1º Ten Al PATRÍCIA PIRES MALAQUIAS
A PREPARAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO
DE SAÚDE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA
BRASILEIRA PARA A 2ª GUERRA MUNDIAL
RIO DE JANEIRO
2008
M237p
Malaquias, Patrícia Pires.
A Preparação e Organização do Serviço de Saúde da Força
Expedicionária Brasileira para a 2ª Guerra Mundial /. - Patrícia Pires
Malaquias. - Rio de Janeiro, 2008.
30 f. ; 30 cm.
Orientador: Severino Ramos de Oliveira
Trabalho de Conclusão de Curso (especialização) – Escola de Saúde
do Exército, Programa
de Pós-Graduação em Aplicações
Complementares às Ciências Militares.)
Referências: f. 26-27.
1. Exército. 2. Serviço de Saúde. I. Severino Ramos de Oliveira.
II. Escola de Saúde do Exército. III. Título.
CDD 355.345
1° Ten Al PATRÍCIA PIRES MALAQUIAS
A PREPARAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE SAÚDE DA
FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA PARA A 2ª GUERRA
MUNDIAL
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola de Saúde do
Exército, como requisito parcial para aprovação no Curso de Formação
de Oficiais do Serviço de Saúde, especialização em Aplicações
Complementares às Ciências Militares.
Orientador: Gen Div Med R1 Severino Ramos
Co-Orientador: Cap Med Ana Lucia Keller
RIO DE JANEIRO
2008
de Oliveira.
Dedico esse trabalho a minha avó, Maria do Socorro
Xavier Pires, que com sua fé e orações, sempre acreditou
que eu conseguiria realizar esse sonho.
Ao meu orientador, Gen Ramos, pela disponibilidade e orientação durante a execução desse
trabalho.
A minha Co-orientadora, Cap Ana Lúcia, pelas orientações nesse trabalho.
Ao Arquivo Histórico do Exército, na pessoa do Cap Correa, por disponibilizar o acervo literário
para pesquisa.
A Tenente Marcele pela gentileza e orientação na formatação desse trabalho.
A minha família pelo apoio, apesar da distância, e por acreditar no meu sonho.
A Gabriel, meu porto seguro, pelo apoio e carinho.
A minha amiga Juliana Lira pelos contatos feitos para a realização desse trabalho.
As minhas amigas laranjeiras da “Família Pires” pela amizade, companheirismo durante todo o
curso. Que essa amizade perdure por muito tempo, apesar das distâncias geográficas.
“Não falsifica a história somente quem inverte a
verdade, senão também quem a omite”
Rui Barbosa
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO
10
2 REVISÃO DE LITERATURA
11
2.1 CONTEXTO HISTÓRICO
12
2.2 ADAPTAÇÃO AOS MOLDES DO EXÉRCITO NORTE-AMERICANO
12
2.3 ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE SAÚDE
13
2.4 1º BATALHÃO DE SAÚDE
16
2.5 DESTACAMENTOS DE SAÚDE REGIMENTAIS
17
2.6 O SERVIÇO DENTÁRIO
18
2.6.1 Laboratório de prótese
18
2.7 DOUTRINA E INSTRUÇÃO
19
2.8 RECRUTAMENTO E MOBILIZAÇÃO DO CONTIGENTE DE SAÚDE
20
2.9 CORPO DE ENFERMEIRAS
22
3 CONCLUSÃO
25
REFERÊNCIAS
ANEXOS
26
28
1 INTRODUÇÃO
A 2ª Guerra Mundial aconteceu no recorte temporal brasileiro da Era Vargas: 1930-1945. Os
combates ocorridos no Teatro de Operações europeu a partir de 1939 deixaram o mundo perplexo diante
da violência dos acontecimentos que envolviam novos territórios e nações. A neutralidade brasileira
parecia ser insustentável frente ao turbilhão da guerra (SILVEIRA, 2001).
Em 1942, ao tornar-se um dos países aliados no conflito da 2ª Guerra Mundial, o Brasil criou uma
força militar diferenciada e especial, a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que partiu para o campo de
batalha comandada pelo General João Batista Mascarenhas de Moraes (MORAES, 2005).
A história da campanha da FEB tem sido
escrita e comentada ao longo dos anos por
suas vitórias, seus heróis, pela habilidade com
que foram conduzidas as operações militares
e pelos resultados obtidos. Mas, pouco se fala
do seu Serviço de Saúde, dos seus feitos,
seus sacrifícios e sua parcela de contribuição
na importante vitória que a FEB alcançou
(ALMEIDA et al, 2002).
O propósito deste trabalho é revisar a literatura a cerca da
preparação e organização do Serviço de Saúde da FEB para atuar na
2ª Guerra Mundial. A necessidade de adaptação aos moldes norteamericanos, a doutrina e instrução, o recrutamento e mobilização do
contingente desse importante serviço, e a necessidade de criação de
um Quadro de Enfermeiras para atuar no cenário da guerra,
juntamente com o efetivo da FEB.
RESUMO
A Segunda Guerra Mundial, considerada o maior conflito armado mundial, de 1939 a 1945, ocorreu entre
os países com ideologia democrática, designados países Aliados (Reino Unido, França, ex-União
Soviética e Estados Unidos) e o bloco do Eixo (totalitários, constituído pela Alemanha, Itália, Japão). O
Brasil em função do seu compromisso assumido na Conferência de Havana – o rompimento de relações
diplomáticas com os países do Eixo – confirmado na reunião de Chanceleres do Rio de Janeiro, em
janeiro de 1942, após o afundamento dos navios mercantes na costa brasileira, declara guerra ao Eixo,
em agosto de 1942, unindo-se às forças aliadas, com a decisão de enviar combatentes, em meados de
1943. Para dar apoio às tropas americanas Aliadas no território italiano, foi criada a Força Expedicionária
Brasileira, em agosto de 1943. A presente revisão de literatura abordou a preparação e organização do
Serviço de Saúde da Força Expedicionária Brasileira. Esse tão importante serviço enfrentou uma das
mais difíceis missões da sua história. Por vinte anos, obedeceu aos ditames da chamada escola
francesa, que tanto contribuíra para sua modernização e para o aprimoramento cultural de seus quadros.
