1 Insper Instituto de Ensino e Pesquisa Programa de Mestrado Profissional em Administração Paula Dreon Gomes Corrêa da Silva RIQUEZA SÓCIO EMOCIONAL E PRÁTICAS INTRAEMPREENDEDORAS: UMA ANALISE TEÓRICA E EMPÍRICA SOBRE DISTINTAS ESTRATÉGIAS ORGANIZACIONAIS, E SEUS EFEITOS NA COMPETITIVIDADE DE EMPRESAS BRASILEIRAS. São Paulo 2014 2 Paula Dreon Gomes Corrêa da Silva RIQUEZA SÓCIO EMOCIONAL E PRÁTICAS INTRAEMPREENDEDORAS: UMA ANALISE TEÓRICA E EMPÍRICA SOBRE DISTINTAS ESTRATÉGIAS ORGANIZACIONAIS, E SEUS EFEITOS NA COMPETITIVIDADE DE EMPRESAS BRASILEIRAS. Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Administração do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Administração. Área de concentração: Empresas Familiares Orientador: Prof. Dr. Luiz Mesquita, PhD – Insper/ Arizona State University. São Paulo 2014 3 Silva, Paula Dreon Gomes Corrêa / Paula Dreon Gomes Corrêa da Silva; orientador: Luiz F. Mesquita; São Paulo: Insper, 2014. 85 f. Dissertação (Mestrado – Programa de Mestrado Profissional em Administração. Área de concentração: Estratégia – Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. 1. Empresas Familiares 2. Intraempreendedorismo 3. Riqueza Sócio Emocional. 4 FOLHA DE APROVAÇÃO Paula Dreon Gomes Corrêa da Silva Riqueza Sócio Emocional e Práticas Intraempreendedoras: uma análise teórica e empírica sobre distintas estratégias organizacionais, e seus efeitos na competitividade de empresas brasileiras. Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Administração do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Administração. Área de concentração: Estratégia Aprovado em: Banca Examinadora Prof. Dr. Luiz F. Mesquita, PhD Orientador Instituição: Insper/Arizona State University Assinatura: _________________________ Prof. Dr. Charles Kirschbaum, PhD Instituição: Insper Assinatura: _________________________ Prof.Dr. Marcos Hashimoto Instituição: Faculdade Campo Limpo Paulista Assinatura: _________________________ 5 DEDICATÓRIA Ao meu marido Fernando, aos meus pais Antônio Carlos e Márcia, a minha irmã Bruna e ao meu filho que está a caminho, Guilherme. 6 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que contribuíram para a elaboração deste trabalho, em especial: Ao professor Luiz Mesquita, pela orientação, inspiração, dedicação e apoio. Ao professor Marcos Hashimoto, pela atenção concedida em relação à base de dados desse trabalho e pela sua contribuição devido ao seu grande conhecimento na área de intraempreendedorismo. A FIA (Fundação Instituto de Administração) e a revista Você S.A. que disponibilizaram e autorizaram o uso da base de dados utilizada neste estudo. Ao Vitor Kawamura, José Renato de Ávila, e Felipe Lanza, assistentes de pesquisa que contribuíram na coleta de dados. 7 RESUMO SILVA, Paula D. G. C. Riqueza Sócio Emocional e Práticas Intraempreendedoras: uma análise teórica e empírica sobre distintas estratégias organizacionais, e seus efeitos na competitividade de empresas brasileiras. São Paulo, 2014, 85 f. Dissertação (Mestrado) – Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, São Paulo, 2006. Neste estudo utilizo como base o conceito de preservação da riqueza sócio emocional para sugerir que empresas familiares estimulam o intraempreendedorismo de forma distinta dos seus pares não familiares através de um sistema de gestão pessoal. Esta lógica se diferencia das formas tradicionais apregoadas em literatura existente que se baseiam na utilização de políticas formais, baseados em princípios de economia comportamental, especialmente a teoria de agência. A contribuição acadêmica deve-se ao fato de que nenhuma pesquisa até então analisou o impacto do intraempreendedorismo através das diferenças entre empresas com concentração acionária nas mãos de uma única família e seus pares não familiares. Para tal, uma amostra de 205 empresas brasileiras, onde agrego observações de mais de 61.000 funcionários, serviu de base para aplicação de um modelo de equações estruturais. Através da análise empírica, confirmamos os resultados que sugerem que empresas familiares utilizam ferramentas distintas para a realização deste incentivo. Enquanto empresas familiares incentivam o intraempreendedorismo através de uma gestão mais pessoal e informal devido a busca pela preservação de sua riqueza sócio emocional; as empresas não familiares adotam práticas formais como a criação e disseminação de uma política formal para a gestão de clima organizacional e de uma política formal para a definição e disseminação de líderes. Tal resultado contribui não apenas para a pesquisa de empresas familiares como para pesquisa de intraempreendedorismo, um tema que vem ganhando grande destaque nos estudos dos últimos anos e que têm explorado pouco o papel do clima organizacional como seu antecedente. Palavras-chave: Empresas familiares; Intraempreendedorismo; Preservação da riqueza sócio emocional. 8 ABSTRACT SILVA, Paula D. G. C. Social Emotional Wealth and Intrapreneurial Practice: a theoretical and empirical analysis of different organizational strategies and their effects on the competitiveness of Brazilian companies. São Paulo, 2014, 85 f. Dissertation (Mastership) – Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, São Paulo, 2006. For this study, I borrow the concept of social emotional wealth to suggest that family firms stimulate and encourage corporate entrepreneurship (i.e., intrapreneurship) in a distinctive way as compared to non family business; speficially, family businesses approach the matter through management system that is more personable and informal. This logic is distinct from the more traditional ways found in the available literature concerning the antecedents of intrapreneurship; i.e., traditional literature often suggests that firms pursuing higher levels of intrapreneurial activities are to increase the use of formal policies. Such an approach follows precepts based on principles of behavioral economics, especially theory agency. The scholarly contribution of my study then relates to the fact that, to my knowledge, little research has analyzed in depth the mechanisms leading to intrapreneurship across businesses with ownership concentrated in the hands of a family versus those with ownership scattered across multiple owners. My empirical analysis examines a structural equation model, based a total of 205 Brazilian companies, with a total of over 61,000 employees. The results of my empirical analysis confirm my theoretical conjectures that family businesses indeed stimulate corporate intrapreneurship as much as non family businesses do; although, family entities make use of distinctive tools to obtain this goal. Based on the logic of my model, family businesses seek to preserve, and even amplify their social emotional wealth, such that in the process they encourage intrapreneurship through a more personable and less formal management. On the other hand, non family businesses adopt more formal practices such as the creation and dissemination of a more conventional and formal policy in order to manage their work environment, and also a formal policy for the constitution of their future leaders. The results of this study contribute not only to research on family businesses, but also to the advancement of scholarly research of intrapreneurship, a topic that has been the highlight in many different areas of study in the last few years, even if it has received little attention when it comes to understanding the role of organizational workplace factors as its predecessor. Keywords: Family-owned firms; Intrapreneurship; Social emotional wealth. 9 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Construto Gestão Informal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Tabela 2 – Construto Liderança Comprometida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Tabela 3 – Análise Fatorial Sistema de Gestão Pessoal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 Tabela 4 – Alfa de Cronbach Sistema de Gestão Pessoal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 Tabela 5 – Construto Política Formal para Gestão de Clima Organizacional . . . . . . . . . . . . 48 Tabela 6 – Construto Política Formal para a Definição e Disseminação de Líderes . . . . . . . .49 Tabela 7 – Início das análises para criação do Construto Intraempreendedorismo . . . . . . . . .51 Tabela 8 – Análise Fatorial do Construto Intraempreendedorismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .52 Tabela 9 – Alfa de Cronbach do Construto Intraempreendedorismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . .52 Tabela 10 – Construto Intraempreendedorismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 Tabela 11 – Estatísticas Básicas e Matriz de Correlações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 Tabela 12 – Coeficientes de regrassão das variáveis de controle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 Tabela 13 – Goodness off fit . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 Tabela 14 – Goodness off fit Modelo Alternativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 Tabela 15 – Coeficientes de regrassão do Modelo Alternativo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 Tabela 16 – Coeficientes de regrassão do Modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 10 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Resumo do modelo teórico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .18 Figura 2 – Modelo teórico detalhado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42 Figura 3 – Modelo alternativo com efeitos moderadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .61 Figura 4 – Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .63 11 SUMÁRIO 1 Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12 2 Referencial Teórico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 2.1 Intraempreendedorismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .18 2.2 A Preservação da Riqueza Sócio Emocional em Empresas Familiares . . . . . . . . . . . . 21 2.3 Sistema de Gestão Pessoal em Empresas Familiares e Intraempreendedorismo . . . . . .25 2.3.1 Gestão Informal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .25 2.3.2 Liderança Comprometida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 2.3.3 Sistema de Gestão Pessoal e Intraempreendedorismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 2.4 Políticas Formais e Intraempreendedorismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 2.4.1 Políticas Formais para Gestão de Clima Organizacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . .36 2.4.2 Políticas Formais para Definição e Disseminação de Líderes. . . . . . . . . . . . . . . .39 2.5 Resumo das Hipóteses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .41 3 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42 3.1 Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 3.2 Variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 3.3 Método de Modelo de Equações Estruturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 3.4 Medição do Modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 3.5 Modelo Alternativo com Efeitos Moderadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .61 4 Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .62 4.1 Resultados do Modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .63 5 Conclusão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 5.1 Limitações e Recomendações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .68 Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 12 1 INTRODUÇÃO Intraempreendedorismo tem chamado muita atenção no campo do estudo empresarial. O fenômeno do intraempreendedorismo é considerado um processo que permite a revitalização e melhoria do desempenho corporativo (GUTH e GINSBERG, 1990; ZAHRA, 1991), através não apenas da criação de um novo negócio, mas também de demais atividades e orientações inovadoras, como a criação de um novo produto, serviço, tecnologia, estratégia, postura competitiva ou sistema de gestão (ANTONCIC e HISRICH, 2003; HASHIMOTO, 2009; DRUCKER, 2007). Este campo de estudo vem ganhando espaço no mundo acadêmico devido ao seu impacto na produtividade e sobrevivência das organizações. Em um ambiente cada vez mais competitivo, torna-se essencial a busca por processos para rejuvenescer e revitalizar as empresas (DRUCKER, 2007; ZAHRA, 1991). Por exemplo, estudos evidenciam que atividades empreendedoras dentro de empresas de economias desenvolvidas levaram a um desempenho bem sucedido (ZAHRA e COVIN, 1995; LUMPKIN e DESS, 2001; HORNSBY et al, 2002). Diversos estudos buscam compreender quais são as práticas empresariais que estimulam o empreendedorismo dentro das organizações. De acordo com Kakati (2003) empresas que adotam práticas formais com recursos corporativos bem desenvolvidos, contribuem para o desenvolvimento de práticas intraempreendedoras. Duas práticas formais que mostram um grande impacto ao estímulo do intraempreendedorismo são as políticas formais para a gestão de clima organizacional e as políticas formais para a definição e disseminação de líderes. O primeiro, pois a dependência do fator humano para a gestão do intraempreendedorismo levou as organizações a estabelecerem um ambiente interno propício para que as pessoas possam desempenhar adequadamente o seu papel neste processo (HASHIMOTO, 2009). O segundo porque acredita-se que ocupantes de posições hierárquicas mais altas possuem mais chances de obter realizações de natureza empreendedora e possuem o papel de incentivar a pirâmide organizacional como um todo para a criação de práticas intraempreendedoras (DAVILA et al, 2007; HASHIMOTO, 2009). 13 Desta forma, seria esperado que as empresas buscassem adotar estas práticas para aumentar os seus resultados através do estímulo ao intraempreendedorismo. Porém, ao avaliarmos empresas com concentração acionária nas mãos de uma única família observamos que estas empresas possuem comportamento distinto das demais e que, aparentemente, vão contra a lógica econômica. Cria-se, consequentemente, um gap na literatura acadêmica a ser estudado que é a compreensão de como o intraempreendedorismo se comporta em organizações com formas distintas de distribuição de ações. Ou seja, o objetivo deste estudo é analisar as diferenças existentes entre empresas familiares e não familiares no que tange a criação de um ambiente propício ao intraempreendedorismo. Esta pergunta é relevante para a literatura e para a prática ao unir dois temas de destaque (intraempreendedorismo e empresas familiares) que ainda não foram estudados em conjunto. Conforme mencionado acima, o tema intraempreendedorismo ganhou espaço nos estudos, pois as organizações procuram na inovação o caminho para soluções de cunho estratégico como a busca por uma posição de liderança, o aumento de sua competitividade ou, até mesmo, a sua sobrevivência (HASHIMOTO, 2009). Já o tema empresas familiares é de grande importância devido à extensão destas empresas no mercado. As empresas familiares constituem o bloco básico de construção de empresas em todo o mundo (LA PORTA et al, 1999) e são a forma dominante de organização empresarial (YASSER, 2001), embora a percentagem que representam varia de acordo com a definição operacional usada. Na Ásia e no Oriente Médio, por exemplo, compreendem cerca de 95% de todas as empresas (KETS DE VRIES et al, 2007). Nos EUA somam cerca de 70% de todas as empresas de capital aberto (SIRMON e HITT, 2003) e representam cerca de um terço das empresas listadas no S & P 500 e da Fortune 500 índices (ANDERSON et al, 2003) e cerca de metade das empresas da Fortune 1000 empresas (GOMEZ-MEJIA et al, 2010). Como exemplo podemos citar empresas amplamente conhecidas, e que lideram suas respectivas indústrias como Harley Davidson em motocicletas, Ford e Hyundai em automóveis, Hilton e Marriott Corporation em hotelaria e Adidas em artigos esportivos, Wal Mart em retailing, entre muitas outras. 