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SEGUNDA-FEIRA, 22 DE MARÇO, 2010 | ANO 2 | Nº 134 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR-ADJUNTO DARCIO OLIVEIRA | R$ 3,00
Antonio Milena
São Paulo Geraldo Alckmin aposta
no investimento em pesquisa para
atrair empresa de tecnologia. ➥ P12
Aviação Eurocopter quer produzir
helicóptero brasileiro e investe
US$ 420 milhões na Helibras. ➥ P22
TV por assinatura Investimento
das operadoras e maior poder
aquisitivo animam a Discovery. ➥ P28
Reciclagem é o maior desafio do
século para empresas e governo
Lei que regulamenta coleta e descarte de resíduos é modernizada e inclui também responsabilidade dos consumidores
Aprovada pela Câmara dos Deputados
depois de 19 anos de espera, a Política
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)
prevê mudanças profundas e mais mo-
dernas na forma de tratamento do lixo
no país. Fabricantes, comerciantes, importadores e distribuidores são responsáveis pela coleta de produtos descarta-
dos, assim como por seu destino final.
Empresas discutem como reciclar eletroeletrônicos e algumas testam iniciativas com consumidores. ➥ P4
A demora na aprovação da lei permitiu
acrescentar temas como o aquecimento
global e a inclusão social.
Andre Penner
Brasil lidera lista
de prioridades
do grupo ABB
Eficiência do
sistema melhora
pouco com
banco estrangeiro
Levantamento feito por economista
da Unesp mostra que a chegada
de instituições financeiras
internacionais não contribuiu para
a expansão do crédito como se
esperava. Ao repetirem a fórmula
dos demais bancos aplicando
em títulos públicos, tornaram-se
ainda mais conservadores. Os
nacionais, por sua vez, acabaram
apresentando lucros maiores. ➥ P38
Em entrevista exclusiva,
Sérgio Gomes, presidente
da ABB no Brasil, revela como
a maior construtora de redes
elétricas do mundo quer
aproveitar as oportunidades
do bom momento do país. ➥ P20
TAXAS DE CÂMBIO
Cotação de fechamento para venda em 19/mar/2010
Reitor da USP
propõe diálogo
Souza Cruz faz
Giannetti sugere
acordo com Cuba Estado enxuto
João Grandino Rodas assume
a reitoria da Universidade
de São Paulo e diz estar aberto
a conversas, tanto para resol
ver conflitos internos como para
modernizar a instituição. Mas quer
saber quem tem interesse. ➥ P32
Fabricante de cigarros, que
é sócia do governo cubano há
15 anos na fumageira Brascuba,
fecha contrato de preferência,
caso a Tabacuba, outra
estatal do ramo, passe por
um processo de privatização. ➥ P26
O economista Eduardo
Giannetti questiona o aumento
da intervenção do governo
na economia e as escolhas
na hora de decidir onde investir.
“O Estado tem de ser forte,
mas enxuto”, afirma. ➥ P14
PAÍS
MOEDA
Argentina
Peso
Canadá
Dólar
Chile
Peso
China
Iuane
Coreia do Sul
Won
União Europeia
Euro
Estados Unidos Dólar
Índia
Rúpia
Japão
Iene
México
Peso
Paraguai
Guarani
Reino Unido
Libra
Uruguai
Peso
Rússia
Rublo
Venezuela
Bolívar forte
Fontes: Banco Central e Brasil Econômico
R$
US$
3,8663
0,4649
1,0160
1,7680
0,0034 529,3800
6,8270
0,2630
0,0016 1.135,9000
1,3538
2,4306
1,0000
1,7954
45,5100
0,0395
90,4500
0,0199
12,5839
0,1429
0,0004 4.760,0000
1,5015
2,6959
19,6500
0,0923
29,3625
0,0612
4,3000
0,4186
2 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
NESTA EDIÇÃO
Enrique de La Osa/Reuters
Em alta
FIA testa aptidões dos executivos
Parceria com o Thunderbird Global School of Management,
dos Estados Unidos, desenvolverá novo teste que avalia
a capacidade dos executivos para cargos fora do país. ➥ P31
Andre Penner
Azul programa mais voos pelo país
A companhia voa para 18 destinos e, até o fim do ano,
pretende chegar a 21. Nos próximos meses, deverão ser
incorporados mais seis aviões da Embraer a sua frota. ➥ P34
ACSP fará sugestões ao novo governo
ABB planeja investimentos
com muita energia no Brasil
Fornecedora de gigantes como Petrobras,
Vale e Eletrobrás, a maior construtora
de redes de energia do planeta também
tem planos ousados para o Brasil. Sérgio
Gomes, presidente no país, relaciona
a usina hidrelétrica de Belo Monte,
no rio Xingu, o projeto hidroviário Teles
Pires e o trem-bala como prioritários.
“Temos muitas oportunidades teóricas
no mercado que precisam se concretizar,
mas à medida que elas se confirmarem
não será por falta de disposição do grupo
de investir que nós vamos perder”, afirma,
garantindo que podem, inclusive, ser alocados
recursos do próprio grupo pra o país. ➥ P20
As lições da crise e os
obstáculos ao crescimento
Alencar Burti, presidente, e Roberto Macedo,
vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo,
coordenam o documento com as propostas. ➥ P36
Souza Cruz se fortalece em Cuba
Divulgação
Sócia do governo cubano há 15 anos, a fumageira firmou
novo acordo com as autoridades da ilha que lhe garantirá
a preferência na privatização da estatal Tabacuba. ➥ P26
São Paulo na vanguarda da inovação
Para isso, Geraldo Alckmin, secretário de Desenvolvimento
do Estado, quer modernizar o Instituto de Pesquisas
Tecnológicas (IPT) e ampliar as Fatecs e Etecs. ➥ P12
Iberostar prevê expansão de 8%
Grupo hoteleiro espanhol especializado em turismo de
negócios, voltado para convenções e eventos, registrou taxa
de ocupação superior a 90% em janeiro e fevereiro. ➥ P17
“O Brasil não acompanhou o ritmo de
crescimento dos países emergentes mais
dinâmicos, mas tirou um excelente proveito
para fazer um ajuste profundo nas contas
externas, o que permitiu atravessar a crise
com custo relativamente baixo”, afirma o
economista Eduardo Giannetti da Fonseca,
avaliando que o país soube aproveitar
apenas em parte o momento anterior
à crise financeira global. “Vamos ver
se dessa vez o país amadureceu a ponto
de tirar proveito da oportunidade que
o mundo está nos dando”, diz. A baixa
taxa de poupança e de investimento são,
na sua opinião, os dois obstáculos ao
crescimento que gostaríamos de ter. ➥ P14
A expectativa de Emerson Almeida, presidente
da Fundação Dom Cabral, é que, este ano, 40% dos
cursos sejam vendidos a órgãos do governo. ➥ P30
Multimercados no radar das fundações
Fundos, que não tiveram boa performance nos últimos
exercícios, voltam a receber recursos de investidores
institucionais obrigados a diversificar o portfólio. ➥ P40
Contra bolhas, um índice de imóveis
Sugestão é de Alexandre Tombini, diretor de Normas do
Banco Central, cotado para suceder Henrique Meirelles.
O índice de preços seria usado para monitorar o setor. ➥ P41
Murillo Constantino
Competição com as teles
anima mercado de TV paga
Mais cursos para funcionários públicos
Divulgação
Dejetos orgânicos vão gerar energia
Ata do Copom centraliza as atenções
Sabesp realiza em abril leilão para construção de
termoelétrica junto à estação de tratamento de
esgoto em Barueri, na Grande São Paulo. ➥ P18
Documento vai mostrar as razões de quem votou pela
alta dos juros e de quem decidiu por sua manutenção
em 8,75% na reunião da semana passada. ➥ P42
Um helicóptero totalmente brasileiro
Dubai pede sete anos para pagar dívida
Com aporte de US$ 420 milhões, a Helibras se torna
a terceira unidade integrada da francesa Eurocopter
Company para a fabricação deste tipo de aeronave. ➥ P22
“Nós precisamos de todos e eles também precisam
de nós”, afirma o presidente do comitê de orçamento
do emirado, Ahmed Bin Saeed al-Maktoum. ➥ P46
Henrique Manreza
A disputa por novos assinantes no
segmento de TV paga tende a se acirrar
com a entrada de operadoras de telefonia,
como Telefônica, Embratel e Oi, gerando
mais negócios também para os
programadores. “As teles trouxeram
dinamismo e muito movimento ao
mercado”, comemora Fernando Medin,
diretor-geral da Discovery Networks no
Brasil. Ele concorda que a bancarização,
com o débito automático reduzindo o risco
de inadimplência, o aumento do poder
aquisitivo da classe C e a oferta de pacotes
triple play, que reúnem TV paga, voz
e banda larga, tornam os serviços mais
atrativos, acelerando as vendas. ➥ P28
A FRASE
“Os alunos da USP
são bolsistas do povo”
João Grandino Rodas, reitor da Universidade de São Paulo, lembra
que é a sociedade quem paga a conta pelo que acontece na USP e,
por isso, todos os que estão na universidade têm uma responsabilidade
muito grande. “É preciso que as pessoas tenham consciência social”, afirma.
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 3
EDITORIAL
Leandro Ferreira
PATRÍCIA OLGA CAMARGO, ECONOMISTA DA UNESP
Finalmente uma
decisão sobre o
destino do lixo
Depois de longuíssimos — nunca é demais lembrar — 19 anos, a Câmara dos
Deputados finalmente aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
A lei, que regulamenta a forma de tratar
o lixo, ainda precisa passar pelo crivo dos
senadores. Se colocada em prática, ela
responsabiliza tanto fabricantes, comerciantes, importadores e distribuidores,
quanto consumidores e governos pelo
descarte ambientalmente correto de restos usados pela sociedade.
Aí se incluem também produtos
como eletroeletrônicos. Nesse quesito,
a demora na aprovação parece ter trazido pelo menos um benefício. Enquanto esperava, um grupo de empresas uniu-se no grupo denominado
Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre), a fim de analisar as
melhores práticas no setor. Pela quantidade de materiais tóxicos envolvidos
em sua montagem, os eletroeletrônicos
precisam de mais cuidados durante a
reciclagem, ou mesmo durante seu
descarte, do que caixas de papelão,
para manter um exemplo simples.
Algumas emendas
acrescentaram novos
temas, como o
aquecimento global
ou a inclusão social
Não que papelão e isopor, ou mesmo
restos de alimentos, deixem de ser um
problema frente à comparação. Pelo
contrário. Estima-se que o Brasil produza, diariamente, 150 mil toneladas de
lixo urbano. Cada cidadão joga fora, dia
após dia, 800 gramas de restos e ou produtos. Se mora em uma grande cidade,
desperdiça mais. O total unitário, a cada
24 horas, é de 1,2 quilo.
Dezenove anos foram suficientes
para que os políticos apresentassem 140
emendas ao projeto. Alguma mudanças
incluíram novos temas, que ganharam e
ganham importância atualmente, como
o aquecimento global e a inclusão social, nesse caso na forma dos catadores
de materiais recicláveis.
Enquanto aguardam a regulamentação, empresas como Itautec, Whirpool e
Carrefour testam propostas de reciclagem, como mostra a série de matérias
que começa na página 4. ■
Foram os bancos nacionais, e não os estrangeiros, que chegaram ao Brasil na última década,
que mais contribuíram para a modernização do sistema financeiro brasileiro. A constatação
é da economista Patrícia Olga Camargo no estudo “A evolução recente do setor bancário”. ➥ P38
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4 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
DESTAQUE MEIO AMBIENTE
Coleta de
lixo mais
moderna
no Brasil
Pacote responsabiliza empresas, cidadãos
e governo pelo destino final de rejeitos
Sílvio Ribas
[email protected]
Em tramitação há 19 anos no
Congresso Nacional, o projeto
de lei 203/91, que estabelece a
Política Nacional de Resíduos
Sólidos (PNRS), foi aprovado
este mês na Câmara dos Deputados e prevê mudanças profundas na forma de o país lidar
com os resíduos sólidos. A legislação proposta inicialmente
pelo Senado retorna agora à
Casa para sua última avaliação,
podendo consagrar a obrigação
para que fabricantes, comerciantes, importadores e distribuidores se responsabilizem
pela coleta de produtos descartados. Eles também terão de
garantir destino final adequado
a milhares de toneladas de lixo
produzidas diariamente.
O projeto que estabelece a fixação de obrigações para empresários, governos e cidadãos
no gerenciamento dos rejeitos é
de autoria do relator da comissão especial sobre a matéria,
deputado Dr. Nechar (PP-SP),
que tomou como base a redação
preparada por grupo de trabalho suprapartidário coordenado
pelo deputado Arnaldo Jardim
(PPS-SP). Segundo os parlamentares envolvidos, a demora
na tramitação do projeto acabou favorecendo a inclusão de
novos temas, muitos envolven-
A aprovação
e a sanção da lei
devem aumentar,
por exemplo,
a quantidade de
artigos eletrônicos
levada à reciclagem,
tornando o sistema
rentável e a custo
menor ao consumidor
do a discussão sobre o aquecimento global e a inclusão social, como a dos catadores de
materiais recicláveis. Foram
apresentadas 140 emendas para
serem agregadas ao projeto. “O
Brasil parte de experiências internacionais bem sucedidas
para criar um sistema ambiental e socioeconômico que faz do
lixo um gerador de negócios,
renda, empregos e sustentabilidade”, afirma Jardim.
O texto passou a responsabilizar ainda ao poder público
pelo financiamento de iniciativas ajustadas à PNRS. A aprovação e a sanção da lei devem
aumentar, por exemplo, a
quantidade de artigos eletrônicos levada à reciclagem, tornando o sistema rentável e a
custo menor ao consumidor. A
geração de lixo urbano no Brasil se aproxima de 150 mil toneladas por dia, das quais 60%
ainda são destinados a lixões.
Só 1% é incinerado, incluídos
os resíduos dos serviços de
saúde. Cada brasileiro produz
por dia em média cerca de 800
gramas de lixo, quantidade que
sobe para 1,2 quilograma nas
grandes cidades.
O único ponto de discórdia no
projeto, com crítica de especia-
listas em gestão do lixo, se refere
à incineração de resíduos. Considerada prejudicial no aspecto
ambiental e social, a queima do
lixo vem sendo proibida em vários países, sob o alerta de problemas de saúde por inalação de
fumaças tóxicas e risco de poluição na atmosfera. Grandes empresas de incineração, concentradas no Sudeste, são apontadas
como as responsáveis pelo lobby
em favor da manutenção da prática. Além disso, a chamada
“tecnologia suja” contraria projetos sociais para a coleta e reciclagem de materiais, que gera
emprego e renda para catadores.
GUERRA AO
ENTULHO
Principais itens do
projeto de lei, em
tramitação no
Congresso, que
estabelece a
Política Nacional
de Resíduos
Sólidos
Fonte: Câmara dos Deputados
CICLO DE VIDA
LOGÍSTICA REVERSA
ARTIGOS TÓXICOS
DESCARTES PROIBIDOS
Fabricantes, importadores,
distribuidores e comerciantes
passarão a ser solidariamente
responsáveis pelo ciclo de vida dos
produtos. Fica proibida a importação
de resíduos considerados perigosos
ou que causem danos ao meio
ambiente e à saúde pública
Criação do processo de recolhimento,
desmontagem (se for o caso), reciclagem e
destinação ambientalmente correta de materiais.
Para isso, empresas poderão comprar produtos ou
embalagens usados, atuar em parceria com
cooperativas de catadores e criar postos de coleta.
Se a empresa de limpeza urbana realizar a logística
reversa, o setor público deverá ser remunerado
Empresas serão obrigadas a atuar no
recolhimento dos materiais rejeitados, dando-lhes
destinação ambientalmente correta. Serão
estabelecidas medidas para receber, após o uso,
embalagens e agrotóxicos (restos e embalagens),
pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes
(resíduos e embalagens), lâmpadas fluorescentes
e aparelhos (e componentes) eletroeletrônicos
Serão proibidos lançamentos
de resíduos em praias, no mar,
rios e lagos, ou a céu aberto
sem tratamento, exceto no caso
da mineração. Ficará vedada
também a queima a céu aberto
ou em equipamentos não
licenciados
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 5
LEIA MAIS
Mesmo aprovada, lei
precisará de regulamentação.
Por enquanto, legislação
municipal e estadual de meio
ambiente rege coleta, reciclagem
e tratamentos de material.
O Carrefour cobra
para retirar eletros da
casa do cliente. A Whirlpool
fez parcerias com companhias
energéticas para tirar do
mercado geladeiras velhas.
A fabricante de PCs
Itautec reciclou 527,7
toneladas de equipamentos
no ano passado. A empresa
exporta as placas usadas
para Bélgica e Cingapura.
Eduardo Nicolau/AE
O desafio do
século XXI
Fabricantes e varejistas
de eletroeletrônicos discutem
como reciclar os produtos
Martha San Juan França
[email protected]
Centro de reciclagem de Jaguariúna:
em 2008, somente 405 municípios
faziam coleta seletiva no país
A demora na aprovação do projeto da Política Nacional de Resíduos Sólidos trouxe pelo menos
um benefício. No caso dos eletroeletrônicos, fabricantes e
grandes empresas de varejo associadas ao Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre),
como Intel, HP, Dell, Philips,
Walmart, Carrefour e Pão de
Açúcar, formaram um comitê de
trabalho voltado para estudar
iniciativas de reciclagem.
O grupo tem debatido questões relacionadas ao reaproveitamento de eletroeletrônicos e à
possibilidade de incentivos fiscais para a sua realização. Atualmente, também está para ser votada na Câmara a Medida Provisória 476/09, que concede crédito presumido do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI)
para empresas que usem resíduos
sólidos como matéria-prima na
fabricação de seus produtos. Esse
crédito só poderá ser aproveitado
na aquisição de resíduos diretamente de cooperativas de catadores de materiais recicláveis.
Manuseio diferente
Incineração polêmica
Técnicos do Ministério do Meio
Ambiente consideram a inclusão da possibilidade de incineração de lixo um fator positivo,
se for considerado o estimulo
dado à inclusão de municípios
em programas de coleta e destinação correta dos resíduos.
Atualmente, só 13% dos municípios têm aterros sanitários.
Essa é considerada a melhor solução para evitar a contaminação do lençol freático.
O senador Cícero Lucena
(PSDB-PB), um dos parlamentares mais envolvidos com o
tema, acredita que o projeto
deverá ser votado pelo Senado
antes das eleições deste ano.
Ele avalia que o texto vindo da
Câmara é “moderno, abrangente e responsável”, definindo obrigações dos governos,
cidadãos e empresários no gerenciamento do lixo. Lucena
lamenta que o lixo urbano tenha se tornado um dos grandes
gargalos para as prefeituras,
mas vê na coleta seletiva o
ponto de partida para sua solução. “Em 1994, apenas 81 municípios faziam a coleta seletiva. Em 2004, o número avançou para 237 e, em 2008, já era
de 405”, lembra. ■
O TAMANHO DA BAGUNÇA
● O Brasil gera cerca de
150 mil toneladas de lixo
urbano por dia. Delas, 60%
ainda são destinadas a lixões.
● Do total de resíduos, apenas
1% é incinerado, incluindo-se aí
resíduos de serviços de saúde.
● Apenas 13% dos municípios
do país contam com
aterros sanitários, considerados
o melhor método para
evitar a contaminação
do lençol freático.
Segundo André Vilhena, diretor
executivo do Cempre, a criação
de um comitê para discutir o reaproveitamento da sucata de material eletroeletrônico se justifica
pelas particularidades do setor.
“Trata-se de um material que necessita de manuseio diferenciado
e que exige uma tecnologia mais
complexa e cara do que aquela
usada, por exemplo, nas embalagens”, afirma. Para tratar lixo
eletroeletrônico, são necessárias
empresas especializadas com autorização de órgãos ligados ao
meio ambiente, evitando a contaminação por materiais tóxicos.
Para Vilhena, essas particularidades fazem com que cada em-
“
Trata-se de um
material que necessita
de manuseio
diferenciado, exigindo
uma tecnologia
mais complexa
e cara do que aquela
usada, por exemplo,
nas embalagens
André Vilhena,
diretor executivo do Cempre
presa de eletroeletrônicos ofereça alternativas diferentes pósconsumo. Ele cita a Philips que,
na terça-feira passada, iniciou
um programa de reciclagem de
seus produtos, estabelecendo 40
pontos de coleta em 25 cidades
de quase todos os estados do
país, em parceria com a Oxil.
Outras empresas, como a HP e a
Dell recuperam parte dos cartuchos, hardwares e baterias. E a
Whirpool investe na recuperação
de refrigeradores velhos.
Conceder incentivos fiscais
para o trabalho de logística reversa, como é chamado o retorno
desses materiais, pode ser uma
forma de reforçar a indústria de
reciclagem e aumentar os ganhos
registrados com a Lei do Bem,
que prevê benefícios fiscais a
quem desenvolve inovações tecnológicas na agregação de novas
funcionalidades ou características ao produto ou processo. O setor também discute como deve
ser feito o transporte desse material e a definição do que constitui
um produto obsoleto. “A relação
do consumidor com esse material usado é diferente do que
ocorre com os outros resíduos”,
lembra Vilhena. Assim que todas
essas questões forem definidas,
os planos de atuação serão apresentados ao governo. ■
FIM DOS LIXÕES
COLETA PÚBLICA
RECICLAGEM
INCINERAÇÃO
HISTÓRICO
Fixação de
metas para acabar
com os lixões e
para construir
aterros sanitários
destinados ao
tratamento
adequado do lixo
Outros materiais recicláveis descartados ao final da sua
vida útil deverão ser reaproveitados sob a responsabilidade
do serviço público de limpeza urbana e manejo de resíduos
sólidos. Para isso, o poder público deverá estabelecer
a coleta seletiva, implantar sistema de compostagem
(transformação de resíduos sólidos orgânicos em adubo)
e dar destino adequado a resíduos da limpeza urbana.
Catadores de baixa renda serão priorizados
Incentivos ao
investimento de artigos
recicláveis e que gerem a
menor quantidade possível
de resíduos sólidos. A
criação de cooperativas de
reciclagem será
incentivada
Possibilidade de se
permitir a prática da
incineração como forma de
eliminar os resíduos sólidos.
Medida gerou protestos de
catadores e entidades que
defendem políticas de
inclusão social
A proposta do deputado Dr. Nechar (PP-SP), aprovada quarta-feira
(dia 17) no plenário da Câmara, é fruto de amplo acordo, construído há
anos. O deputado tomou como base a redação preparada pelo grupo
de trabalho suprapartidário coordenado pelo deputado Arnaldo Jardim
(PPS-SP). Ela retoma o Projeto de Lei 203/1991, do Senado, que institui
a Política Nacional de Resíduos Sólidos, fixando obrigações aos
empresários, governos e cidadãos na gestão dos rejeitos. O texto volta
ao Senado para nova votação
6 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
DESTAQUE MEIO AMBIENTE
Investimentos no setor são tímidos
por falta de histórico jurídico
Por enquanto interessadas seguem as leis municipais e estaduais relativas ao tratamento de lixo
Paulo Liebert/AE
Fabiana Parajara
Divulgação
[email protected]
Mesmo que seja sancionada em
breve a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o assunto não está
resolvido. “Faltará ainda toda a
regulamentação para o setor. O
projeto de lei apenas abre caminho para que ela seja implementada”, diz Diógenes Del Bel, diretor da Associação Brasileira das
Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre). Ou seja, será
preciso ter regras claras para o
reaproveitamento ou descarte de
embalagens, de restos da construção civil e de eletrônicos, por
exemplo — incluindo a coleta seletiva dos produtos.
Por enquanto, o setor segue
regulado pelas leis estaduais e
municipais de meio ambiente.
Mas, segundo Del Bel, elas são
insuficientes para garantir segurança jurídica às empresas. Por
isso, diz, os investimentos não
avançam com a mesma velocidade que o volume de resíduos.
Hoje, no país, segundo dados
da entidade, quase 50% dos resíduos sólidos acabam em lixões
clandestinos. Em 2008, 160 empresas privadas atuavam legalmente no setor de tratamento,
de restos que não podem ir para
a reciclagem, movimentando
cerca de R$ 1,6 bilhão com 14,2
milhões de toneladas de resíduos tratados. A taxa anual de
crescimento dos negócios gira
em torno de 10%. “E ainda há
muito espaço para expansão. Os
investidores estão de olho no
mercado. O problema é que estamos muito atrasados, em termos legais, em relação a outros
países”, diz Del Bel. Os números
não consideram o material que
foi reciclado e, portanto, dispensou tratamento.
Maturidade
De acordo com o diretor da
Abetre, atualmente os modelos
jurídicos para o segmento vêm
da Europa. Em países como
Holanda, França e Alemanha,
há metas obrigatórias, tanto
para empresas quanto para o
consumidor, sobre o descarte.
Elas envolvem desde o pagamento de taxas, no ato da compra, até créditos dados ao cliente pela reciclagem dos produtos. “No Reino Unido, apenas
no setor de eletrônicos, há entre 300 e 350 companhias que
prestam serviço nessa área,
dando o destino adequado para
os equipamentos”, diz Del Bel.
“No Brasil, são cerca de dez.”
O setor ainda teria espaço
para crescer prestando serviços
para órgãos públicos, mas esbarra sempre em questões como
Diógenes Del Bel
Diretor da Abetre
“Há muito espaço ainda
para esse mercado crescer.
Os investidores estão de
olho nele. O problema é que
estamos muito atrasados,
em termos legais,
em relação a outros países”
orçamento e falta de regras jurídicas claras para atuar neste
segmento. Várias cidades brasileiras mantêm seus próprios
aterros e incineradores. Quanto
às indústrias e às grandes obras
de construção civil, Del Bel afirma que a maioria administra
adequadamente as sobras de
seus processos.
Segundo dados da associação,
apenas 50% dos resíduos sólidos têm
tratamento adequado no Brasil
Plástico, alumínio e aço para reciclagem têm mercado estruturado
Lixões clandestinos
Hoje, pelos dados da Abetre, os
resíduos urbanos somam 53 milhões de toneladas por ano.
Deste total, 12% nem chegam a
ser coletados. Outros 40% acabam em locais que funcionam
clandestinamente. Qualquer regulamentação para o setor terá
de abordar o tema, com normas
para recuperar esses locais.
“Ainda não temos nada no país
como a Superfund, dos Estados
Unidos, uma legislação específica, feita para evitar problemas
como esses”, diz Del Bel. ■
A reciclagem de materiais passou
por grande avanço nos últimos
anos no Brasil. O maior exemplo é
o das embalagens longa vida, que
hoje servem como matéria-prima
para diversas finalidades. Depois
de triadas nas cooperativas
de catadores, as fibras de papel
são empregadas pela indústria
para caixas de papelão, o plástico
unido ao alumínio tanto pode
servir para a fabricação de
telhas e placas, como para peças
plásticas, como potes, canetas
e brindes. Quando separados,
os dois materiais servem para
diversas aplicações específicas.
O mesmo ocorre com o plástico
reciclado das garrafas PET,
utilizado principalmente para a
produção de fibras de poliéster
pela indústria têxtil, servindo
para fios de costura, forrações,
tapetes, carpetes e mantas.
O material é também usado em
roupas, e em cordas e cerdas
de escovas, além de chapas para
boxes de banheiro, placas de
trânsito e tubos para redes de
esgoto. Quando reprocessadas,
podem se transformar em novas
garrafas e fornecer matéria-prima
para resinas, tintas e adesivos.
A indústria automobilística,
de modo geral, investe no
reaproveitamento da matériaprima. Os modelos nacionais
têm em média 85% de material
reciclável. Há várias experiências
de utilização de plástico para
os painéis feitos da carcaça
de computadores e estofamentos
e carpetes desenvolvidos com
resíduos de PET e bagaço de cana.
Martha San Juan França
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8 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
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10 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
DESTAQUE MEIO AMBIENTE
Empresas reciclam eletrodomésticos
Carrefour lança serviço de recolhimento de eletros e Whirlpool tem parceria com companhia energética para
Cintia Esteves
[email protected]
Varejistas e fabricantes, pelo
menos por enquanto, não são
obrigados a reciclar eletroeletrônicos e eletrodomésticos,
mas algumas empresas estão se
preparando para um futuro que
julgam inevitável: o envolvimento de toda a cadeia na busca
da sustentabilidade. Na segunda
quinzena de fevereiro, o Carrefour lançou o programa Descarte Certo. Por ele, a rede de supermercados se compromete a
retirar eletros usados da casa do
cliente e dar um fim ecologicamente correto para eles.
Os produtos são coletados por
uma companhia especializada
em reciclagem. A empresa não é
paga pelo Carrefour para prestar
o serviço. Sua receita sai dos
produtos que são reciclados. A
solicitação do serviço pode ser
feita por um consumidor que tenha ou não comprado algo no
Carrefour. Até o início de março
o varejista, que cobra de R$ 3,90
(cartucho de tinta de impressora) a R$ 152,90 (geladeira ou
freezer) por um chamado, havia
registrado 550 pedidos, o que lhe
gerou uma receita de R$ 7 mil.
“Mesmo assim não temos lucro com a operação”, diz Fabio
Regis, diretor de eletros do Carrefour. “Temos que pagar comissões para os vendedores,
além de arcar com todos os custos de divulgação do progra-
FÁBIO REGIS, DIRETOR DE ELETROS DO CARREFOUR
ma”, diz. O executivo afirma
que 90% das vendas do serviços
acontecem nas próprias lojas. O
restante chega através do site
especialmente criado para o
programa. A meta do executivo
é fazer com que o Descarte Certo, em um prazo de 12 a 24 meses, corresponda por 10% das
vendas do varejista (considerando-se apenas as categorias
listadas no programa), o que
deve gerar entre 3 mil e 5 mil
pedidos de descartes por mês.
Mas será que este crescimento é realmente possível? O consumidor estaria disposto a pagar
mais de R$ 150 para se ver livre
de uma geladeira usada? Ou desembolsar R$ 50,90 para dar um
fim ecologicamente correto a
No Carrefour, o
foco do programa
de reciclagem de
eletros são as classes
mais abastadas.
Para dar um fim
ecologicamente
correto a um produto,
a empresa cobra de
R$ 3,90 a R$ 152,90,
dependendo do item
um aparelho de DVD? Para Regis, não há dúvidas de que a resposta para estas perguntas seja
“sim”. No entanto, ele admite
que o maior foco do programa
são as classes mais abastadas.
“Do total de descartes vendidos nas lojas, 79% é comprado
por clientes que adquiriram algum eletro novo no Carrefour”,
diz Regis. “O valor de R$ 152,90
é referente ao descarte de uma
geladeira de grande porte. O
cliente que tem um eletrodoméstico desse tipo provavelmente vai comprar outro do
mesmo nível ou melhor. O valor
de R$ 152,90 por um descarte
não é muito significativo para
esse cliente”, acredita.
A estratégia da Whirlpool,
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 11
por conta própria
vender geladeiras novas e reciclar as antigas
fabricante de produtos de linha
branca das marcas Consul e
Brastemp, foi fazer parcerias
com algumas companhias distribuidoras de energia elétrica,
entre elas a CPFL. Por lei, estas
empresas são obrigadas a investir 0,5% da receita em ações de
combate ao desperdício de
energia em seus estados.
Onde entra a Whirlpool? A
fabricante vende refrigeradores
para as companhias como se fosse uma negociação tradicional
com o varejo. Quando a geladeira
é entregue na casa da família privilegiada pelo programa, a
Whirlpool aproveita para retirar
o refrigerador antigo. O produto
é levado para o centro de reciclagem da fabricante, em Joinville
(SC). Lá, tudo que pode reciclado
é reaproveitado. Materiais como
plástico, alumínio e cobre são
vendidos para as indústrias correspondentes. “É um modelo de
negócio do futuro. Olhando as
empresas do ponto de vista da
sustentabilidade, não há como
agir diferente”, diz Armando do
Valle Júnior, diretor de relações
institucionais da Whirlpool. ■
PASSOS LENTOS
CLASSE A
Mil
R$ 152,90
toneladas de resíduos foi
o total reciclado pela Whirpool
em 2009. O número parece
imponente, mas atualmente
a fabricante consegue
reciclar apenas 1% do total
de produtos que vende.