E em pouco tempo teve que rever métodos, processos, sistemas e técnicas, a fim de que pudesse ter
condições de atuar lado a lado com o exército dos Estados Unidos. Mesmo com todas as dificuldades
encontradas na organização, preparação e planejamento, o Serviço de Saúde da Força Expedicionária
Brasileira foi merecedor de elogios e reconhecimentos pelas autoridades superiores.
Palavras-chaves: Serviço de Saúde. Força Expedicionária Brasileira. Segunda Guerra Mundial.
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 CONTEXTO HISTÓRICO
Entre 1939 e 1945 travou-se a Segunda Guerra Mundial, envolvendo, de um lado, os Aliados
(Inglaterra, França, ex-União Soviética e Estados Unidos) e, do outro, os países do Eixo (Alemanha, Itália
e Japão). Ao contrário da Primeira, a Segunda Guerra foi realmente mundial, envolvendo combatentes
em todos os continentes e mares do planeta, embora se concentrando em certas áreas.
O Brasil se encontrava na Era Vargas: 19301945. E a sua posição era de indefinição
(VICENTINO; DORIGO, 1997).
Os combates ocorridos no Teatro de Operações europeu a partir de 1939 deixaram o mundo
perplexo diante da violência dos acontecimentos que envolviam novos territórios e nações. A
neutralidade brasileira parecia ser insustentável frente ao turbilhão da guerra.
A posição brasileira veio a definir-se na Terceira Reunião de Consulta dos Chanceleres, ocorrida
no Rio de Janeiro, em 28 de janeiro de 1942, no qual o Brasil anunciou o rompimento das relações
diplomáticas com a Alemanha, Itália e Japão, que integravam o chamado Eixo. A ajuda brasileira aos
aliados já vinha ocorrendo na forma de apoio a seus comboios navais. Essa situação ensejou ataque de
submarinos alemães contra a navegação mercante brasileira, sacrificando mais de seiscentas vidas
(EXÉRCITO BRASILEIRO, 2008).
Nos dias 18 e 19 de agosto de 1942, próximos
às praias de Sergipe, foram torpedeados e
afundados pelos submarinos fascistas, os
seguintes navios mercantes brasileiros:
Araraquara, Aníbal, Benévolo, Baependi,
Itagira e Arara. Vítimas desses atos de
pirataria eixista, sucumbiram mais de
seiscentos patrícios, inclusive crianças
(MORAES, 2005).
A revolta do povo brasileiro em face desses
ataques foi fator decisivo para o ingresso do
País no conflito, levando o governo a decretar,
respaldado pelo Congresso, estado de guerra
aos países do Eixo (EXÉRCITO BRASILEIRO,
2008).
Nesse contexto, no dia 9 de agosto de 1943,
pela Portaria Ministerial nº 47-44, publicada no
Boletim Reservado do dia 13 do mesmo mês,
foi criada uma força militar diferenciada, a
Força Expedicionária Brasileira (MORAES,
2005).
A unidade fora criada dentro do padrão
americano, obedecendo à sua nomenclatura,
já que no futuro iria fazer parte integrante de
uma grande unidade norte-americana. A essa
portaria se seguiu como corolário a
Recomendação nº 18, de 21 de agosto de
1943, aprovada pela Comissão Militar Mista
Brasil-Estados Unidos. Esse documento
aprovou a utilização de tropas brasileiras no
Teatro de Guerra e previu a organização de
um corpo expedicionário, que seria formado
por três divisões de Infantaria, pessoal
orgânico, hospital e força aérea compatíveis
(SILVEIRA, 2001).
As dificuldades, as limitações e as imposições
do momento levaram à organização de
apenas uma Divisão, a 1ª Divisão de
Infantaria Expedicionária (1ª DIE) e órgãos
não-divisionários, que partiu para o campo de
batalha comandada pelo General João Batista
Mascarenhas de Moraes.
O Serviço de Saúde do Exército enfrentou
uma das mais difíceis missões da sua história,
no que se refere ao planejamento
preparatório, à seleção de pessoal, à
instrução e ao emprego em combate
(ALMEIDA et al, 2002).
2.2 ADAPTAÇÃO AOS MOLDES DO
EXÉRCITO NORTE-AMERICANO
O Exército Brasileiro, havia duas décadas,
obedecia aos ditames da chamada escola
francesa, que tanto contribuíra para sua
modernização e para o aprimoramento cultural
de seus quadros.
Na emergência que se apresentava, era
necessário rever métodos, processos,
sistemas e técnicas, a fim de que pudesse ter
condições de atuar lado a lado com o exército
estadunidense.
É fácil compreender os grandes e numerosos
obstáculos que se antepuseram à criação de
um corpo de exército, com o nome de Força
Expedicionária Brasileira - FEB – nos moldes
norte-americanos, em vista de vinte anos de
educação militar sob a orientação da escola
francesa.
A nova entidade exigia a criação de órgãos
totalmente novos, e a modificação de
princípios básicos, desde muito enraizados
em nosso meio militar. Para atenuar e até
mesmo superar estes obstáculos, diversas
medidas foram executadas, destacando-se a
organização de um Grupo de Observadores
Militares, cuja missão era colher dados e
informações úteis à formação e ao
treinamento da tropa expedicionária (SILVA et
al, 2001).
Vários oficiais brasileiros foram enviados aos
Estados Unidos para estágio em unidade, com
a finalidade de se familiarizarem com o
material de campanha usado.Tiveram ainda
como missão a tradução de manuais para
substituir os de origem francesa.
Visando ao ajustamento da tropa de saúde, foi
enviado para o norte da África, como
observador junto ao V Exército Americano, o
Coronel Marques Porto. Desse seu trabalho,
renderam importantes ensinamentos sobre
medicina preventiva, proteção contra o frio,
além de alimentação e dotação de material e
pessoal (ALMEIDA et al, 2002).
2.3 ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE
SAÚDE
De acordo com os entendimentos
internacionais firmados com os Estados
Unidos da América, o Exército Brasileiro
deveria abandonar sua organização militar
baseada em moldes franceses.