14 Neste estudo, trago à luz recentes teorias que indicam que empresas familiares têm ênfase em objetivos não econômicos para a preservação do seu equilíbrio sócio emocional. Define-se riqueza sócio emocional como aspectos não financeiros ligados às necessidades afetivas da família (GOMEZ-MEJIA et al, 2007). De acordo com esses autores, a gestão da empresa familiar será impulsionada por um desejo de preservar e aumentar a riqueza sócio emocional da família, além da eficiência econômica. Assim, para prevenir a perda da riqueza sócio emocional, proprietários da família estarão dispostos a aceitar baixo desempenho ou até mesmo ameaças ao bem estar financeiro da empresa (GOMEZ-MEJIA et al, 2007). Para os proprietários de família, as relações não financeiras, como a identidade familiar positiva (DEEPHOUSE e JASKIEWICZ, 2013), a reputação favorável (SHARMA e MANIKUTI, 2005), o apoio por parte dos trabalhadores considerados como membros da família (BERRONE et al, 2012) superam o desejo de retorno econômico imediato (BERRONE et al, 2010). Neste trabalho, argumento que as políticas formais são menos frequentes em empresas familiares, pois as mesmas diminuiriam a riqueza sócio emocional. De acordo com o estudo realizado por Koch e De Kok (1999), empresas familiares acreditam que a utilização de práticas formais gera perda de controle e flexibilidade na relação com os seus empregados. Em contra partida, acredito que para preservar a riqueza sócio emocional, empresas familiares adotam ambientes mais informais em suas organizações (BERRONE et al, 2010) e possuem uma liderança mais comprometida e tutorial (JERNEJ et al, 2012). E este sistema de gestão mais pessoal corrobora para a criação de um ambiente propício ao intraempreendedorismo. O conceito de preservação da riqueza sócio emocional pode ser utilizado como forma de explicar as diferenças entre empresas familiares e não familiares nos mais variados processos relacionados à tomada de decisões estratégicas. Nesta dissertação irei abordar o impacto da busca pela riqueza sócio emocional no intraempreendedorismo em empresas familiares. Para a realização deste estudo utilizei dados primários coletados de empresas brasileiras que foram convidadas para participar da pesquisa de clima organizacional que elaborou o ranking das Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil em 2008, promovida pela revista Você S.A. em conjunto com a Fundação Instituto de Administração (FIA). Devido à natureza da FIA, a 15 população das empresas-alvo para esta pesquisa é composta principalmente por grandes empresas que atuam no Brasil. Por tratar-se apenas de grandes empresas, conseguimos comparar empresas familiares versus empresas não familiares certos de que os resultados não apresentaram viés. Os resultados empíricos confirmam o meu modelo teórico de que empresas familiares possuem ferramentas distintas para estimular o empreendedorismo corporativo, quando comparados com empresas não familiares. Desta forma, contribuo para a literatura acadêmica, bem como para a prática de gestão empresarial ao verificar que a concentração acionária nas mãos de uma única família não gera problemas de performance, como, por exemplo, a falta de incentivo ao intraempreendedorismo; apenas gera a adoção de uma lógica distinta de gestão organizacional. Concluo que as empresas familiares vão contra a lógica empresarial de criar políticas formais para estimular o intraempreendedorismo devido a sua constante busca pela preservação da riqueza sócio emocional. Em contra partida, devido a características intrínsecas a este tipo de organização, como o sistema de gestão mais pessoal, elas conseguem contrabalancear e gerar um ambiente propício ao intraempreendedorismo. Ou seja, a integração horizontal existente nas empresas familiares cria uma fonte de criação de valor distinta daquelas apregoadas por lógicas tradicionais como a teoria de agência (BLAIR e STOUT, 1999) e gera vantagens exclusivas indisponíveis para os rivais não familiares (NELSON e WINTER, 1982). Além disso, as conclusões deste estudo são de extrema importância ao agregar uma visão diferente da encontrada tradicionalmente nas relações baseadas em contratos, onde os agentes agem para conseguir vantagens pessoais, ou através da lógica racional econômica. A prática de uma gestão mais pessoal é utilizada pela maioria das empresas, já que as empresas familiares são dominantes no mundo organizacional (YASSER, 2001), e, por isso, estudar fatores não econômicos utilizados para as tomadas de decisões estratégicas ganham relevância. Por fim, meu estudo contribui para o avanço de estratégias organizacionais, ao analisar duas áreas de destaque, o intraempreendedorismo e as empresas familiares, de forma integrada, trazendo uma visão teórica alternativa para o estímulo ao intraempreendedorismo no mundo 16 corporativo atual, e assim, apontando resultados práticos para práticas de gestão até aqui pouco entendidas. 2 REFERENCIAL TEÓRICO O tema intraempreendedorismo ganhou espaço nos estudos acadêmicos dos últimos anos devido a sua importância na produtividade e na sobrevivência das organizações em um ambiente cada vez mais competitivo. Um campo do intraempreendedorismo ainda pouco explorado é a sua relação com empresas que possuem a participação acionária concentrada nas mãos de um grupo famíliar, e portanto uma gestão mais alinhada com valores familiares deste grupo de pessoas. A literatura sobre empresas familiares demonstra que a sobreposição entre questões familiares e os negócios criam uma forma distinta de gestão neste tipo de empresa (ASTRACHAN E KOLENKO, 1994). As evidências encontradas nos estudos acadêmicos mostram que os proprietários de empresas familiares agem por razões diferentes das encontradas tradicionalmente nas relações baseadas em contratos, onde os agentes agirão para conseguir vantagens pessoais, ou através da lógica racional econômica. Estudos anteriores demonstram que objetivos não financeiros regularmente impactam nas decisões estratégicas das empresas familiares como, por exemplo: empregar membros familiares, mesmo sem possuir a qualificação necessária para a função (CHRISMAN et al, 2003), investir em marcas e setores que tragam reputação para a família (DEMSETZ e LEHN, 1985) e engajar os proprietários de empresas familiares em atividades altruísticas para elevar o seu ego (SCHULZE et al, 2003). Estes exemplos mostram que existe um peso forte de preferências não econômicas nas decisões estratégicas destas empresas, o que pode ser resumido como a busca pela riqueza sócio emocional do estudo de Gomez-Mejia et al (2011). Ou seja, de acordo com pesquisas anteriores, a grande maioria das empresas familiares parecem basear-se em fatores não econômicos para realizarem suas decisões estratégicas, sendo que a literatura clássica de gestão empresarial explica esta tendência no uso de lógicas não econômicas de gestão como evidência do atraso e não profissionalismo destas organizações. Mais especificamente, de forma histórica, empresas familiares são conhecidas por utilizar políticas relacionadas a informalidade, e por isso, são normalmente mal vistas. Como exemplo podemos citar a contratação ou promoção de pessoal em base a preferências pessoais ou a relacionamentos anteriores ao invés da qualificação profissional ou de sistemas transparentes de contratação e promoção (CHRISTENSEN et al, 2014; GOMEZ-MEJIA et al, 2011). 17 Segundo a literatura, estas práticas levam a deterioração gradual do quadro de funcionários no que tange a produtividade. Portanto, pesquisas de RH e de gestão de empresas apontam para o fato de que empresas familiares podem ter uma tendência a serem menos competitivas (GOMEZ-MEJIA et al, 2011). Apesar disso, pesquisas quantitativas e empíricas mostram que empresas familiares não somente não são menos competitivas, como tão pouco são menos produtivas. Estudos do tipo meta-análise recentes mostram que na média empresas de propriedade da família tem uma performance muito parecida, ou ainda mesmo, superior àquelas que não são familiares (ver por exemplo, AMIT e VILLALONGA, 2014; SACRISTAN-NAVARRO et al, 2011). Desta forma, o modelo teórico desenvolvido neste estudo busca oferecer um arcabouço conceitual que explica o que levam empresas a serem mais ou menos intraempreendedoras, mostrando que a lógica é distinta para empresas familiares em comparação com seus pares não familiares. Ou seja, enquanto empresas não familiares tendem a enfatizar políticas formais (dado sua necessidade de controlar problemas de agencia), as empresas familiares tendem a primar por sistemas de gestão que favorecem um aumento da riqueza sócio emocional, de forma que se torna equivocada a visão de que empresas familiares são menos eficientes na busca pelo empreendedorismo corporativo. Na verdade, elas apenas buscam promover o empreendedorismo corporativo seguindo uma lógica distinta, até agora pouco explorada. Torno explícita esta distinção teórica na figura 1. O estudo trará a construção dos construtos e a definição da relação existente entre eles, bem como a lógica por detrás destas relações com o objetivo de explanar as práticas de gestão de empresas familiares dentro do tema intraempreendedorismo. 18 Figura 1 – Resumo do modelo teórico Este capítulo apresentará uma base teórica para esta análise. Primeiramente, buscamos teorias que auxiliam o entendimento sobre o intraempreendedorismo. Em um segundo momento, abordamos explicações para algumas características ligadas a organizações que possuem gestão concentrada através da lógica da preservação da riqueza sócio emocional. Adicionalmente, relacionamos o intraempreendedorismo com o sistema de gestão pessoal em empresas familiares. Em seguida, avaliamos políticas formais e sua relação com o intraempreendedorismo. Por fim, resumimos o modelo teórico e suas hipóteses. O capítulo está organizado em cinco seções: 2.1 (Intraempreendedorismo), 2.2 (A Preservação da Riqueza Sócio Emocional em Empresas Familiares), 2.3 (Sistema de Gestão Pessoal em Empresas Familiares e Intraempreendedorismo), 2.4 (Políticas Formais e Intraempreendedorismo) e 2.5 (Resumo das Hipóteses). 2.1 Intraempreendedorismo Segundo Filion (1997) o termo empreendedorismo surgiu no século XIX através de pessoas que aproveitavam oportunidades de obter lucros assumindo os riscos inerentes à atividade. Ou seja, essas pessoas adquiriam um produto em seu estado bruto, desenvolviam e vendiam a um preço maior. Ainda no século XIX, os economistas passaram a ver o empreendedor como um 19 agente de mudança ao transferir recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixo para um setor de produtividade mais elevado e de maior rendimento. No início do século XX, Schumpeter (1997) descreve empreendedorismo como a percepção e exploração de novas oportunidades, utilizando recursos disponíveis de maneira inovadora. Para o autor, sem inovação não há empreendedorismo, sem investimentos, não há retorno de capital e o capitalismo não se fortalece. Com a evolução dos estudos científicos sobre empreendedorismo, o termo foi adquirindo significados mais complexos e completos. Atualmente há um consenso para a definição de empreendedorismo como o processo de descoberta e desenvolvimento de uma oportunidade para criar valor através da inovação (CHURCHILL, 1992, pg. 586). Covin e Miles (1999) estendem as atividades de empreendedorismo para renovação estratégica, rejuvenescimento e regeneração organizacional sustentada. Empreendedorismo se tornou um termo associado a qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos que criam novas combinações em suas organizações (LUMPKIN e DESS, 1996) e pode estar relacionada ao processo de empreendedorismo corporativo ou intraempreendedorismo (COVIN e SLEVIN, 1991). Drucker (1970) iniciou os primeiros estudos sobre o empreendedorismo corporativo argumentando que a responsabilidade de empresas existentes do ponto de vista empreendedor é manter-se bem sucedida no futuro. Jennings e Young (1990) conceituaram como empreendedorismo corporativo esforços empresariais que exigem sanções e recursos de uma organização com a finalidade de realizar atividades inovadoras. A inovação não é possível sem o conhecimento e, portanto, este ponto de vista também é consistente com Floyd e Wooldridge (1999), que apontam que o empreendedorismo empresarial depende da capacidade da organização de aprender, explorando novos conhecimentos e cultivando conhecimentos já existentes. Empreendedorismo corporativo também tem sido definido como um processo de renovação organizacional (SATHE, 1989) ou como a capacidade de gerar, desenvolver e implementar novas ideias através da inovação empresarial (DAMANPOUR, 1991). Empreendedorismo corporativo centra-se na forma como as empresas estimulam a inovação, a iniciativa de seus empregados e a contribuição posterior do comportamento 20 individual para o sucesso organizacional (AMO e KALVEREID, 2005). Hornsby et al (2002) consideram o empreendedorismo corporativo como estratégia para o desenvolvimento e implementação de novas ideias enquanto Dess et al (1999) definem o empreendedorismo corporativo como a transformação das organizações através da renovação estratégica. O conceito de empreendedorismo corporativo também tem sido descrito na literatura como intraempreendedorismo (BRIZEK e KHAN, 2008). Este termo surgiu na década de 80, através de um estudo de Pinchot (1985). Para Pinchot, o empreendedorismo corporativo “deve ir além da criação de novos negócios e abranger também as atividades administrativas, estendendo o escopo de estudo de empreendedorismo corporativo para áreas funcionais da organização como contabilidade, RH, financeiro e outras não ligadas diretamente ao negócio” (HASHIMOTO, 2009, pg. 96). Apesar de existirem diferenças de terminologia na literatura (SHARMA e CHRISMAN, 1999; CHRISTENSEN, 2004), o reconhecimento de atividades intraempreendedoras ampliou a noção de empreendedorismo empresarial, incorporando atividades desenvolvidas dentro das organizações. Portanto, intraempreendedorismo refere-se não apenas a criação de um novo negócio, mas também a demais atividades e orientações inovadoras, como a criação de um novo produto, serviço, tecnologia, estratégia ou postura competitiva (ANTONCIC e HISRICH, 2003). Portanto, o fenômeno do intraempreendedorismo é considerado um processo que permite a revitalização e melhoria do desempenho corporativo (GUTH e GINSBERG, 1990; ZAHRA, 1991). Ao assumir a existência de empresas com espírito empreendedor, a teoria do empreendedorismo considera intraempreendedorismo como uma forma de revitalizar e rejuvenescer empresas (STOPFORD e BADEN-FULLER, 1994). Shane e Venkataraman (2000) acreditam que a ação empreendedora baseada no indivíduo ou organização é um mecanismo para o negócio de grande importância econômica. No contexto das empresas, o conceito se reflete nas condições de vantagem competitiva. Ou seja, o intraempreendedorismo trata-se da adoção de processos para rejuvenescer e revitalizar as empresas por meio de pesquisa e criação de negócios, desenvolvimento de produtos pioneiros, serviços ou processos para garantir o crescimento da receita ou lucratividade (ZAHRA, 1991; ZAHRA e COVIN, 1995; MILES e COVIN, 2002). 21 A extensa pesquisa conceitual e empírica sobre pequenas e médias empresas tem encontrado, no caso específico de ambientes dinâmicos e hostis, uma relação positiva entre o intraempreendedorismo e o desempenho corporativo (ZAHRA e COVIN, 1995; ANTONCIC e HISRICH, 2001; RODSUTTI e SWIERCZEK, 2002; WIKLUND e PASTOR, 2003). Outros estudos evidenciam que nas economias desenvolvidas, atividades empreendedoras dentro das empresas levaram a um desempenho bem sucedido (ZAHRA e COVIN, 1995; LUMPKIN e DESS, 2001; HORNSBY et al, 2002). Por exemplo, Lumpkin e Dess (1996), Kreiser et al (2002) e Zahra e Nielsen (2002) descobriram que a capacidade de inovação e pro-atividade tem uma relação positiva com o crescimento das vendas. Bosma e Levie (2010) e Zahra (1995) acreditam que o empreendedorismo é um fator chave para o desenvolvimento de empresas que, de acordo com Soriano e Martınez (2007) e Alpkan et al. (2010), é influenciado por muitos fatores internos. O principal fator que será abordado neste estudo é a criação de um clima interno propício ao intraempreendedorismo. Kanter (1984) argumenta que os funcionários individuais só tomam a iniciativa de inovar quando o ambiente da organização apoia a inovação. Desta forma, diversos estudos mostram a necessidade de criar um ambiente interno propício ao empreendedorismo interno e ao compromisso individual para a inovação empresarial sustentável (por exemplo, ROTHWELL, 1975). O clima é estabelecido, onde intraempreendedores envolvem-se em oportunidade de procura, como no caso de empresários independentes descobrindo desafios e oportunidades importantes (COVIN e SLEVIN, 1990; ZAHRA, 1991; BARRINGER e BLUEDORN, 1999). Para criar tal ambiente corporativo, pesquisas mostram que empresas adotam políticas formais para o incentivo ao comportamento de profissionais na empresa que apoiam a criatividade e a busca por novas oportunidades (ANTONCIC e HISRICH, 2003; 2000). 