UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
CURSO DE GRADUAÇÃO EM GEOLOGIA
GILMA ALVES PIRES
ESTUDO PETROGRÁFICO DAS UNIDADES
LITOESTRATIGRÁFICAS DA PARTE CENTRAL DO
GREENSTONE BELT DO RIO CAPIM, BAHIA - BRASIL
Orientador: Profa. Dra. Angela Beatriz de Menezes Leal
Co-orientador: Geólogo Felipe Machado de Araújo
Salvador
2010
GILMA ALVES PIRES
ESTUDO PETROGRÁFICO DAS UNIDADES
LITOESTRATIGRÁFICAS DA PARTE CENTRAL DO GREENSTONE
BELT DO RIO CAPIM, BAHIA - BRASIL
Monografia apresentada ao curso de Geologia,
Instituto de Geociências, Universidade Federal
da Bahia, como requisito parcial para obtenção
do título de Bacharel em Geologia.
Orientadora: Profa. Ângela Beatriz de Menezes Leal
Co-orientador: Geólogo Felipe Machado de Araújo
Salvador
2010
TERMO DE APROVAÇÃO
GILMA ALVES PIRES
ESTUDO PETROGRÁFICO DAS UNIDADES
LITOESTRATIGRÁFICAS DA PARTE CENTRAL DO GREENSTONE
BELT DO RIO CAPIM, BAHIA - BRASIL
Monografia aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em
Geologia, Universidade Federal da Bahia, pela seguinte banca examinadora:
BANCA EXAMINADORA
_______________________________________________________________
Profa. Dra. Angela Beatriz de Menezes Leal – Orientadora
_______________________________________________________________
Dra. Cristina Maria Burgos de Carvalho
_______________________________________________________________
Profa. Dra. Amalvina Costa Barbosa
Salvador, 09 de julho de 2010
Alves Pires, Gilma
Estudo petrográfico das Unidades Litoestratigráficas da parte central do
greenstone belt do Rio Capim, Bahia – Brasil: Gilma Alves Pires. - - Salvador. 2010.
70f.: il.; 27cm.
Monografia apresentada à Universidade Federal da Bahia – UFBA,
Instituto de geociências, 2010.
Orientadora: Profa. Dr. Angela Beatriz de Menezes Leal.
Co-orientador: Felipe Machado de Araújo.
1. Palavra chave (greenstone belt, Rio Capim).
À minha mãe, Alice, e ao meu marido,
Fabiano, dedico este trabalho. Eles sempre
serão fundamentais em minha vida.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus, Criador e Mantenedor da vida, razão da minha
existência.
À minha mãe, Alice Alves de Novais, que pelo seu amor por mim, é verdadeiramente a
responsável por esta monografia e por todas as etapas de conquista da minha vida.
Ao meu marido, Fabiano, pelo incentivo e companheirismo durante todo o período do
curso.
À orientadora, Profa. Dra. Ângela Beatriz de Menezes Leal, por ter aceitado me
orientar, pelos ensinamentos, discussões e votos de confiança, a qual considero ser um dos
pilares na fundamentação da minha consciência geológica e profissional.
À Yamana Gold pelo apóio logístico na execução dos trabalhos de campanha de
Campo.
À CPRM, pela confecção das lâminas.
Aos professores do Instituto de Geociências da UFBA, pelos conhecimentos repassados
e por me proporcionar as bases dessa incrível e fundamental ciência chamada Geologia.
Às amigas Nívia Pina, Michele Santos e Vanessa por ter colaborado com a produção
dos meus mapas e das figuras.
A Cristina Burgos, geóloga da CPRM, pelos ensinamentos e dúvidas tiradas sobre a
petrografia do trabalho da área estudada.
Aos colegas que compartilharam as disciplinas de campo comigo, Iara, Ulisses,
Gouthiers, Agnaldo (o Rambo), Nivia, Tatiana Moreno, Joel, Cleison, meu muito obrigada
pelo companherismo.
Aos colegas que entraram junto comigo no curso de geologia e aos outros que conheci
durante a graduação.
Enfim a todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para minha formação.
RESUMO
O Greenstone Belt do Rio Capim (GBRC) está situado no Município de Uauá - Bahia,
no limite nordeste do Cráton do São Francisco, em terrenos granito - greenstone que
compõem o Bloco Serrinha. O GBRC compõe uma sequência de rochas metamorfisadas com
extensão de 130km2, dispostas em um sinclinório com forma sigmoidal alongada em norte –
sul e delimitado por falhas. O GBRC é constituído, da base para o topo, por basaltos
toleíticos de fundo oceânico, seguidas por lavas piroclásticas intermediárias a ácidas,
cálcioalcalina de arco de ilha e, finalmente, paragnaisses calciossilicático intercalados a
itabirito e metacherts ferruginoso ou turmaliníticos. De oeste para leste na área de estudo
afloram rochas de composição granítica-gnaissicas-migmatíticas cortadas por diques máficos
composta por plagioclásio, anfibólios, piroxênios e biotita, caracterizadas como o
embasamento da sequência. As rochas do GBRC, na área de estudo, são constituída por
rochas metabasalticas, anfibolíticas e tonalíticas. O estudo das associações minerais permitiu
identificar uma paragênese metamórfica de fácies anfibolito, composta por hornblenda +
plagioclásio representando nas rochas máficas da Unidade Riacho das Pedras; fácies xisto
verde referentes as rochas da Unidade Caratacá compostas por plagioclásio, quartzo, biotita,
carbonatos e cloritas; e fácies anfibolito da unidade Coiqui, Gado Bravo e Caiada compostas
por hornblenda, plagioclásio, biotita, quartzo e piroxênios. As paragêneses calcita, mica
branca e hornblenda parecem estar relacionadas a alteração hidrotermal na área de estudo. O
GBRC, de idade paleoproterozóica, apresenta semelhança temporal e litoestratigráfico com o
greenstone belt do Rio Itapicuru, alojado também no Bloco Serrinha.
Palavras chaves: greenstone belt, Rio Capim.