é o valor cobrado pelo
Carrefour para retirar
da casa do cliente uma
geladeira usada de grande
porte. O produto é levado
para reciclagem por
uma empresa parceira.
Henrique Manreza
Nem sempre as tentativas
do varejo dão certo. Há
cerca de dois anos, o
Carrefour tentou recolher
impressoras usadas,
oferecendo descontos para
clientes na compra de uma
nova. O projeto não vingou.
O supermercadista
descobriu que existiam
poucas empresas no
mercado especializadas
no correto processo de
reciclagem. Além disso,
as impressoras usadas
começaram a ocupar muito
espaço das lojas. “No
varejo, espaço é dinheiro”,
diz Fábio Regis, diretor de
eletros do Carrefour. Como
se não bastassem essas
dificuldades, alguns clientes
se recusavam a entregar
a impressora antiga.
Nem todos querem
revelar números
Quando o assunto é reciclagem,
algumas empresas, tanto
varejistas quanto indústrias, são
avessas a revelar números exatos
acerca da quantidade de produtos
reciclados ou do investimento
destinado para esse tipo de
operação. Um dos temores
é que empresas de reciclagem
tenham acesso a estes números,
o que pode dificultar possíveis
negociações. A Whirlpool é um
exemplo. A empresa mantém um
centro de reciclagem em Joinville
(SC) e pensa em terceirizar o
serviço conforme a quantidade
de produtos a serem reciclados
aumentar. “Se um dia passarmos
a fazer esta terceirização, não
gostaríamos que as empresas de
reciclagem tivessem acesso aos
nossos números. Isto poderia
tornar os serviços mais caros”,
diz Armando do Valle Júnior,
diretor de relações institucionais
da Whirlpool. Mas se as empresas
são reticentes, entidades
filantrópicas como o Exército
de Salvação não têm o que
esconder. Segundo Dirceu Lemos,
administrador do programa da
entidade, o Exército de Salvação
recolhe, por dia, cerca de
25 geladeiras na cidade de
São Paulo e outras 12 na do Rio.
Deste total, um terço é levado
para a assistência técnica e o
restante é vendido para empresas
de reciclagem. Na entidade,
somente produtos de linha branca
são aceitos com defeito. C.E.
Itautec exporta placas de PCs usados
Venda de componentes
cobre 56% dos gastos
com o programa de
reciclagem da fabricante
Carolina Pereira
[email protected]
Livrar-se de um computador
usado se tornou em alguns casos
um processo fácil e barato para o
consumidor. Fabricantes como
Itautec, HP e Dell, por exemplo,
mantém programas de reciclagem
em e não cobram nada por isso.
Os próximos passos da indústria
são diminuir os gastos com logística e até começar a lucrar com a
venda de componentes.
A Itautec, por exemplo,
consegue fazer isso em parte.
Hoje, 56% de seus programas
de reciclagem no Brasil, que
incluem coleta de equipamento e direcionamento para centros de desmontagem, são pagos com a comercialização de
componentes usados. Segundo
João Carlos Redondo, gerente
de sustentabilidade da empresa, a fatia paga dessa forma era
de 70% em 2008, mas reduziu-se por conta da derrubada
nos preços da sucata, uma desvalorização gerada pela crise.
O volume, no entanto, aumentou de um ano para outro.
Foram 527,7 toneladas de equi-
HP quer incentivar
o retorno de produtos
pelos próprios
usuários, a fim
de reduzir os custos
com transporte
no processo
de reciclagem
pamentos reciclados em 2009,
crescimento de 13% em relação a 2008. A expectativa é de
que, quando o volume atingir
700 toneladas, 100% do processo será custeado pela venda
dos componentes. A partir daí,
o programa deve gerar lucros.
A exportação de placas faz
parte das fontes de receita vindas do processo de reciclagem.
Esses componentes, que correspondem a 12% do material
dos computadores de mesa e
8% dos notebooks, são enviados para Cingapura e Bélgica,
onde são reciclados e voltam
para a cadeia produtiva. No
Brasil, não existem parceiros
homologados pela empresa
para esse serviço.
Segundo Kami Saidi, diretor
de operações para o Mercosul e
também responsável pelo Programa Integrado de Sustentabilidade Ambiental da HP Brasil,
a logística para recolher os
computadores é um processo
muito custoso. “Não vejo uma
equação em que a venda dos resíduos compense esses gastos.
Nosso objetivo é gastar menos
com logística, integrando-a ao
modelo de negócio”, diz. A empresa também aposta na logística colaborativa, que é a entrega voluntária de equipamentos
usados pelos clientes. ■
12 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
BRASIL
São Paulo investe
em pesquisa para
atrair investimento
Alckmin: aposta em formação, pesquisa e capacitação
para manter expansão da economia
Governo aposta na modernização do IPT e ampliação das Fatecs
e Etecs para colocar estado na vanguarda da inovação do país
Elaine Cotta
[email protected]
Investimento em pesquisa. Essa
é a aposta do governo de São
Paulo para ampliar o potencial
de crescimento e melhorar a
competividade do estado. E o
Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) tem sido um dos
principais beneficiados dessa
investida. No ano passado, foram aplicados R$ 49 milhões na
compra de equipamentos e em
modernização do instituto. Em
2010, serão outros R$ 25 milhões. “A intenção é fazer com
que o IPT ajude São Paulo a se
transformar no principal centro
de pesquisa e inovação do país”,
afirmou o secretario de Desenvolvimento do governo do Estado, Geraldo Alckmin, em entrevista ao BRASIL ECONÔMICO. Além
dos investimentos já programados, o IPT vai ganhar, ainda este
ano, um prédio destinado a pesquisas na área de biotecnologia,
tecnologia de partículas e metrologia, que receberá R$ 46 milhões em investimentos.
A lista de desembolsos do estado para a área de pesquisa e
formação de mão de obra especializada prevê ainda um investimento de R$ 27 milhões para a
construção de um laboratório
de estruturas leves no Parque
Tecnológico de São José dos
Campos, e outro, de R$ 110 milhões, para erguer um Centro de
Desenvolvimento e Gaseificação
de Biomassa no Parque Tecnológico de Piracicaba. “Essa é a
vocação de São Paulo”, diz
Alckmin. “Os parques tecnológicos são o exemplo ideal de
onde podemos unir academia e
o setor privado para fazer pesquisa e é isso que queremos incentivar.” Os parques, que
costumam estar vinculados a
alguma instituição de ensino e
pesquisa como as universidades
ajudam a melhorar a competitividade das chamadas vocações
regionais - a indústria aeronaútica de São José dos Campos é
um dos exemplos.
“
Aposta na educação
Queremos incentivar
a pesquisa e uma
troca maior entre
a academia e o setor
produtivo. Esta é a
vocação de São Paulo:
ser o centro de
pesquisa, inovação
e desenvolvimento
de todo o país
Geraldo Alckmin,
secretário de Desenvolvimento
E é em São José dos Campos que
está um dos parques tecnológicos mais atuantes do estado.
Nele, existe uma Faculdade de
Tecnologia (Fatec), com 860
alunos, uma incubadora de empresas e o Centro de Competitividade e Inovação (Cecompi).
Há ainda o Centro de Desenvolvimento de Tecnologias Aeronáuticas — que funciona com
apoio da Embraer, que desenvolve pesquisas em parceria
com o IPT e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). “O
índice de empregabilidade das
Fatecs, de ensino superior, é de
93%”, diz Alckimin. E algo parecido com o que acontece nas
Escolas Técnicas (Etecs), onde a
empregabilidade é de 73%, garante o secretário. Ambas são
administradas pelo Centro Paula Souza, considerado a maior
rede de ensino tecnológico do
país, presente em 138 cidades.
A mais recente unidade da
rede foi inaugurada na semana
passada. A Fatec de Bauru está
localizada num prédio de 5 mil
metros quadrados, com três andares, 14 salas de aula e oito laboratórios. Dentro da área vai
funcionar também uma Etec. “As
Etecs são escolas em tempo integral”, lembra Alckmin. Há 183
delas no estado, com 153 mil alunos e 92 cursos, que se dividem
entre os setores primário(que
conta com escolas agrícolas), industrial (com aulas de mecatrônica) e serviços, onde entram
desde cursos de contabilidade e
administração, até turismo e hotelaria. “A escolha dos cursos que
serão oferecidos depende da vocação da cidade ou da região
onde a unidade será instalada”,
diz Alckmin. Assim como São
José dos Campos faz pesquisa aeronáutica, Campinas tem um
centro para estudos de Tecnologia da Informação e Santos, no
litoral paulista, uma área de capacitação de pesquisa para o setor de petróleo e gás. “Sem formar pessoas e talentos não sairemos do lugar”, diz Alckmin. ■
Cena eleitoral
Alckmin lidera pesquisas
e Ciro ainda não define se
concorre ao cargo de governador
Marina Gomara e Elaine Cotta
[email protected]
O ‘disse-me-disse’ nos círculos
políticos rola solto enquanto
não são oficializadas as principais candidaturas às eleições
deste ano: à Presidência e aos
governos estaduais. Há, contudo, algumas indicações sobre os
rumos do governo paulista.
Com as recentes críticas do deputado federal e provável can-
didato à Presidência pelo PSB,
Ciro Gomes, às lideranças do PT,
a aliança entre os dois partidos
no estado não deve mesmo ir
adiante. “As declarações do Ciro
nos obrigou a romper esse processo de construção de uma
candidatura unificada. Até pedimos que ele reconsiderasse
sua posição publicamente, mas,
agora, não tem clima. Começamos a pensar em um nome a
propor. E o que mais cresceu foi
do Mercadante (senador Aloizio
Mercadante)”, explicou o presidente do PT no estado, Edinho
Silva. Segundo ele, o PT nunca
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 13
Divulgação
Vacinação contra gripe A chega à 2ª etapa
Começa hoje a segunda etapa da campanha nacional de vacinação contra
gripe A (H1N1). Até 2 de abril, gestantes, crianças de seis meses a dois
anos e doentes crônicos (exceto idosos) receberão as doses da vacina.
A meta do ministério da Saúde é umunizar pelo menos 80% do público
esperado de 20,3 milhões. A campanha terá mais três fases: para
a pessoas de 20 a 29 anos, de 3 a 23 de abril; para idosos, de 24 de abril
a 5 de maio, e população de 30 a 39 anos, de 10 a 21 de maio.
AGENDA DO DIA
● O MDIC anuncia o saldo
da Balança Comercial
da terceira semana de março.
● O BCB divulga o resultado das
contas externas nacionais e as
projeções econômicas dos bancos.
● A FGV publica a prévia da
inflação pelo IGP-M.
Antonio Milena
INVESTIMENTOS
R$
46 mi
é quanto será destinado para
a construção do prédio onde
serão realizadas as pesquisas de
biotecnologia e metrologia do
Instituto de Pesquisas Tecnológicas.
R$
27 mi
é quanto o governo investirá na
construção de um laboratório
para pesquisar estruturas leves
no Parque Tecnológico da cidade
de São José dos Campos.
R$ 110 mi
é o valor do investimento previsto
para erguer um Centro de
Desenvolvimento e Gaseificação
de Biomassa no Parque
Tecnológico de Piracicaba
PONTOS FORTES
● O índice de empregabilidade
dos alunos que se formam
nas Fatecs é de 93%. Nas Etecs
chega a 73%, diz o governo.
● Existem 183 Etecs em
138 municípios do estado de
São Paulo. Ao todo, há 153 mil
alunos e 92 tipos de cursos.
● Já as Faculdades de Tecnologia
(Fatecs) têm 40 mil alunos
matriculados e oferecem 47
cursos em 46 cidades do estado.
paulista ainda está indefinida
havia estado tão unido em torno
de uma candidatura no estado
quanto a de Ciro Gomes.
Porém, o deputado federal não
esconde que ele postula mesmo a
candidatura à presidência, e não
tem planos firmes para o governo
de São Paulo. Mas tudo vai depender de uma conversa que Ciro
Gomes terá com o presidente
Lula, provavelmente no mês que
vem. “O presidente Lula é a palavra final, o Ciro ouve muito o presidente, eles se gostam muito.
Então, pode ser que o Lula tente
dissuadi-lo de disputar a presidência”, comentou uma fonte
Fábio Feldman
é o candidato
do PV e Paulo Skaf
deve mesmo
assumir a
vaga no PSB
próxima ao candidato. Na avaliação de Ciro, se concorrer, ele
conseguirá levar a eleição para o
segundo turno, o que pode favorecer a candidata Dilma Rousseff.
Concorrer ao mais alto cargo público do país — por mais que as
chances de vitória sejam pequenas — também fortalece o partido e dá poder político a Ciro.
Assim, a candidatura do PSB ao
governo de São Paulo deve ir mesmo para o atual presidente da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.
No PV, a escolha do nome ao
governo do Estado está pratica-
mente definido. De acordo com
Alfredo Sirkis, que é um dos
fundadores do partido e o coordenador de campanha da précandidata à presidência, Marina
Silva, o nome ao governo de São
Paulo é o do ex-deputado federal Fábio Feldman — preferido
da ex-ministra do Meio Ambiente. Mas para oficializar a
candidatura, segundo Sirkis, só
depende-se, agora, da aceitação
oficial de Feldman, o que deve
acontecer em breve.
No PSDB, o anúncio depende
da escolha do candidato à presidente. Enquanto o governador
José Serra não anuncia oficialmente que é candidato ao Planalto- embora tenha admitido o
fato em entrevista à TV Bandeirantes na sexta — ninguém no
partido se posiciona. Quando
perguntado sobre a campanha
em São Paulo, o ex-governador
Geraldo Alckmin desconversa e
diz que “cargo público executivo não é uma decisão pessoal,
mas coletiva”. Mas não esconde
a felicidade em ser apontado
como um dos favoritos nas pesquisas no estado. “Fico feliz e
agradeço muito à população de
São Paulo”, diz. ■
14 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
BRASIL
Divulgação
COMÉRCIO EXTERIOR
DE OLHO
Delegação brasileira vai a Peru e
Bogotá para reunião com empresários
Interesse de britânicos em investir no
Brasil é reforçado nas visitas, diz cônsul
Uma delegação brasileira com representantes do governo e mais de
40 empresários visitam Lima, no Peru e Bogotá, na Colômbia, de hoje
até o dia 25, para discutir o comércio entre os países e participar de
reuniões empresariais. O grupo será chefiado pelo secretário-executivo
do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC),
Ivan Ramalho. A missão é organizada pelo MDIC e pela Apex- Brasil.
As observações mais comuns que o cônsul geral britânico Martin Raven
ouve dos empresários britânicos que vem ao Brasil é “eu não tinha ideia”
e “vou voltar”. Eles querem confirmar o status brasileiro como mercado
estável e forte onde se pode investir com segurança, com presença
de longo prazo. Raven, que está deixando o Brasil depois de três anos,
será sucedido por John Doddrell, que chega ao país na semana que vem.
Henrique Manreza
ENTREVISTA EDUARDO GIANNETTI Economista
Estado tem
de ser forte
mas enxuto,
diz Giannetti
Para economista, o Brasil vive uma fase
‘getulista’ com benesses do governo
Elaine Cotta
[email protected]
Eduardo Giannetti é economista
e filósofo. Também é autor de livros como Auto-engano, Felicidade e Vícios privados, benefícios públicos. Na semana passada, ele recebeu o BRASIL ECONÔMICO em sua casa, na zona
oeste de São Paulo. Na conversa
que durou quase uma hora,
Giannetti criticou o aumento da
intervenção do governo na economia e diz que o crescimento
baseado só no consumo não é
sustentável no longo prazo.
O Brasil se auto engana
quando acredita que é a bola
da vez da economia mundial?
O Brasil esteve na situação de
bola da vez em várias ocasiões e
num passado não muito remoto.
O que não podemos é ser complacentes e achar que isso por si
só vai revolver nossos problemas. Vamos ver se desta vez o
país amadureceu ao ponto de tirar proveito da oportunidade
que o mundo está nos dando.
O Brasil soube aproveitar o bom
momento anterior à crise?
Em parte. O Brasil não acompanhou o ritmo de crescimento dos
países emergentes mais dinâmicos, mas tirou um excelente proveito para fazer um ajuste profundo das contas externas, o que
permitiu atravessar a crise com
custo relativamente baixo.
A infraestrutura deficiente
é o que nos impede crescer?
É mais que isso. O Brasil tem dois
problemas: baixa taxa de poupança e de investimento. Sem
“
Ser bola da vez
por si só não resolve
nossos problemas.
Já tivemos esse
status em várias
ocasiões e num
passado não
muito remoto
melhorar o ambiente de negócios, vamos continuar com um
crescimento menor do que o
que gostaríamos de ter.
Crescer baseado em consumo
e aumento de gastos é viável?
O Brasil quer fazer coisas demais
ao mesmo tempo: quer aumentar
o consumo, o investimento e o
gasto do governo. Essa conta não
fecha. Isso tem que ser contido.
Você concorda com a ideia de
de é preciso ter Estado forte?
Eu defendo um Estado forte, porém enxuto. O que temos hoje é
um Estado que faz muitas coisas
que não deveria fazer e que se
omite de coisas que seriam obrigação imprescindível.
Por exemplo.
Educação, saúde, saneamento e
segurança pública. No Brasil 40%
das domicílios não tem saneamento. Deveríamos pensar nisso
antes de investir em submarinos
Giannetti, na biblioteca da sua casa:
prioridades invertidas no governo
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 15
Jerome Favre/Bloomberg
PUNIÇÃO
EXPORTAÇÕES
Projeto prevê ressarcimento de verba
usada indevidamente por deputados
China deve retomar posto de maior mercado
consumidor brasileiro este ano, diz AEB
Em processo de votação pela Mesa Diretora da Câmara, projeto
de lei prevê o ressarcimento de verba utilizada de forma irregular
ou do recebimento de vantagem indevida por parte dos deputados.
Além disso, amplia de um para seis meses o período de suspensão de
mandato de um parlamentar. A proposta altera o Código de Ética dos
Deputados e o funcionamento do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.
A China deverá recuperar novamente a liderança como destino das
exportações mensais do país nos próximos meses, após perder o posto
para os EUA desde outubro do ano passado, acredita o vice-presidente
da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto
de Castro. Para ele, o mercado americano não acompanhará o aumento
esperado de 11% para as vendas externas brasileiras este ano.
atômicos. Será que o Tesouro
precisa mesmo se endividar para
depois empresar ao BNDES para
que ele financia grandes empresas que têm acesso a outras fontes
de financiamento? O Tesouro se
endivida pagando mais do que a
Selic (8,75%) e o BNDES cobra
TJLP (de 6%). Essa é mesmo a
nossa prioridade? Temos desafios que não são ideológicos,
mas civilizatórios. O governo
Lula, no segundo mandato, descobriu uma maneira de aumentar
gastos sem que isso se reflita nas
contas orçamentárias. É o Tesouro financiamento o BNDES, que
por sua vez empresta aos amigos
do rei - o setor privado. O que inclusive do ponto de vista político
também é muito questionável.
Por quê?
Porque esses grupos ficam de
certa maneira amarrados ao esquema de poder, é um esquema
“getulista”. O governo Lula, no
“
O governo Lula,
em seu segundo
mandato, se parece
cada vez mais com
o modelo getulista,
de fazer benesses com
o dinheiro público
por transferência de
renda e aos grandes
grupos empresariais,
usando banco estatal
segundo mandato, cada vez mais
se parece com o modelo getulista
de fazer benesses com o dinheiro
público via transferência de renda à população de baixa renda e
aos grandes grupos empresariais,
usando para o banco estatal.
É um retrocesso?
Não é saudável para o país que
nós desejamos no futuro. Eu não
gostaria de imaginar um país no
qual tudo depende de decisões
políticas do governo.
Há o risco de virarmos
o México, que ficou 60 anos
sob o comando de um único
partido que trazia na “rédea
curta” o setor empresarial?
Esse fantasma paira na minha visão de futuro brasileiro. O Raul
Velloso fez uma conta que me
preocupa. Em qualquer sociedade existem os cidadãos que vivem
das trocas voluntárias de trabalho e os que dependem da trans-
ferência de recursos do governoQual é o tamanho desses dois
segmentos no Brasil? Há 120 milhões de cidadãos brasileiros que
dependem de transferência de
dinheiro do governo (incluindo o
funcionalismo público, dependentes da Previdência, e pensionistas, além dos beneficiários dos
programas sociais). Ou seja, 62%
da população tem algum grau de
dependência com o pagamento
de recursos que não resultam do
que seria normal numa economia
de mercado, que são as trocas voluntárias. No curto prazo isso
pode trazer certo conforto. Mas
nós não estamos construindo, no
meu entendimento, um país saudável para o futuro.
Programas como o Bolsa
Família deveriam ser extintos?
Não é errado ter programas como
esse. Em qualquer sociedade
minimamente civilizada existe
algum mecanismo de proteção
para famílias que vivem privação material. Ninguém em sã
consciência pode discordar disso. O que me preocupa é quando
isso se torna um modo de vida.
Não entendo que se comemore
quando mais 1 milhão de brasileiros passam a integrar o Bolsa
Família. Isso deveria ser preocupante. Por que 50 milhões de
brasileiros precisam de aporte
de renda do governo? O objeto
de comemoração, no país em
que eu sonho viver, é a saída de
1 milhão de pessoas do Bolsa Família porque passaram a viver
dignamente do seu trabalho.
A lógica está invertida?
Está invertida. O Brasil é uma
economia fora do padrão porque
é muito mais estatizada do que
deveria. Hoje, 40% da renda nacional transita pelo setor público
e por isso a distribuição de renda
é o que é. O estado concentra
renda e isso tem de mudar. ■
16 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
OPINIÃO
Sergio Vale
Rodrigo C. A. Lima
Economista-chefe da MB Associados
Gerente-geral do Instituto de
Estudos do Comércio e
Negociações Internacionais (Icone)
Classe média em 2016
Taxa para produzir
A divulgação do PIB de 2009 trouxe de volta a questão
da sustentabilidade do crescimento para os próximos
anos. Como tenho escrito neste espaço, não é factível
acreditar na manutenção do ritmo de expansão em
6%, como é o esperado para este ano. Mas também não
acreditamos que a economia esteja fadada a ver seu
crescimento despencar. O patamar médio de expansão
subiu e quando falamos em desaceleração em 2011 é
para 4,5%, e não 0% como no passado.
Dito isso, seria interessante analisar as outras consequências de uma expansão que se mantém num patamar mínimo elevado. A mais importante delas é
que a classe média deve continuar crescendo. Projetamos a evolução das classes de renda para os próximos anos e a principal conclusão é que a classe média
deve se tornar preponderante na economia brasileira
nos próximos anos. É importante ressaltar isso, pois,
apesar da visão de recuperação da classe média nos
últimos anos, as classes D e E ainda são as maiores, ou
seja, o Brasil ainda é um país de renda média baixa
em que o maior número de famílias se encontra nas
classes mais baixas. Cerca de 60% do total de famílias
ainda se encontra nessas faixas mais baixas enquanto
30% faz parte da classe média, entendida aqui como
aquelas famílias que ganham entre 3 e 10 salários mínimos por mês. Nas nossas projeções, apenas em 2016
a classe média deve se tornar majoritária no país. Ao
mesmo tempo, vale notar a expansão da classe B
também, que reflete aquela parcela da população em
ascensão da classe média.
Em valores, essa classe média terá um poder de
compra considerável até 2016. Hoje na casa dos R$ 600
bilhões, chegará a pouco mais de R$ 1,4 trilhão em
2016. Em valores, a classe média é a maior do país de
fato, com a possibilidade da classe B ultrapassar a classe D/E em massa real de renda já em 2012.
Comportamento semelhante se percebe na participação do total da massa real de renda da classe média, que deve chegar a quase 47% do total da renda
em 2016, com queda contínua da participação das
classes D e E, que também deverá ser ultrapassada
pela classe B nos próximos anos.
Imagine que os produtores de alimentos no Brasil e no
mundo teriam que pagar uma taxa para poder plantar,
criar frangos e bois de corte. A ideia é cobrar pelo acesso aos recursos genéticos — cana, soja, bovinos, suínos, frangos — uma vez que são originários de outros
países, e proteger o conhecimento de populações indígenas e tradicionais sobre recursos da biodiversidade.
Esse assunto não é peça de ficção. Pelo contrário, é
objeto de intensas negociações na Convenção sobre
Diversidade Biológica (CDB), que terá reuniões no final
de março e em outubro, quando se espera adotar um
regime internacional para regular o acesso a recursos
genéticos e promover a divisão de seus benefícios.
Estima-se que apenas 10% da biodiversidade do
bioma Amazônia seja conhecida. Conservar recursos
genéticos de valor potencial ainda desconhecido e
proteger o conhecimento de uma tribo indígena sobre
recursos da biodiversidade é essencial. Mas é preciso
taxar os recursos genéticos alimentares para tanto?
Não existe uma metodologia para calcular esse “direito de produzir”, mas uma breve simulação indica
números bastante elevados.
Em 2016, a classe média deverá se
tornar majoritária no país.Terá um
poder de compra de R$ 1,4 trilhão,
ante os R$ 600 bilhões de hoje
É interessante observar as implicações políticas e
econômicas desses valores. Apesar da muito falada
força de opinião da classe média ela é válida apenas
em termos de poder de compra. Mas quando se considera a quantidade de pessoas ela ainda é metade
do que são as classes mais baixas. Em outras palavras, o fato de termos uma classe baixa ainda majoritária favorece politicamente o governo atual, que
obteve sucesso no aumento de renda dessa parcela
da população nos últimos anos com o Bolsa Família
e o salário mínimo. É um capital não trivial para a
candidatura governista, que dificulta ainda mais a
situação da oposição. Por outro lado, o potencial
econômico desse crescimento adicional da classe
média não é trivial e será percebido principalmente
no setor da construção, que deve ser o carro-chefe
do crescimento nos próximos anos. ■
Imagine se produtos lácteos, frutas
e carnes tiverem de pagar esse tributo.
Fatalmente os custos de produção
e o preço dos alimentos irão subir
Tomando como base o valor de mercado da soja
em grão, do açúcar e do etanol produzidos em 2009,
e descontando 1% a título de taxa (repartição de benefícios), o valor devido seria de US$ 447 milhões/ano. Considerando somente o total exportado
de carne bovina, suína e de frangos em 2009, essa
taxa chegaria a US$ 111 milhões/ano, sem considerar o consumo interno.
Se o farelo de soja produzido em 2009 também for
considerado, geraria uma taxa de US$ 81 milhões/ano.
Existe uma proposta para que os produtos derivados
entrem nesse regime, o que elevaria exponencialmente
esse número para mais de US$ 558 milhões/ano, considerando somente o caso da cana, soja e carnes.
Imagine se produtos lácteos, frutas, carnes, bioplásticos, dentre inúmeros produtos agrícolas tiverem
que pagar essa taxa. Fatalmente os custos de produção
e o preço dos alimentos irão subir, impactando ainda
as pesquisas de novas variedades mais produtivas.
Vale lembrar que a cana-de-açúcar, originária do
sudeste asiático há milhares de anos antes de Cristo,
chegou ao Brasil em 1516 com os portugueses. A soja,
oriunda da China, chegou ao Brasil em 1882, vinda
dos Estados Unidos. Em 1874, os primeiros bovinos
da raça Ongole, de origem indiana, foram trazidos
para o Brasil e mais tarde, após muita pesquisa, originaram a raça Nelore. Trata-se de recursos genéticos
há muito tempo utilizados e aprimorados.
O que se pretende com esse regime é conservar a biodiversidade e proteger o conhecimento das populações
indígenas e locais. A resposta parece óbvia, mas cabe
perguntar se para proteger esses recursos é preciso taxar
do mesmo modo recursos genéticos alimentares, que
são utilizados há milhares de anos? Espero que o Brasil
participe ativamente dessas negociações, buscando
sempre proteger sua biodiversidade, mas também seu
potencial agrícola, tão invejado mundo afora. ■
CARTAS
PATUSCADA INTERNACIONAL —
ARTIGO DE ROBERTO FREIRE
O articulista não está considerando
o protagonismo que o Brasil alcançou com
o sucesso econômico e a projeção política
do governo do presidente Lula. Hoje nosso
país saiu da periferia das relações internacionais,
e ao abandonar as posições subservientes
e muristas típicas da nossa diplomacia da
abstenção finca posições mais claras em
todos os campos, o que incomoda alguns e chama
muitos para o diálogo. O sucesso da visita de
Lula ao Oriente Médio, apontado pela mídia e
analistas internacionais, revela o respeito pelas
posições nacionais, mesmo que polêmicas.
Jonatan Xavier
Campinas (SP)
EIKE BATISTA E A OFERTA DA OSX —
ARTIGO DE DARCIO OLIVEIRA
Eike Batista é um claro exemplo de renovação
da classe empresarial brasileira. Digo isso porque
vivo aqui em Portugal há 10 anos e tudo o que
vejo é falta de coragem e de apetite para arriscar.
Isso mesmo: risco! Se o empreendedor for
atuar com cautela, então deve aumentar a fila
de falências quando o assunto é oportunidade.
Crises, época de baixa na bolsa, etc. Tudo isso é
combustível para pessoas como Eike, que sabem
como fazer essas contrapartidas se tornarem
lucros, nem que tenham que criar um império
para provar isso aos derrotados de plantão.
Denis Peterson Nunes
Portugal
Eike tem um bom pedigree, pois é filho de Elieser
Batista, ex-ministro do presidente deposto
João Goulart e ex-presidente da Vale de Castello
Branco, que depôs João Goulart. Em outras
palavras, a competência de seu pai lhe permitiu
transitar entre dois regimes políticos opostos.
Luiz
Porto Alegre (RS)
Será a fortuna do Eike virtual? Afinal, as
empresas Xs são virtuais, ou alguém já ouviu
falar em petróleo produzido pela OGX?
Marcelo
Rio de Janeiro (RJ)
PRODUÇÃO DE VEÍCULOS NO BRASIL
SOBE 2,8% EM FEVEREIRO
O Brasil precisa parar de focar em exportação
de matéria-prima e se fixar em exportação
de produtos com valor agregado.
Devíamos não mais exportar aço bruto como
matéria-prima, mas o produto manufaturado.
Lauro
São Paulo (SP)
LISTA LIMPA — ARTIGO DE MICHEL TEMER
Reconhecemos o empenho do presidente da
Câmara, Michel Temer, na tramitação do projeto
Ficha Limpa. Se faz necessária a moralização
do processo eleitoral e a possibilidade de melhor
escolha dos eleitores de seus representantes,
tarefa que também seria obrigatória aos
partidos, que não se desimcumbem desta tarefa.
Se faz necessário também o interesse dos
demais parlamentares para que o projeto possa
seguir a tramitação e ir a plenário, assim como
a participação de toda a sociedade na pressão
para que não seja protelado, e sim aprovado.
Luciano Santos
São Paulo (SP)
INOVAÇÃO E PARCERIAS AJUDAM
EMBRAPA A GANHAR MERCADOS
Será coincidência este tipo de notícia ser divulgada,
com uma porção de elogios à Embrapa, sendo
que ao mesmo tempo o governo tenta passar uma
proposta de IPO da companhia no congresso?
Paulo Feitosa
São Paulo (SP)
Cartas para Redação - Av. das Nações Unidas, 11.633 –
8º andar – CEP 04578-901 – Brooklin – São Paulo (SP).
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Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 17
Reprodução
Dengue Ville
Na esteira do sucesso do “FarmVille”, jogo do Facebook no qual os
usuários cuidam de uma fazenda, o governo de Minas Gerais resolveu
criar o “Dengue Ville” para frequentadores de outra rede social, o Orkut.