2.2 A Preservação da Riqueza Sócio emocional em Empresas Familiares Apesar da ênfase dada para a utilização de políticas formais ao incentivo do intraempreendedorismo por empresas em geral, em pesquisas anteriores, nesta dissertação eu proponho que empresas com concentração acionária nas mãos de famílias (ou seja aquelas 22 organizações conhecidas como “empresas familiares”) adotam práticas distintas em relação a seus pares com dispersão acionária (ou seja, aquelas organizações conhecidas como “não familiares”). Estas práticas muitas vezes vão em sentido contrário àquelas apontadas por pesquisadores como causadoras de comportamento intraempreendedor. Dito com outras palavras, empresas familiares buscam o intraempreendedorismo de forma distinta e isso devese a preservação da riqueza sócio emocional (GOMEZ-MEJIA et al, 2011) que será tratada nesta seção. A importância econômica e social das empresas familiares tornou-se amplamente reconhecida. Internacionalmente é a forma dominante de organização empresarial (YASSER, 2001). Nos EUA somam cerca de 70% de todas as empresas de capital aberto (SIRMON e HITT, 2003) e representam cerca de um terço das empresas listadas no S & P 500 e da Fortune 500 índices (ANDERSON et al, 2003). Desta forma, estudar as características intrínsecas às empresas familiares torna-se um assunto crucial para a sua contribuição nas economias nacionais. As definições sobre a empresa familiar abundam (ANDERSON e REEB, 2003; MILLER e LE BRETON-MILLER, 2005; MAURY, 2006; SHARMA et al, 1996), no entanto, a maioria das definições enfatizam a forte presença de uma família sobre os negócios da empresa (ANDERSON e REEB, 2003; MAURY, 2006; VILLALONGA e AMIT, 2006; GOMEZMEJIA et al, 2011). Diversos estudos (CHRISMAN e CHUA, 2004; SHARMA, 2004; WESTHEAD e HOWORTH, 2007) propõem que uma maior ênfase nos objetivos não econômicos pode ser a principal diferença entre as empresas familiares das não familiares, apesar de, segundo as teorias comportamentais da empresa, todas as organizações possuírem objetivos não econômicos (CYERT e MARCH, 1963). As famílias são um grupo social com grande histórico e, consequentemente, possuem um peso emocional que afetam ambos os membros da família e as empresas familiares (KETS de VRIES, 1993; TAGIURI e DAVIS, 1996). A empresa afeta diretamente a imagem e a reputação da família dos proprietários (CHEN et al, 2010). Isso significa que o orgulho pessoal dos membros da família tende a ser intimamente ligado ao negócio. Ou seja, “a 23 organização se torna um destinatário de estoque afetivo da família, o que influencia os aspectos psicológicos, comportamentais, sociais, cognitivos e de gestão do negócio” (GOMEZ-MEJIA et al, 2011, pg. 655). Outros fatores não econômicos que distinguem empresas familiares das não familiares são a perpetuação dos valores da família através do negócio (HANDLER, 1990), a preservação da dinastia da família (CASSON, 1999) e a conservação do capital social da família (ARREGLE et al, 2005). Por exemplo, Aronoff (2004; pg. 57) enfatiza "a importância dos valores familiares como os pilares da cultura da empresa familiar. . . permitindo que a empresa se diferencie de outras empresas." Ambos mostram evidências empíricas que, em comparação com empresas não familiares, a presença de fortes valores familiares favorecem o desenvolvimento de uma cultura organizacional distinta (ASTRACHAN e KOLENKO, 1994). Outro diferencial de empresas familiares é o comportamento altruísta entre os proprietários da família, referindo-se ao seu desejo de atender ao bem-estar da unidade familiar. Trata-se de um aspecto não econômico do negócio, pelo qual os proprietários da família recebem satisfação beneficiando empregados familiares independente de sua contribuição relativa para a organização ou da sua capacidade de retribuir na mesma moeda (GOMEZ-MEJIA et al, 2011). Assim, de acordo com esses autores, o cumprimento das obrigações familiares com base em laços de sangue, em vez de competência ou demonstrado desempenho é primordial em empresas familiares. Gomez-Mejia et al (2007) derivam dos aspectos não econômicos mencionados acima como "riqueza sócio emocional" ou "dotes afetivos." Definindo como o "aspecto não financeiro da empresa que atende as necessidades afetivas da família, tais como a identidade, a capacidade de exercer influência da família, e a perpetuação da dinastia familiar " (2007, pg. 106). De acordo com esses autores, os proprietários da família consideram os ganhos ou perdas potenciais de riqueza sócio emocional como a sua referência na gestão da empresa. Portanto, além da eficiência econômica, a gestão será impulsionada por um desejo de preservar e aumentar a riqueza sócio emocional da família. 24 Segundo Gómez-Mejia, et al (2007), empresas familiares são tão racionais quanto as empresas não familiares ao fazerem escolhas gerenciais, mas os critérios para julgar se essas escolhas são boas ou más variam entre estes dois tipos de empresas. Ou seja, "para as empresas familiares um critério-chave, ou pelo menos um que tem maior prioridade, é se a sua dotação sócio emocional será preservada. Para as empresas não familiares, critérios financeiros parecem ser mais importantes quando se trata de avaliar o valor de uma decisão de negócios, como eles são menos impulsionados pela necessidade de proteger a sua dotação sócio emocional" (GOMEZ-MEJIA et al, 2007, pg. 131). A preservação da riqueza sócio emocional é um fim em si mesmo, influenciando fortemente as decisões estratégicas e às vezes até mesmo conflitantes com objetivos econômicos. Assim, proprietários da família podem estar dispostos a aceitar baixo desempenho ou até mesmo ameaças ao bem estar financeiro da empresa de modo a prevenir a perda da riqueza sócio emocional (GOMEZ-MEJIA et al, 2007). É possível citar diversos estudos na literatura sobre este tipo de empresa que comprovam a influência da preservação da riqueza sócio emocional nas decisões estratégicas, por exemplo, a diversificação dos investimentos da empresa para reduzir o risco total, sem ter a certeza da geração de valor para a empresa (DEMSETZ e VILLALONGA, 2001; GOMEZ-MEJIA et al, 2007). Presumivelmente, muitas das escolhas gerenciais feitas por empresas familiares (que respondem a um desejo de preservação da riqueza sócio emocional), eventualmente, serão refletidas no desempenho da empresa. Um grande esforço tem sido dedicado à compreensão do efeito da propriedade familiar no desempenho da empresa. A principal conclusão é que a prova é mista: em média, empresas de propriedade da família não tem efeito, ou na melhor das hipóteses, oferece uma pequena vantagem de desempenho em relação a outros tipos de propriedade (SACRISTAN-NAVARRO et al, 2011). Ou seja, a evidência empírica até agora mostra que as empresas familiares são uma forma viável de organização econômica. Assim, pode ser observado na literatura que o conceito de preservação da riqueza sócio emocional pode ser utilizado como forma de explicar as diferenças entre empresas familiares e não familiares nos mais variados processos relacionados à tomada de decisões estratégicas. Além disso, observa-se que as empresas familiares, apesar de suas diferenças, são tão eficientes quanto as empresas não familiares (AMIT e VILLALONGA, 2014), ou até mesmo 25 mais produtivas, quando seguem uma lógica sócio emocional, como mostra recente estudo de Christensen et al (2014). No próximo tópico iremos explorar uma das principais diferenças entre estes dois tipos de organização que é a gestão mais pessoal e informal existente nas empresas familiares e o seu impacto no intraempreendedorismo. 2.3 Sistema de Gestão Pessoal em Empresas Familiares e Intraempreendedorismo Minha primeira hipótese é que empresas familiares criam um sistema de gestão mais pessoal devido a busca pela preservação de sua riqueza sócio emocional. Estudos mostram que isso não gera necessariamente um impacto negativo ao desempenho da empresa, pelo contrário, pode até gerar ganhos de produtividade, aumentando a dedicação dos funcionários para atingir os objetivos organizacionais (CHRISTENSEN et al, 2014). O sistema de gestão pessoal se divide em dois âmbitos teóricos que serão tratados a seguir com mais detalhe. São eles: gestão informal e liderança comprometida. 2.3.1 Gestão Informal Avaliando características intrínsecas a organizações familiares, estudos mostram que, para preservar a riqueza sócio emocional, empresas familiares adotam ambientes mais informais em suas organizações (BERRONE et al, 2010). Como exemplo, podemos citar o estudo realizado por Christensen et al (2014) no qual eles argumentam que empresas familiares tem uma maior tendência a criar ambientes organizacionais que demonstram um maior cuidado e atenção com as relações inter pessoais entre chefes e profissionais, de maneira a enfatizar uma maior riqueza de trocas pessoais entre profissionais da empresa, sejam elas chefes, diretores, ou empregados de linha. Segundo seu estudo, empresas que adotam esta postura alcançam um nível bem maior de produtividade econômica por empregado do que aquelas que simplesmente adotam políticas formais de RH que incentivam a produtividade do profissional. A teoria Stewardship quando aplicada à empresa familiar (DAVIS et al, 1997) indica que, quando comparada com empresas que não são de propriedade e operadas por famílias, 26 empresas familiares beneficiam o capital social (ARREGLE et al, 2005; SIRMON e HITT, 2003), psicológico (CORBETTA e SALVATO, 2004; EDDLESTON e KELLERMANNS, 2007; EDDLESTON et al, 2008) e as relações baseadas na confiança (STEIER, 2001). Colli (2003) complementa sugerindo que a perspectiva de um tipo de processo organizado que é menos impessoal, no qual as relações desenvolveram-se entre pessoas na empresa de forma não apenas instrumental ou racionalmente orientados, mas também moldados por elementos como amizade, boa vontade, apreço e de parentesco. Para os proprietários de família, as relações não financeiras, como a identidade familiar positiva (DEEPHOUSE e JASKIEWICZ, 2013), a reputação favorável (SHARMA e MANIKUTI, 2005), o apoio por parte dos trabalhadores considerados como membros da família (BERRONE et al, 2012) superam o desejo de retorno econômico imediato devido à valorização da riqueza sócio emocional (BERRONE et al, 2010). Mesquita (2014) acrescenta argumentando em seu estudo que empresas familiares tem uma maior tendência a adotarem políticas informais para a relação inter pessoal e este comportamento leva a um aumento no nível de intraempreendedorismo. Neste mesmo estudo, ele demonstra que este aumento no nível de empreendedorismo corporativo se dá não porque empresas familiares implementam políticas formais que tradicionalmente norteiam a busca por maior criatividade, em empresas tradicionais, mas sim se dá apesar de estas empresas não implementarem tais políticas. Jernej et al (2012) descobriram que em 82,4% das empresas familiares, a cultura clã foi o predominante tipo de cultura, o mesmo era verdade em apenas 43,8% das empresas não familiares. Em outras palavras, as empresas familiares são mais pessoais, em que os funcionários agem e sentem como parte da família. Outro ponto interessante levantado por estes autores é que as empresas familiares apresentam um maior comprometimento dos colaboradores para a sua empresa, um melhor ambiente de trabalho e, portanto, maior harmonia organizacional. Ou seja, um ambiente mais descontraído e menos burocrático. Em relação às práticas que visam à participação dos funcionários, um significativo desafio que as empresas enfrentam é efetivamente gerenciar e promover um forte senso de envolvimento e participação entre família e empregados não familiares (CHRISMAN et al, 2003). Eddleston e Kellermanns (2007) afirmam que um efetivo processo de estratégia participativa pode permitir que os membros não ligados a família possam expressar 27 abertamente as suas opiniões. Esta estratégia é de grande importância, pois estes membros podem muitas vezes encontrar-se em situações complexas e incertas, porque eles são parte do negócio mas não do sistema familiar (MITCHELL et al, 2003). Incertezas quanto à sua condição de trabalho podem surgir a partir de uma variedade de questões de como as decisões são tomadas (BLONDEL et al, 2000) e de um ambiente de percepção de parcialidade e favoritismo (SCHULZE et al, 2003; LUBATKIN et al, 2005). Outra diferença que distingue empresas familiares das não familiares é uma maior preocupação com o impacto negativo quando a sua empresa se envolve em ações de má reputação que podem oferecer alguns benefícios financeiros de curto prazo, porém podem ainda manchar o nome da família, a legitimidade e a reputação aos olhos dos colaboradores e da comunidade (ADAMS et al, 1996; DYER e WHETTEN, 2006). Uma imagem negativa da empresa resultante de um clima organizacional insensível é uma afronta pessoal à família proprietária, assim diminuindo diretamente a riqueza sócio emocional (CHRISTENSEN et al, 2014). Desta forma, como proprietário de longo prazo, uma empresa familiar é mais inclinada a prosseguir com políticas de zelo, mesmo que poucas recompensas financeiras estejam diretamente ligadas, para evitar ações que estigmatizam a empresa que leva o nome da família. Em contraste, os executivos de empresas não-familiares, por terem uma ligação menos estreita com a organização e por serem mais anônimos na comunidade, podem impor custos agressivos e sobre os trabalhadores para gerar benefícios imediatos para si e para os acionistas (CHRISTENSEN et al, 2014). Da mesma forma, investidores de empresas não familiares tendem a se concentrar em melhores retornos totais numa carteira diversificada e, portanto, eles ou seus representantes do conselho são menos propensos a dissuadir a adoção de práticas gerenciais de zelo. As empresas que promovem maior zelo são propensas a experimentar menor resistência. Elas também são mais propensas a experimentar mais apoio dos empregados para escolhas estratégicas da empresa e alianças políticas, e menor rotatividade de funcionários (BLAIR e STOUT, 1999). Além disso, os trabalhadores das empresas familiares possuem maior orgulho organizacional porque eles estão mais aptos a perceber que seu empregador se preocupa com todos os intervenientes, incluindo compradores, vendedores, e a comunidade 28 imediata. Esta imagem externa favorável aos olhos da força de trabalho, por sua vez aumenta a auto identificação dos funcionários com a empresa e, assim, maior fidelidade a ele (GREENING e TURBAN, 2000; DUTTON et al, 1994). A presença de uma cultura da família organizacional unificada também afeta o envolvimento e a comunicação prática dos funcionários, permitindo coordenação fácil sem a necessidade de mecanismos formais (GOMEZ-MEJIA et al, 2011). As empresas familiares podem ser caracterizadas pelo uso de canais de comunicação mais informais, pelas seguintes razões: • O uso de canais de comunicação informais facilita o desenvolvimento de um ambiente organizacional familiar, que por sua vez aumenta a riqueza sócio emocional. Mesmo em grandes empresas familiares, a família vai colocar maior ênfase nas interações informais em fim de reforçar o etos familiar, transmitindo a cultura e os valores do negócio da família (GOMEZ-MEJIA et al, 2011); • Os canais de comunicação informais são considerados como os mais eficazes, auxiliando a retenção de funcionários, um resultado que pode ajudar na preservação da riqueza sócio emocional (GUEST e CONWAY, 2001). • Os gestores ligados à família podem utilizar interações informais para reduzir queixas dos gestores não familiares sobre a sua falta de voz em estruturas formais de governança da empresa, que são controlados principalmente pela família (GOMEZMEJIA et al, 2011). Em suma, a gestão informal das empresas familiares acomoda as necessidades das partes interessadas internas, fazem os funcionários se sentirem valiosos e parte de um bem maior e geram normas de reciprocidade que mobilizam sinergias de colaboração (DATTA et al, 2005). De acordo com Blair e Stout (1999), essa integração horizontal representa uma fonte de maior criação de valor nas empresas menos preocupadas com as questões de agência. Assim, empresas familiares alcançam vantagens exclusivas indisponíveis para os rivais não familiares (NELSON e WINTER, 1982) que são difíceis de imitar na medida em que exigem a combinação de conjuntos de políticas mais pessoais, que são específicos de empresas familiares. 