a impressora antiga. Nem todos querem revelar números Quando o assunto é reciclagem, algumas empresas, tanto varejistas quanto indústrias, são avessas a revelar números exatos acerca da quantidade de produtos reciclados ou do investimento destinado para esse tipo de operação. Um dos temores é que empresas de reciclagem tenham acesso a estes números, o que pode dificultar possíveis negociações. A Whirlpool é um exemplo. A empresa mantém um centro de reciclagem em Joinville (SC) e pensa em terceirizar o serviço conforme a quantidade de produtos a serem reciclados aumentar. “Se um dia passarmos a fazer esta terceirização, não gostaríamos que as empresas de reciclagem tivessem acesso aos nossos números. Isto poderia tornar os serviços mais caros”, diz Armando do Valle Júnior, diretor de relações institucionais da Whirlpool. Mas se as empresas são reticentes, entidades filantrópicas como o Exército de Salvação não têm o que esconder. Segundo Dirceu Lemos, administrador do programa da entidade, o Exército de Salvação recolhe, por dia, cerca de 25 geladeiras na cidade de São Paulo e outras 12 na do Rio. Deste total, um terço é levado para a assistência técnica e o restante é vendido para empresas de reciclagem. Na entidade, somente produtos de linha branca são aceitos com defeito. C.E. Itautec exporta placas de PCs usados Venda de componentes cobre 56% dos gastos com o programa de reciclagem da fabricante Carolina Pereira [email protected] Livrar-se de um computador usado se tornou em alguns casos um processo fácil e barato para o consumidor. Fabricantes como Itautec, HP e Dell, por exemplo, mantém programas de reciclagem em e não cobram nada por isso. Os próximos passos da indústria são diminuir os gastos com logística e até começar a lucrar com a venda de componentes. A Itautec, por exemplo, consegue fazer isso em parte. Hoje, 56% de seus programas de reciclagem no Brasil, que incluem coleta de equipamento e direcionamento para centros de desmontagem, são pagos com a comercialização de componentes usados. Segundo João Carlos Redondo, gerente de sustentabilidade da empresa, a fatia paga dessa forma era de 70% em 2008, mas reduziu-se por conta da derrubada nos preços da sucata, uma desvalorização gerada pela crise. O volume, no entanto, aumentou de um ano para outro. Foram 527,7 toneladas de equi- HP quer incentivar o retorno de produtos pelos próprios usuários, a fim de reduzir os custos com transporte no processo de reciclagem pamentos reciclados em 2009, crescimento de 13% em relação a 2008. A expectativa é de que, quando o volume atingir 700 toneladas, 100% do processo será custeado pela venda dos componentes. A partir daí, o programa deve gerar lucros. A exportação de placas faz parte das fontes de receita vindas do processo de reciclagem. Esses componentes, que correspondem a 12% do material dos computadores de mesa e 8% dos notebooks, são enviados para Cingapura e Bélgica, onde são reciclados e voltam para a cadeia produtiva. No Brasil, não existem parceiros homologados pela empresa para esse serviço. Segundo Kami Saidi, diretor de operações para o Mercosul e também responsável pelo Programa Integrado de Sustentabilidade Ambiental da HP Brasil, a logística para recolher os computadores é um processo muito custoso. “Não vejo uma equação em que a venda dos resíduos compense esses gastos. Nosso objetivo é gastar menos com logística, integrando-a ao modelo de negócio”, diz. A empresa também aposta na logística colaborativa, que é a entrega voluntária de equipamentos usados pelos clientes. ■ 12 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 BRASIL São Paulo investe em pesquisa para atrair investimento Alckmin: aposta em formação, pesquisa e capacitação para manter expansão da economia Governo aposta na modernização do IPT e ampliação das Fatecs e Etecs para colocar estado na vanguarda da inovação do país Elaine Cotta [email protected] Investimento em pesquisa. Essa é a aposta do governo de São Paulo para ampliar o potencial de crescimento e melhorar a competividade do estado. E o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) tem sido um dos principais beneficiados dessa investida. No ano passado, foram aplicados R$ 49 milhões na compra de equipamentos e em modernização do instituto. Em 2010, serão outros R$ 25 milhões. “A intenção é fazer com que o IPT ajude São Paulo a se transformar no principal centro de pesquisa e inovação do país”, afirmou o secretario de Desenvolvimento do governo do Estado, Geraldo Alckmin, em entrevista ao BRASIL ECONÔMICO. Além dos investimentos já programados, o IPT vai ganhar, ainda este ano, um prédio destinado a pesquisas na área de biotecnologia, tecnologia de partículas e metrologia, que receberá R$ 46 milhões em investimentos. A lista de desembolsos do estado para a área de pesquisa e formação de mão de obra especializada prevê ainda um investimento de R$ 27 milhões para a construção de um laboratório de estruturas leves no Parque Tecnológico de São José dos Campos, e outro, de R$ 110 milhões, para erguer um Centro de Desenvolvimento e Gaseificação de Biomassa no Parque Tecnológico de Piracicaba. “Essa é a vocação de São Paulo”, diz Alckmin. “Os parques tecnológicos são o exemplo ideal de onde podemos unir academia e o setor privado para fazer pesquisa e é isso que queremos incentivar.” Os parques, que costumam estar vinculados a alguma instituição de ensino e pesquisa como as universidades ajudam a melhorar a competitividade das chamadas vocações regionais - a indústria aeronaútica de São José dos Campos é um dos exemplos. “ Aposta na educação Queremos incentivar a pesquisa e uma troca maior entre a academia e o setor produtivo. Esta é a vocação de São Paulo: ser o centro de pesquisa, inovação e desenvolvimento de todo o país Geraldo Alckmin, secretário de Desenvolvimento E é em São José dos Campos que está um dos parques tecnológicos mais atuantes do estado. Nele, existe uma Faculdade de Tecnologia (Fatec), com 860 alunos, uma incubadora de empresas e o Centro de Competitividade e Inovação (Cecompi). Há ainda o Centro de Desenvolvimento de Tecnologias Aeronáuticas — que funciona com apoio da Embraer, que desenvolve pesquisas em parceria com o IPT e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). “O índice de empregabilidade das Fatecs, de ensino superior, é de 93%”, diz Alckimin. E algo parecido com o que acontece nas Escolas Técnicas (Etecs), onde a empregabilidade é de 73%, garante o secretário. Ambas são administradas pelo Centro Paula Souza, considerado a maior rede de ensino tecnológico do país, presente em 138 cidades. A mais recente unidade da rede foi inaugurada na semana passada. A Fatec de Bauru está localizada num prédio de 5 mil metros quadrados, com três andares, 14 salas de aula e oito laboratórios. Dentro da área vai funcionar também uma Etec. “As Etecs são escolas em tempo integral”, lembra Alckmin. Há 183 delas no estado, com 153 mil alunos e 92 cursos, que se dividem entre os setores primário(que conta com escolas agrícolas), industrial (com aulas de mecatrônica) e serviços, onde entram desde cursos de contabilidade e administração, até turismo e hotelaria. “A escolha dos cursos que serão oferecidos depende da vocação da cidade ou da região onde a unidade será instalada”, diz Alckmin. Assim como São José dos Campos faz pesquisa aeronáutica, Campinas tem um centro para estudos de Tecnologia da Informação e Santos, no litoral paulista, uma área de capacitação de pesquisa para o setor de petróleo e gás. “Sem formar pessoas e talentos não sairemos do lugar”, diz Alckmin. ■ Cena eleitoral Alckmin lidera pesquisas e Ciro ainda não define se concorre ao cargo de governador Marina Gomara e Elaine Cotta [email protected] O ‘disse-me-disse’ nos círculos políticos rola solto enquanto não são oficializadas as principais candidaturas às eleições deste ano: à Presidência e aos governos estaduais. Há, contudo, algumas indicações sobre os rumos do governo paulista. Com as recentes críticas do deputado federal e provável can- didato à Presidência pelo PSB, Ciro Gomes, às lideranças do PT, a aliança entre os dois partidos no estado não deve mesmo ir adiante. “As declarações do Ciro nos obrigou a romper esse processo de construção de uma candidatura unificada. Até pedimos que ele reconsiderasse sua posição publicamente, mas, agora, não tem clima. Começamos a pensar em um nome a propor. E o que mais cresceu foi do Mercadante (senador Aloizio Mercadante)”, explicou o presidente do PT no estado, Edinho Silva. Segundo ele, o PT nunca Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 13 Divulgação Vacinação contra gripe A chega à 2ª etapa Começa hoje a segunda etapa da campanha nacional de vacinação contra gripe A (H1N1). Até 2 de abril, gestantes, crianças de seis meses a dois anos e doentes crônicos (exceto idosos) receberão as doses da vacina. A meta do ministério da Saúde é umunizar pelo menos 80% do público esperado de 20,3 milhões. A campanha terá mais três fases: para a pessoas de 20 a 29 anos, de 3 a 23 de abril; para idosos, de 24 de abril a 5 de maio, e população de 30 a 39 anos, de 10 a 21 de maio. AGENDA DO DIA ● O MDIC anuncia o saldo da Balança Comercial da terceira semana de março. ● O BCB divulga o resultado das contas externas nacionais e as projeções econômicas dos bancos. ● A FGV publica a prévia da inflação pelo IGP-M. Antonio Milena INVESTIMENTOS R$ 46 mi é quanto será destinado para a construção do prédio onde serão realizadas as pesquisas de biotecnologia e metrologia do Instituto de Pesquisas Tecnológicas. R$ 27 mi é quanto o governo investirá na construção de um laboratório para pesquisar estruturas leves no Parque Tecnológico da cidade de São José dos Campos. R$ 110 mi é o valor do investimento previsto para erguer um Centro de Desenvolvimento e Gaseificação de Biomassa no Parque Tecnológico de Piracicaba PONTOS FORTES ● O índice de empregabilidade dos alunos que se formam nas Fatecs é de 93%. Nas Etecs chega a 73%, diz o governo. ● Existem 183 Etecs em 138 municípios do estado de São Paulo. Ao todo, há 153 mil alunos e 92 tipos de cursos. ● Já as Faculdades de Tecnologia (Fatecs) têm 40 mil alunos matriculados e oferecem 47 cursos em 46 cidades do estado. paulista ainda está indefinida havia estado tão unido em torno de uma candidatura no estado quanto a de Ciro Gomes. Porém, o deputado federal não esconde que ele postula mesmo a candidatura à presidência, e não tem planos firmes para o governo de São Paulo. Mas tudo vai depender de uma conversa que Ciro Gomes terá com o presidente Lula, provavelmente no mês que vem. “O presidente Lula é a palavra final, o Ciro ouve muito o presidente, eles se gostam muito. Então, pode ser que o Lula tente dissuadi-lo de disputar a presidência”, comentou uma fonte Fábio Feldman é o candidato do PV e Paulo Skaf deve mesmo assumir a vaga no PSB próxima ao candidato. Na avaliação de Ciro, se concorrer, ele conseguirá levar a eleição para o segundo turno, o que pode favorecer a candidata Dilma Rousseff. Concorrer ao mais alto cargo público do país — por mais que as chances de vitória sejam pequenas — também fortalece o partido e dá poder político a Ciro. Assim, a candidatura do PSB ao governo de São Paulo deve ir mesmo para o atual presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. No PV, a escolha do nome ao governo do Estado está pratica- mente definido. De acordo com Alfredo Sirkis, que é um dos fundadores do partido e o coordenador de campanha da précandidata à presidência, Marina Silva, o nome ao governo de São Paulo é o do ex-deputado federal Fábio Feldman — preferido da ex-ministra do Meio Ambiente. Mas para oficializar a candidatura, segundo Sirkis, só depende-se, agora, da aceitação oficial de Feldman, o que deve acontecer em breve. No PSDB, o anúncio depende da escolha do candidato à presidente. Enquanto o governador José Serra não anuncia oficialmente que é candidato ao Planalto- embora tenha admitido o fato em entrevista à TV Bandeirantes na sexta — ninguém no partido se posiciona. Quando perguntado sobre a campanha em São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin desconversa e diz que “cargo público executivo não é uma decisão pessoal, mas coletiva”. Mas não esconde a felicidade em ser apontado como um dos favoritos nas pesquisas no estado. “Fico feliz e agradeço muito à população de São Paulo”, diz. ■ 14 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 BRASIL Divulgação COMÉRCIO EXTERIOR DE OLHO Delegação brasileira vai a Peru e Bogotá para reunião com empresários Interesse de britânicos em investir no Brasil é reforçado nas visitas, diz cônsul Uma delegação brasileira com representantes do governo e mais de 40 empresários visitam Lima, no Peru e Bogotá, na Colômbia, de hoje até o dia 25, para discutir o comércio entre os países e participar de reuniões empresariais. O grupo será chefiado pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ivan Ramalho. A missão é organizada pelo MDIC e pela Apex- Brasil. As observações mais comuns que o cônsul geral britânico Martin Raven ouve dos empresários britânicos que vem ao Brasil é “eu não tinha ideia” e “vou voltar”. Eles querem confirmar o status brasileiro como mercado estável e forte onde se pode investir com segurança, com presença de longo prazo. Raven, que está deixando o Brasil depois de três anos, será sucedido por John Doddrell, que chega ao país na semana que vem. Henrique Manreza ENTREVISTA EDUARDO GIANNETTI Economista Estado tem de ser forte mas enxuto, diz Giannetti Para economista, o Brasil vive uma fase ‘getulista’ com benesses do governo Elaine Cotta [email protected] Eduardo Giannetti é economista e filósofo. Também é autor de livros como Auto-engano, Felicidade e Vícios privados, benefícios públicos. Na semana passada, ele recebeu o BRASIL ECONÔMICO em sua casa, na zona oeste de São Paulo. Na conversa que durou quase uma hora, Giannetti criticou o aumento da intervenção do governo na economia e diz que o crescimento baseado só no consumo não é sustentável no longo prazo. O Brasil se auto engana quando acredita que é a bola da vez da economia mundial? O Brasil esteve na situação de bola da vez em várias ocasiões e num passado não muito remoto. O que não podemos é ser complacentes e achar que isso por si só vai revolver nossos problemas. Vamos ver se desta vez o país amadureceu ao ponto de tirar proveito da oportunidade que o mundo está nos dando. O Brasil soube aproveitar o bom momento anterior à crise? Em parte. O Brasil não acompanhou o ritmo de crescimento dos países emergentes mais dinâmicos, mas tirou um excelente proveito para fazer um ajuste profundo das contas externas, o que permitiu atravessar a crise com custo relativamente baixo. A infraestrutura deficiente é o que nos impede crescer? É mais que isso. O Brasil tem dois problemas: baixa taxa de poupança e de investimento. Sem “ Ser bola da vez por si só não resolve nossos problemas. Já tivemos esse status em várias ocasiões e num passado não muito remoto melhorar o ambiente de negócios, vamos continuar com um crescimento menor do que o que gostaríamos de ter. Crescer baseado em consumo e aumento de gastos é viável? O Brasil quer fazer coisas demais ao mesmo tempo: quer aumentar o consumo, o investimento e o gasto do governo. Essa conta não fecha. Isso tem que ser contido. Você concorda com a ideia de de é preciso ter Estado forte? Eu defendo um Estado forte, porém enxuto. O que temos hoje é um Estado que faz muitas coisas que não deveria fazer e que se omite de coisas que seriam obrigação imprescindível. Por exemplo. Educação, saúde, saneamento e segurança pública. No Brasil 40% das domicílios não tem saneamento. Deveríamos pensar nisso antes de investir em submarinos Giannetti, na biblioteca da sua casa: prioridades invertidas no governo Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 15 Jerome Favre/Bloomberg PUNIÇÃO EXPORTAÇÕES Projeto prevê ressarcimento de verba usada indevidamente por deputados China deve retomar posto de maior mercado consumidor brasileiro este ano, diz AEB Em processo de votação pela Mesa Diretora da Câmara, projeto de lei prevê o ressarcimento de verba utilizada de forma irregular ou do recebimento de vantagem indevida por parte dos deputados. Além disso, amplia de um para seis meses o período de suspensão de mandato de um parlamentar. A proposta altera o Código de Ética dos Deputados e o funcionamento do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. A China deverá recuperar novamente a liderança como destino das exportações mensais do país nos próximos meses, após perder o posto para os EUA desde outubro do ano passado, acredita o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Para ele, o mercado americano não acompanhará o aumento esperado de 11% para as vendas externas brasileiras este ano. atômicos. Será que o Tesouro precisa mesmo se endividar para depois empresar ao BNDES para que ele financia grandes empresas que têm acesso a outras fontes de financiamento? O Tesouro se endivida pagando mais do que a Selic (8,75%) e o BNDES cobra TJLP (de 6%). Essa é mesmo a nossa prioridade? Temos desafios que não são ideológicos, mas civilizatórios. O governo Lula, no segundo mandato, descobriu uma maneira de aumentar gastos sem que isso se reflita nas contas orçamentárias. É o Tesouro financiamento o BNDES, que por sua vez empresta aos amigos do rei - o setor privado. O que inclusive do ponto de vista político também é muito questionável. Por quê? Porque esses grupos ficam de certa maneira amarrados ao esquema de poder, é um esquema “getulista”. O governo Lula, no “ O governo Lula, em seu segundo mandato, se parece cada vez mais com o modelo getulista, de fazer benesses com o dinheiro público por transferência de renda e aos grandes grupos empresariais, usando banco estatal segundo mandato, cada vez mais se parece com o modelo getulista de fazer benesses com o dinheiro público via transferência de renda à população de baixa renda e aos grandes grupos empresariais, usando para o banco estatal. É um retrocesso? Não é saudável para o país que nós desejamos no futuro. Eu não gostaria de imaginar um país no qual tudo depende de decisões políticas do governo. Há o risco de virarmos o México, que ficou 60 anos sob o comando de um único partido que trazia na “rédea curta” o setor empresarial? Esse fantasma paira na minha visão de futuro brasileiro. O Raul Velloso fez uma conta que me preocupa. Em qualquer sociedade existem os cidadãos que vivem das trocas voluntárias de trabalho e os que dependem da trans- ferência de recursos do governoQual é o tamanho desses dois segmentos no Brasil? Há 120 milhões de cidadãos brasileiros que dependem de transferência de dinheiro do governo (incluindo o funcionalismo público, dependentes da Previdência, e pensionistas, além dos beneficiários dos programas sociais). Ou seja, 62% da população tem algum grau de dependência com o pagamento de recursos que não resultam do que seria normal numa economia de mercado, que são as trocas voluntárias. No curto prazo isso pode trazer certo conforto. Mas nós não estamos construindo, no meu entendimento, um país saudável para o futuro. Programas como o Bolsa Família deveriam ser extintos? Não é errado ter programas como esse. Em qualquer sociedade minimamente civilizada existe algum mecanismo de proteção para famílias que vivem privação material. Ninguém em sã consciência pode discordar disso. O que me preocupa é quando isso se torna um modo de vida. Não entendo que se comemore quando mais 1 milhão de brasileiros passam a integrar o Bolsa Família. Isso deveria ser preocupante. Por que 50 milhões de brasileiros precisam de aporte de renda do governo? O objeto de comemoração, no país em que eu sonho viver, é a saída de 1 milhão de pessoas do Bolsa Família porque passaram a viver dignamente do seu trabalho. A lógica está invertida? Está invertida. O Brasil é uma economia fora do padrão porque é muito mais estatizada do que deveria. Hoje, 40% da renda nacional transita pelo setor público e por isso a distribuição de renda é o que é. O estado concentra renda e isso tem de mudar. ■ 16 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 OPINIÃO Sergio Vale Rodrigo C. A. Lima Economista-chefe da MB Associados Gerente-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone) Classe média em 2016 Taxa para produzir A divulgação do PIB de 2009 trouxe de volta a questão da sustentabilidade do crescimento para os próximos anos. Como tenho escrito neste espaço, não é factível acreditar na manutenção do ritmo de expansão em 6%, como é o esperado para este ano. Mas também não acreditamos que a economia esteja fadada a ver seu crescimento despencar. O patamar médio de expansão subiu e quando falamos em desaceleração em 2011 é para 4,5%, e não 0% como no passado. Dito isso, seria interessante analisar as outras consequências de uma expansão que se mantém num patamar mínimo elevado. A mais importante delas é que a classe média deve continuar crescendo. Projetamos a evolução das classes de renda para os próximos anos e a principal conclusão é que a classe média deve se tornar preponderante na economia brasileira nos próximos anos. É importante ressaltar isso, pois, apesar da visão de recuperação da classe média nos últimos anos, as classes D e E ainda são as maiores, ou seja, o Brasil ainda é um país de renda média baixa em que o maior número de famílias se encontra nas classes mais baixas. Cerca de 60% do total de famílias ainda se encontra nessas faixas mais baixas enquanto 30% faz parte da classe média, entendida aqui como aquelas famílias que ganham entre 3 e 10 salários mínimos por mês. Nas nossas projeções, apenas em 2016 a classe média deve se tornar majoritária no país. Ao mesmo tempo, vale notar a expansão da classe B também, que reflete aquela parcela da população em ascensão da classe média. Em valores, essa classe média terá um poder de compra considerável até 2016. Hoje na casa dos R$ 600 bilhões, chegará a pouco mais de R$ 1,4 trilhão em 2016. Em valores, a classe média é a maior do país de fato, com a possibilidade da classe B ultrapassar a classe D/E em massa real de renda já em 2012. Comportamento semelhante se percebe na participação do total da massa real de renda da classe média, que deve chegar a quase 47% do total da renda em 2016, com queda contínua da participação das classes D e E, que também deverá ser ultrapassada pela classe B nos próximos anos. Imagine que os produtores de alimentos no Brasil e no mundo teriam que pagar uma taxa para poder plantar, criar frangos e bois de corte. A ideia é cobrar pelo acesso aos recursos genéticos — cana, soja, bovinos, suínos, frangos — uma vez que são originários de outros países, e proteger o conhecimento de populações indígenas e tradicionais sobre recursos da biodiversidade. Esse assunto não é peça de ficção. Pelo contrário, é objeto de intensas negociações na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que terá reuniões no final de março e em outubro, quando se espera adotar um regime internacional para regular o acesso a recursos genéticos e promover a divisão de seus benefícios. Estima-se que apenas 10% da biodiversidade do bioma Amazônia seja conhecida. Conservar recursos genéticos de valor potencial ainda desconhecido e proteger o conhecimento de uma tribo indígena sobre recursos da biodiversidade é essencial. Mas é preciso taxar os recursos genéticos alimentares para tanto? Não existe uma metodologia para calcular esse “direito de produzir”, mas uma breve simulação indica números bastante elevados. Em 2016, a classe média deverá se tornar majoritária no país.Terá um poder de compra de R$ 1,4 trilhão, ante os R$ 600 bilhões de hoje É interessante observar as implicações políticas e econômicas desses valores. Apesar da muito falada força de opinião da classe média ela é válida apenas em termos de poder de compra. Mas quando se considera a quantidade de pessoas ela ainda é metade do que são as classes mais baixas. Em outras palavras, o fato de termos uma classe baixa ainda majoritária favorece politicamente o governo atual, que obteve sucesso no aumento de renda dessa parcela da população nos últimos anos com o Bolsa Família e o salário mínimo. É um capital não trivial para a candidatura governista, que dificulta ainda mais a situação da oposição. Por outro lado, o potencial econômico desse crescimento adicional da classe média não é trivial e será percebido principalmente no setor da construção, que deve ser o carro-chefe do crescimento nos próximos anos. ■ Imagine se produtos lácteos, frutas e carnes tiverem de pagar esse tributo. Fatalmente os custos de produção e o preço dos alimentos irão subir Tomando como base o valor de mercado da soja em grão, do açúcar e do etanol produzidos em 2009, e descontando 1% a título de taxa (repartição de benefícios), o valor devido seria de US$ 447 milhões/ano. Considerando somente o total exportado de carne bovina, suína e de frangos em 2009, essa taxa chegaria a US$ 111 milhões/ano, sem considerar o consumo interno. Se o farelo de soja produzido em 2009 também for considerado, geraria uma taxa de US$ 81 milhões/ano. Existe uma proposta para que os produtos derivados entrem nesse regime, o que elevaria exponencialmente esse número para mais de US$ 558 milhões/ano, considerando somente o caso da cana, soja e carnes. Imagine se produtos lácteos, frutas, carnes, bioplásticos, dentre inúmeros produtos agrícolas tiverem que pagar essa taxa. Fatalmente os custos de produção e o preço dos alimentos irão subir, impactando ainda as pesquisas de novas variedades mais produtivas. Vale lembrar que a cana-de-açúcar, originária do sudeste asiático há milhares de anos antes de Cristo, chegou ao Brasil em 1516 com os portugueses. A soja, oriunda da China, chegou ao Brasil em 1882, vinda dos Estados Unidos. Em 1874, os primeiros bovinos da raça Ongole, de origem indiana, foram trazidos para o Brasil e mais tarde, após muita pesquisa, originaram a raça Nelore. Trata-se de recursos genéticos há muito tempo utilizados e aprimorados. O que se pretende com esse regime é conservar a biodiversidade e proteger o conhecimento das populações indígenas e locais. A resposta parece óbvia, mas cabe perguntar se para proteger esses recursos é preciso taxar do mesmo modo recursos genéticos alimentares, que são utilizados há milhares de anos? Espero que o Brasil participe ativamente dessas negociações, buscando sempre proteger sua biodiversidade, mas também seu potencial agrícola, tão invejado mundo afora. ■ CARTAS PATUSCADA INTERNACIONAL — ARTIGO DE ROBERTO FREIRE O articulista não está considerando o protagonismo que o Brasil alcançou com o sucesso econômico e a projeção política do governo do presidente Lula. Hoje nosso país saiu da periferia das relações internacionais, e ao abandonar as posições subservientes e muristas típicas da nossa diplomacia da abstenção finca posições mais claras em todos os campos, o que incomoda alguns e chama muitos para o diálogo. O sucesso da visita de Lula ao Oriente Médio, apontado pela mídia e analistas internacionais, revela o respeito pelas posições nacionais, mesmo que polêmicas. Jonatan Xavier Campinas (SP) EIKE BATISTA E A OFERTA DA OSX — ARTIGO DE DARCIO OLIVEIRA Eike Batista é um claro exemplo de renovação da classe empresarial brasileira. Digo isso porque vivo aqui em Portugal há 10 anos e tudo o que vejo é falta de coragem e de apetite para arriscar. Isso mesmo: risco! Se o empreendedor for atuar com cautela, então deve aumentar a fila de falências quando o assunto é oportunidade. Crises, época de baixa na bolsa, etc. Tudo isso é combustível para pessoas como Eike, que sabem como fazer essas contrapartidas se tornarem lucros, nem que tenham que criar um império para provar isso aos derrotados de plantão. Denis Peterson Nunes Portugal Eike tem um bom pedigree, pois é filho de Elieser Batista, ex-ministro do presidente deposto João Goulart e ex-presidente da Vale de Castello Branco, que depôs João Goulart. Em outras palavras, a competência de seu pai lhe permitiu transitar entre dois regimes políticos opostos. Luiz Porto Alegre (RS) Será a fortuna do Eike virtual? Afinal, as empresas Xs são virtuais, ou alguém já ouviu falar em petróleo produzido pela OGX? Marcelo Rio de Janeiro (RJ) PRODUÇÃO DE VEÍCULOS NO BRASIL SOBE 2,8% EM FEVEREIRO O Brasil precisa parar de focar em exportação de matéria-prima e se fixar em exportação de produtos com valor agregado. Devíamos não mais exportar aço bruto como matéria-prima, mas o produto manufaturado. Lauro São Paulo (SP) LISTA LIMPA — ARTIGO DE MICHEL TEMER Reconhecemos o empenho do presidente da Câmara, Michel Temer, na tramitação do projeto Ficha Limpa. Se faz necessária a moralização do processo eleitoral e a possibilidade de melhor escolha dos eleitores de seus representantes, tarefa que também seria obrigatória aos partidos, que não se desimcumbem desta tarefa. Se faz necessário também o interesse dos demais parlamentares para que o projeto possa seguir a tramitação e ir a plenário, assim como a participação de toda a sociedade na pressão para que não seja protelado, e sim aprovado. Luciano Santos São Paulo (SP) INOVAÇÃO E PARCERIAS AJUDAM EMBRAPA A GANHAR MERCADOS Será coincidência este tipo de notícia ser divulgada, com uma porção de elogios à Embrapa, sendo que ao mesmo tempo o governo tenta passar uma proposta de IPO da companhia no congresso? Paulo Feitosa São Paulo (SP) Cartas para Redação - Av. das Nações Unidas, 11.633 – 8º andar – CEP 04578-901 – Brooklin – São Paulo (SP). [email protected] As mensagens devem conter nome completo, endereço e telefone e assinatura. Em razão de espaço ou clareza, BRASIL ECONÔMICO reserva-se o direito de editar as cartas recebidas. Mais cartas em www.brasileconomico.com.br. Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 17 Reprodução Dengue Ville Na esteira do sucesso do “FarmVille”, jogo do Facebook no qual os usuários cuidam de uma fazenda, o governo de Minas Gerais resolveu criar o “Dengue Ville” para frequentadores de outra rede social, o Orkut. Com o objetivo de explicar para a população como evitar a doença, o aplicativo permite que o internauta passe o mouse e clique para esvaziar garragas, colocar areia em pratos de plantas, cobrir caixas d’água e distribuir soros caseiros entre vítimas da doença, entre outras ações. Indranil Mukherjee/AFP INFLAÇÃO NA ÍNDIA Vendedores oferecem cortinas para adornar portas no movimentado mercado de Mumbai, cidade que é a capital financeira da Índia e que abriga 13 milhões de pessoas de diferentes grupos linguísticos e étnicos do país. Na última sexta-feira, o banco central indiano surpreendeu o mercado ao anunciar alta na taxa de juros básica do país um mês antes da reunião que estava agendada pela autoridade monetária. O aumento nos juros, de 3,25% para 3,5%, é o primeiro desde julho de 2008, e tem como objetivo conter a inflação na Índia — os preços no país tiveram o maior aumento em 16 meses. A decisão desanimou investidores e fez cair as bolsas nos Estados Unidos — a avaliação é que esse tipo de retirada de estímulos à economia em países emergentes pode reduzir as expectativas para o crescimento mundial neste ano. ENTREVISTA ORLANDO GIGLIO Diretor-geral do grupo Iberostar no Brasil Iberostar aposta em convenções e eventos Grupo espanhol espera aumento de 8% no faturamento neste ano em comparação com 2009 Maeli Prado mia, o faturamento da rede crescerá 8% na comparação com 2009, e a rentabilidade aumentará 5%, estima Orlando Giglio, diretor geral do grupo. [email protected] O turismo de negócios, focado em conveções e eventos de empresas, já representa 30% da receita do grupo hoteleiro espanhol Iberostar, percentual que deve aumentar em 2010. Neste ano, com a retomada da econo- Como está sendo 2010, e quais as perspectivas para este ano? Janeiro e fevereiro foram meses muito bons. A taxa de ocupação média dos dois primeiros meses ultrapassou os 90%, o que é um percentual bastante satisfatório. No ano passado, Divulgação “A nossa taxa de ocupação em janeiro e fevereiro ultrapassou os 90%, ante 87% em 2009” fechamos esse mesmo período com 87% de ocupação. A tendência é de uma taxa de ocupação entre três e quatro pontos percentuais superior à de 2009. O segmento de convenções e eventos vem se destacando. Além de um centro de convenções para 1,2 mil pessoas que já temos no nosso complexo na Praia do Forte, na Bahia, vamos inaugurar outro salão, que comportará mais mil pessoas. Além disso, vamos começar a construção de um novo hotel, o Gran Collection, que é da categoria mais luxuosa do grupo. Como a crise afetou o Iberostar? Antes da crise, os clientes vindos do exterior representavam 30% do total de hóspedes. Houve uma queda considerável por causa da turbulência internacional, e esse percentual passou para 18%. Com ações estratégicas, preenchemos essa perda com o mercado interno. ■ 18 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 INOVAÇÃO & ENGENHARIA TERÇA-FEIRA QUARTA-FEIRA EMPREENDEDORISMO GESTÃO Esgoto pode voltar às casas como O primeiro leilão do país para colocar na rede de distribuição o biogás gerado no processo de tratamento sanitário Nivaldo Souza [email protected] Apesar de o Brasil ainda ter um grande déficit sanitário em sua rede de coleta e tratamento de esgoto — apenas 52,5% dos domicílios contam com o serviço, conforme levantamento realizado pelo IBGE em 2008 —, o país começa a desenvolver projetos de utilização de resíduos na geração de energia a partir do gás metano liberado por bilhões de litros de detritos orgânicos. Iniciativas antes restritas a experiências acadêmicas entram agora em uma fase de exploração comercial, a exemplo do que acontece em países asiáticos e europeus, como China, Dinamarca e Alemanha, que têm o biogás como fonte de suas matrizes energéticas. É com esse viés, ao mesmo tempo econômico, de desenvolvimento tecnológico e adequação técnica de processos que envolvem as engenharias civil, elétrica e química, que a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp) lançará em abril um edital de concorrência para receber uma usina térmica em sua Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Barueri, na Grande São Paulo. A meta da empresa do governo paulista é, até 2016, fornecer mensalmente 30 milhões de metros cúbicos (m³) de biogás gerados nos tanques de biodigestão da maior unidade de tratamento sanitário da América do Sul — onde a cada segundo deságuam 7 mil litros de esgoto. “Já tivemos algumas experiências prévias e agora vamos dar um grande salto”, diz o assessor de meio ambiente da Sabesp, Marcelo Morgado. Da academia para o mercado O arranque comercial do biogás dado pela Sabesp foi ensaiado entre entre 2002 e 2005, com o projeto experimental EnergBiog, coordenado pelo Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio) — com R$ 150 mil em recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O experimento foi responsável pela instalação de uma microturbina para geração de energia a partir da queima do metano resultante do processo de secagem da massa orgânica do esgoto recebido na ETE Barueri. O gás resultante do lodo processado pelo equipamento produzia modestos 30 quilowatts para abastecer a ETE. Hoje, a estação produz 3 megawatts (MW) com 35 mil m³ de biogás gerados diariamente. Economia significativa para os 11 MW consumidos pela unidade todo mês. Contudo, como maior compradora individual A estatal paulista vai fornecer 30 milhões de metros cúbicos de gás com 66,5% de metano. O projeto inclui a construção de termoelétrica e gasoduto dentro de estação de tratamento de esgoto em Barueri, na Grande São Paulo de energia de São Paulo — cerca de 1,9% de toda eletricidade consumida no estado —, a estatal diz ser mais viável negociar a compra do insumo no mercado livre. Daí querer ser fornecedora de biogás para a cogeração, o que pode lhe render o caixa necessário para cumprir a meta de atender todos os 365 municípios de sua rede com água e esgoto tratado até 2018. “A venda do biogás será uma forma de explorar o potencial energético da estação de tratamento e ser remunerado por isso”, aponta o assessor. A estratégia pode servir de modelo a outras ETEs país afora via uma Sabesp que, com seu projeto de gestão de valor agregado, quer vender tecnologia em saneamento. “Estamos abrindo a janela de novos negócios”, indica Morgado. Para Marco Seidenberg, engenheiro da superintendência de novos negócios da Sabesp, o potencial enérgico da ETE Barueri é de 9 gigawatts. “O volume vai depender da tecnologia adotada pela empresa que vencer a concorrência”, diz. O custo do projeto ainda está sendo avaliado — deve incluir a construção de um gasoduto, da termoelétrica e de equipamentos. “Depois do processo térmico, a energia poderá ser conectada à rede da AES Eletropaulo e ser transferida até o destino”, explica Seidenberg. ■ ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE BARUERI: POTENCIAL DE 9 GIGAWATTS A PARTIR DO BIOGÁS A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae-SP) avalia misturar o lodo resultante do esgoto junto com o lixo recolhido em São Paulo para gerar energia. O potencial econômico do projeto será concluído em abril. “O gás metano é sete vezes mais danoso ao efeito estufa do que o gás carbônico. Captar esse gás, que, livre, contribui para o aquecimento global, e gerar energia em vez disso, é positivo”, diz o assessor da Emae, Sérgio Frate. A falta de áreas para aterros é o que começa a viabilizar a exploração do esgoto para produzir energia. “Com a distância cada vez maior dos aterros, o custo logístico torna mais barato outras opções”, indica o engenheiro Frate. Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 19 QUINTA-FEIRA SEXTA-FEIRA SÁBADO SUSTENTABILIDADE TECNOLOGIA EDUCAÇÃO energia elétrica de dejetos orgânicos será realizado em abril pela Sabesp VANESSA GARCILASSO Pesquisadora e coordenadora de projetos do Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio) Fotos: Divulgação A FORÇA DOS RESÍDUOS 1 A geração natural de energia orgânica O biodigestor é um sistema que canaliza o gás natural metano (CH4), por meio de um processo de respiração de bactérias que decompõem a massa orgânica do esgoto, composta por pedaços minúsculos (polímeros) de matéria biodegradável. Quanto mais calor sobre essa biomassa, mais as bactérias a degradam, acelerando a produção de biogás. 2 ETE Barueri pode gerar 9 gigawatts Construído em alvenaria a alguns metros abaixo da terra, o biodigestor possui uma câmpula por onde sai o gás, uma entrada de material e uma saída de outros produtos gerados no processo. Na ETE Barueri da Sabesp, um gasoduto levará o insumo energético a uma termoelétrica com capacidade para gerar 9 GW/mês de eletricidade. 3 Lodo pode virar adubo, cinzas ou tijolo A Sabesp estuda o destino que dará ao lodo resultante da decantação sanitária após a geração de biogás, quando a biomassa perde propriedade energética. A empresa avalia uma aplicação econômica do material. Uma das alternativas pode ser transformá-lo em adubo, a exemplo do fornecimento à cafeicultura feita pela ETE Franca aos produtores de café do norte do estado de São Paulo. A indústria de construção civil também pode receber o insumo para reforçar a fabricação de tijolos e lajes. Mas talvez o destino mantenha a direção energética, o que seria possível pela incineração do lodo ressecado para a cogeração termoelétrica. Essa aplicação completaria o ciclo natural do potencial que a biomassa possui. Biogás como fonte de energia alternativa O biogás é formado a partir da degradação anaeróbia (sem presença de oxigênio) da matéria orgânica e é composto tipicamente por metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), que são causadores do efeito estufa, entre outros gases como hidrogênio, oxigênio, ácido sulfídrico e monóxido de carbono. O Brasil possui grande potencial de aproveitamento energético do biogás, no tratamento de esgoto e de dejetos animais, além da deposição de resíduos sólidos. Em aterros sanitários a formação do biogás ocorre por meio da decomposição da matéria orgânica presente no lixo aterrado. Em estações de tratamento de esgoto ou em propriedades rurais, a formação do biogás ocorre por meio da decomposição da matéria orgânica presente no efluente. Para o tratamento dos efluentes líquidos (esgoto e dejetos animais) são utilizados equipamentos denominados biodigestores anaeróbios. A conversão energética do biogás pode ser apresentada como uma As tecnologias solução para a redução do potencial tóxico de disponíveis de emissões de metano ao recuperação mesmo tempo em que energética do proporciona a geração de energia elétrica agrebiogás no Brasil gando, desta forma, gaainda apresentam nho ambiental e reducustos elevados. ção de custos. Para a geração de A maioria dos energia elétrica a partir equipamentos de biogás, o primeiro é importada fator econômico a ser analisado é o da utilização de um gás combustível de baixo custo, uma vez que o biogás é um subproduto de um processo de digestão anaeróbia e que normalmente é desprezado, ora emitido diretamente na atmosfera, agravando o impacto ambiental por meio da emissão de gases do efeito estufa, ora pela queima para minimizar o impacto ambiental. O biogás utilizado como combustível em unidades de tratamento de efluentes ou em aterros sanitários apresenta diferentes perspectivas para cada um desses segmentos. No primeiro caso, esse insumo pode contribuir sensivelmente para a diminuição do consumo de eletricidade na estação, otimizando o uso dos recursos naturais, dada a estreita relação existente entre a geração de eletricidade e os recursos hídricos nacionais. Vale ressaltar, porém, que o volume de biogás gerado no tratamento anaeróbio geralmente não permite a autossuficiência da operação da estação devido à grande demanda energética requerida pelos equipamentos do local. No segundo caso, o volume de biogás gerado pode permitir, além da autossuficiência energética, a geração de excedentes que podem ser comercializados, proporcionando uma receita adicional. As tecnologias disponíveis de recuperação energética do biogás no país ainda apresentam custos elevados. Os equipamentos são, em sua maioria, importados, o que ocorre não por desconhecimento tecnológico, mas porque a escala de produção atual não permite a viabilidade econômica desses fabricantes no país. Recentemente começaram a aparecer fabricantes nacionais, mas ainda para sistemas de pequeno porte, destinados, principalmente, à zona rural. Isso significa que é preciso um esforço nacional no sentido de desenvolver novas tecnologias a custos acessíveis, potencializando a utilização do biogás e evitando o atual desperdício energético. A viabilidade da utilização do biogás como fonte de energia é maior quando o empreendimento está associado a outros projetos, como a venda do crédito de carbono. ■ 20 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 EMPRESAS ENTREVISTA SÉRGIO GOMES Presidente da ABB no Brasil SÉRGIO GOMES, DIANTE DA MAQUETE DE UMA SUBESTAÇÃO Brasil é prioridade nos investimentos do grupo ABB Gigante de infraestrutura estuda novas oportunidades no país e enxerga com otimismo a consolidação do mercado de energia Priscila Machado [email protected] Em meio a tantos projetos de infraestrutura que estão em vias de consolidação no país, a ABB se destaca como denominador comum. Fornecedora de gigantes como Petrobras, Vale e Eletrobrás, a maior construtora de redes elétricas do mundo avança sobre o desafio de atender uma demanda crescente. As concessões que movimentam o mercado fazem do Brasil o principal foco para os investimentos do grupo. Na entrevista a seguir, o presidente da ABB no Brasil, Sérgio Gomes, destaca como a companhia pretende aproveitar as oportunidades que se abrem para os próximos anos. Como a ABB assiste à movimentação atual no setor de energia no Brasil? O nível de oportunidade nesse momento no país é enorme, tanto na parte de infraestrutura como nos setores industriais, seja mineração, petróleo, óleo e gás. Em termos de tecnologia estamos bem posicionados. Somos fortes justamente nas áreas de investimento nas quais começamos a ver hoje no país um crescimento ainda maior do que o dos últimos anos. De que forma a empresa está se preparando para aproveitar essas oportunidades? Temos uma forte presença local, pessoas muito qualificadas e, se necessitarmos de recursos adicionais, temos acesso a recursos da ABB em qualquer lugar do mundo e a disposição de fazer qualquer investimento que seja necessário para aproveitar essas oportunidades. É isso o que nós temos na mão para atender o que vem pela frente. E temos ambição. “ Temos uma forte presença local, pessoas muito qualificadas. Se necessitarmos de recursos adicionais, temos acesso aos da ABB em qualquer lugar do mundo e a disposição de fazer o investimento que for necessário Dos projetos em vias de serem aprovados, quais são os prioritários para a ABB? Nós começamos a falar do leilão de Belo Monte em dezembro. Também temos expectativa para Teles-Pires (projeto hidroviário). No trem-bala, com certeza, vamos participar da parte elétrica, mas isso também no seu tempo. Há muitas oportunidades teóricas no mercado que precisam se concretizar, mas à medida que elas se confirmarem não será por falta de disposição do grupo ABB de investir que vamos perder. Para a execução desses projetos a empresa deve trazer novos produtos para o país? Além da adequação de equipamentos nessas áreas, estamos trazendo a tecnologia HVDC (corrente contínua em alta tensão para longas distâncias) para a implementação da obra do Rio Madeira. Com a fluidez das concessões em infraestrutura, qual a perspectiva quanto à retomada do mercado industrial? Há uma demanda por eficiência energética na qual a gente também atua forte. O sistema elétrico está ficando antigo e há a necessidade de remodelar, principalmente quando há queda de energia. Outra tecnologia que a ABB dispõe e que cada vez mais tem se tornado um requisito do mercado são as redes inteligentes, que possam gerenciar de forma estável a energia de fontes alternativas. Qual é a posição do Brasil dentro do grupo ABB hoje? O Brasil se encontra entre os 15 maiores países do grupo — a ABB atua em mais de 100. O país é, claramente, o foco da companhia hoje, dividindo a atenção com a Índia. Nosso CEO (Joe Hogan) passou recentemente uma semana aqui, visitando diversos clientes. Daí você vê o grau de interesse. O otimismo do grupo é, sem dúvida, muito grande, obviamente olhando para as oportunidades que se colocam. Podemos, inclusive, trazer mais recurso do próprio grupo para o Brasil. Está nos planos da companhia alguma aquisição ou construção de novas unidades? Nós aumentamos nossa capacidade pensando nisso. Estamos analisando e, dependendo de como estiver o mercado, podemos ter investimento orgânico ou não. Do jeito que vai, com certeza temos de pensar em ambos, falta pouco para o cenário ficar mais concreto. ■ “ Estamos analisando e, dependendo de como estiver o mercado, podemos ter investimento orgânico ou com aquisições Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 21 Antonio Milena GGD Metals cresce 60% no bimestre AGENDA DO DIA A distribuidora de aços e metais GGD Metals aumentou suas vendas nos primeiros dois meses de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado. A aceleração é atribuída à grande demanda da indústria, que queimou estoques ao longo de 2009 e agora precisa retomá-los. “Materiais que eram fornecidos em 20 ou 30 dias estão demorando 60 porque a capacidade das fábricas está tomada”, diz André Dias, diretorgeral da GGD Metals. A Copa do Mundo e a Olimpíada também ajudam. da América Latina. Realizada em Bento Gonçalves, ela promete alavancar os negócios da cadeia moveleira e movimentar por volta de US$ 300 milhões. A expectativa é receber 34 mil visitantes de 70 países. ● Começa hoje a 17ª edição da Movelsul, a maior feira de móveis Andre Penner INDUSTRIAL NA SEDE DO GRUPO NO BRASIL. O PROTÓTIPO É EXEMPLO DE UM DOS EMPREENDIMENTOS EQUIPADOS PELO GRUPO A ABB, fruto da fusão das gigantes Asea e Brown Boveri, em 1988, tem a sua trajetória ligada às diversas fases no desenvolvimento do Brasil. A história do grupo no país teve início em 1912, quando, ainda com o nome de Brown Boveri, forneceu o equipamento elétrico para o primeiro bondinho do Pão de Açúcar, cartão-postal da cidade do Rio de Janeiro. Em 1954, a Asea instala-se na cidade de Guarulhos, em São Paulo, inaugurando sua fábrica de transformadores. Em 1976 entra em operação, em Osasco, a fábrica de motores elétricos. A nova unidade propiciou a participação da ABB no fornecimento de trens para a Fepasa. Antes disso, em 1971, a Brown Boveri havia fornecido todo o sistema de alimentação elétrica do metrô paulista. A trajetória do principal executivo da companhia também está totalmente vinculada à história da própria empresa. Sérgio Gomes entrou na ABB em 1981, como estagiário, e ocupou diversos cargos, passando por vários países, até se tornar o presidente do grupo no Brasil, em 2005. Novas demandas geram expansão O crescimento operacional da companhia no Brasil deve continuar acima de 15% ao ano A ABB se prepara para atender as novas necessidades do mercado energético do país. Além dos projetos de infraestrutura, principais responsáveis pelo faturamento de US$ 1,13 bilhão da empresa no Brasil no ano passado, a retomada da indústria deve garantir novos ganhos. Na avaliação de Sérgio Gomes, presidente da ABB, o consumo está retomando e deve ocupar a ociosidade que foi criada nas empresas. “Daqui para frente elas vão voltar a olhar para a expansão na produção”, avalia. Nesse contexto, aponta Gomes, as responsáveis pela distribuição estão definindo seus investimentos em modernização e do lado das transmissoras há a preocupação de remodelar o sistema atual. O executivo destaca a demanda gerada com o uso de fontes renováveis. Por serem instáveis, já que estão sujeitas ao clima, necessitam de equipamentos que levem essa energia para as redes do país de forma RESULTADO US$ 1,13 bi É o faturamento que a empresa registrou no Brasil em 2009. Em cinco anos a companhia mais que dobrou o valor da receita no país. REGIÃO 55% É a participação dos países emergentes nos negócios do grupo em 2009. Na América Latina o Brasil responde por 65%. controlada. O uso da tecnologia HVDC (corrente contínua em alta tensão para longas distâncias), trazida ao país pela ABB, também deve avançar com projetos de interligação com outros países e a expansão das hidrelétricas na região Norte do Brasil. A companhia também aposta no segmento de ferrovias para desenvolver novos negócios no país. A ABB retomou a atuação nesse mercado em 2009, por meio de contratos de modernização de linhas do metrô paulistano. O presidente da ABB acredita que em 2010 a empresa vai manter o nível de crescimento no Brasil, que foi de 16% a 17% nos últimos cinco anos. O país deve se consolidar como prioritário para o grupo. Ele citou a previsão de Joe Hogan, CEO da companhia, de que os investimentos no país, nas áreas onde a empresa atua, devem continuar acelerados. “Essa é a visão do chefe, agora você imagina se nós estamos dormindo aqui em berço esplêndido. Nós nunca fomos tão requisitados pela matriz como nos últimos seis meses”, diz. ■ P.M. 22 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 EMPRESAS Divulgação AUTOMÓVEIS 1 AUTOMÓVEIS 2 Montadoras emplacaram 6,9% mais carros importados em fevereiro que em janeiro Vendas de importados para concessionárias crescem 18,7% em fevereiro ante janeiro Marcas como Audi, BMW, Chrysler, Jaguar e Porsche, que estão entre as 22 associadas da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores, tiveram crescimento de 170,8% no número de emplacamentos em fevereiro ante o mesmo mês de 2009. No mês passado, foram 5,4 mil unidades. Já o acumulado de janeiro e fevereiro de 2010 registrou 10,4 mil unidades contra os 3,9 mil veículos em 2009. As montadoras estrangeiras, filiadas à Abeiva, contabilizaram aumento de 225% nas vendas para concessionárias em fevereiro deste ano em comparação com o mesmo mês do ano anterior. O acumulado de janeiro e fevereiro de 2010 registra 12,3 mil unidades comercializadas contra 3,9 mil veículos em 2009. O presidente da Abeiva e também da Kia Motors do Brasil, José Luiz Gandini, assume o seu quarto mandato na entidade. Divulgação RENOVAÇÃO DE FROTA Helicóptero EC 725, da Helibras, que foi escolhido pelo governo brasileiro para renovação de frota Governo substituirá aeronaves com 40 anos de trabalho Segundo o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, os 50 helicópteros encomendados pelo Ministério da Defesa à Eurocopter deverão substituir aeronaves H1H, o mesmo modelo que em novembro de 2008 caiu na cidade de Berimbau (CE), matando três dos seis tripulantes. “Essas aeronaves estão em funcionamento há mais de 40 anos”, ressaltou Saito. O brigadeiro informou que dois EC 725 serão utilizados para transporte de autoridades. As demais unidades serão entregues à Aeronáutica, ao Exército e à Marinha, sendo 16 para cada força. Outros 34 modelos Pantera serão reformados pela Helibras ao longo de 2010. O investimento de R$ 375,8 milhões deve aumentar em 25 anos a vida útil dos equipamentos. Em busca do helicóptero brasileiro Helibras recebe US$ 420 milhões para se tornar unidade integrada da fabricante francesa Eurocopter Nivaldo Souza, de Itajubá (MG)* [email protected] A subsidiária brasileira Helibras será a terceira fábrica industrial integrada para fabricação de helicópteros da companhia francesa. A afirmação é do presidente mundial da Eurocopter Company, Lutz Bertling, que diz que a companhia vai transferir para o país o know-how tecnológico necessário para montar aeronaves civis e militares — mercado que em 2009 rendeu faturamento global de € 4,6 bilhões à Eurocopter, com a venda de 558 aeronaves. “Nosso interesse é conseguir fabricar um helicóptero totalmente brasileiro”, afirmou durante cerimônia de inauguração das obras de expansão da Helibras em Itajubá (MG) na última sexta-feira. A possibilidade de o Brasil receber maior atenção da Eurocopter foi aberta pela venda de 50 unidades do EC 725 ao Ministério da Defesa por € 1,9 bilhão — aproximados R$ 5,2 bilhões. A partir desse fornecimento, a empresa espera ex- pandir suas operações fora da Europa, onde possui fábricas na França e Alemanha. Para isso, a companhia francesa está investindo US$ 420 milhões na cidade mineira onde a Helibras está instalada. O aporte deve duplicar a área ocupada atual de 10 mil metros quadrados e aumentar em 350 postos de trabalho o número de funcionários. “Os investimentos que estamos fazendo são de longo prazo, e vão além do contrato firmado com o Ministério da Defesa”, indicou Bertling. O presidente da Eurocopter sinalizou que o Brasil tem potencial para desenvolver projetos de maior fôlego, principalmente para atender a demanda futura por voos nas operações ligadas à extração de gás e petróleo a partir da exploração do pré-sal. Bertling afirmou que a Eurocopter vai estabelecer uma plataforma integrada de produção - o que inclui todo o processo de engenharia aeronáutica, e não apenas a montagem de peças enviadas da Europa. Isso é o que, segundo ele, financia o investimento que a “ Os investimentos que estamos fazendo são de longo prazo, e vão além do contrato firmado com o Ministério da Defesa Lutz Bertling, presidente mundial da Eurocopter companhia fará para promover intercâmbio técnico para turbinar a equipe da Helibras. Nesse sentido, ele destacou como qualidade o fato de o país ter mão de obra jovem. “A população europeia está envelhecendo, faltam novos talentos. Os jovens talentosos engenheiros do Brasil podem ajudar nosso projeto no futuro”, disse. De acordo com o presidente da Helibras, Eduardo Marson Ferreira, o intercâmbio pode envolver até 500 profissionais brasileiros “Queremos instalar um centro de treinamento pleno.” Ele observou também que além de ter muito potencial no mercado interno, o Brasil pode servir de base para ter acesso a países da América Latina. Componentes nacionais DIVISÃO DESEMBOLSO 75% É a participação acionária da € 1,9 bi É quanto o país vai gastar Eurocopter Company na Helibras. O governo de Minas Gerais detém 20% e o Grupo Bueninvest, 5%. para comprar 50 helicópteros EC 725, que a Helibrás fabricará com 50% de peças nacionais. O contrato de fornecimento dos EC 725 pela Eurocopter prevê o embarque de 50% de peças e componentes produzidos no Brasil. “Cada helicóptero custa em média US$ 30 milhões, sendo metade desse valor em componentes brasileiros”, disse Ferreira. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, avaliou que a précondição será importante para o país desenvolver uma indústria de aeronáutica mais consistente. “O Brasil passa de importador para fabricante. Esperamos que o país possa ser um dos líderes mundiais na fabricação de helicópteros.” As três primeiras unidades serão entregues ainda este ano, vindas da França. ■ *O repórter viajou a convite da Helibras Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 23 ECOR3 f.lopes “Este aviso é uma republicação do aviso ao mercado publicado neste mesmo jornal no dia 15 de março de 2010, para inclusão dos logotipos dos participantes consorciados” EcoRodovias Infraestrutura e Logística S.A. Companhia Aberta de Capital Autorizado – Código CVM 01945-3 CNPJ n.º 04.149.454/0001-80 – NIRE 35.300.181.948 Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3900, 11º andar, Itaim Bibi - CEP 04538-132, São Paulo - SP Código ISIN das Ações: BRECORACNOR8 Código de Negociação das Ações no segmento Novo Mercado da BM&FBOVESPA S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (“BM&FBOVESPA”): “ECOR3” AVISO AO MERCADO A Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Companhia”), em conjunto com a Primav Construções e Comércio S.A. (“Primav“) e a CR Almeida S.A. - Engenharia de Obras (“CR Almeida” e, em conjunto com a Primav, “Acionistas Vendedores”), sob a coordenação do Banco Itaú BBA S.A. (“Coordenador Líder”), do Banco BTG Pactual S.A. (“BTG Pactual”), e do Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. (“Credit Suisse” e, em conjunto com o Coordenador Líder, e o BTG Pactual, “Coordenadores”) comunicam, nos termos do artigo 53 da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) n.º 400, de 29 de dezembro de 2003, conforme alterada (“Instrução CVM 400”), que foi requerido à CVM, em 3 de fevereiro de 2010, o registro da oferta pública (i) de distribuição primária (“Oferta Primária”) de 92.000.000 ações ordinárias de emissão da Companhia, todas nominativas, escriturais, sem valor nominal, livres e desembaraçadas de quaisquer ônus ou gravames (“Ações da Oferta Primária”) e (ii) de distribuição secundária (“Oferta Secundária”) de 33.220.000 ações ordinárias de emissão da Companhia e de titularidade dos Acionistas Vendedores, sendo 30.000.000 ações ordinárias de titularidade da CR Almeida, e 3.220.000 ações ordinárias de titularidade da Primav, todas nominativas, escriturais, sem valor nominal, livres e desembaraçadas de quaisquer ônus ou gravames (“Ações da Oferta Secundária” e, em conjunto com as Ações da Oferta Primária, “Ações”), nos termos descritos abaixo. 1. A Oferta A Oferta compreenderá a distribuição pública primária e secundária das Ações no Brasil, em mercado de balcão nãoorganizado, nos termos da Instrução CVM 400, sob coordenação dos Coordenadores e com a participação do Banco Morgan Stanley S.A. (“Morgan Stanley”) e do Goldman Sachs do Brasil Banco Múltiplo S.A. (“Goldman Sachs” e, em conjunto com o Morgan Stanley, “Coordenadores Contratados”), instituições financeiras integrantes do sistema de distribuição, e com a participação de instituições intermediárias (“Corretoras”, sendo que se define as Corretoras em conjunto com os Coordenadores e os Coordenadores Contratados como “Instituições Participantes da Oferta”) por eles convidadas e, simultaneamente, serão realizados esforços de colocação das Ações no exterior pelo Itaú USA Securities Inc., pelo BTG Pactual US Capital Corp., e pelo Credit Suisse Securities (USA) LLC (“Agentes de Colocação Internacional”) bem como pelo Mediobanca - Banca de Credito Finanziario S.p.A. (“Mediobanca”) como coordenador contratado exclusivamente para os esforços de colocação no exterior, e por determinadas instituições financeiras contratadas, exclusivamente junto a investidores institucionais qualificados (qualified institutional buyers) residentes e domiciliados nos Estados Unidos da América, conforme definidos na Regra 144A do Securities Act of 1933 dos Estados Unidos da América (“Regra 144A” e “Securities Act”, respectivamente), com base em operações isentas de registro previstas no Securities Act, e a investidores nos demais países, exceto no Brasil e nos Estados Unidos da América, em conformidade com os procedimentos previstos no Regulamento S do Securities Act (“Regulamento S”), observada a legislação aplicável no país de domicílio de cada investidor e, em qualquer caso, por meio dos mecanismos de investimento regulamentados pelo Conselho Monetário Nacional (“CMN”), pelo Banco Central do Brasil (“BACEN”), nos termos do Contrato de Colocação Internacional (Placement Facilitation Agreement), pela CVM e quaisquer legislação brasileira aplicável (“Oferta”). Não foi e nem será realizado nenhum registro da Oferta ou das Ações na Securities and Exchange Commision (“SEC”) ou em qualquer agência ou órgão regulador do mercado de capitais de qualquer outro país, exceto no Brasil. Nos termos do artigo 24 da Instrução CVM nº 400, a quantidade total das Ações inicialmente ofertada no âmbito da Oferta (sem considerar as Ações Adicionais, conforme definido abaixo) poderá ser acrescida de um lote suplementar de até 15 % do total das Ações inicialmente ofertadas, ou seja até 18.783.000 Ações (“Ações do Lote Suplementar”), de titularidade unicamente da Primav, conforme opção a ser outorgada pela Primav ao Coordenador Líder, nas mesmas condições e preço das Ações da Oferta Secundária inicialmente ofertadas, as quais serão destinadas a atender um eventual excesso de demanda que venha a ser constatado no decorrer da Oferta (“Opção de Ações Suplementares”). A Opção de Ações Suplementares poderá ser exercida pelo Coordenador Líder, integral ou parcialmente, após notificação ao BTG Pactual e ao Credit Suisse, desde que a decisão de sobrealocação das Ações no momento da precificação da Oferta tenha sido tomada em comum acordo pelos Coordenadores no prazo de até 30 dias, inclusive, da data de publicação do Anúncio de Início de Distribuição Primária e Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Anúncio de Início”). Nos termos do artigo 14, parágrafo 2º, da Instrução CVM 400, sem prejuízo do exercício da Opção de Ações Suplementares, a quantidade de Ações inicialmente ofertadas no âmbito da Oferta poderá ser, a critério da Companhia e da Primav, desde que com o consentimento dos Coordenadores, aumentada em até 25.044.000 ações ordinárias de emissão da Companhia e de titularidade da Primav, todas nominativas, escriturais, sem valor nominal, livres e desembaraçadas de quaisquer ônus ou gravames (“Ações Adicionais”), sem considerar as Ações do Lote Suplementar, quantidade essa que não poderá exceder 20% do total das Ações inicialmente ofertadas, nos termos do artigo 14, parágrafo 2º, da Instrução CVM 400 (“Opção de Ações Adicionais”). As Ações que forem objeto de esforços de colocação no exterior pelos Agentes de Colocação Internacional junto a investidores estrangeiros serão obrigatoriamente subscritas e integralizadas e/ou adquiridas no Brasil, em moeda corrente nacional, junto aos Coordenadores, nos termos do artigo 19, parágrafo 4º da Lei n.º 6.385, de 7 de dezembro de 1976, conforme alterada. 2. Procedimentos da Oferta 2.1. Plano e Regime de Distribuição Os Coordenadores, com a expressa anuência da Companhia e dos Acionistas Vendedores, elaborarão plano de distribuição das Ações, nos termos do parágrafo 3.º do artigo 33 da Instrução CVM 400, o qual levará em conta as relações dos Coordenadores com seus clientes e outras considerações de natureza comercial ou estratégica, sendo que os Coordenadores deverão assegurar a adequação do investimento ao perfil de risco de seus clientes, bem como o tratamento justo e equitativo aos investidores, em conformidade com o artigo 21 da Instrução CVM 400. De acordo com o Contrato de Coordenação, Colocação e Garantia Firme de Liquidação de Ações Ordinárias de Emissão da Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Contrato de Distribuição”), as Ações serão distribuídas no Brasil, em mercado de balcão não-organizado, em regime de garantia firme de liquidação, nas respectivas proporções de garantias individuais e não solidárias prestadas por cada um dos Coordenadores, conforme limites indicados no Contrato de Distribuição. Tal garantia firme é vinculante a partir da celebração do Contrato de Distribuição e após a concessão do registro da Oferta pela CVM, a publicação do Anúncio de Início e a disponibilização do Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Primária e Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Prospecto Definitivo”) aos investidores. 2.2. Público Alvo A Oferta será direcionada, na Oferta de Varejo, aos Investidores Não-Institucionais, compreendendo também uma Oferta aos Empregados (conforme definidos abaixo) e, na Oferta Institucional, aos Investidores Institucionais (conforme definidos abaixo). A Oferta de Varejo será destinada a investidores residentes e domiciliados no Brasil que realizarem pedidos de investimento mediante o preenchimento de formulário específico (“Pedido de Reserva”), para a subscrição e/ou aquisição de Ações no âmbito da Oferta, observado o valor mínimo de investimento de R$3.000,00 e o valor máximo de investimento de R$300.000,00 por Investidor Não-Institucional (“Investidor Não-Institucional” e “Oferta de Varejo”, respectivamente). A Oferta Institucional (“Oferta Institucional”) será destinada a investidores residentes e domiciliados no Brasil que não sejam Investidores Não Institucionais, podendo ser pessoas físicas, jurídicas e clubes de investimento cujas intenções específicas ou globais de investimento excedam o limite de aplicação de R$300.000,00 (trezentos mil reais), fundos de investimento, fundos de pensão, entidades administradoras de recursos de terceiros registradas na CVM, entidades autorizadas a funcionar pelo BACEN, condomínios destinados à aplicação em carteira de títulos e valores mobiliários registrados na CVM e/ou na BM&FBOVESPA, seguradoras, entidades de previdência complementar e de capitalização, investidores qualificados nos termos da regulamentação da CVM, e determinados investidores estrangeiros que invistam no Brasil em conformidade comas regras de investimento externo de portfólio nos termos da Resolução do CMN) nº 2.689, de 26 de janeiro de 2000, conforme alterada, (“Resolução CMN 2.689”), e da Instrução CVM ª 325, de 27 janeiro de 2000, conforme alterada (“Instrução CVM 325”), ou, ainda, nos termos das normas de investimento externo direto da Lei 4.131, de 27 de setembro de 1962, conforme alterada (“Lei 4.131”) (“Investidores Institucionais”). 2.3. Cronograma Encontra-se abaixo um cronograma estimado das etapas da Oferta, informando seus principais eventos a partir da publicação deste Aviso ao Mercado: Ordem dos Eventos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 (1) Eventos Publicação do Aviso ao Mercado (sem os logos das Corretoras) Disponibilização do Prospecto Preliminar Início do Roadshow Início do Procedimento de Bookbuilding Republicação do Aviso ao Mercado (com os logos das Corretoras) Início do Período de Reserva (inclusive para Pessoas Vinculadas) Encerramento do Período de Reserva para Pessoas Vinculadas Encerramento do Período de Reserva (exceto para Pessoas Vinculadas) Encerramento do Roadshow Encerramento do Procedimento de Bookbuilding Reunião do Conselho de Administração da Companhia para fixação do Preço por Ação e aumento de capital Assinatura do Contrato de Distribuição e demais Contratos relativos à Oferta Concessão do Registro da Oferta pela CVM Publicação do Anúncio de Início Disponibilização do Prospecto Definitivo Início do prazo para o exercício da Opção de Ações Suplementares Início de Negociação das Ações objeto da Oferta no segmento do Novo Mercado da BM&FBOVESPA Data de Liquidação da Oferta Fim do prazo para o exercício da Opção de Lote Suplementar Data Máxima para a Liquidação das Ações do Lote Suplementar Data de Publicação do Anúncio de Encerramento Data prevista(1) 15/3/2010 22/3/2010 29/3/2010 30/3/2010 31/3/2010 01/4/2010 06/4/2010 30/4/2010 05/5/2010 07/5/2010 Todas as datas futuras previstas são meramente indicativas e estão sujeitas a alterações, antecipações e adiamentos a critério da Companhia, dos Acionistas Vendedores e dos Coordenadores. Caso a Oferta seja suspensa nos termos do artigo 20 da Instrução CVM 400 e/ou modificada nos termos do artigo 27 da Instrução CVM 400, será publicado comunicado ao mercado, nos mesmos veículos de publicação deste Aviso ao Mercado, informando acerca da suspensão ou modificação da Oferta. 2.4. Procedimentos da Oferta Após o encerramento do Procedimento de Bookbuilding, conforme abaixo definido, a concessão do registro da Oferta pela CVM, a publicação do Anúncio de Início e a disponibilização do Prospecto Definitivo, as Instituições Participantes da Oferta efetuarão a distribuição pública das Ações, aos Investidores Não-Institucionais e aos Investidores Institucionais, nos termos da Instrução CVM 400, e observado o esforço de dispersão acionária previsto no regulamento de listagem do Novo Mercado da BM&FBOVESPA (“Regulamento de Listagem do Novo Mercado”) e o disposto abaixo. 2.4.1. Oferta de Varejo 2.4.1.1. Período de Reserva Será concedido aos Investidores Não-Institucionais, bem como aos administradores e empregados da Companhia que integrem a folha de pagamento da Companhia ou de qualquer de suas subsidiárias e assim expressamente o declarar ao preencher o Pedido de Reserva (“Empregados”), o prazo a ser iniciado em 22 de março de 2010 e encerrado em 29 de março de 2010, inclusive (“Período de Reserva”), para a realização dos respectivos Pedidos de Reserva. Aos Investidores Não-Institucionais que sejam considerados Pessoas Vinculadas (conforme definido abaixo), ou Empregados que sejam classificados como Pessoas Vinculadas, será permitida a realização dos Pedidos de Reserva no Período de Reserva, sendo que aqueles que realizarem seus Pedidos de Reserva em 22 de março de 2010 (“Período de Reserva para Pessoas Vinculadas”) não terão seus Pedidos de Reserva cancelados em caso de excesso de demanda superior em 1/3 à quantidade de Ações inicialmente ofertadas (excluídas as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar). 2.4.1.2. Procedimento da Oferta de Varejo O montante de, no mínimo, 10% e, no máximo, 15% das Ações inicialmente ofertadas (sem considerar as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar) será destinado prioritariamente a Investidores Não-Institucionais que realizarem seus Pedidos de Reserva, durante o Período de Reserva, de maneira irrevogável e irretratável, exceto pelo disposto nos itens (k), (l) e no item 2.4.3 abaixo, sendo que 1% das Ações objeto da Oferta serão destinadas prioritariamente à colocação pública junto aos Empregados, nas condições a seguir: (a) cada Investidor Não-Institucional poderá efetuar Pedido de Reserva junto a uma única Corretora, de forma irrevogável e irretratável, exceto pelo disposto nos itens (k) e (l) e no item 2.4.3 abaixo, observado o valor mínimo de pedido de R$3.000,00 e o valor máximo de pedido de R$300.000,00 por Investidor Não-Institucional ou por Empregado, sendo que tais Investidores Não-Institucionais poderão estipular no Pedido de Reserva, como condição de sua eficácia, um preço máximo por Ação, conforme previsto no parágrafo 3.º do artigo 45 da Instrução CVM 400. Os Pedidos de Reserva realizados pelos Investidores Não-Institucionais que estipularem, como condição de sua eficácia, um preço máximo por Ação inferior ao Preço por Ação, conforme definido abaixo, serão automaticamente cancelados pela Corretora junto a qual o pedido de reserva for realizado. As Corretoras somente atenderão Pedidos de Reserva realizados por Investidores Não-Institucionais titulares de conta corrente ou de conta de investimento nelas aberta ou mantida pelo respectivo investidor. As Corretoras poderão, a seu exclusivo critério, exigir a manutenção de recursos em conta de investimento nela aberta e/ou mantida, para garantia do Pedido de Reserva. Dessa forma, os Coordenadores recomendam aos Investidores Não-Institucionais interessados na realização de Pedidos de Reserva que leiam cuidadosamente os termos e condições estipulados no Pedido de Reserva, especialmente os procedimentos relativos à liquidação da Oferta, e as informações constantes dos Prospectos, e que verifiquem com a Corretora de sua preferência, antes de realizar seu Pedido de Reserva, a necessidade de manutenção de recursos em conta de investimento nela aberta e/ou mantida, para fins de garantia do Pedido de Reserva; (b) 1% do total das Ações objeto da Oferta serão prioritariamente destinadas aos Empregados que desejarem subscrever e/ ou adquirir as Ações, nos limites acima previstos, desconsiderando-se as frações de Ações (“Oferta aos Empregados”). O Empregado que desejar fazer parte da Oferta aos Empregados deverá ter indicado sua condição de Empregado da Companhia no campo específico do respectivo Pedido de Reserva. O Empregado que não indicou sua condição de Empregado da Companhia no Pedido de Reserva, será considerado como um Investidor Não-Institucional comum e não será considerado para a Oferta aos Empregados; (c) tendo a totalidade dos Pedidos de Reserva realizados por Empregados, na Oferta aos Empregados, sido igual ou inferior ao montante de 1% das Ações objeto da Oferta, não haverá rateio, sendo todos os Empregados integralmente atendidos em todas as suas reservas e eventuais sobras no lote ofertado aos Empregados destinadas aos Investidores Não-Institucionais; (d) tendo a totalidade dos Pedidos de Reserva realizados por Empregados na Oferta aos Empregados sido superior ao montante de 1% das Ações objeto da Oferta, será realizado o rateio de tais Ações entre todos os Empregados, proporcionalmente ao valor de cada Pedido de Reserva entre todos os Empregados, sempre desconsiderando-se as frações de Ações; (e) os Investidores Não-Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) deverão, necessariamente, indicar no Pedido de Reserva a sua condição de Pessoa Vinculada (conforme definida abaixo), sendo que, havendo excesso de demanda superior em 1/3 à quantidade de Ações inicialmente ofertadas (excluídas as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar), será vedada a colocação, pelas Corretoras, de Ações junto a Investidores Não-Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo), sendo que os Pedidos de Reserva realizados por Investidores Não-Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) serão automaticamente cancelados, com exceção dos Pedidos de Reserva realizados pelos Investidores Não-Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas durante o Período de Reserva para Pessoas Vinculadas; (f) cada Corretora deverá informar na Data de Liquidação, conforme abaixo definido, a quantidade de Ações a ser subscrita e/ou adquirida (ajustada, se for o caso, conforme descrito nos itens (d) acima e (j) abaixo, em decorrência do rateio) e o correspondente valor do investimento ao Investidor Não-Institucional que com ela tenha realizado Pedido de Reserva, até às 24 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 16:00 horas do dia útil seguinte à data de publicação do Anúncio de Início, por meio de seu endereço eletrônico ou, na sua ausência, por telefone ou correspondência, sendo o pagamento limitado ao valor do Pedido de Reserva; (g) até às 10:30 horas da Data de Liquidação, conforme abaixo definido, cada Investidor Não-Institucional deverá efetuar o pagamento do valor indicado, conforme previsto no item (f) acima, junto à Corretora na qual efetuar seu respectivo Pedido de Reserva, em recursos imediatamente disponíveis, sob pena de, em não o fazendo, ter seu Pedido de Reserva automaticamente cancelado; (h) após às 16:00 horas da Data de Liquidação, desde que confirmado o crédito correspondente ao produto da colocação das Ações na conta de liquidação a BM&FBOVESPA, em nome de cada uma das Corretoras junto à qual o Pedido de Reserva tenha sido realizado, entregará a cada Investidor Não-Institucional que com ela tenha feito a reserva, em nome de cada uma das Corretoras junto à qual o Pedido de Reserva tenha sido realizado, o número de Ações, conforme abaixo definido, correspondente à relação entre o valor do investimento pretendido constante do Pedido de Reserva e o Preço por Ação, conforme abaixo definido, ressalvadas as possibilidades de desistência e cancelamento previstas nos itens (k), (l) e no item 2.4.3 abaixo, respectivamente, e as possibilidades de rateio previstas no itens (d) acima e (j) abaixo. Caso tal relação resulte em fração de Ação, o valor do investimento será limitado ao valor correspondente ao maior número inteiro de Ações; (i) caso a totalidade dos Pedidos de Reserva realizados por Investidores Não-Institucionais seja igual ou inferior ao montante destinado à Oferta de Varejo, sem considerar as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar, não haverá rateio, sendo todos os Investidores Não-Institucionais integralmente atendidos em suas reservas, e as eventuais sobras no lote ofertado aos Investidores Não-Institucionais serão destinadas a Investidores Institucionais; (j) se a totalidade dos Pedidos de Reserva realizados por Investidores Não-Institucionais for superior à quantidade de Ações destinadas à Oferta de Varejo, sem considerar as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar, será realizado rateio das Ações, da seguinte forma: (i) a divisão igualitária e sucessiva das Ações destinadas a Investidores Não-Institucionais entre todos os Investidores Não-Institucionais, observando-se o valor individual de cada Pedido de Reserva, desconsiderando-se as frações de Ações, até o limite de R$5.000,00 por Investidor Não-Institucional; e (ii) uma vez atendido o critério de rateio descrito no sub-item (i) acima, será efetuado o rateio proporcional das Ações destinadas a Investidores Não-Institucionais remanescentes entre todos os Investidores Não-Institucionais, observando-se o valor individual de cada Pedido de Reserva e desconsiderando-se as frações de Ações. Opcionalmente, a critério dos Coordenadores da Oferta e da Companhia, a quantidade de Ações destinadas a Investidores Não-Institucionais poderá ser aumentada para que os pedidos excedentes dos Investidores Não-Institucionais possam ser total ou parcialmente atendidos, sendo que, no caso de atendimento parcial, será observado o critério de rateio descrito neste item; (k) o Investidor Não-Institucional somente poderá desistir do seu Pedido de Reserva caso (i) seja verificada divergência relevante entre as informações constantes do Prospecto Preliminar de Oferta Pública de Distribuição Primária e Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Prospecto