Desapareceriam as Formações Sanitárias
Regimentais e Divisionárias, assim como os
Grupamentos de Padioleiros e de
Ambulâncias Divisionárias. Surgia uma nova
Organização: Chefia do Serviço de Saúde da
FEB (Força Expedicionária Brasileira),
Destacamento de Saúde (Tropa Especial),
Grupos Suplementares Brasileiros em
Hospitais Norte-Americanos (GSBHNA),
Serviço de Saúde do Corpo de Tropa
(ALMEIDA et al, 2002).
Em planícies, pelas elevações e depressões
de terreno, numa extensão de mais de
seiscentos quilômetros se desdobrou o
Serviço de Saúde da FEB, cuja a chefia em
boa hora foi confiada ao Coronel Marques
Porto. Profissional grandemente conceituado
entre os norte-americanos e por eles
prestigiado, teve amplas atribuições para
decidir sobre a constituição e localização
tática dos órgãos de tratamento, triagem do
pessoal, diretrizes técnicas, e ajustamento aos
métodos de rotina dos norte-americanos,
fixando normas e regras. Acrescentando-se a
isso, a organização da chefia, moldes diversos
dos usados por nós, a sistematização da
documentação administrativa, mapas, fichas,
relatórios, e a ligação permanente que teve
que manter em pessoa com a chefia norteamericana. Vê-se quão imenso e extenuante
foi o seu trabalho (GONÇALVES, 1945).
O Serviço de Saúde da FEB era composto por
uma cadeia de órgãos de serviço e unidades
que iam desde o comando adido ao EstadoMaior Especial até às unidades de combates.
O órgão de comando, no Estado-Maior
Especial, era o Serviço de Saúde da FEB,
comandado pelo Coronel Emanuel Marques
Porto, que, com seu Estado-Maior, dirigia e
coordenava toda a atividade médica da tropa
brasileira, tanto nos órgãos divisionários como
nos não-divisionários. Esse Estado-Maior do
Serviço de Saúde dividia-se em quatro
seções: a primeira era responsável pela
movimentação de todo o pessoal médico,
enfermeiros, dentistas e farmacêuticos; a
segunda era encarregada dos serviços
burocráticos dos arquivos e fichas, e também
responsável pela movimentação de todo o
pessoal do Serviço de Saúde; a terceira
cuidava da operação do sistema,
providenciando o atendimento das
necessidades de várias unidades, e, por fim, a
quarta seção, que era encarregada do
suprimento do material de saúde. Além
dessas atribuições, o Serviço de Saúde da
FEB tinha ingerência direta no Serviço
Dentário, no Posto Avançado de
Neuropsiquiatria e nas Seções Hospitalares,
que funcionavam em hospitais americanos
(SILVEIRA, 2001).
Na fase de planejamento da FEB, a questão
hospitalar foi objeto de apurado estudo. A
primeira idéia foi a criação de hospitais
brasileiros, levando-se em conta a
possibilidade de um ferido brasileiro, diante da
diferença de idiomas, não saber transmitir
suas necessidades. Examinado o problema
por esse ângulo, verificou-se que, além de ser
muito mais dispendioso, importaria abandonar
a experiência já acumulada pelos americanos,
deixando-se, inclusive, de usar o esquema
hospitalar do V Exército com postos de
atendimento desde a linha de frente até aos
grandes hospitais na retaguarda. Foi acertado
então que unidades de médicos, enfermeiros
e enfermeiras iriam operar na rede hospitalar
já instalada, criando-se uma seção brasileira
dentro da organização americana,
possibilitando oferecer atendimento adequado
aos feridos e doentes (SILVEIRA, 2001).
A organização hospitalar que apoiava a 1ª
Divisão de Infantaria Expedicionária obedecia
ao seguinte esquema: em local mais perto
possível da frente, havia um hospital de
campo, destinado a atender às emergências
cirúrgicas quando a remoção do ferido era de
todo desaconselhável . No setor brasileiro
funcionou o 32º Field Hospital, em Valdibura,
com uma equipe de cirurgiões brasileiros
chefiada pelo Professor Alípio Correia Neto.
Havia o 16º Evacuation Hospital em Pistóia,
para onde se deslocavam os que já tinham
recebido os primeiros socorros e podiam ser
removidos; o seguinte, na escala, era o 7º
Station Hospital, em Livorno, era um Hospital
de Guarnição junto com os 45º e 182º
Hospitais de Guarnição de Nápoles, cuja
permanência era de no máximo um mês. E o
300º General Hospital, em Nápoles, para este
eram levados aqueles que iriam ser
repatriados ou cuja recuperação excederia um
período de três meses (MOTTA, 2001).
A evacuação de feridos e doentes era feita por
meios motorizados fornecidos pelo Exército;
sendo que de Livorno para Nápoles a via
marítima era freqüentemente utilizada
(GONÇALVES, 1945).
Em todas essas unidades hospitalares havia
pessoal do Serviço de Saúde Brasileiro para
prestar atendimento aos feridos ou doentes da
FEB. O soldado que podia se recuperar ia ter
sua convalescença em Montecatini, aprazível
estação de águas medicinais, entre Pistóia e
Florença, e de lá retornava à sua unidade ou
ao Depósito de Pessoal, para novo destino.
Quando essa recuperação tinha previsão para
prazo superior a 120 dias, o paciente era
removido de avião para os Estados Unidos,
onde receberia tratamento apropriado. Esse
esquema funcionou durante toda a guerra,
permitindo, dentro das circunstâncias, um
correto atendimento (SILVEIRA, 2001).
Ainda nessa cadeia de atendimento foi criada
uma unidade não prevista na organização do
Serviço de Saúde da FEB, o Posto Avançado
de Neuropsiquiatria, fruto da perseverança e
do esforço do Capitão Médico Mirandolino
Caldas, e da compreensão e discernimento do
Coronel Marques Porto. Aquele capitão
médico chamou a atenção para fatos
singulares que cercavam a FEB (CALDAS,
1950).