Com o objetivo de explicar para a população como evitar a doença, o
aplicativo permite que o internauta passe o mouse e clique para esvaziar
garragas, colocar areia em pratos de plantas, cobrir caixas d’água
e distribuir soros caseiros entre vítimas da doença, entre outras ações.
Indranil Mukherjee/AFP
INFLAÇÃO NA ÍNDIA
Vendedores oferecem
cortinas para adornar
portas no movimentado
mercado de Mumbai,
cidade que é a capital
financeira da Índia
e que abriga 13 milhões
de pessoas de diferentes
grupos linguísticos
e étnicos do país.
Na última sexta-feira,
o banco central indiano
surpreendeu o mercado
ao anunciar alta na taxa
de juros básica do país
um mês antes da reunião
que estava agendada pela
autoridade monetária.
O aumento nos juros,
de 3,25% para 3,5%,
é o primeiro desde julho
de 2008, e tem como
objetivo conter a inflação
na Índia — os preços
no país tiveram o maior
aumento em 16 meses.
A decisão desanimou
investidores e fez cair
as bolsas nos Estados
Unidos — a avaliação
é que esse tipo de
retirada de estímulos
à economia em países
emergentes pode
reduzir as expectativas
para o crescimento
mundial neste ano.
ENTREVISTA ORLANDO GIGLIO Diretor-geral do grupo Iberostar no Brasil
Iberostar aposta em convenções e eventos
Grupo espanhol espera aumento
de 8% no faturamento neste
ano em comparação com 2009
Maeli Prado
mia, o faturamento da rede
crescerá 8% na comparação
com 2009, e a rentabilidade aumentará 5%, estima Orlando
Giglio, diretor geral do grupo.
[email protected]
O turismo de negócios, focado
em conveções e eventos de empresas, já representa 30% da receita do grupo hoteleiro espanhol Iberostar, percentual que
deve aumentar em 2010. Neste
ano, com a retomada da econo-
Como está sendo 2010, e quais
as perspectivas para este ano?
Janeiro e fevereiro foram meses
muito bons. A taxa de ocupação média dos dois primeiros
meses ultrapassou os 90%, o
que é um percentual bastante
satisfatório. No ano passado,
Divulgação
“A nossa taxa
de ocupação
em janeiro
e fevereiro
ultrapassou
os 90%,
ante 87%
em 2009”
fechamos esse mesmo período
com 87% de ocupação. A tendência é de uma taxa de ocupação entre três e quatro pontos
percentuais superior à de 2009.
O segmento de convenções e
eventos vem se destacando.
Além de um centro de convenções para 1,2 mil pessoas que já
temos no nosso complexo na
Praia do Forte, na Bahia, vamos
inaugurar outro salão, que
comportará mais mil pessoas.
Além disso, vamos começar a
construção de um novo hotel, o
Gran Collection, que é da categoria mais luxuosa do grupo.
Como a crise afetou o Iberostar?
Antes da crise, os clientes vindos do exterior representavam
30% do total de hóspedes. Houve uma queda considerável por
causa da turbulência internacional, e esse percentual passou
para 18%. Com ações estratégicas, preenchemos essa perda
com o mercado interno. ■
18 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
INOVAÇÃO & ENGENHARIA
TERÇA-FEIRA
QUARTA-FEIRA
EMPREENDEDORISMO
GESTÃO
Esgoto pode voltar às casas como
O primeiro leilão do país para colocar na rede de distribuição o biogás gerado no processo de tratamento sanitário
Nivaldo Souza
[email protected]
Apesar de o Brasil ainda ter um
grande déficit sanitário em sua
rede de coleta e tratamento de
esgoto — apenas 52,5% dos domicílios contam com o serviço,
conforme levantamento realizado pelo IBGE em 2008 —, o
país começa a desenvolver projetos de utilização de resíduos
na geração de energia a partir do
gás metano liberado por bilhões
de litros de detritos orgânicos.
Iniciativas antes restritas a experiências acadêmicas entram
agora em uma fase de exploração comercial, a exemplo do que
acontece em países asiáticos e
europeus, como China, Dinamarca e Alemanha, que têm o
biogás como fonte de suas matrizes energéticas.
É com esse viés, ao mesmo
tempo econômico, de desenvolvimento tecnológico e adequação técnica de processos que
envolvem as engenharias civil,
elétrica e química, que a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp) lançará em abril um edital de concorrência para receber uma usina
térmica em sua Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Barueri, na Grande São Paulo.
A meta da empresa do governo paulista é, até 2016, fornecer
mensalmente 30 milhões de
metros cúbicos (m³) de biogás
gerados nos tanques de biodigestão da maior unidade de tratamento sanitário da América
do Sul — onde a cada segundo
deságuam 7 mil litros de esgoto.
“Já tivemos algumas experiências prévias e agora vamos dar
um grande salto”, diz o assessor
de meio ambiente da Sabesp,
Marcelo Morgado.
Da academia para o mercado
O arranque comercial do biogás
dado pela Sabesp foi ensaiado
entre entre 2002 e 2005, com o
projeto experimental EnergBiog, coordenado pelo Centro
Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio) — com R$ 150
mil em recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
O experimento foi responsável pela instalação de uma microturbina para geração de
energia a partir da queima do
metano resultante do processo
de secagem da massa orgânica
do esgoto recebido na ETE Barueri. O gás resultante do lodo
processado pelo equipamento
produzia modestos 30 quilowatts para abastecer a ETE.
Hoje, a estação produz 3 megawatts (MW) com 35 mil m³ de
biogás gerados diariamente.
Economia significativa para os
11 MW consumidos pela unidade todo mês. Contudo, como
maior compradora individual
A estatal paulista
vai fornecer
30 milhões de
metros cúbicos
de gás com 66,5%
de metano.
O projeto inclui
a construção
de termoelétrica
e gasoduto dentro
de estação
de tratamento
de esgoto em
Barueri, na
Grande São Paulo
de energia de São Paulo — cerca
de 1,9% de toda eletricidade
consumida no estado —, a estatal diz ser mais viável negociar
a compra do insumo no mercado livre. Daí querer ser fornecedora de biogás para a cogeração, o que pode lhe render o
caixa necessário para cumprir a
meta de atender todos os 365
municípios de sua rede com
água e esgoto tratado até 2018.
“A venda do biogás será uma
forma de explorar o potencial
energético da estação de tratamento e ser remunerado por
isso”, aponta o assessor.
A estratégia pode servir de
modelo a outras ETEs país afora
via uma Sabesp que, com seu
projeto de gestão de valor agregado, quer vender tecnologia em
saneamento. “Estamos abrindo
a janela de novos negócios”, indica Morgado.
Para Marco Seidenberg, engenheiro da superintendência
de novos negócios da Sabesp, o
potencial enérgico da ETE Barueri é de 9 gigawatts. “O volume vai depender da tecnologia
adotada pela empresa que vencer a concorrência”, diz. O custo do projeto ainda está sendo
avaliado — deve incluir a construção de um gasoduto, da termoelétrica e de equipamentos.
“Depois do processo térmico, a
energia poderá ser conectada à
rede da AES Eletropaulo e ser
transferida até o destino”, explica Seidenberg. ■
ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE BARUERI: POTENCIAL DE 9 GIGAWATTS A PARTIR DO BIOGÁS
A Empresa Metropolitana
de Águas e Energia
(Emae-SP) avalia
misturar o lodo resultante
do esgoto junto com
o lixo recolhido em São
Paulo para gerar energia.
O potencial econômico
do projeto será concluído
em abril. “O gás metano
é sete vezes mais danoso ao
efeito estufa do que o gás
carbônico. Captar esse gás,
que, livre, contribui para
o aquecimento global, e
gerar energia em vez disso,
é positivo”, diz o assessor
da Emae, Sérgio Frate.
A falta de áreas para aterros
é o que começa a viabilizar
a exploração do esgoto
para produzir energia.
“Com a distância cada
vez maior dos aterros,
o custo logístico torna mais
barato outras opções”,
indica o engenheiro Frate.
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 19
QUINTA-FEIRA
SEXTA-FEIRA
SÁBADO
SUSTENTABILIDADE
TECNOLOGIA
EDUCAÇÃO
energia elétrica
de dejetos orgânicos será realizado em abril pela Sabesp
VANESSA
GARCILASSO
Pesquisadora e coordenadora
de projetos do Centro
Nacional de Referência
em Biomassa (Cenbio)
Fotos: Divulgação
A FORÇA DOS RESÍDUOS
1
A geração natural
de energia orgânica
O biodigestor é um sistema que
canaliza o gás natural metano
(CH4), por meio de um processo
de respiração de bactérias que
decompõem a massa orgânica
do esgoto, composta por pedaços
minúsculos (polímeros) de
matéria biodegradável. Quanto
mais calor sobre essa biomassa,
mais as bactérias a degradam,
acelerando a produção de biogás.
2
ETE Barueri pode
gerar 9 gigawatts
Construído em alvenaria a alguns
metros abaixo da terra, o
biodigestor possui uma câmpula
por onde sai o gás, uma entrada
de material e uma saída de outros
produtos gerados no processo.
Na ETE Barueri da Sabesp,
um gasoduto levará o insumo
energético a uma termoelétrica
com capacidade para gerar
9 GW/mês de eletricidade.
3
Lodo pode virar
adubo, cinzas ou tijolo
A Sabesp estuda o destino
que dará ao lodo resultante
da decantação sanitária após
a geração de biogás, quando
a biomassa perde propriedade
energética. A empresa avalia
uma aplicação econômica
do material. Uma das
alternativas pode ser
transformá-lo em adubo,
a exemplo do fornecimento
à cafeicultura feita pela ETE
Franca aos produtores de café
do norte do estado de São Paulo.
A indústria de construção
civil também pode receber
o insumo para reforçar a
fabricação de tijolos e lajes.
Mas talvez o destino mantenha
a direção energética, o que
seria possível pela incineração
do lodo ressecado para
a cogeração termoelétrica.
Essa aplicação completaria
o ciclo natural do potencial
que a biomassa possui.
Biogás como fonte
de energia alternativa
O biogás é formado a partir da degradação anaeróbia
(sem presença de oxigênio) da matéria orgânica e é composto tipicamente por metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), que são causadores do efeito estufa, entre outros gases como hidrogênio, oxigênio, ácido sulfídrico e
monóxido de carbono.
O Brasil possui grande potencial de aproveitamento
energético do biogás, no tratamento de esgoto e de dejetos animais, além da deposição de resíduos sólidos.
Em aterros sanitários a formação do biogás ocorre por
meio da decomposição da matéria orgânica presente no
lixo aterrado. Em estações de tratamento de esgoto ou
em propriedades rurais, a formação do biogás ocorre
por meio da decomposição da matéria orgânica presente no efluente. Para o tratamento dos efluentes líquidos
(esgoto e dejetos animais) são utilizados equipamentos
denominados biodigestores anaeróbios.
A conversão energética do biogás pode ser
apresentada como uma
As tecnologias
solução para a redução
do potencial tóxico de
disponíveis de
emissões de metano ao
recuperação
mesmo tempo em que
energética do
proporciona a geração
de energia elétrica agrebiogás no Brasil
gando, desta forma, gaainda apresentam
nho ambiental e reducustos elevados.
ção de custos.
Para a geração de
A maioria dos
energia elétrica a partir
equipamentos
de biogás, o primeiro
é importada
fator econômico a ser
analisado é o da utilização de um gás combustível de baixo custo,
uma vez que o biogás é um subproduto de um processo de
digestão anaeróbia e que normalmente é desprezado, ora
emitido diretamente na atmosfera, agravando o impacto
ambiental por meio da emissão de gases do efeito estufa,
ora pela queima para minimizar o impacto ambiental.
O biogás utilizado como combustível em unidades de
tratamento de efluentes ou em aterros sanitários apresenta
diferentes perspectivas para cada um desses segmentos.
No primeiro caso, esse insumo pode contribuir sensivelmente para a diminuição do consumo de eletricidade na
estação, otimizando o uso dos recursos naturais, dada a
estreita relação existente entre a geração de eletricidade e
os recursos hídricos nacionais. Vale ressaltar, porém, que
o volume de biogás gerado no tratamento anaeróbio geralmente não permite a autossuficiência da operação da estação devido à grande demanda energética requerida pelos
equipamentos do local. No segundo caso, o volume de
biogás gerado pode permitir, além da autossuficiência
energética, a geração de excedentes que podem ser comercializados, proporcionando uma receita adicional.
As tecnologias disponíveis de recuperação energética
do biogás no país ainda apresentam custos elevados. Os
equipamentos são, em sua maioria, importados, o que
ocorre não por desconhecimento tecnológico, mas porque a escala de produção atual não permite a viabilidade
econômica desses fabricantes no país. Recentemente começaram a aparecer fabricantes nacionais, mas ainda
para sistemas de pequeno porte, destinados, principalmente, à zona rural. Isso significa que é preciso um esforço nacional no sentido de desenvolver novas tecnologias a custos acessíveis, potencializando a utilização do
biogás e evitando o atual desperdício energético. A viabilidade da utilização do biogás como fonte de energia é
maior quando o empreendimento está associado a outros
projetos, como a venda do crédito de carbono. ■
20 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
EMPRESAS
ENTREVISTA SÉRGIO GOMES Presidente da ABB no Brasil
SÉRGIO GOMES, DIANTE DA MAQUETE DE UMA SUBESTAÇÃO
Brasil é prioridade
nos investimentos
do grupo ABB
Gigante de infraestrutura estuda novas oportunidades no país
e enxerga com otimismo a consolidação do mercado de energia
Priscila Machado
[email protected]
Em meio a tantos projetos de
infraestrutura que estão em
vias de consolidação no país, a
ABB se destaca como denominador comum. Fornecedora de
gigantes como Petrobras, Vale e
Eletrobrás, a maior construtora
de redes elétricas do mundo
avança sobre o desafio de atender uma demanda crescente. As
concessões que movimentam o
mercado fazem do Brasil o
principal foco para os investimentos do grupo.
Na entrevista a seguir, o presidente da ABB no Brasil, Sérgio
Gomes, destaca como a companhia pretende aproveitar as
oportunidades que se abrem
para os próximos anos.
Como a ABB assiste à
movimentação atual no setor
de energia no Brasil?
O nível de oportunidade nesse
momento no país é enorme,
tanto na parte de infraestrutura
como nos setores industriais,
seja mineração, petróleo, óleo e
gás. Em termos de tecnologia
estamos bem posicionados. Somos fortes justamente nas áreas
de investimento nas quais começamos a ver hoje no país um
crescimento ainda maior do que
o dos últimos anos.
De que forma a empresa
está se preparando
para aproveitar essas
oportunidades?
Temos uma forte presença local, pessoas muito qualificadas
e, se necessitarmos de recursos
adicionais, temos acesso a recursos da ABB em qualquer lugar do mundo e a disposição de
fazer qualquer investimento
que seja necessário para aproveitar essas oportunidades. É
isso o que nós temos na mão
para atender o que vem pela
frente. E temos ambição.
“
Temos uma forte
presença local,
pessoas muito
qualificadas. Se
necessitarmos de
recursos adicionais,
temos acesso aos da
ABB em qualquer
lugar do mundo
e a disposição de
fazer o investimento
que for necessário
Dos projetos em vias de
serem aprovados, quais são
os prioritários para a ABB?
Nós começamos a falar do leilão
de Belo Monte em dezembro.
Também temos expectativa para
Teles-Pires (projeto hidroviário). No trem-bala, com certeza, vamos participar da parte
elétrica, mas isso também no
seu tempo. Há muitas oportunidades teóricas no mercado que
precisam se concretizar, mas à
medida que elas se confirmarem
não será por falta de disposição
do grupo ABB de investir que
vamos perder.
Para a execução desses
projetos a empresa deve trazer
novos produtos para o país?
Além da adequação de equipamentos nessas áreas, estamos
trazendo a tecnologia HVDC
(corrente contínua em alta
tensão para longas distâncias)
para a implementação da obra
do Rio Madeira.
Com a fluidez das concessões
em infraestrutura, qual a
perspectiva quanto à retomada
do mercado industrial?
Há uma demanda por eficiência
energética na qual a gente também atua forte. O sistema elétrico está ficando antigo e há a
necessidade de remodelar, principalmente quando há queda de
energia. Outra tecnologia que a
ABB dispõe e que cada vez mais
tem se tornado um requisito do
mercado são as redes inteligentes, que possam gerenciar de
forma estável a energia de fontes alternativas.
Qual é a posição do Brasil
dentro do grupo ABB hoje?
O Brasil se encontra entre os 15
maiores países do grupo — a ABB
atua em mais de 100. O país é,
claramente, o foco da companhia hoje, dividindo a atenção
com a Índia. Nosso CEO (Joe
Hogan) passou recentemente
uma semana aqui, visitando diversos clientes. Daí você vê o
grau de interesse. O otimismo
do grupo é, sem dúvida, muito
grande, obviamente olhando
para as oportunidades que se
colocam. Podemos, inclusive,
trazer mais recurso do próprio
grupo para o Brasil.
Está nos planos da companhia
alguma aquisição ou
construção de novas unidades?
Nós aumentamos nossa capacidade pensando nisso. Estamos
analisando e, dependendo de
como estiver o mercado, podemos ter investimento orgânico
ou não. Do jeito que vai, com
certeza temos de pensar em
ambos, falta pouco para o cenário ficar mais concreto. ■
“
Estamos analisando
e, dependendo
de como estiver o
mercado, podemos
ter investimento
orgânico ou
com aquisições
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 21
Antonio Milena
GGD Metals cresce 60% no bimestre
AGENDA DO DIA
A distribuidora de aços e metais GGD Metals aumentou suas vendas
nos primeiros dois meses de 2010 em relação ao mesmo período
do ano passado. A aceleração é atribuída à grande demanda da indústria,
que queimou estoques ao longo de 2009 e agora precisa retomá-los.
“Materiais que eram fornecidos em 20 ou 30 dias estão demorando 60
porque a capacidade das fábricas está tomada”, diz André Dias, diretorgeral da GGD Metals. A Copa do Mundo e a Olimpíada também ajudam.
da América Latina. Realizada em Bento
Gonçalves, ela promete alavancar
os negócios da cadeia moveleira
e movimentar por volta de US$ 300
milhões. A expectativa é receber
34 mil visitantes de 70 países.
● Começa hoje a 17ª edição da
Movelsul, a maior feira de móveis
Andre Penner
INDUSTRIAL NA SEDE DO GRUPO NO BRASIL. O PROTÓTIPO É EXEMPLO DE UM DOS EMPREENDIMENTOS EQUIPADOS PELO GRUPO
A ABB, fruto da fusão
das gigantes Asea e
Brown Boveri, em 1988,
tem a sua trajetória
ligada às diversas fases
no desenvolvimento do
Brasil. A história do grupo
no país teve início em
1912, quando, ainda com
o nome de Brown Boveri,
forneceu o equipamento
elétrico para o primeiro
bondinho do Pão de
Açúcar, cartão-postal da
cidade do Rio de Janeiro.
Em 1954, a Asea instala-se
na cidade de Guarulhos,
em São Paulo, inaugurando
sua fábrica de
transformadores.
Em 1976 entra em
operação, em Osasco,
a fábrica de motores
elétricos. A nova
unidade propiciou
a participação da ABB
no fornecimento
de trens para a Fepasa.
Antes disso, em 1971,
a Brown Boveri havia
fornecido todo o sistema
de alimentação elétrica
do metrô paulista.
A trajetória do principal
executivo da companhia
também está totalmente
vinculada à história da
própria empresa. Sérgio
Gomes entrou na ABB em
1981, como estagiário,
e ocupou diversos cargos,
passando por vários
países, até se tornar
o presidente do grupo
no Brasil, em 2005.
Novas demandas geram expansão
O crescimento operacional
da companhia no Brasil deve
continuar acima de 15% ao ano
A ABB se prepara para atender
as novas necessidades do mercado energético do país. Além
dos projetos de infraestrutura,
principais responsáveis pelo faturamento de US$ 1,13 bilhão da
empresa no Brasil no ano passado, a retomada da indústria
deve garantir novos ganhos.
Na avaliação de Sérgio Gomes, presidente da ABB, o consumo está retomando e deve
ocupar a ociosidade que foi
criada nas empresas. “Daqui
para frente elas vão voltar a
olhar para a expansão na produção”, avalia. Nesse contexto,
aponta Gomes, as responsáveis
pela distribuição estão definindo seus investimentos em modernização e do lado das transmissoras há a preocupação de
remodelar o sistema atual.
O executivo destaca a demanda gerada com o uso de
fontes renováveis. Por serem
instáveis, já que estão sujeitas
ao clima, necessitam de equipamentos que levem essa energia
para as redes do país de forma
RESULTADO
US$ 1,13 bi
É o faturamento que a empresa
registrou no Brasil em 2009. Em
cinco anos a companhia mais que
dobrou o valor da receita no país.
REGIÃO
55%
É a participação dos países
emergentes nos negócios do
grupo em 2009. Na América
Latina o Brasil responde por 65%.
controlada. O uso da tecnologia
HVDC (corrente contínua em
alta tensão para longas distâncias), trazida ao país pela ABB,
também deve avançar com projetos de interligação com outros
países e a expansão das hidrelétricas na região Norte do Brasil.
A companhia também aposta no segmento de ferrovias
para desenvolver novos negócios no país. A ABB retomou a
atuação nesse mercado em
2009, por meio de contratos de
modernização de linhas do
metrô paulistano.
O presidente da ABB acredita
que em 2010 a empresa vai
manter o nível de crescimento
no Brasil, que foi de 16% a 17%
nos últimos cinco anos. O país
deve se consolidar como prioritário para o grupo. Ele citou a
previsão de Joe Hogan, CEO da
companhia, de que os investimentos no país, nas áreas onde a
empresa atua, devem continuar
acelerados. “Essa é a visão do
chefe, agora você imagina se
nós estamos dormindo aqui em
berço esplêndido. Nós nunca
fomos tão requisitados pela matriz como nos últimos seis meses”, diz. ■ P.M.
22 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
EMPRESAS
Divulgação
AUTOMÓVEIS 1
AUTOMÓVEIS 2
Montadoras emplacaram 6,9% mais carros
importados em fevereiro que em janeiro
Vendas de importados para concessionárias
crescem 18,7% em fevereiro ante janeiro
Marcas como Audi, BMW, Chrysler, Jaguar e Porsche, que estão entre
as 22 associadas da Associação Brasileira das Empresas Importadoras
de Veículos Automotores, tiveram crescimento de 170,8% no número
de emplacamentos em fevereiro ante o mesmo mês de 2009. No mês
passado, foram 5,4 mil unidades. Já o acumulado de janeiro e fevereiro
de 2010 registrou 10,4 mil unidades contra os 3,9 mil veículos em 2009.
As montadoras estrangeiras, filiadas à Abeiva, contabilizaram aumento
de 225% nas vendas para concessionárias em fevereiro deste ano em
comparação com o mesmo mês do ano anterior. O acumulado de janeiro
e fevereiro de 2010 registra 12,3 mil unidades comercializadas contra
3,9 mil veículos em 2009. O presidente da Abeiva e também da Kia Motors
do Brasil, José Luiz Gandini, assume o seu quarto mandato na entidade.
Divulgação
RENOVAÇÃO DE FROTA
Helicóptero EC 725, da Helibras,
que foi escolhido pelo governo
brasileiro para renovação de frota
Governo substituirá
aeronaves com
40 anos de trabalho
Segundo o comandante da
Aeronáutica, Juniti Saito,
os 50 helicópteros
encomendados pelo Ministério
da Defesa à Eurocopter
deverão substituir aeronaves
H1H, o mesmo modelo que
em novembro de 2008 caiu
na cidade de Berimbau (CE),
matando três dos seis
tripulantes. “Essas aeronaves
estão em funcionamento
há mais de 40 anos”, ressaltou
Saito. O brigadeiro informou
que dois EC 725 serão utilizados
para transporte de autoridades.
As demais unidades serão
entregues à Aeronáutica,
ao Exército e à Marinha,
sendo 16 para cada força.
Outros 34 modelos Pantera
serão reformados pela Helibras
ao longo de 2010. O investimento
de R$ 375,8 milhões deve
aumentar em 25 anos a
vida útil dos equipamentos.
Em busca do helicóptero brasileiro
Helibras recebe US$ 420 milhões para se tornar unidade integrada da fabricante francesa Eurocopter
Nivaldo Souza, de Itajubá (MG)*
[email protected]
A subsidiária brasileira Helibras
será a terceira fábrica industrial
integrada para fabricação de
helicópteros da companhia
francesa. A afirmação é do presidente mundial da Eurocopter
Company, Lutz Bertling, que
diz que a companhia vai transferir para o país o know-how
tecnológico necessário para
montar aeronaves civis e militares — mercado que em 2009 rendeu faturamento global de € 4,6
bilhões à Eurocopter, com a venda de 558 aeronaves.
“Nosso interesse é conseguir
fabricar um helicóptero totalmente brasileiro”, afirmou durante cerimônia de inauguração das obras de expansão da
Helibras em Itajubá (MG) na
última sexta-feira.
A possibilidade de o Brasil
receber maior atenção da Eurocopter foi aberta pela venda
de 50 unidades do EC 725 ao
Ministério da Defesa por € 1,9
bilhão — aproximados R$ 5,2
bilhões. A partir desse fornecimento, a empresa espera ex-
pandir suas operações fora da
Europa, onde possui fábricas
na França e Alemanha. Para
isso, a companhia francesa está
investindo US$ 420 milhões na
cidade mineira onde a Helibras
está instalada. O aporte deve
duplicar a área ocupada atual
de 10 mil metros quadrados e
aumentar em 350 postos de
trabalho o número de funcionários. “Os investimentos que
estamos fazendo são de longo
prazo, e vão além do contrato
firmado com o Ministério da
Defesa”, indicou Bertling.
O presidente da Eurocopter
sinalizou que o Brasil tem potencial para desenvolver projetos de maior fôlego, principalmente para atender a demanda
futura por voos nas operações
ligadas à extração de gás e petróleo a partir da exploração do
pré-sal. Bertling afirmou que a
Eurocopter vai estabelecer uma
plataforma integrada de produção - o que inclui todo o processo de engenharia aeronáutica, e não apenas a montagem
de peças enviadas da Europa.
Isso é o que, segundo ele, financia o investimento que a
“
Os investimentos
que estamos fazendo
são de longo prazo,
e vão além do
contrato firmado
com o Ministério
da Defesa
Lutz Bertling,
presidente mundial da Eurocopter
companhia fará para promover
intercâmbio técnico para turbinar a equipe da Helibras.
Nesse sentido, ele destacou
como qualidade o fato de o país
ter mão de obra jovem. “A população europeia está envelhecendo, faltam novos talentos.
Os jovens talentosos engenheiros do Brasil podem ajudar
nosso projeto no futuro”, disse.
De acordo com o presidente da Helibras, Eduardo Marson Ferreira, o intercâmbio
pode envolver até 500 profissionais brasileiros “Queremos
instalar um centro de treinamento pleno.”
Ele observou também que
além de ter muito potencial no
mercado interno, o Brasil pode
servir de base para ter acesso a
países da América Latina.
Componentes nacionais
DIVISÃO
DESEMBOLSO
75%
É a participação acionária da
€
1,9 bi
É quanto o país vai gastar
Eurocopter Company na Helibras.
O governo de Minas Gerais detém
20% e o Grupo Bueninvest, 5%.
para comprar 50 helicópteros
EC 725, que a Helibrás fabricará
com 50% de peças nacionais.
O contrato de fornecimento dos
EC 725 pela Eurocopter prevê o
embarque de 50% de peças e
componentes produzidos no Brasil. “Cada helicóptero custa em
média US$ 30 milhões, sendo
metade desse valor em componentes brasileiros”, disse Ferreira.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, avaliou que a précondição será importante para
o país desenvolver uma indústria de aeronáutica mais consistente. “O Brasil passa de importador para fabricante. Esperamos que o país possa ser
um dos líderes mundiais na fabricação de helicópteros.” As
três primeiras unidades serão
entregues ainda este ano, vindas da França. ■
*O repórter viajou a convite da Helibras
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 23
ECOR3
f.lopes
“Este aviso é uma republicação do aviso ao mercado publicado neste mesmo jornal no dia 15 de março de 2010, para inclusão dos logotipos dos participantes consorciados”
EcoRodovias Infraestrutura e Logística S.A.
Companhia Aberta de Capital Autorizado – Código CVM 01945-3
CNPJ n.º 04.149.454/0001-80 – NIRE 35.300.181.948
Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3900, 11º andar, Itaim Bibi - CEP 04538-132, São Paulo - SP
Código ISIN das Ações: BRECORACNOR8
Código de Negociação das Ações no segmento Novo Mercado da BM&FBOVESPA S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (“BM&FBOVESPA”): “ECOR3”
AVISO AO MERCADO
A Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Companhia”), em conjunto com a Primav Construções e Comércio S.A. (“Primav“) e a CR Almeida S.A. - Engenharia de Obras (“CR Almeida” e, em conjunto com a Primav, “Acionistas Vendedores”),
sob a coordenação do Banco Itaú BBA S.A. (“Coordenador Líder”), do Banco BTG Pactual S.A. (“BTG Pactual”), e do Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. (“Credit Suisse” e, em conjunto com o Coordenador Líder, e o BTG Pactual,
“Coordenadores”) comunicam, nos termos do artigo 53 da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) n.º 400, de 29 de dezembro de 2003, conforme alterada (“Instrução CVM 400”), que foi requerido à CVM, em 3 de fevereiro de 2010, o registro da
oferta pública (i) de distribuição primária (“Oferta Primária”) de 92.000.000 ações ordinárias de emissão da Companhia, todas nominativas, escriturais, sem valor nominal, livres e desembaraçadas de quaisquer ônus ou gravames (“Ações da Oferta Primária”)
e (ii) de distribuição secundária (“Oferta Secundária”) de 33.220.000 ações ordinárias de emissão da Companhia e de titularidade dos Acionistas Vendedores, sendo 30.000.000 ações ordinárias de titularidade da CR Almeida, e 3.220.000 ações ordinárias de
titularidade da Primav, todas nominativas, escriturais, sem valor nominal, livres e desembaraçadas de quaisquer ônus ou gravames (“Ações da Oferta Secundária” e, em conjunto com as Ações da Oferta Primária, “Ações”), nos termos descritos abaixo.
1. A Oferta
A Oferta compreenderá a distribuição pública primária e secundária das Ações no Brasil, em mercado de balcão nãoorganizado, nos termos da Instrução CVM 400, sob coordenação dos Coordenadores e com a participação do Banco
Morgan Stanley S.A. (“Morgan Stanley”) e do Goldman Sachs do Brasil Banco Múltiplo S.A. (“Goldman Sachs” e, em conjunto
com o Morgan Stanley, “Coordenadores Contratados”), instituições financeiras integrantes do sistema de distribuição,
e com a participação de instituições intermediárias (“Corretoras”, sendo que se define as Corretoras em conjunto com
os Coordenadores e os Coordenadores Contratados como “Instituições Participantes da Oferta”) por eles convidadas e,
simultaneamente, serão realizados esforços de colocação das Ações no exterior pelo Itaú USA Securities Inc., pelo BTG
Pactual US Capital Corp., e pelo Credit Suisse Securities (USA) LLC (“Agentes de Colocação Internacional”) bem como
pelo Mediobanca - Banca de Credito Finanziario S.p.A. (“Mediobanca”) como coordenador contratado exclusivamente
para os esforços de colocação no exterior, e por determinadas instituições financeiras contratadas, exclusivamente junto
a investidores institucionais qualificados (qualified institutional buyers) residentes e domiciliados nos Estados Unidos da
América, conforme definidos na Regra 144A do Securities Act of 1933 dos Estados Unidos da América (“Regra 144A” e
“Securities Act”, respectivamente), com base em operações isentas de registro previstas no Securities Act, e a investidores
nos demais países, exceto no Brasil e nos Estados Unidos da América, em conformidade com os procedimentos previstos
no Regulamento S do Securities Act (“Regulamento S”), observada a legislação aplicável no país de domicílio de cada
investidor e, em qualquer caso, por meio dos mecanismos de investimento regulamentados pelo Conselho Monetário
Nacional (“CMN”), pelo Banco Central do Brasil (“BACEN”), nos termos do Contrato de Colocação Internacional (Placement
Facilitation Agreement), pela CVM e quaisquer legislação brasileira aplicável (“Oferta”).