Preliminar”) e do Prospecto Definitivo da Oferta que altere substancialmente o risco assumido pelos Investidores Não-Institucionais ou a sua decisão de investimento; (ii) a Oferta seja suspensa nos termos do artigo 20 da Instrução CVM 400; e/ou (iii) a Oferta seja modificada nos termos do artigo 27 da Instrução CVM 400, devendo, para tanto, informar sua decisão à Corretora que tenha recebido o Pedido de Reserva (a) até as 16:00 horas do quinto dia útil subsequente à data de disponibilização do Prospecto Definitivo, no caso da alínea (i) acima; e (b) até às 16:00 horas do quinto dia útil subseqüente à data em que for publicado comunicado ao mercado, nos mesmos veículos de publicação deste Aviso ao Mercado, informando acerca da suspensão ou modificação da Oferta, no caso dos sub-itens (ii) e (iii) acima. Caso o Investidor Não-Institucional não informe sua decisão de desistência do Pedido de Reserva nos termos deste inciso, o Pedido de Reserva será considerado válido e o Investidor Não-Institucional deverá efetuar o pagamento do valor do investimento; (l) na hipótese de (i) não haver a conclusão da Oferta; (ii) resilição do Contrato de Distribuição; (iii) cancelamento da Oferta; ou (iv) revogação da Oferta, todos os Pedidos de Reserva serão automaticamente cancelados e cada Corretora comunicará referido cancelamento, inclusive por meio de publicação de comunicado ao mercado nos mesmos veículos de publicação deste Aviso ao Mercado, aos Investidores Não-Institucionais que houverem efetuado Pedido de Reserva junto a tal Corretora; e (m) caso o Investidor Não-Institucional já tenha efetuado o pagamento nos termos do item (g) acima e ocorram as hipóteses previstas no item (l) acima ou no item 2.4.3 abaixo, ou caso o investidor venha a desistir do Pedido de Reserva, nos termos do item (k) acima, os valores eventualmente depositados serão devolvidos sem remuneração ou correção monetária, no prazo de até cinco dias úteis contados a partir do pedido de cancelamento do Pedido de Reserva ou do cancelamento da Oferta e/ou Pedido de Reserva, conforme o caso. A revogação, suspensão ou qualquer modificação da Oferta será imediatamente divulgada por meio do Diário Oficial do Estado de São Paulo e do jornal Valor Econômico, veículos também usados para divulgação deste Aviso ao Mercado e do Anúncio de Início, conforme disposto no artigo 27 da Instrução CVM 400 (“Anúncio de Retificação”). Em caso de modificação da Oferta, as Corretoras deverão acautelar-se e certificar-se, no momento do recebimento das aceitações da Oferta, de que o Investidor Não-Qualificado está ciente de que a Oferta foi alterada e de que tem conhecimento das novas condições. Caso o Investidor Não-Qualificado já tenha aderido à Oferta, cada Corretora deverá comunicar diretamente o seu respectivo Investidor Não-Qualificado que tenha efetuado o Pedido de Reserva a respeito da modificação efetuada. O Investidor Não-Qualificado poderá desistir do Pedido de Reserva até às 16:00 horas do 5º (quinto) dia útil subseqüente a data em que foi comunicada por escrito a suspensão ou modificação da Oferta. Nesta hipótese, o Investidor Não-Qualificado deverá informar sua decisão de desistência do Pedido de Reserva à Corretora da Oferta que tenha recebido o seu Pedido de Reserva o qual será automaticamente cancelado pela referida Corretora. Caso o Investidor Não-Qualificado não informe por escrito a Corretora de sua desistência do Pedido de Reserva no prazo de 5 (cinco) dias úteis da publicação do Anúncio de Retificação, será presumido que tal Investidor Não-Qualificado manteve o seu Pedido de Reserva e, portanto, tal Investidor deverá efetuar o pagamento em conformidade com os termos no prazo previsto no respectivo Pedido de Reserva. Em qualquer hipótese, a revogação da Oferta e o cancelamento dos Pedidos de Reserva tornam ineficazes a Oferta e os atos de aceitação anteriores ou posteriores, devendo ser restituídos integralmente aos investidores aceitantes dos valores mobiliários dados em contrapartida às Ações, no prazo de 3 (três) dias úteis da data de divulgação da revogação, sem qualquer remuneração ou correção monetária, com dedução, se aplicável, dos valores relativos a tributos incidentes, conforme disposto no artigo 26 da Instrução CVM 400. É admissível o recebimento de reservas a partir da data indicada neste Aviso ao Mercado, para subscrição e/ou aquisição, as quais somente serão confirmadas pelo subscritor e/ou adquirente após o início do período de distribuição. 2.4.2. Oferta Institucional As Ações objeto da Oferta que não forem colocadas na Oferta de Varejo serão destinadas à Oferta Institucional, a Investidores Institucionais, de acordo com o seguinte procedimento: (a) os Investidores Institucionais interessados em participar da Oferta deverão apresentar suas intenções de investimento durante o Procedimento de Bookbuilding, não sendo admitidas reservas antecipadas por meio de pedido de reserva, tampouco limites máximos de investimento; (b) caso o número de Ações objeto da ordem de investimento recebida dos Investidores Institucionais durante o Procedimento de Bookbuilding, na forma do artigo 44 da Instrução CVM 400, venha a exceder o total de Ações remanescentes após o atendimento dos Pedidos de Reserva dos Investidores Não-Institucionais, terão prioridade no atendimento de suas respectivas ordens os Investidores Institucionais que, a critério dos Coordenadores e da Companhia, melhor atendam ao objetivo da Oferta de criar uma base diversificada de acionistas, formada por investidores com diferentes critérios de avaliação sobre as perspectivas, ao longo do tempo, da Companhia, seu setor de atuação e a conjuntura macro-econômica brasileira e internacional, observado o disposto no plano de distribuição elaborado pelos Coordenadores, com expressa anuência da Companhia e dos Acionistas Vendedores, nos termos do parágrafo 3º do artigo 33 da Instrução CVM 400, o qual leva em conta as suas relações com os clientes e outras considerações de natureza comercial ou estratégica; (c) até às 12:00 do 1º dia útil subsequente à data de publicação do Anúncio de Início, os Investidores Institucionais serão informados, por meio do seu respectivo endereço eletrônico, ou, na sua ausência, por telefone ou fac-símile, da Data de Liquidação, da quantidade de Ações alocadas e do Preço por Ação; (d) a entrega das Ações deverá ser efetivada na Data de Liquidação, mediante o pagamento em moeda corrente nacional, à vista e em recursos imediatamente disponíveis, do Preço por Ação multiplicado pela quantidade de Ações alocadas, de acordo com os procedimentos previstos no Anúncio de Início; (e) a subscrição e/ou aquisição das Ações será formalizada mediante assinatura de Boletim de Subscrição e/ou Contrato de Compra e Venda cujos modelos finais tenham sido previamente apresentados à CVM e que informem o investidor claramente sobre a entrega das Ações; e (f) será aceita a participação de Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) no processo de fixação do Preço por Ação, mediante a participação destes no Procedimento de Bookbuilding, até o limite máximo de 15% do valor da Oferta. Caso seja verificado excesso de demanda superior em um terço à quantidade de Ações inicialmente ofertadas (excluídas as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar), será vedada a colocação pelos Coordenadores e Coordenadores Contratados de Ações aos Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas, sendo as intenções de investimento realizadas por investidores institucionais que sejam pessoas vinculadas automaticamente canceladas. Os investimentos realizados para proteção (hedge) de operações com derivativos, incluindo operações de total return swap realizadas no Brasil ou no exterior, não serão considerados investimentos efetuados por Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) para fins da presente Oferta. A participação de Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) no Procedimento de Bookbuilding poderá impactar adversamente a formação do Preço por Ação, e o investimento nas Ações por Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) poderá promover redução de liquidez das Ações no mercado secundário. 2.4.3. Violações de Normas Caso haja descumprimento, por qualquer das Instituições Participantes da Oferta, de qualquer das obrigações previstas no respectivo termo de adesão ao Contrato de Distribuição ou em qualquer contrato celebrado no âmbito da Oferta, ou ainda, de qualquer das normas de conduta previstas na regulamentação aplicável à Oferta, incluindo, sem limitação, aquelas previstas na Instrução CVM 400, e, especificamente, na hipótese de manifestação indevida na mídia durante o período de silêncio, conforme previsto no artigo 48 da Instrução CVM 400, tal Instituição Participante da Oferta (i) deixará de integrar o grupo de instituições responsáveis pela colocação das Ações no âmbito da Oferta, a critério exclusivo dos Coordenadores, devendo cancelar todos os Pedidos de Reserva ou Boletins de Subscrição e Contratos de Compra e Venda, conforme o caso, que tenha recebido e informar imediatamente os investidores que com ela tenham realizado Pedido de Reserva ou ordens para a coleta de investimentos, conforme o caso, sobre o referido cancelamento; e (ii) poderá ser suspensa, por um período de até 6 (seis) meses contados da data da comunicação da violação, de atuar como Instituição Participante da Oferta em ofertas de distribuição pública coordenadas pelos Coordenadores. 2.4.4. Pessoas Vinculadas Para os fins da presente Oferta e nos termos do artigo 55, da Instrução CVM 400, serão consideradas pessoas vinculadas à Oferta os investidores que sejam (i) controladores ou administradores da Companhia; (ii) controladores ou administradores das Instituições Participantes da Ofertas, dos Agentes de Colocação Internacional; (iii) outras pessoas vinculadas à Oferta; ou (iv) os cônjuges ou companheiros, ascendentes, descendentes e colaterais até o 2º grau das pessoas referidas nos itens (i), (ii) e (iii) acima (“Pessoas Vinculadas”). 2.5. Prazos da Oferta A data de início da Oferta será divulgada mediante a publicação de Anúncio de Início, em conformidade com o previsto no artigo 52 da Instrução CVM 400. O Prazo de Distribuição das Ações (conforme definido abaixo) é de até seis meses contados da data de publicação do Anúncio de Início, inclusive, nos termos do artigo 18 da Instrução CVM 400, ou até a data da publicação do anúncio de encerramento da Oferta (“Anúncio de Encerramento”), o que ocorrer primeiro (“Prazo de Distribuição”). A liquidação física e financeira da Oferta, observado o disposto abaixo, deverá ser realizada dentro do prazo de até três dias úteis, contados da data de publicação do Anúncio de Início (“Data de Liquidação”), de acordo com os procedimentos previstos no Contrato de Distribuição. A liquidação física e financeira das Ações do Lote Suplementar deverá ser realizada até o terceiro dia útil seguinte à data de exercício da Opção de Lote Suplementar (“Data de Liquidação das Ações do Lote Suplementar”), de acordo com o disposto no Contrato de Distribuição. O término da Oferta e seu resultado serão anunciados mediante publicação de Anúncio de Encerramento, em conformidade com o artigo 29 da Instrução CVM 400. 2.6. Informações sobre a Garantia Firme de Liquidação Caso as Ações da Oferta que tenham sido subscritas e/ou adquiridas por investidores não sejam integralizadas e/ou pagas até a Data de Liquidação, os Coordenadores liquidarão, na Data de Liquidação, a totalidade do saldo resultante da diferença entre o número de Ações da Oferta objeto da garantia firme de liquidação (excluídas as Ações Suplementares) prestada por cada Coordenador nos termos do Contrato de Distribuição e o número de Ações efetivamente colocadas junto aos investidores e liquidadas no mercado, pelo Preço por Ação (conforme abaixo definido) constante do Prospecto Definitivo. Em caso de exercício da garantia firme e posterior revenda das Ações junto ao público pelos Coordenadores durante o Prazo de Distribuição, ou até a data de publicação do Anúncio de Encerramento, o que ocorrer primeiro, o preço de revenda das Ações será o preço de mercado das Ações, até o limite máximo do Preço por Ação, ressalvadas as atividades de estabilização, previstas no item 2.8 abaixo. 2.7. Preço por Ação No contexto da Oferta, estimasse que o preço por ação (“Preço por Ação”) estará situado entre R$9,00 e R$12,00, ressalvado, no entanto, que o Preço por Ação poderá eventualmente ser fixado fora dessa faixa indicativa. O Preço por Ação será fixado com base no resultado do Procedimento de Bookbuilding a ser conduzido no Brasil pelos Coordenadores junto a Investidores Institucionais, em conformidade com o artigo 23, parágrafo 1º, e o artigo 44 da Instrução CVM 400, e de acordo com o artigo 170, parágrafo 1º, inciso III, da Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, conforme alterada (“Lei das Sociedades por Ações”). Nos termos do inciso III do parágrafo 1º do artigo 170 da Lei das Sociedades por Ações, a escolha do critério para determinação do Preço por Ação encontrase justificada pelo fato de que o Preço por Ação não promove a diluição injustificada dos atuais acionistas da Companhia e de que as Ações serão distribuídas por meio de oferta pública, em que o valor de mercado das Ações será aferido com a realização do Procedimento de Bookbuilding, que reflete o valor pelo qual os Investidores Institucionais apresentarão suas ordens de investimento no contexto da Oferta. Os Investidores Não-Institucionais não participarão do Procedimento de Bookbuilding, e, portanto, não participarão da fixação do Preço por Ação. Será aceita a participação de Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas no processo de fixação do Preço por Ação, mediante a participação desses no Procedimento de Bookbuilding até o limite máximo de 15% do valor da Oferta. Caso seja verificado excesso de demanda superior em um terço à quantidade de Ações inicialmente ofertadas (excluídas as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar), será vedada a colocação pelos Coordenadores e Coordenadores Contratados de Ações para Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas. Os investimentos realizados para proteção (hedge) de operações com derivativos, incluindo operações de total return swap realizadas no Brasil ou no exterior, não serão considerados investimentos efetuados por Pessoas Vinculadas para fins da presente Oferta. A participação de Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas no Procedimento de Bookbuilding poderá impactar adversamente a formação do Preço por Ação, e o investimento nas Ações por Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas poderá promover redução de liquidez das Ações no mercado secundário. 2.8. Estabilização do Preço das Ações O Coordenador Líder poderá, a seu exclusivo critério, realizar atividades de estabilização de preço das ações ordinárias de emissão da Companhia, por um período de até 30 dias a contar da data de publicação do Anúncio de Início, inclusive, por meio de operações de compra e venda de ações ordinárias de emissão da Companhia, observadas as disposições legais aplicáveis e o disposto no Contrato de Prestação de Serviços de Estabilização de Preço das Ações Ordinárias de Emissão da Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Contrato de Estabilização”), o qual deverá ser previamente aprovado pela BM&FBOVESPA e pela CVM, nos termos do artigo 23, parágrafo 3º, da Instrução CVM 400, e do item II da Deliberação da CVM n.º 476, de 25 de janeiro de 2005. 2.9. Direitos, Vantagens e Restrições das Ações As Ações garantem aos seus titulares o direito a um voto nas deliberações sociais, direito ao recebimento de dividendo obrigatório de 25% do lucro líquido ajustado na forma do artigo 202 da Lei das Sociedades por Ações, bem como o direito de ser incluídas em oferta pública de aquisição de ações em algumas circunstâncias previstas no estatuto social da Companhia, como alienação de controle, fechamento de capital e descontinuidade de listagem no segmento de prática de governança corporativa Novo Mercado. 2.10. Restrições à transferência de Ações (Lock-up) A Companhia, seus administradores e seus atuais Acionistas Controladores, incluindo os Acionistas Vendedores (em conjunto, Coordenador Coordenador Líder e Agente Estabilizador Coordenadore Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários Corretora de Valores Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 25 ECOR3 “Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários”) celebrarão acordos de restrição à venda de ações de emissão da Companhia (lock-ups), por meio dos quais se comprometerão, sujeitos a determinadas exceções, durante o período de 180 (cento e oitenta) dias contados da data de publicação do Anúncio de Início, inclusive (“Período Restritivo”), sujeito a determinadas exceções, a: (i) não emitir, ofertar, vender, contratar a venda, dar em garantia, emprestar, conceder qualquer opção de compra ou de qualquer outra forma dispor ou conceder quaisquer direitos, registrar documento nos termos do Securities Act ou das leis brasileiras, em todos os casos relacionados a, qualquer ação ou qualquer opção ou warrant de compra de qualquer ação ou qualquer valor mobiliário conversível em, ou permutável por, ou que represente o direito de receber ações de emissão da Companhia; (ii) não celebrar qualquer contrato de swap ou qualquer acordo que transfira à outra parte, no todo ou em parte, qualquer valor econômico decorrente da titularidade das ações ou de qualquer valor mobiliário conversível, passível de exercício ou permutável por ações de emissão da Companhia, ou de warrants ou outro direito de compra de ações de emissão da Companhia, independentemente se tal operação seja realizada pela entrega das ações ou de qualquer valor mobiliário de emissão da Companhia, por dinheiro ou outra forma; e (iii) a não publicar anúncio com a intenção de efetuar qualquer operação acima descrita. As disposições de restrição de venda de ações de emissão da Companhia se aplicam a ações e a valores mobiliários conversíveis em, permutáveis por, ou que admitam pagamento mediante entrega de ações de emissão da Companhia, exceto transferências realizadas para fins de estabilização do preço das Ações, com o consentimento dos Coordenadores da Oferta, no contexto da realização de atividades de formador de mercado para a Oferta, de acordo com a Instrução CVM 384 e com o Código de AutoRegulação ANBID para Atividades Conveniadas. Nenhuma autorização será necessária caso as atividades de formador de mercado sejam realizadas por corretoras pertencentes ao grupo econômico dos Coordenadores da Oferta. [Não obstante as operações vedadas durante o Período Restritivo, as seguintes transferências de valores mobiliários da Companhia são permitidas (“Transferências Permitidas” ou, se referidas individualmente, “Transferência Permitida”): (i) a transferência, direta ou indireta, por Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários para quaisquer de seus respectivos acionistas, controladores, controladas ou coligadas; (ii) a transferência, direta ou indireta, de valores mobiliários entre acionistas, controladoras, controladas ou coligadas de Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários; (iii) a transferência por Sujeitos às Restrições de Transferência de Ações de Valor Mobiliário de sua titularidade para uma ou mais pessoas físicas com o propósito de torná-las elegíveis para cargos no Conselho de Administração da Companhia, quando aplicável; (iv) a transferência do valor mobiliário detido por representante de Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários que ocupe cargo no Conselho de Administração da Companhia para Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários ou para outra pessoa física por eles designada com o propósito de torná-la elegível para cargo no Conselho de Administração da Companhia, quando aplicável, na hipótese do referido representante de Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários ser destituído do referido cargo ou, por qualquer razão, deixá-lo; e (v) transferências no âmbito de planos de opção de compra de ações que vierem a ser aprovados pela Companhia, desde que as ações subjacentes às opções não possam ser transferidas a terceiros durante o Período Restritivo.] Adicionalmente, nos termos do Regulamento do Novo Mercado, nos seis meses subsequentes à data da publicação do Anúncio de Início, o Controlador (conforme definido no Regulamento do Novo Mercado) e nossos Administradores não poderão vender e/ ou ofertar à venda quaisquer das nossas ações e Derivativos (conforme definido no Regulamento do Novo Mercado) de que eram titulares imediatamente após a efetivação da Oferta. Após esse período inicial de seis meses, o Controlador e os Administradores não poderão, por mais seis meses, vender e/ou ofertar à venda mais do que 40,0% das nossas ações e Derivativos de que eram titulares imediatamente após a efetivação da Oferta. 3. Aprovações Societárias Em Reunião de Conselho de Administração da Companhia realizada em 03 de fevereiro de 2010, cuja ata foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo e no jornal “Valor Econômico” em 04 de fevereiro de 2010, (i) foi aprovada a realização da Oferta Primária; e (ii) foi autorizado o efetivo aumento do capital da Companhia, mediante emissão das Ações da Oferta Primária, com exclusão do direito de preferência dos atuais acionistas na subscrição de Ações. O Preço por Ação será aprovado em Reunião do Conselho de Administração da Companhia a ser realizada após a conclusão do Procedimento de Bookbuilding e antes da concessão do registro da Oferta pela CVM, cuja ata será publicada nos veículos acima mencionados na data de publicação do Anúncio de Início. A realização da Oferta Secundária foi aprovada nos termos do artigo 21, I, do Estatuto Social da Primav Construções e Comércio S.A., e dos artigos 7º, h, e 8º, II, do Estatuto Social da CR Almeida S.A. – Engenharia de Obras. 4. Informações Sobre a Companhia As Ações objeto da Oferta serão negociadas na BM&FBOVESPA no dia útil seguinte à data de publicação do Anúncio de Início no segmento especial de listagem do Novo Mercado, conforme Contrato de Participação no Novo Mercado celebrado em 03 de março de 2010, sob o código “ECOR3”. Para mais informações sobre a negociação das Ações na BM&FBOVESPA, consulte uma sociedade corretora de valores mobiliários autorizada a operar na BM&FBOVESPA. Para mais informações sobre a Companhia, incluindo seu setor de atuação, suas atividades e situação econômica e financeira, leia o Prospecto Preliminar. 5. Instituição Financeira Escrituradora das Ações A instituição financeira contratada para prestação de serviços de escrituração das Ações é o Banco Bradesco S.A. 6. Informações Adicionais Não será realizado qualquer registro da Oferta ou das Ações na SEC ou em qualquer agência ou órgão regulador do mercado de capitais de qualquer outro país, exceto a CVM, no Brasil. É recomendada aos investidores, antes da tomada de qualquer decisão de investimento, a leitura do Prospecto Preliminar. Este Aviso ao Mercado é uma republicação do Aviso ao Mercado publicado em 15 de março de 2010 neste mesmo jornal, com o objetivo de apresentar uma relação completa das Instituições Participantes da Oferta, incluindo as Corretoras. Os investidores que desejarem obter mais informações sobre a Oferta, bem como exemplar do Prospecto Preliminar, deverão dirigirse aos endereços ou dependências dos Coordenadores ou dos Coordenadores Contratados, conforme indicados abaixo, ou das Corretoras. Os endereços e os websites das Instituições Participantes da Oferta aos quais os investidores deverão dirigir-se a fim de obter informações adicionais acerca da Oferta e o exemplar do Prospecto Preliminar são os seguintes: Companhia • Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3900, 11º andar São Paulo, SP Sr. Roberto Koiti Nakagome Tel: +55 (11) 3709-4990 Fax: +55 (11) 3709-4991 http://www.ecorodovias.com.br Acionistas Vendedores • Primav Construções e Comércio S.A. Rua Teófilo Otoni, nº 63, 3º andar Rio de Janeiro, RJ Sr. Cesar Beltrão de Almeida Tel: +55 (41) 3312 9200 Fax: +55 (41) 3343 4946 http://www.primavsa.com.br • CR Almeida S.A. – Engenharia de Obras Avenida Vicente Machado, nº 1789 Curitiba, Paraná Sr. Adhemar Rodrigues Alves Tel: +55 (41) 3312 9200 Fax: +55 (41) 3343 4946 http:// www.cralmeida.com.br Coordenadores Coordenador Líder • Banco Itaú BBA S.A. Avenida Brigadeiro Faria Lima, n.º 3.400, 4º andar São Paulo, SP Sr. Fernando Fontes Iunes Tel: +55 (11) 3708-8000 Fax: +55 (11) 3708-8107 http://www.itaubba.com.br/portugues/atividades/prospectos.asp Coordenadores • Banco BTG Pactual S.A. Avenida Brigadeiro Faria Lima, n.º 3729, 9º andar São Paulo, SP At.: Sr. Fábio Nazari Tel: +55 (11) 3383-2000 Fax: +55 (11) 3383-2474 http://www.btgpactual.com/home/pt/capitalmarkets.aspx • Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. Avenida Brigadeiro Faria Lima, n.º 3.064, 12º, 13º e 14º andares (parte) São Paulo, SP At.: Sr. Gustavo Castilho Tel: +55 (11) 3841-6800 Fax: +55 (11) 3841-6912 http://br.credit-suisse.com/ofertas Coordenadores Contratados • Banco Morgan Stanley S.A. Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3.600, 6º andar e 7º andar (parte) São Paulo, SP Srta. Domenica Noronha Tel: +55 (11) 3048-6000 Fax: +55 (11) 3048-6010 http://www.morganstanley.com.br/prospectos • Goldman Sachs Banco Múltiplo do Brasil S.A. Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 510, 6º andar São Paulo, SP Sr. Antonio Pereira Tel.: +55 (11) 3371-0700 Fax: +55 (11) 3371-0704 http://www2.goldmansachs.com/worldwide/brazil/ipo/brazilian_offerings.html Corretoras • Dependências das corretoras de títulos e valores mobiliários credenciadas junto à BM&FBOVESPA para participar na Oferta. Informações adicionais sobre as Corretoras podem ser obtidas na página da rede mundial de computadores da BM&FBOVESPA (www.bmfbovespa.com.br). O Prospecto Preliminar também está disponível na sede e no endereço eletrônico (i) da CVM, na Rua Sete de Setembro, n.