S U M Á R IO
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO ................................................................................... 17
1.1 - APRESENTAÇÃO E FINALIDADES ........................................................................ 17
1.2 - LOCALIZAÇÃO E VIAS DE ACESSO...................................................................... 18
1.3 - OBJETIVO GERAL .................................................................................................... 18
1.4 - OBJETIVOS ESPECÍFICOS ....................................................................................... 18
1.5 - JUSTIFICATIVA ........................................................................................................ 19
1.6 - REVISÃO DA LITERATURA .................................................................................... 21
CAPÍTULO 2 - MATERIAIS E MÉTODOS................................................................ 24
2.1 - LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO ..................................................................... 24
2.2 - TRABALHO DE CAMPO.......................................................................................... 24
2.3 - ESTUDOS PEROGRÁFICOS .................................................................................... 25
2.4 - TRATAMENTOS DE DADOS .................................................................................. 25
CAPÍTULO 3 - GEOLOGIA REGIONAL................................................................... 27
3.1 - CRÁTON DO SÃO FRANCISCO.............................................................................. 27
3.2 - BLOCO SERRINHA ................................................................................................... 31
3.2.1 - Complexo Santa Luz ............................................................................................. 32
3.2.2 - Complexo Uauá .................................................................................................... 32
3.3 - ORÓGENO ITABUNA SALVADOR CURAÇÁ ........................................................ 33
3.4 - FAIXA DE DOBRAMENTO SERGIPANO................................................................ 35
CAPÍTULO 4 - GEOLOGIA LOCAL E PETROGRAFIA ......................................... 37
4.1 - INTRODUÇÃO........................................................................................................... 37
4.2 - EMBASAMENTO....................................................................................................... 42
4.2.1 - Complexo Uauá ................................................................................................ 42
4.2.1.1 - Diques Máficos........................................................................................... 44
4.3 - UNIDADE RIACHO DAS PEDRAS .......................................................................... 48
4.4 - UNIDADE RIO CARATACÁ ..................................................................................... 51
4.5 - UNIDADE COIQUI ................................................................................................... 56
4.5.1 - Ortoanfibolito do ponto RC-12........................................................................... 57
4.5.2 - Ortoanfibolito do ponto RC-19 .......................................................................... 59
4.6 - ORTOANFIBOLITO DA UNIDADE GADO BRAVO ............................................... 62
4.7 - ORTOANFIBOLITO DA UNIDADE CAIADA.......................................................... 67
CAPÍTULO 5 - ESTUDO COMPARATIVO ENTRE O GREENSTONE BELT
DO RIO CAPIM COM O GREENSTONE BELT DO RIO ITAPICURU ..................... 71
5.1 - GREENSTONE BELT DO RIO CAPIM (GBRC) ....................................................... 71
5.1.1 - Litoestratigrafia ................................................................................................. 71
5.1.2 - Geocronologia ................................................................................................... 72
5.1.3 - Metamorfismo ................................................................................................... 72
5.1.4 - Recursos Minerais ............................................................................................ 72
5.2 - GREENSTONE BELT DO RIO ITAPICURU (GBRI) ................................................ 73
5.2.1 - Litoestratigrafia ................................................................................................ 73
5.2.2 - Geocronologia .................................................................................................. 74
5.2.3 - Metamorfismo .................................................................................................. 76
5.2.4 - Recursos minerais............................................................................................ 76
5.3 - CORRELAÇÃO ENTRE O GBRC E O GBRI ............................................................ 77
CAPÍTULO 6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................. 79
REFERÊNCIAS................................................................................................................. 82
LISTA DE FIGURAS
Figura 1.1: Mapa de situação e localização da área de estudo .............................................. 20
Figura 3.1: Mapa esquemático mostrando os limites e as maiores unidades estruturais
do Cráton do São Francisco.................................................................................................. 28
Figura 3.2: Mapa geológico regional do greenstone belt do Rio Capim ............................... 30
Figura 3.3: Mapa geológico simplificado do Bloco Serrinha, mostrando os Complexo
Santa Luz e Uauá ................................................................................................................. 31
Figura 3.4: Mapa do segmento norte do órogeno Itabuna-Salvador-Curaçá com as
divisões tectônicas ............................................................................................................... 34
Figura 4.1: Coluna litoestratigráfica esquemática das unidades pertencentes ao
greenstone belt do Rio Capim .............................................................................................. 39
Figura 4.2: Mapa geológico da porção central do GBRC..................................................... 41
Figura 4.3: Diagrama de classificação (Streckeisen 1976) para as rochas da Unidade
Caratacá............................................................................................................................... 56
Figura 5.1: Imagens de satélite do greenstone belt do Rio Itapicuru, destacando: rochas
da Unidade Vulcânica Máfica e rochas da Unidade Vulcânica Félsica.................................. 74
Figura 5.2: Imagens de satélite do greenstone belt do Rio Itapicuru, destacando: rochas
da Unidade Sedimentar e Granitóides Intrusivos nas supracrustais ....................................... 75
LISTA DE TABELAS
Tabela 4.1: Pontos amostrados na área de estudo ................................................................ 40
Tabela 4.2: Composições modais das rochas da Unidade Caratacá ...................................... 55
Tabela 5.1: Dados geocronológicos do greenstone belt do Rio Capim ................................. 72
Tabela 5.2: Dados geocronológicos do greenstone belt do Rio Itapicuru ............................. 76
Tabela 5.3: Estudo comparativo entre o GBRC e o GBRI ................................................... 77
LISTA DE FOTOGRAFIAS
Fotografia 4.1: Afloramento de diques máficos do Complexo Uauá.. .................................. 44
Fotografia 4.2: Afloramento de diques máficos do Complexo Uauá.................................... 45
Fotografia 4.3: Afloramento de anfibolitos da Unidade Riacho das Pedras do GBRC.......... 48
Fotografia 4.4: Diferentes afloramentos da Unidade Caratacá ............................................. 51
Fotografia 4.5: Afloramento em forma de lajedo nas margens do Rio Caratacá. .................. 57
Fotografia 4.6: Afloramento dos ortoanfibolitos da Unidade Coiquí nas margens do
riacho Capim........................................................................................................................ 60
Fotografia 4.7: Afloramento de anfibolitos com pórfiro de coloração branca
intercalados a tufos da unidade Gado Bravo ......................................................................... 63
Fotografia 4.8: Afloramento dos ortoanfibolitos da unidade Caiada nas margens do Rio
Capim. ................................................................................................................................. 67
LISTA DE FOTOMICROGRAFIAS
Fotomicrografia 4.1: Detalhe dos texturas granoblástica e nematoblástica em rochas do
embasamento do greenstone belt do Rio capim. ................................................................... 42
Fotomicrografia 4.2: Detalhe dos cristais de hornblenda com piroxênios no centro das
rochas graníticas-gnáissicas-migmatíticas do Complexo Uauá ............................................. 43
Fotomicrografia 4.3: Detalhe da disposição dos cristais de biotita, plagioclásio, quartzo
e hornblenda. ....................................................................................................................... 44
Fotomicrografia 4.4: Textura granoblástica decussada dos anfibólios em luz plana e em
luz polarizada....................................................................................................................... 46
Fotomicrografia 4.5: Detalhe das texturas subofítica e ofítica dos diques máficos do
Complexo Uauá. .................................................................................................................. 46
Fotomicrografia 4.6: Detalhe de cristais de plagioclásio maclado e microclina
observados em luz polarizada............................................................................................... 47
Fotomicrografia 4.7: Detalhe de minerais opacos alterando para titanita observados em
luz plana e em luz polarizada. .............................................................................................. 48
Fotomicrografia 4.8: Detalhe de cristais de hornblenda (Hb), plagioclásio (Pl) e
minerais opacos (Op) em arranjo granoblástico. ................................................................... 50
Fotomicrografia 4.9: Detalhe de cristal de plagioclásio geminados (Pl) englobados por
hornblenda ........................................................................................................................... 50
Fotomicrografia 4.10: Detalhe do cristal de hornblenda (Hb) xenoblástica com
inclusões de titanita (Tn) no centro e plagioclásio. ............................................................... 50
Fotomicrografia 4.11: Texturas granoblástica e lepidoblástica em rocha tonolítica da
Unidade Caratacá do GBRC................................................................................................. 51
Fotomicrografia 4.12: Detalhe do cristal de plagioclásio (Pl) mostrando geminação
Carlsbad observados em luz polarizada e de moscovita. ....................................................... 53
Fotomicrografia 4.13: Detalhe de cristal de turmalina (Tr) e clorita (Cl) observados em
luz plana e em luz polarizada ............................................................................................... 54
Fotomicrografia 4.14: Detalhe de cristal de carbonato, moscovita e de cristal de biotita
em luz polarizada da unidade Caratacá................................................................................. 54
Fotomicrografia 4.15: Detalhe de cristal de turmalina idioblástica no centro da lâmina,
observados em luz plana e em luz polarizada. ...................................................................... 55
Fotomicrografia 4.16: Textura nematoblástica em ortoanfibolito da unidade Coiquí .......... 57
Fotomicrografia 4.17: Detalhe de cristal de plagioclásio (Pl) levemente sgeminados no
centro da lâmina, observado em luz plana e em luz polarizada. ............................................ 59
Fotomicrografia 4.18: Minerais opacos entre cristais de hornblenda, observados em luz
plana e em luz polarizada ..................................................................................................... 59
Fotomicrografia 4.19: Detalhe das texturas granoblástica e nematoblástica observadas
em luz plana e em luz polarizada.......................................................................................... 60
Fotomicrografia 4.20: Detalhe de cristal de hornblenda em contatos curvos, ou
intergranuar aos cristais de plagioclásio (Pl) (andesina) com maclas segundo a lei albita,
albita – periclina, além de plagioclásio zonado, observados em luz plana e em luz
polarizada ............................................................................................................................ 61
Fotomicrografia 4.21: Detalhe de cristal de titanita incluso nos cristais de hornblenda,
observados em luz plana e em luz polarizada. ...................................................................... 62
Fotomicrografia 4.22: Detalhe dos cristais de zircão e titanita inclusos no cristal de
plagioclásio (Pl) ................................................................................................................... 62
Fotomicrografia 4.23: Textura nematoblástica com micro bandamento textural dos
cristais de anfibolios da Unidade Gado Bravo, observados em luz plana e em luz
polarizada. ........................................................................................................................... 63
Fotomicrografia 4.24: Detalhe de porfiroclastos constituídos de plagioclásio + biotita +
hornblenda observados em luz plana e em luz polarizada. .................................................... 64
Fotomicrografia 4.25: Rocha porfiroclástica numa matriz anfibolítica da Unidade Gado
Bravo. .................................................................................................................................. 65
Fotomicrografia 4.26: Detalhe de cristais de microclina parcialmente sericitizados e de
cristais de hornblenda........................................................................................................... 66
Fotomicrografia 4.27: Cristal de piroxênio no centro da hornblenda, com plagioclásio e
minerais opacos associados ................................................................................................. 66
Fotomicrografia 4.28: Textura granoblástica granular e decussada dos cristais de
hornblenda e de plagioclásio. ............................................................................................... 68
Fotomicrografia 4.29: Detalhe dos cristais de hornblenda, biotita e minerais opacos em
arranjo granoblástico............................................................................................................ 69
Fotomicrografia 4.30: Concentração de opacos entre cristais de ......................................... 69
CAPÍTULO I
16
CAPITULO 1 – INTRODUÇÃO
1.1. APRESENTAÇÃO E FINALIDADES
Os greenstone belts são sucessões de rochas supracrustais de idades entre 2,0 a 3,8 Ga
dominadas por rochas vulcânicas, deformadas e metamorfizadas, dominantemente, sob
condições da fácies xisto-verde com áreas de grau mais alto. Os GB ocorrem como faixas
alongadas ou irregulares, bordejadas ou intrudidas por granitóides variavelmente
gnaissificados (Neves, 2008), distribuídos em diferentes escalas espaciais e temporais.