Foi estabelecida uma cadeia de evacuação
neuro-psiquiátrica, cujo elo primeiro era o
Posto Avançado de Neuropsiquiatria, o
intermediário o de Livorno, no Hospital de
Evacuação, e o final em Nápoles, colocando à
testa de cada um deles neuro-psiquiatras
experimentados. A criação do posto
avançado, posto em prática pelo Chefe do
Serviço de Saúde da FEB, decorreu da
necessidade de se reterem nas frentes
pacientes portadores de alterações psíquicas
– de regra os “Shell schoke” – suscetíveis de
rápida recuperação em 5 dias, no máximo 10
(GONÇALVES, 1945).
No Teatro de Operações da Itália, o
contingente acostumado ao clima tropical teve
que enfrentar um rude inverno, a barreira da
língua com relação aos seus companheiros
dos outros exércitos aliados, e outros fatores
psicossociais. Assim o tratamento
neuropsiquiátrico feito em local próximo à
frente era o mais indicado (SILVEIRA, 2001).
O Posto Avançado de Neuro-Psiquiatria era
destinado a receber, observar e tratar os
doentes precoces de neuro-psiquiatria
surgidos no âmbito da Divisão (SENNA
CAMPOS, 1952).
2.4 1º BATALHÃO DE SAÚDE DIVISIONÁRIO DA FEB
Essa unidade foi criada pelo Decreto-lei Reservado nº 6.071-A,
de 6 de dezembro de 1943, e sua organização determinada pelo
Aviso nº 571.483, de 13 de dezembro do mesmo ano como parte
integrante da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (SILVEIRA,
2001).
A unidade foi instalada na cidade de Valença, no Estado do Rio,
ocupando as instalações antigas da 1ª Formação Sanitária Regional.
Em 24 de janeiro de 1944, o Major Médico Bonifácio Borba, que tinha
sido nomeado seu sub-comandante, por decreto de 7 de janeiro de
1944, assumiu o Comando da Unidade, em virtude de não ter sido
classificado um tenente-coronel médico para esse cargo. E em 3 de
fevereiro de 1944, o mesmo Dr. Bonifácio foi nomeado comandante
efetivo do 1º Batalhão de Saúde Expedicionário, sendo, a posteriori,
promovido a tenente-coronel. A fim de conseguir um efetivo de guerra,
o batalhão passou a ser constituído não só pelo pessoal e todo o
acervo da 1ª Formação de Saúde Regional, do Rio, como ainda de 2
contingentes, num total de 160 homens, vindos da 2ª Formação de
Saúde Regional de São Paulo, constituídos de motoristas, estudantes
de medicina e de odontologia convocados, além de praças de outras
unidades (REIS, 1969).
O batalhão teve a seguinte organização: uma Seção de
Comando, três Companhias de Evacuação e uma Companhia de
Tratamento (SILVEIRA, 2001).
As Companhias de Evacuação como a de Tratamento eram
chefiadas por oficial médico, e ambas podiam instalar um Posto de
Socorros Divisionários, PSD. Nesse PSD, todos os feridos e doentes
vindos de um Posto de Socorro de Tropa recebiam imediato
tratamento médico, e eram encaminhados depois para o Posto de
Tratamento Divisionário, operado pela Companhia de Tratamento,
praticamente responsável pelo atendimento de todas as baixas da
Divisão – um trabalho intenso e contínuo.
A Companhia de Tratamento era constituída por dois Pelotões,
dispondo de todos os elementos para instalar dois Postos de
Tratamento.
Cada Companhia de Evacuação compreendia
um pelotão de Padioleiros, um pelotão de
Posto de Socorro e um pelotão de
Ambulâncias. As Companhias de Evacuação
encarregavam-se da evacuação dos feridos
dos Postos de Socorro para o Posto de
Triagem, onde eram entregues às unidades
de evacuação do V Exército, que os
transportavam para os hospitais (REIS, 1969).
2.5 DESTACAMENTOS DE SAÚDE REGIMENTAIS
Cada regimento de Infantaria tinha seu Destacamento de Saúde,
comandado por um Major Médico. Nos Postos de Comando dos
batalhões eram instalados Postos de Socorro, onde se realizavam
operações de grande emergência. O ferido era inicialmente carregado
por padioleiros até o jipe e levado para o Posto de Socorro do
Batalhão. Depois de examinado e socorrido, era removido em
ambulância do Batalhão de Saúde para o destino que seu caso exigia.
O padioleiro e o enfermeiro dos pelotões de combate prestavam os
primeiros socorros, aplicando pensos, plasma, garrote e imobilização
de membros fraturados, muitas vezes em pleno combate, sob fogo
inimigo.
Todas as equipes do Serviço de Saúde, tanto
dos Destacamentos Regimentais, como a do
1ºBatalhão de Saúde , e do próprio Hospital
de Campo, tinham extrema mobilidade,
acompanhando o deslocamento da tropa para
melhor atendimento (SILVEIRA, 2001).
2.6 O SERVIÇO DENTÁRIO
O serviço dentário foi criado especialmente para atender ao caso
específico da FEB. Funcionou com muita eficiência e com elevado
número de trabalhos técnicos realizados, requeridos pelas más
condições do aparelho dentário da maioria dos homens (CATELLO
BRANCO, 1960).
Grande destaque no Serviço de Dentário foi o Dentista Rui
Lopes Ribeiro, morto em combate às vésperas do ataque a Montese,
quando sua equipe, chefiada pelo Dr. Ivon de Azevedo Maia,
procurava socorrer alguns feridos. O Serviço Dentário foi constituído
por basicamente 28 homens que tiveram o privilégio de apoiar as
unidades de Infantaria na luta para a conquista e manutenção de
nossos objetivos (PORTO, 1945)
Tabela 1 - Efetivo do Serviço Dentário.
DENTISTAS (Capitão)
03
DENTISTAS
23
(Tenente)
PROTÉTICOS
02
TOTAL
28
Fonte: PORTO, 1945
2.6.1 Laboratório de prótese
A chefia do Serviço de Saúde obteve, do Chefe do Serviço de Saúde do Teatro de Operações
Terrestre, fornecimento de equipamento necessário à instalação de Laboratório de Prótese destinado a
toda a FEB. Esse Laboratório, com modestas instalações, foi montado no edifício do Quartel-General.