º 111, 5º andar, Rio de Janeiro - RJ, ou na Rua Cincinato Braga, 340, 2° andar, São Paulo - SP, ou em http://cvmweb.cvm.gov.br/SWB/ Sistemas/SCW/CPublica/CiaAb/FormBuscaCiaAbOrdAlf.aspx?LetraInicial=C; (ii) da BM&FBOVESPA, na Rua XV de Novembro, 275, São Paulo - SP, ou em http://www.bovespa.com.br/Empresas/InformacoesEmpresas/FormConsultaInfoPeriodo.asp; e (iii) da Companhia, em: http://www.ecorodovias.com.br A Companhia e os Coordenadores realizarão apresentações aos investidores (roadshows) no Brasil e no exterior no período compreendido entre a data de publicação deste Aviso ao Mercado e a data em que for fixado o Preço por Ação. O Prospecto Preliminar contém informações adicionais e complementares a este Aviso ao Mercado e sua leitura possibilita uma análise detalhada dos termos e condições da Oferta e dos riscos a ela inerentes. É admissível o recebimento de reservas, a partir da data indicada neste Aviso ao Mercado, para subscrição e/ou aquisição, as quais somente serão confirmadas pelo subscritor e/ou adquirente após o início do período de distribuição. “Leia o Prospecto Preliminar antes de aceitar a Oferta.” Os investidores devem ler a Seção “Fatores de Risco” do Prospecto Preliminar, para uma descrição de certos fatores de risco que devem ser considerados antes da decisão de investimento nas Ações. Os Coordenadores recomendam que os Investidores Não-Institucionais interessados na realização do Pedido de Reserva leiam, atenta e cuidadosamente, os termos e condições estipulados nos respectivos Pedidos de Reserva, especialmente os procedimentos relativos ao pagamento do Preço por Ação e à liquidação da Oferta, incluindo a entrega de Ações, bem como as informações constantes do Prospecto Preliminar. Este Aviso ao Mercado não constitui uma oferta de venda das Ações nos Estados Unidos da América. As Ações não poderão ser ofertadas ou vendidas nos Estados Unidos da América sem que haja o registro ou a isenção de registro nos termos do Securities Act. Exceto pelo registro da Oferta perante a CVM, a Companhia não pretende registrar a Oferta ou as Ações nos Estados Unidos da América e nem em qualquer agência ou órgão do mercado de capitais de qualquer outro país. Como todo e qualquer investimento em ações, a subscrição e/ou aquisição das Ações apresenta certos riscos, como aqueles relacionados à volatilidade do mercado de capitais, à liquidez das Ações e à oscilação de sua cotação em bolsa, e possibilidade de perdas patrimoniais, que devem ser cuidadosamente considerados antes da tomada de decisão de investimento. A presente Oferta não é adequada a investidores avessos aos riscos, inerentes a investimentos em ações. O registro da Oferta foi requerido junto a CVM em 03 de fevereiro de 2010, estando sujeita a prévia aprovação e registro da CVM. “O registro da presente Oferta não implica, por parte da CVM, garantia de veracidade das informações prestadas ou em julgamento sobre a qualidade da Companhia, bem como sobre as Ações a serem distribuídas”. A(O) presente oferta pública (programa) foi elaborada(o) de acordo com as normas de Regulação e Melhores Práticas da ANBID para as Ofertas Públicas de Distribuição e Aquisição de Valores Mobiliários, atendendo, assim, a(o) presente oferta pública (programa), aos padrões mínimos de informação exigidos pela ANBID, não cabendo à ANBID qualquer responsabilidade pelas referidas informações, pela qualidade de emissora e/ ou ofertantes, das Instituições Participantes e dos valores mobiliários objeto da(o) oferta pública (programa). Este selo não implica recomendação de investimento. O registro ou análise prévia da presente distribuição não implica, por parte da ANBID, garantia da veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade da companhia emissora, bem como sobre os valores mobiliários a serem distribuídos. res da Oferta es Contratados corretora 26 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 EMPRESAS Divulgação MINERAÇÃO CARNE Rio Tinto e chinesa Chinalco explorarão juntas mina de ferro Simandou, em Guiné JBS-Friboi negocia compra de empresa capaz de abater 200 mil bois por ano A mina de Simandou tem reservas estimadas em mais de 2,25 bilhões de toneladas de minério de ferro de grau 66%-67%, considerado de alta qualidade. A produção esperada é de 70 milhões de toneladas por ano. A anglo-australiana Rio Tinto é dona de 95% do projeto de exploração. O acordo prevê que a Chinalco pagará US$ 1,35 bilhão por uma fatia de 47%. O minério extraído deverá ser encaminhado para o mercado chinês. A JBS-Friboi assinou acordo para aquisição da Rockdale Beef, na Austrália, por meio de sua subsidiária Swift Austrália. O comunicado ao mercado não revela o valor da compra, que é citada como potencial, uma vez que a conclusão da operação está sujeita à aprovação do conselho e de autoridades competentes, entre as quais órgão antitruste da Austrália. O assessor na negociação é o banco de investimento Rothschild. San Juan Y Martinez/AFP Produção de tabaco em Cuba: joint venture com o governo consolida marcas do grupo na ilha antes dos concorrentes Souza Cruz garante preferência na privatização do cigarro em Cuba Sócia do governo Castro há 15 anos, empresa fecha acordo que lhe assegura domínio do mercado Luiz Silveira [email protected] Sócia do governo cubano na fabricante de cigarros Brascuba há 15 anos, a Souza Cruz fechou um novo acordo que lhe garante o direito de preferência na privatização do monopólio estatal Tabacuba. A parceria prevê apoio da empresa brasileira, controlada pela British American Tobacco (BAT), na reforma e melhoria tecnológica da Tabacuba. Em troca, o governo cubano garantiu que, se privatizar a empresa, terá que oferecê-la primeiro à Souza Cruz. Embora seja um negócio pequeno para a Souza Cruz e irrisório para a BAT, a Brascuba tem um importante papel estratégico. Quando e se ocorrer a abertura econômica do país liderado há cinco décadas por Fidel Castro, o mercado de cigarros tende a disparar e as marcas dominadas pela Souza Cruz serão as únicas no gosto dos consumidores. “Cuba tem 11 milhões de habitantes, um mercado potencial similar ao Chile e à Venezuela”, diz Fernando Teixeira, diretor da Souza Cruz responsável pela operação. A Brascuba detém virtualmente todo o mercado de cigarros nacionais indexados ao dólar, enquanto a Tabacuba produz os cigarros baratos cotados em pesos cubanos. O mercado da Brascuba é limitado aos consumidores com acesso ao CUC, equivalente a um dólar mais um pequeno spread. Seu público acaba ficando restrito a estrangeiros, turistas, e cubanos com acesso à moeda paralela. “ Cuba tem 11 milhões de habitantes, um mercado potencial similar ao Chile e à Venezuela Fernando Teixeira, diretor da Souza Cruz responsável pela Brascuba Dos 13 bilhões de cigarros vendidos anualmente em Cuba, a Brascuba tem 11,3% do volume. Com um faturamento de US$ 25 milhões, a companhia representa 29% do valor das vendas de cigarros do país. A estatal Tabacuba, dona de 50% da Brascuba, detém os outros 88,7% do mercado. Privatização Se assumir a Tabacuba, a Souza Cruz dominará 100% da produção cubana de cigarros, com um portfólio em todas as categorias de produto. Isso porque o monopólio estatal atua apenas em cigarros de baixo valor, enquanto a Brascuba possui cigarros “premium” e de médio preço — como o Lucky Strike importado do Chile, o Hollywood fabricado em Cuba com tabaco brasileiro e o Popular, líder da categoria de cigarros ligados ao dólar. Entre as marcas de alto valor fabricadas pela Brascuba estão principalmente tradicionais marcas de charutos, licenciadas pelo governo para dar nome a cigarros. A mais sofisticada delas é a Cohiba, produzida pela Brascuba desde 2003. A força dessas marcas permite à companhia exportar 300 milhões de cigarros por ano para países em que os charutos são conhecidos, principalmente a Espanha. A grande vantagem do país de Castro é que o percentual de fumantes é muito elevado. Cerca de 35% da população adulta é fumante, algo como 2 milhões de pessoas, segundo Teixeira. Em países como Brasil e Estados Unidos, o percentual de fumantes é de cerca de 20% dos adultos. ■ Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 27 Vito Palmisano/Bloomberg INDÚSTRIA QUÍMICA SUSTENTABILIDADE Companhias devem ter um crescimento modesto em 2010, diz estudo da Deloitte Coca-Cola reduz o uso de água em 5% em suas unidades durante a produção em 2009 Ao mesmo tempo, o mercado espera que as companhias ampliem suas iniciativas de redução de custos ao longo de 2010. Mesmo diante de esforços, as empresas não estão conseguindo evoluir, o que as forçará a dar uma olhada séria em seus custos estruturais. Para um melhor alinhamento com a realidade de mercado, as estratégias deverão enfatizar a redução de complexidade e simplificar os processos. A companhia utilizou 1,98 litro de água para cada litro de bebida produzido ao longo do ano passado e afirma que o consumo está entre os melhores níveis no mundo. Em 2008, a Coca-Cola usou 2,08 litros para fabricar a mesma quantidade. A meta global da empresa é devolver à natureza toda a água utilizada em suas unidades até 2020. Na década de 90, a produção de cada litro de bebida consumia 5 litros de água. Brascuba vira modelo de gestão na ilha Apesar de pequena, a operação da Souza Cruz em Cuba não é um mau negócio. No ano passado, o lucro foi de US$ 11 milhões, dividido igualmente com a Tabacuba. O lucro líquido total da empresa brasileira no ano foi de R$ 1,485 bilhão. Mas com um faturamento de US$ 25 milhões, a Brascuba mostra uma lucratividade muito boa. E se o fator estratégico é o mais importante do negócio para a Souza Cruz, o mesmo vale para o governo cubano. “A Brascuba está sendo utilizada por Cuba como modelo de gestão para outras empresas e parcerias”, diz Fernando Teixeira, da Souza Cruz. A gestão tem o padrão da British American Tobacco (BAT), e há apenas dois funcionários brasileiros expatriados em Cuba, em um total de 280 empregados. Para o executivo, foi a capacidade de gestão do grupo que conseguiu tirar a Brascuba do zero no momento mais difícil de Cuba, após o fim do regime socialista soviético. L.S. MONOPÓLIO 88,7% do mercado cubano de cigarros é dominado pelo monopólio estatal Tabacuba. A Brascuba, joint venture do governo com a Souza Cruz, detém praticamente todo o resto do mercado. FUMANTES 35% da população cubana adulta é fumante. O número é muito maior do que em países como Estados Unidos e Brasil, em que cerca de 20% dos adultos se declaram fumantes. VENDAS US$ 25 mi foi o faturamento da Brascuba em 2009. A operação é pouco significativa dentro da Souza Cruz, que teve receita de R$ 5,8 bilhões, mas é bastante rentável: US$ 11 milhões de lucro. EXPORTAÇÕES 300 milhões de cigarros foram exportados no ano passado pela Brascuba. A empresa manda para o exterior produtos com marcas tradicionais de charutos, como Cohiba e Romeo y Julieta, licenciadas pelo governo para a Brascuba. A ESTRATÉGIA NO MERCADO CUBANO ● Atuando apenas em um nicho de mercado, a Brascuba fortalece as marcas da Souza Cruz. ● A estatal Tabacuba e a Brascuba dominam o mercado cubano de cigarros. ● Adquirindo a Tabacuba em caso de sua privatização, a Souza Cruz teria quase 100% do mercado. ● As concorrentes teriam que construir as marcas do zero para abocanhar o mercado crescente. 28 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 EMPRESAS INVESTIMENTO Valor de mercado da E-Safertransfer sobe para R$ 24 milhões após aporte de capital A brasileira E-Safetransfer, que desenvolve sistemas de segurança e de fidelização de clientes para smart cards, recebeu aporte de R$ 2,4 milhões, chegando à valorização de R$ 24 milhões. Segundo comunicado da empresa, os novos recursos vieram principalmente de uma holding de investimentos não identificada, com maior foco no mercado imobiliário. A empresa prevê faturamento de R$ 3,5 milhões para este ano. Murillo Constantino Fernando Medin (à esq.) e Enrique Martinez apostam na liderança tecnológica do Brasil Teles aquecem mercado de TV paga Discovery conta com entrada de novos operadores para elevar base de assinantes e venda de programação Ivone Santana [email protected] A entrada das operadoras de telefonia no segmento de TV por assinatura no Brasil aumentou a competição e renovou os serviços, que estavam estagnados há mais de uma década, gerando negócios não só para operadores, mas também para os programadores. Hoje, Telefônica, Oi e Embratel representam 10% dos assinantes da Discovery. Ainda é pouco. Os operadores de TV (Net e Sky) ainda ficam com a parte do leão: 78%. Mas a chegada de novos competidores na telefonia fixa e móvel, e a possibilidade de leilão de licenças de TV por assinatura animam a direção da Discovery, confiante numa aceleração das vendas. Outros fatores podem contribuir para esquentar o setor: a bancarização, por permitir que os consumidores que não tinham como pagar serviço de TV possam fazer débito automático, reduzindo o risco de inadimplência para os operadores; o Outros fatores que impulsionam setor são ascensão da classe C, bancarização e pacotes de serviços EVOLUÇÃO Participação das operadoras no mercado de TV por assinatura* Embratel 4% Oi 2% Outros 8% TVA 4% Telefônica 4% SKY Net Serviços 27% 51% Fonte: Brasil Econômico *Estimativa aumento do poder aquisitivo da classe C e a oferta de pacotes que reúnem TV paga, voz e banda larga, com os serviços mais atrativos. A Discovery duplicou sua distribuição de programação na América Latina, nos últimos sete anos, com quase 147 milhões de assinantes cumulativos (somam os canais e pontos presentes no domicílio) e 35 milhões únicos. Do total, 30 milhões estão no Brasil. Dinamismo ao mercado “As teles trouxeram dinamismo ao mercado”, disse o diretorgeral da Discovery Networks no Brasil, Fernando Medin. “E o fato de os consumidores poderem comprar o pacote sem dúvida ajuda nossa indústria, operadoras tradicionais e entrantes.” O crescimento local nos últimos dois anos também é atribuído à reorganização da Net e à fusão da Sky com DirecTV. Em 1994 se dizia que seriam 10 milhões de assinantes de TV por assinatura em 2000. “Não alcançamos até hoje, mas não está tão distante”, disse o executivo. A participação das operadoras na base de assinantes da Discovery reflete a fatia de mercado que elas conquistaram em TV paga. Cada empresa procura uma maneira de se diferenciar, seja pela plataforma tecnológica ou investimento na marca, diz o diretorgeral da Discovery Networks Latin America/US Hispanic, Enrique R. Martinez. Nenhuma das teles lançou canais em alta definição (HD), mas a expectativa é de que tenham alguma oferta até a Copa do Mundo. Nas transmissões via satélite (DTH) a tecnologia é digital, o que é diferente de HD, e na TV a cabo as teles ainda não podem oferecer TV paga até que haja mudança na regulamentação, o que faz parte de projeto de lei (PL 29) em discussão no Congresso. Medin não conta com novas licenças de cabo para a expansão do serviço. Mesmo que ocorra o leilão e as operadoras entrem em novas cidades, o desenvolvimento da rede demora: “A im- plantação sempre depende de alguma coisa. Não contamos com isto para crescer.” Mas se as operadoras aumentam a penetração onde a rede está disponível, a Discovery segue junto.No Chile e Colômbia, a Telmex, controladora da Claro e Embratel, tem alguns canais em HD, embora o número de assinantes seja menor nesses países em relação ao Brasil. Programação na telinha Na plataforma móvel o consumo de material visual é diferente da TV e internet. A programação é mais curta (de 30 a 90 segundos) e dinâmica. Estão disponíveis os canais Discovery Móvel, Discovery Kids e Mudar Faz Bem Móvel. O tamanho reduzido da tela e o número limitado de celulares 3G restringem o crescimento do serviço neste segmento. “O móvel é uma parte pequena (da base de assinantes), é complementar. O consumidor quer ver o conteúdo na melhor plataforma disponível no momento que puder assistir.” ■ Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 29 Daniel Acker/Bloomberg BRIGA JUDICIAL ALTO ESCALÃO Viacom e Google trocam acusações de hipocrisia quanto a YouTube Remuneração do presidente do eBay cai quase 58% em 2009 A Viacom acusou o Google de fechar os olhos a vídeos ilegais no site YouTube, em um esforço para atrair audiência, de acordo com documentos judiciais. O Google rebateu alegando que os executivos da Viacom continuam enviando conteúdo sigilosamente para o YouTube mesmo depois que a companhia de mídia abriu processo de US$ 1 bilhão contra o site por violação de direitos autorais, em 2007. A remuneração total do presidente-executivo do eBay, John Donahoe, e de outros executivos de alto escalão do site de leilões apresentou uma queda expressiva em 2009, em meio ao menor prêmio emitido por meio de ações e opções. A remuneração total de Donahoe, que inclui salário, bônus, prêmios de ações e opções, entre outros itens, caiu para US$ 10,13 milhões em 2009, ante os mais de US$ 24 milhões de 2008. Consumidor chegará mais rápido na 3D A tecnologia deverá ficar disponível antes de o padrão HD ganhar massificação O consumidor brasileiro poderá dar um salto tecnológico, passando do padrão atual de TV, analógico ou digital, diretamente para a terceira dimensão (3D), sem chegar a usar aparelhos de alta definição (HD). A opinião é do vice-presidente executivo e diretor-geral da Discovery Networks Latin America/US Hispanic, Enrique R. Martinez. Além da parceria com Sony e IMAX para lançar o primeiro canal 3D, a Discovery analisa a produção de conteúdo em 3D. “Será uma continuidade da nossa relação com o operador, que vai querer satisfazer seu assinante.” O primeiro canal 3D da parceria, com transmissão 24 horas, será lançado nos Estados Unidos, a partir de 2011. O prazo para o Brasil dependerá do planejamento dos operadores locais. A Net testa a transmissão e quer sair na frente. Ainda no começo, a tecnologia HD tem cerca de 500 mil assinantes na região latinoamericana. O Brasil, que decolou primeiro, tem cerca de 400 mil clientes do total, diz o diretor geral da Discovery Networks no país, Fernando Medin. O México foi pioneiro na realização de testes, mas precisou adiar o lançamento do serviço devido à crise econômica. A previsão de Martinez é de que o mercado de TV latino-americano conquiste 4 milhões de clientes HD nos próximos dois anos (10% da base). Sistema encarece pacotes Os canais HD deixam mais caros os pacotes do cliente de TV paga, com a aquisição do aparelho e conta mensal, o que retarda a adesão dos consumidores. Com o amadurecimento da tecnologia e maior demanda, o custo deverá cair, mas neste meio tempo a 3D estará disponível e poderá ganhar a preferência do público, ainda que mais cara. A adesão ao HD na América Latina deve atingir só um percentual de clientes, inicialmen- As produções locais de conteúdo da empresa deverão crescer no mínimo 17% em horas de veiculação este ano em relação a 2009, na América Latina te, mas Medin está otimista em relação ao mercado brasileiro: “Acredito que 2010 será muito bom para HD no país, principalmente devido à Copa do Mundo.” Eventos esportivos foram o gatilho para o crescimento da tecnologia na Europa. A Discovery já lançou dois canais em alta definição durante 24 horas: HD Theather e TLC HD. As imagens podem ser capturadas diretamente em HD. A produção em HD começou na empresa em 2001 e a migração da tecnologia ocorre há cinco anos. “Hoje, quase tudo é produzido assim, inclusive no Brasil”, afirma Martinez. ■ I.S. DISCOVERY EM NÚMEROS ● People+Arts, Discovery Channel e Discovery Kids (5,8 milhões de assinantes) estão entre os 10 canais mais populares. ● Empresa tem 13 marcas em 34 países e 1,5 bilhão de assinantes cumulativos no mundo. ● Equipamentos para capturar imagem em HD encarecem a produção em 26% a 30% e registram até 3 mil imagens/segundo. 30 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 EMPRESAS Divulgação FORMAÇÃO INVESTIGAÇÃO Fapesp reajusta valores das bolsas de estudo Reguladora chinesa encontra falha em alguns notebooks da HP O Conselho Técnico-Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) concederá reajuste nos valores de bolsas oferecidas pela fundação. Os reajustes, para pagamentos a serem efetuados a partir de 5 de abril próximo, serão feitos nas bolsas de Iniciação Científica, Mestrado, Doutorado, Doutorado Direto e Pós-Doutorado. A agência reguladora de qualidade da China informou que descobriu, em investigação da HP, que a empresa teria alguns modelos de notebooks com falha. A empresa ainda teria ignorado regras de proteção ao consumidor. A agência afirmou em comunicado publicado em seu site que, após receber reclamações de consumidores, descobriu que diversos modelos eram afetados por placas de vídeo e telas defeituosas. Setor público compensa perda de clientes privados na Dom Cabral Fundação amplia projetos em parceria com empresas estrangeiras no Peru, Colômbia e Estados Unidos Divulgação Uma das áreas que mais sentiram os efeitos da crise foi a de cursos internacionais. Dos sete programas previstos para 2009, quatro foram realizados Carolina Pereira [email protected] O crescimento da procura por cursos customizados em 2009 foi uma surpresa para Emerson de Almeida, presidente da Fundação Dom Cabral. No ano passado, dos programas preparados pela instituição para atender necessidades específicas de empresas, 33%eram voltados para instituições públicas como o Tribunal de Contas da União e o Governo de Minas Gerais. Seu objetivo era preparar funcionários públicos de nível gerencial. Em 2006, o índice fora de 6%. A expectativa da fundação este ano é que, além de manter a expansão nas áreas de governo, alcançando cerca de 40% do total de cursos vendidos, a demanda do setor privado retome o nível de 2008, antes da crise econômica. Em 2009, a receita da fundação ficou 4% abaixo do esperado por conta da diminuição da procura pelas empresas, totalizando receita de R$ 95,4 milhões. Em 2008 foram R$ 94,1 milhões. Para este ano a expectativa é recuperar os patamares de alta e elevar o número de alunos e o faturamento em 16%. Resultado, em boa parte, da alta na receita da área de cursos customizados. “As empresas querem soluções mais caseiras e estão mais egoístas nesse sentido, pois preferem investir em algo que seja próximo de sua realidade”, afirma Almeida. Uma das áreas que mais sentiu o impacto da crise dentro da instituição foi a de cursos internacionais, que normalmente eram subsidiados pelas empresas. Dos sete programas previstos para serem realizados em 2009, três foram cancelados e outros quatro mantidos, porém com número de inscritos abaixo do esperado. A procura pelo STC Executivo (Skills, Tools & Competencies), por exemplo, que em 2008 teve aproximadamente 60 alunos, caiu pela metade. O curso é realizado durante uma semana no Brasil e três nos Estados Unidos. RECEITA R$ 95,4 mi foi quanto a Fundação Dom Cabral faturou em 2009. O valor corresponde a 96% do previsto para o ano. Em 2008 o número foi de R$ 94,1 milhões. PRINCIPAL NEGÓCIO 39% da receita da fundação, em 2009, veio de cursos customizados oferecidos dentro das empresas. Em 2008 o percentual era um pouco maior: 40%. ALUNOS 24,8 mil executivos participaram dos diversos programas de ensino da Fundação Dom Cabral no ano passado, aumento de 7,5% em relação ao ano anterior. Emerson de Almeida, presidente da Fundação Dom Cabral, aposta no modelo que mistura consultoria e ensino para crescer no exterior em 2010 A Fundação Dom Cabral também quer expandir internacionalmente os programas feitos em parceria com empresas em 2010. Segundo informa Almeida, este ano a instituição está montando cursos junto com companhias do Peru, Colômbia, e Estados Unidos. Atualmente o “Parceiros para Excelência”, como é chamado o programa, abrange Brasil e mais cinco países: Argentina, Chile, Equador, Paraguai e Portugal. A expectativa é agregar mais 40 empresas ao projeto deste ano. Atualmente, são 270 organizadas em grupos regionais de estudo que misturam aulas com projetos de consultoria sobre temas escolhidos pelas clientes. ■ Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 31 Gavin Newman/Greenpeace AUTOMÓVEIS CONSUMO Montadoras emplacaram 6,9% mais carros importados em fevereiro que em janeiro Países rejeitam moratória ao comércio do atum-azul Marcas como Audi, BMW, Chrysler, Jaguar e Porsche, que estão entre as 22 integrantes da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores, tiveram crescimento de 170,8% no número de emplacamentos em fevereiro ante o mesmo mês de 2009. No mês passado, foram 5,4 mil unidades. O acumulado de janeiro e fevereiro de 2010 registrou 10,4 mil unidades contra os 3,9 mil veículos em 2009. O esforço de impor uma moratória ao comércio internacional do atum-azul — o maior, mais valioso e mais saboroso entre esses peixes — naufragou, na semana passada, em Doha, no Catar, onde 175 países discutem regras para a exportação e importação de espécies ameaçadas de extinção. Capitaneada pela diplomacia de Mônaco, a proposta foi derrotada pelo bloco de nações pesqueiras, liderado pelo Japão. FIA vai testar aptidão de executivos Nova métrica ajuda a identificar os profissionais com perfil para trabalhar no exterior e os pontos em que eles podem melhorar Mariana Celle [email protected] A Fundação Instituto de Administração (FIA) fechou uma parceria com o Thunderbird Global School of Management, sediado nos Estados Unidos, para desenvolver um novo teste que avalia a aptidão de executivos para cargos fora do país. “Não é porque uma pessoa fala bem inglês que ela está preparada para trabalhar no exterior”, afirma o professor Alfredo Behrens, da FIA, responsável pela pesquisa. Juntas, as instituições estão fazendo primeiro um levantamento para mensurar o potencial de liderança dos profissionais que atuam no exterior ou que pretendem atuar. “Com as análises que serão feitas, vamos conseguir evidenciar, do ponto de vista cultural, quem são os mais aptos a um certo cargo e quando não estiver apto, identificar o que ele precisa aprender mais rapidamente para se tornar mais eficaz”, diz Behrens. Ele acredita que, desta forma, as corporações terão também profissionais mais bem preparados. As medições estão sendo feitas por meio de questionários. O primeiro deles foi aplicado em mais de cinco mil executivos pelos pesquisadores americanos que fazem parte do projeto. O objetivo é saber qual o “ Não é porque uma pessoa fala bem inglês que ela está preparada para trabalhar no exterior Alfredo Behrens, professor da FIA esforço pessoal realizado pelo indivíduo para ir trabalhar fora de seu país de origem. Entre os pontos abordados estão quantos idiomas o entrevistado fala e quantos países conhece, entre outros aspectos mais técnicos. “Muito provavelmente