Caracterizam-se por representar uma porção da história geológica mais remota do planeta,
mas principalmente, pela sua associação mineral de grande interesse econômico ao redor do
mundo, os quais geralmente apresentam mineralizações importantes como ouro, prata,
chumbo, cobre, níquel, cromo e zinco.
O greenstone belt do Rio Capim (GBRC), compõe uma variedade de rochas de idades
paleoproterozóicas, formada em bacias tipo back-arc (Silva, 1992, Winge, 1984). Esta
sequência de rochas de origem vulcano-sedimentar, foi metamorfizada no fácies anfibolito
com gradiente de baixa pressão, ocupando uma extensão de 130km2, disposta em um
sinclinório com forma sigmoidal alongada norte – sul e delimitada por falhas, podendo conter
importantes reservas minerais (Winge, 1984). O GBRC, objeto do presente estudo, está
situado no Município de Uauá, Estado da Bahia, no limite nordeste do Cráton do São
Francisco, em terrenos granito - greenstone que compõem o Bloco Serrinha (Figura 1.1).
Pesquisas realizadas sobre a litoestratigrafia do GBRC nos últimos vinte anos, em
especial os trabalhos de Winge (1981; 1984), indicam que o GBRC é constituído, da base
para o topo, por basaltos toleíticos de fundo oceânico, seguidos por lavas piroclásticas
intermediárias a ácidas, cálcio-alcalinas de arco de ilha e, finalmente, para gnaisses
calciossilicático (Winge, 1984). Para kosin et al. (2003) estas rochas intercalam itabiritos e
metacherts ferruginosos ou turmalínicos, metamorfizadas na fácies anfibolito e atingindo,
localmente, o fácies granulito.
O presente trabalho de pesquisa tem por finalidade caracterizar, através de estudo
geológico e petrográfico detalhado, as unidades litoestratigráficas que compõem a parte
central do GBRC.
17
1.2. LOCALIZAÇÃO E VIAS DE ACESSO
A área de enfoque deste estudo localiza-se na porção nordeste do município de Uauá,
norte do Estado da Bahia, correspondendo a um retângulo de direção leste-oeste localizado na
parte central do GBRC, a cerca de 28 km a leste da sede municipal de Uauá (Figura 1.1).
O acesso a partir de Salvador, até a cidade de Uauá, é feito pelas estradas federais
pavimentadas, BR-324 até Feira de Santana, onde pega-se a BR-116 até o entroncamento
entre Euclides da Cunha e Uauá, daí segue para a sede do município de Uauá pela BR-235,
estrada esta, federal, não asfaltada. O percurso de Salvador até Uauá perfaz um total de 416
Km com aproximadamente 6 horas de viagem.
Da cidade de Uauá até a área de estudo, faz-se um percurso pela estrada federal BR235, não pavimentada, até o povoado de Caratacá. Daí segue-se através de estrada carroçável
para a Fazenda Poço dos Cavalos e Fazenda Barra da Fortuna, ambas localizadas dentro da
área de estudo. Este percurso se faz quase todo a pé pelo leito do rio Caratacá e pelo riacho
Capim, lugares onde ocorrem afloramentos das unidades em estudo.
1.3. OBJETIVO GERAL
O objetivo deste estudo é caracterizar as unidades litoestratigráficas que compõem a
parte central do GBRC, utilizando como ferramenta os trabalhos de campo e os estudos
petrográficos. Além das análises petrográficas, faremos uma comparação cronoestratigrafica
com o greenstone belt do Rio Itapicuru, também de idade paleoproterozóica, que ocorre no
Bloco Serrinha.
1.4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Visando alcançar o objetivo geral desse trabalho, pretende-se determinar através dos
trabalhos de campo e da petrografia:
i)
as litologias que compõem as unidades estratigráficas da parte central do GBRC;
18
ii) as características macro, meso e microscópicas;
iii) as associações mineralógicas e texturais, visando definir o grau metamórfico e as
relações progressivas e/ou regressivas;
iv) comparação do GBRC com o GB Itapicuru, também de idade paleoproterozóica.
1.5. JUSTIFICATIVA
Apesar de existirem trabalhos de monografias e dissertação de mestrado abordando a
caracterização geológica e modelo metalogenético para o GBRC (Winge, 1981; Souza, 1984),
faz-se necessário realizar um estudo de detalhe nas rochas que compõem o GBRC para definir
com mais precisão as unidades que o constituem, através da caracterização geológica e
petrográfica.
Os estudos geológicos e petrográficos pretendem responder as seguintes questões:
i)
Quais as unidades litoestratigráficas da base para o topo, que compõem a área de
estudo?
ii) Quais as litologias que compõe esta estratigrafia do GBRC na área de estudo?
iii) Quais as relações de contatos das unidades do GBRC na área de estudo?
iv) Quais as características macro, meso e microscópicas das litologias que compõem o
GBRC na área de estudo?
v) Quais as relações mineralógicas e texturais?
vi) Quais as paragêneses e/ ou associações mineralógicas de cada unidade, para a
definição do grau metamórfico do GBRC? Será possível a identificação de feições que
denotam metamorfismo progressivo e/ou regressivo?
19
20
1.6. REVISÃO DA LITERATURA
Em 1972, a Empresa Caraíba, em convênio com o governo da República Federal da
Alemanha, com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e com a
Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), passaram a investir na prospecção mineral
de sulfetos na então sequência vulcanos sedimentar, série Capim, e em áreas vizinhas.
Os estudos geológicos em greenstone belts no Estado da Bahia, alertaram Mascarenhas
(1976) para o fato de que a sequência vulcanossedimentar identificada por Andritzky (1971),
como Série Capim, possuía características de Greenstone Belt semelhantes ao greenstone
Barberton, na África do Sul. As primeiras pesquisas realizadas no GBRC na década de 70
despertaram grandes interesses aos estudiosos. Em 1980, pesquisadores identificaram rochas
vulcânicas ácidas (e.g. Winge & Dani, 1980). Rangel et al., (1980) demonstraram que os
primeiros resultados a pesquisa de prospecção geofísica caracterizaram o GBRC como
prospecto para sulfetos como pirita e pirrotita. Um ano mais tarde, Winge (1981), com estudo
mais detalhado para sua dissertação de mestrado, defendeu que o GBRC correspondia às
raízes de uma sequência vulcanossedimentar metamorfizada no fácies anfibolito e com
gradientes de baixa pressão. De acordo com este mesmo autor, em pesquisas realizadas em
1984, o greenstone foi caracterizado por constituir um corpo com forma sigmoidal, imbricado
tectonicamente em ortognaisse tonalítico granulitizado do Complexo Santa Luz e que é
composto, da base para o topo, por basaltos toleíticos de fundo oceânico seguidos por lavas e
piroclásticas intermediárias e ácidas, cálcioalcalinas de arco de ilha e, finalmente,
paragnaisses cálciossilicáticos. A esta sequência de rochas intercalam-se itabirito e metacherts
ferruginosos ou turmalíniticos, todos metamorfizadas na fácies anfibolito atingindo,
localmente, a fácies granulito.