Não foi e nem será realizado nenhum registro da Oferta ou das Ações na Securities and Exchange Commision (“SEC”) ou em
qualquer agência ou órgão regulador do mercado de capitais de qualquer outro país, exceto no Brasil.
Nos termos do artigo 24 da Instrução CVM nº 400, a quantidade total das Ações inicialmente ofertada no âmbito da Oferta (sem
considerar as Ações Adicionais, conforme definido abaixo) poderá ser acrescida de um lote suplementar de até 15 % do total
das Ações inicialmente ofertadas, ou seja até 18.783.000 Ações (“Ações do Lote Suplementar”), de titularidade unicamente
da Primav, conforme opção a ser outorgada pela Primav ao Coordenador Líder, nas mesmas condições e preço das Ações da
Oferta Secundária inicialmente ofertadas, as quais serão destinadas a atender um eventual excesso de demanda que venha
a ser constatado no decorrer da Oferta (“Opção de Ações Suplementares”). A Opção de Ações Suplementares poderá ser
exercida pelo Coordenador Líder, integral ou parcialmente, após notificação ao BTG Pactual e ao Credit Suisse, desde que
a decisão de sobrealocação das Ações no momento da precificação da Oferta tenha sido tomada em comum acordo pelos
Coordenadores no prazo de até 30 dias, inclusive, da data de publicação do Anúncio de Início de Distribuição Primária e
Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Anúncio de Início”).
Nos termos do artigo 14, parágrafo 2º, da Instrução CVM 400, sem prejuízo do exercício da Opção de Ações Suplementares,
a quantidade de Ações inicialmente ofertadas no âmbito da Oferta poderá ser, a critério da Companhia e da Primav, desde
que com o consentimento dos Coordenadores, aumentada em até 25.044.000 ações ordinárias de emissão da Companhia e
de titularidade da Primav, todas nominativas, escriturais, sem valor nominal, livres e desembaraçadas de quaisquer ônus ou
gravames (“Ações Adicionais”), sem considerar as Ações do Lote Suplementar, quantidade essa que não poderá exceder 20%
do total das Ações inicialmente ofertadas, nos termos do artigo 14, parágrafo 2º, da Instrução CVM 400 (“Opção de Ações
Adicionais”).
As Ações que forem objeto de esforços de colocação no exterior pelos Agentes de Colocação Internacional junto a investidores
estrangeiros serão obrigatoriamente subscritas e integralizadas e/ou adquiridas no Brasil, em moeda corrente nacional, junto
aos Coordenadores, nos termos do artigo 19, parágrafo 4º da Lei n.º 6.385, de 7 de dezembro de 1976, conforme alterada.
2. Procedimentos da Oferta
2.1. Plano e Regime de Distribuição
Os Coordenadores, com a expressa anuência da Companhia e dos Acionistas Vendedores, elaborarão plano de distribuição
das Ações, nos termos do parágrafo 3.º do artigo 33 da Instrução CVM 400, o qual levará em conta as relações dos
Coordenadores com seus clientes e outras considerações de natureza comercial ou estratégica, sendo que os Coordenadores
deverão assegurar a adequação do investimento ao perfil de risco de seus clientes, bem como o tratamento justo e equitativo
aos investidores, em conformidade com o artigo 21 da Instrução CVM 400.
De acordo com o Contrato de Coordenação, Colocação e Garantia Firme de Liquidação de Ações Ordinárias de Emissão da
Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Contrato de Distribuição”), as Ações serão distribuídas no Brasil, em mercado
de balcão não-organizado, em regime de garantia firme de liquidação, nas respectivas proporções de garantias individuais e
não solidárias prestadas por cada um dos Coordenadores, conforme limites indicados no Contrato de Distribuição. Tal garantia
firme é vinculante a partir da celebração do Contrato de Distribuição e após a concessão do registro da Oferta pela CVM,
a publicação do Anúncio de Início e a disponibilização do Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Primária
e Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Prospecto Definitivo”) aos
investidores.
2.2. Público Alvo
A Oferta será direcionada, na Oferta de Varejo, aos Investidores Não-Institucionais, compreendendo também uma Oferta
aos Empregados (conforme definidos abaixo) e, na Oferta Institucional, aos Investidores Institucionais (conforme definidos
abaixo).
A Oferta de Varejo será destinada a investidores residentes e domiciliados no Brasil que realizarem pedidos de investimento
mediante o preenchimento de formulário específico (“Pedido de Reserva”), para a subscrição e/ou aquisição de Ações no
âmbito da Oferta, observado o valor mínimo de investimento de R$3.000,00 e o valor máximo de investimento de R$300.000,00
por Investidor Não-Institucional (“Investidor Não-Institucional” e “Oferta de Varejo”, respectivamente).
A Oferta Institucional (“Oferta Institucional”) será destinada a investidores residentes e domiciliados no Brasil que não sejam
Investidores Não Institucionais, podendo ser pessoas físicas, jurídicas e clubes de investimento cujas intenções específicas
ou globais de investimento excedam o limite de aplicação de R$300.000,00 (trezentos mil reais), fundos de investimento,
fundos de pensão, entidades administradoras de recursos de terceiros registradas na CVM, entidades autorizadas a funcionar
pelo BACEN, condomínios destinados à aplicação em carteira de títulos e valores mobiliários registrados na CVM e/ou na
BM&FBOVESPA, seguradoras, entidades de previdência complementar e de capitalização, investidores qualificados nos
termos da regulamentação da CVM, e determinados investidores estrangeiros que invistam no Brasil em conformidade comas
regras de investimento externo de portfólio nos termos da Resolução do CMN) nº 2.689, de 26 de janeiro de 2000, conforme
alterada, (“Resolução CMN 2.689”), e da Instrução CVM ª 325, de 27 janeiro de 2000, conforme alterada (“Instrução CVM
325”), ou, ainda, nos termos das normas de investimento externo direto da Lei 4.131, de 27 de setembro de 1962, conforme
alterada (“Lei 4.131”) (“Investidores Institucionais”).
2.3. Cronograma
Encontra-se abaixo um cronograma estimado das etapas da Oferta, informando seus principais eventos a partir da publicação
deste Aviso ao Mercado:
Ordem dos
Eventos
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
(1)
Eventos
Publicação do Aviso ao Mercado (sem os logos das Corretoras)
Disponibilização do Prospecto Preliminar
Início do Roadshow
Início do Procedimento de Bookbuilding
Republicação do Aviso ao Mercado (com os logos das Corretoras)
Início do Período de Reserva (inclusive para Pessoas Vinculadas)
Encerramento do Período de Reserva para Pessoas Vinculadas
Encerramento do Período de Reserva (exceto para Pessoas Vinculadas)
Encerramento do Roadshow
Encerramento do Procedimento de Bookbuilding
Reunião do Conselho de Administração da Companhia para fixação do Preço por
Ação e aumento de capital
Assinatura do Contrato de Distribuição e demais Contratos relativos à Oferta
Concessão do Registro da Oferta pela CVM
Publicação do Anúncio de Início
Disponibilização do Prospecto Definitivo
Início do prazo para o exercício da Opção de Ações Suplementares
Início de Negociação das Ações objeto da Oferta no segmento do Novo Mercado da
BM&FBOVESPA
Data de Liquidação da Oferta
Fim do prazo para o exercício da Opção de Lote Suplementar
Data Máxima para a Liquidação das Ações do Lote Suplementar
Data de Publicação do Anúncio de Encerramento
Data prevista(1)
15/3/2010
22/3/2010
29/3/2010
30/3/2010
31/3/2010
01/4/2010
06/4/2010
30/4/2010
05/5/2010
07/5/2010
Todas as datas futuras previstas são meramente indicativas e estão sujeitas a alterações, antecipações e adiamentos a
critério da Companhia, dos Acionistas Vendedores e dos Coordenadores.
Caso a Oferta seja suspensa nos termos do artigo 20 da Instrução CVM 400 e/ou modificada nos termos do artigo 27 da
Instrução CVM 400, será publicado comunicado ao mercado, nos mesmos veículos de publicação deste Aviso ao Mercado,
informando acerca da suspensão ou modificação da Oferta.
2.4. Procedimentos da Oferta
Após o encerramento do Procedimento de Bookbuilding, conforme abaixo definido, a concessão do registro da Oferta pela
CVM, a publicação do Anúncio de Início e a disponibilização do Prospecto Definitivo, as Instituições Participantes da Oferta
efetuarão a distribuição pública das Ações, aos Investidores Não-Institucionais e aos Investidores Institucionais, nos termos da
Instrução CVM 400, e observado o esforço de dispersão acionária previsto no regulamento de listagem do Novo Mercado da
BM&FBOVESPA (“Regulamento de Listagem do Novo Mercado”) e o disposto abaixo.
2.4.1. Oferta de Varejo
2.4.1.1. Período de Reserva
Será concedido aos Investidores Não-Institucionais, bem como aos administradores e empregados da Companhia que integrem
a folha de pagamento da Companhia ou de qualquer de suas subsidiárias e assim expressamente o declarar ao preencher o
Pedido de Reserva (“Empregados”), o prazo a ser iniciado em 22 de março de 2010 e encerrado em 29 de março de 2010,
inclusive (“Período de Reserva”), para a realização dos respectivos Pedidos de Reserva. Aos Investidores Não-Institucionais
que sejam considerados Pessoas Vinculadas (conforme definido abaixo), ou Empregados que sejam classificados como
Pessoas Vinculadas, será permitida a realização dos Pedidos de Reserva no Período de Reserva, sendo que aqueles que
realizarem seus Pedidos de Reserva em 22 de março de 2010 (“Período de Reserva para Pessoas Vinculadas”) não terão
seus Pedidos de Reserva cancelados em caso de excesso de demanda superior em 1/3 à quantidade de Ações inicialmente
ofertadas (excluídas as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar).
2.4.1.2. Procedimento da Oferta de Varejo
O montante de, no mínimo, 10% e, no máximo, 15% das Ações inicialmente ofertadas (sem considerar as Ações Adicionais e
as Ações do Lote Suplementar) será destinado prioritariamente a Investidores Não-Institucionais que realizarem seus Pedidos
de Reserva, durante o Período de Reserva, de maneira irrevogável e irretratável, exceto pelo disposto nos itens (k), (l) e no
item 2.4.3 abaixo, sendo que 1% das Ações objeto da Oferta serão destinadas prioritariamente à colocação pública junto aos
Empregados, nas condições a seguir:
(a) cada Investidor Não-Institucional poderá efetuar Pedido de Reserva junto a uma única Corretora, de forma irrevogável e
irretratável, exceto pelo disposto nos itens (k) e (l) e no item 2.4.3 abaixo, observado o valor mínimo de pedido de R$3.000,00
e o valor máximo de pedido de R$300.000,00 por Investidor Não-Institucional ou por Empregado, sendo que tais Investidores
Não-Institucionais poderão estipular no Pedido de Reserva, como condição de sua eficácia, um preço máximo por Ação,
conforme previsto no parágrafo 3.º do artigo 45 da Instrução CVM 400. Os Pedidos de Reserva realizados pelos Investidores
Não-Institucionais que estipularem, como condição de sua eficácia, um preço máximo por Ação inferior ao Preço por Ação,
conforme definido abaixo, serão automaticamente cancelados pela Corretora junto a qual o pedido de reserva for realizado. As
Corretoras somente atenderão Pedidos de Reserva realizados por Investidores Não-Institucionais titulares de conta corrente
ou de conta de investimento nelas aberta ou mantida pelo respectivo investidor. As Corretoras poderão, a seu exclusivo
critério, exigir a manutenção de recursos em conta de investimento nela aberta e/ou mantida, para garantia do Pedido de
Reserva. Dessa forma, os Coordenadores recomendam aos Investidores Não-Institucionais interessados na realização de
Pedidos de Reserva que leiam cuidadosamente os termos e condições estipulados no Pedido de Reserva, especialmente
os procedimentos relativos à liquidação da Oferta, e as informações constantes dos Prospectos, e que verifiquem com a
Corretora de sua preferência, antes de realizar seu Pedido de Reserva, a necessidade de manutenção de recursos em conta
de investimento nela aberta e/ou mantida, para fins de garantia do Pedido de Reserva;
(b) 1% do total das Ações objeto da Oferta serão prioritariamente destinadas aos Empregados que desejarem subscrever e/
ou adquirir as Ações, nos limites acima previstos, desconsiderando-se as frações de Ações (“Oferta aos Empregados”). O
Empregado que desejar fazer parte da Oferta aos Empregados deverá ter indicado sua condição de Empregado da Companhia
no campo específico do respectivo Pedido de Reserva. O Empregado que não indicou sua condição de Empregado da
Companhia no Pedido de Reserva, será considerado como um Investidor Não-Institucional comum e não será considerado
para a Oferta aos Empregados;
(c) tendo a totalidade dos Pedidos de Reserva realizados por Empregados, na Oferta aos Empregados, sido igual ou inferior
ao montante de 1% das Ações objeto da Oferta, não haverá rateio, sendo todos os Empregados integralmente atendidos em
todas as suas reservas e eventuais sobras no lote ofertado aos Empregados destinadas aos Investidores Não-Institucionais;
(d) tendo a totalidade dos Pedidos de Reserva realizados por Empregados na Oferta aos Empregados sido superior ao montante
de 1% das Ações objeto da Oferta, será realizado o rateio de tais Ações entre todos os Empregados, proporcionalmente ao
valor de cada Pedido de Reserva entre todos os Empregados, sempre desconsiderando-se as frações de Ações;
(e) os Investidores Não-Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) deverão, necessariamente,
indicar no Pedido de Reserva a sua condição de Pessoa Vinculada (conforme definida abaixo), sendo que, havendo excesso
de demanda superior em 1/3 à quantidade de Ações inicialmente ofertadas (excluídas as Ações Adicionais e as Ações do Lote
Suplementar), será vedada a colocação, pelas Corretoras, de Ações junto a Investidores Não-Institucionais que sejam Pessoas
Vinculadas (conforme definidas abaixo), sendo que os Pedidos de Reserva realizados por Investidores Não-Institucionais que
sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) serão automaticamente cancelados, com exceção dos Pedidos de
Reserva realizados pelos Investidores Não-Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas durante o Período de Reserva para
Pessoas Vinculadas;
(f) cada Corretora deverá informar na Data de Liquidação, conforme abaixo definido, a quantidade de Ações a ser subscrita
e/ou adquirida (ajustada, se for o caso, conforme descrito nos itens (d) acima e (j) abaixo, em decorrência do rateio) e o
correspondente valor do investimento ao Investidor Não-Institucional que com ela tenha realizado Pedido de Reserva, até às
24 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
16:00 horas do dia útil seguinte à data de publicação do Anúncio de Início, por meio de seu endereço eletrônico ou, na sua ausência,
por telefone ou correspondência, sendo o pagamento limitado ao valor do Pedido de Reserva;
(g) até às 10:30 horas da Data de Liquidação, conforme abaixo definido, cada Investidor Não-Institucional deverá efetuar o pagamento
do valor indicado, conforme previsto no item (f) acima, junto à Corretora na qual efetuar seu respectivo Pedido de Reserva, em
recursos imediatamente disponíveis, sob pena de, em não o fazendo, ter seu Pedido de Reserva automaticamente cancelado;
(h) após às 16:00 horas da Data de Liquidação, desde que confirmado o crédito correspondente ao produto da colocação das Ações
na conta de liquidação a BM&FBOVESPA, em nome de cada uma das Corretoras junto à qual o Pedido de Reserva tenha sido
realizado, entregará a cada Investidor Não-Institucional que com ela tenha feito a reserva, em nome de cada uma das Corretoras
junto à qual o Pedido de Reserva tenha sido realizado, o número de Ações, conforme abaixo definido, correspondente à relação entre
o valor do investimento pretendido constante do Pedido de Reserva e o Preço por Ação, conforme abaixo definido, ressalvadas as
possibilidades de desistência e cancelamento previstas nos itens (k), (l) e no item 2.4.3 abaixo, respectivamente, e as possibilidades
de rateio previstas no itens (d) acima e (j) abaixo. Caso tal relação resulte em fração de Ação, o valor do investimento será limitado
ao valor correspondente ao maior número inteiro de Ações;
(i) caso a totalidade dos Pedidos de Reserva realizados por Investidores Não-Institucionais seja igual ou inferior ao montante
destinado à Oferta de Varejo, sem considerar as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar, não haverá rateio, sendo todos
os Investidores Não-Institucionais integralmente atendidos em suas reservas, e as eventuais sobras no lote ofertado aos Investidores
Não-Institucionais serão destinadas a Investidores Institucionais;
(j) se a totalidade dos Pedidos de Reserva realizados por Investidores Não-Institucionais for superior à quantidade de Ações
destinadas à Oferta de Varejo, sem considerar as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar, será realizado rateio das
Ações, da seguinte forma: (i) a divisão igualitária e sucessiva das Ações destinadas a Investidores Não-Institucionais entre todos
os Investidores Não-Institucionais, observando-se o valor individual de cada Pedido de Reserva, desconsiderando-se as frações de
Ações, até o limite de R$5.000,00 por Investidor Não-Institucional; e (ii) uma vez atendido o critério de rateio descrito no sub-item
(i) acima, será efetuado o rateio proporcional das Ações destinadas a Investidores Não-Institucionais remanescentes entre todos os
Investidores Não-Institucionais, observando-se o valor individual de cada Pedido de Reserva e desconsiderando-se as frações de
Ações. Opcionalmente, a critério dos Coordenadores da Oferta e da Companhia, a quantidade de Ações destinadas a Investidores
Não-Institucionais poderá ser aumentada para que os pedidos excedentes dos Investidores Não-Institucionais possam ser total ou
parcialmente atendidos, sendo que, no caso de atendimento parcial, será observado o critério de rateio descrito neste item;
(k) o Investidor Não-Institucional somente poderá desistir do seu Pedido de Reserva caso (i) seja verificada divergência relevante entre
as informações constantes do Prospecto Preliminar de Oferta Pública de Distribuição Primária e Secundária de Ações Ordinárias
de Emissão da Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A. (“Prospecto Preliminar”) e do Prospecto Definitivo da Oferta que altere
substancialmente o risco assumido pelos Investidores Não-Institucionais ou a sua decisão de investimento; (ii) a Oferta seja suspensa
nos termos do artigo 20 da Instrução CVM 400; e/ou (iii) a Oferta seja modificada nos termos do artigo 27 da Instrução CVM 400,
devendo, para tanto, informar sua decisão à Corretora que tenha recebido o Pedido de Reserva (a) até as 16:00 horas do quinto dia
útil subsequente à data de disponibilização do Prospecto Definitivo, no caso da alínea (i) acima; e (b) até às 16:00 horas do quinto dia
útil subseqüente à data em que for publicado comunicado ao mercado, nos mesmos veículos de publicação deste Aviso ao Mercado,
informando acerca da suspensão ou modificação da Oferta, no caso dos sub-itens (ii) e (iii) acima. Caso o Investidor Não-Institucional
não informe sua decisão de desistência do Pedido de Reserva nos termos deste inciso, o Pedido de Reserva será considerado válido
e o Investidor Não-Institucional deverá efetuar o pagamento do valor do investimento;
(l) na hipótese de (i) não haver a conclusão da Oferta; (ii) resilição do Contrato de Distribuição; (iii) cancelamento da Oferta; ou
(iv) revogação da Oferta, todos os Pedidos de Reserva serão automaticamente cancelados e cada Corretora comunicará referido
cancelamento, inclusive por meio de publicação de comunicado ao mercado nos mesmos veículos de publicação deste Aviso ao
Mercado, aos Investidores Não-Institucionais que houverem efetuado Pedido de Reserva junto a tal Corretora; e
(m) caso o Investidor Não-Institucional já tenha efetuado o pagamento nos termos do item (g) acima e ocorram as hipóteses previstas
no item (l) acima ou no item 2.4.3 abaixo, ou caso o investidor venha a desistir do Pedido de Reserva, nos termos do item (k)
acima, os valores eventualmente depositados serão devolvidos sem remuneração ou correção monetária, no prazo de até cinco dias
úteis contados a partir do pedido de cancelamento do Pedido de Reserva ou do cancelamento da Oferta e/ou Pedido de Reserva,
conforme o caso.
A revogação, suspensão ou qualquer modificação da Oferta será imediatamente divulgada por meio do Diário Oficial do Estado de
São Paulo e do jornal Valor Econômico, veículos também usados para divulgação deste Aviso ao Mercado e do Anúncio de Início,
conforme disposto no artigo 27 da Instrução CVM 400 (“Anúncio de Retificação”). Em caso de modificação da Oferta, as Corretoras
deverão acautelar-se e certificar-se, no momento do recebimento das aceitações da Oferta, de que o Investidor Não-Qualificado está
ciente de que a Oferta foi alterada e de que tem conhecimento das novas condições. Caso o Investidor Não-Qualificado já tenha
aderido à Oferta, cada Corretora deverá comunicar diretamente o seu respectivo Investidor Não-Qualificado que tenha efetuado o
Pedido de Reserva a respeito da modificação efetuada. O Investidor Não-Qualificado poderá desistir do Pedido de Reserva até às
16:00 horas do 5º (quinto) dia útil subseqüente a data em que foi comunicada por escrito a suspensão ou modificação da Oferta.
Nesta hipótese, o Investidor Não-Qualificado deverá informar sua decisão de desistência do Pedido de Reserva à Corretora da Oferta
que tenha recebido o seu Pedido de Reserva o qual será automaticamente cancelado pela referida Corretora. Caso o Investidor
Não-Qualificado não informe por escrito a Corretora de sua desistência do Pedido de Reserva no prazo de 5 (cinco) dias úteis da
publicação do Anúncio de Retificação, será presumido que tal Investidor Não-Qualificado manteve o seu Pedido de Reserva e,
portanto, tal Investidor deverá efetuar o pagamento em conformidade com os termos no prazo previsto no respectivo Pedido de
Reserva.
Em qualquer hipótese, a revogação da Oferta e o cancelamento dos Pedidos de Reserva tornam ineficazes a Oferta e os atos
de aceitação anteriores ou posteriores, devendo ser restituídos integralmente aos investidores aceitantes dos valores mobiliários
dados em contrapartida às Ações, no prazo de 3 (três) dias úteis da data de divulgação da revogação, sem qualquer remuneração
ou correção monetária, com dedução, se aplicável, dos valores relativos a tributos incidentes, conforme disposto no artigo 26 da
Instrução CVM 400.
É admissível o recebimento de reservas a partir da data indicada neste Aviso ao Mercado, para subscrição e/ou aquisição, as quais
somente serão confirmadas pelo subscritor e/ou adquirente após o início do período de distribuição.
2.4.2. Oferta Institucional
As Ações objeto da Oferta que não forem colocadas na Oferta de Varejo serão destinadas à Oferta Institucional, a Investidores
Institucionais, de acordo com o seguinte procedimento:
(a) os Investidores Institucionais interessados em participar da Oferta deverão apresentar suas intenções de investimento durante o
Procedimento de Bookbuilding, não sendo admitidas reservas antecipadas por meio de pedido de reserva, tampouco limites máximos
de investimento;
(b) caso o número de Ações objeto da ordem de investimento recebida dos Investidores Institucionais durante o Procedimento de
Bookbuilding, na forma do artigo 44 da Instrução CVM 400, venha a exceder o total de Ações remanescentes após o atendimento dos
Pedidos de Reserva dos Investidores Não-Institucionais, terão prioridade no atendimento de suas respectivas ordens os Investidores
Institucionais que, a critério dos Coordenadores e da Companhia, melhor atendam ao objetivo da Oferta de criar uma base
diversificada de acionistas, formada por investidores com diferentes critérios de avaliação sobre as perspectivas, ao longo do tempo,
da Companhia, seu setor de atuação e a conjuntura macro-econômica brasileira e internacional, observado o disposto no plano de
distribuição elaborado pelos Coordenadores, com expressa anuência da Companhia e dos Acionistas Vendedores, nos termos do
parágrafo 3º do artigo 33 da Instrução CVM 400, o qual leva em conta as suas relações com os clientes e outras considerações de
natureza comercial ou estratégica;
(c) até às 12:00 do 1º dia útil subsequente à data de publicação do Anúncio de Início, os Investidores Institucionais serão informados,
por meio do seu respectivo endereço eletrônico, ou, na sua ausência, por telefone ou fac-símile, da Data de Liquidação, da quantidade
de Ações alocadas e do Preço por Ação;
(d) a entrega das Ações deverá ser efetivada na Data de Liquidação, mediante o pagamento em moeda corrente nacional, à vista
e em recursos imediatamente disponíveis, do Preço por Ação multiplicado pela quantidade de Ações alocadas, de acordo com os
procedimentos previstos no Anúncio de Início;
(e) a subscrição e/ou aquisição das Ações será formalizada mediante assinatura de Boletim de Subscrição e/ou Contrato de Compra
e Venda cujos modelos finais tenham sido previamente apresentados à CVM e que informem o investidor claramente sobre a entrega
das Ações; e
(f) será aceita a participação de Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) no processo
de fixação do Preço por Ação, mediante a participação destes no Procedimento de Bookbuilding, até o limite máximo de 15% do
valor da Oferta. Caso seja verificado excesso de demanda superior em um terço à quantidade de Ações inicialmente ofertadas
(excluídas as Ações Adicionais e as Ações do Lote Suplementar), será vedada a colocação pelos Coordenadores e Coordenadores
Contratados de Ações aos Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas, sendo as intenções de investimento realizadas
por investidores institucionais que sejam pessoas vinculadas automaticamente canceladas. Os investimentos realizados para
proteção (hedge) de operações com derivativos, incluindo operações de total return swap realizadas no Brasil ou no exterior, não
serão considerados investimentos efetuados por Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) para fins da presente Oferta. A
participação de Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) no Procedimento de
Bookbuilding poderá impactar adversamente a formação do Preço por Ação, e o investimento nas Ações por Investidores
Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas (conforme definidas abaixo) poderá promover redução de liquidez das Ações
no mercado secundário.
2.4.3. Violações de Normas
Caso haja descumprimento, por qualquer das Instituições Participantes da Oferta, de qualquer das obrigações previstas no respectivo
termo de adesão ao Contrato de Distribuição ou em qualquer contrato celebrado no âmbito da Oferta, ou ainda, de qualquer das
normas de conduta previstas na regulamentação aplicável à Oferta, incluindo, sem limitação, aquelas previstas na Instrução CVM
400, e, especificamente, na hipótese de manifestação indevida na mídia durante o período de silêncio, conforme previsto no artigo 48
da Instrução CVM 400, tal Instituição Participante da Oferta (i) deixará de integrar o grupo de instituições responsáveis pela colocação
das Ações no âmbito da Oferta, a critério exclusivo dos Coordenadores, devendo cancelar todos os Pedidos de Reserva ou Boletins
de Subscrição e Contratos de Compra e Venda, conforme o caso, que tenha recebido e informar imediatamente os investidores
que com ela tenham realizado Pedido de Reserva ou ordens para a coleta de investimentos, conforme o caso, sobre o referido
cancelamento; e (ii) poderá ser suspensa, por um período de até 6 (seis) meses contados da data da comunicação da violação, de
atuar como Instituição Participante da Oferta em ofertas de distribuição pública coordenadas pelos Coordenadores.
2.4.4. Pessoas Vinculadas
Para os fins da presente Oferta e nos termos do artigo 55, da Instrução CVM 400, serão consideradas pessoas vinculadas à Oferta
os investidores que sejam (i) controladores ou administradores da Companhia; (ii) controladores ou administradores das Instituições
Participantes da Ofertas, dos Agentes de Colocação Internacional; (iii) outras pessoas vinculadas à Oferta; ou (iv) os cônjuges ou
companheiros, ascendentes, descendentes e colaterais até o 2º grau das pessoas referidas nos itens (i), (ii) e (iii) acima (“Pessoas
Vinculadas”).
2.5. Prazos da Oferta
A data de início da Oferta será divulgada mediante a publicação de Anúncio de Início, em conformidade com o previsto no artigo
52 da Instrução CVM 400. O Prazo de Distribuição das Ações (conforme definido abaixo) é de até seis meses contados da data de
publicação do Anúncio de Início, inclusive, nos termos do artigo 18 da Instrução CVM 400, ou até a data da publicação do anúncio de
encerramento da Oferta (“Anúncio de Encerramento”), o que ocorrer primeiro (“Prazo de Distribuição”).
A liquidação física e financeira da Oferta, observado o disposto abaixo, deverá ser realizada dentro do prazo de até três dias úteis,
contados da data de publicação do Anúncio de Início (“Data de Liquidação”), de acordo com os procedimentos previstos no Contrato
de Distribuição.
A liquidação física e financeira das Ações do Lote Suplementar deverá ser realizada até o terceiro dia útil seguinte à data de exercício
da Opção de Lote Suplementar (“Data de Liquidação das Ações do Lote Suplementar”), de acordo com o disposto no Contrato de
Distribuição.
O término da Oferta e seu resultado serão anunciados mediante publicação de Anúncio de Encerramento, em conformidade com o
artigo 29 da Instrução CVM 400.
2.6. Informações sobre a Garantia Firme de Liquidação
Caso as Ações da Oferta que tenham sido subscritas e/ou adquiridas por investidores não sejam integralizadas e/ou pagas até a Data
de Liquidação, os Coordenadores liquidarão, na Data de Liquidação, a totalidade do saldo resultante da diferença entre o número
de Ações da Oferta objeto da garantia firme de liquidação (excluídas as Ações Suplementares) prestada por cada Coordenador nos
termos do Contrato de Distribuição e o número de Ações efetivamente colocadas junto aos investidores e liquidadas no mercado, pelo
Preço por Ação (conforme abaixo definido) constante do Prospecto Definitivo.
Em caso de exercício da garantia firme e posterior revenda das Ações junto ao público pelos Coordenadores durante o Prazo de
Distribuição, ou até a data de publicação do Anúncio de Encerramento, o que ocorrer primeiro, o preço de revenda das Ações será
o preço de mercado das Ações, até o limite máximo do Preço por Ação, ressalvadas as atividades de estabilização, previstas no
item 2.8 abaixo.
2.7. Preço por Ação
No contexto da Oferta, estimasse que o preço por ação (“Preço por Ação”) estará situado entre R$9,00 e R$12,00, ressalvado, no
entanto, que o Preço por Ação poderá eventualmente ser fixado fora dessa faixa indicativa. O Preço por Ação será fixado com base
no resultado do Procedimento de Bookbuilding a ser conduzido no Brasil pelos Coordenadores junto a Investidores Institucionais, em
conformidade com o artigo 23, parágrafo 1º, e o artigo 44 da Instrução CVM 400, e de acordo com o artigo 170, parágrafo 1º, inciso
III, da Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, conforme alterada (“Lei das Sociedades por Ações”). Nos termos do inciso III do
parágrafo 1º do artigo 170 da Lei das Sociedades por Ações, a escolha do critério para determinação do Preço por Ação encontrase justificada pelo fato de que o Preço por Ação não promove a diluição injustificada dos atuais acionistas da Companhia e de que
as Ações serão distribuídas por meio de oferta pública, em que o valor de mercado das Ações será aferido com a realização do
Procedimento de Bookbuilding, que reflete o valor pelo qual os Investidores Institucionais apresentarão suas ordens de investimento
no contexto da Oferta. Os Investidores Não-Institucionais não participarão do Procedimento de Bookbuilding, e, portanto, não
participarão da fixação do Preço por Ação.
