A implementação do Ensino a Distância (EaD) na EPS
A IMPLEMENTAÇÃO DO ENSINO A DISTÂNCIA (EAD) NA EPS
SAj ADMIL Braga Fernandes
I – A metodologia do EaD – Antecedentes e Características
Resenha e evolução histórica do EaD
Ao contrário do que vulgarmente se pensa, o EaD já
percorreu um longo caminho.
O primeiro curso surgiu em Inglaterra em 1840, pelas
mãos de Sir Isaac Pitman, que concebeu um curso por
correspondência de estenografia. Em 1873, nos EEUU, Anna
Ticknor criou um sistema de estudo que encorajava as
mulheres a prosseguir os estudos a partir de casa. O primeiro
curso disponibilizado por uma Universidade aconteceu em
1858, através da University of London. A Chautauqua College
of Liberal Arts foi entre 1883 e 1891 a primeira instituição a
fazer o reconhecimento de formação por correspondência.
Em 1928 surgiu em Portugal um curso por correspondência na área da contabilidade, e em 1958 os correios
desenvolveram um curso de geografia económica destinado aos seus funcionários dispersos pelo país.
Durante muito tempo o EaD significou ensino por correspondência. Basicamente quem ministrava ou vendia
este tipo de formação limitava-se a utilizar os meios de comunicação existentes para difundir os conhecimentos
aos formandos, o que levou a que lhe fosse associada uma imagem de qualidade duvidosa, que ainda hoje em dia
teima em perdurar. O EaD foi-se adaptando aos meios de comunicação existentes e à sua evolução, dando grandes
passos com a invenção da rádio e mais tarde com a televisão. Em Portugal o exemplo mais conhecido foi a
Telescola, cujas emissões em direto tiveram início em 1965.
Por fim, já no final do século XX, começa a ser utilizado o computador que beneficiou do desenvolvimento das
telecomunicações e das tecnologias de informação para quebrar as últimas barreiras geográficas, dando um novo
impulso e uma nova dimensão ao EaD.
Escola Prática dos Serviços, Boletim nº 3 de 30 de junho de 2015
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A implementação do Ensino a Distância (EaD) na EPS
Conceito
Quando hoje em dia falamos em EaD referimo-nos a uma modalidade de ensino centrada no formando, que
possibilita a autoaprendizagem através de recursos didáticos disponibilizados numa plataforma na Internet, em
que o professor (apelidado de tutor neste tipo de ensino), caso exista, está à distância, utilizando a Internet como
meio de comunicação padrão, permitindo que os formandos em espaços temporais e geográficos diferentes
frequentem a formação de acordo com o seu ritmo de aprendizagem e disponibilidade horária.
O tutor é normalmente o responsável pelo planeamento e construção dos conteúdos, embora a sua tarefa
principal seja a orientação e supervisão do estudo. Para promover este tipo de ensino foram herdadas do ensino
tradicional algumas características, tais como o esclarecimento de dúvidas e o acompanhamento sistemático do
formando, para assim avaliar a sua evolução e permitir resolver os problemas que surgem ao longo do percurso
formativo. A contribuição do tutor no processo de aprendizagem é fundamental, uma vez que é ele quem se
relaciona diretamente com o aluno, através de mensagens de email, fóruns de discussão, chats, etc… Segundo
Pimentel, “A qualidade da interação no EAD é o que minimiza os efeitos da distância física, existente entre tutor e
aluno” (PIMENTEL, 2010).
A Formação no EaD pode ser feita em duas modalidades:
Ensino síncrono – Modalidade em que o professor e aluno estão em aula ao mesmo tempo, permitindo
perguntas e discussões (Ex: telefone, chat, videoconferência).
Ensino assíncrono – Modalidade em que o professor e o aluno não estão em aula ao mesmo tempo. Neste
formato o professor responde a dúvidas e participa nas discussões em momentos diferentes dos aluno, permitindo
a este aceder aos conteúdos de acordo com a sua disponibilidade (Ex: e-mail, fóruns, sessões disponibilizadas na
plataforma).
Características
Entre as principais características do EaD podemos destacar as seguintes:

Aumento da autonomia do formando e respeito pelos ritmos próprios de aprendizagem;

Democratização e massificação do acesso à formação;

Diminuição de custos com formação e eliminação de barreiras geográficas;

Incentivo à formação constante;

Dependência do correto funcionamento das tecnologias utilizadas na formação.
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Vantagens e desvantagens
O EaD naturalmente não apresenta apenas vantagens, continuando a existir bastantes obstáculos em
particular ao nível da sua implementação. Desta forma podemos realçar as vantagens e desvantagens a seguir
enunciadas para ambos os intervenientes no processo.
Vantagens:

A rápida e permanente atualização dos conteúdos disponibilizados, sendo este provavelmente o único
método de ensino em que podem ser atualizados ao minuto;