Estudos petrográficos destas rochas (Winge, 1984) permitiram a individualização dos
seguintes litotipos: (i) rochas máficas metamorfisadas, compreendendo anfibolitos de
granulação grossa a fina, derivados de rochas basálticas com associação de sedimentos
químico/vulcanoquímicos do tipo BIF, cherts ferruginosos e cherts carbonáticos. Neste
mesmo pacote, Winge (1984) reporta a ocorrência de rochas anfibolíticas de granulação mais
grossa e de formatos lenticulares e ovalados, os quais foram interpretadas como rochas
oriundas de antigos condutos vulcânicos. Os anfibolitos muito finos e laminados foram
interpretados como derivados do metamorfismo de tufos basálticos (Winge 1984); ii) rochas
anfibolíticas de granulação média a grossa, foliadas e gnaissificadas, ocorrendo nas bordas da
21
sequência supracrustal, em contato com rochas granulíticas migmatizadas do embasamento do
Complexo Santa Luz, no Cráton do São Francisco.
Em relação à importância econômica dos níveis de sulfetos, existem controvérsias
quanto ao seu posicionamento litoestratigráfico. Segundo Andritzky (1971) e Rangel et al.,
(1980) o nível sulfetado estaria localizado entre os metabasitos e as metavulcânicas félsicas.
No entanto, para Winge (1984) o nível sulfetado estava localizado na porção superior
(sequência vulcânica ácida), em contato com rochas de natureza ignimbrítica. Souza (1984),
através do mapeamento geológico, dividiu o greenstone do Rio Capim em sete unidades
litológica: Unidades Riacho de Pedras e Caiada, compostas por intercalações de
metavulcânicas máficas e félsicas e metassedimentos; Unidade Riacho do Gado Bravo,
composta por paragnaisses calciossilicáticos; Unidade Coiqui, constituída por metavulcânicas
intermediárias sulfetadas; Unidade Rio Caratacá, constituída por metadacitos; Unidade
Riacho Mandaipó, composta por ortoanfibolitos finos e uma unidade subvulcânicas félsicas a
qual ele não denominou.
No que diz respeito ao metamorfismo, Winge (1984) reconheceu, com base unicamente
em estudos petrográficos, a predominância de paragêneses da fácies anfibolito, com reequilibrio retrógrado para a fácies xisto verde. De acordo com o autor supracitado, as pressões
variaram entre 2 e 5,5kb e as temperaturas entre 550 e 750 0C.
Oliveira (1998), através de estudo geocronológico em gabros e vulcânicas ácidas,
obteve idades Pb-Pb em rocha total e Pb-Pb por evaporação em zircão, situadas no intervalo
de 2,22 a 2,09 Ga, além de Sm-Nd, situadas entre 2,5-2,4 Ga. Estes valores permitiram
correlacionar o GBRC ao Greenstone Belt do Rio Itapicuru, de idade paleoproterozóica.
22
CAPÍTULO II
23
CAPÍTULO 2 - MATERIAIS E MÉTODOS
Para cumprir os objetivos propostos, a pesquisa foi desenvolvida durante o período de
agosto de 2009 a julho de 2010, no Instituto de Geociências (IGEO) da Universidade Federal
da Bahia (UFBA), tendo como apoio a Yamana Gold Mineração e o Serviço Geológico do
Brasil (CPRM). Neste período, adotou-se a seguinte estratégia metodológica:
2.1. LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO
Esta etapa da pesquisa foi realizada através de estudo de artigos científicos, dissertação
de mestrado e trabalhos de graduação. Todos eles permitiram a obtenção de informações
sobre o contexto geológico que engloba o Greenstone Belt do Rio Capim, bem como sua
composição e caracterização litológica, envolvendo aspectos petrográficos, geocronológicos e
caracterização metalogenética.
Além de pesquisas que envolvem o GBRC foram realizados estudos referentes a
geologia
do
greenstone
belt
do
Rio
Itapicuru,
objetivando
uma
comparação
cronoestratigráfica e cronológica com o CBRC.
2.2 – TRABALHO DE CAMPO
Foi realizada uma campanhas de campo durante o segundo semestre de 2009, no
período de 17 a 19 de outubro, sob a orientação da Prof. Dra. Ângela Beatriz M. Leal e o
Geólogo Felipe Machado, além dos colegas mestrando André Luiz Dias Santos e Joilma dos
Prazeres Santos.
Esta campanha teve como principal objetivo o reconhecimento da geologia do GBRC e
seu contexto regional. Durante estes três dias foi possível reconhecer e caracterizar a geologia
da área na parte central do GBRC. A área de estudo escolhida para desenvolver a presente
pesquisa engloba: i) o embasamento do Bloco Serrinha; ii) a Unidade Riacho das Pedras; iii)
Unidade Rio Caratacá; iv) Ortoanfibolito da Unidades Coiquí; v) Ortoanfibolitos da Unidade
Caiada e a vi) Ortoanfibolitos da Unidade Gado Bravo.
24
2.3 – ESTUDOS PETROGRÁFICOS
Para a descrição petrográfica foram confeccionadas, no Laboratório de Preparação de
Lâminas da CPRM, um total de 16 (dezesseis) lâminas delgadas, contemplando a maioria das
unidades de rochas identificados. As lâminas foram confeccionadas preferencialmente
segundo o plano XZ, que se posiciona ortogonal ao plano de foliação, contendo a lineação de
estiramento mineral.
Na etapa de descrição petrográfica foi utilizado o microscópico binocular (Olympus),
modelo BX-41, do Laboratório de Mineralogia Óptica e Petrografia do IGEO/UFBA e do
Serviço Geológico do Brasil (CPRM).
No estudo petrográfico foi realizada a identificação dos minerais que constituem as
rochas, bem como suas relações texturais para as respectivas unidades que compõem o
greenstone belt do Rio Capim (GBRC).
2.4 – TRATAMENTO DE DADOS
Para o tratamento de dados fez-se necessário a utilização de programas como o ArcGis
9.2, a fim de digitalização de antigo mapa geológico da área de estudo, bem como plotar os
pontos de caminhamento vistos no período de campo e confecção de mapas de localização; o
Microsoft Word para a preparação dos textos, tabelas e a organização da monografia; além da
utilização da internet para pesquisas durante.
25
CAPÍTULO III
26
CAPÍTULO 3 - GEOLOGIA REGIONAL
A área de estudo encontra-se inserida nos domínios do Bloco Serrinha, na porção
nordeste do Cráton do São Francisco (CSF). Ocorre próxima à Faixa Sergipana, em sua
porção leste, e localiza-se nos limites tectônicos entre os Complexos Metamórficos de Uauá e
Santa Luz (Figura 3.1 e 3.2).
3.1 – CRÁTON DO SÃO FRANCISCO
O Cráton do São Francisco (CSF) é uma das maiores unidades cratônicas da plataforma
Sul-Americana e do território brasileiro, cujo substrato caracteriza uma ampla história
evolutiva, tendo a mesma evoluído a partir de uma sequência de eventos tectônicos,
metamórficos, magmáticos, erosivos e de exumação. Estende-se além do Estado da Bahia,
pelos Estados de Sergipe, Pernambuco, Goiás e Minas Gerais (Almeida, 1977).
Durante o ciclo Transamazônico o CSF foi estabilizado e os seus limites são
visualizados por cinco faixas de dobramentos neoproterozóicas: Faixa Araçuaí, a sul-sudeste
(Almeida, 1977); Faixa Brasília, a oeste (Fonseca e Dardene, 1996); Faixa Formosa do Rio
Preto, a noroeste (Inda & Barbosa, 1978); Faixa Riacho do Pontal, a norte (Almeida, 1977) e
a Faixa Sergipana, a nordeste (Brito et. al, 1978).