29 Desta forma, podemos propor uma relação positiva entre empresas familiares e gestão informal, a qual definimos como a existência de um ambiente informal onde as relações são baseadas na confiança e através de políticas de zelo. H1a: Existe uma relação positiva entre empresas familiares e gestão informal. 2.3.2 Liderança Comprometida Outra característica intrínseca às empresas familiares é a existência de uma liderança mais comprometida. De acordo com Jernej et al (2012) as empresas familiares são mais “pessoais” no que tange as relações entre líderes e empregados, em que a liderança é considerada tutorial. Para explicar a existência de uma liderança comprometida em empresas familiares, trago conceitos da teoria de escalões superores (conhecida pelo nome original em inglês como upper echelon theory) de Hambrick e Mason (1984) a qual afirma que os resultados organizacionais, escolhas estratégicas e os níveis de desempenho são parcialmente previstos por características do estilo de gestão da alta administração. A teoria enfatiza que as cognições, valores e percepções destes líderes podem influenciar as tomadas de decisões e as práticas adotadas pela organização, determinando seu comportamento (estratégico) e o seu desempenho (HAMBRICK e MASON, 1984). Ou seja, as decisões estratégicas compreendem as escolhas feitas formalmente e informalmente pela alta administração, tendo um componente comportamental grande e refletindo as idiossincrasias deste tomador de decisão. Posteriormente, Hambrick (2007) afirma que a premissa central da teoria de escalões superores é que os valores e personalidades dos executivos influenciam de forma significativa em suas escolhas e práticas de gestão. Ao analisarmos as empresas familiares, podemos esperar que, dada a motivação sócio emocional do executivo familiar (bem como daqueles executivos que não são membros da família, mas que possuem um vínculo emocional forte com a mesma), é possível haver um maior empenho de cunho pessoal destes diretores. Ou seja, os CEOs que são diretamente responsáveis pela conduta de uma organização (WU et al, 2005) e que têm laços de sangue com os proprietários familiares tendem a incutir políticas de zelo para com o público interno, pois essas políticas refletem os valores da família e sustentam o equilíbrio sócio emocional da 30 família (LE BRETON-MILLER et al, 2011). Esperamos, desta forma, que exista uma relação de respeito, credibilidade e transparência entre os CEOs das empresas familiares e os funcionários. O líder de empresa familiar ajuda a incutir comportamentos na empresa estabelecendo normas de harmonia familiar, percepções de clareza, justiça e fatores intimamente relacionados com os elementos de clima ético (BERRONE et al, 2010). Desta forma, cria um ambiente participativo que promove um meio sinérgico que produz soluções criativas para diversos problemas. Blair e Stout (1999) acrescentam argumentando que as empresas são mais produtivas ao trazerem os trabalhadores juntos horizontalmente, com uma relação menos hierárquica entre líder e liderado, ao invés de aqueles que controlam os trabalhadores para evitar problemas de agência. Para promover um ambiente harmonioso, os líderes de empresas familiares colocamse adiante de objetivos comuns, integrando diversos segmentos da força de trabalho e alinhando os seus interesses (FREEMAN, 1984). Eles criam consenso entre as partes interessadas (BURTON e DUNN, 2005) e incentivam a cooperação ao invés de lidar de forma competitiva. Ou seja, estas organizações tratam os empregados como um ativo estratégico coletivo e não apenas como agentes livres pagos pelo seu tempo de trabalho. Isso gera práticas sociais que vão além de transações, que o comprimento de agente-principal. Provocam compromissos comuns dos funcionários e promovem responsabilidades recíprocas entre eles e os seus líderes (ROUSSEAU, 1989). Desta forma, seguindo a linha de raciocínio exposta acima, podemos propor que existe uma relação positiva entre empresas familiares e liderança comprometida, a qual definimos como uma liderança preocupada com o bem estar de seus funcionários, gerando uma relação de credibilidade e respeito entre líder e liderado: H1b: Existe uma relação positiva entre empresas familiares e liderança comprometida. 2.3.3 Sistema de Gestão Pessoal e o Intraempreendedorismo 31 Para entendermos a relação existente entre intraempreendedorismo e empresas familiares temos que avaliar quais são as características necessárias para se criar um ambiente organizacional que estimule o intraempreendedorismo. Estudos mostram que algumas características de ambientes intra organizacional podem servir como estimulantes ou impedimentos para o desenvolvimento do intraempreendedorismo (ANTONCIC e HISRICH, 2000; PINCHOT, 1985; KANTER, 1984). Russell e Russell (1992) mostraram que a estrutura organizacional é um fator crítico para a gestão de incertezas oriundas do processo de geração de inovações. Os autores descrevem uma ligação entre a inovação e a estrutura mais orgânica, a qual possui maior descentralização e ausência de formalização. Hage e Aiken (1970) complementaram afirmando que participar das decisões de inovação em estruturas descentralizadas leva a um compromisso maior com a inovação. Em organizações centralizadas, o caminho para aprovação das novas idéias pode ser longo (RUSSELL e RUSSELL, 1992). A institucionalização do comportamento visa tornar o dia-a-dia mais fácil, controlável, previsível e estável (SCOTT, 2001; BERGER e LUCKMANN, 1985). Porém, a revitalização da organização necessita da quebra desta burocracia, que aparece imobilista, frustrante e sufocadora da inovação e da criatividade (BERTERO, 1996). Uma série de estudos sugerem que ambientes mais burocráticos restringem as taxas de intraempreendedorismo, porque envolvem tarefas rígidas e monitoradas que diminuem critérios para um funcionário desafiar o status quo existente (SCHUMPETER, 1950; WHYTE, 1956; MERTON, 1968; DOBREV e BARNETT, 2005; SORENSEN, 2007). Este argumento baseia-se nos conhecimentos adquiridos a partir de pesquisa sociológica que considera descrição do trabalho como um dos ingredientes fundamentais da flexibilidade intelectual de um empregado e vontade de empreender e experimentar novas ideias (THOMPSON, 1965; KANTER, 1983, 1998; KALLEBERG e VAN BUREN, 1996). Ou seja, um ambiente com normas rígidas não facilita o estímulo de um espírito intraempreendedor. Logo, nas organizações intraempreendedoras, a comunicação deve ser aberta e fácil, para criar um ambiente onde as ideias são geradas com maior facilidade (FILION, 2002). 32 De acordo com Antoncic (2005), a abertura de comunicação refere-se à qualidade da informação, a quantidade e o como ela é compartilhada. A comunicação aberta também pode ser utilizada como um meio para capacitar empregados. O compartilhamento de informações e capacitação são elementos essenciais para a inovação (PINCHOT, 1985; KANTER, 1984), enquanto que a qualidade e a quantidade de informação podem ser fundamentais para a iniciação intraempreendedora e a sua implementação bem sucedida (ZAHRA, 1991). Riggio e Lee (2007) complementam afirmando que o fluxo de comunicação eficaz é fundamental para a capacidade de uma organização operar de forma harmoniosa e produtiva. Coletivamente, os sistemas de participação dos trabalhadores e de comunicação são preocupados com a manutenção de relações empregado - empregador que contribuam para a satisfação, produtividade, motivação e moral. Ou seja, fluxos livres de informações contribuem para a incerteza que cerca a inovação (KANTER, 1983; VAN DE VEM, 1986). A troca livre e intensa de informações facilita o acesso aos dados e às habilidades necessárias (KANTER, 1989; PINCHOT, 1985). A intensidade desta troca de informações está limitada à quantidade de normas, regras e procedimentos que regem a empresa (RUSSELL & RUSSELL, 1992). Amabile et al. (1996) enfatizam em seu modelo que as pessoas produzem trabalhos mais criativos quando possuem liberdade para escolher como realizar as suas tarefas. As pessoas são diferentes entre si e a liberdade dá a possibilidade de cada um explorar suas características únicas para obter um melhor desempenho em seu trabalho. Barreiras organizacionais como restrições internas, conservadorismo, rigidez e gestão formal impedem ou limitam a capacidade criativa. Do acima exposto, podemos, consequentemente, considerar a existência de uma relação positiva entre intraempreendedorismo e sistema de gestão pessoal, a qual dividimos em dois arcabouços teóricos descritos acima (gestão informal e liderança comprometida). Desta forma, propomos as seguintes hipóteses: H2a: Existe uma relação positiva entre gestão informal e intraempreendedorismo. H2b: Existe uma relação positiva entre liderança comprometida e intraempreendedorismo. 33 De acordo com as explanações acima, acreditamos que a forma encontrada pelas empresas familiares para estimular o intraempreendedorismo foi através de uma gestão mais pessoal. Apesar disso, também acreditamos que políticas formais criam um ambiente favorável ao intraempreendedorismo e este não é explorado pelas empresas familiares devido a busca pela preservação de sua riqueza sócio emocional. No próximo tópico abordaremos este tema. 2.4 Políticas Formais e Intraempreendedorismo No atual mundo dos negócios, a incerteza ambiental é um fenômeno comum e a maioria das organizações usam o aumento da inovação como uma das maneiras de atuar dentro do cenário competitivo (DAMANPOUR, 1991). Controles formais, quando usados com moderação para monitorar as atividades intraempreendedoras, podem levar a resultados positivos (ANTONCIC, 2005). O suporte organizacional pode ser considerado o antecedente mais importante do intraempreendedorismo (ANTONCIC e HISRICH, 2003; 2000). Neste estudo abordaremos duas vertentes teóricas: políticas formais para a gestão de clima organizacional e políticas formais para a definição e disseminação de líderes. O primeiro deve-se ao fato de que a dependência do fator humano para a gestão do intraempreendedorismo levou as organizações a reforçarem as necessidades de estabelecer um ambiente interno propício para que as pessoas possam desempenhar adequadamente o seu papel neste processo (HASHIMOTO, 2009). A literatura mostra diversas definições para o termo “clima organizacional”, como: apoio organizacional percebido (EISENBERG e HUNTINGTON, 1986), a estrutura da organização (PAYNE e PUGH, 1976) e o grau de similaridade entre as expectativas da organização e as dos empregados (GLICK, 1985). Neste estudo consideraremos a definição dada por Hashimoto (2009, pg. 37), a qual ele define como “o conjunto das percepções de satisfação ou insatisfação no trabalho. O clima reflete os atributos comportamentais que afetam a forma como as pessoas veem seu ambiente de trabalho”. 34 É importante notar que clima organizacional é diferente de cultura organizacional. Cultura, segundo Schein (1999), é a identidade da organização, através de um conjunto de crenças, valores, princípios e normas compartilhados que distinguem uma organização de outra. “A cultura não é tão volátil e flexível quanto o clima, e sim construída e sedimentada ao longo do tempo. Enquanto o clima pode ter juízo de valor - pode ser negativo ou positivo – a cultura pode, no máximo, ser aderente ou não ao estilo e identidade da pessoa” (HASHIMOTO, 2009, pg. 37). Medir o clima organizacional transformou-se em uma métrica importante que possibilita averiguar se a empresa está cumprindo o seu papel de atender ou não as necessidades dos funcionários (HASHIMOTO, 2009). O instrumento utilizado para medir esta métrica é a pesquisa de clima organizacional. Segundo Bergamini e Coda (1997), a pesquisa irá, através de uma consulta generalizada aos colaboradores da empresa, identificar as principais necessidades a serem atendidas. Desta forma, podemos definir políticas formais para a gestão de clima organizacional como a adoção de um processo regular e periódico de monitoramento e gestão do Clima Organizacional. Já, a segunda vertente teórica tratada neste estudo, políticas formais para a definição e disseminação de líderes, é definida como um programa que define, dissemina e avalia um perfil de competências para as suas lideranças. A definição formal do perfil das liderenças é de extrema importância para as organizações que desejam incentivar o intraempreendedorismo, pois os ocupantes de posições hierárquicas mais altas possuem maior autonomia, poder, visão do negócio, percepção do entorno organizacional e controle sobre recursos, aumentando as chances de obter realizações de natureza empreendedora e incentivando a pirâmide organizacional como um todo para a criação de práticas intraempreendedoras (DAVILA et al, 2007; HASHIMOTO, 2009). Nos dois próximos tópicos abordaremos com detalhes a relação destas duas vertentes teóricas com o incentivo ao intraempreendedorismo, mas antes vamos avaliar o impacto destas políticas formais dentro das empresas controladas por um único acionista. Parece razoável considerar que o monitoramento do clima organizacional e a gestão de um programa formal para a definição e disseminação de líderes constitui uma prática de recursos 35 humanos que contribui com o direcionamento dos esforços estratégicos da organização. Ou seja, baseado nas teorias sobre práticas formais, seria esperado, do ponto de vista econômico, que as empresas buscassem adotar práticas que aumentassem os seus resultados. Porém, ao avaliarmos esta lógica de raciocínio em empresas familiares, observamos que as decisões são fortemente influenciadas por razões não econômicas devido a busca pela preservação da riqueza sócio emocional descrita por Gomez-Mejia et al (2011). Ou seja, fatores não econômicos entram em cena quando falamos deste tipo de empresa, sendo este um dos principais pontos que distingue estas e as demais empresas (GOMEZ-MEJIA et al, 2011). Isso ocorre, pois, conforme já mencionado no tópico 2.2 que abordou a riqueza sócio emocional, na gestão de empresas familiares há uma sobreposição entre questões familiares e os negócios, criando características específicas neste tipo de empresa (ASTRACHAN e KOLENKO, 1994). De acordo com o estudo realizado por Koch e De Kok (1999), empresas familiares acreditam que a utilização de práticas formais gera perda de controle e flexibilidade na relação com os seus empregados. Desta forma, apesar de diversos estudos demonstrarem que práticas formais provocam um bom desempenho nas empresas (por exemplo: LERNER e WULF, 2007; EDRALIN, 2010 e ANTONCIC e HISRICH, 2003), as empresas familiares são conhecidas por práticas menos formais. Ou seja, a literatura sugere que empresas familiares são mais resistentes para se profissionalizar, pois priorizam o aumento da riqueza sócio emocional ao tomarem as suas decisões. Da mesma forma, Lyman (1991) encontrou que em empresas familiares é adotado um tratamento mais pessoal, que mantém um clima de confiança nos colaboradores dependendo menos de políticas formais. Ao falarmos de práticas de recursos humanos, estudos encontraram diferenças entre as práticas adotadas por empresas familiares e não familiares, demonstrando que empresas familiares adotam formas menos formalizadas (DE KOK et al, 2006; REID e ADAMS, 2001). Seguindo a mesma linha de raciocínio, Aldrich e Langton (1997) encontraram uma relação negativa entre a utilização de práticas de recursos humanos e o número de membros da família no comando. Adicionalmente, podemos considerar que questões relacionadas aos recursos humanos são mais complexas em empresas familiares, pois os membros da família participam tanto das relações de negócio, como das relações familiares (SIRMON e HITT, 2003). Ou seja, estudos mostram que o estabelecimento de processos formais evolui conforme o crescimento da organização (REID et al, 2000), mas em empresas familiares eles são sempre menos evoluídos. 