A flexibilidade que permite aceder ao curso em qualquer altura ficando os conteúdos disponíveis inclusive
após a formação;

Aumento da autoconfiança e do sentido de responsabilidade dos formandos que gerem a sua
aprendizagem;

Democratização do acesso à educação;

Eliminação do espaço geográfico disponibilizando os conteúdos para um maior número de pessoas;

Apesar do custo inicial superior, após a sua implementação o EaD vai proporcionar uma economia
significativa, ao nível de materiais, formadores, deslocações e instalações para a formação;

Personalização dos conteúdos consoante as necessidades dos alunos e os objetivos de aprendizagem;

Economia de tempo, já que o formando não necessita de se deslocar nem de interromper as suas
atividades.
Desvantagens:

A falta de credibilidade do processo de avaliação/certificação por ser pouco seguro e por não dar garantias
que é o formando a frequentar a formação;

A falta de interação presencial formador/formando dificulta a criação de laços, levando a uma sensação de
isolamento. A ausência de feedback verbal leva a que seja difícil garantir se a mensagem enviada foi
compreendida;

O sucesso do curso depende em grande parte da autodisciplina do formando;

A criação de conteúdos é mais morosa e exige formação específica já que assenta em critérios diferentes
da formação presencial;

A existência de alguma iliteracia na utilização das Tecnologias de Comunicação e Informação;
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
A predominância ou repetição de metodologias causa cansaço na aprendizagem;

O ensino de matérias que envolvam componente prática é muito limitado.
Condições necessárias à sua implementação
A implementação de um curso neste formato deve obedecer a alguns requisitos, sendo alguns específicos da
instituição militar:

Sensibilidades do Comando - As sessões online devem ser contempladas na atividade diária dos militares
na Unidade;

Nomeações simultâneas - A presença do militar na Unidade propicia por vezes a nomeação para outras
tarefas incompatíveis com a frequência de um curso;

Limitações tecnológicas: Devido à dependência que este ensino tem das TIC, devem ser tidos em conta os
seguintes fatores:
 Os acessos à Internet na instituição militar são por questões de segurança altamente filtrados, assim
deve haver algum cuidado na forma como os conteúdos são disponibilizados;
 Os formandos devem ter acesso a hardware devidamente atualizado e aos recursos necessários
(essencialmente meios áudio e vídeo);
 A reutilização, adaptação, interoperabilidade e preservação dos e-conteúdos concebidos deve
permitir rentabilizar o tempo despendido na sua criação, sendo desejável que estes tenham uma
ótica de múltipla utilização.

A escolha seletiva do software de produção de e-conteúdos, atendendo ao perfil dos utilizadores e
possibilitando que a sua utilização seja alargada ao máximo possível de formadores, permitindo uma
rápida difusão e implementação do EaD na organização;

A especificidade do EaD e dos e-conteúdos exige que o formador esteja devidamente habilitado;

O formador que se inicia na produção de e-conteúdos deve, numa primeira fase, pôr de lado as
preocupações técnicas, já que, mais importante que a criação, é a sua utilização no contexto real,
evoluindo posteriormente para conteúdos mais elaborados.
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II – O EaD na EPS
A escolha do curso
Sendo a formação na instituição militar maioritariamente prática, julgou-se pertinente que a escolha recaísse
num curso que permitisse implementar um modelo semipresencial, em que as aulas decorressem em parte à
distância (e-learning) e em parte num centro de formação (presencial).
Uma vez que este género de curso exige mais do aluno, e tendo em conta que esta seria a primeira
experiência, foram estabelecidos alguns pré-requisitos para o formando:

Ter alguma afinidade com o curso;

Ter noções gerais sobre a área a ser abordada;

Ter capacidade de administrar o tempo disponível;