Os domínios geológicos do CSF (Figura 3.1) no Estado da Bahia são separados pelas
seguintes litologias:
Terrenos graníticos-gnáissicos-migmatíticos arqueanos de médio a alto grau
metamórfico,
compostos
por
varias
associações
litoestratigráficas;
sequências
vulcanossedimentares do tipo greenstone belts, formadas durante o Arqueano (ContendasMirante, Umburanas, Mundo Novo e Riacho de Santana) e o Paleoproterozóico (Rio Itapicuru
e o Rio Capim) (e.g., Bastos Leal et al., 1998); Cinturões Móveis Paleoproterozóicos
denominados de Itabuna-Salvador-Curaçá (Barbosa & Domingues, 1996; Barbosa & Sabaté,
2004); Coberturas Plataformais do Mesoproterozóico e do Neoproterozóico; Faixas de
dobramentos neoproterozóicas e coberturas Fanerozóicas (Bastos Leal, 1998; Barbosa &
Sabaté, 2004).
27
FRPT
FS
FRP
GBRC
GBMN
GBRI
FB
GBRS
GBCM
FA
GBU
FRG
Figura 3.1 – Mapa esqumático do Cráton do São Francisco. Faixas marginais dobradas: FB-Faixa
Brasília, FRPT-Faixa do Rio Preto, FS-Faixa Sergipana, FA-Faixa Araçuaí, FRG-Faixa Alto do Rio
Grande. Principais greenstone belts (GB): GBU-Greenstone Belt de Umburanas, GBRI-greenstone belt
do Rio Itapicuru, GBRC-Greentone belt do Rio Capim, GBMN-Greenstone Belt de Mundo Novo,
GBRS-Greentone Belt de Riacho de Santana, GBCM-Greenstone Belt de Contendas Mirante. Principais
Blocos Arqueanos: BJ-Bloco Jequié, BS-Bloco Serrinha, BG-Bloco Gavião. Modificado de Barbosa et
al., (2003).
28
O Cráton do São Francisco abriga os terrenos gnáissicos-migmatíticos do Bloco
Serrinha, parte integrante do embasamento do greenstone belt do Rio Capim. O GBRC
encontra-se encravado e delimitado por falhas entre os terrenos dos Complexos Santa Luz e
Uauá a oeste, e a leste por rochas granulíticas migmatizadas da Faixa de Dobramento
Sergipana (Figura 3.2).
29
Figura 3.2: Mapa geológico regional do Greenstone belt do Rio Capim. Fonte: Souza et al, 2003.
30
3.2 - BLOCO SERRINHA
O Bloco Serrinha (BS) está situado na porção nordeste do CSF, limitado a oeste pelos
terrenos granulíticos do Cinturão Móvel Itabuna-Salvador-Curaçá (CMISC), através de falhas
de cavalgamento, a leste, encontra-se recoberto por metassedimentos fanerozóicos, e a
nordeste pela faixa de dobramento Sergipana (apud Cruz Filho et al, 2003) (Figura 3.1).
O BS representa uma unidade geotectônica de idade arqueana, constituído por rochas
gnáissico-migmatíticas arqueanas datadas pelo método Pb-Pb, obtendo idade de 3,15 Ga e por
rochas graníticas datadas através do método U-Pb em monocristais de zircão, obtendo idade
de 3,1 a 2,8 Ga. Estas rochas servem de embasamento para os Greenstones Belts do Rio
Itapicuru e do Grupo Capim, ambos de idades paleoproterozóicas. Ocorre também associado a
estas rochas um volumoso magmatismo granítico de idade paleoproterozóica (Rios, 2002)
(Figura 3.3).
GBRC
Granitóide tardi a pós-tectônicos
Tonalito diorito Itareru
Granitóides sintectônicoa
Corpos Máficos-ultramáficos intrusivos
Greenstone belts: 1 Rio Itapicuru; 2 Rio Capim.
Complexo Lagoa da Vaca
Complexo Uauá
Complexo Santa Luz
GBRI
Diques Máficos
Cisalhamento transpressional:
1-dextral; 2-sinistral
Cisalhamento transcorente:
1-dextral; 2-sinistral
Cisalhamento indiscriminado
Figura 3.3: Mapa geológico simplificado do Bloco Serrinha, mostrando os complexos Santa Luz e Uauá.
Fonte: Kosin et al, 2003.
31
3.2.1 – Complexo Santa Luz
É a unidade mais extensa do Bloco Serrinha e compõe o embasamento dos GBRC e do
Rio Itapicuru (Kosin et al., 2003) (Figura 3.2). É constituída por um conjunto de rochas
gnáissicas-graníticas-migmatíticas de idades arqueanas (Melo et al., 1995). Ainda de acordo
com os mesmos autores este Complexo abrange quatro grupamentos litológicos,
individualizados em: i) gnaisses e migmatitos com anfibolitos associados; ii) rochas
granitóides de composição granítico-granodiorítica; iii) ortognaisses bandados, gnaisses a
granada e silimanita e iv) rochas calcissilicáticas, metamorfizadas nas fácies anfibolito e
granulito.
Os ortognaisses formaram-se no Arqueano, entre 3,1 – 2,7 Ga, período em que sofreram
também deformação, metamorfismo e provável refusão crustal, e foram retrabalhados durante
o evento transamazônico, entre 2,1 e 1,9 Ga (Melo et al., 1995). Segundo Oliveira et al.,
(2002) foi obtida idade U-Pb SHRIMP em zircão de ortognaisse, de 2,9 e 3,1 Ga.
3.2.2 – Complexo Uauá
O Complexo Uauá constitui um dos vários remanescentes arqueanos expostos no Cráton
São Francisco (Kosin et al., 2003). É constituído por gnaisses bandados de composição
quartzo-feldspática, ortognaisses intermediários a félsicos, migmatitos, anfibolitos, rochas
ultramáficas, sequências supracrustais, metamorfisadas na fácies anfibolito (Bastos Leal,
1992).
De acordo com Oliveira et al. (1999), o Complexo Uauá representa a unidade mais
antiga do Bloco Serrinha com idades U-Pb no intervalo de 2,93 a 3,13 Ga em zircão de
granitóide e ortognaisses, e idades Pb-Pb em rocha total de 3,16 Ga para o Complexo Lagoa
da Vaca (Paixão & Oliveira, 1998).
As características marcantes do Complexo Uauá, que o diferenciam das unidades
vizinhas, é a presença de enxames de diques máficos, tendo sido identificadas duas gerações.
A mais antigo composta por diques deformados e metamorfizados, com idades isocrônicas
Sm-Nd em rocha total em torno de 2,9 a 2,75 Ga (Oliveira et al., 1999) e datações K-Ar entre
2,14 e 1,93 Ga, que refletem a deformação a que os diques estiveram expostos (Bastos Leal et
al., 1994). A segunda geração ainda segundo Bastos Leal et al. (1994), é composta por diques
32
máficos não deformados datados por Rb-Sr em 2,384 ± 0,114 Ga (RI = 0,70082) e 1,983
±0,031 Ga (RI=0,70197), relacionados a dois epsódios magmáticos.
3.3 - ORÓGENO ITABUNA-SALVADOR-CURAÇÁ
O Orógeno Itabuna-Salvador-Curaçá (OISC) compreende uma faixa contínua de rochas
de alto grau metamórfico que se estende do sul até o norte do Estado da Bahia, por mais de
800 km (Oliveira et al., 2004). É constituído pela Suíte São José do Jacuípe e pelos
Complexos Caraíba e Tanque Novo-Ipirá. Abriga, ainda, corpos máficos ultramáficos, alguns
deles mineralizados, além de diversas gerações de granitóides intrusivos paleoproterozóicos,
dentre as quais destaca-se o Maciço Sienítico de Itiúba (Kosin, 2003). Para Barbosa & Peucat
(2002), o OISC é composto de no mínimo quatro grupos de tonalitos/trondhjemitos: três dos
quais são Arqueanos com idades próximas de 2,6 Ga e um Paleoproterozóico com idade em
torno de 2,1 Ga. Inclui também, segundo Teixeira (1997), no OISC corpos de charnockitos de
~ 2,6 Ga e faixas de rochas metassedimentares intercaladas além de gabros/basaltos de fundo
oceânico e/ou de bacias back-arc originados de fonte mantélicas. Todas estas rochas foram
reequilibradas na fácies granulito, no Paleoproterozóico, durante o ciclo Geotectônico
Transamazônico.