Instalado desde 3 de janeiro como órgão não-divisionário, sob a chefia do Capitão Dentista João
Ferreira da Cunha, somente a 15 de fevereiro de 1945, por dificuldades derivadas da falta de pessoal
especializado, passou realmente, o Laboratório a prestar os melhores serviços na reconstituição do
coeficiente mastigatório dos homens desprovidos de dentes. (PORTO, 1945)
Dotado de rico material técnico, o Laboratório de Prótese dispunha de um efetivo de 12 pessoas
especializadas, distribuído conforme tabela 2:
Tabela 2 - Efetivo do Serviço de Laboratório de Prótese.
Capitão Dentista (Chefe)
01
2° Tenente Dentista (Auxiliar)
01
2°
Sargento
(Datilógrafo
e
01
Escrevente)
Sargentos Protéticos
02
Cabo (protético)
01
Soldado Protético
06
Total
12
Fonte: PORTO, 1945.
2.7 DOUTRINA E INSTRUÇÃO
A par de uma nova organização, fazia-se
necessária uma adaptação, visando à unidade
de doutrina de emprego, a ser suprida no
teatro de operações, dentro dos moldes
americanos (ALMEIDA et al 2002).
A linha de frente de saúde era feita da
seguinte forma: Padioleiro, Posto de Socorro
de Batalhão, Posto de Socorro de Regimento,
Companhia de Saúde e Batalhão de Saúde. E
a partir daí, começava então a cadeia
hospitalar, que estava organizada, de frente
para trás na seguinte modo: Hospital de
Campanha, Hospital de Evacuação, Hospital
de Guarnição e Hospital Geral. Essa era a
seqüência de atendimento a ser usada, a
partir do momento em que o paciente era
ferido (MOTTA, 2001).
A instrução se baseou na área de primeiros
socorros, na triagem dos feridos, na cirurgia
de guerra, nas normas de evacuação, no
tratamento e transporte de feridos, na cadeia
de evacuação, no suprimento e na
manutenção (uma verdadeira reciclagem dos
militares brasileiros e sua adaptação à
doutrina de guerra americana) (ALMEIDA et
al, 2002).
2.8 RECRUTAMENTO E MOBILIZAÇÃO DO
CONTIGENTE DE SAÚDE
Para montar o Serviço de Saúde da FEB,
foram necessários 176 oficiais médicos, dos
quais 84 eram da ativa. O pessoal da reserva
foi recrutado através de estágio para médicos
da reserva e de cursos de Emergência de
Medicina Militar para médicos civis, realizados
na Escola de Saúde do Exército e em
algumas Universidades em vários Estados da
Federação.
Houve uma grande procura destes cursos por
parte dos médicos civis que, naquela época,
atuavam como simples soldados, sargentos
ou oficiais combatentes da reserva (ALMEIDA
et al, 2002).
O número de elementos que constituíam o
Serviço de Saúde da Força Expedicionária
Brasileira, servindo em vários órgãos, era de
1369 homens, assim distribuídos, conforme a
tabela 3 (REIS, 1969).
Tabela 3 - Efetivo do Serviço de Saúde da
FEB.
Fonte: REIS, 1969.
A chefia do Serviço de Saúde coube ao
Coronel Médico Emanuel Marques Porto. O
Tenente-Coronel Médico Gilberto José Fontes
Peixoto foi designado Chefe do Serviço de
Saúde Divisionário, e o Tenente-Coronel
Médico Bonifácio Antônio Borba, o
Comandante do Batalhão de Saúde. O
Serviço de Saúde somou entre médicos,
dentistas e farmacêuticos, 198 Oficiais, 67
enfermeiras, 44 enfermeiros, 6 manipuladores
de farmácia, 6 manipuladores de radiologia e
2 protéticos (ALMEIDA et al, 2002).
Tabela 4 - Quantitativo de Oficiais Médicos
do Serviço de Saúde da FEB.
Fonte: MORAES, 2005.
Tabela 5 - Quantitativo de Oficiais
Dentistas do Serviço de Saúde da FEB.
Fonte: MORAES, 2005.
Tabela 6 - Quantitativo de Oficiais
Farmacêuticos do Serviço de Saúde da
FEB
Fonte: MORAES, 2005.
Tabela 7 - Quantitativo de Auxiliares Diretos do Serviço de Saúde da FEB
Fonte: ALMEIDA et al, 2002
2.9 CORPO DE ENFERMEIRAS
A 2ª Guerra Mundial também marca o início da presença de
mulheres no Exército Brasileiro (BERNARDES; LOPES; SANTOS,
2005).
Em 13 de dezembro de 1943, o Presidente Getúlio Vargas promulgou o Decreto n° 6.097, que
criou o Quadro de Enfermeiras da Reserva do Exército, integrando-as no Serviço de Saúde (REIS, 1995).
Para dar melhor atendimento aos doentes e feridos nos hospitais de campanha, os planejadores
da FEB reconheceram a necessidade do recrutamento de enfermeiras, quadro inexistente dentro do
Exército. Por se tratar de uma novidade, a iniciativa provocou uma série de problemas de implantação e
de aceitação; afinal, o Exército nunca tivera mulheres no seu contingente.
Foram feitos contatos iniciais com a Escola Ana Nery e a Cruz Vermelha, tradicionais
estabelecimentos de ensino de enfermagem, mas os entendimentos não evoluíram porque ambas as
organizações exigiram, entre outros itens, a definição de que posto teriam as enfermeiras. O Exército
decidiu então fazer a própria seleção (SILVEIRA, 2001).
Abertas ao voluntariado, apresentaram-se as
enfermeiras candidatas. O Curso de
Adaptação realizou-se no Rio de Janeiro pela
Diretoria de Saúde do Exército, e nas sedes
das Regiões Militares pelas chefias dos
Serviços de Saúde, no prazo de seis semanas
(CAMERINO, 1995).