36 Podemos citar alguns estudos que corroboram para a conclusão de que empresas familiares baseiam suas decisões na preservação da riqueza sócio emocional, fazendo com que estas empresas adotem práticas mais flexíveis: • Em uma pesquisa com empresas irlandesas de pequeno porte foi constatado que nas empresas familiares as práticas de gestão de recursos humanos eram menos formais, como o uso de sistemas de avaliação de desempenho, políticas de treinamento, processo de seleção ou sistemas de recompensa (REID e ADAMS, 2001); • Beehr et al (1997) encontraram, ao analisarem empresas familiares, programas de compensação e análise de desempenho com critérios não econômicos, devido a busca pela preservação da harmonia familiar; • Barnett e Kellermanns (2006) argumentam que quando há um poder concentrado nas mãos de uma única família, esta tende a apresentar práticas de recursos humanos menos justas, privilegiando membros da família ou pessoas próximas. Isto significa que ao elaborarem políticas organizacionais, os proprietários destas empresas irão optar por práticas que não diminuam seu controle e flexibilidade na tomada de decisão, pois isso diminuiria sua utilidade, bastante influenciada pelo seu bem estar social. Desta forma, sendo a formalidade atrelada a redução do controle dos proprietários (KOCH e DE KOK, 1999), é esperado encontrar em empresas familiares a adoção de práticas menos formais. Consequentemente, podemos propor as hipóteses abaixo: H3a: A relação entre empresas familiares e política formal para gestão de clima organizacional é negativa. H3b: A relação entre empresas familiares e política formal para definição e disseminação de líderes é negativa. Apesar das empresas familiares não estimularem políticas formais devido a preservação de sua riqueza sócio emocional, estudos comprovam a importância destas políticas para o incentivo a práticas intraempreendedoras, conforme discutiremos nos tópicos a seguir sobre política formal para gestão de clima organizacional e política formal para definição e disseminação de líderes. 37 2.4.1 Políticas Formais para Gestão de Clima Organizacional Para empresas que desejam incentivar o intraempreendedorismo, diversas necessidades devem ser adequadas para se criar um ambiente interno propício. Bosma e Levie (2010) e Zahra (1995) acreditam que o empreendedorismo é um fator chave para o desenvolvimento de empresas que, de acordo com Soriano e Martinez (2007), Irlanda et al (2009) e Alpkan et al (2010), é influenciado por muitos fatores internos. Hashimoto complementa afirmando que “o fator inovação entrou nas organizações como necessidade para aumentar a competitividade e a sustentabilidade, porém, a dependência do fator humano para sua gestão levou as organizações a reforçarem a necessidade de estabelecer um ambiente propício para que as pessoas possam desempenhar adequadamente o seu papel neste processo. Por estes motivos, o desenvolvimento de um clima interno que aumente a satisfação do funcionário com o seu trabalho visa não só o aumento de produtividade, mas, em muitos casos, o surgimento de condições que favoreçam a geração sustentável e continuada de inovações” (2009, pg. 76). A influência de um bom clima de trabalho interno que é apropriado para o empreendedorismo é frequentemente mencionada na literatura (STEVENSON e JARILLO, 1990; MORRIS et al, 2008; LUMPKIN e DESS, 1996; COLLINS, 2001). Um ambiente favorável para a incerteza e a ambiguidade é bom porque mantém as pessoas alertas e minimiza o sentimento de preservação do status quo (MORRIS e KURATKO, 2002). Kimberly e Evanisko (1981) observaram que muitas tentativas de promover a inovação falharam devido à resistência interna às situações ambíguas. Um espírito empreendedor para lidar e beneficiar rapidamente mudanças nas condições de mercado só seria possível com um apoio interno adequado. O clima é estabelecido, onde intraempreendedores envolvem-se em oportunidade de procura, como no caso de empresários independentes descobrindo desafios e oportunidades importantes (COVIN e SLEVIN, 1990; ZAHRA, 1991; BARRINGER e BLUEDORN, 1999). Pesquisa recente de Marvel et al (2007) examinou a motivação que leva funcionários a agir de forma empreendedora e vários aspectos identificados nesta pesquisa estão relacionados com os elementos que favorecem o clima organizacional. 38 Alpkan et al (2010) descreveram em seu estudo dois fatores essenciais para se criar um clima organizacional propício ao intraempreendedorismo. O primeiro fator é o apoio à gestão para a geração de ideias novas. Apoio à gestão é importante porque indica a disposição dos gestores para facilitar, promover e institucionalizar o espírito empreendedor e a atividade dentro dos sistemas e processos da organização (HORNSBY et al, 2002), o que encoraja os intraempreendedores a se envolverem em esforços inovadores. Estes mecanismos de apoio institucionalizados também podem contribuir para a formalização e coordenação das sugestões individuais separadas e aumentar, consequentemente, a eficiência dos esforços de inovação organizacional. O segundo fator é o critério de trabalho ou a conveniência da estrutura organizacional, relacionado especialmente ao nível de descentralização e autonomia de decisão dos gerentes de nível menores e funcionários. Um clima intraempreendedor eficaz envolve autonomia e flexibilidade na tomada de decisões estratégicas (MINTZBERG, 1973; KHANDWALLA, 1973; BURGELMAN, 1983, 1984; SLEVIN e COVIN, 1989, 1990; BARRINGER e BLUEDORN, 1999; HONIG, 2001). A autonomia se estende a descentralização do poder de decisão para aqueles que realmente realizam o trabalho. Ele também representa o grau de iniciativa dos empregados em seu trabalho formal e implementação de esforços de melhoria ou resolução de problemas (SOUDER, 1974; TATIKONDA e ROSENTHAL, 2000). O trabalho de Morris e Kuratko (2002) sustenta a importância do capital social como elemento fundamental do ambiente intraempreendedor. Pelo fato de que, muitas vezes, um projeto começa de forma informal antes de atingir grau de maturidade suficiente para ser vendido e obter aprovação formal, assim como recursos, para prosseguir, o intraempreendedor precisa contar com o apoio e suporte de outras pessoas na organização que se engajem ou ajudem no projeto sem que sejam obrigados a isso. Um ambiente que permita a formação e sustentação de uma rede social que possa ser explorada em situações de implementação de ideias dos funcionários é fundamental para o intraempreendedorismo. Amo e Kolvereid (2005) complementaram esta visão através de um estudo que constatou que uma orientação estratégica para o empreendedorismo corporativo foi significativamente e positivamente relacionada ao comportamento inovador, apoiando a ideia de que as 39 organizações devem colocar uma estratégia de empreendedorismo corporativo no lugar, a fim de promover um comportamento inovação entre os seus funcionários. Logo, passa a ser fundamental iniciativas que neutralizem as barreiras organizacionais que minem boas ideias apenas pelo fato de serem diferentes da rotina e dos padrões já estabelecidos. Inovação exige mudança e a rotina é inimiga da mudança (HASHIMOTO, 2009). Desta forma, podemos propor que: H4a: A criação e disseminação de uma política formal para gestão de clima organizacional irá propiciar um ambiente intraempreendedor. 2.4.2 Políticas Formais para Definição e Disseminação de Líderes Há uma tradição de discussão acadêmica sobre como a composição e estrutura de liderança pode influenciar uma variedade de resultados organizacionais. A incerteza, a ambiguidade e a descontinuidade resultante de mudanças revolucionárias, geram o desafio para a liderança da organização aumentar a velocidade da tomada de decisão, fazendo processos através dos quais as estratégias são formuladas e implementadas para iniciar mudanças que criarão um futuro viável para a organização (IRELAND e HITT, 2005). Alguns estudos (por exemplo, HASEN e KAHNWEILER, 1997; PAPADAKIS e BOURANTAS, 1998; THONG e YAP, 1995) mostraram que os membros da equipe de gestão de topo desempenham um papel fundamental nos processos de inovação nas organizações. Isso, porque estratégias voltadas para a geração de inovações devem partir da alta administração. Uma orientação clara a partir do líder deve fluir ao longo de toda a pirâmide hierárquica para motivar, sustentar e recompensar as atividades voltadas para a inovação, incentivando a criação de valor com real significado (DAVILA et al, 2007, HASHIMOTO, 2009). Considerando que as regras e práticas institucionalizadas são livremente disseminada por toda a organização, e que as pessoas não são todas iguais, os gestores empresariais tornam-se peças fundamentais para diferenciar aqueles em suas equipes que são espontaneamente intraempreendedores daqueles que não são. Para estes, práticas que promovam o 40 comportamento empreendedor de forma induzida pode afetar os funcionários que são estimulados a agir baseados em estímulos externos (HASHIMOTO, 2014). Ou seja, embora alguns funcionários ajam naturalmente de forma empreendedora, acredita-se que parte do comportamento são estimulados por atitudes dos gestores. Heller (1999) evidencia esta abordagem sugerindo que a capacidade de criar uma estrutura organizacional independente para iniciativas empresariais se baseia muito mais em ações de gestão do que em sistemas organizacionais. Comportamentos de liderança transformacional mostraram fortes efeitos positivos sobre os níveis de inovação, tomada de risco e criatividade dentro de unidades de negócios (HOWELL e AVOLIO, 1993). Da mesma forma, comportamentos de liderança como a de servir como um modelo de trabalho, estar aberto a novas ideias, ou fornecer feedback construtivo e valorizando as contribuições individuais também foram relatados para afetar positivamente as percepções subordinadas de apoio líder, que por sua vez estimula a criatividade e capacidade de inovação (AMABILE, 1997). As lideranças ganham grande importância para a busca das iniciativas empreendedoras dentro das organizações, pois o empreendedorismo corporativo é iniciado a partir do topo e são elas que determinam a estratégia que a organização deseja seguir (MADU, 2011). Assim, a alta administração é delegada a dar nome e conteúdo para a iniciativa e atribuir membros, responsabilidades e recursos para o grupo (AMO e KOLVEREID, 2002). A liderança cumpre o seu papel alinhando o intraempreendedorismo com a estratégia da organização (MADU, 2011). Desta forma, um programa de qualificação dos líderes, fornecendo habilidades específicas em gestão e negócios são essenciais para que eles tenham uma visão global do negócio que eles estão construindo (MARVEL et al, 2007). Outra forma de qualificação é através da preparação de líderes para reconhecer, desenvolver e reter intraempreendedores, fornecendo treinamentos abrangentes sobre o negócio da empresa, estratégias, trabalho em equipe e gerenciamento de projetos (MORRIS e KURATKO, 2002). Baixa qualificação dos empregados pode dificultar a identificação de oportunidades dentro do ambiente organizacional (HASHIMOTO, 2014). 41 Desta forma, acredita-se em uma relação positiva entre políticas formais para definição e disseminação de líderes e intraempreendedorismo: H4b: A criação e disseminação de uma política formal para a definição e disseminação de líderes irá propiciar um ambiente intraempreendedor. 2.5 Resumo das hipóteses De acordo com o referencial teórico exposto acima, podemos resumir as hipóteses deste estudo e o modelo teórico, conforme segue: H1a: Existe uma relação positiva entre empresas familiares e gestão informal. H1b: Existe uma relação positiva entre empresas familiares e liderança comprometida. H2a: Existe uma relação positiva entre gestão informal e intraempreendedorismo. H2b: Existe uma relação positiva entre liderança comprometida e intraempreendedorismo. H3a: A relação entre empresas familiares e política formal para gestão de clima organizacional é negativa. H3b: A relação entre empresas familiares e política formal para definição e disseminação de líderes é negativa. H4a: A criação e disseminação de uma política formal para gestão de clima organizacional irá propiciar um ambiente intraempreendedor. H4b: A criação e disseminação de uma política formal para a definição e disseminação de líderes irá propiciar um ambiente intraempreendedor. 42 Figura 2 –Modelo teórico detalhado 3 METODOLOGIA 3.1 Dados Para testar o modelo teórico proposto, desenvolvo uma análise empírica utilizando dados primários coletados de empresas brasileiras que foram convidadas para participar da pesquisa de clima organizacional que elaborou o ranking das Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil em 2008, promovida pela revista Você S.A. Os instrumentos de pesquisa foram desenvolvidos e administrados pela Fundação Instituto de Administração (FIA), uma instituição sem fins lucrativos para pesquisa e educação executiva localizada em São Paulo, Brasil. Um guia anual das Melhores Empresas para se Trabalhar no Brasil tem sido publicado por esta instituição desde 2006. Trata-se de dois questionários: um para funcionários e outro para um executivo de Recursos Humanos (RH). Para o primeiro questionário a FIA seleciona aleatoriamente funcionários de todas as empresas participantes, excluindo empregados terceirizados. O índice de resposta alcançado foi alto (aproximadamente 75%) e houve cerca de 300 participantes por empresa. A pesquisa incluiu uma carta de apoio da empresa, uma breve descrição dos objetivos da 43 pesquisa e uma garantia de anonimato aos respondentes. Os funcionários responderam a itens de uma pesquisa empregado em relação às suas empresas. Também foram levantados dados utilizados para controle como gênero, estabilidade no emprego, posição relativa na hierarquia organizacional e nível de escolaridade. Para o segundo questionário, a FIA contata um alto executivo de recursos humanos (em geral, um vice-presidente de RH) que responde a um levantamento sobre as políticas de gestão de recursos humanos formais e orçamento. Devido à natureza da FIA, a população das empresas-alvo para esta pesquisa é composta principalmente por grandes empresas que atuam no Brasil dos mais variados setores (uma média de 6.606 funcionários por empresa). Por tratar-se apenas de grandes empresas, conseguimos comparar empresas familiares versus empresas não familiares certos de que os resultados não serão impactados por relações de escala operacional (ou seja, a propriedade da família é mais prevalente em empresas menores e empresas menores possuem uma relação mais informal). Obtive dados da pesquisa de 61.981 trabalhadores em 205 grandes empresas brasileiras, com uma média de 302 participantes por empresa. A média das respostas do questionário de funcionários foi acrescentada ao questionário de empresas. O questionário de empresas possuía 412 empresas respondentes. Foram eleiminadas empresas que não puderam ser classificadas entre familiares ou não e empresas subsidiárias estrangeiras localizadas no Brasil, pois, ao focar apenas em empresas brasileiras nacionais, diminuímos o risco de as políticas corporativas influenciarem as práticas locais. A base final ficou composta por 205 empresas. Esta grande amostra possui um ótimo poder estatístico, bem como uma validade externa das nossas análises, especialmente no que diz respeito à percepção dos funcionários sobre as práticas administrativas da empresa. 