um profissional que tenha passado seis meses na França vai ser mais eficaz em uma atividade em qualquer outro país, do que aquele que não teve este tipo de experiência”, diz Behrens. Conhecimento remunerado A segunda parte do projeto é de responsabilidade da FIA e pretende ir mais longe na investigação do profissional de média e alta gerência, abordando o interesse pessoal em experiên- cias no exterior e além de suas aptidões como líder. Entre os 40 profissionais que responderam a este segundo questionário até o momento, cerca de 70% são de empresas multinacionais. O pesquisador pretende expandir essa amostra para 250 entrevistados até a conclusão do estudo, que deve ocorrer em maio. Os resultados conseguidos até lá serão repassados às empresas participantes. E a nova métrica será vendida, em forma de prestação de serviço, às companhias interessadas. Mas ela não estará concluída ainda. Depois de maio, o projeto segue para uma segunda etapa, que é a comparação entre os resultados obtidos no Brasil e nos Estados Unidos. ■ 32 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 EDUCAÇÃO ENTREVISTA JOÃO GRANDINO RODAS Grandino Rodas: discussões sobre cotas e ensino a distância entram na pauta “O diálogo está aberto, mas será que interessa?” Novo reitor monta estratégia para diminuir conflitos e modernizar a USP Regiane de Oliveira [email protected] O jurista João Grandino Rodas assumiu neste ano a reitoria da Universidade de São Paulo (USP), mas já tem quatro décadas de experiência no universo da instituição, primeiro como aluno, de 1965 a 1969, em um período de grande movimentação política e social, e a partir de 1971, como professor. Por isso, está acostumado aos frequentes conflitos que caracterizam a realidade da Cidade Universitária. O termo cidade não é à toa. Com área total equivalente à da estação hidromineral de Águas de São Pedro, de 4 km², e recursos de R$ 3 bilhões por ano (bem superiores aos R$ 42 milhões do Produto Interno Bruto(PIB) da cidade paulista), o campus da USP, localizado na zona Oeste de São Paulo, congrega mais de 105 mil pessoas, sendo cerca de 80 mil alunos de graduação e pósgraduação, 7 mil funcionários e mais ou menos 7 mil professores. “É uma clientela bastante especial, pois todos se orgulham de poder estar na USP, mas, muitas vezes, também se sentem donos do espaço universitário, quando, na realidade, a Universidade de São Paulo é do povo ”, afirma. Rodas falou ao BRASIL ECONÔMICO sobre sua missão de ampliar o diálogo com essa clientela exigente e agregar a esta conversa a sociedade, hoje alheia ao que acontece na universidade. Para isto, quer aumentar a transparência e reduzir as desigualdades internas. Além de ampliar o alcance da universidade com um programa de internacionalização. São planos ambiciosos, que fazem os quatro anos de sua gestão parecerem pouco. A seguir os principais trechos da entrevista. As relações entre a reitoria e a comunidade USP foram tensas em 2009. O senhor está tentando melhorar o diálogo? Esse diálogo vem sendo feito, mas eu diria que é normal existirem grupos, muitas vezes pequenos, que afirmam que não querem conversar para não perder a mobilização. O diálogo esta aberto, mas será que interessa a todos? Vamos ver! Na semana passada, alunos ocuparam uma sala do Coseas (Coordenadoria do Serviço de Assistência da USP) reivindicando mais vagas de moradia. Como lidar com esta situação? Temos na Universidade de São Paulo uma cultura que não é de hoje e não vai mudar do dia para a noite. Muitos segmentos passaram a usar força e violência como uma coisa normal, são os piquetes e a ocupação. Os próprios manifestantes não negam que é uso de força. E isso é considerado por muitos como um direito. A diferença é que nos últimos anos, a administração e grupos dentro da universidade, mesmo de alunos, começam a contestar essa utilização de força. Houve greves, por exemplo, que não começaram com a negociação, mas com a ocupação. O que se nota é um cansaço disso. E uma reação do outro lado pode vir também com o uso da força. Qual a saída para o não cumprimento da ordem judicial dentro da ordem pública brasileira? A saída é a força. Mas se ambos os lados usarem a força temos um impasse. Qual a solução? A primeira é a que vem sendo usada, de direito interno. Se a ação é ilegal, pede-se uma ordem judicial, que se não for cumprida, requer o uso da força. Claro que isso não é bom, não é universitário. Por isso, proponho outra forma de negociação. É um modo de solução de litígio oriundo do Direito Internacional, que se usa entre países. Mas tem um pressuposto que é inarredável: um cessar fogo, no qual não se usará violência de nenhum dos lados. Sem isto, não funciona. E como fica a sociedade neste diálogo? Primeiro é a sociedade que paga a conta do que acontece na USP, por isso todos que estão na universidade têm uma responsabilidade muito grande. Os alunos, “ Vamos investir em transparência. No próximo Conselho Universitário, vamos levar a proposta de que todas aquelas informações que não estejam ligadas ao sigilo pessoal sejam abertas ao público por exemplo, são bolsistas do povo. A USP é financiada com recurso que o governo do estado fornece com base em percentual do ICMS e todos nós sabemos que ele é pago por quem compra arroz, feijão e outros itens de primeira necessidade. Por isso, é preciso que as pessoas tenham consciência social. Como fica a isonomia do nosso aluno que tem esta estrutura à disposição, e daquele que estuda na Unip e que quase não almoça e vai a pé para a escola por ter de juntar dinheiro para pagar a mensalidade. Quem pensa nisso na hora de paralisar serviços de assistência social da USP, como o Coseas? Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 33 Divulgação Bactérias ajudam a descontaminar solo e água Um estudo feito na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, em Piracicaba, mostrou a possibilidade de usar consórcios de bactérias para degradar o tetracloroetileno, um solvente potente e não-inflamável, muito usado na lavagem a seco, indústrias metalúrgicas, instalações militares e até em residências. Por seu uso em larga escala, o tetracloroetileno é um dos poluentes mais comuns no solo e na água. O novo processo tem resultados rápidos porque emprega bactérias que se desenvolvem na presença de ar. Henrique Manreza ■ ORÇAMENTO ■ PÚBLICO Excluindo pesquisa, a USP tem ao ano recursos de O total de alunos, professores e funcionários é de R$ 3 bilhões imprensa, rádio e televisão. A USP está tentando acompanhar estas mudanças. Quais as ações para se modernizar a instituição? Até há pouco tempo uma faculdade podia ser a melhor em Direito de São Paulo ou de Ribeirão Pires. Hoje as universidades não são mais pensadas como algo estanque, mas como algo que se inter-relaciona com universidades do mesmo país e de fora. Daí a importância de internacionalizarmos a universidade. Aquela instituição que não se preocupar com a utilização de modernos meios de comunicação, que não se internacionali- “ Não diria que a USP é melhor que as outras, mas que é diferente. É uma universidade de pesquisa, que também visa a formação de professores e profissionais de ponta mil ■ RECURSOS ■ ESTRUTURA A folha salarial consome dos recursos cerca de O total de pessoas que vivem em moradia na USP é de 90% 1,5 zar, não entrar nesta rede mundial que está sendo formada, está fadada a se transformar em algo histórico. mento nestas áreas não teremos matéria-prima aceitável para as universidades. Ficar reivindicando mais recursos é preciso, mas com cautela. Não podemos achar que todo o povo precisa nos sustentar. Como se dará a internacionalização da USP? A internacionalização tem vários graus. O primeiro e mais simples é o intercâmbio de alunos e professores, que já acontece aqui. O segundo é a USP em conjunção com instituições estrangeiras de porte, fazer graduação de duplos diplomas. A Politécnica, Odontologia e FEA já fazem. O terceiro aspecto é a certificação internacional das áreas de conhecimento, por órgãos independentes. Isto ainda é raro no Brasil. A Fundação Getulio Vargas é pioneira na questão da certificação do curso de Administração. Mas para isso, ainda precisamos de uma série de coisas, como melhorar o acolhimento do estrangeiro, aula de português. Alguns movimentos de estudantes causam polêmica, mas já fazem parte da história da USP. Como modernizar sem ferir a tradição? Tradição é importante, desde que façamos como aquele deus da Antiguidade, Janus, que tinha duas faces, uma olhava o passado e outra, o futuro. Não podemos deixar de lado pressupostos fundamentais como a autonomia da universidade, a dedicação à pesquisa pura e desinteressada, por exemplo. Mas é preciso perceber que o mundo mudou. E a universidade que existe hoje é uma criação da Idade Média, que não mudou muito com a criação do livro, 105 Quais outros planos de modernização serão colocados em prática? Outra coisa na qual vamos investir é em transparência. No próximo Conselho Universitário (dia 6 de maio), vamos levar a proposta de que todas aquelas informações que não sejam ligadas ao sigilo pessoal como orçamento, gastos, decisões de conselhos, faixas salariais e atas de reuniões sejam abertas ao público na internet. Por exemplo, sabemos que quase 90% do orçamento da Universidade de São Paulo, de R$ 3 bilhões, é consumido com salário. E isto é mais ou menos igual nas três universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp). Mas onde estão estes dados? Em sua opinião faltam recursos para a educação? Dinheiro sempre é bem-vindo, mas tem uma coisa que precisamos pensar. A universidade não pode imaginar que ela é a única a sorver o dinheiro público porque temos outros aspectos importantíssimos como saúde, educação básica. E se não tiver investi- mil Se não vier do povo, qual a outra forma de captar recursos? Na reconstrução dos campi, por exemplo, podemos trabalhar com dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Também é importante buscar parcerias com as empresas na área de pesquisas. E como fazer parcerias público-privadas sem correr o risco de ser acusado de privatizar a universidade? Isto ainda precisa ser pensado, com regras básicas. Em última análise, a parceria entre universidade e empresa pode ser dada de uma forma em que não haja o comprometimento da autonomia da universidade e nem uma compra por parte da empresa. A USP costuma fugir das questões polêmicas como a política de cotas para negros e o ensino a distância. Qual a sua posição? A USP nunca discutiu as cotas, mas vamos levar ao Conselho Universitário esta questão e tentar encontrar uma forma de diferenciar alguns segmentos no vestibular. Sabemos que a USP precisa dar uma resposta à sociedade sobre o que pensa disso. Quanto ao ensino a distância, que eu prefiro chamar de ensino semipresencial, também estamos discutindo. Precisamos fazer alguns pilotos, não adianta simplesmente criticar. Temos de ver na prática. Os cursos da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) foram aprovados por todos os segmentos da universidade. E temos de colocar em prática. Ainda não posso falar que embarcamos no ensino semipresencial, mas estamos seguindo neste caminho. ■ 34 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 ENCONTRO DE CONTAS LURDETE ERTEL Peter Parks/AFP Ilha de inovação A ilha de Florianópolis (SC) não quer ser conhecida apenas por suas belas praias. A capital de Santa Catarina, que completa 284 anos de fundação nesta semana, também quer ser a Capital da Inovação no país — um título que acaba de transformar oficialmente em marca. A bandeira tem o endosso dos números: atualmente, somente Florianópolis (sem contar a Região Metropolitana), soma mais de 500 empresas de base tecnológica. Juntas, elas faturaram cerca de R$ 1,2 bilhão em em 2009, empregando mais de 5 mil pessoas. Para justificar o título, a cidade tem ainda quatro fundos de capital de risco e semente, 10 centros e institutos de pesquisa e desenvolvimento e 15 centros universitários. Salto no cavalete Nem mesmo com o rutilante sucesso de vendas do leilão de bens do estilista Yves Saint Laurent, no início do ano passado, a França conseguiu assegurar seu lugar como terceiro maior mercado de arte do mundo. Em 2009, a posição foi devorada pela China, que, segundo a Artprice, terminou o ano ocupando o pódio de cifras giradas por leilões de arte ao lado dos líderes habituais — Estados Unidos (mais exatamente Nova York) e Inglaterra (leia-se Londres). Os negócios de obras de arte no mercado chinês movimentaram US$ 830 milhões no ano passado, representando 17,33% do total global. É mais do que o dobro da participação de 2008, quando a China respondia por 7,83%. Por causa do estrondoso resultado apurado pelos martelos na China no ano passado, 15 leilões realizados no país, envolvendo arte chinesa, ficaram entre os mais bem-sucedidos feitos no mundo. Não apenas no ano passado, mas em toda a história do mercado de arte. Sabah Arar Sol a pino É aguarda nesta semana a liberação da Licença de Instalação para o início das obras de construção da primeira usina comercial de energia solar do Brasil e da América do Sul. O empreendimento será instalado em Tauá, no Ceará, pelo grupo MPX, do empresário Eike Batista. O parque deve começar com capacidade para gerar 1 megawatt (MW), mas deve alcançar 50 MW. Este volume fará dele o segundo maior do mundo. O projeto deve gerar 10 mil empregos. Ninhada Mais três cidades brasileiras estão na mira da companhia aérea Azul. Até o final do ano, a empresa pretende estar operando em 21 destinos no país. Hoje, são 18. Para tanto, espera adicionar à sua frota mais seis aeronaves da Embraer nos próximo meses. “É um absurdo o que está se fazendo. Parece que tem gente que entra na vida pública só para fazer besteira” Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, em relação aos deputados responsáveis pelas mudanças na distribuição dos royalties. Brilhando no Nordeste A fabricante de brinquedos Estrela prepara o início das obras de sua primeira indústria nordestina, em Ribeirópolis, no Sergipe. Serão investidos R$ 11,1 milhões. O projeto tem o endosso do Grupo João Carlos Paes Mendonça (JCPM), que vai ceder a estrutura. Seca à sombra das tamareiras A interminável guerra no Iraque teve efeito devastador sobre um dos principais produtos de exportação do país. As tâmaras colhidas pelos iraquianos como subsistência, em sua maioria, eram consideradas as melhores do mundo. E faziam do país o maior produtor e exportador da fruta no globo, ao lado do Egito. Antes da guerra, o Iraque costumava embarcar ao exterior 500 toneladas anuais de tâmaras, de 624 diferentes variedades. Mas especialistas afirmam que esse mercado foi dizimado: a negligência no cuidado das tamareiras reduziu para menos da metade o número de árvores da espécie no país. Estimam-se que em 1980 havia espalhados em território iraquiano mais de 30 milhões de pés da planta, que, depois do coqueiro, é a mais útil da família das palmeiras. Além da guerra, esse mercado também foi diretamente atingido pelo bloqueio econômico dos EUA. As tâmaras são um dos principais produtos de exportação do Iraque, ao lado do petróleo. Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 35 Fabien Sarazin MARCADO Joia líquida A francesa Guerlain trouxe para o Brasil um lançamento mais que especial. Quase uma exclusividade, o novo perfume Idylle de Guerlain, conta com apenas 24 unidades à venda na loja Fauré do Shopping Iguatemi, no valor de R$ 1.200 cada. A embalagem é um charme a parte. O frasco traz uma pedra de cristal Swarovski e a fragrância possui características únicas, como a adoção de notas especiais de rosas da Bulgária. ● Glorinha Kalil é a nova articulista do clube de relacionamento da FIAT, o Clube L’Unico. Durante um mês, ela vai assinar a Coluna Vip do site do Clube e dará dicas sobre etiqueta. Na primeira matéria, que vai ao ar hoje, Glorinha fala sobre etiqueta no trânsito. [email protected] Evaristo Sa/AFP Descendo do salto Divulgação Christian Louboutin, conhecido por deixar as mulheres “nas nuvens” com sapatos de saltos altíssimos, resolveu fincar seus pés no chão. O designer desceu do salto e criou sapatilhas inovadoras para as mulheres que prezam pelo conforto sem perder o estilo. Louboutin manteve a sola vermelha, marca registrada de seus sapatos. As sapatilhas Gazelle e Rosella Python podem ser adquiridas aos preços de R$ 1.850 e R$ 2.400, respectivamente. Pé no guindaste A movimentação dos portos brasileiros no primeiro bimestre confirmou a consolidação do novo mapa de produção de calçados para exportação no Brasil. A liderança nos embarques de sapatos em janeiro e fevereiro foi do Porto de Pecém, no Ceará, que despachou 5,9 mil toneladas (participação de 48%). Em seguida, vem o Porto de Rio Grande, com 3,51 mil toneladas (28%) e Santos (13%). Som mecânico Trabalham a pleno vapor no Rio de Janeiro as picaretas e gruas da obras de demolição do prédio da antiga boate Help, desapropriado para abrigar o novo Museu da Imagem e do Som (MIS). O cronograma do projeto prevê que os trabalhos de desmonte da edificação sejam concluídos ainda neste mês na Praia de Copacabana. Parceria GIRO RÁPIDO Lugar para jogar âncora no mar verde Divulgação Única forma de transporte em diversos pontos da gigantesca Amazonia, a estrutura hidroviária do Rio Amazonas deverá ganhar mais 15 portos. Os empreendimentos serão espalhados pelo interior do Estado, para ajudar o vai-vem de passageiros e escoar a produção dos municípios para Manaus, a capital e grande centro consumidor. O projeto prevê o investimento da ordem de R$ 261 milhões na construção dos terminais portuários pelo consórcio Sanches/Tripoloni. Conforme ordem de serviço assinada na última semana, os novos portos vão ter terminal de passageiros, fábrica de gelo e até frigorífico. Os municípios contemplados são Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Careiro da Várzea, Iranduba, Itapiranga, Beruri, Canutama, Codajás, Tapaúa, Carauari, Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Itamarati e São Gabriel da Cachoeira, todos no Rio Amazonas. Lanche feliz Oito surpresas inspiradas nas séries Pucca e Naruto estão disponíveis nos restaurantes McDonald’s a partir de hoje. A nova campanha do McLanche Feliz promete encantar pais e filhos, além dos fã das séries animadas. Divulgação O Grupo Pestana assinou contrato com a empresa americana Waterstone Marketing Consulting Services. O objetivo é promover e comercializar as unidades do Pestana Hotels & Resorts nos Estados Unidos. Declaração A Brasilprev criou um hotsite para ajudar a declarar o plano de previdência no Imposto de Renda. A ferramenta ajuda e orienta os contribuintes de forma interativa e descomplicada. Com Karen Busic [email protected] Divulgação Gatos também bebem vinho Hello Kitty virou mesmo coisa de gente grande. A gatinha branca adorada pelos japoneses (sobretudo) agora está estampando até garrafas de vinho e espumante. A linha em homenagem à famosa personagem é produzida por uma centenária vinícola da região da Lombardia, na Itália, famosa pelo cultivo da uva Pinot Noir. A garrafa de 375 ml traz embutido no gargalho uma etiqueta com um coração de ouro, dentro do vidro. A novidade começou a ser despejada agora no mercado americano e foi recebida com vendas esgotadas nos primeiros lotes. A McLaren divulgou esta semana o MP4-12C. O super esportivo tem tecnologia de um carro de Fórmula 1, e vai competir com modelos da Ferrari e Lamborghini pelas ruas. Jenson Button e Lewis Hamilton foram os pilotos de teste da nova máquina. O MP4-12C é o primeiro carro da marca com estrutura 100% em fibra de carbono. Com motor V8 biturbo de 600 cavalos, a nova McLaren vai estar à venda no final de 2011 com um preço estimado entre 125 mil e 150 mil libras (R$ 340 mil e R$ 408 mil). 36 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 CONSUMO POPULAR PAULO VIEIRA LIMA Dreamstime EXPRESSAS Peça falsificada tem preço baixo, mas oferece alto risco A indústria de reposição de peças e componentes automotivos soma esforços para evitar a falsificação e pirataria. Participam o Sindipeças, Andap, Sincopeças e Sindirepa. A ordem é inibir a oferta de componentes sem certificação. Quem procura encontra soluções a preços baixos, porém as empresas que agem conforme os padrões das montadores advertem que a utilização de peças sem qualidade provoca prejuízos e põe em risco a vida dos consumidores. Cervejaria usa barcos para limpeza do rio no Dia da Água Comerciantes paulistas torcem por vitórias na economia e pedem mudanças nas políticas públicas Associação Comercial de São Paulo fará sugestão aos futuros governos petitividade”. O empresário comenta a obrigação de a sua entidade se envolver em questões relacionadas com a governabilidade do Brasil. Ele defende o surgimento de lideres e empreendedores jovens e confia na trajetória do país junto às grandes economias. “A posição brasileira no cenário mundial é da maior importância e seu desempenho nesta economia globalizada traz reflexos de grande impacto no mercado interno. E a conquista de espaço no exterior não se dá mais com a concorrência entre empresas”. Hoje, diz, são países que promovem a colocação de produtos e serviços no exterior. Por isso, a cautela com propostas populistas como a redução de jornada de trabalho, enquanto a China ganha terreno, produzindo e exportando. Internamente há esperança na mobilidade social que torna possível o surgimento de uma classe média participativa. “A evolução da demanda é um fato e seguiremos no rumo certo, se tivermos um programa afinado com nossa realidade e que nos livre do cipoal de impostos”. ■ Participam do projeto especialistas como José Roberto Afonso, Nelson Marconi, Carlos Antonio Rocca, Geraldo Biasoto, Alexandre de Morais e Clóvis Panzarini. de empreendedores. A grande mudança social no país acontecerá no instante em que esses brasileiros saírem da informalidade. aproveitar sua credibilidade e deve contribuir efetivamente para resolver questões como o crédito, caso contrário, morrerá. E o crédito para esses empresários, de onde virá? Há algum procedimento que os empresários não devem esquecer? ...ALENCAR BURTI Os estudos que levantam propostas para o futuro governo têm indicações para a situação do consumo interno? Presidente da Associação Comercial de São Paulo e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo Claro que sim. Queremos incluir na legalidade 1,2 milhão de microempresários que atuam no comércio de São Paulo. No Brasil, eles somam 3 milhões A partir desta semana teremos agências do Banco do Povo em cada uma das sedes distritais da Associação Comercial. Nossa entidade — com 115 anos de vida — não poderia ficar omissa neste momento de transição. Ela vai O que não é possível esquecer é a constante busca da inovação, total apoio às pesquisas e atenção especial ao varejo. O comércio varejista é historicamente vital. Se não houver varejo forte, a economia será fraca. Políticas públicas só terão rumo certo com programa afinado com nossa realidade Quem coordena o projeto é o professor Roberto Macedo, vice-presidente da entidade. O o presidente, Alencar Burti, conduz o processo. Burti enfatiza que “é uma proposta de ações que asseguram estabilidade econômica e política, permitem a adoção de políticas públicas, preservam avanços na economia e na sociedade e contribuem para nortear o país do ponto de vista da com- “ Conquista do mercado externo não se dá com a concorrência entre empresas. Os países promovem seus produtos e serviços no comércio internacional Alencar Burti, presidente da ACSP TRÊS PERGUNTAS A... O grupo Petrópolis — que produz as marcas Itaipava, Crystal, Petra, Lokal, Black Princess e TNT — participa hoje do Dia da Água na cidade de Boituva (SP). Quatro barcos da empresa navegarão pelo Rio Sorocaba retirando resíduos sólidos (pneus, embalagens plásticas, latas) das águas. O material será enviado ao programa de coleta seletiva do município. A água do rio vai para análise na Unesp e o resultado será usado em campanha a favor do meio ambiente. Produtores de orgânicos sonham com o mercado brasileiro O mercado mundial de orgânicos cresce e os produtos brasileiros vão muito bem lá fora. “Esperamos que tenhamos preços para popularizá-los também no Brasil.” É a opinião de Ming Liu, coordenador executivo do Projeto Organics Brasil, que representa 74 empresas produtoras e exportadoras de cachaças, mel, frutas in natura e polpa, cereais, confecção em algodão e cosméticos. Atualmente, a diferença de preço é de 30% maior que os produtos convencionais. Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 37 Fotos: Divulgação Marcas têm vida na mente do consumidor Mark Batey é consultor de empresas e tem uma carteira de clientes internacionais na qual figuram empresas como Unilever, Nestlé e Coca-Cola. Em seu livro O Significado da Marca — que está chegando às livrarias —, Batey aponta as razões de a criação da identidade de produtos e serviços, às vezes, não corresponder à expectativa. O autor analisa fatores conscientes e inconscientes que relacionam pessoas, produtos e marcas. O lançamento é da Editora Record. [email protected] Murillo Constantino Nova classe média garante o sucesso dos cruzeiros marítimos A temporada de cruzeiros marítimos é a mais longa de todas no país. Começou em outubro de 2009 e vai terminar em maio deste ano. Há dois meses para o fim das viagens, 90% das cabines já foram vendidas. 