Este curso comportou três módulos distintos: parte teórica, preparação física e instrução militar.Tal
curso, possibilitou que as candidatas incorporassem o habitus militar, contribuindo para a padronização
do comportamento dessas enfermeiras no Teatro de Operações (T.O.) na Itália (BERNARDES; LOPES,
2007).
Foram escolhidas 73 candidatas, nem todas com prática no serviço de enfermagem, mas
voluntárias e entusiasmadas com a possibilidade de servir à Pátria nos campos de batalha da Europa.
Após seleção, as enfermeiras iniciaram intenso treinamento, com estágio nas principais clínicas do
Exército. Aprenderam o esquema de retirada dos feridos, fizeram exercícios de ordem unida na Fortaleza
de São João, no Rio, e receberam até aulas práticas de natação, ministradas por Maria Lenk, a maior
nadadora da época (SILVEIRA, 2001).
Ao término de um curso intensivo, o aproveitamento das alunas foi apreciado por meio de testes
formulados pelos professores, exceto nos ramos de educação física e ordem unida. As consideradas
habilitadas foram relacionadas e propostas para nomeação, ao Ministério da Guerra.
Em fase de efetiva preparação expedicionária, foram convocadas
para o serviço ativo do Exército. Tornaram-se aptas para o ingresso
no Serviço de Saúde da FEB e foram enviadas para o ‘’front’’
(CAMERINO, 1995).
Das 73 enfermeiras, 67 eram do Exército, inclusive as seis enfermeiras que atendiam aos
pacientes evacuados por via aérea (fizeram um curso especializado na Base de Parnamirim, em Natal).
As outras seis eram da Aeronáutica, e serviam exclusivamente no Hospital da Aviação do Exército
Americano em Livorno, atendendo o pessoal brasileiro no 1º Grupo de Caça.
A inclusão de um contingente feminino pegou de surpresa os planejadores encarregados de
determinar o vestuário desse novo corpo auxiliar do Exército. O material fornecido era inadequado, a
roupa de baixo era antiquada e pouco prática. As enfermeiras embarcaram de avião com o uniforme de
serviço, verde-oliva, deixando no Brasil o número de seu manequim para receber posteriormente a roupa.
Quando a encomenda chegou à Itália foi um desastre: os manequins estavam errados, o material não era
de boa qualidade e estética. O Chefe do Serviço de Saúde, Coronel Marques Porto, diante do problema,
autorizou que as enfermeiras usassem o uniforme americano no recinto do hospital, trocando-o pelo
verde-oliva quando saíssem.
Antes da frustração com o uniforme, ao chegar à Itália, as enfermeiras já tinham tido um grande
aborrecimento: como não fora prevista nenhuma graduação militar, elas não eram soldados nem oficiais,
ao contrário de suas colegas americanas com quem cruzavam e que portavam a patente de oficial
(SILVEIRA, 1989).
As enfermeiras brasileiras eram consideradas
enfermeiras de 3ªClasse, com os vencimentos
de 2°Sargento. Isso implicava em as
enfermeiras brasileiras não poderem conviver
no círculo de Oficiais, ao qual pertenciam as
enfermeiras norte-americanas, daí o
isolamento que se esboçava (CAMERINO,
1995).
O Coronel Marques Porto tomou imediatamente a iniciativa de distribuir entre as enfermeiras as
estrelas de insígnia de 2º Tenente, solução que o General Mascarenhas de Moraes endossou, efetivando
todo o grupo no posto.
Dessa forma, tiveram sua situação resolvida
na parte relacionada à hierarquia militar.
Entretanto, seus vencimentos permaneceram
durante toda a campanha (e até o seu
licenciamento do serviço ativo já em Território
Nacional) equiparados aos de 2° Sargento
(SILVEIRA, 2001).
Na Itália, como 2°Tenentes, foram distribuídas
pelas seções Brasileiras que funcionavam
anexas aos hospitais do V Exército norteamericano, escalonadas de Nápoles aos
Apeninos, trabalhando ao lado das
companheiras norte-americanas (CAMERINO,
1995).
As enfermeiras foram lotadas desde o hospital
de campo, na frente de batalha, até os
hospitais de retaguarda: 32º Field Hospital,
16º Evacuation Hospital, 38º Evacuation
Hospital, 7º Station Hospital, 105º Station
Hospital, 45º General Hospital, 182º General
Hospital e 300º General Hospital (SILVEIRA,
2001).
3 CONCLUSÃO
O Brasil foi o único país da América Latina a enviar uma força
expedicionária para participar da Grande Guerra.
O Serviço de Saúde da Força Expedicionária
Brasileira enfrentou grande desafio. Em pouco
tempo, teve que abandonar sua estrutura de
atuação francesa, que por vinte anos,
contribuíra para sua modernização e rever
métodos, processos, sistemas e técnicas, a
fim de que pudesse ter condições de atuar
lado a lado com o exército dos Estados
Unidos.
O Serviço de Saúde da FEB, também ficou marcado com a presença feminina no seu efetivo. Essa
força de trabalho criada, organizada e preparada no Brasil, seguiu para a 2ª Guerra Mundial, com o
propósito de potencializar o recurso humano de Enfermagem dos países aliados, que atuava nos
hospitais de campanha.
Enfim, todo trabalho relacionado à organização, preparação e planejamento do Serviço de Saúde da Força
Expedicionária Brasileira, para atuação na Segunda Guerra Mundial é merecedor de elogios e reconhecimentos
frente às dificuldades enfrentadas e aos esforços desprendidos por esse tão importante serviço.
REFERÊNCIAS
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Interdisciplinar de fim de Curso apresentado à Escola de Saúde do Exército como requisito para a
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Guerra Mundial, na Itália (1942-1945). Rev Latino-Am Enfermagem, 2005 maio-junho; v.13, n.3, p.314321.
BERNARDES, M. M. R.; LOPES, G. T. As Enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira no front
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CAMERINO, O. de A. A. Mulher brasileira enfermeiras da FEB. Revista Verde-Oliva, 1995, v. 23, n.144,
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Janeiro (RJ): Biblioteca do Exército Editora; 2001.