3.2 Variáveis Empresas Familiares: Há um grande consenso de que empresas familiares são aquelas sobre as quais os proprietários da família possuem uma grande influência na gestão da empresa (CHRISMAN e PATEL, 2012; GOMEZ-MEJIA et al, 2007). Existe, porém, um desacordo sobre a medição 44 do construto. Alguns estudiosos classificam as empresas familiares como aqueles em que os membros da família têm participação majoritária (GALLO e SVEEN, 1991) ou ocupam cargos executivos (ANDERSON e REEB, 2003). Outros argumentam que 5% de participação da família é o suficiente para dar o controle da família sobre a empresa (CHRISMAN e PATEL, 2012; GOMEZ-MEJIA et al, 2003; PATEL e CHRISMAN, 2013). Neste estudo, optamos por uma abordagem mais rigorosa, considerando empresas de capital aberto como empresas não familiares, conforme sugestão de Mesquita et al (2014), pois empresas de capital aberto tem menor propensão de serem influenciadas por familiares do que empresas de capital fechado. Trata-se de uma variável binária com o código 0 para empresas não familiares e 1 para empresas familiares. Para a segregação desta variável em nossa base, utilizamos a mesma regra do estudo de Christensen et al (2014). Neste estudo três etapas foram realizadas, contando com especialistas brasileiros que conhecem intimamente o mercado local. Em primeiro lugar, três pesquisadores brasileiros que trabalham para as empresas classificadas da FIA verificaram se cada empresa tinha uma família proprietária dominante conhecida ou não. Em segundo lugar, dois coautores brasileiros do trabalho apresentado por Christensen et al (2014) verificaram de forma independente o trabalho dos três pesquisadores da FIA com base em seus conhecimentos pessoais do mercado brasileiro e, quando em dúvida, procuraram fontes públicas disponíveis para traçar a história de cada empresa para assegurar que foi devidamente classificada como familiar ou não-familiar. Empresas não-públicas que haviam sido adquiridas recentemente ou que foram detidas através de capital de risco, private equity, ou fundos de investimento foram classificadas como não familiar, exceto se tivesse um membro da família fundadora formalmente envolvido (por exemplo, ocupava um assento no conselho ou posição gerencial). Por fim, um analista de mercado brasileiro bem familiarizado com estruturas de propriedade dessas empresas verificou de forma independente a classificação. Só as empresas que foram classificadas por unanimidade como controlada por uma família por todos os avaliadores independentes neste esquema de três etapas foram codificados como tal. Gestão Informal e Liderança Comprometida: Para a criação destes dois construtos empíricos, realizei uma análise qualitativa das questões do questionário funcionários, buscando perguntas relacionadas a definição teórica dada neste estudo 45 para cada variável. Ou seja, para o construto Gestão Informal, incluí questões relacionadas a criação de um ambiente informal (MESQUITA, 2014), relações baseadas na confiança (STEIER, 2001) e relações através de políticas de zelo (CHRISTENSEN et al, 2014). As questões selecionadas podem ser vistas na Tabela 1. Para o construto Liderança Comprometida, adicionei questões relacionadas ao relacionamento de preocupação com o bem estar e a credibilidade e respeito (JERNEJ et al, 2012; BERRONE et al, 2010; BLAIR e STOUT, 1999) entre líder e liderado. As questões selecionadas podem ser vistas na Tabela 2. Tabela 1 – Construto Gestão Informal Gestão Informal Gosto do trabalho que realizo hoje nesta empresa? Sei o que devo fazer para crescer profissionalmente nesta empresa? Considero justos os critérios de promoção e carreira adotados nesta empresa? Todos têm oportunidade de participar de atividades de treinamento nesta empresa? O volume de trabalho permite que eu termine sempre minhas tarefas no horário normal? Tabela 2 – Construto Liderança Comprometida Liderança Comprometida Minha equipe de trabalho considera o(a) seu(sua) chefe um(a) líder de respeito e credibilidade? Meu(Minha) chefe sempre deixa claro o que espera do meu trabalho? As solicitações e orientações de minha chefia facilitam a realização do meu trabalho? Nesta empresa os(as) chefes cumprem o que prometem? Após a escolha qualitativa das questões, realizei uma análise fatorial para confirmar a criação dos dois construtos, conforme Tabela 3. Nesta análise, foi possível verificar que estas duas medidas são na verdade partes inerentes de um construto mais abrangente, que vamos chamar de Sistema de Gestão Pessoal. Ou seja, encontramos aqui uma diferença grande entre o modelo teórico apresentado (liderança comprometida e gestão informal) e o modelo empírico (que demonstra não existir tal separação, logo, os dois construtos teóricos, na prática, representam apenas um construto único). Possivelmente esta separação teórica proposta possa existir em outro contexto, como, por exemplo, empresas de pequeno porte, ou mesmo empresas de outros países. Mas, na população que estamos estudando (empresas de grande porte no Brasil) esta distinção não se materializou na prática. 46 Tabela 3 – Análise fatorial Sistema de Gestão Pessoal Componente 1 Minha equipe de trabalho considera o(a) seu(sua) chefe um(a) líder de .898 respeito e credibilidade? Gosto do trabalho que realizo hoje nesta empresa? .825 Sei o que devo fazer para crescer profissionalmente .848 nesta empresa? Meu(Minha) chefe sempre deixa claro o que espera do .931 meu trabalho? As solicitações e orientações de minha chefia facilitam a realização do .951 meu trabalho? Considero justos os critérios de promoção e carreira .883 adotados nesta empresa? Nesta empresa os(as) chefes cumprem o que .917 prometem? Todos têm oportunidade de participar de atividades de .842 treinamento nesta empresa? O volume de trabalho permite que eu termine sempre minhas tarefas no .712 horário normal? Método de Extração: Análise de Componente Principal. Após a análise fatorial, analisei o alfa de Cronbach, uma medida diagnóstica utilizada para medir a confiabilidade de uma escala inteira, que será explicada com maior detalhe na seção 3.4 Medição do Modelo. De acordo com esta análise, conforme a Tabela 4, todas as questões fazem parte do construto Sistema de Gestão Pessoal, não tendo a sugestão de retirada de 47 nenhuma das nove questões. Desta forma, concluímos a análise para fechar a variável Sistema de Gestão Pessoal. Tabela 4 – Alfa de Cronbach Sistema de Gestão Pessoal Alfa de Cronbach .951 Variável Minha equipe de trabalho considera o(a) seu(sua) chefe um(a) líder de respeito e credibilidade? Gosto do trabalho que realizo hoje nesta empresa? Sei o que devo fazer para crescer profissionalmente nesta empresa? Meu(Minha) chefe sempre deixa claro o que espera do meu trabalho? As solicitações e orientações de minha chefia facilitam a realização do meu trabalho? Considero justos os critérios de promoção e carreira adotados nesta empresa? Nesta empresa os(as) chefes cumprem o que prometem? Todos têm oportunidade de participar de atividades de treinamento nesta empresa? O volume de trabalho permite que eu termine sempre minhas tarefas no horário normal? N de itens 9 Alfa de Cronbach se o item for excluído .943 .949 .944 .941 .940 .943 .940 .945 .956 Política Formal para Gestão de Clima Organizacional: De acordo com o conceito teórico apresentado neste estudo, a pesquisa de clima organizacional transformou-se em uma métrica formal importante para verificar se a empresa esta cumprindo o seu papel, atendendo ou não as necessidades de seus funcionários (HASHIMOTO, 2009). Desta forma, com o objetivo de verificar a existência de uma política formal, optamos pela utilização de uma pergunta direta a respeito do tópico existente no 48 questionário visão empresa. Como o questionário visão empresa é respondido por uma liderança da organização, é possível verificar a existência ou não de uma política formal através da visão do topo. Esta escolha difere-se de alguns estudos anteriores sobre Clima Organizacional que determinaram a variável empirica através da mensuração de diversos itens relacionados a Promoção, recompensa e benefícios; Relacionamento com os pares; Características da tarefa; e Relacionamento com a chefia (HASHIMOTO, 2009 e PUENTE-PALACIOS et al, 2013). Como as perguntas escolhidas para a avaliação empírica do construto Política Formal para Gestão de Clima Organizacional possuem escala independente, ou seja, uma empresa pode responder sim para uma pergunta e não para outra, fizemos uma somatória das políticas usadas pelas empresas para tal fim. Quanto mais políticas usadas por uma empresa, maior o valor da observação para aquela empresa. As questões podem ser vistas na Tabela 5. Desta forma, não cabe a análise fatorial e a análise do alfa de Cronbach para esta variável. Tabela 5 – Construto Política Formal para Gestão de Clima Organizacional Políticas formais para gestão de clima organizacional A empresa adota um processo regular e periódico de monitoramento e gestão do Clima Organizacional? Não, a empresa não adota um processo regular e periódico de monitoramento e gestão do Clima Organizacional (Não = 0) Sim e a empresa realiza uma pesquisa periódica consultando todos os empregados (Sim = 1) Sim e a empresa realiza uma pesquisa periódica consultando uma amostra dos empregados (Sim = 1) Sim e a empresa divulga os resultados da pesquisa para todos os seus funcionários (Sim = 1) Sim e a empresa elabora planos de ação para melhoria do Clima Organizacional (Sim = 1) Sim e os gerentes participam ativamente da elaboração dos planos de ação para melhoria do Clima Organizacional (Sim = 1) Sim e os funcionários participam ativamente da elaboração dos planos de ação para melhoria do Clima Organizacional (Sim = 1) Política Formal para Definição e Disseminação de Líderes: 49 De acordo com a definição teórica dada para o construto Política Formal para definição e disseminação de Líderes no referencial teórico deste trabalho (programa que define, dissemina e avalia um perfil de competências para as suas lideranças), optamos pela seleção de questões relacionadas a definição e disseminação de líderes do questionário visão empresa para a criação do modelo empírico. Conforme já mencionado, a escolha por questões do questionário visão empresa deve-se a importância de analisar a visão de um gestor do topo e não a opinião dos funcionários da empresa para tal questão, por tratar-se de uma variável que avalia uma política formal seguida pela empresa. Segui a mesma lógica utilizada para a construção do construto Política Formal para Gestão de Clima Organizacional, ou seja, como as perguntas do construto possuem escala independente, fizemos uma somatória das políticas usadas pelas empresas para tal fim. As questões podem ser vistas na Tabela 6. A análise fatorial e a análise do alfa de Cronbach também não foram realizadas para esta variável. Tabela 6 – Construto Política Formal para Definição e Disseminação de Líderes Políticas formais para definição e disseminação de líderes A empresa adota práticas formais para definir, disseminar e avaliar um perfil de competências para suas lideranças? Não, não adota práticas formais para definir, disseminar e avaliar um perfil de competências para suas lideranças (Não=0) Sim e define formalmente um Perfil de Competências para Lideranças (Sim = 1) Sim e dissemina formalmente um Perfil de Competências para Lideranças (Sim = 1) Sim e avalia formalmente a internalização de um Perfil de Competências para Lideranças (Sim = 1) Sim e os gestores e líderes tiveram oportunidade de questionar, criticar e ou contribuir com a composição das cláusulas do código de ética (Sim = 1) Sim e a empresa divulga formalmente o perfil de liderança por meio de comunicação interna, como jornais, revistas, intranet, murais (Sim = 1) Sim e a empresa divulga formalmente o perfil de liderança por meio de atividades interativas como reuniões, palestras, ou treinamento formal (Sim = 1) Sim e os dirigentes foram formalmente treinados ou orientados sobre como disseminar o perfil de liderança (Sim = 1) Sim e há um programa formal de monitoramento do cumprimento das cláusulas do perfil de liderança (Sim = 1) 50 Sim e o Perfil de Liderança é levado em consideração nos processos de avaliação de desempenho (Sim = 1) Sim e o Perfil de Liderança é levado em consideração nos processos de remuneração e promoção (Sim = 1) Intraempreendedorismo: Com base no referencial teórico apresentado, a variável empírica deve estar alinhada a definição do termo intraempreendedorismo, ou seja, a criação de novos negócios, e demais atividades e orientações inovadoras, como a criação de um novo produto, serviço, tecnologia, estratégia ou postura competitiva (ANTONCIC e HISRICH, 2003), estendendo para atividades de renovação estratégica, rejuvenescimento e regeneração organizacional sustentado (COVIN e MILES, 1999). Barringer e Bluedorn (1999) utilizaram em seu estudo uma escala para medir o nível de intensidade do empreendedorismo corporativo através de itens que mediam a tendência de uma empresa para a inovação e a assunção de riscos e proatividade. Já, Felício et al (2012), utilizou seis fatores identificados na literatura: inovação, o risco, desafios, energia competitiva, proatividade e autonomia. No estudo de Hashimoto (2009) a lógica para a construção da variável intraempreendedorismo foi parecida, ao selecionar seis questões sobre inovação, receptividade a risco e autonomia. A base para a seleção destas questões foi a mesma que estamos utilizando neste esudo, ou seja, a pesquisa de clima organizacional que elaborou o ranking das Melhores empresas para Trabalhar no Brasil em 2008. Desta forma, para a criação da variável empírica intraempreendedorismo neste trabalho, iniciamos as análises através das seis questões utilizadas no estudo de Hashimoto (2009). As questões podem ser vistas na Tabela 7. Este construto tem o objetivo de avaliar se o ambiente da empresa é favorável ou não as práticas intraempreendedoras, independente das políticas formais. Ou seja, se os funcionários que trabalham na organização sentem um clima propício a práticas empreendedoras. Consequentemente, faz sentido determinar o construto através das questões relacionadas a 51 intraempreendedorismo do questionário visão funcionário. Quanto maior o score desta variável, mais favorável é o ambiente para práticas intraempreendedoras. Tabela 7 – Início das análises para a criação do Construto Intraempreendedorismo Intraempreendedorismo Sou estimulado(a) a contribuir para melhorar a forma como é feito o meu trabalho Sinto-‐me participando das decisões que afetam a mim e ao meu trabalho As pessoas que trabalham na empresa estão sempre procurando inovar aquilo que fazem Sinto que nesta empresa as pessoas podem assumir riscos quando tentam promover melhorias no seu trabalho. Nesta empresa as pessoas têm autonomia para tomar decisões sem precisar consultar o(a) chefe. Nesta empresa há tolerância aos erros cometidos pelos empregados(as). O primeiro passo utilizado foi realizar uma análise qualitativa das seis questões e das demais questões do questionário funcionários para verificar a retirada ou inclusão de alguma questão com base na definição teórica de intraempreendedorismo apresentado neste estudo. Nesta etapa, optei por excluir duas questões, pois considerei que a abrengencia das perguntas não refletia exatamente a teoria apresentada. Ou seja, não enxerguei uma relação direta entre as questões e a definição dada a intraempreendedorismo. As questões que me refiro são: “Sou estimulado(a) a contribuir para melhorar a forma como é feito o meu trabalho” e “Sinto-me participando das decisões que afetam a mim e ao meu trabalho”. Analisando o questionário por completo, também considerei que a questão “Sou reconhecido(a) e recompensado(a) quando tenho iniciativas inovadoras” possuía grande relação com o tema e, desta forma, optei pela inclusão dela para a criação do construto. O segundo passo foi realizar uma análise fatorial confirmatória com as cinco questões. O resultado confirma que as cinco questões fazem parte de uma única variável, conforme Tabela 8. 