Será aceita a participação de Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas no processo de fixação do Preço por Ação,
mediante a participação desses no Procedimento de Bookbuilding até o limite máximo de 15% do valor da Oferta. Caso seja verificado
excesso de demanda superior em um terço à quantidade de Ações inicialmente ofertadas (excluídas as Ações Adicionais e as Ações
do Lote Suplementar), será vedada a colocação pelos Coordenadores e Coordenadores Contratados de Ações para Investidores
Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas. Os investimentos realizados para proteção (hedge) de operações com derivativos,
incluindo operações de total return swap realizadas no Brasil ou no exterior, não serão considerados investimentos efetuados por
Pessoas Vinculadas para fins da presente Oferta. A participação de Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas
no Procedimento de Bookbuilding poderá impactar adversamente a formação do Preço por Ação, e o investimento nas
Ações por Investidores Institucionais que sejam Pessoas Vinculadas poderá promover redução de liquidez das Ações no
mercado secundário.
2.8. Estabilização do Preço das Ações
O Coordenador Líder poderá, a seu exclusivo critério, realizar atividades de estabilização de preço das ações ordinárias de emissão
da Companhia, por um período de até 30 dias a contar da data de publicação do Anúncio de Início, inclusive, por meio de operações
de compra e venda de ações ordinárias de emissão da Companhia, observadas as disposições legais aplicáveis e o disposto no
Contrato de Prestação de Serviços de Estabilização de Preço das Ações Ordinárias de Emissão da Ecorodovias Infraestrutura e
Logística S.A. (“Contrato de Estabilização”), o qual deverá ser previamente aprovado pela BM&FBOVESPA e pela CVM, nos termos
do artigo 23, parágrafo 3º, da Instrução CVM 400, e do item II da Deliberação da CVM n.º 476, de 25 de janeiro de 2005.
2.9. Direitos, Vantagens e Restrições das Ações
As Ações garantem aos seus titulares o direito a um voto nas deliberações sociais, direito ao recebimento de dividendo obrigatório de
25% do lucro líquido ajustado na forma do artigo 202 da Lei das Sociedades por Ações, bem como o direito de ser incluídas em oferta
pública de aquisição de ações em algumas circunstâncias previstas no estatuto social da Companhia, como alienação de controle,
fechamento de capital e descontinuidade de listagem no segmento de prática de governança corporativa Novo Mercado.
2.10. Restrições à transferência de Ações (Lock-up)
A Companhia, seus administradores e seus atuais Acionistas Controladores, incluindo os Acionistas Vendedores (em conjunto,
Coordenador
Coordenador Líder e Agente Estabilizador
Coordenadore
Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários
Corretora de Valores
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 25
ECOR3
“Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários”) celebrarão acordos de restrição à venda de ações de emissão da
Companhia (lock-ups), por meio dos quais se comprometerão, sujeitos a determinadas exceções, durante o período de 180 (cento e
oitenta) dias contados da data de publicação do Anúncio de Início, inclusive (“Período Restritivo”), sujeito a determinadas exceções,
a: (i) não emitir, ofertar, vender, contratar a venda, dar em garantia, emprestar, conceder qualquer opção de compra ou de qualquer
outra forma dispor ou conceder quaisquer direitos, registrar documento nos termos do Securities Act ou das leis brasileiras, em todos
os casos relacionados a, qualquer ação ou qualquer opção ou warrant de compra de qualquer ação ou qualquer valor mobiliário
conversível em, ou permutável por, ou que represente o direito de receber ações de emissão da Companhia; (ii) não celebrar
qualquer contrato de swap ou qualquer acordo que transfira à outra parte, no todo ou em parte, qualquer valor econômico decorrente
da titularidade das ações ou de qualquer valor mobiliário conversível, passível de exercício ou permutável por ações de emissão da
Companhia, ou de warrants ou outro direito de compra de ações de emissão da Companhia, independentemente se tal operação seja
realizada pela entrega das ações ou de qualquer valor mobiliário de emissão da Companhia, por dinheiro ou outra forma; e (iii) a não
publicar anúncio com a intenção de efetuar qualquer operação acima descrita.
As disposições de restrição de venda de ações de emissão da Companhia se aplicam a ações e a valores mobiliários conversíveis
em, permutáveis por, ou que admitam pagamento mediante entrega de ações de emissão da Companhia, exceto transferências
realizadas para fins de estabilização do preço das Ações, com o consentimento dos Coordenadores da Oferta, no contexto da
realização de atividades de formador de mercado para a Oferta, de acordo com a Instrução CVM 384 e com o Código de AutoRegulação ANBID para Atividades Conveniadas. Nenhuma autorização será necessária caso as atividades de formador de mercado
sejam realizadas por corretoras pertencentes ao grupo econômico dos Coordenadores da Oferta.
[Não obstante as operações vedadas durante o Período Restritivo, as seguintes transferências de valores mobiliários da Companhia
são permitidas (“Transferências Permitidas” ou, se referidas individualmente, “Transferência Permitida”): (i) a transferência, direta
ou indireta, por Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários para quaisquer de seus respectivos acionistas,
controladores, controladas ou coligadas; (ii) a transferência, direta ou indireta, de valores mobiliários entre acionistas, controladoras,
controladas ou coligadas de Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários; (iii) a transferência por Sujeitos às
Restrições de Transferência de Ações de Valor Mobiliário de sua titularidade para uma ou mais pessoas físicas com o propósito
de torná-las elegíveis para cargos no Conselho de Administração da Companhia, quando aplicável; (iv) a transferência do valor
mobiliário detido por representante de Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários que ocupe cargo no Conselho
de Administração da Companhia para Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários ou para outra pessoa física por
eles designada com o propósito de torná-la elegível para cargo no Conselho de Administração da Companhia, quando aplicável, na
hipótese do referido representante de Sujeitos às Restrições de Transferência de Valores Mobiliários ser destituído do referido cargo
ou, por qualquer razão, deixá-lo; e (v) transferências no âmbito de planos de opção de compra de ações que vierem a ser aprovados
pela Companhia, desde que as ações subjacentes às opções não possam ser transferidas a terceiros durante o Período Restritivo.]
Adicionalmente, nos termos do Regulamento do Novo Mercado, nos seis meses subsequentes à data da publicação do Anúncio
de Início, o Controlador (conforme definido no Regulamento do Novo Mercado) e nossos Administradores não poderão vender e/
ou ofertar à venda quaisquer das nossas ações e Derivativos (conforme definido no Regulamento do Novo Mercado) de que eram
titulares imediatamente após a efetivação da Oferta. Após esse período inicial de seis meses, o Controlador e os Administradores não
poderão, por mais seis meses, vender e/ou ofertar à venda mais do que 40,0% das nossas ações e Derivativos de que eram titulares
imediatamente após a efetivação da Oferta.
3. Aprovações Societárias
Em Reunião de Conselho de Administração da Companhia realizada em 03 de fevereiro de 2010, cuja ata foi publicada no Diário
Oficial do Estado de São Paulo e no jornal “Valor Econômico” em 04 de fevereiro de 2010, (i) foi aprovada a realização da Oferta
Primária; e (ii) foi autorizado o efetivo aumento do capital da Companhia, mediante emissão das Ações da Oferta Primária, com
exclusão do direito de preferência dos atuais acionistas na subscrição de Ações.
O Preço por Ação será aprovado em Reunião do Conselho de Administração da Companhia a ser realizada após a conclusão do
Procedimento de Bookbuilding e antes da concessão do registro da Oferta pela CVM, cuja ata será publicada nos veículos acima
mencionados na data de publicação do Anúncio de Início.
A realização da Oferta Secundária foi aprovada nos termos do artigo 21, I, do Estatuto Social da Primav Construções e Comércio
S.A., e dos artigos 7º, h, e 8º, II, do Estatuto Social da CR Almeida S.A. – Engenharia de Obras.
4. Informações Sobre a Companhia
As Ações objeto da Oferta serão negociadas na BM&FBOVESPA no dia útil seguinte à data de publicação do Anúncio de Início no
segmento especial de listagem do Novo Mercado, conforme Contrato de Participação no Novo Mercado celebrado em 03 de março
de 2010, sob o código “ECOR3”. Para mais informações sobre a negociação das Ações na BM&FBOVESPA, consulte uma sociedade
corretora de valores mobiliários autorizada a operar na BM&FBOVESPA. Para mais informações sobre a Companhia, incluindo
seu setor de atuação, suas atividades e situação econômica e financeira, leia o Prospecto Preliminar.
5. Instituição Financeira Escrituradora das Ações
A instituição financeira contratada para prestação de serviços de escrituração das Ações é o Banco Bradesco S.A.
6. Informações Adicionais
Não será realizado qualquer registro da Oferta ou das Ações na SEC ou em qualquer agência ou órgão regulador do mercado de
capitais de qualquer outro país, exceto a CVM, no Brasil.
É recomendada aos investidores, antes da tomada de qualquer decisão de investimento, a leitura do Prospecto Preliminar.
Este Aviso ao Mercado é uma republicação do Aviso ao Mercado publicado em 15 de março de 2010 neste mesmo jornal, com o
objetivo de apresentar uma relação completa das Instituições Participantes da Oferta, incluindo as Corretoras.
Os investidores que desejarem obter mais informações sobre a Oferta, bem como exemplar do Prospecto Preliminar, deverão dirigirse aos endereços ou dependências dos Coordenadores ou dos Coordenadores Contratados, conforme indicados abaixo, ou das
Corretoras.
Os endereços e os websites das Instituições Participantes da Oferta aos quais os investidores deverão dirigir-se a fim de obter
informações adicionais acerca da Oferta e o exemplar do Prospecto Preliminar são os seguintes:
Companhia
• Ecorodovias Infraestrutura e Logística S.A
Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3900, 11º andar
São Paulo, SP
Sr. Roberto Koiti Nakagome
Tel: +55 (11) 3709-4990
Fax: +55 (11) 3709-4991
http://www.ecorodovias.com.br
Acionistas Vendedores
• Primav Construções e Comércio S.A.
Rua Teófilo Otoni, nº 63, 3º andar
Rio de Janeiro, RJ
Sr. Cesar Beltrão de Almeida
Tel: +55 (41) 3312 9200
Fax: +55 (41) 3343 4946
http://www.primavsa.com.br
• CR Almeida S.A. – Engenharia de Obras
Avenida Vicente Machado, nº 1789
Curitiba, Paraná
Sr. Adhemar Rodrigues Alves
Tel: +55 (41) 3312 9200
Fax: +55 (41) 3343 4946
http:// www.cralmeida.com.br
Coordenadores
Coordenador Líder
• Banco Itaú BBA S.A.
Avenida Brigadeiro Faria Lima, n.º 3.400, 4º andar
São Paulo, SP
Sr. Fernando Fontes Iunes
Tel: +55 (11) 3708-8000
Fax: +55 (11) 3708-8107
http://www.itaubba.com.br/portugues/atividades/prospectos.asp
Coordenadores
• Banco BTG Pactual S.A.
Avenida Brigadeiro Faria Lima, n.º 3729, 9º andar
São Paulo, SP
At.: Sr. Fábio Nazari
Tel: +55 (11) 3383-2000
Fax: +55 (11) 3383-2474
http://www.btgpactual.com/home/pt/capitalmarkets.aspx
• Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A.
Avenida Brigadeiro Faria Lima, n.º 3.064, 12º, 13º e 14º andares (parte)
São Paulo, SP
At.: Sr. Gustavo Castilho
Tel: +55 (11) 3841-6800
Fax: +55 (11) 3841-6912
http://br.credit-suisse.com/ofertas
Coordenadores Contratados
• Banco Morgan Stanley S.A.
Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3.600, 6º andar e 7º andar (parte)
São Paulo, SP
Srta. Domenica Noronha
Tel: +55 (11) 3048-6000
Fax: +55 (11) 3048-6010
http://www.morganstanley.com.br/prospectos
• Goldman Sachs Banco Múltiplo do Brasil S.A.
Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 510, 6º andar
São Paulo, SP
Sr. Antonio Pereira
Tel.: +55 (11) 3371-0700
Fax: +55 (11) 3371-0704
http://www2.goldmansachs.com/worldwide/brazil/ipo/brazilian_offerings.html
Corretoras
• Dependências das corretoras de títulos e valores mobiliários credenciadas junto à BM&FBOVESPA para participar na Oferta.
Informações adicionais sobre as Corretoras podem ser obtidas na página da rede mundial de computadores da BM&FBOVESPA
(www.bmfbovespa.com.br).
O Prospecto Preliminar também está disponível na sede e no endereço eletrônico (i) da CVM, na Rua Sete de Setembro, n.º 111,
5º andar, Rio de Janeiro - RJ, ou na Rua Cincinato Braga, 340, 2° andar, São Paulo - SP, ou em http://cvmweb.cvm.gov.br/SWB/
Sistemas/SCW/CPublica/CiaAb/FormBuscaCiaAbOrdAlf.aspx?LetraInicial=C; (ii) da BM&FBOVESPA, na Rua XV de Novembro,
275, São Paulo - SP, ou em http://www.bovespa.com.br/Empresas/InformacoesEmpresas/FormConsultaInfoPeriodo.asp; e (iii) da
Companhia, em: http://www.ecorodovias.com.br
A Companhia e os Coordenadores realizarão apresentações aos investidores (roadshows) no Brasil e no exterior no período
compreendido entre a data de publicação deste Aviso ao Mercado e a data em que for fixado o Preço por Ação.
O Prospecto Preliminar contém informações adicionais e complementares a este Aviso ao Mercado e sua leitura possibilita uma
análise detalhada dos termos e condições da Oferta e dos riscos a ela inerentes.
É admissível o recebimento de reservas, a partir da data indicada neste Aviso ao Mercado, para subscrição e/ou aquisição, as quais
somente serão confirmadas pelo subscritor e/ou adquirente após o início do período de distribuição.
“Leia o Prospecto Preliminar antes de aceitar a Oferta.”
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risco que devem ser considerados antes da decisão de investimento nas Ações.
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atenta e cuidadosamente, os termos e condições estipulados nos respectivos Pedidos de Reserva, especialmente os procedimentos
relativos ao pagamento do Preço por Ação e à liquidação da Oferta, incluindo a entrega de Ações, bem como as informações
constantes do Prospecto Preliminar.
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ofertadas ou vendidas nos Estados Unidos da América sem que haja o registro ou a isenção de registro nos termos do Securities
Act. Exceto pelo registro da Oferta perante a CVM, a Companhia não pretende registrar a Oferta ou as Ações nos Estados Unidos da
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aqueles relacionados à volatilidade do mercado de capitais, à liquidez das Ações e à oscilação de sua cotação em bolsa,
e possibilidade de perdas patrimoniais, que devem ser cuidadosamente considerados antes da tomada de decisão de
investimento. A presente Oferta não é adequada a investidores avessos aos riscos, inerentes a investimentos em ações.
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“O registro da presente Oferta não implica, por parte da CVM, garantia de veracidade das informações prestadas ou em
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A(O) presente oferta pública (programa) foi elaborada(o) de acordo com as normas de Regulação e Melhores
Práticas da ANBID para as Ofertas Públicas de Distribuição e Aquisição de Valores Mobiliários, atendendo,
assim, a(o) presente oferta pública (programa), aos padrões mínimos de informação exigidos pela ANBID,
não cabendo à ANBID qualquer responsabilidade pelas referidas informações, pela qualidade de emissora e/
ou ofertantes, das Instituições Participantes e dos valores mobiliários objeto da(o) oferta pública (programa).
Este selo não implica recomendação de investimento. O registro ou análise prévia da presente distribuição
não implica, por parte da ANBID, garantia da veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a
qualidade da companhia emissora, bem como sobre os valores mobiliários a serem distribuídos.
res da Oferta
es Contratados
corretora
26 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
EMPRESAS
Divulgação
MINERAÇÃO
CARNE
Rio Tinto e chinesa Chinalco explorarão
juntas mina de ferro Simandou, em Guiné
JBS-Friboi negocia compra de empresa
capaz de abater 200 mil bois por ano
A mina de Simandou tem reservas estimadas em mais de 2,25 bilhões
de toneladas de minério de ferro de grau 66%-67%, considerado de alta
qualidade. A produção esperada é de 70 milhões de toneladas por ano.
A anglo-australiana Rio Tinto é dona de 95% do projeto de exploração.
O acordo prevê que a Chinalco pagará US$ 1,35 bilhão por uma fatia de
47%. O minério extraído deverá ser encaminhado para o mercado chinês.
A JBS-Friboi assinou acordo para aquisição da Rockdale Beef, na
Austrália, por meio de sua subsidiária Swift Austrália. O comunicado ao
mercado não revela o valor da compra, que é citada como potencial, uma
vez que a conclusão da operação está sujeita à aprovação do conselho e
de autoridades competentes, entre as quais órgão antitruste da Austrália.
O assessor na negociação é o banco de investimento Rothschild.
San Juan Y Martinez/AFP
Produção de tabaco em Cuba:
joint venture com o governo
consolida marcas do grupo na
ilha antes dos concorrentes
Souza Cruz garante preferência na
privatização do cigarro em Cuba
Sócia do governo Castro há 15 anos, empresa fecha acordo que lhe assegura domínio do mercado
Luiz Silveira
[email protected]
Sócia do governo cubano na fabricante de cigarros Brascuba
há 15 anos, a Souza Cruz fechou
um novo acordo que lhe garante o direito de preferência na
privatização do monopólio estatal Tabacuba. A parceria prevê apoio da empresa brasileira,
controlada pela British American Tobacco (BAT), na reforma
e melhoria tecnológica da Tabacuba. Em troca, o governo
cubano garantiu que, se privatizar a empresa, terá que oferecê-la primeiro à Souza Cruz.
Embora seja um negócio pequeno para a Souza Cruz e irrisório para a BAT, a Brascuba tem
um importante papel estratégico. Quando e se ocorrer a abertura econômica do país liderado
há cinco décadas por Fidel Castro, o mercado de cigarros tende
a disparar e as marcas dominadas pela Souza Cruz serão as
únicas no gosto dos consumidores. “Cuba tem 11 milhões de
habitantes, um mercado potencial similar ao Chile e à Venezuela”, diz Fernando Teixeira,
diretor da Souza Cruz responsável pela operação.
A Brascuba detém virtualmente todo o mercado de cigarros nacionais indexados ao dólar, enquanto a Tabacuba produz os cigarros baratos cotados
em pesos cubanos. O mercado
da Brascuba é limitado aos consumidores com acesso ao CUC,
equivalente a um dólar mais um
pequeno spread. Seu público
acaba ficando restrito a estrangeiros, turistas, e cubanos com
acesso à moeda paralela.
“
Cuba tem 11 milhões
de habitantes, um
mercado potencial
similar ao Chile
e à Venezuela
Fernando Teixeira,
diretor da Souza Cruz
responsável pela Brascuba
Dos 13 bilhões de cigarros
vendidos anualmente em Cuba,
a Brascuba tem 11,3% do volume. Com um faturamento de
US$ 25 milhões, a companhia
representa 29% do valor das
vendas de cigarros do país. A
estatal Tabacuba, dona de 50%
da Brascuba, detém os outros
88,7% do mercado.
Privatização
Se assumir a Tabacuba, a Souza
Cruz dominará 100% da produção cubana de cigarros, com um
portfólio em todas as categorias
de produto. Isso porque o monopólio estatal atua apenas em cigarros de baixo valor, enquanto
a Brascuba possui cigarros “premium” e de médio preço —
como o Lucky Strike importado
do Chile, o Hollywood fabricado
em Cuba com tabaco brasileiro e
o Popular, líder da categoria de
cigarros ligados ao dólar.
Entre as marcas de alto valor
fabricadas pela Brascuba estão
principalmente tradicionais
marcas de charutos, licenciadas
pelo governo para dar nome a
cigarros. A mais sofisticada delas é a Cohiba, produzida pela
Brascuba desde 2003. A força
dessas marcas permite à companhia exportar 300 milhões de
cigarros por ano para países em
que os charutos são conhecidos,
principalmente a Espanha.
A grande vantagem do país de
Castro é que o percentual de fumantes é muito elevado. Cerca de
35% da população adulta é fumante, algo como 2 milhões de
pessoas, segundo Teixeira. Em
países como Brasil e Estados Unidos, o percentual de fumantes é
de cerca de 20% dos adultos. ■
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 27
Vito Palmisano/Bloomberg
INDÚSTRIA QUÍMICA
SUSTENTABILIDADE
Companhias devem ter um crescimento
modesto em 2010, diz estudo da Deloitte
Coca-Cola reduz o uso de água em 5% em
suas unidades durante a produção em 2009
Ao mesmo tempo, o mercado espera que as companhias ampliem suas
iniciativas de redução de custos ao longo de 2010. Mesmo diante de
esforços, as empresas não estão conseguindo evoluir, o que as forçará
a dar uma olhada séria em seus custos estruturais. Para um melhor
alinhamento com a realidade de mercado, as estratégias deverão
enfatizar a redução de complexidade e simplificar os processos.
A companhia utilizou 1,98 litro de água para cada litro de bebida
produzido ao longo do ano passado e afirma que o consumo está entre
os melhores níveis no mundo. Em 2008, a Coca-Cola usou 2,08 litros
para fabricar a mesma quantidade. A meta global da empresa é devolver
à natureza toda a água utilizada em suas unidades até 2020. Na década
de 90, a produção de cada litro de bebida consumia 5 litros de água.
Brascuba vira modelo
de gestão na ilha
Apesar de pequena, a operação da
Souza Cruz em Cuba não é um mau
negócio. No ano passado, o lucro
foi de US$ 11 milhões, dividido
igualmente com a Tabacuba.
O lucro líquido total da empresa
brasileira no ano foi de R$ 1,485
bilhão. Mas com um faturamento de
US$ 25 milhões, a Brascuba mostra
uma lucratividade muito boa.
E se o fator estratégico é o mais
importante do negócio para a
Souza Cruz, o mesmo vale para o
governo cubano. “A Brascuba está
sendo utilizada por Cuba como
modelo de gestão para outras
empresas e parcerias”, diz
Fernando Teixeira, da Souza Cruz.
A gestão tem o padrão da British
American Tobacco (BAT), e há
apenas dois funcionários brasileiros
expatriados em Cuba, em um
total de 280 empregados. Para
o executivo, foi a capacidade de
gestão do grupo que conseguiu tirar
a Brascuba do zero no momento
mais difícil de Cuba, após o fim do
regime socialista soviético. L.S.
MONOPÓLIO
88,7%
do mercado cubano de cigarros
é dominado pelo monopólio
estatal Tabacuba. A Brascuba,
joint venture do governo com a
Souza Cruz, detém praticamente
todo o resto do mercado.
FUMANTES
35%
da população cubana adulta
é fumante. O número é muito
maior do que em países
como Estados Unidos e Brasil,
em que cerca de 20% dos
adultos se declaram fumantes.
VENDAS
US$
25 mi
foi o faturamento da Brascuba
em 2009. A operação é pouco
significativa dentro da Souza
Cruz, que teve receita de R$ 5,8
bilhões, mas é bastante rentável:
US$ 11 milhões de lucro.
EXPORTAÇÕES
300 milhões
de cigarros foram
exportados no ano passado
pela Brascuba. A empresa
manda para o exterior produtos
com marcas tradicionais
de charutos, como Cohiba
e Romeo y Julieta, licenciadas
pelo governo para a Brascuba.
A ESTRATÉGIA NO MERCADO CUBANO
● Atuando apenas em um nicho
de mercado, a Brascuba fortalece
as marcas da Souza Cruz.
● A estatal Tabacuba
e a Brascuba dominam
o mercado cubano de cigarros.
● Adquirindo a Tabacuba em caso
de sua privatização, a Souza Cruz
teria quase 100% do mercado.
● As concorrentes teriam que
construir as marcas do zero para
abocanhar o mercado crescente.
28 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
EMPRESAS
INVESTIMENTO
Valor de mercado da E-Safertransfer sobe
para R$ 24 milhões após aporte de capital
A brasileira E-Safetransfer, que desenvolve sistemas de segurança e de
fidelização de clientes para smart cards, recebeu aporte de R$ 2,4
milhões, chegando à valorização de R$ 24 milhões. Segundo comunicado
da empresa, os novos recursos vieram principalmente de uma holding de
investimentos não identificada, com maior foco no mercado imobiliário.
A empresa prevê faturamento de R$ 3,5 milhões para este ano.
Murillo Constantino
Fernando Medin
(à esq.) e Enrique
Martinez apostam
na liderança
tecnológica
do Brasil
Teles aquecem mercado de TV paga
Discovery conta com entrada de novos operadores para elevar base de assinantes e venda de programação
Ivone Santana
[email protected]
A entrada das operadoras de telefonia no segmento de TV por
assinatura no Brasil aumentou a
competição e renovou os serviços, que estavam estagnados há
mais de uma década, gerando
negócios não só para operadores, mas também para os programadores. Hoje, Telefônica,
Oi e Embratel representam 10%
dos assinantes da Discovery.
Ainda é pouco. Os operadores de
TV (Net e Sky) ainda ficam com
a parte do leão: 78%. Mas a chegada de novos competidores na
telefonia fixa e móvel, e a possibilidade de leilão de licenças de
TV por assinatura animam a direção da Discovery, confiante
numa aceleração das vendas.
Outros fatores podem contribuir para esquentar o setor: a
bancarização, por permitir que
os consumidores que não tinham como pagar serviço de TV
possam fazer débito automático,
reduzindo o risco de inadimplência para os operadores; o
Outros fatores que
impulsionam setor
são ascensão da classe
C, bancarização
e pacotes de serviços
EVOLUÇÃO
Participação das operadoras no
mercado de TV por assinatura*
Embratel
4%
Oi
2%
Outros
8%
TVA
4%
Telefônica
4%
SKY
Net Serviços
27%
51%
Fonte: Brasil Econômico
*Estimativa
aumento do poder aquisitivo da
classe C e a oferta de pacotes que
reúnem TV paga, voz e banda
larga, com os serviços mais atrativos. A Discovery duplicou sua
distribuição de programação na
América Latina, nos últimos
sete anos, com quase 147 milhões de assinantes cumulativos
(somam os canais e pontos presentes no domicílio) e 35 milhões únicos. Do total, 30 milhões estão no Brasil.
Dinamismo ao mercado
“As teles trouxeram dinamismo
ao mercado”, disse o diretorgeral da Discovery Networks no
Brasil, Fernando Medin. “E o
fato de os consumidores poderem comprar o pacote sem dúvida ajuda nossa indústria,
operadoras tradicionais e entrantes.” O crescimento local
nos últimos dois anos também
é atribuído à reorganização da
Net e à fusão da Sky com DirecTV. Em 1994 se dizia que
seriam 10 milhões de assinantes de TV por assinatura em
2000. “Não alcançamos até
hoje, mas não está tão distante”, disse o executivo.
A participação das operadoras
na base de assinantes da Discovery reflete a fatia de mercado que
elas conquistaram em TV paga.
Cada empresa procura uma maneira de se diferenciar, seja pela
plataforma tecnológica ou investimento na marca, diz o diretorgeral da Discovery Networks Latin America/US Hispanic, Enrique R. Martinez. Nenhuma das
teles lançou canais em alta definição (HD), mas a expectativa é
de que tenham alguma oferta até
a Copa do Mundo. Nas transmissões via satélite (DTH) a tecnologia é digital, o que é diferente de
HD, e na TV a cabo as teles ainda
não podem oferecer TV paga até
que haja mudança na regulamentação, o que faz parte de
projeto de lei (PL 29) em discussão no Congresso.
Medin não conta com novas
licenças de cabo para a expansão
do serviço. Mesmo que ocorra o
leilão e as operadoras entrem em
novas cidades, o desenvolvimento da rede demora: “A im-
plantação sempre depende de
alguma coisa. Não contamos
com isto para crescer.” Mas se as
operadoras aumentam a penetração onde a rede está disponível, a Discovery segue junto.No
Chile e Colômbia, a Telmex,
controladora da Claro e Embratel, tem alguns canais em HD,
embora o número de assinantes
seja menor nesses países em relação ao Brasil.
Programação na telinha
Na plataforma móvel o consumo
de material visual é diferente da
TV e internet. A programação é
mais curta (de 30 a 90 segundos)
e dinâmica. Estão disponíveis os
canais Discovery Móvel, Discovery Kids e Mudar Faz Bem Móvel. O tamanho reduzido da tela
e o número limitado de celulares
3G restringem o crescimento do
serviço neste segmento. “O móvel é uma parte pequena (da
base de assinantes), é complementar. O consumidor quer ver
o conteúdo na melhor plataforma disponível no momento que
puder assistir.” ■
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 29
Daniel Acker/Bloomberg
BRIGA JUDICIAL
ALTO ESCALÃO
Viacom e Google trocam acusações
de hipocrisia quanto a YouTube
Remuneração do presidente do eBay
cai quase 58% em 2009
A Viacom acusou o Google de fechar os olhos a vídeos ilegais no site
YouTube, em um esforço para atrair audiência, de acordo com
documentos judiciais. O Google rebateu alegando que os executivos
da Viacom continuam enviando conteúdo sigilosamente para o
YouTube mesmo depois que a companhia de mídia abriu processo de
US$ 1 bilhão contra o site por violação de direitos autorais, em 2007.
A remuneração total do presidente-executivo do eBay, John Donahoe,
e de outros executivos de alto escalão do site de leilões apresentou
uma queda expressiva em 2009, em meio ao menor prêmio emitido
por meio de ações e opções. A remuneração total de Donahoe, que inclui
salário, bônus, prêmios de ações e opções, entre outros itens, caiu para
US$ 10,13 milhões em 2009, ante os mais de US$ 24 milhões de 2008.
Consumidor
chegará mais
rápido na 3D
A tecnologia deverá ficar
disponível antes de o padrão
HD ganhar massificação
O consumidor brasileiro poderá
dar um salto tecnológico, passando do padrão atual de TV,
analógico ou digital, diretamente para a terceira dimensão
(3D), sem chegar a usar aparelhos de alta definição (HD). A
opinião é do vice-presidente
executivo e diretor-geral da
Discovery Networks Latin America/US Hispanic, Enrique R.
Martinez. Além da parceria com
Sony e IMAX para lançar o primeiro canal 3D, a Discovery
analisa a produção de conteúdo
em 3D. “Será uma continuidade
da nossa relação com o operador, que vai querer satisfazer seu
assinante.” O primeiro canal 3D
da parceria, com transmissão 24
horas, será lançado nos Estados
Unidos, a partir de 2011. O prazo
para o Brasil dependerá do planejamento dos operadores locais. A Net testa a transmissão e
quer sair na frente.
Ainda no começo, a tecnologia HD tem cerca de 500 mil
assinantes na região latinoamericana. O Brasil, que decolou primeiro, tem cerca de 400
mil clientes do total, diz o diretor geral da Discovery Networks no país, Fernando Medin. O México foi pioneiro na
realização de testes, mas precisou adiar o lançamento do serviço devido à crise econômica.
A previsão de Martinez é de que
o mercado de TV latino-americano conquiste 4 milhões de
clientes HD nos próximos dois
anos (10% da base).
Sistema encarece pacotes
Os canais HD deixam mais caros os pacotes do cliente de TV
paga, com a aquisição do aparelho e conta mensal, o que
retarda a adesão dos consumidores. Com o amadurecimento
da tecnologia e maior demanda, o custo deverá cair, mas
neste meio tempo a 3D estará
disponível e poderá ganhar a
preferência do público, ainda
que mais cara.
A adesão ao HD na América
Latina deve atingir só um percentual de clientes, inicialmen-
As produções locais
de conteúdo da
empresa deverão
crescer no mínimo
17% em horas de
veiculação este ano
em relação a 2009,
na América Latina
te, mas Medin está otimista em
relação ao mercado brasileiro:
“Acredito que 2010 será muito
bom para HD no país, principalmente devido à Copa do
Mundo.” Eventos esportivos foram o gatilho para o crescimento da tecnologia na Europa.