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Exército apresentado aos Exmos Generais Comandante e Comandante dos Órgãos não
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1º Ten Al PATRÍCIA PIRES MALAQUIAS
A PREPARAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE
SAÚDE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA
PARA A 2ª GUERRA MUNDIAL
Trabalho de conclusão de curso apresentado à
Escola de Saúde do Exército, como requisito parcial
para aprovação no Curso de Formação de Oficiais
do Serviço de Saúde, especialização em Aplicações
Complementares às Ciências Militares.
COMISSÃO DE AVALIAÇÃO
Gen Div Med R1 Severino Ramos de Oliveira
FABIO LUÍS FIGUEIREDO FLORINDO MOREIRA - Maj
JÚLIO CÉSAR FIDALGO ZARY - Cap
Rio de Janeiro, ____ de ____________ de 2008
ABSTRACT
The Second World War, considered the biggest armed conflict worldwide, 1939 to 1945, was among the
countries with democratic ideology, known as Allied countries (Britain, France, the former Soviet Union
and United States) and Axis block (totalitarian, constituted by Germany, Italy, Japan). Brazil depends on
its commitment made at the Conference of Havana - the breaking of diplomatic relations with the Axis confirmed in Chanceller’s meeting that took place at Rio de Janeiro in January 1942, after the sinking of
merchant ships along the brazilian coast, declares war to axis, in August 1942, it decided to be with the
allied forces and made the decision to send troops in mid-1943. To support U.S. troops in the Allied Italian
territory, the Brazilian Expeditionary Force was created in August 1943. This review of literature aimed the
preparation and organization of the Brazilian Expeditionary Force Health Department. This important
service faced one of the most difficult tasks in its history. For twenty years, followed the dictates of the socalled French school, which both contributed to its modernization and to the improvement of its cultural
frameworks. And in a short period of time had to review methods, processes, systems and techniques so
that might be able to work side by side with the U.S. Army. Even with all the difficulties found in the
organization, preparation and planning, the Brazilian Expeditionary Force Health Department was worthy
of praise and recognition by higher authorities.
Keywords: Health Department. Brazilian Expeditionary Force. Second World War.
Anexo A - Relação nominal dos Oficiais Médicos, Farmacêuticos e
Dentistas do Serviço de Saúde da Força Expedicionária Brasileira.
Médicos
Coronel: Emanuel Marques Porto.
Tenentes-Coronéis: Augusto Marques Torres, Bonifácio Antônio
Borba, Gilberto José Fontes Peixoto.
Majores: Ary Duarte Nunes, Augusto Sette Ramalho, Sady Cahen
Fisher, Virgílio Alves Bastos, Ernestino Gomes de Oliveira.
Majores da Reserva: Agenor Edesio de Estelita Lins, Ernani Faria
Alves, Alfredo Alberto Pereira Monteiro, Mazzini Bueno, Alípio Corrêa
Netto.
Capitães: Abelardo Raul de Lemos Lobo, Sylla Fontoura de Almeida,
Luiz da Silva Tavares, Álvaro Menezes Paes, José de Oliveira Ramos,
Gil Brito de Carvalho, Elias Farah, Adolpho Riedel Ratisbona,
Oswaldo Luiz do Rosário, Francisco Bustamante Filho, Nelson
Bandeira de Mello, Edgardo Moutinho dos Reis, Nestor Soares Pires,
Tito Ascoly de Oliva Maia, Generoso de Oliveira Ponce, Jurandir
Manfredini, Felippe de Freitas e Castro, João Maliceski Júnior,
Benjamin Rodrgues, Nelson Rocha, Gilberto Rozemback, David
Sacks, Oliveiro Antônio Salles, Renato Varandas de Azevedo, Elpidio
Fernandes Praxedes de Oliveira, Gualter Doyle Ferreira, Carlos de
Paula Chaves, Oswaldo Furtado de Campos, Breno Duarte da Cunha,
Godofredo da Costa Freitas, Henrique Leopoldo Pfeffer Korn.
Capitães da Reserva: Oscar Nicholson Taves, Joé Antônio de
Oliveira, Alfredo Herculano de Souza Oliveira, Carlos Gomes dos
Santos, Christovão Xavier Lopes, José de Lima Batalha, Mirandolino
José de Caldas Filho, Amílcar Vianna Martins.
Primeiros-Tenentes: Zaly de Sampaio Monteiro Câmara, Sílvio de
Queiroz Câmera, Herbert Dias Gaspar, Gilberto Ferreira da Costa,
Newton Gabriel de Souza, Neir Alves de Miranda, Júlio César
Monteiro de Barros, Luiz de Azevedo Guimarães, Mário V. de Assis
Pacheco, Orlando Gomes Berthier, Almir de Castro Neves, Rubens de
Lacerda Mana, Waldemar Barcellos Borges, José Francisco da Silva,
Jair Garcia de Freitas, Epaminondas de Albuquerque Filho, Mário
Eurico Álvaro, Iturbides Gouvêa do Amaral, Arthur Floriano de Toledo
Júnior, Antônio Lauriodó de Camargo, Antônio Nogueira de Rezende,
Paulo Ouricouri, João Baptista Pereira Bicudo, Ademaro de Lamare
Filho, Álvaro Dodsworth Machado, Wilson de Santana Coutinho,
Fernando Mangia, Francisco de Castro Borges Machado, Jayme
Brown Martins, Moacyr Pareira Lima, Antônio Samuel Baptista,
Geraldo Augusto de Abreu, Otto Mohn, Dario Geraldo Sales, Newton
Desouzart Sobrinho, Raphael Tobias de Moraes e Barros, Túlio
Pradal, Guilherme Ferreira Pinto, José Carlos de Mello Falcão Neto,
Altineu Cortes Pires, Everardo Martins de Araújo, Djalma Chastinet
Contreiras, Brenno Cruz Mascarenhas, Newton de Queiroz Paim.