52 Tabela 8 – Análise Fatorial do Construto Intraempreendedorismo Matriz de componente Componente 1 As pessoas que trabalham na empresa estão sempre procurando inovar aquilo que fazem. ,888 Sinto que nesta empresa as pessoas podem assumir riscos quando tentam promover melhorias no seu trabalho. ,912 Nesta empresa as pessoas têm autonomia para tomar decisões sem precisar consultar o(a) chefe. ,900 Sou reconhecido(a) e recompensado(a) quando tenho iniciativas inovadoras. ,905 Nesta empresa há tolerância aos erros cometidos pelos empregados(as). ,836 Em seguida, foi analisado o alfa de Cronbach. De acordo com esta análise, conforme a Tabela 9, todas as questões fazem parte do construto Intraempreendedorismo, não tendo a sugestão de retirada de nenhuma questão. Tabela 9 – Alfa de Cronbach do Construto Intraempreendedorismo Estatísticas de confiabilidade Alfa de Cronbach N de itens ,931 5 Alfa de Cronbach se o item for excluído As pessoas que trabalham na empresa estão sempre procurando inovar aquilo que fazem. ,916 Sinto que nesta empresa as pessoas podem assumir riscos quando tentam promover melhorias no seu trabalho. ,906 53 Nesta empresa as pessoas têm autonomia para tomar decisões sem precisar consultar o(a) chefe. ,914 Sou reconhecido(a) e recompensado(a) quando tenho iniciativas inovadoras. ,910 Nesta empresa há tolerância aos erros cometidos pelos empregados(as). ,928 Ao rodar o modelo de equações estruturais, que será abordado com maiores detalhes na seção 3.4 Medição do Modelo, verificamos que o fit do modelo apresenta uma grande melhora ao retirar a questão “Nesta empresa há tolerância aos erros cometidos pelos empregados(as)”. Desta forma, concluímos a análise para fechar a variável Intraempreendedorismo. A Tabela 10 resume as questões finais utilizadas no modelo. Tabela10 – Construto Intraempreendedorismo Intraempreendedorismo As pessoas que trabalham na empresa estão sempre procurando inovar aquilo que fazem Sinto que nesta empresa as pessoas podem assumir riscos quando tentam promover melhorias no seu trabalho. Nesta empresa as pessoas têm autonomia para tomar decisões sem precisar consultar o(a) chefe. Sou reconhecido(a) e recompensado(a) quando tenho iniciativas inovadoras Variáveis controle: Tamanho da organização e idade: Um achado bem estabelecido é que o tamanho da organização e idade são particularmente importantes porque têm um impacto sobre as taxas de empreendedorismo (por exemplo, SHANE e VENKATARAMAN, 2000; DOBREV e BARNETT, 2005; SORENSEN, 2007). Uma linha acadêmica acredita que com o crescimento e amadurecimento das empresas, elas tornam-se cada vez mais capazes de absorver o espírito empreendedor de seus funcionários. Por exemplo, uma literatura empírica, motivada por Schumpeter (1942), indica que as 54 organizações estabelecidas estão melhor posicionadas do que suas contrapartes menores e mais jovens para fomentar aventura interna (STINCHCOMBE, 1965; GALBRAITH, 1973; NELSON e WINTER, 1982; BURGELMAN, 1983; COHEN e LEVINTHAL, 1990; ZAHRA et al, 1999). Em contra partida, muitos estudos têm argumentado que as empresas grandes e antigas apresentam um elevado grau de burocratização, que embrutece os tipos de habilidades, motivações e aspirações que permitem que os funcionários iniciem novos empreendimentos (SAXENIAN, 1994; DOBREV e BARNETT, 2005; GOMPERS et al, 2005; SORENSEN, 2007; ELFENBEIN et al, 2010). A variável de controle tamanho da organização foi representada pelo log do número de funcionários. Já a variável idade da empresa foi representada pelo log de anos da empresa desde a sua fundação. Participação nos Resultados: Vivemos em uma época onde as organizações do ambiente externo enfrentam grandes turbulências e, portanto, não é possível conduzir os negócios de uma maneira não agressiva (MORRIS et al, 2008). Nas organizações que têm a capacidade de inovar esperam-se a geração de lucros maiores do que aqueles que não inovam e o sucesso de práticas de remuneração promove o comportamento inovador entre os funcionários (MADU, 2011). Ao avaliarmos as práticas de remuneração em empresas familiares, verificamos, porém, que, devido a busca pela preservação da riqueza sócio emocional, estas empresas possuem um comportamento bem distinto das demais. Estudos mostram que as empresas familiares colocam um peso maior em recompensas não monetárias (BERRONE et al, 2010), e tornam a remuneração variável um componente menor dentro do pacote de remuneração (GOMEZ-MEJIA et al, 2003). Apesar das empresas familiares terem os seus motivos para não trabalharem com participação nos resultados da mesma forma que os seus pares não familiares, diversos estudos sugerem que a compensação é um componente importante na estratégia das organizações que desejam promover o empreendedorismo entre os seus empregados (LERNER et al, 2009; CHANDLER et al, 2000; GAUTAM e VERMA, 1997; HORNSBY et al, 1993; BLOCK e ORNATI, 1987). 55 Esta variável controle foi determinada através da questão relacionada a participação nos resultados do questionário visão empresa “A empresa pratica distribuição de resultados e/ou lucros?”. Rigidez na estrutura hierárquica: Conforme mencionado no referencial teórico deste trabalho, estudos sugerem que ambientes mais burocráticos restringem as taxas de intraempreendedorismo. A existência de tarefas mais rígidas e monitoradas diminuem, consequentemente, critérios para um funcionário desafiar o status quo existente (SCHUMPETER, 1950; WHYTE, 1956; MERTON, 1968; DOBREV e BARNETT, 2005; SORENSEN, 2007). Desta forma, faz-se necessário incluir esta variável como controle. Foi realizado uma somatória das políticas usadas pelas empresas para tal fim através da questão “A Empresa adota práticas formais para definir, disseminar e avaliar a internalização das suas estratégias de negócio?” do questionário visão empresa. Demais variáveis controle: Além das variáveis descritas acima, incluí como variáveis controle o segmento que a empresa está inserida (alguns setores, como tecnologia podem possuir um grau de intraempreendedorismo maior) e o log do orçamento total de recursos empregados no setor de RH por funcionário (empresas com maior orçamento poderiam oferecer mais regalias aos funcionários, impactando no incentivo ao intraempreendedorismo). Ao nível dos trabalhadores, controlei o nível educacional, cargo, sexo e estabilidade no emprego que pode afetar a sua afetividade no trabalho. 3.3 Método de Modelo de Equações Estruturais Utilizei o modelo de equações estruturais para testarmos as hipóteses. Este modelo serve para analisar a interdependência entre as variáveis observáveis. A razão para a escolha deste 56 modelo é devido a possibilidade do mesmo acomodar múltiplos relacionamentos de dependência inter-relacionados e estimar diversas equações - uma variável dependente em uma equação pode ser uma variável independente em outra equação (HAIR et al, 1998). Segundo Steenkamp e Baumgartner (1998) este tipo de modelo se tornou popular devido a sua flexibilidade e generalidade analítica. O modelo de equações estruturais vem sendo utilizado em diversos estudos relacionados aos construtos utilizados neste presente modelo, como o trabalho realizado por Christensen et al (2014) e Mesquita (2014) no qual eles comparam clima organizacional informal e performance. 3.4 Medição do Modelo Para a criação do modelo foi utilizado o software AMOS 18.0. Realizei o processo de dois estágios sugerido por Anderson & Gerbing’s (1988). Especificamente, na primeira fase foi realizado uma análise fatorial confirmatória para testar se as variáveis selecionadas para medir cada construto possuía validade convergente (ou seja, se os itens eram bastante correlacionados um com o outro) e validade discriminante (isto é, se as variáveis medem claramente diferentes construtos). Em um segundo passo, foi realizada a equação estrutural do modelo baseado nos resultados obtidos no primeiro passo e com a definição inicial do modelo teórico. A Tabela 11 reporta estatísticas básicas e matriz de correlações. A estatística descritiva permite resumir informações e facilitar o entendimento do comportamento amostral visando o entendimento da relação das variáveis propostas (BUSSAB e MORETTIN, 2007). Ao analisar, é possível constatar uma boa evidência inicial de validade de convergência e validade discriminante. A matriz mostra que as questões selecionadas para compor cada um dos contrutos são bem correlacionadas entre si, apresentando em grande maioria, correlações acima de 0,6. 57 Tabela 11 – Estatísticas Básicas e Matriz de Correlações 58 M édia Familiar Política Formal para formação de Líderes Política Formal para Gestão de Clima Organizacional M inha equipe de trabalho considera o(a) seu(sua) chefe um(a) líder de respeito e credibilidade? Gosto do trabalho que realizo hoje nesta empresa? Sei o que devo fazer para crescer profissionalmente nesta empresa? M eu(M inha) chefe sempre deixa claro o que espera do meu trabalho? As solicitações e orientações de minha chefia facilitam a realização do meu trabalho Considero justos os critérios de promoção e carreira adotados nesta empresa Nesta empresa os(as) chefes cumprem o que prometem Todos têm oportunidade de participar de atividades de treinamento nesta empresa O volume de trabalho permite que eu termine sempre minhas tarefas no horário normal As pessoas que trabalham na empresa estão sempre procurando inovar aquilo que fazem Sinto que nesta empresa as pessoas podem assumir riscos quando tentam promover melhorias no seu trabalho? Nesta empresa as pessoas têm autonomia para tomar decisões sem precisar consultar o(a) chefe? Sou reconhecido(a) e recompensado(a) quando tenho iniciativas inovadoras? Participação nos resultados Idade da empresa Desvio Padrão Política Política Formal para Formal Gestão de para Clima formação Organizacio de Líderes nal Familiar M inha equipe de Sei o que devo trabalho Gosto do fazer para considera o(a) trabalho que crescer seu(sua) chefe realizo hoje profissionalme um(a) líder de nesta nte nesta respeito e empresa? empresa? credibilidade? M eu(M inha) chefe sempre deixa claro o que espera do meu trabalho? As solicitações e orientações de minha chefia facilitam a realização do meu trabalho ,49 ,50 1 5,06 2,97 -.242** 1 3,45 1,39 -.419** .608** 1 3,93 ,28 .162* ,111 -,030 1 4,36 ,20 .165 * ,024 -,019 .732** 1 3,97 ,33 .162* .174* -,017 .710** .624** 1 4,07 ,28 .184** ,101 -,032 .844** .744** .753** 1 4,03 ,27 .169* ,079 -,068 .898** .769** .775** .897** 1 3,32 ,41 ** ,128 -,065 .735** .634** .858** .787** .772** 3,74 ,36 .161* ,095 -,009 .861** .765** .649** .869** .862** 4,02 ,35 .159 * .172 * ,084 .665** .617** .732** .748** .753** 3,61 ,41 .159 * -,002 ,063 .532** .574** .519** .602** .690** 3,77 ,34 ,030 .244** .176* .750** .685** .765** .771** .790** 3,31 ,37 -,103 .232** .251** .576** .506** .477** .545** .524** 2,93 ,44 -.233** .323** .359** .467** .405** .419** .409** .401** 3,44 ,39 ,017 .320** .185** .728** .615** .769** .695** .730** 1,32 1,26 -.202** .266** .142* -,019 ,015 -,024 ,010 -,055 41,89 21,89 ,040 .148* ,127 -.146* -,081 -,086 -,013 -,095 ** ,037 ,030 ,008 ,044 ,001 .267 Orçamento do setor de ** ** 2,83 1,06 -.240 .264 RH **. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades). *. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades). .349 59 Nesta As pessoas que Considero justos Todos têm Sinto que nesta Nesta empresa as empresa O volume de trabalho trabalham na Sou reconhecido(a) os critérios de oportunidade de empresa as pessoas pessoas têm os(as) permite que eu empresa estão e recompensado(a) Participação promoção e participar de podem assumir riscos autonomia para chefes termine sempre sempre quando tenho nos carreira atividades de quando tentam tomar decisões sem cumprem o minhas tarefas no procurando iniciativas resultados adotados nesta treinamento nesta promover melhorias no precisar consultar que horário normal inovar aquilo que inovadoras? empresa empresa seu trabalho? o(a) chefe? prometem fazem Idade da empresa Orçamento do setor de RH Familiar Política Formal para formação de Líderes Política Formal para Gestão de Clima Organizacional Minha equipe de trabalho considera o(a) seu(sua) chefe um(a) líder de respeito e credibilidade? Gosto do trabalho que realizo hoje nesta empresa? Sei o que devo fazer para crescer profissionalmente nesta empresa? Meu(Minha) chefe sempre deixa claro o que espera do meu trabalho? As solicitações e orientações de minha chefia facilitam a realização do meu trabalho Considero justos os critérios de promoção e carreira adotados nesta empresa Nesta empresa os(as) chefes cumprem o que prometem Todos têm oportunidade de participar de atividades de treinamento nesta empresa O volume de trabalho permite que eu termine sempre minhas tarefas no horário normal As pessoas que trabalham na empresa estão sempre procurando inovar aquilo que fazem Sinto que nesta empresa as pessoas podem assumir riscos quando tentam promover melhorias no seu trabalho? Nesta empresa as pessoas têm autonomia para tomar decisões sem precisar consultar o(a) chefe? Sou reconhecido(a) e recompensado(a) quando tenho iniciativas inovadoras? Participação nos resultados Idade da empresa Orçamento do setor de RH 1 .806** 1 .753** .727** 1 .545** .598** .594** 1 .765** .800** .747** .602** 1 .538** .669** .492** .444** .724** 1 .440** .552** .433** .322** .677** .870** 1 .808** .781** .714** .500** .866** .743** .750** 1 -,047 -,016 ,011 -,060 ,110 ,108 .169* ,077 1 * -,066 * -,057 * ** * * ** 1 -,076 ,019 ,041 -,036 .145* ,037 -.153 -.163 **. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades). *. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades). -.139 ,093 -.210 .180** -.167 .252** -.163 .155* .217 1 60 Na análise fatorial, seguindo os passos de Anderson e Gerbing (1988), mantive indicadores para os quais as cargas fatoriais foram maiores do que o dobro de seus erros padrão. Nesta etapa, também utilizei o alfa de Cronbach para testar a validade do agrupamento das variáveis nos construtos estabelecidos. Uma das questões básicas na construção de variáveis múltiplas diz respeito ao grau de consistência. A idéia da consistência é que os indicadores individuais devem medir o mesmo construto e assim ser altamente inter-correlacionados (HAIR et al, 1998). O alfa de Cronbach é uma das medidas diagnósticas mais utilizadas para medir a confiabilidade de uma escala inteira. Esta medida calcula a variância dentro de cada item da escala e a covariância entre um item e outro item na escala, construindo uma matriz de variância/covariância de todos os itens (FIELD, 2005), e, com isso, indicando o grau de confiabilidade da magnitude de erro da amostra. Apesar de sua interpretação ser subjetiva, costuma-se rejeitar escalas com valores inferiores a 0,7 (HASHIMOTO, 2009). Após a análise das correlações, da análise fatorial e do alfa de Cronbach para verificar a validade de cada construto, foi realizada a equação estrutural do modelo. Desta forma, baseado na teoria desenvolvida neste estudo, o modelo testa as diferenças entre empresas familiares e não familiares para o incentivo ao intraempreendedorismo através de uma relação causal de práticas formais e gestão pessoal entre os construtos empresa familiar e intraempreendedorismo. Aqui, descobrimos que é necessário adicionar caminhos de covariância entre alguns termos de erro. Vários elementos do modelo foram correlacionados e a adição de covariâncias ajudou a garantir resultados robustos. Para melhorar o fit do modelo, também foi retirada uma variável do construto intraempreendedorismo, conforme já mencionado neste trabalho na seção de variáveis. Adicionalmente, todas as variáveis de controle descritas neste trabalho foram testadas no modelo. Apenas as variáveis idade da empresa, participação nos resultados e orçamento do setor de RH por funcionário tiveram resultados significantes. A Tabela 12 apresenta os resultados para estas variáveis. 