A Discovery já lançou dois
canais em alta definição durante
24 horas: HD Theather e TLC
HD. As imagens podem ser capturadas diretamente em HD. A
produção em HD começou na
empresa em 2001 e a migração
da tecnologia ocorre há cinco
anos. “Hoje, quase tudo é produzido assim, inclusive no Brasil”, afirma Martinez. ■ I.S.
DISCOVERY EM NÚMEROS
● People+Arts, Discovery Channel
e Discovery Kids (5,8 milhões
de assinantes) estão entre
os 10 canais mais populares.
● Empresa tem
13 marcas em 34 países
e 1,5 bilhão de assinantes
cumulativos no mundo.
● Equipamentos para capturar
imagem em HD encarecem a
produção em 26% a 30% e registram
até 3 mil imagens/segundo.
30 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
EMPRESAS
Divulgação
FORMAÇÃO
INVESTIGAÇÃO
Fapesp reajusta valores
das bolsas de estudo
Reguladora chinesa encontra
falha em alguns notebooks da HP
O Conselho Técnico-Administrativo da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) concederá reajuste
nos valores de bolsas oferecidas pela fundação. Os reajustes,
para pagamentos a serem efetuados a partir de 5 de abril
próximo, serão feitos nas bolsas de Iniciação Científica,
Mestrado, Doutorado, Doutorado Direto e Pós-Doutorado.
A agência reguladora de qualidade da China informou que descobriu, em
investigação da HP, que a empresa teria alguns modelos de notebooks
com falha. A empresa ainda teria ignorado regras de proteção ao
consumidor. A agência afirmou em comunicado publicado em seu
site que, após receber reclamações de consumidores, descobriu que
diversos modelos eram afetados por placas de vídeo e telas defeituosas.
Setor público compensa perda de
clientes privados na Dom Cabral
Fundação amplia projetos em parceria com empresas estrangeiras no Peru, Colômbia e Estados Unidos
Divulgação
Uma das áreas
que mais sentiram
os efeitos da crise
foi a de cursos
internacionais.
Dos sete programas
previstos para
2009, quatro
foram realizados
Carolina Pereira
[email protected]
O crescimento da procura por
cursos customizados em 2009
foi uma surpresa para Emerson de Almeida, presidente da
Fundação Dom Cabral. No ano
passado, dos programas preparados pela instituição para
atender necessidades específicas de empresas, 33%eram
voltados para instituições públicas como o Tribunal de
Contas da União e o Governo
de Minas Gerais. Seu objetivo
era preparar funcionários públicos de nível gerencial. Em
2006, o índice fora de 6%. A
expectativa da fundação este
ano é que, além de manter a
expansão nas áreas de governo, alcançando cerca de 40%
do total de cursos vendidos, a
demanda do setor privado retome o nível de 2008, antes da
crise econômica.
Em 2009, a receita da fundação ficou 4% abaixo do esperado por conta da diminuição da
procura pelas empresas, totalizando receita de R$ 95,4 milhões. Em 2008 foram R$ 94,1
milhões. Para este ano a expectativa é recuperar os patamares
de alta e elevar o número de
alunos e o faturamento em 16%.
Resultado, em boa parte, da alta
na receita da área de cursos customizados. “As empresas querem soluções mais caseiras e estão mais egoístas nesse sentido,
pois preferem investir em algo
que seja próximo de sua realidade”, afirma Almeida.
Uma das áreas que mais
sentiu o impacto da crise dentro da instituição foi a de cursos internacionais, que normalmente eram subsidiados
pelas empresas. Dos sete programas previstos para serem
realizados em 2009, três foram
cancelados e outros quatro
mantidos, porém com número
de inscritos abaixo do esperado. A procura pelo STC Executivo (Skills, Tools & Competencies), por exemplo, que em
2008 teve aproximadamente
60 alunos, caiu pela metade. O
curso é realizado durante uma
semana no Brasil e três nos Estados Unidos.
RECEITA
R$
95,4 mi
foi quanto a Fundação Dom
Cabral faturou em 2009.
O valor corresponde a 96% do
previsto para o ano. Em 2008
o número foi de R$ 94,1 milhões.
PRINCIPAL NEGÓCIO
39%
da receita da fundação, em 2009,
veio de cursos customizados
oferecidos dentro das empresas.
Em 2008 o percentual
era um pouco maior: 40%.
ALUNOS
24,8 mil
executivos participaram dos
diversos programas de ensino
da Fundação Dom Cabral no ano
passado, aumento de 7,5%
em relação ao ano anterior.
Emerson de Almeida,
presidente da Fundação
Dom Cabral, aposta
no modelo que mistura
consultoria e ensino
para crescer no
exterior em 2010
A Fundação Dom Cabral também quer expandir internacionalmente os programas feitos
em parceria com empresas em
2010. Segundo informa Almeida, este ano a instituição está
montando cursos junto com
companhias do Peru, Colômbia,
e Estados Unidos. Atualmente o
“Parceiros para Excelência”,
como é chamado o programa,
abrange Brasil e mais cinco países: Argentina, Chile, Equador,
Paraguai e Portugal.
A expectativa é agregar mais
40 empresas ao projeto deste
ano. Atualmente, são 270 organizadas em grupos regionais de
estudo que misturam aulas com
projetos de consultoria sobre temas escolhidos pelas clientes. ■
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 31
Gavin Newman/Greenpeace
AUTOMÓVEIS
CONSUMO
Montadoras emplacaram 6,9% mais carros
importados em fevereiro que em janeiro
Países rejeitam moratória
ao comércio do atum-azul
Marcas como Audi, BMW, Chrysler, Jaguar e Porsche, que estão entre
as 22 integrantes da Associação Brasileira das Empresas Importadoras
de Veículos Automotores, tiveram crescimento de 170,8% no número
de emplacamentos em fevereiro ante o mesmo mês de 2009. No mês
passado, foram 5,4 mil unidades. O acumulado de janeiro e fevereiro
de 2010 registrou 10,4 mil unidades contra os 3,9 mil veículos em 2009.
O esforço de impor uma moratória ao comércio internacional do
atum-azul — o maior, mais valioso e mais saboroso entre esses peixes —
naufragou, na semana passada, em Doha, no Catar, onde 175 países
discutem regras para a exportação e importação de espécies ameaçadas
de extinção. Capitaneada pela diplomacia de Mônaco, a proposta
foi derrotada pelo bloco de nações pesqueiras, liderado pelo Japão.
FIA vai testar aptidão de executivos
Nova métrica ajuda a identificar
os profissionais com perfil para
trabalhar no exterior e os pontos
em que eles podem melhorar
Mariana Celle
[email protected]
A Fundação Instituto de Administração (FIA) fechou uma parceria com o Thunderbird Global
School of Management, sediado
nos Estados Unidos, para desenvolver um novo teste que avalia a
aptidão de executivos para cargos
fora do país. “Não é porque uma
pessoa fala bem inglês que ela
está preparada para trabalhar no
exterior”, afirma o professor Alfredo Behrens, da FIA, responsável pela pesquisa. Juntas, as instituições estão fazendo primeiro
um levantamento para mensurar
o potencial de liderança dos profissionais que atuam no exterior
ou que pretendem atuar. “Com as
análises que serão feitas, vamos
conseguir evidenciar, do ponto
de vista cultural, quem são os
mais aptos a um certo cargo e
quando não estiver apto, identificar o que ele precisa aprender
mais rapidamente para se tornar
mais eficaz”, diz Behrens. Ele
acredita que, desta forma, as corporações terão também profissionais mais bem preparados.
As medições estão sendo feitas por meio de questionários.
O primeiro deles foi aplicado
em mais de cinco mil executivos pelos pesquisadores americanos que fazem parte do projeto. O objetivo é saber qual o
“
Não é porque
uma pessoa fala
bem inglês que
ela está preparada
para trabalhar
no exterior
Alfredo Behrens,
professor da FIA
esforço pessoal realizado pelo
indivíduo para ir trabalhar fora
de seu país de origem. Entre os
pontos abordados estão quantos idiomas o entrevistado fala e
quantos países conhece, entre
outros aspectos mais técnicos.
“Muito provavelmente um profissional que tenha passado seis
meses na França vai ser mais
eficaz em uma atividade em
qualquer outro país, do que
aquele que não teve este tipo de
experiência”, diz Behrens.
Conhecimento remunerado
A segunda parte do projeto é de
responsabilidade da FIA e pretende ir mais longe na investigação do profissional de média
e alta gerência, abordando o
interesse pessoal em experiên-
cias no exterior e além de suas
aptidões como líder. Entre os
40 profissionais que responderam a este segundo questionário até o momento, cerca de
70% são de empresas multinacionais. O pesquisador pretende expandir essa amostra para
250 entrevistados até a conclusão do estudo, que deve ocorrer
em maio. Os resultados conseguidos até lá serão repassados
às empresas participantes. E a
nova métrica será vendida, em
forma de prestação de serviço,
às companhias interessadas.
Mas ela não estará concluída
ainda. Depois de maio, o projeto segue para uma segunda etapa, que é a comparação entre os
resultados obtidos no Brasil e
nos Estados Unidos. ■
32 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
EDUCAÇÃO
ENTREVISTA JOÃO GRANDINO RODAS
Grandino Rodas: discussões
sobre cotas e ensino a
distância entram na pauta
“O diálogo
está aberto,
mas será que
interessa?”
Novo reitor monta estratégia para
diminuir conflitos e modernizar a USP
Regiane de Oliveira
[email protected]
O jurista João Grandino Rodas
assumiu neste ano a reitoria da
Universidade de São Paulo (USP),
mas já tem quatro décadas de experiência no universo da instituição, primeiro como aluno, de
1965 a 1969, em um período de
grande movimentação política e
social, e a partir de 1971, como
professor. Por isso, está acostumado aos frequentes conflitos
que caracterizam a realidade da
Cidade Universitária.
O termo cidade não é à toa.
Com área total equivalente à da
estação hidromineral de Águas
de São Pedro, de 4 km², e recursos de R$ 3 bilhões por ano (bem
superiores aos R$ 42 milhões do
Produto Interno Bruto(PIB) da
cidade paulista), o campus da
USP, localizado na zona Oeste de
São Paulo, congrega mais de 105
mil pessoas, sendo cerca de 80
mil alunos de graduação e pósgraduação, 7 mil funcionários e
mais ou menos 7 mil professores.
“É uma clientela bastante especial, pois todos se orgulham de
poder estar na USP, mas, muitas
vezes, também se sentem donos
do espaço universitário, quando,
na realidade, a Universidade de
São Paulo é do povo ”, afirma.
Rodas falou ao BRASIL ECONÔMICO sobre sua missão de ampliar
o diálogo com essa clientela exigente e agregar a esta conversa a
sociedade, hoje alheia ao que
acontece na universidade.
Para isto, quer aumentar a
transparência e reduzir as desigualdades internas. Além de ampliar o alcance da universidade
com um programa de internacionalização. São planos ambiciosos,
que fazem os quatro anos de sua
gestão parecerem pouco. A seguir
os principais trechos da entrevista.
As relações entre a reitoria e a
comunidade USP foram tensas
em 2009. O senhor está
tentando melhorar o diálogo?
Esse diálogo vem sendo feito,
mas eu diria que é normal existirem grupos, muitas vezes pequenos, que afirmam que não
querem conversar para não perder a mobilização. O diálogo
esta aberto, mas será que interessa a todos? Vamos ver!
Na semana passada, alunos
ocuparam uma sala do
Coseas (Coordenadoria do
Serviço de Assistência da USP)
reivindicando mais vagas
de moradia. Como lidar
com esta situação?
Temos na Universidade de São
Paulo uma cultura que não é de
hoje e não vai mudar do dia para
a noite. Muitos segmentos passaram a usar força e violência
como uma coisa normal, são os
piquetes e a ocupação. Os próprios manifestantes não negam
que é uso de força. E isso é considerado por muitos como um
direito. A diferença é que nos
últimos anos, a administração e
grupos dentro da universidade,
mesmo de alunos, começam a
contestar essa utilização de força. Houve greves, por exemplo,
que não começaram com a negociação, mas com a ocupação.
O que se nota é um cansaço disso. E uma reação do outro lado
pode vir também com o uso da
força. Qual a saída para o não
cumprimento da ordem judicial
dentro da ordem pública brasileira? A saída é a força.
Mas se ambos os lados
usarem a força temos um
impasse. Qual a solução?
A primeira é a que vem sendo
usada, de direito interno. Se a
ação é ilegal, pede-se uma ordem
judicial, que se não for cumprida,
requer o uso da força. Claro que
isso não é bom, não é universitário. Por isso, proponho outra forma de negociação. É um modo de
solução de litígio oriundo do Direito Internacional, que se usa
entre países. Mas tem um pressuposto que é inarredável: um cessar fogo, no qual não se usará
violência de nenhum dos lados.
Sem isto, não funciona.
E como fica a sociedade
neste diálogo?
Primeiro é a sociedade que paga
a conta do que acontece na USP,
por isso todos que estão na universidade têm uma responsabilidade muito grande. Os alunos,
“
Vamos investir
em transparência.
No próximo Conselho
Universitário, vamos
levar a proposta de
que todas aquelas
informações que
não estejam ligadas
ao sigilo pessoal
sejam abertas
ao público
por exemplo, são bolsistas do
povo. A USP é financiada com
recurso que o governo do estado fornece com base em percentual do ICMS e todos nós sabemos que ele é pago por quem
compra arroz, feijão e outros
itens de primeira necessidade.
Por isso, é preciso que as pessoas tenham consciência social.
Como fica a isonomia do nosso
aluno que tem esta estrutura à
disposição, e daquele que estuda na Unip e que quase não almoça e vai a pé para a escola
por ter de juntar dinheiro para
pagar a mensalidade. Quem
pensa nisso na hora de paralisar
serviços de assistência social da
USP, como o Coseas?
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 33
Divulgação
Bactérias ajudam a descontaminar solo e água
Um estudo feito na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP,
em Piracicaba, mostrou a possibilidade de usar consórcios de bactérias para
degradar o tetracloroetileno, um solvente potente e não-inflamável, muito
usado na lavagem a seco, indústrias metalúrgicas, instalações militares e até
em residências. Por seu uso em larga escala, o tetracloroetileno é um dos
poluentes mais comuns no solo e na água. O novo processo tem resultados
rápidos porque emprega bactérias que se desenvolvem na presença de ar.
Henrique Manreza
■ ORÇAMENTO
■ PÚBLICO
Excluindo pesquisa, a USP
tem ao ano recursos de
O total de alunos, professores
e funcionários é de
R$
3
bilhões
imprensa, rádio e televisão. A
USP está tentando acompanhar
estas mudanças.
Quais as ações para se
modernizar a instituição?
Até há pouco tempo uma faculdade podia ser a melhor em Direito de São Paulo ou de Ribeirão
Pires. Hoje as universidades não
são mais pensadas como algo
estanque, mas como algo que se
inter-relaciona com universidades do mesmo país e de fora.
Daí a importância de internacionalizarmos a universidade.
Aquela instituição que não se
preocupar com a utilização de
modernos meios de comunicação, que não se internacionali-
“
Não diria que
a USP é melhor
que as outras,
mas que é diferente.
É uma universidade
de pesquisa,
que também visa
a formação de
professores e
profissionais de ponta
mil
■ RECURSOS
■ ESTRUTURA
A folha salarial consome
dos recursos cerca de
O total de pessoas que vivem
em moradia na USP é de
90%
1,5
zar, não entrar nesta rede mundial que está sendo formada,
está fadada a se transformar em
algo histórico.
mento nestas áreas não teremos matéria-prima aceitável
para as universidades. Ficar
reivindicando mais recursos é
preciso, mas com cautela. Não
podemos achar que todo o
povo precisa nos sustentar.
Como se dará a
internacionalização da USP?
A internacionalização tem vários graus. O primeiro e mais
simples é o intercâmbio de alunos e professores, que já acontece aqui. O segundo é a USP em
conjunção com instituições estrangeiras de porte, fazer graduação de duplos diplomas. A
Politécnica, Odontologia e FEA
já fazem. O terceiro aspecto é a
certificação internacional das
áreas de conhecimento, por órgãos independentes. Isto ainda é
raro no Brasil. A Fundação Getulio Vargas é pioneira na questão da certificação do curso de
Administração. Mas para isso,
ainda precisamos de uma série
de coisas, como melhorar o
acolhimento do estrangeiro,
aula de português.
Alguns movimentos de
estudantes causam polêmica,
mas já fazem parte da história
da USP. Como modernizar
sem ferir a tradição?
Tradição é importante, desde
que façamos como aquele deus
da Antiguidade, Janus, que tinha duas faces, uma olhava o
passado e outra, o futuro. Não
podemos deixar de lado pressupostos fundamentais como a
autonomia da universidade, a
dedicação à pesquisa pura e desinteressada, por exemplo. Mas
é preciso perceber que o mundo
mudou. E a universidade que
existe hoje é uma criação da
Idade Média, que não mudou
muito com a criação do livro,
105
Quais outros planos
de modernização serão
colocados em prática?
Outra coisa na qual vamos investir é em transparência. No
próximo Conselho Universitário
(dia 6 de maio), vamos levar a
proposta de que todas aquelas
informações que não sejam ligadas ao sigilo pessoal como orçamento, gastos, decisões de
conselhos, faixas salariais e atas
de reuniões sejam abertas ao
público na internet. Por exemplo, sabemos que quase 90% do
orçamento da Universidade de
São Paulo, de R$ 3 bilhões, é
consumido com salário. E isto é
mais ou menos igual nas três
universidades paulistas (USP,
Unesp e Unicamp). Mas onde
estão estes dados?
Em sua opinião faltam
recursos para a educação?
Dinheiro sempre é bem-vindo, mas tem uma coisa que
precisamos pensar. A universidade não pode imaginar que
ela é a única a sorver o dinheiro público porque temos outros aspectos importantíssimos como saúde, educação
básica. E se não tiver investi-
mil
Se não vier do povo,
qual a outra forma
de captar recursos?
Na reconstrução dos campi,
por exemplo, podemos trabalhar com dinheiro do BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Também é importante buscar
parcerias com as empresas na
área de pesquisas.
E como fazer parcerias
público-privadas sem
correr o risco de ser
acusado de privatizar
a universidade?
Isto ainda precisa ser pensado,
com regras básicas. Em última
análise, a parceria entre universidade e empresa pode ser dada
de uma forma em que não haja o
comprometimento da autonomia da universidade e nem uma
compra por parte da empresa.
A USP costuma fugir
das questões polêmicas
como a política de cotas para
negros e o ensino a distância.
Qual a sua posição?
A USP nunca discutiu as cotas,
mas vamos levar ao Conselho
Universitário esta questão e
tentar encontrar uma forma de
diferenciar alguns segmentos
no vestibular. Sabemos que a
USP precisa dar uma resposta à
sociedade sobre o que pensa
disso. Quanto ao ensino a distância, que eu prefiro chamar
de ensino semipresencial, também estamos discutindo. Precisamos fazer alguns pilotos,
não adianta simplesmente criticar. Temos de ver na prática.
Os cursos da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São
Paulo) foram aprovados por todos os segmentos da universidade. E temos de colocar em
prática. Ainda não posso falar
que embarcamos no ensino semipresencial, mas estamos seguindo neste caminho. ■
34 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
ENCONTRO DE CONTAS
LURDETE ERTEL
Peter Parks/AFP
Ilha de
inovação
A ilha de Florianópolis
(SC) não quer ser
conhecida apenas
por suas belas praias.
A capital de Santa
Catarina, que completa
284 anos de fundação
nesta semana, também
quer ser a Capital da
Inovação no país —
um título que acaba
de transformar
oficialmente em marca.
A bandeira tem o endosso
dos números: atualmente,
somente Florianópolis
(sem contar a Região
Metropolitana), soma
mais de 500 empresas
de base tecnológica.
Juntas, elas faturaram
cerca de R$ 1,2 bilhão
em em 2009, empregando
mais de 5 mil pessoas.
Para justificar o
título, a cidade tem
ainda quatro fundos
de capital de risco
e semente, 10 centros
e institutos de pesquisa
e desenvolvimento e
15 centros universitários.
Salto no cavalete
Nem mesmo com o rutilante sucesso
de vendas do leilão de bens do estilista Yves
Saint Laurent, no início do ano passado, a
França conseguiu assegurar seu lugar como
terceiro maior mercado de arte do mundo.
Em 2009, a posição foi devorada pela
China, que, segundo a Artprice, terminou
o ano ocupando o pódio de cifras giradas
por leilões de arte ao lado dos líderes
habituais — Estados Unidos (mais exatamente
Nova York) e Inglaterra (leia-se Londres).
Os negócios de obras de arte no
mercado chinês movimentaram
US$ 830 milhões no ano passado,
representando 17,33% do total global.
É mais do que o dobro da participação
de 2008, quando a China respondia por
7,83%. Por causa do estrondoso resultado
apurado pelos martelos na China no ano
passado, 15 leilões realizados no país,
envolvendo arte chinesa, ficaram entre
os mais bem-sucedidos feitos no mundo.
Não apenas no ano passado, mas
em toda a história do mercado de arte.
Sabah Arar
Sol a pino
É aguarda nesta semana
a liberação da Licença
de Instalação para o início
das obras de construção
da primeira usina comercial
de energia solar do Brasil
e da América do Sul.
O empreendimento será
instalado em Tauá, no Ceará,
pelo grupo MPX, do empresário
Eike Batista. O parque deve
começar com capacidade para
gerar 1 megawatt (MW),
mas deve alcançar 50 MW.
Este volume fará dele o segundo
maior do mundo. O projeto
deve gerar 10 mil empregos.
Ninhada
Mais três cidades brasileiras
estão na mira da companhia
aérea Azul. Até o final do ano,
a empresa pretende estar
operando em 21 destinos
no país. Hoje, são 18.
Para tanto, espera adicionar
à sua frota mais seis aeronaves
da Embraer nos próximo meses.
“É um absurdo
o que está se
fazendo. Parece
que tem gente
que entra na vida
pública só para
fazer besteira”
Eduardo Paes, prefeito do
Rio de Janeiro, em relação
aos deputados responsáveis
pelas mudanças na distribuição
dos royalties.
Brilhando no Nordeste
A fabricante de brinquedos
Estrela prepara o início
das obras de sua primeira
indústria nordestina,
em Ribeirópolis, no Sergipe.
Serão investidos R$ 11,1 milhões.
O projeto tem o endosso
do Grupo João Carlos
Paes Mendonça (JCPM),
que vai ceder a estrutura.
Seca à sombra
das tamareiras
A interminável guerra no
Iraque teve efeito devastador
sobre um dos principais
produtos de exportação do país.
As tâmaras colhidas pelos
iraquianos como subsistência,
em sua maioria, eram
consideradas as melhores
do mundo. E faziam do país
o maior produtor e exportador
da fruta no globo, ao lado do Egito.
Antes da guerra, o Iraque
costumava embarcar ao exterior
500 toneladas anuais de tâmaras,
de 624 diferentes variedades.
Mas especialistas afirmam
que esse mercado foi dizimado:
a negligência no cuidado
das tamareiras reduziu para
menos da metade o número
de árvores da espécie no país.
Estimam-se que em 1980 havia
espalhados em território iraquiano
mais de 30 milhões de pés da
planta, que, depois do coqueiro, é a
mais útil da família das palmeiras.
Além da guerra, esse mercado
também foi diretamente atingido
pelo bloqueio econômico dos EUA.
As tâmaras são um dos principais
produtos de exportação do Iraque,
ao lado do petróleo.
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 35
Fabien Sarazin
MARCADO
Joia líquida
A francesa Guerlain trouxe para o Brasil um lançamento
mais que especial. Quase uma exclusividade, o novo perfume
Idylle de Guerlain, conta com apenas 24 unidades à venda
na loja Fauré do Shopping Iguatemi, no valor de R$ 1.200 cada.
A embalagem é um charme a parte. O frasco traz uma pedra
de cristal Swarovski e a fragrância possui características únicas,
como a adoção de notas especiais de rosas da Bulgária.
● Glorinha Kalil é a nova articulista
do clube de relacionamento da
FIAT, o Clube L’Unico. Durante
um mês, ela vai assinar a Coluna Vip
do site do Clube e dará dicas
sobre etiqueta. Na primeira matéria,
que vai ao ar hoje, Glorinha
fala sobre etiqueta no trânsito.
[email protected]
Evaristo Sa/AFP
Descendo do salto
Divulgação
Christian Louboutin, conhecido por deixar as mulheres “nas nuvens” com sapatos de saltos
altíssimos, resolveu fincar seus pés no chão. O designer desceu do salto e criou sapatilhas
inovadoras para as mulheres que prezam pelo conforto sem perder o estilo. Louboutin
manteve a sola vermelha, marca registrada de seus sapatos. As sapatilhas Gazelle
e Rosella Python podem ser adquiridas aos preços de R$ 1.850 e R$ 2.400, respectivamente.
Pé no guindaste
A movimentação dos portos brasileiros no primeiro
bimestre confirmou a consolidação do novo mapa
de produção de calçados para exportação no Brasil.
A liderança nos embarques de sapatos em janeiro
e fevereiro foi do Porto de Pecém, no Ceará,
que despachou 5,9 mil toneladas (participação
de 48%). Em seguida, vem o Porto de Rio Grande,
com 3,51 mil toneladas (28%) e Santos (13%).
Som mecânico
Trabalham a pleno vapor no Rio de Janeiro as picaretas
e gruas da obras de demolição do prédio da antiga boate Help,
desapropriado para abrigar o novo Museu da Imagem e
do Som (MIS). O cronograma do projeto prevê que os trabalhos
de desmonte da edificação sejam concluídos ainda neste
mês na Praia de Copacabana.
Parceria
GIRO RÁPIDO
Lugar para jogar
âncora no mar verde
Divulgação
Única forma de transporte em diversos pontos
da gigantesca Amazonia, a estrutura hidroviária
do Rio Amazonas deverá ganhar mais 15 portos.
Os empreendimentos serão espalhados pelo interior
do Estado, para ajudar o vai-vem de passageiros
e escoar a produção dos municípios para
Manaus, a capital e grande centro consumidor.
O projeto prevê o investimento da ordem de
R$ 261 milhões na construção dos terminais
portuários pelo consórcio Sanches/Tripoloni.
Conforme ordem de serviço assinada na última
semana, os novos portos vão ter terminal de
passageiros, fábrica de gelo e até frigorífico.
Os municípios contemplados são Barreirinha,
Boa Vista do Ramos, Careiro da Várzea, Iranduba,
Itapiranga, Beruri, Canutama, Codajás, Tapaúa,
Carauari, Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Itamarati
e São Gabriel da Cachoeira, todos no Rio Amazonas.
Lanche feliz
Oito surpresas inspiradas
nas séries Pucca e Naruto
estão disponíveis nos
restaurantes McDonald’s
a partir de hoje. A nova
campanha do McLanche
Feliz promete encantar
pais e filhos, além dos
fã das séries animadas.
Divulgação
O Grupo Pestana assinou
contrato com a empresa
americana Waterstone
Marketing Consulting
Services. O objetivo é
promover e comercializar as
unidades do Pestana Hotels &
Resorts nos Estados Unidos.
Declaração
A Brasilprev criou um
hotsite para ajudar a declarar
o plano de previdência
no Imposto de Renda.
A ferramenta ajuda e orienta
os contribuintes de forma
interativa e descomplicada.
Com Karen Busic
[email protected]
Divulgação
Gatos também
bebem vinho
Hello Kitty virou mesmo
coisa de gente grande.
A gatinha branca adorada pelos
japoneses (sobretudo) agora
está estampando até garrafas
de vinho e espumante.
A linha em homenagem à famosa
personagem é produzida por
uma centenária vinícola da região
da Lombardia, na Itália, famosa
pelo cultivo da uva Pinot Noir.
A garrafa de 375 ml traz
embutido no gargalho uma
etiqueta com um coração
de ouro, dentro do vidro.
A novidade começou a ser
despejada agora no mercado
americano e foi recebida
com vendas esgotadas
nos primeiros lotes.
A McLaren divulgou esta semana o MP4-12C. O super esportivo
tem tecnologia de um carro de Fórmula 1, e vai competir
com modelos da Ferrari e Lamborghini pelas ruas. Jenson Button
e Lewis Hamilton foram os pilotos de teste da nova máquina.
O MP4-12C é o primeiro carro da marca com estrutura 100%
em fibra de carbono. Com motor V8 biturbo de 600 cavalos,
a nova McLaren vai estar à venda no final de 2011 com um preço
estimado entre 125 mil e 150 mil libras (R$ 340 mil e R$ 408 mil).
36 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
CONSUMO POPULAR
PAULO VIEIRA LIMA
Dreamstime
EXPRESSAS
Peça falsificada
tem preço baixo,
mas oferece alto risco
A indústria de reposição de peças
e componentes automotivos
soma esforços para evitar a
falsificação e pirataria. Participam
o Sindipeças, Andap, Sincopeças
e Sindirepa. A ordem é inibir
a oferta de componentes sem
certificação. Quem procura
encontra soluções a preços
baixos, porém as empresas
que agem conforme os padrões
das montadores advertem que a
utilização de peças sem qualidade
provoca prejuízos e põe em
risco a vida dos consumidores.
Cervejaria usa barcos
para limpeza do
rio no Dia da Água
Comerciantes paulistas torcem por vitórias na economia e pedem mudanças nas políticas públicas
Associação Comercial de São Paulo
fará sugestão aos futuros governos
petitividade”. O empresário
comenta a obrigação de a sua
entidade se envolver em questões relacionadas com a governabilidade do Brasil. Ele defende o surgimento de lideres e
empreendedores jovens e confia na trajetória do país junto às
grandes economias.
“A posição brasileira no cenário mundial é da maior importância e seu desempenho
nesta economia globalizada traz
reflexos de grande impacto no
mercado interno. E a conquista
de espaço no exterior não se dá
mais com a concorrência entre
empresas”. Hoje, diz, são países
que promovem a colocação de
produtos e serviços no exterior.
Por isso, a cautela com propostas populistas como a redução
de jornada de trabalho, enquanto a China ganha terreno,
produzindo e exportando. Internamente há esperança na
mobilidade social que torna
possível o surgimento de uma
classe média participativa. “A
evolução da demanda é um fato
e seguiremos no rumo certo, se
tivermos um programa afinado
com nossa realidade e que nos
livre do cipoal de impostos”. ■
Participam do projeto especialistas
como José Roberto Afonso, Nelson
Marconi, Carlos Antonio Rocca,
Geraldo Biasoto, Alexandre
de Morais e Clóvis Panzarini.
de empreendedores.
A grande mudança social
no país acontecerá no instante
em que esses brasileiros
saírem da informalidade.
aproveitar sua credibilidade e
deve contribuir efetivamente
para resolver questões como o
crédito, caso contrário, morrerá.
E o crédito para esses
empresários, de onde virá?
Há algum procedimento
que os empresários
não devem esquecer?
...ALENCAR BURTI
Os estudos que levantam
propostas para o futuro
governo têm indicações para a
situação do consumo interno?
Presidente da Associação Comercial
de São Paulo e da Federação
das Associações Comerciais
do Estado de São Paulo
Claro que sim. Queremos incluir
na legalidade 1,2 milhão de
microempresários que atuam
no comércio de São Paulo.
No Brasil, eles somam 3 milhões
A partir desta semana teremos
agências do Banco do Povo em
cada uma das sedes distritais da
Associação Comercial. Nossa
entidade — com 115 anos de vida —
não poderia ficar omissa neste
momento de transição. Ela vai
O que não é possível esquecer
é a constante busca da inovação,
total apoio às pesquisas e atenção
especial ao varejo. O comércio
varejista é historicamente vital.
Se não houver varejo forte,
a economia será fraca.