Arco de ilhas, bacias de back-arc e zona de subducção foram os ambientes
predominantes durante a construção do orógeno Itabuna-Salvador-Curaçá. Este foi fortemente
afetado pela tectônica transamazônica sendo que durante a sua construção, outros corpos de
tonalitos foram formados sintectonicamente (Barbosa, 1997; Figueiredo, 1989; Teixeira &
Figueiredo, 1991).
A figura 3.4, mostra o mapa simplificado do segmento norte Orógeno Itabuna-SalvadorCuraçá.
33
Bloco
Serrinha
Bloco
Gavião
Orógeno Itabuna
Salvador Curaçá
Granito/Sienito (S)
Complexo Saúde
Complexo Tanque Novo-Ipirá
Complexo Caraíbas
Bandamento gnaisse
Embasamento Arqueano
Complexo máfico-ultramáfico
Greenstone belts
Limite OISC
Grupo Jacobina
Complexo São José do Jacuípe
Diques máficos
Figura 3.4: Segmento norte do orógeno Itabuna-Salvador-Curaça com as suas principais divisões
tectônicas. Greenstone belts: 1, Rio Itapicuru; 2, Rio Capim; 3, Mundo Novo. Embasamento do Bloco Serrinha:
R, Retirolândia; J, Jacurici; U, Uauá. Granitos: S, Sienito Itiúba; I, tonalito Itareru; A, Domo de Ambrósio; T,
tonalito Teofilândia; CB, Caldeirão belt. Fonte: DNPM e ADIMB, 2001.
34
3.4 - FAIXA DE DOBRAMENTO SERGIPANA
A Faixa de Dobramento Sergipana (FDS) é uma cunha metavulcanossedimentar de
direção WNW-ESSE, situada na parte sul da Província Borborema, entre o Maciço
Pernambuco-Alagoas e o Cráton do São Francisco, no NE do Brasil, que foi polideformada e
metamorfisada até a fácies anfibolito, localmente atingindo anatexia, há aproximadamente
650 Ma (Del Rey Silva, 2008).
A FDS, de idade meso a neoproterozóica, é compartimentada em diferentes níveis
crustais colocados lado a lado devido ao soerguimento provocado pela movimentação
tectônica compressiva e transcorrente Brasiliana. Esta compartimentação é dividida em sete
domínio lito-estruturais, denominados por Santos et al. (1989) de Domínio Estância; Domínio
Vaza-Barris; Domínio Macururé; Domínio Marancó; Domínio Poço Redondo e Domínio
Canindé, cada um deles limitado por zonas de cisalhamento de alto ângulo.
A evolução da Faixa de Dobramento Sergipana, desde o Mesoproterozóico até o
Neoproterozóico, resulta da justaposição de três terrenos: o Cráton do São Francisco e suas
coberturas, subdivididas em domínios estruturais/estratigráficos; o Arco Canindé-Marancó; e
a Placa (microcontinente) Pernambuco-Alagoas (Santos et al., 1998).
35
CAPÍTULO IV
36
CAPITULO 4 - GEOLOGIA LOCAL E PETROGRAFIA
4.1 - INTRODUÇÃO
Winge (1981) apresentou em sua dissertação de mestrado, dois andares para o
greenstone belt do Rio Capim: o inferior relacionado com uma fase de vulcanismo basáltico
(anfibolitos finos a médios, quartzitos puros, ferruginosos, biotita e/ou anfibólio xisto, rochas
cálciossilicatadas derivadas de derrames, tufos e subvulcanicas máficas, chert, sedimentos
vulcânicos, tufos andesíticos) e o superior, com uma fase de vulcanismo predominantemente
ácido e explosivo (leptitos, quartzitos feldspáticos, gnaisses finos, biotita-xisto, anfibolitos e
rochas cálciossilicatadas derivadas de rochas vulcanoclásticas) (Figura 4.1).
Em trabalhos posteriores, com base em características macro e micoscópicas, Souza
(1984) individualizou sete unidade litoestratigráficas para o GBRC da base para o topo: (I)
Unidade Riacho das Pedras, inclui lavas e tufos máficos a félsicos, com intercalações
metassedimentares-ortoanfibolitos, lavas e tufos andesíticos a riodacíticos, xistos máficos,
biotita xistos, biotita paragnaisses, paranfibolitos, xisto grafitosos, formações ferríferas e
inclui também os diques de rochas metavulcânicas félsicas do embasamento; (II) Unidade
Rio Caratacá constitui-se de metadacitos - derrames e domos dacíticos, possivelmente com
tufos félsicos de composição similar associados; (III); Unidade Coiqui é formada por
ortognaisses dacíticos a quartzo andesíticos, com intercalações subordinadas de biotita
gnaisses;
(IV)
Unidade
Riacho
do
Gado
Bravo,
formada
por
paragnaisses
cálciossilicatados-clinopiroxênio paragnaisses/paranfibolitos e anfibólio paragnaisses, com
intercalações
subordinadas de paragnaisses
quartzíticos/micáceos,
ortoanfibolitos e
ortognaisses dacíticos/andesíticos; (V) Unidade Riacho Madaipó inclui os ortoanfibolitos
finos do “greenstone” semelhante aos diques máficos do embasamento; (VI) Unidade
Caiada é composta de ortognaisses, vulcânicas máficos a intermediários, com intercalações
félsicas e metassedimentares – ortoanfibolíticos e ortognaisses andesíticos, com intercalações
de ortognaisses dacíticos a riodacíticos e paragnaisses com biotita ± cordierita ± granadas
silimanita; (VII) Unidade subvulcânicas félsicas constituída por metariodacitos a
micromonzogranitos restritos a um corpo intrusivo na parte oeste do riacho de Pedras e “sills”
mais para o leste.
37
A estratigrafia do Greenstone belt do Rio Capim é de dificil definição por diversas
fatores: o estilo isoclinal recumbente das duas primeiras fases de dobramento que afetaram as
rochas supracrustais, ocasionaram inversões, repetições e espessamentos das camadas; a
intensa transposição associada a estas fases tectônicas provocou a ruptura dos estratos e a sua
consequente descontinuidade; o metamorfismo policíclico chegou a alcançar a fácies
anfibolito alto a granulito; a ausência de um marcador estratigráfico e a raridade de estruturas
primárias; a grande variação litológica lateral/vertical; a não continuidades dos afloramentos e
o avanço estágio de arrasamento da área (Souza, 1984).
No mapa geologico local (Figura 4.2), encontra-se discriminada parte do embasamento
da sequência do greenstone belt do Rio Capim, representado por rochas gnaissicas-graníticas-migmatíticas que compõem o Complexo Uauá, intrudidos por diques máficos representados
pelos pontos RC-04A e RC-04B referente ao anexo 2 e 3. Na parte central do GBRC, foram
amostrados 11 pontos distribuídos conformes apresentados na tabela 4.1. O ponto RC-08
amostrado refere as rochas da Unidade Riacho das Pedras composta por ortoanfibolito
(anexo (anexo 4); já os pontos RC-10, RC-11, RC-13, RC-14, RC-15 e o RC-16 pertencem a
rochas de composição tonalitica da Unidade Rio Caratacá (anexo 5-10); os ponto RC-12 e
RC-19 referem-se as rochas ortoanfibolíticas da Unidade Coiqui (anexo 11 e 12); a RC-20 é
um ortoanfibolito intercalado a tufos da Unidade Gado Bravo (anexo 13); e o ponto RC-17
são ortoanfibólito maciço intercalado na Unidade Caiada (anexo 14);
38
Unidade Riacho Mandaipó
Figura 4.1: Coluna litoestratigráfica esquemática das unidades pertencentes ao Greenstone Belt do Rio Capim.
Modificado de Winge (1981).
39
Para compor este capítulo, serão descritas as rochas do embasamento do GBRC,
seguida das unidades que compõe a parte central do GBRC, da base para o topo, a saber: i)
Unidade Riacho das Pedras; ii) Unidade Rio Caratacá; iii) Unidade Coiqui; iv) Unidade Gado
Bravo e v) Unidade Caiada.