Ter alguma autonomia.
Após a análise dos cursos disponíveis a escolha recaiu sobre o Curso de Instrutores das Categorias “C+E” e “D”,
mais especificamente nas disciplinas de Direito Rodoviário (DR) e Conhecimento Automóvel e Manutenção (CAM).
Como pré-requisitos para frequentar este curso os formandos têm de estar habilitados com o Curso de
Condução Auto (CCAu) ou ser Oficial/Sargento AF-18 TP, garantindo assim a afinidade com o curso e as noções
gerais sobre a área abordada. Sendo um curso para graduados permite, à partida, uma maior capacidade de
administrar o tempo disponível e maior autonomia.
O curso tem uma duração total de 407 Tempos Escolares (TE), sendo 45 TE na modalidade não presencial (elearning) e 362 TE na modalidade presencial. A componente não presencial ficou distribuída ao longo de 4 semanas
(18Maio a 12Junho) com uma duração média estimada de trabalho diário de 2,5 horas.
Preparação do curso
Após a escolha do curso a ministrar foi necessário iniciar a preparação dos conteúdos dos módulos sobre os
quais se iria utilizar o EaD. Assim, os primeiros passos passaram por escolher o software mais adequado, assim
como algum hardware, tendo este processo sido um pouco moroso apesar do total apoio do comando da EPS. Uma
vez que apenas se conheciam as aplicações utilizadas nos cursos frequentados, e tendo em conta que este tipo de
aplicações é normalmente bastante caro, a escolha do software implicou uma pesquisa aprofundada das versões
trial das várias opções disponíveis no mercado, por forma a fazer a opção correta e adequada às necessidades para
esta topologia de curso.
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O mesmo se passou com a aquisição de hardware, já que as opções são muitas e adequadas a vários níveis de
exigência. Mais uma vez os valores são bastante altos e nem sempre o equipamento de melhor qualidade é o mais
adequado às necessidades. Neste campo tivemos que contactar com especialistas na área para fazer a opção mais
correta para as nossas necessidades.
Após a definição da escolha do hardware e software, foi iniciada a preparação dos conteúdos tendo como
base as aulas existentes e neste campo muitas foram as dúvidas que surgiram, em particular na adaptação das
sessões presenciais aos tempos escolares em formato EaD. A principal preocupação foi a de tornar as sessões
atrativas e adequadas aos formandos, o que implicou que as aulas fossem testadas individualmente pelas pessoas
envolvidas na elaboração do curso por forma a cumprir esses requisitos. Durante este período verificou-se que,
apesar de estarmos a utilizar a base de trabalho do curso existente em formato presencial, o processo de
elaboração de e-conteúdos é muito complexo e demorado e a falta de experiência apresenta-se como o principal
inimigo no início do processo.
A acrescentar a estes problemas surgiram outras restrições, tais como o facto das pessoas envolvidas
trabalharem em espaços físicos diferentes e terem outras funções e tarefas atribuídas além desta. Com o total
apoio do comando da EPS estas limitações foram ultrapassadas e o curso começou a desenhar-se tendo sido
cumpridos todos os prazos e objetivos propostos para a sua preparação.
O desenrolar do curso e lições apreendidas
De uma forma geral, o curso decorreu sem grandes problemas, embora haja pontos a aperfeiçoar e alterações
a serem feitas, devendo ser dado especial destaque ao facto desta 1ª parte do curso ter decorrido completamente
em formato e-learning, sem se realizar qualquer sessão presencial.
No aspeto técnico não surgiram quaisquer problemas, tendo os formandos conseguido aceder normalmente a
todos os conteúdos disponibilizados. Por parte das chefias, houve a preocupação de garantir que os subordinados
a frequentar o curso tivessem diariamente o tempo necessário para assistir às sessões, assim como efetuar as
tarefas agendadas. Uma das limitações a destacar e que deve ser tida em conta em futuros cursos, foi a
necessidade de disponibilizar computadores e meios áudio e vídeo para os formandos.
Todas as atividades decorreram normalmente, havendo de uma forma geral uma participação assídua e
interessada nas mesmas por parte dos formandos. Sempre que surgiram dúvidas, quer ao nível técnico quer
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pedagógico, os formandos recorreram naturalmente aos meios disponibilizados pela plataforma, tendo os
formadores solucionado sempre todas as questões.
Da parte dos formadores sentiu-se a necessidade das contas de email do Exército poderem ser sincronizadas
em meios móveis através da Internet, o que iria permitir receberem e responder mais rapidamente às dúvidas e
questões colocadas pelos formandos.
A sessão presencial intermédia (Chat) decorreu com a presença de todos os formadores e formandos e foi
bastante dinâmica, aproveitando os formandos para esclarecer várias dúvidas e dando um feedback bastante
positivo e importante aos formadores da forma como o curso estava a decorrer.
Em relação à avaliação da componente do Ensino a Distância foi ponderado da seguinte forma: teste na
plataforma Moodle para cada módulo, sendo a classificação final obtida através de 45% Direito Rodoviário + 45%
Conhecimento Automóvel e Mecânica + 10% relativo à apreciação da participação, colaboração e empenho no
chat, fórum e glossário. Os testes foram disponibilizados no tempo mínimo essencial para serem realizados,
logicamente após serem efetuadas várias experiências pelos formadores, por forma a limitar a possibilidade de
contacto entre formandos, tendo os resultados obtidos sido bastante positivos. Esta componente é ainda validada
presencialmente através da Prova Teórica no Sistema Multimédia.
Em jeito de conclusão, e tendo em conta que este foi o primeiro curso neste formato e a experiência inicial na
área era muito limitada, podemos considerar que foram cumpridas e ultrapassadas as expetativas iniciais para este
modelo de ensino. Todos os objetivos propostos foram totalmente alcançados, podendo-se afirmar que a aposta
no EaD é mais um caminho muito interessante e de sucesso a seguir em futuros cursos de formação na EPS.
Referências:
http://edulearning2.blogspot.pt/
http://www.prof2000.pt/
Ensino a Distância vs Ensino Tradicional (Elizabete Vidal)
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