Políticas públicas só terão rumo
certo com programa afinado
com nossa realidade
Quem coordena o projeto é o
professor Roberto Macedo,
vice-presidente da entidade. O
o presidente, Alencar Burti,
conduz o processo. Burti enfatiza que “é uma proposta de
ações que asseguram estabilidade econômica e política,
permitem a adoção de políticas públicas, preservam avanços na economia e na sociedade e contribuem para nortear o
país do ponto de vista da com-
“
Conquista do mercado
externo não se dá com
a concorrência entre
empresas. Os países
promovem seus
produtos e serviços no
comércio internacional
Alencar Burti,
presidente da ACSP
TRÊS PERGUNTAS A...
O grupo Petrópolis — que produz
as marcas Itaipava, Crystal, Petra,
Lokal, Black Princess e TNT —
participa hoje do Dia da Água na
cidade de Boituva (SP). Quatro
barcos da empresa navegarão
pelo Rio Sorocaba retirando
resíduos sólidos (pneus,
embalagens plásticas, latas) das
águas. O material será enviado
ao programa de coleta seletiva
do município. A água do rio vai
para análise na Unesp e o resultado
será usado em campanha a favor
do meio ambiente.
Produtores de
orgânicos sonham com
o mercado brasileiro
O mercado mundial de orgânicos
cresce e os produtos brasileiros
vão muito bem lá fora.
“Esperamos que tenhamos
preços para popularizá-los
também no Brasil.” É a opinião
de Ming Liu, coordenador
executivo do Projeto Organics
Brasil, que representa
74 empresas produtoras e
exportadoras de cachaças,
mel, frutas in natura e polpa,
cereais, confecção em algodão
e cosméticos. Atualmente, a
diferença de preço é de 30% maior
que os produtos convencionais.
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 37
Fotos: Divulgação
Marcas têm vida na mente do consumidor
Mark Batey é consultor de empresas e tem uma carteira de clientes
internacionais na qual figuram empresas como Unilever, Nestlé
e Coca-Cola. Em seu livro O Significado da Marca — que está chegando
às livrarias —, Batey aponta as razões de a criação da identidade
de produtos e serviços, às vezes, não corresponder à expectativa.
O autor analisa fatores conscientes e inconscientes que relacionam
pessoas, produtos e marcas. O lançamento é da Editora Record.
[email protected]
Murillo Constantino
Nova classe média garante
o sucesso dos cruzeiros marítimos
A temporada de cruzeiros
marítimos é a mais longa de todas
no país. Começou em outubro
de 2009 e vai terminar em maio
deste ano. Há dois meses para o
fim das viagens, 90% das cabines
já foram vendidas. 2010 fechará
com mais de 900 mil passageiros,
um número de cruzeiristas
correspondente a 66% acima
da procura registrada no verão
anterior, quando foram vendidas
540 mil passagens para o turismo
marítimo. ”Um dos fatores
que determinam esse sucesso
é a participação crescente da
nova classe média, que, tendo
mais dinheiro no bolso, opta pelos
navios”, explica Ricardo Amaral,
presidente da Associação
Brasileira de Representantes de
Empresas Marítimas (Abremar).
O executivo informa que
“os minicruzeiros, com duração
de três a quatro noites,
e os temáticos são os que
despertam maior interesse”.
O “secret shopper” tem a missão de auxiliar na gestão dos negócios
O “consumidor
secreto” está de olho...
Há um exército de consumidores
observando o trabalho dos
profissionais de vendas e
contribuído para evitar problemas
com clientes. São “secret
shoppers”, consumidores
secretos, que nos EUA agem
desde a década de 30 do século
passado e recebem para ir às
compras. Seus relatórios são
analisados com rigor científico.
Eles só atuam no Brasil há 20
anos, conforme lembra Stella
Susskind, pioneira nesta área
e presidente da Shopper
Experience, empresa com mais
de 20 mil ”secret shoppers”.
Susskind adverte que se deixa
de vender porque, no balcão,
alguém prejulga e não respeita
a vontade do cliente de adquirir
esta ou aquela mercadoria.
O fascínio dos navios: passeios em alto-mar conquistam a preferência do turista brasileiro
4 milhões de
paulistanos na feira livre
Os feirantes de São Paulo
aguardam um novo decreto
municipal que amplia os
grupos de feiras livres e leva
essa modalidade de varejo para
novos locais da cidade. Estão
em análise alguns espaços para
o confinamento de feiras e a
instalação de banheiros químicos.
Democráticas, elas são populares
em bairros da periferia e
também estão nas regiões mais
sofisticadas. Atualmente
funcionam 960 feiras livres
oficiais montadas de terça a
domingo. Geram 100 mil empregos
e por elas circulam mais de
4 milhões de consumidores.
José Torres Gonçalves, presidente
do Sindicato dos Feirantes,
comenta que na área de frutas,
verduras e legumes entre
65% a 80% da movimentação
na Ceagesp é garantida
pelos feirantes e 20% a 30%
trabalham com produção própria.
Henrique Manreza
Empresa anuncia novas rotas e novo conceito para conquistar clientes
Puma Air está pronta para
decolagem e promete diferenciais
A Puma Air Linhas Aéreas chega
a São Paulo após o êxito na
Região Norte. Com capital de
seu presidente Gleison Gambogi
e da Ipiranga Obras Públicas
e Privadas, a empresa é 80%
brasileira. Os outros 20% são da
Angola Air Service. Até o final do
mês terá voos diários entre Belém
e Guarulhos em Boeing 737-300.
Há planos de uma ligação direta
com a África. A empresa anuncia
diferencial nas acomodações,
refeições e passagens.
“Não queremos um corpo a
corpo com outras empresas, mas
vamos batalhar por um excelente
lugar no mercado”, diz Gambogi.
As feiras livres desafiam o tempo e o espaço e permanecem evoluindo
Marcela Beltrão
Lei dificulta a regularização
Imóvel comercial
irregular
A cidade de São Paulo tem
90% de seus imóveis comerciais
em situação irregular. Leis
desatualizadas dificultam
o licenciamento de atividades de
comércio e serviço. Na Câmara
Municipal, um grupo liderado
pelo vereador Chico Macena cuida
deste assunto, reúne propostas
e constrói um projeto com
intenção de resolver o problema.
No próximo dia 30, os vereadores
querem ouvir sugestões
e em audiência pública discutirão
o assunto com a população.
38 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
FINANÇAS
Atuação de bancos
estrangeiros fica
aquém da esperada
Patrícia Camargo: “Bancos estrangeiros também
se tornaram relevantes, porém de importância
secundária, se comparados aos nacionais”
Estudo sobre a recente evolução do sistema bancário
mostra que instituições nacionais tiveram maior eficiência
Aline Lima
[email protected]
A chegada de grandes instituições financeiras internacionais
ao Brasil durante a última década foi seguida por uma enorme
expectativa em relação às transformações pelas quais o mercado poderia passar, a partir de
então. Novos concorrentes deveriam significar, afinal, maior
qualidade e diversificação de
produtos e serviços, modernização tecnológica, elevação das
concessões de crédito e, em última instância, aumento da eficiência do sistema. Em maior ou
menor grau, todos esses pontos
foram atendidos. Porém, não
por conta da presença dos bancos internacionais.
É essa, pelo menos, a conclusão de um recente estudo capitaneado pela economista Patrícia Olga Camargo, intitulado “A
evolução recente do setor bancário”. “Contrariando as expectativas, os bancos estrangeiros adotaram uma postura conservadora”, diz Patrícia. “Em
vez de trazerem mais eficiência
e inovação, repetiram a fórmula
dos demais bancos aplicando
em títulos públicos. Portanto,
grande parte das mudanças
ocorridas no setor provavelmente teria ocorrido sem a entrada dos estrangeiros.”
O levantamento feito por
Patrícia compreendeu o período que vai de 1998 até o primeiro semestre de 2008. A
análise do sistema bancário foi
realizada conforme o tipo de
controle — nacional ou estrangeiro. Segundo ela, houve, sim,
mudanças positivas, mas elas
ocorreram mais em função de
condições macroeconômicas
do que concorrenciais. Além
disso, foram os bancos nacionais, e não os estrangeiros, que
imprimiram maior eficiência e
modernização ao sistema.
“Os bancos privados nacionais são mais eficientes, apresentam lucros maiores e são
menos conservadores”, afirma
a autora. “Os estrangeiros, no
Condições
econômicas foram
mais relevantes
para a expansão
do crédito do que
concorrência
geral, focam em classes mais altas e regiões mais ricas.” Daniel
Coradi, presidente da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores, diz que é ingenuidade
acreditar que o mercado iria se
tornar mais competitivo com o
ingresso dos estrangeiros. “E eu
fui um desses ingênuos”, conta.
“Por que um banco que acaba
de chegar vai querer enfrentar
Bradesco, Itaú ou mesmo o Banco do Brasil e derrubar as taxas,
emprestar mais dinheiro, mudar as características do oligopólio”, questiona Coradi. “Mais
fácil se juntar a eles.”
Públicos
Os bancos oficiais, na avaliação
de Patrícia, foram os responsáveis pelas principais transformações ocorridas no sistema financeiro nos últimos anos, especialmente a partir de 2003,
quando o presidente Lula assumiu o comando do país. “Os
dois maiores bancos públicos
federais, Banco do Brasil e Caixa
Econômica Federal, respondem
por parcela significativa de empréstimos e depósitos, além de
atuarem como instrumentos de
implementação de política econômica”, observa ela.
Esse papel de estímulo à redução das taxas de juro ganhou,
recentemente, destaque com a
crise financeira internacional.
De acordo com o levantamento
feito por Patrícia em janeiro de
2009, a Caixa Econômica era a
instituição que cobrava, em
média, os juros mais baratos do
mercado (2,44%), seguida do
Banco do Brasil (3,36%).
O ambiente econômico foi
outro aliado importante nas
mudanças ocorridas no sistema,
especialmente no que diz respeito à expansão do crédito. “O
resultado, no fim das contas, é
positivo, pois os bancos passaram a exercer o papel que, de
fato, lhes cabe: emprestar”, diz.
“Os bancos estrangeiros também se tornaram relevantes,
porém de importância secundária, se comparados aos nacionais”, conclui Patrícia. ■
■ CRÉDITO
Total disponibilizado
pelo sistema financeiro
nacional alcançou,
em fevereiro
R$
1,42
tri
CONCENTRAÇÃO
Participação das oito maiores
instituições nos ativos totais
do sistema financeiro, em %
1998
66,9
1999
66,2
2000
65,4
2001
■ EXPANSÃO
As operações
de empréstimo
apresentaram
crescimento nos
últimos 12 meses de
15,7%
67,9
2002
71,4
2003
75,6
2004
74,3
2005
74,1
2006
76,3
2007
74,0
2008**
0
75,7
10
20
30
*Janeiro de 2009
40
50
60
70
80
Fonte: Patrícia Olga Camargo
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 39
Charles Pertwee/Bloomberg
AGENDA DO DIA
“Valorizar iuane é conselho muito ruim”
● Às 8h, a FGV divulga a segunda
prévia do IGP-M de março.
● Às 8h30, o Banco Central
divulga o relatório Focus.
● Às 10h, sai nota do setor
externo de fevereiro.
● Às 11h, sai a balança
comercial semanal.
O chairman para a Ásia do Morgan Stanley, Stephen Roach, disse
na sexta- feira, em entrevista à Bloomberg, que o pedido de Paul
Krugman para a China valorizar o iuane “é um conselho muito ruim”.
Para ele, aumentar os gastos chineses é uma forma melhor de
reduzir os desequilíbrios comerciais. “Estou um pouco surpreso
por Steve ter declarado isso”, afirmou Krugman. “O que disse
é baseado em análise econômica bem cuidadosa”, afirmou.
Leandro Ferreira
Tendência é
de aumento da
concorrência
A dificuldade de se mudar
de banco, segundo autora
do estudo, é um entrave a
um ambiente mais competitivo
JUROS
SPREADS
Bancos oficiais cobram taxas
menores, em %*
Tendência de redução sofre revés durante a crise, em %
Geral
2,44
CEF
BANCO DO BRASIL
ABN AMRO
2001
3,46
42,46
24,97
2003
41,52
26,44
3,92
BRADESCO
3,95
2
3
4
35,56
2005
36,40
28,40
5
31,12
2008**
0
26
50,99
54,51
50,85
42,94
23,19
24,07
20,97
Spreads
42,60
24,30
34,78
2007
4,88
HSBC
2004
2006
4,15
SANTANDER
1
24,38
39,95
Pessoa física
49,68
2002
ITAÚ
0
21,57
3,36
3,64
UNIBANCO
36,11
2000
Pessoa jurídica
39,63
31,92
23,78
52
A despeito do movimento de
consolidação, a concorrência
entre as instituições financeiras
no país deve crescer, na avaliação de Patrícia Olga Camargo,
autora do estudo “A evolução recente do setor bancário”. A dinâmica tende a se confirmar na
medida em que as regras estabelecidas pelo Banco Central comecem, de fato, a surtir efeito. O
processo será lento — no entanto, irreversível.
Patrícia cita como exemplo a
Resolução 3.402, editada em setembro de 2006, que estabelece
a conta-salário e a portabilidade do crédito e do cadastro dos
clientes. “Não existe tanta concorrência devido à dificuldade
de se mudar de banco”, explica.
Patrícia lembra que o funcionário da iniciativa privada que
tivesse assinado contrato de
trabalho a partir daquela data já
poderia entrar na nova regra.
Em janeiro do ano passado, foram incluídos os profissionais
com contas-salário mais antigas. Mas só a partir de 2012 é
que os funcionários públicos estarão aptos a exercer a portabilidade bancária.
“Por isso, até mesmo a disputa por folhas de pagamento
de municípios vem perdendo
força”, diz a autora. Mas a portabilidade só vai mesmo surtir
efeito na concorrência bancária
caso seja realmente praticada
pelos clientes. “Na telefonia, o
resultado da portabilidade tem
vindo abaixo das expectativas”,
compara, com uma boa dose de
ceticismo, Daniel Coradi, presidente da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores.
Patrícia concorda que esse é o
tipo de mudança que ocorre no
longo prazo. “Até pouco tempo
atrás, ninguém pensava em
pesquisa de preço com banco
porque simplesmente isso não
era permitido”, afirma ela.
34,74
78
104
130
A procura por taxas mais competitivas esbarra no elevado nível do spread bancário brasileiro
e, de quebra, na concentração
do setor. No período em que Patrícia fez sua pesquisa, oito bancos detinham cerca de 70% dos
ativos do sistema financeiro.
Agora, são cinco.
A Medida Provisória 443, que
permite a compra de participações em bancos privados por
instituições públicas, é mais
uma tentativa do governo de estimular a concorrência no setor.
“O papel de banco público foi
reforçado, de forma a impulsionar o movimento de redução
das taxas de juro”, observa Patrícia. “Os privados que não
quiserem perder mercado, vão
ter de acompanhar.” ■ A.L.
“
Na telefonia,
para efeito de
comparação,
o resultado da
portabilidade
tem vindo abaixo
das expectativas
Daniel Coradi,
presidente da EFC Engenheiros
Financeiros & Consultores
40 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
FINANÇAS
Andrew Harrer/Bloomberg
MERCADOS
REGULAÇÃO
Ações europeias fecham em queda,
puxadas pelos papéis de mineradoras
Greenspan diz que autoridades americanas
fracassaram durante a crise financeira
As principais bolsas europeias fecharam em queda na sexta-feira,
com vendas em papéis de empresas ligadas a matérias-primas
atingidas pela baixa no preço das commodities, em meio à alta
do dólar, enquanto o euro caiu em função de temores com a Grécia.
O índice FTSEurofirst 300, que acompanha as principais empresas
do continente, caiu 0,4%, para 1.065 pontos.
O ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan disse
que o banco central e outros reguladores americanos “fracassaram”
durante a crise financeira, porque se tornaram muito complacentes
com os riscos. Greenspan afirmou que, à sua época, ele e seus pares
não entenderam completamente a extensão da bolha imobiliária
e suas ramificações em toda a economia.
Fundos de pensão
apostam em
multimercados
Apesar de a demanda pela modalidade ainda ser pequena
em relação às demais, gestores de recursos estão otimistas
Vanessa Correia
[email protected]
Em tempos de juros baixos, diversificar o portfólio de investimentos é praticamente obrigatório para investidores institucionais, sobretudo os fundos de
pensão. Nesse sentido, os multimercados, que não apresentaram boa performance em 2007 e
2008, voltaram para o radar das
fundações no ano passado. E a
expectativa é que a demanda
cresça ainda mais este ano.
O Daycoval Asset Management, prevendo esse movimento, reestruturou sua área
comercial para atender a esse
público. “A consolidação da
taxa básica de juros em patamares baixos levou os fundos
de pensão a demandarem outras modalidades de investimento que não só as de renda
fixa tradicional. E esse movimento foi visto mais fortemente a partir do segundo semestre do ano passado”, afirma Roberto Kropp, diretor do
Daycoval Asset.
A meta da instituição, segundo o executivo, é ampliar
em R$ 50 milhões o total administrado de entidades fechadas
de previdência complementar.
“Atualmente, o patrimônio
administrado pelo Daycoval
em fundos não-exclusivos é de
R$ 25 milhões, sendo 10% de
fundos de pensão. A meta para
2010 é tímida. Acredito que há
espaço para crescer mais”, ressalta o executivo.
O Safra Asset Management
também está apostando no segmento. “Ainda não vemos um
grande volume de investimentos
na modalidade. Mas acreditamos que dentro de dois anos essa
modalidade estará bastante disseminada”, diz Márcio Appel,
diretor da gestora.
A opinião é compartilhada
por Eduardo Mendes, vice-presidente geral da Schroders no
Brasil. “Em um primeiro mo-
Meta do Daycoval
Asset Management
é ampliar em
R$ 50 milhões o
total administrado
de entidades
fechadas de
previdência
complementar
ainda neste ano
mento, vimos um aumento da
demanda por fundos imobiliários e private equity. O próximo
passo será os fundos de fundos.
Mas não há dúvidas de que a demanda por multimercados crescerá consistentemente.”
A gestora de recursos inglesa
tem um fundo multimercado
long &short, que, segundo
classificação do executivo, é
neutro. “Já temos seis fundos
de pensão alocados nesse produto, sendo um cliente novo. E
a aceitação é muito boa”, completa Mendes.
Já o Safra Asset tem um multimercado voltado para institucionais (aquele tipo que estava fora
do limite de 3% estabelecido na
Resolução nº 3.456). “O patrimônio de fundos abertos está
em, aproximadamente, R$ 2,2
bilhões”, diz Appel.
Novas perspectivas
A despeito desse assunto, a Resolução nº 3.792/09, do Conselho Monetário Nacional (CMN),
substituta da Resolução nº 3.456,
aumentou alguns limites de
aplicação, entre eles o teto
para aplicações em multimercados não-institucionais de
3% para 10%. Essa modalidade
permite que o gestor faça operações alavancadas, de day
trade, por exemplo.
O limite de 3% não foi muito aproveitado pelas fundações, uma vez que a permissão
para o aporte nessa modalidade foi dada pouco antes do
agravamento da crise financeira mundial, em 2007. Além
disso, o trabalho para a seleção do fundo não compensava
o volume que poderia ser investido em um fundo multimercado “agressivo”. Inclusive essa questão causou polêmica logo após a divulgação da
Resolução nº 3.792. Algumas
entidades fechadas de previdência complementar sacaram
recursos de fundos multimercado long & short. ■
■ ENTRADA
No ano passado, os fundos
de pensão arrecadaram
R$
■ PORTFÓLIO
De 2008 para 2009, o
superávit dos fundos foi de
16,6 70%
bi
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 41
Chris Ratcliffe/Bloomberg
ANÁLISE
PÓS-CRISE
Bolsa brasileira está cara; não incorpora
riscos mundiais, segundo Fram Capital
Europa precisa ter “corpo de bombeiros”
para evitar quebra de bancos, diz FMI
A Bolsa de Valores brasileira está cara, pois não incorpora corretamente
os riscos mundiais, afirmou o sócio e chefe de estratégia da gestora
Fram Capital, Henry Gonzalez, em entrevista à Agência Estado.
Na opinião do executivo, o nível da bolsa indica que o risco mundial
está mal precificado, assimétrico. Uma pontuação mais próxima de
55 mil pontos a 60 mil pontos refletiria riscos mais equilibrados, estimou.
A Europa deveria ter um “corpo de bombeiros”, sustentado por
fundos governamentais e do setor privado, para lidar com as quebras
dos grandes bancos, disse na sexta-feira o diretor-gerente do Fundo
Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn. “Penso ser
necessária a criação de uma Autoridade Europeia de Resoluções, provida
de mandato e instrumentos para evitar falências das instituições.
Henrique Manreza
Diretor do BC
quer índice
para imóveis
Novo indicador seria usado
no monitoramento do setor pelo
Banco Central para evitar riscos
Cotado para suceder Henrique
Meirelles no comando do Banco
Central (BC), o diretor de Normas da instituição, Alexandre
Tombini, defendeu a necessidade de criação de um índice de
preços de imóveis. Atualmente,
só existem índices que medem
custos da construção dos imóveis e não da variação do preços
das casas, prédios e terrenos. O
novo índice, segundo Tombini,
seria usado pelo BC no monitoramento do setor, que vem
crescendo de forma expressiva
no País, ajudando a evitar riscos
para o sistema financeiro.
“Há uma necessidade de termos um indicador de preços
confiável, robusto e com bastante abrangência. Não só para o
mercado definir estratégias e
mensurar riscos, mas também
para o monitoramento do regulador e por parte das próprias
instituições financeiras. Precisamos avançar nisso, tendo em
vista as perspectivas para o segmento de crédito imobiliário”,
disse o diretor do BC.
Segundo Tombini, essa é uma
agenda de “curto prazo”, mas
cuja discussão ainda está no início. Ele explicou que o novo índice não deverá ser elaborado pelo
BC, mas por uma entidade como
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ou a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Ao demonstrar interesse em
criar um índice de preços de
imóveis, Tombini evidencia a
preocupação do BC em evitar
problemas de bolhas no setor
Roberto Kropp:
Daycoval se
preparou para
atender à demanda
■ TÍTULO PRIVADO
Da carteira dos fundos, a
modalidade representou
9,4%
■ ESTREANTES
Em 2009, orgão supervisor
autorizou a criação de
2
entidades
■ CONTROLE
Foram realizadas 104
fiscalizações diretas em
67
fundos
25%
Segundo Alexandre
Tombini, um
potencial substituto
para Henrique
Meirelles, a iniciativa
visa evitar problemas
de bolhas no
setor imobiliário,
como as que levaram
à crise internacional
imobiliário, como as que levaram à crise internacional a partir do final de 2008. A chamada
crise do subprime teve como um
dos seus elementos principais a
contínua e forte elevação dos
preços dos imóveis residenciais
nos Estados Unidos. O processo
de inflação no mercado imobiliário americano alimentava o
forte crescimento do crédito
naquele país e a criação de instrumentos financeiros arriscados, ou tóxicos. ■ AE
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42 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
INVESTIMENTOS
Thais Folego
[email protected]
Investidores concentrados na ata do
Copom em semana fraca de indicadores
A semana está recheada de indicadores que
saem todas as semanas, com uma agenda internacional fraca. O que trará emoção nos
próximos dias será a publicação da Ata do
Comitê de Política Monetária (Copom) do
Banco Central (BC), na quarta-feira pela
manhã. Na semana passada, os membros do
comitê decidiram pela manutenção da taxa
básica de juro, a Selic, em 8,75% ao ano. Não
havia consenso no mercado sobre a alteração
da taxa. E nem houve unanimidade entre os
membros do Copom, com o placar de 5 a 3
pela manutenção. “Como a votação foi apertada, vamos conhecer quais eram as razões
dos que votaram pela alta da Selic e a dos que
votaram pela manutenção”, diz Alexandre
de M. Marques Filho, analista da Elite Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários.
E, falando em aperto monetário, esta semana serão divulgados quatro índices de inflação. IGPM hoje, IPC-S e IPCA-15 amanhã e
IPC-Fipe, na quinta-feira. “Que tem que ficar
de olho”, diz o analista da Elite. No mesmo dia
também sai a taxa de desemprego no país. Esses indicadores são importantes para a decisão do Banco Central na próximas reuniões.
A decisão dividida do Comitê, inclusive,
mexeu com o mercado de juros futuros na
quinta, que bateu recorde de negociações no
segmento BM&F. Foram registradas 6.093.795
operações, que movimentaram R$ 508,006
bilhões. Na quinta, o Ministério da Fazenda
divulga a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP)
de abril. Hoje a taxa é de 6%.
Início da semana
Como todas as segundas, o Banco Central
revela o relatório semanal Focus, que com-
pila a opinião de instituições financeiras
sobre os principais índices macroeconômicos. Também na segunda, o BC divulga a Nota
do Setor Externo de fevereiro, com informações sobre o balanço de pagamentos e as reservas internacionais.
Com agenda morna lá fora, o destaque da
semana segundo Marques Filho é a divulgação
da revisão final do Produto Interno Bruto (PIB)
do quarto trimestre dos Estados Unidos. A expectativa é que ele venha com alta de 5,9%,
como na última revisão. “A agenda interna
está mais interessante”, comenta Marques Filho. Ainda nos EUA, saem dados do auxílio desemprego na quinta e dados sobre consumo
pessoal na sexta. Já na Europa, são divulgados
números de inflação, venda no varejo e investimentos da Inglaterra. Na Zona do Euro, saem
os PMIs (pesquisa com empresários sobre a
economia) de serviços e indústria.
Empresas
Na agenda corporativa, na semana serão divulgados os balanços referentes ao quarto
trimestre do ano passado das empresas: Brasil Ecodiesel, Cemig, CSU Cardsystem,
Cep, Guararapes, MRV, Cyrella Realty, Sabesp, Tecnisa, Unipar, UOL e Equatorial
Energia. As empresas têm até o dia 31 de
março para divulgar seu resultados. Marques Filho comenta, porém, que um dos
resultados mais importantes era o da Petrobras, divulgado na última sexta. A petrolífera lucrou R$ 28,982 bilhões em
2009, queda de 12% sobre o ano anterior.
“Como ela tem um peso grande no Ibovespa, talvez o resultado faça o índice sofrer”,
diz Marques Filho. ■
INDICADORES E EVENTOS DA SEMANA
SEGUNDA-FEIRA (22/3)
6h
| (Europa) PMI de serviços, indústria e composto
8h | (Brasil) IGP-M 2° decênio
9h30 | (EUA) Chicago Fed
10h30 | (Brasil) Conta corrente mensal
10h30 | (Brasil) Investimento estrangeiro direto
7h
| (Europa) Novos pedidos à indústria
TERÇA-FEIRA (23)
6h30 | (Inglaterra) Inflação
8h | (Brasil) IPC-S
9h | (Brasil) IPCA-15
10h30 | (Brasil) Empréstimos – total e bancos
11h | (EUA) Vendas de imóveis
11h | (EUA) Preço de imóveis
11h | (EUA) Richmond Fed
9h30 | (EUA) Pedidos de bens duráveis
11h
| (EUA) Venda de imóveis novos
QUINTA-FEIRA (25)
7h
| (Brasil) IPC-Fipe – 3° quadrissemana
8h
| (Brasil) Confiança do consumidor
8h30 | (Brasil) Ata do Copom
9h
| (Brasil) Taxa de desemprego
9h30 | (EUA) Auxílio-desemprego
SEXTA-FEIRA (26)
QUARTA-FEIRA (24)
6h
6h
| (Alemanha) PMI de indústria e serviços
| (Alemanha) Clima de negócios, situação atual
e expectativa econômica
Fontes: Gradual Investimentos e Elite Corretora
6h30 | (Inglaterra) Investimentos
8h
| (Brasil) Custos construção civil
9h30 | (EUA) Revisão do PIB
9h30 | (EUA) Consumo pessoal
Construção
Energia
Para Ativa, Brookfield teve
recuperação de desempenho
Brascan não vê vetores de
valorização para ação da Celesc
O resultado do ano passado
fez com que a incorporadora
Brookfield se destacasse no setor
de construção, na avaliação da
corretora Ativa. Segundo relatório
do analista Armando Halfeld, a
companhia mostrou recuperação
no útlimo trimestre, fazendo
com que fechasse o ano com
lançamentos estáveis em relação
a 2008, mas com venda 97%
maior. No quarto trimestre
foram feitos cerca de 50%
de todos os lançamentos do ano.
“Na comparação entre trimestres,
a empresa demonstrou um
crescimentos significativo da
receita, porém com deterioração
das margens, associada a
um mix de vendas concentrado
em egmentos de média e baixa
renda, bônus pagos para seus
funcionários, por gastos maiores
devido a concentração de
lançamentos no quarto trimestre
e, assim, maior despesas
com vendas”, conclui. O analista
destaca ainda que a Brookfield
criou uma unidade de negócio
com foco na região Sul
e no interior de São Paulo,
mostrando a implementação de
diversificação regional proposta
pela empresa. No comparativo
entre quarto trimestre de 2009
e 2008, a receita líquida
aumentou 10,6%, somando
R$ 538 milhões. O lucro bruto
foi de R$ 168 milhões, alta de
1%, resultando em uma margem
brutade 31,3%, 3 pontos
percentuais menor que no
ano anterior. O Ebitda ficou
em R$ 85 milhões, 10% menor.
A corretora Brascan mantém
a recomendação “underperform”
(abaixo da média do mercado)
para os papéis preferenciais
série B da Celesc, a companhia
de energia elétrica de Santa
Catarina, apesar de projetar uma
melhora nos resultados do quarto
trimestre da empresa. “Mesmo
com a elevação no resultado
operacional no trimestre, não
enxergamos drivers (vetores),
com base nos seus fundamentos
de curto prazo, que possam fazer
com que as ações da companhia
tenham valorização”, afirma
o analista Rafael Quintanilha, em
relatório distribuído aos clientes.
As estimativas do analista
apontam que o lucro líquido
tenha atingido de R$ 37,1 milhões
entre outubro e dezembro,
um avanço de 45,1 % ante
o trimestre anterior, beneficiado
pela recuperação no consumo
de energia e pelo reajuste tarifário
ocorrido durante o terceiro
trimestre. A receita líquida
no mesmo período deverá ter
chegado aos R$ 910,3 milhões.
“Em nossa opinião, o movimento
de valorização nas suas ações
está relacionado à estratégia
de longo prazo da companhia,
que consta, principalmente,
na redução das despesas
operacionais relacionadas com
pessoal”, destaca Quintanilha.
A corretora calcula um
preço-alvo de R$ 41,06 para
as ações da Celesc, o que
representa um potencial de
valorização de aproximadamente
8% ante as cotações atuais.
OFERTA
LINK
Gafisa
Palestra
Termina hoje o período de
reserva da oferta primária
de ações da Gafisa. Para
os investidores de varejo será
reservado um montante de
10% a 20% do total ofertado.
Os valores dos pedidos podem ser
feitos entre R$ 3 mil e R$ 300 mil.
O preço dos papéis será fixado
amanhã. As novas ações passarão
a ser negociadas no pregão
da BM&FBovespa na quinta-feira.
Os recursos levantados
serão usados pela empresa,
principalmente, para aquisição
de terrenos, parcerias estratégicas
e como capital de giro.
Nesta quarta-feira, a corretora
Link vai realizar a primeira
palestra gratuita — de uma
série de várias a serem ministradas
em seis capitais do país — com o
economista e consultor financeiro
Gustavo Cerbasi, autor do livro
Casais Inteligentes Enriquecem
Juntos. O tema da palestra
será “estratégias de investimento
necessárias para conquistar
e multiplicar o primeiro milhão
de reais”. O evento, agendado
para as 19 horas, acontecerá
no hotel Meliá Jardim Europa,
localizado no bairro Itaim Bibi,
na capital paulista.
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 43
AÇÕES
Oscilação
11,20%
foi quanto subiram as ações preferenciais da Klabin durante a última
semana, a maior alta dentre os papéis incluído no Ibovespa. Já os
papéis ordinários da LLX foram os que mais caíram, recuando 11,35%.