Tabela 4.1: Pontos amostrados na área de estudo
Ponto
Unidade
Tipo litológico
Coordenada
RC-03
Embasamento
Gnáisse-Granitíco-migmatítico
467534/8906112
RC-04A
Dique máfico
Anfibolitos
467703/8906522
RC-04B
Dique máfico
Anfibolitos
468772/8907248
RC-08
Rio das Pedras
Anfibolitos
470920/8908540
RC-10
Rio Caratacá
Tonalito
471617/8908852
RC-11
Rio Caratacá
Tonalito
471693/8909020
RC-12
Coiquí
Anfibolito
471617/8908852
RC-13
Rio Caratacá
Tonalito
472448/8907178
RC-14
Rio Caratacá
Tonalito
472609/8907298
RC-15
Rio Caratacá
Tonalito
470323/8908932
RC-16
Rio Caratacá
Tonalito
473188/8908242
RC-17
Caiada
Anfibolito
474672/8909486
RC-19
Coiquí
Anfibolito
474387/8909112
RC-20
Riacho Gado Bravo
Anfibolito
474080/8908892
Na descrição petrográfica, levou-se em consideração o grau de cristalização, o tamanho
dos cristais, suas relações geométricas e a identificação e percentuais em volume de seus
constituintes minerais. Além disso, procurou-se sempre que possível, através das associações
mineralógicas, caracterizar as relações progressivas e/ou regressivas.
40
41
4.2 – EMBASAMENTO
O embasamento do Greenstone belt do rio Capim é composto pelos Complexos Santa
luz e Uauá, mas na área de estudo somente foram amostradas as rochas do complexo Uauá.
Para este complexo foram amostrados três pontos: RC-03 para as rochas gnáissicas-graniticasmigmatíticas do embasamento (complexo Uauá) e RC-04A e RC-04B para os diques máficos
intrusivos no embasamento.
4.2.1 – Complexo Máfico Uauá
O embasamento na área de estudo composta por rochas gnaissicas-graníticasmigmatíticas de coloração acinzentada com granulação que varia entre média a grossa,
estrutura gnáissica localmente migmatizada.
Petrograficamente
são
rochas compostas por Plagioclásio
(43%),
anfibolios
representados pela honrblenda (32%), quartzo (12%), biotita (7%), minerais opacos (3%),
piroxênios (2%) e apatita. Apresentam–se com texturas granoblástica, nematoblástica e
lepidoblástica, em cristais inequigranulares e tamanhos que variam entre 0,5 a 2,1mm
(Fotomicrografia 4.1). Estes cristais encontram em limites retos, curvos e adentados.
A
1mm
B
1mm
Fotomicrografia 4.1 – Detalhe das texturas granoblástica e nematoblástica em rochas do embasamento do
greenstone belt do Rio Capim. Luz plana (A) e luz polarizada (B). Ponto RC-04A e RC03A.
(UTM467534/8906112).
42
Os cristais de plagioclásio ocorrem xenoblásticos, de coloração entre o cinza e o
amarelo pálido, com tamanhos variando entre 0,1 a 0,4 mm. Em alguns cristais é possível
observar geminação do tipo albita Carlsbad. Em relação a alteração, eles estão bastantes
preservados ou levemente sericitizados e saussuritizados localmente.
Anfibólios, representados pela hornblenda, em cristais xenoblásticos, com limites
curvos a retos, de cor verde oliva a verde amarelado, com tamanhos variando entre 0,1 a 0,6
mm.
Estes
cristais
apresentam–se
orientado,
gerando
a
textura
nematoblástica
(Fotomicrografia 4.2). Os cristais de hornblenda geralmente encontram–se em contato com
cristais de piroxênios ou com este inclusos nos seus cristais, demostrando as reações do
piroxênios para anfibólios (Fotomicrografia 4.2).
Op
Px
Hb
0,2mm
A
B
0,2mm
Fotomicrografia 4.2 – Detalhe (seta vermelha) dos cristais de hornblenda com piroxênios no centro, das
rochas graníticas-gnáissicas-migmatíticas do Complexo Uauá. Ocorrem ainda Luz plana (A) e luz
polarizada (B). Ponto RC- 03 (UTM467534/8906112).
Os piroxênios ocorrem em cristais anédricos, fraturados, de cor de interferencia cinza
claro, geralmente envolvidos pela hornblenda com tamanhos que variam de 0,2 a 0,5mm
(Fotomicrografia 4.2).
Os cristais de quartzo ocorrem xenomórficos com tamanhos que variam de 0,5 a
15mm. Juntamente com o plagioclásio constituem a textura granoblástica.
A biotita ocorre em cristais idioblásticos a hidioblásticos de coloração acastanhada
clara a castanho avermelhada com tamanhos entre 10 a 20mm (Fotomicrografia 4.3).
Apresentam-se com a mesma orientação dos anfibólios, gerando a textura lepidoblástica.
43
Qtz
Bt
Hb
Pl
0,2mm
A
0,2mm
B
Fotomicrografia 4.3 – Detalhe da disposição dos cristais de biotita (Bt) e plagioclásio (Pl) e hornblenda
(Hb). Luz plana (A) e luz polarizada (B). Complexo Uauá. Ponto RC-03 (UTM467534/8906112)
A apatita ocorrem em cristais idiomórficoos muito pequenos, geralmente associados
aos cristais de plagioclásio.
4.2.1.1 - Diques máficos
Os diques máficos observados na área de estudo, representados pelos pontos RC-04A
(Fotografias 4.1A e B) e RC-04B (Fotografias 4.2 A e B), apresentam granulometria média a
grossa, maciços e isotrópicos, com coloração verde escuro a preto. Macroscópicamente, a
mineralogia é constituída por anfibólio e plagioclásio, principalmente. Não apresentam em
afloramento alteração intempérica significativa.
Fotografia 4.1 – Afloramento de diques
máficos do complexo Uauá (A). Detalhe em
foto do afloramento (B). Ponto RC-04A
(UTM467703/8906522).
44
B
Fotografia 4.2 – Afloramento de diques
máficos do Complexo Uauá (A). Detalhe
em foto do afloramento (B). Ponto RC04B (UTM468772/8907248).
A
Os diques máficos que ocorrem no Complexo Uauá são classificados em duas gerações
(Menezes 1992; Bastos Leal 1992). Os mais antigos, representados pelos pontos visitados, são
datados pelo método Sm-Nd com idades entre 2,9 a 2,75 Ga e pelo método K-Ar em rocha
total em torno de 2,14 a 1,94 Ga (Oliveira et.al., 1999);
Petrograficamente as rochas que compõem estes diques, representadas pelos pontos
RC-04A e RC-04B, apresentam textura granoblástica decussada e textura nematoblástica. São
observadas também texturas preservadas das rochas originais, como a ofítica (quando cristais
de plagioclásio são englobados por cristais de anfibólios, antigos piroxênios) e a subofítica
(quando cristais de anfibólios são englobados por cristais de plagioclásio) (Fotomicrografia
4.4).
Estas rochas são constituídas predominantemente por
cristais de anfibólios
(hornblenda) (60%) e plagioclásio (33%) , quartzo (3%), minerais opacos (2%), apatita
(˂1%) e titanita (tr).
45
1mm
A
1mm
B
Fotomicrografia 4.4 – Textura granoblástica decussada dos anfibólios. Luz plana (A) e luz polarizada (B).
Diques Máficos. Ponto RC-04A e RC04B (UTM467703/8906522-UTM468772/8907248).
Pl
Pl
Hb
Hb
A
0,2mm
B
0,2mm
Fotomicrografia 4.5 – Detalhe das texturas subofítica (A) e ofítica (B) dos diques máficos intrusivos no
Complexo Uauá, observados em luz polarizada. Diques Máficos. Ponto RC-04A e RC-04B
(UTM467703/8906522-UTM468772/8907248).