Primeiros-Tenentes da Reserva: Ciro Chesnau, Hugo Helmond Mallet
Soares, Caio Gomes Figueiredo, José Nogueira de Sá, Valentim
Carvalho Machado, Ivon M. Azevedo Maia, Pantaleoni Arcuri Netto,
Lázaro Rubim, Jefferson Rodrigues Moreira, Frederico Joel Junqueira,
Renato Dias Baptista, Waldemar Rosa dos Santos, Edilano Guterrez
Cid, Mário Duarte Monteiro, Milton Weinberg, Themistocles Ribeiro,
Herberto de Brito Lyra, Heleno Gregório, Paulo Gonçalves Ferreira,
Antônio Caio Amaral, José Simplício Azevedo Pio, Arthur Marcondes
de Siqueira, Eurico Gonçalves Bastos Filho, Rubens de Oliveira
Coelho, Lourival Ribeiro da Silva, Carlos da Silva Freire, José Muller,
Milton saraiva, Luiz Gonzaga Ribeiro, José de Freitas.
Segundos-Tenentes da Reserva: Alberto Rodrigues Euzébio, Oswaldo
Bandeira, João José Cardoso da Silva, Edgard Caldas Barbosa, José
Nunes da Silva, Miguel Agostinho Rizola Mello, Guajará Augusto
Cavallero, Antônio Chagas Bicalho, Antônio Arcanjo Câmara, Affonso
Gardini, Paulo Jorge Wishart, José Luso Affonso, Enzo dos Santos
Trevisani, Mauro dos Santos Lourival, Thales Miranda Costa Moreira,
Adelermo Alvarenga Filho, Alberto Miranda Raposo de Câmara,
Affonso Taylor da Cunha Mello, José Olavo Martins Ferreira, Paulo
Samuel dos Santos, Raymundo Veras, Silvio Coelho V. Leite Ribeiro,
Annibal Ribeiro de Almeida Luz, Mário da Costa e Silva, Mansur
Tanfic, Carlos Costa e Souza, Lauro Sampaio Vianna, Alfredo
Gonçalves da Silva Vianna Filho, Carlos Fernandes Engelsing, Mário
Pontes Alves, Hélio Reis Leal, Rubens de Aquino Marques, Raul de
Miranda Silva Júnior, Murillo Oliveira Paiva, Ary Aloísio Soares, José
Cândido Amado, Henrique Manoel Assumpção Rupp, Antônio Ornelas
do Couto Júnior, José Monteiro, Eugênio Estelita Lins, Sebastião
Fonseca Souto Maior, Nobly Lorentz, Pedro da Cunha Filho.
Aspirantes a Oficial da Reserva: Décio Amaral Filho, Samuel Soichet,
Antônio da Fonseca Júnior, Carlos Henrique Bessa, Jorge Arturo
Borring, Carlos da Silva Freire.
Farmacêuticos
Primeiros-Tenentes: Marco Antônio da Rocha Corrêa, Lúcio Muniz
Barreto, Luiz de Souza Freitas, Waldomiro de Araújo.
Segundo-Tenente: Josephi de Almeida Reis.
Segundo-Tenente da Reserva: Célio de Andrade Mandes.
Dentistas
Capitães: Ennio Vilela, João Antônio Ferreira da Cunha, Luiz Américo
Soares de Faria.
Primeiro-Tenente da Reserva: Bartholomeu Lopes.
Segundos-Tenentes da Reserva: Orlando Luna Freire do Pilar, Nezio
de Souza Gomes, Tácito Caminha, Aloysio Guimarães, Walter Reis
Ribeiro, Augusto Tito de Oliveira Lemos, Walter Pereira Gonçalves,
Ruy Lopes Ribeiro, José França Americano, Onésimo Ferreira da
Rocha, Mário Ferreira da Rocha, Lauro Sampaio Vianna, Valério
Leon, Nestor Licio, Antônio de Lemos Brito, Vicente Ferraz Almeida
Prado Netto, Francisco José Rocha, Eduardo dos Santos Mendes,
Paulino Pessoa de Mello.
ANEXO B - Relação nominal das enfermeiras da Força
Expedicionária Brasileira.
Olímpia de Araújo Camerino, Carmen Bebiano, Antoniêta Ferreira,
Virgínia Maria de Niemeyer Portocarrero, Inácia de Melo Braga, Elza
Cansanção Medeiros, Lúcia Osório, Maria do Carmo Corrêa e Castro,
Berta Moraes, Olga Mendes, Nair Apula de Melo, Altamira Valadares,
Helena Ramos, Maria José Aguiar, Neuza de Melo Gonçalves, Maria
Luiza Vilela Henry, Heloísa Cecília Vilar, Elita Marinho, Jurgleide Doris
de Castro, Jacira de Souza Góes, Maria Celeste Fernandes,
Novembrina Augusto Cavaleiro, Graziela Afonso de Carvalho, Maria
Belém Landi, Juraci França Xavier, Elsa Miranda da Silva, Silvia
Pereira Marques, Matilde Alencar Guimarães, Lindaurea Galvão,
Haidée Rodrigues Costa, Gema Imaculata Otolograno, Ondina
Miranda de Souza, Jandira Bessa Meireles, Fausta Nice Carvalhal,
Maria de Lourdes Mercês, Amarina Franco Moura, Alice Neves Maia,
Carlota Melo, Maria Aparecida França, Araci Arnaud Sampaio, Jandira
Faria de Almeida, Maria Conceição Suarez, Izabel Novais Feitosa,
Roselys Belém Teixeira, Lilia Pereira da Silva, Wanda Sofia Magexski,
Hilda Ribeiro, Arminda Célia Barroso, Virgínia Leite, Jaci Alves, Edith
Fanha, Guilhermina Rodrigues Gomes, Ilza Meira Alkmin, Nícia de
Moraes Sampaio, Elza Ferreira Viana, Lígia Fonseca, Nilza Cândida
da Rocha, Acácia Cruz, Zilda Nogueira Rodrigues, Joana Simões de
Araújo, Dirce Ribeiro da Costa Leite, Semiramis de Queiroz
Montenegro, Sara de Castro, Lenalda Lima Campos, Maria José
Vassimon de Freitas, Maria Hilda de Melo, Silvia de Souza Barros.
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a preparação e organização do serviço de saúde da força