IBOVESPA
Nome
Classe
All Amer Lat
Código
Fechamento
em 19/mar
(R$)
Máximo
da sem.
(R$)
Mínimo
da sem.
(R$)
Oscilação
na semana
(%)
Oscilacão
no ano
(%)
Máximo
em 52
sem. (R$)
Fechamento
vs Máximo
52 sem. (%)
Valor
Mercado
(R$ mil)
Volume
médio em
1 mês (R$ mil)
UNT N2
ALLL11
16,35
16,67
15,83
-1,86
0,31
18,59
-12,05
13.040.875
31.740
Ambev
PN
AMBV4
166,90
170,48
165,56
-0,48
(3,39)
185,63
-10,09
94.255.966
29.110
B2W Varejo
ON
BTOW3
38,03
40,20
37,49
-5,84
(20,44)
57,00
-33,28
4.190.678
38.611
BMF Bovespa
ON
BVMF3
11,46
11,76
11,16
-2,72
(6,33)
13,99
-18,1
22.974.622
188.919
Bradesco
PN
BBDC4
31,50
32,30
31,12
-1,01
(4,56)
35,11
-10,28
97.610.073
103.262
Bradespar
PN
BRAP4
41,45
42,98
40,40
1,72
7,58
43,30
-4,27
14.228.288
32.554
Brasil
ON
BBAS3
29,50
30,57
29,39
-1,34
0,90
31,57
-6,55
75.776.949
154.659
Brasil Telec
PN
BRTO4
12,69
13,09
12,60
-1,40
(24,24)
18,49
-31,37
8.910.419
12.816
Braskem
PNA
BRKM5
13,11
13,51
12,87
-0,68
(6,89)
15,41
-14,93
10.477.874
16.736
BRF Foods
ON
BRFS3
44,25
44,60
43,20
0,57
(2,47)
49,50
-10,61
19.249.216
30.565
CCR Rodovias
ON
CCRO3
39,67
40,40
38,79
-1,44
(0,55)
44,63
-11,11
17.510.211
76.802
Cemig
PN
CMIG4
29,42
30,40
29,02
-2,90
(6,90)
34,68
-15,17
16.395.984
47.467
Cesp
PNB
CESP6
23,66
24,77
23,53
-1,42
(1,54)
26,25
-9,87
7.307.699
19.958
Copel
PNB
CPLE6
37,50
38,69
37,16
-1,32
1,24
40,43
-7,25
10.262.063
17.612
14.825
Cosan
ON
CSAN3
23,47
23,75
22,45
2,76
(8,32)
25,88
-9,31
9.533.518
CPFL Energia
ON
CPFE3
36,08
37,22
35,71
0,64
6,03
37,68
-4,25
17.315.189
13.931
Cyrela Realty
ON
CYRE3
21,90
22,63
21,71
-3,18
(10,61)
28,51
-23,18
9.249.794
64.405
Duratex
ON
DTEX3
16,63
17,10
16,30
-1,60
2,67
19,09
-12,87
7.614.877
25.223
Eletrobras
ON
ELET3
26,90
27,30
25,00
7,00
3,36
31,22
-13,83
31.880.974
28.807
Eletrobras
PNB
ELET6
33,15
33,84
30,72
7,39
5,06
36,10
-8,17
31.880.974
31.138
Eletropaulo
PNB
ELPL6
39,98
39,98
38,63
3,58
15,88
39,98
0
6.504.851
15.348
Embraer
ON
EMBR3
10,80
11,07
10,07
6,19
13,56
11,07
-2,44
7.815.582
9.836
Fibria
ON
FIBR3
39,01
41,18
36,51
4,87
(0,20)
41,50
-6
18.254.144
31.745
Gafisa
ON
GFSA3
12,80
13,57
12,70
-4,83
(9,35)
16,16
-20,77
4.269.491
46.208
Gerdau
PN
GGBR4
27,31
28,41
26,89
-0,33
(6,28)
30,38
-10,11
35.604.504
113.292
Gerdau Met
PN
GOAU4
34,09
35,60
33,50
-0,58
(2,38)
37,63
-9,42
13.264.575
26.695
Gol
PN
GOLL4
22,15
24,15
21,97
-7,90
(15,07)
28,82
-23,14
5.865.874
27.231
Itausa
PN
ITSA4
11,62
12,01
11,51
-0,51
0,03
12,25
-5,14
52.552.725
30.381
112.905
ItauUnibanco
PN
ITUB4
37,05
38,17
36,66
-0,91
(2,70)
40,05
-7,48
149.881.754
JBS
ON
JBSS3
7,80
8,78
7,80
-11,06
(16,31)
11,04
-29,35
18.123.155
10.707
Klabin S/A
PN
KLBN4
5,76
5,85
5,02
11,20
8,47
5,85
-1,54
5.280.344
12.848
Light S/A
ON
LIGT3
27,56
27,70
26,61
3,18
6,08
28,27
-2,5
5.613.287
8.637
Llx Log
ON
LLXL3
8,20
9,32
8,20
-11,35
(18,89)
10,11
-18,89
5.679.017
14.701
Lojas Americ
PN
LAME4
13,30
13,86
13,18
-3,97
(14,36)
16,11
-17,44
9.094.307
28.100
29.338
Lojas Renner
ON
LREN3
40,50
41,92
39,23
-0,49
3,05
42,99
-5,79
4.935.411
MMX Miner
ON
MMXM3
13,20
14,34
13,20
-5,92
31,74
14,70
-10,2
6.243.239
71.960
MRV
ON
MRVE3
13,22
14,00
12,87
-1,34
(6,24)
14,48
-8,72
6.364.121
25.300
Natura
ON
NATU3
35,17
35,57
33,70
3,41
(0,74)
38,18
-7,87
15.132.737
13.389
Net
PN
NETC4
23,97
24,17
22,98
3,14
(0,13)
25,23
-4,99
7.766.441
18.054
OGX Petroleo
ON
OGXP3
16,26
17,25
16,19
-6,01
(4,91)
19,55
-16,83
52.552.387
188.359
P.Acucar-Cbd
PNA
PCAR5
58,55
60,89
58,55
-3,70
(9,95)
68,45
-14,46
16.546.682
42.358
PDG Realt
ON
PDGR3
16,35
16,99
15,95
-1,51
(5,76)
19,68
-16,92
6.374.505
74.600
Petrobras
ON
PETR3
40,55
41,80
40,50
-2,27
(2,64)
45,11
-10,11
339.801.633
164.862
Petrobras
PN
PETR4
36,23
37,48
36,16
-2,24
(1,25)
39,87
-9,13
339.801.633
409.789
Redecard
ON
RDCD3
30,40
30,80
27,11
9,71
4,83
32,37
-6,08
20.454.093
35.612
Rossi Resid
ON
RSID3
14,17
14,39
13,70
-0,42
(7,39)
16,38
-13,49
3.753.976
38.906
Sabesp
ON
SBSP3
31,61
31,86
30,66
2,46
(7,60)
35,96
-12,1
7.201.896
6.082
Sid Nacional
ON
CSNA3
66,10
69,19
65,55
-3,01
18,04
69,19
-4,47
48.185.909
72.090
Souza Cruz
ON
CRUZ3
63,90
64,70
61,95
-0,16
10,63
69,29
-7,79
19.533.591
8.586
Tam S/A
PN
TAMM4
29,68
31,40
29,51
-4,23
(21,99)
43,46
-31,71
4.474.498
34.927
Telemar
ON
TNLP3
39,50
40,80
39,10
0,00
(11,63)
46,34
-14,76
13.401.514
5.728
Telemar
PN
TNLP4
32,80
34,10
32,50
-1,03
(11,59)
39,17
-16,26
13.401.514
13.877
Telemar N L
PNA
TMAR5
50,99
54,09
50,51
-3,79
(18,04)
67,99
-25
13.066.663
2.993
Telesp
PN
TLPP4
39,10
40,00
39,03
-1,51
(9,33)
46,96
-16,74
19.002.782
6.292
Tim Part S/A
ON
TCSL3
7,01
7,74
6,99
-8,96
(1,96)
8,10
-13,46
14.057.345
3.036
Tim Part S/A
PN
TCSL4
4,99
5,33
4,96
-5,85
(2,54)
5,42
-7,93
14.057.345
14.812
Tran Paulist
PN
TRPL4
46,85
47,86
46,47
-1,26
(7,51)
51,76
-9,48
7.352.880
6.315
Ultrapar
PN
UGPA4
84,08
86,59
82,04
-0,38
6,47
87,49
-3,9
9.807.587
18.938
Usiminas
ON
USIM3
57,01
58,85
55,50
0,90
13,82
58,85
-3,13
27.750.651
7.400
Usiminas
PNA
USIM5
55,40
57,89
54,10
-0,36
12,17
57,89
-4,3
27.750.651
106.768
Vale
ON
VALE3
53,17
54,85
52,35
1,08
7,41
55,00
-3,33
264.223.131
79.595
Vale
PNA
VALE5
46,80
48,17
46,15
0,84
10,90
48,17
-2,84
264.223.131
620.402
Vivo
PN
VIVO4
48,80
50,59
48,73
-2,69
(6,52)
54,73
-10,84
19.390.226
20.721
Fonte: Economática
44 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
INVESTIMENTOS
Rafael Paschoarelli
Professor de finanças do
Departamento de Administração
da Universidade de São Paulo
Fazer negócios no Brasil
não é para amadores
As dificuldades enfrentadas por quem quer empreender no Brasil estão em todos os flancos: na hora
de abrir uma empresa, a burocracia é tamanha que o
tempo para um contador finalizar o processo de
abertura de uma simples empresa pode chegar a até
seis meses, segundo informações divulgadas pelo
Sebrae no ano passado.
Na hora de pagar tributos, o empresário brasileiro
sofre para entender o que deve ser pago, quando e de
que forma. Existe até um ranking de tempo necessário
para pagar tributos elaborado pelo Banco Mundial e a
Price waterhouseCoopers.
Segundo o referido levantamento, o Brasil tem ocupado a nada lisonjeira posição de lanterninha, requerendo mais de 2.500 horas por ano para a apuração e o
pagamento de tributos.
“
Na hora de pagar tributos,
o empresário brasileiro
sofre para entender
o que deve ser pago,
quando e de que forma
BOLSAS INTERNACIONAIS (COMPORTAMENTO NA SEMANA)
(Em pontos)
DOW JONES
10.750
10,.700
10.650
10.600
10.550
15/MAR
19/MAR
15/MAR
19/MAR
15/MAR
19/MAR
15/MAR
19/MAR
15/MAR
19/MAR
S&P 500
1.170
1.157
1.145
1.132
1.120
2010, ano de eleições, é bastante
propício para escolhermos,
pelo voto, os candidatos imbuídos
em diminuir o tamanho do Estado e
modernizar as relações trabalhistas
NASDAQ
2.390
2.384
2.378
Falando em complicação tributária, não raro a
própria Receita Federal volta atrás na interpretação
de como um tributo deve ser pago ou qual é a sua
base de cálculo. A guerra fiscal entre os estados é
apenas mais um tempero nessa apimentada receita
que suga mais de 36% do PIB para os insaciáveis
cofres do governo.
Se o empresário quiser empregar, as dificuldades
também são enormes. Coloque-se no lugar de um
empreendedor não optante pelo Simples que precisa expandir seus negócios e contratar mais um funcionário. Sem querer entrar em todos os detalhes,
se o salário bruto do funcionário contratado for de
R$ 1.200,00 mensais, é bom que o empreendedor
coloque na ponta do lápis mais os seguintes gastos
adicionais aos R$ 1.200 mensais: 1) R$ 240 mensais
para o INSS (além do INSS ser descontado do salário
do trabalhador, o empregador tem que recolher
20% sobre a folha ao INSS), 2) provisionar R$ 100
mensalmente a título de férias, 3) provisionar mais
R$ 100 mensalmente a título de décimo terceiro,
4) R$ 96 mensalmente a título de FGTS. Além desses
gastos com o novo funcionário, o empreendedor deverá se lembrar de outros: abono de férias, salário
educação, aviso prévio, contribuições ao Sesi, Sesc,
Sest, Sebrae, Incra, etc. Utilizando as palavras do
Professor da USP José Pastore, “... um funcionário
contratado por R$ 1.000,00 por mês, custará para a
empresa mais de R$ 2.040,00”.
Mais importante que reclamar da nossa atual situação, no entanto, é agir para que isso se modifique. Como boa parte da solução requer mudança de
legislação, cabe à sociedade pressionar os legisladores para que o Brasil se descomplique. 2010, ano de
eleição, é bastante propício para escolhermos, por
intermédio do voto, os candidatos imbuídos do espírito de diminuir o tamanho do Estado, modernizar
as relações trabalhistas e adequar a carga tributária a
um Estado mais enxuto. ■
2.372
2.366
2.360
DAX
6.050,0
6.012,5
5.975,0
5.937,5
5.900,0
FTSE-100
5.650
5.625
5.600
5.575
5.550
Fonte: Rosenberg Consultores Associados (wwwrosenbergcombr)
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 45
POUPANÇA
Rentabilidade
0,50%
é quanto rendem as cadernetas que fazem aniversário hoje.
Na primeira quinzena deste mês, a poupança acumulava
captação líquida (depósitos menos resgates) de R$ 1,2 bilhão.
MOEDAS (COMPORTAMENTO NA SEMANA)
DÓLAR (R$/US$)
(fechamento)
JURO FUTURO
(Índices - Base: 12/MAR=100)
EURO (US$/€)
1,90
1,40
1,85
1,38
COMMODITIES METÁLICAS
(CDI em % ao ano)
11/MAR/10
18/MAR/10
US$
R$
106
7
12,70
104
0
2
11,26
102
0
1,36
1,80
0
100
8
9,83
1,75
9
98
1,34
8,40
4
1,32
1,70
15/MAR
19/MAR
996
30d
15/MAR
60d
90d
120d
150d
180d
210d
240d
270d
300d
330d
360d
720d
12/FEV
840d 960d 1800d 3600d
15/MAR
16/MAR
17/MAR
18/MAR
19/MAR
Fonte: Rosenberg Consultores Associados (www.rosenberg.com.br)
Fonte: FSP. Elaboração: Rosenberg & Associados
Balanço da indústria brasileira de fundos
RENTABILIDADE ACUMULADA POR TIPO
(em %)
Tipos
AÇÕES
Ibovespa Ativo
Dividendos
IBrX Ativo
Livre
Sustentabilidade/
Governança
RENDA FIXA
Curto Prazo
Referenciado DI
Renda Fixa
MULTIMERCADOS
Macro
Multiestrategia
Juros e moedas
FUNDOS DE INVESTIMENTOS
Semana
Mês
Ano
12 Meses
0,05
0,67
0,54
0,22
3,87
4,02
4,71
2,88
2,14
1,32
1,66
1,58
77,51
60,56
69,46
75,71
1.970
1.840
110
0,39
4,21
0,56
77,72
1.935
1.810
100
0,16
0,17
0,23
0,39
0,40
0,50
1,65
1,68
2,24
9,03
9,36
10,11
1.900
1.780
90
1.865
1.750
80
0,25
0,18
0,19
0,63
0,56
0,48
2,97
2,14
2,11
18,69
9,51
9,65
1.830
(Em R$ bilhões)
APLICAÇÕES
RESGATES
CAPTAÇÃO LÍQUIDA
1. 720
OUT/09
MAR/10
70
OUT/09
MAR/10
OUT/09
MAR/10
Fonte: Anbima (www.comoinvestir.com.br)
RENTABILIDADE HISTÓRICA
CAPTAÇÃO LÍQUIDA HISTÓRICA
(em %)
(em R$ milhões)
ÍNDICES
CDI
Ibovespa
IBrX
Dólar
2007
11,82
43,65
47,83
-17,15
2008
12,38
-41,22
-41,77
31,94
2009
9,88
82,66
72,84
-25,49
2010
1,65
1,97
1,67
1,46
TRIMESTRE
1
2
3
4
2007
23.441,88
31.890,79
2.990,69
-8.395,62
2008
30.138,87
-18.282,80
-38.331,78
-29.103,57
2009
8.868,59
17.729,07
52.487,09
13.783,20
2010
26.994,02
*Até a data de referência
DISTRIBUIÇÃO POR CATEGORIA
(Patrimônio líquido - Part. %)
Curto prazo
3,89
Demais
9,77
Renda fixa
27,27
Previdência
10,42
Ações
11,91
Referenciado DI
13,55
Multimercados
23,21
Fonte: Anbima (www.comoinvestir.com.br)
CAPTAÇÃO POR CATEGORIA
(em R$ milhões)
Categorias
CURTO PRAZO
REFERENCIADO DI
RENDA FIXA
MULTIMERCADOS
CAMBIAL
DÍVIDA EXTERNA
AÇÕES
PREVIDÊNCIA
FIDC
IMOBILIÁRIO
PARTICIPAÇÕES
EXCLUSIVOS FECHADOS
OFF-SHORE
TOTAL GERAL
PL
57.362,54
199.856,49
402.285,15
342.442,38
700,35
432,00
175.719,90
153.700,30
49.992,65
373,84
39.057,83
632,73
52.888,69
1.475.444,83
Aplicações
Semana
Resgates
Captação líquida
Aplicações
No Ano
Resgates
Captação líquida
10.398,46
8.699,26
15.997,74
5.392,94
8,46
0,04
421,81
1.025,03
917,55
NB
92,60
0,00
NB
42.953,89
7.590,33
6.768,60
12.580,43
3.499,48
13,98
0,01
638,16
600,28
2.548,38
NB
7,55
1,45
NB
34.248,68
2.808,13
1.930,66
3.417,31
1.893,45
-5,52
0,03
-216,36
424,75
-1.630,83
NB
85,05
-1,45
NB
8.705,21
97.380,04
81.815,70
134.823,81
45.840,65
166,50
1,50
9.002,38
12.795,93
11.348,31
NB
666,51
20,00
NB
393.861,34
88.785,85
83.281,91
114.816,78
47.529,19
125,76
12,08
6.952,67
10.924,86
14.428,71
NB
8,05
1,45
NB
366.867,32
8.594,20
-1.466,22
20.007,02
-1.688,54
40,73
-10,57
2.049,71
1.871,08
-3.080,40
NB
658,46
18,55
NB
26.994,02
46 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
MUNDO
Dubai promete pagar
dívida em sete anos
OBSERVATÓRIO DO BURJ KHALIFA, O EDIFÍCIO MAIS ALTO
Os bancos credores têm de contabilizar perdas este ano, mas
Dubai garante que pagará todas as dívidas no prazo e com juros
Pedro Duarte
[email protected]
A crise de Dubai, considerada
pelos mercados internacionais
como uma forte réplica da financeira, está próxima do fim.
Os primeiros detalhes do plano
de pagamento das dívidas da
Dubai World — a ‘holding’ estatal que no final de 2009 surpreendeu os credores com uma
suspensão do pagamento das dívidas — foram divulgados para a
imprensa na semana passada.
O plano vai oferecer o pagamento integral dos € 18,9 bilhões
que a empresa deve ao longo de
sete anos, pagando juros ligados
às taxas britânicas Libor, adiantou a rádio de Dubai ‘al-Arabiya’,
citando “fontes bancárias próximas das negociações”. A reação
dos mercados foi ambígua.
Mas as autoridades do emirado estão confiantes. O governador do banco central dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Sultão bin Nasser al-Suwaidi, disse
não estar seguro de que Dubai
não precisará de mais ajuda.
Os altos responsáveis dos emirados de Dubai e Abu Dhabi, dois
dos sete emirados do EAU, têm
trabalhado com peritos em reestruturação de dívidas, para chegar a um plano de pagamento que
seja aceitável para os 97 bancos
credores da Dubai World, e uma
proposta “justa” será apresentada “muito em breve” aos credores da empresa, revelou o xeque
Ahmed Bin Saeed al-Maktoum,
presidente do Supremo Comitê
de Orçamento de Dubai.
A implementação do plano irá
obrigar os bancos envolvidos,
que incluem os britânicos Standard Chartered, HSBC, Lloyds e
Royal Bank of Scotland, bem
como o japonês Bank of TokyoMitsubishi, a assumirem as perdas este ano, devido às diferenças existentes entre a taxa de juro
proposta e os juros previstos nos
contratos originais, adiantou a
mesma fonte, que acrescentou
que o negócio tem sido negociado com um comitê composto por
representantes dos sete maiores
bancos credores da ‘holding’.
“Tudo somado, nós precisamos de todos. Eles também precisam de nós. Nós temos projetos que serão iniciados em breve
“
Tudo somado,
nós precisamos
de todos. Eles
também precisam
de nós. Temos
projetos que
serão iniciados
em breve e são
de longo prazo
Ahmed Bin Saeed
al-Maktoum,
presidente do comitê
de orçamento de Dubai
CRONOLOGIA DA CRISE
QUE ABALOU OS MERCADOS
A crise da Dubai World começou
em novembro de 2009
Com poucas receitas petrolíferas,
o emirado de Dubai apostou nos
anos 1990 no mercado imobiliário
para crescer. A crise financeira
que atingiu o mundo em 2008
e 2009 veio colocar um ponto
final na bolha imobiliária.
e são de longo prazo”, adiantou
o xeque Ahmed. As dificuldades
financeiras de Dubai decorrem
principalmente do fato de a crise internacional ter causado no
território uma das piores crises
imobiliárias do mundo, com os
preços caindo mais de 50% e o
valor dos projetos cancelados
rondando os € 220 bilhões.
Mas este mercado deverá se
recuperar no final do ano que
vem, à medida que as hipotecas
se tornarem mais acessíveis e
mais pessoas decidam viver em
Dubai, estimou Santhosh Joseph,
fundador e CEO da Dubai Pearl,
um projeto em construção no valor de € 3 bilhões, com quatro
torres de 73 andares cada uma e
seis hotéis com mais de 1.400
quartos, bem como uma praia artificial, centros comerciais e teatros. “Os bancos não podem se
afastar por muito tempo. Eles
têm de conceder empréstimos, e
historicamente a maior parte o
crédito concedido foi para comprar propriedades”, disse.
A população do emirado
cresceu 7,6% no ano passado, à
medida que a economia,em
particular o setor da construção, atraía mais trabalhadores.
Segundo dados oficiais, Dubai
tinha cerca de 1,77 milhão de
habitantes em 2009, contra os
1,65 milhão registados no ano
anterior. “Em 2010 e até à segunda metade 2011, não espero
que os mercados globais tenham
liquidez ou que as hipotecas
possam ser conseguidas facilmente. Os ciclos imobiliários
são normalmente de três anos
entre os pontos altos, e as melhores localizações tendem a recuperar rapidamente”, adianta
Santhosh Joseph. ■
CHEGADA DA CRISE
CHOQUE INESPERADO
CONFIANÇA EM QUEDA
21 de novembro de 2008
25 de novembro de 2009
27 de novembro de 2009
A companhia Azizi Investments
anuncia não estar disposta a
investir em novos projetos em
Dubai por causa da crise. Nota,
no entanto, que os indicadores
econômicos estáveis indicam
que Dubai “deverá sofrer menos
do que os outros mercados”.
Sem aviso prévio, a ‘holding’
estatal Dubai World anuncia que
suspenderá todos os pagamentos
aos seus credores por seis meses
e que irá negociar um plano
de pagamentos. Este anúncio gera
receios de que muitos países da
região poderão não conseguir pagar
seus compromissos financeiros.
Especialistas notam que
a confiança na capacidade
financeira do emirado foi
afetada “seriamente”.
Segunda-feira, 22 de março, 2010 Brasil Econômico 47
Ahmad Nadeem/Reuters
EUA aumentam contingente no Afeganistão
O comando militar americano prevê o envio de 2,5 mil soldados
adicionais ao norte do Afeganistão, com o objetivo de lutar contra a milícia
talibã que aumenta sua presença, disse um funcionário do ministério
da Defesa. Segundo a fonte, que preferiu não se identificar, os soldados
serão enviados ao norte do Afeganistão ao invés do sul, principal
área do conflito e onde se espera a chegada da maior parte dos
30 mil homens adicionais mandados pelo presidente Barack Obama.
AGENDA DO DIA
● Secretária de Estado dos EUA,
Hillary Clinton, visita o México,
onde discute esforços para
enfrentar os cartéis de drogas.
● Tribunal de Justiça da UE decide
caso em que Google é acionado
pela Louis Vuitton e outras
empresas por violação de marca.
Ahmed Jadallah/Reuters
DO MUNDO, CONTINUA FECHADO
O observatório de
Burj Khalifa, o prédio
mais alto do mundo,
permanece fechado
para “manutenção”,
um mês depois de
um elevador do edifício
ter sofrido uma avaria.
Passageiros ficaram
presos durante cerca
de 30 minutos perto
do 124º andar. A Emaar
Properties, proprietária
do edifício, afirma
que os problemas
queafetam a torre
se devem a “detalhes
técnicos relacionados
com o fornecimento
de energia”. Ainda
não há uma data
para a reabertura
do observatório,
que permite que
se veja toda a paisagem
de Dubai do alto
de seus 828 metros.
BOLSAS AFUNDAM
ESTADO LAVA AS MÃOS
PRIMEIRO ALÍVIO
CRÉDITO DE EMERGÊNCIA
DÍVIDAS ELEVADAS
29 de novembro de 2009
30 de novembro de 2009
1° de dezembro de 2009
13 de dezembro de 2009
28 de dezembro de 2009
Os mercados mundiais entram em
queda acentuada devido aos receios
de default por parte dos países do
Golfo Pérsico. As bolsas de Dubai e
de Abu Dhabi caem pelo menos 6%.
A Dubai World pede a suspensão
das suas ações. Os receios dos
investidores aumentam quando
o emirado de Abu Dhabi anuncia
que não pretende ajudar Dubai.
Dubai afirma que os problemas
da Dubai World são da empresa,
não estando a sua dívida coberta
por uma garantia estatal.
Os mercados respiram aliviados
quando a Dubai World diz que
os problemas dizem respeito
apenas aos € 18,8 bilhões
em dívida da sua subsidiária
Nakheel, e não a toda a empresa.
Abu Dhabi concede um
empréstimo de € 7,2 bilhões
a Dubai, para que a Nakheel
possa pagar uma obrigação
islâmica cujo vencimento
está iminente.
O FMI estima em € 79 bilhões
a dívida total de Dubai.
48 Brasil Econômico Segunda-feira, 22 de março, 2010
BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A, com sede à Avenida das
Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000
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ÚLTIMA HORA
Murillo Constantino
Preço mínimo
para reciclados
Darcio Oliveira
[email protected]
Diretor-Adjunto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá editar
um decreto estabelecendo uma política de preços
mínimos para os produtos reciclados (veja mais informações na página 4). A informação é do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. O mecanismo
se baseia em um estudo do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), que quantifica o benefício da reciclagem em toda a cadeia produtiva, inclusive nos ganhos ao ambiente. Segundo o ministro, serão beneficiados quase 1 milhão de catadores
no país, normalmente afetados quando os preços
dos produtos despencam no mercado, como aconteceu na última crise internacional. “No Brasil
sempre existiu preço mínimo para algodão, para
açúcar, para soja, mas nunca para produto extrativista e muito menos para reciclado”, destacou
Minc. A previsão é de que a medida deve entrar em
vigor no próximo semestre. ■ Agência Brasil
Bombeiros
engravatados
Jason Lee/Reuters
Exigências dos EUA
dificultam acordo no BID
China retaliará se for
acusada sobre câmbio
A China vai retaliar e impor sanções comerciais se os
Estados Unidos declararem que o país manipula sua
moeda, segundo o ministro do Comércio, Chen
Deming. “O câmbio é uma questão soberana e não
deve ser discutido entre dois países”, disse. Cresce a
pressão política para que os EUA afirmem que o iuane
é mantido artificialmente desvalorizado. ■ Reuters
Treze exigências apresentadas pelos Estados Unidos nas
negociações sobre um aumento de capital do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estremeceram a 51ª
Reunião Anual de Governadores da instituição, em Cancún. Seis delas já estão atendidas e outras cinco poderiam
ser negociadas, disse o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, que chefia a delegação brasileira. Mas dois pontos causam polêmica. O primeiro: “Para países que ainda
não têm acordo de metas macroeconômicas com o Fundo
Monetário Internacional (FMI), o economista-chefe do BID
estabeleceria essas metas e o país seria obrigado a cumprilas para obter empréstimo”, disse Bernardo. Outro é levar
para o âmbito do BID a “emenda Pelosi”, pela qual representantes dos EUA em órgãos multilaterais devem votar
contra projetos que não cumpram certas exigências ambientais. Com isso, ficou no segundo plano a divergência
sobre o volume da recapitalização do banco — a intenção
inicial era dobrar o capital, para US$ 200 bilhões. ■ AE
Venezuela corta energia
de 80 empresas
A Venezuela anunciou ontem um corte de 24 horas
no suprimento de energia para 80 empresas que falharam em reduzir o consumo de eletricidade em
20%, na primeira medida punitiva para economizar energia em meio à crise no setor elétrico no
país, causada por uma seca. Restaurantes, lojas e
hotéis estão na lista dos que ficarão às escuras nesta
segunda-feira. ■ Reuters
Chega o fim do dia e parece que você não fez nem
metade do que planejara no começo da jornada.
Centenas de e-mails, reuniões de última hora, o telefone tocando a cada cinco minutos, o aviso de que
aquele funcionário responsável pelo principal relatório da companhia está doente e que, por isso
mesmo, você terá de fazer o trabalho dele se não
quiser perder o projeto no qual sua empresa trabalha há meses. Ufa! Passou o tempo e você não viu.
Não deu para cumprir nem um terço dos objetivos
traçados previamente para aquele dia.
A cena é recorrente na maioria das empresas,
de pequeno ou grande porte. Pesquisa da consultoria ProGeps, que já foi tema de reportagem do
BRASIL ECONÔMICO, revela que os executivos brasileiros chegam a gastar 50% de seu tempo para solucionar imprevistos. Mais: o tempo empregado
para apagar incêndios corporativos, segundo o
mesmo estudo, gera desperdício de até 30% no potencial produtivo das empresas.
Executivos gastam até 50% de
seu tempo para apagar incêndios.
Isso gera desperdício de até 30%
no potencial produtivo da empresa
Fiz as contas. Um gestor (diretor, gerente-geral
etc.) dedica mais de 54 horas por semana, quase 11
horas por dia, à empresa, contando deslocamentos e
horas trabalhadas. Se usa a metade desse tempo para
resolver pepinos, já reduziu seu expediente em 5 horas
e meia. Descontemos 1 hora de almoço — isso quando
dá para o camarada almoçar. Caímos, então, para 4
horas e meia. Caso more em São Paulo, o indivíduo
será obrigado a incluir o “fator” trânsito no cálculo.
Pesquisa da ONG Movimento Nossa São Paulo, feita
em parceria com o Ibope, revela que o paulistano gasta, em média, 2 horas e 43 minutos todos os dias dentro de um carro ou ônibus. Resultado? A menos que o
gestor tenha mandado às favas a vida pessoal e se contente em dormir bem pouco com o intuito de otimizar
o “serviço”, ele terá apenas 1 hora e 47 minutos de seu
dia para fazer aquilo para o qual realmente foi contratado: o planejamento estratégico da companhia.
Melhor esquecer a conta. Ainda estamos na segunda-feira. ■
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DESTAQUE
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Um time jogará a Copa, mas não com a amarelinha
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Quase um time inteiro de jogadores “brasileiros” deve
ir à Copa do Mundo defender seleções estrangeiras.
Na África do Sul, pelo menos dez brasileiros devem jogar
— o dobro do número de 2006. O presidente da Fifa,
Joseph Blatter, está preocupado e tenta barrar esse
movimento, mas pode acabar estimulando o racismo.
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ENQUETE
Uma possível
sucessão
de Henrique
Meirelles no
Banco Central
pode impactar
fortemente
os mercados?
Sim
49%
Não
51%
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