Cristais de anfibólio (hornblenda) possuem cor verde, com pleocroísmo variando de
verde-oliva e amarelo acastanhado. Apresentam-se em cristais idioblásticos a xenoblásticos,
perfazendo cerca de 62 % do volume total da rocha, inequigranular, com uma gradação
granulométrica que varia de média a grossa (tamanhos variam entre 0,2 a 1,3mm). Os limites
entre cristais de mesma espécies são curvos a retos e em cristais de diferentes espécies são
geralmente curvos e adentados devido á interpenetração dos cristais, principalmente os de
hornblenda nos cristais de plagioclásio (Fotomicrografia 4.5A e B).
O plagioclásio (andesina) são cristais subeuédrico a anédricos, tabulares, com maclas
polissinteticamente preservadas, de tamanho predminando entre 0,8 mm e 0,3 mm. Estes
minerais estão incipientemente alterados pelos processos de saussuritização e sericitização e
apresentam geminação do tipo albita e albita periclina (Fotomicrografia 4.6A).
46
Pl
Pl
An
0,2mm
A
B
0,2mm
Fotomicrografia 4.6 – Detalhe de cristais de plagioclásio (Pl) maclado (A) e geminação albita periclina
(B) observados em luz polarizada. Diques Máficos. Ponto RC-04A e B (UTM467703/8906522UTM468772/8907248).
O cristais de quartzo ocorrem em menor quantidade, interesticiais aos grãos de
plagioclásio e anfibólio, e estão sob a forma anédrica, monocristalina, em tamanho variando
entre 0,1 a 0,2mm. Os seus limites são curvos com os cristais de plagioclásio e anfibólios.
Os minerais opacos ocorrem como cristais anédricos, com tamanhos que variam entre
0,03 a 0,4mm. Ocorrem dispersos na rocha ou como inclusões em cristas de anfibólio,
apresentando, em sua maioria, borda de reação alterando para cristais de titanita
(Fotomicrografia 4.7A e B).
A titanita ocorre como resultado da alteração dos minerais opacos, ambos associados
aos cristais de hornblenda. São xenoblasticos, de cor acastanhada acinzentada tanto em luz
plana como em luz polarizada (Fotomicrografia 4.7A e B).
A apatita ocorre como cristais idioblásticos associados a cristais de anfibólios. Ocorre
como mineral traço.
Op
Hb
A
Tn
0,1mm
B
0,1mm
Fotomicrografia 4.7 – Detalhe dos minerais opacos (Op) alterando para titanita (Tnt). Luz plana (A) e luz
polarizada (B). Diques Máficos. Ponto RC-04A e B (UTM467703/8906522-UTM468772/8907248).
47
Em relação ao grau metamórfico, as paragêneses minerais identificadas (hornblenda +
andesina) para os diques máficos indicam condições metamórficas da fácies anfibolito.
4.3 - UNIDADE RIACHO DAS PEDRAS
Na área de estudo esta unidade compõe a base da sequência litoestratigráfica do
greenstone belt do Rio Capim. É representada pela amostra RC-08 (Figura 4.2 e Tabela 4.1).
As rochas que compõem esta unidade afloram na forma de lajedos, em blocos e
matacões, nas margens do rio Caratacá (Fotografia 4.3 A e B). Exibem coloração verde escura
a preta, granulação média, maciça a levemente foliada, classificados como metagabros. As
rochas apresentam baixo grau de alteração intempérica.
B
A
Fotografia 4.3 – Afloramento de anfibolitos da Unidade Riacho das Pedras do GBRC, sob a forma de lajedo
(A); (B) Detalhe do metagabro mostrando uma foliação incipiente. Ponto RC-08 (UTM470920/8908540).
Petrograficamente as rochas desta unidade são compostas, essencialmente, por
anfibólio (hornblenda) (75%) e plagioclásio (andesina) (20%) com porções menores de
titanita (4%) e minerais opacos (1%). Possui textura granoblástica tendendo a textura
nematoblástica e, resquício de texturas ófitica e subófitica (relíquias de textura ignea).
Os cristais de hornblenda, apresentam xenoblásticos a subidioblásticos, ocorrem
comumente corroídos nas bordas e, não raramente, mostram-se geminados. Apresentam
coloração verde oliva, fortemente pleocróico, com dimensões variando entre 0,8 e 4 mm. As
observações petrográficas sugerem que os cristais de hornblenda formaram-se no pico
metamórfico da fácies anfibolito.
48
A partir da composição mineralogica modal da rocha foi possível classificá-la como
anfibolito.
Pl
Hb
Hb
OP
Pl
1mm
A
B
1mm
Fotomicrografia 4.8 – Detalhe de cristais de hornblenda (Hb), plagioclásio (Pl) e minerais opacos (Op) em
arranjo granoblástico. Em (A) luz plana e (B) luz polarizada. Unidade Riacho das Pedras. Amostra RC-08
(UTM470920/8908540).
Os cristais de plagioclásio ocorrem com dimensões que variam de 0,2 a 0,8 mm, com
contatos entre os cristais de hornblenda na forma serrilhada, adentada e as vezes curvos
refletindo um processo mútuo de ajustamento. Ocorrem dispersos, interticiais e também como
inclusão nos grãos de anfibólio. Apresentam–se em cristais xenoblásticos com bordas
irregulares e geminados segundo a lei Carlsbad e Albita-Carlsbad (Fotomicrografias 4.9A e
B), sendo que podem ser observados lamelas de geminação completas, parciais ou até mesmo
ausentes, formando grandes áreas não geminadas. Conteúdo de anortita (%) obtido através
dos geminados albita, pelo método Michel-Levi (Kerr, 1999) sugerem que esse plagioclásio é
do tipo Andesina com An=32%. A fotomicrografia 4.9A mostra detalhe de um cristal de
plagioclásio incluso em cristal de anfibólio, sugerindo antiga textura ofítica, onde as ripas de
plagioclásio são englobadas por piroxênios preservados.
Em alguns cristais de plagioclásio observa-se, de forma discreta, uma coloração
acastanhada no núcleo, dando-lhes aspecto nublado e difuso, onde é possível distinguir
essencialmente mica branca, e apresentam bordas de coloração mais clara. Casos esporádicos
de saussuritização no interior de alguns cristais também estão presentes. Incluem além desses
produtos de alteração, anfibólios, minerais opacos e apatita.
49
Pl
Pl
Hb
0,2mm
A
0,2mm
B
Fotomicrografia 4.9 – Detalhe de cristal de plagioclásio geminado (Pl) englobado por horblenda (Hb) (A),
evidenciando textura ofítica preservada e finos cristais aciculares de apatita sobre o cristal de plagioclásio
(B) observados em luz polarizada. Unidade Riacho das Pedras. Amostra RC-08 (UTM470920/8908540).
A titanita é xenoblática, ocorrendo como manchas arredondadas (ovalares) de
coloração acastanha, com tamanho que varia entre 0,1mm a 0,2mm, quase exclusivamente
associada a hornblenda, quer como inclusão ou como produto de desestabilização deste
mineral (Fotomicrografia 4.10).
Pl
Hb
Hb
Tn
Tn
0,1mm
A
B
0,1mm
Fotomicrografia 4.10 – Detalhe de cristal de hornblenda (Hb) xenoblástico com inclusão de titanita (Tn)
plagioclásio (Pl). Observados em Luz plana (A) e Luz polarizada (B). Unidades Riacho das Pedras. Amostra
RC-08 (UTM470920/8908540).
Os minerais opacos ocorrem como acessórios na rocha, em cristais xenoblásticos, com
tamanhos variando em torno de 0,01 a 0,03 mm. Geralmente ocorrem intertíciais ou inclusos
nos cristais de hornblenda e plagioclásio.
50
4.4 - UNIDADE RIO CARATACÁ
A Unidade Caratacá está inserida na parte central do GBRC e representa a maior
unidade da área de estudo, ocorrendo entre as Unidades Riacho das Pedras e a Coiqui. Está
representada por seis amostras (RC-10, RC-11, RC-13, RC-14, RC-15 e RC-16) (Figura 4.2 e
Tabela 4.1).
É composta por rochas relativamente homogêneas, de coloração cinza esbranquiçada a
rosada, com granulometria muito fina a fina (Fotografia 4.4 A a E). Estas rochas afloram às
margens do rio Caratacá (RC-10 e RC-11) e riacho Capim (RC-13, RC-14, RC-15 e RC-16).
Por vezes é possível identificar minerais micáceos, dos tipos mica branca e biotita.
A
B
C
D
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