61 Tabela 12 – Coeficientes de regressão das variáveis de controle Coeficiente Valor Idade da empresa → Intraempreendedorismo -0.001** Participação nos resultados→ Intraempreendedorismo 0.012* Orçamento do setor de RH→ Intraempreendedorismo 0.011* ** significante a 0.001 * significante a 0.05 Com a conclusão do modelo, foi analisado o fitness do mesmo através do qui quadrado, do Comparative Fit Index (CFI), do Root Mean Squared Error of Approximation (RMSEA) e do Tucker-Lewis Index (TLI). Para o qui quadrado, de acordo com Bentler (1989), para o modelo ser aceitável, é esperado um valor menor do que duas vezes o tamanho dos graus de liberdade. Com relação ao CFI e TLI, é aceitável uma medida maior que 0.9 (ANDERSON e GERBING’S, 1988). Por fim, MacCallum et al (1996) consideraram as medidas 0,01, 0,05, e 0,08 para indicar um RMSEA excelente, bom, e ruim, respectivamente. No entanto, outros sugeriram 0,10 como ponto de corte para os modelos de montagem pobres (KENNY et al, 2014). Há um maior erro de amostragem para modelos com pequeno N (número de dados na amostra) e df (graus de liberdade). Assim, estes modelos podem ter artificialmente grandes valores no RMSEA. Por exemplo, um qui-quadrado de 2,098 (valor não estatisticamente significativo), com df de 1 e N de 70 produz um RMSEA de 0,126. Por esta razão, Kenny et al (2014) argumentam que não se deveria calcular o RMSEA para modelos com pequenos N e df. Considerando estes critérios, os resultados do modelo proposto apresentam todas as medidas de goodness of fit aceitáveis, conforme tabela abaixo: Tabela 13 – Goodness of fit Indicador Valor chi² 140.3 p> chi² 0 RMSEA 0,065 CFI 0,982 TLI 0,971 62 3.5 Modelo Alternativo com Efeitos Moderadores Apesar do fato de o modelo teórico acima encontrar um robusto set de resultados empíricos, com a análise empírica proposta, nesta seção testo um modelo empírico alternativo. Especificamente, testo um efeito direto entre “Empresa Familiar” (i.e., a concentração ou dispersão da composição acionária) e “Intraempreendedorismo”, num primeiro plano, e posteriormente insiro as variáveis anteriormente tidas como “mediadoras” no modelo empírico descrito acima, mas neste modelo alternativo, como variáveis “moderadoras”, conforme é possível visualizar na figura 3. Figura 3 – Modelo Alternativo com Efeitos Moderadores Abaixo podemos visualizar o goodness of fit do Modelo Alternativo e os seus coeficientes de regressão. Ao compararmos os dois modelos, verificamos que o RMSEA aumentou de 0,06 para 0,16, ficando acima do corte de 0,10 proposto por Kenny et al (2014). O chi² também mostrou piora, com um valor maior do que duas vezes o tamanho dos graus de liberdade. Além disso, ao avaliarmos os graus de liberdade, verificamos que houve pouco ganho apesar de um aumento expressivo do chi². Desta forma, é possível afirmar que o modelo alternativo não apresentou um bom fit, com medidas não aceitáveis para um bom modelo. 63 Com a análise do modelo alternativo, fico confortável com o modelo empírico original, ao comprovar que o melhor modelo empírico apoia o modelo teórico proposto neste trabalho. Ou seja, o modelo original empiricamente representa a melhor relação entre as variáveis. Tabela 14 – Goodness of fit Modelo Alternativo chi² p>chi² RMSEA CFI TLI Modelo alternativo 544,493 0 0,167 0,962 0,943 Modelo original 140,3 0 0,065 0,982 0,971 Tabela 15 – Coeficientes de regressão do modelo alternativo Coeficientes do modelo alternativo Familiar X Sistema de Gestão Pessoal à Intraempreendedorismo Familiar X Política Formal para definição e disseminação de Líderes à Intraempreendedorismo Familiar X Política Formal para Gestão de Clima Organizacional à Intraempreendedorismo Valo r ** 0,264 0,29 ** Familiar à Intraempreendedorismo ** significante a 0.001 4 RESULTADOS Foi utilizado o programa AMOS 18.0 para obter a estimativa dos parâmetros, pelo método padrão de máxima verossimilhança. Os resultados encontram-se a seguir: 64 Figura 4 – Resultados Tabela 16 – Coeficientes de regressão do modelo Coeficiente Valor Familiar → Sistema de Gestão Pessoal 0.110** Familiar → Política Formal para definição e disseminação de Líderes -1.436** Familiar → Política Formal para Gestão de Clima Organizacional -1.203** Sistema de Gestão Pessoal → Intraempreendedorismo 0.455** Política Formal para definição e disseminação de Líderes → Intraempreendedorismo 0.005* Política Formal para Gestão de Clima Organizacional → Intraempreendedorismo 0.011* ** significante a 0.001 * significante a 0.05 4.1 Resultados do Modelo Na tabela 16 são apresentados os resultados do modelo. Todos os coeficientes são estatisticamente significantes, suportando todas as hipóteses propostas neste estudo. Ou seja, é possível inferir do modelo uma relação positiva entre empresas familiares e gestão pessoal e 65 uma relação negativa entre empresas familiares e práticas formais. Encontramos, também uma relação positiva entre gestão pessoal e políticas formais com intraempreendedorismo. A hipótese 1 que sugere uma relação positiva entre empresas familiares e gestão pessoal foi confirmada através de um coeficiente positivo de 0.110 (p-valor < 0.001). A hipótese 2 que declara que existe uma relação positiva entre gestão pessoal e intraempreendedorismo também foi confirmada através de um coeficiente positivo de 0.455 (p-valor < 0.001). Ou seja, conforme proposto neste estudo e de acordo com os resultados apresentados podemos concluir que empresas familiares possuem uma gestão mais pessoal e informal. Esta prática, de acordo com Berrone et al (2010) deve-se a busca pela preservação da riqueza sócio emocional. Também concluímos que esta prática informal contribui para favorecer um ambiente intraempreendedor. Esta conclusão vai de encontro com a afirmação já realizada por diversos estudos que mostraram que ambientes mais burocráticos restringem as taxas de intraempreendedorismo, porque envolvem tarefas rígidas e monitoradas (SCHUMPETER, 1950; WHYTE, 1956; MERTON, 1968; DOBREV e BARNETT, 2005; SORENSEN, 2007). As hipóteses 3a e 3b testam a relação entre empresas familiares e práticas formais para gestão de clima organizacional e para a definição e disseminação de líderes, respectivamente. A hipótese 3a foi confirmara através de um coeficiente negativo de -1,203 (p-valor < 0.001) e a hipótese 3b através de um coeficiente negativo de -1,436 (p-valor < 0.001), o que sugere que empresas familiares tem menor propenção a instaurar e disseminar políticas formais relacionadas à liderança e gestão de clima. Esta conclusão reforça a afirmação de Koch e De Kok (1999) que empresas familiares acreditam que a utilização de práticas formais gera perda de controle e flexibilidade na relação com os seus empregados. A relação negativa com práticas formais também é explicada pela preservação da riqueza sócio emocional (GOMEZ-MEJIA, 2007). As hipóteses 4a e 4b avaliam a relação entre práticas formais e intraempreendedorismo. Encontramos um coeficiente positivo de 0,011 (p-valor < 0.05) para gestão de clima 66 organizacional e um coeficiente positivo de 0,005 (p-valor < 0.05) para definição e disseminação de líderes. Ou seja, conforme propomos em nosso modelo teórico, práticas formais contribuem para a criação de um ambiente intraempreendedor. Antoncic (2005) já afirmava que controles formais, quando usados com moderação para monitorar as atividades intraempreendedoras, podem levar a resultados positivos. 5. CONCLUSÃO As empresas familiares agem através de uma lógica de raciocínio distinta, pois, com a concentração da propriedade nas mãos de uma única família, cria-se uma influência gerencial desordenado da família, na qual elas estão mais preocupadas com os interesses privados do que com a maximização do lucro (por exemplo, a empresa familiar pode ser impactada por favoritismo, entrincheiramento gerencial, miopia, ou menos profissionalização) (CHRISTENSEN et al, 2014). Nosso estudo sugere a necessidade de analisar as decisões estratégicas de forma mais ampla, considerando rotas alternativas. Em particular, especificar um caminho através do qual a preservação da riqueza sócio emocional não é prejudicial ao desempenho econômico das empresas. Apesar da crescente existência de estudos sobre o tema intraempreendedorismo, nenhuma pesquisa até então buscou avaliar este tópico a luz de empresas com diferentes gestões acionárias. E, conforme já destacado neste estudo, empresas familiares representam o bloco básico de construção de empresas em todo o mundo (LA PORTA et al, 1999) e, consequentemente, merecem grande atenção nos estudos acadêmicos. Argumentamos que, de acordo com a pesquisa sobre riqueza sócio emocional (BERRONE et al, 2010; CRUZ et al, 2011; GOMEZ-MEJIA et al, 2007), as empresas familiares não são desconexas com as políticas de promoção a eficiência como se acredita. Estas empresas apenas gerenciam através de uma lógica diferente que preserva a sua competitividade e o seu equilíbrio familiar. Esta lógica distinta faz com que as empresas familiares angariem custos de agência mais baixos com base na preservação da riqueza sócio emocional, ao invez de utilizar a implementação de políticas formais. 67 Críticos apontam para o perigo de atender às necessidades dos outros do que os acionistas interessados. Eles acreditam que o único objetivo das empresas é aumentar a riqueza dos acionistas (JENSEN, 2002), e que as escolhas desalinhadas com este ideal criam problemas de agência (HEATH e NORMAN, 2004; SUNDARAM e INKPEN, 2004), e impactam de forma negativa na performance da empresa (FRIEDMAN, 1982). O estudo apresentado sugere a necessidade de revisitar esse ponto de vista puramente racional das organizações, em especial para empresas familiares que são guiadas por fortes fatores emocionais (GOMEZ-MEJIA et al, 2011). Com base em evidências empíricas, envolvendo 61.981 funcionários de 205 empresas que participaram da pesquisa de clima organizacional que elaborou o ranking das Melhores empresas para Trabalhar no Brasil em 2008, revelei implicações significativas para a teoria e a prática. Primeiramente, o nosso estudo destaca um caminho alternativo pelo qual empresas de propriedade familiar podem compensar a linha de raciocínio lógica de utilizar práticas formais para o incentivo ao intraempreendedorismo através do reforço da importância da preservação de riqueza sócio emocional nas decisões estratégicas das empresas familiares. Ou seja, as empresas familiares conseguem criar um ambiente que incentiva práticas intraempreendedoras da mesma forma que empresas não familiares. Mas, as ferramentas utilizadas para tal se diferem à medida que empresas não familiares vão utilizar instrumentos mais formais (devido a questões de agência), enquanto as empresas familiares vão utilizar o ambiente mais pessoal e informal. Verificamos que a integração horizontal das empresas familiares representa uma fonte de criação de valor, conforme já mencionado por Blair e Stout (1999). Ou seja, a busca pela preservação da riqueza sócio emocional gera vantagens exclusivas indisponíveis para os rivais não familiares (NELSON e WINTER, 1982). Estas vantagens são difíceis de imitar na medida em que exigem a combinação de conjuntos de políticas mais pessoais, a qual denominamos de sistema de gestão pessoal neste trabalho. Ou seja, por perseguir a riqueza sócio emocional, as empresas familiares recebem benefícios econômicos indiretos. 68 O modelo teórico apresentado neste estudo e os resultados empíricos apresentam uma visão mais positiva do que aqueles que sugerem que as empresas familiares são ineficientes (KETS de VRIES, 1993; SCHULZE et al, 2003; LUTBATKIN et al, 2005, 2007) ou que para atingir ganhos de produtividade é necessário se profissionalizar, ou seja, formalizar políticas na organização (FULMER et al, 2003; LEVERING, 1997). Outra grande contribuição que este estudo traz é o preenchimento de algumas lacunas existentes entre as teorias econômicas e as teorias sociais, através da análise do contexto específico de políticas empresariais que visam angariar apoio das partes interessadas, juntamente com uma análise da empresa de resultados relevantes para as duas escolas de pensamento. Por fim, o estudo sugere implicações notáveis para a prática de gestão. Ao supervisionar ativos de capital humano, os gestores buscam escolhas políticas que melhor atraem e reteem os melhores talentos. Alguns estudos anteriores já buscavam entender quais ferramentas são importantes para a empresa conseguir conquistar estes talentos. Fulmer et al (2003), por exemplo, indicou que o desempenho médio (por exemplo, ROA) das organizações listadas como as 100 Melhores Empresas para se Trabalhar na América é, em geral, maior do que a de empresas de um grupo de comparação (ver também LEVERING, 1997). Estes mesmo estudos enfatizaram que as empresas eficientes oferecem planos de carreira, oportunidades de formação e crescimento, amplos benefícios médicos, e assim por diante. O estudo apresentado adiciona uma nova visão que é a importância da gestão mais pessoal e informal como um caminho alternativo pelo qual empresas de propriedade familiar podem compensar a menor utilização de políticas formais e transparentes de gestão de carreira e benefícios. Desta forma, este estudo contribui para a academia e a prática ao estudar duas teorias de grande importância no mundo organizacional (intraempreendedorismo e empresas familiares) sob uma ótica alternativa, trazendo uma nova visão para o estímulo ao intraempreendedorismo nas empresas atuais. O seu principal foco é a utilização do conceito de preservação da riqueza sócio emocional. Um tema novo e de destaque nos estudos acadêmicos voltados para a compreensão de empresas com concentração acionária nas mãos de um única família. Até o momento não 69 havia, porém, nenhum estudo que relacionava a lógica da preservação da riqueza sócio emocional com intraempreendedorismo. Além disso, existe também a possibilidade deste estudo contribuir para a liderança, uma vez que verifica diferentes estilos de lideranças em empresas familiares e seus pares não familiares. 5.1 Limitações e Recomendações O presente estudo apresenta algumas limitações. Primeiramente, é importante notar que as empresas da amostra pesquisada participaram de forma espontânea da pesquisa de clima organizacional que forma o Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, o que pode causar um viés e a amostra não ser representativa com relação à população. Isso porque, as empresas que participaram da pesquisa possuem real interesse de avaliar suas condições de clima interno. Provavelmente, empresas que não possuem um bom clima interno não se candidatariam para participar da pesquisa. Além disso, a coleta de dados não foi considerara para fins acadêmicos e não tinha como principal objetivo a avaliação do nível de intraempreendedorismo existente nas empresas que participaram da pesquisa. Como a pesquisa possui como fim avaliar o clima organizacional, a base apresenta limitações com relação a quantidade de questões que verificam o nível de intraempreendedorismo nas organizações da amostra. Outra limitação é o uso de dados cross sectional. Apesar desta limitação não prejudicar as principais conclusões deste trabalho, uma análise longitudinal poderia enriquecer a literatura acadêmica em futuros estudos. Vale acrescentar também que há pouco consenso sobre a medida mais apropriada do que constitui uma empresa familiar, e, considerando os regulamentos da nossa amostra no contexto Brasil, acreditamos que a nossa categorização representou uma abordagem conservadora. Finalmente, os nossos resultados são baseados em dados de um país. Seria de grande valia replicar nossas descobertas utilizando dados de outros países, devido as grandes diferenças culturais. 70 REFERÊNCIAS ADAMS, J.; TASCHIAN, A.; SHORE, T. Ethics in family and non family owned fimrs: an exploratory study. Family business review, 9(2): 157-170. 1996. ALDRICH, H.; LANGTON, Nancy. Human resource management practices and organizational life cycles. Frontiers of Entrepreneurship Research, Wellesley, MA: Babson College Center for Entrepreneurship, p. 349-357, 1997. ALPKAN, L.; BULUT, C.; GUNDAY, G.; ULUSOY, G.; KILIC, K. Organizational support for intrapreneurship and its interaction with human capital to enhance innovative performance. Management Decision, Vol. 48 No. 5, pp. 732-55, 2010. AMABILE, T. M. Motivating creativity in organizations: on doing what you love and loving what you do. California Management Review, 40: 39–58, 1997. AMABILE, T. M.; CONTI, R.; COON, H.; LAZENBY, J. & HERRON, M. Assessing, the work environment for creativity. 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