2010 fechará com mais de 900 mil passageiros, um número de cruzeiristas correspondente a 66% acima da procura registrada no verão anterior, quando foram vendidas 540 mil passagens para o turismo marítimo. ”Um dos fatores que determinam esse sucesso é a participação crescente da nova classe média, que, tendo mais dinheiro no bolso, opta pelos navios”, explica Ricardo Amaral, presidente da Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar). O executivo informa que “os minicruzeiros, com duração de três a quatro noites, e os temáticos são os que despertam maior interesse”. O “secret shopper” tem a missão de auxiliar na gestão dos negócios O “consumidor secreto” está de olho... Há um exército de consumidores observando o trabalho dos profissionais de vendas e contribuído para evitar problemas com clientes. São “secret shoppers”, consumidores secretos, que nos EUA agem desde a década de 30 do século passado e recebem para ir às compras. Seus relatórios são analisados com rigor científico. Eles só atuam no Brasil há 20 anos, conforme lembra Stella Susskind, pioneira nesta área e presidente da Shopper Experience, empresa com mais de 20 mil ”secret shoppers”. Susskind adverte que se deixa de vender porque, no balcão, alguém prejulga e não respeita a vontade do cliente de adquirir esta ou aquela mercadoria. O fascínio dos navios: passeios em alto-mar conquistam a preferência do turista brasileiro 4 milhões de paulistanos na feira livre Os feirantes de São Paulo aguardam um novo decreto municipal que amplia os grupos de feiras livres e leva essa modalidade de varejo para novos locais da cidade. Estão em análise alguns espaços para o confinamento de feiras e a instalação de banheiros químicos. Democráticas, elas são populares em bairros da periferia e também estão nas regiões mais sofisticadas. Atualmente funcionam 960 feiras livres oficiais montadas de terça a domingo. Geram 100 mil empregos e por elas circulam mais de 4 milhões de consumidores. José Torres Gonçalves, presidente do Sindicato dos Feirantes, comenta que na área de frutas, verduras e legumes entre 65% a 80% da movimentação na Ceagesp é garantida pelos feirantes e 20% a 30% trabalham com produção própria. Henrique Manreza Empresa anuncia novas rotas e novo conceito para conquistar clientes Puma Air está pronta para decolagem e promete diferenciais A Puma Air Linhas Aéreas chega a São Paulo após o êxito na Região Norte. Com capital de seu presidente Gleison Gambogi e da Ipiranga Obras Públicas e Privadas, a empresa é 80% brasileira. Os outros 20% são da Angola Air Service. Até o final do mês terá voos diários entre Belém e Guarulhos em Boeing 737-300. Há planos de uma ligação direta com a África. A empresa anuncia diferencial nas acomodações, refeições e passagens. “Não queremos um corpo a corpo com outras empresas, mas vamos batalhar por um excelente lugar no mercado”, diz Gambogi. As feiras livres desafiam o tempo e o espaço e permanecem evoluindo Marcela Beltrão Lei dificulta a regularização Imóvel comercial irregular A cidade de São Paulo tem 90% de seus imóveis comerciais em situação irregular. Leis desatualizadas dificultam o licenciamento de atividades de comércio e serviço. Na Câmara Municipal, um grupo liderado pelo vereador Chico Macena cuida deste assunto, reúne propostas e constrói um projeto com intenção de resolver o problema. No próximo dia 30, os vereadores querem ouvir sugestões e em audiência pública discutirão o assunto com a população. 38 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 FINANÇAS Atuação de bancos estrangeiros fica aquém da esperada Patrícia Camargo: “Bancos estrangeiros também se tornaram relevantes, porém de importância secundária, se comparados aos nacionais” Estudo sobre a recente evolução do sistema bancário mostra que instituições nacionais tiveram maior eficiência Aline Lima [email protected] A chegada de grandes instituições financeiras internacionais ao Brasil durante a última década foi seguida por uma enorme expectativa em relação às transformações pelas quais o mercado poderia passar, a partir de então. Novos concorrentes deveriam significar, afinal, maior qualidade e diversificação de produtos e serviços, modernização tecnológica, elevação das concessões de crédito e, em última instância, aumento da eficiência do sistema. Em maior ou menor grau, todos esses pontos foram atendidos. Porém, não por conta da presença dos bancos internacionais. É essa, pelo menos, a conclusão de um recente estudo capitaneado pela economista Patrícia Olga Camargo, intitulado “A evolução recente do setor bancário”. “Contrariando as expectativas, os bancos estrangeiros adotaram uma postura conservadora”, diz Patrícia. “Em vez de trazerem mais eficiência e inovação, repetiram a fórmula dos demais bancos aplicando em títulos públicos. Portanto, grande parte das mudanças ocorridas no setor provavelmente teria ocorrido sem a entrada dos estrangeiros.” O levantamento feito por Patrícia compreendeu o período que vai de 1998 até o primeiro semestre de 2008. A análise do sistema bancário foi realizada conforme o tipo de controle — nacional ou estrangeiro. Segundo ela, houve, sim, mudanças positivas, mas elas ocorreram mais em função de condições macroeconômicas do que concorrenciais. Além disso, foram os bancos nacionais, e não os estrangeiros, que imprimiram maior eficiência e modernização ao sistema. “Os bancos privados nacionais são mais eficientes, apresentam lucros maiores e são menos conservadores”, afirma a autora. “Os estrangeiros, no Condições econômicas foram mais relevantes para a expansão do crédito do que concorrência geral, focam em classes mais altas e regiões mais ricas.” Daniel Coradi, presidente da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores, diz que é ingenuidade acreditar que o mercado iria se tornar mais competitivo com o ingresso dos estrangeiros. “E eu fui um desses ingênuos”, conta. “Por que um banco que acaba de chegar vai querer enfrentar Bradesco, Itaú ou mesmo o Banco do Brasil e derrubar as taxas, emprestar mais dinheiro, mudar as características do oligopólio”, questiona Coradi. “Mais fácil se juntar a eles.” Públicos Os bancos oficiais, na avaliação de Patrícia, foram os responsáveis pelas principais transformações ocorridas no sistema financeiro nos últimos anos, especialmente a partir de 2003, quando o presidente Lula assumiu o comando do país. “Os dois maiores bancos públicos federais, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, respondem por parcela significativa de empréstimos e depósitos, além de atuarem como instrumentos de implementação de política econômica”, observa ela. Esse papel de estímulo à redução das taxas de juro ganhou, recentemente, destaque com a crise financeira internacional. De acordo com o levantamento feito por Patrícia em janeiro de 2009, a Caixa Econômica era a instituição que cobrava, em média, os juros mais baratos do mercado (2,44%), seguida do Banco do Brasil (3,36%). O ambiente econômico foi outro aliado importante nas mudanças ocorridas no sistema, especialmente no que diz respeito à expansão do crédito. “O resultado, no fim das contas, é positivo, pois os bancos passaram a exercer o papel que, de fato, lhes cabe: emprestar”, diz. “Os bancos estrangeiros também se tornaram relevantes, porém de importância secundária, se comparados aos nacionais”, conclui Patrícia. ■ ■ CRÉDITO Total disponibilizado pelo sistema financeiro nacional alcançou, em fevereiro R$ 1,42 tri CONCENTRAÇÃO Participação das oito maiores instituições nos ativos totais do sistema financeiro, em % 1998 66,9 1999 66,2 2000 65,4 2001 ■ EXPANSÃO As operações de empréstimo apresentaram crescimento nos últimos 12 meses de 15,7% 67,9 2002 71,4 2003 75,6 2004 74,3 2005 74,1 2006 76,3 2007 74,0 2008** 0 75,7 10 20 30 *Janeiro de 2009 40 50 60 70 80 Fonte: Patrícia Olga Camargo Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 39 Charles Pertwee/Bloomberg AGENDA DO DIA “Valorizar iuane é conselho muito ruim” ● Às 8h, a FGV divulga a segunda prévia do IGP-M de março. ● Às 8h30, o Banco Central divulga o relatório Focus. ● Às 10h, sai nota do setor externo de fevereiro. ● Às 11h, sai a balança comercial semanal. O chairman para a Ásia do Morgan Stanley, Stephen Roach, disse na sexta- feira, em entrevista à Bloomberg, que o pedido de Paul Krugman para a China valorizar o iuane “é um conselho muito ruim”. Para ele, aumentar os gastos chineses é uma forma melhor de reduzir os desequilíbrios comerciais. “Estou um pouco surpreso por Steve ter declarado isso”, afirmou Krugman. “O que disse é baseado em análise econômica bem cuidadosa”, afirmou. Leandro Ferreira Tendência é de aumento da concorrência A dificuldade de se mudar de banco, segundo autora do estudo, é um entrave a um ambiente mais competitivo JUROS SPREADS Bancos oficiais cobram taxas menores, em %* Tendência de redução sofre revés durante a crise, em % Geral 2,44 CEF BANCO DO BRASIL ABN AMRO 2001 3,46 42,46 24,97 2003 41,52 26,44 3,92 BRADESCO 3,95 2 3 4 35,56 2005 36,40 28,40 5 31,12 2008** 0 26 50,99 54,51 50,85 42,94 23,19 24,07 20,97 Spreads 42,60 24,30 34,78 2007 4,88 HSBC 2004 2006 4,15 SANTANDER 1 24,38 39,95 Pessoa física 49,68 2002 ITAÚ 0 21,57 3,36 3,64 UNIBANCO 36,11 2000 Pessoa jurídica 39,63 31,92 23,78 52 A despeito do movimento de consolidação, a concorrência entre as instituições financeiras no país deve crescer, na avaliação de Patrícia Olga Camargo, autora do estudo “A evolução recente do setor bancário”. A dinâmica tende a se confirmar na medida em que as regras estabelecidas pelo Banco Central comecem, de fato, a surtir efeito. O processo será lento — no entanto, irreversível. Patrícia cita como exemplo a Resolução 3.402, editada em setembro de 2006, que estabelece a conta-salário e a portabilidade do crédito e do cadastro dos clientes. “Não existe tanta concorrência devido à dificuldade de se mudar de banco”, explica. Patrícia lembra que o funcionário da iniciativa privada que tivesse assinado contrato de trabalho a partir daquela data já poderia entrar na nova regra. Em janeiro do ano passado, foram incluídos os profissionais com contas-salário mais antigas. Mas só a partir de 2012 é que os funcionários públicos estarão aptos a exercer a portabilidade bancária. “Por isso, até mesmo a disputa por folhas de pagamento de municípios vem perdendo força”, diz a autora. Mas a portabilidade só vai mesmo surtir efeito na concorrência bancária caso seja realmente praticada pelos clientes. “Na telefonia, o resultado da portabilidade tem vindo abaixo das expectativas”, compara, com uma boa dose de ceticismo, Daniel Coradi, presidente da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores. Patrícia concorda que esse é o tipo de mudança que ocorre no longo prazo. “Até pouco tempo atrás, ninguém pensava em pesquisa de preço com banco porque simplesmente isso não era permitido”, afirma ela. 34,74 78 104 130 A procura por taxas mais competitivas esbarra no elevado nível do spread bancário brasileiro e, de quebra, na concentração do setor. No período em que Patrícia fez sua pesquisa, oito bancos detinham cerca de 70% dos ativos do sistema financeiro. Agora, são cinco. A Medida Provisória 443, que permite a compra de participações em bancos privados por instituições públicas, é mais uma tentativa do governo de estimular a concorrência no setor. “O papel de banco público foi reforçado, de forma a impulsionar o movimento de redução das taxas de juro”, observa Patrícia. “Os privados que não quiserem perder mercado, vão ter de acompanhar.” ■ A.L. “ Na telefonia, para efeito de comparação, o resultado da portabilidade tem vindo abaixo das expectativas Daniel Coradi, presidente da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores 40 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 FINANÇAS Andrew Harrer/Bloomberg MERCADOS REGULAÇÃO Ações europeias fecham em queda, puxadas pelos papéis de mineradoras Greenspan diz que autoridades americanas fracassaram durante a crise financeira As principais bolsas europeias fecharam em queda na sexta-feira, com vendas em papéis de empresas ligadas a matérias-primas atingidas pela baixa no preço das commodities, em meio à alta do dólar, enquanto o euro caiu em função de temores com a Grécia. O índice FTSEurofirst 300, que acompanha as principais empresas do continente, caiu 0,4%, para 1.065 pontos. O ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan disse que o banco central e outros reguladores americanos “fracassaram” durante a crise financeira, porque se tornaram muito complacentes com os riscos. Greenspan afirmou que, à sua época, ele e seus pares não entenderam completamente a extensão da bolha imobiliária e suas ramificações em toda a economia. Fundos de pensão apostam em multimercados Apesar de a demanda pela modalidade ainda ser pequena em relação às demais, gestores de recursos estão otimistas Vanessa Correia [email protected] Em tempos de juros baixos, diversificar o portfólio de investimentos é praticamente obrigatório para investidores institucionais, sobretudo os fundos de pensão. Nesse sentido, os multimercados, que não apresentaram boa performance em 2007 e 2008, voltaram para o radar das fundações no ano passado. E a expectativa é que a demanda cresça ainda mais este ano. O Daycoval Asset Management, prevendo esse movimento, reestruturou sua área comercial para atender a esse público. “A consolidação da taxa básica de juros em patamares baixos levou os fundos de pensão a demandarem outras modalidades de investimento que não só as de renda fixa tradicional. E esse movimento foi visto mais fortemente a partir do segundo semestre do ano passado”, afirma Roberto Kropp, diretor do Daycoval Asset. A meta da instituição, segundo o executivo, é ampliar em R$ 50 milhões o total administrado de entidades fechadas de previdência complementar. “Atualmente, o patrimônio administrado pelo Daycoval em fundos não-exclusivos é de R$ 25 milhões, sendo 10% de fundos de pensão. A meta para 2010 é tímida. Acredito que há espaço para crescer mais”, ressalta o executivo. O Safra Asset Management também está apostando no segmento. “Ainda não vemos um grande volume de investimentos na modalidade. Mas acreditamos que dentro de dois anos essa modalidade estará bastante disseminada”, diz Márcio Appel, diretor da gestora. A opinião é compartilhada por Eduardo Mendes, vice-presidente geral da Schroders no Brasil. “Em um primeiro mo- Meta do Daycoval Asset Management é ampliar em R$ 50 milhões o total administrado de entidades fechadas de previdência complementar ainda neste ano mento, vimos um aumento da demanda por fundos imobiliários e private equity. O próximo passo será os fundos de fundos. Mas não há dúvidas de que a demanda por multimercados crescerá consistentemente.” A gestora de recursos inglesa tem um fundo multimercado long &short, que, segundo classificação do executivo, é neutro. “Já temos seis fundos de pensão alocados nesse produto, sendo um cliente novo. E a aceitação é muito boa”, completa Mendes. Já o Safra Asset tem um multimercado voltado para institucionais (aquele tipo que estava fora do limite de 3% estabelecido na Resolução nº 3.456). “O patrimônio de fundos abertos está em, aproximadamente, R$ 2,2 bilhões”, diz Appel. Novas perspectivas A despeito desse assunto, a Resolução nº 3.792/09, do Conselho Monetário Nacional (CMN), substituta da Resolução nº 3.456, aumentou alguns limites de aplicação, entre eles o teto para aplicações em multimercados não-institucionais de 3% para 10%. Essa modalidade permite que o gestor faça operações alavancadas, de day trade, por exemplo. O limite de 3% não foi muito aproveitado pelas fundações, uma vez que a permissão para o aporte nessa modalidade foi dada pouco antes do agravamento da crise financeira mundial, em 2007. Além disso, o trabalho para a seleção do fundo não compensava o volume que poderia ser investido em um fundo multimercado “agressivo”. Inclusive essa questão causou polêmica logo após a divulgação da Resolução nº 3.792. Algumas entidades fechadas de previdência complementar sacaram recursos de fundos multimercado long & short. ■ ■ ENTRADA No ano passado, os fundos de pensão arrecadaram R$ ■ PORTFÓLIO De 2008 para 2009, o superávit dos fundos foi de 16,6 70% bi Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 41 Chris Ratcliffe/Bloomberg ANÁLISE PÓS-CRISE Bolsa brasileira está cara; não incorpora riscos mundiais, segundo Fram Capital Europa precisa ter “corpo de bombeiros” para evitar quebra de bancos, diz FMI A Bolsa de Valores brasileira está cara, pois não incorpora corretamente os riscos mundiais, afirmou o sócio e chefe de estratégia da gestora Fram Capital, Henry Gonzalez, em entrevista à Agência Estado. Na opinião do executivo, o nível da bolsa indica que o risco mundial está mal precificado, assimétrico. Uma pontuação mais próxima de 55 mil pontos a 60 mil pontos refletiria riscos mais equilibrados, estimou. A Europa deveria ter um “corpo de bombeiros”, sustentado por fundos governamentais e do setor privado, para lidar com as quebras dos grandes bancos, disse na sexta-feira o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn. “Penso ser necessária a criação de uma Autoridade Europeia de Resoluções, provida de mandato e instrumentos para evitar falências das instituições. Henrique Manreza Diretor do BC quer índice para imóveis Novo indicador seria usado no monitoramento do setor pelo Banco Central para evitar riscos Cotado para suceder Henrique Meirelles no comando do Banco Central (BC), o diretor de Normas da instituição, Alexandre Tombini, defendeu a necessidade de criação de um índice de preços de imóveis. Atualmente, só existem índices que medem custos da construção dos imóveis e não da variação do preços das casas, prédios e terrenos. O novo índice, segundo Tombini, seria usado pelo BC no monitoramento do setor, que vem crescendo de forma expressiva no País, ajudando a evitar riscos para o sistema financeiro. “Há uma necessidade de termos um indicador de preços confiável, robusto e com bastante abrangência. Não só para o mercado definir estratégias e mensurar riscos, mas também para o monitoramento do regulador e por parte das próprias instituições financeiras. Precisamos avançar nisso, tendo em vista as perspectivas para o segmento de crédito imobiliário”, disse o diretor do BC. Segundo Tombini, essa é uma agenda de “curto prazo”, mas cuja discussão ainda está no início. Ele explicou que o novo índice não deverá ser elaborado pelo BC, mas por uma entidade como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Ao demonstrar interesse em criar um índice de preços de imóveis, Tombini evidencia a preocupação do BC em evitar problemas de bolhas no setor Roberto Kropp: Daycoval se preparou para atender à demanda ■ TÍTULO PRIVADO Da carteira dos fundos, a modalidade representou 9,4% ■ ESTREANTES Em 2009, orgão supervisor autorizou a criação de 2 entidades ■ CONTROLE Foram realizadas 104 fiscalizações diretas em 67 fundos 25% Segundo Alexandre Tombini, um potencial substituto para Henrique Meirelles, a iniciativa visa evitar problemas de bolhas no setor imobiliário, como as que levaram à crise internacional imobiliário, como as que levaram à crise internacional a partir do final de 2008. A chamada crise do subprime teve como um dos seus elementos principais a contínua e forte elevação dos preços dos imóveis residenciais nos Estados Unidos. O processo de inflação no mercado imobiliário americano alimentava o forte crescimento do crédito naquele país e a criação de instrumentos financeiros arriscados, ou tóxicos. ■ AE de desconto no valor total de todos os cursos de Finanças e Negócios PARA PAGAMENTO EM 10X NO CARTÃO ou 30% PARA PAGAMENTO À VISTA Promoção válida até 26/03/10, exceto para Programas de MBA. Não cumulativa. www.saintpaul.com.br | (11) 3513-6900 Saint Paul. Treinamos quem contrata você. 42 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 INVESTIMENTOS Thais Folego [email protected] Investidores concentrados na ata do Copom em semana fraca de indicadores A semana está recheada de indicadores que saem todas as semanas, com uma agenda internacional fraca. O que trará emoção nos próximos dias será a publicação da Ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), na quarta-feira pela manhã. Na semana passada, os membros do comitê decidiram pela manutenção da taxa básica de juro, a Selic, em 8,75% ao ano. Não havia consenso no mercado sobre a alteração da taxa. E nem houve unanimidade entre os membros do Copom, com o placar de 5 a 3 pela manutenção. “Como a votação foi apertada, vamos conhecer quais eram as razões dos que votaram pela alta da Selic e a dos que votaram pela manutenção”, diz Alexandre de M. Marques Filho, analista da Elite Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários. E, falando em aperto monetário, esta semana serão divulgados quatro índices de inflação. IGPM hoje, IPC-S e IPCA-15 amanhã e IPC-Fipe, na quinta-feira. “Que tem que ficar de olho”, diz o analista da Elite. No mesmo dia também sai a taxa de desemprego no país. Esses indicadores são importantes para a decisão do Banco Central na próximas reuniões. A decisão dividida do Comitê, inclusive, mexeu com o mercado de juros futuros na quinta, que bateu recorde de negociações no segmento BM&F. Foram registradas 6.093.795 operações, que movimentaram R$ 508,006 bilhões. Na quinta, o Ministério da Fazenda divulga a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de abril. Hoje a taxa é de 6%. Início da semana Como todas as segundas, o Banco Central revela o relatório semanal Focus, que com- pila a opinião de instituições financeiras sobre os principais índices macroeconômicos. Também na segunda, o BC divulga a Nota do Setor Externo de fevereiro, com informações sobre o balanço de pagamentos e as reservas internacionais. Com agenda morna lá fora, o destaque da semana segundo Marques Filho é a divulgação da revisão final do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre dos Estados Unidos. A expectativa é que ele venha com alta de 5,9%, como na última revisão. “A agenda interna está mais interessante”, comenta Marques Filho. Ainda nos EUA, saem dados do auxílio desemprego na quinta e dados sobre consumo pessoal na sexta. Já na Europa, são divulgados números de inflação, venda no varejo e investimentos da Inglaterra. Na Zona do Euro, saem os PMIs (pesquisa com empresários sobre a economia) de serviços e indústria. Empresas Na agenda corporativa, na semana serão divulgados os balanços referentes ao quarto trimestre do ano passado das empresas: Brasil Ecodiesel, Cemig, CSU Cardsystem, Cep, Guararapes, MRV, Cyrella Realty, Sabesp, Tecnisa, Unipar, UOL e Equatorial Energia. As empresas têm até o dia 31 de março para divulgar seu resultados. Marques Filho comenta, porém, que um dos resultados mais importantes era o da Petrobras, divulgado na última sexta. A petrolífera lucrou R$ 28,982 bilhões em 2009, queda de 12% sobre o ano anterior. “Como ela tem um peso grande no Ibovespa, talvez o resultado faça o índice sofrer”, diz Marques Filho. ■ INDICADORES E EVENTOS DA SEMANA SEGUNDA-FEIRA (22/3) 6h | (Europa) PMI de serviços, indústria e composto 8h | (Brasil) IGP-M 2° decênio 9h30 | (EUA) Chicago Fed 10h30 | (Brasil) Conta corrente mensal 10h30 | (Brasil) Investimento estrangeiro direto 7h | (Europa) Novos pedidos à indústria TERÇA-FEIRA (23) 6h30 | (Inglaterra) Inflação 8h | (Brasil) IPC-S 9h | (Brasil) IPCA-15 10h30 | (Brasil) Empréstimos – total e bancos 11h | (EUA) Vendas de imóveis 11h | (EUA) Preço de imóveis 11h | (EUA) Richmond Fed 9h30 | (EUA) Pedidos de bens duráveis 11h | (EUA) Venda de imóveis novos QUINTA-FEIRA (25) 7h | (Brasil) IPC-Fipe – 3° quadrissemana 8h | (Brasil) Confiança do consumidor 8h30 | (Brasil) Ata do Copom 9h | (Brasil) Taxa de desemprego 9h30 | (EUA) Auxílio-desemprego SEXTA-FEIRA (26) QUARTA-FEIRA (24) 6h 6h | (Alemanha) PMI de indústria e serviços | (Alemanha) Clima de negócios, situação atual e expectativa econômica Fontes: Gradual Investimentos e Elite Corretora 6h30 | (Inglaterra) Investimentos 8h | (Brasil) Custos construção civil 9h30 | (EUA) Revisão do PIB 9h30 | (EUA) Consumo pessoal Construção Energia Para Ativa, Brookfield teve recuperação de desempenho Brascan não vê vetores de valorização para ação da Celesc O resultado do ano passado fez com que a incorporadora Brookfield se destacasse no setor de construção, na avaliação da corretora Ativa. Segundo relatório do analista Armando Halfeld, a companhia mostrou recuperação no útlimo trimestre, fazendo com que fechasse o ano com lançamentos estáveis em relação a 2008, mas com venda 97% maior. No quarto trimestre foram feitos cerca de 50% de todos os lançamentos do ano. “Na comparação entre trimestres, a empresa demonstrou um crescimentos significativo da receita, porém com deterioração das margens, associada a um mix de vendas concentrado em egmentos de média e baixa renda, bônus pagos para seus funcionários, por gastos maiores devido a concentração de lançamentos no quarto trimestre e, assim, maior despesas com vendas”, conclui. O analista destaca ainda que a Brookfield criou uma unidade de negócio com foco na região Sul e no interior de São Paulo, mostrando a implementação de diversificação regional proposta pela empresa. No comparativo entre quarto trimestre de 2009 e 2008, a receita líquida aumentou 10,6%, somando R$ 538 milhões. O lucro bruto foi de R$ 168 milhões, alta de 1%, resultando em uma margem brutade 31,3%, 3 pontos percentuais menor que no ano anterior. O Ebitda ficou em R$ 85 milhões, 10% menor. A corretora Brascan mantém a recomendação “underperform” (abaixo da média do mercado) para os papéis preferenciais série B da Celesc, a companhia de energia elétrica de Santa Catarina, apesar de projetar uma melhora nos resultados do quarto trimestre da empresa. “Mesmo com a elevação no resultado operacional no trimestre, não enxergamos drivers (vetores), com base nos seus fundamentos de curto prazo, que possam fazer com que as ações da companhia tenham valorização”, afirma o analista Rafael Quintanilha, em relatório distribuído aos clientes. As estimativas do analista apontam que o lucro líquido tenha atingido de R$ 37,1 milhões entre outubro e dezembro, um avanço de 45,1 % ante o trimestre anterior, beneficiado pela recuperação no consumo de energia e pelo reajuste tarifário ocorrido durante o terceiro trimestre. A receita líquida no mesmo período deverá ter chegado aos R$ 910,3 milhões. “Em nossa opinião, o movimento de valorização nas suas ações está relacionado à estratégia de longo prazo da companhia, que consta, principalmente, na redução das despesas operacionais relacionadas com pessoal”, destaca Quintanilha. A corretora calcula um preço-alvo de R$ 41,06 para as ações da Celesc, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 8% ante as cotações atuais. OFERTA LINK Gafisa Palestra Termina hoje o período de reserva da oferta primária de ações da Gafisa. Para os investidores de varejo será reservado um montante de 10% a 20% do total ofertado. Os valores dos pedidos podem ser feitos entre R$ 3 mil e R$ 300 mil. O preço dos papéis será fixado amanhã. As novas ações passarão a ser negociadas no pregão da BM&FBovespa na quinta-feira. Os recursos levantados serão usados pela empresa, principalmente, para aquisição de terrenos, parcerias estratégicas e como capital de giro. Nesta quarta-feira, a corretora Link vai realizar a primeira palestra gratuita — de uma série de várias a serem ministradas em seis capitais do país — com o economista e consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos. O tema da palestra será “estratégias de investimento necessárias para conquistar e multiplicar o primeiro milhão de reais”. O evento, agendado para as 19 horas, acontecerá no hotel Meliá Jardim Europa, localizado no bairro Itaim Bibi, na capital paulista. Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 43 AÇÕES Oscilação 11,20% foi quanto subiram as ações preferenciais da Klabin durante a última semana, a maior alta dentre os papéis incluído no Ibovespa. Já os papéis ordinários da LLX foram os que mais caíram, recuando 11,35%. IBOVESPA Nome Classe All Amer Lat Código Fechamento em 19/mar (R$) Máximo da sem. (R$) Mínimo da sem. (R$) Oscilação na semana (%) Oscilacão no ano (%) Máximo em 52 sem. (R$) Fechamento vs Máximo 52 sem. (%) Valor Mercado (R$ mil) Volume médio em 1 mês (R$ mil) UNT N2 ALLL11 16,35 16,67 15,83 -1,86 0,31 18,59 -12,05 13.040.875 31.740 Ambev PN AMBV4 166,90 170,48 165,56 -0,48 (3,39) 185,63 -10,09 94.255.966 29.110 B2W Varejo ON BTOW3 38,03 40,20 37,49 -5,84 (20,44) 57,00 -33,28 4.190.678 38.611 BMF Bovespa ON BVMF3 11,46 11,76 11,16 -2,72 (6,33) 13,99 -18,1 22.974.622 188.919 Bradesco PN BBDC4 31,50 32,30 31,12 -1,01 (4,56) 35,11 -10,28 97.610.073 103.262 Bradespar PN BRAP4 41,45 42,98 40,40 1,72 7,58 43,30 -4,27 14.228.288 32.554 Brasil ON BBAS3 29,50 30,57 29,39 -1,34 0,90 31,57 -6,55 75.776.949 154.659 Brasil Telec PN BRTO4 12,69 13,09 12,60 -1,40 (24,24) 18,49 -31,37 8.910.419 12.816 Braskem PNA BRKM5 13,11 13,51 12,87 -0,68 (6,89) 15,41 -14,93 10.477.874 16.736 BRF Foods ON BRFS3 44,25 44,60 43,20 0,57 (2,47) 49,50 -10,61 19.249.216 30.565 CCR Rodovias ON CCRO3 39,67 40,40 38,79 -1,44 (0,55) 44,63 -11,11 17.510.211 76.802 Cemig PN CMIG4 29,42 30,40 29,02 -2,90 (6,90) 34,68 -15,17 16.395.984 47.467 Cesp PNB CESP6 23,66 24,77 23,53 -1,42 (1,54) 26,25 -9,87 7.307.699 19.958 Copel PNB CPLE6 37,50 38,69 37,16 -1,32 1,24 40,43 -7,25 10.262.063 17.612 14.825 Cosan ON CSAN3 23,47 23,75 22,45 2,76 (8,32) 25,88 -9,31 9.533.518 CPFL Energia ON CPFE3 36,08 37,22 35,71 0,64 6,03 37,68 -4,25 17.315.189 13.931 Cyrela Realty ON CYRE3 21,90 22,63 21,71 -3,18 (10,61) 28,51 -23,18 9.249.794 64.405 Duratex ON DTEX3 16,63 17,10 16,30 -1,60 2,67 19,09 -12,87 7.614.877 25.223 Eletrobras ON ELET3 26,90 27,30 25,00 7,00 3,36 31,22 -13,83 31.880.974 28.807 Eletrobras PNB ELET6 33,15 33,84 30,72 7,39 5,06 36,10 -8,17 31.880.974 31.138 Eletropaulo PNB ELPL6 39,98 39,98 38,63 3,58 15,88 39,98 0 6.504.851 15.348 Embraer ON EMBR3 10,80 11,07 10,07 6,19 13,56 11,07 -2,44 7.815.582 9.836 Fibria ON FIBR3 39,01 41,18 36,51 4,87 (0,20) 41,50 -6 18.254.144 31.745 Gafisa ON GFSA3 12,80 13,57 12,70 -4,83 (9,35) 16,16 -20,77 4.269.491 46.208 Gerdau PN GGBR4 27,31 28,41 26,89 -0,33 (6,28) 30,38 -10,11 35.604.504 113.292 Gerdau Met PN GOAU4 34,09 35,60 33,50 -0,58 (2,38) 37,63 -9,42 13.264.575 26.695 Gol PN GOLL4 22,15 24,15 21,97 -7,90 (15,07) 28,82 -23,14 5.865.874 27.231 Itausa PN ITSA4 11,62 12,01 11,51 -0,51 0,03 12,25 -5,14 52.552.725 30.381 112.905 ItauUnibanco PN ITUB4 37,05 38,17 36,66 -0,91 (2,70) 40,05 -7,48 149.881.754 JBS ON JBSS3 7,80 8,78 7,80 -11,06 (16,31) 11,04 -29,35 18.123.155 10.707 Klabin S/A PN KLBN4 5,76 5,85 5,02 11,20 8,47 5,85 -1,54 5.280.344 12.848 Light S/A ON LIGT3 27,56 27,70 26,61 3,18 6,08 28,27 -2,5 5.613.287 8.637 Llx Log ON LLXL3 8,20 9,32 8,20 -11,35 (18,89) 10,11 -18,89 5.679.017 14.701 Lojas Americ PN LAME4 13,30 13,86 13,18 -3,97 (14,36) 16,11 -17,44 9.094.307 28.100 29.338 Lojas Renner ON LREN3 40,50 41,92 39,23 -0,49 3,05 42,99 -5,79 4.935.411 MMX Miner ON MMXM3 13,20 14,34 13,20 -5,92 31,74 14,70 -10,2 6.243.239 71.960 MRV ON MRVE3 13,22 14,00 12,87 -1,34 (6,24) 14,48 -8,72 6.364.121 25.300 Natura ON NATU3 35,17 35,57 33,70 3,41 (0,74) 38,18 -7,87 15.132.737 13.389 Net PN NETC4 23,97 24,17 22,98 3,14 (0,13) 25,23 -4,99 7.766.441 18.054 OGX Petroleo ON OGXP3 16,26 17,25 16,19 -6,01 (4,91) 19,55 -16,83 52.552.387 188.359 P.Acucar-Cbd PNA PCAR5 58,55 60,89 58,55 -3,70 (9,95) 68,45 -14,46 16.546.682 42.358 PDG Realt ON PDGR3 16,35 16,99 15,95 -1,51 (5,76) 19,68 -16,92 6.374.505 74.600 Petrobras ON PETR3 40,55 41,80 40,50 -2,27 (2,64) 45,11 -10,11 339.801.633 164.862 Petrobras PN PETR4 36,23 37,48 36,16 -2,24 (1,25) 39,87 -9,13 339.801.633 409.789 Redecard ON RDCD3 30,40 30,80 27,11 9,71 4,83 32,37 -6,08 20.454.093 35.612 Rossi Resid ON RSID3 14,17 14,39 13,70 -0,42 (7,39) 16,38 -13,49 3.753.976 38.906 Sabesp ON SBSP3 31,61 31,86 30,66 2,46 (7,60) 35,96 -12,1 7.201.896 6.082 Sid Nacional ON CSNA3 66,10 69,19 65,55 -3,01 18,04 69,19 -4,47 48.185.909 72.090 Souza Cruz ON CRUZ3 63,90 64,70 61,95 -0,16 10,63 69,29 -7,79 19.533.591 8.586 Tam S/A PN TAMM4 29,68 31,40 29,51 -4,23 (21,99) 43,46 -31,71 4.474.498 34.927 Telemar ON TNLP3 39,50 40,80 39,10 0,00 (11,63) 46,34 -14,76 13.401.514 5.728 Telemar PN TNLP4 32,80 34,10 32,50 -1,03 (11,59) 39,17 -16,26 13.401.514 13.877 Telemar N L PNA TMAR5 50,99 54,09 50,51 -3,79 (18,04) 67,99 -25 13.066.663 2.993 Telesp PN TLPP4 39,10 40,00 39,03 -1,51 (9,33) 46,96 -16,74 19.002.782 6.292 Tim Part S/A ON TCSL3 7,01 7,74 6,99 -8,96 (1,96) 8,10 -13,46 14.057.345 3.036 Tim Part S/A PN TCSL4 4,99 5,33 4,96 -5,85 (2,54) 5,42 -7,93 14.057.345 14.812 Tran Paulist PN TRPL4 46,85 47,86 46,47 -1,26 (7,51) 51,76 -9,48 7.352.880 6.315 Ultrapar PN UGPA4 84,08 86,59 82,04 -0,38 6,47 87,49 -3,9 9.807.587 18.938 Usiminas ON USIM3 57,01 58,85 55,50 0,90 13,82 58,85 -3,13 27.750.651 7.400 Usiminas PNA USIM5 55,40 57,89 54,10 -0,36 12,17 57,89 -4,3 27.750.651 106.768 Vale ON VALE3 53,17 54,85 52,35 1,08 7,41 55,00 -3,33 264.223.131 79.595 Vale PNA VALE5 46,80 48,17 46,15 0,84 10,90 48,17 -2,84 264.223.131 620.402 Vivo PN VIVO4 48,80 50,59 48,73 -2,69 (6,52) 54,73 -10,84 19.390.226 20.721 Fonte: Economática 44 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 INVESTIMENTOS Rafael Paschoarelli Professor de finanças do Departamento de Administração da Universidade de São Paulo Fazer negócios no Brasil não é para amadores As dificuldades enfrentadas por quem quer empreender no Brasil estão em todos os flancos: na hora de abrir uma empresa, a burocracia é tamanha que o tempo para um contador finalizar o processo de abertura de uma simples empresa pode chegar a até seis meses, segundo informações divulgadas pelo Sebrae no ano passado. Na hora de pagar tributos, o empresário brasileiro sofre para entender o que deve ser pago, quando e de que forma. Existe até um ranking de tempo necessário para pagar tributos elaborado pelo Banco Mundial e a Price waterhouseCoopers. Segundo o referido levantamento, o Brasil tem ocupado a nada lisonjeira posição de lanterninha, requerendo mais de 2.500 horas por ano para a apuração e o pagamento de tributos. “ Na hora de pagar tributos, o empresário brasileiro sofre para entender o que deve ser pago, quando e de que forma BOLSAS INTERNACIONAIS (COMPORTAMENTO NA SEMANA) (Em pontos) DOW JONES 10.750 10,.700 10.650 10.600 10.550 15/MAR 19/MAR 15/MAR 19/MAR 15/MAR 19/MAR 15/MAR 19/MAR 15/MAR 19/MAR S&P 500 1.170 1.157 1.145 1.132 1.120 2010, ano de eleições, é bastante propício para escolhermos, pelo voto, os candidatos imbuídos em diminuir o tamanho do Estado e modernizar as relações trabalhistas NASDAQ 2.390 2.384 2.378 Falando em complicação tributária, não raro a própria Receita Federal volta atrás na interpretação de como um tributo deve ser pago ou qual é a sua base de cálculo. A guerra fiscal entre os estados é apenas mais um tempero nessa apimentada receita que suga mais de 36% do PIB para os insaciáveis cofres do governo. Se o empresário quiser empregar, as dificuldades também são enormes. Coloque-se no lugar de um empreendedor não optante pelo Simples que precisa expandir seus negócios e contratar mais um funcionário. Sem querer entrar em todos os detalhes, se o salário bruto do funcionário contratado for de R$ 1.200,00 mensais, é bom que o empreendedor coloque na ponta do lápis mais os seguintes gastos adicionais aos R$ 1.200 mensais: 1) R$ 240 mensais para o INSS (além do INSS ser descontado do salário do trabalhador, o empregador tem que recolher 20% sobre a folha ao INSS), 2) provisionar R$ 100 mensalmente a título de férias, 3) provisionar mais R$ 100 mensalmente a título de décimo terceiro, 4) R$ 96 mensalmente a título de FGTS. Além desses gastos com o novo funcionário, o empreendedor deverá se lembrar de outros: abono de férias, salário educação, aviso prévio, contribuições ao Sesi, Sesc, Sest, Sebrae, Incra, etc. Utilizando as palavras do Professor da USP José Pastore, “... um funcionário contratado por R$ 1.000,00 por mês, custará para a empresa mais de R$ 2.040,00”. Mais importante que reclamar da nossa atual situação, no entanto, é agir para que isso se modifique. Como boa parte da solução requer mudança de legislação, cabe à sociedade pressionar os legisladores para que o Brasil se descomplique. 2010, ano de eleição, é bastante propício para escolhermos, por intermédio do voto, os candidatos imbuídos do espírito de diminuir o tamanho do Estado, modernizar as relações trabalhistas e adequar a carga tributária a um Estado mais enxuto. ■ 2.372 2.366 2.360 DAX 6.050,0 6.012,5 5.975,0 5.937,5 5.900,0 FTSE-100 5.650 5.625 5.600 5.575 5.550 Fonte: Rosenberg Consultores Associados (wwwrosenbergcombr) Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 45 POUPANÇA Rentabilidade 0,50% é quanto rendem as cadernetas que fazem aniversário hoje. Na primeira quinzena deste mês, a poupança acumulava captação líquida (depósitos menos resgates) de R$ 1,2 bilhão. MOEDAS (COMPORTAMENTO NA SEMANA) DÓLAR (R$/US$) (fechamento) JURO FUTURO (Índices - Base: 12/MAR=100) EURO (US$/€) 1,90 1,40 1,85 1,38 COMMODITIES METÁLICAS (CDI em % ao ano) 11/MAR/10 18/MAR/10 US$ R$ 106 7 12,70 104 0 2 11,26 102 0 1,36 1,80 0 100 8 9,83 1,75 9 98 1,34 8,40 4 1,32 1,70 15/MAR 19/MAR 996 30d 15/MAR 60d 90d 120d 150d 180d 210d 240d 270d 300d 330d 360d 720d 12/FEV 840d 960d 1800d 3600d 15/MAR 16/MAR 17/MAR 18/MAR 19/MAR Fonte: Rosenberg Consultores Associados (www.rosenberg.com.br) Fonte: FSP. Elaboração: Rosenberg & Associados Balanço da indústria brasileira de fundos RENTABILIDADE ACUMULADA POR TIPO (em %) Tipos AÇÕES Ibovespa Ativo Dividendos IBrX Ativo Livre Sustentabilidade/ Governança RENDA FIXA Curto Prazo Referenciado DI Renda Fixa MULTIMERCADOS Macro Multiestrategia Juros e moedas FUNDOS DE INVESTIMENTOS Semana Mês Ano 12 Meses 0,05 0,67 0,54 0,22 3,87 4,02 4,71 2,88 2,14 1,32 1,66 1,58 77,51 60,56 69,46 75,71 1.970 1.840 110 0,39 4,21 0,56 77,72 1.935 1.810 100 0,16 0,17 0,23 0,39 0,40 0,50 1,65 1,68 2,24 9,03 9,36 10,11 1.900 1.780 90 1.865 1.750 80 0,25 0,18 0,19 0,63 0,56 0,48 2,97 2,14 2,11 18,69 9,51 9,65 1.830 (Em R$ bilhões) APLICAÇÕES RESGATES CAPTAÇÃO LÍQUIDA 1. 720 OUT/09 MAR/10 70 OUT/09 MAR/10 OUT/09 MAR/10 Fonte: Anbima (www.comoinvestir.com.br) RENTABILIDADE HISTÓRICA CAPTAÇÃO LÍQUIDA HISTÓRICA (em %) (em R$ milhões) ÍNDICES CDI Ibovespa IBrX Dólar 2007 11,82 43,65 47,83 -17,15 2008 12,38 -41,22 -41,77 31,94 2009 9,88 82,66 72,84 -25,49 2010 1,65 1,97 1,67 1,46 TRIMESTRE 1 2 3 4 2007 23.441,88 31.890,79 2.990,69 -8.395,62 2008 30.138,87 -18.282,80 -38.331,78 -29.103,57 2009 8.868,59 17.729,07 52.487,09 13.783,20 2010 26.994,02 *Até a data de referência DISTRIBUIÇÃO POR CATEGORIA (Patrimônio líquido - Part. %) Curto prazo 3,89 Demais 9,77 Renda fixa 27,27 Previdência 10,42 Ações 11,91 Referenciado DI 13,55 Multimercados 23,21 Fonte: Anbima (www.comoinvestir.com.br) CAPTAÇÃO POR CATEGORIA (em R$ milhões) Categorias CURTO PRAZO REFERENCIADO DI RENDA FIXA MULTIMERCADOS CAMBIAL DÍVIDA EXTERNA AÇÕES PREVIDÊNCIA FIDC IMOBILIÁRIO PARTICIPAÇÕES EXCLUSIVOS FECHADOS OFF-SHORE TOTAL GERAL PL 57.362,54 199.856,49 402.285,15 342.442,38 700,35 432,00 175.719,90 153.700,30 49.992,65 373,84 39.057,83 632,73 52.888,69 1.475.444,83 Aplicações Semana Resgates Captação líquida Aplicações No Ano Resgates Captação líquida 10.398,46 8.699,26 15.997,74 5.392,94 8,46 0,04 421,81 1.025,03 917,55 NB 92,60 0,00 NB 42.953,89 7.590,33 6.768,60 12.580,43 3.499,48 13,98 0,01 638,16 600,28 2.548,38 NB 7,55 1,45 NB 34.248,68 2.808,13 1.930,66 3.417,31 1.893,45 -5,52 0,03 -216,36 424,75 -1.630,83 NB 85,05 -1,45 NB 8.705,21 97.380,04 81.815,70 134.823,81 45.840,65 166,50 1,50 9.002,38 12.795,93 11.348,31 NB 666,51 20,00 NB 393.861,34 88.785,85 83.281,91 114.816,78 47.529,19 125,76 12,08 6.952,67 10.924,86 14.428,71 NB 8,05 1,45 NB 366.867,32 8.594,20 -1.466,22 20.007,02 -1.688,54 40,73 -10,57 2.049,71 1.871,08 -3.080,40 NB 658,46 18,55 NB 26.994,02 46 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 MUNDO Dubai promete pagar dívida em sete anos OBSERVATÓRIO DO BURJ KHALIFA, O EDIFÍCIO MAIS ALTO Os bancos credores têm de contabilizar perdas este ano, mas Dubai garante que pagará todas as dívidas no prazo e com juros Pedro Duarte [email protected] A crise de Dubai, considerada pelos mercados internacionais como uma forte réplica da financeira, está próxima do fim. Os primeiros detalhes do plano de pagamento das dívidas da Dubai World — a ‘holding’ estatal que no final de 2009 surpreendeu os credores com uma suspensão do pagamento das dívidas — foram divulgados para a imprensa na semana passada. O plano vai oferecer o pagamento integral dos € 18,9 bilhões que a empresa deve ao longo de sete anos, pagando juros ligados às taxas britânicas Libor, adiantou a rádio de Dubai ‘al-Arabiya’, citando “fontes bancárias próximas das negociações”. A reação dos mercados foi ambígua. Mas as autoridades do emirado estão confiantes. O governador do banco central dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Sultão bin Nasser al-Suwaidi, disse não estar seguro de que Dubai não precisará de mais ajuda. Os altos responsáveis dos emirados de Dubai e Abu Dhabi, dois dos sete emirados do EAU, têm trabalhado com peritos em reestruturação de dívidas, para chegar a um plano de pagamento que seja aceitável para os 97 bancos credores da Dubai World, e uma proposta “justa” será apresentada “muito em breve” aos credores da empresa, revelou o xeque Ahmed Bin Saeed al-Maktoum, presidente do Supremo Comitê de Orçamento de Dubai. A implementação do plano irá obrigar os bancos envolvidos, que incluem os britânicos Standard Chartered, HSBC, Lloyds e Royal Bank of Scotland, bem como o japonês Bank of TokyoMitsubishi, a assumirem as perdas este ano, devido às diferenças existentes entre a taxa de juro proposta e os juros previstos nos contratos originais, adiantou a mesma fonte, que acrescentou que o negócio tem sido negociado com um comitê composto por representantes dos sete maiores bancos credores da ‘holding’. “Tudo somado, nós precisamos de todos. Eles também precisam de nós. Nós temos projetos que serão iniciados em breve “ Tudo somado, nós precisamos de todos. Eles também precisam de nós. Temos projetos que serão iniciados em breve e são de longo prazo Ahmed Bin Saeed al-Maktoum, presidente do comitê de orçamento de Dubai CRONOLOGIA DA CRISE QUE ABALOU OS MERCADOS A crise da Dubai World começou em novembro de 2009 Com poucas receitas petrolíferas, o emirado de Dubai apostou nos anos 1990 no mercado imobiliário para crescer. A crise financeira que atingiu o mundo em 2008 e 2009 veio colocar um ponto final na bolha imobiliária. e são de longo prazo”, adiantou o xeque Ahmed. As dificuldades financeiras de Dubai decorrem principalmente do fato de a crise internacional ter causado no território uma das piores crises imobiliárias do mundo, com os preços caindo mais de 50% e o valor dos projetos cancelados rondando os € 220 bilhões. Mas este mercado deverá se recuperar no final do ano que vem, à medida que as hipotecas se tornarem mais acessíveis e mais pessoas decidam viver em Dubai, estimou Santhosh Joseph, fundador e CEO da Dubai Pearl, um projeto em construção no valor de € 3 bilhões, com quatro torres de 73 andares cada uma e seis hotéis com mais de 1.400 quartos, bem como uma praia artificial, centros comerciais e teatros. “Os bancos não podem se afastar por muito tempo. Eles têm de conceder empréstimos, e historicamente a maior parte o crédito concedido foi para comprar propriedades”, disse. A população do emirado cresceu 7,6% no ano passado, à medida que a economia,em particular o setor da construção, atraía mais trabalhadores. Segundo dados oficiais, Dubai tinha cerca de 1,77 milhão de habitantes em 2009, contra os 1,65 milhão registados no ano anterior. “Em 2010 e até à segunda metade 2011, não espero que os mercados globais tenham liquidez ou que as hipotecas possam ser conseguidas facilmente. Os ciclos imobiliários são normalmente de três anos entre os pontos altos, e as melhores localizações tendem a recuperar rapidamente”, adianta Santhosh Joseph. ■ CHEGADA DA CRISE CHOQUE INESPERADO CONFIANÇA EM QUEDA 21 de novembro de 2008 25 de novembro de 2009 27 de novembro de 2009 A companhia Azizi Investments anuncia não estar disposta a investir em novos projetos em Dubai por causa da crise. Nota, no entanto, que os indicadores econômicos estáveis indicam que Dubai “deverá sofrer menos do que os outros mercados”. Sem aviso prévio, a ‘holding’ estatal Dubai World anuncia que suspenderá todos os pagamentos aos seus credores por seis meses e que irá negociar um plano de pagamentos. Este anúncio gera receios de que muitos países da região poderão não conseguir pagar seus compromissos financeiros. Especialistas notam que a confiança na capacidade financeira do emirado foi afetada “seriamente”. Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 47 Ahmad Nadeem/Reuters EUA aumentam contingente no Afeganistão O comando militar americano prevê o envio de 2,5 mil soldados adicionais ao norte do Afeganistão, com o objetivo de lutar contra a milícia talibã que aumenta sua presença, disse um funcionário do ministério da Defesa. Segundo a fonte, que preferiu não se identificar, os soldados serão enviados ao norte do Afeganistão ao invés do sul, principal área do conflito e onde se espera a chegada da maior parte dos 30 mil homens adicionais mandados pelo presidente Barack Obama. AGENDA DO DIA ● Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, visita o México, onde discute esforços para enfrentar os cartéis de drogas. ● Tribunal de Justiça da UE decide caso em que Google é acionado pela Louis Vuitton e outras empresas por violação de marca. Ahmed Jadallah/Reuters DO MUNDO, CONTINUA FECHADO O observatório de Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, permanece fechado para “manutenção”, um mês depois de um elevador do edifício ter sofrido uma avaria. Passageiros ficaram presos durante cerca de 30 minutos perto do 124º andar. A Emaar Properties, proprietária do edifício, afirma que os problemas queafetam a torre se devem a “detalhes técnicos relacionados com o fornecimento de energia”. Ainda não há uma data para a reabertura do observatório, que permite que se veja toda a paisagem de Dubai do alto de seus 828 metros. BOLSAS AFUNDAM ESTADO LAVA AS MÃOS PRIMEIRO ALÍVIO CRÉDITO DE EMERGÊNCIA DÍVIDAS ELEVADAS 29 de novembro de 2009 30 de novembro de 2009 1° de dezembro de 2009 13 de dezembro de 2009 28 de dezembro de 2009 Os mercados mundiais entram em queda acentuada devido aos receios de default por parte dos países do Golfo Pérsico. As bolsas de Dubai e de Abu Dhabi caem pelo menos 6%. A Dubai World pede a suspensão das suas ações. Os receios dos investidores aumentam quando o emirado de Abu Dhabi anuncia que não pretende ajudar Dubai. Dubai afirma que os problemas da Dubai World são da empresa, não estando a sua dívida coberta por uma garantia estatal. Os mercados respiram aliviados quando a Dubai World diz que os problemas dizem respeito apenas aos € 18,8 bilhões em dívida da sua subsidiária Nakheel, e não a toda a empresa. Abu Dhabi concede um empréstimo de € 7,2 bilhões a Dubai, para que a Nakheel possa pagar uma obrigação islâmica cujo vencimento está iminente. O FMI estima em € 79 bilhões a dívida total de Dubai. 48 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010 BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A, com sede à Avenida das Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000 Central de atendimento e venda de assinaturas: 4007 1127 (capitais), 0800 6001127 (demais localidades) [email protected] - Atendimento ao jornaleiro: 0800 550553 (OESP) É proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Empresa Jornalística Econômico S.A. ÚLTIMA HORA Murillo Constantino Preço mínimo para reciclados Darcio Oliveira [email protected] Diretor-Adjunto O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá editar um decreto estabelecendo uma política de preços mínimos para os produtos reciclados (veja mais informações na página 4). A informação é do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. O mecanismo se baseia em um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que quantifica o benefício da reciclagem em toda a cadeia produtiva, inclusive nos ganhos ao ambiente. Segundo o ministro, serão beneficiados quase 1 milhão de catadores no país, normalmente afetados quando os preços dos produtos despencam no mercado, como aconteceu na última crise internacional. “No Brasil sempre existiu preço mínimo para algodão, para açúcar, para soja, mas nunca para produto extrativista e muito menos para reciclado”, destacou Minc. A previsão é de que a medida deve entrar em vigor no próximo semestre. ■ Agência Brasil Bombeiros engravatados Jason Lee/Reuters Exigências dos EUA dificultam acordo no BID China retaliará se for acusada sobre câmbio A China vai retaliar e impor sanções comerciais se os Estados Unidos declararem que o país manipula sua moeda, segundo o ministro do Comércio, Chen Deming. “O câmbio é uma questão soberana e não deve ser discutido entre dois países”, disse. Cresce a pressão política para que os EUA afirmem que o iuane é mantido artificialmente desvalorizado. ■ Reuters Treze exigências apresentadas pelos Estados Unidos nas negociações sobre um aumento de capital do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estremeceram a 51ª Reunião Anual de Governadores da instituição, em Cancún. Seis delas já estão atendidas e outras cinco poderiam ser negociadas, disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que chefia a delegação brasileira. Mas dois pontos causam polêmica. O primeiro: “Para países que ainda não têm acordo de metas macroeconômicas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o economista-chefe do BID estabeleceria essas metas e o país seria obrigado a cumprilas para obter empréstimo”, disse Bernardo. Outro é levar para o âmbito do BID a “emenda Pelosi”, pela qual representantes dos EUA em órgãos multilaterais devem votar contra projetos que não cumpram certas exigências ambientais. Com isso, ficou no segundo plano a divergência sobre o volume da recapitalização do banco — a intenção inicial era dobrar o capital, para US$ 200 bilhões. ■ AE Venezuela corta energia de 80 empresas A Venezuela anunciou ontem um corte de 24 horas no suprimento de energia para 80 empresas que falharam em reduzir o consumo de eletricidade em 20%, na primeira medida punitiva para economizar energia em meio à crise no setor elétrico no país, causada por uma seca. Restaurantes, lojas e hotéis estão na lista dos que ficarão às escuras nesta segunda-feira. ■ Reuters Chega o fim do dia e parece que você não fez nem metade do que planejara no começo da jornada. Centenas de e-mails, reuniões de última hora, o telefone tocando a cada cinco minutos, o aviso de que aquele funcionário responsável pelo principal relatório da companhia está doente e que, por isso mesmo, você terá de fazer o trabalho dele se não quiser perder o projeto no qual sua empresa trabalha há meses. Ufa! Passou o tempo e você não viu. Não deu para cumprir nem um terço dos objetivos traçados previamente para aquele dia. A cena é recorrente na maioria das empresas, de pequeno ou grande porte. Pesquisa da consultoria ProGeps, que já foi tema de reportagem do BRASIL ECONÔMICO, revela que os executivos brasileiros chegam a gastar 50% de seu tempo para solucionar imprevistos. Mais: o tempo empregado para apagar incêndios corporativos, segundo o mesmo estudo, gera desperdício de até 30% no potencial produtivo das empresas. Executivos gastam até 50% de seu tempo para apagar incêndios. Isso gera desperdício de até 30% no potencial produtivo da empresa Fiz as contas. Um gestor (diretor, gerente-geral etc.) dedica mais de 54 horas por semana, quase 11 horas por dia, à empresa, contando deslocamentos e horas trabalhadas. Se usa a metade desse tempo para resolver pepinos, já reduziu seu expediente em 5 horas e meia. Descontemos 1 hora de almoço — isso quando dá para o camarada almoçar. Caímos, então, para 4 horas e meia. Caso more em São Paulo, o indivíduo será obrigado a incluir o “fator” trânsito no cálculo. Pesquisa da ONG Movimento Nossa São Paulo, feita em parceria com o Ibope, revela que o paulistano gasta, em média, 2 horas e 43 minutos todos os dias dentro de um carro ou ônibus. Resultado? A menos que o gestor tenha mandado às favas a vida pessoal e se contente em dormir bem pouco com o intuito de otimizar o “serviço”, ele terá apenas 1 hora e 47 minutos de seu dia para fazer aquilo para o qual realmente foi contratado: o planejamento estratégico da companhia. Melhor esquecer a conta. Ainda estamos na segunda-feira. ■ www.brasileconomico.com.br DESTAQUE MAIS LIDAS NO FIM DE SEMANA Um time jogará a Copa, mas não com a amarelinha ● Exclusivo: a economia segundo Guido Mantega Quase um time inteiro de jogadores “brasileiros” deve ir à Copa do Mundo defender seleções estrangeiras. Na África do Sul, pelo menos dez brasileiros devem jogar — o dobro do número de 2006. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, está preocupado e tenta barrar esse movimento, mas pode acabar estimulando o racismo. ● Rio de Janeiro terá F1 dos mares com superlanchas ● Sonae Sierra estuda entrada na América Latina ● Mercedes faz testes com diesel de cana-de-açúcar ● USP desenvolve aparelhos auditivos de baixo custo Acompanhe em tempo real www.brasileconomico.com.br Leia versão completa em www.brasileconomico.com.br ENQUETE Uma possível sucessão de Henrique Meirelles no Banco Central pode impactar fortemente os mercados? Sim 49% Não 51% Fonte: BrasilEconomico.com.br Nova votação em www.brasileconomico.com.br RESULTADO FINAL